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HISTÓRIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO 
 
O MUNDO MEDIEVAL E O ADVENTO DA MODERNIDADE - (BACCHOUSE 2-4) 
Contexto: Ascensão do cristianismo. A princípio, a religião surgira como uma seita 
marginal, que buscava questionar às religiões oficiais do Império Romano. 
Posteriormente, o cristianismo se consolidou como religião oficial do Império. Atuou 
como uma linha doutrinária que orientava o funcionamento da sociedade. Se opunha ao 
mundo pagão, marcado por crenças politeístas e por religiões bastante sincréticas. 
Ideias Econômicas: 
1) Permanências: 
▪ A riqueza não deve ser buscada como fim em si mesma; 
▪ Forte suspeita ética e moral com relação ao acúmulo de riquezas oriundas do 
mercantilismo (amparada pela ideologia cristã: avareza como pecado, valores 
como generosidade etc.) 
2) Mudanças: 
▪ A noção de temporalidade era circular (para as sociedades da antiguidade), 
teoria de ciclo político da antiguidade. Ou seja, não havia a noção de progresso 
(prosperidade econômica). 
▪ Expansão das cidades 
▪ O cristianismo descobre o "eu"- o Deus cristão que recompensa a fé e a virtude, 
de modo que as decisões pessoais se tornam relevantes. "Tornei uma questão 
para mim mesmo" - surgimento da construção de subjetividade. Isso tem 
consequências para a esfera econômica: o Renascimento (séc. XII e XII) foi 
marcado pelo aparecimento das primeiras universidades: consequência de um 
período de prosperidade e desmonte/enfraquecimento das instituições feudais. 
▪ Surge o escolasticismo (Pensamento Escolástico) dentro das primeiras 
universidades, o que promoveu reflexões acadêmicas sobre temas econômicos: 
pregava-se o PREÇO JUSTO e não definidos pelo mercado, condenação da prática 
da usura, mas, com ressalvas. 
Conclusão: Houve efetivas modificações, em comparação à Antiguidade Clássica. Essas 
visões são consideradas eurocêntricas, pois, no mesmo período existiram outros estudos 
relacionados à economia, fora do eixo da Europa Ocidental, que divergiam dessa 
perspectiva. 
 
MODERNIDADE (Séc. XV - XVII) 
 
Deslocamento do pensar humano para a racionalidade. O homem é capaz de entender 
o mundo e, também, é capaz de moldá-lo para alcançar a prosperidade. 
Ciência Moderna: relacionada às formas como a sociedade europeia se enxerga. 
"Alargamento" do mundo, na perspectiva europeia, para além do Mediterrâneo. 
Renascimento, pós peste bubônica. Há uma reinterpretação do legado da Antiguidade 
Clássica. Também é caracterizada pela evolução do método científico (Bacon, Newton e 
Descartes). 
• Bacon: obtenção de regularidades, ou seja, da indução, da observação e do 
empirismo. 
• Descartes: modelos matemáticos, caracterizados pela dedução, racionalidade, 
logo, por verdades simples e auto evidentes. Há uma rejeição de julgamentos 
subjetivos: Revolução Antropocêntrica. 
Reforma Protestante (séc. XVI): Questionamento da autoridade máxima da Igreja 
Católica. Do ponto de vista intelectual, é um movimento conservador: é caracterizado 
pela condenação dos acúmulos da Igreja Católica. As ideias econômicas repercutem o 
pensamento escolástico. 
Após a Reforma, surge a ideia de Lei Natural: emergência do jusnaturalismo, leis 
outorgadas pelo direito, com base na soberania do homem. Surgem consequências 
econômicas ao jusnaturalismo em tempos posteriores. 
 
