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EDUCAÇÃO POPULAR E EDUCAÇÃO COMUNITÁRIA 2 2 Faculdade de Minas 2 Sumário 1 – INTRODUÇÃO ........................................................................................... 4 3 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO POPULAR .................................................. 8 EDUCADORES/AS .................................................................................... 10 EDUCANDOS/AS ...................................................................................... 11 4 - EDUCAÇÃO COMUNITÁRIA, .................................................................. 11 CONTRIBUIÇÕES DE PAULO FREIRE À EDUCAÇÃO POPULAR E COMUNITÁRIA ........................................................................................................ 23 BIBLIOGRAFIA .......................................................................................... 35 3 3 Faculdade de Minas 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 4 Faculdade de Minas 4 1 – INTRODUÇÃO EDUCAÇÃO POPULAR E EDUCAÇÃO COMUNITARIA Durante esse estudo sobre os diferentes tipos de educação que vem ganhando espaço e se consolidando no Brasil, Moacir Gadotti para além de definições sobre cada uma, defende a importância de uma educação que tenha o poder de transformação. Gadotti, como seguidor de Paulo Freire, afirma que é fundamental que a educação não se esconda atrás de uma falsa neutralidade e que seja sim, um instrumento de politização do ser humano, conferindo-lhe capacidade de analisar criticamente o meio que está inserido e lutar contra um sistema social que favorece pequenos grupos os quais controlam inclusive o meio educacional. A educação popular, educação comunitária, pela definição de Gadotti, estão à serviço justamente de uma classe que é oprimida por esses grupos dominantes e que necessitam não só de alfabetização pelo abecedário, mas também, política. São educações que estão inseridas em um campo democrático e popular e que apesar de serem fragmentadas entre elas próprias, possuem uma causa em comum, que é a construção de uma nova cultura política a qual passa pela ideia de 5 5 Faculdade de Minas 5 uma educação social transformadora. Esse projeto não seria possível sem a figura do educador popular ou comunitário, que normalmente cumpre esse papel devido a experiências próprias durante a prática social e não através de uma construção acadêmica. Apesar disso, Gadotti ressalta a importância de uma formação adequada para esses educadores que deverão saber lidar com a especificidade dos casos que encontrarão no decorrer do processo educacional, uma vez que a maioria do público alvo vem de realidades difíceis e muitos estão em situação de vulnerabilidade. Gadotti traz também os conceitos de educação formal e não-formal, sendo que a educação popular e educação comunitária estão classificadas como não-formais. Trazendo o conceito de La Belle, define que a educação não-formal é uma atividade organizada que é executada fora do sistema formal para oferecer ensino específico para subgrupos específicos, sendo menos burocráticas e menos hierárquicas; ao passo que a educação formal segue o caminho inverso, sendo representadas por escolas e universidades, que conferem grau aos seus alunos. Entretanto, na visão do autor não se deve ser conceituado uma em oposto à outra, para ele o que as diferencia é a exatamente a valorização dos espaços informais e suas particularidades. Quanto as especificidades de cada educação, o autor explica: • Educação Comunitária: tem função importante para “a organização e fortalecimento das relações entre populações empobrecidas ou discriminadas”. As escolas comunitárias são organizadas através de cooperativismo e comunitarismo a partir das próprias comunidades que se encontram em locais com pouco acesso a serviços públicos. A educação popular tem seu próprio campo de atuação e está vinculada em novas alternativas de produção, ou seja, procurar aprender produzindo, uma vez que “as classes populares têm que se educar enquanto lutam para sobreviver”. • Educação Popular visa à construção de saberes e o fortalecimento das organizações populares. O autor defende a importância de torná-la uma política 6 6 Faculdade de Minas 6 pública sendo uma oportunidade de construção do poder popular e, através dele, fortalecer o processo de emancipação. Teve seu surgimento em São Paulo, com Paulo Freire e a “Escola Pública Popular”, sendo a maior contribuição teórica da América Latina ao pensamento pedagógico universal. Em linhas gerais, Moacir Gadotti, faz duras críticas ao modelo capitalista de educação, que formam cidadãos para a competitividade capitalista, valorizando o econômico e subestimando o lado social. A educação deve educar para a mudança e não para uma adaptação a um sistema imposto, mas isso só será possível se movimentos sociais e populares levarem, junto com escolas e universidades, a ideia de uma educação social que possa ser capaz de questionar e modificar esse sistema. A educação precisa se livrar dessa forma de mercado em que se moldou (causando uma crise estrutural, especialmente na relação professor-aluno) e adotar um modelo que lhe permita pensar o social. Para o autor, é necessário haver uma conscientização e desalienação, que se eduque para a utopia, pois dessa forma estará se educando visando um futuro de outros mundos possíveis, de uma nova cultura política. Para alcançar esse outro mundo é preciso mudar também as pessoas, para que seja possível transformar o modelo capitalista que nos rege visando uma sociedade justa e verdadeiramente democrática. 2 – EDUCAÇÃO POPULAR 7 7 Faculdade de Minas 7 A Educação Popular é um movimento pedagógico e político tipicamente latino- americano. No Brasil, Paulo Freire foi um dos principais disseminadores deste método. Embora o movimento tenha surgido antes, ele ganhou força nos anos 60, no contexto de resistência às ditaduras militares. A Educação Popular defende que só pode haver uma sociedade justa e democrática se as classes oprimidas e discriminadas tomarem consciência de suas condições de vida e das raízes dos problemas que as afetam. Assim, por meio da educação, seria possível conceber estratégias para concretizar transformações sociais a favor dos setores populares. Com o golpe militar de 1964, os programas de alfabetização e educação popular que se multiplicaram no período entre 1961 e 1964 foram vistos como ameaça à ordem e seus promotores duramente reprimidos. O governo só permitiu a realização de programas assistencialistas e conservadores de alfabetização de adultos até que, em 1967,é lançado o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). O projeto era a resposta do regime militar à ainda grave situação do analfabetismo no país. Durante a década de 70, expandiu-se por todo o território nacional, diversificando sua atuação. Para alcançar esse objetivo, é necessário alguns princípios. A Educação Popular compreende todo e qualquer ser humano como produtor de conhecimento, reconhece que o contexto de cada estudantes importa, e respeita a cultura, os conhecimentos populares, os valores e habilidades individuais que todos trazem consigo. É, portanto, possível definir a Educação Popular como uma teoria de conhecimento referenciada na realidade, com metodologias incentivadoras à participação e ao https://educacaointegral.org.br/reportagens/ditadura-legou-educacao-precarizada-privatizada-anti-democratica/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_popular https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,mobral-fracasso-do-brasil-grande-imp-,606613 8 8 Faculdade de Minas 8 empoderamento das pessoas permeado por uma base política estimuladora de transformações sociais e orientado por anseios humanos de liberdade, justiça e igualdade. Também faz parte da Educação Popular garantir uma gestão democrática em todos os espaços. A escola deve, portanto, ser uma instância de participação social de crianças e estudantes, para que eles possam e saibam como exercê-la também na família, na comunidade, nos espaços sagrados e nas instâncias de poder. 3 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO POPULAR – Surgiu antes da Segunda Guerra Mundial, na Espanha, ligada ao movimento anarquista… – Chegou à América Latina por meio de intelectuais orgânicos ligados ao anarquismo… – Até os anos 50, era entendida como extensão da Educação formal para todos, principalmente para as zonas rurais… https://educacaointegral.org.br/glossario/gestao-democratica/ https://educacaointegral.org.br/metodologias/gestao-democratica-como-escutar-criancas-na-escola/ https://educacaointegral.org.br/metodologias/gestao-democratica-como-escutar-criancas-na-escola/ 9 9 Faculdade de Minas 9 – Nos anos 50 ela era entendida como Educação de base, como desenvolvimento comunitário. Daí ela ser chamada também de Educação comunitária… – Na América Latina, no final dos anos 50, já apareciam duas tendências na Educação Popular (EP): a) como Educação libertadora (nascida no terreno fértil das utopias de independência); b) como Educação funcional (profissional), mão de obra mais produtiva (desenvolvimento nacional). – Nos anos 70 essas duas tendências continuaram na Educação Popular. – Com os regimes autoritários na América Latina, a EP refugia-se nas ONGs e movimentos sociais, sindicais e políticos sob a forma de Educação não-formal, fora do Estado, contrapondo-se à Educação escolar (formal)… – Crise da Educação Popular nos anos 80 e 90: perde-se a unidade, mas ganha-se em diversidade: surgem milhares de pequenas experiências, espalhando-se por toda a América Latina e diferentes projetos. – Essas experiências e projetos, em sua maioria, são iniciativas de movimentos sociais (negros/as, indígenas, mulheres, LGBTI, sem terra, sem teto, saúde, educação etc.). – No Brasil, experiências de governos democráticos levaram a Educação Popular para a Educação formal (como em São Paulo, Porto Alegre etc.). – Boa parte dessas experiências ocorreu com a Educação de Jovens e Adultos – em parceria com os movimentos populares (MOVA). – Não é o lugar físico que a define, mas sim os seus pressupostos e sua posição 10 10 Faculdade de Minas 10 frente ao mundo que se quer para as pessoas. – Definido os pressupostos, claro que há a necessidade da coerência entre o modelo e as estratégias para se alcançar os objetivos educacionais. – Educação como espaço criador. – Escola como uma das possibilidades de educação, mas não a única. – Educação para além das competências lecto-escritoras. – Leitura do mundo precede a leitura da palavra (Freire). – Educação como possibilidade de transformar o mundo, quando transforma as pessoas. – Utopia movendo as pessoas a transformar o mundo num lugar bom para todas as pessoas. – Homens e mulheres reconhecidos como pessoas dotadas de diferentes saberes. – Educação política – assumida em sua identidade e sem neutralidade. – Dialogicidade – como conceito e prática. – Definição do lugar onde se está e onde se quer chegar. EDUCADORES/AS – Sujeitos de APRENDIZAGEM e de ENSINO: aprendem enquanto ensinam. – Têm o DIÁLOGO como fundamento e não apenas como estratégia de ensino. – Compreendem a Educação como ATO POLÍTICO – sem pretensa neutralidade. 11 11 Faculdade de Minas 11 – Protagonistas dos processos educativos (ensino e aprendizagens). EDUCANDOS/AS – Sujeitos de direitos – inclusive à educação, inclusive à escolaridade. – Sujeitos produtores de conhecimento. – Sujeitos “aprendentes” e “ensinantes”: ensinam enquanto aprendem (seres de saberes advindos da experiência, de vida, de trabalho, da família, da comunidade…). – Protagonistas em seus processos de aprendizagem. 4 - EDUCAÇÃO COMUNITÁRIA, A educação comunitária pode ser entendida como uma das expressões da educação popular, mediante a qual se busca melhorar a qualidade de vida dos setores excluídos, através dos movimentos populares, que estão organizados em grupos de base, comunidades, municípios etc. Ela também tem sido entendida 12 12 Faculdade de Minas 12 como “educação sóciocomunitária” ou aquela educação oferecida em “escolas comunitárias” A educação comunitária tem sido também entendida como desenvolvimento comunitário ou desenvolvimento de comunidades, contribuindo com a organização e o fortalecimento dos laços de solidariedade entre populações empobrecidas ou discriminadas. A solidariedade e o espírito de comunidade não é algo dado. É construído historicamente. A educação sócio comunitária, “em construção” (Martins, 2012), tem buscado realçar o papel social e transformador da educação comunitária e distinguir-se de uma educação comunitária em geral. Como afirma o professor Paulo de Tarso Gomes, “a educação sócio comunitária é, assim, numa primeira visão, o estudo de uma tática pela qual a comunidade intencionalmente busca mudar algo na sociedade por meio de processos educativos. Nessa primeira visão, ao buscar essa tática, a comunidade concretiza sua autonomia. Buscar mudar a sociedade significa romper com a heteronomia, com ser comunidade perenemente determinada pela sociedade” (Gomes, 2008:54). Ou, como diz Evelcy Monteiro Machado (2012) “as aproximações – diálogos e fronteiras – entre a educação formal, não-formal e informal e a educação sócio comunitária são construções que se estabelecem no processo. O mais relevante é o compromisso que se possa assumir na busca da utopia da construção de uma sociedade includente mais humana ética e justa política e socialmente.” A participação da sociedade civil em parceria com o Estado no desenvolvimento e operacionalização de políticas públicas, ou ainda como substituta delas quando o Estado se ausenta, tem sido tema constante nas discussões de políticas sociais e educacionais. Com o entendimento de que na sociedade civil cada indivíduo encontra sua pertença como cidadão de direito, pode-se ter as ONGs (Organizações Não Governamentais) como uma forma de organizar os anseios dos diversos grupos formados, em grande parte das vezes, de maneira espontânea e sempre em torno de interesses comuns. Assim, estas organizações tem o papel de um partido político 13 13 Faculdade de Minas 13 informal, fazendo frente aos grupos organizados com maior poder de intervenção e influência política e social. Além das ONGs, emergem os diversos Movimentos, que também se constituemem formas de organização dos anseios de setores sociais que buscam defender direitos, ideias ou realizar ações em benefício de grupos social, cultural ou economicamente desprivilegiados, seja em parcerias com o Estado ou com a iniciativa privada, seja em caráter completamente autônomo e independente. Por esta perspectiva é que dirijo o olhar para o trabalho comunitário. “A ação comunitária é essencial para a independência dos mais fracos e, em especial, daqueles que vivem subservindo ao poderio econômico.” (GONZAGA, 2006, p, 46). O trabalho comunitário sempre esteve ligado ao viés de soluções para os problemas sociais e de valorização da comunidade como unidade básica de desenvolvimento. Para o desenvolvimento da comunidade, é preciso focar no desenvolvimento humano e enfatizar o desenvolvimento do ser coletivo. Este esforço pode ser empreendido pela Educação, “É sabido, contudo, que a educação não é o agente fundamental da mudança no interior da sociedade capitalista. Mas é sabido também que ela pode ter um peso nessa mudança” (GADOTTI, 2012, p. 23). Portanto, a educação comunitária passa a ser um instrumento de solução para a insuficiência educacional de grupos sociais desprivilegiados, bem como de valorização das comunidades, tendo como elemento intrínseco o desenvolvimento do ser coletivo, e podendo atuar no esforço da emancipação do indivíduo. A melhoria de vida das pessoas dos setores excluídos socialmente, seja por fatores econômicos, seja por fatores culturais, permeia a educação comunitária, que atua como instrumento de solução para a insuficiência educacional desses grupos, valorizando-os. 14 14 Faculdade de Minas 14 A educação comunitária chama para si o sentido do desenvolvimento comunitário, segundo Gadotti (2012, p. 18) “contribuindo com a organização e o fortalecimento dos laços de solidariedade entre populações empobrecidas ou discriminadas”. Na medida em que se buscam formas de oportunizar aprendizado por meio das próprias experiências das pessoas, utilizando a realidade desses grupos, incentivando a socialização das experiências de vida e do conhecimento novo, a educação comunitária está a serviço da pessoa humana, mas para além disso, constitui-se em forte agente de educação para o coletivo. A educação comunitária fará com que o homem se torne um membro útil, produtivo no seio destas diversas modalidades de associações, social, política, vale dizer, que ele não seja simples roda que gira em torno de seu eixo, mas uma pessoa, uma roda equipada com dentes e, assim, esteja apta a engrenar em outras rodas deste enorme aparato e seja capaz de participar deste imenso e complicado movimento global. (GADOTTI, 2012, p. 21) A prática confirma a teoria defendida por Paulo Freire (1989), de que dentro das condições de aprendizagem a ênfase deve ser dada aos processos em detrimento dos resultados. Desta forma, os resultados aparecem reais e concretos, de forma a fazer a diferença na vida das pessoas e dos grupos. 15 15 Faculdade de Minas 15 4.1 - EDUCAÇÃO E TRABALHO COMUNITÁRIO O termo comunidade remete-nos aos grupos sociais formados por pessoas concretas inseridas numa determinada realidade material e histórica. Segundo Bauman (2005), as comunidades podem ser de dois tipos: de vida e de destino. As comunidades de vida são formadas por membros que vivem juntos numa ligação absoluta5 e as comunidades de destino são fundidas unicamente por idéias ou por uma variedade de princípios. As escolas comunitárias são escolas organizadas, muitas vezes, em localidades com menor acesso aos serviços públicos, a partir do esforço das comunidades, com forte discurso antiescolar, sob a influência de um certo tipo de cooperativismo (cooperativas de pais, professores e alunos) ou de comunitarismo (gestão local, participação comunitária, controle dos usuários). Com a dificuldade em continuar dando sustentabilidade a essas escolas, os mantenedores procuram o poder público para obter assistência técnica e financeira e, em muitos casos, essas escolas acabam se tornando escolas públicas regulares ou “escolas conveniadas” (sobretudo quando se trata de creches ou pré-escolas). Há uma grande diversidade de escolas comunitárias, concebidas, criadas e geridas por diferentes motivações, e com padrões e formatos institucionais distintos. Muitas dessas escolas, que, com orgulho se dizem “escolas do povo”, certamente têm inspiração freiriana. São também chamadas de escolas comunitárias muitas escolas particulares mantidas por congregações religiosas, masculinas e femininas, geralmente em áreas urbanas. Em áreas rurais destaca-se a rede de Escolas Famílias Agrícolas do Brasil e as escolas comunitárias (com características étnico-culturais próprias) criadas pelos imigrantes alemães, italianos, poloneses, japoneses e outros, que se estabeleceram nessas áreas, sobretudo no sul e no sudeste do Brasil. É nas comunidades do segundo tipo que se incluem as escolas, as salas de aula e os grupos comunitários. São comunidades cujos membros estão unidos por uma série de idéias expostas a um mundo policultural e diverso. É porque existem tantas dessas idéias e princípios em torno dos quais se desenvolvem essas “comunidades de indivíduos que acreditam” que é preciso comparar, fazer escolhas, fazê-las 16 16 Faculdade de Minas 16 repetidamente, reconsiderar escolhas já feitas em outras ocasiões, tentar conciliar demandas contraditórias e, frequentemente, incompatíveis (BAUMAN, 2005, p.17). São também nessas comunidades que as regras se tornam imprescindíveis, pois é na variedade de ideias, crenças e valores que essas encontram o cenário para materializarem-se. As comunidades, para Bauman (2005), trazem ao indivíduo o sentimento de pertença e de proteção, o que os impele a querer respeitar as regras que caracterizam o convívio em grupo. Assim, conviver, pertencer a um grupo, ser uma coletividade é uma condição da vida humana. O homem é um ser biológico e social que se constrói na interação com o outro, com a cultura, com o social e com a história da humanidade. No entanto, apesar da necessidade de viver em grupos para constituir-se como humano, o trabalho coletivo não é algo espontâneo em nossa cultura dominante. “Há um constante apelo para a vida individualista, vista como o ideal de bem-estar em nossa sociedade”. (MILITÃO, 2003, p. 06). A necessidade do trabalho coletivo ou comunitário ganha força frente às inúmeras distorções sociais vividas em nossa cultura, assim como a injustiça social ganha contornos assustadores e a sociedade, vítima e algoz de tal situação, defende-se rompendo os laços coletivos e entregando os homens à própria sorte, sorte esta individualizada e privada. O perverso funcionamento social proposto pelas possibilidades e habilidades individuais, pela segregação e pela busca solitária por melhores condições de vida, retira do homem sua força coletiva. Construir uma práxis que atenda ao apelo comunitário é a proposta do trabalho coletivo, que busca resgatar a dimensão coletiva do humano. Para tanto, se faz necessário a formação dos sujeitos coletivos, protagonista de uma ação que se quer refletida. Mas, quem é esse sujeito coletivo? Segundo Militão (2003, p. 52), um sujeito coletivo é um grupo de pessoas que possui uma identidade comum, um juízo comum sobre a realidade e reconhecem-se participantes 17 17 Faculdade de Minas 17 do mesmo “nós-ético”, ou seja, percebem-se fazendo parte de uma mesma realidade comportamental, que é, por assim dizer, extensão de suas próprias pessoas. O que as unifica é principalmente o juízo comum sobre a realidade. Nas comunidades, a construção dos sujeitos coletivos é condição para se pensar em possibilidades de transformação e melhores condiçõesde vida. No entanto, a transformação de um grupo de pessoas em sujeitos coletivos não se dá de forma espontânea. “Há necessidade de uma deliberada ação rumo ao objetivo de constituir-se em realizadores e interlocutores sociais”. (MILITÃO, 2003, p. 52). Na história da Psicologia, o conceito de comunidade surgiu como referencial analítico a partir da década de 70, quando um ramo da Psicologia Social se auto- qualificou de comunitária. Segundo Sawaia (1996), o conceito de comunidade representou a opção por uma teoria crítica que interpreta o mundo com a intenção de transformá-lo, definindo-se como importante aspecto epistemológico. O entendimento do indivíduo enquanto sujeito de sua história é também aspecto importante na concepção de comunidade. Conforme Guareschi (2005), viver em comunidade é ter um tipo de vida em sociedade na qual “todos são chamados pelo nome”. Esse “ser chamado pelo nome” significa uma vivência em sociedade onde a pessoa, além de possuir um nome próprio, isto é, além de manter sua identidade e singularidade, tem possibilidade de participar, de dizer sua opinião, de manifestar seu pensamento, de ser alguém (GUARESCHI, 2005, p. 95). Nessa perspectiva, a Pedagogia e Psicologia Social Comunitária, entre outras áreas do conhecimento, têm como tema central de seu campo de estudo a formação de sujeitos coletivos que tenham consciência crítica e realizem ações transformadoras. 18 18 Faculdade de Minas 18 5 - EDUCAÇÃO POPULAR E DIREITOS HUMANOS A Educação Popular foi concebida, elaborada e constituída, ao longo da história, por meio da ação-reflexão-ação. Não foi uma teoria que criou a prática, nem a prática que criou uma teoria. Ambas, na vivência educativa, foram determinantes para a concretização de uma práxis pedagógica. Essa práxis, originada do povo e para o povo, nasceu nos movimentos sociais populares e, por sua vez, ocupou os espaços institucionais. Nesse sentido, entendemos a Educação Popular como uma concepção geral da educação e não, simplesmente, como educação das populações empobrecidas ou “educação não formal”. Educação Popular é educação para todos. Tal concepção de educação já vem contida no Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, como afirma a pesquisadora Ercília de Paula: A Educação Popular nasceu no Brasil desde a década de 20 com o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova no qual os intelectuais brasileiros pregavam uma educação popular para todos [grifo nosso]. Todavia, somente na década de 60, devido ao processo de industrialização e urbanização, é que o Brasil começou a se preocupar com os altos índices de analfabetismo de jovens e adultos das classes populares em função da necessidade de mão de obra qualificada para o trabalho. Os movimentos migratórios das pessoas em busca de melhores condições de vida eram constantes e este aspecto fez com que o Estado repensasse as políticas educacionais para as classes populares (Paula, 2009, p. 6136). Estamos falando de Educação Popular numa concepção de educação emancipatória e libertária, nascida 19 19 Faculdade de Minas 19 também nos movimentos anarco-sindicais da década de 1920, incluindo os sindicatos, as associações de moradores de bairros e os diversos conselhos que seriam criados nos anos 1980, sobretudo ligados às áreas sociais, que se articulavam na defesa da abertura política do país, buscando uma outra sociedade, muito diferente daquela vivida durante a Ditadura Militar, de 1964 em diante (Brasil, 2014). Observamos também que na América Latina é nítida a distinção que se faz entre “educação não formal” e “Educação Popular”. Nem sempre uma se vê contida na outra. Mesmo assim, reconhecemos que o capítulo sobre a educação não formal no Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) representa um grande avanço (Brasil, 2006). É o único capítulo desse plano em que aparece a expressão “educação popular”. Vale ressaltar que o contexto da elaboração do terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH- 2009) e do PNEDH-2006 se deu, como em todo processo de construção, em meio a correlações de forças. Porém, observa-se que todo o documento se fundamenta na concepção emancipatória de educação. No eixo V do PNDH-3, que fala da “educação e cultura em direitos humanos”, afirma-se que “a educação não formal em Direitos Humanos é orientada pelos princípios da emancipação e da autonomia, configurando-se como processo de sensibilização e formação da consciência crítica” (Brasil, 2009, p. 185). É, sem dúvida, um avanço. Conforme o Parecer no 8/2012 do Conselho Nacional de Educação, que estabelece as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, a Educação em Direitos Humanos (EDH) tem por escopo principal uma formação ética, crítica e política. Vejamos, então, um pouco dos primórdios da Educação Popular, que coincide também com a luta por direitos humanos, mas na perspectiva da superação da desigualdade social, da injustiça e da violação dos direitos em nossa sociedade. 20 20 Faculdade de Minas 20 5.1 - Movimentos sociais e a conquista dos direitos humanos Ao pensarmos na história dos movimentos sociais no Brasil, podemos inferir suas origens desde as organizações dos indígenas e dos negros escravizados. Os negros, por exemplo, organizaram-se contra os senhores de engenhos, o que fez surgir os quilombos, a capoeira, a Revolta dos Malês, a Revolta da Chibata, a Balaiada, os abolicionistas etc. Mais recentemente, entre 1961 e 1964, surgiram movimentos ligados aos trabalhadores rurais, dos quais se destacam as Ligas dos Camponeses do Nordeste, o Movimento dos Agricultores Sem Terra (Master) e os já citados MEB e CPCs, entre tantos outros. Nos anos 1970, as Comunidades Eclesiais de Bases (CEBs) contribuíram para a organização de diversos 21 21 Faculdade de Minas 21 movimentos que reivindicavam direitos humanos fundamentais, como saúde, moradia, emprego, cultura, educação, entre outros. Além dos movimentos sociais populares, é importante citar a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). No início da década de 1980, destacaram-se em todo o território nacional o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Movimentos dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), a União dos Movimentos de Moradia (UMM), a Associação Nacional dos Movimentos por Moradia (ANMM), a Confederação Nacional de Associações de Moradores (Conam), o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), entre outros. O Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua (MNMMR), organização que teve os jovens como protagonistas, também surgiu nos anos 1980, atuando na defesa dos direitos das crianças e adolescentes das classes populares. De 20 Cadernos de Formação acordo com Francisca Pini e Célio Moraes (2011), o diferencial nesse movimento foi a forma como se estruturava e se estrutura até hoje, constituindo-se numa entidade nacional, com comissões locais e núcleos de base. O MNMMR faz parte do conselho nacional formado por representantes dos estados e da coordenação nacional. “Esse movimento social foi, assim, o exemplo da possibilidade de construir com a infância e a adolescência atividades pedagógicas, numa linguagem capaz de envolver, criar e desenvolver o senso crítico e participativo, como também brincar” (Pini & Moraes, 2011, p. 45). Nos anos 1990, houve um refluxo dos movimentos tradicionais, porém surgiram outros ligados à juventude, à mulher, à causa de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) e à cultura. Para citar apenas dois exemplos: o hip-hop, que tem como elementos o grafite (desenhos, geralmente com tinta látex e spray, que apresenta uma crítica à sociedade), o break (a dança) e o rap (a música);e, mais recentemente, a partir de 2005, o Movimento Passe Livre (MPL), um movimento social autônomo, apartidário, horizontal e independente, que luta por transporte público de verdade, gratuito para o conjunto da população e fora da iniciativa privada, conforme sua própria denominação. O Movimento Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (MNDH) 22 22 Faculdade de Minas 22 surgiu dentro de uma perspectiva que extrapola a intervenção direcionada unicamente aos direitos denominados civis e políticos. Na história houve vários grupos e entidades que lutaram pelos direitos humanos. No período da Ditadura Militar de 1964, as comissões de justiça e paz, a OAB, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e órgãos internacionais fizeram a defesa dos presos, torturados e exilados políticos. Tivemos nos anos 1970 o movimento pela Anistia contra a Lei de Segurança Nacional. Nesse período surgiram várias lutas pelos direitos à moradia, saúde, educação, salários, transportes etc. Esse contexto contribuiu para a organização dos Centros de Defesa de Direitos Humanos (CDDHs). POR QUE EDUCAR EM DIREITOS HUMANOS? Precisamos de formação em direitos humanos porque queremos qualificar nossa participação na construção de uma sociedade radicalmente democrática, que é aquela que respeita os direitos humanos e promove a criação de mais direitos. A participação legitima a democracia. Por isso, a democracia representativa deve ser complementada pela democracia participativa. Segundo o PNEDH, “uma concepção contemporânea de direitos humanos incorpora os conceitos de cidadania democrática, cidadania ativa e cidadania planetária” (Brasil, 2006, p. 16). Nos termos do Programa Mundial de Educação em Direitos Humanos, instrumento orientador e fomentador de ações educativas das ONU, a educação deve “assegurar a todas as pessoas o acesso à participação efetiva em uma sociedade livre” (idem, p. 18). Uma de suas dimensões é a “formação de uma consciência cidadã capaz de se fazer presente em níveis cognitivo, social, cultural e político” (idem, p. 17). O PNEDH (idem, ibidem) afirma que essa formação deve ser orientada por três dimensões básicas: 1. Apreensão de conhecimentos historicamente construídos sobre direitos humanos (saber científico, histórico, técnico, específico de cada área). Mas não basta conhecer tudo sobre direitos humanos ou ser um especialista em direitos humanos. A educação em direitos humanos vai além disso. 23 23 Faculdade de Minas 23 2. Afirmação de valores, atitudes e práticas sociais (de nada adianta ter a cabeça cheia de conceitos se não se tem compromisso; a teoria deve traduzir-se por uma prática concreta; é preciso criar uma “cultura dos direitos humanos em todos os espaços da sociedade”); 3. Formação para a consciência cidadã como educação em direitos humanos porque precisamos formar para a cidadania ativa. Dada a diversidade e a heterogeneidade na EDH, devemos entender essas características como uma riqueza e não como algo prejudicial. E o trabalho com Educação Popular em direitos humanos pressupõe uma metodologia que se baseia nas relações entre as pessoas, considerando e valorizando a diversidade, não como um fator de fragmentação e de isolacionismo, mas como uma condição de partilha e de solidariedade. CONTRIBUIÇÕES DE PAULO FREIRE À EDUCAÇÃO POPULAR E COMUNITÁRIA 24 24 Faculdade de Minas 24 Na história da educação brasileira, é imprescindível falarmos de Paulo Freire, não somente por sua importância enquanto educador, mas, também, como construtor de uma proposta de educação para todos os brasileiros - uma educação popular. É claro que ele não somente teve relevância em nosso país: desenvolveu várias experiências no exterior, principalmente no período do exílio. Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921, no Recife, Pernambuco, uma das regiões mais pobres do país, onde logo cedo pode experimentar as dificuldades de sobrevivência das classes populares. Trabalhou inicialmente no SESI (Serviço Social da Indústria) e no Serviço de Extensão Cultural da Universidade do Recife. Ele foi quase tudo o que deve ser como educador, de professor de escola a criador de ideias e "métodos". Sua filosofia educacional expressou-se, primeiramente, em 1958, na sua tese de concurso para a Universidade do Recife, e, mais tarde, como professor de História e Filosofia da Educação daquela Universidade, bem como em suas primeiras experiências de alfabetização como a de Angicos, Rio Grande do Norte, em 1963. Paulo Freire entende Educação Popular como cultura e como processo de mobilização social com vistas a criação de um poder popular. Foi assim que ele a definiu, em agosto de 1985, numa entrevista concedida à educadora Rosa Maria Torres. Nessa entrevista ele afirma que “a Educação Popular se delineia como um esforço no sentido da mobilização e da organização das classes populares com vistas à criação de um poder popular” (Paulo Freire. In: TORRES, org. 1987, p. 74). O espaço público será sempre um espaço de disputa de hegemonia, de disputa de projetos de Sociedade. O Estado e a Sociedade não são estáticos e monolíticos. Estão sempre em mudança porque são contraditórios (ASSUMPÇÃO, org. 2009). Para fazer Educação Popular não é necessário estar trabalhando com adultos. A Educação Popular é um conceito de educação que independe da idade do 25 25 Faculdade de Minas 25 educando, “porque a Educação Popular, na minha opinião”, diz Paulo Freire, “não se confunde, nem se restringe apenas aos adultos. Eu diria que o que marca, o que define a Educação Popular não é a idade dos educandos, mas a opção política, a prática política entendida e assumida na prática educativa” (Id, ib, p. 86-87). Paulo Freire pegou, no final da vida, um período de “refundamentação” (PALUDO, 2004) da Educação Popular, correspondente ao final dos anos oitenta e início dos noventa. A Educação Popular incorporou novos temas, como o diálogo de saberes, os conceitos de Sociedade Civil, política cultural, a questão de gênero, a questão ambiental, a valorização da subjetividade, da intertransculturalidade etc., distanciando-se de uma 6 leitura puramente classista e reprodutivista da educação. A escola pública entrou na pauta da Educação Popular. O Estado deixou de ser encarado como inimigo, como na época das ditaduras. De uma concepção superpolitizada e unitária, a Educação Popular tornou-se mais plural, ganhando em diversidade de teorias e práticas. Com o processo de democratização, alguns educadores populares assumiram responsabilidades governamentais comprometendo-se a fazer o Estado funcionar em favor dos setores mais pobres, o que implica viver a contradição de estar governando em Estados que funcionavam a favor dos poderosos e tentar “inverter as prioridades”, como dizia Paulo Freire ao assumir o cargo de Secretário Municipal de Educação em São Paulo. Algumas ONGs passaram a fazer parcerias com administrações populares e democráticas. O processo da Educação Popular se enriqueceu com as novas propostas de educação cidadã e para os direitos humanos. A coragem de pôr em prática um autêntico trabalho de educação que identifica a alfabetização com um processo de conscientização, capacitando o oprimido tanto para a aquisição dos instrumentos de leitura e escrita quanto para a sua libertação, fez dele um dos primeiros brasileiros a serem exilados. Em 1969, trabalhou como professor na Universidade de Harvard, em estreita colaboração com numerosos grupos engajados em novas experiências 26 26 Faculdade de Minas 26 educacionais tanto em zonas rurais quanto urbanas Durante os 10 anos seguintes, foi Consultor Especial do Departamento de Educação do Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra (Suíça). Nesseperíodo, deu consultoria educacional junto a vários governos do Terceiro Mundo, principalmente na África. Em 1980, depois de 16 anos de exílio, retornou ao Brasil para "reaprender" seu país. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, tornou-se Secretário de Educação no Município de São Paulo, maior cidade do Brasil. Durante seu mandato, fez um grande esforço na implementação de movimentos de alfabetização, de revisão curricular e empenhou-se na recuperação salarial dos professores. A metodologia por ele desenvolvida foi muito utilizada no Brasil em campanhas de alfabetização e, por isso, ele foi acusado de subverter a ordem instituída, sendo preso, após o Golpe Militar de 1964. Depois de 72 dias de reclusão, foi convencido a deixar o país. Exilou-se primeiro no Chile, onde, encontrando um clima social e político favorável ao desenvolvimento de suas teses, desenvolveu, durante cinco anos, trabalhos em programas de educação de adultos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária (ICIRA). Foi aí que escreveu a sua principal obra: Pedagogia do Oprimido. Em Paulo Freire, conviveram sempre presentes senso de humor e a não menos constante indignação, contra todo tipo de injustiça. Casou-se, em 1944, com a professora primária Elza Maia Costa Oliveira, com quem teve cinco filhos. Após a morte de sua primeira esposa, casou-se com Ana Maria Araújo Freire, uma ex- aluna. Paulo Freire é autor de muitas obras, entre elas: Educação: prática da liberdade (1967), Pedagogia do oprimido (1968), Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992), À sombra desta mangueira (1995). 27 27 Faculdade de Minas 27 Foi reconhecido mundialmente pela sua práxis educativa por meio de numerosas homenagens. Além de ter seu nome adotado por muitas instituições, é cidadão honorário de várias cidades, no Brasil e no exterior. A Paulo Freire foi outorgado o título de doutor Honoris Causa, por vinte e sete universidades. Por seus trabalhos na área educacional, recebeu, entre outros, os seguintes prêmios: "Prêmio Rei Balduíno para o Desenvolvimento" (Bélgica, 1980); "Prêmio UNESCO da Educação para a Paz" (1986) e "Prêmio Andres Bello" da Organização dos Estados Americanos, como Educador dos Continentes (1992). No dia 10 de abril de 1997, lançou seu último livro, intitulado Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. Paulo Freire faleceu no dia 2 de maio de 1997, em São Paulo, vítima de um infarto agudo do miocárdio. Percebe-se, atualmente, o quanto Paulo Freire produziu, ao longo de sua fértil vida, para a educação e para a vida dos outros seres humanos. Como ele mesmo dizia: a educação não transformará a sociedade sozinha, contudo, sem a educação a sociedade não será transformada. E, é justamente, aprendendo com Freire, que devemos entender o quanto é importante conceber a educação como um princípio transformador da realidade, dos seres humanos, das relações sociais. Por sua vez, é interessante não somente vislumbrar os potenciais e desafios de seu método, mas, também, os seus limites. Sem ter a pretensão de esgotar o tema, gostaria de apontar, entre tantas contribuições, os seguintes princípios freirianos: 1. Teorizar a prática para transformá-la. A prática como base para a geração do pensamento. Os sujeitos populares como protagonistas do seu próprio aprendizado e atores de sua emancipação. 2. O reconhecimento da legitimidade do saber popular, da cultura do povo, suas crenças, numa época de extremado elitismo. Uma ciência aberta às necessidades populares: a relevância social como critério de qualidade da ciência. 28 28 Faculdade de Minas 28 3. Um método de ensino e pesquisa (BRANDÃO, 1982) que parte da leitura da realidade (leitura do mundo), da observação participante que parte do concreto, do mundo vivido pelos sujeitos: ensino aprendizagem inseparável da pesquisa, da cultura popular e da participação da comunidade. 4. Uma teoria crítica do conhecimento fundamentada numa antropologia: somos programados para aprender. 5. Uma educação como prática da liberdade, precondição para a vida democrática: educação como produção e não meramente como transmissão de conhecimentos; a educação como ato dialógico (recusa do autoritarismo), ao mesmo tempo rigoroso e imaginativo. A educação tradicional, “bancária”, humilha o aluno e lhe tira a autonomia e a alegria de aprender. Na Educação Popular, diálogo é sinônimo de educação: ele pressupõe reciprocidade e igualdade de condições (BEISIEGEL, 2008). 6. Harmonização entre o formal e não-formal. O direito à educação não é apenas direito de ir à escola, mas direito de aprender na escola e ter acesso a oportunidades de educação não-formal (cinema, teatro, esporte, cultura, lazer...): “a marca que queremos imprimir coletivamente às escolas privilegiará a associação da educação formal com a educação não-formal. A escola não é o único espaço da veiculação do conhecimento. Procuraremos identificar outros espaços que possam propiciar a interação de práticas pedagógicas diferenciadas de modo a possibilitar a interação de experiências” (FREIRE, 1991:16). 7. A utopia como verdadeiro realismo do educador, opondo-se ao fatalismo neoliberal que nega o sonho de um outro mundo possível. Para ser realista, o educador precisa ser utópico. 8. A Educação Popular como direito humano, direito de se emancipar, combinando trabalho intelectual com trabalho manual, reflexão e ação, teoria e prática, a conscientização e transformação, a organização, o trabalho e a renda. 9. A defesa de uma educação pública popular, que atenda, com qualidade, aos interesses da maioria da população, superando padrões elitistas. 29 29 Faculdade de Minas 29 As inspiradoras contribuições de Paulo Freire à Educação Popular continuam muito atuais, constantemente reinventadas por novas práticas sociais e educativas (ASSUMPÇÃO, org. 2009). São particularmente atuais as seguintes teses freirianas: 1. A escola não é o único espaço educativo: aprendemos na luta. Há muitos e novos espaços de aprendizagem: o mundo tornou-se educador. Qualquer espaço pode ser educativo: conceito de cidade educadora. 2. A politicidade inerente ao ato educativo: toda educação pressupõe um projeto de Sociedade. Uma intencionalidade política emancipadora. A qualidade da educação mede-se pela formação da consciência crítica. Leitura crítica do caráter injusto da Sociedade e do papel que tem a educação na sua reprodução ou transformação. 3. A recusa ao pensamento fatalista (neoliberal): “o mundo não é; o mundo está sendo” (FREIRE, 1997:85). 4. A pedagogia comprometida com a cidadania ativa. A Educação Popular estimula a participação política, cidadã, das classes populares para a superação de condições sociais opressivas. Educar para transformar (WANDERLEY, 1984). 5. A ética como referencial central da busca pela radicalização da democracia. Nisso Paulo Freire foi pioneiro na América Latina, contra as velhas teses de esquerda que não valorizavam a democracia. 7 - CAMINHOS A PERCORRER, DESAFIOS A ENFRENTAR Um processo de construção de uma Política Nacional de Educação Popular precisa responder a numerosas perguntas. A primeira delas é saber quais são seus principais componentes, seus requisitos? Como a criação de uma política nacional implica numa correlação de forças dentro de uma determinada conjuntura política, nossa proposta deve levar em conta que precisamos convencer muita gente de que ela é necessária. Daí um componente essencial dessa política: um histórico (contextualização do processo) e uma justificativa convincentes. Aqui não se trata apenas de um texto, mas de um 30 30 Faculdade de Minas 30 contexto, isto é, de demonstrarum acúmulo de forças. Lembro que nem a academia está convencida disso e muito menos nossos representantes no Congresso. Como disse Frei Betto, que, como assessor especial do presidente Lula conviveu de perto com ele e com o seu governo, “dentro do governo, predomina a precedência do Estado sobre a sociedade, o que é um grave equívoco. Este governo é fruto da mobilização da Sociedade Civil. Lula só está sentado naquela cadeira porque houve 40 anos de Comunidades Eclesiais de Base, da CUT, de movimentos populares. Não foi a elite brasileira que o elegeu. Ela veio na última hora, a reboque da força eleitoral dos movimentos sociais” (BETTO, 2007:436). Nossa tarefa, neste momento, consiste em compor e organizar a história da construção da Educação Popular e das iniciativas fora e dentro do Estado (governos e sociedade), mapear as políticas de Educação Popular existentes nas diversas esferas de governo, mostrando a força que ela já conquistou e compor esse mosaico de miríades de experiências e de políticas num todo orgânico. A RECID, de certa forma, já vem fazendo isso. É preciso mostrar a força que temos e ampliá-lo no diálogo o mais amplo possível. Toda política pública passa, pelo menos, por três estágios: formulação, implementação e avaliação. Mas isso não é suficiente se pensamos numa política pública radicalmente democrática. Neste caso, não basta que a política pública seja corretamente formulada, implementada e avaliada. Para tornar-se radicalmente democrática ela precisa ser legitimada pela discussão coletiva. Quem opera a mudança é o coletivo. Numa nova e democrática política pública de educação o processo de construção é tão importante quanto o resultado final. Além de convencer, precisamos detalhar o que essa política objetiva. Para isso precisamos definir claramente seus princípios, diretrizes, objetivos, planos de metas, gestão, avaliação e monitoramento. E não só: para transformar-se em lei, essa política precisa de fundamentos legais (Constituição, LDB, Plano Nacional de Direitos Humanos etc). Entre os princípios de uma Política Nacional de Educação Popular eu destacaria: a participação, a mobilização da sociedade, a democratização dos processos 31 31 Faculdade de Minas 31 educativos, diálogo, controle social, construção coletiva, emancipação, leitura do mundo, problematização, intersetorialidade. Os partidos de direita sempre ignoraram, combateram, ou tutelaram a participação. Em seus programas de governo, não há lugar para a efetiva participação social e popular. Aparecem, no máximo, como figura de retórica ou recurso de marketing eleitoreiro, para conquistar votos. Já os partidos de esquerda incorporam em sua plataforma de governo a participação, mas, muitos, não criam condições efetivas para a sua implementação. Há aqueles que entendem que as organizações e movimentos sociais só devem participar na elaboração e formulação de políticas públicas, mas não na sua gestão ou execução. Poucos são aqueles partidos de esquerda que, ao chegarem ao governo, abrem espaços para alianças e parcerias com a Sociedade Civil. É claro que esse tema merece todo o cuidado pois existem práticas neoliberais de enxugamento do Estado, que acabam repassando para a iniciativa privada funções que são suas ou, simplesmente, repassam para o cidadão a responsabilidade, por exemplo, pela sua educação. A educação é dever do Estado e toda vez que o Estado repassa essa responsabilidade para o cidadão ele está transformando esse direito num serviço prestado apenas àqueles e àquelas que podem pagar por ele. Não estamos falando aqui dessa política neoliberal que repassa a execução das políticas públicas estatais para a Sociedade Civil e associações comunitárias por meio de parcerias. Uma Política Nacional de Educação Popular deverá articular as ações e programas já existentes, evitando o isolamento das ações e experiências sejam elas governamentais ou não governamentais. Será preciso mostrar como a prática da Educação Popular é intersetorial e transversal ao conjunto de iniciativas e políticas governamentais (democratização da gestão, participação social e popular) articuladas com as políticas de igualdade e equidade. Como afirmou Selvino Heck, assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República, o objetivo desta Política “é o de articular, fomentar, divulgar, produzir conhecimento e trocas de experiência entre práticas de educação popular desenvolvidas no âmbito das 32 32 Faculdade de Minas 32 políticas públicas dos governos e da sociedade civil organizada, consolidando, a partir do respeito à autonomia, a educação popular como política pública, intersetorial e transversal ao conjunto das iniciativas, para avançar na participação cidadã, na democratização do Estado, de forma articulada com a estratégia de superação da miséria e com um modelo de desenvolvimento com justiça social para o Brasil” (HECK, 2013). Uma Política Nacional de Educação Popular deverá estimular a participação e a politização da sociedade, em outras palavras, deverá possibilitar que as demandas sociais sejam transformadas em políticas públicas. A Educação Popular de hoje tem a cara dos movimentos sociais (GOHN, 2009). Eles se fortalecem como portadores da esperança, com suas múltiplas subjetividades políticas, lutando por moradia, pelo direito à terra, por transporte, segurança, pelos direitos humanos, pelo meio ambiente, saúde, emprego, diversidade étnica, racial, de gênero, sexual etc. dando novo rosto à Educação Popular. A Educação Popular tem, ainda, a seu favor, hoje, o surgimento das novas forças de poder local democrático. É estratégico contar com essas duas forças somando iniciativas da Sociedade e do Estado. A Educação Popular como modelo teórico reconceituado pode oferecer grandes alternativas para a educação formal também nos anos que estão por vir, com governos mais democráticos, embora, no Brasil, o MEC não lhe dê importância. Não podemos perder essa oportunidade de tornar a Educação Popular uma política pública, oportunidade de construir um “poder popular”, como reivindica a Rede de Educação Cidadã e de fortalecer um processo verdadeiramente revolucionário de emancipação. Daí a necessidade hoje de inserir a Política Nacional de Educação Popular na agenda dos movimentos sindicais, sociais e populares. Um dos desafios da formulação de uma Política Nacional de Educação Popular está na definição e delimitação do âmbito desta política. O objetivo é implementar a Educação Popular no sistema nacional de educação? É implementar processos de educação não-formal e participação social na gestão e no planejamento da educação nacional (secretarias de educação)? É mobilizar a Sociedade para o 33 33 Faculdade de Minas 33 controle social das políticas públicas? É formação para e pela cidadania? É um método de governo? Ou é tudo isso? O MEC, quando quer criar uma nova política nacional, após ouvir a Sociedade, costuma criar um Grupo de Trabalho. Como o nosso tema é muito complexo, para a criação de uma Política Nacional de Educação Popular seria necessário estabelecer pequenos grupos para levantar hipóteses sobre cada um dos componentes de uma sistema nacional de Educação Popular, a partir de um documento comum orientador. Esse seria para mim o primeiro desafio: construir esse Documento- Referência, como na metodologia utilizada pela Conferência Nacional de Educação (Conae), que seja um documento prospectivo, estratégico e mobilizador. A Política Nacional de Educação Popular precisa levar em conta também o projeto de criação da profissão de educador social (Projeto de Lei no. 5.346/2009 de autoria do deputado Chico Lopes). Na forma como é apresentada pela lei, a profissão deste educador consagra uma prática de educação social já consolidada nos “contextoseducativos situados fora dos âmbitos escolares” que envolvem, principalmente, “pessoas e comunidades em situação de risco e ou vulnerabilidade social” (In: GARRIDO, Noêmia de Carvalho, Odair M. da Silva, Francisco Evangelista, 2011: 31-34). Por outro lado, dentro da escola, o Programa “Mais Educação” (portal.mec.gov.br) criou a figura do “professor comunitário” que é preciso também levar em conta. O professor comunitário coordena, na escola, um conjunto de ações socioculturais, desenvolvidas por universitários e agentes culturais da comunidade e de ONGs. Cabe a ele coordenar o programa, estabelecendo a relação da escola com a comunidade e os familiares, bem como desenvolver a sua matriz curricular em 16 consonâncias com o projeto político pedagógico de consonância com o projeto político pedagógico da escola e mediante consulta aos professores. Precisamos aproveitar da experiência de construção de outras políticas públicas como a experiência bem sucedida de criação da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (2012). Precisamos articular a Política Nacional de Educação Popular com as demais políticas populares. Por isso, é fundamental mapear e articular o que já existe no campo da Educação Popular. Articular e potencializar 34 34 Faculdade de Minas 34 não só o que existe na Sociedade, mas, igualmente, o que já existe em diferentes ministérios e governos estaduais e municipais e buscar estendê-los para outras áreas e outros governos, nas universidades, governos, ONGs, movimentos sociais e populares, no contexto dos direitos humanos. Popularizar essas iniciativas. Mapear, conhecer melhor e potencializar o que já existe no campo da Educação Popular é um dos grandes desafios de uma política nacional de Educação Popular. Essas iniciativas não se restringem ao campo da educação propriamente dito. Elas existem em quase todos setores, secretarias e ministérios onde há democratização do Estado. São experiências intersetoriais e transversais importantes e devem fazer parte deste esforço nacional de transformação da Educação Popular em política pública. Precisamos, ainda, disputar o conceito de Educação Popular no processo da Conferência Nacional de Educação (Conae), ocupar espaços nas conferências preparatórias e livres, avançar onde hoje é viável, com os pés no chão e a utopia na cabeça. É bom lembrar que o Documento Final da Conae de 2010 quando fala das “experiências de educação popular e cidadã” sugere que elas sejam incorporadas “como políticas públicas” (BRASIL, MEC/FNE, 2011:29). A luta não será fácil. Vimos o que está acontecendo com o Plano Nacional de Educação. Nele, a expressão “Educação Popular” aparece uma única vez, associada à “educação cidadã”, como uma estratégia de educação não-formal para a elevação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e a expressão “direitos humanos” também só aparece uma vez quando fala do conceito de “diversidade”. Vejam o caminho que precisamos fazer para a Educação Popular ser reconhecida neste país. 35 35 Faculdade de Minas 35 BIBLIOGRAFIA BEISIEGEL, Celso de Rui, 2008. Política e educação popular: a teoria e a prática de Paulo Freire no Brasil. Brasília: Liber. BRANDÃO, Carlos Rodrigues, 1982. Educação popular. São Paulo: Brasiliense. FREIRE, Paulo, 1979. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra. FREIRE, Paulo, 1993. Política e educação. São Paulo: Cortez. GADOTTI, Moacir & Carlos Alberto Torres, 1992. Estado e educação popular na América Latina. Campinas: Papirus. GADOTTI, Moacir & Carlos Alberto Torres, 1994. Educação popular: utopia latino- americana. São Paulo: Cortez/Edusp. 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