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SEDUC/MT 
Professor da Educação Básica 
 
PERÍODO COLONIAL. 1. Os bandeirantes: escravidão indígena e exploração do ouro; 2. A fundação 
de Cuiabá: Tensões políticas entre os fundadores e a administração colonial; 3. A fundação de Vila Bela 
da Santíssima Trindade e a criação da Capitania de Mato Grosso; 4. A escravidão negra em Mato 
Grosso.... .................................................................................................................................................. 1 
 
PERÍODO IMPERIAL. 1. A crise da mineração e as alternativas econômicas da Província; 2. A Rusga; 
3. Os quilombos em Mato Grosso; 4. Os Presidentes de Província e suas realizações; 5. A Guerra da 
Tríplice Aliança contra o Paraguai e a participação de Mato Grosso; 6. A economia matogrossense após 
a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai; 7. O fim do Império em Mato Grosso. ........................... 5 
 
PERÍODO REPUBLICANO. 1.O coronelismo em Mato Grosso; 2. Economia de Mato Grosso na 
Primeira República: usinas de açúcar e criação de gado; 3. Relações de trabalho em Mato Grosso na 
Primeira República; 4. Mato Grosso durante a Era Vargas: política e economia; 5. Política fundiária e as 
tensões sociais no campo; 6. Os governadores estaduais e suas realizações; ..................................... 17 
 
7. Tópicos relevantes e atuais de política, economia, sociedade, educação, tecnologia, energia, 
relações internacionais, desenvolvimento sustentável, segurança, ecologia e suas vinculações 
históricas.... ............................................................................................................................................ 30 
 
 
Candidatos ao Concurso Público, 
O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas 
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom 
desempenho na prova. 
As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar 
em contato, informe: 
- Apostila (concurso e cargo); 
- Disciplina (matéria); 
- Número da página onde se encontra a dúvida; e 
- Qual a dúvida. 
Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O 
professor terá até cinco dias úteis para respondê-la. 
Bons estudos! 
 
1338106 E-book gerado especialmente para TIAGO DE AGUIAR COSTA
 
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Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante 
todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica 
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida 
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente 
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores @maxieduca.com.br 
 
Período Colonial1 
Ocupações indígenas existiam no alto do rio Xingu desde o século IX. A primeira vez que o “homem 
branco” pisou em solo mato-grossense foi por volta de 1525, quando o navegante Pedro Aleixo Garcia 
percorreu as águas dos rios Paraná e Paraguai em direção à Bolívia. 
Já no início do século XVIII, em 1718, o bandeirante Antônio Pires de Campos informou os 
colonizadores que a região era boa para escravizar índios. Tempos depois, foi descoberto o potencial 
aurífero da região, este é considerado o início da história do Mato Grosso. 
Diversos garimpeiros portugueses e espanhóis migraram em busca de ouro e diamante. No período, 
os jesuítas realizaram missões entre os rios Paraguai e Paraná, com o intuito de assegurar os limites das 
terras portuguesas, que, após o Tratado de Tordesilhas, faziam limite com o lado espanhol. 
Em 1748 foi fundada a capitania de Mato Grosso. Portugal ofereceu isenções e privilégios para quem 
desejasse povoar o local e ainda financiou expedições que partiam de qualquer lugar do Brasil, 
respeitando os limites de Tordesilhas. Anos mais tarde, as bandeiras, como ficaram conhecidas as 
expedições, passaram a ser financiadas pelos paulistas, que ultrapassaram os limites espanhóis. 
As expedições paulistas visavam interesses econômicos. Serviam para captação de mão de obra 
indígena, ouro e pedras preciosas. Para fiscalizar a exploração de recursos naturais, a capitania de Mato 
Grosso era subordinada à de São Paulo, comandada por Rodrigo César de Menezes. O governador 
Menezes mudou-se para lá e elevou a capitania à categoria de vila, que passou-se a chamar Vila Real 
do Bom Jesus de Cuiabá. 
O termo “Mato Grosso” foi utilizado pelo primeira vez pelos irmãos Fernando e Artur Paes de Barros, 
em 1734, quando buscavam índios Parecis e descobriram uma mina de ouro no rio Galera, no no vale do 
Guaporé. Chamaram o local de Minas do Mato Grosso. 
 
Os Bandeirantes2 
 
Expansão Territorial: Bandeiras e Bandeirantes 
 
As bandeiras, tradicionalmente definidas como expedições particulares, em oposição às entradas, de 
caráter oficial, contribuíram decisivamente para a expando territorial do Brasil Colônia. A pobreza de São 
Paulo, decorrente do fracasso da lavoura canavieira no século XVI, a possibilidade da existência de 
metais preciosos no interior e, particularmente, a necessidade de mão-de-obra para o açúcar nordestino, 
durante a União Ibérica, levaram os paulistas a organizar a caça ao índio, o bandeirismo de contrato e a 
pesquisa mineral. 
 
A caça ao Índio 
 
Inicialmente a caça ao índio (Preação) foi uma forma de suprir a carência de mão-de-obra para a 
prestação de serviços domésticas aos próprios paulistas. Logo, porém, transformou-se em atividade 
lucrativa, destinada a complementar as necessidades de braços escravos, bem como para a triticultura 
paulista. Na primeira metade do século XVII, os vicentinos realizaram incursões, principalmente contra as 
 
1 https://www.resumoescolar.com.br/historia-do-brasil/historia-do-mato-grosso/ 
2 http://www.infoescola.com/mato-grosso/historia-do-mato-grosso/ 
PERÍODO COLONIAL. 1. Os bandeirantes: escravidão indígena e 
exploração do ouro; 2. A fundação de Cuiabá: Tensões políticas entre 
os fundadores e a administração colonial; 3. A fundação de Vila Bela 
da Santíssima Trindade e a criação da Capitania de Mato Grosso; 4. A 
escravidão negra em Mato Grosso. 
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reduções jesuíticas espanholas, resultando na destruição de várias missões, como as do Guairá, Itatim e 
Tape, por Antônio Raposo Tavares. Nesse período, os holandeses, que haviam ocupado uma parte do 
Nordeste açucareiro, também conquistaram feitorias de escravos negros na África, aumentando a 
escassez de escravos africanos no Brasil. 
 
O bandeirismo de contrato 
 
A ação de bandeirantes paulistas contratados pelo governador-geral ou por senhores de engenho do 
Nordeste, com o objetivo de combater índios inimigos e destruir quilombos, corresponde a uma fase do 
bandeirismo na segunda metade do século XVII. O principal acontecimento desse ciclo de bandeiras foi 
a destruição de um conjunto de quilombos situados no Nordeste açucareiro, conhecido genericamente 
como Palmares. 
A atuação do bandeirismo foi de fundamental importância para a ampliação do território português na 
América. Num espaço muito curto, os bandeirantes devassaram o interior da colônia, explorando suas 
riquezas e arrebatando grandes áreas do domínio espanhol, como é o caso das missões do Sul e Sudeste 
do Brasil. Antônio Raposo Tavares, depois de destruí-las, foi até os limites com a Bolívia e Peru, atingindo 
a foz do rio Amazonas, completando, assim, o famoso périplo brasileiro. Por outro lado, o bandeirantes 
agiram de forma violenta na caça de indígenas e de escravos foragidos, contribuindo para a manutenção 
do sistema escravocrata que vigorava no Brasil Colônia. 
 
Mato Grosso 
As primeiras excursões feitas no territórioMussolini. Os defensores 
de Getúlio Vargas diziam que em nenhum outro momento da história do Brasil houve avanços 
comparáveis nos direitos dos trabalhadores. Os expoentes máximos dessa posição foram João Goulart 
e Leonel Brizola, sendo Brizola considerado o último herdeiro político do “Getulismo”, ou da “Era Vargas”, 
na linguagem dos brasileiros. 
A crítica de direita, ou liberal, argumenta que, em longo prazo, as leis trabalhistas prejudicam os 
trabalhadores porque aumentam o chamado “custo Brasil”, onerando muito as empresas e gerando a 
inflação que corrói o valor real dos salários. Segundo esta versão, o Custo Brasil faz com que as empresas 
brasileiras contratem menos trabalhadores, aumentem a informalidade e faz que as empresas 
estrangeiras se tornem receosas de investirem no Brasil. Assim, segundo a crítica liberal, as leis 
trabalhistas gerariam, além da inflação, mais desemprego e subemprego entre os trabalhadores. 
 
As Forças de oposição ao Regime Oligárquico 
No decorrer das três primeiras décadas do século XX houveram uma série de manifestações operárias, 
insatisfação dos setores urbanos e movimentos de rebeldia no interior do Exército (Tenentismo). Eram 
forças de oposição ao regime oligárquico, mas que ainda não representavam ameaça à sua estabilidade. 
Esse quadro sofreu uma grande modificação quando, no biênio 1921-30, a crise econômica e o 
rompimento da política do café-com-leite por Washington Luís colocaram na oposição uma fração 
importante das elites agrárias e oligárquicas. Os acontecimentos que se seguiram (formação da Aliança 
Liberal, o golpe de 30) e a consequente ascensão de Vargas ao poder podem ser entendidos como o 
resultado desse complexo movimento político. Ele se apoiou em vários setores sociais liderados por 
frações das oligarquias descontentes com o exclusivismo paulista sobre o poder republicano federal. 
 
O Governo Provisório 
Com Washingtom Luís deposto e exilado, Getúlio Vargas foi empossado como chefe do governo 
provisório. As medidas do novo governo tinham como objetivo básico promover uma centralização política 
e administrativa que garantisse ao governo sediado no Rio de Janeiro o controle efetivo do país. Em 
outras palavras, o federalismo da República Velha caía por terra. Para atingir esse objetivo, foram 
nomeados interventores para governar os estados. Eram homens de confiança, normalmente oriundos 
do Tenentismo, cuja tarefa era fazer cumprir, em cada estado, as determinações do governo provisório. 
Esse fato e mais o adiamento que Getúlio Vargas foi impondo à convocação de novas eleições 
desencadearam reações de hostilidade ao seu governo, especialmente no estado de São Paulo. As 
eleições dariam ao país uma nova constituição, um presidente eleito pela população e um governo com 
legitimidade jurídica e política. Mas poderia também significar a volta ao poder dos derrotados na 
Revolução de 30. 
 
A Reação Paulista 
A oligarquia paulista estava convencida da derrota que sofreu em 24 de outubro de 1930, mas não 
admitia perder o controle do Executivo em “seu” próprio estado. A reação paulista começou com a não 
aceitação do interventor indicado para São Paulo, o tenentista João Alberto. Às pressões pela indicação 
de um interventor civil e paulista, começa a se somar a reivindicação de eleições para a Constituinte. 
Essas teses foram ganhando rapidamente simpatia popular. 
As manifestações de rua começaram a ocorrer com o apoio de todas as forças políticas do estado, até 
por aquelas que tinham simpatizado com o movimento de 1930 (exemplo do Partido Democrático - PD). 
Diante das pressões crescentes, Getúlio resolveu negociar com a oligarquia paulista, indicando um 
interventor do próprio estado. Isso foi interpretado como um sinal de fraqueza. Acreditando que poderiam 
derrubar o governo federal, os oligarcas articularam com outros estados uma ação nesse sentido. 
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Manifestações de rua intensificaram-se em São Paulo. Numa delas, quatro jovens, Miragaia, Martins, 
Dráusio e Camargo foram mortos e se transformaram em mártires da luta paulista em nome da legalidade 
constitucional. Getúlio, por seu lado, aprovou outras “concessões”: elaborou o código eleitoral (que previa 
o voto secreto e o voto feminino), mandou preparar o anteprojeto para a Constituição e marcou as eleições 
para 1933. 
 
A Revolução Constitucionalista de 1932 
A oligarquia paulista, entretanto, não considerava as “concessões” suficientes. Baseada no apoio 
popular que conseguira obter e contando com a adesão de outros estados, desencadeou em 9 de julho 
de 1932, a chamada Revolução Constitucionalista. Ela visava a derrubada do governo provisório e a 
aprovação imediata das medidas que Getúlio protelava. Entretanto, o apoio esperado dos outros estados 
não ocorreu e, depois de três meses, a revolta foi sufocada. Até hoje, o caráter e o significado da 
Revolução Constitucionalista de 1932 geram polêmicas. De qualquer forma, é inegável que o movimento 
teve duas dimensões. No plano mais aparente, predominaram as reivindicações para que o país 
retornasse à normalidade política e jurídica, lastreadas numa expressiva participação popular. Nesse 
sentido, alguns destacam que o movimento foi um marco na luta pelo fortalecimento da cidadania no 
Brasil. Num plano menos aparente, mas muito mais ativo, estava o rancor das elites paulistas, que viam 
no movimento uma possibilidade de retomar o controle do poder político que lhe fora arrebatado em 1930. 
Se admitirmos que existiu uma revolução em 1930, o que aconteceu em São Paulo, em 1932, foi a 
tentativa de uma contra revolução, pois visava restaurar uma supremacia que, durante mais de 30 anos, 
fez a nação orbitar em torno dos interesses da cafeicultura. Nesse sentido, o movimento era marcado por 
um reacionarismo elitista, contrário ao limitado projeto modernizador de 1930. 
 
As Leis Trabalhistas 
Foi aprovado também um conjunto de leis que garantiam direitos aos trabalhadores, destacando-se 
entre eles: salário mínimo, jornada de oito horas, regulamentação do trabalho feminino e infantil, descanso 
remunerado (férias e finais de semana), indenização por demissão, assistência médica, previdência 
social. A formalização dessa legislação trabalhista teve vários significados e implicações. Representou a 
primeira modificação importante na maneira de o Estado enfrentar a questão social e definiu as regras a 
partir das quais o mercado de trabalho e as relações trabalhistas poderiam se organizar. Garantiu, assim, 
uma certa estabilidade ao crescimento econômico. Por fim, foi muito útil para obter o apoio dos 
assalariados urbanos à política getulista. 
Essa legislação denota a grande habilidade política de Getúlio. Ele apenas formalizou um conjunto de 
conquistas que, em boa parte, já vigoravam nas relações de trabalho nos principais centros industriais. 
Com isso, construiu a sua imagem como “Pai dos Pobres” e benfeitor dos trabalhadores. 
 
O Controle Sindical 
A aprovação da legislação sindical representou um grande avanço nas relações de trabalho no Brasil, 
pois pela primeira vez o trabalhador obtinha, individualmente, amparo nas leis para resistir aos excessos 
da exploração capitalista. Por outro lado, paralelamente à sua implantação, o Estado definiu regras 
extremamente rígidas para a organização dos sindicatos, entre as quais a que autorizava o seu 
funcionamento (Carta Sindical), as que regulavam os recursos da entidade e as que davam ao governo 
direito de intervir nos sindicatos, afastando diretorias se julgasse necessário. Mantinha, assim, os 
sindicatos sob um controle rigoroso. 
 
Eleições Presidenciais de 1934 
Uma vez promulgada a Constituição de 1934, a Assembleia Constituinte converteu-se em Congresso 
Nacional e elegeu o presidente da República por via indireta: o próprio Getúlio. Começava o período 
constitucional do governo Vargas. 
 
O Governo Constitucional e a Polarização Ideológica 
Durante esse período,simultaneamente à implantação do projeto político do governo, foram se 
desenhando outros dois projetos para o país. Esse breve período constitucional foi marcado por lutas, às 
vezes violentas, entre os defensores desses projetos, levando a uma verdadeira polarização ideológica. 
O tom desse momento político do país foi marcado pelo confronto entre duas correntes: uma defendia 
um nacionalismo conservador, a outra, um nacionalismo revolucionário. 
 
 
 
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Nacionalismo conservador 
Esse movimento contava com o apoio de vários estratos das classes médias urbanas, Igreja e setores 
do Exército. O projeto que seus apoiadores tinham em mente decorria de uma certa leitura que faziam da 
história do país até aquele momento. 
Segundo os conservadores, o aspecto que marcava mais profundamente a formação histórica do país 
e do seu povo era a tradição agrícola. Desde o descobrimento, toda a vida econômica, social e política 
organizou-se em torno da agricultura. Todos os nossos valores morais, regras de convivência social, 
costumes e tradições, enfim, a espinha dorsal da nossa cultura, fincavam suas raízes no modo de vida 
rural. Dessa forma, tudo o que ameaçava essa “tradição agrícola” (isto é, estímulos a outros setores da 
economia, crescimento da indústria, expansão da urbanização e suas consequências, como a 
propagação de novos valores, hábitos e costumes tipicamente urbanos, bem como novas formas de 
expressão artística e culturais) representava um atentado contra a integridade e o caráter nacional, uma 
corrupção da nossa identidade como povo e nação. Por ser contrário a transformações e à medida que 
as tendências modernizadoras tinham origem externa (induzidas pela industrialização, vanguardas 
artísticas europeias etc.) é que o movimento caracterizava-se por ser nacionalista e conservador. 
Para que a coerência com a nossa identidade histórica fosse mantida, os ideólogos do nacionalismo 
conservador propunham o seguinte: os latifúndios deveriam ser divididos em pequenas parcelas de terras 
a ser distribuídas. Assim, as famílias retornariam ao campo, tornando o Brasil uma grande comunidade 
de pequenos e prósperos proprietários. Podemos concluir, a partir desse ideário, que eram 
antilatifundiários, antiindustrialistas e, no limite, anticapitalistas. Na esfera política, defendiam um regime 
autoritário de partido único. 
 
O Integralismo 
Esse movimento deu origem à Ação Integralista Brasileira, cujo lema era Deus, Pátria e Família, tendo 
como seu principal líder e ideólogo Plínio Salgado. Tradicionalmente, a AIB tem sido interpretada como a 
manifestação do nazifascismo no Brasil, pela semelhança entre os aspectos aparentes do integralismo e 
do nazifascismo. Uniformes, tipo de saudação, ultranacionalismo, feroz anticomunismo, tendências 
ditatoriais e apelo à violência eram traços que aproximavam as duas ideologias. Um exame mais atento, 
entretanto, mostra que eram projetos distintos. Enquanto o nazi fascismo era apoiado pelo grande capital 
e buscava uma expansão econômico-industrial a qualquer custo, ao preço de uma guerra mundial se 
necessário, os integralistas queriam voltar ao campo. Num certo sentido, o projeto nazifascista era mais 
modernizante que o integralista. Assim, as semelhanças entre eles escondiam propostas e projetos 
globais para a sociedade radicalmente distintos. 
 
Nacionalismo Revolucionário 
Frações dos setores médios urbanos, sindicatos, associações de classe, profissionais liberais, 
jornalistas e o Partido Comunista prestaram apoio a outro movimento político: o nacionalismo 
revolucionário. Este defendia a industrialização do país, mas sem que isso implicasse subordinação e 
dependência em relação às potências estrangeiras, como a Inglaterra e os Estados Unidos. 
O nacionalismo revolucionário propunha uma reforma agrária como forma de melhorar as condições 
de vida do trabalhador urbano e rural e potencializar o desenvolvimento industrial. Considerava que a 
única maneira de realizar esses objetivos seria a implantação de um governo popular no Brasil. Esse 
movimento deu origem à Aliança Nacional Libertadora, cujo presidente de honra era Luís Carlos Prestes, 
então membro do Partido Comunista. 
 
As Eleições de 1938 
Contida a oposição de esquerda, o processo político evoluiu sem conflitos maiores até 1937. Nesse 
ano, começaram a se desenhar as candidaturas para as eleições de 1938. Dentre as candidaturas, 
começou a se destacar a de Armando Sales Oliveira, paulista que articulava com outros estados sua 
eleição para presidente. Getúlio Vargas, as oligarquias que lhe davam apoio e os militares herdeiros da 
tradição tenentista não viam com bons olhos a possibilidade de retorno da oligarquia paulista ao poder. 
Mas, uma vez mantido o calendário eleitoral, isso parecia inevitável. 
 
O Plano Cohen 
Enquanto as articulações políticas visando as eleições se desenvolviam, veio à luz o famoso Plano 
Cohen. Segundo as informações oficiais, forças de segurança do governo tinham descoberto um plano 
de tomada do poder pelos comunistas. Muito bem elaborado, colocava em risco as instituições, caso 
fosse deflagrado. O governo então, para evitar o perigo vermelho, solicitou do Congresso Nacional a 
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aprovação do estado de sítio, que suspendia as liberdades públicas e dava ao governo amplos poderes 
para combater a subversão. 
 
A Decretação do Estado de Sítio e o Golpe de 1937 
A fração oligárquica paulista hesitava em aprovar a medida, mas diante do clamor do Exército, das 
classes médias e da Igreja, que temiam a escalada comunista, o Congresso autorizou a decretação do 
estado de sítio. A seguir, com amplos poderes concentrados em suas mãos, Getúlio Vargas outorgou 
uma nova Constituição ao país, implantando, por meio desse golpe o Estado Novo. 
 
Estado Novo (1937-1945)9 
A ditadura estabelecida por Getúlio Vargas durou oito anos, indo de 1937 a 1945. Embora Vargas 
agisse habilidosamente, com o intuito de aumentar o próprio poder, não foi somente sua atuação que 
gerou o Estado Novo. Pelo menos três elementos convergiam para sua criação: 
- A defesa de um Estado forte por parte dos cafeicultores, que dependiam dele para manter os preços 
do café; 
- Os industriais, que seguiam a mesma linha de defesa dos cafeicultores, já que o crescimento das 
industrias dependia da proteção estatal; 
- As oligarquias e classe média urbana, que assustavam-se com a expansão da esquerda e julgavam 
que para “salvar a democracia” era necessário um governo forte 
 
Além disso Vargas tinha também o apoio dos militares, por alguns motivos: 
- Por sua formação profissional, os militares possuíam uma visão hierarquizada do Estado, com 
tendência a apoiar mais um regime autoritário do que um regime liberal; 
- Os oficiais de tendência liberal haviam sido expurgados do exército por Vargas e pela dupla Góis 
Monteiro-Gaspar Dutra; 
- Entre os oficiais do exército estava se consolidando o pensamento de que se deveria substituir a 
política no exército pela política do exército. E a política do exército naquele momento, visava o próprio 
fortalecimento, resultado atingido mais facilmente em uma ditadura. 
 
Com todos esses fatores a seu favor, não houveram dificuldades para Getúlio instalar e manter por 
oito anos a ditadura no país. Durante o período foi implacável o autoritarismo, a censura, a repressão 
policial e política e a perseguição daqueles que fossem considerados inimigos do Estado. 
 
Política econômica do Estado Novo 
Por meio de interventores, o governo passou a controlar a política dos estados. Paralelamente aos 
interventores, foi criado em cada um dos estados um Departamento Administrativo, que era 
diretamente subordinado ao Ministério da Justiça, com membros nomeados pelo presidente da república. 
Cada Departamento Administrativo estudava e aprovava as leis decretadas pelo interventor e fiscalizavaseus atos, orçamentos, empréstimos, entre outros. Dessa forma os programas estaduais ficavam 
subordinados ao governo federal. 
Na área federal foi criado o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). Além de 
centralizar a reforma administrativa, o Departamento tinha poderes para elaborar o orçamento dos órgãos 
públicos e controlar a execução orçamentaria deles. Com a criação do DASP e do Conselho Nacional 
de Economia, não só a atuação administrativa e econômica do governo passou a ser muito mais 
eficiente, como também aumentou consideravelmente o poder do Estado e do presidente da república, 
agora diretamente envolvido na solução dos principais problemas econômicos do país, inclusive com a 
criação de órgãos especializados: o instituto do Açúcar e Álcool, o Instituto do Mate, Instituto do pinho, 
etc. 
Por meio dessas medidas, o governo conseguiu solucionar de maneira satisfatória os principais 
problemas econômicos da época. A cafeicultura foi convenientemente defendida, a exportação agrícola 
foi diversificada, a dívida externa foi congelada, a indústria cresceu rapidamente, a mineração de ferro e 
carvão expandiu-se e a legislação trabalhista foi consolidada. Com essas medidas as elites enriqueceram, 
a classe média melhorou seu padrão de vida e o operariado ganhou a proteção que lutou por anos para 
conseguir. Dessa forma Vargas atingiu altos níveis de popularidade, mesmo com a repressão e 
perseguição política de seu regime. 
No mesmo período de 1937 a 1940, a ação econômica do Estado objetivava racionalizar e incentivar 
atividades econômicas já existentes no Brasil. Já a partir de 1940, com a instalação de grandes empresas 
 
9 Adaptado de MOURA, José Carlos Pires. História do Brasil. 
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estatais, o Estado alterou seu papel, passando a ser um dos principais investidores do setor industrial, 
principalmente na indústria pesada (responsável por transformar grandes quantidades de matéria-prima). 
Os investimentos estatais concentravam-se na indústria pesada, principalmente a siderurgia, química, 
mecânica pesada, metalurgia, mineração de ferro e geração de energia hidroelétrica. Esses eram setores 
que exigiam grandes investimentos e garantiam retorno somente no longo prazo, o que não despertou o 
interesse da burguesia brasileira. Como saída, existiam duas opções para sua implantação: o 
investimento do capital estrangeiro ou o investimento estatal, sendo o segundo o escolhido. A iniciativa 
teve êxito graças a um pequeno número de empresários e também do exército, que associava a indústria 
de base com a produção de armamentos, entendendo-a como assunto de segurança nacional. 
A maior participação do Estado na economia gerou a formação de novos órgãos oficiais de 
coordenação e planejamento econômico, destacando-se: 
CNP – Conselho Nacional do Petróleo (1938) 
CNAEE – Conselho Nacional de Aguas e Energia Elétrica (1939) 
CME – Coordenação da Mobilização Econômica (1942) 
CNPIC – Conselho Nacional de Política Industrial e Comercial (1944) 
CPE – Comissão de Planejamento Econômico (1944) 
 
As principais empresas estatais criadas no período foram: 
CSN – Companhia Siderúrgica Nacional (1940) 
CVRD – Companhia Vale do Rio Doce (1942) 
CNA – Companhia nacional de Álcalis (1943) 
FNM – Fábrica Nacional de Motores (1943) 
CHESF – Companhia Hidroelétrica do São Francisco (1945) 
 
Desse modo, apesar da desaceleração do crescimento industrial ocasionado pela Segunda Guerra 
Mundial, devido à dificuldade para importar equipamentos e matéria-prima, quando o Estado Novo se 
encerrou em 1945, a indústria brasileira estava plenamente consolidada. 
 
Características políticas do Estado Novo 
Pode até parecer estranho, mas a ditadura estadonovista possuía uma constituição, que é uma 
característica das ditaduras brasileiras, onde a constituição afirmava o poder absoluto do ditador. 
A nova constituição foi apelidada de “Polaca”, elaborada por Francisco Campos, o mesmo responsável 
por criar o AI-1 em 1964, que deu origem à ditadura militar no Brasil. A constituição “Polaca” era 
extremamente autoritária e concedia poderes praticamente ilimitados ao governo. 
Em termos práticos, o governo do Estado Novo funcionou da seguinte maneira: 
- O poder político concentrava-se todo nas mãos do presidente da república; 
- O Congresso Nacional, as Assembleias Estaduais e as Câmaras Municipais foram fechadas; 
- O sistema judiciário ficou subordinado ao poder executivo; 
- Os Estados eram governados por interventores nomeados por Vargas, os quais, por sua vez, 
nomeavam os prefeitos municipais; 
- A Polícia Especial (PE) e as polícias estaduais adquiriram total liberdade de ação, prendendo, 
torturando e assassinando qualquer pessoa suspeita de se opor ao governo; 
- A propaganda pela imprensa e pelo rádio foi largamente usada pelo governo, por meio do 
Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). 
 
Foram fechados os partidos políticos, até mesmo o Partido Integralista, que mudou seu nome para 
Associação Brasileira de Cultura. Em 1938 os integralistas tentaram um golpe de governo que fracassou 
em poucas horas, com seus principais líderes presos, inclusive Plinio Salgado, que foi exilado para 
Portugal. 
Nesse meio tempo, o DIP e a PE prosseguiam seu trabalho. Chefiado por Lourival Fontes, o DIP era 
incansável tanto na censura quanto na propaganda, voltada para todos os setores da sociedade – 
operários, estudantes, classe média, crianças, militares – e abrangendo assuntos tão diversos quanto 
siderurgia, carnaval e futebol; procurava-se, assim, formar uma ideologia estadonovista que fosse aceita 
pelas diversas camadas sociais e grupos profissionais e intelectuais. Cabia também ao DIP o preparo das 
gigantescas manifestações operarias, particularmente no dia 1º de Maio, quando os trabalhadores, além 
de comemorarem o Dia do Trabalho, prestavam uma homenagem a Vargas, apelidado de “o pai dos 
pobres”. 
 
 
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Leis trabalhistas no governo de Getúlio Vargas 
Getúlio Vargas garantiu diversas mudanças em relação ao trabalho e ao trabalhador durante seu 
governo. Decretou a organização da jornada de trabalho, instituiu o Ministério do Trabalho, criou a Lei de 
Sindicalização, o salário mínimo em 1940. 
Apesar de muitas das conquistas trabalhistas terem sido aprovadas por Vargas, elas já eram 
reinvindicações antigas de diversos movimentos de trabalhadores, principalmente operários e sindicatos 
urbanos, desde a Primeira República 
As concessões garantidas por Getúlio criavam a imagem do Estado disciplinando o mercado de 
trabalho em benefício dos assalariados, porém também serviram para encobrir o caráter controlador do 
Estado sobre os movimentos operários, e possuía clara inspiração nas ideias do Ditador italiano Benito 
Mussolini. 
O relacionamento entre Getúlio e os trabalhadores era muito interessante, temperado pelos famosos 
discursos do ditador os quais sempre começavam pela frase “trabalhadores do Brasil...”. Utilizando um 
modelo de política populista, Vargas, de um lado, eliminava qualquer liderança operaria que tentasse 
um atuação autônoma em relação ao governo, acusando-a de “comunista”, enquanto por outro lado, 
concedia frequentes benefícios trabalhistas ao operariado, incluindo a decretação do salário-mínimo e 
da Consolidação das Leis do Trabalho(CLT). Desse modo, por meio de uma inteligente mistura de 
propaganda, repressão e concessões, Getúlio obteve um amplo apoio das camadas populares. 
 
A CLT entrou em vigor em 1943, durante a típica comemoração do 1º de maio. Entre seus principais 
pontos estão: 
Regulamentação da jornada de trabalho – 8 horas diárias. 
Descanso de um dia semanal, remunerado. 
Regulamentação do trabalho e salário de menores. 
Obrigatoriedade de salário mínimo como base de salário. 
Direito a férias anuais. 
Obrigatoriedade de registro docontrato de trabalho na carteira do trabalhador. 
 
As deliberações da CLT priorizaram, em 1943, as relações do trabalhador urbano, praticamente 
ignorando o trabalhador rural, que ainda representava uma grande parcela da população. Segundo dados 
do IBGE, em 1940 aproximadamente 70% da população brasileira estava na zona rural. 
Essas pessoas não foram beneficiadas com medidas trabalhistas específicas, nem com políticas que 
facilitassem o acesso à terra e à propriedade. 
Porém, não houve legislação que protegesse o trabalhador rural ou lhe facilitasse o acesso à terra. 
Mantiveram-se as relações de arrendamento e as diárias. Os poucos trabalhadores assalariados do 
campo cumpriam funções especializadas. 
Para organizar os trabalhadores rurais, desde a década de 50, surgiram movimentos sociais como as 
Ligas Camponesas, as Associações de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas, até o mais estruturado 
destes movimentos, o MST, nascido nos encontros da CPT- Comissão Pastoral da Terra, em 1985, no 
Paraná. 
 
Enquanto isso, a Polícia Especial (PE), sob o comando de Filinto Müller, continuava agindo: prendia 
milhares e milhares de pessoas, sendo que a maioria jamais foi julgada, ficando apenas presas e sendo 
torturadas durante anos a fio. 
Após o fim do Estado Novo foi formada uma comissão para investigar as barbaridades cometidas pela 
polícia durante o período de ditadura, chamada de “Comissão Parlamentar de Inquérito dos Atos 
Delituosos da Ditadura”. Mas os levantamentos feitos pela comissão em 1946 e 1947, eram quase sempre 
abafados, fazendo-se o possível para que caíssem no esquecimento, por duas razões: 
- A maioria dos torturadores e assassinos permaneciam no polícia depois que a PE havia sido extinta, 
sendo apenas transferidos para outros órgãos e funções; 
- Muitos civis e militares envolvidos nas torturas e assassinatos fizeram mais tarde rápida carreira, 
chegando a ocupar postos importantes na administração e na política. 
O relatório concluído pela comissão revela os extremos da violência e banditismo organizado 
alcançados durante o Estado Novo: prisões arbitrarias, intimidação, tortura. Muitas vezes os presos eram 
pendurados em “paus-de-arara”, espancados com paus e pedaços de borracha e espetados com 
alfinetes. Além disso as torturas também poderiam incluir a inserção de farpas de bambu sob as unhas, 
retirada de pelos e dentes com alicate, queimaduras com cigarro ou maçarico em órgãos sexuais, 
choques e a obrigação de beber óleo de rícino. 
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. 24 
Para os torturadores não havia muita diferenciação entre homens, mulheres, crianças e velhos. Muitas 
vezes os familiares próximos também eram presos e torturados para obrigar o preso a falar. Quando não 
resistia aos ferimentos, o prisioneiro era desovado em um matagal ou atirado de um prédio alto para 
simular suicídio. 
Também era comum durante o período a espionagem, feita por militares e civis, que eram conhecidos 
como “invisíveis”. Sua função poderia ser a de espiar alguém em específico ou fazer uma espionagem 
generalizada em escolas, universidades, fábricas, estádios de futebol, transporte público, cinemas, locais 
de lazer, unidades militares e repartições públicas. Formaram-se milhares de arquivos pessoais com 
informações minuciosas sobre as pessoas, que seriam utilizadas novamente 19 anos após o fim do estado 
Novo, na Ditadura Militar. 
 
Fim do Estado Novo 
Com o início da Segunda Guerra Mundial em 1939, houveram muitas consequências. Permitiu ao 
governo de Vargas neutralidade para negociar tanto com os Aliados como com o Eixo, conseguindo 
financiamento dos Estados Unidos para a construção da usina siderúrgica de Volta Redonda, a compra 
de armamentos alemães e fornecimento de material bélico norte-americano. 
Apesar da neutralidade de Getúlio, que esperava o desenrolar do conflito para determinar apoio ao 
provável vencedor, em seu governo haviam grupos divididos e definidos sobre quem apoiar: Oswaldo 
Aranha, que era ministro das Relações Exteriores era favorável aos Estados Unidos, enquanto os 
generais Gaspar Dutra e Góis Monteiro eram favoráveis ao nazismo. Com a entrada dos Estados Unidos 
na guerra em 1941 e o torpedeamento de vários navios mercantes brasileiros, o país entra em guerra ao 
lado dos aliados em agosto de 1942. A saída de Lourival Fontes (DIP) Fillinto Müller (PE) e Francisco 
Campos (Ministério da Justiça) também colaboraram para a decisão. 
Em 1944 foram mandados 25.000 soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a Itália, 
marcando a participação do Brasil no conflito. 
Mais do que a vitória contra as forças do Eixo na Europa, a Segunda Guerra Mundial teve um efeito 
na política brasileira. Muitos dos que lutavam contra o Fascismo na Europa não aceitavam voltar para 
casa e viver em um regime autoritário. O sentimento de revolta cresceu na população e muitas 
manifestações em prol da redemocratização foram realizadas, mesmo com forte repressão da polícia. 
Pressionado pelas reivindicações, em 1945 Vargas assinou um Ato Adicional que marcava eleições para 
o final daquele ano. Foram formados vários partidos: UDN (União Democrática nacional), PSD (Partido 
Social Democrático), PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o PCB (Partido Comunista Brasileiro) foi 
legalizado, além de outros menores. Venceu a candidatura do General Dutra, que concorreu pela aliança 
entre PTB e PSD. Além dele foram candidatos o brigadeiro Eduardo Gomes da UDN e Yedo Fiúza do 
PCB. 
Apesar dos protestos para o fim do Estado Novo, muitas pessoas queriam que a redemocratização 
ocorresse com a continuação de Getúlio no poder. Daí vem o movimento conhecido como “Queremismo”, 
que vem do slogan “Queremos Getúlio”. 
 
Governadores Estaduais 
 
Nome Início do mandato Fim do mandato 
 
Primeira República 
Brasileira (1889-1930) 
 
 
Antônio Maria Coelho, Barão 
do Amambaí 
11 de dezembro de 1889 15 de fevereiro de 1891 
Frederico Solon de Sampaio 
Ribeiro 
16 de fevereiro de 1891 31 de março de 1891 
José da Silva Rondon 1º de abril de 1891 5 de junho de 1891 
João Nepomuceno de 
Medeiros Mallet 
6 de junho de 1891 16 de agosto de 1891 
Manuel José Murtinho 16 de agosto de 1891 15 de agosto de 1895 
Antônio Correia da Costa 15 de agosto de 1895 26 de janeiro de 1898 
Antônio Cesário de 
Figueiredo 
26 de janeiro de 1898 10 de abril de 1899 
João Pedro Xavier Câmara 10 de abril de 1899 6 de julho de 1899 
1338106 E-book gerado especialmente para TIAGO DE AGUIAR COSTA
 
. 25 
Antônio Leite de Figueiredo 6 de julho de 1899 15 de agosto de 1899 
Antônio Pedro Alves de 
Barros 
15 de agosto de 1899 15 de agosto de 1903 
Antônio Pais de Barros, 
Barão de Piracicaba 
15 de agosto de 1903 2 de julho de 1906 
Pedro Leite Osório 2 de julho de 1906 15 de agosto de 1907 
Generoso Pais Leme de 
Sousa Ponce 
Generoso Ponce.jpg 15 
de agosto de 1907 
12 de outubro de 1908 
Pedro Celestino Correia da 
Costa 
12 de outubro de 1908 15 de agosto de 1911 
Joaquim Augusto da Costa 
Marques 
15 de agosto de 1911 15 de agosto de 1915 
Caetano Manuel de Faria e 
Albuquerque 
15 de agosto de 1915 8 de fevereiro de 1917 
Camilo Soares de Moura 9 de fevereiro de 1917 22 de agosto de 1917 
Cipriano da Costa Ferreira 23 de agosto de 1917 21 de janeiro de 1918 
Francisco de Aquino Correia
 Aquino 
22 de janeiro de 1918 21 de janeiro de 1922 
Pedro Celestino Correia da 
Costa 
22 de janeiro de 1922 24 de outubro de 1924 
Estêvão Alves Correia 25 de outubro de 1924 22 de janeiro de 1926 
Mário Correia da Costa 22 de janeiro de 1926 21 de janeiro de 1930 
Aníbal Benício de Toledo 22 de janeiro de 1930 30 de outubro de 1930 
 
Era Vargas (1930-1945) 
 
 
Sebastião Rabelo Leite 
Interventor federal 
30 de outubro de 1930 3 de novembro de 1930 
Antônio Mena Gonçalves 
Interventor federal 
3 de novembro de 1930 24 de abril de 1931 
Artur Antunes Maciel 
Interventor federal 
24 de abril de 1931 15 de junho de 1932Leônidas Antero de Matos 
Interventor federal 
15 de junho de 1932 12 de outubro de 1934 
César de Mesquita Serva 
Interventor federal 
12 de outubro de 1934 8 de março de 1935 
Fenelon Müller 
Interventor federal 
8 de março de 1935 28 de agosto de 1935 
Newton Deschamps 
Cavalcanti Interventor federal 
28 de agosto de 1935 7 de setembro de 1935 
Mário Correia da Costa 7 de setembro de 1935 8 de março de 1937 
Manuel Ari da Silva Pires 
Interventor federal 
9 de março de 1937 13 de setembro de 1937 
Júlio Strübing Müller 
Interventor federal 
13 de setembro de 1937 30 de outubro de 1945 
 
Segunda República 
Brasileira (1945-1964) 
 
 
Olegário Moreira de Barros 30 de outubro de 1945 19 de agosto de 1946 
José Marcelo Moreira 19 de agosto de 1946 8 de abril de 1947 
Arnaldo Estêvão de 
Figueiredo 
8 de abril de 1947 1º de julho de 1950 
Jari Gomes 1º de julho de 1950 31 de janeiro de 1951 
Fernando Corrêa da Costa 31 de janeiro de 1951 31 de janeiro de 1956 
João Ponce de Arruda 31 de janeiro de 1956 31 de janeiro de 1961 
Fernando Corrêa da Costa 31 de janeiro de 1961 31 de janeiro de 1966 
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. 26 
 Ditadura Militar (1964-1985) 
Pedro Pedrossian 31 de janeiro de 1966 15 de março de 1971 
José Manuel Fontanillas 
Fragelli 
15 de março de 1971 15 de março de 1975 
José Garcia Neto 15 de março de 1975 15 de agosto de 1978 
Cássio Leite de Barros 15 de agosto de 1978 15 de março de 1979 
Frederico Carlos Soares 
Campos 
15 de março de 1979 15 de março de 1983 
Júlio José de Campos 15 de março de 1983 15 
de maio de 1986 
Governador eleito que 
renunciou ao mandato 
 
Nova República (1985-
presente) 
 
 
Wilmar Peres de Faria 15 de maio de 1986 15 de março de 1987 
Carlos Gomes Bezerra 15 de março de 1987 2 de abril de 1990 
Edison Freitas de Oliveira 2 de abril de 1990 15 de março de 1991 
Jaime Veríssimo de Campos 15 de março de 1991 31 de dezembro de 1994 
Dante Martins de Oliveira 1º de janeiro de 1995 31 de dezembro de 1998 
 1º de janeiro de 1999 6 de abril de 2002 
José Rogério Salles 6 de abril de 2002 31 de dezembro de 2002 
Blairo Borges Maggi 1º de janeiro de 2003 31 de dezembro de 2006 
 1º de janeiro de 2007 31 de março de 2010 
Silval da Cunha Barbosa 31 de março de 2010 31 de dezembro de 2010 
 1º de janeiro de 2011 31 de dezembro de 2014 
José Pedro Gonçalves 
Taques 
1º de janeiro de 2015 31 de dezembro de 2018 
(previsão) 
 
Política Fundiária e as tensões sociais no campo 
 
Aspectos 
socioeconômicos de Mato Grosso 
 
As bases da economia do estado mato-grossense1011 
 
 
 
O estado de Mato Grosso é conhecido como o celeiro do país, campeão na produção de soja, milho, 
algodão e de rebanho bovino, e agora quer alcançar novos títulos do lado de fora da porteira das 
 
10 http://www.mt.gov.br/geografia. 
11 http://www.mt.gov.br/economia. 
 
Em relação a questão fundiária e o processo e tensões ocorridos pela disputa ao 
acesso à terra no estado de Mato Grosso, recomendamos que leia o seguinte artigo 
publicado pela revista da UFSC através do link: 
. Ele 
trata essa questão de forma mais completa e pode enriquecer mais seus estudos 
1338106 E-book gerado especialmente para TIAGO DE AGUIAR COSTA
 
. 27 
fazendas. Com crescimento “chinês” de seu Produto Interno Bruto, o estado iniciou um planejamento para 
atacar diversas frentes com potencialidades até então adormecidas. A estratégia vai permitir que sua 
produção seja diversificada para agregar valor à tudo aquilo que é produzido em terras mato-grossenses 
e que acaba abastecendo o Brasil e o mundo. 
O governado do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), está 
planejando um conjunto de ações para atrair investidores para Mato Grosso. Cinco eixos prioritários para 
esta transformação foram definidos pela secretaria. A partir de agora serão realizados estudos para 
reformular as políticas tributária, de atração de investimentos, logística e mão de obra. 
Os cinco setores com grande potencial de crescimento na região e que terão atenção especial do 
estado são agroindústria, turismo, piscicultura, economia criativa e pólo joalheiro. Para isso, o estado 
pretende reformular o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) e 
o sistema tributário estadual. 
 
Agronegócio 
 
 
 
Em pouco mais de uma década, o PIB estadual passou de R$ 12,3 bilhões (1999) para R$ 80,8 bilhões 
(2012), representando um crescimento de 554%. Neste mesmo período, o PIB brasileiro aumentou 312%, 
segundo dados do IBGE. Grande parte deste desempenho positivo veio do campo. Atualmente, o estado 
Mato Grosso lidera a produção de soja no país, com estimativa de 28,14 milhões de toneladas para a 
safra 2014/2015. Também está à frente na produção de algodão em pluma – 856.184 toneladas para 
2014/2015 – e rebanho bovino, com 28,41 milhões de cabeças. De acordo com o Instituto Mato-
Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o agronegócio representa 50,5% do PIB do estado. 
Com o agronegócio consolidado, Mato Grosso é terreno fértil para as indústrias que atuam antes e 
depois da porteira. Até 2013, segundo a Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), o 
estado tinha 11.398 unidades industriais em operação, com 166 mil empregos gerados. 
Ainda assim, é preciso agregar mais valor ao produto que sai de Mato Grosso. Da porteira para dentro 
há potencial para as empresas que abastecem os produtores com adubo, defensivo e maquinário, entre 
outros produtos. Da porteira para fora, as empresas de beneficiamento, como a têxtil e de etanol. 
 
Plantação de soja 
A Produção de grãos em Mato Grosso está associada à atividade pecuária. 
O mapeamento mostra que a atividade pecuária predomina em pelo menos 40% de Mato Grosso, com 
animais de grande porte e rebanho de corte. 
A atividade predomina no sul do estado, no nordeste, na região do Rio Araguaia e no norte, entre Alta 
Floresta e Nova Bandeirantes. 
A área para a produção de grãos e fibras apresenta maior concentração na região centro-norte do 
estado, especialmente nos municípios de Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde, e no centro-sul, sobretudo 
nos municípios de Campo Verde e Primavera do Leste. 
A atividade associa-se à pecuária de animais de grande porte, dispersa por todas as regiões do estado. 
O Mapa da Cobertura e Uso da Terra de Mato Grosso é resultado da interpretação de imagens de 
satélite que são comparadas à análise de informações obtidas em trabalhos de campo, análises de 
tipologia agrícola e de documentação acessória disponível, como estatísticas e textos. 
O IBGE também publica o manual Geoestatísticas de Recursos Naturais da Amazônia Legal, que 
apresenta avaliações qualitativas e quantitativas de dados sobre a organização e a distribuição dos 
recursos naturais e da cobertura da terra disponíveis para a Amazônia Legal, com base em estatísticas 
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. 28 
do Banco de Dados e Informações Ambientais, também do instituto, obtidos por aplicativos 
computacionais de análise espacial. 
O mapa é disponibilizado nos formatos shape – arquivo que contém dados geoespaciais em forma de 
vetor – e PDF, que auxilia no processo de gestão ambiental, além de servir de apoio para a avaliação de 
impactos ambientais e elaboração de zoneamentos ecológico e econômico e de processos de 
transformação. 
 
Pesquisa e tecnologia 
O que poucos sabem é que Mato Grosso, além de grãos, é o maior produtor de pescado de água doce 
do país, responsável por 20% da produção do Brasil, com 75,629 mil toneladas (IBGE 2013). E esse 
mercado tem muito a crescer. O potencial está na abundância de rios e lagos em território mato-
grossense. 
Atualmente, 72% do pescado produzido no estado são destinados ao consumo interno, de acordo comdados de 2014 do Imea. O segundo maior consumidor do peixe produzido no estado é o Pará (9,71%), 
seguido do Tocantins (2,35%). O plano do Governo do Estado é estimular o aumento da produção e atrair 
empresas de beneficiamento do peixe para exportá-lo para outros estados. 
A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) é uma das que 
investe no setor, tanto em pesquisa quanto na produção. A instituição mantém no município de Nossa 
Senhora do Livramento uma estação de piscicultura onde são produzidos e comercializados alevinos de 
espécies como pacu, tambacu e tambatinga. A meta da instituição é fechar o primeiro quadrimestre de 
2015 com uma produção de 800 mil alevinos. 
Para isso a Empaer conta com 39 tanques de reprodução com capacidade para produzir um milhão 
de alevinos – sendo 12 tanques de pesquisa e 27 para recria. A instituição também oferece cursos para 
produtores rurais e técnicos agrícolas sobre noções básicas de piscicultura. 
A borracha natural é outro foco da política de incentivos desenvolvida pelo Governo de Mato Grosso, 
que quer agregar valor à borracha produzida no estado, com beneficiamento e industrialização. O estado 
é o segundo maior produtor de borracha natural do país, com 40 mil hectares de área plantada e 25 mil 
famílias envolvidas na atividade, conforme dados da Empaer. 
Pioneira no estado em produção e pesquisa da seringueira, a empresa possui um campo experimental 
no município de Rosário Oeste (128 km ao Norte de Cuiabá) com jardim clonal e viveiro para atender a 
agricultura familiar. Os produtores contam com o apoio do Programa Nacional de Fortalecimento da 
Agricultura Familiar (Pronaf Eco), que disponibiliza uma linha de crédito com prazo de 20 anos para 
pagamento e oito de carência. 
Paralelamente, a Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secitec) investe em inovação e qualificação de 
mão de obra com a criação do primeiro parque tecnológico de Mato Grosso, além de negociação com 
centros europeus para cooperações na área de tecnologia. 
Energia também não falta para mover esta máquina. Superavitário no setor energético, Mato Grosso 
alcançou em 2014 a produção de 14 milhões/MWh. Desse montante, consumiu 9 milhões/MWh e 
exportou 5 milhões/MWh via o Sistema Interligado Nacional (SIN). 
 
 
 
Do ouro às pedras coradas 
Se durante a colonização Mato Grosso foi reconhecido pelo ouro, hoje é um mercado potencial para a 
fabricação de joias e semi joias a partir de pedras preciosas. Além de ser o maior produtor de diamante 
do Brasil – com 88% do total da produção brasileira, segundo o Departamento Nacional de Produção 
Mineral (DNPM) –, o estado também se destaca pelas pedras coradas, como a ametista, o quartzo rosa, 
a ágata e a turmalina. 
A atividade mineral no Estado é histórica. Não há como falar da povoação de Mato Grosso sem falar 
da extração do ouro e diamante. Era 1719, quando o ouro foi descoberto por bandeirantes às margens 
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. 29 
do Rio Coxipó. Já o diamante começou a ser explorado no fim do século XVIII nas regiões de Coité, 
Poxoréu e Diamantino. 
Atualmente, conforme dados da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), as pedras 
coradas se concentram nas regiões noroeste, centro sul e leste de Mato Grosso. A granada, o zircão e o 
diopsídio em geral são encontrados associados ao diamante, nas regiões de Paranatinga e de Juína. 
Nas proximidades de Rondolândia existe um depósito de quartzo rosa e as turmalinas são encontradas 
próximas a Cotriguaçu, enquanto as ametistas estão concentradas próximas aos municípios de Aripuanã 
(noroeste) e Pontes e Lacerda (oeste). 
 
Economia criativa 
A política de incentivo do Governo do Estado para o setor inclui o estímulo a pequenos empresários 
do ramo joalheiro, dentro do programa de Economia Criativa que vem sendo desenvolvido pela Secretaria 
de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), que abrange setores como moda, design, artes e 
gastronomia. 
Há 30 anos no mercado de joias em Cuiabá, Carmem D’Lamonica vê Mato Grosso como um futuro 
polo joalheiro pela abundância de pedras coradas existentes no solo mato-grossense e até então pouco 
exploradas. Para estruturar o mercado, avalia, é necessário criar uma política voltada para o ramo, desde 
a extração até o produto final. 
“Temos condições de montar uma cadeia produtiva e nos tornar referência no setor”, garante a 
designer, lembrando que matéria-prima atrai não apenas joalheiros, mas também indústrias de semi joias 
e bijuterias. 
 
 
 
Paraíso do ecoturismo 
Cachoeiras, safaris, trilhas ecológicas, observação de pássaros, mergulho em aquários naturais. Seja 
no Pantanal, no Cerrado ou no Araguaia, Mato Grosso é o destino certo para quem gosta de ecoturismo 
e para quem planeja investir no segmento que mais cresce no setor de turismo. 
Dados da Organização Mundial de Turismo (OMT) apontam que o ecoturismo cresce em média 20% 
ao ano, enquanto o turismo convencional apresenta uma taxa de aumento anual de 7,5%, conforme 
divulgado pelo Ministério do Turismo em 2014. A organização estima ainda que pelo menos 10% dos 
turistas em todo o mundo sejam adeptos do turismo ecológico. 
Como belezas naturais não faltam em Mato Grosso, os governos Federal e Estadual têm investido em 
infraestrutura de acesso a paraísos naturais mato-grossenses, como o Pantanal. Exemplo disso é o 
projeto de substituição de pontes de madeira ao longo da rodovia Transpantaneira – que liga a cidade de 
Poconé até a localidade de Porto Jofre, cortando a planície alagável. Ao todo serão construídas 31 pontes 
de concreto. 
Chapada dos Guimarães é outro ponto prioritário para a Sedec quando o assunto é infraestrutura. No 
município, que atrai visitantes adeptos do turismo de contemplação e de esporte de aventura, será 
executada a conclusão do Complexo Turístico da Salgadeira e a pavimentação da MT-060 e MT-020. O 
Governo do Estado também retomou o diálogo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da 
Biodiversidade (ICMBio) para o andamento das obras do Portão do Inferno e da entrada da Cachoeira 
Véu de Noiva, os dois principais pontos de contemplação do Parque Nacional de Chapada. 
 
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. 30 
 
 
Política 
Sistema Político Brasileiro 
O sistema político brasileiro tem base nas ideias iluministas do pensador francês Montesquieu. O 
pensador defendeu a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário em sua obra “O 
Espírito das Leis”. Para ele o poder concentrado na mão do rei leva à tirania, então o Estado deveria 
dividi-lo em poder executivo (executa as leis, o governo), legislativo (cria as leis, o congresso) e judiciário 
(que julga e fiscaliza os poderes). 
No Brasil o voto é universal, ou seja, todo cidadão com a idade mínima de 16 anos pode participar do 
processo político e eleger seus representantes. O país é uma república federativa presidencialista, onde 
o Chefe de Estado, no caso o presidente, é eleito através do voto direto da população e os estados 
possuem autonomia política, com a possibilidade de criar leis específicas. 
Assim como na obra de Montesquieu o país possui a divisão do poder entre Executivo, representado 
pelo presidente da república, Legislativo, que é representado pelo congresso nacional e Judiciário que é 
representado pelo Supremo Tribunal Federal. 
 
Poder Executivo 
O poder executivo é compreendido pelo presidente da república e seus ministros de Estado no sistema 
federativo brasileiro, com atribuições e responsabilidades definidos pela constituição federal. Nos estados 
da federação e no distrito federal, o poder executivo é exercido pelos governadores e seus secretários, 
com atribuições e responsabilidades controlados pela constituição estadual. Nos municípios, os 
representantes do poder executivo são os prefeitos e seus secretários, que também possuem atribuições 
e responsabilidades, definidas na lei orgânica de cada município.O presidente, governadores e prefeitos são eleitos através de sufrágio (voto) universal. O eleitor tem 
o direito de escolher aquele que melhor se encaixa em sua visão política. Todos os candidatos devem 
ser filiados a um partido político e, quando eleitos, possuem mandato com tempo determinado. No Brasil 
as funções de presidente, governador e prefeito possuem duração de 4 anos cada, com a possibilidade 
de reeleição. Durante suas campanhas os candidatos discutem seus programas de governo e os rumos 
que pretendem dar ao país. 
Existem punições ao presidente da república em caso de crime de responsabilidade, como previsto na 
constituição federal, além de punição para infrações penais comuns. Para ser submetido a julgamento o 
presidente precisa ter acusação admitida por pelo menos dois terços da Câmara dos Deputados. Nos 
casos de infrações penais ele é julgado pelo Supremo Tribunal Federal e em caso de crimes de 
responsabilidade é julgado pelo Senado Federal. 
Entre as principais funções do presidente da república estão a execução de leis e expedição de 
decretos e regulamentos; prover cargos e funções públicas; promover a administração e a segurança 
públicas; emitir moeda; elaborar o orçamento e os planos de desenvolvimento econômico e social nos 
níveis nacional, regional e setoriais; exercer o comando supremo das forças armadas; e manter relações 
com estados estrangeiros. 
Além das funções executivas, o presidente conta ainda, em alguns casos, com poder legislativo. O 
poder pode ser aplicado em veto a leis aprovadas pelo Congresso Nacional e a edição de medidas 
provisórias com força de lei de aplicação e execução imediatas. 
Os ministros de estado e auxiliares diretos do presidente podem ser nomeados ou demitidos livremente 
por ele. Para assumir alguma das funções a pessoa deve ter no mínimo 21 anos de idade, brasileiros 
natos, e estar no exercício dos direitos políticos. Os ministros nomeados pelo presidente são responsáveis 
por diversas políticas de governo, em diversos campos de atuação, como educação, economia, cultura, 
finanças e justiça, entre diversos outros. Os ministros podem ser convocados para justificar seus atos 
perante a Câmara dos Deputados, o Senado ou qualquer uma de suas comissões para explicar atos ou 
programas. 
 
 
 
7. Tópicos relevantes e atuais de política, economia, sociedade, 
educação, tecnologia, energia, relações internacionais, 
desenvolvimento sustentável, segurança, ecologia e suas vinculações 
históricas. 
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. 31 
Poder Legislativo 
O Poder Legislativo é representado por pessoas que devem elaborar as leis que regulamentam o 
Estado, conhecidos por legisladores. Na maioria das repúblicas e monarquias o poder legislativo é 
formado por um congresso, parlamento, assembleia ou câmara. 
Seu objetivo é elaborar normas de abrangência geral ou em raros casos individual, que são 
estabelecidas aos cidadãos ou às instituições públicas nas suas relações recíprocas. 
Entre as principais funções do poder legislativo estão a de fiscalizar o Poder Executivo, votar 
leis orçamentárias e, em situações específicas, julgar determinadas pessoas, como o Presidente da 
república ou os próprios membros do legislativo. 
No Brasil, o Poder legislativo é exercido em âmbito federal, estadual e municipal. O Congresso 
Nacional é formados pela Câmara dos Deputados e o Senado Federal e é responsável pelo Poder 
Legislativo federal. Possui a função de elaborar e aprovar as leis do país, e também controlar os atos do 
executivo e impedir abusos pela fiscalização permanente. Nos estados é exercido pelas assembleias 
legislativas e nos municípios pelas câmaras municipais, ou de vereadores 
 
Poder Judiciário 
O Poder Judiciário é exercido pelos juízes e possui a capacidade e a prerrogativa de julgar, de acordo 
com as regras constitucionais e leis criadas pelo poder legislativo em determinado país. 
No Brasil, o judiciário não depende dos demais poderes nem possui controles externos de fiscalização. 
Sua função é a de aplicar a lei a fatos particulares e, por atribuição e competência, declarar o direito e 
administrar justiça. Além disso, pode resolver os conflitos que podem surgir na sociedade e tomar 
decisões com base na constituição, nas leis, nas normas e nos costumes, que adapta a situações 
específicas. 
O poder judiciário possui a divisão entre a União(Federal) e os estados, com a denominação de justiça 
federal e justiça estadual, respectivamente. 
Entre os órgãos que formam o poder Judiciário estão o Supremo Tribunal Federal (STF), Superior 
Tribunal de Justiça (STJ), além dos Tribunais Regionais Federais (TRF), Tribunais e Juízes do Trabalho, 
Tribunais e Juízes Eleitorais, Tribunais e Juízes Militares e os Tribunais e Juízes dos estados e do Distrito 
Federal e Territórios. 
O STF é o órgão máximo do Judiciário brasileiro. Sua principal função é zelar pelo cumprimento da 
Constituição e dar a palavra final nas questões que envolvam normas constitucionais. É composto por 11 
ministros indicados pelo Presidente da República e nomeados por ele após aprovação pelo Senado 
Federal. 
Os juízes que atuam em tribunais superiores são nomeados pelo presidente da república, porem 
precisam de aprovação do Senado. Outros cargos são preenchidos através de concurso público. Os 
juízes têm cargo vitalício, não podem ser removidos e seus vencimentos não podem ser reduzidos. 
 
Papelão e substância cancerígena ou exagero? O que se sabe - e o que é dúvida - na Operação 
Carne Fraca12 
A BBC Brasil conversou com engenheiros de alimentos e especialistas em carnes para esclarecer o 
que pode e o que não pode ser adicionado no processamento de carnes e quais as preocupações que a 
investigação da PF deve despertar no consumidor. 
Para alguns deles, a maneira como a operação foi divulgada acabou gerando uma desconfiança 
"exagerada" sobre a carne brasileira. 
"A polícia agiu mal com a maneira como divulgaram tudo. Acho que houve um certo exagero, para 
precipitar a loucura que foi na imprensa ontem", disse à BBC Brasil o médico veterinário e especialista 
em carnes Pedro Eduardo de Felício, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp. 
A engenheira de alimentos Carmen Castillo, da ESALQ - USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de 
Queiroz), pontua que alguns ingredientes citados nas acusações, como o ácido ascórbico, são 
necessários para o processamento dos alimentos e é preciso tomar cuidado para não "demonizá-los". 
"Não é problema usar esses ingredientes (em alimentos processados e embutidos), o problema é não 
respeitar os níveis permitidos na lei", disse à BBC Brasil. 
De acordo com a Polícia Federal, esse seria um dos delitos cometidos pelas empresas, que utilizavam 
ingredientes no processamento de carnes em quantidades acima do que determina a regulamentação. 
"Eles usam ácidos, outros ingredientes químicos, em quantidades muito superior à permitida por lei 
pra poder maquiar o aspecto físico do alimento estragado ou com mau cheiro", explicou o delegado da 
PF responsável pela investigação, Maurício Moscardi Grillo, em entrevista coletiva na sexta-feira. 
 
12 19/03/2017 – Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39317738 
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A operação deflagrada pela PF foi a maior de sua história e revelou que empresas do setor, incluindo 
as as gigantes JBS e a BRF, adulteravam a carne que vendiam no mercado interno e externo. 
A investigação também revelou um esquema de propinas e presentes dados pelos frigoríficos a fiscais 
do Ministério da Agricultura, que supostamente recebiam para afrouxar a fiscalização e liberar a 
comercialização de carne vencida e adulterada. 
Sobre as acusações, a JBS se manifestou dizendo que "é a maior interessada no fortalecimento da 
inspeção sanitária no Brasil", ressaltando que "no despacho da Justiça Federal que deflagrou a operação,não há qualquer menção a irregularidades sanitárias ou à qualidade dos produtos da JBS e de suas 
marcas." 
A BRF disse que "apóia a fiscalização do setor e o direito de informação da sociedade com base em 
fatos, sem generalizações que podem prejudicar a reputação de empresas idôneas e gerar alarme 
desnecessário na população." 
Exagero? 
O delegado Grillo explicou os problemas encontrados na carne das empresas investigadas pela 
operação - que iam desde mudar a data de vencimento e a embalagem de carnes estragadas, que eram 
usadas como matéria-prima para embutidos, até injetar água em frangos para alterar seu peso e mascarar 
a deterioração de carnes com o uso de ácido ascórbico. 
"São dois anos de análise de fatos, desde utilização de papelão por essas empresas - até essas que 
já citei de grande porte (JBS e BRF) - para colocar esse tipo de situação em comidas, pra fazer enlatados, 
e outras coisas que podem prejudicar a saúde humana. (...) Tudo isso mostra que o que interessa para 
esse grupo é o capitalismo, é o mercado, independente da saúde pública", disse. 
"Determinados produtos, cancerígenos até, em alguns casos, eram usados pra poder maquiar as 
características de um produto estragado ou com cheiro." 
Mas alguns especialistas ouvidos pela BBC Brasil avaliam o modo como as informações foram 
divulgadas como "sensacionalista". 
"A divulgação da operação foi muito sensacionalista. Essa é uma questão pontual. Estou nesse 
mercado, estudando e trabalhando, há 30 anos. Uma das empresas que dirijo importava carne do Uruguai 
e da Argentinos até 2012. Hoje, 100% da carne que usamos é produzida no Brasil porque melhorou muito 
a qualidade", afirma Sylvio Lazzarini, dono do restaurante Varanda Grill, em São Paulo. 
Já Felício ressaltou a importância da investigação e disse que a operação revela um problema no 
setor, que "precisa de uma renovação no sistema de fiscalização". Ele destaca, porém, que é preciso 
esclarecer melhor as informações divulgadas sobre ingredientes comuns na indústria de carnes, como o 
ácido ascórbico, "que é utilizado no mundo todo". 
Tanto Felício quanto Lazzarini apontaram o fato de que, ao anunciar a operação, a PF não explicitou 
quais infrações foram cometidas por quais empresas, o que facilitaria uma "generalização" do problema. 
A BBC Brasil procurou a Polícia Federal, mas não obteve resposta até o fechamento dessa 
reportagem. 
 
Papelão 
Ao anunciar a operação, a PF mencionou que empresas envolvidas no esquema de corrupção 
"usavam papelão para fazer enlatados (embutidos)". 
Em uma das ligações telefônicas citadas no relatório da Polícia, funcionários da BRF falam sobre o 
uso de papelão na área onde produzem CMS (carne mecanicamente separada, comumente usada na 
produção de salsichas). 
No áudio, é possível ouvir: 
Funcionário: o problema é colocar papelão lá dentro do cms também né. Tem mais essa ainda. Eu vou 
ver se eu consigo colocar em papelão. Agora se eu não consegui em papelão, daí infelizmente eu vou ter 
que condenar. 
Luiz Fossati (gerente de produção da BRF): ai tu pesa tudo que nós vamos dar perda. Não vamos 
pagar rendimentos isso. 
Pedro Felício acredita que a referência ao papelão não foi feita como ingrediente para o processamento 
da carne. "Acho muito difícil isso ter acontecido. O que acontece é que tem áreas dentro das indústrias 
que são chamadas de áreas limpas, onde não podem entrar embalagens secundárias, como caixas de 
papelão", diz. 
"Na gravação que ouvi, duas pessoas falavam em entrar com uma embalagem de papelão na área 
limpa. Evitar papelão nessas áreas faz parte das boas práticas de manufatura, mas não fazer isso não é 
o mesmo que usar papelão dentro da salsicha." 
Em nota, a empresa BRF afirmou que "houve um grande mal entendido na interpretação do áudio 
capturado pela Polícia Federal". 
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A empresa afirma que um de seus funcionários falava que tentaria embalar a carne em papelão. O 
produto é embalado normalmente em plásticos. 
"Na frase seguinte, ele deixa claro que, caso não obtenha a aprovação para a mudança de embalagem, 
terá de condenar o produto, ou seja, descartá-lo", afirma a empresa. 
 
Ácido ascórbico 
O ácido ascórbico - a popular vitamina C - também foi citado pelo delegado da PF como algo utilizado 
para "maquiar" o aspecto da carne. 
"Eles usam ácido ascórbico e outras substâncias na carne pra maquiar essa imagem ruim que ficaria 
se ela fosse expostas dessa forma. Inclusive cancerígenas. Então se usa esses produtos multiplicados 
cinco, seis vezes pela quantia permitida pela lei para que não dê cheiro, e o aspecto de cor fique bom 
também", disse Grillo. 
A partir daí, muitas pessoas entenderam que o ácido ascórbico é uma substância potencialmente 
cancerígena. 
De acordo com a OMS, ela pode contribuir com distúrbios gastrointestinais, cálculos renais e outros 
problemas de saúde se for consumida em excesso e por longos períodos de tempo, mas não há 
evidências de relação direta com o câncer. 
Falta saber que substâncias cancerígenas estariam sendo usadas e por quais empresas, de acordo 
com a investigação da Polícia Federal. 
Os especialistas alertam que o uso de ácido ascórbico na carne não é problema. 
"O uso dele tem benefícios e não é para mascarar carne adulterada. Ele tem uma função nas carnes 
processadas como antioxidante, ajuda a melhorar a estabilidade do sabor e reduzir o teor de nitrito 
residual. O nitrito é um aditivo para realizar a cura, que é uma etapa importante no processamento da 
maior parte dos produtos processados. Todo ingrediente não cárneo tem função a cumprir no 
processamento de alimentos", afirmou Carmen Castillo. 
Pedro Eduardo de Felício pontua que o ácido ascórbico "evita que a carne fique com uma coloração 
marrom" e que "isso é feito no mundo todo". 
A substância, segundo Felício, conseguiria mascarar a deterioração da carne no princípio, quando ela 
só tem algumas manchas, mas não quando o estado é mais avançado. 
De qualquer forma, ela só deve ser usada somente em produtos embutidos como parte de seu 
processamento, e não nas carnes que são vendidas como matéria-prima para estes produtos - nem nas 
carnes compradas no supermercado. 
"A carne usada como matéria-prima não deve ter qualquer aditivo, nem o ácido ascórbico. Se a Polícia 
achou isso, não deveria acontecer", diz. 
 
Salsicha de peru sem peru 
A descoberta de que, no Paraná, alunos da rede pública estadual consumiram salsicha de peru sem 
carne de peru - preenchida com proteína de soja, fécula de mandioca e carne de frango - deu início à 
investigação de dois anos. 
"Muitas vezes verificou-se a falta de proteína, por exemplo, numa merenda escolar, trocada por fécula 
de mandioca ou então a proteína da soja, que é muito mais barata do que a carne, então substituía. 
Muitas vezes até tinha a quantidade de proteína suficiente, mas não era a proteína da carne, era proteína 
de outro alimento, que não traz as mesmas substâncias pro corpo humano como a carne", afirmou o 
delegado. 
O uso de soja e de fécula de mandioca são comuns na produção de embutidos em todo o mundo, 
segundo os especialistas, porém é preciso respeitar as quantidades determinadas pela lei. 
"É preciso observar as quantidades usadas, porque elas só podem ser usadas dentro dos limites da 
lei. Senão, você tem um produto de carne que tem predominância de matérias-primas não cárneas", diz 
Felício. 
 
Injeção de água no frango 
Segundo a PF, fiscais teriam descoberto que frangos da empresa BRF, a maior exportadora de frango 
do mundo, teriam "absorção de água superior ao índice permitido". 
"Injetar água no frango é um problemão com o qual o Brasil vive e luta contra há muito tempo. Há oito 
anos que o Ministério da Agricultura é cobrado pelo Ministério Público que o frango não pode ter mais de 
8% de água", afirma Felício. 
"É uma luta difícil. Eu não duvido que isso aconteça muito por aí, mas existe um esforço para 
combater." 
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A prática não chega a ser prejudicial à saúde, mas altera o peso da carne. "É uma fraude econômica", 
diz o engenheiro. 
 
Cabeça de porco 
O uso da carne de cabeça de porco ou de boi em linguiças é discutido em uma das ligações 
interceptadas entre os sócios do frigorífico Peccin e é proibido no Brasil. "Usavam cabeça de porco, animal 
morto, tudo para fazer esse tipo de produtos, principalmente esses derivados, salsicha, linguiça, e outros 
produtos", afirmou Grillo. 
A utilização de cabeça de porco é admitida em outros países, segundo Felício. "Não será a melhor 
linguiça do mundo, mas não é prejudicial à saúde. Será um produto comestível, mas de categoria inferior." 
"No Brasil, essa carne é considerada como matéria-prima nas formulações de embutidos cozidos, 
como mortadela, mas não em linguiças, que são cruas." 
 
O consumidor deve se preocupar? 
Segundo Sylvio Lazzarini, as irregularidades encontradas pela Polícia Federal devem ser punidas, mas 
não representam a totalidade dos produtos feitos no Brasil e vendidos em supermercados e restaurantes. 
"A carne brasileira evoluiu muito nos últimos anos e é muito segura. Senão o Brasil não exportaria para 
os países asiáticos, e muito menos para os EUA, que tem um dos maiores controles fitossanitários do 
planeta", diz Lazzarini. 
Para o empresário, "irregularidades desse nível existem em todo o mundo porque bandidos existem 
em todo lugar". 
O Ministério da Agricultura divulgou nota também para acalmar os ânimos dos consumidores. 
"O Serviço de Inspeção Federal é considerado um dos mais eficientes e rigorosos do mundo. Tem um 
quadro de 2.300 servidores e inspeciona 4.837 unidades produtoras habilitadas para exportação para 160 
países. Foi com este Serviço que construímos uma reputação de excelência na agropecuária e 
conseguimos atender às exigências rigorosas de diferentes nações", afirma a pasta. 
O delegado da PF chegou a ser questionado na coletiva de imprensa se seria correto afirmar que 
"quase nenhum produto no mercado hoje está 100% livre dessas possíveis fraudes". Ele respondeu com 
cautela, mas não escondeu sua preocupação. 
"É possível que a gente tenha consumido alimentos de baixa qualidade, no mínimo, com qualidade 
inferior do que deveria ser fornecido." 
"Hoje é realmente complicado. Tenho ido ao mercado e passeio um bom tempo até escolher um 
produto, mudou esse aspecto na minha vida. É difícil porque a confiança que a gente tem nas empresas, 
pelo menos da minha parte, mudou muito. São empresas que a gente considerava corretas, então 
assusta. Obviamente deve ter empresas sérias, corretas, mas na investigação foi assim, foi aparecendo 
uma, depois outra. Acho que a gente pode dizer que todas as empresas que a gente teve o azar ou a 
sorte de investigar tiveram problemas sérios. Foram quase 40." 
Para evitar problemas, Pedro Eduardo de Felício afirma que os consumidores devem conferir se os 
estabelecimentos de onde compram carne vendem produtos com certificação de origem e de inspeção, 
mesmo após as acusações de corrupção de inspetores federais. 
"Este escândalo é de desvio de conduta de 33 funcionários, que foram afastados, entre mais de quatro 
mil inspetores. E o Ministério da Agricultura estar tomando atitudes para corrigir o problema. A partir de 
agora, todo mundo vai ficar alerta." 
"Os erros que foram cometidos devem ser comprovados e punidos, com certeza. Mas eu não acredito 
que essas acusações possam ser generalizadas, acho que esse foi problema localizado e o governo terá 
que resolver", diz. 
 
Seis perguntas para entender a operação Carne Fraca13 
A Polícia Federal deflagrou, na manhã da última sexta-feira (17/03) a operação Carne Fraca, destinada 
a combater a venda ilegal de carnes no país. A operação, a maior já realizada pela PF, contou com o 
trabalho de mais de mil agentes, em sete Estados. Revelou uma extensa rede de corrupção - da qual 
participavam empresários e dezenas de inspetores do governo - criada para garantir a comercialização 
de carnes adulteradas e com data de validade vencida. A investigação implicou mais de 30 empresas, 
entre elas as gigantes JBS e BRF - donas de marcas como Friboi, Sadia e Perdigão. As duas figuram 
entre as maiores exportadoras mundiais de carne. Negam ter cometidos essas irregularidades. 
 
 
 
13 18/03/2017 – Fonte: http://epoca.globo.com/brasil/noticia/2017/03/seis-perguntas-para-entender-operacao-carne-fraca.html 
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O que houve? 
De acordo com a Polícia Federal, ao menos 30 empresas produtoras de carne no Brasil adulteravam 
a data de validade dos produtos comercializados. Para mascarar a aparência e o cheiro ruim da carne 
vencida, eram usados produtos químicos - o ácido ascórbico e o ácido sórbico. As empresas também 
injetavam água nas peças, para aumentar o peso dos produtos, e acrescentavam papelão no preparo de 
embutidos. As carnes chegavam aos supermercados graças ao pagamento de propina a fiscais do 
Ministério da Agricultura, que afrouxavam a vigilância. Nem sempre a propina envolvia dinheiro - até 
mesmo caixas de carnes, frango e botas foram dadas como forma de pagamento pela vista grossa das 
autoridades. 
 
Havia envolvimento de políticos? 
Segundo a Polícia Federal, a propina paga aos fiscais acabava alimentando os cofres de PP e PMDB. 
A polícia, no entanto, ainda não conseguiu estabelecer por que essa divisão acontecia. Um dos envolvidos 
no caso é o ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB- PR). Ele aparece em grampos interceptados 
pela PF, conversando com Daniel Golçalves Filho, fiscal agropecuário e líder do esquema criminoso. Na 
época, Serraglio ainda não era ministro, e a PF, apesar dos telefonemas, não encontrou indícios de crime 
em sua conduta. Nas interceptações, também foram citados outros parlamentares do PMDB do Paraná - 
como o deputado federal Sérgio Souza, da Frente Parlamentar da Agropecuária. 
 
Quem comer a carne vencida vai ficar doente? 
Não necessariamente - a carne que já passou da data de validade não tem uma aparência muito 
diferente da carne boa, caso mantida sob refrigeração adequada. O que muda é o gosto, que logo 
denuncia o produto ruim. Segundo especialistas consultados pelo jornal Folha de S. Paulo, haverá 
problema se tiverem se proliferado, no produto, colônias de bactérias potencialmente nocivas, como 
coliformes fecais. Nesse caso, o consumo da carne pode provocar enjoos, vômito e diarreia. 
 
Para onde toda essa carne foi vendida? 
As carnes eram comercializadas em todo o país e também exportadas. A agência de notícias 
Bloomberg destacou que o esquema envolvia inclusive uma carga de carnes contaminada com salmonela 
e que estava a caminho da Europa. 
 
E o mercado externo? Como reagiu? 
Na sexta-feira, quando foi deflagrada a operação, as ações da JBS caíra 10,6% e as da BRF caíram 
7,3%. Em parte, pesou contra elas a má repercussão internacional do caso. O jornal americano The New 
York Times chegou a dizer que o caso abala um dos poucos pilares ainda seguros da instável economia 
brasileira, o agronegócio. 
 
Haverá punições? 
Por ora, a Justiça Federal do Paraná já decretou o bloqueio de R$1 bi em bens das investigadas. A 
Polícia Federal também cumpriu 38 mandados de prisão - 34 deles para funcionários públicos. Foram 
detidos, também, quatro executivos das empresas envolvidas. Entre eles, o gerente de Relações 
Institucionais e Governamentais da BRF Brasil, Roney Nogueira dos Santos, e o diretor da BRF André 
Luiz Baldissera. 
 
Defesa de Temer sinaliza que tentará anular depoimentos da Odebrecht14 
A defesa de Michel Temer já sinalizou na última quarta-feira (01/03) que pode pedir a nulidade dos 
depoimentos de executivos da construtora Odebrecht na ação que corre no Tribunal Superior Eleitoral 
(TSE) e pede a cassação da chapa Dilma-Temer. 
A pedido do advogado do presidente, GustavoGuedes, foi registrado em ata complementar da 
audiência de Marcelo Odebrecht o que ele chamou de "alerta" sobre a nulidade dos depoimentos de 
executivos da Odebrecht. 
A defesa de Temer apresentou uma questão de ordem, antes do início do depoimento de Marcelo 
Odebrecht, alegando que houve uma mudança de entendimento do tribunal em relação aos depoimentos 
de delatores da Lava Jato. 
Como exemplo, a defesa do presidente cita depoimento de Ricardo Pessoa (ex-UTC) em 2015, que 
foi ouvido pela antiga relatora da ação ministra Maria Thereza quando o sigilo de sua delação havia sido 
revogado pelo Supremo Tribunal Federal. 
 
14 06/03/2017. Fonte: http://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/defesa-de-temer-sinaliza-que-tentara-anular-depoimentos-da-odebrecht.html 
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O advogado Gustavo Guedes complementou sua argumentação afirmando que a defesa não teve 
acesso prévio à delação de Marcelo Odebrecht por ela estar sob sigilo – e, por isso, não pôde se preparar. 
E, por fim, alegou que os pedidos de depoimentos da Odebrecht na ação teriam sido feitos na ação no 
TSE baseados em vazamentos de trechos delações. 
Por isso, a defesa pediu para registrar que, na sua avaliação, os depoimentos podem se tornar nulos 
 
Temer resiste em avalizar aposentadoria especial para policiais15 
Nas conversas políticas em que participou durante o fim de semana com aliados, o presidente Michel 
Temer demonstrou resistência em relação à proposta de manter uma aposentadoria especial para 
policiais. Essa proposta chegou a ser apresentada por deputados preocupados com a resistência desta 
categoria. 
Temer, entranto, foi claro. Segundo ele, não é possível criar exceções para certas categorias. O 
peemedebista reconheceu o fator risco do exercício da profissão, mas avalia que as compensações 
devem ser feitas enquanto o policial estiver na ativa. 
Nessas conversas do fim de semana também foi proposta a antecipação de pontos da reforma 
trabalhista antes da reforma da Previdência. Temer, porém, ainda não bateu o martelo. 
 
Delação da Odebrecht envolve 24 senadores; veja quem são os citados16 
Executivos e ex-dirigentes da construtora narraram suspeitas em delações premiadas. 
O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou a 
Procuradoria Geral da República (PGR) a investigar 24 senadores, além de 8 ministros, 3 governadores 
e 39 deputados. Os pedidos se baseiam na chamada lista de Janot, feita com base em delações de ex-
executivos da Odebrecht. 
Veja os nomes dos senadores investigados: 
Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado 
Qual a suspeita: De acordo com a delação de funcionários da Odebrecht, o presidente do Senado 
recebeu R$ 2 milhões para facilitar a conversão de medidas provisórias em lei. 
O que ele diz: "Não tenho nenhuma informação sobre os nomes nem sobre os inquéritos. Os homens 
públicos têm que estar sempre atentos e sem medo de fazer os enfrentamentos que a vida a pública nos 
oferece. Vamos tocar a pauta do Senado naturalmente. Vamos tocar a pauta com naturalidade." 
 
Antônio Anastasia (PSDB-MG), senador 
Qual a suspeita: Citado em um dos inquéritos que tratam do senador Aécio Neves, Anastasia é 
suspeito de receber vantagens indevidas em forma de doações de campanha eleitoral em 2009 e 2010. 
O que ele diz: "Em toda sua trajetória, Anastasia nunca tratou de qualquer assunto ilícito com 
ninguém." 
 
Romero Jucá Filho (PMDB-RR), senador 
Qual a suspeita: Citado em cinco inquéritos, o senador Romero Jucá é suspeito de receber dinheiro 
em troca da aprovação de leis que interessavam a Odebrecht. 
O que ele diz: "Sempre estive e sempre estarei à disposição da Justiça para prestar qualquer 
informação. Nas minhas campanhas eleitorais sempre atuei dentro da legislação e tive todas as minhas 
contas aprovadas." 
 
Aécio Neves da Cunha (PSDB-MG), senador 
Qual a suspeita: Citado em cinco inquéritos, ele é suspeito de receber vantagens indevidas para 
favorecer a Odebrecht em obras como das usinas de Jirau e fraudes em licitação em MG. 
O que ele diz: A assessoria do senador informa, em nota, que ele "considera importante o fim do sigilo 
sobre o conteúdo das delações, iniciativa solicitada por ele ao ministro Edson Fachin na semana passada, 
e considera que assim será possível desmascarar as mentiras e demonstrar a absoluta correção de sua 
conduta". A assessoria também afirmou que "é falsa e absurda a acusação de que Aécio teria participado 
de algum ato ilícito envolvendo a licitação ou as obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais". 
 
 
 
 
15 06/03/2017. Fonte: http://g1.globo.com/politica/blog/blog-do-camarotti/post/temer-resiste-em-avalizar-aposentadoria-especial-para-policiais.html 
16 G1. Delação da Odebrecht envolve 24 senadores; veja quem são os citados. Disponível em: Acesso em 12 de abril de 2017. 
 
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Renan Calheiros (PMDB-AL), senador 
Qual a suspeita: Citado em quatro inquéritos, o senador é suspeito de pedir propina para a campanha 
do filho ao governo de Alagoas, pedir propina para facilitar a implementação de leis de interesse da 
Odebrecht e pedir propina para facilitar obras da construtora no sertão alagoano. 
O que ele diz: "A abertura dos inquéritos permitirá que eu conheça o teor das supostas acusações 
para, enfim, exercer meu direito de defesa sem que seja apenas baseado em vazamentos seletivos de 
delações. Um homem público sabe que pode ser investigado. Mas isso não significa condenação prévia 
ou atestado de que alguma irregularidade foi cometida. Acredito que esses inquéritos serão arquivados 
por falta de provas, como aconteceu com o primeiro", diz, em nota. 
 
Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), senador 
Qual a suspeita: Segundo delações de Ariel Parente Costa, Alexandre Biselli, Cláudio Melo Filho, 
Fabiano Rodrigues Munhoz, Benedicto Barbosa da Silva Júnior e João Antônio Pacífico Ferreira, em 
2013, o então ministro de Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, recebeu valores que 
totalizaram R$ 1,05 milhão por intermédio de Iran Padilha, indicado pelo próprio Bezerra. 
O que ele diz: "A defesa afirma que não foi oficialmente comunicada, tampouco teve acesso à referida 
investigação. Fernando Bezerra mantém-se, como sempre esteve, à disposição das autoridades a fim de 
prestar quaisquer esclarecimentos que elas possam necessitar." 
 
Paulo Rocha (PT-PA), senador 
Qual a suspeita: Segundo as delações de Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Mário Amaro 
da Silveira, ele é suspeito de solicitar vantagens indevidas não contabilizadas para a campanha eleitoral 
de Helder Barbalho ao governo do Pará, em 2014. 
O que ele diz: "Todos os recursos da minha companha de 2014 para o Senado Federal foram 
repassados pela direção nacional e estadual do Partido dos Trabalhadores e estão todos declarados nas 
prestações de contas junto ao TRE. A utilização desses recursos, empresas doadoras e doadores 
individuais, enfatizo, obedeceram estritamente às normas da legislação eleitoral em vigor daquele ano." 
 
Humberto Costa (PT-PE), senador 
Qual a suspeita: Segundo delações de Marcelo Odebrecht, Rogério Santos de Araújo, Márcio Faria 
da Silva, César Ramos Rocha, Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho e Luiz Eduardo da Rocha 
Soares, Humberto Costa foi indicado como sendo o “Drácula” na planilha de propinas e é suspeito de 
solicitar vantagem indevida em um contrato superfaturado entre a empreiteira e a Petrobras. Ele é 
suspeito de ter recebido um pagamento de R$ 590 mil. 
O que ele diz: Em nota, diz que "espera a conclusão de inquérito aberto há mais de dois anos pelo 
STF, e para o qualdo mato grosso datam de 1525, quando Pedro Aleixo Garcia 
vai em direção à Bolívia, seguindo as águas dos rios Paraná e Paraguai. Posteriormente portugueses e 
espanhóis são atraídos à região graças aos rumores de que havia muita riqueza naquelas terras ainda 
não exploradas devidamente. Também vieram jesuítas espanhóis que construíram missões entre os rios 
Paraná e Paraguai. 
Assim, em 1718, um bandeirante chamado Pascoal Moreira Cabral Leme subiu pelo rio Coxipó e 
descobriu enormes jazidas de ouro, dando início à corrida do ouro, fato que ajudou a povoar a região. No 
ano seguinte foi fundado o Arraial de Cuiabá. Em 1726, o Arraial de Cuiabá recebeu novo nome: Vila Real 
do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Em 1748, foi criada a capitania de Cuiabá, lugar que concedia isenções 
e privilégios a quem ali quisesse se instalar. 
As conquistas dos bandeirantes, na região do Mato Grosso, foram reconhecidas pelo Tratado de 
Madrid, em 1750. No ano seguinte, o então capitão-general do Mato Grosso, Antonio Rolim de Moura 
Tavares, fundou, à margem do rio Guaporé, a Vila Bela da Santíssima Trindade. Entre 1761 e 1766, 
ocorreram disputas territoriais entre portugueses e espanhóis, depois daquele período as missões 
espanholas e os espanhóis se retiraram daquela região, mas o Mato Grosso somente passou a ser 
definitivamente território brasileiro depois que os conflitos por fronteira com os espanhóis deixaram de 
acontecer, em 1802. 
 
O Ciclo do Ouro 
Quando foi divulgada a notícia da descoberta de jazidas auríferas, muitas pessoas dirigiram-se para 
as regiões do ouro, em especial para o atual território do estado de Minas Gerais. Praticamente todas as 
pessoas que que se dirigiram para a região o fizeram na intenção de dedicar-se exclusivamente na 
exploração do metal, deixando de lado até mesmo atividades essenciais para a sobrevivência, como a 
produção de alimentos, o que gerou uma profunda escassez de mercadorias nas Minas Gerais. Era 
comum entre os anos de 1700 e 1730 a ocorrência de crises de fome na região caso o acesso a outras 
regiões das quais os produtos básicos eram adquiridos fossem interrompidas. A situação começa a mudar 
com a expansão de novas atividades, e com a melhoria das vias de comunicação. 
 
Exploração do Ouro no Mato Grosso 
Com a exploração do interior do Brasil, promovida principalmente pela coroa portuguesa e por alguns 
senhores de engenho, no início do século XVIII, algumas bandeiras paulistas (como eram chamadas as 
expedições) alcançaram a região do Coxipó, em busca de índios para preação. Em meio aos conflitos 
com os indígenas, as “Minas de Cuyabá” foram encontradas, atraindo um imenso contingente 
populacional que rumava para região em busca do ouro. 
O metal foi de extrema importância para o desenvolvimento da região. Com o grande fluxo migratório 
em busca de riquezas, houve a elevação a Arraial de Cuiabá em 1719 e Villa de Cuiabá em 1727. Com 
a atenção voltada para o ouro, a produção de gêneros alimentícios era modesta, causando rapidamente 
a escassez de alimentos. A falta de segurança e o posterior esgotamento das jazidas contribuíram para 
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. 3 
a decadência da região, acentuada ainda mais com a notícia da descoberta de novas jazidas na região 
do Guaporé. 
 
A Fundação de Cuiabá3 
A cidade de Cuiabá foi fundada oficialmente no dia 08 de Abril de 1719. A história registra que os 
primeiros indícios de Bandeirantes paulistas na região, onde hoje fica a cidade, datam de 1673 e 1682, 
quando da passagem do bandeirante Manoel de Campos Bicudo pela região. Ele fundou o primeiro 
povoado da região, no ponto onde o rio Coxipó deságua no rio Cuiabá, localidade batizada de São 
Gonçalo. 
Em 1718, chega ao local, já abandonado, a bandeira do paulista de Sorocaba, Pascoal Moreira Cabral, 
que depois de uma batalha perdida para os índios coxiponés, viu-se compensado pela descoberta de 
ouro, passando a se dedicar ao garimpo. 
Em 08 de Abril de 1719, Pascoal Moreira Cabral assina a ata da fundação de Cuiabá, no local 
conhecido como Forquilha, às margens do rio Coxipó. Foi a forma encontrada para garantir os direitos 
pela descoberta à Capitania de São Paulo. Em 1726, chega à região o capitão-general governador da 
Capitania de São Paulo, Rodrigo César de Menezes, como representante do Reino de Portugal. No dia 
1º de janeiro de 1727, Cuiabá é elevada à categoria de vila, com o nome de Vila Real do Senhor Bom 
Jesus de Cuiabá. Em 1748, foi criada a Capitania de Cuiabá, concedendo a coroa portuguesa isenções 
e privilégios a quem ali quisesse se instalar. Foram feitas diversas expedições financiadas por Portugal. 
Essas expedições partiam de qualquer lugar do Brasil e não ultrapassavam o Tratado de Tordesilhas. 
Mais tarde, as chamadas bandeiras foram financiadas pelos paulistas. Somente eles foram ao oeste, 
ultrapassando a linha de Tordesilhas. 
 
A Fundação de Vila Bela da Santíssima Trindade e a Capitania de Mato Grosso4 
Primeira capital de Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima Trindade foi fundada em 19 de março de 
1752, pelo capitão dom Antonio Rolim de Moura, que chegou à região com ordens régias para instituir o 
governo da Capitania de Mato Grosso, desmembrada da Capitania de São Paulo. 
Vila Bela foi escolhida especialmente para a instalação da primeira capital mato-grossense, com 
projeto elaborado em Portugal. Pode ser considerada uma das primeiras cidades planejadas do país. Até 
projeto para implantação da primeira Faculdade de Medicina na capital de Vila Bela, nesse período 
colonial, foi determinado pela coroa portuguesa, o que não foi concretizado. 
D. Rolim de Moura, primo do rei de Portugal, d. João V, recebeu a recomendação para “ter vigilância 
e evitar desavenças com os vizinhos espanhóis”. O parentesco entre as famílias dos reis de Portugal e 
Espanha, associado à habilidade e diplomacia de Rolim de Moura, evitou confrontos com castelhanos e 
jesuítas, ao mesmo tempo em que fixou colonos na margem esquerda do Guaporé, fundou aldeias 
jesuítas, expandindo mais ainda a fronteira portuguesa ocidental. 
Com a colonização portuguesa ultrapassando a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas (1494), 
todas as questões de fronteiras foram resolvidas por tratados entre Portugal e Espanha: o de Madri 
(1750), o marco de Jauru (1754), o de El Pardo (1761), de Ildefonso (1777), entre outros. 
O nome “Mato Grosso” surgiu em 1735, com a descoberta de minas de ouro na Chapada dos Parecis, 
área de mata fechada entre os rios Jauru e Guaporé. Essas expansões deram origem ao Tratado de 
Madri (1750) com o famoso acordo “Uti Possidetis”, ou seja, posse do território onde estivesse 
efetivamente ocupando. A Coroa Portuguesa decidiu garantir a posse do novo território, criando a 
capitania de Mato Grosso. 
Capital de Mato Grosso de 1752 a 1820, Vila Bela da Santíssima Trindade teve grande destaque 
político e econômico, garantindo a expansão e preservação do território fronteiriço. A partir de 1820, 
dividiu com Cuiabá a administração provincial. Foi o ano da descentralização política e Vila Bela passou 
a denominar-se cidade de Mato Grosso. 
Em 1835, a capital de Mato Grosso passa a ter sede em Cuiabá. A cidade de Mato Grosso recuperou 
o nome definitivo de Vila Bela da Santíssima Trindade pela Lei Estadual nº 4.014, de 29 de novembro de 
1978. 
As divisões e emancipações de distritos dos municípios de Vila Bela e Cáceres, no final do século XX, 
deram origem aos 22 novos municípios dessa região sudoeste mato-grossense, que fazem parte da faixa 
fronteiriça de 500 km com a Bolívia. 
 
 
 
3 http://www.mtnacopa.mt.gov.br/imprime.php?sid=287&cid=76790 
4 http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=408725 
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. 4 
Escravidão Negra e os Quilombos no Mato Grosso5 
Como marco oficial, a História de Mato Grosso iniciou-se, em 1719, nas margens do rio Coxipó-Mirim,a Polícia Federal já se manifestou em favor do arquivamento - aguarda ter acesso aos 
novos documentos para reunir as informações necessárias à sua defesa". "O senador, que já abriu mão 
de todos os seus sigilos, se coloca, como sempre o fez, à disposição das autoridades para todos os 
esclarecimentos necessários." 
Edison Lobão (PMDB-PA), senador 
Qual a suspeita: segundo depoimento de Henrique Serrano do Prado Valladares, o senador recebeu 
R$ 5,5 milhões para interferir junto ao governo federal para anular a adjudicação da obra referente à Usina 
Hidrelétrica de Jirau. 
O que ele diz: o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, que defende Lobão, diz que agora 
poderá, em inquérito, fazer o "enfrentamento" das denúncias. O senador nega as denúncias e comprovará 
que os acusadores não têm prova ou indício do que dizem, segundo o advogado. 
 
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), senador 
Qual a suspeita: O senador é suspeito de receber R$ 800 mil em vantagens indevidas para favorecer 
a Odebrecht. Segundo o inquérito, as declarações de Alexandre José Lopes Barradas e Fernando Luiz 
Ayres da Cunha Santos Reis são de que a soma foi solicitada pelo senador paraibano, "então candidato 
ao governo do Estado da Paraíba, com a expectativa de receber futura contrapartida e de realizar obra 
de saneamento naquele Estado". 
O que ele diz: "Eu recebi, sim, uma doação da Braskem, que é do grupo Odebrecht, na campanha de 
2014. Essa doação foi devidamente declarada na minha prestação de contas. Acontece que agora o 
Ministério Público Federal está pedindo ao Supremo investigação, até mesmo, nessas doações legais 
porque começa a surgir suspeitas de que alguns partidos fizeram lavagem de dinheiro através das 
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. 38 
doações partidárias. E, cá para nós, tem que investigar, sim, até o fim, para que tudo seja devidamente 
esclarecido", afirma, em postagem nas redes sociais. 
 
Jorge Viana (PT-AC), senador 
Qual a suspeita: Segundo delações de Hilberto Mascarenhas e Marcelo Odebrecht, Jorge Viana é 
suspeito de pedir R$ 2 milhões para a campanha de seu irmão, Tião Viana (PT) ao governo do Acre em 
2010. 
O que ele diz: "Sobre o envolvimento do meu nome e do governador Tião Viana, não há nenhuma 
denúncia de corrupção contra nós, mas questionamentos sobre a arrecadação da campanha em 2010. 
Vamos provar na Justiça o que dissemos antes: nossas campanhas foram dentro da lei e feitas com 
dinheiro limpo." 
 
Lídice da Mata (PSB-BA), senadora 
Qual a suspeita: Segundo delação de José de Carvalho Filho, a construtora repassou R$ 200 mil não 
contabilizados à campanha dela ao Senado em 2010. 
O que ela diz: "Acho muito importante essa autorização do Supremo para a devida abertura dos 
inquéritos. Espero que agora haja a quebra do sigilo de todo o processo, como ja havia solicitado. Tenho 
a consciência tranquila e a confiança de que tudo será esclarecido. A seriedade da minha vida pública 
fala por mim. Quem não deve não teme." 
 
Ciro Nogueira (PP-PI), senador 
Qual é a suspeita: Segundo o Ministério Público, Nogueira procurou José de Carvalho Filho, Cláudio 
Melo Filho, Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Carlos José Fadigas de Souza Filho para solicitar 
quantias para sua campanha eleitoral e para o PP. O senador recebeu R$ 300 mil em 2010, quando ainda 
era deputado federal, e R$ 1,3 milhão em 2014, parcelado em duas vezes. A quantia foi repassada através 
do setor de Operações Estruturadas do grupo Odebrecht. O codinome de Nogueira era "Cerrado". 
O que ele diz: Assessores disseram não ter localizado o deputado. 
 
Dalírio José Beber (PSDB-SC), senador 
Qual a suspeita: Segundo o Ministério Público, Dalírio Beber é suspeito de articular o repasse de R$ 
500 mil ao então candidato, e agora prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes, de quem participava da 
campanha em 2012. A Odebrecht buscava o apoio de candidatos com maiores chances para garantir a 
manutenção dos contratos de saneamento de água e esgoto no município. 
O que ele diz: "Recebo com surpresa a inserção do meu nome no rol dos investigados. Não tive, até 
o presente momento, qualquer acesso ao processo para conhecer o conteúdo do que me é atribuído. 
Rechaço com veemência toda e qualquer denúncia de prática de ilícitos. Estou indignado, mas 
absolutamente tranquilo, pois minha consciência em nada me acusa. Digo à sociedade brasileira, em 
especial, aos catarinenses, que sempre confiaram em mim, que espero que rapidamente a verdade seja 
restabelecida. Neste momento, coloco-me inteiramente à disposição da Justiça." 
 
Ivo Cassol (PP-RO), senador 
Qual a suspeita: Segundo o delator Henrique Serrano do Prado Valladares, o senador Ivo Cassol 
recebeu "vantagem indevida" de R$ 2 milhões quando era governador de Rondônia por "favorecimento 
nos procedimentos administrativos" referentes à execução das obras da usina hidrelétrica de Santo 
Antonio. 
O que ele diz: O senador afirma que sempre foi contra a isenção de impostos das usinas de Jirau e 
Santo Antônio desde 2011 e que vai aguardar. “Mas eu posso dizer que para as usinas ou para a 
campanha, eu não sei, se é algo do partido a nível nacional. Não tenho conhecimento do que é o inquérito, 
então, por enquanto, eu não sei. Foi citado meu nome e eu só sei que eu peitei e não demos isenção de 
imposto aí.” 
 
Lindbergh Farias (PT-RJ), senador 
Qual a suspeita: De acordo com o Ministério Público, os colaboradores relataram que o senador 
recebeu vantagens indevidas não contabilizadas durante a campanha eleitoral dos anos de 2008 e 2010, 
nos valores respectivos de R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões. 
O que ele diz: "Mais uma vez confiarei que as investigações irão esclarecer os fatos e, assim como 
das outras vezes, estou convicto que o arquivamento será o único desfecho possível para esse processo. 
Novamente justiça será feita." 
 
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. 39 
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), senadora 
Qual a suspeita: Segundo o depoimento de Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, Vanessa 
Grazziotin teria recebido repasses da Odebrecht em 2012, a pretexto de doação para sua campanha 
eleitoral, mas sem o registro oficial. 
O que ela diz: "A senadora esclarece que as doações feitas para suas campanhas foram oficiais, 
declaradas e posteriormente aprovadas pela Justiça Eleitoral." 
 
Kátia Abreu (PMDB-TO), senadora 
Qual a suspeita: Segundo delação de Cláudio Melo Filho, José de Carvalho Filho, Fernando Luiz 
Ayres da Cunha Santos Reis e Mário Amaro da Silveira, a senadora Kátia Abreu é suspeita de ter recebido 
R$ 500 mil, divididos em duas parcelas, em sua campanha eleitoral de 2014 ao Senado, por intermédio 
de Moisés Pinto Gomes. 
O que ela diz: "Lamentavelmente, por desconhecer o conteúdo da decisão do ministro Edson Fachin, 
não tenho, neste momento, elementos suficientes que me permitam rebater as supostas acusações feitas 
contra mim e o meu marido, mas afirmo categoricamente que, em toda a minha vida pública, nunca 
participei de corrupção e nunca aceitei participar de qualquer movimento de grupos fora da lei. Estarei à 
disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários de maneira a eliminar qualquer dúvida 
sobre a nossa conduta. Sigo trabalhando no Senado pelo Brasil e pelo Tocantins. Minha história e minha 
correção são a base fundamental da minha defesa." 
 
Fernando Collor de Mello (PTC-AL), senador 
Qual a suspeita: De acordo com depoimentos de Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e 
Alexandre José Lopes Barradas, o senador recebeu R$ 800 mil não contabilizados para sua campanha 
eleitoral em 2010, pagos pelo Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht. 
O que ele diz: a assessoria do senador disse que ele não vai se pronunciar no momento. 
 
José Serra (PSDB-SP), senador 
Qual a suspeita: Segundo delações de Arnaldo Cumplido de Souza Couto, Benedicto Barbosa da 
Silva Júnior, Carlos Armando Guedes Paschoal, LuizEduardo da Rocha Soares, Roberto Cumplido, Fábio 
Andreani Gandolfo e Pedro Augusto Ribeiro Novis, Serra é suspeito de receber doações ilegais em troca 
de facilidades em contratos no estado. 
O que ele diz: Em nota, o senador José Serra afirma que não cometeu nenhuma irregularidade e que 
suas campanhas foram conduzidas pelo partido na forma da lei. Segundo ele, a abertura do inquérito pelo 
STF servirá como oportunidade de demonstrar essas afirmações e a lisura de sua conduta. 
 
Eduardo Braga (PMDB-AM), senador 
Qual a suspeita: Segundo o delator Arnaldo Cumplido de Souza e Silva, Eduardo Braga recebeu R$ 
1 milhão quando era governador do Amazonas da Odebrecht, dinheiro relativo à construção da Ponte do 
Rio Negro. 
O que ele diz: O senador desconhece o conteúdo das informações que levaram a PGR a pedir 
abertura de inquérito. "Vale destacar que a abertura de inquérito não significa que os investigados 
respondam por qualquer tipo crime. O senador Eduardo Braga, em caso de notificação, prestará todas as 
informações necessárias à Justiça." 
 
Omar Aziz (PSD-AM), senador 
Qual a suspeita: Segundo o delator Arnaldo Cumplido de Souza e Silva, José Lopes, empresário 
ligado a Omar Aziz, fazia pedidos de pagamentos à Odebrecht para favorecer o consórcio da empresa 
na construção da Ponte do Rio Negro. 
O que ele diz: "Ninguém tem mais interesse do que eu na conclusão deste inquérito. Não tenho e 
nunca tive nenhum tipo de relação com a Odebrecht. Essa empresa não teve sequer contratos ou 
pagamentos recebidos no meu governo. Também não recebi nenhum centavo deles em campanha 
eleitoral. O jornal 'O Globo' já inclusive publicou que, no documento divulgado pelo ministro Fachin, não 
há qualquer referência de valor em meu nome." 
 
Valdir Raupp (PMDB-RO), senador 
Qual a suspeita: Segundo os delatores Henrique Serrano do Prado Valladares e Augusto Roque Dias 
Fernandes Filho, o senador Valdir Raupp foi um dos destinatários de um "fundo" do Grupo Odebrecht e 
da Construtora Andrade Gutierrez de até R$ 20 milhões devido à execução das obras da Hidrelétrica de 
Santo Antonio, no Rio Madeira. 
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. 40 
O que ele diz: "Afirma que recebeu com tranquilidade a sua citação na lista do ministro Fachin 
publicada no dia de hoje, baseada em declarações de delatores que no desespero falam e ninguém pode 
impedir. Este será o momento que o senador terá para provar que as doações legais destinadas ao 
Partido foram declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral." 
 
Ricardo Ferraço (PSDB-ES), senador 
Qual a suspeita: Segundo os executivos da Odebrecht Sérgio Luiz Neves e Benedicto Júnior, foi pago 
caixa dois de R$ 400 mil para a campanha do capixaba ao Senado em 2010 por meio do setor de 
operações estruturadas da construtora. 
O que ele diz: "Foi com absoluta perplexidade e indignação que eu recebi a informação de que meu 
nome está incluído na chamada lista do Fachin. Toda minha campanha foi declarada e como poderão 
constatar na prestação de contas no TSE, esta empresa não foi doadora. Nunca tratei qualquer assunto 
com essas pessoas e tampouco autorizei que alguém tratasse. Acionarei esses mentirosos judicialmente 
para que provem as acusações." 
 
Delação da Odebrecht envolve 8 ministros; veja quem são os citados17 
Executivos e ex-dirigentes da construtora narraram suspeitas nas delações premiadas. 
O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou a 
Procuradoria Geral da República (PGR) a investigar 8 ministros, 3 governadores, 24 senadores e 39 
deputados. Os pedidos se baseiam na chamada lista de Janot, feita com base em delações de ex-
executivos da Odebrecht. 
Veja os nomes dos ministros do governo do presidente Michel Temer: 
 
Eliseu Padilha (PMDB-RS), ministro da Casa Civil 
Qual a suspeita: Segundo delação de Marcelo Odebrecht, Padilha cobrava propinas para irrigar 
campanhas eleitorais do PMDB envolvendo concessão de aeroportos. 
O que ele diz: A defesa do ministro-chefe da Casa Civil, representada pelo criminalista Daniel Gerber, 
afirma que todo e qualquer conteúdo de investigações será debatido exclusivamente dentro dos autos. 
 
Gilberto Kassab (PSD), ministro da Ciência e Tecnologia 
Qual a suspeita: Segundo depoimentos de Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Paulo Henyan Yue 
Cesena, ele recebeu R$ 20 milhões em vantagens indevidas no período de 2008 e 2014, por suas 
condições como prefeito de São Paulo e ministro das Cidades. Segundo declarações de Carlos Armando 
Guedes Paschoal e Roberto Cumplido, foi um dos beneficiários de vantagem indevida paga a agentes 
públicos em obras viárias de São Paulo em 2008. 
O que ele diz: "O ministro confia na Justiça, ressalta que não teve acesso oficialmente às informações 
e que é necessário ter cautela com depoimentos de colaboradores, que não são provas. Reafirma que os 
atos praticados em suas campanhas foram realizados conforme a legislação." 
 
Wellington Moreira Franco (PMDB), ministro da Secretaria-Geral da Presidência 
Qual a suspeita: Segundo delação de Marcelo Odebrecht, Moreira Franco cobrava propinas para 
irrigar campanhas eleitorais do PMDB envolvendo concessão de aeroportos. 
O que ele diz: A assessoria do ministro informa que ele não vai comentar o assunto 
Bruno de Araújo (PSDB-PE), ministro das Cidades 
Qual a suspeita: Segundo as delações de João Antônio Pacífico Ferreira, Benedicto Barbosa da Silva 
Júnior, Cláudio Melo Filho e Luiz Eduardo da Rocha Soares, Araújo recebeu repasses não contabilizados 
de R$ 600 mil da Odebrecht entre 2010 e 2012 a pretexto de doação eleitoral, quando era deputado 
federal. De acordo com o inquérito, ele agiu em defesa dos interesses da empresa no Congresso e é 
acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. 
O que ele diz: "De acordo com a legislação eleitoral, solicitei doações para diversas empresas, 
inclusive a Odebrecht, como já foi anteriormente noticiado. O sistema democrático vigente estabelecia a 
participação de instituições privadas por meio de doações. Mantive uma relação institucional com todas 
essas empresas. Em todo o meu mandato, sempre atuei em prol de interesses coletivos. Atuei de acordo 
com a minha consciência." 
 
 
 
17 G1, São Paulo. Delação da Odebrecht envolve 8 ministros; veja quem são os citados. Disponível em: Acesso em 12 de abril de 2017. 
 
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Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), ministro das Relações Exteriores 
Qual a suspeita: Segundo delações de Arnaldo Cumplido de Souza Couto, Benedicto Barbosa da 
Silva Júnior, Carlos Armando Guedes Paschoal, Luiz Eduardo da Rocha Soares, Roberto Cumplido, Fábio 
Andreani Gandolfo e Pedro Augusto Ribeiro Novis, Nunes recebeu ilegalmente R$ 500 mil do grupo 
Odebrecht para financiar sua campanha para o Senado em troca de favores políticos. 
O que ele diz: O ministro das Relações Exteriores diz que as acusações são mentirosas, mas que só 
vai comentar o tema após ter acesso ao pedido de inquérito. 
Marcos Antônio Pereira (PRB), ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços 
Qual a suspeita: Segundo delação de Marcelo Odebrecht, Pereira recebeu R$ 7 milhões da 
construtora em favor do Partido Republicano Brasileiro (PRB) para campanha eleitoral de Dilma Rousseff. 
O que ele diz: “O ministro está à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos 
necessários, muito embora não tenha sido notificado oficialmente nem tenha conhecimento de nada 
daquilo que é acusado. Marcos Pereira agiu sempre dentro da lei enquanto presidente de partido, 
buscando doações empresariais respeitando as regras eleitorais, e esclarecerá não ter qualquer 
envolvimento com atitudes ilícitas”. 
 
Blairo Borges Maggi(PP), ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 
Qual a suspeita: Segundo os delatores João Antônio Pacífico Ferreira e Pedro Augusto Carneiro Leão 
Neto, da Odebrecht, Blairo recebeu R$ 12 milhões durante campanha de 2006 ao governo do estado do 
Mato Grosso. Segundo os delatores, o ministro tinha o apelido de "Caldo" dentro do sistema de propinas 
da empresa. 
O que ele diz: "Lamento que meu nome tenha sido incluído numa lista de pessoas citadas em delações 
da Construtora Odebrecht, sem que eu tivesse qualquer possibilidade de acesso ao conteúdo para me 
defender. Me causa grande constrangimento ter minha honra e dignidade maculadas, numa situação na 
qual não sei sequer do que sou acusado. Mesmo assim, gostaria de esclarecer que: 1. Não recebi 
doações da Odebrecht para minhas campanhas eleitorais; 2. Não tenho ou tive qualquer relação com a 
empresa ou os seus dirigentes. 3. Tenho minha consciência tranquila de que nada fiz de errado." 
 
Helder Barbalho (PMDB), ministro da Integração Nacional 
Qual a suspeita: Os delatores Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Mário Amaro da Silveira 
afirmam que Barbalho, o senador Paulo Rocha (PT-BA) e o prefeito de Marabá, João Salame (PROS-
PA), solicitaram R$ 1,5 milhão para a campanha do ministro ao governo do Pará em 2014. A Odebrecht 
desejava atuar como concessionária da área de saneamento básico no estado. 
O que ele diz: "Ele nega que tenha cometido ilegalidades; reafirma que todos os recursos que recebeu 
como doações para sua campanha em 2014 foram devidamente registradas junto ao TRE-PA, que 
aprovou todas as suas contas; esclarece que não tinha e não tem qualquer ingerência sobre a área de 
saneamento no município de Marabá; destaca sua estranheza com o codinome Cavanhaque, em toda 
sua trajetória política, Helder Barbalho nunca usou cavanhaque." 
 
Conheça Marcelo Odebrecht, o homem que comprou o Brasil: propinas chegaram a R$ 10 
bilhões18 
Como o executivo se tornou um dos homens mais poderosos do Brasil ao negociar nos 
bastidores pagamentos bilionários a políticos e partidos até ser preso e condenado por Moro 
“Lá em casa, quando as minhas meninas tinham uma briga, eu perguntava: ‘Quem fez isso?' Talvez 
eu brigasse mais com quem dedurasse do que com aquele que fez o fato”. A resposta de Marcelo Bahia 
Odebrecht, de 48 anos, quando questionado em 2015, na CPI da Petrobras, se tinha intenção de fazer 
acordo de delação premiada, deixa clara a mudança de postura do hoje ex-presidente da maior 
construtora da América Latina após um ano e oito meses atrás das grades. 
A conduta arrogante e inconformada do empresário, que já esteve entre os 10 mais ricos do Brasil, se 
transformou após sucessivas derrotas na Justiça (com habeas corpus negados sucessivamente) e da 
condenação a 19 anos e quatro meses por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na 
Operação Lava-jato. Em dezembro, Marcelo resolveu contar em detalhes tudo que sabia sobre 
pagamentos ilegais que chegaram em nove anos a US$ 3,37 bilhões (mais de R$ 10 bilhões) para 
políticos de quase todos os partidos, empresários, lobistas, sindicalistas e até lideranças indígenas. 
Ao atender o pedido do promotor para falar olhando diretamente para a câmera, Marcelo revela, com 
um certo ar de banalidade e distanciamento, os detalhes sobre negociações que ocorreram em gabinetes 
 
18 FONSECA, Marcelo. Conheça Marcelo Odebrecht, o homem que comprou o Brasil: propinas chegaram a R$10 bilhões. Disponível em: 
Acesso em 18 de abril de 2017. 
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. 42 
e salas de reuniões e de estar dos principais nomes da política nacional. “Não conheço nenhum político 
que consiga se eleger sem caixa 2. Isso não existe. O político pode até dizer que não sabia, mas o que 
disser que não recebeu caixa 2 está mentindo”, afirmou. 
Ao longo das várias horas de depoimentos aos promotores e ao juiz Sérgio Moro, o empresário, que 
se permite até a divagar até sobre a institucionalização do caixa 2 nas campanhas eleitorais e cita a 
distribuição de dinheiro para partidos como forma de servir ao sistema político, admite que “ser um grande 
doador é sempre melhor” para manter as relações com os grupos influentes. “Pagar caixa 2 virou coisa 
tão comum que não era mais tratado como crime, era tratado como algo necessário. Fazia parte, já que 
o caixa 1 era uma parte muito pequena de nossa contribuição”, justificou Marcelo. 
ASCENSÃO E QUEDA 
Herdeiro de uma dinastia de empreiteiros, o engenheiro civil baiano Marcelo Odebrecht entrou na 
empresa da família logo ao se formar na Universidade Federal da Bahia, em 1992, e teve como primeiro 
trabalho a construção de um edifício em Salvador. Ambicioso e metódico, rapidamente tomou conta de 
outros projetos, como a construção de uma hidrelétrica em Goiás. Depois partiu para o exterior, trabalhou 
na montagem de plataformas de petróleo na Inglaterra e fez um MBA nos EUA. 
Voltou ao Brasil no fim dos anos 1990 como uma das maiores referências do setor de petroquímica. 
Poucos anos depois, em 2002, assumiu a presidência da construtora Odebrecht. Aos 40 anos, em 
dezembro 2008, ele chegou ao topo do conglomerado da família, o Odebrecht S.A., com 15 empresas. 
Arrojado, avançou no setor de petroquímica com a consolidação da Braskem e abriu mais canteiros de 
obras para a empresa em 21 países. 
Sob a gestão de Marcelo, a Odebrecht saltou de uma receita de R$ 38 bilhões, em 2009, para R$ 107 
bilhões em 2014. O crescimento representou também uma participação cada vez maior no jogo político. 
Em seus depoimentos ele afirmou que doações e negociações com políticos são comuns na empresa há 
décadas, mas com o aumento da importância da construtora na economia aumentaram também as 
demandas de políticos por doações para campanhas. 
“Até a década de 1980, os pagamentos não contabilizados eram feitas nas próprias obras. As 
empresas que queriam fazer os pagamentos não contabilizados faziam. A partir da década de 1990, se 
adotou o modelo que existe até hoje: gerar recursos não contabilizados e distribuir em off shores no 
exterior. O modelo então foi evoluindo para gerar eficiência fiscal e não ter riscos fiscais”, explicou Marcelo 
aos investigadores. 
Em 2015, Marcelo apareceu na Revista Forbes como um dos mais ricos do Brasil, com fortuna 
estimada em R$ 13,1 bilhões. Desde sua prisão, em 19 de junho de 2015, quando os agentes invadiram 
o condomínio de luxo no Morumbi, Zona Sul de São Paulo, Marcelo passou por uma transformação. As 
ordens dadas aos outros diretores que dividiam cela na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, foram 
aos poucos dando lugar a uma postura mais humilde, sempre com cabeça baixa (segundo agentes 
policiais). 
O empresário que afirmou que os delatores eram “dedos-duros” acabou obrigado a fazer o mesmo 
para evitar passar mais de 10 anos na prisão, longe da família e do conforto no qual estava acostumado. 
No acordo fechado com o Ministério Público Federal, os advogados de Marcelo conseguiram reduzir sua 
pena e ele deve ficar preso em regime fechado até dezembro deste ano. 
 
Câmara aprova proposta de reforma trabalhista; texto segue para o Senado19 
Projeto recebeu 296 votos favoráveis e 177 contrários; deputados aceitaram somente uma proposta 
de alteração de um dos pontos do texto e rejeitaram outras 16. 
Após quase 14 horas de sessão, a Câmara dos Deputados concluiu, na madrugada desta quinta-feira 
(27), a votação da proposta de reforma trabalhista do governo. 
Aprovado por 296 votos a favor (eram necessários pelo menos 257) e 177 contrários, o texto segue 
agora para o Senado. 
Entre outros pontos, a reforma estabelece regras para que acordos entre empresários e representantes 
dos trabalhadores passem a ter força de lei, o chamado"negociado sobre o legislado". 
Dos 17 destaques apresentados (propostas de alteração no texto), somente um foi aprovado. Os 
demais acabaram sendo rejeitados ou retirados. O único destaque aprovado estabelece que, nos 
processos trabalhistas, a penhora on-line deverá se limitar ao valor da dívida que a empresa tem com o 
empregado. 
 
19 CALGARO, Fernanda. CARAM, Bernardo. Câmara aprova proposta de reforma trabalhista; texto segue para o Senado. G1 Política. Disponível em: 
 Acesso em 28 de abril de 2017. 
 
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Entre os destaques rejeitados, estava o que mantinha como obrigatória a cobrança de contribuição 
sindical por três anos. Depois desse prazo, segundo o texto do destaque, haveria uma redução gradual 
no valor nos três anos seguintes. A proposta foi rejeitada por 259 votos contrários e 159 favoráveis. 
Votação 
Além dos partidos de oposição, contrários à reforma, líderes de partidos governistas como SD e PSB 
orientaram o voto contrário à proposta. O PSB chegou a fechar questão contra o texto. 
Para garantir mais votos favoráveis, o presidente Michel Temer decidiu exonerar ministros que têm 
mandato de deputado na Câmara para que engrossassem os votos favoráveis à reforma. 
Entre os ministros que participaram da votação estavam Ronaldo Nogueira (Trabalho) e Mendonça 
Filho (Educação). 
O ministro Ronaldo Nogueira, exonerado temporariamente do cargo, saiu em defesa da matéria. "A 
proposta se baseia em três eixos: o primeiro é consolidar direitos. O segundo, dar segurança jurídica. E 
o terceiro eixo é a geração de empregos", disse. 
Ele contestou as críticas de que a mudança retira direitos dos trabalhadores. "Nenhum direito está 
ameaçado porque direito você não revoga, direito você aprimora. E nós queremos garantir igualdade de 
condições para todos os brasileiros para que o trabalhador possa escolher através da sua respectiva 
convenção coletiva e escolher a forma mais vantajosa para o trabalhador usufruir dos seus direitos", 
ressaltou. 
A favor da reforma, o deputado Celso Maldaner (PMDB-SC) defendeu a aprovação do projeto por 
entender ser necessário modernizar a legislação atual. 
“Todos os direitos dos trabalhadores serão respeitados. O que estamos fazendo é modernizar a 
legislação trabalhista, que está em vigor desde 1943 e precisa incorporar a realidade de profissões que 
nem existiam naquela época”, afirmou. 
Durante a sessão, a oposição protestou com cartazes e palavras de ordem em diversos momentos. 
Deputados oposicionistas chegaram a subir à mesa do plenário, com placas e cartazes, para fazer um 
protesto. Nesse momento, irritado com a manifestação, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), empurrou 
o deputado Afonso Florence (PT-BA). Mais tarde, pediu desculpas publicamente. 
Os oposicionistas afirmam que a aprovação do texto vai fragilizar as relações de trabalho, além de 
gerar demissões. A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) classificou de “farsa” o argumento de que as 
mudanças na legislação trabalhista não vão retirar direitos dos trabalhadores. 
“É uma farsa dizer que não tira direitos. Dá ao empregador plena liberdade para não assegurar os 
direitos dos trabalhadores”, disse. 
Temer 
Após a aprovação do texto-base, o porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola, afirmou 
em pronunciamento que a nova legislação, se aprovada pelo Senado, "permitirá garantir os direitos dos 
trabalhadores previstos na Constituição Federal e impulsionar a criação de empregos no país". 
"O presidente Michel Temer agradece à base de apoio do governo e às lideranças partidárias, ministros 
de Estado, governadores, prefeitos e representantes empresariais e sindicais que atuaram decididamente 
em favor da aprovação do projeto na Câmara. O mesmo grau de engajamento será agora necessário 
para a aprovação definitiva da reforma trabalhista no Senado Federal", disse Parola. 
Principais pontos do projeto 
Férias - As férias poderão ser parceladas em três vezes ao longo do ano; 
Horas extras - Será permitido, desde que haja acordo, que o trabalhador faça até duas horas extras 
por dia de trabalho; 
Contribuição sindical - A contribuição sindical, hoje obrigatória, passa a ser opcional; 
Banco de horas - Patrões e empregados podem negociar, por exemplo, jornada de trabalho e criação 
de banco de horas; 
Multa por ausência de registro - Haverá multa de R$ 3 mil por trabalhador não registrado. No caso de 
micro e pequenas empresas, o valor cai para R$ 800. 
Home office - O trabalho em casa (home office) entra na legislação e terá regras específicas, como 
reembolso por despesas do empregado; 
Má-fé - Juízes poderão dar multa a quem agir com má-fé em processos trabalhistas. 
Negociado sobre o legislado 
Veja, abaixo, pontos que poderão se sobrepor à lei quando houver acordo entre empresários e 
trabalhadores: 
Pacto quanto à jornada de trabalho, observados os limites constitucionais; 
Banco de horas anual; 
Intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superior a seis horas; 
Adesão ao Programa Seguro-Emprego 
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Plano de cargos, salários e funções 
Regulamento empresarial; 
Representante dos trabalhadores no local de trabalho; 
"Teletrabalho”, ou home office e trabalho intermitente; 
Remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas e remuneração por desempenho individual; 
Modalidade de registro de jornada de trabalho; 
Troca do dia de feriado; 
Enquadramento do grau de insalubridade; 
Prorrogação de jornada em ambientes insalubres, sem licença prévia do Ministério do Trabalho; 
Prêmios de incentivo em bens ou serviços; 
Participação nos lucros ou resultados da empresa. 
Veja, abaixo, as hipóteses nas quais não será permitida, por acordo coletivo, supressão ou redução 
dos seguintes direitos: 
Normas de identificação profissional, inclusive as anotações na Carteira de Trabalho e Previdência 
Social; 
Seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; 
Valor dos depósitos mensais e da indenização rescisória do FGTS; 
Salário-mínimo; 
Valor nominal do décimo terceiro salário; 
Remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; 
Proteção do salário na forma da lei; 
Salário-família; 
Repouso semanal remunerado; 
Remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em 50% à do normal; 
Número de dias de férias devidas ao empregado; 
Gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; 
Licença-maternidade com a duração mínima de 120 dias, com extensão do benefício à funcionária que 
adotar uma criança; 
Licença-paternidade nos termos fixados em lei; 
Proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos; 
Aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de 30 dias; 
Normas de saúde, higiene e segurança do trabalho; 
Adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas; 
Aposentadoria; 
Seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador; 
Ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos 
para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; 
Proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador com 
deficiência 
Proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 18 anos e de qualquer trabalho a 
menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de 14 anos; 
Medidas de proteção legal de crianças e adolescentes; 
Igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso; 
Liberdade de associação profissional ou sindical do trabalhador; 
Direito de greve; 
Definição legal sobre os serviços ou atividades essenciaise disposições legais sobre o atendimento 
das necessidades inadiáveis da comunidade em caso de greve; 
Tributos e outros créditos de terceiros; 
Proibição de anúncio de emprego que faça referência a sexo, idade, cor ou situação familiar, salvo 
quando a natureza da atividade exigir, além da vedação a recusa de emprego, promoção ou diferença 
salarial motivadas por essas características; 
Proibição de que o empregador exija atestado para comprovação de esterilidade ou gravidez, além de 
proibição da realização de revistas íntimas em funcionárias; 
Proibição de que uma mulher seja empregada em serviço que demande força muscular superior a 20 
quilos para o trabalho contínuo, ou 25 quilos para o trabalho ocasional; 
Autorização para mulher romper compromisso contratual, mediante atestado médico, se este for 
prejudicial à gravidez; 
Repouso remunerado de duas semanas em caso de aborto não criminoso; 
Dois descansos diários de meia hora cada para mulheres lactantes com filho de até seis meses; 
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Exigência de que os locais destinados à guarda dos filhos das operárias durante o período da 
amamentação deverão possuir, no mínimo, um berçário, uma sala de amamentação, uma cozinha 
dietética e uma instalação sanitária. 
Outras mudanças 
Veja outras alterações propostas pelo projeto: 
Férias em três etapas - Atualmente, as férias podem ser tiradas em dois períodos, desde que um deles 
não seja inferior a 10 dias corridos. Pelo novo texto, desde que o empregado concorde, as férias poderão 
ser usufruídas em até três períodos, sendo que um deles não poderá ser inferior a 14 dias corridos e os 
demais não poderão ser menores do que 5 dias corridos, cada um. Também fica vedado o início das 
férias no período de dois dias que antecede feriado ou dia de repouso semanal remunerado. 
Terceirização - O projeto propõe uma série de salvaguardas para o trabalhador terceirizado. Em março, 
o presidente Michel Temer sancionou uma lei que permite a terceirização para todas as atividades de 
uma empresa. O texto inclui uma espécie de quarentena, na qual o empregador não poderá demitir o 
trabalhador efetivo e recontratá-lo como terceirizado em um período de 18 meses. A empresa que 
recepcionar um empregado terceirizado terá, ainda, que manter todas as condições que esse trabalhador 
tem na empregadora-mãe, como uso de ambulatório, alimentação e segurança. 
Contribuição sindical - Atualmente, o pagamento da contribuição sindical é obrigatório e vale para 
empregados, sindicalizados ou não. Uma vez ao ano, é descontado o equivalente a um dia de salário do 
trabalhador. Se a mudança for aprovada, a contribuição passará a ser opcional. 
Multa - Pela legislação atual, o empregador que mantém empregado não registrado fica sujeito a multa 
de um salário-mínimo regional, por empregado não registrado, acrescido de igual valor em cada 
reincidência. Na reforma enviada pelo governo, o texto propõe multa de R$ 6 mil por empregado não 
registrado, acrescido de igual valor em cada reincidência. No caso de microempresa ou empresa de 
pequeno porte, a multa prevista é de R$ 1 mil. O texto prevê ainda que o empregador deverá manter 
registro dos respectivos trabalhadores sob pena de R$ 1 mil. No texto aprovado, foi reduzido o valor da 
multa para R$ 3 mil para cada empregado não registrado. No caso de micro e pequenas empresas, a 
multa será de R$ 800. Na hipótese de não serem informados os registros, ele reduziu a multa para R$ 
600. 
Jornada de trabalho - Hoje, a legislação não conta como jornada de trabalho o tempo gasto pelo 
trabalhador no deslocamento até o local de trabalho e na volta para casa, por qualquer meio de transporte. 
A exceção é quando o empregado usa transporte fornecido pelo empregador por ser um local de difícil 
acesso ou onde não há transporte público. O texto aprovado deixa claro que não será computado na 
jornada de trabalho o tempo que o empregado levar até “a efetiva ocupação do posto de trabalho” e não 
mais até o local de trabalho. Além disso, deixa de considerar como jornada de trabalho o tempo usado 
pelo empregado no trajeto utilizando meio de transporte fornecido pelo empregador “por não ser tempo à 
disposição do empregador”. Também não será computado como extra o período que exceder a jornada 
normal quando o empregado, por escolha própria, buscar proteção pessoal, em caso de insegurança nas 
vias públicas ou más condições climáticas, ou ficar nas dependências da empresa para exercer atividades 
particulares, como higiene e troca de roupa ou uniforme, quando não houver obrigatoriedade de realizar 
a troca na empresa. 
Regime parcial - A lei em vigor considera trabalho em regime de tempo parcial aquele cuja duração 
não passe de 25 horas semanais. Pela legislação atual, é proibida a realização de hora extra no regime 
parcial. O projeto aumenta essa carga para 30 horas semanais, sem a possibilidade de horas 
suplementares por semana. Também passa a considerar trabalho em regime de tempo parcial aquele 
que não passa de 26 horas por semana, com a possibilidade de 6 horas extras semanais. As horas extras 
serão pagas com o acréscimo de 50% sobre o salário-hora normal. As horas extras poderão ser 
compensadas diretamente até a semana seguinte. Caso isso não aconteça, deverão ser pagas. 
Regime normal - Em relação ao regime normal de trabalho, o texto mantém a previsão de, no máximo, 
duas horas extras diárias, mas estabelece que as regras poderão ser fixadas por “acordo individual, 
convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho”. Hoje, a CLT diz que isso só poderá ser estabelecido 
“mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho”. 
Pela regra atual, a remuneração da hora extra deverá ser, pelo menos, 20% superior à da hora normal. 
O projeto votado na Câmara aumenta esse percentual para 50%. 
Banco de horas - Hoje, a lei prevê a compensação da hora extra em outro dia de trabalho, desde que 
não exceda, no período máximo de um ano, à soma das jornadas semanais de trabalho previstas, nem 
seja ultrapassado o limite máximo de dez horas diárias. A regra é estabelecida por acordo ou convenção 
coletiva de trabalho. O texto apreciado prevê que o banco de horas poderá ser pactuado por acordo 
individual escrito, desde que a compensação ocorra no período máximo de seis meses. Além disso, 
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poderá ser ajustada, por acordo individual ou coletivo, qualquer forma de compensação de jornada, desde 
que não passe de dez horas diárias e que a compensação aconteça no mesmo mês. 
Jornada de 12 x 36 horas - Hoje, a Justiça autoriza a realização da jornada de 12 horas de trabalho 
alternados por 36 horas de descanso para algumas categorias. Esse tipo de jornada de trabalho é seguido 
por várias categorias, sendo observado o limite semanal de cada profissão em legislação específica. Com 
a reforma trabalhista, a jornada 12x36 passa a fazer parte da legislação. O texto também prevê que a 
remuneração mensal incluirá descanso semanal remunerado e descanso em feriados. 
Trabalho remoto ou home office - Atualmente, não há previsão na legislação para o trabalho home 
office, como quando o empregado trabalha de casa. O texto da reforma inclui o trabalho em casa na 
legislação e estabelece regras para a sua prestação. Ele define, por exemplo, que o comparecimento às 
dependências do empregador para a realização de atividades específicas que exijam a presença do 
empregado no estabelecimento não descaracteriza o regime de trabalho remoto. Deverá haver um 
contrato individual de trabalho especificando as atividades que serão realizadas pelo empregado. O 
contrato também deverá fixar a responsabilidade sobre aquisição, manutenção ou fornecimento dos 
equipamentos, além da infraestrutura necessária, assim como ao reembolso de despesas arcadas pelo 
empregado. As utilidades não poderão integrar a remuneração do empregado.Mulheres e trabalho insalubre - Atualmente, a lei proíbe que mulheres grávidas ou lactantes trabalhem 
em ambientes com condições insalubres. O texto apreciado na Câmara prevê que a empregada gestante 
seja afastada das atividades consideradas insalubres em grau máximo enquanto durar a gestação. 
Quando o grau de insalubridade for médio ou mínimo, ela poderá apresentar atestado de saúde, emitido 
por um médico de confiança da mulher, que recomende o afastamento dela durante a gestação. No caso 
da lactação, ela também poderá apresentar atestado de saúde para ser afastada de atividades 
consideradas insalubres em qualquer grau. O projeto garante que, durante o afastamento, não haverá 
prejuízo da remuneração da mulher, incluindo o valor do adicional de insalubridade. Quando não for 
possível que a gestante ou a lactante afastada exerça suas atividades em local salubre na empresa, a 
situação será enquadrada como gravidez de risco e ela poderá pedir auxílio-doença. 
Dano extrapatrimonial - O texto inclui na legislação trabalhista a previsão do dano extrapatrimonial, 
quando há ofensa contra o empregado ou contra a empresa. São consideradas passíveis de reparação 
quando, no caso da pessoa física, por exemplo, houver ofensa à honra, imagem, intimidade, liberdade de 
ação ou saúde. No caso da pessoa jurídica, quando houver ofensa à imagem, marca, nome, segredo 
empresarial e sigilo da correspondência. Caberá ao juiz fixar a indenização a ser paga. 
Trabalhador autônomo - O texto da reforma deixa claro que a contratação do autônomo, com ou sem 
exclusividade, de forma contínua ou não, afasta a qualidade de empregado. 
Trabalho intermitente - Sobre o contrato individual de trabalho, o texto mantém que ele poderá ser 
acordado verbalmente ou por escrito, por prazo determinado ou indeterminado, mas inclui a previsão para 
que o trabalho seja prestado de forma intermitente, que permite a contratação de funcionários sem horário 
fixo de trabalho. O contrato deverá ser por escrito e conter especificamente o valor da hora de trabalho, 
que não pode ser inferior ao valor-horário do salário mínimo ou àquele pago aos demais empregados que 
exerçam a mesma função em contrato intermitente ou não. O empregado deverá ser convocado com, no 
mínimo, três dias corridos de antecedência. No período de inatividade, o trabalhador poderá prestar 
serviços a outros contratantes. Ao final de cada período de prestação de serviço, o empregado receberá 
o pagamento imediato das parcelas do salário, férias e décimo terceiro salário proporcionais. Também 
haverá o recolhimento da contribuição previdenciária e do FGTS. Nesse ponto, a pedido da categoria dos 
aeronautas, o projeto passou a definir que trabalho intermitente será proibido em casos de profissões 
regidas por legislação específica. 
Sucessão empresarial - O projeto prevê que, no caso de sucessão empresarial ou de empregadores, 
as obrigações trabalhistas passam a ser de responsabilidade do sucessor. 
Justiça do Trabalho - No texto, é definido maior rigor para a criação e alteração de súmulas, 
interpretações que servem de referência para julgamentos. Ficará definido na CLT como as súmulas 
poderão ser produzidas. Será exigida a aprovação de ao menos dois terços dos ministros do Tribunal 
Superior do Trabalho para que elas sejam editadas. Ainda assim, essa definição só poderá ser feita se a 
mesma matéria já tiver sido decidida de forma idêntica por unanimidade em pelo menos dois terços das 
turmas, em pelo menos dez sessões diferentes. 
Má-fé - O texto estabelece punições para quem, seja o reclamante ou o reclamado, agir com má-fé em 
processos judiciais na área trabalhista. O juiz poderá dar condenação de multa, entre 1% e 10% da causa, 
além de indenização para a parte contrária. Será considerada de má-fé a pessoa que alterar a verdade 
dos fatos, usar o processo para objetivo ilegal, gerar resistência injustificada ao andamento do processo, 
entre outros. 
 
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Movimentos sociais e sindicalistas acampam em Curitiba para apoiar Lula20 
Sindicalistas, movimentos de esquerda e dirigentes do PT se deslocaram nesta terça-feira até a cidade 
de Curitiba para apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que amanhã será interrogado pelo juiz 
federal Sergio Moro. 
Centenas de agricultores vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se 
mobilizaram de diferentes pontos do país e acamparam em uma ampla esplanada da capital paranaense 
para expressar seu respaldo ao petista, indiciado em cinco causas penais. 
Os integrantes do MST montaram uma espécie de assentamento improvisado, com barracas, tendas 
de lona e cozinhas para alimentar uma multidão de camponeses favoráveis a Lula. 
Já na entrada da noite caminharam até a catedral da cidade para realizar uma vigília em defesa da 
democracia e dos direitos dos trabalhadores. 
Dezenas de ônibus com militantes de diferentes partes do Brasil se deslocaram nos últimos dias até 
Curitiba para acompanhar de perto o depoimento que Lula prestará nesta quarta-feira perante Moro, 
responsável pelos casos da Operação Lava Jato. 
Neste processo, Lula responde à acusação de corrupção pela suposta propriedade de um triplex no 
Guarujá que figura nos registros em nome da construtora OAS. 
No entanto, segundo as acusações, o verdadeiro proprietário do apartamento seria Lula, que o teria 
recebido em troca de "favores" feitos a essa construtora, uma das investigadas na Lava Jato. 
Também está prevista a chegada de lideranças do PT, entre eles a ex-presidente Dilma Rousseff. 
A segurança foi reforçada perante o temor de enfrentamentos entre defensores e críticos de Lula, que, 
em menor medida, também se mobilizaram para o depoimento, que marcará o primeiro encontro entre 
Moro e o ex-presidente. 
Há vários dias, vários cartazes espalhados pela cidade dão, em tom irônico, as boas-vindas a Lula "à 
República de Curitiba" e expressam seu apoio à Lava Jato. 
No anúncio aparece um desenho de Lula vestido de prisioneiro, ao lado de uma mensagem que diz 
"Te esperamos com as grades abertas". 
 
Lula dá depoimento a Moro como réu da Lava Jato: veja como foi o dia em Curitiba21 
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve, nesta quarta-feira, sua primeira audiência com o juiz 
federal Sergio Moro, juiz da operação Lava Jato na primeira instância e, por isso, responsável por julgar 
os processos contra o ex-presidente ligados ao caso. 
Réu de três ações sob a alçada do magistrado, o petista foi interrogado sobre as acusações de que 
recebeu vantagens indevidas das empreiteiras OAS em troca de contratos com a Petrobras. 
Segundo o Ministério Público Federal, a companhia pagou R$ 3,7 milhões a Lula por meio da reserva 
e reforma de um tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, e pelo custeio do armazenamento de seus 
bens depois que o petista deixou a Presidência. 
Lula negou ser proprietário do imóvel e que tenha recebido propina da OAS. A Moro, o ex-presidente 
afirmou nunca ter tido a intenção de adquirir o tríplex, mas admitiu que jamais disse à OAS que não ficaria 
com o apartamento. Ele afirmou ainda que sua mulher, Marisa Letícia, morta em fevereiro, poderia estar 
interessada no imóvel como "investimento". 
O ex-presidente também afirmou não ter mandado destruir provas e disse não saber sobre desvios na 
Petrobras. 
O depoimento ocorreu sob grande expectativa. A defesa do ex-presidente vinha afirmado que ele é 
vítima de "um histórico de perseguição e violação às garantias fundamentais pelo juiz de Curitiba" e 
chegou a pedir que Moro fosse afastado do caso. O magistrado refuta as acusações - e a solicitação foi 
negada pela instância superior. 
Depoimento 
Lula ficou cerca de cinco horas no prédio da Justiça Federal. Parte da audiência foi marcada por bate 
boca da defesa do ex-presidente e Sérgio Moro, em especial durante as perguntas em que o juiz citou o 
sítio de Atibaia (SP) - que teria sido reformado pela OAS a pedidode Lula, segundo sustenta a acusação 
com base em informações fornecidas pelo sócio da OAS Leo Pinheiro. A defesa do ex-presidente alegou 
que o sítio é objeto de outro processo penal e Lula, mais de uma vez, afirmou que daria os detalhes 
necessários quando fosse intimado para falar sobre essa outra ação. 
 
20 EFE. Movimentos sindicais e sindicalistas acampam em Curitiba para apoiar Lula. Agencia EFE. Disponível em: Acesso em 10 de maio de 2017. 
 
21 BBC BRASIL. Lula dá depoimento a Moro como réu da Lava Jato: veja como foi o dia em Curitiba. BBC Brasil. Disponível em: Acesso em 11 de maio de 2017. 
 
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Nos primeiros trechos tornados públicos, Lula é questionado sobre o tríplex e diz que "nunca houve a 
intenção de adquirir" o apartamento de três andares, só uma unidade simples no prédio. Também diz que 
chegou a visitar o tríplex uma única vez, mas que nunca teve a intenção de comprá-lo - apesar das 
afirmações em contrário de Leo Pinheiro. 
"Leo estava querendo vender o apartamento e o senhor sabe que, como todo e qualquer vendedor, 
(ele queria) vender de qualquer jeito. Eu disse ao Leo que o apartamento tinha 500 defeitos", afirmou 
Lula, admitindo que não recusou de pronto o imóvel. Questionado por Moro se ele não comunicou a Leo 
Pinheiro que não ficaria com o imóvel, o ex-presidente afirmou: "Não. Não sei por que não comuniquei". 
Depois de ter visitado o imóvel com a mulher, ele afirma que nunca mais falou sobre o apartamento 
com o executivo da OAS. Disse ter ficado sabendo pelo filho Fábio que a mulher voltou ao Guarujá para 
visitar o tríplex. "Dona Marisa não gostava de praia, nunca gostou de praia. Certamente ela queria o 
apartamento para fazer investimento", afirmou durante o depoimento. 
Já Leo Pinheiro havia dito à Justiça que o apartamento sempre pertenceu a Lula, apesar de no papel 
estar no nome da OAS, e que "tinha a orientação de não colocá-lo à venda porque pertencia à família do 
ex-presidente". 
Lula também negou que tivesse pedido a Leo Pinheiro que destruísse provas - conforme o executivo 
da OAS havia dito em depoimento. 
Lula também negou as acusações de que a OAS custeava o armazenamento de seu acervo 
presidencial. 
Direito de imagem Lula Marques / AGPT Image caption Policiamento maciço fazia segurança do prédio 
da Justiça Federal para a chegada de Lula 
O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, disse após o depoimento desta quarta que "o que vimos 
hoje no tribunal foi um ataque com motivações políticas" e criticou Moro, chamando a audiência de "farsa" 
e "um ataque à democracia". 
Moro, durante a audiência, disse a Lula que ele foi "tratado com respeito" durante os procedimentos 
judiciais e que ele será julgado "com base na lei". 
O juiz perguntou também sobre as indicações feitas a cargos da Petrobras, e o ex-presidente afirmou 
que Nestor Cerveró (ex-diretor financeiro da companhia) foi uma indicação do PMDB. Também falou 
sobre o encontro que teve com Paulo Duque (ex-diretor de serviços da Petrobras) e confirmou ter 
indagado se o ex-diretor da estatal, preso e condenado a 53 anos, mantinha contas no exterior. 
Diante de Moro, Lula reclamou da postura do Ministério Público e da Polícia Federal. E, ao final do 
depoimento, disse que, se for absolvido, Moro teria de se preparar para ataques "muito mais fortes". O 
juiz rebateu, dizendo: "Já sou atacado por bastante gente, inclusive por blogs que supostamente são 
patrocinados pelo senhor". 
Palanque 
Milhares de simpatizantes aguardavam o fim do depoimento em uma praça a poucos quilômetros do 
prédio da Justiça Federal, onde Lula discursou após falar à Justiça. 
Agradeceu aos manifestantes por "apoiarem uma pessoa que está sendo massacrada" e disse que 
está se preparando "para voltar a ser candidato a presidente desse país. Nunca tive tanta vontade, 
vontade de fazer melhor, de fazer mais, e provar que se a elite brasileira não tem competência pra 
consertar este país, o metalúrgico primário vai provar que e possível consertar este país." 
Diante da tensão entre apoiadores e críticos de Lula, o acesso ao edifício estava fechado desde a noite 
de terça, quando manifestantes chegaram em maior número à cidade. 
Havia temores de confrontos entre grupos favoráveis ao ex-presidente e contrários a ele, o que acabou 
não se confirmando diante do forte policiamento. 
Apoiadores de Lula se concentraram no acampamento da Frente Brasil Popular, que reúne vários 
movimentos sociais, próximo à rodoviária. 
Direito de imagem EFE Image caption Outdoor em Curitiba para recepcionar Lula na cidade 
Críticos ao petista eram em menor número - após vídeo de Moro pedindo que os simpatizantes da 
Lava Jato ficassem em casa, vários grupos decidiram não ir a Curitiba. 
O local ficou cercado por policiais, e os manifestantes pró e contra Lula foram mantidos afastados entre 
si e do acesso à Justiça Federal. 
Durante o depoimento, a imprensa ficou em um espaço reservado situado distante do prédio. Os 
moradores do grande perímetro cercado foram escoltados por agentes para entrar e sair de casa - todos 
tiveram que comprovar residência na região e cadastrar seus veículos para conseguir usá-los. 
Impacto político 
Ao aterrissar em Curitiba, Lula foi recebido por petistas e posou para fotos e vídeos com 
correligionários como a senadora Gleisi Hoffmann, o deputado federal Zeca Dirceu e o presidente do 
partido, Rui Falcão. 
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O ex-presidente chegou ao prédio da Justiça Federal acompanhado de militantes por volta das 13h45, 
reforçando o caráter político que o depoimento assumiu. 
Segundo especialistas entrevistados pela BBC Brasil, era pequena a possibilidade de o interrogatório 
ter relevância jurídica para o processo contra o ex-presidente. 
Já o impacto político poderia ser expressivo. 
Líder nas pesquisas de intenções de voto para as eleições de 2018, Lula pode ser impedido de 
concorrer tenha uma condenação em segunda instância até o pleito, e tem adotado o discurso de que é 
perseguido pela Lava Jato. 
 
Delação da JBS aponta que Temer pedia propina desde 201022 
Informação está no anexo 9 do acordo de colaboração firmado junto à Procuradoria-Geral da República 
(PGR) 
Em um dos trechos da delação de Joesley Batista, um dos proprietários da JBS, o empresário descreve 
a relação que tinha com o presidente Michel Temer, detalha os pedidos de pagamento de propina feitos 
pelo presidente e conta sobre o último encontro, ocorrido no Palácio do Jaburu, em março deste ano. 
Segundo o delator, Temer solicitava pagamentos irregulares à empresa desde 2010. 
A informação está no anexo 9 do acordo de colaboração firmado junto à Procuradoria-Geral da 
República (PGR). 
O empresário relata que conheceu Temer no escritório do peemedebista, em São Paulo. Joesley 
atendeu a um primeiro pedido de R$ 3 milhões em propina, sendo R$ 1 milhão através de doação oficial 
e R$ 2 milhões para a empresa Pública Comunicações. Os repasses foram registrados em notas fiscais. 
No mesmo ano, o empresário também concordou com outro pedido do presidente para o pagamento 
de propina de R$ 240 mil à empresa Ilha Produções. Joesley disse ter se encontrado Temer ao menos 
20 vezes — no escritório de advocacia do peemedebista, na sua residência e no Palácio do Jaburu. 
Temer teria voltado a solicitar pagamentos em 2012 
De acordo com a delação, em 2012, na campanha à prefeitura de São Paulo, Temer voltou a solicitar 
pagamentos milionários para a campanha de Gabriel Chalita, o que ocorreu por meio de caixa 2. A partir 
de então, estreitou-se a relação entre Joesley e Temer, "ficando claro que o então vice-presidente 
operava, além de Wagner Rossi (entãoMinistro da Agricultura), em aliança com Geddel Vieira Lima, 
Moreira Franco e Eduardo Cunha, entre outros". 
Joesley descreve que, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, Temer o chamou para 
uma reunião para pedir uma propina de R$ 300 mil com o objetivo de pagar as despesas de marketing 
político pela internet, pois "o mesmo estava sendo duramente atacado no ambiente virtual". 
Quando Temer assumiu a presidência, o empresário estabeleceu um canal de interlocução, junto com 
Geddel Vieira Lima, na qual enviava pedidos ao presidente. Entre os pedidos, Joesley lembra de ter 
solicitado que ele realizasse uma intervenção no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 
(BNDES) para que a instituição não vetasse a mudança da sede da JBS para o Exterior. 
Após a queda de Geddel, Joesley afirma que teve dificuldades de manter o canal de interlocução com 
Temer "e avançar agendas de seu interesse". Foi quando contatou o deputado federal Rodrigo Rocha 
Loures (PMDB-PR) e, por meio dele, conseguiu uma reunião com Temer no Palácio do Jaburu. O 
encontro ocorreu ema 7 de maio de 2017, e os assuntos foram descritos pelo empresário em tópicos. 
Primeiro falam sobre assuntos econômicos, e logo a seguir Joesley "procurou tranquilizar Temer sobre 
o risco de delações", dizendo que estava "cuidando" de Eduardo Cunha e de Lucio Funaro, ao que Temer 
respondeu "importante manter isso". O empresário disse, ainda, que estava "tranquilo em relação às 
investigações que lhe diziam respeito, a propósito de ter entrado em ajustes com autoridades do sistema 
de Justiça". 
Na sequência, Joesley pede ao presidente que lhe indique alguém para tratar dos interesses de ambos, 
no que Temer menciona o próprio Loures. O empresário pediu, ainda, que Temer encontrasse uma 
solução junto a Henrique Meirelles nos assuntos de interesse do Grupo JF, e exemplificou o pedido com 
assuntos relacionados ao Cade e à CVM, além de questões relacionadas com o BNDES. 
O encontro, que ocorreu à noite, é finalizado com Joesley indicando que o método de reunião noturna 
e entrada discreta havia funcionado, no que Temer teria concordado. 
A seguir, o documento descreve dois encontros de Joesley com Loures, em que o empresário pede 
para o deputado interceder junto ao Cade, "pois uma empresa controlada pela JF precisava de liminar 
para afastar o monopólio da Petrobras do fornecimento de gás para termelétrica do Grupo JF. 
 
22 SCHUCH, MATHEUS. SORDI, JAQUELINE. Delação da JBS aponta que Temer pedia propina desde 2010. Gaúcha. Disponível em: 
 Acesso em 19 de maio de 2017. 
 
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Ao final do documento, Joesley conta que ofereceu "lançar mais créditos na planilha a medida que 
outras intercessões de Temer e Rodrigo em favor do Grupo JF fossem bem sucedidas em negócios tais 
como energia a longo prazo e destravamento das compensações de crédito PIS/Cofins com débitos de 
INSS". Afirma, ainda, que disse para o deputado, assim como havia feito com o presidente, que "estava 
cuidando de Eduardo Cunha e Lucio Funaro". Loures teria indicado que isso "era bom". 
 
OAB decide que pedirá impeachment de Temer23 
BRASÍLIA (Reuters) - O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu que 
apresentará pedido de impeachment contra o presidente Michel Temer, na Câmara dos Deputados, por 
crime de responsabilidade. 
Os conselheiros da OAB acolheram voto proposto por comissão especial que analisou as provas do 
inquérito, por 25 votos a favor e apenas uma divergência e uma ausência, informou a entidade em seu 
site na madrugada de domingo. O pedido deve ser protocolado na Câmara dos Deputados nos próximos 
dias. 
No sábado, uma comissão concluiu que as condutas do presidente descritas em inquérito aberto nesta 
semana no Supremo Tribunal Federal (STF) poderiam embasar um pedido de impeachment. O relatório 
da comissão lido em reunião da OAB na tarde de sábado foi elaborado com base em áudios e documentos 
públicos disponíveis no Supremo. 
Temer é alvo de inquérito no STF por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da 
Justiça, em investigação aberta com base na delação do empresário Joesley Batista, presidente da J&F 
e presidente do conselho da JBS. 
"(Diante das) condutas do presidente da República, constantes de inquérito do STF, é possível afirmar 
que atentam contra o artigo 85 da Constituição e podem dar ensejo para pedido de abertura de processo 
de impeachment", diz o relatório. 
O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, afirmou que este era um momento de tristeza. 
“Estamos a pedir o impeachment de mais um presidente da República, o segundo em uma gestão de 1 
ano e 4 meses", disse. 
 
Temer revoga decreto que autorizou Forças Armadas na Esplanada24 
Militares ocuparam ruas de Brasília após protesto de centrais sindicais terminar em vandalismo. 
Ministro anunciou que o presidente mandou AGU acionar na Justiça responsáveis pelas depredações. 
O presidente Michel Temer revogou nesta quinta-feira (25), por meio de uma edição extraordinária do 
"Diário Oficial da União", o decreto que autorizou o uso de tropas das Forças Armadas na Esplanada dos 
Ministérios. 
No decreto que revogou o ato anterior, o presidente afirma que, "considerando a cessação dos atos 
de depredação e violência e o consequente restabelecimento da Lei e da Ordem no Distrito Federal, em 
especial na Esplanada dos Ministérios", ele decidiu retirar os militares das ruas de Brasília. 
O decreto publicado nesta quinta-feira tem apenas dois artigos: 
Art. 1º Fica revogado o Decreto de 24 de maio de 2017, que autoriza o emprego das Forças Armadas 
para a Garantia da Lei e da Ordem no Distrito Federal; 
Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 25 de maio de 2017; 196º da 
Independência e 129º da República. 
A decisão se deu menos de 24 horas após a assinatura do decreto que determinou o envio de tropas 
das Forças Armadas para o Distrito Federal. Na manhã desta quinta, Temer se reuniu, no Palácio do 
Planalto, com ministros de seu núcleo político e de defesa para avaliar a eventual saída dos militares da 
Esplanada. 
Participaram da reunião com o presidente da República os ministros Raul Jungmann (Defesa), Eliseu 
Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e 
Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional). 
Ações judiciais 
Após a publicação da edição extra do "Diário Oficial", os ministros da Defesa e do GSI concederam 
uma coletiva no Planalto para explicar a decisão de retirar as tropas do centro de Brasília. 
Raul Jungmann afirmou aos jornalistas que, ao avaliar que a ordem havia sido "restaurada" na capital 
federal, Michel Temer determinou a suspensão da operação de garantia da lei e da ordem. 
 
23 MARCELLO, C. MARIA. OAB decide que pedirá impeachment de Temer. Extra, Brasil. Disponível em: Acesso em 22 de maio de 2017. 
24 AGUIAR, GUSTAVO. Temer revoga decreto que autorizou Forças Armadas na Esplanada. G1, Política. Disponível em: Acesso em 25 de maio de 2017. 
 
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O ministro da Defesa também comunicou que o presidente da República ordenou que a Advocacia-
Geral da União acione perícias em todos os imóveis federais da Esplanada dos Ministérios nos quais 
foram registrados atos de vandalismo para que sejam ajuizadas ações judiciais – cíveis e criminais – 
contra os autores dos atos de violência. 
"A desordem não serátolerada. Não serão toleradas essas manifestações que descambem para o 
vandalismo e para a violência", enfatizou. 
Segundo Jungmann, de 2010 a 2017, foram realizadas no país 29 ações de garantia da lei e da ordem, 
nas quais as Forças Armadas são enviadas às ruas. 
Envio das tropas 
Michel Temer havia assinado nesta quarta (24) o decreto de garantia da lei e da ordem no Distrito 
Federal que autorizou o uso de tropas militares na segurança de prédios públicos federais. 
A decisão foi motivada pelos tumultos e atos de vandalismo registrados nesta quarta, na área central 
de Brasília, durante a manifestação organizada por centrais sindicais para reivindicar que Temer deixe o 
comando do Palácio do Planalto e também para protestar contra as reformas nas regras previdenciárias 
e trabalhistas propostas pelo peemedebista. 
O protesto, que havia iniciado de forma pacífica e reuniu 35 mil pessoas, segundo a Polícia Militar do 
DF, terminou com 7 presos, 49 feridos e prédios públicos queimados e depredados. 
Jungmann informou nesta quarta que seriam usados 1,5 mil militares para cumprir o decreto 
presidencial – 1,3 mil do Exército e 200 fuzileiros navais. 
Presidente da Câmara 
Em meio à entrevista, o titular da Defesa foi indagado sobre o fato de ele ter atribuído ao presidente 
da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), o pedido para que os militares fossem enviados à 
Esplanada. Na véspera, foi o próprio Jungmann quem informou que havia sido determinado o uso das 
tropas para atender a uma solicitação do parlamentar do DEM. 
A presença de tropas do Exército nas ruas da capital federal gerou polêmica, especialmente, no 
Congresso Nacional. Assim que foi anunciado o envio dos militares para a área central de Brasília, 
deputados da oposição questionaram duramente o presidente da Câmara no plenário da Casa. 
O notícia causou discussões e tumulto durante a sessão da Câmara. Maia, porém, disse que havia 
pedido a Temer o emprego da Força Nacional, e não das Forças Armadas. 
Aos jornalistas, Jungmann disse nesta quinta-feira que houve um "mal-entendido". 
"Houve um mal-entendido da comunicação. A decisão foi do presidente da República, ouvindo Defesa 
e GSI. Era absolutamente necessário que ocorresse, e o senhor Rodrigo Maia não tem responsabilidade 
sobre a decisão", justificou o ministro. 
"Esse conflito [de versões] está devidamente esclarecido. A responsabilidade foi nossa", acrescentou. 
Oposição 
Inconformados com a autorização para as Forças Armadas policiarem o centro de Brasília, 
parlamentares da oposição chegaram a apresentar projetos na Câmara e no Senado com o objetivo de 
derrubar o decreto editado nesta quarta pelo presidente da República. 
Além disso, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) 
mandado de segurança contra o ato da Presidência da República. 
Na ação, o parlamentar pedi que a Suprema Corte derrubasse o decreto, argumentando que a medida 
só cabia “quando esgotados todos os meios normais para o reestabelecimento da lei e da ordem”. 
O mandado de segurança, que perdeu o objeto com a revogação do ato anterior do presidente da 
República, será analisado pelo ministro Dias Toffoli. 
Rollemberg 
No mesmo dia em que Michel Temer deu aval para os militares ocuparem a Esplanada dos Ministérios, 
o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), divulgou uma nota na qual classificou de 
"medida extrema" o decreto presidencial. Rollemberg ressaltou no comunicado que a decisão do Planalto 
não teve "anuência" do governo do DF. 
Responsável pela segurança institucional do Palácio do Planalto, o general Sérgio Etchegoyen 
contradisse o governador. Na versão do ministro do GSI, a conversa com o governo do Distrito Federal 
foi "absolutamente harmônica" quanto ao uso do Exército para reforçar a segurança na região central de 
Brasília. 
"Não vou criar uma querela com o senhor governador do Distrito Federal. A conversa conosco foi 
absolutamente harmônica. Não vamos imaginar que há uma briga com a polícia do DF", destacou. 
 
 
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Polícia Federal deflagra a 2ª fase da Operação Carne Fraca25 
Ex-superintendente do Mapa de Goiás foi preso preventivamente. 
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (31) a 2ª fase da Operação Carne Fraca, que 
investiga irregularidades na fiscalização de frigoríficos. 
De acordo com a PF, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão 
preventiva, que é por tempo indeterminado, em Goiás. 
O principal alvo desta fase é Franciso Carlos de Assis, ex-superintendente regional do Ministério da 
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado de Goiás. Ele será levado para a 
superintendência da PF em Curitiba, onde ficará à disposição da Justiça. 
Franciso Carlos de Assis foi flagrado, conforme a PF, "em interceptações telefônicas destruindo provas 
relevantes" para a apuração da Operação Carne Fraca. A PF ainda não explicou como ocorreu a 
destruição das provas. 
Esta nova etapa foi batizada de "Antídoto" em referência à uma ação policial com o objetivo de cessar 
os atos criminosos do investigado e de preservar eventuais novas provas. 
O ex-superintendente já é réu na Justiça, em ação penal relacionada à 1ª fase da operação. Segundo 
a PF, ele participou de um esquema de corrupção entre uma grande empresa do ramo alimentício e o ex-
chefe do Serviço de Inspeção em Produtos de Origem Animal (Sipoa) de Goiás. 
A partir desta nova etapa, os investigados podem responder, ainda segundo a PF, por obstrução de 
investigação criminal. 
1ª fase da Carne Fraca 
A 1ª fase da operação foi deflagrada no dia 17 de março e cumpriu 309 mandados judiciais em seis 
estados e no Distrito Federal. A ação apurou o envolvimento de fiscais do Mapa em um esquema de 
liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. 
Em abril, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, decidiu receber as cinco 
denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF), referentes à primeira fase da operação. 
Das 60 pessoas denunciadas, o magistrado resolveu acolher denúncias contra 59. Com isso, elas 
passaram a ser consideradas rés nas ações penais que respondem junto à Justiça. 
Atualmente, 24 pessoas seguem detidas em caráter preventivo, ou seja, não têm prazo para deixar a 
cadeia. 
Ex-ministro citado 
O ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB-PR) foi citado na 1ª etapa da Carne Fraca. Na época, 
ele ainda era ministro. 
Em uma ligação grampeada, Osmar Serraglio chamou de "grande chefe" um dos líderes do suposto 
esquema, o ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) 
Daniel Gonçalves Filho. 
No domingo (28), o presidente Michel Temer (PMDB) decidiu transferir o ministro Torquato Jardim do 
Ministério da Transparência para o comando do Ministério da Justiça, substituindo Osmar Serraglio, que 
estava no cargo desde março. 
 
'Operação Ratatouille': PF prende empresário que lucrou R$ 8 bi nos governos Cabral e Pezão26 
Marco Antônio de Luca é o principal alvo de nova ação da força-tarefa da Lava-Jato na capital 
fluminense 
RIO - O chefe de cartel de alimentos que lucrou cerca de R$ 8 bilhões nos governos Cabral e Pezão, 
Marco Antônio de Luca, foi preso em nova operação da força-tarefa da Lava-Jato no Rio. Agentes da 
Polícia Federal chegaram no início da manhã desta quinta-feira num apartamento de luxo na Vieira Souto, 
em Ipanema, para cumprir mandado de prisão contra o empresário do ramo de alimentação Marco 
Antônio de Luca, autorizado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. 
Esta forte presença no setor inspirou o nome da operação, "Ratatouille", um rústico prato francês (prato 
com legumes cozidos em azeite) que também batiza um longa-metragem de animação, no qual um ratinho 
não se contenta apenas em roubar alimentos, como os demais, e luta paraser um grande chef de cozinha. 
Os policiais cumprem também mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário, 
que vai responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 
 
25 G1 PR, RPC CURITIBA. Polícia Federal deflagra a 2ª fase da Operação Carne Fraca. G1, Paraná, RPC. Disponível em: 
 Acesso em 31 de maio de 2017. 
 
26 OTAVIO, C. BIASETTO, D. ‘Operação Ratatouille’: PF prende empresário que lucrou R$ 8 bi nos governos de Cabral e Pezão. O Globo, Brasil. Disponível 
em: Acesso em 01 de junho de 
2017. 
 
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Ele é acusado de subornar agentes públicos em troca de favorecimento na assinatura de contratos 
com o governo para fornecer, basicamente, alimentação a escolas públicas e presídios por meio de 
empresas ligadas ao empresário: Comercial Milano e Masan Serviços Especializados. 
Na contabilidade da propina de Sérgio Cabral, ele era identificado como “Loucco”. Mas só agora, seis 
meses depois da apreensão das anotações de Luiz Carlos Bezerra, operador do esquema, os 
investigadores descobriram a identidade escondida pelo codinome:"Loucco, de acordo com Bezerra, é 
Marco Antônio de Luca, o cabeça de um clã de fornecedores de alimentos e serviços ao governo 
fluminense. Nas agendas - entre elas uma do Corpo de Bombeiros - e papéis do operador, aparecem 
pelo menos dois pagamentos, no total de R$ 300 mil, feitos por de Luca a Cabral. A revelação garantiu à 
força-tarefa da Operação Calicute, versão da Lava-Jato no Rio, a evidência que faltava para a prisão do 
empresário, acusado de fazer parte da organização criminosa comandada pelo ex-governador. 
As anotações da contabilidade da propina foram recolhidas, em novembro do ano passado, em 
operação de busca e apreensão na casa de Bezerra. Porém, os investigadores só descobriram quem era 
“Loucco” e os outros donos de codinomes da lista, como "Sony", "Fiel" e "Tia", depois que Bezerra, em 
depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara da Justiça Federal Criminal, no último dia 4 de maio, os 
identificou. A força-tarefa concluiu que o clã dos Luca pagou R$ 12,5 milhões em propina para obter cerca 
de R$ 8 bilhões em contratos das empresas do conglomerado com o governo do Rio a partir de 2007, 
quando Cabral assumiu o governo, até o governo Pezão. 
Duas das empresas da família, a Comercial Milano e a Masan Serviços Especializados, lideram o 
mercado de fornecedores de alimentos para os presídios e para escolas públicas do governo estadual. 
Esta forte presença no setor inspirou o nome da operação, "Ratatouille", um rústico prato francês (feito à 
base de legumes cozidos em azeite) que também batiza um longa-metragem de animação, no qual um 
ratinho não se contenta apenas em roubar alimentos, como os demais, e luta para ser um grande chef de 
cozinha. 
O clã dos de Luca também atua no fornecimento de equipamentos, limpeza e conservação predial 
para órgãos estaduais e prefeituras fluminenses, incluindo contratos de valores elevados na capital 
durante a gestão de Eduardo Paes. Em 2010, a Masan chegou a fazer uma alteração do objetivo social 
da empresa para assumir, logo depois, um contrato com o município do Rio, no valor de quase R$ 13 
milhões, para gerir a frota de fumacês destinada ao combate à dengue. 
Com base nas anotações apreendidas na casa de Bezerra, os investigadores apuraram que o 
esquema de corrupção comandado por Cabral abasteceu o ex-governador e outras dez pessoas do 
círculo familiar com R$ 7,3 milhões em propina, sempre em espécie, entre outubro de 2013 e outubro de 
2016. Bezerra admitiu que recolhia propina em empreiteiras e outras empresas, incluindo as de Marco de 
Luca, que prestavam serviço para o governo. Ele afirmou que cumpria as ordens do operador Carlos 
Miranda e, a partir de 2015, do próprio ex-governador. Bezerra era remunerado com R$ 30 mil mensais, 
valores também gerados pelo esquema de corrupção. 
O empresário preso é mais um exemplo do modelo de relacionamento que Cabral estabeleceu com 
os fornecedores do estado. Contratos milionários e pagamento de propina cevados pelo convívio pessoal. 
Marco de Luca tinha livre acesso à intimidade dos Cabral, como outros empresários que enriqueceram 
em seu governo. 
Marco Antônio de Luca é um velho amigo de Sérgio Cabral e vizinho do ex-governador na chamada 
"República de Mangaratiba", localizada na Praia de São Braz, no Condomínio Portobello Resort, onde 
assessores e empresários próximos ao peemedebista ostentam mansões com pequenas marinas para 
suas lanchas de alto porte. Tal amizade fez com que Cabral intercedesse em seu favor com um pedido 
inusual no esquema comandado por ele: uma pechincha da propina paga por empresas de alimentação 
aos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). 
De Luca foi um dos alvos da Polícia Federal na operação "Quinto do Ouro", que prendeu cinco 
conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) com autorização do Superior Tribunal de Justiça 
(STJ) no final de março. Ele foi conduzido para depor à força na Superintendência da PF e teve seus 
telefones e outros equipamentos eletrônicos apreendidos na ação policial. Sua empresa, a Masan 
Serviços Especializados, é uma das maiores fornecedoras do governo estadual com merenda e 
quentinhas para os presídios, e o empresário, suspeito de subornar agentes públicos para conseguir 
contratos com o estado. Suspeita-se também que ele tenha usado a cadeia de bares Riba, da qual é um 
dos donos, para lavagem de dinheiro. Ele é um dos integrantes da 'gangue do guardanapo' que se 
esbaldou em festa em Paris junto ao ex-governador. 
O ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) Jonas Lopes de Carvalho e seu filho, 
Jonas Lopes de Carvalho Neto, contam em detalhes aos investigadores da força-tarefa do Ministério 
Público Federal (MPF) como o ex-governador "aliviou" o amigo. 
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Em meados de 2016, Jonas recebeu uma ligação de Cabral para comparecer com o filho ao escritório 
do ex-governador, no Leblon. Quando chegaram, Cabral levou Jonas para uma conversa particular e 
pediu informações sobre como funcionava o "esquema na Seap", em referência ao pagamento de propina 
a conselheiros por meio do fundo especial da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. 
Ao explicar que ele, Jonas, ficava com 5% dos 15% pagos pelas empresas aos consellheiros, "por ser 
a última vez que se envolveria nesse tipo de ajuste ilícito"., Cabral pediu a ele um desconto para "um 
amigo muito próximo que estava na lista de pagadores das empresas do ramo de ailmentação". O ex-
governador solicitou então que o percentual que a Masan pagava aos conselheiros caísse de 15% para 
12%, o que foi aceito por Jonas. 
Em seguida, Cabral pediu para o filho de Jonas participar da conversa e ligou para De Luca dizendo 
ao empresário que Joninhas, como é conhecido o filho de Jonas Lopes, iria até a sua casa na Vieira 
Souto, em Ipanema, a quem seria paga a propina já descontado os 3%. Dessa maneira, a Masan deixaria 
de pagar os 15% diretamente Carlson Ruy Ferreira, apontado como arrecadadador dos valores para o 
esquema. 
Entre os esquemas que geraram propinas distribuídas pelo então presidente do Tribunal de Contas do 
Estado Jonas Lopes de Carvalho aos demais integrantes do TCE-RJ, já revelado pelo GLOBO no especial 
sobre a operação "Quinto do Ouro", estava a arrecadação de valores junto aos fornecedores de 
alimentação da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e o Departamento Geral de 
Ações Socioeducativas (Degase), parte deles controlados por Marco Antonio de Luca e família. 
Para obterem agilidadecom a descoberta de ouro pelos homens que acompanhavam o bandeirante Pascoal Moreira Cabral. 
Com o sucesso da mineração e a necessidade de garantir para Portugal, a posse de terras além 
Tratado de Tordesilhas, foi criado em 1748 a Capitania de Mato Grosso, sendo a primeira capital Vila 
Bela da Santíssima Trindade, na extremidade oeste do território colonial. 
Para trabalhar na mineração, chegaram, no século XVIII, em Mato Grosso, os primeiros escravos de 
origem africana. Como resistência à escravidão, as fugas foram constantes, sendo individuais ou 
coletivas, formando diversos quilombos. Por ocasião da presença da capital Vila Bela da Santíssima 
Trindade a região do vale do rio Guaporé foi onde houve maior concentração dessas aldeias de escravos 
fugitivos. 
O quilombo do Piolho ou Quariterê, no final do século XVIII, localizado próximo ao rio Piolho, ou 
Quariterê, reuniu negros nascidos na África e no Brasil, índios e mestiços de negros e índios (cafuzos). 
José Piolho, provavelmente foi o primeiro chefe do quilombo. Depois, assumiu o poder sua esposa, 
Teresa. 
Fugidos da exploração branca, os habitantes do quilombo conviviam comunitariamente em uma fusão 
de elementos culturais de origem indígena e africana. Os homens caçavam, lenhavam, cuidavam dos 
animais e conseguiam mel na mata; as mulheres preparavam os alimentos e fabricavam panelas com 
barro, artesanato e roupas. 
As dificuldades de abastecimento, principalmente de escravos, com que constantemente conviviam os 
habitantes da região guaporeana, levou-os a organizar uma bandeira para atacar os escravos fugitivos. 
O poder público, através da Câmara Municipal de Vila Bela da Santíssima Trindade, e os proprietários 
de escravos patrocinaram a bandeira para destruir o quilombo e recapturar seus moradores. 
A bandeira contendo cerca de trinta homens e comandada por João Leme de Prado, percorreu um 
mês de Vila Bela até o quilombo, e, de surpresa, atacou-o, prendendo quase a totalidade dos moradores. 
Alguns morreram no combate que se travou, outros fugiram. 
Os escravos que sobreviveram foram capturados e levados para Vila Bela, sendo colocados para 
reconhecimento público, a mando do capitão-general de Mato Grosso Luís de Albuquerque de Melo 
Pereira e Cáceres e após o ato de reconhecimento, os escravos foram submetidos a outros momentos 
de castigos, com surras, tendo parte de suas orelhas cortadas e tatuados o rosto com a letra "F" — de 
Fugitivo feita com ferro em brasa. 
O objetivo da repressão era intimidar novas fugas, porém, a vontade, o desejo e a luta pela liberdade 
era maior que essa humilhação. Tal conquista esteve presente por um bom tempo e em 1791 — duas 
décadas após a primeira uma segunda bandeira foi organizada para recapturar negros fugitivos e, 
finalmente, acabar com o quilombo do Quariterê. 
Comandada pelo alferes de dragão, Francisco Pedro de Melo, a bandeira de 1791 continha 45 homens 
que destruíram as edificações e plantações do quilombo, recapturando sua população e devolvendo aos 
seus donos, em Vila Bela. Porém, percebendo a ineficiência dos castigos físicos, os escravos não mais 
foram torturados publicamente. 
Outros quilombos na região também foram destruídos, inclusive ao comando do mesmo alferes, 
Francisco de Melo, que assolou os quilombos de "João Félix" e o do "Mutuca". 
No local do quilombo do Piolho, após sua destruição a mando do capitão-general João de Albuquerque 
de Melo Pereira e Cáceres, foi organizada uma aldeia — a Aldeia da Carlota — que visava o interesse 
português em garantir a posse da terra num local tão isolado. Os moradores da aldeia contavam com o 
apoio do governador. 
Outros quilombos também foram organizados em terras mato-grossenses durante os séculos XVIII e 
XIX, podendo ser registrados aqui, apenas para exemplificar, os quilombos "Mutuca" e "Pindaituba", 
situados na Chapada dos Guimarães, os "Sepoutuba" e "Rio Manso", próximos a Vila Maria (atual 
Cáceres). 
A historiadora Elizabeth Madureira refere-se à organização de 11 quilombos em Mato Grosso, porém 
registra o pouco que ainda foi percorrido e pesquisado sobre o assunto. 
 
 
5 http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=185 
1338106 E-book gerado especialmente para TIAGO DE AGUIAR COSTA
 
. 5 
 
 
(O tópico 3 “Os quilombos em Mato Grosso” foi abordado junto de “A escravidão negra em Mato 
Grosso”, no Período Colonial.). 
 
Em 1824, quando entrou em vigor a Constituição Imperial do Brasil, as capitanias tornaram-se 
províncias. Mato Grosso foi regido por governo provisório constitucional até o ano seguinte, quando José 
Saturnino da Costa Pereira assumiu o governo. Nesse período ocorreu uma expedição russa, chefiada 
pelo Barão de Langsdorff, que realizou o primeiros registro de fatos e imagens da época. No mesmo ano 
Costa Pereira, através de negociações, ainda paralisou o avanço de 600 soldados chiquiteanos que iam 
para a região do Rio Guaporé. 
O governante também foi responsável pelo Arsenal da Marinha no porto de Cuiabá e o Jardim Botânico 
da cidade. 
No governo do tenente coronel João Poupino Caldas, em 1934, a província enfrenta a Rusga, uma 
revolta de nativos que invadiram casas e comércios portugueses. 
 
A crise da Mineração e as Alternativas Econômica da Província 
 
No século XVIII, o advento da mineração no Brasil possibilitou o desenvolvimento de centros urbanos, 
a articulação do mercado interno e a própria recuperação econômica portuguesa. Sendo um recurso não 
renovável, a riqueza conseguida com a extração do ouro começou a se escassear no fim desse mesmo 
século. Para entender tal fenômeno, é preciso buscar os vários fatores que explicam a curta duração que 
a atividade mineradora teve em terras brasileiras. 
Primeiramente, devemos salientar que o ouro encontrado nas regiões mineradoras era, geralmente, 
de aluvião, ou seja, depositado ao longo de séculos nas margens e leitos dos rios. O ouro de aluvião era 
obtido através de fragmentos que se desprendiam de rochas matrizes. Entre os séculos XVII e XVIII era 
inexistente qualquer recurso tecnológico que pudesse buscar o ouro diretamente dessas rochas mais 
profundas. Com isso, a capacidade de produção das jazidas era bastante limitada. 
Como se não bastassem tais limitações, alguns relatos da época indicam que o próprio processo de 
exploração do ouro disponível era desprovido de qualquer aprimoramento ou cuidado maior. Quando 
retiravam ouro da encosta das montanhas, vários mineradores depositavam esse material em outras 
regiões que ainda não haviam sido exploradas. Dessa forma, a falta de preparo técnico também foi um 
elemento preponderante para o rápido esgotamento das minas. 
Além desses fatores de ordem natural, também devemos atribuir a crise da atividade mineradora ao 
próprio conjunto de ações políticas estabelecidas pelas autoridades portuguesas. Por conta de sua 
constante debilidade econômica, as autoridades lusitanas entendiam que a diminuição do metal 
arrecadado era simples fruto do contrabando. Por isso, ampliavam os impostos, e não se preocupavam 
em aprimorar os métodos de prospecção e extração de metais preciosos. 
Mediante a falta de metais preciosos, vemos que o enrijecimento da fiscalização e a cobrança de 
impostos foi responsável por vários incidentes entre os mineradores e as autoridades portuguesas. Em 
1789, esse sentimento de insatisfação e a criação da derrama, instigaram a organização da Inconfidência 
Mineira. Mais do que um levante anticolonialista, tal episódio marcou o desenvolvimento da crise 
mineradora no território colonial. 
Ao fim do século XVIII, o escasseamento das jazidas de ouro foi seguido pela recuperação das 
atividades no setor agrícola. A valorização de produtos como o algodão, açúcar e o tabaco marcaram o 
estabelecimento do chamado “renascimento agrícola”. Com o advento da revolução industrial, o 
tabagismo e a indústria têxtil alargaram a busca por algodão e tabaco. Paralelamente, as lutasna liberação do dinheiro do Fundo Especial de Modernização do TCE-RJ, os 
empresários acertaram pagamento de 15% de um total de R$ 160 milhões liberados para Seap e o 
Degase, em caráter expecional autorizado pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) pagar as despesas 
e dívidas da alimentação de presos no Rio junto aos fornecedores, segundo as delação de Jonas Lopes 
e do filho, Jonas Lopes Neto, ao STJ. Tudo isso com anuência do ex-governador Sérgio Cabral e do atual 
secretário de Estado Affonso Henriques Monnerat Alves da Cruz. 
Para que a liberação fosse feita, foi preciso articular a flexibilização da Lei do Fundo do TCE-RJ e da 
Lei do Fundo da Alerj. 
Ainda de acordo com as colaborações premiadas homologadas pelo STJ, a liberação dos R$ 160 
milhões gerou uma corrida de empresários e deputados interessados em 'tirar uma casquinha' do 
montante na tentativa de que outras áreas fossem agraciadas com o dinheiro do fundo, como esporte e 
educação. Sendo assim, os conselheiros teriam se beneficiado da articulação do presidente da Alerj, 
Jorge Picciani, e do subsecretário de Comunicação Social do governador Luiz Fernando Pezão, Marcelo 
Santos Amorim. 
A arrecadação ficaria por conta do empresário do ramo de alimentação Luiz Roberto de Menezes 
Soares, irmão do Rei Arthur e proprietário de uma das fornecedoras (Cor&Sabor Distribuidora de 
Alimentos Ltda). Mas, segundo os delatores, houve discórdia entre as partes e Luiz Roberto foi substituído 
por 'não ter credibilidade perantes os demais empresários do ramo para organizar a arrecadação". 
Picciani teria escolhido então Carlson Ruy Ferreira para recolher a propina. 
No despacho do STJ, consta que os conselheiros alvos da PF chegaram a receber R$ 7, 2 milhões de 
propina do esquema. Além de Jonas Lopes, os conselheiros envolvidos foram José Gomes Graciosa, 
Marco Antônio Barbosa de Alencar, José Mauricio de Lima Nolasco, Domingos Inácio Brazão e Aloysio 
Neves Guedes, presidente afastado do TCE-RJ. A exceção ficou por conta da corregedora do tribunal 
Marianna Montebello. 
'CORRIDA POR R$ 160 MILHÕES' 
A 'corrida' de empresários após a liberação do fundo gerou discórdia entre os interessados e até pedido 
de desconto da propina, inusual no esquema comandado pelo esquema do ex-governador Sérgio Cabral. 
O convênio para o Estado receber o dinheiro do fundo foi assinado em 2016 ainda na gestão interina do 
vice-governador Francisco Dornelles e logo que as primeiras parcelas foram liberadas - R$ 20 milhões 
para o Degase e R$ 40 milhões para Seap - o filho de Jonas Lopes, o Joninhas, afirma ter recebido uma 
lista do empresário Carlson Ruy Ferreira com a relação de empresas que não aceitaram participar do 
esquema, o que não garantiria o percentual acertado aos conselheiros. 
A discordância para o pagamento de 15%, segundo os delator, se deu porque os empresários insistiam 
em pagar os 10% 'praticados pelo mercado', em uma referência ao pagamento de propina existente nas 
faturas recebidas pelas empresas. Depois outras duas parcelas foram pagas: novamente R$ 20 milhões 
para Degase e R$ 40 milhões para Seap e a última de R$ 40 milhões apenas para Seap e tudo estaria 
resolvido, não fosse a interferência do ex-governador Sérgio Cabral ao pedir um "desconto" para o amigo 
Marco Antônio de Luca. 
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. 55 
 STF considera válida cota de 20% para negros em concurso público27 
Dez ministros se manifestaram favoravelmente à lei. Corte analisa se cota vale para todos os poderes 
e se deve ser aplicada em promoções internas. 
O Supremo Tribunal Federal (STF) votou pela validade de uma lei de 2014 que obrigou órgãos públicos 
federais a reservar 20% de suas vagas em concursos públicos para negros. 
O julgamento havia sido suspenso no mês passado, após o voto favorável de 5 dos 11 ministros. Nesta 
quinta-feira (8), o debate foi retomado e os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio 
Mello, Celso de Mello e Cármen Lúcia se manifestaram pela constitucionalidade da cota. 
Em maio, já haviam votado a favor os ministros Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Edson 
Fachin, Luiz Fux e Rosa Weber. 
Apenas Gilmar Mendes não votou. Ele não participou da sessão porque participa do julgamento no 
Tribunal Superior Eleitoral que analisa ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer. 
A ação 
A ação, proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), visava sanar dúvidas sobre a aplicação 
da lei, que vinha sendo questionada em outras instâncias judiciais. 
No julgamento, os ministros acompanharam o voto do relator, que defendeu que a cota de 20% vale 
para concursos da administração pública federal. A assessoria de imprensa do STF informou que a regra 
é válida para os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, no âmbito federal. 
No voto, Barroso disse ainda que a definição não é obrigatória para órgãos estaduais e municipais, 
mas pode ser seguida por eles. 
Não ficou definido se a cota de 20% deve ser considerada nos concursos internos de promoção e de 
transferência. 
Por fim, o STF examinou se os órgãos públicos podem verificar eventuais falsas declarações de 
candidatos cotistas. 
O voto vencedor do relator admitiu essa verificação, por exemplo, por meio da autodeclaração 
presencial, exigência de fotos e entrevista por comissões plurais posterior à autodeclaração. 
Nesse caso, essa identificação deve ocorrer num processo no qual seja respeitada a dignidade da 
pessoa humana e garantidos o contraditório e a ampla defesa do candidato, recomendou o ministro. 
A lei diz que, constatada a falsa declaração, o candidato poderá ser eliminado do concurso ou demitido 
se for constatada a fraude após sua admissão no serviço público. Essa e outras dúvidas na aplicação da 
lei deverão ser melhor definidas ao final do julgamento. 
No início do julgamento, a OAB e a União se manifestaram a favor da manutenção da lei. Segundo a 
ONG Educafro, que também participou da discussão, atualmente, 27% dos cargos federais são 
preenchidos por negros, enquanto que na população, 55% das pessoas se declaram negras. 
 
TSE absolve a chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico e político nas Eleições 201428 
Coube ao presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, desempatar o placar do julgamento 
Por 4 votos a 3, os ministros que compõem o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) absolveram nesta sexta-
feira (9) a chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico e político nas Eleições 2014. Votaram pela 
absolvição os ministros Gilmar Mendes, que foi o voto de desempate, Napoleão Maia Nunes e os recém 
indicados por Temer Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira. Votaram pela condenação os ministros Rosa 
Weber, Luiz Fux e o relator Herman Benjamin. 
Coube ao presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, desempatar o placar do julgamento. Por recair 
sobre ele o peso da absolvição, o ministro fez um voto extenso. Justificou o motivo de ter votado pelo 
prosseguimento da ação contra a chapa que agora absolve em 2015. Voto que foi citado pelo relator 
Herman Benjamin várias vezes ao longo do julgamento. 
— Havia sinais de que havia abusos, como na questão das gráficas. Mas aqui é como se fosse, no 
máximo, o recebimento de uma denúncia. Quantas vezes recebemos denúncia que são depois excluídas. 
Primeiro é preciso julgar para depois condenar. E é assim que se faz. O objeto dessa questão é sensível 
e não se compara a qualquer outro porque trata da soberania popular. 
O relator, ainda na quinta (8), ao finalizar o seu voto, já com a sinalização de que seria derrotado pelo 
plenário, defendeu o uso das provas coletadas e das delações da Odebrecht, alvo de grande discussão 
ao longo de todo o julgamento. 
— Recuso papel de coveiro de prova viva. Posso participar do velório, mas não carrego caixão. 
 
27 CARAM, BERNARDO. STF considera válida cota de 20% para negros em concurso público. G1 Política. Disponível em: 
publico.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 09 de junho de 2017. 
28 LONDRES, MARIANA. TSE absolve a chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2014. R7, Brasil. Disponível em: Acesso em 12 de junho de 
2017. 
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. 56 
Dilma e Temer eram acusados de usar recursos de propina de contratos superfaturados da Petrobras 
na campanha eleitoral que saiu vitoriosa por uma margem pequena da chapa de Aécio Neves, autor da 
ação. O PSDB e o Ministério Público Eleitoral podem recorrer ao próprio TSE por meio de embargos de 
declaração, assim como aconteceu no julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), mas 
ainda não declararam se irão recorrer da decisão. Os embargos só podem ser apresentados após a 
publicação do acórdão do julgamento, que deve demorar cerca de dez dias. 
As sessões começaram na noite de terça-feira (6) e se estenderam até esta sexta (9). Somado, o 
julgamento durou cerca de 30 horas, descontados os intervalos. A maior parte do tempo foi gasta na 
discussão das preliminares (questões colocadas pela defesa sobre o processo, e não sobre o mérito) e 
no voto do relator. 
A única das sete preliminares apresentadas pela defesa aceita pela maioria dos ministros foi a de 
descartar as delações da Odebrecht da ação de cassação, por terem sido reveladas depois do início da 
ação (inicial). 
Apesar da maioria dos ministros entenderem que as delações da Odebrecht deveriam ser descartadas, 
o relator Herman Benjamin centrou o seu voto pela condenação nas informações prestadas pelos 
marqueteiros João Santana e Mônica Moura. 
Para o relator, as investigações da Lava Jato revelaram o esquema de distribuição de propina e os 
políticos tinham conhecimento de que recebiam dinheiro ilícito nas campanhas. Benjamin usou os 
depoimentos dos marqueteiros para comprovar o uso de caixa 2. 
Ele chegou a dividir a propina em caixa 2, propina-gordura, ou propina-poupança (dinheiro reservado 
para ser usado depois) e caixa 3 (operações de empresas que serviram como "barriga de aluguel" para 
que outras doassem mais dinheiro e seus nomes não aparecessem nas contabilidades das campanhas). 
— A Odebrecht está na petição inicial, queria dizer que temos Petrobras, temos uma contratante da 
Petrobras, temos pagamento tirado de um crédito rotativo de uma conta poupança para o partido do 
governo e esses recursos foram utilizados para os marqueteiros dessa campanha de 2014. E que sejam 
relacionados a débitos de 2010, 2012 é irrelevante, pois sem esses pagamentos, eles disseram em 
depoimentos, não fariam a campanha. Por isso reconheço o abuso de poder político com altos impactos 
nas eleições. 
Em abril, quando o julgamento começou, o tribunal aceitou pedido da defesa de incluir novas 
testemunhas no processo, o ex-ministro Guido Mantega e os delatores João Santana, Mônica Moura e 
André Santana, estes três últimos presos na Operação Acarajé após a descoberta do departamento de 
operações estruturadas (propina) da Odebrecht. 
— A Odebrecht até merecia uma fase própria. Não é um capítulo, é um título inteiro. Uma empresa 
que liderou o ataque à Petrobras e que está desde o início. A Odebrecht era a matriarca da manada de 
elefantes que transformou a Petrobras numa savana africana para a reprodução da rapinagem. 
O julgamento foi marcado pelo embate entre os ministros Herman Benjamin, relator, e Gilmar Mendes, 
presidente da Corte, que tinham visões divergentes. Apesar das discussões dentro do plenário, Benjamin 
e Mendes são amigos há mais de trinta anos. 
Para tentar convencer os seus colegas tanto na preliminar quanto no mérito, Benjamin chegou a usar 
um voto anterior de Gilmar Mendes no próprio processo, quando ele defendeu dar seguimento a ação. 
Mendes acusou Benjamin de distorcer a sua visão e chegou a chamar o relator de 'falacioso' em 
um de seus argumentos. 
O relator focou o seu voto quanto ao mérito no uso de caixa 2 nas eleições. Também foi discutida a 
importância da reforma eleitoral para acabar com arrecadações ilegais em eleições no Brasil, como disse 
o relator. 
— No Brasil ninguém fazia doações por questões ideológicas. Aqui era sempre na expectativa de 
cooptação e favorecimento futuro ou já ocorrido. 
Para Gilmar Mendes, houve "alargamento" do pedido inicial da ação. Para ele, a Odebrecht não tem 
relação com o possível pagamento de propina da Petrobras a chapa. Ele ressaltou, contudo, que não 
está negando a corrupção, mas se atendo aos fatos sobre a chapa eleitoral. 
— Estamos discutindo abuso de poder econômico nas eleições. 
Durante o julgamento das preliminares também foi discutido se recursos eram caixa 2 ou caixa 1 
(doações legais de empresas para as campanhas). Um dos ministros, Admar Gonzaga disse que só caixa 
1 deveria ser considerado. O argumento foi rechaçado pelo relator, e lembrado sempre no seu voto. 
— Se foi montado um sofisticado esquema de arrecadação de dinheiro público, como não é caixa 2? 
questionou o relator. 
Admar Gozaga chegou a dizer que Benjamin estava tentando constranger os demais ministros. 
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Nos quatro dias de julgamento, apenas o assessor de Temer Gastão Toledo esteve no TSE para 
acompanhar de perto das discussões. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que era presidente da 
corte durante o julgamento do mensalão, também esteve no plenário em uma das sessões de discussão. 
Último dia de julgamento 
O último dia do julgamento, esta sexta (9), foi marcado pela finalização do voto do relator, que ao todo 
levou nove horas em dois dias, e pelos votos dos demais ministros. Por um acordo entre os ministros, 
cada um, tirando o relator, tinha vinte minutos para falar. 
Além das leituras dos votos, o vice-procurador eleitoral Nicolao Dino pediu o impedimento do ministro 
Admar Gonzaga, por ele ter sido, nas Eleições 2010, advogado da ex-presidente Dilma Rousseff. O 
pedido foi negado pela corte e o presidente Gilmar Mendes chegou a suspender a sessão por cinco 
minutos em função do pedido, seguido por uma manifestação acalorada do ministro Napoleão Maia 
Nunes. 
 
Sérgio Cabral condenado a 14 anos e 2 meses por corrupção e lavagem29 
Juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, fixou regime fechado para o início de cumprimento da pena 
O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB-RJ) foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 14 
anos e 2 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. O peemedebista 
foi acusado por propina de pelo menos R$ 2,7 milhões da empreiteira Andrade Gutierrez, entre 2007 e 
2011, referente as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobrás. Esta é a 
primeira condenação de Sérgio Cabral na Lava Jato. 
 “Entre os crimes de corrupção e de lavagem, há concurso material, motivo pelo qual as penas 
somadas chegam a catorze anos e dois meses de reclusão, que reputo definitivas para Sergio de Oliveira 
Cabral Santos Filho”, decretou Moro. 
A ex-primeira-dama Adriana de Lourdes Ancelmo foi absolvida ‘das imputações de crimes de 
corrupção passiva e de lavagem de dinheiro por falta de prova suficiente de autoria ou participação’. 
O juiz Moro condenou ainda o ex-secretário do governo do peemedebista Wilson Carlos Cordeiro da 
Silva Carvalho – 10 anos e 8 meses – e o ‘homem da mala’ Carlos Miranda – 10 anos – por corrupção e 
lavagem de dinheiro. Mônica Carvalho, mulher de Wilson Carlos, também foi absolvida. 
O magistrado decretou,’ em decorrência da condenação pelo crime de lavagem’ a interdição de Sérgio 
Cabral, Wilson Carlos e Carlos Miranda ‘para o exercício de cargo ou função pública ou de diretor, 
membro de conselho ou de gerência das pessoas jurídicas referidas no artigo 9º da mesma lei pelo dobro 
do tempo da penaprivativa de liberdade’. 
Sérgio Cabral, Wilson Carlos e Carlos Miranda estão presos na Lava Jato. Há mandados de prisão 
contra os três expedidos pelo juiz Moro e também pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, 
no Rio. Wilson Carlos está preso no Paraná. Sérgio Cabral e Carlos Miranda, no Rio. 
Na sentença, o juiz Moro devem continuar presos enquanto recorrem da condenação. 
“Essa necessidade faz-se ainda mais presente diante da notória situação de ruína das contas públicas 
do Governo do Rio de Janeiro. Constituiria afronta permitir que os condenados persistissem fruindo em 
liberdade do produto milionário de seus crimes, inclusive com aquisição, mediante condutas de ocultação 
e dissimulação, de novo patrimônio, parte em bens de luxo, enquanto, por conta de gestão governamental 
aparentemente comprometida por corrupção e inépcia, impõe-se à população daquele Estado tamanhos 
sacrifícios, com aumentos de tributos e corte de salários e de investimentos públicos e sociais”, afirmou 
o magistrado. “Uma versão criminosa de governantes ricos e governados pobres.” 
Sérgio Moro decretou ainda ‘o confisco de valores equivalentes a R$ 6.662.150,00, o correspondente 
a R$ 2,7 milhões, corrigidos monetariamente pelo IGP-M (FGV) desde outubro de 2008 e agregados de 
0,5% de juros simples ao mês, sobre o patrimônio dos condenados’. 
“Não é possível discriminar por ora os bens equivalentes a serem confiscados, uma vez que as 
medidas de sequestro até o momento determinadas não foram bem sucedidas, inclusive pelo aparente 
esvaziamento das contas correntes dos condenados. A definição dos bens equivalentes a serem 
confiscados deverá ser feita na fase de execução”, afirmou o juiz da Lava Jato. 
“Necessário estimar o valor mínimo para reparação dos danos decorrentes do crime, nos termos do 
artigo 387, IV, do CPP. Deve ele corresponder ao montante da vantagem indevida, de R$ 2,7 milhões 
corrigido monetariamente desde 10/2008 e a ele agregado juros de mora de 0,5% ao mês. Os valores 
são devidos à Petrobrás. Evidentemente, no cálculo da indenização, deverão ser descontados os valores 
efetivamente confiscados.” 
 
29 AFFONSO, J. BRANDT, R. MACEDO, F. VASSALLO, L. Sérgio Cabral condenado a 14 anos e 2 meses por corrupção e lavagem. Estadão Política. Disponível 
em: Acesso em 13 de junho de 
2017. 
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COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS RODRIGO ROCA E LUCIANO SALDANHA, QUE DEFENDEM 
SÉRGIO CABRAL 
A defesa informou que está analisando a sentença e vai apelar da condenação. 
 
PF vê indícios de corrupção e pede mais 5 dias para concluir inquérito sobre Temer30 
Com base nas delações da JBS, presidente passou a ser investigado pelos crimes de corrupção 
passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa. Ele nega todas as acusações. 
A Polícia Federal enviou nesta segunda-feira (19) ao Supremo Tribunal Federal relatório parcial do 
inquérito sobre o presidente Michel Temer. Além disso, a PF também pediu mais tempo para concluir as 
investigações. 
Com base nas delações de executivos da JBS, Temer passou a ser investigado pelos crimes de 
corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa. 
No relatório entregue nesta segunda, a Polícia Federal aponta indícios de que Temer e o ex-assessor 
Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) cometeram o crime de corrupção passiva. 
Já com relação às investigações sobre a suspeita de obstrução de Justiça, a PF pediu mais cinco dias 
para concluir a apuração. 
Para os investigadores, é melhor que essa parte do inquérito seja enviada ao STF quando a perícia 
técnica da gravação feita pelo empresário Joesley Batista de uma conversa com Temer for concluída. 
A expectativa é de que a perícia no aparelho e no áudio entregue por Joesley ao Ministério Público 
seja concluída ainda nesta semana. 
Depois que a PF concluir a investigação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, terá cinco 
dias para oferecer denúncia contra o presidente ou para pedir o arquivamento do inquérito. 
Relembre o caso 
Segundo Janot, Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) agiram em conjunto para barrar 
as investigações da Operação Lava Jato. 
Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, o presidente deu "anuência" ao repasse de dinheiro 
a Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para que o deputado cassado não feche acordo de delação premiada. 
Desde que as delações se tornaram públicas, o presidente tem rebatido todas as acusações e dito que 
não atuou para beneficiar a JBS e nem teme delação premiada. Além disso, Temer processou Joesley 
Batista, dono da JBS, por calúnia, injúria e difamação. 
Interrogatório 
No mês passado, o ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, autorizou a Polícia 
Federal a interrogar Temer sobre os episódios narrados pelos delatores da JBS. Segundo Fachin, porém, 
o presidente não era obrigado a responder aos questionamentos. 
A PF enviou, ao todo, 82 perguntas ao presidente, mas ele decidiu não responder e pediu o 
arquivamento do inquérito. 
Segundo a defesa de Temer, as perguntas tinham como objetivo "comprometer" o presidente e 
demonstravam "falta de isenção e de imparcialidade por parte dos investigadores". 
Acusações 
Relembre abaixo algumas das acusações envolvendo o presidente Michel Temer, de acordo com o 
Ministério Público e segundo os delatores da JBS: 
Respostas 
À medida em que o conteúdo das delações se tornava conhecido, o G1 questionava a Presidência. 
Leia abaixo as respostas: 
Ajuda a Cunha: "No diálogo com Joesley Batista, o presidente Michel Temer diz que nada fez pelo ex-
deputado Eduardo Cunha. Isso prova que o presidente não obstruiu a Justiça. Michel Temer não recebeu 
valores, a não ser os permitidos pela Lei Eleitoral e declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 
Portanto, não tem envolvimento em nenhum tipo de crime." 
Ação no TSE: "Isso não ocorreu". 
Atuação para impedir Lava Jato: "O presidente nunca atuou para impedir o avanço da Lava Jato". 
Recebeu R$ 15 milhões e guardou R$ 1 milhão: "O presidente não pediu nem recebeu dinheiro ilegal." 
 
Temer orientou repasse de dinheiro da CEF e sabia de propina na Petrobras, diz Funaro31 
Doleiro prestou depoimento à Polícia Federal na semana passada. Ele disse também que presidente 
orientou distribuição de dinheiro desviado da Caixa; Planalto negou acusações. 
 
30 OLIVEIRA, M. NETTO, V. TV GLOBO. PF vê indícios de corrupção e pede mais 5 dias para concluir inquérito sobre Temer. G1 Política. Disponível em: 
 Acesso em 20 junho de 2017. 
31 G1 E JORNAL NACIONAL. Temer orientou repasse de dinheiro da CEF e sabia de propina na Petrobras, diz Funaro. G1 Política. Disponível em: 
 Acesso em 21 de junho de 2017. 
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O doleiro Lúcio Funaro declarou à Polícia Federal que o presidente Michel Temer sabia do pagamento 
de propinas na Petrobras. Em negociação com o Ministério Público para fechar uma delação premiada, 
Funaro também disse que Temer orientou a distribuição de dinheiro desviado da Caixa Econômica 
Federal. 
Procurado, o Palácio do Planalto afirmou que Temer nunca deu nenhuma orientação sobre distribuição 
de dinheiro e não tinha relações com Funaro. 
Ao prestar depoimento, Funaro deixou clara a "inteira disposição para celebrar um acordo de 
colaboração" e deu uma prévia do que pode revelar caso faça mesmo delação premiada. 
Funaro disse que foi ele quem apresentou o empresário Joesley Batista ao ex-ministro GeddelVieira 
Lima, na ocasião vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal. 
Segundo Funaro, o grupo J&F tinha interesse em obter linhas de créditos junto à Caixa. Ele próprio 
ajudava nessas operações. 
De acordo com o depoimento de Funaro, de todas as operações feitas com o grupo J&F, Geddel 
recebeu ou receberia comissões pagas por ele. 
Funaro disse que estima ter pago a Geddel aproximadamente R$ 20 milhões em espécie, a título de 
comissão, decorrentes das operações de crédito que teria viabilizado junto à Caixa. 
Mas Funaro operava junto a uma outra Vice-presidência da Caixa, sob influência do PMDB da Câmara: 
a Vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias, na época comandada por Fábio Cleto, hoje delator 
da Lava Jato. 
Funaro disse que na gestão de Fábio Cleto foram feitas operações no fundo de investimentos do FGTS 
para as empresas BR Vias e LLX, que geraram comissões expressivas, de cerca de R$ 20 milhões, que 
teriam beneficiado principalmente a campanha de Gabriel Chalita, do PMDB, para prefeito de São Paulo 
no ano de 2012, e a campanha à Presidência da República no ano de 2014. Segundo Funaro, em ambos 
os casos a orientação ou pedido foi do presidente Michel Temer. 
Funaro disse que Henrique Eduardo Alves, ex-ministro de Temer, e Moreira Franco, atual ministro da 
Secretaria-Geral da Presidência, também foram beneficiados com recursos obtidos por meio de 
operações feitas junto ao fundo de investimentos do FGTS. 
Funaro contou que trabalhou na arrecadação de dinheiro para as campanhas do PMDB em 2010, 2012 
e 2014. Ele estima que tenha conseguido cerca de R$ 100 milhões para o PMDB e aliados durante essas 
campanhas. 
O doleiro também afirmou que o presidente Michel Temer tinha conhecimento da propina paga em 
contrato da Petrobras com a Odebrecht. 
Segundo ele, durante a tramitação da medida provisória que beneficiava o setor de portos, aprovada 
em 2013, houve "intensa" intervenção de Eduardo Cunha e de Michel Temer para defender interesses de 
grupos privados aliados dos dois. 
Funaro disse que não tinha relacionamento próximo com o presidente Michel Temer. 
Segundo o doleiro, quem fazia a "interface" com ele eram Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e 
Geddel Vieira Lima, mas se recorda de ter estado com o presidente Michel Temer em três oportunidades, 
uma das quais na base aérea em São Paulo, juntamente com Cunha. 
Versões 
O Palácio do Planalto afirmou que Michel Temer nunca deu nenhuma orientação sobre distribuição de 
dinheiro e não tinha relações com Funaro. 
A defesa de Geddel Vieira Lima rechaçou o que chamou de "fantasiosas alegações" de Funaro e disse 
que Geddel não tinha poder para conceder ou liberar empréstimos. 
O ministro Moreira Franco disse que não conhece Funaro e que o doleiro terá que provar o que está 
dizendo. 
O ex-ministro Henrique Alves não quis se manifestar. 
O PMDB declarou que as contribuições estão devidamente declaradas observados os requisitos legais. 
A defesa de Joesley Batista disse que, a respeito de todas as provas já apresentadas, ele continua à 
disposição da Justiça. 
Fábio Cleto confirmou que as operações sobre a LLX e a BR Vias constam da delação dele, mas disse 
que não negociou propina. 
A Caixa Econômica Federal não se pronunciou. 
A assessoria de Gabriel Chalita, do PMDB, declarou que os recursos da campanha à prefeitura de São 
Paulo eram do PMDB nacional e que a pequena parte arrecadada pelo comitê de campanha foi 
devidamente registrada no TRE. 
O Grupo Comporte, do qual a BR Vias faz parte, disse ao G1 que "segue colaborando com as 
autoridades para o total esclarecimento dos fatos". 
O Jornal Nacional não localizou as defesas de Eduardo Cunha e da LLX. 
1338106 E-book gerado especialmente para TIAGO DE AGUIAR COSTA
 
. 60 
Aprovação de Temer é de 7%, a menor marca em 28 anos, diz Datafolha32 
Na estimativa do instituto, apenas José Sarney ficou abaixo, com 5% em 1989 
BRASÍLIA — Apenas 7% dos brasileiros consideram o governo de Michel Temer como ótimo ou bom 
— a menor marca apurada pelo Instituto Datafolha em 28 anos. Na série histórica, apenas José Sarney 
ficou abaixo deste patamar, ao tocar 5% de aprovação em setembro de 1989, durante a crise da 
hiperinflação. 
A impopularidade do presidente aumentou desde a revelação da colaboração premiada dos donos da 
JBS, que situaram Temer no centro de um esquema de corrupção nacional. Segundo o Datafolha, 69% 
do público considerada a gestão ruim ou péssima, e 23% avaliam o governo como regular. 
Mulheres, jovens e eleitores de renda mais baixa mostram mais indisposição com Temer, em 
comparação com a média da população. 
Em 1989, 68% consideravam ruim ou péssima a atuação de Sarney, enquanto 24% julgavam a 
administração regular. 
O novo levantamento do instituto ouviu 2.771 pessoas entre quarta-feira e a sexta-feira. Os novos 
números evidenciam a queda da popularidade do presidente, que, há dois meses, somava 9% entre os 
entrevistados que avaliavam a gestão como ótima ou boa. No fim de abril, 61% julgavam o governo como 
ruim ou péssimo e 28% enxergavam uma administração regular. 
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O Datafolha ainda informou 
que a nota do presidente caiu de 3 para 2,7 na nova pesquisa. Não souberam responder 2% dos 
entrevistados. 
A avaliação de Temer é pior que a de Dilma Rousseff às vésperas da conclusão do processo de 
impeachment, quando a petista seria destituída pelo Congresso. Na época, ela tinha 13% de aprovação 
e 63% de reprovação. A impopularidade do peemedebista é semelhante à da ex-presidente de agosto de 
2015, quando Dilma amealhou 71% de avaliações de um governo ruim ou péssimo. 
Além de Temer, Dilma e Sarney, apenas Fernando Collor atingiu índices tão negativos frente à 
população. Ele somava 68% de ruim e péssimo, em setembro de 1992, ao sofrer impeachment. 
 
Palocci é condenado a 12 anos de prisão por corrupção33 
SÃO PAULO, 26 JUN (ANSA) – O ex-ministro Antonio Palocci foi condenado a 12 anos e dois meses 
de prisão nesta segunda-feira (26) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A 
condenação ocorre no âmbito da Operação Lava Jato e inclui ainda o pagamento de uma multa de pouco 
mais de R$ 1 milhão. 
Palocci foi ministro da Fazenda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da Casa Civil 
durante o governo de Dilma Rousseff e é a primeira que o atinge na operação liderada pelo juiz Sergio 
Moro. 
O ex-ministro está preso desde setembro de 2016 e o período já cumprido será descontado da 
sentença final. Atualmente, Palocci negocia um acordo de delação premiada com a força-tarefa da 
Operação Lava Jato. 
Além do ex-ministro, Moro condenou o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, a 12 anos e 
dois meses de prisão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro, os ex-marqueteiros das campanhas 
presidenciais do PT João Santana e Mônica Moura por lavagem de dinheiro (ambos receberam penas de 
sete anos e seis meses de prisão) e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto por corrupção passiva (seis 
anos de prisão). Outras sete pessoas foram condenadas. O ex-assessor de Palocci Branislav Kontic e o 
ex-executivo da Odebrecht Rogério Santos Araújo foram absolvidos. (ANSA) 
 
Janot apresenta ao Supremo denúncia contra Temer por corrupção passiva34 
Agora o tribunal aciona a Câmara, que vai decidir se autoriza ou não o prosseguimento da denúncia. 
Presidente é investigado em caso de pagamento de propina da JBS. 
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta 
segunda-feira (26) uma denúncia contra o presidente Michel Temer e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures 
(PMDB-PR) pelo crime de corrupção passiva. 
Além da condenação, Janot pede a perda do mandato de Temer, “principalmente por ter agido com 
violação de seus deveres para com o Estado e a sociedade”. É a primeira vez que um presidente da 
República é denunciado ao STF no exercício domandato. 
 
32 O GLOBO. Aprovação de Temer é de 7%, a menor marca em 28 anos, diz Datafolha. O Globo, Brasil. Disponível em: 
 Acesso em 26 de junho de 2017. 
33 ANSA. Palocci é condenado a 12 anos de prisão por corrupção. Istoé. Disponível em: Acesso em 26 de junho de 2017. 
34 RAMALHO, R. MATOS, V. Janot apresenta ao Supremo denúncia contra Temer por corrupção passiva. G1 Política. Disponível em: 
 Acesso em 27 de junho de 2017. 
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. 61 
Com a denúncia, fica formalizada a acusação contra Temer, que será julgada pelo Supremo se Câmara 
dos Deputados autorizar (entenda mais abaixo). A assessoria da Presidência informou que o Palácio do 
Planalto não vai se manifestar. O G1 tentava contato com os advogados de Temer até a última atualização 
desta reportagem. 
Em documento que acompanha a denúncia, Janot pede ao ministro Edson Fachin, relator da Operação 
Lava Jato no Supremo, que o caso só seja enviado à Câmara depois que Temer e Rocha Loures 
apresentarem defesa prévia ao STF, o que deverá ocorrer num prazo de até 15 dias após serem 
notificados. 
No mesmo inquérito que resultou na denúncia por corrupção passiva, o presidente também é 
investigado por obstrução de Justiça e participação em organização criminosa, mas, para estes casos, a 
PGR ainda não apresentou denúncia. Com a entrega do relatório final do inquérito da Polícia Federal 
nesta segunda-feira, a PGR terá o prazo legal de cinco dias para apresentar novas denúncias com base 
nas suspeitas em relação a esses dois crimes – esse prazo vencerá na próxima segunda-feira (3). 
O crime de corrupção passiva é definido no Código Penal como o ato de "solicitar ou receber, para si 
ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão 
dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem", com pena de 2 a 12 anos de prisão e 
multa, em caso de condenação. 
A acusação preparada por Janot se baseia nas investigações abertas a partir das delações de 
executivos da JBS no âmbito da Operação Lava Jato. 
Em abril deste ano, o ex-deputado e ex-assessor do presidente Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi 
filmado, saindo de um restaurante em São Paulo, com uma mala contendo R$ 500 mil. 
Segundo a PGR, o dinheiro destinava-se a Michel Temer e era parte de propina paga pela JBS para 
que a empresa fosse favorecida, por influência do governo, no Conselho Administrativo de Defesa 
Econômica (Cade), num processo para reduzir preço do gás fornecido pela Petrobras a uma termelétrica 
da empresa. 
Janot diz que a vantagem indevida que, segundo a PGR, foi aceita por Temer e Rocha Loures em 
troca do favorecimento totalizava R$ 38 milhões. Como somente teriam sido entregues R$ 500 mil, o 
procurador-geral pede que o presidente seja condenado a pagar R$ 10 milhões por reparação de danos 
e que Loures pague R$ 2 milhões. 
A denúncia diz que, "com vontade livre e consciente", Temer "recebeu para si, em razão de sua 
função", o dinheiro da propina e que as provas disso são "abundantes". O procurador diz que Temer e 
Loures devem ressarcir os cofres públicos por lesões à ordem econômica, à administração da justiça e à 
administração pública, "inclusive à respeitabilidade da Presidência da República perante a sociedade 
brasileira". 
Para Janot, a ligação de Rocha Loures com Michel Temer foi atestada numa conversa gravada, em 
março, na qual o presidente indica o ex-deputado como pessoa de sua "mais estrita confiança" para um 
dos donos da JBS, Joesley Batista, tratar problemas enfrentados pela empresa no governo. 
Em sua defesa, Temer diz que "simplesmente ouviu" reclamações do empresário, sem conceder 
benesses do governo para ajudá-lo. O presidente tem negado todas as acusações dos delatores e 
afirmado que não renunciará ao mandato. 
Como o alvo é o presidente da República, a Câmara tem que autorizar, por votos de dois terços dos 
deputados (342), a análise da denúncia pelos ministros do Supremo. Se a Câmara não autorizar, o STF 
fica impedido de agir e o caso fica parado. Nessa hipótese, a Justiça só poderá voltar a analisar as 
acusações depois que Temer deixar a Presidência. 
Caso a Câmara autorize o prosseguimento da denúncia, os 11 ministros do Supremo decidirão se 
abrem ou não processo contra Temer. Se aceitarem, ele viraria réu e fica afastado do mandato por até 
180 dias. Se após esse período, a Corte não concluir o julgamento, Temer volta à Presidência. Ao final 
do processo, Temer pode ser condenado e perder o mandato ou absolvido e continuar na Presidência. 
‘Relação ilícita antiga’ 
A denúncia ainda faz menção a outros episódios envolvendo Temer e Joesley Batista, afirmando que 
a “relação ilícita” entre ambos “é antiga, habitual e estável, estando longe, portanto, de uma relação 
episódica”. 
Janot lembra depoimentos de outros executivos da JBS na qual narram “relações ilícitas” de Temer 
com a empresa. Em 2015, por exemplo, Temer teria atuado para derrubar um embargo da Companhia 
Docas do Estado de São Paulo (Codesp) para construção de um terminal de cargas da Eldorado, do 
mesmo grupo da JBS. 
Além disso, ainda com base nos depoimentos, diz que Temer recebeu R$ 1 milhão, de uma doação 
de R$ 15 milhões destinada ao PMDB, retirados da propina do PT por negócios obtidos pela empresa 
junto ao BNDES por intervenção do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. 
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. 62 
Por fim, a PGR registra empréstimo de avião particular de Joesley, em 2011, para Temer viajar a um 
resort de luxo localizado na Ilha de Comandatuba, na Bahia. 
Passo a passo 
Veja cada uma das etapas de tramitação na Câmara da denúncia contra o presidente da República. 
>> STF aciona a Câmara - Após o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público, a presidente do 
STF envia à Câmara uma solicitação para a instauração do processo. Cabe ao presidente da Câmara 
receber o pedido, notificar o acusado e despachar o documento para a Comissão de Constituição e 
Justiça (CCJ) da Casa. 
>> Prazo para a defesa - A partir da notificação, a defesa de Temer terá até dez sessões do plenário 
da Câmara para enviar seus argumentos, se quiser. 
Para a contagem do prazo, é levada em consideração qualquer sessão de plenário, seja de votação 
ou de debate, desde que haja quórum mínimo para abertura (51 deputados presentes). Se houver mais 
de uma sessão no dia, apenas uma será validada. Não são computadas as sessões solenes e as 
comissões gerais. 
>> CCJ analisa - Assim que a defesa entregar as alegações, o regimento determina que a Comissão 
de Constituição e Justiça (CCJ) terá prazo de até cinco sessões do plenário para se manifestar sobre a 
denúncia encaminhada pela Procuradoria Geral da República (PGR). 
Nesse período, o relator a ser designado pelo presidente da CCJ deverá apresentar um parecer, no 
qual se manifestará, concordando ou não com o prosseguimento da denúncia. 
Os membros da CCJ poderão pedir vista do processo (mais tempo para análise) por duas sessões 
plenárias antes de discutir e votar o parecer, que será pelo deferimento ou indeferimento do pedido de 
autorização para instauração de processo. 
Antes de ser votado no plenário, o parecer da CCJ terá de ser lido durante o expediente de uma 
sessão, publicado no "Diário da Câmara" e incluído na ordem do dia da sessão seguinte à do recebimento 
pela mesa diretora da Câmara. 
O regimento não define quando o presidente da CCJ deverá escolher o relator, mas o deputado 
Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) disse ao G1 que pretende fazê-lo o quanto antes. Ele poderá indicar 
qualquerum dos outros 65 membros titulares da comissão. Nos bastidores, nomes cotados são os dos 
deputados Alceu Moreira (PMDB-RS), Marcos Rogério (DEM-RO), Esperidião Amin (PP-SC) e Sergio 
Zveiter (PMDB-RJ). 
Pacheco, porém, não revela quem tem em mente. Diz apenas o que levará em conta na sua escolha. 
“Vou considerar conhecimento jurídico sobre matéria penal, independência, bom senso e assiduidade na 
CCJ”, afirma. 
>> Decisão pelo plenário - O parecer discutido na comissão será incluído na pauta de votação do 
plenário principal da Câmara na sessão seguinte de seu recebimento pela Mesa Diretora, depois da 
apreciação pela CCJ. 
Após discussão, o relatório será submetido a votação nominal, pelo processo de chamada dos 
deputados. O regimento define que a chamada dos nomes deve ser feita alternadamente, dos estados 
da região Norte para os da região Sul e vice-versa. 
Os nomes serão enunciados, em voz alta, por um dos secretários da Casa. Os deputados levantarão 
de suas cadeiras e responderão ‘sim’ ou ‘não’, no mesmo formato da votação do processo de 
impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. 
>> Aprovação da denúncia - O parecer é aprovado se tiver o apoio de ao menos dois terços do total 
de 513 deputados, ou seja, 342 votos. Se ficar admitida a acusação, após a aprovação do parecer, será 
autorizada a instauração do processo no Poder Judiciário. 
No STF, os 11 ministros votam para decidir se o presidente Michel Temer vira réu. Nesse caso, Temer 
é afastado do cargo por 180 dias. 
O presidente só perde o cargo definitivamente se for condenado pelo Supremo. Quem assume o cargo 
é presidente da Câmara, que convoca eleições indiretas em um mês. Segundo a Constituição, o novo 
presidente da República seria escolhido pelo voto de deputados e senadores. 
>> Rejeição da denúncia - No caso de rejeição da denúncia pela Câmara, o efeito ainda é incerto, 
segundo a assessoria de imprensa do STF, e pode ser definido pelos ministros ao analisar esse caso 
específico. 
Na avaliação de técnicos da Câmara, se a denúncia for rejeitada pelos deputados, o Supremo fica 
impedido de dar andamento à ação, que seria suspensa, mas não seria arquivada. 
O processo, para esses técnicos que assessoram a presidência da Casa, poderia ser retomado 
somente após o fim do mandato do presidente. 
 
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Ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, é preso na Bahia35 
Ele é suspeito de tentar obstruir investigações sobre recursos da Caixa. 
Geddel teria tentado evitar que Funaro e Cunha fizessem delação. 
A Polícia Federal prendeu preventivamente o ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB da Bahia. Ele 
é suspeito de tentar obstruir investigações sobre irregularidades na liberação de recursos da Caixa. 
Os investigadores afirmam que o ex-ministro Geddel Vieira Lima tentou evitar que o doleiro Lúcio 
Funaro e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, ambos presos pela Lava Jato, fizessem acordo de 
delação premiada; e que Geddel procurou várias vezes a mulher de Funaro. Quem deu o alerta inicial foi 
o próprio Funaro, em um depoimento em junho. 
O doleiro disse às autoridades que: “estranha alguns telefonemas que sua esposa tem recebido de 
Geddel Vieira Lima, no sentido de estar sondando qual seria o ânimo do declarante em relação a fazer 
um acordo de colaboração premiada”. 
Na decisão, o juiz federal Vallisney de Oliveira afirmou que esse fato “é gravíssimo”. Como prova, 
Lúcio Funaro apresentou à polícia imagens de telas de celular que mostram mensagens enviadas por 
Geddel à mulher do doleiro. 
Os investigadores afirmam que esses novos elementos deixam claro que Geddel continua agindo para 
obstruir as apurações de crimes. Ele está sendo investigado na Operação Cui Bono, deflagrada em 
janeiro, que apura irregularidades na liberação de recursos da Caixa. 
No pedido, o Ministério Público Federal disse que a prisão é necessária como proteção à ordem pública 
e à ordem econômica, contra novos crimes em série que poderiam ser cometidos por Geddel. A prisão 
tem caráter preventivo. 
Na decisão, o juiz listou outros motivos para a prisão. Segundo o juiz, Geddel - mesmo após sair do 
cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal - continuou a interferir no banco 
indevidamente, usando sua influência política em negociações ilícitas em desfavor da empresa pública. 
O juiz lembrou ainda que, em depoimento, Lúcio Funaro também disse que Geddel teria recebido 
aproximadamente R$ 20 milhões em espécie a título de propina pela atuação no esquema ilícito. Dinheiro 
que não foi localizado até hoje, e que pode ter sido escondido, escamoteado. 
Pesou também, para a prisão de Geddel, informações passadas em delação premiada pelo empresário 
Joesley Batista e pelo diretor jurídico do grupo J&F, Francisco Assis. Segundo Joesley, Geddel Vieira 
Lima era o principal contato dele com o governo Temer, até ser afastado e substituído pelo ex-assessor 
de Temer, Rodrigo Rocha Loures. 
 
Economia 
Qual é o impacto do escândalo das carnes na economia brasileira?36 
Terceiro maior produto de exportação do Brasil, atrás da soja e do minério de ferro, as carnes 
brasileiras conquistaram o mundo, tornando-se sinônimo de qualidade em mais de 150 países. 
Mas esse selo de garantia está sob risco desde a última sexta-feira, quando a Polícia Federal revelou 
um esquema de adulteração envolvendo pelo menos 30 frigoríficos. 
Por si só, pela natureza das descobertas, a operação Carne Fraca já teria o potencial de causar 
estragos significativos no mercado interno. Afinal, qual brasileiro vai querer comprar - e consumir - 
possível carne adulterada? 
Mas o problema se torna ainda pior porque essa mesma pergunta está sendo feita pelos compradores 
internacionais - nesta segunda-feira (20/03), países como China, Chile e Coreia do Sul, além da União 
Europeia, suspenderam temporariamente as importações de empresas citadas na fraude. 
Por causa disso, segundo economistas ouvidos pela BBC Brasil, o impacto na economia brasileira 
pode ser "maior do que se imaginava". 
Eles ressalvam, contudo, que tudo "dependerá de quanto vão durar os embargos e se mais países vão 
aderir a ele". 
 
'Péssimo momento' 
Mas existe um consenso: a operação da PF veio em um "péssimo momento" para o agronegócio, um 
dos pilares da economia brasileira, que vinha esboçando sinais de recuperação. 
"O Brasil custou para abrir novos mercados e agora a imagem do país está abalada lá fora. É difícil 
prever o que vai acontecer, mas não resta dúvida de que esse escândalo será prejudicial para a economia 
brasileira", diz à BBC Brasil José Carlos Hausknecht, sócio diretor da MB Agro, braço agrícola da 
consultoria MB Associados. 
 
35 G1. Ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, é preso na Bahia. G1, Jornal Nacional. Disponível em: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/07/ex-
ministro-geddel-vieira-lima-do-pmdb-e-preso-na-bahia.html Acesso em 04 de julho de 2017. 
36 21/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/qual-e-o-impacto-do-escandalo-das-carnes-na-economia-brasileira.ghtml 
1338106 E-book gerado especialmente para TIAGO DE AGUIAR COSTA
 
. 64 
Em outras palavras: isso pode acarretar um prolongamento da recessão, afetando a vida de todos os 
brasileiros. 
Já segundo estimativa da consultoria LCA consultores, no pior dos cenários - se todos os países 
fecharem as portas às importações de carne brasileira - o impacto no PIB pode ser de até 1 ponto 
porcentual. A previsão oficial do governo, que deve ser revisada para baixo nos próximos dias, é de 
crescimento de 1%. 
 
Desemprego e inflação 
A revelação do esquema de carne adulterada terá consequências para a economia brasileira, explicam 
os especialistas, pela "importância do setor de carnes". 
Atualmente, de toda a carne produzida no Brasil, 80% é consumida pelo mercado interno. O restante 
vai para fora. 
No ano passado, as exportaçõesbrasileiras do produto somaram mais de US$ 14 bilhões (R$ 43 
bilhões), ou 7,5% do total exportado, atrás apenas do minério de ferro e da soja. 
Além disso, o setor de carnes possui uma cadeia produtiva "muito extensa", com "efeitos indiretos", 
lembra Gesner Oliveira, sócio da consultoria GO Associados. 
Oliveira estima que uma redução de 10% nas exportações brasileiras de carne pode custar 420 mil 
postos de trabalho e R$ 1,1 bilhão a menos em impostos - notícia nada positiva em um momento de crise 
fiscal. 
Já a inflação também deve subir por causa do escândalo, "devido a algum tipo de recall das carnes já 
distribuídas ao comércio", diz à BBC Brasil André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. 
Apesar disso, ressalva ele, o impacto na subida dos preços deve ser residual, já que o peso total das 
carnes no índice oficial (IPCA) é de apenas 3,69%. 
"Nesse sentido, uma alta adicional de 2% nesses produtos iria criar um impacto de 7 pontos base (ou 
0,07%) na inflação plena: neste caso, se o IPCA fosse de 4,50%, ele ficaria em 4,57%", afirma. 
"Mas será preciso saber mais detalhes sobre como isso vai ocorrer, pois não há notícias de 
desabastecimento e não se trata da totalidade de toda a cadeia da carne", acrescenta. 
 
Concorrência e protecionismo 
Os especialistas também apontaram que, por causa do escândalo, o Brasil poderia perder espaço para 
outros competidores no mercado global de carnes. 
Nesse sentido, segundo eles, seria um "grande retrocesso" para um setor que se tornou prioridade 
durante os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016). 
Nesse período, recursos públicos foram direcionados (via BNDES, a agência nacional de fomento) 
para a criação dos chamados "campeões nacionais" - com o apoio irrestrito do governo, empresas como 
a JBS e a BRF formaram monopólios e se projetaram internacionalmente. 
"Hoje em dia, o mercado é altamente competitivo. Qualquer deslize pode ser fatal", diz Oliveira, da GO 
Associados. 
Hausknecht, da MB Agro, concorda que o escândalo acaba gerando uma oportunidade para potenciais 
concorrentes, mas avalia que, atualmente, pelas condições do mercado, não há competidores à altura do 
Brasil. 
"A Austrália, por exemplo, que poderia ser uma alternativa ao Brasil para a oferta de carnes à China, 
ainda estão recompondo o rebanho", diz, em alusão à forte seca que forçou produtores australianos a 
elevarem o escoamento de animais para o abate. 
"Já os Estados Unidos, o segundo maior produtor mundial de carne bovina, tampouco tem muita 
entrada no mercado chinês por causa da escalada da tensão entre Washington e Pequim." 
"Por fim, a Índia também é outro grande exportador de carne bovina, mas ela é de pior qualidade", 
completa. 
Para Campos, da LCA Consultores, a maior consequência do escândalo é dar munição a governos 
para impor mais tarifas alfandegárias ao Brasil, em um contexto de maior protecionismo no mundo. 
"Trump (Donald Trump, presidente dos Estados Unidos) já deu sinais de que pretende lançar mão de 
medidas protecionistas. Nesse caso, isso (escândalo das carnes adulteradas) pode ser usado como 
desculpa", conclui. 
 
24% dos brasileiros mudaram de emprego no 2º semestre de 2016, diz pesquisa37 
A pesquisa da Randstad, multinacional holandesa de recursos humanos, mostrou que 24% dos 
brasileiros trocaram de emprego no 2º semestre de 2016. O índice se aproxima da média global, que 
 
37 20/01/17 – Fonte: http://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/24-dos-brasileiros-mudaram-de-emprego-no-2-semestre-de-2016-diz-
pesquisa.ghtml 
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chega a 22%. Desse total, 18% afirmaram estar desempenhando a mesma função, porém em outra 
empresa, e 6% fizeram um giro total na carreira. Há um ano, o Brasil registrava 21% de trânsito de 
profissionais entre as companhias. 
Hong Kong (24%) e Estados Unidos (26%) são os países que tiveram resultados mais semelhantes 
ao do Brasil e se posicionam entre as que apresentaram maior nível de mobilidade, lideradas por Malásia 
(29%) e Índia (36%). Na edição do ano passado, este grupo, composto pelos mesmos países, já aparecia 
na ponta da lista. 
Na outra ponta do ranking estão Luxemburgo e Hungria, com 8%. Na América Latina, o Brasil é que 
tem o índice mais alto. Chile aparece com 19%, México com 11% e Argentina com 10%. 
De acordo com as pesquisas, a média global de transições de emprego era de 15% no primeiro 
trimestre de 2010. Os índices foram crescendo até chegar ao pico de 25% em 2016. 
 
Mercado prevê déficit de R$ 148,36 bilhões em 2017, acima da meta do governo38 
O mercado financeiro continua prevendo que o governo federal não vai atingir a meta fiscal fixada para 
2017, de déficit primário de R$ 139 bilhões. No mais novo levantamento feito pelo Ministério da Fazenda 
e divulgado nesta quinta-feira (12/01/17) dentro do chamado "Prisma Fiscal", os economistas estimam 
que o déficit (despesas maiores que receitas) será de R$ 148,36 bilhões. 
Entretanto, o mercado reduziu a diferença entre o que o governo arrecadará e o que gastará em 2017. 
Na pesquisa anterior, divulgada em dezembro, a previsão era que o déficit chegaria a R$ 151,74 bilhões. 
A melhora ocorre porque, apesar de estimar uma queda na arrecadação federal, de R$ 1,356 trilhão 
para R$ 1,345 trilhão, o mercado prevê uma alta de R$ 425 milhões na receita liquida do governo central 
e uma queda na despesa total, de R$ 1,315 trilhão, na pesquisa anterior, para R$ 1,312 trilhão, na nova. 
A pesquisa aponta que o governo central, composto pela União, Previdência e pelo Banco Central, 
deverá registrar um déficit primário de quase R$ 10 bilhões a mais do que o fixado. O déficit primário não 
inclui as despesas do governo com o pagamento dos juros da dívida. 
Para melhorar a arrecadação de 2017 e garantir o cumprimento da meta fiscal, o governo anunciou 
apoio a uma nova rodada da chamada "repatriação", programa que oferece vantagens para que 
contribuintes brasileiros regularizem bens mantidos no exterior e que não estão declarados à Receita. 
O projeto que autoriza a nova rodada já foi aprovado no Senado e aguarda votação na Câmara dos 
Deputados. Para 2018, o mercado financeiro, na pesquisa conduzida pelo Ministério da Fazenda, estimou 
que o déficit primário do governo central deverá somar R$ 125,93 bilhões, contra a previsão anterior de 
R$ 123,99 bilhões. 
 
Ajuste 
Para melhorar as contas públicas, o governo anunciou uma série de medidas, entre elas uma emenda 
à Constituição que cria um teto para o aumento dos gastos públicos, com validade por 20 anos. 
A PEC do teto de gastos já foi promulgada e prevê que, a partir de agora, a despesa de um ano não 
pode crescer acima da inflação dos 12 meses anteriores, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor 
Amplo (IPCA). O teto deverá ser cumprido pela União, o Legislativo, o Tribunal de Contas da União, o 
Judiciário, o Ministério Público, e a Defensoria Pública da União. 
Para os gastos com saúde e educação, a correção pela inflação começará em 2018. 
Para tentar melhorar as contas no médio prazo, e o humor dos investidores, o governo também já 
divulgou o texto da PEC da reforma da Previdência, que propõe estabelecer a idade mínima de 65 anos, 
para homens e mulheres, para ter direito à aposentadoria pela INSS. 
 
Desemprego fica em 13,7% no 1º trimestre de 2017 e atinge 14,2 milhões39 
Essa é a maior taxa da série do indicador, iniciada em 2012. Em 3 anos, número de desempregados 
mais que dobrou no país. 
O desemprego subiu para 13,7% no trimestre de janeiro a março, segundo dados divulgados nesta 
sexta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da pesquisa Pnad 
Contínua. De acordo com o IBGE, essa foi a maior taxa de desocupação da série histórica, iniciada em 
2012. No 1º trimestre, o Brasil tinha 14,2 milhões de desempregados, também batendo recordeda série 
histórica. 
 
38 12/01/17 – Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/mercado-preve-deficit-de-r-14836-bilhoes-indice-acima-da-meta-para-2017.ghtml 
39 SILVEIRA, Daniel. CAVALLINI, Marta. Desemprego fica em 13,7% no 1° trimestre de 2017 e atinge 14,2 milhões. G1 Economia. Disponível em: Acesso em 28 de abril de 2017. 
 
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Taxa de desocupação, segundo a Pnad do IBGE (Foto: Editoria de arte/G1) 
Em relação à taxa, as altas são de 1,7 ponto percentual frente ao trimestre de outubro a dezembro de 
2016 (12%) e de 2,8 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre de 2016 (10,9%). 
Já em relação ao número de desocupados, o contingente cresceu 14,9% (mais 1,8 milhão de pessoas) 
frente ao trimestre de outubro a dezembro de 2016 e 27,8% (mais 3,1 milhões em busca de trabalho) em 
relação ao mesmo trimestre de 2016, segundo o IBGE. 
Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, desde o 1º trimestre de 
2014, o país perdeu cerca de 3 milhões de postos de trabalho com carteira assinada. De acordo com o 
IBGE, a menor desocupação foi registrada no trimestre encerrado em fevereiro de 2014, quando havia 
6,6 milhões de desempregados, ou seja, esse número mais que dobrou em três anos. 
“O mercado de trabalho continua a apresentar deterioração. Perdemos mais de 1,8 milhão de postos 
de trabalho, sendo que cerca de 70% dessa perda foi de empregos com carteira de trabalho assinada”, 
diz Azeredo. 
Já a população ocupada também bateu recorde - é o menor contingente desde o trimestre fevereiro-
abril de 2012. No trimestre encerrado em março, eram 88,9 milhões de pessoas no mercado de trabalho. 
O recuo se deu tanto em relação ao trimestre anterior (-1,5%, ou menos 1,3 milhão de pessoas) como 
em relação ao mesmo trimestre de 2016 (-1,9%, ou menos 1,7 milhão de pessoas). 
“Na passagem do 4º trimestre para o 1º trimestre percebe-se uma redução da população ocupada e 
consequentemente aumento da desocupação em função da dispensa das contratações temporárias do 
final do ano. Mas, o que está em questão, é o fato de o Brasil manter esse ritmo da crise no mercado de 
trabalho”, analisa Azeredo. 
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Número de pessoas desocupadas, segundo a Pnad do IBGE (Foto: Editoria de arte/G1) 
“Não tem absolutamente nada na Pnad Contínua que mostre uma melhoria no mercado de trabalho, 
na geração de empregos, ou qualquer tipo de recuperação em qualquer tipo de inserção ou grupamento 
de atividade”, completa o pesquisador. 
 
Carteira assinada 
Desse total, 33,4 milhões de pessoas que estavam empregadas no setor privado tinham carteira 
assinada. Esse número também recuou em ambos os períodos de comparação: frente ao trimestre 
outubro/dezembro de 2016 (-1,8% ou menos 599 mil pessoas) e ao trimestre janeiro/março de 2016 (-
3,5% ou menos 1,2 milhão de pessoas). Segundo o IBGE, foi o menor contingente de trabalhadores com 
carteira assinada já observado na série histórica da pesquisa. 
O pico de trabalhadores com carteira assinada foi registrado no trimestre encerrado em junho de 2014 
- 33,9 milhões de trabalhadores. 
Segundo Azeredo, a notícia mais impactante da pesquisa é a perda expressiva de empregos com 
carteira assinada. “Perder postos de trabalho com carteira significa perda de arrecadação da Previdência, 
perda de acesso ao seguro-desemprego, perda de garantias trabalhistas. Além disso, a carteira de 
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trabalho serve como garantia de acesso ao crédito. A grande notícia que a Pnad Contínua traz neste 
primeiro semestre do ano é que o mercado continua destruindo postos de trabalho”, disse Azeredo. 
De acordo com o pesquisador, a queda do número de carteiras assinadas tem relação direta com a 
conjuntura política e econômica do país. “Um cenário econômico conturbado, um cenário político instável, 
isso traz desestabilização para o mercado de trabalho e seus efeitos são quase imediatos. Reestruturar 
postos de trabalho, recompor carteira, isso demora”, afirma. 
O número de empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada (10,2 milhões) 
apresentou queda em relação ao trimestre anterior (-3,2%), mas cresceu 4,7% (ou mais 461 mil pessoas) 
em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. 
O número de trabalhadores por conta própria (22,1 milhões de pessoas) registrou estabilidade em 
relação ao trimestre anterior (outubro a dezembro de 2016). Em relação ao mesmo período do ano 
passado, houve queda de 4,6%, ou seja 1,1 milhão de pessoas a menos. “O trabalhador por conta própria, 
que no início da crise segurou um pouco a população desocupada, mostra uma redução", diz Azeredo. 
Já a categoria dos trabalhadores domésticos, estimada em 6,1 milhões de pessoas, se manteve 
estável em ambos os trimestres comparativos, segundo o IBGE. 
 
Nível de ocupação 
O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi 
estimado em 53,1% no trimestre de janeiro a março, apresentando queda de 0,9 ponto percentual frente 
ao trimestre de outubro a dezembro de 2016, (54%). 
Em relação a igual trimestre do ano anterior, houve retração de 1,7 ponto percentual, quando recuou 
de 54,7% para 53,1%. Foi o menor nível da ocupação observado desde o início da série da pesquisa. 
 
Rendimento 
O rendimento médio foi estimado em R$ 2.110 no 1º trimestre de 2017, estável tanto ante o trimestre 
de outubro a dezembro de 2016 (R$ 2.064) como mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2.059). 
Em relação ao trimestre anterior, houve alta para os empregados no setor público (1,9%) e para os 
trabalhadores domésticos (1,7%). Em relação ao mesmo trimestre de 2016, apenas os empregados no 
setor público apresentaram variação positiva (4,3%). Nas demais posições, foi estável. 
“Há um crescimento do rendimento nominal do trabalhador. Isso mostra que você tem um aumento do 
poder de compra da população, mas o efeito inflacionário sobre ele fez com que a massa de rendimento 
se mantivesse estável”, explicou o pesquisador. 
 
Por setores e atividades 
Os grupamentos de atividade que mais têm sofrido deterioração dos postos de trabalho é a indústria 
e a construção. De acordo com Azeredo, desde 2015, a indústria perdeu 1,9 milhão de postos e a 
construção mais de 800 mil. 
“Parte expressiva dessa perda de postos com carteira de trabalho assinada, certamente, vem da 
indústria, que é o segmento mais organizado e com maior número de formalidade”, diz. 
Em relação ao mesmo trimestre de 2016, houve redução de trabalhadores nos setores de construção 
(-9,5% ou -719 mil pessoas), agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e agricultura (-8,0% ou -758 
mil pessoas), indústria geral (-2,9% ou -342 mil pessoas) e serviços domésticos (-2,9% ou -184 mil 
pessoas). Apenas o grupamento de alojamento e alimentação teve alta (11% ou mais 493 mil pessoas). 
 
Caged 
De acordo com os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em 
março as demissões superaram as contratações em 63.624 vagas, resultado de 1.261.332 admissões e 
de 1.324.956 demissões em março. No acumulado do primeiro trimestre de 2017, o país registrou o 
fechamento de 64.378 postos de trabalho. 
 
'Lei da gorjeta' entra em vigor neste sábado e divide opiniões de funcionários40 
Famosa 'caixinha' entrará na folha de pagamento de garçons e outros trabalhadores. Nada muda para 
o cliente e pagamento dos 10% continua sendo opcional. 
A chamada ‘lei da gorjeta’ passa a valer em todo o Brasil neste sábado (13), 60 dias após ter sido 
sancionada pelo presidente Michel Temer. Ela regulamenta a cobrança e a divisão de gorjetas em 
 
40 PAULO. P. PAULA. ‘Leida gorjeta’ entra em vigor neste sábado e divide opiniões de funcionários. G1, São Paulo. Disponível em: Acesso em 15 de maio de 2017. 
 
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restaurantes, hotéis, motéis e “estabelecimentos similares”, segundo o texto da lei. Para o cliente, nada 
vai mudar, o pagamento continua opcional. 
Funcionários de restaurantes de São Paulo ouvidos pelo G1 dividem opiniões. Já para os especialistas, 
eles afirmam que a lei é positiva porque deixa as regras claras e dá maior segurança jurídica para patrões 
e empregados. 
A principal mudança apontada é sobre a famosa “caixinha”. Hoje, cada estabelecimento faz de um 
jeito. Em alguns lugares, a gorjeta é paga “por fora”, com o valor integral para os funcionários. Agora, ela 
terá que constar na folha de pagamento, o que, por um lado, resulta em descontos no valor pago, e, por 
outro, melhora décimo terceiro, FGTS e aposentadoria. 
Em um restaurante da Rua Fidalga, na Vila Madalena, enquanto recolhe os pedidos ou equilibra a 
bandeja, o veterano garçom Calixto Pinheiro explica porque aprova a mudança. “Acho que é uma boa 
porque tem chance do pessoal se organizar e planejar mais. Porque todo dinheiro que a gente pega, a 
gente gasta, né?”. O cearense está há 58 dos seus 75 anos no ramo. 
Calixto conta que, quando foi maître no Esporte Clube Pinheiros, esse era o sistema adotado no local. 
“Há 40 anos atrás já era assim, a caixinha já caía na folha. Fomos beneficiados quando aconteceu isso”. 
No restaurante que trabalha hoje, a gorjeta é paga de maneira integral e por fora. 
O advogado trabalhista Marcel Daltro acompanhou uma série de processos na justiça sobre o tema e 
disse que as decisões variavam em cada estado. “Era um tema bastante sensível porque nem o 
funcionário tinha as regras claras, nem o estabelecimento”. 
“A gente se deparava com discussões astronômicas. Vi casos de estabelecimentos que foram 
fechados por causa de condenações na ordem de 80, 90 mil reais”, contou o advogado. Do lado do 
trabalhador, a reclamação frequente era que o empregador não repassava tudo o que era arrecadado. 
Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP), 
Percival Maricato, a lei é importante porque “impede interpretações divergentes de juízes do trabalho, 
empresários e trabalhadores”. 
Ainda assim, ele acredita que, como toda nova lei, podem surgir divergências. “Os funcionários que 
recebem os 10% integral vão reclamar. Ainda que melhore outros aspectos, como aposentadoria, ele vai 
receber menos”. 
Isso é o que contesta a auxiliar de cozinha de um restaurante na Rua Ignácio Pereira da Rocha, na 
Vila Madalena, Naiara dos Santos. “O ruim é descontar [da folha de pagamento]. A gente já contava com 
aquele dinheiro para as contas”, disse a funcionária que recebe o valor referente aos 10% a cada 15 dias. 
“Única coisa que é boa é no fundo de garantia ou seguro-desemprego”, pondera. 
A operadora de caixa Fernanda Moraes, que trabalha em um restaurante de Pinheiros, considera a 
mudança negativa. “Como não entra como receita [para o empregador], ele não vai ter desconto e o 
funcionário vai?”, questiona. 
De fato, o valor arrecadado como gorjeta não entra na receita dos estabelecimentos. Mas, por fazer 
uma administração temporária desses valores, eles terão gastos. “Justamente para cobrir essas 
despesas, encargos sociais, incidências trabalhistas, vai ter um desconto [na folha de pagamento]”, 
explica o advogado trabalhista. 
O desconto na folha de pagamento em relação ao valor arrecadado de gorjeta pode ser de até 20% 
para quem é optante do Simples Nacional – regime tributário diferenciado que contempla empresas - e 
de até 33% para os que estão fora do Simples. 
 
Entenda a nova lei 
A lei nº 13.419 altera pontos do artigo 457 da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). Para o 
advogado trabalhista Marcel Daltro, a regulamentação da distribuição da gorjeta irá diminuir 
“consideravelmente” os problemas. Segundo ele, a média do valor de um processo nessa esfera vai de 
10 a 30 mil reais. 
Algumas questões de procedimento ainda serão definidas em convenções coletivas, como quem tem 
direito ao valor arrecadado. Há estabelecimentos em que todos recebem (cozinha, caixa), e em outros 
apenas os que trabalham no salão. 
As empresas com mais de 60 funcionários terão que formar uma “comissão de empregados” para o 
acompanhamento e fiscalização da regularidade da cobrança e distribuição da gorjeta. 
O texto ainda estabelece que se a empresa tiver cobrado gorjeta por período maior que um ano e 
decidir acabar com a cobrança, a média dos valores recebidos pelo funcionário nos 12 meses anteriores 
deverá ser incorporada ao salário do empregado. 
O empregador que descumprir a nova lei terá que pagar ao trabalhador prejudicado, a título de multa, 
o valor correspondente a 1/30 da média da gorjeta por dia de atraso. 
 
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Investidores dos EUA manterão distância da JBS, diz analista americana41 
Desde a divulgação de detalhes sobre as relações entre os principais políticos brasileiros e os irmãos 
Joesley e Wesley Batista, donos do grupo de empresas que inclui a JBS, muita gente especula que a 
delação premiada dos empresários seria uma estratégia para "limpar a barra" da companhia nos Estados 
Unidos. 
Isso porque os donos da maior produtora de carne do planeta estão preparando um IPO (sigla em 
inglês para Oferta Pública Inicial de ações) bilionário na bolsa de valores de Nova York. 
Com 65 frigoríficos espalhados pelos Estados Unidos, a JBS já é líder nas vendas de carne bovina, 
ovina e de frango no país e pretende expandir ainda mais sua atuação, com a subsidiária JBS Foods 
International. 
Para alguns, a delação que culminou na autorização de uma investigação contra o presidente Michel 
Temer pelo Supremo Tribunal Federal seria uma forma de transmitir "transparência" e mostrar ao 
Departamento de Justiça americano que a empresa estaria disposta a deixar gestos de corrupção no 
passado. Nos Estados Unidos, entretanto, a leitura pode ser diferente. 
Para Shannon O'Neil, pesquisadora sênior do think-tank Council of Foreign Relations (CFR), que edita 
a revista Foreign Affairs, a oferta de ações da empresa em Nova York pode ficar comprometida - mesmo 
com a delação em Brasília. 
"Mesmo que a delação mostre que os líderes da JBS estão cooperando com a Justiça, o fato de eles 
estarem envolvidos (em um escândalo de corrupção) torna tudo mais dificil", disse O'Neil à BBC Brasil 
em Nova York. "Especialmente no caso dos investidores americanos, que podem não conhecer os 
meandros da política brasileira. Eles devem manter distância." 
Corrupção 
Procurada insistentemente pela reportagem ao longo da semana, a sede da JBS nos Estados Unidos 
disse que não comentaria o caso, nem respondeu sobre o IPO na bolsa de Nova York. 
A preocupação da empresa com a repercussão internacional do caso pode ser percebida em um trecho 
de uma carta pública de desculpas, divulgada pelos irmãos na última quinta-feira, após a eclosão do 
escândalo. 
"Em outros países fora do Brasil, fomos capazes de expandir nossos negócios sem transgredir valores 
éticos", ressalta Joesley Batista no texto, mirando o mercado estrangeiro. 
Para O'Neil, o problema começa em terras brasileiras. "Ter seu nome ou o nome da sua empresa 
associados a potenciais vereditos de corrupção nunca é algo bom para quem está querendo entrar em 
um novo mercado", afirmou. 
"O Departamento de Justiça vai acompanhar o caso de perto. Se eles porventura tiverem violado algo 
na Lei Americana Anti-Corrupção no Exterior (FCPA, na sigla em inglês), eles podem ser investigados e 
processados por aqui", afirmou a analista. 
Autoridades brasileiras apuram supostas irregularidadesno financiamento das compras pela JBS das 
empresas Swift, National Beef e Pilgrim's Pride, todas nos Estados Unidos. 
Antes da eclosão das denúncias do acordo de delação premiada, na última quarta-feira, a JBS havia 
sido alvo de quatro operações da Polícia Federal entre julho de 2016 e março de 2017. 
A oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos, inicialmente prevista para o primeiro 
semestre deste ano, foi adiada para o segundo semestre. 
'Ano difícil' 
A especialista também avaliou os impactos da delação para o futuro de Michel Temer e do sistema 
político brasileiro. Segundo O'Neil, a imagem do país vinha se recuperando no exterior, mas "agora muito 
disso mudou". 
"A comunidade internacional estava torcendo ou começando a acreditar que o Brasil tinha mudado de 
caminho. Inflação caindo, crescimento econômico sendo retomado, reformas como o teto do gastos, 
trabalhista e da Previdência caminhando. A comunidade internacional apoia fortemente o ministro da 
Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn", disse. 
"Mas agora muito disso mudou. As reformas pararão e podem retroceder. Sua equipe econômica 
continuará? Eu acredito que sim, independente do que acontecer com Temer, mas não aquela ideia de 
que o Brasil estava finalmente superando seus desafios e seguindo em frente e superando os escândalos 
da Lava Jato. Agora é pior, porque elas envolvem diretamente o presidente", diz. 
A especialista completa: "Os problemas de Dilma durante o impeachment não estavam exatamente no 
âmbito da Lava Jato, eles tinham a ver com procedimentos orçamentários." 
 
41 SENRA, RICARDO. Investidores dos EUA manterão distancia da JBS, diz analista americana. BBC Brasil. Disponível em: Acesso em 22 de maio de 2017. 
 
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A reportagem pergunta se, frente à instabilidade política, seria melhor para o país que Temer continue 
ou deixe a presidência. "Neste momento, a habilidade dele para mudar as coisas é bastante limitada, mas 
é difícil saber o que está por vir", ponderou. 
"Pode-se imaginar outro presidente interino para completar o mandato, mas esta pessoa será apenas 
alguém 'ocupando o cargo' até que um novo presidente seja realmente eleito. Então, acho que ele 
continuando ou saindo, o Brasil terá um ano difícil pela frente." 
 
População brasileira já pagou R$ 1 trilhão em impostos este ano42 
A marca de R$ 1 trilhão no painel do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) foi 
registrada às 8h desta sexta-feira (16). O valor equivale ao total de impostos, taxas e contribuições pagos 
pela população brasileira desde o dia 1º de janeiro de 2017. 
Em 2016, o montante de R$ 1 trilhão foi alcançado em 5 de julho. O presidente da entidade, Alencar 
Burti, explica que a arrecadação aumenta quando há crescimento econômico e elevação de impostos. 
“Já que nossa economia não está crescendo, essa diferença de 19 dias reflete aumentos e correções 
feitos em impostos e isenções, além da obtenção de receitas extraordinárias como o Refis [parcelamento 
de débitos tributários]. Reflete também a inflação, que, apesar de ter caído, segue em patamar alto”, 
analisa. Para Burti, “no segundo semestre, espera-se elevação da arrecadação em função da melhora da 
atividade econômica”. 
Arrecadação federal 
O presidente da ACSP esclarece que, embora a arrecadação federal tenha caído em termos reais, é 
o número nominal (sem descontar a inflação), o mesmo medido pelo Impostômetro, que deve ser 
analisado. “Nosso painel não mede apenas tributos federais. Também entram na conta os estaduais e 
municipais. O que temos que observar são os valores nominais, porque os gastos são todos nominais”. 
 
Estados Unidos suspendem importação de carne fresca do Brasil43 
Medida é anunciada após recorrentes preocupações sobre segurança dos produtos 
BRASÍLIA - O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira que suspendeu todas as 
importações de carne in natura do Brasil. Em comunicado, o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, 
Sonny Perdue, informou que há "preocupações recorrentes sobre a segurança dos produtos destinados 
ao mercado americano". 
Os EUA tinham passado mais de 10 anos sem comprar carne fresca brasileira e só reabriu o mercado 
no ano passado. Os americanos são tradicionais importadores de carne industrializada do Brasil. A 
decisão de suspender as importações é mais um revés para a indústria de carne, que enfrenta uma 
sequência de problemas desde o início do ano, que afetam as exportações e o preço dos produtos e 
comprometem toda a indústria cadeia do setor no Brasil. 
As autoridades dos EUA informaram que a suspensão dos embarques permanecerá em vigor até que 
o Ministério da Agricultura do Brasil tome medidas corretivas que os Estados Unidos considerem 
satisfatórias. 
O Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos dos Estados Unidos informou, em comunicado, que 
desde março vem inspecionando todos os produtos de carne que chegam do Brasil ao país. As 
autoridades recusaram a entrada para 11% dos produtos brasileiros de carne fresca, segundo o texto. 
"Esse valor é substancialmente superior à taxa de rejeição de 1% das remessas do resto do mundo. 
Desde a implementação do aumento da inspeção, foi recusada a entrada para 106 lotes de produtos 
bovinos brasileiros devido a problemas de saúde pública, condições sanitárias e problemas de saúde 
animal. É importante notar que nenhum dos lotes rejeitados chegou ao mercado norte-americano", 
informou o comunicado. 
O governo americano disse ainda que o Brasil se comprometeu a resolver essas preocupações. Os 
compradores dos Estados Unidos identificaram irregularidades provocadas pela reação à vacina da febre 
aftosa na carne enviada ao país. Em alguns casos, a vacina pode provocar manchas internas na carne. 
Na semana passada, o Ministério da Agricultura já havia suspendido as exportações de cinco frigoríficos 
para os Estados Unidos. 
"Garantir a segurança do fornecimento de alimentos da nossa nação é uma das nossas missões 
críticas, e é uma tarefa que empreendemos com muita seriedade. Embora o comércio internacional seja 
uma parte importante do que fazemos nos EUA, e o Brasil seja há muito tempo um dos nossos parceiros, 
minha primeira prioridade é proteger os consumidores americanos. Foi isso o que fizemos ao interromper 
 
42 SOUZA, LUDMILLA. População brasileira já pagou R$1 trilhão em impostos esse ano. EBC Agência Brasil. Disponível em: 
 Acesso em 16 de junho de 2017. 
43 VENTURA, M. SORIMA, N. J. Estados Unidos suspendem importação de carne fresca do Brasil. O Globo, Economia. Disponível em: 
 Acesso em 23 de junho de 2017. 
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a importação de carne fresca brasileira", disse o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny 
Perdue, por meio de comunicado à imprensa. 
O GLOBO procurou o Ministério da Agricultura, que ainda não se manifestou. Entre janeiro e maio 
deste ano, o Brasil exportou US$ 18,9 milhões em carne fresca para os Estados Unidos, segundo dados 
da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). 
— Isso é um absurdo e é inconsequente. Isso se trata de reação a um componente da vacina contra 
a febre aftosa. É um prejuízo intangível. Nós levamos mais de 15 anos para abrir o mercado, estávamos 
preparando para acessar os parceiros do Nafta, vamos ter que rever isso. Agora, além dos problemas 
internos, tem isso. O problema é muito sério —de 
independência nas Antilhas permitiram a recuperação de mercado do açúcar brasileiro. 
No estado, na segunda metade do século XIX, a borracha despontou como produto de exportação. O 
látex produzido no Mato Grosso era exportado para diversas partes do mundo industrializado, com 
PERÍODO IMPERIAL. 1. A crise da mineração e as alternativas 
econômicas da Província; 2. A Rusga; 3. Os quilombos em Mato 
Grosso; 4. Os Presidentes de Província e suas realizações; 5. A Guerra 
da Tríplice Aliança contra o Paraguai e a participação de Mato 
Grosso; 6. A economia mato-grossense após a Guerra da Tríplice 
Aliança contra o Paraguai; 7. O fim do Império em Mato Grosso. 
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. 6 
destaque para Diamantino, grande centro produtor e Cuiabá, centro comercial do produto. No território 
hoje correspondente ao Mato Grosso do Sul, a extração do mate, durante aproximadamente 20 anos, 
também rendeu bons lucros para a Província. 
Após a Proclamação da República em 1889, várias usinas açucareiras foram criadas e se 
desenvolveram. Entre elas se destacaram as usinas Conceição, Aricá, Flechas, São Miguel e Itaici. Esses 
grandes empreendimentos foram, na época, o maior indício de desenvolvimento industrial de Mato 
Grosso. 
 
A Rusga6 
Após o processo de independência, o cenário político nacional se viu fragmentado em dois setores 
maiores que disputavam o poder entre si. De um lado, os políticos de tendência liberal defendiam a 
autonomia política das províncias e a reforma das antigas práticas instauradas durante a colonização. Do 
outro, os portugueses defendiam uma estrutura política centralizada e a manutenção dos privilégios que 
desfrutavam antes da independência. 
Com a saída de Dom Pedro I do governo e a instalação dos governos regenciais, a disputa entre esse 
dois grupos políticos se acirrou a ponto de deflagrar diversas rebeliões pelo Brasil. Na região do Mato 
Grosso, a contenda entre liberais e conservadores era representada, respectivamente, pela “Sociedade 
dos Zelosos da Independência” e a “Sociedade Filantrópica”. No ano de 1834, as disputas naquela 
província culminaram em um violento confronto que ganhou o nome de Rusga. 
Segundo pesquisas, os liberais mato-grossenses organizaram um enorme levante que pretendia retirar 
os portugueses do poder com a força das armas. No entanto, antes do ocorrido, as autoridades locais 
souberam do levante combinado. Com isso, tentando desarticular o movimento, decidiram colocar o 
tenente-coronel João Poupino Caldas – aliado dos liberais – como novo governador da província. Apesar 
da mudança, o furor dos revoltosos não foi contido. 
Na madrugada de 30 de maio de 1834, ao som de tiros e palavras de repúdio contra os portugueses, 
cerca de oitenta revoltosos partiram do Campo do Ourique e tomaram o Quartel dos Guardas Municipais. 
Dessa forma, conseguiram conter a reação dos soldados oficias e tomaram as ruas da capital em busca 
dos “bicudos”. “Bicudo” era um termo depreciativo dirigido aos portugueses que foi inspirado pelo nome 
do bandeirante Manuel de Campos Bicudo, primeiro homem branco que se fixou na região. 
A ordem dos “rusguentos” era de saquear a casa dos portugueses e matar cada um que se colocasse 
em seu caminho, levando como troféu a orelha de cada inimigo morto. Segundo alguns relatos, centenas 
de pessoas foram mortas pela violenta ação que aterrorizou as ruas de Cuiabá. Logo após o incidente, 
foram tomadas as devidas providências para que os líderes e participantes da Rusga fossem presos e 
julgados pelas autoridades. 
Em um primeiro momento, Poupino Caldas quis contornar a situação sem denunciar o ocorrido para 
os órgãos do governo regencial. Contudo, não suportando o estado caótico que se instalou na cidade, 
pediu socorro do governo central, que – de imediato – nomeou Antônio Pedro de Alencastro como novo 
governador da província. Contando com o auxílio da antiga liderança liberal, os cabeças do movimento 
foram presos e mandados para o Rio de Janeiro. 
Apesar de nenhum dos envolvidos sofrer algum tipo de punição das autoridades, o clima de disputa 
política continuava a se desenvolver em Cuiabá. O último capítulo dessa revolta aconteceu em 1836, 
quando João Poupino Caldas – politicamente desprestigiado – resolveu deixar a província. No exato dia 
de sua partida, um misterioso conspirador o alvejou pelas costas com uma bala de prata. Na época, esse 
tipo de projétil era especialmente utilizado para matar alguém que fosse considerado traidor. 
 
Os Presidentes de Província 
 
Primeiro Reinado (1822-1831) 
Luís de Castro Pereira 
20 de agosto de 1821 - 1º de agosto de 1822 
 
— Jerônimo Joaquim Nunes 
1º de agosto de 1822 - 20 de agosto de 1822 
 
— Antônio José de Carvalho Chaves 
20 de agosto de 1822 - 30 de julho de 1823 
 
 
6 http://guerras.brasilescola.uol.com.br/seculo-xvi-xix/rusga-mato-grosso.htm 
1338106 E-book gerado especialmente para TIAGO DE AGUIAR COSTA
 
. 7 
— Manuel Alves da Cunha 
30 de julho de 1823 
 
José Saturnino da Costa Pereira 
10 de setembro de 1825 - 3 de maio de 1828 
 
— Jerônimo Joaquim Nunes 
— André Gaudie Ley 
1º de janeiro de 1830 - 21 de janeiro de 1830 
 
Período regencial (1831-1840) 
Antônio Correia da Costa 
21 de julho de 1831 
 
— André Gaudie Ley 
19 de abril de 1830 - 4 de dezembro de 1830 
 
— Antônio Correia da Costa 
3 de dezembro de 1833 - 26 de maio de 1834 
 
— José de Melo Vasconcelos 
24 de maio de 1834 - 26 de maio de 1834 
 
— João Poupino Caldas 
28 de maio de 1834 - 22 de setembro de 1834 
 
Antônio Pedro de Alencastro 
22 de setembro de 1834 - 31 de janeiro de 1836 
 
— Antônio José da Silva 
— Antônio Correia da Costa 
1º de fevereiro de 1836 - 24 de fevereiro de 1836 
 
— Antônio José da Silva 
José Antônio Pimenta Bueno, Marquês de São Vicente 
26 de agosto de 1836 - 1838 
 
— José da Silva Guimarães 
21 de maio de 1838 - 16 de setembro de 1838 
 
Estêvão Ribeiro de Resende 
16 de setembro de 1838 - 25 de outubro de 1840 
 
Segundo Reinado (1840-1889) 
— Antônio Correia da Costa 
25 de outubro de 1840 - 28 de outubro de 1840 
 
José da Silva Guimarães 
28 de outubro de 1840 - 9 de dezembro de 1842 
 
— Antônio Correia da Costa 
9 de dezembro de 1842 - 11 de maio de 1843 
 
— José da Silva Guimarães 
11 de maio de 1843 - 7 de agosto de 1843 
 
— Manuel Alves Ribeiro 
7 de agosto de 1843 - 5 de outubro de 1843 
 
1338106 E-book gerado especialmente para TIAGO DE AGUIAR COSTA
 
. 8 
— José Mariano de Campos 
5 de outubro de 1843 - 24 de outubro de 1843 
 
Zeferino Pimentel Moreira Freire 
24 de outubro de 1843 - 26 de setembro de 1844 
 
Ricardo José Gomes Jardim 
26 de setembro de 1844 - 5 de abril de 1847 
 
João Crispiniano Soares 
5 de abril de 1847 - 6 de abril de 1848 
 
— Manuel Alves Ribeiro 
6 de abril de 1848 - 31 de maio de 1848 
 
— Antônio Nunes da Cunha 
31 de maio de 1848 - 30 de setembro de 1848 
 
Joaquim José de Oliveira 
27 de setembro de 1848 - 8 de setembro de 1849 
 
João José da Costa Pimentel 
8 de setembro de 1849 - 11 de fevereiro de 1851 
 
Augusto João Manuel Leverger, Barão de Melgaço 
11 de fevereiro de 1851 - 1º de abril de 1857 
 
— Albano de Sousa Osório 
1º de abril de 1857 - 28 de fevereiro de 1858 
 
Joaquim Raimundo de Lamare, Visconde de Lamare 
28 de fevereiro de 1858 - 13 de outubro de 1859 
 
Antônio Pedro de Alencastro 
13 de outubro de 1859 - 8 de fevereiro de 1862 
 
Herculano de Souza Ferreira Pena 
8 de fevereiro de 1862 - 14 de maio de 1863 
 
— Augusto Leverger, Barão de Melgaço 
9 de agosto de 1865 - 13 de fevereiro de 1866 
 
Alexandre Manuel Albino de Carvalho 
15 de julho de 1863 - 9 de agosto de 1865 
 
Augusto Leverger, Barão de Melgaço 
13 de fevereiro de 1866 - 1º de maio de 1866 
 
— Albano de Sousa Osório 
1º de maio de 1866 - 2 de fevereiro de 1867 
 
José Vieira Couto de Magalhães 
2 de fevereirodisse o presidente da Abiec, Antonio Camardell, 
acrescentando: 
— O produtor não tem nada a ver com isso. O abscesso é oriundo de um componente da vacina. O 
Brasil está perdendo o mercado americano por conta de uma falha de sistema. 
O consultor Cesar de Castro Alves, da MB Agro, observa que o volume exportado de carne fresca para 
os EUA não é significativo. Mesmo assim, a preocupação é com a sinalização que os EUA dão a outros 
mercados importantes que o Brasil almejava entrar com esses produtos. 
— O volume exportado de carne fresca aos EUA não é significativo. Mas a sinalização é ruim. O Brasil 
começou a exportar carne fresca para os americanos no ano passado, depois de cerca de dez anos de 
negociações. Com essa abertura, almejava entrar em mercados importantes como Japão e Coréia do Sul 
— afirmou Alves. 
O especialista ressalta que os EUA são muito cuidados com as exigências sanitárias estabelecidas 
para carnes in natura. 
— Carnes cujo rebanho não foi vacinado contra a febre aftosa, por exemplo, podem ser rejeitadas. 
Isso não está relacionado a má qualidade do produto, mas à falta de cuidado com as exigências impostas 
pelos EUA — diz o especialista. 
Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a 
notícia não poderia ter sido pior. Ainda mais agora, que os EUA decidiram facilitar as importações de 
carnes da China. 
— A notícia é lamentável. Foram longos anos de negociações para abrir o mercado americano. É uma 
péssima notícia para nós — afirmou Castro. 
Entre os produtores, a notícia é "péssima" e afeta ainda mais a credibilidade da carne brasileira. 
— Para o Brasil em geral é uma questão de credibilidade. Infelizmente as instituições do Brasil estão 
fragilizadas. Das mais altas e inclusive a segurança sanitária — disse o vice-presidente da Sociedade 
Rural Brasileira, Pedro de Camargo Neto. 
MINISTÉRIO JÁ HAVIA ANUNCIADO SUSPENSÃO DE EXPORTAÇÕES 
Na quarta-feira, porém, o Ministério da Agricultura anunciou que já havia suspendido as exportações 
de carne de cinco frigoríficos para os Estados Unidos, desde a semana passada. Segundo a pasta, o 
mecanismo de "autossuspensão" permite que as exportações sejam retomadas de forma mais rápida, 
após os problemas serem resolvidos. 
Em nota, o ministério afirmou que trabalha para "prestar todos os esclarecimentos e correções no 
sentido de normalizar a situação. A proibição está valendo desde a última sexta-feira e continuará em 
vigor até que sejam adotadas 'medidas corretivas'". 
 
Prévia da inflação oficial acumula 3,52%, aponta IBGE44 
Na menor taxa dos últimos 10 anos foi influenciada por alimentos, bebidas e transportes, que 
registraram deflação 
A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-
15), registrou 0,16% em junho deste ano, abaixo da taxa de 0,24% de maio. É o índice mais baixo para a 
prévia de junho desde 2006, quando o IPCA-15 chegou a -0,15%. 
De acordo com dados divulgados nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE), com a prévia de junho, a inflação oficial acumula taxa de 3,52% em 12 
meses. A taxa acumulada em 12 meses é a menor desde junho de 2007 (3,44%). 
Entre os grupos de despesa que mais contribuíram para a queda da inflação na prévia do mês estão 
os alimentos e bebidas, que registraram deflação (redução de preços) de 0,47% e os transportes (-0,10%). 
Preços de alimentos têm queda 
A diminuição de preços nos alimentos foi influenciada principalmente pelos produtos comprados para 
consumo em casa, que ficaram 0,83% mais baratos, entre eles, o tomate (-12,41%), frutas (-7,20%), óleo 
de soja (-3,85%), pescados (-2,93%) e arroz (-1,70%). A refeição fora de casa ficou 0,19% mais cara. 
 
44 AGÊNCIA BRASIL. Prévia da inflação oficial acumula 3,52%, aponta IBGE. Correio do Povo. Disponível em: Acesso em 23 de junho de 2017. 
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. 73 
Entre os principais responsáveis pela queda de 0,10% no custo dos transportes na prévia de junho se 
destacam o etanol (-2,05%), gasolina (-0,37%) e ônibus interestaduais (-0,95%). 
Eletricidade mais cara 
Na contramão da média da inflação oficial, os gastos com habitação cresceram 0,93%, puxados pelo 
aumento do custo com energia elétrica (2,24%), taxa de água e esgoto (1,57%), condomínio (1,14%) e 
artigos de limpeza (0,84%). 
 
Temer sanciona lei que permite preço diferente para cada forma de pagamento45 
Comerciantes poderão cobrar valores diferentes para pagamento em dinheiro ou no cartão, por 
exemplo, o que era proibido. Medida foi anunciada em dezembro e pode reduzir custo do crédito. 
O presidente Michel Temer sancionou nesta segunda-feira (26) a lei que permite aos comerciantes 
cobrarem preços diferentes para um mesmo produto, dependendo da forma como o cliente paga e do 
prazo de pagamento. 
Assim, o comerciante fica autorizado a cobrar um preço de quem paga com cartão e outro de quem 
paga em dinheiro, por exemplo. A prática, apesar de já ser comum no comércio, era proibida. 
A mudança foi proposta em dezembro pelo governo em forma de uma medida provisória. Como MPs 
têm validade imediata, a regra já estava em vigor desde aquela época. O texto, porém, teve que passar 
pelo Congresso, onde foi aprovado e enviado para sanção ou veto presidencial. 
Quando do anúncio, em dezembro, o governo disse esperar que a nova regra contribua para a redução 
dos custos do crédito ao consumidor. A Proteste, associação que atua na defesa do consumidor, é contra 
a medida. 
Ao passar pela análise do Congresso, os parlamentares incluíram no texto que o fornecedor do produto 
ou serviço deverá informar, em local visível ao consumidor, eventuais descontos oferecidos em função 
do prazo ou do instrumento de pagamento usado. 
No caso de descumprimento das regras, os comerciantes ficarão sujeitos a punições previstas em uma 
lei de 1990, como multa, apreensão de produtos, cassação de licença da atividade e interdição do 
estabelecimento. 
Em discurso após a sanção, Temer afirmou que a medida traz transparência para a economia. Para o 
presidente, a lei vai estimular a concorrência entre as operadoras de cartões, reduzir custos para o 
comerciante e beneficiar o consumidor. 
"Essa é uma medida de proteção ao consumidor. O lojista pode dar as mais variadas opções para o 
consumidor escolher. Em vez de impor amarras, nós damos liberdade. Cada indivíduo sabe o melhor 
para si. Não é o estado que deve saber", disse. 
Transferência de renda 
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou, também durante a cerimônia, que a lei promove 
a modernização do sistema de pagamento e do sistema financeiro brasileiro em geral. 
De acordo com ele, um dos principais impactos é a redução do subsídio cruzado entre consumidores 
que pagam em dinheiro e no cartão. 
As compras em cartão envolvem a cobrança de taxas pelas operadoras e que são repassadas aos 
consumidores. Com a regra que previa preço único para os produtos, tanto aqueles que pagam em 
dinheiro quanto os que pagam com o cartão acabavam sendo onerados por esse custo extra. 
Com a mudança, a expectativa é que, a partir de agora, quem paga em dinheiro fique livre dessa 
cobrança e acabe tendo desconto no valor dos produtos. 
"Famílias de baixa renda, que pouco usam o cartão, estão transferindo renda para famílias de renda 
mais elevada, que usam mais o cartão", apontou Meirelles. 
Proteste é contra 
A Proteste, associação que atua na defesa do consumidor, critica a mudança. De acordo com a 
entidade, a diferenciação de preços é contra a lei e não há garantia na lei de que haverá desconto para 
o pagamento em dinheiro, por exemplo. 
De acordo com a Proteste, a medida pode resultar no sobrepreço de produtos, já queos consumidores 
não terão condições de identificar se o preço a ser pago é real. 
A associação aponta ainda que pagamentos em dinheiro, cheque, cartão de débito ou de crédito são 
todos considerados à vista. E que os usuários de cartão pagam taxas, como de anuidade, além de juros 
no caso de parcelamento das faturas, o que não justificaria a diferenciação de preços. 
 
 
45 CARAM, BERNARDO. Temer sanciona Lei que permite preço diferente para cada forma de pagamento. G1 Economia. Disponível em: Acesso em 26 de junho de 
2017. 
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Produção industrial fecha maio com crescimento de 0,8%, diz IBGE46 
A Produção industrial brasileira fechou o mês de maio com crescimento de 0,8% frente a abril, na série 
livre de influências sazonais. Esta é a segunda taxa positiva consecutiva registrada pela indústria 
brasileira, que em abril subiu 1,1%. 
Os dados foram divulgados hoje (4), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dizem 
respeito à Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Brasil (PIM-PF). Com o resultado de maio, a 
indústria passou a acumular nos dois últimos meses expansão de 1,9%, eliminando a queda de 1,6% 
observado em março. 
Quando os dados de maio são confrontados com o mesmo mês do ano passado (série sem ajuste 
sazonal), no entanto, a indústria brasileira registrou em maio último avanço de 4%, o maior crescimento 
acumulado para o total da indústria deste os 4,8% registrados em fevereiro de 2014. 
A taxa acumulada dos primeiros cinco meses do ano ficou em 0,5%. No resultado acumulado dos 
últimos 12 meses (a taxa anualizada) o comportamento da indústria continua negativo: queda de 2,4%, 
prosseguindo com a redução no ritmo de queda iniciada com os -9,7% de junho de 2016. 
Crescimento é generalizado 
O crescimento de 0,8% da atividade industrial na passagem de abril para maio de 2017 teve 
predomínio de resultados positivos, alcançando, segundo o IBGE, todas as quatro grandes categorias 
econômicas e 17 dos 24 ramos pesquisados. 
Para o gerente de pesquisa do IBGE, André Macedo, no entanto, “há nitidamente uma melhora de 
ritmo da indústria com duas altas seguidas, o que repõem a perda de março”. Ele lembra que houve um 
perfil disseminado de aumento da produção, mas admiti que “ainda estamos longe de recuperar o que se 
perdeu." 
Segundo ele, “esse aumento da produção industrial precisa ser relativizado: é claro que houve uma 
melhora de ritmo, mas ainda há um espaço importante a ser percorrido para a indústria recuperar as 
perdas do passado.” 
Quando analisado pelo lado das grandes categorias econômicas, os destaques de abril para maio 
(série livre de influências sazonais) ficaram com bens de consumo duráveis que chegou a registrar em 
maio expansão de significativos 6,7%; seguido de bens de capital (3,5%), ambas as categorias 
intensificando o crescimento que já havia sido verificada em abril último: 2,9% e 1,9%, respectivamente. 
Mesmo com resultados menos expressivos, os segmentos de bens de consumo semi e não-duráveis 
também fecharam com crescimento de abril para maio. No caso de bens de consumo semi e não-duráveis 
a expansão de 0,7% - o que interrompe uma série de três meses consecutivos de queda, período em que 
acumulou retração de 3,3%; em bens intermediários, a alta de 0,3% constitui-se no segundo resultado 
positivo consecutivo, acumulando nesse período crescimento de 2,3%. 
Análise por setores 
Do ponto de vista dos segmentos pesquisados pelo IBGE, a principal influência positiva foi registrada 
pelos veículos automotores, reboques e carrocerias, que chegou a avançar expressivos 9%, frente a abril 
influenciado, em grande parte, pela maior fabricação de automóveis e caminhões. 
Segundo o IBGE, o resultado de maio foi o mais elevado para o segmento desde os 10,4% de 
dezembro de 2016 e intensificando a expansão de 3,9% verificada no mês anterior. 
Outras contribuições positivas importantes sobre o total da indústria vieram de produtos alimentícios 
(2,7%) e de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (4%), com o primeiro 
eliminando o recuo de 0,6% observado no mês anterior; e o segundo completando o terceiro mês 
consecutivo de crescimento na produção, período em que acumulou alta de 8,5%. 
Entre os seis ramos que reduziram a produção nesse mês, os desempenhos de maior relevância para 
a média global foram assinalados por produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,2%) e 
produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-7,6%). 
Maio 2017/maio 2016 
O crescimento de 4% em maio deste ano comparativamente a maio do ano passado (série sem ajuste 
sazonal) por sua vez reflete resultados positivos em todas as quatro grandes categorias econômicas, 18 
dos 26 ramos, 51 dos 79 grupos e 59% dos 805 produtos pesquisados. 
Ao comentar os números da indústria em maio, o gerente da pesquisa, André Macedo, ressaltou, que 
apesar dos últimos resultados positivos, a Indústria ainda se encontra em um patamar 18,5% abaixo 
do recorde de produção, registrado em junho de 2013. 
Entre as grandes categorias econômicas, na comparação anual o principal destaque ficou com Bens 
de consumo duráveis, com expressivo crescimento de 20,7%), ainda no confronto com igual mês do ano 
anterior; seguido pelo setor produtor de bens de capital, que cresceu 7,6% - em ambos os casos o 
 
46 OLIVEIRA, NIELMAR. Produção industrial fecha maio com crescimento de 0,8%, diz IBGE. EBC Agência Brasil. Disponível em: Acesso em 04 de julho de 2017. 
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crescimento foi superior à média nacional de 4% para o total da indústria nesta base de comparação. O 
crescimento de bens intermediários foi 2,9% e o de bens de consumo semi e não-duráveis de 1,4%. 
Segundo o IBGE, ao crescer 20,7%, bens de consumo duráveis registrou no índice mensal de maio a 
sétima taxa positiva consecutiva nesse tipo de comparação e a mais elevada desde os 23,3% de fevereiro 
de 2014. 
Assim como no indicador livre de influência sazonal, também no índice com influência sazonal o setor 
foi particularmente impulsionado pelos avanços na fabricação de automóveis (35,1%) e de 
eletrodomésticos da “linha marrom” (26,8%). Vale citar também os resultados positivos dos grupamentos 
de móveis (4,7%) e de outros eletrodomésticos (2,2%). 
Por outro lado, eletrodomésticos da “linha branca” (-4,3%) e motocicletas (-14,8%) apontaram os 
impactos negativos mais importantes. 
Já o avanço de 7,6% na categoria de bens de capital reverteu a queda de 4,7% de abril último, que 
havia interrompido cinco meses de taxas positivas consecutivas na comparação com igual mês do ano 
anterior. O segmento foi influenciado pelos avanços observados na maior parte dos seus grupamentos, 
com destaque para a expansão vinda de bens de capital para equipamentos de transporte, que chegou 
a crescer 16%. 
 
Sociedade 
 
Em 79º lugar, Brasil estaciona no ranking de desenvolvimento humano da ONU 
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou nesta terça-feira (21/03) o 
Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), e o Brasil se manteve no 79º lugar no ranking que abrange 
188 países, do mais ao menos desenvolvido. O relatório foi elaborado em 2016 e tem como base os 
dados de 2015. 
O IDH é um índice medido anualmente pela ONU e utiliza indicadores de renda, saúde e educação. 
O ranking mundial de desenvolvimento humano dos países apresenta o índice de cada nação, que 
varia de 0 a 1 – quanto mais próximo de um, mais desenvolvido é o país. No RDH divulgado nesta terça, 
o Brasil registrou IDH de0,754, mesmo índice que havia sido registrado em 2014. 
Conforme o relatório da Pnud, esta foi a primeira vez desde 2010 que o IDH do Brasil se manteve no 
mesmo patamar: 
 
A ONU divide os países entre os que têm o desenvolvimento humano "muito alto", "alto", "médio" e "baixo". 
Veja na imagem abaixo quais países ocupam os primeiros lugares no ranking mundial de IDH; os que 
estão próximos à faixa do Brasil; e os que ocupam os últimos lugares no ranking: 
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América Latina 
Na América do Sul, alguns países vizinhos ao Brasil apresentaram índices de desenvolvimento 
humano melhores. 
O Chile, por exemplo, ficou em 38º lugar, com IDH 0,847; a Argentina, em 45º lugar (IDH 0,827); o 
Uruguai, em 54º lugar (IDH 0,795); e a Venezuela, em 71º lugar (IDH 0,767). 
No Mercosul, o único abaixo do Brasil no ranking é o Paraguai, no 110º lugar (IDH 0,693). O país se 
enquadra naqueles com desenvolvimento humano "médio", segundo a ONU. Outros países vizinhos, 
como Equador (IDH 0,739) e Colômbia (IDH 0,727), ficaram nas posições 89 e 95, respectivamente. 
Na América Central, também há países melhores classificados do que o Brasil. Cuba, por exemplo, 
está no 68º lugar (IDH 0,775); Trinidad e Tobago, no 65º lugar (IDH 0,780); e Barbados, na 54ª posição 
(IDH 0,795). 
 
Brics 
Entre os Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o país está atrás somente 
da Rússia, no 49º lugar (IDH 0,804). 
Na sequência, entre os países do grupo, aparecem China, no 90º lugar (IDH 0,738, excluída Hong 
Kong); África do Sul, na 119ª posição (IDH 0,666); e Índia, no 131º lugar (IDH 0,624). 
 
Desigualdade 
Ao elaborar o Relatório de Desenvolvimento Humano, o Programa das Nações Unidas para o 
Desenvolvimento também divulga o "IDH ajustado à desiguldade". 
Nem todos os países têm esse índice medido pela ONU. No caso do Brasil, o Pnud afirma que, se for 
levado em conta o "IDH ajustado à desigualdade", o índice de desenvolvimento humano do país cairia de 
0,754 para 0,561 e o Brasil cairia 19 posições no ranking mundial. Países vizinhos como Argentina e 
Uruguai também perderiam posições, 6 e 7, respectivamente. 
Entre os 20 primeiros países do ranking, classificados entre as nações com desenvolvimento humano 
"muito alto", somente Países Baixos, Islândia, Suécia e Luxemburgo ganhariam posições, se levada em 
conta a desigualdade social. Estados Unidos, Dinamarca e Israel, por exemplo, cairiam. 
 
Escolaridade e expectativa de vida 
Um dos itens que compõem o IDH é a expectativa de anos de estudo dos cidadãos. De 2010 a 2013, 
esse número subiu de 14 anos para 15,2 anos, mas, desde então, não aumentou, se mantendo o mesmo 
em 2014 e em 2015. 
A média de anos de estudo, por outro lado, manteve neste ano a trajetória de crescimento que vem 
sendo registrada desde 2010. Naquele ano, eram 6,9 anos. O número, então, subiu para 7,2 anos em 
2012 e para 7,7 anos em 2014, por exemplo, chegando a 7,8 anos em 2015. A média brasileira, porém, 
está abaixo das registradas no Mercosul e nos Brics. 
Outro idem levado em conta na composição do IDH é a expectativa de vida ao nascer. Segundo o 
relatório divulgado nesta terça, a expectativa dos brasileiros manteve a trajetória de crescimento dos 
últimos. De 2014 para 2015, o índice subiu de 74,5 anos para 74,7 anos. 
Desde 2010, o número tem subido. Naquele ano, eram 73,3 anos, depois, em 2011, passou para 73,6 
anos; 73,9 anos (2012); e 74,2 anos (2013). 
 
Metodologia 
De acordo com a ONU, o Índice de Desenvolvimento Humano leva em consideração três fatores: 
Saúde (expectativa de vida); 
Conhecimento (média de anos de estudo e os anos esperados de escolaridade); 
Padrão de vida (renda nacional bruta per capita). 
Para formular o IDH, o Pnud informou que não coleta dados com os países analisados, mas, sim, 
checa bases de dados internacionais, como da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização 
Internacional do Trabalho (OIT). 
De acordo com as Nações Unidas, é comum, após a divulgação do IDH, países reivindicarem melhores 
avaliações conforme dados próprios, contrariando o "princípio de independência" que o Pnud defende 
para o ranking mundial. 
O IDH divulgado nesta terça foi elaborado em 2016 com base nos dados de 2015. O relatório do Pnud 
abrange 188 posições (no caso da China, o IDH de Hong Kong é divulgado em separado). 
Segundo a ONU, o índice foi criado como uma forma de se contrapor ao critério de desenvolvimento 
de um país tendo como base somente o resultado de crescimento econômico, medido pelo Produto 
Interno Bruto (PIB). 
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O organismo internacional diz que outros critérios, como acesso à educação e expectativa de vida, 
também devem ser usados para medir o desenvolvimento de um país. 
 
Brasil tem 2,6 milhões de crianças em situação de trabalho infantil, diz estudo47 
O Brasil tem 2,6 milhões de crianças e adolescentes (entre 5 e 17 anos) em situação de trabalho 
infantil, segundo levantamento feito pela Fundação Abrinq. O panorama nacional da infância e 
adolescência é lançado nesta terça-feira (21/03) pela organização sem fins lucrativos que promove a 
defesa dos direitos de crianças e adolescentes. 
A pesquisa ainda aponta um aumento de 8,5 mil crianças de 5 a 9 anos em situação de trabalho infantil, 
e redução de 659 mil crianças e adolescentes na faixa de 10 a 17 anos na comparação entre os anos de 
2014 e 2015 – segundo dados da Pnad 2015. 
A maior parte delas encontra-se nas regiões Nordeste e Sudeste, sendo que, proporcionalmente, a 
Região Sul lidera a concentração desse público nessa condição. 
A compilação reúne os dados mais recentes no tema, disponibilizados em órgãos como IBGE, 
Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Disque Denúncia, entre outros. 
 
Pobreza 
O “Cenário da Infância e Adolescência – 2017” também revela que 17,3 milhões de crianças de 0 a 14 
anos, equivalente a 40,2% da população brasileira nessa faixa etária, vivem em domicílios de baixa renda, 
segundo dados do IBGE (2015). 
Entre as regiões que apresentam a maior concentração de pobreza (pessoas que vivem com renda 
domiciliar per capita mensal igual ou inferior a meio salário mínimo), o Nordeste e o Norte do País 
continuam apresentando os piores cenários, com 60% e 54% das crianças, respectivamente, vivendo 
nessa condição. 
O guia também traz números sobre o que é considerado como “extrema pobreza”, isto é, crianças cuja 
família tem renda per capita é inferior a ¼ de salário mínimo: 5,8 milhões de habitantes (13,5% da 
população) de 0 a 14 anos de idade. 
A publicação chama a atenção sobre o fato de as regiões que mais concentram crianças e 
adolescentes no Brasil apresentarem, justamente, os piores indicadores sociais. No Norte do país, 25,5% 
dos bebês dos nascidos são de mães com menos de 19 anos. 
 
Violência 
De acordo com o estudo, quase 18,4% dos homicídios no país são praticados contra crianças e 
adolescentes. Pouco mais de 80% deles com armas de fogo. 
A região Nordeste concentra a maior proporção de homicídios de crianças e jovens por armas de fogo 
e supera a proporção nacional em 5,4 pontos percentuais. 
 
Trabalhadores com mais de 65 anos ocupam menos de 1% das vagas formais48 
Se a proposta de reforma da Previdência do governo federal for aprovada, a maioria dos brasileiros 
terá que trabalhar além dos 65 anos para conseguir a aposentadoria integral e manter seu padrão de vida 
na terceira idade. Quem optar por esse caminho, vai esbarrar em um número limitado de vagas formais 
para os idosos no mercado de trabalho brasileiro. 
Estimativas do IBGE apontam que a população brasileira tem cerca de 16 milhões de pessoas com 
mais de 65 anos. No entanto, apenas 137,6 mil delas ocupam vagas formais no mercado de trabalho, de 
acordo com dados da Relação Anual de InformaçõesSociais (Rais) de 2015. Esse grupo representa 
apenas 0,3% dos 48 milhões de trabalhadores formais na economia brasileira em 2015. 
Além dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que englobam os 
trabalhadores celetistas (regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT), os números da Rais 
também incluem os servidores públicos federais, estaduais e municipais, além de trabalhadores 
temporários. 
De acordo com a Rais de 2015, dos 5.570 municípios do país, 906 não tinham nenhum trabalhador 
com essa idade. A maior parte dos municípios (4.234) tinha, cada um, menos de 50 trabalhadores com 
65 anos ou mais. 
Entre as cidades com trabalhadores acima de 65 anos, aquela que tem mais pessoas nessa condição 
é São Paulo (15.756), seguida por Rio de Janeiro (10.935), Belo Horizonte (3.652), Brasília (3.508), 
Fortaleza (3.116), Salvador (3.072), Porto Alegre (3.011), Curitiba (2.957), Recife (2.873) e Belém (1.897). 
 
 
47 21/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/brasil-tem-26-milhoes-de-criancas-em-situacao-de-trabalho-infantil-diz-estudo.ghtml 
48 12/01/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/trabalhadores-com-mais-de-65-anos-ocupam-menos-de-1-das-vagas-formais.ghtml 
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. 79 
Reforma da Previdência 
O governo federal apresentou no início de dezembro uma proposta para a reforma da Previdência 
Social. Uma das principais mudanças é a criação de uma idade mínima de aposentadoria, de 65 anos, 
para homens e mulheres. Essa regra inviabilizaria que trabalhadores mais jovens se aposentassem por 
tempo de contribuição, como ocorre atualmente. 
A proposta também muda o cálculo do benefício do aposentado. Para conseguir a aposentadoria 
integral, o trabalhador deveria contribuir por 49 anos. Ou seja, apenas aqueles que começaram a trabalhar 
com 16 anos teriam aposentadoria integral ao se aposentar com a idade mínima. 
A proposta está em tramitação no Congresso Nacional e ainda pode sofrer modificações antes de 
entrar em vigor. 
 
Idosos na economia informal 
De acordo com a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Amélia 
Camarano, o número de idosos com mais de 65 anos trabalhando sobe quando se considera também o 
mercado informal. 
Citando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, ela informou que 
havia cerca de 2,82 milhões de trabalhadores com mais de 65 anos no país em 2014 – enquanto que a 
população economicamente ativa somava mais de 100 milhões de pessoas. 
"As pessoas se aposentam mais cedo. Aqui no Brasil, a legislação permite que as pessoas se 
aposentem cedo e continuem trabalhando. Provavelmente, muitos dos que voltaram a trabalhar estão nas 
atividades informais", avaliou a pesquisadora. Segundo ela, muitos trabalhadores com mais de 65 anos 
atuam no setor de serviços ou na agricultura. 
A pesquisadora defende a necessidade de se fazer uma reforma da Previdência no país, com aumento 
da idade mínima, mas avaliou que é necessário oferecer um "pacote mais completo" para a população, 
englobando também medidas de saúde e de capacitação de idosos para o mercado de trabalho. 
Para o secretário de Finanças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, esses 
números mostram a "realidade do Brasil", onde os trabalhadores ingressam muito cedo no mercado de 
trabalho. 
De acordo com Severo, os empregadores são "preconceituosos". "Um trabalhador acima de 45, 50 
anos não consegue voltar para o mercado de trabalho, que é altamente rotativo. Há uma resistência por 
parte dos empregadores em contratar pessoas com mais idade, assim como os planos de Saúde [em 
aceitar pessoas com mais idade]. É por isso que o mercado de trabalho exige pessoas jovens e, ao 
mesmo tempo, com experiência, [o que é] uma contradição. Isso vai cada vez mais dificultando a vida de 
quem tem mais idade", disse. 
"A CUT é contrária a ter idade mínima para aposentadoria. Defendemos a lógica do tempo de 
contribuição, de 30 anos para mulher e 35 para homem, como está hoje", afirmou ele. 
Empresas terão de se adaptar 
Segundo Celso Bazzola, especialista em Recursos Humanos e diretor da consultoria de RH BAZZ, o 
mercado de trabalho mudou muito nos últimos anos. "Até 2007, 2008 havia uma tendência maior de não 
absorver mão de obra com uma maior idade, mas as empresas vêm percebendo que a experiência é 
importante. Isso já está mudando nos últimos anos", afirmou Bazzola. 
Para ele, com a possibilidade de mudança nas regras de aposentadoria, com a instituição de uma 
idade mínima de 65 anos, conforme a proposta do governo, o mercado de trabalho, principalmente, as 
empresas, terão de começar a analisar a integração de profissionais mais experientes nos seus quadros 
profissionais. 
"Vai ser algo bastante gradativo e muito pontual [o aumento da contratação de pessoas com mais 
idade]. Vai crescendo conforme acontece em outros países já", avaliou Bazzola. 
Segundo o especialista em recursos humanos, os profissionais com mais idade tendem a atuar como 
"tutores" para os mais jovens, em escolas, cursos universitários, "coaching", e engenharia por exemplo. 
"Existe uma absorção interessante acima de 45 anos [nessas áreas]." 
 
Lei de drogas é 'fator chave' para aumento da população carcerária, diz ONG49 
A Lei de Drogas (Lei 11.343) aprovada em 2006 - que endureceu penas para traficantes e as abrandou 
para usuários - é "um fator chave para o drástico aumento da população carcerária no Brasil", afirma o 
27º relatório global da organização Human Rights Watch, divulgado nesta quinta-feira(12/01/17). 
O relatório faz uma análise da situação de direitos humanos ao longo de 2016 em mais de 90 países. 
 
49 12/01/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/lei-de-drogas-e-fator-chave-para-aumento-da-populacao-carceraria-diz-ong.ghtml 
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De acordo com o documento, em 2005, 9% dos presos no Brasil haviam sido detidos por crimes 
relacionados às drogas. Em 2014, eram 28%. Para a ONG, a falta de clareza da legislação acabou 
levando muitos usuários a serem condenados como traficantes. 
Pela legislação, aprovada em agosto de 2006, para definir se o preso é usuário de drogas ou traficante, 
o juiz deve analisar quesitos como quantidade apreendida, histórico do detido, condições da ação, 
antecedentes, etc. Mas para críticos, essa orientação abriu espaço para que decisões fossem tomadas 
por fatores subjetivos. 
Para a diretora no Brasil da HRW, Maria Laura Canineu, "a lei deixou uma subjetividade grande na 
determinação de quem é traficante ou usuário. Pela nossa experiência e nas visitas que fazemos aos 
presídios, percebemos que há um número grande de pessoas cumprindo penas por porte de quantidade 
pequena de drogas. Em um caso em Pernambuco, conhecemos um réu primário de 19 anos que cumpre 
pena de 4 anos de prisão por portar 15 gramas de maconha". 
 
Condições desumanas 
Além de apontar para a legislação - e suas distorções - como uma das principais razões para o 
aumento no número de detentos no Brasil, a ONG cita as rebeliões ocorridas em algumas cidades do 
país desde o início do ano e alerta para a situação precária dos presídios do país e os casos de violação 
dos direitos humanos nesses locais. Segundo dados citados pelo documento, mais de 622 mil adultos 
estão atrás das grades, 67% a mais do que as prisões comportariam. 
O documento ressalta ainda que as mesmas práticas, consideradas desumanas, são aplicadas em 
centros socioeducativos que abrigam menores infratores. 
 
Avanços 
O documento da HRW também cita avanços nos últimos anos, como as audiências de custódia, que 
ajudam os juízes a decidir quem ficaria em prisão preventiva e quais acusados aguardariam o julgamento 
em liberdade. Para a HRW, essas audiências podem ajudar a diminuir a superlotação,já que reduziriam 
o número de presos provisórios. 
 
Abusos policiais 
O relatório da Human Rights Watch também alerta para o aumento do ciclo da violência no Brasil 
provocado por abusos policiais - como execuções extrajudiciais e tortura - cometidos dentro e fora das 
prisões. Segundo dados do Fórum Nacional de Segurança Pública, mais de 3 mil pessoas foram mortas 
por policias em 2015. No mesmo período, foram mortos 393 policiais. 
De acordo com a ONG, embora uma parcela das mortes por policiais sejam resultados de confrontos, 
algumas são decorrentes de execuções extrajudiciais, que alimentam a violência prejudicando a 
segurança pública e colocando em risco a vida de policiais por causa de ações de retaliação. 
Nesse sentido, a ONG critica a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre a anulação do 
julgamento dos 74 policiais envolvidos na morte de 111 detentos na prisão do Carandiru, e afirma que 
"apesar das provas contundentes de que a polícia teria executado os presos", um dos juízes afirmou que 
o ato teria sido em legítima defesa. 
 
Brasil tem greve e protestos em 25 estados contra as reformas de Temer50 
Paralisação de 24 horas convocada por centrais sindicais e movimentos sociais acontece em todo o 
país. Serviços de transporte coletivo, aeroportos e escolas são os principais afetados. 
Diversas cidades em todo o país amanheceram com vias bloqueadas nesta sexta-feira (28/04), devido 
à greve geral contra as reformas trabalhista e da Previdência, ainda em tramitação, e a Lei da 
Terceirização. 
A greve, que pretende ser maior em mais de 20 anos, foi convocada após a Câmara dos Deputados 
aprovar a reforma trabalhista na quarta-feira. Convocada por centrais sindicais e movimentos sociais, a 
paralisação foi acordada nos últimos dias em vários estados por meio de assembleias. Com adesão em 
25 estados e no Distrito Federal, a greve e as manifestações afetaram, sobretudo, os serviços de 
transporte coletivo, aeroportos e escolas. 
 
Brasília 
Rodoviários, metroviários, bancários, professores da rede pública e privada, servidores administrativos 
do governo do DF e do Departamento de Trânsito (Detran), além de técnicos e professores da 
 
50 DW. Brasil tem greve e protestos em 25 estados contra as reformas de Temer. DW Brasil. Disponível em: Acesso em 28 de abril de 2017. 
 
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Universidade de Brasília (UnB) prometeram parar suas atividades por 24 horas, informa a Central Única 
dos Trabalhadores (CUT). 
Também devem aderir vigilantes, trabalhadores do setor de hotéis, bares e restaurantes, servidores 
da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), da Companhia Energética de Brasília (CEB) e 
do Ministério Público da União, além dos trabalhadores do ramo financeiro, como os de transporte de 
valores. 
 
São Paulo 
Pelo menos 15 categorias afirmaram que participarão da greve. Entre elas, estão professores da rede 
pública estadual, municipal e particular, bancários, servidores municipais, trabalhadores da Saúde e 
Previdência do estado e metalúrgicos do ABC. 
Metroviários (com exceção da Linha Amarela), ferroviários (Linhas 7, 10, 11 e 12 da CPTM não 
funcionarão) e rodoviários também cruzarão os braços por um dia, Já os funcionários dos Correios 
decretaram greve nacional por tempo indeterminado. 
 
Rio de Janeiro 
A greve geral tem a adesão de funcionários do metrô, motoristas e cobradores de ônibus, policiais 
civis, militares, federais; servidores da Justiça Federal e da Trabalhista; radialistas; petroleiros; carteiros 
e aeroviários. 
A Secretaria Estadual de Transportes, contudo, informou que os sistemas de metrô, trens, barcas e 
ônibus intermunicipais funcionarão normalmente, ainda que com planos de contingência. 
Professores das escolas públicas e particulares também prometeram aderir, mas as secretarias 
estadual e municipal de Educação avisaram que as escolas abrirão normalmente e que os profissionais 
que faltarem terão o ponto cortado. 
 
Belo Horizonte 
Rodoviários, metroviários, professores das redes pública e privada, servidores públicos, profissionais 
da saúde, trabalhadores dos Correios, eletricitários, bancários, psicólogos, economistas, jornalistas, 
radialistas, petroleiros e aeroportuários, entre outros, prometeram aderir à greve. 
No caso dos professores das escolas municipais, foi aprovada uma greve de dois dias, que teve início 
já na véspera. Professores e servidores da Universidade Federal de Minas Gerais também decidiram 
parar. Algumas unidades do setor de saúde devem funcionar com escala reduzida, a exemplo do Hospital 
de Pronto-Socorro João XXIII e dos hospitais Júlia Kubistchek e Odete Valadares. 
O TRT-MG declarou feriado no órgão, suspendendo as audiências e os prazos que venceriam na data. 
A BH Airport, concessionária do Aeroporto Internacional de Confins, afirmou que os serviços serão 
oferecidos normalmente, mas pede que os passageiros se informem diretamente com as companhias 
aéreas sobre a situação de seus voos. 
 
Salvador 
Rodoviários, bancários, professores das redes estadual e municipal, petroleiros, além de servidores 
municipais, da Justiça e do Ministério Público Estadual afirmaram que irão parar as atividades. Os 
médicos estaduais também informaram que vão suspender os atendimentos eletivos (como consultas), 
mas que os serviços de urgência e de emergência serão mantidos. 
No Aeroporto Internacional de Salvador, aeronautas anunciaram adesão ao movimento, e voos 
poderão ser cancelados ou remarcados. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas orienta os 
passageiros com viagem marcada para que entrem em contato com a empresa aérea e se informem 
sobre possíveis cancelamentos e remarcações. 
 
Recife 
Policiais civis, federais, rodoviários federais, agentes penitenciários e guardas municipais do Recife 
devem aderir à greve geral. Também prometeram parar servidores da Assembleia Legislativa e do 
Ministério Público de Pernambuco, professores e servidores das redes estadual, municipal e privada de 
educação e auditores fiscais da Secretaria da Fazenda do estado. Houve adesão ainda de metalúrgicos, 
petroleiros, químicos, indústria naval, construção pesada, bancários e comerciários. 
Uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT) determinou que os serviços de 
ônibus e metrô funcionem com 50% da frota nos horários de pico e 30% nos demais períodos e 
estabeleceu uma multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento. O Sindicato dos Rodoviários de 
Pernambuco, porém, informou que a paralisação está mantida. 
 
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Porto Alegre 
Rodoviários, metroviários, aeroviários e bancários prometeram aderir à greve. Professores das redes 
municipal, estadual, tanto do setor público quanto privado, também aprovaram a adesão. 
 
Curitiba 
Motoristas e cobradores de ônibus, professores e servidores das escolas municipais e estaduais, 
servidores estaduais da saúde, aeroviários e trabalhadores da limpeza urbana decidiram paralisar nesta 
sexta-feira. 
 
Índio tem mãos decepadas em região de conflito agrário no Maranhão51 
Região está localizada a 220 km de São Luís. Índios e fazendeiros entraram em confronto em disputa 
territorial. 
Um índio teve as mãos decepadas em uma comunidade indígena da cidade de Viana (MA), localizada 
a 220 km de São Luís, nesse domingo (30). A região é alvo de conflito agrário. Segundo o Conselho 
Indigenista Missionário (Cimi), um grupo de fazendeiros atacou o território e feriu ao todo 13 pessoas. De 
acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), houve um "confronto" que deixou cinco feridos. 
Segundo a Pastoral da Terra, os índios, do povo Gamela, foram pegos de surpresa com a chegada de 
dezenas de homens à área. O grupo chegou com armas de fogo, pedaçosde pau e facões. “Eles 
invadiram e já foram atirando e tentando cercar a gente. Circularam para ficarmos no meio. Foi aí que só 
senti o impacto”, relata um sobrevivente. 
O Ministério da Justiça divulgou duas notas na tarde desta segunda. No texto mais recente, a pasta 
informou que "está averigando o conflito agrário no povoado de Bahias". Mais cedo, o órgão havia 
divulgado outro documento dizendo que o caso estava envolvendo "pequenos agricultores e supostos 
indígenas" (leia as duas notas oficiais abaixo). O ministro Osmar Serraglio enviou uma equipe da Polícia 
Federal para evitar novos conflitos. 
 
Disputa por terra 
De acordo com Rosimeire, o território está em embate para devolução aos índios do povo Gamela há 
pelo menos três anos. 
"O povo Gamela está em luto pelo território há pelo menos três a quatro anos. Quem tem 
responsabilidade de fazer essa regularização fundiária é a Funai. A Funai até agora só ficou na primeira 
fase de identificação e nunca mais seguiu com o processo. Então, cansados de esperar por essa 
resolução do estado, que tem a responsabilidade legal de fazer isso, os índios empreenderam ações de 
retomada do território tradicional", disse. 
Após essa espera sem garantia legal do território, Rosimeire disse que há algum tempo os índios 
retomaram a região, tradicional do povo Gamela. Segundo ela, "em defesa da propriedade", uma reunião 
com presença de fazendeiros, pequenos produtores e da Assembleia de Deus teria sido convocada na 
sexta-feira (28), com participação de cerca de 200 pessoas. 
"Havia no dia interior [sexta] uma entrevista, uma convocação, na rádio Maracu, de Viana, convocando 
as pessoas ditas de bem para uma reunião na mesma sexta-feira para o povoado de Santeiro. Então, 
essas pessoas foram para essa reunião, elas comeram, foram embriagadas, e depois foram incentivadas 
por um ódio tremendo para atacar os indígenas", contou. 
"Essas pessoas são pequenos proprietários, fazendeiros, integrantes da Igreja Assembleia de Deus, 
e foram convocando gente do povoado de Santeiro e da região para defender a propriedade", completou. 
O povoado de Santeiro também está localizado na cidade de Viana. 
 
51 G1, MA. Índio tem mãos decepadas em região de conflito agrário no Maranhão. G1 Maranhão. Disponível em: 
 Acesso em 02 de maio de 2017. 
 
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Distribuição dos indígenas no Maranhão, segundo dados do IBGE (Foto: Arte/G1) 
 
De acordo com o Censo 2010, do IBGE, o Maranhão tinha 38.831 índios, sendo que 76,3% estavam 
em terras indígenas. Entretanto, 9.210 estavam fora desses territórios, vivendo em cidades ou áreas não 
demarcadas. 
Ao G1, o presidente da Funai, Antônio Costa, disse que o órgão já foi notificado sobre o ataque aos 
indígenas Gamela e que, a partir desta terça (2), a Procuradoria da fundação será acionada para 
acompanhar as investigações. 
“Não é o primeiro ataque que o povo Gamela sofre. Os ânimos podem se acirrar mais ainda na região. 
O que a gente sabe é que foi um ataque por fazendeiros e uma milícia armada. Esse tipo de ataque já 
ocorreu várias vezes. Não temos nomes. Como estamos na fase de investigação, prefiro não citar [nomes 
de suspeitos]”, afirmou Costa. Segundo ele, é possível que haja mais índios feridos que podem ter fugido 
pelo mato. 
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Sobre a questão da demarcação indígena, o órgão precisa analisar melhor o caso para se posicionar. 
Leia a nota da Secretaria de Estado da Saúde: 
"A Secretaria de Estado da Saúde informa que que três pessoas deram entrada na noite de domingo 
(30) no Hospital Regional Dr José Murad, em Viana. A Secretaria esclarece que Aldenir de Jesus Ribeiro, 
indígena de 37 anos, sofreu ferimentos com arma branca nos antebraços, apresentando fratura externa, 
e também ferimentos por arma de fogo no tórax direito com fratura de costela. Ele teve as mãos 
decepadas e foi encaminhado em estado gravíssimo para o Hospital Djalma Marques, em São Luís. A 
Secretaria acrescenta que os pacientes Domingos Gomes Rabelo, de 60 anos, e Jorge Albuquerque 
Rabelo, de 36 anos, foram atingidos de raspão por arma de fogo, ficaram em observação na unidade e 
foram liberados na manhã desta segunda-feira (1). Outros envolvidos na ocorrência deram entrada no 
Hospital Municipal de Matinha." 
Leia a nota oficial da Secretaria de Segurança Pública do estado: 
"Sobre o episódio registrado no povoado Bahias, no município de Viana, a Secretaria de Estado de 
Segurança Pública (SSP) esclarece que: 
1. Foi registrado no último domingo (30) um confronto entre índios Gamela e seguranças de duas 
fazendas nessa região. As fazendas teriam sido ocupadas pelos índios; 
2. Durante o confronto, cinco pessoas ficaram feridas: três fazendeiros e dois indígenas; 
3. A Polícia Militar do Maranhão (PMMA) foi acionada para impedir a continuidade do confronto. Após 
chegarem ao local, os policiais prestaram socorro às vítimas encaminhando-as para hospitais da região; 
4. Equipes da Polícia Civil foram encaminhados ao local do confronto. Elas se integraram aos policiais 
militares que já atuavam na área para conter novos confrontos. 
5. A Secretaria de Estado de Segurança Pública informa que já instaurou inquérito para investigar as 
circunstâncias em que ocorreram os acontecimentos." 
Leia o posicionamento oficial da Funai sobre o assunto: 
A Coordenação Regional de Imperatriz já está mobilizada tomando todas as providências necessárias 
no caso. A procuradoria da Funai está em contato direto com o delegado do município de Viana, e nossos 
servidores acompanharão em loco o inquérito a partir de amanhã. Também será formado amanhã pela 
manhã um comitê de crise com os diretores e o presidente da Funai para prestar toda a ajuda necessária 
aos feridos e garantir o cumprimento da lei. 
Leia as duas notas do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgadas sobre o caso: 
Mais recente: 
Brasília, 1/5/17 - O Ministério da Justiça e Segurança Pública está averiguando o conflito agrário no 
povoado de Bahias, no Maranhão. Por determinação do ministro Osmar Serraglio, a Polícia Federal já 
enviou uma equipe para o local para evitar mais conflitos e ofereceu apoio à Secretaria de Segurança 
Pública que, por sua vez, já instaurou inquérito para investigar o caso. 
Texto divulgado mais cedo: 
"Brasília, 1/5/17 - O Ministério da Justiça e Segurança Pública está averiguando o ocorrido envolvendo 
pequenos agricultores e supostos indígenas no povoado de Bahias, no Maranhão. Por determinação do 
ministro Osmar Serraglio, a Polícia Federal já enviou uma equipe para o local para evitar mais conflitos e 
ofereceu apoio à Secretaria de Segurança Pública que, por sua vez, já instaurou inquérito para investigar 
o caso. 
 
34% dizem ter vergonha de ser brasileiros, segundo Datafolha52 
Ainda segundo o levantamento, publicado pelo jornal 'Folha de S.Paulo', 63% se sentem mais 
orgulhosos do que envergonhados. 
Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta terça-feira (2) pelo jornal "Folha de S.Paulo" apontou 
que 34% têm vergonha de ser brasileiros. O índice daqueles que têm mais orgulho do que vergonha de 
ser brasileiros é de 63%, o menor valor para a série histórica, segundo o Datafolha. 
O Datafolha questiona a população sobre o orgulho de ser brasileiro desde 2000. O menor resultado 
havia sido em julho de 2016, quando 67% diziam se sentir orgulhosos. Já o menor índice dos 
envergonhados havia sido em 2000, quando era de 9%. 
A atual pesquisa ouviu 2.781 pessoas em 172 municípios na semana passada. A margem de erro de 
2 pontos percentuais para mais ou para menos. 
O Datafolha também ouviu as pessoas sobre a avaliação do Brasil comolugar para viver. Para 54%, 
o Brasil é um país ótimo ou bom para morar, uma queda de sete pontos percentuais desde o final do ano 
passado. Para 26% é regular e para 20% é ruim ou péssimo. 
 
52 G1, BRASÍLIA. 34% dizem ter vergonha de ser brasileiros, segundo Datafolha. G1, Política. Disponível em: Acesso em 02 de maio de 2017. 
 
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Segundo o instituto, as duas avaliações, apesar de estar em queda, ainda mostram otimismo com o 
país, já que a maioria sente orgulho de ser brasileiro e considera o Brasil um bom lugar para morar. 
 
71% são contra reforma da Previdência, aponta pesquisa Datafolha53 
Pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Instituto ouviu 
2.781 pessoas nos dias 26 e 27 de abril. 
Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta segunda-feira (1º) pelo jornal “Folha de S.Paulo” 
mostra que 71% dos brasileiros são contrários à reforma da Previdência e 23%, a favor. Veja os índices: 
- Contra: 71% 
- A favor: 23% 
- Não sabe: 5% 
- Indiferente: 1% 
Segundo o Datafolha, 73% das mulheres e 69% dos homens são contrários à reforma. A rejeição é 
maior entre os mais escolarizados (76% entre os que têm ensino superior, 73% entre os que têm ensino 
médio e 64% entre os que têm ensino fundamental). 
O instituto quis saber os principais pontos de crítica entre os entrevistados. São eles: 
- Contribuição de 40 anos exigida para receber aposentadoria integral: 60% 
- Idade mínima de 65 anos para homens: 27% 
- Idade mínima de 62 anos para mulheres: 25% 
- Todas essas propostas da reforma: 23% 
Segundo o Datafolha, 66% tomaram conhecimento da proposta, sendo que estão: 
- Mais ou menos informados: 39% 
- Bem informados: 18% 
- Mal informados: 9% 
Segundo o Datafolha, entre os que se dizem informados, 78% são contra a reforma. 
Para a maioria dos entrevistados, militares, policiais e professores deveriam ter as mesmas regras de 
aposentadoria. A maior parte dos ouvidos (52%) também diz que o brasileiro se aposenta mais tarde do 
que deveria; 38% acham que isso ocorre na idade adequada e 8%, mais cedo do que deveria. 
Reforma trabalhista 
O Datafolha também questionou os entrevistados sobre a reforma trabalhista. Para 64%, ela privilegia 
mais os empresários que os trabalhadores; 21% consideram que o trabalhador será mais beneficiado. 
Segundo a pesquisa, 58% acham que terão menos direitos com a reforma e 21%, que terão os mesmos 
direitos que terão hoje; 11% acham que terão mais direitos. 
A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e índice de 
confiança de 95%. O Datafolha ouviu 2.781 pessoas em 172 municípios nos dias 26 e 27 de abril. 
 
Alckmin e Doria deixam entrevista coletiva após protesto na região da Cracolândia54 
Governador de São Paulo e Prefeito da capital paulista foram à região da Luz para falar sobre projeto 
da Cracolândia. Manifestantes protestavam contra ações da Prefeitura e do governo do estado. 
Manifestantes contrários às operações na Cracolândia interromperam a entrevista coletiva do prefeito 
de São Paulo, João Doria (PSDB), e o governador, Geraldo Alckmin, marcada para a manhã desta quarta-
feira (24). Com a confusão, os dois acabaram abandonando o local sem concluir a entrevista e o evento 
foi transferido para a sede da Prefeitura. 
Doria e Alckmin começariam a falar sobre uma parceria público-privada para a construção de moradias 
populares na região da Cracolândia, quando manifestantes entraram no estacionamento onde eles 
estavam. Houve confusão e empurra-empurra, e Alckmin e Doria saíram em carro oficial. 
Os manifestantes protestavam contra as ações da Prefeitura e do governo do estado na Cracolândia 
nos últimos dias. No domingo, (21) operação contra o tráfico de drogas na região, no Centro da capital 
paulista, deixou 51 pessoas detidas e afastou usuários de drogas dos quarteirões onde eles ficavam, 
próximo à Luz. Nesta terça-feira, uma demolição de muro na região atingiu um imóvel vizinho e deixou 
três pessoas feridas. 
Nesta quarta-feira, manifestantes chegaram ao local onde estavam Alckmin e Doria aos gritos de 
"fascistas". Eles criticaram a derrubada dos prédios da região sem diálogo com a comunidade que mora 
nas proximidades. 
 
53 G1. 71% são contra reforma da Previdência, aponta pesquisa Datafolha. G1 Economia. Disponível em: Acesso em 02 de maio de 2017. 
 
54 BRANDT, M. PAULO, P. P. SANTIAGO, T. Alckmin e Doria deixam entrevista coletiva após protesto na região da Cracolândia. G1, São Paulo. Disponível em: 
 Acesso em 24 de maio de 2017. 
 
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"Eles dão terrenos públicos para várias instituições privadas, não conversam com os usuários, não 
conversam com os moradores, vem tudo de cima pra baixo, entregando todos os terrenos públicos para 
especulação imobiliária, construindo prédio em cima de sangue", disse um manifestante que vaiou o 
prefeito e o governador e não quis se identificar. 
Devido aos gritos, vaias e xingamentos dos manifestantes, o governador e o prefeito falaram 
rapidamente no palanque. O evento não durou mais que três minutos. Os dois saíram sem falar com a 
imprensa. "Está muita confusão, não dá pra falar aqui", disse Doria. 
A coletiva ocorreu um dia após nova ação na região da Cracolândia contra o tráfico de drogas, que 
teve disparo de bombas de efeito moral e barricadas feitas por moradores. Desde o último domingo (21), 
com a ação que deteve 51 pessoas, a Prefeitura vem chamado a área de Nova Luz e vem prometendo a 
revitalização da região. Usuários de drogas que viviam na Cracolândia têm se espalhado por várias partes 
do Centro nos últimos dias. 
Manifestação 
Após a saída de Doria e Alckmin da coletiva nesta quarta, moradores e comerciantes da região 
continuaram protestando pelo Centro. Renata Soares, que tem uma loja na Alameda Dino Bueno 
reclamou das ações dos últimos dias na região. "Fecharam meu comércio sem eu ter direito de tirar nada 
de dentro", disse Renata, que seguia na frente do ato acompanhada de 3 filhos pequenos. 
O grupo pedia moradia e é contra a internação compulsória de usuários de drogas. Parte dos 
manifestantes entrou na Duque de Caxias e chegou até a General Couto Magalhães, no Comando Geral 
da Guarda Civil Metropolitana. O grupo que chegou ao local após a saída de Doria e Alckmin gritou em 
coro "Doria, seu fujão, tem medo do povão". 
 
Barroso pede desculpas por frase infeliz55 
“É sempre boa a oportunidade para enfrentar o racismo à luz do dia”, desculpa-se 
Na primeira oportunidade que teve, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, 
pediu desculpas por ter usado a expressão “negro de primeira linha” na homenagem feita ontem no STF 
na cerimônia de aposição da foto do ministro Joaquim Barbosa na galeria de ex-presidentes do tribunal: 
“Eu narrava a sua trajetória vitoriosa e pretendi fazer referência de que ele se tornou um acadêmico 
negro de primeira linha. Primeira linha se referia, como intuitivo, a acadêmico. E a referência a negro era 
para celebrar uma pessoa que havia rompido o cerco da subalternidade chegando ao topo da vida 
acadêmica, alguém que contribuiu com integridade e talento para as instituições nacionais como símbolo 
da diversidade que enriquece a sociedade brasileira”, iniciou Barroso. 
“Contudo, me manifestei de modo infeliz e utilizei a expressão ‘negro de primeira linha’. Não há brancos 
ou negros de primeira linha, porque as pessoas são todas iguais emdignidade e direito, sendo 
merecedoras do mesmo respeito e consideração”, admitiu. 
“Eu, portanto, gostaria de pedir desculpas às pessoas a quem possa ter ofendido ou magoado com 
esta frase infeliz. Gostaria de pedir desculpa sobretudo se involuntária e inconscientemente tiver 
reforçado um estereótipo racista que passei a vida tentando combater e derrotar”, disse com a voz 
embargada. 
E concluiu: “Mais de uma pessoa me disse que se eu justificasse a minha fala e pedisse desculpas, 
eu daria mais visibilidade ao fato. É provável, mas é sempre boa a oportunidade para enfrentar o racismo 
à luz do dia, mesmo o que se esconde no nosso inconsciente. E, na frase feliz de Martin Luther King, é 
sempre a hora certa de fazer a coisa certa”. 
 
Parada Gay tem protestos contra Temer em SP56 
Manifestantes carregam cartazes e bótons contrários ao governo 
SÃO PAULO - Além dos famosos e do clamor por mais tolerância, a 21ª Parada do Orgulho LGBT, 
que atraiu segundo os organizadores mais de três milhões de pessoas às ruas de São Paulo neste 
domingo, contou também com manifestações contrárias ao governo de Michel Temer. 
Apesar de os gritos não terem dominado o evento, marcado por música alta vinda dos trios elétricos 
que desfilaram pela Avenida Paulista, uma grande quantidade dos presentes carregava cartazes, faixas 
e portava bótons com frases como “Amar sem Temer”. 
— Eu sou 'Fora Temer', mas acho que nenhum governo nosso fez nada de especial pelas políticas 
LGBT. A gente não vivia num paraíso antes. O que acontece agora é um avanço de políticas 
 
55 Referência: REDAÇÃO JOTA. Barroso pede desculpas por frase infeliz. Jota. Disponível em: Acesso em 09 de junho de 2017. 
56 ARREGUY, JULIANA. Parada gay tem protestos contra Temer em SP. O Globo, Brasil. Disponível em: Acesso em 19 de junho de 2017. 
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conservadoras em diversas áreas e precisamos lutar contra isso. Existe uma desesperança muito grande 
com o PMDB no poder — protestava Gabriel Furlan, estudante de publicidade da USP. 
Era a primeira vez de Gabriel na parada. Ele estava com uma camiseta com os dizeres “Make America 
Gay Again”, em referência ao slogan utilizado na campanha presidencial de Donald Trump nos EUA 
("make america great again"). 
— Usei ela na empresa quando o Trump assumiu a presidência e quis usar aqui hoje, porque acho 
que a América não se refere apenas aos Estados Unidos, mas sim todo o continente — conta o rapaz, 
estagiário de uma grande empresa de tecnologia que é uma das apoiadoras do evento no país. 
Apesar da mensagem bem humorada, Furlan reiterou a “desesperança” no avanço de políticas 
públicas no governo Temer. 
— Mas também precisamos nos manifestar. Não podemos perder força política — disse. 
Na chegada de um dos trios elétricos na Avenida da Consolação, um dos que animavam a marcha 
com microfones se despediu com gritos de “Fora Temer”. Vários se juntaram a ele, mas os gritos 
cessaram rapidamente. 
Uma faixa de protesto com os dizeres “Não me venham com indiretas” circulava no meio da avenida. 
Alguns dos presentes na calçada deram risada do trocadilho, que remete tanto ao clima de “azaração” 
presente na marcha quanto à possibilidade de eleições indiretas caso Michel Temer não permaneça na 
presidência. 
A atriz Malu Galli também esteve presente na marcha. Ela divulgou uma foto na Avenida Paulista e 
acrescentou diversas hashtags na legenda, entre elas #todoscontraahomofobia e #foratemer. 
“Minha vontade de ter ido para a parada LGBT é do tamanho da vontade que eu tenho que o Temer 
caia fora. Fora Temer”, escreveu a internauta identificada por Camz no Twitter. “Se vocês acharam que 
não ia ter um ‘Fora Temer’ na parada gay, estavam muito enganados”, disse outro usuário da rede social. 
O prefeito João Doria (PSDB), em viagem com a família, não compareceu ao evento. Seu vice, Bruno 
Covas, representou a prefeitura na marcha. 
 
Usuários deixam Praça Princesa Isabel e retornam para antiga Cracolândia57 
Praça estava tomada apenas por lixo na noite desta quarta-feira (21). Ruas que antes de ação da 
Prefeitura e da polícia na região da Luz, em 21 de maio, concentravam os dependentes voltaram a ser 
ocupadas. 
Os usuários de drogas que há exato um mês ocuparam a Praça Princesa Isabel, na Luz, no Centro de 
São Paulo, retornaram para a região da antiga Cracolândia, na noite desta quarta-feira (21). 
Por volta das 22h, a Praça, que desde a ação da Prefeitura e da polícia no dia 21 de maio concentrava 
a maioria dos usuários, o chamado "fluxo", estava vazia, apenas tomada por lixo. 
Os dependentes químicos agora ocupam a Alameda Cleveland, próximo à Rua Helvétia. A polícia está 
no local e fechou algumas ruas da região. Ainda não há informações sobre as razões que teriam 
provocado tal deslocamento. 
"Fim da Cracolândia" 
Foi na madrugada do dia 21 de maio, após uma ação policial na região da Luz, no Centro de São 
Paulo, que o prefeito João Doria anunciou o “fim da Cracolândia” e o início do Redenção, programa 
municipal de combate ao uso de drogas. 
Um mês após tal começo, entretanto, o “fluxo”, nome dado ao local que concentra os usuários, apenas 
tinha migrado dos quarteirões da Rua Helvétia para a Praça Princesa Isabel. Os dependentes revelam 
desconhecer as propostas da atual gestão, e dizem fazer parte do Braços Abertos, programa de redução 
de danos criado pelo ex-prefeito Fernando Haddad – e supostamente extinto por Doria. 
O projeto de Haddad previa a reinserção social dos usuários de droga da Luz por meio de emprego e 
moradia em hotéis do bairro. Atualmente, 388 pessoas residem em sete hospedagens que continuam a 
prestar serviço, e a serem pagos pela Prefeitura. 
Na prática, por ora, para esse grupo, nada mudou. Mas há o temor de despejo. “A gente não sabe pra 
onde vai, ninguém diz nada”, afirma uma beneficiária do antigo programa, que prefere não se identificar. 
A Prefeitura confirmou que as 388 pessoas que estão nos hotéis pertencentes ao programa Braços 
Abertos seguem atendidas nesses locais até "que com o avanço das ações em andamento sejam 
implantadas soluções alternativas de acolhimento". 
Em nota enviada à imprensa nesta terça (20), a gestão municipal afirma que equipes da assistência 
social realizaram, desde o dia 21 de maio, 25.235 abordagens na região da Luz. Deste total, houve 10.786 
encaminhamentos para acolhimento nos equipamentos da rede assistencial, 7.719 atendimentos na 
 
57 MACHADO, LÍVIA, G1, SP. Usuários deixam Praça Princesa Isabel e retornam para antiga Cracolândia. G1 São Paulo. Disponível em: http://g1.globo.com/sao-
paulo/noticia/usuarios-deixam-praca-princesa-isabel-de-retornam-para-antiga-cracolandia.ghtml> Acesso em 22 de junho de 2017. 
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Unidade Emergencial de Atendimento, e 6.730 recusas de atendimento. Apenas no último domingo (18), 
foram feitas 1.293 abordagens na Luz, com 472 acolhimentos e 62 recusas. 
A tenda na Rua Helvétia, que na gestão petista oferecia atividades de lazer, banho e espaço para 
descanso aos beneficiários, perdeu a placa com o nome “Braços Abertos” no dia 21. A retirada foi 
acompanhada pelo secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Felipe Sabará. Parte da 
programação também deixou de existir. O espaço segue acolhendo os dependentes químicos da área, 
com funcionamento 24 horas e, sob a nova administração, recebeu uma lona azul. 
O fim do Braços Abertos era anunciado por Doria durante a campanha eleitoral. Algumas estruturas, 
porém, segundo apurou o G1, seguem em vigor. 
Nas últimas quatro semanas, o que se viu intensificar foram as intervenções policiais. 
Nesta terça-feira(20), a funcionária de uma ONG que presta serviço para a secretaria de Assistência 
e Desenvolvimento Social foi detida ao tentar acompanhar uma abordagem policial na Praça Princesa 
Isabel. 
No dia 14, a Polícia Militar usou bombas de gás e spray de pimenta contra usuários de drogas que 
estavam na tenda do programa municipal Redenção. 
Um vídeo registrado no interior do espaço mostrava o momento em que os guardas chegam ao local. 
Segundo testemunhas, o portão foi quebrado pelos policiais. Um pedaço da lona foi perfurado por bala 
de borracha e uma pessoa ficou ferida. Cerca de 100 pessoas estavam na tenda. 
 
Ação em tenda na Cracolândia 
Na avaliação do promotor Arthur Pinto Filho, da Promotoria da Saúde, a detenção de uma profissional 
que atua diretamente com os usuários impede a existência de “qualquer serviço com profundidade”. 
“Enquanto a PM e a GCM estiverem fazendo o que estão fazendo, a chance de um programa, qualquer 
programa, dar certo, é zero”, defende o promotor. 
Ele ainda afirma que nos próximos dias o Ministério Público, a Defensoria Pública, o Conselho Regional 
de Medicina e outras entidades vão se reunir com a Prefeitura para fazer um balanço e traçar um rumo 
para o programa. 
A Polícia Civil informou à GloboNews que, do dia 21 de maio ao dia 19 de junho, foram presos 130 
suspeitos de tráfico de drogas, 14 menores de idade foram detidos e 12,6 kg de crack foram apreendidos. 
 
Tenda do projeto Redenção na Rua Helvétia 
Quase um mês após a instalação da tenda do projeto Redenção, da Prefeitura de São Paulo, na Rua 
Helvétia, ela foi desmontada nesta terça-feira (20). Segundo a Prefeitura, a ação estava prevista porque 
a estrutura fazia parte um contrato emergencial com a SPTuris. 
A administração municipal disse que, ainda nesta terça, outra tenda seria instalada e que um novo 
contrato, este definitivo, foi feito. No entanto, a Prefeitura não soube informar qual empresa será a 
responsável. 
Um contêiner intitulado de “Unidade Avançada” CAPSADIII foi instalado no dia 26 de maio. Os CAPS 
são os Centros de Atenção Psicossocial, e, este da Rua Helvétia, segundo a Prefeitura, é como se fosse 
um “anexo” da unidade da Rua Prates. Ele não poderia ser uma nova unidade porque não está de acordo 
com o que a portaria do Ministério da Saúde estabelece - em termos de infraestrutura e equipe - para a 
modalidade de CAPSADIII. 
Para a psicóloga e sanitarista Lumena Castro Furtado, ex-secretária de Atenção à Saúde do Ministério 
da Saúde, ter profissionais do CAPS na região é positivo, mas “há uma preocupação de que o espaço 
vire um balcão de internação”. Segundo a profissional, a internação requer vínculo, e deve ser aplicada 
como último recurso. 
A profissional ainda disse que a unidade “fere a proposta de cuidado que a gente tem nessa área”. 
Isso porque ela diz que é importante ter o que profissionais da área chamam de “escuta qualificada”, que 
é entender o que há por trás do pedido de internação. “Quantas vezes já fui abordada por pessoas que 
pedem internação e o que ela quer é um cuidado intensivo. Nesse cuidado intensivo no CAPS que você 
vai avaliar se é necessária a internação”, explica Lumena. 
 
Cronologia 
Após retirar os usuários da Rua Helvétia, a Prefeitura anunciou a desapropriação de imóveis na região. 
Um decreto foi publicado no “Diário Oficial” que afirmava garantir a gestão municipal a posse dos imóveis. 
A medida foi considerada arbitrária por especialistas. 
Como parte do projeto da “Nova Luz”, a administração municipal também iniciou a demolição de alguns 
edifícios do bairro. Um imóvel chegou a ser derrubado com pessoas dentro. Após o ocorrido, a Justiça de 
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São Paulo já havia proibido a administração municipal de remover compulsoriamente as pessoas da 
região da Cracolândia e de interditar e demolir imóveis com moradores. 
A gestão de Doria acionou a Justiça para conseguir apreender usuários de droga da região para 
avaliação médica. O pedido também solicitava a internação compulsória de dependentes químicos. 
O Ministério Público, a Defensoria Pública e o Conselho Regional de Medicina se posicionaram 
contrários às ações. A Justiça chegou a autorizar a busca e apreensão, mas a decisão foi derrubada dois 
dias depois. 
O MP investiga se a Guarda Civil Metropolitana (GCM) cometeu o desvio de função durante operação 
na Cracolândia do dia 21. De acordo com a Promotoria, o inquérito civil apura a suspeita de que a GCM 
atuou e continua atuando irregularmente na Cracolândia ao revistar usuários de drogas como se fosse a 
Polícia Militar (PM). 
 
Bloqueios, paralisações e protestos marcam dia de greve geral em todo o Brasil58 
Esta é a segunda greve geral nacional convocada pelas centrais sindicais; protesto é contrário à 
aprovação das reformas da Previdência e trabalhista 
Centrais sindicais e movimentos sociais convocaram, para esta sexta-feira (30), uma nova greve geral. 
O protesto é contrário à aprovação das reformas da Previdência e trabalhista. 
Esta é a segunda greve geral nacional convocada pelas centrais sindicais. A primeira ocorreu no dia 
28 de abril, quando os trabalhadores de várias categorias pararam em diversas cidades do País. 
Nesta sexta, a paralisação vem afetando os serviços básicos de saúde, as aulas, o trânsito e o 
funcionamento do transporte público em diversos estados. 
São Paulo 
Na Grande São Paulo, o transporte público não foi afetado. Todos os ônibus, trens e metrôs funcionam 
normalmente. Quem está sofrendo reflexo das manifestações são os motoristas, que passam por vias 
congestionadas por protestos, no centro, na Rodovia Anchieta e nas marginais. 
Dentro do Aeroporto de Congonhas, manifestantes fizeram um ato no saguão de embarque. Apesar 
disso, o aeroporto funciona normalmente. Do lado de fora, passageiros têm dificuldades para chegar até 
o local, por conta do congestionamento causado pelos protestos, que seguem pacíficos. Em Cumbica, há 
manifestação do lado de fora do aeroporto também, dificultando o acesso ao local. 
Segundo a CUT, há a adesão de bancários, professores, petroleiros e profissionais da saúde no 
estado. 
Distrito Federal 
O transporte público do Distrito Federal foi afetado pela greve. Ônibus de pelo menos quatro empresas 
permaneceram nas garagens e estações de metrô amanheceram fechadas. De acordo com a Central 
Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), pelo menos 13 categorias devem aderir ao 
movimento. 
Ônibus de pelo menos quatro empresas ficaram nas garagens e estações de metrô amanheceram 
fechadas em Brasília 
Além disso, o trânsito na Esplanada dos Ministérios foi bloqueado. A interdição começa na Rodoviária 
do Plano Piloto, sentido Palácio do Planalto. 
Além de 2.600 policiais militares na área central da cidade, 400 homens da Força Nacional estão, 
desde as 5h, fazendo a segurança patrimonial dos ministérios. 
Na greve de 28 de abril, vários prédios foram alvo de vandalismo. A operação seguirá até o fim do 
protesto, que têm expectativa de público, segundo a PM, de 5 mil pessoas. 
Para impedir a entrada de manifestantes com paus, pedras, granadas, barras de ferro ou qualquer 
material que possa ser usado como arma, policiais militares montaram vários cordões de revista nos 
acessos de pedestres ao local. Até mesmo os funcionários dos ministérios são abordados. 
O prédio do Congresso Nacional também está com as visitas suspensas. O acesso à Câmara e ao 
Senado só é permitido a parlamentares, servidores e pessoas credenciadas. 
Também em Brasília, o Sindicato dos Professores (Sinpro) aderiu à paralisação e não há previsão de 
aulas nas escolas públicas da capital. Na Universidade de Brasília (UnB) também não deve haver aula. 
Assim como em São Paulo, os bancários também participam da manifestação. A previsão é de que as 
agências fiquem fechadas durante todo o dia. 
 
Rio de Janeiro 
No Rio de Janeiro, por volta das 8h desta sexta, eram registrados50 quilômetros de lentidão por conta 
das manifestações. Às 6h20, a cidade entrou em estágio de atenção. 
 
58 IG São Paulo. Bloqueios, paralizações e protestos marcam dia de greve geral em todo o Brasil. Ultimo Segundo, Brasil. Disponível em: Acesso em 30 de junho de 2017. 
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O estágio de atenção é um nível intermediário em uma escala de três - o de vigilância denota 
normalidade no trânsito da cidade e o de alerta mostra que há problemas mais graves. O estágio de 
atenção significa que há reflexos relevantes na mobilidade. 
 
Manifestações provocaram vários bloqueios de vias no Rio de Janeiro 
Às 7h35, haviam interdições na Avenida Brasil, na pista central, no sentido centro, na altura da Penha; 
na Avenida 20 de Janeiro, que dá acesso ao Aeroporto Internacional Galeão/Tom Jobim e na Rua 
Leopoldo Bulhões, na altura dos Correios. 
O Sindicato dos Bancários informou que os trabalhadores da cidade estão aderindo à greve desta 
sexta-feira. A expectativa do sindicato, que representa a categoria, é de que as agências bancárias, além 
dos cinco centros administrativos dos bancos, não funcionem nesta sexta. 
Além disso, a greve atinge também a área da educação. A Secretaria de Estado de Educação informou 
que as unidades escolares funcionarão normalmente. Em contraponto, o Sindicato Estadual dos 
Profissionais de Educação (Sepe) diz que os professores aderiram à greve. 
 
Bloqueio e paralisação em todo o Brasil 
Em Alagoas, os rodoviários paralisaram suas atividades entre as 8h e as 12h. Além disso, servidores 
da Eletrobras e da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) também aderiram à greve. 
No Espírito Santo, os ônibus circularam normalmente pela manhã, mas manifestantes bloquearam 
uma via em frente à Rodoviária de Vitória. 
Em Goiás, a saída de ônibus foi bloqueada, prejudicando a circulação dos carros. No Ceará, protestos 
também impediram a circulação de ônibus. Além disso, os bancos não abriram. No Pará, os rodoviários 
paralisaram as atividades. Na Paraíba, os manifestantes também bloquearam a saída dos ônibus das 
garagens. 
Na Bahia, os veículos ferroviários também não circularam. O metrô, no entanto, opera normalmente. 
No Maranhão, os bancários, professores da rede pública estadual, vigilantes, petroleiros, motoristas e 
cobradores de ônibus, metalúrgicos, disseram que aderiram à greve. 
Em Minas Gerais, manifestantes colocaram fogo em pneus, pela manhã, bloqueando uma importante 
via em Belo Horizonte. O metrô abrirá apenas às 12h, mas os ônibus funcionam normalmente. 
No Paraná, houve bloqueio de rodovias por manifestantes, assim como no Pernambuco. Em Santa 
Catarina, o bloqueio na BR-282 resultou em um confronto entre a polícia e manifestantes. 
 
Reformas propostas pelo governo 
De acordo com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, as reformas 
propostas pelo governo federal trazem riscos trabalhadores e para o País. “Não vai ter geração de 
emprego, vai ter bico institucionalizado. Vai ser o fim do emprego formal, que garante direitos 
conquistados, como férias e décimo terceiro salário”, diz Freitas. 
Na última quarta-feira (28), houve aprovação do parecer favorável à reforma trabalhista na Comissão 
de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. 
O governo federal argumenta que as reformas são necessárias para garantir o pagamento das 
aposentadorias no futuro e a geração de postos de trabalho, no momento em que o país vive uma crise 
econômica. 
 
Deputados de oposição tentaram obstruir a votação da reforma trabalhista no plenário da 
Câmara 
O argumento é que, sem a aprovação da reforma da Previdência, a dívida pública brasileira entre 
em "rota insustentável" e pode “quebrar” o país”, como disse o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira. 
Sobre a reforma trabalhista, o governo afirma que a proposta moderniza a Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), de 1943. E que as novas regras, como a que define que o acordo firmado entre patrão e 
empregado terá mais força que a lei, estimulará mais contratações. 
O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, diz que a ideia da greve geral 
é tentar pressionar o Congresso Nacional para ampliar a negociação sobre as reformas. “As paralisações 
e manifestações são os instrumentos que estamos usando para pressionar e ter uma negociação mais 
séria em Brasília que não leve a um prejuízo aos trabalhadores”, diz. 
 
Educação 
 
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Câmara arquiva PEC que permitiria cobrança por cursos em universidades públicas59 
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 395/14, que permitiria às universidades cobrarem por 
cursos de pós-graduação lato sensu (especialização), de extensão e de mestrado profissional foi 
arquivada. Eram necessários 308 votos para a aprovação da matéria em segundo turno na Câmara dos 
Deputados, mas 304 parlamentares se posicionaram a favor e 139, contra. 
O texto já havia passado pela Câmara em primeiro turno e alterava o Artigo 206 da Constituição 
Federal, que determina a gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. Na ocasião, os 
parlamentares aprovaram um substitutivo do deputado Cléber Verde (PRB-MA), que alterou a proposta 
inicial para incluir o mestrado profissional como passível de cobrança. O tema foi o principal ponto de 
polêmica entre os deputados. Parte da base aliada defendeu a medida, e a oposição contestou os 
argumentos dos governistas, alegando que a proposta poderia levar à privatização do ensino público. 
Antes da rejeição da PEC, Celso Pansera (PMDB-RJ) negou a intenção de privatizar o ensino público. 
Para o deputado, a iniciativa iria suprir uma demanda do mercado por cursos de especialização. “A 
modernização do sistema produtivo cria demandas pontuais por cursos de pós-graduação lato sensu (em 
sentido amplo). As universidades públicas têm quadros preparados para prestar esse serviço ao futuro 
do país e não conseguem porque a legislação não permite”, sustentou. 
O líder do PSOL, Glauber Braga (RJ), disse que a cobrança de mensalidades flexibiliza o direito à 
educação assegurado na Constituição e que a medida poderia acabar sendo estendida para outras 
etapas de ensino. “Onde a gente vai parar? Primeiro é a vírgula da pós-graduação, depois a graduação 
e depois a educação básica”, afirmou. 
 
Especialistas temem queda de concursos públicos na educação após terceirização60 
A sanção do projeto de lei que libera a terceirização para todas as atividades de empresas poderá, na 
avaliação de especialistas, levar à redução de concursos públicos na área da educação e fortalecer a 
administração de escolas por Organizações Sociais (OS), que poderão também cuidar da contratação de 
professores. A questão gera polêmica entre sindicatos, que temem uma desvalorização dos docentes, e 
desperta discussões jurídicas sobre a viabilidade desse tipo de contratação. 
Aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados, o projeto, que aguarda sanção 
presidencial, prevê a contratação terceirizada de trabalhadores sem restrições em empresas privadas e 
na administração pública. O empresariado apoia a medida e por entender que poderá ajudar na 
recuperação do emprego no país. O diretor do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), 
Cleber Soares, no entanto, teme que a medida tenha impacto negativo na educação com a redução de 
investimento e precarização do trabalho. 
“O trabalhador passa a ser descartável. O reflexo, em um primeiro momento, é que o professor vai 
trabalhar muito, mas não se sabe quanto tempo conseguirá manter o ritmo. Vai adoecer e vai acabar 
sendo demitido. E vai sair sem nenhum amparo”, diz Soares. 
A situação do magistério no Brasil é frágil, sobretudo na educação básica: o professor brasileiro recebe 
menos que a médiade 1867 - 13 de abril de 1868 
 
— João Batista de Oliveira, Barão de Aguapeí 
13 de abril de 1868 - 7 de setembro de 1868 
 
— José Vieira Couto de Magalhães 
7 de setembro de 1868 - 17 de setembro de 1868 
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. 9 
 
— Albano de Sousa Osório 
17 de setembro de 1868 - 19 de setembro de 1868 
 
— José Antônio Murtinho 
19 de setembro de 1868- 26 de março de 1869 
 
Augusto Leverger, Barão de Melgaço 
26 de março de 1869 - 10 de fevereiro de 1870 
 
— Luís da Silva Prado 
10 de fevereiro de 1870 - 29 de maio de 1870 
 
— Antônio de Cerqueira Caldas, Barão de Diamantino 
29 de maio de 1870 - 12 de outubro de 1870 
 
Francisco Antônio Raposo, Barão de Caruaru 
12 de outubro de 1870 - 27 de maio de 1871 
 
— Antônio de Cerqueira Caldas, Barão de Diamantino 
27 de maio de 1871 - 29 de julho de 1871 
 
Francisco José Cardoso Júnior 
29 de julho de 1871 - 25 de dezembro de 1872 
 
José de Miranda da Silva Reis 
1872 - 6 de dezembro de 1874 
 
— Antônio de Cerqueira Caldas, Barão de Diamantino 
6 de dezembro de 1874 - 5 de junho de 1875 
 
Hermes Ernesto da Fonseca 
5 de julho de 1875 - 2 de março de 1878 
 
— João Batista de Oliveira, Barão de Aguapeí 
2 de março de 1878 - 6 de julho de 1878 
 
João José Pedrosa 
6 de julho de 1878 
 
Rufino Enéas Gustavo Galvão, Visconde de Maracaju 
5 de dezembro de 1879 - 2 de maio de 1881 
 
— José Leite Galvão 
2 de maio de 1881 - 31 de maio de 1881 
 
José Maria de Alencastro 
31 de maio de 1881 - 10 de março de 1883 
 
— José Leite Galvão 
10 de março de 1883 - 7 de maio de 1883 
 
Manuel de Almeida Gama Lobo d'Eça,Barão de Batovi 
7 de maio de 1883 - 13 de setembro de 1884 
 
Floriano Peixoto 
15 de novembro de 1884 -15 de novembro de 1885 
 
— José Joaquim Ramos Ferreira 
1338106 E-book gerado especialmente para TIAGO DE AGUIAR COSTA
 
. 10 
5 de outubro de 1885 - 5 de novembro de 1885 
 
Joaquim Galdino Pimentel 
5 de novembro de 1885 - 9 de novembro de 1886 
 
— Antônio Augusto Ramiro de Carvalho 
9 de novembro de 1886 - 9 de dezembro de 1886 
 
Álvaro Rodovalho Marcondes dos Reis 
9 de dezembro de 1886 - 28 de março de 1887 
 
— Antônio Augusto Ramiro de Carvalho 
28 de março de 1887 - 29 de maio de 1887 
 
— José Joaquim Ramos Ferreira 
29 de maio de 1887 - 16 de novembro de 1887 
 
Francisco Rafael de Melo Rego 
16 de novembro de 1887 - 6 de fevereiro de 1889 
 
Antônio Herculano de Sousa Bandeira Filho 
6 de fevereiro de 1889 - 1889 
 
— Manuel José Murtinho 
1889 
 
Ernesto Augusto da Cunha Matos 
9 de agosto de 1889 - 11 de dezembro de 1889 
 
A Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai 
 
A Guerra do Paraguai 
Entre novembro de 1864 e março de 1870, desenrolou-se a Guerra do Paraguai, a mais longa e 
sangrenta guerra na América do Sul, com consequências que influenciaram decisivamente a história dos 
países envolvidos. Até maio de 1865, enfrentaram-se apenas o Paraguai e o Brasil. A partir daí, com a 
assinatura do tratado da Tríplice Aliança, os paraguaios passaram a lutar contra o Brasil, a Argentina e o 
Uruguai. 
Dentre aos razoes que desencadearam a guerra do Paraguai, destacam-se em primeiro lugar as 
questões que dividiam os países do Prata. 
O Paraguai, em meados do século XIX, era um país diferente dos demais da América latina. Desde a 
sua independência em 1811, até a guerra, tivera apenas três governantes: Francia, Carlos Antônio Lopez 
e seu filho Francisco Solano Lopez. O governo paraguaio não era democrático, como não era nenhum 
dos outros governos latino-americanos. 
Apesar disso, o governo paraguaio, mais do que qualquer outro do continente, realizava uma política 
favorável às camadas populares. Desde os tempos de Francia, a elite agrária fora progressivamente 
eliminada, e suas terras expropriadas pelo governo e entregues em usufruto aos trabalhadores rurais. O 
mesmo acontecera com a exploração de madeira e erva-mate, produtos monopolizados pelo Estado. 
Assim, em meados do século XIX, o padrão médio de vida do povo paraguaio superava o de qualquer 
outro povo latino-americano: o analfabetismo fora quase erradicado e era garantido o emprego, a 
moradia, alimentação e vestuário para a maioria das famílias. Embora pobre, o Paraguai não tinha dívida 
externa, suas riquezas não eram exploradas por estrangeiros e estava começando a criar um parque 
industrial próprio. 
 
As causas da guerra 
Em 1850, brasil e Paraguai assinaram um tratado comprometendo-se a defender a independência do 
Uruguai. Pouco depois, Paraguai e Uruguai assinaram um novo tratado, estabelecendo que se qualquer 
vizinho invadisse um desses países, o outro lhe prestaria imediato auxilio militar. Por isso, em agosto de 
1864, quando o Brasil já ameaçava claramente invadir o Uruguai para derrubar o governo de Aguirre, o 
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. 11 
presidente paraguaio, Solano Lopez, comunicou ao Império que consideraria a invasão atentatória ao 
equilíbrio político do Prata e agiria conforme essa convicção. 
Mesmo assim, em setembro de 1864, o governo imperial ordenou o ataque ao Uruguai. Com base nos 
tratados anteriores e na certeza de que seriam as próximas vítimas, os paraguaios reagiram: em 
novembro, aprisionaram o navio Brasileiro “Marquês de Olinda” em frente a assunção, e logo em seguida, 
Solano Lopez declarou guerra ao Brasil. 
Entre novembro de 1864 e maio de 1865, a guerra envolveu apenas Brasil e Paraguai. A partir dessa 
data, com a oficialização da Tríplice Aliança, o Paraguai passou a enfrentar Brasil, Argentina e Uruguai. 
O balanço das forças, ao iniciar-se a guerra, era o seguinte: Brasil, 18000 soldados; Argentina, 8000; 
Uruguai, 1500; Paraguai, 60000. Apesar da vantagem no tamanho das tropas, o Paraguai enfrentava um 
grande número de desvantagens em relação aos inimigos. 
Os aliados tinham 13 milhões de habitantes, contra 800 mil do Paraguai, a dimensão territorial dos 
inimigos impedia que os paraguaios os ocupassem efetivamente. A única via de comunicação do 
Paraguai com o resto do mundo era o rio da Prata, facilmente bloqueável pelos aliados, que também 
contavam com superioridade naval: o Brasil possuía 42 navios, enquanto o Paraguai possuía apenas 14 
e apenas 3 estavam preparados para a guerra. A última grande vantagem dos países inimigos era o apoio 
financeiro constante da Inglaterra, enquanto o Paraguai lutava sozinho. 
 
Sob o ponto de vista militar, a Guerra do Paraguai pode ser dividida em quatro grandes fases: 
-Ofensiva paraguaia (dezembro de 1864 a dezembro de 1865); a iniciativa militar coube aos paraguaios 
e a guerra desenrolou-se em território brasileiro e argentino; 
-Invasão do Paraguai (de janeiro de 1866 a janeiro de 1868): a guerra já em território paraguaio, foi 
comandada pelo aliado general Mitre; 
-Comando de Caxias (de janeiro de 1868 a janeiro de 1869): Caxias assumiu o comando geral dos 
Aliados; 
-Campanha da Cordilheira (janeiro de 1869 a março de 1870): sob o comando de Conde D’Eu, 
destruiu-se o remanescente do exército paraguaio. 
 
As consequências da Guerra 
A Guerra do Paraguai teve consequências dramáticas para ambos os lados. 
O Paraguai ficou completamente destruído, e perdeu 150000 km² de territórios cedidos ao Brasil e à 
Argentina. Durante a ocupação aliada (1870-1876), o nascente parque industrial paraguaio foi totalmente 
destruído pelos aliados, sendo a fundição de Ibicuí completamente demolida. A ferrovia foi vendida a 
preço de sucata para os ingleses e as reservas de mate e madeira vendidas para empresas estrangeiras. 
As terras públicas que eram cultivadas pelos camponeses passaram para as mãos de banqueiros 
ingleses, holandeses e estadunidenses, que passaram a aluga-las aos próprios paraguaios. 
Além desses aspectos, a consequência mais trágica da guerra foi a dizimação da população paraguaia: 
estima-se que 75% da população paraguaia tenha morrido em decorrência da guerra,mundial, e as avaliações mostram, ano a ano, que a qualidade do ensino precisa 
melhorar para garantir a aprendizagem. A rotina de trabalho dos professores, em muitos locais do país, 
é estafante. Dados da última edição da Prova Brasil, em 2015, mostram que a maioria dos professores 
trabalha 40 horas ou mais (66%) e que 40% deles lecionam em duas ou mais escolas. Pelo menos um 
terço (34%) tinha remuneração básica abaixo do que é determinado pela Lei do Piso (Lei 11.738/2008) 
para aquele ano, que era de R$ 1.917,78. 
Para o professor Remi Castioni, da Universidade de Brasília (UnB), especialista em políticas públicas 
em educação, a terceirização deverá ocorrer nas escolas por meio da parceria com as chamadas OSs, 
algo que não é novo no setor. Essa possibilidade foi estabelecido na Emenda 20/1995, julgada 
constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado. Segundo o professor, com a 
emenda, o projeto aprovado semana passada pouco deverá mudar o cenário público juridicamente. 
Ele afirma, porém, que, em um cenário de crise econômica, municípios e estados podem acabar 
recorrendo às OSs ou à terceirização por questões financeiras, por já terem atingido os limites da Lei de 
Responsabilidade Fiscal e por não poderem abrir concursos. “Diminui-se o comprometimento com 
pessoal e recorre-se a pessoas jurídicas para continuar ofertando o serviço. Estados e municípios vão 
lançar mão disso. É muito mais por necessidade de diminuir [gastos] e não sofrer sanções por parte do 
Tesouro. Acaba sendo melhor terceirizar ou contratar OSs.” 
Recentemente, o governo de Goiás propôs um sistema de administração de escolas por OSs. O 
anúncio da medida gerou uma onda de ocupações e manifestações de professores e estudantes. As OSs 
são entidades privadas, sem fins lucrativos. Neste modelo, os repasses públicos passam a ser feitos às 
 
59 29/03/2017 – Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-03/camara-arquiva-pec-que-permitira-cobranca-por-cursos-em-universidades 
60 27/03/2017 – Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-03/especialistas-temem-reducao-de-concursos-na-educacao-apos-lei-da 
1338106 E-book gerado especialmente para TIAGO DE AGUIAR COSTA
 
. 92 
entidades que são responsáveis pela manutenção das escolas e pela garantia do bom desempenho dos 
estudantes nas avaliações feitas pelo estado. As OSs também ficam responsáveis pela contratação de 
professores e funcionários. 
 
Escolas 
A diretora da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amábile Pacios, diz que o setor 
privado ainda analisa juridicamente o que pode ocorrer com a nova medida. Ela ressalta, no entanto, que 
deve haver um cuidado grande na hora de contratar profissionais terceirizados. “As escolas têm 
resistência a contratar funcionários terceirizados, vão ter também com professores”, diz. Segundo 
Amábile, na educação básica, há resistência à terceirização exatamente pela importância do contato dos 
funcionários com os alunos. "É importante que porteiros, faxineiros conheçam os estudantes, as famílias.” 
 
O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Idilvan Alencar, defende 
também o vínculo do professor. “Pela natureza das escolas públicas, é muito importante o vínculo efetivo 
dos professores para que seja possível o contínuo processo de formação em serviço, motivação para 
atuar em todo o território nacional entre outros fatores que tornam o fortalecimento da carreira de docente 
estratégica para garantir uma educação de qualidade.” 
 
Legislação 
Para a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Direito Rio Juliana Bracks, o texto aprovado 
pela Câmara ainda precisará de esclarecimentos para que seja possível avaliar o real impacto da medida 
na educação. Juliana lembra que, caso uma escola privada queira terceirizar professores terá que 
obedecer a algumas regras. Se o professor for cobrado em relação ao cumprimento de horários ou outros 
comportamentos, isso configurará uma relação direta. Ele poderá então recorrer à Justiça trabalhista. “A 
partir do momento que o contratado trata com contratante com horário, por exemplo, acabou, o professor 
passa a ter vínculo direto.” 
A questão muda no setor público, uma vez que não há relação direta entre o trabalhador e o ente 
federado. “Teremos um problema grave se os entes públicos saírem terceirizando a torto e a direito em 
vez de fazer concurso público. Não posso substituir a força de trabalho por concurso e terceirizar, criando 
uma relação mais leve e isenta de algumas responsabilidades”, diz. 
De acordo com Juliana, a situação se agravará, caso seja aprovado pelo STF, o Recurso Extraordinário 
760.931, que discute a responsabilidade subsidiária da administração pública por encargos trabalhistas 
gerados pelo inadimplemento de empresa terceirizada. O recurso chegou a ser votado e houve empate. 
O desempate caberá ao ministro recém-empossado Alexandre de Moraes. “Se a terceirizada quebrar e 
sequer o Estado tiver responsabilidade, os trabalhadores estarão abandonados”, enfatiza Juliana. 
 
Empresários e governo 
Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a aprovação do projeto flexibiliza as regras para 
terceirização de mão de obra e vai facilitar a contratação de trabalhadores. “Ajuda muito porque facilita 
a contratação de mão de obra temporária, facilita a expansão do emprego. Empresas resistem à 
possibilidade de aumentar o emprego devido a alguns aspectos de rigidez das leis trabalhistas”, disse no 
último dia 21. 
Após a aprovação do projeto pelos deputados, vários setores da economia manifestaram-se a favor 
da terceirização. De acordo com os empresários, a contratação de trabalhadores terceirizados, inclusive 
na atividade-fim, permitirá aumento da competitividade e geração de emprego. 
 
Governo quer que escolas exijam caderneta de vacinação de alunos61 
A caderneta de vacinação poderá ser um item obrigatório para matrícula de estudantes nas escolas. 
A medida, anunciada hoje (15/03), faz parte da colaboração entre os ministérios da Saúde e da Educação. 
"Temos uma legislação que diz que poderá ser exigida a carteira de vacinação [pelas escolas]. Queremos 
transformar esse 'poderá' em algo concreto", disse o secretário de Educação Básica do Ministério da 
Educação (MEC), Rossieli Silva. 
A parceria entre as pastas é permanente no âmbito do Programa Saúde na Escola. O governo quer, 
em abril, atualizar essa parceria por meio de portaria para dar mais ênfase a medidas como a 
obrigatoriedade da caderneta de vacinação. O documento poderá ser solicitado ainda este ano e nas 
matrículas a partir do ano que vem. 
 
61 15/03/2017 – Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-03/governo-quer-caderneta-de-vacinacao-obrigatoria-nas-escolas 
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A intenção é uma maior colaboração entre os setores da saúde e da educação. "[As escolas] poderão 
explicar a importância disso para as famílias, explicar o calendário de vacinação. Às vezes, a família pode 
não entender em que momento se deve dar essa vacina. É o papel proativo da educação", afirmou o 
secretário. 
Com as informações em mãos, as escolas e as secretarias municipais e estaduais poderão orientar as 
famílias a buscar os postos de vacinação ou mesmo articular ações para vacinar um maior número de 
estudantes. 
O secretário ressaltou que o objetivo é orientar famílias e estudantes. Caso o estudante não tenha a 
caderneta ou esteja desatualizada, ele não sofrerá nenhum tipo de punição. "Não é uma exigência que 
impede a criança de participar, é um mecanismo de participação das escolas e dos sistemas no aumento 
da eficácia da imunização do Brasil." 
 
Vacinação nas escolas 
A medida foi discutida em entrevista coletiva conjunta dos ministérios da Educação e da Saúde, 
quando foi anunciada a vacinação contra o HPV e a meningitecom 90% da 
população masculina dizimada. 
 
A Guerra no Mato Grosso7 
Proclamada a 23 de julho de 1840 a maioridade de Dom Pedro II, Mato Grosso foi governado por 28 
presidentes nomeados pelo Imperador, até à Proclamação de República, ocorrida a 15/11/1889. Durante 
o Segundo Império (governo de Dom Pedro II), o fato mais importante que ocorreu foi a Guerra da Tríplice 
Aliança, movida pela República do Paraguai contra o Brasil, Argentina e Uruguai, iniciada a 27/12/1864 e 
terminada a 01/03/0870 com a morte do Presidente do Paraguai, Marechal Francisco Solano Lopez, em 
Cerro-Corá. 
Os episódios mais notáveis ocorridos em terras mato-grossenses durante os 5 anos dessa guerra 
foram: 
a) o início da invasão de Mato Grosso pelas tropas paraguaias, pelas vias fluvial e terrestre; 
b) a heroica defesa do Forte de Coimbra; 
c) o sacrifício de Antônio João Ribeiro e seus comandados no posto militar de Dourados. 
d) a evacuação de Corumbá; 
e) os preparativos para a defesa de Cuiabá e a ação do Barão de Melgaço; 
f) a expulsão dos inimigos do sul de Mato Grosso e a retirada da Laguna; 
g) a retomada de Corumbá; 
h) o combate do Alegre; 
 
7 http://www.mt.gov.br/historia 
1338106 E-book gerado especialmente para TIAGO DE AGUIAR COSTA
 
. 12 
Pela via fluvial vieram 4.200 homens sob o comando do Coronel Vicente Barrios, que encontrou a 
heroica resistência de Coimbra ocupado por uma guarnição de apenas 115 homens, sob o comando do 
Tte. Cel. Hermenegildo de Albuquerque Porto Carrero. Pela via terrestre vieram 2.500 homens sob o 
comando do Cel. Isidoro Rasquin, que no posto militar de Dourados encontrou a bravura do Tte. Antônio 
João Ribeiro e mais 15 brasileiros que se recusaram a rendição, respondendo com uma descarga de 
fuzilaria à ordem para que se entregassem. 
Foi ai que o Tte. Antônio João enviou ao Comandante Dias da Silva, de Nioaque, o seu famoso bilhete 
dizendo: "Ser que morro mas o meu sangue e de meus companheiros será de protesto solene contra a 
invasão do solo da minha Pátria" A evacuação de Corumbá, desprovida de recursos para a defesa, foi 
outro episódio notável, saindo a população, através do Pantanal, em direção a Cuiabá, onde chegou, a 
pé, a 30 de abril de 1865. 
Na expectativa dos inimigos chegarem a Cuiabá, autoridades e povo começaram preparativos para a 
resistência. Nesses preparativos sobressaia a figura do Barão de Melgaço que foi nomeado pelo Governo 
para comandar a defesa da Capital, organizando as fortificações de Melgaço. Se os invasores tinham 
intenção de chegar a Cuiabá dela desistiram quando souberam que o Comandante da defesa da cidade 
era o Almirante Augusto Leverger - o futuro Barão de Melgaço -, que eles já conheciam de longa data. 
Com isso não subiram além da foz do rio São Lourenço. Expulsão dos invasores do sul de Mato Grosso- 
O Governo Imperial determinou a organização, no triângulo Mineiro, de uma "Coluna Expedicionária ao 
sul de Mato Grosso", composta de soldados da Guarda Nacional e voluntários procedentes de São Paulo 
e Minas Gerais para repelir os invasores daquela região. Partindo do Triângulo em direção a Cuiabá, em 
Coxim receberam ordens para seguirem para a fronteira do Paraguai, reprimindo os inimigos para dentro 
do seu território. 
A missão dos brasileiros tornava-se cada vez mais difícil, pela escassez de alimentos e de munições. 
Para cúmulo dos males, as doenças oriundas das alagações do Pantanal mato-grossense, devastou a 
tropa. Ao aproximar-se a coluna da fronteira paraguaia, os problemas de alimentos e munições se 
agravava cada vez mais e quando se efeito a destruição do forte paraguaio Bela Vista, já em território 
inimigo, as dificuldades chegaram ao máximo. Decidiu então o Comando brasileiro que a tropa segue até 
a fazenda Laguna, em território paraguaio, que era propriedade de Solano Lopez e onde havia, segundo 
se propalava, grande quantidade de gado, o que não era exato. Desse ponto, após repelir violento ataque 
paraguaio, decidiu o Comando empreender a retirada, pois a situação era insustentável. 
Iniciou-se aí a famosa "Retirada da Laguna", o mais extraordinário feito da tropa brasileira nesse 
conflito. Iniciada a retirada, a cavalaria e a artilharia paraguaia não davam tréguas à tropa brasileira, 
atacando-as diariamente. Para maior desgraça dos nacionais veio o cólera devastar a tropa. Dessa 
doença morreram Guia Lopes, fazendeiro da região, que se ofereceu para conduzir a tropa pelos cerrados 
sul mato-grossenses, e o Coronel Camisão, Comandante das forças brasileiras. No dia da entrada em 
território inimigo (abril de 1867), a tropa brasileira contava com 1.680 soldados. A 11 de junho foi atingido 
o Porto do Canuto, às margens do rio Aquidauana, onde foi considerada encerrada a trágica retirada. Ali 
chegaram apenas 700 combatentes, sob o comando do Cel. José Thomás Gonçalves, substituído de 
Camisão, que baixou uma "Ordem do dia", concluída com as seguintes palavras: "Soldados! Honra à 
vossa constância, que conservou ao Império os nossos canhões e as nossas bandeiras". 
 
A Retirada da Laguna 
A retirada da Laguna foi, sem dúvida, a página mais brilhante escrita pelo Exército Brasileiro em toda 
a Guerra da Tríplice Aliança. O Visconde de Taunay, que dela participou, imortalizou-a num dos mais 
famosos livros da literatura brasileira. A retomada de Corumbá foi outra página brilhante escrita pelas 
nossas armas nas lutas da Guerra da Tríplice Aliança. O presidente da Província, então o Dr. Couto de 
Magalhães, decidiu organizar três corpos de tropa para recuperar a nossa cidade que há quase dois anos 
se encontrava em mãos do inimigo. O 1º corpo partiu de Cuiabá a 15.05/1867, sob as ordens do Tte. Cel. 
Antônio Maria Coelho. Foi essa tropa levada pelos vapores "Antônio João", "Alfa", "Jaurú" e "Corumbá" 
até o lugar denominado Alegre. Dali em diante seguiria sozinha, através dos Pantanais, em canoas, 
utilizando o Paraguai -Mirim, braço do rio Paraguai que sai abaixo de Corumbá e que era confundido com 
uma "boca de baía". 
Desconfiado de que os inimigos poderiam pressentir a presença dos brasileiros na área, Antônio Maria 
resolveu, com seus Oficiais, desfechar o golpe com o uso exclusivo do 1º Corpo, de apenas 400 homens 
e lançou a ofensiva de surpresa. E com esse estratagema e muita luta corpo a corpo, consegui o 
Comandante a recuperação da praça, com o auxílio, inclusive, de duas mulheres que o acompanhavam 
desde Cuiabá e que atravessaram trincheiras paraguaias a golpes de baionetas. Quando o 2º Corpo dos 
Voluntário da Pátria chegou a Corumbá, já encontrou em mãos dos brasileiros. Isso foi a 13/06/1867. No 
entanto, com cerca de 800 homens às suas ordens o Presidente Couto de Magalhães, que participava do 
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. 13 
2º Corpo, teve de mandar evacuar a cidade, pois a varíola nela grassava, fazendo muitas vítimas. O 
combate do Alegre foi outro episódio notável da guerra. Quando os retirantes de Corumbá, após a 
retomada, subiam o rio no rumo de Cuiabá, encontravam-se nesse porto "carneando" ou seja, 
abastecendo-se de carne para a alimentação da tropa eis que surgem, de surpresa, navios paraguaios 
tentando uma abordagem sobre os nossos. 
A soldadesca brasileira, da barranca, iniciou uma viva fuzilaria e após vários confrontos, venceram as 
tropas comandadas pela coragem e sangue frio do Comandante José Antônio da Costa. Com essa vitória 
chegaram os da retomada de Corumbá à Capital da Província (Cuiabá), transmitindo a varíola ao povo 
cuiabano, perdendo a cidade quase a metade de sua população. Terminada a guerra, com a derrota e 
morte de Solano Lopez nas "Cordilheiras" (Cerro Corá), a 1º de março de 1870, a notícia do fim do conflito 
só chegou a Cuiabá no dia 23 de março, pelo vapor "Corumbá", que chegou ao porto embandeirado e 
dando salvas de tiros de canhão. Dezenove anos após o término da guerra, foi o Brasil sacudido pela 
Proclamação da República, cujanotícia só chegou a Cuiabá na madrugada de 9 de dezembro de 1889. 
 
Consequências do pós Guerra para a Província de Mato Grosso: 
- Reabertura da Bacia Platina. 
- Afirmação dos principais portos: Corumbá, Cuiabá e Cáceres. 
- Surgimento de um nova burguesia: comercio de importação e exportação. 
- Aumento territorial. 
- Imigração. 
 
Economia Mato-grossense após a Guerra da Tríplice Aliança 
 
POAIA - Também conhecida como Ipéca ou Ipecacuanha esta planta com o formato de um arbusto 
de aproximadamente 45 cm de altura, tem a sua raiz utilizada devidos as suas propriedades medicinais. 
A poaia destacou-se na economia de Mato Grosso, a partir de 1860, logo na segunda metade do século 
XIX período em que ocorreu a Revolução Industrial na Europa. A extração se dava na região oeste de 
Mato Grosso onde ela é nativa. Através do arrendamento de terras devolutas para empresários nacionais 
e estrangeiros extraiam a sua raiz sempre no período das chuvas. A seguir, esse produto do extrativismo 
vegetal era destinado ao mercado externo, mais especificamente a Europa, para atender as necessidades 
das indústrias farmacêuticas. Já no Brasil, esta raiz passou a ser consumida somente a partir da década 
de 40, com o desenvolvimento industrial promovido pelo governo Vargas. No século XIX, a poaia era 
escoada para a Europa através da Bacia Platina, sendo que a mão de obra utilizada para sua extração 
era assalariada, mas baseada na produção e os trabalhadores recebiam tratamento escravista. 
 
- BORRACHA - O auge da extração o látex em Mato Grosso se deu a partir de 1870 com o avanço da 
industrialização. E, 1834, a borracha já passava pelo processo da vulcanização desenvolvida por Charles 
Goodyear e pelo processo de elasticidade e resistência desenvolvida por Hancoock. Em Mato Grosso, a 
látex podia ser extraído tanto da seringueira, localizada na região norte (vale Amazônico), como da 
mangabeira, encontrada às margens dos Rios da Bacia Platina. Ao contrário da poaia, a borracha era 
sempre extraída no período das secas, uma vez que o látex malhasse, ele não poderia ser coagulado 
(processo pelo qual ele passava antes de ser transportado). O mercado consumidor da borracha era a 
Europa, e seu escoamento no século XIX ocorreu através da Bacia Platina. No século XX, o produto era 
escoado através da estrada de ferro Madeira-Mamoré até o porto de Manaus. A mão de obra utilizada na 
sua extração era assalariada, baseada na produção e com o tratamento escravista. A produção de 
borracha era realizada principalmente pelos nordestinos, que vieram trabalhar na extração da borracha 
com a promessa de uma vida melhor. A decadência da produção ocorreu a partir de 1912, quando os 
ingleses levaram mudas da seringueira para a Ásia. O plantio obteve sucesso, e não demorou para que 
os asiáticos se tornassem o maior produtos mundial da extração do látex. O governo brasileiro tentou 
reverter à situação, criando o “Plano de Defesa da Borracha”. Para isso tomou algumas medidas como 
incentivo da plantação de árvores, a isenção dos impostos para a importação de equipamentos que 
facilitassem a extração do látex. Mas estas tentativas não foram suficientes para colocar o Brasil 
novamente como líder mundial. Durante o Governo de Getúlio Vargas, com os incentivos dados a indústria 
nacional, o látex passou a atender o mercado interno. 
 
- CANA DE AÇÚCAR - Em relação à cana de açúcar na História de Mato Grosso podemos descrevê-
la em dois momentos. Primeiramente no século XVIII, quando o governo português interessado na 
mineração, proibiu a instalação dos engenhos. O governo alegou que a produção de aguardente trazia 
efeitos prejudiciais aos escravos, e que ao invés de minerar só queriam se dedicar à fabricação dela. Os 
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engenhos eram movidos por tração animal ou através de uma roda d’água, sendo encontrados em 
pequenas propriedades, e voltados para abastecer o mercado interno, como por exemplo, as Minas de 
Cuiabá. Os engenhos se localizavam na região da Chapada (Serra acima) e nas margens do Rio Cuiabá 
(Santo Antonio do Rio abaixo). Os engenhos produziam rapadura, melado, açúcar e cachaça. No século 
XIX, temos o advento da Revolução Industrial e o surgimento das máquinas, os proprietários de terras 
importaram máquinas e instalaram as primeiras usinas. Essas usinas se localizavam as margens do Rio 
Paraguai, sendo a que mais se destacou foi a Usina Ressaca, e nas margens do Rio Cuiabá (na região 
de Santo Antonio) sendo as que mais se destacaram foram as Usinas Itaicí, maravilha, Conceição. As 
usinas se localizavam as margens dos rios devido a fertilidade do solo e a facilidade do escoamento da 
produção, pois nesse período a produção era escoada pela Bacia Platina e seu mercado consumidor era 
tanto o mercado interno como os países da América do Sul e outras províncias brasileiras. A mão de obra 
utilizada nas Usinas era assalariada, baseado na produção e com tratamento escravista. Os proprietários 
das usinas eram conhecidos como “Coronel” e as pessoas que trabalhavam nesta atividade eram 
chamados de “Camaradas”. A usina mais importante com certeza foi a de “Itaicí”. Era de propriedade de 
Totó Paes de Barros, e chegou a pagar os seus trabalhadores com a sua própria moeda. Essa moeda 
era feita de cobre e recebia o nome de “Tarefa”. Esse fato demonstra a força política de seu proprietário, 
considerado um dos maiores coronéis da região, e chegou a ocupar o cargo de Presidente do Estado de 
Mato Grosso. Os camaradas de Itaicí chegavam a trabalhar até 19 horas por dia no período das safras e 
eram castigados, humilhados pelo patrão. Na década de 30, com ascensão de Vargas, a sorte dos 
usineiros começou a mudar. Getúlio Vargas empreendeu uma série de medidas que visavam destruir o 
poder destes coronéis. Uma destas medidas foi a criação do I.A.A. (Instituto do Álcool e do Açúcar). Com 
o objetivo de financiar a produção das usinas, o governo federal estabeleceu que somente os grandes 
produtores receberiam financiamento, e como Mato Grosso tinha uma pequena produção, os usineiros 
de MT faliram. Outra medida que enfraqueceu mais ainda o poder destes produtores de açúcar foi a 
cobrança das leis trabalhistas. 
 
- PECUÁRIA - A pecuária no século XVIII abastecia o mercado interno. O gado era criado solto, 
consequentemente era uma economia de baixa produtividade. A região que mais se destacou na criação 
do gado foi Vila Maria de Cáceres. Uma das fazendas mais importantes desse período foi a Fazenda 
Jacobina. No século XIX, com a Revolução Industrial na Vila Maria de Cáceres esta começou a se 
destacar pelo surgimento das usinas de charque, sendo a mais importante a de Descalvado. Descalvado, 
localizada as margens do Rio Paraguai era uma saladeiro que foi construído com o capital belga e 
posteriormente foi vendido aos argentinos. O escoamento do charque era feito através da Bacia Platina, 
e a mão de obra utilizada era assalariada. No entanto, o pagamento feito ao peão geralmente era em 
gado. Durante o século XX, na Primeira República, com a construção da Estrada de Ferro Noroeste do 
Brasil, a pecuária floresceu principalmente na região sul de Mato Grosso. O gado era criado em MT e 
transportado pel estrada de ferro até Bauru e Uberaba, onde era abatido e beneficiado. Com a pecuária, 
Corumbá se tornou local de instalação de grandes casas comerciais, em sua grande maioria estrangeiras. 
Ocorreu a valorização das terras nesse região, o aparecimento de cidades como Águas Claras e Três 
Lagoas, além do crescimento e desenvolvimento da região de Campo Grande, que passou a ambicionar 
o stratus de capital. 
 
- ERVA MATE - A erva mate é um produto do extrativismo vegetal rico em cálcio, magnésio, sódio, 
potássio e ferro. Era utilizada para descansar os músculos, atenuar a fome, tinha função diurética segundo 
os médicos e poder afrodisíaco. Era encontrada na região sul de Mato Grosso. Em 1870, após a Guerra 
do Paraguai, TomásLaranjeira, empresário de visão e tinha sido Secretário do Governo Imperial, usou 
da sua influência política para arrendar as terras do sul ricas em ervais. Com o arrendamento concedido, 
Tomas Laranjeira funda a Companhia Mate Laranjeira. Devido a sua influência foi fácil conseguir 
financiamentos e sócios com os irmãos Murtinha. Joaquim Murtinho era Ministra da Fazenda do Governo 
Campos Salles e Manoel Murtinho era Senador da República e Presidente do Supremo Tribunal Federal. 
Essa empresa desenvolveu tanto, que a sua renda era seis vezes mais que o valor da renda do Estado 
de Mato Grosso, por isso se dizia que a Mate Laranjeira era um “Estado dentro de outro Estado”. A mão 
de obra utilizada era principalmente dos paraguaios, que estavam desempregados devido à guerra e 
entravam em Mato Grosso para trabalhar por qualquer salário. Os trabalhadores da era mate eram 
chamados de “Mineros” e eram assalariados, recebiam conforme a produção, porém o tratamento era 
escravista. Para a repressão daqueles que não queriam trabalhar quase como escravos existia a polícia 
particular da Companhia que se denominavam “Comitiveros”, que demonstra o poder dos seus 
proprietários, uma vez que o segundo a legislação somente o Estado podia constituir Polícia. A produção 
do mate era voltada principalmente para o mercado externo, sendo a Argentina o seu princiál comprador. 
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Em 1902, o Governo Campos Salles atravessou uma forte recessão, o Banco Rio e Mato Grosso faliu, as 
suas ações Cia Mate Laranjeiras foram colocadas à venda. O comprador foi Francisco Mendes, 
empresário argentino. Tal fato levou a empresa a mudar a sua razão social, e passou a ser chamada 
Laranjeiras, Mendes e Cia. Nesse momento Tomás Laranjeira ficou responsável pela extração em Mato 
Grosso e Francisco Mendes, pela sua industrialização, distribuição e venda na Argentina. A decadência 
da empresa ocorreu na década de 30, quando Getúlio Vargas estimulou a produção de erva mate no sul, 
e o governo não concedeu um novo arrendamento de terras alegando que as terras usadas pela Cia Mate 
Laranjeira seriam usadas para promover a colonização no sul de Mato Grosso. Além disso, a decadência 
da Companhia estava também associada a produção da erva mate em Corrientes e Missiones, assim a 
empresa perdeu o seu maior comprador. 
 
O Movimento Republicano e a Proclamação da República 
 
Mesmo com a manutenção do sistema escravista e de latifúndio exportador, na segunda metade do 
século XIX o Brasil começou a experimentar mudanças, tanto na economia como na sociedade. 
O café, que vinha ganhando destaque, cresceu ainda mais quando cultivado no Oeste Paulista. 
Juntamente com o café, na região amazônica a borracha também ganhava mercado, principalmente após 
a descoberta do processo de vulcanização, feito por Charles Goodyear em 1839. Com a ameaça do fim 
da escravidão, começaram os incentivos para a vinda de trabalhadores assalariados, gerando o 
surgimento de um modesto mercado interno, além da criação de pequenas indústrias. Surgiram diversos 
organismos de crédito e as ferrovias ganhavam cada vez mais espaço, substituindo boa parte dos 
transportes terrestres, marítimos e fluviais. 
As mudanças citadas acima não alcançaram todo o território brasileiro. Apenas a porção que hoje 
abrange as regiões Sul e Sudeste foi diretamente impactadas, levando inclusive ao crescimento dos 
núcleos urbanos. Em outras partes, como na região Nordeste por exemplo, o cultivo da cana-de-açúcar 
e do algodão, que por muito tempo representaram a maior parte das exportações nacionais, entravam 
em declínio. 
Muitos dos produtores e também da população dessas regiões em desenvolvimento passavam a 
questionar o centralismo político existente no império brasileiro, que tirava a autonomia local. A solução 
para resolver os problemas advindos da mudança pela qual o país passava foi encontrada no sistema 
federalista, capaz de garantir a tão desejada autonomia regional. Não é de se espantar que entre os 
principais apoiadores do sistema federalista estivessem os produtores de café do oeste paulista, que 
passavam a reivindicar com mais força seus interesses econômicos. 
O ideal de federação, que se adequava aos anseios dos vários grupos políticos do Brasil, só seria 
atingido com uma República Federativa. O desgaste enfrentado pelo império brasileiro, evidenciado na 
questão religiosa, na questão escravista e na questão militar são fatores importantes para entender e 
completar a lista de fatores que levaram à proclamação de uma República em 1889. 
Desde o período colonial eclodiram diversos movimentos baseados nos ideais republicanos. A 
Inconfidência Mineira de 1789 e a Conjuração Baiana de 1798 são exemplos que buscavam a separação 
de seus territórios do poder colonial e a implantação de repúblicas, em oposição ao domínio real. 
Apesar das influências republicanas nas revoltas e tentativas de separação desde o século XVIII, foi 
apenas na década de 1870, com a publicação do Manifesto Republicano, que o ideal foi consolidado 
através da sistematização partidária. 
O Manifesto foi publicado em 3 de dezembro de 1870, no jornal A República, redigido por Quintino 
Bocaiúva, Saldanha Marinho e Salvador de Mendonça, e assinado por cinquenta e oito cidadãos, entre 
políticos, fazendeiros, advogados, jornalistas, médicos, engenheiros, professores e funcionários públicos. 
Defendia o federalismo (autonomia para as Províncias administrarem seus próprios negócios) e criticava 
o poder pessoal do imperador. 
A formação do Partido Republicano no Brasil está ligada à queda do Gabinete de Zacarias de Góes, 
motivada por questão pessoal com o Duque de Caxias, e a cisão dos liberais em radicais e moderados. 
A facção radical adotou, em sua maioria, ideais republicanos. 
Após a publicação do Manifesto, entre 1870 e 1889 os ideais republicanos espalharam-se rapidamente 
pelo país. Um dos principais frutos foi o Partido Republicano Paulista, fundado na Convenção de Itu em 
1873 e marcado pela heterogeneidade de seus membros e da efetiva participação dos cafeicultores do 
Oeste Paulista. 
Os republicanos brasileiros divergiam em seus ideais, criando duas tendências dentro do partido: A 
Tendência Evolucionista e a Tendência Revolucionária. 
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Defendida por Quintino Bocaiuva, a Tendência Evolucionista partia do princípio de que a transição do 
império para a república deveria ocorrer de maneira pacífica, sem combates. De preferência após a morte 
do imperador. 
Já a Tendência Revolucionária, defendida por Silva Jardim e Lopes Trovão, dizia que a República 
precisava “ser feita nas ruas e em torno dos palácios do imperante e de seus ministros” e que não se 
poderia “dispensar um movimento francamente revolucionário”. A eleição de Quintino Bocaiuva (maio de 
1889) para a chefia do Partido Republicano Nacional expurgou dos quadros republicanos as ideias 
revolucionárias. 
O final da Guerra do Paraguai (1870) provocou o recrudescer dos antagonismos entre o Exército e a 
Monarquia; entre o grupo militar e o Civilismo do governo; entre o "homem-de-farda" e o "homem-de-
casaca". O exército institucionalizava-se. Os militares sentiam-se mal recompensados e desprezados 
pelo Império. Alguns jovens oficiais, influenciados pela doutrina de Augusto Comte (positivismo) e 
liderados por Benjamin Constant, sentiam-se encarregados de uma "missão salvadora" e estavam 
ansiosos por corrigir os vícios da organização política e social do país. A "mística da salvação nacional" 
não era aliás privativa deste pequeno grupo de jovens. Muitos oficiais mais graduados compartilhavam 
das mesmas ideias. Generalizara-se entre os militares a ideia de que só os homens de farda eram "puros" 
e "patriotas", ao passo que os civis, os "casacas" como diziam, eram corruptos, venais e sem nenhum 
sentimento patriótico. 
No ano de 1888, a abolição da escravidão, promovidapelas mãos da princesa Isabel deu o último 
passo em direção ao fim da Monarquia Brasileira. O latifúndio e a sociedade escravista que justificavam 
a presença de um imperador enérgico e autoritário, não faziam mais sentido às novas feições da 
sociedade brasileira do século XIX. Os clubes republicanos já se espalhavam em todo o país e naquela 
mesma época diversos boatos davam conta sobre a intenção de Dom Pedro II em reconfigurar os quadros 
da Guarda Nacional. 
O Visconde de Ouro Preto, membro do Partido Liberal, foi nomeado presidente do Conselho em junho 
de 1889. O novo governo precisava remover os obstáculos representados pelo republicanismo e pelos 
militares descontentes. Para vencer o primeiro, apresentou um programa de amplas reformas: liberdade 
de culto, autonomia para as províncias, temporariedade dos mandatos dos senadores, ampliação 
do direito de voto e Conselho de Estado com funções meramente administrativas. Acusado tanto 
de radical como de moderado, o programa foi rejeitado pela Câmara dos Deputados. Diante disso, ela foi 
dissolvida, provocando protestos gerais. Contra o exército, Ouro Preto agiu tentando reorganizar a 
Guarda Nacional e removendo batalhões suspeitos. A situação tornou-se tensa. Os republicanos 
instigavam os militares contra o governo. 
A ameaça de deposição e mudança dentro do exército serviu de motivação suficiente para que o 
Marechal Deodoro da Fonseca agrupasse as tropas do Rio de Janeiro e invadisse o Ministério da Guerra. 
Segundo alguns relatos, os militares pretendiam inicialmente exigir somente a mudança do Ministro da 
Guerra. No entanto, a ameaça militar foi suficiente para dissolver o gabinete imperial e proclamar a 
República. 
A Proclamação resultou da conjugação de duas forças: o exército, descontente, e o setor cafeeiro 
da economia, pretendendo este eliminar a centralização vigente por meio de uma República Federativa 
que imporia ao país um sistema favorável a seus interesses. 
Portanto, a Proclamação não significou uma ruptura no processo histórico brasileiro: a economia 
continuou dependente, baseada no setor agroexportador. Afora o trabalho assalariado, o sistema de 
produção continuou o mesmo e os grupos dominantes continuaram a sair da camada social dos grandes 
proprietários. Houve apenas uma modernização institucional. 
O golpe militar promovido em 15 de novembro de 1889 foi reafirmado com a proclamação civil de 
integrantes do Partido Republicano, na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Ao contrário do que 
aparentou, a proclamação foi consequência de um governo que não mais possuía base de sustentação 
política e não contou com intensa participação popular. Conforme salientado pelo ministro Aristides Lobo, 
a proclamação ocorreu às vistas de um povo que assistiu tudo de forma bestializada. 
 
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O coronelismo em Mato Grosso na República Velha 8 
A Primeira República, ou República Velha, em Mato Grosso, foi marcada politicamente pela disputa 
entre as oligarquias do Norte, composta pelos usineiros de açúcar, e do Sul, composta por pecuaristas, 
comerciantes, ligados à importação e exportação, e pelos coronéis da erva-mate. Essas oligarquias 
alternaram-se no poder após lutas violentas entre coronéis e seus bandos de lado a lado. Os episódios 
mais graves dessas disputas foram: Massacre da Bahia Garcez, em 1901; o assassinato do governador 
Totó Paz, em 1906; a Caetanada, em 1916, que culminou com a intervenção federal em Mato Grosso; 
Morbeck X Carvalinho verdadeira guerra na região dos garimpos no Araguaia, em Garças. 
 
O massacre da Baía do Garcez: foi o assassinato de 17 presos, onde um ano após o ocorrido a Baía 
secou e os corpos vieram à tona, no entanto ninguém foi preso e Tótó Paes vence as eleições. 
 
A Caetanada: em 1915 as eleições em Mato grosso foram disputadas pelos republicanos e pelos 
liberais, Caetano de Albuquerque, o que sugere o nome do movimento sofreu duras perseguições e 
chegou a desistir, contudo resolveu voltar a disputa encontrando resistência por parte de Manoel 
Escolástico Virgilio. 
 
Morbeck e Carvalinho: Esse movimento ocorreu em 1926 sob governo de Pedro Celestino, Morbeck 
se revoltou com a nomeação de Carvalinho para o cargo de delegado e rompe com o amigo governador 
partindo para pequenos ataques, afim de minimizar a situação Pedro Celestino destitui Carvalinho que 
armou um bando e promoveu ataques aos quartéis, Carvalinho foi preso e em seguida liberado. 
 
Era Vargas 
 
- O estado de Mato Grosso e a Era Vargas 
As décadas de 1930 e 1940 foram marcadas pela política centralizadora de Getúlio Vargas. 
Interventores federais foram nomeados por entre exercícios de curto governo. Em 16 de julho de 1934 foi 
promulgada a nova Constituição Federal, seguida pela estadual mato-grossense, em 07 de setembro de 
1935. O título de presidente foi substituído pelo de governador. Os constituintes estaduais elegeram o Dr. 
Mário Corrêa da Costa. O governo de Costa foi marcado por agitações políticas, que acabaram somente 
com a eleição do bacharel Júlio Strubing Müller pela Assembleia Legislativa em 1937. 
Após a saída de Vargas, com a aprovação da nova Constituição Federal de 1946, a Assembleia 
Constituinte de Mato Grosso elegeu o Dr. Arnaldo Estevão de Figueiredo para o governo do Estado. Em 
03 de outubro de 1950 houveram eleições para governador, concorrendo Filinto Müller, pelo Partido Social 
Democrata e Fernando Corrêa da Costa pela União Democrática Nacional. Venceu Fernando Corrêa, 
que tomou posse em 31 de janeiro de 1951, governando até 31 de janeiro de 1956. Fernando Corrêa da 
Costa instalou a Faculdade de Direito de Mato Grosso, núcleo inicial da futura Universidade Federal de 
Mato Grosso - UFMT. 
A política implementada por governos de estado na esfera federal visou a ocupação do território 
durante o século XX, com a criação de várias colônias agrícolas, visando a produção de alimentos. Com 
a ocupação das áreas produtoras de látex no Leste Asiático durante a Segunda Guerra Mundial, a 
produção do material ganhou destaque novamente. 
Na década de 1960, com as mudanças político-administrativas no país e o surgimento de fatores 
estruturais, a agricultura brasileira sofreu profundas transformações. 
Com a escassez de terras desocupadas e utilização de tecnologia moderna no Centro-Sul, muitos 
migrantes chegaram a Mato Grosso dispostos a ocupar as áreas do Estado. O interesse de fazer crescer 
 
8 http://historiografiamatogrossense.blogspot.com.br/2009/12/o-coronelismo-em-mato-grosso-na.html#!/tcmbck 
PERÍODO REPUBLICANO. 1.O coronelismo em Mato Grosso; 2. 
Economia de Mato Grosso na Primeira República: usinas de açúcar e 
criação de gado; 3. Relações de trabalho em Mato Grosso na 
Primeira República; 4. Mato Grosso durante a Era Vargas: política e 
economia; 5. Política fundiária e as tensões sociais no campo; 6. Os 
governadores estaduais e suas realizações; 
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o setor agrícola e a necessidade de atender as pressões demográficas de grupos de pequenos e médios 
proprietários levou o poder público a uma efetiva ocupação do território mato-grossense. 
O incremento desta ocupação e a caracterização da função de Mato Grosso como estado 
eminentemente agrícola se consolidou na década de 1970, a partir principalmente do estímulo à 
colonização privada e à exploração de terras. A colonização, que atraiu primeiramente colonos com larga 
experiência agrícola, mas também, acostumados ao manejo tradicional e ainda arredios às modernas 
técnicas de agricultura. 
 
A Nova Economia do Brasil 
A política trabalhista foi taxada de “paternalista” por intelectuais de esquerda, que acusavam Getúlio 
de tentar anular a influência desta sobre o proletariado, desejando transformar a classe operária num 
setor sob seu controle nos moldes da Carta del Lavoro do fascista italiano Benito

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