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C2. Cultura & Comportamento, 
A fundo
Caderno A. Opinião, Política, Internacional, Metrópole, Saúde, Esportes, Para fechar...
E&N. Destacar Economia & Negócios 
F U N D A D O E M 1 8 7 5 
J U L I O M E S Q U I T A ( 1 8 6 2 — 1 9 2 7 ) estadão.com.br
Reeleito, prefeito de SP 
disse que decisão será to-
mada em dezembro, após 
análise de custos. Ele tam-
bém prometeu manter fo-
co sobre a Enel. “Vai ser 
pau para cima” da conces-
sionária, afirmou.
Nunes admite 
que tarifa de 
ônibus pode 
ter reajuste 
em 2025 
Prefeitura de SP __ A6
Notas e Informações __ A3
Governo vê disputas internas e no 
Congresso por vagas em agências
18° Mín. 21° Máx.
O eleitorado consolida 
preferência à direita
C
om 9 vagas disponí-
veis em diretorias e 
outras 11 que se abri-
rão até o primeiro tri-
mestre de 2025, as agências re-
guladoras são alvo de disputas 
internas no governo e entre se-
nadores da base governista no 
Congresso. O Planalto quer ne-
gociar as indicações de uma só 
vez. A ideia é não abrir conver-
sas individuais para cada posto 
ou atrelar as negociações às elei-
ções para o comando da Câma-
ra e do Senado, em fevereiro de 
2025. O interesse pelos cargos 
ganhou corpo diante do desgas-
te com os apagões em SP, que 
colocaram sob ataque a atua-
ção da Aneel. Além da Aneel, há 
também disputa por cargos na 
ANP, na Anac e na Anvisa. O go-
verno avalia retomar mecanis-
mo para pactuar metas para as 
agências e, no limite, punir seus 
integrantes. Na Câmara, há arti-
culação para que a Casa passe a 
fiscalizar a atuação no setor.
Ideia do Planalto é não abrir conversas individuais por cargos
Tempo em SP
Marcelo Godoy
O Brasil sai das urnas com 
uma política mais pragmáti-
ca e menos polarizada.
Edição de hoje
Republicanos tentam conter 
danos após insultos a latinos
Comício de Trump__ A14 
Portal com equipe falsa 
promete lucro de 1.000% ao ano
E&N Investimentos __ B12
Cineasta israelense questiona 
motivação para a violência
C2 Entrevista: Amos Gitai __ C1
4 CADERNOS – 72 páginas
Análise__ A8
Futebol __ A21
Eliane Cantanhêde __ A7
Direita 
Valdemar 
Carlos Andreazza__ A12
Sergio Martins__ C8
Isso não se faz,
governador 
Especial 
Summit Saúde
Presidente da Comissão 
de Desenvolvimento Eco-
nômico da Câmara, depu-
tado Danilo Forte (U-
nião-CE) deve apresen-
tar PEC que amplia os 
poderes da Casa. __ B2
‘Cabe à Câmara
fiscalizar agências’
FELIPE RAU / ESTADÃO
E&N Cargos cobiçados __ B1
20 postos
estão ou estarão abertos até 
o primeiro trimestre de 2025 
em diretorias de agências 
reguladoras no País
Entre eleição e honra, 
Boulos perdeu ambas
Brasileiro Vini Jr. fica em segun-
do. Inconformado, Real Madrid 
boicota festa de premiação do 
melhor jogador do mundo. 
Com polêmica, 
espanhol Rodri
é Bola de Ouro 
FR
A
N
C
K
 F
IF
E
/ 
A
FP
Ao gosto do 
freguês 
A hora de dizer 
adeus a nossos ídolos
RONALDO CAIADO 
Governador de Goiás
Entrevista __ A10
Político do União Brasil 
reage ao apoio de Bolsona-
ro a rival em Goiânia.
‘Faltou humildade 
e sobrou 
deselegância’
Estudo mostrou que 43% deles 
não souberam dizer se compra-
riam mais ou menos caso sua 
renda e os preços dobrassem.
Quase metade dos 
alunos de mais de 15 
anos não entende
o que é inflação
Estudantes brasileiros __ A17 
Caderno especial mostra ca-
minhos e desafios para quali-
dade de vida e ampliação do 
acesso à saúde no Brasil. 
De hábitos simples 
à inteligência
artificial, a busca 
por longevidade
Summit Saúde e Bem-Estar__ D1 a D24
Instituição quer vender edifícios tombados como o acima, no Vale do Anhangabaú. Há outros seis na lista, um deles erguido 
com ouro arrecadado na Revolução de 32 para armar tropas paulistas. Meta é arrecadar R$ 200 milhões e pagar dívidas. __ A18
Santa Casa vende prédios clássicos para pagar dívidas
Terça-feira 29 de OUTUBRO de 2024 l R$ 7,00 l Ano 145 l Nº 47859
INÊS 249
l PRESSA. O ministro das Cida-
des, Jader Filho, pretende inten-
sificar contatos para dar celerida-
de ao PAC Seleções. “Vamos con-
versar com prefeitos, governado-
res e ver quais são as dificuldades 
para celebrar as contratações, se 
é problema de licenciamento ou 
não. É pegar na mão dos prefei-
tos e colocar as obras para ro-
dar”, afirmou Jader à Coluna.
l COSTURA. A presidente do PT, 
Gleisi Hoffmann, e o líder do par-
tido na Câmara, Odair Cunha, 
são ventilados para assumir uma 
vaga no Tribunal de Contas da 
União (TCU), de acordo com de-
putados federais e um ministro 
do governo. O PT negocia o pos-
to em troca de apoio na disputa 
pela presidência da Câmara.
l OUTRO LADO. Procurada, Gleisi 
confirmou que a sigla negocia 
uma vaga no TCU, mas ela e 
Odair negam tratativas em torno 
dos próprios nomes. A Câmara 
deverá indicar dois novos minis-
tros para o tribunal em 2026.
l GRATIDÃO. Ex-presidente da Re-
pública, Michel Temer (MDB) 
agradeceu diretamente ao gover-
nador de São Paulo, Tarcísio de 
Freitas, pela reeleição de seu cor-
religionário Ricardo Nunes à Pre-
feitura de São Paulo. “Venceu a 
moderação, o equilíbrio, a sensa-
tez. Valeu, Tarcísio. Parabéns, Ri-
cardo”, declarou à Coluna.
l DESFECHO. Embora em tom me-
nos efusivo que o adotado por 
Nunes, a fala de Temer reforça a 
avaliação entre emedebistas de 
que o governador se consolidou 
como uma liderança política de 
peso no Estado de São Paulo.
l ERRATA. Diferentemente do 
que afirmou o grupo de advoga-
dos Prerrogativas, ao anunciar 
ação na Justiça contra o governa-
dor de São Paulo por ele ter dito 
que mensagens do PCC indica-
vam voto em Guilherme Boulos 
(PSOL), Tarcísio não deu a decla-
ração no Palácio dos Bandeiran-
tes. Ele falou na saída do colégio 
eleitoral onde votou, na capital. 
l VEM AÍ. Decidido a colher todos 
os louros do seu resultado eleito-
ral, Pablo Marçal (PRTB), ex-can-
didato à Prefeitura de São Paulo, 
está escrevendo um livro com 
seu ponto de vista sobre a campa-
nha. O “ponto alto” será a análise 
sobre como transformar um pe-
ríodo de instabilidade em uma 
oportunidade de crescimento.
l DETALHES. Segundo apurou a 
Coluna, a ideia do livro é apresen-
tar os bastidores da campanha 
com a bandeira antissistema e os 
métodos “heterodoxos”.
PRONTO, FALEI!
Renato Dorgan
CEO do Instituto Travessia
“A polarização definitiva entre di-
reita e esquerda não existe no 
País. Em 2022, o que houve foi Lu-
la x Bolsonaro, dois políticos com 
altas popularidade e rejeição.”
Governo Lula quer acelerar 
contratações do PAC Seleções 
com o fim do período eleitoral
P
assadas as eleições municipais, quando o mun-
do político ficou às voltas com campanhas em to-
do o País, o governo federal espera destravar, nos 
próximos meses, as assinaturas de convênios pa-
ra as obras do PAC Seleções. O programa é uma das apos-
tas do Palácio do Planalto para alavancar a popularidade 
do presidente Lula, sobretudo após a frustração da es-
querda com o resultado apresentado pelas urnas no últi-
mo domingo. No PAC Seleções, o governo federal selecio-
na projetos prioritários apresentados por Estados e mu-
nicípios em áreas como mobilidade urbana, drenagem, 
saúde, esgotamento sanitário e abastecimento de água. 
O valor total destinado ao programa é de R$ 136 bilhões, e 
os contratos precisam ser firmados até março de 2025.
CARLA FIAMINI
CLICK
Valdemar Costa Neto
Presidente nacional do PL
Com aliados após a vitória do pre-
feito eleito de Guarulhos, Lucas 
Sanches, candidato do PL que 
ele bancou à revelia de Jair Bol-
sonaro e Tarcísio de Freitas.
por Kleber Sales
ROSEANN KENNEDY
COLUNADOESTADAO@ESTADAO.COM
ESTADAO.COM.BR/POLITICA/COLUNA-DO-ESTADAO
Coluna do
Estadão
SINAIS
PARTICULARES
COM EDUARDO GAYER
COLABORARAM IANDER PORCELLA, 
PEDRO LIMA E VINÍCIUS NOVAIS
Michel Temer,
ex-presidente da República
A2
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
O ESTADO DE S. PAULO
Publicado desde 1875 
S
em grandes surpresas, o se-
gundo turno das eleições 
municipais consolidou o ce-
nárioe conselheiro do INAC
9h50 – 10h30 Conferência deAbertura
Ética, corrupção e integridade
Ministro Edson Fachin
Vice-presidente do STF
10h35 – 11h55  Painel 1: A jornada por transparência
no orçamento público. O desafio das emendas
parlamentares
Mediação:
Eliane Cantanhêde
Colunista do Estadão, comentarista
da GloboNews e da Rádio Eldorado
Celso Campilongo
Professor titular e diretor da Faculdade
de Direito da USP
Maria Tereza Sadek
Professora da USP e diretora executiva do INAC
Marlon Reis
Advogado que atua na ADI das emendas
parlamentares da Abraji
12h – 13h20  Painel 2: A corrupção como
fator de obstrução às candidaturas femininas.
Avaliação das cotas e outros temas
Mediação:
Bianca Gomes
Repórter de Política do Estadão
Ana Elisa Bechara Liberatore
Professora titular de Direito Penal da USP
e vice-diretora da faculdade
Andreia Schroeder
Socióloga, líder do Comitê de Política Públicas
do Grupo Mulheres do Brasil
Valéria Paes Landim
Advogada, presidente do Observatório
de Candidaturas Femininas
13h20 – 14h30  Almoço
14h30 – 15h50  Painel 3: Jornalismo Investigativo
x Corrupção – cases e aprendizados para a Imprensa
e para o sistema de Justiça
Mediação:
Kátia Brembatti
Editora do Estadão Verifica e presidente da Abraji
PROGRAMAÇÃO Eugênio Bucci
Jornalista, professor e escritor
Valmir Salaro
Jornalista e repórter investigativo
Vera Araújo
Jornalista e repórter investigativa
15h55 – 17h15  Painel 4: Pesquisas e medição da
transparência e da corrupção – cases e aprendizados
Mediação:
Marcelo Godoy
Repórter especial e colunista
do Estadão
Humberto Falcão
Cientista político e professor
da Fundação Dom Cabral
Marina Atoji
Jornalista, gerente de Projetos
da Transparência Brasil
Rita de Cassia Biason
Professora da Unesp
e conselheira do INAC
17h20 - 17h40  Conferência
Inteligência Artificial e Combate à Corrupção
Felipe Palhares Guerra Lages
Advogado
17h45  Encerramento
9h – 9h05  Abertura
9h05 – 9h45  Palestra de Abertura
Contra a corrupção, a virtude
José Renato Nalini
Secretário municipal de Mudanças Climáticas de São
Paulo, ex-presidente do TJSP e conselheiro do INAC
Lucas Barthman
Sócio-fundador da Menestys Investimentos
9h50 – 11h10 Painel 5: Integridade e Desenvolvimento
– a sinergia mais que possível, absolutamente imprescindível
para o crescimento econômico sustentável
Mediação:
Renée Pereira
Editora-assistente de Economia do Estadão
Brenno Machado Nogueira
Diretor da Acciona
Natasha Schmitt
Advogada e vice-presidente do Centro de Estudos
de Integridade e Desenvolvimento do INAC
Rodrigo Bertoccelli
Presidente do Centro de Estudos de Integridade
e Desenvolvimento do INAC
5 DE NOVEMBRO
11h15 – 12h35 Painel 6: Os grandes desafios
para construir eficiência aliada a integridade no universo
do esporte
Mediação:
Gustavo Faldon
Editor de Esportes do Estadão
Ana Moser
Ex-ministra do Esporte
Tiago Gomes
Sócio e head da área de Esportes
da Souto Correa Advogados
Raphael Vianna
CFO e diretor estatutário
do Vasco SAF
12h35 – 14h  Almoço
14h – 15h20  Painel 7: As diversas modalidades
e dinâmicas dos acordos de colaboração com a
administração pública. O que é permitido e o que não
é permitido. Players do processo
Mediação:
Ricardo Corrêa
Editor de Política do Estadão
Daniel Falcão
Controlador-geral
do Município São Paulo
Giuseppe Giamundo Neto
Advogado, diretor do Centro de Estudos
de Integridade e Desenvolvimento do INAC
Marcelo Pontes Viana
Secretário de Integridade
Privada da CGU
15h25 – 16h45  Painel 8: O desafio da construção
de segurança jurídica no universo das criptomoedas
Mediação:
Wladimir D'Andrade
Editor no E-Investidor do Estadão
Bernardo Srur
Diretor-presidente
da ABCripto
Bruno Balduccini
Advogado, sócio do escritório
Pinheiro Neto Advogados
Richard Encinas
Promotor de Justiça do Ministério Público do
Estado de São Paulo, coordenador do Cyber Gaeco
16h50 – 17h30  Conferência de Encerramento
A luta por transparência no orçamento público.
O desafio das emendas parlamentares
Everson João Possati
Diretor da Agil Telecom
Miguel Reale Júnior
Advogado, ex-ministro da Justiça
e conselheiro do INAC
17h30 – 17h35  Encerramento
Patrocinador Diamante:Realização: Coordenação Científica:
Rita Biason, Roberto Livianu
e Miguel Reale Júnior
Relatoria Executiva:
Luiz Eduardo de Almeida
INFORMAÇÕES
E INSCRIÇÕES
Patrocinador Ouro:Apoio de divulgação:
O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 POLÍTICA A11
INÊS 249
Carlos Andreazza
Melo prevê acomodar 11 partidos no novo governo 
Porto Alegre
Direita Valdemar
G
uilherme Boulos sai me-
nor das urnas. Teve o 
apoio do PT e muita gra-
na para campanha. Co-
lheu a mesma votação de 2020. 
O teto da rejeição se lhe impôs. 
Parece limitação incontornável 
– comunica a incompetência.
Foram quatro anos e ne-
nhum programa para minimi-
zar a imagem negativa, sendo es-
tarrecedor haver quem supuses-
se que algo positivo poderia ser 
extraído da submissão desespe-
rada à sabatina com Marçal.
Boulos sai também sozinho. 
A lavação de roupa suja petista, 
processo delirante, já atribui o 
revés ao que seria escolha erra-
da de candidato; como se o PT 
contasse, em seu deserto de re-
novação, com opção paulistana 
competitiva; e como se o parti-
do não tivesse se lançado a en-
frentar o prefeito da tragédia em 
Porto Alegre com a única candi-
data que o faria menos rejeitado. 
Sebastião Melo venceu no Sul.
Ricardo Nunes, em São Pau-
lo. Seu papel doravante sendo o 
de amarrar o MDB ao plano de 
Tarcísio de Freitas e lhe garan-
tir espaços à acomodação de 
aliados. O prefeito reeleito foi 
corpo para um projeto-piloto. 
Que reuniu o conjunto hetero-
gêneo de jogadores de que o go-
vernador precisará em 26.
Estavam lá o bolsonarismo, 
a direita Valdemar – aquela, 
oportunista e ilegítima, que pa-
ga casa e salário ao mito – e o 
PSD de Kassab, líder de um blo-
co de centro que, lendo o ritmo 
das marés, ora pende à direita e 
é financiado pelo fundo eleito-
ral paralelo em que se constituí-
ram as emendas parlamentares. 
Grupo de equilíbrio precário.
O “líder maior” Tarcísio – defi-
nição de Nunes – é subordinado 
ao líder maior inelegível, Bolsona-
ro; de quem precisa tanto quanto 
de Kassab. Gestão difícil. Não à 
toa acarinha frequentemente o 
bolsonarismo. Foi o que fez, ur-
nas ainda abertas, ao instrumen-
talizar a condição de governador 
para divulgar – sem apresentar 
provas – o que seria “salve” do 
PCC pela candidatura de Boulos.
Barbaridades assim podem 
não ser suficientes. Porque há 
desconfianças, no bolsonaris-
mo, sobre o bolsonarista – ele 
estaria mais para direita Valde-
mar – Tarcísio. Que precisará 
também de sorte. Para que não 
lhe apareça um desafiante à mo-
da Marçal, agente que denuncia 
a associação a Kassab, afrouxa o 
controle da família Bolsonaro 
sobre o rebanho e faz se insi-
nuar um bolsonarismo sem Bol-
sonaro. Que vencedor não foi 
em 24. As vitórias do ex-presi-
dente estando contidas no êxi-
to da direita Valdemar.
Bolsonaro está contido na di-
reita Valdemar. O bolsonaris-
mo, desconfortável com isso. O 
sangue da inelegibilidade do mi-
to está na água e os nikolas fare-
jam. Bolsonaro reage aos en-
saios de autonomia demarcan-
do território e se apregoando co-
mo o candidato da direita em 26. 
Candidato que não será. Candi-
dato – candidatos – que haverá.l
O prefeito reeleito de Porto 
Alegre, Sebastião Melo (MDB), 
prevê contemplar os 11 parti-
dos que o apoiaram no segun-
do turno no governo de seu se-
gundo mandato, mas com uma 
ressalva: “O PL vai ter gente do 
governo? Vai. O MDB também 
vai. Agora, se tiver uma deter-
minada área em que nenhum 
partido ofertar um quadro que 
tenha qualidade de gestão, eu 
vou dizer: ‘me desculpe, não 
posso contemplar”.
O prefeito considera que a in-
fluência do presidente Luiz Iná-
cio Lula da Silva e de Jair Bolso-
naro, que o apoiou, não foi deci-
siva para o resultado. No segun-
do turno, Melo obteve 61% dos 
votos válidos ederrotou a depu-
tada federal Maria do Rosário 
(PT-RS). Ele avalia que o pleito 
foi definido principalmente pe-
las ações de sua gestão para con-
tornar os efeitos as fortes chu-
vas que castigaram Porto Alegre 
em abril. l GUSTAVO CÔRTES
SEG. Carlos Pereira e Diogo Schelp (quinzenalmente) l TER. Eliane Cantanhêde l QUA. Vera Rosa e Marcelo Godoy (quinzenalmente) l QUI. William Waack l SEX. Eliane Cantanhêde l DOM. Eliane Cantanhêde e J.R. Guzzo
O sangue da
inelegibilidade
do mito está na
água e os nikolas
farejam
E-mail: ca.andreazza@gmail.com; Twitter: @andreazzaeditor
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A12 POLÍTICA
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
PEPITA ORTEGA
O Superior Tribunal de Justiça 
(STJ) abriu um procedimento 
administrativo disciplinar con-
tra um segundo servidor cita-
do nas investigações sobre sus-
peita de venda de sentenças no 
Tribunal de Justiça de Mato 
Grosso do Sul que também 
atingiram a Corte superior. 
Conforme o STJ, até o momen-
to, “não há qualquer indício de 
envolvimento de ministros”.
Em nota, a Corte afirmou na 
sexta-feira passada que as apu-
rações podem resultar em no-
vos procedimentos internos e 
os processos estão sendo com-
plementados por dados com-
partilhados pela Polícia Fede-
ral e Corregedoria Nacional de 
Justiça. O STJ disse ainda que, 
“respeitando seu compromis-
so com a ética e a transparên-
cia”, vai divulgar as conclusões 
da apuração administrativa.
Em sessão da Terceira Tur-
ma do tribunal no último dia 8, 
a ministra Nancy Andrighi já 
havia anunciado a abertura de 
um procedimento disciplinar 
sobre a conduta de um servi-
dor da Corte. “Não posso dizer 
o que sente um juiz com 48 
anos de magistratura quando 
se vê numa situação tão estra-
nha como essa. O importante 
é que já foi localizada a pessoa, 
respondeu a uma sindicância e 
está aberto o PAD (procedimen-
to administrativo disciplinar)”, 
declarou a ministra.
TORNOZELEIRA. A informação 
sobre o novo PAD foi divulga-
da pelo STJ um dia depois da 
Operação Última Ratio, na 
quinta-feira passada, que resul-
tou no afastamento de cinco 
desembargadores do Tribunal 
de Justiça de Mato Grosso do 
Sul sob suspeita de venda de 
decisões judiciais. Eles estão 
sendo monitorados por meio 
de tornozeleira eletrônica.
O relator do caso no STJ, 
Francisco Falcão, determinou 
a remessa da investigação para 
o Supremo Tribunal Federal 
(STF), em razão de gabinetes 
de quatro ministros do pró-
prio STJ terem sido citados 
em conversas obtidas pela PF. 
O STF detém competência pa-
ra investigar e processar inte-
grantes dos outros tribunais 
superiores. O relator no Supre-
mo é Cristiano Zanin.
As suspeitas surgiram a par-
tir de dados armazenados no 
celular do advogado Roberto 
Zampieri, executado em Cuia-
bá, em dezembro de 2023. O 
conteúdo – cerca de cinco mil 
diálogos – levou até agora ao 
afastamento de oito magistra-
dos dos Tribunais de Justiça de 
Mato Grosso e de Mato Grosso 
do Sul e inquieta agora o STJ.
Caberá ao procurador-geral 
da República, Paulo Gonet, se 
manifestar sobre a manuten-
ção do caso no Supremo, com 
base na análise de citações a 
ministros do STJ. l
Eduardo Suplicy anuncia que tem câncer linfático
Em tratamento
O deputado estadual Eduardo 
Suplicy (PT-SP), de 83 anos, 
anunciou ontem em suas re-
des sociais ter recebido, no últi-
mo mês de julho, o diagnóstico 
de câncer linfático. Ele disse 
ainda que se encontra em trata-
mento imunoquimioterápico.
A doença se origina no siste-
ma linfático, onde estão os lin-
fócitos, tipo de glóbulo branco 
responsável pela defesa do or-
ganismo. A imunoquimiotera-
pia combina quimioterapia, 
que utiliza medicamentos pa-
ra combater as células cancero-
sas, com imunoterapia, cujo 
objetivo é restaurar e estimu-
lar o sistema imunológico do 
corpo para atacar o câncer.
Segundo o deputado, ele 
continua suas atividades na As-
sembleia Legislativa de São 
Paulo, assim como suas aulas 
de ginástica. “Felizmente 
meus exames já apresentam 
bons resultados”, afirmou Su-
plicy. l LETÍCIA NAOME
Inquérito
8 investigados – 7
desembargadores e um 
juiz – já foram afastados
STJ investiga servidores e não vê ‘indício’ 
de elo de ministros com venda de sentenças
Tribunal afirma que 
abriu procedimentos
internos; gabinetes de 
quatro magistrados são 
citados em conversas 
obtidas pela PF
Operação Última Ratio
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
POLÍTICA A13
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
NOVA YORK
Republicanos, aliados e o co-
mando da campanha de Do-
nald Trump correram ontem 
para tentar reduzir o prejuízo 
causado pelas declarações ra-
cistas e insultos a latinos, espe-
cialmente aos porto-rique-
nhos, feitos durante o comício 
do ex-presidente na noite de 
domingo, no Madison Square 
Garden, em Nova York.
O evento foi marcado pela re-
tórica mais sombria e agressi-
va de Trump até o momento na 
campanha. Logo na abertura, o 
comediante Tony Hinchcliffe 
se referiu a Porto Rico como 
“lixo” e zombou da população 
de origem latina, que segundo 
ele não usa métodos anticon-
cepcionais. “Há uma ilha flu-
tuante de lixo no meio do ocea-
no neste momento. Acho que 
se chama Porto Rico”, disse 
Hinchcliffe.
Os comentários tiveram efei-
to imediato. Várias celebrida-
des porto-riquenhas ou de ori-
gem hispânica, como o rapper 
Bad Bunny, a atriz Jennifer Lo-
pez, e os cantores Luis Fonsi e 
Ricky Martin, citaram os co-
mentários para declarar apoio 
à candidata democrata Kamala 
Harris – que coincidentemen-
te havia apresentado uma série 
de propostas para Porto Rico 
horas antes. 
A preocupação da campanha 
de Trump não é com os mais de 
3 milhões de habitantes da ilha, 
um território autônomo ameri-
cano, que não têm direito a vo-
to. Mas com os 6 milhões de 
americanos de origem porto-ri-
quenha que vivem nos EUA. 
DANOS. Rapidamente, assesso-
res de campanha e membros 
do Partido Republicano corre-
ram para apagar o incêndio 
provocado pelos comentá-
rios, principalmente em Esta-
dos com alta densidade de elei-
tores hispânicos, como Flóri-
da e Pensilvânia. “A piada não 
reflete a visão de Trump”, afir-
mou Danielle Alvarez, uma 
das porta-vozes da campanha.
“Essa retórica não reflete os 
valores do Partido Republica-
no”, afirmou a deputada repu-
blicana María Elvira Salazar, fi-
lha de cubanos, que viveu em 
Porto Rico e enfrenta uma ree-
leição difícil no 27.° Distrito da 
Flórida. 
David Urban, uma espécie 
de assessor informal da campa-
nha, lamentou a piada. “Não te-
ve graça”, escreveu no X. Hin-
chcliffe, o comediante que de-
satou a crise, não voltou atrás, 
nem lamentou a piada. “Esse 
povo não tem nenhum senso 
de humor”, disse.
ATAQUES. Os democratas apro-
veitaram a indignação dos por-
to-riquenhos. O presidente Joe 
Biden, que votou ontem em De-
laware, disse que os insultos ra-
cistas foram “constrangedo-
res”. “Isso não é digno de ne-
nhum presidente”, disse. Ka-
mala chamou os comentários 
de “absurdos”. “Nada do que 
ele diz satisfaz as aspirações e 
os sonhos do povo americano.”
A maior dor de cabeça para 
Trump, porém, veio do astro do 
reggaeton Bad Bunny – cujo ver-
dadeiro nome é Benito Antonio 
Martínez Ocasio, vencedor de 
três Grammys. Porto-riquenho, 
ele tem mais de 45 milhões de 
seguidores no Instagram e vinha 
sendo cortejado pelos democra-
tas. Após o comício de Trump, 
ele compartilhou um vídeo e 
anunciou seu apoio a Kamala.
‘NAZISTA’. Ao mesmo tempo,ontem, Trump tentou se distan-
ciar de outra polêmica, após 
seu ex-chefe de gabinete John 
Kelly ter dito que ele se encaixa-
va na definição de fascista. Ka-
mala usou as declarações para 
criticar Trump na semana pas-
sada. Em um discurso em Atlan-
ta, na Geórgia, o republicano re-
bateu os comentários. “Não 
sou nazista. Sou o oposto de 
um nazista”, disse. l NYT e WP 
Votos de não filiados 
embaralham disputa 
Musk é processado por 
sorteios de US$ 1 milhão 
para eleitores
l Nevada
Mais de 600 mil já votaram, 
ou 30% do eleitorado. Repu-
blicanos estão à frente em 5 
pontos, segundo projeções. 
Democratas teriam de ga-
nhar entre os independentes 
por 5 pontos, de acordo com 
estimativas, para cortar a 
vantagem. 
l Arizona
Com mais de 1,2 milhão de 
votos já enviados, os republica-
nos têm 42% dos votos a 35% 
dos democratas. Mas 23% dos 
que já votaram não têm filia-
ção partidária. Pesquisas indi-
cam que a maioria estaria vo-
tando em Kamala, o que emba-
ralha o cenário.
l Geórgia
Estado que mais votou: 42% do 
eleitorado, ou 3 milhões de vo-
tos. Votação permanece equili-
brada. Pesquisas indicam que 
Kamala teria vantagem de 55% 
a 45% entre os que votaram an-
tes. Trump teria 55% a 45% en-
tre os que votarão no dia da elei-
ção. Especialistas suspeitam, 
portanto, que se o voto anteci-
pado superar a marca de 50%, 
Kamala teria mais chances de 
vencer no Estado. 
l Carolina do Norte
Mais de 2,8 milhões de votos já 
foram registrados e a eleição 
não poderia estar mais acirra-
da. Republicanos têm 34% e de-
mocratas, 33%. Independentes 
e sem filiação partidária che-
gam a 32%, o que torna o resul-
tado imprevisível. 
l Pensilvânia
Com 1,4 milhão de votos envia-
dos, Kamala segue com vanta-
gem de 2 para 1. São 380 mil 
votos de frente, ou 58% a 31% 
(com 10% sem filiação). Nos 
últimos dias, porém, os repu-
blicanos estão reduzindo a 
distância.
l Michigan
Estima-se que democratas 
tenham vantagem de 260 mil 
votos – 52% a 38%, com 10% 
de não filiados, com mais de 
1,9 milhão de votos enviados. 
As mulheres estão votando 
mais que os homens (56% a 
44%), o que é bom sinal para 
Kamala.
l Wisconsin 
Estado não detalha filiação 
partidária, mas se estima que 
os democratas estejam à fren-
te (35% a 23%), com 858 mil 
votos já registrados. O volu-
me de votos de não filiados e 
independentes (42%), no en-
tanto, complica qualquer pre-
visão.
Larry Krasner, promotor da 
cidade da Filadélfia (Pen-
silvânia), entrou ontem 
com uma ação para suspen-
der a distribuição de dinhei-
ro em comícios de Donald 
Trump. O bilionário Elon 
Musk anunciou que fará um 
sorteio de US$ 1 milhão to-
dos os dias – até o dia da 
eleição – para quem assinar 
uma petição online em defe-
sa da Constituição dos EUA 
durante eventos de campa-
nha de Trump.
Na semana passada, Kris-
tine Fishell, uma eleitora da 
Pensilvânia, foi a primeira a 
ganhar de Musk um cheque 
de US$ 1 milhão durante um 
comício de Trump. Mas, se-
gundo Krasner, a distribui-
ção de dinheiro seria uma 
“loteria ilegal”, que na Pen-
silvânia precisa ser regula-
mentada e operada pelo Es-
tado.
O promotor também 
acusa o bilionário de esco-
lher os ganhadores. “Embo-
ra Musk diga que a seleção 
de um vencedor é aleatória, 
isso parece falso, porque 
vários vencedores são indi-
víduos que compareceram 
aos comícios de Trump na 
Pensilvânia”, disse. “Se não 
for proibido, o esquema pre-
judicará irreparavelmente 
os habitantes da Filadél-
fia.” l NYT
!Antecipado 
Trump no Madison Square Garden, em Nova York: insultos racistas renderam problemas com comunidade porto-riquenha nos EUA
ALEX BRANDON/AP
Republicanos tentam conter danos de 
insultos a latinos em comício de Trump 
Evento de campanha em Nova York teve discursos racistas contra porto-riquenhos, 
parte crucial do eleitorado de alguns Estados decisivos na disputa pela Casa Branca
Eleição americana
A14 INTERNACIONAL
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
Oriente Médio 
Nova lei veta agência de refugiados 
da ONU em território israelense 
JERUSALÉM 
O Parlamento de Israel apro-
vou ontem dois projetos de lei 
que proibiriam a principal 
agência da ONU que auxilia os 
palestinos (a UNRWA), de 
operar em seu território, além 
de classificá-la como organiza-
ção terrorista. As leis, que não 
entram em vigor imediatamen-
te, indicam o agravamento da 
relação já conturbada entre Is-
rael e ONU.
Aliados internacionais de Is-
rael disseram estar profunda-
mente preocupados com o im-
pacto potencial para os palesti-
nos, uma vez que a situação hu-
manitária na guerra está se 
agravando. Sob a primeira lei, 
a agência da ONU para refugia-
dos palestinos seria proibida 
de realizar “qualquer ativida-
de” ou fornecer serviços den-
tro de Israel, enquanto a segun-
da lei cortaria laços diplomáti-
cos com ela. A legislação colo-
ca em risco o frágil processo de 
distribuição de ajuda na Faixa 
Gaza, justamente quando Is-
rael enfrenta pressão dos EUA 
para aumentar a assistência hu-
manitária.
Israel alegou que alguns dos 
milhares de funcionários da 
UNRWA participaram dos ata-
ques do Hamas, no ano passa-
do, que desencadearam a guer-
ra em Gaza. Também afirma 
que centenas de funcioná-
rios da UNRWA têm liga-
ções com terroristas e en-
controu ativos militares do 
Hamas próximos ou sob as 
instalações da agência. 
A agência demitiu nove 
funcionários após uma in-
vestigação, mas nega apoiar 
grupos armados e afirma 
agir rapidamente para ex-
pulsar qualquer suspeito de 
envolvimento.
Juntas, as leis cortariam 
efetivamente os laços com 
a UNRWA, retirando suas 
imunidades legais e restrin-
gindo sua capacidade de 
apoiar palestinos em Jerusa-
lém Oriental e na Cis-
jordânia ocupada. O Depar-
tamento de Estado dos 
EUA afirmou estar “profun-
damente preocupado” com 
a proibição. l AP e AFP
ERIE, EUA
Com a aproximação do dia da 
eleição presidencial nos EUA, 
no dia 5, uma grande questão 
paira sobre a campanha pela 
Casa Branca, e não tem nada a 
ver com a economia ou os ata-
ques constantes entre o ex-pre-
sidente Donald Trump e a vi-
ce-presidente Kamala Harris 
sobre julgamento, caráter e ap-
tidão mental. É sobre gênero.
A questão raramente é abor-
dada diretamente por qual-
quer um dos candidatos. No 
entanto, o fato de Kamala ser 
mulher – e sua potencial chan-
ce de fazer história como a pri-
meira presidente do país – está 
definindo a campanha, crian-
do uma disputa que, de manei-
ras explícitas e sutis, se torna 
um referendo sobre o papel da 
mulher na vida americana.
Adesivos pró-Kamala, cola-
dos em banheiros, lembram as 
eleitoras, “de mulher para mu-
lher”, que o voto é privado. As-
sessores de Trump usam epíte-
tos sexualizados para ridicula-
rizar homens liberais como fra-
cos e afeminados. Pesquisa 
após pesquisa revela que a dife-
rença nos padrões de voto 
com base no gênero perpassa 
todos os grupos demográficos.
APOIO. Em conversas discre-
tas, algumas apoiadoras de Ka-
mala não conseguem evitar a 
sensação incômoda de que os 
homens em suas vidas estão 
tendo dificuldades para apoiar 
uma mulher – especialmente 
uma mulher negra de origem 
sul-asiática –, mesmo que não 
queiram admitir isso.
“Se ela fosse homem, será 
que essa disputa estaria tão 
acirrada?”, perguntou a gover-
nadora do Maine, Janet Mills, 
a um grupo de mulheres demo-
cratas após fazer campanha 
por Kamala nos subúrbios de 
Pittsburgh. Joyce Reinoso, 
uma dessas mulheres, respon-
deu: “Ah, ela já teria vencido 
há três semanas”.
Aqueles que estudam os pa-
drões de voto há décadas dizem 
que nunca antes viram uma dis-
puta presidencial em que o gê-
nero fosse tão central para as 
perspectivas eleitorais de cada 
candidato – nem mesmo em 
2016, quando Hillary Clinton se 
tornou a primeira mulher a ob-
ter a nomeação de um grande 
partido. Eles citam uma série 
de fatores: a difamação bemdo-
cumentada de Trump em rela-
ção às mulheres, o potencial his-
tórico de Kamala, as visões se-
xistas persistentes sobre mu-
lheres no poder e, talvez o mais 
central, a revogação da Supre-
ma Corte do direito constitu-
cional ao aborto.
“É como um jogo de acerto, 
ele precisa conquistar algu-
mas mulheres para que os ho-
mens o levem à vitória, e nós 
precisamos conquistar alguns 
homens para que as mulheres 
a levem à vitória”, disse Celin-
da Lake, pesquisadora demo-
crata que estuda o voto femini-
no. “É exatamente a mesma 
fórmula, só que espelhada.”
Uma pesquisa realizada pe-
lo New York Times e o Siena 
College neste mês mostra que 
a diferença de gênero se am-
pliou à medida que as mulhe-
res mantêm seu apoio de longa 
data aos democratas, enquan-
to os homens se aproximam 
de Trump. Kamala tem uma 
vantagem de 16 pontos porcen-
tuais entre as prováveis eleito-
ras, enquanto Trump tem uma 
vantagem de 11 pontos entre 
os prováveis eleitores do sexo 
masculino.
Grande parte da divisão de 
gênero é impulsionada pela ge-
ração mais jovem: a pesquisa 
mostra que 69% das mulheres 
de 18 a 29 anos favorecem a de-
mocrata, em comparação com 
45% dos homens jovens – uma 
diferença que supera em mui-
to a de qualquer outra geração 
de eleitores.
SEXISMOS. Os democratas acre-
ditam que Kamala enfrenta um 
sexismo que se apresenta de 
forma diferente dos ataques do 
passado, quando líderes femini-
nas eram questionadas aberta-
mente com base no gênero e 
descritas em estereótipos 
clássicos de serem ou agressi-
vas ou muito emocionais – às 
vezes, ambas as coisas.
O país mudou desde 2016, 
com mais mulheres alcançan-
do posições de poder político, 
incluindo Kamala, a primeira 
vice-presidente. Mas, em con-
traste com 2016, quando os 
progressistas se deleitavam 
com a perspectiva da primeira 
presidente mulher, os demo-
cratas agora estão menos oti-
mistas quanto ao poder persis-
tente do sexismo na mente de 
alguns eleitores.
Kamala rejeita as preocupa-
ções de que o sexismo possa 
prejudicar suas chances. “Nun-
ca vou achar que alguém em 
nosso país deva eleger um lí-
der com base em seu gênero 
ou raça”, disse ela em entrevis-
ta à NBC News. l NYT
Relação tensa
Israel alega que
funcionários da UNRWA 
participaram dos ataques 
ao país no ano passado
TEERÃ 
A iraniana Narges Mohamma-
di, ganhadora do Nobel da Paz 
de 2023 e presa pelo regime, 
foi internada após nove sema-
nas doente, segundo informa-
ções divulgadas no domingo 
por um grupo que faz campa-
nha pela ativista.
Ela sofre de uma doença car-
díaca e, de acordo com seu bole-
tim médico emitido em setem-
bro, a artéria principal de seu 
coração desenvolveu novamen-
te uma complicação grave. Nar-
ges Mohammadi, de 52 anos, 
não pôde receber o Nobel por 
estar presa. Ela foi detida em 
2021 em Teerã por protestar 
contra o uso obrigatório de véu 
e a pena de morte no país.
Mesmo doente, a internação 
só ocorreu após autorização 
do governo iraniano. A Coali-
zão Liberdade para Narges afir-
mou, em comunicado, que a 
ativista deve receber uma li-
cença médica ser submetida a 
um tratamento abrangente pa-
ra múltiplas condições. O gru-
po afirma que apenas transfe-
ri-la para o hospital não abor-
dará os graves problemas de 
saúde causados por meses de 
negligência e privação.
Narges está detida na prisão 
de Evin, que abriga prisionei-
ros políticos, acusados de te-
rem vínculos com o Ocidente. 
Ela já cumpria uma pena de 30 
meses e outra de 15 quando, no 
sábado, recebeu uma terceira 
sentença que adicionou mais 6 
meses. O motivo, segundo au-
toridades, foi seu protesto con-
tra a execução de outro prisio-
neiro político na cadeia em que 
está. l AP 
Iraniana Nobel da Paz 
presa é internada 
Regime islâmico 
Apoiadoras de Kamala Harris saúdam candidata na Filadélfia 
SUSAN WALSH/AP
“Nunca vou achar 
que alguém em nosso 
país deva eleger 
um líder com base 
em seu gênero 
ou raça”
Kamala Harris
Vice-presidente dos EUA, 
em entrevista à NBC News 
Eleição nos 
EUA tem 
divisão inédita 
por gênero
Especialistas 
afirmam que série 
de fatores colocou a 
questão no centro da 
disputa à presidência 
deste ano 
Voto feminino
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
INTERNACIONAL A15
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
O
presidente da Rússia, 
Vladimir Putin, estava 
animado na semana pas-
sada ao receber líderes 
mundiais, incluindo Narendra 
Modi e Xi Jinping, na cúpula do 
Brics em Kazan. No ano passa-
do, quando o bloco se reuniu 
na África do Sul e se expandiu 
de cinco para dez membros, Pu-
tin teve de ficar em casa para 
evitar ser preso por um manda-
do emitido pelo Tribunal Pe-
nal Internacional. Desta vez, 
ele foi o anfitrião do clube em 
rápido crescimento que está 
desafiando a ordem liderada 
pelo Ocidente.
Em 15 anos, o Brics (Brasil, 
Rússia, Índia, China e África do 
Sul) conquistou pouco. No en-
tanto, Putin espera dar peso ao 
bloco, fazendo-o construir um 
novo sistema de pagamentos 
internacionais para atacar o do-
mínio dos EUA nas finanças 
globais e proteger a Rússia e 
seus amigos das sanções. 
Um sistema de pagamentos 
do Brics permitiria “operações 
econômicas sem depender da-
queles que decidiram transfor-
mar dólar e euro em armas”. 
Esse sistema, que a Rússia cha-
ma de “Ponte do Brics”, deve 
ser construído dentro de um 
ano e permitiria que os países 
fizessem liquidações transna-
cionais usando plataformas di-
gitais administradas por seus 
bancos centrais. Surpreenden-
temente, ele pode tomar em-
prestado conceitos de um pro-
jeto diferente chamado mBrid-
ge, parcialmente administrado 
por um bastião da ordem lidera-
da pelo Ocidente, o Banco de 
Compensações Internacionais 
(BIS), sediado na Suíça.
As negociações elucidarão 
um pouco a corrida para refa-
zer os circuitos financeiros do 
mundo. A China há muito apos-
ta que a tecnologia de pagamen-
tos – não uma rebelião de cre-
dores ou conflito armado – re-
duzirá o poder dos EUA. 
O plano do Brics pode tor-
nar as transações mais baratas 
e rápidas. Esses benefícios po-
dem ser suficientes para atrair 
economias emergentes. Em 
um sinal de que o esquema tem 
potencial genuíno, as autorida-
des ocidentais estão cautelo-
sas de que ele seja projetado pa-
ra escapar de sanções. Alguns 
estão frustrados com o papel 
não intencional do BIS, conhe-
cido como o banco central dos 
bancos centrais.
O domínio americano do sis-
tema financeiro global, centra-
do no dólar, tem sido um pilar 
da ordem do pós-guerra e colo-
cou os bancos americanos no 
centro dos pagamentos inter-
nacionais. Enviar dinheiro ao 
redor do mundo é um pouco 
como pegar um voo de longa 
distância; se dois aeroportos 
não estiverem conectados, os 
passageiros precisam trocar de 
voo, de preferência em um hub 
movimentado. No mundo dos 
pagamentos internacionais, o 
maior hub são os EUA.
PODER. Como quase todos os 
bancos que fazem transações 
em dólares têm de fazê-lo por 
meio de um banco correspon-
dente nos EUA, o país é capaz 
de monitorar os fluxos em bus-
ca de sinais de financiamento 
terrorista e evasão de sanções. 
Isso fornece aos americanos 
um enorme poder.
Após a invasão da Ucrânia 
pela Rússia em 2022, o Ociden-
te congelou US$ 282 bilhões 
em ativos russos mantidos no 
exterior e desconectou os ban-
cos russos do Swift, usado por 
cerca de 11 mil bancos para pa-
gamentos internacionais. Os 
EUA também ameaçaram “san-
ções secundárias” a bancos em 
outros países que apoiem o es-
forço de guerra da Rússia. Esse 
tsunami levou os bancos cen-
trais a acumular ouro, e os ad-
versários dos EUA a deixarem 
de usar o dólar para pagamen-
tos, o que a China vê como uma 
de suas maiores vulnerabilida-
des.
Putin esperava capitalizar 
essa insatisfação em relação ao 
dólar na cúpula do Brics. Para 
ele, criar um novoesquema é 
uma prioridade prática urgen-
te, bem como uma estratégia 
geopolítica. Os mercados de 
câmbio da Rússia agora nego-
ciam quase exclusivamente 
em yuans, mas, como o país 
não consegue obter o suficien-
te da moeda chinesa para pagar 
todas as suas importações, a 
Rússia foi reduzida às trocas.
Putin espera avançar seus 
planos para o Brics Bridge, um 
sistema de pagamentos que 
usaria dinheiro digital emitido 
por bancos centrais e apoiado 
por moedas fiduciárias. Isso co-
locaria bancos centrais no 
meio de transações transnacio-
nais, e não bancos correspon-
dentes com acesso ao sistema 
de compensação de dólares 
nos EUA. A maior vantagem pa-
ra ele é que nenhum país pode-
ria impor sanções a outro. A mí-
dia estatal chinesa diz que o no-
vo plano do Brics “provavel-
mente se baseará nas lições 
aprendidas” com o mBridge, 
uma plataforma de pagamen-
tos experimental desenvolvida 
pelo BIS junto com os bancos 
centrais de China, Hong Kong, 
Tailândia e Emirados Árabes.
O experimento do BIS foi 
inocente em seus objetivos e te-
ve início em 2019, antes da inva-
são feita pela Rússia. Ele tem 
sido incrivelmente bem-suce-
dido. Poderia reduzir o tempo 
de transação de dias para se-
gundos e os custos de transa-
ção para quase nada. Em ju-
nho, o BIS disse que o mBridge 
havia atingido o “estágio míni-
mo de produto viável” e o ban-
co central da Arábia Saudita se 
juntou como um quinto parcei-
ro no esquema. Ao criar um sis-
tema que poderia ser mais efi-
ciente do que o atual – e enfra-
queceria o domínio do dólar –, 
o BIS involuntariamente en-
trou em um campo minado geo-
político.
Os ganhos de eficiência de 
novos tipos de dinheiro digital 
podem corroer o uso do dólar 
no comércio internacional, de 
acordo com o Fed. Reciproca-
mente, eles poderiam impulsio-
nar a moeda da China. 
A maioria dos pagamentos 
internacionais é em dólares e 
normalmente ocorre em uma 
cadeia de bancos intermediá-
rios. Em vez disso, o projeto 
mBridge depende de bancos 
centrais e lhes dá visibilidade e 
algum controle sobre os ban-
cos nacionais e sobre o uso de 
suas moedas digitais por ban-
cos estrangeiros. 
Na etapa 1, um banco que en-
via um pagamento internacio-
nal trocaria a moeda normal 
(A$) por uma moeda digital (e-
A$) emitida diretamente pelo 
banco central. Na etapa 2, o 
banco a trocaria por uma moe-
da digital estrangeira (e-B$), 
que enviaria na etapa 3. O ban-
co estrangeiro trocaria isso de 
volta para dinheiro normal na 
etapa 4.
É possível que os conceitos 
e o código do mBridge sejam 
replicados pelo Brics, China ou 
Rússia? O BIS, sem dúvida, vê o 
mBridge como um projeto con-
junto e acredita que tem a pala-
vra final a respeito de quem po-
de participar. No entanto, algu-
mas autoridades ocidentais di-
zem que os participantes do 
teste do mBridge podem ser ca-
pazes de repassar o capital inte-
lectual que ele envolve para ou-
tros, incluindo participantes 
do Brics Bridge. 
De acordo com várias fon-
tes, a China assumiu a lideran-
ça no software e código por 
trás do projeto mBridge. Tal-
vez essa tecnologia e know-
how pudessem ser usados para 
construir um sistema paralelo. 
O BIS não quis comentar seme-
lhanças entre seu experimento 
e o plano de Putin, defendido 
por ele na cúpula de Kazan.
GEOPOLÍTICA. A incursão do 
Brics na corrida de pagamen-
tos revela os novos desafios 
geopolíticos enfrentados por 
organizações multilaterais. 
Em a reunião do G-20, em 
2020, o BIS recebeu a tarefa de 
melhorar o sistema existente 
e, a pedido da China, de experi-
mentar moedas digitais. Como 
diferentes membros da organi-
zação têm objetivos concorren-
tes, manter-se acima da briga 
está ficando mais difícil. 
Uma opção para os EUA e 
seus aliados é tentar dificultar 
novos sistemas de pagamento 
que competem com o dólar. Au-
toridades ocidentais alertaram 
o BIS que o projeto poderia ser 
mal utilizado por países com 
motivos malignos. O BIS desde 
então desacelerou seu traba-
lho no mBridge.
Outra opção é melhorar o 
sistema baseado em dólar para 
que seja tão eficiente quanto 
os novos rivais. Em abril, o Fed 
de Nova York se juntou a seis 
outros bancos centrais em um 
projeto do BIS com o objetivo 
de tornar o sistema existente 
mais rápido e barato. 
O Fed também pode vincu-
lar seu sistema doméstico de 
pagamentos instantâneos 
àqueles de outros países. Qual-
quer sistema de pagamento ri-
val do Brics ainda enfrentará 
enormes desafios. Garantir li-
quidez será difícil ou exigirá 
grandes subsídios governa-
mentais implícitos. 
Se os fluxos subjacentes de 
capital e comércio entre dois 
países estiverem desequilibra-
dos, o que geralmente aconte-
ce, eles terão de acumular ati-
vos ou passivos nas moedas 
um do outro, o que pode ser 
desagradável. 
Por tudo isso, o esquema do 
Brics pode ter força. Há consen-
so de que os atuais pagamen-
tos transnacionais são lentos e 
caros. Embora os países ricos 
tendam a se concentrar em tor-
ná-los mais rápidos, muitos ou-
tros querem derrubar o siste-
ma atual completamente. Pelo 
menos 134 bancos centrais es-
tão experimentando dinheiro 
digital, principalmente para 
fins domésticos, avalia o Atlan-
tic Council, centro de estudos 
em Washington. 
A cúpula do Brics da semana 
passada não foi um Bretton 
Woods. Tudo o que a Rússia e 
seus amigos precisam fazer 
agora é mover um número rela-
tivamente pequeno de transa-
ções relacionadas a sanções pa-
ra além do alcance dos EUA. 
Ainda assim, muitos estão mi-
rando mais alto. 
No ano que vem, a cúpula 
do Brics será no Brasil, recebi-
da por seu presidente, Luiz Iná-
cio Lula da Silva, que se queixa 
do poder do dólar. “Toda noite 
eu me pergunto por que todos 
os países têm de basear seu co-
mércio no dólar”, disse ele no 
ano passado. “Quem foi que de-
cidiu isso?” l TRADUÇÃO DE AUGUSTO 
CALIL
O plano de Putin para 
destronar o dólar 
Presidente da Rússia espera que parceiros do 
Brics encampem sua estratégia para driblar sanções 
Premiê Narendra Modi (E), da Índia, com Putin e Xi Jinping em Kazan
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DIREITOS RESERVADOS. PUBLICADO SOB 
LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ 
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O BIS, com 
sede na Suíça, 
involuntariamente 
entrou em um campo
minado geopolítico
ALEXANDER ZEMLIANICHENKO /AP
ARTIGO
A16 INTERNACIONAL
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
RENATA CAFARDO
Quase 43% dos alunos de mais 
de 15 anos no Brasil não enten-
dem o que é inflação, mostra 
estudo realizado por dois pro-
fessores da Universidade de 
Stanford, nos Estados Uni-
dos. Os adolescentes não sou-
beram responder se poderiam 
“comprar mais, menos ou o 
mesmo”, caso sua renda do-
brasse em dez anos e, ao mes-
mo tempo, os preços dobras-
sem também.
O estudo foi aplicado para 
uma amostra de estudantes 
de escolas públicas e particula-
res do País, usando metodolo-
gia do Banco Mundial que ava-
lia o letramento financeiro 
das populações. 
O conceito de juros tam-
bém não é conhecido por 53% 
dos jovens brasileiros. Eles 
não souberam calcular juros 
de 3% sobre R$ 100. E só 
24,53% dos alunos entendem 
perfeitamente a lógica de ju-
ros compostos – de que juros 
subsequentes incidem sobre 
um valor acumulado.
Apesar de ruins, os resulta-
dos são um pouco melhores 
do que os relatados no Pisa, a 
prova feita pela Organização 
para a Cooperação do Desen-
volvimento Econômico (OC-
DE). São perguntas diferen-
tes, mas os resultados da ava-
liação internacional, divulga-
dos este ano, mostraram que 
71,7% dos brasileiros de 15 
anos não conseguem fazer os 
cálculos de um orçamento. A 
maioria dos jovens também 
não entende como funcionam 
os empréstimos nem sabe ana-
lisar extratos bancários.ANÁLISE. Segundo o professor 
da Faculdade de Educação de 
Stanford e um dos responsá-
veis pela pesquisa, Guilherme 
Lichand, a diferença para os 
resultados da prova interna-
cional pode estar na dificulda-
de de leitura dos brasileiros. 
“No Pisa, eles precisam ler e 
escrever, o que infelizmente é 
uma dificuldade e eles aca-
bam errando mais as respos-
tas por causa disso”, explica.
As entrevistas da pesquisa 
de Stanford foram feitas entre 
agosto e setembro, por meio 
de um tablet, com mediação 
de entrevistadores de campo, 
responsáveis pela leitura e pe-
lo preenchimento do questio-
nário. Elas não exigiam ne-
nhum cálculo complexo nem 
uso de calculadora.
Para Lichand, o resultado é 
preocupante, principalmente 
em um cenário de apostas on-
line, que invadiram o univer-
so dos adolescentes, e tam-
bém por causa do Programa 
Pé de Meia. O programa fede-
ral, de incentivo para estudan-
tes do ensino médio, paga R$ 
200 mensais, que podem ser 
sacados ou mantidos na pou-
pança. “O letramento finan-
ceiro é importante para essa 
decisão.”
O estudo faz parte do Equi-
dade.info, plataforma finan-
ciada por Stanford que tem co-
letado dados nas escolas brasi-
leiras a cada 45 dias sobre as-
suntos diversos, como violên-
cia, estrutura, inclusão, entre 
outros. O trabalho sobre edu-
cação financeira teve o apoio 
também da Fundação Itaú.
Pesquisa anterior, divulga-
da pelo Estadão há um mês, 
mostrou que mais da metade 
dos professores de escolas pri-
vadas e públicas (54%) reco-
nhece a existência de situa-
ções de racismo entre os estu-
dantes. Este número chega a 
67% entre os docentes do ensi-
no fundamental 2, que atuam 
do 6.º ao 9.º ano.
NO MUNDO. A professora do 
Stanford Institute for Econo-
mic Policy Research Annama-
ria Lusardi, também coordena-
dora da pesquisa, afirma que o 
déficit em educação financei-
ra ainda é um problema mun-
dial. Ela é responsável pelo es-
tudo do Banco Mundial, feito 
em 2015, cuja metodologia foi 
replicada na pesquisa agora 
com os alunos brasileiros.
A pesquisa ouviu na época 
150 mil adultos em mais de 
140 países e os resultados mos-
traram que só 33% deles po-
diam ser considerados alfabe-
tizados financeiramente. São 
pessoas que conseguem res-
ponder corretamente a per-
guntas básicas sobre taxas de 
juros, inflação, juros compos-
tos e diversificação de risco.
“A alfabetização financeira 
está ligada a uma variedade de 
comportamentos, desde a ges-
tão financeira de curto prazo 
até a capacidade de tomar de-
cisões inteligentes no longo 
prazo, tornando as pessoas 
mais resilientes e seguras fi-
nanceiramente”, afirma Anna-
maria.
Segundo o estudo do Equi-
dade.info, 40,36% dos brasilei-
ros do ensino médio são finan-
ceiramente letrados. Para ter 
esse resultado, eles precisa-
vam acertar uma pergunta so-
bre inflação, outra sobre juros 
e uma das duas que falavam 
sobre juros compostos.
As diferenças de gênero, 
que aparecem também em ava-
liações de Matemática, se re-
petem na educação financei-
ra. Entre as meninas, 31,88% 
são financeiramente letradas, 
ante 49,37% dos meninos. Pes-
quisadores têm chamado a 
atenção para a falta de incenti-
vos culturais, familiares e es-
colares para que meninas se 
interessem pela Matemática.
PÚBLICO E PRIVADO. A diferen-
ça também aparece entre alu-
nos de escolas públicas e priva-
das. A maior disparidade entre 
as redes ocorre no tema infla-
ção: 73,92% dos alunos da rede 
particular acertam a questão, 
enquanto são 53,89% nas públi-
cas. A educação financeira faz 
parte da Base Nacional Co-
mum Curricular (BNCC), que 
dá as diretrizes para os currícu-
los das escolas do País. Mesmo 
assim, apenas 59% dos profes-
sores afirmaram incluir o tema 
em suas aulas. l
Veja as perguntas
l Inflação
Suponha que nos próximos 10 
anos os preços das coisas que 
você compra dobrem. Se sua 
renda também dobrar você 
poderá comprar menos do 
que pode comprar hoje, o mes-
mo que pode comprar hoje ou 
mais do que pode comprar 
hoje?
Menos
O mesmo
Mais
Não sei
Recusou-se a responder
l Numeracia (juros)
Suponha que você precise pe-
dir emprestado 100 reais. 
Qual é o menor valor a pagar: 
105 reais ou 100 reais mais 
três por cento?
105 reais
100 reais mais três por cento
Não sei
Recusou-se a responder
l Juros compostos
Suponha que você coloque 
dinheiro no banco por dois 
anos e o banco concorde em 
adicionar 15 por cento ao ano 
à sua conta. O banco adiciona-
rá mais dinheiro na sua conta 
no segundo ano do que no pri-
meiro ou adicionará a mesma 
quantia de dinheiro nos dois 
anos?
Mais
O mesmo
Entrevistado tentou respon-
der, mas não conseguiu
Recusou-se a responder
l Juros compostos
Suponha que você tenha 100 
reais em uma conta poupança 
e o banco adicione 10% ao ano 
à conta. Quanto dinheiro você 
teria na conta depois de cinco 
anos se não retirasse nenhum 
dinheiro da conta?
Mais de 150 reais
Exatamente 150 reais
Menos de 150 reais
Entrevistado tentou respon-
der, mas não conseguiu
Recusou-se a responder
l Resultado
40,36% dos alunos brasileiros 
do ensino médio são financei-
ramente letrados. Eles preci-
savam acertar a pergunta so-
bre inflação, outra sobre juros 
e uma das duas que falavam 
sobre juros compostos.
A metodologia do Banco Mundial foi replicada; mesmo problema havia sido observado na prova do Pisa
WERTHER SANTANA/ESTADÃO
Quase metade dos alunos de mais de 
15 anos não entende o que é inflação
Em pesquisa de professores da Universidade de Stanford, estudantes do Brasil não 
souberam dizer se poderiam ‘comprar mais ou não’, se sua renda e os preços dobrassem
Educação
O nível ideal
Quatro em dez alunos
brasileiros do
ensino médio são
financeiramente letrados
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
METRÓPOLE
A17
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
JOSÉ MARIA TOMAZELA
Construído graças ao ouro ar-
recadado durante a Revolu-
ção de 32 para armar as tro-
pas paulistas que lutavam 
por uma nova Constituição, 
o Edifício Ouro para o Bem 
de São Paulo, no centro da ca-
pital, está à venda. A Santa Ca-
sa de Misericórdia de São Pau-
lo, uma das mais tradicionais 
instituições paulistanas, que 
é dona do prédio, decidiu ven-
der de uma só vez sete imó-
veis no centro para pagar dívi-
das. Entre eles está também 
o antigo Colégio São José, na 
Rua da Glória, prédio históri-
co que é uma referência urba-
na do bairro da Liberdade.
O objetivo, diz a Irmanda-
de da Santa Casa, é arrecadar 
R$ 200 milhões e quitar parte 
dos R$ 650 milhões em dívi-
das da instituição, criando 
ainda um fundo patrimonial. 
A Santander Holding Imobi-
liária (SHI) está responsável 
por vender os ativos e já deu 
início às conversas com po-
tenciais compradores.
Alguns dos prédios, para 
uso residencial, comercial e 
misto, foram obtidos em doa-
ção há quase um século. No 
caso do Ouro para o Bem de 
São Paulo, o edifício de 13 an-
dares foi construído com doa-
ções de alianças de casamen-
to das senhoras paulistanas 
durante uma campanha para 
arrecadar fundos para a Revo-
lução de 1932, na qual São 
Paulo enfrentou as tropas fe-
derais no governo de Getúlio 
Vargas. Com o fim dos com-
bates, e receio de que a sobra 
de ouro fosse confiscada pe-
lo governo federal, houve 
doação à Santa Casa. A insti-
tuição decidiu construir o 
prédio residencial para obter 
recursos com as locações. 
O edifício, construído em 
art déco no Largo da Miseri-
córdia, no Centro Histórico, 
foi concluído em 1939. A fa-
chada do prédio, com forma-
to ondulado, representa a 
bandeira paulista, com 13 lis-
tras – uma por andar. O Prédio 
Ouro para o Bem de São Paulo 
está ocupado desde fevereiro 
deste ano por 67 famílias do 
Movimento Moradia Central e 
Regional. Segundo a Santa Ca-
sa, há ação judicial de reinte-
gração de posse em andamen-
to e foi deferida a liminar para 
