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Sumário 
DIREITO CONSTITUCIONAL ............................................................................................................................................................................. 5 
PRECEDENTE N° 1 .......................................................................................................................................................................................................................... 5 
ADI 7350 ...................................................................................................................................................................................................................................... 5 
PRECEDENTE N° 2 .......................................................................................................................................................................................................................... 5 
ADPF 1123 .................................................................................................................................................................................................................................. 5 
PRECEDENTE N° 3 .......................................................................................................................................................................................................................... 6 
ADI 6457 ...................................................................................................................................................................................................................................... 6 
PRECEDENTE N° 4 .......................................................................................................................................................................................................................... 7 
ADI 5298 ...................................................................................................................................................................................................................................... 7 
PRECEDENTE N° 5 .......................................................................................................................................................................................................................... 7 
ADI 7424 ...................................................................................................................................................................................................................................... 7 
PRECEDENTE N° 6 .......................................................................................................................................................................................................................... 8 
ARE 1436197 – 1287 RG ....................................................................................................................................................................................................... 8 
PRECEDENTE N° 7 .......................................................................................................................................................................................................................... 9 
ADO 20 ......................................................................................................................................................................................................................................... 9 
PRECEDENTE N° 8 ....................................................................................................................................................................................................................... 10 
ADI 7423 .................................................................................................................................................................................................................................... 10 
PRECEDENTE N° 9 ....................................................................................................................................................................................................................... 11 
ADI 7261 .................................................................................................................................................................................................................................... 11 
PRECEDENTE N° 10 .................................................................................................................................................................................................................... 12 
RE 1075412 – 995 RG ........................................................................................................................................................................................................... 12 
PRECEDENTE N° 11 .................................................................................................................................................................................................................... 13 
ADI 4360 .................................................................................................................................................................................................................................... 13 
PRECEDENTE N° 12 .................................................................................................................................................................................................................... 14 
RE 1211446 – 1072 RG ........................................................................................................................................................................................................ 14 
 
 
 
 
 
 
2 
56 
PRECEDENTE N° 13 .................................................................................................................................................................................................................... 15 
RE 702362 – 580 RG ............................................................................................................................................................................................................. 15 
PRECEDENTE N° 14 .................................................................................................................................................................................................................... 16 
RE 833291 – 1051 RG ........................................................................................................................................................................................................... 16 
PRECEDENTE N° 15 .................................................................................................................................................................................................................... 16 
ADI 7405 .................................................................................................................................................................................................................................... 16 
PRECEDENTE N° 16 .................................................................................................................................................................................................................... 17 
ADI 3834 .................................................................................................................................................................................................................................... 17 
PRECEDENTE N° 17 ....................................................................................................................................................................................................................18 
ADI 3194 .................................................................................................................................................................................................................................... 18 
PRECEDENTE N° 18 .................................................................................................................................................................................................................... 20 
ADI 4982 .................................................................................................................................................................................................................................... 20 
PRECEDENTE N° 19 .................................................................................................................................................................................................................... 21 
ADI 6609 .................................................................................................................................................................................................................................... 21 
PRECEDENTE N° 20 .................................................................................................................................................................................................................... 21 
RE 614873 ................................................................................................................................................................................................................................. 21 
PRECEDENTE N° 21 .................................................................................................................................................................................................................... 22 
ADI 1183 .................................................................................................................................................................................................................................... 22 
PRECEDENTE N° 22 .................................................................................................................................................................................................................... 24 
ADPF 1013 ................................................................................................................................................................................................................................ 24 
PRECEDENTE N° 23 .................................................................................................................................................................................................................... 25 
ADI 2037 .................................................................................................................................................................................................................................... 25 
PRECEDENTE N° 24 .................................................................................................................................................................................................................... 26 
ADPF 1063 ................................................................................................................................................................................................................................ 26 
PRECEDENTE N° 25 .................................................................................................................................................................................................................... 27 
ADPF 347 ................................................................................................................................................................................................................................... 27 
 
 
 
 
 
 
3 
56 
PRECEDENTE N° 26 .................................................................................................................................................................................................................... 29 
ADI 3056 .................................................................................................................................................................................................................................... 29 
PRECEDENTE N° 27 .................................................................................................................................................................................................................... 29 
ADI 2879 .................................................................................................................................................................................................................................... 29 
PRECEDENTE N° 28 .................................................................................................................................................................................................................... 30 
ADI 7004 .................................................................................................................................................................................................................................... 30 
PRECEDENTE N° 29 .................................................................................................................................................................................................................... 31 
ADI 2776 .................................................................................................................................................................................................................................... 31 
PRECEDENTE N° 30 .................................................................................................................................................................................................................... 32 
RE 886131 – 1015 RG ........................................................................................................................................................................................................... 32 
PRECEDENTE N° 31 .................................................................................................................................................................................................................... 33 
RE 1282553 – 1190 RG ........................................................................................................................................................................................................ 33 
PRECEDENTE N° 32 .................................................................................................................................................................................................................... 34 
RE 659172 – 519 RG ............................................................................................................................................................................................................. 34 
PRECEDENTE N° 33 .................................................................................................................................................................................................................... 35 
RE 910552 – 1001 RG ........................................................................................................................................................................................................... 35 
PRECEDENTE N° 34 ....................................................................................................................................................................................................................37 
ADI 7319 .................................................................................................................................................................................................................................... 37 
PRECEDENTE N° 35 .................................................................................................................................................................................................................... 37 
ARE 1175650 – 1043 RG ..................................................................................................................................................................................................... 37 
PRECEDENTE N° 36 .................................................................................................................................................................................................................... 41 
RE 684612 – 698 RG ............................................................................................................................................................................................................. 41 
PRECEDENTE N° 37 .................................................................................................................................................................................................................... 42 
ARE 1245097 – 1084 RG ..................................................................................................................................................................................................... 42 
PRECEDENTE N° 38 .................................................................................................................................................................................................................... 43 
RE 1210727 – 1056 RG ........................................................................................................................................................................................................ 43 
 
 
 
 
 
 
4 
56 
PRECEDENTE N° 39 .................................................................................................................................................................................................................... 44 
RE 1182189 – 1054 RG ........................................................................................................................................................................................................ 44 
PRECEDENTE N° 40 .................................................................................................................................................................................................................... 45 
ADI 7028 .................................................................................................................................................................................................................................... 45 
PRECEDENTE N° 41 .................................................................................................................................................................................................................... 46 
RE 1177699 – 1032 RG ........................................................................................................................................................................................................ 46 
PRECEDENTE N° 42 .................................................................................................................................................................................................................... 47 
ARE 1418846 – 1246 RG ..................................................................................................................................................................................................... 47 
PRECEDENTE N° 43 .................................................................................................................................................................................................................... 48 
RE 1116485 – 477 RG ........................................................................................................................................................................................................... 48 
PRECEDENTE N° 44 .................................................................................................................................................................................................................... 49 
ADI 6561 .................................................................................................................................................................................................................................... 49 
PRECEDENTE N° 45 .................................................................................................................................................................................................................... 50 
ADI 3238 .................................................................................................................................................................................................................................... 50 
PRECEDENTE N° 46 .................................................................................................................................................................................................................... 51 
ADI 7380 .................................................................................................................................................................................................................................... 51 
PRECEDENTE N° 47 .................................................................................................................................................................................................................... 51 
RE 955227 – 885 RG ............................................................................................................................................................................................................. 51 
PRECEDENTE N° 48 .................................................................................................................................................................................................................... 53 
RE 658999 – 627 RG ............................................................................................................................................................................................................. 53 
PRECEDENTE N° 49 .................................................................................................................................................................................................................... 54 
ADI 999 ...................................................................................................................................................................................................................................... 54 
PRECEDENTE N° 50 .................................................................................................................................................................................................................... 55 
ADPF 995 ................................................................................................................................................................................................................................... 55 
 
 
 
 
50 PRECEDENTES QUE SERÃO COBRADOS EM PROVA 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
PRECEDENTE N° 1 
ADI 7350 
É inconstitucional norma de Constituição estadual que prevê eleições concomitantes (no início de cada 
legislatura) da Mesa Diretora de Assembleia Legislativa paraos dois biênios subsequentes. 
O Tribunal, por unanimidade, converteu o julgamento do referendo à medida cautelar em decisão de 
mérito, declarou prejudicado o pedido de reconsideração da medida cautelar e julgou procedente a 
ação para: declarar a inconstitucionalidade da expressão "para os dois biênios subsequentes" do § 3º 
do art. 15 da Constituição do Estado de Tocantins, com redação da Emenda à Constituição nº 48/2022; 
por arrastamento, declarar a inconstitucionalidade da Resolução nº 365, de 22/12/2022, da 
Assembleia Legislativa do estado; e anular a eleição da mesa diretora do biênio 2025/2026 ocorrida 
em 1º/2/23. Tudo nos termos do voto do Relator. Não votou o Ministro Flávio Dino, sucessor da 
Ministra Rosa Weber, que votara em assentada anterior. Plenário, Sessão Virtual de 1.3.2024 a 
8.3.2024. 
PRECEDENTE N° 2 
ADPF 1123 
Não é possível que decretos municipais dispensem a exigência de vacina contra a Covid-19 para matrícula e 
rematrícula na rede pública de ensino. 
Ante o exposto, sendo inequívoco o descumprimento de preceito fundamental e em razão da 
excepcional urgência, consubstanciada no início do ano escolar, nos termos do art. 5º, § 1º, da Lei 
9.882/1999, defiro parcialmente o pedido cautelar, ad referendum, para suspender os efeitos dos 
decretos municipais indicados na presente decisão que dispensaram a exigência de vacina contra a 
Covid-19 para matrícula e rematrícula na rede pública de ensino. Em continuidade ao rito estabelecido 
na Lei 9882/1999, solicitem-se as informações, inclusive ao Ministério da Saúde e ao Ministério da 
Educação (art. 6º). Após, remetam-se os autos ao Advogado-Geral da União e ao Procurador-Geral da 
República para manifestação. Atribua-se a esta decisão força de mandado/ofício. Comunique-se com 
urgência. Publique-se. 
 
 
 
 
 
 
6 
56 
Decisão: O Tribunal, por maioria, referendou a decisão que deferiu parcialmente o pedido cautelar, 
para suspender os efeitos dos decretos municipais indicados na presente decisão que dispensaram a 
exigência de vacina contra a Covid-19 para matrícula e rematrícula na rede pública de ensino, nos 
termos do voto do Relator, vencidos os Ministros André Mendonça e Nunes Marques, que deferiam 
parcialmente a medida cautelar, conferindo interpretação conforme à Constituição aos decretos 
municipais questionados. Plenário, Sessão Virtual de 1.3.2024 a 8.3.2024. 
PRECEDENTE N° 3 
ADI 6457 
As Forças Armadas não exercem poder moderador entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. 
O Tribunal, por unanimidade, converteu o referendo da medida cautelar em julgamento de mérito e 
julgou parcialmente procedente a ação direta de inconstitucionalidade, para conferir interpretação 
conforme aos artigos 1º, caput, e 15, caput e §§ 1º, 2º e 3º, da Lei Complementar 97/1999 e assentar 
que: (i) A missão institucional das Forças Armadas na defesa da Pátria, na garantia dos poderes 
constitucionais e na garantia da lei e da ordem não acomoda o exercício de poder moderador entre os 
poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; (ii) A chefia das Forças Armadas é poder limitado, 
excluindo-se qualquer interpretação que permita sua utilização para indevidas intromissões no 
independente funcionamento dos outros Poderes, relacionando-se a autoridade sobre as Forças 
Armadas às competências materiais atribuídas pela Constituição ao Presidente da República; (iii) A 
prerrogativa do Presidente da República de autorizar o emprego das Forças Armadas, por iniciativa 
própria ou em atendimento a pedido manifestado por quaisquer dos outros poderes constitucionais 
por intermédio dos Presidentes do Supremo Tribunal Federal, do Senado Federal ou da Câmara dos 
Deputados , não pode ser exercida contra os próprios Poderes entre si; (iv) O emprego das Forças 
Armadas para a garantia da lei e da ordem, embora não se limite às hipóteses de intervenção federal, 
de estados de defesa e de estado sítio, presta-se ao excepcional enfrentamento de grave e concreta 
violação à segurança pública interna, em caráter subsidiário, após o esgotamento dos mecanismos 
ordinários e preferenciais de preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do 
patrimônio, mediante a atuação colaborativa das instituições estatais e sujeita ao controle 
permanente dos demais poderes, na forma da Constituição e da lei. Tudo nos termos do voto do 
Relator. Os Ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli 
acompanharam o Relator com ressalvas. Falaram: pela Advocacia-Geral da União, o Dr. Gustavo 
Henrique Catisane Diniz, Advogado da União; e, pelo amicus curiae Conselho Federal da Ordem dos 
Advogados do Brasil CFOAB, a Dra. Manuela Elias Batista. Plenário, Sessão Virtual de 29.3.2024 a 
8.4.2024. 
 
 
 
 
 
 
7 
56 
PRECEDENTE N° 4 
ADI 5298 
É inconstitucional norma de Constituição estadual que estabelece limite etário para aposentadoria 
compulsória diverso do fixado pela Constituição Federal. 
EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AÇÕES DIRETAS DE 
INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE DA AÇÃO. 
IMPOSSIBILIDADE DE CONVALIDAÇÃO. MODIFICAÇÃO DO LIMITE DE IDADE PARA APOSENTADORIA 
COMPULSÓRIA DOS MAGISTRADOS E SERVIDORES PÚBLICOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. 
IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA CONCORRENTE. NORMAS GERAIS JÁ EDITADAS PELA UNIÃO. 
NORMAS DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. EXTRAPOLAÇÃO DOS LIMITES DO EXERCÍCIO DO PODER 
CONSTITUINTE DECORRENTE REFORMADOR. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL E MATERIAL. 
PRECEDENTES. PROCEDÊNCIA DAS AÇÕES. 1. É inconstitucional previsão normativa de Constituição 
Estadual que estabelece limite de idade para aposentadoria compulsória diverso daquele fixado pela 
Constituição Federal de 1988. 2. In casu, a EC nº 59/2015 à Constituição do Estado do Rio de Janeiro 
alterou o limite de idade para aposentadoria compulsória dos servidores públicos estaduais em 
contrariedade ao que então dispunha o art. 40, § 1º, II, da CRFB/88, revelando-se a 
inconstitucionalidade da norma impugnada. 3. Ações diretas de inconstitucionalidade cujo pedido se 
julga procedente, para declarar a inconstitucionalidade da Emenda Constitucional nº 59/2015, do 
Estado do Rio de Janeiro, ratificando a medida cautelar anteriormente deferida. 
(ADI 5298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 14-02-2024, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-
s/n DIVULG 21-02-2024 PUBLIC 22-02-2024) 
PRECEDENTE N° 5 
ADI 7424 
É inconstitucional norma estadual que concede porte de arma de fogo a agentes socioeducativos. 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. PORTE DE ARMA PARA AGENTE DE SEGURANÇA 
SOCIOEDUCATIVO. LEI COMPLEMENTAR 1.017/2022 DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO. COMPETÊNCIA 
PRIVATIVA DA UNIÃO. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE. 1. Compete 
privativamente à União legislar sobre a posse e o porte de armas de fogo em território nacional, bem 
como estabelecer em quais hipóteses deve ser assegurado o porte funcional de arma de fogo, não 
sendo franqueada aos Estados e ao Distrito Federal a prerrogativa de conceder porte de arma a 
agentes públicos ou privados não contemplados na legislação federal (Constituição, arts. 21, VI e 22, I 
e XXI). 2. Nos termos da jurisprudência da Corte, “O Estatuto do Desarmamento é norma federal e, de 
 
 
 
 
 
 
8 
56 
forma nítida, afastou a possibilidade do exercício das competências complementares e suplementares 
dos Estados e Municípios para autorizar porte de arma de fogo, ainda que a pretexto de regular 
carreiras ou de dispor sobre segurança pública, seja para garanti-lo aos inativos da carreira dos agentes 
penitenciários, seja para estendê-lo à dos agentes do sistema socioeducativo” (ADI 5359/DF, Rel. Min. 
Edson Fachin, Tribunal Pleno, DJe 5.5.2021). 3. É inconstitucional a lei estadual que concede porte de 
arma a inativos da carreira dos Agentes Penitenciários e aos Agentes de Segurança Socioeducativos, 
ativos e inativos, por violação manifesta de competência privativada União. 4. Ação direta julgada 
procedente. 
(ADI 7424, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 06-02-2024, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 19-02-2024 PUBLIC 20-02-2024) 
PRECEDENTE N° 6 
ARE 1436197 – 1287 RG 
É possível a condenação administrativa de Chefes dos Poderes Executivos municipais, estaduais e distrital 
pelos Tribunais de Contas, em face de irregularidades no repasse de verbas, sem necessidade de posterior 
julgamento ou aprovação do ato pelo respectivo Poder Legislativo. 
EMENTA: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. CONSTITUCIONAL. 
ADMINISTRATIVO. TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO. TOMADA DE CONTAS ESPECIAL. CONSTATAÇÃO 
DE IRREGULARIDADES EM EXECUÇÃO DE CONVÊNIO INTERFEDERATIVO. IMPUTAÇÃO DE DÉBITO E 
MULTA A EX-PREFEITO. COMPETÊNCIA DA CORTE DE CONTAS. TEMAS 157 E 835 DA REPERCUSSÃO 
GERAL. DELIMITAÇÃO. CONTROLE EXTERNO EXERCIDO COM FUNDAMENTO NOS ARTIGOS 70, 71 E 75 
DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. APLICAÇÃO DE SANÇÕES ADMINISTRATIVAS QUE NÃO SE SUBMETE 
A POSTERIOR JULGAMENTO OU APROVAÇÃO DO ATO PELO PODER LEGISLATIVO LOCAL. 
CONTROVÉRSIA CONSTITUCIONAL DOTADA DE REPERCUSSÃO GERAL. REAFIRMAÇÃO DA 
JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR 
PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. No âmbito da tomada de contas especial, é possível 
a condenação administrativa de Chefes dos Poderes Executivos municipais, estaduais e distrital pelos 
Tribunais de Contas, quando identificada a responsabilidade pessoal em face de irregularidades no 
cumprimento de convênios interfederativos de repasse de verbas, sem necessidade de posterior 
julgamento ou aprovação do ato pelo respectivo Poder Legislativo. 2. Recurso extraordinário com 
agravo desprovido. 
(ARE 1436197 RG, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 18-12-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-039 DIVULG 29-02-2024 PUBLIC 01-03-2024) 
Tese 
 
 
 
 
 
 
9 
56 
No âmbito da tomada de contas especial, é possível a condenação administrativa de Chefes dos 
Poderes Executivos municipais, estaduais e distrital pelos Tribunais de Contas, quando identificada a 
responsabilidade pessoal em face de irregularidades no cumprimento de convênios interfederativos 
de repasse de verbas, sem necessidade de posterior julgamento ou aprovação do ato pelo respectivo 
Poder Legislativo. 
PRECEDENTE N° 7 
ADO 20 
A falta de lei regulamentadora da licença-paternidade constitui omissão inconstitucional por parte do 
Congresso Nacional. 
EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO. 
LICENÇA-PATERNIDADE. ARTIGO 7º, XIX, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. DECLARAÇÃO DE MORA 
LEGISLATIVA. OMISSÃO INCONSTITUCIONAL. CONSEQUÊNCIA. PRAZO DE 18 (DEZOITO) MESES PARA 
DELIBERAÇÃO LEGISLATIVA. I – CASO EM EXAME 1. Ação direta de inconstitucionalidade por omissão 
em que se postula a regulamentação da licença-paternidade, nos termos do artigo 7º, XIX, da 
Constituição da República de 1988, alegando-se mora legislativa e proteção deficiente da legislação 
existente. II - QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Saber se há, ou não, omissão inconstitucional, diante da 
previsão do artigo 10, §1º, do ADCT, que garante o prazo de cinco dias de licença-paternidade “até 
que a lei venha a disciplinar o disposto no artigo 7º, XIX, da Constituição da República”. 3. Saber se, 
declarada a omissão inconstitucional, haverá alguma consequência para o gozo do direito fundamental 
à licença-paternidade, prevista no artigo 7º, XIX, da Constituição da República. III – RAZÕES DE DECIDIR 
4. O direito fundamental social à licença-paternidade apresenta-se como direito fundamental 
essencial para a concretização não apenas das garantias institucionais da família (art. 226 da CRFB) e 
da proteção integral da infância (art. 6° e 203 da CRFB), mas, principalmente, do direito fundamental 
à igualdade entre homens e mulheres (art. 5, I, da CRFB). 5. O aumento da participação das mulheres 
no mercado de trabalho leva ao incremento da importância de políticas públicas relacionadas ao 
cuidado com o filhos, as quais possam contribuir para a equidade de gênero, para atender ao melhor 
interesse da criança, para a saúde mental de pais e mães, bem como para o planejamento familiar e 
diminuição do impacto do nascimento de um filho na carreira das mulheres. 6. É necessário alterar os 
padrões comportamentais de homens e mulheres, em relação à distribuição sexual do trabalho, 
especialmente quanto ao trabalho doméstico, pois que as experiências comparadas demonstram, o 
que é confirmado pela Organização Internacional do Trabalho – OIT, que os avanços sociais e 
econômicos são mais igualitários e sustentáveis quando há um compartilhamento das licenças 
maternidade e paternidade. 7. O efeito dirigente dos direitos fundamentais impõe que exista um 
esforço cooperativo por partes dos agentes políticos e públicos, vinculados a todas as funções de 
poder, no sentido de concretizar e potencializar a eficácia das normas constitucionais, especialmente 
quando se trata de direitos fundamentais sociais expressamente reconhecidos pelo legislador 
 
