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DIREITO
PROCESSUAL
CIVIL
PROF.: IVAL HECKERT JR
SUMÁRIO 
1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS..................................................................................................... 5 
1.1 POSIÇÕES DOUTRINÁRIAS QUANTO AO PROCESSO ..................................................... 5 
1.2 A BUSCA POR UM PROCESSO CONSITUCIONAL E DEMOCRÁTICO ............................... 6 
1.3 ELEMENTOS ESSENCIAIS PARA ENTENDER O PROCESSO CIVIL ATUAL ......................... 6 
2 JURISDIÇÃO E NORMAS FUNDAMENTAIS ........................................................................... 11 
2.1 CONCEITO .................................................................................................................... 11 
2.2 PRINCÍPIO DA INÉRCIA DA JURISDIÇÃO....................................................................... 11 
2.3 PRINCÍPIO DO IMPULSO OFICIAL................................................................................. 12 
2.4 PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO..................................................... 13 
2.5 PRINCÍPIO DA AUTOCOMPOSIÇÃO ............................................................................. 14 
2.6 PRINCÍPIO DA RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO ................................................... 15 
2.7 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DO MÉRITO ......................................................................... 15 
2.8 PRINCÍPIO DA BOA-FÉ ................................................................................................. 17 
2.9 PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO ....................................................................................... 17 
2.10 PRINCÍPIO DA ISONOMIA ............................................................................................ 17 
2.11 PRINCÍPIOS DIRETIVOS DA ATUAÇÃO DO JUIZ ............................................................ 18 
2.12 2.12 – PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO ....................................................................... 18 
2.13 DA ORDEM PREFERENCIAL PARA JULGAMENTO ........................................................ 21 
3 COMPETÊNCIA ..................................................................................................................... 23 
3.1 CONCEITO .................................................................................................................... 23 
3.2 COMPETÊNCIA INTERNACIONAL ................................................................................. 23 
3.3 COMPETÊNCIA INTERNA: CRITÉRIOS DE DETERMINAÇÃO ......................................... 26 
3.4 INCOMPETÊNCIA ......................................................................................................... 27 
3.5 COMPETÊNCIA TERRITORIAL: PREVISIBILIDADE NO CPC ............................................ 30 
3.6 MODIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIA ............................................................................... 35 
4 DAS PARTES ......................................................................................................................... 39 
4.1 CONCEITO .................................................................................................................... 39 
4.2 DA LEGITIMIDADE ....................................................................................................... 39 
4.3 DA CAPACIDADE .......................................................................................................... 39 
4.4 DOS DEVERES DA PARTES E DOS PROCURADORES ..................................................... 40 
5 DO LITISCONSÓRCIO ............................................................................................................ 44 
6 INTERVENÇÃO DE TERCEIROS ............................................................................................. 47 
6.1 INTRODUÇÃO: conceito de partes e de terceiros ....................................................... 47 
6.2 MODALIDADES DE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS PREVISTAS NO CPC ....................... 47 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 2 
 
6.3 DA INTERVENÇÃO DE TERCEIRO ANÓDINA OU ANÔMALA ........................................ 49 
6.4 ASSISTÊNCIA ................................................................................................................ 50 
6.5 DENUNCIAÇÃO DA LIDE .............................................................................................. 50 
6.6 DO CHAMAMENTO AO PROCESSO .............................................................................. 51 
6.7 DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA ..................... 51 
6.8 AMICUS CURIAE........................................................................................................... 52 
7 DO JUIZ, DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DA DEFENSORIA PÚBLICA E DA ADVOCACIA PÚBLICA53 
7.1 DO JUIZ ........................................................................................................................ 53 
7.2 DO MINISTÁRIO PÚBLICO ............................................................................................ 53 
7.3 DA ADVOCACIA PÚBLICA ............................................................................................. 54 
7.4 DA DEFENSORIA PÚBLICA ............................................................................................ 54 
8 DOS ATOS PROCESSUAIS ..................................................................................................... 56 
8.1 PRINCÍPIOS .................................................................................................................. 56 
8.2 DO NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL E DA CALENDARIZAÇÃO .................................. 57 
8.3 DOS ATOS DAS PARTES ................................................................................................ 59 
8.4 DOS PRONUNCIAMENTOS DO JUIZ ............................................................................. 60 
8.5 DO TEMPO E DO LUGAR DOS ATOS PROCESSUAIS ..................................................... 61 
9 DOS PRAZOS ........................................................................................................................ 63 
9.1 CLASSIFICAÇÃO ............................................................................................................ 63 
9.2 CONTAGEM DOS PRAZOS PROCESSUAIS EM DIAS ÚTEIS ............................................ 64 
9.3 DA SUSPENSÃO DOS PRAZOS PROCESSUAIS ............................................................... 65 
9.4 DA EXTINÇÃO DOS PRAZOS ......................................................................................... 65 
10 DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS ................................................................. 67 
10.1 DA CITAÇÃO ................................................................................................................. 67 
10.2 DAS CARTAS ................................................................................................................. 75 
10.3 DAS INTIMAÇÕES ........................................................................................................ 79 
11 TUTELAS PROVISÓRIAS .................................................................................................... 83 
11.1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 83 
11.2 CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO ....................................................................................... 83 
11.3 TUTELAS DE URGÊNCIA ............................................................................................... 84 
11.4 TUTELA ANTECIPADA ANTECEDENTE .......................................................................... 84 
11.5 TUTELA CAUTELAR ANTECEDENTE .............................................................................. 86 
11.6 TUTELAS DA EVIDÊNCIA .............................................................................................. 86demanda 
versar sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de 
terras e de nunciação de obra nova 
(ii) O segundo também derivado do CPC e do mesmo art. 47, só que agora do §2º, já que 
nas ações possessórias imobiliárias o foro do local da coisa tem competência territorial 
absoluta; e, por fim 
(iii) A ação Civil Pública (Lei 7.347/1985, art. 2º), que deve ser proposta no foro do local 
onde ocorreu o dano, sendo competência funcional-territorial absoluta. 
 
c) Quando é possível que a incompetência relativa (territorial) seja reconhecida de 
ofício 
Um dos pontos de maior cobrança atualmente em concursos públicos, quando lidamos 
com o tema competência, é a potencialidade da incompetência relativa ser reconhecida 
de ofício, uma situação excepcional prevista na lei processual. 
 
Podem questionar o fato da existência da Súmula 33, STJ, que dita a vedação do juiz 
conhecer de ofício da incompetência relativa/territorial. Ocorre que essa súmula é do 
início dos anos 90’, sendo fortemente impactada pelo art. 63, §§ 3º e 4º, CPC, 
justamente o que demonstra a existência da potencialidade (diante da situação prevista 
na lei) do juiz controlar a incompetência territorial/relativa de ofício, notadamente 
quando: 
 
- existir cláusula de eleição de foro 
- e o juiz, de ofício e liminarmente, reconhecê-la abusiva 
- declarar sua ineficácia e 
- remeter ao juízo do foro de domicílio do réu 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 30 
 
3.5 COMPETÊNCIA TERRITORIAL: PREVISIBILIDADE NO CPC 
 
O CPC cuida de apresentar critérios territoriais de determinação da competência, 
estabelecendo regras e situações pontuais específicas. 
 
a) primeira regra de competência territorial: domicílio do réu e suas variações 
Como mencionado, o CPC cuida de regras de competência em razão do território, 
determinando, por exemplo, que na justiça estadual, em regra, em qual comarca deverá 
ser proposta a demanda (CPC art. 46). 
 
Dentre as regras a primeira observada é a do DOMICÍLIO DO RÉU, notadamente para 
demandas que versem sobre direitos pessoais. Referida regra se justifica por ser, 
digamos, mais fácil ao réu exercer seu direito de defesa se for demandado no seu 
domicílio. 
 
Existe a potencial situação do réu ter mais de um domicílio, nesse caso a escolha não 
será dele, em que juízo dos possíveis ele será demandado, competindo a escolha ao 
autor (CPC 46, §1º) 
 
Exemplo: o réu possui domicílios diversos, em Belo Horizonte/MG e em Ouro Preto/MG; 
o autor, utilizando da faculdade legal, propõe a demanda em Ouro Preto/MG; em 
contestação o réu alega incompetência relativa, afirmando que, apesar de ter dois 
domicílios, prefere ser demandado em Belo Horizonte/MG; referida arguição não terá 
sucesso, já que a lei confere ao autor a faculdade de demandar o réu em qualquer dos 
seus domicílios, tudo isso independente da vontade do réu. 
 
Ocorre que é possível que não se saiba qual é o domicílio do réu, sendo necessário, 
inclusive, a citação por edital; nesse caso a demanda poderá ser proposta no domicílio 
do autor, em razão do desconhecimento do domicílio do réu; porém, caso seja possível 
localizar o réu, no local onde ele for encontrado deverá ser proposta a demanda (CPC 
46, §2º). 
 
Outro ponto a ser destacado é o fato do réu não ter domicilio ou residência no Brasil; 
neste caso; primeiro há que ser determinado se o juízo brasileiro é competente para 
conhecer de determinada demanda; para isso se faz necessário verificar as regras de 
competência internacional previstas nos artigos 21 a 23, CPC/2015; verificado se o juízo 
brasileiro seria competente, devemos verificar se, para o caso, existe regra de 
determinação territorial outra que não o domicílio do réu; não existindo regra específica 
vamos aplicar a regra primeira do §3o, do art. 46, CPC/2015, que é: FORO DO DOMICÍLIO 
DO AUTOR. 
 
Se autor e réu, entretanto, forem domiciliados no estrangeiro e a ação venha a ser 
proposta no Brasil, a ação poderá ser proposta EM QUALQUER FORO dentro do 
território nacional. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 31 
 
Por fim o CPC, art. 46, §4º parte da premissa da existência de um LITISCONSÓRCIO 
PASSIVO, ou seja, uma demanda com mais de um réu que possuem domicílios diversos; 
novamente a lei processual dita ser uma opção do autor escolher em que foro será 
proposta a demanda, desde que seja o foro de qualquer dos réus. 
 
b) foro competente para a execução fiscal 
A lei processual não dita uma primazia para o ente público em juízo, pelo contrário, dita 
que a primazia, em termos de delimitação do juízo competente, será o da parte adversa 
à fazenda pública, quando estamos diante de competência territorial (CPC 46, §5º). 
 
c) segunda regra de competência territorial: foro da situação da coisa 
Se a demanda versar sobre direitos reais sobre imóveis a demanda deverá ser proposta 
no foro da situação da coisa, como regra, já que sendo inicialmente competência 
territorial relativa, o autor poderá optar por propor a demanda no foro de eleição ou de 
domicílio do réu. 
 
Entretanto se a demanda versar sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, 
divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova, tal opção desaparece, 
devendo a demanda ser proposta exclusivamente no foro do local, da situação, da coisa, 
que tem competência absoluta, bem como no caso de ação possessória imobiliária. 
 
d) Competência: causa mortis 
Cuida o art. 48, CPC, da competência das demandas oriundas do falecimento de 
determinada pessoa natural, aqui chamado de AUTOR DA HERANÇA, demandas que 
tenham reflexos econômicos e patrimoniais, estabelecendo como regra de competência 
o foro do autor da herança. 
 
e) competência: ausente como réu – incapaz como réu 
Dita a lei que, sendo reconhecido, declarado, o réu como ausente, as demandas contra 
ele deverão ser propostas no foro do seu último domicílio (CPC 49). 
Já se o réu for incapaz, a propositura da demanda deverá ser no foro do domicílio de seu 
representante ou assistente (CPC 50). 
 
f) da não primazia de entes púbicos em competência territorial 
Como se verifica do art. 51, CPC, sendo demanda a União poderá o autor se valer do seu 
foro, tendo outras opções, já quando a União é a autora a demanda deve ser proposta 
no foro do domicílio do réu. 
 
Claro que essa regra não afasta as situações de competência territorial absoluta 
especificadas na lei. 
 
Referida situação legal também atinge o Estado (CPC art. 52), reforçando que o ente 
público não tem primazia de foro 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 32 
 
 
g) Da competência para as ações de família 
Inicia o art. 53 apresentando regra de competência territorial para as ações de família, 
notadamente divórcio, anulação de casamento e reconhecimento e dissolução de união 
estável. 
 
O velho CPC/73 ditava uma regra que não mais comportava ser seguida pelos 
operadores do direito, afirmando, no dispositivo correlato, que essas demandas ligadas 
ao casamento deveriam ser propostas na residência da mulher. 
 
Agora, acertadamente, a perspectiva da competência para essas demandas leva em 
consideração interesse de incapaz, ditando ser a regra preferencial para ajuizamento da 
demanda de família o domicílio daquele que ficou com a guarda de filho incapaz, mesmo 
que essa guarda decorre apenas de situação fática. 
 
Na ausência de filho incapaz, referidas demandas deverão ser propostas 
territorialmente no último domicílio do casal, desde que, pelo menos um dos cônjuges 
ou conviventes estejam ainda residindo na localidade; na hipótese de nenhum deles 
residir mais no último domicílio do casal, a demanda deverá ser proposta no domicílio 
do réu, independentemente de quem seja. 
 
Inovação mais que importante foi o acréscimo do item “d”, ao inciso I, do art. 53, CPC, 
sendo a mulher vítima de violência doméstica ou familiar, a demanda poderá ser 
proposta no seu domicílio. 
 
h) Da competência para as ações de alimentos 
A solicitação de alimentos parte da premissa que há um estado denecessidade, o pedido 
de alimentos carrega, no meu entender, a presunção da situação de necessidade. Diante 
disso cria a lei processual um “privilégio” de foro quando em determinada demanda se 
pede verba alimentar. 
 
Sabemos que a ação de alimentos é regulada em lei própria, entretanto tal lei não 
carrega no seu bojo qual o juízo territorialmente competente, cuidando disso, portanto, 
o CPC, no art. 53, II. 
 
i) Pessoa Jurídica em Juízo: competência 
A primeira coisa que devemos levar em consideração, para a delimitação do juízo 
competente para demandas onde o réu seja pessoa jurídica, é verificar se não é causa 
de demanda a ser regida por lei própria. Exemplo: Código de Defesa do Consumidor: 
Não sendo causa de utilização de regra específica, de forma genérica a pessoa jurídica 
deverá ser demandada no lugar da sua sede, ou, eventualmente, sendo obrigação 
contraída por uma agência ou sucursal dessa pessoa jurídica, utilizaremos o local dessa 
agência ou sucursal para a propositura da demanda (CPC, 53, III) 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 33 
 
Já as sociedades ou associações sem personalidade jurídica, devem ser demandadas, 
salvo foro específico, no lugar onde ela exerce suas atividades. 
 
j) Cumprimento de obrigação: competência 
Regra específica e genérica para a demanda que verse sobre o cumprimento de 
obrigações: CPC 53, III. 
 
Nestes casos o processo deverá ter início e desenvolvimento perante o juízo do local 
onde a obrigação deve ser satisfeita, onde a obrigação de ser cumprida. 
 
k) Idoso: competência 
Art. 53. É competente o foro: 
(...) 
III - do lugar: 
(...) 
e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no 
respectivo estatuto 
 
Sendo causa que tenha como parte pessoa idosa e que verse sobre direitos derivados 
do estatuto do idoso, a demanda deverá ser proposta no local da sua residência. 
 
Mas, atenção, para a utilização desse foro é necessária a conjugação dos dois elementos 
expostos no art. 53, III, e, do CPC e acima apresentados: SER IDOSO + VERSAR A 
DEMANDA SOBRE DIREITO PREVISTO NO ESTATUTO. 
 
O simples fato de ser a parte idosa não dá direito da utilização desse foro específico. Por 
exemplo, uma ação de responsabilidade civil decorrente de danos derivados de acidente 
de veículo não envolve direito do idoso, assim, nesse caso, não será ditada a 
competência pela residência do idoso. 
 
Ainda no tocante a competência para as ações em que o idoso é parte, temos que trazer 
à colação o disposto no Estatuto do Idoso (Lei 10741/2003), que ao tratar “Da Proteção 
Judicial dos Interesses Difusos, Coletivos e Individuais Indisponíveis ou Homogêneos”, 
estabelece que: Art. 80. As ações previstas neste Capítulo serão propostas no foro do 
domicílio da pessoa idosa, cujo juízo terá competência absoluta para processar a causa, 
ressalvadas as competências da Justiça Federal e a competência originária dos Tribunais 
Superiores. (Redação dada pela Lei nº 14.423, de 2022) 
 
l) Ações de reparação de danos: competência 
Quando lidamos com ações de reparação de danos a lei processual civil define um juízo 
territorialmente competente (CPC 53, IV, a) onde, em regra, as demandas reparatórias 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 34 
 
deverão ser propostas, não fazendo a lei distinção quanto a natureza jurídica do pedido 
reparatório, notadamente se é causa de dano patrimonial ou dano moral; a saber: 
 
- juízo do local do ato ou fato 
Apresenta a lei processual variações dessa regra e que, claro, pelo princípio da 
especificidade, devem orientar inicialmente a análise do juízo competente, só sendo 
observada a regra na ausência de norma específica; alguns casos: 
 
- reparação de dano decorrente de delito ou acidente de veículo (inclusive 
aeronaves): domicílio do autor ou local do ato fato (CPC) 
- dano causado por atuação de serventia notarial ou de registro: local sede da 
serventia (CPC) 
- reparação decorrente de relação consumerista: domicílio do autor consumidor 
(CDC 101, I). 
 
m) perpetuação da jurisdição 
Para a análise do disposto no art. 43, CPC o melhor é criarmos uma situação concreta. 
Imaginemos a seguinte situação concreta: 
 
- João pretende propor uma ação de indenização em face de Paulo 
- Quando da distribuição da petição inicial Paulo era domiciliado em Belo 
Horizonte/MG 
- Logo após a distribuição e, portanto, antes de ser citado, Paulo muda de 
domicílio, indo morar na cidade e comarca de Recife/PE 
- Citado no seu atual domicílio o réu alega, em contestação, incompetência 
relativa do juízo de Belo Horizonte, posto que, quando citado, outro era o seu 
domicílio. 
 
- A QUESTÃO É: Paulo terá sucesso na questão processual arguida em contestação? 
RESPOSTA: não; a competência é delimitada no momento da distribuição da petição 
inicial, sendo irrelevante eventual e posterior modificação do estado de fato. 
 
Situações excepcionais 
(a) extinção do órgão judiciário 
(b) modificação da competência absoluta 
 
n) deslocamento da demanda para a justiça federal 
Cuida a lei processual (CPC 45) de deslocamento (remessa dos autos) de demandas para 
a justiça federal, quando o processo inicialmente tramita em outra compartimentação 
da jurisdição. 
 
Exemplo: estando uma demanda tramitando perante um juízo estadual e a União (ou 
qualquer dos outros entes enumerados no dispositivo em comento) solicite a sua 
intervenção no processo, deverá ser remetido para a justiça federal, não tendo o juiz 
estadual competência para ditar ser caso ou não de intervenção da União. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 35 
 
Ressalte-se que estamos diante de situação de competência em razão da pessoa, e, 
portanto, absoluta, devendo tal atitude, da remessa pelo juízo estadual para a justiça 
federal, ocorrer de ofício. 
 
Destacamos também, que o juízo estadual não deve emitir juízo de valor, analisando se 
é ou não caso de interesse do ente público intervencionista, somente a justiça federal 
detém competência para essa análise. 
 
Hipóteses em que não haverá a remessa 
Algumas demandas, entretanto, não serão remetidas a justiça federal, mesmo diante da 
intervenção de alguns dos entes descritos no caput do art. 45, essas exceções estão 
enumeradas nos incisos do referido dispositivo legal: I - de recuperação judicial, falência, 
insolvência civil e acidente de trabalho; II - sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do 
trabalho. 
 
Pedidos cumulados sem interesse do ente público em relação a todos os pedidos 
Situação concreta possível é a de existirem, em determinado processo, pedidos 
cumulados e, por exemplo, a União intervir afirmando ter interesse num desses pedidos. 
Não prevê a lei processual, no dispositivo em comento, a divisão ou cisão da demanda 
com a remessa parcial à justiça federal, optou o legislador por, não sendo o juízo 
estadual competente para conhecer do interesse da União, extinguir parcialmente a 
demanda, extinguir o pedido no qual a União demonstrou interesse sem resolução do 
mérito. 
 
Interessante destacar que, quando lidamos com incompetência, mesmo a absoluta, 
como é o presente caso, a lei processual determina a remessa dos autos ao juízo 
competente; na hipótese retratada na lei, entretanto, não teremos a remessa mas, sim, 
uma causa excepcional de extinção de um pedido em razão da incompetência do juízo 
para dele conhecer. 
 
Extinto o pedido competirá ao interessado, já que foi extinto sem resolução do mérito, 
demandar perante o juízo federal competente, aguardando a decisão dele sobre a 
existência ou não de interesse da União. 
 
Da possível restituição dos autos ou juízo originário 
Verificando o juízo federal não ser causa de interesse da União ou de qualquer dos 
outros entes mencionados no caput do art. 45, CPC/2015, deverá restituir os autos ao 
juízo originário, tudo isso sem suscitar conflito de competência já que, como 
mencionamos, a competência para verificar se há ou não interesse da União no conflito 
é exclusivo do juízo federal. 
3.6 MODIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIAComo visto, quem determina qual o juízo competente para determinado caso 
submetido ao judiciário é a lei, ela estabelece, a partir dos critérios de determinação, 
qual o órgão jurisdicional é competente para conhecer e julgar a lide. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 36 
 
Entretanto a própria lei cria situações permissivas para que a competência 
anteriormente fixada possa ser modificada, seja em razão da vontade das partes ou 
mesmo quando em determinado juízo já tramita um anterior processo. 
 
Vale destacar que somente é possível a modificação de competência quando relativa, 
não sendo lícita a modificação da competência absoluta. 
 
A modificação de competência pressupõe: 
 
(a) a existência de um prévio juízo competente para uma determinada situação 
litigiosa; 
(b) existência de um fator, previsto em lei, criador do permissivo para a 
modificação da competência 
(c) o que tornará competente para a demanda um juízo que, originariamente, 
não seria o competente para conhecer da demanda. 
 
E quais são esses fatores de modificação da competência? 
 
Os fatores de modificação da competência derivam: 
1 - da vontade das partes: 
1.1 - de forma expressa: hipóteses de foro de eleição (CPC 63, §§ 1º e 2º); 
ou 
1.2 - de forma tácita: não arguir a tempo e modo a incompetência relativa 
(CPC 65) 
2 - existência de outro e anterior processo: 
2.1 - conexão; ou 
2.2 – continência (CPC 54 e ss) 
 
a) Só é possível a modificação de competência de critérios relativos 
O art. 54 apresenta duas das formas de modificação da competência, em que duas ou 
mais demandas se aproximam pelos seus elementos de identificação subjetivos (partes) 
e/ou objetivos (causa de pedir e pedido), mas sem identidade das demandas, pois ai 
estaremos diante de uma litispendência. 
 
Tanto a conexão quanto a continência ditam que as demandas guardam elementos de 
semelhança, mas não em sua totalidade, sendo correto, assim, nos limites da lei, a 
distribuição por dependência com a reunião das demandas perante o juízo prevento. 
 
b) Da conexão 
A conexão, conforme caput do art. 55, CPC, pressupõe que entre dois ou mais processos 
ocorra uma identidade dos elementos objetivos de constituição da demanda, a saber: 
identidade de causa de pedir e/ou o pedido. 
 
Quando falamos em causa de pedir sabemos que ela é composta dos fatos e dos 
fundamentos jurídicos; a identidade fática é o elemento a gerar a proximidade suficiente 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 37 
 
para que tenhamos a conexão entre demandas, não necessariamente matérias idênticas 
de “direito” discutidas em duas ou mais demandas. 
 
Quanto ao pedido, a identidade para a conexão está ligada ao objeto material 
pretendido; do objeto material pretendido em duas ou mais demandas ser o mesmo. 
 
Podemos afirmar que a conexão de demandas, e sua reunião para julgamento conjunto 
pressupõe a observância de dois princípios: 
 
- segurança jurídica: para evitar decisões díspares entre causas que derivam do 
mesmo fato ou que versam sobre o mesmo objeto; e 
- economia processual: versando a demanda sobre os mesmos fatos ou objeto, 
as provas a serem produzidas em um dos processos será, potencialmente, as 
provas que deverão ser produzidas no outro ou outros processos. 
 
Limite temporal para reunião dos processos conexos propostos em separado 
A reunião dos processos por conexão se justifica para que possam ser, as demandas, 
julgadas de forma conjunta; assim, se um dos processos já foi sentenciado, não se 
justifica a reunião dos processos, mesmo existindo entre eles conexão, o que nos 
apresenta o art. 55, §1º, CPC, parte final. 
 
Basta a sentença ser proferida numa das demandas conexas, sem necessidade do 
trânsito em julgado, para que se tenha o fator impeditivo de reunião das demandas. 
 
c) Da Continência 
Podemos afirmar que a continência, em razão do disposto no CPC, art. 56, como motivo 
para modificação da competência, é uma forma qualificada de conexão, onde passa a 
ser necessária a proximidades das demandas em razão de: 
 
- mesmas partes (+) 
- mesma causa de pedir (+) 
- e, numa das demandas, o pedido ser mais abrangente de tal forma a comportar 
(a conter) o pedido da outra demanda. 
 
Assim, não temos necessariamente identidade das demandas mas uma grande 
proximidade entre elas e inclusive situações possíveis de prejudicialidade. 
Sendo uma forma qualificada da conexão APLICAMOS A CONTINÊNCIA TUDO AQUILO 
QUE APLICAMOS A CONEXÃO, por exemplo: 
 
- reunião perante o juízo prevento 
- verificação do juízo prevento pelos mesmos critérios da conexão 
- limite de reunião das demandas ditada pelo ato sentença 
- potencialidade de ser conhecida de ofício ou mediante requerimento; entre 
outras. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 38 
 
Uma diferença, entretanto, deve ser destacada, A CONEXÃO GERA A REUNIÃO DAS 
DEMANDAS PROPOSTAS EM SEPARADO, JÁ A CONTINÊNCIA PODERÁ GERAR A REUNIÃO 
DAS DEMANDAS OU A EXTINÇÃO DE UMA DELAS, é o que se depreende da análise do 
art. 57, CPC. 
 
Reunião dos processos em razão da continência - extinção parcial (litispendência parcial) 
Necessário que a ação contida seja ajuizada primeiramente, tornando o juízo prevento; 
posteriormente é ajuizada a ação continente; reunidas as demanda, nessa última não 
será julgado o pedido contido, já que ele é parte da demanda primeira, onde esse pedido 
deve ser julgado. 
 
Extinção dos processos em razão da continência 
Lado outro, se a ação continente for ajuizada primeiramente e, posteriormente, ocorrer 
o ajuizamento da ação contida, não serão as demandas reunidas; como o pedido da 
segunda ação já está contido na primeira demanda, será caso de extinção do processo, 
com o seguimento da demanda primeira, onde o pedido da segunda será devidamente 
julgado. 
 
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4 DAS PARTES 
4.1 CONCEITO 
 
O conceito de partes é totalmente abstrato, derivando exclusivamente da ocorrência de 
atos processuais, não se confundindo com o conceito de sujeito da relação processual. 
 
- Todo aquele que apresenta em juízo um pedido é considerado parte 
- Todo aquele que é citado passa a compor a relação processual como parte 
- Todo aquele que, não apresentando originariamente o pedido ou que não é 
citado originariamente para a integrar a relação processual, mas que intervém 
no processo por ato de sucessão processual passa a ser considerado parte. 
- Algumas modalidades de intervenções de terceiros passam a gerar, também, a 
integração de alguém como parte no processo. 
4.2 DA LEGITIMIDADE 
 
Apresentado o conceito de partes como algo abstrato do direito material, derivado 
exclusivamente de atos processuais, podemos afirmar que para o conceito de 
legitimidade a verificação da relação jurídico-material submetida a análise do poder 
judiciário é algo essencial. 
 
LEGITIMIDADE ORDINÁRIA: o legitimado ordinário é o sujeito da relação 
processual, independentemente de ter capacidade para a prática de atos da vida 
civil. 
LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA: permite a lei, entretanto, que alguém que 
não é sujeito da relação jurídico-material possa, em seu nome buscar direito de 
outrem. 
 
Não podemos misturar o conceito de partes e de legitimidade. Como visto, o conceito 
de partes é abstrato, derivando da prática de atos do processo; lado outro, quando 
lidamos com o conceito e a observância da legitimidade, devemos levar em 
consideração quem são os sujeitos da relação jurídico-material (algo que não ocorre 
para definir se alguém é ou não parte no processo) 
4.3 DA CAPACIDADE 
 
Sobre a capacidade: 
 
(i) DE SER PARTE: todo aquele que é detentor de direitos ou que possui obrigações no 
campo das relações jurídico-materiais tem capacidade para ser parte. 
(ii) PROCESSUAL: é a aptidão daquele que, sendo parte, pode praticar os atos 
processuais como tal; não há tendo deverá estar em juízo devidamente representado 
ou assistido por quem a lei determinar 
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(iii) POSTULATÓRIA: detém dita capacidade aqueleque pode realizar os atos técnicos 
dentro da relação processual instaurada; também conhecida como capacidade técnica, 
a possui o advogado, público ou privado, o Ministério Público nas causas em que figura 
como parte, o defensor público. Muitas vezes pode a própria parte ter, também, 
capacidade postulatória 
4.4 DOS DEVERES DA PARTES E DOS PROCURADORES 
 
a) princípio da boa-fé como norma fundamental do processo 
Norma fundamental do processo civil, esculpida no art. 5º, CPC, existe uma exigência 
voltada não apenas para aqueles que são considerados partes no processo, mas para 
todos aqueles que são sujeitos do processo ou que dele venham a participar por 
qualquer motivo, que é agir dentro de preceitos de boa-fé, de BOA-FÉ OBJETIVA. 
 
b) alcance subjetivo da norma e situações meramente enumerativas 
O art. 77, CPC enumera algumas situações de condutas éticas exigidas, não apenas das 
partes e de seus procuradores, mas de todos aqueles que, de qualquer forma participem 
da relação jurídico-processual. 
 
As condutas elencadas são apenas enumerativas, sendo que eventual conduta ali não 
descrita em precisão, mas que importe em conduta não amparada pela atuação ética 
que se espera, pressupõe, também, desrespeito ao princípio da boa-fé. 
 
Alguns dos preceitos elencados no art. 77, CPC podem significar um enquadramento da 
conduta como litigância de má-fé, tendo sua correspondência no art. 80, CPC, gerando 
as penalidades que lhe são próprias.; lado outro existem condutas típicas no art. 77, CPC 
que, desrespeitadas, podem gerar ATO ATENTATÓRIO A DIGNIDADE DA JUSTIÇA, são 
elas: IV - cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, 
e não criar embaraços à sua efetivação; (...) VI - não praticar inovação ilegal no estado 
de fato de bem ou direito litigioso. 
 
Caracterizado o ato atentatório a dignidade da justiça estará, o sujeito, passível de 
imposição de multa, nos moldes do art. 77, §2º, CPC. 
 
c) Dos deveres e da responsabilidade por dano processual 
A novel legislação previu em seu art. 77 alguns deveres a serem observados pelas partes, 
seus procuradores, bem como qualquer pessoa que de alguma forma participe do 
processo. O descumprimento de tais obrigações constitui ato atentatório à dignidade da 
justiça, punível com aplicação de multa, sem prejuízo de sanções criminais, civis e 
processuais cabíveis. 
 
Em relação às condutas descritas no art. 80 do CPC/15, responderá por litigância de má-
fé o autor, o réu ou interveniente. Nesse caso, o juiz condenará o litigante de má-fé em 
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multa, além de indenização pelos prejuízos causados à parte contrária, honorários 
advocatícios e outras despesas processuais. 
 
d) Despesas, honorários advocatícios e multas 
Sabidamente, as despesas processuais abrangem as custas, as indenizações de viagens, 
a remuneração de assistentes técnicos e as diárias de testemunhas. Constitui ônus das 
partes antecipar as despesas dos atos praticados ou requeridos no processo, salvo 
quando a sua realização for determinada de ofício pelo juiz ou requerida pelo Ministério 
Público, caso em que incumbirá ao autor o seu adiantamento. 
 
Importante inovação trazida pelo CPC/15 diz respeito aos honorários advocatícios, os 
quais receberam tratamento especial. A aludida verba alcançou status legal de natureza 
alimentar, privilegiada e não compensável (art. 85, § 14, CPC/15). Além disso, a novel 
legislação contemplou a possibilidade de cumulação dos honorários, sendo devidos, 
inclusive, na reconvenção, no cumprimento de sentença, na execução e nos recursos 
interpostos (art. 85, §1º, CPC/15). 
 
Quanto à fixação dos honorários sucumbenciais, o CPC/15 adotou critérios objetivos a 
serem observados pelo juiz, cujo arbitramento pode variar entre dez e vinte por cento 
calculados sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou sobre o valor 
atualizado da causa, conforme o caso. 
 
Por derradeiro, a nova égide processual regulamentou os honorários advocatícios nas 
causas em que a Fazenda Pública for parte, estabelecendo percentuais, em 
conformidade com o art. 85, §3º do CPC/15. 
 
e) Da gratuidade da justiça 
Com o advento do CPC/15, foram revogados alguns dispositivos da Lei 1.060/50 que 
regula a assistência judiciária gratuita. A matéria relativa à gratuidade da justiça passou 
a ser disciplinada pelo novo código, o qual promoveu-lhe importantes alterações. 
 
A insuficiência de recursos é pressuposto necessário para a concessão dos benefícios da 
justiça gratuita, cujo pedido pode ser formulado na petição inicial, na contestação na 
petição de ingresso de terceiro, na peça recursal ou mediante petição simples (art. 99, 
§1º do CPC/15). 
 
O requerimento de gratuidade da justiça formulado exclusivamente por pessoa natural 
prescinde de comprovação, bastando a mera da declaração de hipossuficiência 
financeira, cuja veracidade é presumida (art. 99, §3º, CPC/15), sendo cabível, no 
entanto, prova em sentido contrário pelo impugnante. O indeferimento do pedido 
somente se justifica quando houver nos autos elementos que evidenciem a ausência dos 
requisitos para a sua concessão. Ademais, a negativa do pleito deve ser precedida de 
contraditório, nos termos do art. 99, §2º do CPC/15, cuja decisão é recorrível por meio 
de Agravo de Instrumento (art. 101 do CPC/15). Outra característica é a revogabilidade 
do benefício pelo juiz, quando insubsistentes os motivos que autorizaram o seu 
deferimento. 
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Cumpre salientar que a concessão da gratuidade judiciária não afasta a responsabilidade 
do beneficiário de arcar com as despesas processuais e honorários advocatícios 
decorrentes de sua sucumbência (art. 98, §2º, CPC/15), tampouco o exime da obrigação 
de recolher, ao final do processo, as multas que lhe forem porventura impostas. 
 
O direito à gratuidade de justiça é pessoal e intransferível, não se entendendo ao 
litisconsorte ou sucessor do beneficiário, salvo quando expressamente requerido e 
deferido nesse sentido. 
 
A gratuidade de justiça pode ser parcial ou abranger todos os atos do processo. 
Outrossim, pode consistir apenas na redução percentual de despesas processuais a 
serem recolhidas antecipadamente pelo beneficiário no curso do procedimento. 
 
Na hipótese de revogação da benesse, a parte deverá recolher todas as despesas 
processuais cujo adiantamento tiver sido dispensado, sob pena de extinção do processo 
sem resolução de mérito, quando tal obrigação incumbir ao autor e, nos demais casos, 
nenhuma diligência será deferida, enquanto não efetuado o respectivo preparo. 
 
IMPORTANTE: segundo o atual CPC a gratuidade, a ser concedida à parte, mediante 
requerimento será: 
• gratuidade total, abarcando a totalidade das despesas e honorários 
• gratuidade parcial, que pode consistir na gratuidade apenas para alguns atos do 
processo ou um desconto percentual das despesas 
• parcelamento, que é a possibilidade do pagamento parcelado das despesas do 
processo pela parte. 
 
f) Dos procuradores 
A capacidade postulatória é conferida aos advogados regularmente inscritos nos 
quadros da Ordem dos Advogados do Brasil. Além disso, para representar em juízo o 
procurador deve estar legalmente habilitado, mediante instrumento de procuração 
outorgado pela parte. 
 
Admite-se, contudo, a postulação sem mandato, a fim de evitar preclusão, decadência 
ou prescrição, ou quando ato for reputado urgente. Nesses casos, a eficácia do ato ficará 
condicionada à apresentação nos autos do aludido documento, no prazo legal. 
 
É dever do advogado manter seu endereço atualizado, sendo consideradas válidas as 
intimações eletrônicas ou por carta registrada enviadas para o endereço constante dos 
autos. 
 
Ainda de acordo com a legislação vigente, é assegurado ao advogado o direito de 
examinar em cartório ou em secretaria os autos de qualquer processo, 
independentemente de procuração, ressalvados os processos que tramitamem segredo 
de justiça. 
 
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Finalmente, o CPC/15 consolidou a garantia dos advogados de ter acesso amplo aos 
autos de qualquer processo, pelo prazo de 5 (cinco) dias. 
 
g) Sucessão das partes e dos procuradores 
A teor do art. 108 do CPC/15, a sucessão voluntária das partes ocorre apenas nos casos 
expressos em lei. Ou seja, a legitimidade das partes não se altera automaticamente, 
ainda que alienada a coisa ou o direito litigioso por ato entre vivos. Nesse caso, a 
alteração do polo da ação exige a anuência da parte contrária. Lado outro, na morte de 
qualquer das partes, haverá a sucessão pelo espólio e sucessores. 
 
A parte poderá revogar o mandato outorgado ao advogado, constituindo, no mesmo 
ato, outro patrono para a causa. A regularidade de representação deve ser feita no prazo 
de 15 (quinze) dias, sob pena de extinção do processo, se a providência couber ao autor, 
ou de decreto de revelia, se a providência couber ao réu. 
 
O procurador também pode renunciar ao mandato que lhe fora outorgado, desde que 
comprove que comunicou ao outorgante, a fim de que este nomeie sucessor, salvo se 
no instrumento de procuração houver outros advogados. Oportuno lembrar que, 
mesmo depois de manifestar a renúncia, o advogado deverá continuar representando a 
parte nos 10 (dez) dias subsequentes. 
 
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5 DO LITISCONSÓRCIO 
 
O processo é composto subjetivamente por partes que, estando em contraditório, se 
encontram em polos distintos da demanda, ou seja: autor e réu. 
 
Autoriza a lei, entretanto, que em determinado processo exista uma composição 
subjetiva múltipla, com a presença de vários autores e/ou vários réus. 
 
Quando isto ocorre, estamos diante do fenômeno processual conhecido como 
LITISCONSÓRCIO. 
 
Depois da definição conceitual, afirmamos que o litisconsórcio pode ser classificado de 
4 formas distintas e cumulativas, levando em consideração o polo da relação processual 
onde existe a multiplicidade de partes, o momento da formação, os efeitos da decisão 
em relação aos litisconsortes e, por fim, a sua obrigatoriedade de formação. Assim 
temos litisconsórcio: 
 
- ATIVO, PASIVO ou MISTO 
- INICIAL ou ULTERIOR (incidental) 
- SIMPLES ou UNITÁRIO 
- FACULTATIVO ou NECESSÁRIO 
 
a) classificação 
(i) quanto a posição 
Levamos em consideração em que polo da relação processual o litisconsórcio é formado, 
se existem no processo multiplicidades de autores e/ou de réus, ou de exequentes e/ou 
executados, já que essa classificação atinge também a execução. 
 
a) ativo: vários autores e um único réu 
b) passivo: um autor e vários réus 
c) misto: vários autores e vários réus 
 
(ii) quanto ao momento da formação 
Desde o início do processo, com a distribuição da petição inicial, já podemos ter a 
configuração do litisconsórcio, entretanto é possível, de forma voluntária ou não, que o 
litisconsórcio se forma no decorrer do rito processual. 
 
a) inicial: quando é formado desde logo, no início da relação processual 
b) ulterior (ou incidental): quando é formado no decorrer do processo 
 
(iii) quanto aos efeitos da decisão 
Formado o litisconsórcio devemos examinar a pretensão posta no processo e seus 
efeitos diante da procedência do pedido, se os efeitos da possível decisão meritória 
atingirão de modo uniforme aqueles que estão em litisconsórcio ou se os efeitos 
materiais da decisão os atingirão de forma distinta. 
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a) simples: quando os efeitos da decisão são distintos para os que estão em 
litisconsórcio 
b) uniforme: quando os efeitos da decisão atingem de forma idêntica aqueles 
que estão em litisconsórcio. 
 
(iv) quanto a obrigatoriedade da formação 
A relação jurídico-material controvertida pode permitir às partes dispor (ato de vontade) 
sobre a formação do litisconsórcio; lado outro, diante da relação jurídico-material 
submetida ao poder judiciário ou em razão da determinação legal, pode a formação do 
litisconsórcio ser obrigatória. 
 
a) facultativo: a relação jurídico-material controvertida não impõe, para a 
validade ou eficácia plena da decisão, a formação do litisconsórcio, que poderá 
existir em razão da vontade das partes 
b) necessário: a lei impõe, ou a natureza da relação jurídico-material, que no 
processo seja formado o litisconsórcio, com integração de várias partes no 
processo, sob pena da decisão final ser nula ou parcialmente ineficaz. 
 
b) litisconsórcio facultativo e a possibilidade de sua limitação 
O art. 113, CPC dita situações permissivas de formação do litisconsórcio facultativo, 
onde a relação jurídico processual poderá gerar uma decisão válida e eficaz mesmo sem 
a presença de todos aqueles que poderiam figurar com partes no processo; claro que os 
efeitos da decisão estarão limitados àqueles que figurarem como participes da relação-
processual estabelecida. 
 
Destacamos que o art. 113, CPC, apresenta as situações normatizadas que geram o 
permissivo da formação do litisconsórcio facultativo, seja ele ativo ou passivo. 
 
Sendo facultativo o litisconsórcio é possível a sua limitação por decisão tomada de ofício 
pelo juiz, no início do processo, portanto uma decisão liminar, mas poderá o réu arguir, 
no prazo da resposta, os elementos processuais que podem ensejar a limitação do 
litisconsórcio (vide CPC 113, §§ 1º e 2º). 
 
c) litisconsórcio necessário 
Lado outro há situações em que a lei processual exige a formação do litisconsórcio, 
necessariamente, para que a decisão de mérito que venha a ser proferida possa ser 
válida e eficaz (CPC arts. 114 e 115). 
 
A formação do litisconsórcio necessário pode derivar (i) de imposição da lei, que 
determina a citação de mais de uma pessoa para compor a relação processual; ou (ii) da 
natureza da relação jurídico-material submetida a apreciação do poder judiciário. 
 
d) litisconsórcio unitário 
Como mencionado acima, na classificação do litisconsórcio, é considerado simples 
aquela composição subjetiva múltipla que permite ao juiz julgar a lide de forma 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 46 
 
individualizada para cada uma das partes, gerando potenciais decisões diferentes; lado 
outro, quando o litisconsórcio é unitário, a decisão deverá ser uniforme para todos 
aqueles que estão na relação processual em litisconsórcio (CPC 116). 
 
e) tratamento 
Salvo as situações de exceções previstas em lei, os litisconsortes são tratados como 
partes distintas, frente aqueles com quem litigam, exigindo a lei que todos venham a ser 
intimados dos atos processuais, dando o permissivo de todos apresentarem, caso 
queiram, individualmente suas manifestações (CPC 117 e 118). 
 
