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DIREITO CIVIL Pessoa Jurídica Livro Eletrônico Presidente: Gabriel Granjeiro Vice-Presidente: Rodrigo Calado Diretor Pedagógico: Erico Teixeira Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi Gerência de Produção de Conteúdo: Bárbara Guerra Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às penalidades previstas civil e criminalmente. CÓDIGO: 240524339037 ANTÔNIO ALEX Doutorando em Direito pelo UniCEUB; mestre pela UnB; bacharel em Direito e Engenharia Elétrica pela UnB. Possui licenciatura em Física; pós-graduação em Direito Notarial e Registral, Direito Processual Civil e Gestão Pública. Atua como advogado voluntário no Núcleo Cível de Tribunais Superiores da Defensoria Pública do DF. Servidor público federal aprovado em vários concursos públicos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex SUMÁRIO Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 Pessoa Jurídica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 1. Conceito de Pessoa Jurídica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 2. Constituição da Pessoa Jurídica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 3. Tipos de Pessoa Jurídica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 4. Domicílio da Pessoa Jurídica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 5. Associações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 6. Fundações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 7. Organizações Religiosas e Partidos Políticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 8. Sociedades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 9. EIRELI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 10. Desconsideração da Personalidade Jurídica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 11. Extinção da Pessoa Jurídica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 12. Direitos de Personalidade da Pessoa Jurídica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 Mapas Mentais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86 Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 Anexo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex APreSeNtAÇÃoAPreSeNtAÇÃo Olá, querido(a) aluno(a), tudo bem? Sou o professor Antônio Alex Pinheiro. Sou graduado em Engenharia Elétrica e Direito pela UnB, com Mestrado também pela UnB, cursando atualmente o Doutorado em Direito pelo UniCeub. Possuo pós-graduação em Direito Processual Civil, em Direito Notarial e Registral e em Gestão Pública. Também finalizei o curso de graduação de licenciatura em Física. Minha experiência com concursos públicos começou no ano de 2.003 e continua até então, nessa trajetória fui aprovado nos concursos públicos da Caixa Econômica Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Curso de Oficial da PMDF, professor da Secretaria de Educação do Distrito Federal, professor do Instituto Federal de Brasília e Anatel. Atualmente ocupo o cargo de Especialista em Regulação na Anatel. Recentemente logrei êxito na aprovação para o cargo de Notário e Registrador dos Tribunais de Justiça do Ceará, do Amazonas, do Paraná e de Santa Catarina, quando aprofundei meus estudos em relação ao Direito Civil. No concurso para o cargo de Notário ou Registrador, o conteúdo de Direito Civil tem um peso extremamente importante nas três fases: prova objetiva, prova discursiva e prova oral. Desde o ano de 2015, exerço também a advocacia voluntária pela Defensoria Pública do DF na área de Direito Civil. Atualmente estou lotado no núcleo de Defensoria Pública do DF junto aos Tribunais Superiores, atividade que me trouxe grande aprendizado na área de Direito Civil. Como fruto de minhas pesquisas, recentemente também publiquei livros na área de Direito Civil. Assim, quero compartilhar minhas experiências adquiridas ao longo da minha vida para lhe auxiliar em seu processo de aprovação. O nosso curso de Direito Civil foi elaborado sabendo que o concurseiro não dispõe de muito tempo disponível para seu estudo, com cada aula estrategicamente pensada e elaborada com os principais conceitos relacionados com o respectivo assunto para facilitar o entendimento e a fixação do conteúdo. Além do mais, tendo em vista a forte cobrança de lei seca em questões de Direito Civil, para economizar seu tempo, sempre farei menção aos artigos correspondentes ao conteúdo estudado. Assim, além de você entender o conceito estudado, vai saber como o assunto é disposto na respectiva redação da lei. Ao final da aula, apresento uma lista de exercícios dos últimos anos que permitem a fixação do conteúdo estudado. Por fim, os esquemas e resumos das aulas trazem os principais pontos estudados em cada aula. Quanto aos mesmos, recomendo que sejam estudados entre os intervalos das aulas para facilitar a fixação do conteúdo. Espero que você goste do que vamos estudar e do material a seguir. Por favor: material obrigatório! Então, fica ligado no curso GRAN. Estou esperando as dúvidas no Fórum do aluno! O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKEadministradores. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 33 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Além do mais, o art. 60 do Código Civil garante à minoria o poder de convocar a reunião dos órgãos deliberativos, entretanto, cabe ressaltar que é apenas a convocação para reunião, sendo que o quórum para decisão será o estabelecido no estatuto: Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos far-se-á na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovê-la. Também há previsão de exclusão do associado, entretanto, conforme previsão no art. 57 do CC, somente ocorrerá em caso de ocorrência justa causa, que deverá ser apurada em processe instruído com a possibilidade de ampla defesa e contraditório. A justa causa pode ser a quebra da affectio societatis, por meio de desvirtuamento dos fins da associação, justificando a exclusão do associado: Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. 019. 019. (VUNESP/TJ-AL NOTÁRIO E REGISTRADOR/REMOÇÃO/2019) Determinada organização religiosa estabelece, em seu estatuto, a exclusão de modo automático de associado que se declarar agnóstico, sem necessidade de qualquer notificação ou procedimento. Diante disso, a) a previsão estatuária é nula por não prever um procedimento que assegure direito de defesa e recurso. b) a previsão estatuária é válida ante à ciência do associado ao ingressar no quadro associativo. c) a previsão estatuária terá validade desde que estivesse grafada em letras maiores e em destaque no estatuto. d) a previsão é inválida por não ser admissível, em nenhuma hipótese, a exclusão de associado de organização religiosa, Conforme Artigo 57 do CC. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. Letra a. Além do mais, segundo o Inciso XX, do art. 5º, da Constituição Federal, o associado possui o direito de se retirar da associação a qualquer tempo, desta forma, o associado não poderá ser obrigado a permanecer filiado à entidade: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 34 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; Por fim, em caso de dissolução da sociedade, o Código Civil trouxe previsão de destinação dos bens da associação dissolvida, desta forma, os bens remanescentes devem ser destinados à entidade de fins não econômicos designada no estatuto ou, então, em caso de omissão por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. 020. 020. (FCC/DEFENSOR PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO/2022) A Defensoria Pública do Mato Grosso foi procurada por uma comunidade denominada “Paconezinho” que reside em bairro ocupado há anos, sem a devida regularização de propriedade. Os usuários pretendem criar uma associação de moradores para defender seus direitos e buscaram orientações a respeito do regime jurídico da aludida modalidade de pessoa jurídica, a qual a) garante a transferência automática da condição de associado aos herdeiros do associado falecido, independentemente de previsão estatutária. b) é dispensada legalmente de elaborar estatuto social. c) não admite a instituição de associados com vantagens especiais, pois todos devem ter direitos iguais. d) admite a exclusão de associado sem justa causa, desde que reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso. e) constitui-se pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos, inexistindo, entre os associados, direitos e obrigações recíprocas. a) Errada. Conforme art. 56, do CC: “A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário.” b) Errada. Conforme art. 54, do CC: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 35 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I – a denominação, os fins e a sede da associação; II – os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III – os direitos e deveres dos associados; IV – as fontes de recursos para sua manutenção; V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005) VI – as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. (Incluído pela Lei n. 11.127, de 2005) c) Errada. Conforme art. 55, do CC: “Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais.” d) Errada. Conforme art. 57, do CC: “A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto.” e) Certa. Conforme art. 53 do CC: “Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos.” Letra e. 021. 021. (FGV/OAB UNIFICADO/NACIONAL/XXXVI EXAME/2022) João Paulo, Thiago, Ana e Tereza, amigos de infância, consultam um advogado sobre a melhor forma de, conjuntamente, desenvolverem atividade com o propósito de auxiliar na educação formal de jovens de uma comunidade da cidade ABC. Os amigos questionam se deveriam constituir uma pessoa jurídica para tal fim e informam ao advogado que gostariam de participar ativamente da administração e do desenvolvimento das atividades de educação. Além disso, os amigos concordam que a referida pessoa jurídica a ser constituída não deve ter finalidade lucrativa. Diante do cenário hipotético narrado, o advogado(a) deverá indicar a) a necessidade de constituição de uma associação e alertar aos amigos que o custeio da referida associação deverá ser arcado por eles, tendo em vista a ausência de finalidade lucrativa. b) a necessidade de constituição de uma associação que poderá desenvolver atividade econômica, desde que a totalidade dos valores auferidos seja revertida para a própria associação. c) a constituição de uma fundação, porque é a modalidade mais adequada para que os amigos possam participar ativamente da administração e das atividades de educação. d) a constituição de uma fundação e alertar aos amigos que o custeio da referida fundação deverá ser arcado por eles, tendo em vista a ausência de finalidade lucrativa e a impossibilidade de aportes financeiros por outraspessoas que não pertencem à fundação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 36 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) Errada. Embora as associações não possuam fins econômicos, podem elas desenvolver atividade econômica, conforme entendimento da doutrina (Enunciado 534, CJF/STJ). Dessa forma, ao contrário do que consta da assertiva, não necessariamente os interessados em constituir referida pessoa jurídica deverão arcar com o seu custeio, podendo os recursos virem de uma atividade desenvolvida pela associação – desde que desprovida de finalidade lucrativa – ou de outra fonte prevista no respectivo estatuto, conforme arts. 53, caput, e 54, IV, do Código Civil: Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. [...] Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: [...] IV – as fontes de recursos para sua manutenção. b) Certa. É o entendimento que prevalece na doutrina, consoante Enunciado 534 do CJF/STJ: JURISPRUDÊNCIA As associações podem desenvolver atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa. Dessa forma, como não poderá haver finalidade lucrativa, os recursos provenientes da atividade econômica desenvolvida deverão ser revertidos integralmente para a própria associação. Sobre o tema, leciona Carlos Roberto Gonçalves (Direito civil brasileiro, volume 1: parte geral. 15. ed. [livro eletrônico]. São Paulo: Saraiva, 2017): A circunstância de uma associação eventualmente realizar negócios para manter ou aumentar o seu patrimônio, sem, todavia, proporcionar ganhos aos associados não a desnatura, sendo comum a existência de entidades recreativas que mantêm serviço de venda de refeições aos associados, de cooperativas que fornecem gêneros alimentícios e conveniências a seus integrantes, bem como agremiações esportivas que vendem uniformes, bolas etc. aos seus componentes. A redação do retrotranscrito art. 53, ao referir-se a “fins não econômicos”, é imprópria, pois toda e qualquer associação pode exercer ou participar de atividades econômicas. O que deve ser vedado é que essas atividades tenham finalidade lucrativa. c) Errada. Não há impedimento para que os instituidores da associação participem ativamente da administração e das atividades de educação desenvolvidas, o que deverá vir previsto no estatuto, conforme art. 54, I, III e VII, CC: Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I – a denominação, os fins e a sede da associação; [...] III – os direitos e deveres dos associados; [...] O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 37 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. Desse modo, ainda que a constituição de uma fundação seja igualmente adequada à finalidade almejada, não há óbice para que os amigos constituam uma associação e nela participem ativamente da administração e das atividades educacionais desenvolvidas. d) Errada. Embora, em tese, João Paulo, Thiago, Ana e Tereza pudessem, por ato inter vivos (escritura pública), constituir uma fundação para finalidade educacional (art. 62, parágrafo único, III, CC), não é correto afirmar que a pessoa jurídica não poderá receber aportes financeiros de pessoas não pertencentes à fundação, o que poderá vir discriminado no ato constitutivo ou no respectivo estatuto. Letra b. 6 . FUNDAÇÕeS6 . FUNDAÇÕeS Fundações também são pessoas jurídicas de direito privado, entretanto, diferentemente das associações e sociedades, as fundações são resultantes da afetação de um patrimônio, instituídas por escritura pública ou por testamento, que adquire personalidade civil para a realização de finalidade ideal ou não econômica: Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. 022. 022. (RBO/PREF. MONGAGUÁ PROCURADOR MUNICIPAL/2022) Com relação às pessoas jurídicas, assinale a alternativa correta. a) A pessoa jurídica estrangeira não poderá funcionar no Brasil sem a autorização do Congresso Nacional. b) As pessoas jurídicas de direito público são regulamentadas pela Lei de Licitações, mesmo se tiverem estrutura de direito privado. c) As autarquias são pessoas jurídicas de direito público interno, diferentemente das associações públicas. d) As fundações são pessoas jurídicas que se tratam do conjunto de bens arrecadados com finalidade e interesse social. a) Errada. A autorização é dada pelo Poder Executivo (não pelo Congresso Nacional). Vejamos: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 38 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 1.134. A sociedade estrangeira, qualquer que seja o seu objeto, não pode, sem autorização do Poder Executivo, funcionar no País, ainda que por estabelecimentos subordinados, podendo, todavia, ressalvados os casos expressos em lei, ser acionista de sociedade anônima brasileira. b) Errada. As pessoas jurídicas de direito público são regulamentadas pelo art. 41 do CC: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I – a União; II – os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III – os Municípios; IV – as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei n. 11.107, de 2005) V – as demais entidades de caráter público criadas por lei. Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código. c) Errada. Tanto as autarquias quanto as associações públicas são pessoas jurídicas de direito público interno. Vejamos: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: (...) IV – as autarquias, inclusive as associações públicas. d) Certa. A assertiva está de acordo com o seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 62, do CC: Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: Letra d. Para instituição da fundação são necessários 2 elementos fundamentais: o fim e o patrimônio. Em relação aos fins, as fundações são criadas para os fins previstos no parágrafo único do art. 62 do CC, que são de assistência social, cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico, educação, saúde, e outros, Cabe ressaltar que o rol destes fins não é exaustivo, sendo possível a criação de fundações com fim diferente, desde que não tenha finalidade lucrativa. Quanto ao patrimônio, os bens destinados à instituição da fundação devem ser livres e desembaraçados, cabe ressaltar, conforme o art. 63 do CC, que em caso de insuficiência dos bens afetados, os mesmos serão se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciadopara DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 39 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex O processo de constituição da fundação envolve 04 (quatro) fases: Ato de Instituição, Elaboração do Estatuto, Aprovação do Estatuto e Registro. O Ato de instituição ocorre com a afetação de bens livres, por meio de uma escritura pública ou por testamento, para a execução de fins não lucrativos. Os bens podem ser móveis ou imóveis, mas aptos a produzir rendas ou serviços contribuindo para que a fundação atinja seus fins. Portanto, a fundação é um patrimônio afetado por meio de escritura pública ou testamento, para finalidade não econômica, cujo estatuto é registrado no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas (RCPJ): FINALIDADE NÃO ECONÔMICA RCPJ (MP) Estatuto PATRIMÔNIO AFETADO por Escritura Pública ou Testamento FUNDAÇÃO Em seguida, ocorre a Elaboração do Estatuto, cabendo àqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, ou ao Ministério Público, no caso de o estatuto não ser elaborado no prazo determinado ou em 180 (cento e oitenta dias), não havendo prazo determinado: Art. 65. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência do encargo, formularão logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o estatuto da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação da autoridade competente, com recurso ao juiz. Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público. A terceira fase se refere à Aprovação do Estatuto, cabendo ao Ministério Público Estadual ou ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios a incumbência de aprová-lo, podendo inclusive propor alterações no estatuto. Caso a atividade da fundação se estenda por mais de uma unidade da federação, caberá manifestação de cada um dos órgãos do Ministério Público estadual. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 40 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Da manifestação do Ministério Público, cabe recurso para o juizado de primeiro grau. Caso o Estatuto seja elaborado pelo Ministério Público, caberá ao juizado de primeiro grau proceder à aprovação do estatuto, havendo possibilidade de recurso para a segunda instância. Por fim, na quarta fase ocorre o registro do estatuto no Registro Civil de Pessoas Jurídicas (RCPJ), sendo o ato necessário para constituir a pessoa jurídica fundação, ou seja, determina o início da existência legal da fundação. 023. 023. (FGV/DEFENSOR PÚBLICO DO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL/2022/XVIII) Juliano viveu uma vida de excessos e se preocupa em dar um fim útil ao considerável conjunto de bens que amealhou durante a sua vida. Por isso, deseja que, após a sua morte, 20% dos seus bens sejam destinados à instituição de uma fundação para fins de defesa, conservação e promoção do meio ambiente dos povos ribeirinhos. A partir disso, é correto afirmar que: a) se insuficientes para instituir a fundação, os bens deixados por Juliano deverão retornar ao monte a ser inventariado, a fim de que se faça a partilha. b) para alterar o estatuto da fundação, a reforma deve ser deliberada por 2/3 dos competentes para gerir e representá-la e não desvirtuar ou contrariar o seu fim. c) se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo, em 180 dias, a incumbência caberá ao Ministério Público. d) tornando-se inútil, impossível ou ilícita a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo da sua existência, o juiz lhe promoverá a extinção, incorporando o seu patrimônio a outra fundação. a) Errada. Sendo insuficiente o patrimônio deixado por Juliano para instituição da fundação, e inexistindo disposição do fundador acerca da destinação em tal hipótese, será ele incorporado em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante, nos termos do art. 63, CC: Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante. b) Errada. Além dos requisitos constantes da assertiva, faz-se necessária a aprovação pelo MP, no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias, consoante art. 67, CC: Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I – seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 41 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex II – não contrarie ou desvirtue o fim desta; III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado. c) Certa. É a previsão do parágrafo único do art. 65 do CC: Art. 65. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência do encargo, formularão logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o estatuto da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação da autoridade competente, com recurso ao juiz. Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público. d) Errada. A extinção da fundação deve ser promovida pelo MP ou qualquer interessado, e não pelo juiz, consoante art. 69, CC: Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante. Letra c. Conforme já brevemente relatado, a fiscalização de fundações compete ao Ministério Público do Estado onde estiver instalada a fundação, caso a atividade se estenda a mais uma unidade da federação, a fiscalização caberá a cada um deles. A fiscalização do Ministério Público ocorre para que não seja desvirtuado o fim da fundação, que são criadas para fins não lucrativos: Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas § 1º Se funcionarem no Distrito Federal ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. § 2º Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao respectivo Ministério Público. Quanto à alteração do estatuto da fundação, conforme art. 67, o Código Civil estabelece que qualquer alteração deverá ser submetida à aprovação do Ministério Público, há necessidade quórum adequado, bem como, não pode existir o desvirtuamento da finalidade da fundação: Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I – seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação; II – não contrarie ou desvirtue o fim desta; III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público, e, caso este a denegue, poderá o juiz supri- la, a requerimento do interessado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANELEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 42 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado. Em relação ao fim da Fundação, conforme o Código Civil, existem 2 (duas) hipóteses de extinção: tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação ou vencido o prazo de sua existência. Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante. O processo de extinção deve ser promovido por qualquer interessado ou pelo Ministério Público, que devem velar inclusive pela destinação do patrimônio remanescente, conforme ato constitutivo. Caso não exista previsão de destinação, devem velar pela incorporação do patrimônio em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante. 024. 024. (FGV/ AUDITOR FEDERAL DE CONTROLE EXTERNO TCU/CONTROLE EXTERNO/AUDITORIA GOVERNAMENTAL/2022) Adauto instituiu por testamento fundação com fins de promoção de educação de jovens carentes de São Paulo e, para tal, realizou a dotação de bens livres com a parte disponível de sua herança. Quando ele faleceu, o estatuto foi elaborado, aprovado pelo Ministério Público e inscrito no órgão competente. A fundação começou a funcionar, mas agora, depois de um ano de funcionamento, precisará realizar alterações no seu estatuto. A reforma, além de deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação e não contrariar ou desvirtuar o fim da fundação, deve ser: a) aprovada expressamente pelo órgão do Ministério Público dentro do prazo legal, descabido o suprimento judicial em caso de denegação ou ausência de manifestação. b) aprovada pelo órgão do Ministério Público, expressa ou tacitamente (pelo decurso dentro do prazo legal sem manifestação), descabido o suprimento judicial. c) aprovada pelo órgão do Ministério Público e, se ele denegar ou não se manifestar no prazo legal, poderá o juiz supri-la a requerimento do interessado. d) aprovada expressamente pelo órgão do Ministério Público, sendo cabível suprimento judicial somente no caso de ele não se manifestar no prazo legal. e) aprovada pelo órgão do Ministério Público, expressa ou tacitamente (pelo decurso dentro do prazo legal sem manifestação), sendo cabível suprimento judicial somente no caso de denegação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 43 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) Errada. É permitido o suprimento judicial, a requerimento do interessado, quando o Ministério Público não se manifestar no prazo legal ou denegar a aprovação (art. 67, III, Código Civil). b) Errada. A aprovação da alteração do estatuto exige manifestação expressa do Ministério Público; não se admite aprovação tácita. c) Certa. A reforma do estatuto da fundação, além de deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação e não contrariar ou desvirtuar o fim da fundação, deve ser aprovada pelo órgão do Ministério Público e, se ele denegar ou não se manifestar no prazo legal, poderá o juiz supri-la a requerimento do interessado, conforme determina o art. 67 do Código Civil. Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I – seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação; II – não contrarie ou desvirtue o fim desta; III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado. (Redação dada pela Lei n. 13.151, de 2015) d) Errada. O suprimento judicial é cabível no caso do Ministério Público não se manifestar no prazo legal ou quando a aprovação do estatuto for denegada (art. 67, III, Código Civil). e) Errada. Não se admite aprovação tácita e o suprimento judicial é cabível também no caso do Ministério Público não se manifestar no prazo legal (art. 67, III, Código Civil). Letra c. 7 . orGANiZAÇÕeS reliGioSAS e PArtiDoS PolÍtiCoS7 . orGANiZAÇÕeS reliGioSAS e PArtiDoS PolÍtiCoS Com a promulgação da Lei n. 10.825/03, que alterou o Código Civil de 2002, as organizações religiosas e os partidos políticos foram incluídos como pessoas jurídicas autônomas. A justificativa para inclusão das organizações religiosas como pessoa jurídica autônoma estava no fato de possuírem características de associação e também de sociedade. Por um lado, não possuem fins econômicos, entretanto, as práticas perpetradas reúnem situações que remetem a existência de direitos e obrigações. Desta forma, a solução encontrada foi a inserção das organizações religiosas como pessoas jurídicas próprias, compondo o Inciso IV do art. 44 do CC: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações; II – as sociedades; III – as fundações. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 44 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex IV – as organizações religiosas; V – os partidos políticos. Já em relação aos partidos políticos, também não possuem fins econômicos, apresentando objetivos específicos de natureza política. Desta forma, não podem ser associações, fundações ou sociedade, isto porque não possuem fim cultural, assistencial, educacional, religioso ou moral. Algumas das disposições específicas dos partidos políticos inclusive estão previstas no texto constitucional, como a possibilidade de criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, respeitando a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana, o caráter nacional, a proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes, a prestação de contas à Justiça Eleitoral, o acesso a recursos do fundo partidário e a vedada à utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar. Em relação ao registro, os partidos políticos se submetem a regras particulares, sendo que inicialmente os partidos políticos devem submeter o seu estatuto a registro no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídica, adquirindo desta forma personalidade jurídica. Em seguida, os partidos devem submeter o registro de seu estatuto ao Tribunal Superior Eleitoral, sendo um requisito obrigatório para que o partido possa participar do processo eleitoral, receber recursos do Fundo Partidário e ter acesso gratuito ao rádio e à televisão. Desta forma, diante das disposições específicas que se aplicam aos partidos políticos, os partidos políticos adquiriram personalidade jurídica autônoma no Código Civil de 2002. Assim, os partidos políticos são constituídos com objetivos de natureza política, com fins não econômicos, cujo estatuto é registrado inicialmente no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas (RCPJ), sendo, posteriormente,registrado no Tribunal Superior Eleitoral: registro sucessivo no TSE Registro inicial do estatuto no RCPJ Fins não econômicos OBJETIVOS DE NATUREZA POLÍTICA PARTIDOS POLÍTICOS O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 45 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 025. 025. (INSTITUTO AOCP/MPE-RS/ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO/DIREITO CLASSE A/2021/ ADAPTADA) Em relação às pessoas jurídicas, julgue o item: Em relação aos partidos políticos, tem-se que estes possuem peculiaridades tão próprias e específicas que geram a necessidade de serem tratados como sui generis, não podendo ser classificados como pessoa jurídica de direito público ou privado, mas sim pessoa jurídica de singularidade não classificada. Nos termos do art. 44 do CC, os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado. Errado. 026. 026. (INSTITUTO AOCP/MPE-RS/ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO/DIREITO CLASSE A/2021/ ADAPTADA) Em relação às pessoas jurídicas, julgue o item: Os partidos políticos são classificados como pessoa jurídica de direito transitório com fins motivados, sendo tratados em legislação esparsa relativa à administração pública, sendo que, em que pese o Código Civil Brasileiro não trazer normativas quanto a tais pessoas jurídicas, considera aplicável aos partidos políticos as disposições relativas à desconsideração da personalidade jurídica. Nos termos do art. 44 do CC, os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado. Errado. 