a desocupação do imóvel. “O 
processo aguarda os trâmitespara efetivação da desocupa-
ção”, disse, em nota. A decisão 
judicial dá segurança a even-
tual negociação do imóvel, se-
gundo a Santa Casa.
O processo de reintegração 
de posse ainda tramita na 21.ª 
Vara Cível do Fórum Central 
da capital. A juíza Maria Caroli-
na de Matos Bertoldo deu a li-
minar de reintegração de pos-
se no dia 12 de março, mas con-
dicionou a remoção dos ocu-
pantes a uma inspeção judi-
cial, já realizada, e a uma au-
diência de mediação, ainda 
não marcada. A Polícia Militar 
informou que, quando solicita-
da, apoiará o cumprimento da 
decisão judicial.
O advogado Willian Fernan-
des, que atua em favor de movi-
mentos sociais e acompanha o 
caso, disse que a ocupação não 
impede a venda do imóvel. 
“Como existe a liminar, que 
exige uma série de providên-
cias para que seja cumprida, o 
novo proprietário assume tam-
bém o processo de desocupa-
ção, que ainda não tem data pa-
ra acontecer”, disse.
COLÉGIO TOMBADO. Outro pré-
dio histórico à venda, na Rua 
da Glória, 195, abrigou o Colé-
gio São José, escola tradicio-
nal, fundada em 1880. O edifí-
cio foi a primeira unidade hos-
pitalar da Santa Casa, sob a di-
reção do médico e professor 
Caetano de Campos.
Conforme o Conselho Muni-
cipal de Preservação do Patri-
mônio Histórico, Cultural e 
Ambiental da Cidade de São 
Paulo (Conpresp), o prédio 
marcou a expansão e consoli-
dação do bairro da Liberdade, 
sobretudo o eixo histórico da 
Rua da Glória e da Rua Lava-
pés, antigo Peabiru (caminho 
indígena) e, por séculos, foi o 
caminho em direção à cidade 
de Santos. Projetado no início 
do século 20 pelo arquiteto Ra-
mos de Azevedo, o prédio foi 
tombado em 2016 pelo Con-
presp. Historiadores dizem 
que, antes da escola, o espaço 
foi residência de Domitila de 
Castro, a Marquesa de Santos.
Já o prédio da Avenida São 
João, 126, também à venda, faz 
parte dos imóveis tombados 
do Vale do Anhangabaú. É um 
prédio comercial com porão, 
andar térreo, sobreloja e ou-
tros quatro pavimentos. O 
tombamento do conjunto de 
imóveis que inclui o edifício le-
vou em conta o “interesse his-
tórico, arquitetônico e ambien-
tal”, segundo o Conpresp.
Segundo a Secretaria Muni-
cipal de Cultura, a aprovação 
pelo Conpresp é necessária 
em casos de intervenção ou re-
forma em imóvel tombado, 
mas a venda não depende de 
autorização do órgão.
OUTROS PRÉDIOS. Faz parte do 
pacote de vendas o prédio da 
Rua Major Quedinho, número 
346, onde funcionou a Escola 
de Enfermagem da Santa Casa, 
na Bela Vista. A construção 
tem pé-direito alto e fachada 
em formato circular.
O prédio da Rua São Bento, 
500, por sua vez, é um edifício 
comercial e residencial da dé-
cada de 1960, com 11 andares. 
Completam a lista um prédio 
da Rua 7 de Abril, 278 (Repúbli-
ca), e um edifício de dez anda-
res, construído em 1944, na 
Rua Senador Feijó, 115.
A expectativa é de concluir 
as operações até o segundo se-
mestre de 2025. Hoje, os imó-
veis não estão alugados e deixa-
ram de gerar receita.
Conforme Vicente Paolillo, 
provedor da Irmandade da San-
ta Casa, a venda dos prédios 
possibilitará que a instituição 
pague parte das dívidas e com-
ponha um fundo patrimonial 
para custear despesas. Por 
manter um hospital com aten-
dimentos voltados exclusiva-
mente ao Sistema Único de 
Saúde (SUS), sem atendimen-
to particular ou de convênios 
médicos, a Santa Casa poderá 
também receber doações de 
empresas e pessoas físicas.
A instituição informou que, 
em 2023, foram feitos 535 mil 
atendimentos ambulatoriais, 
219 mil de urgência, 27 mil ci-
rurgias, 37 mil internações e 
2,7 milhões de exames de labo-
ratório. Segundo a irmandade, 
os recursos públicos repassa-
dos pelo SUS são insuficientes 
para cobrir os custos dos servi-
ços. “A entidade segue firme 
com sua missão de cuidar da 
saúde da população, com equi-
pes de profissionais compro-
metidas com esta instituição, 
reconhecida por prestar servi-
ços de excelência na assistên-
cia, no ensino e na pesquisa”, 
disse, em nota.
Ainda segundo a nota, ao lon-
go de 460 anos a instituição re-
cebeu doações de terrenos e 
prédios em reconhecimento 
aos serviços prestados à socie-
dade. Atualmente, são 300 
imóveis, dos quais obtém ren-
da de aluguel que contribuem 
para o custeio dos hospitais. 
Como parte de um plano de 
eficiência aprovado na Mesa 
Administrativa, a instituição 
decidiu desmobilizar imó-
veis correspondentes a 20% 
de seu patrimônio para equa-
cionar a situação financeira.
VENDAS INDIVIDUAIS. A San-
tander Holding Imobiliária 
informou que avalia, junta-
mente com potenciais inte-
ressados – incorporadoras e 
investidores –, a vocação de 
cada edifício à venda. Alguns 
imóveis têm acesso a calça-
dões e outros possuem entra-
da para carros. Segundo Veri-
diana Lima, head de desenvol-
vimento imobiliário da SHI, 
o mais provável é que sejam 
fechadas vendas individuais, 
conforme o perfil de cada de-
senvolvedor de negócios. Há 
prédios que podem abrigar 
setores de cultura, saúde e 
educação, por exemplo. A 
SHI, responsável pela gestão 
da carteira de imóveis do San-
tander, fará a gestão dos rece-
bimentos para a instituição.
A venda dos imóveis acon-
tece no momento em que a 
Prefeitura e o governo esta-
dual buscam opções para esti-
mular a ocupação e requalifi-
cação do centro urbano da ca-
pital. A Prefeitura de São Pau-
lo disse ter o Programa Re-
qualifica Centro, que conce-
de incentivos para a recupera-
ção de prédios antigos. Des-
de 2012, foram aprovados 16 
projetos de retrofit no âmbi-
to do programa e 21 estão em 
análise, mas ainda não há pro-
cessos referentes aos prédios 
à venda pela Santa Casa. l
Objetivo é arrecadar 
R$ 200 milhões e 
quitar parte de 
R$ 650 milhões em 
dívidas; e ainda criar 
fundo patrimonial 
A fachada ondulada do Edifício Ouro para o Bem de São Paulo representa a bandeira do Estado
Prédio do ouro
Foi construído graças ao 
ouro arrecadado durante a 
Revolução de 32 para
armar as tropas paulistas
Santa Casa põe 
prédio do ouro de 
1932 e mais seis 
imóveis históricos 
à venda em SP
Vida na cidade
FELIPE RAU/ESTADÃO
A18 METRÓPOLE
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
JOSÉ MARIA TOMAZELA
Investigações da polícia do 
Rio mostram que a facção Po-
vo de Israel expande seu domí-
nio em prisões fluminenses e 
tenta se aliar à facção paulista 
Primeiro Comando da Capital 
(PCC), inimiga do Comando 
Vermelho (CV), principal orga-
nização criminosa do Rio.
Relatório da Secretaria de 
Administração Penitenciária 
(Seap) revela indícios da apro-
ximação entre o Povo de Is-
rael, que já domina 42% da po-
pulação carcerária do Rio, e o 
PCC. Segundo a Seap, a Povo 
de Israel está em 13 presídios 
fluminenses, chamados por 
eles de “aldeias”, e contaria 
com apoio do PCC para con-
quistar territórios fora das ca-
deias. Dos 43 mil detentos da 
rede fluminense, nos regimes 
fechado e semiaberto, 18 mil 
estão vinculados ao Povo de Is-
rael, segundo a pasta.
SEMELHANÇAS. Conforme as 
investigações, o grupo movi-
mentou cerca de R$ 70 mi-
lhões ao longo de dois anos – 
média de R$ 2,9 milhões por 
mês –, por meio do tráfico de 
drogas e da extorsão praticada 
em falsos sequestros. Coop-
tou ainda funcionários e agen-
tes penais, diz a apuração. 
O inquérito indicou que as 
operações da facção são muito 
similares às do PCC, quando o 
grupo paulista se expandiu 
nos presídios, em décadas pas-
sadas. O grupo organiza a en-
trada de drogas, ficando com 
parte delas ou do pagamento 
por elas. Atua ainda com força 
no golpe do falso sequestro, 
operando a entrada de celula-
res nas cadeias.
Os ganhos são divididos co-
mo fazia o PCC: 30% da receita 
com os golpes vão para o “em-
presário” (dono do celular), 
30% para o “ladrão” (operador 
do golpe)e 30% para o “laran-
ja”, que atua na lavagem do di-
nheiro. Os outros 10% vão pa-
ra uma espécie de caixa único 
da facção. Esse tipo de atuação 
ainda não existia em prisões 
do Rio, diz a polícia.
13 ALDEIAS. No dia 22, a Delega-
cia Antissequestro (DAS) reali-
zou a 1.ª fase da Operação 13 
Aldeias contra a expansão do 
Povo de Israel. A investigação, 
iniciada havia dez meses, iden-
tificou lavagem de capitais por 
meio de laranjas e empresas 
fantasmas que abastecem a fac-
ção com celulares e drogas. 
Nessa 1.ª fase, foram cumpri-
dos 44 mandados de busca e 
apreensão e feito o bloqueio 
de contas correntes e ativos fi-
nanceiros de 84 investigados, 
bem como afastados da fun-
ção pública cinco policiais pe-
nais, suspeitos de envolvimen-
to. A reportagem conseguiu 
contato com a defesa de dois 
acusados, que não se manifes-
tou. A defesa dos demais agen-
tes não foi localizada. l
Grupo surgiu em 2004 durante rebelião de presos
Facção Povo de Israel, do Rio, tenta se aliar ao PCC 
Tática do PCC
Na divisão, 10% dos ganhos 
vão para caixa único da
facção. Antes isso não
existia no Rio, diz polícia
O elo entre a Povo de Israel e o 
PCC, segundo a investigação, 
seria Avelino Gonçalves Lima, 
o Alvim ou Vilão, apontado co-
mo principal chefe da facção 
do Rio. Quando ele estava deti-
do na unidade Inspetor Luís 
Fernandes Bandeira Duarte, te-
ria autorizado o “batismo” de 
presos pelo PCC. O Estadão 
não obteve retorno dos advoga-
dos que defendem Alvim.
Ele foi condenado a 46 anos 
de prisão por homicídio, rou-
bo e estupro. Depois de não re-
tornar de saidinha temporária 
em 2007, foi recapturado dois 
anos depois e transferido para 
uma penitenciária federal. Em 
agosto do ano passado, retor-
nou ao Rio para o Complexo 
de Gericinó. 
Segundo a polícia do Rio, a 
facção surgiu em 2004 no Pre-
sídio Ary Franco, em Água San-
ta, norte carioca. Os presos 
neutros (não faccionados) 
que se sentiam ameaçados pe-
las facções e os detentos do “se-
guro”, acusados de abuso se-
xual de crianças ou estupro, pe-
diram transferência para outra 
unidade. Não atendidos, inicia-
ram um motim que deixou oi-
to presos mortos. Havia uma 
Bíblia no local e um dos amoti-
nados teria aberto o livro sagra-
do aleatoriamente em um ver-
sículo dirigido ao “povo de Is-
rael”. A partir daí, o grupo de 
presos adotou o nome. l
Segundo investigação, 
organização domina 
42% dos presos no Rio
e teria apoio do 
grupo paulista para 
conquistar territórios
: CRIME ORGANIZADO
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
METRÓPOLE A19
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
SÃO PAULO RECLAMA
FALECIMENTOS
Site das concessionárias
Consolare: 
https://consolare.com.br
Cortel SP: 
https://www.cortelsp.com.br 
Grupo Maya: 
https://grupomaya.com.br/
Velar: 
https://velarspfuneraria.com.br/
SÃO PAULO
17°/26°39% 0mm
PREVISÃO DO TEMPO
WASHINGTON
ASSUNÇÃO 0h
MADRID
Mundo FUSO MÍN./MÁX.
ATENAS +6h
BARCELONA +5h MIAMI
BERLIM +5h MONTEVIDÉU
BRUXELAS +5h MOSCOU
BUENOS AIRES 0h NOVA YORK
CARACAS -1h PARIS
ROMA
SANTIAGO
SYDNEY
TEL-AVIV
TÓQUIO
LOS ANGELES -4h 10°C/18°C22°C/33°C
15°C/25°C
19°C/21°C
13°C/15°C
10°C/16°C
17°C/26°C
25°C/31°C
ESTOCOLMO +5h
GENEBRA +5h
JOANESBURGO +5h
LIMA -2h
LISBOA +4h
LONDRES +4h
6°C/9°C
10°C/14°C
12°C/25°C
16°C/18°C
11°C/20°C
12°C/15°C
TORONTO
FUSO MÍN./MÁX.
TEMPOnaCidade.com.br
VOLUME 
DE CHUVA
0MM
UMIDADE 
RELATIVA
NASCENTE: 5h20
POENTE: 18h19
SOL
1,5m
1m
2,5m
Ondas:
29/10
100mm
50mm
25mm
10mm
2mm
1mm
-
+
-
+
5mm
Precipitação
Média
Regiões do Estado de SP
Para São Paulo - Capital
Baseada na geocoordenada
da Praça da Bandeira
Última Atualização:
28/10
Capitais Capitais
BELO HORIZONTE NATAL
BRASÍLIA PORTO ALEGRE
BOA VISTA PALMAS
CUIABÁ RECIFE
CAMPO GRANDE PORTO VELHO
ARACAJÚ MACEIÓ
BELÉM MANAUS
MACAPÁ VITÓRIA
JOÃO PESSOA TERESINA
FORTALEZA SALVADOR
GOIÂNIA SÃO LUÍS
CURITIBA RIO BRANCO
FLORIANÓPOLIS RIO DE JANEIRO
RIBEIRÃO PRETO
19°/29°96% 10.4mm
ARARAQUARA
18°/29°76% 4.9mm
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
13°/25°92% 8.4mm
LITORAL NORTE
21°/24°62% 2.6mm
CAMPINAS
16°/29°81% 2.8mm
SOROCABA
13°/29°41% 0.2mm
LITORAL SUL
19°/26°45% 0.2mm
MARÍLIA
16°/31°32% 0.2mm
BAURU
16°/31°50% 1mm
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
21°/31°81% 6.4mm
ARAÇATUBA
20°/33°62% 2.3mm
PRESIDENTE PRUDENTE
19°/34°32% 0.6mm
MÍN./MÁX.VOL.MÉDIOCHOVE?
19°C/22°C
20°C/24°C
26°C/34°C
25°C/32°C
21°C/29°C
26°C/28°C
25°C/29°C
25°C/33°C
24°C/29°C
26°C/30°C
21°C/26°C
15°C/24°C
21°C/25°C
60%
55%
80%
80%
20%
10%
10%
60%
60%
20%
65%
0%
35%
3mm
1mm
39mm
26mm
0mm
0mm
0mm
11mm
9mm
0mm
0mm
0mm
1mm
MÍN./MÁX.VOL.MÉDIOCHOVE?
25°C/28°C
19°C/26°C
24°C/35°C
26°C/29°C
24°C/32°C
22°C/29°C
26°C/34°C
22°C/23°C
27°C/35°C
24°C/29°C
27°C/31°C
23°C/33°C
21°C/22°C
45%
10%
10%
25%
10%
85%
15%
10%
45%
20%
25%
30%
10%
2mm
0mm
0mm
0mm
0mm
34mm
0mm
0mm
1mm
0mm
0mm
0mm
0mm
8°C/17°C
13°C/17°C
25°C/27°C
16°C/24°C
3°C/8°C
9°C/15°C
12°C/17°C
16°C/23°C
12°C/29°C
17°C/20°C
20°C/27°C
14°C/20°C
6°C/11°C
-1h
+5h
CIDADE DO MÉXICO 12°C/19°C-3h
-1h
0h
+6h
-1h
+5h
+5h
0h
+13h
+6h
+12h
-1h
Chance de Chuva Volume de Chuva Temperaturas (min./máx,)
19°
MANHÃ
HOJE:
10% 21°
TARDE
HOJE:
10% 18°
NOITE
HOJE:
0% 75a 100 %
QUINTA
16°/23°
SÁBADO
17°/26°
SEXTA
16°/24°
CHEIA
NOVA 01/11
CRESCENTE 09/11
LUA: MINGUANTE 
18h28
09h47
02h55
MINGUANTE 24/10 05h03
15/11
17°/23°
AMANHÃ
MISSAS
Circe Signorelli Rossetto – Hoje, às 
12 horas, na Paróquia Nossa Senhora 
do Perpétuo Socorro, na R. Honório Lí-
bero, 100, Jardim Paulistano (7º dia).
Maria Cecilia Lazzuri Alves Costa – 
Hoje, às 18h30, na Paróquia Assunção 
de Nossa Senhora, na Al. Lorena, 
665A, Jardim Paulista (4 anos).
Como acionar o serviço funerário 
na cidade de São Paulo:
Na capital paulista, toda a presta-
ção dos serviços cemiteriais é feita so-
mente por meio de quatro concessio-
nárias autorizadas: Consolare, Cor-
tel, Maya e Velar SP, de acordo com a 
Agência Reguladora de Serviços Públi-
cos do Município de São Paulo (SP-Re-
gula). Não há funerárias particulares. 
CORREÇÕES
Para publicar anúncio fúnebre: Balcão Limão l (11) 3856-2139 / (11) 3815-3523 / WHATSAPP (11)99123-8351. l Atendimento de 2ª a 6ª das 8h30 às 21h horas, Sábado das 10h às 20h, Domingo das 14h às 20h l Só serão publicadas notícias de falecimen-
to/missa encaminhadas pelo e-mail falecimentos@estadao.com, com nome do remetente, endereço, rg e telefone.
LOTERIA
Reclamação de Leônidas 
Alperowitch: “Tenho 82 
anos e, há 60 anos, sou cor-
rentista do Itaú. Tenho três 
cartões de crédito do Itaú. 
No extrato que venceu em 
agosto, de um dos cartões, 
vieram três lançamentos de 
compra de vestuário nos va-
lores de R$ 3.600, R$ 2.400 
e R$ 3.600. Minha média de 
gasto mensal é de R$ 1.500 
por mês. Mesmo com essa 
diferença de compra em re-
lação ao meu perfil, o Itaú 
não me contatou.”
Resposta: “O Itaú Uniban-
co esclarece que, após análi-
ses, identificou que a ques-
tão foi solucionada de ma-
neira positiva, mediante a 
devolução das compras con-
testadas e dos encargos co-
brados, com ajuste eviden-
te na fatura com vencimen-
to em 11/2024. Permanece-
mos à disposição do cliente 
em nossa Ouvidoria Corpo-
rativa, pelo 0800-5700011. 
Agradecemos a oportunida-
de de resposta e esperamos 
ter auxiliado com os esclare-
cimentos prestados. Te-
mos o compromisso com a 
satisfação dos nossos clien-
tes e trabalhamos de forma 
contínua na análise das de-
mandas para identificar 
oportunidades de melho-
rias em nossos processos, 
produtos e serviços.” l 
REGINA CÉLIA PEREIRA 
AGÊNCIA EINSTEIN
Se há algumas décadas o ovo 
era visto como vilão do cardá-
pio, atualmente ele desponta 
como um dos alimentos mais 
completos e se destaca em es-
tudos pelas vantagens à saúde. 
Um dos trabalhos mais recen-
tes, publicado no periódico Nu-
trients, mostra que o ovo está 
por trás de impactospositivos 
na memória, especialmente en-
tre mulheres.
Pesquisadores da Universi-
dade da Califórnia em San Die-
go, nos Estados Unidos, avalia-
ram dados de um grupo de 890 
indivíduos, sendo 357 homens 
e 533 mulheres. Os hábitos ali-
mentares dos participantes fo-
ram esmiuçados e eles passa-
ram por testes cognitivos.
Entre os resultados do tra-
balho, observou-se um menor 
declínio na fluência verbal ao 
longo dos anos entre as mulhe-
res que consumiam ovo. Elas 
tinham melhor capacidade de 
nomear categorias de itens, co-
mo animais, em comparação 
com as que não apreciavam o 
ingrediente.
EXPLICAÇÃO. Efeitos similares 
foram observados em outros 
artigos. “Embora os próprios 
estudiosos enfatizem a neces-
sidade de mais pesquisas para 
confirmar tais achados, algu-
mas substâncias encontradas 
no alimento têm sido associa-
das a efeitos benéficos ao cére-
bro”, diz a nutricionista Sere-
na del Favero, do Hospital Is-
raelita Albert Einstein.
A primeira que merece men-
ção é a colina. Trata-se de uma 
das vitaminas do complexo B. 
Presente na gema, é essencial 
para a síntese de um neuro-
transmissor conhecido como 
acetilcolina, que, entre outras 
funções, está envolvido na re-
gulação da aprendizagem e da 
memória.
Há ainda a luteína e a zea-
xantina, integrantes dos caro-
tenoides, grupo de pigmentos 
de potente ação antioxidan-
te. “Essas substâncias 
atuam na proteção contra o 
estresse oxidativo e a infla-
mação no cérebro”, afirma 
a nutricionista. Seriam, por-
tanto, guardiãs dos neurô-
nios e demais estruturas ce-
rebrais.
Colina, luteína e zeaxan-
tina fazem bonito pelas fun-
ções cognitivas, mas o ovo 
oferece ainda outras precio-
sidades. A clara é uma “so-
pa” de aminoácidos, peda-
ços de proteína que têm a 
função de proteger o em-
brião em desenvolvimento.
RISCOS. Exageros, entretan-
to, não oferecem benefícios 
adicionais e podem trazer 
danos à saúde. “O corpo 
tem um limite de absorção 
de proteínas por refeição”, 
explica a nutricionista. A 
quantia deve ser determina-
da de acordo com o perfil e 
o estilo de vida de cada um.
Mas isso sem preocupa-
ção com colesterol. Hoje se 
sabe que o excesso no con-
sumo das gorduras satura-
das e trans – presentes nas 
carnes e nas bolachas re-
cheadas, entre outros – é o 
que pode elevar as taxas de 
LDL, o colesterol ruim, e 
causar danos às artérias. l
A vaga de Vicente de Carva-
lho na cadeira Martins Penna 
- Posse do sr. Claudio de Sou-
za - Os discursos
Tomou hoje posse de sua ca-
deira na Academia de Letras o 
comediographo patricio sr. 
Claudio de Souza.
O “Petit Trianon” reuniu no 
seu salão de honra a mais se-
lecta assistencia, notando-
se, além dos representantes 
do governo, membros do cor-
po diplomatico e consular, 
academicos, familias, repre-
sentantes da imprensa e ou-
tras pessoas. l
O munícipe pode ainda encontrar 
informações detalhadas de como 
contratar o serviço funerário neste link
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Academia de Letras
Sem excessos
‘O corpo tem um limite de 
absorção de proteínas
por refeição’, diz
nutricionista
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ra do seu celular para o QR Code ou 
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ou consumidor desrespeitado? O 
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soais e contatos, além do nome 
dos envolvidos na questão, para o 
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HÁ UM SÉCULO
Leitor se queixa de erro 
em fatura de cartões
https://www.prefeitura.sp.gov.br
A mãe Alcina, os filhos Caio e Marcelo, o irmão Carlos, as netas Manuela, Alice e Maria, 
e todos os familiares, agradecem as demonstrações de carinho e solidariedade recebidas.
Celia, uma brilhante educadora, sempre acolhedora, foi uma inspiração para todos
que tiveram o privilégio de conviver com ela.
CELIA TILKIAN
Com amor e saudades, convidamos para a missa de 7º dia, que será celebrada na quinta-feira, 
31 de outubro, às 12h, na Paróquia São José, situada à Rua Dinamarca, 32, Jardim Europa.
Consumo de ovo ajuda a 
melhorar a memória, 
sobretudo das mulheres
Estudo foi feito pela
Universidade da
Califórnia; 
especialista brasileira 
destaca valor de
três substâncias 
Saúde e alimentação
NA WEB
A20 METRÓPOLE
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
RICARDO MAGATTI
Em cerimônia boicotada pelo 
Real Madrid, inconformado 
ao saber que Vinícius Júnior 
seria preterido, o espanhol Ro-
dri ganhou ontem a Bola de 
Ouro. O meio-campista do 
Manchester City, de 28 anos, 
foi condecorado em uma das 
mais controversas edições da 
tradicional premiação entre-
gue pela revista France Foot-
ball em parceria com a Uefa. 
A escolha impediu o Brasil de 
voltar a ter o Bola de Ouro 
depois de 17 anos – Kaká foi o 
último a ganhar, em 2007.
Vini Jr. ficou em segundo 
lugar. Ele não foi à cerimônia 
no Théâtre du Châtelet, em 
Paris. O Real considerou um 
desrespeito da parte da pre-
miação a desconsideração do 
desempenho do jogador bra-
sileiro e decidiu que ninguém 
do clube iria à capital france-
sa. O inglês Bellingham, tam-
bém do Real, ficou em tercei-
ro na importante premiação.
Ambos, assim como Rodri, 
devem estar na disputa do 
prêmio de melhor do mundo 
a ser concedido pela Fifa no 
mês de janeiro.
“Não é uma vitória apenas 
minha, mas do futebol espa-
nhol. Uma recompensa a joga-
dores que nunca ganharam. 
Xavi, Iniesta, Busquets...’’, 
disse Rodri, que, ainda na pla-
teia, ouviu alguns gritos de “Vi-
ni!, Vini!’ no momento em que 
George Weah, primeiro joga-
dor africano a ganhar a Bola de 
Ouro, se preparava para anun-
ciar o nome do vencedor.
Rodri se recupera de grave 
lesão e subiu ao palco de mule-
tas para receber o troféu. “É 
um nível tão alto, com jogado-
res novos, que têm um futuro 
enorme pela frente. É especial 
ser escolhido. Quero agrade-
cer a todos que reconhecem 
(o trabalho dos meio-campis-
tas)”, disse o espanhol.
Além de perder apenas um 
jogo pelo Manchester City na 
última temporada, Rodri con-
quistou a Premier League pe-
lo time inglês e a Eurocopa 
com a seleção espanhola. O 
meio-campista clássico, de 
passe refinado e finalização 
precisa, é figura importante 
para fazer funcionar o multi-
campeão Manchester City de 
Pep Guardiola.
INDIGNAÇÃO E AUSÊNCIA. Vi-
nícius Júnior não digeriu bem 
o fato de não ter sido escolhi-
do. “Eu farei 10x se for preci-
so. Eles não estão prepara-
dos”, afirmou o atacante por 
meio das redes sociais alguns 
minutos depois da escolha de 
Rodri. O brasileiro já foi alvo 
de críticas várias vezes na Eu-
ropa por suas posições em ca-
sos de racismo.
O jornalista espanhol Lluís 
Miguel Sanz, subeditor do jor-
nal Sport, disse que com a der-
rota de Vini “o futebol terá 
vencido e os valores tam-
bém”. Ele questionou o que 
considera “provocações” do 
brasileiro. Vini reiteradamen-
te protesta em resposta aos in-
sultos racistas que recebe. 
Muitos torcedores não con-
cordam com a não eleição do 
brasileiro. Do lado de fora do 
Théâtre du Châtelet, na capi-
tal francesa, fãs protestaram: 
“Vinicius, Bola de Ouro! Vini-
cius, Bola de Ouro!”
O atacante era considerado 
por diferentes veículos de im-
prensa o favorito ao prêmio. O 
Real Madrid recebeu na ma-
nhã de ontem a notícia de que 
ele poderia não vencer e resol-
veu boicotar a cerimônia, can-
celando o voo que sairia da Es-
panha em direção a Paris com 
uma comitiva de 50 pessoas. 
SAIA-JUSTA. A ausência da de-
legação do Real Madrid cau-
sou constrangimento, princi-
palmente quando integrantes 
do clube eram anunciados co-
mo vencedoresde outros prê-
mios. O próprio time meren-
gue foi escolhido como clube 
do ano no futebol masculino. 
Carlos Ancelotti foi eleito o 
melhor treinador. E Kylian 
Mbappé, hoje no Real, ganhou 
com Harry Kane o Troféu 
Gerd Muller de artilheiro da 
temporada pelos gols que mar-
cou com a camisa do Paris 
Saint-Germain.
Rival do Real, o Barcelona 
foi bastante condecorado on-
tem pela France Fottball. Aita-
na Bonmatí foi eleita a melhor 
jogadora. Lamine Yamal fatu-
rou o Troféu Kopa como me-
lhor jogador jovem. E a equipe 
do Barcelona foi eleita a me-
lhor do futebol feminino.
Além deles, o argentino 
Emiliano Martínez, do Aston 
Vila inglês, foi escolhido o me-
lhor goleiro da temporada 
2023/2024, o que lhe rendeu o 
Troféu Yashin. A espanhola 
Jenni Hermoso foi condecora-
da com o Troféu Sócrates on-
tem por sua atuação em cau-
sas sociais. l
A notícia de que Vinícius Jú-
nior não ganhou a Bola de Ou-
ro desta temporada deixou 
muitos torcedores, sobretudo 
brasileiros, indignados. O re-
sultado, considerado uma in-
justiça pelos fãs do atleta, tem 
base: o atacante do Real Ma-
drid era cotado como o maior 
favorito ao prêmio depois de 
mais um ano sendo um dos 
principais nomes da equipe es-
panhola, que ganhou a La Liga 
e a Champions League da últi-
ma temporada.
No entanto, o ex-Flamengo 
não era o único forte candida-
to ao troféu. Muitos, inclusive 
na Espanha, apontavam que 
Rodri também mereceria o pri-
meiro lugar da Bola de Ouro.
Rodri, que joga no Manches-
ter City, esteve no elenco que 
venceu, além da Premier Lea-
gue de 2023/24, o Mundial de 
Clubes e a Supercopa da UE-
FA. O volante teve ainda bons 
resultados com seu time nacio-
nal, a seleção espanhola. 
Campeã do maior torneio de 
seleções da Europa, a Espanha 
chegou à grande final vencen-
do todos os jogos. Ao término 
da competição, Rodri ganhou 
o mais cobiçado prêmio indivi-
dual: foi eleito o melhor joga-
dor da edição.
Foi a segunda taça que o atle-
ta ganhou com seu país. A pri-
meira, a Liga das Nações de 
2022/23, também deu a ele o 
título de melhor em campo. 
Na Eurocopa de 2024, Rodri 
participou de um gol: em parti-
da contra a Geórgia, ainda na 
fase de grupos, marcou o pri-
meiro da goleada por 4 a 1.
Por outro lado, o desempe-
nho do Brasil na Copa América 
foi abaixo do esperado. O time 
caiu nas quartas de final, derro-
tado nos pênaltis pelo Uru-
guai. Vini Jr., à época, foi criti-
cado por não conseguir repli-
car os resultados que tem no 
Real Madrid na seleção.
O atacante participou de 
três jogos no torneio. Neles, 
marcou dois gols: na também 
goleada contra o Paraguai, na 
fase de grupos, em partida que 
acabou em 4 a 1 para o Brasil.
Por clubes, as estatísticas de 
Rodri ficam acima das de Vini 
em alguns pontos. Apesar de o 
brasileiro ter marcado 24 gols 
em 39 partidas que participou 
na temporada de 2023/24 (con-
tra 9 gols que o espanhol mar-
cou em 50 jogos), o jogador do 
Manchester City tem mais as-
sistências – 14 a 11. l
Para atribuir a Bola de Ou-
ro, a France Football elabo-
ra uma lista com 30 jogado-
res que, no entender dos 
profissionais da revista, 
mais se destacaram duran-
te uma temporada. No caso 
do futebol masculino, o ex-
jogador português Luis Fi-
go, atualmente embaixador 
da Uefa, também participa 
da escolha. Essa relação é 
enviada a 100 jornalistas, 
um de cada país, seleciona-
dos com base no ranking de 
seleções da Fifa.
Esses jornalistas, então, 
escolhem seus 10 melhores, 
atribuindo notas a eles. O 
primeiro colocado ganha 15 
pontos. Os que veem a se-
guir ganham 12, 10, 8, 7, 5, 4, 
3, 2 e 1, respectivamente.
As notas são somadas e 
quem tiver a maior pontua-
ção ganha a Bola de Ouro. 
Os votos devem ser ba-
seados em três critérios: 
Desempenho individual e 
determinação; desempe-
nho e conquistas coletivas; 
e talento e fair play. O prê-
mio de ontem foi definido 
com base na temporada en-
tre agosto de 2023 e julho 
de 2024. lVinícius Júnior teve de se contentar com o vice; troféu é de Rodri
FRANCK FIFE / AFP
Savinho, 4º no Troféu Kopa
Ele ficou atrás de Yamal, 
de Arda Güler, do Real
Madrid, e Mainoo, do
Manchester United
Bola de Ouro é de Rodri 
em cerimônia boicotada 
por Real Madrid e Vini
Brasileiro segue ordens do time espanhol e não 
vai a Paris ao saber que seria preterido por volante
Premiação
Rodri diz que troféu é de outros 
espanhóis que não ganharam
FRANCK FIFE / AFP
Volante teve grandes atuações pela seleção da Espanha
Júri tem 100 jornalistas 
de países diferentes, que 
obedecem a 3 critérios
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
ESPORTES
A21
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
NOTAS E INFORMAÇÕES
LEONARDO CATTO
O Corinthians saiu da zona de 
rebaixamento ao bater o Cuia-
bá por 1 a 0 pela 31ª rodada do 
Brasileirão, na Arena Panta-
nal, na noite de ontem. Com o 
resultado, a equipe subiu para 
a 15ª posição, com 35 pontos. 
Atrás do time alvinegro estão 
Athletico-PR (16º), Red Bull 
Bragantino (17º) e Juventude 
(18º), todos com 34, o próprio 
Cuiabá (19º, com 27) e o lanter-
na Atlético-GO com 22.
O forte calor cuiabano, com 
29 graus às 19h30 (horário lo-
cal), e o gramado que pouco 
deixava a bola correr prejudica-
ram a partida. Não podem ser 
eles, contudo, a justificativa pa-
ra tantas tentativas falhas de 
construção coletiva dos dois ti-
mes, que ilustraram os por-
quês de estarem na situação de 
briga contra o rebaixamento.
O Corinthians volta a cam-
po na quinta-feira, contra o Ra-
cing, pela semifinal da Sul-
Americana. Depois, tem o 
clássico contra o Palmeiras, 
dia 4, válido pela 32ª rodada. 
Igor Coronado, suspenso, não 
estará disponível. Já o Cuiabá 
visita o Red Bull Bragantino no 
sábado, 2, às 16h.
Ainda antes da partida sur-
preendeu a escalação corintia-
na. Ramón Díaz mandou uma 
equipe alternativa a campo, 
preservando jogadores para a 
decisão contra o Racing. Mes-
mo que ganhar o torneio conti-
nental seja importante – é a 
única forma de o clube classifi-
car para a Copa do Brasil 2025 
–, o técnico argentino pratica-
mente ignorou que a equipe 
ocupava a 18ª posição e precisa-
va da vitória para deixar o Z-4.
O jogo teve tom enfadonho. 
O gol da vitória foi de Depay, 
aos 43 do primeiro tempo em 
cobrança de pênalti marcado 
em cima de Talles Magno. l
O
Grupo de Atuação Especial de Combate 
ao Crime Organizado (Gaeco) vai inves-
tigar a emboscada que a Mancha Alviver-
de, principal torcida organizada do Pal-
meiras, realizou na madrugada de do-
mingo contra um ônibus que transportava membros 
da Máfia Azul, torcida uniformizada do Cruzeiro. A 
ação criminosa, que se presume tenha sido uma vin-
gança por um ataque da Máfia Azul contra a Mancha 
Alviverde, resultou em 1 morto e 20 feridos, todos 
cruzeirenses. Não se espera outra coisa de delinquen-
tes travestidos de torcedores, mas não deixa de espan-
tar a reação burocrática dos clubes envolvidos, que 
deveriam ter todo o interesse em se desvincular dessa 
barbárie. Talvez não tenham coragem para tanto.
Em um exercício de desfaçatez, a outrora Mancha 
Verde, que mudou de nome justamente para driblar 
seu histórico de extrema violência, divulgou nota na 
qual diz ser injustamente apontada pela ação crimino-
sa, uma vez que um grupo com mais de 45 mil associa-
dos não pode ser condenado por “ações isoladas de 
cerca de 50 torcedores”. Mas o que chamou mesmo a 
atenção foi o comunicado lacônico do Palmeiras, que 
se limitou a repudiar a violência e pedir que as autori-
dades investiguem e punam os culpados.
O Palmeiras poderia ter aproveitado a oportunida-
de não só para salientar que não se sente representada 
por esses “torcedores”, como também para banir a 
organizada de seus jogos, tendo em vista que não foi o 
primeiro crime que seus integrantes cometem. A jul-
gar pelo comunicado palmeirense, é mais provável 
que a Mancha, faça o que fizer,político desenhado no 
primeiro: a revitalização da 
política tradicional; uma direita robus-
tecida, mas fracionada; uma esquerda 
em crise; e o desgaste das duas lideran-
ças dominantes em âmbito nacional, o 
presidente Lula da Silva e, sobretudo, o 
ex-presidente Jair Bolsonaro.
No cômputo geral, candidatos radi-
cais foram rechaçados, interesses lo-
cais e referendos sobre gestão prevale-
ceram e o centro, tanto em sua faceta 
ideologicamente moderada quanto em 
sua faceta fisiológica, triunfou. A maior 
expressão disso foi o desempenho do 
PSD, primeiro colocado, com 887 pre-
feituras, e do MDB, com 853.
Em certo sentido, os partidos do 
Centrão voltaram às suas origens de 
contraponto ao progressismo na Cons-
tituinte de 1988. Em outro sentido, es-
sa volta foi abastecida pelo fortaleci-
mento desses partidos no Congresso, 
munidos de multibilionários fundos 
eleitorais e, sobretudo, emendas parla-
mentares. O número de prefeitos ree-
leitos foi o maior dos últimos 20 anos, 
chegando a 80%. Nas 112 cidades mais 
contempladas com emendas, a taxa foi 
de 93,7%. As emendas cumpriram sua 
função de capilarizar a dominância des-
ses partidos, e a contrapartida será seu 
fortalecimento no Congresso.
A expressão mais eloquente da cri-
se de representatividade da esquerda 
foi a desidratação no Nordeste, onde 
perdeu metade das capitais, ficando 
com apenas duas. Em número de pre-
feituras, o PT ficou em 9.º lugar, atrás 
até do moribundo PSDB. O maior ven-
cedor no campo progressista, o PSB, 
ficou em 7.º lugar. No geral, mesmo 
com a máquina do Executivo nacional, 
foi o pior resultado da esquerda desde 
a redemocratização.
A pauta da inclusão social foi incor-
porada por outros espectros e a credibi-
lidade da esquerda para implementá-la 
foi irremediavelmente maculada pela 
corrupção e pela recessão na gestão lu-
lopetista de Dilma Rousseff. As políti-
cas assistencialistas já não são novida-
de e carecem de combustível por causa 
do aperto fiscal. Faltam ideias para aten-
der às preocupações da população com 
a segurança e seus desejos de empreen-
der. Um protagonista novo, como João 
Campos (PSB), reeleito no Recife, ain-
da é só uma promessa. Em São Paulo, 
Guilherme Boulos (PSOL), mesmo 
com o apoio do PT e recursos de campa-
nha dez vezes maiores, perdeu sua se-
gunda disputa consecutiva. Com prati-
camente o mesmo número de votos de 
2020, Boulos perdeu em quase todos os 
distritos e se revelou um candidato de 
nicho, com um teto intransponível.
Nas disputas entre o PT e o PL, de 
Jair Bolsonaro, o PL, em geral, levou a 
melhor. Mas, como cabos eleitorais, Lu-
la e Bolsonaro mais perderam do que 
ganharam. Lula, seja porque já não tem 
o mesmo vigor, seja porque está mais 
preocupado em projetar sua imagem 
no exterior, seja para não bater de fren-
te com partidos que formam a sua base, 
não entrou a fundo nas disputas. Mas o 
maior derrotado foi Bolsonaro. Quase 
todas as suas apostas malograram – as-
sim como as tentativas de retaliar mo-
derados como o PSD. Em seu próprio 
partido, prevaleceu a ala pragmática co-
mandada pelo presidente Valdemar 
Costa Neto. Os principais postulantes 
da direita para a Presidência em 2026 – 
os governadores Tarcísio de Freitas 
(SP), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho 
Jr. (PR) – emplacaram candidatos com 
apoio marginal de Bolsonaro ou até 
contra ele, como (veladamente) em Cu-
ritiba e (explicitamente) em Goiânia. 
Um candidato como Pablo Marçal mos-
trou que pode abocanhar votos do bol-
sonarismo dito “raiz” mesmo à revelia 
de Bolsonaro.
Olhando para 2026, Lula sempre se-
rá um candidato forte. Mas está enve-
lhecido, em idade e ideias. Em termos 
partidários, encaminha-se para a dispu-
ta em “esplêndido isolamento” e sem 
aquela que foi sua principal alavanca 
em 2022: a contenção de Jair Bolsona-
ro. As moedas de troca com um Cen-
trão robustecido em âmbito regional e 
no Legislativo federal minguaram, e es-
se grupo está sempre pronto para mi-
grar para onde estiverem as preferên-
cias do eleitorado. Neste momento, 
elas apontam para a direita. Mas ainda 
falta uma liderança capaz de represen-
tá-las em âmbito nacional. l
AMÉRICO DE CAMPOS (1875-1884)
FRANCISCO RANGEL PESTANA (1875-1890)
JULIO MESQUITA (1885-1927)
JULIO DE MESQUITA FILHO (1915-1969)
FRANCISCO MESQUITA (1915-1969)
LUIZ CARLOS MESQUITA(1952-1970)
JOSÉ VIEIRA DE CARVALHO MESQUITA (1947-1988)
JULIO DE MESQUITA NETO (1948-1996)
LUIZ VIEIRA DE CARVALHO MESQUITA (1947-1997)
RUY MESQUITA (1947-2013)
CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
PRESIDENTE
FRANCISCO MESQUITA NETO 
MEMBROS
MANOEL LEMOS DA SILVA
MARCELO PEREIRA MALTA DE ARAUJO
MARCO ANTONIO BOLOGNA
ROBERTO CRISSIUMA MESQUITA
TITO ENRIQUE DA SILVA NETO
DIRETOR PRESIDENTE 
ERICK BRETAS
DIRETOR DE JORNALISMO
EURÍPEDES ALCÂNTARA
DIRETOR DE OPINIÃO
MARCOS GUTERMAN 
DIRETORA JURÍDICA 
MARIANA UEMURA SAMPAIO
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE
PAULO BOTELHO PESSOA
DIRETOR FINANCEIRO
SERGIO MALGUEIRO MOREIRA
NOTAS E INFORMAÇÕES
O eleitorado consolida 
sua preferência à direita
O Brasil sai das urnas com uma política mais pragmática e
menos polarizada, uma esquerda em crise e dependente de
Lula e uma direita fortalecida em busca de um líder para 2026
O
governador de São Paulo, 
Tarcísio de Freitas (Repu-
blicanos), que ao longo 
de seu mandato vinha se 
mostrando um democra-
ta consciente dos limites morais e le-
gais de seu poder, deixou-se guiar pela 
cartilha indecente do bolsonarismo no 
dia do segundo turno da eleição para a 
Prefeitura de São Paulo, ao vincular 
Guilherme Boulos (PSOL), o adversá-
rio de seu candidato, o prefeito Ricar-
do Nunes (MDB), ao PCC, principal 
organização criminosa do País. Os mo-
tivos que o levaram a aderir à desfaça-
tez tão típica de seu padrinho, o ex-pre-
sidente Jair Bolsonaro, só o sr. Tarcísio 
será capaz de esclarecer. Afinal, não pa-
rece haver lógica nenhuma nessa decla-
ração intempestiva, pois o prefeito Nu-
nes estava confortavelmente na lide-
rança da disputa, quadro que não mu-
daria nas poucas horas que restavam 
para o fechamento das urnas. 
Ou seja, não há nada que pareça jus-
tificar a atitude do governador, que a 
um só tempo desrespeitou o cargo que 
ocupa, o processo eleitoral e o adversá-
rio, tudo o que não pode acontecer nu-
ma democracia – e que, por isso mes-
mo, é passível de punição severa. Por-
tanto, roga-se que o sr. Tarcísio se re-
trate, pois, do contrário, mesmo que 
escape das sanções previstas em lei, se-
rá para sempre lembrado como aquele 
que julga não haver limites morais ou 
éticos para vencer uma eleição. Não é 
isso o que se espera de quem aspira à 
liderança do campo conservador no 
Brasil.
Após votar, o governador foi ques-
tionado por jornalistas sobre um comu-
nicado emitido pela Secretaria de Ad-
ministração Penitenciária de São Pau-
lo, que interceptou supostos bilhetes 
assinados por membros do PCC orien-
tando o voto em algumas cidades. Os 
tais bilhetes já eram de domínio públi-
co, uma vez que foram publicados no 
dia anterior pelo portal Metrópoles. 
Tarcísio poderia ter apenas dito que 
não faria comentários até o fechamen-
to das urnas, porque, se o fizesse, pode-
ria influenciar a intenção de voto dos 
eleitores que ainda tinham algumas ho-
ras para votar. Mas a imprudência é 
uma marca do bolsonarismo, e o gover-
nador, como se estivesse numa entre-
vista qualquer, e não no dia de votação 
e ao lado de seu candidato, comentou: 
“Teve o salve, houve interceptação de 
conversa e de orientações que eram 
emanadas de presídios por parte de 
uma organização criminosa, orientan-
do determinadas pessoas em determi-
nadas áreas a votarem em determina-
dos candidatos. Houve essa ação de in-
teligência, houve essa interceptação, 
mas não haverá influência nenhuma na 
eleição”. 
Ainda assim, poderia ter reduzido 
os danos e parado por aí, mas, diante da 
insistência para que informasse qual 
era ocontinuará a ter salvo-
conduto.
Recorde-se que há tempos o Palmeiras está às tur-
ras com a Mancha, mas não em razão da violência da 
torcida, e sim porque o clube havia contratado um 
diretor que a organizada dizia ser corintiano.
É crucial que os clubes parem de financiar “torcedo-
res” que, além de promoverem barbaridades contra 
rivais, reiteradamente aterrorizam atletas e treinado-
res – não raro com a cumplicidade velada dos próprios 
dirigentes.
Às organizadas, se realmente desejam ser vistas co-
mo torcidas, basta que não promovam atos violentos. 
De nada adianta afirmar, como agora faz a Mancha, 
tratar-se de “ações isoladas”, quando tais ações são 
frequentes e fartamente documentadas.
E há ainda a incapacidade das autoridades, que, se 
tivessem agido preventivamente, não teriam agora de 
investigar mais uma morte. Obviamente indefensável, 
o revide da Mancha Alviverde à Máfia Azul era previsí-
vel desde que, dois anos atrás, a organizada cruzeiren-
se agrediu membros da Mancha, entre os quais o atual 
presidente da uniformizada palmeirense, na mesma 
Fernão Dias que foi agora palco da emboscada letal.
Por um tempo, a solução encontrada pelo poder 
público em São Paulo para a violência das torcidas foi 
o banimento das organizadas dos estádios. Agora, elas 
podem entrar, mas, nos confrontos entre times paulis-
tas, só têm ingresso os torcedores do time da casa. 
Tais providências são a prova da rendição do Estado e 
dos clubes de futebol à incivilidade de alguns torcedo-
res, dentro e fora dos estádios. l
COLUNA FIABCI-BRASIL INFORMEPUBLICITÁRIO
�
Coluna publicada às terças-feiras sob responsabilidade da FIABCI-BRASIL (Federação Internacional Imobiliária) Tel: (11) 5078-7778 - www.fiabci.com.br - Produção gráfica: Publicidade Archote
SÃO PAULO, 29/10/2024
Seconci-SP inova no cuidado ao
trabalhador da construção
Zelar por saúde, segurança do trabalho e
qualidade de vida na indústria da construção
é o propósito do Seconci-SP (Serviço Social
da Construção), que neste 2024 completou 60
anos de serviços prestados às construtoras e aos
cerca de 750 mil trabalhadores do setor e seus
familiares no Estado de São Paulo.
Entidade filantrópica e sem fins lucrativos,
o Seconci-SP mantém-se com as contribuições
das construtoras. Em troca, proporciona aten-
dimento médico ambulatorial gratuito em mais
de 20 especialidades médicas e odontológicas,
exames laboratoriais e de imagem, e serviços
como atendimento social e psicológico,
fisioterapia, audiometria e nutrição.
O Seconci-SP presta amplos serviços de
segurança do trabalho às construtoras, que
incluem laudos, treinamentos e consultorias
para a elaboração de programas como o de
gerenciamento de riscos, além de assessoramento
na confecção e envio de documentos ao eSocial.
A entidade inova continuamente. Dispõe de um moderno
Ambulatório da Dor, para tratamento de dores musculares,
mediante agulhamento a seco guiado por termografia. Na saúde
bucal, inova com atendimento odontológico nas obras e uso de
impressoras 3D.
Na segurança do trabalho, realiza avaliações físicas e
químicas do ambiente de trabalho commodernos equipamentos
e promove campanhas de prevenção a acidentes como quedas
e choques elétricos. Participou ativamente da elaboração das
novas normas técnicas de redes de segurança
e guarda-corpos provisórios, e agora trabalha
na criação da norma de andaimes. Promove
seminários sobre a observância das Normas
Regulamentadoras. Em 28 de outubro, realizou
a solenidade de entrega do 8º Prêmio Seconci-
SP de Saúde e Segurança do Trabalho.
Graças à segurança proporcionada aos
pacientes em sua unidade na cidade de São
Paulo, a entidade conquistou a certificação da
Organização Nacional deAcreditação, que será
expandida para suas 12 unidades no Interior.
Iremos além. Manteremos um amplo
programadesaúdementalparaos trabalhadores.
Intensificaremos parcerias comoutras entidades
para capacitar profissionalmente mulheres
em situação de vulnerabilidade. Realizamos
campanha de violência contra mulheres,
crianças e adolescentes. E inauguramos uma
agenda de atividades culturais destinadas aos
trabalhadores e familiares.
Emparceria comoSindusCon-SP, o Seconci-
SP acaba de realizar o 14º ConstruSer - Encontro Estadual
da Construção em Família. Em suas 14
edições, o evento atingiu cerca de 400 mil
trabalhadores e familiares, que receberam
cerca de 3,8 milhões de atendimentos. Nas
24 edições da MegaSipat, Mega Semana
Interna de Prevenção de Acidentes,
participaram 99 mil trabalhadores. E mais
de 6 mil trabalhadores foram formados no
Programa SindusCon-SP de Segurança.
S
ec
o
n
ci
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P
Celebrando 60 anos
de existência, entidade
conquistou a certificação
da Organização Nacional
de Acreditação
Por Maristela Honda
LEIAAÍNTEGRADACOLUNA!
Barbárie 
organizada
Clubes são coniventes com torcidas
cuja prioridade é a violência 
contra adversários 
No jogo entre o segundo me-
lhor ataque da Série B do 
Campeonato Brasileiro (51 
gols) contra a pior defesa 
(54), o Santos derrotou o 
Ituano por 2 a 0, ontem, e se 
aproximou ainda mais do re-
torno à elite do futebol na-
cional. A partida foi realiza-
da no estádio Novelli Jú-
nior, pela 34ª rodada. Os 
gols foram marcados por 
Serginho e Guilherme.
O time alvinegro ainda 
quebrou um tabu de dez 
anos sem vencer o rival co-
mo visitante. O último 
triunfo em Itu foi em 2014, 
no mesmo ano que o Santos 
perdeu o título do Paulistão 
para o clube do interior.
Com a vitória, a 18ª na Série 
B, o Santos chegou aos 62 pon-
tos e abriu oito do Ceará, quin-
to colocado, podendo assim 
confirmar o acesso na próxima 
rodada. O Ituano é o 18º coloca-
do, com 34. O CRB, primeiro 
fora do descenso, soma 36.l
Série B
GOLS: Serginho, aos 17 min do 1º 
tempo. Guilherme, aos 6 do 2º.
ITUANO: Jefferson Paulino; Marci-
nho, G. Mariano, Claudinho e Guilher-
me Lazaroni; Xavier (Miquéias), José 
Aldo e Yann Rolim (Neto Berola); 
Bruno Xavier (Leozinho), Thonny 
Anderson (Salatiel) e Vinícius Paiva 
(João Carlos). Técnico: Chico Elias.
SANTOS: Diógenes; Hayner (JP 
Chermont), João Basso, Gil e Esco-
bar; J. Schmidt (Sandry), Diego Pitu-
ca e Giuliano (Willian Bigode); Sergi-
nho (Otero), W. Silva (Julio Furch) e 
Guilherme. Técnico: Fábio Carille.
Amarelos: Claudinho, José Aldo e 
Thonny Anderson e Serginho.
Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (SP).
Renda: R$ 479.420,00.
Público: 11.716 pagantes.
Local: Estádio Novelli Júnior.
34ª RODADA DO BRASILEIRÃO
SANTOS
2
ITUANO
0
Corinthians vence o Cuiabá fora de 
casa e deixa zona do rebaixamento
Campeonato Brasileiro
Gol: Memphis Depay, aos 43 minu-
tos do primeiro tempo.
CUIABÁ: Walter; M. Alexandre (E-
liel), Marllon, B. Alves e Ramon; F. 
Augusto (Raylan), F. Sobral (Denil-
son) e L. Fernandes; G. Sauer (Max), 
Clayson e Pitta. T: Bernardo Franco.
CORINTHIANS: Hugo; Matheuzi-
nho, F. Torres, Cacá (A. Ramalho) e 
M. Bidu; Raniele (Romero), B. Bidon 
(Charles), A. Santana (Carillo) e I. 
Coronado ( Garro); Talles Magno e 
Memphis Depay. T: Ramón Díaz.
Árbitro: Bruno Arleu de Araújo.
Amarelos: Clayson, Ramon, Filipe 
Augusto, Fernando Sobral, Marlon, 
Igor Coronado e Raniele.
Público: 16.680 presentes.
Renda: R$ 1.818.680,00.
Local: Arena Pantanal, em Cuiabá.
31ª RODADA DO BRASILEIRÃO
CORINTHIANS
1
CUIABÁ
0
Santos bate
o Ituano e 
pode subir
na próxima
rodada
A22 ESPORTES
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
TÊNIS
l ATP 1000 de Paris
Primeira e segunda rodadas
7h / ESPN 3 e Disney+
FUTEBOL
l Copa da Alemanha
Bayer Leverkusen x Elversberg
14h30 / ESPN 4 e Disney+
Wolfsburg x B. Dortmund
16h45 / ESPN 4 e Disney+
l Campeonato Italiano
Milan x Napoli
16h45 / ESPN e Disney+
l Copa da Liga Inglesa
Brentford x Sheffield
17h / ESPN e Disney+
l Amistoso Inter. Feminino
Brasil x Colômbia
19h / SporTV
l Série B
Brusque x Chapecoense
19h / SporTV 3 e Premiere
Guarani x Novorizontino
21h30 / Premiere
l Copa Libertadores
River Plate x Atlético-MG
Semifinal - volta
21h30 / ESPN e Disney+
VÔLEIl Superliga Masculina
Campinas x Blumenau
18h10 / SporTV 2
BASQUETE
l NBB
Basquete Cearense x Flamengo
19h30 / ESPN 2 e Disney+
FELIPE ROSA MENDES
Após um fim de semana tumul-
tuado no GP do México, com 
punições e rendimento abaixo 
do esperado, Max Verstappen 
deve enfrentar mais dificulda-
des no GP de São Paulo de Fór-
mula 1, no próximo fim de se-
mana. O piloto da Red Bull de-
ve contar com um motor novo, 
o que causará punição auto-
mática, levando o holandês pa-
ra o fim do grid de largada no 
Autódromo de Interlagos.
A possível mudança de mo-
tor foi aventada por Helmut 
Marko, influente conselheiro 
da Red Bull. “Não estávamos 
nem perto das duas equipes da 
frente e acho que parte do pro-
blema é que na sexta-feira não 
conseguimos pilotar por causa 
dos problemas no motor. Te-
mos que fazer alguma coisa, is-
so está claro. Também tere-
mos que trocar o motor por-
que estávamos muito lentos 
na reta”, disse o austríaco, em 
entrevista ao site Motorsport.
Mark fez as declarações em 
referência ao fraco desempe-
nho do carro de Verstappen ao 
longo do fim de semana no GP 
do México. Ainda na sexta-fei-
ra, nos treinos livres, o holan-
dês precisou trocar o seu mo-
tor por um antigo, sem violar 
as regras, o que conteve o seu 
ritmo também no sábado e no 
domingo durante a disputa da 
corrida. “Este motor, que esta-
va no carro, não deveria estar 
no carro, então provavelmen-
te no Brasil pode acontecer (a 
troca”, disse Marko.
Se confirmada, a troca de 
motor na Red Bull do tricam-
peão mundial acontecerá em 
momento delicado da tempo-
rada. Verstappen vem caindo 
de rendimento nas últimas eta-
pas, longe de exibir a perfor-
mance dominante da primeira 
metade do campeonato. Ao 
mesmo tempo, o britânico Lan-
do Norris, seu principal rival 
na briga pelo título, vem 
crescendo ao longo do ano. 
No México, Norris conse-
guiu reduzir um pouco 
mais a diferença de Verstap-
pen ao terminar em segun-
do lugar. O holandês ficou 
em sexto. Líder do campeo-
nato, o piloto da Red Bull 
soma 362 pontos, contra 315 
de Norris. Faltam quatro 
etapas para o fim, com direi-
to a duas corridas sprint, no 
Brasil e no Catar – as pro-
vas, mais curtas que um GP 
tradicional, também ren-
dem pontuação no campeo-
nato. Desta forma, há ainda 
um máximo de 120 pontos 
em disputa até o fim da tem-
porada.
A largada dos GP de São 
Paulo está marcada para 
14h (horário de Brasília) do 
próximo domingo. l
Fórmula 1
Verstappen deve 
receber punição no 
GP de São Paulo e 
largar no fim do grid
O MELHOR DA TV
Queda de rendimento da Red Bull já preocupa Max Verstappen 
FERNANDO LLANO/AP–26/10/2024
Mundial de pilotos
Nas últimas provas, a
diferença entre Verstappen 
e Norris caiu e agora é de 47 
pontos; restam 4 corridas
Com rendimento
abaixo do esperado, 
piloto holandês deve 
contar com motor 
novo; assim, largará 
no final do grid 
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
ESPORTES A23
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
DA EDUCAÇÃO
Desafios para 
uma educação
de qualidade, 
com equidade
2ª Edição
Realização: Criação: Apoio: Apoio institucional:
Educação Forte País Forte
Patrocínio:
29/10,
às 10h
Guilherme 
de Souza Dias
Supervisor 
de Tecnologias 
Educacionais do Senai
Eduardo 
Zanini
Diretor 
de Produto 
da Geekie
Elzo 
Brito
Coordenador 
de Projetos 
no Centro 
Paula Souza
Priscila 
Gonsales
Pesquisadora 
da Unicamp 
e diretora do 
Educadigital
MEDIAÇÃO
Victor 
Vieira
Editor de Metrópole 
do Estadão
Os desafios da 
IA na educação
Um grupo liderado por pes-
quisadores da Universidade 
Estadual de Campinas (Uni-
camp) descreveu o segundo 
menor vertebrado do mun-
do. Adulto, o exemplar do sa-
po em miniatura tem 6,95 
mm, e só não é menor do que 
indivíduos de uma espécie 
do mesmo gênero, descrita 
no sul da Bahia, de 6,45 mm. 
O estudo, apoiado pela Fun-
dação de Amparo à Pesquisa 
do Estado de São Paulo (Fa-
pesp), foi publicado sexta, na 
revista PeerJ.
Os sapos-pulga ou rãs-pul-
ga, como são conhecidas algu-
mas espécies do gênero Brachy-
cephalus, têm adultos com me-
nos de 1 cm. Para se ter ideia, 
eles podem se acomodar sobre 
a unha de um humano adulto 
ou sobre uma moeda de R$ 
0,50. A nova espécie foi nomea-
da Brachycephalus dacnis em 
homenagem ao Projeto Dac-
nis, que mantém áreas priva-
das de Mata Atlântica no Esta-
do de São Paulo, incluindo a 
que o animal foi encontrado, 
em Ubatuba, no litoral norte 
paulista. “Existem sapos pe-
quenos com todas as caracte-
rísticas de sapos grandes, ape-
nas menores. Esse gênero é di-
ferente. Ao longo da evolução, 
passou pelo que chamamos de 
miniaturização. São caracte-
rísticas como fusões e perdas 
de ossos, além da falta de dígi-
tos e outras partes da anato-
mia”, diz Luís Felipe Toledo, 
professor do Instituto de Bio-
logia da Unicamp e coordena-
dor do estudo.
O trabalho integra o projeto 
“Da história natural à conser-
vação dos anfíbios brasilei-
ros”, apoiado pela Fapesp e 
contou ainda com bolsa de 
doutorado para Julia Ernetti, 
coautora do estudo.
Esta é a sétima espécie de sa-
pinho-pulga descrita dentro 
do gênero Brachycephalus. Até 
recentemente, o grupo era 
mais conhecido por espécies 
venenosas e de cores vivas, co-
mo os sapinhos-pingo-de-ou-
ro (Brachycephalus rotenbergae 
e B. ephippium) e o sapo-pitan-
ga (B. pitanga). Mas o tamanho 
dos sapinhos-pulga está agora 
chamando a atenção dos pes-
quisadores. 
CANTO DIFERENTE. O canto 
da espécie descrita agora foi 
o que chamou a atenção dos 
cientistas. Sua morfologia é 
igual à de outra espécie, B. her-
mogenesi. Ambas têm pele 
marrom amarelada, vivem 
no folhiço da mata, não nas-
cem girinos (saem dos ovos 
andando) e ocorrem na mes-
ma região. Mas o canto é dife-
rente. Quando sequencia-
ram o gene normalmente uti-
lizado para diferenciar es-
pécies, os pesquisadores con-
firmaram se tratar de nova en-
tidade. 
Mas, ao visitarem Picingua-
ba, em Ubatuba, onde foram 
encontrados os sapos que 
permitiram a descrição de B. 
hermogenesi, notaram que B. 
dacnis também ocorre ali. Na 
descrição da nova espécie, 
além das características ana-
tômicas de praxe, os pesqui-
sadores acrescentaram infor-
mações do esqueleto e dos ór-
gãos internos, além de dados 
moleculares e do canto.
“A diversidade desses sa-
pos em miniatura pode ser 
bem maior do que imagina-
mos”, afirma Julia. l ANDRÉ JU-
LIÃO, AGÊNCIA FAPESP 
Sapinho brasileiro 
é o 2.º menor entre 
os vertebrados
Espécie tem pele marrom amarelada e vive no folhiço da mata
Fauna
Sapo-pulga que, adulto, chega a 
6,95 mm, só não é menor que outra 
espécie do gênero, também brasileira
LUCAS MACHADO BOTELHO/PROJETO DACNIS
A24
PARA FECHAR... UMA BOA HISTÓRIA
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
E&N
ECONOMIA
&NEGÓCIOS DESTAQUE O
CADERNO E&N
(B1 A B16)
BRASÍLIA
A indicação de nomes para no-
ve diretorias já abertas e ou-
tras 11 que vão vagar até o pri-
meiro trimestre de 2025 nas 
agências reguladoras tem pro-
vocado disputas internas no 
Planalto e entre senadores da 
base de apoio do governo no 
Congresso. 
O Planalto quer negociar as in-
dicações em uma só leva, em vez 
de abrir conversas individuais 
para cada posto ou atrelar as ne-
gociações às eleições para os co-
mandos do Senado e da Câmara, 
no início de 2025. As discussões 
devem ser retomadas agora, de-
pois das eleições municipais, 
com a volta dos trabalhos do Se-
nado – responsável por aprovar 
ou rejeitar as indicações feitas, 
formalmente, pelo Executivo.
O interesse pelos cargos ga-