 
 
 
 
 
10 
56 
constituinte originário, como é o caso da licença-paternidade, previsto no artigo 7º, XIX, da 
Constituição da República de 1988. 8. O artigo 10, §1º, do ADCT constitui regra transitória, prevista há 
mais de 35 anos, a qual foi se revelando, ao longo do tempo, manifestamente insuficiente para 
regulamentar o direito fundamental à licença-paternidade (art. 7º, XIX, da CRFB), bem como à família 
(art. 226 da CRFB), à proteção integral da infância (art. 6°, caput, e 203 da CRFB) e à igualdade de 
gênero (art. 5, I, da CRFB). IV – DISPOSITIVO E TESE 9. Pedido de declaração da omissão inconstitucional 
procedente, para declarar a mora legislativa, quanto à regulamentação do artigo 7°, XIX, da CRFB e 
artigo 10, §1°, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, determinando-se o prazo de 18 
meses ao Congresso Nacional para sanar a omissão, o que se não ocorrer, autorizará o Supremo 
Tribunal Federal a deliberar sobre o tema. 10. Tese: “Há omissão inconstitucional quanto à edição de 
lei regulamentadora da licença-paternidade, prevista no artigo 7º, XIX, da Constituição da República 
de 1988, fixando-se o prazo de 18 (dezoito) meses para que seja sanada a omissão pelo Poder 
Legislativo, o que, se não ocorrer, autoriza ao Supremo Tribunal Federal a deliberar sobre as condições 
concretas necessárias ao gozo do direito fundamental à licença-paternidade.” 
(ADO 20, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado 
em 14-12-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 01-04-2024 PUBLIC 02-04-2024) 
Tese 
Há omissão inconstitucional quanto à edição de lei regulamentadora da licença-paternidade, prevista 
no artigo 7º, XIX, da Constituição da República de 1988, fixando-se o prazo de 18 (dezoito) meses para 
que seja sanada a omissão pelo Poder Legislativo, o que, se não ocorrer, autoriza ao Supremo Tribunal 
Federal a deliberar sobre as condições concretas necessárias ao gozo do direito fundamental à licença-
paternidade. 
PRECEDENTE N° 8 
ADI 7423 
São inconstitucionais normas de conselho profissional que exigem a quitação de anuidades para a obtenção, 
a suspensão e a reativação de inscrição, inscrição secundária, bem como a renovação e a segunda via da 
carteira profissional. 
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. INC. II DO ART. 16, § 2º DO ART. 32, INCS. II E 
IV DO ART. 46 E § 6º DO ART. 48 DO ANEXO DA RESOLUÇÃO N. 560/2017, DO CONSELHO FEDERAL DE 
ENFERMAGEM. INTERDITO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL. INADIMPLÊNCIA DE PAGAMENTO DE 
ANUIDADE. NATUREZA JURÍDICA DE TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DE CATEGORIA 
PROFISSIONAL. SANÇÃO POLÍTICA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PRECEDENTES. AÇÃO DIRETA JULGADA 
PROCEDENTE. 1. Instruído o processo nos termos do art. 10 da Lei n. 9.868/1999, é de cumprir-se o 
 
 
 
 
 
 
11 
56 
princípio constitucional de razoável duração do processo e julgamento demérito da ação direta por 
este Supremo Tribunal, ausente necessidade de novas informações. Precedentes. 2. É cabível a ação 
direta de inconstitucionalidade para o exame de atos normativos infralegais quando o conteúdo 
impugnado apresentar incompatibilidade direta com a Constituição da República e sejam dotados de 
generalidade e abstração. Precedentes. 3. As anuidades cobradas pelos conselhos profissionais 
caracterizam-se como tributos da espécie contribuições de interesse das categorias profissionais, nos 
termos do art. 149 da Constituição da República. Precedentes. 4. A suspensão de exercício profissional 
pelo não pagamento de anuidade do Conselho profissional configura sanção política como meio 
indireto de coerção para a cobrança de tributos. Precedentes. 5. São inconstitucionais as normas 
impugnadas pelas quais exigem a quitação de anuidades devidas ao Conselho Profissional de 
Enfermagem para que profissionais obtenham inscrição, suspensão de inscrição, reativação de 
inscrição, inscrição secundária, segunda via e renovação de carteira profissional de identidade, por 
instituírem sanção política como meio coercitivo indireto para pagamento de tributo. 6. Ação direta 
na qual proposta a conversão da apreciação da medida cautelar em julgamento de mérito. Pedido 
julgado procedente para declarar a inconstitucionalidade do inc. II do art. 16, § 2º do art. 32, incs. II e 
IV do art. 46 e § 6º do art. 48 do Anexo da Resolução n. 560, de 23.10.2017, do Conselho Federal de 
Enfermagem. 
(ADI 7423, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 19-12-2023, PROCESSO ELETRÔNICO 
DJe-s/n DIVULG 08-01-2024 PUBLIC 09-01-2024) 
PRECEDENTE N° 9 
ADI 7261 
É constitucional resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editada com a finalidade de coibir, no período 
de eleições, a propagação de notícias falsas através de mídias virtuais e da internet. 
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO CONSTITUCIONAL E ELEITORAL. 
CONSTITUCIONALIDADE DA RESOLUÇÃO TSE Nº. 23.714/2022. ENFRENTAMENTO DA 
DESINFORMAÇÃO CAPAZ DE ATINGIR A INTEGRIDADE DO PROCESSO ELEITORAL. 1. Não prospera a 
alegação de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao exercer a sua atribuição de elaboração 
normativa e o poder de polícia em relação à propaganda eleitoral, usurpou a competência legislativa 
da União, porquanto a Justiça Especializada vem tratando da temática do combate à desinformação 
por meio de reiterados precedentes jurisprudenciais e atos normativos, editados ao longo dos últimos 
anos. 2. A Resolução TSE nº. 23.714/2022 não consiste em exercício de censura prévia. 3. A 
disseminação de notícias falsas, no curto prazo do processo eleitoral, pode ter a força de ocupar todo 
espaço público, restringindo a circulação de ideias e o livre exercício do direito à informação. 4. O 
fenômeno da desinformação veiculada por meio da internet, caso não fiscalizado pela autoridade 
eleitoral, tem o condão de restringir a formação livre e consciente da vontade do eleitor. 5. Ausentes 
 
 
 
 
 
 
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56 
elementos que conduzam à decretação de inconstitucionalidade da norma impugnada, há que se 
adotar atitude de deferência em relação à competência do Tribunal Superior Eleitoral de organização 
e condução das eleições gerais. 6. Medida cautelar confirmada. 7. Ação Direta de Inconstitucionalidade 
julgada improcedente. 
(ADI 7261, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 19-12-2023, PROCESSO ELETRÔNICO 
DJe-s/n DIVULG 05-03-2024 PUBLIC 06-03-2024) 
PRECEDENTE N° 10 
RE 1075412 – 995 RG 
Não viola o direito à liberdade de imprensa a condenação de veículo de comunicação ao pagamento de 
indenização por dano moral que decorra da publicação de entrevista em que veiculada informação falsa. 
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. LIBERDADE DE EXPRESSÃO. DIREITO-DEVER 
DE INFORMAR. REPRODUÇÃO DE ENTREVISTA. RESPONSABILIDADE ADMITIDA NA ORIGEM. DECISÃO 
MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. 1. A responsabilização civil de veículo de imprensa pela publicação 
de declarações feitas por outra pessoa em uma entrevista prejudica gravemente a contribuição da 
imprensa para a discussão de questões de interesse público. 2. Exigir que os jornalistas se distanciem 
sistemática e formalmente do conteúdo de uma declaração que possa difamar ou prejudicar uma 
terceira parte não é conciliável com o papel da imprensa de fornecer informações sobre eventos 
atuais, opiniões e ideias. 3. Caso não seja feita declaração de isenção de responsabilidade (disclaimer), 
pode haver ofensa a direito da personalidade por meio de publicação, realizada em 1993, de entrevista 
de político anti-comunista na qual se imputa falsamente a prática de ato de terrorismo, ocorrido em 
1966, a pessoa formalmente exonerada pela justiça brasileira há mais de 13 anos. Tese de julgamento 
fixada após debates na sessão de julgamento: “1. A plena proteção constitucional à liberdade de 
imprensa é consagrada pelo binômio liberdade com responsabilidade, vedada qualquer espécie de 
censura prévia. Admite-se a possibilidade posterior de análise e responsabilização, inclusive com 
remoção de conteúdo, por informações comprovadamente injuriosas, difamantes, caluniosas, 
mentirosas, e em relação a eventuais danos materiais e morais. Isso porque os direitos à honra, 
intimidade, vida privada e à própria imagem formam a proteção constitucional à dignidade da pessoa 
humana, salvaguardando um espaço íntimo intransponível por intromissões ilícitas externas. 2. Na 
hipótese de publicação de entrevista em que o entrevistado imputa falsamente prática de crime a 
terceiro, a empresa jornalística somente poderá ser responsabilizada civilmente se: (i) à época da 
divulgação, havia indícios concretos da falsidade da imputação; e (ii) o veículo deixou de observar o 
dever de cuidado na verificação da veracidade dos fatos e na divulgação da existência de tais indícios". 
 
 
 
 
 
 
13 
56 
(RE 1075412, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, 
julgado em 29-11-2023, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 07-
03-2024 PUBLIC 08-03-2024) 
Tese 
1. A plena proteção constitucional à liberdade de imprensa é consagrada pelo binômio liberdade com 
responsabilidade, vedada qualquer espécie de censura prévia. Admite-se a possibilidade posterior de 
análise e responsabilização, inclusive com remoção de conteúdo, por informações comprovadamente 
injuriosas, difamantes, caluniosas, mentirosas, e em relação a eventuais danos materiais e morais. Isso 
porque os direitos à honra, intimidade, vida privada e à própria imagem formam a proteção 
constitucional à dignidade da pessoa humana, salvaguardando um espaço íntimo intransponível por 
intromissões ilícitas externas. 2. Na hipótese de publicação de entrevista em que o entrevistado 
imputa falsamente prática de crime a terceiro, a empresa jornalística somente poderá ser 
responsabilizada civilmente se: (i) à época da divulgação, havia indícios concretos da falsidade da 
imputação; e (ii) o veículo deixou de observar o dever de cuidado na verificação da veracidade dos 
fatos e na divulgação da existência de tais indícios. 
PRECEDENTE N° 11 
ADI 4360 
Não conflita com a Constituição Federal previsão de Constituição estadual, de natureza declaratória, que 
reconhece a existência de Tribunal Militar estadual anteriormente instituído por lei. 
Ementa: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. JUSTIÇA MILITAR DO RIO GRANDE DO SUL. 
EXISTÊNCIA ANTERIOR À CONSTITUIÇÃO. RECEPÇÃO. PREVISÃO NA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL DE 
NATUREZA DECLARATÓRIA. ART. 125, §3º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. RESERVA DE INICIATIVA 
DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NORMA DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. INTERPRETAÇÃO CONFORME. 
PEDIDOS JULGADOS PARCIALMENTE PROCEDENTES. 1. Não havendo expressa extinção pela 
Constituição da República, presume-se a recepção da norma, não havendo óbice para que o 
constituinte estadual originário mantenha a organização judiciária já devidamente criada pela lei.Essa 
constitucionalização, no entanto, é limitada a uma declaração do arquétipo institucional à época da 
edição da Constituição Estadual. 2. O art. 125, § 3º, da Constituição da República é norma de 
reprodução obrigatória, cabendo à lei estadual, mediante proposta do Tribunal de Justiça, criar a 
Justiça Militar estadual e o Tribunal de Justiça Militar. Logo, embora a Constituição possa manter o 
Tribunal de Justiça militar já existente, a natureza declaratória dessa previsão não afasta a prescrição 
da Constituição da República quanto à espécie normativa e à reserva de iniciativa das disposições 
posteriores. Precedentes (ADI 471, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 
03/04/2008; ADI 725, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/1997) 3. O 
 
 
 
 
 
 
14 
56 
art. 122, II, da CRFB, ao condicionar a existência de Tribunais e Juízes Militares à instituição por lei, 
revela-se como norma constitucional de eficácia jurídica limitada de princípio institutivo facultativa, 
conforme a clássica classificação de José Afonso da Silva. Embora se trate de norma topologicamente 
referente à Justiça Militar da União, trata-se também de norma de reprodução obrigatória, de modo 
que a existência ou não dos Tribunais Militares, ainda que previstos na Constituição Estadual, depende 
também da instituição (no caso, recepcão) por lei de iniciativa do Tribunal de Justiça local, assim como, 
pelo paralelismo das formas, sua eventual extinção depende apenas da lei. 4. Ação direta julgada 
parcialmente procedente para declarar a constitucionalidade do art. 95, V, “a”, do art. 105 e do art. 
112 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul; a constitucionalidade do art. 91, incisos II e V, e 
do art. 104, caput, da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul sob os limites da respectiva 
interpretação conforme à Constituição da República, aditando-lhes a expressão “instituído(s) por lei”; 
e a inconstitucionalidade do art. 95, inciso VII, do art. 104, parágrafos segundo, quarto e quinto, e do 
art. 106 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul. 
(ADI 4360, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 04-12-2023, PROCESSO ELETRÔNICO 
DJe-s/n DIVULG 19-12-2023 PUBLIC 08-01-2024) 
PRECEDENTE N° 12 
RE 1211446 – 1072 RG 
A mãe servidora ou trabalhadora não gestante em união homoafetiva tem direito ao gozo de licença-
maternidade e caso a companheira tenha utilizado o benefício, fará jus à licença-paternidade. 
Tese 
Possibilidade de concessão de licença-maternidade à mãe não gestante, em união estável 
homoafetiva, cuja companheira engravidou após procedimento de inseminação artificial. 
(RE 1211446 RG, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 07-11-2019, PROCESSO ELETRÔNICO 
DJe-251 DIVULG 18-11-2019 PUBLIC 19-11-2019) 
Reapreciação do tema 
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, apreciando o tema 1.072 da repercussão geral, negou 
provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto do Relator. Em seguida, por maioria, foi 
fixada a seguinte tese: "A mãe servidora ou trabalhadora não gestante em união homoafetiva tem 
direito ao gozo de licença-maternidade. Caso a companheira tenha utilizado o benefício, fará jus à 
licença pelo período equivalente ao da licença-paternidade", vencidos os Ministros Alexandre de 
Moraes, Dias Toffoli e Cármen Lúcia. Presidência do Ministro Luís Roberto Barroso. Plenário, 
13.3.2024. 
 
 
 
 
 
 
15 
56 
PRECEDENTE N° 13 
RE 702362 – 580 RG 
Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime de violação de direito autoral de caráter transnacional. 
Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TEMA 580 DA REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO 
CONSTITUCIONAL, PENAL E PROCESSUAL PENAL. CRIME DE VIOLAÇÃO DE DIREITO AUTORAL DE 
CARÁTER TRANSNACIONAL. COMPETÊNCIA. ARTIGO 109, INCISO “V”, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 
ALCANCE DA EXPRESSÃO “CRIMES PREVISTOS EM TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS”. 
OBRIGAÇÃO INTERNACIONAL ASSUMIDA PELO ESTADO BRASILEIRO DE PROTEGER A PROPRIEDADE 
INTELECTUAL. PRECEDENTES. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. 1. A proteção dos direitos 
autorais constitui obrigação assumida pela República brasileira perante a comunidade internacional, 
mediante ratificação e promulgação das seguintes convenções: (a) Convenção de Berna de 1886, 
revista em Paris em 1971 e promulgada no Brasil pelo Decreto 75.699, de 06 de maio de 1975; (b) 
Convenção Interamericana sobre os Direitos do Autor em obras Literárias, Científicas e Artísticas, 
firmada em Washington em 1946 e promulgada no Brasil pelo Decreto 26.675, de 18 de maio de 1949; 
(c) Convenção Universal sobre o Direito de Autor, assinada em Genebra, de 06 de setembro de 1952; 
(d) Convenção sobre Proteção de produtores de Fonogramas contra a Reprodução não Autorizada de 
seus Fonogramas, também concluída em Genebra, em 29 de outubro de 1971, ratificada pelo Decreto 
Legislativo nº 59, de 1975, em vigor no Brasil desde 24 de dezembro de 1975, e promulgada pelo 
Decreto 76.906/1975. 2. A interpretação do artigo 109, V, da Constituição, que compreende mandados 
de criminalização implícitos e mandados de proteção de bens jurídicos contidos em Tratados e 
Convenções Internacionais promulgados no Brasil deve prevalecer in casu. Precedentes: RE 628.624, 
Plenário, rel. p/ o ac. min. Edson Fachin, j. 29.10.2015, DJE de 6.4.2016, Tema 393; RE 835.558, 
Plenário, rel. min. Luiz Fux, j. 09.02.2017, DJE de 16.02.2017, Tema 648. 3. Consectariamente, compete 
à Justiça Federal Assenta-se, assim, a competência da Justiça Federal, a ação delituosa que envolva 
bem jurídico objeto de mandados de proteção em Tratado ou Convenção internacional e, 
simultaneamente, seja caracterizada pela transnacionalidade. 4. In casu, o próprio investigado 
confessou que adquiriu o material apreendido no Paraguai e o havia transportado para o Brasil. 5. 
Recurso extraordinário provido, com a fixação da seguinte tese jurídica para o Tema 580 da 
Repercussão Geral: “Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime de violação de direito autoral 
de caráter transnacional”. 
(RE 702362, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 19-12-2023, PROCESSO ELETRÔNICO 
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 14-03-2024 PUBLIC 15-03-2024) 
Tese 
 
 
 
 
 
 
16 
56 
Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime de violação de direito autoral de caráter 
transnacional. 
PRECEDENTE N° 14 
RE 833291 – 1051 RG 
É inconstitucional lei municipal que estabelece a obrigação da implantação, nos shopping centers, de 
ambulatório médico ou serviço de pronto-socorro equipado para o atendimento de emergência. 
EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral. Direito constitucional. Ação direta de 
inconstitucionalidade local. Leis nºs 10.947/91 e 11.649/94 e Decreto nº 29.728/91 do Município de 
São Paulo. Obrigação de implantação de ambulatório médico ou serviço de pronto-socorro equipado 
para o atendimento de emergência em shopping centers. Princípios da livre iniciativa, da razoabilidade 
e da proporcionalidade. Afronta. Recurso provido. 1. Invade esfera legislativa da União e afronta os 
princípios da livre iniciativa, da razoabilidade e da proporcionalidade a lei municipal que obrigue a 
implantação, nos shopping centers, de ambulatório médico ou serviço de pronto-socorro equipado 
para o atendimento de emergência. 2. Foi fixada a seguinte tese para o Tema nº 1.051: “É 
inconstitucional lei municipal que estabeleça a obrigação da implantação, nos shopping centers, de 
ambulatório médico ou serviço de pronto-socorro equipado para o atendimento de emergência”. 3. 
Recurso extraordinário ao qual se dá provimento. 
(RE 833291, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 04-12-2023, PROCESSO ELETRÔNICO 
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 19-12-2023 PUBLIC 08-01-2024) 
Tese 
É inconstitucional lei municipal que estabelece a obrigação da implantação, nos shopping centers, de 
ambulatório médico ou serviço de pronto-socorro equipado para o atendimento deemergência. 
PRECEDENTE N° 15 
ADI 7405 
É inconstitucional lei estadual que obriga as concessionárias dos serviços públicos de fornecimento de água 
a oferecer aos consumidores a opção de pagamento de dívidas por meio de cartão de crédito ou débito antes 
da suspensão dos serviços, bem como impõe aos agentes concessionários que efetuam as suspensões de 
fornecimento do serviço o porte da máquina do cartão. 
 
