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AULA 2 BALANCED SCORECARD Prof. Alexandre Francisco de Andrade 2 INTRODUÇÃO Sabemos que a perspectiva do cliente monitora como a empresa está fornecendo valor aos seus clientes e como determina o nível de satisfação do cliente em relação aos produtos ou serviços. Você sabia que a satisfação do cliente é um indicador para o sucesso de uma empresa? Então, o quão bem uma empresa trata seus clientes pode, com certeza, afetar sua lucratividade. Antes de iniciarmos esta abordagem, vamos verificar os principais tópicos que nos acompanharão durante o desenvolvimento de nosso processo de ensino e aprendizagem, são eles: • Tópico 1 – Perspectiva do cliente dentro do BSC • Tópico 2 – Valor do cliente (customer equity) • Tópico 3 – Maximização do lucro e criação de valor • Tópico 4 – Perspectiva do cliente e as estratégias de mercado • Tópico 5 – Estudo de caso: integrando o BSC na medição de desempenho em equipes de atendimento TEMA 1 – PERSPECTIVA DO CLIENTE DENTRO DO BSC A estratégia ajuda a organização a descobrir o que significa valor para o cliente. Para ele, “na definição da finalidade e da missão da empresa há somente um enfoque, um só ponto de partida. É o cliente. O cliente define o negócio”. Em consequência, “só existe uma definição válida para a finalidade de uma empresa: criar um consumidor”. Assim, na formulação da estratégia o cliente deve ser colocado no centro da atividade empresarial. (Drucker, 1998; Herrero Filho, 2019) Podemos compreender, com esse tópico, que as empresas de sucesso sabem identificar corretamente o seu segmento de mercado, ou seja, as empresas desenvolvem estratégias que maximizem seus resultados e, em última análise, as recompensas financeiras. No passado, a perspectiva do cliente não era um ponto focal do Balanced Scorecard, pois as empresas acreditavam que o desempenho do produto e a inovação tecnológica eram o ponto focal do sucesso dos negócios e, não reconheciam as tendências comportamentais dos clientes. Dessa forma, em diversas circunstâncias, as empresas achavam fundamental criar o melhor produto do setor ou alcançar um excelente desempenho financeiro, mas a verdade é que o cliente supera todas as outras coisas, quando se trata de negócios. Então, uma empresa não poderá alcançar 3 desempenhos eficientes se não olhar para as necessidades de seus clientes. Você já deve ter reconhecido em algum momento essa situação: ● Por mais que um cliente ame obter um produto, que ele nunca experimentou antes, também pode ter diversas razões para não comprar. Entretanto, pode ser que esse cliente ache o produto muito caro, não confiável, muito fútil e marcante ou pode ser que esse cliente não goste da maneira como foi aconselhado a comprar o produto ou que o cliente não aprecie a funcionalidade. Notamos um ponto interessante, que isso leva à criação de valor, ou seja, aquilo com o qual os clientes podem ficar satisfeitos, atendendo um dos principais componentes da estratégia de desempenho da empresa. Assim, levantamos uma questão: como manter os clientes satisfeitos, para que comprem os produtos disponíveis e a empresa aumentar sua lucratividade? A resposta pode estar vinculada ao crescimento, ou seja, os processos podem ser avançados e melhorados, incentivando funcionários a desenvolverem habilidades para o alto desempenho. Outra oportunidade que uma empresa deve abordar é reter clientes que sejam lucrativos e atrair novos clientes que possam ajudar a manter o ganho financeiro. E como satisfazer os clientes? Você agora percebe que, antes de construir um Balanced Scorecard, a empresa deve definir sua segmentação de mercado que deseja abordar ou fazer uma oferta mercadológica (combinação de produtos e serviços, preços, promoção