nhou corpo diante do desgaste 
envolvendo os apagões em São 
Paulo – que colocaram sob ata-
que o trabalho da Agência Nacio-
nal de Energia Elétrica (Aneel). 
O governo avalia retomar meca-
nismo para pactuar metas para 
as agências e, no limite, punir 
seus integrantes. Jána Câmara, 
há articulação para que a Casa 
passe a fiscalizar a atuação no se-
tor; os parlamentares negam ris-
co para a autonomia das agências 
(mais informações na pág. B2).
O ministro de Minas e Ener-
gia, Alexandre Silveira, por 
exemplo, tenta emplacar pelo 
menos dois indicados em agên-
cias estratégicas do setor: além 
da Aneel, na Agência Nacional 
do Petróleo, Gás Natural e Bio-
combustíveis (ANP). Para a 
Aneel, o nome escolhido por 
Silveira é o do atual secretário 
de Energia Elétrica do ministé-
rio, Gentil Nogueira. A negocia-
ção está travada por interferên-
cia do Congresso. Para a ANP, 
o escolhido pelo ministro é o 
atual secretário de Petróleo, 
Gás Natural e Biocombustí-
veis do MME, Pietro Mendes. 
Neste caso, porém, ainda não 
há o aval do Planalto.
Há um outro nome na dispu-
ta: o de Allan Kardec, presiden-
te da Companhia Maranhense 
de Gás (Gasmar), que tem o 
apoio do ministro do Supremo 
Tribunal Federal (STF) Flávio 
Dino, do ex-presidente José 
Sarney e do governador do Ma-
ranhão, Carlos Brandão. Tam-
bém o senador Davi Alcolum-
bre (União Brasil-AP) tenta 
apresentar nomes para o cargo.
Há também embates na Agên-
cia Nacional de Aviação Civil (A-
nac) entre os ministros Silvio 
Costa Filho (Portos e Aeropor-
tos) e José Múcio (Defesa). São 
duas vagas: para a presidência 
da diretoria, Costa Filho apoia a 
oficialização do nome de Tiago 
Souza Pereira, que ocupa o car-
go interinamente desde 2023. 
Já Múcio defende a indicação 
do major-brigadeiro do ar Rui 
Chagas Mesquita como diretor 
e, na sequência, como presiden-
te. Para a outra vaga de diretor, 
Costa Filho tem intenção de in-
dicar Caio Cavalcanti Ramos, 
servidor de carreira do BNDES.
A Agência Nacional de Vi-
gilância Sanitária (Anvisa) te-
rá três vagas até o fim do ano. 
Entre os nomes que circulam 
por Brasília, dois seriam os 
mais fortes: o de Daniela Mar-
reco, que hoje trabalha no gabi-
nete do diretor-presidente e te-
ria apoio de senadores como 
Ciro Nogueira (PP-PI) e Alco-
lumbre; e de Leandro Safatle, 
secretário adjunto de Ciência, 
Tecnologia e Inovação do 
Complexo Econômico-Indus-
trial da Saúde, que seria o no-
me do Ministério da Saúde.
A Secretaria de Relações Ins-
titucionais afirmou ao Esta-
dão/Broadcast que a forma das 
indicações para as diretorias 
nas agências será pactuada 
com o Legislativo. “O diálogo 
vai permanecer agora com a re-
tomada do Congresso”, diz. 
Procurados, o Ministério de 
Minas e Energia; Carlos Bran-
dão; Alcolumbre; Ciro Noguei-
ra; e os ministros Costa Filho e 
Múcio não responderam. Já 
Flávio Dino não vai comentar. 
l GABRIEL HIRABAHASI, RENAN MONTEIRO, LUIZ 
ARAÚJO e CAIO SPECHOTO
 40 ANOS 
info@milanleiloes.com.br
Soluções para:
• Industrias 
• Bancos 
• Seguradoras
Governo demora para preencher cargos de direção de 
agências reguladoras; as discussões sobre indicações 
devem ser retomadas agora após as eleições municipais
Vagas
FONTE: AGÊNCIAS REGULADORAS / INFOGRÁFICO: ESTADÃO
CADEIRAS VAZIAS
AGÊNCIA 
REGULADORA
Anatel
Anac 
Anvisa
ANS
ANP 
Aneel
Antaq 
ANTT
Ancine 
ANA 
ANM
DIRETORIAS 
JÁ VAGAS
ATÉ O FIM 
DE 2024 
NO 1º TRIMESTRE 
DE 2025
DIRETORIAS QUE FICARÃO VAGAS
1
2
1
-
1
1
-
-
1
2
-
-
2
-
-
-
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2
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1
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Governo e Congresso
disputam vagas em 
agências reguladoras
‘CABE À CÂMARA FISCALIZAR AS AGÊNCIAS’, 
DIZ O DEPUTADO DANILO FORTE. PÁG. B2
Negociação envolve 9 postos já abertos e outros 
11 que vão vagar até o primeiro trimestre de 2025
Serviço público Impasse
B1
Estratégia
Planalto tenta evitar
atrelar indicações a
eleições para os comandos 
do Senado e da Câmara
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO
INCLUI CLASSIFICADOS
INÊS 249
‘Cabe à Câmara fiscalizar 
as agências reguladoras’
ARTIGO
Othon de Azevedo Lopes
Advogado, é doutor em Direito e 
Filosofia do Estado pela PUC-SP 
e professor associado da 
Faculdade de Direito da 
Universidade de Brasília (UnB)
BIANCA LIMA
BRASÍLIA
P
residente da Comissão 
de Desenvolvimento 
da Câmara, o deputado 
Danilo Forte (União-CE) deve 
apresentar nesta semana uma 
Proposta de Emenda à Constitui-
ção (PEC) que amplia os pode-
res da Câmara, conferindo às co-
missões da Casa a atribuição for-
mal de fiscalizar as agências regu-
ladoras. Essas autarquias estão 
no centro do debate público devi-
do aos apagões em São Paulo, e 
têm sido alvo de investidas tanto 
do governo quanto do Congres-
so. “Como já temos o Senado res-
ponsável pela sabatina e aprova-
ção das indicações do corpo dire-
tivo, entendemos que, como o 
princípio das agências é a defesa 
do consumidor, cabe às comis-
sões temáticas da Câmara, que 
representam o povo, cumprir o 
papel de fiscalizar essas autar-
quias”, afirma o parlamentar. Ele 
nega que a PEC amplie a ingerên-
cia política nas autarquias e redu-
za a sua autonomia. A seguir, os 
principais trechos da entrevista:
O que motivou a elabora-
ção da PEC?
Nós temos problemas em pra-
ticamente todas as agências re-
guladoras do País, tanto na fis-
calização quanto na capacida-
de que elas têm de se sobrepor 
ao seu papel institucional.
O sr. poderia dar exemplos 
concretos?
Por exemplo, a suspensão, pela 
Anvisa (Agência Nacional de Vi-
gilância Sanitária), de defensi-
vos que estavam havia mais de 
50 anos em circulação no Brasil 
sem que houvesse inovação em 
relação à legislação. Decisão mo-
nocrática, na Aneel (Agência Na-
cional de Energia Elétrica), com 
relação ao corte dos valores de 
transmissão (recálculo de indeni-
zação a transmissoras, que ocor-
reu em 2022). A omissão ou falta 
de posicionamento da Anvisa 
em relação ao cigarro eletrôni-
co, bem como da Aneel em rela-
ção ao apagão em São Paulo. Es-
se descontrole dos órgãos con-
troladores criou, tanto para o 
consumidor quanto para o go-
verno, uma insatisfação muito 
grande em todas as áreas.
De que forma a PEC atua-
ria nessas questões?
Criando um instrumento de 
fiscalização sobre esses pa-
péis, porque é inadmissível 
que uma instituição tenha o po-
der de regular, executar, nor-
matizar e julgar. Nem o STF 
(Supremo Tribunal Federal), 
com todas as suas escorrega-
das, se propõe a isso.
E isso cabe à Câmara?
As agências são órgãos de Esta-
do, não de governo. E, como ór-
gãos de Estado, cabe exatamen-
te ao Poder Legislativo a sua fis-
calização. Como já temos o Sena-
do responsável pela sabatina e 
aprovação das indicações do cor-
po diretivo, entendemos que, co-
mo o princípio das agências é a 
defesa do consumidor, cabe às 
comissões temáticas da Câma-
ra, que representam o povo, 
cumprir o papel institucional de 
fiscalizar essas autarquias.
O TCU já não desempenha 
esse papel?
Hoje, do ponto de vista geren-
cial, há um puxadinho no TCU 
(para fazer essa fiscalização). Mas, 
do ponto de vista de mérito, isso 
fica completamente solto, por-
que as agências não devem pres-
tação de contas a ninguém.
Esse novo sistema propos-
to não pode enfraquecer a 
autonomia das agências?
Primeiro, nós não estamos in-
terferindo em nenhuma formu-
lação de política pública, esta-
mos apenas fiscalizando. Por-
tanto, não haveria nenhuma di-
minuição de autonomia. Segun-
do, essa fiscalização já é feita em 
alguns países do mundo, inclusi-
ve na Inglaterra, que é o berço 
do liberalismo. E nós não esta-
mos criando uma fiscalização 
de governo, e, sim, de Estado. 
Então, o setor privado pode fi-
car muito tranquilo que isso vai 
aumentar a segurança jurídica.
Como funcionaria essa fis-
calização?
A comissão de Minas e Ener-
gia, por exemplo, faria a fiscali-
zação da Aneel, ANM (Agência 
Nacional de Mineração) e ANP 
(Agência Nacional de Petróleo e 
Gás). A comissão da Comuni-
cação faria o acompanhamen-
to referente à Anatel (Agência 
Nacional de Telecomunicações). 
E, assim, sucessivamente. To-
das as agências teriam de pres-
tar contas, tantono que diz res-
peito à execução da legislação 
quanto à normatização.
As comissões teriam o po-
der de punir as agências ou 
seus membros?
As comissões poderiam averi-
guar os serviços prestados, co-
mo também fazer a apuração e 
punição coletiva ou individual 
dos diretores, em caso de des-
cumprimento do que está na 
lei e no código administrativo. 
Ou seja, que configure infra-
ção ou improbidade.
Essas punições incluiriam 
a eventual demissão de di-
retores?
A PEC permite que o Congres-
so, verificando ação dolosa de 
omissão ou ilicitude, possa re-
comendar ao TCU e ao Minis-
tério Público a punição admi-
nistrativa, civil ou criminal 
dos membros das agências.
Mas, de novo, isso não am-
plia a interferência políti-
ca nas agências?
Da mesma forma que a gente 
pode julgar o presidente da Re-
pública e abrir processo de im-
peachment, também podemos 
exercer o papel que nos é atri-
buído constitucionalmente, e 
fazer o impedimento de um di-
retor de uma agência. Se fosse 
um órgão do governo para fa-
zer esse controle, aí, sim, esta-
ria politizando. Porque não se-
ria uma pessoa eleita, seria 
uma escolha pessoal do presi-
dente, e não colegiada.
Pode haver resistência do 
Senado à PEC?
O Senado já cumpre o seu pa-
pel, porque as sabatinas e a es-
colha dos diretores ocorrem lá. 
Ou seja, passaria a ter uma divi-
são: o Senado continuaria com 
esse papel e caberia à Câmara, 
pela sua representação popu-
lar, fazer a fiscalização. E com 
isso haveria uma equidade e 
harmonia de Poderes. l 
O
Executivo enviou ao 
Congresso o Projeto 
d e L e i ( P L ) n . º 
15/2024. A imprensa 
destacou o tratamento gravo-
so dado ao devedor contu-
maz. É uma abordagem par-
cial do projeto, que insere a 
tributação numa abordagem 
responsiva do Direito, incen-
tivadora da colaboração do 
contribuinte.
Há quatro programas no 
PL: 1) o de Conformidade 
Cooperativa Fiscal (Con-
fia); 2) o de Estímulo à Con-
formidade Tributária; 3) o 
do Operador Econômico Au-
torizado (Programa OEA); e 
4) o do devedor contumaz. 
Os três primeiros, benéfi-
cos; o último, gravoso.
O Confia incentiva a trans-
parência e o diálogo entre 
contribuinte e Fisco, privile-
giando boa-fé e adequada go-
vernança. Para isso, propicia 
solução colaborativa de dúvi-
das sobre planejamentos tri-
butários, com exoneração 
ou redução de multas.
O Sintonia dá benefícios a 
contribuintes com regulari-
dade cadastral, pagamento 
oportuno dos tributos e exa-
tidão de informações. Há 
prioridade na restituição de 
tributos, precedência no 
atendimento e acesso facili-
tado a capacitações promovi-
das pela Receita Federal.
O Programa OEA facilita 
importação e exportação. Os 
que tiverem histórico de 
cumprimento da legislação, 
gestão fidedigna, inclusive 
de riscos, solvência e segu-
rança na cadeia de suprimen-
tos fruirão de benefícios: me-
nor índice de verificação, li-
beração célere e pagamento 
diferido de tributos.
Os programas benéficos te-
rão selos. Os integrantes do 
Confia e do Sintonia têm des-
conto na Contribuição So-
cial sobre o Lucro Líquido 
(CSLL), vedação de arrola-
mento de bens, desempate 
em licitações públicas, prio-
rização no atendimento e in-
formações prévias sobre in-
dícios de prática de infração 
à legislação e sobre renova-
ção de certidões.
O devedor contumaz será 
o que tiver débitos acima de 
R$ 15 milhões e que seja 
maior do que o seu patrimô-
nio; que tiver débitos inscri-
tos em dívida ativa da União 
superiores a R$ 15 milhões 
irregulares há mais de um 
ano; que for parte de pessoa 
jurídica baixada ou inapta 
nos últimos cinco anos, com 
débitos superiores a R$ 15 
milhões. Ele terá seu CNPJ 
declarado inapto, rito com 
menos garantias no julga-
mento de seus recursos e im-
pedimento de contratar 
com a administração.
O projeto acerta com pro-
gramas benéficos que mino-
raram a situação adversa-
rial com o Fisco. Embora o 
regime de devedor contu-
maz seja importante como 
arma simbólica para o Fis-
co, a gravosidade das restri-
ções no projeto é excessiva. 
Isso não retira os méritos 
do PL que poderão ser apro-
veitados; já os seus exage-
ros poderão ser atenuados 
pelo Legislativo. l
“Como o princípio
das agências é a defesa 
do consumidor, cabe
às comissões temáticas 
da Câmara, que 
representam o povo, 
cumprir o papel 
institucional de 
fiscalizar essas 
autarquias”
Embora o regime de
devedor contumaz seja
importante como arma
simbólica, a gravosidade
das restrições é excessiva
Danilo Forte
Para deputado, PEC que amplia poderes da Casa
não representa intervenção política nas autarquias
ENTREVISTA
VINICIUS LOURES AGENCIA CAMARA-30/8/2023
Advogado, está em 
seu 4.º mandato como 
deputado federal
pelo Ceará. Filiado
ao União Brasil, já
comandou a Funasa
Lei da conformidade: possibilidades no Direito Tributário
B2 ECONOMIA&NEGÓCIOS
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
CÍCERO COTRIM
FERNANDA TRISOTTO 
BRASÍLIA
O presidente do Banco Central, 
Roberto Campos Neto, disse on-
tem que uma redução sustentá-
vel dos juros no Brasil provavel-
mente só será possível se for 
acompanhada de medidas vis-
tas pelo mercado como um “cho-
que fiscal positivo”. Ele repetiu 
que quedas estruturais das ta-
xas foram historicamente acom-
panhadas de medidas positivas 
no lado das contas públicas.
“Quando olhamos para o 
prêmio na ponta longa (da cur-
va de juros) e aí por diante, acha-
mos que, se quisermos mesmo 
ser capazes de diminuir os ju-
ros e de viver com juros meno-
res, provavelmente precisare-
mos estar dispostos a sinalizar 
para o mercado medidas que 
serão interpretadas como um 
choque positivo”, afirmou ele, 
em reunião com investidores 
organizada pelo Deutsche 
Bank, em Londres.
Campos Neto, que deixará o 
cargo no fim do ano, disse que 
os números fiscais do Brasil, 
tanto no que diz respeito ao re-
sultado primário quanto à evo-
lução prevista da dívida públi-
ca, são similares aos de outros 
emergentes, embora o ponto 
de partida da dívida do País 
seja maior. 
“Eu reconheço que tive-
mos algumas notícias desfa-
voráveis recentemente, espe-
cialmente quando olhamos 
para a percepção do merca-
do de que alguns números es-
tão se tornando menos 
transparentes”, disse ele. 
Sob pressão do mercado, a 
equipe econômica tem afir-
mado que vai discutir nas 
próximas semanas com o 
presidente Luiz Inácio Lula 
da Silva um pacote com pro-
postas de corte de gastos.
TEBET. Já a ministra do Pla-
nejamento, Simone Tebet, 
voltou a dizer que o momen-
to é de “coragem” para cor-
tar gastos em políticas pú-
blicas que são ineficientes, 
usando o espaço que será 
aberto no Orçamento para 
fazer investimentos, e não 
necessariamente superávit 
fiscal. “Números mostram 
que, tudo que tinha de dar 
certo, deu, só falta uma coi-
sa: termos a coragem de cor-
tar o que é ineficiente. Er-
ros e fraudes já foram corta-
dos em 2023, agora é hora 
de acabar com políticas pú-
blicas que são ineficien-
tes”, disse ela, em evento 
em São Paulo. l COLABOROU 
AMANDA PUPO/BRASÍLIA
BRASÍLIA
As projeções do mercado finan-
ceiro para a inflação no País su-
biram pela quarta semana se-
guida e já superam o teto da 
meta, segundo o novo Boletim 
Focus, divulgado ontem pelo 
Banco Central. Pelos núme-
ros, a previsão para o IPCA de 
2024 passou de 4,5% para 
4,55%. O centro da meta é de 
3%, com margem de tolerância 
de 1,5 ponto porcentual para 
mais ou para menos. 
Se essa estimativa se concre-
tizar, o presidente do Banco 
Central, Roberto Campos Ne-
to, vai terminar a sua gestão 
tendo de escrever a terceira car-
ta aberta para explicar o des-
cumprimento da meta. Seu 
mandato vai até 31 de dezem-
bro. Ainda pelo Focus, a media-
na para a inflaçãode 2025 osci-
lou de 3,99% para 4% – mais 
próxima do teto (de 4,5%) do 
que do centro. Já as medianas 
para os horizontes mais longos 
permaneceram sem mudança: 
3,6%, em 2026, e 3,5% em 2027.
SELIC. A mediana do relatório 
Focus para a taxa básica de 
juros no fim de 2024 se mante-
ve em 11,75% pela quarta se-
mana consecutiva, consoli-
dando a avaliação do merca-
do de que o Comitê de Políti-
ca Monetária (Copom) do BC 
aumentará os juros em 0,5 
ponto porcentual nas duas 
próximas reuniões do colegia-
do – marcadas para 6 de no-
vembro e 11 de dezembro.
A estimativa intermediá-
ria para a Selic no fim de 
2025 permaneceu em 11,25%, 
após duas semanas de alta, 
ainda indicando que a visão 
do mercado é de que o BC 
terá pouco espaço para redu-
zir as taxas no ano que vem, 
em meio a pressões inflacio-
nárias e à distância entre as 
projeções do mercado e a me-
ta oficial que tem de ser atin-
gida pelo BC. l C.C.
Política monetária Premissa Mercado já vê IPCA fora 
da meta, mostra Focus
Alvo
O centro da meta para
a inflação é de 3%, com
margem de tolerância
de 1,5 ponto porcentual
Cenário
A equipe econômica tem 
indicado que vai negociar 
com o presidente Lula
cortes efetivos de despesas
Campos Neto fala em
‘choque fiscal positivo’
para reduzir juros
Presidente do BC
participa de evento 
com investidores em 
Londres; em SP, Tebet 
cobra ‘coragem’ para 
cortar gastos
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
ECONOMIA&NEGÓCIOS B3
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
JOSÉ FUCS
A intenção do presidente Luiz 
Inácio Lula da Silva de voltar a 
usar os grandes fundos de pen-
são de empresas estatais para 
bancar investimentos em 
obras de infraestrutura, em es-
pecial nos projetos PAC (Pro-
grama de Aceleração do Cresci-
mento), como aconteceu em 
governos anteriores do PT, 
tem gerado reações de partici-
pantes das entidades.
Preocupados com uma nova 
onda de interferência política 
na gestão do patrimônio dos 
fundos, que tiveram prejuízos 
bilionários no passado recente 
e em alguns casos precisaram 
promover um aumento signifi-
cativo nas contribuições para 
cobrir as perdas, os participan-
tes lançaram um manifesto di-
gital em que criticam a iniciati-
va do governo e defendem a rea-
lização de investimentos que 
não coloquem em risco o paga-
mento das aposentadorias.
Segundo números divulga-
dos pelo grupo, o manifesto, 
lançado no fim de agosto, obte-
ve quase 25 mil adesões de inte-
grantes da ativa e aposentados 
dos fundos do Banco do Brasil 
(Previ), da Petrobras (Petros), 
da Caixa (Funcef) e dos Cor-
reios (Postalis), cujo patrimô-
nio total alcançava cerca R$ 
510 bilhões no fim de 2023, de 
acordo com dados da Associa-
ção Brasileira das Entidades 
Fechadas de Previdência Com-
plementar (Abrapp).
Embora representem ape-
nas 3,9% dos 630 mil partici-
pantes e assistidos das qua-
tro instituições, as adesões 
ao manifesto, que circulou 
no grupo Fundos de Pensão 
Unidos do Telegram e do 
WhatsApp e foi compartilha-
do nas redes sociais de asso-
ciações independentes de se-
gurados, revelam uma resis-
tência aos planos do governo 
de usar novamente o dinhei-
ro dos trabalhadores para a 
realização de investimentos 
públicos de retorno incerto.
“Os recursos dos fundos de 
pensão são privados. Não são 
recursos públicos à disposição 
do Orçamento da União para 
aplicação em projetos de seu 
interesse. Destinam-se, unica-
mente, ao pagamento de bene-
fícios de aposentadoria com-
plementar concedidos e a con-
ceder”, diz o manifesto, organi-
zado por integrantes dos qua-
tro grandes fundos.
“Os participantes não po-
dem admitir ingerências nos 
seus fundos de pensão, princi-
palmente quando eles são fo-
mentados a praticar atos que 
já se revelaram danosos no pas-
sado”, acrescenta o documen-
to, dirigido a Lula, ao ministro 
da Fazenda, Fernando Had-
dad, e aos presidentes do Con-
selho Nacional de Previdência 
Complementar (CNPC), da 
Superintendência Nacional de 
Previdência Complementar 
(Previc), do Tribunal de Con-
tas da União (TCU), da Con-
troladoria-Geral da União (C-
GU ) e do Conselho Monetário 
Nacional (CMN).
SERVIDORES. Diversas associa-
ções de integrantes dos quatro 
fundos apoiaram o manifesto 
e se colocaram publicamente 
contra a iniciativa do governo, 
como a Apaprevi, entidade que 
defende os interesses dos par-
ticipantes e assistidos do Previ 
e da Cassi (administradora de 
planos de saúde fundada por 
funcionários do Banco do Bra-
sil em 1944), a Federação Na-
cional das Associações do Pes-
soal da Caixa Econômica Fede-
ral (Fenae) e a Associação Vir-
tual dos participantes do Fun-
do de Pensão Petros (AVPP).
Numa outra frente, o movi-
mento contra a iniciativa do 
governo envolve também, 
conforme reportagem publi-
cada pelo Estadão, os partici-
pantes do fundo dos servido-
res federais do Executivo e do 
Legislativo (Funpresp-Exe), 
que lançaram seu próprio 
abaixo-assinado, no qual de-
fendem a criação de uma mo-
dalidade de investimento 
mais conservadora, com apli-
cação exclusiva em títulos pú-
blicos, para “blindar” a ges-
tão do patrimônio contra in-
gerências políticas e reduzir 
riscos de mercado.
Um vídeo sobre o manifes-
to, produzido por Edvaldo Sou-
za, que se apresenta como par-
ticipante da Previ e presidente 
da Apaprevi, divulgado quan-
do o grupo havia conseguido 
cerca de seis mil adesões em 
apenas 24 horas, viralizou nas 
redes sociais e entre funcioná-
rios e aposentados da entida-
de e de outros fundos de pen-
são de estatais.
“Esse manifesto é para mos-
trar a nossa discordância e a 
indignação a respeito da inge-
rência externa que está ocor-
rendo em nossos fundos de 
pensão por parte do governo”, 
afirma Souza, um dos que orga-
nizaram o documento, ao lado 
de participantes do Petros, 
Funcef e do Postalis.
FLEXIBILIZAÇÃO. Souza, que 
não retornou os contatos feitos 
pelo Estadão, cita como exem-
plo no vídeo o caso da Sete Bra-
sil (empresa que forneceria na-
vios-sonda para exploração do 
pré-sal). A Sete entrou com pedi-
do de falência na Justiça em mar-
ço e estava envolvida no 
escândalo dos desvios da Petro-
bras investigados pela Lava Jato. 
Segundo Souza, o Previ in-
vestiu R$ 180 milhões na Sete 
e dez anos depois conseguiu re-
ceber de volta R$ 190 milhões 
(retorno de 5,5% no período), 
graças a um acordo feito com a 
Petrobras. “Se esses recursos 
fossem aplicados em bons ati-
vos, nós poderíamos ter mais 
do que o dobro do que isso em 
dez anos”, diz. 
“Pobres trabalhadores das 
estatais brasileiras que, mais 
uma vez, verão os recursos 
suados de suas aposentado-
rias serem drenados para 
obras sem fim, que frequente-
mente são embargadas e se 
tornam objeto de litígios na 
Justiça”, afirma a economista 
Martha Seillier, ex-diretora 
do Banco Interamericano de 
Desenvolvimento (BID) e ex-
secretária especial do Progra-
ma de Parcerias de Investi-
mentos (PPI) do governo de 
Jair Bolsonaro, ao comentar 
os planos de Lula. l 
Fundos já acumularam 
perdas em operações
Mudanças na chefia de entidades 
reforçam temores de ingerência
l Prejuízo
De 2011 a 2015, durante a admi-
nistração da ex-presidente 
Dilma Rousseff (PT), os maio-
res fundos de pensão das esta-
tais acumularam perdas de 
R$ 113,4 bilhões
l Investigação
O número consta do relatório 
final da Comissão Parlamen-
tar de Inquérito (CPI) que 
investigou, à época, esquemas 
de corrupção nas instituições 
da Caixa Econômica Federal 
(Funcef), dos Correios (Posta-
lis), da Petrobras (Petros) e 
do Banco do Brasil (Previ)
l Rentabilidade
Desse grupo, a Previ foi a úni-
ca que não teve de onerar 
seus contribuintes com valo-
res extras e nem os assisti-
dos com cortes. O fundo ale-
ga, inclusive, que distribuiu 
benefícios extraordinários 
até 2013. Ainda assim, segun-
do relatório da CPI, a renta-
bilidade dasaplicações da 
Previ, entre 2011 e 2015, ficou 
abaixo da meta mínima em 
R$ 68,9 bilhões
l Buraco sem fim
No caso dos Correios, até 
hoje a empresa e seus parti-
cipantes tentam equacionar 
o rombo. Como mostrou o 
“Estadão” em agosto, a esta-
tal se comprometeu a trans-
ferir R$ 7,6 bilhões ao Posta-
lis para cobrir metade do 
déficit do plano. A outra me-
tade será arcada por funcio-
nários, aposentados e pen-
sionistas do fundo. A empre-
sa estatal tem desembolsa-
do R$ 33 milhões por mês, 
desde fevereiro, para socor-
rer o Postalis
Apesar das restrições legais 
criadas no governo Michel Te-
mer (2016-2019) para evitar in-
terferência política nos investi-
mentos dos fundos, mudança 
promovida na cúpula da Previ, 
o fundo de pensão de funcioná-
rios do Banco do Brasil, e a pos-
sível troca de comando no Fun-
dação dos Economiários Fede-
rais (Funcef), da Caixa, reforça-
ram a percepção de que possa 
haver novamente interferência 
política nos fundos de pensão. 
O caso do sindicalista João 
Luiz Fukunaga, que assumiu o 
comando da Previ, maior fun-
do de pensão da América Lati-
na, com mais de R$ 200 bi-
lhões em ativos, depois de ter 
sido afastado duas vezes do 
cargo pela Justiça por não ser 
considerado habilitado para a 
função, é emblemático.
Embora tenha sido conside-
rado apto para o posto pelo Tri-
bunal de Contas da União (T-
CU) e recebido “atestado de 
habilitação” da Superinten-
dência Nacional de Previdên-
cia Complementar (Previc), 
Fukunaga – que foi indicado 
pelo atual governo para a presi-
dência da Previ em fevereiro 
de 2023 – atuava como secretá-
rio de Organização e Suporte 
Administrativo no Sindicato 
dos Bancários de São Paulo. 
Por não atender ao requisito 
de ter três anos de atividade, no 
mínimo, nas áreas financeira, 
administrativa, contábil, jurídi-
ca, atuária, de fiscalização, de 
previdência ou de auditoria, exi-
gido pela legislação para partici-
par da diretoria executiva de 
caixas de previdência, a ascen-
são de Fukunaga gerou preocu-
pação entre os servidores. 
A possível troca do atual pre-
sidente do Funcef, Ricardo Pon-
tes, que trabalha há mais de 30 
anos na Caixa, por Ricardo 
Back, atual chefe de gabinete 
de Alexandre Padilha, ministro 
de Relações Institucionais, é 
outro caso. Conforme informa-
ção publicada pelo site Metró-
poles, a indicação de Back – que 
é formado em jornalismo e 
atuava na XP Investimentos co-
mo sócio e responsável pela 
área de análise política antes de 
trabalhar com Padilha – foi fei-
ta há 15 dias por Haddad ao pre-
sidente da Caixa, Carlos Vieira, 
mas a mudança, para ser confir-
mada, ainda tem de ser aprova-
da pelo conselho do Funcef.
Até agora, porém, segundo 
a nota sobre a questão enviada 
pela assessoria de imprensa do 
fundo ao Estadão, a entidade 
não foi comunicada sobre 
“eventual troca” no comando. 
“O presidente do Funcef, Ri-
cardo Pontes, cujo mandato 
vai até 2027, segue normal-
mente sua rotina de trabalho”, 
diz a nota. l J.F.
NA WEB
!
www.estadao.com.br/
Saiba mais
Assista ao vídeo do presidente 
da Apaprevi, Edvaldo Souza
“Os recursos dos fundos 
de pensão são privados. 
Não são recursos 
públicos à disposição do 
Orçamento da União 
para aplicação em 
projetos de seu interesse”
Trecho do manifesto contra uso 
do dinheiro de fundos de pensão 
em obras do governo
Plano de uso de fundos de pensão em 
obras gera manifesto de servidores 
Documento tem a 
adesão de 25 mil 
funcionários da 
ativa e aposentados 
do serviço público
federal
Previdência Contra interferência política
Indicações
Troca da presidência da 
Previ e tentativa de
alteração no Funcef
acendem sinal de alerta
B4 ECONOMIA&NEGÓCIOS
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
O PRODUTOR
BRASILEIRO NO
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Palestra Magna
O Acordo UE-Mercosul
e outras políticas
relevantes da UE:
Perspectivas para
produtores rurais na
União Europeia e no Brasil
JURGEN TACK
Secretário-geral da
European Landowners’
Organization (ELO)
PRESENÇAS CONFIRMADAS
Alberto Martinhago Vieira
Diretor de Agronegócios
e Agricultura Familiar do
Banco do Brasil
Eduardo Bastos
Presidente do Comitê
de Sustentabilidade
da Abag
Fabio Duarte Stumpf
Vice-presidente
de Agro e Qualidade
da BRF
Franciele Caixeta
Gerente de
Pesquisa e
Desenvolvimento
Agro da General
Mills
Paulo Hora
Superintendente
executivo de
Negócios e
Soluções Rurais
da Brasilseg
Ruy Cunha
CEO da Lavoro
Sueme Mori
Diretora de Relações
Internacionais
da Confederação
da Agricultura e
Pecuária do Brasil
(CNA)
O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS B5
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B6 ECONOMIA&NEGÓCIOS TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
CIRCE BONATELLI
Quem for comprar imóvel no-
vo vai se deparar com preços 
maiores ao longo dos próxi-
mos meses, refletindo a eleva-
ção no custo das obras, afir-
mou ontem o presidente da 
Câmara Brasileira da Indús-
tria da Construção (CBIC), Re-
nato Correia.
“A situação vai gerar o repas-
se de custo maior para o preço 
dos imóveis. Quem for com-
prar a casa própria vai encon-
trar preços maiores. Não tem 
jeito, as empresas têm de pre-
servar as margens (de lucro)”, 
disse, em entrevista após apre-
sentação de dados do setor.
A economista da CBIC, Ieda 
Vasconcelos, apontou uma 
tendência de alta nos custos 
de construção. “O custo de 
construção está acima da infla-
ção do País.”
O Índice Nacional de Custo 
da Construção (INCC) já su-
biu 5,48% nos últimos 12 me-
ses encerrados em setembro, 
enquanto a inflação oficial do 
País, medida pelo Índice Na-
cional de Preços ao Consumi-
dor Amplo (IPCA), avançou 
4,42% no mesmo período.
O setor de construção está 
com demanda aquecida por 
mão de obra, e há falta de traba-
lhadores qualificados, o que ge-
ra elevação nos salários. Com 
isso, o componente “mão de 
obra” dentro do INCC subiu 
7,7% nos últimos 12 meses, 
pressionando os custos.
Além disso, os custos dos 
materiais de construção volta-
ram a subir nos últimos meses, 
configurando tendência de al-
ta, apontou Ieda. Ao longo de 
2023, os materiais vinham mos-
trando deflação, mas a tendên-
cia se reverteu, e esses itens 
passaram a subir rapidamente 
desde março, chegando a 
3,89% nos últimos 12 meses. 
“O custo com material vem re-
gistrando aceleração e volta a 
preocupar o setor constru-
tor”, disse a economista.
Atualmente, as maiores 
preocupações para o empresá-
rio da construção são, nesta or-
dem: carga tributária elevada; 
custo e/ou falta de mão de obra 
qualificada; e taxa de juros ele-
vadas. A economista comen-
tou que o ciclo de alta da Selic, 
iniciado em setembro, tam-
bém passa a pressionar o custo 
do financiamento para o setor. 
“Esses fatores formaram uma 
‘tempestade perfeita’ para o se-
tor da construção.”
DIFICULDADE DE REPASSE. Re-
nato Correia disse também 
que há incorporadoras com di-
ficuldade de encaminhar o 
cliente para o financiamento 
bancário no momento de en-
trega das chaves do imóvel ven-
dido na planta. A situação, se-
gundo ele, decorre da elevação 
dos juros no País e da falta de 
recursos para abastecer os fi-
nanciamentos.
Diante dessa situação, o pre-
sidente da CBIC reiterou o 
pleito para que ocorra a libera-
ção dos depósitos compulsó-
rios dos bancos e o seu direcio-
namento para o crédito imobi-
liário. Essa medida serviria pa-
ra amenizar a situação de aper-
to até um momento mais favo-
rável. O Banco Central (BC), 
entretanto, não tem indicado 
apoio à medida. l 
Empresas pedem redução de 5% no compulsório
Imóvel vai subir de 
preço, prevê setor 
da construção
Segundo a Câmara 
Brasileira da Indústriada Construção, mão de 
obra e materiais
pressionam custos,
que serão repassados
‘Tempestade perfeita’
Economista diz que
falta de trabalhadores,
carga tributária e juros
altos criaram ‘tempestade’
Casa própria Mais cara
O setor da construção solici-
tou a redução de 5% no compul-
sório bancário com o objetivo 
de direcionar o dinheiro para 
os financiamentos de imóveis. 
A sugestão foi encaminhada ao 
Banco Central (BC) pelos re-
presentantes do setor da cons-
trução, entre eles a própria 
Câmara Brasileira da Indústria 
da Construção (CBIC), a Asso-
ciação Brasileira de Incorpora-
doras Imobiliárias (Abrainc), 
o Secovi (que reúne as empre-
sas do setor imobiliário) e o 
Sinduscon (Sindicato da In-
dústria da Construção), no 
ano passado. Ao longo do ano, 
os bancos também aderiram 
ao pedido, sob liderança da As-
sociação Brasileira das Entida-
des de Crédito Imobiliário e 
Poupança (Abecip).
Por trás da demanda está a 
preocupação com os juros al-
tos do crédito imobiliário, que 
inibem lançamentos e vendas.
Os últimos anos foram mar-
cados por perda de recursos 
das cadernetas de poupança – 
fonte de recursos com menor 
custo para o crédito – e a neces-
sidade de utilização de outras 
fontes de mercado pelos ban-
cos, geralmente atreladas ao 
CDI. l C.B.
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
ECONOMIA&NEGÓCIOS B7
O ESTADO DE S. PAULO
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B8 ECONOMIA&NEGÓCIOS TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS
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INÊS 249
BERLIM
A Volkswagen informou aos re-
presentantes dos funcionários 
que pretende fechar pelo me-
nos três fábricas na Alemanha, 
disse ontem a chefe do conse-
lho de trabalhadores da empre-
sa, Daniela Cavallo.
Daniela informou, em uma 
reunião com os trabalhadores 
da Volkswagen na sede da em-
presa, em Wolfsburg, que a ad-
ministração também planeja 
cortes em outros locais e pro-
meteu resistir aos planos, de 
acordo com a agência de notí-
cias alemã dpa. Ela disse que 
“todas as fábricas alemãs da 
VW são afetadas por esses pla-
nos. Nenhuma está segura”.
A empresa ainda não comen-
tou a informação. Mas o dire-
tor de pessoal Gunnar Kilian 
disse em uma declaração ofi-
cial que “o fato é que a situação 
é grave e a responsabilidade 
dos parceiros negociadores é 
enorme”, relatou a dpa.
A Volkswagen havia dito no 
início de setembro que os ven-
tos contrários do setor auto-
mobilístico significavam que 
ela não poderia descartar o fe-
chamento de fábricas em seu 
país de origem, abandonando 
uma promessa de proteção ao 
emprego em vigor desde 1994 
– que teria impedido demis-
sões até 2029. O CEO Oliver 
Blume citou a entrada de no-
vos concorrentes nos merca-
dos europeus, a deterioração 
da posição da Alemanha co-
mo local de fabricação e a ne-
cessidade de “agir de forma 
decisiva”.
“Sem medidas abrangentes 
para restaurar a competitivida-
de, não seremos capazes de ar-
car com investimentos futu-
ros significativos”, disse Ki-
lian, ontem. Ele acrescentou 
que a direção irá se ater ao prin-
cípio de discutir o futuro da 
Volkswagen com seus parcei-
ros negociadores internos pri-
meiro.
As negociações salariais en-
tre a Volkswagen e o sindicato 
devem ser retomadas amanhã.
CONCORRÊNCIA. Os fabrican-
tes de automóveis europeus es-
tão enfrentando uma concor-
rência cada vez maior dos car-
ros elétricos chineses de baixo 
custo. A Volkswagen disse no 
mês passado que os resultados 
semestrais da empresa indica-
vam que ela não atingiria sua 
meta de ¤ 10 bilhões (R$ 61,6 
bilhões) em economia de cus-
tos até 2026.
A Volkswagen tem cerca de 
120 mil funcionários na Alema-
nha, onde possui dez fábricas – 
seis delas no Estado da Baixa 
Saxônia, no norte do país, in-
cluindo Wolfsburg.
O sindicato IG Metall criti-
cou duramente os planos de fe-
chamento informados pela 
VW. “Esperamos que, em vez 
de fantasias de cortes, concei-
tos sustentáveis para o futuro 
sejam delineados pela 
Volkswagen e sua gerência na 
mesa de negociações”, disse o 
líder sindical regional Thors-
ten Gröger. l AP
AVISO DE LICITAÇÃO
Encontra-se aberto nesta Penitenciaria 
de Registro. O PREGÃO ELETRÔNICO 
nº. 90023/2024, processo único 
20241086576, referente à aquisição 
de materiais de consumo comum do 
tipo “Alimentos Estocáveis”. A sessão 
será realizada no dia 08/11/2024 
09h00m, na sala da diretoria do Centro 
Administrativo desta unidade prisional, 
sito a Rodovia Régis Bittencourt, Km 
453 + 75m - Bairro Capinzal, Registro/
SP. Período de Recebimento de 
Proposta de 29/10/2024 a 08/11/2024 
as 08:59:59. O Edital estará à 
disposição no site, www.pncp.gov.br.
Crise reflete estagnação 
da economia alemã
A Comissão de Educação, Cultura e Esportes convida o público interessado para participar da 
Audiência Pública Semipresencial com o objetivo de debater o seguinte tema:
Prestação de Contas da Educação do 3º trimestre de 2024
(Atendendo ao disposto no artigo 209 da Lei Orgânica do Município, que determina que até 30 
(trinta) dias após o encerramento de cada trimestre, o Poder Executivo apresentará relatório 
detalhado contendo informações completas sobre receitas arrecadadas, transferências e recursos 
recebidos e destinados à educação nesse período, bem como a prestação de contas das verbas 
utilizadas discriminadas por programa).
Data: 30/10/2024
Horário: 13h30
Local: Auditório Virtual e Sala Tiradentes - 8º andar - Câmara Municipal de São Paulo.
Endereço: Viaduto Jacareí, 100 - Bela Vista 
Para assistir: Será permitido o acesso do público até o limite de capacidade do auditório. O evento 
será transmitido ao vivo pelo portal da Câmara Municipal de São Paulo, através dos Auditórios 
Online no seguinte endereço: www.saopaulo.sp.leg.br/transparencia/auditorios-online, e pelo 
canal da Câmara Municipal no Youtube www.youtube.com/camarasaopaulo e Facebook 
(www.facebook.com/camarasaopaulo).
Para se manifestar: Inscreva-se para comentar ao vivo por videoconferência através do Portal da 
CMSP na internet, em www.saopaulo.sp.leg.br/audienciaspublicas/inscricoes ou encaminhe 
sua manifestação por escrito em www.saopaulo.sp.leg.br/audienciaspublicas. Também serão 
permitidas inscrições para discurso do público presente no auditório.
Para maiores informações: educ@saopaulo.sp.leg.br
COMISSÃO DE EDUCAÇÃO, CULTURA 
E ESPORTES
AVISO DE ABERTURA DE LICITAÇÃO
Encontra-se aberto na Penitenciária Feminina 
“Sandra Aparecida Lario Vianna” de Pirajuí, 
Pregão Eletrônico n.º 90012/2024-PFP, Processo 
SEI nº 006.00379166/2024-72 (20241065351), 
destinado à aquisição de Gêneros Alimentícios 
Perecíveis, com entrega parcelada, para o 
período de novembro a dezembro de 2024, do 
tipo menor preço. A realização da sessão será 
no dia 11/11/2024, às 09h00, no endereço 
eletrônico www.comprasnet.gov.br. O Edital 
estará disponível em sua integra para leitura e 
impressão no correio eletrônico: www.gov.br/
pncp, seção CONTRATAÇÕES > EDITAIS E 
AVISOS DE CONTRATAÇÕES, podendo ainda 
ser consultado junto a Penitenciária Feminina 
“Sandra Aparecida Lário Vianna” de Pirajuí, 
através do telefone: (14) 3584-8200: ramal 1 ou 
email: financaspfpirajui@gmail.com
AVISO DE LICITAÇÃO
Encontra-se aberto nesta Penitenciaria 
de Registro. O PREGÃO ELETRÔNICO 
nº. 90015/2024, processo único 
20240874313, referente à aquisição de 
Bens Permanentes do tipo “Equipamentos 
para Cozinha Industrial”. A sessão 
será realizada no dia 08/11/2024 as 
09h00m, na sala da diretoria do Centro 
Administrativo desta unidade prisional, 
sito a Rodovia Régis Bittencourt, Km 453 
+ 75m - Bairro Capinzal, Registro/SP. 
Período de Recebimento de Proposta de 
29/10/2024 a 08/11/2024 as 08:59:59. O 
Edital estará à disposição no site, www.
pncp.gov.br. 
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PREFEITURA MUNICIPAL DE COSMÓPOLIS
A Prefeitura Municipal de Cosmópolis comunica a abertura do Processo Administrati-
vo nº 001/2.024, objetivando a aplicação de penalidades e a rescisão unilateral do Ter-
mo de Contrato LT nº 023/2024, fi rmado entre a empresa Mega Empresas LTDA e o Município 
de Cosmópolis, em regular processo licitatório – Concorrência Pública nº 011/2023 para 
execução dos serviços de reforma da Rodoviária e revitalização da Praça das Paineiras, Praça 
Ulysses Guimarães e Praça Edmee Aparecida Garcia, com fornecimento de materiais, mão de 
obra e equipamentos, em conformidade com os anexos contratuais, com infração ao artigo 
78, inciso II, III, IV, V e VII, todos da Lei nº 8.666/93 – Lei de Licitações e Contratos Administra-
tivos, fi cando assegurado a contratada o direito ao contraditório e ampla defesa, na forma da 
lei, estando a disposição dos interessados. 
Cosmópolis, 25 de outubro de 2024. Antonio Claudio Felisbino Júnior - Prefeito Municipal.
l Apitos e tambores
No mês passado, antes da pri-
meira rodada de negociações 
salariais com os líderes da em-
presa, milhares de trabalhado-
res da Volkswagen sopraram 
apitos e tocaram tambores, 
prometendo defender os 120 
mil empregos em seis fábricas 
na Alemanha e exigindo um 
aumento salarial de 7%
l Números
A mídia alemã informou que 
até 30 mil empregos pode-
riam ser perdidos – número 
que a empresa até agora se 
recusou a confirmar. Essa me-
dida não seria sem preceden-
tes. A empresa demitiu mais 
de 37 mil trabalhadores entre 
1971 e 1975, medida que ela 
credita à recuperação da lucra-
tividade na época
l Contração
No início do mês, o governo 
alemão disse que a economia 
teria uma contração de 0,2% 
em 2024, abaixo da projeção 
anterior de crescimento de 
0,3%. O setor industrial, que 
não conseguiu se recuperar 
dos choques da pandemia de 
covid-19 e da invasão da 
Ucrânia pela Rússia em 2022, 
está puxando a produção para 
baixo. A economia do país é 
dependente da indústria auto-
mobilística, e a Volkswagen é 
mais importante do setor na 
Alemanha
l Maior do mundo
A Volkswagen foi a maior 
montadora do mundo em ven-
das entre 2016 e 2019, apesar 
de um escândalo de fraude 
em testes de emissões na Eu-
ropa e nos EUA, que custou à 
empresa mais de ¤ 31 bilhões, 
ou R$ 191 bilhões, na cotação 
atual
Volkswagen planeja 
fechar 3 fábricas na 
Alemanha para
reduzir custos
Segundo representante 
dos funcionários,
empresa também
pretende realizar outros 
cortes; montadora tem 
10 fábricas no país
Automóveis Momento ruim
ESTE CONTEÚDO FOI TRADUZIDO COM O 
AUXÍLIO DE FERRAMENTAS DE INTELIGÊNCIA 
ARTIFICIAL E REVISADO POR NOSSA EQUIPE 
EDITORIAL.
!O peso da VW
B10 ECONOMIA&NEGÓCIOS
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
AVISO DE ABERTURA DE LICITAÇÕES
A SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE torna público as licitações abaixo. Os pregões serão realizados pela 
plataforma COMPRAS.GOV. Os editais poderão ser consultados e/ou obtidos pelo WWW.COMPRAS.GOV.BR ou pelo 
Painel de Negócios da PMSP, endereço https://diariooficial.prefeitura.sp.gov.br/.
PROCESSO: 6018.2024/0108999-5 - PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90871/2024-SMS.G
Tipo menor preço - Objeto: registro de preços para o fornecimento de cimento de fosfato de zinco, pó e 
líquido, cone de guta percha conicidade.06 calibre 35 - 28 mm e instrumentos rotatórios em níquel titânio 
p/desobstrução de canais radiculares - 16 a 25 mm. A abertura/realização da sessão pública do pregão ocorrerá a 
partir das 9h, do dia 08 de novembro de 2024, a cargo da 8ª CPL/SMS.
PROCESSO: 6018.2024/0055508-9 - PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90873/2024-SMS.G
Tipo menor preço - Objeto: registro de preços para o fornecimento de filtro para incubadora 60 cm e filtro para 
incubadora 27 cm. A abertura/realização da sessão pública do pregão ocorrerá a partir das 9h, do dia 08 de 
novembro de 2024, a cargo da 4ª CPL/SMS.
PROCESSO: 6018.2024/0109801-3 - PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90876/2024-SMS.G
Tipo menor preço - Objeto: registro de preços para o fornecimento de medicamentos ação judicial - alogliptina 
25 mg, metformina, cloridrato, 500 mg e pioglitazona cloridrato 15 e 30 mg. A abertura/realização da sessão 
pública do pregão ocorrerá a partir das 09h00, do dia 11 de novembro de 2024, a cargo da 1ª CPL/SMS.
SAÚDE
EDITAL DE CONVOCAÇÃO 
ASSEMBLEIAS GERAIS ORDINÁRIA E EXTRAORDINÁRIA 
A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA CLASSE HPE25 (a “ABCHPE”) convoca os Srs. Associados a se 
reunirem em Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária, a ser realizada por meio exclusivamente 
eletrônico, no dia 19 de novembro de 2024, às 19 horas em primeira convocação ou às 19 horas e 
30 minutos em segunda convocação, por meio do aplicativo Microsoft Teams, conforme o seguinte 
link de acesso meet.google.com/qjg-qzru-fza, a fim de deliberarem sobre a seguinte Ordem do Dia: 
Matérias de AGO: 
1) Verificação e Deliberação sobre as contas da administração relativas ao exercício de 2023 e 
relativas ao exercício de 2024, até 30 de setembro; 2) Eleição dos Membros do Conselho Fiscal e 
respectivos suplentes para 2025, com mandado de 3 (três) anos, até a Assembleia Geral que vier a 
eleger os novos membros no final do exercício de 2027; 
Matérias de AGE: 
1) Valor da anuidade para 2025; 2) Pauta do Comitê Técnico; 3) Definição dos locais e datas dos 
Campeonatos Brasileiros da Classe HPE de 2025 e 2026; 4) Proposta Reforma Estatuto, conforme 
minuta enviada com esta convocação, com as seguintes finalidades: inclusão dos conceitos de 
Fairplay e equidade como valores essenciais da Associação, criação do conselho consultivo (órgão 
de aconselhamento da Diretoria), detalhamento da natureza do comitê técnico, detalhamento das 
regras de representação nas Assembleias Gerais, previsão expressa do impedimento de voto em 
conflito de interesses; 5) Outros assuntos de interesse da ABCHPE. 
Poderão votar na Assembleia apenas os Associados que estiverem adimplentes com suas 
obrigações perante a ABCHPE. As votações serão por barco, ou seja, para os barcos com mais de 
um proprietário, apenas um voto será computado. 
ANEXO 1 – DRE 2023. ANEXO 2 – DRE 2024. ANEXO 3 – RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO. 
ANEXO 4 – PARECER DO CONSELHO FISCAL. ANEXO 5 – MINUTA DO ESTATUTO SOCIAL COM 
AS PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO. 
São Paulo, 28 de outubro de 2024. A DIRETORIA DA ABCHPE 
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA USP
CNPJ Nº 63.025.530/0085-12
AVISO DE LICITAÇÃO
PREGÃO ELETRÔNICO N°: 90209/2024 - HU
PROCESSO SEI Nº 154.00005481/2024-90
Torna publico o PREGÃO ELETRÔNICO nº 90209/2024 – HU, menor preço, cujo
objeto é REAGENTE ADENOSINA ADA conforme Edital e seus Anexos disponíveis a
partir do dia 29/10/2024, nos endereços: www.gov.br/compras, www.usp.br/licitacoes
e www.doe.sp.gov.br. O inicio do Recebimento das Propostas Eletrônicas ocorrerá
dia 29/10/2024 a partir das 08h00, estando à sessão de disputa agendada para o dia
12/11/2024 às 09h00, no “Portal de Compras do Governo Federal” - www.gov.br/compras.
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CETESB
COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
CNPJ43.776.491/0001-70
PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90053/2024 - UASG 263101 
PROCESSO CETESB Nº 50/2024/308
A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público 
que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu 
Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF 
nº 14.133/21, visando fornecimento de refrigerador com freezer para laboratório, 
com compartimentos independentes com capacidade mínima de 120 litros, 
conforme especificação técnica e demais condições constantes deste Edital e 
seus anexos.
Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ 
acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”.
Início da abertura da sessão pública: 22/11/2024 às 09:00h.
A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do 
Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br.
Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br.
CETESB
COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
CNPJ 43.776.491/0001-70
PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90051/2024 - UASG 263101 
PROCESSO CETESB Nº 51/2024/308
A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público 
que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu 
Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF 
nº 14.133/21, visando fornecimento de microscópio ótico trinocular, conforme 
especificação técnica e demais condições constantes deste Edital e seus 
anexos.
Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ 
acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”.
Início da abertura da sessão pública: 13/11/2024 às 09:00h.
A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do 
Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br.
Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br.
CETESB
COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
CNPJ 43.776.491/0001-70
PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90036/2024 - UASG 263101 
PROCESSO CETESB Nº 30/2024/308
A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público 
que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu 
Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF 
nº 14.133/21, visando fornecimento de medidor multiparâmetro portátil de 
pequeno porte, conforme especificação técnica e demais condições constantes 
deste Edital e seus anexos.
Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ 
acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”.
Início da abertura da sessão pública: 18/11/2024 às 09:00h.
A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do 
Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br.
Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br.
CETESB
COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
CNPJ 43.776.491/0001-70
PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90049/2024 - UASG 263101 
PROCESSO CETESB Nº 42/2024/308
A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público 
que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu 
Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF 
nº 14.133/21, visando fornecimento de motor diesel para ônibus urbano, conforme 
especificação técnica e demais condições constantes deste Edital e seus anexos.
Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ 
acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”.
Início da abertura da sessão pública: 13/11/2024 às 09:00h.
A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do 
Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br.
Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br.
CETESB
COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
CNPJ 43.776.491/0001-70
PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90044/2024 - UASG 263101 
PROCESSO CETESB Nº 47/2024/308
A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público 
que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu 
Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF 
nº 14.133/21, visando fornecimento de analisador extrativo de amônia (NH3) pelo 
método TDLS e sistema de automação da amostragem, conforme especificação 
técnica e demais condições constantes deste Edital e seus anexos.
Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ 
acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”.
Início da abertura da sessão pública: 18/11/2024 às 09:00h.
A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do 
Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br.
Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br.
CETESB
COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
CNPJ 43.776.491/0001-70
PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90054/2024 - UASG 263101 
PROCESSO CETESB Nº 49/2024/308
A CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO torna público 
que realizará Pregão Eletrônico em conformidade com a LF nº 13.303/16, seu 
Regulamento Interno de Licitações e subsidiariamente com o Art. 28, Inc. I da LF 
nº 14.133/21, visando fornecimento de drones, conforme especificação técnica e 
demais condições constantes deste Edital e seus anexos.
Endereços para consulta do edital: www.gov.br/compras, www.cetesb.sp.gov.br/ 
acontece/licitações e contratos, www.doe.sp.gov.br - opção “enegociospublicos”.
Início da abertura da sessão pública: 19/11/2024 às 09:00h.
A Sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada por meio do 
Sistema COMPRAS.GOV.BR; www.gov.br/compras/pt-br.
Dúvidas/esclarecimentos deverão ser encaminhados pelo e-mail: comprasgov_cetesb@sp.gov.br.
AVISO DE ABERTURA DE LICITAÇÃO
Concorrência Eletrônica nº 90011/SUB-IP/2024 - Processo Eletrônico nº 6039.2024/0004945-5 - Critério de julgamento: 
MENOR PREÇO - OBJETO: contratação de empresa de engenharia e arquitetura especializada em reforma de 
passeio e escada, de área pública - Av. Miguel Estéfano, 1584 - Vila da Saúde, São Paulo, área sob a jurisdição 
da Subprefeitura Ipiranga.
LOCAL: https://www.gov.br/compras/pt-br/ - UASG nº 925075 - DATA E HORA DE ABERTURA: 14/11/2024 às 10:00h 
- Documentação/Download do edital: https://diariooficial.prefeitura.sp.gov.br/ , https://www.gov.br/compras/pt-br/ e 
https://www.gov.br/pncp/pt-br.
SUBPREFEITURA 
IPIRANGA
COOPERATIVA HABITACIONAL CHAPADÃO
CNPJ: 67.592.238/0001-24 JUCESP: 354.000.509-34
EDITAL DE CONVOCAÇÃO 
De acordo com que prescreve o Estatuto Social no seu capítulo V, Artigos 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 
27, 28 - V, seus incisos e parágrafos, ficam convocados os Srs. e Sras. Cooperados(as) para 
deliberarem sobre os assuntos constantes da Ordem do Dia da AGE de 10 de novembro 2024 abaixo 
descrita: Ordem do Dia: (Lei nº 5764/71 – Capítulo IX – Seção III – Artigos 45 e 46 – Itens I, II, III, IV, V)
a) Apresentação da situação do: 1 - IPTU Atual, 2- IPTU ano 2016 Retroativo e Complementar, 3- IPTU 
ano 2017. Ciência e conduta. b) Referendo AGE janeiro 2024- Ratificação ou Invalidação da 
Deliberação sobre a Rescisão do Contrato com a Digiproj na AGE de Janeiro de 2024. Conforme 
esclarecimentos à luz dos fatos. c) Deliberação do pedido de Instauração do Processo de: 
Regularização Fundiária Urbana de Interesse Específico – REURB-E. d) Destinação e sua forma das 
cotas referentes às unidades reintegradas à Cooperativa, nos termos do Estatuto Social Artigo 28º, V § 
1º - Alienação dos bens imóveis da Cooperativa Habitacional Chapadão com quórum de instalação em 
3ª convocação com 1/5 das cotas e seu quórum de aprovação de ¾ dos presentes. IBS: IB-136; IB-469; 
IB - 626; IB-120; IB-517; IB-619; IB-529; IB-636.
 - Data: 10 de novembro de 2024 (Domingo)- Horário: 08h em primeira (1ª) Convocação
Local: Sede da Cooperativa – Residencial Ibirapuera – Rua do Sol, 148 - Barão Geraldo– 
Campinas, SP. Cep 13148 260
Campinas, 21 de outubro de 2024.
 MARCIO APARECIDO FERREIRA - Diretor Presidente
COOPERATIVA HABITACIONAL CHAPADÃO 
O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS B11
INÊS 249
Com equipe
falsa, portal 
promete
retorno de 
1.000% ao ano
AVALIAÇÃO DE 
MERCADO
www.embraesp.com.br
(11)
 
