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AÇÃO PENAL PRIVADA
Para darmos início ao estudo da ação penal de iniciativa privada, importante
recapitular a classificação das ações penais e os tipos de ações existentes no
processo penal.
❖ Classificação das ações penais
No âmbito processual penal, a doutrina costuma classificar a ação penal a
partir da legitimação ativa. Tem-se, assim, a ação penal pública e a ação penal
de iniciativa privada. Por ora, pode-se dizer que a ação penal pública, cujo
titular é o Ministério Público, subdivide-se em:
a) ação penal pública incondicionada: nesta espécie de ação penal, a
atuação do Ministério
Público independe do implemento de qualquer condição específica; (Ex: furto,
homicídio, roubo, estelionato)
b) ação penal pública condicionada: nessa hipótese, a atuação do Ministério
Público
está subordinada ao implemento de uma condição - representação do ofendido
ou requisição
do Ministro da Justiça (Ex: ameaça, lesão corporal (quando não incidir Lei
Maria da Penha), dano (quando não for patrimônio público)
c) ação penal pública subsidiária da pública: sua inserção como espécie de
ação penal pública não é ponto pacífico na doutrina. Porém, para alguns
doutrinadores, essa subespécie de ação penal pode ser vislumbrada nas
seguintes hipóteses.
Além da ação penal pública, outra espécie de ação penal condenatória é
a ação penal de iniciativa privada. Certos crimes atentam contra interesses
tão próprios da vítima que o próprio Estado transfere a ela ou ao seu
representante legal a legitimidade para ingressar em juízo. Como será visto
com mais detalhes ao tratarmos da legitimidade para o exercício da ação penal
de iniciativa privada, em situações excepcionais, que serão oportunamente
estudadas, a queixa-crime também pode ser oferecida não só pelo ofendido ou
por seu representante legal, como também por procurador especial (CPP, art.
33), pelos sucessores do ofendido, em caso de morte ou declaração de
ausência (CPP, art. 31), ou, até mesmo por entidades e órgãos da
administração pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica,
assim como associações, especificamente destinadas à defesa dos interesses
e direitos do consumidor (Lei nº 8.078/90, art. 80 c/c art 82, III e IV)
São espécies de ação penal de iniciativa privada:
• Ação penal propriamente dita (exclusivamente privada): em se tratando de
ação penal de iniciativa privada, funciona como a regra; (Ex: crimes contra a
honra)
• Ação penal privada personalíssima: são raras as espécies de crimes
subordinados a esta espécie de ação penal privada. Na verdade, subsiste
apenas o crime de induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento
(art 236 CP). Diferencia-se da hipótese anterior porque a queixa só pode ser
oferecida pelo próprio ofendido, sendo incabível a sucessão processual.
Nesta espécie de ação penal de iniciativa privada, o direito de ação só pode ser
exercido pelo ofendido. Nesse caso, não há intervenção de eventual
representante legal, de curador especial, nem tampouco haverá sucessão
processual no caso de morte ou ausência da vítima.
• Ação penal privada subsidiária da pública: diz a Constituição Federal que
“será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for
intentada no prazo legal (art 5º, LIX). Seu cabimento está subordinado à inércia
do Ministério Público.
Princípios relacionados à ação penal privada:
a) Princípio da oportunidade ou conveniência
Por conta deste princípio, cabe ao ofendido ou ao seu representante
legal o juízo de oportunidade ou conveniência acerca do oferecimento (ou não)
da queixa-crime. Consiste, pois, na faculdade que é outorgada ao titular da
ação penal para dispor, sob determinadas condições, de seu exercício, com
independência de que se tenha provado a existência de um fato punível contra
um autor determinado. É evidente que, à ação penal de iniciativa privada,
jamais seria possível a aplicação do princípio da obrigatoriedade. Como não há
qualquer mecanismo de controle sobre o exercício do direito de ação penal de
iniciativa privada - tal qual o art. 2 8 do CPP em relação à ação penal pública -,
recai sobre o ofendido, de maneira autônoma, a liberdade de escolha entre a
propositura (ou não) da queixa-crime. Ademais, nas hipóteses de ação penal
exclusivamente privada ou personalíssima, se o legitimado a oferecer a
queixa-crime optar pelo não exercício de seu direito, o Ministério Público não
poderá oferecer denúncia, pois não possui legitimidade ad causam para propor
a ação penal, já que tais delitos estão sujeitos exclusivamente à ação penal de
iniciativa privada.
Referido princípio também se aplica à representação e à requisição do
Ministro da Justiça, onde o legitimado ao exercício do direito pode, segundo
critérios próprios de conveniência ou de oportunidade, deixar de exercê-lo.
Nas hipóteses de ação penal de iniciativa privada, caso o ofendido não
queira exercer seu direito de queixa, há 2 (duas) possibilidades:
a) decadência: com natureza jurídica de causa extintiva da punibilidade,
consiste a decadência
na perda do direito de queixa ou de representação pelo seu não exercício
dentro do prazo
legal (seis meses), contados, em regra, a partir do conhecimento da autoria;
b) renúncia : a renúncia também funciona como causa extintiva da punibilidade,
de aplicação
restrita à ação penal exclusivamente privada e à ação penal privada
personalíssima. Caso
o ofendido queira abrir mão do seu direito de queixa, poderá fazê-lo por meio
da renúncia,
expressa ou tácita.
b) Princípio da disponibilidade (diferente da ação penal pública, em que vigora
o princípio da INdisponibilidade, no qual não é permitido ao titular da ação
penal pública “desistir” da ação penal).
À ação penal de iniciativa privada (exclusiva ou personalíssima)
aplica-se o princípio da disponibilidade, que funciona como consectário do
princípio da oportunidade ou conveniência. Diferenciam-se na medida em que
o princípio da oportunidade incide antes do oferecimento da queixa-crime, ao
passo que, por força do princípio da disponibilidade, é possível que o
querelante desista do processo criminal em andamento, podendo fazê-lo de 3
(três) formas:
- perdão da vítima: consiste em causa extintiva da punibilidade de aplicação
restrita à ação penal exclusivamente privada e à ação penal privada
personalíssima, cabível quando houver a aceitação por parte do querelado; (é
ato bilateral – o ofendido deve aceitar)
- perempção: ainda que o querelado não aceite o perdão, é possível dispor da
ação penal exclusivamente privada ou personalíssima por meio da perempção,
causa extintiva da punibilidade, consubstanciada na perda do direito de
prosseguir no exercício da ação penal privada em virtude da desídia do
querelante ; (ocorre no curso da ação)
- conciliação e termo de desistência da ação no procedimento dos crimes
contra a honra de competência do juiz singular: (desiste da ação – ato
unilateral)
c) Princípio da indivisibilidade da ação penal de iniciativa privada
De acordo com o artigo 48 do CPP:
Como visto acima, por força do princípio da oportunidade ou
conveniência, cabe ao ofendido ou ao seu representante legal fazer a opção
pelo oferecimento ou não da queixa-crime. Agora, se optar pelo oferecimento
da queixa, uma coisa é certa: o querelante não pode escolher quem vai
processar; ele está obrigado a processar todos os autores do delito, por força
do princípio da indivisibilidade.
Em decorrência, ainda, da indivisibilidade, a renúncia ao exercício do direito de
queixa, em relação a um dos autores do crime, a todos se estenderá (CPP, art
49). Na mesma linha, o perdão concedido a um dos querelados aproveitará a
todos, sem que produza, todavia, efeito em relação ao que o recusar (CPP,
ART 51)
Cabe ao Ministério Público a fiscalização da indivisibilidade ação penal de
iniciativa privada.
***OBS: Questão desse princípio com relação à ação penal pública: Parte da
doutrina entende que o Ministério Público pode oferecer denúncia contra
apenas parte dos coautores e partícipes, sem prejuízo do prosseguimento das
investigaçõesquanto aos demais envolvidos. Nos Tribunais Superiores, tem
prevalecido o entendimento de que, na ação penal pública, vigora o princípio
da divisibilidade. Como já se pronunciou o STJ, o princípio da indivisibilidade
da ação penal aplica-se tão somente à ação penal privada (CPP, art. 48). Não
há nulidade no oferecimento de denúncia contra determinados agentes do
crime, desmembrando-se o processo em relação a suposto coautor, a fim de se
coligir elementos probatórios hábeis à sua denunciação.
Entendendo-se que se aplica à ação penal pública o princípio da
indivisibilidade, é bom destacar que tal princípio também foi mitigado pela
introdução da transação penal e da suspensão condicional do processo pela
Lei n° 9.099/95 . De fato, supondo-se que três pessoas tenham praticado em
concurso de agentes uma infração de menor potencial ofensivo, é possível que,
oferecida a proposta de transação penal, apenas uma delas a aceite, hipótese
em que o processo criminal terá seguimento normal quanto às demais.
Titularidade de ação penal de iniciativa privada:
Como visto anteriormente, a titularidade da ação penal privada é da vítima.
A vítima deve requerer a instauração de inquérito policial, como é disposto no
artigo 30 do CPP:
Ainda, expõe o artigo 5º, § 5o do CPP:
Entretanto, há casos específicos nos quais a queixa não será intentada
pelo ofendido.
1º Os menores de 18 anos não detém capacidade para oferecer
queixa-crime, o que deve ser oferecido por seu representante legal. De igual
forma ocorre com relação aos incapazes. Se, todavia, o indivíduo não possui
representante legal ou, no caso de possuir e colidirem os interesses do
ofendido com o de seu represente, será nomeado curador especial:
2º No caso de morte do ofendido, o direito de oferecer a queixa ou
prosseguir na ação é transferido para seu cônjuge, ascendente, descendente
ou irmão:
3º Com relação às pessoas jurídicas:
A ação penal privada processa-se mediante QUEIXA-CRIME, que nada
mais é do que a petição inicial em juízo.
Termos empregados: Autor da ação penal privada (ofendido): querelante;
Acusado: querelado.
Com relação aos crimes que se processam mediante queixa-crime,
verifica-se que a lei indicará, expressamente, quais são, geralmente por
meio da expressão "somente se procede mediante queixa". É o que ocorre,
em regra, com os crimes contra a honra, face o quanto disposto no art. 145 ,
caput, do Código Penal . De mais a mais, mesmo na hipótese de crimes de
ação penal pública, não se pode perder de vista o cabimento da ação penal
privada subsidiária da pública. Afinal, de acordo com a própria Constituição
Federal (art. 5°, LIX), será admitida ação privada nos crimes de ação pública,
se esta não for intentada no prazo legal.
HÁ EXCEÇÕES: “Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça,
no caso do inciso I do caput do art. 141 deste Código, e mediante
representação do ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem
como no caso do § 3o do art. 140 (injúria racial) deste Código.”
O prazo decadencial para o oferecimento da queixa-crime é de 6 MESES,
contados a partir da data do conhecimento da autoria do delito. O prazo
decadencial é fatal.
*Art 29: ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no
prazo legal.
A queixa será inepta quando faltarem seus requisitos essenciais, que
estão contidos no artigo 41 do CPP. Caso haja a ausência de um desses
requisitos, nasce uma hipótese de REJEIÇÃO da inaugural acusatória por
ser INEPTA, como se verá adiante.
A queixa-crime deve ser acompanhada pela PROCURAÇÃO dada ao
advogado (é diferente da procuração no processo cível pois, aqui, ela deve
conter, além da outorga de poderes, o resumo dos fatos).
- Eventuais irregularidades que porventura ocorram na procuração
considerar-se-ão sanadas se o querelante também assinar a queixa, já que
este estará ratificando tudo aquilo que consta da peça acusatória a partir do
momento em que assiná-la em conjunto com seu procurador.
- As irregularidades contidas na queixa-crime devem ser sanadas dentro do
prazo decadencial.
Pese embora oferecida pela vítima, a queixa pode ser aditada pelo
Ministério Público? SIM!
REJEIÇÃO da denúncia ou queixa: é o não recebimento da petição inicial
pelo juiz.
- As hipóteses de rejeição da denúncia/queixa estão elencadas no artigo
395 do CPP:
I) INÉPCIA da denúncia/queixa: a petição será inepta quando não preencher os
requisitos do artigo 41 do CPP;
II) Falta de de CONDIÇÃO DA AÇÃO: com base nessa hipótese, o juiz rejeitará
a inicial quando:
A) Não houver legitimidade do autor;
B) Faltar interesse de agir em razão da extinção da punibilidade;
C) Quando o pedido for juridicamente impossível em razão do fato ser atípico;
II-b) Falta de PRESSUPOSTO PROCESSUAL: para que a ação prossiga, é
necessário que o juiz tenha sido investido, tenha competência e seja
imparcial. Também é necessário que exista capacidade de ser parte e
capacidade postulatória. Além disso, não poder haver litispendência nem
coisa julgada.
III) Ausência da JUSTA CAUSA: justa causa significa que a acusação está
embasada em um conjunto probatório, ainda que mínimo; a ausência de lastro
probatório implicará na ausência de justa causa.
RECEBIMENTO da denúncia/queixa: é ato decisório. Por esse motivo,
deve ser motivado (minimamente). Com o recebimento da denúncia,
inaugura-se a fase processual, o acusado passa a ser RÉU e a prescrição
é interrompida.
*Não se admite recebimento parcial da denúncia/queixa.
Contra a decisão que REJEITA a inicial, cabe Recurso Em Sentido
Estrito (RESE).
Contra a decisão que RECEBE a inicial, em tese, não cabe recurso. É
cabível, no entanto, a impetração de HABEAS CORPUS.

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