 
 
 
 
 
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56 
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N. 12.035/2023 DO ESTADO DO MATO 
GROSSO. OBRIGATORIEDADE DAS CONCESSIONÁRIAS DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DE ENERGIA ELÉTRICA 
E FORNECIMENTO DE ÁGUA NO ESTADO OFERECEREM OPÇÃO DE PAGAMENTO POR CARTÃO DE 
CRÉDITO OU DÉBITO. LEGITIMIDADE ATIVA LIMITADA QUANTO AOS SERVIÇOS DE SANEAMENTO 
BÁSICO. COMPETÊNCIA DO MUNICÍPIO PARA LEGISLAR SOBRE ASSUNTOS DE INTERESSE LOCAL: 
SANEAMENTO BÁSICO. INCS. I E V DO ART. 30 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. AÇÃO DIRETA 
PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESTA PARTE, JULGADA PROCEDENTE. 1. Instruído o processo nos 
termos do art. 10 da Lei n. 9.868/1999, propõe-se o acolhimento do princípio da razoável duração do 
processo com o julgamento de mérito da ação direta por este Supremo Tribunal, ausente necessidade 
de novas informações. Precedentes. 2. Legitimidade ativa ad causam da Associação Brasileira das 
Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto – ABCON para a presente ação direta 
de inconstitucionalidade apenas no ponto referente aos deveres dos concessionários de serviços de 
abastecimento de água, pelo nexo entre os objetivos institucionais da autora e o conteúdo das normas 
impugnadas. 3. Ao determinar que as concessionárias dos serviços públicos de fornecimento de água 
deverão oferecer a opção de pagamento de débitos por cartão de débito ou crédito, fixando que os 
agentes concessionários que efetuem as suspensões de fornecimento do serviço deverão portar 
obrigatoriamente a máquina do cartão, o legislador estadual usurpou a competência dos Municípios 
para legislarem sobre fornecimento de água, assunto de interesse local. Precedentes. 4. Ação direta 
na qual convertida apreciação da medida cautelar em julgamento de mérito. Ação da qual se conhece 
parcialmente no que se refere à prestação dos serviços públicos de abastecimento de água, e, nesta 
parte, declarada a inconstitucionalidade da expressão “concessionárias dos serviços públicos de 
fornecimento de água” prevista no art. 1º da Lei n. 12.035/2023 do Estado de Mato Grosso. 
(ADI 7405, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 27-11-2023, PROCESSO ELETRÔNICO 
DJe-s/n DIVULG 06-12-2023 PUBLIC 07-12-2023) 
PRECEDENTE N° 16 
ADI 3834 
É inconstitucional norma de Resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que autoriza o 
pagamento de subsídio aos membros do “Parquet” acumulado com: (i) a incorporação de vantagens pessoais 
decorrentes do exercício anterior de função de direção, chefia ou assessoramento; e (ii) o acréscimo de 20% 
da remuneração do cargo efetivo aos proventos de aposentadoria que se dê no último nível da carreira. 
Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. VANTAGENS 
REMUNERATÓRIAS CRIADAS POR RESOLUÇÃO DO CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. 
REGIME DE SUBSÍDIO. 1. Ação direta contra o art. 4º, V, da Resolução nº 09/2006, do Conselho 
Nacional do Ministério Público – CNMP, que permite (i) a incorporação ao subsídio de vantagens 
pessoais decorrentes de exercício pretérito de função de direção, chefia ou assessoramento e, (ii) nos 
 
 
 
 
 
 
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56 
casos em que os membros se aposentam no último nível da carreira, autoriza o acréscimo de vinte por 
cento do vencimento ao cálculo dos proventos da aposentadoria. 2. Violação do art. 39, § 4º, da 
Constituição Federal. O regime remuneratório de subsídio, caracterizado pela unicidade da 
remuneração, veda a instituição de vantagens pecuniárias pessoais de natureza remuneratória. Sob 
fundamentos de moralidade e publicidade, bem como de economicidade, isonomia e legalidade, fixou-
se um parâmetro com o legítimo propósito de repelir acréscimos de abonos, prêmios, verbas de 
representação, ou outras gratificações e espécies remuneratórias. Precedentes. 3. De acordo com o 
art. 40, § 2º, CF, com a redação conferida pela EC n.º 20/1998, os proventos de aposentadoria, por 
ocasião de sua concessão, não poderão exceder a remuneração do respectivo servidor no cargo efetivo 
em que se deu a aposentadoria. 4. Ação direta de inconstitucionalidade conhecida e pedido julgado 
procedente, com a fixação da seguinte tese de julgamento: A incorporação de vantagens pessoais 
decorrentes do exercício pretérito de função de direção, chefia ou assessoramento, bem como o 
acréscimo de 20% ao cálculo dos proventos de aposentaria para aqueles que se aposentam no último 
nível da carreira, afrontam o regime constitucional de subsídio. 
(ADI 3834, Relator(a): LUÍS ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 21-11-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 05-02-2024 PUBLIC 06-02-2024) 
PRECEDENTE N° 17 
ADI 3194 
É formalmente inconstitucional lei ordinária estadual que organiza e disciplina as atribuições e regulamenta 
o Estatuto dos respectivos membros do Ministério Público. 
EMENTA CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. LEIS ESTADUAIS. ALTERAÇÃO SUBSTANCIAL E 
REVOGAÇÃO DE PARTE DAS NORMAS IMPUGNADAS. PREJUÍZO PARCIAL. LEIS ORDINÁRIAS E LEIS 
COMPLEMENTARES. AUSÊNCIA DE HIERARQUIA. DIFERENÇA QUANTO À NATUREZA. PRECEDENTE. 
ORGANIZAÇÃO E ESTATUTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. 
IMPOSSIBILIDADE DE TOMAR COMO COMPLEMENTAR LEI SURGIDA PELO PROCEDIMENTO DE LEI 
ORDINÁRIA, AINDA QUE APROVADA POR MAIORIA ABSOLUTA. INTEGRAÇÃO DE MEMBRO DO 
PARQUET EM COMISSÃO DE SINDICÂNCIA OU PROCESSO ADMINISTRATIVO ALHEIO À INSTITUIÇÃO. 
AUTORIZAÇÃO DO PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA, OUVIDO O CONSELHO SUPERIOR. 
INCOMPATIBILIDADE DA CONDIÇÃO COM OS ARTS. 128, § 5º, II, “D”, E 129, IX, DA CONSTITUIÇÃO 
FEDERAL. 1. A Lei n. 12.796/2007 alterou substancialmente o art. 4º-A, V, e revogou o art. 26, § 5º, IV, 
da Lei n. 6.536/1973, na redação dada pelas Leis n. 11.722/2002 e 11.723/2002, todas do Estado do 
Rio Grande do Sul, a ensejar o prejuízo parcial da ação. 2. O art. 128, § 5º, da Constituição Federal 
estabelece reserva de lei complementar para a organização e regulamentação do estatuto de cada 
Ministério Público, conforme expressa orientação jurisprudencial do Supremo. 3. A Lei Orgânica do 
Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul – Lei n. 6.536/1973 –, conquanto aprovada como 
 
 
 
 
 
 
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lei ordinária, foi recepcionada pela Constituição de 1988 com status de lei complementar, uma vez 
que na ordem constitucional anterior não havia previsão de procedimento legislativo diferenciado 
para essa espécie normativa. 4. As normas versadas nas leis sul-rio-grandenses objeto de impugnação, 
por meio das quais modificada a Lei n. 6.536/1973, dizem respeito à organização do Parquet estadual; 
às atribuições do Procurador-Geral de Justiça, dos Procuradores de Justiça e dos Promotores de 
Justiça; às garantias, vedações e impedimentos dos membros; e aos procedimentos, condições e 
critérios para promoções e remoções. Faz-se configurada a ofensa à reserva de lei complementar. 5. 
A opção política do poder constituinte originário de criar um procedimento legislativo diferenciado 
para a edição de leis complementares acarreta distinção sobretudo no tocante à necessidade de 
debate aprofundado da matéria, por intermédio de ampla articulação político-institucional, de forma 
a alcançar-se entendimento mais permanente, em respeito e deferência ao pluralismo, à 
complexidade e ao dinamismo da sociedade brasileira. Revela-se imprópria, desse modo, a atribuição 
de status de lei complementar às Leis n. 11.722/2002 e 11.723/2002 do Estado do Rio Grande do Sul, 
uma vez que, a despeito de o quórum qualificado ter sido alcançado, a normas foram editadas já na 
vigência da Constituição de 1988.6. Nada obstante o art. 4º-A, VII, da Lei n. 6.536/1973 do Rio Grande 
do Sul, na redação dada pela de n. 11.722/2002, de modo geral proíba que membro do Ministério 
Público integre comissão de sindicância ou processo administrativo alheio à instituição, cria uma 
exceção na hipótese de a participação ser autorizada pelo Procurador-Geral de Justiça, ouvido o 
Conselho Superior do órgão. A ressalva se mostra incompatível com o disposto nos arts. 128, § 5º, II, 
“d”; e 129, IX, da Constituição Federal, ante a ausência de previsão na Carta de 1988. 7. O Supremo 
reconhece apenas três exceções à vedação do art. 128, § 5º, II, “d”, da Carta da República: (i) o 
exercício de uma função pública de magistério; (ii) o exercício de função pública na administração 
superior da própria instituição, desde que compatível com a finalidade desta; e (iii) o exercício de 
função pública por membro do Ministério Público que, a par de ter ingressado na carreira antes da 
promulgação da Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, haja optado pelo regime anterior, 
conforme previsão do art. 29, § 3º, do Ato das Disposições Constitucionais Provisórias (ADCT). 8. 
Prejuízo parcial da ação, no tocante aos arts. 4º-A, V, e 26, § 5º, IV, da Lei n. 6.536, de 31 de janeiro de 
1973, do Estado do Rio Grande do Sul, na redação dada pelas Leis n. 11.722 e 11.723, ambas de 8 de 
janeiro de 2002. Pedido julgado procedente, em parte, para declarar-se a inconstitucionalidade formal 
das Leis n. 11.722 e 11.723, de 8 de janeiro de 2002, do Estado do Rio Grande do Sul, e, sob o ângulo 
material, a inconstitucionalidade da expressão “sem autorização do Procurador-Geral de Justiça, 
ouvido o Conselho Superior do Ministério Público” contida no art. 4º-A da Lei estadual n. 6.536/1973, 
com o texto conferido pela de n. 11.722/2002. 
(ADI 3194, Relator(a): NUNES MARQUES, Tribunal Pleno, julgado em 13-11-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 07-12-2023 PUBLIC 11-12-2023) 
 
 
 
 
 
 
20 
56 
PRECEDENTE N° 18 
ADI 4982 
É inconstitucional norma estadual que prevê a livre nomeação e exoneração, pelo governador, dos cargos 
de Defensor Público-Geral e do Subdefensor Público-Geral locais, escolhidos dentre advogados com 
reconhecido saber jurídico e idoneidade. 
EMENTA CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL. INVESTIDURA NOS 
CARGOS DE DEFENSOR PÚBLICO-GERAL E SUBDEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO. LIVRE 
NOMEAÇÃO E EXONERAÇÃO PELO GOVERNADOR. EQUIPARAÇÃO, PARA TODOS OS EFEITOS, DO 
DEFENSOR PÚBLICO-GERAL A SECRETÁRIO DE ESTADO. VÍCIO FORMAL. COMPETÊNCIA CONCORRENTE 
DA UNIÃO, DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL PARA LEGISLAR SOBRE DEFENSORIA PÚBLICA. 
CONFLITO COM O MODELO ESTABELECIDO NAS NORMAS GERAIS EDITADAS PELA UNIÃO. LEI 
COMPLEMENTAR N. 80/1994. MODULAÇÃO DE EFEITOS DA DECISÃO. EFICÁCIA EX NUNC. 1. A 
competência legislativa concorrente, prevista no art. 24 da Constituição Federal, não outorga aos 
Estados e ao Distrito Federal, tendo em vista as normas gerais veiculadas em lei nacional, ultrapassar 
os limites da atribuição suplementar. 2. Legislação estadual que contrarie frontalmente critérios 
mínimos legitimamente fixados pela União em norma geral viola, de modo direto, o Texto 
Constitucional. Precedentes. 3. É inconstitucional norma local que estabelece critérios para a 
investidura nos cargos de Defensor Público-Geral e seu substituto diversamente daqueles previstos 
em legislação federal – Lei Complementar n. 80/1994. Precedentes. 4. O Defensor Público-Geral do 
Estado não ostenta a condição jurídico-administrativa de Secretário de Estado, por ser cargo privativo 
de membro da carreira. A equiparação para efeito de prerrogativas, tratamento e remuneração, 
voltada a incluir o Chefe da Defensoria Pública estadual entre os agentes políticos sujeitos à livre 
escolha do Governador, constitui manifesta burla aos critérios de nomeação estabelecidos na norma 
geral estatuída pela União – Lei Complementar n. 80/1994, art. 99, caput e § 1º. Precedente. 5. Cumpre 
modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, a fim de preservar, até a publicação da ata 
de julgamento, a validade de todos os atos de nomeação, exoneração e equiparação para efeito de 
prerrogativas, tratamento e remuneração que tenham sido praticados com base nas disposições 
julgadas incompatíveis com a Constituição Federal, bem assim as relações jurídicas delas decorrentes. 
6. Pedido julgado procedente, em parte, para declarar-se a inconstitucionalidade, com eficácia ex 
nunc, a contar da publicação da ata deste julgamento, da expressão “de livre nomeação e exoneração 
pelo Governador do Estado, dentre advogados, com reconhecido saber jurídico e idoneidade” contida 
no caput do art. 7º; do parágrafo único do mesmo dispositivo; e do trecho “de livre nomeação e 
exoneração pelo Governador do Estado” constante do art. 8º, todos da Lei Complementar n. 251/2003 
do Estado do Rio Grande do Norte. 
(ADI 4982, Relator(a): NUNES MARQUES, Tribunal Pleno, julgado em 13-11-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 07-12-2023 PUBLIC 11-12-2023) 
 
 
 
 
 
 
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56 
PRECEDENTE N° 19 
ADI 6609 
É constitucional lei estadual que garante a precedência da remoção sobre a promoção por antiguidade na 
carreira da magistratura local. 
Ementa: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR 59/2001 DO ESTADO DE 
MINAS GERAIS. MAGISTRATURA. CARREIRA. PRECEDÊNCIA DA REMOÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. 
IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. 1. Com o advento da Emenda Constitucional 45/2004, o Poder 
Constituído Reformador quis introduzir idêntica sistemática da promoção (inciso II), em relação à 
remoção a pedido ou à permuta de magistrados da mesma entrância (inciso VIII-A), ao determinar que 
fossem observadas, no que couber, as alíneas “a”, “b”, “c” e “e” do inciso II do art. 93 da CF. 2. O 
critério para aferição de antiguidade é o efetivo exercício no cargo correspondente da magistratura 
naquela entrância (art. 80, § 1º, I, da Loman) e não entre todas as entrâncias. 3. Após a EC 45/2004, 
nas carreiras das magistratura federal e estadual, a remoção sempre precederá à promoção por 
antiguidade ou merecimento, por força do inciso VIII-A do art. 93 da CF. 4. Pedido julgado 
improcedente. 
(ADI 6609, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Relator(a) p/ Acórdão: GILMAR MENDES, Tribunal 
Pleno, julgado em 19-10-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 06-12-2023 PUBLIC 07-12-
2023) 
PRECEDENTE N° 20 
RE 614873 
É inconstitucional lei estadual que assegura, de forma infundada e/ou desproporcional, percentual das vagas 
oferecidas para a universidade pública local a candidatos que cursaram integralmente o ensino médio em 
instituições públicas ou privadas da mesma unidade federativa. 
Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RESERVA DE VAGAS EM VESTIBULAR DE UNIVERSIDADE 
ESTADUAL PARA EGRESSOS DE ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO DA RESPECTIVA UNIDADE FEDERATIVA. 
LEI DO ESTADO DO AMAZONAS 2.894/2004, QUE CRIA SISTEMA DE COTAS PARA PREENCHIMENTO DE 
VAGAS EM UNIVERSIDADE ESTADUAL PARA CANDIDATOS EGRESSOS DE ESCOLAS LOCALIZADAS NO 
RESPECTIVO ENTE FEDERATIVO. NÃO PODE O ENTE FEDERATIVO CRIAR DISCRIMINAÇÕES REGIONAIS 
INFUNDADAS, DE FORMA A FAVORECER APENAS OS RESIDENTES EM DETERMINADA REGIÃO, SOB 
PENA DE VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 3º, IV; 5º, CAPUT ; E 19, III, TODOS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 
IMPOSSIBILIDADE DE OS ENTES DA FEDERAÇÃO BRASILEIRA ESTABELECEREM RELAÇÕES DE 
PREFERÊNCIAS ENTRE BRASILEIROS EM RAZÃO DE SUA ORIGEM OU PROCEDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. 
 
 
 
 
 
 
22 
56 
Discute-se no Recurso Extraordinário interposto pela UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS a 
compatibilidade, com o artigo 5º, caput e incisos I e II, da Constituição Federal, da previsão contida na 
Lei estadual 2.894/2004, que estabelece a reserva de 80% das vagas destinadas a vestibulares da 
supracitada instituição de ensino superior a candidatos egressos de escolas situadas naquele ente 
federado, desde que nelas tenham cursado os três anos do ensino médio. 2. No Brasil, a ConstituiçãoFederal de 1988, ante seu rompimento com o regime ditatorial até então vigente, foi a que mais se 
preocupou com a igualdade de direitos, o que pode ser notado tanto no Preâmbulo, como em diversos 
dispositivos ao longo da Carta (ex: artigos 3º, III; 4º, V; 5º, caput ; 14, caput ; 19, III; 43, caput ; 150, II; 
165, §7º; 170, VII, entre outros). Logo, todos os cidadãos têm o direito constitucionalmente 
assegurado de receber tratamento igualitário. 3. O que se veda são as diferenciações arbitrárias, as 
discriminações absurdas, pois, o tratamento desigual dos casos desiguais, na medida em que se 
desigualam, é exigência tradicional do próprio conceito de Justiça, pois o que realmente protege são 
certas finalidades, somente se tendo por lesado o princípio constitucional quando o elemento 
discriminador não se encontra a serviço de uma finalidade acolhida pelo direito. 4. Assim, a despeito 
da nobre hipótese de se corrigirem distorções socioeconômicas, como se pode observar, por exemplo, 
da reserva de vagas para alunos egressos de escolas públicas, não pode o ente federativo criar 
discriminações regionais infundadas, de forma a favorecer apenas os residentes em determinada 
região, sob pena de violação aos artigos 3º, IV; 5º, caput ; e 19, III, todos da Constituição Federal. 5. 
Na ADI 4382 (Plenário, DJ de 30/10/2018), o PLENÁRIO do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL entendeu 
que, como corolário do princípio da isonomia posto em seu art. 5º, caput, a Constituição Federal 
enuncia expressamente, no inciso III do art. 19, que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal 
e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si . 6. A jurisprudência da 
CORTE firmou-se no sentido de inibir que sejam estabelecidas pelos entes da federação brasileira 
relações de preferências entre brasileiros em razão de sua origem ou procedência. 7. Tema 474 da 
repercussão geral cancelado. Recurso Extraordinário desprovido, julgando-se inconstitucional a Lei 
2.894/2004 do Estado do Amazonas . 
(RE 614873, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal 
Pleno, julgado em 19-10-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 01-02-2024 PUBLIC 02-02-
2024) 
PRECEDENTE N° 21 
ADI 1183 
É incompatível com a Constituição Federal de 1988 a possibilidade de que prepostos, indicados pelo titular 
de cartório ou mesmo pelos tribunais de justiça, possam exercer substituições ininterruptas por períodos 
superiores a seis meses, em caso de vacância da serventia. Nessa hipótese, o substituto não concursado se 
encontra na interinidade do cartório, de modo que age em nome próprio e por conta própria. 
 