3665-1590
JENNE ANDRADE
E-INVESTIDOR
Jan Brzezek é o fundador e ex-
CEO da Crypto Finance Group, 
uma gestora suíça de investi-
mento em criptoativos. Antes 
de criar a holding, trabalhou oi-
to anos no banco UBS, onde foi 
trader. O seu perfil, porém, tem 
sido usado como um fator de 
credibilidade na BeeFund, uma 
plataforma que promete rendi-
mento superior a 1.000% ao 
ano com investimentos em crip-
tomoedas – algo irreal, até mes-
mo pelos negociadores mais ex-
perientes do mercado.
No site da BeeFund, Brzezek é 
apresentado como “líder do fun-
do de criptomoedas” ao lado de 
uma equipe com outros grandes 
nomes do mercado suíço, como 
os investidores Tobias Reichmu-
th, fundador da gestora de fun-
dos de infraestrutura SUSI Part-
ners, com 2 bilhões de euros sob 
gestão, e Marc P. Bernegger, em-
preendedor do setor de tecnolo-
gia que já foi membro do conse-
lho da Crypto Finance Group.
Contudo, Brzezek já confir-
mou em seu perfil oficial no 
LinkedIn, em mais de uma oca-
sião, que não tem qualquer liga-
ção com a BeeFund. “Isso é fal-
so, não estou envolvido”, disse 
ele, ao ser questionado na rede 
social por um usuário. Brzezek 
não retornou ao contato da re-
portagem. Já Bernegger disse ao 
E-Investidor de forma categóri-
ca: “Eu não estou envolvido com 
esse fundo e tudo isso é falso. 
Por favor, informe seus leitores 
sobre esse golpe”. Sobre a plata-
forma, foi enfático: “Muito pro-
vavelmente, é uma farsa”.
Apesar disso, no Telegram o 
número de usuários e interessa-
dos na BeeFund chega a 177,7 
mil membros no grupo princi-
pal. Por outro lado, até a última 
sexta-feira a plataforma tinha 
1.091 queixas registradas no Re-
clame Aqui, principalmente re-
lacionadas a problemas com sa-
ques e depósitos.
O E-Investidor também não 
encontrou porta-vozes da Bee-
Fund. A companhia não divulga 
dados institucionais oficiais, 
nem e-mail e telefone, nem qual-
quer indicação dos sócios que 
estão por trás do negócio. Den-
tro do aplicativo, há apenas um 
link que direciona para o What-
sApp e o Telegram de “gerentes 
de investimento” da BeeFund, 
mas com ocultação dos núme-
ros associados às contas e de fo-
tos do perfil. A reportagem ten-
tou comunicação com esses “ge-
rentes”, sem sucesso. 
‘GANHOS SURREAIS’. O E-Investi-
dor encontrou, porém, dois sites 
supostamente vinculados à Bee-
Fund, ambos muito parecidos. O 
primeiro, que tem mais de um 
ano de registro, oferece três pla-
nos de investimento. Todos com 
rendimentos altíssimos, mas 
com informações ambíguas – 
produtos “para novatos”, “hot” e 
“alta qualidade” com rentabilida-
des de 4,22%o, 8,55%o e 12,75%o 
ao dia, respectivamente.
O “o” ao lado do símbolo da 
porcentagem não vem de um er-
ro de digitação. Significa permi-
lagem, ou seja, os rendimentos 
diários seriam na verdade de 
0,422%, 0,855% e 1,275% ao dia. 
Isso quer dizer 13,4%, 30% e 46% 
ao mês ou 352%, 2.229% e 
9.280% ao ano. “Mesmo no Bra-
sil, que tem uma taxa de juros 
altíssima, esses rendimentos 
continuam surrealistas”, diz Ma-
rio Goulart, analista CNPI-P. 
Para comparação, o Tesouro 
Selic, ativo considerado um dos 
mais seguros do mercado, rende 
10,75% ao ano. Já o bitcoin 
(BTC), voltado para um público 
com perfil mais agressivo, rendeu 
171% em 1 ano (8,66% ao mês).
O segundo site, registrado há 
apenas duas semanas, apresen-
ta as rentabilidades de 4,2%, 
8,55% e 12,75% ao dia. Ali, há a 
clara intenção de direcionar a 
pessoa para grupos no Tele-
gram para mostrar novidades 
da plataforma.
SEM REGISTRO. Chama a atenção 
também o fato de a BeeFund não 
estar entre as instituições autori-
zadas, reguladas ou supervisio-
nadas pelo Banco Central, o que 
significa que a plataforma não 
tem registro institucional no ór-
gão regulador brasileiro. Cristi-
na Helena de Mello, professora 
de Economia da Pontifícia Uni-
versidade Católica de São Paulo 
(PUC-SP), observa que, mais do 
que os retornos extravagantes, a 
falta de chancela do BC é uma 
“bandeira vermelha” para qual-
quer investidor. “Todo serviço fi-
nanceiro que não esteja sob a re-
gulamentação do BC é um inves-
timento de risco, porque não há 
a segurança de uma supervisão e 
não está sob regulamentação”, 
diz. “O segundo indicador é a 
promessa de ganhos excessivos. 
Não existe dinheiro fácil.”
A BeeFund também não tem 
registro na Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM). “É muito 
importante confirmar essa infor-
mação consultando o registro 
da instituição no site da CVM”, 
ressalta Rodrigo Azevedo, eco-
nomista, planejador financeiro 
e sócio-fundador da GT Capital. 
“Não havendo essa informação 
lá, já é um grande sinal de que a 
empresa não é segura.”
A BeeFund tem ainda um apli-
cativo em que, supostamente, é 
possível selecionar um opera-
dor profissional para aplicar o ca-
pital dos interessados. Esses tra-
ders têm nomes inspirados em 
profissionais do mercado, como 
“Anne Richards”, vice-presiden-
te da gestora Fidelity Internatio-
nal. Procurada, a Fidelity diz que 
a executiva não tem qualquer li-
gação com a BeeFund. “Esta-
mos tomando medidas para re-
mover qualquer referência a An-
ne ou à Fidelity International. 
Aconselhamos os investidores a 
ter extrema cautela para evitar 
serem vítimas de um golpe”, dis-
se a gestora à reportagem.
PROBLEMAS DE LIQUIDEZ. Um 
promotor de vendas que não 
quis se identificar contou ao E-
Investidor que conheceu a plata-
forma há cerca de dois meses e 
aplicou R$ 10 mil. Em 30 dias, o 
valor dobrou e ele continuou 
contabilizando lucros e aportan-
do mais. No entanto, em 9 de 
outubro começaram os proble-
mas, e os usuários não consegui-
ram mais resgatar valores do 
aplicativo. “Eles colocaram a cul-
pa no governo e mudanças no 
Pix. Agora, o dinheiro voltou pa-
ra o aplicativo, mas continua pre-
so e sem poder sacar”, relatou.
Em um anúncio publicado 
dentro do aplicativo da Bee-
Fund, a plataforma afirma que 
o governo e os bancos estão in-
tensificando a “verificação e 
conformidade” de todas as em-
presas, e que também precisa 
cooperar. “Por isso, cada reti-
rada precisa ser aprovada indi-
vidualmente pelos bancos, o 
que pode resultar em um tem-
po de processamento mais len-
to. Assim que o período de 
adaptação passar, tudo voltará 
ao normal. Não se preocu-
pem”, diz a plataforma.
No dia 18, um novo anúncio 
feito pela BeeFund surpreen-
deu os usuários. Avisava que, 
devido a problemas no “pro-
cessamento do sistema bancá-
rio”, valores alocados pelos in-
vestidores seriam convertidos 
em criptomoeda, a “BEEB 
2.0”, na proporção de 1 para 1. 
E que esses ativos serão lista-
dos em uma “Bolsa de renome 
internacional”. E que os sa-
ques serão liberados a partir 
de 1.º de novembro.l COLABOROU 
JANIZE COLAÇO/E-INVESTIDOR
Especialistas veem indícios de ‘esquema fraudulento’
Tela da BeeFund com as modalidades e rendimentos das aplicações
Há vários sinais na conduta 
da BeeFund que indicam pro-
blemas, na avaliação de espe-
cialistas. A começar pela pro-
messa de rendimentos altos, 
rápidos e fáceis. Depois, vêm 
a falta de regulação pelo Ban-
co Central e a dificuldade de en-
contrar representantes oficiais 
no Brasil. “Empresas confiáveis 
seguem legislações e regras do 
mercado financeiro, se enqua-
drando nas normas do Sistema 
Financeiro Nacional e oferecen-
do produtos registrados e com 
retornos condizentes com o 
mercado financeiro tradicional. 
Sem prometer ganhoscandidato que os criminosos 
orientavam a votar, Tarcísio disse: 
“Boulos”. Ao fazê-lo, imiscuiu-se de 
vez no processo eleitoral e abusou de 
sua prerrogativas de governador, que, 
ao contrário de Boulos e dos demais 
cidadãos, tem acesso às mencionadas 
informações de inteligência e tem holo-
fotes garantidos em razão do cargo que 
ocupa.
E não havia necessidade nenhuma 
disso. Àquela altura, os danos eleito-
rais ao candidato do PSOL seriam nu-
los, posto que a derrota parecia certa. A 
campanha de Boulos, claro, se apres-
sou a comparar a declaração do gover-
nador ao laudo fraudulento divulgado 
pelo extremista Pablo Marçal ao fim do 
primeiro turno, para retratá-lo como 
um drogado, e fez o óbvio: recorreu à 
Justiça. Há quem peça até a inelegibili-
dade do governador ou tente creditar à 
insinuação de Tarcísio a derrota frago-
rosa imposta a Boulos. 
É imprescindível agora que o gover-
nador explique o que, afinal, preten-
deu com a declaração, sob pena de ma-
cular seu próprio triunfo político. Afi-
nal, ele foi determinante para a reelei-
ção de Nunes, sem precisar de artifí-
cios que, na prática, desrespeitam o 
eleitor e a democracia. Ao contrário da 
toxicidade de Jair Bolsonaro, o apoio 
de Tarcísio mostrou o quanto a direita 
não depende mais da associação ex-
plícita à figura do ex-presidente. E des-
sa independência emerge a vitalidade 
de uma desejável direita democrática, 
liberal e republicana. Atributos que, 
ora vejam, são o avesso da gravíssima 
derrapada do governador. l
Isso não se faz, 
governador
Ao ligar Boulos ao PCC no dia da eleição, Tarcisio seguiu a
cartilha da desfaçatez bolsonarista. Numa democracia, é preciso
respeitar a liturgia do cargo, o processo eleitoral e os adversários
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 A3
INÊS 249
Oportunidades para a
indústria brasileira
ESPAÇO ABERTO
A
s recentes celebra-
ções pelo aniversá-
rio de 55 anos da 
Empresa Brasilei-
ra de Aeronaves 
(Embraer) contribuíram para 
reflexões sobre a importância 
da visão de longo prazo do Es-
tado brasileiro para o desen-
volvimento de uma indústria 
aeroespacial e de defesa estra-
tégica, sobretudo para a sobe-
rania nacional.
As bases sólidas de ensino 
e pesquisa construídas ainda 
nos anos de 1940 foram essen-
ciais para a estruturação e de-
senvolvimento do setor. Com 
a privatização da Embraer, 
em 1994, a cultura da excelên-
cia técnica ganhou a agilidade 
e flexibilidade necessárias pa-
ra a empresa atuar em um mer-
cado global cada vez mais 
competitivo.
Assim, a excelência do País 
nessa área é reflexo dos esfor-
ços conjuntos do poder públi-
co e da iniciativa privada, que 
realizaram uma colaboração 
de alto valor para a sociedade 
ao fortalecer a vocação do Bra-
sil de ser um dos maiores cen-
tros globais de produção de 
conhecimento aeronáutico, 
dando continuidade ao lega-
do de personalidades notá-
veis como Alberto Santos-Du-
mont, Casimiro Montenegro 
Filho e Ozires Silva.
Por meio de uma política 
pública bem-sucedida, a in-
dústria aeronáutica brasileira 
garante, por exemplo, igualda-
de de condições de financia-
mento na exportação, e o País 
assegura uma balança comer-
cial mais equilibrada, ao mes-
mo tempo em que incentiva 
projetos de inovação e gera-
ção de alta tecnologia.
Mas o caso da Embraer não 
é isolado. Outros setores es-
tratégicos, como agronegó-
cio, comunicação, siderurgia, 
mineração, energia e petró-
leo, nas suas mais diversas for-
mas e proporções, igualmen-
te cresceram apoiados por po-
líticas públicas que incentiva-
ram investimentos estatal e 
privado, comprovando a capa-
cidade desse método de multi-
plicar riquezas.
Em comum, está o passado 
como referência para os proje-
tos do futuro. A criatividade e 
o empreendedorismo dos bra-
sileiros somados a uma políti-
ca pública de neoindustriali-
zação têm alto potencial de re-
verter o quadro de redução da 
participação da indústria no 
Produto Interno Bruto (PIB) 
do País. O fomento à produti-
vidade é fundamental para 
mudar essa situação e elevar o 
patamar de competitividade 
do Brasil.
Além da reforma tributária, 
a qual apoiamos e acreditamos 
que tem o potencial para mu-
dar o complexo sistema tribu-
tário brasileiro para menor bu-
rocracia e em linha com os pa-
drões internacionais, o Brasil 
avança em políticas públicas 
para promoção da neoindus-
trialização e da agenda verde.
No setor aeronáutico, foi 
lançada no início deste ano, 
no âmbito do Programa Mais 
Inovação Brasil, a chamada 
pública para a aviação susten-
tável, com objetivo de desen-
volver tecnologias para a des-
carbonização do transporte 
aéreo. E, mais recentemente, 
foi anunciada a abertura de 
chamada pública destinada à 
seleção de planos de negócios 
para o desenvolvimento e im-
plantação de biorrefinarias pa-
ra produção de combustíveis 
sustentáveis, incluindo o com-
bustível sustentável de avia-
ção (SAF) e combustíveis pa-
ra navegação. E quais serão os 
próximos passos?
O Brasil tem recursos ne-
cessários para iniciar um no-
vo ciclo de desenvolvimento 
econômico e social, seja na 
produção de biocombustí-
veis, seja na mobilidade aérea. 
E a união desses dois setores 
tem alto potencial de sucesso 
em uma atuação conjunta.
Da mesma maneira que bra-
sileiros visionários imagina-
vam que era possível o País 
construir seus próprios 
aviões, também é possível li-
derar a corrida global da tran-
sição energética e da econo-
mia verde, que potencializa a 
retomada de investimentos 
em centros de pesquisa, com-
plexos industriais e produtos 
que atendam a esse objetivo. 
O protagonismo brasileiro 
se apoia na necessidade de 
uma ampla articulação de to-
dos os setores da economia, 
governos e entidades, em 
uma discussão multissetorial, 
que engaja os diversos atores 
da cadeia a desenvolver um 
plano integrado que tange o 
fomento à produtividade, pes-
quisa, desenvolvimento, fi-
nanciamento, novas regula-
mentações, entre outros.
Mas sabemos dos riscos e 
ameaças vigentes que nos le-
vam a ampliar o debate para 
além das nossas fronteiras. A 
liderança do Brasil na cúpula 
do G-20 neste ano precisa tra-
zer ações efetivas para promo-
ver o comércio e os investi-
mentos internacionais, te-
mas que desempenham pa-
péis cruciais no impulsiona-
mento do desenvolvimento 
econômico e na concretiza-
ção dos Objetivos de Desen-
volvimento Sustentável, que 
impactam na geração de opor-
tunidades para a indústria 
brasileira.
Recomendações e ações 
de políticas públicas para 
contribuir com as negocia-
ções dos líderes mundiais já 
foram entregues, e vamos 
continuar trabalhando forte-
mente para que o Brasil se 
mantenha como um ator glo-
bal no comércio exterior e 
que ocupa a linha de frente 
das discussões com interes-
se no fortalecimento da go-
vernança global do comércio 
e dos investimentos.
O Brasil deve aproveitar 
oportunidades como o G-20 
em 2024 e o Brics e a COP-30 
em 2025 para reforçar sua lide-
rança em agendas internacio-
nais e mostrar toda a competi-
tividade e casos de sucesso da 
nossa indústria. l
Eleições 2024
Abstenções
No 2.º turno da eleição para pre-
feito em São Paulo viu-se um au-
mento considerável do número 
de votos nulos/brancos e absten-
ções. No 1.º turno as abstenções 
foram de 27,3%, um número 
grande de eleitores que conside-
raram que os candidatos não os 
representavam. No domingo 
passado, a abstenção aumentou 
e ficou em 31,54%. Acho que deve-
mos pensar muito a respeito. Se-
rá que nossos interesses de segu-
rança, educação e saúde estão 
sendo atingidos ou apenas ma-
quiados para nos enganar e nos 
fazer pensar que tudo vai melho-
rar? Que partido de fato nos re-
presenta hoje? Registrados no 
Tribunal Superior Eleitoral (T-
SE) são ao todo 29. Seráfixos aci-
ma do praticado pelo mercado e 
sempre apresentando os riscos 
de cada aplicação”, diz Eric Zap-
paroli, educador financeiro e es-
pecialista em investimentos. 
“São grandes indicativos de 
que pode se tratar de esquema 
fraudulento”, diz Marlon Gla-
ciano, especialista em finan-
ças. O E-Investidor não encon-
trou porta-vozes da BeeFund 
nem conseguiu falar com seus 
“gerentes de investimento”. l
ESTADÃO
Plataforma BeeFund não tem 
autorização do Banco Central nem 
registro na CVM; dinheiro dos clientes 
foi todo convertido em criptomoeda
Investimentos Ganhos surreais 
“Eu não estou envolvido 
com esse fundo 
(BeeFund) e tudo isso é 
falso”
Jan Brzezek
Fundador e ex-CEO da 
Crypto Finance Group
“Mesmo no Brasil, que 
tem juros altíssimos, 
esses rendimentos (da 
BeeFund) são 
surrealistas”
Mario Goulart
Analista CNPI-P
B12
NEGÓCIOS
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA USP
CNPJ Nº 63.025.530/0085-12
AVISO DE LICITAÇÃO
PREGÃO ELETRÔNICO N°: 90204/2024 - HU
PROCESSO SEI Nº 154.00005363/2024-81
Torna publico o PREGÃO ELETRÔNICO nº 90204/2024 – HU, menor preço, cujo objeto é
CAMISETA BRANCA, CAMISOLA E AVENTAL conforme Edital e seus Anexos disponíveis
a partir do dia 29/10/2024, nos endereços: www.gov.br/compras, www.usp.br/licitacoes
e www.doe.sp.gov.br. O inicio do Recebimento das Propostas Eletrônicas ocorrerá
dia 29/10/2024 a partir das 08h00, estando à sessão de disputa agendada para o dia
12/11/2024 às 09h00, no “Portal de Compras do Governo Federal” - www.gov.br/compras.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA USP
CNPJ Nº 63.025.530/0085-12
AVISO DE LICITAÇÃO
PREGÃO ELETRÔNICO N°: 90206/2024 - HU
PROCESSO SEI Nº 154.00004683/2024-14
Torna publico o PREGÃO ELETRÔNICO nº 90206/2024 – HU, menor preço, cujo objeto é
TREPONEMA PALLIDUM E SANGUE OCULTO conforme Edital e seus Anexos disponíveis
a partir do dia 29/10/2024, nos endereços: www.gov.br/compras, www.usp.br/licitacoes
e www.doe.sp.gov.br. O inicio do Recebimento das Propostas Eletrônicas ocorrerá
dia 29/10/2024 a partir das 08h00, estando à sessão de disputa agendada para o dia
12/11/2024 às 09h00, no “Portal de Compras do Governo Federal” - www.gov.br/compras.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA USP
CNPJ Nº 63.025.530/0085-12
AVISO DE LICITAÇÃO
PREGÃO ELETRÔNICO N°: 90199/2024 - HU
PROCESSO SEI Nº 154.00004920/2024-47
Torna publico o PREGÃO ELETRÔNICO nº 90199/2024 – HU, menor preço, cujo objeto é
KIT PARA GASTROSTOMIA COM SONDA TIPO BOTTON conforme Edital e seus Anexos
disponíveis a partir do dia 29/10/2024, nos endereços: www.gov.br/compras, www.usp.br/
licitacoes e www.doe.sp.gov.br. O inicio do Recebimento das Propostas Eletrônicas ocorrerá
dia 29/10/2024 a partir das 08h00, estando à sessão de disputa agendada para o dia
12/11/2024 às 09h00, no “Portal de Compras do Governo Federal” - www.gov.br/compras.
A Comissão de Finanças e Orçamento convida o público interessado para participar das Audiências 
Públicas Semipresenciais com o objetivo de debater os seguintes temas:
PL 729/2024 - Executivo - Ricardo Nunes - que “Estima a receita e fixa a despesa do Município 
de São Paulo para o exercício de 2025” - Orçamento 2025.
Para assistir: Será permitido o acesso do público até o limite de capacidade do auditório. O evento 
será transmitido ao vivo pelo portal da Câmara Municipal de São Paulo, através dos Auditórios 
Online (www.saopaulo.sp.leg.br/transparencia/auditorios-online), e pelos endereços da 
Câmara Municipal no YouTube (www.youtube.com/camarasaopaulo) e Facebook 
(www.facebook.com/camarasaopaulo).
Para participar: Inscreva-se para participar ao vivo por videoconferência através do Portal da 
CMSP na internet, em www.saopaulo.sp.leg.br/audienciaspublicas/inscricoes ou encaminhe 
sua manifestação por escrito em www.saopaulo.sp.leg.br/audienciaspublicas. Também serão 
permitidas inscrições para participação do público presente no auditório.
Para maiores informações: financas@saopaulo.sp.leg.br
COMISSÃO DE FINANÇAS E ORÇAMENTO
Data Local Tema Secretarias/Subprefeituras/
Órgãos convidados Tipo
05/11/2024 
(Terça-feira) 
10h às 16h
Salão Nobre 8º 
andar do Viaduto 
Jacareí, 100
Habitação
- Secretaria Municipal de 
Habitação 
- COHAB
- Fundo Municipal de Habitação
1ª Temática
06/11/2024 
(Quarta-feira) 
10h às 11h30
Auditório Prestes 
Maia 1º andar do 
Viaduto Jacareí, 
100
Mobilidade e 
Transportes 
e Segurança 
Urbana
- Secretaria Municipal de 
Mobilidade e Trânsito 
- Secretaria Municipal de 
Segurança Urbana - SPTRANS 
- CET
2ª Temática
11/11/2024 
(Segunda-
feira) 
10h às 14h
Salão Nobre 8º 
andar do Viaduto 
Jacareí, 100
Cultura
- Secretaria Municipal de Cultura 
- SPCine 
- Fundação Theatro Municipal 
de São Paulo
3ª Temática
12/11/24 
(Terça-feira) 
10h às 14h
Salão Nobre 8º 
andar do Viaduto 
Jacareí, 100
Subprefeituras, 
Infraestrutura 
e Obras, 
Concessões e 
Parcerias
- Secretaria Municipal das 
Subprefeituras
- Secretaria Municipal de 
Urbanismo e Licenciamento 
- SP Obras 
- Secretaria Municipal de 
Infraestrutura Urbana e Obras 
- SP Regula 
- São Paulo Urbanismo
4ª Temática
13/11/2024 
(Quarta-feira) 
10h às 11h30
Auditório Prestes 
Maia 1º andar do 
Viaduto Jacareí, 
100
Educação e 
Esportes
- Secretaria Municipal de 
Educação 
- Secretaria Municipal de 
Esportes e Lazer - SP Parcerias
5ª Temática
25/11/2024 
(Segunda-
feira) 
10h às 14h
Auditório Prestes 
Maia 1º andar do 
Viaduto Jacareí, 
100
Saúde, Turismo 
e Verde e Meio 
Ambiente
- Secretaria Municipal de 
Turismo 
- São Paulo Turismo 
- Secretaria Municipal de Saúde 
- Hospital do Servidor Público 
Municipal 
- Secretaria Municipal do Verde 
e do Meio Ambiente 
- Secretaria Executiva de 
Mudanças Climáticas
6ª Temática
26/11/2024 
(Terça-feira) 
10h às 14h
Salão Nobre 8º 
andar do Viaduto 
Jacareí, 100
Assistência 
Social e Direitos 
Humanos
- Secretaria Municipal de 
Direitos Humanos e Cidadania 
- Secretaria Municipal de 
Assistência e Desenvolvimento 
Social
- Secretaria Municipal da 
7ª Temática
27/11/2024
(Quarta-feira) 
10h às 11h30
Auditório Prestes 
Maia 1º andar do 
Viaduto Jacareí, 
100
Trabalho, 
Desenvolvimento, 
Inovação
- Secretaria Municipal de 
Desenvolvimento Econômico e 
Trabalho 
- Fundação Paulistana de 
Educação Tecnológica e Cultura 
- SP Negócios 
- PRODAM 
- Secretaria Municipal de 
Inovação e Tecnologia
8ª Temática
27/11/2024 
(Quarta-feira) 
11h30 às 13h
Auditório Prestes 
Maia 1º andar do 
Viaduto Jacareí, 
100
Geral
- Secretaria Municipal da 
Fazenda 
- Tribunal de Contas do 
Município de São Paulo
2ª Geral
CONTRATAÇÃO
A Associação Evangélica Beneficente Espírito Santense, CNPJ 28.127.926/0002-42, 
abre Termo de Referência para contratação de empresa especializada para realizar 
a modernização das Centrais de Água Gelada (CAG) do Hospital Estadual Dr. Jayme 
Santos Neves.
Email: compras.tr@hejsn.aebes.org.br
Telefone: (27) 3016-4031
Data limite para recebimento das propostas: às 09:00h do dia 07/11/2024
Endereço eletrônico para envio das propostas: http://www.publinexo.com.br/privado 
Avibras Indústria Aeroespacial S.A.
Em Recuperação Judicial
CNPJ/MF nº 60.181.468/0001-51 - NIRE 35.300.102.738
Aviso aos Acionistas - Notificação
Para fins dos artigos 8º, 10, §2º e 11 do estatuto social da Avibras Indústria Aeroespacial S.A. - 
Em Recuperação Judicial (“Companhia”), o Sr. João Brasil Carvalho Leite informa que as informações 
necessárias para o exercício dos direitos previstos em referidos artigos estão disponíveis, a partir da 
presente data, aos acionistas na sede da Companhia. Para ter acesso a referidas informações, em razão 
de seu caráter estritamente confidencial, os acionistas interessados deverão agendar um horário com a 
administração da Companhia, por meio do envio de um e-mail para: acionistas@avibras.com.br para 
poder acessá-las. São José dos Campos, 28 de outubro de 2024.
Investimentos Bemge S.A.CNPJ 01.548.981/0001-79 Companhia Aberta NIRE 35300315472 
ATA SUMÁRIA DA REUNIÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DE 09 DE SETEMBRO DE 2024
DATA E HORA: Em 09.09.2024, às 12h. PRESIDENTE: Pedro Paulo Giubbina Lorenzini. QUORUM: Totalidade 
dos membros eleitos, sendo que os membros participaram da reunião remotamente, conforme permitido 
pelo art. 7º, §5º do Estatuto Social. DELIBERAÇÕES TOMADAS POR UNANIMIDADE: Escolhido para a pre-
sidência do Conselho de Administração GABRIEL AMADO DE MOURA, brasileiro, casado, administrador de 
empresas, RG-SSP/SP 27.758.827-3, CPF 247.648.348-63, domiciliado em São Paulo (SP), na Praça Alfredo 
Egydio de Souza Aranha, 100, Torre Olavo Setubal, Piso Itaú Unibanco, Parque Jabaquara, CEP 04344-902, nos 
termos do caput do artigo 7º do Estatuto Social da Companhia. ENCERRAMENTO: Encerrados os trabalhos, 
lavrou-se esta ata que, lida e aprovada por todos, foi assinada. São Paulo (SP), 09 de setembro de 2024. (aa) Pe-
dro Paulo Giubbina Lorenzini - Presidente; Gabriel Amado de Moura e Tatiana Grecco - Conselheiros. Certifica-
mos ser a presente cópia fiel da original lavrada em livro próprio. São Paulo (SP), 09 de setembro de 2024. (aa) 
Pedro Paulo Giubbina Lorenzini - Presidente; Gabriel Amado de Moura e Tatiana Grecco - Conselheiros. JU-
CESP - Registro nº 384.841/24-7, em 17.10.2024. (a) Marina Centurion Dardani - Secretária Geral em Exercício.
AVISO DE LICITAÇÃO
O Serviço Social do Comércio – Administração Regional no Estado de São Paulo, 
nos termos da Resolução nº 1.593/2024, de 02 de maio de 2024, torna pública 
a abertura das seguintes licitações:
MODALIDADE: Pregão Eletrônico
Objetos:
PE 2024012000458 – Fornecimento de veículos Sedan Flex/Híbrido, Sedan Flex e 
SUV Compacto Flex para a Administração Central. Abertura: 12/11/2024 às 10h30.
PE 2024012000459 – Locação de estruturas para Diversas Unidades. Abertura: 
05/11/2024 às 10h30.
A consulta e aquisição dos editais estão disponíveis no endereço eletrônico 
portallc.sescsp.org.br mediante inscrição para obtenção de senha de acesso.
AVISO DE LICITAÇÃO
Instituto Butantan
CNPJ: 61.821.344/0001-56
Encontra-se aberto no Instituto Butantan, o PREGÃO ELETRÔNICO n.º 90010/2024, Processo n°
024.00157279/2024-09, destinado a aquisição de adubo tipo ureia com entrega imediata, modo de disputa
Aberto do tipo MENOR PREÇO. A sessão será realizada no dia 08/11/2024 às 09:30 hs, no endereço
eletrônico www.compra.sp.gov.br O Edital estará disponível a partir de 29/10/2024 no endereço eletrônico:
www.gov.br/pncp, seção CONTRATAÇÕES> EDITAIS E AVISOS DE CONTRATAÇÕES, podendo ainda
ser consultado junto ao Núcleo de Compras do Instituto Butantan pelo e-mail: compras.ib@butantan.gov.br.
Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários e em 
Empresas Operadoras de Veículos Leves sobre Trilhos do Estado de São Paulo
EDITAL DE CONVOCAÇÃO - ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA
No uso de suas atribuições a Presidenta do SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EMPRESAS DE TRANS-
PORTES METROVIÁRIOS E EM EMPRESAS OPERADORAS DE VEÍCULOS LEVES SOBRE TRILHOS DO ESTA-
DO DE SÃO PAULO, Senhora Camila Ribeiro Duarte Lisboa, faz saber que está adiada a Assembleia Geral 
Extraordinária de 28 de outubro de 2024 para 31 de outubro de 2024, tornando sem efeito o edital de 
convocação publicado em 26 de outubro de 2024. Assim sendo, serve-se do presente para convocar 
todos os membros da categoria pro�ssional para Assembleia Geral Extraordinária a realizar-se na 
Rua Serra do Japi, nº 16, Tatuapé, São Paulo/SP, no dia 31 de outubro de 2024, a partir das 18h30 
em primeira convocação, e às 19h00 em segunda convocação, com transmissão em tempo real pelas 
plataformas digitais do sindicato, instaurando processo de votação on-line para deliberar sobre: 1) Luta 
contra a privatização; 2) PR 2024; 3) Convocação e organização do Plebiscito sobre o formato das 
assembleias; 4) Outros assuntos gerais.
São Paulo, 28 de outubro de 2024.
Camila Ribeiro Duarte Lisboa
Presidenta
FUNDAÇÃO FACULDADE DE MEDICINA - ICESP
CNPJ 56.577.059/0006-06
COMPRA PRIVADA FFM/ICESP 2680/2024
CONCORRÊNCIA – PROCESSO DE COMPRA FFM RS Nº 2039/2024 – ADJUDICAÇÃO
O Diretor Presidente da Fundação Faculdade de Medicina, ADJUDICA a empresa: FACILITA MÓVEL MENSAGENS MÓVEIS LTDA., a 
prestação de serviços de “ENVIO DE MENSAGENS SMS”, com base no Regulamento de Compras da FFM.
COMPRA PRIVADA FFM/ICESP 2619/2024
CONCORRÊNCIA – PROCESSO DE COMPRA FFM RS Nº 2056/2024 – ADJUDICAÇÃO
O Diretor Presidente da Fundação Faculdade de Medicina, ADJUDICA a empresa: ACS TECIDOS E CONFECÇÕES LTDA, a prestação de 
serviços de “CONFECÇÃO E FORNECIMENTO DE UNIFORMES”, com base no Regulamento de Compras da FFM.
FUNDAÇÃO FACULDADE DE MEDICINA
ADJUDICAÇÃO – COMPRAS REGULAMENTO FFM
FFM 1362/2024-00 (RC 41.287) BIOMED EQUIPAMENTOS DE BIOMEDIDAS LTDA, 
33.987.595/0001-70. FFM 1335/2024-00 (RC 41.253) ITEM 1 – MICROMED BIOTECNOLOGIA 
S.A., 38.048.013/0001-03. ITEM 2 – AEROSPORT BRASIL COM. DE EQUIP. DE AVALIAÇÃO 
FÍSICA LTDA, 06.133.679/0001-73. FFM 0939/2024-00 (RC 40.778) GETCONNECT GESTÃO 
EM SAÚDE LTDA, 41.041.910/0001-08
AGÊNCIA REGULADORA DE SERVIÇOS PÚBLICOS DO ESTADO DE SÃO PAULO - ARSESP
PREGÃO ELETRÔNICO ARSESP nº 90010/2024 - PROCESSO nº SEI nº 133.00002734/2024-76
A AGÊNCIA REGULADORA DE SERVIÇOS PÚBLICOS DO ESTADO DE SÃO PAULO - 
ARSESP, nos termos da Lei Federal nº 14.133/2021, bem como pela legislação complementar, no que 
couber, e demais normas complementares pertinentes, comunica a todos os interessados que encontra-se 
aberta a Licitação abaixo: PREGÃO ELETRÔNICO ARSESP nº 90010/2024 - PROCESSO: nº SEI 
nº 133.00002734/2024-76 - MODALIDADE: Pregão Eletrônico - TIPO DE LICITAÇÃO: Menor 
Preço - OBJETO: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EMISSÃO, REEMISSÃO E CANCELAMENTO 
DE PASSAGENS AÉREAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS, POR MEIO DE SISTEMA DE 
GESTÃO DE VIAGENS CORPORATIVAS. - DATA DO INÍCIO DO PRAZO PARA ENVIO DA 
PROPOSTA ELETRÔNICA: 29/10/2024 - DATA E HORA DA ABERTURA: 13/11/2024 às 10:00 
horas - ENDEREÇO ELETRÔNICO: www.gov.br/compras - Contato: O edital poderá ser obtido no 
Portal Nacional de Contratações Públicas - PNCP e no Diário Oficial do Estado de São Paulo ou através 
de solicitação via e-mail para: E-mail: compras@arsesp.sp.gov.br 
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LEITORES
FONTES: IVC | PORTALGOOGLEANALYTICSNOV/22
EDITAL DE CONVOCAÇÃO - ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA
Na qualidade de presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (SINPEEM), 
inscrito no CNPJ 60.262.649.0001/02, considerando o contido no art. 38, inciso IV; os §§§ 1º, 2º e 3º do art. 4º; 
os §§ 1º e 2º do 7º; art. 10, inciso II; art. 15, inciso I; art. 16; incisos I a IV do art. 17 e art. 19, convoco Assembleia 
Geral Ordinária, a ser realizada no dia 31/10/2024, a partir das 14 horas, no Auditório Celso Furtado, localizado no 
Centro de Convenções do Distrito Anhembi - Av. Olavo Fontoura s/nº, para apreciação e deliberação da seguinte 
pauta: a) plano de ação e campanhas 2025; b) alterações no Estatuto Social do sindicato; c) aquisição de imóveis.
Claudio Fonseca - Presidente
FUNDAÇÃO FACULDADE DE MEDICINA - ICESP
CNPJ Nº 56.577.059/0012-54
COMPRA PRIVADA FFM 2772/2024
CIRCULAR Nº 01
FRACASSO
Declaramos a Compra Privada FFM/ICESP 2772/2024 fracassada, devido readequação de escopo técnico.
O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS B13
INÊS 249
Esta é a terceira etapa de migração de produtos paraa plataforma, que já conta com Títulos Públicos Fede-
rais e Créditos de Descarbonização (CBIOs). Nas 
próximas atualizações, serão realizadas as migrações 
de Notas Comerciais (NCs), Letras Financeiras (LFs) 
e demais valores mobiliários de emissão pública.
Títulos de bancos também estão no radar
Negociações são em ambiente separado
A plataforma está disponível aos investidores insti-
tucionais e todo o processo vem sendo estruturado 
a partir de interlocução com os agentes do mercado. 
As negociações em renda fixa acontecem em um am-
biente diferente das ações, que tem um livro de or-
dens centralizado e papéis padronizados.
l BALCÃO ÚNICO. No mercado de 
balcão, as transações são feitas 
entre as instituições em am-
bientes diversos e o objetivo da 
plataforma é criar um local úni-
co para facilitar essas opera-
ções, por meio de ferramentas 
como calculadoras e informa-
ções diversas sobre os papéis, 
além de serviço de mensageria 
para fechamento de negócios 
entre as partes.
l PREÇOS. Mais à frente, a inten-
ção é permitir que as institui-
ções usem a plataforma para 
mostrar preços de maneira cus-
tomizada e online a seus clien-
tes. “No futuro acreditamos ser 
possível ter um livro central de 
preços, mas por hora queremos 
permitir o compartilhamento 
das informações de compra e 
venda que estarão padroniza-
das pela infraestrutura de mer-
cado da B3”, explica Bianchini.
l REFORÇO. O Bradesco contra-
tou Marcos Cavagnoli como di-
retor de Produtos para Pessoa 
Física. O nome chama a aten-
ção pelo emprego anterior: o 
executivo era diretor de Paga-
mentos do Itaú Unibanco até o 
começo deste ano. No Brades-
co, Cavagnoli atuará na equipe 
do diretor de Negócios Digi-
tais, Tulio Oliveira, ele próprio 
egresso da concorrência. No 
caso, do Mercado Pago.
lPERFIL. No Bradesco, Cavag-
noli vai ser o responsável por 
produtos de pagamentos, em-
préstimos e câmbio. Antes do 
Itaú, Cavagnoli foi CEO da 
Adiq, credenciadora ligada ao 
banco BS2, e teve passagens pe-
la Koin e pelo JPMorgan. 
lNOVO... Cavagnoli reforça as fi-
leiras de executivos que chega-
ram ao grupo desde que Marce-
lo Noronha assumiu a presi-
dência, no final do ano passa-
do. Entre as várias mudanças 
que aconteceram desde então, 
o banco acabou com a chama-
da carreira fechada, que deter-