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6 INTERVENÇÃO DE TERCEIROS 
6.1 INTRODUÇÃO: CONCEITO DE PARTES E DE TERCEIROS 
 
Diverge a doutrina quanto à conceituação de parte. Para alguns, partes serão apenas o 
autor e o réu, ou seja, aquele que tem legitimidade para exercer o direito de ação, seja 
legitimidade ordinária ou extraordinária, e aquele em face de quem se propõe a 
demanda, aquele que deverá suportar o ônus de eventual procedência do pedido do 
autor. 
 
Outros agregam ao conceito de parte não apenas o autor e réu da demanda, mas 
também a figura do terceiro interessado. 
 
Filio-me à corrente expansiva do conceito, data vênia a existência da divergência, 
acreditando ser parte do processo tanto o autor e o réu quanto terceiros que, ao 
participarem do processo, demonstram interesse específico no resultado da demanda, 
aproximando o conceito de partes ao conceito de litigante (quem, participando do 
processo, tenha interesse num resultado específico da demanda). 
 
Portanto, temos que terceiros seriam todos aqueles que não participam da relação 
processual sendo que, muitas vezes, permite a lei processual que ocorra a intervenção 
de um terceiro numa demanda já em trâmite, notadamente em razão de algum 
interesse que ele venha a ter na relação processual originária. 
6.2 MODALIDADES DEINTERVENÇÃO DE TERCEIROS PREVISTAS NO CPC 
 
Estabelece a lei processual algumas formas de intervenção de terceiros: 
 
- ASSISTÊNCIA 
- cabimento: Tem lugar quando um terceiro tem interesse jurídico na 
vitória de uma das partes originárias 
- requerimento: feito pelo próprio terceiro 
- momento: a qualquer momento, inclusive em fase recursal 
- objetivo: permitir que um terceiro possa auxiliar, assistir, uma parte 
originária na busca da vitória no processo instaurado, na medida que, 
tendo o terceiro interesse jurídico, poderá sofrer efeitos diretos ou 
reflexos da decisão proferida entre as partes originárias. 
 
- DENUNCIAÇÃO DA LIDE 
- cabimento: para que uma das partes originárias possa buscar direito de 
regresso em razão de situações contratuais ou legais 
- requerimento: pode ser solicitada a denunciação tanto pelo autor 
quanto pelo réu 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 48 
 
- momento: se realizada pelo autor deverá ser na petição inicial; já o réu 
deverá fazer a solicitação da denunciação da lide na contestação. 
- objetivo: diante da eventualidade da parte originária, autor ou réu, vir a 
perder a demanda, tendo direito regressivo contra um terceiro, poderá 
solicitar desde logo a inclusão desse terceiro na relação processual 
viabilizando, diante de uma economia processual, possível direito de 
regresso. Ou seja, caso a parte venha a perder a demanda, ocorrendo a 
denunciação, não precisará ajuizar ação própria para a busca do direito 
regressivo, que é assegurado já no próprio processo. 
 
- DO CHAMAMENTO AO PROCESSO 
- cabimento: para que uma das partes originárias possa buscar direito de 
regresso em razão de situações contratuais ou legais. Difere da 
denunciação em vários aspectos, notadamente diante da verificação que 
o autor poderia, desde logo, ter demandado tanto o réu originário quanto 
o terceiro, e não o fez. 
- requerimento: pode ser solicitado somente pelo réu originário no 
processo de conhecimento 
- momento: deve ser solicitado na contestação sob pena de preclusão 
- objetivo: também tem como objetivo viabilizar, diante da eventualidade 
da perda da demanda, direito regressivo contra o terceiro. Ocorre que, 
no chamamento, ao contrário da denunciação, citado o terceiro ele vira 
réu na demanda, passando a figurar como litisconsorte da parte 
originária. 
 
- DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
- cabimento: sempre que um terceiro, sócio ou mesmo pessoa jurídica, 
tenha responsabilidade patrimonial secundária, poderá ocorrer a 
desconsideração da personalidade jurídica para viabilizar a efetivação do 
direito do autor 
- requerimento: pode ser solicitado pela parte credora 
- momento: não apenas na fase de cumprimento de sentença ou no 
processo de execução, pode ser solicitado a qualquer momento no 
processo de conhecimento, inclusive na petição inicial. 
- objetivo: visa trazer o terceiro, sócio ou pessoa jurídica, que não figure 
na relação jurídico-material submetida a apreciação judicial para 
responder patrimonialmente pela pretensão autoral. 
 
- DO AMICUS CURIAE 
- cabimento: sempre que for necessária a participação de alguém para 
auxiliar o magistrado a compreender melhor o tema da controvérsia ou a 
repercussão social da demanda 
- requerimento: pode ser solicitado pelo próprio juiz, por qualquer das 
partes, ou pelo próprio terceiro 
- momento: a qualquer momento do processo 
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- objetivo: diante de uma causa que se apresente como uma demanda 
que pode gerar um repercussão social, ou que tenha uma matéria 
específica que possa atingir indiretamente a coletividade, sendo matéria 
de complexidade, portanto, poderá ser admitida a intervenção de 
terceiros que, apresentando manifestações, ajudem o juiz a compreender 
a complexidade social da causa. 
 
- RECURSO DE TERCEIRO PREJUDICADO 
- cabimento: quando um terceiro seja atingido por um ato decisório, de 
forma direta ou reflexa, sendo um terceiro juridicamente interessado, 
portanto, no ato decisório 
- requerimento: pelo próprio terceiro que apresentará o recurso próprio 
contra a decisão recorrida 
- momento: no prazo que a parte dispõe para recorrer 
- objetivo: permitir que terceiro juridicamente interessado possa, 
atingido por um ato decisório de um processo em que não é parte, possa 
utilizar do recurso próprio contra a decisão proferida num processo em 
que não figure como parte. 
6.3 DA INTERVENÇÃO DE TERCEIRO ANÓDINA OU ANÔMALA 
 
Para que se chegue à verificação da existência dessa forma diferenciada de intervenção 
de terceiros é necessário que verifiquemos, inicialmente, a Lei Complementar n. 73, LEI 
ORGÂNICA DA ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO. 
 
Referida lei dita, como uma das atribuições do advogado-geral da união: “desistir, 
transigir, acordar e firmar compromisso nas ações de interesse da União, nos termos da 
legislação vigente”, conforme expõe seu art. 4º, item VI. 
 
Esse dispositivo da Lei Orgânica da Advocacia-geral da União foi regulamentado pela lei 
9469/97, art. 5º . 
 
Assim, podemos afirmar que a intervenção de terceiros, conhecida como intervenção 
anódina ou anômala foi criada pelo Art. 5º da Lei nº 9.469/97. 
 
O Advogado-Geral da União foi autorizado, por referida norma legal, a transacionar ou 
firmar acordos em juízo podendo, de acordo com o Art. 5º da lei mencionada, intervir, 
em nome da União, nas causas em que figurarem, como autoras ou rés, autarquias, 
fundações públicas, sociedades de economia mista e empresas públicas federais. 
Vê-se que o caput trata de forma ampla da intervenção da União nos processos, 
bastando que figurem como autoras ou rés as pessoas citadas, mesmo empresas 
públicas federais. 
 
O parágrafo único do mesmo artigo trata de mais um permissivo: as pessoas jurídicas de 
direito público poderão, nas causas cuja decisão possa ter reflexos, ainda que indiretos, 
de natureza econômica, intervir, independentemente da demonstração de interesse 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 50 
 
jurídico, para esclarecer questões de fato e de direito, podendo juntar documentos e 
memoriais reputados úteis ao exame da matéria e, se for o caso, recorrer, hipótese em 
que, para fins de deslocamento de competência, serão consideradas partes. 
 
Referida espécie de intervenção de terceiros independe de interesse jurídico - uma das 
condições da ação -, bastando, para a nova figura processual, o interesse econômico. 
6.4 ASSISTÊNCIA 
 
A assistência é uma modalidade de intervenção de terceiros em que um terceiro 
juridicamente interessado auxilia uma das partes na obtenção de uma decisão favorável. 
O assistente recebe o processo no estado em que se encontra, podendo intervir em 
qualquer procedimento e em todos os graus de jurisdição. 
 
O pedido de intervenção formulado pelo assistente pode ser impugnado por qualquer 
das partes, caso em que o juiz decidirá o incidente, sem suspensão do processo. 
 
A assistência pode ser simples ou litisconsorcial. O assistente simples atua ao lado da 
parte principal, exercendo os mesmos poderes e sujeitando-se aos mesmos ônus do 
assistido, podendo, inclusive, ser seu substituto processual, na hipótese de revelia. Não 
obstante, a assistência não obsta que assistido reconheça a procedência do pedido, 
desista da ação, renuncie ao direito controvertido ou mesmo ou transija. 
 
O assistente litisconsorcial, por sua vez, atua no procedimento na condição de 
litisconsorte da parte principal. A sua intervenção se justifica em razão do impacto direto 
da sentença na relação jurídica existente entre ele e o adversário do assistido. 
6.5 DENUNCIAÇÃO DA LIDE 
 
A denunciação da lide pode ser promovida por qualquer das partes. É cabível nas ações 
reivindicatórias ou para fins de direito regressivo em ação indenizatória. 
 
O denunciado é citado e integra a lide na qualidade de litisconsorte da parte autora ou 
da parte ré. Se o autor for o denunciante, o denunciado poderá acrescentar novos 
argumentos à petição inicial antes da citação do réu.Se o réu for o denunciante, o 
denunciado poderá apresentar contestação, prosseguindo o feito em litisconsórcio 
passivo. Na hipótese de revelia do denunciado, o denunciante pode deixar de prosseguir 
com a sua defesa, abster-se de oferecer recurso, e optar por ajuizar ação de regresso. 
 
Havendo confissão do denunciado quanto aos fatos alegados pelo autor, o denunciante 
réu poderá continuar com a sua defesa ou aderir ao aludido reconhecimento, limitando-
se a requerer a procedência da ação de regresso. 
 
Na hipótese de procedência do pedido da ação principal, o autor poderá requerer o 
cumprimento de sentença também em face do denunciado, nos limites da condenação 
deste na ação regressiva. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 51 
 
Pela redação da norma do art. 125, §2º do CPC/15, verifica-se que o termo “antecessor 
imediato” nela inserido afastou a denunciação da lide per saltum, na qual o denunciante 
pode apontar qualquer alienante integrante da cadeia de transmissão do bem. 
 
A denunciação da lide só será apreciada no bojo da ação principal quando o denunciante 
for vencido. Sendo este vencedor, a denunciação não terá seu mérito examinado, 
podendo ser o denunciante condenado em pagamento das verbas de sucumbência em 
favor do denunciado. 
6.6 DO CHAMAMENTO AO PROCESSO 
 
O chamamento ao processo é uma modalidade de intervenções de terceiros requerida 
exclusivamente pelo réu, admissível nas ações cobrança de dívida garantida por fiança 
ou quando houver pluralidade de devedores solidários. 
 
O chamamento é requerido pelo réu em sede de contestação. Uma vez promovida a 
citação no prazo legal, o chamado passa a integrar a relação processual, figurando como 
litisconsórcio passivo. 
 
A sentença de procedência constitui título executivo em favor do réu que satisfizer a 
obrigação, que poderá exigi-la, por inteiro, do devedor principal, ou, de cada um dos 
codevedores, na proporção que lhes couber. 
6.7 DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
 
Essa modalidade de intervenção de terceiros constitui importante novidade trazida pelo 
CPC/15. A instauração pode ser feita a pedido da parte ou do Ministério Público, por 
quando couber sua intervenção no processo. O incidente é cabível em todas as fases do 
processo, bem como na execução de título executivo extrajudicial. Se o requerimento 
de desconsideração da personalidade jurídica for formulado na inicial não haverá 
instauração do incidente nem suspensão do processo, sendo desde logo promovida a 
citação do sócio ou da pessoa jurídica, conforme o caso. 
 
Instaurado o incidente, este será resolvido mediante decisão interlocutória, após 
concluída a fase instrutória, se houver. 
 
O acolhimento da desconsideração da personalidade jurídica gera ineficácia do ato de 
alienação ou oneração de bens havido por fraudulento (art. 137, CPC/15). 
 
IMPORTANTE! 
SISTEMA RECURSAL DERIVADO DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE 
JURÍDICA 
• instauração do incidente, com suspensão do processo: todo ato decisório será 
atacado por agravo de instrumento 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 52 
 
• resolução do incidente no ato sentença, quando requerido diretamente na petição 
inicial, já que não suspende o processo: será, a decisão, já que é sentença, atacada 
por recurso de apelação 
• incidente de desconsideração solicitado diretamente no tribunal, na fase recursal, 
como será decisão proferida pelo relator: recurso de agravo interno. 
6.8 AMICUS CURIAE 
 
O amicus curiae ou “amigo da corte”, assim como o incidente de desconsideração da 
personalidade jurídica, foi inserido no rol das espécies de intervenção de terceiros pela 
novel legislação. De acordo com o art. 138 do CPC/15, a participação do amicus curiae 
faz-se necessária diante da relevância da matéria, da especificidade do tema objeto da 
demanda ou da repercussão social da controvérsia. 
 
O amicus curiae exerce função auxiliar do juízo e a sua atuação é imparcial, destituída 
de interesse jurídico, não assumindo nenhuma posição subjetiva na relação processual. 
A decisão que admite ou solicita a intervenção do amicus curiae é irrecorrível e pode 
ocorrer de ofício ou a requerimento de qualquer das partes. As atribuições do amicus 
curiae são definidas pelo juiz ou relator na própria decisão. Consoante o disposto no art. 
138, §3º do CPC/15, admite-se a interposição de recurso pelo amicus curiae da decisão 
que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 53 
 
7 DO JUIZ, DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DA DEFENSORIA 
PÚBLICA E DA ADVOCACIA PÚBLICA 
7.1 DO JUIZ 
 
A nova sistemática processual, pautada na ideia de um cooperativismo judicial, dedicou 
um capítulo inteiro ao tema, estabelecendo novas regras relativas aos poderes, deveres 
e responsabilidades do juiz. Nota-se uma mudança substancial no que tange à posição 
do intérprete da norma, o qual passou a assumir uma posição mais ativa na relação 
processual tripartite. 
 
Ao longo do novo codex, é possível encontrar diversos dispositivos que ilustram essa 
postura proativa do juiz, o qual é responsável por conduzir bem o processo e garantir a 
efetiva prestação jurisdicional. 
 
O juiz deve ser imparcial, assegurando às partes tratamento isonômico (art. 139, inciso 
I do CPC/15). Além disso, o juiz deve promover, a qualquer tempo, a solução consensual 
dos litigantes, em atendimento ao princípio da autocomposição. 
 
No tocante aos poderes conferidos ao juiz, novidade importante trazida pelo CPC/15 diz 
respeito à flexibilização das regras procedimentais, com a possibilidade de dilação dos 
prazos processuais e alteração da ordem de produção das provas, de modo a adequar 
às necessidades dos conflitos, à luz do princípio da efetividade. 
 
Não obstante, o art. 222, §1º, CPC/15 veda expressamente a redução dos prazos 
peremptórios pelo juiz, sem o consentimento das partes. 
 
Em relação às responsabilidades do juiz, o art. 143 do CPC/15 previu a aplicação de 
penalidade civil, de cunho indenizatório, ao juiz que proceder com dolo ou fraude no 
exercício de suas funções; recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência 
que deva ordenar de ofício ou a requerimento da parte. 
 
Com o intuito de não comprometer a imparcialidade do juiz - pressuposto de validade 
do processo - o CPC/15 elencou diversas situações em que o exercício da jurisdição é 
absolutamente vedado, seja por impedimento, seja por suspeição do juiz. As hipóteses 
de impedimento, elencadas no art. 144, incisos I a IX do CPC/15, são fundadas em 
elementos objetivamente identificados. Já a suspeição (art. 145, incisos I a III, CPC/15) 
caracteriza-se pela subjetividade do agente, estando relacionados a questões pessoais, 
de foro íntimo. 
7.2 DO MINISTÁRIO PÚBLICO 
 
O Ministério Público, no exercício de suas atribuições institucionais (direito de ação), 
atua como parte autora (legitimado ativo) na defesa da ordem jurídica, da democracia 
do estado, dos interesses e direitos sociais e individuais indisponíveis. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 54 
 
Por expressa exigência legal, faz-se necessária a intervenção ministerial, na qualidade 
de fiscal da ordem jurídica, nos processos que envolvam interesse público ou social; 
interesse de incapaz; ou litígios coletivos possessórios de terra rural ou urbana. Nesses 
casos, a intimação do parquet é obrigatória sendo-lhe assegurado vista dos autos depois 
das partes, sob pena de nulidade do processo. Ainda na hipótese, a despeito de não 
integrar a relação processual, o MP poderá produzir provas, requerer medidas 
processuais que reputar pertinentes, bem como recorrer (art. 179, inciso II do CPC/15). 
No que concerne às prerrogativas funcionais, o MP goza de prazo em dobro para 
manifestar-se nos autos, devendo ser pessoalmente intimado para tanto. 
 
O CPC/15 previu, outrossim, a responsabilidade civil dos membros do MP, quando 
praticarem algum ato, mediante dolo ou fraude, no exercício de suas funções. 
7.3 DA ADVOCACIAPÚBLICA 
 
A Advocacia Pública é responsável pela representação judicial dos entes públicos (União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios) e demais pessoas jurídicas que integram a 
Administração Pública direta e indireta, em todos os âmbitos federativos. 
 
A Fazenda Pública e suas respectivas autarquias e fundações de direito público possuem 
prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cujo termo inicial é 
contado a partir da intimação pessoal, que se faz mediante carga, remessa ou meio 
eletrônico. 
 
Os advogados públicos também podem ser civilmente responsabilizados quando, no 
exercício de suas funções, agirem com dolo ou fraude. 
 
Conforme mencionado alhures, novidade que merece destaque com a entrada em vigor 
do CPC/15 refere-se à regulamentação dos honorários advocatícios sucumbenciais em 
favor dos procuradores públicos. 
7.4 DA DEFENSORIA PÚBLICA 
 
Incumbe à Defensoria Pública, nos termos do art. 185 do CPC/15, promover a orientação 
jurídica, defender os direitos humanos, individuais e coletivos dos necessitados, em 
todos os graus de jurisdição, de forma integral e gratuita. 
 
Além de representar judicialmente a população carente, compete à Defensoria Pública 
exercer a curatela especial do incapaz que não tiver representante legal ou, havendo, os 
interesses deste foram conflitantes com o daquele; do réu revel preso, bem como do 
réu citado por edital ou por hora certa. 
 
Constitui prerrogativa da Defensoria Pública a contagem em dobro de todos os prazos 
para manifestação nos autos, cuja intimação deve ser pessoal. 
 
Igualmente, os defensores públicos responderão civilmente por seus atos dolosos ou 
fraudulentos, praticados no exercício de suas funções. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 55 
 
Sobre o prazo em dobro, dado para a Defensoria Pública, dita a lei processual que igual 
direito terão os escritórios escolas das faculdades de direito, bem como entidades que 
prestam assistência judiciária gratuita, neste último caso desde que tenham convênios 
firmados com a Defensoria, tudo conforme previsto no art. 186, §3o, CPC/2015. 
 
Outra incumbência importante dada pela lei processual civil à Defensoria Pública é a sala 
atuação como curador especial, notadamente nos casos em que, por força do art. 72, 
CPC, notadamente seu parágrafo único. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 56 
 
8 DOS ATOS PROCESSUAIS 
8.1 PRINCÍPIOS 
 
Apresentamos, abaixo, alguns princípios que regulam a prática dos atos no direito 
processual, com destaque aos princípios da (i) não solenidade, (ii) da instrumentalidade 
das formas, e (iii) publicidade. 
 
a) Princípio da não solenidade 
Um dos grandes mitos que permeiam o direito processual, quando lidamos com atos 
processuais, é que eles seriam atos formais, solenes. Ocorre que, como disposto no art. 
188, CPC, os atos processuais, em regra, são não-solenes, ou seja, os atos e termos 
processuais independem de forma determinada. 
 
Logo, podemos afirmar que, em regra, a lei procedimental não determina uma forma 
específica para a prática dos atos processuais. 
 
Entretanto, o próprio art. 188, CPC, estampa que a não-solenidade para a prática dos 
atos processuais é apenas uma regra, podendo a lei estabelecer, para alguns atos 
específicos, uma forma rígida para a sua realização. 
 
Nestas exceções, quando a lei prescreve uma determinada forma para a prática dos atos 
processuais, a sua realização de outra forma pode gerar nulidade. Mas devemos, 
sempre, ter em mente que a teoria das invalidades dos atos depende da demonstração 
de prejuízo. Assim, mesmo que um ato formal seja realizado fora da forma prescrita em 
lei, se atingir o objetivo e não causar nenhum prejuízo, será tido como ato válido. 
 
b) Princípio da instrumentalidade das formas 
Como acima exposto, em regra os atos processuais são informais (princípio da não 
solenidade), entretanto há situações prescritas em lei que exigem, para determinados 
atos, a sua realização dentro de uma determinada forma. 
 
Mesmo que a lei estabelece eventual nulidade para um ato formal, quando realizado 
fora da forma estabelecida, se ele atingir o objetivo procedimental específico será visto 
como ato válido, justamente pelo chamado princípio da instrumentalidade das formas. 
 
c) Princípio da publicidade 
Por força da própria constituição, os atos processuais são públicos. Referida regra 
estampada está no CPC, no seu art. 189. 
 
Contudo, a própria Constituição permite que alguns atos processuais sejam realizados 
por meio da publicidade restrita, passando o processo a tramitar em segredo de justiça; 
são os casos de: 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 57 
 
I - em que o exija o interesse público ou social; 
II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, 
união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes; 
III - em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade; 
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, 
desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada 
perante o juízo. 
 
Nos casos acima elencados somente as partes e seus procuradores podem ter acesso 
aos autos, aos atos processuais praticados e solicitar certidão. Entretanto, de forma 
excepcional, terceiro que demonstre ao juiz interesse jurídico, nesses casos que 
tramitam em segredo de justiça, poderá requerer ao juiz da causa e expedição de 
certidão, mas apenas do dispositivo da sentença, bem como de inventário e de partilha 
resultantes de divórcio ou separação. 
 
Outro fator importante sobre o princípio da publicidade é sua origem constitucional. 
Citamos o dispositivo constitucional: “Art. 93. (...) IX todos os julgamentos dos órgãos do 
Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de 
nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e 
a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à 
intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). 
8.2 DO NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL E DA CALENDARIZAÇÃO 
 
A lei processual, mesmo no vigor do CPC/73, permitia em algumas situações bem 
específicas, que a vontade das partes pudesse modificar normas procedimentais, que as 
partes pudessem estipular regras diferenciadas daquelas esculpidas na lei processual 
para seus processos. Dois grandes exemplos podemos destacar: (i) a eleição de foro em 
determinado contrato e (ii) a distribuição diversa do ônus da prova por vontade dos 
envolvidos no litígio. 
 
Ou seja, a concepção do contratualismo processual (do negócio jurídico processual) não 
é uma novidade decorrente da atual codificação procedimental, já que existia 
pontualmente no CPC revogado. 
 
Deve ser salientado que essas antigas e acima descritas hipóteses de contratualismo 
processual específico estão mantidas no novo CPC, respectivamente nos arts. 63, caput 
e §§ 1º e 2º e 373, §§ 3º e 4º. 
 
A grande novidade no tocante a esse tema é a inserção, no art. 190, CPC, de regra 
genérica para o contratualismo processual, permitindo o novo CPC, preenchidos os 
requisitos legais, que seja possível às partes estipular mudanças no procedimento bem 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 58 
 
como fazer convenções que versem sobre ônus, poderes, faculdades e deveres 
processuais. 
 
Nesta mesma linha de pensamento, dando apoio à disposição das partes no tocante a 
atos e prazos processuais, o art. 191, CPC permite que as partes, em comum acordo com 
o juiz da causa, fixem prazos para a prática de atos processuais. 
 
a) pressupostos de validade do negócio jurídico processual 
Só é lícita a validade do negócio jurídico processual se as partes estipulantes forem 
plenamente capazes e se o direito material admita autocomposição. 
 
E não podemos confundir direitos indisponíveis com direitos que admitam 
autocomposição. Por exemplo, alimentosdevidos por genitor a seu filho(a) é direito 
indisponível, posto não admitir renúncia, mas é possível que seja objeto de 
autocomposição, podendo as partes acordar quanto ao valor e forma de pagamento, 
por exemplo. 
 
Assim, se o direito material admite autocomposição, possível é que as partes estipulem 
regras procedimentais especificas para a demanda judicial, desde que sejam 
plenamente capazes. 
 
b) do controle de validade das convenções procedimentais 
Lícito que a validade das cláusulas negociais que versem sobre o contratualismo 
processual sejam objeto de controle judicial, sendo lícito ao juiz, de ofício ou a 
requerimento, fazer referido controle nas seguintes situações: 
 
- nulidade da convenção 
- inserção indevida em contrato de adesão 
- uma das partes estar em manifesta situação de vulnerabilidade 
 
c) do momento para a estipulação do negócio jurídico processual 
Conforme previsto no art. 190, caput, última parte, é lícito que as partes celebrem o 
negócio jurídico processual durante o processo ou mesmo antes, desde que preenchidos 
os pressupostos legais acima apresentados. 
 
d) da calendarização 
Se há, na parte de atos processuais, uma novidade que merece nossa atenção é a 
calendarização processual. 
 
Segundo o previsto no art. 191, podem as partes, em conjunto com o juiz, estipular 
calendário para a prática dos atos processuais de um determinado processo. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 59 
 
Uma vez estipulado o calendário, a prática dos atos ali lançados vincula as partes e o 
juiz, só podendo ser alteradas em casos excepcionais, desde que devidamente 
justificados. 
 
A calendarização impacta, também, nos atos de comunicação, sendo dispensados atos 
intimatórios para a prática dos atos ali descritos, bem como para a realização de 
audiências. 
8.3 DOS ATOS DAS PARTES 
 
a) classificação 
Os atos praticados pelas partes (na correta extensão do conceito de parte adotado pela 
doutrina), podem ser subdivididos em: 
 
Atos postulatórios: ato cujo conteúdo representa uma solicitação ao Estado-Juiz, que 
pode ser tanto requerimento (quando a solicitação tem o enfoque meramente 
processual) ou pedido (quando a solicitação versa sobre o próprio mérito da demanda). 
Atos dispositivos: a parte pode dispor da tutela jurisdicional, sendo o ato dispositivo o 
ato destinado a tal objetivo. Pode ser unilateral, quando a disposição da tutela 
jurisdicional não depender de anuência da parte contrária, ou concordante, quando o 
objetivo pretendido só pode ser alcançado com concordância da parte contrária. 
Atos instrutórios: tem como objetivo gerar, no espírito do magistrado, o convencimento 
quanto à veracidade dos argumentos trazidos à análise pelas partes. Consistem os atos 
instrutórios em alegações, que são os próprios argumentos tecidos pelas partes nas suas 
manifestações processuais (petição inicial, memoriais, razões de recurso etc.), e 
probatórios, sendo esses atos as provas colhidas, em razão das partes, para 
convencimento do Juiz (depoimento pessoal, confissão). 
Atos Reais: atos que se caracterizam por seu aspecto material, não sendo propriamente 
atos de postulação, razão pela qual são chamados, também, de atos jurídicos de evento 
físico. Exemplo de ato real é o pagamento de custas judiciais. 
 
b) dos atos das partes como manifestações de vontade 
Conforme estipulado no art. 200, caput, CPC, os atos das partes são manifestações de 
vontade que para a sua eficácia podem ou não depender da anuência da parte contrária. 
Exemplo clássico que nos permite verificar a eficácia dos atos das partes com e sem a 
anuência da parte contrária (atos unilaterais de vontade e atos bilaterais de vontade, 
respectivamente) é a desistência da ação (CPC, art. 485, §4º). Caso a manifestação do 
autor seja apresentada antes da contestação, a desistência da ação poderá ser 
homologada independente da vontade do réu; lado outro, se a desistência da ação for 
requerida após a citação do réu passa a ser necessária a sua anuência para a 
homologação. 
 
 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 60 
 
c) da preclusão consumativa 
Uma vez praticado o ato processual temos a imediata constituição, modificação ou a 
extinção de direitos processuais; exemplo, segundo o CPC (art. 335) tem o réu o prazo 
de 15 dias para apresentação da contestação, praticado o ato processual no 10º dia do 
prazo legal extinto está o direito de contestação. É a chamada preclusão consumativa. 
 
O único ato que não gera efeitos imediatos, uma vez praticados, é a solicitação de 
desistência da ação, que só gera efeitos após a homologação pelo juízo (CPC, 200, 
parágrafo único). 
8.4 DOS PRONUNCIAMENTOS DO JUIZ 
 
Podemos classificar os atos do juiz como: (i) atos de provimento e (ii) atos reais. 
São atos reais os atos praticados pelo juiz destinados a instrução e à documentação, os 
primeiros destinados à realização e aperfeiçoamento de determinadas provas para seu 
próprio convencimento (ex: oitiva de testemunhas) e os segundos destinados a 
aperfeiçoar e dar validade a determinado documento constante nos autos (ex: assinar 
ata da audiência, redigir e assinar sentença, etc.). 
 
Por seu turno os atos de provimento são atos substanciais, ligados à essência da 
atividade jurisdicional. São subdivididos em: 
 
- atos de provimento motivados: sentenças e decisões interlocutórias, estando 
presentes também, na referida classificação, os acórdãos e as decisões monocráticas 
proferidas pelo tribunal e relator. São assim identificados por terem como condição de 
validade o respeito ao princípio da motivação, são atos que se não fundamentados são 
nulos. 
 
- atos de provimento não motivados: são os despachos que, para validade, não precisam 
ser motivados. 
 
a) das sentenças 
Para que determinado ato do juiz tenha a natureza jurídica de sentença, é necessário 
que contenha uma das hipóteses prevista no art. 485 (sem resolução do mérito) ou art. 
487 (com resolução do mérito) e que ponha fim à atividade cognitiva do juiz no processo 
de conhecimento. 
 
O art. 203, §1º, além do conceito acima, apresenta também a natureza jurídica da 
sentença para a execução (processo ou fase de cumprimento), sendo assim conceituado 
como ato que põe fim à ao procedimento executivo. 
 
b) das decisões interlocutórias 
Altamente interessante como o legislador tratou o conceito de decisão interlocutória, 
partindo de um conceito negativo ou residual. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 61 
 
Sem as interlocutórias decisões motivas, tal como as sentenças, o art. 203, §2º afirma 
que todo ato decisório do juiz que não se enquadre no conceito de sentença há de ser 
conceituado como decisão interlocutória. 
 
c) dos despachos 
Por seu turno e como previsto no art. 203, §3º, são despachos todos os demais atos 
praticados pelo juiz no processo, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes. 
 
d) das decisões proferidas nos tribunais 
- acórdãos: decisões colegiadas proferidas pelos tribunais (CPC 204). 
- decisões monocráticas: decisões proferidas por desembargadores ou ministros dos 
tribunais superiores de forma singular, não colegiada. 
8.5 DO TEMPO E DO LUGAR DOS ATOS PROCESSUAIS 
 
a) regra temporal para a prática dos atos processuais 
A teor do art. 212 do CPC/15, “os atos processuais serão realizados em dias úteis, das 6 
(seis) às 20 (vinte) horas”, entretanto poderão ser concluídos após às 20 (vinte) os atos 
iniciados antes, cujo adiamento possa prejudicar a diligência ou causar grave dano. 
 
Ou seja, prevê a lei procedimental a viabilidade dos atos processuais serem praticados 
em dias pré-estabelecidos, dentro de um determinado período deste dia; o que nos 
remete à pergunta: o que seria DIA ÚTIL para os termos da legislação? 
 
Deve ser verificado que a lei processual estabelece o que são DIAS NÃO ÚTEIS, também 
conceituados como FERIADOS PARA EFEITOS FORENSES. Assim são feriados os dias 
assim definidos em lei, sábados, domingos e dias que não tem expediente forense, 
conforme preceituado no art. 216,CPC. 
 
Excepcionalmente é lícita a prática de atos processuais em dias não úteis ou mesmo fora 
do horário acima mencionado. Segundo o art. 212, §2º, os atos de citações, intimações 
e penhoras poderão realizar-se no período de férias forenses, onde as houver, e nos 
feriados ou dias úteis fora do horário estabelecido no caput do mencionado artigo. Um 
fator que deve ser considerado é que a prática de tais atos fora das regras temporais 
não depende de autorização do juiz, uma novidade trazida pelo atual CPC. 
 
b) dos atos praticados através de peticionamentos 
O peticionamento em autos físicos realizado por meio de protocolo deve observar no 
horário de funcionamento do fórum ou tribunal, em conformidade com a lei de 
organização judiciária local. 
 
Relativamente aos processos eletrônicos, os atos processuais poderão ser praticados em 
qualquer horário, até às 24 (vinte quatro horas) do último dia do prazo. Ressalte-se que 
para a verificação da tempestividade do peticionamento praticado por meio eletrônico 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 62 
 
deve ser considerado o horário vigente no juízo perante o qual o ato processual deve 
ser praticado. 
 
c) férias forenses e feriados 
Conforme disposto no art. 214 do CPC/15, no período de férias forenses ou nos feriados 
não se praticarão atos processuais, salvo as tutelas de urgência, as citações, intimações 
e penhoras. 
 
Além disso, tramitam normalmente durante as férias forenses, sem suspensão pela 
superveniência delas, os procedimentos de jurisdição voluntária; os necessários à 
preservação de direitos; as ações de alimentos; as ações que envolvem nomeação ou 
remoção de tutor ou curador; e outros processos que a lei determinar. 
 
d) do lugar 
Quanto ao lugar dos atos processuais, estes serão realizados ordinariamente na sede do 
juízo, podendo, contudo, ser praticados em outro lugar “em razão de deferência, de 
interesse da justiça, da natureza do ato ou de obstáculo arguido pelo interessado e 
acolhido pelo juiz”. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 63 
 
9 DOS PRAZOS 
9.1 CLASSIFICAÇÃO 
 
a) classificação 
(i) primeira forma de classificação 
- prazo legal: prazo previamente estabelecido na lei para a prática do ato processual 
- prazo judicial: prazos que, não havendo previa estipulação legal, ficam a cargo de 
fixação do magistrado. É ele, o juiz, e não a lei, que determina o prazo para a realização 
do ato processual, levando em consideração a complexidade do ato a ser realizado (Art. 
218. Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em lei. § 1º Quando a lei 
for omissa, o juiz determinará os prazos em consideração à complexidade do ato.). 
- prazo convencional: as partes do processo podem convencionar um prazo para a 
realização de atos processuais, notadamente em virtude do contratualismo processual 
(vide art. 190, CPC). 
Esta primeira forma de classificação cabe uma observação, notadamente no caso dos 
prazos judiciais. Como visto, competirá ao magistrado, diante da omissão da lei, fixar 
prazo para a prática de determinado ato processual. Entretanto, pode ocorrer que o 
magistrado não determine os dias para a prática do ato. Diante dessa omissão do 
magistrado, o ato processual deverá ser praticado no prazo de 05 (cinco) dias, como 
prescreve o art. 218, §3º, CPC. 
 
(ii) segunda forma de classificação 
- prazos comuns: “prazos estabelecidos a ambas as partes, autor e réu, para a prática de 
determinado ato. Assim, da sentença que acolher parcialmente o pedido do autor, 
poderão recorrer ambas as partes, sendo caso de prazo comum. 
- prazos particulares: prazo dirigido apenas a uma das partes da relação processual, 
quando compete apenas a ela (uma única parte) a prática de determinado ato 
processual. 
 
(iii) terceira forma de classificação 
- prazos próprios: são os fixados para o cumprimento do ato processual, cuja 
inobservância acarreta desvantagem para aquele que o descumpriu, consequência essa 
que normalmente é a preclusão. 
- prazos impróprios: são aqueles fixados na lei apenas como parâmetro para a prática 
do ato, sendo que seu desatendimento não acarreta situação processual detrimentosa 
para aquele que o descumpriu, mas apenas sanções disciplinares. O ato processual 
praticado além do prazo impróprio é válido e eficaz. Normalmente são prazos 
impróprios os fixados para o juiz e auxiliares da justiça. 
 
(iv) quarta forma de classificação 
- prazos dilatórios: aqueles que as partes podem, de comum acordo, prorrogar ou 
reduzir 
- prazos peremptórios: aqueles que as partes não podem pactuar, que não podem ser 
modificados pela vontade das partes. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 64 
 
Com a atual evolução do negócio jurídico processual, muitos doutrinadores defendem 
que essa última forma de classificação não faz mais sentido, pois as partes poderiam, na 
sua visão sobre o negócio jurídico processual, pactuar sobre qualquer prazos para a 
prática de atos processuais pelas partes. 
 
b) Tempestividade do ato praticado antes do termo inicial 
Os prazos para a prática dos atos processuais possuem um termo inicial e, sendo ato 
para a parte, ele flui a partir do momento em que ela (parte) ou seu procurador é 
intimado. 
 
Entretanto, notadamente em razão do princípio da publicidade dos atos processuais, é 
possível que a parte tenha ciência, por exemplo, de uma decisão que lhe é contrária e 
que seria recorrível, antes de ser intimado para tanto. 
 
Numa antiga posição da nossa jurisprudência, se a parte apresentasse o recurso antes 
do início do prazo o ato praticado seria visto como extemporâneo. 
 
Fazendo a devida e necessária adequação ao processo moderno o CPC atual consagrou 
no art. 218, §4º a tempestividade do ato praticado antes do início formal do prazo, 
afastando a tese do ato prematuro adotada pelos tribunais 
9.2 CONTAGEM DOS PRAZOS PROCESSUAIS EM DIAS ÚTEIS 
 
A normativa anterior ditava que os prazos processuais fluiriam normalmente nos dias 
sem expediente forense, não se suspendendo ou interrompendo em razão de feriados. 
O CPC atual inaugurou uma nova regra procedimental, a qual estabelece que os prazos 
processuais contados em dia serão contabilizados somente em dias úteis (art. 219). 
 
ATENÇÃO: Não se aplica a forma de contagem estabelecida no dispositivo legal a prazos 
outros que não sejam fixados em dias. Por exemplo, os prazos de “mês” previstos no 
CPC não são contados, somente, os dias úteis, não apenas pela limitação legal da própria 
norma, mês pela imprecisão dos “dias” em relação a todos os meses do ano. 
Outro destaque é que o caput do art. 219 faz referência exclusiva aos prazos legais e 
judiciais. E os prazos convencionais? - Vai depender do acordo, daquilo que as partes, 
por vontade, estipularem no contrato (CPC 190). 
 
ATENÇÃO!!! 
Nem todo prazo derivado do processo será contado em dias úteis, referida regra, 
conforme artigo 219, parágrafo único, aplica-se somente aos prazos processuais. Os 
chamados prazos materiais continuam a ser contados em “dias corridos”. 
São exemplos de prazos materiais (e portanto contados em dias corridos): 
• prazo prescricional 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 65 
 
• prazo decadencial 
• prazo para cumprimento de decisões que não dependam de atuação do 
advogado da parte, como, por exemplo, o prazo para cumprimento de uma 
tutela antecipada de urgência 
9.3 DA SUSPENSÃO DOS PRAZOS PROCESSUAIS 
 
Estabelece a lei processual que os prazos processuais não fluirão entre os dias 
compreendidos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive, não se realizando nesse 
período audiências ou sessões de julgamento. 
 
ATENÇÃO: referida regra se aplica somente aos prazos processuais, não aos prazos tidos 
como materiais. 
 
Outra novidade que merece destaque relativa às causas suspensivas dos prazos 
concerne ao período de execução de programa instituído pelo Poder Judiciário com 
vistas a promover a autocomposição, previsto no art. 221, parágrafo único, do CPC/15. 
 
Ademais, as hipóteses de suspensão do12 PETIÇÃO INICIAL: PROCEDIMENTO COMUM .................................................................. 90 
12.1 ELEMENTOS CONCEITUAIS DO ATO ............................................................................ 90 
12.2 A QUESTÃO DA COMPETÊNCIA: ENDEREÇAMENTO DA PETIÇÃO INICIAL .................. 90 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 3 
 
12.3 PARTES E QUALIFICAÇÃO ............................................................................................ 90 
12.4 CAUSA DE PEDIR: FATOS E FUNDAMENTOS ............................................................... 91 
12.5 DO PEDIDO .................................................................................................................. 91 
12.6 DO VALOR DA CAUSA .................................................................................................. 94 
12.7 REQUERIMENTO DE PROVAS ...................................................................................... 95 
12.8 OPÇÃO PELA AUTOCOMPOSIÇÃO ............................................................................... 95 
12.9 A PETIÇÃO INICIAL E O PLENO ACESSO AO JUDICIÁRIO .............................................. 95 
13 DOS ATOS PRIMEIROS DO JUIZ ....................................................................................... 97 
13.1 DA EMENDA DA INICIAL .............................................................................................. 97 
13.2 DO INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL .................................................................. 97 
13.3 DA IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO ................................................................. 98 
13.4 DA AUDIÊNCIA DE TENTATIVA DE AUTOCOMPOSIÇÃO .............................................. 98 
14 DA CONTESTAÇÃO ......................................................................................................... 100 
15 DA RECONVENÇÃO ........................................................................................................ 102 
16 DA REVELIA .................................................................................................................... 103 
17 DO JULGAMENETO CONFORME O ESTADO DO PROCESSO (e o julgamento antecipado 
parcial do mérito) ...................................................................................................................... 104 
18 DO SANEAMENTO E DA ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO ............................................... 105 
19 DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO ........................................................... 106 
20 DA SENTENÇA E DA COISA JULGADA............................................................................. 107 
21 DAS PROVAS .................................................................................................................. 109 
21.1 DISPOSIÇÕES GERAIS ................................................................................................. 109 
21.2 DOS MEIOS TÍPICOS DE PROVA: QUESTÕES ESSENCIAIS .......................................... 110 
21.3 DA PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS ................................................................. 112 
22 DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA ............................................................................... 115 
22.1 DO TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL .............................................................................. 115 
22.2 DA EXIGIBILIDADE...................................................................................................... 115 
22.3 DA COMPETÊNCIA ..................................................................................................... 115 
22.4 CUMPRIMENTO DEFINITIVO: OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA .................. 116 
22.5 – DO CUMPRIMENTO PROVISÓRIO ........................................................................... 117 
22.6 DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER, NÃO FAZER E 
ENTREGAR COISA .................................................................................................................. 117 
23 DO PROCESSO DE EXECUÇÃO ........................................................................................ 119 
23.1 DO TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL .................................................................... 119 
23.2 DA EXIGIBILIDADE...................................................................................................... 119 
23.3 DO PROCESSO DE EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA ................................................ 119 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 4 
 
24 RECURSOS E MEIOS DE IMPUGNAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS ................................. 122 
24.1 CONCEITO .................................................................................................................. 122 
24.2 SUCEDÂNEOS RECURSAIS .......................................................................................... 122 
24.3 PRINCÍPIOS RECURSAIS ............................................................................................. 123 
24.4 EFEITOS DEVOLUTIVO E SUSPENSIVO ....................................................................... 126 
24.5 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE ...................................................................................... 128 
24.6 JUÍZO DE MÉRITO ...................................................................................................... 132 
24.7 DO RECURSO ADESIVO .............................................................................................. 133 
24.8 DO RECURSO COMO ATO VOLUNTÁRIO E DISPONÍVEL ............................................ 134 
24.9 APELAÇÃO ................................................................................................................. 134 
24.10 AGRAVO DE INSTRUMENTO .................................................................................. 138 
24.11 AGRAVO INTERNO ................................................................................................. 140 
24.12 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ................................................................................ 141 
24.13 RECURSO ESPECIAL ................................................................................................ 145 
24.14 RECURSO EXTRAORDINÁRIO ................................................................................. 146 
24.15 AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO E EM RECURSO ESPECIAL .................. 148 
24.16 RECURSO ORDINÁRIO............................................................................................ 148 
24.17 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA ............................................................................... 149 
24.18 INCIDENTE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA ............................................................ 149 
24.19 INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS .................................... 150 
24.20 DA RECLAMAÇÃO .................................................................................................. 150 
 
Apostila atualizada em Abril/2023. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 5 
 
1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
 
O Estado, como ente responsável por ministrar a “Justiça”, dizendo, diante de situações 
controvertidas que se estabelecem no seio da coletividade, qual o “melhor direito 
aplicável”, dispõe de um meio para tanto, que é o PROCESSO. 
 
