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DIREITO DO TRABALHO
CONTEXTO DO DIREITO DO TRABALHO NO QUADRO GERAL DO DIREITO
SANTANA
LÍVIA ALBUQUERQUE MELO
livia.amelo@hotmail.com
2024
SETOR DE MARKETING
GRUPO SER EDUCACIONAL
APRESENTAÇÃO:
3
DIREITO DO TRABALHO
CONCEITO: 
“Complexo de princípios, regras e institutos jurídicos que regulam a relação empregatícia de trabalho e outras relações normativamente especificadas, englobando, também, os institutos, regras e princípios jurídicos concernentes às relações coletivas entre trabalhadores e tomadores de serviços, em especial através de suas associações coletivas” Maurício Godinho Delgado (2018, p. 47)
Mas o que isso significa?
Que o direito do trabalho é a disciplina jurídica das relações individuais e coletivas.
CONTEÚDO DO DIREITO DO TRABALHO
RELAÇÃO DE EMPREGO: 
O principal conteúdo do Direito do Trabalho consiste na análise jurídica das relações de emprego e de determinados trabalhadores que foram legalmente favorecidos pelas normas trabalhistas. 
Mas atenção! Diversos trabalhadores são excluídos da proteção das normas de Direito do Trabalho, uma vez que está esta voltada essencialmente à figura do empregado. 
Ex: trabalhador autônomo, estagiários, servidores públicos estatutários, etc. 
DIVISÃO DO DIREITO DO TRABALHO
1) DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO
O direito individual é o seguimento que estuda o contrato individual do trabalho e as regras legais ou normativas a ele aplicáveis. Ele versa sobre os princípios, regras e institutos jurídicos que regulam a relação de emprego. Ex: Salário, jornada de trabalho, férias, estabilidade, FGTS, etc.
1) DIREITO COLETIVO DO TRABALHO
O direito coletivo versa sobre as relações de trabalho entre empregados e empregadores considerada a sua ação coletiva, realizada de forma autônoma ou por meio de suas entidades sindicais. 
NATUREZA JURÍDICA
DIREITO PÚBLICO
E qual a natureza jurídica do Direito do Trabalho?
DIREITO PRIVADO
NATUREZA JURÍDICA
TEORIA DO DIREITO PÚBLICO
TEORIA DO DIREITO UNITÁRIO
TEORIA DO DIREITO SOCIAL
TEORIA DO DIREITO MISTO
TEORIA DO DIREITO PRIVADO
RELAÇÃO DO DIREITO DO TRABALHO COM OS DEMAIS RAMOS DO DIREITO
Direito 
Constitucional
Direito 
Civil 
Direito 
Tributário
Direito 
Internacional
Direito 
da Seguridade Social
Direito 
Administrativo
Direito 
Econômico
Direito 
Penal
Direito 
Comercial
FONTES DO DIREITO DO TRABALHO
2
1
FONTES FORMAIS
FONTES FORMAIS HETERÔNOMAS
FONTES FORMAIS AUTÔNOMAS
2.1
2.1
FONTES MATERIAIS
A fonte do direito do trabalho é o meio pelo qual nasce a norma jurídica
1
FONTES MATERIAIS
São fatos ou acontecimentos sociais, políticos, econômicos e filosóficos que inspiram o legislador na elaboração das leis.
Exemplos: As constantes reinvindicações dos trabalhadores por mais direitos trabalhistas (Direito de Greve). A pandemia causou, e causará, impactos profundos na área trabalhista (MPs da Pandemia).
São a exteriorização das normas jurídica, ou seja, as fontes formais são normas de observância obrigatória pela sociedade. Todos devem cumpri-las, pois são imperativas. 
Exemplos: Acordo Coletivo, Convenção Coletiva e Leis.
As fontes formais podem ser elaboradas pelo Estado ou pelos próprios destinatários da norma, sem a participação do Estado. São divididas em fontes formais autônomas e fontes formais heterônomas.
FONTES FORMAIS
2
São discutidas e confeccionadas pelas partes diretamente interessadas pela norma. Há, portanto, a vontade expressa das partes em criar essas normas. 
