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Decisão sobre Repercussão Geral 12/06/2023 PLENÁRIO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.426.306 TOCANTINS RELATORA : MINISTRA PRESIDENTE RECTE.(S) : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL FEDERAL RECTE.(S) :ESTADO DO TOCANTINS E OUTRO(A/S) PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO TOCANTINS RECDO.(A/S) :NERIVAN CORREIA DOS SANTOS ADV.(A/S) :EDSON DIAS DE ARAUJO EMENTA DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APELO EXTREMO DO INSS. AUSÊNCIA DE PRELIMINAR FUNDAMENTADA DE REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO. SERVIDORA PÚBLICA APOSENTADA. ESTABILIDADE EXCEPCIONAL DO ART. 19 DO ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS. EQUIPARAÇÃO A SERVIDOR OCUPANTE DE CARGO EFETIVO. IMPOSSIBILIDADE. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRECEDENTES. MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL COM REAFIRMAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. DECISÃO RECORRIDA EM DISSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RELEVÂNCIA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DO IGEPREV/TO A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. Não houve, no recurso extraordinário interposto de acórdão cuja publicação deu-se após a Emenda Regimental nº 21, de 30.4.2007, demonstração da existência de repercussão geral. Inobservância do art. 1.035, §§ 1º e 2º, do CPC. O preenchimento desse requisito demanda a efetiva demonstração, no caso concreto, da existência de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo (art. 1.035, §§ 1º e 2º, do CPC). A jurisprudência desta Suprema Corte é firme no sentido de que ausência da preliminar acarreta a inadmissibilidade do recurso extraordinário, mesmo nos casos de repercussão geral presumida ou Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código A16E-045E-F677-BF5E e senha 3059-4EED-7526-B735 Supremo Tribunal FederalSupremo Tribunal Federal Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 23 Decisão sobre Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO reconhecida em outro processo. 2. A jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal consolidou-se no sentido de que os beneficiados pela estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT não são detentores das vantagens privativas dos servidores ocupantes de cargo efetivo, o que afasta a possibilidade de participação no regime próprio de previdência social, exclusivo dos titulares de cargos efetivos aprovados em concurso público. 3. Recurso extraordinário manejado pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS não conhecido. Apelo extremo do IGEPREV/TO provido, para julgar improcedentes os pedidos deduzidos na inicial. Invertidos os ônus da sucumbência, observada eventual concessão dos benefícios da gratuidade da justiça. 4. Fixada a seguinte tese: Somente os servidores públicos civis detentores de cargo efetivo (art. 40, CF, na redação dada pela EC 20/98) são vinculados ao regime próprio de previdência social, a excluir os estáveis nos termos do art. 19 do ADCT e os demais servidores admitidos sem concurso público. Decisão: O Tribunal, por maioria, reputou constitucional a questão, vencido o Ministro Edson Fachin. O Tribunal, por maioria, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, vencido o Ministro Edson Fachin. No mérito, por unanimidade, reafirmou a jurisprudência dominante sobre a matéria. Ministra ROSA WEBER Relatora 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código A16E-045E-F677-BF5E e senha 3059-4EED-7526-B735 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO reconhecida em outro processo. 2. A jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal consolidou-se no sentido de que os beneficiados pela estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT não são detentores das vantagens privativas dos servidores ocupantes de cargo efetivo, o que afasta a possibilidade de participação no regime próprio de previdência social, exclusivo dos titulares de cargos efetivos aprovados em concurso público. 3. Recurso extraordinário manejado pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS não conhecido. Apelo extremo do IGEPREV/TO provido, para julgar improcedentes os pedidos deduzidos na inicial. Invertidos os ônus da sucumbência, observada eventual concessão dos benefícios da gratuidade da justiça. 4. Fixada a seguinte tese: Somente os servidores públicos civis detentores de cargo efetivo (art. 40, CF, na redação dada pela EC 20/98) são vinculados ao regime próprio de previdência social, a excluir os estáveis nos termos do art. 19 do ADCT e os demais servidores admitidos sem concurso público. Decisão: O Tribunal, por maioria, reputou constitucional a questão, vencido o Ministro Edson Fachin. O Tribunal, por maioria, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, vencido o Ministro Edson Fachin. No mérito, por unanimidade, reafirmou a jurisprudência dominante sobre a matéria. Ministra ROSA WEBER Relatora 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código A16E-045E-F677-BF5E e senha 3059-4EED-7526-B735 Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral 12/06/2023 PLENÁRIO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.426.306 TOCANTINS DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APELO EXTREMO DO INSS. AUSÊNCIA DE PRELIMINAR FUNDAMENTADA DE REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO. SERVIDORA PÚBLICA APOSENTADA. ESTABILIDADE EXCEPCIONAL DO ART. 19 DO ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS. EQUIPARAÇÃO A SERVIDOR OCUPANTE DE CARGO EFETIVO. IMPOSSIBILIDADE. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRECEDENTES. MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL COM REAFIRMAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. DECISÃO RECORRIDA EM DISSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RELEVÂNCIA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DO IGEPREV/TO A QUE SE DÁ PROVIMENTO. Manifestação da Senhora Ministra Rosa Weber (Presidente): Trata- se de recursos extraordinários interpostos com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS) e pelo INSTITUTO DE GESTÃO PREVIDENCIÁRIA DO ESTADO DO TOCANTINS (IGEPREV/TO) contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por meio do qual mantida a sentença de procedência do pedido. Na origem, a recorrida, servidora aposentada do quadro de pessoal do Estado do Tocantins, ajuizou, perante a 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Tocantins, ação contra o INSS, o IGEPREV/TO e o Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal 12/06/2023 PLENÁRIO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.426.306 TOCANTINS DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APELO EXTREMO DO INSS. AUSÊNCIA DE PRELIMINAR FUNDAMENTADA DE REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO. SERVIDORA PÚBLICA APOSENTADA. ESTABILIDADE EXCEPCIONAL DO ART. 19 DO ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS. EQUIPARAÇÃO A SERVIDOR OCUPANTE DE CARGO EFETIVO. IMPOSSIBILIDADE. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRECEDENTES.sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 16 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO proventos, atendidos os requisitos previstos na legislação própria do RPPS deverão ser pagos pelo IGEPREV/TO.” (eDOC. 15, p. 8, 13-15) Como se vê, a controvérsia dos autos vincula-se à interpretação do art. 40 da Carta Política e do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que tratam do regime previdenciário aplicável aos titulares de cargos efetivos e da norma transitória que conferiu estabilidade no serviço público aos servidores públicos civis em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37 da Constituição. Inegável, portanto, a presença de questão constitucional, pois em discussão a interpretação sistemática dos referidos dispositivos constitucionais, com a finalidade de definir o regime previdenciário aplicável aos servidores estabilizados pelo art. 19 do ADCT não efetivados por concurso público, se o regime próprio de previdência do Estado a que vinculado o servidor ou se o regime geral de previdência social. Quanto à existência de repercussão geral da matéria constitucional suscitada, desde logo, observo estar presente acentuada relevância jurídica e econômica na questão constitucional objeto do recurso extraordinário, a ultrapassar os interesses subjetivos do processo, porquanto em debate controvérsia solucionada inclusive por precedentes qualificados desta Suprema Corte, proferidos em controle concentrado de constitucionalidade, a alcançar relações de trato sucessivo entre servidores e autarquias previdenciárias. De outro lado, observo que a definição quanto ao regime de filiação previdenciária do servidor e a proteção dos seus direitos sociais, se alinha com os seguintes objetivos da Agenda 2030 das Nações Unidas: promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos e promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, 15 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO proventos, atendidos os requisitos previstos na legislação própria do RPPS deverão ser pagos pelo IGEPREV/TO.” (eDOC. 15, p. 8, 13-15) Como se vê, a controvérsia dos autos vincula-se à interpretação do art. 40 da Carta Política e do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que tratam do regime previdenciário aplicável aos titulares de cargos efetivos e da norma transitória que conferiu estabilidade no serviço público aos servidores públicos civis em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37 da Constituição. Inegável, portanto, a presença de questão constitucional, pois em discussão a interpretação sistemática dos referidos dispositivos constitucionais, com a finalidade de definir o regime previdenciário aplicável aos servidores estabilizados pelo art. 19 do ADCT não efetivados por concurso público, se o regime próprio de previdência do Estado a que vinculado o servidor ou se o regime geral de previdência social. Quanto à existência de repercussão geral da matéria constitucional suscitada, desde logo, observo estar presente acentuada relevância jurídica e econômica na questão constitucional objeto do recurso extraordinário, a ultrapassar os interesses subjetivos do processo, porquanto em debate controvérsia solucionada inclusive por precedentes qualificados desta Suprema Corte, proferidos em controle concentrado de constitucionalidade, a alcançar relações de trato sucessivo entre servidores e autarquias previdenciárias. De outro lado, observo que a definição quanto ao regime de filiação previdenciária do servidor e a proteção dos seus direitos sociais, se alinha com os seguintes objetivos da Agenda 2030 das Nações Unidas: promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos e promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, 15 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 17 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO responsáveis e inclusivas em todos os níveis. De mais a mais, a temática possui expressivo potencial de multiplicidade, como comprova o alto índice de provimento de recursos extraordinários similares pelos Ministros desta Suprema Corte levantado pela Secretaria de Gestão de Precedentes. No mérito, a jurisprudência desta Suprema Corte consolidou-se no sentido de que “os servidores abrangidos pela estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT não se equiparam aos servidores efetivos, os quais foram aprovados em concurso público. Aqueles possuem somente o direito de permanecer no serviço público nos cargos em que foram admitidos, não tendo direito aos benefícios privativos dos servidores efetivos (…) Conforme consta do art. 40 da Constituição Federal, com a redação dada pela EC nº 42/2003, pertencem ao regime próprio de previdência social tão somente os servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações” (ARE 1.069.876-AgR/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, DJe 13.11.2017). Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal, ao julgamento da ADPF 573/PI, de relatoria do Ministro Roberto Barroso, confirmou o entendimento, no sentido de que os beneficiados pela estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT não são detentores das vantagens privativas dos servidores ocupantes de cargo efetivo, o que afasta a possibilidade de participação no regime próprio de previdência social, como se observa de sua ementa: “DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. ADPF. LEI ESTADUAL. TRANSPOSIÇÃO DE REGIME CELETISTA PARA ESTATUTÁRIO. INCLUSÃO DE SERVIDORES PÚBLICOS NÃO CONCURSADOS E DETENTORES DE ESTABILIDADE EXCEPCIONAL NO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. I. Objeto 1. Arguição de descumprimento de preceito fundamental contra os arts. 8º e 9º da Lei nº 4.546/1992, do Estado do Piauí, que incluíram no regime próprio de previdência social daquele ente federativo servidores públicos não admitidos por concurso 16 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO responsáveis e inclusivas em todos os níveis. De mais a mais, a temática possui expressivo potencial de multiplicidade, como comprova o alto índice de provimento de recursos extraordinários similares pelos Ministros desta SupremaCorte levantado pela Secretaria de Gestão de Precedentes. No mérito, a jurisprudência desta Suprema Corte consolidou-se no sentido de que “os servidores abrangidos pela estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT não se equiparam aos servidores efetivos, os quais foram aprovados em concurso público. Aqueles possuem somente o direito de permanecer no serviço público nos cargos em que foram admitidos, não tendo direito aos benefícios privativos dos servidores efetivos (…) Conforme consta do art. 40 da Constituição Federal, com a redação dada pela EC nº 42/2003, pertencem ao regime próprio de previdência social tão somente os servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações” (ARE 1.069.876-AgR/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, DJe 13.11.2017). Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal, ao julgamento da ADPF 573/PI, de relatoria do Ministro Roberto Barroso, confirmou o entendimento, no sentido de que os beneficiados pela estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT não são detentores das vantagens privativas dos servidores ocupantes de cargo efetivo, o que afasta a possibilidade de participação no regime próprio de previdência social, como se observa de sua ementa: “DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. ADPF. LEI ESTADUAL. TRANSPOSIÇÃO DE REGIME CELETISTA PARA ESTATUTÁRIO. INCLUSÃO DE SERVIDORES PÚBLICOS NÃO CONCURSADOS E DETENTORES DE ESTABILIDADE EXCEPCIONAL NO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. I. Objeto 1. Arguição de descumprimento de preceito fundamental contra os arts. 8º e 9º da Lei nº 4.546/1992, do Estado do Piauí, que incluíram no regime próprio de previdência social daquele ente federativo servidores públicos não admitidos por concurso 16 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 18 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO público e aqueles detentores da estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT. II. Preliminares 2. A ADPF é o instrumento processual adequado para impugnar dispositivos que antecedem a norma constitucional invocada como paradigma (art. 40, CF, na redação dada pela EC nº 20/1998), sendo possível que o parâmetro de inconstitucionalidade reúna normas constitucionais anteriores e posteriores ao ato questionado. 3. A Lei Complementar estadual nº 13/1994, que dispõe sobre o Estatuto dos Servidores Públicos Civis do Estado do Piauí, não explicitou quais categoriais de servidores seriam abrangidas pelo regime estatutário nem criou qualquer regime de transição para os servidores admitidos no serviço público antes da Constituição de 1988 e da EC nº 20/1998. Não houve, portanto, revogação tácita da Lei Estadual nº 4.546/1992. 4. É possível afastar o óbice de ausência de impugnação do complexo normativo quando (i) houver relação de interdependência entre as normas; e (ii) os dispositivos possuírem teor análogo e a causa de pedir for a mesma. Precedentes. III. Mérito 5. Consoante já decidido por esta Corte, admite-se a transposição do regime celetista para o estatutário apenas para os servidores admitidos por concurso público e para aqueles que se enquadrem na estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT. A criação do regime jurídico único previsto na redação original do art. 39 da CF não prescinde da observância à regra do concurso público. 6. A jurisprudência do STF é no sentido de que os beneficiados pela estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT não são detentores das vantagens privativas dos servidores ocupantes de cargo efetivo, o que afasta a possibilidade de participação no regime próprio de previdência social. A partir da EC nº 20/1998, o regime próprio é exclusivo para os detentores de cargo efetivo, os quais foram 17 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO público e aqueles detentores da estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT. II. Preliminares 2. A ADPF é o instrumento processual adequado para impugnar dispositivos que antecedem a norma constitucional invocada como paradigma (art. 40, CF, na redação dada pela EC nº 20/1998), sendo possível que o parâmetro de inconstitucionalidade reúna normas constitucionais anteriores e posteriores ao ato questionado. 3. A Lei Complementar estadual nº 13/1994, que dispõe sobre o Estatuto dos Servidores Públicos Civis do Estado do Piauí, não explicitou quais categoriais de servidores seriam abrangidas pelo regime estatutário nem criou qualquer regime de transição para os servidores admitidos no serviço público antes da Constituição de 1988 e da EC nº 20/1998. Não houve, portanto, revogação tácita da Lei Estadual nº 4.546/1992. 4. É possível afastar o óbice de ausência de impugnação do complexo normativo quando (i) houver relação de interdependência entre as normas; e (ii) os dispositivos possuírem teor análogo e a causa de pedir for a mesma. Precedentes. III. Mérito 5. Consoante já decidido por esta Corte, admite-se a transposição do regime celetista para o estatutário apenas para os servidores admitidos por concurso público e para aqueles que se enquadrem na estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT. A criação do regime jurídico único previsto na redação original do art. 39 da CF não prescinde da observância à regra do concurso público. 6. A jurisprudência do STF é no sentido de que os beneficiados pela estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT não são detentores das vantagens privativas dos servidores ocupantes de cargo efetivo, o que afasta a possibilidade de participação no regime próprio de previdência social. A partir da EC nº 20/1998, o regime próprio é exclusivo para os detentores de cargo efetivo, os quais foram 17 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 19 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO aprovados em concurso público. Precedentes. IV. Conclusão 7. Interpretação conforme a Constituição do art. 9º da Lei Estadual nº 4.546/1992, de modo a excluir do regime próprio de previdência social todos os servidores públicos não detentores de cargo efetivo, ou seja, aqueles servidores públicos admitidos sem concurso público, inclusive aqueles abrangidos pelo art. 19 do ADCT. Inconstitucionalidade, por arrastamento, do art. 5º, IV, da Lei Estadual nº 4.546/1992. 8. Modulação de efeitos da decisão para ressalvar os aposentados e aqueles que tenham implementado os requisitos para aposentadoria até a data da publicação da ata de julgamento, mantidos estes no regime próprio dos servidores daquele estado. 9. Pedido julgado parcialmente procedente, com a fixação da seguinte tese: “1. É incompatível com a regra do concurso público (art. 37, II, CF) a transformação de servidores celetistas não concursados em estatutários, com exceção daqueles detentores da estabilidade excepcional (art. 19 do ADCT); 2. Sãoadmitidos no regime próprio de previdência social exclusivamente os servidores públicos civis detentores de cargo efetivo (art. 40, CF, na redação dada pela EC nº 20/98), o que exclui os estáveis na forma do art. 19 do ADCT e demais servidores admitidos sem concurso público”.” (ADPF 573/PI, Rel. Min. Roberto Barroso, Tribunal Pleno, DJe 09.3.2023) Essa diretriz tem sido reiterada em diversas decisões, em casos idênticos ao presente. Confira-se a propósito: ARE 1.364.531/TO, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe 25.02.2022; ARE 1.381.190/TO, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe 16.5.2022; RE 1.362.166/TO, Rel. Min. Edson Fachin, DJe 21.02.2022; RE 1.364.524/TO, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe 11.5.2022; RE 1.364.535/TO, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 02.3.2022; RE 1.369.863/TO, Rel. Min. Roberto Barroso, DJe 22.4.2022; RE 1.381.716/TO, da minha lavra, DJe 04.7.2022; RE 1.392.419/TO, Rel. Min. André Mendonça, RE 1.403.847/TO, Rel. Min. Nunes Marques, DJe 05.12.2022; RE 1.416.017/TO, Rel. Min. 18 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO aprovados em concurso público. Precedentes. IV. Conclusão 7. Interpretação conforme a Constituição do art. 9º da Lei Estadual nº 4.546/1992, de modo a excluir do regime próprio de previdência social todos os servidores públicos não detentores de cargo efetivo, ou seja, aqueles servidores públicos admitidos sem concurso público, inclusive aqueles abrangidos pelo art. 19 do ADCT. Inconstitucionalidade, por arrastamento, do art. 5º, IV, da Lei Estadual nº 4.546/1992. 