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Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. RESUMO DA UNIDADE Esta unidade analisará os Procedimentos Trabalhistas, antes, porém, para melhor compreensão e aprendizado do aluno, serão abordadas questões introdutórias necessárias à elucidação do tema. Para tanto, especificamente, o estudo cuida de explanar sobre os seguintes pontos: (I) Introdução aos procedimentos trabalhistas compreendendo: a) Processo e procedimento, destacando-se a natureza jurídica do processo e o conceito de procedimento, além do pressupostos processuais; b) O sincretismo processual, ou seja, sua divisão em fases de conhecimento e execução dentro de uma mesma relação processual e processo; c) Nulidades processuais; d) Formação, suspensão e extinção do processo; (II) Formas de solução de conflitos e procedimentos comuns, onde será abordado acerca: a) Das formação de solução de conflito, como a arbitragem, a conciliação, a mediação, a figura da comissão de conciliação prévia, além da novidade trazida pela Reforma Trabalhista, disciplinando um procedimento de jurisdição voluntária na Justiça do Trabalho com a homologação do acordo extrajudicial; b) Procedimentos comuns, quais sejam, o sumário, o sumaríssimo e o ordinário; e (III) Os procedimentos especiais: nesse último capítulo o estudo está voltado para a análise: a) Do inquérito judicial para apuração de falta grave; b) A ação de consignação em pagamento; c) A ação rescisória; d) O mandado de segurança; e) A ação civil pública; f) Ação monitória na justiça do trabalho e g) A ação anulatória. Palavras-chave: Processo do Trabalho. Processo e Procedimento. Procedimentos Trabalhistas. Jurisdição Voluntária. Procedimentos Comuns. Procedimentos Especiais. Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DO MÓDULO .........................................................................................3 CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO AOS PROCEDIMENTOS TRABALHISTAS...............5 1.1 Processo e Procedimento ........................................................................................5 1.1.1 Natureza Jurídica do Processo e o Conceito de Procedimento ........................5 1.1.2 Pressupostos Processuais ......................................................................................7 1.2 Sincretismo Processual ......................................................................................... 15 1.3 Nulidades Processuais .......................................................................................... 16 1.4 Formação, Suspensão e Extinção do Processo ............................................... 21 1.4.1 Formação do Processo ......................................................................................... 21 1.4.2 Suspensão do Processo ....................................................................................... 22 1.4.3 Extinção do Processo ............................................................................................ 25 CAPÍTULO 2 – FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E PROCEDIMENTOS COMUNS................................................................................................................................ 28 2.1 Formas de Solução de Conflitos.......................................................................... 28 2.1.1 Arbitragem ............................................................................................................... 29 2.1.2 Formas Consensuais de Solução de Conflito e Jurisdição Voluntária .......... 33 2.2 Procedimentos Comuns ........................................................................................ 41 2.2.1 Procedimento Sumário .......................................................................................... 41 2.2.2 Procedimento Sumaríssimo ................................................................................. 42 2.2.3 Procedimento Ordinário ........................................................................................ 47 CAPÍTULO 3 – PROCEDIMENTOS ESPECIAIS ........................................................... 48 3.1 Inquérito Judicial para Apuração de Falta Grave.............................................. 48 3.2 Ação de Consignação em Pagamento ............................................................... 52 3.3 Ação Rescisória...................................................................................................... 54 3.4 Mandado de Segurança ........................................................................................ 60 3.5 Ação Civil Pública................................................................................................... 64 3.6 Ação Monitória ........................................................................................................ 67 3.7 Ação Anulatória ...................................................................................................... 68 REFERÊNCIAS..................................................................................................................... 70 3 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. APRESENTAÇÃO DO MÓDULO O presente módulo tem por objetivo analisar com especificidade os Procedimentos no Processo do Trabalho, antes, porém, para melhor compreensão e aprendizado do aluno, serão abordadas questões introdutórias n ecessárias à elucidação do tema. Para tanto, será estudado incialmente sobre o Processo e o Procedimento, conceituando-se um e outro, além de trazer a visão da doutrina acerca da natureza jurídica do processo, bem como a análise dos pressupostos processuais adotados pela doutrina majoritária, vez que existe discussão acerca da classificação de tais pressupostos. Ainda no primeiro capítulo será abordado sobre o sincretismo processual, ou como também conhecido: Processo sincrético, ou seja, a subdivisão do processo em fase de conhecimento e de execução em processo único na justiça do trabalho. Serão analisadas as Nulidades processuais, as Relativas, ou seja, aquelas que devem ser manifestadas desde logo, a partir do momento que a parte toma conhecimento e deve se manifestar nos autos, sob de pena de preclusão, de perder o direito de alegar a nulidade observada; bem como as Nulidades absolutas, aquelas que por serem de ordem pública não estão sujeitas a preclusão podendo ser alegadas e reconhecidas judicialmente, inclusive de ofício, a qualquer momento do processo. Por fim, serão tecidas algumas considerações sobre a formação, às hipóteses de suspensão processual, bem como a extinção do processo. Em palavras singelas, irá ser observado seu nascimento, paralização e morte. Indo para o segundo capítulo, serão observadas as formas de solução de conflitos, com ou sem a intervenção do poder judiciário, como a Arbitragem, a Conciliação, a Mediação, a figura da Comissão de Conciliação prévia, além da novidade trazida pela Reforma Trabalhista,o preenchimento dos requisitos do art. 507-A da CLT, notadamente receber salário superior a duas vezes o teto do RGPS, sendo neste particular considerado hipersuficiente. Contudo, para pactuar livremente as condições de seu contrato de trabalho, o empregado nos moldes do art. 444, parágrafo único, da CLT, deve possuir ainda diploma de nível superior: “A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social”. Conforme já observado, uma cláusula compromissória desencadeia a existência da arbitragem. Nos termos do art. 13 da Lei de Arbitragem: “Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes”. Por outro lado, nos termos do art. 14: “Estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas que tenham, com as partes ou com o litígio que lhes for submetido, algumas das relações que caracterizam os casos de impedimento ou suspeição de juízes, aplicando-se lhes, no que couberem, os mesmos deveres e responsabilidades, conforme previsto no Código de Processo Civil”. Outrossim, impende salientar que o Ministério Público do Trabalho poderá atuar como arbitro se eleito pelas partes, nos termos do art. 83, XI da LC nº. 75/1993, nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho. Nos termos do art. 13, §6º: “No desempenho de sua função, o árbitro deverá proceder com imparcialidade, independência, competência, diligência e discrição”. Bem por isso, conforme art. 17: “Os árbitros, quando no exercício de suas funções ou em razão delas, ficam equiparados aos funcionários públicos, para os efeitos da legislação penal”. 31 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Frisa-se que: “O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário” (art. 18). Conforme alude o art. 19, será considerada instituída a arbitragem quando aceita a nomeação pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários, sendo que nos moldes do parágrafo segundo: “A instituição da arbitragem interrompe a prescrição, retroagindo à data do requerimento de sua instauração, ainda que extinta a arbitragem por ausência de jurisdição”. A arbitragem obedecerá ao procedimento estabelecido pelas partes na convenção de arbitragem, que poderá reportar-se às regras de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada, facultando-se, ainda, às partes delegar ao próprio árbitro, ou ao tribunal arbitral, regular o procedimento. Não havendo estipulação acerca do procedimento, caberá ao árbitro ou ao tribunal arbitral discipliná-lo (art. 21, §1º). O procedimento começa com tentativa de conciliação das partes: “Competirá ao árbitro ou ao tribunal arbitral, no início do procedimento, tentar a conciliação das partes”, aplicando-se, no que couber o art. 28 desta Lei art. 21, §4º. Ressalta-se que, antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência art. 22-A. Com relação à possibilidade de dilação probatória: “Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias ou outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício” art. 22. Nos termos do art. 22-C, é possível que árbitro ou o tribunal arbitral expeça carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro. Por fim, a sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro art. 23. ATENÇÃO: Para aprofundar no tema, recomenda-se ao aluno a leitura integral da Lei de Arbitragem, disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm 32 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Impende destacar que a arbitragem, como visto no capítulo anterior, por ser pressuposto processual negativo de validade, ou seja, a sua existência gera a extinção do processo sem resolução do mérito, não permite, em regra, que o judiciário intervenha nas decisões proferidas pelo árbitro. Contudo, é possível a declaração de nulidade da cláusula compromissória por meio de Reclamação Trabalhista, caso demonstrado que: a cláusula foi firmada por agente incapaz, o objeto versa sobre direitos indisponíveis, não foi observada a forma prescrita em lei ou a há vício de vontade. Outrossim, mesma sendo válida a cláusula compromissória a sentença arbitral pode ser atacada judicialmente apenas nos casos de vícios formais, não sendo possível, contudo, a reforma ou revogação do mérito da decisão, conforme art. 32 e 33, (MIÉSSA, 2019, p. 187). Art. 32. É nula a sentença arbitral se: I - for nula a convenção de arbitragem; II - emanou de quem não podia ser árbitro; III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; V - Revogado pela Lei nº 13.129, de 2015; VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou corrupção passiva; VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, desta Lei; VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta Lei. Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei. Ainda assim, no caso do parágrafo anterior e conforme art. 33, §1º: “A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou final, seguirá as regras do procedimento comum, previstas na Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, e deverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos”. 33 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 2.1.2 Formas Consensuais de Solução de Conflito e Jurisdição Voluntária 2.1.2.1 Mediação e Conciliação A Resolução 174/2016 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) dispõe sobre a política judiciária nacional de tratamento adequado das disputas de interesses no âmbito do Poder Judiciário Trabalhista e dá outras providências. Aludida resolução traz ainda a diferença entre mediação e conciliação da seguinte forma: Conciliação: “é o meio alternativo de resolução de disputas emque as partes confiam a uma terceira pessoa – magistrado ou servidor público por este sempre supervisionado, a função de aproximá-las, empoderá-las e orientá-las na construção de um acordo quando a lide já está instaurada, com a criação ou proposta de opções para composição do litígio” art. 1º, inciso I. Medição: “é o meio alternativo de resolução de disputas em que as partes confiam a uma terceira pessoa – magistrado ou servidor público por este sempre supervisionado, a função de aproximá-las, empoderá-las e orientá-las na construção de um acordo quando a lide já está instaurada, sem a criação ou proposta de opções para composição do litígio” art. 1º, inciso II. Outrossim, o art. 7º, §6º, esclarece que as conciliações e mediações realizadas no âmbito da Justiça do Trabalho somente terão validade nas hipóteses previstas na CLT, aí incluída a homologação pelo magistrado que supervisionou a audiência e a mediação pré-processual de conflitos coletivos, sendo inaplicáveis à Justiça do Trabalho as disposições referentes às Câmaras Privadas de Conciliação, Mediação e Arbitragem, e normas atinentes à conciliação e mediação extrajudicial e pré- processual previstas no NCPC. Logo de rigor observar que a conciliação e a medição apenas serão permitidas no processo do trabalho se realizadas de forma judicial e nos termos estipulados na CLT, necessitando a homologação pelo juiz trabalhista. A mediação pré-processual, contudo, será permitida na hipótese de conflitos coletivos, nos moldes do art. 7º, §7º: “Podem ser submetidos ao procedimento da mediação pré-processual os conflitos coletivos”. 34 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. ATENÇÃO: Para aprofundar no assunto é recomendável que aluno estude a resolução na íntegra, disponível em: http://www.csjt.jus.br/c/document_library/get_file?uuid=235e3400-9476-47a0-8bbb- bccacf94fab4&groupId=955023 2.1.2.2 Comissão de Conciliação Prévia A finalidade da Comissão de Conciliação Prévia (CCP) é buscar a resolução de determinando conflito de forma extrajudicial, ou seja, sem a participação do Poder Judiciário, é, portanto, uma espécie de autocomposição. Salienta-se que a CCP apenas pode solucionar conflitos individuais e não coletivos, uma vez que estes últimos deverão ser resolvidos com a utilização da arbitragem, da mediação ou por meio de negociação coletiva acordo ou convenção coletiva de trabalho ou dissídio coletivo. Conforme art. 625-A da CLT: As empresas e os sindicatos podem instituir Comissões de Conciliação Prévia, de composição paritária, com representante dos empregados e dos empregadores, com a atribuição de tentar conciliar o conf lito individual do trabalho. Parágrafo único. As Comissões referidas no caput deste artigo poderão ser constituídas por grupos de empresas ou ter caráter intersindical. Tratando da composição da CCP o art. 625-B da CLT assim esclarece: Art. 625-B. A Comissão instituída no âmbito da empresa será composta de, no mínimo, dois e, no máximo, dez membros, e observará as seguintes normas: I - a metade de seus membros será indicada pelo empregador e outra metade eleita pelos empregados, em escrutínio secreto, f iscalizado pelo sindicato de categoria prof issional; II - haverá na Comissão tantos suplentes quantos forem os representantes titulares; III - o mandato dos seus membros, titulares e suplentes, é de um ano, permitida uma recondução. § 1º É vedada a dispensa dos representantes dos empregados membros da Comissão de Conciliação Prévia, titulares e suplentes, até um ano após o f inal do mandato, salvo se cometerem falta grave, nos termos da lei. § 2º O representante dos empregados desenvolverá seu trabalho normal na empresa afastando-se de suas atividades apenas quando convocado para atuar como conciliador, sendo computado como tempo de trabalho efetivo o despendido nessa atividade. Já no caso da comissão instituída no âmbito do sindicato, está deverá ter sua constituição e normas de funcionamento definidas em convenção ou acordo coletivo, nos termos do art. 625-C da CLT. http://www.csjt.jus.br/c/document_library/get_file?uuid=235e3400-9476-47a0-8bbb-bccacf94fab4&groupId=955023 http://www.csjt.jus.br/c/document_library/get_file?uuid=235e3400-9476-47a0-8bbb-bccacf94fab4&groupId=955023 35 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Com relação à necessidade de submeter à demanda à CCP, o art. 625-D da CLT, disciplina que qualquer demanda de natureza trabalhista será submetida à Comissão de Conciliação Prévia se, na localidade da prestação de serviços, houver sido instituída a Comissão no âmbito da empresa ou do sindicato da categoria. Ocorre, contudo, que o STF, por meio da ADIN 2139-DF entendeu que a passagem pela CCP não é obrigatória, representando faculdade da parte. Assim, caso o Reclamante antes de ajuizar sua ação não passe pela CCP não haverá qualquer impedimento para que sua ação seja recebida e processada pela Justiça do Trabalho. Assevera-se que a conciliação firmada perante CCP acarreta dois efeitos: (I) possui eficácia liberatória geral, não podendo nenhuma matéria relacionada ao acordo ser rediscutida na Justiça do Trabalho, salvo as expressamente ressalvadas, conforme art. 625-E, parágrafo único da CLT; e (II) é título executivo extrajudicial, também com base no art. 625-E, parágrafo único da CLT, ou seja, uma vez não adimplido o acordo, o termo de conciliação pode ser executado diretamente na Justiça do Trabalho, sendo ajuizada desde logo ação de execução de título executivo extrajudicial. SAIBA MAIS: Informativo 29 do TST Comissão de Conciliação Prévia. Acordo firmado sem ressalvas. Eficácia liberatória geral. Parágrafo único do art. 625-E da CLT. Nos termos do parágrafo único do art. 625-E da CLT, o termo de conciliação, lavrado perante a Comissão de Conciliação Prévia regularmente constituída, possui eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas ressalvadas expressamente. Em outras palavras, não há limitação dos efeitos liberatórios do acordo fi rmado sem ressalvas, pois o termo de conciliação constitui título executivo extrajudicial, com força de coisa julgada entre as partes, equivalendo a uma transação e abrangendo todas as parcelas oriundas do vínculo de emprego. Com esse posicionamento, a SBDI-I, em sua composição plena, por unanimidade, conheceu dos embargos, por divergência jurisprudencial, e, no mérito, pelo voto prevalente da Presidência, deu -lhes provimento para julgar extinto o processo sem resolução de mérito, na forma do art. 267, IV, do CPC. Vencidos os Ministros Horácio Raymundo de Senna Pires, Rosa 36 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Maria Weber, Lélio Bentes Corrêa, Luiz Philippe Vieira de Melo Filho, Augusto César Leite de Carvalho, José Roberto Freire Pimenta e Delaíde Miranda Arantes, por entenderem que a quitação passada perante a Comissãode Conciliação Prévia não pode abranger parcela não inserida no correlato recibo. TST-E-RR-17400- 43.2006.5.01.0073, SBDI-I, rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, 8.11.2012. 