Satisfação do cliente aumenta a retenção Satisfação do cliente promove a lealdade Satisfação do cliente ajuda a oferecer mais valor Atender às expectativas Cumprir as promessas Desenvolver uma mentalidade 4 e local). Assim, a pesquisa de mercado pode ser a ferramenta útil no desenvolvimento da estratégia do cliente. Em resumo, uma vez que uma empresa tenha identificado seus segmentos de mercado, ela pode configurar os objetivos e indicadores a serem monitorados dentro do Balanced Scorecard. Saiba mais “a pesquisa mercadológica, que, entre outras coisas, ajuda as empresas no monitoramento das mudanças no mercado e, sobretudo, do comportamento do consumidor”. [...] uma pesquisa de mercado passa por quatro etapas macro: definição do problema, planejamento, análise e resultado”. (Bonho, 2018). Para Kaplan e Norton (1997), os indicadores de perspectiva do cliente podem ser divididos em duas categorias: o indicador principal do cliente e os indicadores diferenciais. Os indicadores centrais do cliente são muito utilizados pelas empresas, por exemplo: % de quota de mercado, % de satisfação do cliente, % de retenção de clientes, % de aquisição de clientes e % de rentabilidade do cliente. Os diferenciais são indicadores de desempenho que a empresa monitora para maximizar o valor dos seus principais indicadores, ou seja, eles se concentram nos atributos do produto, no relacionamento com o cliente, na imagem e na reputação da empresa. 1.1 Perspectiva do cliente e seus objetivos de desempenho Podemos entender que nessa perspectiva temos a concentração nos objetivos de desempenho que são relacionados aos clientes e ao mercado. Figura 1 – Perspectiva do cliente e seus objetivos de desempenho Objetivos de clientes e stakeholders Melhorar a satisfação do cliente Aumentar o reconhecimento da marca de uma empresa Expandindo o mercado- alvo para os produtos de uma empresa 5 Por exemplo, como podemos atingir os objetivos financeiros e saber exatamente o que precisamos entregar em termos de clientes e mercado? Para encontrar esses objetivos, precisamos planejar: • Atendimento e satisfação do cliente – Por exemplo, aumento das pontuações líquidas dos promotores ou redução dos tempos de espera do call center; • Quota de mercado – Por exemplo, quota de mercado crescente num determinado segmento ou país. • Reconhecimento da marca – Por exemplo, aumentar as interações nas mídias sociais. Saiba mais Que a satisfação do cliente é a única maneira confiável de manter os clientes voltando e para os profissionais de marketing a satisfação do cliente é o fator final para retenção. Então, manter os clientes satisfeitos é muito importante, pois esses clientes estão dispostos a mudar após ter uma única experiência de serviço ruim. No próximo tópico, nosso aprendizado envolverá o valor do cliente. TEMA 2 – VALOR DO CLIENTE (CUSTOMER EQUITY) O valor do cliente (customer equity) é formado pela soma do valor percebido pelo cliente mais o valor da marca e o valor da retenção [...] o valor do cliente deve ser calculado de acordo com os procedimentos utilizados para se obter o valor econômico agregado. (Herrero Filho, 2019). Para Herrero Filho (2019), “a análise do valor do cliente tem importantes implicações para a estratégia de uma organização”, dessa forma, “é preciso um aprofundamento de seus principais indicadores de valor”. Sabemos que a alta administração de uma empresa vai precisar obter respostas para determinadas perguntas. Vejamos alguns exemplos. 