8. Modulação de efeitos da decisão para ressalvar os aposentados e aqueles que tenham implementado os requisitos para aposentadoria até a data da publicação da ata de julgamento, mantidos estes no regime próprio dos servidores daquele estado. 9. Pedido julgado parcialmente procedente, com a fixação da seguinte tese: “1. É incompatível com a regra do concurso público (art. 37, II, CF) a transformação de servidores celetistas não concursados em estatutários, com exceção daqueles detentores da estabilidade excepcional (art. 19 do ADCT); 2. São admitidos no regime próprio de previdência social exclusivamente os servidores públicos civis detentores de cargo efetivo (art. 40, CF, na redação dada pela EC nº 20/98), o que exclui os estáveis na forma do art. 19 do ADCT e demais servidores admitidos sem concurso público”.” (ADPF 573/PI, Rel. Min. Roberto Barroso, Tribunal Pleno, DJe 09.3.2023) Essa diretriz tem sido reiterada em diversas decisões, em casos idênticos ao presente. Confira-se a propósito: ARE 1.364.531/TO, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe 25.02.2022; ARE 1.381.190/TO, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe 16.5.2022; RE 1.362.166/TO, Rel. Min. Edson Fachin, DJe 21.02.2022; RE 1.364.524/TO, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe 11.5.2022; RE 1.364.535/TO, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 02.3.2022; RE 1.369.863/TO, Rel. Min. Roberto Barroso, DJe 22.4.2022; RE 1.381.716/TO, da minha lavra, DJe 04.7.2022; RE 1.392.419/TO, Rel. Min. André Mendonça, RE 1.403.847/TO, Rel. Min. Nunes Marques, DJe 05.12.2022; RE 1.416.017/TO, Rel. Min. 18 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 20 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO Alexandre de Moraes, DJe 02.02.2023; RE 1.421.314/TO, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 28.02.2023; DJe 10.4.2023. Nessa linha, colaciono os seguintes julgados colegiados: “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. SERVIDORA PÚBLICA APOSENTADA. ESTABILIDADE DO ART. 19 DO ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO ENTRE SERVIDORES ESTÁVEIS NÃO EFETIVOS E SERVIDORES EFETIVOS. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.” (RE 1.375.560-AgR/TO, Red. p/ acórdão Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, DJe 04.7.2022) “Agravo regimental em recurso extraordinário. Administrativo. Servidores públicos detentores da estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT. Inclusão no regime próprio de previdência social. Impossibilidade. Precedentes. 1. Os servidores abrangidos pela estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT não se equiparam aos servidores efetivos, os quais foram aprovados em concurso público. Aqueles possuem somente o direito de permanecer no serviço público nos cargos em que foram admitidos, não tendo direito aos benefícios privativos dos servidores efetivos. 2. Conforme consta do art. 40 da Constituição Federal, com a redação dada pela EC nº 42/03, pertencem ao regime próprio de previdência social tão somente os servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, inclusive de suas autarquias e fundações. 3. Agravo regimental provido para se dar provimento ao recurso extraordinário, sem condenação ao pagamento de custas ou de honorários advocatícios, nos termos do art. 55 da 19 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO Alexandre de Moraes, DJe 02.02.2023; RE 1.421.314/TO, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 28.02.2023; DJe 10.4.2023. Nessa linha, colaciono os seguintes julgados colegiados: “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. SERVIDORA PÚBLICA APOSENTADA. ESTABILIDADE DO ART. 19 DO ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO ENTRE SERVIDORES ESTÁVEIS NÃO EFETIVOS E SERVIDORES EFETIVOS. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.” (RE 1.375.560-AgR/TO, Red. p/ acórdão Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, DJe 04.7.2022) “Agravo regimental em recurso extraordinário. Administrativo. Servidores públicos detentores da estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT. Inclusão no regime próprio de previdência social. Impossibilidade. Precedentes. 1. Os servidores abrangidos pela estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT não se equiparam aos servidores efetivos, os quais foram aprovados em concurso público. Aqueles possuem somente o direito de permanecer no serviço público nos cargos em que foram admitidos, não tendo direito aos benefícios privativos dos servidores efetivos. 2. Conforme consta do art. 40 da Constituição Federal, com a redação dada pela EC nº 42/03, pertencem ao regime próprio de previdência social tão somente os servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, inclusive de suas autarquias e fundações. 3. Agravo regimental provido para se dar provimento ao recurso extraordinário, sem condenação ao pagamento de custas ou de honorários advocatícios, nos termos do art. 55 da 19 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob ocódigo 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 21 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO Lei nº 9.099/95.” (RE 1.381.167-AgR/TO, Red. p/ acórdão Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe 05.9.2022) Vale ressaltar que, na sessão virtual realizada entre 19.5.2023 e 26.5.2023, o Plenário desta Suprema Corte, ao exame do RE 1.380.122- AgR-EDv/TO, Rel. Min. Roberto Barroso, Tribunal Pleno, pendente de publicação, hipótese rigorosamente idêntica à veiculada nestes autos, deu provimento aos embargos de divergência, para afastar a possibilidade de servidores do Estado de Tocantins, remanescentes do Estado de Goiás, vincularem-se ao regime próprio de previdência social. Vê-se, portanto, que o Tribunal a quo afastou-se da jurisprudência pacífica, uniforme, estável, íntegra e coesa desta Suprema Corte a respeito do tema. A racionalização da prestação jurisdicional por meio do instituto da repercussão geral provou-se hábil meio de realização do direito fundamental do cidadão a uma tutela jurisdicional mais célere e mais eficiente. O sistema de gestão qualificada de precedentes garante, ainda, maior segurança jurídica ao jurisdicionado, ao permitir que o entendimento desta Suprema Corte, nos temas de sua competência, seja uniformemente aplicado por todas as instâncias judiciais e em todas as unidades da federação. Desse modo, com o fito de evitar um desnecessário empenho da máquina judiciária na prolação de inúmeras decisões idênticas sobre o mesmo tema, além de salvaguardar os já referidos princípios constitucionais informadores da atividade jurisdicional, submeto a questão em análise à sistemática da repercussão geral, para que se lhe imprimam os efeitos próprios do instituto. Diante da uníssona jurisprudência deste Supremo Tribunal a respeito, proponho, ainda, sua reafirmação, mediante o enunciado da seguinte tese: “Somente os servidores públicos civis detentores de cargo efetivo (art. 40, CF, na redação dada pela EC 20/98) são 20 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO Lei nº 9.099/95.” (RE 1.381.167-AgR/TO, Red. p/ acórdão Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe 05.9.2022) Vale ressaltar que, na sessão virtual realizada entre 19.5.2023 e 26.5.2023, o Plenário desta Suprema Corte, ao exame do RE 1.380.122- AgR-EDv/TO, Rel. Min. Roberto Barroso, Tribunal Pleno, pendente de publicação, hipótese rigorosamente idêntica à veiculada nestes autos, deu provimento aos embargos de divergência, para afastar a possibilidade de servidores do Estado de Tocantins, remanescentes do Estado de Goiás, vincularem-se ao regime próprio de previdência social. Vê-se, portanto, que o Tribunal a quo afastou-se da jurisprudência pacífica, uniforme, estável, íntegra e coesa desta Suprema Corte a respeito do tema. A racionalização da prestação jurisdicional por meio do instituto da repercussão geral provou-se hábil meio de realização do direito fundamental do cidadão a uma tutela jurisdicional mais célere e mais eficiente. O sistema de gestão qualificada de precedentes garante, ainda, maior segurança jurídica ao jurisdicionado, ao permitir que o entendimento desta Suprema Corte, nos temas de sua competência, seja uniformemente aplicado por todas as instâncias judiciais e em todas as unidades da federação. Desse modo, com o fito de evitar um desnecessário empenho da máquina judiciária na prolação de inúmeras decisões idênticas sobre o mesmo tema, além de salvaguardar os já referidos princípios constitucionais informadores da atividade jurisdicional, submeto a questão em análise à sistemática da repercussão geral, para que se lhe imprimam os efeitos próprios do instituto. Diante da uníssona jurisprudência deste Supremo Tribunal a respeito, proponho, ainda, sua reafirmação, mediante o enunciado da seguinte tese: “Somente os servidores públicos civis detentores de cargo efetivo (art. 40, CF, na redação dada pela EC 20/98) são 20 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 22 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO vinculados ao regime próprio de previdência social, a excluir os estáveis nos termos do art. 19 do ADCT e os demais servidores admitidos sem concurso público.” Ante o exposto, reconheço o caráter constitucional e a repercussão geral da controvérsia trazida neste recurso extraordinário e proponho a reafirmação da jurisprudência, mediante fixação da tese acima enunciada, submetendo o tema aos eminentes pares. Com base na fundamentação acima, não conheço do recurso extraordinário do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, dou provimento ao recurso extraordinário do Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins – IGEPREV/TO, para julgar improcedentes os pedidos formulados na inicial. Invertidos os ônus da sucumbência, observada eventual concessão dos benefícios da gratuidade da justiça. Brasília, 31 de maio de 2023. Ministra Rosa Weber Presidente 21 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO vinculados ao regime próprio de previdência social, a excluir os estáveis nos termos do art. 19 do ADCT e os demais servidores admitidos sem concurso público.” Ante o exposto, reconheço o caráter constitucional e a repercussão geral da controvérsia trazida neste recurso extraordinário e proponho a reafirmação da jurisprudência, mediante fixação da tese acima enunciada, submetendo o tema aos eminentes pares. Com base na fundamentação acima, não conheço do recurso extraordinário do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, dou