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Prévia do material em texto

Ação Penal Pública e Privada
Direito Processual 
Penal
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
ELLEN THAYNNÁ MARA DELGADO BRANDÃO
 MILENA BARBOSA DE MELO
AUTORIA
Ellen Thaynná Mara Delgado Brandão
Eu, Ellen, tenho graduação em Direito pela Unifacisa – Universidade 
de Ciências Sociais Aplicadas e pós-graduanda em Docência do Ensino 
Superior. Atualmente sou professora conteudista e elaboradora de 
cadernos de questões. Como jurista, atuo nas áreas de Direito Penal, 
Direito do Trabalho e Direito do Consumidor.
Milena Barbosa de Melo
Eu, Milena, tenho graduação em Direito pela Universidade Estadual 
da Paraíba (2004). Doutora em Direito Internacional pela Universidade de 
Coimbra. Mestre e Especialista em Direito Comunitário pela Universidade 
de Coimbra. Atualmente, sou professora universitária e conteudista. 
Como jurista, atuo, principalmente, nas seguintes áreas: Direito à 
Saúde, Direito Internacional público e privado, Jurisdição Internacional, 
Direito Empresarial, Direito do Desenvolvimento, Direito da Propriedade 
Intelectual e Direito Digital.
Desse modo, fomos convidadas pela Editora Telesapiens a integrar 
seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em poder 
ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Ação Penal: Conceito, Espécies e Condições.................................. 12
Direito de Ação .................................................................................................................................. 12
Espécies de Ação Penal ............................................................................................................. 14
Condições da Ação Penal ......................................................................................................... 15
Condições Genéricas da Ação ........................................................................... 16
Condições Específicas da Ação Penal ......................................................... 20
Ação Penal Pública .....................................................................................22
Princípios da Ação Penal Pública ........................................................................................22
Ação Penal Pública Incondicionada ..................................................................................23
Ação Penal Pública Condicionada ......................................................................................25
Retratação da Representação ............................................................................29
Requisição do Ministro da Justiça ...................................................................29
Ação Penal Privada .....................................................................................32
Princípios da Ação Penal Privada ........................................................................................32
Ação Penal Exclusivamente Privada .................................................................................35
Ação Penal Privada Personalíssima ...................................................................................35
Ação Penal Subsidiária da Pública .................................................................................... 36
Extinção da Punibilidade e Ação Penal de Iniciativa Privada......................... 39
Decadência .................................................................................................................... 39
Renúncia ............................................................................................................................ 40
Perdão do Ofendido ................................................................................................. 41
Perempção ...................................................................................................................... 41
Peça Acusatória ...........................................................................................44
Espécies de Peça Acusatória .................................................................................................44
Requisitos da Peça Acusatória .............................................................................................45
A Exposição do Fato Criminoso e as suas Circunstâncias ............ 46
Qualificação do Acusado ......................................................................................47
Classificação do Crime ............................................................................................ 48
Rol de Testemunhas.................................................................................................. 48
Endereçamento da Peça Acusatória ........................................................... 50
Redação em Vernáculo .......................................................................................... 50
Razões de Convicção ou Presunção da Delinquência .................. 50
Peça Acusatória Subscrita pelo Ministério Público ou pelo 
Advogado do Querelante ..................................................................................... 51
Procuração da Queixa-crime e Recolhimento de Custas ..............52
Prazo para Oferecimento da Peça Acusatória ...........................................................52
9
UNIDADE
03
Direito Processual Penal
10
INTRODUÇÃO
Sabemos o quanto a ação penal está presente no dia a dia. Vemos 
em jornais, as pessoas sendo condenadas, escutamos na rua falar em 
processo penal, mas em que consiste a ação penal?
Esta unidade será dedicada ao estudo da ação penal, trazendo 
suas espécies e as condições desta ação penal. Posteriormente, após 
sabermos que o vem a ser a ação penal, estudaremos seus tipos e 
subdivisões, detalhando quando é cabível cada tipo de ação.
Por fim, estudaremos como vem a ser a peça acusatória, quais os 
requisitos que devem conter para que seja aceita pelo juízo e qual o prazo 
para ela ser impetrada em juízo. Empolgados com este estudo? Vamos lá!
Direito Processual Penal
11
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3 – Ação Penal. Nosso 
objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
1. Entender o que vem a ser ação penal.
2. Compreender a ação penal pública.
3. Assimilar os termos da ação penal privada. 
4. Desenvolver a peça acusatória.
Então? Preparado para adquirir conhecimento de um assunto 
fascinante e inovador como este? Vamos lá!
Direito Processual Penal
12
Ação Penal: Conceito, Espécies e 
Condições
OBJETIVO:
Neste capítulo, estudaremos sobre o que vem a ser a 
ação penal, tratando das suas características, quais são 
suasespécies e, por fim, estudando quais as condições 
genéricas e específicas para que haja ação. Vamos lá! 
Direito de Ação
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, XXXV, garante como 
direito fundamental o acesso ao Poder Judiciário, assegurando a todas as 
pessoas a possibilidade de reclamar do juiz a prestação jurisdicional. Toda 
vez que se sentir ofendido ou ameaçado.
É importante separar o direito de ação com a ação propriamente 
dita. Lima (2019) diz que o direito de ação é o direito de se exigir do Estado 
o exercício da jurisdição. Já a ação é o ato jurídico, ou mesmo a iniciativa 
de se ir à justiça, em busca do direito, com efetiva prestação da tutela 
jurisdicional, funcionando como forma de se provocar o Estado a prestar 
a tutela jurisdicional.
No que diz respeito à legislação, encontramos respaldo para a ação 
penal no Código Penal (arts. 100 a 106) e no Código de Processo Penal 
(arts. 24 a 62).
Mas de maneira formal, como podemos conceituar ação penal?
Nucci (2011) diz que ação penal é o direito do Estado-acusação ou 
do ofendido de ingressar em juízo, solicitando a prestação jurisdicional, 
representada pela aplicação das normas de Direito Penal, ao caso. Desta 
forma, é por meio da ação penal que o Estado consegue realizar a sua 
pretensão de punir o infrator.
Direito Processual Penal
13
No que se refere à natureza jurídica da ação penal, Lopes Júnior 
(2019) diz que a ação é considerada um direito público autônomo e 
abstrato. É considerada pública por se estabelecer entre o particular e 
o Estado, para realização do Direito Penal; é autônoma e abstrata, pois 
independe da relação jurídica de direito material.
Todos têm direito a ação penal, sendo suas principais características, 
de acordo com Lima (2019):
 • Direito subjetivo – O titular do direito de ação penal pode exigir 
do Estado-Juiz a prestação jurisdicional, relacionada a um caso 
concreto.
 • Direito autônomo – O direito de ação penal não se confunde com 
o direito material que se pretende tutelar.
 • Direito abstrato – O direito de ação existe e será exercida mesmo 
nas hipóteses em que o juiz julgar improcedente o pedido de 
condenação do acusado, ou seja, o direito de ação independe da 
procedência ou improcedência da pretensão acusatória.
 • Direito determinado – O direito de ação é, instrumentalmente, 
conexo a um fato concreto, já que pretende solucionar uma 
pretensão de direito material.
 • Direito específico – O direito de ação penal apresenta um 
conteúdo, que é o objeto da imputação, ou seja, é o fato delituoso 
cuja prática é atribuída ao acusado.
Visto o conceito e as características da ação penal, vendo sua 
importância como direito fundamental, cuidaremos de estudar sobre suas 
espécies e condições.
Direito Processual Penal
14
Espécies de Ação Penal
Nucci (2011) aponta que a classificação mais comum das ações 
penais é com base na titularidade do seu exercício. O art. 100 do Código 
Penal estabelece que a regra é a ação penal ser pública, e a exceção é ela 
ser privada do ofendido, quando a lei expressamente indicar.
O mesmo art. 100 do Código Penal, também estabelece a subdivisão 
das ações públicas, constando que é promovida pelo Ministério Público, 
independentemente, de qualquer autorização da parte do ofendido ou de 
outro órgão estatal, e que também pode ser promovida pelo Ministério 
Público, caso haja autorização do ofendido ou do Ministro da Justiça. 
No que se refere à ação privada, é promovida mediante queixa do 
ofendido ou de quem tenha qualidade para representá-lo. Também pode 
intentar-se ação de iniciativa privada nos crimes de ação pública, se o 
Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo legal.
Em suma, podemos resumir, no seguinte diagrama 
Figura 1, nomeando todas as subdivisões das ações:
Incondicionada - Quando proposta, sem 
necessidade de representação ou requisição.
Condicionada - Quando dependente da 
representação do ofendido ou de requisição do 
Ministro da Justiça.
AÇÃO PENAL 
PÚBLICA
Exclusiva - Quando a vítima ou seu representante legal 
exerce diretamente tal ação.
Personalíssima - Quando só pode ser proposta pela 
própria vítima.
Subsidiária da pública - Quando o Ministério Público fica 
inerte, não oferecendo a denúncia no prazo.
AÇÃO PENAL 
PRIVADA
Fonte: Elaborado pelas autoras (2020).