8 . SoCieDADeS8 . SoCieDADeS Sociedade constitui a reunião de pessoas, para um ou mais negócios determinados, que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados, conforme art. 981 do CC: Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais negócios determinados O assunto relacionado com as Sociedades não será aprofundado neste tópico porque se trata de um conteúdo pertinente à disciplina de Direito Empresarial. Entretanto, serão abordadas algumas noções para adequada compreensão do tema. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 46 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Assim, se o objetivo da pessoa é empreender atividade econômica, visando perseguir atividade lucrativa, o que ela deve constituir é uma SOCIEDADE. As sociedades são formadas por meio de um contrato social. Conforme o art. 982 do CC, as sociedades podem ser classificadas em SIMPLES e EMPRESÁRIAS: Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. Cabe ressaltar que tanto a sociedade simples como a empresária visam ao lucro. Entretanto, a sociedade simples, em regra, tem como atividade principal aquelas de natureza intelectual, científica, literária ou artística, inclusive com o concurso de auxiliares ou colaboradores, em que a pessoa do sócio é indispensável para o exercício da atividade, ou seja, marcada pela pessoalidade. Desta forma, caso esporadicamente exerçam algum ato de natureza empresarial, não é suficiente para modificar a natureza desta sociedade. O registro da sociedade simples é realizado no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, não se submetendo à legislação de falência e recuperação judicial. Exemplo: um jovem abre uma escola para ensinar a tocar violão. Por outro lado, a sociedade empresária tem como atividade principal o exercício de atividade própria de empresário, nos termos do art. 966 do CC, o qual considera empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Enquanto a sociedade simples é marcada pela pessoalidade, a sociedade empresária é caracterizada pela impessoalidade, ou seja, a pessoa do sócio não é indispensável para atividades da sociedade. O registro da sociedade empresária é realizado na Junta Comercial, inclusive se submetendo à legislação de falência e recuperação judicial. Exemplo: um supermercado. SOCIEDADE REUNIÃO DE PESSOAS (art. 981 CC) Contribuição com bens e serviços, exercício de Atividade Econômica Partilha, ente si, dos resultados Com registro do contrato social no RCPJ (simples) ou Junta Comercial (Empresária) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 47 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 9 . eire9 . eirelili Nos termos da antiga redação do art. 44 do CC, a EIRELI não era propriamente uma sociedade, mas uma pessoa jurídica unipessoal com responsabilidade limitada ao seu capital social. Através da EIRELI é possível constituir uma pessoa jurídica por uma ÚNICA pessoa física, com responsabilidade limitada. Anteriormente, já havia o chamado empresário individual, que é a pessoa física que se inscreve e se registra na Junta Comercial como empresário, sendo que as dívidas por ele assumidas recaíam sobre o seu patrimônio pessoal, isto porque a responsabilidade do empresário individual é ilimitada. Diante desta problemática, as pessoas constituíam as chamadas sociedades de fachada, na qual a atividade era exercida por uma única pessoa, entretanto, convidava outra pessoa para fazer parte da sociedade somente para proteger o patrimônio pessoal das dívidas empresariais, isto porque na sociedade limitada responsabilidade está limitada ao capital social integralizado. Assim, para resolver esta problemática, a Lei n. 12.441/2011 alterou o Código Civil, incluindo a empresa individual de responsabilidade limitada como uma pessoa jurídica de direito privado (EIRELI). Os requisitos para a criação da EIRELI estavam previstos no art. 980 A do CC, revogados pela lei n. 14.382/2022, que estabelecia, dentre outras coisas, totalidade do capital social devidamente integralizado e desde que não seja inferior a 100 (cem) vezes o maior salário mínimo vigente no país, o nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão “EIRELI”, a pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade e deve ser aplicar à EIRELI as regras previstas para as sociedades limitadas, inclusive a desconsideração da personalidade jurídica: Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País. Com a recente lei n. 13.874/2019 (lei de liberdade econômica), passou a der admitida no ordenamento brasileiro a SOCIEDADE LIMITADA UNIPESSOAL, de um sócio proprietário, sem ter seus bens pessoais atrelados às dívidas da empresa: Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social.§ 1º A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais pessoas. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio único, no que couber, as disposições sobre o contrato social. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 48 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Essa importante mudança no direito empresarial, veio resolver um problema que afetava muitas sociedades. Até então, a sociedade limitada poderia exercer suas atividades com um único sócio, em caráter incidental e temporário, tão somente pelo prazo de 180 dias, em conformidade com o artigo 1033, IV, do Código Civil. Nos casos de retirada, de exclusão ou morte dos demais sócios, se a sociedade não fosse reconstituída no prazo de 180 dias, ela seria dissolvida por falta de pluralidade de sócios. Dentro dessa hipótese, ela precisaria ser reestruturada pela admissão de novos sócios, ou por sua transformação em Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), sob pena de dissolução legal. Todavia, para a transformação de uma sociedade em EIRELI é preciso observar duas importantes exigências específicas relativas ao seu capital social, que deve ser totalmente integralizado no momento de sua constituição; e, ser superior ao limite mínio de 100 salários-mínimos (artigo 980-A, do Código Civil). Esses dois fatores eram bastante impactantes na continuidade da atividade empresarial, tendo em vista o prazo exíguo de 180 dias para sua reconstituição. No entanto, com a criação da sociedade limitada unipessoal, essas questões foram solucionadas, pois, diferentemente da EIRELI, em que se exige o capital social mínimo de 100 salários-mínimos, e sua integralização total, a sociedade limitada unipessoal pode ser aberta com capital social de qualquer valor, por exemplo, de R$ 1.000,00. Em seguida, foi publicada a lei n. 14.195/2021, estabelecendo o fim das Empresas Individuais de Responsabilidade Limitada (EIRELI), isso, porque, entendeu-se que houve revogação tácita de todos os dispositivos do Código Civil que tratavam da EIRELI: inciso VI do artigo 44 e artigo 980-A e seus parágrafos em razão da incompatibilidade com a nova legislação. Vejamos as disposições do art. 41 da lei n. 14.195/2021: Art. 41. As empresas individuais de responsabilidade limitada existentes na data da entrada em vigor desta Lei serão transformadas em sociedades limitadas unipessoais independentemente de qualquer alteração em seu ato constitutivo. Parágrafo único. Ato do Drei disciplinará a transformação referida neste artigo. Assim, as empresas que já estão registradas como EIRELI seriam transformadas, automaticamente, em Sociedade Limitada Unipessoal, sem necessidade, inclusive, de averbação na Junta Comercial de alteração à margem de seus registros. Por fim, houve a publicação da lei n. 14.382/2022 que revogou todas as disposições relacionadas com a EIRELI do Código Civil. 10 . DeSCoNSiDerAÇÃo DA PerSoNAliDADe JUrÍDiCA10 . DeSCoNSiDerAÇÃo DA PerSoNAliDADe JUrÍDiCA Desconsideração da Personalidade Jurídica consiste no afastamento temporário da autonomia patrimonial da pessoa jurídica, por ordem judicial, com o intuito de, mediante a constrição do patrimônio de seus sócios ou administradores, possibilitar o adimplemento de dívidas assumidas pela sociedade, nasceu para combater fraudes. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 49 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex A legislação confere às pessoas jurídicas personalidade distinta de seus membros, inclusive separação entre o patrimônio da pessoa jurídica e da pessoa física. Assim, diante da autonomia da pessoa jurídica, em alguns momentos ela passou a ser utilizada como instrumento para a prática de fraudes contra credores, isso porque nas sociedades limitadas a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas já integralizadas. Os sócios contraiam dívidas já com a expectativa de não pagá-las ou pagá-las de forma insuficiente conforme somente o valor capital social da pessoa jurídica integralizado. Cabe esclarecer que a desconsideração da personalidade jurídica não é uma hipótese de extinção da pessoa jurídica, ou seja, não é uma despersonalização. A desconsideração apenas levanta momentaneamente a barreira de autonomia de separação entre a pessoa física e a jurídica para atingir bens particulares dos sócios ou administradores que possam ser utilizados para responsabilização de obrigações contraídas pela pessoa jurídica. Em seguida, a pessoa jurídica pode continuar sua existência normal. 027. 027. (CEBRASPE/CESPE/TJ-SC/NOTÁRIO E REGISTRADOR/PROVIMENTO/2023) Em se tratando de despersonalização da personalidade jurídica, a teoria adotada pelo Código Civil brasileiro é a a) teoria maior, na sua vertente subjetiva. b) teoria menor, nas suas duas vertentes, objetiva e subjetiva. c) teoria menor, na sua vertente subjetiva. d) teoria maior, nas suas duas vertentes, objetiva e subjetiva. e) teoria menor, na sua vertente objetiva. A assertiva “d” está correta, visto que exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. Bem como, subdivide-se em subjetiva e objetiva. Pela primeira formulação, a desconsideração requer o elemento fraude, enquanto, pela segunda, basta que se demonstre a confusão patrimonial. Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 50 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex O ordenamento jurídico brasileiro adotou, como regra, a Teoria Maior da desconsideração da personalidade jurídica, mas a legislação consumerista incorporou a Teoria Menor, por ser mais ampla e mais benéfica ao consumidor, pois não exige prova da fraude, do abuso de direito ou de confusão patrimonial. Portanto, basta a demonstração do estado de insolvência do fornecedor ou do fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados. Fonte: https://www.tjdft.jus.br/consultas/jurisprudenc... JURISPRUDÊNCIA 1. A aplicação da desconsideração da personalidade jurídica deve ser excepcional, sendo a regra a preservação da autonomia patrimonial, devendo ser deferida quando presentes os requisitos do Art. 50 do Código Civil. 2. O ordenamento jurídico adotou a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica a qual exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. Acórdão 1369154, 07090171820218070000, Relator: ROBERTO FREITAS, Terceira Turma Cível, data de julgamento: 31/8/2021, publicado no DJE: 17/9/2021. Acerca da desconsideração da personalidade jurídica, nosso ordenamento consagra duas teoriasbásicas para a responsabilização dos sócios: teoria maior e teoria menor. A primeira aplica-se ao caso de desvirtuamento da personalidade jurídica, ao passo que a segunda se caracteriza pelo simples inadimplemento das obrigações da sociedade. A teoria maior, por sua vez, subdivide-se em subjetiva e objetiva. Pela primeira formulação, a desconsideração requer o elemento fraude, enquanto que, pela segunda, basta que se demonstre a confusão patrimonial. Fonte: https://www.tjdft.jus.br/consultas/jurisprudenc... JURISPRUDÊNCIA 6. Extrai-se do artigo 28, §5º, do Código de Defesa do Consumidor que a sistemática consumerista adotou a Teoria Menor, admitindo a desconsideração da personalidade sempre que ela for óbice ao ressarcimento dos prejuízos causados aos consumidores, de forma diversa da posição adotada pelo Código Civil no seu art. 50, onde prevalece a Teoria Maior da desconsideração, em que se faz necessária a comprovação do abuso da autonomia jurídica, consubstanciada pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. Acórdão 1366614, 07122762120218070000, Relator: SANDOVAL OLIVEIRA, Segunda Turma Cível, data de julgamento: 25/8/2021, publicado no DJE: 13/9/2021. Letra d. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 51 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Diante do referido instituto, surgiram algumas teorias para subsidiar a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica: • Teoria Maior: Para ela, não basta que a pessoa jurídica esteja insolvente e, portanto, impossibilitada financeiramente de cumprir com suas obrigações perante seus credores para que a desconsideração seja aplicada. A Teoria Maior somente reconhece a desconsideração da personalidade jurídica quando ficar configurado a existência de a) requisitos objetivos: insuficiência patrimonial do devedor e b) requisitos subjetivos: desvio de finalidade ou confusão patrimonial através da fraude ou do abuso de direito. Previsão no art. 50 do CC: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019) § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice- versa; (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) 028. 028. (FGV/CGE-SC/AUDITOR DO ESTADO/DIREITO/2023) A Sociedade Ômicron Comércio de Alimentos e Bebidas Ltda., nos últimos cinco anos, transferiu ativos para seus dois únicos O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 52 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex sócios, sem nenhuma espécie de contraprestação. A transferência corresponde a setenta e cinco por cento do patrimônio líquido da sociedade, o que conduziu à inadimplência de diversas obrigações, incluindo um contrato de mútuo bancário. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta. a) A transferência de ativos da Sociedade Ômicron para seus sócios sem efetiva contraprestações caracteriza confusão patrimonial para fins de desconsideração da personalidade jurídica. b) O Código Civil brasileiro adota a teoria maior para fins de desconsideração da personalidade jurídica, que pode ser reconhecida de ofício pelo juiz no caso hipotético do enunciado. c) A desconsideração da personalidade jurídica no caso da sociedade Ômicron depende da existência de grupo econômico. d) A desconsideração da personalidade jurídica não se aplica aos contratos bancários, visto que a sociedade é considerada vulnerável juridicamente. e) Em caso de abuso da personalidade jurídica, o credor poderá requerer a desconsideração da personalidade jurídica, que atingirá, se decretada judicialmente, a todas as obrigações da sociedade, inclusive, as vincendas. a) Certa. A transferência de ativos para os sócios sem efetiva contraprestações caracteriza confusão patrimonial para fins de desconsideração da personalidade jurídica por força do disposto no art. 50, § 2º, II, do Código Civil. Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019) § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice- versa; (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019). A desconsideração da personalidade jurídica é a superação episódica da personalidade jurídica da sociedade, em caso de fraude, abuso, ou simples desvio de função, objetivando a satisfação do terceiro lesado junto ao patrimônio dos próprios sócios, que passam a ter responsabilidade pessoal pelo ilícito causado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 53 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex b) Errada. O Código Civil brasileiro adota a teoria maior para fins de desconsideração da personalidade jurídica, masnão pode ser reconhecida de ofício pelo juiz, depende de pedido da parte ou do Ministério Público (art. 133, caput, CPC). Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo. A teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica exige a presença de dois requisitos: o abuso da personalidade jurídica e o prejuízo ao credor. Foi a teoria adotada pelo art. 50 do Código Civil. A teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica exige um único elemento, o prejuízo ao credor. Foi a teoria adotada pela Lei 9.605/1998, para os danos ambientais e pelo Código de Defesa do Consumido. c) Errada. A desconsideração da personalidade jurídica no caso da sociedade Ômicron não depende da existência de grupo econômico (art. 50, § 4º, Código Civil). d) Errada. Não há restrição à aplicação da desconsideração da personalidade jurídica aos contratos bancários e não há elementos na questão para concluir que a sociedade é vulnerável juridicamente. e) Errada. Em caso de abuso da personalidade jurídica, o credor poderá requerer a desconsideração da personalidade jurídica, que atingirá, se decretada judicialmente, somente as obrigações objeto do processo em que se deu a desconsideração. Letra a. 029. 029. (WE DO/CM SL OESTE/PROCURADOR JURÍDICO/2020) Acerca das disposições concernentes às pessoas jurídicas no Código Civil, assinale a alternativa correta: a) Decai em dois anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro; b) A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela maioria simples dos sócios com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos; c) Constitui desvio de finalidade a expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica; d) Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, ainda que de pequena monta; e) O cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador, ou vice-versa caracteriza confusão patrimonial. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 54 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) Errada. Conforme art. 45, Parágrafo único, do CC: “Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.” b) Errada. Conforme art. 49-A, Parágrafo único, do CC: A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos. c) Errada. Conforme art. 50, § 5º do CC: “Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica.” d) Errada. Conforme Art. 50, § 2º, do CC: Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante. e) Certa. Conforme Art. 50, § 2º, do CC: Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. Letra e. • Teoria Menor: a Teoria Menor da desconsideração da personalidade jurídica é uma teoria ampla, mais benéfica ao credor, pois não exige prova da fraude ou do abuso de direito. Nem é necessária a prova da confusão patrimonial entre os bens da pessoa jurídica e física. Basta, nesse sentido, que o credor demonstre o estado de insolvência do fornecedor, ou, ainda, o fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados. Possui aplicação no âmbito de proteção dos consumidores, do meio ambiente e defesa da concorrência. Previsão no § 5º, do art. 28 do CDC, art. 4º da Lei n. 9.605/1.998 (Meio ambiente), art. 34 da Lei n. 12.529/2011 e § 2º do art. 133 do CPC: CDC: Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 55 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. § 5º Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. Meio Ambiente: Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. Anti-Truste: Art. 34. A personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. Parágrafo único. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. CPC: Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo. § 2º Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inversa da personalidade jurídica Por fim, existe a chamada a desconsideração inversa da personalidade jurídica, que consiste em afastar, por ordem judicial, a autonomia patrimonial da pessoa jurídica para responsabilizar a sociedade por obrigação do sócio pessoa física. EXEMPLO Considere o sócio de uma empresa que estando prestes a se divorciar, para evitar a partilha do bem com sua esposa, compra um veículo e o coloca em nome da empresa, ou seja, da pessoa jurídica. Desta forma, o veículo foi comprado com recursos da pessoa física. Assim, com a desconsideração inversa da pessoa jurídica é possível afastar a autonomia da pessoa jurídica para chegar aos bens da pessoa jurídica que foram adquiridos a partir de recursos da pessoa física. Resumindo: Desconsideração da Personalidade Jurídica Desconsideração Inversa da Personalidade Jurídica Atingir bens pessoais dos sócios por obrigação contraída pela pessoa jurídica. Atingir bens da pessoa jurídica por obrigação contraída pelo sócio. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA É DIFERENTE DE DESPERSONALIZAÇÃO. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 56 de 138gran.com.br Direito Civil PessoaJurídica Antônio Alex 030. 030. (FGV/TJ-MS/JUIZ ESTADUAL/2023) Em ação de divórcio, Bernadete pretende o atingimento dos bens da sociedade controlada por seu ex-marido, Paulo, para a qual ele transferira todo o seu patrimônio, a fim de frustrar a devida meação. Nesse caso, a hipótese é de desconsideração: a) inversa, regida pela teoria menor, sem expressa previsão no Código Civil. b) indireta, regida pela teoria maior, com expressa previsão no Código Civil. c) expansiva, regida pela teoria maior, sem expressa previsão no Código Civil. d) inversa, regida pela teoria maior, com expressa previsão no Código Civil. e) indireta, regida pela teoria menor, sem expressa previsão no Código Civil. A desconsideração inversa da personalidade jurídica tem por objetivo permitir a expropriação do patrimônio das pessoas jurídicas de direito privado pelas dívidas contraídas por seus sócios (Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald, Curso de Direito Civil, v. 1, 21 ed., Juspodivm, 2023, p. 568). Tem fundamento no art. 50, § 3º do Código Civil. Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019) § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice- versa; (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 57 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex § 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) A teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica exige a presença de dois requisitos: o abuso da personalidade jurídica e o prejuízo ao credor. Foi a teoria adotada pelo art. 50 do Código Civil (Flávio Tartuce, Manual de Direito Civil, 13 ed., Método, 2023, p. 172). Letra d. E um assunto novo que vem sendo cobrado em provas é sobre a DESCONSIDERAÇÃO POSITIVA da personalidade jurídica, que é requerida pelo próprio devedor para conservar seu patrimônio mínimo, notadamente o bem de família que esteja em nome da pessoa jurídica. Assim, conforme entendimento do STJ, que admite a desconsideração positiva de personalidade jurídica para proteger bem de família, bem como com o Enunciado 285 da IV Jornada de Direito Civil. Vejamos: JURISPRUDÊNCIA Enunciado 285 – IV Jornada de Direito Civil: A teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode ser invocada pela pessoa jurídica, em seu favor. Para o STJ: “O motivo que levou à criação da doutrina da desconsideração da personalidade, desde sua origem no direito anglo-americano (disregard of the legal entity), foi afastar temporariamente a autonomia patrimonial da pessoa jurídica para satisfazer interesse do credor em razão de prática abusiva do sócio. No caso, o que se pretende é o inverso, vale dizer, suspender a personalidade jurídica da sociedade empresarial para se conferir proteção ao devedor que utiliza imóvel de propriedade da empresa como moradia. Trata-se da denominada ‘desconsideração da personalidade jurídica positiva’, expressão cunhada pela doutrina para justificar proteção conferida pela Lei n. 8.009/90 a imóvel pertencente à pessoa jurídica, no qual residam os sócios. Sustenta-se que ‘a teoria da desconsideração da personalidade sempre foi utilizada sob o aspecto negativo (punitivo/repressivo) (…)’, propondo Fábio Ricardo Rodrigues Brasilino seja utilizada também ‘sob o ponto de vista positivo, ou seja, para resguardo a dignidade da pessoa e outros valores constitucionais’ (“A desconsideração da personalidade jurídica positiva”. Revista de Direito Empresarial: ReDE, v. 2, n. 6, p. 91-105, nov./dez. 2014)” (REsp n. 1.514.567/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 14/3/2023, DJe de 24/4/2023.) Segue abaixo um quadro resumo comparando a teoria menor e a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 58 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Teoria MAIOR Teoria MENOR O Direito Civil brasileiro adotou, como regra geral, a chamada teoria maior da desconsideração. Isso porque o art. 50 exige que se prove o desvio de finalidade (teoria maior subjetiva) ou a confusão patrimonial (teoria maior objetiva). No Direito do Consumidor e no Direito Ambiental, adotou-se a teoria menor da desconsideração. Isso porque, para que haja a desconsideração da personalidade jurídica nas relações jurídicas envolvendo consumo ou responsabilidade civil ambiental não se exige desvio de finalidade nem confusão patrimonial. Deve-se provar: 1) Abuso da personalidade (desvio de finalidade ou confusão patrimonial); 2) Que os administradores ou sócios da pessoa jurídica foram beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso (novo requisito trazido pela Lei n. 13.874/2019). De acordo com a Teoria Menor, a incidência da desconsideração se justifica: a) pela comprovação da insolvência da pessoa jurídica para o pagamento de suas obrigações, somada à má administração da empresa (art. 28, caput, do CDC); ou b) pelo mero fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores, nos termos do § 5º do art. 28 do CDC. STJ. 3ª Turma. REsp 1735004/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/06/2018. Prevê a possibilidade de se estender as obrigações da empresa a sócios e administradores (mesmo que não sejam sócios). Somente prevê a possibilidade de se estender obrigações da empresa a sócios (não fala em “administradores”). Adotada pelo art. 50 do CC. Prevista no art. 4º da Lei n. 9.605/98 (Lei Ambiental) Segue abaixo alguns importantes julgados relacionados com a desconsideração da personalidade jurídica: JURISPRUDÊNCIA A despeito de não se exigir prova de abuso ou fraude para aplicação da Teoria Menor da desconsideração da personalidade jurídica, não é possível a responsabilização pessoal de sócio que não desempenhe atos de gestão, ressalvadaa prova de que contribuiu, ao menos culposamente, para a prática de atos de administração. STJ. 3ª Turma. REsp 1.900.843-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para acórdão Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 23/5/2023 (Info 777). EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. APLICAÇÃO. TEORIA MENOR. INOVAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. DECISÃO. EFEITOS. EXTENSÃO. BENS DO CÔNJUGE DA SÓCIA. REEXAME. SÚMULA N. 7/STJ. NÃO PROVIMENTO. 1. É inadmissível a adição de teses não suscitadas sequer nas razões ou contrarrazões do recurso especial por consistir em indevida inovação. 2. A desconsideração da personalidade jurídica, quando cabível, atinge os bens dos sócios ou administradores que praticaram ou se beneficiaram da conduta ilícita. Não havendo no acórdão local qualquer informação de que o cônjuge da sócia se enquadre O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 59 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex numa daquelas situações, o reexame da questão esbarra nas disposições do verbete n. 7 da Súmula desta Corte. 3. Agravo interno a que se nega provimento. ACÓRDÃO A Quarta Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Antonio Carlos Ferreira (Presidente), Marco Buzzi, Luis Felipe Salomão e Raul Araújo votaram com a Sra. Ministra Relatora. AIRESP 1740658 EMENTA RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. COOPERATIVA HABITACIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. SÚMULA 602/ STJ. APLICAÇÃO DA TEORIA MENOR. INCLUSÃO DE MEMBRO DO CONSELHO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PRÁTICA DE ATOS DE GESTÃO. ACÓRDÃO RECORRIDO REFORMADO PARA ACOLHER A EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE, A FIM DE AFASTAR A RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE PELOS PREJUÍZOS DA SOCIEDADE COOPERATIVA. RECURSO PROVIDO. 1. Cinge-se a controvérsia a saber se é possível responsabilizar membro do conselho fiscal de cooperativa por dívidas desta, tendo em vista o deferimento do pedido de desconsideração da personalidade jurídica. 2. Ao contrário do que estabelece o Código Civil (art. 50), que adota a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica, a qual exige a demonstração de abuso da personalidade, consubstanciado no desvio de finalidade ou confusão patrimonial, o Código de Defesa do Consumidor acolhe a teoria menor, segundo a qual a responsabilização dos sócios ou administradores será possível sempre que a pessoa jurídica for obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados ao consumidor (CDC, art. 28, § 5º). 3. Na hipótese em julgamento, considerando que a cooperativa executada é do ramo habitacional, em cujo conselho fiscal participou o recorrente, deve ser aplicada a teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica, pois, nos termos da Súmula n. 602/STJ, “o Código de Defesa do Consumidor é aplicável aos empreendimentos habitacionais promovidos pelas sociedades cooperativas”. 4. No entanto, mesmo sendo aplicada a teoria menor no presente caso, em que não se exige a prova do abuso da personalidade jurídica, o art. 28, § 5º, do Código de Defesa do Consumidor não pode ser interpretado de forma tão ampla a permitir a responsabilização de quem jamais integrou a diretoria ou o conselho de administração da cooperativa, como no caso do ora recorrente, que exerceu, por breve período, apenas o cargo de conselheiro fiscal, o qual não possui função de gestão da sociedade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 60 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 5. Dessa forma, salvo em casos excepcionais, em que houver comprovação de que o conselheiro fiscal tenha agido com fraude ou abuso de direito, ou, ainda, tenha se beneficiado, de forma ilícita, em razão do cargo exercido, não se revela possível a sua responsabilização por obrigações da sociedade cooperativa. 