provimento ao recurso extraordinário do Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins – IGEPREV/TO, para julgar improcedentes os pedidos formulados na inicial. Invertidos os ônus da sucumbência, observada eventual concessão dos benefícios da gratuidade da justiça. Brasília, 31 de maio de 2023. Ministra Rosa Weber Presidente 21 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 23 de 23MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL COM REAFIRMAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. DECISÃO RECORRIDA EM DISSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RELEVÂNCIA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DO IGEPREV/TO A QUE SE DÁ PROVIMENTO. Manifestação da Senhora Ministra Rosa Weber (Presidente): Trata- se de recursos extraordinários interpostos com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS) e pelo INSTITUTO DE GESTÃO PREVIDENCIÁRIA DO ESTADO DO TOCANTINS (IGEPREV/TO) contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por meio do qual mantida a sentença de procedência do pedido. Na origem, a recorrida, servidora aposentada do quadro de pessoal do Estado do Tocantins, ajuizou, perante a 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Tocantins, ação contra o INSS, o IGEPREV/TO e o Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO Estado do Tocantins, com o objetivo de converter sua aposentadoria pelo regime geral de previdência social (RGPS) para o regime próprio (RPPS) vinculado ao IGEPREV/TO. Relatou que em 1978 fora contratada como professora do Estado de Goiás e transferida para o Estado do Tocantins em 1989, estabilizada por força do art. 19 do ADCT da Constituição Federal, sem aprovação em concurso público. Apontou que, por força da Lei estadual 1.246/2001, deixara de contribuir para o regime próprio, passando a contribuir para o RGPS. Aposentou-se pelo INSS em 2004, por tempo de contribuição, segundo as regras do regime geral de previdência (eDOC. 3). O Juízo de primeiro grau deferiu a antecipação de tutela (eDOC. 5, fls. 1-5) e, ao apreciar o mérito da pretensão deduzida, julgou procedente a pretensão autoral de aposentadoria por tempo de contribuição de professora, a partir do pedido administrativo, com proventos integrais e observância da paridade entre proventos e vencimentos, pelo Regime Previdenciário Próprio do Estado do Tocantins, gerido pelo IGEPREV/TO (eDOC. 6). Manejados recursos de apelação pelas autarquias previdenciárias, a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou provimento à apelação do IGEPREV/TO, à apelação do INSS e à remessa oficial, em acórdão assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGENTES PÚBLICOS CONTRATADOS PELO ESTADO DE GOIÁS. ESTABILIDADE ADQUIRIDA. ART. 19 DO ADCT. AUSÊNCIA DE EFETIVIDADE. TRANSFERÊNCIA PARA O ESTADO DE TOCANTINS. DIREITOS PREVIDENCIÁRIOS: IGUALDADE ENTRE OS SERVIDORES ESTÁVEIS NÃO EFETIVOS E OS EFETIVOS. DESVINCULAÇÃO DO RPPS E VINCULAÇÃO AO RGPS. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS. DIREITO DE PERMANÊNCIA NO RPPS. COMPENSAÇÃO ENTRE REGIMES. 1. A pretensão deduzida nesta ação é sobre a possibilidade de a parte autora permanecer vinculada ao Instituto de Previdência do Estado do Tocantins - IPETINS, atual Instituto de Gestão Previdenciária do Tocantins — IGEPREV. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO Estado do Tocantins, com o objetivo de converter sua aposentadoria pelo regime geral de previdência social (RGPS) para o regime próprio (RPPS) vinculado ao IGEPREV/TO. Relatou que em 1978 fora contratada como professora do Estado de Goiás e transferida para o Estado do Tocantins em 1989, estabilizada por força do art. 19 do ADCT da Constituição Federal, sem aprovação em concurso público. Apontou que, por força da Lei estadual 1.246/2001, deixara de contribuir para o regime próprio, passando a contribuir para o RGPS. Aposentou-se pelo INSS em 2004, por tempo de contribuição, segundo as regras do regime geral de previdência (eDOC. 3). O Juízo de primeiro grau deferiu a antecipação de tutela (eDOC. 5, fls. 1-5) e, ao apreciar o mérito da pretensão deduzida, julgou procedente a pretensão autoral de aposentadoria por tempo de contribuição de professora, a partir do pedido administrativo, com proventos integrais e observância da paridade entre proventos e vencimentos, pelo Regime Previdenciário Próprio do Estado do Tocantins, gerido pelo IGEPREV/TO (eDOC. 6). Manejados recursos de apelação pelas autarquias previdenciárias, a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou provimento à apelação do IGEPREV/TO, à apelação do INSS e à remessa oficial, em acórdão assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGENTES PÚBLICOS CONTRATADOS PELO ESTADO DE GOIÁS. ESTABILIDADE ADQUIRIDA. ART. 19 DO ADCT. AUSÊNCIA DE EFETIVIDADE. TRANSFERÊNCIA PARA O ESTADO DE TOCANTINS. DIREITOS PREVIDENCIÁRIOS: IGUALDADE ENTRE OS SERVIDORES ESTÁVEIS NÃO EFETIVOS E OS EFETIVOS. DESVINCULAÇÃO DO RPPS E VINCULAÇÃO AO RGPS. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS. DIREITO DE PERMANÊNCIA NO RPPS. COMPENSAÇÃO ENTRE REGIMES. 1. A pretensão deduzida nesta ação é sobre a possibilidade de a parte autora permanecer vinculada ao Instituto de Previdência do Estado do Tocantins - IPETINS, atual Instituto de Gestão Previdenciária do Tocantins — IGEPREV. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 4 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO 2. Não há falar em prescrição do fundo de direito nas relações de trato sucessivo, como no caso de aposentadoria, prescrevendo-se tão somente as parcelas vencidas antes do quinquênio que precede ao ajuizamento da ação, nos termos do parágrafo único do art. 103 da Lei de Benefícios, da Súmula 85/STJ e da jurisprudência desta Corte, assim como no Decreto n. 20.910, de 1932, que estabelece a prescrição das ações contra a Fazenda Pública. 3. O INSS tem legitimidade para figurar no processo, porquanto ainda se cuidam de segurados a ele vinculados, de modo que é necessário, para retorno ao RPPS, o desfazimento do vínculo com o RGPS, com as compensações pecuniárias entre os regimes, assim como ocorreu quando tais servidores foram incluídos no regime geral. Portanto, há litisconsórcio necessário entre o INSS e o Estado do Tocantins, tendo ambos legitimidade passiva. 4. O ADCT, em seu art. 19, assegurou a estabilidade excepcional no Serviço Público aos empregados públicos contratados sem concurso público, que estivessem em exercício há pelo menos cinco anos na data da promulgação da Constituição de 1988. 5. Os servidores que ingressaram mediante concurso público tiveram os empregos transformados em cargos efetivos, com o advento do Regime Jurídico Único, previsto no art. 37, na sua redação original, conforme lei de cada entidade política (União, Estados, Distrito Federal e Municípios); os que não ingressaram mediante concurso público, adquiriram estabilidade, mas não a efetividade, tudo conforme o regime jurídico adotado supervenientemente pelo respectivo ente político. 6. No caso dos autos, os servidores foram contratados inicialmente pelo Estado de Goiás, na década de 1970, sendo estabilizados nos respectivos empregos por força do art.19 do ADCT, em outubro de 1988, e posteriormente transferidos para o recém-instalado Estado de Tocantins, em 1989, vertendo, desde então, contribuições para o Regime Próprio do Estado de 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO 2. Não há falar em prescrição do fundo de direito nas relações de trato sucessivo, como no caso de aposentadoria, prescrevendo-se tão somente as parcelas vencidas antes do quinquênio que precede ao ajuizamento da ação, nos termos do parágrafo único do art. 103 da Lei de Benefícios, da Súmula 85/STJ e da jurisprudência desta Corte, assim como no Decreto n. 20.910, de 1932, que estabelece a prescrição das ações contra a Fazenda Pública. 3. O INSS tem legitimidade para figurar no processo, porquanto ainda se cuidam de segurados a ele vinculados, de modo que é necessário, para retorno ao RPPS, o desfazimento do vínculo com o RGPS, com as compensações pecuniárias entre os regimes, assim como ocorreu quando tais servidores foram incluídos no regime geral. Portanto, há litisconsórcio necessário entre o INSS e o Estado do Tocantins, tendo ambos legitimidade passiva. 4. O ADCT, em seu art. 19, assegurou a estabilidade excepcional no Serviço Público aos empregados públicos contratados sem concurso público, que estivessem em exercício há pelo menos cinco anos na data da promulgação da Constituição de 1988. 5. Os servidores que ingressaram mediante concurso público tiveram os empregos transformados em cargos efetivos, com o advento do Regime Jurídico Único, previsto no art. 37, na sua redação original, conforme lei de cada entidade política (União, Estados, Distrito Federal e Municípios); os que não ingressaram mediante concurso público, adquiriram estabilidade, mas não a efetividade, tudo conforme o regime jurídico adotado supervenientemente pelo respectivo ente político. 6. No caso dos autos, os servidores foram contratados inicialmente pelo Estado de Goiás, na década de 1970, sendo estabilizados nos respectivos empregos por força do art. 19 do ADCT, em outubro de 1988, e posteriormente transferidos para o recém-instalado Estado de Tocantins, em 1989, vertendo, desde então, contribuições para o Regime Próprio do Estado de 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 5 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO Tocantins (RPPS-TO). Depois de muitos anos de contribuição ao sistema de Previdência do Estado, precisamente em junho de 2001, a Lei Estadual n. 1.246 excluiu os servidores remanescentes do Estado de Goiás não efetivos, estabilizados ou não, do seu regime próprio, transferindo-os para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), pelo qual muitos servidores se aposentaram. 7. Como houve contribuição ao regime próprio de previdência do Estado de Tocantins por, pelo menos, 12 anos, é evidente que esses servidores, ainda que não efetivados, mas estáveis no serviço público, vinculam-se a esse regime, porque, de outro modo, as contribuições seriam vertidas sem sequer haver expectativa de contraprestação de benefício. Essa situação jurídica de vinculação a um instituto de previdência não poderia ser desconsiderada, com a transferência pura e simples de todos esses servidores para o Regime Geral da Previdência Social, sem que tivessem a oportunidade de aderir ou manifestar sua vontade de se vincularem a tal regime geral. A transferência do RPPS para o RGPS não poderia operar sem a aquiescência do segurado, porque isso importa violar o princípio da segurança jurídica, mais especificamente o princípio da confiança objetiva. 