Estas subdivisões serão estudadas mais adiante.
Direito Processual Penal
15
IMPORTANTE:
Nos termos do art. 100, §2º do Código Penal, quando a ação 
é proposta pelo Ministério Público ela recebe o nome de 
denúncia, todavia, quando se tratar de ação penal privada, 
sendo proposta pelo ofendido, recebe o nome de queixa.
Mas de que maneira se dá o início da ação penal?
O art. 24 do CPP diz que nos crimes de ação pública, a ação 
penal será promovida por denúncia. Desta forma, tendo em vista que 
a palavra promover quer dizer originar, acredita-se que o início da 
ação penal aconteça pelo oferecimento da denúncia ou da queixa, 
independentemente do recebimento pelo juiz.
Existem confusão entre o início da ação penal e seu regular 
exercício. Nucci (2011) aponta que ao receber a denúncia ou queixa, o 
juiz nada mais faz do que reconhecer a regularidade do exercício desse 
direito, podendo-se, então, buscar, por meio da dilação probatória, a 
decisão de mérito.
Condições da Ação Penal
No que diz respeito ao direito de ação, o Código de Processo Civil 
adotou, de maneira expressa, a concepção eclética, segundo a qual, 
de acordo com Lima (2019), o direito de ação é o direito ao julgamento 
do mérito da causa, que fica condicionado ao preenchimento de certas 
condições, sendo chamadas de condições da ação.
Mas de que se trata esta concepção eclética?
Lima (2019) aponta que a chamada teoria eclética determina que 
a existência do direito de ação não depende da existência do direito 
material, mas do preenchimento de certos requisitos formais, chamados 
de condições da ação. Esta concepção diz que as condições da ação não 
devem ser confundidas com o mérito, mesmo que sejam aferidas à luz 
da relação jurídica de direito material, discutida no processo e que, de 
Direito Processual Penal
16
acordo com o art. 485, VI do Código de Processo Civil, sejam analisadas 
preliminarmente e, quando ausentes, geram uma sentença terminativa de 
carência de ação, não tendo, desta forma, coisa julgada material, o que 
em tese, permite que a demanda seja renovada, todavia, devendo o vício 
ser corrigido. 
“No processo penal, a presença destas condições da ação deve 
ser analisada por ocasião do juízo de admissibilidade da peça acusatória” 
(LIMA, 2019, p.216). Nesse sentido, o art. 395, II do Código de Processo Penal 
diz que a denúncia ou queixa será rejeitada quando faltar pressuposto 
processual ou condição para o exercício da ação penal. Todavia, se isso 
não ocorrer no juízo de admissibilidade da peça acusatória, a nulidade 
absoluta do processo pode ser reconhecida em qualquer instância, com 
fundamento no art. 564, II, do CPP.
IMPORTANTE:
O conteúdo da denúncia ou da queixa é uma imputação, 
assim, para que o juiz possa colher provas e decidir sobre 
ela, é indispensável a análise, de maneira prévia dos 
requisitos para o ajuizamento da ação penal.
Lima (2019) divide as condições da ação em condições genéricas 
que são aquelas que deverão estar presentes em toda e qualquer ação 
penal; e condições específicas, em que a presença será necessária apenas 
em relação a determinadas infrações penais, previstas em lei.
Condições Genéricas da Ação
No que diz respeito às condições genéricas da ação, que como já 
mencionado são as condições que devem estar presentes em todas as 
ações, podemos elencar:
 • Possibilidade jurídica do pedido.
Esta primeira condição, de acordo com Nucci (2011), significa que o 
Estado em tese tem a possibilidade de obter a condenação do réu, motivo 
pelo qual se diz que é indispensável que a imputação diga respeito a um 
fato, consideradocriminoso.
Direito Processual Penal
17
Desta forma, a imputação deve ser considerada um fato típico, 
antijurídico e culpável, isto é, o fato deve está descrito abstratamente 
na lei como infração penal, que contrarie o ordenamento jurídico e que 
a conduta possibilite atribuição de valor reprovável à conduta típica e 
antijurídica.
IMPORTANTE:
Se logo de início o juiz já visualizar que não há nenhum 
destes elementos (fato típico, ilícito e culpável), ele deve 
rejeitar a peça acusatória.
É imprescindível existir norma jurídica que defina a conduta imputada 
ao acusado como infração penal. Assim, esta condição da ação não 
deve ser confundida com seu mérito, pois a apreciação da possibilidade 
jurídica do pedido deve ser feita sobre a causa de pedir, que em tese é 
desvinculada de qualquer prova que exista. Assim, deve ser analisado o 
caso sem que haja discussão (ainda) de se é ou não verdadeiro, para que 
possa se concluir se há no ordenamento alguma sanção.
Lima (2019) traz como exemplos de impossibilidade jurídica do 
pedido, que autoriza a rejeição da peça acusatória com fundamento no 
art. 395, II, do CPP, ou se for recebida, e que pode ser trancada por meio 
de habeas corpus:
1. Oferecimento de denúncia ou queixa com a imputação de conduta 
atípica.
2. Peça acusatória oferecida a despeito da presença de um fato 
impeditivo do exercício da ação.
3. Peça acusatória oferecida sem o implemento de condição 
específica da ação penal.
4. Denúncia oferecida em face de menor de dezoito anos, a ele 
imputando a prática de crime e, por isso, requerendo a imposição 
de pena privativa de liberdade.
Direito Processual Penal
18
NOTA:
O art. 395, II, do CPP diz que a denúncia ou queixa será 
rejeitada quando faltar pressuposto processual ou condição 
para o exercício da ação penal. 
 • Interesse de agir
O interesse de agir na ação penal é detectado, quando o órgão 
acusador houver, de acordo com Nucci (2011):
1. Necessidade – Deve haver esta necessidade de existência do 
devido processo legal para existir condenação e, consequente, 
submissão de alguém à sanção penal que é condição para toda 
ação penal.
2. Adequação – O órgão acusatório deve promover a ação penal, nos 
moldes do Código de Processo Penal, bem como com suporte em 
prova pré-constituída. Sem respeito a estes elementos, mesmo 
que a narrativa da denúncia ou queixa seja juridicamente possível, 
não haverá interesse de agir, tendo em vista ter sido desrespeitado 
a adequação.
3. Utilidade – A ação penal deve ser útil para a realização da pretensão 
punitiva do Estado. Como pode ser citado a ocorrência de causa 
extintiva da punibilidade, em que o processo deixa de interessar 
o Estado, pois não ter mais pretensão de punir o autor da infração 
penal.
 • Legitimidade da parte
A legitimidade é o que se pode chamar de pertinência subjetiva 
para a demanda.
Após a ação penal ser ingressada em juízo, o juiz deve certificar-se 
da legitimidade das partes, tanto ativa quanto passiva. Devendo, inclusive, 
verificar a legitimidade para a causa e a legitimidade para o processo.
Direito Processual Penal
19
Nucci (2011) aponta que a legitimidade para a causa, no polo ativo, 
deve figurar o titular da ação penal. Ministério Público, nos casos de ação 
penal pública ou o ofendido e nos casos de ação penal privada, podendo 
ser representado ou sucedido por outra pessoa, de acordo com a lei.
IMPORTANTE:
É importante lembrar que o sujeito ativo do crime (o infrator) 
será, no processo penal, o sujeito passivo na relação 
processual.
No polo passivo figura, desta forma, a pessoa contra a qual pesa a 
imputação delituosa.
Quanto à legitimidade para o processo, no polo ativo, encontra-se o 
membro do Ministério Público que tem atribuição ou o ofendido, devendo 
ser representado pelo seu advogado.
NOTA:
 Importante salientar que a pessoa jurídica pode figurar no 
polo ativo do processo penal, de acordo com o art. 37 do 
CPP. Podendo de acordo com o STF, figurar também no 
polo passivo de ação penal por crime ambiental. 
 • Justa causa
Mesmo a doutrina dividindo-se sobre a justa causa ser condição 
da ação, é nítido que ao ser elencada, em um inciso do CPP, ela é de 
vital importância. O art. 395, III, do CPP diz que a denúncia ou queixa será 
rejeitada, quando faltar justa causa para o exercício da ação penal.
Desta forma, faltar justa causa significa não haver alguma das 
condições para o exercício da ação.
Direito Processual Penal
20
Condições Específicas da Ação Penal
Existem ações penais que necessitam de outras condições para 
seu prosseguimento. Por exemplo, as ações públicas condicionadas que 
dependem de certos requisitos, assim sendo, para que o Ministério Público 
possa oferecer a denúncia nesse caso, ele necessita da representação do 
ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça.
As condições específicas, também, devem ser analisadas pelo juízo 
de admissibilidade. Caso não seja detectado a ausência destas condições 
por tal juízo, pode o juiz anular o processo, com fundamento no art. 564, 
III, a, do CPP, sendo aplicado por analogia.
