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C2. Cultura & Comportamento, A fundo Caderno A. Opinião, Política, Internacional, Metrópole, Saúde, Esportes, Para fechar... E&N. Destacar Economia & Negócios F U N D A D O E M 1 8 7 5 J U L I O M E S Q U I T A ( 1 8 6 2 — 1 9 2 7 ) estadão.com.br Reeleito, prefeito de SP disse que decisão será to- mada em dezembro, após análise de custos. Ele tam- bém prometeu manter fo- co sobre a Enel. “Vai ser pau para cima” da conces- sionária, afirmou. Nunes admite que tarifa de ônibus pode ter reajuste em 2025 Prefeitura de SP __ A6 Notas e Informações __ A3 Governo vê disputas internas e no Congresso por vagas em agências 18° Mín. 21° Máx. O eleitorado consolida preferência à direita C om 9 vagas disponí- veis em diretorias e outras 11 que se abri- rão até o primeiro tri- mestre de 2025, as agências re- guladoras são alvo de disputas internas no governo e entre se- nadores da base governista no Congresso. O Planalto quer ne- gociar as indicações de uma só vez. A ideia é não abrir conver- sas individuais para cada posto ou atrelar as negociações às elei- ções para o comando da Câma- ra e do Senado, em fevereiro de 2025. O interesse pelos cargos ganhou corpo diante do desgas- te com os apagões em SP, que colocaram sob ataque a atua- ção da Aneel. Além da Aneel, há também disputa por cargos na ANP, na Anac e na Anvisa. O go- verno avalia retomar mecanis- mo para pactuar metas para as agências e, no limite, punir seus integrantes. Na Câmara, há arti- culação para que a Casa passe a fiscalizar a atuação no setor. Ideia do Planalto é não abrir conversas individuais por cargos Tempo em SP Marcelo Godoy O Brasil sai das urnas com uma política mais pragmáti- ca e menos polarizada. Edição de hoje Republicanos tentam conter danos após insultos a latinos Comício de Trump__ A14 Portal com equipe falsa promete lucro de 1.000% ao ano E&N Investimentos __ B12 Cineasta israelense questiona motivação para a violência C2 Entrevista: Amos Gitai __ C1 4 CADERNOS – 72 páginas Análise__ A8 Futebol __ A21 Eliane Cantanhêde __ A7 Direita Valdemar Carlos Andreazza__ A12 Sergio Martins__ C8 Isso não se faz, governador Especial Summit Saúde Presidente da Comissão de Desenvolvimento Eco- nômico da Câmara, depu- tado Danilo Forte (U- nião-CE) deve apresen- tar PEC que amplia os poderes da Casa. __ B2 ‘Cabe à Câmara fiscalizar agências’ FELIPE RAU / ESTADÃO E&N Cargos cobiçados __ B1 20 postos estão ou estarão abertos até o primeiro trimestre de 2025 em diretorias de agências reguladoras no País Entre eleição e honra, Boulos perdeu ambas Brasileiro Vini Jr. fica em segun- do. Inconformado, Real Madrid boicota festa de premiação do melhor jogador do mundo. Com polêmica, espanhol Rodri é Bola de Ouro FR A N C K F IF E / A FP Ao gosto do freguês A hora de dizer adeus a nossos ídolos RONALDO CAIADO Governador de Goiás Entrevista __ A10 Político do União Brasil reage ao apoio de Bolsona- ro a rival em Goiânia. ‘Faltou humildade e sobrou deselegância’ Estudo mostrou que 43% deles não souberam dizer se compra- riam mais ou menos caso sua renda e os preços dobrassem. Quase metade dos alunos de mais de 15 anos não entende o que é inflação Estudantes brasileiros __ A17 Caderno especial mostra ca- minhos e desafios para quali- dade de vida e ampliação do acesso à saúde no Brasil. De hábitos simples à inteligência artificial, a busca por longevidade Summit Saúde e Bem-Estar__ D1 a D24 Instituição quer vender edifícios tombados como o acima, no Vale do Anhangabaú. Há outros seis na lista, um deles erguido com ouro arrecadado na Revolução de 32 para armar tropas paulistas. Meta é arrecadar R$ 200 milhões e pagar dívidas. __ A18 Santa Casa vende prédios clássicos para pagar dívidas Terça-feira 29 de OUTUBRO de 2024 l R$ 7,00 l Ano 145 l Nº 47859 INÊS 249 l PRESSA. O ministro das Cida- des, Jader Filho, pretende inten- sificar contatos para dar celerida- de ao PAC Seleções. “Vamos con- versar com prefeitos, governado- res e ver quais são as dificuldades para celebrar as contratações, se é problema de licenciamento ou não. É pegar na mão dos prefei- tos e colocar as obras para ro- dar”, afirmou Jader à Coluna. l COSTURA. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o líder do par- tido na Câmara, Odair Cunha, são ventilados para assumir uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), de acordo com de- putados federais e um ministro do governo. O PT negocia o pos- to em troca de apoio na disputa pela presidência da Câmara. l OUTRO LADO. Procurada, Gleisi confirmou que a sigla negocia uma vaga no TCU, mas ela e Odair negam tratativas em torno dos próprios nomes. A Câmara deverá indicar dois novos minis- tros para o tribunal em 2026. l GRATIDÃO. Ex-presidente da Re- pública, Michel Temer (MDB) agradeceu diretamente ao gover- nador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pela reeleição de seu cor- religionário Ricardo Nunes à Pre- feitura de São Paulo. “Venceu a moderação, o equilíbrio, a sensa- tez. Valeu, Tarcísio. Parabéns, Ri- cardo”, declarou à Coluna. l DESFECHO. Embora em tom me- nos efusivo que o adotado por Nunes, a fala de Temer reforça a avaliação entre emedebistas de que o governador se consolidou como uma liderança política de peso no Estado de São Paulo. l ERRATA. Diferentemente do que afirmou o grupo de advoga- dos Prerrogativas, ao anunciar ação na Justiça contra o governa- dor de São Paulo por ele ter dito que mensagens do PCC indica- vam voto em Guilherme Boulos (PSOL), Tarcísio não deu a decla- ração no Palácio dos Bandeiran- tes. Ele falou na saída do colégio eleitoral onde votou, na capital. l VEM AÍ. Decidido a colher todos os louros do seu resultado eleito- ral, Pablo Marçal (PRTB), ex-can- didato à Prefeitura de São Paulo, está escrevendo um livro com seu ponto de vista sobre a campa- nha. O “ponto alto” será a análise sobre como transformar um pe- ríodo de instabilidade em uma oportunidade de crescimento. l DETALHES. Segundo apurou a Coluna, a ideia do livro é apresen- tar os bastidores da campanha com a bandeira antissistema e os métodos “heterodoxos”. PRONTO, FALEI! Renato Dorgan CEO do Instituto Travessia “A polarização definitiva entre di- reita e esquerda não existe no País. Em 2022, o que houve foi Lu- la x Bolsonaro, dois políticos com altas popularidade e rejeição.” Governo Lula quer acelerar contratações do PAC Seleções com o fim do período eleitoral P assadas as eleições municipais, quando o mun- do político ficou às voltas com campanhas em to- do o País, o governo federal espera destravar, nos próximos meses, as assinaturas de convênios pa- ra as obras do PAC Seleções. O programa é uma das apos- tas do Palácio do Planalto para alavancar a popularidade do presidente Lula, sobretudo após a frustração da es- querda com o resultado apresentado pelas urnas no últi- mo domingo. No PAC Seleções, o governo federal selecio- na projetos prioritários apresentados por Estados e mu- nicípios em áreas como mobilidade urbana, drenagem, saúde, esgotamento sanitário e abastecimento de água. O valor total destinado ao programa é de R$ 136 bilhões, e os contratos precisam ser firmados até março de 2025. CARLA FIAMINI CLICK Valdemar Costa Neto Presidente nacional do PL Com aliados após a vitória do pre- feito eleito de Guarulhos, Lucas Sanches, candidato do PL que ele bancou à revelia de Jair Bol- sonaro e Tarcísio de Freitas. por Kleber Sales ROSEANN KENNEDY COLUNADOESTADAO@ESTADAO.COM ESTADAO.COM.BR/POLITICA/COLUNA-DO-ESTADAO Coluna do Estadão SINAIS PARTICULARES COM EDUARDO GAYER COLABORARAM IANDER PORCELLA, PEDRO LIMA E VINÍCIUS NOVAIS Michel Temer, ex-presidente da República A2 TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 O ESTADO DE S. PAULO Publicado desde 1875 S em grandes surpresas, o se- gundo turno das eleições municipais consolidou o ce- nárioe conselheiro do INAC 9h50 – 10h30 Conferência deAbertura Ética, corrupção e integridade Ministro Edson Fachin Vice-presidente do STF 10h35 – 11h55 Painel 1: A jornada por transparência no orçamento público. O desafio das emendas parlamentares Mediação: Eliane Cantanhêde Colunista do Estadão, comentarista da GloboNews e da Rádio Eldorado Celso Campilongo Professor titular e diretor da Faculdade de Direito da USP Maria Tereza Sadek Professora da USP e diretora executiva do INAC Marlon Reis Advogado que atua na ADI das emendas parlamentares da Abraji 12h – 13h20 Painel 2: A corrupção como fator de obstrução às candidaturas femininas. Avaliação das cotas e outros temas Mediação: Bianca Gomes Repórter de Política do Estadão Ana Elisa Bechara Liberatore Professora titular de Direito Penal da USP e vice-diretora da faculdade Andreia Schroeder Socióloga, líder do Comitê de Política Públicas do Grupo Mulheres do Brasil Valéria Paes Landim Advogada, presidente do Observatório de Candidaturas Femininas 13h20 – 14h30 Almoço 14h30 – 15h50 Painel 3: Jornalismo Investigativo x Corrupção – cases e aprendizados para a Imprensa e para o sistema de Justiça Mediação: Kátia Brembatti Editora do Estadão Verifica e presidente da Abraji PROGRAMAÇÃO Eugênio Bucci Jornalista, professor e escritor Valmir Salaro Jornalista e repórter investigativo Vera Araújo Jornalista e repórter investigativa 15h55 – 17h15 Painel 4: Pesquisas e medição da transparência e da corrupção – cases e aprendizados Mediação: Marcelo Godoy Repórter especial e colunista do Estadão Humberto Falcão Cientista político e professor da Fundação Dom Cabral Marina Atoji Jornalista, gerente de Projetos da Transparência Brasil Rita de Cassia Biason Professora da Unesp e conselheira do INAC 17h20 - 17h40 Conferência Inteligência Artificial e Combate à Corrupção Felipe Palhares Guerra Lages Advogado 17h45 Encerramento 9h – 9h05 Abertura 9h05 – 9h45 Palestra de Abertura Contra a corrupção, a virtude José Renato Nalini Secretário municipal de Mudanças Climáticas de São Paulo, ex-presidente do TJSP e conselheiro do INAC Lucas Barthman Sócio-fundador da Menestys Investimentos 9h50 – 11h10 Painel 5: Integridade e Desenvolvimento – a sinergia mais que possível, absolutamente imprescindível para o crescimento econômico sustentável Mediação: Renée Pereira Editora-assistente de Economia do Estadão Brenno Machado Nogueira Diretor da Acciona Natasha Schmitt Advogada e vice-presidente do Centro de Estudos de Integridade e Desenvolvimento do INAC Rodrigo Bertoccelli Presidente do Centro de Estudos de Integridade e Desenvolvimento do INAC 5 DE NOVEMBRO 11h15 – 12h35 Painel 6: Os grandes desafios para construir eficiência aliada a integridade no universo do esporte Mediação: Gustavo Faldon Editor de Esportes do Estadão Ana Moser Ex-ministra do Esporte Tiago Gomes Sócio e head da área de Esportes da Souto Correa Advogados Raphael Vianna CFO e diretor estatutário do Vasco SAF 12h35 – 14h Almoço 14h – 15h20 Painel 7: As diversas modalidades e dinâmicas dos acordos de colaboração com a administração pública. O que é permitido e o que não é permitido. Players do processo Mediação: Ricardo Corrêa Editor de Política do Estadão Daniel Falcão Controlador-geral do Município São Paulo Giuseppe Giamundo Neto Advogado, diretor do Centro de Estudos de Integridade e Desenvolvimento do INAC Marcelo Pontes Viana Secretário de Integridade Privada da CGU 15h25 – 16h45 Painel 8: O desafio da construção de segurança jurídica no universo das criptomoedas Mediação: Wladimir D'Andrade Editor no E-Investidor do Estadão Bernardo Srur Diretor-presidente da ABCripto Bruno Balduccini Advogado, sócio do escritório Pinheiro Neto Advogados Richard Encinas Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, coordenador do Cyber Gaeco 16h50 – 17h30 Conferência de Encerramento A luta por transparência no orçamento público. O desafio das emendas parlamentares Everson João Possati Diretor da Agil Telecom Miguel Reale Júnior Advogado, ex-ministro da Justiça e conselheiro do INAC 17h30 – 17h35 Encerramento Patrocinador Diamante:Realização: Coordenação Científica: Rita Biason, Roberto Livianu e Miguel Reale Júnior Relatoria Executiva: Luiz Eduardo de Almeida INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES Patrocinador Ouro:Apoio de divulgação: O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 POLÍTICA A11 INÊS 249 Carlos Andreazza Melo prevê acomodar 11 partidos no novo governo Porto Alegre Direita Valdemar G uilherme Boulos sai me- nor das urnas. Teve o apoio do PT e muita gra- na para campanha. Co- lheu a mesma votação de 2020. O teto da rejeição se lhe impôs. Parece limitação incontornável – comunica a incompetência. Foram quatro anos e ne- nhum programa para minimi- zar a imagem negativa, sendo es- tarrecedor haver quem supuses- se que algo positivo poderia ser extraído da submissão desespe- rada à sabatina com Marçal. Boulos sai também sozinho. A lavação de roupa suja petista, processo delirante, já atribui o revés ao que seria escolha erra- da de candidato; como se o PT contasse, em seu deserto de re- novação, com opção paulistana competitiva; e como se o parti- do não tivesse se lançado a en- frentar o prefeito da tragédia em Porto Alegre com a única candi- data que o faria menos rejeitado. Sebastião Melo venceu no Sul. Ricardo Nunes, em São Pau- lo. Seu papel doravante sendo o de amarrar o MDB ao plano de Tarcísio de Freitas e lhe garan- tir espaços à acomodação de aliados. O prefeito reeleito foi corpo para um projeto-piloto. Que reuniu o conjunto hetero- gêneo de jogadores de que o go- vernador precisará em 26. Estavam lá o bolsonarismo, a direita Valdemar – aquela, oportunista e ilegítima, que pa- ga casa e salário ao mito – e o PSD de Kassab, líder de um blo- co de centro que, lendo o ritmo das marés, ora pende à direita e é financiado pelo fundo eleito- ral paralelo em que se constituí- ram as emendas parlamentares. Grupo de equilíbrio precário. O “líder maior” Tarcísio – defi- nição de Nunes – é subordinado ao líder maior inelegível, Bolsona- ro; de quem precisa tanto quanto de Kassab. Gestão difícil. Não à toa acarinha frequentemente o bolsonarismo. Foi o que fez, ur- nas ainda abertas, ao instrumen- talizar a condição de governador para divulgar – sem apresentar provas – o que seria “salve” do PCC pela candidatura de Boulos. Barbaridades assim podem não ser suficientes. Porque há desconfianças, no bolsonaris- mo, sobre o bolsonarista – ele estaria mais para direita Valde- mar – Tarcísio. Que precisará também de sorte. Para que não lhe apareça um desafiante à mo- da Marçal, agente que denuncia a associação a Kassab, afrouxa o controle da família Bolsonaro sobre o rebanho e faz se insi- nuar um bolsonarismo sem Bol- sonaro. Que vencedor não foi em 24. As vitórias do ex-presi- dente estando contidas no êxi- to da direita Valdemar. Bolsonaro está contido na di- reita Valdemar. O bolsonaris- mo, desconfortável com isso. O sangue da inelegibilidade do mi- to está na água e os nikolas fare- jam. Bolsonaro reage aos en- saios de autonomia demarcan- do território e se apregoando co- mo o candidato da direita em 26. Candidato que não será. Candi- dato – candidatos – que haverá.l O prefeito reeleito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), prevê contemplar os 11 parti- dos que o apoiaram no segun- do turno no governo de seu se- gundo mandato, mas com uma ressalva: “O PL vai ter gente do governo? Vai. O MDB também vai. Agora, se tiver uma deter- minada área em que nenhum partido ofertar um quadro que tenha qualidade de gestão, eu vou dizer: ‘me desculpe, não posso contemplar”. O prefeito considera que a in- fluência do presidente Luiz Iná- cio Lula da Silva e de Jair Bolso- naro, que o apoiou, não foi deci- siva para o resultado. No segun- do turno, Melo obteve 61% dos votos válidos ederrotou a depu- tada federal Maria do Rosário (PT-RS). Ele avalia que o pleito foi definido principalmente pe- las ações de sua gestão para con- tornar os efeitos as fortes chu- vas que castigaram Porto Alegre em abril. l GUSTAVO CÔRTES SEG. Carlos Pereira e Diogo Schelp (quinzenalmente) l TER. Eliane Cantanhêde l QUA. Vera Rosa e Marcelo Godoy (quinzenalmente) l QUI. William Waack l SEX. Eliane Cantanhêde l DOM. Eliane Cantanhêde e J.R. Guzzo O sangue da inelegibilidade do mito está na água e os nikolas farejam E-mail: ca.andreazza@gmail.com; Twitter: @andreazzaeditor JORNALISTA Seu GPS rumo à universidade! Amaiscompletaavaliaçãodoscursos deensinosuperiordoPaís Eainda: Comoa InteligênciaArtificialestá mudandooensinosuperior EntendendoasnotasdoMEC DeolhonoEAD Asuniversidadespúblicaseprivadas quemaissedestacam Osmelhorescursospresenciais eadistância ESCANEIE PARA ACESSAR A VERSÃO DIGITAL Parceria:Realização: Criação: Patrocínio: A12 POLÍTICA TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 PEPITA ORTEGA O Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu um procedimento administrativo disciplinar con- tra um segundo servidor cita- do nas investigações sobre sus- peita de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul que também atingiram a Corte superior. Conforme o STJ, até o momen- to, “não há qualquer indício de envolvimento de ministros”. Em nota, a Corte afirmou na sexta-feira passada que as apu- rações podem resultar em no- vos procedimentos internos e os processos estão sendo com- plementados por dados com- partilhados pela Polícia Fede- ral e Corregedoria Nacional de Justiça. O STJ disse ainda que, “respeitando seu compromis- so com a ética e a transparên- cia”, vai divulgar as conclusões da apuração administrativa. Em sessão da Terceira Tur- ma do tribunal no último dia 8, a ministra Nancy Andrighi já havia anunciado a abertura de um procedimento disciplinar sobre a conduta de um servi- dor da Corte. “Não posso dizer o que sente um juiz com 48 anos de magistratura quando se vê numa situação tão estra- nha como essa. O importante é que já foi localizada a pessoa, respondeu a uma sindicância e está aberto o PAD (procedimen- to administrativo disciplinar)”, declarou a ministra. TORNOZELEIRA. A informação sobre o novo PAD foi divulga- da pelo STJ um dia depois da Operação Última Ratio, na quinta-feira passada, que resul- tou no afastamento de cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul sob suspeita de venda de decisões judiciais. Eles estão sendo monitorados por meio de tornozeleira eletrônica. O relator do caso no STJ, Francisco Falcão, determinou a remessa da investigação para o Supremo Tribunal Federal (STF), em razão de gabinetes de quatro ministros do pró- prio STJ terem sido citados em conversas obtidas pela PF. O STF detém competência pa- ra investigar e processar inte- grantes dos outros tribunais superiores. O relator no Supre- mo é Cristiano Zanin. As suspeitas surgiram a par- tir de dados armazenados no celular do advogado Roberto Zampieri, executado em Cuia- bá, em dezembro de 2023. O conteúdo – cerca de cinco mil diálogos – levou até agora ao afastamento de oito magistra- dos dos Tribunais de Justiça de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul e inquieta agora o STJ. Caberá ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestar sobre a manuten- ção do caso no Supremo, com base na análise de citações a ministros do STJ. l Eduardo Suplicy anuncia que tem câncer linfático Em tratamento O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP), de 83 anos, anunciou ontem em suas re- des sociais ter recebido, no últi- mo mês de julho, o diagnóstico de câncer linfático. Ele disse ainda que se encontra em trata- mento imunoquimioterápico. A doença se origina no siste- ma linfático, onde estão os lin- fócitos, tipo de glóbulo branco responsável pela defesa do or- ganismo. A imunoquimiotera- pia combina quimioterapia, que utiliza medicamentos pa- ra combater as células cancero- sas, com imunoterapia, cujo objetivo é restaurar e estimu- lar o sistema imunológico do corpo para atacar o câncer. Segundo o deputado, ele continua suas atividades na As- sembleia Legislativa de São Paulo, assim como suas aulas de ginástica. “Felizmente meus exames já apresentam bons resultados”, afirmou Su- plicy. l LETÍCIA NAOME Inquérito 8 investigados – 7 desembargadores e um juiz – já foram afastados STJ investiga servidores e não vê ‘indício’ de elo de ministros com venda de sentenças Tribunal afirma que abriu procedimentos internos; gabinetes de quatro magistrados são citados em conversas obtidas pela PF Operação Última Ratio TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 POLÍTICA A13 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 NOVA YORK Republicanos, aliados e o co- mando da campanha de Do- nald Trump correram ontem para tentar reduzir o prejuízo causado pelas declarações ra- cistas e insultos a latinos, espe- cialmente aos porto-rique- nhos, feitos durante o comício do ex-presidente na noite de domingo, no Madison Square Garden, em Nova York. O evento foi marcado pela re- tórica mais sombria e agressi- va de Trump até o momento na campanha. Logo na abertura, o comediante Tony Hinchcliffe se referiu a Porto Rico como “lixo” e zombou da população de origem latina, que segundo ele não usa métodos anticon- cepcionais. “Há uma ilha flu- tuante de lixo no meio do ocea- no neste momento. Acho que se chama Porto Rico”, disse Hinchcliffe. Os comentários tiveram efei- to imediato. Várias celebrida- des porto-riquenhas ou de ori- gem hispânica, como o rapper Bad Bunny, a atriz Jennifer Lo- pez, e os cantores Luis Fonsi e Ricky Martin, citaram os co- mentários para declarar apoio à candidata democrata Kamala Harris – que coincidentemen- te havia apresentado uma série de propostas para Porto Rico horas antes. A preocupação da campanha de Trump não é com os mais de 3 milhões de habitantes da ilha, um território autônomo ameri- cano, que não têm direito a vo- to. Mas com os 6 milhões de americanos de origem porto-ri- quenha que vivem nos EUA. DANOS. Rapidamente, assesso- res de campanha e membros do Partido Republicano corre- ram para apagar o incêndio provocado pelos comentá- rios, principalmente em Esta- dos com alta densidade de elei- tores hispânicos, como Flóri- da e Pensilvânia. “A piada não reflete a visão de Trump”, afir- mou Danielle Alvarez, uma das porta-vozes da campanha. “Essa retórica não reflete os valores do Partido Republica- no”, afirmou a deputada repu- blicana María Elvira Salazar, fi- lha de cubanos, que viveu em Porto Rico e enfrenta uma ree- leição difícil no 27.° Distrito da Flórida. David Urban, uma espécie de assessor informal da campa- nha, lamentou a piada. “Não te- ve graça”, escreveu no X. Hin- chcliffe, o comediante que de- satou a crise, não voltou atrás, nem lamentou a piada. “Esse povo não tem nenhum senso de humor”, disse. ATAQUES. Os democratas apro- veitaram a indignação dos por- to-riquenhos. O presidente Joe Biden, que votou ontem em De- laware, disse que os insultos ra- cistas foram “constrangedo- res”. “Isso não é digno de ne- nhum presidente”, disse. Ka- mala chamou os comentários de “absurdos”. “Nada do que ele diz satisfaz as aspirações e os sonhos do povo americano.” A maior dor de cabeça para Trump, porém, veio do astro do reggaeton Bad Bunny – cujo ver- dadeiro nome é Benito Antonio Martínez Ocasio, vencedor de três Grammys. Porto-riquenho, ele tem mais de 45 milhões de seguidores no Instagram e vinha sendo cortejado pelos democra- tas. Após o comício de Trump, ele compartilhou um vídeo e anunciou seu apoio a Kamala. ‘NAZISTA’. Ao mesmo tempo,ontem, Trump tentou se distan- ciar de outra polêmica, após seu ex-chefe de gabinete John Kelly ter dito que ele se encaixa- va na definição de fascista. Ka- mala usou as declarações para criticar Trump na semana pas- sada. Em um discurso em Atlan- ta, na Geórgia, o republicano re- bateu os comentários. “Não sou nazista. Sou o oposto de um nazista”, disse. l NYT e WP Votos de não filiados embaralham disputa Musk é processado por sorteios de US$ 1 milhão para eleitores l Nevada Mais de 600 mil já votaram, ou 30% do eleitorado. Repu- blicanos estão à frente em 5 pontos, segundo projeções. Democratas teriam de ga- nhar entre os independentes por 5 pontos, de acordo com estimativas, para cortar a vantagem. l Arizona Com mais de 1,2 milhão de votos já enviados, os republica- nos têm 42% dos votos a 35% dos democratas. Mas 23% dos que já votaram não têm filia- ção partidária. Pesquisas indi- cam que a maioria estaria vo- tando em Kamala, o que emba- ralha o cenário. l Geórgia Estado que mais votou: 42% do eleitorado, ou 3 milhões de vo- tos. Votação permanece equili- brada. Pesquisas indicam que Kamala teria vantagem de 55% a 45% entre os que votaram an- tes. Trump teria 55% a 45% en- tre os que votarão no dia da elei- ção. Especialistas suspeitam, portanto, que se o voto anteci- pado superar a marca de 50%, Kamala teria mais chances de vencer no Estado. l Carolina do Norte Mais de 2,8 milhões de votos já foram registrados e a eleição não poderia estar mais acirra- da. Republicanos têm 34% e de- mocratas, 33%. Independentes e sem filiação partidária che- gam a 32%, o que torna o resul- tado imprevisível. l Pensilvânia Com 1,4 milhão de votos envia- dos, Kamala segue com vanta- gem de 2 para 1. São 380 mil votos de frente, ou 58% a 31% (com 10% sem filiação). Nos últimos dias, porém, os repu- blicanos estão reduzindo a distância. l Michigan Estima-se que democratas tenham vantagem de 260 mil votos – 52% a 38%, com 10% de não filiados, com mais de 1,9 milhão de votos enviados. As mulheres estão votando mais que os homens (56% a 44%), o que é bom sinal para Kamala. l Wisconsin Estado não detalha filiação partidária, mas se estima que os democratas estejam à fren- te (35% a 23%), com 858 mil votos já registrados. O volu- me de votos de não filiados e independentes (42%), no en- tanto, complica qualquer pre- visão. Larry Krasner, promotor da cidade da Filadélfia (Pen- silvânia), entrou ontem com uma ação para suspen- der a distribuição de dinhei- ro em comícios de Donald Trump. O bilionário Elon Musk anunciou que fará um sorteio de US$ 1 milhão to- dos os dias – até o dia da eleição – para quem assinar uma petição online em defe- sa da Constituição dos EUA durante eventos de campa- nha de Trump. Na semana passada, Kris- tine Fishell, uma eleitora da Pensilvânia, foi a primeira a ganhar de Musk um cheque de US$ 1 milhão durante um comício de Trump. Mas, se- gundo Krasner, a distribui- ção de dinheiro seria uma “loteria ilegal”, que na Pen- silvânia precisa ser regula- mentada e operada pelo Es- tado. O promotor também acusa o bilionário de esco- lher os ganhadores. “Embo- ra Musk diga que a seleção de um vencedor é aleatória, isso parece falso, porque vários vencedores são indi- víduos que compareceram aos comícios de Trump na Pensilvânia”, disse. “Se não for proibido, o esquema pre- judicará irreparavelmente os habitantes da Filadél- fia.” l NYT !Antecipado Trump no Madison Square Garden, em Nova York: insultos racistas renderam problemas com comunidade porto-riquenha nos EUA ALEX BRANDON/AP Republicanos tentam conter danos de insultos a latinos em comício de Trump Evento de campanha em Nova York teve discursos racistas contra porto-riquenhos, parte crucial do eleitorado de alguns Estados decisivos na disputa pela Casa Branca Eleição americana A14 INTERNACIONAL TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 Oriente Médio Nova lei veta agência de refugiados da ONU em território israelense JERUSALÉM O Parlamento de Israel apro- vou ontem dois projetos de lei que proibiriam a principal agência da ONU que auxilia os palestinos (a UNRWA), de operar em seu território, além de classificá-la como organiza- ção terrorista. As leis, que não entram em vigor imediatamen- te, indicam o agravamento da relação já conturbada entre Is- rael e ONU. Aliados internacionais de Is- rael disseram estar profunda- mente preocupados com o im- pacto potencial para os palesti- nos, uma vez que a situação hu- manitária na guerra está se agravando. Sob a primeira lei, a agência da ONU para refugia- dos palestinos seria proibida de realizar “qualquer ativida- de” ou fornecer serviços den- tro de Israel, enquanto a segun- da lei cortaria laços diplomáti- cos com ela. A legislação colo- ca em risco o frágil processo de distribuição de ajuda na Faixa Gaza, justamente quando Is- rael enfrenta pressão dos EUA para aumentar a assistência hu- manitária. Israel alegou que alguns dos milhares de funcionários da UNRWA participaram dos ata- ques do Hamas, no ano passa- do, que desencadearam a guer- ra em Gaza. Também afirma que centenas de funcioná- rios da UNRWA têm liga- ções com terroristas e en- controu ativos militares do Hamas próximos ou sob as instalações da agência. A agência demitiu nove funcionários após uma in- vestigação, mas nega apoiar grupos armados e afirma agir rapidamente para ex- pulsar qualquer suspeito de envolvimento. Juntas, as leis cortariam efetivamente os laços com a UNRWA, retirando suas imunidades legais e restrin- gindo sua capacidade de apoiar palestinos em Jerusa- lém Oriental e na Cis- jordânia ocupada. O Depar- tamento de Estado dos EUA afirmou estar “profun- damente preocupado” com a proibição. l AP e AFP ERIE, EUA Com a aproximação do dia da eleição presidencial nos EUA, no dia 5, uma grande questão paira sobre a campanha pela Casa Branca, e não tem nada a ver com a economia ou os ata- ques constantes entre o ex-pre- sidente Donald Trump e a vi- ce-presidente Kamala Harris sobre julgamento, caráter e ap- tidão mental. É sobre gênero. A questão raramente é abor- dada diretamente por qual- quer um dos candidatos. No entanto, o fato de Kamala ser mulher – e sua potencial chan- ce de fazer história como a pri- meira presidente do país – está definindo a campanha, crian- do uma disputa que, de manei- ras explícitas e sutis, se torna um referendo sobre o papel da mulher na vida americana. Adesivos pró-Kamala, cola- dos em banheiros, lembram as eleitoras, “de mulher para mu- lher”, que o voto é privado. As- sessores de Trump usam epíte- tos sexualizados para ridicula- rizar homens liberais como fra- cos e afeminados. Pesquisa após pesquisa revela que a dife- rença nos padrões de voto com base no gênero perpassa todos os grupos demográficos. APOIO. Em conversas discre- tas, algumas apoiadoras de Ka- mala não conseguem evitar a sensação incômoda de que os homens em suas vidas estão tendo dificuldades para apoiar uma mulher – especialmente uma mulher negra de origem sul-asiática –, mesmo que não queiram admitir isso. “Se ela fosse homem, será que essa disputa estaria tão acirrada?”, perguntou a gover- nadora do Maine, Janet Mills, a um grupo de mulheres demo- cratas após fazer campanha por Kamala nos subúrbios de Pittsburgh. Joyce Reinoso, uma dessas mulheres, respon- deu: “Ah, ela já teria vencido há três semanas”. Aqueles que estudam os pa- drões de voto há décadas dizem que nunca antes viram uma dis- puta presidencial em que o gê- nero fosse tão central para as perspectivas eleitorais de cada candidato – nem mesmo em 2016, quando Hillary Clinton se tornou a primeira mulher a ob- ter a nomeação de um grande partido. Eles citam uma série de fatores: a difamação bemdo- cumentada de Trump em rela- ção às mulheres, o potencial his- tórico de Kamala, as visões se- xistas persistentes sobre mu- lheres no poder e, talvez o mais central, a revogação da Supre- ma Corte do direito constitu- cional ao aborto. “É como um jogo de acerto, ele precisa conquistar algu- mas mulheres para que os ho- mens o levem à vitória, e nós precisamos conquistar alguns homens para que as mulheres a levem à vitória”, disse Celin- da Lake, pesquisadora demo- crata que estuda o voto femini- no. “É exatamente a mesma fórmula, só que espelhada.” Uma pesquisa realizada pe- lo New York Times e o Siena College neste mês mostra que a diferença de gênero se am- pliou à medida que as mulhe- res mantêm seu apoio de longa data aos democratas, enquan- to os homens se aproximam de Trump. Kamala tem uma vantagem de 16 pontos porcen- tuais entre as prováveis eleito- ras, enquanto Trump tem uma vantagem de 11 pontos entre os prováveis eleitores do sexo masculino. Grande parte da divisão de gênero é impulsionada pela ge- ração mais jovem: a pesquisa mostra que 69% das mulheres de 18 a 29 anos favorecem a de- mocrata, em comparação com 45% dos homens jovens – uma diferença que supera em mui- to a de qualquer outra geração de eleitores. SEXISMOS. Os democratas acre- ditam que Kamala enfrenta um sexismo que se apresenta de forma diferente dos ataques do passado, quando líderes femini- nas eram questionadas aberta- mente com base no gênero e descritas em estereótipos clássicos de serem ou agressi- vas ou muito emocionais – às vezes, ambas as coisas. O país mudou desde 2016, com mais mulheres alcançan- do posições de poder político, incluindo Kamala, a primeira vice-presidente. Mas, em con- traste com 2016, quando os progressistas se deleitavam com a perspectiva da primeira presidente mulher, os demo- cratas agora estão menos oti- mistas quanto ao poder persis- tente do sexismo na mente de alguns eleitores. Kamala rejeita as preocupa- ções de que o sexismo possa prejudicar suas chances. “Nun- ca vou achar que alguém em nosso país deva eleger um lí- der com base em seu gênero ou raça”, disse ela em entrevis- ta à NBC News. l NYT Relação tensa Israel alega que funcionários da UNRWA participaram dos ataques ao país no ano passado TEERÃ A iraniana Narges Mohamma- di, ganhadora do Nobel da Paz de 2023 e presa pelo regime, foi internada após nove sema- nas doente, segundo informa- ções divulgadas no domingo por um grupo que faz campa- nha pela ativista. Ela sofre de uma doença car- díaca e, de acordo com seu bole- tim médico emitido em setem- bro, a artéria principal de seu coração desenvolveu novamen- te uma complicação grave. Nar- ges Mohammadi, de 52 anos, não pôde receber o Nobel por estar presa. Ela foi detida em 2021 em Teerã por protestar contra o uso obrigatório de véu e a pena de morte no país. Mesmo doente, a internação só ocorreu após autorização do governo iraniano. A Coali- zão Liberdade para Narges afir- mou, em comunicado, que a ativista deve receber uma li- cença médica ser submetida a um tratamento abrangente pa- ra múltiplas condições. O gru- po afirma que apenas transfe- ri-la para o hospital não abor- dará os graves problemas de saúde causados por meses de negligência e privação. Narges está detida na prisão de Evin, que abriga prisionei- ros políticos, acusados de te- rem vínculos com o Ocidente. Ela já cumpria uma pena de 30 meses e outra de 15 quando, no sábado, recebeu uma terceira sentença que adicionou mais 6 meses. O motivo, segundo au- toridades, foi seu protesto con- tra a execução de outro prisio- neiro político na cadeia em que está. l AP Iraniana Nobel da Paz presa é internada Regime islâmico Apoiadoras de Kamala Harris saúdam candidata na Filadélfia SUSAN WALSH/AP “Nunca vou achar que alguém em nosso país deva eleger um líder com base em seu gênero ou raça” Kamala Harris Vice-presidente dos EUA, em entrevista à NBC News Eleição nos EUA tem divisão inédita por gênero Especialistas afirmam que série de fatores colocou a questão no centro da disputa à presidência deste ano Voto feminino TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 INTERNACIONAL A15 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 O presidente da Rússia, Vladimir Putin, estava animado na semana pas- sada ao receber líderes mundiais, incluindo Narendra Modi e Xi Jinping, na cúpula do Brics em Kazan. No ano passa- do, quando o bloco se reuniu na África do Sul e se expandiu de cinco para dez membros, Pu- tin teve de ficar em casa para evitar ser preso por um manda- do emitido pelo Tribunal Pe- nal Internacional. Desta vez, ele foi o anfitrião do clube em rápido crescimento que está desafiando a ordem liderada pelo Ocidente. Em 15 anos, o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) conquistou pouco. No en- tanto, Putin espera dar peso ao bloco, fazendo-o construir um novo sistema de pagamentos internacionais para atacar o do- mínio dos EUA nas finanças globais e proteger a Rússia e seus amigos das sanções. Um sistema de pagamentos do Brics permitiria “operações econômicas sem depender da- queles que decidiram transfor- mar dólar e euro em armas”. Esse sistema, que a Rússia cha- ma de “Ponte do Brics”, deve ser construído dentro de um ano e permitiria que os países fizessem liquidações transna- cionais usando plataformas di- gitais administradas por seus bancos centrais. Surpreenden- temente, ele pode tomar em- prestado conceitos de um pro- jeto diferente chamado mBrid- ge, parcialmente administrado por um bastião da ordem lidera- da pelo Ocidente, o Banco de Compensações Internacionais (BIS), sediado na Suíça. As negociações elucidarão um pouco a corrida para refa- zer os circuitos financeiros do mundo. A China há muito apos- ta que a tecnologia de pagamen- tos – não uma rebelião de cre- dores ou conflito armado – re- duzirá o poder dos EUA. O plano do Brics pode tor- nar as transações mais baratas e rápidas. Esses benefícios po- dem ser suficientes para atrair economias emergentes. Em um sinal de que o esquema tem potencial genuíno, as autorida- des ocidentais estão cautelo- sas de que ele seja projetado pa- ra escapar de sanções. Alguns estão frustrados com o papel não intencional do BIS, conhe- cido como o banco central dos bancos centrais. O domínio americano do sis- tema financeiro global, centra- do no dólar, tem sido um pilar da ordem do pós-guerra e colo- cou os bancos americanos no centro dos pagamentos inter- nacionais. Enviar dinheiro ao redor do mundo é um pouco como pegar um voo de longa distância; se dois aeroportos não estiverem conectados, os passageiros precisam trocar de voo, de preferência em um hub movimentado. No mundo dos pagamentos internacionais, o maior hub são os EUA. PODER. Como quase todos os bancos que fazem transações em dólares têm de fazê-lo por meio de um banco correspon- dente nos EUA, o país é capaz de monitorar os fluxos em bus- ca de sinais de financiamento terrorista e evasão de sanções. Isso fornece aos americanos um enorme poder. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, o Ociden- te congelou US$ 282 bilhões em ativos russos mantidos no exterior e desconectou os ban- cos russos do Swift, usado por cerca de 11 mil bancos para pa- gamentos internacionais. Os EUA também ameaçaram “san- ções secundárias” a bancos em outros países que apoiem o es- forço de guerra da Rússia. Esse tsunami levou os bancos cen- trais a acumular ouro, e os ad- versários dos EUA a deixarem de usar o dólar para pagamen- tos, o que a China vê como uma de suas maiores vulnerabilida- des. Putin esperava capitalizar essa insatisfação em relação ao dólar na cúpula do Brics. Para ele, criar um novoesquema é uma prioridade prática urgen- te, bem como uma estratégia geopolítica. Os mercados de câmbio da Rússia agora nego- ciam quase exclusivamente em yuans, mas, como o país não consegue obter o suficien- te da moeda chinesa para pagar todas as suas importações, a Rússia foi reduzida às trocas. Putin espera avançar seus planos para o Brics Bridge, um sistema de pagamentos que usaria dinheiro digital emitido por bancos centrais e apoiado por moedas fiduciárias. Isso co- locaria bancos centrais no meio de transações transnacio- nais, e não bancos correspon- dentes com acesso ao sistema de compensação de dólares nos EUA. A maior vantagem pa- ra ele é que nenhum país pode- ria impor sanções a outro. A mí- dia estatal chinesa diz que o no- vo plano do Brics “provavel- mente se baseará nas lições aprendidas” com o mBridge, uma plataforma de pagamen- tos experimental desenvolvida pelo BIS junto com os bancos centrais de China, Hong Kong, Tailândia e Emirados Árabes. O experimento do BIS foi inocente em seus objetivos e te- ve início em 2019, antes da inva- são feita pela Rússia. Ele tem sido incrivelmente bem-suce- dido. Poderia reduzir o tempo de transação de dias para se- gundos e os custos de transa- ção para quase nada. Em ju- nho, o BIS disse que o mBridge havia atingido o “estágio míni- mo de produto viável” e o ban- co central da Arábia Saudita se juntou como um quinto parcei- ro no esquema. Ao criar um sis- tema que poderia ser mais efi- ciente do que o atual – e enfra- queceria o domínio do dólar –, o BIS involuntariamente en- trou em um campo minado geo- político. Os ganhos de eficiência de novos tipos de dinheiro digital podem corroer o uso do dólar no comércio internacional, de acordo com o Fed. Reciproca- mente, eles poderiam impulsio- nar a moeda da China. A maioria dos pagamentos internacionais é em dólares e normalmente ocorre em uma cadeia de bancos intermediá- rios. Em vez disso, o projeto mBridge depende de bancos centrais e lhes dá visibilidade e algum controle sobre os ban- cos nacionais e sobre o uso de suas moedas digitais por ban- cos estrangeiros. Na etapa 1, um banco que en- via um pagamento internacio- nal trocaria a moeda normal (A$) por uma moeda digital (e- A$) emitida diretamente pelo banco central. Na etapa 2, o banco a trocaria por uma moe- da digital estrangeira (e-B$), que enviaria na etapa 3. O ban- co estrangeiro trocaria isso de volta para dinheiro normal na etapa 4. É possível que os conceitos e o código do mBridge sejam replicados pelo Brics, China ou Rússia? O BIS, sem dúvida, vê o mBridge como um projeto con- junto e acredita que tem a pala- vra final a respeito de quem po- de participar. No entanto, algu- mas autoridades ocidentais di- zem que os participantes do teste do mBridge podem ser ca- pazes de repassar o capital inte- lectual que ele envolve para ou- tros, incluindo participantes do Brics Bridge. De acordo com várias fon- tes, a China assumiu a lideran- ça no software e código por trás do projeto mBridge. Tal- vez essa tecnologia e know- how pudessem ser usados para construir um sistema paralelo. O BIS não quis comentar seme- lhanças entre seu experimento e o plano de Putin, defendido por ele na cúpula de Kazan. GEOPOLÍTICA. A incursão do Brics na corrida de pagamen- tos revela os novos desafios geopolíticos enfrentados por organizações multilaterais. Em a reunião do G-20, em 2020, o BIS recebeu a tarefa de melhorar o sistema existente e, a pedido da China, de experi- mentar moedas digitais. Como diferentes membros da organi- zação têm objetivos concorren- tes, manter-se acima da briga está ficando mais difícil. Uma opção para os EUA e seus aliados é tentar dificultar novos sistemas de pagamento que competem com o dólar. Au- toridades ocidentais alertaram o BIS que o projeto poderia ser mal utilizado por países com motivos malignos. O BIS desde então desacelerou seu traba- lho no mBridge. Outra opção é melhorar o sistema baseado em dólar para que seja tão eficiente quanto os novos rivais. Em abril, o Fed de Nova York se juntou a seis outros bancos centrais em um projeto do BIS com o objetivo de tornar o sistema existente mais rápido e barato. O Fed também pode vincu- lar seu sistema doméstico de pagamentos instantâneos àqueles de outros países. Qual- quer sistema de pagamento ri- val do Brics ainda enfrentará enormes desafios. Garantir li- quidez será difícil ou exigirá grandes subsídios governa- mentais implícitos. Se os fluxos subjacentes de capital e comércio entre dois países estiverem desequilibra- dos, o que geralmente aconte- ce, eles terão de acumular ati- vos ou passivos nas moedas um do outro, o que pode ser desagradável. Por tudo isso, o esquema do Brics pode ter força. Há consen- so de que os atuais pagamen- tos transnacionais são lentos e caros. Embora os países ricos tendam a se concentrar em tor- ná-los mais rápidos, muitos ou- tros querem derrubar o siste- ma atual completamente. Pelo menos 134 bancos centrais es- tão experimentando dinheiro digital, principalmente para fins domésticos, avalia o Atlan- tic Council, centro de estudos em Washington. A cúpula do Brics da semana passada não foi um Bretton Woods. Tudo o que a Rússia e seus amigos precisam fazer agora é mover um número rela- tivamente pequeno de transa- ções relacionadas a sanções pa- ra além do alcance dos EUA. Ainda assim, muitos estão mi- rando mais alto. No ano que vem, a cúpula do Brics será no Brasil, recebi- da por seu presidente, Luiz Iná- cio Lula da Silva, que se queixa do poder do dólar. “Toda noite eu me pergunto por que todos os países têm de basear seu co- mércio no dólar”, disse ele no ano passado. “Quem foi que de- cidiu isso?” l TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL O plano de Putin para destronar o dólar Presidente da Rússia espera que parceiros do Brics encampem sua estratégia para driblar sanções Premiê Narendra Modi (E), da Índia, com Putin e Xi Jinping em Kazan © 2023 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM O BIS, com sede na Suíça, involuntariamente entrou em um campo minado geopolítico ALEXANDER ZEMLIANICHENKO /AP ARTIGO A16 INTERNACIONAL TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 RENATA CAFARDO Quase 43% dos alunos de mais de 15 anos no Brasil não enten- dem o que é inflação, mostra estudo realizado por dois pro- fessores da Universidade de Stanford, nos Estados Uni- dos. Os adolescentes não sou- beram responder se poderiam “comprar mais, menos ou o mesmo”, caso sua renda do- brasse em dez anos e, ao mes- mo tempo, os preços dobras- sem também. O estudo foi aplicado para uma amostra de estudantes de escolas públicas e particula- res do País, usando metodolo- gia do Banco Mundial que ava- lia o letramento financeiro das populações. O conceito de juros tam- bém não é conhecido por 53% dos jovens brasileiros. Eles não souberam calcular juros de 3% sobre R$ 100. E só 24,53% dos alunos entendem perfeitamente a lógica de ju- ros compostos – de que juros subsequentes incidem sobre um valor acumulado. Apesar de ruins, os resulta- dos são um pouco melhores do que os relatados no Pisa, a prova feita pela Organização para a Cooperação do Desen- volvimento Econômico (OC- DE). São perguntas diferen- tes, mas os resultados da ava- liação internacional, divulga- dos este ano, mostraram que 71,7% dos brasileiros de 15 anos não conseguem fazer os cálculos de um orçamento. A maioria dos jovens também não entende como funcionam os empréstimos nem sabe ana- lisar extratos bancários.ANÁLISE. Segundo o professor da Faculdade de Educação de Stanford e um dos responsá- veis pela pesquisa, Guilherme Lichand, a diferença para os resultados da prova interna- cional pode estar na dificulda- de de leitura dos brasileiros. “No Pisa, eles precisam ler e escrever, o que infelizmente é uma dificuldade e eles aca- bam errando mais as respos- tas por causa disso”, explica. As entrevistas da pesquisa de Stanford foram feitas entre agosto e setembro, por meio de um tablet, com mediação de entrevistadores de campo, responsáveis pela leitura e pe- lo preenchimento do questio- nário. Elas não exigiam ne- nhum cálculo complexo nem uso de calculadora. Para Lichand, o resultado é preocupante, principalmente em um cenário de apostas on- line, que invadiram o univer- so dos adolescentes, e tam- bém por causa do Programa Pé de Meia. O programa fede- ral, de incentivo para estudan- tes do ensino médio, paga R$ 200 mensais, que podem ser sacados ou mantidos na pou- pança. “O letramento finan- ceiro é importante para essa decisão.” O estudo faz parte do Equi- dade.info, plataforma finan- ciada por Stanford que tem co- letado dados nas escolas brasi- leiras a cada 45 dias sobre as- suntos diversos, como violên- cia, estrutura, inclusão, entre outros. O trabalho sobre edu- cação financeira teve o apoio também da Fundação Itaú. Pesquisa anterior, divulga- da pelo Estadão há um mês, mostrou que mais da metade dos professores de escolas pri- vadas e públicas (54%) reco- nhece a existência de situa- ções de racismo entre os estu- dantes. Este número chega a 67% entre os docentes do ensi- no fundamental 2, que atuam do 6.º ao 9.º ano. NO MUNDO. A professora do Stanford Institute for Econo- mic Policy Research Annama- ria Lusardi, também coordena- dora da pesquisa, afirma que o déficit em educação financei- ra ainda é um problema mun- dial. Ela é responsável pelo es- tudo do Banco Mundial, feito em 2015, cuja metodologia foi replicada na pesquisa agora com os alunos brasileiros. A pesquisa ouviu na época 150 mil adultos em mais de 140 países e os resultados mos- traram que só 33% deles po- diam ser considerados alfabe- tizados financeiramente. São pessoas que conseguem res- ponder corretamente a per- guntas básicas sobre taxas de juros, inflação, juros compos- tos e diversificação de risco. “A alfabetização financeira está ligada a uma variedade de comportamentos, desde a ges- tão financeira de curto prazo até a capacidade de tomar de- cisões inteligentes no longo prazo, tornando as pessoas mais resilientes e seguras fi- nanceiramente”, afirma Anna- maria. Segundo o estudo do Equi- dade.info, 40,36% dos brasilei- ros do ensino médio são finan- ceiramente letrados. Para ter esse resultado, eles precisa- vam acertar uma pergunta so- bre inflação, outra sobre juros e uma das duas que falavam sobre juros compostos. As diferenças de gênero, que aparecem também em ava- liações de Matemática, se re- petem na educação financei- ra. Entre as meninas, 31,88% são financeiramente letradas, ante 49,37% dos meninos. Pes- quisadores têm chamado a atenção para a falta de incenti- vos culturais, familiares e es- colares para que meninas se interessem pela Matemática. PÚBLICO E PRIVADO. A diferen- ça também aparece entre alu- nos de escolas públicas e priva- das. A maior disparidade entre as redes ocorre no tema infla- ção: 73,92% dos alunos da rede particular acertam a questão, enquanto são 53,89% nas públi- cas. A educação financeira faz parte da Base Nacional Co- mum Curricular (BNCC), que dá as diretrizes para os currícu- los das escolas do País. Mesmo assim, apenas 59% dos profes- sores afirmaram incluir o tema em suas aulas. l Veja as perguntas l Inflação Suponha que nos próximos 10 anos os preços das coisas que você compra dobrem. Se sua renda também dobrar você poderá comprar menos do que pode comprar hoje, o mes- mo que pode comprar hoje ou mais do que pode comprar hoje? Menos O mesmo Mais Não sei Recusou-se a responder l Numeracia (juros) Suponha que você precise pe- dir emprestado 100 reais. Qual é o menor valor a pagar: 105 reais ou 100 reais mais três por cento? 105 reais 100 reais mais três por cento Não sei Recusou-se a responder l Juros compostos Suponha que você coloque dinheiro no banco por dois anos e o banco concorde em adicionar 15 por cento ao ano à sua conta. O banco adiciona- rá mais dinheiro na sua conta no segundo ano do que no pri- meiro ou adicionará a mesma quantia de dinheiro nos dois anos? Mais O mesmo Entrevistado tentou respon- der, mas não conseguiu Recusou-se a responder l Juros compostos Suponha que você tenha 100 reais em uma conta poupança e o banco adicione 10% ao ano à conta. Quanto dinheiro você teria na conta depois de cinco anos se não retirasse nenhum dinheiro da conta? Mais de 150 reais Exatamente 150 reais Menos de 150 reais Entrevistado tentou respon- der, mas não conseguiu Recusou-se a responder l Resultado 40,36% dos alunos brasileiros do ensino médio são financei- ramente letrados. Eles preci- savam acertar a pergunta so- bre inflação, outra sobre juros e uma das duas que falavam sobre juros compostos. A metodologia do Banco Mundial foi replicada; mesmo problema havia sido observado na prova do Pisa WERTHER SANTANA/ESTADÃO Quase metade dos alunos de mais de 15 anos não entende o que é inflação Em pesquisa de professores da Universidade de Stanford, estudantes do Brasil não souberam dizer se poderiam ‘comprar mais ou não’, se sua renda e os preços dobrassem Educação O nível ideal Quatro em dez alunos brasileiros do ensino médio são financeiramente letrados TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 METRÓPOLE A17 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 JOSÉ MARIA TOMAZELA Construído graças ao ouro ar- recadado durante a Revolu- ção de 32 para armar as tro- pas paulistas que lutavam por uma nova Constituição, o Edifício Ouro para o Bem de São Paulo, no centro da ca- pital, está à venda. A Santa Ca- sa de Misericórdia de São Pau- lo, uma das mais tradicionais instituições paulistanas, que é dona do prédio, decidiu ven- der de uma só vez sete imó- veis no centro para pagar dívi- das. Entre eles está também o antigo Colégio São José, na Rua da Glória, prédio históri- co que é uma referência urba- na do bairro da Liberdade. O objetivo, diz a Irmanda- de da Santa Casa, é arrecadar R$ 200 milhões e quitar parte dos R$ 650 milhões em dívi- das da instituição, criando ainda um fundo patrimonial. A Santander Holding Imobi- liária (SHI) está responsável por vender os ativos e já deu início às conversas com po- tenciais compradores. Alguns dos prédios, para uso residencial, comercial e misto, foram obtidos em doa- ção há quase um século. No caso do Ouro para o Bem de São Paulo, o edifício de 13 an- dares foi construído com doa- ções de alianças de casamen- to das senhoras paulistanas durante uma campanha para arrecadar fundos para a Revo- lução de 1932, na qual São Paulo enfrentou as tropas fe- derais no governo de Getúlio Vargas. Com o fim dos com- bates, e receio de que a sobra de ouro fosse confiscada pe- lo governo federal, houve doação à Santa Casa. A insti- tuição decidiu construir o prédio residencial para obter recursos com as locações. O edifício, construído em art déco no Largo da Miseri- córdia, no Centro Histórico, foi concluído em 1939. A fa- chada do prédio, com forma- to ondulado, representa a bandeira paulista, com 13 lis- tras – uma por andar. O Prédio Ouro para o Bem de São Paulo está ocupado desde fevereiro deste ano por 67 famílias do Movimento Moradia Central e Regional. Segundo a Santa Ca- sa, há ação judicial de reinte- gração de posse em andamen- to e foi deferida a liminar para a desocupação do imóvel. “O processo aguarda os trâmitespara efetivação da desocupa- ção”, disse, em nota. A decisão judicial dá segurança a even- tual negociação do imóvel, se- gundo a Santa Casa. O processo de reintegração de posse ainda tramita na 21.ª Vara Cível do Fórum Central da capital. A juíza Maria Caroli- na de Matos Bertoldo deu a li- minar de reintegração de pos- se no dia 12 de março, mas con- dicionou a remoção dos ocu- pantes a uma inspeção judi- cial, já realizada, e a uma au- diência de mediação, ainda não marcada. A Polícia Militar informou que, quando solicita- da, apoiará o cumprimento da decisão judicial. O advogado Willian Fernan- des, que atua em favor de movi- mentos sociais e acompanha o caso, disse que a ocupação não impede a venda do imóvel. “Como existe a liminar, que exige uma série de providên- cias para que seja cumprida, o novo proprietário assume tam- bém o processo de desocupa- ção, que ainda não tem data pa- ra acontecer”, disse. COLÉGIO TOMBADO. Outro pré- dio histórico à venda, na Rua da Glória, 195, abrigou o Colé- gio São José, escola tradicio- nal, fundada em 1880. O edifí- cio foi a primeira unidade hos- pitalar da Santa Casa, sob a di- reção do médico e professor Caetano de Campos. Conforme o Conselho Muni- cipal de Preservação do Patri- mônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), o prédio marcou a expansão e consoli- dação do bairro da Liberdade, sobretudo o eixo histórico da Rua da Glória e da Rua Lava- pés, antigo Peabiru (caminho indígena) e, por séculos, foi o caminho em direção à cidade de Santos. Projetado no início do século 20 pelo arquiteto Ra- mos de Azevedo, o prédio foi tombado em 2016 pelo Con- presp. Historiadores dizem que, antes da escola, o espaço foi residência de Domitila de Castro, a Marquesa de Santos. Já o prédio da Avenida São João, 126, também à venda, faz parte dos imóveis tombados do Vale do Anhangabaú. É um prédio comercial com porão, andar térreo, sobreloja e ou- tros quatro pavimentos. O tombamento do conjunto de imóveis que inclui o edifício le- vou em conta o “interesse his- tórico, arquitetônico e ambien- tal”, segundo o Conpresp. Segundo a Secretaria Muni- cipal de Cultura, a aprovação pelo Conpresp é necessária em casos de intervenção ou re- forma em imóvel tombado, mas a venda não depende de autorização do órgão. OUTROS PRÉDIOS. Faz parte do pacote de vendas o prédio da Rua Major Quedinho, número 346, onde funcionou a Escola de Enfermagem da Santa Casa, na Bela Vista. A construção tem pé-direito alto e fachada em formato circular. O prédio da Rua São Bento, 500, por sua vez, é um edifício comercial e residencial da dé- cada de 1960, com 11 andares. Completam a lista um prédio da Rua 7 de Abril, 278 (Repúbli- ca), e um edifício de dez anda- res, construído em 1944, na Rua Senador Feijó, 115. A expectativa é de concluir as operações até o segundo se- mestre de 2025. Hoje, os imó- veis não estão alugados e deixa- ram de gerar receita. Conforme Vicente Paolillo, provedor da Irmandade da San- ta Casa, a venda dos prédios possibilitará que a instituição pague parte das dívidas e com- ponha um fundo patrimonial para custear despesas. Por manter um hospital com aten- dimentos voltados exclusiva- mente ao Sistema Único de Saúde (SUS), sem atendimen- to particular ou de convênios médicos, a Santa Casa poderá também receber doações de empresas e pessoas físicas. A instituição informou que, em 2023, foram feitos 535 mil atendimentos ambulatoriais, 219 mil de urgência, 27 mil ci- rurgias, 37 mil internações e 2,7 milhões de exames de labo- ratório. Segundo a irmandade, os recursos públicos repassa- dos pelo SUS são insuficientes para cobrir os custos dos servi- ços. “A entidade segue firme com sua missão de cuidar da saúde da população, com equi- pes de profissionais compro- metidas com esta instituição, reconhecida por prestar servi- ços de excelência na assistên- cia, no ensino e na pesquisa”, disse, em nota. Ainda segundo a nota, ao lon- go de 460 anos a instituição re- cebeu doações de terrenos e prédios em reconhecimento aos serviços prestados à socie- dade. Atualmente, são 300 imóveis, dos quais obtém ren- da de aluguel que contribuem para o custeio dos hospitais. Como parte de um plano de eficiência aprovado na Mesa Administrativa, a instituição decidiu desmobilizar imó- veis correspondentes a 20% de seu patrimônio para equa- cionar a situação financeira. VENDAS INDIVIDUAIS. A San- tander Holding Imobiliária informou que avalia, junta- mente com potenciais inte- ressados – incorporadoras e investidores –, a vocação de cada edifício à venda. Alguns imóveis têm acesso a calça- dões e outros possuem entra- da para carros. Segundo Veri- diana Lima, head de desenvol- vimento imobiliário da SHI, o mais provável é que sejam fechadas vendas individuais, conforme o perfil de cada de- senvolvedor de negócios. Há prédios que podem abrigar setores de cultura, saúde e educação, por exemplo. A SHI, responsável pela gestão da carteira de imóveis do San- tander, fará a gestão dos rece- bimentos para a instituição. A venda dos imóveis acon- tece no momento em que a Prefeitura e o governo esta- dual buscam opções para esti- mular a ocupação e requalifi- cação do centro urbano da ca- pital. A Prefeitura de São Pau- lo disse ter o Programa Re- qualifica Centro, que conce- de incentivos para a recupera- ção de prédios antigos. Des- de 2012, foram aprovados 16 projetos de retrofit no âmbi- to do programa e 21 estão em análise, mas ainda não há pro- cessos referentes aos prédios à venda pela Santa Casa. l Objetivo é arrecadar R$ 200 milhões e quitar parte de R$ 650 milhões em dívidas; e ainda criar fundo patrimonial A fachada ondulada do Edifício Ouro para o Bem de São Paulo representa a bandeira do Estado Prédio do ouro Foi construído graças ao ouro arrecadado durante a Revolução de 32 para armar as tropas paulistas Santa Casa põe prédio do ouro de 1932 e mais seis imóveis históricos à venda em SP Vida na cidade FELIPE RAU/ESTADÃO A18 METRÓPOLE TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 JOSÉ MARIA TOMAZELA Investigações da polícia do Rio mostram que a facção Po- vo de Israel expande seu domí- nio em prisões fluminenses e tenta se aliar à facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), inimiga do Comando Vermelho (CV), principal orga- nização criminosa do Rio. Relatório da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) revela indícios da apro- ximação entre o Povo de Is- rael, que já domina 42% da po- pulação carcerária do Rio, e o PCC. Segundo a Seap, a Povo de Israel está em 13 presídios fluminenses, chamados por eles de “aldeias”, e contaria com apoio do PCC para con- quistar territórios fora das ca- deias. Dos 43 mil detentos da rede fluminense, nos regimes fechado e semiaberto, 18 mil estão vinculados ao Povo de Is- rael, segundo a pasta. SEMELHANÇAS. Conforme as investigações, o grupo movi- mentou cerca de R$ 70 mi- lhões ao longo de dois anos – média de R$ 2,9 milhões por mês –, por meio do tráfico de drogas e da extorsão praticada em falsos sequestros. Coop- tou ainda funcionários e agen- tes penais, diz a apuração. O inquérito indicou que as operações da facção são muito similares às do PCC, quando o grupo paulista se expandiu nos presídios, em décadas pas- sadas. O grupo organiza a en- trada de drogas, ficando com parte delas ou do pagamento por elas. Atua ainda com força no golpe do falso sequestro, operando a entrada de celula- res nas cadeias. Os ganhos são divididos co- mo fazia o PCC: 30% da receita com os golpes vão para o “em- presário” (dono do celular), 30% para o “ladrão” (operador do golpe)e 30% para o “laran- ja”, que atua na lavagem do di- nheiro. Os outros 10% vão pa- ra uma espécie de caixa único da facção. Esse tipo de atuação ainda não existia em prisões do Rio, diz a polícia. 13 ALDEIAS. No dia 22, a Delega- cia Antissequestro (DAS) reali- zou a 1.ª fase da Operação 13 Aldeias contra a expansão do Povo de Israel. A investigação, iniciada havia dez meses, iden- tificou lavagem de capitais por meio de laranjas e empresas fantasmas que abastecem a fac- ção com celulares e drogas. Nessa 1.ª fase, foram cumpri- dos 44 mandados de busca e apreensão e feito o bloqueio de contas correntes e ativos fi- nanceiros de 84 investigados, bem como afastados da fun- ção pública cinco policiais pe- nais, suspeitos de envolvimen- to. A reportagem conseguiu contato com a defesa de dois acusados, que não se manifes- tou. A defesa dos demais agen- tes não foi localizada. l Grupo surgiu em 2004 durante rebelião de presos Facção Povo de Israel, do Rio, tenta se aliar ao PCC Tática do PCC Na divisão, 10% dos ganhos vão para caixa único da facção. Antes isso não existia no Rio, diz polícia O elo entre a Povo de Israel e o PCC, segundo a investigação, seria Avelino Gonçalves Lima, o Alvim ou Vilão, apontado co- mo principal chefe da facção do Rio. Quando ele estava deti- do na unidade Inspetor Luís Fernandes Bandeira Duarte, te- ria autorizado o “batismo” de presos pelo PCC. O Estadão não obteve retorno dos advoga- dos que defendem Alvim. Ele foi condenado a 46 anos de prisão por homicídio, rou- bo e estupro. Depois de não re- tornar de saidinha temporária em 2007, foi recapturado dois anos depois e transferido para uma penitenciária federal. Em agosto do ano passado, retor- nou ao Rio para o Complexo de Gericinó. Segundo a polícia do Rio, a facção surgiu em 2004 no Pre- sídio Ary Franco, em Água San- ta, norte carioca. Os presos neutros (não faccionados) que se sentiam ameaçados pe- las facções e os detentos do “se- guro”, acusados de abuso se- xual de crianças ou estupro, pe- diram transferência para outra unidade. Não atendidos, inicia- ram um motim que deixou oi- to presos mortos. Havia uma Bíblia no local e um dos amoti- nados teria aberto o livro sagra- do aleatoriamente em um ver- sículo dirigido ao “povo de Is- rael”. A partir daí, o grupo de presos adotou o nome. l Segundo investigação, organização domina 42% dos presos no Rio e teria apoio do grupo paulista para conquistar territórios : CRIME ORGANIZADO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 METRÓPOLE A19 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 SÃO PAULO RECLAMA FALECIMENTOS Site das concessionárias Consolare: https://consolare.com.br Cortel SP: https://www.cortelsp.com.br Grupo Maya: https://grupomaya.com.br/ Velar: https://velarspfuneraria.com.br/ SÃO PAULO 17°/26°39% 0mm PREVISÃO DO TEMPO WASHINGTON ASSUNÇÃO 0h MADRID Mundo FUSO MÍN./MÁX. ATENAS +6h BARCELONA +5h MIAMI BERLIM +5h MONTEVIDÉU BRUXELAS +5h MOSCOU BUENOS AIRES 0h NOVA YORK CARACAS -1h PARIS ROMA SANTIAGO SYDNEY TEL-AVIV TÓQUIO LOS ANGELES -4h 10°C/18°C22°C/33°C 15°C/25°C 19°C/21°C 13°C/15°C 10°C/16°C 17°C/26°C 25°C/31°C ESTOCOLMO +5h GENEBRA +5h JOANESBURGO +5h LIMA -2h LISBOA +4h LONDRES +4h 6°C/9°C 10°C/14°C 12°C/25°C 16°C/18°C 11°C/20°C 12°C/15°C TORONTO FUSO MÍN./MÁX. TEMPOnaCidade.com.br VOLUME DE CHUVA 0MM UMIDADE RELATIVA NASCENTE: 5h20 POENTE: 18h19 SOL 1,5m 1m 2,5m Ondas: 29/10 100mm 50mm 25mm 10mm 2mm 1mm - + - + 5mm Precipitação Média Regiões do Estado de SP Para São Paulo - Capital Baseada na geocoordenada da Praça da Bandeira Última Atualização: 28/10 Capitais Capitais BELO HORIZONTE NATAL BRASÍLIA PORTO ALEGRE BOA VISTA PALMAS CUIABÁ RECIFE CAMPO GRANDE PORTO VELHO ARACAJÚ MACEIÓ BELÉM MANAUS MACAPÁ VITÓRIA JOÃO PESSOA TERESINA FORTALEZA SALVADOR GOIÂNIA SÃO LUÍS CURITIBA RIO BRANCO FLORIANÓPOLIS RIO DE JANEIRO RIBEIRÃO PRETO 19°/29°96% 10.4mm ARARAQUARA 18°/29°76% 4.9mm SÃO JOSÉ DOS CAMPOS 13°/25°92% 8.4mm LITORAL NORTE 21°/24°62% 2.6mm CAMPINAS 16°/29°81% 2.8mm SOROCABA 13°/29°41% 0.2mm LITORAL SUL 19°/26°45% 0.2mm MARÍLIA 16°/31°32% 0.2mm BAURU 16°/31°50% 1mm SÃO JOSÉ DO RIO PRETO 21°/31°81% 6.4mm ARAÇATUBA 20°/33°62% 2.3mm PRESIDENTE PRUDENTE 19°/34°32% 0.6mm MÍN./MÁX.VOL.MÉDIOCHOVE? 19°C/22°C 20°C/24°C 26°C/34°C 25°C/32°C 21°C/29°C 26°C/28°C 25°C/29°C 25°C/33°C 24°C/29°C 26°C/30°C 21°C/26°C 15°C/24°C 21°C/25°C 60% 55% 80% 80% 20% 10% 10% 60% 60% 20% 65% 0% 35% 3mm 1mm 39mm 26mm 0mm 0mm 0mm 11mm 9mm 0mm 0mm 0mm 1mm MÍN./MÁX.VOL.MÉDIOCHOVE? 25°C/28°C 19°C/26°C 24°C/35°C 26°C/29°C 24°C/32°C 22°C/29°C 26°C/34°C 22°C/23°C 27°C/35°C 24°C/29°C 27°C/31°C 23°C/33°C 21°C/22°C 45% 10% 10% 25% 10% 85% 15% 10% 45% 20% 25% 30% 10% 2mm 0mm 0mm 0mm 0mm 34mm 0mm 0mm 1mm 0mm 0mm 0mm 0mm 8°C/17°C 13°C/17°C 25°C/27°C 16°C/24°C 3°C/8°C 9°C/15°C 12°C/17°C 16°C/23°C 12°C/29°C 17°C/20°C 20°C/27°C 14°C/20°C 6°C/11°C -1h +5h CIDADE DO MÉXICO 12°C/19°C-3h -1h 0h +6h -1h +5h +5h 0h +13h +6h +12h -1h Chance de Chuva Volume de Chuva Temperaturas (min./máx,) 19° MANHÃ HOJE: 10% 21° TARDE HOJE: 10% 18° NOITE HOJE: 0% 75a 100 % QUINTA 16°/23° SÁBADO 17°/26° SEXTA 16°/24° CHEIA NOVA 01/11 CRESCENTE 09/11 LUA: MINGUANTE 18h28 09h47 02h55 MINGUANTE 24/10 05h03 15/11 17°/23° AMANHÃ MISSAS Circe Signorelli Rossetto – Hoje, às 12 horas, na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na R. Honório Lí- bero, 100, Jardim Paulistano (7º dia). Maria Cecilia Lazzuri Alves Costa – Hoje, às 18h30, na Paróquia Assunção de Nossa Senhora, na Al. Lorena, 665A, Jardim Paulista (4 anos). Como acionar o serviço funerário na cidade de São Paulo: Na capital paulista, toda a presta- ção dos serviços cemiteriais é feita so- mente por meio de quatro concessio- nárias autorizadas: Consolare, Cor- tel, Maya e Velar SP, de acordo com a Agência Reguladora de Serviços Públi- cos do Município de São Paulo (SP-Re- gula). Não há funerárias particulares. CORREÇÕES Para publicar anúncio fúnebre: Balcão Limão l (11) 3856-2139 / (11) 3815-3523 / WHATSAPP (11)99123-8351. l Atendimento de 2ª a 6ª das 8h30 às 21h horas, Sábado das 10h às 20h, Domingo das 14h às 20h l Só serão publicadas notícias de falecimen- to/missa encaminhadas pelo e-mail falecimentos@estadao.com, com nome do remetente, endereço, rg e telefone. LOTERIA Reclamação de Leônidas Alperowitch: “Tenho 82 anos e, há 60 anos, sou cor- rentista do Itaú. Tenho três cartões de crédito do Itaú. No extrato que venceu em agosto, de um dos cartões, vieram três lançamentos de compra de vestuário nos va- lores de R$ 3.600, R$ 2.400 e R$ 3.600. Minha média de gasto mensal é de R$ 1.500 por mês. Mesmo com essa diferença de compra em re- lação ao meu perfil, o Itaú não me contatou.” Resposta: “O Itaú Uniban- co esclarece que, após análi- ses, identificou que a ques- tão foi solucionada de ma- neira positiva, mediante a devolução das compras con- testadas e dos encargos co- brados, com ajuste eviden- te na fatura com vencimen- to em 11/2024. Permanece- mos à disposição do cliente em nossa Ouvidoria Corpo- rativa, pelo 0800-5700011. Agradecemos a oportunida- de de resposta e esperamos ter auxiliado com os esclare- cimentos prestados. Te- mos o compromisso com a satisfação dos nossos clien- tes e trabalhamos de forma contínua na análise das de- mandas para identificar oportunidades de melho- rias em nossos processos, produtos e serviços.” l REGINA CÉLIA PEREIRA AGÊNCIA EINSTEIN Se há algumas décadas o ovo era visto como vilão do cardá- pio, atualmente ele desponta como um dos alimentos mais completos e se destaca em es- tudos pelas vantagens à saúde. Um dos trabalhos mais recen- tes, publicado no periódico Nu- trients, mostra que o ovo está por trás de impactospositivos na memória, especialmente en- tre mulheres. Pesquisadores da Universi- dade da Califórnia em San Die- go, nos Estados Unidos, avalia- ram dados de um grupo de 890 indivíduos, sendo 357 homens e 533 mulheres. Os hábitos ali- mentares dos participantes fo- ram esmiuçados e eles passa- ram por testes cognitivos. Entre os resultados do tra- balho, observou-se um menor declínio na fluência verbal ao longo dos anos entre as mulhe- res que consumiam ovo. Elas tinham melhor capacidade de nomear categorias de itens, co- mo animais, em comparação com as que não apreciavam o ingrediente. EXPLICAÇÃO. Efeitos similares foram observados em outros artigos. “Embora os próprios estudiosos enfatizem a neces- sidade de mais pesquisas para confirmar tais achados, algu- mas substâncias encontradas no alimento têm sido associa- das a efeitos benéficos ao cére- bro”, diz a nutricionista Sere- na del Favero, do Hospital Is- raelita Albert Einstein. A primeira que merece men- ção é a colina. Trata-se de uma das vitaminas do complexo B. Presente na gema, é essencial para a síntese de um neuro- transmissor conhecido como acetilcolina, que, entre outras funções, está envolvido na re- gulação da aprendizagem e da memória. Há ainda a luteína e a zea- xantina, integrantes dos caro- tenoides, grupo de pigmentos de potente ação antioxidan- te. “Essas substâncias atuam na proteção contra o estresse oxidativo e a infla- mação no cérebro”, afirma a nutricionista. Seriam, por- tanto, guardiãs dos neurô- nios e demais estruturas ce- rebrais. Colina, luteína e zeaxan- tina fazem bonito pelas fun- ções cognitivas, mas o ovo oferece ainda outras precio- sidades. A clara é uma “so- pa” de aminoácidos, peda- ços de proteína que têm a função de proteger o em- brião em desenvolvimento. RISCOS. Exageros, entretan- to, não oferecem benefícios adicionais e podem trazer danos à saúde. “O corpo tem um limite de absorção de proteínas por refeição”, explica a nutricionista. A quantia deve ser determina- da de acordo com o perfil e o estilo de vida de cada um. Mas isso sem preocupa- ção com colesterol. Hoje se sabe que o excesso no con- sumo das gorduras satura- das e trans – presentes nas carnes e nas bolachas re- cheadas, entre outros – é o que pode elevar as taxas de LDL, o colesterol ruim, e causar danos às artérias. l A vaga de Vicente de Carva- lho na cadeira Martins Penna - Posse do sr. Claudio de Sou- za - Os discursos Tomou hoje posse de sua ca- deira na Academia de Letras o comediographo patricio sr. Claudio de Souza. O “Petit Trianon” reuniu no seu salão de honra a mais se- lecta assistencia, notando- se, além dos representantes do governo, membros do cor- po diplomatico e consular, academicos, familias, repre- sentantes da imprensa e ou- tras pessoas. l O munícipe pode ainda encontrar informações detalhadas de como contratar o serviço funerário neste link Este espaço se destina à correção de erros publicados na edição impressa do ESTADÃO. Você pode colaborar enviando e-mail para correcoes@estadao.com. As correções abran- gem erros como: de informação, nome, cargo, dados numéricos, entre outros. Academia de Letras Sem excessos ‘O corpo tem um limite de absorção de proteínas por refeição’, diz nutricionista Para ver os resultados, aponte a câma- ra do seu celular para o QR Code ou acesse: https://loterias. esta- dao.com.br/mega-sena. Teve algum direito como cidadão ou consumidor desrespeitado? O blog Seus Direitos pode ajudar. Envie suas reclamações, com os devidos documentos, dados pes- soais e contatos, além do nome dos envolvidos na questão, para o spreclama@estadao.com HÁ UM SÉCULO Leitor se queixa de erro em fatura de cartões https://www.prefeitura.sp.gov.br A mãe Alcina, os filhos Caio e Marcelo, o irmão Carlos, as netas Manuela, Alice e Maria, e todos os familiares, agradecem as demonstrações de carinho e solidariedade recebidas. Celia, uma brilhante educadora, sempre acolhedora, foi uma inspiração para todos que tiveram o privilégio de conviver com ela. CELIA TILKIAN Com amor e saudades, convidamos para a missa de 7º dia, que será celebrada na quinta-feira, 31 de outubro, às 12h, na Paróquia São José, situada à Rua Dinamarca, 32, Jardim Europa. Consumo de ovo ajuda a melhorar a memória, sobretudo das mulheres Estudo foi feito pela Universidade da Califórnia; especialista brasileira destaca valor de três substâncias Saúde e alimentação NA WEB A20 METRÓPOLE TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 RICARDO MAGATTI Em cerimônia boicotada pelo Real Madrid, inconformado ao saber que Vinícius Júnior seria preterido, o espanhol Ro- dri ganhou ontem a Bola de Ouro. O meio-campista do Manchester City, de 28 anos, foi condecorado em uma das mais controversas edições da tradicional premiação entre- gue pela revista France Foot- ball em parceria com a Uefa. A escolha impediu o Brasil de voltar a ter o Bola de Ouro depois de 17 anos – Kaká foi o último a ganhar, em 2007. Vini Jr. ficou em segundo lugar. Ele não foi à cerimônia no Théâtre du Châtelet, em Paris. O Real considerou um desrespeito da parte da pre- miação a desconsideração do desempenho do jogador bra- sileiro e decidiu que ninguém do clube iria à capital france- sa. O inglês Bellingham, tam- bém do Real, ficou em tercei- ro na importante premiação. Ambos, assim como Rodri, devem estar na disputa do prêmio de melhor do mundo a ser concedido pela Fifa no mês de janeiro. “Não é uma vitória apenas minha, mas do futebol espa- nhol. Uma recompensa a joga- dores que nunca ganharam. Xavi, Iniesta, Busquets...’’, disse Rodri, que, ainda na pla- teia, ouviu alguns gritos de “Vi- ni!, Vini!’ no momento em que George Weah, primeiro joga- dor africano a ganhar a Bola de Ouro, se preparava para anun- ciar o nome do vencedor. Rodri se recupera de grave lesão e subiu ao palco de mule- tas para receber o troféu. “É um nível tão alto, com jogado- res novos, que têm um futuro enorme pela frente. É especial ser escolhido. Quero agrade- cer a todos que reconhecem (o trabalho dos meio-campis- tas)”, disse o espanhol. Além de perder apenas um jogo pelo Manchester City na última temporada, Rodri con- quistou a Premier League pe- lo time inglês e a Eurocopa com a seleção espanhola. O meio-campista clássico, de passe refinado e finalização precisa, é figura importante para fazer funcionar o multi- campeão Manchester City de Pep Guardiola. INDIGNAÇÃO E AUSÊNCIA. Vi- nícius Júnior não digeriu bem o fato de não ter sido escolhi- do. “Eu farei 10x se for preci- so. Eles não estão prepara- dos”, afirmou o atacante por meio das redes sociais alguns minutos depois da escolha de Rodri. O brasileiro já foi alvo de críticas várias vezes na Eu- ropa por suas posições em ca- sos de racismo. O jornalista espanhol Lluís Miguel Sanz, subeditor do jor- nal Sport, disse que com a der- rota de Vini “o futebol terá vencido e os valores tam- bém”. Ele questionou o que considera “provocações” do brasileiro. Vini reiteradamen- te protesta em resposta aos in- sultos racistas que recebe. Muitos torcedores não con- cordam com a não eleição do brasileiro. Do lado de fora do Théâtre du Châtelet, na capi- tal francesa, fãs protestaram: “Vinicius, Bola de Ouro! Vini- cius, Bola de Ouro!” O atacante era considerado por diferentes veículos de im- prensa o favorito ao prêmio. O Real Madrid recebeu na ma- nhã de ontem a notícia de que ele poderia não vencer e resol- veu boicotar a cerimônia, can- celando o voo que sairia da Es- panha em direção a Paris com uma comitiva de 50 pessoas. SAIA-JUSTA. A ausência da de- legação do Real Madrid cau- sou constrangimento, princi- palmente quando integrantes do clube eram anunciados co- mo vencedoresde outros prê- mios. O próprio time meren- gue foi escolhido como clube do ano no futebol masculino. Carlos Ancelotti foi eleito o melhor treinador. E Kylian Mbappé, hoje no Real, ganhou com Harry Kane o Troféu Gerd Muller de artilheiro da temporada pelos gols que mar- cou com a camisa do Paris Saint-Germain. Rival do Real, o Barcelona foi bastante condecorado on- tem pela France Fottball. Aita- na Bonmatí foi eleita a melhor jogadora. Lamine Yamal fatu- rou o Troféu Kopa como me- lhor jogador jovem. E a equipe do Barcelona foi eleita a me- lhor do futebol feminino. Além deles, o argentino Emiliano Martínez, do Aston Vila inglês, foi escolhido o me- lhor goleiro da temporada 2023/2024, o que lhe rendeu o Troféu Yashin. A espanhola Jenni Hermoso foi condecora- da com o Troféu Sócrates on- tem por sua atuação em cau- sas sociais. l A notícia de que Vinícius Jú- nior não ganhou a Bola de Ou- ro desta temporada deixou muitos torcedores, sobretudo brasileiros, indignados. O re- sultado, considerado uma in- justiça pelos fãs do atleta, tem base: o atacante do Real Ma- drid era cotado como o maior favorito ao prêmio depois de mais um ano sendo um dos principais nomes da equipe es- panhola, que ganhou a La Liga e a Champions League da últi- ma temporada. No entanto, o ex-Flamengo não era o único forte candida- to ao troféu. Muitos, inclusive na Espanha, apontavam que Rodri também mereceria o pri- meiro lugar da Bola de Ouro. Rodri, que joga no Manches- ter City, esteve no elenco que venceu, além da Premier Lea- gue de 2023/24, o Mundial de Clubes e a Supercopa da UE- FA. O volante teve ainda bons resultados com seu time nacio- nal, a seleção espanhola. Campeã do maior torneio de seleções da Europa, a Espanha chegou à grande final vencen- do todos os jogos. Ao término da competição, Rodri ganhou o mais cobiçado prêmio indivi- dual: foi eleito o melhor joga- dor da edição. Foi a segunda taça que o atle- ta ganhou com seu país. A pri- meira, a Liga das Nações de 2022/23, também deu a ele o título de melhor em campo. Na Eurocopa de 2024, Rodri participou de um gol: em parti- da contra a Geórgia, ainda na fase de grupos, marcou o pri- meiro da goleada por 4 a 1. Por outro lado, o desempe- nho do Brasil na Copa América foi abaixo do esperado. O time caiu nas quartas de final, derro- tado nos pênaltis pelo Uru- guai. Vini Jr., à época, foi criti- cado por não conseguir repli- car os resultados que tem no Real Madrid na seleção. O atacante participou de três jogos no torneio. Neles, marcou dois gols: na também goleada contra o Paraguai, na fase de grupos, em partida que acabou em 4 a 1 para o Brasil. Por clubes, as estatísticas de Rodri ficam acima das de Vini em alguns pontos. Apesar de o brasileiro ter marcado 24 gols em 39 partidas que participou na temporada de 2023/24 (con- tra 9 gols que o espanhol mar- cou em 50 jogos), o jogador do Manchester City tem mais as- sistências – 14 a 11. l Para atribuir a Bola de Ou- ro, a France Football elabo- ra uma lista com 30 jogado- res que, no entender dos profissionais da revista, mais se destacaram duran- te uma temporada. No caso do futebol masculino, o ex- jogador português Luis Fi- go, atualmente embaixador da Uefa, também participa da escolha. Essa relação é enviada a 100 jornalistas, um de cada país, seleciona- dos com base no ranking de seleções da Fifa. Esses jornalistas, então, escolhem seus 10 melhores, atribuindo notas a eles. O primeiro colocado ganha 15 pontos. Os que veem a se- guir ganham 12, 10, 8, 7, 5, 4, 3, 2 e 1, respectivamente. As notas são somadas e quem tiver a maior pontua- ção ganha a Bola de Ouro. Os votos devem ser ba- seados em três critérios: Desempenho individual e determinação; desempe- nho e conquistas coletivas; e talento e fair play. O prê- mio de ontem foi definido com base na temporada en- tre agosto de 2023 e julho de 2024. lVinícius Júnior teve de se contentar com o vice; troféu é de Rodri FRANCK FIFE / AFP Savinho, 4º no Troféu Kopa Ele ficou atrás de Yamal, de Arda Güler, do Real Madrid, e Mainoo, do Manchester United Bola de Ouro é de Rodri em cerimônia boicotada por Real Madrid e Vini Brasileiro segue ordens do time espanhol e não vai a Paris ao saber que seria preterido por volante Premiação Rodri diz que troféu é de outros espanhóis que não ganharam FRANCK FIFE / AFP Volante teve grandes atuações pela seleção da Espanha Júri tem 100 jornalistas de países diferentes, que obedecem a 3 critérios TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPORTES A21 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 NOTAS E INFORMAÇÕES LEONARDO CATTO O Corinthians saiu da zona de rebaixamento ao bater o Cuia- bá por 1 a 0 pela 31ª rodada do Brasileirão, na Arena Panta- nal, na noite de ontem. Com o resultado, a equipe subiu para a 15ª posição, com 35 pontos. Atrás do time alvinegro estão Athletico-PR (16º), Red Bull Bragantino (17º) e Juventude (18º), todos com 34, o próprio Cuiabá (19º, com 27) e o lanter- na Atlético-GO com 22. O forte calor cuiabano, com 29 graus às 19h30 (horário lo- cal), e o gramado que pouco deixava a bola correr prejudica- ram a partida. Não podem ser eles, contudo, a justificativa pa- ra tantas tentativas falhas de construção coletiva dos dois ti- mes, que ilustraram os por- quês de estarem na situação de briga contra o rebaixamento. O Corinthians volta a cam- po na quinta-feira, contra o Ra- cing, pela semifinal da Sul- Americana. Depois, tem o clássico contra o Palmeiras, dia 4, válido pela 32ª rodada. Igor Coronado, suspenso, não estará disponível. Já o Cuiabá visita o Red Bull Bragantino no sábado, 2, às 16h. Ainda antes da partida sur- preendeu a escalação corintia- na. Ramón Díaz mandou uma equipe alternativa a campo, preservando jogadores para a decisão contra o Racing. Mes- mo que ganhar o torneio conti- nental seja importante – é a única forma de o clube classifi- car para a Copa do Brasil 2025 –, o técnico argentino pratica- mente ignorou que a equipe ocupava a 18ª posição e precisa- va da vitória para deixar o Z-4. O jogo teve tom enfadonho. O gol da vitória foi de Depay, aos 43 do primeiro tempo em cobrança de pênalti marcado em cima de Talles Magno. l O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) vai inves- tigar a emboscada que a Mancha Alviver- de, principal torcida organizada do Pal- meiras, realizou na madrugada de do- mingo contra um ônibus que transportava membros da Máfia Azul, torcida uniformizada do Cruzeiro. A ação criminosa, que se presume tenha sido uma vin- gança por um ataque da Máfia Azul contra a Mancha Alviverde, resultou em 1 morto e 20 feridos, todos cruzeirenses. Não se espera outra coisa de delinquen- tes travestidos de torcedores, mas não deixa de espan- tar a reação burocrática dos clubes envolvidos, que deveriam ter todo o interesse em se desvincular dessa barbárie. Talvez não tenham coragem para tanto. Em um exercício de desfaçatez, a outrora Mancha Verde, que mudou de nome justamente para driblar seu histórico de extrema violência, divulgou nota na qual diz ser injustamente apontada pela ação crimino- sa, uma vez que um grupo com mais de 45 mil associa- dos não pode ser condenado por “ações isoladas de cerca de 50 torcedores”. Mas o que chamou mesmo a atenção foi o comunicado lacônico do Palmeiras, que se limitou a repudiar a violência e pedir que as autori- dades investiguem e punam os culpados. O Palmeiras poderia ter aproveitado a oportunida- de não só para salientar que não se sente representada por esses “torcedores”, como também para banir a organizada de seus jogos, tendo em vista que não foi o primeiro crime que seus integrantes cometem. A jul- gar pelo comunicado palmeirense, é mais provável que a Mancha, faça o que fizer,político desenhado no primeiro: a revitalização da política tradicional; uma direita robus- tecida, mas fracionada; uma esquerda em crise; e o desgaste das duas lideran- ças dominantes em âmbito nacional, o presidente Lula da Silva e, sobretudo, o ex-presidente Jair Bolsonaro. No cômputo geral, candidatos radi- cais foram rechaçados, interesses lo- cais e referendos sobre gestão prevale- ceram e o centro, tanto em sua faceta ideologicamente moderada quanto em sua faceta fisiológica, triunfou. A maior expressão disso foi o desempenho do PSD, primeiro colocado, com 887 pre- feituras, e do MDB, com 853. Em certo sentido, os partidos do Centrão voltaram às suas origens de contraponto ao progressismo na Cons- tituinte de 1988. Em outro sentido, es- sa volta foi abastecida pelo fortaleci- mento desses partidos no Congresso, munidos de multibilionários fundos eleitorais e, sobretudo, emendas parla- mentares. O número de prefeitos ree- leitos foi o maior dos últimos 20 anos, chegando a 80%. Nas 112 cidades mais contempladas com emendas, a taxa foi de 93,7%. As emendas cumpriram sua função de capilarizar a dominância des- ses partidos, e a contrapartida será seu fortalecimento no Congresso. A expressão mais eloquente da cri- se de representatividade da esquerda foi a desidratação no Nordeste, onde perdeu metade das capitais, ficando com apenas duas. Em número de pre- feituras, o PT ficou em 9.º lugar, atrás até do moribundo PSDB. O maior ven- cedor no campo progressista, o PSB, ficou em 7.º lugar. No geral, mesmo com a máquina do Executivo nacional, foi o pior resultado da esquerda desde a redemocratização. A pauta da inclusão social foi incor- porada por outros espectros e a credibi- lidade da esquerda para implementá-la foi irremediavelmente maculada pela corrupção e pela recessão na gestão lu- lopetista de Dilma Rousseff. As políti- cas assistencialistas já não são novida- de e carecem de combustível por causa do aperto fiscal. Faltam ideias para aten- der às preocupações da população com a segurança e seus desejos de empreen- der. Um protagonista novo, como João Campos (PSB), reeleito no Recife, ain- da é só uma promessa. Em São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), mesmo com o apoio do PT e recursos de campa- nha dez vezes maiores, perdeu sua se- gunda disputa consecutiva. Com prati- camente o mesmo número de votos de 2020, Boulos perdeu em quase todos os distritos e se revelou um candidato de nicho, com um teto intransponível. Nas disputas entre o PT e o PL, de Jair Bolsonaro, o PL, em geral, levou a melhor. Mas, como cabos eleitorais, Lu- la e Bolsonaro mais perderam do que ganharam. Lula, seja porque já não tem o mesmo vigor, seja porque está mais preocupado em projetar sua imagem no exterior, seja para não bater de fren- te com partidos que formam a sua base, não entrou a fundo nas disputas. Mas o maior derrotado foi Bolsonaro. Quase todas as suas apostas malograram – as- sim como as tentativas de retaliar mo- derados como o PSD. Em seu próprio partido, prevaleceu a ala pragmática co- mandada pelo presidente Valdemar Costa Neto. Os principais postulantes da direita para a Presidência em 2026 – os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr. (PR) – emplacaram candidatos com apoio marginal de Bolsonaro ou até contra ele, como (veladamente) em Cu- ritiba e (explicitamente) em Goiânia. Um candidato como Pablo Marçal mos- trou que pode abocanhar votos do bol- sonarismo dito “raiz” mesmo à revelia de Bolsonaro. Olhando para 2026, Lula sempre se- rá um candidato forte. Mas está enve- lhecido, em idade e ideias. Em termos partidários, encaminha-se para a dispu- ta em “esplêndido isolamento” e sem aquela que foi sua principal alavanca em 2022: a contenção de Jair Bolsona- ro. As moedas de troca com um Cen- trão robustecido em âmbito regional e no Legislativo federal minguaram, e es- se grupo está sempre pronto para mi- grar para onde estiverem as preferên- cias do eleitorado. Neste momento, elas apontam para a direita. Mas ainda falta uma liderança capaz de represen- tá-las em âmbito nacional. l AMÉRICO DE CAMPOS (1875-1884) FRANCISCO RANGEL PESTANA (1875-1890) JULIO MESQUITA (1885-1927) JULIO DE MESQUITA FILHO (1915-1969) FRANCISCO MESQUITA (1915-1969) LUIZ CARLOS MESQUITA(1952-1970) JOSÉ VIEIRA DE CARVALHO MESQUITA (1947-1988) JULIO DE MESQUITA NETO (1948-1996) LUIZ VIEIRA DE CARVALHO MESQUITA (1947-1997) RUY MESQUITA (1947-2013) CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO PRESIDENTE FRANCISCO MESQUITA NETO MEMBROS MANOEL LEMOS DA SILVA MARCELO PEREIRA MALTA DE ARAUJO MARCO ANTONIO BOLOGNA ROBERTO CRISSIUMA MESQUITA TITO ENRIQUE DA SILVA NETO DIRETOR PRESIDENTE ERICK BRETAS DIRETOR DE JORNALISMO EURÍPEDES ALCÂNTARA DIRETOR DE OPINIÃO MARCOS GUTERMAN DIRETORA JURÍDICA MARIANA UEMURA SAMPAIO DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE PAULO BOTELHO PESSOA DIRETOR FINANCEIRO SERGIO MALGUEIRO MOREIRA NOTAS E INFORMAÇÕES O eleitorado consolida sua preferência à direita O Brasil sai das urnas com uma política mais pragmática e menos polarizada, uma esquerda em crise e dependente de Lula e uma direita fortalecida em busca de um líder para 2026 O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Repu- blicanos), que ao longo de seu mandato vinha se mostrando um democra- ta consciente dos limites morais e le- gais de seu poder, deixou-se guiar pela cartilha indecente do bolsonarismo no dia do segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, ao vincular Guilherme Boulos (PSOL), o adversá- rio de seu candidato, o prefeito Ricar- do Nunes (MDB), ao PCC, principal organização criminosa do País. Os mo- tivos que o levaram a aderir à desfaça- tez tão típica de seu padrinho, o ex-pre- sidente Jair Bolsonaro, só o sr. Tarcísio será capaz de esclarecer. Afinal, não pa- rece haver lógica nenhuma nessa decla- ração intempestiva, pois o prefeito Nu- nes estava confortavelmente na lide- rança da disputa, quadro que não mu- daria nas poucas horas que restavam para o fechamento das urnas. Ou seja, não há nada que pareça jus- tificar a atitude do governador, que a um só tempo desrespeitou o cargo que ocupa, o processo eleitoral e o adversá- rio, tudo o que não pode acontecer nu- ma democracia – e que, por isso mes- mo, é passível de punição severa. Por- tanto, roga-se que o sr. Tarcísio se re- trate, pois, do contrário, mesmo que escape das sanções previstas em lei, se- rá para sempre lembrado como aquele que julga não haver limites morais ou éticos para vencer uma eleição. Não é isso o que se espera de quem aspira à liderança do campo conservador no Brasil. Após votar, o governador foi ques- tionado por jornalistas sobre um comu- nicado emitido pela Secretaria de Ad- ministração Penitenciária de São Pau- lo, que interceptou supostos bilhetes assinados por membros do PCC orien- tando o voto em algumas cidades. Os tais bilhetes já eram de domínio públi- co, uma vez que foram publicados no dia anterior pelo portal Metrópoles. Tarcísio poderia ter apenas dito que não faria comentários até o fechamen- to das urnas, porque, se o fizesse, pode- ria influenciar a intenção de voto dos eleitores que ainda tinham algumas ho- ras para votar. Mas a imprudência é uma marca do bolsonarismo, e o gover- nador, como se estivesse numa entre- vista qualquer, e não no dia de votação e ao lado de seu candidato, comentou: “Teve o salve, houve interceptação de conversa e de orientações que eram emanadas de presídios por parte de uma organização criminosa, orientan- do determinadas pessoas em determi- nadas áreas a votarem em determina- dos candidatos. Houve essa ação de in- teligência, houve essa interceptação, mas não haverá influência nenhuma na eleição”. Ainda assim, poderia ter reduzido os danos e parado por aí, mas, diante da insistência para que informasse qual era ocontinuará a ter salvo- conduto. Recorde-se que há tempos o Palmeiras está às tur- ras com a Mancha, mas não em razão da violência da torcida, e sim porque o clube havia contratado um diretor que a organizada dizia ser corintiano. É crucial que os clubes parem de financiar “torcedo- res” que, além de promoverem barbaridades contra rivais, reiteradamente aterrorizam atletas e treinado- res – não raro com a cumplicidade velada dos próprios dirigentes. Às organizadas, se realmente desejam ser vistas co- mo torcidas, basta que não promovam atos violentos. De nada adianta afirmar, como agora faz a Mancha, tratar-se de “ações isoladas”, quando tais ações são frequentes e fartamente documentadas. E há ainda a incapacidade das autoridades, que, se tivessem agido preventivamente, não teriam agora de investigar mais uma morte. Obviamente indefensável, o revide da Mancha Alviverde à Máfia Azul era previsí- vel desde que, dois anos atrás, a organizada cruzeiren- se agrediu membros da Mancha, entre os quais o atual presidente da uniformizada palmeirense, na mesma Fernão Dias que foi agora palco da emboscada letal. Por um tempo, a solução encontrada pelo poder público em São Paulo para a violência das torcidas foi o banimento das organizadas dos estádios. Agora, elas podem entrar, mas, nos confrontos entre times paulis- tas, só têm ingresso os torcedores do time da casa. Tais providências são a prova da rendição do Estado e dos clubes de futebol à incivilidade de alguns torcedo- res, dentro e fora dos estádios. l COLUNA FIABCI-BRASIL INFORMEPUBLICITÁRIO � Coluna publicada às terças-feiras sob responsabilidade da FIABCI-BRASIL (Federação Internacional Imobiliária) Tel: (11) 5078-7778 - www.fiabci.com.br - Produção gráfica: Publicidade Archote SÃO PAULO, 29/10/2024 Seconci-SP inova no cuidado ao trabalhador da construção Zelar por saúde, segurança do trabalho e qualidade de vida na indústria da construção é o propósito do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), que neste 2024 completou 60 anos de serviços prestados às construtoras e aos cerca de 750 mil trabalhadores do setor e seus familiares no Estado de São Paulo. Entidade filantrópica e sem fins lucrativos, o Seconci-SP mantém-se com as contribuições das construtoras. Em troca, proporciona aten- dimento médico ambulatorial gratuito em mais de 20 especialidades médicas e odontológicas, exames laboratoriais e de imagem, e serviços como atendimento social e psicológico, fisioterapia, audiometria e nutrição. O Seconci-SP presta amplos serviços de segurança do trabalho às construtoras, que incluem laudos, treinamentos e consultorias para a elaboração de programas como o de gerenciamento de riscos, além de assessoramento na confecção e envio de documentos ao eSocial. A entidade inova continuamente. Dispõe de um moderno Ambulatório da Dor, para tratamento de dores musculares, mediante agulhamento a seco guiado por termografia. Na saúde bucal, inova com atendimento odontológico nas obras e uso de impressoras 3D. Na segurança do trabalho, realiza avaliações físicas e químicas do ambiente de trabalho commodernos equipamentos e promove campanhas de prevenção a acidentes como quedas e choques elétricos. Participou ativamente da elaboração das novas normas técnicas de redes de segurança e guarda-corpos provisórios, e agora trabalha na criação da norma de andaimes. Promove seminários sobre a observância das Normas Regulamentadoras. Em 28 de outubro, realizou a solenidade de entrega do 8º Prêmio Seconci- SP de Saúde e Segurança do Trabalho. Graças à segurança proporcionada aos pacientes em sua unidade na cidade de São Paulo, a entidade conquistou a certificação da Organização Nacional deAcreditação, que será expandida para suas 12 unidades no Interior. Iremos além. Manteremos um amplo programadesaúdementalparaos trabalhadores. Intensificaremos parcerias comoutras entidades para capacitar profissionalmente mulheres em situação de vulnerabilidade. Realizamos campanha de violência contra mulheres, crianças e adolescentes. E inauguramos uma agenda de atividades culturais destinadas aos trabalhadores e familiares. Emparceria comoSindusCon-SP, o Seconci- SP acaba de realizar o 14º ConstruSer - Encontro Estadual da Construção em Família. Em suas 14 edições, o evento atingiu cerca de 400 mil trabalhadores e familiares, que receberam cerca de 3,8 milhões de atendimentos. Nas 24 edições da MegaSipat, Mega Semana Interna de Prevenção de Acidentes, participaram 99 mil trabalhadores. E mais de 6 mil trabalhadores foram formados no Programa SindusCon-SP de Segurança. S ec o n ci -S P Celebrando 60 anos de existência, entidade conquistou a certificação da Organização Nacional de Acreditação Por Maristela Honda LEIAAÍNTEGRADACOLUNA! Barbárie organizada Clubes são coniventes com torcidas cuja prioridade é a violência contra adversários No jogo entre o segundo me- lhor ataque da Série B do Campeonato Brasileiro (51 gols) contra a pior defesa (54), o Santos derrotou o Ituano por 2 a 0, ontem, e se aproximou ainda mais do re- torno à elite do futebol na- cional. A partida foi realiza- da no estádio Novelli Jú- nior, pela 34ª rodada. Os gols foram marcados por Serginho e Guilherme. O time alvinegro ainda quebrou um tabu de dez anos sem vencer o rival co- mo visitante. O último triunfo em Itu foi em 2014, no mesmo ano que o Santos perdeu o título do Paulistão para o clube do interior. Com a vitória, a 18ª na Série B, o Santos chegou aos 62 pon- tos e abriu oito do Ceará, quin- to colocado, podendo assim confirmar o acesso na próxima rodada. O Ituano é o 18º coloca- do, com 34. O CRB, primeiro fora do descenso, soma 36.l Série B GOLS: Serginho, aos 17 min do 1º tempo. Guilherme, aos 6 do 2º. ITUANO: Jefferson Paulino; Marci- nho, G. Mariano, Claudinho e Guilher- me Lazaroni; Xavier (Miquéias), José Aldo e Yann Rolim (Neto Berola); Bruno Xavier (Leozinho), Thonny Anderson (Salatiel) e Vinícius Paiva (João Carlos). Técnico: Chico Elias. SANTOS: Diógenes; Hayner (JP Chermont), João Basso, Gil e Esco- bar; J. Schmidt (Sandry), Diego Pitu- ca e Giuliano (Willian Bigode); Sergi- nho (Otero), W. Silva (Julio Furch) e Guilherme. Técnico: Fábio Carille. Amarelos: Claudinho, José Aldo e Thonny Anderson e Serginho. Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (SP). Renda: R$ 479.420,00. Público: 11.716 pagantes. Local: Estádio Novelli Júnior. 34ª RODADA DO BRASILEIRÃO SANTOS 2 ITUANO 0 Corinthians vence o Cuiabá fora de casa e deixa zona do rebaixamento Campeonato Brasileiro Gol: Memphis Depay, aos 43 minu- tos do primeiro tempo. CUIABÁ: Walter; M. Alexandre (E- liel), Marllon, B. Alves e Ramon; F. Augusto (Raylan), F. Sobral (Denil- son) e L. Fernandes; G. Sauer (Max), Clayson e Pitta. T: Bernardo Franco. CORINTHIANS: Hugo; Matheuzi- nho, F. Torres, Cacá (A. Ramalho) e M. Bidu; Raniele (Romero), B. Bidon (Charles), A. Santana (Carillo) e I. Coronado ( Garro); Talles Magno e Memphis Depay. T: Ramón Díaz. Árbitro: Bruno Arleu de Araújo. Amarelos: Clayson, Ramon, Filipe Augusto, Fernando Sobral, Marlon, Igor Coronado e Raniele. Público: 16.680 presentes. Renda: R$ 1.818.680,00. Local: Arena Pantanal, em Cuiabá. 31ª RODADA DO BRASILEIRÃO CORINTHIANS 1 CUIABÁ 0 Santos bate o Ituano e pode subir na próxima rodada A22 ESPORTES TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 TÊNIS l ATP 1000 de Paris Primeira e segunda rodadas 7h / ESPN 3 e Disney+ FUTEBOL l Copa da Alemanha Bayer Leverkusen x Elversberg 14h30 / ESPN 4 e Disney+ Wolfsburg x B. Dortmund 16h45 / ESPN 4 e Disney+ l Campeonato Italiano Milan x Napoli 16h45 / ESPN e Disney+ l Copa da Liga Inglesa Brentford x Sheffield 17h / ESPN e Disney+ l Amistoso Inter. Feminino Brasil x Colômbia 19h / SporTV l Série B Brusque x Chapecoense 19h / SporTV 3 e Premiere Guarani x Novorizontino 21h30 / Premiere l Copa Libertadores River Plate x Atlético-MG Semifinal - volta 21h30 / ESPN e Disney+ VÔLEIl Superliga Masculina Campinas x Blumenau 18h10 / SporTV 2 BASQUETE l NBB Basquete Cearense x Flamengo 19h30 / ESPN 2 e Disney+ FELIPE ROSA MENDES Após um fim de semana tumul- tuado no GP do México, com punições e rendimento abaixo do esperado, Max Verstappen deve enfrentar mais dificulda- des no GP de São Paulo de Fór- mula 1, no próximo fim de se- mana. O piloto da Red Bull de- ve contar com um motor novo, o que causará punição auto- mática, levando o holandês pa- ra o fim do grid de largada no Autódromo de Interlagos. A possível mudança de mo- tor foi aventada por Helmut Marko, influente conselheiro da Red Bull. “Não estávamos nem perto das duas equipes da frente e acho que parte do pro- blema é que na sexta-feira não conseguimos pilotar por causa dos problemas no motor. Te- mos que fazer alguma coisa, is- so está claro. Também tere- mos que trocar o motor por- que estávamos muito lentos na reta”, disse o austríaco, em entrevista ao site Motorsport. Mark fez as declarações em referência ao fraco desempe- nho do carro de Verstappen ao longo do fim de semana no GP do México. Ainda na sexta-fei- ra, nos treinos livres, o holan- dês precisou trocar o seu mo- tor por um antigo, sem violar as regras, o que conteve o seu ritmo também no sábado e no domingo durante a disputa da corrida. “Este motor, que esta- va no carro, não deveria estar no carro, então provavelmen- te no Brasil pode acontecer (a troca”, disse Marko. Se confirmada, a troca de motor na Red Bull do tricam- peão mundial acontecerá em momento delicado da tempo- rada. Verstappen vem caindo de rendimento nas últimas eta- pas, longe de exibir a perfor- mance dominante da primeira metade do campeonato. Ao mesmo tempo, o britânico Lan- do Norris, seu principal rival na briga pelo título, vem crescendo ao longo do ano. No México, Norris conse- guiu reduzir um pouco mais a diferença de Verstap- pen ao terminar em segun- do lugar. O holandês ficou em sexto. Líder do campeo- nato, o piloto da Red Bull soma 362 pontos, contra 315 de Norris. Faltam quatro etapas para o fim, com direi- to a duas corridas sprint, no Brasil e no Catar – as pro- vas, mais curtas que um GP tradicional, também ren- dem pontuação no campeo- nato. Desta forma, há ainda um máximo de 120 pontos em disputa até o fim da tem- porada. A largada dos GP de São Paulo está marcada para 14h (horário de Brasília) do próximo domingo. l Fórmula 1 Verstappen deve receber punição no GP de São Paulo e largar no fim do grid O MELHOR DA TV Queda de rendimento da Red Bull já preocupa Max Verstappen FERNANDO LLANO/AP–26/10/2024 Mundial de pilotos Nas últimas provas, a diferença entre Verstappen e Norris caiu e agora é de 47 pontos; restam 4 corridas Com rendimento abaixo do esperado, piloto holandês deve contar com motor novo; assim, largará no final do grid TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPORTES A23 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 DA EDUCAÇÃO Desafios para uma educação de qualidade, com equidade 2ª Edição Realização: Criação: Apoio: Apoio institucional: Educação Forte País Forte Patrocínio: 29/10, às 10h Guilherme de Souza Dias Supervisor de Tecnologias Educacionais do Senai Eduardo Zanini Diretor de Produto da Geekie Elzo Brito Coordenador de Projetos no Centro Paula Souza Priscila Gonsales Pesquisadora da Unicamp e diretora do Educadigital MEDIAÇÃO Victor Vieira Editor de Metrópole do Estadão Os desafios da IA na educação Um grupo liderado por pes- quisadores da Universidade Estadual de Campinas (Uni- camp) descreveu o segundo menor vertebrado do mun- do. Adulto, o exemplar do sa- po em miniatura tem 6,95 mm, e só não é menor do que indivíduos de uma espécie do mesmo gênero, descrita no sul da Bahia, de 6,45 mm. O estudo, apoiado pela Fun- dação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fa- pesp), foi publicado sexta, na revista PeerJ. Os sapos-pulga ou rãs-pul- ga, como são conhecidas algu- mas espécies do gênero Brachy- cephalus, têm adultos com me- nos de 1 cm. Para se ter ideia, eles podem se acomodar sobre a unha de um humano adulto ou sobre uma moeda de R$ 0,50. A nova espécie foi nomea- da Brachycephalus dacnis em homenagem ao Projeto Dac- nis, que mantém áreas priva- das de Mata Atlântica no Esta- do de São Paulo, incluindo a que o animal foi encontrado, em Ubatuba, no litoral norte paulista. “Existem sapos pe- quenos com todas as caracte- rísticas de sapos grandes, ape- nas menores. Esse gênero é di- ferente. Ao longo da evolução, passou pelo que chamamos de miniaturização. São caracte- rísticas como fusões e perdas de ossos, além da falta de dígi- tos e outras partes da anato- mia”, diz Luís Felipe Toledo, professor do Instituto de Bio- logia da Unicamp e coordena- dor do estudo. O trabalho integra o projeto “Da história natural à conser- vação dos anfíbios brasilei- ros”, apoiado pela Fapesp e contou ainda com bolsa de doutorado para Julia Ernetti, coautora do estudo. Esta é a sétima espécie de sa- pinho-pulga descrita dentro do gênero Brachycephalus. Até recentemente, o grupo era mais conhecido por espécies venenosas e de cores vivas, co- mo os sapinhos-pingo-de-ou- ro (Brachycephalus rotenbergae e B. ephippium) e o sapo-pitan- ga (B. pitanga). Mas o tamanho dos sapinhos-pulga está agora chamando a atenção dos pes- quisadores. CANTO DIFERENTE. O canto da espécie descrita agora foi o que chamou a atenção dos cientistas. Sua morfologia é igual à de outra espécie, B. her- mogenesi. Ambas têm pele marrom amarelada, vivem no folhiço da mata, não nas- cem girinos (saem dos ovos andando) e ocorrem na mes- ma região. Mas o canto é dife- rente. Quando sequencia- ram o gene normalmente uti- lizado para diferenciar es- pécies, os pesquisadores con- firmaram se tratar de nova en- tidade. Mas, ao visitarem Picingua- ba, em Ubatuba, onde foram encontrados os sapos que permitiram a descrição de B. hermogenesi, notaram que B. dacnis também ocorre ali. Na descrição da nova espécie, além das características ana- tômicas de praxe, os pesqui- sadores acrescentaram infor- mações do esqueleto e dos ór- gãos internos, além de dados moleculares e do canto. “A diversidade desses sa- pos em miniatura pode ser bem maior do que imagina- mos”, afirma Julia. l ANDRÉ JU- LIÃO, AGÊNCIA FAPESP Sapinho brasileiro é o 2.º menor entre os vertebrados Espécie tem pele marrom amarelada e vive no folhiço da mata Fauna Sapo-pulga que, adulto, chega a 6,95 mm, só não é menor que outra espécie do gênero, também brasileira LUCAS MACHADO BOTELHO/PROJETO DACNIS A24 PARA FECHAR... UMA BOA HISTÓRIA TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 E&N ECONOMIA &NEGÓCIOS DESTAQUE O CADERNO E&N (B1 A B16) BRASÍLIA A indicação de nomes para no- ve diretorias já abertas e ou- tras 11 que vão vagar até o pri- meiro trimestre de 2025 nas agências reguladoras tem pro- vocado disputas internas no Planalto e entre senadores da base de apoio do governo no Congresso. O Planalto quer negociar as in- dicações em uma só leva, em vez de abrir conversas individuais para cada posto ou atrelar as ne- gociações às eleições para os co- mandos do Senado e da Câmara, no início de 2025. As discussões devem ser retomadas agora, de- pois das eleições municipais, com a volta dos trabalhos do Se- nado – responsável por aprovar ou rejeitar as indicações feitas, formalmente, pelo Executivo. O interesse pelos cargos ga- nhou corpo diante do desgaste envolvendo os apagões em São Paulo – que colocaram sob ata- que o trabalho da Agência Nacio- nal de Energia Elétrica (Aneel). O governo avalia retomar meca- nismo para pactuar metas para as agências e, no limite, punir seus integrantes. Jána Câmara, há articulação para que a Casa passe a fiscalizar a atuação no se- tor; os parlamentares negam ris- co para a autonomia das agências (mais informações na pág. B2). O ministro de Minas e Ener- gia, Alexandre Silveira, por exemplo, tenta emplacar pelo menos dois indicados em agên- cias estratégicas do setor: além da Aneel, na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bio- combustíveis (ANP). Para a Aneel, o nome escolhido por Silveira é o do atual secretário de Energia Elétrica do ministé- rio, Gentil Nogueira. A negocia- ção está travada por interferên- cia do Congresso. Para a ANP, o escolhido pelo ministro é o atual secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustí- veis do MME, Pietro Mendes. Neste caso, porém, ainda não há o aval do Planalto. Há um outro nome na dispu- ta: o de Allan Kardec, presiden- te da Companhia Maranhense de Gás (Gasmar), que tem o apoio do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, do ex-presidente José Sarney e do governador do Ma- ranhão, Carlos Brandão. Tam- bém o senador Davi Alcolum- bre (União Brasil-AP) tenta apresentar nomes para o cargo. Há também embates na Agên- cia Nacional de Aviação Civil (A- nac) entre os ministros Silvio Costa Filho (Portos e Aeropor- tos) e José Múcio (Defesa). São duas vagas: para a presidência da diretoria, Costa Filho apoia a oficialização do nome de Tiago Souza Pereira, que ocupa o car- go interinamente desde 2023. Já Múcio defende a indicação do major-brigadeiro do ar Rui Chagas Mesquita como diretor e, na sequência, como presiden- te. Para a outra vaga de diretor, Costa Filho tem intenção de in- dicar Caio Cavalcanti Ramos, servidor de carreira do BNDES. A Agência Nacional de Vi- gilância Sanitária (Anvisa) te- rá três vagas até o fim do ano. Entre os nomes que circulam por Brasília, dois seriam os mais fortes: o de Daniela Mar- reco, que hoje trabalha no gabi- nete do diretor-presidente e te- ria apoio de senadores como Ciro Nogueira (PP-PI) e Alco- lumbre; e de Leandro Safatle, secretário adjunto de Ciência, Tecnologia e Inovação do Complexo Econômico-Indus- trial da Saúde, que seria o no- me do Ministério da Saúde. A Secretaria de Relações Ins- titucionais afirmou ao Esta- dão/Broadcast que a forma das indicações para as diretorias nas agências será pactuada com o Legislativo. “O diálogo vai permanecer agora com a re- tomada do Congresso”, diz. Procurados, o Ministério de Minas e Energia; Carlos Bran- dão; Alcolumbre; Ciro Noguei- ra; e os ministros Costa Filho e Múcio não responderam. Já Flávio Dino não vai comentar. l GABRIEL HIRABAHASI, RENAN MONTEIRO, LUIZ ARAÚJO e CAIO SPECHOTO 40 ANOS info@milanleiloes.com.br Soluções para: • Industrias • Bancos • Seguradoras Governo demora para preencher cargos de direção de agências reguladoras; as discussões sobre indicações devem ser retomadas agora após as eleições municipais Vagas FONTE: AGÊNCIAS REGULADORAS / INFOGRÁFICO: ESTADÃO CADEIRAS VAZIAS AGÊNCIA REGULADORA Anatel Anac Anvisa ANS ANP Aneel Antaq ANTT Ancine ANA ANM DIRETORIAS JÁ VAGAS ATÉ O FIM DE 2024 NO 1º TRIMESTRE DE 2025 DIRETORIAS QUE FICARÃO VAGAS 1 2 1 - 1 1 - - 1 2 - - 2 - - - - - 2 - 1 - 1 - 2 1 1 - - - - - 1 Governo e Congresso disputam vagas em agências reguladoras ‘CABE À CÂMARA FISCALIZAR AS AGÊNCIAS’, DIZ O DEPUTADO DANILO FORTE. PÁG. B2 Negociação envolve 9 postos já abertos e outros 11 que vão vagar até o primeiro trimestre de 2025 Serviço público Impasse B1 Estratégia Planalto tenta evitar atrelar indicações a eleições para os comandos do Senado e da Câmara TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INCLUI CLASSIFICADOS INÊS 249 ‘Cabe à Câmara fiscalizar as agências reguladoras’ ARTIGO Othon de Azevedo Lopes Advogado, é doutor em Direito e Filosofia do Estado pela PUC-SP e professor associado da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) BIANCA LIMA BRASÍLIA P residente da Comissão de Desenvolvimento da Câmara, o deputado Danilo Forte (União-CE) deve apresentar nesta semana uma Proposta de Emenda à Constitui- ção (PEC) que amplia os pode- res da Câmara, conferindo às co- missões da Casa a atribuição for- mal de fiscalizar as agências regu- ladoras. Essas autarquias estão no centro do debate público devi- do aos apagões em São Paulo, e têm sido alvo de investidas tanto do governo quanto do Congres- so. “Como já temos o Senado res- ponsável pela sabatina e aprova- ção das indicações do corpo dire- tivo, entendemos que, como o princípio das agências é a defesa do consumidor, cabe às comis- sões temáticas da Câmara, que representam o povo, cumprir o papel de fiscalizar essas autar- quias”, afirma o parlamentar. Ele nega que a PEC amplie a ingerên- cia política nas autarquias e redu- za a sua autonomia. A seguir, os principais trechos da entrevista: O que motivou a elabora- ção da PEC? Nós temos problemas em pra- ticamente todas as agências re- guladoras do País, tanto na fis- calização quanto na capacida- de que elas têm de se sobrepor ao seu papel institucional. O sr. poderia dar exemplos concretos? Por exemplo, a suspensão, pela Anvisa (Agência Nacional de Vi- gilância Sanitária), de defensi- vos que estavam havia mais de 50 anos em circulação no Brasil sem que houvesse inovação em relação à legislação. Decisão mo- nocrática, na Aneel (Agência Na- cional de Energia Elétrica), com relação ao corte dos valores de transmissão (recálculo de indeni- zação a transmissoras, que ocor- reu em 2022). A omissão ou falta de posicionamento da Anvisa em relação ao cigarro eletrôni- co, bem como da Aneel em rela- ção ao apagão em São Paulo. Es- se descontrole dos órgãos con- troladores criou, tanto para o consumidor quanto para o go- verno, uma insatisfação muito grande em todas as áreas. De que forma a PEC atua- ria nessas questões? Criando um instrumento de fiscalização sobre esses pa- péis, porque é inadmissível que uma instituição tenha o po- der de regular, executar, nor- matizar e julgar. Nem o STF (Supremo Tribunal Federal), com todas as suas escorrega- das, se propõe a isso. E isso cabe à Câmara? As agências são órgãos de Esta- do, não de governo. E, como ór- gãos de Estado, cabe exatamen- te ao Poder Legislativo a sua fis- calização. Como já temos o Sena- do responsável pela sabatina e aprovação das indicações do cor- po diretivo, entendemos que, co- mo o princípio das agências é a defesa do consumidor, cabe às comissões temáticas da Câma- ra, que representam o povo, cumprir o papel institucional de fiscalizar essas autarquias. O TCU já não desempenha esse papel? Hoje, do ponto de vista geren- cial, há um puxadinho no TCU (para fazer essa fiscalização). Mas, do ponto de vista de mérito, isso fica completamente solto, por- que as agências não devem pres- tação de contas a ninguém. Esse novo sistema propos- to não pode enfraquecer a autonomia das agências? Primeiro, nós não estamos in- terferindo em nenhuma formu- lação de política pública, esta- mos apenas fiscalizando. Por- tanto, não haveria nenhuma di- minuição de autonomia. Segun- do, essa fiscalização já é feita em alguns países do mundo, inclusi- ve na Inglaterra, que é o berço do liberalismo. E nós não esta- mos criando uma fiscalização de governo, e, sim, de Estado. Então, o setor privado pode fi- car muito tranquilo que isso vai aumentar a segurança jurídica. Como funcionaria essa fis- calização? A comissão de Minas e Ener- gia, por exemplo, faria a fiscali- zação da Aneel, ANM (Agência Nacional de Mineração) e ANP (Agência Nacional de Petróleo e Gás). A comissão da Comuni- cação faria o acompanhamen- to referente à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). E, assim, sucessivamente. To- das as agências teriam de pres- tar contas, tantono que diz res- peito à execução da legislação quanto à normatização. As comissões teriam o po- der de punir as agências ou seus membros? As comissões poderiam averi- guar os serviços prestados, co- mo também fazer a apuração e punição coletiva ou individual dos diretores, em caso de des- cumprimento do que está na lei e no código administrativo. Ou seja, que configure infra- ção ou improbidade. Essas punições incluiriam a eventual demissão de di- retores? A PEC permite que o Congres- so, verificando ação dolosa de omissão ou ilicitude, possa re- comendar ao TCU e ao Minis- tério Público a punição admi- nistrativa, civil ou criminal dos membros das agências. Mas, de novo, isso não am- plia a interferência políti- ca nas agências? Da mesma forma que a gente pode julgar o presidente da Re- pública e abrir processo de im- peachment, também podemos exercer o papel que nos é atri- buído constitucionalmente, e fazer o impedimento de um di- retor de uma agência. Se fosse um órgão do governo para fa- zer esse controle, aí, sim, esta- ria politizando. Porque não se- ria uma pessoa eleita, seria uma escolha pessoal do presi- dente, e não colegiada. Pode haver resistência do Senado à PEC? O Senado já cumpre o seu pa- pel, porque as sabatinas e a es- colha dos diretores ocorrem lá. Ou seja, passaria a ter uma divi- são: o Senado continuaria com esse papel e caberia à Câmara, pela sua representação popu- lar, fazer a fiscalização. E com isso haveria uma equidade e harmonia de Poderes. l O Executivo enviou ao Congresso o Projeto d e L e i ( P L ) n . º 15/2024. A imprensa destacou o tratamento gravo- so dado ao devedor contu- maz. É uma abordagem par- cial do projeto, que insere a tributação numa abordagem responsiva do Direito, incen- tivadora da colaboração do contribuinte. Há quatro programas no PL: 1) o de Conformidade Cooperativa Fiscal (Con- fia); 2) o de Estímulo à Con- formidade Tributária; 3) o do Operador Econômico Au- torizado (Programa OEA); e 4) o do devedor contumaz. Os três primeiros, benéfi- cos; o último, gravoso. O Confia incentiva a trans- parência e o diálogo entre contribuinte e Fisco, privile- giando boa-fé e adequada go- vernança. Para isso, propicia solução colaborativa de dúvi- das sobre planejamentos tri- butários, com exoneração ou redução de multas. O Sintonia dá benefícios a contribuintes com regulari- dade cadastral, pagamento oportuno dos tributos e exa- tidão de informações. Há prioridade na restituição de tributos, precedência no atendimento e acesso facili- tado a capacitações promovi- das pela Receita Federal. O Programa OEA facilita importação e exportação. Os que tiverem histórico de cumprimento da legislação, gestão fidedigna, inclusive de riscos, solvência e segu- rança na cadeia de suprimen- tos fruirão de benefícios: me- nor índice de verificação, li- beração célere e pagamento diferido de tributos. Os programas benéficos te- rão selos. Os integrantes do Confia e do Sintonia têm des- conto na Contribuição So- cial sobre o Lucro Líquido (CSLL), vedação de arrola- mento de bens, desempate em licitações públicas, prio- rização no atendimento e in- formações prévias sobre in- dícios de prática de infração à legislação e sobre renova- ção de certidões. O devedor contumaz será o que tiver débitos acima de R$ 15 milhões e que seja maior do que o seu patrimô- nio; que tiver débitos inscri- tos em dívida ativa da União superiores a R$ 15 milhões irregulares há mais de um ano; que for parte de pessoa jurídica baixada ou inapta nos últimos cinco anos, com débitos superiores a R$ 15 milhões. Ele terá seu CNPJ declarado inapto, rito com menos garantias no julga- mento de seus recursos e im- pedimento de contratar com a administração. O projeto acerta com pro- gramas benéficos que mino- raram a situação adversa- rial com o Fisco. Embora o regime de devedor contu- maz seja importante como arma simbólica para o Fis- co, a gravosidade das restri- ções no projeto é excessiva. Isso não retira os méritos do PL que poderão ser apro- veitados; já os seus exage- ros poderão ser atenuados pelo Legislativo. l “Como o princípio das agências é a defesa do consumidor, cabe às comissões temáticas da Câmara, que representam o povo, cumprir o papel institucional de fiscalizar essas autarquias” Embora o regime de devedor contumaz seja importante como arma simbólica, a gravosidade das restrições é excessiva Danilo Forte Para deputado, PEC que amplia poderes da Casa não representa intervenção política nas autarquias ENTREVISTA VINICIUS LOURES AGENCIA CAMARA-30/8/2023 Advogado, está em seu 4.º mandato como deputado federal pelo Ceará. Filiado ao União Brasil, já comandou a Funasa Lei da conformidade: possibilidades no Direito Tributário B2 ECONOMIA&NEGÓCIOS TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 CÍCERO COTRIM FERNANDA TRISOTTO BRASÍLIA O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse on- tem que uma redução sustentá- vel dos juros no Brasil provavel- mente só será possível se for acompanhada de medidas vis- tas pelo mercado como um “cho- que fiscal positivo”. Ele repetiu que quedas estruturais das ta- xas foram historicamente acom- panhadas de medidas positivas no lado das contas públicas. “Quando olhamos para o prêmio na ponta longa (da cur- va de juros) e aí por diante, acha- mos que, se quisermos mesmo ser capazes de diminuir os ju- ros e de viver com juros meno- res, provavelmente precisare- mos estar dispostos a sinalizar para o mercado medidas que serão interpretadas como um choque positivo”, afirmou ele, em reunião com investidores organizada pelo Deutsche Bank, em Londres. Campos Neto, que deixará o cargo no fim do ano, disse que os números fiscais do Brasil, tanto no que diz respeito ao re- sultado primário quanto à evo- lução prevista da dívida públi- ca, são similares aos de outros emergentes, embora o ponto de partida da dívida do País seja maior. “Eu reconheço que tive- mos algumas notícias desfa- voráveis recentemente, espe- cialmente quando olhamos para a percepção do merca- do de que alguns números es- tão se tornando menos transparentes”, disse ele. Sob pressão do mercado, a equipe econômica tem afir- mado que vai discutir nas próximas semanas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva um pacote com pro- postas de corte de gastos. TEBET. Já a ministra do Pla- nejamento, Simone Tebet, voltou a dizer que o momen- to é de “coragem” para cor- tar gastos em políticas pú- blicas que são ineficientes, usando o espaço que será aberto no Orçamento para fazer investimentos, e não necessariamente superávit fiscal. “Números mostram que, tudo que tinha de dar certo, deu, só falta uma coi- sa: termos a coragem de cor- tar o que é ineficiente. Er- ros e fraudes já foram corta- dos em 2023, agora é hora de acabar com políticas pú- blicas que são ineficien- tes”, disse ela, em evento em São Paulo. l COLABOROU AMANDA PUPO/BRASÍLIA BRASÍLIA As projeções do mercado finan- ceiro para a inflação no País su- biram pela quarta semana se- guida e já superam o teto da meta, segundo o novo Boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central. Pelos núme- ros, a previsão para o IPCA de 2024 passou de 4,5% para 4,55%. O centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se essa estimativa se concre- tizar, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Ne- to, vai terminar a sua gestão tendo de escrever a terceira car- ta aberta para explicar o des- cumprimento da meta. Seu mandato vai até 31 de dezem- bro. Ainda pelo Focus, a media- na para a inflaçãode 2025 osci- lou de 3,99% para 4% – mais próxima do teto (de 4,5%) do que do centro. Já as medianas para os horizontes mais longos permaneceram sem mudança: 3,6%, em 2026, e 3,5% em 2027. SELIC. A mediana do relatório Focus para a taxa básica de juros no fim de 2024 se mante- ve em 11,75% pela quarta se- mana consecutiva, consoli- dando a avaliação do merca- do de que o Comitê de Políti- ca Monetária (Copom) do BC aumentará os juros em 0,5 ponto porcentual nas duas próximas reuniões do colegia- do – marcadas para 6 de no- vembro e 11 de dezembro. A estimativa intermediá- ria para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 11,25%, após duas semanas de alta, ainda indicando que a visão do mercado é de que o BC terá pouco espaço para redu- zir as taxas no ano que vem, em meio a pressões inflacio- nárias e à distância entre as projeções do mercado e a me- ta oficial que tem de ser atin- gida pelo BC. l C.C. Política monetária Premissa Mercado já vê IPCA fora da meta, mostra Focus Alvo O centro da meta para a inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual Cenário A equipe econômica tem indicado que vai negociar com o presidente Lula cortes efetivos de despesas Campos Neto fala em ‘choque fiscal positivo’ para reduzir juros Presidente do BC participa de evento com investidores em Londres; em SP, Tebet cobra ‘coragem’ para cortar gastos TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS B3 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 JOSÉ FUCS A intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de voltar a usar os grandes fundos de pen- são de empresas estatais para bancar investimentos em obras de infraestrutura, em es- pecial nos projetos PAC (Pro- grama de Aceleração do Cresci- mento), como aconteceu em governos anteriores do PT, tem gerado reações de partici- pantes das entidades. Preocupados com uma nova onda de interferência política na gestão do patrimônio dos fundos, que tiveram prejuízos bilionários no passado recente e em alguns casos precisaram promover um aumento signifi- cativo nas contribuições para cobrir as perdas, os participan- tes lançaram um manifesto di- gital em que criticam a iniciati- va do governo e defendem a rea- lização de investimentos que não coloquem em risco o paga- mento das aposentadorias. Segundo números divulga- dos pelo grupo, o manifesto, lançado no fim de agosto, obte- ve quase 25 mil adesões de inte- grantes da ativa e aposentados dos fundos do Banco do Brasil (Previ), da Petrobras (Petros), da Caixa (Funcef) e dos Cor- reios (Postalis), cujo patrimô- nio total alcançava cerca R$ 510 bilhões no fim de 2023, de acordo com dados da Associa- ção Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Com- plementar (Abrapp). Embora representem ape- nas 3,9% dos 630 mil partici- pantes e assistidos das qua- tro instituições, as adesões ao manifesto, que circulou no grupo Fundos de Pensão Unidos do Telegram e do WhatsApp e foi compartilha- do nas redes sociais de asso- ciações independentes de se- gurados, revelam uma resis- tência aos planos do governo de usar novamente o dinhei- ro dos trabalhadores para a realização de investimentos públicos de retorno incerto. “Os recursos dos fundos de pensão são privados. Não são recursos públicos à disposição do Orçamento da União para aplicação em projetos de seu interesse. Destinam-se, unica- mente, ao pagamento de bene- fícios de aposentadoria com- plementar concedidos e a con- ceder”, diz o manifesto, organi- zado por integrantes dos qua- tro grandes fundos. “Os participantes não po- dem admitir ingerências nos seus fundos de pensão, princi- palmente quando eles são fo- mentados a praticar atos que já se revelaram danosos no pas- sado”, acrescenta o documen- to, dirigido a Lula, ao ministro da Fazenda, Fernando Had- dad, e aos presidentes do Con- selho Nacional de Previdência Complementar (CNPC), da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), do Tribunal de Con- tas da União (TCU), da Con- troladoria-Geral da União (C- GU ) e do Conselho Monetário Nacional (CMN). SERVIDORES. Diversas associa- ções de integrantes dos quatro fundos apoiaram o manifesto e se colocaram publicamente contra a iniciativa do governo, como a Apaprevi, entidade que defende os interesses dos par- ticipantes e assistidos do Previ e da Cassi (administradora de planos de saúde fundada por funcionários do Banco do Bra- sil em 1944), a Federação Na- cional das Associações do Pes- soal da Caixa Econômica Fede- ral (Fenae) e a Associação Vir- tual dos participantes do Fun- do de Pensão Petros (AVPP). Numa outra frente, o movi- mento contra a iniciativa do governo envolve também, conforme reportagem publi- cada pelo Estadão, os partici- pantes do fundo dos servido- res federais do Executivo e do Legislativo (Funpresp-Exe), que lançaram seu próprio abaixo-assinado, no qual de- fendem a criação de uma mo- dalidade de investimento mais conservadora, com apli- cação exclusiva em títulos pú- blicos, para “blindar” a ges- tão do patrimônio contra in- gerências políticas e reduzir riscos de mercado. Um vídeo sobre o manifes- to, produzido por Edvaldo Sou- za, que se apresenta como par- ticipante da Previ e presidente da Apaprevi, divulgado quan- do o grupo havia conseguido cerca de seis mil adesões em apenas 24 horas, viralizou nas redes sociais e entre funcioná- rios e aposentados da entida- de e de outros fundos de pen- são de estatais. “Esse manifesto é para mos- trar a nossa discordância e a indignação a respeito da inge- rência externa que está ocor- rendo em nossos fundos de pensão por parte do governo”, afirma Souza, um dos que orga- nizaram o documento, ao lado de participantes do Petros, Funcef e do Postalis. FLEXIBILIZAÇÃO. Souza, que não retornou os contatos feitos pelo Estadão, cita como exem- plo no vídeo o caso da Sete Bra- sil (empresa que forneceria na- vios-sonda para exploração do pré-sal). A Sete entrou com pedi- do de falência na Justiça em mar- ço e estava envolvida no escândalo dos desvios da Petro- bras investigados pela Lava Jato. Segundo Souza, o Previ in- vestiu R$ 180 milhões na Sete e dez anos depois conseguiu re- ceber de volta R$ 190 milhões (retorno de 5,5% no período), graças a um acordo feito com a Petrobras. “Se esses recursos fossem aplicados em bons ati- vos, nós poderíamos ter mais do que o dobro do que isso em dez anos”, diz. “Pobres trabalhadores das estatais brasileiras que, mais uma vez, verão os recursos suados de suas aposentado- rias serem drenados para obras sem fim, que frequente- mente são embargadas e se tornam objeto de litígios na Justiça”, afirma a economista Martha Seillier, ex-diretora do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ex- secretária especial do Progra- ma de Parcerias de Investi- mentos (PPI) do governo de Jair Bolsonaro, ao comentar os planos de Lula. l Fundos já acumularam perdas em operações Mudanças na chefia de entidades reforçam temores de ingerência l Prejuízo De 2011 a 2015, durante a admi- nistração da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), os maio- res fundos de pensão das esta- tais acumularam perdas de R$ 113,4 bilhões l Investigação O número consta do relatório final da Comissão Parlamen- tar de Inquérito (CPI) que investigou, à época, esquemas de corrupção nas instituições da Caixa Econômica Federal (Funcef), dos Correios (Posta- lis), da Petrobras (Petros) e do Banco do Brasil (Previ) l Rentabilidade Desse grupo, a Previ foi a úni- ca que não teve de onerar seus contribuintes com valo- res extras e nem os assisti- dos com cortes. O fundo ale- ga, inclusive, que distribuiu benefícios extraordinários até 2013. Ainda assim, segun- do relatório da CPI, a renta- bilidade dasaplicações da Previ, entre 2011 e 2015, ficou abaixo da meta mínima em R$ 68,9 bilhões l Buraco sem fim No caso dos Correios, até hoje a empresa e seus parti- cipantes tentam equacionar o rombo. Como mostrou o “Estadão” em agosto, a esta- tal se comprometeu a trans- ferir R$ 7,6 bilhões ao Posta- lis para cobrir metade do déficit do plano. A outra me- tade será arcada por funcio- nários, aposentados e pen- sionistas do fundo. A empre- sa estatal tem desembolsa- do R$ 33 milhões por mês, desde fevereiro, para socor- rer o Postalis Apesar das restrições legais criadas no governo Michel Te- mer (2016-2019) para evitar in- terferência política nos investi- mentos dos fundos, mudança promovida na cúpula da Previ, o fundo de pensão de funcioná- rios do Banco do Brasil, e a pos- sível troca de comando no Fun- dação dos Economiários Fede- rais (Funcef), da Caixa, reforça- ram a percepção de que possa haver novamente interferência política nos fundos de pensão. O caso do sindicalista João Luiz Fukunaga, que assumiu o comando da Previ, maior fun- do de pensão da América Lati- na, com mais de R$ 200 bi- lhões em ativos, depois de ter sido afastado duas vezes do cargo pela Justiça por não ser considerado habilitado para a função, é emblemático. Embora tenha sido conside- rado apto para o posto pelo Tri- bunal de Contas da União (T- CU) e recebido “atestado de habilitação” da Superinten- dência Nacional de Previdên- cia Complementar (Previc), Fukunaga – que foi indicado pelo atual governo para a presi- dência da Previ em fevereiro de 2023 – atuava como secretá- rio de Organização e Suporte Administrativo no Sindicato dos Bancários de São Paulo. Por não atender ao requisito de ter três anos de atividade, no mínimo, nas áreas financeira, administrativa, contábil, jurídi- ca, atuária, de fiscalização, de previdência ou de auditoria, exi- gido pela legislação para partici- par da diretoria executiva de caixas de previdência, a ascen- são de Fukunaga gerou preocu- pação entre os servidores. A possível troca do atual pre- sidente do Funcef, Ricardo Pon- tes, que trabalha há mais de 30 anos na Caixa, por Ricardo Back, atual chefe de gabinete de Alexandre Padilha, ministro de Relações Institucionais, é outro caso. Conforme informa- ção publicada pelo site Metró- poles, a indicação de Back – que é formado em jornalismo e atuava na XP Investimentos co- mo sócio e responsável pela área de análise política antes de trabalhar com Padilha – foi fei- ta há 15 dias por Haddad ao pre- sidente da Caixa, Carlos Vieira, mas a mudança, para ser confir- mada, ainda tem de ser aprova- da pelo conselho do Funcef. Até agora, porém, segundo a nota sobre a questão enviada pela assessoria de imprensa do fundo ao Estadão, a entidade não foi comunicada sobre “eventual troca” no comando. “O presidente do Funcef, Ri- cardo Pontes, cujo mandato vai até 2027, segue normal- mente sua rotina de trabalho”, diz a nota. l J.F. NA WEB ! www.estadao.com.br/ Saiba mais Assista ao vídeo do presidente da Apaprevi, Edvaldo Souza “Os recursos dos fundos de pensão são privados. Não são recursos públicos à disposição do Orçamento da União para aplicação em projetos de seu interesse” Trecho do manifesto contra uso do dinheiro de fundos de pensão em obras do governo Plano de uso de fundos de pensão em obras gera manifesto de servidores Documento tem a adesão de 25 mil funcionários da ativa e aposentados do serviço público federal Previdência Contra interferência política Indicações Troca da presidência da Previ e tentativa de alteração no Funcef acendem sinal de alerta B4 ECONOMIA&NEGÓCIOS TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 O PRODUTOR BRASILEIRO NO CENTRO DAMODERNA AGROPECUÁRIA GLOBAL Tivoli Mofarrej São Paulo Hotel Conheça a programação e adquira seu ingresso Apresenta: 13.11.24 8h30 - 18h30 Realização Parceria: Patrocínio: Palestra Magna O Acordo UE-Mercosul e outras políticas relevantes da UE: Perspectivas para produtores rurais na União Europeia e no Brasil JURGEN TACK Secretário-geral da European Landowners’ Organization (ELO) PRESENÇAS CONFIRMADAS Alberto Martinhago Vieira Diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil Eduardo Bastos Presidente do Comitê de Sustentabilidade da Abag Fabio Duarte Stumpf Vice-presidente de Agro e Qualidade da BRF Franciele Caixeta Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento Agro da General Mills Paulo Hora Superintendente executivo de Negócios e Soluções Rurais da Brasilseg Ruy Cunha CEO da Lavoro Sueme Mori Diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS B5 INÊS 249 B6 ECONOMIA&NEGÓCIOS TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 CIRCE BONATELLI Quem for comprar imóvel no- vo vai se deparar com preços maiores ao longo dos próxi- mos meses, refletindo a eleva- ção no custo das obras, afir- mou ontem o presidente da Câmara Brasileira da Indús- tria da Construção (CBIC), Re- nato Correia. “A situação vai gerar o repas- se de custo maior para o preço dos imóveis. Quem for com- prar a casa própria vai encon- trar preços maiores. Não tem jeito, as empresas têm de pre- servar as margens (de lucro)”, disse, em entrevista após apre- sentação de dados do setor. A economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, apontou uma tendência de alta nos custos de construção. “O custo de construção está acima da infla- ção do País.” O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) já su- biu 5,48% nos últimos 12 me- ses encerrados em setembro, enquanto a inflação oficial do País, medida pelo Índice Na- cional de Preços ao Consumi- dor Amplo (IPCA), avançou 4,42% no mesmo período. O setor de construção está com demanda aquecida por mão de obra, e há falta de traba- lhadores qualificados, o que ge- ra elevação nos salários. Com isso, o componente “mão de obra” dentro do INCC subiu 7,7% nos últimos 12 meses, pressionando os custos. Além disso, os custos dos materiais de construção volta- ram a subir nos últimos meses, configurando tendência de al- ta, apontou Ieda. Ao longo de 2023, os materiais vinham mos- trando deflação, mas a tendên- cia se reverteu, e esses itens passaram a subir rapidamente desde março, chegando a 3,89% nos últimos 12 meses. “O custo com material vem re- gistrando aceleração e volta a preocupar o setor constru- tor”, disse a economista. Atualmente, as maiores preocupações para o empresá- rio da construção são, nesta or- dem: carga tributária elevada; custo e/ou falta de mão de obra qualificada; e taxa de juros ele- vadas. A economista comen- tou que o ciclo de alta da Selic, iniciado em setembro, tam- bém passa a pressionar o custo do financiamento para o setor. “Esses fatores formaram uma ‘tempestade perfeita’ para o se- tor da construção.” DIFICULDADE DE REPASSE. Re- nato Correia disse também que há incorporadoras com di- ficuldade de encaminhar o cliente para o financiamento bancário no momento de en- trega das chaves do imóvel ven- dido na planta. A situação, se- gundo ele, decorre da elevação dos juros no País e da falta de recursos para abastecer os fi- nanciamentos. Diante dessa situação, o pre- sidente da CBIC reiterou o pleito para que ocorra a libera- ção dos depósitos compulsó- rios dos bancos e o seu direcio- namento para o crédito imobi- liário. Essa medida serviria pa- ra amenizar a situação de aper- to até um momento mais favo- rável. O Banco Central (BC), entretanto, não tem indicado apoio à medida. l Empresas pedem redução de 5% no compulsório Imóvel vai subir de preço, prevê setor da construção Segundo a Câmara Brasileira da Indústriada Construção, mão de obra e materiais pressionam custos, que serão repassados ‘Tempestade perfeita’ Economista diz que falta de trabalhadores, carga tributária e juros altos criaram ‘tempestade’ Casa própria Mais cara O setor da construção solici- tou a redução de 5% no compul- sório bancário com o objetivo de direcionar o dinheiro para os financiamentos de imóveis. A sugestão foi encaminhada ao Banco Central (BC) pelos re- presentantes do setor da cons- trução, entre eles a própria Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a Asso- ciação Brasileira de Incorpora- doras Imobiliárias (Abrainc), o Secovi (que reúne as empre- sas do setor imobiliário) e o Sinduscon (Sindicato da In- dústria da Construção), no ano passado. Ao longo do ano, os bancos também aderiram ao pedido, sob liderança da As- sociação Brasileira das Entida- des de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Por trás da demanda está a preocupação com os juros al- tos do crédito imobiliário, que inibem lançamentos e vendas. Os últimos anos foram mar- cados por perda de recursos das cadernetas de poupança – fonte de recursos com menor custo para o crédito – e a neces- sidade de utilização de outras fontes de mercado pelos ban- cos, geralmente atreladas ao CDI. l C.B. TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS B7 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 B8 ECONOMIA&NEGÓCIOS TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS INÊS 249 TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS B9 INÊS 249 BERLIM A Volkswagen informou aos re- presentantes dos funcionários que pretende fechar pelo me- nos três fábricas na Alemanha, disse ontem a chefe do conse- lho de trabalhadores da empre- sa, Daniela Cavallo. Daniela informou, em uma reunião com os trabalhadores da Volkswagen na sede da em- presa, em Wolfsburg, que a ad- ministração também planeja cortes em outros locais e pro- meteu resistir aos planos, de acordo com a agência de notí- cias alemã dpa. Ela disse que “todas as fábricas alemãs da VW são afetadas por esses pla- nos. Nenhuma está segura”. A empresa ainda não comen- tou a informação. Mas o dire- tor de pessoal Gunnar Kilian disse em uma declaração ofi- cial que “o fato é que a situação é grave e a responsabilidade dos parceiros negociadores é enorme”, relatou a dpa. A Volkswagen havia dito no início de setembro que os ven- tos contrários do setor auto- mobilístico significavam que ela não poderia descartar o fe- chamento de fábricas em seu país de origem, abandonando uma promessa de proteção ao emprego em vigor desde 1994 – que teria impedido demis- sões até 2029. O CEO Oliver Blume citou a entrada de no- vos concorrentes nos merca- dos europeus, a deterioração da posição da Alemanha co- mo local de fabricação e a ne- cessidade de “agir de forma decisiva”. “Sem medidas abrangentes para restaurar a competitivida- de, não seremos capazes de ar- car com investimentos futu- ros significativos”, disse Ki- lian, ontem. Ele acrescentou que a direção irá se ater ao prin- cípio de discutir o futuro da Volkswagen com seus parcei- ros negociadores internos pri- meiro. As negociações salariais en- tre a Volkswagen e o sindicato devem ser retomadas amanhã. CONCORRÊNCIA. Os fabrican- tes de automóveis europeus es- tão enfrentando uma concor- rência cada vez maior dos car- ros elétricos chineses de baixo custo. A Volkswagen disse no mês passado que os resultados semestrais da empresa indica- vam que ela não atingiria sua meta de ¤ 10 bilhões (R$ 61,6 bilhões) em economia de cus- tos até 2026. A Volkswagen tem cerca de 120 mil funcionários na Alema- nha, onde possui dez fábricas – seis delas no Estado da Baixa Saxônia, no norte do país, in- cluindo Wolfsburg. O sindicato IG Metall criti- cou duramente os planos de fe- chamento informados pela VW. “Esperamos que, em vez de fantasias de cortes, concei- tos sustentáveis para o futuro sejam delineados pela Volkswagen e sua gerência na mesa de negociações”, disse o líder sindical regional Thors- ten Gröger. l AP AVISO DE LICITAÇÃO Encontra-se aberto nesta Penitenciaria de Registro. O PREGÃO ELETRÔNICO nº. 90023/2024, processo único 20241086576, referente à aquisição de materiais de consumo comum do tipo “Alimentos Estocáveis”. A sessão será realizada no dia 08/11/2024 09h00m, na sala da diretoria do Centro Administrativo desta unidade prisional, sito a Rodovia Régis Bittencourt, Km 453 + 75m - Bairro Capinzal, Registro/ SP. Período de Recebimento de Proposta de 29/10/2024 a 08/11/2024 as 08:59:59. O Edital estará à disposição no site, www.pncp.gov.br. Crise reflete estagnação da economia alemã A Comissão de Educação, Cultura e Esportes convida o público interessado para participar da Audiência Pública Semipresencial com o objetivo de debater o seguinte tema: Prestação de Contas da Educação do 3º trimestre de 2024 (Atendendo ao disposto no artigo 209 da Lei Orgânica do Município, que determina que até 30 (trinta) dias após o encerramento de cada trimestre, o Poder Executivo apresentará relatório detalhado contendo informações completas sobre receitas arrecadadas, transferências e recursos recebidos e destinados à educação nesse período, bem como a prestação de contas das verbas utilizadas discriminadas por programa). Data: 30/10/2024 Horário: 13h30 Local: Auditório Virtual e Sala Tiradentes - 8º andar - Câmara Municipal de São Paulo. Endereço: Viaduto Jacareí, 100 - Bela Vista Para assistir: Será permitido o acesso do público até o limite de capacidade do auditório. O evento será transmitido ao vivo pelo portal da Câmara Municipal de São Paulo, através dos Auditórios Online no seguinte endereço: www.saopaulo.sp.leg.br/transparencia/auditorios-online, e pelo canal da Câmara Municipal no Youtube www.youtube.com/camarasaopaulo e Facebook (www.facebook.com/camarasaopaulo). Para se manifestar: Inscreva-se para comentar ao vivo por videoconferência através do Portal da CMSP na internet, em www.saopaulo.sp.leg.br/audienciaspublicas/inscricoes ou encaminhe sua manifestação por escrito em www.saopaulo.sp.leg.br/audienciaspublicas. Também serão permitidas inscrições para discurso do público presente no auditório. Para maiores informações: educ@saopaulo.sp.leg.br COMISSÃO DE EDUCAÇÃO, CULTURA E ESPORTES AVISO DE ABERTURA DE LICITAÇÃO Encontra-se aberto na Penitenciária Feminina “Sandra Aparecida Lario Vianna” de Pirajuí, Pregão Eletrônico n.º 90012/2024-PFP, Processo SEI nº 006.00379166/2024-72 (20241065351), destinado à aquisição de Gêneros Alimentícios Perecíveis, com entrega parcelada, para o período de novembro a dezembro de 2024, do tipo menor preço. A realização da sessão será no dia 11/11/2024, às 09h00, no endereço eletrônico www.comprasnet.gov.br. O Edital estará disponível em sua integra para leitura e impressão no correio eletrônico: www.gov.br/ pncp, seção CONTRATAÇÕES > EDITAIS E AVISOS DE CONTRATAÇÕES, podendo ainda ser consultado junto a Penitenciária Feminina “Sandra Aparecida Lário Vianna” de Pirajuí, através do telefone: (14) 3584-8200: ramal 1 ou email: financaspfpirajui@gmail.com AVISO DE LICITAÇÃO Encontra-se aberto nesta Penitenciaria de Registro. O PREGÃO ELETRÔNICO nº. 90015/2024, processo único 20240874313, referente à aquisição de Bens Permanentes do tipo “Equipamentos para Cozinha Industrial”. A sessão será realizada no dia 08/11/2024 as 09h00m, na sala da diretoria do Centro Administrativo desta unidade prisional, sito a Rodovia Régis Bittencourt, Km 453 + 75m - Bairro Capinzal, Registro/SP. Período de Recebimento de Proposta de 29/10/2024 a 08/11/2024 as 08:59:59. O Edital estará à disposição no site, www. pncp.gov.br. ATOS SOCIETÁRIOS, FATOSRELEVANTES E NOTÍCIAS QUE ENVOLVEM AS PRINCIPAIS EMPRESAS DO PAÍS SAIBAMAIS EM: ESTADAORI.ESTADAO.COM.BR INFORMAÇÕES EM TEMPO REAL BUSCADOR INTELIGENTE PUBLICIDADE E CONTEÚDO INTEGRADOS CONTEÚDOS DE E&N RELACIONADOS AMBIENTE SEGURO PARA COMUNICAÇÃO DASMARCAS PORTAL Amelhor multiplataforma de Relações com Investidores Publique seus atos societários no jornal impresso! PREFEITURA MUNICIPAL DE COSMÓPOLIS A Prefeitura Municipal de Cosmópolis comunica a abertura do Processo Administrati- vo nº 001/2.024, objetivando a aplicação de penalidades e a rescisão unilateral do Ter- mo de Contrato LT nº 023/2024, fi rmado entre a empresa Mega Empresas LTDA e o Município de Cosmópolis, em regular processo licitatório – Concorrência Pública nº 011/2023 para execução dos serviços de reforma da Rodoviária e revitalização da Praça das Paineiras, Praça Ulysses Guimarães e Praça Edmee Aparecida Garcia, com fornecimento de materiais, mão de obra e equipamentos, em conformidade com os anexos contratuais, com infração ao artigo 78, inciso II, III, IV, V e VII, todos da Lei nº 8.666/93 – Lei de Licitações e Contratos Administra- tivos, fi cando assegurado a contratada o direito ao contraditório e ampla defesa, na forma da lei, estando a disposição dos interessados. Cosmópolis, 25 de outubro de 2024. Antonio Claudio Felisbino Júnior - Prefeito Municipal. l Apitos e tambores No mês passado, antes da pri- meira rodada de negociações salariais com os líderes da em- presa, milhares de trabalhado- res da Volkswagen sopraram apitos e tocaram tambores, prometendo defender os 120 mil empregos em seis fábricas na Alemanha e exigindo um aumento salarial de 7% l Números A mídia alemã informou que até 30 mil empregos pode- riam ser perdidos – número que a empresa até agora se recusou a confirmar. Essa me- dida não seria sem preceden- tes. A empresa demitiu mais de 37 mil trabalhadores entre 1971 e 1975, medida que ela credita à recuperação da lucra- tividade na época l Contração No início do mês, o governo alemão disse que a economia teria uma contração de 0,2% em 2024, abaixo da projeção anterior de crescimento de 0,3%. O setor industrial, que não conseguiu se recuperar dos choques da pandemia de covid-19 e da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, está puxando a produção para baixo. A economia do país é dependente da indústria auto- mobilística, e a Volkswagen é mais importante do setor na Alemanha l Maior do mundo A Volkswagen foi a maior montadora do mundo em ven- das entre 2016 e 2019, apesar de um escândalo de fraude em testes de emissões na Eu- ropa e nos EUA, que custou à empresa mais de ¤ 31 bilhões, ou R$ 191 bilhões, na cotação atual Volkswagen planeja fechar 3 fábricas na Alemanha para reduzir custos Segundo representante dos funcionários, empresa também pretende realizar outros cortes; montadora tem 10 fábricas no país Automóveis Momento ruim ESTE CONTEÚDO FOI TRADUZIDO COM O AUXÍLIO DE FERRAMENTAS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E REVISADO POR NOSSA EQUIPE EDITORIAL. !O peso da VW B10 ECONOMIA&NEGÓCIOS TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 AVISO DE ABERTURA DE LICITAÇÕES A SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE torna público as licitações abaixo. Os pregões serão realizados pela plataforma COMPRAS.GOV. Os editais poderão ser consultados e/ou obtidos pelo WWW.COMPRAS.GOV.BR ou pelo Painel de Negócios da PMSP, endereço https://diariooficial.prefeitura.sp.gov.br/. PROCESSO: 6018.2024/0108999-5 - PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90871/2024-SMS.G Tipo menor preço - Objeto: registro de preços para o fornecimento de cimento de fosfato de zinco, pó e líquido, cone de guta percha conicidade.06 calibre 35 - 28 mm e instrumentos rotatórios em níquel titânio p/desobstrução de canais radiculares - 16 a 25 mm. A abertura/realização da sessão pública do pregão ocorrerá a partir das 9h, do dia 08 de novembro de 2024, a cargo da 8ª CPL/SMS. PROCESSO: 6018.2024/0055508-9 - PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90873/2024-SMS.G Tipo menor preço - Objeto: registro de preços para o fornecimento de filtro para incubadora 60 cm e filtro para incubadora 27 cm. A abertura/realização da sessão pública do pregão ocorrerá a partir das 9h, do dia 08 de novembro de 2024, a cargo da 4ª CPL/SMS. PROCESSO: 6018.2024/0109801-3 - PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90876/2024-SMS.G Tipo menor preço - Objeto: registro de preços para o fornecimento de medicamentos ação judicial - alogliptina 25 mg, metformina, cloridrato, 500 mg e pioglitazona cloridrato 15 e 30 mg. A abertura/realização da sessão pública do pregão ocorrerá a partir das 09h00, do dia 11 de novembro de 2024, a cargo da 1ª CPL/SMS. SAÚDE EDITAL DE CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIAS GERAIS ORDINÁRIA E EXTRAORDINÁRIA A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA CLASSE HPE25 (a “ABCHPE”) convoca os Srs. Associados a se reunirem em Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária, a ser realizada por meio exclusivamente eletrônico, no dia 19 de novembro de 2024, às 19 horas em primeira convocação ou às 19 horas e 30 minutos em segunda convocação, por meio do aplicativo Microsoft Teams, conforme o seguinte link de acesso meet.google.com/qjg-qzru-fza, a fim de deliberarem sobre a seguinte Ordem do Dia: Matérias de AGO: 1) Verificação e Deliberação sobre as contas da administração relativas ao exercício de 2023 e relativas ao exercício de 2024, até 30 de setembro; 2) Eleição dos Membros do Conselho Fiscal e respectivos suplentes para 2025, com mandado de 3 (três) anos, até a Assembleia Geral que vier a eleger os novos membros no final do exercício de 2027; Matérias de AGE: 1) Valor da anuidade para 2025; 2) Pauta do Comitê Técnico; 3) Definição dos locais e datas dos Campeonatos Brasileiros da Classe HPE de 2025 e 2026; 4) Proposta Reforma Estatuto, conforme minuta enviada com esta convocação, com as seguintes finalidades: inclusão dos conceitos de Fairplay e equidade como valores essenciais da Associação, criação do conselho consultivo (órgão de aconselhamento da Diretoria), detalhamento da natureza do comitê técnico, detalhamento das regras de representação nas Assembleias Gerais, previsão expressa do impedimento de voto em conflito de interesses; 5) Outros assuntos de interesse da ABCHPE. Poderão votar na Assembleia apenas os Associados que estiverem adimplentes com suas obrigações perante a ABCHPE. As votações serão por barco, ou seja, para os barcos com mais de um proprietário, apenas um voto será computado. ANEXO 1 – DRE 2023. ANEXO 2 – DRE 2024. ANEXO 3 – RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO. ANEXO 4 – PARECER DO CONSELHO FISCAL. ANEXO 5 – MINUTA DO ESTATUTO SOCIAL COM AS PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO. São Paulo, 28 de outubro de 2024. A DIRETORIA DA ABCHPE UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA USP CNPJ Nº 63.025.530/0085-12 AVISO DE LICITAÇÃO PREGÃO ELETRÔNICO N°: 90209/2024 - HU PROCESSO SEI Nº 154.00005481/2024-90 Torna publico o PREGÃO ELETRÔNICO nº 90209/2024 – HU, menor preço, cujo objeto é REAGENTE ADENOSINA ADA conforme Edital e seus Anexos disponíveis a partir do dia 29/10/2024, nos endereços: www.gov.br/compras, www.usp.br/licitacoes e www.doe.sp.gov.br. O inicio do Recebimento das Propostas Eletrônicas ocorrerá dia 29/10/2024 a partir das 08h00, estando à sessão de disputa agendada para o dia 12/11/2024 às 09h00, no “Portal de Compras do Governo Federal” - www.gov.br/compras. Há 149 anos o Estadão leva informação editorial com transparência e credibilidade, admirado por leitores qualificados e reconhecido pelomercado publicitário em todo o Brasil. CONTEÚDO RELEVANTE DE SEGUNDAA SEGUNDA QUER RESULTADOS? PUBLIQUE SEUSATOS SOCIETÁRIOS NOESTADÃO ACESSE E CONHEÇA DIVULGAÇÃO MULTIPLATAFORMA DE RESULTADOS FINANCEIROS ENOTÍCIASDE EMPRESAS CONSULTENOSSA EQUIPE COMERCIAL (11) 3856-2442 LÍDER EM CONTEÚDO DE ECONOMIA &NEGÓCIOS CIRCULAÇÃO NACIONAL 209.132 EXEMPLARES (IMPRESSO+DIGITAL) A FORÇA DO IMPRESSO +2,2MDE LEITORES FONTES: IVC | PORTALGOOGLEANALYTICSNOV/22 CETESB COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO CNPJ43.776.491/0001-70 PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90053/2024 - UASG 263101 PROCESSO CETESB Nº 50/2024/308 A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF nº 14.133/21, visando fornecimento de refrigerador com freezer para laboratório, com compartimentos independentes com capacidade mínima de 120 litros, conforme especificação técnica e demais condições constantes deste Edital e seus anexos. Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”. Início da abertura da sessão pública: 22/11/2024 às 09:00h. A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br. Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br. CETESB COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO CNPJ 43.776.491/0001-70 PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90051/2024 - UASG 263101 PROCESSO CETESB Nº 51/2024/308 A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF nº 14.133/21, visando fornecimento de microscópio ótico trinocular, conforme especificação técnica e demais condições constantes deste Edital e seus anexos. Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”. Início da abertura da sessão pública: 13/11/2024 às 09:00h. A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br. Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br. CETESB COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO CNPJ 43.776.491/0001-70 PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90036/2024 - UASG 263101 PROCESSO CETESB Nº 30/2024/308 A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF nº 14.133/21, visando fornecimento de medidor multiparâmetro portátil de pequeno porte, conforme especificação técnica e demais condições constantes deste Edital e seus anexos. Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”. Início da abertura da sessão pública: 18/11/2024 às 09:00h. A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br. Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br. CETESB COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO CNPJ 43.776.491/0001-70 PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90049/2024 - UASG 263101 PROCESSO CETESB Nº 42/2024/308 A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF nº 14.133/21, visando fornecimento de motor diesel para ônibus urbano, conforme especificação técnica e demais condições constantes deste Edital e seus anexos. Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”. Início da abertura da sessão pública: 13/11/2024 às 09:00h. A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br. Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br. CETESB COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO CNPJ 43.776.491/0001-70 PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90044/2024 - UASG 263101 PROCESSO CETESB Nº 47/2024/308 A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF nº 14.133/21, visando fornecimento de analisador extrativo de amônia (NH3) pelo método TDLS e sistema de automação da amostragem, conforme especificação técnica e demais condições constantes deste Edital e seus anexos. Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”. Início da abertura da sessão pública: 18/11/2024 às 09:00h. A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br. Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br. CETESB COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO CNPJ 43.776.491/0001-70 PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90054/2024 - UASG 263101 PROCESSO CETESB Nº 49/2024/308 A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF nº 14.133/21, visando fornecimento de drones, conforme especificação técnica e demais condições constantes deste Edital e seus anexos. Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”. Início da abertura da sessão pública: 19/11/2024 às 09:00h. A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br. Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br. AVISO DE ABERTURA DE LICITAÇÃO Concorrência Eletrônica nº 90011/SUB-IP/2024 - Processo Eletrônico nº 6039.2024/0004945-5 - Critério de julgamento: MENOR PREÇO - OBJETO: contratação de empresa de engenharia e arquitetura especializada em reforma de passeio e escada, de área pública - Av. Miguel Estéfano, 1584 - Vila da Saúde, São Paulo, área sob a jurisdição da Subprefeitura Ipiranga. LOCAL: https://www.gov.br/compras/pt-br/ - UASG nº 925075 - DATA E HORA DE ABERTURA: 14/11/2024 às 10:00h - Documentação/Download do edital: https://diariooficial.prefeitura.sp.gov.br/ , https://www.gov.br/compras/pt-br/ e https://www.gov.br/pncp/pt-br. SUBPREFEITURA IPIRANGA COOPERATIVA HABITACIONAL CHAPADÃO CNPJ: 67.592.238/0001-24 JUCESP: 354.000.509-34 EDITAL DE CONVOCAÇÃO De acordo com que prescreve o Estatuto Social no seu capítulo V, Artigos 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28 - V, seus incisos e parágrafos, ficam convocados os Srs. e Sras. Cooperados(as) para deliberarem sobre os assuntos constantes da Ordem do Dia da AGE de 10 de novembro 2024 abaixo descrita: Ordem do Dia: (Lei nº 5764/71 – Capítulo IX – Seção III – Artigos 45 e 46 – Itens I, II, III, IV, V) a) Apresentação da situação do: 1 - IPTU Atual, 2- IPTU ano 2016 Retroativo e Complementar, 3- IPTU ano 2017. Ciência e conduta. b) Referendo AGE janeiro 2024- Ratificação ou Invalidação da Deliberação sobre a Rescisão do Contrato com a Digiproj na AGE de Janeiro de 2024. Conforme esclarecimentos à luz dos fatos. c) Deliberação do pedido de Instauração do Processo de: Regularização Fundiária Urbana de Interesse Específico – REURB-E. d) Destinação e sua forma das cotas referentes às unidades reintegradas à Cooperativa, nos termos do Estatuto Social Artigo 28º, V § 1º - Alienação dos bens imóveis da Cooperativa Habitacional Chapadão com quórum de instalação em 3ª convocação com 1/5 das cotas e seu quórum de aprovação de ¾ dos presentes. IBS: IB-136; IB-469; IB - 626; IB-120; IB-517; IB-619; IB-529; IB-636. - Data: 10 de novembro de 2024 (Domingo)- Horário: 08h em primeira (1ª) Convocação Local: Sede da Cooperativa – Residencial Ibirapuera – Rua do Sol, 148 - Barão Geraldo– Campinas, SP. Cep 13148 260 Campinas, 21 de outubro de 2024. MARCIO APARECIDO FERREIRA - Diretor Presidente COOPERATIVA HABITACIONAL CHAPADÃO O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS B11 INÊS 249 Com equipe falsa, portal promete retorno de 1.000% ao ano AVALIAÇÃO DE MERCADO www.embraesp.com.br (11) 3665-1590 JENNE ANDRADE E-INVESTIDOR Jan Brzezek é o fundador e ex- CEO da Crypto Finance Group, uma gestora suíça de investi- mento em criptoativos. Antes de criar a holding, trabalhou oi- to anos no banco UBS, onde foi trader. O seu perfil, porém, tem sido usado como um fator de credibilidade na BeeFund, uma plataforma que promete rendi- mento superior a 1.000% ao ano com investimentos em crip- tomoedas – algo irreal, até mes- mo pelos negociadores mais ex- perientes do mercado. No site da BeeFund, Brzezek é apresentado como “líder do fun- do de criptomoedas” ao lado de uma equipe com outros grandes nomes do mercado suíço, como os investidores Tobias Reichmu- th, fundador da gestora de fun- dos de infraestrutura SUSI Part- ners, com 2 bilhões de euros sob gestão, e Marc P. Bernegger, em- preendedor do setor de tecnolo- gia que já foi membro do conse- lho da Crypto Finance Group. Contudo, Brzezek já confir- mou em seu perfil oficial no LinkedIn, em mais de uma oca- sião, que não tem qualquer liga- ção com a BeeFund. “Isso é fal- so, não estou envolvido”, disse ele, ao ser questionado na rede social por um usuário. Brzezek não retornou ao contato da re- portagem. Já Bernegger disse ao E-Investidor de forma categóri- ca: “Eu não estou envolvido com esse fundo e tudo isso é falso. Por favor, informe seus leitores sobre esse golpe”. Sobre a plata- forma, foi enfático: “Muito pro- vavelmente, é uma farsa”. Apesar disso, no Telegram o número de usuários e interessa- dos na BeeFund chega a 177,7 mil membros no grupo princi- pal. Por outro lado, até a última sexta-feira a plataforma tinha 1.091 queixas registradas no Re- clame Aqui, principalmente re- lacionadas a problemas com sa- ques e depósitos. O E-Investidor também não encontrou porta-vozes da Bee- Fund. A companhia não divulga dados institucionais oficiais, nem e-mail e telefone, nem qual- quer indicação dos sócios que estão por trás do negócio. Den- tro do aplicativo, há apenas um link que direciona para o What- sApp e o Telegram de “gerentes de investimento” da BeeFund, mas com ocultação dos núme- ros associados às contas e de fo- tos do perfil. A reportagem ten- tou comunicação com esses “ge- rentes”, sem sucesso. ‘GANHOS SURREAIS’. O E-Investi- dor encontrou, porém, dois sites supostamente vinculados à Bee- Fund, ambos muito parecidos. O primeiro, que tem mais de um ano de registro, oferece três pla- nos de investimento. Todos com rendimentos altíssimos, mas com informações ambíguas – produtos “para novatos”, “hot” e “alta qualidade” com rentabilida- des de 4,22%o, 8,55%o e 12,75%o ao dia, respectivamente. O “o” ao lado do símbolo da porcentagem não vem de um er- ro de digitação. Significa permi- lagem, ou seja, os rendimentos diários seriam na verdade de 0,422%, 0,855% e 1,275% ao dia. Isso quer dizer 13,4%, 30% e 46% ao mês ou 352%, 2.229% e 9.280% ao ano. “Mesmo no Bra- sil, que tem uma taxa de juros altíssima, esses rendimentos continuam surrealistas”, diz Ma- rio Goulart, analista CNPI-P. Para comparação, o Tesouro Selic, ativo considerado um dos mais seguros do mercado, rende 10,75% ao ano. Já o bitcoin (BTC), voltado para um público com perfil mais agressivo, rendeu 171% em 1 ano (8,66% ao mês). O segundo site, registrado há apenas duas semanas, apresen- ta as rentabilidades de 4,2%, 8,55% e 12,75% ao dia. Ali, há a clara intenção de direcionar a pessoa para grupos no Tele- gram para mostrar novidades da plataforma. SEM REGISTRO. Chama a atenção também o fato de a BeeFund não estar entre as instituições autori- zadas, reguladas ou supervisio- nadas pelo Banco Central, o que significa que a plataforma não tem registro institucional no ór- gão regulador brasileiro. Cristi- na Helena de Mello, professora de Economia da Pontifícia Uni- versidade Católica de São Paulo (PUC-SP), observa que, mais do que os retornos extravagantes, a falta de chancela do BC é uma “bandeira vermelha” para qual- quer investidor. “Todo serviço fi- nanceiro que não esteja sob a re- gulamentação do BC é um inves- timento de risco, porque não há a segurança de uma supervisão e não está sob regulamentação”, diz. “O segundo indicador é a promessa de ganhos excessivos. Não existe dinheiro fácil.” A BeeFund também não tem registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “É muito importante confirmar essa infor- mação consultando o registro da instituição no site da CVM”, ressalta Rodrigo Azevedo, eco- nomista, planejador financeiro e sócio-fundador da GT Capital. “Não havendo essa informação lá, já é um grande sinal de que a empresa não é segura.” A BeeFund tem ainda um apli- cativo em que, supostamente, é possível selecionar um opera- dor profissional para aplicar o ca- pital dos interessados. Esses tra- ders têm nomes inspirados em profissionais do mercado, como “Anne Richards”, vice-presiden- te da gestora Fidelity Internatio- nal. Procurada, a Fidelity diz que a executiva não tem qualquer li- gação com a BeeFund. “Esta- mos tomando medidas para re- mover qualquer referência a An- ne ou à Fidelity International. Aconselhamos os investidores a ter extrema cautela para evitar serem vítimas de um golpe”, dis- se a gestora à reportagem. PROBLEMAS DE LIQUIDEZ. Um promotor de vendas que não quis se identificar contou ao E- Investidor que conheceu a plata- forma há cerca de dois meses e aplicou R$ 10 mil. Em 30 dias, o valor dobrou e ele continuou contabilizando lucros e aportan- do mais. No entanto, em 9 de outubro começaram os proble- mas, e os usuários não consegui- ram mais resgatar valores do aplicativo. “Eles colocaram a cul- pa no governo e mudanças no Pix. Agora, o dinheiro voltou pa- ra o aplicativo, mas continua pre- so e sem poder sacar”, relatou. Em um anúncio publicado dentro do aplicativo da Bee- Fund, a plataforma afirma que o governo e os bancos estão in- tensificando a “verificação e conformidade” de todas as em- presas, e que também precisa cooperar. “Por isso, cada reti- rada precisa ser aprovada indi- vidualmente pelos bancos, o que pode resultar em um tem- po de processamento mais len- to. Assim que o período de adaptação passar, tudo voltará ao normal. Não se preocu- pem”, diz a plataforma. No dia 18, um novo anúncio feito pela BeeFund surpreen- deu os usuários. Avisava que, devido a problemas no “pro- cessamento do sistema bancá- rio”, valores alocados pelos in- vestidores seriam convertidos em criptomoeda, a “BEEB 2.0”, na proporção de 1 para 1. E que esses ativos serão lista- dos em uma “Bolsa de renome internacional”. E que os sa- ques serão liberados a partir de 1.º de novembro.l COLABOROU JANIZE COLAÇO/E-INVESTIDOR Especialistas veem indícios de ‘esquema fraudulento’ Tela da BeeFund com as modalidades e rendimentos das aplicações Há vários sinais na conduta da BeeFund que indicam pro- blemas, na avaliação de espe- cialistas. A começar pela pro- messa de rendimentos altos, rápidos e fáceis. Depois, vêm a falta de regulação pelo Ban- co Central e a dificuldade de en- contrar representantes oficiais no Brasil. “Empresas confiáveis seguem legislações e regras do mercado financeiro, se enqua- drando nas normas do Sistema Financeiro Nacional e oferecen- do produtos registrados e com retornos condizentes com o mercado financeiro tradicional. Sem prometer ganhoscandidato que os criminosos orientavam a votar, Tarcísio disse: “Boulos”. Ao fazê-lo, imiscuiu-se de vez no processo eleitoral e abusou de sua prerrogativas de governador, que, ao contrário de Boulos e dos demais cidadãos, tem acesso às mencionadas informações de inteligência e tem holo- fotes garantidos em razão do cargo que ocupa. E não havia necessidade nenhuma disso. Àquela altura, os danos eleito- rais ao candidato do PSOL seriam nu- los, posto que a derrota parecia certa. A campanha de Boulos, claro, se apres- sou a comparar a declaração do gover- nador ao laudo fraudulento divulgado pelo extremista Pablo Marçal ao fim do primeiro turno, para retratá-lo como um drogado, e fez o óbvio: recorreu à Justiça. Há quem peça até a inelegibili- dade do governador ou tente creditar à insinuação de Tarcísio a derrota frago- rosa imposta a Boulos. É imprescindível agora que o gover- nador explique o que, afinal, preten- deu com a declaração, sob pena de ma- cular seu próprio triunfo político. Afi- nal, ele foi determinante para a reelei- ção de Nunes, sem precisar de artifí- cios que, na prática, desrespeitam o eleitor e a democracia. Ao contrário da toxicidade de Jair Bolsonaro, o apoio de Tarcísio mostrou o quanto a direita não depende mais da associação ex- plícita à figura do ex-presidente. E des- sa independência emerge a vitalidade de uma desejável direita democrática, liberal e republicana. Atributos que, ora vejam, são o avesso da gravíssima derrapada do governador. l Isso não se faz, governador Ao ligar Boulos ao PCC no dia da eleição, Tarcisio seguiu a cartilha da desfaçatez bolsonarista. Numa democracia, é preciso respeitar a liturgia do cargo, o processo eleitoral e os adversários TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 A3 INÊS 249 Oportunidades para a indústria brasileira ESPAÇO ABERTO A s recentes celebra- ções pelo aniversá- rio de 55 anos da Empresa Brasilei- ra de Aeronaves (Embraer) contribuíram para reflexões sobre a importância da visão de longo prazo do Es- tado brasileiro para o desen- volvimento de uma indústria aeroespacial e de defesa estra- tégica, sobretudo para a sobe- rania nacional. As bases sólidas de ensino e pesquisa construídas ainda nos anos de 1940 foram essen- ciais para a estruturação e de- senvolvimento do setor. Com a privatização da Embraer, em 1994, a cultura da excelên- cia técnica ganhou a agilidade e flexibilidade necessárias pa- ra a empresa atuar em um mer- cado global cada vez mais competitivo. Assim, a excelência do País nessa área é reflexo dos esfor- ços conjuntos do poder públi- co e da iniciativa privada, que realizaram uma colaboração de alto valor para a sociedade ao fortalecer a vocação do Bra- sil de ser um dos maiores cen- tros globais de produção de conhecimento aeronáutico, dando continuidade ao lega- do de personalidades notá- veis como Alberto Santos-Du- mont, Casimiro Montenegro Filho e Ozires Silva. Por meio de uma política pública bem-sucedida, a in- dústria aeronáutica brasileira garante, por exemplo, igualda- de de condições de financia- mento na exportação, e o País assegura uma balança comer- cial mais equilibrada, ao mes- mo tempo em que incentiva projetos de inovação e gera- ção de alta tecnologia. Mas o caso da Embraer não é isolado. Outros setores es- tratégicos, como agronegó- cio, comunicação, siderurgia, mineração, energia e petró- leo, nas suas mais diversas for- mas e proporções, igualmen- te cresceram apoiados por po- líticas públicas que incentiva- ram investimentos estatal e privado, comprovando a capa- cidade desse método de multi- plicar riquezas. Em comum, está o passado como referência para os proje- tos do futuro. A criatividade e o empreendedorismo dos bra- sileiros somados a uma políti- ca pública de neoindustriali- zação têm alto potencial de re- verter o quadro de redução da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) do País. O fomento à produti- vidade é fundamental para mudar essa situação e elevar o patamar de competitividade do Brasil. Além da reforma tributária, a qual apoiamos e acreditamos que tem o potencial para mu- dar o complexo sistema tribu- tário brasileiro para menor bu- rocracia e em linha com os pa- drões internacionais, o Brasil avança em políticas públicas para promoção da neoindus- trialização e da agenda verde. No setor aeronáutico, foi lançada no início deste ano, no âmbito do Programa Mais Inovação Brasil, a chamada pública para a aviação susten- tável, com objetivo de desen- volver tecnologias para a des- carbonização do transporte aéreo. E, mais recentemente, foi anunciada a abertura de chamada pública destinada à seleção de planos de negócios para o desenvolvimento e im- plantação de biorrefinarias pa- ra produção de combustíveis sustentáveis, incluindo o com- bustível sustentável de avia- ção (SAF) e combustíveis pa- ra navegação. E quais serão os próximos passos? O Brasil tem recursos ne- cessários para iniciar um no- vo ciclo de desenvolvimento econômico e social, seja na produção de biocombustí- veis, seja na mobilidade aérea. E a união desses dois setores tem alto potencial de sucesso em uma atuação conjunta. Da mesma maneira que bra- sileiros visionários imagina- vam que era possível o País construir seus próprios aviões, também é possível li- derar a corrida global da tran- sição energética e da econo- mia verde, que potencializa a retomada de investimentos em centros de pesquisa, com- plexos industriais e produtos que atendam a esse objetivo. O protagonismo brasileiro se apoia na necessidade de uma ampla articulação de to- dos os setores da economia, governos e entidades, em uma discussão multissetorial, que engaja os diversos atores da cadeia a desenvolver um plano integrado que tange o fomento à produtividade, pes- quisa, desenvolvimento, fi- nanciamento, novas regula- mentações, entre outros. Mas sabemos dos riscos e ameaças vigentes que nos le- vam a ampliar o debate para além das nossas fronteiras. A liderança do Brasil na cúpula do G-20 neste ano precisa tra- zer ações efetivas para promo- ver o comércio e os investi- mentos internacionais, te- mas que desempenham pa- péis cruciais no impulsiona- mento do desenvolvimento econômico e na concretiza- ção dos Objetivos de Desen- volvimento Sustentável, que impactam na geração de opor- tunidades para a indústria brasileira. Recomendações e ações de políticas públicas para contribuir com as negocia- ções dos líderes mundiais já foram entregues, e vamos continuar trabalhando forte- mente para que o Brasil se mantenha como um ator glo- bal no comércio exterior e que ocupa a linha de frente das discussões com interes- se no fortalecimento da go- vernança global do comércio e dos investimentos. O Brasil deve aproveitar oportunidades como o G-20 em 2024 e o Brics e a COP-30 em 2025 para reforçar sua lide- rança em agendas internacio- nais e mostrar toda a competi- tividade e casos de sucesso da nossa indústria. l Eleições 2024 Abstenções No 2.º turno da eleição para pre- feito em São Paulo viu-se um au- mento considerável do número de votos nulos/brancos e absten- ções. No 1.º turno as abstenções foram de 27,3%, um número grande de eleitores que conside- raram que os candidatos não os representavam. No domingo passado, a abstenção aumentou e ficou em 31,54%. Acho que deve- mos pensar muito a respeito. Se- rá que nossos interesses de segu- rança, educação e saúde estão sendo atingidos ou apenas ma- quiados para nos enganar e nos fazer pensar que tudo vai melho- rar? Que partido de fato nos re- presenta hoje? Registrados no Tribunal Superior Eleitoral (T- SE) são ao todo 29. Seráfixos aci- ma do praticado pelo mercado e sempre apresentando os riscos de cada aplicação”, diz Eric Zap- paroli, educador financeiro e es- pecialista em investimentos. “São grandes indicativos de que pode se tratar de esquema fraudulento”, diz Marlon Gla- ciano, especialista em finan- ças. O E-Investidor não encon- trou porta-vozes da BeeFund nem conseguiu falar com seus “gerentes de investimento”. l ESTADÃO Plataforma BeeFund não tem autorização do Banco Central nem registro na CVM; dinheiro dos clientes foi todo convertido em criptomoeda Investimentos Ganhos surreais “Eu não estou envolvido com esse fundo (BeeFund) e tudo isso é falso” Jan Brzezek Fundador e ex-CEO da Crypto Finance Group “Mesmo no Brasil, que tem juros altíssimos, esses rendimentos (da BeeFund) são surrealistas” Mario Goulart Analista CNPI-P B12 NEGÓCIOS TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA USP CNPJ Nº 63.025.530/0085-12 AVISO DE LICITAÇÃO PREGÃO ELETRÔNICO N°: 90204/2024 - HU PROCESSO SEI Nº 154.00005363/2024-81 Torna publico o PREGÃO ELETRÔNICO nº 90204/2024 – HU, menor preço, cujo objeto é CAMISETA BRANCA, CAMISOLA E AVENTAL conforme Edital e seus Anexos disponíveis a partir do dia 29/10/2024, nos endereços: www.gov.br/compras, www.usp.br/licitacoes e www.doe.sp.gov.br. O inicio do Recebimento das Propostas Eletrônicas ocorrerá dia 29/10/2024 a partir das 08h00, estando à sessão de disputa agendada para o dia 12/11/2024 às 09h00, no “Portal de Compras do Governo Federal” - www.gov.br/compras. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA USP CNPJ Nº 63.025.530/0085-12 AVISO DE LICITAÇÃO PREGÃO ELETRÔNICO N°: 90206/2024 - HU PROCESSO SEI Nº 154.00004683/2024-14 Torna publico o PREGÃO ELETRÔNICO nº 90206/2024 – HU, menor preço, cujo objeto é TREPONEMA PALLIDUM E SANGUE OCULTO conforme Edital e seus Anexos disponíveis a partir do dia 29/10/2024, nos endereços: www.gov.br/compras, www.usp.br/licitacoes e www.doe.sp.gov.br. O inicio do Recebimento das Propostas Eletrônicas ocorrerá dia 29/10/2024 a partir das 08h00, estando à sessão de disputa agendada para o dia 12/11/2024 às 09h00, no “Portal de Compras do Governo Federal” - www.gov.br/compras. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA USP CNPJ Nº 63.025.530/0085-12 AVISO DE LICITAÇÃO PREGÃO ELETRÔNICO N°: 90199/2024 - HU PROCESSO SEI Nº 154.00004920/2024-47 Torna publico o PREGÃO ELETRÔNICO nº 90199/2024 – HU, menor preço, cujo objeto é KIT PARA GASTROSTOMIA COM SONDA TIPO BOTTON conforme Edital e seus Anexos disponíveis a partir do dia 29/10/2024, nos endereços: www.gov.br/compras, www.usp.br/ licitacoes e www.doe.sp.gov.br. O inicio do Recebimento das Propostas Eletrônicas ocorrerá dia 29/10/2024 a partir das 08h00, estando à sessão de disputa agendada para o dia 12/11/2024 às 09h00, no “Portal de Compras do Governo Federal” - www.gov.br/compras. A Comissão de Finanças e Orçamento convida o público interessado para participar das Audiências Públicas Semipresenciais com o objetivo de debater os seguintes temas: PL 729/2024 - Executivo - Ricardo Nunes - que “Estima a receita e fixa a despesa do Município de São Paulo para o exercício de 2025” - Orçamento 2025. Para assistir: Será permitido o acesso do público até o limite de capacidade do auditório. O evento será transmitido ao vivo pelo portal da Câmara Municipal de São Paulo, através dos Auditórios Online (www.saopaulo.sp.leg.br/transparencia/auditorios-online), e pelos endereços da Câmara Municipal no YouTube (www.youtube.com/camarasaopaulo) e Facebook (www.facebook.com/camarasaopaulo). Para participar: Inscreva-se para participar ao vivo por videoconferência através do Portal da CMSP na internet, em www.saopaulo.sp.leg.br/audienciaspublicas/inscricoes ou encaminhe sua manifestação por escrito em www.saopaulo.sp.leg.br/audienciaspublicas. Também serão permitidas inscrições para participação do público presente no auditório. Para maiores informações: financas@saopaulo.sp.leg.br COMISSÃO DE FINANÇAS E ORÇAMENTO Data Local Tema Secretarias/Subprefeituras/ Órgãos convidados Tipo 05/11/2024 (Terça-feira) 10h às 16h Salão Nobre 8º andar do Viaduto Jacareí, 100 Habitação - Secretaria Municipal de Habitação - COHAB - Fundo Municipal de Habitação 1ª Temática 06/11/2024 (Quarta-feira) 10h às 11h30 Auditório Prestes Maia 1º andar do Viaduto Jacareí, 100 Mobilidade e Transportes e Segurança Urbana - Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito - Secretaria Municipal de Segurança Urbana - SPTRANS - CET 2ª Temática 11/11/2024 (Segunda- feira) 10h às 14h Salão Nobre 8º andar do Viaduto Jacareí, 100 Cultura - Secretaria Municipal de Cultura - SPCine - Fundação Theatro Municipal de São Paulo 3ª Temática 12/11/24 (Terça-feira) 10h às 14h Salão Nobre 8º andar do Viaduto Jacareí, 100 Subprefeituras, Infraestrutura e Obras, Concessões e Parcerias - Secretaria Municipal das Subprefeituras - Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento - SP Obras - Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras - SP Regula - São Paulo Urbanismo 4ª Temática 13/11/2024 (Quarta-feira) 10h às 11h30 Auditório Prestes Maia 1º andar do Viaduto Jacareí, 100 Educação e Esportes - Secretaria Municipal de Educação - Secretaria Municipal de Esportes e Lazer - SP Parcerias 5ª Temática 25/11/2024 (Segunda- feira) 10h às 14h Auditório Prestes Maia 1º andar do Viaduto Jacareí, 100 Saúde, Turismo e Verde e Meio Ambiente - Secretaria Municipal de Turismo - São Paulo Turismo - Secretaria Municipal de Saúde - Hospital do Servidor Público Municipal - Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente - Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas 6ª Temática 26/11/2024 (Terça-feira) 10h às 14h Salão Nobre 8º andar do Viaduto Jacareí, 100 Assistência Social e Direitos Humanos - Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania - Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social - Secretaria Municipal da 7ª Temática 27/11/2024 (Quarta-feira) 10h às 11h30 Auditório Prestes Maia 1º andar do Viaduto Jacareí, 100 Trabalho, Desenvolvimento, Inovação - Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho - Fundação Paulistana de Educação Tecnológica e Cultura - SP Negócios - PRODAM - Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia 8ª Temática 27/11/2024 (Quarta-feira) 11h30 às 13h Auditório Prestes Maia 1º andar do Viaduto Jacareí, 100 Geral - Secretaria Municipal da Fazenda - Tribunal de Contas do Município de São Paulo 2ª Geral CONTRATAÇÃO A Associação Evangélica Beneficente Espírito Santense, CNPJ 28.127.926/0002-42, abre Termo de Referência para contratação de empresa especializada para realizar a modernização das Centrais de Água Gelada (CAG) do Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves. Email: compras.tr@hejsn.aebes.org.br Telefone: (27) 3016-4031 Data limite para recebimento das propostas: às 09:00h do dia 07/11/2024 Endereço eletrônico para envio das propostas: http://www.publinexo.com.br/privado Avibras Indústria Aeroespacial S.A. Em Recuperação Judicial CNPJ/MF nº 60.181.468/0001-51 - NIRE 35.300.102.738 Aviso aos Acionistas - Notificação Para fins dos artigos 8º, 10, §2º e 11 do estatuto social da Avibras Indústria Aeroespacial S.A. - Em Recuperação Judicial (“Companhia”), o Sr. João Brasil Carvalho Leite informa que as informações necessárias para o exercício dos direitos previstos em referidos artigos estão disponíveis, a partir da presente data, aos acionistas na sede da Companhia. Para ter acesso a referidas informações, em razão de seu caráter estritamente confidencial, os acionistas interessados deverão agendar um horário com a administração da Companhia, por meio do envio de um e-mail para: acionistas@avibras.com.br para poder acessá-las. São José dos Campos, 28 de outubro de 2024. Investimentos Bemge S.A.CNPJ 01.548.981/0001-79 Companhia Aberta NIRE 35300315472 ATA SUMÁRIA DA REUNIÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DE 09 DE SETEMBRO DE 2024 DATA E HORA: Em 09.09.2024, às 12h. PRESIDENTE: Pedro Paulo Giubbina Lorenzini. QUORUM: Totalidade dos membros eleitos, sendo que os membros participaram da reunião remotamente, conforme permitido pelo art. 7º, §5º do Estatuto Social. DELIBERAÇÕES TOMADAS POR UNANIMIDADE: Escolhido para a pre- sidência do Conselho de Administração GABRIEL AMADO DE MOURA, brasileiro, casado, administrador de empresas, RG-SSP/SP 27.758.827-3, CPF 247.648.348-63, domiciliado em São Paulo (SP), na Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha, 100, Torre Olavo Setubal, Piso Itaú Unibanco, Parque Jabaquara, CEP 04344-902, nos termos do caput do artigo 7º do Estatuto Social da Companhia. ENCERRAMENTO: Encerrados os trabalhos, lavrou-se esta ata que, lida e aprovada por todos, foi assinada. São Paulo (SP), 09 de setembro de 2024. (aa) Pe- dro Paulo Giubbina Lorenzini - Presidente; Gabriel Amado de Moura e Tatiana Grecco - Conselheiros. Certifica- mos ser a presente cópia fiel da original lavrada em livro próprio. São Paulo (SP), 09 de setembro de 2024. (aa) Pedro Paulo Giubbina Lorenzini - Presidente; Gabriel Amado de Moura e Tatiana Grecco - Conselheiros. JU- CESP - Registro nº 384.841/24-7, em 17.10.2024. (a) Marina Centurion Dardani - Secretária Geral em Exercício. AVISO DE LICITAÇÃO O Serviço Social do Comércio – Administração Regional no Estado de São Paulo, nos termos da Resolução nº 1.593/2024, de 02 de maio de 2024, torna pública a abertura das seguintes licitações: MODALIDADE: Pregão Eletrônico Objetos: PE 2024012000458 – Fornecimento de veículos Sedan Flex/Híbrido, Sedan Flex e SUV Compacto Flex para a Administração Central. Abertura: 12/11/2024 às 10h30. PE 2024012000459 – Locação de estruturas para Diversas Unidades. Abertura: 05/11/2024 às 10h30. A consulta e aquisição dos editais estão disponíveis no endereço eletrônico portallc.sescsp.org.br mediante inscrição para obtenção de senha de acesso. AVISO DE LICITAÇÃO Instituto Butantan CNPJ: 61.821.344/0001-56 Encontra-se aberto no Instituto Butantan, o PREGÃO ELETRÔNICO n.º 90010/2024, Processo n° 024.00157279/2024-09, destinado a aquisição de adubo tipo ureia com entrega imediata, modo de disputa Aberto do tipo MENOR PREÇO. A sessão será realizada no dia 08/11/2024 às 09:30 hs, no endereço eletrônico www.compra.sp.gov.br O Edital estará disponível a partir de 29/10/2024 no endereço eletrônico: www.gov.br/pncp, seção CONTRATAÇÕES> EDITAIS E AVISOS DE CONTRATAÇÕES, podendo ainda ser consultado junto ao Núcleo de Compras do Instituto Butantan pelo e-mail: compras.ib@butantan.gov.br. Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários e em Empresas Operadoras de Veículos Leves sobre Trilhos do Estado de São Paulo EDITAL DE CONVOCAÇÃO - ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA No uso de suas atribuições a Presidenta do SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EMPRESAS DE TRANS- PORTES METROVIÁRIOS E EM EMPRESAS OPERADORAS DE VEÍCULOS LEVES SOBRE TRILHOS DO ESTA- DO DE SÃO PAULO, Senhora Camila Ribeiro Duarte Lisboa, faz saber que está adiada a Assembleia Geral Extraordinária de 28 de outubro de 2024 para 31 de outubro de 2024, tornando sem efeito o edital de convocação publicado em 26 de outubro de 2024. Assim sendo, serve-se do presente para convocar todos os membros da categoria pro�ssional para Assembleia Geral Extraordinária a realizar-se na Rua Serra do Japi, nº 16, Tatuapé, São Paulo/SP, no dia 31 de outubro de 2024, a partir das 18h30 em primeira convocação, e às 19h00 em segunda convocação, com transmissão em tempo real pelas plataformas digitais do sindicato, instaurando processo de votação on-line para deliberar sobre: 1) Luta contra a privatização; 2) PR 2024; 3) Convocação e organização do Plebiscito sobre o formato das assembleias; 4) Outros assuntos gerais. São Paulo, 28 de outubro de 2024. Camila Ribeiro Duarte Lisboa Presidenta FUNDAÇÃO FACULDADE DE MEDICINA - ICESP CNPJ 56.577.059/0006-06 COMPRA PRIVADA FFM/ICESP 2680/2024 CONCORRÊNCIA – PROCESSO DE COMPRA FFM RS Nº 2039/2024 – ADJUDICAÇÃO O Diretor Presidente da Fundação Faculdade de Medicina, ADJUDICA a empresa: FACILITA MÓVEL MENSAGENS MÓVEIS LTDA., a prestação de serviços de “ENVIO DE MENSAGENS SMS”, com base no Regulamento de Compras da FFM. COMPRA PRIVADA FFM/ICESP 2619/2024 CONCORRÊNCIA – PROCESSO DE COMPRA FFM RS Nº 2056/2024 – ADJUDICAÇÃO O Diretor Presidente da Fundação Faculdade de Medicina, ADJUDICA a empresa: ACS TECIDOS E CONFECÇÕES LTDA, a prestação de serviços de “CONFECÇÃO E FORNECIMENTO DE UNIFORMES”, com base no Regulamento de Compras da FFM. FUNDAÇÃO FACULDADE DE MEDICINA ADJUDICAÇÃO – COMPRAS REGULAMENTO FFM FFM 1362/2024-00 (RC 41.287) BIOMED EQUIPAMENTOS DE BIOMEDIDAS LTDA, 33.987.595/0001-70. FFM 1335/2024-00 (RC 41.253) ITEM 1 – MICROMED BIOTECNOLOGIA S.A., 38.048.013/0001-03. ITEM 2 – AEROSPORT BRASIL COM. DE EQUIP. DE AVALIAÇÃO FÍSICA LTDA, 06.133.679/0001-73. FFM 0939/2024-00 (RC 40.778) GETCONNECT GESTÃO EM SAÚDE LTDA, 41.041.910/0001-08 AGÊNCIA REGULADORA DE SERVIÇOS PÚBLICOS DO ESTADO DE SÃO PAULO - ARSESP PREGÃO ELETRÔNICO ARSESP nº 90010/2024 - PROCESSO nº SEI nº 133.00002734/2024-76 A AGÊNCIA REGULADORA DE SERVIÇOS PÚBLICOS DO ESTADO DE SÃO PAULO - ARSESP, nos termos da Lei Federal nº 14.133/2021, bem como pela legislação complementar, no que couber, e demais normas complementares pertinentes, comunica a todos os interessados que encontra-se aberta a Licitação abaixo: PREGÃO ELETRÔNICO ARSESP nº 90010/2024 - PROCESSO: nº SEI nº 133.00002734/2024-76 - MODALIDADE: Pregão Eletrônico - TIPO DE LICITAÇÃO: Menor Preço - OBJETO: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EMISSÃO, REEMISSÃO E CANCELAMENTO DE PASSAGENS AÉREAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS, POR MEIO DE SISTEMA DE GESTÃO DE VIAGENS CORPORATIVAS. - DATA DO INÍCIO DO PRAZO PARA ENVIO DA PROPOSTA ELETRÔNICA: 29/10/2024 - DATA E HORA DA ABERTURA: 13/11/2024 às 10:00 horas - ENDEREÇO ELETRÔNICO: www.gov.br/compras - Contato: O edital poderá ser obtido no Portal Nacional de Contratações Públicas - PNCP e no Diário Oficial do Estado de São Paulo ou através de solicitação via e-mail para: E-mail: compras@arsesp.sp.gov.br Há 149 anos o Estadão leva informação editorial com transparência e credibilidade, admirado por leitores qualificados e reconhecido pelomercado publicitário em todo o Brasil. CONTEÚDO RELEVANTE DE SEGUNDAA SEGUNDA QUER RESULTADOS? PUBLIQUE SEUSATOS SOCIETÁRIOS NOESTADÃO ACESSE E CONHEÇA DIVULGAÇÃO MULTIPLATAFORMA DE RESULTADOS FINANCEIROS ENOTÍCIASDE EMPRESAS CONSULTENOSSA EQUIPE COMERCIAL (11) 3856-2442 LÍDER EM CONTEÚDO DE ECONOMIA &NEGÓCIOS CIRCULAÇÃO NACIONAL 209.132 EXEMPLARES (IMPRESSO+DIGITAL) A FORÇA DO IMPRESSO +2,2MDE LEITORES FONTES: IVC | PORTALGOOGLEANALYTICSNOV/22 EDITAL DE CONVOCAÇÃO - ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA Na qualidade de presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (SINPEEM), inscrito no CNPJ 60.262.649.0001/02, considerando o contido no art. 38, inciso IV; os §§§ 1º, 2º e 3º do art. 4º; os §§ 1º e 2º do 7º; art. 10, inciso II; art. 15, inciso I; art. 16; incisos I a IV do art. 17 e art. 19, convoco Assembleia Geral Ordinária, a ser realizada no dia 31/10/2024, a partir das 14 horas, no Auditório Celso Furtado, localizado no Centro de Convenções do Distrito Anhembi - Av. Olavo Fontoura s/nº, para apreciação e deliberação da seguinte pauta: a) plano de ação e campanhas 2025; b) alterações no Estatuto Social do sindicato; c) aquisição de imóveis. Claudio Fonseca - Presidente FUNDAÇÃO FACULDADE DE MEDICINA - ICESP CNPJ Nº 56.577.059/0012-54 COMPRA PRIVADA FFM 2772/2024 CIRCULAR Nº 01 FRACASSO Declaramos a Compra Privada FFM/ICESP 2772/2024 fracassada, devido readequação de escopo técnico. O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS B13 INÊS 249 Esta é a terceira etapa de migração de produtos paraa plataforma, que já conta com Títulos Públicos Fede- rais e Créditos de Descarbonização (CBIOs). Nas próximas atualizações, serão realizadas as migrações de Notas Comerciais (NCs), Letras Financeiras (LFs) e demais valores mobiliários de emissão pública. Títulos de bancos também estão no radar Negociações são em ambiente separado A plataforma está disponível aos investidores insti- tucionais e todo o processo vem sendo estruturado a partir de interlocução com os agentes do mercado. As negociações em renda fixa acontecem em um am- biente diferente das ações, que tem um livro de or- dens centralizado e papéis padronizados. l BALCÃO ÚNICO. No mercado de balcão, as transações são feitas entre as instituições em am- bientes diversos e o objetivo da plataforma é criar um local úni- co para facilitar essas opera- ções, por meio de ferramentas como calculadoras e informa- ções diversas sobre os papéis, além de serviço de mensageria para fechamento de negócios entre as partes. l PREÇOS. Mais à frente, a inten- ção é permitir que as institui- ções usem a plataforma para mostrar preços de maneira cus- tomizada e online a seus clien- tes. “No futuro acreditamos ser possível ter um livro central de preços, mas por hora queremos permitir o compartilhamento das informações de compra e venda que estarão padroniza- das pela infraestrutura de mer- cado da B3”, explica Bianchini. l REFORÇO. O Bradesco contra- tou Marcos Cavagnoli como di- retor de Produtos para Pessoa Física. O nome chama a aten- ção pelo emprego anterior: o executivo era diretor de Paga- mentos do Itaú Unibanco até o começo deste ano. No Brades- co, Cavagnoli atuará na equipe do diretor de Negócios Digi- tais, Tulio Oliveira, ele próprio egresso da concorrência. No caso, do Mercado Pago. lPERFIL. No Bradesco, Cavag- noli vai ser o responsável por produtos de pagamentos, em- préstimos e câmbio. Antes do Itaú, Cavagnoli foi CEO da Adiq, credenciadora ligada ao banco BS2, e teve passagens pe- la Koin e pelo JPMorgan. lNOVO... Cavagnoli reforça as fi- leiras de executivos que chega- ram ao grupo desde que Marce- lo Noronha assumiu a presi- dência, no final do ano passa- do. Entre as várias mudanças que aconteceram desde então, o banco acabou com a chama- da carreira fechada, que deter- minava que apenas funcioná- rios com carreiras desenvolvi- das dentro da organização pu- dessem chegar à diretoria. l ...NORMAL. O fim desta exigên- cia é uma tentativa de “oxige- nar” o banco. Faz parte de um dos pilares do plano estratégi- co que Noronha revelou em fe- vereiro, que é acelerar a moder- nização tecnológica e de negó- cios. Além de Cavagnoli e Oli- veira, o banco trouxe novos no- mes para as diretorias de Pes- soas, Crédito e Tecnologia. l RETOMADA. Foram necessá- rios três anos, após a pande- mia, para que os fabricantes de calçados retomassem o volu- me de produção anterior à cri- se. Com a volta de boa parte das pessoas ao trabalho presen- cial ou híbrido, a expectativa da Associação Brasileira das In- dústrias de Calçados (Abicalça- dos) é superar os patamares históricos já em 2025. l EM NÚMEROS. Em 2019, a in- dústria calçadista produziu 898 milhões de pares. No ano seguinte, o número caiu para 746 milhões de pares, 17% a menos. Aos poucos, a produ- ção foi crescendo: nos anos se- guintes, foram 855 milhões, 886 milhões e 865 milhões de pares. Para 2024, a projeção é de que a fabricação aumente até 3,2%, alcançando mais de 890 milhões de pares produzi- dos. Já para 2025, a estimativa da entidade é de, finalmente, recuperar as perdas pós 2019, alcançando crescimento de até 1,9%, com a produção de 904 milhões de pares. A ação da Azul dis- parou 13,99% ontem na B3. Além da forte queda do petróleo, o desem- penho reflete o otimismo do mercado com o acordo com credores anunciado ontem pela empresa. Na esteira, Gol subiu 4,55% e CVC, 2,88%. Para Hugo Queiroz, sócio e analista da L4 Capital, o acor- do da Azul indicaria caminho para solução parecida na reestruturação financeira da Gol, enquanto a CVC se bene- ficia da perspectiva de melho- res negócios para as aéreas. A ação da Hypera Pharma recuou 8,7% e liderou as baixas do Ibovespa ontem, zerando os ganhos do mês. Pesa no de- sempenho a recusa pelo con- selho da empresa de uma pro- posta de fusão com a EMS. Além disso, o otimismo com uma segunda proposta foi afastado diante da notícia de que o grupo de João Alves de Queiroz Filho, fundador da Hypera, passou a deter 50% do capital social, impedindo, na visão de alguns analistas, uma nova tentativa de fusão. CYNTHIA DECLOEDT, MATHEUS PIOVESANA E CRISTIANE BARBIERI GABRIEL BALDOCCHI (edição) Ação da Azul dispara 14%; Gol e CVC sobem na esteira TWITTER: @COLUNADOBROAD COLUNABROADCAST@ESTADAO.COM VOLTA POR CIMA DESCE B3 entra em negócio de títulos de empresas e mira mercado que gira R$ 4,5 bi Hypera caiu 8,7% ontem na B3 e zerou ganhos do mês N ão só de ações vive a Bolsa. De olho na expan- são do crédito privado, a B3 está incluindo os títulos emitidos por empresas em sua platafor- ma Trademate, criando um ambiente para ne- gociação desses papéis no mercado secundário. Nesta primeira fase, entram Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e Imobiliários (CRIs), Cotas de Fundos Fechados (CFFs) e Debêntures. “Estamos bus- cando um posicionamento sólido nesse mercado, para que ganhe dinamismo, liquidez e mais empresas pos- sam acessar recursos por meio dos títulos de crédito privado”, diz o superintendente de Produtos de Balcão da B3, Fernando Bianchini. Diariamente são fechados 20 mil negócios com títulos de renda fixa no mercado, uma média de R$ 4,5 bilhões, acrescenta Bianchini. Indústria brasileira de calçados espera superar somente em 2025 o nível de produção registrado em 2019, antes da pandemia de covid-19 SOBE MARCOS NAGELSTEIN / ESTADAO-26/8/2021 Coluna do Broadcast WILTON JUNIOR/ESTADAO- 20/3/2020 RAFAEL HENRIQUE/ADOBE STOCK-27/4/2021 US$ 1/NY 1 Euro/ Europa 1 Libra/ Londres R$ 1/ Brasil DÓLAR AMERICANO 1,000 1,0815 1,2971 0,1752 EURO 0,925 1,0000 1,1993 0,1620 FRANCO SUÍÇO 0,865 0,9354 1,1218 0,1515 LIBRA ESTERLINA 0,771 0,8338 1,0000 0,1351 IENE 153,264 165,7495 198,7920 26,8490 Venc. Aju.C. Abe. Min. Máx. Var.% AÇÚCAR NY* MAR/25 21,96 373.078 21,67 22,16 -0,81 CAFÉ NY* MAR/25 251,35 67.948 245,25 254,50 1,56 SOJA CBOT** NOV/24 9,74 114.956 9,735 9,855 -1,39 MILHO CBOT** MAR/25 4,25 445.421 4,242 4,285 -1,11 AS MOEDAS NA VERTICAL:VALOR DE COMPRA SOBRE AS DEMAIS / FONTE: IDC Trabalhador assalariado e doméstica* Salário de contribuição Alíquota ATÉ R$ 1.412,00 7,5% DE R$ 1.412,01 ATÉ R$ 2.666,68 9% DE R$ 2.666,69 ATÉ R$ 4.000,03 12% DE R$ 4.000,04 ATÉ R$ 7.786,02 14% INSS - COMPETÊNCIA (OUTUBRO) MAIORES BAIXAS DO IBOVESPA HYPERA ON NM 23,92 -8,70 29.090 PETRORIO ON NM 40,95 -1,68 29.018 BRAVA ON NM 16,80 -1,35 9.705 MAIORES ALTAS DO IBOVESPA R$ Var. % Neg. AZUL PN N2 6,11 13,99 21.269 IRBBRASIL REON NM 44,16 6,80 6.566 BRF SA ON NM 25,56 4,71 17.290 TR/TBF/POUPANÇA/POUPANÇA SELIC (%) 23/10 a 23/11 0,0725 0,8254 0,5729 0,5000 24/10 a 24/11 0,0686 0,7865 0,5689 0,5000 25/10 a 25/11 0,0646 0,7474 0,5649 0,5000 Pontos Dia% Mês% Ano% NOVA YORK - DJIA 42.387,57 0,65 0,14 12,47 FRANKFURT - DAX 19.531,62 0,35 1,07 16,60 LONDRES - FTSE 8.285,62 0,45 0,59 7,14 TÓQUIO - NIKKEI 38.605,53 1,82 1,81 15,36 Venda Dia % Mês % Ano % DÓLAR COMERCIAL 5,7088 0,06 4,80 17,62 DÓLAR TURISMO 5,9400 0,20 4,67 17,51 EURO 6,1740 0,24 1,83 14,97 OURO US$/ONÇA-TROY 2740,20 -0,70 4,04 27,75 WTI US$/BARRIL 67,8200 -5,29 -0,48 -4,87 IBRENTUS$/BARRIL 71,5400 -4,03 -0,61 -7,14 IGP-M (FGV) 1,0453 IPCA (IBGE) 1,0442 IGP-DI (FGV) 1,0483 INPC (IBGE) 1,0409 IPC-FIPE 1,0345 ICV-DIEESE - FATORES VÁLIDOS PARA CONTRATOS CUJO ÚLTIMO REAJUSTE OCORREU HÁ UM ANO. MULTIPLIQUE O VALOR PELO FATOR Data Taxa ano Taxa dia Mês% Ano% CDB (22/31)10,99 0,18 3,10 -5,67 CDI 10,65 0,00 0,00 -8,58 CDB - CDI Índice Agosto Setembro No ano 12 Meses INPC (IBGE) -0,14 0,48 3,29 4,09 IGP-M (FGV) 0,29 0,62 2,64 4,53 IGP-DI (FGV) 0,12 1,03 3,12 4,83 IPC (FIPE) 0,18 0,18 2,30 3,45 IPCA (IBGE) -0,02 0,44 3,31 4,42 CUB (Sinduscon) 0,36 0,35 3,36 3,44 FIPEZAP-SP (FIPE) 0,62 0,53 4,97 5,97 INFLAÇÃO (%) Autônomo (BASE EM R$) Alíquota A pagar (R$) DE 1.412,00 A 7.786,02 20% DE 282,40 A 1.557,20 VENCIMENTO 15/11. O PORCENTUAL DE MULTA A SER APLICADO FICA LIMITADO A 20%, MAIS TAXA SELIC. AGRÍCOLAS - MERCADO FUTURO TESOURO DIRETO (*) Vcto. Ano % R$ IPCA 15/5/2029 6,76 3.236,58 15/5/2035 6,72 2.199,08 JUROS SEMESTRAIS 15/5/2035 6,72 4.248,83 PREFIXADO 1º/1/2027 12,79 771,19 1º/1/2031 12,83 477,30 SELIC 1º/3/2027 0,05 15.520,20 (*)TÍTULOS A VENDA Ibovespa: 131.212,58 PTS. | Dia 1,02% | Mês -0,46% | Ano -2,22% AGRÍCOLAS - MERCADO FÍSICO BROADCAST MERCADOS Índices de reajuste do aluguel (Setembro) (*) EM CENTS POR LIBRA-PESO (**) EM US$ POR BUSHEL SOJA Cepea/esalq, R$/sc 60 kg Ult. 140,68 Var. (%) -1,08 Var. 1 ano(%) 3,08 BOI Cepea/esalq, R$/@ 314,10 1,00 36,57 MILHO Cepea/esalq, R$/sc 60 kg 72,17 0,50 22,36 CAFÉ Cepea/esalq, R$/sc 60 kg 1517,69 17,48 80,32 MOEDAS E COMMODITIES B14 ECONOMIA&NEGÓCIOS TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS B15 INÊS 249 3 perguntas para... BETH MOREIRA A companhia aérea Azul anun- ciou ontem que fechou um acordo com os detentores de títulos de sua dívida no exte- rior (bondholders) para aliviar sua situação financeira. Pelo acordo, os credores da compa- nhia concordaram em forne- cer à empresa créditos de até US$ 500 milhões, que serão convertidos em nova dívida que terá garantias prioritárias. Desse total, US$ 150 milhões seriam liberados à companhia ainda esta semana, e outros US$ 250 milhões antes do final do ano, com a possibilidade de desbloqueio de US$ 100 mi- lhões adicionais. Esse novo “empréstimo” era uma exigência de outro acordo firmado no início do mês pela Azul com arrendadores e fabri- cantes de aeronaves, pelo qual a companhia se comprometeu a reduzir em cerca de US$ 550 milhões (R$ 3,1 bilhões) suas dívidas com essas empresas. A Azul ainda transferiu a elas uma participação acionária de 20% em seu capital. Em fato relevante enviado ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Azul des- tacou que o acordo “fortalece consideravelmente sua liqui- dez e posição financeira e cris- taliza o acordo previamente anunciado com arrendadores e fabricantes de equipamentos originais (OEMs) para elimi- nar as obrigações de equity em troca de 100 milhões ações pre- ferenciais da empresa”. A operação com os bondhol- ders, ainda segundo o fato rele- vante, prevê acordos para me- lhorar o fluxo de caixa da Azul em mais de US$ 150 milhões, reduzindo certas obrigações com arrendadores e fabrican- tes nos próximos 18 meses. FUSÃO. Além da equalização de suas dívidas, a Azul também vem negociando uma possível fusão com a Gol. Há duas sema- nas, a empresa informou em fa- to relevante enviado à CVM que a negociação com os credo- res não afetava o andamento das conversas que vinha man- tendo com a Abra, a controla- dora da Gol, para explorar eventuais oportunidades de negócios, além do acordo de cooperação comercial por meio de um codeshare (com- partilhamento de voos). A ma- nifestação foi feita em respos- ta a questionamento da Bolsa de Valores (B3) sobre rumores de fusão das duas companhias. As ações da Azul fecharam o dia com alta de 13,99% ontem na Bolsa. l l Buscar acordos foi um caminho diferente do se- guido pelas outras compa- nhias. A recuperação judi- cial não seria mais fácil? Muitos achavam que era teimosia não fazer o Chap- ter 11 (a recuperação judi- cial). Mas seria uma via que inviabilizaria diálogos com parceiros necessários para mantermos investimentos. No Chapter 11, você pode apertar um botão. Mas é muito dinheiro saindo da empresa. Um dinheiro que não vai para o seu parceiro, vai para advogados, custos judiciais. Não temos outros problemas que normalmen- te levam as empresas para recuperação judicial. Te- mos a demanda de captar dinheiro e tirar dívida do balancete. O plano mostra o apoio que nós temos dos nossos credores, mostra o apoio que nós temos dos nossos parceiros. l Que as garantias de crescimento vocês de- ram para esses acordos? Primeiro, tenho novas aero- naves chegando, o que de- monstra nosso potencial de crescimento. Contratamos um avaliador independente para validar que nossos nú- meros são sólidos e que po- demos reduzir despesas e melhorar o fluxo de caixa em US$ 100 milhões ao ano. Hoje anunciei o plano, e nos próximos meses volta- rei com os resultados, mos- trando que alcançamos essa meta para iniciar a conver- são da dívida. l A reestruturação da dívida ajuda com os diá- logos sobre a fusão com a Gol? O plano é exclusivamente da Azul, e estamos bem sozi- nhos. Mas isso não significa que descartamos uma possí- vel fusão. O plano de reestru- turação nos fortalece e ajuda a dar um passo necessário caso optemos pela fusão. Vou me reunir com eles esta semana e, sim, o plano con- tribui para essas discussões, tornando-nos mais fortes. Mas temos de lembrar de que a Gol está em processo de Chapter 11, que segue um rito específico. l LUIZ ARAÚJO Setor aéreo Nova captação SÃO PAULO IMÓVEIS Vendem-se CASAS ZONA LESTE ITAIM PTA R$600.000 300m², 110m² ác, 4vgs, sl.coml, lav. (11)2571-0618 Vendem-se COMERCIAIS ZONA SUL JABAQUARA Vendo imóvel coml., 2500m² á.c. R:Cambuis 326. Ao lado do Assaí. Direto c/ Propr. 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GUARULHOS Bonsucesso, Px.Dutra, Rodoanel, Ayrton Senna Galpão Coml/ Ind ZUP I,At.31.000m2,Ac.10.360 m2, 6 docas, Balança 60 ton. Cab prim 2000KVA Cod.3176,Cr.9083J (11) 2413-0202/ 97390-4906 Aila Site: www.sylmarimoveis.com.br INTERIOR E OUTRAS LOCALIDADES TERRENOS VALINHOS - SP Vendo área. 26.200m².Um Milhão e Trezentos reais(19)99385-4118 PROPRIEDADES RURAIS CHÁCARAS E SÍTIOS EXTREMA - MG Vendo Sítio 1alq, 130 Km de São Paulo, asfalto até o local. 4 casas, piscina, poço artesiano, aquec. solar, pomar, lago com peixes. Doctos OK! Valor R$1.600.000, 00 Tratar ☎(11)99976-0449 Whats. COMUNICADOS PUBLICAÇÃO AO SEMASA “WOW COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA torna público que requereu ao SEMASA a Renovação de sua LI- CENÇA AMBIENTAL DE OPERAÇÃO nº 000011/2021 para impres- são de materiais para outros usos na Rua Japão, 831, Jardim Santo Antonio, conforme Processo Am- biental nº 119463/2024. E de- clara aberto o prazo de 30 dias para manifestação escrita, ende- reçada ao SEMASA.” EMPRESAS E PARTES SOCIAIS USINA À VENDA Capacidade: 400.000 lts/dia. Unidade Parada no Estado de São Paulo. É possível produzir no local ou rea locar. Consu l te -nos : ☎(16)3511-9000 ou Whats ☎(16)98154-8277 OUTRAS OPORTUNIDADES DECORAÇÃO - LIVRO USADO Livros, Gibiteca, CD, DVD e discos usados.Compro,vendo. Pça João Mendes, 140 ☎(11)3104-7111 VAGAS PCD Salário + VT + VR + VA. 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Releu Três Guinéus, um ensaio de 1938 da escritora inglesa Virginia Woolf, e tam- bém Diante da Dor dos Outros, iconografia da guerra escrita por Susan Sontag em 2003. Mas foi a correspondência trocada entre Albert Einstein e Sig- mund Freud entre 1931 e 1932 que mais inspirou o cineasta is- raelense, a ponto de ele tomar emprestado o título do livro pa- ra seu mais recente filme, Por Que a Guerra? Destaque da 48.ª Mostra de Cinema de São Paulo, o longa traz os franceses Mathieu Amal- ric como Einstein e Micha Les- cot no papel de Freud para ras- trear as raízes das guerras. Gitai assina também outro longa pre- sente na Mostra, Shikun, que, embora finalizado antes do ata- que terrorista, também trata de violência. Protagonizado pela francesa Irène Jacob, o filme é uma adaptação da obra Rinoce- ronte, de Eugène Ionesco, uma alegoria sobre a ascensão do to- talitarismo. A ideia para o filme surgiu da polêmica reforma do sistema ju- dicial realizada pelo governo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que de- sencadeou enormes manifesta- ções da sociedade civil. O políti- co, aliás, é alvo de críticas de Gi- tai, que veio a São Paulo convi- dado pela Mostra. Ele já planeja retornar no próximo ano, quan- do deve criar um projeto para a Bienal de São Paulo e também para a exibição da performance House em um teatro do Sesc. O cineasta conversou com o Esta- dão no sábado, 26, em um hotel na Avenida Paulista, enquanto acompanhava maravilhado as barulhentas músicas dos apoia- dores dos candidatos a prefeito. O ataque de 7 de outubro e a guerra em Gaza impacta- ram a criação de Por Que a Guerra?, certo? Sim, foi um grande choque. Pri- meiro por causa da selvageria do Hamas, assassinando aman- tes da paz, entre eles uma mu- lher de 70 anos, Vivian Silver, que passou a vida levando crian- ças palestinas a hospitais em Is- rael e cujo corpo foi encontrado carbonizado. Em seguida, a des- truição de Gaza, com tantas víti- mas palestinas. Foi quando quis ler e reler alguns textos pa- ra buscar ajuda e conforto nas reflexões de intelectuais. E nes- sa busca o livro Por Que a Guer- ra? Uma Correspondência Entre Albert Einstein e Sigmund Freud foi uma revelação. Essa obra de 1932 continua minha pesquisa sobre como os conflitos arma- dos podem ser evitados e como é possível encontrar soluções pacíficas para reconciliar posi- ções distantes. l Amos Gitai VEJA A CONTINUAÇÃO DA ENTREVISTA COM O CINEASTA NA PÁG. C3 Com dois filmes na Mostra, cineasta israelense questiona a motivação para a violência Um olhar sobre os horrores da guerra O diretor Amos Gitai; em busca de soluções pacíficas ENTREVISTA MÁRIO MIRANDA FILHO Segundo ele, a ideia para ‘Por Que a Guerra?’ surgiu durante a polêmica reforma do sistema judicial de Israel TERÇA-FEIRA, 29 DEOUTUBRODE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 Direto da Fonte Gilberto Amendola Conselho escolhe administrador emérito O administrador Idalberto Chiavenato recebeu o prêmio Administrador Emérito, ofere- cido pelo Conselho Regional de Administração de São Pau- lo. Chiavenato é um dos maio- res autores nacionais nas áreas de Administração e RH, tendo publicado mais de 50 livros. A cerimônia foi na sede do Conselho. CRASP l NA ACADEMIA. Evento da Aca- demia Paulista de Letras, em parceria com SindSeg e CNseg e Secretaria de Mudanças Cli- máticas, discutirá questões que impactam o mundo em de- corrência das emergências cli- máticas. Será na tarde de 5 de novembro, na sede da APL, Lar- go do Arouche 312. Participam Antonio Penteado Mendonça, José Goldenberg, José Renato Nalini e João Lara Mesquita, todos da APL. l LANÇAMENTO. O jornalista Ivo Patarra autografa seu oita- vo livro, Emendas Secretas, no dia 6 de novembro, na Livraria Drummond do Conjunto Na- cional. A partir das 18h . 1. Daniela Falcão na inauguração do Festival Nordestesse na Pinga SP, dia 22. 2. Georgiano Azevedo. 3. Juliana Santos. 4. Sylvain Justum 4 MARCELA PAES | MARCELA.PAES@ESTADAO.COM gilberto.amendola@estadao.com 1 2 Bloco de Notas Lara, filha do Faustão, lança projeto musical com versões de Adele, Billie Eilish e Marisa Monte A cantora e compositora Lara, filha de Magda Colares e Faus- to Silva, lança no dia 1 de no- vembro o seu mais novo proje- to, o Em Estúdio. Lara irá dispo- nibilizar, semanalmente, cli- pes de 10 músicas em seu canal oficial do YouTube. O projeto contará com cinco faixas auto- rais, onde Lara explora novas sonoridades e temáticas, refle- tindo suas vivências e emo- ções. Além disso, a artista fará interpretações de cinco can- ções de artistas como Adele, Billie Eilish, Cazuza e Marisa Monte – trazendo seu toque pessoal a Bem Que Se Quis. A versão da música de Marisa é a favorita de Lara. KIMBERLY KOECHE Em Estúdio 3 ATOS SOCIETÁRIOS, FATOS RELEVANTES E NOTÍCIAS QUE ENVOLVEM AS PRINCIPAIS EMPRESAS DO PAÍS SAIBAMAIS EM: ESTADAORI.ESTADAO.COM.BR INFORMAÇÕES EM TEMPO REAL BUSCADOR INTELIGENTE PUBLICIDADE E CONTEÚDO INTEGRADOS CONTEÚDOS DE E&N RELACIONADOS AMBIENTE SEGURO PARA COMUNICAÇÃO DASMARCAS PORTAL Amelhor multiplataforma de Relações com Investidores Fique por dentro dos principais Fatos Relevantes das companhias de seu interesse. CHAD KEIG Coppola recebe o Prêmio Leon Cakoff da 48ª Mostra Internacional PAULA BONELLI | PAULA.BONELLI@ESTADAO.COM N esta terça-feira, dia 29, o Shopping Cidade Jar- dim irá receber o cineasta Francis Ford Cop- pola para a pré-estreia exclusiva de “Megaló- polis”, o seu novo filme. O cineasta, conheci- do por clássicos como O “Poderoso Chefão” e “Apo- calypse Now”, estará presente no evento, que aconte- cerá no Cinemark do shopping. Todas as salas do ci- nema serão dedicadas à pré-estreia para convidados da O2 Filmes e da JHSF. “Francis Ford Coppola re- presenta o que há de mais elevado em cultura, arte e criatividade. É uma honra para nós que uma das maiores lendas do cinema mundial tenha escolhido o Fasano, o Cidade Jardim e o São Paulo Catarina Ae- roporto Internacional durante sua estada em São Paulo”, comenta Augusto Martins, CEO da JHSF. Coppola está hospedado no Fasano Jardins e vai re- ceber amanhã o Prêmio Leon Cakoff da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Francis Ford Coppola no Shopping Cidade Jardim JADE SCARLATO C2 CULTURA&COMPORTAMENTO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 “A causa da fragmentação das cidades são as mídias sociais, que chamo de antissociais, porque excluem a conversa real” “Trump, Netanyahu, Georgia Meloni, agora Bolsonaro. Um coquetel ruim de pessoas confiantes de que podem vencer guerras’ Amos Gitai Cineasta israelense ARIANANUALAARIANANUALA 05OUT24-26JAN2505OUT24-26JAN25GERMANODUSHÁGERMANODUSHÁTHIAGODEPAULASOUZATHIAGODEPAULASOUZA Ao dar o título Por Que a Guerra?, o sr. parece dizer que é importante falar de paz, mas sem jamais se es- quecer do que é a guerra. Exato, porque ainda temos guerras e parece que sempre vamos ter. Acho que o uso ex- cessivo de imagens de confli- tos incita a violência de forma quase pornográfica. Com isso, as pessoas ficam grudadas na- quelas imagens, que as intoxi- cam. O resultado é uma busca por um revide por causa das atrocidades cometidas por to- dos os lados. Um israelense vê repetidas vezes histórias de mulheres estupradas e seques- tradas, enquanto um palestino acompanha a destruição gra- dual de Gaza. Então, de certa forma, a iconografia não está nos dizendo vamos parar, mas que temos de continuar. É por isso que meus filmes não tra- zem cenas de guerra, mesmo sendo ela o assunto principal. Por Que a Guerra? não dá res- postas, mas quer que nos ques- tionemos. O sr. concluiu a produção de Shikun pouco antes do ataque do Hamas. Não pen- sou em reeditar o filme e adicionar esse fato? Não. O Oriente Médio vive uma realidade tão vulcânica. Se quiser correr atrás dos eventos, você sempre perderá. E enten- do que os dois filmes formam um díptico, um complementa o outro, mesmo que Shikun pos- sa parecer irrelevante. Há explicação para a selva- geria das guerras? Um primeira resposta seriam os líderes atuais: Trump, Ne- tanyahu, Giorgia Meloni, sem se esquecer de Bolsonaro. Um coquetel muito ruim de pes- soas confiantes de que podem vencer guerras. Políticos que acreditam no uso da força para resolver conflitos. Ano que vem se completam 30 anos da morte de Yitzhak Rabin, ex-pri- meiro-ministro de Israel que buscava um acordo entre israe- lenses e palestinos. Terminou assassinado por um ultranacio- nalista judeu. Foi um golpe contra paz. E, pior, ainda esta- mos no mesmo lugar. Acha então que hoje não há alternativa para a paz? Não é possível saber. Vou contar uma história. Certa vez fui a Nablus, ao norte de Jerusalém, no lado palestino, e conversei com o prefeito, Bassam Shaka. Perguntei-lhe se era otimista ou pessimista. Ele me respondeu: “Amos, não podemos nos dar ao luxo de ser pessimistas”. Ele está certo, temos de continuar buscando um acordo. O que acha do primeiro-mi- nistro Netanyahu? Ele está destruindo compo- nentes importantes do DNA israelense, que é formar uma sociedade aberta, moderna, inovadora, criativa. E está co- locando um grupo contra ou- tro, fragmentando a socieda- de. Como israelense, sou con- tra sua coalizão de ultraorto- doxos e ultradireitistas. Em entrevista ao Haaretz, o sr. disse há alguns anos que Israel é uma sociedade altamente esquizofrênica, na qual há pessoas delica- das e sofisticadas, mas tam- bém vulgares, brutais e vio- lentas. Ainda tem a mesma opinião? Sim, mas a afirmação perdeu a particularidade porque agora se aplica também aos Estados Unidos, Itália, Brasil e outros países. A causa são as mídias so- ciais, que prefiro chamar de an- tissociais porque excluem a con- versa real e se tornam, na maio- ria, uma máquina de propagan- da facilmente manipulável. Alguns de seus próximos projetos incluem São Pau- lo. O sr. gosta da cidade? Sim, gosto pelo mesmo moti- vo que admiro James Joyce. Ex- plico: é um escritor moderno cuja escrita é muito fragmenta- da. Joyce fala sobre sua cidade, Dublin, como uma justaposi- ção de fragmentos de memó- rias. São Paulo é assim: quebra- da, fragmentada, e é dessa for- ma que a humanidade funcio- na. São Paulo seria um filme em que se precisariam juntar os cacos para contar uma histó- ria, e não um melodramas kits- ch, doce e açucarado. l UBIRATAN BRASIL/ESPECIAL PARA O ESTADÃO Cinema Mostra ‘Por Que a Guerra?’ não dá respostas, diz diretor Amos Gitai lamenta ‘realidade vulcânica’ no Oriente Médio e compara São Paulo ao dia a dia fragmentado da Dublin de Joyce Continuação da página C1 TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 CULTURA&COMPORTAMENTO C3 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 Todo mundo tem opi- niões diversificadas, mas todas, sem exce- ção, se apresentam como a verda- de superior. Enquanto isso, sua alma há de continuar observan- do e comparando, para ver aon- de vai parar todo esse barulho. Do seu ponto de vista, a vida flui e as coisas acontecem sem grande esforço, mas na prática rara- mente é assim. Porém, de algo há de servir essa postura, esti- mulando o lado mágico da vida, tão real quanto o esforço. ÁRIES 21-3 a 20-4 Enquanto as pessoas não param de falar, sua mente vagueia por ou- tras galáxias, se conectando a visões que parecem muito dis- tantes da realidade atual, mas que, por serem apreciadas, ini- ciam assim sua aproximação. VIRGEM 23-8 a 22-9 As melhores ideias são, agora, as que possam ser postas em prática o mais rapidamente possível. Não importa que sejam pequenas ou grandes, o que importa é que elas sejam praticáveis sem gran- des recursos. É por aí. TOURO 21-4 a 20-5 Apesar de você não con- seguir enxergar alterna- tivas, essas existem e se encontram disponíveis. E tem mais, as alternativas são ofereci- das pelas pessoas próximas, e seria sábio de sua parte ouvir com atenção o que elas dizem. Observe, compare, pla- neje, observe novamen- te, coloque em prática seu planejamento, observe e compare novamente. Todos seus movimentos nesta parte do caminho precisam ser feito com cuidado e eficiência. PEIXES 20-2 a 20-3 É hora de planejar o futuro, de se lançar mentalmente ao mais distante futuro possível e, aqui e agora, começar a tomar medi- das concretas para não ficar so- nhando apenas, mas realizar algo a cada dia que passar. LIBRA 23-9 a 22-10 As manobras que sua alma se vê obrigada a fazer nesta parte do ca- minho são muito complexas, mas se você as encarar com espíri- to lúdico, não apenas exorcizará o temor como também se diverti- rá muito com tudo que acontece. LEÃO 22-7 a 22-8 O que você pretende pode ser feito, mas de um jeito completamen- te diferente do que você pensa- ria na atualidade, porque ainda sua alma está presa aos métodos que deram certo no passado, e isso precisa ser reformulado. GÊMEOS 21-5 a 20-6 Há instrumentos e re- cursos disponíveis para você realizar suas pre- tensões, mas ainda está difícil reunir tudo que é necessário. Não importa, você verá que as demoras se mostrarão positivas, se você as suportar. SAGITÁRIO 22-11 a 21-12 ESCORPIÃO 23-10 a 21-11 Horóscopo Quiroga Diante do que acontece, é bom manobrar e se esquivar das contrarie- dades, porém, seria melhor que esses movimentos não fossem meras reações, mas produto de mínimo planejamento, tendo em vista suas pretensões. CAPRICÓRNIO 22-12 a 20-1 As pessoas costumam falar mais do que a bo- ca consegue articular, emitindo opiniões infundadas, que arvoram como verdades absolutas. Isso pode ser motivo de divertimento, mas também de muita confusão. Frank & Ernest Bob Thaves QUADRINHOS BEM PENSADO “Muitas pessoas são dotadas de razão, poucas de bom senso” G. Le Bon CÂNCER 21-6 a 21-7 John Turturro diz que violência contra mulheres o fez recusar ‘Pinguim’ Ator, que interpretou Carmine Falcone em ‘Batman’, também citou problemas de agenda para atuar na série da Max Celebridades O melhor de Calvin Bill Watterson Minduim Charles M. Schulz Turma da Mônica Mauricio de Sousa oscar@quiroga.net Recruta Zero Mort Walker O ator John Turturro, que interpretou o mafioso Car- mine Falcone em Batman (2022), filme dirigido por Matt Reeves, explicou o mo- tivo que o fez rejeitar o pa- pel como o personagem no spin-off Pinguim, série da HBO lançada em setembro. O artista foi substituído por Mark Strong na produção es- trelada por Colin Farrell. Em entrevista concedida à Variety , Turturro disse que ne- gou trabalhar na série por con- ta de “muitaviolência contra as mulheres” retratada em Pin- guim. “Não é a minha praia”, comentou o ator. Ele também citou proble- mas de agenda que o impedi- ram de participar da produção, mas afirmou que achou a “crueldade implícita” de Falco- ne em Batman mais interessan- te do que uma “crueldade ilus- trada”. “(A violência) acontece fora da tela. É mais assustador assim”, disse. Em entrevista ao The Wrap, a showrunner de Pinguim, Lau- ren LeFranc, defendeu a série afirmando que o roteiro “ape- nas aprofundou o que foi esta- belecido” em Batman. “Eu res- peito completamente um ator que não quer assumir um pa- pel por quaisquer razões pes- soais”, afirmou ela. Lauren ressaltou que havia sido informada de que a não participação de Turturro se de- via a conflitos de agenda. “Eu só quero que as pessoas que se juntem à nossa série estejam animadas e queiram continuar a história que estamos tentan- do contar. Eu acho que Mark Strong fez um trabalho fan- tástico. Ele fez o personagem dele e também honrou o que John Turturro fez”, afirmou. Pinguim está disponível na plataforma Max. l O fator humano Data estelar: Lua míngua em Libra AQUÁRIO 21-1 a 19-2 A construção do destino humano depende me- nos da qualidade e for- ça individual e muito mais da estrutura dos vínculos que construímos ao longo da existência, e de nosso nível de prontidão para aceitar que so- mos quem somos através do grupo de pessoas com que nos relacionamos. Ao mesmo tempo, o fator humano é sempre o ingredien- te que complica todas as equa- ções que fazemos para garantir a realização de nossas preten- sões e, como resultado, para minimizar as complicações de- cidimos mentalmente tratar as pessoas como objetos, engrena- gens que sirvam ou atrapa- lham nossos planos, e assim caminha nossa civilização. Infelizmente, enquanto conti- nuarmos insistindo na fábula da salvação individual que, inevita- velmente, encaminha à perdição do grupo social, continuaremos também destruindo mais do que criarmos e preservarmos. l C4 CULTURA&COMPORTAMENTO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 SOLUÇÕES SUDOKU 1. Cozinhe a massa em 4 litros de água fervente com duas co- lheres (sopa) de sal, até estar macia e firme, conforme as ins- truções do pacote. 2. Aqueça o azeite em uma frigi- deira e frite as folhas de sálvia até ficarem crocantes. Tire da frigideira, deixe em papel-toa- lha para escorrer a gordura. E, sem lavar a frigideira, refogue a cebola, mexendo sempre até dourar (cerca de 15 minutos). 3. Tempere com sal e pimenta- do-reino. 4. Escorra a massa e ponha na frigideira com a cebola carame- lizada. Mexa bem. Acrescente as avelãs tostadas e as folhas de sálvia crocante. Em segui- da, transfira para a tigela de ser- vir, polvilhe queijo ralado e sir- va bem quente. l CRUZADAS https://bit.ly/3NGLj3d NA WEB O chef-celebridade Yotam Ot- tolenghi é craque na comida mediterrânea, nos vegetais que prepara com temperos e espe- ciarias do Oriente Médio e tem um talento especial para mas- sas que passa longe da tradição italiana – uma das minhas favo- ritas é o tagliatelle com mantei- ga de especiarias, cuja receita já publiquei nesta coluna. Absolu- tamente surpreendente, abso- lutamente deliciosa. Esse orecchiette com cebo- la caramelizada, avelã e sálvia está no livro Comfort, recém- lançado. Comprei-o há pouco mais de um mês e já fiz essa receita três vezes... É leve e muito saborosa. Acho que vo- cê vai gostar também. Dois de- talhes fazem a diferença: cara- melizar bastante a cebola e fri- tar a sálvia até ficar crocante. Você pode usar qualquer massa curta, mas o orecchiette é o ideal porque acolhe bem o molho… Ah, a receita original recomenda cozinhar a massa na frigideira, regando aos pou- cos, como se fosse risoto, pro- cedimento que anda em alta. Pode até ficar mais saborosa, mas dá muito mais trabalho e prefiro cozinhar à moda tradi- cional, na água fervente. CRIPTOGRAMA E CAÇA-PALAVRAS Nesta seção, todos os dias, um jogo diferente para você E-mail: patriciacferraz@gmail.com; instagram: @patriciacferraz TER. Patrícia Ferraz, Sergio Martins (quinzenal) l QUA. Roberto DaMatta l QUI. Luciana Garbin (quinzenal), Patricia Ferraz l SEX. Lusa Silvestre (quinzenal) e Maria Fernanda Rodrigues (quinzenal) l SAB. Alice Ferraz, Suzana Barelli l DOM. Leandro Karnal, Ignácio de Loyola Brandão (quinzenal) Jogue o sudoku Prato do dia Patrícia Ferraz _ 1 pacote de massa curta do tipo orecchiette _ 20 g de folhas de sálvia _ 100 ml de azeite de oliva extravirgem _ 2 cebolas médias bem picadas _ 1 colher (sopa) de suco de limão _ 50 g de avelãs tostadas grosseiramente picadas _ sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto _ queijo parmesão a gosto ralado na hora de servir É JORNALISTA COM PÓS-GRADUAÇÃO EM GASTRONOMIA. COZINHA E COME A TRABALHO HÁ 24 ANOS Orecchiette com avelã e sálvia crocante Ingredientes 4 porções Preparo Fácil. 40 min. Jogue as cruzadasNA WEB Procure e marque, no diagrama de letras, as palavras em destaque no texto. © Revistas COQUETEL Um dos primeiros clubes de FUTEBOL do Brasil, o FLUMINENSE foi fundado em 21 de julho de 1902, no Rio de Janeiro. O cario- ca OSCAR Alfredo Cox conheceu o esporte na SUÍÇA, onde concluiu seus estudos. De volta ao Brasil, o JOVEM se empenhou em formar uma EQUIPE para disputar partidas de futebol. Com a ideia fixa, Oscar conseguiu juntar 20 SÓCIOS para fundar o CLUBE, que quase se chamou Rio Football Club e foi o PIONEIRO na introdução do esporte no estado. Antes de ostentar em seu PAVILHÃO tricolor o VERDE, o branco e o grená, o Fluminense chegou a adotar as co- res CINZA e branco. Com a ajuda do espírito EMPREENDEDOR de Cox, o futebol foi difun- dido pelo Rio de Janeiro e, mais tarde, tornou- se tão POPULAR que passou a ser considerado uma das PAIXÕES nacionais. O Fluminense e o futebol D I N T G N N L T S T L L O B E T U F T H M M S O M N S T M F C F C L P N R I J R I E A G R E P E O A N O R N E D A R V I Z S B D E S I T E H A C C F N T X R M T S N A B D O Õ H I N B R O F E C E C H E L B I I D I S F I D D R M R O Y N O O F G R F L R D F A I N N R E E E L C F A C M R H V C T N L N L T Y R I F N M E C U S P A V I L H Ã O B M F H A A T T T T E O E P I U Q E D R E R N S E E S L T S M A S O C I O S G U N D I T Y M N A E I P O P U L A R T R Ç H Y D O F S S O O A O R I E N O I P F C T L R N S F M C I L F L U M I N E N S E O A I F N M H I F A I Y G O S I D N B A ILUSTRAÇÃO: GUTO DIAS Incen- diado; carbo- nizado Sujo de lama Cantiga de roda infantil Salto com (?), mo- dalidade olímpica O caso atendido no pronto- socorro Alta de preço Local de venda de legumes e frutas Aécio Neves, político brasileiro O Instituto Militar de Enge- nharia A medi- cação que combate a dor Jardim do (?): o Paraíso (Bíblia) (?) Pau- lista, via central de São Paulo (?)-benta, bolinho feito com marsh- mallow Ivan Lins: gravou "Lembra de mim" Opõe-se ao "X", no jogo da velha Orquestra Sinfônica Brasileira (sigla) Colocar a bola em jogo, no vôlei Tentam com audá- cia; atre- vem-se (?)-mail, correio da internet Recheio de bife rolê (Cul.) Vogal acentuada em "juízo" Qualquer período histórico "Escon- derijo" do amante (pop.) Locução (abrev.) (?) Vieira, atriz Armação típica de obras Mil anos Alimento dado a galinha Monte onde moravam os deuses gregos Conteúdo do pneu Ave do cer- rado (pl.) Vitamina antigripal Atraso; lentidão Descanso; repouso Rita (?), cantora A comida sem sal 2.002, em romanos Ato punido pelo Código Penal Sílaba de "greve" Em + a (Gram.) Sucede ao "L" O S B 4/éden. 5/bacon. 7/armário — ciranda — insossa. BANCO www.coquetel.com.br 3 2 6 4 6 9 7 1 2 7 9 2 9 5 6 5 9 7 1 8 3 3 4 4 5 3 7 9 7 6 9 1 Nível Fácil https://bit.ly/40psOYNRENATA CARLINI TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 CULTURA&COMPORTAMENTO C5 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 PM vê PCC instalado na Câmara do Guarujá (SP) Investigação implica vereadores e candidatos que disputaram a eleição no município do litoral paulista RAYSSA MOTTA FAUSTO MACEDO “É possível inferir com alguma segurança que a organização criminosa PCC já tenha esta- belecido, e de modo sistemati- zado, esquema ilícito de bran- queamento de capitais (meio pelo qual criminosos encobrem a origem ilegal de bens ou rendi- mentos) junto à prefeitura e ao Poder Legislativo do mes- mo município.” Com esse alerta, o Centro de Inteligência da Polícia Militar de São Paulo levou ao conheci- mento do Ministério Público do Estado, em junho, suspei- tas de envolvimento de verea- dores e outros agentes públi- cos do Guarujá, no litoral pau- lista, com o Primeiro Coman- do da Capital (PCC). Depois do aviso, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gae- co), braço do Ministério Públi- co de São Paulo, abriu um in- quérito. Foi no âmbito da in- vestigação que os vereadores Mário Lúcio da Conceição (PSB), Santiago dos Santos An- gelo (PP) e Edmar Lima dos Santos (PP) foram alvo de bus- cas no dia 1.º de outubro, du- rante a Operação Hereditas. Mas eles não são os únicos políticos citados no processo. Derrotado no segundo turno, o candidato do PP a prefeito, o também vereador Raphael Vi- tiello, e o vice que compôs a chapa, Fernando Martins dos Santos, o Fernando Peitola (MDB), foram mencionados em denúncia recebida pela Po- lícia Civil envolvendo suspei- tas semelhantes. BUSCAS. Vitiello e Peitola são implicados em relatório da De- legacia Seccional de Praia Grande, que defende buscas em endereços ligados à dupla “para obter mais detalhes da es- trutura criminosa que se insta- lou no município de Guarujá”. O Estadão apurou que os dois não foram alvo de buscas na Operação Hereditas. Embo- ra seus nomes tenham sido ci- tados no relatório da Polícia Ci- vil, o MP estadual não encon- trou indícios que corroboras- sem a versão do denunciante. A reportagem pediu posicio- namento dos vereadores e dos candidatos derrotados. Santia- go dos Santos declarou que fi- cou “surpreso” com a opera- ção, dias antes do primeiro tur- no das eleições municipais, e afirmou que a investigação é fru- to de denúncia “evidentemen- te de cunho eleitoreiro”. As de- fesas de Vitiello e Peitola disse- ram que eles nem sequer foram intimados para prestar esclare- cimentos e que ambos estão à disposição das autoridades. ‘MESADA’. Contratos fechados pela prefeitura e pela Câmara Municipal com empresas liga- das a Cristiano Lopes Costa, o “Meia Folha”, líder do PCC na Baixada Santista, estão no cen- tro das investigações. Meia Fo- lha foi assassinado em março após um racha na facção crimi- nosa. Ele tinha ligações com An- dré de Oliveira Macedo, o An- dré do Rap, oriundo da Baixada Santista e um dos criminosos mais procurados do Estado. “Meia Folha” foi morto a tiros na noite de 12 de março deste ano, em uma lanchonete na Avenida São Jorge, no Guarujá. Os contratos firmados com empresas ligadas a “Meia Fo- lha” envolvem a prestação de serviços de limpeza e o aluguel de equipamentos eletrônicos. Os vereadores são suspeitos de direcionar as licitações para o PCC em troca de uma “mesa- da”. Para o PCC, os contratos públicos eram estratégia para lavar dinheiro do tráfico de drogas e de armas e, no caso do Guarujá, recursos desviados também podem ter sido usa- dos para financiar uma milícia. A criação de um grupo para- militar para assumir o mono- pólio da segurança dos comér- cios nas imediações de Vicente de Carvalho, no Guarujá, era um projeto pessoal de “Meia Folha”, de acordo com o in- quérito. A investigação mostra que o chefão do PCC chegou a viajar para o Rio de Janeiro pa- ra aprender em campo como operavam os milicianos. Assassinatos em série de po- liciais que faziam bicos com se- gurança na região chamaram a atenção da Polícia Militar. Os agentes teriam sido elimina- dos para viabilizar o projeto de milícia de “Meia Folha”. Havia um comando para “caçar” es- ses policiais, segundo a PM. Es- se foi o ponto de partida da in- vestigação, que acabou encon- trando os contratos de empre- sas ligadas ao traficante com órgãos públicos. O vereador Mário Lúcio da Conceição é apontado como uma espécie de operador das propinas. A suspeita é a de que ele estivesse encarregado de re- ceber o dinheiro das empresas beneficiadas para depois re- Atuação do traficante “Meia Folha”, líder da facção na Baixada Santista, morto em março, foi o ponto de partida da investigação Projeto de milícia Legislativo municipal; inquérito mira contratos com empresas ligadas a traficante OPERAÇÃO HEREDITAS REPRODUÇÃO Reeleito Vereador investigado afirma que inquérito que o atinge tem ‘evidentemente cunho eleitoreiro’ C6 A FUNDO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 passar à Mesa Diretora da Câmara Municipal. FANTASMA. As suspeitas tam- bém recaem sobre o vereador Edmar Lima dos Santos, que chegou a empregar Gabrielle Ribeiro Correa, mulher de “Meia Folha”, como funcioná- ria fantasma na Câmara Muni- cipal, conforme o inquérito. Gabrielle foi ainda servidora comissionada na prefeitura do Guarujá, de 2017 a 2019. Nas redes sociais, a mulher do trafi- cante ostentava uma rotina de luxo, com viagens internacio- nais, joias e roupas de grife. Outro investigado no caso é o empresário Cláudio Fernan- do de Aguiar (Novo), candida- to derrotado na disputa pela prefeitura do Guarujá. Segun- do os investigadores, ele teria “forte ligação” com “Meia Fo- lha” e com Caio Fé, o “Marado- na”, também vinculado ao PCC. Na Justiça Eleitoral, Cláudio Fernando soma R$ 4,8 milhões em bens declarados – entre eles a empresa ISTV, que também foi alvo de buscas na Operação Hereditas. Já Rap- hael Vitiello e Fernando Peito- la foram implicados em denún- cia formalizada na Polícia Civil e apontados como “incluídos no esquema criminoso”. ‘SURPRESA’. Procurado pelo Estadão, o vereador Santiago dos Santos Angelo informou que, como a investigação tra- mita em sigilo, não poderia se aprofundar nas declarações, mas disse que está à disposição das autoridades para colabo- rar com a investigação. “Fiquei surpreso com o ocor- rido, se tratando de busca e apreensão dias antes das elei- ções, com uma denúncia evi- dentemente de cunho eleito- reiro. De qualquer modo, es- tou tranquilo, confiante na Jus- tiça, sendo o maior interessa- do na apuração dos fatos. Nes- te momento, me coloco ao in- teiro dispor das autoridades, para auxiliar nas investiga- ções”, afirmou o vereador. “A minha maior resposta já foi dada. Fui reeleito com a se- gunda maior votação entre os vereadores concorrentes ao Legislativo do município do Guarujá”, declarou Santiago. SIGILO. Por meio de sua asses- soria jurídica, Raphael Vitiello declarou que não foi alvo da Operação Hereditas e em ne- nhum momento foi intimado para prestar qualquer tipo de esclarecimento. “Confiamos na Justiça e na apuração dos fatos. Outrossim, é sabido que o processo está em segredo de Justiça. Sem mais para o mo- mento, estamos à disposição para maiores esclarecimen- tos”, diz o comunicado divulga- do pela assessoria. A defesa de Fernando Peitola enviou uma nota de teor idêntico à manifes- tação de Vitiello. A Câmara Municipal afir- mou, quando a Operação Here- ditas foi deflagrada, no dia 1.º de outubro, que “entende que a apuração de denúncias de ir- regularidades é fundamental para a manutenção da confian- ça da população nas institui- ções públicas, e, por isso, acom-panhará atentamente o desen- rolar das investigações”. A Casa se declarou à disposi- ção das autoridades para cola- borar com o esclarecimento dos fatos. “É importante ressal- tar que o Legislativo preza pe- lo princípio de que todo acusa- do de um crime é considerado inocente até que o contrário se- ja provado em um processo ju- dicial. Esta Casa reitera seu compromisso com a ética e o cumprimento da legislação.” Em nota, o Novo afirmou que acompanha as investiga- ções para “compreender a ex- tensão das alegações” e que “não compactua com ilegalida- des ou irregularidades”. Os ou- tros citados não responderam aos contatos da reportagem. l CAMARA MUNICIPAL DO GUARUJA - 12/9/2022 “É possível que o PCC já tenha estabelecido esquema ilícito de branqueamento de capitais junto à prefeitura e ao Poder Legislativo do mesmo município (Guarujá)” Centro de Inteligência da Polícia Militar de São Paulo Movimentação de policiais militares no distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá; avanço do crime ABA BENEDICTO/ ESTADÃO - 31/7/2023 Clima de tensão após morte de policial da Rota Para lembrar l Violência Em julho do ano passado, dois policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da Polícia Militar, fo- ram baleados quando fa- ziam patrulhamento na Vila Zilda, no Guarujá. O soldado Patrick Bastos Reis, de 30 anos, não resistiu aos feri- mentos e morreu l Ponto de tráfico De acordo com a PM, os poli- ciais estavam próximos do túnel da Vila Zilda, por volta das 22 horas, quando foram alvo de tiros. O local é conhe- cido como ponto de tráfico de entorpecentes l Operação A operação da PM no Guaru- já contra o crime organiza- do deixou dez mortos nos quatro primeiros dias após a morte do soldado. A investi- gação apontou que o suspei- to de ter disparado contra os policiais cresceu no Pri- meiro Comando da Capital (PCC) na Baixada Santista l Líderes Alguns chefes conhecidos do PCC são oriundos da Bai- xada Santista, como é o caso de André Oliveira Macedo, o André do Rap, um dos crimi- nosos mais procurados do Estado. Cristiano Lopes Cos- ta, o “Meia Folha”, pivô da investigação que alcançou agora vereadores e outros agentes públicos, também é da Baixada l Região Mais conhecida pelas praias que atraem paulistanos nos fins de semana, a Baixada Santista passou a assistir ao avanço do crime organiza- do. A região concentra um dos maiores números de co- munidades espalhadas pelos morros e manguezais do Es- tado. São ao menos 40, cin- co delas no Guarujá l Expansão Nessa geografia, locais de difícil acesso para o policia- mento motorizado ajudam na expansão das facções, que disputam entre si o con- trole do território. A proxi- midade do Porto de Santos, usado para escoamento de drogas para o exterior, atrai grupos que desejam aumen- tar seu poder no tráfico l Apreensão Somente nos três primeiros meses do ano passado, equi- pes da Receita Federal inter- ceptaram dez partidas de cocaína – totalizando 2.686 quilos – no Porto de Santos TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 A FUNDO C7 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 N uma das três entrevis- tas que fiz com Ozzy Os- bourne, ele se animou ao saber que eu era do Brasil. “Eu e o Black Sabbath ire- mos tocar aí, mas ainda é segre- do”, disse ele, falando da turnê de despedida do grupo que criou o heavy metal e no qual atuou como vocalista. Quando falei que a conversa era para fa- lar sobre as performances no País, ele retrucou: “Então ve- nham assistir ao nosso show!”. Essa conversa surreal, que aconteceu no início de 2016, me veio à mente logo após as- sistir à cerimônia de introdu- ção de Ozzy Osbourne no Rock and Roll Hall of Fame, no último dia 19 de outubro. Aque- le que um dia carregou o título de “Senhor das Trevas” ouviu o discurso de Jack Black senta- do num trono estilizado e mos- trou os efeitos de uma vida de excessos e do mal de Parkin- son, cujo diagnóstico foi divul- gado em 2019. O estado atual de saúde de Ozzy o impede de pisar de no- vo num palco. Mas Sharon Os- bourne, sua mulher e empresá- ria, ainda sonha com uma per- formance final em Birming- ham, cidade natal do marido. Torço para que ela se torne rea- lidade. Nem que seja feito com ele o mesmo que fizeram com El Cid – que, de acordo com a lenda, foi amarrado morto ao seu cavalo a fim de aterrorizar o exército mouro, lá nos idos do século 11. Sua despedida dos palcos seria um adeus dig- no de uma era criativa do uni- verso do rock. Nossos ídolos estão chegando ao final de suas trajetórias e não consigo ver nomes que se equiparem em talento e criatividade. É im- portante, então, que o adeus seja dado em cima do palco, onde a categoria das composi- ções e o amor do artista por sua profissão superam a inevi- tável cobrança do tempo. Eu ainda me lembro, por exem- plo, da emoção que era pre- senciar Elza Soares (1930- 2022) superar as dores do cor- po e da alma e dar tudo de si na turnê de A Mulher do Fim do Mundo (não era roqueira, embora seus shows tivessem mais energia do que muita banda pesada por aí); ou as mais recentes apresentações de Eric Clapton e Paul Mc- Cartney no País, onde as even- tuais falhas na voz foram per- doadas por conta da entrega desses senhores no palco. A homenagem para Ozzy chega com décadas de atraso. Mas é bom ver que o cantor in- glês conseguiu viver a tempo de ser eternizado. E me lembro agora de outra preciosidade que me foi dita por ele. “Sei co- mo irei morrer. Tenho tanta quí- mica no meu corpo que um dia uma pomba irá defecar na mi- nha cabeça e irei derreter no as- falto!” Por favor, alguém afaste as pombas de Ozzy Osbourne: ele merece uma saída de cena à altura de sua importância. l A hora de dizer adeus a nossos ídolos Sergio Martins LUIZ ZANIN ORICCHIO ESPECIAL PARA O ESTADÃO M uita gente literalmen- te se mata para entrar nos Estados Unidos. O país serve de modelo a outros povos, como acontece, de ma- neira acrítica, aqui mesmo no Brasil. No entanto, o tal “sonho americano”, qual uma ilusão co- letiva, parece em crise. Ao me- nos é o que se deduz de alguns filmes presentes à 48.ª Mostra de Cinema de São Paulo, que ter- mina na quarta, 30. A começar pelo badalado Ano- ra, de Sean Baker, Palma de Ou- ro em Cannes, ao retratar a vida de uma garota de programa de origem russa, Ani, ou Anora (Mikey Madison), que exerce a profissão em Nova York e vive uma espécie de Uma Linda Mu- lher às avessas. Essa anti-Cinde- rela conhece um playboy russo, Ivan (Mark Eydelshteyn), des- miolado filho de um oligarca do pós-comunismo, e engata com ele um namoro que termina em casamento em Las Vegas. Mas a história não termina aí, como poderão ver os espectado- res desse filme dirigido por um cineasta que adora trabalhar com as margens da sociedade de seu país – vide os anteriores Tangerine e Projeto Flórida. O questionamento da ilusão americana prossegue com A Co- zinha, do mexicano Alonso Ruiz- placios, que transforma os basti- dores de um restaurante em Ma- nhattan numa espécie de micro- cosmo ao retratar a vida de imi- grantes hispânicos na “terra das oportunidades”. O filme é coral, isto é, distri- buído em uma série de papéis que têm sua função dramática: há o negro americano que convi- ve com seus companheiros de origens diversas, homens e mu- lheres vindos de vários países. Mas, se existe um polo narrati- vo, este é composto pelo casal Pedro (Raúl Briones) e Julia (Rooney Mara). Ele, cozinheiro temperamental vindo do Méxi- co; ela, uma loira anglo-saxã de vida problemática, ambos viven- do um tormentoso caso de amor. O sonho se rompe num caso individual que vale como reflexão coletiva sobre uma si- tuação de alta instabilidade. Ruizpalacios, diretor de fil- mes como Güeros e O Museu, re- trata com agudezaessas rela- ções de exploração entre pa- trões e empregados fragiliza- dos por não terem documenta- ção legal. Elege esse polo assi- métrico – a relação entre Pedro e Julia – como estopim de todas as contradições que encon- tram na cozinha do restaurante seu palco privilegiado. PÓS-GUERRA. Outro exemplo é O Brutalista, de Brady Corbet, que, em suas 3h37 de duração, traz a saga nada heroica de László Tóth (Adrien Brody), imigrante húngaro que parece ter tirado a sorte grande ao po- der usar, em terra americana, seu talento de arquiteto forma- do pela Bauhaus. Ele chega an- tes, no imediato pós-guerra, e tenta trazer da Europa para os EUA sua esposa Erzsébet (Feli- city Jones). Trabalha para um milionário temperamental e racista, Len Van Buren (Guy Pearce), que o contrata para erigir um monumental centro de cultura em homenagem à mãe recém-falecida. O filme é grandioso – tanto nos acertos quanto nos vacilos –, mas, considerações estéti- cas à parte, é um valioso teste- munho de tudo o que exige uma terra de eleição dos seus novos moradores, vindos de países empobrecidos ou des- troçados por uma guerra. Co- mo definiu uma das persona- gens: “Este país (os EUA) nos apodrece por dentro”. Um quarto exemplo seria o distópico Megalópolis, de Fran- cis Ford Coppola, que fecha a Mostra na quarta, com a presen- ça do diretor, e estreia nos cine- mas no dia seguinte. Pelo que se sabe, Coppola, autor da trilogia O Poderoso Chefão e do alucinan- te Apocalipse Now, compara a de- cadência do sonho americano à queda do império romano. É um projeto de 40 anos, que nin- guém quis financiar e foi banca- do pelo próprio diretor. l Ozzy Osbourne merece uma saída de cena à altura de sua importância para o rock As ilusões do ‘sonho americano’ em três filmes da Mostra de SP Cinema Festival ESTADÃOANALISA TER. Patrícia Ferraz, Sergio Martins (quinzenal) l QUA. Roberto DaMatta l QUI. Luciana Garbin (quinzenal), Patricia Ferraz l SEX. Lusa Silvestre (quinzenal) e Maria Fernanda Rodrigues (quinzenal) l SAB. Alice Ferraz, Suzana Barelli l DOM. Leandro Karnal, Ignácio de Loyola Brandão (quinzenal) Produções como ‘Anora’, ‘A Cozinha’ e ‘O Brutalista’ mostram desafios dos imigrantes na ‘terra das oportunidades’ MOSTRA DE CINEMA DE SÃO PAULO Em ‘Anora’, Mikey Madison é uma garota de programa que se casa com playboy filho de um oligarca russo SERGIO MARTINS É JORNALISTA E CRÍTICO MUSICAL C8 CULTURA&COMPORTAMENTO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 SUMMIT Atividade física: prática é sempre uma das principais recomendações de médicos e especialistas De hábitos simples à inteligência artificial, a busca por longevidade e ampliação do acesso à saúde no Brasil D16 e D17 Alerta. Aumento no consumo de ultraprocessados preocupa, diz Monteiro FOTOS:TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO SAÚDE E BEM-ESTAR 2024 D1 Caminhos e desafios O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29DEOUTUBRO DE2024 INÊS 249 OCIMARA BALMANT Revolução é um caminho sem volta e o Brasil está vivendo a revolução da longevidade, as- segurou o geriatra Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, durante o Summit Saú- de e Bem-Estar, promovido pe- lo Estadão, nos dias 13 e 14 de outubro, no Espaço de Even- tos do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo. “Nossa população nunca mais vai ser a mesma”, senten- ciou Kalache, lembrando que o País terá menos bebês, crian- ças, adolescentes e adultos jo- vens nas próximas décadas. “O único segmento que vai continuar a crescer são os 60+. Agora, precisamos decidir se serão mais anos de velhice ou mais anos de vida. Se nós não dermos certo, o País afunda”, disse o geriatra de 78 anos que há mais de 50 se dedica a estu- dar o envelhecimento. PRECONCEITO. Dar certo, no ca- so, significa primeiramente combater o idadismo – tam- bém conhecido como etaris- mo ou ageísmo –, que pres- supõe que um jovem tem mais valor do que um velho. Enfren- tado o preconceito, Kalache lis- tou fatores de risco a serem evi- tados e pilares a serem cultiva- dos com dedicação – uma tare- fa que cabe tanto à sociedade como a cada indivíduo. Os fatores de risco são aque- les que levam a enfermidades precoces, como o tabagismo, o consumo de álcool, uma dieta pouco saudável e o sedentaris- mo. Já os pilares da longevida- de saudável dizem respeito a questões como direito à saú- de, participação ativa na socie- dade, garantia de segurança e proteção e, por fim, acesso con- tínuo ao conhecimento. MARATONA. “A vida não é uma corrida de cem metros, que termina em segundos. A vida é uma maratona cada vez mais longa. E uma maratona preci- sa de perseverança, de deter- minação, de resiliência e, so- bretudo, de aprendizado. O País só vai dar certo com edu- cação da infância à velhice”, afirmou Kalache, que também é ex-diretor do Departamento de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS). NOVA MENTALIDADE. “Hoje, fa- lar de envelhecimento não é fa- lar de promoção de saúde, é fa- lar de doença. Isso precisa mu- dar. A gente (profissionais da saúde) precisa avisar isso à po- pulação”, afirmou durante o Summit a médica geriatra Mai- sa Kairalla, da Universidade Fe- deral de São Paulo (Unifesp). Ela ressaltou que muitas pes- soas não fazem check-up e só buscam atendimento quando já estão doentes. Trata-se de uma mudança de mentalidade que envolve não apenas oferecer conheci- mento e educação para quem já chegou aos 60 anos ou pas- sou dessa idade, mas também pensar na formação para a ve- lhice desde cedo. “A educação para o envelhe- cimento precisa ser parte do currículo da educação infantil. É preciso começar cedo por- que, neste país de dimensões tão grandes, temos muito a fa- zer do ponto de vista político para que todos tenham condi- ções mínimas de acesso ao que é fundamental para o envelhe- cimento saudável”, afirmou a presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Geron- tologia/Nacional (SBGG), Nai- ra Dutra Lemos, durante pales- tra no evento. l Falta de interesse em geriatria vai na contramão do cenário demográfico ‘Precisamos decidir se serão mais anos de velhice ou mais anos de vida’ Além do etarismo, desafio para os 60+ é aliar bons hábitos a uma busca contínua de conhecimento, afirma geriatra Em 1975, a média de filhos por mulher no Brasil era de 5,8. No início dos anos 2000, o núme- ro já estava abaixo da taxa de reposição e, hoje, a média na- cional é de 1,57. Enquanto isso, projeções do IBGE mostram que a proporção de pessoas com 60 anos ou mais passou de 8,7% para 15,6% entre 2000 e 2023. Em 2070, a estimativa é de que 37,8% da população do País será composta por idosos. Essa tendência, porém, não tem influenciado os egressos das escolas de Medicina, de acordo com os dados citados pelo geriatra Alexandre Kala- che, no Estadão Summit Saú- de e Bem-Estar. “Ainda hoje, 11% dos residentes estão indo para a obstetrícia, 10% seguem para a pediatria e apenas 0,5% escolhem a geriatria”, disse. DÉFICIT. Ainda nos anos 1970, quando realizou uma pesquisa para entender o que levava à escolha da geriatria pelos médicos, a maioria das respos- tas passou longe do contexto demográfico. “Quem escolhia geriatria normalmente tinha ti- do contato com os avós duran- te a infância”, disse Kalache. Para a geriatra e coordenado- ra do Ambulatório de Transi- ção de Cuidados da disciplina de Geriatria e Gerontologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Maisa Kairal- la, enquanto persistir esse défi- cit, será preciso investir em for- mação para que médicos de di- ferentes especialidades, além de outros profissionais da saú- de, aprendam a cuidar desse contingente crescente. Presidenteque te- mos tantos princípios e ideais po- líticos diferentes que justifi- quem essa quantidade de parti- dos? Quando um político fica pu- lando de partido em partido, se- rá que ele mudou de ideologia? Ou, pior, quando eu votei nele no partido A e, durante o mandato, ele muda para o partido B, o que aconteceu com os ideais que me fizeram acreditar e votar nele? E quando os partidos veem que vão perder e resolvem fazer coli- gações para tentar ganhar a elei- ção, o que aconteceu com todo o discurso anterior? Ou seja, os par- tidos hoje não representam nada e a ideologia dos políticos pode mudar a qualquer hora, confor- me a vontade/necessidade de vencer uma eleição. A meu ver, é contra isso que devemos lutar num primeiro momento: enxu- gar o número de partidos, cobrar as promessas de campanha e, nu- ma próxima eleição, não fazer doações para campanhas sem que haja mecanismos de contro- le do dinheiro arrecadado. Claudia Lebovits São Paulo Lula e Bolsonaro No 2.º turno das eleições para prefeitos nas capitais brasileiras, o PT de Lula perdeu em São Pau- lo, Porto Alegre, Natal e Cuiabá. O PL de Jair Bolsonaro perdeu em Belo Horizonte, Fortaleza, Manaus, Goiânia, Palmas, Be- lém e João Pessoa. Está claro que os brasileiros sabem que Lula e Bolsonaro levaram o Brasil ao fundo do poço. Nos últimos anos, empresas multinacionais fugiram do País, a miséria au- mentou, a moeda desvalorizou e nenhum novo empreendimento de grande volume trouxe empre- gos para os trabalhadores. A falta de segurança nas principais capi- tais assusta. O resultado das ur- nas foi a resposta dos eleitores aos farsantes e dissimulados. José Carlos Saraiva da Costa Belo Horizonte Triste missão Está se desenhando uma triste missão para Lula: programar o réquiem do PT. Lincool Waldemar D’Andrea São Paulo Meta de inflação O que pensa Galípolo? Sobre a coluna de Alexandre Schwartsman intitulada Galípo- lo subscreve a proposta de seu men- tor de elevar meta de inflação ou fin- girá que não é com ele? (Estadão, 26/10), acho que a discussão so- bre mudar o centro da meta de inflação é um debate importante e deve ser feito sem paixões. In- dependentemente de concordar ou discordar da necessidade de revisar a meta, há um relativo consenso de que o Brasil precisa escapar da armadilha da renda média e chegar ao patamar da renda alta. Se todos concordam que o objetivo é fazer com que o Brasil alcance o patamar de bem- estar econômico dos países de- senvolvidos, é preciso então olhar para os países de renda alta e tentar entender o que eles fize- ram, como eles conseguiram es- capar da armadilha da renda mé- dia. Uma pergunta que precisa- mos responder é a seguinte: du- rante o período de transição en- tre a renda média e a renda alta, qual era a inflação desses países? Quantos desses países hoje con- siderados ricos mantiveram uma taxa de inflação de 1%, 2%, 3% ao ano? Hoje, o centro da me- ta brasileira é de 3%. A meta ame- ricana é de 2%; a meta dos euro- peus é de 2%; e a meta dos austra- lianos é de 2% a 3% ao ano. Nós somos uma país de renda média, perseguindo uma meta de país de renda alta. Na minha modesta ignorância, fico receoso de que o Brasil, ao perseguir uma inflação de país rico, mesmo sendo um país de renda média, esteja preju- dicando sua capacidade de se tor- nar um país rico. Se toda vez que o País ensaia aumentar suas ta- xas de crescimento, a autoridade monetária deprime a oferta de crédito aumentando juros, tere- mos de conviver eternamente com um crescimento de 1%? Não sei, mas gostaria de pergun- tar isso para o debate acadêmico: qual era a inflação dos países que hoje são considerados ricos du- rante o processo de enriqueci- mento? Talvez esses países tive- ram de conciliar taxas razoáveis de crescimento com taxas mode- radas de inflação. Felipe Eduardo Lázaro Braga São Paulo O Estado reserva-se o direito de selecionar e resumir as cartas. Correspondência sem identificação (nome, RG, endereço e telefone) será desconsiderada l E-mail: forum@estadao.comFÓRUM DOS LEITORES Francisco Gomes Neto É PRESIDENTE E CEO DA EMBRAER Assim como visionários imaginavam que era possível o País construir seus próprios aviões, também é possível liderar a corrida global da transição energética e da economia verde A4 O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 INÊS 249 l “É um escárnio uma candidatura receber R$ 81 milhões de dinheiro público.” FABRÍCIO INDIGO l “Teve o que merecia! Muita pretensão des- se senhor querer governar São Paulo.” MÁRCIA BARBALHO l “Esquerda sendo devastada do País… PT então nem aparece mais… bons presságios para 2026!!!” LINCOLN PIZZOQUERO l “Parabéns Boulos. Você não perdeu nada. Quem perdeu foi São Paulo.” SOCORRO QUIRINO Apesar da campanha mais estruturada, com apoio de mais partidos e orçamento de mi- lhões, Guilherme Boulos (PSOL) repetiu a vota- ção da eleição de 2020, conquistando apenas 155,8 mil votos a mais nas eleições deste ano. l Segurança, educação e o universo prisional Comentários de leitores no portal e nas redes sociais ‘Conectado’: assine e co- mece o dia bem informado. l https://bit.ly/3K6DaB3 Pontal do Peba, em Ala- goas, tem erosão crítica.l https://encr.pw/GPLSM Vendas caem e Tesla dá descontos acima de 20%. l https://encr.pw/4718e ESPAÇO ABERTO O governo federal enfrenta dificul- dades na segu- rança pública com problemas conhecidos e recorrentes. Em geral, a justificativa é a ausên- cia de verbas para atender às demandas, o que é parcialmen- te verdade. Um país que está entre as dez maiores econo- mias do mundo não pode ale- gar falta de recursos. A ques- tão é como esse erário é aloca- do e distribuído. Na segurança pública os pro- blemas são variados e parte de- les reflete no universo prisio- nal. Em pleno 2024 não se sa- be, com exatidão, qual a popu- lação carcerária brasileira. E como implementar e desen- volver políticas de ressociali- zação sem se saber qual é esse número? Falta um banco de dados efi- ciente, minimamente confiá- vel e unificado acerca do total dos presos no Brasil, pois quando não se conhece o pú- blico, poucos resultados são obtidos, e no cárcere a realida- de é a mesma. Claro está que a capacidade de ressocialização dos presos é baixa, pois, segun- do o Anuário Brasileiro de Segu- rança Pública 2024, apenas 19,7% trabalham, mesmo dian- te do artigo 126, parágrafo 1.° da Lei de Execução Penal, que prevê a redução de um dia de pena por três dias trabalhados pelo condenado que cumpre pena em regime fechado ou se- miaberto. O mesmo artigo também prevê a remissão pe- lo estudo. Assim, o Estado bra- sileiro falha ao não incentivar e/ou aproveitar a previsão le- gislativa para capacitar e edu- car o preso ao longo do cum- primento da pena. E qual a relevância da resso- cialização para o Estado De- mocrático de Direito brasilei- ro? No Brasil não temos pena de morte, logo, se pressupõe que os presos ao cumprirem sua pena serão reinseridos na sociedade. Dessa forma, se o governo federal ofertar cami- nhos para capacitar a popula- ção prisional, os frutos podem ser revertidos para a própria sociedade. Uma parcela significativa da população brasileira consi- dera que o preso é um mal so- cial e, não por acaso, o adágio popular “bandido bom é ban- dido morto” ainda reverbera no Brasil. Por conseguinte, te- mos insatisfação quando há a cogitação de investimentos para educar o preso. A repos- ta dos contrários, em geral, é: o Estado paga pelo preso e ainda vai investir em uma pes- soa que cometeu um crime? Exatamente. A educação é o melhor cami- nho para recuperar o preso e, para tanto, precisamos com- preender como é esse univer- so. Quarenta e três por cento dos presos têm idade entre 18 e 29 anos, e se for considerado até os 34 anos, o número chega a quase 63%. Acerca da escola-do Departamen- to de Gerontologia da Socieda- de Brasileira de Geriatria e Ge- rontologia (SBGG), Naira Du- tra Lemos defendeu a necessi- dade de políticas públicas de longo prazo que considerem a formação para a velhice desde a primeira infância. “Que esco- la infantil ensina à criança que ela vai envelhecer?” l O.B. NA WEB www.estadao.com.br/ Assista aos painéis sobre as demandas da população 60+ Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil: ‘O único segmento que vai continuar a crescer são os 60+’ FOTOS: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO “A vida não é uma corrida de cem metros, que termina em segundos. A vida é uma maratona cada vez mais longa. E uma maratona precisa de perseverança, de determinação, de resiliência e, sobretudo, de aprendizado. O País só vai dar certo com educação da infância à velhice” Alexandre Kalache Geriatra Discriminação Idadismo, etarismo ou ageísmo: termos se referem ao preconceito por causa da idade Longevidade Maisa Kairalla, da Unifesp: investimentos em formação Naira Lemos, da SBGG: políticas públicas de longo prazo D2 ESPECIAL TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 Conteúdo patrocinado Este material é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado por Novartis. Especialistas discutem soluções para ampliar o acesso e melhorar a qualidade da saúde no Brasil No Estadão Summit Saúde & Bem-Estar 2024, painel explorou caminhos para integrar sistemas e garantir assistência eficiente em meio a restrições financeiras O Brasil enfrenta um desafio histórico quando o assunto é saúde pública. Em um país de dimensões continentais e reali- dades econômicas e sociais tão diversas, garantir que a popula- ção tenha acesso a cuidados de qualidade é uma questão cada vez mais premente. Esse foi o foco do brand talk “Reimagi- nando a medicina: qualidade assistencial e desafios financei- ros” no Estadão Summit Saúde & Bem-Estar 2024. A discussão contou com a participação de Fábio Guimarães, diretor de Valor e Acesso da Novartis Bra- sil; Denizar Vianna, professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Esta- dual do Rio de Janeiro (UERJ); e César Franco, CEO da joint venture ABPF Oncologia. A me- diação foi feita pela jornalista Camila Silveira. Logo no início, Vianna deu o tom da conversa ao destacar os três pilares que sustentam qualquer sistema de saúde: acesso, qualidade e sustenta- bilidade. “O Brasil compro- mete hoje 4% do PIB com saúde pública, enquanto os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvi- mento Econômico (OCDE) destinam pelo menos 6,5% para sistemas de acesso uni- versal. Precisamos aumentar esse percentual, mas isso não Tiago Queiróz será possível dentro das atu- ais regras fiscais”, apontou. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) tenha avançado em termos de acesso, Vianna destacou que ainda enfrenta grandes gargalos, especial- mente na média complexi- dade. “O diagnóstico precoce e o acesso a especialistas são pontos críticos. Pacientes com câncer, por exemplo, muitas vezes esperam mais do que o necessário para obter um diagnóstico, o que comprome- te a eficácia do tratamento”, explicou. Ele também enfati- zou que o setor público, por si só, não conseguirá superar es- ses obstáculos. “É preciso uma colaboração entre os setores público e privado”, completou. A fragmentação do atendi- mento foi outro ponto crítico apontado pelo professor. “O paciente faz radioterapia em um lugar, quimioterapia em outro e o diagnóstico em um terceiro local. Precisamos in- tegrar esses processos para ga- rantir uma jornada contínua e eficiente”, ressaltou. Inovação e colaboração no setor de saúde Já Fábio Guimarães, da No- vartis, destacou o papel inova- dor da empresa no cenário de saúde brasileiro. “Nos últimos cinco anos, trouxemos 18 ino- desenhamos linhas de cuidado integradas. O tratamento é uma parte, mas o impacto real vem da gestão coordenada e da oti- mização de recursos”, explicou. César Franco, CEO da ABPF Oncologia, trouxe à discussão a experiência da joint venture entre BP, Bradesco e Fleury, cria- da para enfrentar os desafios de integração no atendimento on- cológico. “Desenhamos todo o processo de cuidado de ponta a ponta, com tecnologia e indica- dores que nos permitem acom- panhar a jornada do paciente e garantir que o cuidado seja o melhor possível”, destacou. Durante o painel, ficou cla- ro que colocar o paciente no centro do debate é fundamen- tal. Vianna reforçou essa visão ao afirmar que “o paciente não quer saber se está sendo trata- do pelo público ou privado, ele quer ser bem atendido”. A frase, ecoada por todos os participan- tes, resume a urgência de uma maior articulação entre os di- ferentes agentes do sistema de saúde, sempre com foco nas ne- cessidades reais de quem está na ponta do ecossistema. Ao final, Guimarães sinteti- zou o sentimento geral: “A cola- boração entre todos os agentes do sistema é o primeiro passo para transformar a ciência em soluções acessíveis e efetivas para os pacientes”, concluiu. Nos últimos cinco anos, trouxemos 18 inovações ao sistema de saúde, incluindo a primeira terapia gênica, mas a inovação só é efetiva quando vem acompa- nhada de colaboração. Precisamos trabalhar em conjunto com o sistema público e as operadoras privadas para garantir que essas inovações cheguem a quem mais precisa” No palco, a mediadora Camila Silveira com César Franco, ABPF Oncologia; Denizar Vianna, da UERJ; e Fábio Guimarães, da Novartis Brasil, que participaram do brand talk ‘Reimaginando a medicina: qualidade assistencial e desafios financeiros’ vações ao sistema de saúde, in- cluindo a primeira terapia gê- nica, mas a inovação só é efetiva quando vem acompanhada de colaboração. Precisamos traba- lhar em conjunto com o sistema público e as operadoras priva- das para garantir que essas ino- vações cheguem a quem mais precisa”, afirmou. Como exemplo desse esforço colaborativo, Guimarães men- cionou uma parceria da Novar- tis com operadoras de saúde, envolvendo aproximadamente 7,5 milhões de vidas. “Juntos, Fábio Guimarães, diretor de Valor e Acesso da Novartis Brasil O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL D3 INÊS 249 GIOVANNA CASTRO Melhorar a coleta de dados e criar conexão entre diferentes sistemas são essenciais para ga- rantir a eficiência da inteligên- cia artificial (IA) e seu poten- cial na área da saúde. Segundo a professora de IA e Robótica e vice-diretora do Instituto de Computação da Unicamp, Es- ther Luna Colombini, os ban- cos de dados precisam estar bem estruturados, com infor- mações confiáveis e diversas. “Estamos numa convergên- cia para chegar a resultados in- críveis, desde que esses mode- los sejam feitos com bases de dados precisos”, disse ela no Estadão Summit Saúde e Bem- Estar. “O SUS pode ser referên- cia no cenário de dados”, acres- centou, dada a abrangência do Sistema Único de Saúde. Para o CEO do A.C. Camar- go Câncer Center, Victor Pia- na, “não adianta usar IA com dados faltantes”. O A.C. Ca- margo tem sido referência no uso de tecnologia para leitura de exames e organização de fi- la de prioridade de pacientes com câncer. Piana defendeu a criação de “massa única de da- dos”, com a colaboração entre empresas de saúde e o SUS. “Qualquer modelo de IA é tão bom quanto os dados que os alimentam. Dados pobres ou enviesados vão gerar uma inteligência artificial pobre ou enviesada”, disse o diretor de Estratégia e Inovação da MSD Brasil, Francisco Gaia. Coordenador-geral de Disse- minação e Integração de Da- dos e Informações em Saúde do Ministério da Saúde, Tiago Bahia Fontana afirmou que o governo trabalha na integração dos sistemas, hoje regionaliza- dos. “Já temos capacidade com- putacional, com nuvem públi- ca. Já temos isso (a coleta de da- dos), mas de maneira fragmen- tada.O esforço é fazer com que isso seja coordenado.” Entre os potenciais na saú- de, os especialistas destaca- ram a prevenção de doenças e complicações, por meio da análise do histórico do pacien- te e comparação com dados de pessoas com as mesmas carac- terísticas que tiveram determi- nada doença ou complicação. “Começamos na atenção pri- mária para coletar dados iniciais de qualidade e, a partir destes dados, começamos a entender quais preditores dos pacientes que evoluíram para uma sepse na UTI, por exemplo”, relatou o diretor da Saúde Digital do Hos- pital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Carlos Ro- berto Ribeiro de Carvalho. Existe ainda potencial de de- senvolvimento de vacinas por modelos anteriormente ma- peados e diagnóstico mais rápi- do de tumores por meio de lei- tura computadorizada de to- mografias. “Temos bases de va- cina ‘open source’ (softwares de código aberto, que mais pessoas podem acessar)”, disse Gaia. RADIOLOGIA. Piana ressaltou que áreas que começaram an- tes o dever de casa de coleta de dados – e uma das melhores for- mas de fazer isso é por meio de documentação de exames, que podem ser lidos por IA – já têm resultados mais precisos hoje, a exemplo da radiologia. “A IA nos ajuda a encontrar detalhes muito sutis em mamografias. E isso não é competir com radio- logista. A IA não vai substituir o médico, vai substituir o médi- co que não sabe usar a IA.” l LEON FERRARI Há uma linha que divide o He- misfério Sul e o Norte quan- do o assunto é inovação. De acordo com o Global Innova- tion Index 2024, da World In- tellectual Property Organiza- tion, o Brasil está na posição 50 de um ranking que conta com 133 países. Quando o assunto são as life sciences (ciências da vida, em tradução literal), área que estu- da os organismos vivos e os processos relacionados à vida, fica um pouco melhor, mas há espaço para avanços, defen- deu a professora titular da Ca- deira de Saúde Global e Desen- volvimento Clínico na Univer- sidade de Oxford Sue Ann Cos- ta Clemens, diretora do Ox- ford Latam Research Group. “Focando na inovação em ciência, em relação aos líderes globais de pesquisa, estamos na posição 21. Entre os países de baixa e média renda, somos o número 2, o que é excelen- te”, disse ela durante palestra no Summit Saúde e Bem-Es- tar, promovido pelo Estadão. “Na parte de produção cien- tífica, estamos, no ranking glo- bal, na posição número 14. A USP, na posição número 1 na América Latina, mas quando olhamos a nível global, na posi- ção 106. O que está faltando? Está faltando a gente traduzir pesquisa e inovação em impac- to em saúde”, afirmou. Superar essa lacuna em ciên- cia translacional, isto é, em con- verter os achados de uma pes- quisa em um “produto” e ofere- cê-lo à sociedade, é fundamen- tal, afinal, inovação está direta- mente ligada à melhoria da qua- lidade de vida e ao aumento dos anos de vida, segundo Sue Ann. “Certamente, se estamos aqui hoje, gozando de boa saú- de, inovação e pesquisa tive- ram muito a ver com esse des- fecho”, destacou ela, ao lem- brar que sua primeira partici- pação no Summit foi remota, enquanto o mundo era assola- do pela pandemia da covid-19. Embora a primeira coisa que venha à cabeça quando o assun- to é inovação seja um produto novo, nem sempre é assim, des- tacou a professora. “A inovação também pode ser um aprimora- mento de algo que já existe.” DISRUPTIVA. Um requisito fun- damental, destacou, é a criati- vidade. “A inovação é disrupti- va, desafia o status quo, e isso, às vezes, nos deixa um pouco cautelosos.” Por isso ela defen- deu a necessidade de transpa- rência. “Se for transparente e for explicado, ela se torna mui- to mais fácil de ser absorvida, de trazer fomento e gerar em- pregos e crescimento econô- mico”, observou. “Mais uma vez, nós temos ta- lentos e provamos isso via nos- sa produção científica em dife- rentes nichos, mas, se esses ni- chos não se conectarem, a gen- te não entrega impacto. Ou se- ja, a inovação não é sustentá- vel, não está aplicada à nossa realidade”, disse a professora. Nesse sentido, há muitos de- safios para os pesquisadores, de acordo com ela. No Brasil, em geral, eles não têm dedica- ção exclusiva. “Ele tem vários empregos e, além disso, tem que fazer a pesquisa.” Ela defen- deu mais fomento, capacitação, mentores capacitados, além de um desenvolvimento de carrei- ra programado e um investi- mento da indústria nacional. “É muito fácil a gente chegar aqui e falar: ‘Vamos fazer isso’. Mas, se você não tem um pro- fissional qualificado… Às ve- zes, ele é bem qualificado tecni- camente, na doença, na patolo- gia, mas não no desenvolvi- mento. O pesquisador tem uma formação diferente do médico e do enfermeiro.” Especialista na área de vaci- nas, Sue Ann se mostrou ani- mada com os avanços que a in- teligência artificial pode tra- zer. Segundo ela, a IA é prediti- va para o controle de doenças infecciosas e para a identifica- ção de alvos e design de produ- tos-candidatos. “Em vez de fi- carmos anos na pesquisa de bancada, entendendo qual é o receptor, o antígeno, qual é a melhor plataforma para o de- senvolvimento daquele produ- to, a inteligência artificial nos ajuda a acelerar esse processo com qualidade.” l Coletar dados de qualidade é lição de casa para uso da IA NA WEB www.estadao.com.br/ Assista ao painel sobre inteligência artificial na saúde Banco qualificado de dados é fundamental, segundo especialistas Oportunidade Tecnologia pode impulsionar desde a prevenção de doenças até a criação de vacinas NA WEB www.estadao.com.br/ Assista à palestra sobre inovação e pesquisa e o futuro da saúde FOTOS: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO Professora Sue Ann Clemens defendeu capacitação de pesquisadores Áreas Preparação para pandemia, impactos do clima na saúde e longevidade estão entre os focos para inovação ‘Precisamos traduzir a pesquisa em impacto na saúde pública’ “Provamos (talento) via produção científica em diferentes nichos, mas, se esses nichos não se conectarem, a gente não entrega impacto” Sue Ann Costa Clemens Pesquisadora de Oxford Brasil não está mal no ranking mundial de inovação, mas há espaço para melhora, afirma Sue Ann Costa Clemens, de Oxford Ciência D4 ESPECIAL TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 Conteúdo patrocinado Este material é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado por A.C.Camargo. A descoberta de um câncer é um momento impactante na vida de qualquer pessoa, ini- ciando uma jornada cheia de desafios. Os avanços na medi- cina e as novas tecnologias têm contribuído para que o trata- mento oncológico seja mais efi - ciente e menos custoso. No A.C.Camargo Cancer Cen- ter, cirurgias minimamente in- vasivas, como as robóticas, redu- zem o tempo de internação nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Pacientes passam em mé- dia 3,28 dias, enquanto a média em outros hospitais privados é de 5,98 dias. Processos perso- nalizados no atendimento tam- bém contribuem para a menor procura por pronto-socorro, como enfermeiras navegadoras coordenando toda a jornada do paciente, diminuindo o tempo de espera para o início do trata- mento, sempre em conformida- de com os protocolos clínicos. Dados do A.C.Camargo mos- tram que pacientes "navegados" têm 16% mais chances de cura e custam R$ 25 mil a menos para o sistema de saúde. O mo delo exclusivo de um Cancer Center como o A.C.Camargo acompanha de forma eficaz toda a jornada do paciente, do diagnóstico ao tratamento e até remissão. Ao considerar o paciente em sua totalidade e com um pla- Diagnósticos rápidos, precisos e precoces aliados aos mais modernos tratamentos aumentam as chances de cura de diversos tipos de tumor Avanços em ciência e tecnologia transformam a jornada do paciente oncológico nejamento personalizado, o desperdícioé minimizado, tor- nando a cadeia mais efi ciente e gerando melhores resultados. Rastreamento ágil Segundo o Dr. Felipe Coim- bra, líder cirúrgico do Centro de Referência de Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo, o diagnóstico pre- coce é essencial para o sucesso no tratamento oncológico. “O check-up anual é uma ferramen- ta valiosa para identificar ano- malias ainda em estágio inicial”, afirma o médico. No caso do câncer de estômago em homens, quando diagnosticado precoce- mente, a taxa de cura é superior a 80%, enquanto no estágio 3 cai para 48%. Em mulheres, as chances de cura diminuem de 88% para 47%, do estágio 1 para o estágio 3, respectivamente. O câncer de pâncreas, uma 13 Centros de Referência especializados em cada tipo de tumor, inclusive os raros + de 1.700 artigos publicados nos últimos anos + de 255 publicações em revistas internacionais + de 2 mil residentes formados + de 1 mil mestres e doutores especializados em oncologia Pioneirismo em enfermeiras navegadoras, coordenando a jornada e aumentando em 16% as taxas de sobrevida Redução de 50% em relação à literatura em internação em UTI com cirurgias robóticas minimamente invasivas Consulta Diagnóstico Tratamento Acompanhamento por 5 anos Tumor Board Confirmação diagnóstica e discussão do plano terapêutico Cirurgia e/ou outros procedimentos PESQUISA Fim do ciclo de tratamento PACIENTE NO CENTRO E A CIÊNCIA AO SEU REDOR TRATAMENTO DIAGNÓSTICO ENSINO A.C.CAMARGO CANCER CENTER 94% dos pacientes A.C.Camargo não apresentaram incontinência urinária 12 meses após tratamento de câncer de próstata Realização de exames Prevenção Sobrevida em estágio inicial: Mama 98,7% tireoide 99,1% em mulheres / 98,8% em homens Após concluir o tratamento e 'tocar o sino', que marca o fim de um ciclo, o paciente oncológico segue em acom- panhamento por, pelo menos, cinco anos até ser considerado curado, mas já retoma suas ati- vidades e reconstrói sua vida antes desse período. Luciana da Costa, 45 anos, gerente de Nutrição do A.C.Camargo, foi diagnosticada com câncer de mama em feve- reiro de 2023. "Minha vida virou de cabeça para baixo. Foi um ano de cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapia-alvo", relembra. Durante o trata- mento, Luciana não se afastou completamente do trabalho. "Acreditava que ficar em casa pensando na doença seria pior. Embora debilitada em alguns momentos, trabalhei remota- mente sempre que possível." Ao retornar, Luciana se sentiu insegura e angustia- da. "Eu associava a doença à minha rotina anterior, como se meu estilo de vida tives- se causado o câncer. Queria mudar tudo." Com o tempo, percebeu que o importante era o cuidado atual. "Sempre me preocupei com a alimen- tação, então mantenho uma dieta equilibrada, não consu- mo álcool e pratico exercícios diariamente. Sinto-me bem e fortalecida para recomeçar." das neoplasias mais agressivas, é frequentemente descoberto tardiamente devido à ausên- cia ou à sutileza dos sintomas iniciais. “Desenvolvemos no A.C.Camargo um protocolo de diagnóstico rápido para o cân- cer de pâncreas, que reduz o tempo de espera para diagnós- tico e início do tratamento para 72 horas. Essa iniciativa inclui um sistema que integra todos os serviços necessários para um planejamento terapêutico efi- ciente”, explica Coimbra. Tumor com sobrenome As novas tecnologias permi- tem detectar o câncer de forma mais rápida e detalhada, identi- ficando o tipo exato de tumor e suas características molecu- lares. “Com essas informações, podemos selecionar tratamen- tos mais eficazes e melhorar o prognóstico, aumentando as chances de sucesso”, explica a pesquisadora Dirce Maria Car- raro, responsável pela divisão de Pesquisa e Desenvolvimento do Núcleo de Diagnóstico Ge- nômico do A.C.Camargo. Para casos complexos que exigem abordagens além dos protocolos tradicionais, o A.C.Camargo conta com o Tu- mor Board, um grupo multidis- ciplinar de médicos e pesqui- sadores que, juntos, definem a melhor conduta. Do começo ao recomeço O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL D5 INÊS 249 LEON FERRARI A população brasileira cresce – em um ritmo menos acelerado do que no passado, é verdade –, mas, ao mesmo tempo, enve- lhece em velocidade nunca an- tes vista. Isso gera, para o siste- ma de saúde, um desafio du- plo, que é atender a demandas de ambos os lados da pirâmide etária. Como, então, fazer isso e vencer as famosas filas por exames e atendimentos? Para especialistas que parti- ciparam do Estadão Summit Saúde e Bem-Estar, as parce- rias público-privadas (PPPs) podem ser parte da resposta. “É importante o público e o pri- vado caminharem juntos, ou a gente não vai conseguir fazer com que o sistema de saúde co- mo um todo consiga atender es- ses 210 milhões de habitantes”, disse o superintendente do Hospital das Clínicas da Facul- dade de Medicina da USP, An- tonio José Rodrigues Pereira. “Na pandemia de covid-19, ficou demonstrada a im- portância do SUS, mas tam- bém a importância de o SUS trabalhar junto com hospitais privados, e o privado como um todo”, continuou Pereira. Diretor de Responsabilida- de Social e Sustentabilidade do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor de Ensino do Instituto Brasileiro das Or- ganizações Sociais de Saúde (I- bross), Guilherme Schettino afirmou que as PPPs são um “modelo jovem”. “Estamos ex- perimentando essa oportuni- dade de parceria nos últimos 20 anos”, disse. BENEFÍCIOS. Segundo Schetti- no, uma das vantagens das par- cerias é levar a excelência de gestão do setor privado para o setor público. “Levar o olhar para satisfação do usuário. Per- guntar para o usuário se ele foi bem atendido, pedir sugestões em relação ao atendimento que recebeu.” Outro benefí- cio, destacou, é a possibilidade de repassar tecnologia, como telemedicina e cirurgias ro- bóticas, que funcionaram na saúde suplementar. Para a diretora executiva de Pessoas, Sustentabilidade e Responsabilidade Social do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Maria Carolina Gomes, o modelo deve ser adotado por- que permite a possibilidade de reunir a experiência de servi- ços do ente privado e aportar esse conhecimento no SUS. Do lado do setor privado, disse Maria Carolina, o ganho é o desenvolvimento de pes- soas. “Porque, nessa parceria, há um compartilhamento de práticas.” Nesse sentido, Schettino destacou que o se- tor privado tem muito a apren- der sobre atenção primária, is- to é, a porta de entrada do siste- ma de saúde, com o SUS. l OCIMARA BALMANT Apesar de o setor de saúde res- ponder por 10% do PIB, o de- senvolvimento da área requer que o País consiga reverter o déficit de US$ 10 bilhões na ba- lança comercial no setor de fár- macos e biofármacos, afirmou o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comér- cio Exterior do BNDES, José Luis Gordon. “Queremos uma indústria de fármacos inovadora. Va- mos inovar em genérico, mas também em tecnologias dis- ruptivas”, disse ele durante o Estadão Summit Saúde e Bem- Estar. De acordo com Gordon, nos últimos dois anos, o setor da saúde foi o que mais buscou investimentos dentro da agen- da de inovação do BNDES. “Fo- ram R$ 6 bilhões, o maior fi- nanciamento da história do BNDES no setor.” O objetivo é o apoio a uma indústria “mais digital, mais inovadora e mais verde, que use a diversidade brasileira pa- ra desenvolver novos fárma- cos”. Uma movimentação que abarca também hospitais, ser- viços de saúde e a indústria de máquinas e equipamentos. Gordon citou três estraté- gias do BNDES já direcionadas ao segmento. Uma delas é o Fornecedores SUS, que consis- te em crédito associado a uma meta de fornecimento ao Siste- ma Único de Saúde de disposi- tivos para saúde produzidosno País. “É um sistema ágil, com financiamento rápido.” Para o início de 2025 tam- bém está previsto o lançamen- to de um fundo para as chama- das deep techs, que são star- tups baseadas em investigação científica. “Esse nicho hoje ad- quiriu maturidade”, afirmou. Por fim, o BNDES será agen- te financeiro do Fundo de In- vestimento (Fiis), instrumen- to que vai financiar equipa- mentos e serviços nas áreas de educação básica, saúde e segu- rança pública. “A saúde está no centro da economia do futu- ro. Por isso, queremos cada vez mais um setor mais forte e competitivo, e isso é o papel do BNDES”, declarou. INTERDISCIPLINAR. Ao abrir o Summit, o CEO do Estadão, Erick Bretas, afirmou que a saúde é tema urgente. “Se doenças relacionadas à falta de saneamento e à desnutri- ção parecem superadas, agora enfrentamos a ameaça da obe- sidade e do sedentarismo. Há ainda enfermidades que ga- nham força com as mudanças climáticas.” Ele defendeu uma discussão de forma interdisciplinar. “Não é possível falar em saúde sem incluir tecnologia, econo- mia, empreendedorismo, po- líticas públicas e iniciativas pri- vadas. Os caminhos estão na ação de todos esses agentes.” Coordenador do Programa Avança Saúde da Secretaria Municipal da Saúde, Marcelo Itiro Takano destacou o tripé no qual a atuação da pasta se baseia. “Repositório de da- dos, plataforma de teleassis- tência e aplicativo do cida- dão. A integração é o desafio do futuro.” l Setor se movimenta para reverter quadro e foi o que mais buscou investimentos dentro da agenda de inovação do BNDES, diz diretor NA WEB www.estadao.com.br/ Assista ao painel sobre os desafios do SUS e parcerias público-privadas José Luis Gordon, do BNDES, destacou o papel do banco no fortalecimento do setor de saúde FOTOS: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO Déficit da balança comercial na área de fármacos desafia o País Financiamento Objetivo dos programas é apoiar uma indústria ‘mais digital, mais inovadora e mais verde’ Indústria NA WEB www.estadao.com.br/ Assista ao painel sobre os investimentos do BNDES no setor Marcelo Takano, da Prefeitura: integrar sistemas é essencial Erick Bretas, do ‘Estadão’: saúde é um tema urgente Para especialistas, intercâmbio de experiências enriquece PPPs Parcerias têm ganhos para saúde pública e privada Para entender l Tradicional Modelo é o de serviços ofere- cidos pelas Santas Casas ou hospitais filantrópicos, que reservam parte da capacida- de de atendimento para os usuários do SUS e são remu- nerados por isso l Gestão Também comum é o mode- lo no qual um ente privado é contratado para fazer a ges- tão de uma unidade de saú- de pública, que pode ser des- de uma UBS até hospitais l Contratos Para Schettino, ideal é olhar para a qualidade do serviço. Um exemplo é quando uma consultoria define previa- mente o custo e, na hora de contratar, leva-se em conta quem, dentro desse valor, oferece o melhor serviço D6 ESPECIAL TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 Conteúdo patrocinado Este material é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado por GSK. Tão importante quanto se- guir o calendário de vacina- ção na infância é manter esse compromisso ao longo da vida adulta, já que a imunização salva milhões de vidas anual- mente.1,4 As opções disponí- veis nas redes pública e priva- da de saúde no Brasil podem prevenir uma série de doen- ças, a exemplo de pneumonia, infl uenza, coqueluche, herpes zoster e vírus sincicial respira- tório (VSR), entre outras.2-5 O Ministério da Saúde ofere- ce gratuitamente imunizantes que protegem contra mais de 25 doenças para todos os pú- blicos, desde recém-nascidos até a terceira idade.4,5 Na rede privada também estão disponí- veis vacinas para a imunização de todas as faixas etárias, em complemento ao calendário do Programa Nacional de Imuni- zações (PNI).2,3 “A recomendação vacinal leva em conta, entre outros fatores, a idade e o histórico de cada indivíduo. Em caso de doença crônica, é ainda mais importante conversar com o médico sobre as imunizações necessárias”, diz a infectologista e gerente médica de vacinas da biofarmacêutica GSK, Lessan- dra Michelin (CRM 23494-RS). Ela explica que o envelheci- mento envolve alterações no sistema imunológico. Esse pro- cesso, conhecido como imu- nossenescência, contribui para um aumento no risco de infec- ções e de evolução para formas graves de doenças.6 É o caso, por exemplo, dos efeitos em potencial do VSR, preocupante em adultos acima de 60 anos que enfrentam condições crô- nicas de saúde preexistentes, as chamadas comorbidades.7,8 Em alguns períodos deste ano, segundo dados do Info- Doenças potencialmente graves podem ser prevenidas por diversas vacinas recomendadas e disponíveis nas redes pública e privada1-5 Imunização também é essencial para adultos e idosos ao envelhecimento da popula- ção, já que o número de idosos no Brasil cresceu 57,4% em 12 anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geogra- fi a e Estatística (IBGE)10. A doença é causada pela rea- tivação do vírus varicela zoster, que costuma ser adquirido ain- da na infância através da cata- pora, e já pode estar presente no organismo de cerca de 94% dos brasileiros adultos.12,13 O sintoma mais característico do herpes zoster é a dor pro- vocada pelas lesões cutâneas, que podem surgir em qualquer parte do corpo, mas são mais frequentes no tórax, no abdô- men e na face, seguindo os tra- jetos dos nervos.9,14 “Muitas pessoas menospre- zam os sintomas e sequelas de doenças que são preveníveis por vacina e podem ser graves em adultos, provocar quadros clíni- cos incapacitantes, trazer impac- tos a longo prazo e até levar ao óbito”, fi naliza a infectologista. Referências 1. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Vaccines and Immunization. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024. 2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação do nascimento à terceira idade: recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2024/2025. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024. 3 SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Pneumologia. Guia de Imunização SBIm/SBPT (2024/2025). Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024. 4. BRASIL. Ministério da Saúde. Vacinação é a maneira mais eficaz para evitar doenças. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024. 5. BRASIL. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024. 6. SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA E SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Geriatria: guia de vacinação (2022/2023). Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024. 7. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Vírus sincicial respiratório (VSR). Disponível em: . Acesso em: 14 outubro 2024. 8. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Respiratory Syncytial Virus Infection (RSV). RSV in older adults and adults with chronic medical conditions. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024. 9. BRASIL. Ministério da Saúde. Herpes (Cobreiro). Disponível em Acesso em 7 de maio de 2024; 10. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) - Disponível em Acesso em 7 de maio de 2024; 11. BRASIL. Ministério da Saúde. Pesquisa realizada na base de dados DATASUS, utilizando os limites “ANO/MÊS DE ATENDIMENTO” para Linha, “NÃO ATIVA” para Coluna, “CASOS CONFIRMADOS” para Conteúdo, "INTERNAÇÕES";"ÓBITOS" E "TAXA DE MORTALIDADE" para Períodos disponíveis de Janeiro de 2022 a Março de 2024. Seleções disponíveis “VARICELA E HERPES ZOSTER” para Lista Morb CID-10 e “40 A 49 ANOS,50 A 59 ANOS, 60 A 69 ANOS, 70 A 79 ANOS E 80 ANOS E MAIS” para Faixa Etária 1. Base de dados disponível em Acesso em 13 de maio de 2024. 12. CLEMENS, S. Et al. Soroepidemiologia da varicela no Brasil – resultados de um estudo prospectivo transversal. Jornal da Pediatria, v. 75, n. 433-441, 1999. 13. SOUZA, V.:PANUTTI, C.; REIS, A. Prevalência de anticorpos para o vírus da varicela-zoster em adultos jovens de diferentes regiões climáticas brasileiras. Disponível em Acesso em 13 de maio de 2024. 14. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Prevention of herpes zoster: recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP). MMWR Recomm Rep. 2008;57(RR-5):1-30. 15. FIOCRUZ. INFOGRIPE. Monitoramento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) notificados no SIVEP-Gripe. Disponível em: Acesso em 20 de maio 2024. Material dirigido ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico. A recomendação vaci- nal leva em conta, entre outros fatores, a idade e o histórico de cada indivíduo. Em caso de doença crônica, é ainda mais importante conver- sar com o médico sobre as imunizações necessárias” Lessandra Michelin, infectologista e gerente médica de vacinas da biofarmacêutica GSK “ odo de 16 a 19 de maio deste ano, por exemplo, 55,7% dos casos de SRAG tiveram como agente identifi cado o VSR. 15 “Por isso, é importante que a população conheça a doen- ça. A infecção pode evoluir para quadros graves em ido- sos e 1 a cada 5 pacientes aci- ma de 60 anos hospitalizados devido ao VSR pode ir a óbito”, explica Lessandra. Herpes zoster O herpes zoster também tem despertado atenção pela crescente incidência entre adultos, especialmente acima dos 50 anos, quando começa a ocorrer o declínio natural do sistema imunológico.9,14 O número de hospitalizações decorrentes do herpes zoster vem crescendo no Brasil e che- gou a 2.600 em 2023, segundo o DataSUS, 10,6% a mais do que no ano anterior.11 A alta nos diagnósticos do herpes zoster pode estar relacionada gripe, o Vírus Sincicial Res- piratório impactou mais do que Influenza A, Influenza B e SARS-COV-2, sendo um dos principais agentes causado- res da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). No perí- As opções de vacinas disponíveis nas redes pública e privada de saúde no Brasil podem prevenir uma série de doenças1-5 Ge tty Im ag es O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL D7 INÊS 249 Otimizar serviços de saúde demanda inteligência na aplicação de recursos OCIMARA BALMANT Melhorar a qualidade, expan- dir o acesso e aumentar a pro- dutividade. Para os especialis- tas que participaram do Esta- dão Summit Saúde e Bem-Es- tar, é sobre esse tripé que a Me- dicina deve considerar o uso de novas tecnologias, um paco- te revolucionário que inclui ro- bótica e inteligência artificial aplicadas às cirurgias de preci- são e novos sistemas de gestão em hospitais inteligentes. “A tecnologia precisa ser uti- lizada como um elemento via- bilizador para que se consiga implementar inovação de for- ma sustentável ao sistema e que, ao mesmo tempo, propi- cie o aumento do acesso à saú- de”, afirmou a CEO do Grupo Fleury, Jeane Tsutsui. Ela citou dois exemplos de IA generativa na medicina diag- nóstica que obedecem a essa lógica: em ressonância magné- tica, para diminuir custo e tem- po em aquisição de exame, e em tomografia, para diagnosti- car casos mais graves. LINHA DO TEMPO. Nas cirur- gias, os avanços tecnológicos são refletidos em desfechos mais favoráveis ao paciente, disse o presidente da Socieda- de Brasileira de Videocirurgia, Robótica e Digital (Sobracil), Carlos Eduardo Domene. Pro- fessor de Cirurgia na Faculda- de de Medicina da Universida- de de São Paulo (USP), ele tra- çou uma linha evolutiva. Tudo começou com a cirur- gia 1.0, que implicava corte. A 2.0 introduziu a laparoscopia. Na 3.0, veio o uso da robótica; na 4.0, procedimentos envol- vendo IA; atualmente, já se tem a cirurgia 5.0, totalmente auto- matizada. “O desafio (de médi- cos e sistemas de saúde) é incorpo- rar cada vez mais rapidamente no dia a dia e acompanhar a ve- locidade com que essas coisas acontecem”, disse Domene. Para a incorporação efetiva de tecnologia, é importante aliar formação com incentivo ao novo. Nesse sentido, Leo- nardo Riella, brasileiro que le- ciona na Harvard Medical School, destacou que uma das diferenças entre EUA e Brasil é a valorização do médico-cien- tista e seu tempo de trabalho. “Se o médico não tem esse tem- po protegido para fazer a pes- quisa, é difícil dedicar tempo suficiente para desenvolver projetos e novas tecnologias.” TRANSVERSAL. No Brasil, o de- safio é “incentivar a inovação dentro de um ambiente em que somos treinados para não errar”, afirmou o diretor execu- tivo de Inovação do Hospital Israelita Albert Einstein, Rodri- go Bornhausen Demarch. Ele relatou que, no ecossistema Einstein, que possui centro universitário com cursos de graduação e pós-graduação em saúde, a inovação é componen- te transversal, presente nas áreas assistencial e de ensino. Além disso, a instituição tem priorizado inovações baseadas nas necessidades locais. “A in- corporação por si só nem sem- pre faz sentido. Mais importan- te é saber por que se está incor- porando. No nosso caso (do Brasil), as tecnologias são im- portantes para a busca da equi- dade nos sistemas de saúde.” E, para que se rume em dire- ção a essa equidade, o diretor- presidente do Hospital Ale- mão Oswaldo Cruz, José Mar- celo de Oliveira, defendeu a im- portância de uma escolha que parta do pressuposto de que “a saúde é sistêmica e os recursos são escassos”. “Meu alerta é co- mo incorporar (a tecnologia), e tem método para isso. Senão, o recurso escoa para um lugar em que não se faz a revolução. Não devemos usar todos os re- cursos para chegar à Lua.” l GIOVANNA CASTRO Medicamentos, equipamen- tos, profissionais. Oferecer uma boa assistência médica custa dinheiro e torná-la aces- sível a mais pessoas é conta di- fícil de fechar. Mas a inteligên- cia artificial pode ajudar, con- forme o médico Francisco Ju- nior, diretor de Tecnologia da Lean Saúde, startup de análise e inteligência de dados para oti- mização da gestão em saúde. “Eficiência remete a custos evitáveis e temos um sistema de saúde, seja no SUS, seja na saúde complementar, que pre- cisa traçar estratégias para re- duzir custos e falhas”, disse o executivo no Estadão Summit Saúde e Bem-Estar. “Estamos falando de mirar o desperdí- cio, o que é fraude, má indica- ção ou erro de conduta e não no que realmente precisa.” Criar ferramentas para que operadoras menores possam permanecer no mercado é es- sencial para manter uma con- corrência saudável. E a IA po- de colaborar ao identificar pon- tos de otimização. “Temos ci- rurgias de alto custo que nem sempre são bem indicadas. Em um dos cases, identificamos excedente de mais de R$ 38 mil em procedimentos e materiais solicitados a mais ou desneces- sários”, afirmou o executivo. MONITORAMENTO. O sistemada Lean identifica fraudes em reembolsos, faltas em consul- tas, beneficiários de alto cus- to, pacientes podem receber al- ta com home care e cirurgias sem recomendação adequada. Para Francisco Jr., detectar es- ses problemas pode ajudar na sustentabilidade do sistema. Ele ressaltou, no entanto, que é preciso conciliar inteligência com análise humana. “Verifica- mos a eficiência das interna- ções de alta complexidade com visitas qualificadas para enten- der o quadro do paciente e se ele já pode ir para uma interna- ção de menor complexidade.” l www.estadao.com.br/ Assista ao painel sobre as novas tecnologias na área da saúde Tecnologia Startup identifica fraudes em reembolsos, faltas em consultas e cirurgias sem recomendação adequada Uso de novas tecnologias deve buscar equidade no atendimento NA WEB NA WEB www.estadao.com.br/ Assista ao painel sobre o papel das healthtechs na inovação do setor Francisco Junior, da Lean Saúde: combate a desperdícios Painel com Carlos Eduardo Domene, Jeane Tsutsui, José Marcelo de Oliveira e Rodrigo Bornhausen Demarch abordou temas como IA FOTOS: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO “A tecnologia precisa ser utilizada como um elemento viabilizador para que se consiga implementar inovação de forma sustentável e que, ao mesmo tempo, propicie o aumento do acesso à saúde” Jeane Tsutsui CEO do Grupo Fleury “As tecnologias são importantes para a busca da equidade nos sistemas de saúde” Rodrigo Bornhausen Demarch Diretor executivo de Inovação do Hospital Israelita Albert Einstein Hospitais inteligentes Pacote inclui robótica e IA aplicadas às cirurgias de precisão e novos sistemas de gestão A inovação deve caminhar atrelada à melhoria na qualidade e à ampliação do acesso à saúde, defendem especialistas Saúde 4.0 D8 ESPECIAL TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 LEON FERRARI Para o professor associado de Medicina e Cirurgia na Harvard Medical School Leonardo Riel- la, o avanço na compreensão de como nosso sistema imunológi- co se autorregula e uma técnica de edição genética, a CRIS- PR/Cas9 – vencedora do Nobel de Química de 2020 –, revolu- cionaram a Medicina. “E vão continuar revolucionando”, afirmou ele, durante o Estadão Summit Saúde e Bem-Estar. Um exemplo é o transplante inédito que ele comandou em março no Massachusetts Gene- ral Hospital. Um paciente rece- beu um rim de porco genetica- mente modificado (mais infor- mações na pág. D24). “Depois de alguns minutos da cirurgia, a gente já conseguia observar a produção de urina desse rim. A coleta de urina do primeiro dia foi de mais de três litros. Essas (novas) tecnologias levaram a gente a conseguir fazer um transplante como esse.” Para explicar o quanto avan- çamos nos últimos 20 anos, Riella fez uma analogia com mapas. “Antigamente tínha- mos mapas 2D, que davam muita pouca informação so- bre o que estava ocorrendo. Atualmente, Google e o Waze podem determinar muitas ca- racterísticas do que está ocor- rendo naquela cidade em ter- mos de tráfego.” Se antes pen- sávamos o sistema imune ape- nas como duas células princi- pais que se diferenciavam e nos protegiam, hoje sabemos que, para ter um sistema imu- ne eficaz, “existe um sistema de regulação extremamente delicado e sofisticado”. Isso é importante principal- mente para duas coisas, de acordo com Riella: prevenção de doenças autoimunes, nas quais o sistema de defesa ataca o próprio corpo, e na retração da resposta imune após infec- ção. “Ficou bem clara a im- portância disso na covid-19. As pessoas acabavam morrendo não do vírus, mas da reação exagerada do sistema imune.” Por ora, a área que mais se beneficiou da melhor com- preensão da imunorregulação foi a oncologia, afirmou Riella, com os avanços nas imunotera- pias, que são tratamentos que estimulam o sistema de defesa do corpo. “É retirar o freio do sistema imune. É uma forma bem mais inteligente de lidar com o câncer em vez de tentar exterminar todas as células que têm alta proliferação com um efeito colateral muito alto (como faz a quimioterapia).” XENOTRANSPLANTES. Outra área que se beneficia é de trans- plantes. “Quando você recebe um rim de um indivíduo dife- rente de você, seu sistema imu- ne vai tentar reagir e rejeitar esse órgão. A gente usa drogas imunossupressoras para ten- tar eliminar ou diminuir essa reação o máximo possível.” Especialistas buscam alter- nativas aos transplantes homó- logos (entre humanos), diante da alta demanda de órgãos e escassez de oferta. Uma alter- nativa para contornar esse ce- nário são os xenotransplantes, os transplantes entre espécies diferentes. No entanto, ao sim- plesmente transplantar o ór- gão de um porco em um ser humano, por exemplo, é preci- so removê-lo logo em seguida, afinal, o sistema imune age contra o “corpo estranho” e ge- ra rejeição. É aqui que entra a CRISPR/Cas9, que funciona como uma “tesoura genética”. Ela permite que cientistas fa- çam uma edição genética, com bloqueios e adições de genes. O cientista pega células de por- cos recém-nascidos, bloqueia os genes responsáveis pela pro- dução dos açúcares que geram rejeição e insere genes huma- nos para moderar a resposta imune do paciente. l NA WEB www.estadao.com.br/ Assista ao painel com o médico Leonardo Riella TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO Riella: ‘Existe um sistema de regulação extremamente sofisticado’ “(Adotar as imunoterapias) É retirar o freio do sistema imune” Leonardo Riella Professor associado de Medicina e Cirurgia na Harvard Medical School Avanço da Medicina passa pela compreensão do sistema imune Transplante de rim de porco geneticamente modificado em humano projeta novos horizontes na área da saúde Evolução TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL D9 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 LEON FERRARI Existe uma equação difícil de resolver quando o assunto é saúde. Nos últimos anos, trata- mentos revolucionários, co- mo o Zolgensma – primeira te- rapia gênica incorporada ao SUS e frequentemente aponta- da como a medicação mais ca- ra do mundo – e o CAR-T – que usa as células do próprio pa- ciente para tratar tumores –, começaram a se tornar realida- de. No entanto, para tratar um único paciente, podem ser ne- cessários milhões de reais. O que os torna tão caros? Se- gundo especialistas que parti- ciparam do Summit Saúde e Bem-Estar, promovido pelo Estadão, isso tem relação com os anos de pesquisa e investi- mentos necessários. Além do mais, muitas dessas tecnolo- gias não são desenvolvidas no Brasil, ou seja, há uma carga do próprio dólar. O presidente executivo da Associação da Indústria Far- macêutica de Pesquisa (Inter- farma), Renato Porto, desta- cou que olhar apenas para o va- lor nominal de um produto não é suficiente. “Ao falar de preço e de valor do medica- mento, é preciso também que a gente dê um passo adiante e entenda quanto vale esse in- vestimento em saúde.” “O pior custo que nós vamos ter é quando houver um medi- camento inovador disponível para a população em algum ou- tro lugar do mundo, e não tiver- mos aqui. Esse é um grande custo que nós precisamos evi- tar”, alertou Porto. Nesse sentido, Fábio Guima- rães, value & access and pri- cing head da Novartis Brasil, que comercializa o Zolgens- ma, mencionou o momento em que a terapia recebeu aval da Comissão Nacional de In- corporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Coni- tec), que avalia o custo-benefí- cio de um medicamento para indicar ao Ministério da Saúde sua incorporação ao SUS. Na época, calculou-se que, em sete anos, esse tratamento contra atrofia muscular espi- nhal (AME) traria economia para o sistema público. “É im- portante entendermos o valor de uma perspectiva mais am-pla”, defendeu Guimarães. Segundo ele, atualmente, há discussões com o Ministério da Saúde sobre modelos de di- visão de risco, em que o paga- mento só é realizado quando alguns desfechos da tecnolo- gia são atingidos. Mas ainda fal- tam alguns atores. “Esses mo- delos de compartilhamento de risco também envolvem o Tri- bunal de Contas e os órgãos de auditoria do governo.” LIMITAÇÃO. Diante de um orça- mento finito para a saúde pú- blica, a médica Ana Maria Ma- lik, professora titular da Fun- dação Getulio Vargas (FGV), afirmou que é preciso ser criati- vo no que diz respeito à incor- poração das tecnologias ao SUS. “Tecnologia não é só me- dicamento. Como o recurso é limitado, também é tecnologia saber tomar decisão e definir o que é prioridade”, disse ela. Fundadora e presidente da ONG Instituto Oncoguia, Lu- ciana Holtz de Camargo Bar- ros destacou a demora entre o aval da Conitec, a decisão ou não do Ministério da Saúde pe- la incorporação e, enfim, a dis- ponibilidade do produto no SUS. Ela também enfatizou que o cenário de tratamento de câncer é muito diferente pa- ra quem depende apenas do sistema público e para aqueles que se tratam na rede privada. ESPERA. “Há uma lista de apro- ximadamente dez tecnologias (contra o câncer) que já tiveram o ‘sim’ da Conitec e o próximo passo não aconteceu. Pelo me- nos duas para câncer de ma- ma”, afirmou. “São mulheres perdendo a chance de serem curadas. São mulheres perden- do a chance de ganhar tempo de vida com qualidade.” Porto destacou que, de fato, há um descompasso entre rece- ber o registro da Agência Na- cional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as próximas etapas para tornar um medicamento disponível. “Aprimorar o mo- delo de incorporação é funda- mental. O grande desafio hoje é tirar esse produto do registro e levar ele para as pessoas com a velocidade que se precisa e com a qualidade que se preci- sa”, disse ele. Para a diretora médica para Hematologia da Johnson & Johnson Innovative Medicine no Brasil, Simone Braggio Forny, não basta só trazer tec- nologia. “O ponto fundamen- tal é o que a gente chama de ‘o paciente certo na hora certa’. É importante também usar a tec- nologia de forma correta. Por exemplo, no CAR-T, os gran- des centros que estão sendo homologados têm um board de médicos para identificar qual é o paciente correto”, afir- mou Simone. “A boa indicação (de um tratamento) reduz mui- to o custo para o próprio siste- ma (de saúde).” “Se não houver educação pa- ra o treinamento das pessoas que vão utilizar as tecnologias e colocar o conhecimento em favor do paciente, nós estare- mos fazendo errado, estare- mos jogando dinheiro fora”, complementou a professora Ana Maria, da FGV. l Conitec A comissão avalia o medicamento para indicar ao Ministério da Saúde sua incorporação ao SUS Fábio Guimarães, da Novartis: olhar o custo a partir de perspectiva mais ampla Renato Porto, presidente da Interfarma: valor do investimento em saúde Especialistas propõem olhar mais amplo para tratamentos inovadores e defendem maior celeridade na incorporação ao SUS Simone Braggio Forny, da Johnson & Johnson: ‘O paciente certo na hora certa’ NA WEB www.estadao.com.br/ Assista ao painel sobre tratamentos inovadores e seu alto custo Luciana Barros, do Instituto Oncoguia: demora até o produto chegar ao SUS Ana Maria Malik, da FGV, defendeu o treinamento de quem vai aplicar a tecnologia em favor do paciente FOTOS: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO Como terapias avançadas e caras podem chegar à população? Acesso “Aprimorar o modelo de incorporação é fundamental. O grande desafio hoje é tirar esse produto do registro e levar ele para as pessoas com a velocidade que se precisa e com a qualidade que se precisa” Renato Porto Presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) “Há uma lista de aproximadamente dez tecnologias (contra o câncer) que já tiveram o ‘sim’ da Conitec e o próximo passo não aconteceu” Luciana Holtz de Camargo Barros Fundadora e presidente da ONG Instituto Oncoguia D10 ESPECIAL TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 OCIMARA BALMANT Nunca se falou tanto sobre in- teligência artificial. No entan- to, quando o termo é associa- do à saúde, a discussão ainda está restrita “a bolhas” de pes- quisadores e experts. A opi- nião é do empresário Cristian Rocha, CEO e cofundador da Munai, empresa de IA aplicada à área da saúde. “No atendimento de ponta, como nas clínicas e hospitais, ainda se fala muito pouco”, afirmou Rocha durante o Sum- mit Saúde e Bem-Estar, prom- movido pelo Estadão. “Parece até contrassenso, mesmo por- que saúde é uma das áreas com maior potencial de aplicação prática de IA. Hoje, cerca de 30% de todos os dados do mun- do são de saúde”, acrescentou. Rocha apresentou dados da Fundação Bill & Melinda Ga- tes que mostram que falhas dos sistemas de saúde resul- tam em 8 milhões de mortes por ano e custam US$ 250 bi- lhões em todo o mundo. Só no Brasil, quase 500 mil vidas são perdidas e mais de US$ 6 bi- lhões são desperdiçados anual- mente. “São falhas que vão des- de prescrição equivocada de medicamentos até medicação tardia de paciente em risco.” No cerne da questão, disse Rocha, está um cenário em que os sistemas de saúde não são integrados e, muitas vezes, nem sequer digitalizados. A plataforma de IA da Munai, de acordo com o CEO, propõe a integração de dados de saúde e de prontuários médicos em uma jornada única para forne- cer insights e automatizar tare- fas, com a geração de algorit- mos preditivos e assistentes. Como resultado, Rocha desta- cou a identificação precoce de pacientes de risco, a otimiza- ção de recursos e a melhora no índice de erros. A empresa analisou mais de 15 milhões de prontuários médicos nos últimos anos. Só em 2024, foram mais de 165 mil interações a partir dos algo- ritmos de IA e mais de 25 mil alertas atendidos. CURSO. Outra frente em que a empresa tem investido é na fa- miliarização dos médicos com o prontuário eletrônico. A ini- ciativa inclui o desenvolvimen- to de um curso gratuito para médicos sobre inteligência ar- tificial generativa, para que es- ses profissionais possam aprender conceitos de progra- mação e treinem o uso da IA. “O grande objetivo é facili- tar o trabalho do médico e do enfermeiro, automatizar tare- fas que antes eram manuais. A inteligência artificial não veio para substituir os profissio- nais de saúde, veio para empo- derar”, concluiu Rocha. l NA WEB www.estadao.com.br/ Assista ao painel sobre o papel das healthtechs na inovação do setor “No atendimento de ponta, como nas clínicas e hospitais, ainda se fala muito pouco (sobre IA). Parece até contrassenso, mesmo porque saúde é uma das áreas com maior potencial de aplicação prática de IA. Hoje, cerca de 30% de todos os dados do mundo são de saúde” Cristian Rocha CEO e cofundador da Munai Cristian Rocha, da Munai, empresa de IA aplicada à área da saúde TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO IA pode evitar falhas em sistemas de saúde No entanto, aplicação da tecnologia na área ainda é incipiente; a falta de integração e a não digitalização de dados são entraves Potencial TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL D11 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 Conteúdo patrocinado Estematerial é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado porMSD. Estematerial é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado porMSD. A realidade brasileira no tratamento de doenças raras reflete um cenário de desafios estruturais e desigualdades no acesso à saúde, especialmente para asmulheres. Esse contexto torna ainda mais complexa a jornada das pacientes com hipertensão ar- terial pulmonar (HAP), uma condição progressiva que exige diagnóstico preciso e cuida- dos especializados.NopaineldoEstadãoSummit SaúdeeBem-Estar2024,promo- vido pelo Estadão Blue Studio e compatrocíniodaMSD,odebate sobreasdificuldadesenfrentadas poressasmulheresfoiconduzido comfoconasbarreirasdeacesso aotratamentoenasperspectivas demelhorias.Moderadopela jor- nalistaCamila Silveira, o encon- tro contou com a participação de Flávia Lima, diretora execu- tiva da Associação Brasileira de ApoioàFamíliacomHipertensão Pulmonar eDoençasCorrelatas (Abraf), eMargarethMariaPretti Dalcolmo, presidente da Socie- dade Brasileira de Pneumolo- gia e Tisiologia. Umadoençarara,masgrave Ahipertensãoarterialpulmo- nar, também conhecida como HAP, é uma condição rara ca- racterizadapelo aumento anor- mal da pressão nas artérias que transportamsanguedocoração para os pulmões.De causamui- tas vezesdesconhecida, adoença émais prevalente emmulheres jovens e adultas, com uma alta taxa de mortalidade. Ao abrir a discussão, Margareth falou sobre a seriedade da doença e seus impactos devastadores na qualidadede vidadaspacientes. “A hipertensão arterial pul- monar éumadoençamuitogra- ve, com sintomas como falta de ar e incapacidade para realizar atividades simples do dia a dia. Umamulher jovem de25ou30 anos, por exemplo, podeperder completamente sua autonomia, necessitandodeoxigênio suple- mentar eficandodependentede cuidados constantes”, afirmou a pneumologista. Deacordocomaespecialista, o tratamento da HAP é comple- xoeenvolveumacombinaçãode medicamentos,oxigenoterapiae fisioterapia.Ela frisouqueodiag- nóstico correto e o tratamento oportunosãoessenciaisparaau- Em painel do Estadão Summit Saúde e Bem-Estar 2024, especialistas discutem as dificuldades enfrentadas pelas pacientes com essa doença rara e os avanços necessários para melhorar a vida dessas pessoas no País A jornadadasmulheres comhipertensão arterial pulmonarnoBrasil Nunno Fonseca/Estadão Blue Studio Moderadopela jornalista Camila Silveira, painel reuniu Flávia Lima, diretora executiva daAssociaçãoBrasileira deApoio à Família com Hipertensão Pulmonar eDoenças Correlatas, eMargarethMaria Pretti Dalcolmo, presidente da SociedadeBrasileira dePneumologia e Tisiologia Perspectivas para o futuro Ao final do painel, as partici- pantes refletiram sobre o futuro da saúde no Brasil e os avanços queaindaprecisamserfeitospara melhorarajornadadaspacientes comHAPeoutrasdoenças raras. “Esperamos que, nos próximos anos, novas tecnologias e trata- mentosmais acessíveis cheguem aoSUS,equeaspacientespossam terumdiagnósticomaisrápidoe preciso”, comentouFlávia. Margareth tambémchamou a atenção para a necessidade de eliminar outras doenças no Brasil, que, apesar de evitáveis e controláveis, ainda são grandes responsáveis pelo sobrecarrega- mentodosistemadesaúdeepelo atraso no tratamento de condi- ções mais complexas, como a hipertensão arterial pulmonar. “É inadmissível que, em pleno século 21, o Brasil ainda enfrente problemas comdoen- ças como tuberculose, dengue e malária, que deveriam estar sob controle. A eliminação dessas doenças pode liberar recursos e atenção para enfer- midades raras, garantindo um diagnóstico mais rápido e um tratamento eficaz para todos os pacientes”, ressaltou. Nas considerações finais, a diretora da Abraf trouxe uma reflexãoque sintetizaosdesafios e a esperança para o futuro das pacientes com HAP no Brasil: “Estamos longe de ter o cenário ideal,mascadapassoquedamos, sejanaconscientização,nodiag- nósticoouno tratamento, éuma vitória”, concluiu Flávia. Precisamos de mais capacitação e sensibilização sobre a doença para que os médicos de diferentes especialidades saibam reconhecer os sintomas e encaminhar as pacientes para o tratamento adequado o quanto antes” A jornada dessas mulheres é marcada por desafios desde o diagnóstico, que muitas vezes é retardado pela falta de conhecimento dos profissionais de saúde sobre a doença” Margareth Maria Pretti Dalcolmo, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia Pneumologia e Tisiologia Flávia Lima, diretora executiva da Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas mentarasobrevidadaspacientes, que, emmédia, vivem de sete a dez anos após o diagnóstico. “É fundamentalqueessasmulheres sejam tratadas em centros espe- cializados, comprofissionais ca- pacitadospara lidar comacom- plexidadedadoença”,completou. Osdesafios no acesso ao diagnóstico e ao tratamento FláviaLima,diretoraexecutiva da Abraf, compartilhou sua ex- periênciapessoal comadoença, pois sua irmã faleceu devido à hipertensão arterial pulmonar aos 28 anos. Flávia destacou que a luta para garantir o acesso ao tratamentoadequadonoSistema Único de Saúde (SUS) é uma das maioresbatalhasenfrentadaspe- las pacientes. “A jornada dessas mulheresémarcadapordesafios desde o diagnóstico, quemuitas vezeséretardadopela faltadeco- nhecimentodosprofissionaisde saúde sobre a doença”, afirmou. Outro ponto levantado du- ranteodebate foi opapel crucial da família e dos cuidadores no suporte às mulheres com HAP. “Muitas vezes, as pacientes se tornam dependentes de seus familiares para realizar ativi- dades básicas, o que pode gerar um sentimento de fardo, tanto para elas quantopara seus entes queridos”, destacouMargareth. Além disso, a pneumologista sublinhouaimportânciadeuma maior conscientização sobre a HAP entre os profissionais de saúde e a população em geral. “Precisamosdemaiscapacitação e sensibilização sobre a doença paraqueosmédicosdediferentes especialidades saibam reconhe- ceros sintomaseencaminharas pacientesparaotratamentoade- quadooquantoantes”, afirmou. D12 ESPECIAL TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL INÊS 249 Conteúdo patrocinado Estematerial é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado porMSD. Estematerial é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado porMSD. A hipertensão arterial pul- monar (HAP) atinge cerca de 6 mil pessoas no Brasil, con- forme estimativa do DataSUS. Faz parte do rol das doenças raras, que, segundo a Orga- nização Mundial da Saúde (OMS), são aquelas que afetam menos de 65 pessoas a cada 100 mil habitantes. Embora individualmente incomuns, somadas, essas condições afe- tam milhares de pessoas em todo o mundo. Muitas delas, como a HAP, são graves, crô- nicas e de difícil diagnóstico, o que exige maior atenção dos profissionais de saúde e dos pacientes. Os principais sintomas da HAP são inespecíficos e, muitas vezes, podem ser con- Doença rara afeta principalmente mulheres jovens e apresenta sintomas que podem ser confundidos com outras enfermidades; nova terapia demonstra avanço no tratamento da doença Hipertensão arterial pulmonar desafia diagnóstico precoce e tratamento eficaz O tempomédio para um diagnóstico correto gira em torno de 30meses, e muitos pacientes recebem diagnósticos errados antes de chegar à confirmação de HAP” Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD fundidos com outras doenças, como asma ou até depressão. “O sintoma mais comum é a falta de ar, que ocorre em cerca de 78% a 80% dos pa- cientes”, explica Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD. Além disso, os pacien- tes podem apresentar can- saço, fadiga, dor no peito e tontura. Como resultado, a jornada diagnóstica é longa e frustrante. “O tempo médio para um diagnóstico correto gira em torno de 30 meses, e muitos pacientes recebem diagnósticos errados antes de chegar à confirmação de HAP”, afirma a médica. Em relação aos tratamentos disponíveis, a médica explica que, atualmente, são utiliza- das três vias de tratamento que atuam na vasodilatação, que podem melhorar a qua- lidade de vida dos pacientes. “Embora essas terapias aju- dem a controlar os sintomas, elas não agem na causa da do- ença”, esclarece. No entanto, um novo trata- mento, ainda em análise pela Agência Nacional de Vigilân- cia Sanitária (Anvisa), busca mudar esse cenário. “Estamos aguardando a análise de uma nova medicação que atua di- retamente no mecanismo da doença. Ela tem o potencial de remodelar as artérias pulmo-nares, o que pode melhorar tanto a sobrevida quanto a qualidade de vida dos pacien- tes, segundo o estudo fase 3”, comenta. Segundo Márcia, essa medicação já foi aprova- da por agências reguladoras nos Estados Unidos, na Euro- pa e na Argentina. TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL D13 INÊS 249 GIOVANNA CASTRO Incentivar uma alimentação mais natural, sem deixar de la- do os medicamentos para pes- soas que já enfrentam a obesi- dade. Esse é o caminho defen- dido pelos médicos e especia- listas em alimentação que par- ticiparam do Estadão Summit Saúde e Bem-Estar. “A obesidade precisa ser vis- ta como uma doença crônica. Ela causa alteração corporal, na região do hipotálamo, pro- vocando uma alteração na per- cepção de saciedade da pes- soa, por isso não é tão simples tratar só com mudanças com- portamentais”, disse o endo- crinologista Bruno Geloneze. “A pessoa quer mudar, mas sente uma fome maior do que deveria, e o medicamento en- tra para ajudar nisso”, acres- centou Geloneze, pesquisador o Centro de Pesquisa em Obe- sidade e Comorbidades da Uni- versidade Estadual de Campi- nas (Unicamp). O médico Carlos Augusto Monteiro, professor emérito da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e criador das classifica- ções de alimentos ultraproces- sados no Brasil, lembrou que a doença já se tornou uma epide- mia no País e no mundo, dado o aumento acelerado de pes- soas que enfrentam a condi- ção. Para Monteiro, reverter es- se problema requer mudanças nos hábitos alimentares da po- pulação, principalmente para evitar que as pessoas entrem em um quadro de sobrepeso ou de obesidade. AVÓS. “No Brasil, nós temos po- líticas interessantes para bar- rar esse consumo de ultrapro- cessados, mas, ainda assim, te- mos aumento (no consumo des- ses alimentos). As pessoas preci- sam entender que a alimenta- ção saudável é simples. É uma alimentação muito parecida com a que os nossos avós con- sumiam. Basicamente, uma parte da comida que a gente consome tem de passar pela co- zinha. Hoje, grande parte vem de fábricas, e isso não é natu- ral”, afirmou Monteiro. A World Obesity Federation (WOF), organização sem fins lucrativos que busca impulsio- nar esforços globais para redu- zir, prevenir e tratar a obesida- de, projeta que mais da meta- de da população adulta mun- dial viverá com sobrepeso e obesidade até 2035, se não fo- rem implementadas medidas efetivas conta a doença. No Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde 2019, 26,8% da população con- vive com a obesidade, mais do que o dobro de 2003, quando a taxa era de 12,2%. Entre 2019 e 2021, houve ainda um aumen- to do sobrepeso e da obesida- de entre crianças e adolescen- tes no País, como mostrou es- tudo conduzido em 2023 pelo Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância- Fiocruz/Unifase). Um outro estudo, realizado pela consultoria alemã Stra- doo GmbH e apresentado du- rante o Congresso Europeu de Obesidade deste ano, apontou que a obesidade grave em crianças pode reduzir a expec- tativa de vida para 39 anos. “Até pouco tempo atrás, as medicações não eram eficazes ou não eram seguras do ponto de vista psíquico e cardiovascu- lar. Mas, hoje, nós vivemos um momento muito diferente, com medicamentos seguros”, disse o médico Bruno Mioto, do InCor (HCFMUSP), sobre a estigmatização do uso de re- médios para emagrecer, como as terapias em formato de ca- neta, que se popularizaram nos últimos anos. ACOMPANHAMENTO. Mioto res- saltou, contudo, a necessidade de prescrição e de acompanha- mento médico, e lembrou que o tratamento deve caminhar de mãos dadas com mudanças de hábitos alimentares e com atividade física. Geloneze, por sua vez, enfati- zou que o objetivo do trata- mento contra obesidade não deve ser conquistar um corpo magro, mas diminuir as taxas de risco atreladas ao sobrepe- so. Nesse sentido, reduzir a cir- cunferência abdominal, o índi- ce de massa corporal (IMC) e a proporção de gordura na mas- sa corporal são resultados que devem ser valorizados. “O tratamento da obesidade não é a busca do peso ideal ou da magreza, mas a busca de um peso mais saudável. É recobrar a melhor saúde possível para aquele paciente”, afirmou o professor da Unicamp. A nutricionista Desire Coe- lho, colunista do Estadão, afir- mou que a reeducação alimen- tar deve passar por uma dimi- nuição do consumo de alimen- tos hiperpalatáveis e pobres em proteína, que tendem a pre- judicar a capacidade de auto- controle na alimentação. “Quando pensamos em na- tureza, alimentos ricos em gor- dura, como castanhas, não têm açúcar. E alimentos ricos em açúcar, como o mel, não têm gordura. Nosso corpo sa- be lidar muito bem com os ali- mentos de modo isolado, mas, quando a indústria e a culiná- ria misturam essas coisas, nos- so cérebro se confunde e a nos- sa capacidade de regular o que comemos fica comprometi- da”, disse a nutricionista. “Um prato natural, de arroz, feijão, salada e carne, tem duas vezes menos calorias por gra- ma que um prato com a mes- ma quantidade de um alimen- to ultraprocessado. Mas o nos- so cérebro não entende as calo- rias por grama, ele precisa da quantidade para se satisfazer”, afirmou Monteiro. CONEXÃO. Chef de cozinha e es- critora, Helô Bacellar defen- deu uma reaproximação com a cozinha. Isso porque, ao com- prar os alimentos in natura e cozinhá-los em casa, a pessoa retoma o controle sobre a pró- pria alimentação e a consciên- cia sobre o que está ingerindo. O hábito de cozinhar em famí- lia pode gerar conexão e maior adesão a alimentos naturais. “Temos crianças hoje que aprendem que limão é aquilo que vem dentro de um suco de canudinho, que não tem cor de limão, não tem cheiro de limão e não tem gosto real de limão”, afirmou Helô. “Se ela gosta de comer bisna- guinha, faça uma receita casei- ra com ela, tendo um momen- to em família. Assim, você vai estimulando-a a valorizar o que é feito em casa. Aos pou- cos, você vai conquistando-a, fazendo picolé em casa com fruta de verdade e introduzin- do outros alimentos mais sau- dáveis”, disse a chef. l NA WEB www.estadao.com.br/ Assista ao painel sobre obesidade e sobrepeso TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO Médicos e especialistas defendem preparo em casa de ingredientes frescos como forma de retomar o controle da própria alimentação Bruno Geloneze, Bruno Mioto, Carlos Augusto Monteiro, Desire Coelho e Helô Bacellar; prevenção pode evitar quadro mundial de sobrepeso “A obesidade precisa ser vista como uma doença crônica. Ela causa alteração corporal, provocando uma alteração na percepção de saciedade da pessoa, por isso não é tão simples tratar só com mudanças comportamentais” Bruno Geloneze Endocrinologista “Alimentos ricos em gordura, como castanhas, não têm açúcar. E alimentos ricos em açúcar, como o mel, não têm gordura. Nosso corpo sabe lidar muito bem com os alimentos de modo isolado, mas, quando a indústria e a culinária misturam essas coisas, nosso cérebro se confunde” Desire Coelho Nutricionista ‘Para vencer a obesidade, parte da comida que consumimos tem de passar pela cozinha’ Epidemia Aumento 26,8% da população do Brasil convivia com a obesidade, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde 2019; em 2003, taxa era de 12,2% D14 ESPECIAL TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 VICTÓRIA RIBEIRO Muitos já ouviram falar que a hora da refeição é “sagrada”. No entanto, na prática, entre notificações de celular e a cor- reria do dia a dia, essa ideia aca- ba não sendo levada a sério. Nesse contexto, o conceito de mindful eating, discutido no Summit Saúde e Bem-Estar, promovido pelo Estadão, propõe uma nova abordagem: transformar o ato de comerem uma pausa, de fato, uma oportunidade para exercitar a atenção plena em relação ao corpo e ao que está no prato. A prática tem suas origens em estudos realizados desde a década de 1990, iniciados pela professora Jean Kristeller, da Universidade Estadual de In- diana, nos Estados Unidos. Uma das pesquisas aplicou o mindful eating a um grupo de pessoas com obesidade e trans- torno da compulsão alimen- tar. Os resultados mostraram que, ao se concentrarem na re- feição, sem pressa e desconec- tados de tecnologias, os parti- cipantes experimentaram uma redução da compulsão e um aumento da consciência sobre fome e saciedade. NOVO SIGNIFICADO. “Hoje, ne- gligenciamos nosso momento de alimentação. O mindful ea- ting é um convite singelo para olhar para si mesmo, parar um pouquinho, pegar aquele ali- mento, sentir o cheiro, a textu- ra, e ir comendo pedacinho por pedacinho, respirando en- tre uma mordida e outra”, dis- se a nutricionista Cynthia An- tonaccio. Ela é autora, com a nutricionista Manoela Figuei- redo, do livro Mindful Eating – Comer com Atenção Plena. A obra propõe uma revisão dos hábitos à mesa com o objetivo de dar novos significados à re- lação com a comida. “Uma nutrição muito perfei- ta machuca, porque é às custas de sofrimento ou insegurança. Hoje, as pessoas comem o que não gostam, abrem mão de pe- quenos prazeres em nome de um possível emagrecimento, seguindo padrões impostos por uma vida cada vez mais on- line e menos presente”, afir- mou Cynthia, que é CEO do Grupo Equilibrium Latam. Ela destacou que essa cultu- ra gera culpa e punição, e a ex- periência do ato de comer aca- ba se perdendo. “Podemos fa- zer uma reeducação alimen- tar, mas é importante fazer is- so levando em consideração nossos gostos pessoais. Às ve- zes, o nutricionista não per- gunta se você é de Manaus, se gosta de mingau de banana. E acaba te colocando para co- mer mingau de aveia.” Essa conexão com a comida, segundo Cynthia, é um resga- te da nossa autonomia. E pode colaborar com o controle do açúcar e do estresse causado por dietas muito restritivas. Afinal, quando nos alimenta- mos sem atenção, acabamos comendo no impulso, indo além do que precisamos. “Não se trata de dieta, mas de um jeito mais amoroso de olhar para a alimentação. Isso pode colaborar com um ema- grecimento, mas, mais do que isso, é uma forma de nos ali- mentarmos de um jeito mais leve e livre de culpa. Isso acaba nos encaminhando para uma alimentação mais saudável.” l NA WEB www.estadao.com.br/ Assista ao painel sobre o mindful eating Nutricionista Cynthia Antonaccio; consciência sobre os alimentos Fome e saciedade Estudo sobre o mindful eating mostrou redução da compulsão entre pessoas com obesidade Investimento que transforma o futuro Saiba mais em: novonordisk.com.br BR24NNG00350 - OUTUBRO/2024 Novo Nordisk investe R$ 864 milhões na maior fábrica de insulinas da América Latina, em Montes Claros (MG). TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO “É uma forma de nos alimentarmos de um jeito mais leve e livre de culpa. Isso acaba nos encaminhando para uma alimentação mais saudável” Cynthia Antonaccio Nutricionista Os benefícios da atenção plena durante a alimentação Conceito prevê uma nova relação com o ato de comer e com o que está no prato, sem interferências externas ‘Mindful eating’ TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL D15 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 OCIMARA BALMANT H á cinco anos, o médi- co epidemiologista Carlos Augusto Mon- teiro, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), figura na lis- ta dos pesquisadores mais in- fluentes do mundo. No ano passado, ele foi o brasileiro com os artigos mais citados em revistas e estudos científi- cos internacionais. A fama é oriunda da NOVA, a classificação proposta por Monteiro que revolucionou a forma como os alimentos são categorizados. “Começamos a identificar que a origem das doenças ligadas à alimenta- ção estava num grupo de pro- dutos sobre os quais a indús- tria tem um lucro muito maior, na medida em que são feitos com ingredientes de baixo custo e grande durabili- dade”, disse o médico em en- trevista ao Estadão. Nascia, em 2009, o concei- to de ultraprocessado. Uma palavra enorme, mas que Monteiro define de uma ma- neira simples: ultraprocessa- do é um produto feito com ingredientes que não exis- tem na cozinha doméstica, como aditivos para substi- tuir a cor, o aroma e a textura de um alimento. A classificação também mudou a forma como se en- xerga a relação do consumi- dor com a comida: se, antes, a pessoa física era vista como a única responsável pelas esco- lhas alimentares, agora os CNPJs precisam assumir a parte que lhes cabe nas maze- las resultantes da alimenta- ção inadequada, como a atual epidemia de sobrepeso e de obesidade. Confira a seguir a entrevista completa com o médico. Como a NOVA mudou, na prática, a relação entre in- dústria e qualidade da ali- mentação? O paradigma anterior tinha o foco em nutrientes – basica- mente, em gordura saturada, açúcar, sal e fibra – e, de algu- ma maneira, culpava o pró- prio consumidor pelo fato de não ter uma alimentação mui- to saudável. Era um pouco as- sim: as pessoas preferem co- mer com muito sal, com pou- ca fibra e com muito açúcar, e por isso acabam adoecendo. Quando a gente começa a fa- zer uma classificação dos ali- mentos não só pelo teor de nutrientes, mas também pela forma de processamento, co- meça a colocar a responsabili- dade em quem processa es- ses alimentos. O foco sai do consumidor e vai para a in- dústria que usa estratégias de marketing muito sofistica- das para que as pessoas tro- quem a alimentação tradicio- nal pelo consumo de ultrapro- cessados. Que indústria é essa? São as grandes indústrias transnacionais dentro do sis- tema alimentar. Porque um fator importante é que o ul- traprocessamento requer ma- quinários, tecnologias, con- trole de qualidade e mesmo ingredientes – como aditivos – que são de acesso restrito. E uma coisa mais sutil é que vo- cê consegue fazer um produ- to único, um produto de mar- ca. Tanto que é algo comum as receitas com segredos in- dustriais. E o nome é “produto” por- que, pela composição, o ul- traprocessado nem deve ser considerado um alimen- to, certo? Sim. Primeiro, você tem mui- tos ingredientes: dez, 15, 20, até 30. Depois, você manipu- la misturas de sal, gordura, açúcar, aromatizantes, textu- rizantes, e consegue criar pro- dutos de baixo custo para a indústria, mas que são extre- mamente palatáveis. Essas in- dústrias têm laboratórios de análise sensorial que permi- tem que consigam chegar a receitas com combinação de gordura e açúcar que maximi- zam o prazer e que se tornam mesmo viciantes para algu- mas pessoas. O cenário no Brasil é preo- cupante, mas ainda consu- mimos menos ultraproces- sados do que países como os Estados Unidos e a Ingla- terra. A vantagem, nesse ca- so, seria o fato de os preços dos ultraprocessados ain- da não estarem tão baixos por aqui? O preço é uma questão, mas a grande diferença é que, no Brasil, o consumo de ultra- processados não chegou às principais refeições. Consu- mimos refrigerantes e sorve- tes, mas, no almoço e no jan- tar, a cultura alimentar ainda é muito forte. A maior parte dos brasileiros ainda come o PF (prato feito), a comida por quilo. O alerta é que estamos em um processo de transi- ção, até porque estudos mos- tram que o preço relativo dos ultraprocessados aumentou muito menos do que o de ali- mentos in natura ou minima- mente processados. A ten- dência é ruim. Nesse aspecto, podemos considerar que há um pú- blico mais suscetível, co- moridade: 8% são analfabetos, 70% não concluíram o ensino fundamental e 92% não con- cluíram o ensino médio. Comparativamente, estudo da Organização para a Coope- ração e Desenvolvimento Eco- nômico (OCDE) indica que um a cada quatro brasileiros entre 25 e 34 anos não trabalha. E, apesar de 64% das pessoas entre 25 e 34 anos sem ensino médio estarem empregadas, o mesmo estudo indica que 59% ganham menos da metade da renda média da população. Qual o objetivo com tal com- paração? A população carcerá- ria é reflexo da falta de empre- go e educação na sociedade, e parte dessa população envere- da para o crime, o que não é uma singela coincidência. O governo federal tem a Lei de Execução Penal como instru- mento para aproveitar, habili- tar, treinar e certificar os pre- sos e, por conseguinte, mino- rar a falta de capacitação e edu- cação das pessoas abaixo dos 34 anos. Ora, mas por que investir nos presos ao invés de investir na população livre? Em verda- de, o Estado tem falhado com ambos, porém há diferenças. Os primeiros estão sem liber- dade e com tempo vago, ao pas- so que o segundo grupo tem a opção de não querer estudar e se aprimorar. No entanto, no atual modelo, não há um real interesse do Estado no univer- so prisional no incentivo aos estudos e capacitação profis- sional. Um erro dos presos e dos Estados, afinal, um dia de pena é remido a cada 12 horas de frequência escolar, com li- mitação de um terço de remis- são de pena. Ademais, a cada livro lido pelo preso significa quatro dias a menos em sua pena, com um limite de 12 li- vros por ano, o que significa 48 dias a menos de pena. De tal sorte que os presos poderiam estar em liberdade em tempo menor, o que repre- sentaria redução de custos pa- ra os Estados e reinserção so- cial com indivíduos que foram para o sistema prisional com baixo ou nenhum estudo e po- dem sair capacitados. O governo federal e os Esta- dos não têm investido nesse modelo por conta da baixa aprovação social e pela justifi- cativa da falta de recursos. Po- rém, educar faz parte do enten- dimento da remissão da culpa. O tema gera discussão e in- sufla tabus, mas é um cami- nho menos custoso para que o governo federal capacite essa parcela da população. Já que uma pessoa foi presa e conde- nada, por que o Estado não po- de contribuir para sua resso- cialização? Não somente pode como também deve. A Constituição federal não faz distinção entre pessoas, se- jam elas presas ou não, e todos têm direito a um ensino provi- do pelo Estado. Assim, que a própria sociedade se beneficie da educação e da capacitação do preso. l TEMA DO DIA NAS REDES SOCIAIS Veja outros destaques e participe das discussões no Link da Bio do Instagram do Estadão. https://bit.ly/LDBEstadao PRODUTOS DIGITAIS Antonio Gonçalves O Estado brasileiro falha ao não aproveitar a previsão legislativa para capacitar e educar o preso ao longo do cumprimento da pena TABA BENEDICTO/ ESTADÃO - 27/10/2024 Av. Eng. Caetano Álvares, 55 – CEP: 02598-900 – São Paulo - SP l (11) 3856-2122 l Fax: (11) 3856-2940 l E-Mail: forum@estadao.com l Central do assinante: Capital e regiões metropolitanas: 4003-5323 l Demais Localidades: 0800-014-77-20 l https://meu.estadao.com.br/fale-conosco l Central ao leitor: (11) 3856-2122 l falecom.estado@estadao.com classificados por telefone: (11) 3855-2001 Preços venda avulsa: SP: R$ 7,00 (segunda a sábado) e R$ 9,00 (domingo). RJ, MG, PR, SC E DF: R$ 7,50 (segunda a sábado) e R$ 10,00 (domingo). ES, RS, GO, MT E MS: R$ 9,50 (segunda a sábado) e R$ 11,50 (domingo).BA, SE, PE, TO E AL: R$ 10,50 (segunda a sábado) e R$ 12,50 (domingo). 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O prefeito disse que a deci- são sobre a tarifa do transpor- te municipal será tomada e anunciada em dezembro, quando serão analisados os da- dos referentes aos dissídios de funcionários, o valor do com- bustível (diesel) e o funciona- mento da política pública de mobilidade da cidade. O valor hoje é R$ 4,40, mantido desde janeiro de 2020. “Em dezembro, eu sento com a minha equipe para to- mar uma decisão. Se a gente consegue manter – é a minha vontade – ou se não consegue manter e explicar o motivo de não manter”, afirmou Nunes em entrevista ao programa Bom Dia SP, da TV Globo. Conforme a Prefeitura, o número de passageiros que usam os ônibus municipais na capital diminuiu de 9 milhões, em 2019, para os atuais 7 mi- lhões. “Não dá para ver a tarifa como uma planilha. Preciso in- centivar o transporte coletivo, desincentivar o transporte in- dividual”, acrescentou Nunes. O preço da passagem está atrelado ao subsídio repassa- do pela administração munici- pal, que paga uma parte do va- lor da tarifa às companhias que operam o serviço na cida- de. Neste ano, além de manter a passagem congelada, a Prefei- tura tornou gratuito o uso dos ônibus aos domingos. “Minha ideia é manter (a ta- rifa a R$ 4,40), mas eu não po- deria ser irresponsável sem an- tes olhar todos os dados, dissí- dios de funcionários, valor do diesel, todo o custo, para saber se a gente pode manter. Por- que eu não posso tirar da saú- de, da educação, da habitação. Eu preciso governar manten- do todas as pastas equilibra- das”, declarou o prefeito. No dia seguinte à reeleição – quando venceu o segundo turno da disputa municipal ob- tendo 59,35% dos votos váli- dos, ante 40,65% de seu rival, Guilherme Boulos (PSOL) –, Nunes voltou a um tema que ganhou destaque na campa- nha. Disse que ele e o governa- dor do Estado, Tarcísio de Frei- tas (Republicanos), não que- rem a Enel na capital paulista. ‘FORÇA POLÍTICA’. Nunes so- freu fortes críticas na campa- nha pela atuação nos apagões que atingiram São Paulo e dei- xaram milhares de pessoas sem energia. “Agora reeleito, evidentemente, obviamente, a força política que eu exerço é maior. Uma votação dessa, uma vitória muito expressiva, não tenha dúvida de que vai ser pau para cima da Enel”, afir- mou o prefeito em entrevista à CNN Brasil. “Eu e Tarcísio já falamos e agora a gente vai re- forçar ainda mais que nós não queremos essa empresa aqui.” Durante a entrevista, Nu- nes voltou a responsabilizar o governo federal pela crise com a Enel. “O contrato da Enel é concessão federal, regulação federal, fiscalização federal. Só depende do governo fede- ral para tirar a Enel daqui”, dis- se ele. “Se fosse da Prefeitura, (eu) já tinha tirado.” O emedebista, que adotou na campanha o slogan “cria da periferia”, planeja dar ênfase a iniciativas na área social nes- te segundo mandato. O intui- to é tirar do papel novas pro- postas que foram apresenta- das na campanha, como a con- cessão de gratuidade no trans- porte público para mães leva- rem seus filhos a creches mu- nicipais. Além disso, ele deve ampliar programas já existen- tes, como o Armazém Solidá- rio, um mercado que vende produtos a preços mais baixos doas crianças e os jovens, por exemplo? O que percebemos no recor- te por idade é que, quanto mais velho, menor o consu- mo de ultraprocessados. Quanto mais jovem, maior. Os adolescentes são o grupo com o maior consumo. Recen- temente, saiu um estudo na Inglaterra em que olharam as crianças com dois e, depois, com sete anos. O que se viu foi um aumento no consumo de dois para sete anos e tam- bém uma correlação muito grande: a criança de dois anos que comia muito ultra- processado é a criança de se- te anos com consumo mais elevado. Isso mostra que os hábitos e as preferências são criados quando a criança ain- da é pequena. Por isso o esfor- ço da indústria de ultrapro- cessados na propaganda liga- da a crianças e todo o investi- mento em textura, cor e aro- ma. Tudo isso vai criando o que a gente chama de familia- ridade, e que vai influenciar os hábitos para toda a vida. E quais as consequências mais diretas do consumo de ultraprocessados? Há dois grandes problemas: no ultraprocessado, você não tem o alimento inteiro, e é im- portante você comer junto a fi- bra, os antioxidantes e a proteí- na, por exemplo. Quando você separa essas coisas, o nutrien- te não funciona da mesma ma- neira. A outra questão é que, por não ter o alimento inte- gral, o ultraprocessado tem muitos aditivos para substi- tuir a cor, o aroma e a textura. Então, você não tem o alimen- to integral e tem uma série de substâncias químicas estra- nhas ao alimento. Agora, imagi- na a criança que começa essa trajetória logo cedo, a quanti- dade de aditivos que vai consu- mir ao longo da vida. É uma coisa cumulativa. Talvez o con- sumo seria inócuo se fosse nu- ma quantidade pequena, mas imagina o volume… E daí podemos falar do que se chama de “princípio da precaução”... Isso. Como a relação entre saúde e alimentação é uma re- lação complexa, a gente nun- ca vai conhecer tudo. Talvez a maioria dos aditivos não se- ja problemática, mas, certa- mente, alguns são. Então, à medida que você aumenta a exposição do seu organismo a algo que ele não está progra- mado, aumenta a probabilida- de de ter algum tipo de pro- blema. O princípio da precau- ção é esse: você tem a possibi- lidade de não consumir aditi- vos e ficar menos exposto a problemas. E como fazer para barrar esse consumo? Os produtos estão ficando ca- da vez mais baratos, com mais propaganda, e cada vez mais palatáveis e mais irresis- tíveis. Então, se tem uma série de forças caminhando no sentido de empurrar as pessoas para o aumento do consumo de ultraprocessa- dos, a gente precisa criar uma força oposta em muitas fren- “Decidir qual é a verdura ou a fruta é uma questão de cultura e de preferência. O que não se pode é ter uma dieta monótona. Ou cheia de aditivos” “Se tem uma série de forças caminhando no sentido de empurrar as pessoas para o aumento do consumo de ultraprocessados, a gente precisa criar uma força oposta em muitas frentes para desnormalizar esse consumo” ‘A cultura alimentar ainda é forte no Brasil, mas a tendência é ruim’ Produto Ultraprocessado é feito com ingredientes que não existem na cozinha doméstica, como aditivos Carlos Augusto Monteiro Médico alerta sobre consumo de ultraprocessados no País, principalmente por crianças e adolescentes ENTREVISTA Professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, é responsável pela classificação NOVA, que trouxe o conceito de ultraprocessado D16 ESPECIAL TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 l Epidemia Especialistas consideram que o mundo enfrenta uma epidemia de sobrepeso e obesidade. “Nenhuma área do mundo está imune às consequências da obesidade e os mais pobres são os que mais sofrem, em idades ca- da vez mais jovens”, diz a World Obesity Federation (WOF), no World Obesity Atlas 2024 l Taxa Estudo conduzido pela NCD Risk Factor Collaboration, em parceria com a Organiza- ção Mundial da Saúde (OMS), mostrou que mais de 1 bilhão de pessoas convi- vem com obesidade no mun- do. Na população adulta, a taxa de obesidade mais do que dobrou entre mulheres e quase triplicou entre ho- mens de 1990 a 2022 l Brasil De acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Tele- fônico (Vigitel) de 2021, a pre- valência de excesso de peso (sobrepeso) na população bra- sileira é de 57,2% e a de obesi- dade, 22,4% l Mudanças Com base nas tendências dos dados de 2000 a 2016, e assu- mindo que nada mude em ter- mos de intervenção, a WOF considera que a taxa de adul- tos com sobrepeso e obesida- de passará de 42% em 2020 para 54% em 2035 l Fator de risco A obesidade tem um impacto profundo na qualidade de vi- da do paciente, de acordo com a OMS. “Pode levar ao aumento do risco de diabetes tipo 2 e doenças cardíacas, pode afetar a saúde óssea e a reprodução, além de aumen- tar o risco de certos tipos de câncer”, alerta l Crianças e adolescentes Conforme a OMS, mais de 390 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos estavam acima do peso em 2022. “Crianças com obesida- de têm grande probabilidade de se tornarem adultos com obesidade e também correm maior risco de desenvolver doenças crônicas na idade adulta”, adverte a entidade tes para desnormalizar esse consumo. Um ponto é a refor- ma tributária: todos os ultra- processados deveriam ter um imposto maior e, por ou- tro lado, isentar ao máximo os alimentos naturais e mini- mamente processados. A ou- tra grande questão é a publici- dade. Faz sentido que haja propaganda infantil com o uso de heróis para aqueles produtos já rotulados como alto em açúcar, alto em sódio e alto em gordura saturada? E, por fim, a rotulagem de ad- vertência precisa ser intensi- ficada. A Anvisa (Agência Na- cional de Vigilância Sanitária) está avaliando a possibilida- de de acrescentar na rotula- gem de advertência corantes, aromatizantes e adoçantes ar- tificiais. E daí, penso eu, uma estratégia seria proibir a pu- blicidade de todos os produ- tos com essa rotulagem de ad- vertência. E ninguém iria à falência por isso. Exato. Porque não é que a in- dústria queira fazer um alimen- to para as pessoas ficarem doentes. Obviamente que não. A indústria teria interesse que as pessoas ficassem saudáveis. O problema é que o lucro é uma coisa tão poderosa que a indústria tenta normalizar uma coisa que não é normal. Durante milhões de anos, tive- mos uma alimentação sem adi- tivos, por que agora a gente precisa? A gente não precisa. Quem precisa é a indústria. Porque o aditivo faz parte do modelo de negócios, faz com que o produto dure anos, e isso é lucro. Ela pode estocar, trans- portar por longas distâncias, usar ingredientes de baixo cus- to. O objetivo é mostrar que o consumo é inevitável. Só que não. É absolutamente possível você ter uma alimentação sem esses aditivos todos. O que pode ser hoje consi- derado uma alimentação saudável? Há várias maneiras de ter uma alimentação saudável, o importante é seguir alguns princípios. Um deles é você consumir o alimento inteiro, o mais próximo possível de como ele está na natureza. O outro princípio é você diversi- ficar, consumir alimentos de várias famílias. Decidir qual é a verdura ou a fruta é uma questão de cultura e de prefe- rência. O que não se pode é ter uma dieta monótona. Ou cheia de aditivos. l Projeções preocupantes para a obesidade Para lembrar A C Camargo Cancer Center Você no centro, a ciência ao seu lado. A gente vai do começo Saiba mais: RT: Dra. Raquel M Bussolotti CRM SP - 77005 ao recomeço com você. Somos o A.C. Camargo, O Cancer Center que está ao seu lado do diagnóstico à remissão. Por idade Quanto mais velho,que os praticados no co- mércio convencional para pes- soas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Nunes prevê inaugurar mais dez armazéns durante seu próximo mandato, além de um ainda este ano. Atual- mente, o site da Prefeitura de São Paulo indica seis unidades em operação, distribuídas igualmente entre as zonas les- te e norte da cidade. Também na área de seguran- ça alimentar, o prefeito se com- prometeu a abrir mais 40 “Co- zinhas Escola”. Lançado em ju- lho do ano passado, o progra- ma funciona em parceria com organizações da sociedade ci- vil, oferecendo, diariamente, pelo menos 400 refeições gra- tuitas em diversos pontos da cidade, principalmente para fa- mílias em situação de vulnera- bilidade social. RUA. O apoio às pessoas em si- tuação de rua deve compor ain- da os esforços do novo gover- no na área social. O censo ela- borado pela Prefeitura em 2021 indica um universo de cer- ca de 32 mil pessoas em situa- ção de rua na cidade. No entanto, de acordo com o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a Popu- lação em Situação de Rua, da Universidade Federal de Mi- nas Gerais (UFMG), no mês passado, a Prefeitura registrou e informou ao governo federal, para o repasse de recursos rela- tivos à gestão do CadÚnico, a existência de 86.344 sem-teto. Também há a expectativa de intensificar medidas para a revitalização do centro em par- ceria com o governo estadual. l CAIO POSSATI, LETÍCIA NAOME, BIANCA GO- MES E PEDRO AUGUSTO FIGUEIREDO ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2024 Tema Emedebista foi alvo de críticas na campanha pela atuação nos apagões que atingiram São Paulo Segundo mandato l Armazém Solidário Nunes planeja inaugurar mais dez armazéns no próxi- mo mandato. O local vende produtos a preços mais bai- xos do que os praticados no comércio convencional para inscritos no Cadastro Único (CadÚnico). Atualmente, há seis unidades em operação, distribuídas nas zonas leste e norte da cidade l Cozinha Escola O prefeito se comprometeu a inaugurar mais 40 Cozi- nhas Escola. Lançado em julho de 2023, o programa voltado para famílias em si- tuação de vulnerabilidade funciona em parceria com organizações da sociedade civil e oferece, diariamente, 400 refeições gratuitas em diversos pontos da cidade l Vila Reencontro A nova administração quer entregar mais dez Vilas Reencontro, serviço de mo- radia transitória para pes- soas e famílias em situação de rua. O programa foi cria- do na gestão Nunes. “Vamos fazer mais Vilas Reencontro espalhadas pela cidade, prin- cipalmente no centro des- centralizado das subprefeitu- ras”, disse o prefeito Ricardo Nunes (ao centro), junto com a mulher, Regina, esteve ontem na Basílica de Aparecida (SP) GILDSON DI SOUZA/SECOM “Minha ideia é manter (a tarifa a R$ 4,40), mas eu não poderia ser irresponsável sem antes olhar todos os dados, dissídios de funcionários, valor do diesel, todo o custo, para saber se a gente pode manter. Porque eu não posso tirar da saúde, da educação, da habitação” “Agora reeleito, evidentemente, obviamente, a força política que eu exerço é maior. Uma votação dessa, uma vitória muito expressiva, não tenha dúvida de que vai ser pau para cima da Enel” Ricardo Nunes (MDB) Prefeito reeleito de São Paulo Reeleito, Nunes não descarta aumentar a tarifa de ônibus e mantém Enel no alvo Prefeito afirma que preço do transporte municipal será definido em dezembro; diz também que no seu novo governo ‘vai ser pau para cima’ da concessionária de energia A6 POLÍTICA TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 G ilberto Kassab viu o que o também craque Luiz Inácio Lula da Silva não viu, talvez por velhas idiossincrasias: o eleitor que es- tava dando sopa, solto, sem ru- mo, era o do PSDB, que oscilava entre a centro esquerda e a cen- tro direita. Kassab adaptou o PSD e está moldando o governa- dor Tarcísio de Freitas ao gosto do freguês – leia-se: do eleitora- do tucano. Lula teve a grande sa- cada de atrair Geraldo Alckmin para sua vice, mas ficou por aí. O erro original continua ce- gando os líderes de PT e PSDB e os dois partidos que reuniram os melhores quadros a favor da abertura política nos anos 1980, ao lado do MDB, continuam pa- ra todo o sempre como inimi- gos e, num abraço de afogados, afundam juntos e deixam a direi- ta nadando de braçada. Lula conquistou Alckmin pa- ra sua chapa e o apoio dos me- lhores quadros tucanos contra Jair Bolsonaro em 2022, mas encheu os ministérios com o Centrão, inclusive com os bol- sonaristas PP e Republicanos. Ok, o sistema e a governabilida- de exigem, mas e o eleitor, os votos? Foram dados de bande- ja para o pragmatismo e a saga- cidade política de Kassab. Dois anos depois da volta de Lula ao poder, o PSD coleciona troféus nas eleições municipais: maior número de prefeituras do País (887), 206 das 645 de São Paulo, cinco das 26 capitais, o controle de orçamentos de R$ 234 bilhões. E mais: domina o “triângulo das Bermudas” políti- co e econômico do País. Reelegeu Eduardo Paes já no primeiro turno no Rio, Fuad Noman no segundo em Belo Ho- rizonte e quem, afinal, esteve por trás o tempo todo da aliança entre Tarcísio e o prefeito Ricar- do Nunes (MDB) em São Paulo? Kassab. Tarcísio, chamado de “líder maior” por Nunes na fes- ta da vitória, continua no Repu- blicanos, mas já recusou entrar no PL de Bolsonaro e seu cami- nho natural parece ser o PSD. Já a esquerda só levou duas capitais: João Campos (PSB) em Recife, no primeiro turno, e Evandro Leitão (PT) em Forta- leza, numa disputa nervosa até o último minuto do segundo turno, contra o PL. Ok, os petis- tas não venceram em nenhu- ma capital nas duas últimas eleições, mas não dá para come- morar. No placar geral, ficou atrás até do moribundo PSDB. Bolsonaro alavancou nomes desconhecidos por aí afora, mas todos os cinco candidatos que chegaram na frente no primeiro turno e perderam no segundo das capitais eram apoiados por ele. Significa que tem força, não maioria. Uma superbolha, mas ainda assim uma bolha. Quem está de olho nela, des- de já, é Kassab, que sabe operar politicamente as máquinas e os orçamentos, inclusive os secre- tos, Pix e outros do gênero. O que estará em jogo em 2026 será a corrida ao centro, ao Centrão e, evidentemente, ao seu eleito- rado. Com que musculatura Lu- la, seu governo, o PT e a esquer- da entram nesse jogo? O PT está perdendo o bonde, mas Lula pre- cisa compreender, se é que já não sabe, que não só o futuro do PT, mas da própria esquerda, es- tá nas suas mãos. l SEG. Carlos Pereira e Diogo Schelp (quinzenalmente) l TER. Eliane Cantanhêde e Carlos Andreazza l QUA. Vera Rosa e Marcelo Godoy (quinzenalmente) l QUI. William Waack l SEX. Eliane Cantanhêde l SÁB. Carlos Andreazza l DOM. Eliane Cantanhêde e J.R. Guzzo COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA E-mail: eliane.cantanhede@estadao.com; Twitter: @ecantanhede Ao gosto do freguês Quase 20 mil digitaram número de Marçal no 2º turno Eleições 2024 13 novas unidades industriais de produção criando conexões entre pessoas,alimentos e natureza. Mais que uma nova empresa, uma empresa comprometida com o futuro. Acesseminervafoods.com Eliane Cantanhêde No segundo turno das eleições municipais em São Paulo, qua- se 20 mil eleitores digitaram nas urnas o número 28, de Pa- blo Marçal (PRTB), que ficou em terceiro lugar na primeira etapa do pleito, no dia 6 de ou- tubro, e não avançou na dispu- ta. Com isso, eles se somaram aos 430.746 eleitores que anu- laram o voto anteontem – 6,75% do total da votação. Os números foram levanta- dos pelo portal g1 a partir dos dados do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE- SP). Em primeiro e segundo lu- gar dos mais digitados, estão os numerais “00 e “99 . Depoisdo 28 de Marçal, que aparece 19.561 vezes, o núme- ro do PSDB, 45, foi o mais aper- tado pelos eleitores, com 15.511 votos anulados dessa for- ma. O candidato da sigla, o apresentador José Luiz Date- na, também não avançou para o segundo turno. l KARINA FERREIRA TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 POLÍTICA A7 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2024 MARCELO GODOY M aquiavel dizia que sem piedade se po- dia empalmar o po- der, mas não a glória. Há várias formas de se empalmar o po- der, além da união entre a for- tuna e a virtù, para eleger o príncipe ou o prefeito. Os tem- pos mudaram e Guilherme Boulos, o candidato do PSOL, pareceu querer se adaptar a eles e, assim, não ser dobrado pelos ventos novos. Derrota- do, disse ontem: “Perdemos, mas recuperamos a dignidade da esquerda”. Será? O eleitor da capital paulista viu exemplos formidáveis nes- ta campanha. Além do influen- ciador Pablo Marçal, cujas ra- zões de sucesso – e do fracasso final – já foram debatidas à exaustão, há outra candidatu- ra que merece uma sessão de terapia: a de Boulos. O deputado foi além da es- querda que troca a defesa dos direitos trabalhistas e da distri- buição da riqueza pela mudan- ça de pronomes: na luta para ganhar uns votos a mais no se- gundo turno, Boulos aceitou o desafio de Marçal para uma sa- batina em suas redes sociais. Em 14 de agosto, no debate promovido pelo Estadão, pela FAAP e pelo Terra, Marçal insi- nuou que Boulos consumia co- caína. Na plateia, assessores do candidato do PRTB funga- vam quando o deputado come- çava a falar. Até que Marçal re- solveu exorcizar Boulos, exi- bindo uma carteira de traba- lho como se fosse um crucifi- xo. O deputado tentou retirar de Marçal a carteira. Virou me- me. Enquanto isso, o influen- ciador não perdia a chance de dizer que revelaria uma bom- ba sobre o “comunista”, no úl- timo dia de campanha. Visto como pária na campa- nha, Marçal queria se vender assim, como alguém contra to- dos do “consórcio”. Teve 28% dos votos e ficou um ponto por- centual abaixo de Boulos e 1,5 ponto abaixo de Nunes. E o que fez o candidato do PSOL para tentar vencer a aritmética desfavorável que indicava o prefeito como herdeiro dos vo- tos de Marçal? Tentou mimetizar a estéti- ca, as ideias e até o caráter da candidatura de Marçal. Foi as- sim que, no dia 23 de outubro, Boulos publicou vídeo no X no qual eleitores que diziam ter votado em Marçal decidiram escolher Boulos no segundo turno. Terminava com um de- les retirando o boné com a le- tra M, símbolo da campanha do influenciador, trocando-o por um com a letra B. Parecia boa ideia. Pode-se di- zer que a mensagem se dirigia aos eleitores. Mas a identifica- ção de Boulos com os símbolos de Marçal era algo que não se imaginava possível no dia 5 de outubro. Naquele dia, o deputa- do pedira a prisão e a cassação de Marçal, depois de o influen- ciador divulgar na noite ante- rior falso laudo que imputava ao adversário “ideias homici- das” em estado “surto psicóti- co” pelo consumo de cocaína. Logo no mesmo dia, Boulos anunciou que aceitava o convi- te de Marçal para a sabatina. Era a aposta final do deputado para atrair um eleitor imprová- vel e baixar sua rejeição. Se con- quistou algum voto, é difícil sa- ber. No domingo à noite, as ur- nas mostravam que Boulos ti- vera 40,65% dos votos, pouco mais do que os 40,62% de qua- tro anos antes. Ex-PCB, ex-PT e hoje no PSOL, o ex-deputado federal Milton Temer afirmou na rede social: “Marçal faz Boulos de figurante em lançamento de campanha para presidente em 2026. Posou de cidadão civili- zado, investindo sobre um sen- so comum imbecilizado que o apoia integralmente pelo cará- ter privatista, individualista, preconceituoso de suas pro- postas, mas não se sentia bem no cenário de cadeiradas”. Para ele, Boulos “apareceu com as obviedades que qual- quer candidato de centrão re- petiria em campanha”. Temer chegou ao ponto central. Dis- se que Boulos “conviveu com quem ofendeu ele e a família, e isso mostra mais um princípio importante ao qual renuncia – a capacidade de fazer qual- quer coisa para conseguir al- guns votinhos”. Ao comparecer ao lado de sua nêmesis em troca de votos, Bou- los expôs a degradação da políti- ca e o valor de seus princípios. l VERA ROSA BRASÍLIA A derrota de Guilherme Bou- los (PSOL) na disputa pela Pre- feitura de São Paulo provocou uma espécie de “caças às bru- xas” nas fileiras do PT em bus- ca dos culpados pelo fracasso do candidato apoiado pelo par- tido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desfecho des- sas eleições municipais tem impacto nacional e afeta a cor- relação de forças políticas. Ontem, a reunião da Executi- va Nacional do PT foi marcada por críticas ao governo Lula, la- vação de roupa suja em público e duras cobranças a respeito da necessidade de um “reposicio- namento” da legenda após der- rotas sofridas nas eleições muni- cipais. A portas fechadas, o se- cretário de Comunicação do PT, Jilmar Tatto, definiu a estra- tégia da campanha para a Prefei- tura de São Paulo como “com- pletamente errada” e afirmou que ministros do governo Lula jogaram na várzea. “Parece que tem ministro jo- gando futebol de várzea, sem ar- ticulação nenhuma. É um bara- ta-voa”, disse Tatto. A frase foi uma resposta a uma declaração feita horas antes pelo ministro de Relações Institucionais, Ale- xandre Padilha, para quem o PT foi “o campeão nacional das elei- ções municipais, mas não saiu ainda do Z4 (zona de rebaixa- mento) que entrou em 2016 nas eleições municipais”. A afirmação de Padilha foi li- da na reunião da Executiva Na- cional e recebeu uma saraiva- da de críticas. Não foram pou- cos os que disseram ali ser pre- ciso haver uma “blindagem” do partido em relação ao gover- no Lula. Na prática, isso signifi- ca que o PT quer dar as cartas na montagem do palanque de Lula para as eleições presiden- ciais de 2026. ‘PREÇO’. “Fazemos parte de um governo de coalizão e o PT paga o preço por isso”, argu- mentou a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann. Horas de- pois, contudo, ela decidiu res- ponder a Padilha pelas redes sociais. “Temos de refrescar a memória do ministro Padilha, o que aconteceu conosco des- de 2016 é a base de centro e direita do Congresso que se re- produz nas eleições munici- pais, que ele bem conhece”, es- creveu Gleisi. “Estamos numa ofensiva da extrema direita. Ofender o partido, fazendo gra- ça, e diminuir nosso esforço na- cional não contribui para alte- rar essa correlação de forças.” Embora pertençam à mesma corrente de Lula, intitulada Construindo um Novo Brasil (CNB), Gleisi e Padilha dispu- tam os rumos da legenda. “Pa- dilha devia focar nas articula- ções políticas do governo, de sua responsabilidade, que ajuda- ram a chegar a esses resultados. Mais respeito com o partido que lutou por Lula Livre e Lula Presi- dente, quando poucos acredita- vam”, completou Gleisi. O desgosto do PT por não conseguir voltar ao comando da capital paulista, onde o pre- feito Ricardo Nunes (MDB) se reelegeu, só foi amenizado pe- la vitória em Fortaleza (CE). Na maior capital do Nordeste, Evandro Leitão (PT) venceu André Fernandes (PL), candi- dato apoiado pelo ex-presiden- te Jair Bolsonaro (PL). O triunfo em Fortaleza foi co- memorado ainda mais porque o PT não administrava nenhuma capital desde 2018 e, além disso, venceu um aliado de Bolsonaro. Em 2018, o único prefeito petis- ta de uma capital – Marcos Ale- xandre, de Rio Branco (AC), – renunciou ao cargo conquista- do em 2016 para concorrer ao governo do Acre e perdeu. O resultado em Fortaleza dá musculatura ao ministro da Educação, Camilo Santana, ex-governador do Ceará, e ao líder do governo na Câmara, José Guimarães(CE), que quer presidir o PT. Até agora, porém, o prefeito de Araraqua- ra, Edinho Silva – que não con- seguiu fazer a sucessora – é o nome preferido de Lula para comandar a sigla. Das quatro capitais em que concorria com chapa própria no segundo turno, o PT só ga- nhou Fortaleza. Perdeu em Por- to Alegre, Natal e Cuiabá. Tam- bém sofreu reveses em cidades importantes, como Diadema, no ABC paulista. ‘PARAR DE ERRAR’. O resulta- do em São Paulo provocou, nos bastidores do PT, um jogo de empurra sobre os responsáveis pela derrota. No primeiro tur- no, por exemplo, o deputado Washington Quaquá (RJ), pre- feito eleito de Maricá (RJ) e um dos vice-presidentes do parti- do, chegou a dizer que Boulos era “o melhor candidato para perder” por causa da alta rejei- ção e por não ampliar a aliança ao centro. Na noite de domin- go, após a divulgação do resulta- do na capital paulista, Quaquá voltou à carga. “O PT precisa parar de errar! Boulos era a crônica de uma morte anuncia- da! A candidatura errada na ci- dade errada!”, escreveu ele em postagens nas redes sociais. l ANÁLISE Fala de Padilha sobre zona de rebaixamento gerou forte reação Revés em SP e desempenho no País abrem ‘lavação de roupa suja’ no PT Boulos acredita que resgatou ‘a dignidade da esquerda’. Será? Sabatina com Marçal Ao aceitar convite, Boulos tentou atrair um eleitor improvável. Se conquistou algum voto, é difícil saber REPÓRTER ESPECIAL E COLUNISTA DO ESTADÃO “Parece que tem ministro jogando futebol de várzea, sem articulação nenhuma. É um barata-voa” Jilmar Tatto Secretário nacional de Comunicação do PT ROQUE DE SÁ/AGENCIA SENADO–24/4/2024 Para vice-presidente da sigla, candidato do PSOL era ‘uma morte anunciada’; Padilha afirma que partido continua no ‘Z4’ A8 POLÍTICA TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2024 FELIPE DE PAULA O Partido Social Democrático (PSD), legenda que elegeu o maior número de prefeitos no pleito municipal, avançou prin- cipalmente sobre redutos con- solidados do PSDB, MDB e União Brasil, de acordo com le- vantamento do Estadão. A análise levou em conta as fusões e incorporações partidárias, além dos resultados das elei- ções municipais desde 2000. Entre as 887 prefeituras con- quistadas pelo PSD, 236 eram gerenciadas há 12 anos ou mais por uma daquelas três siglas. Proporcionalmente, 26,61% dos prefeitos vencedores pelo PSD em 2024 elegeram-se em municípios tradicionais do PSDB, MDB e União Brasil (nes- te caso, consideraram-se tam- bém DEM e PSL, legendas que formaram o partido em 2021). O maior prejudicado entre as siglas foi o PSDB, que teve 102 trincheiras capturadas, em especial no interior de São Pau- lo, região de histórica atuação tu- cana. A “desidratação” partidá- ria para a legenda presidida por Gilberto Kassab, entretanto, co- meçou já após a eleição de 2020, quando prefeitos eleitos pelo PSDB migraram para o PSD vi- sando disputar a reeleição com mais chances de vencer. O presidente do PSDB, Mar- coni Perillo, afirmou que essa movimentação entre as duas si- glas minou a atuação dos tuca- nos em São Paulo, mas sua ava- liação do pleito ainda é positiva. A estratégia do PSD de utili- zação da migração partidária é uma das técnicas mais efetivas de expansão eleitoral, segundo a coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada Mayra Goulart. Ela disse que, para este ano, o PSD priorizou candidaturas mais plu- rais, que pudessem abarcar gran- de parte do eleitorado de cen- tro-direita e centro-esquerda. ‘METAS’. O MDB, que desde a re- democratização liderou em nú- mero de prefeituras, viu a maio- ria dos seus redutos serem toma- dos pelo PSD no Paraná e em Santa Catarina. A legenda per- deu 88 municípios para a sigla de Kassab; 63 no Sul e Sudeste. O presidente do MDB, Baleia Rossi, foi procurado, porém não comentou o avanço do PSD sobre trincheiras do partido. Já o União Brasil teve 46 re- dutos subtraídos pelo PSD, principalmente em Minas e na Bahia. O vice-presidente da le- genda, ACM Neto, avaliou po- sitivamente a eleição de 2024, na qual a sigla conquistou 584 prefeituras. Questionado so- bre o avanço do PSD em re- giões de seu berço político, na Bahia, ele disse que “não olha para o quintal do vizinho” e que prefere atentar para as me- tas atingidas pelo União Brasil. Kassab, que também é secre- tário de Governo de São Paulo na gestão de Tarcísio de Frei- tas (Republicanos), festejou o saldo positivo do PSD nas elei- ções: “Este é um partido que nunca teve crise”. l Maioria das prefeitas eleitas é de direita ou de centro Revoada Após a eleição de 2020, prefeitos tucanos já haviam migrado para o partido de Gilberto Kassab PSD avançou sobre redutos do PSDB, MDB e União Brasil Maior vencedora na disputa por prefeituras no País, sigla ficou mais forte no interior de São Paulo e cresceu em outros Estados Das 728 mulheres que saíram vitoriosas nas eleições para prefeituras, 82,5% represen- tam partidos de direita ou de centro. O MDB teve a maioria das escolhidas, 130; o PSD ele- geu 104, e o PP, 89. No segundo turno, 15 mulhe- res disputaram o comando do Executivo em 13 municípios. Delas, só cinco venceram o pleito: Adriane Lopes (PP), em Campo Grande (MT), com 51,45% dos votos; Elizabeth Schmidt (União Brasil), em Ponta Grossa (PR), que teve 53,72%; Emilia Correa (PL), em Aracaju (SE), com 57,46%; Elisa Araújo (PSD), em Ubera- ba (MG), que chegou a 55,60%; e Mirella (PSD), em Olinda (PE), com 51,38%. Nenhuma candidata de esquerda foi elei- ta nessa etapa do pleito. Para Hannah Maruci, douto- ra em Ciências Políticas pela USP e cofundadora d’A Tenda das Candidatas Instituto, o perfil ideológico da maioria das mulheres eleitas é resulta- do de vários fatores, dentre eles o maior financiamento po- lítico de partidos ligados à di- reita. Ao todo, o PL geriu R$ 886 milhões nestas eleições municipais, provenientes do Fundo Especial de Financia- mento de Campanha (FEFC), o que representa 17,87% da ver- ba do Tribunal Superior Eleito- ral (TSE). l PAULA BULKA DURÃES TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 POLÍTICA A9 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 WESLLEY GALZO BRASÍLIA A disputa eleitoral do segundo turno em Goiânia deixou mar- cas profundas na direita. De um lado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado estadual Fred Rodrigues (PL) saíram derrotados em uma campanha com ataques viru- lentos aos adversários. No ou- tro flanco, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), saiu mais do que vito- rioso ao quebrar um tabu his- tórico e eleger o aliado Sandro Mabel (União Brasil) em um processo que consolidou a sua liderança no Estado. Dentre tantos “afilhados” que disputavam o segundo tur- no, Bolsonaro acompanhou a apuração ao lado de Rodri- gues, no que foi entendido co- mo uma afronta a Caiado em busca da hegemonia no campo da direita. Para o governador, a postura do ex-presidente foi “deselegante, desrespeitosa” e tentou desgastar sua autorida- de no Estado. Segundo ele, a direita não tem dono. A direita saiu rachada em Goiânia? A centro-direita, em Goiânia, saiu vitoriosa. Eu ganhei a elei- ção. Eu tenho credenciais de uma vida para falar pela direita no Brasil, quando era palavrão, em 1986. Então aqui, em Goi- ás, ela saiu vitoriosa. O sr. coloca Bolsonaro, Fred Rodrigues, Gustavo Gayer, no grupo extrema di- reita, em outra banda? É outro raciocínio. A centro-di- reita saiu vitoriosa e o candida- to foi eleito. Então eles saíram derrotados? Eu o chamei (Bol- sonaro) no começo do ano pa- ra que compuséssemos chapas nas cidades de Goiás. Fui sur- preendido simplesmente por eles lançaremcandidatos no Estado inteiro. Sem nem se- quer ter conversado. Então, o que ocorreu em Goiás foi uma falta de habilidade política. Fal- tou humildade e sobrou dese- legância da parte deles em achar que bastava lançar um número, independente do can- didato, que ganharia as elei- ções. Fazer política não é as- sim. Fazer política é entender que você tem que respeitar as lideranças estaduais, as lide- ranças municipais, você tem que dialogar, tem que ceder. Não é chegar e dizer: “Ó, é 22. Vota aqui, é 22”. É uma inabili- dade em não construir aliança. Ninguém ganha eleição sozi- nho. Está aí a prova maior. Qual é o tamanho dessa vi- tória em Goiânia para o projeto político do senhor? Há 36 anos um governador não elege um prefeito na cidade de Goiânia. Lógico que nós avan- çamos nisso e conseguimos quebrar mais um tabu. O que isto significa para a minha can- didatura em 2026? O primeiro lugar é que eu, se sou o gover- nador mais bem avaliado, eu preciso de uma capital que seja também mais bem avaliada. Is- so aí vem dentro daquele esti- lo meu de governar, que é transformar Goiás sempre nu- ma referência em todas as ações do Estado. E a capital é o cartão-postal do Estado. Esse é o meu objetivo. É só poder mostrar que aquilo que eu pro- ponho fazer está feito. É isso que eu estou falando. A neces- sidade nossa de ter na capital uma imagem que transmita o avanço que fizemos no Estado. Como vê os ataques de Bol- sonaro ao senhor? Desrespeitoso, deselegante, sem necessidade, até porque eu o apoiei em todas as elei- ções de que ele participou no cenário nacional. O que eu es- pero é que isso possa fazer re- pensar esse seu comportamen- to no momento da eleição de 2026. A gente não ganha elei- ção em posições extremadas. As pessoas querem modera- ção, querem equilíbrio. A popu- lação quer saber é de algo dire- to. Como é que eu vou cons- truir a saúde para as pessoas, a segurança pública, o transpor- te coletivo, os programas so- ciais, a educação de qualidade? Vamos botar o pé no chão e ter noção da vida como ela é. Nesse campo da direita, on- de pretende buscar apoio? O Pablo Marçal mostrou que não tem essa tese (de que Bolso- naro domina a direita). A direi- ta e o centro não têm dono de nenhum lado. Cada eleição é uma eleição. Você ganha se ti- ver os melhores argumentos, as pessoas mais preparadas, se você voltar a fazer política na vertente daquilo que a socieda- de espera. Então, não tem esse voto cego, não tem esse voto encabrestado. E você viu que essa eleição foi a eleição da luci- dez. As pessoas excluíram os extremismos. E votaram na ex- periência, na moderação, na competência. Então essa tese de alguém que é dono de um segmento da sociedade não existe. O que nós temos que construir no Brasil é a nossa capacidade de ganhar as elei- ções. Então, não é ter apenas um segmento da sociedade. Agora não vamos cometer er- ros primários, de achar que apenas um extremo ganha uma eleição. Não, você tem que ampliar o seu espectro jun- to à sociedade para construir a sua maioria, uma maioria con- vergente no sentido de paz. O resultado em Goiânia consolida o poder do se- nhor no Estado com vistas a disputar o Palácio do Pla- nalto em 2026? Eu sou candidato daqui a dois anos. Eu não busquei isso que aconteceu. Quem veio para Goiânia me enfrentar foi o ex- presidente Bolsonaro. Ele, em vez de priorizar onde se existia uma disputa ideológica, que era em Fortaleza, do PT contra o candidato dele, ele preferiu vir para Goiânia. E passar o dia inteiro aqui. Eu fui vítima des- se processo o qual eu não en- tendi por que ter que focar em Goiânia, já que eu iniciei essa luta no Brasil antes dele. Eu fui tratado de uma maneira desele- gante, desrespeitosa. Tentou me desgastar no Estado. O PL e o ex-presidente hoje são adversários do senhor? Da minha parte nunca foi. Eu sempre tive diálogo com eles, mas teve essa atitude. O resul- tado foi qie nós ganhamos. O que se espera na política? Que isso sirva como lição para que eles voltem à mesa de conver- sação, voltem ao diálogo, vol- tem à composição. Entendam que não se desprezam lideran- ças estaduais, lideranças muni- cipais. Não se faz política de cima para baixo, não é atrope- lando que vai se construir um processo em 2026. A função de líder não é dividir, é aglutinar, é ceder, sem ceder em princí- pios, mas muitas vezes ceder em alguma posição. Há alguma chance de cami- nhar junto com Bolsonaro em 2026? Bom, eu acho que essa pergun- ta tem que perguntar mais é para ele, porque eu sempre o ajudei em todas as campanhas dele. Ele é que nunca me aju- dou. Sempre lançou o candida- to contra mim, certo? Agora, eu sairei candidato a presiden- te da República em 2026 pelo União Brasil. Lógico que busca- rei diálogo, coligações. O senhor fará oposição pe- la direita ao projeto bolso- narista para se firmar para 2026? Eu vou ser um candidato como eu fui aqui. Eu tenho que so- mente ampliar esse espectro para o Brasil. Agora, serei candi- dato defendendo aquilo que eu acho, sem nenhuma intransi- gência, sem nenhum radicalis- mo, sem ser dono da verdade. Sou um homem que acredito na ciência, na pesquisa, eu acre- dito no que existe de mais mo- derno para governar um país. Já tem nomes de políticos que podem ser aliados de direita a nível nacional? Sou um pré-candidato. É um processo que só vai ter alguma definição em julho de 2026. l ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2024 Mabel afirma que ex-presidente foi ‘muito desleal’ “O que ocorreu em Goiás foi uma falta de habilidade política. Faltou humildade e sobrou deselegância da parte deles em achar que bastava lançar um número, independente do candidato, que ganharia as eleições. Fazer política não é assim” “Sou candidato daqui a dois anos. (...) Quem veio me enfrentar foi o ex-presidente Bolsonaro” Ronaldo Caiado ‘Faltou humildade e sobrou deselegância (a Bolsonaro)’ Caiado elege aliado em Goiânia contra nome bolsonarista e cobra respeito a ‘lideranças estaduais’ ENTREVISTA WILTON JUNIOR/ESTADÃO–6/9/2023 Filiado ao União Brasil, é governador de Goiás e um dos nomes cotados para concorrer à Presidência em 2026 BRASÍLIA O prefeito eleito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), não esconde o ressentimento com o ex-presidente Jair Bolso- naro (PL) e o deputado federal Gustavo Gayer (PL), que fo- ram opositores da sua candida- tura. Mabel e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), são investigados por distribuir cestas básicas com fins eleitorais. “Deveriam cas- sar o mandato do Gayer por es- se tanto de confusão que fez. Esse monte de fake news que foi feito. Isso daí, sim, precisa ser olhado”, afirmou em entre- vista ao Estadão. “A Polícia Fe- deral está no encalço dele.” O deputado federal foi alvo de operação da PF na última sexta-feira. Ele é suspeito de operar um esquema de desvio de recursos da cota parlamen- tar. Gayer negou prática de atos ilegais. Mabel também se disse de- cepcionado com a postura de Bolsonaro. “Ele foi muito des- leal comigo, sobretudo, que sempre o ajudei ao longo da sua vida parlamentar, quando ele não era o Bolsonaro presi- dente. Eu acho que ele foi mui- to desleal defendendo uma candidatura que era péssima para Goiânia”, afirmou o pre- feito eleito. l W.G. A10 POLÍTICA TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO INÊS 249 4 DE NOVEMBRO TRANSMISSÃO AO VIVO 4 E 5 DE NOVEMBRO DE 20244 E 5 DE NOVEMBRO DE 2024 CAMINHOS CONTRA A CORRUPÇÃO 9º SEMINÁRIO INTEGRIDADE EINTEGRIDADE E TRANSPARÊNCIATRANSPARÊNCIA TRANSMISSÃO AO VIVO 9h30 – 9h50 Abertura Roberto Livianu Procurador de Justiça do MPSP e presidente do INAC Ricardo Castilho Advogado, professor da Faditech