8. Devem ser aplicados aos servidores estáveis não efetivos os mesmos direitos dos efetivos, como bem se pronunciou a Advocacia Geral da União, no Parecer Nº - GM — 030, no Processo Nº - 00001.005869/2001-20, de Origem do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e aprovado com efeito vinculativo pelo Presidente da República. 9. A Lei Estadual n. 1.246/2001 do Estado de Tocantins, posteriormente revogada pela Lei n. 1.614/2005, que simplesmente transferiu todos os servidores estabilizados para o Regime Geral da Previdência Social, é malferidora desse direito de permanência no Regime Próprio de Previdência do Estado do Tocantins. Atualmente, a Lei Estadual n. 2.726/2013 de Tocantins, incluiu como segurados do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS-TO), os servidores remanescentes do 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO Tocantins (RPPS-TO). Depois de muitos anos de contribuição ao sistema de Previdência do Estado, precisamente em junho de 2001, a Lei Estadual n. 1.246 excluiu os servidores remanescentes do Estado de Goiás não efetivos, estabilizados ou não, do seu regime próprio, transferindo-os para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), pelo qual muitos servidores se aposentaram. 7. Como houve contribuição ao regime próprio de previdência do Estado de Tocantins por, pelo menos, 12 anos, é evidente que esses servidores, ainda que não efetivados, mas estáveis no serviço público, vinculam-se a esse regime, porque, de outro modo, as contribuições seriam vertidas sem sequer haver expectativa de contraprestação de benefício. Essa situação jurídica de vinculação a um instituto de previdência não poderia ser desconsiderada, com a transferência pura e simples de todos esses servidores para o Regime Geral da Previdência Social, sem que tivessem a oportunidade de aderir ou manifestar sua vontade de se vincularem a tal regime geral. A transferência do RPPS para o RGPS não poderia operar sem a aquiescência do segurado, porque isso importa violar o princípio da segurança jurídica, mais especificamente o princípio da confiança objetiva. 8. Devem ser aplicados aos servidores estáveis não efetivos os mesmos direitos dos efetivos, como bem se pronunciou a Advocacia Geral da União, no Parecer Nº - GM — 030, no Processo Nº - 00001.005869/2001-20, de Origem do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e aprovado com efeito vinculativo pelo Presidente da República. 9. A Lei Estadual n. 1.246/2001 do Estado de Tocantins, posteriormente revogada pela Lei n. 1.614/2005, que simplesmente transferiu todos os servidores estabilizados para o Regime Geral da Previdência Social, é malferidora desse direito de permanência no Regime Próprio de Previdência do Estado do Tocantins. Atualmente, a Lei Estadual n. 2.726/2013 de Tocantins, incluiu como segurados do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS-TO), os servidores remanescentes do 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 6 de 23 Manifestação sobre a Repercussão GeralRE 1426306 RG / TO serviço público de Goiás em exercício no Estado de Tocantins, incluindo o servidor público estabilizado, o que tenha adquirido este status por efeito do art. 19 do ADCT. 10. Essa é mais uma razão para julgar-se procedente o pedido formulado na inicial, porque a injustiça da transferência de servidores ao RGPS voltou a ser corrigida, mas não alcançou significativo número de servidores que, no RGPS, se aposentaram, com proventos desvinculados da remuneração do cargo (ou emprego) público, sobre o qual contribuíram ao IGPREV e nele deveriam permanecer, porque a submissão ao RPPS não dependia da efetividade no cargo (ou emprego), mas da estabilidade no serviço público, que lhes foi assegurada por disposição de quilate constitucional. 11. Tal como o instituto de previdência do Tocantins e o INSS procederam às compensações financeiras com a transferência dos servidores do RPPS para o RGPS, assim devem proceder às compensações nesse retorno. 12.Apelação do IGEPREV/TO, apelação do INSS e remessa oficial desprovidas.” (eDOC. 15, fls. 27-28) Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (eDOC. 22). Na presente sede recursal, o INSS aponta violação dos arts. 5º, XXXVI, 37, II, e 40, § 13, da Constituição Federal, e art. 19 do ADCT (eDOC. 24). No tocante à configuração de repercussão geral, aduz que esta Suprema Corte no RE 661.256/DF, já reconheceu a repercussão geral da matéria relativa à desaposentação. Para amparar sua pretensão, afirma que a Corte Federal olvida do teor do art. 18, §2º, da Lei 8.213/91, bem como do julgamento dos Recursos Extraordinários nº 381.367, 661.256 e 827.833, sob a sistemática de repercussão geral, no sentido da impossibilidade da Desaposentação, por evidente ausência de amparo constitucional e legal para tanto. Defende que os sujeitos da relação jurídica decorrente do ato não podem simplesmente exigir a sua alteração, principalmente quando a opção feita for onerosa para uma das partes, sob pena de ofensa ao ato jurídico perfeito. Sustenta, em síntese, que os artigos 37, II, c/c o art. 40, § 13, ambos da 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO serviço público de Goiás em exercício no Estado de Tocantins, incluindo o servidor público estabilizado, o que tenha adquirido este status por efeito do art. 19 do ADCT. 10. Essa é mais uma razão para julgar-se procedente o pedido formulado na inicial, porque a injustiça da transferência de servidores ao RGPS voltou a ser corrigida, mas não alcançou significativo número de servidores que, no RGPS, se aposentaram, com proventos desvinculados da remuneração do cargo (ou emprego) público, sobre o qual contribuíram ao IGPREV e nele deveriam permanecer, porque a submissão ao RPPS não dependia da efetividade no cargo (ou emprego), mas da estabilidade no serviço público, que lhes foi assegurada por disposição de quilate constitucional. 11. Tal como o instituto de previdência do Tocantins e o INSS procederam às compensações financeiras com a transferência dos servidores do RPPS para o RGPS, assim devem proceder às compensações nesse retorno. 12.Apelação do IGEPREV/TO, apelação do INSS e remessa oficial desprovidas.” (eDOC. 15, fls. 27-28) Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (eDOC. 22). Na presente sede recursal, o INSS aponta violação dos arts. 5º, XXXVI, 37, II, e 40, § 13, da Constituição Federal, e art. 19 do ADCT (eDOC. 24). No tocante à configuração de repercussão geral, aduz que esta Suprema Corte no RE 661.256/DF, já reconheceu a repercussão geral da matéria relativa à desaposentação. Para amparar sua pretensão, afirma que a Corte Federal olvida do teor do art. 18, §2º, da Lei 8.213/91, bem como do julgamento dos Recursos Extraordinários nº 381.367, 661.256 e 827.833, sob a sistemática de repercussão geral, no sentido da impossibilidade da Desaposentação, por evidente ausência de amparo constitucional e legal para tanto. Defende que os sujeitos da relação jurídica decorrente do ato não podem simplesmente exigir a sua alteração, principalmente quando a opção feita for onerosa para uma das partes, sob pena de ofensa ao ato jurídico perfeito. Sustenta, em síntese, que os artigos 37, II, c/c o art. 40, § 13, ambos da 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 7 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO CF/88, c/c o art. 19 da ADCT, evidenciam que aquele(a) que ingressou no serviço público, por mais que estabilizado por força do art. 19 da ADCT, não ocupa cargo efetivo quando não ingresse através de concurso público (art. 37, II, CF/88). Consequentemente, deve lhe ser aplicado o Regime Geral de Previdência Social (art. 40, §13, da CF/88). Por fim, afirma não ser lícito a recorrida obter aposentadoria mais vantajosa pelo IGEPREV/TO desprezando todos os valores já pagos pelo INSS ao longo de anos, os quais, a rigor, ainda teriam que ser objeto de compensação . Por essa razão, na eventual hipótese de se admitir o pedido, só se poderia aceitá-lo com efeitos ex tunc, cabendo à parte autora a devolução dos valores recebidos, ou seja, a retirada dos efeitos jurídicos do ato que se quer desconstituir. Requer o conhecimento e provimento do recurso extraordinário, para julgar improcedentes os pedidos iniciais da parte autora. Por sua vez, o IGEPREV/TO aponta violação do art. 40 da Constituição da República, e do art. 19, caput, e § 1º, do ADCT (eDOC. 29). No tocante à configuração de repercussão geral, o recorrente pontua que (i) a questão constitucional extrapola os limites subjetivos da lide, implicando nítido abalo econômico e jurídico; (ii) jurídico, pois, ao concluir pelo direito dos servidores estabilizados a fazerem parte do Regime Próprio de Previdência, o Tribunal de origem ampliou a aplicação da norma constitucional, beneficiando quem expressamente foi excluído; e (iii) econômico, uma vez que o retorno dos servidores ao Regime Próprio de Previdência implica grave ônus ao Erário Público, interferindo negativamente no equilíbrio atuarial do sistema. No mérito, assevera que a autora é servidora com estabilidade excepcional por força do art. 19 do ADCT, e não servidora ocupante de cargo efetivo criado por lei, cuja investidura se dá através de concurso público. Por essa razão, pela interpretação literal do art. 40 da Constituição Federal, verificado silêncio eloquente da norma, a recorrida não estaria abrangida pelo Regime Previdenciário do Estado, mas sim pelo Regime Geral do INSS. Aponta que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que o servidor que preenche as condições exigidas pelo art. 19 do ADCT é estável no emprego para o qual foi contratado pela Administração, mas não é 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO CF/88, c/c o art. 19 da ADCT, evidenciam que aquele(a) que ingressou no serviço público, por mais que estabilizado por força do art. 19 da ADCT,não ocupa cargo efetivo quando não ingresse através de concurso público (art. 37, II, CF/88). Consequentemente, deve lhe ser aplicado o Regime Geral de Previdência Social (art. 40, §13, da CF/88). Por fim, afirma não ser lícito a recorrida obter aposentadoria mais vantajosa pelo IGEPREV/TO desprezando todos os valores já pagos pelo INSS ao longo de anos, os quais, a rigor, ainda teriam que ser objeto de compensação . Por essa razão, na eventual hipótese de se admitir o pedido, só se poderia aceitá-lo com efeitos ex tunc, cabendo à parte autora a devolução dos valores recebidos, ou seja, a retirada dos efeitos jurídicos do ato que se quer desconstituir. Requer o conhecimento e provimento do recurso extraordinário, para julgar improcedentes os pedidos iniciais da parte autora. Por sua vez, o IGEPREV/TO aponta violação do art. 40 da Constituição da República, e do art. 19, caput, e § 1º, do ADCT (eDOC. 29). No tocante à configuração de