minava que apenas funcioná-
rios com carreiras desenvolvi-
das dentro da organização pu-
dessem chegar à diretoria. 
l ...NORMAL. O fim desta exigên-
cia é uma tentativa de “oxige-
nar” o banco. Faz parte de um 
dos pilares do plano estratégi-
co que Noronha revelou em fe-
vereiro, que é acelerar a moder-
nização tecnológica e de negó-
cios. Além de Cavagnoli e Oli-
veira, o banco trouxe novos no-
mes para as diretorias de Pes-
soas, Crédito e Tecnologia.
l RETOMADA. Foram necessá-
rios três anos, após a pande-
mia, para que os fabricantes de 
calçados retomassem o volu-
me de produção anterior à cri-
se. Com a volta de boa parte 
das pessoas ao trabalho presen-
cial ou híbrido, a expectativa 
da Associação Brasileira das In-
dústrias de Calçados (Abicalça-
dos) é superar os patamares 
históricos já em 2025. 
l EM NÚMEROS. Em 2019, a in-
dústria calçadista produziu 
898 milhões de pares. No ano 
seguinte, o número caiu para 
746 milhões de pares, 17% a 
menos. Aos poucos, a produ-
ção foi crescendo: nos anos se-
guintes, foram 855 milhões, 
886 milhões e 865 milhões de 
pares. Para 2024, a projeção é 
de que a fabricação aumente 
até 3,2%, alcançando mais de 
890 milhões de pares produzi-
dos. Já para 2025, a estimativa 
da entidade é de, finalmente, 
recuperar as perdas pós 2019, 
alcançando crescimento de 
até 1,9%, com a produção de 
904 milhões de pares.
A ação da Azul dis-
parou 13,99% ontem 
na B3. Além da forte 
queda do petróleo, o desem-
penho reflete o otimismo do 
mercado com o acordo com 
credores anunciado ontem 
pela empresa. Na esteira, Gol 
subiu 4,55% e CVC, 2,88%. 
Para Hugo Queiroz, sócio e 
analista da L4 Capital, o acor-
do da Azul indicaria caminho 
para solução parecida na 
reestruturação financeira da 
Gol, enquanto a CVC se bene-
ficia da perspectiva de melho-
res negócios para as aéreas.
A ação da Hypera 
Pharma recuou 8,7% 
e liderou as baixas do 
Ibovespa ontem, zerando os 
ganhos do mês. Pesa no de-
sempenho a recusa pelo con-
selho da empresa de uma pro-
posta de fusão com a EMS. 
Além disso, o otimismo com 
uma segunda proposta foi 
afastado diante da notícia de 
que o grupo de João Alves de 
Queiroz Filho, fundador da 
Hypera, passou a deter 50% 
do capital social, impedindo, 
na visão de alguns analistas, 
uma nova tentativa de fusão.
CYNTHIA DECLOEDT, MATHEUS PIOVESANA
E CRISTIANE BARBIERI 
GABRIEL BALDOCCHI (edição)
Ação da Azul dispara 14%; 
Gol e CVC sobem na esteira
TWITTER: @COLUNADOBROAD
COLUNABROADCAST@ESTADAO.COM
VOLTA POR CIMA
DESCE
B3 entra em negócio de
títulos de empresas e mira 
mercado que gira R$ 4,5 bi
Hypera caiu 8,7% ontem na 
B3 e zerou ganhos do mês
N
ão só de ações vive a Bolsa. De olho na expan-
são do crédito privado, a B3 está incluindo os 
títulos emitidos por empresas em sua platafor-
ma Trademate, criando um ambiente para ne-
gociação desses papéis no mercado secundário. Nesta 
primeira fase, entram Certificados de Recebíveis do 
Agronegócio (CRAs) e Imobiliários (CRIs), Cotas de 
Fundos Fechados (CFFs) e Debêntures. “Estamos bus-
cando um posicionamento sólido nesse mercado, para 
que ganhe dinamismo, liquidez e mais empresas pos-
sam acessar recursos por meio dos títulos de crédito 
privado”, diz o superintendente de Produtos de Balcão 
da B3, Fernando Bianchini. Diariamente são fechados 
20 mil negócios com títulos de renda fixa no mercado, 
uma média de R$ 4,5 bilhões, acrescenta Bianchini.
Indústria brasileira de calçados espera superar somente em 2025 o 
nível de produção registrado em 2019, antes da pandemia de covid-19
SOBE
MARCOS NAGELSTEIN / ESTADAO-26/8/2021
Coluna do
Broadcast
WILTON JUNIOR/ESTADAO- 20/3/2020
RAFAEL HENRIQUE/ADOBE STOCK-27/4/2021
US$
1/NY
1 Euro/
Europa
1 Libra/
Londres
R$ 1/
Brasil
DÓLAR AMERICANO 1,000 1,0815 1,2971 0,1752
EURO 0,925 1,0000 1,1993 0,1620
FRANCO SUÍÇO 0,865 0,9354 1,1218 0,1515
LIBRA ESTERLINA 0,771 0,8338 1,0000 0,1351
IENE 153,264 165,7495 198,7920 26,8490
Venc. Aju.C. Abe. Min. Máx. Var.%
AÇÚCAR NY* MAR/25 21,96 373.078 21,67 22,16 -0,81
CAFÉ NY* MAR/25 251,35 67.948 245,25 254,50 1,56
SOJA CBOT** NOV/24 9,74 114.956 9,735 9,855 -1,39
MILHO CBOT** MAR/25 4,25 445.421 4,242 4,285 -1,11
AS MOEDAS NA VERTICAL:VALOR DE COMPRA SOBRE AS DEMAIS
/ FONTE: IDC
Trabalhador assalariado e doméstica*
Salário de contribuição Alíquota
ATÉ R$ 1.412,00 7,5%
DE R$ 1.412,01 ATÉ R$ 2.666,68 9%
DE R$ 2.666,69 ATÉ R$ 4.000,03 12%
DE R$ 4.000,04 ATÉ R$ 7.786,02 14%
INSS - COMPETÊNCIA (OUTUBRO)
MAIORES BAIXAS DO IBOVESPA
HYPERA ON NM 23,92 -8,70 29.090
PETRORIO ON NM 40,95 -1,68 29.018
BRAVA ON NM 16,80 -1,35 9.705
MAIORES ALTAS DO IBOVESPA
R$ Var. % Neg.
AZUL PN N2 6,11 13,99 21.269
IRBBRASIL REON NM 44,16 6,80 6.566
BRF SA ON NM 25,56 4,71 17.290
TR/TBF/POUPANÇA/POUPANÇA SELIC (%)
23/10 a 23/11 0,0725 0,8254 0,5729 0,5000
24/10 a 24/11 0,0686 0,7865 0,5689 0,5000
25/10 a 25/11 0,0646 0,7474 0,5649 0,5000
Pontos Dia% Mês% Ano%
NOVA YORK - DJIA 42.387,57 0,65 0,14 12,47
FRANKFURT - DAX 19.531,62 0,35 1,07 16,60
LONDRES - FTSE 8.285,62 0,45 0,59 7,14
TÓQUIO - NIKKEI 38.605,53 1,82 1,81 15,36
Venda Dia % Mês % Ano %
DÓLAR COMERCIAL 5,7088 0,06 4,80 17,62
DÓLAR TURISMO 5,9400 0,20 4,67 17,51
EURO 6,1740 0,24 1,83 14,97
OURO US$/ONÇA-TROY 2740,20 -0,70 4,04 27,75
WTI US$/BARRIL 67,8200 -5,29 -0,48 -4,87
IBRENTUS$/BARRIL 71,5400 -4,03 -0,61 -7,14
IGP-M (FGV) 1,0453 IPCA (IBGE) 1,0442
IGP-DI (FGV) 1,0483 INPC (IBGE) 1,0409
IPC-FIPE 1,0345 ICV-DIEESE -
FATORES VÁLIDOS PARA CONTRATOS CUJO ÚLTIMO REAJUSTE 
OCORREU HÁ UM ANO. MULTIPLIQUE O VALOR PELO FATOR
Data Taxa ano Taxa dia Mês% Ano%
CDB (22/31)10,99 0,18 3,10 -5,67
CDI 10,65 0,00 0,00 -8,58
CDB - CDI
Índice Agosto Setembro No ano 12 Meses
INPC (IBGE) -0,14 0,48 3,29 4,09
IGP-M (FGV) 0,29 0,62 2,64 4,53
IGP-DI (FGV) 0,12 1,03 3,12 4,83
IPC (FIPE) 0,18 0,18 2,30 3,45
IPCA (IBGE) -0,02 0,44 3,31 4,42
CUB (Sinduscon) 0,36 0,35 3,36 3,44
FIPEZAP-SP (FIPE) 0,62 0,53 4,97 5,97
INFLAÇÃO (%)
Autônomo
(BASE EM R$)
Alíquota A pagar (R$)
DE 1.412,00 A 7.786,02 20% DE 282,40 A 1.557,20
VENCIMENTO 15/11. O PORCENTUAL DE MULTA A SER
APLICADO FICA LIMITADO A 20%, MAIS TAXA SELIC.
AGRÍCOLAS - MERCADO FUTURO
TESOURO DIRETO (*) Vcto. Ano % R$
IPCA 15/5/2029 6,76 3.236,58
15/5/2035 6,72 2.199,08
JUROS SEMESTRAIS 15/5/2035 6,72 4.248,83
PREFIXADO 1º/1/2027 12,79 771,19
1º/1/2031 12,83 477,30
SELIC 1º/3/2027 0,05 15.520,20
(*)TÍTULOS A VENDA
Ibovespa: 131.212,58 PTS. | Dia 1,02% | Mês -0,46% | Ano -2,22%
AGRÍCOLAS - MERCADO FÍSICO
BROADCAST MERCADOS
Índices de reajuste do aluguel (Setembro)
(*) EM CENTS POR LIBRA-PESO (**) EM US$ POR BUSHEL 
SOJA
Cepea/esalq, R$/sc 60 kg
Ult.
140,68
Var. (%)
-1,08
Var. 1 ano(%)
3,08
BOI
Cepea/esalq, R$/@ 314,10 1,00 36,57
MILHO
Cepea/esalq, R$/sc 60 kg 72,17 0,50 22,36
CAFÉ
Cepea/esalq, R$/sc 60 kg 1517,69 17,48 80,32
MOEDAS E COMMODITIES
B14 ECONOMIA&NEGÓCIOS
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ECONOMIA&NEGÓCIOS B15
INÊS 249
3 perguntas 
para...
BETH MOREIRA
A companhia aérea Azul anun-
ciou ontem que fechou um 
acordo com os detentores de 
títulos de sua dívida no exte-
rior (bondholders) para aliviar 
sua situação financeira. Pelo 
acordo, os credores da compa-
nhia concordaram em forne-
cer à empresa créditos de até 
US$ 500 milhões, que serão 
convertidos em nova dívida 
que terá garantias prioritárias. 
Desse total, US$ 150 milhões 
seriam liberados à companhia 
ainda esta semana, e outros 
US$ 250 milhões antes do final 
do ano, com a possibilidade de 
desbloqueio de US$ 100 mi-
lhões adicionais.
Esse novo “empréstimo” era 
uma exigência de outro acordo 
firmado no início do mês pela 
Azul com arrendadores e fabri-
cantes de aeronaves, pelo qual 
a companhia se comprometeu 
a reduzir em cerca de US$ 550 
milhões (R$ 3,1 bilhões) suas 
dívidas com essas empresas. A 
Azul ainda transferiu a elas 
uma participação acionária de 
20% em seu capital.
Em fato relevante enviado 
ontem à Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM), a Azul des-
tacou que o acordo “fortalece 
consideravelmente sua liqui-
dez e posição financeira e cris-
taliza o acordo previamente 
anunciado com arrendadores 
e fabricantes de equipamentos 
originais (OEMs) para elimi-
nar as obrigações de equity em 
troca de 100 milhões ações pre-
ferenciais da empresa”.
A operação com os bondhol-
ders, ainda segundo o fato rele-
vante, prevê acordos para me-
lhorar o fluxo de caixa da Azul 
em mais de US$ 150 milhões, 
reduzindo certas obrigações 
com arrendadores e fabrican-
tes nos próximos 18 meses.
FUSÃO. Além da equalização 
de suas dívidas, a Azul também 
vem negociando uma possível 
fusão com a Gol. Há duas sema-
nas, a empresa informou em fa-
to relevante enviado à CVM 
que a negociação com os credo-
res não afetava o andamento 
das conversas que vinha man-
tendo com a Abra, a controla-
dora da Gol, para explorar 
eventuais oportunidades de 
negócios, além do acordo de 
cooperação comercial por 
meio de um codeshare (com-
partilhamento de voos). A ma-
nifestação foi feita em respos-
ta a questionamento da Bolsa 
de Valores (B3) sobre rumores 
de fusão das duas companhias.
As ações da Azul fecharam o 
dia com alta de 13,99% ontem 
na Bolsa. l
l Buscar acordos foi um 
caminho diferente do se-
guido pelas outras compa-
nhias. A recuperação judi-
cial não seria mais fácil?
Muitos achavam que era 
teimosia não fazer o Chap-
ter 11 (a recuperação judi-
cial). Mas seria uma via que 
inviabilizaria diálogos com 
parceiros necessários para 
mantermos investimentos. 
No Chapter 11, você pode 
apertar um botão. Mas é 
muito dinheiro saindo da 
empresa. Um dinheiro que 
não vai para o seu parceiro, 
vai para advogados, custos 
judiciais. Não temos outros 
problemas que normalmen-
te levam as empresas para 
recuperação judicial. Te-
mos a demanda de captar 
dinheiro e tirar dívida do 
balancete. O plano mostra 
o apoio que nós temos dos 
nossos credores, mostra o 
apoio que nós temos dos 
nossos parceiros.
l Que as garantias de 
crescimento vocês de-
ram para esses acordos?
Primeiro, tenho novas aero-
naves chegando, o que de-
monstra nosso potencial de 
crescimento. Contratamos 
um avaliador independente 
para validar que nossos nú-
meros são sólidos e que po-
demos reduzir despesas e 
melhorar o fluxo de caixa 
em US$ 100 milhões ao 
ano. Hoje anunciei o plano, 
e nos próximos meses volta-
rei com os resultados, mos-
trando que alcançamos essa 
meta para iniciar a conver-
são da dívida.
l A reestruturação da 
dívida ajuda com os diá-
logos sobre a fusão com 
a Gol?
O plano é exclusivamente 
da Azul, e estamos bem sozi-
nhos. Mas isso não significa 
que descartamos uma possí-
vel fusão. O plano de reestru-
turação nos fortalece e ajuda 
a dar um passo necessário 
caso optemos pela fusão. 
Vou me reunir com eles esta 
semana e, sim, o plano con-
tribui para essas discussões, 
tornando-nos mais fortes. 
Mas temos de lembrar de 
que a Gol está em processo 
de Chapter 11, que segue um 
rito específico. l LUIZ ARAÚJO
Setor aéreo Nova captação
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COMUNICADOS
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“WOW COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA
torna público que requereu ao
SEMASA a Renovação de sua LI-
CENÇA AMBIENTAL DE OPERAÇÃO
nº 000011/2021 para impres-
são de materiais para outros usos
na Rua Japão, 831, Jardim Santo
Antonio, conforme Processo Am-
biental nº 119463/2024. E de-
clara aberto o prazo de 30 dias
para manifestação escrita, ende-
reçada ao SEMASA.”
EMPRESAS
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Capacidade: 400.000 lts/dia.
Unidade Parada no Estado de São
Paulo. É possível produzir no local
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Para anunciar:
(11) 3855-2001
ICQC
2022-24
JOHN RODGERSON
Presidente executivo (CEO) da 
Azul Linhas Aéreas 
Azul fecha acordo 
de US$ 500 milhões 
com seus credores
Recursos serão usados 
para saldar dívidas 
com arrendadores e 
outros fornecedores, 
além de reforçar o
caixa da companhia
Relação
Novo empréstimo era
condição de negociação
feita com fornecedores
no início deste mês
B16 ECONOMIA&NEGÓCIOS
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
C6 E C7 A fundo
Polícia 
Militar 
vê PCC 
instalado na 
Câmara do Guarujá
CULTURA&
COMPORTAMENTOC2
C1
UBIRATAN BRASIL
ESPECIAL PARA O ESTADÃO
A
tordoado com os hor-
rores do ataque terro-
rista do Hamas em ou-
tubro do ano passado e também 
com a não menos violenta rea-
ção de Israel, o cineasta Amos 
Gitai decidiu buscar conforto 
nas reflexões oferecidas por in-
telectuais. Releu Três Guinéus, 
um ensaio de 1938 da escritora 
inglesa Virginia Woolf, e tam-
bém Diante da Dor dos Outros, 
iconografia da guerra escrita 
por Susan Sontag em 2003. Mas 
foi a correspondência trocada 
entre Albert Einstein e Sig-
mund Freud entre 1931 e 1932 
que mais inspirou o cineasta is-
raelense, a ponto de ele tomar 
emprestado o título do livro pa-
ra seu mais recente filme, Por 
Que a Guerra?
Destaque da 48.ª Mostra de 
Cinema de São Paulo, o longa 
traz os franceses Mathieu Amal-
ric como Einstein e Micha Les-
cot no papel de Freud para ras-
trear as raízes das guerras. Gitai 
assina também outro longa pre-
sente na Mostra, Shikun, que, 
embora finalizado antes do ata-
que terrorista, também trata de 
violência. Protagonizado pela 
francesa Irène Jacob, o filme é 
uma adaptação da obra Rinoce-
ronte, de Eugène Ionesco, uma 
alegoria sobre a ascensão do to-
talitarismo. 
A ideia para o filme surgiu da 
polêmica reforma do sistema ju-
dicial realizada pelo governo do 
primeiro-ministro israelense 
Benjamin Netanyahu, que de-
sencadeou enormes manifesta-
ções da sociedade civil. O políti-
co, aliás, é alvo de críticas de Gi-
tai, que veio a São Paulo convi-
dado pela Mostra. Ele já planeja 
retornar no próximo ano, quan-
do deve criar um projeto para a 
Bienal de São Paulo e também 
para a exibição da performance 
House em um teatro do Sesc. O 
cineasta conversou com o Esta-
dão no sábado, 26, em um hotel 
na Avenida Paulista, enquanto 
acompanhava maravilhado as 
barulhentas músicas dos apoia-
dores dos candidatos a prefeito.
O ataque de 7 de outubro e 
a guerra em Gaza impacta-
ram a criação de Por Que a 
Guerra?, certo?
Sim, foi um grande choque. Pri-
meiro por causa da selvageria 
do Hamas, assassinando aman-
tes da paz, entre eles uma mu-
lher de 70 anos, Vivian Silver, 
que passou a vida levando crian-
ças palestinas a hospitais em Is-
rael e cujo corpo foi encontrado 
carbonizado. Em seguida, a des-
truição de Gaza, com tantas víti-
mas palestinas. Foi quando 
quis ler e reler alguns textos pa-
ra buscar ajuda e conforto nas 
reflexões de intelectuais. E nes-
sa busca o livro Por Que a Guer-
ra? Uma Correspondência Entre 
Albert Einstein e Sigmund Freud 
foi uma revelação. Essa obra de 
1932 continua minha pesquisa 
sobre como os conflitos arma-
dos podem ser evitados e como 
é possível encontrar soluções 
pacíficas para reconciliar posi-
ções distantes. l
Amos Gitai
VEJA A CONTINUAÇÃO DA ENTREVISTA
COM O CINEASTA NA PÁG. C3
Com dois filmes na Mostra, 
cineasta israelense questiona a 
motivação para a violência
Um olhar sobre 
os horrores 
da guerra
O diretor 
Amos Gitai; 
em busca de 
soluções
pacíficas
ENTREVISTA
MÁRIO MIRANDA FILHO
Segundo ele, a ideia 
para ‘Por Que a 
Guerra?’ surgiu 
durante a polêmica
reforma do sistema 
judicial de Israel
TERÇA-FEIRA, 29 DEOUTUBRODE 2024 O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
Direto da Fonte
Gilberto Amendola
Conselho escolhe 
administrador emérito
O administrador Idalberto 
Chiavenato recebeu o prêmio 
Administrador Emérito, ofere-
cido pelo Conselho Regional 
de Administração de São Pau-
lo. Chiavenato é um dos maio-
res autores nacionais nas 
áreas de Administração e 
RH, tendo publicado mais 
de 50 livros. A cerimônia foi 
na sede do Conselho.
CRASP
l NA ACADEMIA. Evento da Aca-
demia Paulista de Letras, em 
parceria com SindSeg e CNseg 
e Secretaria de Mudanças Cli-
máticas, discutirá questões 
que impactam o mundo em de-
corrência das emergências cli-
máticas. Será na tarde de 5 de 
novembro, na sede da APL, Lar-
go do Arouche 312. Participam 
Antonio Penteado Mendonça, 
José Goldenberg, José Renato 
Nalini e João Lara Mesquita, 
todos da APL.
l LANÇAMENTO. O jornalista 
Ivo Patarra autografa seu oita-
vo livro, Emendas Secretas, no 
dia 6 de novembro, na Livraria 
Drummond do Conjunto Na-
cional. A partir das 18h
.
1. Daniela 
Falcão na 
inauguração 
do Festival 
Nordestesse 
na Pinga SP, 
dia 22. 
2. Georgiano 
Azevedo.
3. Juliana 
Santos. 
4. Sylvain 
Justum 
4
MARCELA PAES | MARCELA.PAES@ESTADAO.COM
gilberto.amendola@estadao.com
1 2
Bloco de Notas 
Lara, filha do Faustão, lança projeto musical com 
versões de Adele, Billie Eilish e Marisa Monte
A cantora e compositora Lara, 
filha de Magda Colares e Faus-
to Silva, lança no dia 1 de no-
vembro o seu mais novo proje-
to, o Em Estúdio. Lara irá dispo-
nibilizar, semanalmente, cli-
pes de 10 músicas em seu canal 
oficial do YouTube. O projeto 
contará com cinco faixas auto-
rais, onde Lara explora novas 
sonoridades e temáticas, refle-
tindo suas vivências e emo-
ções. Além disso, a artista fará 
interpretações de cinco can-
ções de artistas como Adele, 
Billie Eilish, Cazuza e Marisa 
Monte – trazendo seu toque 
pessoal a Bem Que Se Quis. A 
versão da música de Marisa é a 
favorita de Lara. 
KIMBERLY KOECHE
Em Estúdio
3
ATOS SOCIETÁRIOS, FATOS
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EMPRESAS DO PAÍS
SAIBAMAIS EM: ESTADAORI.ESTADAO.COM.BR
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Fatos Relevantes
das companhias
de seu interesse.
CHAD KEIG
Coppola recebe o Prêmio Leon Cakoff da 48ª Mostra Internacional
PAULA BONELLI | PAULA.BONELLI@ESTADAO.COM
N
esta terça-feira, dia 29, o Shopping Cidade Jar-
dim irá receber o cineasta Francis Ford Cop-
pola para a pré-estreia exclusiva de “Megaló-
polis”, o seu novo filme. O cineasta, conheci-
do por clássicos como O “Poderoso Chefão” e “Apo-
calypse Now”, estará presente no evento, que aconte-
cerá no Cinemark do shopping. Todas as salas do ci-
nema serão dedicadas à pré-estreia para convidados 
da O2 Filmes e da JHSF. “Francis Ford Coppola re-
presenta o que há de mais elevado em cultura, arte e 
criatividade. É uma honra para nós que uma das 
maiores lendas do cinema mundial tenha escolhido 
o Fasano, o Cidade Jardim e o São Paulo Catarina Ae-
roporto Internacional durante sua estada em São 
Paulo”, comenta Augusto Martins, CEO da JHSF. 
Coppola está hospedado no Fasano Jardins e vai re-
ceber amanhã o Prêmio Leon Cakoff da 48ª Mostra 
Internacional de Cinema em São Paulo. 
Francis Ford Coppola no 
Shopping Cidade Jardim
JADE SCARLATO
C2 CULTURA&COMPORTAMENTO
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
“A causa da 
fragmentação das 
cidades são as mídias 
sociais, que chamo de 
antissociais, porque 
excluem a conversa real”
“Trump, Netanyahu, 
Georgia Meloni, agora 
Bolsonaro. Um coquetel 
ruim de pessoas 
confiantes de que 
podem vencer guerras’
Amos Gitai 
Cineasta israelense
ARIANANUALAARIANANUALA
05OUT24-26JAN2505OUT24-26JAN25GERMANODUSHÁGERMANODUSHÁTHIAGODEPAULASOUZATHIAGODEPAULASOUZA
Ao dar o título Por Que a 
Guerra?, o sr. parece dizer 
que é importante falar de 
paz, mas sem jamais se es-
quecer do que é a guerra.
Exato, porque ainda temos 
guerras e parece que sempre 
vamos ter. Acho que o uso ex-
cessivo de imagens de confli-
tos incita a violência de forma 
quase pornográfica. Com isso, 
as pessoas ficam grudadas na-
quelas imagens, que as intoxi-
cam. O resultado é uma busca 
por um revide por causa das 
atrocidades cometidas por to-
dos os lados. Um israelense vê 
repetidas vezes histórias de 
mulheres estupradas e seques-
tradas, enquanto um palestino 
acompanha a destruição gra-
dual de Gaza. Então, de certa 
forma, a iconografia não está 
nos dizendo vamos parar, mas 
que temos de continuar. É por 
isso que meus filmes não tra-
zem cenas de guerra, mesmo 
sendo ela o assunto principal. 
Por Que a Guerra? não dá res-
postas, mas quer que nos ques-
tionemos.
O sr. concluiu a produção 
de Shikun pouco antes do 
ataque do Hamas. Não pen-
sou em reeditar o filme e 
adicionar esse fato?
Não. O Oriente Médio vive 
uma realidade tão vulcânica. Se 
quiser correr atrás dos eventos, 
você sempre perderá. E enten-
do que os dois filmes formam 
um díptico, um complementa 
o outro, mesmo que Shikun pos-
sa parecer irrelevante.
Há explicação para a selva-
geria das guerras?
Um primeira resposta seriam 
os líderes atuais: Trump, Ne-
tanyahu, Giorgia Meloni, sem 
se esquecer de Bolsonaro. Um 
coquetel muito ruim de pes-
soas confiantes de que podem 
vencer guerras. Políticos que 
acreditam no uso da força para 
resolver conflitos. Ano que 
vem se completam 30 anos da 
morte de Yitzhak Rabin, ex-pri-
meiro-ministro de Israel que 
buscava um acordo entre israe-
lenses e palestinos. Terminou 
assassinado por um ultranacio-
nalista judeu. Foi um golpe 
contra paz. E, pior, ainda esta-
mos no mesmo lugar.
Acha então que hoje não há 
alternativa para a paz?
Não é possível saber. Vou 
contar uma história. Certa 
vez fui a Nablus, ao norte de 
Jerusalém, no lado palestino, 
e conversei com o prefeito, 
Bassam Shaka. Perguntei-lhe 
se era otimista ou pessimista. 
Ele me respondeu: “Amos, 
não podemos nos dar ao luxo 
de ser pessimistas”. Ele está 
certo, temos de continuar 
buscando um acordo.
O que acha do primeiro-mi-
nistro Netanyahu?
Ele está destruindo compo-
nentes importantes do DNA 
israelense, que é formar uma 
sociedade aberta, moderna, 
inovadora, criativa. E está co-
locando um grupo contra ou-
tro, fragmentando a socieda-
de. Como israelense, sou con-
tra sua coalizão de ultraorto-
doxos e ultradireitistas.
Em entrevista ao Haaretz, 
o sr. disse há alguns anos 
que Israel é uma sociedade 
altamente esquizofrênica, 
na qual há pessoas delica-
das e sofisticadas, mas tam-
bém vulgares, brutais e vio-
lentas. Ainda tem a mesma 
opinião?
Sim, mas a afirmação perdeu a 
particularidade porque agora 
se aplica também aos Estados 
Unidos, Itália, Brasil e outros 
países. A causa são as mídias so-
ciais, que prefiro chamar de an-
tissociais porque excluem a con-
versa real e se tornam, na maio-
ria, uma máquina de propagan-
da facilmente manipulável. 
Alguns de seus próximos 
projetos incluem São Pau-
lo. O sr. gosta da cidade?
Sim, gosto pelo mesmo moti-
vo que admiro James Joyce. Ex-
plico: é um escritor moderno 
cuja escrita é muito fragmenta-
da. Joyce fala sobre sua cidade, 
Dublin, como uma justaposi-
ção de fragmentos de memó-
rias. São Paulo é assim: quebra-
da, fragmentada, e é dessa for-
ma que a humanidade funcio-
na. São Paulo seria um filme 
em que se precisariam juntar 
os cacos para contar uma histó-
ria, e não um melodramas kits-
ch, doce e açucarado. l UBIRATAN 
BRASIL/ESPECIAL PARA O ESTADÃO
Cinema Mostra
‘Por Que a Guerra?’ não dá respostas, diz diretor
Amos Gitai lamenta 
‘realidade vulcânica’ 
no Oriente Médio e 
compara São Paulo ao 
dia a dia fragmentado 
da Dublin de Joyce
Continuação da página C1
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
CULTURA&COMPORTAMENTO C3
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
Todo mundo tem opi-
niões diversificadas, 
mas todas, sem exce-
ção, se apresentam como a verda-
de superior. Enquanto isso, sua 
alma há de continuar observan-
do e comparando, para ver aon-
de vai parar todo esse barulho.
Do seu ponto de vista, 
a vida flui e as coisas 
acontecem sem grande 
esforço, mas na prática rara-
mente é assim. Porém, de algo 
há de servir essa postura, esti-
mulando o lado mágico da vida, 
tão real quanto o esforço.
ÁRIES 21-3 a 20-4
Enquanto as pessoas 
não param de falar, sua 
mente vagueia por ou-
tras galáxias, se conectando a 
visões que parecem muito dis-
tantes da realidade atual, mas 
que, por serem apreciadas, ini-
ciam assim sua aproximação.
VIRGEM 23-8 a 22-9
As melhores ideias são, 
agora, as que possam 
ser postas em prática o 
mais rapidamente possível. Não 
importa que sejam pequenas ou 
grandes, o que importa é que 
elas sejam praticáveis sem gran-
des recursos. É por aí.
TOURO 21-4 a 20-5
Apesar de você não con-
seguir enxergar alterna-
tivas, essas existem e se 
encontram disponíveis. E tem 
mais, as alternativas são ofereci-
das pelas pessoas próximas, e 
seria sábio de sua parte ouvir 
com atenção o que elas dizem.
Observe, compare, pla-
neje, observe novamen-
te, coloque em prática 
seu planejamento, observe e 
compare novamente. Todos 
seus movimentos nesta parte 
do caminho precisam ser feito 
com cuidado e eficiência.
PEIXES 20-2 a 20-3
É hora de planejar o 
futuro, de se lançar 
mentalmente ao mais 
distante futuro possível e, aqui 
e agora, começar a tomar medi-
das concretas para não ficar so-
nhando apenas, mas realizar 
algo a cada dia que passar.
LIBRA 23-9 a 22-10
As manobras que sua 
alma se vê obrigada a 
fazer nesta parte do ca-
minho são muito complexas, 
mas se você as encarar com espíri-
to lúdico, não apenas exorcizará 
o temor como também se diverti-
rá muito com tudo que acontece.
LEÃO 22-7 a 22-8
O que você pretende 
pode ser feito, mas de 
um jeito completamen-
te diferente do que você pensa-
ria na atualidade, porque ainda 
sua alma está presa aos métodos 
que deram certo no passado, e 
isso precisa ser reformulado.
GÊMEOS 21-5 a 20-6
Há instrumentos e re-
cursos disponíveis para 
você realizar suas pre-
tensões, mas ainda está difícil 
reunir tudo que é necessário. 
Não importa, você verá que as 
demoras se mostrarão positivas, 
se você as suportar.
SAGITÁRIO 22-11 a 21-12
ESCORPIÃO 23-10 a 21-11
Horóscopo
Quiroga
Diante do que acontece, 
é bom manobrar e se 
esquivar das contrarie-
dades, porém, seria melhor que 
esses movimentos não fossem 
meras reações, mas produto de 
mínimo planejamento, tendo 
em vista suas pretensões.
CAPRICÓRNIO 22-12 a 20-1
As pessoas costumam 
falar mais do que a bo-
ca consegue articular, 
emitindo opiniões infundadas, 
que arvoram como verdades 
absolutas. Isso pode ser motivo 
de divertimento, mas também 
de muita confusão.
Frank & Ernest Bob Thaves
QUADRINHOS
BEM PENSADO “Muitas pessoas são dotadas de razão, poucas de bom senso” G. Le Bon
CÂNCER 21-6 a 21-7
John Turturro diz que 
violência contra mulheres 
o fez recusar ‘Pinguim’ 
Ator, que interpretou 
Carmine Falcone em 
‘Batman’, também 
citou problemas de 
agenda para atuar 
na série da Max
Celebridades
O melhor de Calvin Bill Watterson
Minduim Charles M. Schulz
Turma da Mônica Mauricio de Sousa
oscar@quiroga.net
Recruta Zero Mort Walker
O ator John Turturro, que 
interpretou o mafioso Car-
mine Falcone em Batman 
(2022), filme dirigido por 
Matt Reeves, explicou o mo-
tivo que o fez rejeitar o pa-
pel como o personagem no 
spin-off Pinguim, série da 
HBO lançada em setembro. 
O artista foi substituído por 
Mark Strong na produção es-
trelada por Colin Farrell.
Em entrevista concedida à 
Variety , Turturro disse que ne-
gou trabalhar na série por con-
ta de “muitaviolência contra 
as mulheres” retratada em Pin-
guim. “Não é a minha praia”, 
comentou o ator.
Ele também citou proble-
mas de agenda que o impedi-
ram de participar da produção, 
mas afirmou que achou a 
“crueldade implícita” de Falco-
ne em Batman mais interessan-
te do que uma “crueldade ilus-
trada”. “(A violência) acontece 
fora da tela. É mais assustador 
assim”, disse.
Em entrevista ao The Wrap, 
a showrunner de Pinguim, Lau-
ren LeFranc, defendeu a série 
afirmando que o roteiro “ape-
nas aprofundou o que foi esta-
belecido” em Batman. “Eu res-
peito completamente um ator 
que não quer assumir um pa-
pel por quaisquer razões pes-
soais”, afirmou ela.
Lauren ressaltou que havia 
sido informada de que a não 
participação de Turturro se de-
via a conflitos de agenda. “Eu 
só quero que as pessoas que se 
juntem à nossa série estejam 
animadas e queiram continuar 
a história que estamos tentan-
do contar. Eu acho que Mark 
Strong fez um trabalho fan-
tástico. Ele fez o personagem 
dele e também honrou o que 
John Turturro fez”, afirmou.
Pinguim está disponível na 
plataforma Max. l
O fator humano
Data estelar: Lua míngua 
em Libra
AQUÁRIO 21-1 a 19-2
A
construção do destino 
humano depende me-
nos da qualidade e for-
ça individual e muito 
mais da estrutura dos vínculos 
que construímos ao longo da 
existência, e de nosso nível de 
prontidão para aceitar que so-
mos quem somos através do 
grupo de pessoas com que nos 
relacionamos. 
Ao mesmo tempo, o fator 
humano é sempre o ingredien-
te que complica todas as equa-
ções que fazemos para garantir 
a realização de nossas preten-
sões e, como resultado, para 
minimizar as complicações de-
cidimos mentalmente tratar as 
pessoas como objetos, engrena-
gens que sirvam ou atrapa-
lham nossos planos, e assim 
caminha nossa civilização.
Infelizmente, enquanto conti-
nuarmos insistindo na fábula da 
salvação individual que, inevita-
velmente, encaminha à perdição 
do grupo social, continuaremos 
também destruindo mais do 
que criarmos e preservarmos. l 
C4 CULTURA&COMPORTAMENTO
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
SOLUÇÕES SUDOKU
1. Cozinhe a massa em 4 litros 
de água fervente com duas co-
lheres (sopa) de sal, até estar 
macia e firme, conforme as ins-
truções do pacote.
2. Aqueça o azeite em uma frigi-
deira e frite as folhas de sálvia 
até ficarem crocantes. Tire da 
frigideira, deixe em papel-toa-
lha para escorrer a gordura. E, 
sem lavar a frigideira, refogue 
a cebola, mexendo sempre até 
dourar (cerca de 15 minutos). 
3. Tempere com sal e pimenta-
do-reino.
4. Escorra a massa e ponha na 
frigideira com a cebola carame-
lizada. Mexa bem. Acrescente 
as avelãs tostadas e as folhas 
de sálvia crocante. Em segui-
da, transfira para a tigela de ser-
vir, polvilhe queijo ralado e sir-
va bem quente. l 
CRUZADAS
https://bit.ly/3NGLj3d
NA WEB
O chef-celebridade Yotam Ot-
tolenghi é craque na comida 
mediterrânea, nos vegetais que 
prepara com temperos e espe-
ciarias do Oriente Médio e tem 
um talento especial para mas-
sas que passa longe da tradição 
italiana – uma das minhas favo-
ritas é o tagliatelle com mantei-
ga de especiarias, cuja receita já 
publiquei nesta coluna. Absolu-
tamente surpreendente, abso-
lutamente deliciosa. 
Esse orecchiette com cebo-
la caramelizada, avelã e sálvia 
está no livro Comfort, recém-
lançado. Comprei-o há pouco 
mais de um mês e já fiz essa 
receita três vezes... É leve e 
muito saborosa. Acho que vo-
cê vai gostar também. Dois de-
talhes fazem a diferença: cara-
melizar bastante a cebola e fri-
tar a sálvia até ficar crocante. 
Você pode usar qualquer 
massa curta, mas o orecchiette 
é o ideal porque acolhe bem o 
molho… Ah, a receita original 
recomenda cozinhar a massa 
na frigideira, regando aos pou-
cos, como se fosse risoto, pro-
cedimento que anda em alta. 
Pode até ficar mais saborosa, 
mas dá muito mais trabalho e 
prefiro cozinhar à moda tradi-
cional, na água fervente.
CRIPTOGRAMA E CAÇA-PALAVRAS Nesta seção, todos os dias, um jogo diferente para você
E-mail: patriciacferraz@gmail.com; instagram: @patriciacferraz
TER. Patrícia Ferraz, Sergio Martins (quinzenal) l QUA. Roberto DaMatta l QUI. Luciana Garbin (quinzenal), Patricia Ferraz l SEX. Lusa Silvestre (quinzenal) e Maria Fernanda Rodrigues (quinzenal) l SAB. Alice Ferraz, Suzana Barelli
l DOM. Leandro Karnal, Ignácio de Loyola Brandão (quinzenal)
Jogue o sudoku
Prato do dia
Patrícia Ferraz
_ 1 pacote de massa curta do 
tipo orecchiette
_ 20 g de folhas de sálvia
_ 100 ml de azeite de oliva 
extravirgem
_ 2 cebolas médias bem 
picadas
_ 1 colher (sopa) de suco de 
limão
_ 50 g de avelãs tostadas 
grosseiramente picadas
_ sal e pimenta-do-reino 
moída na hora a gosto
_ queijo parmesão a gosto 
ralado na hora de servir
É JORNALISTA COM PÓS-GRADUAÇÃO
EM GASTRONOMIA. COZINHA
E COME A TRABALHO HÁ 24 ANOS
Orecchiette com avelã e sálvia crocante
Ingredientes
4 porções
Preparo
Fácil. 40 min.
Jogue as cruzadasNA WEB
Procure e marque, no diagrama de letras, as palavras em destaque no texto.
© Revistas COQUETEL
Um dos primeiros clubes de FUTEBOL do 
Brasil, o FLUMINENSE foi fundado em
21 de julho de 1902, no Rio de Janeiro. O cario-
ca OSCAR Alfredo Cox conheceu o esporte na 
SUÍÇA, onde concluiu seus estudos. De volta ao 
Brasil, o JOVEM se empenhou em formar uma 
EQUIPE para disputar partidas de futebol. Com 
a ideia fixa, Oscar conseguiu juntar 20 SÓCIOS 
para fundar o CLUBE, que quase se chamou Rio 
Football Club e foi o PIONEIRO na introdução 
do esporte no estado. Antes de ostentar em 
seu PAVILHÃO tricolor o VERDE, o branco e 
o grená, o Fluminense chegou a adotar as co-
res CINZA e branco. Com a ajuda do espírito 
EMPREENDEDOR de Cox, o futebol foi difun-
dido pelo Rio de Janeiro e, mais tarde, tornou-
se tão POPULAR que passou a ser considerado 
uma das PAIXÕES nacionais.
O Fluminense e o futebol
 D I N T G N N L T S
 
