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DIREITO PENAL PARTE GERAL (VIDE DEcRETO-LEI Nº 2.848/1940) TEORIA DA PENA Prof.ª Dª Tâmisa Rúbia S. do N. Silva http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm#art2. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm#art2. 1 . cONcEITuANDO... Mas, afinal, o que é “pena”? • Pena é espécie, assim como as medidas de segurança. • Espécie do gênero “Sanção Penal” SANÇÃO PENAL MEDIDAS DE SEGURANÇA PENA SANÇÃO PENAL é a resposta do Estado, no exercício do poder de punir, e após o devido processo legal, ao responsável pela prática de um crime ou uma contravenção penal, para retribuir o mal praticado e evitar a prática de novos delitos. Imputáveis e semi- imputáveis sem periculosidade Inimputávies e semi- imputáveis COM periculosidade Arts. 26 – 28 CP Sistema de dupla ou tripla via – pena/medida de segurança ou reparação de dano (art. 74, p. único L. 9.099/95 ** PENA, portanto, é uma sanção penal imposta pelo Estado a quem viola uma de suas normas definidas como crime ou contravenção penal (infração penal), com a finalidade de castigar o responsável, readaptá-lo à sociedade e, através de uma intimidação direcionada à sociedade, evitar a prática de novos crimes e contravenções penais. ** Pode consistir em privação de liberdade, restrição de direitos ou ainda numa sanção pecuniária (multa). A história da origem da pena e suas finalidades se confunde com a história da humanidade e, em sentido de pena como resposta do Estado, com a própria constituição deste. Evolução histórica das ideias penais DIREITO PENAL PRIMITIVO VINGANÇA DIVINA VINGANÇA PRIVADA VINGANÇA PÚBLICA 1) VINGANÇA DIVINA ** A perspectiva de regulação das condutas humanas no contexto primitivo da vingança divina era mantida por uma visão mágica ou religiosa do homem. Nesta perspectiva, estavam presentes nas diversas modalidades da sanção as figuras dos totens e tabus, tendo ela[a sanção] um caráter expiatório (purgação das impurezas da violação e pelo desagrado aos deuses). ** Os totens eram seres ligados à flora ou a fauna e eram considerados como ancestrais ou símbolo de uma coletividade. Eram cultuados como divindades e influenciavam diretamente em suas vidas, tendo em vista que todos os fenômenos [inclusive naturais] para os quais não se tinha explicação, eram atribuídos à ação dessas divindades. Sua existência regulava a unidade do grupo primitivo uma vez que estabeleciam os tabus, que eram as proibições aos profanos de “se relacionarem com pessoas, objetos ou lugares determinados, ou dele se aproximarem em razão do caráter sagrado dessas pessoas, objetos e lugares e cuja violação acarretava ao culpado ou ao grupo o castigo da divindade” (DOTTI). Ex.: Tabu do incesto (primeiro interdito). TABU = PROIBIÇÃO LEVAVA À PUNIÇÃO DIVINA O Caminho Para El Dorado - É Duro Ser Um Deus - Bing video Túlio e Miguel São Confundidos Com Deuses Antigos Em El Dorado | O Caminho Para El Dorado (2000) DUB - Bing video ** A punição de caráter expiatório poderia ser a expulsão do ofensor do grupo (desterro), o sacrifício da vida do ofensor, ou a perda da paz (retirada da proteção do clã) eliminar da comunidade a pessoa que se tornou inimiga dela em razão de sua ação e evitar as reações vingativas das divindades em relação ao grupo social ou adquirir seu perdão. https://www.bing.com/videos/search?q=o+caminho+para+el+dorado+cena+deuses&&view=detail&mid=54A63C3D6F2EFDC3736A54A63C3D6F2EFDC3736A&&FORM=VRDGAR&ru=/videos/search?q%3Do%20caminho%20para%20el%20dorado%20cena%20deuses%26FORM%3DVDVVXX https://www.bing.com/videos/search?q=o+caminho+para+el+dorado+cena+deuses&&view=detail&mid=54A63C3D6F2EFDC3736A54A63C3D6F2EFDC3736A&&FORM=VRDGAR&ru=/videos/search?q%3Do%20caminho%20para%20el%20dorado%20cena%20deuses%26FORM%3DVDVVXX https://www.bing.com/videos/search?q=o+caminho+para+el+dorado+cena+deuses&&view=detail&mid=54A63C3D6F2EFDC3736A54A63C3D6F2EFDC3736A&&FORM=VRDGAR&ru=/videos/search?q%3Do%20caminho%20para%20el%20dorado%20cena%20deuses%26FORM%3DVDVVXX https://www.bing.com/videos/search?q=o+caminho+para+el+dorado+cena+deuses&&view=detail&mid=54A63C3D6F2EFDC3736A54A63C3D6F2EFDC3736A&&FORM=VRDGAR&ru=/videos/search?q%3Do%20caminho%20para%20el%20dorado%20cena%20deuses%26FORM%3DVDVVXX https://www.bing.com/videos/search?q=o+caminho+para+el+dorado+cena+deuses&&view=detail&mid=C08541C43BB5EBB4CAD9C08541C43BB5EBB4CAD9&&FORM=VRDGAR&ru=/videos/search?q%3Do%20caminho%20para%20el%20dorado%20cena%20deuses%26FORM%3DVDVVXX https://www.bing.com/videos/search?q=o+caminho+para+el+dorado+cena+deuses&&view=detail&mid=C08541C43BB5EBB4CAD9C08541C43BB5EBB4CAD9&&FORM=VRDGAR&ru=/videos/search?q%3Do%20caminho%20para%20el%20dorado%20cena%20deuses%26FORM%3DVDVVXX https://www.bing.com/videos/search?q=o+caminho+para+el+dorado+cena+deuses&&view=detail&mid=C08541C43BB5EBB4CAD9C08541C43BB5EBB4CAD9&&FORM=VRDGAR&ru=/videos/search?q%3Do%20caminho%20para%20el%20dorado%20cena%20deuses%26FORM%3DVDVVXX https://www.bing.com/videos/search?q=o+caminho+para+el+dorado+cena+deuses&&view=detail&mid=C08541C43BB5EBB4CAD9C08541C43BB5EBB4CAD9&&FORM=VRDGAR&ru=/videos/search?q%3Do%20caminho%20para%20el%20dorado%20cena%20deuses%26FORM%3DVDVVXX https://www.bing.com/videos/search?q=o+caminho+para+el+dorado+cena+deuses&&view=detail&mid=C08541C43BB5EBB4CAD9C08541C43BB5EBB4CAD9&&FORM=VRDGAR&ru=/videos/search?q%3Do%20caminho%20para%20el%20dorado%20cena%20deuses%26FORM%3DVDVVXX https://www.bing.com/videos/search?q=o+caminho+para+el+dorado+cena+deuses&&view=detail&mid=C08541C43BB5EBB4CAD9C08541C43BB5EBB4CAD9&&FORM=VRDGAR&ru=/videos/search?q%3Do%20caminho%20para%20el%20dorado%20cena%20deuses%26FORM%3DVDVVXX 2) VINGANÇA PRIVADA **Surge a partir da complexidade dos grupos sociais. A infração passava agora a ser não uma ofensa aos deuses ou à vítima diretamente [ainda que levasse ela em consideração], mas ao grupo social, ao clã ao qual a vítima pertencia. ** Império da vingança de sangue [ainda que existissem nesta época formas de resolução compensatória]; ** Em razão da ofensa de um indivíduo, a reação recairia sobre ele e sobre todo o grupo social, gerando guerras violentas que ocasionava a eliminação das tribos e clãs. O rapto de Helena de Tróia, esposa do rei troiano Menelau, pelo príncipe Paris, da Grécia, dando origem à guerra entre gregos e troianos, que teria durado cerca de 10 anos. ** Existia a desproporção entre o delito praticado e a reação social; ** Lei de Talião (talis = tal qual) buscando evitar que os grupos sociais fossem dizimados mediante tamanha brutalidade, procurou estabelecer a proporcionalidade entre a conduta praticada e a reação social. Ela representou a primeira expressão do princípio da proporção e a primeira tentativa de humanizar a sanção penal. ** Foi acolhida pelo Código de Hamurabi (Babilônia), pelo Antigo Testamento e na Lei das XII Tábuas romana; ** Contribuiu para adoção do sistema de composição, forma de conciliação entre a vítima e ofensor. Código de Hamurabi conjunto de leis escritas que vigoraram no Império Babilônico entre 1792 e 1750 a.C, sob o governo de Hamurabi. Art. 209 “Se alguém bate em uma mulher livre e faz ela abortar, deverá pagar dez siclos (antiga moeda hebraica) pelo feto”. Art. 210 “ Se essa mulher morre, então deverá matar o filho dele”. Antigo Testamento Lei das XII Tábuas Romanas ”[...]Leis confeccionadas e inscritas em tábuas de carvalho”. Primeiro registro escrito das normas da civilização romana. “ Se alguém difama outrem com palavras ou cânticos, que seja fustigado”; “ Se alguém profere um falso testemunho, que seja precipitado da rocha Tarpeia”; “ Se alguém matou o pai ou a mãe, que se lhe envolva a cabeça e seja colocado em um saco costurado e lançado ao rio”. Um paralelo atual... Estatuto do Primeiro Comando da Capital — PCC 1533 – Primeiro Comando da Capital ☯ Facção PCC 1533 (faccaopcc1533primeiroc☯ omandodacapital.org) https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org/regimentos/estatuto_do_primeiro_comando_da_capital_faccao_pcc_1533/https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org/regimentos/estatuto_do_primeiro_comando_da_capital_faccao_pcc_1533/ https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org/regimentos/estatuto_do_primeiro_comando_da_capital_faccao_pcc_1533/ https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org/regimentos/estatuto_do_primeiro_comando_da_capital_faccao_pcc_1533/ 3) VINGANÇA PÚBLICA ** Avocação por parte do Estado do poder-dever de punir; ** Pena assume caráter público, pois a ofensa seria primeiramente direcionada contra o Estado e não às partes, aos clãs, famílias. ** Neste primeiro momento, as penas ainda carregavam um caráter fortemente cruel e desumano, sendo aplicada pelo soberano de forma arbitrária. DIREITO PENAL ANTIGO: GREGO E ROMANO Grego ** Nos primórdios sofreu forte influência religiosa, em função do governo dos deuses (governava-se em nome de Zeus); ** Na medida em que pensava-se as ideias de liberdade, de justiça, da relação do ser com a cidade (o ser humano só existiria em função de sua relação com a polis), os gregos, principalmente os atenienses passaram a desenvolver formas mais humanizadas de pena, por exemplo, a possibilidade de absolvição do culpado, evitando sua morte, quando isso fosse capaz de prejudicar os inocentes que dependiam dele para sobreviver. Neste caso, o pensamento estava voltado para o grupo social e não para o sujeito que cometeu o ato ofensivo. ** Em razão de suas discussões sobre política, liberdade e a relação com a polis, os gregos contribuíram também com as reflexões sobre o fundamento do direito de punir. Romano ** O Direito Romano exerceu e exerce forte influência nos sistemas jurídicos atuais. No que se refere às transformações em matéria penal, o Direito Romano vivenciou fases: - Em um momento inicial, existiam leis penais não compiladas, com caráter sancionador; - O poder dos magistrados (coercitivo) era discricionário e fortemente influenciado pelo caráter religioso. Limitava-se, apenas, pelo poder de apelação (provocatio ad populum) do cidadão romano (categoria na qual não estavam inseridos os escravos, as mulheres, os estrangeiros); - Os reis também possuíam poder sobre a vida e a morte dos cidadãos e o ofensor era considerado execrável, sujeito à vingança dos deuses e de qualquer pessoa. - Em um segundo momento, com a elaboração da Lei das XII Tábuas, a vingança privada passou a ser disciplinada e, como visto, em certo grau, proporcionalizada. A lei trouxe também o marco da passagem da “lei dos deuses” para a “lei dos homens”, uma vez que presecrevia “O que os sufrágios do povo ordenaram em último lugar, essa é a lei”. - O foco do Direito Penal romano não foi, de início, garantir os direitos fundamentais do cidadão, só ganhando maior atenção a partir do advento da religião cristã, em função de passar a considerar os homens como imagem e semelhança de Deus. ** Em Roma surge a fundamental distinção entre DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO e também CRIMES PÚBLICOS E CRIMES PRIVADOS. ** Crimes públicos traição, conspiração política contra o Estado e assassinato. Quando esses crimes aconteciam, a relação estabelecida era entre o ofensor e o Estado, cabendo ao magistrando impor sua sanção, passando ele a ser considerado inimigo do Estado. O julgamento era realizado pelos tribunais