2.1.2.3 A homologação do acordo extrajudicial processo de jurisdição voluntária Com o advento da Lei 13.467/2017 Reforma Trabalhista, a CLT passou a prever um processo de jurisdição voluntária, qual seja, a homologação do acordo extrajudicial, disciplinado nos arts. 855-B a 855-E da CLT caracteriza-se como sendo uma forma de autocomposição. FIQUE POR DENTRO: Conforme esclarece o professor Élisson Miessa (2019, p. 195), a jurisdição voluntária já foi prevista no processo do trabalho para o caso dos trabalhadores rurais na época em que seus créditos eram imprescritíveis, conforme previa o art. 233 da CF/88: Art. 233. Para efeito do art. 7º, XXIX, o empregador rural comprovará, de cinco em cinco anos, perante a Justiça do Trabalho, o cumprimento das suas obrigações trabalhistas para com o empregado rural, na presença deste e de seu representante sindical. (Revogado pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000). §1º Uma vez comprovado o cumprimento das obrigações mencionadas neste artigo, f ica o empregador isento de qualquer ônus decorrente daquelas obrigações no período respectivo. Caso o empregado e seu representante não concordem com a comprovação do empregador, caberá à Justiça do Trabalho a solução da controvérsia. § 2º Fica ressalvado ao empregado, em qualquer hipótese, o direito de postular, judicialmente, os créditos que entender existir, relativamente aos últimos cinco anos. § 3º A comprovação mencionada neste artigo poderá ser feita em prazo inferior a cinco anos, a critério do empregador. Com o advento da Emenda Constitucional nº. 28/2000 o artigo acima foi revogado e passou a não mais ser prevista jurisdição voluntária no processo do trabalho, que somente voltou a ser adotado com o advento da Lei 13.467/2017 Reforma Trabalhista com a homologação do acordo extrajudicial. 37 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Conforme retro explanado o procedimento para homologação do acordo extrajudicial vem disciplinado nos 855-B a 855-E da CLT. Basicamente é necessário que haja petição conjunta, conforme art. 855-B da CLT: “O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por advogado”. Outrossim, o parágrafo primeiro do art. 855-B impõe que as partes não poderão ser representadas por advogado comum, ou seja, cada parte patrão e empregado, deve possuir advogados distintos para evitar possíveis fraudes na utilização do instituto. Nos termos do parágrafo segundo do art. 855-B, é facultado ao trabalhador ser assistido pelo advogado do sindicato de sua categoria. Uma vez distribuída à petição de acordo, o juiz analisará o acordo no de quinze dias, podendo designar audiência se entender necessário e após será proferida sentença art. 855-D. Salienta-se que o prazo de 15 dias do magistrado é um prazo impróprio, ou seja, caso não observado não resultará em qualquer efeito processual. Frisa-se que a petição de homologação de acordo extrajudicial suspende o prazo prescricional da ação quanto aos direitos nela especificados que somente voltará a fluir no dia útil seguinte ao do trânsito em julgado da decisão que negar a homologação do acordo art. 855-E. Cabe ainda esclarecer que a realização de acordo extrajudicial não prejudica o prazo estabelecido no art. 477, §6º da CLT, qual seja o prazo de 10 dias para pagamento das verbas rescisórias e, uma vez não respeitado tal prazo, será aplicada a multa prevista no art. 477, §8º da CLT. Conforme esclarece MIESSA (2019, p. 198), sendo processo de jurisdição voluntária e, portanto, inexistente a sucumbência de qualquer das partes, inexistirá honorários sucumbenciais, sendo responsabilidade de cada parte adimplir com os honorários contratuais de seus respectivos patronos, aplicando-se analogicamente o art. 88 do CPC: “Nos procedimentos de jurisdição voluntária, as despesas serão adiantadas pelo requerente e rateadas entre os interessados”. MIESSA (2019, p. 198), assevera ainda que no processo do trabalho os efeitos da transação, ou seja, do acordo realizado, apenas surtirá seus efeitos com decisão 38 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. judicial, podendo antes dessa, qualquer das partes, desistirem de forma unilateral do acordo anteriormente realizado. Ao analisar o acordo o juiz poderá homologá-lo ou não, sem que sua não homologação desafie qualquer espécie de recurso, conforme Súmula 418 do TST: MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO À HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO (nova redação em decorrência do CPC de 2015) - Res. 217/2017 - DEJT divulgado em (20, 24 e 25.04.2017). A homologação de acordo constitui faculdade do juiz, inexistindo direito líquido e certo tutelável pela via do mandado de segurança. O juiz pode não homologar um acordo notadamente quando entender que não fora respeitado os requisitos legais ou que há, por exemplo, prejuízo para o empregado, fraude na negociação, sendo nesse caso o acordo para fazer com que o empregado renuncie direitos trabalhistas. Nesse caso a decisão deverá escorreitamente fundamentada, nos termos do art. 489, §1º do CPC7, nesse mesmo sentido é o Enunciado 10 do TST: “O juiz pode recusar a homologação do acordo, nos termos propostos, em decisão fundamentada. Já na hipótese de homologação do acordo realizado entre as partes, não haverá a possibilidade de nenhum recurso, visto que se trata de decisão irrecorrível, nos termos do art. 831, parágrafo único da CLT: “No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas”. No mesmo sentido é a Súmula 100, inciso V, do TST: “O acordo homologado judicialmente tem força de decisão irrecorrível, na forma do art. 831 da CLT”. Assim sendo, o termo conciliatório transita em julgado na data da sua homologação judicial. Embora o Colendo TST por meio da Súmula 259 entenda ser possível a impugnação do termo de conciliação apenas por ação rescisória, o que prevalece 7 § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. 39 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacionalde direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. até então, o professor Élisson Miessa assevera que é de se esperar que o entendimento seja modificado, sendo no caso mais correta a utilização de ação anulatória, pela aplicação do art. 966, §4º do CPC: “Os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução, estão sujeitos à anulação, nos termos da lei”. É importante salientar que, com a disciplina deste procedimento de jurisdição voluntária, o número de acordos extrajudiciais vem aumentando exponencialmente, vejamos: Imagem 1: Números de acordos extrajudiciais homologados Fonte: MIGALHAS, 2019. FIQUE POR DENTRO: Apenas para finalizar, recentemente, o TST entendeu que não é possível o Poder Judiciário questionar as cláusulas do acordo extrajudicial. O entendimento foi tomado no processo RR-1000015- 96.2018.5.02.0435 que corre na 4ª Turma e possui relatoria do Ministro Ives Gandra Martins. Em suas palavras: “A atuação do Judiciário na tarefa de jurisdição voluntária [acordo extrajudicial] é binária: homologar, ou não, o acordo. Não lhe é dado substituir-se às partes empregado ou empresa e homologar parcialmente o 40 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. acordo”. Salientou ainda que: “Estando presentes os requisitos gerais do negócio jurídico e os específicos preconizados pela lei trabalhista, não há de se questionar a vontade das partes envolvidas e o mérito do acordado”. Vale a leitura do recente arresto: RECURSO DE REVISTA - ACORDO EXTRAJUDICIAL HOMOLOGADO EM JUÍZO - PROCEDIMENTO DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA - ARTS. 855-B A 855-E DA CLT - QUITAÇÃO GERAL - TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA. 1. Problema que sempre atormentou o empregador foi o relativo à rescisão do contrato de trabalho e da quitação dos haveres trabalhistas, de modo a não permanecer com a espada de Dâmocles sobre sua cabeça. 2. A inef icácia prática da homologação da rescisão contratual do sindicato, em face do teo r da Súmula 330 do TST, dada a não quitação integral do contrato de trabalho, levou a SBDI-2 desta Corte a não reputar simulada a lide visando à homologação de acordo pela Justiça do Trabalho, pois só assim se conseguiria colocar f im ao conf lito laboral e dar segurança jurídica às partes do distrato (cf r. TST-ROAR-103900-90.2005.5.04.0000, Rel. Min. Ives Gandra Martins Filho, DEJT de 12/09/08). 3. Para resolver tal problema, a Lei 13.467/17, em vigor desde 11/11/17, instituiu o procedimento de jurisdição voluntária na Justiça do Trabalho atinente à homologação, em juízo, de acordo extrajudicial, nos termos dos arts. 855-B a 855-E da CLT, juntamente com o f ito de colocar termo ao contrato de trabalho. 4. Da simples leitura dos novos comandos de lei, notadamente do art. 855-C da CLT, extrai-se a vocação prioritária dos acordos extrajudiciais para regular a rescisão contratual e, portanto, o f im da relação contratual de trabalho. Não fosse a possibilidade da quitação do contrato de trabalho com a chancela do Judiciário e o Capítulo III-A não teria sido acrescido ao Título X da CLT, que trata do Processo Judiciário do Trabalho. 5. Curial, ainda, trazer à baila, que a ideia que indelevelmente adere ao acordo extrajudicial é a de que, retirada uma das cláusulas que o compõem, a parte a quem ela favoreceria não faria o acordo. A alternativa que caberia ao Judiciário, portanto, seria a homologação integral ou a rejeição da proposta, se eivada de vícios. Tal entendimento resta corroborado pelo STF quanto à circunstância de a validade do acordo depender da homologação integral ou de sua rejeição total, não podendo ser balanceado pelo Poder Judiciário (Voto do Min. Teo ri Zavascki no leading case STF-RE 590.715/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, DJe de 29/05/15). 6. Nesse sentido, o art. 855-B, §§ 1º e 2º, da CLT, que trata da apresentação do acordo extrajudicial à Justiça, a par dos requisitos gerais de validade dos negócios jurídicos que se aplicam ao direito do trabalho, nos termos do art. 8º, § 1º, da Lei Consolidada e que perfazem o ato jurídico perfeito (CC, art. 104 - agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não vedada por lei), traçou as balizas para a apresentação do acordo extrajudicial apto à homologação judicial: petição conjunta dos interessados e advogados distintos, podendo haver assistência sindical para o trabalhador. 7. A petição conjuntamente assinada para a apresentação do requerimento de homologação ao juiz de piso serve à demonstração da anuência mútua dos interessados em por f im ao contratado, e, os advogados distintos, à garantia de que as pretensões estarão sendo individualmente respeitadas. Assim, a atuação do Judiciário Laboral na tarefa de jurisdição voluntária é binária: homologar, ou não, o acordo. Não lhe é dado substituir-se às partes e homologar parcialmente o acordo, se este tinha por f inalidade quitar integralmente o contrato de trabalho extinto. Em quitação geral, o Empregador não proporia o acordo, nem se dispo ria a manter todas as vantagens nele contidas. 8. No caso concreto, o Regional, mantendo a sentença, assentou a ausência de discriminação das parcelas às quais os Acordantes conferiam quitação geral e irrestrita, restringindo a 41 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. quitação a direitos mencionados no acordo e registrando, todavia, o cumprimento dos requisitos do art. 855-B da CLT e daqueles gerais estatuídos pela lei civil para a celebração de negócios em geral. 9. Nesse sentido, a conclusão acerca da invalidade, total ou parcial, do pacto extrajudicial, por ausência de verif icação de concessões mútuas e discriminação de parcelas diz menos com a validação extrínseca do negócio jurídico do que com a razoabilidade intrínseca do acordo, cujo questionamento não cabe ao Judiciário nesse procedimento, pois lhe esvazia o sentido e estabelece limites e discussões não queridos pelos Requerentes ao ajuizar o procedimento. 10. Ora, estando presentes os requisitos gerais do negócio jurídico e os específ icos preconizados pela lei trabalhista (CLT, art. 855-B), não há de se questionar a vontade das partes envolvidas e do mérito do acordado, notadamente quando a lei requer a presença de advogado para o empregado, rechaçando, nesta situação, o uso do jus postulandi do art. 791 da CLT, como se depreende do art. 855-B, § 1º, da CLT. 11. Assim sendo, é válido o termo de transação extrajudicial apresentado pelas Interessadas, com quitação geral e irrestrita do contrato havido, nessas condições, que deve ser homologado. Recurso de revista provido. (TST - RR: 10000159620185020435 Relatores: Ives Gandra Martins Filho Data de Julgamento: 11/09/2019, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 20/09/2019). 2.2 Procedimentos Comuns 2.2.1 Procedimento Sumário O procedimento sumário ou dissídio de alçada está disciplinado no art. 2º da Lei 5.584/1970, que dispõe: Art. 2º Nos dissídios individuais, proposta a conciliação, enão havendo acordo, o Presidente, da Junta ou o Juiz, antes de passar à instrução da causa, f ixar-lhe-á o valor para a determinação da alçada, se este for indeterminado no pedido. § 1º Em audiência, ao aduzir razões f inais, poderá qualquer das partes, impugnar o valor f ixado e, se o Juiz o mantiver, pedir revisão da decisão, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, ao Presidente do Tribunal Regional. § 2º O pedido de revisão, que não terá efeito suspensivo deverá ser instruído com a petição inicial e a Ata da Audiência, em cópia autenticada pela Secretaria da Junta, e será julgado em 48 (quarenta e oito) horas, a partir do seu recebimento pelo Presidente do Tribunal Regional. § 3º Quando o valor f ixado para a causa, na forma deste artigo, não exceder de 2 (duas) vezes o salário-mínimo vigente na sede do Juízo, será dispensável o resumo dos depoimentos, devendo constar da Ata a conclusão da Junta quanto à matéria de fato. § 4º - Salvo se versar sobre matéria constitucional, nenhum recurso caberá das sentenças proferidas nos dissídios da alçada a que se refere o parágrafo anterior, considerado, para esse f im, o valor do salário mínimo à data do ajuizamento da ação. 42 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Verifica-se, portanto, sua utilização nas causas que não sejam superiores a dois salários mínimos, estes vigentes no momento/data do protocolo da ação trabalhista. Salienta-se que no procedimento sumário é permitido que o juiz de ofício defina o valor da causa. Cabe à parte contrária, uma vez fixado valor de até dois salários mínimos, impugnar o valor atribuído à causa em audiência no momento das razões finais. O juiz poderá admitir que o processo permaneça sob o rito sumário, sendo que neste caso haverá a possibilidade de utilização do pedido de revisão no prazo de 48 horas. O pedido de revisão será direcionado ao Presiden te do Tribunal Regional do Trabalho, sendo instruído com a petição inicial e a ata de audiência. O recurso não possui efeito suspensivo e deverá ser julgado dentro de 48 horas. O resultado do pedido de revisão poderá ensejar: (I) a alteração do rito para sumaríssimo, caso seja acolhido que o valor será superior a dois salários mínimos; ou (II) mantida a ação no rito sumário, caso o pedido de revisão seja negado. O procedimento sumário, por sua simplicidade, dispensa o resumo dos depoimentos em ata de audiência, bastando que o magistrado faça constar sua conclusão quanto à matéria de fato. O cabimento de recursos no procedimento sumário é muito limitado, cabendo, em regra, apenas Recurso Extraordinário ao STF no caso de violação à matéria esculpida na Constituição Federal. Outrossim, nos termos da Súmula 365 do TST, o mandado de segurança e a ação rescisória são incompatíveis com o rito sumário: “Não se aplica a alçada em ação rescisória e em mandado de segurança”. 2.2.2 Procedimento Sumaríssimo O procedimento ou rito sumaríssimo passou a ser previsto na CLT por meio do advento da Lei nº. 9.957/2000 com a inclusão dos artigos 852-A a 852-I. O procedimento sumaríssimo é aplicável aos processos cujo valor da causa não exceda 40 vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da ação trabalhista. 43 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. O rito processual é norma de ordem pública, razão pela qual não cabe a parte escolher se sua ação se processará pelo procedimento ordinário ou sumaríssimo, partindo da própria a fixação do rito, quer seja pelo valor da causa, quer seja por vontade expressa do legislador em sentido contrário, como ocorre com as causas contra a Fazenda Pública que se processará pelo rito ordinário, independentemente do valor da causa. Art. 852-A da CLT. Os dissídios individuais cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação f icam submetidos ao procedimento sumaríssimo. Parágrafo único. Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as demandas em que é parte a Administração Pública direta, autárquica e fundacional. Conforme salienta o professor Élisson Miessa (2019, p. 958), no processo do trabalho o valor da causa é o único critério observado para fixação do rito, independentemente da complexidade da causa. Salienta-se que o rito sumaríssimo é aplicado apenas aos dissídios individuais, não tendo incidência em ações civis públicas e ações civis coletivas. Mesmo no caso de ações plúrimas8, será aplicável o rito sumaríssimo caso o valor da causa não seja superior a 40 salários mínimos. Conforme art. 852-B, III, da CLT: “A apreciação da reclamação deverá ocorrer no prazo máximo de quinze dias do seu ajuizamento, podendo constar de pauta especial, se necessário, de acordo com o movimento judiciário da Junta de Conciliação e Julgamento”. Salienta-se que no rito sumaríssimo a petição inicial impende a observação de dois pontos: (I) o pedido deverá ser certo ou determinado e indicará o valor correspondente; e (II) não se fará citação por edital, incumbindo ao autor a correta indicação do nome e endereço do reclamado. 