Além do exemplo acima, podemos citar como condições específicas 
da ação penal, de acordo com Lima (2019):
 • Provas novas, quando o inquérito policial tiver sido arquivado, 
com base na ausência de elementos probatórios. Assim, caso o 
inquérito tenha sido arquivado, por falta de elementos probatórios, 
o surgimento de provas novas, capazes de alterar o contexto 
probatório, no qual foi proferida a decisão de arquivamento, 
funciona como condição específica da ação penal, tendo em vista 
que sem elas o processo não poderá ter início.
 • Provas novas, após a preclusão de impronúncia, em se tratando 
de crimes dolosos contra a vida. Enquanto não ocorrer a extinção 
da punibilidade, poderá ser formulada nova denúncia ou queixa, 
se houver prova nova.
 • Laudo pericial nos crimes contra a propriedade imaterial. O art. 
535 do CPP diz que se o crime tiver deixado vestígio, a queixa ou 
a denúncia não será recebida se não for instruída com o exame 
pericial dos objetos que constituam o corpo de delito.
Citamos alguns exemplos de condições especiais que são aplicados 
a crimes específicos. 
Direito Processual Penal
21
RESUMINDO:
Estudamos nesse capítulo que a ação penal é o direito do 
Estado-acusação ou do ofendido de ingressar em juízo, 
solicitando a prestação jurisdicional, representada pela 
aplicação das normas de Direito Penal ao caso. Desta 
forma, é por meio da ação penal que o Estado consegue 
realizar a sua pretensão de punir o infrator. Todos têm 
direito à ação penal, sendo suas principais características: 
direito subjetivo, direito autônomo, direito abstrato, direito 
determinado e direito específico. No que diz respeito à 
ação penal, vimos que ela pode ser pública ou privada e 
que as condições da ação se dividem em genéricas, que 
devem ser aplicadas em todas as ações (possibilidade 
jurídica do pedido, interesse de agir, legitimidade da parte 
e justa causa); e, em específicas, estudando os exemplos. 
Vimos que estas condições são analisadas pelo juízo de 
admissibilidade, mas que o juiz ao constatar, pode anular 
o processo. 
Direito Processual Penal
22
Ação Penal Pública
OBJETIVO:
Sabemos que existe ação penal pública e privada e, nesse 
capítulo, entenderemos a ação penal pública, estudando 
seus princípios e sua subdivisão. Preparados? Vamos lá!
Princípios da Ação Penal Pública
Antes de tratarmos de como vem a ser a ação pública, é necessário 
conhecermos os princípios da ação penal pública. São eles, de acordo 
com Lima (2019):
 • Princípio do ne procedat iudex ex officio – Sendo o sistema 
acusatório o dado para o processo penal; ao juiz não é dado iniciar 
um processo de ofício.
 • Princípio do ne bis in idem – Garante que ninguém pode ser 
processado duas vezes pela mesma imputação. Esse princípio 
encontra-se na Convenção Americana sobre Direitos Humanos.
 •Princípio da intranscendência – A ação penal pública só pode ser 
proposta em relação ao provável autor do delito.
 • Princípio da obrigatoriedade – Quando estão presentes as condições 
da ação penal, para que haja a deflagração de um processo 
criminal, o Ministério Público é obrigado a oferecer denúncia. Sendo 
exceção, a esse princípio, de acordo com Lima (2019): transação 
penal, acordo de leniência, termo de ajustamento de conduta, 
parcelamento do débito tributário, colaboração premiada na Lei das 
Organizações e acordo de não persecução penal.
 • Princípio da indisponibilidade – O Ministério Público não pode 
desistir da ação penal pública, nem do recurso que tiver interposto. 
Importante ressaltar que não significa que o Ministério Público não 
possa pedir a absolvição do acusado. A exceção a esse princípio é 
a suspensão condicional do processo.
Direito Processual Penal
23
 • Princípio da (in)divisibilidade – Parte da doutrina entende que na 
ação penal vigora o princípio da indivisibilidade que garante se 
houver lastro probatório contra todos os coautores e partícipes, 
o Ministério Público é obrigado a oferecer denúncia contra todos. 
Todavia, a parte majoritária da doutrina acredita vigor o princípio da 
divisibilidade, significando que o Ministério Público pode oferecer a 
denúncia contra certos agentes, sem prejuízo do aprofundamento 
das investigações quanto aos demais envolvidos.
 • Princípio da oficialidade – O princípio diz que a legitimidade para a 
persecução penal recai sobre órgãos do Estado, seja na fase pré-
processual ou na fase processual.
 • Princípio da autoritariedade – Garante que o órgão responsável 
pela persecução criminal é autoridade pública, seja na fase pré-
processual, quanto na fase processual.
 • Princípio da oficiosidade – O princípio diz que nos crimes de 
ação penal pública incondicionada, as autoridades estatais são 
obrigadas a agir de ofício, independentemente, de provocação do 
ofendido ou de terceiros.
Após estudarmos os princípios, estudaremos agora sobre a 
ação penal pública. No capítulo anterior, citamos que a ação pública é 
subdividida em incondicionada e condicionada. Vejamos cada uma delas.
Ação Penal Pública Incondicionada
Para que possamos conceituar ação penal pública incondicionada, 
devemos observar o que Lima (2019) diz:
Se a pena deixou de ser um mero instrumento de 
restabelecimento da ordem jurídica violada pelo autor do 
fato delituoso e passou a ser um instrumento dissuasório 
da prática de infrações penais, nada mais natural do que 
o exercício da ação penal também deixasse de ser um 
direito exclusivo do ofendido e passasse a ser, em regra, 
um direito público, a ser exercido pelo próprio Estado. 
(LIMA, 2019, p.260)
Direito Processual Penal
24
Nos termos do art. 129, I, da Constituição Federal de 1988, o titular 
da ação penal pública incondicionada é o Ministério Público, sendo sua 
peça inaugural a denúncia.
Mas por que esta ação é denominada de pública incondicionada? 
Isso se deve ao fato de que a atuação do Ministério Público 
independe da manifestação da vontade da vítima ou de qualquer outra 
pessoa. Desta forma, ao verificar a presença das condições da ação para 
a propositura da denúncia, a atuação do Parquet dispensa o implemento 
de qualquer condição. 
NOTA:
Muito se lerá a palavra Parquet, pois ela é muito utilizada 
pelos juristas. Seu significado, segundo Gonçalves (2006) é 
de que é um termo jurídico muito empregado, em petições, 
como sinônimo de Ministério Público ou de algum dos seus 
membros. 
A ação penal pública incondicionada é a regra no nosso ordenamento 
jurídico, nos termos do art. 100 do CP. A ação penal é pública, salvo quando 
a lei expressamente declara a privativa do ofendido.
O Ministério Público tem o prazo de cinco dias para o oferecimento 
da denúncia, se o réu estiver preso e quinze dias se ele estiver solto, de 
acordo com o art. 46 do Código de Processo Penal. Todavia, ao contrário 
da ação penal de iniciativa privada, que seu prazo decadencial é de seis 
meses, a ação penal pública incondicionada pode ser proposta, enquanto 
não tiver ocorrido a extinção da punibilidade, sendo na prática a hipótese 
mais comum ser a prescrição.
Por ser a ação penal pública uma ação que tem grande interesse 
público na punição do autor do fato, assim qualquer pessoa do povo 
poderá provocar a atuação do Ministério Público, de acordo com o art. 27, 
do Código de Processo Penal.
Direito Processual Penal
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Ação Penal Pública Condicionada
Podemos chamar a ação penal de pública condicionada, quando 
a sua promoção pelo Ministério Público, dependa da representação do 
ofendido ou da requisição do Ministro da Justiça.
O termo pública condicionada significa que é pública por ser 
promovida pelo Ministério Público, e é condicionada devido ao fato do 
Parquet não poder promovê-la, sem que haja a representação do ofendido 
ou a requisição do Ministro da Justiça.
Quando o crime for de responsabilidade de ação penal pública 
condicionada, a própria lei dirá, vindo geralmente a expressão “somente 
se procede mediante representação.” 
IMPORTANTE:
Na ação penal pública condicionada, o Ministério Público 
não pode proceder contra alguém, sem que exista a 
autorização do ofendido ou a requisição do Ministro da 
Justiça. 
Podemos esquematizar da seguinte forma:
Figura 2 – Esquema da ação penal 
AÇÃO PENAL Representação 
do ofendido
Requisição do 
Ministro da 
Justiça
Pública
Incondicionada
Condicionada
Fonte: Elaborado pelas autoras (2020).
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Vendo esse contexto, vem a indagação: o que vem a ser 
representação?
De acordo com Lima (2019), representação é a manifestação do 
ofendido ou de seu representante legal no sentido de que tem interesse 
na persecução penal do autor do fato delituoso.
Como ocorre essa representação?
A jurisprudência diz que não há necessidade de grandes 
formalidades para a representação, bastando a manifestação da vítima ou 
de seu representante legal, sendo evidenciado a intenção de que o autor 
do fato delituoso seja processado criminalmente. Pode ser considerado 
como representação um mero boletim de ocorrência, declarações 
prestadas à polícia.
O art. 39 do CPP diz que o direito de representação poderá ser 
exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, 
mediante declaração escrita ou oral, feitas ao juiz, ao órgão do Ministério 
Público, ou à autoridade policial. A representação deverá conter todas as 
informações que possam servir à apuração do fato e da autoria.