 T L L O B E T U F T
 
 H M M S O M N S T M
 
 F C F C L P N R I J
 
 R I E A G R E P E O
 
 A N O R N E D A R V
 
 I Z S B D E S I T E
 
 H A C C F N T X R M
 
 T S N A B D O Õ H I
 
 N B R O F E C E C H
 
 E L B I I D I S F I
 
 D D R M R O Y N O O
 
 F G R F L R D F A I
 
 N N R E E E L C F A
 
 C M R H V C T N L N
 
 L T Y R I F N M E C
 
 U S P A V I L H Ã O
 
 B M F H A A T T T T
 
 E O E P I U Q E D R
 
 E R N S E E S L T S
 
 M A S O C I O S G U
 
 N D I T Y M N A E I
 
 P O P U L A R T R Ç
 
 H Y D O F S S O O A
 
 O R I E N O I P F C
 
 T L R N S F M C I L
 
 F L U M I N E N S E
 
 O A I F N M H I F A
 
 I Y G O S I D N B A
ILUSTRAÇÃO: GUTO DIAS
Incen-
diado;
carbo-
nizado
Sujo
de lama
Cantiga
de roda
infantil
Salto com
(?), mo-
dalidade
olímpica
O caso
atendido
no pronto-
socorro
Alta de
preço
Local de
venda de
legumes 
e frutas
Aécio
Neves,
político
brasileiro
O Instituto
Militar de
Enge-
nharia
A medi-
cação que
combate
a dor
Jardim
do (?): o
Paraíso
(Bíblia)
(?) Pau-
lista, via
central de
São Paulo
(?)-benta,
bolinho feito
com marsh-
mallow
Ivan Lins:
gravou
"Lembra
de mim" 
Opõe-se
ao "X", 
no jogo 
da velha
Orquestra
Sinfônica
Brasileira
(sigla)
Colocar a
bola em
jogo, no
vôlei 
Tentam
com audá-
cia; atre-
vem-se
(?)-mail,
correio da
internet
Recheio
de bife
rolê (Cul.)
Vogal
acentuada
em "juízo"
Qualquer
período
histórico
"Escon-
derijo" do
amante
(pop.)
Locução
(abrev.)
(?) Vieira,
atriz
Armação
típica 
de obras
Mil anos
Alimento
dado a
galinha
Monte
onde
moravam
os deuses gregos
Conteúdo
do pneu
Ave do cer-
rado (pl.)
Vitamina
antigripal
Atraso;
lentidão
Descanso;
repouso
Rita (?),
cantora
A comida
sem sal
2.002, em
romanos
Ato punido pelo
Código Penal
Sílaba de "greve"
Em + a
(Gram.)
Sucede
ao "L"
O
S
B
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3 2 6 4
6 9 7 1 2
7 9
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TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
CULTURA&COMPORTAMENTO C5
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
PM vê PCC 
instalado na 
Câmara do 
Guarujá (SP)
Investigação implica vereadores e 
candidatos que disputaram a eleição 
no município do litoral paulista
RAYSSA MOTTA
FAUSTO MACEDO
“É
possível inferir com 
alguma segurança 
que a organização 
criminosa PCC já tenha esta-
belecido, e de modo sistemati-
zado, esquema ilícito de bran-
queamento de capitais (meio 
pelo qual criminosos encobrem 
a origem ilegal de bens ou rendi-
mentos) junto à prefeitura e 
ao Poder Legislativo do mes-
mo município.”
Com esse alerta, o Centro de 
Inteligência da Polícia Militar 
de São Paulo levou ao conheci-
mento do Ministério Público 
do Estado, em junho, suspei-
tas de envolvimento de verea-
dores e outros agentes públi-
cos do Guarujá, no litoral pau-
lista, com o Primeiro Coman-
do da Capital (PCC).
Depois do aviso, o Grupo de 
Atuação Especial de Combate 
ao Crime Organizado (Gae-
co), braço do Ministério Públi-
co de São Paulo, abriu um in-
quérito. Foi no âmbito da in-
vestigação que os vereadores 
Mário Lúcio da Conceição 
(PSB), Santiago dos Santos An-
gelo (PP) e Edmar Lima dos 
Santos (PP) foram alvo de bus-
cas no dia 1.º de outubro, du-
rante a Operação Hereditas.
Mas eles não são os únicos 
políticos citados no processo. 
Derrotado no segundo turno, 
o candidato do PP a prefeito, o 
também vereador Raphael Vi-
tiello, e o vice que compôs a 
chapa, Fernando Martins dos 
Santos, o Fernando Peitola 
(MDB), foram mencionados 
em denúncia recebida pela Po-
lícia Civil envolvendo suspei-
tas semelhantes.
BUSCAS. Vitiello e Peitola são 
implicados em relatório da De-
legacia Seccional de Praia 
Grande, que defende buscas 
em endereços ligados à dupla 
“para obter mais detalhes da es-
trutura criminosa que se insta-
lou no município de Guarujá”.
O Estadão apurou que os 
dois não foram alvo de buscas 
na Operação Hereditas. Embo-
ra seus nomes tenham sido ci-
tados no relatório da Polícia Ci-
vil, o MP estadual não encon-
trou indícios que corroboras-
sem a versão do denunciante.
A reportagem pediu posicio-
namento dos vereadores e dos 
candidatos derrotados. Santia-
go dos Santos declarou que fi-
cou “surpreso” com a opera-
ção, dias antes do primeiro tur-
no das eleições municipais, e 
afirmou que a investigação é fru-
to de denúncia “evidentemen-
te de cunho eleitoreiro”. As de-
fesas de Vitiello e Peitola disse-
ram que eles nem sequer foram 
intimados para prestar esclare-
cimentos e que ambos estão à 
disposição das autoridades.
‘MESADA’. Contratos fechados 
pela prefeitura e pela Câmara 
Municipal com empresas liga-
das a Cristiano Lopes Costa, o 
“Meia Folha”, líder do PCC na 
Baixada Santista, estão no cen-
tro das investigações. Meia Fo-
lha foi assassinado em março 
após um racha na facção crimi-
nosa. Ele tinha ligações com An-
dré de Oliveira Macedo, o An-
dré do Rap, oriundo da Baixada 
Santista e um dos criminosos 
mais procurados do Estado. 
“Meia Folha” foi morto a tiros 
na noite de 12 de março deste 
ano, em uma lanchonete na 
Avenida São Jorge, no Guarujá.
Os contratos firmados com 
empresas ligadas a “Meia Fo-
lha” envolvem a prestação de 
serviços de limpeza e o aluguel 
de equipamentos eletrônicos. 
Os vereadores são suspeitos 
de direcionar as licitações para 
o PCC em troca de uma “mesa-
da”. Para o PCC, os contratos 
públicos eram estratégia para 
lavar dinheiro do tráfico de 
drogas e de armas e, no caso do 
Guarujá, recursos desviados 
também podem ter sido usa-
dos para financiar uma milícia.
A criação de um grupo para-
militar para assumir o mono-
pólio da segurança dos comér-
cios nas imediações de Vicente 
de Carvalho, no Guarujá, era 
um projeto pessoal de “Meia 
Folha”, de acordo com o in-
quérito. A investigação mostra 
que o chefão do PCC chegou a 
viajar para o Rio de Janeiro pa-
ra aprender em campo como 
operavam os milicianos.
Assassinatos em série de po-
liciais que faziam bicos com se-
gurança na região chamaram a 
atenção da Polícia Militar. Os 
agentes teriam sido elimina-
dos para viabilizar o projeto de 
milícia de “Meia Folha”. Havia 
um comando para “caçar” es-
ses policiais, segundo a PM. Es-
se foi o ponto de partida da in-
vestigação, que acabou encon-
trando os contratos de empre-
sas ligadas ao traficante com 
órgãos públicos.
O vereador Mário Lúcio da 
Conceição é apontado como 
uma espécie de operador das 
propinas. A suspeita é a de que 
ele estivesse encarregado de re-
ceber o dinheiro das empresas 
beneficiadas para depois re-
Atuação do traficante 
“Meia Folha”, líder
da facção na Baixada
Santista, morto em 
março, foi o ponto de 
partida da investigação 
Projeto de milícia
Legislativo 
municipal; 
inquérito mira 
contratos 
com empresas 
ligadas a 
traficante
OPERAÇÃO HEREDITAS
REPRODUÇÃO
Reeleito
Vereador investigado 
afirma que inquérito 
que o atinge tem
‘evidentemente
cunho eleitoreiro’
C6 A FUNDO
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
passar à Mesa Diretora da 
Câmara Municipal.
FANTASMA. As suspeitas tam-
bém recaem sobre o vereador 
Edmar Lima dos Santos, que 
chegou a empregar Gabrielle 
Ribeiro Correa, mulher de 
“Meia Folha”, como funcioná-
ria fantasma na Câmara Muni-
cipal, conforme o inquérito. 
Gabrielle foi ainda servidora 
comissionada na prefeitura do 
Guarujá, de 2017 a 2019. Nas 
redes sociais, a mulher do trafi-
cante ostentava uma rotina de 
luxo, com viagens internacio-
nais, joias e roupas de grife.
Outro investigado no caso é 
o empresário Cláudio Fernan-
do de Aguiar (Novo), candida-
to derrotado na disputa pela 
prefeitura do Guarujá. Segun-
do os investigadores, ele teria 
“forte ligação” com “Meia Fo-
lha” e com Caio Fé, o “Marado-
na”, também vinculado ao 
PCC. Na Justiça Eleitoral, 
Cláudio Fernando soma R$ 4,8 
milhões em bens declarados – 
entre eles a empresa ISTV, que 
também foi alvo de buscas na 
Operação Hereditas. Já Rap-
hael Vitiello e Fernando Peito-
la foram implicados em denún-
cia formalizada na Polícia Civil 
e apontados como “incluídos 
no esquema criminoso”.
‘SURPRESA’. Procurado pelo 
Estadão, o vereador Santiago 
dos Santos Angelo informou 
que, como a investigação tra-
mita em sigilo, não poderia se 
aprofundar nas declarações, 
mas disse que está à disposição 
das autoridades para colabo-
rar com a investigação.
“Fiquei surpreso com o ocor-
rido, se tratando de busca e 
apreensão dias antes das elei-
ções, com uma denúncia evi-
dentemente de cunho eleito-
reiro. De qualquer modo, es-
tou tranquilo, confiante na Jus-
tiça, sendo o maior interessa-
do na apuração dos fatos. Nes-
te momento, me coloco ao in-
teiro dispor das autoridades, 
para auxiliar nas investiga-
ções”, afirmou o vereador.
“A minha maior resposta já 
foi dada. Fui reeleito com a se-
gunda maior votação entre os 
vereadores concorrentes ao 
Legislativo do município do 
Guarujá”, declarou Santiago.
SIGILO. Por meio de sua asses-
soria jurídica, Raphael Vitiello 
declarou que não foi alvo da 
Operação Hereditas e em ne-
nhum momento foi intimado 
para prestar qualquer tipo de 
esclarecimento. “Confiamos 
na Justiça e na apuração dos 
fatos. Outrossim, é sabido que 
o processo está em segredo de 
Justiça. Sem mais para o mo-
mento, estamos à disposição 
para maiores esclarecimen-
tos”, diz o comunicado divulga-
do pela assessoria. A defesa de 
Fernando Peitola enviou uma 
nota de teor idêntico à manifes-
tação de Vitiello.
A Câmara Municipal afir-
mou, quando a Operação Here-
ditas foi deflagrada, no dia 1.º 
de outubro, que “entende que 
a apuração de denúncias de ir-
regularidades é fundamental 
para a manutenção da confian-
ça da população nas institui-
ções públicas, e, por isso, acom-panhará atentamente o desen-
rolar das investigações”.
A Casa se declarou à disposi-
ção das autoridades para cola-
borar com o esclarecimento 
dos fatos. “É importante ressal-
tar que o Legislativo preza pe-
lo princípio de que todo acusa-
do de um crime é considerado 
inocente até que o contrário se-
ja provado em um processo ju-
dicial. Esta Casa reitera seu 
compromisso com a ética e o 
cumprimento da legislação.”
Em nota, o Novo afirmou 
que acompanha as investiga-
ções para “compreender a ex-
tensão das alegações” e que 
“não compactua com ilegalida-
des ou irregularidades”. Os ou-
tros citados não responderam 
aos contatos da reportagem. l
CAMARA MUNICIPAL DO GUARUJA - 12/9/2022
“É possível que o PCC já 
tenha estabelecido 
esquema ilícito de 
branqueamento de 
capitais junto à 
prefeitura e ao Poder 
Legislativo do mesmo 
município (Guarujá)”
Centro de Inteligência da 
Polícia Militar de São Paulo
Movimentação de policiais militares no distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá; avanço do crime
ABA BENEDICTO/ ESTADÃO - 31/7/2023
Clima de tensão após 
morte de policial da Rota
Para lembrar
l Violência
Em julho do ano passado, 
dois policiais militares das 
Rondas Ostensivas Tobias 
de Aguiar (Rota), tropa de 
elite da Polícia Militar, fo-
ram baleados quando fa-
ziam patrulhamento na Vila 
Zilda, no Guarujá. O soldado 
Patrick Bastos Reis, de 30 
anos, não resistiu aos feri-
mentos e morreu
l Ponto de tráfico
De acordo com a PM, os poli-
ciais estavam próximos do 
túnel da Vila Zilda, por volta 
das 22 horas, quando foram 
alvo de tiros. O local é conhe-
cido como ponto de tráfico 
de entorpecentes
l Operação
A operação da PM no Guaru-
já contra o crime organiza-
do deixou dez mortos nos 
quatro primeiros dias após a 
morte do soldado. A investi-
gação apontou que o suspei-
to de ter disparado contra 
os policiais cresceu no Pri-
meiro Comando da Capital 
(PCC) na Baixada Santista
l Líderes
Alguns chefes conhecidos 
do PCC são oriundos da Bai-
xada Santista, como é o caso 
de André Oliveira Macedo, o 
André do Rap, um dos crimi-
nosos mais procurados do 
Estado. Cristiano Lopes Cos-
ta, o “Meia Folha”, pivô da 
investigação que alcançou 
agora vereadores e outros 
agentes públicos, também é 
da Baixada
l Região
Mais conhecida pelas praias 
que atraem paulistanos nos 
fins de semana, a Baixada 
Santista passou a assistir ao 
avanço do crime organiza-
do. A região concentra um 
dos maiores números de co-
munidades espalhadas pelos 
morros e manguezais do Es-
tado. São ao menos 40, cin-
co delas no Guarujá
l Expansão
Nessa geografia, locais de 
difícil acesso para o policia-
mento motorizado ajudam 
na expansão das facções, 
que disputam entre si o con-
trole do território. A proxi-
midade do Porto de Santos, 
usado para escoamento de 
drogas para o exterior, atrai 
grupos que desejam aumen-
tar seu poder no tráfico 
l Apreensão
Somente nos três primeiros 
meses do ano passado, equi-
pes da Receita Federal inter-
ceptaram dez partidas de 
cocaína – totalizando 2.686 
quilos – no Porto de Santos
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
A FUNDO C7
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
N
uma das três entrevis-
tas que fiz com Ozzy Os-
bourne, ele se animou 
ao saber que eu era do 
Brasil. “Eu e o Black Sabbath ire-
mos tocar aí, mas ainda é segre-
do”, disse ele, falando da turnê 
de despedida do grupo que 
criou o heavy metal e no qual 
atuou como vocalista. Quando 
falei que a conversa era para fa-
lar sobre as performances no 
País, ele retrucou: “Então ve-
nham assistir ao nosso show!”.
Essa conversa surreal, que 
aconteceu no início de 2016, 
me veio à mente logo após as-
sistir à cerimônia de introdu-
ção de Ozzy Osbourne no 
Rock and Roll Hall of Fame, no 
último dia 19 de outubro. Aque-
le que um dia carregou o título 
de “Senhor das Trevas” ouviu 
o discurso de Jack Black senta-
do num trono estilizado e mos-
trou os efeitos de uma vida de 
excessos e do mal de Parkin-
son, cujo diagnóstico foi divul-
gado em 2019.
O estado atual de saúde de 
Ozzy o impede de pisar de no-
vo num palco. Mas Sharon Os-
bourne, sua mulher e empresá-
ria, ainda sonha com uma per-
formance final em Birming-
ham, cidade natal do marido. 
Torço para que ela se torne rea-
lidade. Nem que seja feito com 
ele o mesmo que fizeram com 
El Cid – que, de acordo com a 
lenda, foi amarrado morto ao 
seu cavalo a fim de aterrorizar 
o exército mouro, lá nos idos 
do século 11. Sua despedida 
dos palcos seria um adeus dig-
no de uma era criativa do uni-
verso do rock. Nossos ídolos 
estão chegando ao final de 
suas trajetórias e não consigo 
ver nomes que se equiparem 
em talento e criatividade. É im-
portante, então, que o adeus 
seja dado em cima do palco, 
onde a categoria das composi-
ções e o amor do artista por 
sua profissão superam a inevi-
tável cobrança do tempo. Eu 
ainda me lembro, por exem-
plo, da emoção que era pre-
senciar Elza Soares (1930-
2022) superar as dores do cor-
po e da alma e dar tudo de si 
na turnê de A Mulher do Fim 
do Mundo (não era roqueira, 
embora seus shows tivessem 
mais energia do que muita 
banda pesada por aí); ou as 
mais recentes apresentações 
de Eric Clapton e Paul Mc-
Cartney no País, onde as even-
tuais falhas na voz foram per-
doadas por conta da entrega 
desses senhores no palco.
A homenagem para Ozzy 
chega com décadas de atraso. 
Mas é bom ver que o cantor in-
glês conseguiu viver a tempo de 
ser eternizado. E me lembro 
agora de outra preciosidade 
que me foi dita por ele. “Sei co-
mo irei morrer. Tenho tanta quí-
mica no meu corpo que um dia 
uma pomba irá defecar na mi-
nha cabeça e irei derreter no as-
falto!” Por favor, alguém afaste 
as pombas de Ozzy Osbourne: 
ele merece uma saída de cena à 
altura de sua importância. l
A hora de dizer adeus a nossos ídolos
Sergio Martins
LUIZ ZANIN ORICCHIO
ESPECIAL PARA O ESTADÃO 
M
uita gente literalmen-
te se mata para entrar 
nos Estados Unidos. 
O país serve de modelo a outros 
povos, como acontece, de ma-
neira acrítica, aqui mesmo no 
Brasil. No entanto, o tal “sonho 
americano”, qual uma ilusão co-
letiva, parece em crise. Ao me-
nos é o que se deduz de alguns 
filmes presentes à 48.ª Mostra 
de Cinema de São Paulo, que ter-
mina na quarta, 30.
A começar pelo badalado Ano-
ra, de Sean Baker, Palma de Ou-
ro em Cannes, ao retratar a vida 
de uma garota de programa de 
origem russa, Ani, ou Anora 
(Mikey Madison), que exerce a 
profissão em Nova York e vive 
uma espécie de Uma Linda Mu-
lher às avessas. Essa anti-Cinde-
rela conhece um playboy russo, 
Ivan (Mark Eydelshteyn), des-
miolado filho de um oligarca do 
pós-comunismo, e engata com 
ele um namoro que termina em 
casamento em Las Vegas.
Mas a história não termina aí, 
como poderão ver os espectado-
res desse filme dirigido por um 
cineasta que adora trabalhar 
com as margens da sociedade 
de seu país – vide os anteriores 
Tangerine e Projeto Flórida.
O questionamento da ilusão 
americana prossegue com A Co-
zinha, do mexicano Alonso Ruiz-
placios, que transforma os basti-
dores de um restaurante em Ma-
nhattan numa espécie de micro-
cosmo ao retratar a vida de imi-
grantes hispânicos na “terra 
das oportunidades”. 
O filme é coral, isto é, distri-
buído em uma série de papéis 
que têm sua função dramática: 
há o negro americano que convi-
ve com seus companheiros de 
origens diversas, homens e mu-
lheres vindos de vários países. 
Mas, se existe um polo narrati-
vo, este é composto pelo casal 
Pedro (Raúl Briones) e Julia 
(Rooney Mara). Ele, cozinheiro 
temperamental vindo do Méxi-
co; ela, uma loira anglo-saxã de 
vida problemática, ambos viven-
do um tormentoso caso de 
amor. O sonho se rompe num 
caso individual que vale como 
reflexão coletiva sobre uma si-
tuação de alta instabilidade.
Ruizpalacios, diretor de fil-
mes como Güeros e O Museu, re-
trata com agudezaessas rela-
ções de exploração entre pa-
trões e empregados fragiliza-
dos por não terem documenta-
ção legal. Elege esse polo assi-
métrico – a relação entre Pedro 
e Julia – como estopim de todas 
as contradições que encon-
tram na cozinha do restaurante 
seu palco privilegiado.
PÓS-GUERRA. Outro exemplo é 
O Brutalista, de Brady Corbet, 
que, em suas 3h37 de duração, 
traz a saga nada heroica de 
László Tóth (Adrien Brody), 
imigrante húngaro que parece 
ter tirado a sorte grande ao po-
der usar, em terra americana, 
seu talento de arquiteto forma-
do pela Bauhaus. Ele chega an-
tes, no imediato pós-guerra, e 
tenta trazer da Europa para os 
EUA sua esposa Erzsébet (Feli-
city Jones). Trabalha para um 
milionário temperamental e 
racista, Len Van Buren (Guy 
Pearce), que o contrata para 
erigir um monumental centro 
de cultura em homenagem à 
mãe recém-falecida.
O filme é grandioso – tanto 
nos acertos quanto nos vacilos 
–, mas, considerações estéti-
cas à parte, é um valioso teste-
munho de tudo o que exige 
uma terra de eleição dos seus 
novos moradores, vindos de 
países empobrecidos ou des-
troçados por uma guerra. Co-
mo definiu uma das persona-
gens: “Este país (os EUA) nos 
apodrece por dentro”.
Um quarto exemplo seria o 
distópico Megalópolis, de Fran-
cis Ford Coppola, que fecha a 
Mostra na quarta, com a presen-
ça do diretor, e estreia nos cine-
mas no dia seguinte. Pelo que se 
sabe, Coppola, autor da trilogia 
O Poderoso Chefão e do alucinan-
te Apocalipse Now, compara a de-
cadência do sonho americano à 
queda do império romano. É 
um projeto de 40 anos, que nin-
guém quis financiar e foi banca-
do pelo próprio diretor. l 
Ozzy Osbourne 
merece uma saída 
de cena à altura 
de sua importância
para o rock
As ilusões do ‘sonho americano’ 
em três filmes da Mostra de SP 
Cinema Festival
ESTADÃOANALISA
TER. Patrícia Ferraz, Sergio Martins (quinzenal) l QUA. Roberto DaMatta l QUI. Luciana Garbin (quinzenal), Patricia Ferraz l SEX. Lusa Silvestre (quinzenal) e Maria Fernanda Rodrigues (quinzenal) l SAB. Alice Ferraz, Suzana Barelli
l DOM. Leandro Karnal, Ignácio de Loyola Brandão (quinzenal)
Produções como 
‘Anora’, ‘A Cozinha’ 
e ‘O Brutalista’ 
mostram desafios dos
imigrantes na ‘terra 
das oportunidades’ 
MOSTRA DE CINEMA DE SÃO PAULO 
Em ‘Anora’, Mikey Madison é uma garota de programa que se casa com playboy filho de um oligarca russo
SERGIO MARTINS É JORNALISTA
E CRÍTICO MUSICAL
C8 CULTURA&COMPORTAMENTO
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
SUMMIT
Atividade física: 
prática é sempre 
uma das principais 
recomendações
de médicos e
especialistas
De hábitos simples à inteligência artificial, a busca por 
longevidade e ampliação do acesso à saúde no Brasil
D16 e D17 Alerta. Aumento no consumo de 
ultraprocessados preocupa, diz Monteiro
FOTOS:TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
SAÚDE E BEM-ESTAR 2024
D1
Caminhos e desafios 
O ESTADO DE S. PAULO
TERÇA-FEIRA,
29DEOUTUBRO
DE2024
INÊS 249
OCIMARA BALMANT
Revolução é um caminho sem 
volta e o Brasil está vivendo a 
revolução da longevidade, as-
segurou o geriatra Alexandre 
Kalache, presidente do Centro 
Internacional de Longevidade 
Brasil, durante o Summit Saú-
de e Bem-Estar, promovido pe-
lo Estadão, nos dias 13 e 14 de 
outubro, no Espaço de Even-
tos do Shopping JK Iguatemi, 
em São Paulo.
“Nossa população nunca 
mais vai ser a mesma”, senten-
ciou Kalache, lembrando que o 
País terá menos bebês, crian-
ças, adolescentes e adultos jo-
vens nas próximas décadas. 
“O único segmento que vai 
continuar a crescer são os 60+. 
Agora, precisamos decidir se 
serão mais anos de velhice ou 
mais anos de vida. Se nós não 
dermos certo, o País afunda”, 
disse o geriatra de 78 anos que 
há mais de 50 se dedica a estu-
dar o envelhecimento.
PRECONCEITO. Dar certo, no ca-
so, significa primeiramente 
combater o idadismo – tam-
bém conhecido como etaris-
mo ou ageísmo –, que pres-
supõe que um jovem tem mais 
valor do que um velho. Enfren-
tado o preconceito, Kalache lis-
tou fatores de risco a serem evi-
tados e pilares a serem cultiva-
dos com dedicação – uma tare-
fa que cabe tanto à sociedade 
como a cada indivíduo.
Os fatores de risco são aque-
les que levam a enfermidades 
precoces, como o tabagismo, o 
consumo de álcool, uma dieta 
pouco saudável e o sedentaris-
mo. Já os pilares da longevida-
de saudável dizem respeito a 
questões como direito à saú-
de, participação ativa na socie-
dade, garantia de segurança e 
proteção e, por fim, acesso con-
tínuo ao conhecimento.
MARATONA. “A vida não é uma 
corrida de cem metros, que 
termina em segundos. A vida é 
uma maratona cada vez mais 
longa. E uma maratona preci-
sa de perseverança, de deter-
minação, de resiliência e, so-
bretudo, de aprendizado. O 
País só vai dar certo com edu-
cação da infância à velhice”, 
afirmou Kalache, que também 
é ex-diretor do Departamento 
de Envelhecimento e Saúde 
da Organização Mundial da 
Saúde (OMS).
NOVA MENTALIDADE. “Hoje, fa-
lar de envelhecimento não é fa-
lar de promoção de saúde, é fa-
lar de doença. Isso precisa mu-
dar. A gente (profissionais da 
saúde) precisa avisar isso à po-
pulação”, afirmou durante o 
Summit a médica geriatra Mai-
sa Kairalla, da Universidade Fe-
deral de São Paulo (Unifesp). 
Ela ressaltou que muitas pes-
soas não fazem check-up e só 
buscam atendimento quando 
já estão doentes.
Trata-se de uma mudança 
de mentalidade que envolve 
não apenas oferecer conheci-
mento e educação para quem 
já chegou aos 60 anos ou pas-
sou dessa idade, mas também 
pensar na formação para a ve-
lhice desde cedo.
“A educação para o envelhe-
cimento precisa ser parte do 
currículo da educação infantil. 
É preciso começar cedo por-
que, neste país de dimensões 
tão grandes, temos muito a fa-
zer do ponto de vista político 
para que todos tenham condi-
ções mínimas de acesso ao que 
é fundamental para o envelhe-
cimento saudável”, afirmou a 
presidente do Departamento 
de Gerontologia da Sociedade 
Brasileira de Geriatria e Geron-
tologia/Nacional (SBGG), Nai-
ra Dutra Lemos, durante pales-
tra no evento. l
Falta de interesse em geriatria vai na 
contramão do cenário demográfico
‘Precisamos decidir se serão mais 
anos de velhice ou mais anos de vida’
Além do etarismo,
desafio para os 60+ é 
aliar bons hábitos a 
uma busca contínua 
de conhecimento,
afirma geriatra
Em 1975, a média de filhos por 
mulher no Brasil era de 5,8. No 
início dos anos 2000, o núme-
ro já estava abaixo da taxa de 
reposição e, hoje, a média na-
cional é de 1,57. Enquanto isso, 
projeções do IBGE mostram 
que a proporção de pessoas 
com 60 anos ou mais passou 
de 8,7% para 15,6% entre 2000 
e 2023. Em 2070, a estimativa é 
de que 37,8% da população do 
País será composta por idosos.
Essa tendência, porém, não 
tem influenciado os egressos 
das escolas de Medicina, de 
acordo com os dados citados 
pelo geriatra Alexandre Kala-
che, no Estadão Summit Saú-
de e Bem-Estar. “Ainda hoje, 
11% dos residentes estão indo 
para a obstetrícia, 10% seguem 
para a pediatria e apenas 0,5% 
escolhem a geriatria”, disse.
DÉFICIT. Ainda nos anos 1970, 
quando realizou uma pesquisa 
para entender o que levava à 
escolha da geriatria pelos 
médicos, a maioria das respos-
tas passou longe do contexto 
demográfico. “Quem escolhia 
geriatria normalmente tinha ti-
do contato com os avós duran-
te a infância”, disse Kalache.
Para a geriatra e coordenado-
ra do Ambulatório de Transi-
ção de Cuidados da disciplina 
de Geriatria e Gerontologia da 
Universidade Federal de São 
Paulo (Unifesp), Maisa Kairal-
la, enquanto persistir esse défi-
cit, será preciso investir em for-
mação para que médicos de di-
ferentes especialidades, além 
de outros profissionais da saú-
de, aprendam a cuidar desse 
contingente crescente.
Presidenteque te-
mos tantos princípios e ideais po-
líticos diferentes que justifi-
quem essa quantidade de parti-
dos? Quando um político fica pu-
lando de partido em partido, se-
rá que ele mudou de ideologia? 
Ou, pior, quando eu votei nele no 
partido A e, durante o mandato, 
ele muda para o partido B, o que 
aconteceu com os ideais que me 
fizeram acreditar e votar nele? E 
quando os partidos veem que 
vão perder e resolvem fazer coli-
gações para tentar ganhar a elei-
ção, o que aconteceu com todo o 
discurso anterior? Ou seja, os par-
tidos hoje não representam nada 
e a ideologia dos políticos pode 
mudar a qualquer hora, confor-
me a vontade/necessidade de 
vencer uma eleição. A meu ver, é 
contra isso que devemos lutar 
num primeiro momento: enxu-
gar o número de partidos, cobrar 
as promessas de campanha e, nu-
ma próxima eleição, não fazer 
doações para campanhas sem 
que haja mecanismos de contro-
le do dinheiro arrecadado.
Claudia Lebovits
São Paulo
Lula e Bolsonaro
No 2.º turno das eleições para 
prefeitos nas capitais brasileiras, 
o PT de Lula perdeu em São Pau-
lo, Porto Alegre, Natal e Cuiabá. 
O PL de Jair Bolsonaro perdeu 
em Belo Horizonte, Fortaleza, 
Manaus, Goiânia, Palmas, Be-
lém e João Pessoa. Está claro que 
os brasileiros sabem que Lula e 
Bolsonaro levaram o Brasil ao 
fundo do poço. Nos últimos 
anos, empresas multinacionais 
fugiram do País, a miséria au-
mentou, a moeda desvalorizou e 
nenhum novo empreendimento 
de grande volume trouxe empre-
gos para os trabalhadores. A falta 
de segurança nas principais capi-
tais assusta. O resultado das ur-
nas foi a resposta dos eleitores 
aos farsantes e dissimulados.
José Carlos Saraiva da Costa
Belo Horizonte
Triste missão
Está se desenhando uma triste 
missão para Lula: programar o 
réquiem do PT.
Lincool Waldemar D’Andrea 
São Paulo
Meta de inflação
O que pensa Galípolo?
Sobre a coluna de Alexandre 
Schwartsman intitulada Galípo-
lo subscreve a proposta de seu men-
tor de elevar meta de inflação ou fin-
girá que não é com ele? (Estadão, 
26/10), acho que a discussão so-
bre mudar o centro da meta de 
inflação é um debate importante 
e deve ser feito sem paixões. In-
dependentemente de concordar 
ou discordar da necessidade de 
revisar a meta, há um relativo 
consenso de que o Brasil precisa 
escapar da armadilha da renda 
média e chegar ao patamar da 
renda alta. Se todos concordam 
que o objetivo é fazer com que o 
Brasil alcance o patamar de bem-
estar econômico dos países de-
senvolvidos, é preciso então 
olhar para os países de renda alta 
e tentar entender o que eles fize-
ram, como eles conseguiram es-
capar da armadilha da renda mé-
dia. Uma pergunta que precisa-
mos responder é a seguinte: du-
rante o período de transição en-
tre a renda média e a renda alta, 
qual era a inflação desses países? 
Quantos desses países hoje con-
siderados ricos mantiveram 
uma taxa de inflação de 1%, 2%, 
3% ao ano? Hoje, o centro da me-
ta brasileira é de 3%. A meta ame-
ricana é de 2%; a meta dos euro-
peus é de 2%; e a meta dos austra-
lianos é de 2% a 3% ao ano. Nós 
somos uma país de renda média, 
perseguindo uma meta de país 
de renda alta. Na minha modesta 
ignorância, fico receoso de que o 
Brasil, ao perseguir uma inflação 
de país rico, mesmo sendo um 
país de renda média, esteja preju-
dicando sua capacidade de se tor-
nar um país rico. Se toda vez que 
o País ensaia aumentar suas ta-
xas de crescimento, a autoridade 
monetária deprime a oferta de 
crédito aumentando juros, tere-
mos de conviver eternamente 
com um crescimento de 1%? 
Não sei, mas gostaria de pergun-
tar isso para o debate acadêmico: 
qual era a inflação dos países que 
hoje são considerados ricos du-
rante o processo de enriqueci-
mento? Talvez esses países tive-
ram de conciliar taxas razoáveis 
de crescimento com taxas mode-
radas de inflação.
Felipe Eduardo Lázaro Braga
São Paulo
O Estado reserva-se o direito de selecionar e resumir as cartas. 
Correspondência sem identificação (nome, RG, endereço e telefone) será desconsiderada l E-mail: forum@estadao.comFÓRUM DOS LEITORES
Francisco Gomes Neto
É PRESIDENTE E CEO DA EMBRAER
Assim como visionários
imaginavam que era
possível o País construir
seus próprios aviões,
também é possível
liderar a corrida global
da transição energética
e da economia verde
A4 O ESTADO DE S. PAULO
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
INÊS 249
l “É um escárnio uma candidatura receber 
R$ 81 milhões de dinheiro público.”
FABRÍCIO INDIGO
l “Teve o que merecia! Muita pretensão des-
se senhor querer governar São Paulo.”
MÁRCIA BARBALHO
l “Esquerda sendo devastada do País… PT 
então nem aparece mais… bons presságios 
para 2026!!!”
LINCOLN PIZZOQUERO
l “Parabéns Boulos. Você não perdeu nada. 
Quem perdeu foi São Paulo.”
SOCORRO QUIRINO
Apesar da campanha mais estruturada, 
com apoio de mais partidos e orçamento de mi-
lhões, Guilherme Boulos (PSOL) repetiu a vota-
ção da eleição de 2020, conquistando apenas 
155,8 mil votos a mais nas eleições deste ano. l 
Segurança, educação e o universo prisional
Comentários de leitores no 
portal e nas redes sociais
‘Conectado’: assine e co-
mece o dia bem informado. l
https://bit.ly/3K6DaB3
Pontal do Peba, em Ala-
goas, tem erosão crítica.l
https://encr.pw/GPLSM
Vendas caem e Tesla dá 
descontos acima de 20%. l
https://encr.pw/4718e
ESPAÇO ABERTO
O
governo federal 
enfrenta dificul-
dades na segu-
rança pública 
com problemas 
conhecidos e recorrentes. Em 
geral, a justificativa é a ausên-
cia de verbas para atender às 
demandas, o que é parcialmen-
te verdade. Um país que está 
entre as dez maiores econo-
mias do mundo não pode ale-
gar falta de recursos. A ques-
tão é como esse erário é aloca-
do e distribuído.
Na segurança pública os pro-
blemas são variados e parte de-
les reflete no universo prisio-
nal. Em pleno 2024 não se sa-
be, com exatidão, qual a popu-
lação carcerária brasileira. E 
como implementar e desen-
volver políticas de ressociali-
zação sem se saber qual é esse 
número?
Falta um banco de dados efi-
ciente, minimamente confiá-
vel e unificado acerca do total 
dos presos no Brasil, pois 
quando não se conhece o pú-
blico, poucos resultados são 
obtidos, e no cárcere a realida-
de é a mesma. Claro está que a 
capacidade de ressocialização 
dos presos é baixa, pois, segun-
do o Anuário Brasileiro de Segu-
rança Pública 2024, apenas 
19,7% trabalham, mesmo dian-
te do artigo 126, parágrafo 1.° 
da Lei de Execução Penal, que 
prevê a redução de um dia de 
pena por três dias trabalhados 
pelo condenado que cumpre 
pena em regime fechado ou se-
miaberto. O mesmo artigo 
também prevê a remissão pe-
lo estudo. Assim, o Estado bra-
sileiro falha ao não incentivar 
e/ou aproveitar a previsão le-
gislativa para capacitar e edu-
car o preso ao longo do cum-
primento da pena.
E qual a relevância da resso-
cialização para o Estado De-
mocrático de Direito brasilei-
ro? No Brasil não temos pena 
de morte, logo, se pressupõe 
que os presos ao cumprirem 
sua pena serão reinseridos na 
sociedade. Dessa forma, se o 
governo federal ofertar cami-
nhos para capacitar a popula-
ção prisional, os frutos podem 
ser revertidos para a própria 
sociedade.
Uma parcela significativa 
da população brasileira consi-
dera que o preso é um mal so-
cial e, não por acaso, o adágio 
popular “bandido bom é ban-
dido morto” ainda reverbera 
no Brasil. Por conseguinte, te-
mos insatisfação quando há a 
cogitação de investimentos 
para educar o preso. A repos-
ta dos contrários, em geral, é: 
o Estado paga pelo preso e 
ainda vai investir em uma pes-
soa que cometeu um crime? 
Exatamente.
A educação é o melhor cami-
nho para recuperar o preso e, 
para tanto, precisamos com-
preender como é esse univer-
so. Quarenta e três por cento 
dos presos têm idade entre 18 
e 29 anos, e se for considerado 
até os 34 anos, o número chega 
a quase 63%. Acerca da escola-do Departamen-
to de Gerontologia da Socieda-
de Brasileira de Geriatria e Ge-
rontologia (SBGG), Naira Du-
tra Lemos defendeu a necessi-
dade de políticas públicas de 
longo prazo que considerem a 
formação para a velhice desde 
a primeira infância. “Que esco-
la infantil ensina à criança que 
ela vai envelhecer?” l O.B.
NA WEB
www.estadao.com.br/
Assista aos painéis sobre as
demandas da população 60+
Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil: ‘O único segmento que vai continuar a crescer são os 60+’
FOTOS: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO 
“A vida não é uma 
corrida de cem metros, 
que termina em 
segundos. A vida é uma 
maratona cada vez 
mais longa. E uma 
maratona precisa de 
perseverança, de 
determinação, de 
resiliência e, sobretudo, 
de aprendizado. O País 
só vai dar certo com 
educação da infância à 
velhice”
Alexandre Kalache
Geriatra
Discriminação
Idadismo, etarismo ou 
ageísmo: termos se
referem ao preconceito
por causa da idade
Longevidade
Maisa Kairalla, da Unifesp:
investimentos em formação
Naira Lemos, da SBGG: políticas 
públicas de longo prazo
D2 ESPECIAL
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
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Este material é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado por Novartis.
Especialistas discutem soluções para ampliar o 
acesso e melhorar a qualidade da saúde no Brasil
No Estadão Summit Saúde & Bem-Estar 2024, painel explorou caminhos para 
integrar sistemas e garantir assistência eficiente em meio a restrições financeiras
O Brasil enfrenta um desafio 
histórico quando o assunto é 
saúde pública. Em um país de 
dimensões continentais e reali-
dades econômicas e sociais tão 
diversas, garantir que a popula-
ção tenha acesso a cuidados de 
qualidade é uma questão cada 
vez mais premente. Esse foi o 
foco do brand talk “Reimagi-
nando a medicina: qualidade 
assistencial e desafios financei-
ros” no Estadão Summit Saúde 
& Bem-Estar 2024. A discussão 
contou com a participação de 
Fábio Guimarães, diretor de 
Valor e Acesso da Novartis Bra-
sil; Denizar Vianna, professor 
titular da Faculdade de Ciências 
Médicas da Universidade Esta-
dual do Rio de Janeiro (UERJ); 
e César Franco, CEO da joint 
venture ABPF Oncologia. A me-
diação foi feita pela jornalista 
Camila Silveira.
Logo no início, Vianna deu 
o tom da conversa ao destacar 
os três pilares que sustentam 
qualquer sistema de saúde: 
acesso, qualidade e sustenta-
bilidade. “O Brasil compro-
mete hoje 4% do PIB com 
saúde pública, enquanto os 
países da Organização para 
a Cooperação e Desenvolvi-
mento Econômico (OCDE) 
destinam pelo menos 6,5% 
para sistemas de acesso uni-
versal. Precisamos aumentar 
esse percentual, mas isso não 
Tiago Queiróz
será possível dentro das atu-
ais regras fiscais”, apontou.
Embora o Sistema Único de 
Saúde (SUS) tenha avançado 
em termos de acesso, Vianna 
destacou que ainda enfrenta 
grandes gargalos, especial-
mente na média complexi-
dade. “O diagnóstico precoce 
e o acesso a especialistas são 
pontos críticos. Pacientes com 
câncer, por exemplo, muitas 
vezes esperam mais do que 
o necessário para obter um 
diagnóstico, o que comprome-
te a eficácia do tratamento”, 
explicou. Ele também enfati-
zou que o setor público, por si 
só, não conseguirá superar es-
ses obstáculos. “É preciso uma 
colaboração entre os setores 
público e privado”, completou.
A fragmentação do atendi-
mento foi outro ponto crítico 
apontado pelo professor. “O 
paciente faz radioterapia em 
um lugar, quimioterapia em 
outro e o diagnóstico em um 
terceiro local. Precisamos in-
tegrar esses processos para ga-
rantir uma jornada contínua e 
eficiente”, ressaltou. 
Inovação e colaboração 
no setor de saúde
Já Fábio Guimarães, da No-
vartis, destacou o papel inova-
dor da empresa no cenário de 
saúde brasileiro. “Nos últimos 
cinco anos, trouxemos 18 ino-
desenhamos linhas de cuidado 
integradas. O tratamento é uma 
parte, mas o impacto real vem 
da gestão coordenada e da oti-
mização de recursos”, explicou.
César Franco, CEO da ABPF 
Oncologia, trouxe à discussão 
a experiência da joint venture 
entre BP, Bradesco e Fleury, cria-
da para enfrentar os desafios de 
integração no atendimento on-
cológico. “Desenhamos todo o 
processo de cuidado de ponta a 
ponta, com tecnologia e indica-
dores que nos permitem acom-
panhar a jornada do paciente 
e garantir que o cuidado seja o 
melhor possível”, destacou.
Durante o painel, ficou cla-
ro que colocar o paciente no 
centro do debate é fundamen-
tal. Vianna reforçou essa visão 
ao afirmar que “o paciente não 
quer saber se está sendo trata-
do pelo público ou privado, ele 
quer ser bem atendido”. A frase, 
ecoada por todos os participan-
tes, resume a urgência de uma 
maior articulação entre os di-
ferentes agentes do sistema de 
saúde, sempre com foco nas ne-
cessidades reais de quem está na 
ponta do ecossistema.
Ao final, Guimarães sinteti-
zou o sentimento geral: “A cola-
boração entre todos os agentes 
do sistema é o primeiro passo 
para transformar a ciência em 
soluções acessíveis e efetivas 
para os pacientes”, concluiu. 
Nos últimos cinco anos, 
trouxemos 18 inovações 
ao sistema de saúde, 
incluindo a primeira 
terapia gênica, mas a 
inovação só é efetiva 
quando vem acompa-
nhada de colaboração. 
Precisamos trabalhar em 
conjunto com o sistema 
público e as operadoras 
privadas para garantir 
que essas inovações 
cheguem a quem 
mais precisa”
No palco, a mediadora Camila Silveira com César Franco, ABPF Oncologia; Denizar Vianna, da UERJ; e Fábio Guimarães, 
da Novartis Brasil, que participaram do brand talk ‘Reimaginando a medicina: qualidade assistencial e desafios financeiros’
vações ao sistema de saúde, in-
cluindo a primeira terapia gê-
nica, mas a inovação só é efetiva 
quando vem acompanhada de 
colaboração. Precisamos traba-
lhar em conjunto com o sistema 
público e as operadoras priva-
das para garantir que essas ino-
vações cheguem a quem mais 
precisa”, afirmou.
Como exemplo desse esforço 
colaborativo, Guimarães men-
cionou uma parceria da Novar-
tis com operadoras de saúde, 
envolvendo aproximadamente 
7,5 milhões de vidas. “Juntos, 
Fábio Guimarães, 
diretor de Valor e 
Acesso da Novartis Brasil
O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL D3
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GIOVANNA CASTRO
Melhorar a coleta de dados e 
criar conexão entre diferentes 
sistemas são essenciais para ga-
rantir a eficiência da inteligên-
cia artificial (IA) e seu poten-
cial na área da saúde. Segundo 
a professora de IA e Robótica e 
vice-diretora do Instituto de 
Computação da Unicamp, Es-
ther Luna Colombini, os ban-
cos de dados precisam estar 
bem estruturados, com infor-
mações confiáveis e diversas.
“Estamos numa convergên-
cia para chegar a resultados in-
críveis, desde que esses mode-
los sejam feitos com bases de 
dados precisos”, disse ela no 
Estadão Summit Saúde e Bem-
Estar. “O SUS pode ser referên-
cia no cenário de dados”, acres-
centou, dada a abrangência do 
Sistema Único de Saúde.
Para o CEO do A.C. Camar-
go Câncer Center, Victor Pia-
na, “não adianta usar IA com 
dados faltantes”. O A.C. Ca-
margo tem sido referência no 
uso de tecnologia para leitura 
de exames e organização de fi-
la de prioridade de pacientes 
com câncer. Piana defendeu a 
criação de “massa única de da-
dos”, com a colaboração entre 
empresas de saúde e o SUS.
“Qualquer modelo de IA é 
tão bom quanto os dados que 
os alimentam. Dados pobres 
ou enviesados vão gerar uma 
inteligência artificial pobre ou 
enviesada”, disse o diretor de 
Estratégia e Inovação da MSD 
Brasil, Francisco Gaia.
Coordenador-geral de Disse-
minação e Integração de Da-
dos e Informações em Saúde 
do Ministério da Saúde, Tiago 
Bahia Fontana afirmou que o 
governo trabalha na integração 
dos sistemas, hoje regionaliza-
dos. “Já temos capacidade com-
putacional, com nuvem públi-
ca. Já temos isso (a coleta de da-
dos), mas de maneira fragmen-
tada.O esforço é fazer com que 
isso seja coordenado.”
Entre os potenciais na saú-
de, os especialistas destaca-
ram a prevenção de doenças e 
complicações, por meio da 
análise do histórico do pacien-
te e comparação com dados de 
pessoas com as mesmas carac-
terísticas que tiveram determi-
nada doença ou complicação.
“Começamos na atenção pri-
mária para coletar dados iniciais 
de qualidade e, a partir destes 
dados, começamos a entender 
quais preditores dos pacientes 
que evoluíram para uma sepse 
na UTI, por exemplo”, relatou o 
diretor da Saúde Digital do Hos-
pital das Clínicas da Faculdade 
de Medicina da USP, Carlos Ro-
berto Ribeiro de Carvalho.
Existe ainda potencial de de-
senvolvimento de vacinas por 
modelos anteriormente ma-
peados e diagnóstico mais rápi-
do de tumores por meio de lei-
tura computadorizada de to-
mografias. “Temos bases de va-
cina ‘open source’ (softwares de 
código aberto, que mais pessoas 
podem acessar)”, disse Gaia.
RADIOLOGIA. Piana ressaltou 
que áreas que começaram an-
tes o dever de casa de coleta de 
dados – e uma das melhores for-
mas de fazer isso é por meio de 
documentação de exames, que 
podem ser lidos por IA – já têm 
resultados mais precisos hoje, 
a exemplo da radiologia. “A IA 
nos ajuda a encontrar detalhes 
muito sutis em mamografias. E 
isso não é competir com radio-
logista. A IA não vai substituir 
o médico, vai substituir o médi-
co que não sabe usar a IA.” l
LEON FERRARI
Há uma linha que divide o He-
misfério Sul e o Norte quan-
do o assunto é inovação. De 
acordo com o Global Innova-
tion Index 2024, da World In-
tellectual Property Organiza-
tion, o Brasil está na posição 
50 de um ranking que conta 
com 133 países.
Quando o assunto são as life 
sciences (ciências da vida, em 
tradução literal), área que estu-
da os organismos vivos e os 
processos relacionados à vida, 
fica um pouco melhor, mas há 
espaço para avanços, defen-
deu a professora titular da Ca-
deira de Saúde Global e Desen-
volvimento Clínico na Univer-
sidade de Oxford Sue Ann Cos-
ta Clemens, diretora do Ox-
ford Latam Research Group.
“Focando na inovação em 
ciência, em relação aos líderes 
globais de pesquisa, estamos 
na posição 21. Entre os países 
de baixa e média renda, somos 
o número 2, o que é excelen-
te”, disse ela durante palestra 
no Summit Saúde e Bem-Es-
tar, promovido pelo Estadão.
“Na parte de produção cien-
tífica, estamos, no ranking glo-
bal, na posição número 14. A 
USP, na posição número 1 na 
América Latina, mas quando 
olhamos a nível global, na posi-
ção 106. O que está faltando? 
Está faltando a gente traduzir 
pesquisa e inovação em impac-
to em saúde”, afirmou.
Superar essa lacuna em ciên-
cia translacional, isto é, em con-
verter os achados de uma pes-
quisa em um “produto” e ofere-
cê-lo à sociedade, é fundamen-
tal, afinal, inovação está direta-
mente ligada à melhoria da qua-
lidade de vida e ao aumento dos 
anos de vida, segundo Sue Ann.
“Certamente, se estamos 
aqui hoje, gozando de boa saú-
de, inovação e pesquisa tive-
ram muito a ver com esse des-
fecho”, destacou ela, ao lem-
brar que sua primeira partici-
pação no Summit foi remota, 
enquanto o mundo era assola-
do pela pandemia da covid-19.
Embora a primeira coisa que 
venha à cabeça quando o assun-
to é inovação seja um produto 
novo, nem sempre é assim, des-
tacou a professora. “A inovação 
também pode ser um aprimora-
mento de algo que já existe.”
DISRUPTIVA. Um requisito fun-
damental, destacou, é a criati-
vidade. “A inovação é disrupti-
va, desafia o status quo, e isso, 
às vezes, nos deixa um pouco 
cautelosos.” Por isso ela defen-
deu a necessidade de transpa-
rência. “Se for transparente e 
for explicado, ela se torna mui-
to mais fácil de ser absorvida, 
de trazer fomento e gerar em-
pregos e crescimento econô-
mico”, observou.
“Mais uma vez, nós temos ta-
lentos e provamos isso via nos-
sa produção científica em dife-
rentes nichos, mas, se esses ni-
chos não se conectarem, a gen-
te não entrega impacto. Ou se-
ja, a inovação não é sustentá-
vel, não está aplicada à nossa 
realidade”, disse a professora.
Nesse sentido, há muitos de-
safios para os pesquisadores, 
de acordo com ela. No Brasil, 
em geral, eles não têm dedica-
ção exclusiva. “Ele tem vários 
empregos e, além disso, tem 
que fazer a pesquisa.” Ela defen-
deu mais fomento, capacitação, 
mentores capacitados, além de 
um desenvolvimento de carrei-
ra programado e um investi-
mento da indústria nacional.
“É muito fácil a gente chegar 
aqui e falar: ‘Vamos fazer isso’. 
Mas, se você não tem um pro-
fissional qualificado… Às ve-
zes, ele é bem qualificado tecni-
camente, na doença, na patolo-
gia, mas não no desenvolvi-
mento. O pesquisador tem 
uma formação diferente do 
médico e do enfermeiro.”
Especialista na área de vaci-
nas, Sue Ann se mostrou ani-
mada com os avanços que a in-
teligência artificial pode tra-
zer. Segundo ela, a IA é prediti-
va para o controle de doenças 
infecciosas e para a identifica-
ção de alvos e design de produ-
tos-candidatos. “Em vez de fi-
carmos anos na pesquisa de 
bancada, entendendo qual é o 
receptor, o antígeno, qual é a 
melhor plataforma para o de-
senvolvimento daquele produ-
to, a inteligência artificial nos 
ajuda a acelerar esse processo 
com qualidade.” l
Coletar dados de qualidade é lição de casa para uso da IA
NA WEB
www.estadao.com.br/
Assista ao painel sobre inteligência 
artificial na saúde
Banco qualificado de dados é fundamental, segundo especialistas
Oportunidade
Tecnologia pode
impulsionar desde a
prevenção de doenças até 
a criação de vacinas
NA WEB
www.estadao.com.br/
Assista à palestra sobre inovação e 
pesquisa e o futuro da saúde
FOTOS: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO 
Professora Sue Ann Clemens defendeu capacitação de pesquisadores
Áreas
Preparação para pandemia, 
impactos do clima na saúde 
e longevidade estão entre 
os focos para inovação
‘Precisamos
traduzir a
pesquisa em
impacto na
saúde pública’
“Provamos (talento) via 
produção científica em 
diferentes nichos, mas, 
se esses nichos não se 
conectarem, a gente não 
entrega impacto”
Sue Ann Costa Clemens
Pesquisadora de Oxford
Brasil não está mal
no ranking mundial 
de inovação, mas há
espaço para melhora, 
afirma Sue Ann Costa 
Clemens, de Oxford
Ciência
D4 ESPECIAL
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Este material é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado por A.C.Camargo.
A descoberta de um câncer 
é um momento impactante na 
vida de qualquer pessoa, ini-
ciando uma jornada cheia de 
desafios. Os avanços na medi-
cina e as novas tecnologias têm 
contribuído para que o trata-
mento oncológico seja mais efi -
ciente e menos custoso.
No A.C.Camargo Cancer Cen-
ter, cirurgias minimamente in-
vasivas, como as robóticas, redu-
zem o tempo de internação nas 
Unidades de Terapia Intensiva 
(UTIs). Pacientes passam em mé-
dia 3,28 dias, enquanto a média 
em outros hospitais privados 
é de 5,98 dias. Processos perso-
nalizados no atendimento tam-
bém contribuem para a menor 
procura por pronto-socorro, 
como enfermeiras navegadoras 
coordenando toda a jornada do 
paciente, diminuindo o tempo 
de espera para o início do trata-
mento, sempre em conformida-
de com os protocolos clínicos. 
Dados do A.C.Camargo mos-
tram que pacientes "navegados" 
têm 16% mais chances de cura e 
custam R$ 25 mil a menos para o 
sistema de saúde.
O mo delo exclusivo de 
um Cancer Center como o 
A.C.Camargo acompanha de 
forma eficaz toda a jornada 
do paciente, do diagnóstico 
ao tratamento e até remissão. 
Ao considerar o paciente em 
sua totalidade e com um pla-
Diagnósticos rápidos, precisos e precoces aliados aos mais modernos tratamentos 
aumentam as chances de cura de diversos tipos de tumor
Avanços em ciência e tecnologia transformam 
a jornada do paciente oncológico
nejamento personalizado, o 
desperdícioé minimizado, tor-
nando a cadeia mais efi ciente e 
gerando melhores resultados.
Rastreamento ágil
Segundo o Dr. Felipe Coim-
bra, líder cirúrgico do Centro 
de Referência de Tumores do 
Aparelho Digestivo Alto do 
A.C.Camargo, o diagnóstico pre-
coce é essencial para o sucesso 
no tratamento oncológico. “O 
check-up anual é uma ferramen-
ta valiosa para identificar ano-
malias ainda em estágio inicial”, 
afirma o médico. No caso do 
câncer de estômago em homens, 
quando diagnosticado precoce-
mente, a taxa de cura é superior 
a 80%, enquanto no estágio 3 
cai para 48%. Em mulheres, as 
chances de cura diminuem de 
88% para 47%, do estágio 1 para 
o estágio 3, respectivamente.
O câncer de pâncreas, uma 
13 Centros de Referência 
especializados em cada tipo 
de tumor, inclusive os raros
+ de 1.700 artigos publicados 
nos últimos anos
+ de 255 publicações em 
revistas internacionais
+ de 2 mil residentes formados 
+ de 1 mil mestres e doutores 
especializados em oncologia
Pioneirismo em enfermeiras 
navegadoras, coordenando 
a jornada e aumentando 
em 16% as taxas 
de sobrevida
Redução de 50% em relação à 
literatura em internação em UTI 
com cirurgias robóticas 
minimamente invasivas
Consulta
Diagnóstico
Tratamento
Acompanhamento 
por 5 anos 
Tumor Board
Confirmação diagnóstica 
e discussão do 
plano terapêutico
Cirurgia e/ou outros 
procedimentos
PESQUISA
Fim do ciclo de tratamento
PACIENTE NO CENTRO E 
A CIÊNCIA AO SEU REDOR
TRATAMENTO
DIAGNÓSTICO
ENSINO
A.C.CAMARGO 
CANCER CENTER
94% dos pacientes 
A.C.Camargo não 
apresentaram 
incontinência urinária 
12 meses após 
tratamento de câncer 
de próstata
Realização
de exames
Prevenção
Sobrevida em estágio inicial:
Mama 98,7%
tireoide 99,1% em mulheres / 
98,8% em homens
Após concluir o tratamento 
e 'tocar o sino', que marca o 
fim de um ciclo, o paciente 
oncológico segue em acom-
panhamento por, pelo menos, 
cinco anos até ser considerado 
curado, mas já retoma suas ati-
vidades e reconstrói sua vida 
antes desse período.
Luciana da Costa, 45 
anos, gerente de Nutrição do 
A.C.Camargo, foi diagnosticada 
com câncer de mama em feve-
reiro de 2023. "Minha vida virou 
de cabeça para baixo. Foi um 
ano de cirurgia, quimioterapia, 
radioterapia e terapia-alvo", 
relembra. Durante o trata-
mento, Luciana não se afastou 
completamente do trabalho. 
"Acreditava que ficar em casa 
pensando na doença seria pior. 
Embora debilitada em alguns 
momentos, trabalhei remota-
mente sempre que possível."
Ao retornar, Luciana se 
sentiu insegura e angustia-
da. "Eu associava a doença à 
minha rotina anterior, como 
se meu estilo de vida tives-
se causado o câncer. Queria 
mudar tudo." Com o tempo, 
percebeu que o importante 
era o cuidado atual. "Sempre 
me preocupei com a alimen-
tação, então mantenho uma 
dieta equilibrada, não consu-
mo álcool e pratico exercícios 
diariamente. Sinto-me bem e 
fortalecida para recomeçar."
das neoplasias mais agressivas, 
é frequentemente descoberto 
tardiamente devido à ausên-
cia ou à sutileza dos sintomas 
iniciais. “Desenvolvemos no 
A.C.Camargo um protocolo de 
diagnóstico rápido para o cân-
cer de pâncreas, que reduz o 
tempo de espera para diagnós-
tico e início do tratamento para 