8 Ação ou Reclamação Plúrima é aquela onde ocorre litisconsórcio ativo, vários autores contra a mesma empresa. A matéria está prevista no art. 842 da CLT: “Sendo várias as reclamações e havendo identidade de matéria, poderão ser acumuladas num só processo, se se tratar de empregados da mesma empresa ou estabelecimento”. O professor Carlos Henrique Bezerra Leite (2015, p. 568) vai mais além e assim esclarece: “Ocorre aí, segundo nos parece, uma cumulação subjetiva e objetiva de ações. Vale dizer, no processo do trabalho é lícito aos empregados de uma mesma empresa ou estabelecimento formar um litisconsórcio ativo facultativo (CPC, art. 45), desde que haja identidade de matérias, fenômeno que ocorre com bastante frequência e é intitulado de “dissídio individual plúrimo” ou “reclamatória plúrima” (CLT, art. 843)”. 44 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Com relação à impossibilidade de citação por edital, assevera-se que este impedimento somente ocorre na fase de conhecimento, vez que na fase de execução é possível à citação por edital, aplicando-se o art. 880, §3º da CLT: “Se o executado, procurado por 2 (duas) vezes no espaço de 48 (quarenta e oito) horas, não for encontrado, far-se-á citação por edital, publicado no jornal oficial ou, na falta deste, afixado na sede da Junta ou Juízo, durante 5 (cinco) dias”. Caso, contudo, o réu esteja em lugar incerto e não sabido, e diante da impossibilidade de citação por edital, parte da doutrina entende ser o caso de conversão do procedimento sumaríssimo para ordinário e prosseguimento do feito com a citação editalília9. Não sendo preenchidos os requisitos constantes nos incisos I e II do art. 852-B, a reclamação trabalhista será arquivada (extinta sem resolução do mérito), nos termos do art. 852-B, §1º da CLT: “O não atendimento, pelo reclamante,do disposto nos incisos I e II deste artigo importará no arquivamento da reclamação e condenação ao pagamento de custas sobre o valor da causa”. No rito em estudo, ocorre a chamada audiência uma, servindo tanto para a tentativa de conciliação, instrução e julgamento, nos termos do art. 852-C da CLT: “As demandas sujeitas a rito sumaríssimo serão instruídas e julgadas em audiência única, sob a direção de juiz presidente ou substituto, que poderá ser convocado para atuar simultaneamente com o titular”. Conforme dicção do art. 852-D da CLT resta observar que o juiz dirigirá o processo com liberdade para determinar as provas a serem produzidas, considerado o ônus probatório de cada litigante, podendo limitar ou excluir as que considerarem excessivas, impertinentes ou protelatórias, bem como para apreciá-las e dar especial valor às regras de experiência comum ou técnica. Aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da conciliação e usará os meios adequados de persuasão para a solução conciliatória do litígio, em qualquer fase da audiência art. 852-E. Observa-se que a tentativa de conciliação é imanente também ao rito ordinário, e pode ocorrer em qualquer fase do processo, inclusive na execução, conforme art. 764, §3º da CLT: “É lícito às partes 9 BERNARDES, Felipe. Manual de Processo do Trabalho. Salvador: JusPodivm, 2018, p. 389. 45 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. celebrar acordo que ponha termo ao processo, ainda mesmo depois de encerrado o juízo conciliatório”. Na ata de audiência serão registrados resumidamente os atos essenciais, as afirmações fundamentais das partes e as informações úteis à solução da causa trazidas pela prova testemunhal art. 852-F. Resta esclarecer que serão decididos, de plano, todos os incidentes e exceções que possam interferir no prosseguimento da audiência e do processo. As demais questões serão decididas na sentença art. 852-G da CLT. A produção de provas ocorre em audiência, conforme art. 852-H da CLT: “Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, ainda que não requeridas previamente”. E sobre os documentos apresentados por uma das partes, a parte contrária irá se manifestar imediatamente, sem interrupção da audiência, salvo absoluta impossibilidade, a critério do juiz art. 852-H, §1º. A produção da prova testemunhal é limita a duas para cada parte e comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de intimação. Outrossim, apenas será deferida intimação de testemunha que, comprovadamente convidada, deixar de comparecer. Não comparecendo a testemunha intimada, o juiz poderá determinar sua imediata condução coercitiva art. 852-H, §3º. No que tange à possibilidade de produção de prova pericial ou também chamada de prova técnica, nos termos do art. 852-H, §4º da CLT: “Somente quando a prova do fato o exigir, ou for legalmente imposta, será deferida prova técnica, incumbindo ao juiz, desde logo, fixar o prazo, o objeto da perícia e nomear perito”. Sendo as partes, posteriormente intimadas para se manifestar quanto ao laudo no prazo comum de cinco dias art. 852-H, §6º. Interrompida a audiência, o seu prosseguimento e a solução do processo dar- se-ão no prazo máximo de trinta dias, salvo motivo relevante justificado nos autos pelo juiz da causa art. 852-H, §7º. Chegada ao fim a instrução, com relação à prolação de sentença, o art. 852-I da CLT, esclarece: Art. 852-I. A sentença mencionará os elementos de convicção do juízo, com resumo dos fatos relevantes ocorrido em audiência, dispensado o relatório. 46 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. §1º O juízo adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos f ins sociais da lei e as exigências do bem comum. § 2º Vetado. § 3º As partes serão intimadas da sentença na própria audiência em que prolatada. No que tange ao sistema recursal no procedimento sumaríssimo, é possível observar as seguintes limitações: a) Recurso Ordinário: embora siga as regras básicas para o rito ordinário, no rito sumaríssimo o RO seguirá o disposto no art. 895, §1º da CLT e: (I) será imediatamente distribuído, uma vez recebido no Tribunal, devendo o relator liberá-lo no prazo máximo de dez dias, e a Secretaria do Tribunal ou Turma colocá-lo imediatamente em pauta para julgamento, sem revisor; (II) terá parecer oral do representante do Ministério Público presente à sessão de julgamento, se este entender necessário o parecer, com registro na certidão; (III) terá acórdão consistente unicamente na certidão de julgamento, com a indicação suficiente do processo e parte dispositiva, e das razões de decidir do voto prevalente. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a certidão de julgamento, registrando tal circunstância, servirá de acórdão. Outrossim, conforme esclarece o art. 895, §2º da CLT: “Os Tribunais Regionais, divididos em Turmas, poderão designar Turma para o julgamento dos recursos ordinários interpostos das sentenças prolatadas nas demandas sujeitas ao procedimento sumaríssimo”. b) Recurso de Revista: nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade à súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal art. 896, §9º da CLT. Salienta-se ainda que, nos termos da Súmula 442 do TST: “Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, a admissibilidade de recurso de revista está limitada à demonstração de violação direta a dispositivo da Constituição Federal ou contrariedade a Súmula do Tribunal Superior do Trabalho, não se admitindo o recurso por contrariedade a Orientação Jurisprudencial deste Tribunal Livro II, Título II, Capítulo III, do RITST, ante a ausência de previsão no art. 896, § 6º, da CLT”. 47 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. c) Embargos para a SDI do TST (Embargos de Divergência): em causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, em que pese à limitação imposta no art. 896, § 6º, da CLT à interposição de recurso de revista, admitem-se os embargos quando demonstrada a divergência jurisprudencial entre Turmas do TST, fundada em interpretações diversas acerca da aplicação de mesmo dispositivo constitucional ou de matéria sumulada Súmula 458 do TST. 2.2.3 Procedimento Ordinário Uma vez que a demanda não se encaixe nos ritos anteriores, ou seja, ultrapasse o valor de 40 salários mínimos, deverá ser processada pelo rito ordinário, não havendo nenhuma peculiaridade para este procedimento, vez que, por ser comum, aplicar-se-á todas as regras atinentes à petição inicial, respostas do réu, produção de provas, audiência, recursos e etc., sem qualquer limitação, como ocorre nos ritos sumário e sumaríssimo. 48 Todos os direitossão reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. CAPÍTULO 3 – PROCEDIMENTOS ESPECIAIS Após o estudo das nuances iniciais atinentes ao processo e ao procedimento, além dos procedimentos comuns ordinário, sumaríssimo e sumário, cumpre agora analisar os principais procedimentos especiais. 3.1 Inquérito Judicial para Apuração de Falta Grave Sabe-se que empregados estáveis podem ser demitidos apenas com o cometimento de uma das faltas graves previstas no art. 482 da CLT, ou seja, por justa causa. Ocorre, contudo, que determinados empregados exigem, para sua demissão, uma formalidade a mais com a intervenção do Poder Judiciário, esta por sua vez está caracterizada pela utilização do inquérito judicial para apuração de falta grave. Logo, tem-se o inquérito judicial para apuração de falta grave como sendo a ação judicial que visa à extinção do contrato de trabalho do empregado possuidor de garantia provisória de emprego. Embora doutrina e jurisprudência não sejam unânimes quanto ao cabimento do inquérito judicial para apuração de falta grave, é possível afirmar que de forma ampla têm admitido que a ação seja necessária para os seguintes empregados: a) Dirigente sindical, nos termos do art. 543, §3º da CLT e Súmula 379 do TST; Art. 543, §3º: “Fica vedada a dispensa do empregado sindicalizado ou associado, a partir do momento do registro de sua candidatura a cargo de direção ou representação de entidade sindical ou de associação prof issional, até 1 (um) ano após o f inal do seu mandato, caso seja eleito inclusive como suplente, salvo se cometer falta grave devidamente apurada nos termos desta Consolidação”. Súmula nº 379 do TST DIRIGENTE SINDICAL. DESPEDIDA. FALTA GRAVE. INQUÉRITO JUDICIAL. NECESSIDADE (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 114 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005. O dirigente sindical somente poderá ser dispensado por falta grave mediante a apuração em inquérito judicial, inteligência dos arts. 494 e 543, §3º, da CLT. (ex-OJ nº 114 da SBDI-1 - inserida em 20.11.1997). b) Estável Decenal, nos termos do art. 492 da CLT; Art. 492 - O empregado que contar mais de 10 (dez) anos de serviço na mesma empresa não poderá ser despedido senão por motivo de falta g rave ou circunstância de força maior, devidamente comprovadas. 49 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. c) Diretor de Sociedade Cooperativa, tendo em vista que o art. 55 da Lei nº. 5.764/1971 assegura as mesmas garantias que do dirigente sindical; Art. 55. Os empregados de empresas que sejam eleitos diretores de sociedades cooperativas pelos mesmos criados, gozarão das garantias asseguradas aos dirigentes sindicais pelo artigo 543 da Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei n. 5.452, de 1° de maio de 1943). d) Membros do Conselho Nacional de Previdência Social, desde que representantes dos trabalhadores em atividade, titulares e suplentes, conforme art. 3º, §7º, da Lei nº. 8.213/1991. Art. 3º, §7º Aos membros do CNPS, enquanto representantes dos trabalhadores em atividade, titulares e suplentes, é assegurada a estabilidade no emprego, da nomeação até um ano após o término do mandato de representação, somente podendo ser demitidos por motivo de falta grave, regularmente comprovada através de processo judicial. Conforme esclarece o professor Élisson Miessa (2019, p. 1533), há ainda posicionamento jurisprudencial no sentido de que é necessário a instauração de inquérito para os membros do conselho curador do FGTS, conforme entendimentos do TST, notadamente o julgamento do Recurso de Revista 258100- 37.1995.5.02.0008: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONSIDERADOS PROTELATÓRIOS PELO TRT - IMPOSIÇÃO DE MULTA AO RECLAMANTE. INADEQUAÇÃO DA MEDIDA. [...] 4. REGULAMENTO DE PESSOAL. INQUÉRITO JUDICIAL PARA APURAÇÃO DE FALTA GRAVE. DESNECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO. DISPENSA DO RECLAMANTE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cinge-se a controvérsia dos presentes autos em def inir, a partir da interpretação de cláusula do regulamento de pessoal da empresa (- A pena de rescisão do contrato de trabalho será aplicada na ocorrência de falta grave ou de justa causa, instaurando-se, quando for o caso, inquérito judicial trabalhista -), a necessidade ou não de instauração de inquérito judicial para apuração da justa causa cometida pelo Reclamante, a f im de se poder efetivar sua despedida. Pelo teor da referida cláusula, tem-se que há obrigatoriedade quanto à rescisão contratual em caso de ocorrência de falta grave ou justa causa. Todavia, o inquérito judicial para apuração da falta cometida será instaurado apenas quando for o caso. Ora, desta última expressão já se verif ica que a instauração do inquérito não ocorrerá sempre que for cometida alguma falta grave/justa causa. E, como não há no regulamento a previsão dos casos em que o referido procedimento deve ser instaurado, é de se concluir que a referida norma interna refere-se às hipóteses legais existentes: servidores públicos celetistas não concursados que contavam com, pelo menos, cinco anos de serviço público contínuo na data da promulgação da CF/88 (art. 19 do ADCT); dirigentes sindicais (art. 8º, VIII, da CF); membros do Conselho Curador do FGTS representantes dos trabalhadores (art. 3º, § 9º, da Lei 8.036/90); diretores de Cooperativa de Empregados (art. 55 da Lei 5.764/71); membros do Conselho Nacional de Previdência Social representantes dos trabalhadores (art. 3º, § 7º, da Lei 8.213/91); e representantes dos empregados membros de Comissões de 50 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Conciliação Prévia (srt. 625-B, § 1º, CLT). Sendo assim, decidiu bem a egrégia Corte Regional ao entender pela desnecessidade de instauração do inquérito na situação dos autos, já que o Reclamante não se enquadra em nenhuma das hipóteses acima relacionadas e o regulamento de pessoal não lhe garantiu a realização de tal procedimento. Recurso de revista não conhecido no aspecto. [...]. TST - RR: 2581003719955020008 258100- 37.1995.5.02.0008, Relator: Mauricio Godinho Delgado Data de Julgamento: 06/02/2013, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 15/02/2013. Salienta-se que, uma vez cometida qualquer das faltas graves previstas no art. 482 da CLT10 é faculdade do empregador suspender o empregado de suas funções nos termos do art. 494 da CLT: “O empregado acusado de falta grave poderá ser suspenso de suas funções, mas a sua despedida só se tornará efetiva após o inquérito e que se verifique a procedência da acusação”. Frisa-se que uma vez suspenso o empregado o inquérito deverá ser ajuizado no prazo decadencial de 30 dias, nos termos do art. 853 da CLT: “Para a instauração do inquérito para apuração de falta grave contra empregado garantido com estabilidade, o empregador apresentará reclamação por escrito à Junta ou Juízo de Direito, dentro de 30 (trinta) dias, contados da data da suspensão do empregado”. A ideia de ser o prazocitado acima decadencial é esclarecida pela súmula 403 do STF: “É de decadência o prazo de trinta dias para instauração do inquérito judicial, a contar da suspensão, por falta grave, de empregado estável”. Logo, sendo o empregado suspenso e não havendo o ajuizamento de inquérito no prazo retro mencionado, não poderá mais ser manejada a ação. Caso não haja a suspensão do empregado, vez que esta é uma faculdade do empregador, a doutrina diverge quanto ao prazo para ajuizamento da ação, sendo 10 Art. 482 da CLT – Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador: a) ato de improbidade; b) incontinência de conduta ou mau procedimento; c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador, e quando constituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o empregado, ou for prejudicial ao serviço; d) condenação crimina l do empregado, passada em julgado, caso não tenha havido suspensão da execução da pena; e) desídia no desempenho das respectivas funções; f) em bria guez habitual ou em serviço; g) violação de segredo da empresa; h) ato de indisciplina ou de insubordinação; i) abandono de emprego; j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou ofensas físicas, nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas f ísicas praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; l) prática constante de jogos de azar. m) perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da profissão, em decorrência de conduta dolosa do empregado. Parágrafo único - Constitui igualmente justa causa para dispensa de empregado a prática, devidamente comprovada em inquérito administrativo, de atos atentatórios à segurança nacional. 