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DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSO TRIBUTÁRIO Módulo: Responsabilidade Tributária TEMA 03– Os meios de lançamento do crédito tributário II Aula 01 – Lançamento Tributário Lançamento Em uma noção geral sobre o tema, de acordo com Alexandre Mazza, temos que: Com a ocorrência do fato gerador nasce a obrigação tributária principal. Cabe lembrar que o fato gerador da obrigação principal é “a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência” (art. 114 do CTN).O surgimento da obrigação tributária, entretanto, não é suficiente para que a dívida do contribuinte perante o Fisco possa ser paga. Isso porque, com a simples ocorrência do fato gerador, ainda não se sabe quem deve pagar o tributo, qual o valor, onde, como e qual a data final para o pagamento. A definição de todos esses elementos necessários para a quitação da dívida tributária é feita por meio do lançamento. O fato gerador dá nascimento à obrigação tributária, ao passo que o crédito tributário (direito do Fisco cobrar) surge com o lançamento. Nota-se, desse modo, que a obrigação e o crédito tributário são elementos inter-relacionados, mas com origens em eventos fáticos distintos. Pode-se dizer, então, que a obrigação e o crédito são relativamente autônomos. Nesse sentido, o art. 139 do CTN afirma que “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”. Mas o art. 140 do mesmo diploma normativo, ressalva: “as circunstâncias que modificam o crédito tributário sua extensão ou efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade, não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem1. 1 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 938-939. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Alexandre Mazza trata os elementos do art. 142 do CTN como as 6 (seis) finalidades do lançamento, trazidas legalmente. De acordo com o autor: Com base no que dispõe o art. 142 do CTN, podem ser identificadas seis finalidades do lançamento tributário: 1) constituir o crédito tributário; 2) verificar a ocorrência do fato gerador; 3) determinar a matéria tributável; 4) calcular o montante do tributo devido; 5) identificar o sujeito passivo; 6) propor a aplicação da penalidade cabível.2 Procedimento Administrativo Vinculado A obrigação tributária é muito importante para que a gente possa entender e recordar alguns pontos que vocês já estudaram nesta pós-graduação. Segundo o CTN, o LANÇAMENTO é entendido por um PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO, sendo um CONJUNTO DE ATOS ADMINISTRATIVOS encadeados entre si para formação de um ato válido. Nos termos do art. 142 do CTN: “Compete privativamente à AUTORIDADE ADMINISTRATIVA constituir o crédito tributário pelo LANÇAMENTO, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Para boa parte da doutrina, entretanto, o LANÇAMENTO seria considerado um ATO ADMINISTRATIVO e não um procedimento administrativo, como descrito no artigo. Na explicação de Hugo de Brito Machado: 2 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 941. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 É também controvertido saber se o lançamento é um ato ou um procedimento. Na verdade, porém, a palavra lançamento tanto pode ser usada em um sentido, como em outro, sem que com isso se esteja incorrendo em erro. Pode-se chamar de lançamento a série de atos através dos quais a autoridade afere a ocorrência do fato gerador, quantifica o montante tributável, identifica o contribuinte etc. Nesse caso, a palavra é usada para designar um procedimento. Entretanto, esse procedimento pode concluir pela inexistência de tributo a ser quantificado. Pode acontecer, também, de a decadência se consumar antes de finalizado o procedimento, e, nesse caso, o tributo não poderá mais ser validamente lançado. Daí por que alguns autores afirmam que esse procedimento preparatório, a rigor, não é ainda o lançamento, expressão que reservam para o ato praticado em sua conclusão, no qual efetivamente se declara a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, se determina a matéria tributável, se calcula o montante do tributo devido, se identifica o sujeito passivo e se aplica a penalidade cabível, se for o caso.3 Ademais, tal procedimento é VINCULADO (pois ele está ligado à legislação), isto é, a AUTORIDADE ADMINISTRATIVA não exerce discricionariedade no ATO DE LANÇAMENTO, devendo OBSERVAR SEUS REQUISITOS, sob pena de nulidade. Neste sentido, a jurisprudência: TRIBUTÁRIO. ISS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO GENÉRICO. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO QUANTO AO FATO GERADOR. NULIDADE. ACÓRDÃO PARADIGMA VERSA SOBRE AUTOLANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. RECURSO NÃO CONHECIDO. 1. No Direito Tributário vige a regra da tipicidade fechada quanto à identificação do fato imponível. 2. Lançamento tributário que não especifica qual dos serviços constantes da lista tributada pelo ISS foi realizado pelo contribuinte é nulo, gerando, por consequências, a nulidade da inscrição em dívida ativa correspondente e extinção da execução fiscal que venha a ser ajuizada. 