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APG - SOI I AFYAAFYA Júlia Morbeck @med.morbeck “Estudos revelam que quando o professor fala menos, orienta mais e o aluno participa de forma ativa, a aprendizagem é mais significativa” (Dollan; Collins) No modelo tradicional ainda predominante, a formação tem por base uma pedagogia que não estimula adequadamente a autonomia, a capacidade de análise, julgamento e avaliação, bem como raciocínio crítico, investigativo e criativo. (CRUZ et al., 2018) Os métodos tradicionais de ensino são caracterizados pela transmissão verticalizada de conhecimentos e pela ênfase na memorização em detrimento da reflexão crítica, baseando-se, essencialmente em aulas expositivas, em que o professor é o detentor de conhecimentos e grande protagonista, cabendo aos estudantes repetir fidedignamente os conteúdos memorizados nas provas classificatórias. Esse panorama, no qual o aluno atua quase sempre de forma passiva, dificulta a sua participação no processo de busca e sedimentação do conhecimento, elemento essencial para o desenvolvimento de mentes críticas e inovadoras. (CRUZ et al., 2018) As mudanças ocorridas nos últimos tempos no meio social, político, econômico e religioso estão atingindo diretamente a educação, exigindo uma nova visão de formação de profissionais que atuem de forma coerente com o paradigma educacional dos novos tempos. (SANTOS, 2019) Uma das melhores definições para o processo de aprendizado é fornecido pela neuropsicologia, segunda a qual os seres humanos utilizam um modelo com 5 partes que são (CRUZ, 2018): Sensação – O processo de aprendizado acontece primeiro quando um ou mais de nossos sentidos (de preferência todos) são acionados. Tato, audição, visão, paladar e olfato são filtros ativos e potentes na construção do conhecimento e das competências; Percepção – O que acontece na fase da sensação passa a ser percebida de forma consciente nesta fase; Formação de imagem – A sensação e a percepção contribuem para a construção da imagem. O cheiro de uma fruta nos remete a imagem que temos dela, assim como ao ouvirmos o som de um pássaro rapidamente imaginamos como este pode ser; Simbolização – Nesta etapa vamos associar a imagem criada com a sensação e transformá-la em palavras. Neste momento o aprendizado está tomando corpo em nossa mente de forma que as palavras ajudam a exprimir aquilo que vemos, sentimos, ouvimos ou percebemos; Conceituação – E por fim o cérebro realiza a segmentação daquilo que aprendemos. De forma resumida ele organiza o aprendizado em nossa mente de maneira a facilitar o acesso à informação futuramente. Esta é considerada uma das fases mais importantes de todo o processo. Se todas as demais etapas foram muito bem utilizadas, a conceituação será mais precisa e a memória ampliada; Tirar das mãos do professor e transferir para o aluno o protagonismo no processo de aprendizagem, é talvez uma das principais características das metodologias ativas. De forma geral podemos dizer que essas são práticas de ensino que possuem em sua essência colocar o aluno no centro do processo e participante ativo do desenvolvimento de conteúdos e competências. (CRUZ,2018) Os métodos de aprendizagem ativa ancoram-se na pedagogia crítica, a qual realiza uma crítica ao ensino tradicional e propõe-se a utilizar situações-problema como um estímulo à aquisição de conhecimento e habilidades, baseando-se, principalmente, nas concepções histórico- sociais da Educação descritas por Paulo Freire, José Carlos Libâneo e Demerval Saviani, os quais visam e buscam uma educação transformadora da sociedade. (SANTOS, 2019) A educação problematizadora procura desenvolver o ser humano numa perspectiva humanista, preocupando-se com o desenvolvimento do pensamento crítico e criativo dos sujeitos. (SANTOS, 2019) A aprendizagem torna-se uma pesquisa em que o aluno passa de uma visão “sincrética” ou global do problema a uma visão “analítica” do mesmo, através da sua teorização e compreensão, o que o leva à construção de hipóteses que serão sintetizadas para solucionar o problema e transformar a realizada. Para que tais características sejam atingidas, é necessário seguir as etapas identificadas na figura do Arco de Maguarez: (SANTOS, 2019) Metodologias de ensino-aprendizagem Características das metodologias ativas Aluno ativo e autônomo Professor cuidador e orientador Trabalho em equipe: a aprendizagem acontece pela interação entre o aluno com seu professor, com os colegas de classe, com a família e a comunidade. A habilidade de conviver com o outro em sua totalidade resultará em aquisição progressiva de autonomia e maturidade. Tipos de Metodologias Ativas Definição das metodologias ativas mais conhecidas em ambientes corporativos. (CRUZ, 2018) Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL) – Nesta prática os participantes são inicialmente apresentados a um problema específico o qual deverá ser debatido a solução em encontro posterior. São formados grupos de estudo (de 4 a 10 participantes) e estes são estimulados a realizarem uma pesquisa e discutirem sua melhor solução. Diferente do Painel de debates, onde as discussões acontecem em sala, neste os participantes recebem um tempo (normalmente de um dia a uma semana) para apresentarem suas conclusões. Esta é uma prática que permite aos participantes pesquisarem e muitas vezes testarem suas soluções na prática, antes de apresentá-las. Estudos de Caso – Metodologia onde os participantes são apresentados a casos reais ou não, e devem apresentar sua melhor solução para os problemas relatados. Dinâmicas – Atividades e exercícios diversos, com utilização de pouco ou nenhum recurso extra e que serve para ajudar na análise do comportamento de grupos e suas variações. Pode-se dizer que a maioria das Metodologias Ativas tem na sua origem as Dinâmicas, que tem como principal referência teórica Kurt Lewin – Fundador da Escola da Dinâmica de Grupo. Muitos autores também consideram as dinâmicas como base metodológica para todas as demais metodologias ativas e não como uma prática independente das demais. Aula invertida – O objetivo principal deste método é fazer com que os participantes cheguem em sala com um nível maior e mais equilibrado de conteúdo. A lógica consiste em inverter o modelo tradicional de ensino, onde o instrutor primeiro dá a sua aula, normalmente de forma expositiva e depois passa para os participantes um material de apoio para leitura e fixação de conteúdo. Neste método os participantes recebem, com antecedência, um material de leitura e preparação para a aula/curso. Em sala o professor deve atuar muito mais como mediador do tema em debate do que como expositor de conteúdo. Just in time teaching (Estudo sob medida) – Assemelha-se a Sala de Aula Invertida, mas tem suas peculiaridades. Nela o instrutor/professor envia, normalmente pelo menos 7 dias antes do encontro, alguns textos, vídeos ou qualquer outro material sobre o assunto para os participantes. Eles devem estudar estes materiais e responder a um pequeno teste, aqui chamado de Warm Up, o qual tem como principal objetivo avaliar o nível de entendimento dos participantes sobre os temas. Com os resultados dos testes em mãos, o instrutor consegue saber exatamente onde estão as maiores dificuldades de entendimento dos participantes e adequar o seu curso as reais demandas do grupo. As metodologias ativas citadas, apesar de exigirem muito mais do instrutor em termos de criatividade, pois ele a todo momento deverá sair do lugar comum de forma a possibilitar que as atividades novas e/ou instigantes, permitam aos alunos criticar e pensar, é também a mais efetiva quando se fala em termos de resultados para a educação corporativa. (CRUZ, 2018) Todas essas técnicas didático-pedagógicas têm por objetivo permitir uma construção mútua de conhecimentos com base na vivência de situações reais,ou se difundem pela membrana e se ligam a receptores intracelulares. Denominam-se células-alvo as células que têm receptores para um determinado sinal. MITOCÔNDRIAS As mitocôndrias são organelas esféricas ou alongadas, medindo de 0,5 a 1,0 µm de largura e até 10 µm de comprimento. Sua distribuição na célula varia, tendendo a se acumular nos locais do citoplasma em que o gasto de energia é mais intenso. São constituídas por duas membranas, entre as quais se localiza o espaço intermembranoso. O compartimento delimitado pela membrana interna contém a matriz mitocondrial. A membrana interna emite projeções para @jumorbeck o interior da matriz, chamadas cristas mitocondriais. Na maioria das mitocôndrias, as cristas são achatadas, assemelhando-se a prateleiras. As cristas aumentam a superfície da membrana interna da mitocôndria e contêm as enzimas e outros componentes da cadeia de fosforilação oxidativa e do sistema transportador de elétrons. A principal função das mitocôndrias é liberar energia gradualmente das moléculas de ácidos graxos e glicose, provenientes dos alimentos, produzindo calor e moléculas de ATP (adenosina-trifosfato). A energia armazenada no ATP é usada pelas células para realizar suas diversas atividades, como movimentação, secreção e divisão mitótica (JUNQUEIRA, 9ª ed.) PRODUÇÃO DE ATP As mitocôndrias transformam a energia química contida em moléculas obtidas pela alimentação em energia facilmente utilizável pela célula. Aproximadamente 50% dessa energia é armazenada nas ligações fosfato do trifosfato de adenosina (ATP) e os 50% restantes são dissipados sob a forma de calor, utilizado para manter a temperatura do corpo. A atividade das enzimas ATPases, muito comuns nas células, libera a energia armazenada no ATP quando a célula necessita dessa energia para realizar trabalho, seja osmótico, mecânico, elétrico, químico ou de outra natureza. As principais moléculas utilizadas pelo organismo para fornecer energia para as diversas atividades celulares e para produção de calor são a glicose e os ácidos graxos. Esses processos ocorrem nas mitocôndrias (ácidos graxos) e no citosol (glicose), e seus produtos finais são as moléculas acetilcoenzima A (acetil-CoA) e piruvato, respectivamente, este último depois convertido a acetil- CoA. A acetil-CoA combina-se com o ácido oxalacético para formar ácido cítrico, dando início ao ciclo do ácido cítrico (ciclo de Krebs). Nesse ciclo energético, há várias reações de descarboxilação que produzem CO2 e quatro pares de H+ que são removidos por reações específicas catalisadas por desidrogenases. Os íons H+ reagem com oxigênio para formar H2O. Pela atividade dos citocromos a, b e c, da coenzima Q, e da citocromo oxidase, o sistema transportador de elétrons, localizado na membrana mitocondrial interna, libera energia, que é capturada para formar ATP, a partir de difosfato de adenosina (ADP) e fosfato inorgânico. Em condições aeróbias, a glicólise extramitocondrial (no citosol) mais o ciclo do ácido cítrico e o sistema transportador de elétrons originam 36 mols de ATP por cada mol de glicose. Esse rendimento é 18 vezes maior do que o obtido pela glicólise realizada apenas em condições anaeróbias. A quantidade de mitocôndrias e o número de cristas por organela são relacionados ao metabolismo energético das células. As que consomem muita energia, como é o caso das células do músculo estriado cardíaco, têm grande quantidade de mitocôndrias, com elevado número de cristas. MATRIZ MITOCONDRIAL Entre as cristas mitocondriais se situa a matriz mitocondrial, amorfa e rica em proteínas e contendo pequena quantidade de DNA e RNA. O DNA mitocondrial é uma dupla-hélice circular, semelhante aos DNA das bactérias. Esse DNA é sintetizado na mitocôndria, e sua duplicação é independente da duplicação do DNA nuclear. As mitocôndrias contêm três tipos de RNA: RNA ribossômico (rRNA), RNA mensageiro (mRNA) e RNA de transferência (tRNA). As mitocôndrias têm algumas características em comum com as bactérias (DNA circular, ribossomos de estrutura semelhante), e, por isso, muitos pesquisadores admitem que elas se originaram de uma bactéria ancestral aeróbia @jumorbeck que se adaptou a uma vida endossimbiótica em uma célula eucariótica. RIBOSSOMOS Os ribossomos são pequenas partículas situadas no citosol, compostas de quatro tipos de RNA ribossômico (rRNA) e cerca de 80 proteínas diferentes. Os ribossomos são constituídos por duas subunidades de tamanhos diferentes. A maior parte de seu RNA é sintetizada no nucléolo. As proteínas são sintetizadas no citoplasma, migram para o núcleo através dos poros nucleares e se associam aos rRNA. Depois de prontas, a subunidade menor e a maior saem separadamente do núcleo pelos poros nucleares, passando para o citoplasma, no qual exercerão suas funções. Polirribossomos são conjuntos de ribossomos unidos por uma molécula de RNA mensageiro. A mensagem contida no mRNA é o código que estabelece a sequência de aminoácidos na molécula proteica que está sendo sintetizada, e os ribossomos desempenham um papel importante na decodificação, ou tradução, da mensagem para a síntese proteica. Muitas proteínas, como as que se destinam a permanecer no citosol (enzimas, proteínas motoras, proteínas do citoesqueleto), em mitocôndrias e em peroxissomos, são produzidas em polirribossomos que permanecem isolados no citosol. RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO rugoso No citoplasma das células eucariontes existe