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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS UEMG FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS FCJ Ana Vitória da Silva Moreira Tamara Tavares Pinho CONTRATO PRELIMINAR E O COMPROMISSO DE CONTRATAR DIAMANTINA 2023 2 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS UEMG FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS FCJ Ana Vitória da Silva Moreira Tamara Tavares Pinho CONTRATO PRELIMINAR E O COMPROMISSO DE CONTRATAR Trabalho apresentado no curso de graduação em Direito na Universidade do Estado de Minas Gerais, para a obtenção de nota na disciplina de Direito Civil II - Contratos DIAMANTINA 2023 3 Sumário 1. O que é o contrato preliminar e o compromisso de contratar? 4 2. Como é formado esse tipo de contrato? 5 3. Elementos obrigatórios segundo o código civil 6 4. As obrigações das partes 8 5. Consequência do descumprimento 9 6. Análise de jurisprudência 10 7. Conclusão 11 8. Referências bibliográficas 13 4 1. O QUE É O CONTRATO PRELIMINAR E O COMPROMISSO DE CONTRATAR? O contrato preliminar é uma ferramenta fundamental no direito contratual brasileiro. Ele funciona como um instrumento jurídico que assegura às partes envolvidas a garantia de que as negociações caminharão para a celebração de um contrato definitivo. Essa modalidade contratual, amplamente regulamentada pelo Código Civil, é especialmente útil em situações onde, por razões práticas ou estratégicas, as partes optam por adiar a formalização do acordo principal. Também conhecido como pré-contrato, o contrato preliminar é utilizado para fixar as condições básicas que regerão um futuro contrato. Ele cria um compromisso entre as partes, refletindo o princípio da força obrigatória dos contratos e promovendo previsibilidade nas relações jurídicas. O Código Civil, nos artigos 462 a 465, estabelece que o contrato preliminar deve conter os elementos essenciais do contrato definitivo, ainda que sua execução dependa de prazo ou de alguma condição futura. O artigo 462 determina: “O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado.” Caso não apresente esses elementos essenciais, o contrato preliminar perde sua validade jurídica, tornando-se inexigível. Um exemplo prático dessa modalidade é a promessa de compra e venda de imóveis, onde são firmados previamente os termos e condições do contrato definitivo. Para que o contrato preliminar seja válido, ele deve atender aos requisitos gerais dos negócios jurídicos: Agente capaz: As partes envolvidas devem ter capacidade civil plena. Objeto lícito, possível e determinado ou determinável. Forma prescrita ou não proibida por lei, quando aplicável. 5 O compromisso de contratar é o elemento central do contrato preliminar. Por meio dele, as partes se obrigam a formalizar o contrato principal em momento futuro, desde que atendidas as condições pactuadas no pré-contrato. O artigo 463 do Código Civil prevê: “Concluído o contrato preliminar com observância do disposto no artigo antecedente, qualquer das partes pode exigir a celebração do definitivo, assinando prazo para sua execução.” Essa norma assegura às partes o direito de exigir judicialmente o cumprimento do contrato preliminar caso uma delas se recuse, sem justificativa, a concluir o acordo definitivo. O compromisso de contratar deve atender a critérios específicos: Definição dos elementos essenciais do contrato definitivo: O pré-contrato deve detalhar pontos como objeto, preço e condições. Cumprimento de formalidades legais: Se o contrato definitivo exigir uma forma específica (como escritura pública), o contrato preliminar deve seguir a mesma regra. Prazo para celebração: Embora não seja obrigatório estabelecer um prazo, fazê-lo pode evitar ambiguidades. Esse compromisso é embasado no princípio da boa-fé objetiva, que exige das partes transparência, cooperação e lealdade ao longo de toda a relação contratual. 2. COMO É FORMADO ESSE TIPO DE CONTRATO? O contrato preliminar é formado quando as partes firmam um acordo que expressa a intenção de celebrar um contrato definitivo no futuro, estabelecendo as condições essenciais desse contrato futuro. Ele deve atender a determinados requisitos legais para ser considerado válido e exigível. As partes precisam demonstrar claramente sua vontade, definindo os elementos fundamentais do contrato definitivo, como o objeto e as condições principais. O objeto do contrato deve ser lícito, possível, determinado ou determinável. Além disso, o contrato preliminar deve respeitar a forma prescrita ou não proibida por lei, de modo que, se o 6 contrato definitivo exigir uma forma específica, como escritura pública, o contrato preliminar também deverá seguir essa exigência. O contrato preliminar pode ou não estipular um prazo para a celebração do contrato definitivo. Na ausência de prazo, o compromisso pode ser exigido em um período razoável, desde que respeitado o princípio da boa-fé. Ele gera obrigações para ambas as partes, sendo que a recusa injustificada de uma delas em firmar o contrato definitivo pode levar à sua exigência judicial por meio da execução específica, desde que todas as condições legais sejam cumpridas. Assim, o contrato preliminar é amplamente utilizado em negociações complexas, como a compra e venda de imóveis, e garante segurança jurídica às partes envolvidas. 