3. Identificar se a forma genérica pela qual foi realizada o lançamento ocasionou, ou não, dificuldade concreta no exercício de defesa do contribuinte é circunstância impossível de ser avaliada em sede de recurso especial, por implicar reexame de provas (Súmula 7/STJ). Em tese, o lançamento efetuado dessa maneira impossibilita o pleno exercício de defesa por parte do sujeito passivo tributário. (STJ, 2ªT., REsp 602.228/SC) 3 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 188-189. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Logo, se for GENÉRICO, o lançamento é nulo. Atente-se ao julgado apresentado em aula: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL - APRECIAÇÃO DA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS - IMPOSSIBILIDADE - CPC, ART. 535 - AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO - DISSÍDIO NÃO DEMONSTRADO: NÃO- CONHECIMENTO PELA DIVERGÊNCIA - TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL: HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA OU TÁCITA - LC 118/2005 - APLICAÇÃO RETROATIVA: INCONSTITUCIONALIDADE - PACIFICAÇÃO DO ENTENDIMENTO ? EREsp’s 435.835/SC e 644.736/PE - COBRANÇA DE TRIBUTO - DANO MORAL - NÃO-CARACTERIZAÇÃO - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - FALTA DE INTERESSE RECURSAL. A cobrança de tributo, por si só, não tem o condão de gerar dano material ou moral. Ao contrário, constitui poder/dever da Administração Pública, sempre que, prima facie, entender que ocorreu a hipótese de incidência prevista na legislação que o instituiu. Ademais, à luz do disposto no art. 142, parágrafo único, do CTN, trata-se de atividade administrativa vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.(STJ, 2ªT., REsp 1035660/RS) De acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, “a ATIVIDADE ADMINISTRATIVA DE LANÇAMENTO é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Logo, está vinculada aos limites da Lei. De acordo com Hugo de Brito Machado: Isso significa que a autoridade competente, constatando a existência de uma obrigação tributária, vale dizer, verificando a ocorrência do “fato gerador” do dever de pagar o tributo ou a penalidade pecuniária, não pode deixar de fazer o lançamento, sob pena de ser responsabilizada por isso.4 Ainda, deve-se verificar a ocorrência do fato gerador e de sua obrigação correspondente. 4 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 187. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956Verificação da ocorrência do fato gerador e da obrigação correspondente O 1º (primeiro) elemento trazido pelo art. 142 do CTN no conceito de lançamento é o de que ele é PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO VINCULADO. O 2º (segundo) é a VERIFICAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DA OBRIGAÇÃO CORRESPONDENTE. O ATO DE LANÇAMENTO vai definir TODOS OS CRITÉRIOS da HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Neste caso, o lançamento deverá trazer em seu bojo o aspecto espacial (local da ocorrência) e temporal (momento da ocorrência). Como já vimos em aula deste módulo, o LANÇAMENTO é (i) material, (ii) espacial e (iii) temporal. Este é o aspecto ANTECEDENTE. Munido desses três elementos é que surge o aspecto CONSEQUENTE, que se subdivide em (i) pessoal (sujeitos de obrigação) e (ii) quantitativo (o valor, o ‘quantum’). Então o ato traz a regra matriz de incidência. Determinação da matéria tributável O 3º (terceiro) elemento trazido pelo art. 142 do CTN no conceito de lançamento é a DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O LANÇAMENTO deverá EXTERNALIZAR para o contribuinte qual a matéria que será tributada (pois não pode haver lançamento genérico) e qual o tributo em questão. Se for IMPOSTO, sobre qual espécie de conduta ou situação jurídica (ex.: patrimônio, renda, serviços). É a definição do aspecto material do fato gerador. O que é aspecto material? O verbo + complemento (ex: auferir renda, prestar serviço, circular mercadorias, adquirir propriedade etc.). KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Cálculo do montante do tributo devido O 4º (quarto) elemento trazido pelo art. 142 do CTN no conceito de lançamento é o cálculo do montante devido do tributo. O lançamento deverá trazer ao particular qual valor passa a ser devido aos cofres públicos, por meio da multiplicação da base de cálculo e da alíquota (Bc X Al). Eis o ASPECTO QUANTITATIVO do fato gerador. Logo, a base de cálculo multiplicada pela alíquota gerará o valor em reais a ser pago. O STF entende ainda que alguns índices podem ser usados para calcular o tributo. Ex: Para determinado valor será ‘tantas’ UFESPs ou OTN etc. São índices para quantificar tributos. Identificação do sujeito passivo O 5º (quinto) elemento trazido pelo art. 142 do CTN no conceito de lançamento é a IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo pode ser a figura do CONTRIBUINTE ou do RESPONSÁVEL (conforme art. 121 do CTN). Assim, o lançamento deverá demonstrar quem é o devedor que terá esse dever legal de recolhimento dos valores aos cofres públicos, em decorrência da prática do fato gerador. Trata-se do ASPECTO PESSOAL do fato gerador. Aula 02 – Lançamento Proposição de Penalidade Cabível O 6º (sexto) elemento trazido pelo art. 142 do CTN no conceito de lançamento é a PROPOSIÇÃO DA PENALIDADE CABÍVEL. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Não é apenas a identificação do tributo que o lançamento poderá trazer. Uma vez que a MULTA também se caracteriza como OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (art. 97, V, CTN), ambos podem ser delineados pelo lançamento. Assim, a APLICAÇÃO DE UM AUTO DE INFRAÇÃO E IMPOSIÇÃO DE MULTA se classifica como TIPO DE LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO: CONSTITUIÇÃO. LANÇAMENTO FISCAL: EFEITOS. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO (...) II- Com a lavratura do auto de infração consuma-se o lançamento fiscal, o qual, ainda que provisório, impede a decadência. (STF, 1ª T., RE 90.926) A DECADÊNCIA é a perda do direito do FISCO de CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Se o crédito tributário é constituído através do lançamento, a decadência é a perda do direito de lançar o crédito tributário. Logo, se avaliada uma situação em que foi feito de maneira incorreta, há a possibilidade de um AUTO DE INFRAÇÃO E IMPOSIÇÃO DE MULTA, o que nada mais é do que externalizar uma cobrança tributária – tendo em vista ainda que, como já vimos anteriormente, a penalidade tributária é uma obrigação principal, dever de levar recursos aos cofres públicos. Corroborando o tema, precisamos interpretar o art. 144 do CTN: Art. 144, CTN: O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido.” O caput do art. 144 consagra o PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. Por este princípio, a lei tributária atinge FATOS POSTERIORES à KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 sua edição, ela não atinge fatos anteriores, não bem para anteriormente atingir a obrigação, pois ela se reporta à data da ocorrência do fato por questão de segurança jurídica na tributação. O §1º do art. 144 do CTN diz que quando se tem poderes instrumentais de fiscalização, estes podem RETROAGIR para verificar o cumprimento das obrigações tributárias. O §2º trata de casos de tributos que são denotados com FATOS GERADORES PERIÓDICOS, ex. IPTU, ITR, IPVA, que tem fato imposto na legislação para fins de cobrança, ex. 1º de janeiro do ano. De acordo com Hugo de Brito Machado: Adverte o § 1º do art. 144 do CTN que se aplica ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Trata-se, mais uma vez, da aplicação do princípio geral de Teoria do Direito segundo o qual, em regra, os fatos se regem pelas leis vigentes quando de sua ocorrência. Isso porque os critérios de apuração, os processos de fiscalização etc. não dizem respeito à obrigação tributária a ser exigida, mas apenas a meios de descobrir a sua existência ou de obter o seu adimplemento. São aspectos ligados apenas à constituição e ao adimplemento do crédito tributário enquanto realidade formal, e que por isso são regidos pela lei vigente à época do lançamento, visto que essa é a época em que os fatos que sofrem a sua incidência (fiscalização, formalização do lançamento etc.) estão a acontecer.5 Fechado o conceito de lançamento, passamos a analisar as formas de lançamento. As FORMAS DE LANÇAMENTO não se confundem com MODALIDADE. 5 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 190. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 A FORMA é como a externalização ou materialização acontece (como documentalmente aquilo acontece). Já a MODALIDADE DE LANÇAMENTO consiste em quais são as possibilidades de lançamento. A FORMA só acontece porque decorre de uma MODALIDADE DE LANÇAMENTO. Formas de Lançamento Tributário São FORMAS DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO: • Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM) • Notificação de Débito • Aviso de Lançamento • Inscrição em Dívida Ativa Se a pessoa adere a um parcelamento e depois descumpre, parando de pagar, quando foi aderido ao parcelamento, a pessoa já confessou a dívida, então no momento do inadimplemento, a Fazenda não precisa enviar outro lançamento, ela só pega o valor confessado, atualizada e inscreve em dívida ativa, não precisa de novo lançamento. Por isso entende-se que a inscrição em dívida ativa também pode ser uma forma de lançamento. A NOTIFICAÇÃOconclui o LANÇAMENTO. De acordo com o STF: A notificação ao sujeito passivo conclui o lançamento, demarcando a formalização do crédito pelo Fisco. O crédito devidamente notificado passa a ser exigível do contribuinte. Com a notificação o contribuinte é instado a pagar e, se não o fizer, nem se apresentar impugnação, poderá sujeitar-se à execução compulsaria através da Execução Fiscal. Ademais, após a notificação, o contribuinte não mais terá direito a certidão de negativa de débitos. A KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 notificação está para o lançamento como a publicação está para a lei, podendo-se invocar “mutatis mutandis. (STF, RE 222.241/CE) Conforme o STF, a própria figura da notificação fecha o lançamento. Inclusive, se o contribuinte assim quiser, ele não terá para si a figura da certidão negativa de débito, pois a notificação conclui o lançamento tributário e, portanto, um lançamento tributário vencido, não pago, não permite mais falar-se em certidão negativa de débito, do art. 205 do CTN. ➢ Súmula 397, STJ: O contribuinte do IPTU é notificado do lançamento pelo envio do carnê ao seu endereço. Neste contexto, entende o STJ: Em se tratando de IPTU, a notificação do lançamento é feita através do envio, pelos Correios, do carnê de pagamento do tributo. 