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DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSO 
TRIBUTÁRIO 
 
Módulo: Responsabilidade Tributária 
 
TEMA 02 – Os meios de lançamento do crédito 
tributário I 
 
 
Aula 01 – Crédito Tributário 
 
Crédito Tributário 
 
Para melhor compreendermos o lançamento é importante estudar primeiro a 
figura do crédito tributário. 
O crédito juntamente com o débito constitui face de um mesmo vínculo 
jurídico advindo da obrigação tributária. Assim, o CRÉDITO TRIBUTÁRIO é a 
PRESTAÇÃO em moeda ou outro valor nela se possa exprimir, que o SUJEITO 
ATIVO da obrigação tributária (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) 
tem o direito de exigir do SUJEITO PASSIVO direto ou indireto ou indireto 
(contribuinte, responsável ou terceiro). Ele é constituído a partir de três 
fatores: (i) a previsão legal, o (ii) fato gerador e o (iii) lançamento tributário. 
O Crédito Tributário é um tema muito importante para compreensão de toda 
a disciplina do Direito Tributário e tem suas disposições gerais apresentadas nos 
arts. 139 a 141 do CTN. 
O art. 139 do CTN prevê que o CRÉDITO TRIBUTÁRIO decorre da 
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, vejamos: 
Art. 139. CTN. O crédito tributário decorre da obrigação principal e 
tem a mesma natureza desta. 
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Logo, o CRÉDITO TRIBUTÁRIO decorre da obrigação de levar recursos 
aos cofre públicos seja através do pagamento do tributo ou através do 
pagamento de penalidade pecuniária. Diante disso, conclui-se que o crédito 
tributário decorre da OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. 
Lembre-se que a OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA pode ser: (i) principal ou 
(ii) acessória, nos termos do art. 113 do CTN: 
Art. 113, CTN: A obrigação tributária é principal ou acessória 
§ 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, 
tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária 
e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. 
§ 2o A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem 
por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas 
no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. 
§ 3o A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, 
converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade 
pecuniária. 
 
A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL surge com a ocorrência do fato gerador e 
tem por objeto o pagamento de (i) tributo ou (ii) penalidade pecuniária. Não se 
esqueça: que a obrigação principal se extingue juntamente com o crédito dela 
decorrente. Já a OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA decorre da legislação tributária e tem 
por objeto prestações de fazer ou não fazer no interesse da arrecadação ou 
fiscalização dos tributos, ou seja, são os deveres instrumentais prestados pelo 
sujeito passivo. 
Relembrado este conceito, voltemos ao estudo do crédito tributário. 
Nas palavras do professor Hugo de Brito Machado, o CRÉDITO 
TRIBUTÁRIO: 
É o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual 
o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte 
ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da 
penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)1. 
 
 
 
 
1 MACHADO. Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 36. ed. São Paulo: Malheiros, 2015, p.176. 
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Para Eduardo Sabbag 
O crédito tributário representa o momento da exigibilidade da 
relação jurídico tributária. Seu nascimento ocorre com o 
lançamento tributário (art. 142 do CTN) o que permite defini-lo como 
uma obrigação tributária ‘lançada’ ou, com maior rigor 
terminológico, obrigação tributária em estado ativo2. 
 
Por fim, para Regina Helena Costa, 
Inicialmente, o art. 139 preceitua que ‘ o crédito tributário decorra da 
obrigação principal e tem a mesma natureza jurídica desta’. A dicção 
do Código não é técnica, porquanto sugere que o crédito nasce em 
consequência da obrigação, quando, em verdade o crédito, aliado 
ao débito, é face da própria obrigação. No entanto, assim o afirma 
porque na concepção adotada pelo legislador, o crédito somente 
‘nasce’ após sua constituição pelo lançamento3. 
 