6. Recurso especial provido. RESP 1804579 11 . eXtiNÇÃo DA PeSSoA JUrÍDiCA11 . eXtiNÇÃo DA PeSSoA JUrÍDiCA Vimos que o começo da pessoa jurídica ocorre com o registro do seu ato constitutivo no órgão competente, conforme art. 45 do CC. Assim como a pessoa física, a pessoa jurídica possui um ciclo de vida, podendo sofrer modificações de seu contrato ou estatuto, que devem ser averbadas no órgão competente. A pessoa jurídica também está sujeita à hipótese de extinção, sendo o processo de extinção de uma pessoa jurídica caraterizado pelas fases: dissolução, liquidação e cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. Extinção da PJ Dissolução Liquidação Cancelamento da inscrição Assim, inicialmente temos a dissolução: Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. § 1º Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução. § 2º As disposições para a liquidação das sociedades aplicam-se, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. § 3º Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. A dissolução pode ocorrer de 4 (quatro) formas distintas: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 61 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Dissolução da PJ Convencional Legal Administrativa Judicial Tipo Rol exemplificativo Previsão Convencional Por previsão dos sócios, conforme previsão no estatuto ou contrato. Art. 1033 do CC Legal Falecimento de sócio, anulada sua constituição, exaurimento de seu fim social, falência etc. Inciso II, do Art. 1028 do CC, art. 1.034 do CC, Lei n. 11.101/05, Administrativa Cassação de autorização do Poder Executivo, Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade da pessoa jurídica, etc. Art. 1.125 do CC, art. 69 do CC, Judicial Em regra, ocorre quando a pessoa jurídica se enquadra em casos de dissolução previstos no estatuto, contrato ou lei e mesmo assim continua em operação. Diante da situação, algum sócio a ingressar com ação no poder judiciário. Art. 1.034 do CC 031. 031. (CESPE/CEBRASPE/MPR/ANALISTA DO MPU/2018) A respeito de interpretação de lei, pessoas jurídicas e naturais, negócio jurídico, prescrição, adimplemento de obrigações e responsabilidade civil, julgue o item a seguir. Com a dissolução da pessoa jurídica, a personalidade desse ente não desaparece, mas subsiste até que a liquidação seja concluída. A questão acima precisa ser analisada conforme as disposições do art. 51 do CC, o qual prevê, no caso de dissolução da pessoa jurídica, sua continuidade para fins de liquidação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 62 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Além do mais, o seu parágrafo 3º prevê o cancelamento da pessoa jurídica somente após o encerramento da fase liquidação. Desta forma, a afirmativa é verdadeira. Certo. Desta forma, após a dissolução da pessoa jurídica, tem início o processoDOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Muito bem-vindo ao nosso curso, vamos ao trabalho!!!! “Nenhum obstáculo é tão grande se sua vontade de vencer for maior.” Forte abraço e bons estudos! Antônio Alex Pinheiro @prof._antonio_alex O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 6 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex PESSOA JURÍDICAPESSOA JURÍDICA 1 . CoNCeito De PeSSoA JUrÍDiCA1 . CoNCeito De PeSSoA JUrÍDiCA Pessoa Jurídica é o grupamento humano, com personalidade jurídica própria, criado na forma da lei, para consecução de fins comuns. A pessoa jurídica é uma decorrência da capacidade de viver em sociedade dos seres humanos, que procuram se agrupar para atingir de forma mais eficiente seus objetivos. Além das pessoas físicas ou naturais, as pessoas jurídicas, que são entidades abstratas, criadas pelo homem por meio de ferramentas jurídicas, passaram a ser reconhecidas como sujeito de direito e de obrigações, com personalidade jurídica própria. Um ponto importante que deve ser esclarecido é que o simples fato de uma entidade possuir o Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) na Secretaria da Receita Federal do Brasil, não significa que a entidade necessariamente será uma pessoa jurídica. Quem vai dizer necessariamente que são as pessoas jurídicas é a lei, mais precisamente o Código Civil. Diante do exposto, uma entidade pode possuir CNPJ simplesmente para fins de tributários, não constituindo uma pessoa jurídica. A natureza jurídica das pessoas jurídicas é explicada por diferentes teorias, destacando- se inicialmente as Correntes Negativista e Afirmativista. Segundo a Corrente Negativista, a pessoa jurídica é simplesmente um agrupamento de pessoas, não existindo uma vontade autônoma da pessoa jurídica. Entretanto, a referida corrente não prevaleceu. Já a Corrente Afirmativista prevaleceu aceitando a existência autônoma da pessoa jurídica, porém, esta corrente pode ser subdividida em 3 (três) Teorias: a) Teoria da Ficção: Para esta teoria, a pessoa jurídica seria uma criação da pura técnica do direito, tendo uma existência meramente ideal ou abstrata. As críticas à referida teoria é que ela enxerga a pessoa jurídica no plano das ideias, desprezando as relações sociais. b) Teoria da Realidade Objetiva: Segundo esta teoria, a pessoa jurídica seria um organismo social vivo, não sendo explicada pela técnica do direito, mas pela sociologia. A crítica a esta teoria é que ele limitou o estudo da pessoa jurídica no campo da sociologia, desprezando a técnica do direito na constituição da pessoa jurídica. c) Teoria da Realidade Técnica: Por fim, para esta teoria, a pessoa jurídica seria uma criação do direito, mas que também participa de relações sociais. A Teoria da Realidade Técnica da pessoa jurídica é a adotada pelo Código Civil de 2.002. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 7 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 001. 001. (QUADRIX//CAU-SC/ADVOGADO/2022) As pessoas jurídicas podem ser conceituadas como sendo conjuntos de a) pessoas, que não adquirem personalidade própria, mas podem assumir obrigações e ser titulares de direitos. b) bens arrecadados, que adquirem personalidade própria por uma ficção legal, mas são incapazes de assumir obrigações. c) pessoas ou de bens arrecadados, sem personalidade própria. d) pessoas ou de bens arrecadados, que adquirem personalidade própria por uma ficção legal. e) pessoas ou de bens arrecadados, que adquirem personalidade própria, com capacidade para assumir obrigações, mas não podem ser titulares de direitos. a) Errada. A pessoa jurídica adquire personalidade própria, que não se confunde com as pessoas que a constitui, conforme prevê o art. 49-A do CC: Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos. b) Errada. A pessoa jurídica tem personalidade e capacidade para adquirir obrigações. c) Errada. A pessoa jurídica adquire personalidade própria, distinta daqueles que a constitui. d) Certa. De fato, a pessoa jurídica é o ente abstrato, criado por ficção legal e formado pelo conjunto de bens ou pessoas, que tem identidade própria (e, portanto, existência e responsabilidade jurídicas), podendo ser de direito público ou privado, conforme dispõe o art. 40 do CC: Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado. Vale lembrar que há três teorias explicativas da pessoa jurídica: 1) Teoria da ficção legal: entende que a pessoa jurídica não tem existência real, sendo apenas uma abstração criada por lei. Capitaneada por Savigny, tal teoria sustenta que só a pessoa natural tem vontade e, assim, existência real. 2) Teoria da realidade objetiva ou orgânica: sustenta que a pessoa jurídica não é uma ficção legal, mas uma realidade sociológica, dotada de existência e vontade próprias, distintas das de seus membros, que nascem por imposição de forças sociais. Capitaneada por de Gierke e Zitelman, é criticada, ao argumento de que a volitividade O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 8 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex é característica apenas da pessoa humana. 3) Teoria da realidade técnica (ou teoria das instituições jurídicas, de Hauriou): entende que a personalidade jurídica é atribuída pela ordem jurídica estatal, ou seja, é conferida pelo direito, sendo um expediente técnico. As pessoas jurídicas são uma realidade jurídica, com atuação social reconhecida. É, segundo a doutrina, a que melhor define a pessoa jurídica. e) Errada. A pessoa jurídica tem personalidade e capacidade para adquirir obrigações, bem como para ser titular de direitos. Letra d. Recentemente, houve uma alteração legislativa para ressaltar que a pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores, veja: Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos. Inclusive já foi cobrada em prova: 002. 002. (INSTITUTO ACCESS/ TJ-PB/JUIZ LEIGO/2022) A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é a) um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos. b) um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geraçãode liquidação, que consiste no pagamento das dívidas, partilha do patrimônio remanescente entre os sócios ou destinação do patrimônio conforme previsão estatuária. Com o encerramento da liquidação, promove-se o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou na Junta Comercial. 032. 032. (CONSULPLAN/TJ-MG NOTÁRIO E REGISTRADOR/PROVIMENTO/2019) Considerando as prescrições do Código Civil acerca das pessoas jurídicas, assinale a alternativa correta. a) Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada, a autorização para seu funcionamento, subsistirá para fins de liquidação pelo prazo de dois anos. b) Decai em dois anos o direito de anular as decisões tomadas pela administração coletiva da pessoa jurídica, quando violarem o estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude. c) São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos. d) As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado o direito de regresso contra os causadores do dano em qualquer hipótese. a) Errada. Não há prazo estabelecido para funcionamento da pessoa jurídica na hipótese de dissolução, conforme, art. 51 do CC, irá ocorrer até que a liquidação se conclua. Vejamos: Art. 51, do CC: Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. b) Errada. Conforme parágrafo único do art. 45 do CC, decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. c) Certa. Nos termos do art. 44, § 1º: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 63 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. d) Errada. Nos termos do art. 43 do CC, as pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. Assim, o direito de regresso ocorrerá apenas no caso de culpa ou dolo. Letra c. 12 . DireitoS De PerSoNAliDADe DA PeSSoA JUrÍDiCA12 . DireitoS De PerSoNAliDADe DA PeSSoA JUrÍDiCA A pessoa jurídica também possui direitos de personalidade. Embora os direitos de personalidade tenham sido criados para proteger a pessoa humana, frente aos fundamentos da dignidade da pessoa humana, aplica-se no que couber à pessoa jurídica os direitos de personalidade, inclusive também positivado no Código Civil: Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade. Neste sentido, o termo no que couber, delimita a aplicação dos direitos de personalidade de forma coerente com a própria estrutura da pessoa jurídica, os direitos de personalidade aplicam-se para proteger o nome e imagem da pessoa jurídica, não se aplicando para a proteção da integridade física da mesma. Além do mais, a Súmula 227 do STJ traz previsão de dano moral à pessoa jurídica: JURISPRUDÊNCIA Súmula 227 do STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. 033. 033. (CEBRASPE/CESPE/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2021) Acerca do tratamento conferido pelo Código Civil às pessoas jurídicas, Ás pessoas jurídicas não é assegurada a proteção dos direitos da personalidade, uma vez que estes se aplicam às pessoas naturais. Conforme Artigo 52 do CC. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade. Nesse sentido, a jurisprudência reconhece, por exemplo, a O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 64 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex existência de danos morais da pessoa jurídica, compreendendo-os como a violação à sua honra objetiva, isto é, ao nome, à imagem, à reputação que ela tem na coletividade. A Súmula 227 do STJ enuncia que a pessoa jurídica pode sofrer dano moral: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. Errado. Se você gostou do material ou tem críticas, dá um feedback, bem como poste suas dúvidas lá no fórum. Estou esperando você lá no Fórum! Estudaaaaa!!!! O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 65 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex RESUMORESUMO Nesta aula, você deve fixar os seguintes pontos: PESSOA JURÍDICA é o grupamento humano, com personalidade jurídica própria, criado na forma da lei, para consecução de fins comuns. A pessoa jurídica pode ser explicada por 3 (três) teorias: a) Teoria Ficção: a pessoa jurídica seria uma criação da pura técnica do direito, tendo uma existência meramente ideal ou abstrata. b) Teoria da Realidade Objetiva: a pessoa jurídica seria um organismo social vivo, não sendo explicada pela técnica do direito, mas pela sociologia. c) Teoria da Realidade Técnica: a pessoa jurídica seria uma criação do direito, mas que também participa de relações sociais. O Código Civil adotou a Teoria da Realidade Técnica. reQUiSitoS PArA CriAÇÃo De UMA PeSSoA JUrÍDiCA Requisitos da PJ Vontade Humana Elaboração do ato constitutivo Registro do ato constitutivo Objetivos Lícitos REGISTRO DE PESSOA JURÍDICA: EFEITO CONSTITUTIVO REGISTRO DE PESSOA FÍSICA: EFEITO DECLARATÓRIO ATO CONSTITUTIVO: Estatuto Social ou Contrato Social ESTATUTO SOCIAL: Cooperativa, Entidades sem fins lucrativos e sociedades por ações. CONTRATO SOCIAL: Demais sociedades. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 66 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex ENTES DESPERSONALIZADOS: o espólio, a massa falida, a herança jacente, a herança vacante, o condomínio. Os referidos entes não são pessoas jurídicas conforme o Código Civil vigente, entretanto, possuem capacidade processual para postular perante o Poder Judiciário na defesa de interesses próprios. tiPoS De PeSSoAS JUrÍDiCAS Pessoa Jurídica de Direito Público Pessoa Jurídica de Direito Privado MEUDA: M= Município; E= Estados, o Distrito Federal e os Territórios; U= União; D= Demais entidades de caráter público criadas por lei; A= Autarquias; SAPO com Fé: Sociedades Associações Partidos Políticos Organizações Religiosas Fundações DoMiCÍlio DAS PeSSoAS JUrÍDiCAS DOMICÍLIO DAS PESSOAS JURÍDICAS União Distrito Federal Estados e Territórios Respectivas Capitais Município Sede da administração (prefeitura) Demais pessoas jurídicas de direito privado Local de funcionamento das respectivas diretorias e administrações OU Onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos ASSOCIAÇÃO: pessoa jurídica de direito privado formada pelaunião de pessoas para persecução de objetivos não econômicos. FUNDAÇÃO: pessoa jurídica de direito privado resultantes da afetação de um patrimônio, instituídas por escritura pública ou por testamento, que adquire personalidade civil para a realização de finalidade ideal ou não econômica. ORGANIZAÇÃO RELIGIOSA e PARTIDO POLÍTICO: são pessoas jurídicas autônomas. PARTIDO POLÍTICO: adquire personalidade jurídica com o registro de seu estatuto no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídica. Para que o partido possa participar do processo eleitoral, receber recursos do Fundo Partidário e ter acesso gratuito ao rádio e à televisão, o partido deve submeter o registro de seu estatuto ao Tribunal Superior Eleitoral. SOCIEDADE: constitui a reunião de pessoas, para um ou mais negócios determinados, que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Tipos de Sociedades: Simples e Empresária. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 67 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex EIRELI: pessoa jurídica constituída por uma ÚNICA pessoa física, com responsabilidade limitada. A EIRELI não é uma sociedade, é uma pessoa jurídica unipessoal com responsabilidade limitada ao seu capital social. A totalidade do capital social deve estar devidamente integralizada, não podendo ser inferior a 100 (cem) vezes o maior salário mínimo vigente no país e o nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão “EIRELI”. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA: consiste no afastamento temporário da autonomia patrimonial da pessoa jurídica, por ordem judicial, com o intuito de, mediante a constrição do patrimônio de seus sócios ou administradores, possibilitar o adimplemento de dívidas assumidas pela sociedade. teoriAS DeSCoNSiDerAÇÃo DA PerSoNAliDADe JUrÍDiCA 1) TEORIA MAIOR: somente reconhece a desconsideração da personalidade jurídica quando ficar configurado a existência de a) requisitos objetivos: insuficiência patrimonial do devedor e b) requisitos subjetivos: desvio de finalidade ou confusão patrimonial através da fraude ou do abuso de direito. Previsão no art. 50 do CC 2) TEORIA MENOR: é uma teoria ampla, mais benéfica ao credor, pois não exige prova da fraude ou do abuso de direito. Nem é necessária a prova da confusão patrimonial entre os bens da pessoa jurídica e física. Basta, nesse sentido, que o credor demonstre o estado de insolvência do fornecedor, ou, ainda, o fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados. Possui aplicação no âmbito de proteção dos consumidores, do meio ambiente e defesa da concorrência. Previsão no § 5º, do art. 28 do CDC, art. 4º da Lei n. 9.605/1.998 (Meio ambiente), art. 34 da Lei n. 12.529/2011 e § 2º do art. 133 do CPC. Desconsideração da Personalidade Jurídica Desconsideração Inversa da Personalidade Jurídica Atingir bens pessoais dos sócios por obrigação contraída pela pessoa jurídica. Atingir bens da pessoa jurídica por obrigação contraída pelo sócio. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA É DIFERENTE DE DESPERSONALIZAÇÃO. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 68 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex FASeS De eXtiNÇÃo DA PeSSoA JUrÍDiCA Extinção da PJ Dissolução Liquidação Cancelamento da inscrição DiSSolUÇÃo DA PeSSoA JUrÍDiCA Dissolução da PJ Convencional Legal Administrativa Judicial Tipo Rol exemplificativo Previsão Convencional Por previsão dos sócios, conforme previsão no estatuto ou contrato. Art. 1033 do CC Legal Falecimento de sócio, anulada sua constituição, exaurimento de seu fim social, falência etc. Inciso II, do Art. 1028 do CC, art. 1.034 do CC, Lei n. 11.101/05, Administrativa Cassação de autorização do Poder Executivo, Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade da pessoa jurídica, etc. Art. 1.125 do CC, art. 69 do CC, Judicial Em regra, ocorre quando a pessoa jurídica se enquadra em casos de dissolução previstos no estatuto, contrato ou lei e mesmo assim continua em operação. Diante da situação, algum sócio a ingressar com ação no poder judiciário. Art. 1.034 do CC O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 69 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex MAPAS MENTAISMAPAS MENTAIS reQUiSitoS PArA CriAÇÃo De UMA PeSSoA JUrÍDiCA Requisitos da PJ Vontade Humana Elaboração do ato constitutivo Registro do ato constitutivo Objetivos Lícitos REGISTRO DE PESSOA JURÍDICA: EFEITO CONSTITUTIVO REGISTRO DE PESSOA FÍSICA: EFEITO DECLARATÓRIO FASeS De eXtiNÇÃo DA PeSSoA JUrÍDiCA Extinção da PJ Dissolução Liquidação Cancelamento da inscrição O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 70 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex DiSSolUÇÃo DA PeSSoA JUrÍDiCA Dissolução da PJ Convencional Legal Administrativa Judicial Direito Público Interno Externo Estados Estrangeiros Pessoas de Direito Internacional Direito Privado O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 71 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Municípios Estados, DF e Territórios União Demais entidades Autarquias, inclusive associações públicas Sociedades Associações Partidos Políticos Organizações Religiosas Fundações O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 72 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex FINS NÃO ECONÔMICOS RCPJ Estatuto UNIÃO DE PESSOAS ASSOCIAÇÃO FINALIDADE NÃO ECONÔMICA RCPJ (MP) Estatuto PATRIMÔNIO AFETADO por Escritura Pública ou Testamento FUNDAÇÃO O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 73 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO 001. 001. (IDHTEC/CM ITAPISSUMA/PROCURADOR/2024) A respeito das pessoas jurídicas é incorreto afirmar: a) Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. b) Os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo, obrigam a pessoa jurídica. c) A existência legal das pessoas jurídicas de direito público começa com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do PoderExecutivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. d) A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. e) Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. 002. 002. (FCC/TRT 11ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/JUDICIÁRIA/”SEM ESPECIALIDADE”/2024) Segundo o disposto no Código Civil, as organizações religiosas têm natureza jurídica de a) pessoa jurídica de direito privado. b) pessoa jurídica de direito público externo. c) pessoa jurídica de direito público interno. d) associação pública. e) autarquia. 003. 003. (INSTITUTO CONSULPLAN/MPE-SC PROMOTOR DE JUSTIÇA/2024) Tendo em vista as regras que norteiam execução penal brasileira e os entendimentos dos Tribunais Superiores, julgue o item a seguir. A desconsideração inversa da personalidade jurídica é o ato jurídico pelo qual no início do processo judicial se faz o pedido de responsabilização contra a sociedade e, também, contra os sócios, sob o fundamento de fraude ou de confusão patrimonial. Neste caso, ao contrário da desconsideração tradicional, na qual uma vez que não se encontra o patrimônio da sociedade para satisfazer eventual crédito e, por consequência, instaura-se procedimento incidental de desconsideração, para tentar alcançar o patrimônio dos sócios, na desconsideração inversa, desde o início do processo judicial, já existe a demanda contra a sociedade e os sócios. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 74 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 004. 004. (FGV/CAM DEP/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ÁREA III/”PROVA C. ESP. REAPLICADA”/2024) A Associação de Produtores de Frutas foi constituída há dez anos e já possui quarenta associados. A finalidade da associação é unir os produtores de frutas da cidade de Nova Vida e contribuir para o fomento da atividade, bem como defender os direitos e garantias individuais e coletivos dos associados. Lúcio, associado e titular de cota do patrimônio da associação, faleceu na última semana, e tem Horácio como único herdeiro. Laura, antiga associada, pretende destituir um dos administradores por considerar que este realiza uma gestão indevida dos recursos para a manutenção da administração. Ana, associada há cinco anos, entende que já é o momento de incluir no estatuto uma categoria de associados com vantagens especiais, sugerindo a categoria de “associados beneméritos”. Considerando a situação hipotética narrada, analise as assertivas a seguir. I – Após o falecimento de Lúcio, a transferência de quota do patrimônio da associação importará na atribuição da qualidade de associado ao seu herdeiro Horácio, se existir previsão estatutária nesse sentido. II – Laura poderá convocar Assembleia Geral com a finalidade de destituir um dos administradores se reunir ao menos vinte e um associados para promovê-la. III – O estatuto pode prever a categoria de associados com vantagens especiais, no caso, de “associados beneméritos” pretendida por Ana, visto que isso não afasta a exigência de que todos os associados devam ter iguais direitos. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e III, apenas. e) II e III, apenas 005. 005. (INSTITUTO CONSULPLAN/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2024) Tendo em vista as regras que norteiam execução penal brasileira e os entendimentos dos Tribunais Superiores, julgue o item a seguir. Uma Fundação privada, instituída em 1972, tem por objeto a prestação de serviços de saúde e é a mantenedora de um hospital em um determinado município de Santa Catarina. Exercendo a função de “zelar” pelas fundações privadas, o Promotor de Justiça local, analisando as contas e balanços patrimoniais da fundação dos últimos anos, percebeu que a situação financeira está precária, com clara deterioração do patrimônio de instituição. Concluindo em sua análise que o problema do desequilíbrio financeiro está atrelado à má gestão, com pagamentos excessivos a diretores e conselheiros e gestão temerária do hospital, o Promotor promoveu Ação Civil Pública, com pedido liminar de afastamento dos O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 75 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex diretores e conselheiros e nomeação de interventor, para buscar o reequilíbrio financeiro da Fundação e propiciar a manutenção do funcionamento do hospital da mantenedora. A atitude do Promotor está juridicamente correta. 006. 006. (FGV/MPE-GO/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2024) Pedro Silva é o sócio majoritário das sociedades empresárias pertencentes à família Silva: Silva Eventos Ltda., Silva Tour Ltda. e Silva Alimentos e Bebidas Ltda. A Silva Eventos Ltda. foi constituída há 2 anos e é administrada diretamente por Carlos, filho mais novo de Pedro, com 20 anos de idade. A sociedade empresária enfrenta dificuldades financeiras, deixando de cumprir algumas obrigações. Em razão disso, Carlos não faz qualquer retirada, nem mesmo a título de pro labore. No entanto, utiliza o cartão de crédito da sociedade para algumas despesas pessoais de pequeno valor, como transporte e alimentação. A Silva Tour Ltda. foi constituída há mais de 30 anos e sempre foi a grande realização de Pedro Silva que, justamente por isso, não poupa esforços e estratégias para reerguer a sociedade empresária que perdeu muitos clientes e está deficitária desde 2020. Já a Silva Alimentos e Bebidas Ltda. vem apresentando crescimento e lucros consideráveis. Diante dos resultados das três empresas e visando preservar ao máximo, o patrimônio da família, Pedro Silva transfere parte considerável dos bens móveis e imóveis da Silva Alimentos e Bebidas Ltda. para a Silva Tour Ltda., além de pagar os credores da Silva Tour com recursos da Silva Alimentos e Bebidas Ltda. A estratégia é bem-sucedida para salvar a Silva Tour Ltda. mas a Silva Alimentos e Bebidas passa a acumular dívidas e entra em colapso financeiro, deixando de cumprir suas obrigações com diversos credores. Diante da situação hipotética narrada, analise as afirmativas a seguir. I – A utilização do cartão de crédito da Silva Eventos Ltda. para as despesas de transporte e alimentação de Carlos configura confusão patrimonial, independentemente do valor de tais despesas. II – A existência do grupo econômico, por si só, autoriza a desconsideração da personalidade jurídica para a satisfação dos credores. III – A estratégia adotada por Pedro Silva para salvar a Silva Tour Ltda. configura confusão patrimonial. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) I e III, apenas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 76 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 007. 007. (CEBRASPE/CESPE/PROCURADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE/2024) A empresa XYZ Ltda. propôs ação judicial contra a associação civil ABC, requerendo a condenação da ré ao pagamento de indenização por danos materiais. Em primeira instância, o pedido foi julgado procedente. A decisão foi mantida em segunda instância e transitou em julgado. Iniciou-se o cumprimento de sentença e, em razão da tentativa infrutíferade penhora dos bens do patrimônio da associação civil ABC, a empresa XYZ Ltda. requereu a desconsideração da personalidade jurídica da ré. Considerando a situação hipotética apresentada, o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Código Civil e a doutrina majoritária acerca do assunto, assinale a opção correta. a) Na hipótese de desconsideração da personalidade jurídica, haverá a imputação de responsabilidade patrimonial apenas aos associados que estão em posição de poder na condução da pessoa jurídica. b) Ocorrida a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil, o pagamento do débito será arcado com o patrimônio de todos os associados. c) Para a desconsideração da personalidade jurídica, exige-se a demonstração, pela empresa XYZ Ltda., do desvio de finalidade e da confusão patrimonial. d) Em razão de a associação civil não ter fins econômicos, não é possível a desconsideração da sua personalidade jurídica. e) O Código Civil adota a teoria menor da desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. 008. 008. (CEBRASPE/CESPE/ INPI/ANALISTA DE PLANEJAMENTO, GESTÃO E INFRAESTRUTURA EM PROPRIEDADE INDUSTRIAL/GESTÃO E SUPORTE/DIREITO/2024) A respeito de aplicação das leis civis, de pessoas naturais e jurídicas e de bens, julgue o item seguinte. O início da existência legal de uma fundação ocorre com a inscrição do ato constitutivo no registro civil de pessoas jurídicas. 009. 009. (FUNDEP/MPE-MG/PROMOTOR DE JUSTIÇA/LX/2023) As pessoas jurídicas de direito privado estão dispostas no Código Civil e são assim denominadas, pois suas relações e interesses são particulares, não tendo o Estado interesse direto na sua relação político- econômica. Com base nessa premissa, são pessoas jurídicas de direito privado, EXCETO: a) As fundações. b) As sociedades. c) As organizações religiosas. d) As associações, inclusive as públicas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 77 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 010. 010. (FAUEL/PREF. PIÊN/ADVOGADO/2023) Assinale a alternativa CORRETA sobre as pessoas jurídicas, conforme o Código Civil. a) Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, após a necessária autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. b) Decai em dois anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. c) Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. d) A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento que não pode ser utilizado como forma lícita de alocação e segregação de riscos. e) As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do previsto em legislação especial e em seus atos constitutivos, poderão realizar suas assembleias gerais por meio eletrônico, exceto no caso de assembleias gerais de destituição de administradores e alteração de estatutos. 011. 011. (FUNDATEC/PROCERGS/ANALISTA TÉCNICO/ ADVOGADO/CÍVEL/2023) O Título II do Código Civil trata das pessoas jurídicas. Sobre a temática, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta. I – A União, as Autarquias, os Estados e os Municípios são pessoas jurídicas de direito público interno. II – As fundações, as organizações religiosas e os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado. III – O desvio de finalidade e a confusão patrimonial são circunstâncias aptas a embasar pedido de desconsideração da personalidade jurídica a fim de possibilitar que os bens particulares dos sócios e/ou administradores beneficiados pelo abuso respondam pelas obrigações da pessoa jurídica. a) Todas estão corretas. b) Todas estão incorretas. c) Apenas III está correta. d) Apenas I e II estão corretas. e) Apenas II e III estão corretas. 