2. ‘A notificação deste lançamento ao contribuinte ocorre quando, apurado o débito, envia-se para o endereço do imóvel a comunicação do montante a ser pago. Como bem ressaltou o acórdão, há presunção de que a notificação foi entregue ao contribuinte que, não concordando com a cobrança, pode impugná-la administrativa ou judicialmente. Caberia ao recorrente, para afastar a presunção, comprovar que não recebeu pelo correio o carnê de cobrança (embora difícil a produção de tal prova), o que não ocorreu neste feito". (REsp 168.035/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 24.9.2001). (AgRg no REsp 784771 RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/06/2008, DJe 19/06/2008) Não é o recebimento. É o SIMPLES ENVIO pelo FISCO, pois provar que não recebeu é muito difícil. Neste contexto, explica Hugo de Brito Machado: Nos termos do art. 145 do CTN, até a ocorrência da notificação ao sujeito passivo o lançamento não se considera efetuado. Assim, o prazo de decadência do direito de lançar, seja ele o do art. 150, § 4º, seja ele o do art. 173, do CTN, flui até a data dessa notificação, que deve ocorrer antes de consumada a extinção do direito da Fazenda. O início de um procedimento de fiscalização não configura a feitura do lançamento, não representa ainda o exercício do direito de lançar e, por isso mesmo, não tem qualquer repercussão no sentido de fazer cessar o curso do prazo de caducidade. Nesse sentido tem KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 se orientado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende do que restou assentado no julgamento do REsp 738.205/PR, no qual inclusive foram feitas diversas remissões a outros julgados, análogos, de ambas as turmas de Direito Público do STJ. Consignou-se, a propósito, que “a notificação do lançamento do crédito tributário constitui condição de eficácia do ato administrativo tributário, mercê de figurar como pressuposto de procedibilidade de sua exigibilidade”. Por isso, “a sua falta implica ausência de pressuposto válido e regular de constituição e desenvolvimento do processo6. Aula 03 – Lançamento Tributário Condutas do contribuinte ao ocorrer um lançamento Quando temos um LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, temos algumas possibilidades: o contribuinte pode (i) pagar, (ii) contestar ou (iii) não fazer nada. Estudaremos a seguir os efeitos dessas condutas. ➢ Processo Administrativo Fiscal - PAF – Decreto nº 70.235/72 O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 dispõe sobre o PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Conforme seu art.1º: “Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal.” ➢ Art. 144 CTN = O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador, regendo-se pela lei então vigente. Isso consagra o PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. 6 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 191. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 I. Impugnação do Sujeito Passivo = Não concordando com o lançamento, abre- se prazo de 30 dias, a contar da notificação, para apresentar defesa administrativa (impugnação - art. 14 do Decreto 70.235/727). Se indeferida, mais 30 dias para Recurso Voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/728. II. Recurso de ofício = Recurso interposto pela autoridade fazendária (art. 34, Decreto 70.235/729) quando a decisão de primeira instância exonerar o pagamento de tributos e encargos das multas no valor total ou quando deixar de aplicar a pena de perdimento de bens e mercadorias. III. Iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos do art. 149 do CTN10 = Trata-se de revisão de ofício do lançamento realizado pela autoridade fazendária. 7 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. 8 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. § 1º (Revogado pela Lei nº 12.096, de 2009) § 2º (Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) (Vide Adin nº 1.976-7) § 3º O arrolamento de que trata o § 2º será realizado preferencialmente sobre bens imóveis. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) § 4º O Poder Executivo editará as normas regulamentares necessárias à operacionalização do arrolamento previsto no § 2º. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) 9 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I - exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II - deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. 10 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, deato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Atenção: Para RESTITUIÇÃO de impostos e contribuições (SRFB) não caberá RECURSO DE OFÍCIO. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Vejamos as situações explicitadas nesta aula (tanto nesta parte, quanto nas partes anteriores), no seguinte fluxograma: Modalidades de Lançamento Tributário O LANÇAMENTO pode ser feito por 3 (três) MODALIDADES DISTINTAS: (i) de ofício, (ii) por declaração ou (iii) por homologação. ➢ Essas MODALIDADES são trazidas pelo CTN nos arts. 147 a 150. a) Lançamento direto, de ofício ou ‘ex officio’ (art. 149, I, CTN)11 11 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 b) Lançamento misto ou por declaração (art. 147, CTN)12; c) Lançamento por homologação ou autolançamento (art. 150, CTN)13. Lançamento direto, de ofício ou “ex offício” (art. 149, CTN) O LANÇAMENTO DIRETO (DE OFÍCIO OU EX OFFICIO) é aquele lançamento realizado por AUTORIDADE FISCAL que, dispondo de dados suficientes em seus registros para efetuar a cobrança da exação, constitui o crédito tributário dispensando o auxílio do contribuinte. Ex.: IPTU, IPVA, Taxas e Contribuição de Melhoria. CARACTERÍSTICAS DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO • Procedimento de INICIATIVA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Para este tipo de lançamento, a FAZENDA já tem em seus bancos de dados TODAS AS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS para emanar esse tipo de lançamento. Explica Hugo de Brito Machado acerca deste tipo de lançamento o seguinte: De ofício é lançamento efetuado pela autoridade administrativa independentemente de qualquer atuação ou participação do sujeito passivo. A própria autoridade detecta a ocorrência do fato gerador da obrigação, quantifica o valor tributável, identifica o sujeito passivo etc. O lançamento de ofício pode ser a modalidade I - quando a lei assim o determine; (...) 12 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º - A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º - Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. 13 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 normal, ou ordinária, de constituição do crédito tributário, como ocorre, por exemplo, com o IPTU. Todos os anos a autoridade competente efetua o lançamento, de ofício, e notifica o sujeito passivo a respeito do mesmo, independentemente de qualquer irregularidade ou infração nos pagamentos anteriores. No entanto, o lançamento de ofício também pode ser efetuado para corrigir equívocos verificados em lançamentos anteriores, de quaisquer modalidades, sempre que a autoridade detectar alguma irregularidade nos mesmos que imponha a necessidade de correção ou revisão e a exigência de eventuais diferenças. Exemplificando, caso o contribuinte de um tributo submetido a lançamento por homologação não faça a apuração nem apresente as declarações a que é obrigado, a autoridade pode efetuar o lançamento de ofício das quantias correspondentes. Diz-se, nesse caso, que o lançamento de ofício é revisional.14 Já nas palavras de Alexandre Mazza: Denomina-se lançamento direto ou de ofício aquele efetuado e revisto pela autoridade administrativa, sem participação do contribuinte (art. 149 do CTN), cabendo também ao Fisco calcular o valor devido. Exemplos: IPTU, IPVA, contribuição de melhoria e taxas.15 O art. 149 CTN trata do LANÇAMENTO DE OFÍCIO, dispondo o seguinte: Art. 149, CTN: O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse- se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; 14 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 192. 15 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 943. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 VII- quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII- quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX- quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Estudando-se inciso por inciso do art. 149, CTN, temos o seguinte: A hipótese indicada no inciso I do art. 149 do CTN diz respeito àqueles tributos normalmente submetidos ao lançamento de ofício (por exemplo, o IPTU). Já as demais hipóteses (incisos seguintes do art. 149) estão relacionadas com a correção de lançamentos anteriores, de quaisquer modalidades (ofício, declaração ou homologação), em face de irregularidades verificadas. Vejamos: Art. 149, CTN: I - quando a lei assim o determine; São aqueles cuja lei determine que cabe o Fisco toda a atividade de verificação da ocorrência do fato gerador, identificação do sujeito passivo, cálculo e notificação do mesmo para que haja o pagamento. O IPVA e o IPTU costumam ser tratados, pelas leis instituidoras, como tributos sujeitos a essa modalidade. Art. 149, CTN: (...) II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na formada legislação tributária; Tributos sujeitos a LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO em que o SUJEITO PASSIVO não presta a declaração. Ocorre quando o contribuinte deixa de cumprir a sua parte, dando ensejo a lançamento de ofício supletivo. O particular deve informar ao Fisco, e o Fisco lança. Art. 149, CTN: (...) III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 autoridade administrativa, recuse- se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; É o caso de: • Revisão das declarações; • Tributos sujeitos a LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO em que a DECLARAÇÃO É INSATISFATÓRIA. Neste sentido, a jurisprudência: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPTU. ERRO DE FATO. LANÇAMENTO ORIGINÁRIO QUE NÃO CONSIDEROU EDIFICAÇÃO NO IMÓVEL. REVISÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. ART. 149, VIII, CTN. VULNERAÇÃO DO ART. 144 DO CTN RECONHECIDA. (...) 3. O art. 149, III, do CTN contempla hipótese de revisão de ofício se ocorre fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento originário. No caso concreto, verifica-se que houve a quitação integral do IPTU pelo contribuinte e, somente depois, por meio de recadastramento e revisão efetivados pela municipalidade, observou-se uma construção no terreno, que gerou a complementação da cobrança.