Estado-Nação (Modernidade) 
 
Transformação na forma que a sociedade ocidental se organiza politicamente. 
• Competição entre autoridades: poder escolástico (papal), imperadores (sacro-
império) e príncipes locais. 
Séc. XV: Ascensão dos Estados Nacionais. Processo bastante desigual. Termina apenas 
no século XIX, com a unificação tardia. Representa um ganho de poder do rei em relação 
à nobreza local. Vale ressaltar que ainda não há uma influência muito expressiva da 
burguesia. É um Estado aristocrático, que atua como um aparato da nobreza. "Nova 
carapaça política de uma nobreza ameaçada" (Perry Anderson). 
• Como manter/elevar o poder político e econômico das nações? 
Maquiavel: Realizava o aconselhamento a líderes políticos. Não a partir de princípios 
morais, provocando uma ruptura com a cosmovisão cristã. Buscava manter a 
comunidade política. Fortuna e Virtú: atuam na manutenção do Estado. É um contexto 
de disputa pela soberania política. Mesmo se cada um agir "no seu interesse", o Estado 
deve se manter coeso. Maquiavel defende que existem interesses difusos: esse 
argumento ganha uma conotação cada vez mais econômica. O interesse se liga a uma 
ideia de riqueza e propriedade intelectual. 
Hobbes: a autoridade e a coesão social derivam de uma atitude humana frente ao 
estado de natureza. A ordem social se funda a partir de uma ação voluntária humana. 
Essa ideia secular é bastante importante para o contexto de economia política: processo 
de secularização de vários domínios da vida. 
A partir das mudanças/desafios colocados pela ascensão do Estado Nacional, surgem 
novas formas de pensar o âmbito econômico (ex.: mercantilismo), bem como o 
pensamento das ideias econômicas. 
Observação: O século XIV fora marcado por um período de crise (deflação). A partir do 
século XV, há uma pressão inflacionária sobre os preços. É um século de ascensão e 
estabilidade (afluxo de ouro e poder para os Estados Nacionais unificados). O núcleo 
capitalista se desloca do Mediterrâneo para o norte da Europa. 
 
 
 
MERCANTILISMO 
 
Busca pensar o econômico no âmbito do Estado-Nação. Raízes da economia política. 
Mercantilismo como realidade histórica: 
• Momento da História Ocidental com um conjunto de políticas econômicas para 
expandir o Estado-Nação. 
• Problema: Esse mercantilismo ocorreu em momentos diferentes, nos diversos 
estados nacionais. 
• O representante "mais famoso": Coulbert: ministro francês, que promoveu a 
economia francesa. 
• Mercados ingleses que avançaram em questões da balança comercial e 
abordavam temas da época. 
• William Petty: Aritmética política. 
Conteúdo das Ideias Econômicas Mercantis: 
• Linha de Suprinyak: questionamento da autoridade real absoluta. Discussões 
políticas no século XVIII. 
• Crise dos 1620: crise comercial, queda da venda dos tecidos ingleses, 
desemprego e diminuição da entrada de dinheiro. 
Gerard Malyres: pensador ligado ao mercantilismo, crise é resultado de problemas no 
mercado cambial. Segundo o pensador, a moeda inglesa estava subvalorizada, 
provocando uma diminuição no rendimento das vendas, quantidade exportada era vista 
como fixa (não condizente com a realidade). 
Thomas Mun: para ele, o problema está no mercado de bens, uma vez que há muita 
importação e pouca exportação. Isso faz com que haja uma saída de prata. A solução: 
doutrina da balança comercial favorável (avanço teórico comparado a estaticidade 
proposta por Malyres). 
Petty: promoveu discussões envolvendo a compreensão do Estado para pensar a 
economia. Busca quantificar o método empirista: riqueza consiste nas atividades 
praticadas pelo país, algo relativo. Não se relaciona ao tamanho do páis ou à riqueza 
absoluta. Ideias relacionadas ao valor (tributação da terra) e a relação entre trabalho e 
acres de terra. 
 