 
 
 
 
 
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56 
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTS. 20; 39, II; 48 DA LEI 8.935/94. OFICIAIS 
REGISTRADORES E NOTÁRIOS. INDICAÇÃO DE SUBSTITUTOS. CONTINUIDADE DO SERVIÇO. CONCURSO 
PÚBLICO. COMPATIBILIZAÇÃO. APOSENTADORIA COMPULSÓRIA. CARTÓRIOS OFICIALIZADOS. REGIME 
JURÍDICO. AÇÃO CONHECIDA E JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. 1. A Lei n.º 8.935/94, na qual 
estão os dispositivos ora impugnados, veio para regulamentar a atividade notarial e registral, como 
norma geral exigida pelo art. 236, §§1º e 2º da Constituição. 2. Quando o art. 20 da Lei n.º 8.935/94 
admite a substituição do notário ou registrador por preposto indicado pelo titular, naturalmente o faz 
para ajustar as situações de fato que normalmente ocorrem, sem ofensa à exigência de concurso 
público para ingresso na carreira. O Oficial do Registro ou Notário, como qualquer ser humano, pode 
precisar afastar-se do trabalho, por breves períodos, seja por motivo de saúde, ou para realizar uma 
diligência fora da sede do cartório, ou mesmo para resolver algum problema particular inadiável. E o 
serviço registral ou notarial não pode ser descontinuado, daí a necessidade de que exista um agente 
que, atuando por conta e risco do titular e sob a orientação deste, possa assumir precariamente a 
função nessas contingências, até que este último retome a sua função. 3. Porém, a Lei n.º 8.935/94, 
no artigo ora discutido (art. 20, caput), ao não estipular prazo máximo para a substituição, pode, de 
fato, passar a falsa impressão de que o preposto poderia assumir o serviço por tempo indefinido, em 
longas ausências do titular ou mesmo na falta de um titular, por conta e risco seus, aí, sim, violando a 
exigência de concurso público para a investidura na função (que deve ser aberto, no máximo, 6 meses 
após a vacância, conforme art. 236, §3º da CF). 4. O art. 20 da Lei n.º 8.935/94 é constitucional, sendo, 
todavia, inconstitucional a interpretação que extraia desse dispositivo a possibilidade de que 
prepostos, indicados pelo titular ou mesmo pelos tribunais de justiça, possam exercer substituições 
ininterruptas por períodos maiores de que 6 (seis) meses. Para essas longas substituições, a solução é 
mesmo aquela apontada pelo autor da ação: o “substituto” deve ser outro notário ou registrador, 
observadas as leis locais de organização do serviço notarial e registral, e sem prejuízo da abertura do 
concurso público respectivo. Apenas assim se pode compatibilizar o princípio da continuidade do 
serviço notarial e registral com a regra constitucional que impõe o concurso público como requisito 
indispensável para o ingresso na função (CF, art. 236, §3º). Fica ressalvada, no entanto, para casos em 
que não houver titulares interessados na substituição, a possibilidade de que os tribunais de justiça 
possam indicar substitutos “ad hoc”, sem prejuízo da imediata abertura de concurso para o 
preenchimento da(s) vaga(s). 5. A Lei n.º 8.935/94 não tem qualquer relevância para a aplicabilidade 
ou não da aposentadoria compulsória aos notários e registradores, pois tal disciplina decorre 
diretamente da Constituição. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal considera que, a partir da 
publicação da EC 20/98, não se aplica mais aos notários e registradores a aposentadoria compulsória 
(ADI 2602-MG, Red. p/ acórdão Min. EROS GRAU). 6. O art. 48 da Lei n.º 8.935/94 é norma de direito 
intertemporal, cujo objetivo foi harmonizar os diferentes regimes jurídicos que remanesceram para os 
cartórios a partir de 1988, conforme art. 32 do ADCT. Ao reconhecer essa diversidade de regimes e 
criar opção para que servidores públicos que trabalhavam em cartórios privados pudessem ser 
contratados, pelo regime trabalhista comum (CLT), cessando o vínculo com o Estado, a norma em nada 
ofende a Constituição. 7. A eventual aplicação abusiva do dispositivo legal deve se resolver pelos meios 
ordinários de fiscalização e controle da Administração Pública, não por controle abstrato de 
 
 
 
 
 
 
24 
56 
constitucionalidade. 8. Ação conhecida e julgada parcialmente procedente, apenas para dar 
interpretação conforme ao art. 20 da Lei n.º 8.935/94. 
(ADI 1183, Relator(a): NUNES MARQUES, Tribunal Pleno, julgado em 08-06-2021, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-118 DIVULG 18-06-2021 PUBLIC 21-06-2021) 
PRECEDENTE N° 22 
ADPF 1013 
Configura omissão inconstitucional do Poder Público a falta de oferta, com a mesma frequência e 
regularidade dos dias úteis, de transporte público coletivo gratuito nas zonas urbanas em dia de eleições. 
Ementa: Direito Constitucional. Arguição de descumprimento de preceito fundamental. Oferta de 
transporte público regular e gratuito no dia das eleições. 1. Arguição de descumprimento de preceito 
fundamental contra a omissão do poder público em ofertar, nos dias das eleições, transporte público 
gratuito e em frequência compatível com aquela praticada em dias úteis. A pretensão se fundamenta 
no direito dos cidadãos ao transporte e, especialmente, no seu direito ao voto, ao argumento de que 
a locomoção às seções eleitorais tem custo substancialmente maior do que o valor da multa pela 
abstenção. 2. Considerada a extrema desigualdade social existente no Brasil, a ausência de política 
pública de concessão de transporte gratuito no dia das eleições tem o potencial de criar, na prática, 
um novotipo de voto censitário, que retira dos mais pobres a possibilidade de participar do processo 
eleitoral. O Estado tem o dever de adotar medidas que concretizem os direitos previstos na ordem 
constitucional, de modo que a falha em assegurar o exercício do direito ao voto é violadora da 
Constituição. 3. Numa democracia, as eleições devem contar com a participação do maior número de 
eleitores e transcorrer de forma íntegra, proba e republicana. A medida pretendida promove dois 
valores relevantes: a igualdade de participação, proporcionando acesso ao voto por parte significativa 
dos eleitores; e o combate a ilegalidades, evitando que o transporte sirva como instrumento de 
interferência no resultado eleitoral. 4. De um lado, a arena preferencial para instituição da providência 
requerida nesta ação é o Parlamento, onde as decisões políticas fundamentais devem ser tomadas em 
uma democracia. De outro, a ausência de normatização da matéria compromete a plena efetividade 
dos direitos políticos, o que legitima a atuação do Supremo Tribunal Federal. Nesse cenário, justifica-
se a solução que reconheça a preferência do Congresso Nacional e, ao mesmo tempo, garanta o 
cumprimento da Constituição. Inclusive, já existem diversos projetos de lei em tramitação que 
equacionam adequadamente o problema. 5. Pedido julgado parcialmente procedente, para 
reconhecer a existência de omissão inconstitucional decorrente da ausência de política de gratuidade 
do transporte público em dias de eleições, com apelo ao Congresso Nacional para que edite lei 
regulamentadora da matéria. Caso não editada a lei, a partir das eleições municipais de 2024, nos dias 
das eleições, o transporte coletivo urbano municipal e intermunicipal, inclusive o metropolitano, deve 
ser ofertado de forma gratuita e com frequência compatível àquela dos dias úteis. 6. Tese: É 
 
 
 
 
 
 
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56 
inconstitucional a omissão do Poder Público em ofertar, nas zonas urbanas em dias das eleições, 
transporte público coletivo de forma gratuita e em frequência compatível com aquela praticada em 
dias úteis. 
(ADPF 1013, Relator(a): LUÍS ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 18-10-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 02-02-2024 PUBLIC 05-02-2024) 
PRECEDENTE N° 23 
ADI 2037 
É inconstitucional lei estadual que obriga a inclusão, na lei orçamentária anual, das escolhas manifestadas 
pela população, em consulta direta, no que diz respeito à destinação de parcela voltada a investimentos de 
interesses regional e municipal. 
EMENTA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONSTITUCIONAL E FINANCEIRO. LEI 
ESTADUAL. PROPOSTA DE LEI ORÇAMENTÁRIA. OBSERVÂNCIA DE INTERESSES MUNICIPAIS E 
REGIONAIS REVELADOS EM CONSULTAS DIRETAS À POPULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE INCLUSÃO NA 
LEI ORÇAMENTÁRIA DAS ESCOLHAS MANIFESTADAS PELA POPULAÇÃO. CONTRARIEDADE À RESERVA 
DE INICIATIVA DO CHEFE EXECUTIVO (CF, ARTS. 61, § 1º, II, “B”, E 165, III) E AO PODER DE EMENDA DO 
LEGISLATIVO (CF, ART. 166). 1. É inconstitucional norma estadual que torna impositiva a deliberação 
popular sobre proposta de lei orçamentária, por limitar os poderes de iniciativa do Executivo (CF, art. 
61, § 1º, II, “b”, c/c art. 165, III) e de emenda do Legislativo (CF, art. 166). 2. As consultas populares 
não vinculam o Chefe do Poder Executivo e podem ocorrer independentemente de previsão legal. 
Logo, não há proveito em manter no ordenamento jurídico a lei que as institui, adotando-se para tanto 
a técnica da interpretação conforme. 3. Não havendo como desfazer os efeitos jurídicos da lei 
impugnada, sobretudo ante o longo período decorrido desde o início da vigência, nem como alterar 
as leis orçamentárias anuais e os investimentos públicos realizados com fundamento em consultas 
populares nos termos da norma atacada, cabe a modulação temporal da eficácia da declaração de 
inconstitucionalidade. 4. Pedido julgado procedente, preservados os efeitos jurídicos produzidos até 
o trânsito em julgado do acórdão. 
(ADI 2037, Relator(a): NUNES MARQUES, Tribunal Pleno, julgado em 02-10-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 20-11-2023 PUBLIC 21-11-2023) 
 
 
 
 
 
 
26 
56 
PRECEDENTE N° 24 
ADPF 1063 
É inconstitucional legislação municipal que estabelece a obrigatoriedade de condicionantes para a instalação 
e o funcionamento de antenas, postes, torres, contêineres e demais equipamentos relacionados às Estações 
Transmissoras de Radiocomunicação (ETR). 
Ementa: CONSTITUCIONAL. FEDERALISMO E RESPEITO ÀS REGRAS DE DISTRIBUIÇÃO DE 
COMPETÊNCIA. LEI 7.972/2021 E DECRETO 39.370/2022 DO MUNICÍPIO DE GUARULHOS/SP. 
PROCEDIMENTO E RESTRIÇÕES À INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTOS COMPONENTES DAS ESTAÇÕES 
TRANSMISSORAS DE RADIOCOMUNICAÇÃO – ETR. LEGITIMIDADE ATIVA DA REQUERENTE. 
OBSERVÂNCIA DO REQUISITO DA SUBSIDIARIEDADE. TELECOMUNICAÇÕES. COMPETÊNCIA PRIVATIVA 
DA UNIÃO. PROCEDÊNCIA. 1. Reconhecida a legitimidade ativa da Associação Brasileira de 
Infraestrutura para Telecomunicações – ABRINTEL, tendo em vista a relativa assimetria na distribuição 
da atividade que desenvolve e a expressividade da requerente para o segmento como um todo, o que 
demonstra a sua abrangência nacional. Precedentes. 2. A inexistência de outros meios idôneos ao 
enfrentamento da lesão constitucional, em razão da qual se mostra atendido o requisito da 
subsidiariedade (art. 4º, § 1º, da Lei 9.882/1999), viabiliza o imediato acesso à Arguição de 
Descumprimento de Preceito Fundamental. Precedentes. 3. A Constituição Federal de 1988, 
presumindo de forma absoluta para algumas matérias a presença do princípio da predominância do 
interesse, estabeleceu, a priori, diversas competências para cada um dos entes federativos, União, 
Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios, e, a partir dessas opções, pode ora acentuar maior 
centralização de poder, principalmente na própria União (CF, art. 22), ora permitir uma maior 
descentralização nos Estados-Membros e nos Municípios (CF, arts. 24 e 30, inciso I). 4. São 
inconstitucionais, por ofensa às competências material e legislativa privativas da União (CF, arts. 21, 
XI, e 22, IV), normas municipais que, a pretexto de proteger o meio ambiente, defender a saúde e 
regulamentar o uso e ocupação do solo e o zoneamento urbano, estabelecem a obrigatoriedade de 
condicionantes para a instalação e o funcionamento de equipamentos relacionados às Estações 
Transmissoras de Radiocomunicação – ETR, interferindo diretamente na regulação de serviços de 
telecomunicações. 5. Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental conhecida e julgada 
procedente para declarar a inconstitucionalidade da Lei 7.972/2021 e do Decreto 39.370/2022 do 
Município de Guarulhos/SP. 
(ADPF 1063, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 18-10-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 01-02-2024 PUBLIC 02-02-2024) 
 
 
 
 
 
 
27 
56 
PRECEDENTE N° 25 
ADPF 347 
A situação de grave violação em massa de direitos fundamentais dos presos enseja o reconhecimento de um 
estado de coisas inconstitucional do sistema prisional brasileiro. 
Ementa: Direitos fundamentais dos presos. ADPF. Sistema carcerário. Violação massiva de direitos. 
Falhas estruturais. Necessidade de reformulação de políticas públicas penais e prisionais. Procedência 
parcial dos pedidos. I. Objeto da ação 1. Arguição de descumprimento de preceito fundamental por 
meio da qual se postula que o STF declare que o sistema prisional brasileiro configura um estado de 
coisas inconstitucional, ensejador de violação massiva de direitos fundamentais dos presos, bem como 
que imponha ao Poder Público a adoção de uma série de medidas voltadas à promoção da melhoria 
da situação carcerária e ao enfrentamento da superlotação de suas instalações. II. Condições 
carcerárias e competência do STF 2. Há duas ordens de razões para a intervenção do STF na matéria. 
Em primeiro lugar, compete ao Tribunal zelar pela observância dos direitos fundamentais previstos na 
Constituição, sobretudo quando se trata degrupo vulnerável, altamente estigmatizado e desprovido 
de representação política (art. 5º, XLVII, XLVIII e XLIX, CF). Além disso, o descontrole do sistema 
prisional produz grave impacto sobre a segurança pública, tendo sido responsável pela formação e 
expansão de organizações criminosas que operam de dentro do cárcere e afetam a população de 
modo geral (arts. 1º, 5º e 144, CF). III. Características dos processos estruturais 3. Os processos 
estruturais têm por objeto uma falha crônica no funcionamento das instituições estatais, que causa 
ou perpetua a violação a direitos fundamentais. A sua solução geralmente envolve a necessidade de 
reformulação de políticas públicas. 4. Tais processos comportam solução bifásica, dialógica e flexível, 
envolvendo: uma primeira etapa, de reconhecimento do estado de desconformidade constitucional e 
dos fins a serem buscados; e uma segunda etapa, de detalhamento das medidas, homologação e 
monitoramento da execução da decisão. 5. A promoção do diálogo interinstitucional e social legitima 
a intervenção judicial em matéria de política pública, incorporando a participação dos demais Poderes, 
de especialistas e da comunidade na construção da solução, em atenção às distintas capacidades 
institucionais de cada um. IV. Reconhecimento do estado de coisas inconstitucional 6. O estado de 
desconformidade constitucional do sistema carcerário brasileiro expressa-se por meio: (i) da 
superlotação e da má-qualidade das vagas existentes, marcadas pelo déficit no fornecimento de bens 
e serviços essenciais que integram o mínimo existencial (Eixo 1); (ii) das entradas de novos presos no 
sistema de forma indevida e desproporcional, envolvendo autores primários e delitos de baixa 
periculosidade, que apenas contribuem para o agravamento da criminalidade (Eixo 2); e (iii) da 
permanência dos presos por tempo superior àquele previsto na condenação ou em regime mais 
gravoso do que o devido (Eixo 3). Tal situação compromete a capacidade do sistema de cumprir seus 
fins de ressocialização dos presos e de garantia da segurança pública. V. Concordância parcial com o 
voto do relator 7. Adesão ao voto do relator originário quanto à procedência dos pedidos para declarar 
o estado de coisas inconstitucional do sistema carcerário brasileiro e determinar que: (i) juízes e 
 
 
 
 
 
 
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56 
tribunais motivem a não aplicação de medidas cautelares alternativas à privação da liberdade quando 
determinada ou mantida a prisão provisória; (ii) juízes fixem, quando possível, penas alternativas à 
prisão, pelo fato de a reclusão ser sistematicamente cumprida em condições mais severas do que as 
previstas em lei; (iii) juízes e tribunais levem em conta o quadro do sistema penitenciário brasileiro no 
momento de concessão de cautelares penais, na aplicação da pena e durante a execução penal; (iv) 
sejam realizadas audiências de custódia no prazo de 24hs, contadas do momento da prisão; (v) a União 
libere as verbas do FUNPEN. 8. Além disso, o ministro relator originário julgou procedentes em parte 
os pedidos para que: o Governo Federal elabore, no prazo de três meses (que neste voto se aumenta 
para seis meses), um plano nacional para a superação, em no máximo três anos, do estado de coisas 
inconstitucional; e para que Estados e Distrito Federal elaborem e implementem planos próprios. 
Julgou, ainda, improcedentes os pedidos de oitiva de entidades estatais e da sociedade civil acerca dos 
planos, bem como de sua homologação e monitoramento pelo STF. VI. Divergência do voto do relator 
9. Em sentido diverso àquele constante do voto do Relator, afirma-se: (i) a necessária participação do 
Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Conselho Nacional de Justiça (DMF/CNJ) na 
elaboração do plano nacional; (ii) a procedência dos pedidos de submissão dos planos ao debate 
público e à homologação pelo STF; e (iii) o monitoramento da sua execução pelo DMF/CNJ, com 
supervisão do STF. 10. A elaboração do plano nacional de enfrentamento do problema carcerário deve 
ser atribuída, conjuntamente, ao DMF/CNJ e à União, ambos dotados de competência e expertise na 
matéria (art. 103-B, §4º, CF; Lei 12.106/2009; art. 59 da MP nº 1.154/2023; art. 64 da LEP). O DMF/CNJ 
deve ser responsável pelo planejamento das medidas que envolvam a atuação do Poder Judiciário 
enquanto o Governo Federal deve realizar o planejamento nacional das medidas materiais de caráter 
executivo. 11. O plano nacional deve contemplar o marco lógico de uma política pública estruturada, 
com os vários órgãos e entidades envolvidos, bem como observar os objetivos e as medidas objeto de 
exame no voto, que incluem: (i) controle da superlotação dos presídios, melhoria da qualidade e 
aumento de vagas; (ii) fomento às medidas alternativas à prisão e (iii) aprimoramento dos controles 
de saída e progressão de regime. O plano deve, ainda, definir indicadores de monitoramento, 
avaliação e efetividade, bem como os recursos necessários e disponíveis para sua execução e os riscos 
positivos e negativos a ele associados. Competirá ao DMF/CNJ, sob a supervisão do STF, o 
monitoramento da sua execução, e a regulamentação necessária a tal fim, retendo-se ainda a 
competência desta Corte em casos de impasse ou de atos que envolvam reserva de jurisdição. VII. 
Conclusão 12. Pedido julgado parcialmente procedente. Tese: “1. Há um estado de coisas 
inconstitucional no sistema carcerário brasileiro, responsável pela violação massiva de direitos 
fundamentais dos presos. Tal estado de coisas demanda a atuação cooperativa das diversas 
autoridades, instituições e comunidade para a construção de uma solução satisfatória. 2. Diante disso, 
União, Estados e Distrito Federal, em conjunto com o Departamento de Monitoramento e Fiscalização 
do Conselho Nacional de Justiça (DMF/CNJ), deverão elaborar planos a serem submetidos à 
homologação do Supremo Tribunal Federal, nos prazos e observadas as diretrizes e finalidades 
expostas no presente voto, devendo tais planos ser especialmente voltados para o controle da 
superlotação carcerária, da má qualidade das vagas existentes e da entrada e saída dos presos. 3. O 
 
 
 
 
 
 
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56 
CNJ realizará estudo e regulará a criação de número de varas de execução proporcional ao número de 
varas criminais e ao quantitativo de presos”. 
(ADPF 347, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: LUÍS ROBERTO BARROSO, Tribunal 
Pleno, julgado em 04-10-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 18-12-2023 PUBLIC 19-12-
2023) 
PRECEDENTE N° 26 
ADI 3056 
É constitucional norma de Constituição estadual que restringe a escolha de seu procurador-geral aos 
integrantes da carreira da advocacia pública local. 
Ementa: Direito constitucional e administrativo. Norma de constituição estadual que rege a escolha 
do procurador-geral do Estado do Rio Grande do Norte. 1. Ação direta de inconstitucionalidade contra 
dispositivo da Constituição estadual que estabelece que o chefe da Procuradoria-Geral do Estado deve 
ser escolhido entre os integrantes da carreira. 2. A regra estabelecida no art. 131, § 1º, da CF/1988 
para a escolha do Advogado-Geral da União não é aplicável aos Estados-membros por simetria. Assim, 
os demais entes públicos podem editar normas que fixem requisitos diversos para a escolha de seus 
Procuradores-Gerais. Precedentes. 3. O critério eleito pela norma impugnada se insere em margem 
legítima de conformação atribuída ao constituinte estadual. Isso porque, embora a Procuradoria-Geral 
do Estado seja vinculada ao Governador, não há dúvida de que se trata de verdadeira instituição de 
Estado, com funções relacionadas ao controle de juridicidade dos atos administrativos que extrapolam 
a mera aderência à vontade de governos transitórios. 4. Pedido julgado improcedente, com a fixação 
da seguinte tese de julgamento: “Não ofende a Constituição Federal a previsão, em ato normativo 
estadual, de obrigatoriedade de escolha do Procurador-Geral do Estado entre os integrantes da 
respectiva carreira”.(ADI 3056, Relator(a): NUNES MARQUES, Relator(a) p/ Acórdão: LUÍS ROBERTO BARROSO, Tribunal 
Pleno, julgado em 25-09-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 11-10-2023 PUBLIC 16-10-
2023) 
PRECEDENTE N° 27 
ADI 2879 
É constitucional lei estadual que fixa limite de tempo proporcional e razoável para o atendimento de 
consumidores em estabelecimentos públicos e privados, bem como prevê a cominação de sanções 
progressivas na hipótese de descumprimento. 
 