uma rede de vesículas achatadas, vesículas esféricas e túbulos que se intercomunicam, formando um sistema contínuo, embora apareçam separados nos cortes examinados no microscópio eletrônico. Esses elementos apresentam uma parede formada por uma unidade de membrana que delimita cavidades, as cisternas do retículo endoplasmático. (JUNQUEIRA, 9ª ed.) As cisternas constituem um sistema de túneis, de forma muito variável, que percorre o citoplasma. Distinguem-se o retículo endoplasmático rugoso, ou granular, e o liso. (JUNQUEIRA, 9ª ed.) O retículo endoplasmático granuloso (REG) se caracteriza por duas propriedades principais: possui polirribossomos na superfície citosólica da sua membrana, e é constituído de cisternas saculares ou achatadas. A membrana das cisternas é contínua com a membrana externa do envelope nuclear. O REG é abundante nas células especializadas na secreção de proteínas, como as células acinosas do pâncreas (enzimas digestivas), fibroblastos (colágeno) e plasmócitos (imunoglobulinas). A principal função do retículo endoplasmático granuloso é separar proteínas que, após a síntese, serão colocadas em vesículas que se destacam do RE e ficam no citosol. Além de proteínas destinadas à secreção, são sintetizadas no REG proteínas lisossômicas, proteínas de membrana e muitas outras. Outras funções do REG são a glicosilação inicial das glicoproteínas, a síntese de fosfolipídios e a montagem de moléculas proteicas formadas por múltiplas cadeias polipeptídicas. As proteínas sintetizadas no REG têm vários destinos: armazenamento intracelular, como nos lisossomos e nos grânulos dos leucócitos; e armazenamento intracelular provisório para exportação sob forma de vesículas de secreção ou grânulos de secreção, como no pâncreas e em algumas glândulas endócrinas. RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO LISO O retículo endoplasmático liso (REL) não apresenta ribossomos na superfície de suas cisternas, as quais têm geralmente a forma de túbulos anastomosados. A membrana do REL é contínua com a do retículo granuloso, embora existam diferenças entre as moléculas que constituem essas duas variedades de membrana. @jumorbeck O REL participa de diversos processos funcionais, de acordo com o tipo de célula. Por exemplo, nas células que produzem esteroides, como as da glândula adrenal e células secretoras do ovário e do testículo, ele ocupa grande parte do citoplasmae contém algumas das enzimas necessárias para a síntese desses hormônios. O REL é abundante também nos hepatócitos, as células principais do fígado, em que é responsável pelos processos de conjugação, oxidação e metilação, dos quais as células lançam mão para inativar determinados hormônios e neutralizar substâncias nocivas e tóxicas, como os barbitúricos e vários outros fármacos. Outra função importante do retículo endoplasmático liso é a síntese de fosfolipídios para todas as membranas celulares. As moléculas de fosfolipídios são transferidas para as outras membranas: (1) por meio de vesículas que se destacam e são movidas por proteínas motoras, ao longo dos microtúbulos; (2) por comunicação direta com o retículo endoplasmático granuloso; e (3) por meio das proteínas transportadoras de fosfolipídios. Nas células musculares estriadas, o retículo endoplasmático liso recebe o nome de retículo sarcoplasmático. Nessas células as cisternas do REL acumulam íons cálcio e os liberam no citosol, regulando, dessa maneira, a contração muscular. COMPLEXO DE GOLGI O complexo de Golgi é um conjunto de vesículas achatadas e empilhadas, cujas porções periféricas são dilatadas. O complexo de Golgi é uma estrutura polarizada, e, nas pilhas de cisternas que compõem essa organela, podem-se reconhecer duas superfícies. Uma é geralmente convexa, mais próxima ao núcleo e ao retículo endoplasmático, denominada face cis. A superfície oposta da pilha é geralmente côncava e é denominada face trans. Ambas as faces possuem redes de finos túbulos associados a vesículas de transporte. Esse sistema de túbulos é mais complexo na face trans, onde forma a rede trans do Golgi. A face cis recebe vesículas de transporte que brotam do retículo endoplasmático, enquanto a superfície côncava ou trans origina vesículas cujo conteúdo foi modificado pelas cisternas do Golgi. O complexo de Golgi é envolvido lateralmente por inúmeras vesículas de transporte. Essas vesículas transportam material de uma cisterna do Golgi para outra em direção cis–trans ou vice-versa, predominando a primeira direção. A maioria dessas vesículas de transporte são recobertas externamente (na sua superfície citosólica) por proteínas chamadas COPI ou COPII. O complexo de Golgi recebe, pela sua face cis, grande parte de moléculas sintetizadas no retículo endoplasmático granular. No Golgi são completadas as modificações pós-translacionais realizadas nas cisternas do REG após a síntese das moléculas. Além disso, as cisternas do Golgi empacotam e colocam um endereço em vários grupos de moléculas, que devem ser direcionadas para locais específicos do citoplasma. Nas cisternas finais do Golgi, em sua face trans, as moléculas são transferidas para vesículas conforme sua destinação. Essas vesículas brotam na face trans e são denominadas vesículas de transporte ou de secreção. São transportadas para a membrana plasmática com a qual se fundem ou acumuladas no citoplasma até ocorrer um estímulo para exocitose. Outras vesículas formadas na face trans contêm enzimas lisossômicas que podem se fundir com endossomos primários que participam do sistema endossômico-lisossômico. As proteínas já chegam do RE com grupos de oligossacarídeos adicionados a suas cadeias. A glicosilação, por meio de retirada e adição de moléculas de oligossacarídeos, produz as glicoproteínas. @jumorbeck Os sacarídeos são muito importantes para as futuras funções das moléculas que passam pelo complexo de Golgi. Além disso, no Golgi são fabricados grandes complexos moleculares, tais como os proteoglicanos. Essa organela apresenta múltiplas funções; mas, dentre elas, cabe destacar que é muito importante na separação e no endereçamento das moléculas sintetizadas nas células, encaminhando-as para as vesículas de secreção (que serão expulsas da célula), os lisossomos, as vesículas que permanecem no citoplasma ou a membrana celular. (JUQUEIRA, 9ª ed.) LISOSSOMOS Os lisossomos que são observados por microscopia eletrônica de transmissão são vesículas delimitadas por membrana, em geral esféricas, com diâmetro de 0,05 a 0,5 µm, e apresentam aspecto denso e granular. Os lisossomos contêm mais de 40 enzimas hidrolíticas, com a função de quebra e digestão de diversos substratos. São encontrados em todas as células; porém, são mais abundantes nas células fagocitárias, como os macrófagos e os leucócitos neutrófilos. Todas as enzimas lisossômicas têm atividade máxima em torno de pH 5,0. A membrana dos lisossomos possui bombas que transportam prótons para o interior da vesícula por transporte ativo, acidificando dessa maneira o interior do lisossomo. As enzimas dos lisossomos são sintetizadas no retículo endoplasmático granuloso e transportadas para o complexo de Golgi. Nas cisternas do Golgi, as enzimas adquirem radicais de manose-6-fosfato, os quais se tornam um marcador de enzimas lisossômicas. Nas membranas das cisternas do complexo de Golgi mais próximas da face trans, existem receptores para proteínas com manose-6-fosfato em suas cadeias, que são reconhecidas e separadas de outras proteínas. Dessa maneira, na face trans as enzimas destinadas aos lisossomos são segregadas em vesículas separadas que constituem os lisossomos primários. Partículas do meio extracelular introduzidas na célula por fagocitose constituem os fagossomos. A membrana dos lisossomos primários funde-se com a dos fagossomos, misturando as enzimas com o material a ser digerido. A digestão intracelular tem lugar dentro desse novo vacúolo, que é chamado de lisossomo secundário ou fagolisossomo. Outra função dos lisossomos relaciona-se com a renovação das organelas celulares. Em certas circunstâncias, organelas ou porções de citoplasma são envolvidas por membrana do retículo endoplasmático liso. Lisossomos jovens fundem-se com essas estruturas e digerem o material nelas contido. Forma-se assim um lisossomo secundário que recebe o nome de autofagossomo. PEROXISSOMOS Peroxissomos são organelas esféricas, limitadas por membrana, com diâmetro de 0,5 a 1,2 mm. Receberam esse nome porque oxidam substratos orgânicos específicos, retirando átomos de hidrogênio e combinando-os com oxigênio molecular (O2). Essa reação produz peróxido de hidrogênio (H2O2), uma substância oxidante prejudicial à célula, que é imediatamente eliminada pela enzima catalase, também contida nos peroxissomos. A catalase utiliza oxigênio do peróxido de hidrogênio (transformando-o em H2O) para oxidar diversos substratos orgânicos. Essa enzima também decompõe o peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. A betaoxidação dos ácidos graxos, assim chamada porque tem lugar no carbono 2 ou beta da cadeia do ácido graxo, é realizada nos peroxissomos e nas mitocôndrias. Os ácidos graxos são biomoléculas importantes como combustível para as células. No ciclo da betaoxidação, fragmentos com dois átomos de carbono são removidos sequencialmente dos ácidos graxos de cadeia longa (mais de 18 átomos de carbono), gerando-se acetilcoenzima A (acetil-CoA), que é exportada dos peroxissomos para o citosol. A acetil-CoA é utilizada em várias reações de síntese e pode penetrar as mitocôndrias para ser usada no ciclo de Krebs. Os peroxissomos têm, ainda, outras funções. No fígado, por @jumorbeck exemplo, participam da síntese de ácidos biliares e de colesterol. As enzimas dos peroxissomos são sintetizadas em polirribossomos livres no citosol. O destino dessas moléculas é determinado por uma pequena sequência de aminoácidos localizada próximo à extremidade carboxílica da molécula enzimática, que funciona como um sinal para a importação pelo peroxissomo. CITOESQUELETO O citoesqueleto é uma rede complexa de microtúbulos, filamentos de actina (microfilamentos) e filamentos intermediários, todos situados no citosol. Essas proteínas estruturais influem na forma das células e, junto com as proteínas motoras, possibilitam os movimentosde organelas e vesículas citoplasmáticas. O citoesqueleto é responsável também pela contração celular (na contração muscular) e pela movimentação da célula inteira, como, por exemplo, no movimento ameboide. MICROTÚBULOS Os microtúbulos são estruturas presentes no citoplasma com forma de túbulos. Além disso, formam os eixos de prolongamentos celulares – cílios e flagelos -, por cujo batimentos são responsáveis. A subunidade que constitui os microtúbulos é um heterodímero formado por moléculas das proteínas tubulina a e b. As subunidades de tubulina se polimerizam para formar microtúbulos, organizando-se em protofilamentos. Treze protofilamentos se unem para formar um microtúbulo. A polimerização das tubulinas para formar microtúbulos é dirigida por estruturas celulares conhecidas como centros organizadores de microtúbulos ou MTOC (microtubule organizing centers). Essas estruturas incluem os centríolos, os corpúsculos basais dos cílios e flagelos e os centrômeros dos cromossomos. Os microtúbulos podem constantemente se desfazer e se refazer pelas duas extremidades. Os microtúbulos são rígidos e desempenham papel significativo no desenvolvimento e na manutenção da forma das células. Os microtúbulos são as estruturas responsáveis por permitir movimentos intracelulares de organelas e vesículas, além dos movimentos flagelares e ciliares Organelas constituídas por microtúbulos: Os centríolos são estruturas cilíndricas, compostos principalmente por microtúbulos curtos e altamente organizados. Cada centríolo é composto de nove conjuntos de três microtúbulos. As células que não estão em divisão têm um único par de centríolos. Em cada par os centríolos dispõem-se em ângulo reto, um em relação ao outro. Na fase S do ciclo celular, precedendo a mitose, cada centríolo se duplica, formando-se assim dois pares. Durante a mitose, cada par se movimenta para cada polo da célula e se torna um centro de organização do fuso mitótico. Nas células que não estão em divisão, os pares de centríolos localizam-se próximo ao núcleo e ao complexo de Golgi. Os cílios e flagelos são prolongamentos celulares móveis, revestidos por membrana plasmática, cujo eixo – axonema – é formado por microtúbulos. As células ciliadas têm grande número de cílios. Cada célula flagelada tem apenas um flagelo. No organismo dos mamíferos, muitas células epiteliais são ciliadas, mas os flagelos são encontrados apenas nos espermatozoides. O eixo dos cílios e flagelos é constituído por nove pares de microtúbulos e no centro há dois microtúbulos isolados, todos dispostos longitudinalmente nos cílios e flagelos @jumorbeck FILAMENTOS DE ACTINA (MICROFILAMENTOS) Os filamentos de actina podem organizar-se de diversas maneiras: Na maioria das células, os feixes de filamentos de actina constituem redes no citoplasma e, além disso, formam uma delgada camada na superfície, logo abaixo da membrana plasmática, denominada córtex celular. A actina do córtex celular participa de diversas atividades, como endocitose, exocitose e migração das células; No