São espécies de fontes formais autônomas:
FONTES FORMAIS AUTÔNOMAS
2.1
	CONVENÇÃO COLETIVA	ACORDO COLETIVO	COSTUME
	Acordo entre sindicado profissional (trabalhadores) e sindicato da categoria econômica (empregadores).	Acordo entre empresa e sindicato representante da categoria profissional.	Prática reiterada de uma conduta numa dada região ou empresa. 
	Art. 611 da CLT	Art. 611, §1º, da CLT	Ex.: Art. 460 da CLT
FONTES FORMAIS AUTÔNOMAS
2.1
ATENÇÃO PARA A REFORMA:
Art. 620 da CLT: Passou a estabelecer que as condições estabelecidas em acordo coletivo prevalecerão sobre aquelas dispostas em convenção coletiva.
Art. 611-A da CLT: Passou a prevê a valorização do negociado sobre o legislado. O rol apresentado pelo dispositivo e exemplificativo, sendo possível a prevalência da convenção e acordo coletivos de trabalho em outras hipóteses.
FONTES FORMAIS AUTÔNOMAS
2.1
REGULAMENTO DA EMPRESA 
é fonte formal autônoma?
Regulamento da empresa é o conjunto de regras elaboradas pelo empregador para organizar melhor a empresa.
QUESTÃO POLÊMICA! Será considerado fonte formal se as regras formuladas pelo empregador forem de caráter geral e impessoal.
Mas atenção: 
Art. 611-A: A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: 
[...]
VI - regulamento empresarial
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FONTES FORMAIS HETERÔNOMAS
2.1
Nas fontes heterônomas não há participação direta dos destinatários, ou seja, essas fontes possuem origem estatal (Legislativo, Executivo ou Judiciário). 
São espécies de fontes formais Heterônomas
	CONSTITUIÇÃO FEDERAL	TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS	LEIS
	MEDIDA PROVISÓRIA	DECRETOS	SENTENÇAS NORMATIVAS
	SÚMULA VINCULANTE	RECURSO DE REVISTA REPETITIVO	INDICIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA
Outros Atos Normativos
Decretos
Leis
Emendas
HIERARQUIA DAS FONTES FORMAIS
Nos demais ramos do direito, há uma rígida hierarquia das fontes formais.
Exemplo: CF prevalece sobre as leis; leis são superiores aos decretos; etc.
Constituição Federal
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HIERARQUIA DAS FONTES FORMAIS
Se aplica a fonte mais favorável ao trabalhador.
PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL
REFORMA TRABALHISTA 
HIERARQUIA DOS INSTRUMENTOS COLETIVOS DO TRABALHO
Acordo coletivo sempre prevalecerá sobre convenção coletiva (art. 620, clt)
Acordos e convenções coletivas serão superiores à lei quando tratar dos assuntos arrolados no art. 611-A, CLT
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CONFLITO ENTRE FONTES FORMAIS
CONVENÇÃO COLETIVA 
ACORDO COLETIVO 
ACORDO COLETIVO 
LEI
INSTRUMENTO COLETIVO DE TRABALHO
INSTRUMENTO COLETIVO DE TRABALHO (REGRA)
ATENÇÃO: Em regra, prevalece o que estiver previsto no instrumento coletivo, salvo se violar a Constituição Federal e as matérias listadas no art. 611-B da CLT (limites à negociação coletiva).
DEMAIS CONFLITOS ENTRE FONTES FORMAIS
TEORIA DO CONGLOBAMENTO
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PREVALÊNCIA DO ACORDO COLETIVO EM DETRIMENTO DA CONVENÇÃO COLETIVA. CONTRATO FIRMADO NA VIGÊNCIA DA LEI N. 13.467/2017. Nos termos da nova redação do art. 620 da CLT, aplicável ao contrato de trabalho celebrado sobre a égide da Lei n. 13.467/2017, "As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho".
(TRT-3 - ROT: 00105906420215030075 MG 0010590-64.2021.5.03.0075, Relator: Sebastiao Geraldo de Oliveira, Data de Julgamento: 14/07/2022, Segunda Turma, Data de Publicação: 15/07/2022.)