3. ELEMENTOS OBRIGATÓRIOS SEGUNDO O DIREITO CIVIL O contrato preliminar, regulado pelo artigo 462 do Código Civil Brasileiro, é um instrumento jurídico que vincula as partes à celebração de um contrato definitivo no futuro. Sua relevância está em assegurar direitos e obrigações durante negociações complexas, mesmo antes da formalização do contrato principal. Para ser válido e eficaz, o contrato preliminar deve conter os elementos essenciais do contrato definitivo, como objeto, preço e condições de pagamento. Esses elementos garantem a segurança jurídica e viabilizam a exigibilidade do contrato principal, além de prevenir ambiguidades que poderiam comprometer as negociações. A manifestação de vontade das partes no contrato preliminar deve ser livre, consciente e isenta de vícios como erro, dolo ou coação. O princípio da boa-fé é fundamental nesse contexto, exigindo transparência, lealdade e respeito mútuo. A clareza e a determinação do objeto do contrato são igualmente indispensáveis, pois conferem previsibilidade às obrigações futuras. Por exemplo, no caso de serviços, é necessário especificar o tipo de serviço, os prazos e as condições gerais para que o contrato preliminar seja eficaz e possa ser exigido judicialmente. Embora a forma do contrato preliminar seja, em regra, mais flexível que a do contrato definitivo, há situações em que deve obedecer aos requisitos formais exigidos por lei, como na compra e venda de imóveis de alto valor, em que a escritura pública é obrigatória. Além disso, 7 o Código Civil permite que, na ausência de prazo estipulado, qualquer das partes solicite judicialmente a fixação de um prazo razoável para evitar indefinições e possíveis litígios. A estipulação de um prazo é recomendada, pois confere maior segurança e organização às partes envolvidas. O contrato preliminar pode incluir cláusulas que estabeleçam obrigações recíprocas, como a obtenção de documentos ou licenças necessárias à celebração do contrato definitivo, bem como prever sanções em caso de descumprimento, como multas ou penalidades. Em caso de inadimplemento, a parte prejudicada pode exigir judicialmente a celebração do contrato definitivo, desde que o contrato preliminar contenha os elementos essenciais, ou pleitear perdas e danosse a execução específica for inviável. Essa possibilidade reflete a intenção do legislador de garantir que os compromissos assumidos sejam cumpridos. É importante destacar que o contrato preliminar é distinto de outros instrumentos jurídicos, como a promessa de compra e venda, sendo mais versátil em sua aplicação. Ele pode ser utilizado em diferentes tipos de negócios jurídicos, enquanto a promessa de compra e venda se restringe à transferência de propriedade. A regulamentação pelo Código Civil, ao exigir o cumprimento de determinados requisitos, busca assegurar a eficácia do contrato preliminar e proteger os interesses das partes, promovendo maior estabilidade nas relações contratuais. Ao garantir que o contrato preliminar atenda aos requisitos legais e contenha os elementos indispensáveis para sua execução, o legislador proporciona um instrumento jurídico seguro, eficaz e versátil. Ele consolida sua importância no ordenamento jurídico brasileiro ao promover transparência e previsibilidade nas negociações, além de prevenir conflitos futuros. Assim, o contrato preliminar desempenha um papel essencial na estruturação de relações contratuais estáveis e confiáveis. 4. AS OBRIGAÇÕES DAS PARTES O contrato preliminar estabelece como principal obrigação das partes a celebração do contrato definitivo, vinculando-as juridicamente à formalização do acordo principal nos termos previamente ajustados. Essa vinculação não é apenas moral, mas juridicamente exigível, 8 permitindo que, em caso de descumprimento, a parte prejudicada recorra à execução específica, conforme o artigo 464 do Código Civil. Esse caráter obrigatório gera direitos e deveres recíprocos entre os contratantes, reforçando a seriedade e a eficácia do instrumento. Além disso, o contrato preliminar impõe o cumprimento do princípio da boa-fé, previsto no artigo 422 do Código Civil. Esse princípio exige que as partes ajam com lealdade, transparência e cooperação, tanto nas negociações quanto na execução do contrato preliminar. A boa-fé manifesta-se na obrigação de fornecer informações claras e verdadeiras, evitando condutas que possam prejudicar ou induzir ao erro, garantindo a confiança e a cooperação entre os contratantes. As obrigações acessórias no contrato preliminar incluem a adoção de medidas práticas que viabilizem a celebração do contrato principal, como a obtenção de documentos, autorizações ou licenças indispensáveis. Por exemplo, em contratos de compra e venda de imóveis, cabe ao vendedor regularizar a documentação do bem e ao comprador assegurar os recursos necessários para a aquisição. Essas ações práticas são essenciais para que o contrato preliminar cumpra sua finalidade preparatória. Por fim, a estipulação de prazo no contrato preliminar é recomendada, apesar de não ser obrigatória, pois a ausência de um prazo definido pode gerar conflitos e incertezas. O artigo 463 do Código Civil permite que, na falta de prazo, as partes solicitem judicialmente a fixação de um período razoável. Além disso, o descumprimento das obrigações contratuais pode acarretar sanções, como multas, perdas e danos ou cláusulas penais, reforçando o caráter vinculativo do contrato preliminar. Dessa forma, ele consolida-se como um instrumento essencial para assegurar a estabilidade e a segurança jurídica, promovendo a concretização dos interesses das partes envolvidas. 5. CONSEQUENCIAS DO DESCUMPRIMENTO O descumprimento do contrato preliminar gera implicações jurídicas, voltadas tanto para forçar a sua execução quanto para reparar os danos causados. As principais consequências incluem: 9 Cumprimento forçado Se uma das partes se recusar injustificadamente a formalizar o contrato definitivo, a outra pode entrar com uma ação judicial para exigir o cumprimento da obrigação. Nesse caso, o juiz poderá determinar a conclusão do contrato principal, desde que os requisitos legais e negociais tenham sido observados. Indenização por perdas e danos Quando o contrato definitivo não pode ser celebrado devido à inércia ou má-fé de uma das partes, a outra tem direito à reparação pelos prejuízos sofridos. A indenização pode incluir: • Danos emergentes: Prejuízos diretos, como despesas feitas com base no contrato preliminar. • Lucros cessantes: Ganhos que deixaram de ser obtidos devido ao inadimplemento. Nulidade do contrato preliminar O contrato preliminar será considerado nulo se o contrato definitivo não puder ser celebrado por falta de elementos essenciais ou requisitos legais. Exemplos práticos e aplicações O contrato preliminar é amplamente empregado em diversas situações práticas, como: Compra e venda de imóveis: Promessas de compra e venda que antecedem a escritura definitiva. Negociações comerciais: Memorandos de entendimentos (MOUs) que estabelecem os termos de futuras parcerias. Contratos empresariais complexos: Ajustes preliminares que preparam o terreno para acordos mais amplos. 10 A jurisprudência brasileira reforça a relevância do contrato preliminar. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhece que, em casos de descumprimento, é possível exigir tanto o cumprimento forçado quanto a indenização por perdas e danos. 6. ANÁLISE DE JURISPRUDÊNCIA "PROMESSA DE COMPRA E VENDA. CONTRATO PRELIMINAR. OBRIGAÇÃO DE CELEBRAR O CONTRATO DEFINITIVO. EXECUÇÃO ESPECÍFICA. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA. RECURSO PROVIDO." (STJ – REsp nº 1.632.428/SP – Relatora: Ministra Nancy Andrighi – Terceira Turma – Julgado em 21/09/2017 – Publicado no DJe em 02/10/2017). A decisão do STJ no REsp nº 1.632.428/SP reconhece a promessa de compra e venda como um contrato preliminar que impõe às partes a obrigação de celebrar o contrato definitivo, permitindo a execução específica dessa obrigação com base no artigo 497 do CPC/2015. O Tribunal destaca o princípio da boa-fé objetiva como fundamental nas relações contratuais, assegurando que as partes ajam com lealdade e coerência, protegendo as expectativas legítimas e evitando comportamentos que prejudiquem a relação jurídica. O descumprimento da promessa de compra e venda pode acarretar não apenas a execução específica, mas também a reparação por perdas e danos, quando houver prejuízo comprovado pela parte lesada. Essa jurisprudência reforça o caráter vinculativo dos contratos preliminares, evidenciando que não se tratam de meros acordos de intenção, mas de instrumentos que geram direitos e deveres concretos, promovendo a previsibilidade e a estabilidade das relações contratuais. APELAÇÃO CÍVEL - CONTRATO PRELIMINAR - INADIMPLEMENTO - RESOLUÇÃO DO CONTRATO - INDENIZAÇÃO POR PERDAS E DANOS. O contrato preliminar, ainda que não configure a transferência de propriedade, gera obrigações entre as partes. O inadimplemento de qualquer uma delas pode justificar a resolução do contrato e a condenação em perdas e danos, como forma de evitar o enriquecimento sem causa da parte inadimplente." 11 (TJMG, Apelação Cível n.º 1.0024.10.421883-0/001, Rel. Des. Domingos Coelho – 12ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais – Julgado em 12/02/2014 – Publicado em 21/02/2024.). A jurisprudência destacada reflete a posição consolidada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais em relação ao inadimplemento de contratos preliminares. A decisão reafirma que, apesar de não transferir a propriedade ou concretizar todos os efeitos de um contrato definitivo, o contrato preliminar gera obrigações para as partes, as quais devem ser cumpridas em conformidade com o que foi pactuado. No caso em análise, o inadimplemento de uma das partes, ao descumprir os termos acordados no contrato preliminar, ensejou a resolução do contrato e a obrigação de indenizar a parte lesada por perdas e danos. Esse posicionamento encontra respaldo no artigo 475 do Código Civil Brasileiro,que permite à parte lesada optar pela resolução do contrato ou pela sua execução específica, sem prejuízo da reparação pelos danos causados. Além de proteger os direitos da parte cumpridora, a decisão serve para evitar o enriquecimento sem causa da parte inadimplente, assegurando o equilíbrio contratual e a boa- fé objetiva, princípios essenciais no direito contratual brasileiro. Assim, essa jurisprudência demonstra a função reparatória e preventiva da indenização, ao mesmo tempo que reforça a importância do cumprimento das obrigações assumidas em contratos preliminares. A condenação em perdas e danos também atua como elemento dissuasório, inibindo condutas que comprometam a execução dos contratos. 7. CONCLUSÃO A abordagem sobre o contrato preliminar revela sua importância como instrumento jurídico que promove segurança e previsibilidade nas relações contratuais. Regulamentado nos artigos 462 a 466 do Código Civil Brasileiro, o contrato preliminar possibilita que as partes estabeleçam compromissos sólidos para a celebração de um contrato definitivo, assegurando que as condições essenciais sejam previamente ajustadas. Essa modalidade contratual é amplamente utilizada em negociações complexas, como compra e venda de imóveis e grandes transações comerciais, destacando-se pela flexibilidade e pela proteção oferecida às partes. 12 Um ponto central dessa modalidade contratual é o compromisso de contratar, que cria obrigações vinculativas entre as partes. Esse compromisso assegura que eventual descumprimento possa ser questionado judicialmente por meio de execução específica ou indenização por perdas e danos. A boa-fé objetiva desempenha papel crucial nesse contexto, promovendo transparência, cooperação e estabilidade nas negociações, enquanto os elementos essenciais, como objeto lícito e forma adequada, fortalecem a segurança jurídica. A jurisprudência analisada confirma a força vinculativa do contrato preliminar, evidenciando que o inadimplemento gera consequências significativas, como resolução contratual e indenizações, protegendo os interesses da parte lesada e evitando o enriquecimento sem causa. Assim, o contrato preliminar vai além de um simples acordo preparatório, consolidando-se como um instrumento jurídico eficaz para proteger direitos, promover equilíbrio contratual e garantir a previsibilidade das relações jurídicas. 13 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Código Civil. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm. Acesso em: 22 nov. 2024. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral dos Contratos. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Parte Geral. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2021. LOPES, Miguel Reale. O Contrato e sua Função Social no Direito Brasileiro. 2. ed. São Paulo: RT, 2019. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Teoria Geral dos Contratos. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2020. RODRIGUES, Silvio. Direito civil: Contratos e atos unilaterais. 39. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. STJ – REsp nº 1.632.428/SP – Relatora: Ministra Nancy Andrighi – Terceira Turma – Julgado em 21/09/2017 – Publicado no DJe em 02/10/2017. Disponível em: www.stj.jus.br . Acesso em: 22 nov. 2024. TJMG, Apelação Cível n.º 1.0024.10.421883-0/001, Rel. Des. Domingos Coelho – 12ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais – Julgado em 12/02/2014 – Publicado em 21/02/2024. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br. Acesso em: 22 nov. 2024. http://www.stj.jus.br/ https://www.jusbrasil.com.br/