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Avaliação educacional e escolar. Qual a diferença de avaliação educacional e avaliação escolar? A avaliação escolar é tida como uma forma de diagnosticar a situação de aprendizagem de cada aluno. Já a avaliação educacional se refere a coleta de evidências sobre o atingimento de objetivos de aprendizagem. Avaliação escolar Avaliação escolar é uma área da Avaliação, um campo de conhecimento plurirreferencial, transdisciplinar e polissêmico. Plurirreferencial porque seu campo é disputado por uma diversidade de disciplinas e práticas sociais como a psicologia, a economia, a matemática, a sociologia, a antropologia, a teoria do conhecimento, a ética, a política, a pedagogia, que têm contribuído para a constituição de seus diversos enfoques e modelos, em decorrência dos quais a avaliação, que tem como matéria específica a determinação de valor ou mérito, assume historicamente dimensões e sentidos diversos os quais podem variar em muitos aspectos de uma cultura para outra. Em síntese, a avaliação pode mostrar-se polissêmica em diferentes momentos ou em um mesmo momento histórico em função do conflito de interesses que a move. A avaliação é transdisciplinar porque se apropria de uma combinação de metodologias logicamente articuladas na determinação de valor, mérito ou significância de outras disciplinas ou campos de atuação, bem como da própria avaliação, através de estudos de meta-avaliação. No processo de ensino-aprendizagem, o bom desenvolvimento do aluno é tido como fato prioritário. E para que isso venha a acontecer, o professor deve ter uma prática pedagógica reflexiva, pois assim ele poderá diagnosticar qualquer retardo no desempenho dos alunos e o diagnostico pode ser feito através da avaliação. Atualmente, a prática avaliativa, deverá estar atenta aos modos de superação do autoritarismo e a serviço de uma pedagogia que se preocupe com a transformação da sociedade a favor do ser humano. Somente assumindo o papel de diagnóstica a avalição se constituirá num momento dialético no processo de aprendizagem do aluno. Para que isso realmente ocorra, é necessário que o educador planeje sua prática pedagógica compreendendo o estágio em que cada um dos seus alunos se encontra, para que possa trabalhar com eles, fazendo-os avançar no que se refere aos conhecimentos necessários. Durante muito tempo, a avaliação, era apenas uma questão de notas, de quantificação do saber através de provas ou exames. Assim, quem tirava as melhores notas era considerado como “melhor aluno”, e o que tirava notas mais baixas era ridicularizado pela turma, chamado até de “burro”, e nada se fazia para mudar essa realidade, visto que a avaliação não era tida como um aspecto de seu desenvolvimento. . “Pais, sistema de ensino, profissionais da educação, professores e alunos, todos têm suas atenções centradas na promoção, ou não, do estudante de uma serie de escolaridade para outra (...). O nosso exercício pedagógico é atravessado por mais uma pedagogia do exame que por uma pedagogia do ensino/ aprendizagem. (LUCKESI, 1998, p.18)” Luckesi nos alerta sobre as avaliações: De certa forma, ainda continuamos atrelados a notas, vistas como necessárias no processo avaliativo, uma vez que os educadores não dispõem de concepção e tempo para fazerem uma avaliação mais precisa, através de observações e meios mais eficazes, além de uma série de fatores que prejudicam a avaliação diagnóstica, como as salas de aulas lotadas e alunos com diferenças alarmantes de nível de aprendizagem. Isso se deve às condições precárias em que acontece a educação em nosso país, onde por mais que tenhamos lutado por uma educação pública de qualidade, ela ainda não acontece, tendo em vista a situação desfavorável em que muitas escolas se encontram e as desigualdades sociais em nossa sociedade. MODALIDADES DE AVALIAÇÃO Podemos classificar a Avaliação como sendo de três tipos: a diagnóstica, a formativa e a somativa. Diagnóstica - A avaliação diagnóstica permite a captação de progressos e dificuldades do aluno, visando através dos mesmos, uma modificação no processo de ensino que possibilite concretizar seus objetivos. Ela permite o alcance de propósitos como: verificar se o aluno estabelece ou não determinados conhecimentos ou habilidades que são necessários para aprender algo novo, identificar, discriminar, compreender, caracterizar as causas determinantes das dificuldades de