OBS:
ART. 620, CLT (REDAÇÃO ORIGINAL): As condições estabelecidas em Convenção quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo.
ART. 620, CLT (NOVA REDAÇÃO): As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho. 
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ACORDO COLETIVO X CONVENÇÃO COLETIVA. CONFLITO. TEORIA DO CONGLOBAMENTO. Na ocorrência de conflito entre acordo coletivo e convenção coletiva de trabalho, é inviável a aplicação de ambas as normas simultaneamente, assim como não é permitido às partes pinçar as cláusulas mais favoráveis de cada instrumento. A controvérsia há de ser solucionada pela teoria do conglobamento, devendo incidir, no caso concreto, a norma que, considerada em seu todo, seja mais benéfica ao empregado. Nesses termos, prevalecendo, nesta hipótese, os acordos coletivo de trabalho, impõe-se excluir da condenação as horas extras decorrentes da supressão de folgas estabelecidas nas convenções coletivas, com seus respectivos reflexos. Recursopatronal parcialmente provido.
(TRT-13 - RO: 00010532620175130004 0001053-26.2017.5.13.0004, 2ª Turma, Data de Publicação: 10/06/2019)
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INTERPRETAÇÃO
A interpretação decorre da análise da norma jurídica que vai ser aplicada aos casos concretos. 
Técnicas de interpretação: Alcançar o significado da norma jurídica. Os métodos podem ser aplicados conjuntamente.
Interpretação Histórica: Consiste na análise histórica, social e cultural do momento de surgimento da lei para que seja possível alcançar o melhor significado para a norma analisada.
Interpretação Gramatical/Literal: A interpretação é realizada no texto da norma, pela busca do significado de cada palavra e de sua organização na frase.
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INTERPRETAÇÃO
Interpretação Teleológica: Exige-se do intérprete a busca constante da finalidade da norma, ou seja, a interpretação deve buscar garantir o objetivo para o qual a lei foi criada. 
Interpretação Sistemática: Pela aplicação desse método, a norma jurídica deve sempre ser interpretada considerando o ordenamento jurídico em que está inserida.
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INTEGRAÇÃO
Integração: Integrar significa completar as lacunas deixadas pelo legislador.
Técnicas de Integração:
Analogia: Ocorre quando uma lei semelhante é utilizada para regulamentar o caso em que há lei específica. Ex: O art. 72 da CLT prevê um intervalo de 10 minutos a cada 90 minutos de trabalho consecutivo para os serviços de mecanografia. A súmula 346 do TST aplica, por analogia, esse intervalo de 10 minutos aos digitadores. 
Equidade: Deve ser entendida como a justiça aplicada com bom senso, com razoabilidade. 
Princípios Gerais do Direito: Os princípios exercem importante função para o Direito do Trabalho de integração das normas. 
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INTEGRAÇÃO
Costumes: Compreendem a prática reiterada de uma conduta em dada região ou empresa, por exemplo, o costume em determinada a atividade de pagar gorjeta. 
Direito Comparado: Confronto das leis de diversos Estados em diversos momentos históricos para estabelecer diferenças e semelhanças entre ordens jurídicas. 
Jurisprudência: Consiste na reiterada interpretação conferida pelos tribunais às normas jurídicas a partir de casos concretos. 
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INTEGRAÇÃO
QUAL A DIFERENÇA ENTRE PRECEDENTE, 
JURISPRUDÊNCIA E SÚMULA?
PRECEDENTE: É uma decisão judicial, da qual é possível se extrair a ratio decidendi ou fundamentos determinantes. 
JURISPRUDÊNCIA: Ocorre quando o precedente é reiteradamente aplicado pelo Tribunal.
SÚMULA: É o resumo da jurisprudência dominante do Tribunal sobre determinada matéria.
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INTEGRAÇÃO
QUAL A DIFERENÇA ENTRE PRECEDENTE, 
JURISPRUDÊNCIA E SÚMULA?
PRECEDENTE: É uma decisão judicial, da qual é possível se extrair a ratio decidendi ou fundamentos determinantes. 
JURISPRUDÊNCIA: Ocorre quando o precedente é reiteradamente aplicado pelo Tribunal.