Atente-se ao seguinte julgado para melhor compreender implicações entre 
o fato, a obrigação e o crédito. 
PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO 
FISCAL. EXCESSO DE EXECUÇÃO. ITR. ERRO NA BASE DE 
CÁLCULO. DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. LANÇAMENTO. 
ART. 147, § 1.o, DO CPC. CORREIÇÃO DO ERRO PELO PODER 
JUDICIÁRIO. POSSIBILIDADE. 
(...) 
4. O crédito tributário, na expressa dicção do art. 139 do CTN, 
decorre da obrigação principal e, esta, por sua vez, nasce com a 
ocorrência do fato imponível, previsto na hipótese de incidência, 
que tem como medida do seu aspecto material a base imponível 
(base de cálculo). 
5. Consectariamente, o erro de fato na valoração material da base 
imponível significa a não ocorrência do fato gerador em 
conformidade com a previsão da hipótese de incidência, razão pela 
qual o lançamento feito com base em erro "constitui" crédito que não 
decorre da obrigação e que, por isso, deve ser alterado pelo Poder 
Judiciário. (STJ, 1aT., REsp 770.236/PB) 
 
 
Observa-se do julgado que existe uma relação intrínseca entre essas 
situações. Eu tenho uma obrigação tributária que surge com o cumprimento do 
 
2 SABBAGG. Eduardo. Manual de Direito Tributário, 13 ed., São Paulo: Saraiva Educação, 2021, p.936. 
3 COSTA. Regina Helena. Direito Tributário Brasileiro. 1 ed., São Paulo: Saraiva, 2009, p. 215. 
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fato gerador ou de uma expressa disposição da lei, ao cumprir com o fato gerador 
deflagra-se uma relação jurídico tributária entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. 
Ora se existe uma obrigação tributária existe a exigência do cumprimento de um 
crédito tributário e este somente existe com a sua formalização. 
Mas afinal, o que formaliza a externalização da obrigação tributária, 
do crédito tributário? O LANÇAMENTO! Assim, a obrigação principal é ligada 
ao crédito tributário e vice-versa uma vez que o crédito tributário decorre da 
obrigação principal e tem a natureza desta. 
Reforçando a previsão do art. 139 do CTN, o doutrinador Rui Barbosa 
Nogueira disciplinou o CRÉDITO TRIBUTÁRIO tem a MESMA NATUREZA 
DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL dela decorrente. Vejamos: 
(...) tem a mesma natureza da obrigação, porque ela é a própria 
obrigação depois de apurada e matematicamente expressa em 
conceito absolutamente determinado, ou seja, em quantia4. 
 
Para você chegar no valor de uma obrigação tributária você precisa 
multiplicar a base de cálculo pelo valor da alíquota. 
Quando se fala REGRA MATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA (RMIT) 
temos que esta figura se divide em ANTECENDENTE e CONSEQUENTE. No 
ANTECEDENTE temos (i) o aspecto material (verbo + complemento5), (ii) o 
aspecto espacial (local em que acontece a ocorrência) e o (iii) aspecto temporal (o 
momento em que ocorre a ocorrência). No CONSEQUENTE temos (i) o critério 
pessoal (sujeito ativo e sujeito passivo) e o (ii) critério quantitativo (base de cálculo 
e alíquota). 
Para melhor compreensão da figura da RMIT atente-se ao esquema 
apresentado abaixo: 
 
4 Nogueira. Rui Barbosa. Curso de Direito Tributário. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 1995, p.291. 
5 Exemplos: Auferir Renda, Circular Mercadoria, Ser proprietário de imóvel territorial urbano 
 
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O art. 140 do CTN, apresenta conceitos importantes, preste atenção: 
Art. 140, CTN: As circunstâncias que modificam o crédito tributário, 
sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele 
atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a 
obrigação tributária que lhe deu origem. 
 
As circunstâncias que modificam o crédito tributário podem ser muitas 
possibilidades que irão inferir no crédito, ou seja, vão trazer situações que vão 
dimensioná-lo. 
Quando eu trato de exclusão do crédito tributário eu trato de anistia e 
isenção, conforme art. 175 doCTN. Nestas circunstâncias eu estou exonerado 
(excluído) do pagamento do tributo, mas a obrigação continua sendo cristalina, 
correta válida. Assim, situações corriqueiras do dia a dia não contaminam a 
obrigação tributária. 
 