Após oferecida e reduzida a termo a representação, a autoridade 
policial procederá a inquérito, ou se não for competente, remete-o a 
autoridade competente. 
Se a representação for feita ao juiz, ele terá duas opções:
 • De acordo com o art. 40 do CPP, o juiz, se com a representação 
observar que foram fornecidos elementos que possibilitem a 
apresentação da denúncia, deve abrir vistas ao Ministério Público.
 • De acordo com o art. 39, § 4º, se o juiz não encontrar elementos que 
possibilitem o oferecimento da denúncia com a representação, 
deve remetê-la à autoridade policial para que esta proceda a 
instauração de inquérito policial.
Direito Processual Penal
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IMPORTANTE:
Tendo em vista que o juiz deve ser imparcial, é importante 
o magistrado se abster de fazer qualquer análise de 
seu conteúdo, encaminhando-a de imediato ao órgão 
ministerial. 
No que se refere à legitimidade para o oferecimento da 
representação, o procurador, que o art. 39 do CPP traz em seu texto, não 
precisa ser necessariamente um advogado, todavia, a procuração deve 
conter os poderes especiais, fixando a responsabilidade do mandante e 
do mandatário.
Lima (2019) aponta que em regra, o titular da representação é o 
ofendido, mas existem situações que merecem atenção, como:
 • Ofendido com 18 anos de idade, que não seja mentalmente 
enfermo ou retardado mental – O art.5º do Código Civil diz que a 
menoridade cessa aos dezoito anos completos, ficando a pessoa 
habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Desta forma, 
estas pessoas têm capacidade plena para exercer o direito de 
representação. A Lei nº10792/03 diz que o indivíduo, a partir de 
dezoito anos, tem legitimidade para oferecer representação em 
crime de ação penal pública, condicionada à representação ou 
para oferecer queixa em infração penal de iniciativa privada.
 • Ofendido com menos de 18 anos, mentalmente enfermo ou 
retardado mental – Nesse caso, o direito de representação deve 
ser exercido por seu representante legal, sendo esse representante 
qualquer pessoa que de alguma forma seja responsável pelo 
menor, por exemplo, avós, pais, irmãos, entre outros.
 • Ofendido menor de 18 anos, mentalmente enfermo ou retardado 
mental, que não tenha representante legal, ou havendo colidência 
de interesses – O direito de representação nesse caso será exercido 
pelo curador especial, nomeado, de ofício ou a requerimento do 
Ministério Público, pelo juiz competente para o processo penal, 
de acordo com a interpretação extensiva do art. 33 do CPP. É 
importante salientar que esse curador não é obrigado a oferecer 
Direito Processual Penal
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representação ou queixa, cabendo a ele avaliar a conveniência e a 
oportunidade de agir, só fazendo se julgar oportuno aos interesses 
do menor, do mentalmente enfermo ou do retardado mental.
 • Pessoa jurídica – As fundações, associações ou sociedades 
legalmente constituídas poderão exercer seu direito de 
representação, devendo ser representadas por quem os 
respectivos contratos ou estatutos designarem ou, se neles não 
constarem, devem ser representadas pelos seus diretores ou 
sócios-gerentes, de acordo com interpretação extensiva do art. 37 
do CPP.
 • Ofendido maior de 16 e menor de 18 anos, casado – O art. 1517 
do Código Civil garante aos maiores de 16 anos o direito de casar 
com a autorização dos pais ou responsáveis, adquirindo assim 
a capacidade civil plena que não lhe garante a capacidade para 
oferecer representação ou queixa, assim, por não ter representante 
legal devido a emancipação, há duas possibilidades:
1. Nomear um curador nos termos do art. 33 do Código Penal.
2. Aguardar atingir os 18 anos, quando então poderá exercer 
seu direito de queixa ou representação. Aqui não se fala em 
decadência, devido ao fato do prazo decadencial não fluir para 
aquele que não pode exercer seu direito devido à incapacidade.
 • Morte da vítima – O art. 24, §1º do CPP garante a sucessão 
processual nos casos de representação, havendo uma ordem 
de preferência: cônjuge ou companheiro, ascendente, e assim, 
sucessivamente. 
IMPORTANTE:
A ação penal subsidiária da pública é quando o Ministério 
Público deixa de ingressar com a denúncia no prazo legal. 
Será estudada posteriormente.
Direito Processual Penal
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Qual seria o prazo decandencial para o oferecimento da 
representação e como ele ocorre?
O art. 38 do Código de Processo Penal diz que, salvo disposição 
em contrário, o ofendido ou seu representante legal terá seu direito de 
queixa ou de representação, decaído se não o exercer em seis meses, 
contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou no caso 
de ação penal subsidiária da pública o dia em que se esgotar o prazo para 
o oferecimento da denúncia. 
Retratação da Representação
Na representação vigora o princípio da oportunidade ou 
conveniência, no qual o ofendido ou seu representante legal pode optar ou 
não pelo oferecimento da representação. Desta forma, Lima (2019) diz que 
como desdobramento desta autonomia da vontade, há a possibilidade 
de retratação da representação, que só poderá ser feita, enquanto não 
oferecida a denúncia pelo órgão do Ministério Público.
Nesse sentido o art. 25 do CPP prevê que a representação será 
irretratável, depois de oferecida a denúncia. Desta forma, o ofendido ou 
seu representante legal já não pode mais se retratar.
Existe também a hipótese de retratação da retratação da 
representação que consiste no fato de, após se retratar de representação 
oferecida, o ofendido poderá oferecer nova representação no prazo 
decadencial de seis meses, contado do conhecimento da autoria.
Requisição do Ministro da Justiça
Muito falamos da representação, todavia, a ação condicionada 
também pode ser por meio de requisição do Ministro da Justiça. Nas ações 
condicionadas à requisição do Ministro da Justiça, se ela for oferecida sem 
essa requisição, o magistrado deverá, nos termos do art. 395, II do CPP, 
rejeitar a peça acusatória, pois estaria faltando em tal uma das condições 
específicas para o exercício da ação penal.
No que consiste esta requisição?
Direito Processual Penal
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Esta requisição é a manifestação da vontade do Ministro da Justiça, 
no sentido de que há interesse na persecução penal do autor do fato 
delituoso. Fundamenta-se em impedir o strepitus judicii ou strepitus 
processus, no sentido de se evitar que o processo penal cause mais 
prejuízos que o próprio delito, quer no sentido de se evitar inconvenientes 
políticos ou diplomáticos para o Brasil (LIMA, 2019).
DEFINIÇÃO:
Strepitus judicii ou strepitus processus é uma expressão 
latina que significa o comentário de fatos íntimos de 
alguém, debatidos no processo.
Não é comum no processo penal, a exigência da requisição do 
Ministro da Justiça, podemos citar algumas hipóteses em que isso ocorre:
 • Art. 7º, § 3º, b, do Código Penal – Crime cometido por estrangeiro 
contra brasileiro fora do Brasil.
 • Art. 141, I, c/c art. 145, parágrafo único – Crimes contra a honra 
cometidos contra o Presidente da República ou chefe de governo 
estrangeiro.
Assim como no caso de requerimento do ofendido ou de seu 
representante legal, a requisição do Ministério da Justiça funciona 
somente como mera autorização para o procedimento da ação, devendo 
o Ministério Público formar sua opinião, verificando se os elementos 
constantes na requisição autorizam o oferecimento da denúncia.
Lima (2019) salienta que diferentemente da representação, que tem 
o prazo decadencial de seis meses, sendo contado do conhecimento da 
autoria, a lei silenciou acerca do prazo da requisição. Entende-se, assim, 
que a requisição não está sujeita a prazo decadencial, podendo ser 
oferecida a qualquer tempo, desde que não tenha havido a extinção da 
punibilidade, devido à prescrição.
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RESUMINDO:
Estudamos nesse capítulo os princípios referentes a ação 
penal pública, sendo eles: ne procedat iudex ex officio, ne bis in 
idem, intranscendência, obrigatoriedade, indisponibilidade, 
(in)divisibilidade, oficialidade, autoritariedade e oficiosidade. 
Em seguida, vimos que a ação penal pública pode ser 
incondicionada, sendo essa a regra das ações penais, e 
que seu titular é o Ministério Público, que tem o prazo de 
cinco dias para o oferecimento da denúncia, se o réu estiver 
preso, e quinze dias, se ele estiver solto, de acordo com o 
art. 46 do Código de Processo Penal. 
Vimos que existe também a ação penal pública condicionada, 
seja ela a representação do ofendido ou da requisição do Ministro da 
Justiça. Na ação penal pública condicionada, o Ministério Público não 
pode proceder contra alguém sem que exista a autorização do ofendido 
ou a requisição do Ministro da Justiça. De acordo com Lima (2019), 
representação é a manifestação do ofendido ou de seu representante 
legal no sentido de que há interesse na persecução penal do autor do 
fato delituoso. Estudamos sobre as situações que merecem atenção 
no que se refere à representação e, por fim, como ocorre a requisição 
do Ministro da Justiça, sendo a manifestação da vontade do Ministro da 
Justiça, no sentido de que tem interesse na persecução penal do autor 
do fato delituoso. Fundamenta-se em evitar o strepitus judicii ou strepitus 
processus, que no sentido de se impedir queo processo penal cause mais 
prejuízos que o próprio delito, quer no sentido de se evitar inconvenientes 
políticos ou diplomáticos para o Brasil.
