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Unidade I
Fundamentos da Antibioticoterapia
Antibioticoterapia
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
CAMILLA OLIVEIRA
AUTORIA
Camilla Oliveira
Olá! Meu nome é Camilla Oliveira. Sou formada em Ciências da 
Nutrição, com uma experiência técnico-profissional na área de docência 
e prática clínica de mais de 6 anos. Tenho Mestrado em Nutrição e Saúde 
e Doutorado em Fisiologia da Nutrição em andamento. Desde muito 
cedo na graduação, comecei a iniciação científica, o que ampliou meu 
conhecimento para outras áreas das Ciências da Saúde. Amo minha 
formação e sou apaixonada pelo que faço, principalmente pela área da 
docência, em que posso transmitir minha experiência de vida àqueles que 
estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora 
Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito 
feliz por poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte 
comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
INTRODUÇÃO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Histórico e Evolução das Drogas Antimicrobianas........................12
Histórico ................................................................................................................................................ 12
Recomendações gerais para a escolha dos antibióticos .................................. 15
Principais classes de antibióticos ........................................................................................ 16
Mecanismos de resistência ..................................................................................................... 18
Resistência natural ...................................................................................................... 18
Resistência intrínseca ................................................................................................ 18
Mecanismos de Ação dos Antibióticos ............................................. 20
Resumo dos principais mecanismos de ação .......................................................... 20
β-lactâmicos ...................................................................................................................... 20
Aminoglicosídeos ........................................................................................................ 21
Macrolídeos ...................................................................................................................... 21
Tetraciclinas...................................................................................................................... 21
Cloranfenicol .................................................................................................................... 21
Lincosamidas .................................................................................................................. 21
Glicopeptídeos ............................................................................................................... 21
Lipodepsipeptídeos ................................................................................................... 21
Rifamicinas ........................................................................................................................22
Estreptograminas .........................................................................................................22
Antibióticos sintéticos – sulfonamidas e trimetropium ....................22
Antibióticos sintéticos – quinolonas e fluoroquinolonas ................22
Antibióticos sintéticos - oxazolidinonas ......................................................22
Mecanismos de resistência e suas implicações clínicas .......... 24
Mecanismos de ação da resistência .................................................................................24
Permeabilidade alterada ........................................................................................24
Alteração do sítio de ação .....................................................................................25
Mecanismo via enzimas ..........................................................................................25
Bomba de efluxo ..........................................................................................................25
Classes de antimicrobianos e mecanismos de resistência ..............................26
Aminoglicosídeos .......................................................................................................26
Quinolonas ........................................................................................................................26
β-lactâmicos .......................................................................................................................27
Carbapenens ...................................................................................................................28
Aplicações Clínicas da Antibioticoterapia ...................................... 30
Aplicações clínicas ........................................................................................................................ 30
Introdução ........................................................................................................................ 30
Indicação ............................................................................................................................ 31
Coleta de material para cultura .........................................................................33
Escolha empírica do antimicrobiano .............................................................33
Avaliação clínica da evolução .............................................................................33
Ajuste da terapia (de acordo com a cultura) ............................................33
Situações especiais ...................................................................................................34
Interações com outros medicamentos ...........................................................................34
Interações com alimentos ........................................................................................................35
9
UNIDADE
01
Antibioticoterapia
10
INTRODUÇÃO
Você já deve saber que a disciplina de Antibioticoterapia trará 
conhecimentos importantes para você, até mesmo para sua vida cotidiana. 
Desde que foi descoberto, os antibióticos têm sido amplamente utilizados 
na prática clínica e têm trazido maiores expectativa e qualidade de vida. 
No decorrer desta disciplina, você verá os mecanismos de 
ação desses medicamentos; os tipos mais utilizados; antibióticos da 
nova geração (mais atuais); e suas interações com outros remédios e 
alimentos. Assim, conseguirá compreender o mecanismo de resistência 
que se desenvolvecom o uso indiscriminado desses medicamentos; 
as implicações clínicas disso; e o que pode ser feito para reverter essa 
situação. 
E então? Está motivado para saber mais sobre esses remédios, que 
usamos tão comumente em nossas vidas? Prepare-se, pois, ao longo 
desta unidade letiva, você mergulhará nesse universo!
Antibioticoterapia
11
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vinda (o). Nosso propósito é auxiliar você no 
desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término 
desta etapa de estudos:
1. Explicar o histórico e a evolução das drogas antimicrobianas;
2. Identificar os mecanismos de ação pelos quais essas drogas agem;
3. Identificar o mecanismo de resistência e suas implicações clínicas;
4. Interpretar as aplicações clínicas da antibioticoterapia e as 
interações desses medicamentos. 
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? 
Ao trabalho! 
Antibioticoterapia
12
Histórico e Evolução das Drogas 
Antimicrobianas
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
o histórico da terapia antimicrobiana; as recomendações 
gerais para a escolha do medicamento; as principais classes 
de antibióticos; e a evolução dessas drogas. 
E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá, 
avante!
Histórico 
A história dos antibióticos se entrelaça com a história das doenças 
infecciosas, como a peste bubônica e a varíola, e vive uma contradição: 
apesar de todos os avanços, ainda existe ineficácia no combate a bactérias 
que existem há bilhões de anos. 
Dá-se o nome antibiótico a substâncias de origem vegetal, animal 
ou sintética que atuem de forma a contrariar o desenvolvimento de micro-
organismos. Na definição mais atual, antibiótico é qualquer substância – 
de origem sintética ou natural – que seja capaz ou de inibir a proliferação 
ou de causar a morte de micro-organismos, como bactérias e fungos. 