6 Figura 2 – Perguntas para análise do valor do cliente Fonte: Baseado em Herrero Filho, 2019. Podemos notar a importância da análise da estrutura de valor do cliente no entendimento do Balanced Scorecard, pois a ferramenta ajudar os gestores a formular as respostas. Outra consideração está nas ideias, percepções e modelos mentais sobre o valor oferecido pelas empresas referente aos seus produtose serviços. De acordo com Herrero Filho (2019), podemos ter grupos de clientes com diferentes pontos de vista no entendimento de valor. Vejamos os exemplos citados por Rust et al. (2001): ● Valor é preço baixo; ● Valor é aquilo que quero em um produto; ● Valor é a qualidade que recebo pelo preço que pago; ● Valor é o que recebo por aquilo de que abro mão, incluindo tempo e esforço. Você compreende que o valor percebido pelo cliente será definido por comparação, ou seja, por meio da avaliação objetiva e subjetiva que um cliente faz a respeito do que ele recebe de uma empresa? Então, temos de um lado a qualidade, o preço, a imagem, a conveniência e o atendimento; do outro lado, o que é dado em troca: dinheiro, tempo, esforço e aprendizagem. E isso tudo numa experiência de compra (Herrero Filho, 2019). Quais os motivos que levam determinado cliente a escolher uma empresa para comprar produtos e serviços? A experiência de compra leva os clientes a desejarem repetir suas compras com a empresa? Qual é o grau de influência que a empresa pode exercer sobre as decisões de compra do cliente? 7 Figura 3 – Exemplos de benefícios pelo valor pago Fonte: Andrade, 2023. No contexto geral, atualmente, muitos fornecedores de soluções estão voltados para recursos e ou na tecnologia dos produtos, esquecendo-se dos benefícios, que são elementos importantes para os consumidores, ou seja, qual é o valor real dos produtos e soluções prometidos na entrega. 2.1 Equação do valor do cliente Para Heskett et al. (2002), os gestores “precisam entender que existe uma relação direta entre o lucro e o crescimento das vendas com a satisfação e a fidelidade dos clientes”. Nesse processo, chegamos na seguinte equação: 𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑉𝑉𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑉𝑉 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑉𝑉𝑉𝑉 𝑝𝑝𝑉𝑉𝑝𝑝𝑝𝑝𝑐𝑐𝑐𝑐𝑝𝑝 = 𝑉𝑉𝑝𝑝𝑟𝑟𝑟𝑟𝑉𝑉𝑐𝑐𝑉𝑉𝑝𝑝𝑉𝑉𝑟𝑟 𝑝𝑝𝑟𝑟𝑝𝑝𝑝𝑝𝑉𝑉𝑉𝑉𝑝𝑝𝑉𝑉𝑟𝑟 𝑝𝑝𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉 𝑉𝑉 𝑝𝑝𝑉𝑉𝑝𝑝𝑝𝑝𝑐𝑐𝑐𝑐𝑝𝑝 + 𝑞𝑞𝑟𝑟𝑉𝑉𝑉𝑉𝑝𝑝𝑝𝑝𝑉𝑉𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑝𝑝𝑉𝑉 𝑝𝑝𝑉𝑉𝑉𝑉𝑝𝑝𝑝𝑝𝑟𝑟𝑟𝑟𝑉𝑉 𝑝𝑝𝑉𝑉𝑝𝑝ç𝑉𝑉 𝑝𝑝𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉 𝑉𝑉 𝑝𝑝𝑉𝑉𝑝𝑝𝑝𝑝𝑐𝑐𝑐𝑐𝑝𝑝 + 𝑝𝑝𝑟𝑟𝑟𝑟𝑐𝑐𝑉𝑉𝑟𝑟 𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑉𝑉𝑞𝑞𝑟𝑟𝑝𝑝𝑟𝑟𝑝𝑝çã𝑉𝑉 𝑝𝑝𝑉𝑉 𝑝𝑝𝑉𝑉𝑉𝑉𝑝𝑝𝑟𝑟𝑐𝑐𝑉𝑉 𝑉𝑉𝑟𝑟 𝑟𝑟𝑝𝑝𝑉𝑉𝑠𝑠𝑝𝑝ç𝑉𝑉 Saiba mais O cliente é o centro do sistema, ou seja, o valor do cliente é o benefício (técnicos, econômicos, serviço, social) em termos monetários que um cliente recebe em troca do preço pago pela oferta de mercado, tendo todos os recursos necessários para torná-lo sustentável. Então, apenas os players do mercado que agregam valor ao cliente conseguem se manter nesse sistema, pois o cliente Benefícios pelo valor pago ao produto Qualidade do produto ou serviço Sucesso em utilizar o produto ou serviço Vantagens de possuí- lo Pontos de diferenciação Acesso rápido para uma solução Marca e imagem da empresa ou produto Relações ou experiências existentes 8 compara os benefícios com os custos incorridos para obtê-los e considera o benefício líquido como seu valor. Nesse sentido, a criação de valor é o processo de negócios de desenvolvimento de valor para o cliente por meio do propósito, estratégia e modelo de negócios de uma empresa, levando em conta todos os recursos, capitais e relacionamentos. Observa-se o processo de como o negócio opera e usa seus recursos para fornecer utilidade e benefícios ao cliente. Para isso, a criação de valor tem base em três pontos importantes: ● Finalidade da organização: como o negócio da empresa se esforça para alcançar o valor do cliente? ● Modelo de negócio: como o negócio