músculo estriado, eles se associam a filamentos grossos de miosina de 16 nm de diâmetro; Há filamentos de actina associados a organelas, vesículas e grânulos citoplasmáticos. A interação desses filamentos com miosina resulta em movimento dessas organelas e vesículas no citoplasma; No final da divisão celular, microfilamentos de actina associados à miosina formam uma cinta na periferia do citoplasma, cuja constrição resulta na divisão das células mitóticas em duas células- filhas. Enquanto os filamentos de actina nas células musculares são estruturalmente estáveis, os das células não musculares se dissociam e se reorganizam com grande facilidade, de maneira semelhante ao que ocorre com os microtúbulos. FILAMENTOS INTERMEDIÁRIOS As células contêm filamentos com diâmetro de aproximadamente 10 nm, os filamentos intermediários. Esses filamentos são constituídos por diferentes proteínas: queratinas, vimentina, desmina, proteínas dos neurofilamentos. PROTEASSOMOS Os proteassomos são pequenas organelas situadas no citosol, não envolvidas por membrana. São complexos de diversas proteases que digerem proteínas assinaladas para destruição pela sua união com a molécula ubiquitina. A degradação de proteínas é necessária para remover excessos de enzimas e outras proteínas, quando elas, após exercerem suas funções normais, tornam-se inúteis para a célula. Os proteassomos também destroem moléculas proteicas que se formam com defeitos estruturais, proteínas que não se dispuseram espacialmente de maneira correta e proteínas codificadas por vírus, que seriam usadas para produzir novos vírus. NÚCLEO Uma das principais características da célula eucarionte é a presença de um núcleo de forma variável, porém bem individualizado e separado do restante da célula por duas membranas. Todavia essa membrana dupla, chamada envoltório nuclear, contém poros que regulam o intenso trânsito de macromoléculas do núcleo para o citoplasma e deste para o núcleo. (JUNQUEIRA, 9ª ed.) O núcleo é o centro de controle de todas as atividades celulares, porque contém, nos cromossomos, todo o genoma (ácido desoxirribonucleico [DNA]) da célula, exceto apenas o pequeno genoma das mitocôndrias. Chama-se genoma o conjunto da informação genética codificada no DNA. @jumorbeck Além de conter a maquinaria molecular para duplicar seu DNA, o núcleo é responsável pela síntese e pelo processamento de todos os tipos de ácido ribonucleico (RNA) (rRNA, mRNA, tRNA e miRNA), que são exportados para o citoplasma. Todavia, o núcleo não sintetiza proteínas, dependendo das que são produzidas no citoplasma e transferidas para o núcleo. Em geral, cada célula tem apenas um núcleo, localizado no seu centro, mas há células multinucleadas. Os principais componentes do núcleo são o envoltório nuclear, a cromatina, o nucléolo, a matriz nuclear e o nucleoplasma. ENVOLTÓRIO NUCLEAR O conteúdo intranuclear é separado do citoplasma pelo envoltório nuclear. A membrana nuclear externa contém polirribossomos presos à sua superfície citoplasmática e é contínua com o retículo endoplasmático granuloso. O envoltório nuclear apresenta poros, e cada um é organizado por uma estrutura denominada complexo do poro, cuja função é o transporte seletivo de moléculas para fora e para dentro do núcleo. No poro, as duas membranas que constituem o envoltório nuclear são contínuas. O envoltório nuclear é impermeável a íons e moléculas, de modo que o trânsito entre o núcleo e o citoplasma seja feito pela estrutura do complexo do poro. CROMATINA Podem ser identificados dois tipos de cromatina. A heterocromatina é elétron-densa, aparece como grânulos grosseiros e é bem visível ao microscópio de luz. A heterocromatina é inativa porque nela a hélice dupla de DNA está muito compactada, o que impede a transcrição dos genes. A eucromatina aparece granulosa e clara, entre os grumos de heterocromatina. Na eucromatina, o filamento de DNA não está condensado e tem condições de transcrever os genes. Portanto, eucromatina significa cromatina ativa, sendo mais abundante nas células que estão produzindo muita proteína. As variações nas proporções de heterocromatina e eucromatina são responsáveis pelo aspecto mais claro ou mais escuro dos núcleos nos microscópios óptico e eletrônico. A cromatina é constituída por duplos filamentos helicoidais de DNA associados a proteínas, principalmente histonas, mas contém também proteínas não histônicas. O DNA e as histonas formam os nucleossomos. Cada nucleossomo é constituído por oito moléculas de histonas. Os filamentos de nucleossomos organizam-se em estruturas cada vez mais compactadas até constituírem os cromossomos. Cada cromossomo consiste em uma única e enorme molécula de DNAlinear associada a proteínas que compactam e enovelam o fino cordão de DNA em uma estrutura mais compacta. (ALBERTS, BRUCE, 4ª ed.) Com exceção das células germinativas (espermatozoides e óvulos) e das células altamente especializadas que não possuem DNA (como os eritrócitos), cada célula humana contém duas cópias de cada cromossomo, uma herdada da mãe e a outra herdada do pai. Os cromossomos maternos e paternos de um par são denominados cromossomos homólogos (ou simplesmente homólogos). O único par de cromossomos não homólogos é o dos cromossomos sexuais nos homens, onde o cromossomo Y é herdado do pai e o cromossomo X é herdado da mãe. (As mulheres herdam um cromossomo X de cada @jumorbeck genitor, e não possuem o cromossomo Y.) (ALBERTS, BRUCE, 4ª ed.) CROMATINA SEXUAL Frequentemente se observa, nos núcleos das células de mamíferos do sexo feminino, uma partícula de cromatina bem visível, chamada de cromatina sexual, que não aparece nos núcleos de animais do sexo masculino. A cromatina sexual é um dos dois cromossomos X que se mantém condensado no núcleo interfásico. No homem, cujos cromossomos sexuais são um X e um Y, o cromossomo X único não está condensado, expressa seus genes e não é visível como cromatina sexual. Nas células do epitélio bucal, a cromatina sexual aparece sob a forma de um pequeno grânulo, geralmente ligado à membrana nuclear, e esfregaços desse epitélio podem ser usados para verificar o sexo genético. Outro material muito empregado é o esfregaço sanguíneo, no qual a cromatina sexual aparece como um apêndice em forma de raquete nos núcleos dos leucócitos neutrófilos. Em fotomicrografias, os cromossomos podem ser ordenados de acordo com sua morfologia e na ordem decrescente de tamanho, em pares numerados de 1 a 22, acrescidos dos cromossomos sexuais, XX no sexo feminino ou XY no sexo masculino. Este é um método clássico de estudo em genética e denomina-se cariótipo. NUCLÉOLO Os nucléolos são as fábricas para produção de ribossomos. Constituídos principalmente por RNA ribossômico (rRNA) e proteínas. Em humanos, os genes que codificam os rRNA localizam-se em cinco cromossomos, e, por isso, as células podem apresentar vários nucléolos; porém, geralmente há uma fusão, e a maioria das células tem apenas um ou dois nucléolos. NUCLEOPLASMA O nucleoplasma é um soluto com muita água, íons, aminoácidos, metabólitos e precursores diversos, enzimas para a síntese de RNA e DNA, receptores para hormônios, moléculas de RNA de vários tipos e outros componentes. Sua caracterização ao microscópio eletrônico é impossível, e o nucleoplasma é definido como o componente granuloso que preenche o espaço entre os elementos morfologicamente bem caracterizados no núcleo, como a cromatina e o nucléolo. CONTROLE GENÉTICO DA SÍNTESE DE PROTEÍNAS (GUYTON) Os genes controlam a função celular, determinando quais substâncias são sintetizadas na célula – quais estruturas, quais enzimas, quais substâncias químicas. Cada gene, que é constituído por ácido desoxirribonucleico (DNA), controla automaticamente a formação de outro ácido nucleico, o ácido ribonucleico (RNA); esse RNA, disseminado na célula, controla a formação de proteína específica. Todo o processo, desde a transcrição do código genético, no núcleo, até a tradução do código do RNA e a formação de proteínas nas células citoplasmáticas, é muitas vezes referido como a expressão do gene. @jumorbeck GENES No núcleo celular, grande número de genes está ligado, extremidade com extremidade, nas moléculas extremamente longas do DNA, com estrutura de dupla hélice. Os componentes químicos básicos envolvidos na formação do DNA incluem: (1) ácido fosfórico; (2) o açúcar chamado desoxirribose; e (3) quatro bases nitrogenadas (duas purinas, a adenina e a guanina, e duas pirimidinas, a timina e a citosina). CÓDIGO GENÉTICO A importância do DNA reside em sua capacidade de controlar a formação de proteínas na célula, que ele consegue por meio do chamado código genético. O código genético consiste em sucessivos “tripletos” de bases — isto é, cada três bases sucessivas é uma palavra do código. Os tripletos sucessivos controlam a sequência de aminoácidos na molécula de proteína que é sintetizada pela célula. TRANSCRIÇÃO O código é transferido para o RNA; esse processo é chamado transcrição. O RNA, por sua vez, se difunde do núcleo através dos poros nucleares para o compartimento citoplasmático, onde controla a síntese de proteínas. Durante a síntese do RNA, as duas fitas da molécula de DNA se separam temporariamente; uma das fitas é usada como molde para a síntese da molécula de RNA. Os tripletos de código no DNA são transcritos para tripletos do código complementar (chamados códons) no RNA. Esses códons, por sua vez, controlarão a sequência de aminoácidos na proteína a ser sintetizada no citoplasma celular. BLOCOS BÁSICOS DE CONSTRUÇÃO DO RNA A primeira é que o açúcar desoxirribose não é usado na formação do RNA. Em seu lugar está outro açúcar, de composição ligeiramente diferente, a ribose, que contém íon hidroxila adicional ligado à estrutura do anel de ribose. A segunda é que a timina é substituída por outra pirimidina, a uracila. A montagem da molécula de RNA se dá sob a influência de uma enzima, a RNA polimerase. Ela é uma proteína grande que tem muitas das propriedades funcionais necessárias para a formação da molécula de RNA. São elas: 1. Na fita de DNA, no início de cada gene que será transcrito, há uma sequência de nucleotídeos chamada promotor. A RNA polimerase tem estrutura complementar apropriada, que reconhece esse promotor e se liga a ele. Esse é o passo essencial para se iniciar a formação da molécula de RNA. 2. Após se ligar ao promotor, a RNA polimerase provoca o desenrolamento de cerca de duas voltas da hélice de DNA e a separação, na região desenrolada, das duas fitas. 3. Então, a polimerase se move ao longo da fita de DNA, desenrolando temporariamente e separando as duas fitas de DNA a cada etapa de semovimento. Conforme cada estágio do movimento, a polimerase adiciona novo nucleotídeo ativado ao final da cadeia de RNA em formação. Dessa forma, o código presente no filamento de DNA é transmitido de forma complementar para a cadeia de RNA. TIPOS DE RNA RNA mensageiro precursor (pré-mRNA), é uma grande e imatura fita única de RNA que é processada no núcleo para formar RNA mensageiro (mRNA) maduro. O pré-RNA inclui dois tipos diferentes de segmentos denominados íntrons, que são removidos por @jumorbeck um processo que recebe o nome de splicing, e éxons, que se conservam no mRNA final. RNA mensageiro (mRNA) que leva o código genético para o citoplasma, para controlar o tipo de proteína formada. RNA de transferência (tRNA) que transporta os aminoácidos ativados para os ribossomos; os aminoácidos serão utilizados na montagem da molécula de proteína. RNA ribossômico que, com cerca de 75 proteínas diferentes, forma os ribossomos, as estruturas físicas e químicas nas quais as moléculas de proteína são formadas. RNA MENSAGEIRO – O CÓDON As moléculas de RNA mensageiro são longas fitas únicas de RNA, localizadas no citoplasma. Essas moléculas são compostas de várias centenas a vários milhares de nucleotídeos de RNA em fitas não pareadas, e contêm códons que são exatamente complementares aos tripletos de código dos genes de DNA. RNA DE TRANSFERÊNCIA – O ANTICÓDON Outro tipo de RNA com papel essencial na síntese de proteínas é o RNA de transferência (tRNA), pois ele transfere as moléculas de aminoácidos para as moléculas de proteínas que estão em processo de síntese. Cada tipo de Trna se liga, especificamente, a um dos 20 aminoácidos que serão incorporados às proteínas. O tRNA, portanto, age como um carreador para transportar o seu tipo específico de aminoácido para os ribossomos,onde as moléculas de proteína estão se formando. Nos ribossomos, cada tipo específico de tRNA reconhece um códon determinado no mRNA e entrega o aminoácido no local adequado da cadeia da molécula de proteína em formação. Como a função do tRNA é levar o aminoácido específico à cadeia de proteína em formação, é essencial que cada tipo de tRNA tenha especificidade para determinado códon no mRNA. O código específico no tRNA que permite que ele reconheça um códon específico é novamente um tripleto de bases de nucleotídeos chamado anticódon. RNA RIBOSSÔMICO O terceiro tipo de RNA na célula é o RNA ribossômico; ele representa cerca de 60% do ribossomo. O ribossomo é a estrutura física no citoplasma na qual as moléculas de proteína são realmente sintetizadas. Porém, ele sempre funciona em associação com outros dois tipos de RNA: o tRNA, que transporta aminoácidos para o