Visto por muitos como meio de pacificação social, é através do Processo que se 
exterioriza o poder jurisdicional do Estado, onde as questões litigiosas encontram seu 
acertamento. 
 
Do latim procedere, que significa “ir na frente, avançar, progredir”, foi durante muito 
tempo, confundido com uma simples sucessão de atos ordenados. Entretanto, a partir 
dos estudos elaborados pelo jurista alemão Oskar Von Bülow, notadamente da 
publicação em 1868 de sua obra “Die Lehre Von den Processeinreden und die 
Processvoraussetzungen”, o direito processual ganha status de ciência, com a exposição 
e desenvolvimento da teoriaprocesso arroladas no art. 313 do CPC/15, por 
consequência lógica, suspendem os prazos processuais. 
 
Ressalte-se, também, que os prazos ficarão suspensos por obstáculo criado em 
detrimento da parte. Um exemplo: autos físicos que deveriam estar disponíveis para 
uma das partes, em razão da fluência de um prazo e que, por um equívoco da secretaria 
foi concluso ao magistrado ou entregue indevidamente à outra parte. 
 
Cessada a causa da suspensão, a contagem do prazo é retomada de onde parou, e 
restituído à parte o tempo que faltava para o término do prazo. 
9.4 DA EXTINÇÃO DOS PRAZOS 
 
Tendo decorrido o prazo, seja ele legal ou judicial, cessa, em regra, a oportunidade para 
a prática do ato (essencialmente se o prazo for peremptório e/ou próprio), não sendo 
necessária qualquer declaração por parte do juiz de que o prazo decorreu sem 
manifestação da(s) parte(s). Ou seja, passa a ocorrer o fenômeno da preclusão temporal 
(CPC 223). 
 
Entretanto é lícito à parte comprovar que não realizou o ato processual dentro do prazo 
por motivo de justa causa. Considera-se justa causa todo evento ocorrido, alheio à 
vontade da parte, que teria impedido a prática do ato processual pela própria parte ou 
por seu mandatário. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 66 
 
Alegada e comprovada a justa causa, o juiz permitirá que a parte pratique o ato 
processual no prazo que lhe assinar. 
 
Exemplo típico é o da sede do juízo, que se localiza em uma ilha e em razão de um 
temporal, a única ponte desaba e não há qualquer outro meio de transporte, resultando 
que a parte não pode apresentar, dentro do prazo, contestação ou recurso de apelação. 
Para tanto, deverá a parte provar a concorrência desses requisitos e a relação de 
causalidade entre o ato imprevisto e o impedimento da realização do ato 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 67 
 
10 DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS 
 
Quanto aos atos de comunicação eles são: citações, intimações e cartas. 
10.1 DA CITAÇÃO 
 
a) conceito e natureza jurídica 
A lei processual revogada conceituava o ato citatório com ato pelo qual se chama o réu 
a apresentar defesa. Hoje o conceito, derivado do art. 238, CPC, carrega um caráter 
muito mais científico e real quando ao conceito e natureza jurídica do ato de citação. 
Não necessariamente a parte ré (ou executada) é chamado inicialmente a apresentar 
defesa, notadamente quando estamos diante da primazia da resolução dos conflitos 
judiciais por técnica autocompositiva. 
 
O melhor conceito do ato citatório e vê-lo como um ATO DE INTEGRAÇÃO SUBJTIVA DA 
RELAÇÃO PROCESSUAL, pois a partir da citação estão integrados ao processo os réus, o 
executado ou o interessado, chamados que são a serem efetivos participes do processo 
judicial. 
 
b) indispensabilidade da citação para a validade do processo 
Sendo a citação o ato de integração do réu e do executado ao processo, abrindo a 
oportunidade de regular exercício de defesa, estabelece a lei processual sua a 
indispensabilidade para a validade do processo. 
 
Lado outro apresenta a lei duas exceções, em que temos processo válido, com formação 
inclusive de coisa julgada material (hipótese do art. 332, CPC), sem o ato citatório. 
São as hipóteses de sentenças proferidas liminarmente, em razão do permissivo legal e 
nas situações descritas nos arts. 330 e 332, CPC. 
 
c) do comparecimento espontâneo 
Pressupõe que o réu não foi citado, mesmo assim comparece ao processo. Comparece 
porque ficou sabendo por outros meios da existência da demanda na qual foi lançado 
como réu. 
 
Esse comparecimento espontâneo supre a falta ou a nulidade da citação. 
 
Comparecer é vir ao processo, por meio de petição, com advogado constituído, e se 
manifestar. Não é apenas ter ciência, é demonstrar ter ciência com manifestação nos 
autos. 
 
Várias questões práticas podem ser debatidas a partir da atual regulação do que é o 
comparecimento espontâneo. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 68 
 
A lei processual anterior, e seu conceito de citação, abriu a oportunidade para uma 
jurisprudência que passou a considerar o comparecimento espontâneo o ato de 
apresentação da contestação. Pela jurisprudência derivada no CPC/73, se a parte, não 
citada, se fizesse representar por advogado, juntando aos autos procuração sem 
poderes para receber citação, isso não era considerado comparecimento espontâneo, 
sendo ainda necessário o ato citatório do réu para abertura do prazo para defesa. 
 
A atual lei processual mudou, corretamente e como já debatido, o conceito do ato de 
citação, e afirma que o comparecimento espontâneo abrirá o prazo para apresentação 
de defesa. 
 
Apesar dessa significativa mudança, observamos que o STJ ainda mantém, apesar de 
não ser posição unânime, os preceitos da lei anterior como fator interpretativo para os 
seus julgados (a seguir apresentaremos essa discussão) 
 
Outro fator a ser considerado é que a lei não leva em consideração a primazia do 
princípio da autocomposição; vejamos: 
 
A lei afirma que o comparecimento espontâneo, ao suprir a falta ou nulidade da citação, 
abre o prazo para defesa. 
 
NÃO NECESSARIAMENTE. 
 
Como assente, integrada a parte ao processo cognitivo, notadamente no caso de 
procedimento comum, antes da abertura do prazo de defesa teremos, em regra, a 
audiência de tentativa de autocomposição (CPC, 334). 
 
Temos, portanto, o exemplo da parte não citada comparecer à audiência, o que 
caracterizará o comparecimento espontâneo e não necessariamente a abertura do 
prazo para defesa. 
 
d) da alegação de nulidade 
Realizada a citação fora da forma prescrita em lei, resultando em suposto prejuízo para 
a parte, é possível o comparecimento para alegar referida nulidade. 
 
O dispositivo legal aqui comentado (239, §2º, CPC) parte da premissa que a alegação foi 
rejeitada, apresentando os efeitos próprios. 
 
Mas, acredito, que a normatização procedimental não responde a todas as situações 
processuais possíveis, razão pela qual passamos a apresentar várias hipóteses concretas 
e sua respectiva resolução. 
 
e) efeitos da citação 
Segundo o artigo 240, CPC, para que a citação gere os efeitos que lhe são próprios é 
necessário que ela seja realizada validamente; ato citatório realizado de forma não 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 69 
 
válida não tem o condão de integrar formalmente o réu ao processo, não gerando, 
assim, efeitos. 
 
(i) induzir litispendência: 
Ocorre quando existem dois ou mais processos idênticos, ou seja, quando temos 
processos dom as mesmas partes, mesma causa de pedir (fatos e fundamentos) e o 
mesmo pedido, isso em processos distintos. 
Não se permite que o poder judiciário se manifeste mais de uma vez acerca da mesma 
situação litigiosa; assim a citação válida no segundo processo é que induzirá a 
litispendência, fazendo com o processo tenha que ser extinto sem resolução de mérito. 
 
(ii) tornar litigiosa a coisa: 
A partir do momento em que ocorre a citação, tendo ciência de que um terceiro está 
buscando em juízo o reconhecimento do direito sobre algum bem que está em poder de 
outro se impõem limites ao uso do bem. 
Portanto, a partir do momento em que a citação é realizada a coisa, potencial objeto de 
determinado processo, torna-se litigiosa. 
 
(iii) constituir em mora o devedor 
Quando o réu tem ciência válida da demanda judicial, constituído está em mora, fluindo 
a partir daí, em regra, os juros de mora, salvo disposição expressa em sentido contrário. 
 
ATENÇÃO: mesmo que seja a citação ordenada por um juízo incompetente o ato será 
válido e gerará os efeitos acima destacados. 
 
SOBRE A PRESCRIÇÃO: Relativamente à interrupção da prescrição, o CPC/15 
estabeleceu que ela se dará por ocasião do despacho que ordena a citação, com efeitos 
retroativos à data da propositura do feito, ainda que proferido por juízo incompetente. 
Lembrando que a regra da retroatividade dos efeitos do despacho aplica-se à 
decadência e demais prazos extintivos previstos em lei. 
 
Mas, atenção, nem toda manifestação doJuiz, no início do processo, é capaz de gerar o 
interromper da prescrição. Necessário que seja o despacho positivo, aquele que ordena 
a citação, pois partimos da premissa que, com esse ato, o juiz estaria aceitando a petição 
inicial, afirmando sua aptidão para um possível pronunciamento de mérito. 
 
Assim, por exemplo, o ato de indeferimento da petição inicial ou o ato que determina a 
emenda da inicial, não geram o efeito de interromper a prescrição. 
 
Referida situação também se aplica aos processos de execução por títulos executivos 
extrajudiciais (CPC 802). 
 
 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 70 
 
f) sentença proferida antes da citação do réu – atos da secretaria 
Como já analisado existem duas situações previstas no CPC de sentenças liminares, 
proferidas antes da citação do réu: indeferimento da petição inicial e improcedência 
liminar do pedido. 
 
Exige a lei (CPC 241) que, transitando em julgado uma sentença de mérito a favor de réu 
não citado, deverá ele ser comunicado para ter ciência da formação da coisa julgada 
material. 
 
Ocorre que também exige a lei a intimação do réu não citado quando a seu favor é 
proferida uma sentença sem mérito e ela transita em julgado. 
 
Referida intimação é condição de validade ou eficácia da sentença? - Não, mero ato 
formal de comunicação que não implica na validade ou eficácia do ato decisório e do 
respectivo trânsito em julgado, já que o réu não foi integrado ao processo pelo ato 
citatório. Ao determinar essa comunicação ao réu o CPC pensa na segurança jurídica, 
pois tendo ciência da sentença a seu favor, mesmo não tendo sido citado, e do 
respectivo trânsito em julgado, se o autor intentar novamente a mesma ação poderá 
alegar a formação da coisa julgada. 
 
g) citação pessoal 
Conforme art. 242, CPC, a citação deverá ser pessoal. Citação pessoal pressupõe a 
citação que leva diretamente à parte (réu, executado) ou ao interessado a devida 
cientificação da existência da demanda. 
 
A citação por correio é citação pessoal, ditando a lei que deverá ser feita a entrega da 
correspondência em mãos do citando. 
 
Lembrando que o CPC prevê a presunção da citação por correio ser pessoal quando 
entregue a pessoa encarregada de receber as correspondências na portaria, no caso de 
condomínio edilício ou loteamento com controle de acesso (CPC 248, §4º). 
 
Sendo pessoa jurídica ou pessoa natural incapaz a ser citado, a lei determina que o ato 
seja realizado na pessoa do seu representante legal, o que não lhe retira o caráter da 
pessoalidade. 
 
h) situações de vedação da realização da citação 
Apresenta o art. 244 situações em que não será realizado o ato de citação. 
 
Nenhuma das situações estampadas abaixo está ligada a locais, já que o art. 243, caput, 
CPC, preceitua que a citação poderá ser feita em qualquer lugar em que se encontrar o 
réu ou executado. 
 
Entretanto, mesmo ocorrendo uma das hipóteses de vedação do ato citatório há que se 
considerar que a lei carrega uma exceção: “salvo para evitar perecimento do direito”. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 71 
 
QUESTÃO PRÁTICA: realizada a citação numa das impeditivas situações será o ato 
considerado nulo? - A citação, dado ser ato indispensável à validade do processo (CPC 
239), é ato formal razão pela qual realizada fora da forma prescrita em lei, ou nas 
situações vedadas, será, em regra, nulo. Mas não podemos perder de vista o princípio 
da instrumentalidade das formas, que afirma que se o ato for praticado fora da forma 
prescrita em lei mas atingir sua finalidade, não havendo prejuízo, será considerado 
válido. 
 
Tais situações são: 
 
(i) prática de ato religioso 
O que a lei protege é o sentimento religioso (situação derivada da constituição) inibindo 
a citação daquele que participa de qualquer ato de culto religioso. 
(ii) estado de luto 
Protege a lei, no presente inciso, o estado de luto daquele que sendo o citando, perdeu 
um cônjuge ou parente. Referido luto, para inibição do ato de citação, vigorará no prazo 
estipulado e no limite de grau de parentesco estampado no dispositivo. 
(iii) casamento 
Também se preservará os três dias seguintes ao casamento, entendido casamento com 
o ato oficial de matrimônio. 
(iv) doença grave 
No caso de doença grave, dita a lei a não realização do ato de citação, evitando um 
potencial agravamento do estado de saúde do citando. 
(v) incapacidade do citando 
Outro fator impeditivo e justificável de realização do ato citatório é a potencial 
incapacidade do citando, conforme art. 245. 
Parte das seguintes premissas: 
- citação por oficial de justiça 
- percepção de possível incapacidade ou impossibilidade de receber a citação 
- não realização do ato, sob pena de, em razão da condição estampada acima, inibido 
ficar o regular exercício do direito de defesa 
 
Neste caso, o oficial de justiça certificará as circunstâncias pela qual teve a percepção 
da incapacidade do réu, devolvendo aos autos o mandado de citação sem cumprir. 
Conclusos os autos ao magistrado, deverá nomear um médico para proceder ao exame 
do citando, salvo se os familiares do citando apresentarem documento médico que 
ateste sua incapacidade. 
 
Uma vez reconhecida a incapacidade, o juiz nomeará um curador (respeitando a ordem 
estabelecida na lei material), providenciando, assim, após a nomeação, a citação do réu 
na pessoa desde curador. 
 
Caso fique comprovando, entretanto, que o réu está na posse de suas faculdades 
mentais, extrai-se o mandado para que seja procedida sua citação pessoal. 
Acrescente-se que, sendo ao citando nomeado curador, referida pessoa somente 
poderá exercer os poderes de representação no processo no qual foi nomeado, não se 
estendendo estes poderes aos outros atos da vida civil do réu. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 72 
 
i) da citação por meio eletrônico 
Foi o CPC/15 modificado pela lei 14.195/2021, que estabeleceu como regra para a 
prática do ato citatória a modalidade eletrônica. 
 
Estabelece a redação atual do art. 246, CPC, a preferência da prática do ato de forma 
eletrônica, por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo citando no banco de 
dados do Poder Judiciário; ou seja, através do envio de e-mail. 
 
Ordenada a citação a serventia judicial tem 02 dias úteis para encaminhar ao citando a 
citação pela modalidade aqui em discussão e, uma vez recebida a citação, deverá o 
citando, no prazo de 03 dias úteis, confirmar o recebimento da citação eletrônica. 
 
Não confirmada no prazo acima o ato citatório será feito pelos outros meios previstos 
em lei. 
 
Ocorre que o citando, não tendo confirmado a citação eletrônica no prazo mencionado, 
deverá, na primeira oportunidade que dispõe para falar nos autos, apresentar justa 
causa para a ausência de confirmação do recebimento da citação enviada 
eletronicamente. Se não apresentar justa comprovação para a não comprovação da 
citação eletrônica será, tal ato, considerado ato atentatório à dignidade da justiça, 
passível de multa de até 5% (cinco por cento) do valor da causa. 
 
Dentro dessa reforma apresentada pela lei 14.195/2021, devemos destacar, também, a 
data inicial para a contagem do prazo, quando a citação é feita por tal modalidade. 
Segundo o disposto na norma do art. 231, IX, o prazo para contestação começara no 
quinto dia útil seguinte à confirmação da citação. 
 
j) da citação por correio 
Não sendo caso de realização do ato por meio eletrônico, que como visto passou a ser 
a regra preferencial, a citação deverá ser realizada, em regra, por correio (CPC 247). 
Entretanto devemos ponderar que há situações de vedação da realização do ato 
citatório por tal forma: 
 
(i) Ações de estado: Aquelas que impactam no estado da pessoa enquanto 
cidadão, como por exemplo, ações que interferem em regulação de estado civil 
do cidadão ou casamento e divórcio. Ex.: Ação de investigação de paternidade. 
Nessas ações não se pode realizar a citação por correio e a regra será por oficial 
de justiça. 
(ii) Sendo o citando incapaz a citação não se realizarápor correio, mas sim por 
oficial de justiça, na pessoa do seu representante legal 
(iii) quando o citando for pessoa jurídica de direito público 
(iv) quando o citando residir em local não atendido pela entrega domiciliar de 
correspondência 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 73 
 
(v) por disposição do autor. Em regra, a citação ocorreria pelo correio, porém, o 
autor prefere que seja realizada de outra forma, por edital ou oficial de justiça. 
Nesse sentido, deve ocorrer justificativa para o requerimento do autor. Observa-
se que a lei processual antiga não exigia a justificativa. 
 
O mandado de citação enviado por correio conterá cópia da petição inicial, para que o 
citando tenha ciência dos argumentos, fatos, fundamentos e pedidos, bem como cópia 
do despacho do juiz, que é, em regra, informando que recebe a petição inicial, a 
designação da audiência e a citação do réu. E ainda, conterá também, a comunicação do 
prazo para resposta, o endereço do juízo e o respectivo cartório. 
 
A correspondência será por carta registrada, ou seja, aquela em que se obtém o retorno 
por meio do aviso de recebimento. 
 
Em regra, a correspondência será entregue ao réu, sendo modalidade de citação 
pessoal. 
 
Sendo o citando pessoa jurídica, a regra é a entrega a alguém encarregado da recepção 
ou em caso de prédio a entrega será realizada na portaria, que são pessoas responsáveis 
pela recepção da correspondência da respectiva pessoa jurídica. 
 
A nova lei processual cuida da citação realizada a moradores de condomínios edilícios 
(prédios de apartamento) e loteamento com controle de acesso, informando que será 
válida a entrega do mandado a funcionário da portaria responsável pelo recebimento 
de correspondência. 
 
Contudo, mencionado funcionário poderá recusar afirmando, por escrito, que o 
destinatário está ausente, sob as penas da lei. 
 
A ausência em questão é referente a dias em que o citando não estará em casa, que 
deve ser declarada pelo porteiro e sob sua responsabilidade pessoal. 
 
k) citação por oficial de justiça 
Não sendo caso de citação por meio eletrônico, nem por correio, o citando deverá ser 
integrado ao processo (citação) por ato do oficial de justiça. 
 
Os arts. 250 e 251, CPC, apresentam os requisitos de validade da citação realizada por 
oficial de justiça. 
 
Assim, mandado entregue ao oficial de justiça, esse tentará localizar o réu. Onde 
encontrar, o réu será citado. 
 
O oficial de justiça deve ler o mandado de citação, entregar a contrafé (cópia). 
Independentemente de o cidadão receber ou recusar receber a contrafé a citação estará 
realizada validamente. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 74 
 
Caso o citando se recuse a assinar o recebimento da citação o oficial de justiça, que tem 
fé pública quanto às suas declarações, descreverá o ato e a citação se dará como 
realizada. 
 
l) citação por hora certa 
Modalidade ficta de citação, parte da premissa que o oficial de justiça não teria 
encontrado o réu para a realização do ato citatório, havendo suspeita que o réu está se 
ocultando. 
 
Premissas cumulativas: 
(i) Sem encontrar o citando; 
(ii) Suspeita de ocultação. 
O oficial de justiça comparece uma primeira vez ao endereço informado e não encontra 
o citando e suspeita de ocultação. 
Sua obrigação é voltar uma segunda vez e, novamente, não localiza o citando. Suspeita 
novamente de ocultação. 
 
Nessa segunda vez o oficial de justiça intima uma terceira pessoa, podendo ser familiar 
ou porteiro, informando para avisar ao citando que já esteve na localidade, suspeita de 
ocultação e irá voltar em data próxima (dia útil) com hora definida e que é para o citando 
estar presente para receber a citação. 
 
Na terceira vez abrem-se duas alternativas: 
 
Réu encontrado: Citação pessoal realizada. 
Réu não encontrado: Suspeita de ocultação: Citação por “hora certa”. 
Em condomínios edilícios ou loteamentos com controle de acesso será considerada 
válida a citação a que se refere o caput do art. 252, CPC, efetivada a funcionário da 
portaria responsável pelo recebimento de correspondência. 
 
Independentemente de novo despacho a citação por “hora certa” é ato praticado de 
ofício pelo oficial de justiça, ou seja, não informa ao juiz que irá realizar a citação dessa 
forma, apenas realiza independentemente de novo despacho. 
 
O despacho positivo inicial já confere oportunidade de realização dessa citação. 
Da certidão da ocorrência o oficial de justiça deixa a contrafé com a pessoa da família 
ou vizinho, conforme o caso. 
 
A citação por “hora certa” é modalidade ficta de citação, assim, a preocupação da lei é 
de que a terceira pessoa não esteja informando a realidade para o oficial de justiça, bem 
como não informe ao réu posteriormente acerca da citação. 
 
Quando o oficial devolve o mandado e é juntado aos autos começa a contar o prazo de 
10 (dez) dias para a secretaria enviar a esse réu uma carta, telegrama ou 
correspondência eletrônica dando ciência de que foi citado, para que possa, caso queira, 
comparecer e, inclusive, informar caso tenha ocorrido nulidade de citação. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 75 
 
 
m) citação por edital 
Também modalidade de citação ficta. 
 
Muitas vezes não se tem ciência de onde o réu pode ser encontrado, assim, faz-se a 
citação por edital, gerando publicação em mídia e fluência de prazos. 
 
Hipóteses de citação por edital: Quando ocorre incerteza ou desconhecimento em 
relação da pessoa do réu, quando não se sabe em que local o citando se encontra e, 
ainda, demais situações expressas em lei. 
 
Requisitos da citação por edital: I – a afirmação do autor ou a certidão do oficial 
informando a presença das circunstâncias autorizadoras; II – a publicação do edital na 
rede mundial de computadores, no sítio do respectivo tribunal e na plataforma de 
editais do Conselho Nacional de Justiça, que deve ser certificada nos autos; III – a 
determinação, pelo juiz, do prazo, que variará entre 20 (vinte) e 60 (sessenta) dias, 
fluindo da data da publicação única ou, havendo mais de uma, da primeira; IV - a 
advertência de que será nomeado curador especial em caso de revelia. 
 
Como estamos diante de uma modalidade ficta de citação, tem a lei processual uma 
preocupação: do autor, dolosamente, afirmar não ter ciência de onde o réu se encontra 
para forçar a citação por edital, o que pode limitar o direito de defesa do réu. 
 
Assim, caso futuramente verifica-se que o autor levou ao processo afirmações 
inverídicas dolosamente para viabilizar a citação por edital incorrerá em multa de 5 
(cinco) vezes o salário-mínimo. Multa que será revertida em benefício do citando e 
declaração de nulidade da citação. 
10.2 DAS CARTAS 
 
a) conceito 
Podemos conceituar as cartas como ato de comunicação entre órgãos da jurisdição, com 
o escopo da prática de atos fora da territorialidade do juízo solicitante. É possível que 
referido ato de comunicação seja, também, utilizado para que um juízo arbitral solicite 
a prática de ato por um órgão da jurisdição. 
 
b) modalidades 
Quatro são os tipos de cartas: 
 
- de ordem: do tribunal para juízo a ele vinculado, se o ato houver de se realizar fora dos 
limites territoriais do local de sua sede. 
- rogatória: para que órgão jurisdicional estrangeiro pratique ato de cooperação jurídica 
internacional, relativo a processo em curso perante órgão jurisdicional brasileiro 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 76 
 
- precatória: para que órgão jurisdicional brasileiro pratique ou determine o 
cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato relativo a pedido de 
cooperação judiciária formulado por órgão jurisdicional de competência territorial 
diversa 
- arbitral: para que órgão do Poder Judiciário pratique ou determine o cumprimento, na 
área de sua competência territorial, de ato objeto de pedido de cooperação judiciária 
formulado por juízo arbitral, inclusive os que importem efetivação de tutela provisória 
 
c) requisitos 
Apresenta a lei processual (CPC 260) vários requisitosque são comuns às cartas de 
ORDEM, PRECATÓRIA E ROGATÓRIA. 
 
Ao afirmar que a carta ARBITRAL, atenderá esses mesmos requisitos, NO QUE COUBER, 
partimos da premissa que, ao contrário das nominadas no caput, a carta arbitral não é 
expedida por um órgão da atividade jurisdicional do Estado, mas sim pelo juízo arbitral, 
devendo ser levado em consideração essas diferenças. 
 
(i) a indicação dos juízes de origem e de cumprimento do ato 
- juiz de origem: Juízo onde tramita o processo do qual se ordena a prática do ato 
processual (juízo deprecante) 
- Juiz de cumprimento do ato: Juízo de destino da carta, juízo onde será praticado o ato 
processual (juízo deprecado) 
 
(ii) o inteiro teor da petição, do despacho judicial e do instrumento do mandato 
conferido ao advogado 
- Inteiro teor da petição: Petição de solicitação do ato processual que deve ser realizado 
em outra localidade 
- Despacho Judicial: Despacho judicial do juiz determinando a expedição da carta para a 
realização do ato processual solicitado 
- Instrumento de mandado: Apesar da lei falar do instrumento de procuração no 
singular, o correto é a instrução da carta com os instrumentos de mandados conferidos 
aos advogados de todas as partes do processo 
 
(iii) a menção do ato processual que lhe constitui o objeto 
Deve a carta fazer expressa referência ao ato processual a ser realizado no juízo de 
destino, limitando o cumprimento da carta a esse expresso objeto 
 
(iv) o encerramento com a assinatura do juiz 
Existem atos processuais que são redigidos e o fechamento (assinatura) é do escrivão, 
afirmando que o faz por ordem o juiz; lado outro, sendo a carta a solicitação de 
cooperação de outro juízo, deve ser assinada pelo Juiz. 
 
(v) traslado de peças ou remessa de documentos originais 
TRASLADAR: “Reproduzir de forma a copiar algo, transcrever” – OU SEJA, deverá a carta 
ser instruída com cópia de qualquer peça processual ou documento que tendo ligação 
com o objeto do ato processual a ser praticado, deva ser examinado pelas partes ou 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 77 
 
testemunhas, nos eventuais depoimentos a serem prestados em audiência, ou utilizado 
pelo perito para a prática do ato a seu cargo 
 
REMESSA DO ORIGINAL: Ao contrário do lançado acima, que determina o remesso de 
cópias de partes dos autos, o presente dispositivo legal exige a remessa do original. 
Isso ocorre pelo fato da carta ter como objeto uma perícia sobre o documento 
propriamente dito, não apenas sobre o seu conteúdo, mas sobre o documento como 
formalmente se apresenta. 
 
Por exemplo, a carta tem como objeto a verificação da autenticidade (ou não) de 
determinada assinatura; nesse caso o perito precisará examinar o original do 
documento, não apenas uma simples cópia, razão pela qual se remete o original, ficando 
nos autos uma cópia fotográfica. 
 
(vi) Requisitos específicos para a carta arbitral 
Além dos requisitos exigidos nos incisos do caput, tem a carta arbitral requisitos 
específicos, devendo ser instruída com: 
 
- Convenção de arbitragem 
- Prova da nomeação do árbitro 
- Prova que o árbitro aceitou a função 
 
Esses específicos requisitos demonstram a validade do procedimento arbitral e a 
autoridade do árbitro solicitante do ato processual 
 
d) prazo para cumprimento 
Determina o art. 261, CPC, que o juiz fixe prazo para cumprimento da carta. 
 
Podemos afirmar que o prazo para o cumprimento da carta é, também, um requisito, 
mas cuja falta não prejudica o ato caso praticado. O objetivo de ter a carta um prazo é 
para que se tenha o ato praticado dentro de um lapso temporal razoável, o que poderá 
impactar em eventual suspensão do processo. 
 
Expedida a carta, as partes serão intimadas da prática desse ato. 
 
O antigo CPC não apresentava a regulação aqui trazida, sendo completamente silente 
quanto aos atos intimatórios a serem realizados quando da expedição das cartas. O atual 
CPC, como se observa, regula a prática dos atos intimatórios e por qual juízo deverá 
acontecer. 
 
É obrigação das partes zelar para o correto cumprimento da carta, inclusive para que 
seja realizada dentro do prazo estabelecido, disponibilizando aos juízo de destino o 
necessário para o devido cumprimento 
 
Exige a lei, também, que a parte a quem interessa o cumprimento da carta, coopere 
para a sua correta efetivação. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 78 
 
Estabelece a lei verdadeira responsabilidade ao interessado no cumprimento da carta, 
exigindo que ele coopere para que a carta seja efetivamente cumprida no prazo 
determinado. Eventual desídia poderá resultar no não cumprimento da carta, com 
perda da oportunidade da prática do ato processual solicitado. 
 
e) da itinerância da carta 
Possuem as cartas caráter itinerante, podendo ser apresentada a juízo diverso do seu 
endereçamento, nos corretos moldes do art. 262, CPC. 
 
Alguns aspectos desse dispositivo legal devem ser destacados. 
 
- QUEM ORDENA O CUMPRIMENTO DA CARTA? 
 
- JUÍZO DE ORIGEM: Apenas expede a carta, solicitando ao juízo de destino, em 
cooperação, que pratica o ato processual nos limites do seu território. 
- JUÍZO DE DESTINO: É quem determina a prática do ato, ordenando o 
cumprimento da carta. 
 
- A CARTA PODE TER A ITINERÂNCIA “ANTES” ou “DEPOIS” de ser ordenado o 
cumprimento: 
 
- “ANTES”: caso concreto: Processo tramitando em Belo Horizonte, devendo o 
réu ser citado em seu domicílio, na comarca de Montes Claros. Carta expedida 
para citação do réu na comarca de Montes Claros, constando esse foro como 
juízo de destino da precatória. Notícia que o réu, na verdade, está na comarca 
de Curvelo. Apresentação em Curvelo, para a prática do ato, apesar da carta ter 
como destino Montes Claros. 
- “DEPOIS”: caso concreto: Processo tramitando em Belo Horizonte, devendo o 
réu ser citado em seu domicílio, na comarca de Montes Claros. Carta expedida 
para citação do réu na comarca de Montes Claros, sendo ordenado o 
cumprimento do ato. Citação negativa já que o réu, na verdade, está na comarca 
de Curvelo. Remessa da carta para Curvelo, se ainda está no prazo para 
cumprimento 
 
f) forma preferencial 
Permite a lei (CPC 263) a expedição das cartas (percebam, qualquer delas), por meio 
eletrônico, sendo condição essencial para que isso possa acontecer que entre os 
sistemas dos juízos de origem e de destino sejam compatíveis, aptos a receber e enviar 
arquivos. 
 
Por tal motivo a lei fala apenas em forma preferencial, não obrigatória, para a expedição 
eletrônica das cartas. 
 
Expedida a carta por tal meio ai surge, por obvio, a obrigação de que a assinatura do juiz 
se faça por meio eletrônico. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 79 
 
g) recusa ao cumprimento 
Pode o juiz de destino recusar o cumprimento da carta, desde que o faça por motivo 
justificado, podendo fundamentar a devolução e o não cumprimento pelos seguintes 
motivos: 
 
(i) ausência de requisitos legais 
(ii) dúvida quanto a autenticidade 
(iii) juízo de destino não ser o competente em razão da matéria ou da hierarquia 
(incompetência absoluta) 
 
Nesse 3º caso pode ser que não ocorra a devolução da carta, mas sim a remessa ao juízo 
competente para o seu cumprimento. 
10.3 DAS INTIMAÇÕES 
 
a) conceito 
Ato de cientificação dos atos e termos praticados e realizados em determinado processo 
(CPC 269). Sendo ato que gera a ciência do realizado ou efetivado no processo, abre para 
os interessados, potencialmente, a oportunidade de manifestação e/ ou reação, sendo 
ato indispensável para a vivência do efetivo contraditório. 
 
Ao afirmar que é ato que se dá ciência a “ALGUÉM”, afirma a lei que é ato que tem como 
destinatário os sujeitos do processo (partes, advogados, ministério público, entre 
outros), e, também, terceiros (aqueles que, não sendo sujeitos do processo, precisam 
ser cientificados da prática de um ato), gerando, potencialmente, direitos e obrigações. 
 
b) a intimação por ato privado entre os advogados 
Permitido no art. 269, §1º, CPC. 
Meio “diferenciado” de intimação,parte da premissa da ausência do poder para a 
prática e validade do ato, sendo meio privado de cientificação. 
 
Não limita a lei se referido parágrafo se aplica, ou não, somente a autos físicos, em razão 
dessa não limitação é aplicável tanto a autos não eletrônicos e autos eletrônicos. 
 
Pressupostos de validade: 
 
- estar a parte representada por advogado [não é, o referido ato, modalidade 
intimatória direta para a parte, em razão da segurança jurídica que se espera dos 
atos processuais, referida intimação privada somente pode ocorrer se as partes 
possuem advogados e entre os advogados]; 
- remessa da correspondência intimatória ao endereço do advogado contrário, 
com as informações mínimas da manifestação judicial; 
- remessa, anexo à correspondência intimatória, de cópia da manifestação 
judicial que se quer intimar; 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 80 
 
- envio da correspondência por carta registrada com aviso de recebimento ao 
endereço do advogado contrário constante nos autos; e 
- peticionamento nos autos com juntada do comprovante de envio da 
correspondência intimatória. 
 
c) forma preferencial 
O legislador (CPC 270), pensando em autos eletrônicos, informa que sempre que 
possível a intimação deve ser realizada também por meio eletrônico, inclusive citações. 
 
Aplicando-se ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à Advocacia Pública o 
disposto no §1º do art. 246, o qual dispõe acerca da obrigatoriedade manter cadastro 
junto aos sistemas para recebimento de citações e intimações. 
 
Caso não seja feita a intimação por meio eletrônico, considera-se realizada quando 
existe a publicação do ato no órgão oficial. 
 
Podendo também ser realizada por correio ou por oficial de justiça. 
 
d) ato determinado de ofício (em regra) 
De acordo com o art. 2º, CPC , o processo se inicia por iniciativa da parte, mas se 
desenvolve por impulso oficial. Significa que uma vez que cidadão foi ao poder judiciário 
e tirou a jurisdição da inércia compete ao juiz determinar o impulsionamento do rito 
procedimental. 
 
Dentro dessa percepção o juiz determinará de ofício as intimações (CPC 271), que seria 
a fluência processual dos atos sequenciados, salvo eventuais disposições em contrário 
em que a lei, excepcionalmente, exige que a intimação surja por meio de requerimento. 
 
e) intimação por meio do diário da justiça (órgão oficial) 
Não sendo caso de intimação por meio eletrônico, considera-se intimada a parte, 
notadamente através de seu advogado, pela publicação do ato no órgão oficial (CPC 272) 
A lei processual permite que se forme sociedade de advogados, as quais não apenas tem 
nome, com respectivo CNPJ, como também registro na OAB. Ao serem registradas na 
OAB recebem um número de registro da sociedade. 
 
As procurações não são outorgadas às sociedades de advogado, mas sim aos advogados 
individualmente, a todos da sociedade, alguns ou apenas um. 
 
Nesse sentido, é lícito que o advogado, sendo parte de uma sociedade de advogados 
solicite que no processo que atua as intimações não sejam dirigidas a ele e seu número 
de OAB, mas sim apenas à respectiva sociedade ao qual pertença. 
 
Na publicação no órgão oficial, para sua validade, não basta o nome do advogado, deve 
ter também o nome da parte para correta identificação do processo. Isso é 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 81 
 
indispensável. Sob pena de nulidade daquela intimação, não podendo o nome das 
partes conter abreviações. 
 
Os nomes dos advogados devem corresponder ao nome completo. Aquele que consta 
da procuração ou aquele que estiver registrado na OAB. 
 
É possível que havendo vários advogados constituídos na mesma procuração se requeira 
que apenas um seja intimado. 
 
Portanto, caso tenha requerimento expresso no processo de que seja intimado 
advogado específico e a intimação foi realizada para outro advogado, ainda que também 
tenha procuração, esse desatendimento implicará em nulidade da intimação. 
 
A retirada dos autos de secretaria poderá ser realizada por advogado ou por pessoa 
credenciada. 
 
Essa pessoa credenciada poderá ser qualquer pessoa e está autorizado pelo advogado 
ou sociedade de advogados a retirar os autos de secretaria. Portanto, lícita a entrega 
dos autos em carga. 
 
Ainda de acordo com o §6º, do art. 272, CPC, caso haja algum ato no decorrer do 
processo que o advogado não tenha sido intimado, porém, posteriormente e em virtude 
de intimação de outro ato, o advogado faça carga do processo se dará por intimado de 
todos os atos, inclusive do primeiro, ainda que pendente a primeira intimação. 
 
Desse modo, desse ato de carga abre-se prazo para recurso. 
 
Para a validade da intimação, quando requisitado, deve ser realizada em nome de 
determinado advogado ou sociedade de advogados. 
 
Nesse sentido, caso essa intimação não seja realizada especificamente em nome 
daquele que consta no requerimento a intimação será considerada nula, ainda que seja 
feita em nome de quem conste na procuração, mas não no requerimento. 
 
A parte alegará a nulidade da intimação e, no mesmo ato e desde que possível, praticará 
o ato processual específico. 
 
f) intimação pessoal da parte 
Merece destaque o esculpido na norma prevista no art. 274, CPC. 
 
Muitas vezes a intimação não é para o advogado, mas feita diretamente para a parte, 
pessoalmente para a prática de algum ato do processo. 
 
A parte poderá ser intimada por meio eletrônico, porém, essa possibilidade será para 
aqueles que tenham obrigatoriedade de manter o cadastro, art. 246, §1º, CPC. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 82 
 
Quanto à parte pessoa física, a qual não tem a obrigatoriedade de manter cadastro 
eletrônico, será intimada por correio e, se frustrada, será intimada por oficial de justiça, 
art. 275, caput, CPC. 
 
Nesse sentido, a parte tem a obrigação de manter seu endereço atualizado. Art. 274, 
CPC. Obrigação tanto da parte quanto do seu advogado. 
 
Caso tenha mudado e não atualizado no processo perde-se a intimação, que será 
considerada como válida. 
 
Fluindo o prazo a partir da juntada aos autos do comprovante de entrega da 
correspondência no endereço constante dos autos. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 83 
 
11 TUTELAS PROVISÓRIAS 
11.1 INTRODUÇÃO 
 
Dentro de uma vivência de um processo baseado em um sincretismo processual, busca-
se um aperfeiçoamento da lei desde os anos 90, para construir no Brasil um processo de 
conhecimento onde seja lícita a prática de atos de conhecimento, execução e de 
natureza cautelar. Todavia, o NCPC elimina o processo cautelar, mas não dispensa as 
medidas de natureza cautelar, que são as medidas assecuratórias de direitos, para que 
estes possam ser futuramente objeto de efetivação. 
 
Com o desaparecimento do processo cautelar, caso o sujeito tenha interesse na 
efetivação de uma medida de natureza acautelatória, deverá fazer requerimento nos 
próprios atos. O que a lei, entretanto, nos traz de novidade, é o permissivo para que o 
processo possa se iniciar tão somente com o requerimento de tutela cautelar ou 
antecipada, sendo que na sequência seria apresentado nesse procedimento o pedido, 
no prazo determinado em lei. 
 
Quando se fala em tutelas provisórias, pensa-se nas tutelas que são de natureza 
cautelar, que geram a segurança de que realmente, em um futuro, um determinado 
direito possa ser efetivado, mas também se regulam as tutelas antecipadas, as medidas 
antecipatórias que, ao contrário da medida cautelar, impactam o mundo real, com 
natureza satisfativa de pretensão, antecipada no tempo. 
 
Além disso, nas tutelas provisórias tem-se uma terceira técnica de tutela provisória, que 
é a baseada na evidência. 
11.2 CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO 
 
O CPC/15 reservou um capítulo inteiro para tratar do instituto jurídico-processual 
referente às tutelas provisórias. Conceitualmente, a tutela provisória pode ser definida 
como uma tutela jurisdicional, de caráter sumário e não definitivo. 
 
Conforme preceitua o art. 294, caput, do CPC/15, a tutela provisóriaé classificada em 
duas espécies: de urgência e de evidência. 
 
As tutelas provisórias, como o próprio nome indica, caracterizam-se pela 
provisoriedade, mutabilidade e revogabilidade. 
 
Isso porque, a tutela provisória conserva os efeitos na pendência do processo (art. 296, 
CPC/15), ou seja, enquanto não houver uma solução definitiva para a demanda, em tese, 
perdurará por prazo indeterminado. Todavia, o juiz, de acordo com o seu 
convencimento motivado, poderá modificá-la, substituindo-a por outra tutela, ou 
mesmo revogá-la a qualquer tempo (art. 298 c/c o art. 296 do CPC/15). 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 84 
 
Além da classificação das tutelas como TUTELAS DE URGÊNCIA e TUTELAS DA 
EVIDÊNCIA, que abaixo serão explanadas, as tutelas provisórias também se classificam 
como CAUTELARES e ANTECIPATÓRIAS. 
 
(i) TUTELA PROVISÓRIA CAUTELAR: não tem o condão de antecipar efeitos do pedido, 
mas sim de criar meios e circunstâncias para a possível efetivação do direito, garantindo 
a potencialidade do ato executivo futuro; 
 
(ii) TUTELA PROVISÓRIA ANTECIPADA: verdadeiro ato de efetivação do direito, antecipa 
no tempo os efeitos do pedido, entregando ao jurisdicionado aquilo que seria o seu 
direito material, antes mesmo de uma decisão de mérito definitiva. Não assegura a 
futura efetivação, já antecipa efeitos da potencial procedência do pedido. 
11.3 TUTELAS DE URGÊNCIA 
 
Para a concessão de uma tutela cautelar ou antecipatória baseada na urgência, devem 
estar preenchidos os pressupostos lançados no art. 300, CPC, a saber: 
 
- probabilidade do direito 
- perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo 
 
Referidos requisitos são cumulativos. Só que além desses, caso a solicitação seja de uma 
tutela antecipada, deve ficar patente, também, a possibilidade da reversibilidade para a 
concessão da medida. 
 