O efeito de inibição da proliferação e do crescimento é chamado 
efeito bacteriostático. Por sua vez, o efeito de morte é chamado efeito 
bactericida.
Um marco importante na história dos antibióticos é a descoberta 
da penicilina. Alexander Fleming, um médico e bacteriologista escocês, 
trabalhava em um hospital de Londres, quando resolveu cultivar, em 
placas de Petri, seus próprios fluidos corporais (nasal, brônquico e 
lacrimal), descobrindo, assim, que algumas bactérias sofriam um processo 
de quebra. Desse modo, concluiu que alguma substância, denominada 
lisozima, era capaz de digerir as paredes de bactérias. 
Antibioticoterapia
13
Depois de certo tempo, Fleming observou que, nas culturas que 
deixou esquecidas no laboratório, certo tipo de fungo cresceu em regiões 
da placa em que não havia desenvolvimento de bactérias estafilococos. 
Mesmo com o despertar dessa dúvida, não possuía conhecimento 
suficiente e não conseguiu ir adiante na descoberta e isolar a substância. 
Conseguiu apenas, nesse momento, caracterizar o fungo, com a ajuda de 
colegas, que recebeu o nome Penicillium notatum. 
Alguns anos após esses achados, outros dois cientistas, Florey e 
Chain, purificaram a penicilina e conduziram trabalhos em animais. Em 
um dos trabalhos, descrito por Florey como um “milagre”, oito ratos foram 
submetidos a grandes quantidades de estreptococos e, então, foram 
divididos em dois grupos. Um grupo recebeu tratamento com penicilina, 
ao passo que o outro não recebeu tratamento. Conseguiram visualizar 
que os animais do grupo controle haviam morrido, ao mesmo tempo em 
que os animais do grupo que recebeu tratamento permaneciam vivos e 
sem manifestação da doença. 
IMPORTANTE:
É importante lembrar que esse momento coincide com 
a Segunda Guerra Mundial. Logo, o exército americano 
funcionou como um grande campo para o teste de 
penicilina em humanos. 
Antibioticoterapia
14
Figura 1: Alexander Fleming realizando cultura in vitro
Fonte: Wikicommons
A descoberta da penicilina propiciou o tratamento de diversas 
doenças infecciosas, que, naquele momento, eram as que mais matavam 
a população. É utilizada até hoje e salva milhões de pessoas que são 
acometidas por infecções. Na Figura 2, é demonstrada a estrutura química 
desse composto descoberto por Alexander Fleming. Basicamente, é 
estruturado por íons nitrogênio, hidrogênio, oxigênio, enxofre e um radical 
de composição variável. 
Antibioticoterapia
15
Figura 2: Estrutura química da penicilina
Fonte: Wikicommons 
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso 
à monografia “As doenças infecciosas e a história dos 
antibióticos”, que está acessível clicando aqui.
Recomendações gerais para a escolha dos 
antibióticos
Considerando a realidade da resistência bacteriana nos dias de hoje, 
existem algumas recomendações que a equipe médica deve seguir, a fim 
de evitar a piora dessa realidade e de tornar o tratamento antimicrobiano 
efetivo. 
Algumas dessas recomendações estão listadas a seguir:
 • Solicitar os testes de sensibilidade; e iniciar e modificar o 
tratamento, de acordo com os resultados desses testes;
 • Seguir as diretrizes para o tempo de tratamento de cada doença;
Antibioticoterapia
http://repositorio.faema.edu.br/bitstream/123456789/2620/1/TCC%20GEBSON%20SILVA%20MARIA.pdf
16
 • Obter, sempre que for possível, culturas antes do início do 
tratamento;
 • Evitar o uso banalizado de antibióticos de amplo espectro;
 • Fazer a transição parenteral-oral logo que for possível, com o 
intuito de evitar o acesso central e contaminações;
 • Escolher, por via oral, antibióticos com boa biodisponibilidade, 
evitando os acessos central e periférico.
IMPORTANTE:
Essas recomendações têm o objetivo de reduzir os 
processos de resistência bacteriana. No Brasil, há, ainda, 
uma lei que preconiza a apresentação de receita médica 
na compra dos medicamentos antibióticos. Além desses 
cuidados, orientar pessoas ao nosso redor que façam o 
tratamento até o final também ajuda a evitar possíveis 
quadros de resistência. 
Principais classes de antibióticos
As classes de antibióticos são definidas segundo sua potência. 
Podem ser de origem natural ou sintética. As principais classes são:
 • β β-lactâmicos – seus antibióticos são de origem natural e muito uti-
lizados na terapêutica. Têm uma atividade ampla, boa eficácia no 
uso clínico e um ótimo perfil de segurança, visto que atua em uma 
enzima que está presente somente nas bactérias;
 • Aminoglicosídeos – seus antibióticos são efetivos no efeito anti-
biótico sobre os microrganismos Gram-negativos aeróbicos, mas 
devem ser utilizados com cautela, por possuírem efeitos colaterais 
nos rins. Podem ser associados a algum da classe beta-lactâmicos;
 • Macrolídeos – seus antibióticos podem ser de origem natural ou 
semi-sintética. São muito seguros e utilizados em infecções respi-
ratórias;
Antibioticoterapia
17
 • Tetraciclinas – seus antibióticos apresentam amplo espectro e boa 
eficácia contra bactérias aeróbicas e anaeróbicas, Gram-positivas e 
Gram-negativas. Como efeito colateral, acumula-se em determina-
dos tecidos (como dentes e ossos em formação), sendo contraindi-
cado para uso por gestantes e crianças; 
 • Cloranfenicol – contém antibióticos de origem sintética que, por te-
rem o mesmo sítio de ligação dos macrolídeos e das lincosamidas, 
não podem ser utilizados em conjunto com estes;
 • Lincosamidas – seus antibióticos são compostos com boa utiliza-
ção via oral, tendo mais atividade e absorção se forem administra-
dos dessa forma. Além desse uso, também apresentam aplicações 
com uso tópico, no caso da acne, por exemplo;
 • Glicopeptídeos – seus antibióticos são utilizados em casos de bac-
térias Gram-positivas resistentes;
 • Lipodepsipeptídeos – seus antibióticos foram aprovados, em 2003, 
para o tratamento de infecções ocasionadas por bactérias Gram-
positivas;
 • Rifamicinas – são compostos semi-sintéticos utilizados como com-
ponentes dos vários fármacos prescritos para tuberculose;• Estreptograminas - são semi-sintéticos utilizados no tratamento 
oral de infecção por bactérias Gram-positivas. Podem ser adminis-
trados por por via intravenosa, quando estiverem combinados com 
outros fármacos;
 • Antibióticos sintéticos (sulfonamidas e trimetropium) – são fárma-
cos utilizados em conjunto no tratamento de HIV com infecções 
específicas por Pneumocystis carinii;
 • Antibióticos sintéticos (quinolonas e fluoroquinolonas) – são com-
postos utilizados em infecções de trato urinário e em casos de re-
sistência a outros compostos mais usuais;
 • Antibióticos sintéticos (oxazolidinonas) – são fármacos bastante uti-
lizados em casos de bactérias resistentes e de amplo espectro. A 
administração é via oral, mas apresenta inúmeros efeitos adversos.
Antibioticoterapia
18
Os termos Gram-negativo e Gram-positivos se referem ao resultado 
da técnica da coloração de Gram. Bactérias Gram-negativas apresentam 
parede celular mais fina, com pouco peptideoglicano. Por sua vez, as 
Gram-positivas têm a estrutura da parede celular mais espessa, com mais 
peptideoglicano. 
Mecanismos de resistência
Essa realidade de resistência bacteriana tem se tornado um 
problema sério de saúde pública e cresce em todo o mundo. Várias 
recomendações, como as que vimos no início desse capítulo, tem sido 
tema de discussão para reverter esse quadro. Uma das razões para essa 
situação alcançar esses níveis foi – e ainda é –, em alguns países, o uso 
frequente e sem acompanhamento médico de antibióticos.
Figura 3: Visão geral do mecanismo de resistência bacteriana 
 
Fonte: tuasaude
Resistência natural
A resistência natural é aquela em que a célula adquire uma 
característica de resistência nova – ou seja, as células que deram lhe 
origem (progenitoras) não tinham essa característica de resistência e eram 
sensíveis a determinada droga.
Resistência intrínseca
A resistência intrínseca é aquela que faz parte da estrutura da 
bactéria e é transmitida para as próximas gerações. Esse tipo de resistência 
Antibioticoterapia
19
não apresenta riscos à saúde, pois se trata de uma resposta já conhecida 
à terapêutica. Sendo assim, é necessário escolher o melhor antibiótico 
para combater a bactéria. 
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos até agora? 
Conseguiu entender os primeiros conceitos sobre bactérias, 
que vão nos acompanhar durante toda a disciplina? Agora, 
para termos certeza de que você entendeu, realmente, o 
tema de estudo deste capítulo, resumiremos tudo o que 
vimos. 
Neste capítulo, introduzimos você no histórico dos 
antibióticos e falamos sobre Alexander Fleming, que foi o 
cientista que iniciou essa descoberta. Mostramos como esse 
momento foi importante e que os compostos descobertos 
salvaram e continuam salvando vidas nos dias de hoje. 
Listamos, também, as principais classes de antibióticos e 
observamos as características mais importantes de cada 
um deles. Fizemos comentários sobre a visão geral da 
resistência bacteriana; sobre como funciona; e sobre como 
isso se tornou um problema crescente em todo o mundo, 
causando preocupação quanto à saúde pública. 
Está tudo certo até aqui? Está pronto para continuar se 
aprofundando nesse campo de conhecimento? Então, 
vamos lá!
Antibioticoterapia
20
Mecanismos de Ação dos Antibióticos 
INTRODUÇÃO:
Até o término deste capítulo, você será capaz de entender 
como os antibióticos exercem seus mecanismos de ação; 
os meios pelos quais age; e como conseguem ou interferir 
no crescimento ou levar à morte as bactérias. 
E então? Motivado para desenvolver esta competência? 
Então, vamos lá! Avante!
Resumo dos principais mecanismos de ação
Existem quatro mecanismos básicos de ação dos antibióticos.
1. Interrupção da síntese de ácido nucleico: sem o ácido nucleico, 
não é possível haver reprodução – ou seja, novas células. A 
proliferação bacteriana é, portanto, interrompida;
2. Inibição da síntese de proteínas: sem formação constante de 
proteínas bacterianas, esses micro-organismos não conseguem 
se manter vivos e se reproduzir;
3. Interferência no metabolismo: as bactérias são impedidas de 
exercer suas funções metabólicas normais;
4. Ruptura da parede celular: lembra-se de que vimos que as 
bactérias apresentam peptideoglicanos na sua parede, que 
adquire a coloração de Gram? Pois bem, alguns antibióticos inibem 
a formação desses compostos e causam a ruptura dessa parede, 
o que é incompatível com a sobrevivência dos micro-organismos.
β-lactâmicos
Atuam por meio da inibição da enzima transpeptidase, que é 
importante no processo de formação da parede celular, causando, assim, 
a ruptura dessa estrutura.
Antibioticoterapia
21
Aminoglicosídeos
O mecanismo de ação dessa classe envolve ligação aos ribossomos 
das bactérias e a consequente interrupção da síntese proteica.
Macrolídeos
Apresentam mecanismo semelhante ao dos aminoglicosídeos, mas 
se ligam a subunidades de ribossomos diferentes.
Tetraciclinas
Inibem a formação de proteínas, por se ligarem a subunidades 
ribossômicas.
Cloranfenicol
Seu mecanismo se baseia na interrupção da síntese de proteínas. 
No entanto, a subunidade à qual esta classe se liga é a mesma região 
de ligação dos macrolídeos e dos lincosamidas. Por isso, não podem ser 
administrados em conjunto.
Lincosamidas
Seu mecanismo de ação é semelhante ao dos macrolídeos – isto é, 
inibição da síntese proteica.
Glicopeptídeos
Têm mecanismos sinérgicos: interrompem a síntese de peptideogli-
canos; alteram a permeabilidade da membrana do citoplasma; e interfe-
rem na formação de RNA. 
Lipodepsipeptídeos
Semelhantemente aos glicopeptídeos, têm mecanismos de 
ação diversos, causando desorganização de funções importantes da 
membrana celular. 
Antibioticoterapia
22
Rifamicinas
Atuam de forma a impedir a ação da RNA polimerase, enzima 
necessária para os processos de síntese de proteínas e de replicação.
Estreptograminas
Inibem a formação de proteínas por meio de ligação com subuni-
dades ribossômicas.
Antibióticos sintéticos – sulfonamidas e 
trimetropium
Têm um mecanismo baseado em impedir a produção de ácido 
fólico endógena da bactéria, que é necessária ao funcionamento normal 
de seu metabolismo.
Antibióticos sintéticos – quinolonas e 
fluoroquinolonas
Inibem ação de enzimas importantes para a sobrevivência 
bacteriana, como a DNA girase e a topoisomerase IV. No entanto, sobre a 
ação da topoisomerase II, ainda não se tem certeza se influencia a ação 
antibacteriana, pois os experimentos, até agora, são in vitro. 
Antibióticos sintéticos - oxazolidinonas
Utilizam, como mecanismo de ação, a inibição da síntese de 
proteínas, mas em locais diferentes daqueles suprimidos por outras 
classes mais comuns. Por isso, encontra sua maior utilização em casos 
de resistência.
A figura 4 traz os principais mecanismos de ação dos antibióticos. 
Pode-se observar que os modos de ação desses remédios se detêm nos 
processos de formação de estruturas importantes, em enzimas essenciais 
ao metabolismo e no que for necessário para a replicação desses micro-
organismos. 
Antibioticoterapia
23
Figura 4: Principais mecanismos de ação dos antibióticos sobre as bactérias 
 
Fonte: https://bit.ly/3bk3edc
RESUMINDO:
E então, está entendendo tudo até aqui? Muita informação 
nova? Vamos resumir! 
Vimos, aqui, os principais mecanismos que os antibióticos 
usam para atacar as bactérias. Destacamos que cada 
classe de antibióticos usa mecanismos diferentes. 
Algumas vezes, vários antibióticos são combinados para 
apresentar eficácia contra as infecções. Conhecemos os 
mecanismos de ação e aprendemos que podem se dar 
por meio da ação na parede celular das bactérias; por 
ação na capacidade de síntese de proteínas; por ação nos 
processos de replicação, que levam à multiplicação das 
bactérias; e por ação na síntese de substâncias essenciais 
ao metabolismo dos micro-organismos. Notamos, também, 
que todas as ações dos antibióticosnas bactérias visam a 
desorganizar o seu metabolismo e/ou sua estrutura, com o 
intuito de impossibilitar sua manutenção ou de impedir sua 
multiplicação. 
Tudo certo até aqui? Pronto para continuar se aprofundando 
e para aprender temas como resistência e suas implicações 
clínicas? Então, vamos lá! Avante!
Antibioticoterapia
https://bit.ly/3bk3edc
24
Mecanismos de resistência e suas 
implicações clínicas
INTRODUÇÃO:
Até o término deste capítulo, você será capaz de entender 
como os agentes antimicrobianos e as bactérias interagem 
e se modificam nos processos de resistência. Essa 
visão é muito importante para compreender todas as 
recomendações no seu cotidiano clínico, a fim de evitar 
a resistência. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Vamos lá, avante!
Mecanismos de ação da resistência
Para entendermos este tópico, exploraremos como os antimicro-
bianos agem sobre o metabolismo e sobre a estrutura das bactérias; e 
como estas usam estratégias para contornar tal ação e não ter seu meta-
bolismo e seu processo de replicação atingidos. Identificaremos, também, 
os quatro mecanismos mais comumente envolvidos na resistência. 
Permeabilidade alterada
A membrana celular das bactérias tem um mecanismo de 
seletividade quanto aos componentes que entrarão no interior da célula. 
Essa seletividade é controlada por proteínas chamadas porinas. Esse 
mecanismo permite a sobrevivência da bactéria. Logo, há bactérias 
que conseguem modificar uma porina de forma a impedir a ação de 
antimicrobianos, desenvolvendo resistência a esse medicamento. Como 
exemplo disso, podemos citar o P. aeruginosa, que altera a porina da 
membrana celular à qual o medicamento imipenem se liga e a partir da 
qual entra na célula, tornando-se resistente ao medicamento. 
Antibioticoterapia
25
Alteração do sítio de ação
É um dos principais mecanismos de ação utilizados pelas bactérias 
na aquisição de resistência. Consiste em alterar ou substituir o sítio de ação 
de determinado antibiótico. A substituição se dá quando a bactéria adquire 
um gene cujo produto é resistente ao medicamento e que ocupa o lugar 
do sítio de ação. Um exemplo disso é a bactéria Gram-positiva S. aureus, 
que, por meio de um novo gene cromossômico, produz uma proteína 
para a ligação da penicilina que é resistente à ação do medicamento. 
Mecanismo via enzimas
Consiste em degradar os antibióticos via enzimas. A produção 
dessas enzimas acontece na bactéria e pode ocorrer ou por constituir 
sua informação genética ou de forma indutiva. Um exemplo disso é a 
resistência à penicilina da S. aureus, que promove a produção induzida de 
β-lactamase, degradando o antibiótico. Existem medicamentos da classe 
de β–lactâmicos que se ligam a essas enzimas e as inibem. 
Bomba de efluxo
Bomba de efluxo é o processo pelo qual a bactéria bombeia, para 
o meio extracelular, o antibiótico. Um exemplo desse caso é a E. coli em 
relação ao antibiótico tetraciclina. 
Figura 5: Tetraciclina
Fonte: Wikicommons
Antibioticoterapia
26
Como já mencionamos no exemplo, a S. aureus teve a detecção da 
resistência à penicilina na década de 1940. Comprovou-se a aquisição de 
genes que codificavam enzimas responsáveis por degradar a penicilina. 
A meticilina, no entanto, é uma alternativa de tratamento para infecções 
com esse patógeno, já que não sofre ação das enzimas. Apesar disso, 
desde 1961, há relatos de cepas de S. aureus resistentes à meticilina. Hoje, 
no Brasil e nos Estados Unidos, os índices de infecção por essa cepa 
resistente ultrapassam 40% do número de pacientes internados na UTI. 
Classes de antimicrobianos e mecanismos 
de resistência
Aminoglicosídeos 
O principal mecanismo de resistência a esta classe de 
aminoglicosídeos é a produção endógena, nas bactérias, de enzimas 
que modificam a estrutura ou a ação dos medicamentos. Três classes 
de enzimas já foram descritas: O-adeniltransferases, O-fosfotransferases 
e N-acetiltranferases. Essas enzimas são capazes de modificar os 
grupamentos amino ou hidroxila dos aminoglicosídeos. Dessa forma, os 
grupamentos não conseguem se ligar aos ribossomos e impedir a síntese 
de proteínas bacterianas.
Quinolonas
Os mecanismos que envolvem a resistência à classe das quinolonas 
são todos aqueles já descritos. É importante chamar a atenção, aqui, para 
o fato de que as quinolonas atuam na inibição das enzimas DNA girase 
e topoisomerase IV, impedindo a replicação do DNA das bactérias. A 
resistência a esse mecanismo acontece quando as bactérias adquirem 
mutações que levam a mudanças nas topoisomerases (sítios de ação 
dos antibióticos quinolonas). O processo ocorre de maneira gradual 
e acumulativa: mutações mais simples levam a graus mais baixos de 
resistência, enquanto mutações mais incrementadas geram graus mais 
altos de resistência. 
Antibioticoterapia
27
β-lactâmicos
No caso dos β-lactâmicos, os mecanismos de resistência mais 
comumente envolvidos são a alteração no sítio de ligação; e a alteração 
na permeabilidade e na degradação enzimática da droga antimicrobiana. 
Nas Figura 6 e 7, é possível observar as diferenças entre as células 
de bactérias Gram-negativas e Gram-positivas quanto à ação de drogas 
antimicrobianas da classe β-lactâmicos. Nas bactérias Gram-negativas, a 
parede celular torna o acesso do antibiótico mais difícil ao seu sítio de 
ação. Além disso, as enzimas β-lactamases que são capazes de digerir 
esses medicamentos ficam dispersas fora da célula, nas bactérias 
Gram-positivas; e no espaço entre a membrana celular e a parede 
celular, nas Gram-negativas. Neste último caso, esse espaço é chamado 
periplasmático, e a situação é estratégica, visto que, nesse local, as 
enzimas podem agir de modo mais eficaz e se encontram em maiores 
concentrações. 
Figura 6: Ação dos antibióticos β-lactâmicos em bactérias Gram-negativas
 
Fonte: Anvisa 
Antibioticoterapia
28
Figura 7: Ação dos antibióticos β-lactâmicos em bactérias Gram-positivas 
 
Fonte: Anvisa 
Além de todo esse mecanismo descrito, existem enzimas β-lacta-
mases com determinadas características que lhes conferem uma resis-
tência de espectro estendido – ou seja, resistência a mais antibióticos. 
Essas características são 
 • inibição via compostos como sulbactam e tazobactam e ácido 
clavulânico;
 • capacidade de hidrolisar cefalosporinas de espectro amplo;
 • presença de um sítio ativo-serina.
Os genes que são responsáveis pela codificação dessas enzimas 
são transferíveis pelas linhagens de mesma espécie e, até mesmo, 
por gêneros e espécies diferentes. Por meio de exames laboratoriais, é 
possível identificar a presença das enzimas. 
Carbapenens
A resistência aos cabapenens pode se dar por mudanças na 
permeabilidade da membrana, por bomba de efluxo e por enzimas que 
degradam esses compostos. 
Em relação ao mecanismo de bomba de efluxo, bactérias Gram-
negativas têm sistemas de efluxo com mais de um componente e 
são capazes de enviar, para fora da célula, agentes antimicrobianos, 
desinfetantes e anti-sépticos, o que contribui para a sua resistência. 
Antibioticoterapia
29
A hiperexpressão desse sistema pode ser gerada por mecanismos 
constitutivos das bactérias, visto que lhes são intrínsecos. 
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso 
ao site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 
Clique aqui para acessar.
RESUMINDO:
E então, está entendendo tudo até aqui? Muita informação 
nova? Vamos resumir! 
Vimos, aqui, os principais mecanismos de ação da resistência. 
Destacamos que as bactérias possuem membrana celular 
que são responsáveis pela seletividade para a sobrevivência 
da bactéria. Estudamos sobre alteração do sítio de ação, 
em que a substituição se dá quando a bactéria adquire 
gene resistente ao medicamento; mecanismo via enzimas, 
que por meio dele, consiste em degradar os antibióticas e 
a bomba de efluxo, que é o processo em que a bactéria 
bombeiao antibiótico para o meio extracelular. Notamos, 
também, que existem classes de antimicrobianos que 
agem sobre os mecanismos de resistência, como 
aminoglicosídeos, que é produção endógena, bem como 
os quinolonas. No caso dos β-lactâmicos, os mecanismos 
de resistência mais comumente envolvidos são a alteração 
no sítio de ligação; e a alteração na permeabilidade e na 
degradação enzimática da droga antimicrobiana. Podemos 
compreender que os genes atuam na codificação dessas 
enzimas e pela transferência das linhagens de mesma. 
espécies, por gêneros e espécies diferentes. E por fim, a 
resistência aos cabapenens pode se dar por mudanças na 
permeabilidade da membrana, por bomba de efluxo e por 
enzimas que degradam esses compostos. 
Tudo certo até aqui? Pronto para continuar se aprofundando 
e para aprender temas como as aplicações clínicas da 
antibioticoterapia e suas interações? Então, vamos lá! 
Avante!
Antibioticoterapia
https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/rede_rm/cursos/rm_controle/opas_web/modulo3/gramn_amino.htm
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Aplicações Clínicas da Antibioticoterapia 
INTRODUÇÃO:
Até o término deste capítulo, você será capaz de entender 
aplicações clínicas dos antibióticos; detalhes sobre as 
situações em que devem ser aplicados; condições; regras 
a seguir; entre outros aspectos. Aprenderá, também, as 
interações desses com outros medicamentos e com 
alimentos. 
Motivado para desenvolver esta competência? Então, 
vamos lá! Avante!
Aplicações clínicas
Introdução
Como já ficou bem definido nos tópicos anteriores da unidade, os 
antimicrobianos ou antibióticos têm a capacidade ou de inibir o crescimento 
ou de causar a morte de micro-organismos. Portanto, devem ser usados 
em casos de infecções microbianas que apresentem sensibilidade à sua 
ação. Dois conceitos serão importantes no decorrer desta competência:
 • Espectro de ação – refere-se ao percentual de espécies sensíveis 
(é o cálculo dado pela razão número de espécies/isolados sen-
síveis);
 • Concentração inibitória mínima (MIC) – consiste na concentração 
necessária de remédio antimicrobiano para interromper o cresci-
mento das bactérias (logo, quanto menor o MIC, mais potente é o 
agente antimicrobiano).
Existem vários tipos de classificações propostas para antimicrobianos. 
A seguir, estão listadas algumas dessas propostas.
Antibioticoterapia
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Tabela 1: Algumas propostas de classificação dos antimicrobianos
Variável Classificação Exemplo
Espectro de ação
Antifúngicos Anfotericina B
Anaerobicidas Metronidazol 
Gram-positivos Oxacilina 
Gram-negativos Aminoglicosídeo 
Amplo espectro Ceftriaxona 
Atividade 
antibacteriana 
Bactericida Quinolona 
Bacteriostático Macrolídeo 
Grupo químico 
Aminoácidos Beta-lactâmico 
Açúcares Aminoglicosídeo 
Acetatos/propionatos Tetraciclina 
Quimioterápicos Sulfa 
Mecanismo de 
ação
Síntese da parede 
celular 
Beta-lactâmico 
Permeabilidade da 
membrana 
Anfotericina B
Síntese proteica Aminoglicosídeo 
Ácidos nucléicos Quinolona 
Fonte: O autor
Indicação
Os primeiros passos para se indicar um antimicrobiano são a 
anamnese e o exame físico. Esses dois processos são baseados em 
perguntas ao paciente, por um lado; e no olhar clínico, no poder de 
decisão e na experiência do profissional que está recebe as informações, 
por outro lado.
Alguns sinais que costumam ser comuns em infecções podem 
não ser decisivos para indicar um agente microbiano. Esse é o caso da 
Antibioticoterapia
32
febre, que pode estar presente em quadros como o de linfoma, que não 
apresentará nenhuma melhora com a indicação desses terapêuticos. 
Enquanto não se tem a confirmação do agente por meio da cultura, é 
possível avaliar o foco primário e definir um palpite, de acordo com a 
etiologia mais frequente, com as perguntas ao paciente e com o exame 
físico
A seguir, é possível visualizar uma lista de focos e seus respectivos 
agentes de etiologia mais frequente. 
Tabela 2: Identificação dos focos primários e dos agentes etiológicos mais frequentes:
Foco primário Etiologia mais frequente
Ouvido e seios da face Pneumococo, S. aureus
Foliculite, celulite, abcesso 
muscular
S. aureus 
Endocardite infecciosa S. viridans, enterococo
Endocardite em toxicômano S. aureus, S. epidermidis 
Trato genital feminino S. sp., anaeróbios, enterobactérias
Presença de prótese e cateteres 
vasculares
S. aureus, S. epidermidis
Gangrena gasosa Clostridium sp.
Grande queimado S. aureus, E. coli, Pseudomonas sp.
Vias biliares e trato 
gastrointestinal
Enterobactérias, anaeróbios
Perfuração de alça intestinal
Enterobactérias, Pseudomonas sp., 
anaeróbios
Trato urinário Enterobactérias, E. coli
Necrose e úlceras em diabéticos
Anaeróbios, S. aureus, S. sp., 
enterobactérias
Neutropênico febril 
S. aureus, S. epidermidis, 
Enterobactérias, Pseudomonas sp.
Fonte: O autor 
Antibioticoterapia
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Coleta de material para cultura
Procede-se, em cada caso clínico, à coleta do material biológico 
que for o mais indicado para o caso, com o intuito de isolar os micro-
organismos envolvidos e, também, de verificar sua sensibilidade. 
Escolha empírica do antimicrobiano
A escolha empírica é feita sem conhecimento do agente etiológico 
causador da infecção. Partindo do princípio de que se trata de uma 
infecção que responderá a algum agente antibiótico, outros aspectos são 
verificados.
 • Saber se a infecção é da comunidade ou hospitalar;
 • Definir o foco da infecção.
 • Conhecer a faixa etária do paciente e considerá-la na escolha.
 • Verificar outras condições previamente presentes no paciente.
 • Verificar a gravidade da infecção.
 • Avaliar as funções hepática e renal.
 • Em casos de pacientes do sexo feminino, verificar gestação. 
Avaliação clínica da evolução
A avaliação clínica diz respeito a acompanhar a melhora ou não dos 
sinais e dos sintomas que levaram o indivíduo a procurar ajuda médica. 
Caso a escolha empírica tenha sido eficaz, observa-se melhora no quadro. 
Ajuste da terapia (de acordo com a cultura)
O ajuste é feito quando não é verificada melhora na evolução clínica. 
Então, o resultado da cultura gera um novo caminho para terapia, seja o 
de substituir o medicamento; seja o de adicionar-lhe outros componentes; 
seja, até mesmo, o de modificar a dosagem.
Antibioticoterapia
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Situações especiais 
São situações prévias à infecção do paciente, como insuficiências 
renais ou hepáticas, idade avançada, gestação, lactação e nascimento 
recente. 
Esses casos envolvem a decisão médica de ajustar a quantidade 
e os intervalos das doses, considerando, sempre, a evolução clínica e a 
presença de outros sinais e sintomas. 
Interações com outros medicamentos
Interações medicamentosas são respostas que diferem das que 
se espera do uso isolado de determinado medicamento; e acontecem 
devido à presença de outro medicamento. 
A resposta final pode ser de vários tipos. Pode haver efeito aumentado 
de uma das duas drogas utilizadas; efeitos novos e não esperados do uso 
de ambas as drogas; inibição do efeito de uma das drogas; e inibição total 
dos efeitos, mesmo com a mudança na forma de absorção e de ação de 
uma das ou de ambas as drogas. 
Essas interações podem ser relativas à farmacocinética ou à 
farmacodinâmica.
 • Farmacocinéticas são alterações nas etapas de absorção, de 
distribuição, de metabolização e de excreção das drogas, 
podendo, assim, resultar em quantidades aumentadas ou 
diminuídas do medicamento. Além de se modificar por interações 
medicamentosas, essas etapas também variam de acordo com 
características individuais;
 • Farmacodinâmicas são mudanças provocados nos locais de 
ação dos medicamentos. Alguns processos de sinergia podem 
acontecer e ocasionar uma resposta diferente no uso combinado 
de medicamentos. Determinado medicamento pode ter sua ação 
aumentada por encontrar ou o seu receptor celular mais reativo ou 
menores concentrações de enzimas que causariam sua inativação.Esses processos podem ser ocasionados por determinada droga 
Antibioticoterapia
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administrada em conjunto. Outro processo passível de acontecer 
é a competição para a ação no mesmo receptor da célula, o que 
levará à ação de um fármaco em detrimento da ação do outro.
Interações com alimentos
A capacidade dos nutrientes de interagirem com determinados 
medicamentos é uma característica que deve ser considerada na prática 
clínica, por determinar aspectos de risco/benefício da administração.
O processo de interação fármaco-nutriente pode ocorrer em 
qualquer momento do processo de digestão e de absorção; em algum 
momento da distribuição e do armazenamento nos tecidos; no processo 
de biotransformação; e, também, no momento da excreção. 
No caso específico dos antibióticos, estes interferem de maneira 
importante não só na mudança na velocidade de absorção, mas, também, 
porque podem ocasionar má absorção de determinados nutrientes. Em 
resumo, os caminhos que podem acontecer nessa interação são os 
seguintes.
 • Antimicrobianos afetam o estado nutricional, por causar má 
absorção de alguns nutrientes;
 • Nutrientes podem alterar a excreção de determinados antimicro-
bianos;
 • Nutrientes podem influenciar o processo de absorção de antimi-
crobianos;
 • O estado nutricional pode causar a anulação do efeito de certos 
antimicrobianos, se estiver muito alterado. 
A seguir, é possível observar uma breve lista de alguns antimicro-
bianos seus efeitos na interação fármaco-nutriente. 
Antibioticoterapia
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Tabela 3: Influência dos alimentos/nutrientes no processo de absorção e de metabolização 
de antimicrobianos:
Antimicrobianos Alimentos
Mecanismos/
efeitos
Recomendações
Rifampicina
Refeição 
regular
Retarda o 
esvaziamento 
gástrico/ reduz 
absorção
Administrar 2-3 
horas antes das 
refeições
Ampicilina
Refeição 
regular
Retarda o 
esvaziamento 
gástrico/ reduz 
absorção
Administrar 2-3 
horas antes das 
refeições
Ciprofloxacina
Leite, iogurte 
e alimentos 
ricos em Fe, 
Mg, Zn e Ca
Reduz a absorção 
do fármaco por 
complexação 
com cátions 
divalentes
Administrar 2-3 
horas antes das 
refeições
Tetraciclina
Refeição 
regular 
Retarda o 
esvaziamento 
gástrico e cria 
barreira física/ 
reduz absorção
Administrar 2-3 
horas antes das 
refeições
Griseofulvina
Dieta 
hiperlipídica
Aumenta 
excreção de sais 
biliares/ aumenta 
absorção
Administrar com 
as refeições
Isoniazida
Refeição 
regular
Retarda o 
esvaziamento 
gástrico e 
aumenta pH 
gástrico/ reduz 
absorção
Administrar 
com estômago 
vazio, se isso for 
tolerado
Cefalosporina 
Refeição 
regular
Altera motilidade 
e tempo de 
trânsito intestinal/ 
reduz níveis do 
antibiótico
Administrar 2-3 
horas após as 
refeições
Fonte: O autor
Antibioticoterapia
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RESUMINDO:
E então, está entendendo tudo até aqui? Muita informação 
nova? Vamos resumir! 
Vimos, aqui, os conceitos importantes para as aplicações 
clínicas, que são: espectro de ação e concentração 
inibidora. Existem, vários tipos de classificações propostas 
para antimicrobianos. Notamos, os primeiros passos para 
indicação do antimicrobiano, que são anamnese com 
perguntas ao paciente e o exame físico, que conta com 
o olhar clínico do profissional que recebe as informações. 
Observamos o procedimento da coleta de material 
biológico. A escolha empírica do antimicrobiano, pois se 
trata de uma infecção, com observação da vários aspectos. 
Podemos compreender a avaliação clínica da evolução, 
para o ajuste da terapia, que pode ser de acordo com o 
resultado da cultura e que pode ocorrer também situações 
especiais. Aprendemos que as interações medicamentosas 
são resposta que pode diferir do uso determinado 
medicamento com o outro. E por fim, que a capacidade dos 
nutrientes de interagirem com determinados medicamentos 
é uma característica que deve ser considerada na prática 
clínica, por determinar aspectos de risco/benefício da 
administração.
Antibioticoterapia
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REFERÊNCIAS
AGÊNCIA Nacional de Vigilância Sanitária. Resistência microbiana 
- mecanismos e impacto clínico: III. Gram-negativos - resistência aos 
antimicrobianos. Anvisa, Brasília, [S. d.]. Disponível em: https://bit.ly/3y1yGXn. 
Acesso em: 22 jun. 2020.
BRASIL. Resolução n. 328 de 22 de julho de 1999. Dispõe sobre 
requisitos exigidos para a dispensação de produtos de interesse à saúde 
em farmácias e drogarias. Brasília, DF: Anvisa, 1999. Disponível em: 
https://bit.ly/3feBbNk. Acesso em 21 jun. 2020.
MARIA, G. S. Resistência bacteriana aos antimicrobianos 
betalactâmicos: uma revisão da literatura. Monografia (Bacharelado em 
Farmácia) – Faculdade de Educação e Meio Ambiente, Ariquemes, 2019. 
Disponível em: https://bit.ly/3y1z209. Acesso em: 22 jun. 2020.
MONTE, R. L.; VICTORIA, M. B. Manual de rotina para coleta 
microbiológica. Manaus: Gráfica Máxima, 2002.
MOREIRA, L. B. Princípios para o uso de antimicrobianos. Rev 
AMRIGS, Porto Alegre, v. 48, n.2, p.73-152. 2004.
PACE, J. L: YANG, G. Glycopeptides: update on an old successful 
antibiotic class. Biochem. Pharmacol., v. 71, 968-80, mar. 2006. Disponível 
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PATERSON DL. The role of antimicrobial management programs in 
optimizing antibiotic prescribing within hospitals. Clin Infect Dis. v.42, p. 90-
95. 2006. Disponível em: https://bit.ly/3y77hDl. Acesso em: 21 jun. 2020.
TAVARES, W. Manual de antibióticos e quimioterápicos 
antiinfecciosos. 3a ed. São Paulo: Atheneu, 2001.
Antibioticoterapia
https://bit.ly/3y1yGXn
https://bit.ly/3feBbNk
https://bit.ly/3y1z209
https://bit.ly/3tDCxqm
https://bit.ly/3y77hDl
	Histórico e Evolução das Drogas Antimicrobianas
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	Mecanismos de resistência
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