da empresa funciona e ganha dinheiro? ● Utilização de recursos e processos: como a empresa usa seus recursos disponíveis para desenvolver a oferta final? Quais são os processos que a empresa usa? Podemos notar que o conceito de criação de valor alinha-se com o conceito microeconômico da utilidade do produto para os clientes, seja para satisfazer os consumidores finais (B2C), seja para aumentar a rentabilidade de outros negócios (B2B). Saiba mais Criando valor O mercado divide-se em: negócios realizados entre empresas e pessoas, o qual chamamos de mercado de consumo (B2C), ou entre empresas, que chamamos business-to-business (B2B). No fundo, é no business-to-business que se estabelece a relação entre uma organização compradora e outra vendedora. O mercado business-to-business movimenta bilhões de dólares anuais e dele depende o sucesso de milhões de produtos que serão ofertados ao consumidor final. Logo, entender sua dinâmica e particularidades é fundamental para o sucesso e bom desempenho das organizações (Rocha, 2017). 2.2 O valor do cliente é um bom indicador Esse é o mais estimado dos relacionamentos que uma empresa pode ter com seus clientes. É proporcionar uma previsão de lucro financeiro potencial que 9 todos os possíveis clientes podem trazer para uma empresa por meio do relacionamento com a marca. Assim, consideramos como útil analisar o valor do cliente, pois isso aumentará a receita para a marca da empresa. No próximo tópico, nosso aprendizado envolverá uma reflexão da importância da criação de valor. TEMA 3 – MAXIMIZAÇÃO DO LUCRO E CRIAÇÃO DE VALOR A perspectiva do cliente tem por objetivo mostrar se as escolhas estratégicas implementadas por uma organização estão contribuindo para o aumento do valor percebido pelos clientes em relação aos produtos, serviços, imagem de marca, experiência de compra e relacionamento. (Filho, 2019, p. 100) Aprendemos que, no mundo dos negócios, a empresa existe somente para maximizar seus lucros e o valor dos acionistas, mas poucos sabem que maximizar o lucro não é um processo; é um resultado do negócio que proporciona alto valor aos clientes. Assim, o valor se traduz em lucros, ou seja, a criação de valor é um ciclo em que o negócio está focado no desenvolvimento de valor para os clientes. Ao mesmo tempo, se beneficia em termos de maiores receitas. Se cada cliente define o valor que obtém de forma diferente, ainda é possível categorizar o valor em quatro tipos de combinação. Vejamos: ● Valor funcional: é a utilidade funcional da oferta, ou seja, é o valor que o consumidor recebe depois de fazer seu trabalho ou resolver o problema; ● Valor monetário: é o valor que o cliente deduz depois de comparar o preço pago com o valor percebido da oferta; ● Valor social: inclui benefícios perceptivos adquiridos a partir da associação da oferta com classe social, status social ou um grupo social específico; ● Valor psicológico: inclui o benefício psicológico que um cliente recebe em termos de se expressar ou se sentir melhor. Para Filho (2019, p.102), “o valor percebido pelo cliente pode ser definido como a comparação (avaliação objetiva e subjetiva) que um cliente faz a respeito do que ele recebe da organização (qualidade, preço, imagem, conveniência, atendimento) versus o que ele dá em troca (dinheiro, tempo, esforço e aprendizagem) numa experiência de compra”. Outra maneira do cliente ver criação de valor é na qualidade do processo quando associado à sua experiência de compra, demonstrando se foi satisfatória ou não. Por exemplo, você já deve ter presenciado uma prestação de serviço realizada de qualquer jeito e cheio de falhas. Sendo cliente, você não teve a 10 promessa cumprida pelo prestador no processo de venda e perdeu a confiança com a marca da empresa. É