Aula 02 – Crédito Tributário 
 
Crédito Tributário 
Atente-se ao art. 140 do Código Tributário Nacional (CTN): 
Art. 140, CTN: As circunstâncias que modificam o crédito tributário, 
sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele 
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atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a 
obrigação tributária que lhe deu origem. 
 
 
Logo, conclui-se que (i) as circunstâncias que modificam o crédito 
tributário, (ii) sua extensão, (iii) seus efeitos, (iv) as garantias. (v) os 
privilégios a ele atribuídos (v) ou que excluem sua exigibilidade NÃO 
AFETAM A OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA QUE LHE DEU ORIGEM. 
Quando existe UMA DESONERAÇÃO (uma exclusão do crédito 
tributário por exemplo) não contamina a obrigação tributária em si. Ora não é 
porque você não paga o tributo, que está obrigação deve ser contaminada, ou 
que você não deve cumprir com obrigações tributárias acessórias 
necessárias. 
O art. 140 do CTN vem para salvaguardar o crédito tributário, a obrigação 
em si. Lembrando que o crédito tributário decorre da obrigação tributária principal e 
tem a mesma natureza desta. Logo, uma obrigação de pagar. Todavia, quem 
configura/externaliza o CRÉDITO TRIBUTÁRIO é o LANÇAMENTO 
TRIBUTÁRIO, que nada mais é que a formalização do crédito tributário. 
 
➢ VÍCIO FORMAL NO LANÇAMENTO 
Se há VÍCIO FORMAL no lançamento, RESTA INVALIDADA A 
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Mas isso não afeta a obrigação tributária, de 
forma que NOVO LANÇAMENTO poderá ser efetuado, desde que antes de 
expirado o prazo decadencial. 
Não se esqueça que o prazo decadencial é QUINQUENAL, ou seja, de 5 
(cinco) anos. 
Atente-se a Súmula nº 473 do STF que trata justamente sobre este 
assunto: 
Súmula nº 473, STF: A administração pode anular seus próprios 
atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque 
deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de 
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conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, 
e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
 
Observa-se que a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA pode: 
(i) ANULAR OS PRÓPRIOS ATOS = quando eivados de vícios que os 
tornem ilegais porque deles não se originam direitos. 
(ii) REVOGÁ-LOS = por MOTIVOS de CONVENIÊNCIA e OPORTUNIDADE, 
respeitados os direitos adquiridos. 
 
Atente-se também ao Tema nº 138 ( Tese Definida no RE nº 594.296): 
Ao Estado é facultada a revogação de atos que repute ilegalmente 
praticados; porém, se de tais atos já tiverem decorrido efeitos 
concretos, seu desfazimento deve ser precedido de regular processo 
administrativo. (Tese definida no RE 594.296, rel. min. Dias Toffoli,P, 
j. 21-9-2011, DJE 146 de 13-2-2012,Tema 138.) 
 
Ora, não pode haver prejuízo para o Estado, assim a ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA é permitida a REVOGAÇÃO de ATOS QUE REPUTE ILEGALMENTE 
PRATICADOS. Porém, se tais atos já tiverem EFEITOS CONCRETOS, o seu 
desfazimento, ou seja, está REVOGAÇÃO DOS ATOS, só poderá ocorrer se 
anteriormente houver um regular PROCESSO ADMINISTRATIVO (uma 
verdadeira análise da situação) dando a parte o DIREITO DE CONTRADITÓRIO 
e AMPLA DEFESA. Afinal, o contribuinte não pode sair prejudicado por atos 
eivados de vício. 
O art. 141 do CTN traz uma previsão muito interessante: 
Art. 141, CTN: O crédito tributário regularmente constituído 
somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa 
ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não 
podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na 
forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias6. 
 