As tutelas de urgência podem ser concedidas liminarmente, se a petição inicial estiver 
instruída com documentos comprobatórios dos pressupostos legais ou após justificação 
prévia, notadamente quanto a parte solicitante precisar da utilização de prova 
testemunhal para comprovar os pressupostos legais autorizativos da medida solicitada. 
 
Importante salientar a regra de RESPONSABILIDADE CIVIL DO REQUERENTE. Quem 
solicita a tutela de urgência fica responsável por eventuais danos que o cumprimento 
da medida trouxer à parte contrária, notadamente quando (CPC 302): 
 
I - a sentença lhe for desfavorável; 
II - obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não fornecer os meios 
necessários para a citação do requerido no prazo de 5 (cinco) dias; 
III - ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer hipótese legal; 
IV - o juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da pretensão do autor. 
11.4 TUTELA ANTECIPADA ANTECEDENTE 
 
Para que se possa solicitar a tutela antecipada em caráter antecedente, fundamental a 
demonstração da urgência, do perigo de dano ou o perigo ao resultado útil do processo. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 85 
 
A estrutura do art. 303 se utiliza da expressão “petição inicial”, que se limitaria ao 
requerimento da tutela antecipada e tão somente a indicação do pedido de tutela final. 
Logo, está-se dando início ao processo. Entretanto, não se tem o pedido propriamente 
dito, que será apresentado futuramente. Nessa petição inicial já se tem a indicação 
desse pedido – indica-se a tutela final que se espera do Estado, requerendo, todavia, a 
concessão da tutela antecipada. 
 
A petição inicial será feita de forma padrão, com pedido e requerimento de tutela 
antecipada, retira-se o pedido e mantém-se apenas o requerimento da tutela 
antecipada. Assim se iniciará o processo, sendo o juiz chamado a conceder ou não, 
conforme o caso, liminarmente, essa tutela antecipada. É uma técnica nova em termos 
procedimentais, que até então não se tinha parâmetros de vivência dentro do nosso 
Direito Processual Civil. 
 
Recebida a inicial, o juiz poderá determinar a emenda, indeferir a petição inicial pelos 
motivos que lhe são próprios – indicado o pedido, nada impediria ao juiz verificar a 
prescrição e decadência, não concedendo a tutela antecipada. Mas se a inicial estiver 
apta a dar a devida continuidade, o juiz deferirá a tutela antecipada. 
 
A partir do momento que se tem a concessão da tutela antecipada, será intimado o 
autor para que possa, no prazo de 15 dias ou mais, apresentar um aditamento da inicial, 
podendo trazer novos documentos, apresentar novas argumentações, mas, 
primordialmente, que apresente tecnicamente o pedido. 
 
O juiz também designará a audiência de conciliação ou mediação, conforme o caso, 
citando e intimando o réu, para que, em querendo, compareça a essa audiência. Nessa 
audiência pode ocorrer acordo entre as partes ou, em não havendo, abre-se prazo para 
o réu apresentar a sua contestação. 
 
Se, eventualmente, devidamente intimado o autor a realizar o aditamento e esse não é 
feito, extingue-se o processo com a revogação da tutela antecipada, pois é obrigação do 
autor, dentro do prazo legal de 15 dias ou mais, fazer o aditamento, sob pena de 
extinção do processo sem resolução do mérito. 
 
O aditamento será feito dentro dos próprios autos, com a continuidade do processo, em 
demonstração do sincretismo. Ressaltando que não haverá incidência de novas custas 
processuais. 
 
A utilização desse procedimento inicial, com requerimento da tutela antecipada, é tão 
somente uma faculdade, a lei não cria obrigação. Diante dessa faculdade, caso seja esse 
o interesse do autor, na petição inicial deve criar um indicativo de que está indo a juízo, 
em um primeiro momento, fazer um requerimento de tutela antecipada. 
 
Nada impediria que o magistrado desse uma decisão de não concessão da tutela 
antecipada. Assim, o processo seria extinto se, no prazo de 05 dias, o autor não fizesse 
a emenda da inicial, trazendo o pedido. Dessa decisão denegatória da medida caberia 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 86 
 
agravo de instrumento. Não aditando a inicial no prazo de 05 dias, haverá a extinção do 
processo sem resolução do mérito. 
 
O réu será citado e intimado dessa decisão concessiva da tutela antecipada e também 
para comparecimento à audiência, abrindo a ele prazo de 15 dias para, querendo, 
interpor recurso de agravo de instrumento. Se comparecer e apresentar seu recurso de 
agravo de instrumento, tem-se a sequência dos atos. Porém, se o réu, no prazo de 15 
dias, não interpor seu agravo de instrumento, haverá a extinção do processo. E essa 
decisão concessiva da tutela antecipada torna-se estável. 
11.5 TUTELA CAUTELAR ANTECEDENTE 
 
A lei também permite que se tenha uma tutela cautelar requerida em caráter 
antecedente, não como processo anterior ou preparatório para depois haver 
distribuição por dependência do processo principal. Mas irá fazer a petição inicial, 
solicitando a cautelar e, dentro do prazo legal, traz o pedido. 
 
Enquanto na tutela antecipada requerida em caráter antecedente se trouxe grandes 
novidades em termos procedimentais, na cautela não, pois basicamente o legislador deu 
continuidade ao processo, mantendo os mesmos preceitos do processo cautelar 
preparatório, apenas o inserindo em um sincretismo. 
 
O art. 305 repete o que se tinha no art. 801, parágrafo único, do CPC/73. O parágrafo 
único do art. 305 traz a fungibilidade – se há proximidade dos requisitos para a 
concessão da tutela antecipada e da cautela, que seja dado entre eles a devida 
fungibilidade. Se percebendo o juiz que pelo nome se requer medida de outra natureza, 
que se dê a medida própria, independentemente do nome dado pela parte. 
11.6 TUTELAS DA EVIDÊNCIA 
 
a) introdução 
O direito processual civil sempre conviveu com tutelas de urgência e com tutelas 
baseadas na evidência, o que não acontecia na lei processual anterior era a correta 
delimitação conceitual das tutelas de evidência. 
 
As tutelas da evidência têm como característica a inexistência do “periculum in mora”, 
ou seja, dispensadaé a verificação, pelo juiz, da urgência para a concessão da tutela 
provisória. 
 
Exemplos antigos de tutelas de evidência no direito processual civil são: 
 
- Ações possessórias: nunca foi exigido, pela lei procedimental, atual ou anterior, 
a existência de danos para a concessão liminar de reintegração ou manutenção 
de posse; a juízo da evidência, nas possessórias, sempre foi caracterizado pela 
demonstração, documental ou testemunhal, da posse, do ilícito contra o direito, 
e de que isso ocorreu a menos de ano e dia. Nunca se exigiu eventual dano à 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 87 
 
coisa ou uma impossibilidade de efetivação do direito de forma futura para a 
concessão da tutela provisório possessória. (vide arts. 560 a 563, CPC/2015 e 
arts. 926 a 929, CPC/1973) 
- Concessão de tutela antecipada baseada no abuso de direito de defesa ou 
manifesto proposito protelatório do réu (CPC/1973: art. 273, II) 
- Concessão de tutela antecipada diante de pedido, ou parcela de pedido, 
incontroverso (CPC/1973: art. 273, §6º) 
 
Assim não podemos afirmar que as tutelas da evidência são uma novidade na legislação 
processual civil. 
 
b) a regulação genérica das tutelas da evidência 
Destacamos, inicialmente, que tutela da evidência é concedida sem que seja necessária 
a demonstração do dano. 
 
Apresenta o art. 311, CPC, regras, ou melhor, situações processuais para a concessão 
das tutelas da evidência em demandas de natureza cognitiva. 
 
(i) abuso de direito de defesa, atitude protelatória 
O art. 311, I, trata da concessão da tutela de evidência quando ficar caracterizado o 
abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte. Já tínhamos 
esse motivo para concessão de uma tutela baseada na evidência no art. 273, II, CPC/73. 
O CPC/73, ao prever essas duas oportunidades para a concessão de uma tutela 
provisória, sempre levava em consideração uma possível manifestação do réu. Após a 
manifestação do réu ter-se-ia, em algumas hipóteses, um abuso de direito de defesa ou 
caráter protelatório – oportunidade para uma tutela antecipada baseada na evidência. 
 
O CPC/15 dispõe que será concedida tutela baseada na evidência quando ficar 
caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu. 
Nitidamente a lei processual prestigia o princípio da boa-fé processual, ao inibir, com 
uma devida adequação do tempo do processo, que atitudes meramente protelatórias 
de uma parte possam macular o tempo razoável do processo. 
 
Essa adequação do tempo do processo pode ser entendida da seguinte forma: se, por 
exemplo, o réu está praticando atos protelatórios ou abusando do direito de defesa, 
nitidamente ele está alargando, indevida e a seu favor, o tempo do processo; com a 
concessão da tutela da evidência a esse fundamento, e ao concedermos ao autor os 
efeitos antecipados do seu pedido, o ônus temporal do processo se inverte, já que 
efetivado o direito do autor, mesmo que provisoriamente. 
 
(ii) comprovação documental do fato constitutivo e tese firmada em precedentes 
No inciso II, alegações comprovadas documentalmente, trazem, desde a apresentação 
da inicial, elementos de convicção do juiz, de forma sumarizada quanto à veracidade das 
alegações. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 88 
 
Isso somado à tese jurídica apresentada para a procedência do pedido baseada em 
julgamento repetitivo ou súmula vinculante, dita a existência da evidência. 
 
Assim, o juiz concede a tutela antecipada liminarmente baseada na evidência; na 
sequência, em se tratando de procedimento comum, designará audiência de 
autocomposição, ou, não sendo caso de designação de audiência de autocomposição, 
citará o réu para apresentar contestação. 
 
A hipótese do item II do art. 311, CPC/2015, dá vazão a uma técnica de cognição sumária 
do juiz diante da evidência da possível procedência do pedido ditada pela composição 
objetiva da causa de pedir: 
 
- o fato, que só pode ser comprovado por documento, está devidamente 
amparado pela instrumentalização da inicial com dito documento; 
- a tese exposta na causa de pedir já está devidamente amparada por forte 
precedente de tribunal superior 
 
A conclusão, quase absoluta, será, portanto, pela procedência do pedido, o que cria o 
permissivo para a concessão da tutela de evidência nessa hipótese. 
 
(iii) pedido de entrega da coisa diante de contrato de depósito 
Ressaltamos, inicialmente, que o procedimento especial da ação de depósito 
desapareceu no CPC/15. Assim, se há comprovação desse contrato de depósito 
instruindo a petição inicial, com pedido de devolução da coisa dada em depósito, pode-
se fazer o requerimento de uma tutela provisória baseada na evidência para que a coisa 
seja entregue, sob cominação de pena. 
 
O contrato de depósito, devidamente formalizado instruindo a petição inicial é evidente 
comprovação, não apenas da relação jurídico-material ligando autor e réu, como, 
também, prova da existência da obrigação de restituir a coisa dada em depósito. 
 
(iv) inexistência de dúvida razoável 
A última hipótese genérica está baseada em inexistência de dúvida razoável. 
Imaginemos a seguinte situação: 
- petição inicial, já com o fato constitutivo comprovado por documentos anexos à inicial; 
- contestação apresentada pelo réu: 
a) sem que o fato constitutivo tenha sido devidamente impugnado, 
b) ou que não tenha fato novo apresentado pelo réu, 
c) ou que tenha o réu se limitado a impugnar o fato constitutivo do direito do autor mas 
não apresentou indício probatório para por terra a prova produzida pelo autor. 
 
Logo, surge a evidência do direito do autor, baseada na inexistência de dúvida razoável, 
posto que o réu, apesar de apresentar contestação, não colocou por terra a presunção 
da existência do fato constitutivo afirmado pelo autor, posto que baseado em prova 
previamente existente. 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 89 
 
c) hipóteses de concessão liminar 
Nos termos do parágrafo único do art. 311, CPC/2015, é possível ao juiz conceder, em 
duas hipóteses, a tutela da evidência liminarmente, ou seja, sem a oitiva da parte 
contrária. 
 
311, II: comprovação documental do fato constitutivo e tese firmada em precedentes 
HIPÓTESE DE CONCESSÃO LIMINAR: o alto grau de probabilidade da procedência do 
pedido está estampado já na inicial, com a comprovação do fato constitutivo do autor e 
com a tese jurídica firmada em precedentes dos tribunais superiores. 
 
Esse alto grau de probabilidade estampado na petição inicial, autoriza o juiz a conceder 
liminarmente a tutela baseada na evidência. 
 
311, III: pedido de entrega da coisa diante de contrato de depósito 
HIPÓTESE DE CONCESSÃO LIMINAR: aqui também, tal como no item anterior, o alto grau 
de probabilidade da procedência do pedido está estampado já na inicial. 
 
Como a prova documental do contrato de depósito está devidamente instruindo a 
petição inicial, temos não apenas a comprovação da existência da relação material entre 
as partes do processo como, também, a denotação da existência da obrigação de 
devolução da coisa dada em depósito. 
 
Assim, nítido que o juiz, diante da produção de prova prévia do contrato de depósito, 
pode conceder liminarmente a tutela de evidência, determinando ao réu a imediata 
entrega da coisa, sob pena de multa, inclusive, além da expedição de mandado, por 
exemplo, de busca e apreensão. 
 
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12 PETIÇÃO INICIAL: PROCEDIMENTO COMUM 
12.1 ELEMENTOS CONCEITUAIS DO ATO 
 
Ato processual da parte autora que: 
 
- tira a jurisdição da inércia 
- exterioriza a pretensão autoral; e 
- delimita a atuação do Estado-Jurisdição 
 
A petição inicial representa o regular exercício do direito de petição. É onde se encontra 
o limite objetivo da atuação do Estado. Ora, o Estado não pode conceder algo que não 
se encontra dentro da pretensão, nem acima desta, em termos de preceito 
condenatório. 
 
O limite posto quando da interposição da petição inicial, pode serobjeto de ampliação 
no curso do processo. Um desses exemplos é a figura da reconvenção. 
 
Assim, podemos afirmar que a petição inicial: 
 
- É ATO DO AUTOR, ONDE ELE DITA SUA PRENTESÃO (pedido) 
- É ATO DO AUTOR QUE LIMITA A ATUAÇÃO DO ESTADO (princípio dispositivo) 
 
Como ato formal, apresenta a lei processual, CPC, no art. 319, os requisitos essenciais 
de condição de validade e eficácia da petição inicial. Abaixo analisamos cada um deles 
individualmente. 
12.2 A QUESTÃO DA COMPETÊNCIA: ENDEREÇAMENTO DA PETIÇÃO INICIAL 
 
O primeiro requisito formal é o endereçamento da petição inicial, que deve ser 
direcionada ao juízo competente, segundo a lei, para conhecer da demanda cognitiva 
que se apresenta. 
12.3 PARTES E QUALIFICAÇÃO 
 
Deve indicar na petição inicial quem são as partes, ou seja, quem é o autor e quem é o 
réu, trazendo também, como notório e previsto em lei, os elementos de qualificação das 
partes, de tal modo a individualizá-las, evitando, por exemplo, situações de 
homônimos. 
 
Uma das inovações que a lei processual apresenta é a indicação, também, caso a parte 
tenha, de endereço eletrônico, além de estipular ser necessário que a parte declare 
eventual existência de união estável. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 91 
 
Não é exigida pela lei a identificação da pessoa pela nacionalidade ou ascendência 
(nome da mãe ou do pai), apesar de, muitas vezes, na praxe forense, serem as partes 
qualificadas por estes itens. 
 
Se o autor não tiver algum item de qualificação do réu não resultará, isso, no eventual 
indeferimento da petição inicial. A ausência de alguns desses elementos de identificação 
do réu não prejudicará que o cidadão tenha acesso ao poder judiciário. 
12.4 CAUSA DE PEDIR: FATOS E FUNDAMENTOS 
 
a composição da causa de pedir não apenas é essencial para a delimitação da lide e para 
o devido alcance da própria atividade jurisdicional do Estado, como também pressupõe, 
na prática, uma correta precisão na petição inicial. 
 
Assim, apresento uma forma prática de delimitação e divisão da causa de pedir em seus 
elementos: 
 
- FATOS 
Toda narrativa fática pressupõe o desenvolvimento estrutural e temporal da relação 
jurídico-material. Ou seja: o autor deve expor na petição inicial o início da relação 
jurídico-material até a ocorrência da lide, de forma clara e organizada. 
 
Por exemplo: imaginemos uma convencional situação de acidente de veículos. 
Deve o autor narrar os fatos imediatamente anteriores ao acidente, o acidente como 
teria ocorrido e que a outra parte não assumiu a culpa; assim, estamos apresentando os 
fatos constitutivos do direito, com a narrativa da lide. 
 
- FUNDAMENTOS 
Expostos os fatos, compete agora à parte autora narrar as consequências jurídicas 
negativas na sua esfera de direito, apresentando os fundamentos pelos quais deve ter 
seu pedido acolhido. 
 
Continuando no exemplo citado: 
Narrado nos fatos a ocorrência do ilícito e da pretensão resistida (lide) compete agora 
ao autor, nos fundamentos, demonstrar o dano sofrido e sua extensão, inclusive, ser for 
o caso (sou favorável a tal situação) expondo os fundamentos legais que ampararão o 
seu pedido. 
12.5 DO PEDIDO 
 
O próximo requisito exigido por lei, decorrente do próprio aspecto lógico da petição 
inicial é, justamente o pedido, pelo qual o autor, após expor os motivos que o leva ao 
poder judiciário, deduz sua pretensão, tendo como objetivo atingir, através de uma 
prestação jurisdicional do Estado, a realização ou alteração de alguma coisa em sua 
esfera de direitos materiais (bem como na do réu). 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 92 
 
Da tentativa de conceito supra, se extraem as duas faces (ou elementos, ou objetos) do 
pedido. Num primeiro momento, o autor busca uma prestação jurisdicional, um ato 
decisório do juiz com conteúdo específico (condenar, declarar, constituir); num segundo 
e sequenciado momento, exterioriza o autor que, a sentença buscada, tem como objeto 
tutelar, de forma específica, o bem jurídico que considera estar sendo violado. Assim, 
temos a definição do chamado pedido imediato e do pedido mediato. 
 
a) pedido certo e determinado 
Segundo o art. 322, caput, CPC, todo pedido deve ser certo, sendo obrigação do autor 
identificar o bem (ou bens) jurídico buscado em juízo. 
 
Admite, entretanto, a lei processual a existência de pedidos implícitos, também 
conhecidos como pedidos indiretos, que devem ser objeto de conhecimento pelo 
magistrado mesmo sem o expresso requerimento. São eles: 
 
- Juros legais; 
- Correção monetária; 
- Verbas decorrentes da perda do processo / sucumbência: 
- Despesas e, entre elas, as custas; 
 
Abandonou a atual lei processual, também, a antiga exigência de que os pedidos 
deveriam ser interpretados restritivamente. Conforme hoje acertadamente lançado no 
§2º do art. 322, “a interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e 
observará o princípio da boa-fé”. 
 
Sim, hoje, legislativamente prevalece a ideia de que o pedido seja interpretado de forma 
a lhe conferir a sempre buscada efetividade, considerando a petição inicial em sua 
totalidade, mas sem a criação de surpresas ou armadilhas e com respeito ao 
contraditório e à ampla defesa (art. 5o, LV, da CF), isto é, sem elastérios indevidos e 
prejudiciais ao exercício do direito de defesa. Por isso a parte final do §2º do art. 322 
fala em respeito ao princípio da boa-fé. 
 
Além de certo, deve o pedido ser, também, determinado, trazendo a petição inicial a 
devida liquidez da pretensão autoral (CPC 324). 
 
Permite, entretanto, o §1º do art. 324, CPC que a parte apresente pedidos genéricos, 
nas seguintes hipóteses. 
 
- Ações universais. Ex.: Inventário, em que ainda não se tenha, ainda, toda a definição 
da extensão patrimonial do falecido. Nesse caso, a ação versa sobre a universalidade de 
bens do falecido. 
- Quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do fato. 
Ex.: Acidente de veículo, em que o acidentado ainda está tendo gastos em sua 
recuperação. Ainda não se sabe quanto será toda a extensão dos valores que será gasto 
para a plena recuperação física. Não há necessidade de se esperar mais tempo para a 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 93 
 
ação. Já é possível acionar o poder judiciário e na sentença ou depois, se for o caso, o 
juiz fixará o valor. 
- Quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que 
deva ser praticado pelo réu. Ex.: Ocorrência de hora extra em que não há o devido 
pagamento de seus valores. O autor busca, em juízo, seu pagamento. Contudo, na 
petição inicial não é possível que se precise exatamente quais são essas horas extras, 
porque o controle de ponto, em regra, permanece com a empresa. Portanto, será 
necessário, para conclusão dos valores, de ato a ser praticado pelo réu, qual seja, trazer 
aos autos do processo as folhas de ponto. 
 
b) classificação 
Os pedidos são classificados, inicialmente, como: 
 
- PEDIDO SIMPLES: quando há apenas uma pretensão, um único pedido, posto na 
petição inicial 
- PEDIDOS CUMULADOS: quando temos mais de um pedido apresentado na inicial, caso 
de cumulação de pretensões. 
 
c) dos pedidos cumulados 
Os pedidos cumulados podem ser: 
 
- cumulação simples: mais de um pedido que podem ser apresentados em qualquer 
ordem na petição inicial e, consequentemente julgados independentemente da ordem. 
Ex.: Cometimento de ato ilícito, o qual ocasionou dano material e moral. Logo, se pede 
a condenação ao pagamento de dano moral e material ou, ainda, de dano material e 
moral. 
- cumulação sucessiva: mais de um pedido só que um segundo ser julgado é necessário 
que o primeiro seja procedente. 
Ex.: Pedido de investigação de paternidade e, no mesmo processo, pedido de alimentos. 
Julgada procedente e reconhecida a paternidade há a possibilidade de julgamento dos 
alimentos. Caso declare que não há paternidade o juiz não enfrentará o segundo pedido. 
- cumulação subsidiária: também conhecida como cumulação eventual.Busca o autor 
a procedência de um pedido, entretanto, na eventualidade de ser julgado 
improcedente, ele apresenta um segundo, que será, nessa hipótese, julgado. 
Ex.: Declaração de nulidade do contrato inteiro, como pedido principal. Pedido de 
declaração de nulidade de uma cláusula abusiva de juros desse contrato, como pedido 
subsidiário. 
- cumulação alternativa: na verdade trata-se de solicitação do cumprimento de uma 
obrigação alternativa, podendo a parte ser compelida, na procedência do pedido, a 
cumprir a obrigação de uma ou de outra forma. 
Ex.: Relação de consumo. Comprado um aparelho de celular, esse está com problemas. 
Pode ser solicitado um novo aparelho ou a devolução do dinheiro. 
 
*Cumulação própria: Cumulação simples ou sucessiva, em que se pretende a 
procedência de todos os pedidos. Embora possa existir apenas uma ordem lógica de 
colocação dos pedidos. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 94 
 
 
*Cumulação imprópria: Cumulação subsidiária ou alternativa, em que se pretende a 
procedência de um pedido ou de outro pedido, mas não de todos. 
 
d) do aditamento ou alteração do pedido 
Permite a lei processual, no art. 329, que o autor modifique o pedido e, também, a causa 
de pedir, estabelecendo uma linha temporal a ditar o ato como unilateral (não 
dependendo da vontade do réu) ou bilateral de vontade (quando a modificação dos 
elementos dependerá da anuência do réu). Estabelece, também, um limite temporal 
para a solicitação de modificação do pedido ou da causa de pedir. 
 
Assim, até a citação é permitido ao autor a mudança unilateral do pedido ou causa de 
pedir. Ocorrendo o ato citatório só é possível a modificação com anuência do réu. 
Entretanto, uma vez realizado o saneamento, não mais se torna possível a modificação 
dos elementos objetivos de constituição da demanda. 
12.6 DO VALOR DA CAUSA 
 
Outro requisito exigido pela legislação processual é a delimitação, na inicial, do valor da 
demanda. 
 
Sendo requisito indispensável da petição inicial, regra primeira é que o valor da causa 
será correspondente com valor econômico da pretensão buscada em juízo. 
 
Entretanto, mesmo que não seja possível identificar corretamente o valor da demanda, 
por qualquer motivo, mesmo assim deverá estar presente na petição inicial o valor da 
causa, conforme determina o art. 291, CPC 
 
Não estando presente na peça de apresentação da demanda o valor da causa, 
inicialmente o magistrado deverá permitir ao autor emendá-la para suprir a lacuna; não 
o fazendo, deverá ser indeferida a petição inicial. 
 
No tocante às regras para correta delimitação do valor da causa, apresente o CPC, no 
art. 292, algumas situações delimitadoras do valor da causa mas, atenção, referido 
dispositivo legal não esgota todas as situações de valoração da causa de forma específica 
pelo autor. 
 
OBSERVAÇÃO: muito se discute se o valor da causa poderia ou não ser modificado pelo 
próprio magistrado; como se extrai do art. 292, §3º, o CPC atual é expresso ao afirmar 
que ao magistrado é lícita a modificação do valor atribuído à causa pelo autor. Assim, 
recebendo o magistrado a petição inicial e verificando que ela não corresponde, o valor 
dado à causa, à pretensão econômica perseguida, deverá fixar novo valor, por 
arbitramento e de ofício, determinando que o autor recolha as custas complementares, 
sob pena de indeferimento da petição inicial (salvo nos casos de dispensa de 
recolhimento das custas prévias). 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 95 
 
12.7 REQUERIMENTO DE PROVAS 
 
Consagra a doutrina a necessidade do autor exteriorizar, já na peça de ingresso, quais 
os meios probatórios que pretende requerer ao magistrado para comprovação dos fatos 
por ele alegados. A existência de referido requisito está amparada no princípio do 
contraditório, já afirmando o autor quais as provas que pretenderá produzir. 
 
Dentro da melhor técnica processual, melhor será que o autor precise quais as provas 
pretenderão produzir, fugindo, assim, do simples e genérico protesto de provas sem 
especificação. 
12.8 OPÇÃO PELA AUTOCOMPOSIÇÃO 
 
Um dos pilares do processo moderno é a resolução dos conflitos por técnicas 
autocompositivas. Logo, compete ao autor trazer já na sua petição inicial, a afirmação 
de ter ou não interesse em situações de autocomposição. Cumpre lembrar que nem 
todo direito admite autocomposição e, neste caso, tal requisito não será obrigatório na 
petição inicial. 
12.9 A PETIÇÃO INICIAL E O PLENO ACESSO AO JUDICIÁRIO 
 
Era muito comum que os magistrados, diante da inexistência de dados de qualificação 
do réu, determinassem ao autor a emenda da petição inicial para a complementação 
dos elementos de qualificação. 
 
Esse problema se apresentava mais grave quando a autor não disponha do correto 
endereço do réu, sendo que muitos juízes indeferiam requerimentos de solicitação de 
dados cadastrais junto a órgãos públicos. Quem, exercendo a advocacia, já solicitou e 
teve negada pelo poder judiciário solicitação de intimação da receita federal para trazer 
aos autos dados cadastrais do réu? – acredito que todos nós. 
 
Para corrigir esta situação, inseriu o legislador, no parágrafo primeiro do art. 319, a 
obrigatoriedade de, sendo requerido pelo autor, o juiz deferir o requerimento de 
intimação de órgãos públicos para trazer aos autos dados cadastrais do réu. 
 
Note-se que referido dispositivo legal deve ser lido, inclusive, junto do o art. 256, §3º, 
CPC. 
 
Nítido que ao magistrado não é lícito indeferir requerimentos formulados pelo autor 
para a busca de dados cadastrais do réu. 
 
Inclusive devemos nos perguntar: É lícito ao juiz, de ofício, determinar a intimação de 
órgãos públicos, de concessionárias de serviços públicos, que tragam aos autos os dados 
cadastrais para realizar a citação do réu? Sim. Como se observa, somente será lícita a 
citação por edital esgotados os meios de busca de dados cadastrais do réu, devendo o 
juiz zelar para que ele seja devidamente citado. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 96 
 
Portanto, não se pode ler o artigo 319 de forma isolada (precisamos lê-lo dentro do 
contexto da atual legislação processual e da visão ampla que temos que ter da atuação 
jurisdicional, muito mais ampla, muito mais incisiva da atuação do magistrado). Assim, 
tanto a requerimento da parte autora, como também de ofício, os dados cadastrais do 
réu não só podem, como devem vir ao processo. Só sendo lícito que se determine a 
citação por edital, depois de esgotados todos os meios, inclusive este. 
 
Já os parágrafos 2º e 3º do art. 319, não apenas reforçam o que acima se expõe mas, 
também, deixa bem claro que a ausência de dados de identificação do réu, talvez até 
mesmo o correto nome dele, não impedirá que a parte venha a juízo buscando sua 
pretensão, sendo, assim, respeitado o “sagrado” direito de acesso ao poder judiciário. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 97 
 
13 DOS ATOS PRIMEIROS DO JUIZ 
 
Distribuída a petição inicial, o juiz poderá adotar diferentes posturas no processo: 
 
1. Emenda ou conserto da petição inicial, conforme previsão do art. 321 do 
CPC/15 
2. Indeferir a petição inicial, nos termos do art. 330 do CPC/15; 
3. Deferir a inicial e julgar liminarmente improcedente o pedido, na forma 
do art. 332 do CPC/15; 
4. Deferir a inicial e designar a audiência de conciliação e mediação, 
conforme art. 334 do CPC/15 
13.1 DA EMENDA DA INICIAL 
 
Em primeiro lugar, deve o juiz verificar se a petição inicial contém algum vício formal, e 
se referido vício seria ou não sanável, conforme previsto no art. 321, CPC. 
 
Na hipótese da petição inicial não preencher os requisitos legais, ou conter deficiências 
que possam prejudicar o julgamento de mérito, e que sejam irregularidades sanáveis, 
tem o juiz a obrigação de intimar o autor, para que, no prazo de 15 (quinze) dias, 
regularize a deficiência formal, consertando ou emendando a petição inicial. 
 
Não pode o juiz, em respeito ao princípio da primazia do mérito, indeferir desde logo a 
petiçãoinicial se o vício formal é sanável. 
 
ATENÇÃO!!! 
O ato do juiz que determina a emenda da petição inicial não é um mero despacho, é uma 
DECISÃO INTERLOCUTÓRIA, sendo que a lei processual (art. 321) exige que o juiz indique 
com precisão o que deve ser objeto de correção pelo autor. 
A ausência desse indicativo, pelo Juiz, acarreta a possibilidade de manejamento de 
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 
13.2 DO INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL 
 
Ao verificar, entretanto, que a petição inicial não preenche os requisitos intrínsecos e 
extrínsecos, e que esses vícios não são sanáveis, ou tendo a parte autora sido intimada 
para regularizar a deficiência e não o fez a tempo e modo, o magistrado decidirá por seu 
indeferimento, mediante sentença terminativa do feito (CPC 330). 
 
Sendo sentença deve o autor, caso tenha interesse, interpor recurso de apelação que, 
excepcionalmente, carrega efeito regressivo, já que permite ao juiz exercer juízo de 
retratação no prazo de 5 dias. Não havendo retratação o magistrado citará o réu para 
apresentar contrarrazões e encaminhará, a seguir, os autos ao tribunal competente para 
o julgamento do recurso. 
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ATENÇÃO: é lícito que o indeferimento seja parcial. Exemplo: pedidos cumulados, 
apenas um dos pedidos e objeto de indeferimento, sendo o réu citado para responder 
aos outros pedidos que não foram indeferidos. Nesse caso a natureza jurídica do ato 
decisório será de decisão interlocutória, sendo recorrível por recurso de agravo de 
instrumento. 
13.3 DA IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO 
 
Não sendo o caso de indeferimento da inicial, o julgador, ao verificar que a demanda 
prescinde de fase instrutória, poderá, desde logo, julgar improcedente o pedido. 
 
A improcedência liminar do pedido independe da citação do réu e tem cabimento nas 
hipóteses em que o pedido contrariar: 
 
(i) Enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de 
Justiça; 
(ii) Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal 
de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; 
(iii) Entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas 
ou de assunção de competência; 
(iv) Enunciado de súmula de Tribunal de Justiça sobre direito local; 
 
O instituto jurídico em apreço tem por finalidade promover a uniformização do direito 
pátrio e evitar o ajuizamento de demandas repetitivas, cuja matéria já esteja 
jurisprudencialmente pacificada, em consonância com os princípios da segurança 
jurídica, economia e celeridade processuais. 
 
Além das situações mencionadas acima, o juiz poderá julgar, de imediato, o mérito 
quando constatar a existência de prescrição ou decadência (art. 332, §1º do CPC/15). 
 
Da decisão de improcedência do pedido, cabe recurso de apelação, caso em que o juiz 
poderá retratar-se no prazo de 5 (cinco) dias. Não havendo retratação, o réu será citado 
para apresentar contrarrazões, no prazo de 15 (quinze) dias. Se não houver interposição 
de recurso, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença. 
 
Por último, uma vez deferida a petição inicial e não sendo o caso de improcedência 
liminar do pedido, o juiz determinará a citação do réu e designará a audiência de 
conciliação e mediação, observado o prazo mínimo legal de antecedência. 
13.4 DA AUDIÊNCIA DE TENTATIVA DE AUTOCOMPOSIÇÃO 
 
Com a vigência do CPC/15, a audiência de conciliação e mediação tornou-se obrigatória, 
sendo dispensada apenas nas causas que versem sobre direitos que não admitam 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 99 
 
autocomposição, bem como quando ambas as partes expressamente manifestarem 
desinteresse na composição consensual (art. 334, §4º do CPC/15). 
 
Em relação ao réu, a intimação para comparecimento à audiência de conciliação e 
mediação se dá no mesmo ato que determina a sua citação pessoal. Já o autor é 
intimado na pessoa de seu advogado. 
 
A audiência de conciliação e mediação será realizada por conciliadores ou mediadores, 
onde houver, sendo admitida a sua realização por meio eletrônico. 
 
A ausência injustificada de qualquer das partes à audiência de conciliação constitui ato 
atentatório à dignidade da justiça, punível com multa de até 2% (dois por cento) da 
vantagem econômica pretendida ou do valor da causa. 
 
Todavia, a parte que não se fizer presente poderá constituir representante, com 
procuração específica, para negociar e transigir. 
 
O acordo firmado entre as partes será reduzido a termo e homologado por sentença. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 100 
 
14 DA CONTESTAÇÃO 
 
A contestação é uma modalidade de resposta apresentada pelo réu, na qual poderá 
alegar toda matéria de defesa, bem como expor as razões de fato e de direito com que 
impugna o pedido do autor, especificando as provas que pretende produzir no processo. 
 
A defesa de mérito refere-se à substância ou ao objeto da lide. Nesse aspecto, é dividida 
em direta - quando o réu simplesmente nega os fatos contra si articulados -, ou indireta, 
em que o réu alega algum fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor. 
 
Nesse último caso, abre-se vista ao autor para a réplica, no prazo de 15 (quinze) dias 
(art. 350 do CPC/15). 
 
Entretanto, além da defesa meritória (art. 336, CPC/15) poderá o réu apresentar, 
também defesas de natureza processual, aquelas elencadas no art. 337, CPC/2015, que 
devem ser alegadas, na estrutura do peticionamento, antes da defesa substancial. 
Damos o nome, a essas defesas processuais, de preliminares, justamente pelo fato de 
antecederem, na contestação, a defesa de mérito. 
 
Algumas dessas defesas processuais, alegadas em contestação, podem ocasionar a 
extinção do processo sem resolução do mérito, caso acolhidas pelo juiz. São chamadas, 
portanto, de defesas processuais peremptórias. Entre elas destacamos, a alegação de 
falta de interesse de agir, que conduz o processo a sua extinção (CPC art. 337, VI, c/c art. 
485, VI). 
 
Lado outro, existem defesas processuais que, uma vez arguidas em contestação, não 
ditam, mesmo que acolhidas, a extinção do processo. São meras irregularidades 
processuais que serão corrigidas por ato do Juiz. Chamamos essas defesas processuais 
de meramente dilatórias, citando como exemplo a arguição de incompetência (seja 
absoluta ou relativa), cujo resultado será a remessa dos autos ao juízo competente (CPC, 
art. 337, II c/c 64, §3º). 
 
Existem, também, as chamadas defesas processuais dilatórias tendentes a se tornarem 
peremptórias. Essas defesas pressupõem uma irregularidade procedimental, que para 
ser sanada dependerá de um ato a ser praticado pelo autor. Como exemplos temos a 
arguição de deficiência de representação (CPC art. 337, IX); no caso, será o autor 
intimado para a regularização, no prazo a ser fixado pelo juiz (CPC art. 76), e, não sendo 
regularizado o processo, será extinto sem resolução do mérito. 
 
 
ATENÇÃO!!!! 
1 – nem toda defesa processual é apresentada em contestação, existem algumas que 
são apresentadas em peças processuais próprias. Como exemplo temos a arguição de 
impedimento ou suspeição do juiz, que, conforme art. 146, CPC/15, é feita em petição 
específica. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 101 
 
2 – É certo, entretanto, afirmar que o CPC/2015 diminui as defesas processuais que 
eram apresentadas em peças apartadas, sendo agora matérias que devem ser 
arguidas em preliminar de contestação. São elas: 
a) Incompetência relativa (CPC 317, II), não mais existindo a peça 
processual de exceção de incompetência relativa 
b) Incorreção do valor da causa (CPC 317, III), não mais existindo a peça 
apartada de impugnação ao valor da causa 
c) Indevida concessão da gratuidade de justiça ao autor (CPC art. 337, 
XIII), não mais sendo arguida, essa matéria, em peça separada. 
 
 
À luz do princípio da impugnação especificada estatuído no art. 341, caput do CPC/15, 
incumbe ao réu manifestar-se precisamente acerca das alegações de fato constantes na 
inicial, presumindo-seda relação processual. 
1.1 POSIÇÕES DOUTRINÁRIAS QUANTO AO PROCESSO 
 
Preferimos não tecer comentários sobre o desenvolvimento histórico-teórico da 
natureza jurídica do processo, em razão do objetivo dessa obra. Passamos a mencionar 
as teorias que, hoje, têm maior amparo e repercussão na doutrina brasileira. 
 
a) Processo como Relação Jurídica 
Para os adeptos da teoria do processo como relação jurídica, que, conforme acima 
referenciado, foi sistematizada por Von Bülow, o processo pode ser visto como uma 
relação jurídica intersubjetiva (isto é: entre pessoas- autor, réu, juiz), autônoma (pois 
está dissociada da relação jurídico material controvertida que lhe teria dado origem), 
dinâmica (não é uma relação estática, na verdade, como afirmamos, o processo se inicia 
já com o pré-determinado objetivo de ser extinto) e de direito público (mesmo que a 
relação material controvertida seja de direito privado, uma vez instaurada a relação 
processual, esta é sempre de direito público, até porque é (o processo e seu objetivo) a 
própria exteriorização da função jurisdicional do Estado). 
 
b) Processo como Procedimento em Contraditório 
Modernamente, inspirado pelo pensamento do prof. Italiano Elio Fazzalari (entre outros 
autores), vários doutrinadores definem o processo como procedimento em 
contraditório. 
 
Dentro desta concepção teórica, o processo não é visto como uma relação 
intersubjetiva, não havendo relação entre as pessoas; os sujeitos do processo, ao serem 
chamados a participar do procedimento estariam se relacionando, sim, com a norma 
jurídica, devendo, para que o procedimento venha a ser conceituado como processo, 
que estes partícipes, que serão atingidos em sua esfera de direitos pelo ato final buscado 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 6 
 
(ex: no processo de conhecimento a sentença), tenham assegurado pela própria norma 
jurídica a participação em contraditório. 
 
c) Processo como Ente Complexo 
Recentemente, outra teoria tem tido aceitação entre os pensadores do direito, teoria 
esta que busca analisar o fenômeno processual como uma entidade complexa, 
buscando uma confluência do pensamento das duas teorias acima explanadas. 
 
Não se afastam, estes que assim lidam com o conceito de processo, da teoria da relação 
jurídica, entretanto acrescentam ao conceito, obrigatoriamente, a noção teórica do 
procedimento (conceituação extremamente bem desenvolvida pelos adeptos da teoria 
de Fazzalari), além de agregar a figura do contraditório. 
 
Resumidamente, como entidade complexa o processo deverá ser visto como uma 
relação jurídica intersubjetiva (além dos outros aspectos dogmáticos da primeira teoria 
estudada), desenvolvida através de um procedimento, onde, inclusive por força da CR-
88, haverá a imperativa presença do contraditório. 
1.2 A BUSCA POR UM PROCESSO CONSITUCIONAL E DEMOCRÁTICO 
 
Independente das concepções doutrinárias quanto ao processo, nítido que a teoria do 
processo (e sua aplicabilidade ao processo posto na realidade dos jurisdicionados e dos 
operadores do direito) caminha e busca a construção de um processo justo, democrático 
e que efetivamente respeite os princípios estampadas na nosso Constituição. Tanto que 
o CPC/2015, no seu art. 1º dita que o processo civil deve ser ordenado, disciplinado e 
interpretado conforme o estabelecido na CF-88, notadamente seus valores e normas 
fundamentais. 
 
A busca por um processo civil que respeite os valores e preceitos constitucionais, assim 
podemos sintetizar a diretriz estabelecida no artigo 1º do CPC/2015, é um dos objetivos 
do processo moderno; mas não apenas um respeito abstrato, trata-se da necessidade 
de se pensar o processo de forma concreta, como um autêntico e verdadeiro 
procedimento a garantir, a todos, indistintamente, um devido processo justo, 
assegurando que a legislação processual infraconstitucional respeitará os direitos e 
garantias assegurados na constituição federal. 
1.3 ELEMENTOS ESSENCIAIS PARA ENTENDER O PROCESSO CIVIL ATUAL 
 
a) A nova diretriz estrutural do CPC 
Sobre a estrutura do CPC/73, observamos que o legislador, à época, criou 05 grandes 
“livros”, alocando a classificação do processo (Conhecimento, Execução e Cautelar), 
trazendo na sequência os Procedimentos Especiais e as Disposições Finais e Transitórias: 
 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 7 
 
LIVRO I - PROCESSO DE CONHECIMENTO 
LIVRO II – PROCESSO DE EXECUÇÃO 
LIVRO III – PROCESSO CAUTELAR 
LIVRO IV – PROCEDIMENTOS ESPECIAIS 
LIVRO V – DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS 
 
Com a evolução do sincretismo processual e o desaparecimento do processo cautelar 
(não das medidas cautelares), o CPC/2015, em posição antagônica à estampada, e acima 
refletida, do CPC/73, apresenta, primeiro, uma PARTE GERAL, onde cuida dos aspectos 
gerais do processo e dos atos processuais, e uma PARTE ESPECIAL, onde se desenvolve 
o processo/procedimento cognitivo, o processo/procedimento executivo, a parte dos 
processos nos tribunais (incluindo recursos) e, por fim, as disposições finais e 
transitórias: 
 
PARTE GERAL 
LIVRO I – NORMAS PROCESSUAIS CIVIS 
LIVRO II – DA FUNÇÃO JURISDICIONAL 
LIVRO III – DOS SUJEITOS DO PROCESSO 
LIVRO IV – DOS ATOS PROCESSUAIS 
LIVRO V – TUTELA PROVISÓRIA 
LIVRO VI – DA FORMAÇÃO, SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DO PROCESSO 
PARTE ESPECIAL 
LIVRO I – PROCESSO DE CONHECIMENTO E CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 
LIVO II – PROCESSO DE EXECUÇÃO 
LIVRO III – PROCESSO NOS TRIBUNAIS E DOS MEIOS DE IMPUGNAÇÃO DAS 
DECISÕES JUDICIAIS 
LIVRO COMPLEMENTAR – DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS 
 
b) A evolução do sincretismo processual 
Abaixo apresentamos pontos históricos-normativos da visão da evolução do sincretismo 
processual, que apresenta como máxima a possibilidade da realização de atos 
processuais de natureza distinta na mesma relação processual, se a necessidade de 
vários processos para que a jurisdição possa declarar, garantir e efetivar o direito do 
jurisdicionado. 
 