 
 
 
 
 
30 
56 
EMENTA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI ESTADUAL. TEMPO MÁXIMO DE ESPERA 
PARA ATENDIMENTO DE CONSUMIDORES EM ESTABELECIMENTOS PÚBLICOS E PRIVADOS. PROTEÇÃO 
DO CONSUMIDOR. FEDERALISMO COOPERATIVO. COMPETÊNCIA NORMATIVA CONCORRENTE DA 
UNIÃO, DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL (CF, ART. 24, V). PROPORCIONALIDADE. 
RAZOABILIDADE. AUSÊNCIA DE RESTRIÇÃO À LIVRE INICIATIVA. IMPROCEDÊNCIA. 1. O Estado federal 
instituído pela Constituição de 1988, consubstanciado na união indissolúvel dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios (art. 1º), encerra opção pelo equilíbrio entre o poder central e os poderes 
regionais na gestão da coisa pública e confere espaços de liberdade para atuação política, 
reconhecidos nas prerrogativas não absolutas de autogoverno, auto-organização e autoadministração. 
2. Mesmo em se tratando da disciplina de atendimento a usuários de serviços públicos, a 
jurisprudência do Supremo é sólida em reconhecer que lei estadual a estabelecer limite de tempo de 
espera para atendimento aos usuários e penalidades em face de descumprimento consiste em norma 
relativa à proteção do consumidor. 3. A disposição contida na lei impugnada potencializa, no âmbito 
regional, mecanismo de tutela da dignidade do consumidor, sem interferir no regime de exploração, 
na estrutura remuneratória da prestação dos serviços ou no equilíbrio dos contratos administrativos. 
Precedentes. 4. A livre iniciativa, embora constitua fundamento da República (CF, art. 1º, IV), não é 
princípio absoluto, concorrendo com outros direitos fundamentais e podendo sofrer limitação de lei. 
O exercício da atividade econômica tem como finalidade a garantia da existência digna dos cidadãos, 
conforme os ditames da justiça social, e, como baliza, a observância do princípio da defesa do 
consumidor (CF, art. 170, caput e V). 5. A previsão contida na norma questionada se revela 
proporcional e razoável à luz da jurisprudência desta Corte. O exercício da atividade econômica em 
todos os seus processos de prestação não pode destoar, negar concretude ou mesmo esvaziar a defesa 
do consumidor, de sorte que não se afigura contrário ao Texto Constitucional o estabelecimento, por 
Estado-membro, de regulamentação com o propósito de proteger o consumidor, observando-se as 
particularidades locais. 6. Pedido julgado improcedente. 
(ADI 2879, Relator(a): NUNES MARQUES, Tribunal Pleno, julgado em 18-09-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 03-10-2023 PUBLIC 04-10-2023) 
PRECEDENTE N° 28 
ADI 7004 
É inconstitucional norma estadual que prevê a modalidade de venda direta de arma de fogo aos membros 
de seus órgãos de segurança pública. 
Ementa: Direito constitucional e administrativo. Ação direta de inconstitucionalidade. Órgãos de 
segurança pública estaduais. Venda direta de armas de fogo a seus integrantes. 1. Ação direta de 
inconstitucionalidade contra a Lei nº 8.413, de 11.05.2021, do Estado de Alagoas, que dispõe sobre a 
possibilidade de os órgãos de segurança pública estadual alienarem armas de fogo a seus integrantes, 
 
 
 
 
 
 
31 
56 
por meio de venda direta. 2. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal se firmou no sentido de 
que os arts. 21, VI, e 22, XXI, da Constituição atribuem competência privativa à União para legislar 
sobre material bélico, em razão da predominância de interesse nacional. 3. Os arts. 22, XXVII, e 37, 
XXI, CF atribuem à União competência privativa para editar normas gerais sobre licitações e contratos, 
e exigem prévio procedimento licitatório como requisito necessário para a contratação de obras, 
serviços, compras e alienações pela Administração Pública. 4. A Lei n.º 8.413/2021, do Estado de 
Alagoas, ao possibilitar a alienação direta de armas de fogo do patrimônio de órgãos de segurança 
pública estaduais aos seus integrantes, contrariou os arts. 21, VI; 22, XXI e XXVII; e 37, XXI, da 
Constituição Federal. 5. Pedido julgado procedente. Fixação da seguinte tese de julgamento: “É 
inconstitucional a lei estadual que autoriza a seus órgãos de segurança pública a alienação de armas 
de fogo a seus integrantes, por meio de venda direta”. 
(ADI 7004, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 25-04-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 04-05-2023 PUBLIC 05-05-2023) 
PRECEDENTE N° 29 
ADI 2776 
É constitucional norma de Constituição estadual que atribui ao corpo de bombeiros militar (CBM) 
competência para a coordenação e execução de perícias de incêndios e explosões em local de sinistros. 
Contudo, essa competência não pode ser exclusiva, sob pena de prejudicar a atuação das polícias civis na 
apuração criminal de fatos que envolvam incidentes dessa natureza. 
EMENTA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. NORMA ESTADUAL. CORPO DE BOMBEIROS 
MILITAR. COORDENAÇÃO E EXECUÇÃO DE PERÍCIA DE INCÊNDIOS E EXPLOSÕES NO LOCAL DO 
SINISTRO. VÍCIO FORMAL NÃO VERIFICADO. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DA UNIÃO, DOS ESTADOS 
E DO DISTRITO FEDERAL PARA LEGISLAR SOBRE PROCEDIMENTO EM MATÉRIA PROCESSUAL (CF, ART. 
24, XI). CARÁTER TÉCNICO-CIENTÍFICO DA PERÍCIA. PERTINÊNCIA DA ATUAÇÃO DA CORPORAÇÃO. 
IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO EXCLUSIVA. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL DA POLÍCIA CIVIL 
PARA APURAR INFRAÇÕES PENAIS. 1. A norma estadual que atribui a coordenação e execução de 
perícia no âmbito de investigação criminal foi editada no exercício não da competência de legislar 
sobre direito processual, mas de dispor sobre procedimentos em matéria processual, inserida entre 
as competências normativas concorrentes da União, dos Estados e do Distrito Federal nos termos do 
inciso XI do art. 24 da Constituição de 1988. 2. A investigação criminal não é atribuição exclusiva dos 
órgãos de polícia judiciária, assim como a perícia em local de incêndio ou explosão não configura mera 
apuração de infração penal. Precedentes. 3. O Código de Processo Penal, instituído no exercício da 
competência privativa da União para legislar sobre direito processual, admite a realização de perícia 
por instituições independentes ou autônomas em relação à Polícia Civil desde que autorizadas por lei, 
porquanto atividade fundamental para a elucidação de fatores e circunstâncias de infrações penais e 
 
 
 
 
 
 
32 
56 
a maximização dos direitos fundamentais alusivos à ordem, à segurança e à incolumidade das pessoas 
e do patrimônio público, a partir de atuação coordenada dos órgãos integrantes do sistema de 
segurança pública. 4. É inconstitucional a atribuição exclusiva ao Corpo de Bombeiros Militar para a 
realização de perícias em locais de incêndio ou explosão. 5. Pedido julgado procedente, em parte. 
(ADI 2776, Relator(a): NUNES MARQUES, Tribunal Pleno, julgado em 12-09-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 25-09-2023 PUBLIC 26-09-2023) 
PRECEDENTE N° 30 
RE 886131 – 1015 RG 
É inconstitucional a vedação à posse em cargo público de candidato aprovado que, embora tenha sido 
acometido por doença grave, não apresenta sintoma incapacitante nem possui restrição relevante que 
impeça o exercício da função pretendida. 
Ementa: Direito constitucional e administrativo. Recurso extraordinário. Repercussão geral. Concurso 
público. Vedação à posse de candidata que fora acometida por câncer. 1. Recurso extraordinário, com 
repercussão geral reconhecida, em que se discute a legitimidade da vedação à posse em cargo público 
de candidato que esteve acometido de doença, mas que não apresenta sintomas atuais de restrição 
para o trabalho. No caso concreto, a recorrente obteve aprovação em concursopúblico, mas foi 
considerada inapta por ter sido acometida de carcinoma mamário tratado menos de cinco anos antes 
da avaliação médica admissional. 2. Eventuais restrições de acesso a cargos públicos devem ser 
excepcionais e baseadas em justificação idônea, calcada no princípio da legalidade e nas 
especificidades da função a ser exercida. A exclusão de candidatos que não apresentam qualquer 
restrição para o trabalho viola o mandamento do concurso público e o princípio da impessoalidade 
(CF, art. 37, caput), diante da determinação constitucional de ampla acessibilidade aos cargos públicos 
e de avaliação com base em critérios objetivos; e o princípio da eficiência (CF, art. 37, II), porque reduz 
o espectro da seleção e faz a Administração perder talentos. 3. Concursos públicos devem combater 
desigualdades, corrigir desigualdades e abster-se de praticar desigualdades. O risco futuro e incerto 
de recidiva, licenças de saúde e aposentadoria não pode impedir a fruição de direito fundamental, 
especialmente o direito ao trabalho, que é indispensável para propiciar subsistência, emancipação e 
reconhecimento social. A vedação à posse é, por si só, violadora da dignidade humana, pois representa 
um atestado de incapacidade capaz de minar a autoestima de qualquer um. 4. No caso concreto, a 
decisão administrativa impugnada se fundamentou em norma do Manual de Perícias Médicas 
específica para as áreas de Ginecologia e Obstetrícia, sem que houvesse previsão semelhante para 
doenças urológicas ou outras que acometam igualmente homens e mulheres. Ao estabelecer período 
de carência especificamente para carcinomas ginecológicos, o ato administrativo restringe o acesso 
de mulheres a cargos públicos, incorrendo em discriminação de gênero. 5. Provimento parcial do 
recurso extraordinário, para condenar o Estado de Minas Gerais a nomear e dar posse à recorrente, 
 
 
 
 
 
 
33 
56 
com a fixação da seguinte tese de repercussão geral: É inconstitucional a vedação à posse em cargo 
público de candidato(a) aprovado(a) que, embora tenha sido acometido(a) por doença grave, não 
apresenta sintoma incapacitante nem possui restrição relevante que impeça o exercício da função 
pretendida (CF, arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, caput, 37, caput, I e II). 
(RE 886131, Relator(a): LUÍS ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 30-11-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 15-03-2024 PUBLIC 18-03-2024) 
Tese 
É inconstitucional a vedação à posse em cargo público de candidato(a) aprovado(a) que, embora tenha 
sido acometido(a) por doença grave, não apresenta sintoma incapacitante nem possui restrição 
relevante que impeça o exercício da função pretendida (CF, arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, caput, 37, caput, I e 
II). 
PRECEDENTE N° 31 
RE 1282553 – 1190 RG 
A suspensão dos direitos políticos por condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus 
efeitos, não impede a nomeação e posse de candidato aprovado em concurso público, desde que não 
incompatível com a infração penal praticada. O início do efetivo exercício do cargo ficará condicionado ao 
regime da pena ou à decisão judicial do juízo de execuções, que analisará a compatibilidade de horários. 
Ementa: PRINCÍPIOS DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E DO VALOR SOCIAL DO TRABALHO (ARTIGO 
1º, III e IV). A SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS POR CONDENAÇÃO CRIMINAL TRANSITADA EM 
JULGADO (ARTIGO 15, III, DA CF/1988) NÃO AFASTA A POSSIBILIDADE DE POSSE DO APENADO 
APROVADO EM CONCURSO PÚBLICO. RESSOCIALIZAÇÃO DO CONDENADO COMO UMA DAS 
FINALIDADES DA PENA. POSSIBILIDADE DE INVESTIDURA NO CARGO, CUJO EXERCÍCIO EFETIVO 
DEPENDERÁ DA EXTINÇÃO DE PUNIBILIDADE OU DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO 
NÃO PROVIDO. 1. O direito ao trabalho é um direito social (art. 6º da CF/1988) que decorre do princípio 
da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III e IV, da CF/1988), sendo meio para se construir uma 
sociedade livre, justa e solidária; para se garantir o desenvolvimento nacional; bem como para 
erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais (art. 3º, I, II, e III, 
da CF/1988); não se confundindo com os direitos políticos. 2. Os direitos políticos dos apenados 
criminalmente mediante decisão judicial transitada em julgado devem permanecer suspensos 
enquanto durarem os efeitos da condenação (art. 15, III, da CF/1988). A norma constitucional tem um 
sentido ético, de afastar da atividade política aqueles que ofenderam valores caros à vida em 
sociedade. 3. Porém, essa previsão não pode ser considerada, de forma isolada, como empecilho para 
a posse de candidato em concurso público, uma vez que a Lei de Execução Penal deve ser interpretada 
em conformidade com seu artigo 1º, segundo o qual a ressocialização do condenado constitui o 
 
 
 
 
 
 
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56 
objetivo da execução penal. 4. Não é razoável que o Poder Público, principal responsável pela 
reintegração do condenado ao meio social, obstaculize tal finalidade, impossibilitando a posse em 
cargo público de candidato que, a despeito de toda a dificuldade enfrentada pelo encarceramento, foi 
aprovado em diversos concursos, por mérito próprio. 5. Recurso Extraordinário a que se nega 
provimento. Interpretação conforme à Constituição aos incisos II e III do art. 5º da Lei 8.112/1990, no 
sentido de que não é possível aplicar-se automaticamente o artigo 15, III, da Constituição, exigindo-se 
conduta clara e nítida no sentido de furtar-se às obrigações eleitorais. Fixada, para fins de repercussão 
geral, a seguinte tese ao TEMA 1190: É inconstitucional, por violação aos princípios da dignidade da 
pessoa humana e do valor social do trabalho (CF, artigo 1º, III e IV), a vedação a que candidato 
aprovado em concurso público venha a tomar posse no cargo, por não preencher os requisitos de gozo 
dos direitos políticos e quitação eleitoral, em razão de condenação criminal transitada em julgado (CF, 
artigo 15, III), quando este for o único fundamento para sua eliminação no certame, uma vez que é 
obrigatoriedade do Estado e da sociedade fornecer meios para que o egresso se reintegre à sociedade. 
O início do efetivo exercício do cargo ficará condicionado ao término da pena ou à decisão judicial. 
(RE 1282553, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 04-10-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 11-12-2023 PUBLIC 12-12-2023 REPUBLICAÇÃO: DJe-s/n DIVULG 14-
12-2023 PUBLIC 15-12-2023) 
Tese 
A suspensão dos direitos políticos prevista no artigo 15, III, da Constituição Federal (“condenação 
criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos”) não impede a nomeação e posse de 
candidato aprovado em concurso público, desde que não incompatível com a infração penal praticada, 
em respeito aos princípios da dignidade da pessoa humana e do valor social do trabalho (CF, art. 1º, 
III e IV) e do dever do Estado em proporcionar as condições necessárias para a harmônica integração 
social do condenado, objetivo principal da execução penal, nos termos do artigo 1º da LEP (Lei nº 
7.210/84). O início do efetivo exercício do cargo ficará condicionado ao regime da pena ou à decisão 
judicial do juízo de execuções, que analisará a compatibilidade de horários. 
PRECEDENTE N° 32 
RE 659172 – 519 RG 
O regime especial de precatórios trazido se aplica aos precatórios expedidos anteriormente a sua 
promulgação. 
EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral. Tema nº 519. Direito constitucional. Regime 
especial de precatórios da EC nº 62/2009. Artigo 97 do ADCT. Inconstitucionalidade reconhecida pelo 
STF. Questão de ordem. Efeitos prospectivos. Aplicação a precatórios já expedidos na vigência da EC 
 
 
 
 
 
 
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56 
nº 30/2000 (art. 78 do ADCT). Recurso extraordinário prejudicado em razão da quitação integral do 
débito. Perda superveniente de objeto recursal. 1. No julgamento da ADI nº 4.357/DF, o Tribunal Pleno 
declarou a inconstitucionalidade do regime “especial” de pagamento de precatórioscriado pela EC nº 
62/09 destinado aos estados e aos municípios, por violação do princípio da separação de poderes, do 
postulado da isonomia, da garantia do acesso à justiça, da efetividade da tutela jurisdicional, do direito 
adquirido e da coisa julgada. 2. Por força da tese prevalecente na apreciação da Questão de Ordem 
suscitada na ADI nº 4.425/DF, a declaração de inconstitucionalidade somente produziu efeito a partir 
de 1º de fevereiro de 2020, motivo pelo qual, no período entre a data da promulgação da EC nº 
62/2009 e 1º de fevereiro de 2020, o sequestro de verbas públicas para pagamento de precatórios 
anteriores à referida emenda estava autorizado, desde que enquadrado nas novas hipóteses 
constitucionais que autorizavam o sequestro de verbas públicas, que eram excepcionais e incidiam 
exclusivamente para os casos nela especificados. 3. No caso concreto, o procedimento de sequestro 
foi extinto em razão da quitação integral do débito, o que acarreta a prejudicialidade do do recurso 
extraordinário, em razão da perda superveniente do objeto recursal. 4. Recurso extraordinário julgado 
prejudicado, fixando-se a seguinte tese para o Tema nº 519 de Repercussão Geral: “O regime especial 
de precatórios trazidos pela EC nº 62/09 aplica-se aos precatórios expedidos anteriormente a sua 
promulgação, observados a declaração de inconstitucionalidade parcial quando do julgamento da ADI 
nº 4.425 e os efeitos prospectivos do julgado”. 
(RE 659172, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 25-09-2023, PROCESSO ELETRÔNICO 
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 27-10-2023 PUBLIC 30-10-2023) 
Tese 
O regime especial de precatórios trazido pela Emenda Constitucional nº 62/2009 aplica-se aos 
precatórios expedidos anteriormente a sua promulgação, observados a declaração de 
inconstitucionalidade parcial quando do julgamento da ADI nº 4.425 e os efeitos prospectivos do 
julgado. 
PRECEDENTE N° 33 
RE 910552 – 1001 RG 
É constitucional o ato normativo municipal que proíba a participação em licitação ou a contratação de 
agentes eletivos; de ocupantes de cargo em comissão ou função de confiança; de cônjuge, companheiro ou 
parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, de qualquer destes; e dos 
demais servidores públicos municipais. 
Ementa: Direito Constitucional e administrativo. Recurso extraordinário. Repercussão geral. Licitações 
e contratos administrativos. Lei orgânica municipal. Vedação à celebração de contratos 
administrativos com agentes públicos e seus familiares. 1. Recurso extraordinário contra acórdão do 
 
 
 
 
 