claro que você repercutiu essa experiência para seus amigos e familiares, acarretando o desprezo da prestadora de serviço junto ao mercado. A qualidade de serviços ao cliente pode aparecer em cinco dimensões. Veja o quadro a seguir: Quadro 1 – Dimensões do valor percebido pelo cliente Confiabilidade: significa a capacidade da organização de entregar o produto ou o serviçoprometido de modo confiável e com precisão em todas as fases da experiência de compra do cliente. Tangíveis: representam a parte visível de todos os momentos de verdade do cliente, quando ele entra em contato com a área da empresa, como a aparência física das instalações, os equipamentos, a disposição da equipe de atendimento e os materiais de comunicação. Sensibilidade: demonstra a boa vontade da equipe de colaboradores da empresa em ajudar e orientar o cliente durante todo o processo de compra e uso do produto ou serviço. Segurança: mostra o conhecimento, a qualidade das informações e a disposição dos empregados em transmitir confiança e confiabilidade para os clientes. Empatia: demonstra a atenção e a capacidade de aprender quais as necessidades e dificuldades, do ponto de vista dos clientes, no uso dos produtos e serviços da empresa. Fonte: elaborado com base em Herrero Filho, 2019, p. 103. 3.1 Valor e preço Sabemos que o preço é o que o produto custa para o cliente, valor é o que o produto vale para o cliente. Portanto, esse valor é derivado dos benefícios que o cliente recebe com a oferta. Assim, durante uma decisão de compra, o valor deve sempre superar o preço, ou o produto não venderá. É claro que o preço nem sempre é o custo monetário, ou seja, inclui os custos não monetários, como tempo, esforço, energia e inconveniência. Saiba mais Custos monetários são todos os encargos de fácil mensuração pecuniária (dinheiro), ou os registrados contabilmente, ou constantes de orçamentos. É bom reforçar que o cliente sempre compara o valor e o preço da oferta com sua alternativa competitiva antes de tomar a decisão final. Da mesma forma que, para ofertas sem concorrentes próximos, há uma alternativa competitiva de 11 os clientes fazerem a tarefa sozinhos ou construírem um produto em vez de comprá-lo. Assim, para que um produto tenha sucesso no mercado, ele deve cumprir a seguinte equação: o valor líquido (valor – preço) da oferta de mercado (do negócio) deve ser sempre maior do que o valor líquido da oferta competitiva. Para Herrero Filho (2019, p.104), “na busca de oferecer maior valor para os clientes, as empresas devem evitar cair na armadilha do preço, isto é, reduzir o preço na esperança de que irão criar mais valor para os clientes”. Assim, o preço é considerado um fator determinante do valor, veja a seguir todos os fatores determinantes do valor percebido pelo cliente, segundo James G. Barnes: Figura 4 – Fatores determinantes do valor percebido pelo cliente Fonte: Barnes, 2002. No próximo tópico, nosso aprendizado envolverá perspectiva do cliente e das estratégias de mercado. Respeito Admiração Reconhecimento Sensação de valor Elementos Emocionais Confusão Frustação Decepção Negligência Melhor tratamento Simpatia Prestatividade Cortesia Interação com a empresa Grosseria Falta de consideração Maus-tratos Descontentamento Entregar dentro do prazo Precisão Acesso a informações Garantias de serviço Desempenho técnico Atrasos Falta de estoque Filas de espera Falhas de sistema Entrega Garantias Opções de pagamento Horário de atendimento prolongado Processos e suporte Inflexibilidade Complexidade Burocracia Regras absurdas AGREGAR REDUZIR Características do produto Qualidade do produto Detalhes inesperados Produto ou serviço básico Preço 12 TEMA 4 – PERSPECTIVA DO CLIENTE E AS ESTRATÉGIAS DE MERCADO Neste ponto, se você já está