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DISTÚRBIOS DO SÓDIO: COMO IDENTIFICAR E CORRIGIR DE FORMA SEGURA? DISTÚRBIOS DO SÓDIO VINHETA DE ABERTURA VINHETA DE ABERTURA FISIOLOGIA DO EQUILÍBRIO HÍDRICO Equilíbrio da água no organismo – regra geral, entrada = eliminação Objetivo – manutenção da osmolaridade (tonicidade) plasmática entre 285 e 290 mOsm/kg Mecanismo de concentração e diluição urinária tem papel fundamental para a manutenção desse equilíbrio Vasopressina (ADH) – produção pelo hipotálamo, com ação nos receptores V2 dos túbulos coletores, levando a expressão de aquaporinas (AQPs) AQPs – aumentam a reabsorção renal de água livre (efeito antidiurético) FISIOLOGIA DO EQUILÍBRIO HÍDRICO Aumento da osmolaridade – sede + aumento ADH Redução na osmolaridade – supressão da sede + supressão do ADH 1.200 1.100 900 700 500 300 150 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 280 284 288 290 294 296 O sm o la rid a d e u rin á ria (m O sm /L ) V a so p re ss in a ( n g /L ) Sede Osmolaridade urinária Sede Vasopressina Osmolaridade sérica (mOsm/L) FISIOLOGIA DO EQUILÍBRIO HÍDRICO #IMPORTANTE [Na+] 20 mEq/L – perda renal 1. diuréticos 2. nefropatia perdedora de sal 3. deficiência de mineralocorticoides HIPONATREMIA HIPOTÔNICA HIPOVOLÊMICA HIPONATREMIA HIPOTÔNICA EUVOLÊMICA Aumento da água corporal total (mecanismo dilucional intravascular) SEM edema clinicamente identificado 1. SSIADH 2. hiponatremia pós-cirúrgica (aumento temporário do ADH + excesso de fluidos) 3. hipotireoidismo – situações de mixedema 4. polidipsia psicogênica (> 10 L/dia) 5. insuficiência adrenal – reduz eliminação de água 6. drogas – tiazídicos, iSRSs #CAI NA PROVA Hiponatremia Status volêmico Hipervolemia Euvolemia (sem edema) Hipovolemia [Na] urinário Def. glicocorticoides Hipotireoidismo SSIADH Drogas (tiazídicos, iSRSs) [Na] u. > 20 mEq/L Perdas renais Diuréticos Def. mineralocorticoides Nefropatias perdedoras de sal [Na] u. 100 mOsmol/kg ੦ euvolemia clínica (ausência de edema, hipotensão ortostática ou desidratação) – o examinador vai dar essas informações na prova ੦ ausência de doenças glandulares (suprarrenal, tireoidiana, pituitária), insuficiência renal ੦ ausência de uso de diuréticos ੦ [Na] urinária > 30 mmol/L (sob ingesta hídrica e salina normais) HIPONATREMIA – APRESENTAÇÕES CLÍNICAS Assintomática quando [Na] > 125 mEq/L [Na] 48 horas DESCOMPLICANDO Edema cerebral durante instalação AGUDA (48 – 72 horas) de hiponatremia HIPONATREMIA – EDEMA CEREBRAL [↓Na+] K+, Na+ H2O↑ HIPONATREMIA – TRATAMENTO Sintomas e tempo de instalação da hiponatremia determinam o tratamento Hiponatremias crônicas assintomáticas ੦ restrição hídrica – redução da água corporal total ੦ uso de furosemida – aumenta a eliminação renal de água livre ੦ tolvaptana – antagonista seletivo dos receptores V₂ do ADH ੦ suspensão de tiazídicos – aumentam a natriurese ੦ nas formas hipervolêmicas, manejo clínico das causas de base + uso de furosemida HIPONATREMIA – TRATAMENTO HIPONATREMIAS AGUDAS SINTOMÁTICAS Correção cautelosa Urgência - 100 a 150 mL de NaCl 3% em bolus Aumentar [Na] sérico em 1 mEq/L/hora nas 3 primeiras horas Posteriormente aumentar 0,5 mEq/L/hora até completar 24 horas (máximo 8 a 12 mEq/L em 24 horas) Utilizar salina hipertônica (3%) – 513 mEq/L Associar furosemida (0,5 – 1,0 mg/kg EV) em SSIADH – eliminação de água livre HIPONATREMIA – TRATAMENTO FÓRMULA DE ADROGUE PARA CORREÇÃO SEGURA DE SÓDIO PREPARAÇÃO QUANTIDADE DE SÓDIO Soro 3% (salina hipertônica) 513 mEq/L ÁGUA CORPORAL TOTAL POR SEXO E IDADE SEXO E IDADE ÁGUA CORPORAL TOTAL Homem jovem Peso (kg) x 0,6 Homem idoso Peso (kg) x 0,5 Mulher jovem Peso (kg) x 0,5 Mulher idosa Peso (kg) x 0,45 Variação esperada na [Na] sérico com 1 litro de qualquer solução Δ Na֗ estimada = Na֗ infusão – Na֗ paciente (1 litro da solução) água corporal total + 1 CASO CLÍNICO ੦ João Paulo ੦ 70 anos ੦ 74 kg CASO CLÍNICO ੦ acamado por AVE isquêmico, evolui com piora de contactuação; levado ao pronto-socorro, onde foi realizado screening infeccioso e metabólico ੦ urina, raios X do tórax, hemogramas e PCR – sem alterações relevantes ੦ paciente hidratado ੦ creatinina 1,2 mg/dL; ureia 60 mg/dL ੦ K 5,1 mEq/L ੦ Na 118 mEq/L ੦ identificada hiponatremia grave – [Na] 118 mEq/L CASO CLÍNICO 1. como proceder? 2. como corrigir? #CAI NA PROVA Variação [Na+] estimada= 513 – 118 = 10,3 (74 x 0,5)+1 EXERCÍCIO PARA TREINAMENTO SEXO E IDADE ÁGUA CORPORAL TOTAL Homem jovem Peso (kg) x 0,6 Homem idoso Peso (kg) x 0,5 Mulher jovem Peso (kg) x 0,5 Mulher idosa Peso (kg) x 0,45 Δ Na+ estimada = Na+ infusão – Na+ paciente (1 litro da solução) água corporal total + 1 #CAI NA PROVA Variação [Na+] estimada = 513 – 118 = 10,3 (74 x 0,5)+1 EXERCÍCIO PARA TREINAMENTO 1.000 mL ―― 10 mEq 100 mL ―― X 100 mL = 1 mEq #CAI NA PROVA 1 mEq = 100 mL 3 mEq = 300 mL Correr 300 mL da solução em 3 hora, em bomba de infusão Após, 0,5 mEq/hora 1 mEq ―― 100 mL 0,5 mEq ―― 50 mL Correr 50 mL/h em bomba de infusão, até finalizar a solução Ao final, o sódio do paciente terá uma variação aproximada de 10 mEq HIPONATREMIA – TRATAMENTO Síndrome da desmielinização osmótica – complicação da correção rápida de sódio UPDATE UPDATE ੦ estudo prospectivo e randomizado recente (2020) – comparou a segurança e eficácia da reposição de sódio em bolus intravenoso versus reposição contínua (padrão) ੦ sem maiores eventos adversosno grupo “bolus intravenoso” comparado com a correção clássica, que exige cálculos mais detalhados e reposição prolongada UPDATE Não sabemos ainda se as bancas de provas de residência e concursos médicos irão contemplar essa nova abordagem nas próximas provas, porém é uma conduta que se mostrou segura e validada 2 ML/KG DE NACL 3% INFUNDIR EM 20 MINUTOS (PODE SER EM VEIA PERIFÉRICA) ESPECIALMENTE PARA PACIENTES GRAVES, ONDE A DEMORA PARA CORREÇÃO PODE SER DANOSA HIPERNATREMIA ASPECTOS GERAIS Na+ > 145 mEq/L Leva ao aumento da osmolaridade sérica (geralmente acima de 300 mOsm/kg) Osm = 2 x [Na] + [glicose] / 18 + [ureia] / 6 HIPERNATREMIA HIPERTÔNICA HIPERVOLÊMICA Aumento da água e do sódio corporal total Forma menos comum de hipernatremias Causas: ੦ uso de bicarbonato de sódio, em especial via endovenosa ੦ síndrome de Cushing (excesso de mineralocorticoides) ੦ hiperaldosteronismo primário HIPERNATREMIA HIPERTÔNICA HIPOVOLÊMICA Redução da água corporal total, com perda de sódio associada Causas mais comuns, levando a concentração plasmática Desidratação – protótipo dessa alteração ੦ diarreia ੦ vômitos ੦ sudorese profusa ੦ uso de diuréticos (Na urinário > 20 mEq/L) ੦ grandes queimados NA REAL HIPERNATREMIA HIPERTÔNICA EUVOLÊMICA Sódio corporal total em geral está normal Apesar de não haver evidências clínicas de desidratação, o intravascular está depletado DIABETES INSÍPIDUS (DI) ੦ perda de água livre pelos rins por deficiência central ou resistência tubular ao ADH ੦ poliúria e polidipsia ੦ sede excessiva HIPERNATREMIA – DIABETES INSÍPIDUS (DI) Dl central – deficiência na produção central de ADH/ vasopressina Causas: ੦ congênitas ੦ pós-traumáticas ੦ tumores de SNC ੦ aneurismas ੦ granulomas ੦ causas infecciosas HIPERNATREMIA – DIABETES INSÍPIDUS (DI) DI nefrogênico – resistência tubular a ação do ADH/ vasopressina Causas: congênita ou adquirida ੦ doença cística medular ੦ mieloma múltiplo, amiloidose renal, síndrome Sjögren ੦ hipocalemia prolongada ੦ anfotericina, foscarnete ੦ lítio – causa mais comum de DI nefrogênico Reduz expressão dos canais de aquaporina 2 (AQP2) no ducto coletor HIPERNATREMIA – APRESENTAÇÕES CLÍNICAS Sintomatologia e gravidade do quadro também têm relação com velocidade de instalação Na > 160 mEq/L e osmolaridade > 320 mOsm/L ੦ sede intensa – relacionado à hiperosmolaridade ੦ fraqueza muscular ੦ confusão mental ੦ déficit neurológico focal ੦ convulsões ੦ torpor ੦ coma “Doutor, qual o principal fator predisponente para o desenvolvimento de hipernatremia?” Roger HIPERNATREMIA – APRESENTAÇÕES CLÍNICAS Complicação mais grave – hiperosmolaridade plasmática – saída de água do neurônio para o plasma hiperosmolar – desidratação neuronal HIPERNATREMIA – TRATAMENTO OBJETIVOS DO TRATAMENTO ੦ interromper a perda de água livre ੦ repor a água perdida (hidratação) ੦ tratar a causa de base (se possível) ੦ redução da concentração de sódio sérico HIPERNATREMIA – TRATAMENTO PRINCÍPIOS DO TRATAMENTO DA HIPERNATREMIA ੦ paciente hipovolêmico: a prioridade é o soro fisiológico 0,9%, até estabilização hemodinâmica ੦ opção – água livre via oral ou por sonda ੦ após a estabilização hemodinâmica – trocar a reposição volêmica por soro hipotônico (0,45%) HIPERNATREMIA – TRATAMENTO PRINCÍPIOS DO TRATAMENTO DA HIPERNATREMIA Taxa máxima de redução da [Na] para evitar edema cerebral: ੦ 0,5 a 1 mEq/L/hora, não excedendo 8 a 12 mEq em 24 horas ੦ deve-se sempre calcular a variação estimada do sódio com 1 L de qualquer solução a ser infundida HIPERNATREMIA – TRATAMENTO CÁLCULO DO DÉFICIT DE ÁGUA LIVRE ACT POR SEXO E IDADE Homem jovem Peso (kg) x 0,6 Homem idoso Peso (kg) x 0,5 Mulher jovem Peso (kg) x 0,5 Mulher idosa Peso (kg) x 0,45 Déficit de água livre = [(Na֗) sérico – 140] x ACT 140 Exemplo: Mulher idosa, 80 anos, com rebaixamento de nível de consciência associado a [Na] 180 mEq/L Acamada, sem acesso a água. Peso 60 Kg Déficit de água livre = [(Na֗) sérico – 140] x ACT 140 [(180) – 140] x (60 x 0,45) = 7,7 140 HIPERNATREMIA – TRATAMENTO HIPERNATREMIA – TRATAMENTO AGUDO CORREÇÃO DE HIPERNATREMIA GRAVE Soro 0,45% (soro ao meio) 77 mEq/L Variação [Na+] estimada = Na+ infusão – Na+ paciente (1 litro da solução) Água corporal total + 1 HIPERNATREMIA – TRATAMENTO CRÔNICO DIABETES INSÍPIDUS CENTRAL – reposição de hormônio antidiurético sintético ੦ desmopressina – DDAVP (spray nasal/ via oral) DIABETES INSÍPIDUS NEFROGÊNICO – suspensão da droga envolvida (atenção ao lítio) ੦ diurético tiazídico – aumento da natriurese ੦ restrição de sódio na dieta ੦ uso de amilorida para DI associado ao lítio - inibe absorção tubular do lítio pelo canal ENaC DISTÚRBIOS DO SÓDIO: COMO IDENTIFICAR E CORRIGIR DE FORMA SEGURA?