 
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Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais que declarou inconstitucional o art. 96 da Lei Orgânica 
do Município de Francisco Sá. O dispositivo legal veda a celebração de contratos administrativos pelo 
Município com o Prefeito, o Vice-Prefeito, os Vereadores, os Servidores Municipais e com as pessoas 
ligadas a qualquer deles por matrimônio ou parentesco, afim ou consanguíneo, até o terceiro grau 
inclusive, ou por adoção. 2. O Supremo Tribunal Federal já afirmou a constitucionalidade de previsões 
semelhantes, contidas nas leis orgânicas dos Municípios de Brumadinho (RE 423.560, Segunda Turma, 
Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. em 29.05.2012) e de Belo Horizonte (ARE 648.476, Primeira Turma, sob 
minha relatoria, j. em 23.06.2017). No entanto, a partir dos critérios defendidos nesses precedentes, 
identifico que o dispositivo legal ora analisado foi além do que seria constitucionalmente legítimo 
proibir. 3. Os dispositivos legais já reputados constitucionais por esta Corte incluíam no rol de pessoas 
proibidas de contratar com o Município os cônjuges, companheiros e parentes (i) dos agentes eletivos 
e (ii) dos servidores e empregados públicos municipais que ocupem cargo em comissão ou função de 
confiança. A vedação não alcançava pessoas ligadas a servidores e empregados públicos que não 
ocupassem cargo em comissão ou função de confiança. 4. No mesmo sentido, as Resoluções CNJ nº 
7/2005 e CNMP nº 37/2009, que vedam a prática do nepotismo, restringem a proibição de contratar 
aos cônjuges, companheiros e parentes (i) dos magistrados e membros do Ministério Público 
ocupantes de cargos de direção ou no exercício de funções administrativas e (ii) dos servidores 
ocupantes dos cargos de direção, chefia e assessoramento. 5. Conforme precedentes do Tribunal de 
Contas da União, o impedimento à contratação pública se justifica como um imperativo de moralidade 
e de impessoalidade sempre que a situação fática analisada permita antever risco de influência sobre 
a conduta dos agentes responsáveis pela licitação ou pela execução do contrato, a justificar uma 
espécie de suspeição. Não é possível presumir tal suspeição na contratação de pessoas ligadas a 
servidores que não exercem nenhuma função de direção, chefia ou assessoramento e que, por isso, 
não possuem meios de influenciar os rumos das licitações e contratações do ente. 6. Recurso 
parcialmente provido, para dar interpretação conforme ao art. 96 da Lei Orgânica do Município de 
Francisco Sá, de modo a excluir a proibição de contratação de pessoas ligadas, por matrimônio ou 
parentesco, afim ou consanguíneo, até o terceiro grau inclusive, ou por adoção, a servidores 
municipais que não ocupem cargo em comissão ou função de confiança. 7. Tese de julgamento: “É 
constitucional o ato normativo municipal, editado no exercício de competência legislativa 
suplementar, que proíba a participação em licitação ou a contratação: (a) de agentes eletivos; (b) de 
ocupantes de cargo em comissão ou função de confiança; (c) de cônjuge, companheiro ou parente em 
linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, de qualquer destes; e (d) dos 
demais servidores públicos municipais”. 
(RE 910552, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Relator(a) p/ Acórdão: ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, 
julgado em 03-07-2023, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 08-
08-2023 PUBLIC 09-08-2023) 
Tese 
 
 
 
 
 
 
37 
56 
É constitucional o ato normativo municipal, editado no exercício de competência legislativa 
suplementar, que proíba a participação em licitação ou a contratação: (a) de agentes eletivos; (b) de 
ocupantes de cargo em comissão ou função de confiança; (c) de cônjuge, companheiro ou parente em 
linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, de qualquer destes; e (d) dos 
demais servidores públicos municipais. 
PRECEDENTE N° 34 
ADI 7319 
É inconstitucional lei estadual que proíbe a construção de instalações hidrelétricas em toda a extensão de 
curso de água de domínio da União. 
Ação Direta de Inconstitucionalidade. Lei n. 11.865/2022, do Estado de Mato Grosso. Proibição de 
construção de usinas hidrelétricas – UHE e pequenas centrais hidrelétricas – PCH em toda a extensão 
do Rio Cuiabá. Inconstitucionalidade formal e material. Procedência do pedido. 1. Lei n. 11.865/2022, 
do Estado de Mato Grosso, que proíbe a construção de Usinas Hidrelétricas UHE e pequenas Centrais 
Hidrelétricas PCH em toda a extensão do Rio Cuiabá. 2. A situação normatizada na espécie guarda nexo 
muito mais estreito com a regulação do aproveitamento energético dos cursos de água e com a 
formulação de normas gerais de proteção do meio ambiente que com eventual competência 
subsidiária do Estado do Mato Grosso para tratar sobre temas de competência comum. 3. O Rio Cuiabá 
é gerido pela Agência Nacional de Águas – ANA, agência reguladora que tem a competência e a 
capacidade técnica para definir as condições de operação de reservatórios de aproveitamentos 
hidrelétricos, em articulação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS. O legislador não 
poderia substituir entendimento de agência reguladora sem o ônus argumentativo do regulador. 4. 
Pedido julgado procedente. Declaração de inconstitucionalidade da Lei n. 11.865, de 30 de agosto 
2022, do Estado de Mato Grosso. 
(ADI 7319, Relator(a): EDSON FACHIN,Relator(a) p/ Acórdão: GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, 
julgado em 09-05-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 03-07-2023 PUBLIC 04-07-2023) 
PRECEDENTE N° 35 
ARE 1175650 – 1043 RG 
É constitucional a utilização da colaboração premiada no âmbito civil, em ação civil pública por ato de 
improbidade administrativa movida pelo Ministério Público, observando-se as seguintes diretrizes. 
Ementa: CONSTITUCIONAL. UTILIZAÇÃO DO ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA (LEI 12.850/2013) 
NO ÂMBITO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (LEI 8.429/1992). 
 
 
 
 
 
 
38 
56 
POSSIBILIDADE. DECLARAÇÕES DO AGENTE COLABORADOR COMO ÚNICA PROVA. INSUFICIÊNCIA 
PARA O INÍCIO DA AÇÃO POR ATO DE IMPROBIDADE. OBRIGAÇÃO DE RESSARCIMENTO INTEGRAL AO 
ERÁRIO. TRANSAÇÃO APENAS EM TORNO DO MODO E DAS CONDIÇÕES PARA A INDENIZAÇÃO. 
LEGITIMIDADE PARA CELEBRAÇÃO DO ACORDO. MINISTÉRIO PÚBLICO COM A INTERVENIÊNCIA DA 
PESSOA JURÍDICA INTERESSADA. 1. O aperfeiçoamento do combate à corrupção no serviço público foi 
uma grande preocupação do legislador constituinte, ao estabelecer, no art. 37 da Constituição Federal, 
verdadeiros códigos de conduta à Administração Pública e aos seus agentes, prevendo, inclusive, pela 
primeira vez no texto constitucional, a possibilidade de responsabilização e aplicação de graves 
sanções pela prática de atos de improbidade administrativa (art. 37, § 4º, da CF). 2. A Constituição de 
1988 privilegiou o combate à improbidade administrativa, para evitar que os agentes públicos atuem 
em detrimento do Estado, pois, como já salientava Platão, na clássica obra REPÚBLICA, a punição e o 
afastamento da vida pública dos agentes corruptos pretendem fixar uma regra proibitiva para que os 
servidores públicos não se deixem induzir por preço nenhum a agir em detrimento dos interesses do 
Estado. 3. O combate à corrupção, à ilegalidade e à imoralidade no seio do Poder Público, com graves 
reflexos na carência de recursos para implementação de políticas públicas de qualidade, deve ser 
prioridade absoluta no âmbito de todos os órgãos constitucionalmente institucionalizados. 4. 
Exatamente, em respeito à finalidade de garantir a eficácia no combate à improbidade administrativa, 
a LIA deve ser interpretada no contexto da evolução do microssistema legal de proteção ao patrimônio 
público e de combate à corrupção e com absoluta observância ao princípio constitucional da eficiência, 
consagrado no caput do art. 37 da Constituição Federal e que impõe a todos os agentes públicos, 
inclusive aos membros do Ministério Público e magistrados, o dever de sempre verificar a persecução 
do bem comum, por meio do exercício de suas competências de forma imparcial, neutra, transparente, 
eficaz, sem burocracia, buscando qualidade, primando pela adoção dos critérios legais e morais 
necessários para a melhor utilização possível dos recursos públicos, de maneira a evitar desperdícios 
e a garantir uma maior rentabilidade social do exercício da jurisdição, da efetiva prestação 
jurisdicional. 5. Assim como a Lei Federal 8.429/1992 visou ao aperfeiçoamento do combate à 
corrupção no serviço público, no mesmo momento histórico, na esfera penal, encontram-se notáveis 
esforços do legislador brasileiro dirigidos ao enfrentamento de tais condutas, como lavagem de 
dinheiro, sonegação fiscal, falsidades documentais, e outros delitos contra a Administração Pública, 
notadamente quando praticados por meio de organização criminosa. Nesse contexto, incorporou-se 
ao ordenamento brasileiro, por meio da edição de diversas leis, o instituto da delação premiada, 
posteriormente renomeada para colaboração premiada. 6. Importante realçar que o legislador 
brasileiro, quando editou a Lei 12.850/2013, pela qual se estabeleceu o conceito de organização 
criminosa, dispôs que não é qualquer delação que permitirá o benefício de redução da pena ou de 
perdão judicial, mas somente aquela que produzir os resultados previstos nos incisos do artigo 4º da 
norma. Importante, ainda, salientar, a respeito da Lei 12.850/2013, que o inciso I do art. 3º do capítulo 
II estatui ser a colaboração premiada meio de obtenção de prova. Essa natureza jurídica específica é 
importante para diferenciar a colaboração premiada das hipóteses de justiça consensual ou negocial, 
como por exemplo a transação penal e o próprio acordo de não persecução, que com ela não se 
confunde. Em voto na PET 7074-QO/DF, destaquei que o instituto possui natureza jurídica de meio de 
 
 
 
 
 
 
39 
56 
obtenção de prova, cujo resultado poderá beneficiar o agente colaborador/delator desde que 
adimplidas as obrigações por ele assumidas e que advenha um ou mais dos resultados indicados na 
lei, favoráveis à repressão ou prevenção das infrações. 7. Assim, a colaboração premiada, que pode 
infundir no ânimo do colaborador o desejo de contribuir para a comprovação da materialidade e 
autoria do delito, mostra-se como valioso instrumento a ser utilizado, também, em instâncias outras, 
diversas da penal, em especial, quando envolvido o interesse público e o combate à corrupção. 8. O 
microssistema legal de combate à corrupção, a partir de 1992, evoluiu, de forma clara, específica e 
objetiva, no sentido de propiciar meios facilitadores à repressão e à prevenção de ilícitos, sobretudo 
quando ofensivos a interesses supraindividuais e preordenados a causar dano ao patrimônio público. 
9. Notadamente, no caso sob exame, em que envolvidas mais de 24 pessoas físicas e jurídicas 
organizadas em complexa estrutura criminosa e com o objetivo comum de obter vantagem 
patrimonial, por meio de ajustes de corrupção com grandes empresários sujeitos à fiscalização 
tributária, revelados na denominada Operação Publicano, a utilização do acordo de colaboração 
premiada mostra-se de grande valia para se obterem as provas necessárias à comprovação dos delitos 
e o desbaratamento da organização criminosa. 10. A lesão ao erário causa graves reflexos na carência 
de recursos para implementação de políticas públicas de qualidade. Não por outra razão é que a 
reparação integral do dano ao patrimônio público, além de figurar no rol das sanções estabelecidas no 
art. 12 da Lei 8.429/1992, também é consequência civil do ato ilícito. Reafirma ainda esse 
entendimento o teor do parágrafo 2º do art. 17 da LIA, que se manteve inalterado mesmo com a 
edição da Lei 13.964/2019, onde se lê que A Fazenda Pública, quando for o caso, promoverá as ações 
necessárias à complementação do ressarcimento do patrimônio público. Assim, não há como transigir 
a respeito dessa obrigação, consentindo com sua inserção entre os benefícios a serem estendidos 
àquele que colabora com as investigações no contexto da ação de improbidade decorrente do dano 
causado. Assim sendo, o acordo de colaboração poderá ser homologado pelo juiz, desde que não 
isente o colaborador de ressarcir os danos causados, ainda que a forma de como se dará a indenização 
possa ser objeto de negociação. 11. Outra importante questão diz respeito à colaboração premiada 
no âmbito civil, em ação civil pública por ato de improbidade administrativa movida pelo Ministério 
Público, em face da legitimidade concorrente para a propositura da ação. 12. O art. 17-A, que seria 
acrescido à Lei 8.429/1992 pela Lei 13.964/2019, foi totalmente vetado pelo Presidente da República. 
Assim, em face do veto aposto ao art. 17-A, que não foi derrubado pelo Congresso Nacional, tem-se 
que eventuais acordos de colaboração premiada, para serem utilizados em ação civil pública por ato 
de improbidade administrativa, devem contar com a participação do Ministério Público e da pessoa 
jurídica de direito público interessada, porém, como interveniente. O posicionamento do 
interveniente não impedirá a celebração da colaboração premiada pelo Ministério Público, porém 
deverá ser observada e analisada pelo magistrado no momento de sua homologação. 13. No caso 
concreto, o Ministério Público do Estado do Paraná propôs ação civil pública por ato de improbidadeadministrativa em face do ora recorrente e de mais 24 pessoas físicas e jurídicas em razão de fatos 
revelados na denominada Operação Publicano. Pediu, liminarmente, a indisponibilidade de valores e 
de bens móveis e imóveis dos demandados; e, ao final, a imposição das sanções previstas na Lei 
8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa – LIA). Entretanto, em relação a alguns réus, requereu 
 
 
 
 
 
 
40 
56 
apenas o reconhecimento de que praticaram atos de improbidade, sem a imposição das penalidades 
correspondentes, em razão do acordo de colaboração premiada que foi firmado com as referidas 
pessoas, valendo-se do instrumento previsto nas disposições do art. 4º, § 4º, da Lei 12.850/2013, c/c 
os arts. 16 e 17 da Lei 12.846/2013. 14. O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná confirmou a decisão 
do magistrado de 1ª instância que decretara a indisponibilidade dos bens de vários réus, entre os quais 
o ora recorrente. A Corte reputou válido o acordo de colaboração premiada no âmbito da ação de 
improbidade; e assentou que a decretação da indisponibilidade de bens do agravante se deu nos 
termos do art. 7º e parágrafo único da Lei 8.429/1992. 15. Pelos termos dos acordos de colaboração 
acima transcritos, é possível extrair-se a conclusão de que, no caso concreto, os interesses dos 
colegitimados para ação de improbidade, embora não tenham participado da avença, estão 
resguardados e que eventual anulação do acordo seria mais deletéria ao interesse público do que a 
sua manutenção. 16. A interpretação das normas jurídicas deve sempre se pautar pelos princípios da 
razoabilidade e da proporcionalidade, sob pena de chancelar-se situação jurídica de todo inaceitável. 
Não é demais advertir que, quando do julgamento do mérito da causa, caberá ao magistrado avaliar 
se a delação mostra-se consentânea com as outras provas coligidas. 17. Além disso, o Tribunal de 
origem, em cognição sumária, decretou a indisponibilidade dos bens do recorrente, por entender 
estarem presentes os requisitos previstos no art. 7º da Lei 8.429/1992 ( fumus boni iuris, a 
plausibilidade dos fatos e fundamentos jurídicos do pedido inicial), uma vez que existem fundados 
indícios da prática de atos de improbidade, os quais foram extraídos das provas contidas nos autos do 
inquérito civil e nas medidas cautelares realizadas pelo MP. 18. NEGADO PROVIMENTO ao Recurso 
Extraordinário. TESE DE REPERCUSÃO GERAL: É constitucional a utilização da colaboração premiada, 
nos termos da Lei 12.850/2013, no âmbito civil, em ação civil pública por ato de improbidade 
administrativa movida pelo Ministério Público, observando-se as seguintes diretrizes: (1) Realizado o 
acordo de colaboração premiada, serão remetidos ao juiz, para análise, o respectivo termo, as 
declarações do colaborador e cópia da investigação, devendo o juiz ouvir sigilosamente o colaborador, 
acompanhado de seu defensor, oportunidade em que analisará os seguintes aspectos na 
homologação: regularidade, legalidade e voluntariedade da manifestação de vontade, especialmente 
nos casos em que o colaborador está ou esteve sob efeito de medidas cautelares, nos termos dos §§ 
6º e 7º do artigo 4º da referida Lei 12.850/2013. (2) As declarações do agente colaborador, 
desacompanhadas de outros elementos de prova, são insuficientes para o início da ação civil por ato 
de improbidade; (3) A obrigação de ressarcimento do dano causado ao erário pelo agente colaborador 
deve ser integral, não podendo ser objeto de transação ou acordo, sendo válida a negociação em torno 
do modo e das condições para a indenização; (4) O acordo de colaboração deve ser celebrado pelo 
Ministério Público, com a interveniência da pessoa jurídica interessada e devidamente homologado 
pela autoridade judicial; (5) Os acordos já firmados somente pelo Ministério Público ficam preservados 
até a data deste julgamento, desde que haja previsão de total ressarcimento do dano, tenham sido 
devidamente homologados em Juízo e regularmente cumpridos pelo beneficiado". 
(ARE 1175650, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 03-07-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 04-10-2023 PUBLIC 05-10-2023) 
 
 
 
 
 
 
41 
56 
Tese 
É constitucional a utilização da colaboração premiada, nos termos da Lei 12.850/2013, no âmbito civil, 
em ação civil pública por ato de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público, 
observando-se as seguintes diretrizes: (1) Realizado o acordo de colaboração premiada, serão 
remetidos ao juiz, para análise, o respectivo termo, as declarações do colaborador e cópia da 
investigação, devendo o juiz ouvir sigilosamente o colaborador, acompanhado de seu defensor, 
oportunidade em que analisará os seguintes aspectos na homologação: regularidade, legalidade e 
voluntariedade da manifestação de vontade, especialmente nos casos em que o colaborador está ou 
esteve sob efeito de medidas cautelares, nos termos dos §§ 6º e 7º do artigo 4º da referida Lei 
12.850/2013; (2) As declarações do agente colaborador, desacompanhadas de outros elementos de 
prova, são insuficientes para o início da ação civil por ato de improbidade; (3) A obrigação de 
ressarcimento do dano causado ao erário pelo agente colaborador deve ser integral, não podendo ser 
objeto de transação ou acordo, sendo válida a negociação em torno do modo e das condições para a 
indenização; (4) O acordo de colaboração deve ser celebrado pelo Ministério Público, com a 
interveniência da pessoa jurídica interessada e devidamente homologado pela autoridade judicial; (5) 
Os acordos já firmados somente pelo Ministério Público ficam preservados até a data deste 
julgamento, desde que haja previsão de total ressarcimento do dano, tenham sido devidamente 
homologados em Juízo e regularmente cumpridos pelo beneficiado. 
PRECEDENTE N° 36 
RE 684612 – 698 RG 
A intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas voltadas à realização de direitos fundamentais, em 
caso de ausência ou deficiência grave do serviço, não viola o princípio da separação dos poderes. 
Ementa: Direito constitucional e administrativo. Recurso extraordinário com repercussão geral. 
Intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas. Direito social à saúde. 1. Recurso extraordinário, 
com repercussão geral, que discute os limites do Poder Judiciário para determinar obrigações de fazer 
ao Estado, consistentes na realização de concursos públicos, contratação de servidores e execução de 
obras que atendam o direito social da saúde. No caso concreto, busca-se a condenação do Município 
à realização de concurso público para provimento de cargos em hospital específico, além da correção 
de irregularidades apontadas em relatório do Conselho Regional de Medicina. 2. O acórdão recorrido 
determinou ao Município: (i) o suprimento do déficit de pessoal,especificamente por meio da 
realização de concurso público de provas e títulos para provimento dos cargos de médico e 
funcionários técnicos, com a nomeação e posse dos profissionais aprovados no certame; e (ii) a 
correção dos procedimentos e o saneamento das irregularidades expostas no relatório do Conselho 
Regional de Medicina, com a fixação de prazo e multa pelo descumprimento. 3. A saúde é um bem 
jurídico constitucionalmente tutelado, por cuja integridade deve zelar o Poder Público, a quem 
 
 
 
 
 
 
42 
56 
incumbe formular - e implementar - políticas sociais e econômicas que visem a garantir, aos cidadãos, 
o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. 4. A 
intervenção casuística do Poder Judiciário, definindo a forma de contratação de pessoal e da gestão 
dos serviços de saúde, coloca em risco a própria continuidade das políticas públicas de saúde, já que 
desorganiza a atividade administrativa e compromete a alocação racional dos escassos recursos 
públicos. Necessidade de se estabelecer parâmetros para que a atuação judicial seja pautada por 
critérios de razoabilidadee eficiência, respeitado o espaço de discricionariedade do administrador. 5. 
Parcial provimento do recurso extraordinário, para anular o acórdão recorrido e determinar o retorno 
dos autos à origem, para novo exame da matéria, de acordo com as circunstâncias fáticas atuais do 
Hospital Municipal Salgado Filho e com os parâmetros aqui fixados. 6. Fixação das seguintes teses de 
julgamento: “1. A intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas voltadas à realização de 
direitos fundamentais, em caso de ausência ou deficiência grave do serviço, não viola o princípio da 
separação dos poderes. 2. A decisão judicial, como regra, em lugar de determinar medidas pontuais, 
deve apontar as finalidades a serem alcançadas e determinar à Administração Pública que apresente 
um plano e/ou os meios adequados para alcançar o resultado; 3. No caso de serviços de saúde, o 
déficit de profissionais pode ser suprido por concurso público ou, por exemplo, pelo remanejamento 
de recursos humanos e pela contratação de organizações sociais (OS) e organizações da sociedade civil 
de interesse público (OSCIP)”. 
(RE 684612, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Relator(a) p/ Acórdão: ROBERTO BARROSO, 
Tribunal Pleno, julgado em 03-07-2023, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-
s/n DIVULG 04-08-2023 PUBLIC 07-08-2023) 
Tese 
1. A intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas voltadas à realização de direitos 
fundamentais, em caso de ausência ou deficiência grave do serviço, não viola o princípio da separação 
dos poderes. 2. A decisão judicial, como regra, em lugar de determinar medidas pontuais, deve 
apontar as finalidades a serem alcançadas e determinar à Administração Pública que apresente um 
plano e/ou os meios adequados para alcançar o resultado. 3. No caso de serviços de saúde, o déficit 
de profissionais pode ser suprido por concurso público ou, por exemplo, pelo remanejamento de 
recursos humanos e pela contratação de organizações sociais (OS) e organizações da sociedade civil 
de interesse público (OSCIP). 
PRECEDENTE N° 37 
ARE 1245097 – 1084 RG 
É constitucional a lei municipal que delega ao Poder Executivo a avaliação individualizada, para fins de 
cobrança do IPTU, de imóvel novo não previsto na Planta Genérica de Valores. 
 