aprendizagem, ou essas próprias dificuldades. Daí a importância da realização de um diagnóstico no início do ano letivo, pois isso irá fornecer dados ao professor sobre o nível de conhecimento do aluno, e através destes o professor poderá planejar melhor sua prática, dando ênfase aos conteúdos mais deficitários. Formativa - Essa modalidade de avalição busca identificar as principais insuficiências de aprendizagens iniciais necessárias à realização de outras aprendizagens. Nesse sentido, é formativa no instante em que indica como os alunos estão se comportando em relação aos objetivos propostos. Dessa forma, a avalição formativa é contínua e visa a uma regulação interativa, ou seja, todas as relações entre professor e aluno são avaliações que possibilitam adaptações na prática cotidiana visando à melhor aprendizagem do aluno. Somativa - Realizada em uma única oportunidade, relativa aos processos ocorridos num período de tempo passado; por isso também é uma avaliação final, cujas funções se destinam a verificar se os objetivos inicialmente estabelecidos são os resultados alcançados ao término de um processo, sendo que sua aplicação está geralmente voltada para a certificação, promoção ou seleção; Nessa perspectiva o objetivo da prova dissertativa é verificar o desenvolvimento das habilidades intelectuais dos alunos na assimilação dos conteúdos, organização das ideias, clareza de expressão, originalidade, capacidade de aplicar conhecimentos adquiridos. A prova dissertativa tem a capacidade de tornar o aluno um individuo crítico, capaz de avaliar as contribuições feitas pelos outros. Nesse enfoque os objetivos desse tipo de prova, não são muito diferentes dos anteriores. Na forma de elaboração, em vez de respostas abertas, pede-se que o aluno escolha uma resposta entre alternativas possíveis de respostas, isso é o que podemos chamar de prova objetiva. As provas objetivas avaliam a extensão de conhecimentos e habilidades. Elas possibilitam a elaboração de um maior número de questões abrangendo um maior número de conteúdo estudado. Os alunos precisam aprender a analisar o seu próprio desempenho. Nesse momento, os professores chegam junto à classe, ou em pequenos grupos e verificam se cumpriram fielmente com sua responsabilidade. Juntos, então compara os desempenhos obtidos pelos alunos. Prova Dissertativa IN ST RU M EN TO S D E AV AL IA ÇÃ O Prova Objetiva Auto-avaliação A avaliação, assim, tem de adequar-se à natureza da aprendizagem, levando em conta não só os resultados das tarefas realizadas, o produto, mas também o que ocorreu no caminho, o processo. É uma espécie de mapeamento que vai identificando as conquistas e os problemas dos alunos em seu desenvolvimento. Após isso, professor e aluno, juntos, devem refletir sobre os erros que ocorreram, transformando esse momento em uma situação de aprendizagem, para que todos possam concluir: acertamos, erramos, aprendemos, assumimos riscos, alcançamos objetivos. A avaliação educacional deve ter a função de subsidiar a tomada de decisões em relação à continuidade do trabalho pedagógico e não de decidir quem será excluído do processo de aprendizagem, devendo ser vista como uma prática boa, que sirva para ajudar, de acordo com as deficiências diagnosticadas em cada aluno no processo de ensino – aprendizagem. Entretanto, isso ainda não acontece em escolas da nossa realidade. As práticas avaliativas são muito importantes nesse processo, pois possibilitam, na prática, um ensino que promova a aprendizagem nas mais variadas situações, dentro e fora da sala de aula. Na atualidade, as práticasavaliativas devem assumir um caráter diagnóstico processual e contínuo. Vale salientar a importância da prática avaliativa continua, pois, assim, o professor será capaz de fazer um acompanhamento do desempenho do aluno no processo de aprendizagem. Avaliação educacional A avaliação educacional tem sido, historicamente, a via pela qual a sociedade se vale para conhecer tendências, responsabilidades, resultados e coerências entre teorias e práticas na área. A avaliação pode gerar transformações, justificativas ou descrédito sobre o que se avalia, dependendo dos múltiplos fatores que a influenciam. Avalia-se para agir, tomar decisões, sustentar argumentos. E, especialmente no caso educacional, para guiar indicadores da qualidade. A avaliação na educação deve ser entendida, portanto, como um processo amplo, com desdobramentos coletivos e