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............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. Plano de Estudos • Defnição de Fluência e Disluência. Objetivos da Aprendizagem • Compreender a luência na ala; • Reconhecer a disluência; • Conhecer as causas da disluência;. Professor(a) Esp. Ana Paula Taborda do Nascimento FLUÊNCIAE DISFLUÊNCIA UNIDADE DEFINIÇÃO DE FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIA TÓPICO 8FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1 Para compreender o conceito de disuência, é undamental começar discutindo o conceito de uência na ala. A uência, em termos simples, se reere a uma sequência de sons da ala que é pronunciada de maneira contínua e clara, de orma que seja acilmente compreendida pelo ouvinte. Quando essa uência é interrompida ou perturbada de alguma orma, entramos no território da disuência. Podemos denir a uência em termos de quatro atores-chave: sincronização respi- ratória correta, iniciação suave e harmoniosa da fala, sustentação da coluna de ar e vibração adequada das pregas vocais. Esses elementos contribuem para uma ala contínua e uida. A uência verbal é o resultado de uma integração harmoniosa entre a pressão de ar subglótica e a pressão de ar supraglótica, juntamente com a correta resistência das pregas vocais. Portanto, a coordenação precisa ser pereitamente sincronizada entre os músculos envolvidos para que a uência na ala seja alcançada. A uência na ala pode ser caracterizada por quatro parâmetros undamentais: • Sequência ou Organização Temporal: Refere-se à maneira como os fonemas são organizados em uma expressão linguística, ou seja, a ordem em que são pronunciados. • Duração da Articulação: Indica o tempo necessário para articular cada ele- mento fonético. Em condições normais, a articulação de cada fonema leva cerca de 0,3 segundos. No entanto, em situações de tensão ou emoção, esse tempo pode aumentar ligeiramente. 9FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1 • Velocidade da Articulação: Este parâmetro se relaciona com a rapidez com que os elementos onéticos são pronunciados. Cada elemento onético tem uma duração variável, e a velocidade da articulação aeta a uência da ala. • Ritmo e Prosódia: Isso engloba a cadência, melodia, tonalidade e intensidade da fala, ou seja, a forma como as palavras e frases são entoadas e entonadas ao longo da comunicação. Esses aspectos prosódicos desempenham um papel importante na percepção da uência verbal. Portanto, a uência na ala é caracterizada pela organização temporal dos onemas, a duração da articulação, a velocidade da articulação e os aspectos prosódicos que incluem ritmo, melodia, tonalidade e intensidade. Esses parâmetros combinados desempenham um papel crucial na compreensão e avaliação da uência da linguagem alada. De acordo com Escarpa (1995), o pesquisador Fillmore (1979) propôs quatro tipos de uência, cada um relacionado a dierentes aspectos do uso eetivo da linguagem: • O primeiro tipo de uência diz respeito à capacidade de alar de orma extensa, sem interrupções, hesitações ou a necessidade de pensar sobre o que será dito, tornando a ala quase automática. • O segundo tipo de uência está ligado à habilidade de dominar os recursos semânticos e sintáticos da língua, tornando possível a produção de sentenças coerentes e bem estruturadas. • O terceiro tipo de uência envolve a capacidade de lidar com uma ampla varie- dade de tópicos e a habilidade de escolher as palavras apropriadas em diferentes contextos de maneira eciente. • O quarto tipo de uência é caracterizado pela capacidade de se expressar de maneira criativa, usando trocadilhos, metáforas e formas inovadoras de comu- nicação. Assim, a uência na ala é um conceito multiacetado que envolve a capacidade de se comunicar de orma ecaz em diversos aspectos, desde a continuidade da fala até a expressão criativa. A compreensão desses aspectos é undamental para identicar e entender as disuências na linguagem. A uência é percebida como um conceito dependente do contexto, é a habilidade de planejar e expressar a ala de orma simultânea. A uência é como uma impressão no ouvinte de que os processos psicolinguísticos de planejamento e produção da ala estão ocorrendo de maneira ácil e eciente, a uência também pode se considerada como uma habilidade processual automática na produção da ala, que não requer uma atenção ou esorço signi- cativo por parte do alante. Essa denição também oi adotada por (JAKUBOVICZ, 2009) 10FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1 Andrade (2001) dene a uência como uma ala contínua e suave, e descrevem como aquela que exige pouco esorço motor, emocional e cognitivo durante a sua produção. Jakubovicz (1997) argumenta que, além de ser produzida sem esorço, a ala uente deve ser percebida pelo ouvinte como natural. É importante notar que a literatura apresenta várias tentativas de caracterização da uência na ala. No entanto, é essencial ressaltar que a uência na ala não é uma ocorrência cons- tante. A menos que se trate de uma ala decorada, raramente encontramos uma ala com- pletamente uente. Os alantes são requentemente interrompidos por desorganizações no discurso, intencionais ou não, tornando-os requentemente disuentes. (JAKUBOVICZ, 2009) Portanto, entendemos que a ala comum e espontânea, como aquela em ambientes familiares, conversas entre amigos, ou situações formais como aulas, discursos, entrevis- tas de emprego e sermões religiosos, está repleta de disuências. Estas disuências são consideradas “lapsos normais”, comuns na língua. No entanto, quando essas disuências ocorrem em excesso, elas podem causar uma impressão negativa no ouvinte, tornando a ala percebida como “incorreta”. A uência é mais requentemente observada em discursos controlados, como as falas ensaiadas de atores de teatro, locutores esportivos e radialistas. É importante notar que, mesmo em situações de ala controlada, como a narração de eventos esportivos, não estamos isentos de lapsos ou interrupções na comunicação. Por exemplo, é comum perceber que os comentários eitos por locutores durante uma partida de utebol são mais suscetíveis a disuências do que a narração propriamente dita. Isso ocorre porque, durante os comentários, as ideias estão sendo ormuladas em tempo real, o que é dierente da narração, que geralmente envolve uma ala mais ensaiada e treinada. Mesmo ouvintes atentos já devem ter notado essas interrupções na fala durante essas situações. No entanto, de acordo com, (JAKUBOVICZ, 2009) a uência na ala, no sentido de uma continuidade absoluta e pereita sequência de palavras, é impossível devido à necessidade de respirar. As pausas para a respiração são inevitáveis e contribuem para a disuência na ala. Segundo os autores, em média, respiramos a cada cinco segundos, ou seja, cerca de doze vezes por minuto. Essas pausas para a respiração são naturais e essenciais para o processo de comunicação oral. Conorme apontado por(JAKUBOVICZ, 2009) a ala não planejada é um processo que se desenrola quando é proerida, ou seja, está constantemente em construção. O pla- nejamento e a verbalização ocorrem simultaneamente durante a interação verbal, dando origem a uma forma dinâmica e, portanto, descontínua de comunicação. A autora faz uma analogia interessante, comparando a ala a um lme devido à sua natureza em constante 11FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1 evolução, enquanto o texto escrito é mais estático e se assemelha a um quadro. A des- continuidade requente no uxo discursivo , é resultado de atores de natureza cognitiva e interacional, reetindo a natureza viva e em constanteEntrevista com a criança em idade escolar Perguntas sobre a fala Perguntas sobre a escola Fonte: Jakubovicz 2009 1.2 – Tratamento em crianças Aqui vai um exemplo de uma dentre muitas técnicas de construir uência consiste em ir introduzindo uma forma diferente de falar passo a passo. Pode-se começar pedindo que a criança monte um quebra-cabeça ou aça um desenho, mas enquanto isso ela deve repetir as palavras que o terapeuta irá alar. A intenção de azer o desenho e alar ao 52AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 mesmo tempo, é manter a criança entretida em uma atividade bem relaxada (o desenho ou jogo de encaixe) enquanto az outra atividade não tão relaxante, como alar. O terapeuta começa, então, a repetir a repetição de palavras monossilábicas do tipo: PA – TOM- MAR – PÃO – CÉU – SIM- NÃO – DAR – ETC. Se a criança tiver a uência, o que é quase certo que ela consiga, pois são palavras fáceis de falar, pede-se a repetição de dissílabas simples como: BOLO – SAIA – BICA – BOTA – MATO – FADA – TATU – VASO – ETC. Se or uente, pedir a repetição de palavras complexas como os grupos consonantais: PROVA – GRADE – FLAUTA – TREVO – CLUBE – CLASSE – ETC. O próximo passo é pedir a repetição de frases bem curtas do tipo: COLHER FLORES – CASA PEQUENA – BATER PALMAS – SAI DA FRENTE – CORTA O CABELO – LEVANTA O LÁPIS - SOPRA ESSA VELA – ETC. Se a criança já tem habilidade de leitura, ela começará a ler o material em etapas progressivas, indo de listas simples para mais complexas. Uma vez que a criança alcan- ça uência na repetição e leitura, avança para outra ase, que envolve a expressão oral espontânea. O próximo passo no desenvolvimento da uência é narrar histórias de orma sequencial. Às vezes, é necessário realizar exercícios para integrar a respiração na rase, e nesse contexto, a criança é instruída a azer uma pequena inspiração no início da rase, liberando o ar suavemente ao longo da fala. ANAMNESE, AVALIAÇÃO E TRATAMENTO EM ADULTOS TÓPICO 53AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 Se avaliar a gagueira em crianças pode ser desaador, o mesmo não se aplica a adolescentes e adultos. Isso se deve ao ato de que adultos geralmente se autodenominam como “gagos” e têm plena consciência de sua orma de alar. Ao buscar tratamento, estão insatisfeitos com sua fala e carregam emoções negativas em relação a isso. Na primeira entrevista, é crucial fazer perguntas diretas e pertinentes ao problema. Se o paciente de- monstra timidez ou se recusa a responder de imediato, isso é sintomático, indicando que não está acostumado a discutir abertamente o problema da “gagueira”. À medida que o onoaudiólogo, por meio de perguntas especícas, mostra compreensão da gagueira e su- gere a possibilidade de ajuda, ele transmite conança ao paciente. Ao longo da entrevista, o paciente começa a se sentir mais à vontade para responder. A avaliação pode ocorrer em uma ou várias sessões, e o terapeuta deve usar sua sensibilidade clínica para inferir e tirar conclusões da melhor maneira possível. As diretrizes da psicoterapia surgirão das respostas e reações evidentes e não evidentes do paciente a certas perguntas. Se possível, as entrevistas iniciais devem ser gravadas em vídeo. As respostas e reações do paciente podem ser posteriormente analisadas e discutidas. Por exemplo, em uma fase posterior do tratamento, é possível voltar à gravação para que o próprio paciente avalie se suas reações e sensibilidades se modicaram. Per- guntas sobre a requência da gagueira em dierentes situações e com dierentes ouvintes, as reações em relação à gagueira e aspectos da personalidade devem, se possível, ser respondidas com um “SIM” ou “NÃO” ou de maneira muito concisa. É mais fácil interpretar uma resposta curta do que histórias longas e detalhadas. 54AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 2.2- Anamnese em adultos • Por que razões veio se consultar? Ou por que só agora veio se tratar da ga- gueira? • Você mesmo quis vir ou alguém pediu para você vir? • Com que idade começou a gaguejar? • Liga o início da gagueira a alguma causa particular? • A gagueira começou de modo gradual ou foi de repente? Descreva a gagueira no seu início. • Alguém chamou sua atenção quando pequeno em sua maneira de alar? • Sua maneira de gaguejar se modicou? De que maneira? • Alguém mais gagueja na família? • Tem alguma diculdade em certas situações particulares? Por exemplo: alguém especial, em situação especíca, com certas palavras, com certos sons? • Procura evitar essas situações, palavras ou pessoas? • Pode prever quando vai gaguejar? • O ato de ser gago inuenciou: sua vida social, sua personalidade, e escolha da carreira, a escolha do trabalho? Aqui estão algumas das questões para realizar com adultos, deve-se também ava- liar a requência da gagueira com relação à situação e ouvintes, reações das pessoas com relação à gagueira e avaliar os aspectos da personalidade. A avaliação também deve seguir algumas etapas linguísticas. Elas se azem necessárias para o terapeuta car conhecendo todos os aspectos do problema e se tornar apto a modicá-los. 2.3 – Terapia de gagueira em adultos O que exatamente o indivíduo que gagueja precisa aprender? É inquestionável que ele precisa aprender a falar sem gaguejar. Quais aspectos da gagueira precisam desapa- recer? Uma resposta adequada incluiria a eliminação da respiração anormal, da onação inadequada e da articulação ragmentada. Uma pergunta adicional surge aqui: será que a pessoa que gagueja não sabe respirar normalmente, produzir a voz adequadamente e articular as palavras na sequência correta? Quando ela ala uentemente, e é inegável que tem ases de uência, ela respira normalmente, produz uma voz adequada e articula corretamente os sons da ala em sequência. Isso sugere que ela sabe realizar essas três coisas pereitamente bem. Sabemos que o indivíduo com gagueira é capaz de entrar em uma loja e pedir algo mesmo gaguejando. Portanto, alar uentemente não é o problema; o desao está em saber como alar sem gaguejar. 55AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 Tudo indica que a pessoa que gagueja aprendeu a gaguejar, como mostra clara- mente as fases de desenvolvimento da gagueira, de Bloodstein em 1950. A gagueira é um contínuo que cada indivíduo desenvolve à sua maneira. São hábitos adquiridos ao longo dos anos por meio de mecanismos de associação; desde a inância, a pessoa que gagueja oi condicionada a alar de uma determinada maneira. Mesmo que o adulto não queira mais alar daquela maneira, ele não consegue, pois aprendeu e está condicionado. Ao aprender a alar acilmente e sem luta, é possível quebrar o ciclo vicioso, alterar o reorço, inverter o ciclo vicioso e modicar o curso natural dos acontecimentos. O método de abordar a gagueira como um aprendizado tem a vantagem de não se ater às causas, evitando polêmicas nesse sentido, uma vez que a causa não é conhecida. Dessa orma, o oco é direto e objetivo: eliminar o sintoma que oi aprendido no passado. Existem diversas atividades que podem ser consideradas aprendizagens, como estudar outra língua, memorizar um texto, aprender a dirigir um carro, jogar tênis, usar o computa- dor, entre outras. Algumas atividades podem ser classicadas como ganho ou progresso, mesmo que sua utilidade não seja imediatamente demonstrável. Nesse grupo estão os tiques, os maneirismos e certas ormas de gesticular ou alar gaguejando. A aprendizagem pode ser denida como o progresso alcançado pela prática, embora saibamos que nem semprecertos comportamentos sejam desejáveis, como é o caso da gagueira. O enoque de Van Riper em 1971, como um tratamento contínuo ao longo do tempo para a gagueira, destaca a importância da relação paciente-terapeuta para o sucesso da terapia. O grande dierencial é a responsabilidade atribuída à pessoa que gagueja. Para Van Riper 1971, a mudança nos comportamentos de ala não é suciente; é crucial haver uma mudança nas atitudes. O objetivo geral da terapia não é eliminar a gagueira, mas sim alcançar dois objetivos especícos: 01.Modicar os movimentos da gagueira com a nalidade de torná-los menos intensos e requentes. 02.Reduzir o medo da gagueira e os comportamentos de aviltamento associado ao medo. Gaguejar é um ciclo vicioso. Quando o indivíduo que gagueja deseja alar, ele se esorça para evitar a gagueira, gerando uma tensão excessiva nos músculos onoarticula- tórios e acabando por gaguejar. Essa gagueira leva a mais esforço para evitá-la, resultando em uma maior tensão muscular e, consequentemente, mais episódios de gagueira, criando assim um ciclo contínuo. 56AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 A terapia visa modicar essa dinâmica, onde o indivíduo que gagueja tenta alar, o terapeuta o instrui a parar e identicar quais músculos estão tensos, buscando relaxá-los. Além disso, o terapeuta encoraja a pessoa a perceber suas ansiedades e medos em relação à palavra ou à situação de ala que está enrentando, antes de continuar a alar e modicar toda a sua estrutura de comunicação. A base da terapia é undamentada em três teorias, que são: 01.Teoria da aprendizagem; 02.Teoria da cibernética ou da propriocepção; 03.Princípios da psicoterapia. 01.A teoria da aprendizagem aplicada à terapia para a gagueira sugere que o processo visa desfazer os padrões de fala do indivíduo com a gagueira, levan- do-o a abandonar hábitos antigos e respostas condicionadas. O objetivo é que a pessoa desenvolva uma nova maneira de responder a situações que antes desencadearam sua gagueira, promovendo assim uma ala mais uente. 02.Na teoria da cibernética ou da propriocepção, Van Riper 1971, argumenta que, uma vez que os atos motores da ala são controlados pelo eedback auditivo, o método de tratamento deve considerar isso. O paciente é incentivado a utilizar o eedback proprioceptivo em vez do auditivo, o que pode ser acilitado pelo uso de dispositivos como DAF, mascaramento ou outros que avoreçam o controle motor pela propriocepção. Mesmo sem dispositivos eletrônicos sosticados, um simples gravador usado pelo terapeuta para fornecer feedback sobre a fala pode ser útil. O oco do paciente deve ser nos movimentos dos articuladores, buscando sentir a anormalidade mais do que ouvi-la. O objetivo é que o paciente busque um modelo melhor nos movimentos dos articuladores para que os erros possam ser reconhecidos e corrigidos automaticamente. 03.Os princípios da psicoterapia na abordagem da gagueira destacam que a maioria dos estudos indica que as pessoas com gagueira são mentalmente saudáveis. Se houver neurose, ela é considerada secundária às experiências traumáticas relacionadas à fala. O indivíduo pode sentir-se miserável, inferior, deprimido ou desajustado devido à gagueira. O foco da psicoterapia, seja condu- zida por um onoaudiólogo ou psicólogo, é abordar essas questões emocionais relacionadas à gagueira, visando melhorar o bem-estar mental do paciente. 2.4- Etapas da terapia Fase de Identicação: Nesta etapa, que envolve a anamnese e a análise das emo- ções e comportamentos, o terapeuta orienta o paciente na identicação de padrões. 57AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 Fase de Dessensibilização: O objetivo desta fase é reduzir a ansiedade, acalmar o paciente e eliminar emoções negativas relacionadas à fala. Embora seja difícil alcançar um estado permanente sem emoções, a dessensibilização aborda medos, vergonhas e frus- trações associadas à gagueira. Isso é feito através da aceitação e discussão do problema, reconhecimento da impereição na uência verbal e aprendizado sobre como avaliar as reações do interlocutor. Integrar Social e Emocionalmente: A adaptação social e emocional é desaadora para quem gagueja. O onoaudiólogo deve avaliar a necessidade de psicoterapia ormal, especialmente se os desajustes emocionais estão ligados à gagueira. A manipulação das emoções é crucial, e o prossional deve lembrar que todos enrentam problemas pessoais, muitos dos quais são superados sem ajuda especializada. Superar Evitações: Ensinar o paciente a enfrentar situações de fala e a não evitar palavras por medo da gagueira é essencial. Evitar az com que as diculdades pareçam mais complicadas do que são na realidade. Acalmar-se e Enrentar o Medo: Instruir o paciente a acalmar-se, demonstrando que é possível gaguejar de orma tranquila, é impor- tante. Enfrentar o medo é essencial, explorando os sons temidos e fornecendo exercícios para testar a realidade, como listar palavras iniciadas com o som temido. Contato Visual e Conança: Manter contato visual e desenvolver alta conança são elementos-chave. É crucial encorajar o paciente a acreditar que a gagueira pode ser superada com esorço e apoio, não sendo um problema insolúvel. Controle Emocional: Ensinar a controlar as emoções é vital. O paciente precisa entender que as emoções são apenas sentimentos e que ele pode manter a comunicação focando na ação, não nos sentimentos. Adaptar ao Estresse: Reconhecer a relação entre gagueira e estresse é fundamen- tal. Quanto mais se gagueja, mais medo surge, alimentando um ciclo. Aprender a lidar com o estresse é crucial para reduzir a gagueira. Construir Hierarquias: Elaborar uma lista de situações de ala diíceis, em conjunto com o paciente, visa sensibilizá-lo para as reações do interlocutor, promovendo a supera- ção gradual das diculdades. 58AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 Cada um desses distúrbios possui características distintas e muitas vezes complexas, tornando o diagnós- tico e dierenciação entre eles um desao. A compreensão dessas condições é essencial para prossionais de saúde, como onoaudiólogos, no diagnóstico e tratamento adequados. (Autor 2023) A importância das contribuições neurosiológicas é signicativa, uma vez que os impulsos provenientes do sistema muscular desempenham um papel crucial nesse processo automático. Isso ocorre devido ao eedback refexo originado nos núcleos nervosos que ativam a língua, os lábios e o queixo. Além disso, há um padrão registrado nas conexões cerebrais especícas para esses movimentos. (JAKUBOVICZ, 2009, p.190) ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. Plano de Estudos • Diagnóstico e avaliação; • Abordagens terapêuticas. Objetivos da Aprendizagem • Explorar erramentas de avaliação utilizadas na identifcação e diagnósticos de taquilalia e taquiemia; • Explorar métodos tradicionais, como terapia de luência, para tratar taquiemia. Professor(a) Esp. Ana Paula Taborda do Nascimento PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIA UNIDADE AVALIAÇÃO E TRATAMENTO DA DESORDEM TÓPICO 64PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 Na unidade em foco, buscamos elucidar a avaliação e odiagnóstico diferencial da taquiemia e de outros distúrbios da uência da ala. Vericou-se, embasado em es- tudos, que um dos desaos no diagnóstico e tratamento da taquiemia é sua ocorrência muitas vezes concomitante com outros distúrbios, sendo alguns relacionados à ala, como a gagueira, e outros à linguagem, como as diculdades de aprendizagem (WARD, 2006). Como conclui Gregory (1995), o transtorno da taquiemia evidência claramente quanto às diculdades de ala, linguagem e aprendizagem têm em comum. Na gagueira pura, observa-se uma alta requência de interrupções involuntárias na uência da ala, levando as pessoas que gaguejam a experimentarem uma sensação de perda de controle (WARD, 2011). As interrupções na gagueira geralmente assumem a forma de repetições (inten- sas) de sons, sílabas ou palavras monossílabas; prolongamentos de sons; ou bloqueios de respiração, ou voz; (WARD, 2006). Preus (1996) destaca que a taquiemia possui mais semelhanças com as dicul- dades de aprendizagem do que com a gagueira. Vários pesquisadores armam que a ocorrência de problemas de taquiemia e diculdade de aprendizagem está principalmente relacionada a questões de expressão, leitura e escrita. Nas diculdades de aprendizagem, a velocidade da ala é comparável à dos controles uentes, enquanto a produção de lingua- gem é perturbada por frases incompletas, problemas na localização de palavras, estruturas de rases incorretas e distúrbios de leitura (VAN ZAALEN et al., 2009). Em alguns casos, indivíduos com taquiemia podem desenvolver o medo de alar, resultado de respostas negativas dos ouvintes (“o que você disse?”, “Não entendi o que 65PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 você disse”, “Não entendo você”) ou de reações não verbais tensas. Essas respostas dos ouvintes, sem especicar os sintomas da ala, podem conundir o alante (WARD, 2011) As reações dos ouvintes evidenciam claramente as inseguranças e apreensões enrentadas por pessoas com diculdades de ala, resultando em uma hesitação ao se expressar devido a essas incertezas (WINKELMAN, 1990). No âmbito das tareas de ala, para dierenciar a taquiemia de outros distúrbios da fala, a avaliação deve direcionar-se a diferentes aspectos da comunicação e cognição. Este processo abrange leitura oral, fala espontânea, recontagem de uma história memorizada, testes de coordenação motora da ala e questionários. A gravação digital de vídeo e áudio é realizada durante a execução de diversas tarefas de fala, possibilitando análises subse- quentes de uência, velocidade e articulação inicial (VAN ZAALEN et al., 2009). No contexto da leitura oral, o nível de material de leitura pode inuenciar o grau de desordem, portanto, é crucial que o prossional orneça materiais de leitura apropriados variando em níveis de diculdade. Passagens mais desaadoras, com palavras multissilá- bicas e frases linguisticamente mais complexas, podem resultar em comportamentos mais confusos em comparação com passagens menos difíceis, contendo frases curtas com palavras de uma ou duas sílabas (VAN ZAALEN et al., 2009). Considerando a taquiemia como uma expressão de uma deciência na automação da linguagem, a avaliação deve focar em diferentes níveis linguísticos e em diferentes velocidades de ala (VAN ZAALEN, 2009). Indivíduos com taquiemia requentemente apresentam alhas na comunicação em níveis elevados de produção linguística, como contar ou recontar narrativas. Além disso, enrentam diculdades em aspectos pragmáticos da linguagem, como desconsi- derar o ponto de vista ou conhecimento do ouvinte e interromper requentemente o parceiro comunicativo (DALY, 1986; MYERS; VAN ZAALEN; WINKELMAN, 2009; WARD, 2006). Para avaliar essas áreas potencialmente desaadoras da linguagem, sugere-se que o prossional envolva o paciente em uma conversa descontraída sobre um tema de grande interesse para ele, abrangendo explicação de um videogame, discussão sobre seu esporte ou atividade de lazer favorita, ou contando uma história emocionante sobre um evento recente vivenciado pelo paciente. O prossional médico deve documentar, no mínimo, 10 minutos desta amostra de linguagem. Essa amostra deve ser constituída por uma narrativa e não por interações pontuais, como em uma lista (Van Zaalen et al., 2009; Ward, 2006). No âmbito da onoaudiologia, tareas que variam desde atividades curtas e estrutu- radas até aquelas mais longas e menos estruturadas também são cruciais. Exemplos das primeiras incluem tarefas mecânicas, como a contagem a partir de 100 em intervalos de 3 segundos. Pacientes mais idosos devem ler palavras desaadoras de pronúncia, como “esta- tístico”, “paralelepípedo” e “tiranossauro”, repetindo essas palavras três vezes consecutivas, inicialmente em um ritmo confortável e depois em um ritmo de fala mais acelerado. Além dis- 66PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 so, pacientes mais idosos devem enfrentar palavras com padrões variáveis de acentuação, como “aplicar” e “aplicar”. Crianças mais jovens, por sua vez, devem nomear imagens (quatro diferentes de uma vez ou imagens de palavras de duas sílabas) dentro ou fora da mesma categoria semântica, apresentadas em uma ordem não sequencial (ver gura 1). Como destacado anteriormente, a recontagem de histórias é uma parte crucial da avaliação, pois é nesse nível mais elevado que a comunicação pode alhar. O clínico deve atentar para a capacidade do paciente de parafrasear a história, mantendo os pontos-chave da narrativa em uma sequência lógica, com a gramática da história preservada, estrutura silábica, palavras e rases adequadas, pausas apropriadas e inteligibilidade de ala. Aspec- tos pragmáticos também devem ser observados. Outro componente da avaliação consiste na imitação de frases de extensão cres- cente (até 20 palavras para adultos e adolescentes, até 14 palavras para crianças de 10 anos e até 10 palavras para crianças de 8 anos). Essa tarefa proporciona informações sobre as habilidades de memória auditiva e o nível de complexidade linguística no qual a comunicação do cliente é interrompida (Van Zaalen et al., 2009). FIGURA 1 - CATEGORIA DE SEMÂNTICA Fonte:MORENO, M. GARCÍA, E., 2003. Nadesordemcomunicativa, o componente emocional abrangeo impacto dodiscurso na percepção do próprio alante. Como mencionado anteriormente, quando alguém não se sente compreendido repetidamente, pode surgir o medo de se comunicar. Um paciente que avalia positivamente seu discurso e culpa o ouvinte por não compreender adequadamente. 67PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 A ansiedade na comunicação pode surgir quando não há uma conexão entre a expressão verbal do falante e a reação do ouvinte. O temor da comunicação pode desenvolver-se de maneira inconsciente, tornando-se um problema latente na desordem. O fonoaudiólogo deve estar ciente de que uma autoimagem positiva pode ser alterada quando o indivíduo associa a resposta do ouvinte à sua fala. A taquiemia é uma condição multidimensional que envolve a avaliação complemen- tar de dimensões individuais, como velocidade e uência, a m de determinar a gravidade geral da desordem. O Programa de Avaliação de Taquiemia (CLASP), uma erramenta gratuita desenvolvida por Bakker (2005) para calcular a porcentagem de tempo de fala desordenado, é útil nesse contexto. O diagnóstico dierencial da taquiemia é um desao, dada a escassez de pesquisas abrangentes. No entanto, autores como Bakker (2005) e St. Louis e McCafrey (2005) sugerem que a taquiemia pura pode ocorrer em 5% a 16% das crianças disuentes. Weiss (1964) destacou uma proporção de 7% de taquiemia pura em comparação com 21% de gagueira pura. Preus (1992) analisou sete projetos de pesquisa, identicando a taquiemia-gagueira em grupos de gagos. Há uma hipótese de que a incidência de taquiemiaaumenta durante a adolescência devido ao crescimento natural da velocidade de fala. Os adolescentes podemperder o controle da fala, tornando-a menos compreensível. Algumas desordens podem passar despercebidas até o início da adolescência, por volta dos 10 anos, quando as demandas de comunicação atingem um ponto crítico, especialmente em indivíduos predispostos à desordem. Boey (2000) observa que, geralmente, a velocidade de ala diminui no início da idade adulta. A avaliação da produção da estrutura das frases deve ocorrer em ambientes controlados, como clínicas, e em situações menos controladas fora delas, a análise de transcrições escritas de cada situação de fala para avaliar a produção da estrutura da frase. Estruturas de sentença corretas, produzidas imediatamente ou após reformulação em resposta ao monitoramento interno, são pontuadas como gramaticalmente corretas na primeira tentativa (após a exclusão de repetições) ou na segunda tentativa (após a exclusão de disuências normais),(WARD, 2011). Pausas adicionais ou não linguísticas são requentemente mencionadas na literatu- ra sobre taquiemia como um ponto de preocupação no planejamento de pausas linguísticas precisas (Daly & Cantrell, 2006). A duração média de uma pausa geralmente varia entre 0,5 e 1,0 segundos (Van Zaalen & Winkelman, 2009), desempenhando um papel essencial na respiração, formulação da linguagem do falante e compreensão da linguagem pelo ouvinte. A velocidade rápida de fala está diretamente associada a pausas mais curtas e/ou a um menor número de pausas (Levelt, 1989). A taquiemia é caracterizada por uma alta 68PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 variabilidade na duração das pausas, podendo ser muito curtas ou ocorrer em quantidade insuciente (Levelt, 1989). Alguns pesquisadores, como St. Louis et al. (2003, 2007), excluem uma compo- nente linguística de sua denição de taquiemia devido à presença de casos em que não há sintomas relacionados à linguagem. Embora seja reconhecido que as diculdades no planejamento linguístico podem estar envolvidas na desordem (Ward, 2006), dados conclu- sivos sobre a desordem como um todo ainda estão pendentes. Os comportamentos desordenados tornam-se mais evidentes em situações de conversa mais inormais, espontâneas e extensas (Van Zaalen et al., 2008). Muitas vezes, os pais ou parceiros de pessoas com taquiemia relatam que a ala do indivíduo é signica- tivamente melhor dentro da clínica em comparação com situações de conversa relaxadas (Daly, 1996; Op ‘t Ho & Uys, 1974; Van Zaalen & Winkelman, 2009; Weiss, 1964). É mais provável que o médico observe a desordem de orma “descontrolada” quando o cliente não está ciente de que está sendo observado, como durante interações naturais, por exemplo, entre pais e lhos, ou entre adultos e parceiros, quando o médico está ausente da sala. Pessoas com taquiemia geralmente têm consciência de seus problemas de ala em geral, embora muitas vezes não percebem os sintomas no momento em que ocorrem. Jet skis, requentemente, reconhecem sua rapidez, disuências, ininteligibilidade e problemas de pausa ao ouvirem suas falas gravadas. No entanto, a resposta a esses problemas durante a fala pode ser limitada pelo ritmo das interações verbais em tempo real. A leitura em voz alta de um texto desconhecido ou a expressão em uma língua estrangeira demandam um alto nível de atenção, enquanto a leitura repetitiva da mesma história pode reduzir o oco na ala, resultando em mais erros desordenados. Ao contrário da gagueira, onde a repetição reduz requentemente a requência, na taquiemia, o médico deve examinar cuidadosamente os contextos linguísticos nos quais os erros aumentam ou diminuem em clientes individuais. A comparação do número de erros de leitura, coarticulação ou palavras telescópicas em contextos que exigem ou não um alto nível de concentração na ala pode ornecer insights sobre o impacto da atenção na ala do indivíduo (Van Zaalen & Winkelman, 2009). O receio da comunicação é uma manifestação comum em pessoas com desordens de ala, levando alguns indivíduos a evitar alar em determinadas situações. A identicação das palavras ou situações mais desaadoras para o paciente pode ser realizada por meio de uma lista de vericação de situações de ala, como o SSC no Behavior Assessment Battery (Brutten & Vanryckeghem, 2006). 69PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 Em relação à consciência dos sintomas ou distúrbios da ala, é observado que pessoas com taquiemia geralmente estão cientes de seus problemas de ala, mas nem sempre no momento em que os sintomas ocorrem. Jet skis reconhecem requentemente a rapidez, as disuências, a ininteligibilidade e os problemas de pausa ao ouvirem gravações de suas próprias falas. A falta de resposta imediata a esses problemas durante a fala pode ser atribuída à natureza acelerada das interações verbais em tempo real, que não propor- ciona o tempo de reexão proporcionado pela audição de uma gravação da própria ala. A leitura em voz alta de um texto desconhecido ou a expressão em uma língua estrangeira demanda um alto nível de atenção, resultando em um aumento do foco na fala. Por outro lado, a repetição contínua da mesma história diminui o nível de atenção à fala, levando a mais erros desordenados. Essa dinâmica difere da gagueira, onde leituras repetidas muitas vezes resultam em uma diminuição da requência da gagueira. Dado que a gaguez e a taquiemia requentemente coexistem, é crucial que o médico examine cuida- dosamente os contextos linguísticos nos quais os erros aumentam ou diminuem em cada indivíduo. (Ver gura 2). FIGURA 2 – LEITURA EM VOZ ALTA Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/procurar/imagens Na avaliação da desordem, é útil solicitar ao cliente que critique seu próprio discur- so durante várias tarefas gravadas. Utilizando uma escala de avaliação de 5 pontos, tanto o médico quanto o cliente podem julgar simultaneamente as amostras gravadas em cada uma das principais dimensões da fala e linguagem do cliente. A comparação das avaliações do cliente e do médico proporciona uma compreensão mais aprofundada da consciência dos sintomas do cliente (Brutten & Vanryckeghem, 2006). 70PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 1.1 Tratamento da taquifemia O estudo e tratamento da taquiemia apresentam desaos signicativos, principal- mente devido à natureza multiacetada da desordem. Um ponto crítico que requer consi- deração e investigação é entender até que ponto os sintomas diversos da taquiemia são especícos ou comuns a essa condição em si (Weiss, 1964). Quando se aborda o tratamento da taquiemia, uma abordagem sistêmica destaca a importância de considerar as diferentes partes do sistema de fala e linguagem como um todo integrado. Essa abordagem é particularmente relevante para o tratamento da taqui- femia devido à sua natureza multifacetada, interativa e complexa. Uma vantagem dessa abordagem é que a terapia direcionada a uma dimensão, como o controle da requência, pode trazer benefícios para outras dimensões. A taxa relacionada à capacidade de codicação de uma pessoa é uma variável abrangente que inuencia a sincronia e a sinergia entre as várias partes do sistema de comunicação. A codicação reere-se à ormulação das unções da ala e da linguagem, enquanto a decodicação reere-se à extremidade receptora da cadeia de comunicação. Essa compreensão da inter-relação dessas partes do sistema é crucial para um tratamento ecaz da taquiemia (Weiss, 1964). A produção da linguagem falada inclui: aspectos pré-linguísticos (intenções, men- sagens pré-verbal), regulação do discurso (como um registro de discurso mantido mutua- mente por um falante e um ouvinte), formulação da linguagem (seleção lexical e construção sintática), operação onológicas, especicaçõesonéticas, e o controle motor do sistema de produção de ala gerar padrões acústicos. (Kent, 2000). Diversas técnicas são empregadas para modicar ou modular comportamentos relacionados à taquiemia. Abordaremos algumas dessas técnicas a seguir, ocadas em melhorar a articulação, clareza e inteligibilidade geral da fala: 01.Abordagens para Melhorar a Articulação e Clareza: • Utilizar uma abordagem mais precisa e denitiva dos articuladores; • Empregar uma execução mais ampla dos gestos articulatórios commovimentos exagerados, inicialmente visando registrar o feedback sensorial associado a uma postura articulatória precisa e rme; • Dar atenção especial às terminações de palavras, sílabas átonas em palavras multissilábicas e encontros consonantais, uma vez que esses contextos onológi- cos requentemente resultam em comportamentos conusos; • Enatizar sílabas tônicas para proporcionar maior oportunidade de melhor arti- culação e variações prosódicas. 71PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 02.Abordagens para Melhorar a Organização Linguística, Envolvendo Funções Executivas: • As funções executivas, responsáveis por regular emoções e comportamentos para alcançar objetivos apropriados ao contexto, englobam atividades cerebrais como inibir impulsos, mudar, monitorar, planejar e organizar respostas (Westby e Watson, 2004). • Estas habilidades executivas são undamentais para assegurar que as priorida- des adequadas sejam atribuídas aos elementos-chave durante a comunicação. Os primeiros pensamentos são relevantes, mas pensamentos posteriores podem não ser relevantes para uma determinada estratégia em relação ao pensamento original. Enquanto ou mesmo pensar, minha mente pode e de ato se desvia para outros assun- tos totalmente não relacionados. Embora eu tente muito estabilizar meus pensamentos, palavras, etc., e projetá-los, eles podem não ser projetados da mesma orma que oram planejados (sic) e a frase resultante (sic) pode estar fora de contexto (WARD, 2011) • Estar familiarizado com as partes essenciais da história para organizar os pen- samentos em uma conversa prolongada; • Ter imagens das partes principais que precisam ser incluídas na história; • Aprender a identicar as dierentes partes da gramática da história à medida que outra pessoa conta uma história; • Aprender a colocar as cartas na sequência para contar uma história adequada; • Gravar e transcrever a própria ala utilizando a Análise Sistemática de Disuên- cias: as partes pretendidas da mensagem (ou seja, as partes que transmitem informações) são sublinhadas, todas as outras partes, como comportamentos labirínticos (por exemplo, interjeições, frases incompletas) não estão sublinha- das; o ato de ouvir e analisar a própria ala ajuda a sensibilizar o paciente para a inormatividade, clareza e eciência geral da linguagem. 