6 Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, que sejam previstos em lei, 
responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das rendas, de qualquer origem ou 
natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de 
inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados 
unicamente os bens e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis 
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Existem algumas controvérsias acerca do art. 141 do CTN se este rol é 
TAXATIVO ou NÃO. Mas o professor entendeu que isto não deve ser objeto do 
nosso estudo no momento, destacando que o próprio STF diverge entre ser taxativo 
ou exemplificativo. 
 
➢ INDISPONIBILIDADE DOS BENS PÚBLICOS: 
 
Segundo Paulo de Barros Carvalho, 
O funcionário da Administração Tributária está impedido de 
dispensar a efetivação do crédito ou as respectivas garantias, 
sob pena de responsabilidade funcional, na forma da lei. Na 
implicitude dessa mensagem prescrita, vemos o magno princípio da 
indisponibilidade dos bens públicos, um dos fundamentos do direito 
administrativo. É bom enfatizar que a dispensa do créditos ou de 
suas garantias e privilégios não se inscreve apenas àqueles que 
tiverem sido formalizados pela via do ato de lançamento... Todavia, 
aquilo que o legislador pretendeu exprimir, nessa parte do 
dispositivo, é que à margem de autorizações expressas na legislação 
tributária, o funcionário, em qualquer hipótese, não está autorizado a 
abrir mão da exigência7. 
 
 
 
 
7 CARVALHO. Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p.358. 
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Aula 03 – Lançamento Tributário 
 
Crédito Tributário 
 
O estudo do Crédito Tributário vai dos arts. 139 até praticamente o 182 do 
Código Tributário Nacional (CTN). Este tema é muito extenso e muito importante 
dentro do estudo do Direito Tributário, motivo pelo qual devemos nos debruçar sobre 
ele com a devida atenção. 
O CRÉDITO TRIBUTÁRIO é um BEM PÚBLICO INDISPONÍVEL, assim a 
regra é que não pode haver transação (acordo) sobre ele. 
Assim, o funcionário da Administração Tributária está impedido de 
dispensar a efetivação do crédito tributário ou das respectivas garantias, SOB 
PENA de RESPONSABILIDADE FUNCIONAL na forma da lei. 
Só pode haver transação do crédito tributário por expressa disposição da lei. 
Mas simplesmente o Fisco/Fazenda Pública acordar num belo sábado de manhã e 
fazer acordos é algo que não pode acontecer. 
 Atenção: 
 
• TODA TRANSAÇÃO realizada pelo Fisco/Fazenda Pública deve estar devidamente PAUTADA 
NA LEI. 
• A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA não pode se valer da DISCRICIONARIE DADE para realizar 
transações do crédito tributário, ou seja, não pode se valer de conveniência e oportunidade 
para tomar decisões acerca do crédito tributário. 
 
➢ EXISTÊNCIA, EXIGIBILIDADE E EXEQUIBILIDADE DO CRÉDITO: 
Com o SURGIMENTO da RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA, decorrente 
da incidência da norma tributária impositiva sobre o fato gerador, tem-se por 
existentes o débito e o crédito tributário. 
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Apenas quando FORMALIZADA (DOCUMENTADA) a sua EXISTÊNCIA e 
LIQUIDEZ, porém, é que o Fisco pode opor o CRÉDITO TRIBUTÁRIO ao 
contribuinte, dele exigindo o seu cumprimento. 
O CRÉDITO, portanto, GANHA EXIGIBILIDADE, no sentido de o FISCO 
exigir o seu pagamento. Diante disso, se HOUVER INADIMPLEMENTO, o FISCO 
poderá encaminhar o crédito devidamente formalizado e, portanto, EXIGÍVEL, 
para INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA, de modo a produzir o TÍTULO EXECUTIVO 
EXTRAJUDICIAL que lhe dará exequibilidade: a CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA 
(CDA). 
 