Direito Processual Penal
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Ação Penal Privada
OBJETIVO:
Estudaremos neste capítulo a ação penal privada, vendo 
quais suas hipóteses de cabimento, seus princípios e seus 
tipos. Por fim, estudaremos as hipóteses de extinção da 
punibilidade da ação privada. Vamos lá!
Princípios da Ação Penal Privada
Quando a lei não mencionar, já sabemos que a ação será de natureza 
pública, todavia, há situações em que o Estado transfere a titularidade 
para à vítima ou ao seu representante legal. De acordo com Lima (2019), 
os fundamentos que levam o legislador a dispor que determinado delito 
depende de queixa-crime do ofendido ou de seu representante legal são:
1. Há certos crimes que afetam imediatamente o interesse da vítima 
e mediatamente o interesse geral.
2. A depender do caso concreto, é possível que o escândalo, 
causado pela instauração do processo criminal, venha a causar 
maiores danos à vítima do que a própria impunidade do criminoso.
3. Geralmente, nestes crimes a produção da prova depende quase 
que exclusivamente da colaboração do ofendido, por esse motivo 
o Estado, apesar de continuar sendo o detentor do jus puniendi, 
concede ao ofendido ou ao seu representante legal a titularidade 
da ação penal.
O crime será de ação penal privada quando constar na lei de 
maneira expressa “somente se procede mediante queixa”. É importante 
ressaltar que o ajuizamento da ação penal privada deve ser feito por meio 
de um advogado habilitado na Ordem dos Advogados do Brasil, que 
tenha capacidade postulatória.
Direito Processual Penal
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IMPORTANTE:
Na ação penal de iniciativa privada, o autor da demanda é 
chamado de querelante e o acusado, de querelado. 
Assim como estudamos da ação penal pública, devemos estudar 
os princípios norteadores da ação penal privada, que de acordo com Lima 
(2019), são:
 • Princípio do ne procedat iudex ex officio – Sendo o sistema 
acusatório o dado para o processo penal; ao juiz não é dado iniciar 
um processo de ofício.
 • Princípio do ne bis in idem – Garante que ninguém pode ser 
processado duas vezes pela mesma imputação. Esse princípio 
encontra-se previsão na Convenção Americana sobre Direitos 
Humanos.
 • Princípio da intranscendência – A ação penal de iniciativa privada 
só pode ser proposta em relação ao provável autor do delito.
 • Princípio da oportunidade ou da conveniência – Devido a critérios 
próprios do ofendido de oportunidade e conveniência, ele pode 
optar pelo oferecimento ou não oferecimento da queixa-crime. Se 
ele não pretender exercer seu direito, pode permanecer inerte, 
durante o prazo decadencial ou renunciar de forma expressa 
ou tácita ao direito de queixa, situações que irão extinguir a 
punibilidade em relação aos crimes de ação penal, exclusivamente 
privada e de ação penal personalíssima, de acordo com o art. 107, 
IV e V, do Código Penal.
 • Princípio da disponibilidade – Tendo em vista o princípio da 
oportunidade e conveniência, o ofendido poderá dispor do 
processo penal em andamento. As formas de disposição são, de 
acordo com Nucci (2011):
Direito Processual Penal
34
1. Perdão do ofendido - Sua natureza jurídica é de causa extintiva de 
punibilidade nos crimes de ação penal, exclusivamente, privada 
ou personalíssima, todavia, depende da aceitação do querelado.
2. Perempção - Consiste na perda do direito de prosseguir com o 
exercício da ação penal, exclusivamente privada ou personalíssima, 
em virtude da falta de atenção do querelante, com a consequente 
extinção da punibilidade.
3. Conciliação e assinatura de termo de desistência - No procedimento 
dos crimes contra a honra de competência do juiz singular, nos 
moldes do art. 522, do CPP.
 • Princípio da indivisibilidade – Como se sabe, o ofendido só agirá 
se quiser, não sendo obrigado. Se decidir agir, ele é obrigado a 
exercer esse direito em relação a todos os coautores e partícipes 
do fato delituoso. O art. 48 do CPP dispõe que o processo de um 
obriga ao processo de todos e, o art. 49 traz, como consequência, 
o fato da renúncia ao exercício do direito de queixa em relação a 
um dos autores do delito estende-se aos demais. Assim como, o 
perdão concedido a um dos querelados aproveita a todos, salvo 
se um deles não aceitar, de acordo com o art. 51 do CPP. Quem 
fiscaliza a aplicação desse princípio é o Ministério Público, órgão 
que também ao notar omissão involuntária do querelante com 
relação a algum dos autores do delito, deve instalar o querelante 
a aditar a queixa para incluir os demais envolvidos.
 • Princípio da oficialidade – A legitimidade para a persecução penal 
recai sobre órgãos do Estado na fase pré-processual.
 • Princípio da autoritariedade – O órgão responsável pela persecução 
criminal é autoridade pública na fase pré-processual.
Após estudarmos o que vem a ser ação penal privada e seus 
princípios, estudaremos sua subdivisão: exclusivamente privada, 
personalíssima e subsidiária da pública.
Direito Processual Penal
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Ação Penal Exclusivamente Privada
A ação penal exclusivamente privada é a regra no que tange 
às ações penais de iniciativa privada, se diferente da ação privada 
personalíssima (que será estudada mais adiante), por não ser cabível a 
sucessão processual, na personalíssima.
O art. 31 do CPP diz que, se houver morte ou declaração de ausência 
do ofendido, o direito de queixa será transmitido aos sucessores. 
EXEMPLO: 
A prática de um crime contra a honra (que é em regra de ação penal, 
exclusivamente privada), ocorrendo a morte do ofendido, o cônjuge ou 
companheiro, o ascendente, o descendente ou o irmão, terão o direito de 
oferecer queixa-crime ou de prosseguir na ação. 
Ação Penal Privada Personalíssima
A ação penal privada personalíssima só pode ser exercida pelo 
ofendido. A regra é clara com relação ao autor do delito, em que o art. 107, I, 
do Código Penal diz que se esse morrer, haverá a extinção da punibilidade. 
Desta forma, na ação privada personalíssima, a morte da vítima também 
irá produzir a extinção da punibilidade. Mas por que acontece isso?
Lima (2019) diz que como já mencionado, na ação penal privada 
personalíssima não é cabível a sucessão processual, com a transmissão 
do direito de queixa aos sucessores se o ofendido morrer. Assim, deverá 
ser reconhecida a extinção da punibilidade, seja pela decadência no caso 
da ação penal ainda não tiver sido exercida, seja pela perempção, se o 
processo já estiver em andamento, já que ninguém é dado promover a 
ação ou prosseguir no processo que estava em curso.
IMPORTANTE:
Se a vítima do delito for menor que 18 anos, ela deverá 
esperar atingir os 18 anos para que possa exercer seu 
direito de queixa. 
Direito Processual Penal
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O Código Penal traz em seu art. 236, o crime de induzimento a erro 
essencial e ocultação de impedimento ao casamento, que diz que a ação 
penal depende de queixa do contraente enganado, sendo assim, um 
crime de ação penal privada personalíssima.
Ação Penal Subsidiária da Pública
A Constituição Federal em seu art. 5º, LIX, dispõe que será admitida 
ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no 
prazo legal. Além da Constituição Federal, o Código Penal em seu art. 100, 
§3º e o Código de Processo Penal no art. 29 preveem a ação penal privada 
subsidiária da pública.
Como funciona esta ação?
Sabe-se que o titular da ação penal pública é o Ministério Público, 
todavia, se esse permanecer inerte, o ofendido terá legitimidade ad 
causam de forma supletiva para o exercício da ação penal. Assim, caso 
o Ministério Pública permaneça inerte, surgirá para o ofendido, ou seu 
representante legal, ou ainda seus sucessores, o direito de ação penal 
subsidiária da pública.
O que caracteriza a inércia do Ministério Público?
Quando o órgão ministerial não oferecerdenúncia, não requisitar 
diligências, não requerer o arquivamento ou declinação de competência, 
não suscitar conflito de competência, considera-se que ele se encontra 
inerte com relação ao processo em que o ofendido deseja que o ofensor 
seja julgado.
NOTA:
Nucci (2011) aponta que a ação subsidiária da pública é 
de uso, raríssimo, no cotidiano forense porque a vítima, 
dificilmente, acompanha o desenrolar do inquérito por 
meio de seu advogado.
Direito Processual Penal
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É importante deixar claro que o pedido de arquivamento do inquérito 
policial pelo Parquet, não é causa de inércia do órgão ministerial, pois só 
se caracteriza desídia do órgão, a ausência de qualquer manifestação no 
prazo previsto em lei para o oferecimento da peça acusatória, o pedido de 
arquivamento do inquérito é uma manifestação do órgão.