012. 012. (CEBRASPE/CESPE/PREF. FORTALEZA/ANALISTA FAZENDÁRIO MUNICIPAL/ DIREITO/2023) Acerca da personalidade jurídica, à luz da Constituição Federal de 1988 e do Código Civil, julgue o item a seguir. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 78 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado começa com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo. 013. 013. (IBADE/RBPREV/PROCURADOR JURÍDICO PREVIDENCIÁRIO/2023) As pessoas jurídicas têm personalidade própria, podendo ser de direito público, interno ou externo, ou de direito privado, conforme previsto no Código Civil. Com isso, é correto afirmar que: a) as associações podem ser pessoas jurídicas de direito público interno ou de direito privado. b) os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito público interno. c) o empreendedor individual é pessoa jurídica de direito privado. d) a União é pessoa de direito público externo. e) as empresas públicas são pessoas de direito público interno. 014. 014. (CEBRASPE/CESPE/PREF. FORTALEZA/ANALISTA FAZENDÁRIO MUNICIPAL/DIREITO/2023) Acerca da personalidade jurídica, à luz da Constituição Federal de 1988 e do Código Civil, julgue o item a seguir. A personalidade jurídica é um atributo exclusivo das pessoas físicas, não se estendendo a entidades como empresas e associações. 015. 015. (FGV/TJ-GO/JUIZ ESTADUAL/2023) São pessoas jurídicas de direito privado, segundo o Código Civil: a) sociedades, fundações, organizações religiosas e territórios. b) associações, fundações, organizações religiosas e empresas individuais de responsabilidade limitada. c) sociedades de economia mista e empresas públicas. d) União, Estados, Municípios e Territórios. e) associações, sociedades, fundações, organizações religiosas e partidos políticos. 016. 016. (VUNESP/TJ-SP/OFICIAL DE JUSTIÇA/2023) No que diz respeito às pessoas jurídicas, assinale a alternativa correta. a) Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. b) São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo permitido, mesmo que sem fundamentação, a negativa pelo poder público do registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 79 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex c) As associações são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que, nessa qualidade, causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, apenas se houver, por parte destes, dolo. d) Prescreve em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. e) São pessoas jurídicas de direito privado as associações, sociedades,fundações, organizações religiosas, partidos políticos e as empresas individuais de responsabilidade limitada. 017. 017. (IBEST/CRF-SC/ADVOGADO/2023) A personalidade jurídica é um atributo que a ordem jurídica estatal outorga a entes que o merecerem (DINIZ, 2008). Relativamente a pessoas jurídicas, assinale a alternativa correta. a) As pessoas jurídicas podem ser de direito público (interno ou externo) e de direito privado, sendo os Estados estrangeiros considerados pessoas jurídicas de direito público externo. b) A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado tem seu início com a vontade humana, seguida de autorização estatal para seu funcionamento. c) O associado pode, de per si, transferir sua qualidade de filiado ou membro a terceiro, juntamente com fração ideal do patrimônio da associação, em ato inter vivos. d) O instituidor de uma fundação a cria por escritura pública ou testamento, mas deve observar a impossibilidade de que ela tenha por finalidade atividades religiosas. e) O domicílio da pessoa jurídica coincide com o domicílio do presidente, sócio ou administrador e, quando houver mais de uma sede, o endereço da empresa será o domicílio. 018. 018. (INSTITUTO CONSULPAM/TCM-PA/CONSELHEIRO SUBSTITUTO/2023) Tendo em vista as determinações da Lei n. 10.406/2002 (Código Civil brasileiro) sobre as associações, assinale a alternativa CORRETA. a) Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. b) Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins econômicos ou não. c) Os associados devem ter iguais direitos, não podendo o estatuto instituir categorias com vantagens especiais. d) A exclusão de associado é admissível mesmo não havendo justa causa. 019. 019. (VUNESP/TRF 3ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO /JUDICIÁRIA/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2023) Acerca das associações, instituto previsto no Código Civil, é correto afirmar que O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 80 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá, dentre outros requisitos, os direitos e deveres dos associados. b) se o estatuto não dispuser o contrário, a qualidade de associado é transmissível desde que previamente autorizada por 1/5 (um quinto) dos associados. c) os associados devem ter iguais direitos, sendo vedado ao estatuto instituir categorias com vantagens especiais. d) a exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, mediante aprovação de 2/3 (dois terços) dos associados. e) se constituem associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos, havendo, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. 020. 020. (IESES/TJ-AM/NOTÁRIO E REGISTRADOR/REMOÇÃO/2023) Em conformidade com o art. 62 do Código Civil, a fundação somente poderá constituir-se para fins de, EXCETO: a) Educação. b) Morais. c) Pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos. d) Atividades religiosas. 021. 021. (CEBRASPE/CESPE/PROCURADOR DO ESTADO DE SERGIPE/2023) Assinale a opção correta no que diz respeito à pessoa jurídica, conforme o estabelecido no Código Civil. a) A proteção dos direitos da personalidade, via de regra, não se aplica às pessoas jurídicas. b) Os atos dos administradores da pessoa jurídica, mesmo que não exorbitem os limites dos poderes definidos no seu ato constitutivo, não a obrigam de imediato, mas apenas após ratificados pela maioria absoluta dos sócios ou associados. c) O poder público não pode negar reconhecer ou registrar atos constitutivos de organizações religiosas, independentemente do cunho filosófico ou doutrinário da religião. d) A personalidade da empresa pode ser desconsiderada sempre que estiver dificultando o recebimento de quantias líquidas e exigíveis por parte de algum credor. e) A mera existência de grupo econômico autoriza a desconsideração da personalidade jurídica inversa de uma das empresas que o compõem. 022. 022. (EJAP/TJ-AP/RESIDÊNCIA JURÍDICA/2023) Em relação à desconsideração da personalidade jurídica disciplinada no Código Civil brasileiro, assinale a alternativa correta: a) Confusão patrimonial é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. b) A desconsideração inversa da personalidade jurídica não encontra previsão no ordenamento jurídico brasileiro, sendo uma construção doutrinária e jurisprudencial. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 81 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex c) Para que ocorra a desconsideração da personalidade jurídica é necessário o abuso de personalidade, caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. d) A mera expansão ou alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica configura o denominado desvio de finalidade. e) É suficiente a existência de grupo econômico para a que ocorra a desconsideração da personalidade jurídica. 023. 023. (FGV/CAM DEP/ANALISTA LEGISLATIVO /CONSULTOR LEGISLATIVO/ÁREA II/2023) Em 2019, Maria da Conceição e Dandara constituíram o Restaurante e Bar Beco das Memórias Ltda. Destaca-se que a administração da pessoa jurídica, por força do contrato social, pertence a Dandara, apesar de ser a sócio minoritária. No entanto, a partir de março de 2020, devido à pandemia de Covid-19, Maria da Conceição vem realizando a administração de fato da sociedade, utilizando sua própria conta bancária para o recebimento dos créditos da sociedade, bem como para adimplir as obrigações da sociedade, além das suas obrigações pessoais. Maria da Conceição, inclusive, relata que utilizou dos seus próprios recursos para adimplir as obrigações da sociedade, com destaque para a folha de pagamento, os tributos, a energia elétrica, os alugueres e fornecedores. Nos últimos meses, no entanto, Maria da Conceição não vem conseguindo honrar todos os compromissos financeiros da sociedade, o que conduz a diversas inadimplências, levando pânico aos credores devido à escassez patrimonial da sociedade devedora. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta. a) A desconsideração da personalidade jurídica, por força do Código Civil, é possível devido à confusão patrimonial, visto a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. b) O ato de Maria da Conceição no cumprimento das obrigações da sociedade deve ser considerado um ato de mera liberalidade, devendo, por conseguinte, os credores exigirem o pagamento exclusivamente da sociedade, real devedora. c) O Código Civil brasileiro expressamente impede a responsabilização dos sócios pelas obrigações sociais. d) A desconsideração da personalidade jurídica no Direito brasileiro só é admitida para alcançar o patrimônio pessoal do administrador, no caso em questão, Dandara, sendo impossível o alcance do patrimônio de Maria da Conceição. e) A desconsideração da personalidade é vista de forma restritiva no ordenamento jurídico brasileiro, só alcançando a hipótese de desvio de finalidade, o que não ocorre no caso. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231,vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 82 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 024. 024. (IESES/TJ-AM/NOTÁRIO E REGISTRADOR/REMOÇÃO/2023) Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por, EXCETO: a) Pagamentos de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações. b) Outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. c) Transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante. d) Cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. 025. 025. (FUVEST/USP/PROCURADOR/2023) A desconsideração da personalidade jurídica autorizada pelo Código Civil sujeita-se ao seguinte parâmetro: a) Desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de natureza civil e penal, exclusivamente, além do uso indevido da personalidade para a satisfação de interesses de seus sócios ou administradores. b) Uma hipótese de confusão patrimonial que autoriza a desconsideração da personalidade jurídica decorre da ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada pela transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante. c) A confusão patrimonial que autoriza a desconsideração da personalidade jurídica decorre do cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa, mas não da prática de outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. d) A mera existência de grupo econômico autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica, ainda que não estejam presentes os requisitos do abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. e) Autoriza a desconsideração da personalidade jurídica por desvio de finalidade a mera expansão da atividade econômica específica ou mesmo a alteração da finalidade original da pessoa jurídica. 026. 026. (VUNESP/TJ-SP/OFICIAL DE JUSTIÇA/2023) A empresa ABC Ltda. é uma sociedade empresarial que atua na venda de produtos eletrônicos. Nos últimos anos, a empresa enfrentou dificuldades financeiras acumulando dívidas consideráveis com fornecedores e credores em razão da transferência de ativos sem efetivas contraprestações, razão pela qual decidiu alterar a finalidade original de sua atividade econômica específica. No entanto, os sócios não foram beneficiados diretamente pelo abuso de direito praticado. Diante da situação hipotética, alguns credores da empresa entraram com ações judiciais buscando a desconsideração da personalidade jurídica da ABC Ltda. Considerando o disposto no Código Civil, para que seja concedida a desconsideração da personalidade jurídica O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 83 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) poderá ser adotada a teoria menor, na qual basta a demonstração do estado de insolvência do fornecedor ou do fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados. b) basta a demonstração da transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações que caracteriza a confusão patrimonial, a qual, por sua vez, caracteriza o abuso da personalidade jurídica. c) basta a mera alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. d) é necessária a demonstração do desvio de finalidade e da confusão patrimonial. e) é necessário que os sócios tenham sido beneficiados diretamente pelo abuso de direito praticado. 027. 027. (INSTITUTO AOCP/MPC- SE/SUBPROCURADOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS/2023) Em relação à desconsideração da personalidade jurídica e aos bens públicos, assinale a alternativa correta. a) Por intermédio da desconsideração inversa da personalidade jurídica, é possível que o credor lesado satisfaça, com o patrimônio pessoal dos administradores da empresa, a obrigação não cumprida. b) O abuso da personalidade jurídica decorrente do desvio de finalidade consiste na ausência de separação de fato entre os patrimônios, o qual resta caracterizado, notadamente, pelo cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. c) O Código Civil, quanto à desconsideração da personalidade jurídica, filiou-se à teoria menor, cujo teor pressupõe a configuração de abuso da personalidade jurídica. d) As terras devolutas pertencem, em regra, aos Estados-membros, com exceção daquelas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, que são de propriedade da União. e) Os bens públicos de uso comum do povo, tais como as escolas públicas e os hospitais públicos, enquanto conservarem a sua qualificação, não podem ser alienados. 028. 028. (CEBRASPE/CESPE/TC-DF/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/AUDITORIA/2023) A respeito da desconsideração da personalidade jurídica prevista no Código Civil, julgue o item a seguir, considerando, quando cabível, a jurisprudência dos tribunais superiores. Para fins de desconsideração da personalidade jurídica prevista no Código Civil, não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 84 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 029. 029. (CEBRASPE/CESPE/TC-DF/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/ AUDITORIA/2023)A respeito da desconsideração da personalidade jurídica prevista no Código Civil, julgue o item a seguir, considerando, quando cabível, a jurisprudência dos tribunais superiores. O Código Civil adotou, como regra geral, a teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica, sendo suficiente a inexistência de bens em nome da pessoa jurídica para atingir os bens dos sócios. 030. 030. (CEBRASPE/CESPE/TCE-MS/PROCURADOR DE CONTAS SUBSTITUTO/2023) A respeito da desconsideração da personalidade jurídica, julgue os itens seguintes. I – O abuso da personalidade jurídica que viabiliza a desconsideração desta é demonstrado pela presença do desvio de finalidade ou da confusão patrimonial. II – A caracterização de grupo econômico é motivo suficiente para viabilizar a desconsideração da personalidade jurídica. III – A pessoa jurídica possui interesse e legitimidade para recorrer de decisão que desconsidere sua personalidade jurídica nos casos em que almeje defender direito próprio. Assinale a opção correta. a) Apenas o item I está certo. b) Apenas o item II está certo. c) Apenas os itens I e III estão certos. d) Apenas os itens II e III estão certos. e) Todos os itens estão certos. 031. 031. (VUNESP/TJ-AL/NOTÁRIO E REGISTRADOR/ PROVIMENTO/2023) O artigo 50 do Código Civil dispõe que poderá o juiz desconsiderar a personalidade jurídica em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. A confusão patrimonial, de acordo com o Código Civil, é entendida como a ausência de separação de fato entre os patrimônios e caracteriza-se por a) atos de descumprimento da autonomia patrimonial. b) transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações,independentemente do valor. c) cumprimento pela sociedade de quaisquer obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. d) ausência de patrimônio para saldar a obrigação. 032. 032. (CEBRASPE/CESPE/TC-DF/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/AUDITORIA/2023) Acerca do instituto da desconsideração da personalidade jurídica, julgue o item a seguir, considerando, quando cabível, a jurisprudência dos tribunais superiores. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 85 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex A teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica, adotada pela legislação civil, exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. 033. 033. (CEBRASPE/CESPE/AGER-MT/ANALISTA REGULADOR/DIREITO/2023) No que se refere às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir. I – Os direitos da personalidade não se estendem às pessoas jurídicas de direito privado. II – As organizações religiosas e os partidos políticos são considerados pessoas jurídicas de direito privado. III – As associações são pessoas jurídicas de direito privado constituídas pela união de pessoas que se organizam com o objetivo de promover atividades sociais, culturais ou esportivas, com ou sem fins econômicos. IV – As fundações de natureza privada podem ser instituídas por escritura pública e podem se destinar à promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos. Assinale a opção correta. a) Apenas os itens I e II estão certos. b) Apenas os itens I e III estão certos. c) Apenas os itens II e IV estão certos. d) Apenas os itens I, III e IV estão certos. e) Apenas os itens II, III e IV estão certos. 034. 034. (SUSTENTE/DPE-PE/ESTAGIÁRIO/CURSO DE DIREITO/2023) A respeito das pessoas jurídicas, assinale a alternativa INCORRETA. a) Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. b) A desconsideração da personalidade jurídica ocorrerá apenas no caso de confusão patrimonial. c) Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. d) A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. e) A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 86 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex GABARITOGABARITO 1. c 2. a 3. E 4. d 5. C 6. c 7. a 8. C 9. d 10. c 11. a 12. C 13. a 14. E 15. e 16. a 17. a 18. a 19. a 20. b 21. c 22. c 23. a 24. a 25. b 26. b 27. d 28. C 29. E 30. c 31. a 32. C 33. c 34. b O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 87 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO 001. 001. (IDHTEC/CM ITAPISSUMA/PROCURADOR/2024) A respeito das pessoas jurídicas é incorreto afirmar: a) Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. b) Os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo, obrigam a pessoa jurídica. c) A existência legal das pessoas jurídicas de direito público começa com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. d) A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. e) Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. a) Certa. A assertiva é cópia literal do seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. b) Certa. A assertiva está em harmonia com o Código Civil. Examine: Art. 47. Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo. c) Errada. A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado começa com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro. Vejamos: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. d) Certa. É o que dispõe o Código Civil. Examine: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 88 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) e) Certa. Aplica-se ao caso, o artigo 51, caput, do Código Civil. Vejamos: Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. Letra c. 002. 002. (FCC/TRT 11ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/JUDICIÁRIA/”SEM ESPECIALIDADE”/2024) Segundo o disposto no Código Civil, as organizações religiosas têm natureza jurídica de a) pessoa jurídica de direito privado. b) pessoa jurídica de direito público externo. c) pessoa jurídica de direito público interno. d) associação pública. e) autarquia. As organizações religiosas têm natureza jurídica de pessoa jurídica de direito privado, de acordo com o art. 44, IV do Código Civil. Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: IV – as organizações religiosas; (Incluído pela Lei n. 10.825, de 22.12.2003) São organizações religiosas todas as entidades de direito privado, formadas pela união de indivíduos com o propósito de culto a determinada força ou forças sobrenaturais, por meio de doutrina e ritual próprios, envolvendo, em geral, preceitos éticos (Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho, Novo Curso de Direito Civil, v. 1 [livro eletrônico], 26 ed., Saraiva Educação, 2024, p. 724). Letra a. 003. 003. (INSTITUTO CONSULPLAN/MPE-SC PROMOTOR DE JUSTIÇA/2024) Tendo em vista as regras que norteiam execução penal brasileira e os entendimentos dos Tribunais Superiores, julgue o item a seguir. A desconsideração inversa da personalidadejurídica é o ato jurídico pelo qual no início do processo judicial se faz o pedido de responsabilização contra a sociedade e, também, contra os sócios, sob o fundamento de fraude ou de confusão patrimonial. Neste caso, ao contrário da desconsideração tradicional, na qual uma vez que não se encontra o patrimônio da sociedade para satisfazer eventual crédito e, por consequência, instaura-se procedimento incidental de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 89 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex desconsideração, para tentar alcançar o patrimônio dos sócios, na desconsideração inversa, desde o início do processo judicial, já existe a demanda contra a sociedade e os sócios. Ocorre a desconsideração inversa da personalidade jurídica quando é afastado o princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica para responsabilizar a sociedade por obrigação do sócio (Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Esquematizado, v. 1, 13 ed., Saraiva, 2023, p. 295). Estabelece o Enunciado 283 da IV Jornada de Direito Civil: JURISPRUDÊNCIA É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada “inversa” para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros. Tem fundamento no art. 50, § 3º do Código Civil. Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019) § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice- versa; (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 90 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 004. 004. (FGV/CAM DEP/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ÁREA III/”PROVA C. ESP. REAPLICADA”/2024) A Associação de Produtores de Frutas foi constituída há dez anos e já possui quarenta associados. A finalidade da associação é unir os produtores de frutas da cidade de Nova Vida e contribuir para o fomento da atividade, bem como defender os direitos e garantias individuais e coletivos dos associados. Lúcio, associado e titular de cota do patrimônio da associação, faleceu na última semana, e tem Horácio como único herdeiro. Laura, antiga associada, pretende destituir um dos administradores por considerar que este realiza uma gestão indevida dos recursos para a manutenção da administração. Ana, associada há cinco anos, entende que já é o momento de incluir no estatuto uma categoria de associados com vantagens especiais, sugerindo a categoria de “associados beneméritos”. Considerando a situação hipotética narrada, analise as assertivas a seguir. I – Após o falecimento de Lúcio, a transferência de quota do patrimônio da associação importará na atribuição da qualidade de associado ao seu herdeiro Horácio, se existir previsão estatutária nesse sentido. II – Laura poderá convocar Assembleia Geral com a finalidade de destituir um dos administradores se reunir ao menos vinte e um associados para promovê-la. III – O estatuto pode prever a categoria de associados com vantagens especiais, no caso, de “associados beneméritos” pretendida por Ana, visto que isso não afasta a exigência de que todos os associados devam ter iguais direitos. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e III, apenas. e) II e III, apenas I – Certa. De fato, como regra, a transmissão de cota ou fração ideal, seja por ato inter vivos ou mortis causa, não implica transferência da qualidade de associado ao adquirente ou herdeiro, salvo se houver previsão estatutária nesse sentido, conforme disposição expressa do parágrafo único do art. 56 do Código Civil: Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. Logo, a contrário sensu, com o falecimento de Lúcio, a transferência de quota do patrimônio da associação importará na atribuição da qualidade de associado ao seu herdeiro, Horácio, se existir previsão estatutária nesse sentido. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 91 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex II – Errada. A destituição dos administradores constitui competência privativa da assembleia geral (art. 59, I, CC), sendo que o quórum para deliberação deverá vir previsto no estatuto (art. 59, parágrafo único, CC). Além disso, conforme art. 60 do Código Civil, a convocação dos órgãos deliberativos far-se-á na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovê-la. Logo, a convocação da AG, considerando que a Associação de Produtores de Frutas conta com 40 (quarenta) associados, poderia se dar pelo quórum de 8 associados (1/5 de 40), não se exigindo maioria absoluta. Vejamos os preceitos legais: Art. 59. Compete privativamente à assembleia geral: I – destituir os administradores; II – alterar o estatuto. Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembleia especialmente convocada para esse fim, cujo quórum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores. Veja: Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos far-se-á na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovê-la. III – Certa. A assertiva está de acordo com a disposição do art. 55 do Código Civil: Art.55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. Letra d. 005. 005. (INSTITUTO CONSULPLAN/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2024) Tendo em vista as regras que norteiam execução penal brasileira e os entendimentos dos Tribunais Superiores, julgue o item a seguir. Uma Fundação privada, instituída em 1972, tem por objeto a prestação de serviços de saúde e é a mantenedora de um hospital em um determinado município de Santa Catarina. Exercendo a função de “zelar” pelas fundações privadas, o Promotor de Justiça local, analisando as contas e balanços patrimoniais da fundação dos últimos anos, percebeu que a situação financeira está precária, com clara deterioração do patrimônio de instituição. Concluindo em sua análise que o problema do desequilíbrio financeiro está atrelado à má gestão, com pagamentos excessivos a diretores e conselheiros e gestão temerária do hospital, o Promotor promoveu Ação Civil Pública, com pedido liminar de afastamento dos diretores e conselheiros e nomeação de interventor, para buscar o reequilíbrio financeiro da Fundação e propiciar a manutenção do funcionamento do hospital da mantenedora. A atitude do Promotor está juridicamente correta. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 92 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex A atitude do Promotor ao promover a ação civil pública com pedido liminar de afastamento dos diretores e conselheiros e nomeação de interventor, para buscar o reequilíbrio financeiro da Fundação e propiciar a manutenção do funcionamento do hospital da mantenedora foi correta. Entre as incumbências do Ministério Público está a defesa da ordem jurídica e, no que pertine às fundações, pessoas jurídicas de direito privado, elas nascem, vivem e extinguem-se sob a vista dele, de acordo com o disposto no art. 66 do Código Civil. O patrimônio da fundação a partir do momento que é constituída, pertence à sociedade, beneficiária das atividades que serão desenvolvidas, sempre de natureza social e de interesse público, circunstância que atribui legitimidade para o ajuizamento de ações que visem tornar efetiva sua atribuição de fiscalizar as fundações (José Eduardo Sabo Paes, Fundações, associações e entidades de interesse social: aspectos jurídicos, administrativos, contábeis, trabalhistas e tributários, 11 ed., Forense, 2021, p. 543). Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. § 1º Se funcionarem no Distrito Federal ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. (Redação dada pela Lei n. 13.151, de 2015) § 2º Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao respectivo Ministério Público. Certo. 006. 006. (FGV/MPE-GO/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2024) Pedro Silva é o sócio majoritário das sociedades empresárias pertencentes à família Silva: Silva Eventos Ltda., Silva Tour Ltda. e Silva Alimentos e Bebidas Ltda. A Silva Eventos Ltda. foi constituída há 2 anos e é administrada diretamente por Carlos, filho mais novo de Pedro, com 20 anos de idade. A sociedade empresária enfrenta dificuldades financeiras, deixando de cumprir algumas obrigações. Em razão disso, Carlos não faz qualquer retirada, nem mesmo a título de pro labore. No entanto, utiliza o cartão de crédito da sociedade para algumas despesas pessoais de pequeno valor, como transporte e alimentação. A Silva Tour Ltda. foi constituída há mais de 30 anos e sempre foi a grande realização de Pedro Silva que, justamente por isso, não poupa esforços e estratégias para reerguer a sociedade empresária que perdeu muitos clientes e está deficitária desde 2020. Já a Silva Alimentos e Bebidas Ltda. vem apresentando crescimento e lucros consideráveis. Diante dos resultados das três empresas e visando preservar ao máximo, o patrimônio da família, Pedro Silva transfere parte considerável dos bens móveis e imóveis da Silva O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 93 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Alimentos e Bebidas Ltda. para a Silva Tour Ltda., além de pagar os credores da Silva Tour com recursos da Silva Alimentos e Bebidas Ltda. A estratégia é bem-sucedida para salvar a Silva Tour Ltda. mas a Silva Alimentos e Bebidas passa a acumular dívidas e entra em colapso financeiro, deixando de cumprir suas obrigações com diversos credores. Diante da situação hipotética narrada, analise as afirmativas a seguir. I – A utilização do cartão de crédito da Silva Eventos Ltda. para as despesas de transporte e alimentação de Carlos configura confusão patrimonial, independentemente do valor de tais despesas. II – A existência do grupo econômico, por si só, autoriza a desconsideração da personalidade jurídica para a satisfação dos credores. III – A estratégia adotada por Pedro Silva para salvar a Silva Tour Ltda. configura confusão patrimonial. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) I e III, apenas. I – Errada. A utilização do cartão de crédito da Silva Eventos Ltda. para as despesas de transporte e alimentação de Carlos configura confusão patrimonial, exceto os de valor proporcionalmente insignificante. Vejamos: Art. 50, § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice- versa; (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – Errada. A existência do grupo econômico, por si só, não autoriza a desconsideração da personalidade jurídica para a satisfação dos credores. Vejamos: Art. 50, § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) III – Certa. A assertiva está em harmonia com o Código Civil. Examine: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 94 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019) § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice- versa; (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações,exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) JURISPRUDÊNCIA 1. A aplicação da desconsideração da personalidade jurídica deve ser excepcional, sendo a regra a preservação da autonomia patrimonial, devendo ser deferida quando presentes os requisitos do Art. 50 do Código Civil. 2. O ordenamento jurídico adotou a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica a qual exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária.” Acórdão 1369154, 07090171820218070000, Relator: ROBERTO FREITAS, Terceira Turma Cível, data de julgamento: 31/8/2021, publicado no DJE: 17/9/2021. Letra c. 007. 007. (CEBRASPE/CESPE/PROCURADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE/2024) A empresa XYZ Ltda. propôs ação judicial contra a associação civil ABC, requerendo a condenação da ré ao pagamento de indenização por danos materiais. Em primeira instância, o pedido foi julgado procedente. A decisão foi mantida em segunda instância e transitou em julgado. Iniciou-se o cumprimento de sentença e, em razão da tentativa infrutífera de penhora dos bens do patrimônio da associação civil ABC, a empresa XYZ Ltda. requereu a desconsideração da personalidade jurídica da ré. Considerando a situação hipotética apresentada, o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Código Civil e a doutrina majoritária acerca do assunto, assinale a opção correta. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 95 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) Na hipótese de desconsideração da personalidade jurídica, haverá a imputação de responsabilidade patrimonial apenas aos associados que estão em posição de poder na condução da pessoa jurídica. b) Ocorrida a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil, o pagamento do débito será arcado com o patrimônio de todos os associados. c) Para a desconsideração da personalidade jurídica, exige-se a demonstração, pela empresa XYZ Ltda., do desvio de finalidade e da confusão patrimonial. d) Em razão de a associação civil não ter fins econômicos, não é possível a desconsideração da sua personalidade jurídica. e) O Código Civil adota a teoria menor da desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. a) Certa. A assertiva está de acordo com o entendimento do STJ. É admissível a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil, mas a responsabilidade patrimonial deve se limitar aos associados em posições de poder na condução da entidade. Vejamos: JURISPRUDÊNCIA 4. É admissível a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil, contudo a responsabilidade patrimonial deve ser limitada apenas aos associados que estão em posições de poder na condução da entidade, pois seria irrazoável estender a responsabilidade patrimonial a um enorme número de associados que pouco influenciaram na prática dos atos associativos ilícitos. 5. No caso dos autos, a desconsideração da personalidade jurídica da associação está atingindo apenas o patrimônio daqueles associados que exerceram algum cargo diretivo e com poder de decisão dentro da entidade, bem como se reconheceu o abuso da personalidade jurídica, porquanto o regime jurídico próprio das formas associativas sofreu distorções e desvirtuamento de seu propósito. Infirmar tais conclusões demandaria o reexame de provas, o que é vedado nesta instância extraordinária, sob pena de incidência do óbice da Súmula 7/STJ. (REsp n. 1.812.929/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 28/9/2023.) A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu, por unanimidade, que é admissível a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil, mas a responsabilidade patrimonial deve se limitar aos associados em posições de poder na condução da entidade. Para o colegiado, não se pode estender essa responsabilização ao conjunto dos associados, os quais têm pouca influência na eventual prática de irregularidades (REsp 1.812.929). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 96 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex b) Errada. Conforme entendimento do STJ, não se pode estender a responsabilização ao conjunto dos associados, os quais têm pouca influência na eventual prática de irregularidades. Portanto, ocorrida a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil, o pagamento do débito será arcado com o patrimônio dos associados que estão em posições de poder na condução da entidade. Vejamos: A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu, por unanimidade, que é admissível a desconsideração da personalidade jurídica de associação civil, mas a responsabilidade patrimonial deve se limitar aos associados em posições de poder na condução da entidade. Para o colegiado, não se pode estender essa responsabilização ao conjunto dos associados, os quais têm pouca influência na eventual prática de irregularidades (REsp 1.812.929). c) Errada. Para a desconsideração da personalidade jurídica, exige-se a demonstração, pela empresa XYZ Ltda., do desvio de finalidade ou da confusão patrimonial. Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019) d) Errada. É sim possível a desconsideração da sua personalidade jurídica da associação civil, ainda que não tenha fins econômicos. Vejamos: JURISPRUDÊNCIA Enunciado 284 da IV Jornada de Direito Civil: As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não-econômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica. e) Errada. O Direito Civil brasileiro adotou a chamada teoria maior da desconsideração. Isso porque o art. 50 exige que se prove o desvio de finalidade (teoria maior subjetiva) ou a confusão patrimonial (teoria maior objetiva). Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. JURISPRUDÊNCIA 1. A aplicação da desconsideração da personalidade jurídica deve ser excepcional, sendo a regra a preservação da autonomia patrimonial, devendo ser deferida quando presentes os requisitos do Art. 50 do Código Civil. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 97 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 2. O ordenamento jurídico adotou a teoriade empregos, renda, inovação e diminuição de tributos em benefício de todos. c) um instrumento lícito de locação e incremento de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos. d) um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos que sejam seus sócios. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 9 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) Certa. É a redação do p. único do art. 49-A do Código Civil, dispositivo que fora incluído pela Lei n. 13.874/2019 (Lei de Liberdade Econômica): Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos. b) Errada. A geração de tributos em benefício da coletividade consubstancia um dos fins da autonomia patrimonial da pessoa jurídica (art. 49-A, parágrafo único, CC). c) Errada. A autonomia patrimonial é um instrumento legal e lícito de alocação e segregação de riscos (art. 49-A, parágrafo único, CC). d) Errada. Os benefícios advindos da autonomia patrimonial têm por destinatários a coletividade – pois estreitamente relacionados à função social da empresa – não sendo, por isso, restritos aos respectivos sócios (art. 49-A, parágrafo único, CC). Letra a. 2 . CoNStitUiÇÃo DA PeSSoA JUrÍDiCA2 . CoNStitUiÇÃo DA PeSSoA JUrÍDiCA Incialmente cabe esclarecer que, conforme o Código Civil, existem pessoas jurídicas de direito privado e de direito público interno ou externo. Para a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, inicialmente alguns requisitos são exigidos para a criação de uma pessoa jurídica: a) Vontade humana: vontade de criar uma entidade distinta de seus membros; b) Elaboração do ato constitutivo: elaboração do estatuto ou contrato. O estatuto social é utilizado pelas sociedades em ações, cooperativas e entidades sem fins lucrativos, ou o contrato social é utilizado pelas demais sociedades; c) Registro do ato constitutivo: registro no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou Junta Comercial, a depender na natureza da pessoa jurídica; d) Objetivos Lícitos: Objetivos ilícitos podem impedir o registro ou extinguir a pessoa jurídica. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 10 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Requisitos da PJ Vontade Humana Elaboração do ato constitutivo Registro do ato constitutivo Objetivos Lícitos Além do mais, conforme art. 45 do Código Civil, há um requisito que é exigido apenas para algumas pessoas jurídicas tendo em vista o interesse estratégico de seus fins, citando, por exemplo, empresas estrangeiras, agências de seguros, bancos e outras: e) Autorização do Poder Executivo. Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. 003. 003. (CEBRASPE/CESPE/MPE-AC/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2022) O prazo para anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado conta-se do(a) a) conhecimento da irregularidade. b) assinatura do ato constitutivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 11 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex c) publicação da inscrição no registro. d) início das atividades. e) primeira reunião deliberativa. As pessoas jurídicas de direito privado têm sua constituição iniciada com o registro do ato constitutivo (estatuto ou contrato social). No entanto, o direito à anulação, por defeito do respectivo ato, está sujeito a prazo decadencial e se opera em três anos, contados da publicação do registro (inscrição do ato constitutivo no respectivo registro), conforme prevê o art. 45, parágrafo único, do CC: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. Letra c. AA pessoapessoa naturalnatural adquireadquire ppersonalidadeersonalidade jurídicajurídica aa partirpartir dodo nascimentonascimento comcom aa vida,vida, ee parapara aa pessoapessoa jurídicajurídica comocomo funciona?funciona? Ainda conforme o art. 45 do CC, a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado começa com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quanto necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo. Assim, a personalidade da pessoa jurídica de direito privado é adquirida com o registro do seu respectivo ato constitutivo. E aí vem o próximo questionamento, o registro se trata de um ato de natureza declaratória ou constitutiva? O registro dos atos de criação das pessoas jurídicas tem efeito constitutivo, enquanto o registro da pessoa natural tem efeito declaratório. O registro da pessoa jurídica possui efeitos ex-nunc. REGISTRO DE PESSOA JURÍDICA EFEITO CONSTITUTIVO REGISTRO DE PESSOA FÍSICA EFEITO DECLARATÓRIO O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 12 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 004. 004. (CEBRASPE/CESPE/TCE-SC/AUDITOR-FISCAL DE CONTROLE EXTERNO/ DIREITO/2022) Julgue o item a seguir, acerca do direito civil. A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado começa com a publicação do seu registro no diário oficial do órgão de registro competente. Por expressa previsão do Código Civil, a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro. Vejamos: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Errado. Além do mais, conforme o parágrafo único do art. 45 do CC, o prazo para anular o ato constitutivo de constituição das pessoas jurídicas por algum defeito é decadencial de 03 (três) anos. O registro, quemaior da desconsideração da personalidade jurídica a qual exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. Acórdão 1369154, 07090171820218070000, Relator: ROBERTO FREITAS, Terceira Turma Cível, data de julgamento: 31/8/2021, publicado no DJE: 17/9/2021. Letra a. 008. 008. (CEBRASPE/CESPE/ INPI/ANALISTA DE PLANEJAMENTO, GESTÃO E INFRAESTRUTURA EM PROPRIEDADE INDUSTRIAL/GESTÃO E SUPORTE/DIREITO/2024) A respeito de aplicação das leis civis, de pessoas naturais e jurídicas e de bens, julgue o item seguinte. O início da existência legal de uma fundação ocorre com a inscrição do ato constitutivo no registro civil de pessoas jurídicas. Aplica-se ao caso, o artigo 45 do Código Civil. Vejamos: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: III – as fundações. Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Certo. 009. 009. (FUNDEP/MPE-MG/PROMOTOR DE JUSTIÇA/LX/2023) As pessoas jurídicas de direito privado estão dispostas no Código Civil e são assim denominadas, pois suas relações e interesses são particulares, não tendo o Estado interesse direto na sua relação político- econômica. Com base nessa premissa, são pessoas jurídicas de direito privado, EXCETO: a) As fundações. b) As sociedades. c) As organizações religiosas. d) As associações, inclusive as públicas. a) Errada. São pessoas jurídicas de direito privado as fundações. Examine: “Art. 44, CC. São pessoas jurídicas de direito privado: (...) III – as fundações.” b) Errada. As sociedades são pessoas jurídicas de direito privado. Vejamos: “Art. 44, CC. São pessoas jurídicas de direito privado: (...) II – as sociedades.” O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 98 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex c) Errada. As organizações religiosas também são pessoas jurídicas de direito privado. Vejamos: “Art. 44, CC. São pessoas jurídicas de direito privado: (...) IV – as organizações religiosas.” d) Certa. As associações públicas são pessoas jurídicas de direito público interno. Vejamos: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: IV – as autarquias, inclusive as associações públicas; Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações.” Letra d. 010. 010. (FAUEL/PREF. PIÊN/ADVOGADO/2023) Assinale a alternativa CORRETA sobre as pessoas jurídicas, conforme o Código Civil. a) Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, após a necessária autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. b) Decai em dois anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. c) Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. d) A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento que não pode ser utilizado como forma lícita de alocação e segregação de riscos. e) As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do previsto em legislação especial e em seus atos constitutivos, poderão realizar suas assembleias gerais por meio eletrônico, exceto no caso de assembleias gerais de destituição de administradores e alteração de estatutos. a) Errada. É precedida, apenas quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo. Vejamos: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. b) Errada. Decai em três (não dois) anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo. Vejamos: Art. 45, Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 99 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex c) Certa. A assertiva é cópia literal do seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. d) Errada. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de risco. Examine: Art. 49-A, Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos. e) Errada. Na verdade, poderão realizar suas assembleias gerais por meio eletrônico, inclusive no caso de assembleias gerais de destituição de administradores e alteração de estatutos. Vejamos: Art. 48-A. As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do previsto em legislação especial e em seus atos constitutivos, poderão realizar suas assembleias gerais por meio eletrônico, inclusive para os fins do disposto no art. 59 deste Código, respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação. (Incluído pela Lei n. 14.382, de 2022). Vide: Art. 59. Compete privativamente à assembleia geral: (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005) I – destituir os administradores; (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005) II – alterar o estatuto. (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005) Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembleia especialmente convocada para esse fim, cujo quórum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores. (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005) Letra c. 011. 011. (FUNDATEC/PROCERGS/ANALISTA TÉCNICO/ ADVOGADO/CÍVEL/2023) O Título II do Código Civil trata das pessoas jurídicas. Sobre a temática, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta. I – A União, as Autarquias, os Estados e os Municípios são pessoas jurídicas de direito público interno. II – As fundações, as organizações religiosas e os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado. III – O desvio de finalidade e a confusão patrimonial são circunstâncias aptas a embasar pedido de desconsideração da personalidade jurídica a fim de possibilitar que os bens particulares dos sócios e/ou administradores beneficiados pelo abuso respondam pelas obrigações da pessoa jurídica. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 100 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) Todas estão corretas. b) Todas estão incorretas.c) Apenas III está correta. d) Apenas I e II estão corretas. e) Apenas II e III estão corretas. I – Certa. A assertiva está de acordo com o seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I – a União; II – os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III – os Municípios; IV – as autarquias, inclusive as associações públicas; V – as demais entidades de caráter público criadas por lei. II – Certa. A assertiva está em harmonia com o Código Civil. Examine: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações; II – as sociedades; III – as fundações. IV – as organizações religiosas; (Incluído pela Lei n. 10.825, de 22.12.2003) V – os partidos políticos. (Incluído pela Lei n. 10.825, de 22.12.2003) III – Certa. Aplica-se ao caso, o artigo 50 do Código Civil. Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. Letra a. 012. 012. (CEBRASPE/CESPE/PREF. FORTALEZA/ANALISTA FAZENDÁRIO MUNICIPAL/ DIREITO/2023) Acerca da personalidade jurídica, à luz da Constituição Federal de 1988 e do Código Civil, julgue o item a seguir. A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado começa com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 101 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex A assertiva está de acordo com o seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Certo. 013. 013. (IBADE/RBPREV/PROCURADOR JURÍDICO PREVIDENCIÁRIO/2023) As pessoas jurídicas têm personalidade própria, podendo ser de direito público, interno ou externo, ou de direito privado, conforme previsto no Código Civil. Com isso, é correto afirmar que: a) as associações podem ser pessoas jurídicas de direito público interno ou de direito privado. b) os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito público interno. c) o empreendedor individual é pessoa jurídica de direito privado. d) a União é pessoa de direito público externo. e) as empresas públicas são pessoas de direito público interno. a) Certa. As associações públicas têm personalidade jurídica de direito público interno, de acordo com o art. 40, IV do Código Civil e as associações privadas têm personalidade jurídica de direito privado, nos termos do art. 44, I do Código Civil. “Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:... IV – as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei n. 11.107, de 2005). “ Vide: “Art. 44, CC. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações.” b) Errada. Os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado (art. 44, Código Civil). “Art. 44, CC. São pessoas jurídicas de direito privado: (...) V – os partidos políticos. (Incluído pela Lei n. 10.825, de 22.12.2003)” c) Errada. O empreendedor individual não é pessoa jurídica, é pessoa física que explora uma atividade. d) Errada. A União é pessoa de direito público interno (art. 44, I, Código Civil). Não confunda a União com a República Federativa do Brasil (Estado brasileiro), esta sim, pessoa jurídica de direito externo, representada no plano internacional pela União (art. 21, I, Constituição Federal). “Art. 41, CC. São pessoas jurídicas de direito público interno: I – a União.” Vide: “Art. 21, CF/1988. Compete à União: I – manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais.” O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 102 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex e) Errada. As empresas públicas são pessoas de direito privado, de acordo com o art. 5º, II, do Decreto-Lei 200/1967 e art. 3º, caput, da Lei 13.303/2016: Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se: (...) II – Empresa Pública – a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por força de contingência ou de conveniência administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito. Vide: Art. 3º Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. Letra a. 014. 014. (CEBRASPE/CESPE/PREF. FORTALEZA/ANALISTA FAZENDÁRIO MUNICIPAL/DIREITO/2023) Acerca da personalidade jurídica, à luz da Constituição Federal de 1988 e do Código Civil, julgue o item a seguir. A personalidade jurídica é um atributo exclusivo das pessoas físicas, não se estendendo a entidades como empresas e associações. A personalidade jurídica estende-se a entidades como empresas e associações, uma vez que estas são titulares de direitos da personalidade, como por exemplo direito à tutela ao nome, à marca, à imagem, à reputação, à honra (objetiva). Vejamos: “Art. 52, CC. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade.” JURISPRUDÊNCIA Súmula 227-STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. O que se protege é a honra objetiva da pessoa jurídica. Assim, quando se fala que a pessoa jurídica pode sofrer danos morais, o que se está dizendo é que ela pode sofrer danos contra seu bom nome, fama, reputação etc. Desse modo, é possível que a pessoa jurídica sofra dano moral, desde que demonstrada ofensa à sua honra objetiva (imagem e boa fama) (STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 913.343/RS, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 06/03/2018). Veja como o tema já foi cobrado em prova: (MPU/2013 CESPE) A pessoa jurídica pode sofrer dano moral nos casos de violação à sua honra subjetiva (errado). A pessoa jurídica O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 103 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex é possuidora de bens extrapatrimoniais. Conforme previsto no art. 52 do CC, apesar de despida de direitos ligados à personalidade humana (saúde, integridade física e psíquica), a pessoa jurídica é titular de direitos da personalidade, tais como à tutela ao nome, à marca, à imagem, à reputação, à honra (objetiva), à intimidade (como nos segredos industriais), à liberdade de ação etc. CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Súmula 227-STJ. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 03 out.2023 Errado. 015. 015. (FGV/TJ-GO/JUIZ ESTADUAL/2023) São pessoas jurídicas de direito privado, segundoo Código Civil: a) sociedades, fundações, organizações religiosas e territórios. b) associações, fundações, organizações religiosas e empresas individuais de responsabilidade limitada. c) sociedades de economia mista e empresas públicas. d) União, Estados, Municípios e Territórios. e) associações, sociedades, fundações, organizações religiosas e partidos políticos. a) Errada. Os territórios são pessoas jurídicas de direito público interno. b) Errada. Apenas as associações, fundações e organizações religiosas são pessoas jurídicas de direito privado. c) Errada. De acordo com o Código Civil, apenas as associações, sociedades, fundações, organizações religiosas e partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado. d) Errada. A União, os Estados, Municípios e Territórios são pessoas jurídicas de direito público interno. Vejamos: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I – a União; II – os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III – os Municípios; IV – as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei n. 11.107, de 2005) V – as demais entidades de caráter público criadas por lei. e) Certa. A assertiva está de acordo com o Código Civil. Verifique o seguinte dispositivo: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações; II – as sociedades; III – as fundações; IV – as organizações religiosas; (Incluído pela Lei n. 10.825, de 22.12.2003) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 104 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex V – os partidos políticos; (Incluído pela Lei n. 10.825, de 22.12.2003) VI – (Revogado pela Lei n. 14.382, de 2022) Letra e. 016. 016. (VUNESP/TJ-SP/OFICIAL DE JUSTIÇA/2023) No que diz respeito às pessoas jurídicas, assinale a alternativa correta. a) Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. b) São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo permitido, mesmo que sem fundamentação, a negativa pelo poder público do registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. c) As associações são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que, nessa qualidade, causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, apenas se houver, por parte destes, dolo. d) Prescreve em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. e) São pessoas jurídicas de direito privado as associações, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos políticos e as empresas individuais de responsabilidade limitada. a) Certa. A assertiva é cópia literal do seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. b) Errada. É vedado a negativa pelo poder público do registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. Vejamos: Art. 44, § 1º São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. c) Errada. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis pelos referidos atos, não as associações, uma vez que são pessoas jurídicas de direito privado. Vejamos: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 105 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. Vide: “Art. 44, CC. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações.” d) Errada. Na verdade, decai (não prescreve) em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado. Vejamos: Art. 45, Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. e) Errada. As empresas individuais de responsabilidade limitada não são mais consideradas pessoas jurídicas de direito privado. Ademais, foram transformadas em Sociedade Limitada Unipessoal. Vejamos: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações; II – as sociedades; III – as fundações; IV – as organizações religiosas; (Incluído pela Lei n. 10.825, de 22.12.2003) V – os partidos políticos; (Incluído pela Lei n. 10.825, de 22.12.2003) VI – (Revogado pela Lei n. 14.382, de 2022) Letra a. 017. 017. (IBEST/CRF-SC/ADVOGADO/2023) A personalidade jurídica é um atributo que a ordem jurídica estatal outorga a entes que o merecerem (DINIZ, 2008). Relativamente a pessoas jurídicas, assinale a alternativa correta. a) As pessoas jurídicas podem ser de direito público (interno ou externo) e de direito privado, sendo os Estados estrangeiros considerados pessoas jurídicas de direito público externo. b) A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado tem seu início com a vontade humana, seguida de autorização estatal para seu funcionamento. c) O associado pode, de per si, transferir sua qualidade de filiado ou membro a terceiro, juntamente com fração ideal do patrimônio da associação, em ato inter vivos. d) O instituidor de uma fundação a cria por escritura pública ou testamento, mas deve observar a impossibilidade de que ela tenha por finalidade atividades religiosas. e) O domicílio da pessoa jurídica coincide com o domicílio do presidente, sócio ou administrador e, quando houver mais de uma sede, o endereço da empresa será o domicílio. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 106 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) Certa. A assertiva está em harmonia com o Código Civil. Examine: “Art. 42, CC. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público.” b) Errada. A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado tem seu início com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo. Vejamos: “Art. 45, CC. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.” c) Errada. Salvo disposição em contrário no estatuto, a qualidade de associado éintransmissível. Vejamos: “Art. 56, CC. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário.” d) Errada. Na verdade, deve observar a possibilidade de que ela tenha por finalidade atividades religiosas. Vejamos: Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: (Redação dada pela Lei n. 13.151, de 2015) (...) IX – atividades religiosas; e (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015) e) Errada. O domicílio da pessoa jurídica é o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos e, quando houver mais de um estabelecimento em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. Vejamos: Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: IV – das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. § 1º Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. Letra a. 018. 018. (INSTITUTO CONSULPAM/TCM-PA/CONSELHEIRO SUBSTITUTO/2023) Tendo em vista as determinações da Lei n. 10.406/2002 (Código Civil brasileiro) sobre as associações, assinale a alternativa CORRETA. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 107 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. b) Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins econômicos ou não. c) Os associados devem ter iguais direitos, não podendo o estatuto instituir categorias com vantagens especiais. d) A exclusão de associado é admissível mesmo não havendo justa causa. a) Certa. A assertiva é cópia literal do seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: “Art. 53, CC. (...) Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.” b) Errada. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem apenas para fins não econômicos. Vejamos: “Art. 53, CC. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos.” c) Errada. O estatuto pode instituir categorias com vantagens especiais. Examine: “Art. 55, CC. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais.” d) Errada. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, conforme o Código Civil. Vejamos: “ “Art. 57, CC. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto.” Letra a. 019. 019. (VUNESP/TRF 3ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO /JUDICIÁRIA/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2023) Acerca das associações, instituto previsto no Código Civil, é correto afirmar que a) sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá, dentre outros requisitos, os direitos e deveres dos associados. b) se o estatuto não dispuser o contrário, a qualidade de associado é transmissível desde que previamente autorizada por 1/5 (um quinto) dos associados. c) os associados devem ter iguais direitos, sendo vedado ao estatuto instituir categorias com vantagens especiais. d) a exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, mediante aprovação de 2/3 (dois terços) dos associados. e) se constituem associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos, havendo, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 108 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) Certa. A assertiva está em harmonia com o Código Civil. Examine: Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I – a denominação, os fins e a sede da associação; II – os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III – os direitos e deveres dos associados; IV – as fontes de recursos para sua manutenção; V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005) VI – as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução; VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. (Incluído pela Lei n. 11.127, de 2005) b) Errada. Se o estatuto não dispuser o contrário, a qualidade de associado é intransmissível. Examine: “Art. 56, CC. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário.” c) Errada. É permitido ao estatuto instituir categorias com vantagens especiais. Vejamos: “Art. 55, CC. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais.” d) Errada. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. Vejamos: Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005) e) Errada. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Examine: Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Letra a. 020. 020. (IESES/TJ-AM/NOTÁRIO E REGISTRADOR/REMOÇÃO/2023) Em conformidade com o art. 62 do Código Civil, a fundação somente poderá constituir-se para fins de, EXCETO: a) Educação. b) Morais. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 109 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex c) Pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos. d) Atividades religiosas. a) Errada. A assertiva está de acordo com o seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: “Art. 62. (...) Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: (...) III – educação; (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015)” b) Certa. Não há previsão de fins morais para a constituição de fundação. Vejamos: Art. 62, Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: I – assistência social; (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015) II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015) III – educação; (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015) IV – saúde; (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015) V – segurança alimentar e nutricional; (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015) VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015) VII – pesquisa científica,desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015) VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos; (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015) IX – atividades religiosas; e (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015) X – (VETADO). c) Errada. A assertiva está em harmonia com o Código Civil. Examine: Art. 62, Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; (Incluído pela Lei n. 13.151, de 2015) d) Errada. A assertiva está de acordo com o Código Civil. Verifique o seguinte dispositivo: “Art. 62. (...) Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: (...) IX – atividades religiosas; e. “ Letra b. 021. 021. (CEBRASPE/CESPE/PROCURADOR DO ESTADO DE SERGIPE/2023) Assinale a opção correta no que diz respeito à pessoa jurídica, conforme o estabelecido no Código Civil. a) A proteção dos direitos da personalidade, via de regra, não se aplica às pessoas jurídicas. b) Os atos dos administradores da pessoa jurídica, mesmo que não exorbitem os limites dos poderes definidos no seu ato constitutivo, não a obrigam de imediato, mas apenas após ratificados pela maioria absoluta dos sócios ou associados. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 110 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex c) O poder público não pode negar reconhecer ou registrar atos constitutivos de organizações religiosas, independentemente do cunho filosófico ou doutrinário da religião. d) A personalidade da empresa pode ser desconsiderada sempre que estiver dificultando o recebimento de quantias líquidas e exigíveis por parte de algum credor. e) A mera existência de grupo econômico autoriza a desconsideração da personalidade jurídica inversa de uma das empresas que o compõem. a) Errada. A proteção dos direitos da personalidade, via de regra, aplica-se às pessoas jurídicas. Vejamos: “Art. 52, CC. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade.” b) Errada. Os atos dos administradores da pessoa jurídica, que exorbitem os limites dos poderes definidos no seu ato constitutivo, a obrigam de imediato. Vejamos: “Art. 47, CC. Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo.” c) Certa. A assertiva está de acordo com o seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 44, § 1º São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei n. 10.825, de 22.12.2003) d) Errada. O ordenamento jurídico adotou a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica, que exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. O ordenamento jurídico brasileiro adotou, como regra, a Teoria Maior da desconsideração da personalidade jurídica, mas a legislação consumerista incorporou a Teoria Menor, por ser mais ampla e mais benéfica ao consumidor, pois não exige prova da fraude, do abuso de direito ou de confusão patrimonial. Portanto, basta a demonstração do estado de insolvência do fornecedor ou do fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados. Fonte: https://www.tjdft.jus.br/consultas/jurisprudencia. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 111 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex JURISPRUDÊNCIA 1. A aplicação da desconsideração da personalidade jurídica deve ser excepcional, sendo a regra a preservação da autonomia patrimonial, devendo ser deferida quando presentes os requisitos do Art. 50 do Código Civil. 2. O ordenamento jurídico adotou a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica a qual exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária.” Acórdão 1369154, 07090171820218070000, Relator: ROBERTO FREITAS, Terceira Turma Cível, data de julgamento: 31/8/2021, publicado no DJE: 17/9/2021. 6. Extrai-se do artigo 28, §5º, do Código de Defesa do Consumidor que a sistemática consumerista adotou a Teoria Menor, admitindo a desconsideração da personalidade sempre que ela for óbice ao ressarcimento dos prejuízos causados aos consumidores, de forma diversa da posição adotada pelo Código Civil no seu art. 50, onde prevalece a Teoria Maior da desconsideração, em que se faz necessária a comprovação do abuso da autonomia jurídica, consubstanciada pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. Acórdão 1366614, 07122762120218070000, Relator: SANDOVAL OLIVEIRA, Segunda Turma Cível, data de julgamento: 25/8/2021, publicado no DJE: 13/9/2021. e) Errada. A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o artigo 50, caput, não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. Examine: Art. 50, § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) Letra c. 022. 022. (EJAP/TJ-AP/RESIDÊNCIA JURÍDICA/2023) Em relação à desconsideração da personalidade jurídica disciplinada no Código Civil brasileiro, assinale a alternativa correta: a) Confusão patrimonial é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. b) A desconsideração inversa da personalidade jurídica não encontra previsão no ordenamento jurídico brasileiro, sendo uma construção doutrinária e jurisprudencial. c) Para que ocorra a desconsideração da personalidade jurídica é necessário o abuso de personalidade, caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. d) A mera expansão ou alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica configura o denominado desvio de finalidade. e) É suficiente a existência de grupo econômico para a que ocorra a desconsideração da personalidade jurídica. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 112 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) Errada. Desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. Vejamos: “Art. 50, CC (...) § 1º Para osfins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza.” b) Errada. A desconsideração inversa da personalidade jurídica encontra previsão no §3º do artigo 50 do Código Civil. Vejamos: “Art. 50, CC (...) § 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019).” JURISPRUDÊNCIA A Teoria da Desconsideração Inversa da Personalidade Jurídica foi adotada expressamente pelo Código Civil Brasileiro de 2002, com alteração dada pela Lei 13.874/2019, ao consagrar a possibilidade de atingir bens de pessoa jurídica diversa da relação processual quando o devedor principal formalmente transfere bens para esta para se esquivar da sua obrigação material. (...) A abalizada doutrina preconiza que: Para a hipótese de abuso da personalidade jurídica, caracterizado por desvio de finalidade ou confusão patrimonial, o caput do art. 50 do Código Civil prescreve que os efeitos de determinadas obrigações da pessoa jurídica sejam estendidos aos bens particulares de seus integrantes. Já o § 3º, introduzido pela Lei 13.874/2019, consagra a chamada desconsideração inversa da personalidade jurídica, cujo cabimento era reconhecido havia muito tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência. Nessa última modalidade, a desconsideração revela-se útil quando o devedor, para esquivar-se de seus credores, formalmente transfere seus bens particulares a pessoa jurídica sob seu controle direto ou indireto. Em tais casos, a extensão dos efeitos da obrigação do sujeito devedor à pessoa jurídica por ele controlada frustra a manobra fraudulenta, pois permite que o credor se satisfaça à custa do patrimônio social. Curiosamente, uma das primeiras ocorrências de desconsideração da personalidade jurídica já relatadas deu-se na modalidade inversa. Trata-se do caso First National Bank of Chicago v. Trebein Company, julgado em 1898. Para evitar que seu patrimônio fosse consumido por suas dívidas, F.C. Trebein constituiu, com quatro familiares, a empresa Trebein Company, transferindo-lhe todos os seus bens. No entanto, seus credores acusaram a manobra e afirmaram em juízo que a companhia havia sido criada com o propósito de defraudá- los. O argumento foi acolhido pela Suprema Corte de Ohio, que considerou a empresa responsável pelo pagamento das dívidas de F. C. Trebein. (...) Com efeito, o instituto O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 113 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex da desconsideração inversa da personalidade jurídica, medida excepcional, autoriza o juiz atingir episodicamente a personalidade da pessoa jurídica diversa da relação processual, para que haja a reparação do dano causado ao credor. Entretanto, essa medida apenas encontra justificativa quando o executado, para fraudar a execução ou furta-se da sua obrigação patrimonial perante os seus credores, formalmente transfere suas propriedades ou seus bens a pessoa jurídica sob seu controle direto ou indireto. Busca-se, desse modo, impedir qualquer ato fraudulento praticado pelo devedor, que prejudique os direitos de terceiro, devendo ser deferida mediante prova robusta da existência de abuso de direito, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial entre os bens do devedor e a sociedade a ser atingida.” Acórdão 1352316, 07024532320218070000, Relator: LEILA ARLANCH, Sétima Turma Cível, data de julgamento: 30/6/2021, publicado no DJE: 23/7/2021. 3. A desconsideração inversa ou invertida torna possível responsabilizar a empresa pelas dívidas contraídas por seus sócios e tem como requisito o abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou a confusão patrimonial (CPC, art. 133, § 2º; CC, art. 50). 4. Trata-se de medida excepcional, cabível quando se comprova que o devedor (pessoa física) utilizou-se indevidamente da pessoa jurídica para resguardar bens e valores de seu acervo pessoal, a fim de esquivar-se de seus compromissos financeiros.” Acórdão 1367498, 07200527220218070000, Relator: DIAULAS COSTA RIBEIRO, Oitava Turma Cível, data de julgamento: 26/8/2021, publicado no DJE: 9/9/2021. c) Certa. A assertiva está de acordo com o Código Civil. Verifique o seguinte dispositivo: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. d) Errada. A mera expansão ou alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica não configura o denominado desvio de finalidade. Vejamos: “Art. 50, CC (...) § 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica.” e) Errada. Não é suficiente a existência de grupo econômico para a que ocorra a desconsideração da personalidade jurídica, uma vez que é necessário preencher os requisitos previstos no art. 50, caput, do Código Civil. “Art. 50, CC (...) § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica.” Letra c. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 114 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 023. 023. (FGV/CAM DEP/ANALISTA LEGISLATIVO /CONSULTOR LEGISLATIVO/ÁREA II/2023) Em 2019, Maria da Conceição e Dandara constituíram o Restaurante e Bar Beco das Memórias Ltda. Destaca-se que a administração da pessoa jurídica, por força do contrato social, pertence a Dandara, apesar de ser a sócio minoritária. No entanto, a partir de março de 2020, devido à pandemia de Covid-19, Maria da Conceição vem realizando a administração de fato da sociedade, utilizando sua própria conta bancária para o recebimento dos créditos da sociedade, bem como para adimplir as obrigações da sociedade, além das suas obrigações pessoais. Maria da Conceição, inclusive, relata que utilizou dos seus próprios recursos para adimplir as obrigações da sociedade, com destaque para a folha de pagamento, os tributos, a energia elétrica, os alugueres e fornecedores. Nos últimos meses, no entanto, Maria da Conceição não vem conseguindo honrar todos os compromissos financeiros da sociedade, o que conduz a diversas inadimplências, levando pânico aos credores devido à escassez patrimonial da sociedade devedora. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta. a) A desconsideração da personalidade jurídica, por força do Código Civil, é possível devido à confusão patrimonial, visto a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. b) O ato de Maria da Conceição no cumprimento das obrigações da sociedade deve ser considerado um ato de mera liberalidade, devendo, por conseguinte, os credores exigirem o pagamento exclusivamente da sociedade, real devedora. c) O Código Civil brasileiro expressamente impede a responsabilizaçãodos sócios pelas obrigações sociais. d) A desconsideração da personalidade jurídica no Direito brasileiro só é admitida para alcançar o patrimônio pessoal do administrador, no caso em questão, Dandara, sendo impossível o alcance do patrimônio de Maria da Conceição. e) A desconsideração da personalidade é vista de forma restritiva no ordenamento jurídico brasileiro, só alcançando a hipótese de desvio de finalidade, o que não ocorre no caso. a) Certa. Na hipótese da questão é possível a desconsideração da personalidade decorrente da confusão patrimonial por força do disposto no art. 50 do Código Civil, notadamente o caput e o § 2º, I. Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 115 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019) § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice- versa; (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019). A desconsideração da personalidade jurídica permite que o juiz, em casos de fraude e de má-fé, desconsidere o princípio de que as pessoas jurídicas têm existência distinta da dos seus membros e os efeitos dessa autonomia, para atingir e vincular os bens particulares dos sócios à satisfação das dívidas da sociedade (Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Brasileiro, v. 1, 22 ed., Saraiva, 2024, p. 231). b) Errada. O ato de Maria da Conceição no cumprimento das obrigações da sociedade não deve ser considerado um ato de mera liberalidade porque a reiteração de tais atos configura confusão patrimonial, situação que permite aos credores requererem a desconsideração da personalidade jurídica para exigir o pagamento das dívidas da sociedade, dos sócios. c) Errada. O Código Civil brasileiro não impede a responsabilização dos sócios pelas obrigações sociais. d) Errada. A desconsideração da personalidade jurídica no Direito brasileiro é admitida para alcançar o patrimônio pessoal do administrador ou sócios, no caso em questão é possível o alcance do patrimônio de Maria da Conceição. e) Errada. A desconsideração da personalidade jurídica alcança a hipótese de desvio de finalidade e confusão patrimonial. Letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 116 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 024. 024. (IESES/TJ-AM/NOTÁRIO E REGISTRADOR/REMOÇÃO/2023) Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por, EXCETO: a) Pagamentos de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações. b) Outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. c) Transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante. d) Cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. a) Certa. Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações. Vejamos: Art. 50, § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice- versa; (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. b) Errada. A assertiva está de acordo com o seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 50, § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) (...) III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. c) Errada. É o que dispõe o Código Civil. Examine: Art. 50, § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) d) Errada. É o que dispõe o Código Civil. Examine: Art. 50, § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) Letra a. 025. 025. (FUVEST/USP/PROCURADOR/2023) A desconsideração da personalidade jurídica autorizada pelo Código Civil sujeita-se ao seguinte parâmetro: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 117 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) Desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de natureza civil e penal, exclusivamente, além do uso indevido da personalidade para a satisfação de interesses de seus sócios ou administradores. b) Uma hipótese de confusão patrimonial que autoriza a desconsideração da personalidade jurídica decorre da ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada pela transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante. c) A confusão patrimonial que autoriza a desconsideração da personalidade jurídica decorredo cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa, mas não da prática de outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. d) A mera existência de grupo econômico autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica, ainda que não estejam presentes os requisitos do abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. e) Autoriza a desconsideração da personalidade jurídica por desvio de finalidade a mera expansão da atividade econômica específica ou mesmo a alteração da finalidade original da pessoa jurídica. a) Errada. A assertiva restringiu as hipóteses de desvio de finalidade. Isso porque, ocorre desvio de finalidade quando utiliza a pessoa jurídica para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza (não somente para a prática de atos ilícitos de natureza civil e penal). Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019) § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019). b) Certa. A assertiva está de acordo com o seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 50, § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) (...) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) c) Errada. A prática de outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial também pode configurar confusão patrimonial que autoriza a desconsideração da personalidade jurídica. Vejamos: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 118 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 50, § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice- versa; (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019). d) Errada. A assertiva viola o seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019) § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) e) Errada. A assertiva viola o seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: “Art. 50. § 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019).” Letra b. 026. 026. (VUNESP/TJ-SP/OFICIAL DE JUSTIÇA/2023) A empresa ABC Ltda. é uma sociedade empresarial que atua na venda de produtos eletrônicos. Nos últimos anos, a empresa enfrentou dificuldades financeiras acumulando dívidas consideráveis com fornecedores e credores em razão da transferência de ativos sem efetivas contraprestações, razão pela qual decidiu alterar a finalidade original de sua atividade econômica específica. No entanto, os sócios não foram beneficiados diretamente pelo abuso de direito praticado. Diante da situação hipotética, alguns credores da empresa entraram com ações judiciais buscando a desconsideração da personalidade jurídica da ABC Ltda. Considerando o disposto no Código Civil, para que seja concedida a desconsideração da personalidade jurídica a) poderá ser adotada a teoria menor, na qual basta a demonstração do estado de insolvência do fornecedor ou do fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 119 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex b) basta a demonstração da transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações que caracteriza a confusão patrimonial, a qual, por sua vez, caracteriza o abuso da personalidade jurídica. c) basta a mera alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. d) é necessária a demonstração do desvio de finalidade e da confusão patrimonial. e) é necessário que os sócios tenham sido beneficiados diretamente pelo abuso de direito praticado. a) Errada. O Direito Civil brasileiro adotou a chamada teoria maior da desconsideração. Isso porque o art. 50 exige que se prove o desvio de finalidade (teoria maior subjetiva) ou a confusão patrimonial (teoria maior objetiva). Já no Direito do Consumidor e no Direito Ambiental, adotou-se a teoria menor da desconsideração. Isso porque, para que haja a desconsideração da personalidade jurídica nas relações jurídicas envolvendo consumo ou responsabilidade civil ambiental, basta provar a insolvência da pessoa jurídica. b) Certa. A assertiva está de acordo com o Código Civil. Para que seja concedida a desconsideração da personalidade jurídica deve ser caracterizado o desvio de finalidade ou a confusão patrimonial, sendo esta caracterizada por transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações. Assim, caracteriza o abuso da personalidade jurídica. Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice- versa; (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferênciade ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. c) Errada. Não basta a mera alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica, uma vez que não constitui desvio de finalidade. Examine: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 120 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex “Art. 50 (...) § 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica.” d) Errada. É necessária a demonstração do desvio de finalidade ou da confusão patrimonial. Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. e) Errada. Os sócios podem ser beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. Examine: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. Letra b. 027. 027. (INSTITUTO AOCP/MPC- SE/SUBPROCURADOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS/2023) Em relação à desconsideração da personalidade jurídica e aos bens públicos, assinale a alternativa correta. a) Por intermédio da desconsideração inversa da personalidade jurídica, é possível que o credor lesado satisfaça, com o patrimônio pessoal dos administradores da empresa, a obrigação não cumprida. b) O abuso da personalidade jurídica decorrente do desvio de finalidade consiste na ausência de separação de fato entre os patrimônios, o qual resta caracterizado, notadamente, pelo cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. c) O Código Civil, quanto à desconsideração da personalidade jurídica, filiou-se à teoria menor, cujo teor pressupõe a configuração de abuso da personalidade jurídica. d) As terras devolutas pertencem, em regra, aos Estados-membros, com exceção daquelas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, que são de propriedade da União. e) Os bens públicos de uso comum do povo, tais como as escolas públicas e os hospitais públicos, enquanto conservarem a sua qualificação, não podem ser alienados. a) Errada. Na verdade, é possível que o credor lesado se satisfaça à custa do patrimônio social, ou seja, ao juiz é permitido atingir episodicamente a personalidade da pessoa jurídica diversa da relação processual, para que haja a reparação do dano causado ao credor. Vejamos: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 121 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex JURISPRUDÊNCIA A Teoria da Desconsideração Inversa da Personalidade Jurídica foi adotada expressamente pelo Código Civil Brasileiro de 2002, com alteração dada pela Lei 13.874/2019, ao consagrar a possibilidade de atingir bens de pessoa jurídica diversa da relação processual quando o devedor principal formalmente transfere bens para esta para se esquivar da sua obrigação material. (...) A abalizada doutrina preconiza que: Para a hipótese de abuso da personalidade jurídica, caracterizado por desvio de finalidade ou confusão patrimonial, o caput do art. 50 do Código Civil prescreve que os efeitos de determinadas obrigações da pessoa jurídica sejam estendidos aos bens particulares de seus integrantes. Já o § 3º, introduzido pela Lei 13.874/2019, consagra a chamada desconsideração inversa da personalidade jurídica, cujo cabimento era reconhecido havia muito tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência. Nessa última modalidade, a desconsideração revela-se útil quando o devedor, para esquivar-se de seus credores, formalmente transfere seus bens particulares a pessoa jurídica sob seu controle direto ou indireto. Em tais casos, a extensão dos efeitos da obrigação do sujeito devedor à pessoa jurídica por ele controlada frustra a manobra fraudulenta, pois permite que o credor se satisfaça à custa do patrimônio social. Curiosamente, uma das primeiras ocorrências de desconsideração da personalidade jurídica já relatadas deu-se na modalidade inversa. Trata-se do caso First National Bank of Chicago v. Trebein Company, julgado em 1898. Para evitar que seu patrimônio fosse consumido por suas dívidas, F.C. Trebein constituiu, com quatro familiares, a empresa Trebein Company, transferindo-lhe todos os seus bens. No entanto, seus credores acusaram a manobra e afirmaram em juízo que a companhia havia sido criada com o propósito de defraudá- los. O argumento foi acolhido pela Suprema Corte de Ohio, que considerou a empresa responsável pelo pagamento das dívidas de F. C. Trebein. (...) Com efeito, o instituto da desconsideração inversa da personalidade jurídica, medida excepcional, autoriza o juiz atingir episodicamente a personalidade da pessoa jurídica diversa da relação processual, para que haja a reparação do dano causado ao credor. Entretanto, essa medida apenas encontra justificativa quando o executado, para fraudar a execução ou furta-se da sua obrigação patrimonial perante os seus credores, formalmente transfere suas propriedades ou seus bens a pessoa jurídica sob seu controle direto ou indireto. Busca-se, desse modo, impedir qualquer ato fraudulento praticado pelo devedor, que prejudique os direitos de terceiro, devendo ser deferida mediante prova robusta da existência de abuso de direito, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial entre os bens do devedor e a sociedade a ser atingida. Acórdão 1352316, 07024532320218070000, Relator: LEILA ARLANCH, Sétima Turma Cível, data de julgamento: 30/6/2021, publicado no DJE: 23/7/2021. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 122 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex b) Errada. O abuso da personalidade jurídica decorrente da confusão patrimonial consiste na ausência de separação de fato entre os patrimônios, o qual resta caracterizado, notadamente, pelo cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. Examine: Art. 50, § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) I – cumprimento repetitivo pela sociedadede obrigações do sócio ou do administrador ou vice- versa; (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. c) Errada. O Código Civil, quanto à desconsideração da personalidade jurídica, filiou-se à teoria maior (não menor), cujo teor pressupõe a configuração de abuso da personalidade jurídica. Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019). O ordenamento jurídico brasileiro adotou, como regra, a Teoria Maior da desconsideração da personalidade jurídica, mas a legislação consumerista incorporou a Teoria Menor, por ser mais ampla e mais benéfica ao consumidor, pois não exige prova da fraude, do abuso de direito ou de confusão patrimonial. Portanto, basta a demonstração do estado de insolvência do fornecedor ou do fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados. JURISPRUDÊNCIA (...) 