se questionando em como criar ou agregar valor para os seus clientes ou como seus clientes experimentam o valor agregado de seus produtos e serviços, é porque você entende a importância da perspectiva do cliente. Algumas questões são levantadas por Herrero Filho (2019, p.102): A alta administração da empresa precisa ter respostas para as seguintes perguntas: • Quais os motivos que levam determinado cliente a escolher uma empresa para comprar produtos e serviços? • A experiência de compra leva os clientes a desejarem repetir suas compras com a empresa? • Qual é o grau de influência que a empresa pode exercer sobre as decisões de compra do cliente? A análise da estrutura de valor do cliente na perspectiva do Balanced Scorecard procura ajudar os administradores na resposta a essas perguntas. Dessa forma, as metas financeiras são o objetivo final da organização e centralizam os acionistas para gerar valor. A organização tem que ser bem- sucedida com um grupo selecionado de clientes ou segmentos de clientes. O sucesso com o público-alvo é o motor na realização dos objetivos financeiros. Aqui é interessante notar que os criadores (alta administração) de um mapa estratégico têm que formular uma proposta de valor para os dados demográficos (informações e estatísticas) selecionados na perspectiva do cliente, segundo o Balanced Scorecard. Saiba mais Mapa estratégico: o principal objetivo de um mapa estratégico é visualizar a estratégia de uma organização de forma específica, ou seja, a visualização melhora a discussão e a execução da estratégia. Uma descrição clara dessa proposta de valor mostra e orienta uma liderança para criar e efetivar o crescimento de receita usando o público-alvo certo. Assim, a proposta de valor do cliente indica para a gestão como criar valor duradouro para o público-alvo, bem como a organização se diferenciar da concorrência. O núcleo da estratégia da organização, ou seja, o ponto em que se moldam decisões estratégicas é manter o foco em segmentos específicos de clientes. Assim, o primeiro passo é selecionar os dados demográficos nos quais a 13 organização deseja se concentrar para alcançar o crescimento de receita e os lucros desejados. Sem sombra de dúvida, a organização vai precisar medir a satisfação do cliente, as compras repetidas e a participação de mercado para esses segmentos de clientes. Com o conhecimento das especificidades dos clientes da empresa, o passo seguinte é determinar objetivos e metas específicas para a proposta de valor, ou seja, é descrever: a variedade de características do produto ou serviço, preço, tipo de serviço, relacionamento com clientes e a imagem oferecida aos clientes. O mapa estratégico descreve o que a empresa espera fazer de melhor e diferente para os clientes em relação à concorrência. Então, deve ter pelo menos algumas estratégias importantes dentro das muitas disponíveis para determinar a proposta de valor do cliente. Saiba mais De acordo com Gary Hamel e C.K. Prahalad (1995), as marcas elevam a predisposição de um consumidor em adquirir os produtos e serviços de uma empresa por meio: • Reconhecimento: representa a lembrança ou o nível de consciência da marca por um cliente ou prospect; • Reputação: representa a estima e a confiança que determinado consumidor tem em relação aos possíveis benefícios prometidos pela marca; • Afinidade: demonstra até que ponto a marca corresponde ou está alinhada à noção que um consumidor tem de si mesmo; • Domínio: procura avaliar até que ponto a amplitude da marca pode ser estendida a outros produtos e serviços. Fonte: Herrero Filho, 2019, p. 105. 