51 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. que para uns seria prescricional de 2 ou 5 anos e para outros decadencial de 2 anos, há quem afirme ainda ser de 30 dias (MIESSA, 2019, p. 1534). Importante mencionar que com relação ao empregado que abandona o emprego, a Súmula 62 do TST assim esclarece: “O prazo de decadência do direito do empregador de ajuizar inquérito em face do empregado que incorre em abandono de emprego é contado a partir do momento em que o empregado pretendeu seu retorno ao serviço”. Com relação ao procedimento, o inquérito para apuração de falta grave deverá ser ajuizado em uma das varas do trabalho do local da prestação dos serviços, devendo a petição inicial ser escrita art. 853 da CLT e poderão ser ouvidas até 6 testemunhas. Reconhecida a existência de falta grave caso de procedência da ação, o empregado será considerado dispensado por justa causa, sendo a sentença desconstitutiva, ou seja, o contrato de trabalho será considerado extinto na data da sentença, sendo o período de afastamento considerado como suspensão do contrato de trabalho. Por outro lado, em caso de improcedência da ação, nos termos do art. 495 da CLT: “Reconhecida à inexistência de falta grave praticada pelo empregado, fica o empregador obrigado a readmiti-lo no serviço e a pagar-lhe os salários a que teria direito no período da suspensão”. Outrossim, nos termos do art. 496 da CLT: “Quando a reintegração do empregado estável for desaconselhável, dado o grau de incompatibilidade resultante do dissídio, especialmente quando for o empregador pessoa física, o tribunal do trabalho poderá converter aquela obrigação em indenização devida nos termos do artigo seguinte”. A CLT, por fim, esclarece por meio do art. 855 que: “Se tiver havido prévio reconhecimento da estabilidade do empregado, o julgamento do inquérito pela Junta ou Juízo não prejudicará a execução para pagamento dos salários devidos ao empregado, até a data da instauração do mesmo inquérito”. 52 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 3.2 Ação de Consignação em Pagamento A ação de consignação em pagamento, embora seja utilizada no processo do trabalho por força do art. 769 da CLT11, não está prevista na CLT. Vem disciplinada pelos arts. 539 e 549 do CPC. A consignação em pagamento é uma forma de extinção da obrigação, notadamente nos casos em que o devedor queira quitar sua dívida, mas encontre óbices do credor, seja pela recusa no recebimento, seja por não encontrar ou conhecer o real devedor, seja pelo falecimento, enfim. No processo do trabalho, como forma de cautela, é muito comum o ajuizamento desta ação em caso de recusa do empregado no recebimento das verbas rescisórias, para que empregador não incida na multa a que alu de o art. 477, §8º da CLT, ou seja, pela intempestividade no pagamento. Salienta-se que pode a consignação ser extrajudicial, caso em que há depósito bancário. Contudo, não é admitida de forma majoritária na Justiça do Trabalho (MIESSA, 2019, p. 1657). Já a consignação judicial surge nas hipóteses elencadas no art. 335 do Código Civil: Art. 335. A consignação tem lugar: I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma; II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou dif ícil; IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. A competência para ajuizamento será o local da prestação dos serviços, nos termos do art. 651 da CLT, vez que no CPC o art. 540 mencione que a competência será a do lugar do pagamento. Possui legitimidade ativa qualquer um que possa realizar o pagamento, como é o caso do empregador. De outra sorte, a legitimidade passiva será do credor, via de regra, o empregado, ou seus sucessores em caso de falecimento. 11 Art. 769 da CLT - Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste Título. 53 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Caso seja desconhecido seu paradeiro é possível à realização de citação por edital. Conforme art. 540 do CPC: “Requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, cessando para o devedor, à data do depósito, os juros e os riscos, salvo se a demanda for julgada improcedente”. Com relação às prestações sucessivas o art. 541 esclarece: “Tratando-se de prestações sucessivas, consignada uma delas, pode o devedor continuar a depositar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as que se forem vencendo, desde que o faça em até 5 (cinco) dias contados da data do respectivo vencimento”. É possível a apresentação de contestação pelo réu, e nesse caso poderá alegar que: I - não houve recusa ou mora em receber a quantiaou a coisa devida; II - foi justa a recusa; III - o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento; IV - o depósito não é integral. Sendo que neste último caso a alegação somente será admissível se o réu indicar o montante que entende devido. Alegada a insuficiência do depósito, é lícito ao autor completá-lo, em 10 (dez) dias, salvo se corresponder à prestação cujo inadimplemento acarrete a rescisão do contrato. Neste caso, poderá o réu levantar, desde logo, a quantia ou a coisa depositada, com a consequente liberação parcial do autor, prosseguindo o processo quanto à parcela controvertida art. 545 e §1º. Julgado procedente o pedido, o juiz declarará extinta a obrigação e condenará o réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios. Proceder-se-á do mesmo modo se o credor receber e der quitação art. 546. Ocorre, contudo, que a sentença na ação de consignação em pagamento possui natureza dúplice e, ao mesmo tempo em que pode declarar extinta a obrigação, como citado acima, também pode reconhecer saldo a pagar ao credor, nos termos do §2º do art. 545: “A sentença que concluir pela insuficiência do depósito determinará, sempre que possível, o montante devido e valerá como título executivo, facultado ao credor promover-lhe o cumprimento nos mesmos autos, após liquidação, se necessária”. 54 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 3.3 Ação Rescisória A ação rescisória é uma ação de procedimento especial que tem por objetivo desconstituir decisões judiciais. Sua natureza jurídica é de ação constitutiva negativa. Possui previsão na CLT no art. 836: É vedado aos órgãos da Justiça do Trabalho conhecer de questões já decididas, excetuados os casos expressamente previstos neste Título e a ação rescisória, que será admitida na forma do disposto no Capítulo IV do Título IX da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, sujeita ao depósito prévio de 20% (vinte por cento) do valor da causa, salvo prova de miserabilidade jurídica do autor. Como observado, de forma expressa a CLT indica que o procedimento da ação rescisória a ser observado é aquele constante no CPC arts. 966 a 975 com a peculiaridade de que é exigência o depósito prévio de 20% do valor da causa, sendo dispensado o recolhimento quando o autor for comprovadamente miserável juridicamente. A competência para julgamento da ação rescisória é sempre de tribunal, ou seja, não há manejo dessa ação em vara do trabalho. Está competência é funcional, e por isso, de natureza absoluta. A competência ocorrerá da seguinte forma: a) Decisões proferidas por vara do trabalho = competência do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) respectivo; b) Decisões proferidas por TRT = competência do próprio TRT; c) Decisões proferidas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em dissídios individuais = competência da SDI-2 (Seção de Dissídios Individuais 2) do TST; d) Decisões proferidas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em dissídios coletivos = competência da SDC (Seção de Dissídios Coletivos) do TST. Outrossim, tratando-se de decisões de mérito o próprio TST esclarece a questão por meio da Súmula 192: AÇÃO RESCISÓRIA. COMPETÊNCIA (atualizada em decorrência do CPC de 2015) - Res. 212/2016, DEJT divulgado em 20, 21 e 22.09.2016: I - Se não houver o conhecimento de recurso de revista ou de embargos, a competência para julgar ação que vise a rescindir a decisão de mérito é do Tribunal Regional do Trabalho, ressalvado o disposto no item II; II - Acórdão rescindendo do Tribunal Superior do Trabalho que não conhece de recurso de embargos ou de revista, analisando arguição de violação de 55 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. dispositivo de lei material ou decidindo em consonância com súmula de direito material ou com iterativa, notória e atual jurisprudência de direito material da Seção de Dissídios Individuais (Súmula nº 333), examina o mérito da causa, cabendo ação rescisória da competência do Tribunal Superior do Trabalho. (ex-súmula nº 192 – alterada pela Res. 121/2003, DJ 21.11.2003); III – Sob a égide do art. 512 do CPC de 1973, é juridicamente impossível o pedido explícito de desconstituição de sentença quando substituída por acórdão do Tribunal Regional ou superveniente sentença homologatória de acordo que puser f im ao litígio; IV – Na vigência do CPC de 1973, é manifesta a impossibilidade jurídica do pedido de rescisão de julgado proferido em agravo de instrumento que, limitando-se a aferir o eventual desacerto do juízo negativo de admissibilidade do recurso de revista, não substitui o acórdão regional, na forma do art. 512 do CPC. (ex-OJ nº 105 da SBDI-2 - DJ 29.04.2003); V- A decisão proferida pela SBDI, em agravo regimental, calcada na Súmula nº 333, substitui acórdão de Turma do TST, porque emite juízo de mérito, comportando, em tese, o corte rescisório. (ex-OJ nº 133 da SBDI-2 - DJ 04.05.2004). Com o advento do novo CPC passou a ser admitido também o ajuizamento de ação rescisória para atacar decisões em que não tenha sido discutido o mérito extinção sem resolução do mérito nos casos em que a decisão: (I) impeça a propositura de nova ação ou (II) com relação à admissibilidade do recurso correspondente, nos termos do art. 966, §2º. Cumpre salientar que, nos termos da Súmula 252 do STF: “Na ação rescisória, não estão impedidos os juízes que participaram do julgamento da decisão que se busca desconstituir”. A legitimidade vem prevista no art. 967 do CPC: Art. 967. Têm legitimidade para propor a ação rescisória: I - quem foi parte no processo ou o seu sucessor a título universal ou singular; II - o terceiro juridicamente interessado; III - o Ministério Público: a) se não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatória a intervenção; b) quando a decisão rescindenda é o efeito de simulação ou de colusão das partes, a f im de f raudar a lei; c) em outros casos em que se imponha sua atuação; IV - aquele que não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatório à intervenção. Parágrafo único. Nas hipóteses do art. 178, o Ministério Público será intimado para intervir como f iscal da ordem jurídica quando não for parte. Com relação à legitimidade do Ministério Público o TST por meio da Súmula 407, complementa que: “A legitimidade "ad causam" do Ministério Público para propor ação rescisória, ainda que não tenha sido parte no processo que deu origem à decisão rescindenda, não está limitada às alíneas "a", "b" e “c” do inciso III do art. 56 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 967 do CPC de 2015 art. 487, III, “a” e “b”, do CPC de 1973, uma vez que traduzem hipóteses meramente exemplificativas ex-OJ nº 83 da SBDI-2 - inserida em 13.03.2002”. Nos termos da Súmula 406 da TST, é importante mencionar que existindo litisconsórcio pluralidade de partes no polo ativo ou passivo na ação originária, na ação rescisória também haverá.AÇÃO RESCISÓRIA. LITISCONSÓRCIO. NECESSÁRIO NO PÓLO PASSIVO E FACULTATIVO NO ATIVO. INEXISTENTE QUANTO AOS SUBSTITUÍDOS PELO SINDICATO (conversão das Orientações Jurisprudenciais n.º 82 e 110 da SBDI-2) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005: I - O litisconsórcio, na ação rescisória, é necessário em relação ao polo passivo da demanda, porque supõe uma comunidade de direitos ou de obrigações que não admite solução díspar para os litisconsortes, em face da indivisibilidade do objeto. Já em relação ao polo ativo, o litisconsórcio é facultativo, uma vez que a aglutinação de autores se faz por conveniência e não pela necessidade decorrente da natureza do litígio, pois não se pode condicionar o exercício do direito individual de um dos litigantes no processo originário à anuência dos demais para retomar a lide. (ex-OJ nº 82 da SBDI- 2 - inserida em 13.03.2002); II - O Sindicato, substituto processual e autor da reclamação trabalhista, em cujos autos foram proferidos a decisão rescindenda, possui legitimidade para f igurar como réu na ação rescisória, sendo descabida a exigência de citação de todos os empregados substituídos, porquanto inexistente litisconsórcio passivo necessário. (ex-OJ nº 110 da SBDI-2 - DJ 29.04.2003). Para o ajuizamento da ação rescisória é necessário observar dois pressupostos: (I) a existência de trânsito em julgado; e (II) decisão de mérito ou decisão destituída de mérito desde que impeça a propositura de nova ação ou admissibilidade de recurso correspondente. Sobre o trânsito em julgado a Súmula 299 do TST assim assevera: AÇÃO RESCISÓRIA. DECISÃO RESCINDENDA. TRÂNSITO EM JULGADO. COMPROVAÇÃO. EFEITOS (nova redação do item II em decorrência do CPC de 2015) - Res. 211/2016, DEJT divulgado em 24, 25 e 26.08.2016: I - É indispensável ao processamento da ação rescisória a prova do trâns ito em julgado da decisão rescindenda. (ex-Súmula nº 299 – Res. 8/1989, DJ 14, 18 e 19.04.1989); II - Verif icando o relator que a parte interessada não juntou à inicial o documento comprobatório, abrirá prazo de 15 (quinze) dias para que o faça (art. 321 do CPC de 2015), sob pena de indeferimento.(ex-Súmula nº 299 - Res 8/1989, DJ 14, 18 e 19.04.1989); III - A comprovação do trânsito em julgado da decisão rescindenda é pressuposto processual indispensável ao tempo do ajuizamento da ação rescisória. Eventual trânsito em julgado posterior ao ajuizamento da ação rescisória não reabilita a ação proposta, na medida em que o ordenamento jurídico não contempla a ação rescisória preventiva. (ex-OJ nº 106 da SBDI- 2 - DJ 29.04.2003); 57 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. IV - O pretenso vício de intimação, posterior à decisão que se pretende rescindir, se efetivamente ocorrido, não permite a formação da coisa julgada material. Assim, a ação rescisória deve ser julgada extinta, sem julgamento do mérito, por carência de ação, por inexistir decisão transitada em julgado a ser rescindida. (ex-OJ nº 96 da SBDI-2 - inserida em 27.09.2002). Outrossim, o mesmo deverá ser observado no caso de reexame necessário nas condenações contra a Fazenda Pública, vez que, nos termos da OJ 21 da SDI-2 do TST, reputa-se como incabível ação rescisória para a desconstituição de sentença não transitada em julgado porque ainda não submetida ao necessário duplo grau de jurisdição, na forma do Decreto-lei nº 779/69. Determina-se que se oficie ao Presidente do TRT para que proceda à avocatória do processo principal para o reexame da sentença rescindenda. Nos termos do art. 975 do CPC, o direito à rescisão se extingue em 2 (dois) anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. Este prazo é decadencial, logo, escoado o prazo, estará extinto o próprio direito à rescisão de decisão tida por viciada. Esclarece-se, contudo, que nos termos da Súmula 100, IX do TST, prorroga-se até o primeiro dia útil, imediatamente subsequente, o prazo decadencial para ajuizamento de ação rescisória quando expira em férias forenses, feriados, finais de semana ou em dia em que não houver expediente forense. O prazo decadencial começará a correr a contar do trânsito em julgado da ação originária, vez que este é pressuposto a ensejar a ação rescisória. Salienta-se, contudo, que caso a ação rescisória seja baseada em prova nova, nos termos do art. 975, §2º do CPC: “O termo inicial do prazo será a data de descoberta da prova nova, observado o prazo máximo de 5 (cinco) anos, contado do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo”. Aliás, o cabimento da ação rescisória fica por conta do art. 966 do CPC: Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I - se verif icar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente; III - resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a f im de f raudar a lei; IV - ofender a coisa julgada; V - violar manifestamente norma jurídica; VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória; 58 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável; VIII - for fundada em erro de fato verif icável do exame dos autos. § 1º Há erro de fato quando a decisão rescindenda admitir fato inexistente ou quando considerar inexistente fato efetivamente ocorrido, sendo indispensável, em ambos os casos, que o fato não represente ponto controvertido sobre o qual o juiz deveria ter se pronunciado. § 2º Nas hipóteses previstas nos incisos do caput, será rescindível a decisão transitada em julgado que, embora não seja de mérito, impeça: I - nova propositura da demanda; II - admissibilidade do recurso correspondente. § 3º A ação rescisória pode ter por objeto apenas 1 (um) capítulo da decisão. § 4º Os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução, estão sujeitos à anulação , nos termos da lei. § 5º Cabe ação rescisória, com fundamento no inciso V do caput deste artigo, contra decisão baseada em enunciado de súmula ou acórdão proferido em julgamento de casos repetitivos que não tenha considerado a existência de distinção entre a questão discutida no processo e o padrão decisório que lhe deu fundamento. (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência). § 6º Quando a ação rescisória fundar-se na hipótese do § 5º deste artigo, caberá ao autor, sob pena de inépcia, demonstrar, fundamentadamente, tratar-se de situação particularizada por hipótese fática distinta ou de questão jurídica não examinada, a impor outra solução jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência). Em caso de recurso parcial, o professor Élisson Miessa (2019, p. 1571), explica que no processo do trabalho o TST entende que ocorrerá o trânsito em julgado em momentos e tribunaisdisciplinando um Procedimento de jurisdição voluntária na Justiça do Trabalho com a homologação do acordo extrajudicial. Ainda neste capítulo serão estudos os procedimentos comuns trabalhistas, ou seja, o Sumário, o Sumaríssimo e o Ordinário, analisando-se suas nuances. Neste 4 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. caso serão comparadas as peculiaridades do procedimento sumário e do sumaríssimo para com o procedimento ordinário, que é o padrão. Por fim, no terceiro capítulo, o estudo será calcado nos Procedimentos especiais, tais como Inquérito judicial para apuração de falta, utilizado no caso da necessidade de demissão por justa de algumas modalidades de empregados estáveis que exigem para sua validação a intervenção do poder judiciário. Será analisada Ação de consignação em pagamento, muito comum nos casos de recusa de recebimento por parte do empregado de seus salários ou haveres rescisórios. Outrossim, serão analisados os procedimentos da Ação rescisória, do Mandado de segurança, da Ação civil pública, da Ação monitória e da Ação anulatória. Esperamos que o estudo seja proveitoso. Em havendo dúvidas, estamos à disposição para saná-las. Bons estudos! 