repercussão geral, o recorrente pontua que (i) a questão constitucional extrapola os limites subjetivos da lide, implicando nítido abalo econômico e jurídico; (ii) jurídico, pois, ao concluir pelo direito dos servidores estabilizados a fazerem parte do Regime Próprio de Previdência, o Tribunal de origem ampliou a aplicação da norma constitucional, beneficiando quem expressamente foi excluído; e (iii) econômico, uma vez que o retorno dos servidores ao Regime Próprio de Previdência implica grave ônus ao Erário Público, interferindo negativamente no equilíbrio atuarial do sistema. No mérito, assevera que a autora é servidora com estabilidade excepcional por força do art. 19 do ADCT, e não servidora ocupante de cargo efetivo criado por lei, cuja investidura se dá através de concurso público. Por essa razão, pela interpretação literal do art. 40 da Constituição Federal, verificado silêncio eloquente da norma, a recorrida não estaria abrangida pelo Regime Previdenciário do Estado, mas sim pelo Regime Geral do INSS. Aponta que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que o servidor que preenche as condições exigidas pelo art. 19 do ADCT é estável no emprego para o qual foi contratado pela Administração, mas não é 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 8 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO efetivo, e por isso não pode ser equiparado ao servidor público efetivo no que diz respeito aos efeitos legais. Argumenta não ser possível conceder o mesmo tratamento jurídico — ainda mais quando a Constituição e a lei tratam de forma diversa — [a] pessoas em situações jurídicas distintas. Pensamento contrário, afirma, acarretaria nítida afronta ao princípio da igualdade e da moralidade, por implicar privilégio não aceito nem autorizado pelo ordenamento constitucional a quem não se submeteu ao mesmo processo de seleção do concursado. Requer o conhecimento e provimento de seu recurso extraordinário, a fim de julgar improcedente os pedidos da exordial. A recorrida apresenta contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do extraordinário ante a ausência de demonstração da repercussão geral. Assenta distinção da tese de desaposentação com a concessão do benefício que a parte autora entende correto e incorporado a seu patrimônio jurídico, pois não busca o cômputo de períodos/contribuições posteriores à aposentação. Quanto ao mérito, aduz que o acórdão combatido está em consonância com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmada no RE 836.189/TO, bem como com o que foi decidido na ADI 4.876/MG. Cita o PARECER/MPS/CJ/Nº 3.333/2004, cuja conclusão vinculante foi no sentido de que os servidores públicos estabilizados (art. 19 do ADCT), por estarem submetidos a regime estatutário (...) são filiados a regime próprio de previdência. Por fim, requer seja desprovido o recurso extraordinário, com a manutenção do acórdão recorrido (eDOC. 26). A Vice-Presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região admitiu o extraordinário do IGEPREV/TO (eDOC. 34) e, no tocante ao apelo extremo do INSS, admitiu-o em parte. Considerou, no ponto, que os argumentos sobre a desaposentação e a inobservância do art. 18, § 2º, da Lei 8.213/1991 encontrariam óbice nas Súmulas 284 e 636 do STF. No mais, admitiu o recurso referente à transposição para o regime estatutário de servidores celetistas com a estabilidade adquirida com base no art. 19 do ADCT (eDOC. 33). 7 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO efetivo, e por isso não pode ser equiparado ao servidor público efetivo no que diz respeito aos efeitos legais. Argumenta não ser possível conceder o mesmo tratamento jurídico — ainda mais quando a Constituição e a lei tratam de forma diversa — [a] pessoas em situações jurídicas distintas. Pensamento contrário, afirma, acarretaria nítida afronta ao princípio da igualdade e da moralidade, por implicar privilégio não aceito nem autorizado pelo ordenamento constitucional a quem não se submeteu ao mesmo processo de seleção do concursado. Requer o conhecimento e provimento de seu recurso extraordinário, a fim de julgar improcedente os pedidos da exordial. A recorrida apresenta contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do extraordinário ante a ausência de demonstração da repercussão geral. Assenta distinção da tese de desaposentação com a concessão do benefício que a parte autora entende correto e incorporado a seu patrimônio jurídico, pois não busca o cômputo de períodos/contribuições posteriores à aposentação. Quanto ao mérito, aduz que o acórdão combatido está em consonância com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmada no RE 836.189/TO, bem como com o que foi decidido na ADI 4.876/MG. Cita o PARECER/MPS/CJ/Nº 3.333/2004, cuja conclusão vinculante foi no sentido de que os servidores públicos estabilizados (art. 19 do ADCT), por estarem submetidos a regime estatutário (...) são filiados a regime próprio de previdência. Por fim, requer seja desprovido o recurso extraordinário, com a manutenção do acórdão recorrido (eDOC. 26). A Vice-Presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região admitiu o extraordinário do IGEPREV/TO (eDOC. 34) e, no tocante ao apelo extremo do INSS, admitiu-o em parte. Considerou, no ponto, que os argumentos sobre a desaposentação e a inobservância do art. 18, § 2º, da Lei 8.213/1991 encontrariam óbice nas Súmulas 284 e 636 do STF. No mais, admitiu o recurso referente à transposição para o regime estatutário de servidores celetistas com a estabilidade adquirida com base no art. 19 do ADCT (eDOC. 33). 7 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 9 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO Destaco que em relação à parte não admitida, o INSS interpôs agravo (eDOC. 40) dirigido a esta Corte, por entender necessária a admissão total do seu recurso extraordinário. É o relatório. Primeiramente, consabido que o juízo de admissibilidade a quo nãovincula nem torna precluso o reexame da matéria pelo juízo ad quem, uma vez estabelecido pelo parágrafo único do art. 1.034 do CPC/2015 que: Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolve-se ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado. No preciso dizer de Barbosa Moreira (BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Comentários ao Código de Processo Civil - vol. 5. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002 p. 265-266), entendimento aplicável ao Código de Processo Civil de 2015, o juízo de admissibilidade proferido pelo órgão perante o qual interposto o recurso não basta para assegurar a obtenção do novo julgamento perseguido, seja pela possibilidade de advir algum fato que torne inadmissível o recurso, seja por não ficar preclusa a reapreciação da matéria pelo órgão ad quem, que procederá livremente ao controle da admissibilidade, inclusive para declarar insatisfeito algum ou mais de um dos pressupostos tidos, no juízo a quo, como cumpridos. O agravo em recurso extraordinário manejado pelo Instituto Nacional de Seguro Social – INSS (eDOC. 40) merece ser conhecido, tendo em vista devidamente impugnados os fundamentos da decisão proferida pela Vice-Presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, no entanto, o apelo extremo a que ele se refere não comporta conhecimento (eDOC. 24). É que não foi demonstrada, em referido recurso extraordinário interposto de acórdão cuja publicação se deu após a Emenda Regimental nº 21, de 30.4.2007, a repercussão geral da matéria constitucional versada no apelo extremo. O preenchimento desse requisito demanda a demonstração, no caso concreto, da existência de questões relevantes do ponto de vista 8 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO Destaco que em relação à parte não admitida, o INSS interpôs agravo (eDOC. 40) dirigido a esta Corte, por entender necessária a admissão total do seu recurso extraordinário. É o relatório. Primeiramente, consabido que o juízo de admissibilidade a quo não vincula nem torna precluso o reexame da matéria pelo juízo ad quem, uma vez estabelecido pelo parágrafo único do art. 1.034 do CPC/2015 que: Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolve-se ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado. No preciso dizer de Barbosa Moreira (BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Comentários ao Código de Processo Civil - vol. 5. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002 p. 265-266), entendimento aplicável ao Código de Processo Civil de 2015, o juízo de admissibilidade proferido pelo órgão perante o qual interposto o recurso não basta para assegurar a obtenção do novo julgamento perseguido, seja pela possibilidade de advir algum fato que torne inadmissível o recurso, seja por não ficar preclusa a reapreciação da matéria pelo órgão ad quem, que procederá livremente ao controle da admissibilidade, inclusive para declarar insatisfeito algum ou mais de um dos pressupostos tidos, no juízo a quo, como cumpridos. O agravo em recurso extraordinário manejado pelo Instituto Nacional de Seguro Social – INSS (eDOC. 40) merece ser conhecido, tendo em vista devidamente impugnados os fundamentos da decisão proferida pela Vice-Presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, no entanto, o apelo extremo a que ele se refere não comporta conhecimento (eDOC. 24). É que não foi demonstrada, em referido recurso extraordinário interposto de acórdão cuja publicação se deu após a Emenda Regimental nº 21, de 30.4.2007, a repercussão geral da matéria constitucional versada no apelo extremo. O preenchimento desse requisito demanda a demonstração, no caso concreto, da existência de questões relevantes do ponto de vista 8 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 10 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo (art. 1.035, §§ 1º e 2º, do CPC/2015). A afirmação genérica da existência de repercussão geral ou a simples indicação de tema ou precedente desta Suprema Corte são insuficientes para o atendimento do pressuposto. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que deficiência de fundamentação da preliminar acarreta a inadmissibilidade do recurso extraordinário, mesmo nos casos de repercussão geral presumida ou reconhecida em outro processo. Nesse sentido: “QUESTÃO DE ORDEM. RECONHECIMENTO, PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DA PRESENÇA DA REPERCUSSÃO GERAL EM DETERMINADO PROCESSO. PRELIMINAR FORMAL E FUNDAMENTADA DE REPERCUSSÃO GERAL NOS OUTROS RECURSOS QUE TRATEM DO MESMO TEMA. EXIGIBILIDADE. 1. Questão de ordem resolvida no sentido de que o reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da presença da repercussão geral da questão constitucional em determinado processo não exime os demais recorrentes do dever constitucional e processual de apresentar a preliminar devidamente fundamentada sobre a presença da repercussão geral (§ 3º do art. 102 da Constituição Republicana e § 2º do art. 543-A do CPC). 