Afirmamos que, em razão do sincretismo hoje reinante temos: 
 
- um processo de conhecimento onde se praticam atos para a declaração do direito, atos 
de natureza cautelar e atos executivos, insisto, tudo isso na mesma relação processual. 
 
- CPC/73: e a dualidade entre conhecimento e execução 
- CPC/73: a tripartição processual: processos de conhecimento, cautelar e 
execução 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 8 
 
- CPC/73: reformas anos 90’ e o início do sincretismo para o procedimento 
comum (obrigações específicas) – fase de cumprimento de sentença para as 
obrigações de fazer, não fazer e entregar coisa 
 
- CPC/73: reformas anos 00’: ampliação do sincretismo para as obrigações de 
pagar (não para todas) 
 
- CPC/2015: evolução do sincretismo: manutenção do sincretismo já existente, 
com aperfeiçoamentos e ampliação para todas as obrigações, incluindo a 
execução por quantia certa contra a fazenda pública como mera fase de 
cumprimento de sentença 
 
c) A autocomposição como meio primário para resolução da lide 
Rompendo o antigo paradigma de que a resolução da lide primariamente se faria por 
ato impositivo do Estado (sentença de mérito na qual o Estado-Juiz, de forma impositiva, 
reconheceria ou não o direito invocado, substituindo a vontade das partes pela vontade 
abstrata da lei material), sendo reservada a autocomposição como um meio secundário 
de resolução dos conflitos; o atual CPC coloca a resolução da lide pelas técnicas 
autocompositivas como algo primeiro, estabelecendo parâmetros procedimentais para 
que a resolução da lide se dê, primariamente, por ato de vontade das partes e, 
secundariamente, de forma impositiva pelo Estado. 
 
- CPC/73: primariamente o Estado resolverá a lide de forma impositiva, 
afirmando, por decisão imperativa, a existência ou não do direito pretendido 
pela parte; secundariamente, e de forma excepcional, será buscada a solução do 
litígio por técnica autocompositiva. 
 
- CPC/2015: primariamente o Estado disponibilizará, pelo processo, 
oportunidade para que as partes possam resolververdadeiras as não impugnadas. Esse ônus, contudo, não se aplica 
ao defensor público, ao advogado dativo e ao curador especial. 
 
Depois de apresentada a contestação, opera-se a preclusão consumativa, sendo lícito 
ao réu somente deduzir novas alegações quando relativas a direito ou a fato 
superveniente; quando se tratar de matéria que deva ser conhecida de ofício pelo juiz; 
ou, mediante expressa autorização legal, quando for arguível em qualquer tempo e grau 
de jurisdição. 
 
ATENÇÃO!!! 
 
PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DA CONTESTAÇÃO 
Dita hoje o CPC/2015, art. 335, 03 (três) marcos iniciais para a contagem do prazo de 
contestação, que continua a ser de 15 (quinze) dias. São eles: 
- da data de realização da audiência de conciliação ou mediação, quando frustrada a 
tentativa de autocomposição 
- caso não seja realizada a audiência de tentativa de autocomposição, pelo fato das 
partes terem expressamente demonstrado desinteresse no acordo, o prazo fluirá da 
data em que o réu apresentou sua petição de solicitação de cancelamento da audiência 
- nos casos em que não seja designada a audiência, por situações da não admissibilidade 
da autocomposição, o prazo para contestação será contado conforme o art. 231, 
CPC/15, levando em consideração o tipo de citação. 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 102 
 
15 DA RECONVENÇÃO 
 
Consoante o art. 343 do CPC/15, a reconvenção é uma modalidade de defesa 
apresentada no bojo da contestação, em que o réu formula pretensão própria, conexa 
com a ação principal ou com o fundamento da defesa. 
 
Embora proposta nos mesmos autos do processo principal, a reconvenção goza de 
autonomia, visto que a sua apreciação independe da análise de mérito da ação 
originária, que poderá, inclusive, ser extinta. Ademais, admite-se a reconvenção, mesmo 
quando não oferecida a contestação (art. 343, §6º do CPC/15) 
 
A reconvenção pode ser promovida em face do autor ou de terceiros, bem como em 
litisconsórcio com terceiro. Referido permissivo, estampado nos §§ 3º e 4º, do art. 343, 
CPC, é uma inovação processual, pelo menos em termos normativos. Assim podemos 
afirmar que a reconvenção amplia objetivamente a demanda judicial, mas que pode, 
também, ser um fator a ampliar objetivamente o processo judicial. 
 
O autor reconvindo, será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar 
resposta, no prazo de 15 (quinze) dias. Após, o processo retomará o seu curso normal, 
sendo julgadas conjuntamente as pretensões formuladas pelas partes. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 103 
 
16 DA REVELIA 
 
Considera-se revel o réu que deixar de oferecer contestação. Decretada a revelia, 
presumir-se-ão verdadeiros os fatos alegados pelo autor na inicial. Essa presunção de 
veracidade, entretanto, é meramente relativa (iuris tantum), admitindo-se, pois, prova 
em sentido contrário. 
 
Por força do art. 345 do CPC/15, não incidem os efeitos da revelia nas seguintes 
situações hipotéticas: 
 
• havendo litisconsórcio passivo, algum dos réus contestar a ação; 
• a ação versar sobre direitos indisponíveis; 
• a petição estiver desacompanhada de documentos indispensáveis à prova do 
ato; 
• quando as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou 
contrárias à prova constante dos autos. 
 
O revel que não possuir patrono constituído nos autos será intimado dos atos 
processuais, a partir da publicação do ato decisório no diário oficial. No código anterior 
(CPC/73), ditava a lei processual que o prazo para o revel, sem patrono constituído nos 
autos, fluiria independentemente de intimação. Ora, a contagem de prazo fluindo sem 
o ato intimatório é preceito de um procedimento inquisitório, não se amoldando à 
realidade de um processo constitucional e democrático. 
 
A revelia não obsta a intervenção do revel no processo, podendo nele ingressar em 
qualquer fase, recebendo-o no estado em que se encontrar, sendo-lhe autorizada ainda 
a produção de provas, de modo a confrontá-las com as alegações do autor, desde que 
se faça representar nos autos em tempo hábil, ou seja, antes do encerramento da 
instrução probatória. 
 
 
ATENÇÃO!!! 
Quando ocorre a revelia, podemos ter como verdadeiros os fatos afirmados. Entretanto 
é equivocado afirmar que, mesmo diante da veracidade dos fatos, automaticamente o 
pedido será julgado procedente. A revelia não induz veracidade do direito, razão pela 
qual podemos afirmar ser lícita a improcedência do direito do autor, mesmo diante da 
revelia do réu. 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 104 
 
17 DO JULGAMENETO CONFORME O ESTADO DO 
PROCESSO (E O JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DO MÉRITO) 
 
Superada a fase concernente às providências preliminares, se houver, o processo segue 
para o pronunciamento judicial. Na ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no 
art. 485 e 487, incisos II e III do CPC/15 o juiz proferirá sentença (terminativa ou 
definitiva, conforme o caso), com a consequente extinção do processo. 
 
Inovação trazida pela nova ordem processual refere-se à possibilidade de se prolatar 
decisão que julgue apenas parcela do processo, com ou sem exame de mérito. A 
despeito da nomenclatura “sentença parcial” utilizada pelo novo codex, a referida 
decisão sujeita-se a recurso de agravo de instrumento (art. 354, parágrafo único, do 
CPC/15). 
 
No tocante à sentença de mérito, o juiz julgará antecipadamente o pedido, na forma do 
art. 487, inciso I, do CPC/15, quando se mostrar desnecessária a produção de outras 
provas, eliminando-se, por consequência, a fase probatória; ou na hipótese de revelia, 
quando não houver requerimento de prova pelo revel. 
 
O art. 356 do CPC/15 consagrou ainda o julgamento antecipado parcial de mérito, sendo 
cabível quando um ou mais pedidos formulados pelo autor for incontroverso ou quando 
o processo já estiver em condições de imediato julgamento. 
 
O mérito parcialmente decidido pode consistir em obrigação líquida ou ilíquida (art. 356, 
§1º do CPC/15), sendo lícito à parte liquidar ou executar a decisão parcial, desde logo, 
independentemente de caução, mesmo na pendência de recurso. Transitada em 
julgada, torna-se definitiva a execução. 
 
A decisão parcial de mérito é impugnável por meio de agravo de instrumento (art. 356, 
§5 do CPC/15). 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 105 
 
18 DO SANEAMENTO E DA ORGANIZAÇÃO 
DO PROCESSO 
 
A decisão saneadora é composta por uma série de atos praticados pelo juiz com vistas a 
sanear e organizar o processo. Nessa oportunidade, incumbe ao juiz resolver as 
questões processuais eventualmente pendentes; delimitar as questões fáticas sobre as 
quais recairá a atividade probatória, especificando os meios de prova admitidos; 
determinar a distribuição do ônus da prova; delimitar as matérias de direito relevantes 
a serem decididas; designar, se for o caso, a audiência de instrução e julgamento. 
 
A decisão de saneamento do processo é impugnável pelas partes, as quais poderão 
requerer esclarecimentos ou solicitar ajustes, no prazo comum de 5 (cinco) dias, findo 
qual a decisão se torna estável. 
 
O art. 357, §2º do CPC/15 trouxe mais uma novidade no que pertine aos negócios 
jurídicos processuais, conferindo às partes a possibilidade de delimitarem, 
consensualmente, as questões de fato que serão objeto de prova, bem como as 
questões relevantes de direito a serem submetidas a julgamento de mérito. Se 
homologado, os termos do acordo vinculam as partes e o juiz. 
 
Diante da complexidade da causa, deverá o juiz designar audiência a fim de que o 
saneamento seja realizado em cooperação com as partes, ocasião em que as partes 
poderão ser convocadas a integrar ou esclarecer suas alegações (art. 357, §3º do 
CPC/15). 
 
 
ATENÇÃO!!! – PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO ROL DE TESTEMUNHAS 
O art. 357, CPC, no seu parágrafo 4º, determina que o juiz, ao designar a audiência de 
instrução e julgamento, fixe prazo, não superior a 15 (quinze) dias, para que as partes 
apresentem em juízo o rol de testemunhas. 
 
ENTRETANTO, caso seja designadaa audiência prevista no §3º, do artigo mencionado, o 
rol de testemunhas, obrigatoriamente, deverá ser levado para a audiência, sob pena de 
preclusão. É o que informa o art. 357, no seu parágrafo 5º, CPC/15) 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 106 
 
19 DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO 
 
A audiência de instrução e julgamento constitui um ato processual complexo, no qual 
participam as partes e outros sujeitos do processo. Em regra, sua designação se dá 
apenas quando necessária à produção de prova oral (depoimento pessoal das partes, 
oitiva de testemunhas) ou esclarecimentos periciais. 
 
O art. 359 do CPC/15 ilustra, mais uma vez, o viés conciliatório presente na nova 
sistemática processual, dispondo que o juiz, ao declarar instalada a audiência, deverá 
empregar métodos de acordo na tentativa de obter a solução consensual do conflito. 
Em regra, a audiência é una e contínua, sendo excepcionalmente admitido o seu 
fracionamento, mediante justificativa da ausência de testemunha ou de perito, 
contanto que haja consentimento das partes. 
 
Encerrada a instrução processual, o juiz concederá a palavra ao autor e ao réu, 
sucessivamente, para apresentarem alegações finais orais. Em decorrência da 
complexidade da causa, o debate oral poderá ser substituído por razões finais escritas 
(memoriais), no prazo sucessivo de 15 (quinze) dias. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 107 
 
20 DA SENTENÇA E DA COISA JULGADA 
 
A sentença consiste no pronunciamento judicial que põe fim ao procedimento cognitivo 
ou a execução, sendo dividida em terminativa, quando fundada nas hipóteses descritas 
no art. 485 do CPC/15, e definitiva, quando resolve o mérito, com fulcro no art. 487 do 
CPC/15. 
 
O julgamento proferido sem resolução de mérito não faz coisa julgada material, razão 
pela qual a parte poderá a propor novamente a ação (art. 486, caput, do CPC/15), salvo 
na hipótese de perempção prevista no §3º do mesmo dispositivo legal. 
 
Conforme abordado na parte principiológica desse estudo, o CPC/15 consagrou o 
princípio da primazia do mérito, refletido, outrossim, na norma do art. 488 do CPC/15, 
segundo a qual determina que o juiz, desde que possível, resolverá o mérito, sempre 
que a decisão for favorável à parte a quem aproveitaria eventual resultado nos termos 
do art. 485 do CPC/15. 
 
Com relação aos elementos essenciais que integram a sentença, o art. 489 do CPC/15 
estabelece os seguintes requisitos: 
 
• Relatório, contendo o nome das partes, identificação do caso, descrição sumária 
do pedido e da contestação, o registro das principais ocorrências no processo; 
• Fundamentação, em que o juiz analisa as questões de fato e de direito; 
• Dispositivo, em que o juiz resolve as questões principais que lhe forem 
submetidas pelas partes 
 
A respeito da fundamentação, o §1º do mesmo dispositivo legal, preceitua que não se 
considera fundamentada decisão judicial que se limita a indicar, reproduzir ou 
parafrasear ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; 
que faça uso de conceitos jurídicos indeterminados, sem indicar o motivo de sua 
incidência; invocar motivos genéricos; não enfrentar todos os argumentos deduzidos no 
processo capazes de, em tese, infirmar o resultado do processo; citar precedente ou 
súmulas, sem identificar seus fundamentos determinantes nem subsumi-los ao caso 
concreto; afastar enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela 
parte, sem justificativa de distinção com o caso ou superação de entendimento. 
 
Com efeito, é nula a sentença proferida sem fundamentação ou insuficientemente 
fundamentada. 
 
No tocante aos limites da sentença, de acordo com o princípio da congruência ou 
adstrição estatuído no art. 492 do CPC/15, o juiz deverá decidir nos limites dos pedidos 
formulados pelas partes, sendo-lhe vedado proferir decisão de natureza diversa, bem 
como condenar a parte em quantidade superior (ultrapetita) ou em objeto diverso da 
lide (extrapetita). De igual modo, a violação desse princípio resulta na nulidade da 
sentença. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 108 
 
O art. 490 do CPC/15 dispõe ainda que “o juiz resolverá o mérito acolhendo ou 
rejeitando, no todo ou em parte, os pedidos formulados pelas partes”. 
 
Assim, havendo cumulação de pedidos, por exemplo, se a sentença for proferida aquém, 
isto é, deixar de apreciá-los em sua integralidade ou não enfrentar a causa de pedir ou 
a defesa apresentada pelo réu (citrapetita) estará sujeita à oposição de Embargos de 
Declaração, por vício de omissão. 
 
Quanto à possibilidade de modificação da sentença pelo julgador, o art. 494 do CPC/15, 
estabelece que, depois de publicada, o juiz só poderá alterá-la: 
 
• Para corrigir inexatidões materiais ou erros de cálculos 
• Por meio de embargos de declaração 
 
Relativamente aos limites objetivos da coisa julgada, o CPC/15 recepcionou a tese de 
que a fundamentação não faz coisa julgada, mas tão somente a parte dispositiva da 
sentença (art. 504 do CPC/15). 
 
Segundo o disposto no art. 502 do CPC/15, denomina-se coisa julgada material “a 
autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a 
recurso”. Desse modo, o mérito total ou parcialmente decidido tem força de lei, 
vinculando as partes e o juiz, o qual é vedado decidir novamente questões já resolvidas 
relativas à mesma lide (art. 505, CPC/15). 
 
A regra da imutabilidade da sentença comporta, contudo, exceções. Nas relações 
jurídicas de trato continuado, por exemplo, sobrevindo modificação no estado de fato 
ou de direito, a parte poderá pedir revisão do que foi estatuído na sentença (art. 505, 
inciso I do CPC/15). 
 
Por fim, no tocante à eficácia preclusiva da coisa julgada, o art. 508 do CPC/15 prevê que 
com o trânsito em julgado da decisão de mérito, “considerar-se-ão deduzidas e repelidas 
todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto 
à rejeição do pedido”. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 109 
 
21 DAS PROVAS 
21.1 DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Necessário tecer algumas considerações sobre as provas no processo civil moderno. 
Destacamos que qualquer das partes tem o direito de convencimento do magistrado, 
podendo solicitar a produção de provas, desde que lícitas, para o devido exercício desse 
direito. Claro que o magistrado detém o poder de indeferir requerimentos de provas 
que sejam meramente protelatórias e/ou que não sejam necessárias para a sua 
atividade cognitiva. 
 
Como o juiz é que deve ser convencido, para que possam surgir decisões justas, lícito 
(além do requerimento apresentado pelas partes) que seja determinado de ofício a 
realização de provas, mas sempre sobre os fatos presentes nos autos. 
 
a) sobre a prova emprestada 
Há muito a doutrina e a jurisprudência pátria admitem que provas produzidas em um 
processo possam ser trazidas a outro como meio de comprovação dos fatos debatidos 
nessa segunda demanda. É a chamada prova emprestada. 
 
O CPC atual textualizou tal possibilidade na redação do art. 372. 
 
Com a utilização do instituto da prova emprestada o magistrado poderá atribuir o valor 
que julgar adequado, não se vinculando ao aspecto decisório do anterior processo. 
 
Mas, ATENÇÃO: só é permitida a utilização da prova emprestada desde que tenha sido 
respeitado o contraditório. 
 
b) do ônus da prova 
Manteve o atual código de processo civil a repartição legal do ônus da prova, ditando 
que o autor deverá provar os fatos constitutivos do seu direito e o réu fazer prova dos 
fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor. 
 
Novidade é o permissivo normativo do art. 373, §§1º e 2º, CPC. Referido regramento 
legal abre a oportunidade para que o juiz possa distribuir o ônus da prova de forma 
diversa, mesmo que não exista lei específica para tanto. 
 
Manteve o CPC, entretanto, o contratualismo processual no tocante à repartição do 
ônus da prova, sendo possível às partes convencionar, nos limites legais, sobre talinstituto. 
 
c) dos fatos que não dependem de provas 
Nem todo fato precisa ser comprovado em juízo. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 110 
 
Segundo o art. 374 do CPC não precisam ser provados os fatos: I - notórios; II - afirmados 
por uma parte e confessados pela parte contrária; III - admitidos no processo como 
incontroversos; IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. 
 
d) demais preceitos sobre as provas 
Quanto a interpretação das provas, reina o princípio do livre convencimento motivado, 
não havendo uma hierarquia quanto às provas produzidas, devendo o juiz aplicar as 
regras de experiência comum, ou seja, interpretar as provas e os respectivos fatos pela 
observação do que ordinariamente acontece, se valendo da prova pericial para questões 
técnicas. 
 
Interessante notar que a lei, incorporando na fase de provas o princípio da cooperação, 
afirma que ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder Judiciário para o 
descobrimento da verdade, não sendo exigido da parte, entretanto o direito de produzir 
provas contra si. 
 
Dentro desse princípio da cooperação, nos limites da preservação acima, tem a parte a 
obrigação de: I - comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for interrogado; II - 
colaborar com o juízo na realização de inspeção judicial que for considerada necessária; 
III - praticar o ato que lhe for determinado. 
21.2 DOS MEIOS TÍPICOS DE PROVA: QUESTÕES ESSENCIAIS 
 
a) da ata notarial 
Permite a lei processual que a existência e o modo de existir de algum fato podem ser 
atestados ou documentados, a requerimento do interessado, mediante ata lavrada por 
tabelião. 
 
Referido meio probatório ganha enorme importância no direito moderno, inclusive pelo 
fato de que muitos atos são praticados no “mundo virtual”, por isso permite a lei no art. 
384, parágrafo único que dados representados por imagem ou som gravados em 
arquivos eletrônicos poderão constar da ata notarial. 
 
b) depoimento pessoal 
Meio probatório típico, pode uma parte requerer o depoimento pessoal da outra, sendo 
lícito ao juiz de ofício ordenar tal produção de prova (CPC 385). 
 
Deve a parte, devidamente intimada, comparecer à audiência para prestar seu 
depoimento e, comparecendo, prestar o devido depoimento. Caso a parte, intimada, 
não compareça ou, comparecendo, não preste o depoimento, lhe será aplicada a pena 
de confesso. 
 
Entretanto é importante salientar que a parte não é compromissada com a verdade, não 
prestando tal compromisso é que ela pode se recusar a depor sobre fatos: I - criminosos 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 111 
 
ou torpes que lhe forem imputados; II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva 
guardar sigilo; III - acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu 
cônjuge, de seu companheiro ou de parente em grau sucessível; IV - que coloquem em 
perigo a vida do depoente ou das pessoas referidas no item III. Referidas limitações não 
se aplicam às causas de família. 
 
c) da exibição de documento ou coisa 
É lícito ao juiz, de ofício ou mediante requerimento, determinar que qualquer parte no 
processo apresente em juízo documento ou coisa que esteja em seu poder, e que tenha 
relação com a lide posta perante o judiciário. 
 
Interessante que a lei processual (art. 399) não admite que a parte recuse a 
apresentação do documento ou coisa nas seguintes hipóteses: I - o requerido tiver 
obrigação legal de exibir; II - o requerido tiver aludido ao documento ou à coisa, no 
processo, com o intuito de constituir prova; III - o documento, por seu conteúdo, for 
comum às partes. 
 
Além da parte tem o terceiro, também, obrigação legal de fornecer ao juízo documento 
ou coisa que se encontre em seu poder (CPC 401). 
 
d) da prova documental 
Confere a lei processual civil força probante aos documentos e no caso de ser 
documento público ele faz prova não apenas da sua formação mas também dos atos e 
fatos declarados no documento pelo escrivão, o chefe de secretaria, o tabelião ou o 
servidor, desde que declarem que tenham ocorrido na sua presença. 
 
Já as declarações consubstanciadas em documentos particulares escrito e assinado ou 
somente assinado presumem-se verdadeiras em relação ao signatário. 
 
Além de vários aspectos enumerados na lei processual (CPC arts. 405 a 424), devem ser 
destacadas as situações em que a lei determina que fazem a mesma prova que o original, 
merecendo o art. 425 a devida leitura e estudo. 
 
e) da prova testemunhal 
Podem as partes se valer de testemunhas para a comprovação das suas alegações fáticas 
no processo. 
 
Limitação existe, entretanto, segundo a lei processual, para a realização de tal prova. 
(i) deve o juiz indeferir a realização de prova testemunhal sobre fatos já provados por 
documento ou confissão da parte ou que só por documento ou por exame pericial 
puderem ser provados. 
(ii) não podem depor como testemunhas aqueles a quem a lei considera: incapaz, 
impedido ou suspeito. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 112 
 
Novidade na legislação codificada, que não estava prevista no código revogado, é o fato 
da testemunha ser informada e intimada para comparecimento à audiência pelo próprio 
advogado da parte que as tenha arrolado. 
 
Tal intimação deverá ser feita por correio, competindo ao advogado juntar aos autos 
com antecedência de pelo menos 3 (três) dias da data da audiência, cópia da 
correspondência de intimação e do comprovante de recebimento. 
 
Dispensada será essa intimação se a parte se comprometer a levar a testemunha à 
audiência. Entretanto, nesse caso, caso a testemunha não compareça isso será 
considerado como desistência na inquirição da testemunha. 
 
f) da prova pericial 
A prova pericial há de ser realizada quando forem necessários conhecimentos técnicos 
especializados, consistindo em exame, vistoria ou avaliação. 
 
O atual CPC apresenta como regra primária a realização da perícia simplificada, que 
consiste na inquirição de especialista, pelo juiz, sobre ponto controvertido que demande 
conhecimento científico ou técnico, desde que o ponto controvertido seja de menor 
complexidade. 
 
Entretanto, caso seja uma situação de maior complexidade, manteve o CPC atual a 
nomeação, pelo juiz, de perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o 
prazo para a entrega do laudo. 
 
Requerida a prova pericial, por qualquer das partes, pode o juiz indeferir quando: I - a 
prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; II - for desnecessária 
em vista de outras provas produzidas; III - a verificação for impraticável. 
 
g) da inspeção judicial 
Meio probatório altamente interessante, que considera que o juiz pode, de ofício ou a 
requerimento da parte, pode, em qualquer fase do processo, inspecionar pessoas ou 
coisas, a fim de se esclarecer sobre fato que interesse à decisão da causa. 
 
Ou seja, o juiz comparece pessoalmente ao local onde está a pessoa ou coisa, objeto da 
prova, para atestar a situação fática por si, e, concluída a diligência, o juiz mandará lavrar 
auto circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da causa. 
21.3 DA PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS 
 
Dentro do direito probatório, merece especial destaque a produção antecipada de 
prova, prevista nos arts. 381 e ss., do CPC. Referido destaque se faz necessário em razão 
da evolução do instituto, que impacta o processo civil moderno de forma muito nítida. 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 113 
 
a) natureza jurídica do instituto 
Vista historicamente, em termos normativos, a produção antecipada de provas estava 
lançada como procedimento de natureza cautelar, notadamente pelo fato dos autores 
clássicos considerarem a produção antecipada como um meio de preservação das 
provas para futura utilização em determinado processo, ou seja, acautelava a prova em 
determinado momento para viabilizar sua utilidade futura. 
 
Hoje, no CPC 2015, nitidamente a produção antecipada de provas não se reveste de 
caráter cautelar,nem no caso de urgência, posto que não se preserva, necessariamente, 
a prova, mas sim o meio para produção futura. 
 
Assim podemos afirmar que a produção antecipada de provas possui, na verdade, 
natureza jurídica de jurisdição voluntária, não havendo lide e os sujeitos são 
identificados, inclusive como meros interessados, não exercendo o juiz atividade de 
fundo jurisdicional. 
 
b) sobre a produção antecipada de provas em caráter incidental 
Vista no velho código como cautelar, previa a lei que a produção antecipada de provas 
poderia ser solicitada em caráter preparatório (antes do processo principal) ou 
incidental (no curso do processo principal). 
 
O Novo CPC dita, nitidamente, que a produção antecipada de provas, regulada a partir 
do art. 381, deverá ser anterior ao pedido, ou melhor, antecedente ao processo principal 
propriamente dito. 
 
No caso de ser necessária a produção de alguma prova, já no curso do processo 
propriamente dito, basta que ela seja requerida por petição incidental dentro dos 
próprios autos, já que o magistrado tem, por força do art. 139, VI, CPC, permissivo para 
alterar a ordem da produção das provas, antecipando aquelas que sejam, em razão de 
eventual urgência, realizadas já no curso do processo. 
 
c) Aceitação de todas as modalidades probatórias 
A lei processual anterior (CPC/73) ditava que somente as provas testemunhais, 
depoimentos pessoais e perícias poderiam ser realizadas antecipadamente, tudo por 
força do art. 846, CPC/73. 
 
Denota-se da leitura do artigo 381, CPC/2015, uma ampliação do instituto para qualquer 
prova que se queira produzir antecipadamente, não havendo, na atual lei, ao contrário 
da antiga, nenhuma limitação quanto ao meio probatório a ser produzido. 
 
Lembrando que não apenas lícito será a produção da modalidades reguladas em lei, de 
forma antecipada, mas também todos os meios lícitos mesmo que não especificados na 
lei processual, dentro do permissivo do art. 369, CPC. 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 114 
 
d) Hipóteses legais de utilização do instituto 
Sendo vista no CPC antigo como um procedimento cautelar, exigia a lei processual, para 
a concessão da produção antecipada de provas, a comprovação do “periculum in mora”, 
só sendo possível o permissivo da produção antecipada no caso de comprovado 
urgência. 
 
Hoje, além da urgência, é possível a utilização do instituto em comento para outras 
situações, o que concede, ao profissional da advocacia cível, uma gama de estratégias 
processuais na busca de um melhor resultado do processo, notadamente na qualidade 
de autor. 
 
Vejamos essas hipóteses nos itens abaixo. 
(i) urgência: Nitidamente o CPC/2015 permite a utilização da produção antecipada de 
provas em situações de urgência, justificada pela impossibilidade futura de produção da 
prova. 
(ii) viabilizar a autocomposição: A segunda hipótese de produção antecipada de provas 
se coaduna com os ditames atuais do processo civil, na busca, sempre, pela resolução 
do mérito através de situação autocompositiva. Nessa hipótese não é necessária a 
demonstração de nenhum risco futuro no tocante a produção da prova, basta que se 
demonstre ao juiz que é possível, produzindo a prova antecipadamente, melhorar as 
chances de autocomposição quando da apresentação da demanda. Comprovada tal 
situação, deve ser deferida a produção antecipada. 
(iii) comprovação do fato constitutivo do direito: Em muitas situações práticas podemos 
ter dúvidas sobre a existência do fato constitutivo do direito do autor, razão pela qual, 
diante da sempre necessária segurança jurídica, e para inibir demandas sem 
fundamento, abre-se a possibilidade de utilização do procedimento de produção de 
provas antecedente como uma forma de comprovar a existência do fato. Lembrando, 
não se produzirá, no campo da produção antecipada, nenhum convencimento do juiz 
quando a existência do fato como um fato efetivamente constitutivo do direito do autor. 
O que se fará, para o possível ajuizamento da demanda principal, é trazer indícios do 
fato dito, pelo autor, como constitutivo do seu direito, sendo que a valoração de tal 
prova e a eventual caracterização do fato como algo a ditar procedência de pedidos, só 
será avaliado pelo juiz no processo principal. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 115 
 
22 DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 
22.1 DO TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL 
 
Pressuposto essencial para toda e qualquer execução, sendo o cumprimento de 
sentença uma fase executiva, o título executivo judicial e formado após a existência de 
uma demanda cognitiva, exigindo a existência de um ato decisório da atividade 
jurisdicional (ou de um juízo arbitral) para sua existência. 
 
O art. 515 do CPC elenca quais são os títulos executivos judiciais. 
 
Devemos destacar, dentro os títulos executivos judiciais o que se segue: 
(i) o inciso I do art. 515, CPC, faz referência “decisão” não a “sentença”, tal nominação 
se dá, principalmente, em razão do previsto no art. 356, CPC, que permite o julgamento 
antecipado parcial do mérito, através de uma decisão interlocutória; e 
(ii) há um título executivo que não é formado a partir da atividade jurisdicional do 
Estado: a sentença arbitral. Nítido que o arbitro é dotado, à similaridade, de atividade 
cognitiva próxima àquela que detém o juiz togado, entretanto, não tendo “força de 
império”, não pode o arbitro terminar que terceiros ou agentes do Estado pratiquem 
atos de “força” para a efetivação de direitos reconhecidos na sentença, devendo o 
cumprimento da decisão arbitral ser feita junto ao Poder Judiciário. 
22.2 DA EXIGIBILIDADE 
 
Formado o título executivo, passa a ser possível a prática de atos de cumprimento dos 
direitos reconhecidos na decisão judicial ou arbitral. Ressalte-se que, uma vez transitada 
em julgada a decisão, o cumprimento será definitivo, entretanto é possível que, 
havendo recurso interposto contra a decisão, não dotado de efeito suspensivo, o 
cumprimento seja possível, só que nesse caso será cumprimento provisório. 
22.3 DA COMPETÊNCIA 
 
Segundo a norma processual civil (CPC art. 516), partindo da premissa que o título 
executivo foi formado por decisão judicial proferida em primeiro grau de jurisdição, o 
cumprimento de sentença seja realizado perante o mesmo juízo prolator da decisão. 
 
Permite a lei, entretanto, no parágrafo único do art. 516, CPC/2015, que o exequente 
solicite a remessa dos autos a outro juízo, notadamente onde existam bens passíveis de 
penhora ou localidade do atual domicílio do devedor. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 116 
 
Referida opção garante ao exequente um possível melhor resultado na execução, 
evitando delongas provocadas pela remessa, de um juízo a outro, de cartas precatórias. 
22.4 CUMPRIMENTO DEFINITIVO: OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA 
 
Transitado em julgado o título executivo judicial, contendo ele uma decisão líquida (caso 
não tenha será necessária uma fase anterior de liquidação de sentença - vide arts. 509 
e ss do CPC/2015), poderá o credor solicitar, por petição, o início da fase executiva. 
 
Salienta-se que não é lícito ao juiz determinar de ofício o início da fase de cumprimento 
de sentença por quantia certa, somente a requerimento do exequente será o executado 
intimado para cumprir a decisão, no prazo de 15 (quinze) dias, tudo como se infere do 
art. 523 do CPC, devendo o requerimento ser instruído com a memória atualizada dos 
valores devidos (CPC art. 524). 
 
Ultrapassado o prazo de 15 (quinze) dias, contados da intimação, sem o cumprimento 
voluntário pelo executado, começa a fase de cumprimento forçado, com imediata 
expedição do mandado de penhora e avaliação. 
 
Além a expedição do mandado de penhora e avaliação, determina a lei “penalidades” 
ao executado, com imposição de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor executado, 
e de honorários de advogado também de 10% (dez por cento) sobre o valor devido. A 
imposição dos honorários e da multa (CPC art. 523, §1o) é justificada, respectivamente, 
pelosfatos de: a) merecer o advogado do exequente a devida remuneração pelo seu 
trabalho, já que a fixação dos honorários anteriores, na sentença, levou em 
consideração exclusivamente seu trabalho na fase cognitiva; e b) impor uma penalidade 
pecuniária (multa) ao executado que, intimado, não adimpliu a obrigação devida. 
 
Diante do não cumprimento voluntário, no prazo legal de 15 (quinze) dias, caracterizado 
está, portanto, como mencionado, o inadimplemento do devedor condenado na 
sentença, razão pela qual o título executivo judicial poderá ser objeto de protesto (CPC 
art. 517), podendo o nome do executado, a requerimento do exequente, ser lançado 
em cadastros de inadimplentes (CPC art. 782, §§3o a 5o). 
 
Caracterizado que o devedor não cumpriu voluntariamente a decisão, apesar de ter 
condições, poderá, sua conduta, ser tida como ato atentatório a dignidade da justiça, já 
que é obrigação derivada do princípio da boa-fé processual, o cumprimento, com 
exatidão, das ordens judiciais (CPC art. 77, IV). Neste caso, além da multa do art. 523, 
§1o, estará sujeito a uma segunda multa, cumulativa, de até 20% (vinte por cento), 
conforme previsto no art. 77, §§1o a 4o, CPC/2015). 
 
E o executado, não poderá se defender? - Sim, garante a lei processual (CPC art. 525) ao 
executado, decorrido o prazo para cumprimento voluntário, apresentar IMPUGNAÇÃO 
AO CUMPRIMENTO de sentença, através de petição, podendo alegar qualquer das 
matérias enumeradas no art. 525, §1o, CPC/2015. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 117 
 
Ressalte-se que a fluência do prazo para apresentação da impugnação ao cumprimento 
de sentença, 15 (quinze) dias, flui independente de nova intimação ou de penhora, 
contado do esgotamento do anterior prazo de 15 (quinze) dias para cumprimento 
voluntário. 
22.5 – DO CUMPRIMENTO PROVISÓRIO 
 
Possível é, entretanto, antes do trânsito em julgado, na pendência de recurso não 
dotado de efeito suspensivo, que a sentença seja objeto de execução, de forma 
provisória. Referido permissivo está estampado no art. 520, CPC/2015 e tem como 
regras: 
 
• a responsabilidade civil do exequente, que se obriga, se a sentença for 
reformada, a indenizar o executado por qualquer prejuízo que ele venha a ter; 
• a transformação da execução provisória em definitiva, se a sentença for 
confirmada e vier a transitar em julgado; 
• a possibilidade de realização de atos de constrição patrimonial (penhora); 
• ser possível ao exequente, no cumprimento provisório, requerer o levantamento 
de valores depositados, ou mesmo a expropriação (alienação) de bens penhorados, 
desde que, em regra, primeiramente ofereça caução. 
 
Assim é lícito afirmar que a execução provisória pode sim permitir a prática de atos de 
alienação de bens do executado que venham a ser penhorados, mediante prestação de 
caução pelo exequente. 
 
Ocorre que a lei processual permite a dispensa da caução nos seguintes casos (CPC art. 
521): 
 
• o crédito for de natureza alimentar, independentemente de sua origem; 
• o credor demonstrar situação de necessidade; 
• pender o agravo do art. 1.042 
• a sentença a ser provisoriamente cumprida estiver em consonância com súmula 
da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça ou em 
conformidade com acórdão proferido no julgamento de casos repetitivos. 
 
OBS: também no cumprimento provisório da sentença, intimado o devedor para 
depositar os valores devidos, no mesmo prazo da execução, não o fazendo, está sujeito 
a imposição da multa e dos honorários que são devidos na fase de cumprimento 
definitivo, como se infere dos arts. 520, §2o, c/c 523, §1o, CPC/2015) 
22.6 DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER, NÃO FAZER E 
ENTREGAR COISA 
 
Quando é proferida uma sentença reconhecendo a exigibilidade de obrigação de fazer, 
não fazer ou de entregar coisa, não temos, tão somente, uma sentença condenatória, 
mais do que isso, nós temos uma sentença que além de condenar carrega uma ordem 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 118 
 
judicial, que deve ser objeto de cumprimento pelo destinatário do comando 
jurisdicional. 
 
Referidos títulos executivos, portanto, ao contrário daqueles que carregam 
simplesmente uma obrigação de pagar, possuem natureza jurídica diferenciada, o que 
permite ao magistrado determinar seu cumprimento de ofício (CPC 536). 
 
Quanto ao prazo para cumprimento da obrigação, é dever do magistrado fixá-lo levando 
em consideração todos os fatores inerentes a obrigação a ser cumprida: qual a sua 
natureza, qual a condição do devedor de cumprir a obrigação de uma forma plena, entre 
outros. 
 
Devidamente intimado, o devedor deverá cumprir a obrigação dentro do prazo 
estipulado pelo magistrado. 
 
Caso não ocorra o cumprimento, teremos as seguintes consequências: 
 
- imposição de multa diária, por dia de não cumprimento da obrigação 
- possibilidade do juiz determinara a prática de atos que possam gerar o cumprimento 
da obrigação e a satisfação do credor 
- imposição de penalidades decorrentes da litigância de má-fé 
- responsabilização criminal daquele que desobedecer a ordem judicial 
- imposição de multa por ato atentatório a dignidade da justiça 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 119 
 
23 DO PROCESSO DE EXECUÇÃO 
23.1 DO TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL 
 
Permite a lei processual que sujeitos de determinada relação jurídico-material, por ato 
de vontade, estipulem direitos, obrigações e deveres, em documentos que sejam, por 
previsão legal, títulos executivos extrajudiciais. 
 
O título executivo extrajudicial, fruto, como frisado, de ato de vontade daqueles que são 
credor e devedor de determinada obrigação, carrega a presunção da existência da 
obrigação, permitindo a prática, desde logo, de atos executivos caso não tenha ocorrido 
o cumprimento da obrigação a tempo e modo. 
 
O CPC, no seu art. 784, apresenta uma relação exemplificativa dos títulos executivos 
extrajudiciais. 
23.2 DA EXIGIBILIDADE 
 
Estando o credor, portanto, de posse de um título executivo extrajudicial, que contenha 
obrigação certa, líquida e exigível, não sendo cumprida a obrigação a tempo e modo, 
caracterizado estará o inadimplemento, sendo possível o início, desde logo, do processo 
de execução (CPC art. 786) 
23.3 DO PROCESSO DE EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA 
 
a) petição inicial 
Deve a petição inicial da Execução estar instruída com o título executivo e devidamente 
acompanhada de uma planilha de atualização dos valores em execução, até da data da 
sua apresentação em juízo. Essas e outras incumbências do exequente, para a devida 
formalização de sua petição inicial, estão estampadas no art. 798, CPC/2015. 
 
b) despacho positivo 
Verificando o juiz que a petição inicial da execução contém todos os elementos 
necessários para o seu devido processamento, determina a expedição do mandado de 
citação para pagamento, penhora e avaliação de bens, atos que serão praticados caso o 
devedor executado, citado, não cumpra a obrigação. 
 
No despacho primeiro, aceitando a petição inicial da execução, o juiz fixa, desde logo, 
honorários para o advogado do exequente, no percentual de 10% (dez por cento) sobre 
os valores executados, conforme previsto no art. 827, caput, CPC/2015. 
 
 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 120 
 
c) averbação premonitória 
Ocorrendo o despacho positivo, com a ordem de citação do executado, pode o 
exequente requerer a expedição de certidão da distribuição e aceitação da execução 
pelo juízo competente. 
 
De posse dessa certidão pode o exequente solicitar, junto a órgãos públicos que mantém 
registro de bens (exemplo: cartórios de registro de imóveis), que se proceda a 
averbação, a margem do registro de bens do executado, da existência da execução, 
informando ao juízo as averbações realizadas, facilitando assim o possível ato de 
penhora, bem como gerando, desde logo, se o bem averbado for alienado, a ocorrência 
da fraude a execução (CPC, art. 828). 
 
d) citação do executado 
Devidamente citado, o executadopoderá efetuar o pagamento dos valores em 
execução, no prazo de 3 (três) dias. Realizado esse pagamento, dentro do prazo legal, 
reserva a lei processual um benefício ao exequente, o pagamento de apenas metade 
dos honorários de advogado inicialmente fixados, como se infere, respectivamente, dos 
arts. 829, caput e 827, §1o, do CPC/2015. 
 
Entretanto, caso não realize o pagamento no prazo acima, o mandado de penhora e 
avaliação poderá ser devidamente cumprido pelo oficial de justiça. 
 
e) pagamento parcelado 
Permite a lei processual que o exequente, por ato unilateral de vontade, efetue, no 
prazo dos embargos, o pagamento dos valores em execução de forma parcelada. 
Para tanto deverá preencher os seguintes pressupostos: 
 
• efetuar o pagamento de, pelo menos, 30% (trinta por cento) dos valores em 
execução; 
• apresentar o requerimento, ao juízo, do pagamento do saldo em até 6x no prazo 
dos embargos 
 
Feito o requerimento e ouvida a parte contrária sobre o preenchimento dos 
pressupostos acima elencados, o juiz deferirá o pagamento de forma parcelada. 
 
Interessante destacar que, solicitado o pagamento parcelado, perde o executado o 
direito de apresentar embargos, sendo o requerimento aqui discutido ato de confissão 
dos valores devidos em execução, tudo conforme previsto no art. 916, CPC/2015. 
 
f) embargos a execução 
Não efetuado o pagamento dos valores devidos, nem tendo o executado interesse em 
fazer o pagamento parcelado, poderá, no prazo de 15 (quinze) dias contados da juntada 
aos autos do mandado de citação, apresentar, independente de garantia do juízo, os 
embargos à execução. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 121 
 
Tendo natureza jurídica de ação de conhecimento, a apresentação dos embargos se faz 
através de uma petição inicial, que será distribuída por dependência ao processo 
executivo, e instruída com cópias de peças essenciais da execução (CPC, arts. 914 e 915). 
 