 
 
 
 
 
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Ementa: Direito tributário. Recurso extraordinário com agravo. Repercussão geral. IPTU. Imóvel novo 
não incluído na planta genérica de valores. Avaliação individualizada prevista em lei. 1. Recurso 
extraordinário com agravo, em que se pleiteia seja reconhecida a constitucionalidade do art. 176, I, f, 
e § 5º, da Lei do Município de Londrina nº 7.303/1997 (Código Tributário Municipal). A regra em 
questão confere ao Poder Executivo a competência para apurar o valor venal de imóvel novo não 
previsto na Planta Genérica de Valores (PGV), mediante avaliação individualizada, por ocasião do 
lançamento do IPTU. 2. O Plenário desta Corte já admitiu a possibilidade de a Fazenda Municipal aferir 
diretamente a base calculada do IPTU, desde que o faça de forma casuística, considerando as 
características individuais de cada imóvel. Precedente. 3. O procedimento de mensuração do valor 
venal, com base em critérios legais (cf. art. 176, I e II, e parágrafos, da Lei do Município de Londrina nº 
7.303/1997), é compatível com o princípio da legalidade tributária, porquanto não se trata de 
majoração de base de cálculo mediante decreto, mas sim de avaliação individualizada de imóvel novo, 
para fins de lançamento do IPTU. Resguardado ao contribuinte o direito ao contraditório. 4. Agravo 
conhecido, para dar parcial provimento ao recurso extraordinário, de modo a afastar as preliminares 
e reconhecer a constitucionalidade do art. 176, I, f, e § 5º, da Lei do Município de Londrina nº 
7.303/1997 (Código Tributário Municipal), que delega à Administração Tributária a apuração do valor 
venal de imóvel novo, mediante avaliação individualizada. 5. Fixação da seguinte tese: “É 
constitucional a lei municipal que delega ao Poder Executivo a avaliação individualizada, para fins de 
cobrança do IPTU, de imóvel novo não previsto na Planta Genérica de Valores, desde que fixados em 
lei os critérios para a avaliação técnica e assegurado ao contribuinte o direito ao contraditório.”. 
(ARE 1245097, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 05-06-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 26-07-2023 PUBLIC 27-07-2023) 
Tese 
É constitucional a lei municipal que delega ao Poder Executivo a avaliação individualizada, para fins de 
cobrança do IPTU, de imóvel novo não previsto na Planta Genérica de Valores, desde que fixados em 
lei os critérios para a avaliação técnica e assegurado ao contribuinte o direito ao contraditório. 
PRECEDENTE N° 38 
RE 1210727 – 1056 RG 
É constitucional lei municipal que proíbe a soltura de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos produtores 
de estampidos. 
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO CONSTITUCIONAL, 
ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. RECURSO INTERPOSTO EM FACE DE ACÓRDÃO EM ADI ESTADUAL. 
LEI 6.212/2017 DO MUNICÍPIO DE ITAPETININGA/SP. PROIBIÇÃO DE SOLTURA DE FOGOS DE ARTIFÍCIO 
 
 
 
 
 
 
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E ARTEFATOS PIROTÉCNICOS QUE PRODUZEM ESTAMPIDO. PROTEÇÃO DA SAÚDE E DO MEIO 
AMBIENTE. CONSTITUCIONALIDADE FORMAL. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA CONCORRENTE. NORMA 
MAIS PROTETIVA. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS PARA A COMPETÊNCIA SUPLETIVA DOS 
MUNICÍPIOS. CONSTITUCIONALIDADE MATERIAL. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA 
RAZOABILIDADE. OBSERVÂNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. O 
Município é competente para legislar concorrentemente sobre meio ambiente, no limite de seu 
interesse local e desde que esse regramento seja harmônico com a disciplina estabelecida pelos 
demais entes federados, assim como detém competência legislativa suplementar quanto ao tema 
afeto à proteção à saúde (art. 24, VI e XII, da CRFB/88). 2. É constitucionalmente válida a opção 
legislativa municipal de proibir o uso de fogos de artifício de efeito sonoro ruidoso, ao promover um 
padrão mais elevado de proteção à saúde e ao meio ambiente, nos limites razoáveis do regular 
exercício de competência legislativa pelo ente estatal. Precedente: ADPF 567, Rel. Min. Alexandre de 
Moraes, Tribunal Pleno, julgado em 1º/3/2021, DJe de 29/3/2021. 3. Tese de repercussão geral: “É 
constitucional – formal e materialmente – lei municipal que proíbe a soltura de fogos de artifício e 
artefatos pirotécnicos produtores de estampidos”. 4. Recurso extraordinário conhecido e desprovido. 
(RE 1210727, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 09-05-2023, PROCESSO ELETRÔNICO 
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 16-05-2023 PUBLIC 17-05-2023) 
Tese 
É constitucional – formal e materialmente – lei municipal que proíbe a soltura de fogos de artifício e 
artefatos pirotécnicos produtores de estampidos. 
PRECEDENTE N° 39 
RE 1182189 – 1054 RG 
Os Conselhos da OAB não estão obrigados a prestar contas a Tribunais de Contas nem a qualquer outra 
entidade externa. 
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. TEMA 1054. 
JULGAMENTO DE MÉRITO. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL - OAB. NÃO SUJEIÇÃO À PRESTAÇÃO 
DE CONTAS PERANTE O TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO – TCU. NATUREZA JURÍDICA. ADI 3.026. l. A 
Ordem dos Advogados do Brasil - OAB não é uma entidade da Administração Indireta, tal como as 
autarquias, porquanto não se sujeita a controle hierárquico ou ministerial da Administração Pública, 
nem a qualquer das suas partes está vinculada. 2. A Ordem dos Advogados do Brasil é instituição que 
detém natureza jurídica própria, dotada de autonomia e independência, características indispensáveis 
ao cumprimento de seus múnus públicos. ADI 3.026, de relatoria do Ministro Eros Grau, Plenário, DJ 
29.09.2006. Precedentes. 3. Não obstante a prestação de serviço público exercido pela Ordem dos 
 
 
 
 
 
 
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Advogados do Brasil – OAB, não há quese confundir com serviço estatal. O serviço público que a OAB 
exerce, é gênero do qual o serviço estatal é espécie. 4. Recurso extraordinário a que se nega 
provimento com a proposta de fixação da seguinte Tese: “O Conselho Federal e os Conselhos 
Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil não estão obrigados a prestar contas ao Tribunal de 
Contas da União nem a qualquer outra entidade externa”. 
(RE 1182189, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, 
julgado em 25-04-2023, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 15-
06-2023 PUBLIC 16-06-2023) 
Tese 
O Conselho Federal e os Conselhos Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil não estão obrigados 
a prestar contas ao Tribunal de Contas da União nem a qualquer outra entidade externa. 
PRECEDENTE N° 40 
ADI 7028 
É inconstitucional norma estadual que, a pretexto de legislar sobre os direitos das pessoas com deficiência 
(PcD), restringe o conceito de PcD estabelecido na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, 
bem como contraria regras gerais sobre o tema previstas na Lei federal 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa 
com Deficiência). 
Ementa: Direito constitucional. Ação direta de inconstitucionalidade. Competência legislativa para 
definição legal de pessoa com deficiência e questões afetas. Procedência. 1. Ação direta de 
inconstitucionalidade contra o art. 1º, caput e §§ 4º e 5º, e art. 3º da Lei nº 2.151/2017, do Estado do 
Amapá, que estabelece prioridade em escolas públicas para determinados grupos de pessoas com 
deficiência. 2. Os conceitos estabelecidos no art. 1º, caput, e § 4º, da Lei estadual nº 2.151/2017 
divergem da definição nacional de pessoa com deficiência, constante de tratado internacional de 
direitos humanos (Decreto nº 6.949/2009) e da Lei federal nº 13.146/2015, e acabam por excluir os 
alunos com deficiência intelectual do rol de destinatários da política pública. 3. A pretexto de legislar 
sobre direitos de pessoas com deficiência, a lei estadual não pode se desviar da definição fixada em 
convenção internacional, incorporada ao direito interno como norma constitucional (CF/1988, art. 5º, 
§ 3º). Também não se afigura legítimo usar da competência legislativa suplementar para reduzir 
conceito presente em lei federal, de caráter geral, em prejuízo de grupo socialmente vulnerável. 4. O 
art. 1º, § 5º, da Lei estadual nº 2.151/2017 limita a avaliação da deficiência ao exame médico-
hospitalar, desconsiderando a previsão de lei federal que exige avaliação biopsicossocial, a ser 
realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar (Lei nº 13.146/2015, art. 2º, § 1º). Afastamento 
de norma geral sem peculiaridade que o justifique. 5. Exclusão da incidência da lei às escolas sem 
estrutura para receber as pessoas com deficiência (art. 3º, da Lei nº 2.151/2017). Os regimes 
 
 
 
 
 
 
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constitucional (CF/1988, art. 208, III) e legal (Lei federal nº 13.146/2015, art. 28) priorizam a educação 
inclusiva como fator de promoção à igualdade. Precedentes. Em sentido diverso, a lei estadual 
promove desincentivo à adaptação e perpetua a inércia estatal na inclusão das pessoas com 
deficiência. 6. Pedidos julgados procedentes, com a declaração de inconstitucionalidade dos 
dispositivos impugnados. Tese: “É inconstitucional lei estadual que (a) reduza o conceito de pessoas 
com deficiência previsto na Constituição, na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas 
com Deficiência, de estatura constitucional, e na lei federal de normas gerais; (b) desconsidere, para 
a aferição da deficiência, a avaliação biopsicossocial por equipe multiprofissional e interdisciplinar 
prevista pela lei federal; ou (c) exclua o dever de adaptação de unidade escolar para o ensino 
inclusivo”. 
(ADI 7028, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 19-06-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 22-06-2023 PUBLIC 23-06-2023) 
PRECEDENTE N° 41 
RE 1177699 – 1032 RG 
O candidato estrangeiro tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público para provimento de 
cargos de professor, técnico e cientista em universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológica 
federais, salvo se a restrição da nacionalidade estiver expressa no edital do certame com o exclusivo objetivo 
de preservar o interesse público e desde que, sem prejuízo de controle judicial, devidamente justificada. 
EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. UNIVERSIDADES E INSTITUTOS 
FEDERAIS. CANDIDATO ESTRANGEIRO. DIREITO À NOMEAÇÃO. ART. 207, § 1º, DA CONSTITUIÇÃO 
FEDERAL. EXISTÊNCIA DE LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. LEI Nº 9.515/1997. PRINCÍPIO DA 
IGUALDADE VIOLADO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. PROCEDÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO 
COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. TEMA 1032. JULGAMENTO DE MÉRITO. PROVIMENTO DO 
RECURSO. 1. O ato de exclusão de estrangeiro de concurso público, fundado apenas em motivo de 
nacionalidade, conflita com o princípio da isonomia disposto no art. 5º, caput, da Carta Federal e com 
o art. 207, § 1º, da Constituição, redação dada pela Lei 9.515/1997. 2. Procedentes os pleitos de danos 
morais e materiais referentes ao período retroativo, no qual o Recorrente deveria ter sido investido 
no cargo, diante da situação de flagrante arbitrariedade. Aplicável, ao caso, a exceção constante do 
Tema 671 da repercussão geral. 3. Recurso extraordinário a que dá provimento, com a proposta de 
fixação da seguinte Tese: “o candidato estrangeiro tem direito líquido e certo à nomeação em 
concurso público para provimento de cargos de professor, técnico e cientista em universidades e 
instituições de pesquisa científica e tecnológica federais, nos termos do art. 207, § 1º, da Constituição 
Federal, salvo se a restrição da nacionalidade estiver expressa no edital do certame com o exclusivo 
objetivo de preservar o interesse público e desde que, sem prejuízo de controle judicial, devidamente 
justificada”. 
 
 
 
 
 
 
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(RE 1177699, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 27-03-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 04-05-2023 PUBLIC 05-05-2023) 
Tese 
O candidato estrangeiro tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público para provimento 
de cargos de professor, técnico e cientista em universidades e instituições de pesquisa científica e 
tecnológica federais, nos termos do art. 207, § 1º, da Constituição Federal, salvo se a restrição da 
nacionalidade estiver expressa no edital do certame com o exclusivo objetivo de preservar o interesse 
público e desde que, sem prejuízo de controle judicial, devidamente justificada. 
PRECEDENTE N° 42 
ARE 1418846 – 1246 RG 
O art. 268 do Código Penal veicula norma penal em branco que pode ser complementada por atos 
normativos infralegais editados pelos entes federados, respeitadas as respectivas esferas de atuação, sem 
que isso implique ofensa à competência privativa da União para legislar sobre direito penal. 
Ementa Direito penal. Crime de infração de medida sanitária preventiva (CP, art. 268). Norma penal 
em branco. Complementação por ato normativo estadual ou municipal. Artigo 22, inciso I, da 
Constituição Federal. Questão constitucional. Potencial multiplicador da controvérsia. Repercussão 
geral reconhecida com reafirmação de jurisprudência. Recurso extraordinário com agravo a que se dá 
provimento. 1. Nos termos da jurisprudência desta Suprema Corte a competência para proteção da 
saúde, seja no plano administrativo, seja no plano legislativo, é compartilhada entre a União, o Distrito 
Federal, os Estados e os Municípios, inclusive para impor medidas restritivas destinadas a impedir a 
introdução ou propagação de doença contagiosa. 2. A infração a determinações sanitárias do Estado, 
ainda que emanada de atos normativos estaduais, distrital ou municipais, permite seja realizada a 
subsunção do fato ao crime tipificado no artigo 268 do Código Penal, afastadas as alegações genéricas 
de inconstitucionalidadede referidas normas por violação da competência privativa da União. 3. 
Agravo em recurso extraordinário conhecido. Apelo extremo provido. 4. Fixada a seguinte tese: O art. 
268 do Código Penal veicula norma penal em branco que pode ser complementada por atos 
normativos infralegais editados pelos entes federados (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), 
respeitadas as respectivas esferas de atuação, sem que isso implique ofensa à competência privativa 
da União para legislar sobre direito penal (CF, art. 22, I). 
(ARE 1418846 RG, Relator(a): MINISTRA PRESIDENTE, Tribunal Pleno, julgado em 24-03-2023, 
PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-070 DIVULG 31-03-2023 PUBLIC 03-04-
2023) 
 
 
 
 
 
 
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56 
Tese 
O art. 268 do Código Penal veicula norma penal em branco que pode ser complementada por atos 
normativos infralegais editados pelos entes federados (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), 
respeitadas as respectivas esferas de atuação, sem que isso implique ofensa à competência privativa 
da União para legislar sobre direito penal (CF, art. 22, I). 
PRECEDENTE N° 43 
RE 1116485 – 477 RG 
A revogação ou modificação do ato normativo em que se fundou a edição de enunciado de súmula vinculante 
acarreta, em regra, a necessidade de sua revisão ou cancelamento pelo Supremo Tribunal Federal, conforme 
o caso. 
Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. TEMA 477. 
CONSTITUCIONAL E PENAL. LEI DE EXECUÇÃO PENAL (LEI Nº 7.210/84). ARTIGO 127. ALTERAÇÃO 
PROMOVIDA PELA LEI Nº 12.433/11. PERDA DE DIAS REMIDOS. LIMITAÇÃO DE 1/3. DISCUSSÃO 
QUANTO À NECESSIDADE DE REVISÃO OU CANCELAMENTO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 9. 
ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS ARTIGOS 5º, XLVI, E 93, IX, DA CF/88. NÃO OCORRÊNCIA. PERSPECTIVA 
INTERINSTITUCIONAL NA ANÁLISE DAS ATRIBUIÇÕES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DE EDIÇÃO DE 
SÚMULAS VINCULANTES E DO CONGRESSO NACIONAL DE EDIÇÃO DE ATOS NORMATIVOS QUE 
POSSAM, EVENTUALMENTE, CONTRAPOR AO QUE ANTERIORMENTE AFIRMADO EM ENUNCIADO DE 
SÚMULA VINCULANTE. PLURALISMO DOS INTÉRPRETES DA LEI FUNDAMENTAL. AUSÊNCIA DE 
SUPREMACIA JUDICIAL. TEORIA DOS DIÁLOGOS CONSTITUCIONAIS. POSTURA DEFERENTE, EM REGRA, 
DO JUDICIÁRIO EM FACE DA PROMULGAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE DE CONTEÚDO DIVERGENTE. 
CASO CONCRETO. REAFIRMAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE DA PERDA DOS DIAS REMIDOS 
DECORRENTE DA PRÁTICA DE FALTA GRAVE. REVISÃO OU CANCELAMENTO DA SÚMULA VINCULANTE 
Nº 9. VIA ADEQUADA. LEI Nº 11.417/06, ART. 5º. PROPOSTAS DE SÚMULA VINCULANTES NºS 60 E 64. 
RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO, COM FIXAÇÃO DE TESE. 1. Ancorado no princípio da 
separação dos Poderes, o exercício da jurisdição constitucional deve pressupor seu papel dentro do 
arranjo institucional democrático erigido pela Constituição que interpreta, sob pena de solapar as 
contribuições igualmente relevantes das instituições político-representativas, que assumem um papel 
igualmente legítimo e relevante na construção dos significados constitucionais. 2. À luz do marco 
teórico dos diálogos institucionais, revela-se necessário o compartilhamento da tarefar de interpretar 
o sentido da Constituição, sem que se afirme a qualquer órgão a prevalência abstrata de assumir 
sempre a última palavra. 3. A interpretação constitucional deve perpassar por um processo de 
construção plural entre os Poderes estatais e os diversos segmentos da sociedade civil organizada, 
como um mecanismo contínuo, ininterrupto e republicano de construção de significados no qual cada 
um dos players envolvidos contribui ao embate dialógico, com suas capacidades específicas, sem se 
 
 
 
 
 
 
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arvorar como intérprete único e exclusivo da Constituição, em busca do aperfeiçoamento de soluções 
democráticas às questões de interesse público. 4. In casu, revela-se constitucional o art. 127 da Lei de 
Execuções penais (Lei nº 7.210/1984), conforme a redação atribuída pela Lei nº 12.433/2011, ao fixar 
limite temporal à perda de dias remidos, em consequência da prática de falta grave. 5. Recurso 
extraordinário a que se NEGA PROVIMENTO. 6. Proposta de Tese de Repercussão Geral: 1. A revogação 
ou modificação do ato normativo em que se fundou a edição de enunciado de súmula vinculante 
acarreta, em regra, a necessidade de sua revisão ou cancelamento pelo Supremo Tribunal Federal, 
conforme o caso. 2. É constitucional a previsão legislativa de perda dos dias remidos pelo condenado 
que comete falta grave no curso da execução penal. 
(RE 1116485, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 01-03-2023, PROCESSO ELETRÔNICO 
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 20-04-2023 PUBLIC 24-04-2023) 
Tese 
1. A revogação ou modificação do ato normativo em que se fundou a edição de enunciado de súmula 
vinculante acarreta, em regra, a necessidade de sua revisão ou cancelamento pelo Supremo Tribunal 
Federal, conforme o caso. 2. É constitucional a previsão legislativa de perda dos dias remidos pelo 
condenado que comete falta grave no curso da execução penal. 
PRECEDENTE N° 44 
ADI 6561 
É inconstitucional lei estadual que cria cadastro de usuários e dependentes de drogas, com informações 
concernentes ao registro de ocorrência policial, inclusive sobre reincidência. 
Ementa: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI 3.528 DE 2019 DO ESTADO DO TOCANTINS. 
CADASTRO ESTADUAL DE USUÁRIOS E DEPENDENTES DE DROGAS. INCONSTITUCIONALIDADE 
FORMAL. MATÉRIA PENAL E PROCESSUAL PENAL. DIRETO SANITÁRIO. DIREITOS FUNDAMENTAIS. 
AFRONTA À NORMA FEDERAL. LEI 11.343/2006. COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA SISTEMATIZAÇÃO DE 
INFORMAÇÕES. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL. 1. A norma é formalmente inconstitucional, 
uma vez que, ao criar o Cadastro Estadual de Usuários e Dependentes de Drogas (art. 1º) no âmbito 
da Secretaria Estadual de Segurança Pública com informações concernentes ao registro de ocorrência 
policial (§1º), inclusive sobre reincidência (§4º), invade competência privativa da União para legislar 
sobre matéria penal e processual penal (CRFB, art. 22, I). 2. Ademais, o exercício da competência 
concorrente em matéria de direito sanitário (CRFB, art. 24, XII), no federalismo cooperativo, deve 
maximizar direitos fundamentais e não pode ir de encontro à norma federal. No caso, nos termos da 
Lei federal n. 11.343/2006, a sistematização de informações é competência da União (art. 8º-A, XII). 3. 
Materialmente, também há inconstitucionalidade. A seletividade social do cadastro é incompatível 
 