2. Agravo regimental desprovido.” (ARE 663.637-AgR-QO/MG, Rel. Min. Ayres Britto, Tribunal Pleno, DJe 06.5.2013). “Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Repercussão geral não demonstrada. Requisito de admissibilidade. Precedentes. 1. A ausência de argumentação expressa, formal e objetivamente articulada pela parte recorrente para demonstrar, nas razões do recurso extraordinário, a existência de repercussão geral da matéria suscitada, inviabiliza o exame do referido recurso mesmo na hipótese de repercussão geral 9 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo (art. 1.035, §§ 1º e 2º, do CPC/2015). A afirmação genérica da existência de repercussão geral ou a simples indicação de tema ou precedente desta Suprema Corte são insuficientes para o atendimento do pressuposto. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que deficiência de fundamentação da preliminar acarreta a inadmissibilidade do recurso extraordinário, mesmo nos casos de repercussão geral presumida ou reconhecida em outro processo. Nesse sentido: “QUESTÃO DE ORDEM. RECONHECIMENTO, PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DA PRESENÇA DA REPERCUSSÃO GERAL EM DETERMINADO PROCESSO. PRELIMINAR FORMAL E FUNDAMENTADA DE REPERCUSSÃO GERAL NOS OUTROS RECURSOS QUE TRATEM DO MESMO TEMA. EXIGIBILIDADE. 1. Questão de ordem resolvida no sentido de que o reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da presença da repercussão geral da questão constitucional em determinado processo não exime os demais recorrentes do dever constitucional e processual de apresentar a preliminar devidamente fundamentadasobre a presença da repercussão geral (§ 3º do art. 102 da Constituição Republicana e § 2º do art. 543-A do CPC). 2. Agravo regimental desprovido.” (ARE 663.637-AgR-QO/MG, Rel. Min. Ayres Britto, Tribunal Pleno, DJe 06.5.2013). “Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Repercussão geral não demonstrada. Requisito de admissibilidade. Precedentes. 1. A ausência de argumentação expressa, formal e objetivamente articulada pela parte recorrente para demonstrar, nas razões do recurso extraordinário, a existência de repercussão geral da matéria suscitada, inviabiliza o exame do referido recurso mesmo na hipótese de repercussão geral 9 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 11 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO presumida ou já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em outro feito. 2. Agravo regimental não provido, com imposição de multa de 1% (um por cento) do valor atualizado da causa (art. 1.021, § 4º, do CPC). 3. Havendo prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, seu valor monetário será majorado em 10% (dez por cento) em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados os limites dos §§ 2º e 3º do referido artigo e a eventual concessão de justiça gratuita.” (ARE 1.135.507-AgR/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, DJe 20.11.2018) “DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AUSÊNCIA DA PRELIMINAR FORMAL DE REPERCUSSÃO GERAL. REQUISITO RECURSAL. INOBSERVÂNCIA DO ART. 1.035, §§ 1º E 2º, DO CPC. REPERCUSSÃO GERAL PRESUMIDA OU RECONHECIDA EM OUTRO RECURSO NÃO VIABILIZA APELO SEM A PRELIMINAR FUNDAMENTADA DA REPERCUSSÃO GERAL. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. As razões do agravo interno não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada. 2. Não houve, no recurso extraordinário interposto de acórdão cuja publicação se deu após a Emenda Regimental nº 21, de 30.4.2007, demonstração da existência de repercussão geral. Inobservância do art. 1.035, §§ 1º e 2º, do CPC. O preenchimento desse requisito demanda a efetiva demonstração, no caso concreto, da existência de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo (art. 1.035, §§ 1º e 2º, do CPC). A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que ausência da preliminar acarreta a inadmissibilidade do recurso extraordinário, mesmo nos casos de repercussão geral presumida ou reconhecida em outro processo. 10 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO presumida ou já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em outro feito. 2. Agravo regimental não provido, com imposição de multa de 1% (um por cento) do valor atualizado da causa (art. 1.021, § 4º, do CPC). 3. Havendo prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, seu valor monetário será majorado em 10% (dez por cento) em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados os limites dos §§ 2º e 3º do referido artigo e a eventual concessão de justiça gratuita.” (ARE 1.135.507-AgR/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, DJe 20.11.2018) “DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AUSÊNCIA DA PRELIMINAR FORMAL DE REPERCUSSÃO GERAL. REQUISITO RECURSAL. INOBSERVÂNCIA DO ART. 1.035, §§ 1º E 2º, DO CPC. REPERCUSSÃO GERAL PRESUMIDA OU RECONHECIDA EM OUTRO RECURSO NÃO VIABILIZA APELO SEM A PRELIMINAR FUNDAMENTADA DA REPERCUSSÃO GERAL. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. As razões do agravo interno não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada. 2. Não houve, no recurso extraordinário interposto de acórdão cuja publicação se deu após a Emenda Regimental nº 21, de 30.4.2007, demonstração da existência de repercussão geral. Inobservância do art. 1.035, §§ 1º e 2º, do CPC. O preenchimento desse requisito demanda a efetiva demonstração, no caso concreto, da existência de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo (art. 1.035, §§ 1º e 2º, do CPC). A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que ausência da preliminar acarreta a inadmissibilidade do recurso extraordinário, mesmo nos casos de repercussão geral presumida ou reconhecida em outro processo. 10 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 12 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO 3. Agravo interno conhecido e não provido.” (ARE 1.419.616-AgR/MS, de minha relatoria, Tribunal Pleno, DJe 05.5.2023) Na espécie, a autarquia federal, em suas razões recursais, limita-se a afirmar a presença de repercussão geral da matéria em um único parágrafo, sem desenvolvimento dialético de fundamentos, referindo-se, para tanto, a precedente qualificado absolutamente inaplicável ao caso. Ressalto que a deficiência da preliminar de repercussão geral nas razões do recurso extraordinário não pode ser suprida por meio de posterior veiculação nas razões do agravo de instrumento, alcançada pelo manto da preclusão consumativa. Em síntese: não conheço do recurso extraordinário manejado pelo Instituto Nacional de Seguro Social – INSS (eDOC. 24). No tocante ao apelo extremo interposto pelo INSTITUTO DE GESTÃO PREVIDENCIÁRIA DO ESTADO DO TOCANTINS – IGEPREV/TO, presentes os pressupostos recursais intrínsecos e extrínsecos, conheço do recurso e passo ao exame quanto à existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Inicialmente verifico a existência de questão constitucional. Em análise no presente caso o direito de servidores não efetivos, mas estáveis pela regra do art. 19 do ADCT, de serem convertidos ao regime próprio do Estado de Tocantins, após terem sido aposentados com vínculo no regime geral de previdência social, sob a responsabilidade do INSS. Anoto, desde logo, que a presente discussão jurídica, ao contrário do sustentado pelo INSS, não se confunde com o objeto do RE 661.256/SC, Rel. p/ acórdão Min. Dias Toffoli, processado e julgado sob a sistemática da repercussão geral, no qual se fixou a seguinte tese: “No âmbito do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, somente lei pode criar benefícios e vantagens previdenciárias, não havendo, por ora, previsão legal do direito à 'desaposentação' ou à ‘reaposentação’, sendo constitucional a 11 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO 3. Agravo interno conhecido e não provido.” (ARE 1.419.616-AgR/MS, de minha relatoria, Tribunal Pleno, DJe 05.5.2023) Na espécie, a autarquiafederal, em suas razões recursais, limita-se a afirmar a presença de repercussão geral da matéria em um único parágrafo, sem desenvolvimento dialético de fundamentos, referindo-se, para tanto, a precedente qualificado absolutamente inaplicável ao caso. Ressalto que a deficiência da preliminar de repercussão geral nas razões do recurso extraordinário não pode ser suprida por meio de posterior veiculação nas razões do agravo de instrumento, alcançada pelo manto da preclusão consumativa. Em síntese: não conheço do recurso extraordinário manejado pelo Instituto Nacional de Seguro Social – INSS (eDOC. 24). No tocante ao apelo extremo interposto pelo INSTITUTO DE GESTÃO PREVIDENCIÁRIA DO ESTADO DO TOCANTINS – IGEPREV/TO, presentes os pressupostos recursais intrínsecos e extrínsecos, conheço do recurso e passo ao exame quanto à existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Inicialmente verifico a existência de questão constitucional. Em análise no presente caso o direito de servidores não efetivos, mas estáveis pela regra do art. 19 do ADCT, de serem convertidos ao regime próprio do Estado de Tocantins, após terem sido aposentados com vínculo no regime geral de previdência social, sob a responsabilidade do INSS. Anoto, desde logo, que a presente discussão jurídica, ao contrário do sustentado pelo INSS, não se confunde com o objeto do RE 661.256/SC, Rel. p/ acórdão Min. Dias Toffoli, processado e julgado sob a sistemática da repercussão geral, no qual se fixou a seguinte tese: “No âmbito do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, somente lei pode criar benefícios e vantagens previdenciárias, não havendo, por ora, previsão legal do direito à 'desaposentação' ou à ‘reaposentação’, sendo constitucional a 11 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO regra do art. 18, § 2º, da Lei nº 8.213/91.” Com efeito, cumpre verificar no presente recurso se possui amparo constitucional a pretensão da servidora do Estado do Tocantins, com estabilidade excepcional pelo art. 19 do ADCT, de anular o ato que a excluiu do regime próprio de previdência estadual e a incluiu no regime geral de previdência, no qual se aposentou. Por consequência, impõe-se analisar se sua aposentadoria, concedida no âmbito do RGPS, pode ser convertida em aposentadoria por tempo de contribuição com proventos integrais e paridade pelo RPPS, à alegação de que o § 13 do art. 40 da Constituição da República não a alcança. Eis os fundamentos da Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ao negar provimento aos recursos de apelação e à remessa necessária e, consequentemente, manter a sentença de procedência: “O regime jurídico entre a Administração Pública e seus servidores deve ser único (art. 39 da CF/88), e com o advento da Emenda Constitucional n. 20, de 1998, determinou-se que aos servidores titulares de cargo efetivo, nos termos do art. 40, caput, o regime de previdência passa a ser de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, mas isso apenas a partir da referida emenda, que, como todo ato legislativo superveniente, deve respeitar o ato jurídico perfeito, como foi a inclusão anterior dos servidores estabilizados pelo art. 19 do ADCT no regime próprio de previdência de Tocantins. Na redação original da Constituição, no referido art. 40, havia previsão de que a lei disporia sobre a aposentadoria em cargos ou empregos temporários (§ 2º), não se inferindo, daí, que o servidor estável, mas não efetivo e beneficiário do art. 19 do ADCT devesse ser excluído do regime próprio e, portanto, de que estivesse submetido ao regime geral da Previdência Social. (...) 