É lícito ao executado, nos embargos, apresentar, além de defesas específicas contra a 
execução (exemplo: inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação, excesso 
de execução ou cumulação indevida de execuções, entre outras), todas as defesas, 
processuais e meritórias, que ele poderia apresentar em uma demanda cognitiva, tudo 
por força e garantia da ampla defesa, consagrada no art. 917, CPC/2015. 
 
Como ação judicial de natureza cognitiva, os embargos serão julgados por sentença, 
contra a qual caberá recurso de apelação. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 122 
 
24 RECURSOS E MEIOS DE IMPUGNAÇÃO DAS 
DECISÕES JUDICIAIS 
24.1 CONCEITO 
 
Recurso pode ser conceituado como um ato de inconformismo, manejado pela parte 
que tem legitimidade e interesse, no mesmo processo em que o ato foi proferido, 
buscando a reforma, a invalidação, a integração ou o esclarecimento da decisão judicial 
impugnada. 
24.2 SUCEDÂNEOS RECURSAIS 
 
Recursos não são os únicos meios de impugnação de decisões judiciais; existem os 
chamados sucedâneos recursais. 
 
Os SUCEDÂNEOS RECURSAIS são os meios de impugnação e confrontação de decisões 
judiciais que não possuem características conceituais de recursos, e que não seja 
tipificado como tal, desprovidas das características básicas do ato denominado recurso. 
 
Por exemplo: existem ações que servem para impugnar atos decisórios (ação rescisória), 
ou podem existir atos no processo que podem gerar os mesmos efeitos de recurso mas 
que não possuem suas características básicas (remessa necessária). 
 
a) sucedâneos recursais internos 
Assim chamados por serem atos de impugnação voltados contra decisões judiciais, 
externando inconformismo contra essas decisões judiciais, apresentados no mesmo 
processo em que a decisão hostilizada foi proferida. 
 
EXEMPLOS: 
 
(i) remessa necessária 
Mesmo sendo notório que o reexame necessário (ou remessa necessária, art. 496, 
CPC/2015), gera efeitos próximos do recurso, podendo reformar ou modificar o ato 
decisório objeto do duplo grau obrigatório, não é possível que seja considerado recurso 
por lhe faltar elementos conceituais essências, tais como a voluntariedade e a 
dialeticidade. 
 
(ii) correição parcial 
Instrumento processual cabível quando o magistrado fere a ordem lógica dos atos 
processuais, invertendo a ordem prática dos atos procedimentais, gerando uma 
confusão procedimental. Os regimentos internos dos tribunais tratam, sempre, desse 
meio procedimental. 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 123 
 
(iii) pedido de reconsideração 
Próprio da prática processual, as solicitações de reconsideração não possuem previsão 
legal e não podem ser confundidas com as hipóteses recursais que possuem efeito 
regressivo, ou seja, pedido de reconsideração não é o requerimento, feito no recurso, 
de exercício, pelo juiz, do juízo de retratação, é mera manifestação da parte, por petição 
incidental nos próprios autos do processo em que proferida a decisão que lhe é 
contrária. 
 
b) sucedâneos recursais externos (ações autônomas de impugnação) 
Por seu turno, sucedâneos recursais externos é a utilização de “um outro processo” 
(exercício de direito de ação) para impugnar atos decisórios proferidos em um “anterior 
processo”. 
 
Por isso a nominação “sucedâneos recursais EXTERNOS”, posto que o meio de 
impugnação da decisão judicial se faz a partir de um outro processo. 
 
São exemplos de sucedâneos recursais externos as ações autônomas de impugnação: 
ação rescisória, ação anulatória; ação de querela nullitatis, reclamação constitucional, 
mandado de segurança contra decisão judicial e embargos de terceiro. 
24.3 PRINCÍPIOS RECURSAIS 
 
Devemos aplicar aos recursos (e isso não poderia ser diferente), vários princípios 
processuais genéricos, vistos como normas fundamentais. 
 
Por exemplo, para a validade dos recursos é necessário o respeito ao contraditório, 
sendo dada oportunidade à parte recorrida de apresentar suas contrarrazões, sob pena 
de nulidade de eventual reforma da decisão recorrida; princípio da boa-fé, não podendo 
a parte manejar recursos infundados sob pena, inclusive, de ser visto como litigante de 
má-fé (art. 79 e ss., CPC); princípio da publicidade; princípio da primazia do mérito, entre 
outros. 
 
Destacamos abaixo alguns PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS aplicáveis aos atos recursais. 
 
a) Duplo Grau de Jurisdição 
Inicialmente discutimos o princípio do duplo grau de jurisdição, que alguns colocam 
como um derivativo da garantia dada, a todos, de um devido processo legal. 
 
Acredito, entretanto, que apesar do duplo grau ser uma regra processual a ser 
observada, pode a lei processual, de forma excepcional, limitar, em casos isolados, a 
utilização de recursos contra determinadas decisões judiciais. 
 
Analisemos, abaixo, algumas situações legais limitadoras de interposição de recurso: 
- a admissão ou não da modalidade de terceiro chamada “amicus curiae”; referida 
decisão, pelo art. 138, CPC, não admite recurso, posto que é ele magistrado, condutor 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 124 
 
do processo, que deve analisar ser necessária ou não a presença de terceiro para 
esclarecimentos sobre os efeitos da demanda judicial e sua possível decisão; a lei não 
fala que em matéria de complexidade será necessária a presença de terceiros como 
“amigos da corte”, a lei faculta levando em consideração a relevância da matéria e 
outras questões; 
 
- quando um recurso interposto não vem acompanhado do preparo, pode a parte 
recorrente demonstrar justo impedimento; demonstrado o juiz pode relevar a deserção, 
fixando prazo para a parte apresentar o recurso, sendo essa decisão irrecorrível, tudo 
conforme o art. 1.007, $6º, CPC. 
- outros exemplos no CPC: art. 1.031, §§2º e 3º e art. 1.035. 
 
b) Taxatividade 
Pelo princípio da taxatividade, somente podemos ter como recurso um ato processual 
cuja criação derive de lei federal, que também se encarregará de ditar quando esses 
recursos criados poderão ser interpostos. Em outras palavras compete à lei federal criar 
os recursos (princípio da taxatividade)e ditar as devidas hipóteses de utilização desses 
recursos (hipóteses de incidência recursal). 
 
Insisto: SOMENTE A LEI FEDERAL PODE CRIAR RECURSOS, tudo em razão da 
competência prevista na constituição federal; pois compete privativamente à União 
legislar sobre direito processual. 
 
Percebam que o CPC (lei federal), no art. 994, o primeiro nas disposições gerais de 
recursos, prevê, criando, quais são os recursos possíveis de serem apresentados no 
processo civil codificado; esse dispositivo legal afirma serem cabíveis os recursos de 
apelação, agravo de instrumento, agravo interno, embargos de declaração, recurso 
ordinário recurso especial, recurso extraordinário, agravo em recurso especial ou 
extraordinário e embargos de divergência. 
 
c) Singularidade 
O princípio da singularidade ou da unirrecorribilidade das decisões, prevê que, ao criar 
um recurso, a lei federal ditará também quando ele será utilizado (hipótese de 
incidência) não podendo, determinado ato decisório, em regra, ser atacado por mais de 
um recurso. 
 
Por isso o nome do princípio: UMA DECISÃO = UM RECURSO PRÓPRIO. 
 
Situação processual decorrente do princípio da taxatividade é a chamada ‘hipótese de 
incidência’. Como afirmamos acima, compete a lei federal não apenas criar o recurso 
mas, também, delimitar quando o recurso será utilizado. Assim, compete a lei federal 
‘criar’ o recurso e determinar sua ‘incidência’, sendo inconstitucional que os regimentos 
internos dos Tribunais criem hipóteses de incidência recursal. 
 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 125 
 
d) Dialeticidade 
Além de princípio é uma das características do ato recursal (não basta que se exteriorize 
o inconformismo contra a decisão, é necessário que se fundamente os motivos pelos 
quais a decisão deve ser reformada ou invalidade, de tal forma que, diante dos 
fundamentos do recurso, fique claro, nítido, que a decisão impugnada merece ser 
revista). 
 
Não será admitido recurso que não impugne de forma específica os fundamentos da 
decisão recorrida. 
 
Hoje inclusive, referido princípio está estampado no art. 932, III, do CPC, quando se 
afirma ser incumbência do relator “não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado 
ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida”. 
 
e) Fungibilidade 
Fungibilidade em termos processuais, sabemos é a utilização de um instituto processual 
(ou o manejamento de um ato processual) que não seria próprio no momento 
processual, mas que pode gerar os mesmos efeitos do instituto processual (ou ato) que 
seria o cabível naquele momento do processo. 
 
Em outras palavras, e sendo específico para os recursos: fungibilidade recursal 
pressupõe que A PARTE UTILIZOU DE UM RECURSO QUE NÃO SERIA O RECURSO 
PRÓPRIO CONTRA A DECISÃO RECORRIDA, MAS QUE, PRESENTES OS PRESSUPOSTOS, 
PODE SER ADMITIDO, gerando os potenciais efeitos de reforma ou invalidação da 
decisão hostilizada. 
 
O CPC/2015 não traz, de forma expressa, a figura do princípio, não em normas gerais, 
mais apresenta casos isolados (o que não veda que a fungibilidade possa ser aplicada 
em outras hipóteses, desde que presentes os pressupostos). 
 
Situações isoladas de utilização do princípio encontramos, por exemplo, no art. 1.024, 
§3º, CPC, ao ditar a lei a possibilidade dos embargos de declaração serem desde logo 
recebidos como agravo interno, chamando a parte recorrente à complementar as razões 
do recurso; além dos arts. 1.032 e 1.033, CPC, fungibilidade entre recursos 
extraordinários e especiais. 
 
Nossa clássica doutrina, bem como a histórica jurisprudencial sobre o tema, dita serem 
necessários 03 requisitos para a aplicação do princípio da fungibilidade: 
 
- dúvida objetiva quanto ao recurso a ser interposto; 
- inexistência de erro grosseiro; e 
- observância do prazo do recurso cabível. 
 
Devemos ressaltar, entretanto, que existe uma evolução doutrinária interessante do 
princípio aqui em discussão, que afasta a necessidade do recurso interpostos, não sendo 
o recurso cabível, ser apresentado no prazo do recurso próprio; pela doutrina, se há 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 126 
 
dúvida objetiva seria incongruente solicitar que fosse o recurso indevido apresentado 
dentro do prazo do recurso próprio. 
 
f) Proibição da “reformatio in pejus” 
Sendo o recurso um ato de inconformismo, se fosse permitido que a parte, ao recorrer, 
tivesse a sua situação agravada pelo julgamento do recurso, seria isso uma forma de 
pressão psicológica para que a parte não apresentasse o recurso. 
 
Imaginem, determinado autor solicita em juízo a condenação do réu ao pagamento da 
quantia de R$100.000,00 (cem mil reais); o réu contesta afirmando não dever nada ao 
autor; na sentença o juiz julga parcialmente procedente o pedido para condenar o réu 
ao pagamento da quantia de R$80.000,00 (oitenta mil reais). Imaginando que o autor 
não apresente recurso, e que o réu viesse a recorrer buscando a diminuição da 
condenação, se ao tribunal lícito fosse aumentar a condenação imposta ao recorrente, 
isso poderia concorrer por tirar do réu o legítimo direito de apresentar seu 
inconformismo contra a sentença. 
 
Entretanto devemos afirmar que referido princípio não é absoluto. 
24.4 EFEITOS DEVOLUTIVO E SUSPENSIVO 
 
Possuem os recursos vários efeitos. No presente momento tratamos dos dois mais 
lembrados, que são os efeitos devolutivo e suspensivo. 
 
a) efeito devolutivo 
Por efeito devolutivo podemos entender a transferência, a outro órgão da jurisdição, do 
conhecimento daquelas matérias que já foram objeto de decisão pelo juízo prolator da 
decisão recorrida. 
 
O efeito devolutivo pode ser visto nos seus aspectos de extensão e de profundidade. 
 
- efeito devolutivo em extensão: Para a verificação da extensão do efeito 
devolutivo, devemos levar em consideração a matéria impugnada pelo 
recorrente. Permite a lei processual, ao legitimado, o direito de impugnar de 
forma integral o julgado ou apenas parte, como previsto no art. 1.002, CPC: ‘A 
decisão pode ser impugnada no todo ou em parte’; nitidamente tal preceito legal 
deriva do princípio da demanda. A extensão do efeito devolutivo depende, 
portanto, da faculdade dada ao legitimado, de recorrer de todos os capítulos da 
decisão (levando em consideração o princípio da sucumbência que só permite 
recurso contra os capítulos da decisão ao qual o recorrente é sucumbente), ou 
de apenas alguns deles. 
- efeito devolutivo em profundidade: uma vez que o recorrente fixou a extensão 
do efeito devolutivo, a profundidade de dito efeito permite ao julgador verificar 
todos os fatos e fundamentos que estejam lançados e debatidos no processo, 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 127 
 
ainda que não tenham sido solucionados na decisão impugnada, desde que 
versem sobre o capítulo (ou capítulos) da decisão atacados no recurso. 
 
Como exemplo citamos o art. 1.013 do CPC/2015, que prevê, no caput, o efeito 
devolutivo em extensão, ditando que a apelação somente “devolverá ao tribunal o 
conhecimento da matéria impugnada”; já os §§ 1o e 2o do mesmo dispositivo legal 
trazem a provisão do efeito devolutivo em profundidade, ao permitir que os julgadores 
do recursos possam apreciar e julgar “todas as questões suscitadas e discutidas no 
processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo 
impugnado”, bem como “Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e 
o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos 
demais.” 
 
b) efeito suspensivo 
O CPC/1973 partia da premissa que todo recurso teria, em regra, efeito suspensivo, que 
corresponde ao impedimento de ser efetivada a decisão enquanto o recurso não for 
julgado. Assim, o código procedimental revogado afirmava, textualmente, quando um 
recurso não teria efeito suspensivo. 
 
Por seu turno, sendo uma verdadeira inversão paradigmática, o novo CPC parte de uma 
premissa inversa, a de que os recursos não impedem a eficácia da decisão, ou seja: que,em regra, os recursos não são dotados de efeito suspensivo, permitindo que as decisões 
judiciais gerem efeitos imediatamente após publicadas. Referida regra está prevista no 
art. 995, CPC/2015, caput: “Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo 
disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso.” 
 
Observem que o dispositivo legal acima citado permite, entretanto, que alguns recursos 
sejam dotados de efeito suspensivo por expressa previsão legal ou, não havendo, por 
decisão judicial concessiva do efeito. 
 
Podemos afirmar que, em regra, o recurso que possui efeito suspensivo por imperativo 
legal é o recurso de APELAÇÃO, por força da norma do art. 1.012, caput, CPC/2015; os 
demais recurso somente teriam efeito suspensivo por decisão judicial, desde que 
preenchidos os pressupostos legais do parágrafo único do art. 995, CPC/2015, que são: 
a) o risco de, cumprida imediatamente a decisão, o recorrente sofrer um dano grave, de 
difícil ou impossível reparação; e b) o recorrente demonstrar a probabilidade do seu 
recurso ser provido. 
 
OBS: não é absoluta a regra do efeito suspensivo ao recurso de apelação, o próprio art. 
1.012, CPC/2015, em seu §1o, traz, de forma exemplificativa, algumas situações em que, 
publicada a sentença, poderá ser imediatamente executada; ou seja, situações em que 
a apelação não terá efeito suspensivo. 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 128 
 
24.5 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE 
 
Para que o mérito recursal possa ser enfrentado pelo órgão jurisdicional competente, 
primeiro devem ser verificados se os pressupostos processuais estão preenchidos. Ou 
seja, somente se ultrapassados os elementos formais inerentes ao ato recursal, com a 
verificação do preenchimento deles, é que o mérito do recurso poderá ser enfrentado. 
 
a) Efeito da Decisão de Inadmissibilidade 
Questão altamente relevante é o efeito da decisão que inadmite o recurso por ausência 
de um dos seus pressupostos, se “ex tunc” ou “ex nunc”. No primeiro caso, admitindo-
se que o efeito seria “ex tunc”, a preclusão ou o trânsito em julgado ocorreria a partir 
do momento em que o vício formal passou a existir no processo: ‘Se houver deserção 
da apelação, o trânsito em julgado ocorrerá na interposição do recurso deserto; se o 
recurso de agravo é intempestivo, a preclusão ocorrerá no vencimento do prazo 
recursal’ ; se “ex nunc” a preclusão ou o trânsito em julgado somente ocorreria somente 
a partir da decisão da inadmissibilidade recursal. 
 
O Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que, apensar da natureza declaratória, 
o juízo de admissibilidade tem eficácia ‘ex nunc’, de forma que a preclusão ou a coisa 
julgada decorrente da decisão impugnada só seja computada a partir da não admissão 
do recurso 
 
b) Pressupostos Intrínsecos de Admissibilidade 
(i) cabimento 
Para que determinado recurso possa ser manejado, é necessário que: 1) A DECISÃO SEJA 
RECORRÍVEL (nos observamos, em aula anterior, decisões que, pela lei, são 
irrecorríveis); e 2) que SEJA INTERPOSTO O RECURSO ADEQUADO (analisamos, também 
em aula anterior, o princípio da taxatividade e a hipótese de incidência recursal). 
Assim, verificado, no caso concreto, que não há na lei uma vedação da decisão ser 
recorrível, deverá ser analisada a hipótese de incidência recursal. Abaixo uma pequena 
tabela em que apresentamos, de um lado, o recurso criado pela lei federal (princípio da 
taxatividade) e, do outro, a hipótese legal de interposição recursal. 
 
RECURSO HIPÓTESE LEGAL DE CABIMENTO 
APELAÇÃO CPC: Art. 1.009. Da sentença cabe apelação. 
AGRAVO DE INSTRUMENTO 
CPC: Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento 
contra as decisões interlocutórias que versarem 
sobre: (...) 
AGRAVO INTERNO 
CPC: Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo 
relator caberá agravo interno para o respectivo 
órgão colegiado, observadas, quanto ao 
processamento, as regras do regimento interno 
do tribunal. 
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CPC: Art. 1.022. Cabem embargos de declaração 
contra qualquer decisão judicial para: (...) 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 129 
 
RECURSO ORDINÁRIO CPC: Art. 1.027. Serão julgados em recurso 
ordinário: (...) 
RECURSO ESPECIAL 
CF: Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de 
Justiça: (...)III - julgar, em recurso especial, as 
causas decididas, em única ou última instância, 
pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos 
tribunais dos Estados, do Distrito Federal e 
Territórios, quando a decisão recorrida: (...) 
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 
CF: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal 
Federal (...): (...) III - julgar, mediante recurso 
extraordinário, as causas decididas em única ou 
última instância, quando a decisão recorrida: (...) 
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 
E EXTRAORDINÁRIO 
CPC: Art. 1.042. Cabe agravo contra decisão do 
presidente ou do vice-presidente do tribunal 
recorrido que inadmitir recurso extraordinário 
ou recurso especial, salvo quando fundada na 
aplicação de entendimento firmado em regime 
de repercussão geral ou em julgamento de 
recursos repetitivos. 
EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CPC: Art. 1.043. É embargável o acórdão de órgão 
fracionário que: (...) 
 
(ii) Legitimidade Recursal 
Demonstrado o cabimento, deve ser analisado se o recorrente é legítimo para recorrer 
e, segundo a lei, podem recorrer quem é PARTE no processo, o MINISTÉRIO PÚBLICO, 
quando intervém como fiscal da ordem jurídica, bem como TERCEIRO que 
eventualmente seja atingido pelo ato decisório; tudo conforme art. 996 CPC 
 
(iii) Interesse recursal 
Uma coisa é a legitimidade para recorrer, questão enfrentada no item acima, outra coisa 
é a parte demonstrar seu interesse em recorrer, o interesse recursal. 
O interesse recursal está intimamente ligado ao PRINCÍPIO DA SUCUMBÊNCIA, somente 
aquela parte sucumbente, ou que tem seus interesses atingidos, é que terá interesse 
em apresentar, contra a decisão, o ato recursal. 
 
(iii) Inexistência de Ato Impeditivo ou Extintivo do Direito de Recorrer 
Sendo o recurso um ato voluntário e disponível pode aquele que tem legitimidade e 
interesse, por ato de vontade, exercer o direito de desistir do recurso interposto (art. 
998 CPC); tal ato de vontade impede, portanto, que o recurso seja julgado pelo órgão 
jurisdicional competente. Possível também que o legitimado a praticar o ato de vontade 
renuncie a tal direito, sendo esse ato um ato extintivo do direito de recorrer (art. 999 
CPC). Também é extintiva a aceitação expressa ou tácita da decisão (art. 1.000 CPC). 
Desta forma, esses atos disponíveis geram: 
- desistência: ato impeditivo 
- renúncia: ato extintivo 
- aceitação: ato extintivo 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 130 
 
Lado outro, pode o direito de recorrer depender do pagamento ou depósito de multas, 
como ocorre em hipóteses derivadas do julgamento dos embargos de declaração (art. 
1.026, §§2º e 3º CPC), bem como de agravo interno (art. 1.021, §§4º e 5º CPC), assim, 
podemos afirmar que o não pagamento/depósito dessas multas constitui outro fato 
impeditivo ou julgamento do recurso. 
- não pagamento de multas: ato impeditivo 
 
c) Pressupostos Extrínsecos de Admissibilidade Recursal 
(i) Tempestividade 
Como ato processual voluntário das partes e dos demais legitimados, os recursos 
sujeitam-se a preclusão temporal, devendo ser interpostos dentro do prazo prescrito 
em lei. 
 
O CPC/2015 buscou unificar o prazo para a interposição de recursos, ditando ser o prazo 
para recorrer e para responder ao recurso de até 15 (quinze) dias. No CPC/2015, o único 
recurso que possui prazo diferenciado são os embargos de declaração, que continuam 
a ser interpostos no prazo legal de até 05 (cinco) dias. Referida unificação pode ser 
verifica da redação do art. 1.003, §5o, CPC/2015: “Excetuados os embargos de 
declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) 
dias.” 
 
O início da contagem do ato recursal será, tomando como norte a advocacia privada, em 
regra, a data que os advogados das partes (ou a sociedade de advogados) é intimadado 
ato decisório. Dessa intimação fluirá o prazo legal para apresentação do recurso de 
forma tempestiva. Falamos “em regra” pelo fato de existirem outros marcos iniciais para 
a contagem do prazo recursal, tudo pensando na advocacia privada. Exemplos: se o ato 
decisório foi proferido em audiência, tendo sido o advogado intimado para 
comparecimento, se ele não foi e na audiência foi proferida a decisão, da data da 
audiência fluirá o prazo recursal; ou, quanto a decisão é proferida contra a parte ainda 
não citada (como no caso de concessão de tutela antecipada, contra o réu, 
liminarmente), nesse caso o prazo fluirá a partir do ato citatório da parte. Tudo isso está 
esculpido no art. 1.003, caput e seus parágrafos. 
 
Devemos levar em consideração, que o prazo recursal, sendo prazo processual, é 
contado em dias úteis (CPC art. 219), aplicando a regra da contagem do prazo em dobro 
(CPC art. 229) e tendo a parte recorrente a obrigação de comprovar, no ato da 
interposição do recurso, para verificação da tempestividade, a ocorrência de feriado 
local (CPC art. 1.003, §6o). 
 
(ii) Preparo 
Quanto a parte autora faz o pagamento das custas iniciais, está efetuando o pagamento 
dos atos processuais que serão praticados no processo que se inicia, desde seu registro 
e distribuição até a prolação da sentença, levando em consideração o tipo de 
procedimento e os atos citatórios e intimatórios requeridos na petição inicial. 
Desta forma, sendo o recurso ato voluntário, não consta das custas iniciais a possível 
despesa que os Tribunais têm com o processamento do recurso. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 131 
 
Portanto, em regra, os recursos carregam, para o recorrente, um ônus financeiro, 
devendo ser efetuado o pagamento das custas recursais, tal como previsto na tabela de 
custas de cada tribunal, bem como comprovado o respectivo pagamento no ato da 
interposição do recurso. É dado o nome de PREPARO ao recolhimento das custas 
recursais. 
 
O CPC/2015, no art. 1.007, regula o preparo, ditando não apenas que ele deve ser 
comprovado, como afirmado acima, no ato de interposição do recurso, mas que alguns 
entes processuais estão isentos do recolhimento dos valores do preparo, notadamente 
os recursos interpostos “pelo Ministério Público, pela União, pelo Distrito Federal, pelos 
Estados, pelos Municípios, e respectivas autarquias, e pelos que gozam de isenção legal” 
(CPC art. 1.007 caput e §1o). 
 
A lei processual faz referência, também, a outro possível ônus financeiro do processo, 
os chamados portes de remessa e de retorno dos autos. 
Alguns recursos são apresentados perante um juízo originário, para serem 
encaminhados, após alguns trâmites processuais, para outro juízo, aquele encarregado 
do efetivo julgamento do recurso. Como exemplo podemos citar o recurso de apelação. 
A apelação é interposta, por petição, perante o juízo de primeiro grau prolator da 
sentença, para, posteriormente, ser encaminhado ao Tribunal competente para 
julgamento (CPC art. 1.010). O Tribunal, nesse caso, terá um gasto financeiro com a 
remessa dos autos do juízo originário para o juízo julgador do recurso, esse gasto é 
reembolsado pelo recorrente quanto ele faz o pagamento do chamado porte de 
remessa, e como os autos deverão, após o julgamento, retornar ao juízo de origem, 
temos o chamado porte de retorno. 
 
Assim, no ato de interposição do recurso, deve o recorrente comprovar, quando assim 
exigido por lei, não apenas o preparo, mas, também, o recolhimento dos valores 
correspondentes ao porte de remessa e de retorno dos autos. 
 
OBS 1: alguns recursos somente terão, além do preparo, o chamado porte de retorno, 
como no caso do agravo de instrumento, já que ele é interposto não no juízo originário 
prolator da decisão recorrida, mas, sim, diretamente perante o Tribunal. Assim, não há 
no agravo de instrumento o porte de remessa, somente sendo necessário que o 
recorrente comprove o preparo e o porte de retorno (CPC art. 1.017, §1o). 
OBS 2: é dispensado o comprovante do porte de remessa e de retorno se o 
processamento do recurso se der em autos eletrônicos (CPC art. 1.007, §3o) 
 
Sendo ato da parte, o preparo (aqui incluindo o porte de remessa e retorno, quando 
exigidos) está sujeito a, eventualmente: 1 - não ser comprovado seu recolhimento no 
ato da interposição; 2 - ter a parte recorrente efetuado o pagamento dos valores a 
menor; e 3 - a guia estar preenchida incorretamente. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 132 
 
Referidas situações podem conduzir a deserção do recurso, ocasionando a sua não 
admissibilidade. Entretanto, diante do princípio da primazia do mérito recursal, sendo 
sanáveis todas as hipóteses de deficiência no tocante ao preparo acima apresentadas, 
podemos afirmar que não existe deserção imediata no direito processual civil atual. 
 
Diante de qualquer dessas deficiência deverá o juiz: 
 
1 - no caso de não comprovação do preparo no ato de interposição do recurso, intimar 
a parte recorrente para sanar esse vício, no prazo de 05 dias, efetuando, entretanto, o 
recolhimento dos valores em dobro (CPC art. 1.007, §4o) 
2 - no caso de recolhimento a menor, intimar a parte para complementar o pagamento 
inicial, também no prazo de 5 dias (CPC art. 1.007, §2o); e 
3 - caso a guia apresentada esteja preenchida erroneamente, intimar o recorrente, no 
mesmo prazo, para sanar o vício (CPC art. 1.007, §7o). 
Somente no caso do recorrente não regularizar a deficiência do preparo é que poderá o 
recurso ser inadmitido (vide, também, CPC art. 932, parágrafo único). 
 
(iii) Regularidade Formal 
A apresentação do recurso submetesse a regrar previstas na lei, que regulam a forma 
de interposição; assim, para que o recurso seja admitido, deve a parte pautar a 
interposição do recurso pelas regras estabelecidas em lei. 
Por exemplo, salvo nos juizados especiais, os recursos devem ser interpostos de forma 
escrita, não sendo admitida a oralidade nos recursos; alguns recursos exigem a 
apresentação de alguns documentos para a sua admissibilidade, como ocorre no recurso 
de agravo de instrumento. 
24.6 JUÍZO DE MÉRITO 
 
A primeira coisa que devemos discutir é o conceito de Mérito Recursal. Podemos afirmar 
que o mérito recursal é a pretensão veiculada no recurso, seja de reforma, invalidação, 
integração ou esclarecimento da decisão recorrida, não se confundindo com o mérito 
da demanda propriamente dita. 
 
Assim, quando da interposição do recurso, deve a parte demonstrar o equívoco da 
decisão, buscando sua reforma ou anulação, demonstrando ter ocorrido um erro no 
procedimento (erro formal) ou um erro de julgamento (equívoco do magistrado prolator 
da decisão no tocante à aplicação da lei ao caso concreto). 
 
a) Causa de Pedir: error in procedente e error in judicando 
Devemos, portanto, ao recorrer, demonstrar qual é a nossa causa de pedir: se estamos 
alegando um erro de procedimento, e portanto buscando a invalidação da decisão, ou 
se estamos discutindo um erro no julgamento, buscando, assim, a reforma da decisão 
hostilizada. 
 
Muitas vezes, na prática, ocorre uma certa confusão, solicitando o operador do direito 
muitas vezes a “cassação” ou “nulidade” da decisão, quando o correto seria solicitar a 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 133 
 
“reforma” do ato decisório. Se estamos alegando erro no procedimento, o correto é a 
invalidação da decisão, se estamos alegando um erro de julgamento, o pedido deve ser 
de reforma da decisão. 
 
b) Pedido 
De acordo com a causa de pedir (erro no procedimento ou erro no julgamento) devemos 
fazer o respectivo pedido, como acima demonstramos. 
 
Se o fundamento do recurso é a existência de um error in procedendo o pedido será de 
anulação. Caso o fundamento do recurso seja error in judicando o pedido é de reforma 
da decisão, ou seja, a substituição da decisão recorrida pela decisão do recurso, como já 
analisado. 
24.7 DO RECURSO ADESIVO 
 
Diante da sucumbência recíproca, poderá cada parte, de forma independente, interpor 
o seurespectivo recurso contra a parte da decisão que lhe é desfavorável. 
 
Exemplo: o autor pede a condenação do réu ao pagamento da quantia de R$10.000,00 
(dez mil reais), por seu turno o réu, ao apresentar contestação, impugna o pedido 
afirmando não ter a obrigação de pagar, que não deve absolutamente nada ao autor; a 
sentença, julga parcialmente procedente o pedido condenando o réu ao pagamento da 
quantia de R$7.000,00 (sete mil reais). Estamos diante de caso de sucumbência 
recíproca, já que o réu foi condenado, mas o autor não ganhou tudo aquilo que pediu. 
Nesse caso poderão, autor e réu, recorrer da decisão, cada um apresentando seu 
recurso de apelação, no prazo comum de até 15 (quinze) dias. 
 
Permite, entretanto, a lei processual, que tendo apenas uma das partes sucumbentes 
apresentado o recurso, possa a outra, que não recorreu diretamente, apresentar seu 
recurso de forma adesiva, no prazo que ela, parte, teria para apresentar sua resposta ao 
recurso. 
 
Partindo do exemplo acima, imaginemos que apenas o autor tenha recorrida da decisão, 
solicitando, através do recurso próprio a reforma da decisão para majorar a condenação 
do réu; intimado para apresentar suas contrarrazões, poderá o réu, além de responder 
ao recurso, apresentar em outra peça processual, também, seu recurso de apelação, 
solicitando a reforma da decisão para minorar ou excluir totalmente sua condenação. 
 
Essa técnica processual, do recurso adesivo, está previsto no art. 997 do CPC/2015, e 
tem como pressupostos: 
- ser possível apenas nos recursos de apelação, recurso especial ou recurso 
extraordinário; 
- deve ser interposto, por petição nos autos, no mesmo prazo que dispõe para responder 
o recurso intentado pela parte contrária; 
- tem que preencher todos os pressupostos do recurso (tempestividade, preparo…); e 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 134 
 
- está subordinado ao recurso principal, não sendo conhecido o recurso adesivo se o 
principal for inadmitido ou se a outra parte desistir do recurso anteriormente intentado. 
24.8 DO RECURSO COMO ATO VOLUNTÁRIO E DISPONÍVEL 
 
Conforme declinamos no conceito, para que o ato processual de impugnação seja visto 
como recurso, é essencial o pressuposto da voluntariedade. É por esse e outros motivos 
que o instituto da remessa necessária, sendo ato praticado de ofício pelo juiz, não pode 
ser considerado recurso. 
 
Além de ser ato voluntário o recurso é ato disponível e sujeito a preclusão lógica. 
Como ato voluntário, a parte sucumbente (ou qualquer outro legitimado) interpõe o 
recurso se tiver vontade, exercendo o direito de recorrer a tempo e modo. Como ato 
disponível, é permitido à parte sucumbente renunciar ao direito de recorrer, bem como, 
já tendo intentado o recurso, dele desistir a qualquer momento, desde que antes do seu 
julgamento, sem necessitar da anuência da parte contrário ou de eventual litisconsorte. 
Esses permissivos, da renúncia e da desistência como atos unilaterais de vontade, estão 
previstos nos artigos 998 e 999 do CPC/2015. 
 
No tocante a alegada preclusão lógica (CPC art. 1.000), se a parte sucumbente aceitar 
de forma expressa, ou mesmo tácita, o ato decisório, perde o direito de recorrer. A 
aceitação expressa da decisão consiste em qualquer manifestação processual de 
concordância com a decisão. Por seu turno a aceitação tácita, como previsto no 
parágrafo único do art. 1.000 CPC/2015, é “a prática, sem nenhuma reserva, de ato 
incompatível com a vontade de recorrer”. Exemplo de preclusão lógica partindo de uma 
aceitação tácita: o réu e condenado, por sentença, a pagar ao autor determinada 
quantia, sem nenhuma reserva, no prazo do recurso, comparece em juízo fazendo o 
pagamento da quantia; estamos assim diante de um ato incompatível com a vontade de 
recorrer. Ora, se o recurso é ato de impugnação, de não concordância com a decisão, 
quando o autor cumpre o preceito condenatório, sem nenhuma ressalva, temos 
verdadeira aceitação da condenação, perdendo, portanto, o direito de recorrer. 
24.9 APELAÇÃO 
 
a) Hipótese de incidência 
(i) recurso contra a sentença 
Todo recurso possui aquilo que chamamos de “Hipótese de Incidência”. Primeiro a lei 
federal cria o recurso (princípio da taxatividade, representado no CPC no art. 994), 
depois, ela lei federal, dita em que hipótese processual o recurso será interposto; ou 
seja, a lei normatiza, primeiro, qual é o ato decisório que será objeto do recurso, e, 
depois, qual será o recurso cabível. 
No tocante a apelação, referida regra está estampada no CPC art. 1.009, caput: “Da 
sentença cabe apelação”. 
 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 135 
 
(ii) recurso contra decisões interlocutórias não preclusas 
Notório que o CPC buscou limitar a utilização do recurso de agravo de instrumento e 
que, apesar do STJ ter mitigado a taxatividade do art. 1.015 CPC, muitas decisões 
interlocutórias continuam não sendo atingidas imediatamente pelo recurso próprio. 
Técnica própria de procedimentos ou situações que respeitam o princípio da 
IRRECORRIBILIDADE EM SEPARADO DAS INTERLOCUTÓRIAS, as decisões interlocutórias 
que não podem ser objeto de recurso imediato não tendem a preclusão, podendo ser 
impugnadas no recurso contra a sentença (razões ou contrarrazões). 
 
Assim, quando das razões recursais, pode o recorrente, antes de discutir o eventual 
equívoco da sentença, impugnar decisão interlocutória proferida contrária aos seus 
interesses no curso do processo. 
 
Deve o recorrente, além de apresentar os motivos pelos quais a decisão interlocutória 
recorrida deve ser reformada, requerer corretamente os efeitos da reforma da decisão. 
 
b) a apelação como um recurso de fundamentação livre 
O recurso de apelação é um recurso de AMPLA FUNDAMENTAÇÃO. 
 
A formação objetiva de todo processo pressupõe a apresentação de 
 
- fatos 
- fundamentos 
- e pedidos 
 
Notadamente, quando pensamos em atos decisórios, eles analisam, notadamente a 
sentença, os fatos e fundamentos apresentados pelas partes, bem como todos os 
pedidos existentes no processo. Através do recurso de apelação pode a parte recorrente 
“atacar” a decisão de forma livre (não restrita), apresentando todos os argumentos de 
fatos e de direito possíveis. 
 
Assim, quando se fala que um recurso possui fundamentação livre, podemos afirmar 
que a lei deixa a parte livre para, em seu recurso, deduzir qualquer tipo de alteração em 
relação à decisão, sem que isto tenha influência na admissibilidade dele, podendo 
discutir todos os fatos e fundamentos. 
 
Já os recursos de fundamentação vinculada, estão nos casos em que a lei, ao estabelecer 
as hipóteses de cabimento do recurso, limita sua fundamentação, ou seja, o tipo de 
alteração que se pode fazer à decisão através do recurso. Tais fundamentações são 
encontradas na lei, em enumeração taxativa, os tipos de vícios que podem ser 
apontados na decisão recorrida. 
 
Um exemplo, para fazer o contraponto necessário, de recurso de fundamentação 
restrita ou vinculada é o recurso extraordinário; somente é possível, nesse recurso, 
discutir questões que estejam cujo prequestionamento seja evidente e que atinjam a 
constituição federal, sendo vedado discutir, em sede desse recurso, questões fáticas. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 136 
 
Concluindo, no recurso de apelação poderá a parte recorrente buscar a modificação ou 
anulação da decisão recorrida, apresentando todos os argumentos de fatos e de direito 
que disponha. 
 
c) forma de propositura 
O recurso de apelação, por força da lei, não é apresentado ao juízo que julgará o recurso. 
Segundo a lei processual (de forma histórica), o recurso de apelação é apresentado ou 
juízo prolator da decisão, para que ele encaminhe o recurso, após o processamento 
inicial, para o tribunal que julgará a causa. 
 
Portanto, o procedimento do recurso de apelação pressupõe a atuação de dois juízos: 
(a) o juízo de primeiro grau, prolator da sentença, que é o competente para receber o 
recurso; e (b) o juízo de segundo grau, o tribunala lide por técnicas 
autocompositivas, com a ajuda de agentes do próprio Estado; não sendo 
resolvida a lide pela autocomposição, ou não sendo ela possível, o Estado, 
secundariamente, resolverá a lide de forma impositiva, afirmando, por decisão, 
a existência ou não do direito. 
 
Acrescente-se a existência, dentro da linha da autocomposição como meio primário 
para a solução dos litígios, a existência da Lei de Mediação Extrajudicial, lei 13.140/2015, 
que dispõe sobre a mediação entre particulares como meio de solução de controvérsias 
e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da administração pública. Tal lei, 
dentro da temática aqui abordada, apesar de ser uma mediação extrajudicial, é 
necessária para entender como o princípio da autocomposição afeta de forma primária 
a resolução dos conflitos. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 9 
 
d) A decisão interlocutória como título executivo judicial e sua execução definitiva 
Historicamente a figura do título executivo judicial, por excelência, sempre foi a 
sentença de mérito, onde o juiz afirmava a existência de um direito de uma das partes 
do processo. Decisões interlocutórias não “carregariam” decisões meritórias, sendo una 
a decisão sempre de caráter precário não tendente a definitividade. 
 
Rompendo com esse antigo paradigma, o CPC atual tem como título executivo 
extrajudicial, por excelência, a “decisão” que reconheça, de uma das partes, um direito; 
isso em razão da técnica do julgamento antecipado parcial do mérito, do pedido, onde 
é possível que por decisão interlocutória seja parcialmente julgado meritoriamente um 
ou um dos pedidos cumulados, nas hipóteses previstas em lei. Portanto, não é tão 
somente em uma sentença que há o reconhecimento de eventual direito, sendo possível 
que uma decisão interlocutória gere coisa julgada material. [vide arts. 356 e 515, I, CPC] 
 
e) A primazia do mérito 
Muitos consideram, equivocadamente, o direito processual como um direito formal, 
onde o formalismo procedimental se sobrepõe ao próprio direito material buscado no 
processo. Podemos afirmar que essa é uma visão completamente equivocada. Só para 
criar situações afirmativas que demonstrem o equívoco da visão acima apresentada, é 
correto afirmar, por exemplo, que os atos processuais são, em regra, não solenes e 
mesmo que sejam excepcionalmente solenes, se realizados fora da forma definida em 
lei, atinjam o objetivo sem causar nenhum prejuízo, serão considerados válidos. Outro 
grande exemplo, que parametriza a visão da teoria das invalidades: não há nulidade de 
nenhum ato processual, ou mesmo do processo, sem que tenha ocorrido prejuízo para 
uma das partes do processo. 
 
Essa já era uma evolução legal, doutrinária e jurisprudencial, no vigor da codificação 
anterior. Com o atual CPC a questão da prioridade da manifestação do mérito em 
detrimento da forma ganha foro de princípio, de norma fundamental. O princípio da 
primazia do mérito impacta de forma considerável o atual ordenamento processual, ao 
ponto de afirmarmos que: (a) se é possível eventual extinção do processo, sem 
resolução do mérito, sendo entretanto possível o julgamento do mérito em favor de 
qual aproveitaria a decisão sem mérito, que o magistrado julgue substancialmente a 
causa; (b) eventuais deficiências formais não podem impactar negativamente o 
processo de forma direta, em outras palavras, deve ser dada oportunidade para que 
parte regularize o processo, para que seja possível a análise e julgamento da pretensão 
material; (c) deficiências formais na apresentação dos recursos não podem gerar 
imediata inadmissibilidade, devendo ser dado ao recorrente oportunidade de 
regularização; entre outras situações. 
 
f) Do salto qualitativo quanto ao contratualismo processual 
Para falar sobre contratualismo processual, ou negócio jurídico processual, é necessária 
uma breve visão conceitual: O negócio jurídico processual é a oportunidade que se dá 
às partes plenamente capazes de, por ato de vontade, modificarem o procedimento, 
adaptando à realidade do direito material debatido e aos seus interesses, firmando 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 10 
 
acordo sobre a forma da prática dos atos processuais e convencionando sobre outras 
situações procedimentais nos limites impostos pela lei. 
 
Acho um equívoco falar que o contratualismo processual veio ao direito agora com o 
advento do CPC/2015. Antes do vigor do novo CPC, portanto sob a égide do CPC/73, já 
encontrávamos situações normativas que permitiam às partes fazer ajustes no 
procedimento. 
 
Alguns exemplos no CPC/73 de contratualismo processual: (a) possibilidade das partes, 
mesmo existindo normas legais determinadoras de competência territorial, elegerem 
foro em contrato para a propositura de possível demanda; (b) inversão de ônus de prova 
por disposição e vontade das partes; (c) deliberarem as partes sobre a suspensão do 
processo. 
 
Todas as situações acima exemplificadas estão presentes no CPC/2015, só que ele foi 
além, criando uma norma genérica permissiva para que as partes, plenamente capazes, 
insisto, possam modificar vários outros aspectos do procedimento. 
 