Lançamento Tributário 
Lembre-se que o Poder de Tributar é prerrogativa do Poder Público de 
acordo com a competência constitucional e mediante a atividade administrativa do 
lançamento para exigir o tributo. Logo, o LANÇAMENTO é o ATODECLARATÓRIO 
da OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA e constitutivo do crédito tributário. 
O art. 142 do CTN trará TODOS OS ASPECTOS da REGRA MATRIZ DE 
INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA (RMIT) ao definir a atividade do lançamento. 
Vejamos: 
Art. 142, CTN: Compete privativamente à autoridade 
administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, 
assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a 
ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar 
a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar 
o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade 
cabível. 
Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é 
vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 
 
Portanto, o art. 142 do CTN define o LANÇAMENTO como UM 
PROCEDIMENTO, uma ATIVIDADE ADMINISTRATIVA PLENAMENTE 
VINCULADA, indispensável a exigibilidade do tributo, ele não é auto executório, 
ou seja, não pode ser executado de plano. Ou seja, caso existam 
inconstitucionalidades e ilegalidades, o contribuinte pode discutir administrativamente 
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e judicialmente a cobrança do tributo, não podendo ser alvo de atos autoexecutáveis 
de coerção que visem a obrigá-lo a pagar o tributo enquanto este estiver em 
discussão. 
Assim, conclui-se que o ATO DE LANÇAMENTO é o ATO DA 
AUTORIDADE ADMINISTRATIVA COMPETENTE que: 
(i) VERIFICA a ocorrência do fato gerador; 
(ii) DETERMINA a matéria tributável; 
(iii) CALCULA o montante do tributo devido; 
(iv) IDENTIFICA o sujeito passivo; 
(v) E SE FOR O CASO, PROPÕE a aplicação de penalidade cabível em 
razão de descumprimento de obrigação tributária. 
 
Diante disso, conclui-se que O PODER DE LANÇAR é UM PODER-DEVER 
e, se verificado o fato gerador do tributo a cobrança através do lançamento deve ser 
obrigatoriamente realizada. 
Sobre o LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, o professor Alexandre Mazza 
estatuiu: 
Com a ocorrência do fato gerador nasce a obrigação tributária 
principal. Cabe lembrar que o fato gerador da obrigação principal é “a 
situação definida em lei como necessária e suficiente à sua 
ocorrência” (art. 114 do CTN). O surgimento da obrigação tributária, 
entretanto, não é suficiente para que a dívida do contribuinte perante 
o Fisco possa ser paga. Isso porque, com a simples ocorrência do 
fato gerador, ainda não se sabe quem deve pagar o tributo, qual o 
valor, onde, como e qual a data final para o pagamento. A definição 
de todos esses elementos necessários para a quitação da dívida 
tributária é feita por meio do lançamento. O fato gerador dá 
nascimento à obrigação tributária, ao passo que o crédito 
tributário (direito do Fisco cobrar) surge com o lançamento. 
Nota-se, desse modo, que a obrigação e o crédito tributário são 
elementos inter-relacionados, mas com origens em eventos 
fáticos distintos. Pode-se dizer, então, que a obrigação e o 
crédito são relativamente autônomos. Nesse sentido, o art. 139 do 
CTN afirma que “o crédito tributário decorre da obrigação principal e 
tem a mesma natureza desta”. Mas o art. 140 do mesmo diploma 
normativo, ressalva: “as circunstâncias que modificam o crédito 
tributário sua extensão ou efeitos, ou as garantias ou os privilégios a 
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ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade, não afetam a 
obrigação tributária que lhe deu origem8. 
 
Já o professor Eduardo Sabbag, disciplinou: 
Com efeito, o lançamento é o instrumento que confere a 
exigibilidade à obrigação tributária, qualificando-a (aferição do 
quantum debeatur) e qualificando-a (identificação do an 
debeatur). Em outras, palavras, esta, sendo ilíquida e inexigível, 
carece dos atributos de certeza e liquidez, que se dão pela atuação 
do Fisco, por meio de lançamento. Com a formalização deste, não há 
o que se falar em ‘obrigação tributária’, mas em crédito tributário9. 
 