SÚMULA: É o resumo da jurisprudência dominante do Tribunal sobre determinada matéria.
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INTEGRAÇÃO
O PAPEL DA JURISPRUÊNCIA COMO NORMA DE INTEGRAÇÃO
Na ausência da lei, o intérprete poderá utilizá-la como norma?
Há duas correntes:
FONTE MERAMENTE INTERPRETATIVA: As decisões reiteradas dos Tribunais servem apenas como meio de interpretação, não tendo força normativa.
FONTE NORMATIVA: Pode ser usada para suprir lacunas jurídicas. 
28
INTEGRAÇÃO
O PAPEL DA JURISPRUÊNCIA COMO NORMA DE INTEGRAÇÃO
LIMITAÇÃO À JURISPRUDÊNCIA TRABALHISTA
Art. 8º, § 2º, CLT: “Súmulas e outros enunciados de jurisprudência editados pelo Tribunal Superior do Trabalho e pelos Tribunais Regionais do Trabalho não poderão restringir direitos legalmente previstos nem criar obrigações que não estejam previstas em lei”.
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INTEGRAÇÃO
PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA DA AUTÔNOMIA
DA VONTADE COLETIVA
Art. 8º, §3º, CLT: “No exame de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, a Justiça do Trabalho analisará exclusivamente a conformidade dos elementos essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no art. 104 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua atuação pelo princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva”. 
Violação ao Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição (art. 5º, XXV,CF).
30
INTEGRAÇÃO
DIREITO COMUM COMO FONTE SUBSIDIÁRIA?
Art. 8º, §1º, CLT: “O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho”. 
Redação anterior à Reforma Trabalhista:
Art. 8º, parágrafo único: “O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho, naquilo que não for incompatível com os princípios fundamentais deste”.
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PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO
Princípio representa a base do ordenamento jurídico, o alicerce que fundamenta toda a interpretação e aplicação do ramo do direito estudado. 
Interpretação
Inspiração
Integração
Funções
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PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO
Proteção
Imperatividade
Primazia da Realidade
Continuidade da relação de emprego
Imperatividade das normas trabalhistas
Indisponibilidade
In dubio pro operário
Norma mais favorável
Condição mais benéfica
Irredutibilidade salarial
Intangibilidade salarial
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A ARBITRAGEM NO DIREITO DO TRABALHO
Art. 114, §2º, CF: “Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente”.
ARBITRAGEM NO DIREITO COLETIVO DO TRABALHO
Mas será que ela é permitida no âmbito do direito individual do trabalho?
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A ARBITRAGEM NO DIREITO INDIVIDUAL 
DO TRABALHO
Após a Reforma Trabalhista, a CLT passou a prever expressamente a possibilidade de utilizar a arbitragem nos contratos individuais de trabalho.
Art. 507-A.  Nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuada cláusula compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância expressa, nos termos previstos na  Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996.
Remuneração
Inciativa do empregado ou sua concordância expressa
REQUISITOS
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ARBITRAGEM. APLICABILIDADE AO DIREITO INDIVIDUAL DE TRABALHO. Até a promulgação da Lei 13.467/2017, os litígios decorrentes dos contratos de trabalho não poderiam ser submetidos ao juízo arbitral, mesmo com a expressa anuência de empregado e empregador, tendo em vista o caráter indisponível dos direitos trabalhistas. Porém, a partir da inclusão do art. 507-A na Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, em 11/11/2017, essa diretriz foi alterada, tendo em vista a expressa permissão contida no referido dispositivo legal, assim redigida: "Nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuada cláusula compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996." (g. n .). Portanto, firmado instrumento contendo a cláusula compromissória após a entrada em vigor do referido art. 507-A /CLT, quaisquer litígios, controvérsias ou reivindicações decorrentes, dentre outros, da validade, da interpretação, do cumprimento deste instrumento, do Contrato de Trabalho e/ou de quaisquer relações jurídicas associadas aos mesmos, serão dirimidos por meio de procedimento perante o juízo arbitral livre e previamente eleito pelas partes contratantes.