4.1 Estratégias a serem consideradas: ter liderança de produto, ter intimidade com o cliente e apresentar excelência operacional Segundo Kaplan e Norton (2004), são definidas as seguintes estratégias: ● Melhor custo total: concentrar-se para ser um fornecedor de baixo custo em produtos e serviços de alta qualidade num mercado muito competitivo, ou seja, os clientes obtêm um bom produto padronizado ou serviço por um preço atraente, sempre focado em manter os 14 custos de produção sob controle e não esquecer de estar associado a um processo de vendas descomplicado e com uma entrega rápida; ● Liderança de produto: é uma estratégia que oferece produtosou serviços a preços mais altos por ser superiores às ofertas dos concorrentes, ou seja, essa estratégia sintoniza a funcionalidade dos produtos com o cliente e escolhe, por exemplo, uma determinada velocidade, precisão, peso ou tamanho; ● Soluções completas para o cliente: é uma estratégia que as empresas procuram oferecer a melhor solução para os clientes, ou seja, tirando a atenção dos clientes para a concorrência. O foco da estratégia está quando o cliente realmente obtém tudo o que precisa nas compras únicas e alinhados com seus desejos e necessidades. Figura 5 – Balanced Scorecard Crédito: Vector Shutterstock/Shutterstock. Outra estratégia mencionada por Kaplan e Norton (2004) é fazer o bloqueio do sistema, ou seja, é tornar caro ou difícil para os clientes mudarem para a concorrência e oferecer a eles uma ampla variedade de produtos e serviços de fácil acesso. 15 Saiba mais Os mapas estratégicos fornecem os meios de vincular os objetivos ao BSC, que fornece um roteiro que direciona e vincula os indicadores de desempenho e as iniciativas à estratégia da empresa, ou seja, para cada perspectiva, há um conjunto de objetivos e as medidas com foco no scorecard estão alinhadas com os objetivos e metas definidos. Assim, um plano de ação está ligado aos objetivos e orçamento previsto. No próximo tópico, nosso aprendizado envolverá um estudo de caso sobre integração de BSC. TEMA 5 – ESTUDO DE CASO: INTEGRANDO O BSC NA MEDIÇÃO DE DESEMPENHO EM EQUIPES DE ATENDIMENTO Vamos considerar um exemplo hipotético numa empresa que aplicou o balanced scorecard no seu setor de call center para melhorar as intermediações de relação com seus clientes na questão de serviços. A empresa AndradeCon tem em seu call center uma oportunidade de negócio na prestação de serviços, mas o que torna mais difícil é a medição de desempenho, já que os métodos tradicionais de avaliação de desempenho na empresa AndradeCon se concentram em fatores financeiros que incentivam atividades que estão abaixo do ideal previsto pelos supervisores de atendimento ao cliente. Com aplicação do BSC, a empresa AndradeCon pode ter um equilíbrio entre indicadores de desempenho financeiro e não financeiro. O problema da empresa AndradeCon apontado em seu processo atual é exigir muito tempo dos seus tomadores de decisão e é mais crítico no seu call center, pois todos são medidos com dados de desempenho abstratos, ou seja, no tempo médio de atendimento de chamadas. Saiba mais Tempo Médio de Atendimento (ATM) é uma métrica de atendimento ao cliente que mede quanto tempo, em média, seus atendentes gastam na resolução de solicitações ou problemas provenientes de quem ligou Com as análises preliminares, um ponto de atenção foi notado, pois, para os funcionários do call center, era tentar vencer o sistema, ou seja, eles se 16 concentravam mais em manter baixo seu tempo médio de atendimento de chamadas. Como integrar o Scorecard na medição de desempenho da equipe de atendimento? Vamos lembrar dois pontos importantes: 1. O BSC é uma ferramenta que traduz a missão de uma empresa. Num conjunto de medidas de desempenho que fornece uma estrutura para a implementação do plano estratégico, todos os cuidados devem ser tomados na fase de integração para garantir a ligação