 
Para a professora Regina Helena Costa, 
Ocorrido o fato gerador descrito na hipótese de incidência tributária, 
nasce a obrigação de pagar o tributo correspondente e, desse modo, 
instalado o liame obrigacional, o direito do Fisco de exigi-lo (crédito) 
e o dever do sujeito passivo de atende-lo (débito). Entretanto, para 
que a prestação do objeto dessa obrigação- o tributo- possa ser 
exigido, impõe-se seja formalizada mediante providência que o 
CTN, o lançamento constitui o crédito tributário, isto é, 
tornando-o exigível e, portanto, passível de cobrança. O 
lançamento é, assim, instituto típico do direito tributário. As 
normas a ele pertinentes somente podem ser veiculadas por lei 
complementar, diante do dispositivo no art. 146, III, b, CR. Em 
consequência, as leis ordinárias das diversas pessoas políticas não 
podem disciplinar sobre o assunto10. 
 
Aula 04 – Lançamento Tributário 
 
Lançamento Tributário 
 
Vejamos O art. 142 do CTN trará TODOS OS ASPECTOS da REGRA 
MATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA (RMIT) ao definir a atividade do 
lançamento. Vejamos: 
Art. 142, CTN: Compete privativamente à autoridade 
administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, 
 
8 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 938-939. 
9 Sabbag. Eduardo. Manual de Direito Tributário, 13 ed., São Paulo: Saraiva Educação, 2021, p.935. 
10 COSTA. Regina Helena. Direito Tributário Brasileiro. 1 ed., São Paulo: Saraiva, 2009, p. 217. 
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assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a 
ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar 
a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar 
o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade 
cabível. 
 
Ora, dentro deste conceito está toda RMIT. Relembremos a REGRA 
MATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA (RMIT): 
 
O ATO DE LANÇAR É VINCULADO! Esta adstrito a LEI e é 
OBRIGATÓRIO. O ato de lançar decorre do PODER DE IMPÉRIO da 
Administração ! Ou seja, de um poder extroverso do Estado e se não for 
realizado gera uma responsabilidade funcional (direta e pessoal) do 
funcionário da Administração Fazendária. 
 
Características do Lançamento Tributário 
 
➢ Art. 142 do CTN 
 
• Competência privativa da autoridade administrativa: 
A atividade administrativa de lançamento somente poderá ser realizada 
por um AGENTE PÚBLICO COMPETENTE. 
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Assim, pela análise do artigo, não pode o particular praticar a atividade 
de lançamento, apesar de posicionamentos diversos de vários juristas . 
Aprenderemos mais para frente que existe um lançamento denominado 
autolançamento (lançamento por homologação), que hoje é a regra, Nesta espécie 
de lançamento, o particular é quem declara e paga, cabendo ao Fisco homologar 
este ato. 
Ora, mas neste caso nos particulares não estamos lançando? Sim, 
neste caso o particular (contribuinte) está lançando o crédito tributário. Então existe 
hoje muita crítica a essa expressão (“compete privativamente a Autoridade 
Administrativa”) trazida pelo art. 142 do CTN, 
Existe também uma discussão sobre a questão de ser PRIVATIVA ou 
EXCLUSIVA essa competência? É PRIVATIVA, pois é uma regra que comporta 
exceção. Já EXCLUSIVA se só a ADMINISTRAÇÃO fosse competente para 
lançar, renegando a hipótese de o particular realizar o lançamento (como no 
lançamento por homologação). Ou seja, existe uma discussão técnica sobre a 
hermenêutica das palavras, sobre a interpretação do dispositivo. 
Nesse sentido, a Súmula nº 436 do STJ: 
Súmula nº 436 do STJ: A entrega de declaração pelo contribuinte 
reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada 
qualquer outra providência por parte do fisco. 
 