(TRT-3 - RO: 00101258420205030012 MG 0010125-84.2020.5.03.0012, Relator: Mauro Cesar Silva, Data de Julgamento: 24/11/2020, Quinta Turma, Data de Publicação: 26/11/2020.)
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I - ARBITRAGEM. PAGAMENTO DE VERBAS RESCISÓRIAS. INVALIDADE DO PROCEDIMENTO. De acordo com a própria legislação invocada pela recorrente (Lei nº 9.307/96,art. 1º), não pode haver arbitragem sobre direitos indisponíveis, e como tal se qualificam as verbas rescisórias, legalmente devidas na dissolução do contrato de trabalho, sem margem para transação ou concessões por parte do empregado. Vale o registro, já presente na sentença, de que o art. 507-A da CLT, acrescido pela Lei nº 13.467/2017, limita o alcance da arbitragem trabalhista aos contratos individuais de empregados cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social, desde que por iniciativa do trabalhador ou mediante sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei nº 9.307/96, e mediante a pactuação de cláusula compromissória. Tais requisitos estão notoriamente ausentes do caso em exame, o que torna inválido o emprego da arbitragem como forma de transação de direitos trabalhistas e quitação geral do contrato de trabalho. Recurso ordinário da reclamada a que se nega provimento. II - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DO RECLAMANTE. IMPOSIÇÃO DE MULTA. AUSÊNCIA DE INTUITO MANIFESTO DE PROTELAÇÃO. Ainda que os embargos de declaração opostos à sentença sejam vistos como impertinentes, pois por meio deles não buscava o reclamante sanar omissão ou contradição, mas expor razões conducentes à reforma do julgado, a penalização da parte exige que os embargos se apresentem de fato como manifestamente protelatórios e dirigidos dolosamente, pela indigência de fundamentos ou descabimento absoluto da medida, a retardar a marcha do processo sem qualquer utilidade para o aperfeiçoamento da jurisdição. Tal intuito não pode ser presumido, pois o que cumpre pressupor - ainda mais no caso da parte reclamante, que não tem em princípio nenhum interesse na procrastinação do feito, que lhe resulta somente prejudicial - é a boa-fé da parte e o honesto propósito de obter melhor esclarecimento sobre aspectos da sentença ou, de qualquer modo, promover o aperfeiçoamento da jurisdição prestada. Absolve-se pois o reclamante da multa que lhe foi imposta a esse título. Recurso ordinário do reclamante a que se dá provimento parcial.
(TRT-2 10015293020205020204 SP, Relator: JANE GRANZOTO TORRES DA SILVA, 6ª Turma - Cadeira 1, Data de Publicação: 10/02/2022)
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AGRAVO INTERNO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. I. LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. DIREITOS DIFUSOS . (...) III. ARBITRAGEM. DISSÍDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO . VALIDADE . 1. É firme a jurisprudência do TST no sentido de que há incompatibilidade na aplicação da arbitragem aos dissídios individuais do trabalho, porquanto os direitos que daí decorrem estão sob o manto do princípio da proteção, notadamente se discute relação jurídica anterior à vigência da Lei nº 13.457/2017, como na hipótese. Precedentes. 2. Ressalte-se que, mesmo à luz do novel art. 507-A da CLT, não se afastou por completo a incompatibilidade da arbitragem nos dissídios individuais, que somente será válida por iniciativa ou com a anuência expressa do empregado, mediante cláusula compromissória, e para os contratos de emprego cuja remuneração supere o dobro do valor máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social. (....)
(TST - Ag-AIRR: 5049720105020317, Data de Julgamento: 21/11/2018, Data de Publicação: DEJT 23/11/2018)
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SE LIGA!
	ART. 444, PARÁGRAFO ÚNICO
	EMPREGADO “HIPERSUFICIENTE”
	“(...) salário mensal IGUAL OU SUPERIOR a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social”
	ART. 507-A
	ARBITRAGEM
	“(...) remuneração seja SUPERIOR a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social”
A Reforma Trabalhista criou tratamento jurídico distintos a alguns empregados, que podem negociar individualmente com seus empregadores. As cláusulas negociadas terão a mesma eficácia e preponderância dos instrumentos coletivos. 
Art. 444 - As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes.
Parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.
39
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