Prévia do material em texto
67 Só uma informação extra. Não confundir com os atributos ou características. São atributos: a presunção de legitimidade, a autoexecutoriedade, a imperatividade, a exigibilidade e tipicidade. Você poderia ter se confundido com a letra “C”, por exemplo. Questão 27: CEBRASPE (CESPE) O chefe do Poder Executivo estadual baixou resolução pela qual declarou ser de utilidade pública para fins de desapropriação determinado imóvel particular, situado no território do respectivo ente federado. Nessa situação hipotética, o referido ato administrativo foi eivado de vício quanto a) à forma. b) à finalidade. c) ao objeto. d) ao motivo. e) à competência. GABARITO: A Vamos por partes. De quem é a competência para declarar o imóvel como de utilidade pública? O chefe do Executivo. Logo, não há vício na competência. A finalidade da desapropriação é o atingimento do interesse público. Não há qualquer menção ao desvio de finalidade, logo, não há vício na finalidade. E qual é o ato privativo do chefe do Executivo? Resolução? Claro que não. São os decretos. Portanto, no caso concreto, houve um vício no elemento forma. Questão 28: IADES Assinale a alternativa que apresenta um dos requisitos do ato administrativo, necessário para o respectivo aperfeiçoamento e para a produção de efeitos jurídicos válidos. a) Competência b) Veracidade c) Imperatividade d) Legitimidade e) Legalidade Licensed to Pensar Concursos - pensarconcursos@gmail.com 68 GABARITO: A Requisitos são os elementos necessários para que o ato produza efeitos jurídicos válidos. São 5 os elementos do ato administrativo: competência, finalidade, forma, motivo e objeto, muito conhecidos pelo mnemônico "COM-FI-FO-MO-OB". Ou seja, a única opção que tem um requisito é a letra A. Vejamos as demais: B e D) Tanto a veracidade quanto a legitimidade são estudados como presunções. O ato administrativo nasce com presunção de veracidade e de legitimidade. Mas isso, como dito, são atributos do ato, não requisitos. C) Imperatividade também é um atributo do ato administrativo. Essa característica representa o chamado Poder Extroverso da Administração, permitindo que o Poder Público obrigue os particulares a agir mesmo contra a sua vontade. E) Legalidade não é nem atributo nem elemento, é um princípio da administração pública. Ele vincula os particulares e a Administração à lei, mas de formas diversas. O particular pode fazer tudo o que a lei não proíba, já a administração só pode fazer o que a lei lhe permite. Questão 29: IADES Quanto aos elementos do ato administrativo, assinale a alternativa correta. a) Competência representa a habilidade técnica e o zelo com que se pratica o ato administrativo. b) Motivo é o resultado que se pretende alcançar com a prática do ato. c) Forma é a materialização de como o ato se apresenta, que, em regra, deve ser escrito e motivado. d) Objeto é a justificativa, por escrito, que ampara a existência do ato praticado. e) Finalidade trata do poder conferido a determinados agentes públicos para a prática do ato. GABARITO: C A questão versa acerca dos atributos do ato administrativo. Nesse contexto, os elementos do ato são Competência (sujeito), Finalidade, Forma, Motivo e Objeto. Vejamos a tabela a seguir: Elementos CONCEITO CO-mpetência Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (Direito Administrativo Descomplicado. 23. ed. São Paulo: Método, 2015, p. 505): "Podemos definir competência como o poder legal conferido ao agente público para o desempenho específico das atribuições de seu cargo. [...] Somente a lei pode estabelecer competências administrativas; por essa razão, seja qual for a natureza do ato administrativo - vinculado ou discricionário - o seu elemento competência é sempre vinculado." Licensed to Pensar Concursos - pensarconcursos@gmail.com 69 FI-nalidade Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (ob. cit., p. 512): "A finalidade é um elemento sempre vinculado. Nunca é o agente público quem determina a finalidade a ser perseguida em sua atuação, mas sim a lei. Podemos identificar nos atos administrativos: a) uma finalidade geral ou mediata, que é sempre a mesma, expressa ou implicitamente estabelecida na lei: a satisfação do Interesse público; b) uma finalidade especifica, imediata, que é o objetivo direto, o resultado especifico a ser alcançado, previsto na lei, e que deve determinar a prática do ato." FO-rma Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (ob. cit., p. 513): "A forma é o modo de exteriorização do ato administrativo. Todo ato administrativo é, em princípio, formal, e a forma exigida pela lei quase sempre é a escrita (no caso dos atos praticados no âmbito do processo administrativo federal, a forma é sempre e obrigatoriamente a escrita [...] Apesar de autores como o Prof. Hely Lopes Meirelles prelecionarem que a forma é elemento sempre vinculado nos atos administrativos, pensamos que, hoje, essa afirmativa deve, no máximo, ser considerada uma regra geral." MO-tivo Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (ob. cit., p. 513): "O motivo é a causa imediata do ato administrativo. É a situação de fato e de direito que determina ou autoriza a prática do ato, ou, em outras palavras, o pressuposto fático e jurídico (ou normativo) que enseja a prática do ato." DETALHE: Pode ser vinculado ou discricionário. OB-jeto Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (ob. cit., p. 517-8): "O objeto do ato administrativo identifica-se com o seu conteúdo, por meio do qual a administração manifesta sua vontade, ou atesta simplesmente situações preexistentes. Pode-se dizer que o objeto do ato administrativo é a própria alteração no mundo jurídico que o ato provoca, é o efeito jurídico imediato que o ato produz. [...] Pode-se afirmar, portanto, como o faz a doutrina em geral, que: (a) nos atos vinculados, motivo e objeto são vinculados; (b) nos atos discricionários, motivo e objeto são discricionário" De posse dessas informações, vamos analisar os itens para encontrar a resposta correta. a) Competência representa a habilidade técnica e o zelo com que se pratica o ato administrativo. Incorreto. Competência é o poder legal conferido ao agente público para a prática de determinado ato administrativo, conforme visto acima. b) Motivo é o resultado que se pretende alcançar com a prática do ato. Incorreto. O resultado que se pretende alcançar com a prática do ato é o objeto. O motivo é o pressuposto fático-jurídico que justifica a edição do ato administrativo. c) Forma é a materialização de como o ato se apresenta, que, em regra, deve ser escrito e motivado. Correto. De fato, a forma é a exteriorização do ato administrativo, isto é, como ele se apresenta após editado. Via de regra, veda-se o ato oral e imotivado. d) Objeto é a justificativa, por escrito, que ampara a existência do ato praticado. Incorreto. Conforme vimos, este conceito está atrelado ao elemento motivo. Licensed to Pensar Concursos - pensarconcursos@gmail.com 70 e) Finalidade trata do poder conferido a determinados agentes públicos para a prática do ato. Incorreto. Conforme visto na LETRA A, esta conceituação reflete o elemento competência. Questão 30: VUNESP A respeito da competência do ato administrativo, é correto afirmar que a) é presumida e pode ser prorrogada. b) permite a delegação e a avocação, mas é irrenunciável. c) é irrenunciável, e não pode ser delegada a órgão de hierarquia inferior. d) seu exercício é obrigatório, mas é renunciável. e) é intransigível, mas pode ser transferida. GABARITO: B A irrenunciabilidade não é a única característica da competência. São apontadas, ainda, as seguintes características: I) sempre decorrente de lei: a competência não se presume, exigindo-se texto expresso de norma. Fica a ressalva de que, na esfera federal, os decretos autônomospodem definir o exercício da competência (inc. VI do art. 84 da CF/1988); II) intransferível (inderrogável): a competência não se transmite por mero acordo entre as partes. Mesmo quando se permite a delegação, é preciso um ato formal que registre a prática (caput do art. 14 da Lei 9.784/1999); III) improrrogável: no processo civil, é comum ouvir falar que, se um determinado vício de competência relativa (em razão do valor ou território), não for alegado no momento oportuno, o juiz de incompetente passa a competente, ou seja, fica “prorrogada” sua competência. No Direito Administrativo não é isso o que acontece, pois os interesses que estão “em jogo” não são particulares como no Direito Civil. Assim, o mero decurso do tempo não transforma a incompetência em competência. Para a alteração da competência, é necessária a edição de norma que especifique quem agora passa a dispor da competência; IV) imprescritível ou incaducável: o não uso da competência não torna o agente incompetente. Não se pode falar, portanto, em “usucapião” de competência; e V) pode ser objeto de delegação (ato de repartir o exercício da competência) ou de avocação (ato de trazer para si o exercício da competência), desde que não reservada à competência exclusiva. Licensed to Pensar Concursos - pensarconcursos@gmail.com