1. A teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica emerge como um dos fundamentos doutrinários destinados ao estabelecimento das condições exigidas para o alcance patrimonial dos sócios de uma sociedade empresária, com aplicação restrita a situações excepcionais que demandam proteção a bens jurídicos de significativo relevo social e notório interesse público, tais como aqueles albergados pelo Direito Ambiental e pelo Direito do Consumidor. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 123 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 2. Segundo entendimento perfilhado pelo c. STJ, a teoria menor pode ser aplicada na hipótese de comprovação da insolvência da pessoa jurídica no adimplemento de suas obrigações, somada à má administração da empresa, nos termos do art. 28, caput, do CDC, ou, ainda, nos casos em que evidenciada a utilização da personalidade jurídica como óbice ao ressarcimento de prejuízos causados ao consumidor, nos termos do art. 28, § 5º, do CDC (REsp n. 1735004/SP, Relatora: Ministra Nancy Andrighi, Data de Julgamento: 26/06/2018, Publicado no DJE: 28/06/2018). 3. Tratando-se de incontroversa relação de consumo, inexistindo bens penhoráveis e havendo obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados ao consumidor, decorrente da ausência de patrimônio da sociedade empresária executada com aptidão para quitação do débito exequendo, deve ser mantida a decisão recorrida, que acolheu o pedido de desconsideração da personalidade jurídica formulado pelo consumidor, ora agravado, para alcançar o patrimônio dos sócios da fornecedora, ora recorrentes, nos termos do art. 28, § 5º, do CDC. (grifo nosso) Acórdão 1394567, 07345048720218070000, Relatora: SANDRA REVES, Segunda Turma Cível, data de julgamento: 26/1/2022, publicado no DJe: 11/2/2022. d) Certa. A assertiva está de acordo com o entendimento do STF. JURISPRUDÊNCIA São bens da União apenas as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras; defesa das fortificações e construções militares; defesa das vias federais de comunicação; e preservação ambiental. Já o restante das terras devolutas é de propriedade do respectivo Estado-membro. Vejamos: As terras devolutas pertencem, em regra, aos Estados-membros, com exceção daquelas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, que são de propriedade da União (art. 20, II, da CF/88). As terras devolutas pertencem aos Estados-membros desde a Constituição de 1891, que delas excetuava apenas a porção do território indispensável para a defesa das fronteiras, fortificações, construções militares e estradas de ferro federais. Esse mesmo tratamento jurídico foi mantido, com pequenas variações, nas Constituições de 1934, 1937, 1946, 1967, EC 1 de 1969 e, finalmente, na Constituição Federal de 1988. Caso concreto: no Estado de São Paulo havia uma grande área que era considerada como terra devoluta. Diante disso, em 1939, o Estado ajuizou ação discriminatória para regularizar essa área, tendo o pedido sido julgado procedente, com a expedição de títulos de domínio das terras em favor do autor. A União, posteriormente, propôs ação anulatória alegando que as referidas terras seriam de sua propriedade desde 1872, por anexação. O Estado de São Paulo, por sua vez, alegou que eram terras devolutas, e, por isso, passíveis de alienação a particulares. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 124 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Apesar de inexistente, à época, qualquer registro imobiliário no sentido de se cuidar de terras devolutas, não se exigiria prova nesse sentido, pois a regra então vigente era no sentido da presunção da natureza devoluta dessas terras. Assim, havia presunção de que eram terras devolutas e cabia à União o ônus de provar que adquiriu as terras por meio de compra ou anexação; que as terras lhe eram úteis; e a exata individuação para fins de saber se elas coincidem com as áreas em relação às quais o estado de São Paulo expediu os títulos que se pretende anular. É possível concluir que a União adquiriu terras na região, mediante compra ou anexação. Entretanto, não há provas de que essas terras tenham sido efetivamente úteis para o suposto fim original a que se prestariam. Além disso, não há qualquer precisão na individuação dessas terras à época da aquisição. A União não se desincumbiu de seu ônus probatório. STF. Plenário. ACO 158/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 12/3/2020 (Info 969). oo queque sãosão terrasterras devolutas?devolutas? AA quemquem elaselas pertencem?pertencem? Terras devolutas são aquelas que não tem nenhuma utilização pública específica e que não se encontram, por qualquer título, integradas ao domínio privado. As terras devolutas pertencem, em regra, aos Estados-membros, com exceção daquelas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, que são de propriedade da União (art. 20, II, da CF/88). Cuidado com a redação do art. 20, II, da CF/88 porque uma leitura apressada pode levar à conclusão errada: Art. 20. São bens da União: II – as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei. Desse modo, não são todas as terras devolutas que são bens da União. São bens da União apenas as terras devolutas indispensáveis à: 1) defesa das fronteiras; 2) defesa das fortificações e construções militares; 3) defesa das vias federais de comunicação; e 4) preservação ambiental. O restante das terras devolutas é de propriedade do respectivo Estado-membro, nos termos do art. 26, IV: Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: IV – as terras devolutas não compreendidas entre as da União. CAVALCANTE, Márcio André Lopes. As terrasinclusive pode ser anulado, precisa seguir alguns requisitos legais: Art. 46. O registro declarará: I – a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver; II – o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores; III – o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; IV – se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo; V – se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; VI – as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso. 005. 005. (FCC/MPE-PE/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2022) Com base no disposto no ordenamento jurídico a respeito das pessoas jurídicas de direito privado, considere as assertivas abaixo: I – A existência legal e a personalidade da pessoa jurídica se iniciam com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro. II – O registro do ato constitutivo deverá, dentre outros elementos, indicar a forma da administração e quem a representa, judicial ou extrajudicialmente. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 13 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex III – A falta de menção no registro, se o ato constitutivo é ou não reformável, não constitui vício ou irregularidade, tampouco inviabiliza o funcionamento da pessoa jurídica. Está correto o que se afirma APENAS em a) I. b) II. c) I e II. d) II e III. e) I e III. I – Certa. É a disposição do art. 45, caput, CC: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. II – Certa. Cuida-se de elemento ou dado obrigatório do registro elencado no art. 46, III, CC: Art. 46. O registro declarará: I – a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver; II – o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores; III – o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; IV – se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo; V – se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; VI – as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso. III – Errada. Cuida-se de elemento ou dado obrigatório do registro elencado no art. 46, III, CC: “Art. 46. O registro declarará: IV – se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo.” Letra c. Constituída a pessoa jurídica, conforme art. 47 do CC, obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos NOS LIMITES de seus poderes definidos no ato constitutivo: Art. 47. Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo. Quanto à administração da pessoa jurídica, se porventura, a mesma vier a faltar, o juiz, a requerimento de qualquer interessado, nomeará um administrador provisório: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 14 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 49. Se a administração da pessoa jurídica vier a faltar, o juiz, a requerimento de qualquer interessado, nomear-lhe-á administrador provisório. Também deve ser ressaltada diante da autonomia privada, a separação entre a pessoa jurídica e seus instituidores ou administradores, reforçada pela disposição normativa do art. 49-A do CC: Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019) Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos Considerando que o registro das pessoas jurídicas tem natureza constitutiva, no caso de entes sem registro, os mesmos são considerados entes despersonificados, ou então, conhecidos como sociedade de fato ou sociedade irregular. Neste caso, a responsabilidade dos sócios ou administradores é solidária e ilimitada pelas obrigações sociais, conforme as disposições dos artigos. 986 a 990 do CC. Também é importante ressaltar a existência dos chamados entes despersonificados com capacidade processual, como por exemplo, o espólio, a massa falida, a herança jacente, a herança vacante, o condomínio. Os referidos entes não são pessoas jurídicas conforme o Código Civil vigente, entretanto, possuem capacidade processual para postular perante o Poder Judiciário na defesa de seus interesses. Quanto às pessoas jurídicas de Direito Público, suas regras de criação não estão previstas no Código Civil, concentrando seu campo de estudo no Direito Constitucional e no Direito Administrativo. A título de exemplo, podemos destacar a previsão do Inciso XIX do art. 37 da Constituição de 1.988, que prevê a necessidade de lei específica para criação de autarquias: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação; Recentemente foi introduzida no ordenamento jurídico a possibilidade de as pessoas jurídicas de direito privado estarem realizando assembleias gerais por meio eletrônico: Art. 48-A. As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do previsto em legislação especial e em seus atos constitutivos, poderão realizar suas assembleias gerais por meio eletrônico, inclusive para os fins do disposto no art. 59 deste Código, respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 15 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 59. Compete privativamente à assembleia geral: (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005) I – destituir os administradores; (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005) II – alterar o estatuto. (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005) Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembleia especialmente convocada para esse fim, cujo quórum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores. (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005) 006. 006. (INSTITUTO ACCESS/TJ-PB/JUIZ LEIGO/ 2022) É correto afirmar que as pessoas jurídicas de direito privado a) poderão, excepcionalmente, realizar suas assembleias-gerais por meios eletrônicos, inclusive para destituirdevolutas pertencem, em regra, aos Estados- membros, com exceção daquelas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 125 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, que são de propriedade da União. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 20 dez.2023. e) Errada. Os bens públicos de uso especial, tais como as escolas públicas e os hospitais públicos, enquanto conservarem a sua qualificação, não podem ser alienados. Vejamos: Art. 99. São bens públicos: I – os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; II – os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias. Vide: Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. Letra d. 028. 028. (CEBRASPE/CESPE/TC-DF/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/AUDITORIA/2023) A respeito da desconsideração da personalidade jurídica prevista no Código Civil, julgue o item a seguir, considerando, quando cabível, a jurisprudência dos tribunais superiores. Para fins de desconsideração da personalidade jurídica prevista no Código Civil, não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. A questão exige o conhecimento do que está previsto no Código Civil. O Direito Civil brasileiro adotou a chamada teoria maior da desconsideração. Isso porque o artigo 50 exige que se prove o desvio de finalidade (teoria maior subjetiva) ou a confusão patrimonial (teoria maior objetiva). Verifique o seguinte dispositivo: “Art. 50, CC (...) § 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019).” Veja mais: JURISPRUDÊNCIA 1. A aplicação da desconsideração da personalidade jurídica deve ser excepcional, sendo a regra a preservação da autonomia patrimonial, devendo ser deferida quando presentes os requisitos do Art. 50 do Código Civil. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 126 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 2. O ordenamento jurídico adotou a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica a qual exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. Acórdão 1369154, 07090171820218070000, Relator: ROBERTO FREITAS, Terceira Turma Cível, data de julgamento: 31/8/2021, publicado no DJE: 17/9/2021. Certo. 029. 029. (CEBRASPE/CESPE/TC-DF/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/ AUDITORIA/2023)A respeito da desconsideração da personalidade jurídica prevista no Código Civil, julgue o item a seguir, considerando, quando cabível, a jurisprudência dos tribunais superiores. O Código Civil adotou, como regra geral, a teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica, sendo suficiente a inexistência de bens em nome da pessoa jurídica para atingir os bens dos sócios. O Código Civil adotou, como regra geral, a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica, a qual exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. Vejamos: Art. 50, CC. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. Veja: JURISPRUDÊNCIA 1. A aplicação da desconsideração da personalidade jurídica deve ser excepcional, sendo a regra a preservação da autonomia patrimonial, devendo ser deferida quando presentes os requisitos do Art. 50 do Código Civil. 2. O ordenamento jurídico adotou a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica a qual exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. Acórdão 1369154, 07090171820218070000, Relator: ROBERTO FREITAS, Terceira Turma Cível, data de julgamento: 31/8/2021, publicado no DJE: 17/9/2021. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 127 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 030. 030. (CEBRASPE/CESPE/TCE-MS/PROCURADOR DE CONTAS SUBSTITUTO/2023) A respeito da desconsideração da personalidade jurídica, julgue os itens seguintes. I – O abuso da personalidade jurídica que viabiliza a desconsideração desta é demonstrado pela presença do desvio de finalidade ou da confusão patrimonial. II – A caracterização de grupo econômico é motivo suficiente para viabilizar a desconsideração da personalidade jurídica. III – A pessoa jurídica possui interesse e legitimidade para recorrer de decisão que desconsidere sua personalidade jurídica nos casos em que almeje defender direito próprio. Assinale a opção correta. a) Apenas o item I está certo. b) Apenas o item II está certo. c) Apenas os itens I e III estão certos. d) Apenas os itens II e III estão certos. e) Todos os itens estão certos. I – Certa. O Direito Civil brasileiro adotou a chamada teoria maior da desconsideração. Isso porque o art. 50 exige que se prove o desvio de finalidade (teoria maior subjetiva) ou a confusão patrimonial (teoria maior objetiva). Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. JURISPRUDÊNCIA 1. A aplicação da desconsideração da personalidade jurídica deve ser excepcional, sendo a regra a preservação da autonomia patrimonial, devendo ser deferida quando presentes os requisitos do Art. 50 do Código Civil. 2. O ordenamento jurídico adotou a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica a qual exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. Acórdão 1369154, 07090171820218070000, Relator: ROBERTO FREITAS, Terceira Turma Cível, data de julgamento: 31/8/2021, publicado no DJE: 17/9/2021. II – Errada. A caracterização de grupo econômico não é motivo suficiente para viabilizar a desconsideração da personalidade jurídica. É necessária prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. Vejamos: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciadopara DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 128 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 50, § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n. 13.874, de 2019). III – Certa. A assertiva está de acordo com o entendimento do STJ. Vejamos: JURISPRUDÊNCIA Em uma execução proposta pelo credor contra a empresa devedora, se o juiz determinar a desconsideração da personalidade jurídica e a penhora dos bens dos sócios, a pessoa jurídica tem legitimidade para recorrer contra essa decisão, desde que o recurso seja interposto com o objetivo de defender a sua autonomia patrimonial, isto é, a proteção da sua personalidade. No recurso, a pessoa jurídica não pode se imiscuir indevidamente na esfera de direitos dos sócios ou administradores incluídos no polo passivo por força da desconsideração. STJ. 3ª Turma. REsp 1421464-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 24/4/2014 (Info 544). AA pessoapessoa jurídicajurídica temtem legitimidadelegitimidade parapara recorrerrecorrer contracontra aa decisãodecisão queque determinadetermina aa desconsideraçãodesconsideração dede suasua personalidadepersonalidade jurídica?jurídica? SIM. A pessoa jurídica tem legitimidade para impugnar decisão interlocutória que desconsidera sua personalidade para alcançar o patrimônio de seus sócios ou administradores, desde que o faça com o intuito de defender a sua regular administração e autonomia — isto é, a proteção da sua personalidade —, sem se imiscuir indevidamente na esfera de direitos dos sócios ou administradores incluídos no polo passivo por força da desconsideração. Segundo o art. 50 do CC, verificado “abuso da personalidade jurídica”, poderá o juiz decidir que os efeitos de certas e determinadas relações obrigacionais sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. O referido abuso, segundo a lei, caracteriza-se pelo desvio de finalidade da pessoa jurídica ou pela confusão patrimonial entre os bens dos sócios/administradores com os da pessoa moral. Assim, a desconsideração da personalidade jurídica, em essência, está ligada à concepção de moralidade, probidade, boa-fé a que submetem os sócios e administradores na gestão e administração da pessoa jurídica. Vale também destacar que, ainda que a concepção de abuso nem sempre esteja relacionada a fraude, a sua figura está, segundo a doutrina, eminentemente ligada a prejuízo, desconforto, intranquilidade ou dissabor que tenha sido acarretado a terceiro, em decorrência de um uso desmesurado de um determinado direito. Desse modo, a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica é uma decisão judicial que atinge (afeta) não apenas os interesses dos credores e das pessoas físicas, mas também da própria sociedade jurídica O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 129 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex que está sendo acusada de ser indevidamente manipulada. Logo, a pessoa jurídica tem interesse de recorrer nesse caso, desde que seja capaz de demonstrar que a pertinência de seu intuito, ou seja, que está defendendo a sua autonomia patrimonial (a proteção de sua personalidade jurídica). CAVALCANTE, Márcio André Lopes. (I) legitimidade da pessoa jurídica para recorrer contra a decisão que determina a desconsideração. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 26 jan.2024. Letra c. 031. 031. (VUNESP/TJ-AL/NOTÁRIO E REGISTRADOR/ PROVIMENTO/2023) O artigo 50 do Código Civil dispõe que poderá o juiz desconsiderar a personalidade jurídica em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. A confusão patrimonial, de acordo com o Código Civil, é entendida como a ausência de separação de fato entre os patrimônios e caracteriza-se por a) atos de descumprimento da autonomia patrimonial. b) transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, independentemente do valor. c) cumprimento pela sociedade de quaisquer obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. d) ausência de patrimônio para saldar a obrigação. a) Certa. A assertiva está de acordo com o Código Civil. Verifique o seguinte dispositivo: Art. 50, § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. b) Errada. É entendida como a ausência de separação de fato entre os patrimônios e caracteriza-se por transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante. Vejamos: Art. 50, § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (...) II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 130 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex c) Errada. É caracterizada por cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. Examine: Art. 50, § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa. d) Errada. Inexiste previsão legal nesse sentido. Letra a. 032. 032. (CEBRASPE/CESPE/TC-DF/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/AUDITORIA/2023) Acerca do instituto da desconsideração da personalidade jurídica, julgue o item a seguir, considerando, quando cabível, a jurisprudência dos tribunais superiores. A teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica, adotada pela legislação civil, exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. O Direito Civil brasileiro adotou a chamada teoria maior da desconsideração. Isso porque o art. 50 exige que se prove o desvio de finalidade (teoria maior subjetiva) ou a confusão patrimonial (teoria maior objetiva). Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019). JURISPRUDÊNCIA 1. A aplicação da desconsideração da personalidade jurídica deve ser excepcional, sendo a regra a preservação da autonomia patrimonial, devendo ser deferida quando presentes os requisitos do Art. 50 do Código Civil. 2. O ordenamento jurídico adotou a teoria maiorda desconsideração da personalidade jurídica a qual exige prova do desvio de finalidade da sociedade ou a confusão patrimonial entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade empresária. Acórdão 1369154, 07090171820218070000, Relator: ROBERTO FREITAS, Terceira Turma Cível, data de julgamento: 31/8/2021, publicado no DJE: 17/9/2021. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 131 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 033. 033. (CEBRASPE/CESPE/AGER-MT/ANALISTA REGULADOR/DIREITO/2023) No que se refere às pessoas jurídicas, julgue os itens a seguir. I – Os direitos da personalidade não se estendem às pessoas jurídicas de direito privado. II – As organizações religiosas e os partidos políticos são considerados pessoas jurídicas de direito privado. III – As associações são pessoas jurídicas de direito privado constituídas pela união de pessoas que se organizam com o objetivo de promover atividades sociais, culturais ou esportivas, com ou sem fins econômicos. IV – As fundações de natureza privada podem ser instituídas por escritura pública e podem se destinar à promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos. Assinale a opção correta. a) Apenas os itens I e II estão certos. b) Apenas os itens I e III estão certos. c) Apenas os itens II e IV estão certos. d) Apenas os itens I, III e IV estão certos. e) Apenas os itens II, III e IV estão certos. I – Errada. Os direitos da personalidade estendem-se às pessoas jurídicas de direito privado. Vejamos: Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade. II – Certa. A assertiva está de acordo com o Código Civil. Verifique o seguinte dispositivo: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações; II – as sociedades; III – as fundações. IV – as organizações religiosas; V – os partidos políticos; VI – (Revogado pela Lei n. 14.382, de 2022) III – Errada. As associações são pessoas jurídicas de direito privado constituídas pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Examine: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações; Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. IV – Certa. A assertiva está de acordo com o seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 132 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: I – assistência social; II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; III – educação; IV – saúde; V – segurança alimentar e nutricional; VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos; IX – atividades religiosas; e X – (VETADO). Letra c. 034. 034. (SUSTENTE/DPE-PE/ESTAGIÁRIO/CURSO DE DIREITO/2023) A respeito das pessoas jurídicas, assinale a alternativa INCORRETA. a) Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. b) A desconsideração da personalidade jurídica ocorrerá apenas no caso de confusão patrimonial. c) Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. d) A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. e) A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos. a) Certa. A assertiva é cópia literal do seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 45, Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 133 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex b) Errada. A desconsideração da personalidade jurídica ocorrerá no caso de confusão patrimonial ou de desvio de finalidade. Vejamos: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. c) Certa. A assertiva está em harmonia com o Código Civil. Examine: Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. d) Certa. É o que dispõe o Código Civil. Examine: Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. e) Certa. A assertiva está de acordo com o seguinte dispositivo do Código Civil. Vejamos: Art. 49-A, Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos. Letra b. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 134 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex REFERÊNCIASREFERÊNCIAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988 BRASIL. Decreto-Lei n. 4.657, de 4 de setembro de 1942. Brasília: Senado Federal, 1988 BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Brasília: Senado Federal, 1988 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Esquematizado. 11 ed. Editora Saraiva, 2021. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 135 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex ANEXOANEXO eNUNCiADoS e SÚMUlAS Enunciado 142 – Art. 44: Os partidos políticos, os sindicatos e as associações religiosas possuem natureza associativa, aplicando-se-lhes o Código Civil. Enunciado 143 – Art. 44: A liberdade de funcionamentodas organizações religiosas não afasta o controle de legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade de reexame pelo Judiciário da compatibilidade de seus atos com a lei e com seus estatutos. Enunciado 144 – Art. 44: A relação das pessoas jurídicas de Direito Privado, constante do art. 44, incisos I a V, do Código Civil, não é exaustiva. Enunciado 280 – Arts. 44,57 e 60. Por força do art. 44, § 2º, consideram-se aplicáveis às sociedades reguladas pelo Livro II da Parte Especial, exceto às limitadas, os arts. 57 e 60, nos seguintes termos: (A) Em havendo previsão contratual, é possível aos sócios deliberar a exclusão de sócio por justa causa, pela via extrajudicial, cabendo ao contrato disciplinar o procedimento de exclusão, assegurado o direito de defesa, por aplicação analógica do art. 1085; (B) As deliberações sociais poderão ser convocadas pela iniciativa de sócios que representem 1/5 (um quinto) do capital social, na omissão do contrato. A mesma regra aplica-se na hipótese de criação, pelo contrato, de outros órgãos de deliberação colegiada. (I Jornada de Direito Comercial) 3. A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI não é sociedade unipessoal, mas um novo ente, distinto da pessoa do empresário e da sociedade empresária. Enunciado 145 – Art. 47:0 art. 47 não afasta a aplicação da teoria da aparência. Enunciado 7º – Art. 50: só se aplica a desconsideração da personalidade jurídica quando houver a prática de ato irregular e, limitadamente, aos administradores ou sócios que nela hajam incorrido. Enunciado 51 – Art. 50: a teoria da desconsideração da personalidade jurídica – disregard doctrine – fica positivada no novo Código Civil, mantidos os parâmetros existentes nos microssistemas legais e na construção jurídica sobre o tema. Enunciado 146 – Art. 50: Nas relações civis, interpretam-se restritivamente os parâmetros de desconsideração da personalidade jurídica previstos no art. 50 (desvio de finalidade social ou confusão patrimonial). (Este Enunciado não prejudica o Enunciado n. 7). Enunciado 281 – Art. 50. A aplicação da teoria da desconsideração, descrita no art. 50 do Código Civil, prescinde da demonstração de insolvência da pessoa jurídica. Enunciado 282 – Art. 50.0 encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si só, não basta para caracterizar abuso de personalidade jurídica. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 136 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Enunciado 283 – Art. 50. É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada “inversa” para alcançar bens de sócio que se valeu da I para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros. Enunciado 284 – Art. 50. As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não econômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica. Enunciado 285 – Art. 50. A teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode ser invocada pela pessoa jurídica em seu favor. Enunciado 406 – Art. 50: A desconsideração da personalidade jurídica alcança os grupos de sociedade quando estiverem presentes os pressupostos do art. 50 do Código Civil e houver prejuízo para os credores até o limite transferido entre as sociedades. (I Jornada de Direito Comercial) 9. Quando aplicado às relações jurídicas empresariais, o art. 50 do Código Civil não pode ser interpretado analogamente ao art. 28, § 5º, do CDC ou ao art. 2º, § 2º, da CLT. STJ 227 – A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. Enunciado 286 – Art. 52. Os direitos da personalidade são direitos inerentes e essenciais à pessoa humana, decorrentes de sua dignidade, não sendo as pessoas jurídicas titulares de tais direitos. Enunciado 534 – art. 53: As associações podem desenvolver atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa. Enunciado 577 – A possibilidade de instituição de categorias de associados com vantagens especiais admite a atribuição de pesos diferenciados ao direito de voto, desde que isso não acarrete a sua supressão em relação a matérias previstas no art. 59 do CC. Enunciado 407 – Art. 61: A obrigatoriedade de destinação do patrimônio líquido remanescente da associação à instituição municipal, estadual ou federal de fins idênticos ou semelhantes, em face da omissão do estatuto, possui caráter subsidiário, devendo prevalecer a vontade dos associados, desde que seja contemplada entidade que persiga fins não econômicos. Enunciado 8º – Art. 62, parágrafo único: a constituição de fundação para fins científicos, educacionais ou de promoção do meio ambiente está compreendida no CC, art. 62, parágrafo único. Enunciado 9º – Art. 62, parágrafo único: o art. 62, parágrafo único, deve ser interpretado de modo a excluir apenas as fundações com fins lucrativos. Enunciado 10 – Art. 66, § I o: em face do princípio da especialidade, o art. 66, § I o, deve ser interpretado em sintonia com os arts. 70 e 178 da LC n. 75/93. Enunciado 147 – Art. 66: A expressão “por mais de um Estado”, contida no § 2º do art. 66, não exclui o Distrito Federal e os Territórios. A atribuição de velar pelas fundações, prevista no art. 66 e seus parágrafos, ao MP local – isto é, dos Estados, DF e Territórios onde situadas – não exclui a necessidade de fiscalização de tais pessoas jurídicas pelo M.F., O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 137 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex quando se tratar de fundações instituídas ou mantidas pela União, autarquia ou empresa pública federal, ou que destas recebam verbas, nos termos da Constituição, da LC n. 75/93 e da Lei de Improbidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Abra caminhos crie futuros gran.