 
 
 
 
 
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com o Estado de Direito e os direitos fundamentais que a Constituição de 1988 protege, 
especialmente, a igualdade (CRFB, art. 5º, caput ), a dignidade da pessoa humana (CRFB, art. 1º, III), o 
direito à intimidade e à vida privada (CRFB, art. 5º, X) e o devido processo legal (CRFB, art. 5º, LIV). 
Inexistência tampouco de protocolo claro de proteção e tratamento desses dados. 4. Ação direta 
conhecida e julgada procedente, declarando a inconstitucionalidade da Lei 3.528 , de 2019 do Estado 
do Tocantis. 
(ADI 6561, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 04-09-2023, PROCESSO ELETRÔNICO 
DJe-s/n DIVULG 31-10-2023 PUBLIC 03-11-2023) 
PRECEDENTE N° 45 
ADI 3238 
É inconstitucional norma estadual, de iniciativa parlamentar, que dispõe sobre a atuação do Ministério 
Público nas operações policiais de cumprimento de medidas possessórias de caráter coletivo. 
EMENTA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI ESTADUAL DE INICIATIVA PARLAMENTAR. 
PARTICIPAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NAS OPERAÇÕES POLICIAIS DE CUMPRIMENTO DE MEDIDAS 
POSSESSÓRIAS DE CARÁTER COLETIVO. CRIAÇÃO DE ATRIBUIÇÃO PARA O PARQUET. VÍCIO FORMAL. 
INICIATIVA DO CHEFE DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL PARA A PROPOSITURA DE LEI QUE VERSE 
SOBRE ORGANIZAÇÃO, ATRIBUIÇÕES E ESTATUTO DO ÓRGÃO. 1. A Constituição Federal confere ao 
Ministério Público tratamento singular, considerada a perspectiva histórica do constitucionalismo 
brasileiro, assegurando-lhe preeminência institucional inédita no Estado democrático de direito. 2. É 
do Procurador-Geralda República e dos procuradores-gerais de justiça a iniciativa do processo 
legislativo para a elaboração de lei sobre a organização dos respectivos órgãos. 3. Na esfera estadual, 
coexistem dois regimes de organização do Ministério Público: (i) a Lei Orgânica Nacional (Lei n. 
8.625/1993), elaborada com base no art. 61, § 1º, II, “d”, da Constituição Federal; e (ii) a Lei Orgânica 
do Estado, que delimita, via lei complementar de iniciativa do Procurador-Geral de Justiça, a 
organização, as atribuições e o estatuto do Ministério Público na unidade federativa (CF, art. 128, § 
5º). 4. A Lei n. 11.365, de 26 de julho de 1996, do Estado de Pernambuco, ao instituir espécie de 
controle e fiscalização do Ministério Público sobre as operações policiais de cumprimento de medidas 
possessórias, inova o rol de atribuições do órgão. Ainda que se conclua, à luz do art. 129, IX, da 
Constituição Federal, pela compatibilidade da referida atuação com os objetivos do Parquet, fica 
configurado o vício de iniciativa, pois o diploma ora em exame é fruto de proposição legislativa de 
origem parlamentar. 5. Pedido julgado procedente. 
(ADI 3238, Relator(a): NUNES MARQUES, Tribunal Pleno, julgado em 28-08-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 19-09-2023 PUBLIC 20-09-2023) 
 
 
 
 
 
 
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56 
PRECEDENTE N° 46 
ADI 7380 
É inconstitucional a criação, por lei estadual, de órgão jurídico paralelo à Procuradoria-Geral do Estado, com 
funções de representação judicial, consultoria e assessoramento jurídico de fundação pública estadual. 
Ementa: Direito constitucional e Administrativo. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei estadual que 
atribui a consultoria e o assessoramento jurídico de Fundação pública a agentes fora da estrutura da 
Procuradoria-Geral do Estado. 1. Ação direta de inconstitucionalidade contra o art. 29 e Anexos I, III e 
IV da Lei nº 4.794/2019 do Estado do Amazonas, que criou o cargo de advogado público da Fundação 
Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas – AMAZONPREV. 2. O art. 132 da Constituição Federal 
confere aos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira única, a atribuição 
exclusiva das funções de representação judicial, consultoria e assessoramento jurídico das unidades 
federativas. 3. O modelo constitucional da atividade de representação judicial e consultoria jurídica 
dos Estados exige a unicidade orgânica da advocacia pública estadual, incompatível com a criação de 
órgãos jurídicos paralelos para o desempenho das mesmas atribuições no âmbito da Administração 
Pública Direta ou Indireta. Precedentes. 4. Pedido julgado procedente para declarar a 
inconstitucionalidade do art. 29 e Anexos I, III e IV da Lei 4.794/2019 do Estado do Amazonas, bem 
como do Anexo III da Lei Complementar nº 30/2001 do Estado do Amazonas, por arrastamento. 
Fixação da seguinte tese de julgamento: “É inconstitucional, por violação do art. 132 da CF, a criação 
de órgão ou de cargos jurídicos fora da estrutura da Procuradoria do Estado, com funções de 
representação judicial, consultoria ou assessoramento jurídico de autarquias e fundações públicas 
estaduais”. 
(ADI 7380, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 22-08-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 01-09-2023 PUBLIC 04-09-2023) 
PRECEDENTE N° 47 
RE 955227 – 885 RG 
As decisões do STF em controle incidental de constitucionalidade, anteriores à instituição do regime de 
repercussão geral, não impactam automaticamente a coisa julgada que se tenha formado, mesmo nas 
relações jurídicas tributárias de trato sucessivo. Já as decisões proferidas em ação direta ou em sede de 
repercussão geral interrompem automaticamente os efeitos temporais das decisões transitadas em julgado 
nas referidas relações, respeitadas a irretroatividade, a anterioridade anual e a noventena ou a anterioridade 
nonagesimal, conforme a natureza do tributo. 
 
 
 
 
 
 
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Ementa: Direito constitucional e tributário. Recurso Extraordinário com Repercussão Geral. 
Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Obrigação de trato sucessivo. Hipóteses de cessação 
dos efeitos da coisa julgada diante de decisão superveniente do STF. 1. Recurso extraordinário com 
repercussão geral reconhecida, a fim de decidir se e como as decisões desta Corte em sede de controle 
difuso fazem cessar os efeitos futuros da coisa julgada em matéria tributária, nas relações de trato 
sucessivo, quando a decisão estiver baseada na constitucionalidade ou inconstitucionalidade do 
tributo. 2. Em 1992, o contribuinte obteve decisão judicial que o exonerava do pagamento da CSLL. O 
acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região considerou que a lei instituidora da contribuição 
(Lei nº 7.869/1988) possuía vício de inconstitucionalidade formal, por se tratar de lei ordinária em 
matéria que exigiria lei complementar. A decisão transitou em julgado. 3. A questão debatida no 
presente recurso diz respeito à subsistência ou não da coisa julgada que se formou, diante de 
pronunciamentos supervenientes deste Supremo Tribunal Federal em sentido diverso. 4. O tema da 
cessação da eficácia da coisa julgada, embora complexo, já se encontra razoavelmente bem 
equacionado na doutrina, na legislação e na jurisprudência desta Corte. Nas obrigações de trato 
sucessivo, a força vinculante da decisão, mesmo que transitada em julgado, somente permanece 
enquanto se mantiverem inalterados os seus pressupostos fáticos e jurídicos (RE 596.663, Red. p/ o 
acórdão Min. Teori Zavascki, j. em 24.09.2014). 5. As decisões em controle incidental de 
constitucionalidade, anteriormente à instituição do regime de repercussão geral, não tinham natureza 
objetiva nem eficácia vinculante. Consequentemente, não possuíam o condão de desconstituir 
automaticamente a coisa julgada que houvesse se formado, mesmo que em relação jurídica tributária 
de trato sucessivo. 6. Em 2007, este Supremo Tribunal Federal, em ação direta de 
inconstitucionalidade julgada improcedente, declarou a constitucionalidade da referida Lei nº 
7.869/1988 (ADI 15, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 14.06.2007). A partir daí, houve 
modificação substantiva na situação jurídica subjacente à decisão transitada em julgado, em favor do 
contribuinte. Tratando-se de relação de trato sucessivo, sujeita-se, prospectivamente, à incidência da 
nova norma jurídica, produto da decisão desta Corte. 7. Na parte subjetiva desta decisão referente ao 
caso concreto, verifica-se que, em 2006, a Fazenda Nacional pretendeu cobrar a CSLL concernente aos 
anos de 2001 a 2003. Sendo assim, por se tratar de autuação relativa a fatos geradores anteriores à 
decisão deste Tribunal na ADI 15, prevalece a coisa julgada em favor do contribuinte. Como 
consequência, nega-se provimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. 8. Já 
a tese objetiva que se extrai do presente julgado, para fins de repercussão geral, pode ser assim 
enunciada: “1. As decisões do STF em controle incidental de constitucionalidade, anteriores à 
instituição do regime de repercussão geral, não impactam automaticamente a coisa julgada que se 
tenha formado, mesmo nas relações jurídicas tributárias de trato sucessivo. 2. Já as decisões proferidas 
em ação direta ou em sede de repercussão geral interrompem automaticamente os efeitos temporais 
das decisões transitadas em julgado nas referidas relações, respeitadas a irretroatividade, a 
anterioridade anual e a noventena ou a anterioridade nonagesimal, conforme a natureza do tributo”. 
(RE 955227, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 08-02-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 28-04-2023 PUBLIC 02-05-2023) 
 
 
 
 
 
 
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Tese 
1. As decisões do STF em controle incidental de constitucionalidade, anteriores à instituição do regime 
de repercussão geral, não impactam automaticamente a coisa julgada que se tenha formado, mesmo 
nas relações jurídicas tributárias de trato sucessivo. 2. Já asdecisões proferidas em ação direta ou em 
sede de repercussão geral interrompem automaticamente os efeitos temporais das decisões 
transitadas em julgado nas referidas relações, respeitadas a irretroatividade, a anterioridade anual e 
a noventena ou a anterioridade nonagesimal, conforme a natureza do tributo. 
PRECEDENTE N° 48 
RE 658999 – 627 RG 
Em se tratando de cargos constitucionalmente acumuláveis, descabe aplicar a vedação de acumulação de 
aposentadorias e pensões (Emenda Constitucional 20/98), porquanto destinada apenas aos casos de que 
trata, ou seja, aos reingressos no serviço público por meio de concurso público antes da publicação da 
referida emenda e que envolvam cargos inacumuláveis. 
EMENTA Direito previdenciário e constitucional. Recurso extraordinário. Sistemática da repercussão 
geral. Acumulação de dois cargos de médico autorizada pela Constituição. Percepção de duas pensões 
por morte. Possibilidade. Artigo 11 da EC nº 20/98. Inaplicável. Cargos acumuláveis nos termos do art. 
37, inciso XVI, da CF/88. Recurso extraordinário improvido. 1. Não há óbice ao recebimento acumulado 
de dois benefícios de pensão por morte se decorrentes de cargos acumuláveis, nos termos do art. 37, 
inciso XVI, da Constituição Federal. 2. A hipótese de exceção delineada pelo legislador derivado no art. 
11 da EC nº 20/98 tem incidência específica à hipótese de que trata, não se aplicando aos cargos 
públicos dos quais a Lei Maior autoriza a acumulação, como no caso do art. 37, inciso XVI, da CF/88. 3. 
Fixada a seguinte tese de repercussão geral: “Tratando-se de cargos constitucionalmente acumuláveis, 
descabe aplicar a vedação de acumulação de aposentadorias e pensões contida na parte final do art. 
11 da Emenda Constitucional nº 20/98, porquanto destinada apenas aos casos de que trata, ou seja, 
aos reingressos no serviço público por meio de concurso público antes da publicação da referida 
emenda e que envolvam cargos inacumuláveis”. 4. Recurso extraordinário ao qual se nega provimento. 
(RE 658999, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 17-12-2022, PROCESSO ELETRÔNICO 
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 21-03-2023 PUBLIC 22-03-2023) 
Tese 
Em se tratando de cargos constitucionalmente acumuláveis, descabe aplicar a vedação de acumulação 
de aposentadorias e pensões contida na parte final do artigo 11 da Emenda Constitucional 20/98, 
porquanto destinada apenas aos casos de que trata, ou seja, aos reingressos no serviço público por 
 
 
 
 
 
 
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meio de concurso público antes da publicação da referida emenda e que envolvam cargos 
inacumuláveis. 
PRECEDENTE N° 49 
ADI 999 
É inconstitucional norma de Constituição estadual que determina, em caso de vacância, eleição avulsa para 
o cargo de vice-governador pela Assembleia Legislativa. 
EMENTA Ação direta de constitucionalidade. Emenda Constitucional nº 10/94 do Estado de Alagoas. 
Artigo 104, §§ 2º e 5º, da Constituição Estadual. Eleição avulsa para o cargo de vice-governador em 
caso de vacância. Inconstitucionalidade. Artigo 77, § 1º, e art. 81 da CF/88. Investidura no cargo de 
vice como consequência da eleição do chefe do poder executivo. Novas eleições apenas no caso de 
dupla vacância. Artigo 104, § 4º, da Constituição Estadual. Vacância nos dois últimos anos do governo. 
Ausência de previsão de eleição pela assembleia legislativa. Inconstitucionalidade. Artigo 81, § 1º, da 
CF/88. Procedência do pedido. 1. A Constituição de 1988 manifestou escolha deliberada pela eleição 
conjunta da chapa formada pelos candidatos aos cargos executivos, ao condicionar a eleição do vice-
presidente à do presidente da república com quem compartilha a candidatura, conforme o art. 77, § 
1º, norma de observância obrigatória pelos estados. A eleição do vice-presidente é uma consequência 
da legitimidade do presidente, a quem são endereçados os votos exercidos em sufrágio universal. Não 
há que se falar em eleição avulsa do substituto, sem o titular. 2. Somente em caso de dupla vacância 
se cogitam novas eleições, diretas ou indiretas, conforme o período do mandato em que se der a 
última vaga (art. 81 da CF/88). Esse desenho institucional viabiliza a continuidade do projeto político 
escolhido pela maioria dos eleitores, pois evita a substituição ou a sucessão do chefe do executivo 
importe na assunção do poder por detentor de visão de mundo que lhe seja oposta; define a 
correlação de forças entre situação e oposição; e prestigia os princípios republicano e democrático. 3. 
A mesma lógica se aplica ao poder executivo estadual. Elege-se a chapa da qual fazem parte candidatos 
para o cargo de governador e vice-governador, sendo a eleição do substituto decorrência dos votos 
recebidos pelo titular. A previsão de eleição isolada de um ou de outro, em caso de vacância, subverte 
o modelo constitucional que posicionou a investidura no cargo de vice-presidente ou de vice-
governador como consequência da eleição do chefe do poder executivo, na qualidade de seu 
substituto, sucessor e auxiliar. 4. Consoante a jurisprudência da Suprema Corte, o procedimento por 
meio do qual a eleição ocorre em hipótese de dupla vacância é matéria inserida na autonomia do ente 
estadual. Precedentes: ADI nº 1.057, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, DJe de 28/10/21; ADI nº 
4.298/TO, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 31/8/20, DJe de 22/9/20; ADI nº 2.709, 
Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 16/5/08. Todavia, não se cogita haver eleição sem a 
ocorrência da vacância do cargos de governador e de seu substituto imediato, ou seja, de ambos os 
integrantes da chapa eleita diretamente pelo povo. 5. O § 4º do art. 104 da Constituição alagoana, 
com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 10/94, ao dispor sobre a vacância nos dois últimos 
 
 
 
 
 
 
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anos de governo, prevê a ocorrência de eleições para o preenchimento dos cargos, mas deixa a critério 
da legislação estadual a definição de como ela se dará (se direta ou indiretamente). A forma de eleição 
definida pela CF/88 em cada caso deve ser observada pelos estados, visto que tais normas dizem 
respeito à distribuição do poder político e ao equilíbrio entre os poderes da república, matéria de 
observância obrigatória. 6. Ação direta julgada procedente, declarando-se a inconstitucionalidade da 
Emenda Constitucional nº 10/94 da Constituição do Estado de Alagoas. 
(ADI 999, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 26-06-2023, PROCESSO ELETRÔNICO 
DJe-s/n DIVULG 17-08-2023 PUBLIC 18-08-2023) 
PRECEDENTE N° 50 
ADPF 995 
As guardas municipais são reconhecidamente órgãos de segurança pública e aquelas devidamente criadas e 
instituídas integram o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). 
Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL E SEGURANÇA PÚBLICA. ART. 144, §8º, DA CONSTITUIÇÃO. 
RECONHECIMENTO DAS GUARDAS MUNICIPAIS COMO ÓRGÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA. LEGÍTIMA 
OPÇÃO DO CONGRESSO NACIONAL AO INSTITUIR O SISTEMA ÚNICO DE SEGURANÇA PÚBLICA (LEI N° 
13.675/18). PRECEDENTES. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. 1. É evidente a necessidade de união de 
esforços para o combate à criminalidade organizada e violenta, não se justificando, nos dias atuais da 
realidade brasileira, a atuação separada e estanque de cada uma das Polícias Federal, Civis e Militares 
e das Guardas Municipais; pois todas fazem parte do Sistema Único de Segurança Pública. 2. Essa nova 
perspectiva de atuação na área de segurança pública, fez com que o Plenário desta Suprema Corte, no 
julgamento do RE 846.854/SP, reconhecesse que as Guardas Municipais executam atividade de 
segurança pública (art. 144, § 8º, da CF), essencial ao atendimento de necessidades inadiáveis da 
comunidade (art. 9º, § 1º, da CF). 3. O reconhecimento dessa posição institucional das Guardas 
Municipais possibilitou ao , com CONGRESO NACIONAL, em legítima opção legislativa, no § 7º do artigo 
144 da Constituição Federal, editar a Lei nº 13.675, de 11/6/2018, na qual as Guardas Municipais são 
colocadascomo integrantes operacionais do Sistema Único de Segurança Pública (art. 9º, § 1º, inciso 
VII). 4. O quadro normativo constitucional e jurisprudencial dessa SUPREMA CORTE em relação às 
Guardas Municipais permite concluir que se trata de órgão de segurança pública, integrante do 
Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). 5. Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 
conhecida e julgada procedente para, nos termos do artigo 144, §8º da CF, CONCEDER 
INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO aos artigo 4º da Lei 13.022/14 e artigo 9º da 13.675/18 
DECLARANDO INCONSTITUCIONAL todas as interpretações judiciais que excluam as Guardas 
Municipais, devidamente criadas e instituídas, como integrantes do Sistema de Segurança Pública. 
 
 
 
 
 
 
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(ADPF 995, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 28-08-2023, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 06-10-2023 PUBLIC 09-10-2023) 
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	Direito Constitucional
	Precedente n 1
	ADI 7350
	Precedente n 2
	ADPF 1123
	Precedente n 3
	ADI 6457
	Precedente n 4
	ADI 5298
	Precedente n 5
	ADI 7424
	Precedente n 6
	ARE 1436197 – 1287 RG
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	ADO 20
	Precedente n 8
	ADI 7423
	Precedente n 9
	ADI 7261
	Precedente n 10
	RE 1075412 – 995 RG
	Precedente n 11
	ADI 4360
	Precedente n 12
	RE 1211446 – 1072 RG
	Precedente n 13
	RE 702362 – 580 RG
	Precedente n 14
	RE 833291 – 1051 RG
	Precedente n 15
	ADI 7405
	Precedente n 16
	ADI 3834
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	RE 614873
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	ADPF 1013
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	ADPF 1063
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	ADPF 347
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	ADI 3056
	Precedente n 27
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	Precedente n 28
	ADI 7004
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	Precedente n 30
	RE 886131 – 1015 RG
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	RE 910552 – 1001 RG
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	ADI 3238
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	RE 955227 – 885 RG
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	RE 658999 – 627 RG
	Precedente n 49
	ADI 999
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	ADPF 995
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