institucionais, além de individuais. Um processo que tem um compromisso para além dos produtos da educação e da classificação meritocrática de alunos, cursos, instituições, mas, principalmente, um processo com características educativas, pedagógicas, psicológicas, que deve ocupar-se da investigação acerca da formação humana e da construção da cidadania, considerando, sobremaneira, questões intersubjetivas constituídas em tempos e espaços específicos. A avaliação educacional pode ser considerada como um dos temas que, ao serem abordados, sempre requerem um exercício de "olhar para o passado" para entender o que reserva o futuro. "Enfim, terá de ser o instrumento do reconhecimento dos caminhos percorridos e da identificação dos caminhos a serem perseguidos" (Luckesi, 1995, p. 43). Em sua dimensão externa, a qual inclui as avaliações de larga escala, como o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica - SAEB e o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, a avaliação permite um retrato da efetividade da aprendizagem dos estudantes em caráter nacional, regional, municipal ou em cada instituição. Tais dados geram informações cruciais para a formulação de políticas públicas pelas redes de ensino, propondo intervenções pedagógicas pelos gestores escolares. Avaliação x Examinar A diferença entre avaliar e examinar fica ainda evidente nas palavras de Luckesi (2001): O ato de avaliar a aprendizagem implica em acompanhamento e reorientação permanente da aprendizagem. Ela se realiza através de um ato rigoroso e diagnóstico e reorientação da aprendizagem tendo em vista a obtenção dos melhores resultados possíveis, frente aos objetivos que se tenha à frente. E, assim sendo, a avaliação exige um ritual de procedimentos, que inclui desde o estabelecimento de momentos no tempo, construção, aplicação e contestação dos resultados expressos nos instrumentos; devolução e reorientação das aprendizagens ainda não efetuadas. Para tanto, podemos nos servir de todos os instrumentos técnicos hoje disponíveis, contanto que a leitura e interpretação dos dados seja feita sob a ótica da avaliação, que é de diagnóstico e não de classificação. O que, de fato, distingue o ato de examinar e o ato de avaliar não são os instrumentos utilizados para a coleta de dados, mas sim o olhar que se tenha sobre os dados obtidos: o exame classifica e seleciona, a avaliação diagnostica e inclui. Sobre o rendimento escolar, a Lei 9394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional diz que: “A verificação do rendimento escolar deve se dar por meio de uma avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. (BRASIL, 1996). “ De acordo com a Lei 9394/96, os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos. Atribuir nota é apenas parte do processo. A avaliação deve ter caráter investigativo e reflexivo, devendo ocorrer no dia a dia da sala de aula, sendo mediadora e diagnóstica do processo de ensino aprendizagem, analisando o desenvolvimento da capacidade crítica e reflexiva dos estudantes, levando-os a analisar e interpretar as informações obtidas para que se desenvolvam intelectualmente. Ao se autoavaliar, o aluno passa a conhecer suas dificuldades, refletir sobre si mesmo e sobre suas necessidades. O que diz a Legislação sobre a avaliação? Ao se caracterizar como um processo contínuo, a avaliação passa a ser auxiliar do crescimento, pois visa diagnosticar as dificuldades dos alunos e orientar os professores quanto à metodologia que deve ser empregada para que haja a real construção da aprendizagem, dessa maneira o professor passa a ser o mediador entre o aluno e o saber. Fica evidente que é necessário e evidente refletir sobre uma prática avaliativa que permita o acompanhamento do desenvolvimento individual de nossos alunos, considerando toda diversidade que existe dentro de uma sala de aula e as possibilidades de crescimento de cada um, somente dessa maneira pode-se chegar a uma aprendizagem significativa. A prática avaliativa e educativa devem se constituir em ações que se complementem e que sejam significativas ao final do processo de ensino aprendizagem. Considerações Finais REFERÊNCIA Luckesi, Cipriano C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. São Paulo: Cortez, 1995. Meurer, Mariluce; Almeida, RSFB. A avaliação e sua importância para o processo de ensino e aprendizagem. Os desafios da escola pública paranaense na perspectiva do professor, 2016.