72 horas. Essa iniciativa inclui 
um sistema que integra todos 
os serviços necessários para um 
planejamento terapêutico efi-
ciente”, explica Coimbra.
Tumor com sobrenome
As novas tecnologias permi-
tem detectar o câncer de forma 
mais rápida e detalhada, identi-
ficando o tipo exato de tumor 
e suas características molecu-
lares. “Com essas informações, 
podemos selecionar tratamen-
tos mais eficazes e melhorar o 
prognóstico, aumentando as 
chances de sucesso”, explica a 
pesquisadora Dirce Maria Car-
raro, responsável pela divisão 
de Pesquisa e Desenvolvimento 
do Núcleo de Diagnóstico Ge-
nômico do A.C.Camargo.
Para casos complexos que 
exigem abordagens além dos 
protocolos tradicionais, o 
A.C.Camargo conta com o Tu-
mor Board, um grupo multidis-
ciplinar de médicos e pesqui-
sadores que, juntos, definem a 
melhor conduta.
Do começo ao recomeço
O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL D5
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LEON FERRARI
A população brasileira cresce – 
em um ritmo menos acelerado 
do que no passado, é verdade 
–, mas, ao mesmo tempo, enve-
lhece em velocidade nunca an-
tes vista. Isso gera, para o siste-
ma de saúde, um desafio du-
plo, que é atender a demandas 
de ambos os lados da pirâmide 
etária. Como, então, fazer isso 
e vencer as famosas filas por 
exames e atendimentos?
Para especialistas que parti-
ciparam do Estadão Summit 
Saúde e Bem-Estar, as parce-
rias público-privadas (PPPs) 
podem ser parte da resposta. 
“É importante o público e o pri-
vado caminharem juntos, ou a 
gente não vai conseguir fazer 
com que o sistema de saúde co-
mo um todo consiga atender es-
ses 210 milhões de habitantes”, 
disse o superintendente do 
Hospital das Clínicas da Facul-
dade de Medicina da USP, An-
tonio José Rodrigues Pereira.
“Na pandemia de covid-19, 
ficou demonstrada a im-
portância do SUS, mas tam-
bém a importância de o SUS 
trabalhar junto com hospitais 
privados, e o privado como um 
todo”, continuou Pereira.
Diretor de Responsabilida-
de Social e Sustentabilidade 
do Hospital Israelita Albert 
Einstein e diretor de Ensino 
do Instituto Brasileiro das Or-
ganizações Sociais de Saúde (I-
bross), Guilherme Schettino 
afirmou que as PPPs são um 
“modelo jovem”. “Estamos ex-
perimentando essa oportuni-
dade de parceria nos últimos 
20 anos”, disse.
BENEFÍCIOS. Segundo Schetti-
no, uma das vantagens das par-
cerias é levar a excelência de 
gestão do setor privado para o 
setor público. “Levar o olhar 
para satisfação do usuário. Per-
guntar para o usuário se ele foi 
bem atendido, pedir sugestões 
em relação ao atendimento 
que recebeu.” Outro benefí-
cio, destacou, é a possibilidade 
de repassar tecnologia, como 
telemedicina e cirurgias ro-
bóticas, que funcionaram na 
saúde suplementar.
Para a diretora executiva de 
Pessoas, Sustentabilidade e 
Responsabilidade Social do 
Hospital Alemão Oswaldo 
Cruz, Maria Carolina Gomes, 
o modelo deve ser adotado por-
que permite a possibilidade de 
reunir a experiência de servi-
ços do ente privado e aportar 
esse conhecimento no SUS.
Do lado do setor privado, 
disse Maria Carolina, o ganho 
é o desenvolvimento de pes-
soas. “Porque, nessa parceria, 
há um compartilhamento de 
práticas.” Nesse sentido, 
Schettino destacou que o se-
tor privado tem muito a apren-
der sobre atenção primária, is-
to é, a porta de entrada do siste-
ma de saúde, com o SUS. l
OCIMARA BALMANT
Apesar de o setor de saúde res-
ponder por 10% do PIB, o de-
senvolvimento da área requer 
que o País consiga reverter o 
déficit de US$ 10 bilhões na ba-
lança comercial no setor de fár-
macos e biofármacos, afirmou 
o diretor de Desenvolvimento 
Produtivo, Inovação e Comér-
cio Exterior do BNDES, José 
Luis Gordon.
“Queremos uma indústria 
de fármacos inovadora. Va-
mos inovar em genérico, mas 
também em tecnologias dis-
ruptivas”, disse ele durante o 
Estadão Summit Saúde e Bem-
Estar. De acordo com Gordon, 
nos últimos dois anos, o setor 
da saúde foi o que mais buscou 
investimentos dentro da agen-
da de inovação do BNDES. “Fo-
ram R$ 6 bilhões, o maior fi-
nanciamento da história do 
BNDES no setor.”
O objetivo é o apoio a uma 
indústria “mais digital, mais 
inovadora e mais verde, que 
use a diversidade brasileira pa-
ra desenvolver novos fárma-
cos”. Uma movimentação que 
abarca também hospitais, ser-
viços de saúde e a indústria de 
máquinas e equipamentos.
Gordon citou três estraté-
gias do BNDES já direcionadas 
ao segmento. Uma delas é o 
Fornecedores SUS, que consis-
te em crédito associado a uma 
meta de fornecimento ao Siste-
ma Único de Saúde de disposi-
tivos para saúde produzidosno País. “É um sistema ágil, 
com financiamento rápido.”
Para o início de 2025 tam-
bém está previsto o lançamen-
to de um fundo para as chama-
das deep techs, que são star-
tups baseadas em investigação 
científica. “Esse nicho hoje ad-
quiriu maturidade”, afirmou.
Por fim, o BNDES será agen-
te financeiro do Fundo de In-
vestimento (Fiis), instrumen-
to que vai financiar equipa-
mentos e serviços nas áreas de 
educação básica, saúde e segu-
rança pública. “A saúde está 
no centro da economia do futu-
ro. Por isso, queremos cada 
vez mais um setor mais forte e 
competitivo, e isso é o papel 
do BNDES”, declarou.
INTERDISCIPLINAR. Ao abrir o 
Summit, o CEO do Estadão, 
Erick Bretas, afirmou que a 
saúde é tema urgente. “Se 
doenças relacionadas à falta 
de saneamento e à desnutri-
ção parecem superadas, agora 
enfrentamos a ameaça da obe-
sidade e do sedentarismo. Há 
ainda enfermidades que ga-
nham força com as mudanças 
climáticas.”
Ele defendeu uma discussão 
de forma interdisciplinar. 
“Não é possível falar em saúde 
sem incluir tecnologia, econo-
mia, empreendedorismo, po-
líticas públicas e iniciativas pri-
vadas. Os caminhos estão na 
ação de todos esses agentes.”
Coordenador do Programa 
Avança Saúde da Secretaria 
Municipal da Saúde, Marcelo 
Itiro Takano destacou o tripé 
no qual a atuação da pasta se 
baseia. “Repositório de da-
dos, plataforma de teleassis-
tência e aplicativo do cida-
dão. A integração é o desafio 
do futuro.” l
Setor se movimenta
para reverter quadro 
e foi o que mais buscou 
investimentos dentro 
da agenda de inovação 
do BNDES, diz diretor
NA WEB
www.estadao.com.br/
Assista ao painel sobre os desafios do 
SUS e parcerias público-privadas
José Luis Gordon, do BNDES, destacou o papel do banco no fortalecimento do setor de saúde
FOTOS: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO 
Déficit da balança 
comercial na
área de fármacos
desafia o País
Financiamento
Objetivo dos programas é 
apoiar uma indústria
‘mais digital, mais
inovadora e mais verde’
Indústria
NA WEB
www.estadao.com.br/
Assista ao painel sobre os
investimentos do BNDES no setor
Marcelo Takano, da Prefeitura: 
integrar sistemas é essencial
Erick Bretas, do ‘Estadão’:
saúde é um tema urgente
Para especialistas, intercâmbio de experiências enriquece PPPs
Parcerias têm ganhos para saúde pública e privada
Para entender
l Tradicional
Modelo é o de serviços ofere-
cidos pelas Santas Casas ou 
hospitais filantrópicos, que 
reservam parte da capacida-
de de atendimento para os 
usuários do SUS e são remu-
nerados por isso
l Gestão
Também comum é o mode-
lo no qual um ente privado é 
contratado para fazer a ges-
tão de uma unidade de saú-
de pública, que pode ser des-
de uma UBS até hospitais
l Contratos
Para Schettino, ideal é olhar 
para a qualidade do serviço. 
Um exemplo é quando uma 
consultoria define previa-
mente o custo e, na hora de 
contratar, leva-se em conta 
quem, dentro desse valor, 
oferece o melhor serviço
D6 ESPECIAL
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
Conteúdo patrocinado
Este material é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado por GSK.
Tão importante quanto se-
guir o calendário de vacina-
ção na infância é manter esse 
compromisso ao longo da vida 
adulta, já que a imunização 
salva milhões de vidas anual-
mente.1,4 As opções disponí-
veis nas redes pública e priva-
da de saúde no Brasil podem 
prevenir uma série de doen-
ças, a exemplo de pneumonia, 
infl uenza, coqueluche, herpes 
zoster e vírus sincicial respira-
tório (VSR), entre outras.2-5
O Ministério da Saúde ofere-
ce gratuitamente imunizantes 
que protegem contra mais de 
25 doenças para todos os pú-
blicos, desde recém-nascidos 
até a terceira idade.4,5 Na rede 
privada também estão disponí-
veis vacinas para a imunização 
de todas as faixas etárias, em 
complemento ao calendário do 
Programa Nacional de Imuni-
zações (PNI).2,3
“A recomendação vacinal 
leva em conta, entre outros 
fatores, a idade e o histórico 
de cada indivíduo. Em caso de 
doença crônica, é ainda mais 
importante conversar com o 
médico sobre as imunizações 
necessárias”, diz a infectologista 
e gerente médica de vacinas da 
biofarmacêutica GSK, Lessan-
dra Michelin (CRM 23494-RS). 
Ela explica que o envelheci-
mento envolve alterações no 
sistema imunológico. Esse pro-
cesso, conhecido como imu-
nossenescência, contribui para 
um aumento no risco de infec-
ções e de evolução para formas 
graves de doenças.6 É o caso, 
por exemplo, dos efeitos em 
potencial do VSR, preocupante 
em adultos acima de 60 anos 
que enfrentam condições crô-
nicas de saúde preexistentes, as 
chamadas comorbidades.7,8 
Em alguns períodos deste 
ano, segundo dados do Info-
Doenças potencialmente graves podem ser prevenidas por diversas vacinas 
recomendadas e disponíveis nas redes pública e privada1-5
Imunização também é essencial 
para adultos e idosos
ao envelhecimento da popula-
ção, já que o número de idosos 
no Brasil cresceu 57,4% em 12 
anos, de acordo com dados do 
Instituto Brasileiro de Geogra-
fi a e Estatística (IBGE)10. 
A doença é causada pela rea-
tivação do vírus varicela zoster, 
que costuma ser adquirido ain-
da na infância através da cata-
pora, e já pode estar presente 
no organismo de cerca de 94% 
dos brasileiros adultos.12,13 O 
sintoma mais característico 
do herpes zoster é a dor pro-
vocada pelas lesões cutâneas, 
que podem surgir em qualquer 
parte do corpo, mas são mais 
frequentes no tórax, no abdô-
men e na face, seguindo os tra-
jetos dos nervos.9,14 
“Muitas pessoas menospre-
zam os sintomas e sequelas de 
doenças que são preveníveis por 
vacina e podem ser graves em 
adultos, provocar quadros clíni-
cos incapacitantes, trazer impac-
tos a longo prazo e até levar ao 
óbito”, fi naliza a infectologista. 
Referências 
1. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Vaccines and Immunization. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024.
2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação do nascimento à terceira idade: recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2024/2025. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024.
3 SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Pneumologia. Guia de Imunização SBIm/SBPT (2024/2025). Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024.
4. BRASIL. Ministério da Saúde. Vacinação é a maneira mais eficaz para evitar doenças. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024.
5. BRASIL. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024.
6. SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA E SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Geriatria: guia de vacinação (2022/2023). Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024.
7. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Vírus sincicial respiratório (VSR). Disponível em: . Acesso em: 14 outubro 2024.
8. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Respiratory Syncytial Virus Infection (RSV). RSV in older adults and adults with chronic medical conditions. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2024.
9. BRASIL. Ministério da Saúde. Herpes (Cobreiro). Disponível em Acesso em 7 de maio de 2024;
10. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) - Disponível em 
Acesso em 7 de maio de 2024;
11. BRASIL. Ministério da Saúde. Pesquisa realizada na base de dados DATASUS, utilizando os limites “ANO/MÊS DE ATENDIMENTO” para Linha, “NÃO ATIVA” para Coluna, “CASOS CONFIRMADOS” para Conteúdo, "INTERNAÇÕES";"ÓBITOS" E "TAXA DE MORTALIDADE" 
para Períodos disponíveis de Janeiro de 2022 a Março de 2024. Seleções disponíveis “VARICELA E HERPES ZOSTER” para Lista Morb CID-10 e “40 A 49 ANOS,50 A 59 ANOS, 60 A 69 ANOS, 70 A 79 ANOS E 80 ANOS E MAIS” para Faixa Etária 1. Base de dados disponível em 
 Acesso em 13 de maio de 2024.
12. CLEMENS, S. Et al. Soroepidemiologia da varicela no Brasil – resultados de um estudo prospectivo transversal. Jornal da Pediatria, v. 75, n. 433-441, 1999.
13. SOUZA, V.:PANUTTI, C.; REIS, A. Prevalência de anticorpos para o vírus da varicela-zoster em adultos jovens de diferentes regiões climáticas brasileiras. Disponível em Acesso em 13 de maio de 
2024.
14. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Prevention of herpes zoster: recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP). MMWR Recomm Rep. 2008;57(RR-5):1-30.
15. FIOCRUZ. INFOGRIPE. Monitoramento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) notificados no SIVEP-Gripe. Disponível em: Acesso em 20 de maio 2024.
Material dirigido ao 
público em geral. Por 
favor, consulte o seu 
médico.
A recomendação vaci-
nal leva em conta, 
entre outros fatores, 
a idade e o histórico 
de cada indivíduo. 
Em caso de doença 
crônica, é ainda mais 
importante conver-
sar com o médico 
sobre as imunizações 
necessárias”
Lessandra Michelin, 
infectologista e gerente 
médica de vacinas da 
biofarmacêutica GSK
“ odo de 16 a 19 de maio deste 
ano, por exemplo, 55,7% dos 
casos de SRAG tiveram como 
agente identifi cado o VSR. 15
“Por isso, é importante que 
a população conheça a doen-
ça. A infecção pode evoluir 
para quadros graves em ido-
sos e 1 a cada 5 pacientes aci-
ma de 60 anos hospitalizados 
devido ao VSR pode ir a óbito”, 
explica Lessandra.
Herpes zoster
O herpes zoster também 
tem despertado atenção pela 
crescente incidência entre 
adultos, especialmente acima 
dos 50 anos, quando começa 
a ocorrer o declínio natural 
do sistema imunológico.9,14 
O número de hospitalizações 
decorrentes do herpes zoster 
vem crescendo no Brasil e che-
gou a 2.600 em 2023, segundo 
o DataSUS, 10,6% a mais do 
que no ano anterior.11 A alta 
nos diagnósticos do herpes 
zoster pode estar relacionada 
gripe, o Vírus Sincicial Res-
piratório impactou mais do 
que Influenza A, Influenza B 
e SARS-COV-2, sendo um dos 
principais agentes causado-
res da Síndrome Respiratória 
Aguda Grave (SRAG). No perí-
As opções de vacinas disponíveis nas redes pública e privada de saúde no Brasil podem prevenir uma série de doenças1-5
Ge
tty
 Im
ag
es
O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL D7
INÊS 249
Otimizar serviços de saúde demanda 
inteligência na aplicação de recursos
OCIMARA BALMANT
Melhorar a qualidade, expan-
dir o acesso e aumentar a pro-
dutividade. Para os especialis-
tas que participaram do Esta-
dão Summit Saúde e Bem-Es-
tar, é sobre esse tripé que a Me-
dicina deve considerar o uso 
de novas tecnologias, um paco-
te revolucionário que inclui ro-
bótica e inteligência artificial 
aplicadas às cirurgias de preci-
são e novos sistemas de gestão 
em hospitais inteligentes.
“A tecnologia precisa ser uti-
lizada como um elemento via-
bilizador para que se consiga 
implementar inovação de for-
ma sustentável ao sistema e 
que, ao mesmo tempo, propi-
cie o aumento do acesso à saú-
de”, afirmou a CEO do Grupo 
Fleury, Jeane Tsutsui.
Ela citou dois exemplos de 
IA generativa na medicina diag-
nóstica que obedecem a essa 
lógica: em ressonância magné-
tica, para diminuir custo e tem-
po em aquisição de exame, e 
em tomografia, para diagnosti-
car casos mais graves.
LINHA DO TEMPO. Nas cirur-
gias, os avanços tecnológicos 
são refletidos em desfechos 
mais favoráveis ao paciente, 
disse o presidente da Socieda-
de Brasileira de Videocirurgia, 
Robótica e Digital (Sobracil), 
Carlos Eduardo Domene. Pro-
fessor de Cirurgia na Faculda-
de de Medicina da Universida-
de de São Paulo (USP), ele tra-
çou uma linha evolutiva.
Tudo começou com a cirur-
gia 1.0, que implicava corte. A 
2.0 introduziu a laparoscopia. 
Na 3.0, veio o uso da robótica; 
na 4.0, procedimentos envol-
vendo IA; atualmente, já se tem 
a cirurgia 5.0, totalmente auto-
matizada. “O desafio (de médi-
cos e sistemas de saúde) é incorpo-
rar cada vez mais rapidamente 
no dia a dia e acompanhar a ve-
locidade com que essas coisas 
acontecem”, disse Domene.
Para a incorporação efetiva 
de tecnologia, é importante 
aliar formação com incentivo 
ao novo. Nesse sentido, Leo-
nardo Riella, brasileiro que le-
ciona na Harvard Medical 
School, destacou que uma das 
diferenças entre EUA e Brasil é 
a valorização do médico-cien-
tista e seu tempo de trabalho. 
“Se o médico não tem esse tem-
po protegido para fazer a pes-
quisa, é difícil dedicar tempo 
suficiente para desenvolver 
projetos e novas tecnologias.”
TRANSVERSAL. No Brasil, o de-
safio é “incentivar a inovação 
dentro de um ambiente em 
que somos treinados para não 
errar”, afirmou o diretor execu-
tivo de Inovação do Hospital 
Israelita Albert Einstein, Rodri-
go Bornhausen Demarch. Ele 
relatou que, no ecossistema 
Einstein, que possui centro 
universitário com cursos de 
graduação e pós-graduação em 
saúde, a inovação é componen-
te transversal, presente nas 
áreas assistencial e de ensino.
Além disso, a instituição tem 
priorizado inovações baseadas 
nas necessidades locais. “A in-
corporação por si só nem sem-
pre faz sentido. Mais importan-
te é saber por que se está incor-
porando. No nosso caso (do 
Brasil), as tecnologias são im-
portantes para a busca da equi-
dade nos sistemas de saúde.”
E, para que se rume em dire-
ção a essa equidade, o diretor-
presidente do Hospital Ale-
mão Oswaldo Cruz, José Mar-
celo de Oliveira, defendeu a im-
portância de uma escolha que 
parta do pressuposto de que “a 
saúde é sistêmica e os recursos 
são escassos”. “Meu alerta é co-
mo incorporar (a tecnologia), e 
tem método para isso. Senão, 
o recurso escoa para um lugar 
em que não se faz a revolução. 
Não devemos usar todos os re-
cursos para chegar à Lua.” l
GIOVANNA CASTRO
Medicamentos, equipamen-
tos, profissionais. Oferecer 
uma boa assistência médica 
custa dinheiro e torná-la aces-
sível a mais pessoas é conta di-
fícil de fechar. Mas a inteligên-
cia artificial pode ajudar, con-
forme o médico Francisco Ju-
nior, diretor de Tecnologia da 
Lean Saúde, startup de análise 
e inteligência de dados para oti-
mização da gestão em saúde.
“Eficiência remete a custos 
evitáveis e temos um sistema 
de saúde, seja no SUS, seja na 
saúde complementar, que pre-
cisa traçar estratégias para re-
duzir custos e falhas”, disse o 
executivo no Estadão Summit 
Saúde e Bem-Estar. “Estamos 
falando de mirar o desperdí-
cio, o que é fraude, má indica-
ção ou erro de conduta e não 
no que realmente precisa.”
Criar ferramentas para que 
operadoras menores possam 
permanecer no mercado é es-
sencial para manter uma con-
corrência saudável. E a IA po-
de colaborar ao identificar pon-
tos de otimização. “Temos ci-
rurgias de alto custo que nem 
sempre são bem indicadas. Em 
um dos cases, identificamos 
excedente de mais de R$ 38 mil 
em procedimentos e materiais 
solicitados a mais ou desneces-
sários”, afirmou o executivo.
MONITORAMENTO. O sistemada Lean identifica fraudes em 
reembolsos, faltas em consul-
tas, beneficiários de alto cus-
to, pacientes podem receber al-
ta com home care e cirurgias 
sem recomendação adequada. 
Para Francisco Jr., detectar es-
ses problemas pode ajudar na 
sustentabilidade do sistema. 
Ele ressaltou, no entanto, que é 
preciso conciliar inteligência 
com análise humana. “Verifica-
mos a eficiência das interna-
ções de alta complexidade com 
visitas qualificadas para enten-
der o quadro do paciente e se 
ele já pode ir para uma interna-
ção de menor complexidade.” l
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Assista ao painel sobre as novas 
tecnologias na área da saúde
Tecnologia
Startup identifica fraudes 
em reembolsos, faltas em 
consultas e cirurgias sem 
recomendação adequada
Uso de novas tecnologias deve
buscar equidade no atendimento
NA WEB
NA WEB
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Assista ao painel sobre o papel das 
healthtechs na inovação do setor
Francisco Junior, da Lean
Saúde: combate a desperdícios
Painel com Carlos Eduardo Domene, Jeane Tsutsui, José Marcelo de Oliveira e Rodrigo Bornhausen Demarch abordou temas como IA
FOTOS: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO 
“A tecnologia precisa 
ser utilizada como um 
elemento viabilizador 
para que se consiga 
implementar inovação 
de forma sustentável e 
que, ao mesmo tempo, 
propicie o aumento do 
acesso à saúde”
Jeane Tsutsui
CEO do Grupo Fleury
“As tecnologias são 
importantes para a 
busca da equidade nos 
sistemas de saúde”
Rodrigo Bornhausen
Demarch
Diretor executivo de 
Inovação do Hospital 
Israelita Albert Einstein
Hospitais inteligentes
Pacote inclui robótica e 
IA aplicadas às cirurgias
de precisão e novos
sistemas de gestão
A inovação deve
caminhar atrelada à 
melhoria na qualidade 
e à ampliação do
acesso à saúde,
defendem especialistas
Saúde 4.0
D8 ESPECIAL
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
LEON FERRARI
Para o professor associado de 
Medicina e Cirurgia na Harvard 
Medical School Leonardo Riel-
la, o avanço na compreensão de 
como nosso sistema imunológi-
co se autorregula e uma técnica 
de edição genética, a CRIS-
PR/Cas9 – vencedora do Nobel 
de Química de 2020 –, revolu-
cionaram a Medicina. “E vão 
continuar revolucionando”, 
afirmou ele, durante o Estadão 
Summit Saúde e Bem-Estar.
Um exemplo é o transplante 
inédito que ele comandou em 
março no Massachusetts Gene-
ral Hospital. Um paciente rece-
beu um rim de porco genetica-
mente modificado (mais infor-
mações na pág. D24). “Depois 
de alguns minutos da cirurgia, 
a gente já conseguia observar a 
produção de urina desse rim. A 
coleta de urina do primeiro dia 
foi de mais de três litros. Essas 
(novas) tecnologias levaram a 
gente a conseguir fazer um 
transplante como esse.”
Para explicar o quanto avan-
çamos nos últimos 20 anos, 
Riella fez uma analogia com 
mapas. “Antigamente tínha-
mos mapas 2D, que davam 
muita pouca informação so-
bre o que estava ocorrendo. 
Atualmente, Google e o Waze 
podem determinar muitas ca-
racterísticas do que está ocor-
rendo naquela cidade em ter-
mos de tráfego.” Se antes pen-
sávamos o sistema imune ape-
nas como duas células princi-
pais que se diferenciavam e 
nos protegiam, hoje sabemos 
que, para ter um sistema imu-
ne eficaz, “existe um sistema 
de regulação extremamente 
delicado e sofisticado”.
Isso é importante principal-
mente para duas coisas, de 
acordo com Riella: prevenção 
de doenças autoimunes, nas 
quais o sistema de defesa ataca 
o próprio corpo, e na retração 
da resposta imune após infec-
ção. “Ficou bem clara a im-
portância disso na covid-19. As 
pessoas acabavam morrendo 
não do vírus, mas da reação 
exagerada do sistema imune.”
Por ora, a área que mais se 
beneficiou da melhor com-
preensão da imunorregulação 
foi a oncologia, afirmou Riella, 
com os avanços nas imunotera-
pias, que são tratamentos que 
estimulam o sistema de defesa 
do corpo. “É retirar o freio do 
sistema imune. É uma forma 
bem mais inteligente de lidar 
com o câncer em vez de tentar 
exterminar todas as células 
que têm alta proliferação com 
um efeito colateral muito alto 
(como faz a quimioterapia).”
XENOTRANSPLANTES. Outra 
área que se beneficia é de trans-
plantes. “Quando você recebe 
um rim de um indivíduo dife-
rente de você, seu sistema imu-
ne vai tentar reagir e rejeitar 
esse órgão. A gente usa drogas 
imunossupressoras para ten-
tar eliminar ou diminuir essa 
reação o máximo possível.”
Especialistas buscam alter-
nativas aos transplantes homó-
logos (entre humanos), diante 
da alta demanda de órgãos e 
escassez de oferta. Uma alter-
nativa para contornar esse ce-
nário são os xenotransplantes, 
os transplantes entre espécies 
diferentes. No entanto, ao sim-
plesmente transplantar o ór-
gão de um porco em um ser 
humano, por exemplo, é preci-
so removê-lo logo em seguida, 
afinal, o sistema imune age 
contra o “corpo estranho” e ge-
ra rejeição. É aqui que entra a 
CRISPR/Cas9, que funciona 
como uma “tesoura genética”.
Ela permite que cientistas fa-
çam uma edição genética, com 
bloqueios e adições de genes. 
O cientista pega células de por-
cos recém-nascidos, bloqueia 
os genes responsáveis pela pro-
dução dos açúcares que geram 
rejeição e insere genes huma-
nos para moderar a resposta 
imune do paciente. l
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Assista ao painel com o médico 
Leonardo Riella
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO 
Riella: ‘Existe um sistema de regulação extremamente sofisticado’
“(Adotar as 
imunoterapias) É 
retirar o freio do 
sistema imune”
Leonardo Riella
Professor associado de 
Medicina e Cirurgia na 
Harvard Medical School 
Avanço da Medicina passa pela 
compreensão do sistema imune
Transplante de rim de 
porco geneticamente 
modificado em
humano projeta
novos horizontes
na área da saúde
Evolução
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
ESPECIAL D9
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
LEON FERRARI
Existe uma equação difícil de 
resolver quando o assunto é 
saúde. Nos últimos anos, trata-
mentos revolucionários, co-
mo o Zolgensma – primeira te-
rapia gênica incorporada ao 
SUS e frequentemente aponta-
da como a medicação mais ca-
ra do mundo – e o CAR-T – que 
usa as células do próprio pa-
ciente para tratar tumores –, 
começaram a se tornar realida-
de. No entanto, para tratar um 
único paciente, podem ser ne-
cessários milhões de reais.
O que os torna tão caros? Se-
gundo especialistas que parti-
ciparam do Summit Saúde e 
Bem-Estar, promovido pelo 
Estadão, isso tem relação com 
os anos de pesquisa e investi-
mentos necessários. Além do 
mais, muitas dessas tecnolo-
gias não são desenvolvidas no 
Brasil, ou seja, há uma carga do 
próprio dólar.
O presidente executivo da 
Associação da Indústria Far-
macêutica de Pesquisa (Inter-
farma), Renato Porto, desta-
cou que olhar apenas para o va-
lor nominal de um produto 
não é suficiente. “Ao falar de 
preço e de valor do medica-
mento, é preciso também que 
a gente dê um passo adiante e 
entenda quanto vale esse in-
vestimento em saúde.”
“O pior custo que nós vamos 
ter é quando houver um medi-
camento inovador disponível 
para a população em algum ou-
tro lugar do mundo, e não tiver-
mos aqui. Esse é um grande 
custo que nós precisamos evi-
tar”, alertou Porto.
Nesse sentido, Fábio Guima-
rães, value & access and pri-
cing head da Novartis Brasil, 
que comercializa o Zolgens-
ma, mencionou o momento 
em que a terapia recebeu aval 
da Comissão Nacional de In-
corporação de Tecnologias no 
Sistema Único de Saúde (Coni-
tec), que avalia o custo-benefí-
cio de um medicamento para 
indicar ao Ministério da Saúde 
sua incorporação ao SUS.
Na época, calculou-se que, 
em sete anos, esse tratamento 
contra atrofia muscular espi-
nhal (AME) traria economia 
para o sistema público. “É im-
portante entendermos o valor 
de uma perspectiva mais am-pla”, defendeu Guimarães.
Segundo ele, atualmente, há 
discussões com o Ministério 
da Saúde sobre modelos de di-
visão de risco, em que o paga-
mento só é realizado quando 
alguns desfechos da tecnolo-
gia são atingidos. Mas ainda fal-
tam alguns atores. “Esses mo-
delos de compartilhamento de 
risco também envolvem o Tri-
bunal de Contas e os órgãos de 
auditoria do governo.”
LIMITAÇÃO. Diante de um orça-
mento finito para a saúde pú-
blica, a médica Ana Maria Ma-
lik, professora titular da Fun-
dação Getulio Vargas (FGV), 
afirmou que é preciso ser criati-
vo no que diz respeito à incor-
poração das tecnologias ao 
SUS. “Tecnologia não é só me-
dicamento. Como o recurso é 
limitado, também é tecnologia 
saber tomar decisão e definir o 
que é prioridade”, disse ela.
Fundadora e presidente da 
ONG Instituto Oncoguia, Lu-
ciana Holtz de Camargo Bar-
ros destacou a demora entre o 
aval da Conitec, a decisão ou 
não do Ministério da Saúde pe-
la incorporação e, enfim, a dis-
ponibilidade do produto no 
SUS. Ela também enfatizou 
que o cenário de tratamento 
de câncer é muito diferente pa-
ra quem depende apenas do 
sistema público e para aqueles 
que se tratam na rede privada.
ESPERA. “Há uma lista de apro-
ximadamente dez tecnologias 
(contra o câncer) que já tiveram 
o ‘sim’ da Conitec e o próximo 
passo não aconteceu. Pelo me-
nos duas para câncer de ma-
ma”, afirmou. “São mulheres 
perdendo a chance de serem 
curadas. São mulheres perden-
do a chance de ganhar tempo 
de vida com qualidade.”
Porto destacou que, de fato, 
há um descompasso entre rece-
ber o registro da Agência Na-
cional de Vigilância Sanitária 
(Anvisa) e as próximas etapas 
para tornar um medicamento 
disponível. “Aprimorar o mo-
delo de incorporação é funda-
mental. O grande desafio hoje 
é tirar esse produto do registro 
e levar ele para as pessoas com 
a velocidade que se precisa e 
com a qualidade que se preci-
sa”, disse ele.
Para a diretora médica para 
Hematologia da Johnson & 
Johnson Innovative Medicine 
no Brasil, Simone Braggio 
Forny, não basta só trazer tec-
nologia. “O ponto fundamen-
tal é o que a gente chama de ‘o 
paciente certo na hora certa’. É 
importante também usar a tec-
nologia de forma correta. Por 
exemplo, no CAR-T, os gran-
des centros que estão sendo 
homologados têm um board 
de médicos para identificar 
qual é o paciente correto”, afir-
mou Simone. “A boa indicação 
(de um tratamento) reduz mui-
to o custo para o próprio siste-
ma (de saúde).”
“Se não houver educação pa-
ra o treinamento das pessoas 
que vão utilizar as tecnologias 
e colocar o conhecimento em 
favor do paciente, nós estare-
mos fazendo errado, estare-
mos jogando dinheiro fora”, 
complementou a professora 
Ana Maria, da FGV. l
Conitec
A comissão avalia o
medicamento para indicar 
ao Ministério da Saúde
sua incorporação ao SUS
Fábio Guimarães, da Novartis: olhar o
custo a partir de perspectiva mais ampla
Renato Porto, presidente da Interfarma: 
valor do investimento em saúde
Especialistas propõem 
olhar mais amplo
para tratamentos
inovadores e defendem 
maior celeridade na
incorporação ao SUS
Simone Braggio Forny, da Johnson & 
Johnson: ‘O paciente certo na hora certa’
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Assista ao painel sobre tratamentos 
inovadores e seu alto custo
Luciana Barros, do Instituto Oncoguia: 
demora até o produto chegar ao SUS
Ana Maria Malik, da FGV, defendeu o treinamento de quem vai aplicar a tecnologia em favor do paciente
FOTOS: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO 
Como terapias 
avançadas e
caras podem 
chegar à
população?
Acesso
“Aprimorar o modelo 
de incorporação é 
fundamental. O grande 
desafio hoje é tirar esse 
produto do registro e 
levar ele para as 
pessoas com a 
velocidade que se 
precisa e com a 
qualidade que se 
precisa”
Renato Porto
Presidente da Associação da 
Indústria Farmacêutica de 
Pesquisa (Interfarma)
“Há uma lista de 
aproximadamente dez 
tecnologias (contra o 
câncer) que já tiveram o 
‘sim’ da Conitec e o 
próximo passo não 
aconteceu”
Luciana Holtz de Camargo 
Barros
Fundadora e presidente da 
ONG Instituto Oncoguia
D10 ESPECIAL
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
OCIMARA BALMANT
Nunca se falou tanto sobre in-
teligência artificial. No entan-
to, quando o termo é associa-
do à saúde, a discussão ainda 
está restrita “a bolhas” de pes-
quisadores e experts. A opi-
nião é do empresário Cristian 
Rocha, CEO e cofundador da 
Munai, empresa de IA aplicada 
à área da saúde.
“No atendimento de ponta, 
como nas clínicas e hospitais, 
ainda se fala muito pouco”, 
afirmou Rocha durante o Sum-
mit Saúde e Bem-Estar, prom-
movido pelo Estadão. “Parece 
até contrassenso, mesmo por-
que saúde é uma das áreas com 
maior potencial de aplicação 
prática de IA. Hoje, cerca de 
30% de todos os dados do mun-
do são de saúde”, acrescentou.
Rocha apresentou dados da 
Fundação Bill & Melinda Ga-
tes que mostram que falhas 
dos sistemas de saúde resul-
tam em 8 milhões de mortes 
por ano e custam US$ 250 bi-
lhões em todo o mundo. Só no 
Brasil, quase 500 mil vidas são 
perdidas e mais de US$ 6 bi-
lhões são desperdiçados anual-
mente. “São falhas que vão des-
de prescrição equivocada de 
medicamentos até medicação 
tardia de paciente em risco.”
No cerne da questão, disse 
Rocha, está um cenário em que 
os sistemas de saúde não são 
integrados e, muitas vezes, 
nem sequer digitalizados. A 
plataforma de IA da Munai, de 
acordo com o CEO, propõe a 
integração de dados de saúde e 
de prontuários médicos em 
uma jornada única para forne-
cer insights e automatizar tare-
fas, com a geração de algorit-
mos preditivos e assistentes. 
Como resultado, Rocha desta-
cou a identificação precoce de 
pacientes de risco, a otimiza-
ção de recursos e a melhora no 
índice de erros.
A empresa analisou mais de 
15 milhões de prontuários 
médicos nos últimos anos. Só 
em 2024, foram mais de 165 
mil interações a partir dos algo-
ritmos de IA e mais de 25 mil 
alertas atendidos.
CURSO. Outra frente em que a 
empresa tem investido é na fa-
miliarização dos médicos com 
o prontuário eletrônico. A ini-
ciativa inclui o desenvolvimen-
to de um curso gratuito para 
médicos sobre inteligência ar-
tificial generativa, para que es-
ses profissionais possam 
aprender conceitos de progra-
mação e treinem o uso da IA.
“O grande objetivo é facili-
tar o trabalho do médico e do 
enfermeiro, automatizar tare-
fas que antes eram manuais. A 
inteligência artificial não veio 
para substituir os profissio-
nais de saúde, veio para empo-
derar”, concluiu Rocha. l
NA WEB
www.estadao.com.br/
Assista ao painel sobre o papel das 
healthtechs na inovação do setor
“No atendimento de 
ponta, como nas clínicas 
e hospitais, ainda se 
fala muito pouco
(sobre IA). Parece até 
contrassenso, mesmo 
porque saúde é uma
das áreas com maior 
potencial de aplicação 
prática de IA. Hoje, 
cerca de 30% de todos
os dados do mundo são 
de saúde”
Cristian Rocha
CEO e cofundador
da Munai
Cristian Rocha, da Munai, empresa de IA aplicada à área da saúde
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO 
IA pode evitar falhas em sistemas de saúde
No entanto, aplicação 
da tecnologia na área 
ainda é incipiente; a
falta de integração e
a não digitalização de 
dados são entraves 
Potencial
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
ESPECIAL D11
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
Conteúdo patrocinado
Estematerial é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado porMSD. Estematerial é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado porMSD.
A realidade brasileira no
tratamento de doenças raras
reflete um cenário de desafios
estruturais e desigualdades no
acesso à saúde, especialmente
para asmulheres.
Esse contexto torna ainda
mais complexa a jornada das
pacientes com hipertensão ar-
terial pulmonar (HAP), uma
condição progressiva que exige
diagnóstico preciso e cuida-
dos especializados.NopaineldoEstadãoSummit
SaúdeeBem-Estar2024,promo-
vido pelo Estadão Blue Studio e
compatrocíniodaMSD,odebate
sobreasdificuldadesenfrentadas
poressasmulheresfoiconduzido
comfoconasbarreirasdeacesso
aotratamentoenasperspectivas
demelhorias.Moderadopela jor-
nalistaCamila Silveira, o encon-
tro contou com a participação
de Flávia Lima, diretora execu-
tiva da Associação Brasileira de
ApoioàFamíliacomHipertensão
Pulmonar eDoençasCorrelatas
(Abraf), eMargarethMariaPretti
Dalcolmo, presidente da Socie-
dade Brasileira de Pneumolo-
gia e Tisiologia.
Umadoençarara,masgrave
Ahipertensãoarterialpulmo-
nar, também conhecida como
HAP, é uma condição rara ca-
racterizadapelo aumento anor-
mal da pressão nas artérias que
transportamsanguedocoração
para os pulmões.De causamui-
tas vezesdesconhecida, adoença
émais prevalente emmulheres
jovens e adultas, com uma alta
taxa de mortalidade. Ao abrir
a discussão, Margareth falou
sobre a seriedade da doença e
seus impactos devastadores na
qualidadede vidadaspacientes.
“A hipertensão arterial pul-
monar éumadoençamuitogra-
ve, com sintomas como falta de
ar e incapacidade para realizar
atividades simples do dia a dia.
Umamulher jovem de25ou30
anos, por exemplo, podeperder
completamente sua autonomia,
necessitandodeoxigênio suple-
mentar eficandodependentede
cuidados constantes”, afirmou
a pneumologista.
Deacordocomaespecialista,
o tratamento da HAP é comple-
xoeenvolveumacombinaçãode
medicamentos,oxigenoterapiae
fisioterapia.Ela frisouqueodiag-
nóstico correto e o tratamento
oportunosãoessenciaisparaau-
Em painel do Estadão Summit Saúde e Bem-Estar 2024, especialistas discutem as dificuldades enfrentadas
pelas pacientes com essa doença rara e os avanços necessários para melhorar a vida dessas pessoas no País
A jornadadasmulheres comhipertensão
arterial pulmonarnoBrasil
Nunno
Fonseca/Estadão
Blue
Studio
Moderadopela jornalista Camila Silveira, painel reuniu Flávia Lima, diretora executiva daAssociaçãoBrasileira deApoio à Família com
Hipertensão Pulmonar eDoenças Correlatas, eMargarethMaria Pretti Dalcolmo, presidente da SociedadeBrasileira dePneumologia e Tisiologia
Perspectivas para o futuro
Ao final do painel, as partici-
pantes refletiram sobre o futuro
da saúde no Brasil e os avanços
queaindaprecisamserfeitospara
melhorarajornadadaspacientes
comHAPeoutrasdoenças raras.
“Esperamos que, nos próximos
anos, novas tecnologias e trata-
mentosmais acessíveis cheguem
aoSUS,equeaspacientespossam
terumdiagnósticomaisrápidoe
preciso”, comentouFlávia.
Margareth tambémchamou
a atenção para a necessidade
de eliminar outras doenças no
Brasil, que, apesar de evitáveis e
controláveis, ainda são grandes
responsáveis pelo sobrecarrega-
mentodosistemadesaúdeepelo
atraso no tratamento de condi-
ções mais complexas, como a
hipertensão arterial pulmonar.
“É inadmissível que, em
pleno século 21, o Brasil ainda
enfrente problemas comdoen-
ças como tuberculose, dengue
e malária, que deveriam estar
sob controle. A eliminação
dessas doenças pode liberar
recursos e atenção para enfer-
midades raras, garantindo um
diagnóstico mais rápido e um
tratamento eficaz para todos os
pacientes”, ressaltou.
Nas considerações finais, a
diretora da Abraf trouxe uma
reflexãoque sintetizaosdesafios
e a esperança para o futuro das
pacientes com HAP no Brasil:
“Estamos longe de ter o cenário
ideal,mascadapassoquedamos,
sejanaconscientização,nodiag-
nósticoouno tratamento, éuma
vitória”, concluiu Flávia.
Precisamos de mais
capacitação e sensibilização
sobre a doença para que
os médicos de diferentes
especialidades saibam
reconhecer os sintomas e
encaminhar as pacientes
para o tratamento
adequado o quanto antes”
A jornada dessas
mulheres é marcada
por desafios desde
o diagnóstico, que
muitas vezes é
retardado pela falta
de conhecimento dos
profissionais de saúde
sobre a doença”
Margareth Maria Pretti
Dalcolmo, presidente da
Sociedade Brasileira de
Pneumologia e Tisiologia
Pneumologia e Tisiologia Flávia
Lima, diretora executiva da
Associação Brasileira de Apoio à
Família com Hipertensão Pulmonar
e Doenças Correlatas
mentarasobrevidadaspacientes,
que, emmédia, vivem de sete a
dez anos após o diagnóstico. “É
fundamentalqueessasmulheres
sejam tratadas em centros espe-
cializados, comprofissionais ca-
pacitadospara lidar comacom-
plexidadedadoença”,completou.
Osdesafios no acesso ao
diagnóstico e ao tratamento
FláviaLima,diretoraexecutiva
da Abraf, compartilhou sua ex-
periênciapessoal comadoença,
pois sua irmã faleceu devido à
hipertensão arterial pulmonar
aos 28 anos. Flávia destacou que
a luta para garantir o acesso ao
tratamentoadequadonoSistema
Único de Saúde (SUS) é uma das
maioresbatalhasenfrentadaspe-
las pacientes. “A jornada dessas
mulheresémarcadapordesafios
desde o diagnóstico, quemuitas
vezeséretardadopela faltadeco-
nhecimentodosprofissionaisde
saúde sobre a doença”, afirmou.
Outro ponto levantado du-
ranteodebate foi opapel crucial
da família e dos cuidadores no
suporte às mulheres com HAP.
“Muitas vezes, as pacientes se
tornam dependentes de seus
familiares para realizar ativi-
dades básicas, o que pode gerar
um sentimento de fardo, tanto
para elas quantopara seus entes
queridos”, destacouMargareth.
Além disso, a pneumologista
sublinhouaimportânciadeuma
maior conscientização sobre a
HAP entre os profissionais de
saúde e a população em geral.
“Precisamosdemaiscapacitação
e sensibilização sobre a doença
paraqueosmédicosdediferentes
especialidades saibam reconhe-
ceros sintomaseencaminharas
pacientesparaotratamentoade-
quadooquantoantes”, afirmou.
D12 ESPECIAL TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL
INÊS 249
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Estematerial é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado porMSD. Estematerial é produzido pelo Estadão Blue Studio e apresentado porMSD.
A hipertensão arterial pul-
monar (HAP) atinge cerca de
6 mil pessoas no Brasil, con-
forme estimativa do DataSUS.
Faz parte do rol das doenças
raras, que, segundo a Orga-
nização Mundial da Saúde
(OMS), são aquelas que afetam
menos de 65 pessoas a cada
100 mil habitantes. Embora
individualmente incomuns,
somadas, essas condições afe-
tam milhares de pessoas em
todo o mundo. Muitas delas,
como a HAP, são graves, crô-
nicas e de difícil diagnóstico,
o que exige maior atenção
dos profissionais de saúde
e dos pacientes.
Os principais sintomas
da HAP são inespecíficos e,
muitas vezes, podem ser con-
Doença rara afeta principalmente mulheres jovens e apresenta sintomas que podem ser confundidos
com outras enfermidades; nova terapia demonstra avanço no tratamento da doença
Hipertensão arterial pulmonar desafia
diagnóstico precoce e tratamento eficaz
O tempomédio para um
diagnóstico correto gira
em torno de 30meses, e
muitos pacientes recebem
diagnósticos errados antes de
chegar à confirmação de HAP”
Márcia Datz Abadi,
diretora médica da MSD
fundidos com outras doenças,
como asma ou até depressão.
“O sintoma mais comum é
a falta de ar, que ocorre em
cerca de 78% a 80% dos pa-
cientes”, explica Márcia Datz
Abadi, diretora médica da
MSD. Além disso, os pacien-
tes podem apresentar can-
saço, fadiga, dor no peito e
tontura. Como resultado, a
jornada diagnóstica é longa
e frustrante. “O tempo médio
para um diagnóstico correto
gira em torno de 30 meses,
e muitos pacientes recebem
diagnósticos errados antes
de chegar à confirmação de
HAP”, afirma a médica.
Em relação aos tratamentos
disponíveis, a médica explica
que, atualmente, são utiliza-
das três vias de tratamento
que atuam na vasodilatação,
que podem melhorar a qua-
lidade de vida dos pacientes.
“Embora essas terapias aju-
dem a controlar os sintomas,
elas não agem na causa da do-
ença”, esclarece.
No entanto, um novo trata-
mento, ainda em análise pela
Agência Nacional de Vigilân-
cia Sanitária (Anvisa), busca
mudar esse cenário. “Estamos
aguardando a análise de uma
nova medicação que atua di-
retamente no mecanismo da
doença. Ela tem o potencial de
remodelar as artérias pulmo-nares, o que pode melhorar
tanto a sobrevida quanto a
qualidade de vida dos pacien-
tes, segundo o estudo fase 3”,
comenta. Segundo Márcia,
essa medicação já foi aprova-
da por agências reguladoras
nos Estados Unidos, na Euro-
pa e na Argentina.
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 O ESTADO DE S. PAULO O ESTADO DE S. PAULO TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024 ESPECIAL D13
INÊS 249
GIOVANNA CASTRO
Incentivar uma alimentação 
mais natural, sem deixar de la-
do os medicamentos para pes-
soas que já enfrentam a obesi-
dade. Esse é o caminho defen-
dido pelos médicos e especia-
listas em alimentação que par-
ticiparam do Estadão Summit 
Saúde e Bem-Estar.
“A obesidade precisa ser vis-
ta como uma doença crônica. 
Ela causa alteração corporal, 
na região do hipotálamo, pro-
vocando uma alteração na per-
cepção de saciedade da pes-
soa, por isso não é tão simples 
tratar só com mudanças com-
portamentais”, disse o endo-
crinologista Bruno Geloneze.
“A pessoa quer mudar, mas 
sente uma fome maior do que 
deveria, e o medicamento en-
tra para ajudar nisso”, acres-
centou Geloneze, pesquisador 
o Centro de Pesquisa em Obe-
sidade e Comorbidades da Uni-
versidade Estadual de Campi-
nas (Unicamp).
O médico Carlos Augusto 
Monteiro, professor emérito 
da Faculdade de Saúde Pública 
da Universidade de São Paulo 
(USP) e criador das classifica-
ções de alimentos ultraproces-
sados no Brasil, lembrou que a 
doença já se tornou uma epide-
mia no País e no mundo, dado 
o aumento acelerado de pes-
soas que enfrentam a condi-
ção. Para Monteiro, reverter es-
se problema requer mudanças 
nos hábitos alimentares da po-
pulação, principalmente para 
evitar que as pessoas entrem 
em um quadro de sobrepeso 
ou de obesidade.
AVÓS. “No Brasil, nós temos po-
líticas interessantes para bar-
rar esse consumo de ultrapro-
cessados, mas, ainda assim, te-
mos aumento (no consumo des-
ses alimentos). As pessoas preci-
sam entender que a alimenta-
ção saudável é simples. É uma 
alimentação muito parecida 
com a que os nossos avós con-
sumiam. Basicamente, uma 
parte da comida que a gente 
consome tem de passar pela co-
zinha. Hoje, grande parte vem 
de fábricas, e isso não é natu-
ral”, afirmou Monteiro.
A World Obesity Federation 
(WOF), organização sem fins 
lucrativos que busca impulsio-
nar esforços globais para redu-
zir, prevenir e tratar a obesida-
de, projeta que mais da meta-
de da população adulta mun-
dial viverá com sobrepeso e 
obesidade até 2035, se não fo-
rem implementadas medidas 
efetivas conta a doença.
No Brasil, de acordo com a 
Pesquisa Nacional de Saúde 
2019, 26,8% da população con-
vive com a obesidade, mais do 
que o dobro de 2003, quando a 
taxa era de 12,2%. Entre 2019 e 
2021, houve ainda um aumen-
to do sobrepeso e da obesida-
de entre crianças e adolescen-
tes no País, como mostrou es-
tudo conduzido em 2023 pelo 
Observatório de Saúde na 
Infância (Observa Infância-
Fiocruz/Unifase).
Um outro estudo, realizado 
pela consultoria alemã Stra-
doo GmbH e apresentado du-
rante o Congresso Europeu de 
Obesidade deste ano, apontou 
que a obesidade grave em 
crianças pode reduzir a expec-
tativa de vida para 39 anos.
“Até pouco tempo atrás, as 
medicações não eram eficazes 
ou não eram seguras do ponto 
de vista psíquico e cardiovascu-
lar. Mas, hoje, nós vivemos um 
momento muito diferente, 
com medicamentos seguros”, 
disse o médico Bruno Mioto, 
do InCor (HCFMUSP), sobre 
a estigmatização do uso de re-
médios para emagrecer, como 
as terapias em formato de ca-
neta, que se popularizaram 
nos últimos anos.
ACOMPANHAMENTO. Mioto res-
saltou, contudo, a necessidade 
de prescrição e de acompanha-
mento médico, e lembrou que 
o tratamento deve caminhar 
de mãos dadas com mudanças 
de hábitos alimentares e com 
atividade física.
Geloneze, por sua vez, enfati-
zou que o objetivo do trata-
mento contra obesidade não 
deve ser conquistar um corpo 
magro, mas diminuir as taxas 
de risco atreladas ao sobrepe-
so. Nesse sentido, reduzir a cir-
cunferência abdominal, o índi-
ce de massa corporal (IMC) e a 
proporção de gordura na mas-
sa corporal são resultados que 
devem ser valorizados.
“O tratamento da obesidade 
não é a busca do peso ideal ou 
da magreza, mas a busca de um 
peso mais saudável. É recobrar 
a melhor saúde possível para 
aquele paciente”, afirmou o 
professor da Unicamp.
A nutricionista Desire Coe-
lho, colunista do Estadão, afir-
mou que a reeducação alimen-
tar deve passar por uma dimi-
nuição do consumo de alimen-
tos hiperpalatáveis e pobres 
em proteína, que tendem a pre-
judicar a capacidade de auto-
controle na alimentação.
“Quando pensamos em na-
tureza, alimentos ricos em gor-
dura, como castanhas, não 
têm açúcar. E alimentos ricos 
em açúcar, como o mel, não 
têm gordura. Nosso corpo sa-
be lidar muito bem com os ali-
mentos de modo isolado, mas, 
quando a indústria e a culiná-
ria misturam essas coisas, nos-
so cérebro se confunde e a nos-
sa capacidade de regular o que 
comemos fica comprometi-
da”, disse a nutricionista.
“Um prato natural, de arroz, 
feijão, salada e carne, tem duas 
vezes menos calorias por gra-
ma que um prato com a mes-
ma quantidade de um alimen-
to ultraprocessado. Mas o nos-
so cérebro não entende as calo-
rias por grama, ele precisa da 
quantidade para se satisfazer”, 
afirmou Monteiro.
CONEXÃO. Chef de cozinha e es-
critora, Helô Bacellar defen-
deu uma reaproximação com a 
cozinha. Isso porque, ao com-
prar os alimentos in natura e 
cozinhá-los em casa, a pessoa 
retoma o controle sobre a pró-
pria alimentação e a consciên-
cia sobre o que está ingerindo. 
O hábito de cozinhar em famí-
lia pode gerar conexão e maior 
adesão a alimentos naturais. 
“Temos crianças hoje que 
aprendem que limão é aquilo 
que vem dentro de um suco de 
canudinho, que não tem cor de 
limão, não tem cheiro de limão 
e não tem gosto real de limão”, 
afirmou Helô.
“Se ela gosta de comer bisna-
guinha, faça uma receita casei-
ra com ela, tendo um momen-
to em família. Assim, você vai 
estimulando-a a valorizar o 
que é feito em casa. Aos pou-
cos, você vai conquistando-a, 
fazendo picolé em casa com 
fruta de verdade e introduzin-
do outros alimentos mais sau-
dáveis”, disse a chef. l
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www.estadao.com.br/
Assista ao painel sobre obesidade
e sobrepeso
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO 
Médicos e especialistas 
defendem preparo em 
casa de ingredientes 
frescos como forma de 
retomar o controle da 
própria alimentação
Bruno Geloneze, Bruno Mioto, Carlos Augusto Monteiro, Desire Coelho e Helô Bacellar; prevenção pode evitar quadro mundial de sobrepeso
“A obesidade precisa 
ser vista como uma 
doença crônica. Ela 
causa alteração 
corporal, provocando 
uma alteração na 
percepção de saciedade 
da pessoa, por isso não é 
tão simples tratar só 
com mudanças 
comportamentais”
Bruno Geloneze
Endocrinologista
“Alimentos ricos em 
gordura, como 
castanhas, não têm 
açúcar. E alimentos 
ricos em açúcar, como o 
mel, não têm gordura. 
Nosso corpo sabe lidar 
muito bem com os 
alimentos de modo 
isolado, mas, quando a 
indústria e a culinária 
misturam essas coisas, 
nosso cérebro se 
confunde”
Desire Coelho
Nutricionista
‘Para vencer a obesidade, parte da comida
que consumimos tem de passar pela cozinha’
Epidemia
Aumento
26,8% da população 
do Brasil convivia com a 
obesidade, segundo a
Pesquisa Nacional de
Saúde 2019; em 2003,
taxa era de 12,2%
D14 ESPECIAL
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
VICTÓRIA RIBEIRO
Muitos já ouviram falar que a 
hora da refeição é “sagrada”. 
No entanto, na prática, entre 
notificações de celular e a cor-
reria do dia a dia, essa ideia aca-
ba não sendo levada a sério. 
Nesse contexto, o conceito de 
mindful eating, discutido no 
Summit Saúde e Bem-Estar, 
promovido pelo Estadão, 
propõe uma nova abordagem: 
transformar o ato de comerem uma pausa, de fato, uma 
oportunidade para exercitar a 
atenção plena em relação ao 
corpo e ao que está no prato.
A prática tem suas origens 
em estudos realizados desde a 
década de 1990, iniciados pela 
professora Jean Kristeller, da 
Universidade Estadual de In-
diana, nos Estados Unidos. 
Uma das pesquisas aplicou o 
mindful eating a um grupo de 
pessoas com obesidade e trans-
torno da compulsão alimen-
tar. Os resultados mostraram 
que, ao se concentrarem na re-
feição, sem pressa e desconec-
tados de tecnologias, os parti-
cipantes experimentaram 
uma redução da compulsão e 
um aumento da consciência 
sobre fome e saciedade.
NOVO SIGNIFICADO. “Hoje, ne-
gligenciamos nosso momento 
de alimentação. O mindful ea-
ting é um convite singelo para 
olhar para si mesmo, parar um 
pouquinho, pegar aquele ali-
mento, sentir o cheiro, a textu-
ra, e ir comendo pedacinho 
por pedacinho, respirando en-
tre uma mordida e outra”, dis-
se a nutricionista Cynthia An-
tonaccio. Ela é autora, com a 
nutricionista Manoela Figuei-
redo, do livro Mindful Eating – 
Comer com Atenção Plena. A 