entre as metas, KPIs, objetivos e estratégia empresarial; 2. O BSC é baseado em quatro perspectivas: perspectiva econômico- financeira, perspectiva do cliente, perspectiva interna do negócio (processos) e perspectiva de aprendizagem e crescimento. Como aplicar as perspectivas do BSC no call center? ● Perspectivas econômico-financeiras no call center: avaliar a rentabilidade da estratégia, ou seja, é aproveitar o contato feito com os clientes para gerar um lead que possa levar à venda de produtos ou serviços adicionais, melhorando a receita operacional. O call center teria uma meta, por exemplo, porcentagem de conversão acordada de quaisquer oportunidades de vendas; ● Perspectiva do cliente no call center: identificar o segmento de mercado alvo e medir o sucesso no cumprimento da meta estabelecida, ou seja, como alicerce da perspectiva financeira no sentido de atrair e reter clientes. O call center pode ser medido pelo número de clientes que fazem reclamação ou cancelaram sua conta depois do atendimento e tomar cuidado para não avaliar as equipes com métricas fora de controle; ● Perspectiva de processos internos no call center: apoiando tanto as perspectivas do cliente (melhorando a experiência do cliente) quanto às perspectivas econômico-financeiras (protegendo os ativos de uma organização e possibilitando que o objetivo estratégico de longo prazo da empresa seja alcançado). Dessa forma, o objetivo do call center é melhorar continuamente sua qualidade de cada chamada, ou seja, implementar um bom gerenciamento de mudanças. Por exemplo, a equipe de atendimento 17 ao cliente deve seguir uma lista de critérios e atingir 90% ou mais em todas as chamadas de forma geral e aleatórias; ● Perspectiva de aprendizagem e crescimento no call center: identificar os pontos fortes e cultivá-los para se destacar (continuar o aprimoramento das novas capacidades). Dessa forma, deve aplicar para todos os funcionários as habilidades necessárias para fornecer um alto atendimento ao cliente em todas as chamadas. Por exemplo, a gestão pode estabelecer metas organizacionais, treinamentos e feedback. Como tornar efetivo o BSC no call center? Com aplicação das quatro perspectivas, vale lembrar que precisam ser interligadas através de um mapa estratégico para estabelecer correlação entre as variáveis, ou seja, a gestão do call center deve vincular efetivamente os indicadores-chave dessas perspectivas para não ocorrer conflito nos objetivos esperados. E, não esqueça, o BSC pode ser ajustado para atender à necessidade do negócio ou de processo já utilizando software de gerenciamento de relacionamento com o cliente (CRM). 18 Quadro 2 – Mapa estratégico da AndradeCon Financeira Clientes Processos Internos Aprendizagem e Crescimento Objetivo 1 Objetivo 2 Objetivo 3 Objetivo 5 Objetivo 6 Objetivo 4 Objetivo 7 Objetivo 8 19 REFERÊNCIAS BARNES, J. G. Segredos da gestão pelo relacionamento com os clientes – CRM. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. BONHO, F. T. Pesquisa mercadológica. São Paulo: Grupo A, 2018. DRUCKER, P. F. Introdução à administração. São Paulo: Pioneira, 1998. HERRERO FILHO, E. Balanced scorecard e a gestão estratégica: uma abordagem prática. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019. HAMEL, G.; PRAHALAD, C.K. Competindo pelo futuro. Rio de Janeiro: Campus, 1995. HESKETT, J. L. et al. Lucro na prestação de serviços. Rio de Janeiro: Campus, 2002. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A estratégia em ação: balanced scorecard. Editora: Elsevier, 1997. _____. Mapas estratégicos. Rio de Janeiro: Campus, 2004. ROCHA, M. D. A. Comportamento de compra e consumo em B2B. São Paulo: Saraiva, 2017. RUST, R. T. et al. O valor do cliente (Customer Equity). Porto Alegre: Bookman, 2001.