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Sumário Apresentação Pessoa Jurídica 1. Conceito de Pessoa Jurídica 2. Constituição da Pessoa Jurídica 3. Tipos de Pessoa Jurídica 4. Domicílio da Pessoa Jurídica 5. Associações 6. Fundações 7. Organizações Religiosas e Partidos Políticos 8. Sociedades 9. EIRELI 10. Desconsideração da Personalidade Jurídica 11. Extinção da Pessoa Jurídica 12. Direitos de Personalidade da Pessoa Jurídica Resumo Mapas Mentais Questões de Concurso Gabarito Gabarito Comentado Referências Anexoos administradores e alterar o estatuto, respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação. b) poderão realizar suas assembleias-gerais por meios eletrônicos, inclusive para destituir os administradores e alterar o estatuto, respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação. c) poderão realizar suas assembleias-gerais por meios eletrônicos, exceto para destituir os administradores e alterar o estatuto, respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação. d) não poderão realizar suas assembleias-gerais por meios eletrônicos, mesmo para destituir os administradores ou alterar o estatuto quando respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação. a) Errada. A possibilidade de realização de assembleias-gerais por meios eletrônicos foi incluída pela Lei n. 14.382/2022, que acrescentou o art. 48-A ao Código Civil e, ao contrário do que consta da assertiva, não é uma medida a ser utilizada em caráter excepcional, mas sim permanente, desde que não haja prejuízo do previsto em legislação especial e em seus atos constitutivos, bem como sejam respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação: Art. 48-A. As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do previsto em legislação especial e em seus atos constitutivos, poderão realizar suas assembleias gerais por meio eletrônico, inclusive para os fins do disposto no art. 59 deste Código, respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação. b) Certa. É a disposição do art. 48-A do Código Civil: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 16 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 48-A. As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do previsto em legislação especial e em seus atos constitutivos, poderão realizar suas assembleias gerais por meio eletrônico, inclusive para os fins do disposto no art. 59 deste Código, respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação. c) Errada. A realização de assembleias-gerais virtuais poderá ter por objeto deliberações atinentes à destituição dos administradores e à alteração do estatuto (art. 48-A c.c. art. 59, CC). d) Errada. Como já adiantado, com as alterações promovidas pela Lei n. 14.382/2022, as pessoas jurídicas de direito privado poderão realizar assembleias-gerais virtuais, inclusive para destituir seus administradores ou alterar seus estatutos, e desde que: (i) não haja prejuízo do previsto em legislação especial e em seus atos constitutivos; e (ii) sejam respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação (art. 48-A c.c. art. 59, CC). Letra b. 3 . tiPoS De PeSSoA JUrÍDiCA3 . tiPoS De PeSSoA JUrÍDiCA Inicialmente, o artigo 40 do Código Civil divide as pessoas jurídicas de direito público e de direito privado: Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado. As pessoas jurídicas de direito público podem ser subdivididas em Direito Público Externo e Direito Público Interno. As pessoas jurídicas de Direito Público externo são reguladas pelo chamado Direito Internacional, envolvendo outros países, organizações internacionais (ONU, OIT, OTAN, etc.), o Vaticano, Blocos Comerciais, como a União Europeia, Mercosul, Nafta, conforme previsto no art. 42 do CC: Art. 42. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. Já as pessoas jurídicas de Direito Público estão previstas no art. 41 do CC: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I – a União; II – os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III – os Municípios; IV – as autarquias, inclusive as associações públicas; V – as demais entidades de caráter público criadas por lei. Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 17 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Vejamos um pequeno esquema das pessoas jurídicas: Direito Público Interno Externo Estados Estrangeiros Pessoas de Direito Internacional Direito Privado 007. 007. (CEBRASPE/CESPE/SEFAZ-RS/AUDITOR-FISCAL DA RECEITA ESTADUAL/2019) As associações públicas são pessoas jurídicas de direito a) Privado. b) Público interno. c) Público externo. d) Privado ou público. e) Privado e de capital público Conforme Artigo 41 do CC. São pessoas jurídicas de direito público interno: I – a União; II – os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III – os Municípios; IV – as autarquias, inclusive as associações públicas; V – as demais entidades de caráter público criadas por lei. Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código. Letra b. 008. 008. (FCC/SEFAZ-PE/AUDITOR-FISCAL DO TESOURO ESTADUAL/2022) De acordo com o Código Civil, são pessoas jurídicas de direito público interno O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 18 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) as fundações, os partidos políticos e as associações públicas. b) a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Estados estrangeiros. c) os partidos políticos e as sociedades controladas pela União. d) as autarquias, inclusive as associações públicas. e) as fundações e as autarquias, com exceção das associações públicas. a) Errada. As fundações e os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado (art. 44, III e V, CC). b) Errada. Os Estados estrangeiros, assim como as pessoas regidas pelo direito internacional público, são pessoas jurídicas de direito público externo (art. 42, CC). c) Errada. Tanto os partidos políticos quanto as sociedades controladas pela União são pessoas jurídicas de direito privado (art. 44, II e V, CC). d) Certa. É a previsão do art. 41, IV, CC: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I – a União; II – os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III – os Municípios; IV – as autarquias, inclusive as associações públicas; V – as demais entidades de caráter público criadas por lei. Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código. e) Errada. Como já visto, as autarquias e as associações públicas são pessoas jurídicas de direito público interno (art. 41, IV, CC). Ademais, as fundações, de acordo com o Código Civil, são pessoas jurídicas de direito privado (art. 44, III, CC). Letra d. Não podemos nos esquecer dos territórios federais, isso, porque, integram a União, constituindo-se em descentralizações administrativas da União, ou seja, verdadeiras autarquias. Vejamos um exercício com eles: 009. 009. (IDIB/CREMERJ/ADVOGADO/2019) Com base nas disposições do Código Civil sobre as pessoas jurídicas, assinale a alternativa correta: O conteúdo deste livro eletrônico élicenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 19 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. b) São pessoas jurídicas de direito privado, dentre outras, as associações públicas. c) As organizações religiosas são pessoas jurídicas de direito público interno. d) Os Territórios não são pessoas jurídicas de direito público interno. a) Certa. Conforme Artigo 42 do CC. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. b) Errada. Nos termos do art. 41 do CC, as associações públicas são pessoas jurídicas de direito público. c) Errada. Nos termos do art. 44 do CC, as associações são pessoas jurídicas de direito privado. d) Errada. Os Territórios Federais integram a União, constituindo-se em descentralizações administrativas desse Ente Federativo, ou seja, verdadeiras autarquias. Conforme art. 41 do CC, as autarquias são pessoas jurídicas de direito público interno. Letra a. Quanto ao parágrafo único, do art. 41 do CC, o Enunciado n. 141 da III JDC: JURISPRUDÊNCIA A remissão do art. 41, parágrafo único, do Código Civil às pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, diz respeito às fundações públicas e aos entes de fiscalização do exercício profissional. Vejamos: 010. 010. (FAUEL/CM COLOMBO/ADVOGADO/2019) Assinale a alternativa CORRETA, a respeito das pessoas jurídicas, conforme o Código Civil de 2002. a) Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, a exemplo das autarquias, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas do Código Civil. b) Decai em cinco anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. c) Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 20 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. d) São pessoas jurídicas de direito público interno os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. a) Errada. Enunciado 141 da III JDC: JURISPRUDÊNCIA A remissão do art. 41, parágrafo único, do Código Civil às pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, diz respeito às fundações públicas e aos entes de fiscalização do exercício profissional. b) Errada. Nos termos do art. 45 do CC, parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. c) Certa. Nos termos do art. 45 do CC, começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. d) Errada. Nos termos do art. 42 do CC, são pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. Letra c. Para decorar, lembre-se da regrinha: MEUDA. M= Municípios; E= Estados, o Distrito Federal e os Territórios; U= União; D= Demais entidades de caráter público criadas por lei; A= Autarquias. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 21 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Municípios Estados, DF e Territórios União Demais entidades Autarquias, inclusive associações públicas As pessoas jurídicas de Direito Público interno envolvem os entes da administração direta: União, Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios. Também envolvem os entes da administração indireta, órgãos descentralizados, criados por lei para execução de atividades de interesse público, englobando autarquias, fundações públicas e demais entidades de caráter público criadas por lei. O Consórcio Público é uma pessoa jurídica criada por lei com a finalidade de executar a gestão associada de serviços públicos, onde os entes consorciados, que podem ser a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no todo em parte, destinarão pessoal e bens essenciais à execução dos serviços transferidos. Os Consórcios Públicos se enquadram no Inciso IV, do art. 41 do CC: inclusive as associações públicas; Segundo a redação do Inciso V do art. 41 do CC: as demais entidades de caráter público criadas por lei, a doutrina dominante entende pode enquadrar neste conceito as fundações públicas e agências reguladoras. 011. 011. (CONSULPAM/PREF. PAULO AFONSO/PROCURADOR/CÍVEL, ADMINISTRATIVO E TRABALHISTA/JUDICIAL ADMINISTRATIVO/2020) Sobre as pessoas jurídicas, de acordo com o Código Civil, assinale a alternativa CORRETA: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 22 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) As pessoas jurídicas são de direito privado, interno ou externo, e de direito público. b) As autarquias são pessoas jurídicas de direito público interno. c) São pessoas jurídicas de direito público interno os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. d) Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito público com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Conforme Artigo 41 do CC. São pessoas jurídicas de direito público interno: I – a União; II – os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III – os Municípios; IV – as autarquias, inclusive as associações públicas; V – as demais entidades de caráter público criadas por lei. Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código. Letra b. Além do mais, o art. 43 do CC traz a responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito público interno para com terceiros. Conforme esta disposição, a responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito público interno é objetiva, ou seja independe de dolo ou culpa: Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. 012. 012. (FCC/PROCURADORDO MUNICÍPIO DE TERESINA/2022) Quanto às pessoas jurídicas: a) São livres a criação, organização, estrutura interna e funcionamento das organizações religiosas, podendo porém o Poder Público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos se contrários à moral, aos bons costumes e ao consenso social. b) São de direito privado, entre outras, as associações, as sociedades, as fundações e as autarquias, excluídas as associações públicas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 23 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex c) As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. d) Começa a existência legal daquelas de direito privado com o início efetivo de suas atividades associativas ou empresariais, independentemente de inscrição formal de seus atos constitutivos. e) Se tiverem a administração coletiva, as decisões se tomarão pela unanimidade de votos dos presentes, salvo estipulação diversa nos atos constitutivos. a) Errada. A assertiva tomou por base a literalidade do art. 44, § 1º, do Código Civil, que assim dispõe: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: [...] § 1º São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. b) Errada. As autarquias são pessoas jurídicas de direito público (art. 41, IV, CC e art. 5º, I, DL n. 200/1967). c) Certa. É a disposição do art. 43 do CC, que repisa, em parte, o art. 37, § 6º, da CRFB/1988: Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. d) Errada. As pessoas jurídicas de direito privado têm início de sua existência legal com o registro dos seus atos constitutivos no órgão competente, nos termos do art. 45, caput, CC: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. e) Errada. Se tiverem a administração coletiva, as decisões da pessoa jurídica se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo estipulação diversa nos atos constitutivos, consoante art. 48, caput, CC: Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular as decisões a que se refere este artigo, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude. Letra c. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 24 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Entretanto, caso a pessoa jurídica de direito público seja condenada a indenizar o particular, ela tem direito de ação regressiva contra o agente público caso tenha agido com dolo ou culpa. Já em relação às pessoas jurídicas de Direito Privado, o rol está previsto no art. 44 do CC: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações; II – as sociedades; III – as fundações. IV – as organizações religiosas; V – os partidos políticos; Para decorar, lembre-se daquele sapo que não lava o pé, mas não é qualquer um, é o sapo que não lava o pé religioso: S. A. P. O. F (sapo com “F”). Sociedades Associações Partidos Políticos Organizações Religiosas Fundações Sociedades Associações Partidos Políticos Organizações Religiosas Fundações Cabe ressaltar que doutrina afirma que esse rol, previsto no art. 44 do CC, é exemplificativo, podendo ser reconhecidas outras pessoas jurídicas de direito privado, enunciado 144 da O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 25 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Jornada de Direito Civil: “A relação das pessoas jurídicas de direito privado, estabelecida no art. 44, incisos I a V, do Código Civil, não é exaustiva”. No artigo 44 do Código Civil, as organizações religiosas e os partidos políticos não faziam parte da redação original do Código Civil de 2.002. Desta forma, foi realizada uma alteração legislativa do art. 44 do CC, concedendo às organizações religiosas e aos partidos políticos a natureza jurídica de pessoas jurídicas autônomas. Já em relação aos sindicatos, percebe-se que o mesmo não consta do rol do art. 44 do CC, desta forma, não constitui uma pessoa jurídica autônoma, os sindicatos são associações. Também deve ser ressaltada a inclusão no ano de 2011 de um novo tipo de pessoa jurídica no rol do art. 44 do CC: Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, que á uma modalidade de empresa constituída por uma única pessoa como sócio. Em relação às fundações, o Inciso III do art. 44 se restringe às entidades de natureza privada, isto porque podem existir as chamadas fundações públicas, que são classificadas como pessoas jurídicas de direito público interno. Resumindo: Pessoa Jurídica de Direito Público Pessoa Jurídica de Direito Privado MEUDA: M= Município; E= Estados, o Distrito Federal e os Territórios; U= União; D= Demais entidades de caráter público criadas por lei; A= Autarquias; SAPOFE: Sociedades Associações Partidos Políticos Organizações Religiosas Fundações 013. 013. (FCC/DPE-AM/ANALISTA JURÍDICO DE DEFENSORIA/CIÊNCIAS JURÍDICAS/2022) De acordo com o artigo 44 do Código Civil, são pessoas jurídicas de direito privado as a) sociedades, as autarquias e as fundações. b) associações, as organizações religiosas e os partidos políticos. c) fundações, as sociedades e as agências reguladoras. d) empresas individuais com responsabilidade limitada, a União e os partidos políticos. e) organizações religiosas, os Municípios e as associações. As pessoas jurídicas de direito privado vêm dispostas, como consta do enunciado, no art. 44 do Código Civil, cuja redação é a seguinte: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 26 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações; II – as sociedades; III – as fundações. IV – as organizações religiosas; V – os partidos políticos. VI – (Revogado pela Lei n. 14.382, de 2022) § 1º São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registrodos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. § 2º As disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. § 3º Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. Merece menção que as empresas individuais de responsabilidade limitada (Eirelis), que foram extintas pela MP n. 1.085/2021, posteriormente convertida na Lei n. 14.382/2022, já não constam mais do art. 44 do CC. Letra b. 4 . DoMiCÍlio DA PeSSoA JUrÍDiCA4 . DoMiCÍlio DA PeSSoA JUrÍDiCA A regra geral para as pessoas jurídicas de direito privado é que não tem residência, mas sede ou estabelecimento em determinado lugar. Trata-se de domicílio especial, que pode ser onde funcionarem as respectivas diretorias ou administrações, ou então, livremente escolhido no seu estatuto ou atos constitutivos. Já para as pessoas jurídicas de direito público interno, têm por seu domicílio a sede de seu governo. As disposições relativas ao domicílio das pessoas jurídicas de direito privado estão no art. 75 do CC: Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: I – da União, o Distrito Federal; II – dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; III – do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; IV – das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. § 1 Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. § 2 Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 27 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex 014. 014. (QUADRIX/CRO-AC/ASSISTENTE JURÍDICO/2019) A respeito das pessoas naturais e jurídicas, da personalidade, da capacidade, dos direitos de personalidade e do domicílio, julgue o item. Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um desses será considerado como domicílio para os atos nele praticados, independentemente de seus estatutos ou atos constitutivos. Conforme Artigo 75 do CC. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: I – da União, o Distrito Federal; II – dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; III – do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; IV – das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. § 1º Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. Certo. DOMICÍLIO DAS PESSOAS JURÍDICAS União Distrito Federal Estados e Territórios Respectivas Capitais Município Sede da administração (prefeitura) Demais pessoas jurídicas de direito privado Local de funcionamento das respectivas diretorias e administrações OU Onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos 015. 015. (CEBRASPE/CESPE/PROCURADOR DO ESTADO DE RONDÔNIA/2022) Uma sociedade empresária que estava sediada em território nacional no endereço X mudou sua sede e administração para o endereço Y, promovendo as devidas atualizações no registro civil. Três meses depois, mudou-se novamente, para o endereço Z, mas, neste último caso, deixou de registrar a nova alteração de endereço no serviço notarial competente. Com referência a essa situação hipotética, sabendo-se que todos os endereços permaneceram na mesma unidade federativa, é correto afirmar que O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 28 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex a) apenas o endereço Y será considerado domicílio da pessoa jurídica. b) tanto o endereço X quanto o endereço Y serão considerados domicílios da pessoa jurídica. c) apenas o endereço Z será considerado domicílio da pessoa jurídica. d) apenas o endereço X será considerado domicílio da pessoa jurídica. e) tanto o endereço Y quanto o endereço Z serão considerados domicílios da pessoa jurídica. A questão deve ser resolvida conforme o art. 75 do CC: Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: I – da União, o Distrito Federal; II – dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; III – do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; IV – das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. § 1º Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. § 2º Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder Assim, o domicílio da pessoa jurídica corresponde ao lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. A empresa em questão elegeu como seu domicílio Y, entretanto, suas diretorias e administrações funcionam no município Z. Portanto, os municípios Y e Z representam domicílio dessa pessoa jurídica. Letra b. Cabe ressaltar também a possibilidade de pluralidade de domicílios da pessoa jurídica de direito privado no caso de diversos estabelecimentos instalados em lugares diferentes, sendo que cada um deles será considerado domicílio para os atos neles praticados. E se a pessoa jurídica de direito privado possuir sede de sua administração ou diretoria no estrangeiro, será considerado domicílio da pessoa jurídica, o lugar de cada estabelecimento situado no Brasil que a corresponder à obrigação contraída. 5 . ASSoCiAÇÕeS5 . ASSoCiAÇÕeS Nos termos do art. 53 do CC, as Associações são pessoas jurídicas de direito privado formada pela união de pessoas para persecução de objetivos não econômicos: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 29 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. 016. 016. (CEBRASPE/CESPE/DPE-RO/ANALISTA DA DEFENSORIA PÚBLICA/JURÍDICA/2022) Composta por um conjunto de pessoas, essa modalidade de pessoa jurídica possui fins determinados, não lucrativos, e pode ser considerada uma espécie de corporação; pode desenvolver atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa; não há direitos e obrigações recíprocas entre as pessoas que a compõem; tem identidade diversa de seus membros e deve ser registrada no registro civil de pessoas jurídicas. O texto precedente apresenta uma descrição de a) sociedade. b) associação. c) fundação privada. d) organização religiosa. e) empresa individual de responsabilidadelimitada. a) Errada. Vejamos dispositivo do Código Civil que trata do tema: Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. b) Certa. A assertiva revela o disposto no enunciado. Vejamos: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações. Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. c) Errada. Vejamos dispositivo do Código Civil que trata das fundações privadas: Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: d) Errada. Organização religiosa, assim como os partidos políticos, é um tipo de pessoa jurídica autônoma, prevista no art. 44 do CC. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 30 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex e) Errada. Empresa individual de responsabilidade limitada era uma modalidade de empresa que era formada por um único sócio, ou seja, pelo próprio empresário que deseja abrir um negócio e ser o único dono. Essa modalidade foi extinta, tendo em vista que foi substituída pela sociedade limitada unipessoal. Vejamos: DA EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA: Art. 980-A – revogado. Letra b. Cabe esclarecer que as associações podem desenvolver atividades econômicas, conforme Enunciado 534 do CJF: JURISPRUDÊNCIA As associações podem desenvolver atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa”. O prazo para anulação de constituição de uma associação em virtude de algum defeito em seu ato constitutivo é mesmo previsto no parágrafo único do art. 45 do CC. Vejamos: 017. 017. (QUADRIX/SEE-DF/PROFESSOR DE EDUCAÇÃO BÁSICA/DIREITO/2022) Julgue o item a seguir, referente ao direito civil. As associações são constituídas pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos, o que gera direitos e obrigações recíprocas entre os associados. Na realidade, as associações, apesar de serem constituídas pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos, não geram direitos e obrigações recíprocas entre os associados. Vejamos: Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Errado. Assim, verifica-se que não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos, além do mais, como não existem fins econômicos, não há divisão de lucros entre os associados. Entretanto, a associação pode gerar receitas para se manter, não pode existir é a partilha O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 31 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex ou divisão de lucros entre os associados. Exemplo de associação: associação de moradores, associação de servidores, associação de proteção ao meio ambiente etc. A diferença fundamental entre sociedades e associações está no fato de que as associações não visam lucro. Entretanto, não pode ser esquecida a disposição do parágrafo 2º do art. 44 do CC, que estabelece que as disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades. O ato constitutivo da associação é o estatuto, que deve ser registrado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas (RCPJ), seguindo os requisitos do art. 44 do CC: Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I – a denominação, os fins e a sede da associação; II – os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III – os direitos e deveres dos associados; IV – as fontes de recursos para sua manutenção; V – o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos e administrativos; V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; VI – as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. As associações correspondem a união de pessoas, para fins não econômicos, sendo instituídas por meio de um estatuto, devidamente registrado no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas (RCPJ): FINS NÃO ECONÔMICOS RCPJ Estatuto UNIÃO DE PESSOAS ASSOCIAÇÃO O art. 55 do CC estabelece que, em regra, os associados devem ter direitos iguais, entretanto, não há impedimento para que algumas categorias de associados possuam vantagens especiais: Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para DAIANE LEMKE DOS SANTOS - 01289106231, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 32 de 138gran.com.br Direito Civil Pessoa Jurídica Antônio Alex O Código Civil também estabelece que, em regra, a qualidade de associado é intransmissível, exceto se o estatuto trouxer previsão contrária. Assim, existindo previsão expressa, a qualidade de associado pode ser transmitida por ato inter vivos ou causa mortis. Além do mais, a simples transferência de quota ou fração ideal do patrimônio da associação a herdeiro não importará na direta atribuição da qualidade de associado ao herdeiro, sendo necessária a existência de previsão expressa no estatuto da associação: Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. 018. 018. (CEBRASPE/CESPE/SEFAZ-CE/AUDITOR-FISCAL/JURÍDICO DA RECEITA ESTADUAL/2021) A respeito da vigência de lei, dos direitos da personalidade, das associações, da mediação e da responsabilidade do fornecedor de serviços, julgue o item seguinte. Uma das formas legais de transmissão de associado ao herdeiro consiste em aquele ser titular de quota do patrimônio da associação. Conforme Artigo 56 do CC. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. Errado. Em relação aos órgãos que compõem uma associação, conforme o Inciso V do art. 54, o estatuto deve trazer o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos. O Código Civil traz a previsão expressão da existência da chamada assembleia geral, que é o órgão máximo, com as seguintes competências privativas: Art. 59. Compete privativamente à assembleia geral: I – destituir os administradores; II – alterar o estatuto. Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembleia especialmente convocada para esse fim, cujo quórum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos