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W BA 08 30 _V 1. 0 EMPREENDEDORISMO E GESTÃO DE PROJETOS: PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E ACOMPANHAMENTO DA OBRA 2 Leandro Cupertino Correia São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2021 EMPREENDEDORISMO E GESTÃO DE PROJETOS: PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E ACOMPANHAMENTO DA OBRA 1ª edição 3 2021 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Diretor Presidente Platos Soluções Educacionais S.A Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Turchetti Bacan Gabiatti Camila Braga de Oliveira Higa Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Mariana Gerardi Mello Revisor Fabrício Alonso Richmond Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________________ Correia, Leandro Cupertino C824e Empreendedorismo e gestão de projetos: planejamento, orçamento e acompanhamento da obra / Leandro Cupertino Correia, – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2021. 44 p. ISBN 978-65-89881-66-7 1. Especificação de materiais. 2. Cronograma de execução. 3. Acompanhamento de obra. I. Título. CDD 658.42 ____________________________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB 010289/O © 2021 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. 4 SUMÁRIO Especificação e quantificação de materiais ___________________ 05 Orçamento de materiais e serviços __________________________ 21 Planejamento e acompanhamento de obras _________________ 38 Empreendedorismo na construção civil ______________________ 55 EMPREENDEDORISMO E GESTÃO DE PROJETOS: PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E ACOMPANHAMENTO DA OBRA 5 Especificação e quantificação de materiais Autoria: Leandro Cupertino Correia Leitura crítica: Fabricio Alonso Richmond Navarro Objetivos • Definir os conceitos básicos sobre especificação técnica e quantificação de materiais. • Estabelecer as informações mínimas necessárias que devem ser apresentadas nos documentos que compõem um projeto de construção e/ou reforma. • Orientar a elaboração dos documentos, indicando erros comuns que devem ser evitados. 6 1. Introdução Quanto tratamos de especificação e quantificação de materiais para serviços de construção civil, o objetivo principal é apresentar aos profissionais envolvidos com o empreendimento os detalhes e as informações de utilização de determinados materiais e os equipamentos necessários para a execução da obra. A especificação e a quantificação dos materiais são documentos fundamentais para elaboração de orçamentos e de cronograma dos serviços, apresentando diversas diretrizes que deverão ser seguidas durante sua execução, sendo fonte permanente de consultas para engenheiros, arquitetos e outros profissionais. 2. Especificações técnicas dos serviços Segundo Bastos (2019), as especificações técnicas dos serviços compõem um documento escrito onde estão elencadas, de forma detalhada, todas as informações técnicas necessárias para execução da construção, inclusive, os tipos e as características dos materiais, ferramentas e equipamentos que serão utilizados na obra. Essas informações são organizadas durante a fase de planejamento e, sempre que possível, o documento deve ser desenvolvido concomitantemente à elaboração dos projetos, visando evitar retrabalho e atrasos durante a fase de execução da construção. Normalmente, os dados que compõe as especificações são dispostos em forma de memorial, sendo comumente apresentados na forma de Caderno de Encargos, onde as informações estarão descritas de forma ordenada e precisa, com nível de detalhes podendo variar conforme a natureza da obra. 7 A depender do porte e da complexidade obra, o documento que contém as especificações técnicas pode ser mais ou menos complexo e as informações divididas de diferentes maneiras, conforme sugerido por Lins (2015): • Generalidades: incluem objetivo, identificação da obra, regime de execução da obra, fiscalização, recebimento da obra, modificações de projeto e classificação dos serviços. • Especificação dos materiais de construção: pode ser escrito de formas genérica (aplicável a qualquer obra) ou específica (relacionando apenas os materiais a serem usados na obra em questão). • Discriminação dos serviços: específica como devem ser executados os serviços, por exemplo, indicando traços de argamassa, métodos de assentamento, forma de corte de peças etc. Também podem ser compilados de forma completa ou específica. A especificação técnica adequada de um serviço de execução de piso de cerâmica, por exemplo, deve informar: o tipo de piso a ser adotado na construção, marca, cor, tamanho, metodologia executiva, ferramentas e equipamentos necessários, preparo do local, cuidados após execução, limpeza e manutenção, entre outros. Nesse contexto, é importante ressaltar que, existem diversos tipos de materiais disponíveis no mercado para as mais diversas aplicações, e seu uso dependerá da finalidade da obra. No caso de pisos, por exemplo, há especificidades que devem ser consideradas durante a escolha do produto, como o ambiente onde será instalado e a exposição a intempéries, a durabilidade e as recomendações dos fabricantes. Assim, pode-se dizer que as especificações técnicas são fundamentais para uma boa execução e uso da edificação, sendo uma peça 8 fundamental para complementar as informações contidas nos desenhos dos projetos. Além disso, devido aos inúmeros fatores que devem ser acompanhados e às etapas construtivas de uma obra, que envolvem vários profissionais de diferentes áreas, a especificação clara, objetiva e bem detalhada dos materiais contribuirá para o sucesso das atividades e para garantia de qualidade dos serviços. 2.1 Como elaborar as especificações técnicas Após esclarecer o conceito de especificações técnicas e sua importância para a execução dos serviços, é necessário entender como elaborar o documento de forma adequada para as características de cada tipo de construção. Um documento importante e frequentemente utilizado para referenciar as especificações técnicas de uma obra é o caderno de encargos, onde estão elencadas as orientações e as referências que devem ser obedecidas na concepção e execução da obra, de modo a uniformizar as especificações estabelecidas pelos projetistas e as atividades dos profissionais executores dos serviços. Em obras onde há um caderno de encargos para nortear a execução dos serviços, recomenda-se que ele englobe as generalidades, especificações dos materiais e discriminação dos serviços. Existem várias empresas públicas e privadas que adotam cadernos de encargos para orientar a execução de seus projetos e obras, como o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), a SUDECAP (Superintendência de Desenvolvimento da Capital, em Belo Horizonte/MG) e a UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas). 9 2.2 Especificando materiais e serviços Quanto aos materiais adotados, é necessário especificar a procedência das peças, sua textura e cor, classe dedesenho técnico que representa a situação final da obra, dados e referências de instalações elétricas, hidráulicas, estruturas de concreto etc. Dessa forma, cria-se um registro das alterações ocorridas nos projetos durante execução da obra, facilitando reformas, manutenções e futuras intervenções na edificação, caso sejam necessárias. 53 4. Conclusão Neste tema, pode-se perceber que a ausência de um planejamento adequado, geralmente, implicam em sérias dificuldades durante a execução dos serviços, tanto no que tange os prazos quanto os custos. O gerenciamento do empreendimento serve como guia para todas as etapas da construção e deve estar presente desde o estudo de viabilidade e a concepção dos projetos até a execução da obra. Então, empreendimentos com planejamento deficiente exigem que os profissionais que acompanham e gerenciam a construção gastem mais tempo solucionando problemas e imprevistos que surgem diariamente. Com auxílio de metodologias e ferramentas adequadas, o gerenciamento da obra eficiente e alinhado a todas as etapas do empreendimento permite que os profissionais envolvidos se dediquem às atividades técnicas, conheçam a obra e tomem de decisões de mais ágeis e assertivas quando necessário, respeitando o cronograma e a sequência executiva estabelecida inicialmente. Referências ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 14645-1: elaboração do “como construído” (as built) para edificações Parte 1: levantamento planialtimétrico e cadastral de imóvel urbanizado com área até 25 000 m², para fins de estudos, projetos e edificação–procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2001. BUNESE, I. Breve conceito e importância da NBR 14645-1. IMBF Engenharia, 30 set. 2016. Disponível em: http://www.imbfengenharia.com.br/2016/09/30/nbr/. Acesso em: 21 abr. 2021. COSTA, A. H. da. Aplicações da Curva S e do Método do Caminho Crítico no Planejamento de Obras. 2017. 65 f. Dissertação (Mestrado em Matemática), Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2017. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/325523/1/Costa_ AmauriHarveyDa_M.pdf. Acesso em: 28 jun. 2021. http://www.imbfengenharia.com.br/2016/09/30/nbr/. http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/325523/1/Costa_AmauriHarveyDa_M.pdf http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/325523/1/Costa_AmauriHarveyDa_M.pdf 54 ESPINHA, R. G. Gráfico de Gantt: o que é, para que serve e como fazer. Artia, 15 fev. 2021. Disponível em: https://artia.com/blog/grafico-de-gantt-o-que-e-para-que- serve-e-como-montar-o-seu/. Acesso em: 21 abr. 2021. FURLAN, F.; BOAS, B. V. No Brasil, as obras públicas sofrem com a incompetência. Exame, 9 abr. 2015 Disponível em: https://exame.com/revista-exame/o-custo-da- burrice/. Acesso em: 20 abr. 2021. RIBEIRO, M. Como montar um planejamento de obras em 5 passos. Disponível em: https://maiscontroleerp.com.br/como-montar-um-planejamento-de-obras-em-5- passos/. Acesso em: 21 abr. 2021. SANT’ANA, E. P. Planejamento de obra passo a passo. Sienge, 18 nov. 2016. Disponível em: https://www.sienge.com.br/blog/planejamento-de-obra-passo-a- passo/. Acesso em: 20 abr. 2021. SANTOS, L. H. Aplicação do método PERT/CPM na construção civil. 2018. 72 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia de Produção)–Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Medianeira, 2018. Disponível em: https://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/13193/1/ metodopertcpmconstrucaocivil.pdf. Acesso em: 28 jun. 2021. https://artia.com/blog/grafico-de-gantt-o-que-e-para-que-serve-e-como-montar-o-seu/ https://artia.com/blog/grafico-de-gantt-o-que-e-para-que-serve-e-como-montar-o-seu/ https://exame.com/revista-exame/o-custo-da-burrice/ https://exame.com/revista-exame/o-custo-da-burrice/ https://maiscontroleerp.com.br/como-montar-um-planejamento-de-obras-em-5-passos/ https://maiscontroleerp.com.br/como-montar-um-planejamento-de-obras-em-5-passos/ https://www.sienge.com.br/blog/planejamento-de-obra-passo-a-passo/ https://www.sienge.com.br/blog/planejamento-de-obra-passo-a-passo/ https://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/13193/1/metodopertcpmconstrucaocivil.pdf https://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/13193/1/metodopertcpmconstrucaocivil.pdf 55 Empreendedorismo na construção civil Autoria: Leandro Cupertino Correia Leitura crítica: Fabricio Alonso Richmond Navarro Objetivos • Apresentar os conceitos de empreendedorismo na construção civil. • Destacar aspectos e características relevantes para o empreendedor. • Apresentar as áreas com potencial para empreender na construção civil. 56 1. Introdução Frequentemente escutamos as pessoas falarem coisas como “quero ter meu próprio negócio” ou “quero ser meu próprio patrão”. É muito comum que esse tipo de pensamento já tenha passado pela cabeça de todos nós em algum momento da vida, não é mesmo? Porém, colocar isso em prática não é tarefa fácil, exige dedicação, empenho e resiliência por parte do empreendedor. Por isso, recomenda- se que você, antes de iniciar um novo negócio, avalie se é uma área de seu conhecimento para aproveitar essa vantagem. Para engenheiros e arquitetos, por exemplo, uma alternativa interessante é empreender no setor da construção civil. Embora seja uma área do mercado que periodicamente vivencia os ciclos de alta e baixa, já que em ocasiões passa por momentos de desaceleração em determinados tipos de obras, mas, por outro lado, surgem possibilidades em outras áreas do setor da construção. Por esse motivo, se torna fundamental que o profissional se mantenha atualizado e atento às oportunidades do mercado. 2. Empreendedorismo no Brasil Até meados da década de 1990, segundo Fabrete (2019), o assunto empreendedorismo era pouco falado no Brasil, principalmente pelo ambiente econômico e político do país, que não estimulava a abertura de novos negócios. Além disso, também é preciso destacar que não havia suporte e apoio adequados aos empreendedores, o que contribuía para agravar esse cenário. A partir de disso, o movimento empreendedor vem ganhando força no Brasil com diversas ações, como ações do Sebrae (Serviço Brasileiro 57 de apoio às Micro e Pequenas Empresas), por exemplo, que vem contribuindo para o crescimento do empreendedorismo e estímulos à abertura de micro e pequenas empresas. No entanto, segundo pesquisas divulgadas pelo Global Entrepeunership Monitor (GEM, 2017), de cada 100 brasileiros, com faixa etária de 18 a 64 anos, 36 deles estão liderando alguma atividade empreendedora, seja na condução e criação ou no aperfeiçoamento e amadurecimento de um novo negócio, bem como na manutenção de um negócio já estabelecido. Quando analisamos em números absolutos, a partir da população do país, isso significa que são quase 50 milhões de brasileiros envolvidos com empreendedorismo em 2017 ou que já realizaram ações com a expectativa de criação de um empreendimento nos próximos anos. Nesse contexto, vale ressaltar que, o empreendedorismo no Brasil pode ser dividido em dois grupos: o de necessidade e o de oportunidade. O primeiro é o empreendimento que surge a partir de uma necessidade financeira do empreendedor, principalmente visando a obtenção de renda, sendo mais observado em momentos de crise financeira e altos índices de desemprego. Por outro lado, o empreendedorismo de oportunidade surge a partir do desejo de abrir um negócio para solucionar um problema ou anseio da sociedade, buscando atender uma demanda existente no mercado. Nesse caso, é comum a criação de empresas baseadas em estudos fundamentados e análises de viabilidade do negócio, com maiores investimentos em planejamento estratégico e pesquisas de mercado. Com isso, torna-se recorrente vermos empreendedores que criam novos negócios por necessidade, sem o devido planejamento, aumentando o risco de insucesso e falência do negócio, o que contribui para o grande número de empresas que deixam de existir antes de completar um ano de criação.58 Diante dos dados expostos, conclui-se que o empreendedorismo de oportunidade é mais estruturado e seus fundamentos garantem uma maior probabilidade de sucesso do empreendedor, principalmente pelo interesse em solucionar uma demanda da sociedade e pela sua resiliência para se adaptar às necessidades mercado. 3. Empreendedorismo na construção civil Quando observamos o setor de construção civil, nota-se que ele é, normalmente, um dos mais impactado e um dos últimos a se recuperar em crises econômicas, por diversos fatores, como: a redução do poder de compra das pessoas, elevação de taxas de juros, dificuldade para obtenção de crédito imobiliário etc. (ANDRADE, 2018). A primeira consequência dessas crises econômicas é o aumento do desemprego, que atinge profissionais que estavam alocados no mercado e profissionais em busca de oportunidades. Com isso, muitos buscam empreender no setor da construção civil, principalmente pelas experiências adquiridas. Neste contexto, há de ser destacado que existem diversas oportunidades para os que almejam criar um negócio próprio, mas, conforme citado por Rici (2020), o profissional precisa estar ciente das habilidades que deve possuir ou desenvolver para permanecer no mercado, tais como iniciativa, proatividade, boa comunicação, flexibilidade, liderança e disposição para aprender são alguns dos fatores mais relevantes. A expansão e modernização das cidades, aliadas à necessidade de execução de tarefas concomitantes e, em curtos intervalos de tempo, vem contribuindo para o surgimento de uma série de serviços e produtos que necessitam de mão de obra cada vez mais especializada para seu desenvolvimento. 59 Porém, com a grande demanda do mercado, ainda são poucas as empresas especializadas no atendimento a determinados tipos de serviço, por exemplo, em reparos e manutenção de edifícios residenciais ou comerciais, onde predomina a informalidade, com a contratação de profissionais que não possuem a capacitação adequada e, na maioria das vezes, não tem uma empresa legalizada para realização dos serviços. Portanto, há diversas oportunidades para que busca empreender na construção civil, então, quem deseja começar seu próprio negócio nessa área deve estar atento às oportunidades e à capacitação necessária. Na seção 4 serão apresentados alguns negócios onde há demandas de clientes e oportunidades para criação de empresas. 3.1 Análise da área de atuação Quando o empreendedor busca um nicho do mercado para investir os recursos que possui, é necessário saber identificar as áreas de atuação que ele tem afinidade, buscar por oportunidades em setores que não estejam saturados e avaliar os concorrentes que terá pela frente. Para isso, recomenda-se elaborar um estudo de viabilidade, onde podem ser avaliados aspectos econômicos, técnicos, impactos sociais e ambientais, os prós e contras do setor e os riscos envolvidos no empreendimento para diferentes cenários da economia do país. Quando observamos algumas opções existentes no contexto atual do mercado da construção civil no Brasil, pode-se destacar: • Reforma de edificações. • Reciclagem de resíduos da construção civil. • Construções sustentáveis. • Manutenção e reparos em edificações. 60 • Serviços de consultoria em geral. Dessa forma, a principal sugestão aos profissionais que pretendem empreender é que avaliem o tipo de negócio que possuem familiaridade e procurem atuar em áreas onde haja mais demanda do que a oferta, o que facilitará sua inserção no mercado. 3.2 Networking, networking e mais networking Outro ponto importante além da avaliação e da identificação das áreas de atuação no mercado da construção civil é o networking. Para quem não sabe, networking é uma excelente ferramenta de viabilizar oportunidades ao empreendedor, onde é preciso esforço para expandir sua rede de contatos, seja na construção civil ou qualquer outra área. Nesse sentido, há diversas maneiras de ampliar seu círculo de convívio, buscando se aproximar de fornecedores e clientes, participando de congressos e eventos sociais do setor e mantendo contato frequente com todos. Quando o empreendedor participa de eventos voltados para seu ramo de atuação, como feiras, palestras e workshops, uma vez que há contato direto com muitas pessoas com interesses na mesma área. 61 Figura 1 – Networking Fonte: pixelfit/iStock.com. Assim, há o benefício de se manter atualizado sobre as novidades e tendências de mercado, mas, também, há possibilidade de estabelecer novos contatos com outros empresários e potenciais clientes, que futuramente podem vir a se tornar parceiros. 3.3 Busque cada vez mais capacitação Para quem busca se destacar no mercado, não é suficiente ter uma formação genérica no assunto, é necessário se capacitar, investir em conhecimento, em cursos de especialização e experiência consolidada no ramo de atuação. O profissional deve ter em mente que, independentemente do tipo serviço que será prestado, ele deve ter um diferencial. 62 Um serviço executado com qualidade, a um preço adequado, tornará o profissional uma referência naquele segmento do mercado, o que ocasionará expansão da carteira de clientes e divulgação da empresa. Nesse sentido, a probabilidade de sucesso de um novo empreendimento está diretamente associada à capacitação do empreendedor em formar uma equipe especializada para o serviço. De maneira geral, é comum nos depararmos com profissionais muita experiência em sua área de atuação, mas pouca bagagem em setores fundamentais para o funcionamento de uma empresa, o que deve ser considerado quando antes de criar um novo negócio, de forma que a equipe se complemente. Normalmente, profissionais muito técnicos nas áreas de engenharia e arquitetura não tem capacitação adequada para áreas como marketing e vendas, gestão de pessoas e finanças. Isso porque profissionais ligados a esses serviços tem formação específica para estes fins. Por exemplo, a divulgação da marca é um fator crítico para a consolidação de negócios em fase inicial. Já o gerenciamento da equipe é um desafio para qualquer empreendimento, principalmente para empresas menores, onde o empreendedor tem a missão de motivar os outros profissionais. Por isso, é importante que o empreendedor participe de cursos de marketing e vendas, que serão úteis para a construção da marca e na divulgação dos serviços e produtos. Além disso, é necessário que ele desenvolva técnicas de gestão de pessoas, mediação de conflitos, comunicação interpessoal, dentre outros. Ademais, o empreendedor precisa garantir que as finanças da empresa estejam saudáveis e positivas. Logo, é indispensável entender os tributos e impostos que incidem sobre os serviços oferecidos e os custos referentes à equipe. 63 Devido à complexidade dos conceitos contábeis, é comum que as empresas tenham profissionais dedicados exclusivamente às questões tributárias, mas o empreendedor deve conhecer o básico de finanças para acompanhar e controlar a saúde financeira da empresa, principalmente em épocas de crises econômicas. Há diversos cursos disponíveis para quem busca empreender no mercado da construção civil, seja para serviços de consultoria ou construção, temos cursos e treinamentos específicos para cada tipo de demanda, inclusive para atividades de marketing e vendas, gestão de pessoas e finanças, destacados neste capítulo. Contudo, algo deve ser destacado: o empreendedorismo na construção civil tem diversas oportunidades, seja para quem tem experiência na área, para profissionais recém-formados e, também, para quem deseja abrir o negócio próprio. 3.4 Forme a melhor equipe Na hora de formar uma equipe de trabalho, independentemente do tipo de serviço, é comum os empreendedores não encontrarem no mercado profissionais com a capacitação esperada, ainda mais no setor da construção civil. Dessa forma, é preciso considerar investimentos em formação e capacitação da equipe, principalmente quandoo serviço a ser executado é muito específico. Além disso, recomenda-se que a empresa tenha um ambiente propício para o desempenho das funções de cada profissional, uma vez que uma equipe motivada tem maior produtividade. A formação de uma equipe dedicada ao trabalho, que se identifica com o propósito da empresa e que seja capaz de alcançar os objetivos esperados, não é tarefa fácil. Para isso, é preciso dominar a gestão de 64 pessoas, intermediando conflitos, valorizando todos os profissionais envolvidos e equacionando opiniões divergentes dentro do grupo. Nesse contexto, é muito positivo identificar os pontos fortes e fracos de cada membro da equipe, para que esses aspectos sejam explorados de maneira que a empresa consiga otimizar os serviços. Quando uma empresa incentiva a inovação e escuta as sugestões de seus profissionais, podem surgir melhorias e possibilidades de crescimento e expansão do empreendimento. Somado a isso, a divisão adequada da quantidade de tarefas entre cada profissional e a constante atualização e aperfeiçoamento na formação técnica contribuem fortemente para a integração e alinhamento da equipe, o que aumenta as possibilidades de sucesso do empreendimento. 4. Possibilidades para empreender na construção civil Desde a fundação dos primeiros cursos de engenharia e arquitetura no Brasil até os dias de hoje, a grande maioria das universidades brasileiras tendem a privilegiar a formação técnica de seus alunos, deixando em segundo plano conceitos modernos de gestão e incentivos ao empreendedorismo em suas grades curriculares. Porém, isso leva os profissionais recém-formados a descartar a possibilidade de empreender, valorizando a consolidação da carreira em empresas já estabelecidas no mercado. Com a evolução das técnicas construtivas e com diferentes necessidades dos clientes precisando ser atendidas, esse cenário vem mudando. 65 Cada vez mais, os profissionais envolvidos com o setor da construção civil têm investido em abrir seus próprios negócios e estão mais do que familiarizados com as tecnologias que surgem diariamente. A seguir, apresentaremos nichos de mercado que se apresentam como excelentes possibilidades para empreender na construção civil. 4.1 Impressão 3D Falar de impressão 3D na construção civil pode causar estranheza para muitas pessoas, porque não é fácil imaginar um equipamento automatizado produzindo uma edificação que normalmente levaria dias para ser construída. Há quem não acredite nessa possibilidade, principalmente pela metodologia arcaica que é comumente vista em obras pelo Brasil. Nesse caso, a verdade é que o uso de impressões tridimensionais já é uma realidade no setor da construção civil e está cada vez mais relevante nas construções mundo afora. O fato é que uma impressora 3D permite a criação de elementos específicos para a construção, acabamento e decoração de uma edificação, como a execução de prédios inteiros. Quando utilizada de forma adequada, essa tecnologia permite reduzir drasticamente o tempo necessário para determinados serviços, garantindo mais qualidade devido à automatização da construção. Isso sem citar a redução de custos com mão de obra e desperdício de materiais. Nesse contexto, diversos países pelo mundo já executaram obras com auxílio desse tipo de ferramenta, como a Holanda, que inaugurou em 2017 sua primeira ponte construída a partir de uma impressora 3D. Com 66 uma extensão de 8 metros, a construção durou três meses e concebida para trânsito de pedestres e ciclistas (BAM INFRA, 2021). Figura 2 – Ponte construída com impressora 3D Fonte: BAM INFRA (2021, [s.p.]). Ademais, há casos de sucesso de construção de edificações com impressora 3D, como a empresa chinesa WinSun, que utiliza impressoras 3D para construção de casas. Segundo Caputo (2016), a tecnologia permite construir casas de inteiras em menos de 24 horas. Figura 3 – Edifício construído com impressora 3D Fonte: Caputo (2016, [s.p.]). 67 Já no Brasil, o uso de impressoras 3D na construção civil ainda está em um estágio muito incipiente. Hoje, encontramos maquetes arquitetônicas e protótipos estruturais que construído com essa tecnologia. No entanto, esse cenário tem tudo para evoluir com rapidez nos próximos anos, já que cada vez mais há uma busca por construções mais enxutas, rápidas e com menos desperdícios de materiais. 4.2 Uso de drones na construção civil Os drones, bem como os veículos aéreos não tripulados (VANT), vem tomando cada vez mais espaço na construção civil. Esses equipamentos, que surgiram no Brasil com a finalidade de uso pelo exército, atualmente, são amplamente utilizados para o controle e gerenciamento de obras, já que permitem a captura de imagens aéreas, fornecendo uma visão geral da obra e a análise de sua evolução. Figura 4 – Utilização de drones na construção civil Fonte: Natnan Srisuwan/iStock.com. 68 A utilização de drones não é importante apenas durante a execução da obra, já que esse equipamento pode ser utilizado para fins comerciais, como marketing e vendas de um determinado empreendimento. Assim, drones e VANTs podem ser muito úteis para obras de edificações e de infraestrutura, uma vez que permitem obter imagens de qualquer ponto do empreendimento, aumentando a gama de informações que podem ser extraídas de uma construção, de forma mais precisa e otimizada. 4.3 Construção verde e sustentabilidade O conceito de construção verde ou construção sustentável vai além de construir uma edificação ligada a um aspecto ambiental, visto que busca integrar a construção e o meio ambiente desde a fase da construção do empreendimento até sua utilização. Para isso, uma construção sustentável deve considerar quesitos econômicos, sociais e ambientais em todas as etapas, a fim de garantir, amenizando os impactos à natureza, reduzindo a geração de resíduos e racionalizando o consumo de recursos naturais, tais como água e energia. Além disso, outro ponto de destaque é o uso e aplicação de materiais recicláveis na construção, optando por insumos de menor impacto ambiental, como peças de madeiras oriundas de reflorestamento, areia e brita advindas da reciclagem de resíduos de construção civil, soluções que aproveitem a luminosidade e a ventilação natural dos ambientes, dentre outros. Um exemplo de construção sustentável o Edifício Porto Brasilis (Figura 5), na cidade do Rio de Janeiro, que possui diversas características sustentáveis, como o sistema de tratamento e reaproveitamento da águas pluviais, medidores individuais do consumo de água e energia, 69 adoção de materiais de construção mais sustentáveis, louças e metais sanitários que economizam água, sistema de iluminação de alta eficiência, separação e armazenamento de lixo reciclável, vagas preferenciais para veículos com baixa emissão e recuperadores de energia instalados no sistema de exaustão dos sanitários (HAYDÉE, 2016). Figura 5 – Edifício Porto Brasilis Fonte: Haydée (2016, [s.p.]). Outra construção sustentável que podemos citar é a Escola Estadual Ilha da Juventude (Figura 6), em São Paulo, que foi projetada e construída com arquitetura inteligente, integrando práticas sustentáveis aproveitando a luminosidade externa, utiliza menos energia para aquecimento de água, além de ter incorporado soluções eficazes para acústica e ruídos nas salas de aula. 70 Figura 6 – Escola sustentável em São Paulo Fonte: Fundação Vanzolini (2021, [s.p.]). 4.4 Realidade aumentada O mercado da construção civil vem incorporando cada vez mais tecnologias ao seu portfólio de ferramentas, como a realidade aumentada, que possibilita visualizar detalhes da construção, até mesmo, quando o empreendimento ainda está na fase elaboração de projetos. Esse tipo de tecnologia permite trazer para o mundo real uma projeção virtual da obra que será executada futuramente. O que garante que o cliente conheça a construção e possa decidir detalhes que antes eram apresentados a ele emprojetos 2D impressos em papel. Já na fase de obras, a realidade aumentada é útil para se comparar as informações contidas no projeto com o que foi efetivamente construído, possibilitando identificar alterações ocorridas na execução. 71 Com a utilização dos óculos de realidade aumentada, há como fazer projeções sobre a estrutura construída, visualizar alterações no projeto, como cores e móveis em determinados ambientes, bem como checar e validar o andamento dos serviços executados. Figura 7 – Realidade aumentada na construção Fonte: Viktorcvetkovic/iStock.com. 5. Conclusão Com esse tema, você pôde aprender que empreender na construção civil é uma excelente alternativa para quem deseja abrir o negócio próprio. Existem oportunidades que vão muito além dos serviços diretamente ligados à execução das obras, mas que exigem que o profissional sempre busque capacitação e acompanhe as ferramentas e as tecnologias que surgem para esse mercado. 72 Além de possibilitar ao empreendedor optar pelo tipo de serviço que fornecerá aos clientes, as áreas em expansão no setor da construção civil também podem variar de acordo com os recursos financeiros que o empreendedor possui. Por fim, há oportunidades que vão desde limpeza pós-obras, reciclagem de materiais e ferramentas e tecnologias digitais até franquias, startups, projetos de construção sustentável e vendas on-line. Portanto, tudo isso deve ser avaliado pelo empreendedor, para que encontre uma área que se identifique e domine o assunto. Referências ANDRADE, G. S. Os impactos da crise econômica de 2014-2017 nas empresas de construção civil. Rio de Janeiro: UFRJ/Escola Politécnica, 2018. BAM INFRA. Rondweg Gemert Noord-Om–Van 3D geprinte brug tot ingeschoven rotonde. Disponível em: https://www.baminfra.nl/projecten/rondweg-gemert- noord-om-van-3d-geprinte-brug-tot-ingeschoven-rotonde?position=5&list=2QerA0n p2E8kawUnQM6Ntt_b6M98qiASPp9z2UXh0sI. Acesso em: 7 maio 2021. CAPUTO, V. Conheça as casas construídas com impressão 3D na China. Exame, 13 set. 2016. Disponível em: https://exame.com/tecnologia/conheca-as-casas- construidas-com-impressao-3d-na-china/. Acesso em: 7 maio 2021. FABRETE, T. C. L. Empreendedorismo. 2 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2019. FUNDAÇÃO VANZOLINI. Escola pública estadual na Vila Brasilândia é certificada AQUA. Disponível em: https://vanzolini.org.br/noticia/escola-publica-estadual-na- vila-brasilandia-e-certificada-aqua/. Acesso em: 7 maio 2021. GEM. Global Entrepreneurship Monitor. Empreendedorismo no Brasil: relatório global. Curitiba: IBQP-PR, 2017. HAYDÉE, L. Conheça 10 edifícios sustentáveis do Brasil. Exame, 13 set. 2016. 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Quantificação dos materiais 4. Aplicação de conceitos 5. Novas tecnologias 6. Erros durante a especificação e quantificação dos materiais e suas implicações 7. Conclusões Referências Orçamento de materiais e serviços Objetivos 1. Introdução 2. Conceitos iniciais de orçamento de obras 3. Etapas da elaboração do orçamento 4. Antes de iniciar o serviço de orçamentação 5. Tipos de orçamento 6. BDI e preço de venda 7. Conclusão Referências Planejamento e acompanhamento de obras Objetivos 1. Introdução 2. Planejamento da obra 3. Execução e acompanhamento da obra 4. Conclusão Referências Empreendedorismo na construção civil Objetivos 1. Introdução 2. Empreendedorismo no Brasil 3. Empreendedorismo na construção civil 4. Possibilidades para empreender na construção civil 5. Conclusão Referênciasresistência e composição, bem como descrever as características geométricas e dimensões. Deve haver orientação sobre tolerância aos materiais que apresentarem defeitos de superfície, discrepâncias de bitolas ou empenos, que geralmente são rejeitados e substituídos. Para exemplificar quais informações devem ser apresentadas na especificação dos materiais, vamos tomar como exemplo as informações necessárias para a execução de revestimentos cerâmicos. Os aspectos técnicos devem ser apresentados de forma que não haja dúvidas para aquisição e utilização da obra. Inclusive é fundamental especificar quais normas o material deverá atender, como a NBR 13.753 (ABNT, 1996) – Revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante–Procedimento. Além disso, é preciso indicar as condições em que os materiais serão ensaiados e os critérios de avaliação da conformidade com os métodos indicados nas normas, especialmente nos revestimentos cerâmicos para fachadas e pisos em locais de tráfego intenso. Outro aspecto importante que deve ser especificado pelo projetista são detalhes sobre o armazenamento, o transporte e a estocagem no canteiro de obras, de modo a evitar quebras, trincas, umidade, contato com substâncias nocivas e outras condições adversas. Em seguida, passa-se ao detalhamento do processo executivo. No caso de revestimentos cerâmicos, além da obediência às dimensões e aos alinhamentos indicados no projeto, informações como a espessura de juntas e o preparo das peças devem estar claras. 10 A execução de cortes de material cerâmico, para constituir aberturas de passagem dos terminais hidráulicos ou elétricos, devem seguir as orientações dos fabricantes e as dimensões devem seguir as especificações técnicas estabelecidas e detalhadas pelo projetista. Quando houver a necessidade de furos e cortes nas peças cerâmicas para passagem de tubulações, deve-se ter recomendações de técnicas e equipamentos necessários para passagem de canos, torneiras e outros elementos das instalações, além de indicar as técnicas e os equipamentos necessários para realizar os serviços, evitando danificar as peças. A metodologia de assentamento das peças, o traço da argamassa utilizada e os detalhes de recortes para conclusão do serviço devem ser claros e objetivos, de forma que permita a completa interpretação de todas as etapas construtivas da estrutura. Como há revestimentos cerâmicos para as mais diversas aplicações, o projetista deve definir a superfície sobre a qual a cerâmica será assentada, como alvenaria, contrapiso, materiais de isolamento, entre outros. Além disso, é necessário indicar eventuais tratamentos prévios à superfície, como chapisco e emboço antes do assentamento e a umidade das peças que serão utilizadas. O projeto deve indicar ainda detalhes das juntas, dimensão, materiais e ferramentas utilizados para executar o rejuntamento, os cuidados para remoção de excessos de argamassa aderente à superfície de acabamento. Conforme visto neste tópico, a especificação dos materiais e serviços apresenta informações e detalhes que nem sempre constam nos desenhos do projeto e que são indispensáveis para a correta execução 11 de toda obra, aplicando adequadamente os materiais, com as ferramentas e os equipamentos correspondentes. 3. Quantificação dos materiais 3.1 O que é? Em linhas gerais, segundo Schaefer (2018), o levantamento de quantitativos é o processo de determinar a quantidade de cada um dos serviços de um projeto, sendo a principal ferramenta para subsidiar o orçamento. Assim, pode-se dizer que essa etapa do planejamento do empreendimento é fundamental para a elaboração do orçamento da obra, demandando dedicação do responsável técnico por essa atividade, que deve estar alinhado com os projetistas, já que esse profissional deve conhecer e entender todas as disciplinas do projeto. O autor ainda destaca que, nos dias atuais, é comum a quantificação de serviços feita de forma manual, com uso de ferramentas básicas como planilhas e calculadoras (SHAEFER, 2018), o que pode ocasionar erros e inconsistências nos orçamentos. Com o passar dos anos, softwares foram desenvolvidos para contribuir com os orçamentistas e facilitar a tarefa de quantificar os materiais, sem contar o ganho em eficiência e confiabilidade, aumentando a produtividade dos processos ligados a essa etapa do projeto. Ao longo desta aula serão apresentadas essas novas ferramentas utilizadas para facilitar as tarefas de quantificação e orçamentação. 12 3.2 Como quantificar os materiais Primeiramente, para garantir um levantamento de quantitativos criterioso, é necessário ter em mãos todos os projetos elaborados para o empreendimento, desde o arquitetônico até os projetos complementares, como sistema de prevenção contra descargas atmosféricas e prevenção a incêndios. Além disso, é indispensável que os projetistas entreguem, juntamente com os projetos, as respectivas memórias de cálculo e as especificações dos materiais necessários para a execução dos serviços, que auxiliarão o orçamentista durante seu trabalho. De posse dessas informações, será possível ao responsável técnico pelo orçamento elaborar a memória dos quantitativos de determinado projeto, o que auxiliará eventuais conferências futuras e facilitará ajustes que se fizerem necessários posteriormente. Feito isso, deve-se separar os serviços conforme suas especificações técnicas, classificando e agrupando serviços similares. Por exemplo, devem ser separados forro de madeira e forro de PVC, tinta acrílica para paredes e verniz para as portas, serviços de projeto hidrossanitário e projeto elétrico. Para facilitar, recomenda-se a elaboração de uma planilha específica para essa finalidade, padronizando o levantamento de quantidades dos seus projetos e organizando os itens conforme a sequência executiva da obra, principalmente pelas especificidades de cada serviço e dos diferentes impactos que causam no orçamento. Além disso, todos os serviços indicados nos projetos representam custos na execução da obra, o que exige atenção extrema do orçamentista durante o levantamento de quantitativos, para que sejam evitandos 13 imprevistos que impliquem no aumento de custos ou, até mesmo, pela inviabilidade de sua execução. Lembre-se que, é indispensável indicar na planilha de quantitativos a unidade referente a cada serviço (m2, unidade, m3, Kg), de modo que seja condizente ao que se pratica no mercado. 3.3 Quantificando os materiais e os serviços Chegou o momento de efetivamente elaborar a planilha de quantitativos do empreendimento. Essa etapa pode ser subdividida em duas fases: a determinação dos insumos e a composição de preços unitários (CPU) para cada serviço. A quantificação dos materiais e serviços nada mais é do que o levantamento de todos os materiais necessários para a execução de determinado serviço, além da mão de obra e equipamentos necessários para sua realização. Em geral, um determinado serviço, como a execução de estaca escavada para a fundação de uma edificação, é composto pelos três insumos citados acima, o concreto (material), os serventes e operadores das máquinas (mão de obra) e a perfuradora de hélice contínua (equipamento). A composição de preços unitários (CPU) retrata as quantidades de materiais, horas de mão de obra e equipamentos necessários para realizar determinado serviço. Assim, o custo é obtido relacionando a quantidade de cada um dos insumos consumidos para a execução de uma unidade de serviço. Para auxiliar na elaboração da CPU, existem composições de referência, publicadas oficialmente por órgãos públicos em todo o Brasil, sendo o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil 14 (Sinapi) uma das mais populares, onde são definidos os valores dos insumos e serviços necessários às obras e serviços de engenharia. O quadro a seguir mostra a composição de custos unitários parao serviço de pintura de parede, conforme o Sinapi ([s.d.]). Quadro 1 – Custos unitários para o serviço de pintura de parede Aplicação manual de pintura com tinta látex PVA em paredes, duas demãos (m2) Unidade Coeficiente Tinta acrílica premium, cor branco fosco L 0,33 Pintor com encargos complementares H 0,13 Servente com encargos complementares H 0,048 Fonte: adaptado de Sinapi ([s.d.]). Nesse quadro, percebe-se que a pintura tem como unidade a área (m2) de parede e é composta pelos insumos (tinta acrílica) e a mão de obra (pintor e servente) necessários para a execução do serviço. Neste exemplo, a coluna referente aos coeficientes se refere ao consumo de cada material e a produtividade da mão de obra relacionada. Ou seja, para a execução de 1m2 de pintura em parede são consumidos 0,33L (litro) de tinta. Com isso, pode-se inferir que a composição considera que 1L de tinta permite pintar 3m2 de parede. Os coeficientes podem ser definidos para o próprio empreendimento, a partir de dados históricos obtidos de obras similares ou a partir de planilhas de referência como Sinapi, Sistema de Custos Referenciais de Obras (SICRO) etc. 15 Normalmente, os fabricantes de produtos utilizados na construção civil fornecem o consumo de cada material, quando há essa informação, recomenda-se que seja adotado como coeficiente o dado do fabricante. Nesse contexto, o emprego de planilhas de referência permite estabelecer critérios uniformes para a quantificação dos serviços necessários em determinada obra, além de admitir a possibilidade de comparar custos e prazos de diferentes empreendimentos. Por sua vez, essas planilhas são atualizadas periodicamente, a fim de acompanhar eventuais atualizações do mercado. 4. Aplicação de conceitos A execução de uma edificação, independentemente do porte, exige a especificação adequada dos materiais. Conforme visto até aqui, é preciso determinar os serviços que serão executados e as respectivas composições. Para exemplificar os conceitos apresentados, considere que você é responsável pela elaboração dos projetos de uma edificação onde serão executados vários serviços. A especificação dos materiais começa pela definição das áreas, o volume de concreto da estrutura, a especificação e dimensões de cabos e tubos, entre outros serviços. Tomando o piso cerâmico para a cozinha como exemplo, por se tratar de área que constantemente é lavada, deve ser especificado material que pode ser molhado, tamanho e cores da cerâmica e do rejunte devem estar definidas já nos projetos. Neste caso, deve-se especificar um material com características adequadas de durabilidade em condições normais de uso, resistência a desgastes e manchas. É importante destacar que o processo de especificação dos materiais e serviços estão associados ao quantitativo indicado no projeto e isso 16 reflete diretamente no orçamento e custos da construção, o que reforça a necessidade de atenção máxima do profissional durante a realização da tarefa. 4.1 Dicas para a quantificação dos materiais No caso de formas para estruturas de concreto, para determinar o quantitativo é imprescindível que o projeto executivo estrutural contenha o detalhamento de todas as peças. Com isso, juntamente às especificações técnicas indicadas pelo projetista, é possível quantificar além das formas, o volume de concreto consumido, os equipamentos e mão de obra necessários para execução dos serviços. Ainda com o projeto executivo estrutural, é determinada a quantidade de barras de aço, a partir do quadro de ferros, e relaciona-se a bitola do aço com sua massa, para estabelecer o consumo de aço total para a estrutura, em quilos (kg). Por outro lado, quando trata-se de serviços de demolição de estruturas de concreto, geralmente, estima-se que o volume de resíduos gerados é o dobro do volume a ser demolido. Para o levantamento de quantitativos de alvenaria é comum descontar áreas de vãos que excedem 2 m2 em alvenarias e vedações, haja vista que o consumo de materiais e mão de obra são relevantes, contudo, vãos com áreas com dimensões inferiores não são consideradas para fins de quantificação. Para coberturas, por exemplo, recomenda-se considerar durante o levantamento de quantitativos a inclinação do telhado, o que pode resultar em diferenças significativas de área para maiores inclinações. Aqui cabe um alerta: simplificações são comuns durante a etapa de quantificação, visando acelerar o processo, desde que não prejudiquem 17 o produto final a ser construído. Contudo, embora coerente é necessário destacar que, cabe ao responsável técnico pelo levantamento avaliar se essas considerações comprometem a execução dos serviços. 5. Novas tecnologias Conforme mencionado no item 3.1, nas últimas décadas, criou-se softwares para contribuir nas tarefas de especificação e quantificação dos materiais e serviços da construção civil, possibilitando obras com mais eficiência e confiabilidade. A tecnologia da informação tem contribuído com inúmeras ferramentas para as diversas atividades de um empreendimento, desde o estudo de viabilidade e o planejamento estratégico de custos, passando pela fase de projetos e obras até a fase de uso, operação e manutenção. Um dos conceitos cada vez mais difundidos na construção civil é o Building Information Modeling (BIM), que possibilita a criação de um modelo virtual da obra a ser executada, permitindo incluir em um mesmo arquivo informações de diferentes disciplinas de projeto e incorporando especificações de materiais e serviços ao banco de dados de toda obra (BRAGA, 2015). Com isso, os envolvidos no projeto inserem as informações no modelo que quantifica o projeto de forma precisa, minimizando equívocos comuns durante a elaboração da planilha de quantitativos, além de identificar instantaneamente interferências e incompatibilidades. As ferramentas desse tipo, se utilizadas adequadamente, auxiliam no levantamento de quantitativos, aumentando a assertividade dos projetos e reduzindo o tempo e energia gastos nas atividades de especificação e quantificação dos materiais. Isso traz benefícios à gestão dos recursos e prazos de projeto e obras. 18 6. Erros durante a especificação e quantificação dos materiais e suas implicações O principal problema gerado por erros durante a especificação e quantificação dos materiais e serviços é a imprecisão do custo final do orçamento, uma vez que quantitativos levantados equivocadamente implicam em uma planilha pouco confiável, o que culminará em um orçamento distante da realidade do empreendimento. Esses erros podem refletir em um custo da obra para mais ou para menos, dependendo do que foi considerado na etapa de elaboração da planilha de quantitativos. Na grande maioria das vezes, a origem do problema está na interpretação incorreta ou na baixa qualidade das informações contidas nos projetos. Por sua vez, esses erros têm impacto no planejamento do empreendimento, como na gestão de custos e viabilização de recurso, visto que a aquisição de insumos e contratação de mão de obra dependem diretamente da quantidade de serviços a serem executados. A aquisição de materiais, por exemplo, demanda cotações no mercado e negociação de preços, o que fica significativamente prejudicado quando há subestimativa nos quantitativos de um projeto. O contrário, também, acarreta danos à gestão financeira e administrativa de uma obra, já que a superestimativa dos serviços implica no uso não racional dos recursos e desperdício nas mais diversas formas. 19 7. Conclusões Nesta aula, com a abordagem de conceitos técnicos e práticos no que tange a especificação e quantificação de materiais e serviços, foi mostrado que as especificações técnicas devem indicar, de forma objetiva e completa, detalhes dos materiais e os procedimentos necessários para executar determinada construção. Além disso, você aprendeu que é comum a apresentação das especificações em forma de caderno de encargos,de modo que os serviços sejam executados conforme critérios e condições particulares, com as composições de preços unitários compatíveis e passíveis de serem consultadas pelos profissionais envolvidos no empreendimento. Quanto à quantificação dos materiais e serviços, trata-se de atividade complexa e relevante para o sucesso da obra, uma vez que exige grande alinhamento entre os projetistas e o responsável técnico pela elaboração da planilha de quantitativos. As especificações técnicas e o levantamento de quantitativos fornecerão os subsídios para o orçamento e estimativa do custo da obra. Com isso, o maior desafio é a compatibilização de todas as informações disponíveis nos projetos e a correta descrição dos serviços na planilha da obra, pois essa atividade impactará diretamente na gestão de custos e prazos. Além disso, apresentou-se novos conceitos e ferramentas tecnológicas para auxiliar nas tarefas de planejamento e quantificação, como o BIM, mas que não substituem a avaliação criteriosa e a experiência profissional da equipe técnica envolvida no empreendimento. Por fim, apresentou-se os impactos de erros ocorridos durante um levantamento de custos pouco criterioso ou elaborado equivocadamente, o que normalmente acarreta custos não previstos e em um cronograma frágil com prolongamento do prazo de execução das obras. 20 Referências ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13.753: revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante – procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. BASTOS, P. K. X. Construção de edifícios. Juiz de Fora: UFJF, 2019. BRAGA, P. R. Levantamento de quantitativos com uso da tecnologia BIM. 2015. 130 f. Monografia (Trabalho de Conclusão do Curso) – Escola Politécnica, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2015. Disponível em: http://www. gpsustentavel.ufba.br/downloads/BIM%20quantitativos%20Edf.pdf. Acesso em: 25 jun. 2021. LINS, D. S. M. Como planejar obras mais produtivas e enxutas em um cenário de forte ajuste de mercado e grande concorrência. 2015. 55p. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Engenharia Civil)–Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2015. Disponível em: http://ct.ufpb.br/ccec/contents/ documentos/tccs/copy_of_2014.2/como-planejar-obras-mais-produtivas-e-enxutas- em-um-cenario-de-forte-ajuste-de-mercado-e-grande-concorrencia.pdf/view. Acesso em: 25 jun. 2021. SCHAEFER, C. O. Levantamento de quantitativos em projetos de engenharia. Sienge Plataforma, 28 abr. 2018. Disponível em: http://https://www.sienge.com.br/blog/ levantamento-de-quantitativos-em-projetos-de-engenharia/. Acesso em: 3 abr. 2021. SINAPI. Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. Custos de composições analítico. Disponível em https://www.caixa.gov.br/site/ paginas/downloads.aspx#categoria_556. Acesso em: 3 abr. 2021. http://www.gpsustentavel.ufba.br/downloads/BIM%20quantitativos%20Edf.pdf http://www.gpsustentavel.ufba.br/downloads/BIM%20quantitativos%20Edf.pdf http://ct.ufpb.br/ccec/contents/documentos/tccs/copy_of_2014.2/como-planejar-obras-mais-produtivas-e-enxutas-em-um-cenario-de-forte-ajuste-de-mercado-e-grande-concorrencia.pdf/view http://ct.ufpb.br/ccec/contents/documentos/tccs/copy_of_2014.2/como-planejar-obras-mais-produtivas-e-enxutas-em-um-cenario-de-forte-ajuste-de-mercado-e-grande-concorrencia.pdf/view http://ct.ufpb.br/ccec/contents/documentos/tccs/copy_of_2014.2/como-planejar-obras-mais-produtivas-e-enxutas-em-um-cenario-de-forte-ajuste-de-mercado-e-grande-concorrencia.pdf/view http://https://www.sienge.com.br/blog/levantamento-de-quantitativos-em-projetos-de-engenharia/ http://https://www.sienge.com.br/blog/levantamento-de-quantitativos-em-projetos-de-engenharia/ https://www.caixa.gov.br/site/paginas/downloads.aspx#categoria_556 https://www.caixa.gov.br/site/paginas/downloads.aspx#categoria_556 21 Orçamento de materiais e serviços Autoria: Leandro Cupertino Correia Leitura crítica: Fabricio Alonso Richmond Navarro Objetivos • Definir conceitos básicos e diretrizes para orçamentos. • Apresentar os tipos de orçamentos comumente utilizados. • Estabelecer as informações mínimas que devem ser consideradas antes da elaboração de orçamentos. • Orientar quanto às aplicações do orçamento e os dados que devem ser avaliados durante a elaboração de orçamentos. 22 1. Introdução Antes de mais nada, é fundamental que o orçamentista, que é o profissional responsável pelo orçamento, se mantenha atento e atualizado sobre o assunto, visto que não há norma que estabeleça diretrizes e critérios mínimos para elaboração de um orçamento de obra. As metodologias e as ferramentas para elaboração de orçamentos estão se modernizando ao longo do tempo e estão em constante modificação. Por isso, antes de iniciar a orçamentação, deve certificar- se que as referências adotadas estão válidas e são pertinentes ao empreendimento em questão. 2. Conceitos iniciais de orçamento de obras Segundo Mattos (2019), o principal objetivo do orçamento é estimar os custos para construir determinado tipo de empreendimento, a fim de garantir que os recursos disponíveis sejam suficientes para a execução completa da obra. Embora pareça óbvio, é muito importante que orçamento elaborado seja o mais próximo possível da realidade, uma vez que deficiências no orçamento podem gerar paralisação ou, até mesmo, o abandono da obra. Isso pode ser observado em algumas obras inacabadas em diversas cidades, que muitas vezes não são concluídas pela escassez de recursos financeiros durante a construção. O orçamento é uma estimativa dos custos da obra, uma vez que há imprecisões em orçamentos que dificultam determinar com exatidão o custo total da obra, sendo ele conhecido somente ao final da construção. 23 Existem diversos fatores que contribuem para as imprecisões citadas acima, como: a produtividade da mão de obra estimada incialmente; a ausência ou deficiência nos detalhes dos projetos; o consumo real de materiais e equipamentos acima das expectativas; dentre outros. Além disso, podem refletir na obra fatores externos e alheios ao empreendimento, como períodos chuvosos prolongados, greves em diversos setores da sociedade, incidência e/ou amento de tributos e impostos sobre os serviços que serão realizados. Outro aspecto importante a ser considerado no orçamento é o local de execução da obra, uma vez que a distância de transporte dos insumos, o tipo de equipamento para realizar esse transporte e as condições do trajeto impactam significativamente nos custos do serviço. Além disso, é preciso destacar a influência dos custos indiretos da obra, que são os custos que não se referem aos serviços em execução, como o canteiro de obras, que será dimensionado inicialmente, mas poderá sofrer adequações durante o andamento da obra (MARCHIORI; CARVALHO, 2019). 3. Etapas da elaboração do orçamento Um dos aspectos primordiais para o sucesso de um empreendimento é um orçamento bem desenvolvido. A atividade de elaboração do orçamento pode ser dividida em várias etapas, sendo as três principais: • Análise dos projetos e especificações técnicas. • Composições de custos. • Determinação dos preços. 24 A partir dos projetos, deve-se identificar os serviços que serão executados durante as obras e, juntamente com as especificações técnicas dos materiais, é possível estimar suas quantidades e especificidades para sua execução. A composição de preços unitários (CPU) é a unidade básica de determinado serviço, onde são descritos os insumos, mão de obra e equipamentos necessários para a execução de determinada tarefa. Há tabelas de referência que auxiliam o orçamentista na elaboração das composições, como a TCPO (Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos) e o Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil). É importante destacar que, a composição dos custos é dividida em custos diretos e indiretos. No caso doscustos diretos, que são associados aos serviços de campo, deve-se elencar os insumos necessários para a realização efetiva do serviço, seus coeficientes de consumo e o valor correspondente. Já os custos indiretos podem ser classificados como aqueles que não estão associados diretamente aos serviços executados em campo, mas que são indispensáveis para o andamento da obra, tais como equipes técnicas (engenheiros, encarregados etc.), os profissionais de apoio e suporte (almoxarife, apontador, vigia, secretária etc.), os custos com administração local e canteiro de obras, entre outras despesas diversas. A determinação dos preços, normalmente, consiste na obtenção de preços de mercado por meio de consultas às empresas que fornecem e comercializam materiais para construção civil ou em base de dados próprias da construtora. Essa etapa deve ser realizada após a composição de custos, para que o orçamentista tenha elencados todos os insumos para executar o serviço. 25 4. Antes de iniciar o serviço de orçamentação Antes de iniciar a elaboração do orçamento, é preciso ter ciência que algumas arbitragens são necessárias, por mais que sejam levantadas todas as variáveis, sempre haverá estimativas e incertezas relacionadas. A orçamentação não é uma tarefa de exatidão, com o orçamento, pretende-se determinar o valor aproximado de uma obra ou serviço e, quanto mais criterioso o trabalho do orçamentista, menor será o desvio do valor que efetivamente custará. Essa aproximação se deve às incertezas inerentes aos serviços que serão executados e pode ser observada em vários pontos do orçamento, como nos cálculos da mão de obra, consumo de materiais, equipamentos e custos indiretos. A seguir são apontadas as simplificações mais comuns: 1. Mão de obra: a. Produtividade das equipes: se admitirmos que um pintor gasta 1 h para pintar 2 m² de uma parede, essa premissa fixará o consumo total de horas de serviço em função da área a ser pintada e, caso não seja gasto esse prazo, afetará o custo total da mão de obra. b. Encargos sociais e trabalhistas: os encargos trabalhistas, dentre outras coisas, levam em consideração aviso prévio, férias, acidentes de trabalho e faltas justificadas do funcionário, que incorporam mais incertezas e aproximações ao custo da mão de obra. 2. Materiais para construção: a. Preço dos insumos: como o mercado é dinâmico, podem ocorrer variações de preços entre a etapa de orçamentação e o momento de aquisição dos materiais para execução da obra. 26 b. Tributos e impostos: aproximações podem ser feitas quanto aos impostos e tributos embutidos no preço dos materiais, como ICMS e ISS. Além da possibilidade do surgimento de novas cobranças, como a CPMF. c. Perdas e reaproveitamento: é comum a perda de parte dos materiais, por exemplo, na execução de um piso, recortes feitos nas peças ou quebras durante a execução do serviço. Com isso, há uma aproximação do percentual de perdas para determinado insumo. Também pode ser considerado reaproveitamento de materiais, como formas para concreto, que podem ser reutilizados em diferentes momentos da obra. 3. Equipamentos: a. Custo horário: leva em consideração aproximações como os custos com manutenção dos equipamentos, sua vida útil e o consumo de combustíveis, seguros, dentre outros. b. Produtividade: a produtividade é um dos fatores que envolve mais aproximação durante a elaboração do orçamento, porque exige estimativas da quantidade de serviço que é possível realizar em determinado intervalo de tempo. Neste caso, além de outros fatores, é necessário estabelecer um coeficiente de utilização, relacionando o tempo em que o equipamento está disponível na obra e o tempo que ele efetivamente é utilizado. 4. Custos indiretos: a. Despesas gerais da obra: custos com a administração local, que são os profissionais que não estão diretamente ligados à execução dos serviços, bem como custos com água, luz, telefone, seguros, serviços de gráfica, dentre outros. b. Imprevistos: são custos que não podem ser determinados explicitamente, como retrabalhos devido às chuvas, danos causados terceiros, dentre outros. 27 Além das aproximações citadas, o orçamentista não deve generalizar ou padronizar orçamento de uma construção, tomando-o como base para outras obras. Logo, pode se basear em um orçamento já realizado, como será visto a seguir, mas ele deve ser adaptado à realidade do empreendimento em questão. Isso porque o orçamento está diretamente relacionado à empresa que será responsável pela execução da obra, que, por sua vez, tem sua própria política de cargos e salários, padrão de canteiro de obras, terceirização de serviços, recursos financeiros disponíveis e assim por diante. Além disso, o orçamentista deve ponderar as especificidades do local do empreendimento, como a topografia do terreno, condições do clima e tipo de solo, vias de acesso ao local, proximidade com fornecedores de materiais e disponibilidade de mão de obra na região, dentre outros. Por fim, a temporalidade do orçamento é fundamental em uma obra, uma vez que preços cotados tempos atrás podem estar muito defasados e comprometer a estimativa de custos para determinada obra. As variações nos custos dos materiais, de alíquotas de impostos e encargos sociais, desenvolvimento de novas ferramentas e tecnologias construtivas são alguns dos fatores que podem modificar com o tempo e precisam ser considerados quando há um período significativo entre a orçamentação e a mobilização para execução da obra. 5. Tipos de orçamento Antes de iniciar uma obra, a informação que mais interessa aos gestores, construtores, clientes e quaisquer pessoas envolvidas com o empreendimento é o seu custo total. Trata-se de um dado relevante, porque pode resultar em alterações no escopo da obra, reduzindo ou aumentando o seu tamanho, modificando o padrão de acabamento ou, 28 até mesmo, inviabilizando da construção, caso não haja disponibilidade de recursos suficientes. Dependendo do tipo de obra que será executada, a estimativa do orçamento pode ter maior ou menor precisão. Quando se trata de uma construção convencional, simples, que a construtora tem expertise em realizar, a estimativa tende a ser próxima do custo final do empreendimento. Nesse caso, a orçamentação pode se basear nos registros de custos de obras com características semelhantes, desde que não apresentem muitas indefinições e interferências, como é o caso de casas e edifícios residenciais, edifícios comerciais com padrões de acabamento similares etc. Quando o empreendimento se torna pouco convencional, como hospitais, shoppings, obras de infraestrutura urbana, galpões industriais e obras de arte especiais (pontes, túneis, viadutos etc.), normalmente, existem tecnologias e metodologias construtivas específicas. Então, a estimativa de custos apresenta maior imprecisão, inclusive pelos equipamentos e mão de obras necessários para sua execução. Como já explicado anteriormente, o orçamento requer levantamento de quantitativos e composição dos custos para cada serviço a ser executado. Com isso, o nível de detalhamento do orçamento fornece um produto mais completo e confiável aos interessados na execução das obras. Sendo assim, a seguir detalharemos alguns dos diferentes níveis de um orçamento, que podem ser divididos em: estimativa de custos, orçamento preliminar e orçamento analítico ou detalhado. 29 5.1 Estimativa de custos A estimativa de custos é uma análise expedita, baseada em registros de obras realizadas anteriormente, para construções com características similares. Essa é uma ferramenta interessante para estabelecer uma ordem de grandeza do custo total do empreendimento. Para obras de edificações, um indicador amplamente empregado é o custo por metro quadrado, sendo o Custo Unitário Básico (CUB) uma das fontes mais utilizadas como parâmetro para esse fim. Contudo, nada impede que o orçamentista ou a própria construtora desenvolvamseu um acervo ou biblioteca específico para sua consulta. Para padronizar os critérios de coleta e cálculo dos custos para construção, inclusive a determinação dos insumos dos vários padrões construtivos, foi criada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) a NBR 12.721/2006 – Avaliação de custos de construção para incorporação imobiliária e outras disposições para condomínios edifícios. Os preços coletados em pesquisas de mercado, praticados em diversas obras, são relacionados com os coeficientes constantes na NBR 12.721 (ABNT, 2006) e a partir disso é estabelecido o CUB de um “projeto- padrão”. Dessa forma, grosso modo, o valor obtido é o resultado da média de cada insumo multiplicado pelo coeficiente que é atribuído a ele, em função do padrão calculado. A Tabela 1, obtida a partir da publicação do Sinduscon-MG, apresenta o custo por metro quadrado (R$/m2), em Minas Gerais, exemplifica como é feita a estimativa de custos inicial de uma obra, onde os números junto às siglas se referem à quantidade de pavimentos da edificação. Por se tratar de valores referenciais, o orçamentista pode realizar interpolações entre os valores apresentados, para determinar 30 estimativas de custos para edificações que não constem na tabela divulgada, por exemplo, para edificações com 2 a 7 pavimentos. Tabela 1 – Custos unitários básicos da construção por metro quadrado (CUB/m2) PROJETOS–PADRÃO RESIDENCIAIS R (Residenciais), PP (prédio popular) e PIS (projeto de interesse social) PADRÃO BAIXO PADRÃO NORMAL PADRÃO ALTO R-1 1.676,45 R-1 2.027,20 R-1 2.471,07 PP-4 1.580,09 PP-4 1.942,48 R-8 2.032,61 R-8 1.508,32 R-8 1.694,16 R-16 2.148,27 PIS 1.141,36 R-16 1.642,25 PROJETOS–PADRÃO COMERCIAIS CAL (Comercial Andares Livres) e CSL (Comer- cial Salas e Lojas) PADRÃO NORMAL PADRÃO ALTO CAL-8 1.971,11 CAL-8 2.121,36 CSL-8 1.680,03 CSL-8 1.831,34 CSL-16 2.255,93 CSL-16 2.458,17 PROJETOS–PADRÃO GALPÃO INDUSTRIAL (GI) E RESIDÊNCIA POPULAR (RP1Q) RP1Q 1.715,99 GI 918,28 VALORES EM R$/m² Fonte: adaptada de SINDUSCON-MG (2021, p. 1). Para estimar o custo de execução de um imóvel a partir do CUB é simples, basta buscar a tabela referente ao Estado de interesse, determinar o padrão da construção e multiplicá-lo pela área da edificação. Por exemplo, um edifício com garagem, pilotis e 8 pavimentos, sendo 200m² por pavimento, na cidade de Belo Horizonte/MG, tem custo total de construção utilizando o CUB, conforme destacado a seguir: • Área construída = 200m²/pavimento. • Área total construída = 8 pavimentos x 200m²/pavimento = 1.600m². 31 • CUB para Belo Horizonte (Padrão residencial R8) = R$ 1.694,16/m². • Custo total estimado = 1.600m² x R$ 1.694,16/m² = R$ 2.710.656,00. Por se tratar de um parâmetro médio, obtido pela análise estatística em diferentes empreendimentos, o valor do CUB não considera no cálculo custos como o valor do terreno, contenções e fundações executadas previamente à construção, obras complementares, taxas, impostos etc. 5.2 Orçamento preliminar O orçamento preliminar é a evolução da estimativa de custos, que contém alguns detalhes e informações adicionais sobre a obra, o que garante um grau de incerteza menor. Nesse caso, incorpora-se diversos indicadores que aprimoram a estimativa inicial de custos. Em obras com características semelhantes, o orçamentista ou a construtora podem e devem gerenciar os orçamentos elaborados, criando um tipo de banco de dados que servirá de indicador para futuros empreendimento. Segundo Mattos (2006), embora as edificações apresentem especificidades individuais e concepções distintas, nota-se que não há variações significativas na maioria dos indicadores. A Revista Construção e Mercado (2016) apresenta a distribuição dos custos de cada etapa construtiva da obra, em percentuais, conforme a tabela a seguir. 32 Tabela 2 – Estimativa de gastos por etapa da obra em percentagens Industrial Prédio com elevador Prédio com elevador Prédio sem elevador Galpão Fino Médio Popular Fino Médio Popular Fino Médio Médio Serviços preliminares 2,6 a 3,7 2,6 a 4,1 0,7 a 1,3 0,2 a 0,4 0,4 a 0,8 1,1 a 2,2 0 a 1 0,4 a 0,9 1 a 1,9 Movimento de terra 0 a 1 0 a 1 0 a 1 0 a 1 0 a 1 0 a 1 0 a 1 0 a 1 0 a 1 Fundações especiais - - - 3 a 4 3 a 4 3 a 4 3 a 4 3 a 4 4 a 5 Infraestrutura 6,9 a 7,5 3,6 a 4,2 2,4 a 4,3 1,9 a 2,5 3,5 a 4,1 4 a 4,5 2,9 a 3,5 4 a 4,9 2,7 a 3,5 Superestrutura 15 a 17,6 11,4 a 15,7 9,8 a 12,5 26,8 a 32,7 22,9 a 28,6 18,8 a 23,4 23,6 a 28,3 19,2 a 23 4,9 a 6,5 Vedação 4,8 a 7,9 8,5 a 13,2 8,4 a 14,9 3,7 a 5,2 5,1 a 10 9,1 a 15,5 3,6 a 5,1 5,5 a 8,6 1,9 a 3,4 Esquadrias 2,8 a 5,7 8 a 14,9 8,7 a 14,6 6,2 a 11,6 4 a 7,1 4,1 a 7,1 5,8 a 11,6 7,2 a 13,4 6,9 a 13,1 Cobertura 0 a 0,3 4 a 8,6 8,5 a 16,8 - 0,6 a 1,9 - - - 17,1 a 25,7 Instalações hidráulicas 10,9 a 12,7 11,1 a 13 11,1 a 12,1 10,5 a 12,3 9,8 a 11,5 9,6 a 10,6 9,5 a 10,5 7,5 a 8,4 4,4 a 5,3 Instalações elétricas 3,8 a 4,8 3,8 a 4,8 3,8 a 4,8 4,5 a 5,4 3,7 a 4,6 3,8 a 4,8 3,7 a 4,6 3,8 a 4,7 5 a 6 Impermeabilização e isolação térmica 10,3 a 13,4 0,4 a 0,7 0,4 a 0,8 1,2 a 2,4 1,3 a 1,9 4,7 a 6 1,8 a 2,4 5,9 a 7,2 0,8 a 1,3 Revestimentos (pisos, paredes e forros) 20 a 27 21,9 a 27,3 20,9 a 28,9 20,6 a 26,8 24,3 a 31 22,4 a 31,6 17,4 a 24,5 17,9 a 2,7 6,4 a 8,8 Vidros 1,9 a 3,5 0,5 a 1,1 1 a 1,9 1,5 a 2,9 0,5 a 1 0,5 a 0,9 1,9 a 3,5 1,7 a 3,4 0 a 0,4 Pintura 4,3 a 6,2 6,3 a 8,2 4 a 4,9 3,8 a 4,9 5,4 a 7,3 2,6 a 3,4 7,7 a 11,6 6,9 a 8,8 4,7 a 7 Serviços complementares 2,1 a 3,2 0,5 a 0,7 0,6 a 1,1 0,3 a 0,9 0 a 1,2 0,6 a 1,1 0 a 1,2 0 a 8,8 21 a 30,2 Elevadores - - - 1,5 a 1,9 - - 3 a 3,6 - - Residencial Prédio sem elevador Habitacional Comercial Etapas construtivas Fonte: adaptada de Revista Construção e Mercado (2016, p. 54). Quando são adotados percentuais como os apresentados na Tabela 2, deve-se ponderar que esses valores são referenciais, para fins de conhecer os custos aproximados para uma determinada edificação. Por exemplo, no caso da edificação citada no item 5.1, podemos concluir que o serviço de esquadrias e pintura tem custo aproximado de: • Estimativa do custo da obra = R$ 2.710.656,00. • % do custo total para serviços de esquadrias = 4,0% a 7,1%. • % do custo total para serviços de pintura = 5,4% a 7,3%. • Custo aproximado das esquadrias = R$ 108.426,24 a R$ 192.456,58. • Custo aproximado da pintura = R$ 146.375,42 a R$ 197.877,89. 33 Atenção, embora o orçamento preliminar permita um avanço quando comparado à estimativa inicial, o melhor cenário é o orçamento analítico da obra, que será apresentado a seguir. 5.3 Orçamento analítico O orçamento analítico constitui a forma mais pormenorizada e precisa do custo de um empreendimento. Ele é elaborado a partir do levantamento de quantitativos, das composições de custo unitários e das pesquisa de preços dos materiais necessários. Nesse tipo de orçamento são considerados os custos diretos e indiretos, tais como a mão de obra, materiais, equipamentos, equipe técnica e de apoio, administração local da obra, entre outros. Nesse contexto, é importante destacar que o orçamento analítico é muito importante para execução de uma construção, porque ele permite determinar os custos de cada serviço e quanto será consumido de cada material. Com isso, pode ser elaborada a “Curva ABC”, que é uma ferramenta gerencial muito utilizada para planejamento da obra. Ela classifica as informações, indicando os serviços que tem maior relevância, auxiliando inclusive para o acompanhamento do cronograma físico-financeiro do empreendimento. Baseada em estudos do economista Vilfredo Pareto, a Curva ABC mostra, conforme a figura abaixo, que 20% dos serviços a serem executados correspondem a cerca de 80% dos custos em uma construção (MARCHIORI, 2019). Isso permite avaliar os momentos da obra com maiores demandas por recursos financeiros para aquisição de materiais e os períodos com mais funcionários contratados. 34 Figura 1 – Curva ABC Fonte: elaborada pelo autor.6. BDI e preço de venda A partir do orçamento da obra, conhecendo os custos do empreendimento, é definido o lucro almejado com aquela construção. Normalmente, ele é dado por um valor % da obra e, também, são identificados os impostos que deverão ser pagos durante a execução dos serviços. Com isso, o orçamentista tem condições de calcular e determinar o preço de venda. O preço de venda, dado pela Equação 1, é definido pelo somatório dos custos diretos e indiretos levantados, o lucro e os impostos do empreendimento, e este valor que deverá ser apresentado ao cliente. Erros nesta etapa final do orçamento, provavelmente, causarão prejuízos e o insucesso da obra. (1) Em que: 35 PV = preço de venda (R$). CUSTO = custo total (direto, indireto, administração central, custo financeiro, imprevistos e contingências) (R$). i% = somatória de todas as incidências sobre o preço de venda (em percentual), como o lucro operacional e os impostos. Com a fórmula anterior, pode-se afirmar que o preço de venda e o custo direto se relacionam de tal forma que a razão entre ambos é um fator multiplicador, expresso em percentagem, denominado BDI (benefícios e despesas indiretas). O orçamentista deverá aplicar o BDI, em percentual, sobre o custo direto dos serviços da planilha da obra. Dessa forma, será possível obter o preço de venda. Logo, o BDI pode ser calculado conforme a Equação 2: (2) Em que: CI% = custo indireto. AC% = administração central. CF% = custo financeiro. IC% = imprevistos e contingências. LO% = lucro operacional. IMP% = impostos. 36 Cada obra tem seu próprio BDI, uma vez que esse é resultado da combinação de diversos fatores como mostrado acima. Assim, simplificar orçamentos adotando um único BDI podem gerar prejuízos aos construtores e clientes. Outro fato que requer atenção, trata-se dos impostos que incidem sobre serviços da construção, visto que no cálculo do BDI são considerados apenas os impostos aplicáveis sobre o preço de venda. Por isso, o orçamentista deve se atentar quando estiver detalhando o BDI da obra. 7. Conclusão Neste tema, você aprendeu que o orçamento tem diversas finalidades, que vão desde estimativas dos custos para executar uma construção e análise de viabilidade até o controle de desembolsos com o cronograma físico financeiro e o dimensionamento de equipes. Além disso, apresentamos o orçamentista, profissional responsável pela elaboração do orçamento da obra, que deve ter a capacidade de leitura e interpretação de projetos e especificações técnicas, experiência em orçamentação de obras e conhecer o local de implantação do empreendimento. O orçamento analítico, que é uma das formas mais precisas de estimar os custos da obra, deve ser feito com base nas composições de preços unitários para os serviços de cada etapa da construção, sendo fundamental considerar todos os insumos necessários à execução da obra. Diante do exposto, pode-se concluir que as atividades de orçamentação podem influenciar todas as etapas da obra, desde o planejamento inicial e os estudos de concepção do empreendimento até a conclusão da construção. 37 Referências ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12721: avaliação de custos unitários de construção para incorporação imobiliária e outras disposições para condomínios edifícios–procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2006 (Versão corrigida 3:2021). MARCHIORI, F.; CARVALHO, M. T. M. Conhecendo o orçamento de obras: como tornar seu orçamento mais real. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. MATTOS, A. D. Como preparar orçamentos de obras. 3. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2019. REVISTA CONSTRUÇÃO E MERCADO – Negócios de incorporação e construção. São Paulo: PINI, 2016. SINDUSCON-MG. Custos Unitários Básicos de Construção (CUB/m2). Disponível em: http://www.sinduscon-mg.org.br/wp-content/uploads/2021/04/tabela_cub_ marco_2021.pdf. Acesso em: 13 abr. 2021. http://www.sinduscon-mg.org.br/wp-content/uploads/2021/04/tabela_cub_marco_2021.pdf http://www.sinduscon-mg.org.br/wp-content/uploads/2021/04/tabela_cub_marco_2021.pdf 38 Planejamento e acompanhamento de obras Autoria: Leandro Cupertino Correia Leitura crítica: Fabricio Alonso Richmond Navarro Objetivos • Apresentar as diversas etapas de planejamento de um empreendimento. • Orientar os alunos sobre a importância do planejamento e acompanhamento de obras. • Destacar metodologias e ferramentas que auxiliam o planejamento e acompanhamento de um empreendimento. • Destacar as tarefas mais relevantes e que impactam no cronograma de uma obra. 39 1. Introdução O planejamento e o gerenciamento de obras são as atividades mais desafiadoras de um empreendimento, já que são tarefas multidisciplinares que exigem competências específicas dos responsáveis pela obra e envolvem desde a escolha de metodologias executivas, tecnologias empregadas e estimativa de custos e prazos, bem como a correlação e combinação de todos esses assuntos. Atualmente, sabe-se que existem diversas possibilidades para execução de determinada obra, o que permite aplicação de uma gama ainda maior de metodologias de planejamento e acompanhamento de obras que podem ser empregadas. Por isso, um planejamento adequado da construção minimiza imprevistos durante a execução da obra. 2. Planejamento da obra Um planejamento eficiente abrange diversas etapas, das quais se destacam a análise do local e o levantamento de informações, passando pelo estudo de viabilidade e a concepção do projeto arquitetônico até a execução e acompanhamento da obra. Assim, é comum que o planejamento das etapas iniciais do empreendimento não receba a atenção necessária da equipe de gerenciamento. Isso acontece por vários fatores, como os prazos curtos para a etapa de elaboração de projetos, o anseio pelo início da construção e a cultura de que essas atividades são menos importantes para a execução da obra. O que ocorre posteriormente, durante a execução dos serviços, é o improviso e com soluções custosas, devido aos imprevistos vão 40 surgindo. O qual, geralmente, acarreta atrasos no cronograma e desperdícios de materiais e retrabalho não previstos inicialmente. Nesse contexto, Furlan e Boas (2015) publicou na Revista Exame uma reportagem onde foi retratado o cenário da construção civil no Brasil, onde comparava o mercado brasileiro aos países mais desenvolvidos. Enquanto as atividades de elaboração de projetos e planejamento consomem cerca de 20% do tempo total de uma obra no Brasil, em países como Japão e Alemanha esse percentual chega a 50%. Esse tempo dedicado às atividades de projeto e planejamento está diretamente proporcional à qualidade dos serviços, uma vez que os projetos tendem a ser compatibilizados adequadamente e possuem menos erros quando há mais tempo para estudá-los e prepará-los. Quem trabalha com construção civil convive diariamente com o desafio que é planejar e gerenciar obras, visando otimizar lucros, custos e prazos durante a construção. Contudo, há ferramentas e técnicas cada vez mais modernas que contribuem para a execução de projetos e obras, que permitem minimizar os imprevistos relacionados aos custos elevados e queda de produtividade. Uma estratégia recomendada para auxiliar no planejamento e controle de um empreendimento é dividir a obra em etapas ou fases, conforme veremos nas próximas seções alguns métodos que contribuem para o gerenciamento das atividades. 2.1 Organização das atividades e serviços Um erro recorrente em obras de construção civil é ignorar a possibilidade de ocorrência de eventos adversos que trazem riscos para a execução das obras. Por isso, antes do início de qualquer atividade, deve-se identificar e listar todos os serviços e tarefas que 41 serão necessários para realizar as obras e quais é o caminho crítico do empreendimento. Existem diferentes metodologias e ferramentas para auxiliar o planejamento de um empreendimento, como ométodo do “Caminho Crítico”, que é muito adotado no planejamento de obras, que considera o tempo total para execução de um projeto a partir da determinação da duração de cada atividade a ser executada (SANTOS, 2018). Com isso, é fundamental estabelecer qual tarefa deve ser concluída antes que a outra se inicie. Por exemplo, as atividades podem começar tardiamente ou ser concluídas antecipadamente, desde que não afetem o início da atividade seguinte nem os outros cronogramas de planejamento de relacionados à obra. Segundo Costa (2017), a metodologia do Gráfico de Gantt foi criada pelo engenheiro americano Henry Gantt, no começo do século XX, seu objetivo era organizar as etapas do processo de produção e, com o passar dos anos, sua ideia foi sendo aprimorada e hoje é amplamente utilizada para atividades de gerenciamento na construção civil. A partir desse gráfico é possível ter uma visão global do empreendimento, com a apresentação das informações no formato de texto e barras, seguindo a escala de tempo e sequência de atividades. O gráfico de Gantt (Figura 1) é dividido em dois eixos, em que um contém as atividades a serem realizadas (eixo vertical) e os outros representam o intervalo de tempo com a duração dos serviços (eixo horizontal). Relacionando os dois eixos é possível identificar a duração de cada tarefa, a correlação entre atividades interdependentes e a estimativa de prazo para conclusão do projeto. 42 Figura 1 – Exemplo de Gráfico de Gantt Fonte: Espinha (2021, [s.p.]). No exemplo da Figura 1 é possível perceber que as atividades iniciaram em 03/09/18 e foram concluídas no dia 17/09/2018. O comprimento das barras horizontais depende da duração das atividades, por isso, elas apresentam tamanhos diferentes. Além disso, nota-se que algumas atividades dependem de outras para serem iniciadas, como as tarefas 1 e 5, em que há uma seta indicando a interdependência entre as tarefas. Pelo contrário, outras atividades podem ser executadas concomitantemente, como as tarefas 8 e 9. Com isso, percebe-se que o Gráfico de Gantt possui recursos e funções que demonstram a relação de interdependência entre diferentes atividades e auxiliam a tomada de decisões sobre atividades críticas que exigem maior atenção durante a execução. Com a utilização de ferramentas como aquelas apresentadas, o planejamento de uma obra deve começar na fase de concepção da 43 edificação e na definição do método construtivo, já que o cronograma da obra é diretamente influenciado por decisões tomadas nesta etapa. Nesse sentido, quando for elaborar o cronograma de uma construção é importante estimar folgas no prazo para execução de cada tarefa, para eventuais atrasos e imprevistos que venham a acontecer. 2.2 Serviços de escritório A concepção do projeto é o momento de discutir as soluções que cabem no orçamento e atendem à proposta da edificação, essa etapa deve contar com a participação de equipe multidisciplinar que atuará na elaboração dos projetos e execução das obras. Aqui, discutiremos soluções avaliadas pela equipe técnica envolvida, considerando aspectos técnicos e, também, o plano diretor e a legislação municipal, visando atender a finalidade da construção e antever dificuldades que poderão impactar no cronograma de execução dos serviços. Após a definição da concepção, os projetos para o empreendimento são elaborados e listados os serviços a serem executados. Durante essas atividades, pode ser necessária a participação dos projetistas juntamente à equipe que realizará as obras, a fim de obter medidas mais realistas de tempo de execução e de recursos necessários. Quanto mais detalhado for o projeto, mais informações poderão ser obtidas a partir dele, o que possibilita reduzir imprevistos durante a execução da obra. A elaboração dos desenhos é fundamental tanto no caso de uma reforma ou em uma construção nova. Desse modo, elaborar o levantamento dos quantitativos, inclusive a composição de custos e o orçamento da obra, é um processo 44 trabalhoso, mas evitará a ocorrência de fatos desconhecidos que exigem a paralisação e acarretam atrasos na obra. Uma dica valiosa é sempre manter a memória dos cálculos do levantamento realizado disponível na obra, visando facilitar o entendimento. Logo, os projetistas devem estar cientes que revisões e adequações nos projetos podem ser necessárias durante a construção, inclusive a equipe da obra pode solicitar a participação do responsável pelo projeto para esclarecimento de dúvidas e correção de erros ou imperfeições detectadas nos desenhos. Isso pode ocorrer quando não há compatibilização adequada entre diferentes projetos, como o estrutural e o arquitetônico, que pode apresentar a construção dos pilares no local onde estão previstas aberturas de vãos de portas e janelas. 2.3 Aprovação e legalização da obra Na maioria das vezes, a partir de um projeto base, também chamado de projeto legal, é possível preparar os documentos que serão submetidos à avaliação e aprovação da obra junto à prefeitura local e aos órgãos competentes. Por isso, durante as discussões de concepção do empreendimento, é fundamental alinhar as soluções propostas ao plano diretor do município, normas e legislação vigentes, para que o projeto seja passível de aprovação sem a necessidade de retrabalho. Nesse contexto, é importante lembrar que os prazos desses processos de aprovação de projetos variam para cada município e devem ser considerados no cronograma. Além disso, deve-se considerar os custos referentes aos impostos e as taxas que deverão ser pagos. 45 O início da execução da obra é autorizado apenas após a aprovação da prefeitura ou órgão competente, portanto, essa etapa deve ser bem planejada e conduzida, com a documentação criteriosamente organizada. Caso contrário, há o risco de atrasos no cronograma dos serviços e a construção pode sofrer embargos pela fiscalização. 2.4 Custos diretos e indiretos Após o levantamento dos quantitativos de materiais e serviços, é possível determinar os custos diretos, como mão de obra, materiais e equipamentos para cada serviço da obra, bem como estimar os custos indiretos para a execução da construção. Portanto, é importante lembrar que os custos diretos estão associados aos serviços de campo, logo, deve-se elencar os insumos necessários para a realização efetiva do serviço, seus coeficientes de consumo e o valor correspondente. Já os custos indiretos se referem aos serviços necessários para o andamento da obra, mas não estão associados diretamente aos serviços de campo, tais como equipes técnicas (engenheiros, encarregados etc.), os profissionais de apoio e suporte (almoxarife, apontador, vigia, secretária etc.), custos com administração local e canteiro de obras e outras despesas diversas. 2.5 Cronograma físico Denomina-se como cronograma físico a estimativa de duração das tarefas a serem executadas na obra até serem finalizadas. Nesse cronograma estão inclusos o sequenciamento, baseado nas datas de início e fim das atividades, como o exemplo mostrado no Gráfico de Gantt na Seção 2.1. 46 Embora essa etapa esteja ligada ao serviço de levantamento de quantitativos, pode-se dizer que ela possui um caráter gerencial, uma vez que envolve decisões quanto à relação prazo-custo tanto para a elaboração de projetos quanto para a execução e o acompanhamento da obra. Note que, raros são os casos em que a execução dos serviços coincide com o cronograma planejado inicialmente. Essa discrepância é reduzida quando as equipes de projeto e obra estão alinhadas e os gestores tomam decisões adequadas rapidamente. Por exemplo, imagine que ocorra a falta de algum tipo de material e seja necessária a revisão do projeto ou a adaptação da sequência executiva da obra. Nesse caso, torna-se inevitável a adequação do cronograma físico do empreendimento a essa nova realidade. 2.6 Cronograma financeiro O cronograma financeiro atribui custos aos serviços apresentadosno cronograma físico, possibilitando identificar e acompanhar os desembolsos durante a obra e visualizar a evolução de receitas e despesas ao longo do empreendimento. Dessa forma, seguindo esse cronograma é possível avaliar os períodos da obra que demandarão maiores investimentos e controlar o fluxo de caixa, considerando receitas e as despesas previstas. Além disso, é possível identificar os momentos que demandarão mais mão de obra e poderão exigir adequações na estrutura da administração local e no dimensionamento do canteiro de obras. No caso de cronogramas físicos e financeiros, também, convém ressaltar a importância da automatização e da sistematização das tarefas de planejamento e acompanhamento, inclusive com softwares específicos para esse fim, que facilitam as atividades do gerente ou gestor da obra, 47 bem como ajuda a evitar prejuízos e mal uso dos recursos financeiros disponíveis. 3. Execução e acompanhamento da obra A etapa de execução da obra e acompanhamento dos serviços é a etapa mais prática de um empreendimento, onde a construção finalmente toma forma. A execução não é isolada das fases anteriores, uma vez que podem ser necessárias revisões de projetos e adequação dos prazos e custos, conforme já citado anteriormente. Assim, projetos bem elaborados, com soluções compatíveis com o tipo de construção, especificações técnicas consolidadas e um orçamento detalhado e atualizado, contribuem com o gerenciamento e acompanhamento da obra, tornando qualquer ajuste de menor impacto. A tarefa de acompanhamento é contínua, ou seja, deve ser executada constantemente. Essa é a chave para garantir o sucesso do empreendimento, com controle e planejamento da obra, identificando os problemas e corrigindo-os imediatamente quando surgirem. Quanto à execução, para garantir que o cronograma seja cumprido, é necessário que a mão de obra envolvida seja capacitada para o serviço e esteja alinhada com os interesses do empreendimento. Desse modo, por vezes, é mais vantajoso financeiramente terceirizar determinados serviços, dependendo as especificidades e da equipe disponível para a execução, dispensando investimentos com treinamento da equipe e evitando o risco de erros na execução, caso os profissionais envolvidos não tenham competência para a realização. 48 3.1 Segurança do trabalho Outro fator que exige cuidados durante a etapa de obras e que deve ser frequentemente acompanhado são as diretrizes de segurança e medicina do trabalho, que compreendem um conjunto de medidas de prevenção adotadas para proteger os profissionais envolvidos na execução da obra e visam reduzir riscos de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. O Governo Federal estabeleceu várias Normas Regulamentadoras, que definem critérios para a condições relacionadas à segurança do trabalho, sendo a NR 18 – Condições de segurança e saúde no trabalho na indústria da construção, atualizada em 2020, aplicada à construção civil. Nesse contexto, a segurança do trabalho busca proporcionar um ambiente de trabalho saudável para que as tarefas laborais sejam realizadas da melhor forma possível, garantindo e priorizando a integridade dos trabalhadores do canteiro de obras, visto que refletem diretamente na produtividade da equipe e no andamento da obra. Desse modo, acidentes podem afetar inclusive os trabalhadores que não estão diretamente envolvidos com aquele serviço. Para garantir a segurança da equipe e prevenir ocorrências durante a obra é importante estar atento para: • Garantir um planejamento adequado dos serviços e do canteiro de obra. • Orientar e fiscalizar o uso de EPIs e EPCs. • Sinalizar o entorno da obra, restringir o acesso com tapumes, andaimes e telas de segurança para evitar acidentes com pedestres. 49 • Seguir as diretrizes e as recomendações das normas de segurança do trabalho. • Armazenar os materiais e as ferramentas em locais adequados. • Garantir instalações adequadas para vestiário, banheiro, refeitório etc. Figura 2 – Exemplos de EPIs utilizados na construção civil Fonte: fcafotodigital/iStock.com. 3.2 Diário de obra Outro documento indispensável durante a execução da obra é o Diário de Obra, que permite o registro de todos os fatos ocorridos durante a construção, permitindo o acompanhamento periódico do que está 50 acontecendo no empreendimento, sendo a memória escrita de todas as atividades relacionadas à um determinado período da obra. O preenchimento correto do diário e o registro dos eventos permitem manter um histórico da obra e proporciona uma visão da evolução diária dos serviços executados, facilitando consultas futuras e o acompanhamento do cronograma. Por exemplo, se uma concretagem estava agendada para um dia em que choveu e teve que ser adiada, esse fato é relevante e convém constar no diário de obras. Além disso, deve-se constar os equipamentos e a mão de obra utilizados em determinada data. O Diário de Obra, também conhecido como Livro de Obra ou Livro de Ocorrências Diárias, é um instrumento que serve de subsídio para comprovar autorias de trabalhos, dirimir dúvidas e garantir que ocorreu o atendimento de ordens técnicas ou, até mesmo, avaliar os motivos de eventuais falhas e erros durante a execução da obra, que refletem em gastos não previstos e acidentes de trabalho. 51 Figura 3 – Modelo de diário de obras MANHÃ: TARDE: NOITE: FOLHA: QUANT. H.H H.H MODELO DE DIÁRIO DE OBRA NOME DA OBRA Guindaste 25 ton Caminhão pipa Diafragmadora Betoneira Caminhão comboio Veículos 01-DADOS DA OBRA DATA Almoxarife Aux. Serviços gerais Ajudante 02-EXECUTORA DA OBRA RESPONSÁVEL TÉCNICO- (ENG./ARQ.) CREA/CAU ART/RRT N° ENCARREGADO CHUVA OUTRO (DETALHAR) ACUMULADO 07/07/2020 terça-feira 03-PRAZO DE EXECUÇÃO DATA INÍCIO TÉRMINO PREVISTO PRAZO (DIAS) PARALISAÇÃO PRAZO DECORRIDO (DIAS) PRAZO RESTANTE (DIAS) N° HORAS: N° HORAS: HORAS: DIAS: CONDIÇOES CLIMÁTICAS: PLUVIOMETRIA: 04-EQUIPAMENTOS 05-MÃO DE OBRA PRESENTE NOME HORAS Op. Betoneira Armador Pedreiro Comprador Retro - Escav. Ass. Engenharia Equipe Topografica QUANT. CARGO/FUNÇÃO QUANT. Caminhão Bascula Engenheiro Civil Op. Escavadeira Kombi Ass. Administrativo Escavadeira Encarregado de Obra Vigia Gerador 66 kva Bomba D'água Tec. Segurança Feitor de Obra Banheiro Químico Carpinteiro 06- ATIVIDADES EXECUTADAS Caminhão Munk/Carroceria 08- OBSERVAÇÕES E/OU RECOMENDAÇÕES ( ) CONTRATADA ( ) CONTRATANTE RT EMPRESA CONSTRUTORA RT EXECUÇÃO DA OBRA CLIENTE 1 CLIENTE 2 07- RELATO DE OCORRÊNCIAS (ACIDENTES, DANOS MATERIAIS, ATRASOS, OUTROS). Fonte: elaborado pelo autor. 3.3 Relatório fotográfico da obra Recomenda-se que seja elaborado um registro fotográfico periódico da obra, a fim de capturar imagens do desenvolvimento dos serviços que 52 estejam em execução e apontados no diário de obras. Nesse caso, as imagens devem conter data e horário em que foram capturadas. O ponto de captura das imagens deve mostrar a visão mais abrangente do canteiro de obras e frentes de serviço, visando esclarecer questionamentos futuros sobre métodos construtivos, sequência das atividades, equipamentos e mão de obra envolvidos. A apresentação de relatório fotográfico, a empresa executora da obra e o cliente podem acordar sobre o número de fotos, a periodicidade (diário, semanal etc.) e o formato dos arquivos, desde que acordados previamente, essas são informações importantes que permitem o acompanhamento dos serviços de forma não presencial. 3.4 As built As Built é uma expressão advinda do inglês, que significa “como construído”. Na área da arquitetura e engenharia, a expressão as built é esclarecida e seus termos descritos na NBR 14645-1 (ABNT, 2001). Conforme apresentado por Bunese (2021), o projeto denominado de as built consiste no levantamento de todos os serviços executados, bem como as dimensões e características, transformando as informações construídas aferidas em um