Atente-se ao julgado apresentado em aula: 
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE 
INSTRUMENTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 
NECESSIDADE DE NOTIFICAÇÃO. CARÁTERCONFISCATÓRIO 
DA MULTA FISCAL. Em se tratando de débito declarado pelo próprio 
contribuinte, não se faz necessária sua homologação formal, motivo 
por que o crédito tributário se torna imediatamente exigível, 
independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de 
notificação do sujeito. O valor da obrigação principal deve funcionar 
como limitador da norma sancionatória, de modo que a abusividade 
se revela nas multas arbitradas acima do montante de 100%. Agravo 
regimental a que se nega provimento. (STF, AI 838302 AgR, 2015) 
 
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• Constituição do crédito tributário: 
O lançamento formaliza o crédito tributário perante o particular. 
Enquanto o Fisco não efetua o lançamento, não poderá exigir a quantia, mesmo que 
seja devida. 
Os doutrinadores defendem que o lançamento declara a existência da 
obrigação tributário e constitui o crédito tributário. 
• Procedimento administrativo vinculado: 
Segundo o CTN, o lançamento é entendido por um PROCEDIMENTO 
ADMINISTRATIVO, sendo um conjunto de atos administrativos encadeados 
entre si para formação de um ato válido. 
 Para boa parte da doutrina, o lançamento seria considerado um ATO 
ADMINISTRATIVO e não um procedimento administrativo, como descrito no 
artigo. 
Assim o lançamento é um PROCEDIMENTO VINCULADO, isto é, a 
AUTORIDADE ADMINISTRATIVA não exerce discricionariedade no ato de 
lançamento, devendo observar seus requisitos, sob pena de nulidade. 
Logo, a ATIVIDADE VINCULADA é aquela exercida pela autoridade 
administrativa competente em observância estrita à lei. 
Ora, o Poder de Tributar é prerrogativa do Poder Público de acordo com a 
competência constitucional e mediante a atividade administrativa do lançamento 
para exigir o tributo. 
Diante disso, a Administração Pública não pode decidir se quer ou não 
cobrar um tributo, nem de quem ela quer cobrar, uma vez que, sua ATIVIDADE 
TEM QUE SER VINCULADA A LEI. 
Não há qualquer grau de discricionariedade (análise de conveniência e 
oportunidade) na cobrança do tributo por parte da autoridade administrativa 
competente. 
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Atente-se ao julgado apresentado pelo professor: 
TRIBUTÁRIO. ISS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO GENÉRICO. 
AUSÊNCIA D E ESPECIFICAÇÃO QUANTO AO FATO GERADOR. 
NULIDADE. ACÓRDÃO PARADIGMA VERSA SOBRE 
AUTOLANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. 
RECURSO NÃO CONHECIDO. 
1. No Direito Tributário vige a regra da tipicidade fechada quanto à 
identificação do fato imponível. 
2. Lançamento tributário que não especifica qual dos serviços 
constantes da lista tributada pelo ISS foi realizado pelo contribuinte é 
nulo, gerando, por consequência, a nulidade da inscrição em dívida 
ativa correspondente e extinção da execução fiscal que venha a ser 
ajuizada. 
3. Identificar se a forma genérica pela qual foi realizada o lançamento 
ocasionou, ou não, dificuldade concreta no exercício de defesa do 
contribuinte é circunstância impossível de ser avaliada em sede de 
recurso especial, por implicar reexame de provas (Súmula 7/STJ). 
Em tese, o lançamento efetuado dessa maneira impossibilita o pleno 
exercício de defesa por parte do sujeito passivo tributário. (STJ, 2aT., 
REsp 602.228/SC) 
 