5 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO AOS PROCEDIMENTOS TRABALHISTAS Antes de adentrarmos ao estudo dos procedimentos trabalhistas espeficamente os comuns e os especiais, cabe-nos analisar algumas questões inerentes à elucidação do tema, como a diferença entre processo e procedimento, as nuances processuais, tais quais a formação, suspensão e extinção do processo, além de tecer algumas considerações acerca das nulidades processuais. 1.1 Processo e Procedimento 1.1.1 Natureza Jurídica do Processo e o Conceito de Procedimento Antes do reconhecimento da autonomia científica do processo, era este comumente confundido com o procedimento, ou seja, com a simples sucessão de atos processuais (MIESSA, 2019, p. 355). Para José Roberto dos Santos Bedaque (apud LEITE, 2015, p. 454): [...] processo não é mero instrumento técnico, nem o direito processual constitui ciência neutra, indiferente às opções ideológicas do Estado. Somente a conscientização, pelos processualistas, do caráter ético de sua ciência, da necessária “identidade ideológica entre processo e direito substancial”, permitirá que o instrumento evolua para melhor atender a seus escopos. Nessa concepção axiológica de processo, como instrumento de garantia de direitos, a visão puramente técnica não pode mais prevalecer, pois a ela se sobrepõem valores éticos de liberdade e justiça. Os princípios gerais do direito processual sofrem nítida inf luência do “clima” institucional e político do país. O professor Carlos Henrique Bezerra Leite (2015, p. 454) complementa ainda que de forma etimológica, vindo do latim “procedere”, a palavra “processo” possui o significado de “marcha avante”, ou ir adiante. Logo, é possível afirmar que o processo é o caminho que busca a solução de um conflito submetido à jurisdição. Ou ainda, nas palavras do ilustre doutrinador: “O processo é o ponto de intercessão entre a ação e a jurisdição”. A teoria adotada de forma majoritária, entre várias outras, pelo sistema processual brasileiro é a Teoria da relação jurídica. Esta teoria prega que um processo é constituído por três pessoas ou sujeitos: o juiz (Estado), o autor e o réu, conhecida também como relação triangular. O professor Luiz Guilherme Marinoni ensina que: 6 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. O processo é um procedimento em contraditório, um procedimento adequado aos f ins do Estado Constitucional. Em abstrato, o procedimento é uma sequência concatenada de posições jurídicas subjetivas simples (faculdades, poderes e imperativos de conduta) e complexas (direitos, pretensões, deveres e ônus); em concreto, uma sequência de atos processuais, oriundos do exercício de posições jurídicas subjetivas. O procedimento visa à obtenção da tutela jurisdicional (MARINONI, 2008, p. 266). Conforme esclarece LEITE (2015, p. 456), o Colendo Tribunal do Trabalho (TST) adotou a teoria da relação jurídica processual, conforme julgado abaixo colacionado: RECURSO DE REVISTA. COISA JULGADA. EFICÁCIA PRECLUSIVA. AÇÃO AUTÔNOMA VISANDO AO RECONHECIMENTO DA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA EMPRESA TOMADORA DOS SERVIÇOS. INVIABILIDADE. A Subseção de Dissídios Individuais I, órgão uniformizador de jurisprudência interna corporis, julgando casos análogos, se posicionou no sentido de que, sob pena de cerceamento do direito de defesa, o reconhecimento da responsabilidade subsidiária está condicionado à presença do tomador de serviços na mesma relação juríd ica processual do real empregador. Recurso de revista não conhecid o, no particular (TST RR 8900-55.2006.5.09.0011, 8ª T., Rel. Min. Dora Maria da Costa, unânime, DEJT 10-6-2010). Note que no julgado acima exposto, o Colendo TST reconhecimento que não como se cogitar da responsabilidade de um terceiro sem que ele tenha participado da relação jurídica processual, ou seja, sem que para ele tenha sido observado o devido processo legal. Como visto acima a relação processual é tríplice por possuir três sujeitos ou demandantes. Antes que o Reclamado assim chamado o réu da relação processual trabalhista receba a notificação citatória a relação processual já existe, contudo, não está completa, vez que ainda falta uma das partes, não podendo assim ser estabelecida a relação triangular. Após o recebimento da notificação, que será presumidamente recebida após 48 horas no processo do trabalho1, a relação estará completa. E o procedimento, o que seria? 1 SÚMULA 16 DO TST: NOTIFICAÇÃO (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. Presume-se recebida a notificação 48 (quarenta e oito) horas depois de sua postagem. O seu não -recebimento ou a entrega após o decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário. 7 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Para o professor Élisson Miessa (2019, p. 357) ao citar Cândido Dinamarco2: Procedimento é a sucessão de atos processuais interligad os de maneira lógica para a obtenção de um objetivo f inal. É o aspecto visível do processo pela qual se instaura, se desenvolve e se f inaliza o processo. Representa uma noção puramente formal, enquanto o conceito de processo é marcado pela f inalidade de exercício de poder jurisdicional. Logo, é possível observar que o procedimento nada mais é do que o rito processual, podendo ser ordinário, sumário e sumaríssimo. 1.1.2 Pressupostosdistintos, sendo o prazo para a propositura da ação rescisória contado do trânsito em julgado de cada decisão, exceto se o recurso versar sobre preliminar ou prejudicial que possa acarretar a insubsistência da decisão recorrida, caso em que o prazo será contado a partir do trânsito em julgado da decisão que julgar o recurso parcial, nos termos do entendimento da súmula 100, II, do TST. Logo, o TST previu a existência do trânsito em julgado sucessivo ou formação progressiva da coisa julgada. De forma diversa o CPC esclarece que o prazo computa-se da última decisão proferida no processo, conforme art. 975, §2º. O TST entende ainda que apenas por ação rescisória é que pode o acordo homologado judicialmente pode ser rescindido, nos termos da inteligência da Súmula 259. 59 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Julgando procedente o pedido, o tribunal rescindirá a decisão, proferirá, se for o caso, novo julgamento e determinará a restituição do depósito art. 974. Por outro lado, considerando, por unanimidade, inadmissível ou improcedente o pedido, o tribunal determinará a reversão, em favor do réu, da importância do depósito, sem prejuízo do disposto no § 2º do art. 82 do CPC antecipação das despesas processuais. Conforme assevera o art. 836, parágrafo único da CLT: “A execução da decisão proferida em ação rescisória far-se-á nos próprios autos da ação que lhe deu origem, e será instruída com o acórdão da rescisória e a respectiva certidão de trânsito em julgado”. Cumpre rememorar ainda que é completamente cabível a condenação da parte sucumbente em honorários advocatícios, nos termos do art. 791-A da CLT: “Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa”. Da decisão proferida em ação rescisória, além da possibilidade de embargos de declaração para o órgão prolator da decisão, ainda é cabível Recurso Ordinário, sendo que caso a decisão seja dada por turmas do TRT o RO será direcionado para SDI-2 (se dissídio individual) ou SDC (se dissídio coletivo) do TST, conforme Súmula 158 do TST. Frisa-se que a interposição de Recurso de Revista é erro grosseiro nos termos da OJ 152 da SDI-2 do TST, não sendo o caso de aplicação do Princípio da Fungibilidade. Partindo a decisão do próprio TST caberá, eventualmente, Recurso Extraordinário para o STF (MIESSA, 2019, p. 1589). É cabível ação rescisória do julgamento de uma ação rescisória? SIM, nos termos da Súmula 400 do TST: Em se tratando de rescisória de rescisória, o vício apontado deve nascer na decisão rescindenda, não se admitindo a rediscussão do acerto do julgamento da rescisória anterior. Assim, não procede a rescisória calcada no inciso V do art. 966 do CPC de 2015 (art. 485, V, do CPC de 1973) para discussão, por má aplicação da mesma norma jurídica, tida por violada na rescisória anterior, bem como para arguição de questões inerentes à ação rescisória primitiva. (ex-OJ nº 95 da SBDI-2 - inserida em 27.09.2002 e alterada DJ 16.04.2004). 60 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. SAIBA MAIS: Tendo em vista a extensividade do tema é recomendável ao aluno que leia os seguintes dispositivos: Súmulas do TST: 83, 99, 100, 152, 158, 192, 259, 298, 299, 397, 398, 399, 400, 401, 402, 403, 404, 405, 406, 407, 408, 409, 410, 411, 412, 413. Orientações Jurisprudenciais da SDI-II do TST (OJs): 2, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 18, 19, 21, 23, 24, 25, 26, 30, 34, 35, 38, 39, 41, 69, 70, 71, 78, 80, 84, 94, 97, 101, 103, 107, 112, 123, 124, 128, 131, 132, 134, 135, 136, 146, 150, 151, 152, 154, 157, 158. 3.4 Mandado de Segurança O mandado de segurança é classificado pela doutrina como remédio constitucional e, nos termos do art. 5º, LXIX da CF/88: “Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público”. Além da previsão constitucional, o mandado de segurança encontra-se disciplinado na Lei 12.016/2009, que em seu art. 1º assim dispõe: Art. 1º - Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa f ísica ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem às funções que exerça. A legitimidade ativa, ou seja, a possibilidade de impetração do mandado de segurança cabe a qualquer pessoa física ou jurídica. Quando o direito violado ou ameaçado pertencer a várias pessoas, qualquer delas poderá requerer a proteção do direito. É possível ainda a existência de litisconsórcio ativo vários autores e mesmo a substituição processual, ou seja, que uma pessoa em nome próprio tutela o direito de um terceiro, nos termos do art. 1º, §3º: “Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, qualquer delas poderá requerer o mandado de segurança”. 61 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Com relação à legitimidade passiva, ou seja, o “réu” da ação em estudo, a doutrina não é pacífica, conforme esclarece o professor Élisson Miessa (2019, p. 1618). Bem por isso, é possível identificar três correntes, pelas quais possuem legitimidade passiva: (1ª): pessoa jurídica a qual pertença à autoridade coatora, pois será ela quem arcará com os efeitos patrimoniais. Nesse caso a autoridade coatora apenas é chamada a prestar esclarecimentos, nos termos de entendimentos do STJ e STF; (2ª): autoridade coatora, sendo necessário apenas indica a pessoa jurídica a qual pertence; e (3ª): corrente bastante minoritária entende que a legitimidade passiva ocorreria por litisconsórcio passivo entre a autoridade coatora e a pessoa jurídica a qual pertença. Nos termos do art. 6º, §3º da Lei do Mandado de Segurança: “Considera-se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática”. Outrossim, conforme Súmula 510 do STF: “Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida judicial”. A competência para impetração do mandado de segurança será da Justiça do Trabalho quando sujeita à matéria de sua jurisdição vide art. 114, IV, CF/88. É possível afirmar que a competência funcional para apreciação do mandado de segurança está assim distribuída: • Vara do Trabalho = Atos de autoridades que integrem, de alguma forma, o judiciário trabalhista, como os superintendentes regionais do trabalho,atos de fiscais/auditores em matéria trabalhista, etc.; • TRT = Atos de juízes das varas do trabalho respectivas ou do próprio TRT (quando praticado por seus desembargadores e servidores); • TST = Atos dos ministros do TST. A competência territorial será a sede funcional da autoridade coatora, nesse caso, embora seja competência territorial, sua natureza é absoluta, tendo em vista as peculiaridades do Mandado de Segurança (MIESSA, 2019, p. 1620). 62 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. O mandado de segurança pode ser de duas espécies: a) repressivo – quando a violação a direito líquido e certo já houver ocorrido; e b) preventivo – quando se busca evitar que a violação de direitos ocorra. Com relação ao cabimento, o art. 5º da Lei do MS, esclarece que: não se concederá mandado de segurança quando se tratar: I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; e III - de decisão judicial transitada em julgado. Outrossim, a Súmula 266 do STF estabelece que: “Não cabe mandado de segurança contra lei em tese”. Nessa mesma linha a súmula 267 do STF: “Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição”. E também a Súmula 268 da mesma corte: “Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado”. Note que o mandado de segurança é um remédio residual, não é recurso, mas ação que visa combater um ato violador de direitos e quando não haja qualquer recurso ou outro meio apto a repeli-lo. Logo a jurisprudência cuida de esclarecer o não cabimento do mandado de segurança e não o seu inverso, o que ocorre em raras vezes, como por meio da Súmula 414, II do TST que é esclarecido que: “No caso de a tutela provisória haver sido concedida ou indeferida antes da sentença, cabe mandado de segurança, em face da inexistência de recurso próprio”. Por outro lado, a mesma súmula em seu item I, estabelece que: “A tutela provisória concedida na sentença não comporta impugnação pela via do mandado de segurança, por ser impugnável mediante recurso ordinário. É admissível a obtenção de efeito suspensivo ao recurso ordinário mediante requerimento dirigido ao tribunal, ao relator ou ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, por aplicação subsidiária ao processo do trabalho do artigo 1.029, § 5º, do CPC de 2015”. Obtempera-se que o mandado de segurança deve possuir prova pré- constituída, vez que não haverá, como regra, dilação probatória produção de provas, sendo seu julgamento bastante célere. Nos termos da Súmula 415 do TST: “Exigindo o mandado de segurança prova documental pré-constituída, inaplicável o art. 321 do CPC de 2015 art. 284 do CPC 63 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. de 1973 quando verificada, na petição inicial do "mandamus", a ausência de documento indispensável ou de sua autenticação”. Ocorre que o art. 6º, §1º da Lei 12.016/09 traz hipótese de exceção: No caso em que o documento necessário à prova do alegado se ache em repartição ou estabelecimento público ou em poder de autoridade que se recuse a fornecê-lo por certidão ou de terceiro, o juiz ordenará, preliminarmente, por of ício, a exibição desse documento em original ou em cópia autêntica e marcará, para o cumprimento da ordem, o prazo de 10 (dez) dias. O escrivão extrairá cópias do documento para juntá-las à segunda via da petição. O prazo para impetração do mandado de segurança é de 120 dias, conforme art. 3º da lei em estudo: “O titular de direito líquido e certo decorrente de direito, em condições idênticas, de terceiro poderá impetrar mandado de segurança a favor do direito originário, se o seu titular não o fizer, no prazo de 30 (trinta) dias, quando notificado judicialmente”. Este prazo é decadencial. Ainda que não haja dilação probatória, via de regra, nos casos de competência originária dos tribunais, caberá ao relator a instrução do processo, sendo assegurada a defesa oral na sessão do julgamento do mérito ou do pedido liminar art. 16. Não é possível o jus postulandi na Justiça do Trabalho com relação a impetração de mandado de segurança, conforme Súmula 425 do TST. No mandado de segurança não cabe condenação em honorários advocatícios de sucumbência, mas é cabível condenação em má-fé, conforme art. 25 da lei em comento. Da decisão do mandado de segurança é possível a interposição de recurso, por ambas as partes, vez que a autoridade coatora possui o direito de recorrer, conforme art. 14, §2º da Lei 12.016/09. Das sentenças prolatadas em vara do trabalho o Recurso Ordinário irá para o TRT, dos acórdãos proferidos nos TRTs o Recurso Ordinário será encaminhado ao TST Súmula 201 do TST. Se a ordem for denegada pelo próprio TST o Recurso Ordinário irá para o STF, mas quando este concede a segurança, neste caso o recurso cabível é Recurso Extraordinário para o STF (MIESSA, 2019, p. 1627). Vale lembrar que das decisões monocráticas do relator será cabível o agravo regimental. 64 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Por fim, nos termos da Súmula 303, IV do TST: “Em mandado de segurança, somente cabe reexame necessário se, na relação processual, figurar pessoa jurídica de direito público como parte prejudicada pela concessão da ordem. Tal situação não ocorre na hipótese de figurar no feito como impetrante e terceiro interessado pessoa de direito privado, ressalvada a hipótese de matéria administrativa”. 3.5 Ação Civil Pública A ação civil pública está prevista na Lei 7.347/1985 (LACP), e com o título III do Código de Defesa do Consumidor forma um microssistema processual coletivo (MIESSA, 2019, p.1536). O cabimento vem previsto no art. 1º da LACP: Art. 1º - Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: l - ao meio-ambiente; ll - ao consumidor; III – a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo. V - por inf ração da ordem econômica; VI - à ordem urbanística. VII – à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos. VIII – ao patrimônio público e social. Parágrafo único. Não será cabível ação civil pública para veicular pretensão que envolva tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos benef iciários podem ser individualmente determinados. O art. 129, III da CF/88 assim expõe: “art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: [...] III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos”. Outrossim, o STF por meio do RE 163.231/SP incluiu comosubespécie de direitos coletivos os direitos individuais homogêneos. O professor Élisson Miessa (2019, p. 1537), esclarece que no âmbito da Justiça do Trabalho, conforme prevê o art. 83, III da LC/75/1993, a promoção da ação civil pública será promovida para a defesa de interesses coletivos, quando desrespeitados os direitos sociais constitucionalmente garantidos. 65 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Salienta-se que, embora o art. 1º, parágrafo único da LACP vede o cabimento da ação civil pública para veicular pretensão que envolva tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente determinados, a doutrina majoritária entende ser inconstitucional esse dispositivo, tendo em vista a princípio da inafastabilidade da jurisdição (MIESSA, 2019, p. 1537). O art. 81, parágrafo único do CDC cuidado de esclarecer sobre os direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária po r uma relação jurídica base; III - interesses ou direitos individuais homogêneos assim entendidos os decorrentes de origem comum. A competência da ação civil pública será da Vara do Trabalho, sendo esta competência absoluta quando versar sobre a tutela do interesse público, no que tange aos direitos dos trabalhadores. A legitimidade da ação civil pública está prevista no art. 5º da Lei 7.347/85. Art. 5º Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: I - o Ministério Público; II - a Defensoria Pública; III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; V - a associação que, concomitantemente: a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; b) inclua, entre suas f inalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. §1º O Ministério Público, se não intervier no processo como parte, atuará obrigatoriamente como f iscal da lei. §2º Fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos termos deste artigo habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes. §3° Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. §4° O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz, quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido. §5° Admitir-se-á o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União, do Distrito Federal e dos Estados na defesa dos interesses e direitos de que cuida esta lei. 66 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. §6° Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, mediante cominações, que terá ef icácia de título executivo extrajudicial. Ressalta-se que, nos termos do art. 15 da LACP: “decorridos sessenta dias do trânsito em julgado da sentença condenatória, sem que a associação autora lhe promova a execução, deverá fazê-lo o Ministério Público, facultada igual iniciativa aos demais legitimados”. Com relação ao objeto da ação civil pública o art. 3º da LACP esclarece que: “A ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer”. Em havendo condenação em dinheiro este será revertido para um fundo próprio, nos termos do art. 13 da LACP. Com relação à sentença na ação civil pública, o professor Élisson Miessa (2019, p. 1547), ensina que: Quando se busca tutelar direitos difusos e coletivos, a sentença coletiva assemelha-se à sentença do processo individual, impondo obrigações de fazer, não fazer, ou de indenização pelos danos coletivos causados. Já na hipótese de direitos individuais homogêneas, a sistemática é muito diferente, vez que a sentença profere uma condenação genérica, oportunidade em que há def inição da: a) identidade do sujeito passivo da obrigação (ex: empregador); b) existência da obrigação do devedo r (ex: o setor x possui agentes insalubres); c) natureza da prestação devida (ex: pagamento de adicional de 20% sobre o salário) [...] Posteriormente na fase de liquidação, identif ica-se quem é o titular do direito (ex: João, Pedro, Paulo, etc) e qual o valor da prestação a que faz jus (ex: João, R$600,00; Pedro, R$950,00 e Paulo, R$1.100,00) (MIESSA, 2019, p. 1547-1548). Com relação à coisa julgada, o art. 103 do CDC assim disciplina: Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: I - erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuf iciência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendo-se de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81; II - ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuf iciência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 81; III - erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para benef iciar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do art. 81. §1° Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe. 67 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. §2° Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido , os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual. §3° Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. 16, combinado com o art. 13 da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985, não prejudicarão as ações de indenização por danos pessoalmente sofridos, propostas individualmente ou na forma prevista neste código, mas, se procedente o pedido, benef iciarão as vítimas e seus sucessores, que poderão proceder à liquidação e à execução, nos termos dos arts. 96 a 99. §4ºAplica-se o disposto no parágrafo anterior à sentença penal condenatória. Por fim, cumpre esclarecer que na ação civil pública não há o adiantamen to de custas, emolumentos, honorários ou qualquer despesa, conforme art. 18 da LACP: “Nas ações de que trata esta lei, não haverá adiantamento de custas, emolumentos, honorários periciais e quaisquer outras despesas, nem condenação da associação autora, salvo comprovada má-fé, em honorários de advogado, custas e despesas processuais”. Ocorre, contudo, que no caso de má-fé, a associação autora e os diretores responsáveis pela propositura da ação serão solidariamente condenados em honorários advocatícios e ao décuplo das custas, sem prejuízo da responsabilidade por perdas e danos (art. 17). Com relação a ação civil pública ajuizada por sindicato figurando como substituto processual, nos termos da Súmula 219, item III do TST são devidos honorários advocatícios. 3.6 Ação Monitória A ação monitória visa o recebimento de um crédito representado por um título que, embora não mais dotado de efeito executivo, é prova bastante da existência de um crédito. Assim para o professor Daniel Amorim Assumpção Neves: Trata-se, portanto, de uma espécie de tutela diferenciada, que por meio da adoção de técnica de cognição sumária (para a concessão do mandado monitório) e do contraditório diferido (permitindo a prolação de decisão antes da oitiva do réu), busca facilitar em termos procedimentais a obtenção de um título executivo quando o credor tiver prova suf iciente para convencer o juiz, em cognição não exauriente, da provável existência de seu direito. (NEVES, 2016, p. 1687). O professor Daniel Neves (2016, p. 1687) assim sintetiza: 68 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. (a) Havendo título executivo, será adequado o processo de execução; (b) Não havendo título, mas existindo uma prova literal e suficiente para convencer o juiz da probabilidade do direito, será adequado o processo sincrético, cabendo ao autor à escolha da primeira fase desse processo: fase de conhecimento ou monitória; (c) Não havendo título nem prova literal, ao credor será exigido a propositura do processo sincrético com início na fase de conhecimento. Salienta-se que a ação monitória é uma faculdade do autor e caso este prefira pode ajuizar o processo de conhecimento para reconhecer a existência do débito e posteriormente executar a sentença. No processo do trabalho a ação monitória é cabível desde que o documento escrito, sem eficácia de título executivo extrajudicial, seja oriundo da relação de trabalho ou relacionado com algum dos incisos do art. 114 da CF/88 (MIESSA, 2019, p. 1660). Outrossim, o procedimento é aquele mesmo do Processo Civil, constante nos artigos 700 a 702 do CPC. 3.7 Ação Anulatória A ação anulatória objetiva a invalidação de um ato jurídico que não observou os requisitos de validade constantes no art. 104 do Código Civil, podendo ser considerado nulo, se com base no art. 166, ou anulável, se com base no art. 171 (MIESSA, 2019, p. 1648). Cumpre transcrever os artigos retro mencionados: Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei. Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV - não revestir a forma prescrita em lei; V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI - tiver por objetivo f raudar lei imperativa; VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. 69 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I - por incapacidade relativa do agente; II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou f raude contra credores. Conforme outrora visto, no processo do trabalho a sentença de homologação de acordo é irrecorrível, vide art. 831, parágrafo único da CLT e Súmula 100, V do TST. Nesse caso o TST entende que apenas por ação rescisória é impugnável o termo de conciliação previsto no parágrafo único do art. 831 da CLT, conforme esclarece a Súmula 259 do TST. Ocorre, contudo, que conforme anteriormente explanado, o professor Élisson Miessa (2019, p. 1649), entende que com o advento do novo CPC o mais correto seria anular o ato jurídico de homologação, ou seja, utilizar para tanto a ação anulatória. Isso porque, entre outras questões, o art. 966, §4º do CPC estabelece que: “Os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução, estão sujeitos à anulação, nos termos da lei”. Uma vez que ação anulatória for julgada procedente, todos os atos subsequentes ao ato anulado serão considerados ineficazes e o processo originário deverá retomar a partir do momento em que ocorreu o ato anulado (MIESSA, 2019. p. 1650). A competência da ação anulatória por ser decorrência de um processo principal, deverá ser proposta no mesmo juízo que está nos termos do art. 61 do CPC/2015. Logo, pode-se afirmar que a competência para ação anulatória será do juízo que julgou o ato impugnado. A legitimidade ativa poderá ser do Ministério Público do Trabalho ou das entidades sindicais, podendo ocorrer litisconsórcio facu ltativo. A legitimidade passiva cabe às partes signatárias dos instrumentos viciados, como é caso dos sindicatos patronais ou profissionais. 70 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. REFERÊNCIAS BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2015. CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Direito Individual e Direito Coletivo de Trabalho. 4ª Edição. Salvador: Juspodivum, 2009. CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 11. ed. São Paulo: Metódo, 2017. CASSAR, Vólia Bomfim. Resumo de direito do trabalho. – 6. ed., rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018. CORREIA, Henrique. Direito do Trabalho para concurso de analista do TRT e MPU. Coleção Tribunais e MPU. 11ª Edição. São Paulo: Juspodivm, 2018. CORREIA, Henrique; MIESSA, Elisson. Manuel da Reforma Trabalhista. Comentários artigo por artigo. São Paulo: Juspodivm, 2018. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 15. ed. São Paulo: LTr, 2016. LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito do trabalho. 8ª ed. São Paulo: Saraiva, 2017. _________. Curso de direito processual do trabalho. 16ª ed. São Paulo: LTr, 2018. MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 32. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. _________.Direito processual do trabalho. 17ª ed. São Paulo: Atlas, 2017. MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil: comentado artigo por artigo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. MIESSA, Élisson. Processo do Trabalho para concursos de analista do TRT, TST e do MPU. 7ª ed. Salvador: Juspodivum, 2018. _________. Processo do Trabalho. Coleção Concursos Públicos. 7ª ed. Salvador: Juspodivm, 2019. MIGALHAS, 2019. TST homologa acordo extrajudicial com quitação geral. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI310814,31047- TST+homologa+acordo+extrajudicial+com+quitacao+geral. Acesso em 20 set. 2019. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 34. ed. São Paulo: LTr, 2009. 71 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. __________. Curso de direito processual do trabalho. 29ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014. NASCIMENTO, Amauri Mascaro; NASCIMENTO, Sônia Mascaro. Curso de direito do trabalho. História e teoria geral do direito do trabalho: relações individuais e coletivas do trabalho. 9. ed. – São Paulo: Saraiva, 2014. NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense São Paulo: Método, 2010. _______. Manual de direito processual civil - Volume único. 8ª ed. Salvador: JusPodivm, 2016. ROMAR, Carla Tereza Martins. Direito do Trabalho. Coordenador Pedro Lenza. – 5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2018. (Coleção esquematizado). SCHIAVI, Mauro. Manual de direito processual do trabalho. 13ª ed. São Paulo: LTr, 2018.Processuais Os pressupostos processuais representam os elementos de existência e os requisitos de validade do processo. Os pressupostos processuais de existência dizem respeito à existência real e efetiva do processo (MIESSA, 2019, p. 358), sem estes, portanto, embora tenhamos os autos (peças e etc.) o processo em si não existe. Superada a análise dos pressupostos de existência, cabe ao magistrado analisar se estão presentes os pressupostos de validade do processo que irão permitir a admissibilidade ou não de determinada ação. Para o professor Carlos Henrique Bezerra Leite: [...] os pressupostos processuais são requisitos que dizem respeito à existência ou à validade da relação jurídica processual. Mais especif icamente, os pressupostos processuais são elementos imprescindíveis para que a relação processual possa existir juridicamente (pressupostos processuais de existência) ou se desenvolver válida e regularmente (pressupostos processuais de validade). Com exceção do compromisso arbitral, o juiz deverá conhecer de of ício, dos pressupostos processuais (CPC, arts. 267, IV, § 3º, e 301, § 4º). Na verdade, na instância ordinária, a apreciação dos pressupostos processuais, de of ício, deve ser feita tanto pelo juiz quanto pelos tribunais (LEITE, 2015, p. 458). Assevera o aludido autor que, com relação à instância extraordinária para decretação de ausência de pressupostos processuais é necessário à provocação expressa da parte por meio do recurso de natureza extraordinária prequestionamento. Em outras palavras, o Tribunal Superior do Trabalho ou o Supremo Tribunal Federal não pode ao apreciar recurso de revista ou recurso 2 DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. 31. Ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2015, p. 317. 8 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. extraordinário decretar, de ofício, a extinção do processo por ausência de pressuposto processual, ainda que se trate de incompetência absoluta. Esse entendimento está consignado na Orientação Jurisprudencial nº. 62 da SDI-1 do TST: “É necessário o prequestionamento como pressuposto de admissibilidade em recurso de natureza extraordinária, ainda que se trate de incompetência absoluta”. Impende salientar que classificação dos pressupostos processuais não é pacífica na doutrina, contudo, de forma majoritária estão assim dispostos: Tabela 1: Pressupostos Processuais Pressupostos Processuais SUBJETIVOS Existência • Investidura • Capacidade de ser parte Validade • Imparcialidade • Competência • Capacidade Processual • Capacidade postulatória OBJETIVOS Existência • Demanda Validade • Coisa julgada material • Litispendência • Perempção • Convenção de arbitragem • Ausência de pagamento de custas processuais • Petição inicial apta • Citação válida • Regularidade Formal Fonte: MIESSA, 2019, p. 359. Adaptada pelo autor. Com relação aos pressupostos processuais de existência, também chamados pelo CPC de pressupostos de constituição do processo, temos estes como sendo objetivamente a própria demanda, ou seja, um processo somente se inicia quando a jurisdição é provocada (Princípio da Inércia da Jurisdição), e isto é feito pela demanda que nada mais significada do que o próprio ato de pedir algo ao Estado- Juiz, em outras palavras querer ver solucionada determinada questão. 9 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Subjetivamente, os pressupostos de validade estão divididos em: investidura e a capacidade de ser parte. A investidura diz respeito ao fato do processo ter que ser regido por sujeito devidamente investido no poder jurisdicional, podendo externar a vontade a representação do Estado no exercício da atividade jurisdicional, logo, este pressuposto relaciona-se com o juiz. A capacidade de ser parte nada mais é do que a própria capacidade de direito ou de gozo, ou seja, toda pessoa possui direito de ser parte, vez que su jeito de direitos de obrigações. Cumpre observar que caso qualquer destes pressupostos não se encontrem presentes, o próprio processo inexistirá. É justamente por este motivo que Alexandre Freitas Câmara (apud MIESSA, 2019, p. 359), esclarece que nesse caso não há que falar em extinção do processo, vez que este sequer existe, mas sim em um ato meramente administrativo que determine a cancelamento da distribuição e de todos os registos atinentes ao processo. Bem por isso, o autor Rodrigo Klipel (apud LEITE, 2015, p. 459), esclarece que: Acerca da verif icação de um vício de inexistência é a de que, f indo o processo, é o mesmo insanável, já que a sua falta resultará na inexistência do processo no mundo do dever/ser. Impossível falar-se em análise da mácula à luz da instrumentalidade das formas (nulidade = erro de forma + prejuízo), pois, se não há formação da relação processual, juridicamente não há que se cogitar de quaisquer efeitos ou consectários do processo, motivo pelo qual basta a declaração de tal circunstância (querela nullitatis). Já os pressupostos processuais de validade, que segundo MIESSA (2019, p. 358) podem ser divididos também subjetivos e objetivos, estão relacionados à admissibilidade do processo. Têm-se como pressupostos objetivos os seguintes: coisa julgada material; litispendência; perempção; convenção de arbitragem; ausência de pagamento de custas processuais; petição inicial apta; citação válida e regularidade formal. A coisa julgada material, ou seja, aquela que ocorre quando houve julgamento do mérito (sentenças definitivas), obsta a propositura de nova ação que vise discutir questão já solucionada pelo poder judiciário. De forma diversa, a coisa julgada formal, ou seja, quando não ocorre julgamento de mérito (sentença terminativa) não 10 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. representa nesse caso pressuposto processual de validade negativo como ocorre com o material, tendo em vista a inexistência de análise meritória. A litispendência diz respeito à repetição de ação idêntica, conforme art. 337, §3º do CPC, e por esse motivo, a segunda ação não poderá seguir seu curso, tendo em vista a existência da primeira com as mesmas partes e pedido e causa de pedir, sendo por isso também um pressuposto negativo de validade do processo. A perempção resta configurada no processo do trabalho nas hipóteses dos arts. 731 e 732 da CLT: Art. 731 - Aquele que, tendo apresentado ao distribuidor reclamação verbal, não se apresentar, no prazo estabelecido no parágrafo único do art. 786, à Junta ou Juízo para fazê-lo tomar por termo, incorrerá na pena de perda, pelo prazo de 6 (seis) meses, do direito de reclamar perante a Justiça do Trabalho. Art. 732 - Na mesma pena do artigo anterior incorrerá o reclamante que, por 2 (duas) vezes seguidas, der causa ao arquivamento de que trata o art. 844. Como pode ser observado acima, diferentemente do processo civil, no processo do trabalhoos efeitos da perempção não são definitivos, sendo temporário pelo prazo de seis meses, pois permitem novo ajuizamento de ação desde que observados os artigos retro mencionados. É, como a litispendência e a coisa julgada, um pressuposto de validade negativo, pois depende de sua não existência para que o processo prossiga seu curso normal. Em outras palavras, o processo só existirá validamente caso não seja verificado a existência de perempção, coisa julgada e litispendência. A existência de convenção de arbitragem que pode abranger os dissídios coletivos ou individuais, no caso desse último desde que observado o art. 507-A da CLT3, impede o prosseguimento da ação trabalhista, vez que as partes se obrigaram a utilizarem àquele meio de solução de conflito, sendo, portanto, também um pressuposto de validade negativo, devendo a ação, se proposta, ser extinta sem resolução do mérito, nos termos do art. 485, VII do CPC: “O juiz não resolverá o mérito quando: [...] VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência”. 3 Art. 507-A da CLT. Nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuado cláu sula compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996. 11 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Cumpre observar, porém, que esse pressuposto não pode ser reconhecido de ofício pelo juiz, devendo ser alegado pelas partes para então ser acolhido pelo magistrado. A ausência de pagamento de custas é um pressuposto resultante da Lei 13.467/2017 Reforma Trabalhista, vez que fora acrescen tado art. 844, §2º na CLT, que assim dispõe: “Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável”. O pressuposto de validade aqui discutido fica nítido ao seguirmos para o §3º do mesmo artigo, vejamos: “O pagamento das custas a que se refere o § 2o é condição para a propositura de nova demanda”. Assim, em que pesem as discussões sobre eventual inconstitucionalidade de tais parágrafos, que inclusive são objetos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº. 5766/DF, o fato é que enquanto o tema não for solucionado pelo STF, uma vez que o reclamante tenha faltado injustificadamente à audiência do processo a que deu causa uma vez arquivado o processo, para a propositura de nova demanda, dependerá do pagamento prévio das custas processuais do processo anteriormente arquivado. Logo, sem o pagamento das custas, a segunda ação deve ser extinção sem resolução do mérito de plano. FIQUE POR DENTRO: A ADI 5766/DF iniciada pela Procuradoria Geral da República vem sendo julgada desde 25/08/2017, analisa a eventual inconstitucionalidade dos seguintes pontos: 1) a cobrança de honorários de advogado e de honorários periciais, em caso de sucumbência; 2) a utilização de créditos havidos em outros processos para pagamento de honorários; 3) a cobrança de custas judiciais aos empregados que derem causa ao arquivamento de suas ações por não comparecimento injustificado à audiência, ou seja, do art. 790-B, “caput” e § 4º(1), o § 4º do art. 791-A(2), e o § 2º do art. 844(3), da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), introduzidos pelo art. 1º da Lei 13.467/2017 Reforma Trabalhista. Possui como relator o Ministro Roberto Barroso e a última decisão constante nos autos é a que segue: 12 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. “Após o voto do Ministro Roberto Barroso (Relator), julgando parcialmente procedente a ação direta de inconstitucionalidade, para assentar interpretação conforme a Constituição, consubstanciada nas seguintes teses: “1. O direito à gratuidade de justiça pode ser regulado de forma a desincentivar a litigância abusiva, inclusive por meio da cobrança de custas e de honorários a seus beneficiários. 2. A cobrança de honorários sucumbenciais do hipossuficiente poderá incidir: (I) sobre verbas não alimentares, a exemplo de indenizações por danos morais, em sua integralidade; e (II) sobre o percentual de até 30% do valor que exceder ao teto do Regime Geral de Previdência Social, mesmo quando pertinente a verbas remuneratórias. 3. É legítima a cobrança de custas judiciais, em razão da ausência do reclamante à audiência, mediante prévia intimação pessoal para que tenha a oportunidade de justificar o não comparecimento, e após o voto do Ministro Edson Fachin, julgando integralmente procedente a ação, pediu vista antecipada dos autos o Ministro Luiz Fux. Ausentes o Ministro Dias Toffoli, neste julgamento, e o Ministro Celso de Mello, justificadamente. Presidência da Ministra Cármen Lúcia. Plenário, 10.5.2018. Acompanhe o julgamento em: http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5250582 A petição inicial apta representa o primeiro ato processual praticado pelo reclamante, vez que o processo se inicia com a provocação da parte princípio da inércia ou da demanda. Bem por isso, é necessário que a petição inicial atenda algumas formalidades impostas pelo legislador. Caso tais formalidades não sejam observadas a petição inicial poderá ser considera inepta, nos moldes do art. 330, §1º do CPC: § 1º Considera-se inepta a petição inicial quando: I - lhe faltar pedido ou causa de pedir; II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico; III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; IV - contiver pedidos incompatíveis entre si. O art. 840, §1º da CLT também trata do tema, trazendo as formalidades mínimas da Reclamação Trabalhista: “Sendo escrita, a reclamação deverá conter a http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5250582 13 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. designação do juízo, a qualificação das partes, a breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo, determinado e com indicação de seu valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu representante”. O §3º esclarece a consequência para o descumprimento do §1º, vejamos: “Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1o deste artigo serão julgados extintos sem resolução do mérito”. Assim, resta nítida ser a petição inicial apta um pressuposto de validade do processo, vez que não observado ensejará o arquivamento dos autos extinção sem resolução do mérito. A citação válida também é pressuposto de validade do processo e nos termos do art. 238 do CPC: “Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ouo interessado para integrar a relação processual”. Por fim, a regularidade formal diz respeito à forma como os atos processuais ocorrerão no caminhar processual. Contudo, impende rememorar que, conforme art. 188 do CPC: “Os atos e os termos processuais independem de forma determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir, considerando-se válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial”. Em outras palavras, tem-se aqui expresso o Princípio da instrumentalidade das formas. Logo, ainda que um ato processual não tenha sido realizado observando a forma prescrita em lei, mas tenha atingido seu objetivo, será considerado válido. Com relação aos pressupostos de validade subjetivos, têm-se estes divididos em: Imparcialidade; Competência; Capacidade Processual e Capacidade Postulatória. A Imparcialidade nada mais é do que a ausência de qualquer motivo de suspeição ou impedimento arts. 144 e 145 do CPC, vez que o magistrado deve proferir decisão isenta de predileções. Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo: I - em que interveio como mandatário da parte, of iciou como perito funcionou como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha; II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão; III - quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou af im, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; 14 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro , ou parente, consanguíneo ou af im, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo; VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes; VII - em que f igure como parte instituição de ensino com a qual tenha relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços; VIII - em que f igure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou af im, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório; IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado. § 1º Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verif ica quando o defensor público, o advogado ou o membro do Ministério Público já integrava o processo antes do início da atividade judicante do juiz. § 2º É vedada a criação de fato superveniente a f im de caracterizar impedimento do juiz. § 3º O impedimento previsto no inciso III também se verif ica no caso de mandato conferido a membro de escritório de advocacia que tenha em seus quadros advogado que individualmente ostente a condição nele prevista, mesmo que não intervenha diretamente no processo. Art. 145. Há suspeição do juiz: I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados; II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas do litígio; III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive; IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes. § 1º Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões. § 2º Será ilegítima a alegação de suspeição quando: I - houver sido provocada por quem a alega; II - a parte que a alega houver praticado ato que signif ique manifesta aceitação do arguido. A Competência diz respeito à delimitação do exercício legítimo da jurisdição (NEVES, 2010, p. 110). Em outras palavras, ainda que a jurisdição seja una, ou seja, uma só é necessária que seja partilhada e organizada, justamente para que sua finalidade seja atingida, daí nasce à noção de competência, tanto as relativas (como a em razão do território), como as absolutas (como a em razão da matéria). Destaca-se que ambas as competências, relativa e absoluta, são pressupostos processuais de validade. Por fim, tem-se a Capacidade processual e a Capacidade postulatória. A primeira caracteriza a capacidade para a realização dos autos processuais, ou 15 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. mesmo a capacidade para estar em juízo sem assistência ou representação. É a capacidade de fato ou exercício que possuí a pessoa apta à prática de todos os atos da vida civil. Logo, possuindo um sujeito capacidade civil plena, é possível afirmar que ele possuirá capacidade processual. Por outo lado, a segunda, Capacidade postulatória significa a capacidade para postular em juízo. Via de regra apenas advogados públicos ou provados, incluindo aqui os Defensores Públicos e os membros do Ministério Público possuem tal capacidade. Ocorre, contudo, que na Justiça do Trabalho tem-se o jus postulandi da parte, podendo qualquer das partes Reclamante ou Reclamada se fazer representar sem a presença de um advogado, conforme art. 791 da CLT: “Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final”. Rememora-se que o Colendo TST por meio da Súmula 425 esclareceu o alcance do jus postulandi na Justiça do Trabalho da seguinte forma: “O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho”. A capacidade postulatória por ser pressuposto de validade pode ensejar o arquivamento/extinção do processo para o autor, sendo que para o réu acarretará a revelia para o réu, e para o terceiro interessado sua exclusão da lide, não ocorrendo nesses dois últimos casos à extinção do processo, com o que é pressuposto de validade apenas dos atos que praticarem. Em ambos os casos, capacidade processual e postulatória, o magistrado deverá dar prazo para que a parte regularize a situação antes que o processo seja extinto. 1.2 Sincretismo Processual Tradicionalmente, o processo era classificado conforme a natureza do provimento jurisdicional ao qual era destinado. Logo, no âmbito do processo civil, a 16 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. doutrina utilizava as seguintes classificações: processo de conhecimento, processo de execução e processo cautelar (MIESSA, 2019, p. 373). Contudo, a partir do advento das Leis nº. 11.232/05 e 11.382/06 passaram a ser adotado o processo sincrético, passando todos osatos serem realizados dentro da mesma relação processual, sendo desnecessária ação autônoma para as fases de conhecimento e de execução. No processo do trabalho, contudo, sempre fora observado o processo sincrético, ocorrendo às fases de conhecimento e execução dentro da mesma relação processual. Para Mauro Schiavi (citado por MIESSA, 2019, p. 373), a utilização do sincretismo processual na justiça do trabalho encontra guarida justamente nos princípios da simplicidade e celeridade, além da duração razoável do processo e efetividade do acesso à justiça. De qualquer modo, conforme será visto no módulo atinente à execução trabalhista, em caso de execução de título extrajudicial, será necessário um processo de execução autônomo, vez que inexistente um processo de conhecimento que o originou. 1.3 Nulidades Processuais Em que pese o processo trabalhista seja regido pelos princípios da simplicidade e informalidade dos atos processuais, é necessário que um mínimo de formalismos seja observado, notadamente visando à segurança jurídica do processo. Caso tais formalismos não sejam respeitados poderão ocorrer os chamados vícios dos atos processuais, que estão divididos em: (I) atos inexistentes, (II) nulidades absolutas, (III) nulidades relativas e (IV) irregularidades. Os atos inexistentes caracterizam-se como aqueles que não possuem os elementos mínimos para sua formação, sendo o vício de maior gravidade. Imagine, por exemplo, uma sentença assinada por um estagiário, evidente que o estudante, embora seu empenho e zelo, não possui competência para o ato, tampouco é investido na função jurisdicional. Logo, essa sentença será inexistente. 17 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. No caso das nulidades absolutas estas se evidenciam quando há violação de norma de interesse público, sendo, portanto, um vício considerado insanável, em outras palavras é impossível consertar “o erro”. Tais nulidades podem ser reconhecidas de ofício ou a requerimento de qualquer das partes do processo e a qualquer momento, não se sujeitam, portanto, a preclusão perda do direito de manifestação/alegação do vício. Embora possam ser reconhecidas de ofício, ainda assim deve ser preservado o contraditório oportunizando-se a manifestação da parte contrária, conforme art. 10 do CPC: “O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício”. Rememora-se, outrossim, que nos termos da OJ nº. 62 da SDI-1 do TST: “É necessário o prequestionamento como pressuposto de admissibilidade em recurso de natureza extraordinária, ainda que se trate de incompetência absoluta”. Logo, nos recursos com natureza extraordinária, como é o caso do Recurso de Revista e dos Embargos de Divergência à SDI, por exemplo, será necessário o prequestionamento, sem ele, o recurso não será analisado. A Nulidade Relativa decorre da violação de interesse das partes (MIESSA, 2019, p. 628). Nesta hipótese, como não poderia deixar de ser, é indispensável o requerimento de uma das partes, sem o qual o juiz nada poderá conhecer pelo princípio da inércia da jurisdição. Outrossim, a nulidade relativa sujeita-se à preclusão. Logo, não sendo o vício alegado em sua primeira oportunidade de se manifestar nos autos, o vício não mais poderá ser questionado. Isso é característico com relação à incompetência territorial, que uma vez não alegada, prorroga a competência para o local onde ação foi distribuída. ATENÇÃO: Cabe aqui um alerta, com o advento da Lei 13.467/2017 Reforma Trabalhista, o prazo para apresentação da exceção de incompetência territorial passou a ser de cinco dias contados do recebimento da notificação. Assim, caso um empregado que sempre laborou em Curitiba/PR e passou a residir em Brasília/DF após sua dispensa e lá ajuizou reclamação trabalhista contra seu ex-empregador, e 18 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. este último não observou o prazo de cinco dias, deixando a alegação tão somente para o momento da contestação, restará configurado neste caso a preclusão, e competência territorial passará a ser da vara do trabalho de Brasília/DF onde a ação tenha sido distribuída. Portanto, cuidado com o prazo e jamais deixe para analisar uma reclamação trabalhista muito próximo da data da audiência. Com relação à irregularidade, como o próprio nome indica, esta é apenas um equívoco que não tem o condão de gerar qualquer efeito para o processo, como, por exemplo, a numeração errada das páginas de um processo físico. Conforme outrora esclarecido, frisa-se uma vez mais que as nulidades devem sempre ser observadas com cautela no âmbito do processo trabalhista. Nesse mesmo sentido esclarece o professor Carlos Henrique Bezerra Leite: Durante muito tempo, persistiu a ideia de que a falta de alguma formalidade dos atos processuais implicava a nulif icação de todo o processo. Era o chamado sistema legalista ou formalista. Na fase da instrumentalidade do processo, passou-se a mitigar o rigor das formalidades dos atos e termos do processo e, consequentemente, das nulidades processuais. No atual sistema processual, isto é, no paradigma do Estado Democrático de Direito , passou-se a observar os f ins sociais do processo, evitando -se, assim, declarar sua nulidade, mormente nos casos em que a ausência de alguma formalidade não provoque prejuízo para o direito das partes. Daí falar-se em sistema teleológico das nulidades (LEITE, 2015, p. 537). A passagem acima está de acordo com o Princípio da Instrumentalidade das Formas previsto no art. 188 do CPC: “Os atos e os termos processuais independem de forma determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir, considerando-se válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial”. Basicamente por este princípio, caso um ato seja praticado de forma diversa a apontada em lei, mas alcançada sua finalidade, será ele considerado válido. Além deste princípio, o tema em estudo nulidades possuía ainda os seguintes princípios balizadores: a) Princípio da Transcendência: este princípio também como conhecido como princípio do prejuízo ou como pas de nullité sans grief (sistema francês), traz a ideia de que inexistindo prejuízo para as partes o ato não poderá ser declarado nulo, devendo ser aproveitado. 19 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Parte da doutrina assevera que este princípio apenas pode ser observado no caso das nulidades relativas, tendo em vista que na nulidade absoluta o prejuízo é presumido. Cumpre esclarecer que o princípio da transcendência está previsto nos arts. 794 da CLT e 282, §2º do CPC. Art. 794 da CLT: Nos processos sujeitos à apreciação da Justiça do Trabalho só haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados manifestoprejuízo às partes litigantes. Art. 282, § 2º do CPC: Quando puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. b) Princípio da Preclusão: também conhecido como princípio da convalidação, indica que a nulidade relativa (vez que não se aplica à nulidade absoluta que deve ser declarada de ofício pelo magistrado4) deve ser alegada na primeira oportunidade de falar nos autos, sob pena de perder a faculdade da prática do ato processual (preclusão). Este princípio está previsto no art. 795 da CLT: Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das partes, as quais deverão argui-las à primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos. § 1º - Deverá, entretanto, ser declarada ex officio a nulidade fundada em incompetência de foro. Nesse caso, serão considerados nulos os atos decisórios. § 2º - O juiz ou Tribunal que se julgar incompetente determinará, na mesma ocasião, que se faça remessa do processo, com urgência, à autoridade competente, fundamentando sua decisão. c) Princípio da Economia Processual: vem previsto no art. 796, “a”, da CLT: “Art. 796 - A nulidade não será pronunciada: a) quando for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato”. Por este princípio é possível observar que determinadas nulidades, sempre que possível, devem ser sanadas como forma de conferir celeridade ao processo. d) Princípio do Interesse: este princípio se caracteriza como a impossibilidade de reconhecer uma nulidade processual causada pela própria parte que a alega, conforme art. 796, “b”, da CLT: “A nulidade não será pronunciada: [...] b) quando 4 Art. 278 do CPC: A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunid ade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece à preclusão provando a parte legítimo impedimento. 20 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. arguida por quem lhe tiver dado causa”. Se aplica também somente às nulidades relativas. e) Princípio da Utilidade: nesse caso é possível afirmar que a declaração de nulidade deve ser útil ao deslinde do processo. Bem por isso, por este princípio deve-se buscar aproveitar os atos praticados (princípio do aproveitamento), evitando-se sempre que possível à declaração de nulidade (MIESSA, 2019, p. 631). Este princípio encontra guarida no art. 797 da CLT: “O juiz ou Tribunal que pronunciar a nulidade declarará os atos a que ela se estende”. Também pode ser observada sua extensão ao art. 798 da CLT: “A nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que dele dependam, ou seja, consequência”. FIQUE POR DENTRO: Informativo nº. 170 do TST Mandado de segurança. Cópias não autenticadas. Declaração de autenticidade firmada na petição inicial não reconhecida pela Corte de origem. Excesso de formalismo. Aplicação do princípio da instrumentalidade das formas. Verifica-se excesso de formalismo quando o TRT despreza a declaração de autenticidade firmada pelo impetrante na petição inicial em razão de conter uma impropriedade ao mencionar que “as peças trasladadas são cópias fiéis do original dos presentes autos” ao invés de se referir às cópias juntadas com a exordial. No caso, aplica-se o princípio da instrumentalidade das formas, podendo-se considerar, portanto, que a declaração de autenticidade abrange todas as peças que instruíram o mandado de segurança, restando atendidas, por analogia, as exigências do art. 830 da CLT. Sob esse fundamento, a SBDI-II, por unanimidade, conheceu do recurso ordinário, e, no mérito, por maioria, deu-lhe provimento para, afastando a extinção do feito sem resolução do mérito, determinar o retorno dos autos ao Tribunal Regional de origem, a fim de que julgue o mandado de segurança, como entender de direito. Vencido o Ministro Renato de Lacerda Paiva. TST-RO-12126- 94.2010.5.15.0000, SBDI-II, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, 5.12.2017. 21 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1.4 Formação, Suspensão e Extinção do Processo 1.4.1 Formação do Processo O processo se inicia por provação de uma parte que entende possuir um conflito que apenas possa ser solucionado com a intervenção do Poder Judiciário princípio da inércia, disposto ou da demanda, conforme art. 2º do CPC: “O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei”. Conforme visto acima, uma vez iniciado o processo por provocação da parte, ele irá de desenvolver por impulso oficial princípio inquisitivo, também de acordo com art. 765 da CLT: “Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas”. A ação será considerada proposta com sua distribuição, nos termos do art. 312 do CPC: “Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, todavia, a propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado”. O juízo onde fora distribuída a reclamação trabalhista, tornar-se-á prevento, ou seja, caso exista arquivamento daquela ação extinção sem resolução do mérito, um novo ajuizamento deverá ocorrer perante o mesmo juízo onde ela fora distribuída anteriormente, por prevenção. Conforme o professor Élisson Miessa (2019, p. 636) esclarece, embora no processo civil ocorra de forma diversa, no processo do trabalho, com o ajuizamento da ação ocorrem os seguintes efeitos: a) Torna prevento o juízo; b) Induz a litispendência; c) Torna litigiosa a coisa; d) Constitui em mora o devedor; e) Interrompe a prescrição. 22 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1.4.2 Suspensão do Processo Via de regra, em decorrência do princípio da duração razoável do processo art. 5º, LXXVIII da CF e art. 6º do CPC, o recomendável é que não ocorram suspensões no curso do processo. Ocorre, contudo, quem em determinadas a suspensão será indicada até mesmo para melhor aproveitamento do processo. A CLT prevê as seguintes situações em que ocorrerá a suspensão processual: a) Exceção de incompetência e suspeição – art. 799: “Nas causas da jurisdição da Justiça do Trabalho, somente podem ser opostas, com suspensão do feito, as exceções de suspeição ou incompetência”. b) Suspensão de julgamento por ato do juiz – art. 844, §1º: “Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova audiência”. c) Prorrogação de prazos pelo juiz ou tribunal – art. 775: Art. 775. Os prazos estabelecidos neste Título serão contados em dias úteis, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. §1º Os prazos podem ser prorrogados, pelotempo estritamente necessário , nas seguintes hipóteses: I - quando o juízo entender necessário; II - em virtude de força maior, devidamente comprovada. §2º Ao juízo incumbe dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova, adequando-os às necessidades do conf lito de modo a conferir maior efetividade à tutela do direito. d) Suspensão entre 20 de dezembro e 20 de janeiro – art. 795-A: Art. 775-A. Suspende-se o curso do prazo processual nos dias compreendidos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive. §1º Ressalvadas as férias individuais e os feriados instituídos por lei, os juízes, os membros do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Advocacia Pública e os auxiliares da Justiça exercerão suas atribuições durante o período previsto no caput deste artigo. §2º Durante a suspensão do prazo, não se realizarão audiências nem sessões de julgamento. Outrossim, devem ainda serem aplicados os casos de suspensão previstos no art. 313 do CPC, esta assim disposto: 23 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Tabela 2: Suspensão dos Atos Processuais Art. 313 do CPC: Suspende-se o processo: I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador; §1º Na hipótese do inciso I, o juiz suspenderá o processo, nos termos do art. 689. §2º Não ajuizada ação de habilitação, ao tomar conhecimento da morte, o juiz determinará a suspensão do processo e observará o seguinte: I - falecido o réu, ordenará a intimação do autor para que promova a citação do respectivo espólio, de quem for o sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, no prazo que designar, de no mínimo 2 (dois) e no máximo 6 (seis) meses; II - falecido o autor e sendo transmissível o direito em litígio, determinará a intimação de seu espólio, de quem for o sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, pelos meios de divulgação que reputar mais adequados, para que manifestem interesse na sucessão processual e promovam a respectiva habilitação no prazo designado, sob pena de extinção do processo sem resolução de mérito. § 3º No caso de morte do procurador de 24 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. qualquer das partes, ainda que iniciada a audiência de instrução e julgamento, o juiz determinará que a parte constitua novo mandatário, no prazo de 15 (quinze) dias, ao final do qual extinguirá o processo sem resolução de mérito, se o autor não nomear novo mandatário, ou ordenará o prosseguimento do processo à revelia do réu, se falecido o procurador deste. II - pela convenção das partes; § 4º O prazo de suspensão do processo nunca poderá exceder 1 (um) ano nas hipóteses do inciso V e 6 (seis) meses naquela prevista no inciso II. § 5º O juiz determinará o prosseguimento do processo assim que esgotados os prazos previstos no § 4º. III - pela arguição de impedimento ou de suspeição; IV- pela admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas; V - quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a § 4º O prazo de suspensão do processo nunca poderá exceder 1 (um) ano nas hipóteses do inciso V e 6 (seis) meses naquela prevista no inciso II. § 5º O juiz determinará o prosseguimento do processo assim que esgotados os prazos previstos no § 4º. 25 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. outro juízo; VI - por motivo de força maior; VII - quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos da navegação de competência do Tribunal Marítimo; VIII - nos demais casos que este Código regula. IX - pelo parto ou pela concessão de adoção, quando a advogada responsável pelo processo constituir a única patrona da causa; § 6º No caso do inciso IX, o período de suspensão será de 30 (trinta) dias, contado a partir da data do parto ou da concessão da adoção, mediante apresentação de certidão de nascimento ou documento similar que comprove a realização do parto, ou de termo judicial que tenha concedido a adoção, desde que haja notificação ao cliente. X - quando o advogado responsável pelo processo constituir o único patrono da causa e tornar-se pai § 7 º No caso do inciso X, o período de suspensão será de 8 (oito) dias, contado a partir da data do parto ou da concessão da adoção, mediante apresentação de certidão de nascimento ou documento similar que comprove a realização do parto, ou de termo judicial que tenha concedido a adoção, desde que haja notificação ao cliente Fonte: MIESSA, 2019, p. 637-638. 1.4.3 Extinção do Processo O esperado e desejável é que um processo se encerre com a solução do conflito posto para o Poder Judiciário, ou seja, com a resolução do mérito solução 26 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. normal. Ocorre, contudo, que esta extinção poderá ser sem resolução do mérito solução anormal. Em ambos os casos um processo apenas se encerra com sentença, conforme art. 316 do CPC: “A extinção do processo dar-se-á por sentença”. A sentença pode ser terminativa sem julgamento mérito ou definitiva com julgamento do mérito, nos termos dos arts. 485 e 487 do CPC. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: I - indeferir a petição inicial; II - o processo f icar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; IV - verif icar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI - verif icar ausência de legitimidade ou de interesse processual; VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; VIII - homologar a desistência da ação; IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e X - nos demais casos prescritos neste Código. § 1º Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a parte será intimada pessoalmente para suprir a falta no prazo de 5 (cinco) dias. § 2º No caso do § 1º, quanto ao inciso II, as partes pagarão proporcionalmenteà custa, e, quanto ao inciso III, o autor será condenado ao pagamento das despesas e dos honorários de advogado. § 3º O juiz conhecerá de of ício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. § 4º Oferecida à contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação. § 5º A desistência da ação pode ser apresentada até a sentença. § 6º Oferecida a contestação, a extinção do processo por abandono da causa pelo autor depende de requerimento do réu. § 7º Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias para retratar-se. Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; II - decidir, de of ício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; III - homologar: a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção; b) a transação; c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1º do art. 332, a prescrição e a decadência não serão reconhecidas sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar-se. 27 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Salienta-se, por fim, que no caso da extinção do processo sem resolução do mérito, deve antes ser oportunizada à parte, em sendo possível, para que regularize o vício, nos termos do art. 317 do CPC, presente nesse caso o princípio da primazia da decisão de mérito. 28 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. CAPÍTULO 2 – FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E PROCEDIMENTOS COMUNS 2.1 Formas de Solução de Conflitos Pode-se afirmar que atualmente existem três formas de solução dos conflitos existentes na sociedade, sendo eles: a autotutela, a autocomposição e a heterocomposição. Basicamente a autotutela é caracterizada pela solução por meio próprio e com imposição da vontade de um sujeito a outro. Para LEITE (2015, p. 151): “A autodefesa ou autotutela, que é o método mais primitivo de solução dos conflitos, pressupõe um ato de defesa pessoal em que, com ou sem formas processuais, uma das partes do litígio impõe a outra um sacrifício não consentido”. Evidente que a autotutela de forma geral não é utilizada em nosso atual ordenamento jurídico, contudo é possível visualizá-la, como exceção, no direito do trabalho por meio do exercício de greve. A autocomposição que se destaca como sendo o meio mais adequado de solução de conflitos, caracteriza-se pela proatividade das partes em resolver amigavelmente um conflito, sem que haja nesse caso decisão de um terceiro. Para o professor Carlos Henrique Bezerra Leite (2015, p. 152): A autocomposição, que também é forma direta de solução do conf lito, consiste em uma técnica em que os litigantes, de comum acordo e sem emprego da força, fazem-se concessões recíprocas mediante ajuste de vontades. Na autocomposição, “um dos litigantes ou ambos consentem no sacrif ício do próprio interesse, daí ser a sua classif icação em unilateral e bilateral. A renúncia é um exemplo da primeira e a transação, da segunda. Pode dar-se à margem do processo, sendo, nesse caso, extraprocessual, ou no próprio processo, caso em que é intraprocessual, como a concil iação (CLT, art. 831, parágrafo único)5. Por fim, a heterocomposição é o meio de solução de conflito que depende de um terceiro sujeito que proferirá decisão e está deverá ser obrigatoriamente acatada pelas partes. 5 Art. 831 da CLT, parágrafo único: No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. 29 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Esse terceiro sujeito acima mencionado por ocorrer por vontade das partes, conforme Lei 9.307/1996 (que dispõe sobre a arbitragem) ou por imposição da lei, conforme art. 16 do CPC: “A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em todo o território nacional, conforme as disposições deste Código”, ou seja, enquanto no primeiro caso temos a arbitragem, nesse último temos a figura do juiz, representando a jurisdição. Frisa-se ainda, que não é incomum que casos de heterocomposição terminem em autocomposição, como por exemplo, nos acordos judiciais realizados durante a audiência ou até fim do processo. 2.1.1 Arbitragem Como visto acima, a arbitragem é o meio de solução de conflitos por meio da heterocomposição, ou seja, com a existência de um terceiro sujeito que proferirá decisão que vinculará de forma obrigatória às partes que o escolheram nos termos da Lei n. 9.307/1996. A arbitragem antes da Lei 13.467/2017 Reforma Trabalhista, apenas era possível nos dissídios coletivos, conforme art. 114, §1º da CF: “Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros”. Com o advento da Reforma Trabalhista e a inserção do art. 507-A na CLT passou a ser possível a utilização da arbitragem também nos dissídios individuais, observadas as seguintes regras: Art. 507-A da CLT: Nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benef ícios do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuado cláusula compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996. Ou seja, caso um empregado receba valor superior a duas ao teto do RGPS, atualmente em R$ 5.839,456, logo deverá receber valor não inferior a R$11.678,90 (para 2019), e concorde de forma expressa ou parta de sua iniciativa poderá ser inserido em seu contrato de trabalho cláusula que obrigue as partes a utilizarem o 6 SAIBA MAIS: Índice atualiza teto previdenciário para R$ 5.839,45 e faixas dos sa lários de contribuição para as alíquotas de recolhimento. Disponível em: http://www.previdencia.gov.br/2019/01/portaria -oficializa- reajuste-de-343-para-beneficios-acima-do-minimo-em-2019/ http://www.previdencia.gov.br/2019/01/portaria-oficializa-reajuste-de-343-para-beneficios-acima-do-minimo-em-2019/ http://www.previdencia.gov.br/2019/01/portaria-oficializa-reajuste-de-343-para-beneficios-acima-do-minimo-em-2019/ 30 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. instituto da arbitragem ao invés de submeter eventual conflito à Justiça do Trabalho inicialmente. ATENÇÃO: Para o caso da instituição de cláusula de arbitragem, basta