especiais e a pena aplicada era a pena capital. ** Os demais crimes eram considerados privados estes eram de competência da parte violada, mas era possível a interferência do magistrado em uma espécie de conciliação para regular o exercício do direito de punir privado. ** As penas compreendiam morte, condenação ao trabalho escravo, exílio, penas corporais, multa, prisão. ** Ao final da república romana, foram publicadas as leges corneliae e juliae, que instituíam um rol de tipos penais e podem ser consideradas como as primeiras manifestações de um princípio da reserva legal – elaboração de lei para regulação de determinados assuntos. ** O Direito penal romano ainda trabalhou questões como inimputabilidade, nexo causal, dolo, culpa, concurso de pessoas, legítima defesa, dosagem de pena, caso fortuito etc. 4) DIREITO PENAL NA IDADE MÉDIA ** Direito Penal germânico - Direito consuetudinário – não escrito; - Sua infração podia assumir um caráter público ou privado quando público, a punição assumia a forma de perda da paz, que era o abandono da proteção jurídica, podendo o ofensor ser perseguido e morto por qualquer pessoa. Quando privado, o ofensor era entre à vítima ou aos seus familiares para que esses exercessem a vingança privada (pena de morte, mutilação, exílio). - Com as influencias do Direito romano e do Cristianismo, passou a adotar um perfil mais compositivo (sistema de composição pecuniária) e proporcional, que paulatinamente substituía a vingança privada (prevalecia a responsabilidade penal objetiva). - Preço da paz: uma espécie de fiança em troca da liberdade, cujo valor variava de acordo com a ofensa, o gênero do ofensor, a idade, a categoria do ofendido. - Sistema de provas: ordálias ou juízos de deus -> “submeter o(a) acusado(a) a um desafio para que ele(a), assim, provasse sua inocência, pois acreditava-se na intervenção divina durante a provação proposta, ou seja: se o(a) acusado(a) fosse inocente, Deus intercederia como em um milagre e a pessoa não sofreria as consequências do desafio imposto pela ordália”. Michel Fou cault - Vigi ar e Punir ( pdf)(rev ) (usp.br) https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/121335/mod_resource/content/1/Foucault_Vigiar%20e%20punir%20I%20e%20II.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/121335/mod_resource/content/1/Foucault_Vigiar%20e%20punir%20I%20e%20II.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/121335/mod_resource/content/1/Foucault_Vigiar%20e%20punir%20I%20e%20II.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/121335/mod_resource/content/1/Foucault_Vigiar%20e%20punir%20I%20e%20II.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/121335/mod_resource/content/1/Foucault_Vigiar%20e%20punir%20I%20e%20II.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/121335/mod_resource/content/1/Foucault_Vigiar%20e%20punir%20I%20e%20II.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/121335/mod_resource/content/1/Foucault_Vigiar%20e%20punir%20I%20e%20II.pdf — Provação pelo fogo: O acusado deveria andar de três a nove passos segurando um ferro em brasa. Suas mãos eram enfaixadas e as pessoas esperavam três dias. Ao retirar as ataduras, se a ferida estivesse sarando, a pessoa era considerada inocente. Se a ferida apresentasse inflamação ou pouco avanço na recuperação dos ferimentos, a pessoa era considerada culpada. — Provação pela água quente: Bem parecida com a provação pelo fogo, esta ordália consistia em fazer a pessoa acusada mergulhar a mão em um caldeirão de água fervente. Mesmo raciocínio da cura indicando culpa ou inocência. — Provação pelo duelo: Já explicada na imagem acima. O duelo certamente ajudou a romantizar a prática e era usado para resolver também questões duvidosas de propriedade ou qualquer outra situação que deveria ser provada a alguém. — Provação pela água gelada: A pessoa ficava imersa, provavelmente só com a cabeça para fora de um lago com águas congelantes durante um certo tempo. Se saísse dali sem estar sofrendo muito com o frio, estava livre da acusação. Isso quando a pessoa não morria tentando provar a inocência! Uma variação da ordália fazia a pessoa ser amarrada e jogada em qualquer rio ou lago. Se ela boiasse, era culpada, já que segundo os acusadores, a água não receberia um corpo impuro, sujo com um crime. Esta ordália foi muito utilizada para culpar possíveis bruxas. ** Direito Penal Canônico - Ordenamento jurídico da Igreja Católica Apostólica Romana; - Inicialmente se dirigia exclusivamente aos seus membros, com caráter disciplinar, mas a medida em que o Estado enfraquecia e a Igreja ganhava poder, passou a ser aplicado aos religiosos e leigos quando os fatos praticados tivessem relação com areligião. - Utilizou-se do procedimento da inquisição, utilizou tortura e penas cruéis, - Pena tinha caráter curativo, expiador, dirigido à punição, mas também ao arrependimento (correção). - Predominava o elemento subjetivo; - Jurisdição: em razão da pessoa e em razão da matéria - Em razão da pessoa julgamento por parte do Tribunal da Igreja, independente do crime praticado. - Em razão da matéria: a) Delitos eclesiásticos: eram os que ofendiam o direito divino; eram julgados pelos tribunais eclesiásticos e a sanção eram penitencias. b) Delicta mera secularia: ofendiam a ordem jurídica laica, julgados pelo tribunal do Estado e tinham penas comuns; c) Delicta mixta: ofendiam a ordem religiosa e laica, julgados pelo tribunal que tomasse primeiro conhecimento dele. - Contribuiu para o surgimento da ideia de prisão moderna, em razão da ideia de reforma do criminoso. Cárcere como instrumento penitenciário, de castigo, foi desenvolvido pelo Direito Canônico, para purgar o pecado pela dor. - Ausência de defesa, livre arbítrio do Estado e da Igreja, penas cruéis. - Confusão entre Estado e Igreja. 