O art. 29 do Código de Processo Penal diz que havendo inércia 
do Parquet, enquanto o ofendido não oferecer a queixa subsidiária, o 
Ministério Público continua podendo propor a ação penal pública, e 
ainda, é possível que após, a propositura da queixa, ele proponha a ação 
penal, pois ele pode repudiar a queixa do ofendido e oferecer denúncia 
substitutiva. 
IMPORTANTE:
A inércia do Ministério Público não transforma a natureza da 
ação penal, que continua sendo, e regida pelos princípios 
da obrigatoriedade e da indisponibilidade. 
É evidente que a ação penal subsidiária só pode correr, se 
houver um ofendido determinado, pois citando o exemplo 
de crime de porte ilegal de arma de fogo, não há uma vítima 
determinada, não havendo, uma pessoa física ou jurídica 
que possa oferecer a queixa subsidiariamente. 
De acordo com o art. 38 do Código de Processo Penal, o prazo 
decadencial para o oferecimento da ação penal privada subsidiária da 
pública, é de seis meses, devendo ser contado a partir do dia em que se 
esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia. Há uma decadência 
imprópria, de acordo com Lima (2019), devido ao fato de, por ser 
considerada uma ação de natureza pública, a ação penal subsidiária da 
pública não produzirá a extinção da punibilidade, desta forma, mesmo se 
houver a decadência do direito de queixa, o Ministério Público continua 
podendo propor a ação penal pública em relação ao fato delituoso, desde 
que não tenha ocorrido a prescrição ou a extinção da punibilidade.
Direito Processual Penal
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O art. 564, III, d, do Código de Processo Penal retrata que na ação 
penal privada subsidiária da pública, o Ministério Público atua como 
interveniente adesivo obrigatório, devendo intervir em todos os termos 
do processo sob pena de nulidade. No que se refere aos poderes do 
órgão ministerial nesse tipo de ação, o art. 29 do CPP, elenca as seguintes 
atribuições:
1. O Ministério Público pode opinar pela rejeição da queixa-crime 
subsidiária, caso conclua pela presença de uma das hipóteses 
de rejeição da queixa, elencadas no art. 395 do CPP, sendo elas: 
inépcia da peça acusatória, ausência de pressuposto processual 
ou de condição para o exercício da ação penal, ausência de justa 
causa para o exercício da ação penal.
2. O Ministério Público pode aditar a queixa-crime, tanto em seus 
aspectos acidentais, quanto em seus aspectos essenciais, quer 
incluindo novos fatos delituosos, quer adicionando coautores ou 
partícipes do fato delituoso, pois como o crime é em essência de 
ação penal, o Ministério Público ainda continua legitimado para 
exercer a ação.
3. O Ministério Público deve intervir em todos os termos do processo, 
fornece elementos de prova, como também interpor recurso. 
Nestes termos, o art. 564, III, d, diz que haverá nulidade, caso não 
haja intervenção do Ministério Público em todos os termos da 
ação intentada pela parte ofendida, quando se tratar de crime de 
ação pública.
4. Conforme já exposto, o Ministério Público pode repudiar a 
queixa-crime subsidiária, desde que faça até o recebimento da 
peça acusatória, devendo apontar de forma fundamentada que 
não houve inércia de sua parte. Assim, o Ministério Público fica 
obrigado a oferecer denúncia substitutiva. Todavia, uma vez 
oferecida a queixa subsidiária, ele não pode repudiá-la e requerer 
o arquivamento do inquérito policial.
Direito Processual Penal
39
5. Se houver inércia ou negligência do querelante, o Ministério 
Público deve retomar o processo como parte principal, sendo 
denominado de ação penal indireta. Assim, a inércia do querelante 
nos casos de ação penal subsidiária da pública, não produz a 
extinção da punibilidade, tendo em vista ela ser em sua forma 
original de natureza pública.
A ação penal privada subsidiária da pública não está sujeita ao 
princípio da disponibilidade, pois se o querelante desistir de prosseguir 
com o processo ou abandoná-lo, o Ministério Público retomará o processo 
como parte principal.
Extinção da Punibilidade e Ação Penal de 
Iniciativa Privada
É de suma importância, ao se falar em ação penal de iniciativa 
privada, estudar sobre a decadência, a renúncia, o perdão do ofendido e a 
perempção, que são causas extintivas de punibilidade, elencadas no art. 
107 do Código Penal.
Decadência 
De acordo com o art. 107, IV, do CP, é uma causa extintiva da 
punibilidade que consiste na perda do direito de ação privada ou de 
representação em virtude de seu não exercício no prazo legal.
O art. 38 do CPP ainda diz que, se não houver disposição em 
contrário, o ofendido ou seu representante legal, decairá do direito de 
queixa ou de representação, se não o exercer no prazo de seis meses, 
devendo ser contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, 
ou no caso de ação privada subsidiária da pública, do dia em que se 
esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia.
Para a contagem do prazo, deve-se computar o dia do começo.
Direito Processual Penal
40
EXEMPLO: 
Uma pessoa capaz, maior de 18 anos, comete um crime de calúnia 
no dia 9 de abril de 2020, pode-se dizer que a queixa-crime deve ser 
oferecida até o dia 8 de outubro de 2020, sob pena de decadência e, 
consequentemente, de extinção da punibilidade. 
O prazo decadência é improrrogável, não sendo possível sua 
suspensão ou interrupção, nem tampouco sua prorrogação, assim, se 
expirasse em um domingo ou feriado, ele não poderá ser prorrogado.
Lima (2019) destaca que o pedido de instauração de inquérito 
policial não obsta o curso do prazo decadencial. Desta forma, caso o 
inquérito não tenha sido concluído no prazo de seis meses, para que o 
ofendido não tenha seu direito decaído, deve propor a demanda criminal 
sem o inquérito, solicitando ao magistrado, na inicial, que os autos sejam 
apensos a processo, assim que o inquérito seja concluído.
Renúncia
De acordo com Lopes Júnior (2019), a renúncia é um ato unilateral do 
ofendido, que não necessita de aceitação do imputado para produzir efeitos. 
Nos termos do art. 107, V, do CP, a renúncia é uma causa extintiva 
de punibilidade. Todavia, no caso de ação penal privada subsidiária da 
pública, mesmo que o ofendido resolva abrir mão de seu direito de queixa 
subsidiária, a renúncia não produzirá o efeito de extinção da punibilidade, 
tendo em vista que, em sua origem, a ação penal é de natureza pública.
IMPORTANTE:
O direito de renúncia só é cabível, antes do início do 
processo penal.
A renúncia pode ser expressa ou tácita. A renúncia expressa 
está prevista no art. 50 do CPP, que é aquela feita por 
declaração inequívoca, assinada pelo ofendido, por seu 
representante legal ou por procurador com poderes 
especiais. Já a renúncia tácita, encontra-se respaldo no art. 
104 do CP, que diz que ela ocorre, quando a vítima pratica 
ato incompatível com a vontade de processar, podendo, 
de acordo com o art. 57 do CPP, ser provada por todos os 
meios de prova.
Direito Processual Penal
41
EXEMPLO: 
Podemos citar como exemplo de renúncia tácita o fato do autor da 
infração ser convidado para ser padrinho de casamento do ofendido. 
Desta forma,essas são as espécies de renúncia existentes na 
legislação.
Perdão do Ofendido 
O perdão do ofendido está elencado como causa de extinção 
da punibilidade no art. 107, V, do CP. Esse perdão consiste em um ato 
bilateral e voluntário, no qual, no curso do processo, o querelante desiste 
do prosseguimento da ação, perdoando o acusado.
O querelado pode ou não aceitar o perdão, de acordo com o art. 51 
do CPP. Devido ao princípio da indivisibilidade, o perdão concedido a um, 
será estendido aos demais.
O art. 106, §2º do CP prevê que o perdão pode ser concedido até o 
trânsito em julgado de sentença condenatória. 
Assim como a denúncia, o perdão pode ser expresso ou tácito. O 
perdão expresso deverá constar em declaração assinada pelo querelante, 
por seu representante legal ou por procurador com poderes especiais. Já 
o perdão tácito, resultado da prática de ato incompatível com a vontade 
de prosseguir na ação, sendo admitido todos os meios de prova.
A aceitação do perdão também poderá ser expressa ou tácita. 
Considerar a aceitação tácita, se ao ser intimado para se manifestar sobre 
o perdão, o querelado permanece inerte, durante três dias, de acordo 
com o art. 58 de CPP.
Perempção 
Lima (2019) aponta que a perempção é a perda do direito de 
prosseguir no exercício da ação penal privada, devido a negligência do 
querelante, com a consequente extinção da punibilidade, de acordo com 
o art. 107, IV, do CP. 
Direito Processual Penal
42
A aplicação da perempção ocorre nos casos de ação, exclusivamente 
privada e na ação privada personalíssima. 
Quando há dois ou mais querelantes ingressando em juízo juntos, a 
atuação negligente de um não se comunica ao outro.