ECONOMIA POLÍTICA E ILUMINISMO: OS FISIOCRATAS 
 
• Surgimento do Iluminismo: França, século XVIII 
Contexto: o Iluminismo foi um movimento de aprofundamento na crença da razão, que 
deveria substituir outras autoridades como fonte de julgamento. A crença da igualdade 
defende que todo homem é capaz de pensar racionalmente do mesmo modo (ideia de 
igualdade inerente). Há a crença de que o progresso é virtualmente ilimitado. O 
Iluminismo é, portanto, um movimento amplo e abrangente, com teor ideológico de 
progresso reformista. Para os filósofos iluministas, o Estado pode ser moldado e 
transformado, a partir da razão, convergindo no progresso. 
• O que é "melhor" de acordo com a razão? (Jusnaturalismo) 
Há a construção de uma ética racional, que seria capaz de garantir a universalidade da 
conduta humana.Tal ética é uma razão compartilhada, com referência a um estado 
natural. 
 Estado Natural: suposição de um estado de natureza a partir do qual se deriva o que 
não é desejável. Logo, tais fatores que não são desejáveis se materializam como os 
princípios norteadores da reforma social. Há a definição do que é considerado natural: 
emancipação da esfera do indivíduo frente ao Estado e frente à providência divina. Por 
fim, a dedução, a partir da razão, indica o sentido das instituições sociais. (Ex.: formação 
do Estado Absolutista). 
Iluminismo na França: 
• Reinado de Luís XV: marcado pela redução da censura. Há uma produção cultural, 
graças ao universalismo da razão. Quesnay publica, na enciclopédia francesa, um 
texto sobre cereais e fazendeiros, e se lança, assim, como um intelectual da 
economia política. 
• A efervescência intelectual suscita, na França, reflexões econômicas a partir de 
questionamentos às políticas dos Estados Absolutistas e de seus excessos nas 
práticas mercantilistas. Surgem debates sobre temáticas de comércio, riqueza e 
poder. 
• As discussões na primeira metade do século XVIII abordam a necessidade ou não 
de regulação e intervenção estatal, a importância dos suprimentos de alimentos 
aos franceses e proposições que defendem a existência de uma lei natural, 
responsável por guiar a vida econômica. 
Existem três pensadores que surgem nessa primeira metade do século XVIII, no 
Iluminismo francês: Boiguilbert, John Law e Cantillon) 
1) Boiguilbert: propõe reflexões acerca da troca. 
• Crítico do contexto mercantilista e às políticas econômicas do período. 
• Afirma que a renda francesa decresceu em virtude do consumo. 
• Propõe equivalência entre o consumo e a renda. 
• Somente a natureza poderia manter a ordem e a paz: laissez fair la nature 
• Primeiro defensor de que o sistema de preços pode falhar, como, por exemplo, 
no mercado de grãos. Nesses casos, é necessária a intervenção estatal. 
2) John Law: abordou questões monetárias, bem como a importância do papel moeda. 
• Papelismo: Discussão incisiva acerca da necessidade de o papel da moeda 
substituir o metal, já que o valor dos bens dependia da relação entre a 
quantidade de bens e a demanda por eles. O papel moeda era, em sua visão, um 
facilitador do comércio. 
• Propôs a criação de uma companhia de comércio na Louisiana e, também, a 
venda das ações do CIA, capitalizando essa empresa, a fim de gerar prosperidade. 
John Law foi um pensador inovador. Entretanto, seus projetos foram malsucedidos. 
Houve uma bolha especulativa das ações emitidas pela CIA, deflagrando em uma crise 
de liquidez. Além disso, a emissão desenfreada de papel moeda por J. Law, gerou 
desvalorização. Consequentemente, houve uma descrença da população em relação ao 
papel moeda e ao papel do Estado na Economia. 
OBS.: Surge um novo modelo monetário: o afluxo de moeda metálica/papel moeda, leva 
ao aumento de preço. 
TEORIA QUANTITATIVA DA MOEDA: MV = PQ 
A relação acima surge nesse período, e é um dos pilares da economia política. Nessa 
perspectiva, o acúmulo de metais (metalismo) não significa necessariamente riqueza, 
pode apenas indicar um aumento dos preços. 
3) Cantillon: 
• Responsável por escrever um ensaio sobre a natureza do comércio em geral, que 
foi publicado pelo Marquês de Mirabeau em 1755. 
• Defende, nesse ensaio, que a terra é a fonte de riqueza, e, por sua vez, o trabalho 
é a fonte de produção dessa riqueza. Esse texto se constitui como uma crítica 
incisiva às práticas mercantilistas. 
 
OS FISIOCRATAS: FRANÇOIS QUESNAY 
 
Para Quesnay, o funcionamento da economia pode ser entendido como um organismo, 
regido por um conjunto de leis, que obedecem a uma "ordem natural". 
A realidade da troca mercantil é o ponto de partida da fisiocracia. Os indivíduos obtêm 
o que falta para a sobrevivência com a venda do produto de seu trabalho. 
A análise de Quesnay é realizada pela estrutura econômica da sociedade francesa, por 
volta do século XVIII. As ideias econômicas passam a ser compartilhadas numa esfera 
pública. 
Há a confrontação entre agricultura capitalista e agricultura camponesa. 
Para os fisiocratas, a tarefa histórica do capitalismo era a ampliação de excedente. 
Excedente: A tese defendida pelos fisiocratas é a de que o excedente ocorre apenas na 
agricultura. A capacidade e a fertilidade natural do solo originam o excedente. Mas, note 
que os fisiocratas individualizam o excedente no processo produtivo. Para eles, a troca 
não é capaz de originar excedente. 
Tableau Économique: Um dos primeiros instrumentos analíticos de teoria econômica. 
Mostra o fluxo circular da renda, gasto e produção, sendo assim o primeiro diagrama 
macroeconômico. Evidencia as inter-relações entre renda, gastos e produção com as 
interdependências entre os diferentes setores da economia. 
Para Quesnay, a sociedade se dividia em 3 Classes. 
1) Produtiva: arrendatários capitalistas e assalariados, cujo trabalho é produtivo. Tem 
um superávit correspondente ao adiantamento inicial, fazendo com que o ciclo se 
reinicie. 
2) Estéril: trabalho não-produtivo, não porque não é útil, mas porque não produz 
excedente. 
3) Proprietários de terra: centro do modelo analítico de Quesnay, que possuem, na visão 
do fisiocrata, pleno direito à percepção de renda, ou seja, ao produto. 
 
ADAM SMITH 
 
Adam Smith e o Iluminismo escocês: ponto de inflexão da teoria econômica, marcando 
o surgimento da Escola da Economia Política Clássica. 
 
Contexto: 
▪ Revolução Industrial 
▪ Iluminismo escocês e a ideia de progresso. Período de florescimento intelectual 
na região, que era uma das mais atrasadas no continente europeu. 
▪ Autoconsciência da convergência das perspectivas ideológicas e filosóficas dos 
intelectuais do período (D. Hume, Hudson e A. Smith). 
▪ Investigação da ideia de progresso: como sociedades diferentes, dotadas de 
costumes diferentes, progrediram e se transformaram. 
▪ Primeira colonização inglesa. 
▪ Restrições comerciais de monopólios no mundo moderno. 
Para Adam Smith, o progresso se dava em vários estágios. 
1) A sociedade primitiva; 
2) A criação de pastos; 
3) Estado Agrário; 
4) Sociedade Comercial. 
 
Sentimentos Morais – Adam Smith 
 
Teoria dos sentimentos morais: premissas filosóficas indispensáveis à compreensão da 
obra do autor. Segundo Smith, os indivíduos devem ser encarados como portadores de 
um conjunto se sentimentos morais, que resultam na felicidade coletiva e na harmonia 
da sociedade. 
O autor aborda a ideia de simpatia (“fellow feeling”) e a ideia de espectador imparcial. 
Consequentemente, segundo o autor, existem quadros éticos de referência, que devem 
nortear o comportamento da sociedade. 
(M.B) 
Para Smith, o fanatismo religioso, crítica dos iluministas, era uma questão econômica. 
Segundo o filósofo, com o aumento da riqueza, há, também, o aumento da 
desigualdade. Dessa forma, a elite alcança posições melhores. Em contrapartida, o povo 
(classes inferiores) é caracterizado por uma moral mais austera e conservadora. 
Assim, Smith aborda o surgimento do populismo: em um contexto de depressão 
econômica mais generalizada, indivíduos com a moral mais austera (povo) são mais 
sensíveis a líderes populistas e a condenar a elite, que, supostamente, seria corrompida 
(segundo os líderes populistas). 
De modo contrário, em um contexto de esperança econômica, é possível identificar uma 
resposta política: o surgimento de um Estado mais progressivo (as pessoas têm a moral 
mais relaxada), logo têm mais liberdade para ser quem são. Assim, para Smith, a 
expansão da sociedade comercial garantiria o avanço da liberdade do indivíduo. 
 
A Riqueza das Nações (1776) 
É o livro funcional da economia política, retomado por outros economistas liberais. 
Busca avaliar a anatomia da sociedade comercial a partir da economia política. Smith 
estrutura uma crítica ao mercantilismo 
Divisão do Trabalho:Como se deu o crescimento econômico? Para o filósofo escocês, a divisão do trabalho é 
a causa do progresso. 
Exemplo: Fábrica de Alfinetes (verbete “ÉPINGLE” na Encyclopédie): descrevia a 
produção de alfinetes. A partir do exemplo, Smith analisou três circunstâncias: 
▪ Relação da produtividade com a divisão do trabalho, pois há uma melhora da 
destreza do trabalhador. Especialização é favorecida. 
▪ Economia de tempo no trabalho. 
▪ Progresso técnico. 
Para o autor, sociedades mais primitivas apresentam uma menor divisão do trabalho, 
enquanto sociedades mais avançadas possuem uma maior divisão do trabalho. 
Portanto, o nível de vida de uma população depende da proporção de cidadãos 
empregados em um trabalho produtivo e da produtividade do trabalho. E, por sua vez, 
a produtividade do trabalho depende do nível alcançado pela divisão do trabalho. O 
alavancamento da produtividade acarreta a elevação da riqueza, ou seja, do fluxo 
produtivo. 
A extensão dos mercados como condicionante da divisão social do trabalho: 
Essa extensão, para o autor, vai ditar a capacidade, velocidade e eficiência com que 
produtos especializados vão trocar e, consequentemente, se especializar ainda mais. A 
busca do interesse próprio é compatível com a divisão de trabalho, uma vez que os 
indivíduos possuem um senso mínimo de justiça. Os frutos da divisão do trabalho são 
compartilhados via mercado. 
Como se dá a formação de preços nos mercados: 
Para o autor PREÇO REAL X PREÇO NOMINAL. 
O preço real é oriundo do trabalho. Ele reflete uma dificuldade. Há o surgimento da 
teoria do valor-trabalho: o trabalho se torna uma medida universal. Já o preço nominal 
surge espontaneamente, em virtude das trocas. O valor comparativo da mercadoria é 
estimado em uma mercadoria em termos da outra. Assim, o valor da moeda influi no 
preço nominal, e não no preço real. O preço real é influenciado por melhorias e 
desenvolvimento da atividade produtiva. 
TRABALHO CONTIDO X TRABALHO COMANDADO 
Trabalho Contido: Quantidade de trabalho. É a dimensão do esforço. Traz a ideia de 
trabalho subjetivo, ou seja, trabalho intrínseco na mercadoria. 
Trabalho Comandado: O poder que a quantidade de trabalho assegura a quem a possui. 
Para Smith, o trabalho comandado é o sentido da sociabilidade na sociedade mercantil. 
Traz a ideia de trabalho objetivo. O autor também aborda a ideia de poder de comando 
do trabalho alheio. 
Smith, portanto, propõe uma ideia de valor-trabalho com ênfase no trabalho 
comandado. Por fim, o preço real se refere a uma quantidade de trabalho que é possível 
comandar. 
Preço e suas três dimensões: 
1) Salários: remuneração dos trabalhadores livres; 
2) Lucros: remuneração dos capitalistas; 
3) Renda da terra: remuneração dos proprietários de terra. 
A representação acima é uma decomposição teórica, pois, para Smith o preço contém 
em si várias dimensões. 
PREÇO NATURAL X PREÇO DE MERCADO 
O preço natural é o preço em torno do qual os preços de mercado gravitam. É o preço 
de operação ao qual os fatores de produção estão sendo remunerados. A força 
gravitacional que permite que o preço natural seja o centro da gravidade é a 
concorrência. 
O preço de mercado depende das condições de mercado, ou seja, reflete as condições 
de oferta e demanda. Preço variável = se altera com a conjuntura de mercado. 
Havendo liberdade de movimentação no mercado para capitais e trabalhadores, o 
arranjo em si faz com que as pessoas produzam algo que interessa a sociedade. As 
demandas são expressas por meio dos preços, que são mecanismos de sinalização e 
percepção dos desejos da sociedade. 
As necessidades sociais aparecem e o mecanismo de mercado às atende, havendo 
liberdade de movimentação de recursos no mercado. Preço de mercado é equivalente a 
preço natural, isso significa que há um atendimento às “demandas” da sociedade. 
Liberdade de Mercado = chave para a operação do sistema. 
Na medida em que não há liberdade plena, a sociedade é condicionada a fazer preços 
artificiais, pois, há um privilégio para os capitalistas do setor. Os privilégios são 
impeditivos às ações de mercado. A interação virtuosa do mercado como aquilo que dá 
coesão à sociedade capitalista. 
 
A VIRADA PARA O SÉCULO XIX – O pensamento de Malthus 
 
Economia política clássica: se distanciam da filosofia moral (ideia de virtude para A. 
Smith) para buscar o auto interesse. Em uma sociedade dotada de uma rede de 
mercados, isso leva à prosperidade. 
Contexto: 
▪ O tempo de Malthus e Ricardo era marcado pela escassez. Há o surgimento de 
uma problemática: trabalhadores pobres. Aumento populacional gera avanço da 
industrialização. Isso provoca a pobreza da classe trabalhadora. 
▪ Revolução Francesa (fim do século XVIII) convulsiona o continente europeu, 
levando a uma onda de reações à problemática da escassez. O republicanismo 
francês se coloca como uma ameaça à Grã-Bretanha. 
▪ Surgimento de mecanismos (final do século XVIII) para tentar aliviar os 
problemas de distribuição de renda. 
▪ Suspensão da conversibilidade: lastro em ouro não funciona mais – questão 
chave monetária – o dinheiro enquanto convenção social ou dinheiro enquanto 
lastro em ouro – debates monetários. 
▪ Cereais aumentam de preço, beneficiando agricultores. 
▪ Avanço das manufaturas e da mecanização = elevando a produtividade, 
sobretudo da indústria têxtil. 
▪ Perplexidade da burguesia britânica acerca das tensões políticas e sociais na 
sociedade inglesa. 
 
THOMAS MALTHUS (1766-1834) 
 
▪ Malthus responde aos defensores de uma divisão equitativa dos recursos 
econômicos – políticas assistenciais de sua época – ele busca combater esse 
pensamento de matriz social. 
▪ A propriedade privada era fundamental. Referência smithiana – a coletivização 
dos meios impede a busca das pessoas por “self-love” – especializações que 
elevam a produtividade. 
▪ Propõe, em seu ensaio, uma reflexão específica sobre a dinâmica populacional, 
é o marco do pensamento demográfico. 
▪ Aborda o princípio da população = ideia de que a população cresce a uma taxa 
geométrica, enquanto os alimentos crescem aritmeticamente. Desse modo, há 
um desequilíbrio. 
▪ Contenção moral (limite negativo): educação que visasse reprimir os impulsos 
sexuais, deflagrando, assim, em uma redução das taxas de natalidade. Somado a 
isso, a miséria, a fome, a guerra e o vício (limites positivos) seriam os fatores que 
permitiriam nivelar o desequilíbrio entre população e recursos naturais. 
▪ As classes mais baixas estão condenadas à miséria, não existe saída para a 
desigualdade social. 
Círculo Vicioso da Miséria 
 
 
 
 
Economia política: ideia do salário de subsistência (“lei de ferro” dos salários): não se 
pode aumentar o salário para além da subsistência, toda política salarial é autoderrotada 
em si própria. Propõe um ataque às utopias igualitaristas: A transferência de dinheiro 
aos pobres não aumenta os recursos alimentícios, apenas encarece os alimentos, as 
práticas igualitárias reduzem a contenção moral (limite inferior) e são retiradas do 
conjunto da sociedade para dar para uma parcela específica. 
 
DAVID RICARDO 
▪ Problema da distribuição de alimentos está na disponibilidade de terras férteis. 
▪ David Ricardo participava do Political Economy Club (1821). Há o processo de 
construção de um campo de estudo específico econômico. Importante 
desenvolvimento de uma comunidade científica. 
▪ Leis de cereais (início do século XIX): caráter protecionista, que beneficiava os 
produtores de cereais britânicos, ao taxar a importação de cereais. No contexto 
das Guerras Napoleônicas, há um aumento do preço dos cereais e das rendas 
fundiárias. 
Ideias básicas de Ricardo: 
▪ Antagonismo de interesses entre proprietários de terra e restante da 
sociedade. 
▪ Queda nas taxas de lucro tinha sua razão na escassez de terras cultiváveis. 
▪ Antagonismo entre os proprietários e o restante dasociedade vai contra as 
ideias de Smith (que o mercado levaria a uma prosperidade para toda a 
sociedade). Visão de Ricardo sobre capitalismo está fundada em um conflito 
de classes. 
Argumentos de Ricardo: 
▪ Teoria da renda diferencial: baseada na ideia de que terrenos diferentes têm 
produtividades diferentes. Ao aplicar a mesma quantidade e capital, há uma 
diferença nos resultados. Terrenos menos férteis não geram uma renda 
diferencial (excedente). A renda seria utilizada para cobrir os gastos de produção. 
▪ Criação de uma renda diferencial a partir da fertilidade de terras 
▪ Terra fértil = objeto de cobiça em uma economia que tem dificuldades em 
produzir alimento. 
▪ Essa teoria aponta que a última terra (limite marginal) não produz renda, pois se 
produzisse, ela seria disponibilizada pelo cultivo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JOHN S. MILL 
 
Filosofia social e reforma: autor da transição da economia política clássica. Sintetizador 
da economia britânica do século XIX. 
UTILITARISMO: Fundamentação filosófica das elaborações teóricas de Mill. 
Proposição: 
▪ Soma dos interesses dos indivíduos 
▪ Cada indivíduo é o melhor juiz dos seus próprios interesses = interesse social. 
▪ A capacidade de felicidade de cada um é equivalente à dos outros. 
É uma doutrina individualista e igualitária, simultaneamente. Porém. Dado que o 
interesse é uma soma, é possível que um pequeno grupo se beneficie mais, em 
detrimento dos demais. Inclui todos os indivíduos, mas, abre uma grande margem para 
a desigualdade. Os pensadores utilitaristas estiveram ligados à política e à economia. 
Mill: 
▪ Membro do parlamento britânico, que converge ao socialismo (bandeiras do 
reformismo social de J. S. Mill): voto feminino, direitos trabalhistas, 
cooperativismo e sindicalismo. 
▪ Era um Whig (membro do partido liberal) possuía um viés progressista, que se 
opunha ao partido Tory. 
Contribuições para a Economia Política: 
▪ TEORIA DE VALOR PARA MILL: Manutenção da taxa de valor-trabalho, para uma 
compreensão mais refinada de valor. 
OBS.: LEI DE SAY (Jean-Baptiste Say – Economista político francês) 
É conhecida como lei dos mercados. No processo produtivo, são geradas remunerações, 
que permitem adquirir do produto produzido. A OFERTA gera sua própria demanda. Ou 
seja, os fluxos de renda gerados no processo produtivo como um todo geram poder de 
compra no agregado (a economia é vista como um modelo de fluxo, na qual não residem 
receitas ociosas). 
▪ Mill introduz a ideia de demanda. A demanda como algo independente da oferta. 
▪ Mill sistematiza a Teoria das Vantagens Comparativas (Teoria de Comércio 
Exterior) = traz uma ideia de que o comércio não envolve um jogo de soma zero 
(ideia mercantilista). Os países podem obter ganhos mútuos a partir do comércio 
(setores produtivos distintos). Defesa da bandeira comercial e do livre-
cambismo. 
Filosofia Social 
▪ Apanhado da evolução das sociedades em 4 estágios. 
▪ Distinção entre leis que regem a produção e leis que regem a distribuição social. 
▪ LEIS DA REDUÇÃO = são determinadas a partir das condições físicas que a 
sociedade não consegue mudar. 
▪ As leis que regem a distribuição dependem da intervenção humana. Os governos 
devem agir de modo a distribuir a riqueza, esta, depende de leis físicas, que 
devem ser estudadas pela economia política. 
▪ Estudar o grau de liberdade que a sociedade e o governo têm para regular a 
distribuição de riquezas. É um construto social, que pode ser politicamente 
modificado. Mill acreditava no redesenho das instituições capitalistas. 
▪ Aliar arranjos que dessem aos trabalhadores incentivos para que eles sejam mais 
produtivos. Vertente de pensamento mais socialista

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