5) DIREITO PENAL IDADE MODERNA ** Forte influência do iluminismo (humanização das penas) – século XVIII ** Reação às penas cruéis impostas pelos Estados absolutistas ** Cesare Bonesana, Marques de Beccaria – 1764 – Dos Delitos e das Penas – movimento da Escola Clássica do Direito Penal; ** Influenciado pela perspectiva contratualista de Rousseau, passa a compreender o criminoso como um violador do pacto social, sendo considerado adversário da sociedade; ** Crime passa a ser objeto jurídico. ** Pena perde caráter religioso, devendo ser sempre legalmente prevista para atuar como resposta previamente conhecida para que todos saibam o caminho que querem ou não trilhar, considerando que o ser humano era um ser livre e racional que praticava o delito se quisesse. Pena com caráter retributivo e preventivo (para que não voltasse a cometer crimes e servisse de exemplo para sociedade). ** Pena deveria ser proporcional ao delito praticado; ** Os magistrados só poderiam aplicar a lei que estivesse previamente e claramente prevista – princípio da legalidade. ** Pena pública. HISTÓRIA DO DIREITO PENAL NO BRASIL PERÍODO COLONIAL IMPÉRIO PERÍODO REPUBLICANO 1) PERÍODO COLONIAL - Antes do “descobrimento” existem registros da existência da vingança privada nas comunidades primitivas do Brasil; - As regras eram consuetudinárias (tabus), transmitidos oralmente para os membros dos grupos; - As penas eram em sua maioria corporais; - Encontrava-se manifestações de penas de natureza compensatória e a exclusão do grupo. - Após o “descobrimento” (1500 d.c) Direito português passa a vigorar no Brasil através das chamadas Ordenações; A) Ordenações Afonsinas (primeiro código completo da Europa, tratava sobre todas as matérias de interesse de regulação do Estado): • Vigorou entre 1446- 1514 (D. Afonso V, Rei de Portugal) • Penas cruéis e predomínio da arbitrariedade dos juízes na fixação das penas • Prisão com caráter preventivo (para julgamento ou para obriga-lo ao pagamento de pena pecuniária) Livro 5, Indice (uc.pt) http://www.ci.uc.pt/ihti/proj/afonsinas/l5ind.htm http://www.ci.uc.pt/ihti/proj/afonsinas/l5ind.htm http://www.ci.uc.pt/ihti/proj/afonsinas/l5ind.htm B) Ordenações Manuelinas semelhante às Ordenações Afonsinas, com penas, em regra cruéis, diferenciadas de acordo com a pessoa que cometer o crime. No Brasil, eram aplicadas pelos Capitães Donatários. www1.ci.uc.pt/ihti/proj/manuelinas/l5ind.htm http://www1.ci.uc.pt/ihti/proj/manuelinas/l5ind.htm C) Ordenações Filipinas vigoraram de 1603 – 1830, tendo sido ordenadas pelo Rei Filipe II; - Continham penas cruéis, desproporcionais, livre arbítrio dos julgadores, ausência dos princípios de legalidade e da defesa, da personalidade da pena; predominava a desigualdade de classe; - A matéria penal era regulada no Livro V; - Além da pena de morte, também predominava o açoite, amputação de membros, confisco de bens, condenação às galés (usavam calceta no pé – “argola de ferro que, fixada no tornozelo do prisioneiro, ligava-se à sua cintura por meio de corrente de ferro ou ao pé de outro prisioneiro” – e eram obrigados a trabalhos públicos e a fixação de moradia em local determinado na sentença. www1.ci.uc.pt/ihti/proj/filipinas/l5ind.htm http://www1.ci.uc.pt/ihti/proj/filipinas/l5ind.htm 2) CÓDIGO CRIMINAL DO IMPÉRIO • Foi sancionado em 16 de dezembro de 1830 pelo imperador Dom Pedro I, nominado de Código Criminal do Império do Brazil. • Representou o primeiro código autônomo da América Latina e o primeiro do Brasil pós independência; • Foi elaborado a partir da determinação da Constituição de 1824 (código criminal fundado nas sólidas bases da justiça e equidade); • Trouxe um Direito Penal mais humanizado; • A Constituição, no art. 179, estabelecia que: ficam abolidos os açoites, as torturas. 3) CORRECIONALISMO PENAL • Surge na Alemanha, em 1839, com a obra Comentatio na poena malum esse debeat, de Karl David August Röeder; • Contexto do ideário humanista das reivindicações modernas; • Questionou as teorias absolutistas da pena – pena teria a finalidade de corrigir a injusta e perversa vontade do criminoso; • Não seria uma pena fixa, mas indeterminada e passível de cessação da execução quando se tornasse prescindível; • Caráter de prevenção especial – busca-se emendar os delinquentes. • Sustenta essa escola uma perspectiva do delinquente enquanto um ser incapaz para o Direito e o direito de reprimir os delitos deve ser utilizado pela sociedade com fim TERAPEUTICO – reprimir curando – torna-lo pessoa “do bem”. • Aplicação de meios RESSOCIALIZADORES adequados a corrigir suas falhas de personalidade. 4) TECNICISMO JURÍDICO-PENAL • Surge na Itália, 1910, com Arturo Rocco. • Método de estudo do Direito Penal é o positivo, apenas a exegese das leis vigentes; • Retira do Direito Penal todas as preocupações causais-explicativas, ficando estas a cargo da filosofia, antropologia, sociologia, etc. • Conteúdo dogmático do Direito Penal – uso de método técnico –jurídico para sua compreensão – objetivando o estudo da norma em vigor. • Perspectiva semelhante aos clássicos quanto ao conceito de crime, a ideia de responsabilidade moral, pena retributiva e expiatória. 5) DEFESA SOCIAL • Teve como influencia a revolta positivista. Século XX; • Conhecida como “movimento da defesa social”, preocupou-se unicamente com a proteção da sociedade contra o crime; • Principal orientação do Direito Penal é o combate da periculosidade, lutando contra a criminalidade. • Fim último da justiça penal seria garantir a proteção da pessoa, da vida, do patriminio – substituição a noção de responsabilidade moral para periculosidade do agente. • Aplicação dos institutos das medidas de segurança e das penas indeterminadas; • Segregação dos delinquentes perigosos para submete-los a uma doutrina de rigor • Principais influencias: Franz Von Liszt. Van Hamel e Adolphe Prins; PODEMOS FALAR DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS APLICADOS À PENA? MAS...QUAL É (OU QUAIS SÃO) O (FIM (FINS) DA PENA? POR QUE DISCUTÍ-LO (S)? Legitimação do poder de punir do Estado; fundamentação, justificação, função da intervenção estatal. A pena, como resposta do Estado a uma infração penal, é natural? TEORIA ABSOLUTA * A pena tem finalidade exclusivamente retributiva, ou seja, de compensar o mal causado pelo crime, sendo apenas uma forma de castigo, uma reação à prática de uma infração penal (nítido caráter expiatório). • Pena = Retribuição estatal justa ao mal injusto do crime • Esgota-se em si mesma, não depende de NENHUMA FINALIDADE PRÁTICA; está completamente desvinculada de qualquer efeito social futuro. • É, em última instância, a reafirmação do Direito negado pela prática do crime TEORIA RELATIVA • De acordo com essas teorias, a pena se fundamenta exclusivamentena necessidade de evitar a prática futura de delitos, traduzindo assim apenas a função de prevenção (torna-se irrelevante a imposição do castigo em si), que pode ser: • a) Prevenção geral: Dirige-se a toda a sociedade e aos possíveis e potenciais delinquentes, visando assim evitar a futura prática de crimes. Divide-se em: a.1. Negativa: prevenção por intimidação, faz que potenciais criminosos não queiram cometer crimes, traduzindo um conceito de exemplaridade (“o crime não compensa”). Idealizada por Feurbach. Atual direito penal do terror – castigo duro para ser exemplar. Sobre fazer justiça. Sobre proteger a sociedade FINALIDADES a.2) Positiva: visa a demonstração da inviolabilidade do direito (Claus Roxin) ou ainda busca a fidelidade e o respeito às normas, e a afirmação da estabilidade do direito, cuja violação tem como consequência a sanção penal. Busca-se romper com a ideia de que existe uma “lei particular”; impõe que a lei geral está em vigor. b) Prevenção especial: Atua diretamente na pessoa do delinquente pela aplicação e execução da pena, visando evitar que este volte a cometer crimes. Essa prevenção especial pode ser: b.1) Negativa: neutralização do indivíduo através do cárcere. Por tirar o indivíduo da sociedade, impossibilita que ele pratique novos crimes (pena privativa de liberdade) – objetiva evitar a reincidência. b.2) Positiva: visa a ressocialização, ou seja, fazer que o condenado não volte a cometer novos crimes. TEORIA MISTA OU UNIFICADORA *Posição adotada em nosso Código Penal; • Unificam as teorias absolutas e relativas; portanto, conciliam a retribuição com os fins de prevenção geral e especial. • Art. 59 do CP de acordo com as 3 etapas pelas quais passa uma pena, podemos perceber claramente o que representa cada uma dessas funções da pena: a) Prevenção geral negativa: na cominação abstrata da pena no tipo. b) Prevenção geral positiva e retribuição: na aplicação da pena concreta através da dosimetria. c) Prevenção especial positiva e negativa: na etapa de execução, cumprimento das penas. OBS.: Teoria agnóstica/ teoria negativa não acredita nas finalidades da pena e no poder punitivo do Estado, defendendo que a única finalidade da pena é a neutralização do condenado. FUNDAMENTOS DA PENA 1) RETRIBUIÇÃO pena proporcional e correspondente à infração penal cometida; pena é o mal proporcional transmitido que equivale ao mal produzido pelo crime. 2) REPARAÇÃO confere algum tipo de recompensa à vítima do delito; recompõem o mal social causado pelo crime; 3) DENÚNCIA é a reprovação social à prática do crime ou contravenção penal (necessidade reside na prevenção geral por meio da intimidação coletiva) 4) INCAPACITAÇÃO retira-se o condenado do convívio social como forma de proteção à sociedade; 5) REABILITAÇÃO deve-se recuperar-se o penalmente condenado. Funciona como meio educativo; 6) DISSUASÃO busca convencer as pessoas em geral e também o condenado, de que o crime é algo desvantajoso e inadequado. Pena deve impedir o condenado a tornar-se nocivo à sociedade e como instrumento para afastar os demais indivíduos de práticas ilícitas. Objetivo que se busca com a sua aplicação. COMINAÇÃO DAS PENAS Previsão em abstrato As penas podem ser cominadas: 1) Isoladamente: cominação de uma única pena, prevista com exclusividade pelo preceito secundário do tipo penal incriminador. Ex.: Art. 121, com pena de reclusão. 2) Cumulativamente: o tipo penal prevê, em conjunto, duas ou mais espécies de pena. Ex. art. 157 (roubo) – pena de reclusão e multa. 3) Paralelamente: cominam-se, paralelamente, duas modalidades DA MESMA PENA. Ex.: art. 235 (modalidade privilegiada da bigamia), S 1º - penas de reclusão ou detenção 4) Alternativamente: a lei coloca à disposição do magistrado a aplicação única de duas espécies de pena – há duas opções, mas o julgador só pode aplicar uma delas. Ex.: art. 140 (injúria)– pode ser uma pena de detenção OU de multa. CLASSIFICAÇÃO DAS PENAS 1) QUANTO AO BEM JURÍDICO DO CONDENADO ATINGIDO PELA PENA: a) Privativa de liberdade retira-se do condenado sua liberdade de locomoção, privando-0 de sua liberdade, mas, apenas de forma temporária, uma vez que NÃO se admite privação perpétua de liberdade (art. 5º, XLVII, b, CF), mas somente de natureza temporária, pelo prazo máximo de 40 anos para crimes (art. 75 CP, e 5 anos para contravenções penais (art. 10 LCP); b) Restritiva de direitos limita um ou mais direitos do condenado, em substituição à pena privativa de liberdade. Prevista no art. 43 do CP e em leis extravagantes. c) Multa incide sobre o patrimônio do condenado. d) Restritiva de liberdade restringe o direito de locomoção do condenado SEM priva-lo de sua liberdade através da prisão. Vedado o banimento, por força do art. 5º, XLVII, d da CF. Mas, é possível instituir pena restritiva de liberdade, por lei, em função do art. 5, XLVI, a da CF – ex.: proibição de condenado por crime sexual de se aproximar da casa da vítima e) Pena corporal viola a integridade física do condenado – mutilação, açoite, morte. São vedadas pelo art. 5º, XLVII, e CF. Autoriza-se excepcionalmente a pena de morte por força do art. 5º, XLVII, a CF, em caso de guerra declarada contra agressão estrangeira, nas hipóteses do Decreto-lei 1.001/1969 – Código Penal Militar. QUANTO AO CRITÉRIO CONSTITUCIONAL ** Art. 5º, XLVI e XLVII CF Permitidas (rol exemplificativo) – pois também se admitem, dentre outras, as penas de privação de liberdade ou restrição de liberdade, perda de bens, prestação social alternativa, suspensão ou interdição de direito. Proibidas: pena de morte, salvo em caso de guerra declarada, de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento e cruéis. QUANTO AO CRITÉRIO ADOTADO PELO CÓDIGO PENAL DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE Conceito: pena que retira do condenado o seu direito de locomoção, em razão de prisão por tempo determinado. Espécies: - Reclusão - Detenção - Prisão Simples Para Crimes (art. 33, caput) Para contravenções penais (LCP art 5º, I) - Modalidades de pena privativa de liberdade Funcionam de acordo com sua maior ou menor gravidade, são elas: a) Reclusão: prevista para crimes mais graves. Admite os três regimes de cumprimento de pena, quais sejam, o fechado, semiaberto ou aberto; b) b) Detenção: prevista para crimes menos graves. Não admite o regime fechado, mas somente o regime semiaberto e o regime aberto. OBS.: A única hipótese em que se admite uma detenção cumprida em regime fechado ocorre quando há a transferência do condenado que estava em regime semiaberto ou aberto para regime fechado, diante do descumprimento das regras dos regimes menos rigorosos. (regressão de regime). **Em um concurso material (art. 69 CP), cumpre-se primeiro a reclusão e depois a detenção, já que somente a reclusão admite que o agente inicie o cumprimento da pena em regime fechado. REGIMES PENITENCIÁRIOS É o meio pelo qual se efetiva o cumprimento da pena privativa de liberdade Nosso ordenamento, por meio do Código Penal e da Lei de Execução Penal, adotou o sistema penitenciário progressivo (modelo inglês), em que o detento deve passar por regimes progressivamente menos severos de cumprimento da pena (art. 112 da LEP - Pacote Anticrime ). OBS.: Presídio (presos ainda sem condenação) Penitenciária (presos com pena transitada em julgado) FIXAÇÃO DO REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE (como eu sei se é regime fechado, semi-aberto ou aberto no início do cumprimento da pena?) Base legal: art. 33, SS 2º e 3º Fatores: reincidência, quantidade de pena e circunstâncias judicias. STJ: gravidade abstrata do crime, por si só, não pode levar a fixação de regime inicial fechado. Quem fixa: juiz (art. 59, III) - Quando existe concurso de crimes – considera-se o total das penas impostas a) somadas (concurso material e concurso formal imperfeito) b) exasperadas de determinadopercentual (concurso formal perfeito e crime continuado) OBS.: Se durante a execução surgirem novas condenações transitadas em julgado, o juízo de execução deve somar o restante da pena objeto da execução com as novas penas, estabelecendo, em seguida, o regime de cumprimento para o total das penas. REGIME INICIAL DE CRIMES HEDIONDOS OU EQUIPARADOS Base legal: Art. 1º Lei 8.072/90 + art. 5º XLIII CF (equiparados a hediondo) +art 2º da Lei dos Crimes hediondos -Regime inicialmente fechado por força da Lei, mas o artigo foi declarado inconstitucional pelo STF (apenas para tráfico de drogas e terrorismo, pois, para o crime de tortura, considera constitucional o art. 1º, S 7º); -Art. 2º, S 8º 12.850/2013 – Lei do Crime organizado – alterada pelo pacote anticrime – cumprimento em estabelecimento penal de segurança máxima logo, criou uma nova hipótese de regime inicialmente fechado Tráfico de drogas privilegiado e Lei dos Crimes Hediondos Tráfico de drogas privilegiado (incide uma causa de diminuição de pena) – art. 33, S 4º Lei 11.343/2006 - diminuição de pena de 1/6 a 2/3 se estiverem presentes os requisitos cumulativos. ** STF Decidiu que tráfico de drogas privilegiado não se submete à Lei dos Crimes Hediondos ** Pacote Anticrime altera a redação do art. 112, S 5º da Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) para dizer que para fins de progressão de regime prisional, o tráfico de drogas privilegiado NÃO É CONSIDERADO HEDIONDO OU EQUIPARADO. Limite máximo de cumprimento de Pena Privativa de liberdade **O limite máximo de cumprimento de pena admitido em nosso ordenamento era de 30 anos (art. 75 do CP), porém o PACOTE ANTICRIME alterou este limite máximo, que passou a ser de 40 anos. ** ATENÇÃO! Caso haja outra condenação por fato posterior far-se-á nova unificação, desprezando o tempo já cumprido, para efeito de um novo limite máximo de 40 anos. Por exemplo: Imaginem um condenado a 60 anos de reclusão. Evidente a pena será unificada em 40 anos. Mas se ele, após cumprir 10 anos, cometer outro crime e for condenado a mais 25 anos? Deve-se somar o saldo restante (30 anos) com a nova pena (25 anos) e unificar o valor total (55 anos) para um novo limite de 40 anos, que serão aplicados e cumpridos por ele, independentemente dos outros 10 anos que já haviam sido cumpridos. Competência para execução da pena privativa de liberadade + Súmula 192 STJ Compete ao Juizo das Execuções Penais do estado. Contra as decisões do juízo das execuções penais cabe recurso de agravo, normalmente sem efeito suspensivo – Art. 197 Lei 7.210/1984 + Súmula 700 STF (prazo de 5 dias) OBS.: Vide Resolução 280/2019 CNJ 1) PENA DE RECLUSÃO: Deve ser cumprida inicialmente em REGIME FECHADO, SEMIABERTO OU ABERTO CRITÉRIOS PARA ESSA FIXAÇÃO: ART. 33, s 2º,a, b e c : a) O reincidente inicia o cumprimento da pena privativa de liberdade no REGIME FECHADO, independentemente da quantidade de pena aplicado. SALVO – SÚMULA 269 STJ admissibilidade de adoção do regime semiaberto aos reincidentes condenados com pena igual ou inferior a 4 anos se favoráveis as circunstânicas judiciais (vide art. 59 CP). b) O primário, cuja pena seja superior a 8 anos, deverá começar a cumprí-la no REGIME FECHADO. c) O primário, cuja pena seja superior a 4 anos e não exceda 8 anos, poderá, desde o princípio, cumprí-la em REGIME SEMIABERTO; d) O primário, cuja pena seja igual ou inferior a 4 anos, poderá desde o início, cumprí-la em REGIME ABERTO. ATENÇÃO: é possível que o juiz aplique ao condenado primário um regime inicial mais rigoroso do que o permitido exclusivamente pela quantidade de pena aplicada, DESDE QUE as circunstâncias judiciais do art. 59 CP lhes sejam desfavoráveis (emprego de arma de fogo, concurso de agentes, etc). – art. 33, S 3° MAS... Vide Súmula 718 e 719 STF ** Não pode ser com base apenas na opinião do juiz sobre a gravidade dos fatos; necessita de motivação idônea. 2) PENA DE DETENÇÃO Cumprida inicialmente nos REGIMES SEMIABERTO OU ABERTO. Não é cumprida inicialmemte no regime fechado, salvo regressão de regime. Critérios para fixação: a) O condenado reincidente inicia o cumprimento da pena privativa de liberdade no regime semiaberto, seja qual for a quantidade de pena aplicada; b) O primário, cuja pena seja superior a 4 anos, deve cumprí-la em regime semiaberto; c) O primário cuja pena seja igual ou inferior a 4 anos, deve cumprí-la em regime aberto OBS.: STF decidiu que não existe direito subjetivo ao cumprimento de pena em regime aberto. 3) PRISÃO SIMPLES - Cabível apenas para contravenções penais; - Cumprida sem rigor penitenciário, em regime semiaberto ou aberto - Em estabelecimenDeve-se somar o saldo restante (30 anos) com a nova pena (25 anos) e unificar o valor total (55 anos) para um novo limite de 40 anos, que serão aplicados e cumpridos por ele, independentemente dos outros 10 anos que já haviam sido cumpridos.to especial ou em seção especial de prisão comum; - Separado dos condenados à pena de reclusão ou detenção (LCP art. 6º, caput e S 1°) PRINCIPAIS DIFERENÇAS RECLUSÃO E DETENÇÃO ** Regime de cumprimento; ** Em caso de aplica~ção cumulativa de penas, cumpre-se primeiro a de reclusão e depois a de detenção; ** Efeitos da condenação: - Reclusão: incapacidade para exercício do poder familiar; da tutela ou da curatela nos crimes dolosos cometidos contra outrem igualmente titular dos mesmos poderes. ** Reclusao: em caso de medida de segurança, enseja internação; para detenção, o juiz poderá aplicar o tratamento ambulatorial. PROGRESSÃO DE REGIME PRISIONAL 1) Sistemas: - Filadelfia: preso fica isolado na sua cela, sem sair dela, salvo para passeios em pátios fechados (iniciado em meados do século XIX nos EUA) – isolamento total; silencio absoluto, trabalho dentro das próprias celas; - Auburn (sistema de Nova York): o condenado, em silencio, trabalha com outros presos durante o dia e se submete a isolamento durante a noite. Isolamento noturno; trabalho coletivo de dia, mas em silêncio total; rígida disciplina – punições severas pra quem quebrasse as regras. - Ingles ou progressivo: baseia-se no isolamento do condenado no início do cumprimento da pena, mas, depois é autorizado o trabalho na companhia de outros presos. Na última etapa é colocado em liberdade condicional. Modelo adotado pelo Código Penal Brasileiro e pela Lei de Execução Penal – art. 33, S 2º + art. 112, caput LEP ** Não foi integralmente acolhido, nossa legislação lhe impôs limitações. a) Trabalho – regime fechado: art. 34, SS 1º e 2º - trabalho diurno e isolamento noturno b) Se cumpridos os requisitos, passa para regime semiaberto art. 35, S 1º CP + art. 92 caput LEP – trabalho durante período diurno c) Se cumprido os requisitos, segue para regime aberto (art. 36, caput e S 1°) Integra o princípio da individualização das penas – cumprimento da finalidade de prevenção especial REQUISITOS OBJETIVOS (ART. 112 caput e incisos) E SUBJETIVOS (S 1º) PARA BENEFÍCIO DE PROGRESSÃO DE REGIME § 1º Em todos os casos, o apenado só terá direito à progressão de regime se ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) Requisito subjetivo https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art4 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art20 ATENÇÃO! FORAM ALTERADOS PELO PACOTE ANTICRIME( 13.964/ 2019) Crimes comuns (primário ou reincidente – 1/6) C. Hediondos antes de 29.03.07 (primário ou reincidente – 1/6) C. Hediondos praticados a partir de 29.03.07 (primário) – 2/5 C. Hediondos praticados a partir de 29.03.07 (reincidente) – 3/5 Mulher gestante ou mãe responsável por pessoa ou crianças com deficiência – 1/8 OBS: Para a segunda progressão, calcula-se o percentual cabível do RESTANTE DE PENA (desconsidera-se0 que já foi cumprido). O termo inicial para a segunda progresso é a data em que o condenado efetivamente preencheu os requisitos do art. 112, e não a data em que ele ingressou no regime anterior. OUTRAS INFORMAÇÕES RELEVANTES SOBRE PROGRESSÃO DE REGIME 1) CONDENAÇÕES SUPERIORES A 40 ANOS Nas condenações superiores a 40 anos, o percentual de cumprimento de pena deve ser calculado sobre o total da pena IMPOSTA (Súmula 715 STF). 2) PROGRESSÃO ESPECIAL: MULHER GRÁVIDA OU QUE FOR MÃE OU RESPONSÁVEL POR CRIANÇAS OU PESSOAS COM DEFICIÊNCIA – 112, S 3º LEP- tem requisitos objetivos e subjetivos *Art. 2º, caput do ECA (8.069/90)– criança: pessoa com áté 12 anos de idade incompletos; *Art, 2º caput do Estatuto da pessoa com Deficiênci (Lei. 13.146/2015): considera-se pessoa com deficiência “aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”. A gravidez deve ser provada por exame pericial (ultrassonografia ou meio equivalente) e, pela omissão da lei, pode ser ela ocorrida antes ou mesmo depois do início do cumprimento de pena; Estado de filiação e idade da criança deve ser comprovada pela certidão de nascimento da criança; Deficiência da criança ou da pessoa pela qual a mulher é responsável deve ser comprovada por laudo médico ou outro documento idônio, como sentença de interdição civil. Abrange situação de guarda, tutela, curatela e situações informais de cuidado. § 3º No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência, os requisitos para progressão de regime são, cumulativamente: (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018) I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018) II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018) III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior; (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018) IV - ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento; (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018) V - não ter integrado organização criminosa. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13769.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13769.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13769.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13769.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13769.htm#art3 a) Requisitos objetivos: I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018) II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018) III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior; b) Requisitos subjetivos IV - ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento; (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018) V - não ter integrado organização criminosa. (Neste último caso, independe de quando a pessoa integrou organização criminosa (não tem limite temporal) E o conceito de organização criminosa é aquele do art. 1º, S 1º da Lei 12.850/2013 Lei das Organizações Criminosas) – STJ (HC 522.651/SP) – vedação de interpretação extensiva para considerar qualquer tipo de sociedade criminosa. Esse valor só é reverência para os crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13769.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13769.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13769.htm#art3 ** Benefício será revogado se ela praticar novo crime doloso ou falta grave (art. 112, S 4º LEP). Essa revogação depende de decisão judicial, com direito a ampla defesa e pode resultar na regressão de regime (art. 118, I, LEP) Art. 50 LEP. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que: I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina; II - fugir; III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem; IV - provocar acidente de trabalho; V - descumprir, no regime aberto, as condições impostas; VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei. VII – tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo. (Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007) VIII - recusar submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao preso provisório. II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva relacionar-se; V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas; https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11466.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art4 3) PROIBIÇÃO DA PROGRESSÃO “POR SALTOS” - Proíbe-se a passagem direta do regime fechado para o aberto. - Vide súmula 491 STJ – proibição da progressão per saltum. 4) REGRESSÃO DE REGIME É possível que o condenado passe de um regime prisional mais brando para um mais severo, de acordo com o que dispõe o art. 118, I, II e S 1º da LEP. a) Prática de fato definido como crime doloso ou falta grave - Falta grave – art. 50 da LEP - Instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento, resguardado o direito do preso de ser ouvido e de ter direito de defesa por um advogado (Súmula 533 STJ). – Não aplicação da Súmula Vinculante número 5 neste caso – que afasta a obrigatoriedade de defesa técnica do processo administrativo disciplinar) - STF - No caso do crime doloso, basta a prática e não a condenação definitiva. (Súmula 526 STJ). b) Sofrer condenação por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em execução, torne incabível o regime c) O condenado será transferido do regime aberto se, além das hipóteses referidas nos incisos anteriores, frustrar os fins da execução ou não pagar, podendo, a multa cumulativamente imposta – apenas para as penas em regime aberto. - Faltar senso de autodisciplina e responsabilidade (art. 36, CP) OBS.: Regressão por salto Passagem direta de um regime menos gravoso para o mais gravoso (aberto – fechado) é autorizado Art. 118 LEP DIREITO PENAL PARTE GERAL (Vide Decreto-lei nº 2.848/1940) TE Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56 Slide 57 Slide 58 Slide 59 Slide 60 Slide 61 Slide 62 Slide 63 Slide 64 Slide 65