obra propõe uma revisão dos 
hábitos à mesa com o objetivo 
de dar novos significados à re-
lação com a comida. 
“Uma nutrição muito perfei-
ta machuca, porque é às custas 
de sofrimento ou insegurança. 
Hoje, as pessoas comem o que 
não gostam, abrem mão de pe-
quenos prazeres em nome de 
um possível emagrecimento, 
seguindo padrões impostos 
por uma vida cada vez mais on-
line e menos presente”, afir-
mou Cynthia, que é CEO do 
Grupo Equilibrium Latam.
Ela destacou que essa cultu-
ra gera culpa e punição, e a ex-
periência do ato de comer aca-
ba se perdendo. “Podemos fa-
zer uma reeducação alimen-
tar, mas é importante fazer is-
so levando em consideração 
nossos gostos pessoais. Às ve-
zes, o nutricionista não per-
gunta se você é de Manaus, se 
gosta de mingau de banana. E 
acaba te colocando para co-
mer mingau de aveia.”
Essa conexão com a comida, 
segundo Cynthia, é um resga-
te da nossa autonomia. E pode 
colaborar com o controle do 
açúcar e do estresse causado 
por dietas muito restritivas. 
Afinal, quando nos alimenta-
mos sem atenção, acabamos 
comendo no impulso, indo 
além do que precisamos.
“Não se trata de dieta, mas 
de um jeito mais amoroso de 
olhar para a alimentação. Isso 
pode colaborar com um ema-
grecimento, mas, mais do que 
isso, é uma forma de nos ali-
mentarmos de um jeito mais 
leve e livre de culpa. Isso acaba 
nos encaminhando para uma 
alimentação mais saudável.” l
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Assista ao painel sobre o
mindful eating
Nutricionista Cynthia Antonaccio; consciência sobre os alimentos
Fome e saciedade
Estudo sobre o mindful 
eating mostrou redução
da compulsão entre
pessoas com obesidade
Investimento
que transforma
o futuro
Saiba mais em:
novonordisk.com.br
BR24NNG00350 - OUTUBRO/2024
Novo Nordisk investe R$ 864 milhões 
na maior fábrica de insulinas da América 
Latina, em Montes Claros (MG).
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO 
“É uma forma de nos 
alimentarmos de um 
jeito mais leve e livre de 
culpa. Isso acaba nos 
encaminhando para 
uma alimentação mais 
saudável”
Cynthia Antonaccio
Nutricionista
Os benefícios da atenção
plena durante a alimentação
Conceito prevê uma 
nova relação com o 
ato de comer e com o 
que está no prato,
sem interferências
externas
‘Mindful eating’
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
ESPECIAL D15
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
OCIMARA BALMANT
H
á cinco anos, o médi-
co epidemiologista 
Carlos Augusto Mon-
teiro, da Faculdade de Saúde 
Pública da Universidade de 
São Paulo (USP), figura na lis-
ta dos pesquisadores mais in-
fluentes do mundo. No ano 
passado, ele foi o brasileiro 
com os artigos mais citados 
em revistas e estudos científi-
cos internacionais.
A fama é oriunda da NOVA, 
a classificação proposta por 
Monteiro que revolucionou a 
forma como os alimentos são 
categorizados. “Começamos 
a identificar que a origem das 
doenças ligadas à alimenta-
ção estava num grupo de pro-
dutos sobre os quais a indús-
tria tem um lucro muito 
maior, na medida em que são 
feitos com ingredientes de 
baixo custo e grande durabili-
dade”, disse o médico em en-
trevista ao Estadão. 
Nascia, em 2009, o concei-
to de ultraprocessado. Uma 
palavra enorme, mas que 
Monteiro define de uma ma-
neira simples: ultraprocessa-
do é um produto feito com 
ingredientes que não exis-
tem na cozinha doméstica, 
como aditivos para substi-
tuir a cor, o aroma e a textura 
de um alimento. 
A classificação também 
mudou a forma como se en-
xerga a relação do consumi-
dor com a comida: se, antes, a 
pessoa física era vista como a 
única responsável pelas esco-
lhas alimentares, agora os 
CNPJs precisam assumir a 
parte que lhes cabe nas maze-
las resultantes da alimenta-
ção inadequada, como a atual 
epidemia de sobrepeso e de 
obesidade. 
Confira a seguir a entrevista 
completa com o médico.
Como a NOVA mudou, na 
prática, a relação entre in-
dústria e qualidade da ali-
mentação?
O paradigma anterior tinha o 
foco em nutrientes – basica-
mente, em gordura saturada, 
açúcar, sal e fibra – e, de algu-
ma maneira, culpava o pró-
prio consumidor pelo fato de 
não ter uma alimentação mui-
to saudável. Era um pouco as-
sim: as pessoas preferem co-
mer com muito sal, com pou-
ca fibra e com muito açúcar, e 
por isso acabam adoecendo. 
Quando a gente começa a fa-
zer uma classificação dos ali-
mentos não só pelo teor de 
nutrientes, mas também pela 
forma de processamento, co-
meça a colocar a responsabili-
dade em quem processa es-
ses alimentos. O foco sai do 
consumidor e vai para a in-
dústria que usa estratégias 
de marketing muito sofistica-
das para que as pessoas tro-
quem a alimentação tradicio-
nal pelo consumo de ultrapro-
cessados.
Que indústria é essa?
São as grandes indústrias 
transnacionais dentro do sis-
tema alimentar. Porque um 
fator importante é que o ul-
traprocessamento requer ma-
quinários, tecnologias, con-
trole de qualidade e mesmo 
ingredientes – como aditivos 
– que são de acesso restrito. E 
uma coisa mais sutil é que vo-
cê consegue fazer um produ-
to único, um produto de mar-
ca. Tanto que é algo comum 
as receitas com segredos in-
dustriais. 
E o nome é “produto” por-
que, pela composição, o ul-
traprocessado nem deve 
ser considerado um alimen-
to, certo?
Sim. Primeiro, você tem mui-
tos ingredientes: dez, 15, 20, 
até 30. Depois, você manipu-
la misturas de sal, gordura, 
açúcar, aromatizantes, textu-
rizantes, e consegue criar pro-
dutos de baixo custo para a 
indústria, mas que são extre-
mamente palatáveis. Essas in-
dústrias têm laboratórios de 
análise sensorial que permi-
tem que consigam chegar a 
receitas com combinação de 
gordura e açúcar que maximi-
zam o prazer e que se tornam 
mesmo viciantes para algu-
mas pessoas.
O cenário no Brasil é preo-
cupante, mas ainda consu-
mimos menos ultraproces-
sados do que países como 
os Estados Unidos e a Ingla-
terra. A vantagem, nesse ca-
so, seria o fato de os preços 
dos ultraprocessados ain-
da não estarem tão baixos 
por aqui?
O preço é uma questão, mas a 
grande diferença é que, no 
Brasil, o consumo de ultra-
processados não chegou às 
principais refeições. Consu-
mimos refrigerantes e sorve-
tes, mas, no almoço e no jan-
tar, a cultura alimentar ainda 
é muito forte. A maior parte 
dos brasileiros ainda come o 
PF (prato feito), a comida por 
quilo. O alerta é que estamos 
em um processo de transi-
ção, até porque estudos mos-
tram que o preço relativo dos 
ultraprocessados aumentou 
muito menos do que o de ali-
mentos in natura ou minima-
mente processados. A ten-
dência é ruim. 
Nesse aspecto, podemos 
considerar que há um pú-
blico mais suscetível, co-
moridade: 8% são analfabetos, 
70% não concluíram o ensino 
fundamental e 92% não con-
cluíram o ensino médio.
Comparativamente, estudo 
da Organização para a Coope-
ração e Desenvolvimento Eco-
nômico (OCDE) indica que 
um a cada quatro brasileiros 
entre 25 e 34 anos não trabalha. 
E, apesar de 64% das pessoas 
entre 25 e 34 anos sem ensino 
médio estarem empregadas, o 
mesmo estudo indica que 59% 
ganham menos da metade da 
renda média da população.
Qual o objetivo com tal com-
paração? A população carcerá-
ria é reflexo da falta de empre-
go e educação na sociedade, e 
parte dessa população envere-
da para o crime, o que não é 
uma singela coincidência. O 
governo federal tem a Lei de 
Execução Penal como instru-
mento para aproveitar, habili-
tar, treinar e certificar os pre-
sos e, por conseguinte, mino-
rar a falta de capacitação e edu-
cação das pessoas abaixo dos 
34 anos.
Ora, mas por que investir 
nos presos ao invés de investir 
na população livre? Em verda-
de, o Estado tem falhado com 
ambos, porém há diferenças. 
Os primeiros estão sem liber-
dade e com tempo vago, ao pas-
so que o segundo grupo tem a 
opção de não querer estudar e 
se aprimorar. No entanto, no 
atual modelo, não há um real 
interesse do Estado no univer-
so prisional no incentivo aos 
estudos e capacitação profis-
sional. Um erro dos presos e 
dos Estados, afinal, um dia de 
pena é remido a cada 12 horas 
de frequência escolar, com li-
mitação de um terço de remis-
são de pena. Ademais, a cada 
livro lido pelo preso significa 
quatro dias a menos em sua 
pena, com um limite de 12 li-
vros por ano, o que significa 48 
dias a menos de pena.
De tal sorte que os presos 
poderiam estar em liberdade 
em tempo menor, o que repre-
sentaria redução de custos pa-
ra os Estados e reinserção so-
cial com indivíduos que foram 
para o sistema prisional com 
baixo ou nenhum estudo e po-
dem sair capacitados.
O governo federal e os Esta-
dos não têm investido nesse 
modelo por conta da baixa 
aprovação social e pela justifi-
cativa da falta de recursos. Po-
rém, educar faz parte do enten-
dimento da remissão da culpa.
O tema gera discussão e in-
sufla tabus, mas é um cami-
nho menos custoso para que o 
governo federal capacite essa 
parcela da população. Já que 
uma pessoa foi presa e conde-
nada, por que o Estado não po-
de contribuir para sua resso-
cialização? Não somente pode 
como também deve.
A Constituição federal não 
faz distinção entre pessoas, se-
jam elas presas ou não, e todos 
têm direito a um ensino provi-
do pelo Estado. Assim, que a 
própria sociedade se beneficie 
da educação e da capacitação 
do preso. l
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Antonio Gonçalves
O Estado brasileiro
falha ao não
aproveitar a previsão
legislativa para
capacitar e educar
o preso ao longo do
cumprimento da pena
TABA BENEDICTO/ ESTADÃO - 27/10/2024
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TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO A5
INÊS 249
Reeleito para mais quatro 
anos à frente da Prefeitura de 
São Paulo, Ricardo Nunes 
(MDB) admitiu ontem que o 
preço na tarifa dos ônibus mu-
nicipais da capital paulista po-
derá ser reajustado para 2025. 
Ele também manteve a artilha-
ria sobre a distribuidora de 
energia Enel, afirmando que 
no seu novo governo “vai ser 
pau para cima” da concessioná-
ria italiana.
O prefeito disse que a deci-
são sobre a tarifa do transpor-
te municipal será tomada e 
anunciada em dezembro, 
quando serão analisados os da-
dos referentes aos dissídios de 
funcionários, o valor do com-
bustível (diesel) e o funciona-
mento da política pública de 
mobilidade da cidade. O valor 
hoje é R$ 4,40, mantido desde 
janeiro de 2020.
“Em dezembro, eu sento 
com a minha equipe para to-
mar uma decisão. Se a gente 
consegue manter – é a minha 
vontade – ou se não consegue 
manter e explicar o motivo de 
não manter”, afirmou Nunes 
em entrevista ao programa 
Bom Dia SP, da TV Globo.
Conforme a Prefeitura, o 
número de passageiros que 
usam os ônibus municipais na 
capital diminuiu de 9 milhões, 
em 2019, para os atuais 7 mi-
lhões. “Não dá para ver a tarifa 
como uma planilha. Preciso in-
centivar o transporte coletivo, 
desincentivar o transporte in-
dividual”, acrescentou Nunes.
O preço da passagem está 
atrelado ao subsídio repassa-
do pela administração munici-
pal, que paga uma parte do va-
lor da tarifa às companhias 
que operam o serviço na cida-
de. Neste ano, além de manter 
a passagem congelada, a Prefei-
tura tornou gratuito o uso dos 
ônibus aos domingos.
“Minha ideia é manter (a ta-
rifa a R$ 4,40), mas eu não po-
deria ser irresponsável sem an-
tes olhar todos os dados, dissí-
dios de funcionários, valor do 
diesel, todo o custo, para saber 
se a gente pode manter. Por-
que eu não posso tirar da saú-
de, da educação, da habitação. 
Eu preciso governar manten-
do todas as pastas equilibra-
das”, declarou o prefeito.
No dia seguinte à reeleição 
– quando venceu o segundo 
turno da disputa municipal ob-
tendo 59,35% dos votos váli-
dos, ante 40,65% de seu rival, 
Guilherme Boulos (PSOL) –, 
Nunes voltou a um tema que 
ganhou destaque na campa-
nha. Disse que ele e o governa-
dor do Estado, Tarcísio de Frei-
tas (Republicanos), não que-
rem a Enel na capital paulista. 
‘FORÇA POLÍTICA’. Nunes so-
freu fortes críticas na campa-
nha pela atuação nos apagões 
que atingiram São Paulo e dei-
xaram milhares de pessoas 
sem energia. “Agora reeleito, 
evidentemente, obviamente, a 
força política que eu exerço é 
maior. Uma votação dessa, 
uma vitória muito expressiva, 
não tenha dúvida de que vai 
ser pau para cima da Enel”, afir-
mou o prefeito em entrevista à 
CNN Brasil. “Eu e Tarcísio já 
falamos e agora a gente vai re-
forçar ainda mais que nós não 
queremos essa empresa aqui.”
Durante a entrevista, Nu-
nes voltou a responsabilizar o 
governo federal pela crise com 
a Enel. “O contrato da Enel é 
concessão federal, regulação 
federal, fiscalização federal. 
Só depende do governo fede-
ral para tirar a Enel daqui”, dis-
se ele. “Se fosse da Prefeitura, 
(eu) já tinha tirado.”
O emedebista, que adotou 
na campanha o slogan “cria da 
periferia”, planeja dar ênfase 
a iniciativas na área social nes-
te segundo mandato. O intui-
to é tirar do papel novas pro-
postas que foram apresenta-
das na campanha, como a con-
cessão de gratuidade no trans-
porte público para mães leva-
rem seus filhos a creches mu-
nicipais. Além disso, ele deve 
ampliar programas já existen-
tes, como o Armazém Solidá-
rio, um mercado que vende 
produtos a preços mais baixos 
doas crianças e os jovens, 
por exemplo?
O que percebemos no recor-
te por idade é que, quanto 
mais velho, menor o consu-
mo de ultraprocessados. 
Quanto mais jovem, maior. 
Os adolescentes são o grupo 
com o maior consumo. Recen-
temente, saiu um estudo na 
Inglaterra em que olharam as 
crianças com dois e, depois, 
com sete anos. O que se viu 
foi um aumento no consumo 
de dois para sete anos e tam-
bém uma correlação muito 
grande: a criança de dois 
anos que comia muito ultra-
processado é a criança de se-
te anos com consumo mais 
elevado. Isso mostra que os 
hábitos e as preferências são 
criados quando a criança ain-
da é pequena. Por isso o esfor-
ço da indústria de ultrapro-
cessados na propaganda liga-
da a crianças e todo o investi-
mento em textura, cor e aro-
ma. Tudo isso vai criando o 
que a gente chama de familia-
ridade, e que vai influenciar 
os hábitos para toda a vida.
E quais as consequências 
mais diretas do consumo 
de ultraprocessados?
Há dois grandes problemas: 
no ultraprocessado, você não 
tem o alimento inteiro, e é im-
portante você comer junto a fi-
bra, os antioxidantes e a proteí-
na, por exemplo. Quando você 
separa essas coisas, o nutrien-
te não funciona da mesma ma-
neira. A outra questão é que, 
por não ter o alimento inte-
gral, o ultraprocessado tem 
muitos aditivos para substi-
tuir a cor, o aroma e a textura. 
Então, você não tem o alimen-
to integral e tem uma série de 
substâncias químicas estra-
nhas ao alimento. Agora, imagi-
na a criança que começa essa 
trajetória logo cedo, a quanti-
dade de aditivos que vai consu-
mir ao longo da vida. É uma 
coisa cumulativa. Talvez o con-
sumo seria inócuo se fosse nu-
ma quantidade pequena, mas 
imagina o volume…
E daí podemos falar do que 
se chama de “princípio da 
precaução”...
Isso. Como a relação entre 
saúde e alimentação é uma re-
lação complexa, a gente nun-
ca vai conhecer tudo. Talvez 
a maioria dos aditivos não se-
ja problemática, mas, certa-
mente, alguns são. Então, à 
medida que você aumenta a 
exposição do seu organismo 
a algo que ele não está progra-
mado, aumenta a probabilida-
de de ter algum tipo de pro-
blema. O princípio da precau-
ção é esse: você tem a possibi-
lidade de não consumir aditi-
vos e ficar menos exposto a 
problemas.
E como fazer para barrar 
esse consumo?
Os produtos estão ficando ca-
da vez mais baratos, com 
mais propaganda, e cada vez 
mais palatáveis e mais irresis-
tíveis. Então, se tem uma 
série de forças caminhando 
no sentido de empurrar as 
pessoas para o aumento do 
consumo de ultraprocessa-
dos, a gente precisa criar uma 
força oposta em muitas fren-
“Decidir qual é a 
verdura ou a fruta é 
uma questão de cultura 
e de preferência. O que 
não se pode é ter uma 
dieta monótona. Ou 
cheia de aditivos”
“Se tem uma série de 
forças caminhando no 
sentido de empurrar as 
pessoas para o aumento 
do consumo de 
ultraprocessados, a 
gente precisa criar uma 
força oposta em muitas 
frentes para 
desnormalizar esse 
consumo”
‘A cultura alimentar
ainda é forte no Brasil, 
mas a tendência é ruim’
Produto
Ultraprocessado é feito 
com ingredientes que
não existem na cozinha
doméstica, como aditivos
Carlos Augusto Monteiro
Médico alerta sobre consumo de ultraprocessados 
no País, principalmente por crianças e adolescentes
ENTREVISTA
Professor da Faculdade 
de Saúde Pública da 
USP, é responsável pela 
classificação NOVA,
que trouxe o conceito 
de ultraprocessado
D16 ESPECIAL
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
l Epidemia
Especialistas consideram 
que o mundo enfrenta uma 
epidemia de sobrepeso e 
obesidade. “Nenhuma área 
do mundo está imune às 
consequências da obesidade 
e os mais pobres são os que 
mais sofrem, em idades ca-
da vez mais jovens”, diz a 
World Obesity Federation 
(WOF), no World Obesity 
Atlas 2024
l Taxa
Estudo conduzido pela NCD 
Risk Factor Collaboration, 
em parceria com a Organiza-
ção Mundial da Saúde 
(OMS), mostrou que mais de 
1 bilhão de pessoas convi-
vem com obesidade no mun-
do. Na população adulta, a 
taxa de obesidade mais do 
que dobrou entre mulheres e 
quase triplicou entre ho-
mens de 1990 a 2022
l Brasil
De acordo com a Pesquisa de 
Vigilância de Fatores de Risco 
e Proteção para Doenças 
Crônicas por Inquérito Tele-
fônico (Vigitel) de 2021, a pre-
valência de excesso de peso 
(sobrepeso) na população bra-
sileira é de 57,2% e a de obesi-
dade, 22,4%
l Mudanças
Com base nas tendências dos 
dados de 2000 a 2016, e assu-
mindo que nada mude em ter-
mos de intervenção, a WOF 
considera que a taxa de adul-
tos com sobrepeso e obesida-
de passará de 42% em 2020 
para 54% em 2035
l Fator de risco
A obesidade tem um impacto 
profundo na qualidade de vi-
da do paciente, de acordo 
com a OMS. “Pode levar ao 
aumento do risco de diabetes 
tipo 2 e doenças cardíacas, 
pode afetar a saúde óssea e a 
reprodução, além de aumen-
tar o risco de certos tipos de 
câncer”, alerta
l Crianças e adolescentes
Conforme a OMS, mais de 
390 milhões de crianças e 
adolescentes de 5 a 19 anos 
estavam acima do peso em 
2022. “Crianças com obesida-
de têm grande probabilidade 
de se tornarem adultos com 
obesidade e também correm 
maior risco de desenvolver 
doenças crônicas na idade 
adulta”, adverte a entidade
tes para desnormalizar esse 
consumo. Um ponto é a refor-
ma tributária: todos os ultra-
processados deveriam ter 
um imposto maior e, por ou-
tro lado, isentar ao máximo 
os alimentos naturais e mini-
mamente processados. A ou-
tra grande questão é a publici-
dade. Faz sentido que haja 
propaganda infantil com o 
uso de heróis para aqueles 
produtos já rotulados como 
alto em açúcar, alto em sódio 
e alto em gordura saturada? 
E, por fim, a rotulagem de ad-
vertência precisa ser intensi-
ficada. A Anvisa (Agência Na-
cional de Vigilância Sanitária) 
está avaliando a possibilida-
de de acrescentar na rotula-
gem de advertência corantes, 
aromatizantes e adoçantes ar-
tificiais. E daí, penso eu, uma 
estratégia seria proibir a pu-
blicidade de todos os produ-
tos com essa rotulagem de ad-
vertência.
E ninguém iria à falência 
por isso.
Exato. Porque não é que a in-
dústria queira fazer um alimen-
to para as pessoas ficarem 
doentes. Obviamente que não. 
A indústria teria interesse que 
as pessoas ficassem saudáveis. 
O problema é que o lucro é 
uma coisa tão poderosa que a 
indústria tenta normalizar 
uma coisa que não é normal. 
Durante milhões de anos, tive-
mos uma alimentação sem adi-
tivos, por que agora a gente 
precisa? A gente não precisa. 
Quem precisa é a indústria. 
Porque o aditivo faz parte do 
modelo de negócios, faz com 
que o produto dure anos, e isso 
é lucro. Ela pode estocar, trans-
portar por longas distâncias, 
usar ingredientes de baixo cus-
to. O objetivo é mostrar que o 
consumo é inevitável. Só que 
não. É absolutamente possível 
você ter uma alimentação sem 
esses aditivos todos.
O que pode ser hoje consi-
derado uma alimentação 
saudável?
Há várias maneiras de ter 
uma alimentação saudável, o 
importante é seguir alguns 
princípios. Um deles é você 
consumir o alimento inteiro, 
o mais próximo possível de 
como ele está na natureza. O 
outro princípio é você diversi-
ficar, consumir alimentos de 
várias famílias. Decidir qual é 
a verdura ou a fruta é uma 
questão de cultura e de prefe-
rência. O que não se pode é 
ter uma dieta monótona. Ou 
cheia de aditivos. l
Projeções preocupantes 
para a obesidade
Para lembrar
A C Camargo
Cancer Center
Você no centro, a ciência ao seu lado.
A gente vai do começo 
Saiba mais:
RT: Dra. Raquel M Bussolotti CRM SP - 77005
ao recomeço com você.
Somos o A.C. Camargo,
O Cancer Center que está
ao seu lado do diagnóstico
à remissão.
Por idade
Quanto mais velho,que os praticados no co-
mércio convencional para pes-
soas inscritas no Cadastro 
Único (CadÚnico).
Nunes prevê inaugurar 
mais dez armazéns durante 
seu próximo mandato, além 
de um ainda este ano. Atual-
mente, o site da Prefeitura de 
São Paulo indica seis unidades 
em operação, distribuídas 
igualmente entre as zonas les-
te e norte da cidade.
Também na área de seguran-
ça alimentar, o prefeito se com-
prometeu a abrir mais 40 “Co-
zinhas Escola”. Lançado em ju-
lho do ano passado, o progra-
ma funciona em parceria com 
organizações da sociedade ci-
vil, oferecendo, diariamente, 
pelo menos 400 refeições gra-
tuitas em diversos pontos da 
cidade, principalmente para fa-
mílias em situação de vulnera-
bilidade social.
RUA. O apoio às pessoas em si-
tuação de rua deve compor ain-
da os esforços do novo gover-
no na área social. O censo ela-
borado pela Prefeitura em 
2021 indica um universo de cer-
ca de 32 mil pessoas em situa-
ção de rua na cidade.
No entanto, de acordo com 
o Observatório Brasileiro de 
Políticas Públicas com a Popu-
lação em Situação de Rua, da 
Universidade Federal de Mi-
nas Gerais (UFMG), no mês 
passado, a Prefeitura registrou 
e informou ao governo federal, 
para o repasse de recursos rela-
tivos à gestão do CadÚnico, a 
existência de 86.344 sem-teto.
Também há a expectativa 
de intensificar medidas para a 
revitalização do centro em par-
ceria com o governo estadual. 
l CAIO POSSATI, LETÍCIA NAOME, BIANCA GO-
MES E PEDRO AUGUSTO FIGUEIREDO
ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2024
Tema
Emedebista foi alvo de
críticas na campanha pela 
atuação nos apagões que 
atingiram São Paulo
Segundo mandato
l Armazém Solidário
Nunes planeja inaugurar 
mais dez armazéns no próxi-
mo mandato. O local vende 
produtos a preços mais bai-
xos do que os praticados no 
comércio convencional para 
inscritos no Cadastro Único 
(CadÚnico). Atualmente, há 
seis unidades em operação, 
distribuídas nas zonas leste 
e norte da cidade
l Cozinha Escola
O prefeito se comprometeu 
a inaugurar mais 40 Cozi-
nhas Escola. Lançado em 
julho de 2023, o programa 
voltado para famílias em si-
tuação de vulnerabilidade 
funciona em parceria com 
organizações da sociedade 
civil e oferece, diariamente, 
400 refeições gratuitas em 
diversos pontos da cidade
l Vila Reencontro
A nova administração quer 
entregar mais dez Vilas 
Reencontro, serviço de mo-
radia transitória para pes-
soas e famílias em situação 
de rua. O programa foi cria-
do na gestão Nunes. “Vamos 
fazer mais Vilas Reencontro 
espalhadas pela cidade, prin-
cipalmente no centro des-
centralizado das subprefeitu-
ras”, disse o prefeito
Ricardo Nunes (ao centro), junto com a mulher, Regina, esteve ontem na Basílica de Aparecida (SP)
GILDSON DI SOUZA/SECOM
“Minha ideia é manter 
(a tarifa a R$ 4,40),
mas eu não poderia
ser irresponsável
sem antes olhar todos
os dados, dissídios de 
funcionários, valor do 
diesel, todo o custo, 
para saber se a gente 
pode manter. Porque
eu não posso tirar
da saúde, da educação, 
da habitação”
“Agora reeleito, 
evidentemente, 
obviamente, a força 
política que eu exerço é 
maior. Uma votação 
dessa, uma vitória 
muito expressiva, não 
tenha dúvida de que
vai ser pau para
cima da Enel”
Ricardo Nunes (MDB)
Prefeito reeleito de
São Paulo
Reeleito, Nunes não descarta aumentar 
a tarifa de ônibus e mantém Enel no alvo 
Prefeito afirma que preço do transporte municipal será definido em dezembro; diz 
também que no seu novo governo ‘vai ser pau para cima’ da concessionária de energia
A6 POLÍTICA
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
G
ilberto Kassab viu o que 
o também craque Luiz 
Inácio Lula da Silva não 
viu, talvez por velhas 
idiossincrasias: o eleitor que es-
tava dando sopa, solto, sem ru-
mo, era o do PSDB, que oscilava 
entre a centro esquerda e a cen-
tro direita. Kassab adaptou o 
PSD e está moldando o governa-
dor Tarcísio de Freitas ao gosto 
do freguês – leia-se: do eleitora-
do tucano. Lula teve a grande sa-
cada de atrair Geraldo Alckmin 
para sua vice, mas ficou por aí.
O erro original continua ce-
gando os líderes de PT e PSDB e 
os dois partidos que reuniram 
os melhores quadros a favor da 
abertura política nos anos 1980, 
ao lado do MDB, continuam pa-
ra todo o sempre como inimi-
gos e, num abraço de afogados, 
afundam juntos e deixam a direi-
ta nadando de braçada.
Lula conquistou Alckmin pa-
ra sua chapa e o apoio dos me-
lhores quadros tucanos contra 
Jair Bolsonaro em 2022, mas 
encheu os ministérios com o 
Centrão, inclusive com os bol-
sonaristas PP e Republicanos. 
Ok, o sistema e a governabilida-
de exigem, mas e o eleitor, os 
votos? Foram dados de bande-
ja para o pragmatismo e a saga-
cidade política de Kassab.
Dois anos depois da volta de 
Lula ao poder, o PSD coleciona 
troféus nas eleições municipais: 
maior número de prefeituras do 
País (887), 206 das 645 de São 
Paulo, cinco das 26 capitais, o 
controle de orçamentos de R$ 
234 bilhões. E mais: domina o 
“triângulo das Bermudas” políti-
co e econômico do País.
Reelegeu Eduardo Paes já 
no primeiro turno no Rio, Fuad 
Noman no segundo em Belo Ho-
rizonte e quem, afinal, esteve 
por trás o tempo todo da aliança 
entre Tarcísio e o prefeito Ricar-
do Nunes (MDB) em São Paulo? 
Kassab. Tarcísio, chamado de 
“líder maior” por Nunes na fes-
ta da vitória, continua no Repu-
blicanos, mas já recusou entrar 
no PL de Bolsonaro e seu cami-
nho natural parece ser o PSD.
Já a esquerda só levou duas 
capitais: João Campos (PSB) 
em Recife, no primeiro turno, e 
Evandro Leitão (PT) em Forta-
leza, numa disputa nervosa até 
o último minuto do segundo 
turno, contra o PL. Ok, os petis-
tas não venceram em nenhu-
ma capital nas duas últimas 
eleições, mas não dá para come-
morar. No placar geral, ficou 
atrás até do moribundo PSDB.
Bolsonaro alavancou nomes 
desconhecidos por aí afora, mas 
todos os cinco candidatos que 
chegaram na frente no primeiro 
turno e perderam no segundo 
das capitais eram apoiados por 
ele. Significa que tem força, não 
maioria. Uma superbolha, mas 
ainda assim uma bolha.
Quem está de olho nela, des-
de já, é Kassab, que sabe operar 
politicamente as máquinas e os 
orçamentos, inclusive os secre-
tos, Pix e outros do gênero. O 
que estará em jogo em 2026 será 
a corrida ao centro, ao Centrão 
e, evidentemente, ao seu eleito-
rado. Com que musculatura Lu-
la, seu governo, o PT e a esquer-
da entram nesse jogo? O PT está 
perdendo o bonde, mas Lula pre-
cisa compreender, se é que já 
não sabe, que não só o futuro do 
PT, mas da própria esquerda, es-
tá nas suas mãos. l 
SEG. Carlos Pereira e Diogo Schelp (quinzenalmente) l TER. Eliane Cantanhêde e Carlos Andreazza l QUA. Vera Rosa e Marcelo Godoy (quinzenalmente) l QUI. William Waack l SEX. Eliane Cantanhêde l SÁB. Carlos Andreazza l DOM. Eliane Cantanhêde e J.R. Guzzo
COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, 
DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL 
GLOBONEWS EM PAUTA
E-mail: eliane.cantanhede@estadao.com; Twitter: @ecantanhede
Ao gosto do freguês 
Quase 20 mil digitaram número de Marçal no 2º turno
Eleições 2024
13 novas unidades
industriais de
produção criando
conexões entre
pessoas,alimentos
e natureza.
Mais que uma
nova empresa,
uma empresa
comprometida
com o futuro.
Acesseminervafoods.com
Eliane Cantanhêde
No segundo turno das eleições 
municipais em São Paulo, qua-
se 20 mil eleitores digitaram 
nas urnas o número 28, de Pa-
blo Marçal (PRTB), que ficou 
em terceiro lugar na primeira 
etapa do pleito, no dia 6 de ou-
tubro, e não avançou na dispu-
ta. Com isso, eles se somaram 
aos 430.746 eleitores que anu-
laram o voto anteontem – 
6,75% do total da votação.
Os números foram levanta-
dos pelo portal g1 a partir dos 
dados do Tribunal Regional 
Eleitoral de São Paulo (TRE-
SP). Em primeiro e segundo lu-
gar dos mais digitados, estão 
os numerais “00 e “99 .
Depoisdo 28 de Marçal, que 
aparece 19.561 vezes, o núme-
ro do PSDB, 45, foi o mais aper-
tado pelos eleitores, com 
15.511 votos anulados dessa for-
ma. O candidato da sigla, o 
apresentador José Luiz Date-
na, também não avançou para 
o segundo turno. l KARINA FERREIRA
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
POLÍTICA A7
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2024
MARCELO GODOY
M
aquiavel dizia que 
sem piedade se po-
dia empalmar o po-
der, mas não a glória. Há várias 
formas de se empalmar o po-
der, além da união entre a for-
tuna e a virtù, para eleger o 
príncipe ou o prefeito. Os tem-
pos mudaram e Guilherme 
Boulos, o candidato do PSOL, 
pareceu querer se adaptar a 
eles e, assim, não ser dobrado 
pelos ventos novos. Derrota-
do, disse ontem: “Perdemos, 
mas recuperamos a dignidade 
da esquerda”. Será?
O eleitor da capital paulista 
viu exemplos formidáveis nes-
ta campanha. Além do influen-
ciador Pablo Marçal, cujas ra-
zões de sucesso – e do fracasso 
final – já foram debatidas à 
exaustão, há outra candidatu-
ra que merece uma sessão de 
terapia: a de Boulos.
O deputado foi além da es-
querda que troca a defesa dos 
direitos trabalhistas e da distri-
buição da riqueza pela mudan-
ça de pronomes: na luta para 
ganhar uns votos a mais no se-
gundo turno, Boulos aceitou o 
desafio de Marçal para uma sa-
batina em suas redes sociais.
Em 14 de agosto, no debate 
promovido pelo Estadão, pela 
FAAP e pelo Terra, Marçal insi-
nuou que Boulos consumia co-
caína. Na plateia, assessores 
do candidato do PRTB funga-
vam quando o deputado come-
çava a falar. Até que Marçal re-
solveu exorcizar Boulos, exi-
bindo uma carteira de traba-
lho como se fosse um crucifi-
xo. O deputado tentou retirar 
de Marçal a carteira. Virou me-
me. Enquanto isso, o influen-
ciador não perdia a chance de 
dizer que revelaria uma bom-
ba sobre o “comunista”, no úl-
timo dia de campanha.
Visto como pária na campa-
nha, Marçal queria se vender 
assim, como alguém contra to-
dos do “consórcio”. Teve 28% 
dos votos e ficou um ponto por-
centual abaixo de Boulos e 1,5 
ponto abaixo de Nunes. E o 
que fez o candidato do PSOL 
para tentar vencer a aritmética 
desfavorável que indicava o 
prefeito como herdeiro dos vo-
tos de Marçal?
Tentou mimetizar a estéti-
ca, as ideias e até o caráter da 
candidatura de Marçal. Foi as-
sim que, no dia 23 de outubro, 
Boulos publicou vídeo no X no 
qual eleitores que diziam ter 
votado em Marçal decidiram 
escolher Boulos no segundo 
turno. Terminava com um de-
les retirando o boné com a le-
tra M, símbolo da campanha 
do influenciador, trocando-o 
por um com a letra B.
Parecia boa ideia. Pode-se di-
zer que a mensagem se dirigia 
aos eleitores. Mas a identifica-
ção de Boulos com os símbolos 
de Marçal era algo que não se 
imaginava possível no dia 5 de 
outubro. Naquele dia, o deputa-
do pedira a prisão e a cassação 
de Marçal, depois de o influen-
ciador divulgar na noite ante-
rior falso laudo que imputava 
ao adversário “ideias homici-
das” em estado “surto psicóti-
co” pelo consumo de cocaína.
Logo no mesmo dia, Boulos 
anunciou que aceitava o convi-
te de Marçal para a sabatina. 
Era a aposta final do deputado 
para atrair um eleitor imprová-
vel e baixar sua rejeição. Se con-
quistou algum voto, é difícil sa-
ber. No domingo à noite, as ur-
nas mostravam que Boulos ti-
vera 40,65% dos votos, pouco 
mais do que os 40,62% de qua-
tro anos antes.
Ex-PCB, ex-PT e hoje no 
PSOL, o ex-deputado federal 
Milton Temer afirmou na rede 
social: “Marçal faz Boulos de 
figurante em lançamento de 
campanha para presidente em 
2026. Posou de cidadão civili-
zado, investindo sobre um sen-
so comum imbecilizado que o 
apoia integralmente pelo cará-
ter privatista, individualista, 
preconceituoso de suas pro-
postas, mas não se sentia bem 
no cenário de cadeiradas”.
Para ele, Boulos “apareceu 
com as obviedades que qual-
quer candidato de centrão re-
petiria em campanha”. Temer 
chegou ao ponto central. Dis-
se que Boulos “conviveu com 
quem ofendeu ele e a família, e 
isso mostra mais um princípio 
importante ao qual renuncia – 
a capacidade de fazer qual-
quer coisa para conseguir al-
guns votinhos”.
Ao comparecer ao lado de sua 
nêmesis em troca de votos, Bou-
los expôs a degradação da políti-
ca e o valor de seus princípios. l
VERA ROSA
BRASÍLIA
A derrota de Guilherme Bou-
los (PSOL) na disputa pela Pre-
feitura de São Paulo provocou 
uma espécie de “caças às bru-
xas” nas fileiras do PT em bus-
ca dos culpados pelo fracasso 
do candidato apoiado pelo par-
tido do presidente Luiz Inácio 
Lula da Silva. O desfecho des-
sas eleições municipais tem 
impacto nacional e afeta a cor-
relação de forças políticas.
Ontem, a reunião da Executi-
va Nacional do PT foi marcada 
por críticas ao governo Lula, la-
vação de roupa suja em público 
e duras cobranças a respeito da 
necessidade de um “reposicio-
namento” da legenda após der-
rotas sofridas nas eleições muni-
cipais. A portas fechadas, o se-
cretário de Comunicação do 
PT, Jilmar Tatto, definiu a estra-
tégia da campanha para a Prefei-
tura de São Paulo como “com-
pletamente errada” e afirmou 
que ministros do governo Lula 
jogaram na várzea. 
“Parece que tem ministro jo-
gando futebol de várzea, sem ar-
ticulação nenhuma. É um bara-
ta-voa”, disse Tatto. A frase foi 
uma resposta a uma declaração 
feita horas antes pelo ministro 
de Relações Institucionais, Ale-
xandre Padilha, para quem o PT 
foi “o campeão nacional das elei-
ções municipais, mas não saiu 
ainda do Z4 (zona de rebaixa-
mento) que entrou em 2016 nas 
eleições municipais”.
A afirmação de Padilha foi li-
da na reunião da Executiva Na-
cional e recebeu uma saraiva-
da de críticas. Não foram pou-
cos os que disseram ali ser pre-
ciso haver uma “blindagem” 
do partido em relação ao gover-
no Lula. Na prática, isso signifi-
ca que o PT quer dar as cartas 
na montagem do palanque de 
Lula para as eleições presiden-
ciais de 2026.
‘PREÇO’. “Fazemos parte de 
um governo de coalizão e o PT 
paga o preço por isso”, argu-
mentou a presidente da sigla, 
Gleisi Hoffmann. Horas de-
pois, contudo, ela decidiu res-
ponder a Padilha pelas redes 
sociais. “Temos de refrescar a 
memória do ministro Padilha, 
o que aconteceu conosco des-
de 2016 é a base de centro e 
direita do Congresso que se re-
produz nas eleições munici-
pais, que ele bem conhece”, es-
creveu Gleisi. “Estamos numa 
ofensiva da extrema direita. 
Ofender o partido, fazendo gra-
ça, e diminuir nosso esforço na-
cional não contribui para alte-
rar essa correlação de forças.”
Embora pertençam à mesma 
corrente de Lula, intitulada 
Construindo um Novo Brasil 
(CNB), Gleisi e Padilha dispu-
tam os rumos da legenda. “Pa-
dilha devia focar nas articula-
ções políticas do governo, de 
sua responsabilidade, que ajuda-
ram a chegar a esses resultados. 
Mais respeito com o partido que 
lutou por Lula Livre e Lula Presi-
dente, quando poucos acredita-
vam”, completou Gleisi.
O desgosto do PT por não 
conseguir voltar ao comando 
da capital paulista, onde o pre-
feito Ricardo Nunes (MDB) se 
reelegeu, só foi amenizado pe-
la vitória em Fortaleza (CE). 
Na maior capital do Nordeste, 
Evandro Leitão (PT) venceu 
André Fernandes (PL), candi-
dato apoiado pelo ex-presiden-
te Jair Bolsonaro (PL).
O triunfo em Fortaleza foi co-
memorado ainda mais porque o 
PT não administrava nenhuma 
capital desde 2018 e, além disso, 
venceu um aliado de Bolsonaro. 
Em 2018, o único prefeito petis-
ta de uma capital – Marcos Ale-
xandre, de Rio Branco (AC), – 
renunciou ao cargo conquista-
do em 2016 para concorrer ao 
governo do Acre e perdeu.
O resultado em Fortaleza dá 
musculatura ao ministro da 
Educação, Camilo Santana, 
ex-governador do Ceará, e ao 
líder do governo na Câmara, 
José Guimarães(CE), que 
quer presidir o PT. Até agora, 
porém, o prefeito de Araraqua-
ra, Edinho Silva – que não con-
seguiu fazer a sucessora – é o 
nome preferido de Lula para 
comandar a sigla.
Das quatro capitais em que 
concorria com chapa própria 
no segundo turno, o PT só ga-
nhou Fortaleza. Perdeu em Por-
to Alegre, Natal e Cuiabá. Tam-
bém sofreu reveses em cidades 
importantes, como Diadema, 
no ABC paulista.
‘PARAR DE ERRAR’. O resulta-
do em São Paulo provocou, nos 
bastidores do PT, um jogo de 
empurra sobre os responsáveis 
pela derrota. No primeiro tur-
no, por exemplo, o deputado 
Washington Quaquá (RJ), pre-
feito eleito de Maricá (RJ) e um 
dos vice-presidentes do parti-
do, chegou a dizer que Boulos 
era “o melhor candidato para 
perder” por causa da alta rejei-
ção e por não ampliar a aliança 
ao centro. Na noite de domin-
go, após a divulgação do resulta-
do na capital paulista, Quaquá 
voltou à carga. “O PT precisa 
parar de errar! Boulos era a 
crônica de uma morte anuncia-
da! A candidatura errada na ci-
dade errada!”, escreveu ele em 
postagens nas redes sociais. l 
ANÁLISE
Fala de Padilha sobre zona de rebaixamento gerou forte reação 
Revés em SP e desempenho no País 
abrem ‘lavação de roupa suja’ no PT
Boulos acredita que 
resgatou ‘a dignidade 
da esquerda’. Será?
Sabatina com Marçal
Ao aceitar convite, Boulos 
tentou atrair um eleitor
improvável. Se conquistou 
algum voto, é difícil saber
REPÓRTER ESPECIAL E COLUNISTA DO ESTADÃO
“Parece que tem 
ministro jogando 
futebol de 
várzea, sem 
articulação nenhuma. 
É um barata-voa”
Jilmar Tatto
Secretário nacional de 
Comunicação do PT
ROQUE DE SÁ/AGENCIA SENADO–24/4/2024
Para vice-presidente 
da sigla, candidato do 
PSOL era ‘uma morte 
anunciada’; Padilha 
afirma que partido 
continua no ‘Z4’
A8 POLÍTICA
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2024
FELIPE DE PAULA
O Partido Social Democrático 
(PSD), legenda que elegeu o 
maior número de prefeitos no 
pleito municipal, avançou prin-
cipalmente sobre redutos con-
solidados do PSDB, MDB e 
União Brasil, de acordo com le-
vantamento do Estadão. A 
análise levou em conta as fusões 
e incorporações partidárias, 
além dos resultados das elei-
ções municipais desde 2000.
Entre as 887 prefeituras con-
quistadas pelo PSD, 236 eram 
gerenciadas há 12 anos ou mais 
por uma daquelas três siglas. 
Proporcionalmente, 26,61% 
dos prefeitos vencedores pelo 
PSD em 2024 elegeram-se em 
municípios tradicionais do 
PSDB, MDB e União Brasil (nes-
te caso, consideraram-se tam-
bém DEM e PSL, legendas que 
formaram o partido em 2021).
O maior prejudicado entre 
as siglas foi o PSDB, que teve 
102 trincheiras capturadas, em 
especial no interior de São Pau-
lo, região de histórica atuação tu-
cana. A “desidratação” partidá-
ria para a legenda presidida por 
Gilberto Kassab, entretanto, co-
meçou já após a eleição de 2020, 
quando prefeitos eleitos pelo 
PSDB migraram para o PSD vi-
sando disputar a reeleição com 
mais chances de vencer.
O presidente do PSDB, Mar-
coni Perillo, afirmou que essa 
movimentação entre as duas si-
glas minou a atuação dos tuca-
nos em São Paulo, mas sua ava-
liação do pleito ainda é positiva. 
A estratégia do PSD de utili-
zação da migração partidária é 
uma das técnicas mais efetivas 
de expansão eleitoral, segundo 
a coordenadora do Laboratório 
de Partidos, Eleições e Política 
Comparada Mayra Goulart. Ela 
disse que, para este ano, o PSD 
priorizou candidaturas mais plu-
rais, que pudessem abarcar gran-
de parte do eleitorado de cen-
tro-direita e centro-esquerda. 
‘METAS’. O MDB, que desde a re-
democratização liderou em nú-
mero de prefeituras, viu a maio-
ria dos seus redutos serem toma-
dos pelo PSD no Paraná e em 
Santa Catarina. A legenda per-
deu 88 municípios para a sigla 
de Kassab; 63 no Sul e Sudeste. 
O presidente do MDB, Baleia 
Rossi, foi procurado, porém 
não comentou o avanço do PSD 
sobre trincheiras do partido.
Já o União Brasil teve 46 re-
dutos subtraídos pelo PSD, 
principalmente em Minas e na 
Bahia. O vice-presidente da le-
genda, ACM Neto, avaliou po-
sitivamente a eleição de 2024, 
na qual a sigla conquistou 584 
prefeituras. Questionado so-
bre o avanço do PSD em re-
giões de seu berço político, na 
Bahia, ele disse que “não olha 
para o quintal do vizinho” e 
que prefere atentar para as me-
tas atingidas pelo União Brasil.
Kassab, que também é secre-
tário de Governo de São Paulo 
na gestão de Tarcísio de Frei-
tas (Republicanos), festejou o 
saldo positivo do PSD nas elei-
ções: “Este é um partido que 
nunca teve crise”. l 
Maioria das prefeitas eleitas é de direita ou de centro
Revoada
Após a eleição de 2020,
prefeitos tucanos já
haviam migrado para o
partido de Gilberto Kassab
PSD avançou sobre redutos 
do PSDB, MDB e União Brasil
Maior vencedora na 
disputa por prefeituras 
no País, sigla ficou 
mais forte no interior 
de São Paulo e cresceu 
em outros Estados
Das 728 mulheres que saíram 
vitoriosas nas eleições para 
prefeituras, 82,5% represen-
tam partidos de direita ou de 
centro. O MDB teve a maioria 
das escolhidas, 130; o PSD ele-
geu 104, e o PP, 89.
No segundo turno, 15 mulhe-
res disputaram o comando do 
Executivo em 13 municípios. 
Delas, só cinco venceram o 
pleito: Adriane Lopes (PP), em 
Campo Grande (MT), com 
51,45% dos votos; Elizabeth 
Schmidt (União Brasil), em 
Ponta Grossa (PR), que teve 
53,72%; Emilia Correa (PL), 
em Aracaju (SE), com 57,46%; 
Elisa Araújo (PSD), em Ubera-
ba (MG), que chegou a 55,60%; 
e Mirella (PSD), em Olinda 
(PE), com 51,38%. Nenhuma 
candidata de esquerda foi elei-
ta nessa etapa do pleito.
Para Hannah Maruci, douto-
ra em Ciências Políticas pela 
USP e cofundadora d’A Tenda 
das Candidatas Instituto, o 
perfil ideológico da maioria 
das mulheres eleitas é resulta-
do de vários fatores, dentre 
eles o maior financiamento po-
lítico de partidos ligados à di-
reita. Ao todo, o PL geriu R$ 
886 milhões nestas eleições 
municipais, provenientes do 
Fundo Especial de Financia-
mento de Campanha (FEFC), 
o que representa 17,87% da ver-
ba do Tribunal Superior Eleito-
ral (TSE). l PAULA BULKA DURÃES
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
POLÍTICA A9
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
WESLLEY GALZO
BRASÍLIA
A
disputa eleitoral do 
segundo turno em 
Goiânia deixou mar-
cas profundas na direita. De 
um lado, o ex-presidente Jair 
Bolsonaro (PL) e o deputado 
estadual Fred Rodrigues (PL) 
saíram derrotados em uma 
campanha com ataques viru-
lentos aos adversários. No ou-
tro flanco, o governador de 
Goiás, Ronaldo Caiado (União 
Brasil), saiu mais do que vito-
rioso ao quebrar um tabu his-
tórico e eleger o aliado Sandro 
Mabel (União Brasil) em um 
processo que consolidou a sua 
liderança no Estado.
Dentre tantos “afilhados” 
que disputavam o segundo tur-
no, Bolsonaro acompanhou a 
apuração ao lado de Rodri-
gues, no que foi entendido co-
mo uma afronta a Caiado em 
busca da hegemonia no campo 
da direita. Para o governador, a 
postura do ex-presidente foi 
“deselegante, desrespeitosa” e 
tentou desgastar sua autorida-
de no Estado. Segundo ele, a 
direita não tem dono.
A direita saiu rachada em 
Goiânia?
A centro-direita, em Goiânia, 
saiu vitoriosa. Eu ganhei a elei-
ção. Eu tenho credenciais de 
uma vida para falar pela direita 
no Brasil, quando era palavrão, 
em 1986. Então aqui, em Goi-
ás, ela saiu vitoriosa.
O sr. coloca Bolsonaro, 
Fred Rodrigues, Gustavo 
Gayer, no grupo extrema di-
reita, em outra banda?
É outro raciocínio. A centro-di-
reita saiu vitoriosa e o candida-
to foi eleito. Então eles saíram 
derrotados? Eu o chamei (Bol-
sonaro) no começo do ano pa-
ra que compuséssemos chapas 
nas cidades de Goiás. Fui sur-
preendido simplesmente por 
eles lançaremcandidatos no 
Estado inteiro. Sem nem se-
quer ter conversado. Então, o 
que ocorreu em Goiás foi uma 
falta de habilidade política. Fal-
tou humildade e sobrou dese-
legância da parte deles em 
achar que bastava lançar um 
número, independente do can-
didato, que ganharia as elei-
ções. Fazer política não é as-
sim. Fazer política é entender 
que você tem que respeitar as 
lideranças estaduais, as lide-
ranças municipais, você tem 
que dialogar, tem que ceder. 
Não é chegar e dizer: “Ó, é 22. 
Vota aqui, é 22”. É uma inabili-
dade em não construir aliança. 
Ninguém ganha eleição sozi-
nho. Está aí a prova maior.
Qual é o tamanho dessa vi-
tória em Goiânia para o 
projeto político do senhor?
Há 36 anos um governador não 
elege um prefeito na cidade de 
Goiânia. Lógico que nós avan-
çamos nisso e conseguimos 
quebrar mais um tabu. O que 
isto significa para a minha can-
didatura em 2026? O primeiro 
lugar é que eu, se sou o gover-
nador mais bem avaliado, eu 
preciso de uma capital que seja 
também mais bem avaliada. Is-
so aí vem dentro daquele esti-
lo meu de governar, que é 
transformar Goiás sempre nu-
ma referência em todas as 
ações do Estado. E a capital é o 
cartão-postal do Estado. Esse 
é o meu objetivo. É só poder 
mostrar que aquilo que eu pro-
ponho fazer está feito. É isso 
que eu estou falando. A neces-
sidade nossa de ter na capital 
uma imagem que transmita o 
avanço que fizemos no Estado.
Como vê os ataques de Bol-
sonaro ao senhor?
Desrespeitoso, deselegante, 
sem necessidade, até porque 
eu o apoiei em todas as elei-
ções de que ele participou no 
cenário nacional. O que eu es-
pero é que isso possa fazer re-
pensar esse seu comportamen-
to no momento da eleição de 
2026. A gente não ganha elei-
ção em posições extremadas. 
As pessoas querem modera-
ção, querem equilíbrio. A popu-
lação quer saber é de algo dire-
to. Como é que eu vou cons-
truir a saúde para as pessoas, a 
segurança pública, o transpor-
te coletivo, os programas so-
ciais, a educação de qualidade? 
Vamos botar o pé no chão e ter 
noção da vida como ela é.
Nesse campo da direita, on-
de pretende buscar apoio?
O Pablo Marçal mostrou que 
não tem essa tese (de que Bolso-
naro domina a direita). A direi-
ta e o centro não têm dono de 
nenhum lado. Cada eleição é 
uma eleição. Você ganha se ti-
ver os melhores argumentos, 
as pessoas mais preparadas, se 
você voltar a fazer política na 
vertente daquilo que a socieda-
de espera. Então, não tem esse 
voto cego, não tem esse voto 
encabrestado. E você viu que 
essa eleição foi a eleição da luci-
dez. As pessoas excluíram os 
extremismos. E votaram na ex-
periência, na moderação, na 
competência. Então essa tese 
de alguém que é dono de um 
segmento da sociedade não 
existe. O que nós temos que 
construir no Brasil é a nossa 
capacidade de ganhar as elei-
ções. Então, não é ter apenas 
um segmento da sociedade. 
Agora não vamos cometer er-
ros primários, de achar que 
apenas um extremo ganha 
uma eleição. Não, você tem 
que ampliar o seu espectro jun-
to à sociedade para construir a 
sua maioria, uma maioria con-
vergente no sentido de paz.
O resultado em Goiânia 
consolida o poder do se-
nhor no Estado com vistas 
a disputar o Palácio do Pla-
nalto em 2026?
Eu sou candidato daqui a dois 
anos. Eu não busquei isso que 
aconteceu. Quem veio para 
Goiânia me enfrentar foi o ex-
presidente Bolsonaro. Ele, em 
vez de priorizar onde se existia 
uma disputa ideológica, que 
era em Fortaleza, do PT contra 
o candidato dele, ele preferiu 
vir para Goiânia. E passar o dia 
inteiro aqui. Eu fui vítima des-
se processo o qual eu não en-
tendi por que ter que focar em 
Goiânia, já que eu iniciei essa 
luta no Brasil antes dele. Eu fui 
tratado de uma maneira desele-
gante, desrespeitosa. Tentou 
me desgastar no Estado. 
O PL e o ex-presidente hoje 
são adversários do senhor?
Da minha parte nunca foi. Eu 
sempre tive diálogo com eles, 
mas teve essa atitude. O resul-
tado foi qie nós ganhamos. O 
que se espera na política? Que 
isso sirva como lição para que 
eles voltem à mesa de conver-
sação, voltem ao diálogo, vol-
tem à composição. Entendam 
que não se desprezam lideran-
ças estaduais, lideranças muni-
cipais. Não se faz política de 
cima para baixo, não é atrope-
lando que vai se construir um 
processo em 2026. A função de 
líder não é dividir, é aglutinar, 
é ceder, sem ceder em princí-
pios, mas muitas vezes ceder 
em alguma posição.
Há alguma chance de cami-
nhar junto com Bolsonaro 
em 2026?
Bom, eu acho que essa pergun-
ta tem que perguntar mais é 
para ele, porque eu sempre o 
ajudei em todas as campanhas 
dele. Ele é que nunca me aju-
dou. Sempre lançou o candida-
to contra mim, certo? Agora, 
eu sairei candidato a presiden-
te da República em 2026 pelo 
União Brasil. Lógico que busca-
rei diálogo, coligações.
O senhor fará oposição pe-
la direita ao projeto bolso-
narista para se firmar para 
2026?
Eu vou ser um candidato como 
eu fui aqui. Eu tenho que so-
mente ampliar esse espectro 
para o Brasil. Agora, serei candi-
dato defendendo aquilo que eu 
acho, sem nenhuma intransi-
gência, sem nenhum radicalis-
mo, sem ser dono da verdade. 
Sou um homem que acredito 
na ciência, na pesquisa, eu acre-
dito no que existe de mais mo-
derno para governar um país. 
Já tem nomes de políticos 
que podem ser aliados de 
direita a nível nacional?
Sou um pré-candidato. É um 
processo que só vai ter alguma 
definição em julho de 2026. l
ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2024
Mabel afirma que ex-presidente foi ‘muito desleal’
“O que ocorreu em 
Goiás foi uma falta de 
habilidade política. 
Faltou humildade e 
sobrou deselegância da 
parte deles em achar 
que bastava lançar um 
número, independente 
do candidato, que 
ganharia as eleições. 
Fazer política não é 
assim”
“Sou candidato daqui a 
dois anos. (...) Quem 
veio me enfrentar foi o 
ex-presidente 
Bolsonaro” 
Ronaldo Caiado
‘Faltou humildade e 
sobrou deselegância 
(a Bolsonaro)’ 
Caiado elege aliado em Goiânia 
contra nome bolsonarista e cobra
respeito a ‘lideranças estaduais’
ENTREVISTA
WILTON JUNIOR/ESTADÃO–6/9/2023
Filiado ao União
Brasil, é governador
de Goiás e um dos
nomes cotados
para concorrer à
Presidência em 2026
BRASÍLIA
O prefeito eleito de Goiânia, 
Sandro Mabel (União Brasil), 
não esconde o ressentimento 
com o ex-presidente Jair Bolso-
naro (PL) e o deputado federal 
Gustavo Gayer (PL), que fo-
ram opositores da sua candida-
tura. Mabel e o governador de 
Goiás, Ronaldo Caiado (União 
Brasil), são investigados por 
distribuir cestas básicas com 
fins eleitorais. “Deveriam cas-
sar o mandato do Gayer por es-
se tanto de confusão que fez. 
Esse monte de fake news que 
foi feito. Isso daí, sim, precisa 
ser olhado”, afirmou em entre-
vista ao Estadão. “A Polícia Fe-
deral está no encalço dele.”
O deputado federal foi alvo 
de operação da PF na última 
sexta-feira. Ele é suspeito de 
operar um esquema de desvio 
de recursos da cota parlamen-
tar. Gayer negou prática de 
atos ilegais.
Mabel também se disse de-
cepcionado com a postura de 
Bolsonaro. “Ele foi muito des-
leal comigo, sobretudo, que 
sempre o ajudei ao longo da 
sua vida parlamentar, quando 
ele não era o Bolsonaro presi-
dente. Eu acho que ele foi mui-
to desleal defendendo uma 
candidatura que era péssima 
para Goiânia”, afirmou o pre-
feito eleito. l W.G.
A10 POLÍTICA
TERÇA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2024
O ESTADO DE S. PAULO
INÊS 249
4 DE NOVEMBRO
TRANSMISSÃO AO VIVO 4 E 5 DE NOVEMBRO DE 20244 E 5 DE NOVEMBRO DE 2024
CAMINHOS
CONTRA A CORRUPÇÃO
9º SEMINÁRIO
INTEGRIDADE EINTEGRIDADE E
TRANSPARÊNCIATRANSPARÊNCIA
TRANSMISSÃO AO VIVO
9h30 – 9h50  Abertura
Roberto Livianu
Procurador de Justiça do MPSP
e presidente do INAC
Ricardo Castilho
Advogado, professor da Faditech

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