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL - 
APRECIAÇÃO DA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS 
CONSTITUCIONAIS - IMPOSSIBILIDADE - CPC, ART. 535 - 
AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO - DISSÍDIO NÃO DEMONSTRADO: 
NÃO- CONHECIMENTO PELA DIVERGÊNCIA - TRIBUTO 
LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - 
TERMO INICIAL DO PRAZO -PRESCRICIONAL: HOMOLOGAÇÃO 
EXPRESSA OU TÁCITA - LC 118/2005 - APLICAÇÃO 
RETROATIVA: INCONSTITUCIONALIDADE - PACIFICAÇÃO DO 
ENTENDIMENTO ? EREsp’s 435.835/SC e 644.736/PE - 
COBRANÇA DE TRIBUTO - DANO MORAL - NÃO-
CARACTERIZAÇÃO - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - FALTA DE 
INTERESSE RECURSAL. 5. A cobrança de tributo, por si só, não 
tem o condão de gerar dano material ou moral. Ao contrário, constitui 
poder/dever da Administração Pública, sempre que, prima facie, 
entender que ocorreu a hipótese de incidência prevista na legislação 
que o instituiu. Ademais, à luz do disposto no art. 142, parágrafo 
único, do CTN, trata-se de atividade administrativa vinculada e 
obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (STJ, 2aT., 
REsp 1035660/RS) 
 
• Verificação da ocorrência do fato gerador e da obrigação 
correspondente: 
O ato de lançamento vai definir todos os critérios da hipótese de 
incidência tributária. 
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Neste caso, o LANÇAMENTO deverá trazer em seu bojo o ASPECTO 
ESPACIAL (local da ocorrência) e TEMPORAL (momento da ocorrência). 
• Determinação da matéria tributável: 
Neste caso, o LANÇAMENTO deverá trazer em seu bojo o ASPECTO 
ESPACIAL (local da ocorrência) e TEMPORAL (momento da ocorrência). 
O lançamento deverá externalizar para o contribuinte qual a matéria será 
tributada e qual o tributo em questão. 
Se for imposto, sobre qual espécie de conduta ou situação jurídica (ex.: 
patrimônio, renda, serviços). 
É a DEFINIÇÃO do ASPECTO MATERIAL DO FATO GERADOR. 
• Cálculo do montante do tributo devido: 
O lançamento deverá trazer ao particular qual valor passa a ser devido 
aos cofres públicos, por meio da multiplicação da base de cálculo e da alíquota. 
Eis o ASPECTO QUANTITATIVO DO FATO GERADOR. 
• Identificação do sujeito passivo: 
O sujeito passivo pode ser a figura do contribuinte ou do responsável. Assim, 
o lançamento deverá demonstrar quem é o devedor que terá esse dever legal de 
recolhimento dos valores aos cofres públicos, em decorrência da prática do fato 
gerador. 
Trata-se do ASPECTO PESSOAL DO FATO GERADOR. 
• Identificação do sujeito passivo: 
Não é apenas a identificação do tributo que o lançamento poderá 
trazer. Uma vez que a MULTA também se caracteriza como OBRIGAÇÃO 
PRINCIPAL (art. 97, V, CTN), ambos podem ser delineados pelo lançamento. 
Assim, a aplicação de UM AUTO DE INFRAÇÃO E IMPOSIÇÃO DE MULTA se 
classifica como tipo de lançamento. 
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Atente-se ao julgado apresentado pelo professor em aula: 
CRÉDITO TRIBUTÁRIO: CONSTITUIÇÃO. LANÇAMENTO FISCAL: 
EFEITOS. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO ... II- Com a lavratura do 
auto de infração consuma-se o lançamento fiscal, o qual, ainda que 
provisório, impede a decadência. (STF, 1aT., RE 90.926) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Bibliografia 
CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 19 ed. Ver. São Paulo, 
Saraiva, 2007. 
 
COSTA, Regina Helena. Direito Tributário Brasileiro. 1 ed., São Paulo: Saraiva, 
2009. 
 
MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 36. ed. São Paulo: Malheiros, 
2015. 
 
MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 
2019. 
 
SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário, 13 ed., São Paulo: Saraiva 
Educação, 2021. 
 
NOGUEIRA. Rui Barbosa. Curso de Direito Tributário. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 
1995, p.291 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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