Estamos falando do art. 190, CPC, que permite, dentro dos limites ali presentes, a devida 
equação do contratualismo processual, antes ou durante o processo judicial. Mas não 
apenas ele, temos que destacar, também, a calendarização processual, prevista no art. 
191, CPC. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 11 
 
2 JURISDIÇÃO E NORMAS FUNDAMENTAIS 
2.1 CONCEITO 
 
Muitos doutrinadores apresentam uma tentativa conceitual da atividade jurisdicional 
do Estado. Para o presente trabalho acho importante a visão conceitual do Prof. Fredie 
Didier, que assim a apresenta didaticamente 
 
A jurisdição é a função atribuída a terceiro imparcial (a) de realizar o 
Direito de modo imperativo (b) e criativo (reconstrutivo) (c), 
reconhecendo/efetivando/protegendo situações jurídicas (d) 
concretamente deduzidas (e), em decisão insustentável de controle 
externo (f) e com aptidão para tornar-se indiscutível (g). [DIDIER, Fredie. 
Curso de Direito Processual Civil, Vol. 1. 20a ed. Salvador: ed. Jus 
Podium, 2018, pág. 187] 
 
O CPC/2015, prima, em sua primeira parte, de forma bem diversa do antigo código, por 
apresentar princípios do processo e da atividade jurisdicional. 
 
A seguir daremos ênfase a alguns desses princípios, notadamente daqueles relacionados 
a atividade jurisdicional do Estado. 
 
Referidos princípios são tratados no CPC/2015 como NORMAS FUNDAMENTAIS, cuja 
regulação é encontrada nos arts. 1º a 12 da lei processual. Necessário observar tais 
dispositivos legais (1º) à luz da constituição e, (2º) notar que tais normas fundamentais 
não são de aplicação somente no procedimento cognitivo, mas, também, aos 
procedimentos executivos, dando amparo, a uma visão constitucional e democrática do 
processo. 
2.2 PRINCÍPIO DA INÉRCIA DA JURISDIÇÃO 
 
a) Regra Normativa e Algumas Exceções no CPC 
Referido princípio, estampado na primeira parte do art. 2º, CPC, também conhecido 
como princípio da demanda, cria a inviabilidade, em regra, da instauração de 
procedimentos judiciais de ofício pelo magistrado. 
 
Segundo dita regra principiológica o processo civil começará por iniciativa da parte, não 
sendo lícito, em regra, que o procedimento tenha início por ato do juiz. 
Percebam, entretanto, que a própria lei processual civil dita a possibilidade de exceções, 
ou seja, situações em que é lícito ao juiz dar início a procedimentos de ofício; vamos a 
alguns exemplos: 
 
- Restauração de autos (CPC Art. 712) 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 12 
 
- Herança Jacente (CPC Art. 738) 
- Arrecadação de Bens de Ausente (CPC Art. 744) 
- Conflito de competência (CPC Art. 951) 
 
Referida regra não é própria da jurisdição contenciosa, aplicando-se, também, aos 
procedimentos de jurisdição voluntária, conforme se observa da norma prevista no art. 
720, CPC. 
 
b) Justificativa Principiológica 
Podemos trazer três vertentesque, recebendo o recurso do juízo 
primário, julgará o recurso. 
 
d) juízo de admissibilidade 
Historicamente o recurso de apelação estava sujeito a um duplo grau de admissibilidade, 
um realizado pelo juízo originário, o juízo prolator da decisão e outro pelo tribunal 
competente para julgar o recurso. 
 
Se o juiz de primeiro grau ADMITISSE o recurso, encaminhando ao tribunal, ele (tribunal) 
faria um segundo exame de admissibilidade, verificando novamente todos os 
pressupostos, não estando vinculado à decisão primeira, do juízo de origem, que admitiu 
a apelação. 
 
Se o juiz de primeiro grau INADMITISSE o recurso, era cabível recurso de agravo de 
instrumento contra essa decisão, chamando, por esse recurso, o tribunal a reanalise dos 
pressupostos de admissibilidade. 
 
O CPC/2015 rompeu com essa forma de análise do juízo de admissibilidade, sendo agora 
realizado uma única vez, diretamente no tribunal, não tendo mais o juiz de primeiro grau 
competência para admitir ou inadmitir recurso de apelação. 
 
e) distribuição ao relator e sua atuação 
Uma vez encaminhado ao tribunal, deve o recurso de apelação ser distribuído a um 
relator. 
 
Nos Tribunais pátrios, os órgãos jurisdicionais são compostos por mais de um julgador, 
mais de um desembargador ou ministro, pelo que os recursos, assim, em regra, são 
apreciados de forma colegiada, cuja expressão típica é o acórdão (art. 163 do CPC/73 — 
art. 204 do CPC/15). Por tal princípio, até mesmo para uma melhor análise da decisão 
recorrida e na busca de uma decisão mais justa, os recursos devem ser julgados por mais 
de um desembargador ou ministro. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 137 
 
Pois bem, historicamente, ao longo das reformas introduzidas no CPC/73, a tendência 
passou a ser o incremento dos poderes do relator, para além da gestão do processo, 
acentuando-se os julgamentos monocráticos nos Tribunais; aos poucos a lei veio 
impondo ao relator resolver sozinho o recurso, não apenas no aspecto formal 
(inadmissibilidade), mas também no seu aspecto substancial (provimento ou 
improvimento do recurso, análise de mérito). 
 
Seria correto afirmar que a lei veio, aos poucos QUEBRANDO O PRINCÍPIO DO 
COLEGIADO, ampliando os poderes do relator ou ponto de termos decisões meritórias 
que devem ser proferidas unicamente por ele magistrado relator de forma monocrática. 
Em razão do que acima se apresentou, podemos afirmar que a lei processual atual 
AUMENTOU OS PODERES DO RELATOR, notadamente em razão do disposto no art. 932, 
CPC/2015. 
 
f) do efeito suspensivo 
(i) do efeito suspensivo como exceção processual 
Antes de mais nada devemos demonstrar que o CPC/2015 rompeu um antigo 
paradigma: dos recursos, em regra, serem dotados de efeito suspensivo. 
O velho CPC/73 partia da premissa que os recursos teriam efeito suspensivo, salvo 
quando a lei, expressamente, afirmasse o contrário. Por seu turno, o CPC atual parte de 
uma premissa contrária, que os recursos, em regra, não são dotados de efeito 
suspensivo, salvo quando a lei, ou decisão judicial, conceder ao recurso efeito 
suspensivo; para tanto devem ler o art. 995 CPC. 
 
(ii) efeito suspensivo e recurso de apelação 
O recurso de apelação é aquele que, em regra, por força da lei, é dotado de efeito 
suspensivo, como se infere do art. 1.012, caput, CPC: “A apelação terá efeito 
suspensivo.” 
 
Entretanto existem situações que o recurso de apelação não é dotado de efeito 
suspensivo, permitindo, após a publicação da sentença, a execução provisória da 
decisão, notadamente as hipóteses previstas no art. 1.012, §1º, CPC. 
 
A partir do momento em que o recurso de apelação não é dotado, por força da lei, de 
efeito suspensivo, pode o recorrer, logo após a interposição do recurso, solicitar 
diretamente ao tribunal da concessão do efeito suspensivo, não sendo esse ato de 
competência do juízo de primeiro grau. 
 
Para a concessão do efeito suspensivo, ao recurso de apelação, além de ser o 
requerimento endereçado ao juízo competente, devem ser preenchidos os requisitos 
do §4o, do artigo legal acima citado. 
 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 138 
 
24.10 AGRAVO DE INSTRUMENTO 
 
a) sobre o princípio da vedação de um recurso em separado contra decisões 
interlocutórias 
Um dos princípios recursais, que possui parâmetro no direito processual brasileiro mas 
que sempre foi, historicamente, inobservado no direito processual civil é o que vedaria 
a interposição de recurso próprio e separado das decisões interlocutórias. Segundo tal 
princípio, as decisões interlocutórias seriam, em tese, irrecorríveis de forma direta, só 
podendo ser objeto de impugnação específica quando do recurso interposto contra a 
sentença. 
 
Apesar do CPC não seguir a risca esse princípio, isso de forma histórica, alguns outros 
ordenamentos do direito processual civil brasileiro seguem a figura principiológica aqui 
discutida. Destacamos, por exemplo, a CLT em seu art. 893, §1º, que dita que “os 
incidentes do processo são resolvidos pelo próprio Juízo ou Tribunal, admitindo-se a 
apreciação do merecimento das decisões interlocutórias somente em recursos da 
decisão definitiva.” 
 
No direito processual civil também encontramos, historicamente, mas de forma bem 
mais recente, a aplicação desse princípio nos juizados especiais cíveis, já que segundo a 
lei 9099/95 somente caberá recurso contra a sentença, sendo as decisões 
interlocutórias recorríveis, também, nesse momento (art. 41, Lei 9099/95). 
 
O ideário, portanto, seria o ataque às decisões interlocutórias somente quando da 
interposição do recurso contra a sentença, o que, em tese, tornaria o processo mais 
célere. 
 
Como afirmamos acima, o CPC, nunca seguiu esse princípio, sendo apenas, no campo do 
direito processual civil codificado, um ideário perseguido. 
 
Com o advento do CPC/2015 foi dado mais um passo na busca de aproximação da lei 
processual civil básica com o princípio, passando a lei (assim foi a ideia originária) a exigir 
que a interposição do recurso de agravo de instrumento guardasse possibilidade 
decorrente de expressa previsão legal; ou seja, somente diante de disposição legal 
prevendo a utilização do recurso é que ele seria possível de ser interposto (taxatividade 
das hipóteses de incidência do recurso de agravo de instrumento). 
 
E as decisões interlocutórias que não estejam previstas na lei processual como hipótese 
de incidência do recurso de agravo de instrumento? - O legislador optou, nesse caso, em 
extinguir a figura do agravo retido, declarar que as decisões interlocutórias não 
impugnáveis por agravo de instrumento não estariam sujeitas a preclusão, para que 
possam, caso o sucumbente queira, serem impugnadas em preliminar do recurso de 
apelação (razões ou contrarrazões). 
 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 139 
 
b) hipóteses de incidência 
Recurso próprio contra decisões interlocutórias proferidas pelos juízes em primeiro grau 
de jurisdição. 
 
Ocorre que, em razão da discussão do princípio acima, o legislador optou por restringir 
as hipóteses de utilização (ou de incidência) do recurso de apelação, lançando no art, 
1.015 um rol de decisões interlocutórias aptas a serem desafiadas pelo recurso de 
agravo de instrumento. 
 
Entretanto, além das situações elencadas na lei, permite a tese julgado pelo STJ em 
repetitivo (TESE DA TAXATIVIDADE MITIGADA) que o recurso de agravo de instrumento 
seja interposto contra outras decisões interlocutórias, notadamente no caso de 
urgência. 
 
Para que o recurso seja admitido sob a tese da taxatividade mitigada deverá o 
recorrente/agravante demonstrar: 
 
- não estar a decisão recorrida prevista em dispositivo legal como decisão atacável por 
recurso de agravo de instrumento; 
- ser situação de urgência, ou seja: que será inútil esperar a possível interposição do 
recurso de apelação para a discussão da decisão em questão 
- o devido enquadramento, portanto, na tese dos julgados repetitivos do STJ 
 
Atenção: a situações procedimentais que devem permitir,independente do conteúdo 
da decisão interlocutória, a interposição do recurso de agravo de instrumento. Assim, 
por força do parágrafo único do art. 1.015, CPC, toda decisão proferida no (a) processo 
de execução, (b) no cumprimento de sentença, (c) no procedimento de liquidação de 
sentença, bem como (d) no processo de inventário, são desafiadas por recurso de agravo 
de instrumento. O STJ, inicialmente, passou a defender que, mesmo nesses casos, seria 
necessária demonstração da urgência, sendo que tal entendimento já foi superado, 
entendendo hoje o tribunal mencionado que deve ser respeitada a legalidade e a 
interpretação literal do parágrafo único do art. 1.015, CPC. 
 
c) questões procedimentais 
O agravo de instrumento é interposto diretamente no tribunal competente para 
julgamento (CPC art. 1.016), devendo ser instruído com as peças processuais 
obrigatórias ditadas pela lei (CPC art. 1.017), salvo nos casos de autos eletrônicos, 
quando é dispensada a apresentação de peças dos autos originários para a formação do 
recurso. 
 
Deve ser destacado que a nova lei procedimental, seguindo o princípio da primazia do 
mérito recursal, não mais considera motivo de inadmissibilidade imediata do recurso a 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 140 
 
não apresentação, quando da interposição do agravo de instrumento, a ausência de 
peças obrigatórias. Segundo o Art. 1.017, §3o, c/c Art. 932, parágrafo único, todos do 
CPC, caso o agravo de instrumento não esteja devidamente instruído com as peças 
obrigatórias, deverá o relator, antes de inadmitir o recurso, intimar o recorrente para 
apresentá-las no prazo de 05 (cinco) dias, não sanado esse vício, aí sim, poderá 
licitamente ser inadmitido o agravo de instrumento. 
 
Outra questão que merece destaque é a informação que deve ser levada ao juízo de 
primeiro grau, prolator da decisão interlocutória recorrida, da interposição do recurso 
de agravo de instrumento. 
 
Segundo o art. 1.018 do CPC, quando forem autos não eletrônicos, a parte recorrente 
tem a obrigação de informar ao juízo de primeiro grau, no prazo preclusivo de 3 (três) 
dias, a interposição do agravo de instrumento, apresentando cópia do recurso e a 
relação das peças que formaram o recurso. Caso o recorrente não cumpra o 
determinado, dentro do prazo legal, desde que a parte recorrida alegue essa matéria, 
comprovando o não cumprimento do disposto no artigo em comento, o tribunal deverá 
inadmitir o recurso. Entretanto, quando forem autos eletrônicos, a lei apenas faculta ao 
recorrente a prática do ato processual aqui discutido. 
24.11 AGRAVO INTERNO 
 
Contra as decisões monocráticas proferidas pelo relator, reserva a lei processual a 
interposição do recurso de agravo interno, tal como previsto no art. 1.021 do CPC. 
 
Referido recurso é endereçado ao próprio relator prolator da decisão monocrática 
recorrida, que deverá intimar a parte contrária para apresentar, querendo, resposta ao 
recurso. Após o prazo de contrarrazões, tenha ou não o recorrido apresentado a sua 
manifestação, poderá o relator exercer juízo de retratação, reformando sua decisão 
monocrática; entretanto, caso seja mantida a decisão pelo relator, o recurso será 
colocado para julgamento perante o órgão colegiado competente. 
 
Deve ser destacado que o legislador, objetivando restringir o uso abusivo desse recurso, 
determina que, quando o “agravo interno for declarado manifestamente inadmissível 
ou improcedente em votação unânime, o órgão colegiado, em decisão fundamentada, 
condenará o agravante a pagar ao agravado multa fixada entre um e cinco por cento do 
valor atualizado da causa.” (CPC, art. 1.021, §4o). 
 
Interessante notar, entretanto, que o STJ pacificou entendimento no sentido que a 
aplicação da multa não é automática, sendo necessário a verificação que o recurso de 
agravo interno foi interposto de forma abusiva ou com intuito protelatório: “A aplicação 
da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 não é automática, não se tratando de 
mera decorrência lógica do desprovimento do agravo interno em votação unânime. A 
condenação do agravante ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso 
concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno se mostre 
manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que 
a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 141 
 
protelatória” [AgInt no AREsp 1310962 / SP - Relator(a) Ministro MARCO AURÉLIO 
BELLIZZE - TERCEIRA TURMA - DJe 06/12/2018]. 
24.12 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 
 
a) amplo cabimento dos embargos de declaração 
Inicialmente pontuamos ser possível a interposição de embargos de declaração para 
sanar deficiência formais de qualquer tipo de decisão, seja ela decisão interlocutória, 
sentença, acórdão ou mesmo decisões monocráticas proferidas porá desembargadores 
ou ministros. 
 
b) hipóteses de cabimento 
O art. 1.022, CPC, dispõe ser possível a interposição de embargos de declaração quando 
na decisão houver: OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO, OMISSÃO OU, sendo essa última 
uma nova hipótese, ERRO MATERIAL. 
 
Buscar o conceito de cada uma dessas deficiências formais é algo necessário, assim, 
apresento a conceituação de cada uma dessas situações da lavra do prof. Humberto 
Theodoro Júnior. 
 
HUMBERTO THEODORO JÚNIOR [“Curso de Direito Processual Civil”. Vol. III. 47ª Ed. Rio 
de Janeiro: Forense, 2015, pags. 1061 a 1067]: 
 
[obscuridade] “A obscuridade caracteriza-se pela falta de clareza, pela confusão das 
ideias, pela dificuldade no entendimento de algo. Como registra Bondioli, para os fins 
dos embargos de declaração, ‘decisão obscura é aquela consubstanciada em texto de 
difícil compreensão e ininteligível na sua integralidade. É caracterizada, assim, pela 
impossibilidade de apreensão total de seu conteúdo, em razão de um defeito na fórmula 
empregada pelo juiz para a veiculação de seu raciocínio no deslinde das questões que 
lhe são submetidas. 
 
Não há obscuridade apenas quando o julgador, na decisão, utiliza má redação, segundo 
as regras gramaticais ou mediante emprego de palavras inadequadas para precisar o 
enunciado sentencial; ela está presente também quando, na composição do texto, se 
depara com uma conjuntura lógico-jurídica que evidencia ‘imperfeições na própria ideia 
que norteia o julgamento’.” 
 
[contradição] “A decisão judicial é um ato lógico, de maneira que entre as conclusões e 
suas premissas não pode haver contradição alguma. Os argumentos e os resultados do 
decisório devem ser harmônicos e congruentes. Se no decisório acham-se presentes 
‘proposições entre si inconciliáveis’, impõe-se o recurso aos embargos de declaração. 
(...) 
Para Calamandrei a consequência da contradição, assim como da obscuridade, é a 
ineficácia do julgado e sua inaptidão para pacificar o litígio, em total prejuízo ao ‘acesso 
à ordem jurídica justa”. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 142 
 
 
[omissão] “Configura-se a omissão quando o ato decisório deixa de apreciar matéria 
sobre o qual teria de manifestar-se. 
(...) 
No processo justo, instituído e garantido pelo Estado Democrático, o contraditório deve 
ser completo, desde o diálogo da propositura da demanda até a resposta jurisdicional. 
Como o acesso à justiça há de ser pleno (CF 5º, XXXV), pois não é dado ao litigante 
praticar a autotutela mediante suas próprias forças, nenhuma questão relevante para a 
justa composição do litígio pode deixar de ser apreciada e ponderada pelo juiz. A 
resposta do órgão judicial não é arbitrária, nem mesmo discricionária. Tem de ser 
‘suficiente e adequada’ diante das pretensões contrapostas, devendo a motivação do 
decisório abarcar as questões de fato e de direito integrante do litígio. As garantias do 
processo e da tutela jurisdicional constituem direito fundamentais assegurados pela 
Constituição, com destaque ao dever de proferir decisões adequadamente 
fundamentadas, sobe pena de nulidade do julgamento (CF/1988,art. 93, IX).” 
 
[erro material]: “O Novo CPC acrescentou uma outra hipótese ao rol de cabimentos dos 
embargos, estabelecendo, expressamente, serem admissíveis para corrigir erro 
material, ou seja, aquele manifesto, visível, facilmente verificável (NCPC, art. 1.022, III). 
(...) 
 
A rigor, o erro material consiste na ‘dissonância flagrante entre a vontade do julgador e 
a sua exteriorização; num defeito mínimo de expressão, que não interfere no 
julgamento da causa e na ideia nele veiculada (por exemplo, 2 + 2 = 5). Ocorre essa 
modalidade de erro quando a declaração, de fato, não corresponde à vontade real do 
declarante. Assim, e ainda a rigor, não se enquadram nessa categoria a inobservância 
de regras processuais e erros de julgamento, vale dizer, o error in procedendo e o error 
in iudicando.” 
 
c) pressupostos 
Tempestividade: devem os embargos serem opostos no prazo de 05 (cinco) dias, sendo 
aplicada a regra da contagem de prazo em dobro. Como se infere a lei processual, de 
forma específica, dita ser possível a utilização do art. 229 CPC (CPC 1.023, caput e §1º) 
Ressalte-se que a questão do prazo em dobro atinge, pelos dispositivos próprios, 
também a advocacia pública, o ministério público e a defensoria pública. 
Preparo: por força da lei federal, referido recurso não está sujeito a preparo, nem 
mesmo quando dotado de efeito modificativo (CPC 1.023, caput) 
 
d) efeito modificativo 
Como acima mencionado, os embargos de declaração se prestam, primariamente ao 
esclarecimento, complemento ou correção formal da decisão. Portanto, eles não se 
prestam a invalidar uma decisão processualmente defeituosa nem a reformar uma 
decisão que contenha um erro de julgamento, não de forma primária. 
Entretanto ao suprir a omissão, eliminar a contradição, esclarecer a obscuridade ou 
corrigir o erro material, é possível que a decisão de resposta aos embargos altere até 
mesmo substancialmente o teor da decisão embargada. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 143 
 
Por exemplo, o juiz havia julgado procedente o pedido condenatório ao pagamento de 
quantia. No entanto, omitiu-se de examinar a questão da prescrição da pretensão de 
cobrança – que foi objeto de alegação pela parte e deveria até ser conhecida de ofício. 
Uma vez apontada essa omissão em embargos de declaração e constatada pelo juiz, seu 
suprimento poderá alterar essencialmente o resultado do julgamento. Ao examinar a 
questão da prescrição e tê-la por ocorrida, o juiz emitirá um julgamento de mérito 
desfavorável ao autor, antes vencedor. Mas – reitere-se – quando isso ocorrer, estar-se-
á diante da função normal, típica, dos embargos. 
 
ATENÇÃO, somente terá validade uma decisão que empreste efeitos modificativos se, 
antes, a parte contrária for intimada para apresentar contrarrazões. Sem a vivência do 
contraditório não será válida uma decisão que possa invalidar ou modificar uma anterior 
manifestação jurisdicional. 
LEMBRANDO, só é necessária a vivência prévia do contraditório no caso dos embargos 
de declaração, eventualmente, ter a possibilidade de modificar a decisão recorrida 
substancialmente; caso os embargos de declaração não se prestem a eventual 
modificação substancial do julgado, não será necessária prévia vista dos autos à parte 
contrária para contrarrazões. 
 
e) efeito interruptivo de prazos recursais 
Os embargos têm ainda efeito interruptivo do prazo para a interposição de outros 
recursos eventualmente cabíveis contra a decisão. Uma vez interpostos, interrompem-
se os prazos para a interposição dos demais recursos, por qualquer das partes (art. 
1.026, caput, segunda parte). Note-se, aqui, que se trata do fenômeno da interrupção: 
os prazos começam a contar de novo, desde o início, a partir da intimação da decisão 
dos embargos declaratórios. 
 
Tal efeito interruptivo aplica-se: 
 
(a) a qualquer das partes, e não apenas àquela que interpôs os embargos; 
(b) a todos os capítulos da decisão, e não apenas àquele(s) objeto dos embargos; 
(c) mesmo quando os embargos não são conhecidos, por serem reputados 
inadmissíveis, ressalvada apenas a hipótese de não conhecimento por 
intempestividade, quando já houver inclusive decorrido o prazo para o(s) outro(s) 
recurso(s) – hipótese em que não haverá mais nada para interromper. Nos demais casos, 
quando ainda em curso o prazo para o(s) outro(s) recurso(s), a interposição dos 
embargos, ainda que intempestiva, deve ter a eficácia interruptiva. Afinal, como ela se 
aplica também à parte contrária da que embargou, essa não poderia ser prejudicada, na 
hipótese em que, se fiando na interposição dos embargos pelo adversário, aguardasse 
para recorrer depois de decididos os embargos. Se houver má-fé na interposição os 
embargos intempestivos, deve-se sancionar o embargante pela procrastinação (art. 
1.026, § 2º), mas não se negar a força interruptiva dos embargos (v. a seguir); 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 144 
 
(d) mesmo quando os embargos são reputados procrastinatórios, exceto quando se 
tratar da terceira interposição sucessiva de embargos procrastinatórios contra a mesma 
decisão (art. 1.026, § 4.º). 
 
f) ausência de efeito suspensivo automático 
Mas a circunstância de os embargos terem efeito interruptivo, nos termos acima 
explicados, não significa que eles tenham automaticamente efeito suspensivo. Como já 
visto, o efeito suspensivo de um recurso consiste na sustação dos efeitos da decisão 
recorrida. Em regra, os embargos não produzem esse resultado, pois a lei não lhes 
atribuiu tal eficácia. 
 
O seu art. 1.026, caput, estabelece expressamente a não incidência desse efeito 
automático nos embargos de declaração. 
 
g) embargos protelatórios 
Por ter, como mencionado, o efeito interruptivo do recurso sequenciado, os embargos 
de declaração, muitas vezes, são interpostos com intuito meramente protelatório. Para 
coibir a indevida utilização dos declaratórios impõe a lei processual multa de até 2% 
(dois por cento) sobre o valor corrigido da causa atualizado, quando o recurso for tido 
como protelatório e, na reiteração dos embargos, também com intuito protelatório, a 
multa poderá ser elevada a até 10%, ficando vedada a interposição de novos embargos 
de declaração e condicionada a interposição de qualquer outro recurso ao depósito da 
multa, tudo conforme art. 1.026, §§2o a 4o. 
 
h) embargos de declaração e o prequestionamento 
Os embargos de declaração podem ser utilizados, licitamente, para viabilizar o 
prequestionamento de matérias, objetivando a interposição de futuro recurso 
extraordinário e/ou recurso especial. Tanto que a súmula 98/STJ, tem a seguinte 
redação: “Embargos de declaração manifestados com notório propósito de 
prequestionamento não têm caráter protelatório.” 
 
Entretanto, havia uma “praxe” de alguns julgados de, mesmo o acórdão trazendo 
deficiência e sendo apresentado os embargos de declaração para fins de 
prequestionamento, não ser suprida, por exemplo, a omissão efetivamente existente, o 
que inviabilizava o prequestionamento da matéria para a interposição dos recursos 
extremados. 
 
Pondo fim a tal situação, o atual CPC, no seu art. 1.025, admite a tese do 
prequestionamento implícito. Ou seja, se realmente existe a omissão e, interpostos os 
embargos de declaração, o tribunal de origem não sanar a deficiência, o STF ou STJ 
poderá considerar a matéria como prequestionada. 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 145 
 
24.13 RECURSO ESPECIAL 
 
a) incidência e pressupostos 
Recurso extremado que tem como objetivo levar ao STJ a impugnação de decisões dos 
tribunais estaduais ou regionais federais que estejam em descordo com a legislação 
infraconstitucional, nos limites impostos pelo art. 105, III da constituição. 
 
Está sujeito a todos os pressupostos de admissibilidade genéricos, quais sejam: 
tempestividade, preparo, regularidade forma, interesse recursal, entre outros. 
 
Entretanto podemos destacar alguns pressupostos específicos: 
 
(i) Matéria jurídica: não se presta o recurso especial a permitirque a jurisdição 
reexamine questões probatórias. 
(ii) Prequestionamento: só será admitido o recurso especial se a matéria debatida 
estiver devidamente prequestionada no acórdão recorrido. 
(iii) Esgotamento dos recursos ordinários: se ainda é possível a interposição de algum 
outro recurso, não é possível o manejamento desse recurso extremado. 
 
b) questões procedimentais relevantes 
O recurso especial será interposto perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal 
recorrido. 
 
Depois das providencias necessárias, o recorrido será intimado para, querendo, 
apresentar contrarrazões no prazo legal. 
 
É possível a interposição de recurso especial adesivo quando houver sucumbência 
recíproca e apenas uma das partes interpuser recurso especial, como devidamente 
demonstrado na aula específica, 
 
Interposto o recurso especial adesivo, deve-se intimar o recorrido para ofertar 
contrarrazões ao recurso adesivo, assim como sucede com o recurso principal 
 
Em decisão fundamentada, o Presidente ou Vice-Presidente fará o juízo de 
admissibilidade do recurso, que se restringe a verificação dos pressupostos extrínsecos 
e intrínsecos não podendo analisar a questão de mérito do recurso. 
 
Da decisão que inadmitir o recurso especial caberá o recurso de agravo previsto no art. 
1.042 CPC, que, inclusive, permitirá ao presidente ou vice-presidente do tribunal, 
exercer juízo de retratação; ou seja, apresentado o recurso próprio contra a decisão de 
inadmissibilidade, na origem, do recurso especial, poderá o julgador voltar atrás na sua 
decisão e admitir o recurso especial interposto. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 146 
 
Presentes os pressupostos, admite-se o recurso especial. Independentemente de 
interposição conjunta com recurso extraordinário, o recurso especial será enviado para 
o Superior Tribunal de Justiça. 
 
No STJ o relator fará novo exame de admissibilidade 
 
Presentes os requisitos de admissibilidade, o relator poderá decidir unipessoalmente 
(art. 932, CPC), cabendo agravo interno dessa decisão. 
Não se tratando, porém, de julgamento monocrático, o recurso será julgado pelo órgão 
colegiado competente, nos termos que dispuser o regimento interno da Corte. 
 
c) sobre o efeito suspensivo 
Por determinação do artigo 995, CPC, os recursos especiais não são dotados de efeito 
suspensivo. Isso significa que, uma vez proferido julgamento colegiado pelos tribunais 
de segundo grau, o respectivo acórdão passa a ter eficácia imediata, podendo, desde 
logo, ser executado provisoriamente. 
 
O parágrafo 5º do artigo 1.029 do Código de Processo Civil em vigor, com a redação 
conferida pela Lei 13.256/2016, acolhendo o enunciado das referidas súmulas, dispõe, 
de forma didática, que “o pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso 
extraordinário ou a recurso especial poderá ser formulado por requerimento dirigido: I 
– ao tribunal superior respectivo, no período compreendido entre a publicação da 
decisão de admissão do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu 
exame prevento para julgá-lo; II - ao relator, se já distribuído o recurso; III – ao 
presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no período compreendido entre 
a interposição do recurso e a publicação da decisão de admissão do recurso, assim como 
no caso de o recurso ter sido sobrestado, nos termos do art. 1.037”. 
No tocante sãos pressupostos para a concessão do efeito suspensivo, eles estão 
presentes no art. 995, CPC: PROBABILIADE E DANO!! 
24.14 RECURSO EXTRAORDINÁRIO 
 
a) questões procedimentais relevantes 
Recurso direcionado ao STF, parte da premissa que o ato decisório recorrido está ferindo 
o texto constitucional, conforme e nos limites postos no art. 102, III, da CF. 
 
O recurso em questão é, tal como o recurso especial, desprovido de efeito suspensivo, 
entretanto, a legislação permite que este efeito recursal venha a ser postulado mediante 
requerimento específico. Cabe, porém, a advertência no sentido de que houve inovação 
da nova legislação processual, pois no modelo do Código de 1973 o pedido de efeito 
suspensivo era postulado mediante medida cautelar, sendo agora a sua realização 
efetivada por simples requerimento, porém, é claro, com a adequada fundamentação 
justificadora do efeito suspensivo. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 147 
 
É possível a interposição de recurso extraordinário adesivo quando houver sucumbência 
recíproca e apenas uma das partes interpuser o recurso extraordinário, como 
devidamente demonstrado na aula específica. Interposto o recurso extraordinário 
adesivo, deve-se intimar o recorrido para ofertar contrarrazões ao recurso adesivo, 
assim como sucede com o recurso principal. 
 
Inicialmente, em sua redação originária, o CPC/2015 previa que o juízo de 
admissibilidade dos recursos extremados (especial e extraordinário), seria feito 
exclusivamente nos tribunais superiores. Entretanto, em fevereiro de 2016, antes do 
CPC/2015 entrar em vigor, foi publicada uma lei alterando o CPC e determinando que 
voltasse o duplo juízo de admissibilidade. 
 
Assim, em decisão fundamentada, o Presidente ou Vice-Presidente fará o juízo de 
admissibilidade do recurso, que se restringe a verificação dos pressupostos extrínsecos 
e intrínsecos não podendo analisar a questão de mérito do recurso. O único pressuposto 
de admissibilidade do recurso extraordinário que o tribunal de origem não examinará é 
a existência de repercussão geral, pressuposto cuja análise se dá, de forma exclusive, no 
STF. 
 
Da decisão que inadmitir o recurso extraordinário caberá o recurso de agravo previsto 
no art. 1.042 CPC, que, inclusive, permitirá ao presidente ou vice-presidente do tribunal, 
exercer juízo de retratação; ou seja, apresentado o recurso próprio contra a decisão de 
inadmissibilidade, na origem, poderá o julgador voltar atrás na sua decisão e admitir o 
recurso interposto 
 
b) interposição simultânea de recurso especial e recurso extraordinário 
Havendo a interposição simultânea dos recursos extraordinário e especial os autos do 
processo serão inicialmente encaminhados ao STJ, para julgamento potencial do recurso 
especial, com a devida verificação da admissibilidade. 
 
Se o Relator do recurso especial entender que o recurso extraordinário, interposto 
simultaneamente, lhe é prejudicial, sobrestará o julgamento do recurso especial e 
remeterá os autos ao STF, sendo tal decisão irrecorrível. 
 
Distribuído a um Ministro Relator no STF, a matéria da prejudicialidade será 
reexaminada. Assim, duas coisas podem acontecer: (a) aceitando a prejudicialidade 
passará à análise do recurso extraordinário e em caso de provimento, irá reconhecer a 
perda do objeto do recurso especial, mas em caso de não provimento ensejará o retorno 
dos autos ao STJ; (b) entendendo-se pela não identificação da prejudicialidade, os autos 
retornarão ao STJ para julgamento do recurso especial. 
 
c) sobre a repercussão geral 
O excesso de recursos extraordinários ensejou a implementação do requisito da 
repercussão geral. A exigência de tal pressuposto específico para a admissibilidade do 
recurso extraordinário tem, nitidamente, a tentativa de realocar o STF como uma 
verdadeira Corte Constitucional. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 148 
 
Para que o recurso seja dotado de repercussão geral há que se demonstrar que a 
matéria debatida tem questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social 
ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo. 
 
Quanto a competência para verificar a ocorrência da repercussão geral, o CPC 
estabelece competência exclusiva do STF, cuja decisão é irrecorrível. Entretanto, não se 
pode deixar de reconhecer a real possibilidade de manejamento de embargos de 
declaração, que embora não se preste para a revisão da decisão, poderá se mostrar 
indispensável para a sua adequação ou viabilizar a sua compreensão. 
 
Há hipóteses em que a repercussão geral será presumida: 
 
(i) o acórdão recorrido tenha contrariadoenunciado de súmula ou jurisprudência 
dominante do STF; 
e 
(ii) a decisão recorrida tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou lei 
federal. 
24.15 AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO E EM RECURSO ESPECIAL 
 
Recurso próprio contra decisões de inadmissibilidade de recursos especiais e 
extraordinários proferidas pelos tribunais de origem. 
 
Deve ser interposto no prazo de 15 dias, não estando sujeito a preparo. Interposto 
perante o órgão jurisdicional próprio, será a parte contrária intimada a apresentar 
contrarrazões e, após, serão os autos encaminhados ao STF ou STJ, conforme o caso, 
para julgamento desse recurso de agravo. 
 
Na hipótese de interposição conjunta de recursos extraordinário e especial, o art. 1.042, 
§ 6º, CPC/2015, prevê que o agravante deverá interpor um agravo para cada recurso 
não admitido, sendo nesse caso os autos encaminhados para o Superior Tribunal de 
Justiça. Após a conclusão do julgamento do agravo pelo Superior Tribunal de justiça e, 
se for o caso, do recurso especial, independentemente de pedido, os autos serão 
remetidos ao Supremo Tribunal Federal para apreciação do agravo a ele dirigido, salvo 
se estiver prejudicado. 
24.16 RECURSO ORDINÁRIO 
 
Referido recurso tem suas hipóteses de cabimento previstas tanto na Constituição 
Federal (arts. 102, II, e 105, II, da CF) como no Código de Processo Civil (art. 1.027). 
 
Ainda que o recurso ordinário tenha previsão constitucional, a exemplo dos recursos 
extraordinário e especial, são diversas e significativas as diferenças entre eles. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 149 
 
(a) no recurso ordinário não existe fundamentação vinculada, admitindo-se ao 
recorrente a alegação de qualquer matéria desde que respeite os limites objetivos da 
demanda; 
(b) a exigência de prequestionamento presente nos recursos extraordinário e especial 
não existe no recurso ordinário; 
(c) a devolução do recurso ordinário é ampla, abrangendo tanto matéria de direito - 
constitucional, federal e local - quanto matéria de fato 
Considerações devem ser feitas sobre a competência e incidência do presente recurso. 
Primeiro destacamos que o STF tem competência para julgar o recurso ordinário nos 
casos de os mandados de segurança, os habeas data e os mandados de injunção 
decididos em única instância pelos tribunais superiores, quando denegatória a decisão. 
Já o STJ tem competência para julgar em recurso ordinário os mandados de segurança 
decididos em única instância pelos tribunais regionais federais ou pelos tribunais de 
justiça dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; 
bem como os processos em que forem partes, de um lado, Estado estrangeiro ou 
organismo internacional e, de outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no 
País. 
24.17 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA 
 
Um dos objetivos do presente recurso, para não afirmar que é o maior objetivo de tal 
forma recurso, é a uniformização da jurisprudência interna do Supremo Tribunal Federal 
e do Superior Tribunal de Justiça. 
 
Recurso previsto no CPC, art. 1.043 e ss, dita ser possível a interposição desse recurso, 
contra decisões proferidas por órgão fracionário do STJ ou do STF que: 
 
(i) em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de 
qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e paradigma, 
de mérito 
(ii) em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de 
qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não 
tenha conhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia 
Tratando-se de recurso que tem como objetivo a da jurisprudência interna dos tribunais 
superiores, é indispensável para a sua admissibilidade que exista uma comparação entre 
o acórdão recorrido e o acórdão apresentado como paradigma, considerando-se que 
dessa análise comparativa será verificada a efetiva existência da divergência a permitir 
o cabimento do recurso ora analisado. 
 
24.18 INCIDENTE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA 
 
A admissibilidade do presente incidente parte da premissa da existência de questão 
relevante, com grande repercussão social e que não esteja sendo discutida em múltiplos 
recursos, como se observa da leitura do art. 947, caput, CPC. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 150 
 
Observando tal questão relevante em recurso, em remessa necessária ou em ação 
originária, o relator proporá, de ofício ou mediante requerimento da parte, do MP ou 
da defensoria pública, o julgamento do incidente por um órgão colegiado, indicado no 
regimento interno de cada tribunal de forma específica. 
 
O aqui analisado incidente tem como objetivo a manifestação do órgão competente do 
tribunal, para essa assunção de competência, de tal forma a formar decisão vinculativa 
direcionada a todos os juízes e órgãos fracionários do tribunal. 
 
Pode referido incidente também ser utilizado quando ocorrer relevante questão de 
direito a respeito da qual seja conveniente a prevenção ou a composição de divergência 
entre câmaras ou turmas do tribunal. 
24.19 INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS 
 
Referido incidente, regulado no CPC nos arts. 976 e ss., do CPC, parte da premissa da 
existência de várias ações, sejam individuais ou coletivas, com uma ou mais questões de 
direito pautadas por identidade (repetidas). Sendo cabível a instauração do incidente 
quando houver, simultaneamente: 
 
I - efetiva repetição de processos que contenham controvérsia sobre a mesma questão 
unicamente de direito; 
e 
II - risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica. 
 
Trata-se, na essência, de um incidente para uniformizar a jurisprudência, mas 
antecipadamente, pois, ao invés de julgar múltiplas apelações de sentenças dispares, o 
tribunal determina previamente a formação da tese de direito que considera adequada 
a essas múltiplas e próximas demandas. 
 
Quanto a legitimidade para a instauração do referido incidente (IRDR) temos que o juiz 
ou relator de ofício podem requerer ao presidente do tribunal, bem como as partes, o 
Ministério Público e a Defensoria pública, por petição. 
 
A competência para julgado do IRDR depende de norma regimental, estipulando cada 
tribunal qual órgão interno julgara esse incidente. 
 
Uma vez admitido o incidente o relator: I - suspenderá os processos pendentes, 
individuais ou coletivos, que tramitam no Estado ou na região, conforme o caso; II - 
poderá requisitar informações a órgãos em cujo juízo tramita processo no qual se 
discute o objeto do incidente, que as prestarão no prazo de 15 (quinze) dias; III - intimará 
o Ministério Público para, querendo, manifestar-se no prazo de 15 (quinze) dias. 
24.20 DA RECLAMAÇÃO 
 
Referido procedimento tem como objetivo (CPC 988): I - preservar a competência do 
tribunal; II - garantir a autoridade das decisões do tribunal; III – garantir a observância 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 151 
 
de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em 
controle concentrado de constitucionalidade; IV – garantir a observância de acórdão 
proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de 
incidente de assunção de competência; 
 
Não pode ser instaurada de ofício, demandando requerimento da parte interessada ou 
do Ministério Público e pode ser proposta perante qualquer tribunal, nas hipóteses 
acima elencadas. 
 
Veda a lei processual a utilização da reclamação quando: I – proposta após o trânsito em 
julgado da decisão reclamada; II – proposta para garantir a observância de acórdão de 
recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em 
julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos, quando não esgotadas as 
instâncias ordinárias. 
 