03.Abordagens para Aprimorar a Prosódia: A perspectiva “sistêmica” destaca a interconexão entre as diversas acetas da co- municação. Por exemplo, ao aplicar terapia para estimular maiores variações prosódicas, ocando o aprimoramento das sílabas tônicas, observa-se também beneícios na taxa, com o aumento da duração da sílaba tônica e a melhoria na clareza da ala. Isso resulta em uma maior modulação dos articuladores, incluindo o aumento do volume. A vantagem abrangen- te dessas variações prosódicas, através do destaque linguístico, contribui para realçar os 72PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 contornos semânticos e pragmáticos da comunicação. Algumas atividades que avorecem o desenvolvimento de variações prosódicas incluem: • Leitura de textos e poesias; • Ênase nas sílabas tônicas; • Leitura de peças teatrais; • Variação na entonação ao expressar uma rase, como “é ótimo ver você”, para transmitir diferentes emoções ou intenções pragmáticas, como sinceridade, sar- casmo, raiva, inteligência, humor ou tristeza. O prossional de saúde deve identicar de orma distinta quando as diculdades no uxo da ala derivam de problemas motores, diculdades na construção linguística ou de uma combinação de ambos. Os próprios pacientes desejam realizar essa distinção em relação às suas interrupções na uência, uma vez que compreendam a dierença. Um indivíduo com gagueira compartilhou comigo o seguinte: “Eu entendo o que quero dizer quando gaguejou, mas simplesmente não consigo produzir sons. Quando estou conuso, eu não sei exatamente o que quero dizer, mas continuo alando de qualquer maneira. Na desorganização, muitos pensamentos vêm até mim ao mesmo tempo”. • Transcrever a própria ala, isso dá ao paciente amostras de uência auditiva e escrita da sua comunicação e permite que o paciente aça uma autocrítica sobre o grau em ou a mensagem é interrompida, ou interrompida por interjeições, frases incompletas e revisões. Discuta com tais disuências prejudicam a “continuidade” e a ecácia geral do discurso; (ver gura 3). FIGURA 3- TRANSCREVER A PRÓPRIA FALA Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/procurar/imagens • Concentra-se em palavras e rases que são essenciais para a base de inorma- ções da mensagem; 73PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 • Discutir com o paciente que existe uma interação sinérgica entre uência e habilidades de processamento da linguagem. 04.Abordagens para gestão do discurso Em alguns casos, a terapia pode precisar enfocar o manejo da comunicação para otimizar a proximidade e os efeitos contingenciais das trocas verbais. Excessos na fala, especialmente ao abordar inormações que o interlocutor já possui, podem inringir os prin- cípios da contingência pragmática. • Tomar consciência dos próprios padrões de discurso e contar o número de interrupções ou saída pela tangente; • Faça uma dramatização de uma conversa que exija uma diminuição do ritmo, como quando o melhor amigo de alguém está proundamente triste; • Fique atento ao eedback do ouvinte. 05.Atividades terapêuticas que visam trazer todo o sistema de comunicação em sincronia e sinergia As seguintes atividades terapêuticas servem bem como atividades culminantes em grupo ou com atividades para transferir a manutenção de habilidades aprendidas. • Enquetes e peças teatrais, aumentar a consciência dos turnos dos dierentes oradores, reduzir a probabilidade de interromper alguém se os versos da peça teatral forem lidos ou recitados durante a representação. • Poesia, os poemas devem ser lidos e recitados com sentimento, interpretação e drama, dierentes versões do poema impõem certo ritmo e cadência para cultivar variações prosódicas. • Regência musical, o cliente dita o andamento de uma música, os integrantes do grupo cantarem, o paciente escolhe qual música qual música tocar para ilustrar as variações de ritmo; • Apresentação em sala de aula, acentuam a necessidade de tornar a fala clara, coerente e coesa, oportunidade de levar em consideração o feedback não verbal do público para modular a apresentação; • O paciente pode se beneciar de vários grupos de apoio ou aconselhamento, para lidar com questões de qualidade de vida decorrentes do impacto da desor- dem na sensação de bem-estar em ambientes sociais, acadêmicos e de trabalho. TAQUILALIA TÓPICO 74PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 A intervenção é fundamentada na aplicação de diversas técnicas utilizadas para o tratamento de distúrbios de uência. Incluem-se exercícios respiratórios e de relaxamento, com destaque para o treino conhecido como relaxamento progressista de (WARD, 2011). Além disso, são empregadas atividades que visam acilitar a correta articulação, como massagens, gestos, praxias, faciais, orofaciais, exercícios de posicionamento e repetição. O programa também incorpora técnicas especícas para reduzir o uxo da ala, tor- nando-a mais lenta e livre de imprecisõesarticulatórias, como a técnica de monitoramento, feedback e autocorreção a partir de um texto lido, assim como técnicas de transição da leitura à linguagem oral. Adicionalmente, são aplicadas técnicas destinadas a normalizar a ansiedade e a auxiliar na gestão adaptativa de situações conitantes, destacando-se a técnica de dessensibilização sistemática. 2.1- Tratamento da taquilalia O objetivo é simplicar a ala, ajustar a unção respiratória, aumentar a mobilidade ao falar e melhorar a agilidade motora nos órgãos envolvidos na articulação imprecisa dos fonemas, adaptando o tom muscular, principalmente na fonação. Durante as sessões, são fornecidas orientações para a prática de exercícios de respiração e relaxamento em casa. O tratamento busca reeducar a fala, ajustar a respira- ção e o tônus muscular por meio de exercícios de coordenação respiratória e relaxamento. O paciente é orientado a conscientizar-se da própria respiração, praticando diferen- tes técnicas, como inspiração nasal profunda, retenção de ar e expiração pela boca, entre 75PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4 outras. O relaxamento progressivo de Jacobson é utilizado para relaxar os músculos da ace e pescoço, seguindo passos especícos. Além disso, são realizados exercícios para promover a mobilidade oral, massagens no rosto, nariz, lábios e pescoço, e práticas para adquirir agilidade e coordenação necessá- rias à articulação. Também são incluídos exercícios articulatórios com fonemas imprecisos, combinando várias técnicas para tratar distúrbios de uência verbal, juntamente com ativi- dades para facilitar a articulação correta da criança. (MORENO e GARCÍA, 2003) Ambos os distúrbios destacam a importância de uma abordagem integrada que considere diferentes as- pectos da comunicação, incluindo unção motora, linguística e emocional. O tratamento pode variar e re- quentemente envolve uma combinação de técnicas para abordar as complexidades desses distúrbios da fuência da ala. Fonte: autor 2023. A complexidade da taquifemia e a taquilalia abrange a importância de uma avaliação e tratamento dessa condição. A variedade de técnicas terapêuticas apresentadas evidencia a necessidade de personalização do tratamento, levando em consideração as características individuais de cada paciente. Fonte: autor 2023. 81 FILMORE, C. On Fluency. In Individual diferences in language ability and language behavior. Nova Iorque: Academic Press, 85-101, 1979. FRIEDMAN, S. Gagueira: Origem e Tratamento. São Paulo, SP: Copyright, 1986. GREGORY, H. Analysis and commentary. Language Speech and Hearing Services in the Schools, 26(3), 196–200, 1995. GUITAR, B. Stuttering: An integrated approach to its nature and treatment. (3a ed.). Baltimore, MD: Lippincott Williams & Wilkins, 2006. HILL, H. A critical review and evaluation of biochemical investigations. JSHD 1955. JAKUBOVICZ, R.Gagueira. 6 Edição Revisada eAmpliada. Rio de Janeiro: Revinter, 2009. JOHNSON, W. 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Ferreira e Bailey (2004) apontam que esse novo conteúdo pode resultar em enunciados a-gramaticais, abrindo possibilidades para estudos adicionais. Por exemplo, eles mencionam que o ragmento “Em que museu ca?” contém conteúdo não gramatical devido à repetição de “é isso” embora essa alha não prejudique a compreensão humana. Isso sugere que existem outros meios para distinguir essas rupturas do restante do discurso. Por último, o terceiro motivo para estudar as disuências comuns é que os meca- nismos sintáticos, como o “analisador,” podem auxiliar na compreensão da estrutura em que essas disuências são incorporadas. Por exemplo, em uma correção do tipo “você vai colocar – você deve deixar cair a bola” no nível descritivo, a sintaxe integra a sequência “você vai colocar” como parte do enunciado, de modo que o sistema linguístico não descon- sidera as expressões que não estão sintaticamente corretas na sentença. Isso ressalta a complexidade da análise das disuências na comunicação e sua importância na compreen- são da linguagem falada. A disuência na ala, se reere a interrupções e hesitações durante a comunicação verbal. Essas interrupções podem ocorrer independentemente de alguém ser considerado um locutor disuente (gago) ou não. Existem dierentes classicações para a disuência, algumas associadas a distúrbios neurológicos e outras relacionadas ao ritmo da ala. A identicação da disuência muitas vezes depende do julgamento do ouvinte, que pode ter seus próprios critérios para determinar o que é considerado uma ala uente. Alguns podem considerar o uso requente de palavras como “eh” ou “ne” como sinais de disuência, enquanto outros podem achar isso normal e não associado à gagueira. 12FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1 Para esclarecer as interrupções na ala, precisamos observar os termos que indi- cam gagueira: IMAGEM 1 - SERÁ QUE É GAGUEIRA? Fonte: https://clipi.com.br/2016/10/24/sera-que-e-gagueira A) Repetição: Isso pode envolver a repetição de sílabas ou rases, que pode ocor- rer de 1 a 5 vezes. Às vezes, a distinção entre a repetição de sílabas e palavras pode ser ambígua, mas qualquer quebra na uência é considerada uma repetição. B) Pausas: Pausas na fala podem ocorrer por diversos motivos, como espera para chamar a atenção do ouvinte, circunstâncias externas, momentos de reexão para escolher as palavras, pausas involuntárias ou a inserção de interjeições. C) Interjeições: Isso inclui a inserção de sons, palavras ou frases curtas no discurso, como “ah”, “hum”, “eh”, “bem”, “né”, entre outros. D) Bloqueio: Envolve bloqueios na ala causados por esorço ísico súbito ou tensão. O texto também menciona uma classicação das disuências eita por Johnson em 1959, que inclui categorias como interjeições, repetições de sons, palavras e rases, revisões de rases, rases incompletas, palavras quebradas e sons prolongados. O autor Johnson (1959) realizou um estudo que resultou na classicação de oito categorias de disuências, que incluem. Interjeições, como “ah!”, “bem!”, “ai!”, “tá!”, “né!”, entre outras. Repetição de sons, exemplicado por “p-p-p-parque.” Repetição de palavras, como “eu, eu, eu ui ao parque.” Repetição de frases, por exemplo, “eu ia, eu ia, eu ia dizer isso mesmo.” Revisão de rases, como “eu ia, eu ui ao parque e você não estava lá.” Frases incompletas, ilustradas por “eu ia… depois que cheguei, lá voltei.” Palavras partidas, representadas por “eu f- (pausa) ui para casa da minha amiga.” Sons prolongados, como “s, s s s saiu de perto.” 13FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1 Contudo, observa-se que a classicação de Johnson inclui elementos que não se alinham com a maioria das denições de gagueira, como revisões de palavras, rases incompletas e interjeições, que são mais típicas da disuência normal na ala. Isso levanta a questão de discernir o que é considerado normal em comparação com a disuência rela- cionada à gagueira. Além disso, apresenta-se uma classicação das disuências eita por Hill (1955), que distingue entre disuências típicas e atípicas: » Disuência típica envolve interjeições, hesitações na ala, palavras inacabadas, revisões de frases e repetição de palavras (no mínimo 2 vezes). » Disuências atípicas incluem repetição de palavras (3 ou mais vezes), repetição de sílabas, repetição de sons, prolongamentos e bloqueios. Em 1959, o pesquisador Johnson (1959) realizou um estudo na Universidade de Minnesota, onde examinou 68 meninos e 23 meninas com idades de 2 anos e meio e 8 anos. Ele agrupou crianças que tinham gagueira com crianças que não tinham gagueira da mesma faixa etária e analisou vários aspectos, cujos resultados estão resumidos no Quadro 1. A conclusão de Johnson oi que as crianças com gagueira apresentaram mais interrupções na uência da ala do que as crianças sem gagueira na maioria dos aspectos analisados. No entanto, não oram encontradas dierenças signicativas em alguns aspec- tos, como o uso de interjeições, a revisão de frases e frases incompletas. importante observar que a pesquisa de Johnson comparou crianças em duas aixas etárias muito dierentes no que diz respeito ao desenvolvimento da linguagem. Crianças de 2 a 4 anos estão nos estágios iniciais da aprendizagem da linguagem, enquanto as crianças de 6 a 8 anos já passaram por estágios anteriores de desenvolvimento e estão em um estágio mais avançado no uso da linguagem. QUADRO 1 – PARÂMETROS E RESULTADOS Tipo de disuência Crianças gagas Crianças não-gagas Interjeições 3,62 3,13 Repetição de sílaba 5,44 0,61 Repetição de palavras 4,28 1,07 Repetição de frases 1,14 0,61 Revisão de frase 1,30 1,43 Frases incompletas 0,34 0,23 Palavras partidas 0,12 0,04 Prolongamentos 1,67 0,16 Fonte: Johnson (1959) 14FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1 Quando uma criança inicia sua jornada na escola aos 7 anos, ela está começando a aprender a ler e escrever, ou seja, está no início do processo de alfabetização. Isso é uma ase importante em que ela está compreendendo a estrutura da língua. Em 2003, uma pesquisadora chamada Jakubovicz teve uma ideia interessante. Ela decidiu investigar como as crianças lidam com os momentos em que têm diculdade para alar uidamente. Ela dividiu as crianças em dois grupos: um com 3 e 4 anos de idade e outro com 6 e 7 anos. Nenhum dos participantes tinha histórico de gagueira, e seus pais responderam a perguntas sobre como as crianças se comunicavam. Em seguida, Jakubovicz pediu para que as crianças contassem uma história, como a da Chapeuzinho Vermelho ou dos Três Porquinhos. Ela gravou esses relatos, transcreveu e analisou apenas 100 palavras ditas por cada criança. Os resultados dessa análise estão resumidos em um quadro, Quadro 2. Se olharmos para o Quadro 2, podemos notar uma dierença na uência da ala entre as idades de 3-4 anos e 6-7 anos. Isso sugere que, à medida que a criança cresce e amadurece, ela tende a superar as diculdades na ala, cando apenas com pequenas interrupções e repetições de palavras. Portanto, parece que a capacidade de alar uente- mente é uma conquista que ocorre à medida que a criança adquire e pratica a linguagem. Outro ponto importante é que, em crianças com idades entre 3 e 7 anos, conside- ra-se aceitável que 12 a 15% de suas alas tenhamalguma diculdade na uência. Valores acima desse intervalo indicam que a criança está enrentando diculdades na ala que não são típicas e que precisam ser observadas com mais atenção. A disuência apresenta dierentes classicações atribuídas a essas interrupções na comunicação verbal. Os autores, em geral, concordam quanto à descrição das maniesta- ções visíveis da gagueira, mas as divergências surgem principalmente no que diz respeito às diversas causas associadas a esse enômeno. QUADRO 2 – PARÂMETROS E RESULTADOS Idades 3-4 6-7 Repetição da sílaba 0,5 0,6 Repetição da palavra 2,7 2,3 Repetição da frase 1,3 0,9 Frases abordadas 2,6 1,8 Interjeições 8,2 6,5 Total das disuências 15,3% 12,1% Fonte: Johnson (1959) 15FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1 As teorias que explicam a gagueira podem ser divididas em três grupos principais: orgânicas, psicológicas e sociais. • Teorias Orgânicas: Essas teorias requentemente relacionam a gagueira a causas neurológicas, como a epilepsia, afasia, disfunção cerebral mínima, lesões cerebrais, dominância cerebral, incoordenação motora, retardo na mielinização das áreas corticais relacionadas à fala, ou a problemas sensoriais e perceptivos, como a teoria de feedback auditivo retardado. Elas também consideram causas congênitas, hereditárias, traumáticas, inecciosas, endócrinas, alérgicas, orgâni- cas, cardiovasculares e metabólicas. • Teorias Psicológicas: Essas teorias sugerem que a gagueira pode ser um sintoma de conitos intrapsíquicos, como conitos entre o desejo de alar e a- tores inconscientes que impedem o sujeito de se expressar. Também exploram conitos relacionados a alar ou não alar. • Teorias Sociais: Abordam a causa da gagueira não no indivíduo, mas nas di- nâmicas de suas relações com outras pessoas. Além disso, existe a categoria de Teorias de Aprendizagem, que descrevem a gagueira como um hábito adquirido durante o desenvolvimento da criança. Segundo essas teorias, a disuência nor- mal da fala pode ser reforçada de maneira negativa, levando ao desenvolvimento da gagueira. Em resumo, embora haja um consenso entre os autores sobre os aspectos obser- váveis da gagueira, as divergências surgem principalmente na tentativa de identicar suas causas subjacentes. As teorias podem ser agrupadas nas categorias orgânicas, psicológi- cas, sociais e de aprendizagem, cada uma oerecendo uma perspectiva única sobre esse enômeno complexo. Existem várias teorias sobre as causas da gagueira. Algumas delas não se con- centram em ideias de condicionamento, mas sim na inuência do ambiente e de pessoas signicativas na vida da criança que gagueja. Teoria de Wendell Johnson: Wendell Johnson (1961) acreditava que a gagueira é causada em grande parte pelo julgamento inadequado das pausas normais na ala de uma criança como sendo gagueira. Quando os pais e pessoas importantes na vida da criança começam a corrigi-la de maneira excessiva, isso pode interferir no desenvolvimento normal da fala e, na verdade, causar a gagueira. Teoria de Bloodstein: Segundo esta teoria, a gagueira resulta de experiências pas- sadas de diculdades na ala. Ou seja, se uma pessoa teve problemas anteriores ao alar, isso pode contribuir para o desenvolvimento da gagueira (BLOODSTEIN, 1975) 16FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1 Pesquisa de Van Riper: Van Riper conduziu uma pesquisa na qual encontrou um número signicativo de pessoas que eram consideravelmente disuentes na ala, mas nunca se preocuparam com o fato de serem gagas, e não foram julgadas por outras pessoas como sendo gagas. Ele observou que essas pessoas tiveram pais e proessores compreensivos durante a inância. Isso sugere que o apoio e a compreensão na inância podemdesempenhar um papel importante na prevenção da gagueira. Ele se concentra nas relações interpessoais e no processo de aprendizagem. Van Riper observa que as pessoas que gaguejam geral- mente não gaguejam quando estão sozinhas, alando com crianças, animais, cantando ou representando. Isso sugere que a gagueira pode estar relacionada a problemas emocionais causados pelas circunstâncias em que a pessoa está alando (RIPER, 1971) Teoria de Sheehan: Ela sugere que a gagueira pode ser causada por conitos inter- nos na mente da pessoa e por problemas nas relações com outras pessoas, especialmente quando os pais não aceitam a maneira como a criança ala. A não aceitação az a criança se sentir culpada, o que pode causar conito. Essa teoria também considera que a gagueira pode ser causada por problemas na forma como a pessoa se apresenta aos outros, mais do que ser apenas um problema de ala, é um problema de identidade (SHEEHAN, 1970). Teoria de Wishner: Ela acredita que a gagueira pode ser desencadeada quando a criança não é aceita por causa de pequenos problemas de ala, o que a az sentir ansiedade, pena e vergonha. Esses sentimentos podem levar a uma luta antecipatória, onde a pessoa começa a esperar gaguejar, o que realmente az a gagueira acontecer. Depois de gaguejar, a pessoa se sente aliviada da ansiedade, o que pode reorçar o padrão (WISHNER, 1950). Em resumo, essas teorias exploram diferentes aspectos do desenvolvimento da gagueira, com ênase na inuência do ambiente e das interações com pessoas signicati- vas. Elas nos ajudam a entender que a maneira como as pausas na ala são percebidas e tratadas na inância, bem como experiências passadas com a ala, podem desempenhar um papel crucial no desenvolvimento da gagueira, essas teorias tentam explicar por que as pessoas gaguejam, e cada uma delas aborda a gagueira de maneira um pouco diferente. Algumas pessoas argumentam que as questões psicológicas desempenham um pa- pel na gagueira. Isso signica que a gagueira pode ser resultado ou um sintoma de problemas que ocorrem dentro da mente da pessoa. Vamos explorar alguns desses possíveis problemas: • Conitos internos: Às vezes, as pessoas podem enrentar um conito interno, onde desejam alar, mas algo no nível inconsciente as impede de azê-lo. Pode ser como se houvesse uma luta dentro da mente entre o desejo de falar e algo mais que as impede. 17FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1 • Conito emocional: Outra ideia é que a gagueira pode ser causada por coni- tos emocionais intensos. Isso signica que sentimentos opostos ou contraditórios podem estar causando interrupções na fala. Pode ser como se houvesse uma batalha entre sentimentos opostos que prejudicam a capacidade de alar uen- temente. • Desejo de falar, às vezes não falar: Algumas pessoas podem experimentar um conito duplo, onde desejam alar, mas também têm medo de alar. Isso pode resultar em momentos de silêncio e ansiedade, onde a pessoa ca dividida entre sua vontade de se expressar e o medo de fazer isso. Outros fatores psicológicos, como necessidades sexuais não resolvidas e agressi- vidade reprimida, também podem desempenhar um papel na gagueira. Esses sentimentos não resolvidos podem ser liberados de maneira incontrolável durante a fala, causando interrupções. A ideia é que a gagueira pode estar relacionada a conitos internos e emocio- nais, bem como a outros atores psicológicos não resolvidos, que aetam a capacidade da pessoa de alar uentemente. Os aspectos psicológicos e emocionais relacionados à gagueira, são os esforços ísicos durante a ala, ansiedade, tensão, medo de alar, conitos em relação ao ato de alar, alterações siológicas e mudanças no comportamento social devido à gagueira. IMAGEM 2 - HOMEM PESQUISANDO Fonte:PEXELS.Disponivelecm:https://www.pexels.com/pt-br/foto/homem-formal-entediado-assistindo-laptop-na-mesa-3760811/ Há mais de 60 anos, os cientistas começaram a estudar a causa genética da ga- gueira. No início, eles notaram que a gagueira parecia ocorrer mais requentemente em amílias, sugerindo que poderia ser transmitida de pais para lhos. No entanto, também 18FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1 observaram que a gagueira só se maniestava em algunsmembros da amília quando havia inuência de atores ambientais. Mais tarde, foi sugerido um novo modelo de transmissão genética da gagueira, propondo que a condição poderia resultar da interação de vários genes, um modelo deno- minado poligênico. Assim, ao invés de ser causada por um único gene, a gagueira pode ser inuenciada pela contribuição de múltiplos genes, tornando o quadro genético mais complexo do que se pensava anteriormente (JAKUBOVICZ, 2009) A explicação sobre como a gagueira pode ser transmitida, destacando a inuência de atores genéticos e ambientais. Segundo eles, a gagueira é maniestada quando há uma predis- posição genética e exposição a situações ambientais desencadeadoras (JAKUBOVICZ, 2009). De maneira geral, se olharmos para diferentes grupos de pessoas, os riscos de ga- gueira são dierentes dependendo de quão próximas são as relações amiliares. A gagueira é mais comum entre parentes de primeiro grau, como pais e lhos, do que entre parentes mais distantes, como primos. Experiências de fuência e disfuência da ala podem variar muito de pessoa para pessoa. Portanto, a aten- ção à comunicação ecaz e o apoio às necessidades individuais são aspectos importantes a serem conside- rados em qualquer discussão sobre esse tema. Fonte: O autor (2023). A fuência é uma abstração metodológica, baseada na leitura ensaiada ou prossional de um texto escrito, ou em textos orais decorados e ensaiados. O sujeito fuente é abstrato e integra-se em algum estilo de ala ou de comportamento social. No entanto, é com esta abstração ou esta ilusão necessária, em termos de recortes epistemológicos, que se têm constituído os corpora analisados por modelos linguísticos. Fonte: (SCARPA, 2006, p. 174). ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. Plano de Estudos • Características da gagueira do desenvolvimento; • Compreensão da gagueira e suas causas; • Compreensão da gagueira neurogênica; • Fatores psicológicos envolvidos na gagueira; • Defnição de taquilalia e taquiemia. Objetivos da Aprendizagem • Compreende os conceitos básicos; • Identifcar as causas; • Dierenciar entre os distúrbios. Professor(a) Esp. Ana Paula Taborda do Nascimento GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA. UNIDADE 24GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 FASES DO DESENVOLVIMENTO DA GAGUEIRA TÓPICO Muitas crianças começam a gaguejar entre os 2 e 5 anos de idade. É comum pensar que a gagueira passa por dierentes ases de desenvolvimento ao longo do tempo. Inicialmente, a gagueira pode ser simples, com pequenas repetições e prolongamentos ao falar. Conforme a criança cresce, a gagueira pode se tornar mais complexa e severa, com bloqueios e períodos de uência diminuindo. No entanto, é importante notar que crianças que recebem tratamento para a gagueira desde o início não necessariamente seguem esse padrão. Quando tratadas precocemente, a gagueira tende a evoluir da complexidade para a simplicidade e pode perder parte de sua severidade. Por outro lado, crianças não tratadas desde o início podem ver a gagueira se tornar mais complexa com o tempo. A gagueira pode evoluir de simples para complexa à medida que a criança cresce, mas o tratamento precoce pode ajudar a reverter esse processo, tornando a gagueira me- nos complexa e severa. O quadro 1 mostra a porcentagem de crianças que possuem maneiras de gaguejar dierentes. O quadro oi elaborado por (WARD; SCOTT, 2011) Foi eito um estudo que alcançou as idades de 2 a 16 anos. O número de sujeitos pesquisados em cada aixa etária está no quadro (N =), em um total de 418 sujeitos. Não oi um longitudinal, o que quer dizer que não nos dá ideia de como o comportamento da gagueira se modicou em uma criança especíca. Segundo as descobertas de Blodstein (1960), a gagueira tem uma essência que envolve pequenas repetições e prolongamentos ao alar, e essa essência tende a diminuir com o tempo. À medida que as pessoas envelhecem, é observado que essas repetições e prolongamentos se tornam menos requentes. 25GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 Por outro lado, os bloqueios ou momentos em que a ala ca presa, que são carac- terísticas da gagueira mais severa, tendem a aumentar à medida que a gagueira progride. Além disso, os sintomas associados, como maneirismos na fala, também tendem a se tornar mais evidentes. Contrariando o que se poderia esperar, a uência da ala, ou seja, osmomentos em que a pessoa ala sem gaguejar, tende a diminuir à medida que a gagueira se torna mais severa. É interessante observar que situações e palavras diíceis de pronunciar geralmente começam a ser mais problemáticas por volta dos 6-7 anos e se tornam mais diíceis com o tempo. As antecipações sobre quando ocorrerá a gagueira e as substituições de palavras geralmente aparecem mais tarde, por volta dos 8-9 anos, indicando que a criança começa a ter emoções como medo e ansiedade depois que a gagueira se desenvolveu. O comportamento de evitar alar começa a surgir quando as crianças têm cerca de 4 a 5 anos e progride à medida que a gagueira se desenvolve. Isso sugere que, no início, a gagueira não está ligada a emoções. Em resumo, os dados indicam que a gagueira não permanece constante ao longo dos anos. Pelo contrário, ela muda com o tempo à medida que o medo de alar e o estresse de se comunicar se desenvolvem. Com base em suas pesquisas, Blodstein (1960) ormulou o que ele descreveu como “ases da gagueira”. Ele percebeu que o desenvolvimento da gagueira segue um padrão típico, mas não é universal, ou seja, varia de pessoa para pessoa. Blodstein identicou quatro ases que representam um contínuo, no qual alguns indivíduos se enquadram em uma das fases e outros estão em uma fase de transição. QUADRO 1- PORCENTAGEM DE CRIANÇAS QUE POSSUEMMANEIRAS DIFERENTES DE GAGUEJAR. IDADES 2-3 N = 30 4-5 N = 74 6-7 N = 79 8-9 N= 60 10-11 N = 79 12-13 N = 47 14-15 N = 49 Pequena repetições 30% 34% 28% 37% 30% 9% 8% Prolongamentos 43% 32% 18% 18% 11% 4% 4% Contatos presos 40% 32% 44% 45% 53% 51% 53% Sintomas associados 33% 39% 57% 58% 57% 64% 65% Períodos uentes 47% 45% 27% 10% 10% 9% - Situações difíceis de falar 27% 67% 71% 75% 72% Achar as palavras difíceis de falar 82% 62% 72% 73% Antecipação da gagueira 38% 45% 62% 71% Substituição de palavras 48% 65% 66% 83% Evitar falar 5% 11% 17% 28% 40% 45% Fonte: (JAKUBOVICZ, 1997) 1.1 – Fase l (Inicio entre 2 e 6 anos) A gagueira em crianças possui características especícas: 26GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 • Episódica:A gagueira tende a ocorrer em episódios, ou seja, em determinados períodos. Às vezes, a ala ui pereitamente, sem qualquer gagueira. Durante essa fase, uma grande parte das crianças apresenta recuperação espontânea, o que signica que a gagueira desaparece sem a necessidade de tratamento. • Desencadeantes: A criança gagueja quando está excitada, aborrecida, tem muito a dizer ao mesmo tempo, ou está sob pressão para se comunicar. Nessas situações, as repetições na fala são mais proeminentes. • Repetições predominantes: Na gagueira infantil, a predominância recai nas repetições de sons ou sílabas. Em alguns casos, a repetição é o único sintoma visível. Geralmente, as repetições ocorrem no início das palavras. 4. Início da rase: Há uma tendência para a gagueira ocorrer no início de uma rase. Algumascrianças só gaguejam na primeira palavra da frase. • Palavras especícas: As palavras que tendem a desencadear a gagueira são requentemente pronomes, conjunções, artigos e preposições. • Comportamento da Criança: Nessa faixa etária, as crianças normalmente não se preocupam com a gagueira nem são conscientes das repetições que ocorrem na ala. Algumas podem car rustradas e reagir de dierentes maneiras, como parar de alar ou azer birras, quando se sentem incapazes de se comunicar ecazmente devido à gagueira. 1.2 - Fase II (início aos 4 anos até a idade adulta) Características: • Crônica: A gagueira, em idades posteriores, é requentemente considerada crônica, o que signica que ocorre com poucos ou muito poucos momentos de ala uente. • Autoconceito negativo:Acriança que gagueja nessa ase tende a se ver como alguém que gagueja, o que pode levar a um conceito negativo de si mesma em relação à fala. • Ampliação dos tipos de palavras afetadas:Agagueira é observada em diver- sas categorias gramaticais, incluindo substantivos, verbos, adjetivos e advérbios. • Menos gagueira no início das palavras: Há menos tendência para a gagueira ocorrer no início das palavras, e mais fragmentação de palavras pode ser notada. Menos repetições de sílabas: As repetições de sílabas são menos comuns nesta fase, embora a criança possa já ter desenvolvido um autoconceito de “gago”. No entanto, a criança geralmente não demonstra preocupação com as diculdades na ala. • Aumento da gagueira sob estresse ou excitação:A gagueira pode aumentar quando a criança está excitada ou precisa alar mais rapidamente. Isso se torna mais sintomático nesta fase. 27GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 A gagueira em idades posteriores é requentemente crônica, aetando várias ca- tegorias de palavras, com menos repetições de sílabas, mas um autoconceito negativo associado à gagueira e uma tendência a piorar sob estresse ou excitação. 1.3 – Fase III (início aos 8 anos até a idade adulta) Características: • Gatilhos Especícos:A gagueira geralmente começa e termina em resposta a certas situações, como falar ao telefone, falar alto na sala de aula, conversar com pessoas desconhecidas ou fazer compras. • Diculdade com Sons: Algumas palavras ou sons se tornam mais difíceis de pronunciar do que outros durante a gagueira. Substituição de Palavras: Pode haver substituição de palavras durante a fala gaguejada, onde a pessoa tenta evitar palavras difíceis. • Medo de Sons: Às vezes, há um medo de sons ou onemas especícos que podem causar a gagueira. • Antecipação: A pessoa pode antecipar que vai gaguejar, o que pode aumentar a ocorrência da gagueira. • Não Evitar a Fala: Geralmente, não é comum que a pessoa evite alar ou evitar situações de comunicação devido à gagueira. • Falta de Embaraço: Aqueles que gaguejam normalmente não experimentam um forte medo ou embaraço em relação à sua fala. 1.4 – Fase IV (dos10 anos até a idade adulta) Características: • Antecipação da Gagueira: A pessoa muitas vezes prevê que vai começar a gaguejar antes mesmo de falar. • Medo de Palavras e Sons: Existe um medo associado a certas palavras, sons e situações sociais que podem desencadear a gagueira. • Substituição de Palavras: A substituição requente de palavras que a pessoa considera difíceis de pronunciar é comum. • Evita situações na Fala: Pessoas com gagueira costumam evitar situações de ala, evitando alar em público ou evitando situações de comunicação social. • Medo e Vergonha: A gagueira pode causar medo de falar e vergonha durante a comunicação. • Sensibilidade às Reações do Outro: A pessoa que gagueja tende a ser sen- sível às reações e julgamentos dos ouvintes. 28GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 • Gagueira Crônica:A gagueira, em muitos casos, pode se tornar uma condição crônica, persistindo ao longo do tempo. Vamos a mais exemplos, as conexões entre a habilidade de alar, as emoções e o processo de pensamento. Considere uma criança de 3 a 4 anos que volta da escola empolgada para compartilhar suas experiências com os pais. Ela deseja contar tudo de uma vez, e nesse contexto, tanto sua capacidade cognitiva quanto sua habilidade motora são aetadas, resultando em hesitações, repetições e bloqueios na ala. Agora, imagine essa mesma criança em ambientes amiliares nos quais todos ao seu redor dominam a linguagem melhor do que ela. Isso pode criar um sentimento de alta de oportunidade para falar, expectativas de se expressar bem e ansiedade, afetando tanto sua cognição quanto sua motricidade Além disso, considere adolescentes e adultos em sala de aula, enfrentando a tarefa de apresentar um seminário. Essas situações podem gerar insegurança, ansiedade, pres- são e expectativas, todas essas emoções podem intererir na uidez da ala, prejudicando o pensamento e a motricidade, resultando em interrupções durante a apresentação. É fundamental ressaltar, considerando os exemplos mencionados anteriormente, que não podemos estabelecer de antemão (como alguns azem) o limite entre a gagueira considerada natural e aquela que é considerada anormal. Devemos abordar a produção da ala com uma compreensão das inuências motoras, emocionais e cognitivas, sem precon- ceitos, e começar a desenvolver uma perspectiva cientíca própria na área de Fonoaudio- logia em relação às características da produção da fala individual. Isso nos permitirá afastar as denições pré-concebidas sobre o que é considerado normal e patológico na uência da fala, evitando idealizações da atividade de falar e o estigma associado à gagueira 29GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 GAGUEIRA NEUROGÊNICA TÓPICO Agagueira neurogênica é um termo criado porWARD e SCOTT (2011) para descre- ver a alta de uência na ala que resulta de danos no sistema nervoso central. Acredita-se que a gagueira neurogênica seja o tipo mais comum de gagueira adquirida. Diversos termos têm sido usados para reerir-se à gagueira resultante de danos no sistema nervoso central. Algumas alternativas menos comuns, e talvez não recomendáveis, incluem “gagueira neurológica” Esses rótulos se referem à natureza ou à localização da lesão cerebral subjacente, como a gagueira associada ao acidente vascular cerebral e a gagueira cortical. Esses rótu- los podem ser apropriados para descrever casos nos quais a gagueira está relacionada a um acidente vascular cerebral ou a uma lesão cerebral em uma região especíca. O mecanismo siopatológico da gagueira neurogênica ainda não é completamente compreendido. Ela pode estar associada a diversas patologias e lesões em diferentes áreas do cérebro. A gagueira neurogênica não está necessariamente ligada a danos em uma área especíca do cérebro, mas pode envolver várias estruturas neurológicas que azem parte da rede neural da ala. Essas estruturas podem incluir os quatro lobos de ambos os hemisférios cerebrais, a substância branca, os gânglios da base e o tálamo cerebral. Agagueira neurogênica, na maioria dos casos, é resultado de um acidente vascular cerebral. Ela não está limitada a uma lesão em uma região especíca do cérebro, mas é resultado da complexa rede de conexões gânglio-corticais e cortiço-basais, que envolvem várias áreas cerebrais, incluindo o córtex frontal inferior, córtex temporal superior, córtex 30GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 intraparietal, gânglios da base e suas interconexões na substância branca por meio do fascículo longitudinal superior e da cápsula interna. Essas áreas desempenham um papel crucial na rede neural sensorial e motora envolvida na produção da fala. Portanto, uma ou mais lesões nessa rede podem desencadear a gagueira neurogênica, mas não estão ne- cessariamenterelacionadas ao número de lesões no cérebro ou à gravidade da gagueira. Além de lesões traumáticas, a gagueira neurogênica pode ter outras causas, como cistos, neoplasias, doenças degenerativas (como Parkinson e esclerosemúltipla), meningites, síndrome de Guillain-Barré, HIV, epilepsia e o uso excessivo de certos medicamentos. Essas condições podem causar disuências na ala, conhecidas como gagueira armacológica. 2.1 – Sintomatologia da gagueira neurogênica Agagueira neurogênica está comumente relacionada a eventos cerebrovasculares, ou, em certos casos, pode surgir vários meses após o diagnóstico de um problema médico. Os sintomas da gagueira neurogênica são detalhados na Tabela 1- Sintomas da gagueira neurogênica. TABELA 1. SINTOMAS DA GAGUEIRA NEUROGÊNICA Repetição de sílabas e sons, enquanto os bloqueis são menos requentes As disuências são quase tão comuns com palavras substantivas como com palavras não substantivas O falante pode parecer preocupado com a gagueira, mas não demonstra ansiedade em temos de repetições ou prolongamentos, e os bloqueios aparecem em qualquer lugar de uma pala- vra ou enunciado, ao contrário da posição inicial da palavra na gagueira do desenvolvimento Os sintomas secundários raramente ocorrem, mesmo que ocorram caretas aciais, piscar e cerrar os punhos, não está vinculado a momentos de disuências Não há efeito de adaptação Há consistência na gagueira nas dierentes tareas de ala (conversação, explicação, repetição e leitura) As pessoas requentemente apresentam sinais adicionais de aasia e disartria Fonte: (JANUZOVIC; SINANOVIC; MAJIC, 2021) Agagueira neurogênica pode levar a uma autoimagem negativa, sentimentos de inapti- dão social e, como resultado, ao isolamento social. Isso, por sua vez, tem um impacto negativo na qualidade de vida da pessoa. Portanto, identicar a gagueira neurogênica demaneira precisa e rápida pode ajudar a reduzir ou até mesmo evitar essas diculdades na comunicação. 31GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 GAGUEIRA PSICOGÊNICA TÓPICO A gagueira psicogênica costuma estar associada a questões psicológicas ou traumas emocionais. Anteriormente, era referida como “gagueira histérica”, embora esse termo não seja mais utilizado em estudos mais recentes. Outra designação anteriormente utilizada é “gagueira traumática” (WARD; SCOTT, 2011). Não existe um consenso claro em relação à gagueira psicogênica, e o termo é geralmente reservado para casos nos quais a alta de uência na ala está claramente relacionada a uma psicopatologia diagnosticada (ASHA, 1999). No entanto, Baumgartner (1999) argumenta que a presença de psicopatologia nem sempre é necessária para que a gagueira seja considerada psicogênica. Alguns especialistas deendem a distinção entre a disuência com e sem psicopa- tologia comprovada, desde que haja justicativas sólidas para essa dierenciação. Aqueles que excluem a disuência sem psicopatologia diagnosticada da denição de gagueira psi- cogênica armam que nesses casos os sintomas continuam a se desenvolver da mesma orma que na gagueira que se inicia na inância sem qualquer evento traumático. Em casos com psicopatologia comprovada, os sintomas geralmente não continuam a se desenvolver, mas nem todos os pacientes com gagueira e um diagnóstico psiquiátrico apresentam recuperação completa. (WARD; SCOTT, 2011) Em outros casos, pode ser diícil obter um diagnóstico psiquiátrico, pois o paciente pode optar por não se submeter a uma avaliação psiquiátrica. 32GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 Segundo a perspectiva do autor Baumgartner (1999), o rótulo de gagueira psico- gênica poderia ser aplicado em situações nas quais existam evidências de que a origem da alta de uência na ala está relacionada a atores psicológicos ou traumas emocionais. É importante ressaltar que a simulação da gagueira, ou seja, ngir ter gagueira, não se enquadra na categoria de gagueira psicogênica. A simulação envolve a exageração dos sintomas com o objetivo de obter algum tipo de benefício, como evitar situações desagra- dáveis. Em contraste, as pessoas com gagueira psicogênica produzem disuências na ala de forma consciente e intencional, devido a fatores emocionais ou psicológicos. 33GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 DIFERENÇA DA GAGUEIRA PSICOGÊNICA E NEUROGÊNICA TÓPICO A distinção entre gagueira psicogênica e neurogênica é um desao devido à escassez de inormações na literatura disponível. O diagnóstico dierencial entre gagueira neurogênica e psicogênica é complicado para os prossionais de saúde, uma vez que os sintomas podem ser semelhantes ou se sobrepor. Algumas das características da gagueira psicogênica e neu- rogênica que podem ser úteis no processo de dierenciação são apresentadas na Tabela 2. TABELA 2. CARACTERÍSTICAS DA GAGUEIRA INDICANDO POSSÍVEL GAGUEIRA PSICOGÊNICA/ NEUROGÊNICA. Gagueira psicogênica Gagueira neurogênica Súbito – ormas Início repentino Incomuns deuências, como repetição múlti- plas de todos os fonemas, seguidas de caretas faciais, acenos de cabeça e movimentos seme- lhantes a tremores Repetições, prolongamento, bloqueio em todas as posições das palavras A consistência da gagueira por meio de dieren- tes tareas de ala, o signicado simbólico do transtorno atual Repetições, prolongamentos, bloquei em todas as posições da palavra As disuências ocorrem durante a ala em qual- quer lugar de uma palavra ou enunciado Consistência da gagueira através de dierentes tarefas da fala Uma pessoa pode ser indiferente ao seu dis- curso Disuências ocorrem durante a ala em qualquer lugar de uma palavra ou enunciado Qualidade de voz bizarra Uma pessoa muitas vezes anto tem consciên- cia do transtorno, mas pode car rustrada com sua fala Dados anamnésicos indicam história de pro- blemas emocionais (transtorno de personalida- de, transtorno de estresse pós-traumático, de- pendência de drogas, ansiedade ou depressão) O diagnóstico de psicopatologia não é necessário 34GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 Apessoa da impressão de aderir a determinado padrão de disuência e continua gaguejando em condições que melhoram a uência e du- rante a imitação de movimentos mímicos Após expressar informações emocionai, ocorre melhora repentina da uência Após um curto período é observado um pro- gresso rápido e satisfatório Piora dos sintomas ao realizar tarefas mais simples Piora da gagueira durante a releitura do mesmo texto Movimentos bizarros como: cabeça e olhos e sinais de ansiedade não relacionados com a produção da fala Construções gramaticais incomuns A existência de um episódio ocasional de ga- gueira ou gagueira em situação especíca. Fonte: (BOLSEL, 2014) 35GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 TAQUILALIA TÓPICO A taquilalia reere-se ao tempo da ala. A ala taquilálica é atropelada no tempo, uma palavra agrupada com a outa. É um problema associado a uma disfunção no sistema nervoso central. O ritmo da ala é muito mais rápido do que o normal, e a ala é desorga- nizada. A sequência dos sons está alterada, tornando a linguagem incompreensível. Não há consciência do problema nem componentes emotivos envolvidos. Se houver tensão muscular, ela será imperceptível. Ao mesmo tempo, a Classicação Internacional de Doenças reconhece a taquilalia como a ocorrência de uma taxa de elocução ou articulação (velocidade da ala) tão elevada que aeta consideravelmente a capacidade de compreensão da mensagem. Nesses casos, não há um aumento notável no número de hesitações ou disuências comuns, como gague- jo, e não são observadas outras alterações na linguagem, como diculdades na estruturadas frases ou problemas na organização do discurso mais amplo, tornando-o confuso. 36GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 TAQUIFEMIA TÓPICO A taquiemia é um distúrbio da uência verbal no qual uma pessoa ala em uma velocidade alta, rápida e irregular, resultando em uma fala desorganizada e confusa. Isso leva a mudanças nas sílabas, como omissões e pausas desnecessárias, e também pode distorcer os sons da fala. Os onoaudiólogos geralmente concordam que a taquiemia e a gagueira são dois distúrbios distintos da uência. No entanto, a pesquisa sobre a taquiemia tem sido limitada, e um desao no diagnóstico e tratamento dessa condição é que ela muitas vezes ocorre em combinação com outros distúrbios, alguns relacionados à ala/linguagem e outros não. O diagnóstico dierencial entre taquiemia e gagueira é complicado, uma vez que esses transtornos compartilham características semelhantes e requentemente coexistem. A taquiemia ocorre principalmente em situações de ala não uente. O termo “taquiemia” abrange uma variedade de sintomas e características que se ma- niestam em graus variados nas pessoas aetadas. Nenhum único aspecto isolado é suciente para determinar o diagnóstico; é a combinação de certos traços que dene essa condição. Alguns autores sugerem que a taquiemia pode envolver não apenas problemas de ala, mas também comportamento motor não verbal, traços de personalidade e décits de atenção. A pesquisa sobre a taquiemia é importante não apenas para aprimorar os métodos de tratamento, mas também para fornecer insights valiosos sobre os processos normais subjacentes à ala, linguagem e atenção. Compreender a taquiemia é undamental para o estudo da gagueira, pois esses distúrbios são requentemente interligados, embora contrastantes. É importante observar que a taquiemia é um distúrbio heterogêneo, o que signica que pode ter causas e subgrupos dierentes. 37GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 A taquiemia é associada a uma área especíca no cérebro, localizada na parede medial do lobo rontal esquerdo, no córtex que ca entre os hemisérios cerebrais. FIGURA 1. A PAREDEMEDIAL DO HEMISFÉRIO ESQUERDO. Fonte: (WARD; SCOTT, 2011) A gura 1 mostra as regiões propostas para constituir um centro executivo para a produção de discurso estão marcadas em cinza: o cogACC, O PreSMA e a SMA propria- mente dito, com divisão aproximada do ACC adicionada, com base e revisão de dados de vários estudos (WARD; SCOTT, 2011). Isso sugere que o córtex rontal medial desempenha um papel undamental na produ- ção da fala espontânea, trabalhando em conjunto com as áreas tradicionais de fala e linguagem no hemisério esquerdo, como as áreas de Wernicke e Broca. Acredita-se que o córtex medial tenha uma função de coordenação na fala espontânea, envolvendo motivação para falar, pla- nejamento de frases, recuperação de palavras, elementos sintáticos e código fonológico das regiões laterais do córtex, além de executar a sequência motora e monitorar a saída da ala. As regiões-chave envolvidas na taquiemia parecem ser, o córtex cingulado anterior (ACC), o pré-SMA e o próprio SMA, junto com a contribuição dos circuitos dos gânglios basais. O ACC é visto como tendo funções semelhantes a um “executivo central”, desem- penhando um papel central na atenção intencional e no monitoramento de erros de alto nível. O ACC, juntamente com o pré-SMA, desempenha um papel crítico na montagem da rase, desde o sequenciamento até a seleção de palavras e ormas de palavras. O tempo de articulação é controlado principalmente pela SMA, com o suporte dos gânglios basais e, em grande parte, através de conexões auditivas com o ACC e o SMA. 38GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 FIGURA 2 ALÇAS DOS GÂNGLIOS DA BASE, EM CORTE TRANSVERSAL DE UM ÚNICO HEMISFÉRIO. Fonte: (MORENO; BAAMONDE, 2003). A gura esquemática mostra uma alça motora começando e terminando na área motora suplementar (SMA), passando pelo putâmen (parte do corpo estriado) e pelo tála- mo. A gura também mostra a cauda do núcleo caudado (parte do corpo estriado) em corte transversal. ACC: córtex cingulado anterior. 6.1 – Sintomas e características da taquifemia Os sintomas da taquiemia a outros distúrbios neurológicos e sugeriu que a taquie- mia é resultado de uma disfunção no sistema dos gânglios da base. O neurologista. Os traços de desordem cerebral após danos ou doenças cerebrais geralmente ocorrem após lesões no sistema dos gânglios da base, como no caso da doença de Parkin- son. Os sintomas motores da ala na taquiemia geralmente envolvem uma alta velocidade de ala, articulação inadequada com conusão na mistura de sons e erros na sequência de fonemas, como “gleen glass” em vez de “grama verde” ou “bo gack” em vez de “voltar”. Além disso, a prosódia da ala é requentemente reduzida. Em muitos casos, esses sintomas são altamente inuenciados pela atenção, e a ala pode temporariamente parecer normal quando um gravador é ativado). (WARD; SCOTT, 2011). 39GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 DIFERENÇAS ENTRE TAQUILALIA E TAQUIFEMIA TÓPICO A taquilalia e a taquiemia são dois distúrbios de ala que envolvem a velocidade e o ritmo da produção da fala, mas existem algumas diferenças fundamentais entre eles: Taquilalia: • Denição: Taquilalia reere-se a uma condição em que a ala é produzida a uma velocidade anormalmente rápida. • Fluência: Geralmente, as pessoas com taquilalia têm uma ala uente e sem interrupções signicativas, mas a velocidade é anormalmente alta. • Causas: Pode ser causada por fatores neurológicos, como uma lesão cerebral ou distúrbio neurológico. • Controle: Geralmente, as pessoas com taquilalia têm controle adequado sobre a articulação das palavras, mas a taxa de produção é aumentada. • Taquiemia: • Denição: A taquiemia é um distúrbio de ala caracterizado por uma ala rápi- da, incoerente e requentemente interrompida. • Fluência: As pessoas com taquiemia tendem a apresentar interrupções na ala, como bloqueios ou repetições de sons, ou palavras, devido à velocidade excessiva. • Causas: Pode ser causada por fatores emocionais ou psicológicos, como an- siedade ou estresse. • Controle:A taquiemia pode resultar em uma perda de controle sobre a uência da fala, levando a interrupções e repetições. Em resumo, a principal dierença entre taquilalia e taquiemia está na uência da ala. Taquilalia se reere a uma ala rápida, mas normalmente uente, enquanto a taquiemia en- volve uma ala rápida e requentemente desordenada, com interrupções e repetições. Ambos os distúrbios podem ter causas dierentes, com a taquilalia muitas vezes associada a atores neurológicos e a taquiemia requentemente ligada a atores psicológicos ou emocionais. 40GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA, TAQUILALIA, TAQUIFEMIA UNIDADE 2 Dizer que uma pessoa é fuente, apresenta uma ala com fuência, implica a pressuposição de uma ala com disfuências livres de comprometimento de julgamentos, do sujeito e do outro, na ala. Neste sentido, armar que não existe fuência (ou que não existe fuência absoluta) torna-se também um contrassenso, dentro de uma perspectiva que assume o posto de observação da língua a partir de seu uso social e concreto, já que a fuência é sempre composta por disfuência. (SANTOS, 2015, p.28) Cada um desses distúrbios possui características distintas e muitas vezes complexas, tornando o diagnós- tico e dierenciação entre eles um desao. A compreensão dessas condições é essencial para prossionais de saúde, como onoaudiólogos, no diagnóstico e tratamento adequados. (Autor 2023) .......................................................................................................................... ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. ............................................................. Plano de Estudos • Importância da anamnese na avaliação da luência; • Desenvolver habilidades de entrevista para coletar inormações relevantes; • Método de avaliação, como escalas, questionários e observação; • Identifcação de sintomas e características dos distúrbios da luência; • Técnicas de gravação de amostra de ala; • Prática na coleta de amostras de ala de pacientes; • Taxa de articulação, pausas, prolongamentos e outros parâmetros; • Analise quantitativa e qualitativa da luência; • Abordagens terapêuticas. Objetivos da Aprendizagem • Aprimorar Habilidades de Avaliação; • Dominar técnicas de coletas de Amostras de ala; • Identifcar Parâmetros da Fluência; • Desenvolver Planos de Tratamento Personalizados; • Avaliar a efcácia do tratamento.. Professor(a) Esp. Ana Paula Taborda do Nascimento AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁ- LISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂMETROS DA FLUÊN- CIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA. UNIDADE 46AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 Avaliação e Tratamento em Crianças: Enoque na Observação e Orientação aos Pais, a avaliação em crianças é descrita como iniciando com a observação direta da intera- ção entre pais e lho, seguida de uma entrevista para discutir as observações. A necessida- de de abordar crenças dos pais sobre a hereditariedade da gagueira é destacada, visando tranquilizá-los quanto à sua não culpabilidade. Tratamento em Crianças: Estratégias Graduais para Construir Fluência o tratamen- to em crianças é ilustrado com um exemplo prático, introduzindo uma abordagem gradual para construir uência. O texto destaca a importância de envolver a criança em atividades relaxantes enquanto prática ala, passando por dierentes níveis de complexidade. Anamnese, Avaliação e Tratamento em Adultos: Desaos e Abordagens Terapêu- ticas, o texto aborda a complexidade da avaliação e tratamento em adultos, ressaltando a consciência dos próprios sintomas pelos pacientes. Questões relevantes para a anamnese em adultos são apresentadas, explorando a história da gagueira, sua relação com o estres- se e seu impacto na vida social e prossional. Terapia de Gagueira emAdultos: Enoque na Mudança de Comportamentos e Atitu- des. A terapia em adultos é discutida com base em três teorias: aprendizagem, cibernética (propriocepção) e psicoterapia. O texto enfatiza a mudança de comportamentos e atitudes como objetivos-chave, visando modicar padrões de ala adquiridos ao longo do tempo. A importância do controle emocional, adaptação ao estresse e construção de hierarquias de diculdades são destacadas nas dierentes ases da terapia. Em resumo, a anamnese da gagueira emcrianças e adultos envolve uma compreen- são holística, explorando fatores genéticos, ambientais, comportamentais e emocionais. O texto destaca a importância da prevenção, observação cuidadosa, orientação aos pais e abordagens terapêuticas adaptativas para enrentar essa condição de maneira abrangente. Está preparado(a)?! Então vem comigo! Bons estudos! ANAMNESE DE GAGUEIRA EM CRIANÇAS TÓPICO 47AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 Não há dúvida de que a gagueira tem início na inância e, ao longo dos anos, sua intensidade tende a aumentar. A questão da hereditariedade da gagueira também surge, com estudos indicando que cerca de 60% dos casos podem ter uma base genética. No entanto, ainda alta compreender como os genes inuenciam a ala de uma criança a ponto de desenca- dear a gagueira. Além disso, a explicação para casos comprovados de cura ou remissão total de gagueira, especialmente em crianças, permanece um desao, considerando que existem traços genéticos, como a cor dos olhos ou dos cabelos, que não são aetados pelo ambiente. A possibilidade de a gagueira ser um gene recessivo e se sorer inuências do am- biente é uma incerteza. Tudo indica que a hereditariedade é apenas uma das inuências, conorme evidenciado em estudos nos quais, mesmo entre gêmeos idênticos, alguns pares não apresentavam gagueira. Isso sugere que atores ambientais também desempenham um papel. A fala, sendo uma atividade motora sensível, pode ser facilmente afetada pela emoção e inuências ambientais. Mudanças de ambiente regional demonstram a rápida assimilação do modo de alar da região, indicando que irmãos criados no mesmo ambiente podem inuenciar mutuamente suas maneiras de alar, tornando a gagueira de um poten- cialmente “contagiante” para o outro. Em última análise, pode haver atores desconhecidos ou diversos elementos que predispõem um indivíduo à gagueira. Em alguns casos, fatores circunstanciais podem desencadear a gagueira em crianças predispostas, enquanto em outros, a predisposição pode estar presente, mas o ambiente pode contribuir para a uência da ala, ou vice-versa. Eva Lauer conduziu uma pesquisa cujos resultados oram apresentados no I Congresso Internacional de Prossionais em Fonoaudiologia em 1983 e posteriormente publicados no Jornal Brasileiro de Reabilitação, no ano 4, número 15, volume IV, em 1984. 48AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 O estudo tinha como objetivo identicar possíveis dierenças auditivas entre a gagueira siológica, também conhecida como disuência normal, e a gagueira como uma entidade já declarada e reconhecida. Os pesquisadores observaram que a gagueira siológica não estava relacionada à gagueira já estabelecida. A gagueira manifesta, ao contrário, desenvolver-se a partir de uma disuência normal que se intensica ao longo do tempo, iniciando-se quando os pais ou o ambiente começam a pressionar a criança para modicar sua maneira de alar. A pesquisa envolveu a gravação de discursos espontâneos de crianças com idades entre 3 e 6 anos. Critérios oram estabelecidos para auxiliar na dierenciação entre disuên- cia normal e gagueira declarada. As crianças selecionadas incluíam aquelas em tratamento onoaudiológico, aquelas não consideradas gaguejantes pelos pais e o irmão gêmeo de uma criança julgada como tendo gagueira. Assim, havia duas crianças uentes, sendo uma delas o irmão gêmeo. As idades das crianças variaram entre 3 anos e 6 meses, 4 anos, 5 anos e 9 meses, e 5 anos e 9 meses. A análise da disuência oi realizada em ambiente clínico durante interações te- rapeuta-criança, seja em situações de jogo ou conversas informais. Em todos os casos estudados, apenas 100 palavras foram transcritas e analisadas (Quadro 1.1). QUADRO 1 – COMPARATIVO DAS QUATRO CRIANÇAS ESTUDADAS Disuência Total nas duas Crianças gagas Total nas duas Crianças uentes Repetição de sílabas, de palavras e de frases Pausas Prolongamentos 31 5 23 13 2 8 Fonte: Jakubovicz, 2009 Na análise qualitativa, observou-se que o irmão gêmeo que gagueja apresenta variações na tonalidade da voz, indo de um tom grave a agudo em algumas ocasiões. A análise quantitativa revelou que o irmão gago repete, em média, quatro vezes a mesma palavra, enquanto seu irmão uente repete no máximo duas vezes. No total, o primeiro apresenta mais do que o dobro de disuências do que o segundo, o que provavelmente levou a mãe a considerar um lho como gago e o outro como uente. Os resultados chamaram a atenção, pois nenhum dos quatro sujeitos poderia ser considerado uente na verdadeira acepção da palavra. A pesquisa conduzida por Jakubo- viczR. e Lauer Eva (1983) oi considerada válida e útil, embora com dados ainda insu- cientes. O estudo inicial pode ser visto como um passo primordial para uma investigação mais aproundada, considerando aspectos adicionais, como um número maior de sujeitos avaliados e uma análise psicolinguística mais detalhada. Os dados coletados proporcionaram a base para algumas conclusões sobre uência, disuência siológica e gagueira do desenvolvimento. Recomenda-se analisar minuciosamen- 49AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 te o discurso de crianças cujos pais estão preocupados com sua fala, prestando atenção à presença de tensão vocal e ao número excessivo de repetições, bloqueios e prolongamentos. Intervenções terapêuticas devem ocorrer ao perceber sinais de alerta, pois há uma boa chance de evitar o aumento das disuências e tornar a gagueira mais resistente ao tratamento. Quanto à pesquisa sobre uência e disuência em crianças em idade de aquisição, as pesquisadoras (Lauer E. e Jakubovicz R.) perceberam que haviam surgido mais ques- tionamentos do que respostas. Isso levou à conclusão de que uma nova pesquisa seria necessária para explorar abordagens diferentes na compreensão da gagueira infantil. Ao abordar as concepções sobre a gagueira inantil, dierentes especialistas têm visões divergentes, criando incertezas sobre o que as pessoas realmente conhecem sobre o tema. A questão de dar ouvidos aos pais que buscam esclarecimentos sobre a gagueira é levantada. É salientado que a escuta deve ser desprovida de conceitos preestabelecidos, e é crucial ajudar as amílias a lidar com o problema, sem discriminar qualquer queixa apresentada. Os pais, muitas vezes, não compreendem exatamente o que signica ser uente, conundindo uência com outros distúrbios da ala. A necessidade de inormação precoce sobre o desenvolvimento da linguagem, os sinais de preocupação válidos e a importância de procurar prossionais qualicados, como onoaudiólogos, são destacadas. A prevenção é considerada undamental no início do quebra-cabeça da gagueira inantil, apesar das incertezas e questões levantadas ao longo do texto. Questionário quadro 2. QUADRO 2 – QUESTIONÁRIO INDIRETO 1- Quando seu lho está alando, o que lhe chama mais atenção? ( ) O assunto que ele ala ( ) Sua maneira de alar 2 – Você costuma comparar a maneira de alar do seu lho com a de outras crianças? ( ) Sim ( ) Não Por quê? ____________________________________________________ 3 – Já se preocupou, ou está preocupada com a maneira de alar de seu lho? ( ) Sim ( ) Não ( ) Talvez Por quê? _____________________________________________________ 4 – Você acha que os problemas de ala passam com o tempo? ( ) Sim ( )Não Por quê? ______________________________________________________ 5 – Quando seu lho demora para terminar de alar, você costuma completar para ele? ( ) A palavra ( ) A frase ( ) Não completa Por quê? ______________________________________________________ 6 – Levando em consideração os itens abaixo, qual deles você acha que interere mais na uência? ( ) Repetir as palavras ( ) Fazer pausas muito longas ( ) Bloquear a respiração ( ) Prolongar as palavras Outros itens não citados anteriormente: _____________________________ 50AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 7 – Quando seu lho não está uente, você costuma usar rases do tipo: ( ) Calma! ( ) Pare e fale mais devagar ( ) Respire undo e ale ( ) Não entendi nada do que você alou. Repita! Cite outra rase que você usa: _________________________________________ 8 – Você considera seu lho uente? ( ) Sim ( ) Não Por quê? ______________________________________________________ 9 – Você considera seu lho gago? ( ) Sim ( ) Não Por quê?______________________________________________________ Fonte: Jakubovicz 2009 1.1 Avaliação para crianças A avaliação para determinar a necessidade de tratamento ou não deve iniciar com a criança e os pais em uma sala, observando como eles reagem e interagem. A observação ideal é realizada de forma indireta, por meio de um espelho unidirecional ou por gravação de vídeo. É possível registrar a interação entre pais e lho para análise posterior. Após a observação, sem a presença da criança, realiza-se uma entrevista com os pais para discutir as observações eitas. A abordagem mais ecaz para apresentar as questões é mostrar aos pais a gravação ou vídeo obtido, permitindo que eles percebam por si mesmos as áreas que podem precisar de ajustes. Preerencialmente, é melhor que os pais vejam ou ouçam as situações que podem estar contribuindo para as diculdades da criança em vez de serem informados diretamente. Por exemplo, se or observado que os pais alam em nome da criança, interrompem excessivamente sua ala, completam suas rases ou demonstram desconorto quando a criança gagueja, é importante mostrar e discutir esses comportamentos. A conclusão de que tais práticas podem ser prejudiciais é preerível que surjam dos pais, não do terapeuta, evitando que eles se sintam culpados ou ansiosos em relação à gagueira da criança. Os pais também tendem a pensar que esses problemas são hereditários. É crucial abordar essa crença, explicando que a gagueira pode ocorrer independentemente de os pais serem gagos ou não, e que a hereditariedade ainda não oi comprovada. É importante tranquilizar os pais, armando que não são culpados pela gagueira do lho, já que outros pais podem agir de maneira semelhante, e seus lhos não apresentam esse problema. Destaca-se que algumas crianças são mais vulneráveis e sensíveis que outras, e é possível que o lho esteja dentro dessa categoria (Quadro 3). 51AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME- TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA UNIDADE 3 QUADRO 3 – PERGUNTAS QUE OS PAIS SE DEVEM FAZER (AUTOANALISE) - Será que nós estamos irritados ou revoltados por nosso lho ter esse problema? - Será que alamos com nosso lho de orma muito complicada, ou muito rápida, ou mes- mo alamos demasiado, e, então, ele acha que deve nos imitar e também alar complica- do, rápido ou demasiado? - Será que estamos pressionando nosso lho, quando azemos muitas perguntas a ele ou pedimos que ele nos conte muitas coisas? - Será que, quando nosso lho nos ala, o interrompemos demais, viramos a cabeça, não prestamos atenção ao assunto que ele nos traz, ou, então, nos retiramos enquanto ele está falando? - Será que temos eito muitas críticas a ele, dado punições demais, ou eito ele sentir que não é suciente bom? - Será que ele sabe que nós gostamos muito dele e que ele é muito importante para nós? - Será que nós não deixamos nosso lho car zangado quando isso é preciso. Não deixa- mos ele ser criança ou extravasar seus sentimentos quando há necessidade? - Será que em nossa casa o ambiente é muito excitante, as brincadeiras são muito ten- sas, há muitos lmes que transmitem ansiedade? - Será que nós temos esperado muita coisa de nosso lho, cobrando demais dele, exigido além do que ele pode nos dar? - Será que nosso lho percebe que nós camos aborrecidos ou preocupados quando ele ala gaguejando? Será que ele pensa que, por causa disso, nós não gostamos dele? Fonte: Jakubovicz, 2009. Para efetivamente prevenir o problema da gagueira, é fundamental realizar avalia- ções e tomar decisões adequadas. Se a gagueira já estiver presente, é necessário realizar terapia com a criança e fornecer orientações aos pais. No caso de não haver gagueira instalada, é importante orientar os pais e revisar a criança periodicamente para uma nova avaliação. O Quadro 4 destaca a avaliação e o tratamento direto com a criança. QUADRO 4 AVALIAÇÃO E TRATAMENTO DIRETO COM A CRIANÇA Histórico da criança Histórico da gagueira