(STJ, 1ªT., REsp 1025862/SP) PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. REVISÃO DO LANÇAMENTO APÓS O PRAZO DECADENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES.1. É firme o entendimento desta Corte no sentido de que, nos termos dos arts. 145, III, e 149, VIII, e parágrafo único, ambos do CTN, a revisão do lançamento tributário é perfeitamente possível desde que realizada dentro do prazo decadencial. Desse modo, o termo final para a revisão do lançamento é o mesmo previsto para o lançamento revisado, nos termos do que dispõe o parágrafo único do art. 149 do Código Tributário Nacional.(STJ, 2ªT., AgRg no REsp 1405517/AL) Art. 149, CTN: (...) IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; • Declarações inexatas: tendo o lançamento originário se baseado em declarações inexatas prestadas pelo contribuinte, é lícito à autoridade administrativa revê-lo, por isso que caracterizado o erro de direito. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Aula 04 – Lançamento Tributário Lançamento de ofício O LANÇAMENTO DE OFÍCIO, também chamado “direto” ou “ex officio”, está disposto no art. 149 CTN, cujo inciso I trata das hipóteses gerais dos tributos normalmente submetidos ao lançamento de ofício (p. ex., IPTU), enquanto os demais incisos tratam de hipóteses relacionadas com a correção de lançamentos anteriores, de quaisquer modalidades (ofício, declaração ou homologação), em face de irregularidades verificadas. Assim, seguindo para o estudo do inciso V do art. 149 do CTN: Art. 149, CTN: (...) V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; • TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, QUANDO O CONTRIBUINTE NÃO CUMPRE A SUA OBRIGAÇÃO INTEGRAL OU PARCIALMENTE. Atente-se ao julgado apresentado em aula: ICMS.PAGAMENTO A MENOR. LANÇAMENTO DE OFÍCIO (... 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando ocorre o recolhimento em desconformidade com a legislação aplicável, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149)...(STJ, 2ªT., Resp 973.189/MG, Rel. Min. Castro Meira, set. 2007) Art. 149, CTN: (...) VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; • INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO DE MULTA. A APLICAÇÃO DE MULTA É FEITA PELO FISCO, DE OFÍCIO. Art. 149, CTN: (...) VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Art. 149, CTN: (...) VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. Atente-se ao julgado apresentado em aula: IPTU. REVISÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE. (...) 2. É possível a revisão, de ofício, do lançamento tributário, por meio de lançamento complementar, em virtude de erro de fato quando da apuração do imposto (art. 145 c/c 149, VIII, do CTN). (STJ, 1ªT., AgRg no Resp 1238475/MG, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, set. 2013) Art. 149, CTN: (...) IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Atente-se ao julgado apresentado em aula: REVISÃO DE LANÇAMENTO DO IPTU. ERRO DE FATO... 1. (...) somente podem ser revistos lançamentos cujo direito de constituição do crédito tributário não esteja decaído. Assim, os efeitos da revisão atingirão apenas os lançamentos ocorridos no quinquênio anterior.(STJ, 1ªT., RMS 11.271/RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, ago. 2004). Ou seja, questão de preclusão consumativa, de prazo. Ressalta-se que, conforme explica Alexandre Mazza, deve-se destacar que “a revisão de ofício somente poderá ser levada a termo pelo Fisco em casos excepcionais”, pois o “legislador condiciona a realização de correções em lançamento anterior à ocorrência de uma das hipóteses indicadas no rol do art. 149 do CTN, as quais, invariavelmente, envolvem erro, culpa ou dolo do sujeito passivo”. Ainda, “se o erro no lançamento for imputável exclusivamente ao Fisco é incabível a revisão”. Ademais, “a jurisprudência do STJ admite revisão de lançamento na hipótese de erro de fato, mas não por erro de direito16”. 16 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 945. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Lançamento direto, de ofício ou “ex offício” (art. 149, CTN) No LANÇAMENTO MISTO (OU POR DECLARAÇÃO), o FISCO constitui o crédito tributário a partir de informações fornecidas pelo CONTRIBUINTE por MEIO DE DECLARAÇÃO, sem as quais o lançamento ficaria prejudicado. Nesta espécie de lançamento, o procedimento é de iniciativa da Administração Pública Ex.: Imposto de Importação (II) e o Imposto de Exportação (IE) Logo, trata-se de um lançamento que é exarado pela AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, mas que ela somente o faz porque recebeu as informações do particular. Caso o Fisco tenha recebido as informações DE FORMA INCOMPLETA, ele pode depois LANÇAR DE OFÍCIO. Nas palavras de Hugo de Brito Machado: Diz-se por declaração o lançamento efetuado pela autoridade com base em elementos oferecidos pelo sujeito passivo, ou por terceiro, a respeito da matéria de fato indispensável à sua efetivação (CTN, art. 147). Em outras palavras, o sujeito passivo, ou um terceiro, declaram à autoridade administrativa a ocorrência de fatos em face dos quais seria possível efetuar o lançamento. Depois de ofertada essa declaração, a autoridade então efetua o lançamento e notifica o sujeito Em resumo: LANÇAMENTO E REVISÃO EX-OFFICIO • Por determinação de LEI; • Declaração fora do prazo ou da forma exigida • Recusa, não atendimento ou atendimento insatisfatório a pedido de esclarecimento de declaração pela autoridade administrativa. • Falsidade, erro ou omissão em elemento de declaração obrigatória; • Omissão ou inexatidão na homologação de lançamento; • Ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceirolegalmente obrigado, que importe aplicação ou penalidade pecuniária; • Dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo, ou de terceiro em seu benefício; • Fato não conhecido ou não provado no lançamento anterior; • Fraude, omissão ou falta funcional da autoridade que efetuou o lançamento anterior. ➢ Prazo para rever o lançamento:Enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 passivo para pagá-lo ou, se for o caso, apresentar impugnação (defesa administrativa).17 Já no conceito de Alexandre Mazza: Lançamento misto ou por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, é aquele em que o sujeito passivo ou o terceiro presta informações à autoridade administrativa sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação, cabendo ao Fisco calcular o valor devido. Exemplos de tributos lançados por declaração: Imposto de Exportação, ITCMD e ITBI. (...) Cada vez mais raro na prática, o lançamento misto tende a ser abolido do ordenamento pátrio por não ser nem tão infalível quanto o lançamento de ofício, nem tão cômodo para o Fisco quanto como o por homologação.18 Esta modalidade de lançamento é tratada no art. 147 do CTN, in verbis: Art. 147, CTN: O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Neste sentido, veja-se a jurisprudência: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. ERRO NA DECLARAÇÃO QUANTO AO TAMANHO DO IMÓVEL. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE POR INICIATIVA DO CONTRIBUINTE OU DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 147, § §1º e 2º, DO CTN. PRECEDENTE (RESP 770.236-PB, REL. MIN. LUIZ FUX, DJ 24/09/2007) 1. O lançamento pode ser revisto se constatado erro em sua feitura, desde que não esteja extinto pela decadência o direito de lançar da Fazenda. Tal revisão pode ser feita de ofício pela autoridade administrativa (art. 145, inciso III, c/c 149, inciso IV, do CTN) e a pedido do contribuinte (art. 147, §1º, do CTN). 17 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 193. 18 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 942. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 2. É cediço que a modificação da declaração do sujeito passivo pela Administração Fazendária não é possível a partir da notificação do lançamento, consoante o disposto pelo art. 147, § 1.º, do CTN, em face do princípio geral da imutabilidade do lançamento. Conduto pode o sujeito passivo da obrigação tributária se valer do Judiciário, na hipótese dos autos mandado de segurança, para anular crédito oriundo de lançamento eventualmente fundado em erro de fato, em que o contribuinte declarou, equivocadamente, base de cálculo superior à realmente devida para a cobrança do Imposto Territorial Rural. (STJ, 2ªT., REsp 1015623/GO) Lançamento por homologação ou autolançamento (art. 150, CTN) No LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, o CONTRIBUINTE participa direta e ativamente de sua formatação (cálculo e pagamento do tributo), cabendo ao FISCO tão somente o procedimento homologatório. Ex.: ICMS, IR, IPI, PIS, COFINS, CSLL etc. CARACTERÍSTICAS DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO: • Procedimento de INICIATIVA DO PARTICULAR • FAZENDA: em um prazo de 05 anos, a contar da ocorrência do fato gerador, deverá homologar a apuração desse lançamento de forma (i) expressa (ii) tácita, para fins de extinção do crédito tributário O conceito trazido pelo ilustre jurista Hugo de Brito Machado é o seguinte: Finalmente, por homologação é aquele lançamento no qual todos os atos de apuração, quantificação, cálculo etc., relativos à liquidação da obrigação tributária, são efetuados pelo próprio sujeito passivo. Depois de calcular o montante do tributo devido, o sujeito passivo submete essa apuração à autoridade administrativa, para que esta a homologue. O dever de efetuar o pagamento respectivo, entretanto, é antecipado, devendo ser o tributo recolhido antes do exame da autoridade e da respectiva homologação.19 19 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 193. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Para Geraldo Ataliba, o LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO é “impropriamente chamado autolançamento”. No conceito trazido pelo doutrinador, o lançamento por homologação “ocorre quando a lei atribuiu ao sujeito passivo a incumbência de todo o preparo material e técnico do ato, que, destarte, se reduz a uma simples homologação”. Assim, “o lançamento persiste sendo ato privativo do fiscal”, de modo que “o contribuinte é mero preparador” e “o lançamento, propriamente dito, no caso, consiste na homologação”20. Observa Ives Gandra da Silva Martins que, nesse tipo de lançamento, o SUJEITO PASSIVO “transforma-se em ‘longa manus’ não remunerada da Administração Pública”, pois fica “obrigado a praticar atos próprios da administração” (como a “escrituração de livros, emissão de notas fiscais etc.”), mas “sem receber nada em troca, a não ser a ameaça de punição, se não cumprir a exigência fiscal”21. Consoante dita a legislação (art. 150 do CTN): CTN, Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 20 ATALIBA. Apontamentos de ciência das finanças, direito financeiro e tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1969, p. 287-288. 21Decadência e prescrição. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva (Coord.). Decadência e prescrição. São Paulo: Revista dos Tribunais/CEU, 2007, p. 18. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 CTN, Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ainda, importante observar que a autoridade competente possui 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, para examinar se as apurações feitas pelo sujeito passivo estão corretas e para verificar se o valor pago está adequado. Após este prazo, ocorre a decadência do direito de a Fazenda Pública de lançar, nada mais podendo ser exigido do contribuinte, a não ser que se comprove queele agiu com dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 4º) e, neste caso, em vez de aplicar- se o prazo decadencial, aplica-se prazo maior, o do art. 173, I, do CTN. Neste sentido, de acordo com Luciano Amaro: Termo ‘a quo’ do prazo para homologação: 05 anos contados “do dia da ocorrência do fato gerador e não do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia (recusando homologação) efetuar o lançamento de ofício (art. 150, §4º) 22. Após a ANÁLISE PELA AUTORIDADE COMPETENTE, se ela verificar que estão corretas de forma explícita, ocorre a chamada “homologação expressa”, conforme explica Hugo de Brito Machado. Assim, continua o autor: “Caso tenha havido pagamento integral, o crédito tributário é definitivamente extinto (CTN, art. 156, VII)”. E, caso “não tenha havido pagamento, mas a apuração tenha sido declarada ao Fisco, que a considera correta, a jurisprudência do STJ entende que A AUTORIDADE pode “homologar” apenas essa apuração, inscrevendo em dívida ativa e exigindo a quantia não paga através da execução fiscal.23” 22 AMARO. Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p.407. 23 MACHADO. Hugo de Brito. (Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 196. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Outras formas de constituição do crédito tributário O CRÉDITO TRIBUTÁRIO é constituído através do lançamento (que pode ocorrer de ofício, por declaração ou por homologação). Mas, além do lançamento, EXISTEM TAMBÉM OUTRAS FORMAS DE CONSTITUIÇÃO, como no caso do art. 114, VIII da CF/88, que determina que a Justiça do Trabalho deve apurar as contribuições previdenciárias que o empregador deve pagar. Assim, o JUDICIÁRIO calcula o valor devido e a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA não precisa efetuar o lançamento desta quantia. Isso também ocorre nos casos em que o contribuinte declara o valor da obrigação tributária, mas não realiza o respectivo pagamento. Neste sentido, a Súmula 436 do STJ, que determina que a ENTREGA DA DECLARAÇÃO dispensa qualquer outra providência por parte do FISCO: Súmula 436, STJ: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Neste caso, a HOMOLOGAÇÃO DA FAZENDA SE TORNA PRESCINDÍVEL (confissão de dívida). Entende o STJ que a OBRIGAÇÃO se tornou LÍQUIDA e CERTA pela DECLARAÇÃO, sendo que esta CONSTITUI O CRÉDITO TRIBUTÁRIO e dispensa o FISCO de realizar o lançamento ou a homologação. Aliás, a diferença desta modalidade de constituição de crédito tributário e da modalidade lançamento por homologação consiste no fato de que no lançamento por homologação ocorre o pagamento (conforme entendimento do STJ, por exemplo, no Resp repetitivo 1.101.738-SP). Portanto, se um contribuinte realizar uma declaração de imposto de renda que resultar no pagamento de uma quantia determinada, mas não efetuar o pagamento, o Fisco pode, de imediato, inscrever o crédito na dívida ativa e iniciar a cobrança judicial KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 (por ação de execução fiscal), não precisando, para tanto, realizar previamente o lançamento. Neste sentido: Súmula 436/STJ - 13/05/2010 - Recurso especial repetitivo. Recurso especial representativo da controvérsia. Tributário. Crédito tributário. Entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal. Desnecessidade de qualquer outra providência por parte do fisco. Recurso especial repetitivo. CPC/1973, art. 543-C.CTN, art. 150. Lei 9.779/1999, art. 16. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Bibliografia ATALIBA. Apontamentos de ciência das finanças, direito financeiro e tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1969. AMARO. Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. ATALIBA. Apontamentos de ciência das finanças, direito financeiro e tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1969. CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 19 ed. Ver. São Paulo, Saraiva, 2007. COSTA, Regina Helena. Direito Tributário Brasileiro. 1 ed., São Paulo: Saraiva, 2009. MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 36. ed. São Paulo: Malheiros, 2015. SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário, 13 ed., São Paulo: Saraiva Educação, 2021. SILVA. Ives Grandra da Silva (Coord). Decadência e prescrição. São Paulo: Revista dos Tribunais/CEU, 2007. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956