 
 
	1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
	1.1 POSIÇÕES DOUTRINÁRIAS QUANTO AO PROCESSO
	1.2 A BUSCA POR UM PROCESSO CONSITUCIONAL E DEMOCRÁTICO
	1.3 ELEMENTOS ESSENCIAIS PARA ENTENDER O PROCESSO CIVIL ATUAL
	2 JURISDIÇÃO E NORMAS FUNDAMENTAIS2.1 CONCEITO
	2.2 PRINCÍPIO DA INÉRCIA DA JURISDIÇÃO
	2.3 PRINCÍPIO DO IMPULSO OFICIAL
	2.4 PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO
	2.5 PRINCÍPIO DA AUTOCOMPOSIÇÃO
	2.6 PRINCÍPIO DA RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO
	2.7 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DO MÉRITO
	2.8 PRINCÍPIO DA BOA-FÉ
	2.9 PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO
	2.10 PRINCÍPIO DA ISONOMIA
	2.11 PRINCÍPIOS DIRETIVOS DA ATUAÇÃO DO JUIZ
	2.12 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO
	2.13 DA ORDEM PREFERENCIAL PARA JULGAMENTO
	3 COMPETÊNCIA
	3.1 CONCEITO
	3.2 COMPETÊNCIA INTERNACIONAL
	3.3 COMPETÊNCIA INTERNA: CRITÉRIOS DE DETERMINAÇÃO
	3.4 INCOMPETÊNCIA
	3.5 COMPETÊNCIA TERRITORIAL: PREVISIBILIDADE NO CPC
	3.6 MODIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIA
	4 DAS PARTES
	4.1 CONCEITO
	4.2 DA LEGITIMIDADE
	4.3 DA CAPACIDADE
	4.4 DOS DEVERES DA PARTES E DOS PROCURADORES
	5 DO LITISCONSÓRCIO
	6 INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
	6.1 INTRODUÇÃO: conceito de partes e de terceiros
	6.2 MODALIDADES DE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS PREVISTAS NO CPC
	6.3 DA INTERVENÇÃO DE TERCEIRO ANÓDINA OU ANÔMALA
	6.4 ASSISTÊNCIA
	6.5 DENUNCIAÇÃO DA LIDE
	6.6 DO CHAMAMENTO AO PROCESSO
	6.7 DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
	6.8 AMICUS CURIAE
	7 DO JUIZ, DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DA DEFENSORIA PÚBLICA E DA ADVOCACIA PÚBLICA
	7.1 DO JUIZ
	7.2 DO MINISTÁRIO PÚBLICO
	7.3 DA ADVOCACIA PÚBLICA
	7.4 DA DEFENSORIA PÚBLICA
	8 DOS ATOS PROCESSUAIS
	8.1 PRINCÍPIOS
	8.2 DO NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL E DA CALENDARIZAÇÃO
	8.3 DOS ATOS DAS PARTES
	8.4 DOS PRONUNCIAMENTOS DO JUIZ
	8.5 DO TEMPO E DO LUGAR DOS ATOS PROCESSUAIS
	9 DOS PRAZOS
	9.1 CLASSIFICAÇÃO
	9.2 CONTAGEM DOS PRAZOS PROCESSUAIS EM DIAS ÚTEIS
	9.3 DA SUSPENSÃO DOS PRAZOS PROCESSUAIS
	9.4 DA EXTINÇÃO DOS PRAZOS
	10 DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS
	10.1 DA CITAÇÃO
	10.2 DAS CARTAS
	10.3 DAS INTIMAÇÕES
	11 TUTELAS PROVISÓRIAS
	11.1 INTRODUÇÃO
	11.2 CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO
	11.3 TUTELAS DE URGÊNCIA
	11.4 TUTELA ANTECIPADA ANTECEDENTE
	11.5 TUTELA CAUTELAR ANTECEDENTE
	11.6 TUTELAS DA EVIDÊNCIA
	12 PETIÇÃO INICIAL: PROCEDIMENTO COMUM
	12.1 ELEMENTOS CONCEITUAIS DO ATO
	12.2 A QUESTÃO DA COMPETÊNCIA: ENDEREÇAMENTO DA PETIÇÃO INICIAL
	12.3 PARTES E QUALIFICAÇÃO
	12.4 CAUSA DE PEDIR: FATOS E FUNDAMENTOS
	12.5 DO PEDIDO
	12.6 DO VALOR DA CAUSA
	12.7 REQUERIMENTO DE PROVAS
	12.8 OPÇÃO PELA AUTOCOMPOSIÇÃO
	12.9 A PETIÇÃO INICIAL E O PLENO ACESSO AO JUDICIÁRIO
	13 DOS ATOS PRIMEIROS DO JUIZ
	13.1 DA EMENDA DA INICIAL
	13.2 DO INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL
	13.3 DA IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO
	13.4 DA AUDIÊNCIA DE TENTATIVA DE AUTOCOMPOSIÇÃO
	14 DA CONTESTAÇÃO
	15 DA RECONVENÇÃO
	16 DA REVELIA
	17 DO JULGAMENETO CONFORME O ESTADO DO PROCESSO (e o julgamento antecipado parcial do mérito)
	18 DO SANEAMENTO E DA ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO
	19 DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO
	20 DA SENTENÇA E DA COISA JULGADA
	21 DAS PROVAS
	21.1 DISPOSIÇÕES GERAIS
	21.2 DOS MEIOS TÍPICOS DE PROVA: QUESTÕES ESSENCIAIS
	21.3 DA PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS
	22 DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
	22.1 DO TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL
	22.2 DA EXIGIBILIDADE
	22.3 DA COMPETÊNCIA
	22.4 CUMPRIMENTO DEFINITIVO: OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA
	22.5 – DO CUMPRIMENTO PROVISÓRIO
	22.6 DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER, NÃO FAZER E ENTREGAR COISA
	23 DO PROCESSO DE EXECUÇÃO
	23.1 DO TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL
	23.2 DA EXIGIBILIDADE
	23.3 DO PROCESSO DE EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA
	24 RECURSOS E MEIOS DE IMPUGNAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS
	24.1 CONCEITO
	24.2 SUCEDÂNEOS RECURSAIS
	24.3 PRINCÍPIOS RECURSAIS
	24.4 EFEITOS DEVOLUTIVO E SUSPENSIVO
	24.5 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE
	24.6 JUÍZO DE MÉRITO
	24.7 DO RECURSO ADESIVO
	24.8 DO RECURSO COMO ATO VOLUNTÁRIO E DISPONÍVEL
	24.9 APELAÇÃO
	24.10 AGRAVO DE INSTRUMENTO
	24.11 AGRAVO INTERNO
	24.12 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
	24.13 RECURSO ESPECIAL
	24.14 RECURSO EXTRAORDINÁRIO
	24.15 AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO E EM RECURSO ESPECIAL
	24.16 RECURSO ORDINÁRIO
	24.17 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA
	24.18 INCIDENTE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA
	24.19 INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS
	24.20 DA RECLAMAÇÃOde justificativas que tornam a regra da inércia da 
jurisdição algo que respeita os valores e ditames processuais previstos na Constituição 
Federal: (i) a garantia de um processo conduzido por um juiz imparcial; (ii) a liberdade 
das partes em não instaurar formalmente a lide, evitando judicializações indevidas; (iii) 
a possível busca de meios alternativos e, diante do caso concreto, mais eficazes de 
resolução dos conflitos. 
 
c) Princípio da inércia e a limitação da atuação jurisdicional 
Importante salientar que o princípio da inércia (princípio da demanda) também limita a 
atuação jurisdicional do Estado, não sendo lícito ao juiz conceder ao demandante aquilo 
que não foi por ele solicitado. Note que o art. 492 do CPC veda que o juiz profira decisão 
diversa da pedida ou mesmo condene a parte a quantia superior à pretendida. 
 
Claro que essa limitação não atinge aquilo que chamamos de “pedidos implícitos” ou 
“pedidos indiretos”, bem como eventuais outras matérias de ordem pública que devem 
ser conhecidas de ofício, conforme art. 322,§1º, CPC. 
2.3 PRINCÍPIO DO IMPULSO OFICIAL 
 
a) Uma visão conceitual 
Referido princípio está previsto no art. 2º, CPC, segunda parte, e dita que uma vez que 
a parte deu início ao processo, com a retirada da jurisdição da inércia, competirá ao 
próprio juiz determinar a prática dos atos processuais, conduzindo o processo ao seu 
objetivo final. Há situações que o impulso processual surgirá por ato dos auxiliares da 
justiça, notadamente na prática dos chamados atos ordinatórios. 
 
b) Permissivo constitucional para a delegação de atos ordinatórios 
A Emenda Constitucional n. 45, de 2004, incluiu na CF o permissivo necessário para que 
os servidores recebessem, por delegação, a possibilidade de praticarem atos de mero 
expediente sem caráter decisório (vide art. 93, XIV, CF) 
 
Referido permissivo impacta de forma expressiva o tempo do processo, criando a 
possibilidade dos atos de mero expediente do procedimento serem praticados pelos 
servidores de ofício, sem a necessidade de despachos do magistrados. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 13 
 
c) Legislação infraconstitucional sobre atos ordinatórios 
Podemos conceituar, portanto, os atos ordinatórios como aqueles que são praticados 
de ofício pelo servidor, sem a necessidade de despacho do juiz, notadamente atos 
ligados ao regular andamento do procedimento, de natureza formal e sem caráter 
decisório. 
 
Para a verificação dos atos ordinatórios e sua prática por servidores, vide arts. 152, VI, 
§1º e 203, §4º, CPC. 
 
d) Da relativização do princípio do impulso oficial 
Não podemos afirmar, entretanto, que esse princípio é absoluto, existindo situações em 
que o correto andamento processual depende de atos a serem praticados pelas partes. 
No tocante às situações de exceção, em que o andamento processual dependerá de ato 
de solicitação da(s) parte(s), podemos dividi-los em: (i) situações de não cooperação; (ii) 
situações de ordem econômica. 
 
(i) não cooperação: exemplos: arts. 76, §1º, I; 111; 112, §§ 1º e 2º; 321; 485, II e III 
(ii) situações econômicas: exemplos: arts. 83; 102; 290 
2.4 PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO 
 
Princípio derivado da Constituição Federal (art. 5º, XXXV), encontra guarida também no 
art. 3º, caput do CPC. 
 
Podemos afirmar que, embora o destinaria da norma aqui debatida seja o legislador, ele 
é apenas o destinatário principal, já que o comando normativo-principiológico atinge a 
todos, indistintamente, não sendo lícito ao legislador e a ninguém impedir que um 
jurisdicionado deduza em juízo sua pretensão. 
 
Não podemos, entretanto, limitar a visão conceituação do princípio da inafastabilidade 
somente ao seu aspecto formal. A essência do princípio não reside, apenas, no 
permissivo do cidadão ter acesso à atividade jurisdicional levando sua pretensão ao 
Estado-Juiz. Mais que isso, deve ser garantido ao jurisdicionado amplo acesso à 
atividade jurisdicional (inclusive no caso de hipossuficiência econômica), oportunidade 
de participação e influência no julgamento (com respeito aos princípios do contraditório 
e da cooperação), direito a uma decisão justa e eficaz. 
 
a) Sobre a Arbitragem 
A inafastabilidade da jurisdição, por seu turno, não exclui a possibilidade das partes, de 
comum acordo, nos limites da lei, optarem por submeter a relação material litigiosa à 
resolução através de um procedimento arbitral (vide CPC, art. 3º, §1º) 
 
E qual é o limite da lei? – No âmbito do privado exige-se os seguintes fatores: (i) que a 
relação jurídico material se desenvolva entre pessoas capazes; (ii) a livre e válida 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 14 
 
exteriorização de vontade para submissão de eventual lide ao regime do procedimento 
arbitral; (iii) que o direito material controvertido seja direito patrimonial; e (iv) a 
disponibilidade desse direito; preceitos fundamentais da Lei 9307/1996. 
 
Avanço no procedimento arbitral passa a ser a lei expressamente permitir que a 
administração pública direta e indireta, possa se valer da arbitragem para resolver 
eventuais conflitos, desde que versem sobre, também, direitos patrimoniais disponíveis; 
ou seja, os critérios exigidos dos particulares para a adoção da arbitragem como meio 
de solução do conflito, também se estendem à administração pública. 
 
Outros pontos que devem ser destacados: a arbitragem e sua regulação legal (Lei 
9307/1996) ainda dispõem que: 
- a administração pública, direta e indireta, poderá utilizar a arbitragem (art. 1º, §1º) 
- que é possível a concessão de tutelas de urgência e de natureza cautelar (arts. 22-a e 
22-b) 
- a criação, recepcionada pelo CPC, da carta arbitral (art. 22-c) 
2.5 PRINCÍPIO DA AUTOCOMPOSIÇÃO 
 
Um dos preceitos básicos do direito processual atual, o princípio da autocomposição 
passa a ser linha mestra adotada pelo CPC/2015, devendo dito princípio reger a forma 
interpretativa da lei processual atual (vide art. 3º, §2º, CPC). 
 
Viemos de uma “escola” onde a atuação do estado para a resolução das situações 
litigiosas era a regra, ou seja, fomos “educados“ a pensar que a função maior do 
processo era de permitir ao Estado resolver a situação litigiosa de forma imperativa, 
afirmando (ou não) a existência de determinado direito de um cidadão em face de outro. 
 
Hoje, primariamente, o processo é um mecanismo dado ao Estado para a tentativa de 
aproximar as partes, para que elas, diante dos mecanismos próprios, atinjam por ato de 
vontade a solução do conflito, só atuando o Estado-Juiz de forma impositiva na 
afirmação do direito secundariamente, caso as partes não cheguem a um bom termo ou 
nas hipóteses em que a autocomposição não seria permitida. 
 
Necessária a percepção da mudança de paradigma, deixando o processo de ser, 
primariamente, o meio pelo qual o Estado, de forma impositiva, declarava, diante de 
uma situação litigiosa, a existência (ou não) de um direito, para ser visto, primariamente, 
como o meio pelo qual o Estado tentará resolver a lide por técnicas autocompositivas. 
 
a) O estímulo a autocomposição 
Na visão da lei processual antiga (CPC/73) tinha o juiz o “dever” da tentativa de 
conciliação das partes, quando, por exemplo, aberta a audiência de instrução e 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 15 
 
julgamento, ele conclamava as partes a uma possível conciliação. Na verdade, colocando 
os olhos na realidade, o que sempre ocorreu no CPC/73 era um arremedo de técnica 
conciliatória. 
 
Hoje, com a adoção da autocomposição como meio primário de resolução dos conflitos 
dentro da esfera jurisdicional, possamos a ter uma efetiva busca pelo acordo de 
vontades para colocar fim à lide, sendo que não fica apenas a cargo do magistrado 
estimular as partes à autocomposição (CPC art, 3º, §3º) 
2.6 PRINCÍPIO DA RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO 
 
Princípio derivado da CF/88 (art. 5º, LXXVIII), está previsto como norma fundamental do 
processo no CPC (art. 4º). 
 
Uma das maiores preocupações do Estado moderno, no que se referea função 
jurisdicional, não é apenas assegurar o acesso formal do cidadão ao Poder Judiciário, 
mas, sim, assegurar o acesso a uma ordem jurídica justa através da atuação do 
Judiciário. 
 
Não podemos considerar, nessa linha de pensamento, justa, simplesmente, uma decisão 
que diga acertadamente o direito entre as partes; justa será uma decisão que diga 
acertadamente o direito entre as partes e que seja proferida dentro de um prazo 
razoável. 
 
Decisão correta tardia não é uma decisão justa. 
 
A razoável duração do processo, entretanto, não pode ser vista exclusivamente como a 
adoção de medidas processuais para acelerar o processo. A celeridade processual, 
muitas vezes, não quer dizer que foi assegurado à parte o acesso a uma ordem jurídica 
justa. 
2.7 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DO MÉRITO 
 
Cuida dito princípio, previsto no art. 4º, CPC, de assegurar ao jurisdicionado os cuidados 
necessários para que seja possível ao Estado analisar e julgar a pretensão apresentada, 
evitando a extinção do processo sem resolução do mérito. É a primazia do direito 
substancial diante da suposta rigidez das normas formais procedimentais. 
 
a) Exemplos do princípio no CPC atual 
Um dos maiores exemplos do princípio da primazia do mérito encontramos no art. 139, 
IX, CPC. Referida norma processual determina que o juiz deverá determinar o 
suprimento de pressupostos processuais e o sanar de eventuais vícios existentes no 
processo, devendo, sempre que possível, corrigir as questões formais para que seja 
possível o julgamento do mérito. 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 16 
 
O princípio aqui explicitado é parâmetro para a máxima das teorias das nulidades que, 
conforme art. 282 e §§ do CPC, dita que não há declaração de nulidade de nenhum ato 
processual se não há prejuízo para a parte. 
 
Outra grande presença do princípio aqui debatido encontramos nos arts. 317 e 488, CPC. 
Nítido que referidos dispositivos impactam o processo com o intuído de minimizar 
decisões sem resolução do mérito, paramentando a atuação do Juiz para, sempre que 
possível, eliminar elementos formais e julgar meritoriamente as pretensões existentes 
na demanda judicial. 
 
b) Princípio da Primazia do Mérito na fase recursal 
Interessante ressaltar como o princípio aqui estudado impacta na fase recursal. 
Podemos afirmar que, hoje, em termos recursais, as eventuais imperfeições formais na 
interposição do recurso não poderão, em regra, gerar a inadmissibilidade direta do 
recurso, devendo o recorrente ser intimado para sanar o vício formal. 
 
Exemplos no CPC: 
 
- art. 932, parágrafo único 
- art. 1.007, §§2º, 4º e 7º 
- art. 1.017, §3º 
- art. 1.029, §3º 
 
c) Uma crítica aos Juizados Especiais 
Observamos, acima, que eventuais deficiências formais no ato da interposição do 
recurso não geram a imediata inadmissibilidade do recurso, sendo, em razão do 
princípio da primazia do mérito, chamado o recorrente a regularizar a irregularidade, 
inclusive no tocante a vícios formais quanto ao preparo. 
 
Nos juizados especiais estaduais cíveis exige a lei específica o preparo como requisito 
formal para a admissibilidade dos recursos inominados (art. 42, §§ 1º e 2º, da Lei 
9099/95. 
 
Crível seria a aplicabilidade aos juizados especiais, por ser o princípio da primazia do 
mérito norma fundamental não do CPC, mas do DIREITO PROCESSUAL, o art. 1.007, CPC, 
notadamente no não permissivo da inadmissibilidade imediata diante de deficiências no 
tocante ao preparo. 
 
Ocorre que, infelizmente, essa não tem sido a interpretação que os juízes dos juizados 
especiais estão aplicando. Observem o seguinte enunciado do FONAJE: ENUNCIADO 168 
- Não se aplica aos recursos dos Juizados Especiais o disposto no artigo 1.007 do CPC 
2015 (XL Encontro - Brasília-DF). 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 17 
 
2.8 PRINCÍPIO DA BOA-FÉ 
 
Deve, todo aquele que venha, de qualquer forma, a participar do processo, agir de 
acordo com a boa-fé. O art. 5º, CPC consagrou tal norma fundamental de maneira 
expressa, sendo imperativa a boa-fé objetiva. 
 
Não se trata de princípio recente no ordenamento procedimental, pelo contrário, a lei 
ritualística sempre cuidou de punir condutas omissivas ou comissivas que atentem 
contra a boa-fé processual. 
 
O que o CPC/15 fez foi elevar tal preceito a norma fundamental. 
 
Destacamos, por ser cada vez mais enfático, que um dos destaques do princípio aqui 
debatido é o art. 77, CPC, que elenca obrigações, não apenas para as partes e seus 
procuradores mas, sim, para todos aqueles que de qualquer forma participam do 
processo. 
2.9 PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO 
 
Princípio que, lançado no art. 6º, CPC, rege toda a atividade jurisdicional do Estado, seja 
na sua atuação cognitiva seja na atuação executiva. 
 
Por tal princípio, essencial para a concepção de um processo democrático e justo, todos 
devem cooperar entre si para que obtenha um decisão justa, dentro de um prazo 
razoável, tendente a possível e real efetivação. 
 
O princípio da cooperação não dita normas de conduta processual apenas para aqueles 
considerados partes, todos, indistintamente, sejam juízes, promotores, auxiliares da 
justiça, defensores públicos, advogados públicos e privados, TODOS, tem o dever de 
cooperação, para a busca e construção de decisões justas e para a concretização efetiva 
de direitos. 
2.10 PRINCÍPIO DA ISONOMIA 
 
a) Visão conceitual e exemplos na lei processual 
A paridade de tratamento estabelecida no art. 7º, CPC, apresenta princípio consagrado 
diante da busca de um devido processo justo: o princípio da ISONOMIA, normatizando 
a necessária forma de tratamento igualitário a todos que sejam partes no processo. 
 
Nítido que, no direito atual, não mais está a lei, ao determinar uma necessária igualdade 
de tratamento, pensando apenas no aspecto formal. Ao se falar de igualdade, o princípio 
da isonomia dita que deve a lei processual, sopesando diferenças entre as partes, criar 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 18 
 
condições para que todos tenham os mesmos direito, ônus e deveres processuais, 
equilibrando aqueles que são substancialmente desiguais. 
 
Um grande exemplo da aplicação do princípio da isonomia dentro do atual CPC é a 
possibilidade de conceder aquele que é hipossuficiente de forma econômica, a 
gratuidade de justiça (CPC, art. 98 e ss). 
 
E, justamente para manter essa necessária visão da isonomia, da paridade de 
tratamento substancial, a lei cria “gradações” de gratuidade, permitindo que referido 
benefício seja concedido de forma parcial, como acima se denota. 
 
Outro exemplo de tratamento isonômico está contido no permissivo do magistrado 
determinar a inversão do ônus da prova, conforme art. 373, §§1º e 2º: 
 
Percebam, nos exemplos citados, que a hipossuficiência financeira ou técnica se torna 
um parâmetro para a criação e implementação de regras procedimentais de tratamento 
diferenciado entre as partes, o que cria um propício ambiente no processo para a 
igualdade substancial. 
 
b) Obrigação do Juiz de garantir às partes a igualdade substancial 
E para assegurar o tratamento isonômico das partes, exige a lei processual uma atuação 
positiva do magistrado, que, deve como participe e condutor do processo, criar 
condições para assegurar às partes a igualdade de tratamento substancial, conforme 
preceituado no art. 139, I, CPC. 
2.11 PRINCÍPIOS DIRETIVOS DA ATUAÇÃO DO JUIZ 
 
O CPC, no seu art. 8º, apresente princípios diretivos voltados à atuação do magistrado, 
ditando como ele deverá aplicar o ordenamento jurídico, fixando parâmetros de 
hermenêutica e deixando claro o escopo social do processo. 
2.12 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO 
 
Na parte final do artigo 7º, CPC, encontramos a necessária referência, diante da busca 
da igualdade substancial no processo, do princípio do contraditório (também 
desenvolvido nos arts. 9º e 10º CPC). Ressaltamos aqui, como visão mínima, mas 
necessária do instituto, que não se pode pensar num tratamento isonômico entre as 
partes no processo sem a devida garantiado contraditório. 
 
Notadamente princípio derivado da própria Constituição Federal (art. 5º, LV), o 
contraditório consiste na devida garantia dada às partes de participar da formulação da 
regra concreta (função de cognição), ou da efetiva entrega do bem da vida do vitorioso 
(função de execução), em pé de igualdade e em todas as fases do processo, mas em 
contradição recíproca, cabendo ao juiz, além de garantir a bilateralidade da audiência, 
o dever de dialogar com as partes. 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 19 
 
a) Do contraditório Prévio 
Para tanto deve ser assegurado às partes o direito a prévia manifestação para que 
eventualmente possa surgir uma decisão contrária aos seus interesses, garantindo, 
também, o direito de reação. 
 
O contraditório prévio está previsto na norma lançada no art. 9º, caput, do CPC. 
 
b) Do contraditório diferido 
Não se pode afirmar que o contraditório, aqui lido com prévia manifestação da parte 
para eventual decisão que lhe seja contrária, seja algo absoluto e inafastável no direito 
processual. Em situações excepcionais é lícito que seja proferida decisão contra o 
interesse de uma das partes do processo sem que ela seja previamente ouvida. Não que 
não se dará oportunidade da parte se apresentar sua manifestação, o que se terá, na 
verdade, é a manifestação da parte após a decisão que lhe foi contrária; é o chamado 
“contraditório diferido”, somente admissível em situações excepcionais, justificáveis, e 
decorrentes de determinação legal. 
 
Em razão dessa possível mitigação do contraditório prévio apresenta a lei processual, no 
parágrafo único, do art. 9º, CPC, 03 (três) situações em que é permitida uma decisão 
contrária à parte contrária sem sua prévia oitiva. 
 
Tutela provisória de urgência (CPC, art. 300) 
Mais que justificável, a concessão de tutela de urgência sem a prévia oitiva da parte 
contrária deriva do diálogo do princípio do contraditório com o princípio da utilidade. 
 
Tutela de evidência (CPC, art. 311, II e III) 
Ou mesmo fundamento da concessão da tutela de urgência, os casos de tutela da 
evidência elencados no inciso II do parágrafo único do art. 9º, os seja, da observância do 
princípio da utilidade em diálogo com o princípio do contraditório. 
 
Decisão de expedição do mandado monitório (CPC, art. 701) 
A ação monitória exige do magistrado, diante de prova pré-constituída da relação 
jurídico material obrigacional afirmada na petição inicial, atividade cognitiva prévia e, 
claro, não exauriente. Assim, diante da prova previamente apresentada pelo credor, é 
da essência do procedimento a expedição da ordem judicial sem a prévia oitiva da parte 
devedora. 
 
Rol exemplificativo. 
Não podemos afirmar que as hipóteses previstas no art.9º de contraditório diferido são 
taxativas, existem outras situações, inclusive no processo de conhecimento, que não 
estão previstas no mencionado artigo. Um exemplo é o art. 562, CPC, que permite a 
concessão de medida liminar nas ações possessórias, sem a prévia oitiva da parte ré. 
 
 
 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 20 
 
c) Do contraditório Inútil 
Temos que lançar, entretanto, uma reflexão: seria possível mitigar o contraditório 
diante de inexistência de prejuízo à parte? 
 
Faria sentido anular atos processuais pelo não respeito ao contraditório em desfavor 
daquele que acabou se tornando parte vitoriosa no processo? 
 
Imaginemos o seguinte caso: no decorrer de determinado processo junta o réu ao autos 
determinado documento não sendo o autor chamado a se manifestar sobre o mesmo; 
entretanto, ao final, o pedido do autor é julgado procedente. Para parte da doutrina 
temos aqui a chamada teoria do contraditório inútil, onde a efetividade da tutela 
jurisdicional não pode ser prejudicada se a falta do contraditório não causou à parte 
nenhum prejuízo. 
 
2.13 - O PRINCÍPIO DA NÃO SURPRESA 
Um dos preceitos do CPC/2015 derivado do princípio do contraditório é o princípio da 
não surpresa, que veda ao juiz decidir questões, mesmo que sejam de ordem pública, 
sem a prévia oportunidade de debate pelas partes (CPC 10). 
 
Mesmo que seja material processual de ordem pública, e que, portanto, os magistrados 
devem decidir de ofício, havendo a formação da relação processual em sua plenitude só 
será lícita uma decisão sobre tal fundamento se previamente as partes forem chamadas 
ao debate, à manifestação prévia e antecedente da decisão a ser tomada. 
 
Claro que há situações em que não é necessário o prévio debate. Exemplo: recurso 
intempestivo, sendo que o recorrido não alegou a intempestividade em contrarrazões. 
Ou seja, o princípio da não surpresa está ligado a questões fáticas e de direito que 
baseiam a pretensão, não à mera aplicação de dispositivos legais, notadamente quanto 
a requisitos extrínsecos de validade ou eficácia de determinado ato processual. 
 
O STJ tem sido muito claro, em seus julgados, a ditar que o ferir desse princípio esculpido 
no art. 10, CPC, quando não observado, há de gerar a nulidade do julgado, da decisão 
proferida sem o amparo do contraditório prévio. 
 
2.14 – PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE E DA FUNDAMENTAÇÃO DEVIDA 
Como sabido, referidos princípios possuem previsão constitucional, sendo pilares de um 
processo justo e democrático (CF, art. 93, IX). Assim, nessa linha da postura 
constitucional o CPC, no seu art. 11, replica tais princípios como normas fundamentais 
do processo. 
 
O CPC, além do, art. 11, apresenta vários dispositivos que versam sobre o princípio da 
publicidade, como exemplo apresentamos alguns: 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 21 
 
- CPC art. 107, I 
- CPC art. 152, V 
- CPC art. 189 
- CPC art. 195, entre outros 
 
Frisamos o acima citado art. 189, que apresenta as situações de processos que tramitam 
em segredo de justiça, tendo a chamada PUBLICIDADE RESTRITA, como permitido no 
texto constitucional inicialmente citado. 
 
Sobre o princípio da fundamentação, vários dispositivos o CPC apresenta, deixando a lei 
processual claro como tal princípio merece a devida respeitabilidade: 
 
- CPC art. 489, §1º 
- CPC art. 927, §1º 
- CPC art. 1.022, parágrafo único, entre outros 
2.13 DA ORDEM PREFERENCIAL PARA JULGAMENTO 
 
Uma das grandes inovações, focadas na razoável duração do processo, é o 
estabelecimento da ordem preferencial para julgamento, a partir do ato de conclusão 
do processo ao magistrado para esse fim (CPC, art. 12). 
 
a) Das técnicas de Gestão dos Processos 
Como visto alhures, notadamente no art. 8º do atual CPC, uma das exigências 
normativas da atuação do juiz é que ele atenda, nas suas funções, ao princípio da 
eficiência; “Art. 8o Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e 
às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa 
humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade 
e a eficiência.” 
 
Para o respeito a tal exigência legal, deve o juiz adotar regras de gestão, tanto na 
condução administrativa da serventia quanto na coordenação dos atos processuais. A 
implementação de técnicas de gestão, sem dúvida alguma, tornam o tramite processual 
mais eficiente e, portanto, melhor ampara o princípio da razoável duração do processo. 
 
b) Da ordem preferencial de julgamento: dever ou faculdade? 
Neste sentido surgiu o art. 12, caput, que em sua redação originária ditava que: “Art. 12. 
Os juízes e os tribunais deverão obedecer à ordem cronológica de conclusão para 
proferir sentença ou acórdão.” 
 
Entretanto, antes mesmo do CPC entrar em vigor, lembrando que tivemos o período de 
vacatio legis de um ano (CPC/2015, art. 1.045), houve a mudança da redação do caput, 
e onde se lia ordem obrigatória de julgamento levando em consideração o tempo de 
conclusão, passamos a ler ser isso uma ordem preferencial de julgamento. 
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O que se discute, diante da postura da nova redação, é se o juiz continua a ter o dever 
de julgar na ordem cronológica ou se passa a ser uma merafaculdade. 
 
A melhor posição doutrinária enfatiza que, apesar da mudança da redação do art. 12, 
caput, CPC, continua a ser uma norma imperativa, que deve ser seguida pelo judiciário. 
 
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3 COMPETÊNCIA 
3.1 CONCEITO 
 
Numa tentativa de conceituar competência, alguns autores enveredam por um caminho 
doutrinário a ditar competência como uma medida da jurisdição. 
 
Buscando a fonte doutrinária de boa parte dos pensadores do direito processual no 
Brasil, extraímos o conceito acima resumido do pensamento de LIEBMAN: “a 
competência é a quantidade de jurisdição cujo exercício é atribuído a cada órgão, ou 
seja, a medida da jurisdição” [CARNEIRO, Athos Gusmão; Jurisdição e Competência, 11ª 
ed. São Paulo, Saraiva, 2001, pág. 55.] 
 
Com base no ensinamento do mestre italiano, outros autores definem da mesma forma 
a competência , conceituação esta que enfrenta muitas críticas pelo fato da atividade 
do Estado, a manifestação do Poder Estatal, não ter o condão de ser fracionada. Deverá 
sim, a conceituação da competência, ser feita a partir do exame e constatação da 
unicidade do poder. Como função estatal, a atividade jurisdicional dos órgãos do 
judiciário é, naturalmente, una. 
 
Mantendo nossa linha de pensamento, comungando com a doutrina acima citada e 
partindo da verificação que o PODER ESTATAL é UNO, que a ATIVIDADE JURISDICIONAL 
é uma das FUNÇÕES DO PODER, temos que tal poder/função não poderá ser objeto de 
fracionamento, razão pela qual nos afastamos da clássica conceituação da competência 
como medida da jurisdição. 
3.2 COMPETÊNCIA INTERNACIONAL 
 
Vivemos uma época de enorme circulação de bens, mercadorias, valores, pessoas, que 
rompem as fronteiras, gerando uma grande internacionalização das relações 
processuais. 
 
Assim, o CPC, a partir do art. 21, define as regras de competência internacional no direito 
processual civil brasileiro, apontando situações em que um Juízo interno (brasileiro) terá 
competência para julgar causas que envolvam critérios de internacionalização. 
 
Desta forma, quando lidamos com os limites da atuação da jurisdição interna, em 
situações de internacionalização, falamos que a autoridade judiciária brasileira poderá 
ter competência internacional EXCLUSIVA ou CONCORRENTE 
 
- EXCLUSIVA: somente uma autoridade judiciária brasileira poderá conhecer da 
causa e caso ela seja decidida por um juízo estrangeiro não será, a sentença, 
objeto de reconhecimento no Brasil para aqui gerar efeitos 
 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 24 
 
- CONCORRENTE: tem a autoridade judiciária brasileira competência para julgar 
a causa, mas caso ela seja decidida por um juízo estrangeiro poderá gerar efeitos 
aqui no Brasil, depois de devidamente reconhecida. 
 
a) Da competência Internacional Concorrente 
Os artigos 21 e 22 do CPC estabelecem alguns casos de competência internacional 
concorrente, ditando ser a autoridade judiciária brasileiro competente para julgar a 
causa, não excluindo, entretanto, a potencialidade dela vir a ser julgada por juízo 
estrangeiro e, posteriormente, ser reconhecida no Brasil, para que aqui possa gerar os 
devidos e regulares efeitos. 
 
As hipóteses do art. 21 são: 
 
I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; 
II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; 
III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil. 
 
No antigo CPC (1973) somente as causas enumeradas no art. 21 (acima relacionadas) 
estavam no rol legislativo das demandas que poderiam ser julgadas no Brasil, em 
competência concorrente e, portanto, relativa. Ocorre que a melhor interpretação 
doutrinária e jurisprudencial, sempre reinante, é que o rol acima nunca foi exaustivo, 
sendo consideradas outras hipóteses, outros casos, de relações internacionais que 
poderiam (podem) ser julgadas por um juízo brasileiro. 
 
Assim, o CPC/2015 apresentou, em artigo individualizado (CPC 22), outras hipóteses de 
competência internacional concorrente, ampliando o rol exemplificativo das hipóteses 
que um juiz brasileiro poderá julgar uma causa que verse sobre situações internacionais. 
 
I - de alimentos, quando: 
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil; 
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de 
bens, recebimento de renda ou obtenção de benefícios econômicos; 
II - decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou 
residência no Brasil; 
III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição 
nacional. 
 
b) Da competência Internacional Exclusiva 
O que se apresenta no art. 23, CPC/2015, são os casos de COMPETÊNCIA 
INTERNACIONAL EXCLUSIVA DA AUTORIDADE BRASILEIRA, portanto situação de 
competência internacional absoluta.: 
 
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; 
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento 
particular e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o 
2023 | DIREITO PROCESSUAL CIVIL | 25 
 
autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do 
território nacional; 
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à 
partilha de bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade 
estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional. 
 
Somente um juiz brasileiro poderá conhecer das causas enumeradas no referido 
dispositivo legal e caso, eventualmente, uma das situações descritas venha a ser 
resolvida por um órgão jurisdicional estrangeiro, o STJ não reconhecerá essa decisão, 
posto que estará ofendendo a ordem pública interna. 
 
c) Da litispendência entre demandas estrangeiras 
Dos elementos de identificação da demanda 
Toda e qualquer demanda judicial é identificada por três elementos, um de caráter 
subjetivo e dois de caráter objetivo, a saber: (i) partes, (ii) causa de pedir, e (iii) pedido. 
A identidade de causas ocorre quando temos duas (ou mais) demandas que possuem os 
mesmos elementos de identificação, repetindo nelas as mesmas partes, a mesma causa 
de pedir e o mesmo pedido (objeto); e causas idênticas geram litispendência ou coisa 
julgada, levando em consideração estarem as duas demandas em trâmite ou uma delas 
já ter transitado em julgado. 
 
Da inexistência de litispendência entre causas em trâmite perante a jurisdição 
nacional e a jurisdição estrangeira 
Nos termos do art.24, salvo regulação internacional (tratados internacionais ou acordos 
bilaterais em vigor no Brasil), não há que se afirmar da existência de litispendência entre 
demandas que tramitam no Brasil e demandas idênticas que tramitem perante órgão 
jurisdicional estrangeiro. 
 
Tomemos como exemplo uma demanda tramitando perante um juízo nacional, e outra 
demanda, idêntica, tramitando perante um juízo estrangeiro, não poderá ser oponível a 
litispendência como defesa no processo tramitando no Brasil, mesmo que a demanda 
estrangeira tenha sido proposta anteriormente. 
 
Qual o motivo pelo qual não há litispendência entre essas demandas se elas possuem os 
mesmos elementos de identificação? 
 
- Princípio da aderência ao território: CPC: Art. 16. A jurisdição civil é exercida 
pelos juízes e pelos tribunais em todo o território nacional, conforme as 
disposições deste Código. 
- Respeito à soberania 
 
Percebam que a lei processual, última parte do caput do art. 24, permite que por 
tratados internacionais, ou acordos bilaterais, o Brasil aceite a litispendência se uma 
demanda está tramitando no estrangeiro, mas sempre diante de normas internacionais 
permissivas da incidência do instituto processual aqui discutido. 
 
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d) Foro de Eleição em contratos internacionais 
O artigo 25, CPC, limita a competência da autoridade judiciária brasileira para as 
demandas em que exista cláusula de eleição de foro exclusivo de juízo estrangeiro, 
derivado de um contrato internacional. 
 
Cláusulade eleição de foro, resultado da livre manifestação e vontade das partes, 
determina que outro juízo, que não aquele legalmente previsto, possa processar e julgar 
determinada demanda. 
 
Derivando da primazia do interesse das partes, somente situações de competência 
relativa podem ser objeto de cláusula de eleição de foro, razão pela qual deverá o réu 
arguir a incompetência baseada nessa cláusula em contestação, sob pena de preclusão; 
isso incide, inclusive, nos contratos internacionais. 
3.3 COMPETÊNCIA INTERNA: CRITÉRIOS DE DETERMINAÇÃO 
 
a) critério territorial de determinação da competência 
A legislação, para verificação de qual juízo exercerá a função jurisdicional em casos 
concretos e específicos, leva em consideração a divisão do território nacional e dos 
Estados Membros da Federação, além do Distrito Federal, em comarcas e em seções 
judiciárias. Na Justiça Comum, buscamos a comarca. Na Justiça eleitoral, a zona eleitoral. 
Na Justiça Federal, a seção judiciária e a circunscrição ou subseção 
 
b) critério material de determinação da competência 
Segundo critério a ser analisado, leva em consideração, para verificação do juízo 
competente, o próprio direito material controvertido. 
Várias comarcas do Estado possuem mais de uma vara, mais de um juízo, alguns deles 
especializados em razão de um determinado direito material, ou seja, apenas o critério 
territorial, muitas vezes, não é suficiente para a correta determinação da competência; 
necessário verificar, dentre os vários juízos existentes em uma comarca (pensando 
apenas na justiça estadual), se existe algum diferenciado em razão do direito material 
controvertido. 
 
Justificável a preocupação da lei, em permitir a criação de varas especializadas ditadas 
pelo direito material debatido no processo, pelo fato de que, nas comarcas maiores, em 
razão da crescente demanda pela atividade jurisdicional, faça o legislador opção de 
“especializar” algumas varas tendo como parâmetro o próprio direito material litigioso. 
Cria-se, assim, por exemplo, as varas específicas para direito criminal, varas 
especializadas em direito de família, outras especializadas em falência e concordatas, 
entre outras. 
 
Ressaltamos que referido critério também define, constitucionalmente, a eventual 
apresentação da demanda perante uma compartimentação jurisdicional específica, 
sendo um grande exemplo a competência material da Justiça do Trabalho. 
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c) critério funcional de determinação da competência 
Critério que leva em consideração a função de determinado órgão jurisdicional, ditando, 
através de normas esparsas em nosso ordenamento, a competência, para um caso 
específico, de um juízo competente. 
 
O prof. Athos Gusmão Carneiro, citando o prof. Celso Agrícola Barbi, diz tratar-se a 
competência funcional “da natureza especial das funções que o magistrado é chamado 
a exercer em um processo”. 
 
Aclarando melhor a questão, pesa a exposição do prof. Alexandre Freitas Câmara 
fazendo referência ao pensamento de Chiovenda: “O critério funcional de fixação de 
competência a distribui entre diversos órgãos quando as diversas funções necessárias 
num mesmo processo ou coordenadas à atuação da mesma vontade da lei são atribuídas 
a juízes diversos ou a órgãos jurisdicionais diversos (competência por graus; cognição e 
execução; medidas provisórias e definitivas e outras)”. 
 
Dá-se, portanto, a competência funcional quando em um único processo, mais de um 
juízo é chamado a exercer a atividade jurisdicional (ex.: recursos direcionados a 
tribunais), ou quando um único juízo exerce atividade jurisdicional em mais de um 
processo (ex.: competência do mesmo juízo da execução para processar e julgar os 
embargos). 
 
d) critério pessoal de determinação da competência 
Este critério adota, como juízo competente, um juízo específico levando em 
consideração as partes, ou uma das partes, envolvidas na relação jurídico processual. 
Grande exemplo dessa situação, de determinação da competência em razão da pessoa, 
é a competência da justiça federal; outro ponto de destaque da utilização desse critério 
são as situações de “foros privilegiados”, ou prerrogativa de foro em razão da função, 
que determina (diante de preceitos constitucionais) que alguns que exercem cargos 
públicos serão processados e julgados originariamente por Tribunais. 
 
e) critério valor da causa de determinação da competência 
Referido critério é fortemente notado na estruturação do microssistema dos juizados 
especiais, onde temos, além de outros critérios, a delimitação da atuação dos juizados 
cíveis estaduais de causas até 40 s.m. e nos juizados federais e da fazenda pública a 
delimitação de atuação em causas de até 60 s.m. 
3.4 INCOMPETÊNCIA 
 
Verificado acima os critérios legais para determinação do juízo competente para exercer 
a função jurisdicional em um caso concreto e específico, um problema se divisa, partindo 
da apresentação da demanda perante o aparato jurisdicional 
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Por força do art. 2º do CPC: (princípio da inércia da jurisdição) o processo civil se inicia 
com a apresentação da demanda pela parte interessada. Compete, assim, à parte 
peticionante identificar qual é o órgão da jurisdição que detém competência para 
processar e julgar a causa que se inicia. 
 
Erros, portanto, poderão ocorrer, apresentando o jurisdicionado sua demanda a um 
juízo que não seria o competente para exercer a função jurisdicional, em detrimento 
dos ditames legais de determinação. 
 
Assim, sendo apresentada uma demanda a um juiz que não seria o competente frente 
aos critérios legais, passamos a ter o fenômeno da INCOMPETÊNCIA. 
Podemos conceituar a incompetência, portanto, como um erro perpetrado pelo autor 
da demanda, voluntária ou involuntariamente, frente à regra determinada na legislação, 
apresentando sua pretensão perante um juízo que não detém, inicialmente, 
competência para exercício da função jurisdicional. 
 
Ocorrendo a incompetência, deve ser verificado qual o critério legal de determinação 
não foi observado: territorial, material, valor, função ou pessoa, na medida em que, 
ferindo um desses critérios, passaremos a ter incompetência absoluta ou relativa. 
 
a) Incompetência Absoluta x Incompetência Relativa 
Alguns critérios de determinação da competência são criados e utilizados diante de 
questão de ordem pública preponderante; já outros são criados levando em 
consideração o mero interesse privado das partes envolvidas no litígio. 
 
São critérios absolutos: 
- MATERIAL 
- FUNCIONAL 
- PESSOAL 
 
São critérios relativos:* 
- TERRITORIAL 
- VALOR DA CAUSA 
 
*deve ser desde logo destacado que, por expressa determinação legal, é 
lícito que critérios relativos se tornem critérios absolutos 
 
Abaixo apresentamos quadros sistemáticos e explicativos das distinções entre 
incompetência absoluta e relativa e pontos de aproximação. 
 
FATORES DE DISTINÇÃO 
ABSOLUTA RELATIVA 
Matéria de ordem pública Primazia de interesse privado 
Reconhecimento: de ofício ou por 
arguição da parte 
Reconhecimento: por arguição da parte 
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Momento: a qualquer tempo e em 
qualquer grau de jurisdição, mesmo após 
o trânsito em julgado através de ação 
rescisória 
Momento: na contestação, sob pena de 
preclusão 
 
FATORES DE IDENTIDADE 
ABSOLUTA RELATIVA 
Efeitos quanto a decisões proferidas: decisões válidas e eficazes, até que 
eventualmente sejam revistas pelo juízo competente 
Efeitos quanto ao processo: remessa dos autos ao juízo competente 
 
b) Critérios Relativos (territorial) que se tornam absolutos 
Por expressa determinação legal é possível que os critérios vistos como relativos possam 
se tornar, em situações específicas, absolutos. 
 
Três grandes exemplos podem ser destacados: 
 
(i) O primeiro no CPC, quando no art. 47, §1º, segunda parte, temos que o autor não 
tem opção de demandar em outro local, que não o local da coisa quando a

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