12 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO regra do art. 18, § 2º, da Lei nº 8.213/91.” Com efeito, cumpre verificar no presente recurso se possui amparo constitucional a pretensão da servidora do Estado do Tocantins, com estabilidade excepcional pelo art. 19 do ADCT, de anular o ato que a excluiu do regime próprio de previdência estadual e a incluiu no regime geral de previdência, no qual se aposentou. Por consequência, impõe-se analisar se sua aposentadoria, concedida no âmbito do RGPS, pode ser convertida em aposentadoria por tempo de contribuição com proventos integrais e paridade pelo RPPS, à alegação de que o § 13 do art. 40 da Constituição da República não a alcança. Eis os fundamentos da Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ao negar provimento aos recursos de apelação e à remessa necessária e, consequentemente, manter a sentença de procedência: “O regime jurídico entre a Administração Pública e seus servidores deve ser único (art. 39 da CF/88), e com o advento da Emenda Constitucional n. 20, de 1998, determinou-se que aos servidores titulares de cargo efetivo, nos termos do art. 40, caput, o regime de previdência passa a ser de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, mas isso apenas a partir da referida emenda, que, como todo ato legislativo superveniente, deve respeitar o ato jurídico perfeito, como foi a inclusão anterior dos servidores estabilizados pelo art. 19 do ADCT no regime próprio de previdência de Tocantins. Na redação original da Constituição, no referido art. 40, havia previsão de que a lei disporia sobre a aposentadoria em cargos ou empregos temporários (§ 2º), não se inferindo, daí, que o servidor estável, mas não efetivo e beneficiário do art. 19 do ADCT devesse ser excluído do regime próprio e, portanto, de que estivesse submetido ao regime geral da Previdência Social. (...) 12 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 14 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO Depois de muitos anos de contribuição ao sistema de Previdência do Estado, precisamente em junho de 2001, a Lei Estadual n. 1.246 excluiu os servidores remanescentes do Estado de Goiás não efetivos, estabilizados ou não, do seu regime próprio, transferindo-os para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), pelo qual muitos servidores se aposentaram. (...) Assim, foram pelo menos 12 anos de contribuição e, como houve contribuição ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Tocantins, é evidente que esses servidores, ainda que não efetivados, mas estáveis no serviço público, vinculavam-se a esse regime, porque, de outro modo, as contribuições seriam vertidas ao RPPS sem sequer haver expectativa de contraprestação de benefício pelo mesmo sistema. (...) Faz-se necessário, no caso dos autos, a observância dos princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança, subprincípios do Estado de Direito, e da consequente necessidade de estabilidade das situações jurídicas criadaspela própria Administração ao incluir a parte autora em um regime próprio de previdência e depois transferi-la para o regime geral. Entendo que a Lei Estadual n. 1.246/2001 do Estado de Tocantins, posteriormente revogada pela Lei n. 1.614/2005, que simplesmente transferiu todos os servidores estabilizados para o Regime Geral da Previdência Social, é malferidora desse direito de permanência no Regime Próprio de Previdência do Estado do Tocantins. Em verdade, a transferência do RPPS para o RGPS não poderia operar sem a aquiescência do segurado, porque isso importa violar o princípio da segurança jurídica, mais especificamente o princípio da confiança objetiva, porque uma vez assegurados aos empregados públicos a estabilidade no serviço público, por mandamento constitucional (art. 19 do ADCT), e tendo ingressado e permanecido no RPPS por longos anos, a legislação superveniente findou por alterar as 13 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO Depois de muitos anos de contribuição ao sistema de Previdência do Estado, precisamente em junho de 2001, a Lei Estadual n. 1.246 excluiu os servidores remanescentes do Estado de Goiás não efetivos, estabilizados ou não, do seu regime próprio, transferindo-os para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), pelo qual muitos servidores se aposentaram. (...) Assim, foram pelo menos 12 anos de contribuição e, como houve contribuição ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Tocantins, é evidente que esses servidores, ainda que não efetivados, mas estáveis no serviço público, vinculavam-se a esse regime, porque, de outro modo, as contribuições seriam vertidas ao RPPS sem sequer haver expectativa de contraprestação de benefício pelo mesmo sistema. (...) Faz-se necessário, no caso dos autos, a observância dos princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança, subprincípios do Estado de Direito, e da consequente necessidade de estabilidade das situações jurídicas criadas pela própria Administração ao incluir a parte autora em um regime próprio de previdência e depois transferi-la para o regime geral. Entendo que a Lei Estadual n. 1.246/2001 do Estado de Tocantins, posteriormente revogada pela Lei n. 1.614/2005, que simplesmente transferiu todos os servidores estabilizados para o Regime Geral da Previdência Social, é malferidora desse direito de permanência no Regime Próprio de Previdência do Estado do Tocantins. Em verdade, a transferência do RPPS para o RGPS não poderia operar sem a aquiescência do segurado, porque isso importa violar o princípio da segurança jurídica, mais especificamente o princípio da confiança objetiva, porque uma vez assegurados aos empregados públicos a estabilidade no serviço público, por mandamento constitucional (art. 19 do ADCT), e tendo ingressado e permanecido no RPPS por longos anos, a legislação superveniente findou por alterar as 13 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Inteiro Teor do Acórdão - Página 15 de 23 Manifestação sobre a Repercussão Geral RE 1426306 RG / TO consequências jurídicas de uma relação previdenciária há muito estabilizada, operando uma alteração futura das consequências esperadas nessa relação jurídica. (...) Atualmente, a Lei Estadual n. 2.726/2013 de Tocantins incluiu como segurados do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS-TO) os servidores remanescentes do antigo Serviço Público do Estado de Goiás em exercício no Estado de Tocantins, incluindo o servidor público estabilizado, vale dizer, o que tenha adquirido este status por efeito do art. 19 do ADCT, nos termos do art. 1º: (...) Essa é mais uma razão para se julgar procedente o pedido formulado na inicial, porque a injustiça da transferência de servidores ao RGPS voltou a ser corrigida, mas não alcançou significativo número de servidores que, no RGPS, se aposentaram, com proventos desvinculados da remuneração do cargo (ou emprego) público, sobre o qual contribuíram ao IGEPREV e nele deveriam permanecer, porque a submissão ao RPPS não dependia da efetividade no cargo (ou emprego), mas da estabilidade no serviço público, que lhes foi assegurada por disposição de quilate constitucional. (...) Na verdade, não se trata de desaposentação, como foi muitíssimo debatido em incontáveis casos e afinal resolvido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n. 661256/SC, mas de simplesmente se fazer retornar ao RPPS do Tocantins quem foi indevidamente transferido para o RGPS, a cargo do INSS. (...) Tal como o instituto de previdência do Tocantins e o INSS procederam às compensações financeiras com a transferência dos servidores do RPPS para o RGPS, assim devem também proceder às compensações nesse retorno, inclusive considerando os proventos pagos pelo INSS ao servidor que, por uma ou outra razão, se aposentou nesse período, cujos 14 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 39E2-F36A-F374-3CA2 e senha DD45-F439-62AF-4799 Supremo Tribunal Federal RE 1426306 RG / TO consequências jurídicas de uma relação previdenciária há muito estabilizada, operando uma alteração futura das consequências esperadas nessa relação jurídica. (...) Atualmente, a Lei Estadual n. 2.726/2013 de Tocantins incluiu como segurados do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS-TO) os servidores remanescentes do antigo Serviço Público do Estado de Goiás em exercício no Estado de Tocantins, incluindo o servidor público estabilizado, vale dizer, o que tenha adquirido este status por efeito do art. 19 do ADCT, nos termos do art. 1º: (...) Essa é mais uma razão para se julgar procedente o pedido formulado na inicial, porque a injustiça da transferência de servidores ao RGPS voltou a ser corrigida, mas não alcançou significativo número de servidores que, no RGPS, se aposentaram, com proventos desvinculados da remuneração do cargo (ou emprego) público, sobre o qual contribuíram ao IGEPREV e nele deveriam permanecer, porque a submissão ao RPPS não dependia da efetividade no cargo (ou emprego), mas da estabilidade no serviço público, que lhes foi assegurada por disposição de quilate constitucional. (...) Na verdade, não se trata de desaposentação, como foi muitíssimo debatido em incontáveis casos e afinal resolvido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n. 661256/SC, mas de simplesmente se fazer retornar ao RPPS do Tocantins quem foi indevidamente transferido para o RGPS, a cargo do INSS. (...) Tal como o instituto de previdência do Tocantins e o INSS procederam às compensações financeiras com a transferência dos servidores do RPPS para o RGPS, assim devem também proceder às compensações nesse retorno, inclusive considerando os proventos pagos pelo INSS ao servidor que, por uma ou outra razão, se aposentou nesse período, cujos 14 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp