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DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSO 
TRIBUTÁRIO 
 
Módulo: Responsabilidade Tributária 
 
TEMA 03– Os meios de lançamento do crédito 
tributário II 
 
 
Aula 01 – Lançamento Tributário 
 
Lançamento 
 
Em uma noção geral sobre o tema, de acordo com Alexandre Mazza, temos 
que: 
Com a ocorrência do fato gerador nasce a obrigação tributária principal. 
Cabe lembrar que o fato gerador da obrigação principal é “a situação 
definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência” (art. 114 
do CTN).O surgimento da obrigação tributária, entretanto, não é 
suficiente para que a dívida do contribuinte perante o Fisco possa ser 
paga. Isso porque, com a simples ocorrência do fato gerador, ainda não 
se sabe quem deve pagar o tributo, qual o valor, onde, como e qual a 
data final para o pagamento. A definição de todos esses elementos 
necessários para a quitação da dívida tributária é feita por meio do 
lançamento. O fato gerador dá nascimento à obrigação tributária, ao 
passo que o crédito tributário (direito do Fisco cobrar) surge com o 
lançamento. Nota-se, desse modo, que a obrigação e o crédito tributário 
são elementos inter-relacionados, mas com origens em eventos fáticos 
distintos. Pode-se dizer, então, que a obrigação e o crédito são 
relativamente autônomos. Nesse sentido, o art. 139 do CTN afirma que 
“o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma 
natureza desta”. Mas o art. 140 do mesmo diploma normativo, ressalva: 
“as circunstâncias que modificam o crédito tributário sua extensão ou 
efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem 
sua exigibilidade, não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem1. 
 
1 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 938-939. 
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Alexandre Mazza trata os elementos do art. 142 do CTN como as 6 (seis) 
finalidades do lançamento, trazidas legalmente. De acordo com o autor: 
Com base no que dispõe o art. 142 do CTN, podem ser identificadas seis 
finalidades do lançamento tributário: 
 
1) constituir o crédito tributário; 
2) verificar a ocorrência do fato gerador; 
3) determinar a matéria tributável; 
4) calcular o montante do tributo devido; 
5) identificar o sujeito passivo; 
6) propor a aplicação da penalidade cabível.2 
 
Procedimento Administrativo Vinculado 
A obrigação tributária é muito importante para que a gente possa entender e 
recordar alguns pontos que vocês já estudaram nesta pós-graduação. 
Segundo o CTN, o LANÇAMENTO é entendido por um PROCEDIMENTO 
ADMINISTRATIVO, sendo um CONJUNTO DE ATOS ADMINISTRATIVOS 
encadeados entre si para formação de um ato válido. 
Nos termos do art. 142 do CTN: “Compete privativamente à AUTORIDADE 
ADMINISTRATIVA constituir o crédito tributário pelo LANÇAMENTO, assim 
entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato 
gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o 
montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a 
aplicação da penalidade cabível”. 
Para boa parte da doutrina, entretanto, o LANÇAMENTO seria considerado 
um ATO ADMINISTRATIVO e não um procedimento administrativo, como descrito 
no artigo. 
Na explicação de Hugo de Brito Machado: 
 
 
2 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 941. 
 
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É também controvertido saber se o lançamento é um ato ou um 
procedimento. Na verdade, porém, a palavra lançamento tanto pode 
ser usada em um sentido, como em outro, sem que com isso se esteja 
incorrendo em erro. Pode-se chamar de lançamento a série de atos 
através dos quais a autoridade afere a ocorrência do fato gerador, 
quantifica o montante tributável, identifica o contribuinte etc. Nesse 
caso, a palavra é usada para designar um procedimento. Entretanto, 
esse procedimento pode concluir pela inexistência de tributo a ser 
quantificado. Pode acontecer, também, de a decadência se consumar 
antes de finalizado o procedimento, e, nesse caso, o tributo não 
poderá mais ser validamente lançado. Daí por que alguns autores 
afirmam que esse procedimento preparatório, a rigor, não é ainda o 
lançamento, expressão que reservam para o ato praticado em sua 
conclusão, no qual efetivamente se declara a ocorrência do fato 
gerador da obrigação correspondente, se determina a matéria 
tributável, se calcula o montante do tributo devido, se identifica o 
sujeito passivo e se aplica a penalidade cabível, se for o caso.3 
 
Ademais, tal procedimento é VINCULADO (pois ele está ligado à legislação), 
isto é, a AUTORIDADE ADMINISTRATIVA não exerce discricionariedade no ATO 
DE LANÇAMENTO, devendo OBSERVAR SEUS REQUISITOS, sob pena de 
nulidade. 
Neste sentido, a jurisprudência: 
TRIBUTÁRIO. ISS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO GENÉRICO. 
AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO QUANTO AO FATO GERADOR. 
NULIDADE. ACÓRDÃO PARADIGMA VERSA SOBRE 
AUTOLANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. 
RECURSO NÃO CONHECIDO. 
1. No Direito Tributário vige a regra da tipicidade fechada quanto à 
identificação do fato imponível. 
2. Lançamento tributário que não especifica qual dos serviços 
constantes da lista tributada pelo ISS foi realizado pelo contribuinte é 
nulo, gerando, por consequências, a nulidade da inscrição em dívida 
ativa correspondente e extinção da execução fiscal que venha a ser 
ajuizada. 
3. Identificar se a forma genérica pela qual foi realizada o lançamento 
ocasionou, ou não, dificuldade concreta no exercício de defesa do 
contribuinte é circunstância impossível de ser avaliada em sede de 
recurso especial, por implicar reexame de provas (Súmula 7/STJ). Em 
tese, o lançamento efetuado dessa maneira impossibilita o pleno 
exercício de defesa por parte do sujeito passivo tributário. (STJ, 2ªT., 
REsp 602.228/SC) 
 
3 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 188-189. 
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Logo, se for GENÉRICO, o lançamento é nulo. 
Atente-se ao julgado apresentado em aula: 
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL - 
APRECIAÇÃO DA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS 
CONSTITUCIONAIS - IMPOSSIBILIDADE - CPC, ART. 535 - 
AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO - DISSÍDIO NÃO DEMONSTRADO: NÃO- 
CONHECIMENTO PELA DIVERGÊNCIA - TRIBUTO LANÇADO POR 
HOMOLOGAÇÃO - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - TERMO INICIAL DO 
PRAZO PRESCRICIONAL: HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA OU 
TÁCITA - LC 118/2005 - APLICAÇÃO RETROATIVA: 
INCONSTITUCIONALIDADE - PACIFICAÇÃO DO ENTENDIMENTO 
? EREsp’s 435.835/SC e 644.736/PE - COBRANÇA DE TRIBUTO - 
DANO MORAL - NÃO-CARACTERIZAÇÃO - HONORÁRIOS 
ADVOCATÍCIOS - FALTA DE INTERESSE RECURSAL. A cobrança 
de tributo, por si só, não tem o condão de gerar dano material ou moral. 
Ao contrário, constitui poder/dever da Administração Pública, sempre 
que, prima facie, entender que ocorreu a hipótese de incidência 
prevista na legislação que o instituiu. Ademais, à luz do disposto no 
art. 142, parágrafo único, do CTN, trata-se de atividade administrativa 
vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.(STJ, 
2ªT., REsp 1035660/RS) 
 
De acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, “a ATIVIDADE 
ADMINISTRATIVA DE LANÇAMENTO é vinculada e obrigatória, sob pena de 
responsabilidade funcional”. Logo, está vinculada aos limites da Lei. 
De acordo com Hugo de Brito Machado: 
Isso significa que a autoridade competente, constatando a existência 
de uma obrigação tributária, vale dizer, verificando a ocorrência do 
“fato gerador” do dever de pagar o tributo ou a penalidade 
pecuniária, não pode deixar de fazer o lançamento, sob pena de ser 
responsabilizada por isso.4 
 
 
Ainda, deve-se verificar a ocorrência do fato gerador e de sua obrigação 
correspondente. 
 
4 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 187. 
KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956Verificação da ocorrência do fato gerador e da obrigação 
correspondente 
O 1º (primeiro) elemento trazido pelo art. 142 do CTN no conceito de 
lançamento é o de que ele é PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO VINCULADO. O 
2º (segundo) é a VERIFICAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DA 
OBRIGAÇÃO CORRESPONDENTE. 
O ATO DE LANÇAMENTO vai definir TODOS OS CRITÉRIOS da 
HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Neste caso, o lançamento deverá 
trazer em seu bojo o aspecto espacial (local da ocorrência) e temporal (momento 
da ocorrência). 
Como já vimos em aula deste módulo, o LANÇAMENTO é (i) material, (ii) 
espacial e (iii) temporal. Este é o aspecto ANTECEDENTE. Munido desses três 
elementos é que surge o aspecto CONSEQUENTE, que se subdivide em (i) 
pessoal (sujeitos de obrigação) e (ii) quantitativo (o valor, o ‘quantum’). 
Então o ato traz a regra matriz de incidência. 
Determinação da matéria tributável 
O 3º (terceiro) elemento trazido pelo art. 142 do CTN no conceito de 
lançamento é a DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. 
O LANÇAMENTO deverá EXTERNALIZAR para o contribuinte qual a 
matéria que será tributada (pois não pode haver lançamento genérico) e qual o 
tributo em questão. Se for IMPOSTO, sobre qual espécie de conduta ou situação 
jurídica (ex.: patrimônio, renda, serviços). 
É a definição do aspecto material do fato gerador. 
O que é aspecto material? 
O verbo + complemento (ex: auferir renda, prestar serviço, circular 
mercadorias, adquirir propriedade etc.). 
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Cálculo do montante do tributo devido 
O 4º (quarto) elemento trazido pelo art. 142 do CTN no conceito de 
lançamento é o cálculo do montante devido do tributo. 
O lançamento deverá trazer ao particular qual valor passa a ser devido 
aos cofres públicos, por meio da multiplicação da base de cálculo e da alíquota 
(Bc X Al). 
Eis o ASPECTO QUANTITATIVO do fato gerador. Logo, a base de cálculo 
multiplicada pela alíquota gerará o valor em reais a ser pago. 
O STF entende ainda que alguns índices podem ser usados para calcular o 
tributo. Ex: Para determinado valor será ‘tantas’ UFESPs ou OTN etc. São índices 
para quantificar tributos. 
Identificação do sujeito passivo 
O 5º (quinto) elemento trazido pelo art. 142 do CTN no conceito de 
lançamento é a IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. 
O sujeito passivo pode ser a figura do CONTRIBUINTE ou do 
RESPONSÁVEL (conforme art. 121 do CTN). 
Assim, o lançamento deverá demonstrar quem é o devedor que terá esse 
dever legal de recolhimento dos valores aos cofres públicos, em decorrência da 
prática do fato gerador. 
Trata-se do ASPECTO PESSOAL do fato gerador. 
 
Aula 02 – Lançamento 
 
Proposição de Penalidade Cabível 
O 6º (sexto) elemento trazido pelo art. 142 do CTN no conceito de 
lançamento é a PROPOSIÇÃO DA PENALIDADE CABÍVEL. 
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Não é apenas a identificação do tributo que o lançamento poderá trazer. Uma 
vez que a MULTA também se caracteriza como OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (art. 97, 
V, CTN), ambos podem ser delineados pelo lançamento. 
Assim, a APLICAÇÃO DE UM AUTO DE INFRAÇÃO E IMPOSIÇÃO DE 
MULTA se classifica como TIPO DE LANÇAMENTO. 
CRÉDITO TRIBUTÁRIO: CONSTITUIÇÃO. LANÇAMENTO FISCAL: 
EFEITOS. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO (...) II- Com a lavratura do 
auto de infração consuma-se o lançamento fiscal, o qual, ainda que 
provisório, impede a decadência. (STF, 1ª T., RE 90.926) 
 
A DECADÊNCIA é a perda do direito do FISCO de CONSTITUIR O 
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Se o crédito tributário é constituído através do 
lançamento, a decadência é a perda do direito de lançar o crédito tributário. 
Logo, se avaliada uma situação em que foi feito de maneira incorreta, há a 
possibilidade de um AUTO DE INFRAÇÃO E IMPOSIÇÃO DE MULTA, o que nada 
mais é do que externalizar uma cobrança tributária – tendo em vista ainda que, 
como já vimos anteriormente, a penalidade tributária é uma obrigação principal, 
dever de levar recursos aos cofres públicos. 
Corroborando o tema, precisamos interpretar o art. 144 do CTN: 
Art. 144, CTN: O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato 
gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que 
posteriormente modificada ou revogada. 
§1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à 
ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos 
critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os 
poderes de investigação das autoridades administrativas, ou 
outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste 
último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a 
terceiros. 
§2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por 
períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe 
expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido.” 
 
O caput do art. 144 consagra o PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE 
TRIBUTÁRIA. Por este princípio, a lei tributária atinge FATOS POSTERIORES à 
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sua edição, ela não atinge fatos anteriores, não bem para anteriormente atingir a 
obrigação, pois ela se reporta à data da ocorrência do fato por questão de segurança 
jurídica na tributação. 
O §1º do art. 144 do CTN diz que quando se tem poderes instrumentais de 
fiscalização, estes podem RETROAGIR para verificar o cumprimento das 
obrigações tributárias. 
O §2º trata de casos de tributos que são denotados com FATOS 
GERADORES PERIÓDICOS, ex. IPTU, ITR, IPVA, que tem fato imposto na 
legislação para fins de cobrança, ex. 1º de janeiro do ano. 
De acordo com Hugo de Brito Machado: 
Adverte o § 1º do art. 144 do CTN que se aplica ao lançamento a 
legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da 
obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos 
de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades 
administrativas ou outorgado ao crédito maiores garantias ou 
privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir 
responsabilidade tributária a terceiros. Trata-se, mais uma vez, da 
aplicação do princípio geral de Teoria do Direito segundo o qual, em 
regra, os fatos se regem pelas leis vigentes quando de sua ocorrência. 
Isso porque os critérios de apuração, os processos de fiscalização etc. 
não dizem respeito à obrigação tributária a ser exigida, mas apenas a 
meios de descobrir a sua existência ou de obter o seu adimplemento. 
São aspectos ligados apenas à constituição e ao adimplemento do 
crédito tributário enquanto realidade formal, e que por isso são regidos 
pela lei vigente à época do lançamento, visto que essa é a época em 
que os fatos que sofrem a sua incidência (fiscalização, formalização 
do lançamento etc.) estão a acontecer.5 
 
Fechado o conceito de lançamento, passamos a analisar as formas de 
lançamento. 
As FORMAS DE LANÇAMENTO não se confundem com MODALIDADE. 
 
5 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 190. 
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A FORMA é como a externalização ou materialização acontece (como 
documentalmente aquilo acontece). Já a MODALIDADE DE LANÇAMENTO 
consiste em quais são as possibilidades de lançamento. 
A FORMA só acontece porque decorre de uma MODALIDADE DE 
LANÇAMENTO. 
Formas de Lançamento Tributário 
São FORMAS DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO: 
• Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM) 
• Notificação de Débito 
• Aviso de Lançamento 
• Inscrição em Dívida Ativa 
 
Se a pessoa adere a um parcelamento e depois descumpre, parando de 
pagar, quando foi aderido ao parcelamento, a pessoa já confessou a dívida, então no 
momento do inadimplemento, a Fazenda não precisa enviar outro lançamento, ela só 
pega o valor confessado, atualizada e inscreve em dívida ativa, não precisa de novo 
lançamento. Por isso entende-se que a inscrição em dívida ativa também pode ser 
uma forma de lançamento. 
A NOTIFICAÇÃOconclui o LANÇAMENTO. 
De acordo com o STF: 
A notificação ao sujeito passivo conclui o lançamento, 
demarcando a formalização do crédito pelo Fisco. O crédito 
devidamente notificado passa a ser exigível do contribuinte. Com a 
notificação o contribuinte é instado a pagar e, se não o fizer, nem se 
apresentar impugnação, poderá sujeitar-se à execução compulsaria 
através da Execução Fiscal. Ademais, após a notificação, o 
contribuinte não mais terá direito a certidão de negativa de débitos. A 
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notificação está para o lançamento como a publicação está para a lei, 
podendo-se invocar “mutatis mutandis. (STF, RE 222.241/CE) 
 
Conforme o STF, a própria figura da notificação fecha o lançamento. Inclusive, 
se o contribuinte assim quiser, ele não terá para si a figura da certidão negativa de 
débito, pois a notificação conclui o lançamento tributário e, portanto, um lançamento 
tributário vencido, não pago, não permite mais falar-se em certidão negativa de débito, 
do art. 205 do CTN. 
➢ Súmula 397, STJ: O contribuinte do IPTU é notificado do lançamento pelo 
envio do carnê ao seu endereço. 
Neste contexto, entende o STJ: 
Em se tratando de IPTU, a notificação do lançamento é feita através 
do envio, pelos Correios, do carnê de pagamento do tributo. 2. ‘A 
notificação deste lançamento ao contribuinte ocorre quando, apurado 
o débito, envia-se para o endereço do imóvel a comunicação do 
montante a ser pago. Como bem ressaltou o acórdão, há presunção 
de que a notificação foi entregue ao contribuinte que, não concordando 
com a cobrança, pode impugná-la administrativa ou judicialmente. 
Caberia ao recorrente, para afastar a presunção, comprovar que não 
recebeu pelo correio o carnê de cobrança (embora difícil a produção 
de tal prova), o que não ocorreu neste feito". (REsp 168.035/SP, 2ª 
Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 24.9.2001). (AgRg no REsp 
784771 RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, 
julgado em 03/06/2008, DJe 19/06/2008) 
 
Não é o recebimento. É o SIMPLES ENVIO pelo FISCO, pois provar que 
não recebeu é muito difícil. 
Neste contexto, explica Hugo de Brito Machado: 
Nos termos do art. 145 do CTN, até a ocorrência da notificação ao 
sujeito passivo o lançamento não se considera efetuado. Assim, o 
prazo de decadência do direito de lançar, seja ele o do art. 150, § 
4º, seja ele o do art. 173, do CTN, flui até a data dessa notificação, 
que deve ocorrer antes de consumada a extinção do direito da 
Fazenda. O início de um procedimento de fiscalização não configura 
a feitura do lançamento, não representa ainda o exercício do direito de 
lançar e, por isso mesmo, não tem qualquer repercussão no sentido 
de fazer cessar o curso do prazo de caducidade. Nesse sentido tem 
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se orientado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, 
conforme se depreende do que restou assentado no julgamento do 
REsp 738.205/PR, no qual inclusive foram feitas diversas remissões a 
outros julgados, análogos, de ambas as turmas de Direito Público do 
STJ. Consignou-se, a propósito, que “a notificação do lançamento do 
crédito tributário constitui condição de eficácia do ato administrativo 
tributário, mercê de figurar como pressuposto de procedibilidade de 
sua exigibilidade”. Por isso, “a sua falta implica ausência de 
pressuposto válido e regular de constituição e desenvolvimento do 
processo6. 
 
 
Aula 03 – Lançamento Tributário 
 
Condutas do contribuinte ao ocorrer um lançamento 
Quando temos um LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, temos algumas 
possibilidades: o contribuinte pode (i) pagar, (ii) contestar ou (iii) não fazer nada. 
Estudaremos a seguir os efeitos dessas condutas. 
 
➢ Processo Administrativo Fiscal - PAF – Decreto nº 70.235/72 
O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 dispõe sobre o PROCESSO 
ADMINISTRATIVO FISCAL. 
Conforme seu art.1º: “Este Decreto rege o processo administrativo de 
determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a 
aplicação da legislação tributária federal.” 
 
➢ Art. 144 CTN = O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato 
gerador, regendo-se pela lei então vigente. 
Isso consagra o PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. 
 
 
6 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 191. 
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I. Impugnação do Sujeito Passivo = Não concordando com o lançamento, abre-
se prazo de 30 dias, a contar da notificação, para apresentar defesa administrativa 
(impugnação - art. 14 do Decreto 70.235/727). Se indeferida, mais 30 dias para 
Recurso Voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/728. 
 
II. Recurso de ofício = Recurso interposto pela autoridade fazendária (art. 34, 
Decreto 70.235/729) quando a decisão de primeira instância exonerar o pagamento 
de tributos e encargos das multas no valor total ou quando deixar de aplicar a pena 
de perdimento de bens e mercadorias. 
 
III. Iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos do art. 149 do 
CTN10 = Trata-se de revisão de ofício do lançamento realizado pela autoridade 
fazendária. 
 
 
7 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. 
8 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência 
da decisão. 
§ 1º (Revogado pela Lei nº 12.096, de 2009) 
§ 2º (Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) (Vide Adin nº 1.976-7) 
§ 3º O arrolamento de que trata o § 2º será realizado preferencialmente sobre bens imóveis. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 
2002) 
§ 4º O Poder Executivo editará as normas regulamentares necessárias à operacionalização do arrolamento previsto no § 2º. 
(Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) 
9 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: 
I - exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a 
ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 
II - deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. 
§ 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. 
§ 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu 
chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. 
10 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: 
I - quando a lei assim o determine; 
II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; 
III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, 
no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a 
prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; 
IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de 
declaração obrigatória; 
V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se 
refere o artigo seguinte; 
VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de 
penalidade pecuniária; 
VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 
VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; 
IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, 
pela mesma autoridade, deato ou formalidade especial. 
Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. 
Atenção: Para RESTITUIÇÃO de impostos e contribuições (SRFB) não caberá 
RECURSO DE OFÍCIO. 
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Vejamos as situações explicitadas nesta aula (tanto nesta parte, quanto nas 
partes anteriores), no seguinte fluxograma: 
 
 
Modalidades de Lançamento Tributário 
O LANÇAMENTO pode ser feito por 3 (três) MODALIDADES DISTINTAS: 
(i) de ofício, (ii) por declaração ou (iii) por homologação. 
 
➢ Essas MODALIDADES são trazidas pelo CTN nos arts. 147 a 150. 
 
a) Lançamento direto, de ofício ou ‘ex officio’ (art. 149, I, CTN)11 
 
11 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: 
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b) Lançamento misto ou por declaração (art. 147, CTN)12; 
c) Lançamento por homologação ou autolançamento (art. 150, CTN)13. 
 
Lançamento direto, de ofício ou “ex offício” (art. 149, CTN) 
O LANÇAMENTO DIRETO (DE OFÍCIO OU EX OFFICIO) é aquele 
lançamento realizado por AUTORIDADE FISCAL que, dispondo de dados 
suficientes em seus registros para efetuar a cobrança da exação, constitui o 
crédito tributário dispensando o auxílio do contribuinte. Ex.: IPTU, IPVA, Taxas e 
Contribuição de Melhoria. 
 
CARACTERÍSTICAS DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO 
 
• Procedimento de INICIATIVA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Para este tipo de lançamento, a FAZENDA já tem em seus bancos de 
dados TODAS AS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS para emanar esse tipo de 
lançamento. 
Explica Hugo de Brito Machado acerca deste tipo de lançamento o seguinte: 
De ofício é lançamento efetuado pela autoridade administrativa 
independentemente de qualquer atuação ou participação do 
sujeito passivo. A própria autoridade detecta a ocorrência do fato 
gerador da obrigação, quantifica o valor tributável, identifica o 
sujeito passivo etc. O lançamento de ofício pode ser a modalidade 
 
 I - quando a lei assim o determine; (...) 
12 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma 
da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. 
§ 1º - A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível 
mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 
§ 2º - Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a 
que competir a revisão daquela. 
13 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever 
de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, 
tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 
§ 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior 
homologação ao lançamento. 
§ 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por 
terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. 
§ 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo 
o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. 
§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse 
prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o 
crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 
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normal, ou ordinária, de constituição do crédito tributário, como ocorre, 
por exemplo, com o IPTU. Todos os anos a autoridade competente 
efetua o lançamento, de ofício, e notifica o sujeito passivo a respeito 
do mesmo, independentemente de qualquer irregularidade ou infração 
nos pagamentos anteriores. No entanto, o lançamento de ofício 
também pode ser efetuado para corrigir equívocos verificados em 
lançamentos anteriores, de quaisquer modalidades, sempre que a 
autoridade detectar alguma irregularidade nos mesmos que imponha 
a necessidade de correção ou revisão e a exigência de eventuais 
diferenças. Exemplificando, caso o contribuinte de um tributo 
submetido a lançamento por homologação não faça a apuração nem 
apresente as declarações a que é obrigado, a autoridade pode efetuar 
o lançamento de ofício das quantias correspondentes. Diz-se, nesse 
caso, que o lançamento de ofício é revisional.14 
 
 
Já nas palavras de Alexandre Mazza: 
Denomina-se lançamento direto ou de ofício aquele efetuado e revisto 
pela autoridade administrativa, sem participação do contribuinte (art. 
149 do CTN), cabendo também ao Fisco calcular o valor devido. 
Exemplos: IPTU, IPVA, contribuição de melhoria e taxas.15 
 
O art. 149 CTN trata do LANÇAMENTO DE OFÍCIO, dispondo o seguinte: 
Art. 149, CTN: O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela 
autoridade administrativa nos seguintes casos: 
I - quando a lei assim o determine; 
II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, 
no prazo e na forma da legislação tributária; 
III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado 
declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no 
prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de 
esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse- 
se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela 
autoridade; 
IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a 
qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo 
de declaração obrigatória; 
V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da 
pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se 
refere o artigo seguinte; 
VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou 
de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de 
penalidade pecuniária; 
 
14 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 192. 
15 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 943. 
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VII- quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em 
benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 
VIII- quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não 
provado por ocasião do lançamento anterior; 
IX- quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu 
fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou 
omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. 
Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada 
enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” 
 
Estudando-se inciso por inciso do art. 149, CTN, temos o seguinte: 
A hipótese indicada no inciso I do art. 149 do CTN diz respeito àqueles tributos 
normalmente submetidos ao lançamento de ofício (por exemplo, o IPTU). Já as 
demais hipóteses (incisos seguintes do art. 149) estão relacionadas com a correção 
de lançamentos anteriores, de quaisquer modalidades (ofício, declaração ou 
homologação), em face de irregularidades verificadas. Vejamos: 
 Art. 149, CTN: I - quando a lei assim o determine; 
São aqueles cuja lei determine que cabe o Fisco toda a atividade de 
verificação da ocorrência do fato gerador, identificação do sujeito passivo, cálculo e 
notificação do mesmo para que haja o pagamento. O IPVA e o IPTU costumam ser 
tratados, pelas leis instituidoras, como tributos sujeitos a essa modalidade. 
 
Art. 149, CTN: (...) II - quando a declaração não seja prestada, por quem de 
direito, no prazo e na formada legislação tributária; 
Tributos sujeitos a LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO em que o SUJEITO 
PASSIVO não presta a declaração. 
Ocorre quando o contribuinte deixa de cumprir a sua parte, dando ensejo a 
lançamento de ofício supletivo. 
O particular deve informar ao Fisco, e o Fisco lança. 
Art. 149, CTN: (...) III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha 
prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e 
na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela 
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autoridade administrativa, recuse- se a prestá-lo ou não o preste 
satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; 
É o caso de: 
• Revisão das declarações; 
• Tributos sujeitos a LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO em que a 
DECLARAÇÃO É INSATISFATÓRIA. 
 
Neste sentido, a jurisprudência: 
TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPTU. ERRO DE FATO. 
LANÇAMENTO ORIGINÁRIO QUE NÃO CONSIDEROU 
EDIFICAÇÃO NO IMÓVEL. REVISÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. 
ART. 149, VIII, CTN. VULNERAÇÃO DO ART. 144 DO CTN 
RECONHECIDA. (...) 3. O art. 149, III, do CTN contempla hipótese de 
revisão de ofício se ocorre fato não conhecido ou não provado na 
ocasião do lançamento originário. No caso concreto, verifica-se que 
houve a quitação integral do IPTU pelo contribuinte e, somente depois, 
por meio de recadastramento e revisão efetivados pela 
municipalidade, observou-se uma construção no terreno, que gerou a 
complementação da cobrança.(STJ, 1ªT., REsp 1025862/SP) 
 
PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO 
FISCAL. REVISÃO DO LANÇAMENTO APÓS O PRAZO 
DECADENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES.1. É firme o 
entendimento desta Corte no sentido de que, nos termos dos arts. 145, 
III, e 149, VIII, e parágrafo único, ambos do CTN, a revisão do 
lançamento tributário é perfeitamente possível desde que realizada 
dentro do prazo decadencial. Desse modo, o termo final para a revisão 
do lançamento é o mesmo previsto para o lançamento revisado, nos 
termos do que dispõe o parágrafo único do art. 149 do Código 
Tributário Nacional.(STJ, 2ªT., AgRg no REsp 1405517/AL) 
 
 
Art. 149, CTN: (...) IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a 
qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração 
obrigatória; 
 
• Declarações inexatas: tendo o lançamento originário se baseado em 
declarações inexatas prestadas pelo contribuinte, é lícito à autoridade administrativa 
revê-lo, por isso que caracterizado o erro de direito. 
 
 
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Aula 04 – Lançamento Tributário 
 
Lançamento de ofício 
O LANÇAMENTO DE OFÍCIO, também chamado “direto” ou “ex officio”, está 
disposto no art. 149 CTN, cujo inciso I trata das hipóteses gerais dos tributos 
normalmente submetidos ao lançamento de ofício (p. ex., IPTU), enquanto os demais 
incisos tratam de hipóteses relacionadas com a correção de lançamentos anteriores, 
de quaisquer modalidades (ofício, declaração ou homologação), em face de 
irregularidades verificadas. 
Assim, seguindo para o estudo do inciso V do art. 149 do CTN: 
Art. 149, CTN: (...) V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da 
pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo 
seguinte; 
• TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, QUANDO O 
CONTRIBUINTE NÃO CUMPRE A SUA OBRIGAÇÃO INTEGRAL OU 
PARCIALMENTE. 
Atente-se ao julgado apresentado em aula: 
ICMS.PAGAMENTO A MENOR. LANÇAMENTO DE OFÍCIO (... 
 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando 
ocorre o recolhimento em desconformidade com a 
legislação aplicável, deve a autoridade fiscal proceder ao 
lançamento de ofício (CTN, art. 149)...(STJ, 2ªT., Resp 
973.189/MG, Rel. Min. Castro Meira, set. 2007) 
 
Art. 149, CTN: (...) VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, 
ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade 
pecuniária; 
• INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO DE MULTA. A 
APLICAÇÃO DE MULTA É FEITA PELO FISCO, DE OFÍCIO. 
Art. 149, CTN: (...) 
VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício 
daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação 
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Art. 149, CTN: (...) 
VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião 
do lançamento anterior. 
Atente-se ao julgado apresentado em aula: 
IPTU. REVISÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO DE FATO. 
POSSIBILIDADE. (...) 
2. É possível a revisão, de ofício, do lançamento tributário, por meio 
de lançamento complementar, em virtude de erro de fato quando da 
apuração do imposto (art. 145 c/c 149, VIII, do CTN). (STJ, 1ªT., AgRg 
no Resp 1238475/MG, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, set. 2013) 
 
 
Art. 149, CTN: (...) 
IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta 
funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de 
ato ou formalidade especial. 
Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não 
extinto o direito da Fazenda Pública. 
Atente-se ao julgado apresentado em aula: 
REVISÃO DE LANÇAMENTO DO IPTU. ERRO DE FATO... 
1. (...) somente podem ser revistos lançamentos cujo direito 
de constituição do crédito tributário não esteja decaído. 
Assim, os efeitos da revisão atingirão apenas os lançamentos 
ocorridos no quinquênio anterior.(STJ, 1ªT., RMS 11.271/RJ, 
Rel. Min. Francisco Falcão, ago. 2004). 
 
Ou seja, questão de preclusão consumativa, de prazo. 
Ressalta-se que, conforme explica Alexandre Mazza, deve-se destacar que 
“a revisão de ofício somente poderá ser levada a termo pelo Fisco em casos 
excepcionais”, pois o “legislador condiciona a realização de correções em 
lançamento anterior à ocorrência de uma das hipóteses indicadas no rol do art. 
149 do CTN, as quais, invariavelmente, envolvem erro, culpa ou dolo do sujeito 
passivo”. Ainda, “se o erro no lançamento for imputável exclusivamente ao Fisco 
é incabível a revisão”. Ademais, “a jurisprudência do STJ admite revisão de 
lançamento na hipótese de erro de fato, mas não por erro de direito16”. 
 
16 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 945. 
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Lançamento direto, de ofício ou “ex offício” (art. 149, CTN) 
No LANÇAMENTO MISTO (OU POR DECLARAÇÃO), o FISCO constitui o 
crédito tributário a partir de informações fornecidas pelo CONTRIBUINTE por 
MEIO DE DECLARAÇÃO, sem as quais o lançamento ficaria prejudicado. Nesta 
espécie de lançamento, o procedimento é de iniciativa da Administração Pública 
Ex.: Imposto de Importação (II) e o Imposto de Exportação (IE) 
Logo, trata-se de um lançamento que é exarado pela AUTORIDADE 
ADMINISTRATIVA, mas que ela somente o faz porque recebeu as informações 
do particular. Caso o Fisco tenha recebido as informações DE FORMA 
INCOMPLETA, ele pode depois LANÇAR DE OFÍCIO. 
Nas palavras de Hugo de Brito Machado: 
Diz-se por declaração o lançamento efetuado pela autoridade com 
base em elementos oferecidos pelo sujeito passivo, ou por terceiro, a 
respeito da matéria de fato indispensável à sua efetivação (CTN, art. 
147). Em outras palavras, o sujeito passivo, ou um terceiro, declaram 
à autoridade administrativa a ocorrência de fatos em face dos quais 
seria possível efetuar o lançamento. Depois de ofertada essa 
declaração, a autoridade então efetua o lançamento e notifica o sujeito 
Em resumo: LANÇAMENTO E REVISÃO EX-OFFICIO 
• Por determinação de LEI; 
• Declaração fora do prazo ou da forma exigida 
• Recusa, não atendimento ou atendimento insatisfatório a pedido de esclarecimento de 
declaração pela autoridade administrativa. 
 
• Falsidade, erro ou omissão em elemento de declaração obrigatória; 
• Omissão ou inexatidão na homologação de lançamento; 
• Ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceirolegalmente obrigado, que importe aplicação 
ou penalidade pecuniária; 
 
• Dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo, ou de terceiro em seu benefício; 
• Fato não conhecido ou não provado no lançamento anterior; 
• Fraude, omissão ou falta funcional da autoridade que efetuou o lançamento anterior. 
 
➢ Prazo para rever o lançamento:Enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. 
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passivo para pagá-lo ou, se for o caso, apresentar impugnação (defesa 
administrativa).17 
 
 
Já no conceito de Alexandre Mazza: 
Lançamento misto ou por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, 
é aquele em que o sujeito passivo ou o terceiro presta 
informações à autoridade administrativa sobre matéria de fato, 
indispensáveis à sua efetivação, cabendo ao Fisco calcular o 
valor devido. Exemplos de tributos lançados por declaração: 
Imposto de Exportação, ITCMD e ITBI. (...) Cada vez mais raro na 
prática, o lançamento misto tende a ser abolido do ordenamento pátrio 
por não ser nem tão infalível quanto o lançamento de ofício, nem tão 
cômodo para o Fisco quanto como o por homologação.18 
 
Esta modalidade de lançamento é tratada no art. 147 do CTN, in verbis: 
Art. 147, CTN: O lançamento é efetuado com base na declaração do 
sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da 
legislação tributária, presta à autoridade administrativa 
informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua 
efetivação. 
§ 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, 
quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante 
comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o 
lançamento. 
§ 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame 
serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que 
competir a revisão daquela. 
 
Neste sentido, veja-se a jurisprudência: 
TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL 
RURAL - ITR. ERRO NA DECLARAÇÃO QUANTO AO TAMANHO DO 
IMÓVEL. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE POR INICIATIVA DO 
CONTRIBUINTE OU DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO 
ART. 147, § §1º e 2º, DO CTN. PRECEDENTE (RESP 770.236-PB, 
REL. MIN. LUIZ FUX, DJ 24/09/2007) 
1. O lançamento pode ser revisto se constatado erro em sua feitura, 
desde que não esteja extinto pela decadência o direito de lançar da 
Fazenda. Tal revisão pode ser feita de ofício pela autoridade 
administrativa (art. 145, inciso III, c/c 149, inciso IV, do CTN) e a 
pedido do contribuinte (art. 147, §1º, do CTN). 
 
17 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 193. 
18 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 942. 
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2. É cediço que a modificação da declaração do sujeito passivo pela 
Administração Fazendária não é possível a partir da notificação do 
lançamento, consoante o disposto pelo art. 147, § 1.º, do CTN, em face 
do princípio geral da imutabilidade do lançamento. Conduto pode o 
sujeito passivo da obrigação tributária se valer do Judiciário, na 
hipótese dos autos mandado de segurança, para anular crédito 
oriundo de lançamento eventualmente fundado em erro de fato, em 
que o contribuinte declarou, equivocadamente, base de cálculo 
superior à realmente devida para a cobrança do Imposto Territorial 
Rural. (STJ, 2ªT., REsp 1015623/GO) 
 
Lançamento por homologação ou autolançamento (art. 150, CTN) 
No LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, o CONTRIBUINTE participa 
direta e ativamente de sua formatação (cálculo e pagamento do tributo), 
cabendo ao FISCO tão somente o procedimento homologatório. Ex.: ICMS, IR, 
IPI, PIS, COFINS, CSLL etc. 
 
CARACTERÍSTICAS DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO: 
 
• Procedimento de INICIATIVA DO PARTICULAR 
 
• FAZENDA: em um prazo de 05 anos, a contar da ocorrência do fato gerador, 
deverá homologar a apuração desse lançamento de forma (i) expressa (ii) 
tácita, para fins de extinção do crédito tributário 
 
O conceito trazido pelo ilustre jurista Hugo de Brito Machado é o seguinte: 
Finalmente, por homologação é aquele lançamento no qual todos 
os atos de apuração, quantificação, cálculo etc., relativos à 
liquidação da obrigação tributária, são efetuados pelo próprio 
sujeito passivo. Depois de calcular o montante do tributo devido, o 
sujeito passivo submete essa apuração à autoridade administrativa, 
para que esta a homologue. O dever de efetuar o pagamento 
respectivo, entretanto, é antecipado, devendo ser o tributo recolhido 
antes do exame da autoridade e da respectiva homologação.19 
 
19 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 193. 
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Para Geraldo Ataliba, o LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO é 
“impropriamente chamado autolançamento”. No conceito trazido pelo doutrinador, 
o lançamento por homologação “ocorre quando a lei atribuiu ao sujeito passivo a 
incumbência de todo o preparo material e técnico do ato, que, destarte, se reduz 
a uma simples homologação”. Assim, “o lançamento persiste sendo ato privativo 
do fiscal”, de modo que “o contribuinte é mero preparador” e “o lançamento, 
propriamente dito, no caso, consiste na homologação”20. 
Observa Ives Gandra da Silva Martins que, nesse tipo de lançamento, o 
SUJEITO PASSIVO “transforma-se em ‘longa manus’ não remunerada da 
Administração Pública”, pois fica “obrigado a praticar atos próprios da 
administração” (como a “escrituração de livros, emissão de notas fiscais etc.”), mas 
“sem receber nada em troca, a não ser a ameaça de punição, se não cumprir a 
exigência fiscal”21. 
Consoante dita a legislação (art. 150 do CTN): 
CTN, Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto 
aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de 
antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade 
administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, 
tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, 
expressamente a homologa. 
§ 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo 
extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior 
homologação ao lançamento. 
§ 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores 
à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, 
visando à extinção total ou parcial do crédito. 
§ 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, 
considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o 
caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. 
§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a 
contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a 
Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o 
lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a 
ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 
 
 
20 ATALIBA. Apontamentos de ciência das finanças, direito financeiro e tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
1969, p. 287-288. 
21Decadência e prescrição. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva (Coord.). Decadência e prescrição. São Paulo: 
Revista dos Tribunais/CEU, 2007, p. 18. 
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CTN, Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será 
ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado 
esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, 
considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto 
o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou 
simulação. 
 
Ainda, importante observar que a autoridade competente possui 5 (cinco) 
anos, contados da ocorrência do fato gerador, para examinar se as apurações feitas 
pelo sujeito passivo estão corretas e para verificar se o valor pago está adequado. 
Após este prazo, ocorre a decadência do direito de a Fazenda Pública de lançar, nada 
mais podendo ser exigido do contribuinte, a não ser que se comprove queele agiu 
com dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 4º) e, neste caso, em vez de aplicar-
se o prazo decadencial, aplica-se prazo maior, o do art. 173, I, do CTN. 
Neste sentido, de acordo com Luciano Amaro: 
Termo ‘a quo’ do prazo para homologação: 05 anos contados “do 
dia da ocorrência do fato gerador e não do primeiro dia do exercício 
seguinte àquele em que a autoridade poderia (recusando 
homologação) efetuar o lançamento de ofício (art. 150, §4º) 22. 
 
Após a ANÁLISE PELA AUTORIDADE COMPETENTE, se ela verificar que 
estão corretas de forma explícita, ocorre a chamada “homologação expressa”, 
conforme explica Hugo de Brito Machado. Assim, continua o autor: “Caso tenha 
havido pagamento integral, o crédito tributário é definitivamente extinto (CTN, 
art. 156, VII)”. E, caso “não tenha havido pagamento, mas a apuração tenha sido 
declarada ao Fisco, que a considera correta, a jurisprudência do STJ entende 
que A AUTORIDADE pode “homologar” apenas essa apuração, inscrevendo em 
dívida ativa e exigindo a quantia não paga através da execução fiscal.23” 
 
 
 
22 AMARO. Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p.407. 
23 MACHADO. Hugo de Brito. (Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 196. 
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Outras formas de constituição do crédito tributário 
O CRÉDITO TRIBUTÁRIO é constituído através do lançamento (que pode 
ocorrer de ofício, por declaração ou por homologação). Mas, além do 
lançamento, EXISTEM TAMBÉM OUTRAS FORMAS DE CONSTITUIÇÃO, como 
no caso do art. 114, VIII da CF/88, que determina que a Justiça do Trabalho deve 
apurar as contribuições previdenciárias que o empregador deve pagar. 
Assim, o JUDICIÁRIO calcula o valor devido e a ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA não precisa efetuar o lançamento desta quantia. Isso também ocorre 
nos casos em que o contribuinte declara o valor da obrigação tributária, mas 
não realiza o respectivo pagamento. 
Neste sentido, a Súmula 436 do STJ, que determina que a ENTREGA DA 
DECLARAÇÃO dispensa qualquer outra providência por parte do FISCO: 
Súmula 436, STJ: A entrega de declaração pelo contribuinte 
reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada 
qualquer outra providência por parte do fisco. 
 
Neste caso, a HOMOLOGAÇÃO DA FAZENDA SE TORNA PRESCINDÍVEL 
(confissão de dívida). 
Entende o STJ que a OBRIGAÇÃO se tornou LÍQUIDA e CERTA pela 
DECLARAÇÃO, sendo que esta CONSTITUI O CRÉDITO TRIBUTÁRIO e dispensa 
o FISCO de realizar o lançamento ou a homologação. 
Aliás, a diferença desta modalidade de constituição de crédito tributário e da 
modalidade lançamento por homologação consiste no fato de que no lançamento 
por homologação ocorre o pagamento (conforme entendimento do STJ, por 
exemplo, no Resp repetitivo 1.101.738-SP). 
Portanto, se um contribuinte realizar uma declaração de imposto de renda que 
resultar no pagamento de uma quantia determinada, mas não efetuar o pagamento, o 
Fisco pode, de imediato, inscrever o crédito na dívida ativa e iniciar a cobrança judicial 
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(por ação de execução fiscal), não precisando, para tanto, realizar previamente o 
lançamento. 
Neste sentido: 
Súmula 436/STJ - 13/05/2010 - Recurso especial repetitivo. Recurso 
especial representativo da controvérsia. Tributário. Crédito tributário. 
Entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal. 
Desnecessidade de qualquer outra providência por parte do fisco. 
Recurso especial repetitivo. CPC/1973, art. 543-C.CTN, art. 150. Lei 
9.779/1999, art. 16. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Bibliografia 
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Paulo: Revista dos Tribunais, 1969. 
 
AMARO. Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. 
 
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CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 19 ed. Ver. São Paulo, 
Saraiva, 2007. 
 
COSTA, Regina Helena. Direito Tributário Brasileiro. 1 ed., São Paulo: Saraiva, 2009. 
 
MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 36. ed. São Paulo: Malheiros, 
2015. 
 
SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário, 13 ed., São Paulo: Saraiva 
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SILVA. Ives Grandra da Silva (Coord). Decadência e prescrição. São Paulo: Revista 
dos Tribunais/CEU, 2007. 
 
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