O art. 60 do CPP traz as hipóteses de perempção, sendo elas:
1. Quando, após iniciada a ação penal, o querelante deixar de 
promover o andamento do processo, durante trinta dias seguidos.
2. Quando o querente falecer ou sobrevindo sua incapacidade, não 
comparecer em juízo, para prosseguir no processo no prazo de 
sessenta dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo.
3. Quando o querelante deixar de comparecer sem motivo justificado, 
a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar 
de formular o pedido de condenação nas alegações finais.
4. Quando o querelante for pessoa jurídica, e está a se extinguir sem 
deixar sucessor.
Sendo estas as hipóteses de perempção, ou seja, as hipóteses de 
perda do direito de prosseguir no exercício da ação penal privada
Direito Processual Penal
43
RESUMINDO:
Estudamos nesse capítulo que o crime será de ação penal 
privada, quando constar na lei de maneira expressa “somente 
se procede mediante queixa”. Vimos que os princípios que 
norteiam esse ato são: ne procedar iudex ex officio, ne bis 
in idem, oportunidade ou conveniência, disponibilidade, 
indivisibilidade, oficialidade e autoritariedade. 
A ação privada subdivide-se em: exclusivamente privada, 
personalíssima e subsidiária da pública. A ação penal exclusivamente 
privada é a regra no que tange às ações penais de iniciativa privada. 
A ação personalíssima só pode ser exercida pelo ofendido, e a ação 
subsidiária da pública é, quando o Ministério Público fica inerte e, assim, o 
ofendido terá legitimidade ad causam de forma supletiva para o exercício 
da ação penal. Vimos as causas de extinção da punibilidade, sendo elas: 
decadência (que consiste na perda do direito de ação privada ou de 
representação em virtude de seu não exercício no prazo legal), renúncia 
(ato unilateral do ofendido, que não necessita de aceitação do imputado 
para produzir efeitos, devendo ser realizada, antes do início do processo 
penal), perdão do ofendido (consiste em um ato bilateral e voluntário, 
no qual no curso do processo, o querelante desiste do prosseguimento 
da ação, perdoando o acusado) e perempção (a perda do direito de 
prosseguir no exercício da ação penal privada, devido à negligência do 
querelante).
Direito Processual Penal
44
Peça Acusatória
OBJETIVO:
Estudaremos nesse capítulo, quais são as peças acusatórias 
e quais são os requisitos que tais peças deverão ter, 
elencando os principais requisitos e comentando cada um 
deles. E por fim, estudaremos o prazo para o oferecimento 
da peça acusatória. Vamos lá!
Espécies de Peça Acusatória
Como já foi mencionado ao estudar cada um dos tipos de ação 
penal, a ação penal pública tem como peça acusatória a denúncia, já a 
ação penal de iniciativa privada tem a queixa-crime.
Figura 3 – Peça acusatória
Fonte: Freepik (2020).
Direito Processual Penal
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Desta forma, Lima (2019) aponta que a denúncia pode ser 
conceituada como o ato processual em que Ministério Público se dirige 
ao Juiz, dando-lhe conhecimento da prática de um fato delituoso e 
manifestando a vontade de ser aplicada a sanção penal ao culpado. Já a 
queixa-crime, é a peça processual em crimes de ação penal de iniciativa 
privada, devendo ser subscrita por, dotado de procuração com poderes 
especiais. Seu destinatário é o órgão jurisdicional competente, em que o 
querelante pede a instauração do processo penal condenatório, em face 
do suposto autor do delito, com a finalidade de que seja aplicada a pena 
privativa de liberdade ou medida de segurança.
Requisitos da Peça Acusatória 
O art. 41 do Código de Processo Penal diz que a denúncia ou queixa 
deverá conter:
 • A exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias.
 • A qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se 
possa identificá-lo.
 • A classificação do crime.
 • Quando necessário, o rol de testemunhas.
 • Endereçamento da peça acusatória.
 • Redação em vernáculo.
 • Citação das razões de convicção ou presunção da delinquência.
 • Subscrição da peça pelo Ministério Público ou pelo advogado do 
querelante.
Direito Processual Penal
46
IMPORTANTE:
No caso de ação penal privada, deve constar a procuração 
com poderes especiais e o recolhimento de custas.
Alguns requisitos devem ser obrigatoriamente observados, 
por exemplo, a exposição do fato criminoso, a individualização 
do acusado e a redação da peça em português. Eventual 
vício quanto a um destes elementos, causará inépcia formal 
da peça acusatória (LIMA,2019, p. 306).
Estudaremos a seguir, cada um dos elementos da peça 
acusatória.
A Exposição do Fato Criminoso e as suas 
Circunstâncias
A peça acusatória deve narrar o fato delituoso de forma detalhada, 
devendo mencionar as circunstâncias que o envolvem e que possam 
causar influência na sua caracterização. É importante fazer a descrição, 
de acordo com os fatos, não somente fazendo a descrição tipificada 
desse fato. Desta forma, Lima (2019) diz que é importante a descrição da 
conduta com todas as suas circunstâncias, devendo ser apontado: o que 
aconteceu, quando, onde, por quem, contra quem, de que forma, por que 
motivo, entre outros, podendo primeiro narrar o fato, para posteriormente 
apontar o tipo penal em que o agente está incurso.
Para proporcionar a reação do acusado, a exposição do fato, de 
acordo com Fernandes (2002), pela acusação deve ser clara, precisa e 
completa. Devendo ser clara quando permite a verificação no fato dos 
elementos constitutivos do tipo e as circunstâncias que o individualizam. O 
fato precisa ser bem determinado para que não haja confusão com outro, 
devendo conter todas as circunstâncias necessárias para a identificação 
dos elementos do tipo correspondente ao fato e para individualizá-lo no 
contexto temporal e espacial em que se manifestou.
Direito Processual Penal
47
A peça acusatória contém fatos essenciais que são aqueles 
necessários na identificação da conduta como fato típico, devendo estar 
presentes na peça acusatória, tendo em vista que, na falta de um deles, 
significará a descrição de fato não criminoso, prejudicando a defesa, que 
tem o direito de ter conhecimento do fato delituoso de forma completa. E 
contém os fatos acessórios, que de acordo com Lima (2019),são aqueles 
fatos ligados à circunstância de tempo, de espaço, ou até que revelem 
maiores dados de modos de atuar, cuja ausência nem sempre afeta a 
reação do acusado.
Assim, podemos concluir que é por meio da narrativa do fato que se 
delimita a imputação criminal em juízo.
DEFINIÇÃO:
“Imputação criminal é a atribuição a alguém da prática 
de determinada infração penal, funcionando como o ato 
processual por meio do qual se formula a pretensão penal” 
(LIMA, 2019, p. 308).
Assim, a imputação como fato delituoso a alguém, para que ela 
possa estar contida na denúncia ou na queixa na peça acusatória, deve 
conter os seguintes elementos:
1. Descrição de um fato.
2. Qualificação jurídico-penal do fato.
3. Atribuição do fato ao acusado.
A adequada imputação do fato delituoso é requisito essencial da 
peça acusatória.
Qualificação do Acusado 
A qualificação do acusado é um dos requisitos essenciais da peça 
acusatória, pois é ela que traz contra quem será instaurado o processo. 
Deverá conter a respeito do acusado, o nome, prenome, apelido, estado 
Direito Processual Penal
48
civil, naturalidade, data de nascimento, número da carteira de identidade, 
número do cadastro de pessoa física, profissão, filiação, residência. 
O art. 41 do CPP deixa claro que não havendo a qualificação completa 
do acusado, e não sendo possível sua identificação criminal, a parte 
acusadora pode apontar os esclarecimentos pelos quais seja possível 
identificá-lo. Desta forma, caso a identificação completa do acusado 
não seja conhecida, isso não será óbice para o oferecimento da peça 
acusatória, desde que se possa mencionar seus traços característicos, de 
forma a permitir sua distinção de outras pessoas.
O art. 259 do CPP diz que a impossibilidade de identificação do 
acusado, com o seu verdadeiro nome ou outros qualificativos, não 
retardará a ação penal, quando certa a identidade física. A qualquer tempo, 
no curso do processo, do julgamento ou da execução da sentença, se for 
descoberta a sua qualificação, far-se-á a retificação, por tempo, nos autos, 
sem prejuízo da validade dos atos precedentes.
Classificação do Crime
A classificação do crime refere-se ao dispositivo legal que descreve 
o fato criminoso, praticado pelo imputado. Sabe-se que não basta 
somente mencionar o nomen juris da figura criminosa, porque sob a 
mesma denominação podem ter crimes diferentes, assim, de acordo com 
o art. 121, do CP, deve haver a indicação do dispositivo legal em cuja pena 
encontra-se incurso o acusado.
Todavia, Lima (2019) aponta que o requisito não é obrigatório, 
pois o entendimento majoritário é de que no processo penal, o acusado 
defende-se dos fatos que lhe são imputados, pouco importando a 
classificação que lhes seja atribuída. Quando recebida a peça acusatória, 
não deve o juiz alterar a definição jurídica do fato, pois há momentos e 
formas específicas para se corrigir a classificação legal incorreta.
Rol de Testemunhas
O rol de testemunhas deve vir ao final da peça acusatória, logo após 
o pedido de recebimento, antes da data e da assinatura. 
Direito Processual Penal
49
Sabe-se que o rol de testemunha não é um requisito essencial, 
tendo em vista que existem situações em que a prova do fato delituoso 
é somente documental, de maneira que é desnecessária a oitava de 
testemunhas.
IMPORTANTE:
É na peça acusatória, o momento para apresentar o rol de 
testemunhas, caso a parte acusadora não o faça, haverá a 
preclusão temporal.
Todavia, em julgamento da 5ª Turma do STJ, em 2016, conclui-se 
que não há óbice à intimação do Ministério Público para que proceda à 
juntada do rol de testemunhas, mesmo após o oferecimento da denúncia, 
fazendo antes da citação do acusado e apresentação da resposta à 
acusação, sem que se possa objetivar eventual nulidade absoluta por 
violação ao sistema acusatório. 
No que se refere à quantidade de testemunhas, quantas podem ser 
arroladas?
Vai depender do procedimento a ser seguido:
 • Art. 401, CPP – Procedimento comum ordinário: oito testemunhas.
 • At. 532, CPP – Procedimento comum sumário: cinco testemunhas.
 • Lei nº9099/95 – Procedimento sumaríssimo: três testemunhas.
 • Art. 406, §3º, CPP – Primeira fase do procedimento do júri: oito 
testemunhas.
 • Art. 422, CPP – Segunda fase do procedimento do júri: cinco 
testemunhas.
 • Art. 54, III, da Lei nº 11343/06 – Procedimento da Lei de drogas: 
cinco testemunhas.
 • Art. 77, h, CPPM – procedimento ordinário do CPPM - Seis 
testemunhas.
Direito Processual Penal
50
De acordo com o art. 209, §2º e art. 401, §1º, nesse número de 
testemunhas a serem arroladas, não são computadas as testemunhas 
referidas, as que não prestam compromisso e a pessoa que nada souber 
que interesse à decisão da causa.
Endereçamento da Peça Acusatória 
Mesmo não sendo um dos requisitos elencados no art. 41 do CPP, p, 
endereçamento é fundamental para que se possa estabelecer a autoridade 
competente. Não falamos aqui na pessoa física do juiz, mas sim do órgão 
que tem jurisdição para o processo e julgamento da ação penal.
Pode ser aplicado de forma subsidiária o art. 77, a, do CPPM que diz 
que a denúncia deverá conter a designação do juiz a que se dirigir.
Esse não é um requisito essencial, tendo em vista que os Tribunais 
não invalidam a denúncia, devido a erro de endereçamento.
Redação em Vernáculo
Sendo aplicado de forma subsidiária, o art. 192 do CPC, a peça 
acusatória deve ser redigida em português.
Razões de Convicção ou Presunção da Delinquência 
O art. 77, f, do CPPM dispõe que a denúncia deve conter as razões 
de convicção ou presunção de delinquência. Assim, Lima (2019) aponta 
que apesar do silêncio no Código de Processo Penal, esse requisito 
também deve ser observado no processo penal comum, pois deve ser 
considerado os gravames, produzidos pelo mero oferecimento de uma 
peça acusatória. Desta forma, não se pode admitir que uma denúncia ou 
queixa seja oferecida desprovida de lastro probatório que confirma o fato 
delituoso, imputado ao acusado. 
Mas em que consistem estas razões de convicção? 
As razões de convicção consistem na indicação do lastro probatório 
da peça acusatória, devendo ser apontados os depoimentos colhidos em 
sede investigatória, os laudos periciais realizados, assim como todos os 
Direito Processual Penal
51
outros elementos de informação, as provas cautelares, antecipadas ou 
não repetíveis que tenham servido à formação da opinio delicti do titular 
da ação penal (LIMA, 2019).
É importante destacar que o art. 395, III, do CPP traz entre as 
hipóteses de rejeição da peça acusatória, a falta de justa causa para o 
exercício da ação, e ao demonstrar as razões de convicção ou presunção 
de delinquência ajudará a formar a convicção do órgão julgador, apontando 
a existência de elementos de informação, em torno da veracidade dos 
fatos, narrados na peça acusatória. 
Peça Acusatória Subscrita pelo Ministério Público 
ou pelo Advogado do Querelante 
Como já foi estudado, o titular da denúncia é o Ministério Público, 
devendo ele subscrevê-la, já no caso da queixa-crime, deve ser subscrita 
pelo advogado do querelante, sob pena de se considerar inexistente a 
peça acusatória. 
Lima (2019) afirma que a ausência desta assinatura não ensejará a 
obrigatória rejeição da peça acusatória ou a nulidade ab initio do processo, 
caso não existam dúvidas acerca da autenticidade da peça acusatória ou 
quando for facilmente identificável saber quem a elaborou.
No que se refere à denúncia, Lima (2019) faz uma observação, em 
que a peça deverá ser acompanhada de uma cota, que pode ser redigida 
no corpo do processo, no espaço reservado à vista do Ministério Público 
de forma mais específica, ou em petição autônoma, anexada à denúncia. 
Esta cota é o local correto para o órgão ministerial: 
1. Indicar que está oferecendo denúncia.
2. Requerer eventuais diligências complementares.
3. Promover o arquivamentoem relação a outros fatos delituosos ou 
outros agentes não incluídos na denúncia.
4. Declinar da atribuição em relação a fatos que devam ser 
processados perante outro juízo.
Direito Processual Penal
52
5. Formular eventual requerimento, fundamentado de prisão cautelar 
ou ratificar representação, formulada pela autoridade policial.
6. Oferecer proposta de suspensão condicional do processo.
Procuração da Queixa-crime e Recolhimento de 
Custas
A única hipótese do ofendido, ele mesmo oferecer a queixa-crime, 
é se ele for advogado, não o sendo, há necessidade de procuração com 
poderes especiais para seu representante legal.
O art. 44 do CPP estabelece que a queixa poderá ser dada por 
procurador com poderes especiais, devendo constar do instrumento 
do mandato o nome do querelado e a menção do fato criminoso, salvo 
quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser 
previamente requeridas no juízo criminal.
Desta forma, se a queixa-crime for oferecida sem a devida 
procuração, será considerada nula.
No que se refere ao recolhimento de custas, o art. 806 do CPP 
prevê que, fora a hipótese de vítima pobre, nas ações intentadas mediante 
queixa, nenhum ato ou diligência se realizará, sem que seja depositada 
em cartório a importância das custas.
Quanto à ação penal pública, o art. 804 do CPP diz que somente 
se admite a exigência do pagamento das custas processuais, após a 
condenação, devendo ser incluídas as despesas com oficial de justiça.
Prazo para Oferecimento da Peça 
Acusatória
O art. 46 diz que o prazo para o oferecimento da denúncia, estando 
o réu preso, será de cinco dias, contando da data em que o órgão do 
Ministério Público receber os autos do inquérito policial e de quinze dias, 
se o réu estiver solto ou afiançado. Caso o Ministério Público dispense o 
inquérito policial, o prazo começa a contar da data em que tiver recebido 
as peças de informações ou a representação.
Direito Processual Penal
53
Tendo em vista o silêncio legislativo acerca do prazo para o 
oferecimento da queixa-crime, conclui-se que ela está sujeita ao prazo 
decadencial de seis meses, tendo início, em regra, de acordo com o art. 
38 do CPP, no dia em que o ofendido ou seu representante legal tiver 
conhecimento de quem foi o autor da infração penal.
RESUMINDO:
Para concluir a unidade, estudamos sobre a peça acusatória, 
vimos que existe a peça da ação penal pública que é a 
denúncia, e a da ação penal privada, que é a queixa-crime. 
Estudamos os requisitos da peça acusatória, de acordo com 
o art. 41 do CPP e da doutrina, sendo eles: exposição do fato 
criminoso, com todas as suas circunstâncias; qualificação 
do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa 
identificá-lo; classificação do crime; rol de testemunhas; 
endereçamento da peça acusatória; redação em vernáculo; 
citação das razões de convicção ou presunção da 
delinquência; subscrição da peça pelo Ministério Público, 
ou pelo advogado do querelante, e no caso de ação penal 
privada deve conter a procuração com poderes especiais e 
o recolhimento de custas. 
Vimos de forma detalhada cada um destes requisitos, para 
estudamos o prazo para oferecimento da peça acusatória, sendo para o 
oferecimento da denúncia, estando o réu preso, de cinco dias, contando 
da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do 
inquérito policial e de quinze dias, se o réu estiver solto ou afiançado. 
Tendo em vista o silêncio legislativo acerca do prazo para o oferecimento 
da queixa-crime, conclui-se que ela está sujeita ao prazo decadencial de 
seis meses. 
Direito Processual Penal
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REFERÊNCIAS
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NUCCI, G de S. Manual de Processo Penal e execução penal. São 
Paulo: Editora revista dos tribunais, 2011.
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