ribossomo, para serem incorporados na molécula de proteína em formação, e o mRNA, que fornece a informação necessária para o sequenciamento dos aminoácidos, na ordem correta, para cada tipo específico de proteína a ser produzido. Assim, o ribossomo age como uma fábrica, na qual as moléculas de proteína são formadas. Os genes para a formação de RNA ribossômico estão localizados em cinco pares de cromossomos no núcleo. Cada um destes cromossomos contém muitas duplicações desses genes específicos, pois grandes quantidades de RNA ribossômico são necessárias para a função celular. O RNA ribossômico é especialmente processado no nucléolo, onde se liga às “proteínas ribossômicas” para formar produtos de condensação granular que são subunidades primordiais dos ribossomos. Essas subunidades são então liberadas do nucléolo e transportadas através dos grandes poros do envelope nuclear para quase todas as partes do citoplasma. Depois @jumorbeck de entrarem no citoplasma, as subunidades são montadas para formar ribossomos maduros e funcionais. Portanto, as proteínas são formadas no citoplasma da célula, e não no núcleo celular, pois o núcleo não contém ribossomos maduros. TRADUÇÃO Quando a molécula de mRNA entra em contato com um ribossomo, a fita de RNA passa através do ribossomo, começando por uma extremidade predeterminada, especificada por uma sequência de bases de RNA, chamada códon de “iniciação de cadeia”. Enquanto o mRNA atravessa o ribossomo, a molécula de proteína é formada — um processo chamado tradução. Assim, o ribossomo lê os códons do mRNA, semelhante à “leitura” de fita por meio da cabeça de reprodução de gravador. Então, quando o códon de “parada” (ou de “terminação de cadeia”) passa pelo ribossomo, o fim da molécula de proteína é sinalizado e a molécula é liberada no citoplasma. Polirribossomos.: Uma só molécula de mRNA pode formar moléculas de proteína em vários ribossomos ao mesmo tempo, pois a extremidade inicial do filamento de RNA pode passar para ribossomos sucessivos. Consequentemente, agrupamentos de ribossomos ocorrem com frequência, com 3 a 10 ribossomos simultaneamente ligados a uma só molécula de mRNA. Esses agrupamentos são chamados de polirribossomos. RIBOSSOMOS LIGAM-SE AO RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO Muitos ribossomos aderem ao retículo endoplasmático. Essa ligação ocorre porque as extremidades iniciais de muitas moléculas de proteína em formação têm sequências de aminoácidos que se ligam imediatamente a locais receptores específicos no retículo endoplasmático; isso faz com que essas moléculas atravessem a parede e entrem na matriz do retículo endoplasmático. Esse processo confere uma aparência granular a essas partes do retículo onde as proteínas estão sendo formadas e introduzidas na matriz do retículo. Deve-se observar que, exceto nas células glandulares, onde são formadas grandes quantidades de vesículas secretórias contendo proteínas, a maioria das proteínas sintetizadas pelos ribossomos é liberada diretamente no citosol, em vez de no retículo endoplasmático. Essas proteínas são enzimas e proteínas estruturais internas da célula. LIGAÇÃO PEPTÍDICA REGULAÇÃO GÊNICA A regulação gênica, ou regulação da expressão gênica cobre o processo inteiro desde a transcrição do código genético, no núcleo, até a formação de proteínas no citoplasma Referências JUNQUEIRA; CARNEIRO. Histologia Básica, 13ª ed. Guanabara Koogan, SP, 2017. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017. ALBERTS, BRUCE. Fundamentos da Biologia Celular, 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. JUNQUEIRA, Luiz, C. e CARNEIRO, José. Biologia Celular e Molecular, 9ª edição. Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo GEN, 2012. @jumorbeck Localização do coração ↠ O coração é relativamente pequeno, aproximadamente do tamanho (mas não com a mesma forma) de sua mão fechada; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Tem aproximadamente 12 cm de comprimento, 9 cm de largura em seu ponto mais amplo, e 6 cm de espessura; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Pesa em média 250 g nas mulheres adultas e 300 g nos homens adultos; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O coração repousa sobre o diafragma, próximo da linha mediana da cavidade torácica. Encontra-se no mediastino, uma região anatômica que se estende do esterno à coluna vertebral, da primeira costela ao diafragma, e entre os pulmões. Aproximadamente dois terços da massa do coração encontram-se à esquerda da linha mediana do corpo; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O ápice pontiagudo é formado pela ponta do ventrículo esquerdo (a câmara inferior do coração) e está situado sobre o diafragma. O ápice está direcionado para frente, para baixo e para a esquerda; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A base do coração está do lado oposto ao ápice e constitui sua face posterior. É formada pelos átrios (câmaras superiores) do coração, principalmente o átrio esquerdo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O coração é um órgão muscular que se contrai ritmicamente enquanto bombeia o sangue pelo sistema circulatório. Também é responsável pela produção de um hormônio chamado de fator natriurético atrial. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) Pericárdio A membrana que envolve e protege o coração é o pericárdio. Restringe o coração à sua posição no mediastino, possibilitando liberdade de movimento suficiente para a contração vigorosa e rápida. O pericárdio consiste em duas partes principais: (1) o pericárdio fibroso e (2) o pericárdio seroso. (TORTORA, 14ª ed.) Pericárdio Fibroso: superficial, é composto por tecido conjuntivo inelástico, resistente, denso e irregular. Assemelha-se a uma bolsa que repousa sobre o diafragma, fixando-se nele. O pericárdio fibroso impede a hiperdistensão do coração, fornece proteção e ancora o coração no mediastino. O pericárdio fibroso próximo ao ápice do coração está parcialmente fundido ao tendão central do diafragma; por conseguinte, o movimento do diafragma, como na respiração profunda, facilita a circulação do sangue pelo coração. (TORTORA, 14ª ed.) Pericárdio seroso: mais profundo, é uma membrana mais fina, delicada, que forma uma dupla camada em torno do coração. A lâmina parietal do pericárdio seroso mais externa está fundida ao pericárdio fibroso. A lâmina visceral do pericárdio seroso mais interna, que também é chamada epicárdio, é uma das camadas da parede do coração e adere firmemente à sua superfície. Entre as camadas parietal e visceral do pericárdio seroso existe uma fina película de líquido seroso lubrificante. Esta secreção das células pericárdicas, conhecida como líquido pericárdico, reduz o atrito entre as camadas do pericárdio seroso conforme o coração se move. (TORTORA, 14ª ed.) Camadas da parede do coração A parede do coração é constituída por três camadas: o epicárdio (camada externa), o miocárdio (camada intermediária) e o endocárdio (camada interna). (TORTORA, 14ª ed.) Coração @jumorbeck O epicárdio é composto por duas camadas de tecido. A mais externa, é chamada lâmina visceral do pericárdio seroso.Esta camada exterior fina e transparente da parede do coração é composta por mesotélio. Sob o mesotélio existe uma camada variável de tecido fibroelástico delicado e tecido adiposo. O tecido adiposo predomina e torna-se mais espesso sobre as faces ventriculares, onde abriga as principais artérias coronárias e vasos cardíacos. O epicárdio confere uma textura lisa e escorregadia à face mais externa do coração. O epicárdio contém vasos sanguíneos, vasos linfáticos e vasos que irrigam o miocárdio. (TORTORA, 14ª ed.) Entre o folheto visceral (epicárdio) e o folheto parietal, existe uma quantidade pequena de líquido que facilita os movimentos do coração. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) A camada média, o miocárdio, é responsável pela ação de bombeamento do coração e é composto por tecido muscular cardíaco. Compõe aproximadamente 95% da parede do coração. As fibras musculares (células), como as do músculo estriado esquelético, são envolvidas e separadas em feixes por bainhas de tecido conjuntivo compostas por endomísio e perimísio. As fibras musculares cardíacas são organizadas em feixes que circundam diagonalmente o coração e produzem as fortes ações de bombeamento do coração. (TORTORA, 14ª ed.) O endocárdio mais interno é uma fina camada de endotélio que recobre uma fina camada de tecido conjuntivo. Fornece um revestimento liso para as câmaras do coração e abrange as valvas cardíacas. O revestimento endotelial liso minimiza o atrito de superfície conforme o sangue passa através do coração. O endocárdio é contínuo ao revestimento endotelial dos grandes vasos sanguíneos ligados ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) A região central fibrosa do coração, comumente chamada de esqueleto fibroso, serve de ponto de apoio para as válvulas, além de ser também o local de origem e inserção das células musculares cardíacas. O esqueleto cardíaco é composto de tecido conjuntivo denso. Seus principais componentes são o septo membranoso, o trígono fibroso e o ânulo fibroso. Essas estruturas são formadas por um tecido conjuntivo denso, com fibras de colágeno grossas orientadas em várias direções. Nódulos de cartilagem fibrosa são encontrados em determinadas regiões desse esqueleto fibroso.. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) Faces e margens do coração (MOORE, 7ª ed.) ↠ Face esternocostal (anterior), formada principalmente pelo ventrículo direito; ↠ Face diafragmática (inferior), formada principalmente pelo ventrículo esquerdo e em parte pelo ventrículo direito; ↠ Face pulmonar direita, formada principalmente pelo átrio direito; ↠ Face pulmonar esquerda, formada principalmente pelo ventrículo esquerdo; ↠ Margem direita (ligeiramente convexa), formada pelo átrio direito e estendendo-se entre a VCS e a VCI; ↠ Margem inferior (quase horizontal), formada principalmente pelo ventrículo direito e pequena parte pelo ventrículo esquerdo; ↠ Margem esquerda (oblíqua, quase vertical), formada principalmente pelo ventrículo esquerdo e pequena parte pela aurícula esquerda; ↠ Margem superior, formada pelos átrios e aurículas direita e esquerda em vista anterior; a parte ascendente da aorta e o @jumorbeck tronco pulmonar emergem dessa margem e a VCS entra no seu lado direito. Câmaras do coração ↠ O coração tem quatro câmaras. As duas câmaras de recepção superiores são os átrios, e as duas câmaras de bombeamento inferiores são os ventrículos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O par de átrios recebe sangue dos vasos sanguíneos que retornam o sangue ao coração, as chamadas veias, enquanto os ventrículos ejetam o sangue do coração para vasos sanguíneos chamados artérias. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Na face anterior de cada átrio existe uma estrutura saculiforme enrugada chamada aurícula. Cada aurícula aumenta discretamente a capacidade de um átrio, de modo que ele possa conter maior volume de sangue. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Também na superfície do coração existem vários sulcos, que contêm vasos sanguíneos coronarianos e uma quantidade variável de gordura. Cada sulco marca a fronteira externa entre duas câmaras do coração. Os sulcos são: profundo sulco coronário, sulco interventricular anterior, sulco interventricular posterior (TORTORA, 14ª ed.) ÁTRIO DIREITO ↠ Recebe sangue de três veias: a veia cava superior, a veia cava inferior e o seio coronário.; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O interior da parede posterior é liso; o interior da parede anterior é áspero, por causa de cristas musculares chamadas de músculos pectíneos, que também se estendem até a aurícula; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As partes lisas e àspera da parede atrial são separadas externamente por um sulco vertical superficial, o sulco terminal, e internamente por uma crista vertical, a crista terminal.; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Entre o átrio direito e o átrio esquerdo existe uma partição fina chamada septo interatrial.; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O sangue passa do átrio direito para o ventrículo direito através da valva atrioventricular direita, porque é composta por três válvulas. As valvas cardíacas são compostas por tecido conjuntivo denso recoberto por endocárdio. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A VCS se abre na parte superior do átrio direito no nível da 3ª cartilagem costal direita. A VCI se abre na parte inferior do átrio direito quase alinhada com a VCS no nível aproximado da 5ª cartilagem costal. (MOORE, 7ª ed.) VENTRÍCULO DIREITO ↠ Forma a maior parte da face esternocostal do coração; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O interior do ventrículo direito contém uma série de cristas formadas por feixes elevados de fibras musculares cardíacas chamadas trabéculas cárneas; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As válvulas da valva atrioventricular direita estão conectadas às cordas tendíneas, que por sua vez estão ligadas a trabéculas cárneas em forma de cone chamadas músculos papilares; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Internamente, o ventrículo direito é separado do ventrículo esquerdo por uma partição chamada de septo interventricular; (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck ↠ O sangue passa do ventrículo direito através da valva do tronco pulmonar para uma grande artéria chamada de tronco pulmonar, que se divide em artérias pulmonares direita e esquerda e levam o sangue até os pulmões. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A parte de entrada do ventrículo recebe o sangue do átrio direito através do óstio AV direito (tricúspide), ele é circundado por um dos anéis fibrosos do esqueleto fibroso do coração. O anel fibroso mantém o calibre do óstio constante, resistindo à dilatação que poderia resultar da passagem de sangue através dele com pressões variadas. (MOORE, 7ª ed.) ÁTRIO ESQUERDO ↠ O átrio esquerdo tem aproximadamente a mesma espessura que o átrio direito e forma a maior parte da base do coração; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Ele recebe o sangue dos pulmões, por meio das quatro veias pulmonares. Como o átrio direito, o interior do átrio esquerdo tem uma parede posterior lisa. Como os músculos pectíneos estão restritos à aurícula do átrio esquerdo, a parede anterior do átrio esquerdo também é lisa; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O sangue passa do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo através da valva atrioventricular esquerda, a qual tem duas válvulas. (TORTORA, 14ª ed.) VENTRÍCULO ESQUERDO ↠ É a câmara mais espessa do coração, Forma o ápice do coração; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Como o ventrículo direito, o ventrículo esquerdo contém trabéculas cárneas e tem cordas tendíneas que ancoram as válvulas da valva atrioventricular esquerda aos músculos papilares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O sangue passa do ventrículo esquerdo através da valva da aorta na parte ascendente da aorta.(TORTORA, 14ª ed.) ↠ Como a pressão arterial é muito maior na circulação sistêmica do que na circulação pulmonar, o ventrículo esquerdo trabalha mais do que o ventrículo direito. (MOORE, 7ª ed.) Espessura e função do miocárdio ↠ A espessura do miocárdio das quatro câmaras varia de acordo com a função de cada uma das câmaras. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os átriosde paredes finas entregam o sangue sob menos pressão aos ventrículos adjacentes. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Como os ventrículos bombeiam o sangue sob maior pressão por distâncias maiores, suas paredes são mais espessas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O ventrículo esquerdo bombeia sangue por grandes distâncias a todas as outras partes do corpo com uma pressão maior, e a resistência ao fluxo sanguíneo é maior. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A anatomia dos dois ventrículos confirma esta diferença funcional – a parede muscular do ventrículo esquerdo é consideravelmente mais espessa do que a parede do ventrículo direito. Observe também que o lúmen do ventrículo esquerdo é mais ou menos circular, em contraste com o do ventrículo direito, cujo formato é discretamente semilunar. (TORTORA, 14ª ed.) Esqueleto fibroso do coração O esqueleto fibroso é constituído por quatro anéis de tecido conjuntivo denso que circundam as valvas cardíacas, unidos um ao outro, e que se fundem ao septo interventricular. Além de formar uma base estrutural para as valvas cardíacas, o esqueleto fibroso evita o estiramento excessivo das valvas enquanto o sangue passa por elas. Também serve como um ponto de inserção para os feixes de fibras musculares cardíacas e atua como um isolante elétrico entre os átrios e ventrículos. (TORTORA, 14ª ed.) Valvas cardíacas ↠ As valvas se abrem e fecham em resposta às mudanças de pressão conforme o coração se contrai e relaxa. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Cada uma das quatro valvas ajuda a assegurar o fluxo unidirecional de sangue através da abertura ao possibilitar que o sangue passe e, em seguida, se fechando para impedir o seu refluxo. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck VALVAS ATRIOVENTRICULARES ↠ Como estão localizadas entre um átrio e um ventrículo, estas valvas são chamadas atrioventriculares (AV) direita e esquerda. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Quando uma valva AV está aberta, as extremidades arredondadas das válvulas se projetam para o ventrículo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Quando os ventrículos estão relaxados, os músculos papilares estão relaxados, as cordas tendíneas estão frouxas, e o sangue se move de uma área de maior pressão no átrio para uma de menor pressão nos ventrículos através das valvas AV abertas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Quando os ventrículos se contraem, a pressão do sangue aciona as válvulas para cima até que suas extremidades se encontrem e fechem a abertura. Ao mesmo tempo, os músculos papilares se contraem, o que traciona e retesa as cordas tendíneas. Isso impede que as válvulas das valvas evertam em resposta à alta pressão ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) VÁLVULAS SEMILUNARES ↠ As valvas da aorta e do tronco pulmonar são compostas por três válvulas semilunares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Cada válvula se insere na parede arterial por sua margem externa convexa. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As valvas do tronco pulmonar e da aorta possibilitam a ejeção de sangue do coração para as artérias, mas evitam o refluxo de sangue para os ventrículos. (TORTORA, 14ª ed.) Surpreendentemente, talvez, não há valvas nas junções da veia cava com o átrio direito ou das veias pulmonares com o átrio esquerdo. Quando os átrios se contraem, um pequeno volume de sangue reflui dos átrios para estes vasos. No entanto, o refluxo é minimizado por um mecanismo diferente; conforme o músculo atrial se contrai, ele comprime e quase colapsa as fracas paredes dos pontos de entrada das veias. Circulação sistêmica e pulmonar ↠ Na circulação pós-natal, o coração bombeia o sangue em dois circuitos fechados a cada contração – circulação sistêmica e circulação pulmonar. (TORTORA, 14ª ed.) O lado esquerdo do coração é a bomba para a circulação sistêmica; ele recebe sangue oxigenado (rico em oxigênio) vermelho brilhante dos pulmões. O ventrículo esquerdo ejeta sangue para a aorta. A partir da aorta, o sangue se divide em correntes separadas, entrando progressivamente em artérias sistêmicas menores que o transportam a todos os órgãos do corpo – com exceção dos alvéolos dos pulmões, os quais são irrigados pela circulação pulmonar. Nos tecidos sistêmicos, as artérias dão origem a arteríolas de menor diâmetro, que por fim levam a extensos leitos de capilares sistêmicos. A troca de nutrientes e gases ocorre através das finas paredes capilares. O sangue libera O2 (oxigênio) e capta CO2 (dióxido de carbono). Na maior parte dos casos, o sangue flui por meio de um único capilar e então entra em uma @jumorbeck vênula sistêmica. As vênulas transportam o sangue desoxigenado dos tecidos e se fundem para formar veias sistêmicas maiores. Por fim, o sangue reflui para o átrio direito. (TORTORA, 14ª ed.) O lado direito do coração é a bomba para a circulação pulmonar; ele recebe todo o sangue desoxigenado vermelho escuro que retorna da circulação sistêmica. O sangue ejetado do ventrículo direito flui para o tronco pulmonar, que se divide em artérias pulmonares que levam o sangue para os pulmões direito e esquerdo. Nos capilares pulmonares, o sangue descarrega o CO2, que é expirado, e capta o O2 do ar inalado. O sangue recentemente oxigenado então flui para as veias pulmonares e retorna ao átrio esquerdo. (TORTORA, 14ª ed.) Circulação coronariana ↠ O miocárdio tem a sua própria rede de vasos sanguíneos, a circulação coronariana ou circulação cardíaca. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As artérias coronárias ramificam-se da parte ascendente da aorta e cercam o coração como uma coroa circundando a cabeça. Enquanto o coração está se contraindo, pouco sangue flui nas artérias coronárias, porque elas estão bem comprimidas. Quando o coração relaxa, no entanto, a pressão do sangue elevada na aorta impulsiona o sangue ao longo das artérias coronárias até os vasos capilares e, em seguida, às veias coronárias. (TORTORA, 14ª ed.) ARTÉRIAS CORONÁRIAS ↠ Duas artérias coronárias, as artérias coronárias esquerda e direita, ramificam-se da parte ascendente da aorta e fornecem sangue oxigenado para o miocárdio. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A artéria coronária esquerda passa inferiormente à aurícula esquerda e se divide nos ramos interventricular anterior e circunflexo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A artéria coronária direita emite pequenos ramos (ramos atriais) para o átrio direito. Ela continua inferiormente à aurícula direita e, por fim, se divide em ramos interventricular posterior e marginal direito. coração e transporta sangue oxigenado à parede do ventrículo direito. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A maior parte do corpo recebe sangue de ramos de mais de uma artéria, e onde duas ou mais artérias irrigam a mesma região, elas normalmente se conectam entre si. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Essas conexões, chamadas de anastomoses, fornecem vias alternativas, chamadas de circulação colateral, para que o sangue chegue a um órgão ou tecido específico. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O miocárdio contém muitas anastomoses que conectam ramos de uma determinada artéria coronária ou se estendem entre os ramos de diferentes artérias coronárias. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As anastomoses fornecem desvios para o sangue arterial se uma via principal estiver obstruída. Assim, o músculo cardíaco pode receber oxigênio suficiente, mesmo que uma de suas artérias coronárias esteja parcialmente bloqueada. (TORTORA, 14ª ed.) VEIAS CORONÁRIAS A maior parte do sangue venoso do miocárdio drena para um grande seio vascular no sulco coronário na face posterior do coração, chamado seio coronário. (TORTORA, 14ª ed.) O sangue venoso do seio coronário drena para o átrio direito. As principais tributárias que transportam sangue para o seio coronário são: (TORTORA, 14ª ed.) Veia cardíaca magna no sulco interventricular anterior, que drena as áreas do coração irrigadas pela artéria coronária esquerda (ventrículos esquerdo e direito e átrio esquerdo); Veia interventricular posterior no sulco interventricular posterior, que drena as áreas irrigadas pelo ramo interventricular posterior daartéria coronária direita (ventrículos esquerdo e direito); Veia cardíaca parva no sulco coronário, que drena o átrio direito e o ventrículo direito; @jumorbeck Veias anteriores do ventrículo direito, que drenam o ventrículo direito e drenam diretamente para o átrio direito. Quando o bloqueio de uma artéria coronária priva o músculo cardíaco de oxigênio, a reperfusão, o restabelecimento do fluxo sanguíneo, pode danificar ainda mais o tecido. Este efeito surpreendente é decorrente da formação de radicais livres de oxigênio a partir do oxigênio reintroduzido. (TORTORA, 14ª ed.) Histologia do músculo cardíaco ↠ Em comparação às fibras musculares esqueléticas, as fibras musculares cardíacas são mais curtas e menos circulares em um corte transversal. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Apresentam ramificação, que dão a cada fibra muscular cardíaca uma aparência de “degrau”. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Geralmente, existe um núcleo central, embora uma célula ocasionalmente tenha dois núcleos. (TORTORA, 14ª ed.) As extremidades das fibras musculares cardíacas se ligam às fibras vizinhas por espessamentos transversais irregulares de sarcolema chamados discos intercalares. Os discos contêm desmossomos, que mantêm as fibras unidas, e junções comunicantes, que possibilitam que os potenciais de ação musculares sejam conduzidos de uma fibra muscular para as fibras vizinhas. As junções comunicantes possibilitam que todo o miocárdio dos átrios ou dos ventrículos se contraia como uma única unidade, coordenada. (TORTORA, 14ª ed.) As mitocôndrias são maiores e mais numerosas nas fibras do músculo cardíaco do que nas fibras musculares esqueléticas. As fibras musculares cardíacas têm o mesmo arranjo de actina e miosina, e as mesmas bandas, zonas e discos Z, que as fibras musculares esqueléticas. Os túbulos transversos do músculo cardíaco são mais largos, mas menos abundantes do que no músculo esquelético; há um único túbulo transverso por sarcômero no disco Z. (TORTORA, 14ª ed.) Sistema de condução ↠ A atividade elétrica inerente e rítmica é o motivo das contrações cardíacas ao longo da vida. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A fonte desta atividade elétrica é uma rede de fibras musculares cardíacas especializadas chamadas fibras autorrítmicas, porque são autoexcitáveis. (TORTORA, 14ª ed.) As áreas escuras que cruzam as fibras miocárdicas são referidas como discos intercalados; elas são, na verdade, membranas celulares que separam as células miocárdicas umas das outras. Em cada disco intercalado, as membranas celulares se fundem entre si, para formar junções “comunicantes” permeáveis (gap junctions), que permitem rápida difusão, quase totalmente livre, dos íons. Dessa forma, o miocárdio forma sincício de muitas células musculares cardíacas, no qual as células estão tão interconectadas que, quando uma célula é excitada, o potencial de ação se espalha rapidamente para todas. O coração é, na verdade, composto por dois sincícios; o sincício atrial e o sincício ventricular, que forma as paredes dos ventrículos. (GUYTON, 13ª ed.) As fibras possuem duas funções importantes: ↠ Agem como marca-passo, definindo o ritmo da excitação elétrica que provoca a contração do coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Formam o sistema de condução do coração, uma rede de fibras musculares cardíacas especializadas que @jumorbeck oferecem uma via para que cada ciclo de excitação cardíaca se propague pelo coração. (TORTORA, 14ª ed.) RESUMO DAS FASES DO POTENCIAL DE AÇÃO DO MIOCÁRDIO (GUYTON, 13ª ed.) Fase 0 (despolarização), os canais rápidos de sódio abrem. Quando a célula cardíaca é estimulada e se despolariza, o potencial de membrana fica mais positivo. Os canais de sódio ativados por voltagem (canais rápidos de sódio) abrem e permitem que o sódio flua rapidamente para dentro da célula e a despolarize. O potencial de membrana alcança cerca de + 20 milivolts antes dos canais de sódio encerrarem. Fase 1 (despolarização inicial), os canais rápidos de sódio encerram. Os canais de sódio encerram, a célula começa a repolarizar e os íons potássio saem da célula através dos canais de potássio abertos. Fase 2 (platô), os canais de cálcio abrem e os canais rápidos de potássio encerram. Ocorre uma breve repolarização inicial e o potencial de ação alcança um platô em consequência de (1) maior permeabilidade dos íons cálcio; e (2) diminuição da permeabilidade dos íons potássio. Os canais de íons cálcio, ativados por voltagem, abrem lentamente durante as fases 1 e 0, e o cálcio entra na célula. Depois, os canais de potássio encerram e a combinação da redução do efluxo de íons potássio e o aumento do influxo de íons cálcio conduz a que o potencial de ação alcance um platô. Fase 3 (polarização rápida), os canais de cálcio encerram e os canais lentos de potássio abrem. O fechamento dos canais de íons cálcio e o aumento da permeabilidade aos íons potássio, permitindo que os íons potássio saiam rapidamente da célula, põem fim ao platô e retornam o potencial de membrana da célula ao seu nível de repouso. Fase 4 (potencial de membrana de repouso) com valor médio aproximado de –90 milivolts. Os potenciais de ação cardíacos se propagam ao longo do sistema de condução na seguinte sequência: (TORTORA, 14ª ed.) A excitação cardíaca normalmente começa no nó sinoatrial (SA), localizado na parede atrial direita, discretamente inferior e lateral à abertura @jumorbeck da veia cava superior. As células do nó SA não têm potencial de repouso estável. Em vez disso, elas se despolarizam repetida e espontaneamente até um limiar. A despolarização espontânea é um potencial marca-passo. Quando o potencial marca-passo alcança o limiar, ele dispara um potencial de ação. Cada potencial de ação do nó SA se propaga ao longo de ambos os átrios via junções comunicantes nos discos intercalares das fibras musculares atriais. Após o potencial de ação, os dois átrios se contraem ao mesmo tempo. Ao ser conduzido ao longo das fibras musculares atriais, o potencial de ação alcança o nó atrioventricular (AV), localizado no septo interatrial, imediatamente anterior à abertura do seio coronário. No nó AV, o potencial de ação se desacelera consideravelmente, como resultado de várias diferenças na estrutura celular do nó AV. Este atraso fornece tempo para os átrios drenarem seu sangue para os ventrículos. A partir do nó AV, o potencial de ação entra no fascículo atrioventricular (AV) (feixe de His,). Este fascículo é o único local em que os potenciais de ação podem ser conduzidos dos átrios para os ventrículos. (Em outros lugares, o esqueleto fibroso do coração isola eletricamente os átrios dos ventrículos.) Depois da propagação pelo fascículo AV, o potencial de ação entra nos ramos direito e esquerdo. Os ramos se estendem ao longo do septo interventricular em direção ao ápice do coração. Por fim, os ramos subendocárdicos calibrosos (fibras de Purkinje) conduzem rapidamente o potencial de ação, começando no ápice do coração e subindo em direção ao restante do miocárdio ventricular. Em seguida, os ventrículos se contraem, deslocando o sangue para cima em direção às válvulas semilunares. Por conta própria, as fibras autorrítmicas do nó SA iniciariam um potencial de ação a cada 0,6 s, ou 100 vezes por minuto. Assim, o nó SA define o ritmo de contração do coração – é o marca-passo natural. Esta frequência é mais rápida do que a de qualquer outra fibra autorrítmica. Como os potenciais de ação do nó SA se espalham ao longo do sistema de condução e estimulam outras áreas antes que estas sejam capazes de produzir um potencial de ação no seu próprio ritmo, mais lento, o nó SA age como o marca-passo natural do coração. Os impulsos nervosos da divisão autônoma do sistema nervoso (SNA) e hormônios transportados pelo sangue (como a epinefrina) modificam sua sincronização e força a cada batimento cardíaco,mas não estabelecem o ritmo de base. Em uma pessoa em repouso, por exemplo, a acetilcolina liberada pela parte parassimpática do SNA atrasa a estimulação do nó SA para a cada aproximadamente 0,8 s, ou 75 potenciais de ação por minuto. (TORTORA, 14ª ed.) Ciclo cardíaco O conjunto dos eventos cardíacos, que ocorre entre o início de um batimento e o início do próximo, é denominado ciclo cardíaco. Cada ciclo é iniciado pela geração espontânea de potencial de ação no nodo sinusal. (GUYTON, 13ª ed.) Em cada ciclo cardíaco, os átrios e ventrículos se contraem e relaxam alternadamente, forçando o sangue das áreas de alta pressão às áreas de baixa pressão. Enquanto uma câmara do coração se contrai, a pressão arterial dentro dela aumenta. (TORTORA, 14ª ed.) O ciclo cardíaco consiste no período de relaxamento, chamado diástole, durante o qual o coração se enche de sangue, seguido pelo período de contração, chamado sístole. (GUYTON, 13ª ed.) A duração total do ciclo cardíaco, incluindo a sístole e a diástole, é a recíproca da frequência cardíaca. Por exemplo, se a frequência cardíaca é de 72 batimentos/min, a duração do ciclo cardíaco é de 1/72 batimentos/min — aproximadamente 0,0139 minuto por batimento, ou 0,833 segundo por batimento. (GUYTON, 13ª ed.) Bulhas cardíacas ↠ O som dos batimentos cardíacos é decorrente principalmente da turbulência do sangue causada pelo fechamento das valvas cardíacas. ↠ Durante cada ciclo cardíaco, existem quatro bulhas cardíacas, mas em um coração normal apenas a primeira e a segunda bulhas cardíacas (B1 e B2) são auscultadas com um estetoscópio. ↠ A primeira bulha (B1), a qual pode ser descrita como um som de tum, é mais forte e um pouco mais longa do que a segunda bulha. B1 é causada pela turbulência do sangue associada ao fechamento das valvas AV logo depois de a sístole ventricular começar. @jumorbeck ↠ A segunda bulha (B2), que é mais breve e não tão forte quanto a primeira, pode ser descrita como um som de tá. B2 é causada pela turbulência no sangue associada ao fechamento das valvas do tronco pulmonar e da aorta no início da diástole ventricular. Fatores que influenciam nos batimentos cardíacos Controle parassimpático O neurotransmissor parassimpático acetilcolina (ACh) diminui a frequência cardíaca. A acetilcolina ativa os receptores colinérgicos muscarínicos que influenciam os canais de K e Ca2. A combinação dos dois efeitos faz a célula levar mais tempo para alcançar o limiar, atrasando o início do potencial de ação no marca- passo e diminuindo a frequência cardíaca. (SILVERTHORN, 7ª ed.) Controle simpático A estimulação simpática nas células marca-passo acelera a frequência cardíaca. As catecolaminas noradrenalina (dos neurônios simpáticos) e adrenalina (da medula da glândula suprarrenal) aumentam o fluxo iônico através dos canais If e de Ca2 . A entrada mais rápida de cátions acelera a taxa de despolarização, fazendo a célula atingir o limiar mais rapidamente e, assim, aumentando a taxa de disparo do potencial de ação Quando o marca-passo dispara potenciais de ação mais rapidamente, a frequência cardíaca aumenta. (SILVERTHORN, 7ª ed.) Determinados produtos químicos influenciam a fisiologia de base do músculo cardíaco e a frequência cardíaca. Por exemplo, a hipoxia (nível de oxigênio reduzido), acidose (pH baixo) e alcalose (pH elevado) deprimem a atividade cardíaca. Vários hormônios e cátions têm grandes efeitos sobre o coração: (TORTORA, 14ª ed.) Hormônios: A epinefrina e a norepinefrina (provenientes da medula da glândula suprarrenal) melhoram a efetividade do bombeamento cardíaco. Estes hormônios afetam as fibras musculares cardíacas de modo muito semelhante à maneira como o faz a norepinefrina liberada pelos nervos aceleradores cardíacos – aumentam a frequência e a contratilidade cardíacas. O exercício, o estresse e a excitação fazem com que as medulas das glândulas suprarrenais liberem mais hormônios. Os hormônios tireoidianos também melhoram a contratilidade cardíaca e aumentam a frequência cardíaca. Um sinal de hipertireoidismo é a taquicardia, ou seja, uma frequência cardíaca de repouso elevada. Cátions: Dado que as diferenças entre as concentrações intracelulares e extracelulares de vários cátions (p. ex., Na+ e K+) são cruciais para a produção de potenciais de ação em todas as fibras nervosas e musculares, não é de se estranhar que os desequilíbrios iônicos possam comprometer rapidamente a efetividade do bombeamento cardíaco. As concentrações relativas de três cátions – K+, Ca2+ e Na+ – exercem efeito acentuado na função cardíaca. Níveis sanguíneos elevados de K+ ou Na+ diminuem a frequência e a contratilidade cardíaca. O excesso de Na+ bloqueia o influxo de Ca2+ durante potenciais de ação cardíacos, diminuindo assim a força de contração, enquanto o excesso de K+ bloqueia a produção de potenciais de ação. Um aumento moderado do nível intersticial (e, portanto, intracelular) de Ca2+ acelera a frequência cardíaca e fortalece as contrações cardíacas. Também influenciam na frequência cardíaca de repouso: A idade; O sexo; A condição física; A temperatura corporal; Toda substância química que afeta a contratilidade é chamada de agente inotrópico, e sua influência é chamada de efeito inotrópico. Se uma substância química aumenta a força de contração, ela possui um efeito inotrópico positivo. Por exemplo, as catecolaminas adrenalina e noradrenalina e fármacos, como os digitálicos, aumentam a contratilidade e, portanto, possuem efeitos inotrópicos positivos. Substâncias químicas com efeito inotrópico negativo diminuem a contratilidade. (SILVERTHORN, 7ª ed.) Artigo: Variabilidade da Frequência Cardíaca, Depressão, Ansiedade e Estresse em Intensivistas O presente estudo objetivou avaliar médicos e enfermeiros de UTI, com relação à presença ou não de ansiedade, depressão e estresse, e documentar durante o plantão possíveis alterações na VFC por meio da gravação dos batimentos cardíacos com Holter durante o período de 12 horas. Em relação às variáveis da VFC, evidenciou-se que seus componentes em quase sua totalidade estiveram alterados quando comparados aos valores considerados normais, principalmente HF e a relação LF/HF (domínio da frequência). Quando se analisam os componentes descanso e classificação do plantão, notam-se alterações nas variáveis que refletem a atividade parassimpática, com nítidas mudanças na VFC, sugerindo que o descanso durante o plantão de 12 horas influi de maneira importante a classificação do plantão pelos intensivistas. @jumorbeck Referências TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. JUNQUEIRA; CARNEIRO. Histologia Básica, 13ª ed. Guanabara Koogan, SP, 2017. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017. MOORE. Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª ed. Guanabara Koogan, SP, 2017 Silverthorn, Dee U. Fisiologia Humana. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo A, [Inserir ano de publicação]. LONGHI, ALLAN; TOMAZ, CARLOS A. B. Variabilidade da frequência cardíaca, depressão, ansiedade e estresse em intensivistas. Revista Brasileira de Cardiologia, v. 23, n. 6 , páginas: 315-323, 2010. @jumorbeck Ciclo Cardíaco O conjunto dos eventos cardíacos, que ocorre entre o início de um batimento e o início do próximo, é denominado ciclo cardíaco. Cada ciclo é iniciado pela geração espontânea de potencial de ação no nodo sinusal. (GUYTON, 13ª ed.) DiÁstole e SÍstole O ciclo cardíaco consiste no período de relaxamento, chamado diástole, durante o qual o coração se enche de sangue, seguido pelo período de contração, chamado sístole. A duração total do ciclo cardíaco, incluindo a sístole e a diástole, é a recíproca da frequência cardíaca. (GUYTON, 13ª ed.) Por exemplo, se afrequência cardíaca é de 72 batimentos/min, a duração do ciclo cardíaco é de 1/72 batimentos/min — aproximadamente 0,0139 minuto por batimento, ou 0,833 segundo por batimento. Obs.: O Aumento da Frequência Cardíaca Reduz a Duração do Ciclo Cardíaco. Os átrios funcionam como pré-bombas para os ventrículos: Normalmente, o sangue flui de forma contínua, vindo das grandes veias para os átrios; cerca de 80% do sangue fluem diretamente dos átrios para os ventrículos, mesmo antes da contração atrial. Então, essa contração representa os 20% adicionais para acabar de encher os ventrículos. Desse modo, os átrios funcionam como bomba de escova (primer pump), que melhora a eficácia do bombeamento ventricular por, no máximo, 20%. Entretanto, o coração pode continuar operando, na maioria das circunstâncias, mesmo sem esses 20% a mais de eficiência, pois ele normalmente tem capacidade de bombear de 300 a 400% a mais de sangue do que o necessário para o corpo, nas condições de repouso (GUYTON, 13ª ed.). Período de Contração Isovolumétrica (Isométrica): ↠ Imediatamente após o início da contração ventricular, a pressão ventricular sobe, de modo abrupto, fazendo com que as valvas A-V se fechem. ↠ É necessário mais 0,02 a 0,03 segundo para que o ventrículo gere pressão suficiente para empurrar e abrir as válvulas semilunares (aórtica e pulmonar) contra a pressão nas artérias aorta e pulmonar. ↠Durante esse período os ventrículos estão se contraindo, mas não ocorre esvaziamento. É o chamado período de contração isovolumétrica ou isométrica. Período de Ejeção.: ↠ Quando a pressão no interior do ventrículo esquerdo aumenta até pouco acima de 80 mmHg (e a pressão do ventrículo direito, pouco acima de 8 mmHg), a pressão ventricular força a abertura das valvas. ↠ Imediatamente, o sangue começa a ser lançado para diante, para as artérias. Em torno de 60% do sangue do ventrículo são ejetados durante a sístole. ↠ Cerca de 70% dessa porção são ejetados durante o primeiro terço do período de ejeção, e os 30% restantes do esvaziamento ocorrem nos outros dois terços do período. ↠ Assim, o primeiro terço é o chamado período de ejeção rápida, e os demais dois terços, período de ejeção lenta. Período de Relaxamento Isovolumétrico (Isométrico): ↠ Ao final da sístole, o relaxamento ventricular começa de modo repentino, fazendo com que as pressões intraventriculares direita e esquerda diminuam rapidamente. ↠ As altas pressões nas artérias distendidas que acabaram de ser cheias com o sangue vindo dos ventrículos contraídos tornam a empurrar o sangue de volta para os ventrículos, causando o fechamento das valvas aórtica e pulmonar. ↠ Durante mais 0,03 a 0,06 segundo, o músculo ventricular continua a relaxar, mesmo que o volume não se altere, originando o período de relaxamento isovolumétrico ou isométrico. ↠ As pressões intraventriculares diminuem rapidamente de volta aos valores diastólicos. É então que as valvas A- V se abrem para iniciar novo ciclo de bombeamento ventricular. @jumorbeck Os Ventrículos se Enchem de Sangue durante a Diástole.: ↠ Assim que a sístole termina e as pressões ventriculares retornam aos baixos valores diastólicos, as pressões moderadamente altas que se desenvolveram nos átrios durante a sístole ventricular forçam de imediato as valvas A-V a se abrirem. ↠ É o chamado período de enchimento rápido ventricular. O período de enchimento rápido ocorre aproximadamente durante o primeiro terço da diástole. ↠ Ao longo do segundo terço, uma pequena quantidade de sangue nas condições normais flui para os ventrículos, sendo esse o sangue que continua a chegar aos átrios, vindo das veias, fluindo diretamente para os ventrículos. ↠ Durante o último terço da diástole, os átrios se contraem, dando impulso adicional ao fluxo sanguíneo para os ventrículos. Esse mecanismo responde por mais ou menos 20% do enchimento ventricular total em cada ciclo cardíaco. VOLUME DIASTÓLICO FINAL: representa o total de sangue presente no ventrículo ao final da diástole. VOLUME SISTÓLICO: volume ejetado durante a sístole. VOLUME SISTÓLICO FINAL: quantidade de sangue restante no ventrículo ao fim da sístole. FRAÇÃO DE EJEÇÃO: fração do volume final diastólico que é ejetada. DÉBITO CARDÍACO: volume de sangue ejetado por minuto. FREQUÊNCIA CARDÍACA: número de batimentos cardíacos por min. (bpm). DC= FC X VS VS= VDF – VSF CONCEITOS DE PRÉ-CARGA E PÓS-CARGA ↠ Pré-carga: grau de tensão do músculo quando ele começa a se contrair. Para a contração cardíaca, a pré- carga é geralmente considerada como a pressão diastólica final quando o ventrículo está cheio. ↠ Pós-carga: é a pressão na aorta à saída do ventrículo. REGULAÇÃO DO BOMBEAMENTO CARDÍACO ↠ Os meios básicos de regulação do volume bombeado são (1) regulação cardíaca intrínseca, em resposta às variações no aporte do volume sanguíneo em direção ao coração; e (2) controle da frequência cardíaca e da força de bombeamento pelo sistema nervoso autonômico. Regulação intrínseca do bombeamento cardíaco — o mecanismo de Frank-Starling: ↠ Capacidade intrínseca do coração de se adaptar a volumes crescentes de afluxo sanguíneo. ↠ O mecanismo de Frank-Starling afirma que quanto mais o miocárdio for distendido durante o enchimento, maior será a força da contração e maior será a quantidade de sangue bombeada para a aorta. Ou, em outras palavras: Dentro de limites fisiológicos, o coração bombeia todo o sangue que a ele retorna pelas veias. EXPLICAÇÃO DO MECANISMO DE FRANK-STARLING Quando uma quantidade adicional de sangue chega aos ventrículos, o músculo cardíaco é mais distendido. Essa distensão, por sua vez, leva o músculo a se contrair com força aumentada, pois os filamentos de miosina e actina ficam dispostos em ponto mais próximo do grau ideal de superposição para a geração de força. Assim, o ventrículo em função de seu enchimento otimizado automaticamente bombeia mais sangue para as artérias. Essa capacidade do músculo distendido, de se contrair com maior produção de trabalho até seu comprimento ideal, é característica de todos os músculos estriados (GUYTON, 13ª ed.) Controle do Coração pela Inervação Simpática e Parassimpática A eficácia do bombeamento cardíaco é também controlada pelos nervos simpáticos e parassimpáticos (vagos) que inervam de forma abundante o coração. Para determinados níveis de pressão atrial, a quantidade de sangue bombeada a cada minuto (o débito cardíaco) com frequência pode ser aumentada por mais de 100% pelo estímulo simpático. E, por outro lado, o débito pode ser @jumorbeck diminuído até zero, ou quase zero, por estímulo vagal (parassimpático). (GUYTON, 13ª ed.) Sincronia das células do tecido muscular cardíaco O coração é composto por três tipos principais de músculo: o músculo atrial, o músculo ventricular e as fibras especializadas excitatórias e condutoras. (GUYTON, 13ª ed.) Os tipos atrial e ventricular de músculo contraem-se quase como os músculos esqueléticos, mas com duração muito maior da contração. (GUYTON, 13ª ed.) As fibras excitatórias e de condução do coração, no entanto, só se contraem fracamente por conterem poucas fibras contráteis, mas apresentam descargas elétricas rítmicas automáticas, na forma de potenciais de ação, ou fazem a condução desses potenciais de ação pelo coração, representando sistema excitatório que controla os batimentos rítmicos. (GUYTON, 13ª ed.) ANATOMIA FISIOLÓGICA DO MÚSCULO CARDÍACO As fibras musculares cardíacas se dispõem em malha ou treliça com as fibras se dividindo, se recombinando e, de novo, se separando. O músculo cardíaco contém miofibrilas típicas, com filamentos de actina e miosina, esses filamentos se dispõem lado a lado e deslizam durante as contrações As células cardíacas conectam-se umas às outras por discos intercalares, que incluem a combinação de junções mecânicas e conexõescontrapondo-se à mera memorização e transferência verticalizada de conhecimentos. (CRUZ et al, 2018) As duas estratégias de ensino, norteadas pelo método ativo, mais utilizadas na área de saúde são: A Metodologia da Problematização e a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP). (SANTOS,2019) No ABP, o professor também é chamado de tutor, e a sua principal função é orientar os grupos para que a interação entre os alunos seja produtiva, ajudando-os a identificarem o conhecimento necessário para solucionar o problema. Em contrapartida, os alunos são os principais responsáveis por sua aprendizagem, precisando devolvê- la de modo que atenda as suas necessidades pessoais e perspectivas profissionais. (SANTOS, 2019) Características da abordagem tradicional e da abordagem cognitiva quanto aos indicadores Diferenças e Semelhanças das metodologias de ensino- aprendizagem Vantagens e Desvantagens das metodologias de ensino – aprendizagem Metodologia Tradicional Metodologia Ativa Vantagens Proporciona à população conhecimento produzido cientificamente; Amplia informações e conhecimentos já existentes; Produz aquisição de conhecimento; Construção coletiva do conhecimento; Proporciona ao educando visão crítica e reflexiva da realidade; Capacita o educando para tomada de decisões; Desvantagens Formação de um indivíduo passivo, mero receptor de informações; Não aplicação à realidade dos conteúdos ensinados; Relação assimétrica entre educador e educando; Falta de conhecimento e capacitação de profissionais para aplicação deste modelo. Fonte: RODRIGUES ELIVANIA T.; LENTE SILVANA M, 2018 Fonte: RODRIGUES ELIVANIA T.; LENTE SILVANA M, 2018 Fonte: WATTÉ BRUNO H; SOUZA RAFAEL R.; FARIAS GIOVANNI F.; SOUZA MARCIO V., 2018 Artigo: Percepção da efetividade dos métodos de ensino utilizados em um curso de medicina do Nordeste do Brasil O estudo objetivou avaliar a percepção e opinião do corpo docente e discente quanto à efetividade dos métodos de ensino utilizados pelo corpo docente do curso de Medicina da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Período de coleta de dados: julho de 2015 a junho de 2016; Para fins de análise dos dados obtidos, consideraram a aula expositiva, aulas práticas/de campo, discussão de casos clínicos e seminários como métodos tradicionais de ensino-aprendizagem para o curso de Medicina. Como métodos contemporâneos de ensino foram consideradas as atividades lúdicas, mapas conceituais, estudos dirigidos, aprendizagem baseada em problemas (ABP) e aprendizagem baseada em equipe (ABE). Resultados: além de mais utilizadas, as metodologias tradicionais também foram consideradas as mais efetivas para o processo de ensino-aprendizagem pela maioria dos docentes (62,78%) e discentes (129,92%) entrevistados. No entanto, grande parte dos discentes (103%) afirmaram que gostaria que os professores utilizassem outros métodos didático-pedagógicos em suas aulas, tendo como justificativa mais citada a melhora do aprendizado em geral. Entre as principais sugestões dos docentes para a melhoria do processo ensino-aprendizagem no curso de Medicina, a mais citada foi a promoção de capacitação didático-pedagógica. Observou-se que maior tempo de graduação e de experiência docente, formação em outros cursos de graduação da área da saúde e titulação em nível de pós- graduação se mostraram significativamente associados à utilização de métodos contemporâneos de ensino. De acordo com a Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), os cursos de Medicina devem utilizar metodologias ativas como uma das ferramentas de ensino, as quais auxiliam na formação geral, humanística, crítica, reflexiva e ética do graduando. O uso de metodologias integradoras potencializa o desenvolvimento de capacidade comunicativa, além de permitir e estimular a atuação interprofissional e a Apesar de ter boa receptividade, a metodologia ativa não é bem vista por todos os discentes, principalmente por encontrarem parâmetros diferenciados de avaliação e participação em sala de aula. No entanto, um trabalho mais recente realizado por Fermozelli et al, mostrou que a maioria dos discentes relatou aumento de interesse pelos estudos com a utilização de uma metodologia ativa, e que essa abordagem promoveu maior integração entre os conteúdos trabalhados e a clínica dos pacientes. A mudança do método de ensino tradicional para o ativo normalmente gera insegurança, requer grande esforço dos atores envolvidos no processo e exige maturidade, organização dos estudantes e mudança de comportamento para assumir a responsabilidade sobre o próprio aprendizado. Um fator que pode ter dificultada a utilização e adesão dos discentes às atividades exigidas pelas metodologias contemporâneas, provocando certa aversão pelo desenvolvimento de atividades, que representariam maior investimento de tempo. Conclusão: a metodologia tradicional foi considerada a mais efetiva e predominante no curso de Medicina da UERN. É necessário impulsionar o desenvolvimento de metodologias centradas no aluno por meio da adoção de pedagogias ativas de ensino e estimular a capacitação didática-pedagógica do corpo docente. Referências CRUZ, PAULO. Ebook: Metodologias ativas para a educação corporativa. 2018 SANTOS, TACIANA. Metodologias Ativas de Ensino- Aprendizagem. Olinda, 2019 CRUZ POLIANA O.; CARVALHO THAÍS B.; PINHEIRO LUCA D. P.; GIOVANNINI PATRÍCIA E.; NASCIMENTO ELLANY G. C.; FERNANDES THALES A. A. M.; Percepção da efetividade dos métodos de ensino utilizados em um curso de Medicina do Nordeste do Brasil. Revista Brasileira de Educação Médica.; vol. 43, nº 2, páginas: 40-47, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbem/a/rbC9RfTpzwLpRFVxsBVJ CRf/abstract/?lang=pt WATTÉ BRUNO H; SOUZA RAFAEL R.; FARIAS GIOVANNI F.; SOUZA MARCIO V. Implementação da metodologia Team Based Learning (TBL) em uma estratégia de Blended Learning, no desenvolvimento da disciplina de Empreendedorismo. Ebook: EAD, PBL e o Desafio da Educação em Rede: Metodologias Ativas e outras Práticas na Formação do Educador Coinvestigador. páginas: 104-118, 2018. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/329630793_Im plementacao_da_metodologia_Team_Based_Learning_ TBL_em_uma_estrategia_de_Blended_Learning_no_d esenvolvimento_da_disciplina_de_Empreendedorismo RODRIGUES ELIVANIA T.; LENTE SILVANA M. Método Tradicional de Ensino x Método da problematização: um estudo comparativo para o alcance do perfil médico previsto na diretriz curricular brasileira. Anais V CONEDU... Campina Grande: Realize Editora, 2018. Disponível em: 2018 Trabalho em grupo Trabalho em grupo: alunos trabalhando juntos em grupos pequenos de modo que todos possam participar de uma atividade com tarefas claramente atribuídas. Além disso, é esperado que os alunos desempenhem suas tarefas sem supervisão direta e imediata do professor. Trabalho em grupo não é a mesma coisa que agrupamento por habilidade, no qual o professor divide a sala por critério acadêmico para que possa ensinar para grupos mais homogêneos. (COHEN; LOTAN, 2017) A filosofia vigente na década de 1970, incentivou-se a estruturação e utilização da aprendizagem cooperativa – trabalho de estudantes em pequenos grupos heterogêneos que trocam informações e compartilham materiais, com papéis previamente definidos - como um recurso que fomenta rendimento acadêmico, interdependência positiva, responsabilidade individual e de grupo, interação estimuladora, competências sociais, além de aumento de autoestima. (CONCEIÇÃO; MORAES, 2018) Quando a professora propõe aos alunos uma atividade em grupo e permite que eles se esforcem sozinhos e cometam erros, ela delega autoridade. Essa é a primeira característica-chave do trabalho em grupo. Delegar autoridade em umaelétricas. As conexões mecânicas, que evitam que as células se soltem quando se contraem, abrangem as junções de aderência e os desmossomos. Por outro lado, as junções comunicantes (gap) entre as células musculares cardíacas formam conexões elétricas, permitindo a propagação do potencial de ação por todo o coração. Assim, considera-se que a disposição das células musculares cardíacas forma um sincício mecânico e elétrico, fazendo com que um único potencial de ação (gerado no interior do nó sinoatrial) curse por todo o coração, de maneira que este se contraia de modo sincrônico, semelhante a ondas. (BERNE E LEVY) O coração é, na verdade, composto por dois sincícios; o sincício atrial, que forma as paredes dos dois átrios e o sincício ventricular, que forma as paredes dos ventrículos. (GUYTON, 13ª ed.) Essa divisão do músculo cardíaco em dois sincícios funcionais permite que os átrios se contraiam pouco antes da contração ventricular, o que é importante para a eficiência do bombeamento cardíaco. (GUYTON, 13ª ed.) A célula cardíaca é constituída de miofibrilas, núcleo, sarcoplasma, sarcolema, discos intercalares, mitocôndrias e retículo sarcoplasmático. (SILVERTHON, 7ª ed.) As miofibrilas são compostas de várias unidades, funcionalmente autônomas, denominadas sarcômeros, os quais representam as unidades contráteis do músculo cardíaco. Os sarcômeros contêm dois tipos de filamentos, ambos de estrutura proteica – actina ou filamento delgado e miosina ou filamento espesso. (SILVERTHON, 7ª ed.) @jumorbeck Dois tipos de proteínas moduladoras – troponina e tropomiosina – participam dos fenômenos que envolvem a actina. A troponina age como receptora de cálcio em nível molecular, enquanto a tropomiosina recobre os pontos de acoplamento do sistema miosínico. (SILVERTHON, 7ª ed.) A contração da célula cardíaca é, em essência, o resultado da junção de vários sistemas actinomiosínicos, cujo mecanismo biofísico básico é o deslizamento da actina sobre a miosina. No entanto, para que se processem essas junções, é fundamental uma complexa cadeia de reações bioquímicas desencadeadas pela estimulação elétrica das células cardíacas. A energia necessária para ativar o sistema actinomiosínico provém do rompimento das ligações da adenosina trifosfato (ATP). O enriquecimento desses fosfatos depende do metabolismo aeróbico, processado no interior das mitocôndrias e sarcoplasma, os quais, por sua vez, estão na dependência da integridade das células e de adequado suprimento sanguíneo ao miocárdio pelas artérias coronárias. (SILVERTHON, 7ª ed.) O elemento iônico fundamental na contração cardíaca é o cálcio, pois a elevação do teor de cálcio livre no interior do sarcômero resulta em sua interação com a troponina, etapa essencial da série de fenômenos que culminam na contração da miofibrila. (SILVERTHON, 7ª ed.) RESUMO DAS FASES DO POTENCIAL DE AÇÃO DO MIOCÁRDIO (GUYTON, 13ª ed.) Fase 0 (despolarização), os canais rápidos de sódio abrem. Quando a célula cardíaca é estimulada e se despolariza, o potencial de membrana fica mais positivo. Os canais de sódio ativados por voltagem (canais rápidos de sódio) abrem e permitem que o sódio flua rapidamente para dentro da célula e a despolarize. O potencial de membrana alcança cerca de + 20 milivolts antes dos canais de sódio encerrarem. Fase 1 (despolarização inicial), os canais rápidos de sódio encerram. Os canais de sódio encerram, a célula começa a repolarizar e os íons potássio saem da célula através dos canais de potássio abertos. Fase 2 (platô), os canais de cálcio abrem e os canais rápidos de potássio encerram. Ocorre uma breve repolarização inicial e o potencial de ação alcança um platô em consequência de (1) maior permeabilidade dos íons cálcio; e (2) diminuição da permeabilidade dos íons potássio. Os canais de íons cálcio, ativados por voltagem, abrem lentamente durante as fases 1 e 0, e o cálcio entra na célula. Depois, os canais de potássio encerram e a combinação da redução do efluxo de íons potássio e o aumento do influxo de íons cálcio conduz a que o potencial de ação alcance um platô. Fase 3 (polarização rápida), os canais de cálcio encerram e os canais lentos de potássio abrem. O fechamento dos canais de íons cálcio e o aumento da permeabilidade aos íons potássio, permitindo que os íons potássio saiam rapidamente da célula, põem fim ao platô e retornam o potencial de membrana da célula ao seu nível de repouso. Fase 4 (potencial de membrana de repouso) com valor médio aproximado de –90 milivolts. @jumorbeck Período Refratário do Miocárdio: O músculo cardíaco, como todos os tecidos excitáveis, é refratário à reestimulação durante o potencial de ação. Assim, o período refratário do coração é o intervalo de tempo durante o qual o impulso cardíaco normal não pode reexcitar área já excitada do miocárdio. (GUYTON, 13ª ed.) Acoplamento Excitação-Contração – A função dos íons cálcio e dos túbulos transversos: mecanismo pelo qual o potencial de ação provoca a contração das miofibrilas. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ O potencial de ação se difunde para o interior da fibra muscular, passando ao longo das membranas dos túbulos transversos (T). ↠ O potencial dos túbulos T, por sua vez, age nas membranas dos túbulos sarcoplasmáticos longitudinais para causar a liberação de íons cálcio pelo retículo sarcoplasmático no sarcoplasma muscular. ↠ Esses íons cálcio se dispersam para as miofibrilas, quando catalisam as reações químicas que promovem o deslizamento, um contra o outro, dos filamentos de miosina e actina, produzindo, assim, a contração muscular. ↠ Além dos íons cálcio, liberados das cisternas do retículo sarcoplasmático para o sarcoplasma, grande quantidade de íons cálcio adicionais também se difunde para o sarcoplasma, partindo dos próprios túbulos T no momento do potencial de ação por canais dependentes de voltagem na membrana de túbulos T. ↠ A entrada de cálcio ativa canais de liberação de cálcio, também chamados canais de receptores de rianodina, na membrana do retículo sarcoplasmático, o que desencadeia a liberação de cálcio para o sarcoplasma. ↠ Em seguida, íons cálcio no sarcoplasma interagem com a troponina para iniciar a formação de pontes cruzadas (cross--bridges) e contração. A força da contração cardíaca depende muito da concentração de íons cálcio nos líquidos extracelulares. (GUYTON, 13ª ed.) EFEITO DOS ÍONS POTÁSSIO E CÁLCIO NO FUNCIONAMENTO CARDÍACO Efeitos dos Íons Potássio: ↠ O excesso de potássio nos líquidos extracelulares pode fazer com que o coração se dilate e fique flácido, além de diminuir a frequência dos batimentos. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Grandes quantidades de potássio podem vir a bloquear a condução do impulso cardíaco dos átrios para os ventrículos pelo feixe A-V. ↠ Esses efeitos resultam, em parte, do fato da alta concentração de potássio nos líquidos extracelulares diminuir o potencial de repouso das membranas das fibras miocárdicas Efeito dos Íons Cálcio: ↠ O excesso de íons cálcio causa efeitos quase opostos aos dos íons potássio, induzindo o coração a produzir contrações espásticas. A causa disso é o efeito direto dos íons cálcio na deflagração do processo contrátil cardíaco. (GUYTON, 13ª ed.) @jumorbeck EXCITAÇÃO RÍTMICA DO CORAÇÃO O coração humano tem um sistema especial para a autoexcitação rítmica e a contração repetitiva de aproximadamente cem mil vezes ao dia, ou três bilhões de vezes em uma vida humana de duração média. Esse feito impressionante é realizado por um sistema que: (1) gera impulsos elétricos rítmicos para iniciar contrações rítmicas do miocárdio; e (2) conduz esses impulsos rapidamente por todo o coração. (GUYTON, 13ª ed.) Nodo Sinusal ( Sinoatrial): ↠ Está situado na parede posterolateral superior do átrio direito, imediatamente abaixo e pouco lateral à abertura da veia cava superior. ↠ As fibrasdo nodo sinusal se conectam diretamente às fibras musculares atriais, de modo que qualquer potencial de ação que se inicie no nodo sinusal se difunde de imediato para a parede do músculo atrial. Mecanismo de Ritmicidade do Nodo Sinusal: ↠ Negatividade de -55 a -60 nas fibras do nodo sinusal; ↠ Mais permeáveis ao cálcio e sódio; Autoexcitação das Fibras do Nodo Sinusal: ↠ Potencial de repouso gradativamente aumenta entre os batimentos cardíacos; Canais de sódio permanentemente abertos; ↠ -40 canais L de cálcio são ativados; ↠ Canais de potássio se abrem; ↠ Potássio deixa a célula; ↠ Fim do Potencial de Ação; ↠ Fechamento dos Canais de Potássio; ↠ Nova onda despolarizante; As vias intermodal e interatrial: ↠ Transmitem impulsos cardíacos pelos átrios; ↠ Chegam até o nó AV; ↠ Fibras condutoras especializadas; ↠ Semelhantes às Fibras de Purkinje; O Nodo Atrioventricular: ↠ Retarda a condução do impulso dos átrios para os ventrículos; ↠ Localizado na parede posterior do AD, atrás da válvula tricúspide; ↠ Células do Nodo Atrio Ventricular possuem número reduzido de junções comunicantes; Sistema de Purkinge Ventricular: ↠ Calibrosas, conduzem o Potencial de Ação com velocidade 6x maior que o músculo ventricular e 150x maior q as fibras do novo A-V; ↠ Transmissão praticamente instantânea para toda musculatura cardíaca; ↠ Junções comunicantes dos discos intercalares são numerosas e muito permeáveis; ↠ Possuem pouco ou nada de miofibrilas; Transmissão unidirecional pelo feixe A – V: ↠ Feixe A-V é incapaz em condições fisiológicas de conduzir Potenciais de Ação retrogradamente; ↠ Impede a entrada de impulsos dos ventrículos para os átrios; ↠ Condução é apenas ANTETRÓGRADA; ↠ Tecido fibroso atrioventricular auxilia neste processo. @jumorbeck Coração do Atleta Qualquer atividade que aciona grandes músculos do corpo durante pelo menos 20 min, eleva o débito cardíaco e acelera a taxa metabólica. (TORTORA, 14ª ed.) A prática de exercícios físicos aumenta a demanda de oxigênio dos músculos. O fato de a demanda ser atendida depende principalmente da adequação do débito cardíaco e do bom funcionamento do sistema respiratório. (TORTORA, 14ª ed.) Após várias semanas de treinamento, uma pessoa saudável aumenta o débito cardíaco máximo (o volume de sangue ejetado dos ventrículos para as respectivas artérias por minuto), elevando assim o fornecimento máximo de oxigênio aos tecidos. (TORTORA, 14ª ed.) Durante a atividade extenuante, um atleta bem treinado pode alcançar o dobro do débito cardíaco de uma pessoa sedentária, em parte porque o treinamento provoca hipertrofia do coração. Essa condição é conhecida como cardiomegalia fisiológica. (TORTORA, 14ª ed.) A cardiomegalia patológica está relacionada com cardiopatia grave. (TORTORA, 14ª ed.) Mesmo que o coração de um atleta bem treinado seja maior, seu débito cardíaco em repouso é aproximadamente o mesmo de uma pessoa não treinada saudável, porque o volume sistólico é aumentado enquanto a frequência cardíaca é diminuída. (TORTORA, 14ª ed.) Hipertrofia Cardíaca induzida pelo treinamento físico: eventos moleculares e celulares que modificam o fenótipo. A prática regular de exercícios físicos leva a uma série de adaptações fisiológicas no organismo de forma gradual que variam conforme as características do treinamento. Entre essas adaptações estão às cardiovasculares, dentre as quais se destaca a hipertrofia cardíaca (HC), que ocorre frente a alterações hemodinâmicas que modificam as condições de sobrecarga cardíaca durante as sessões de treinamento. (MAGALHÃES et. al, 2008) A hipertrofia cardíaca induzida pelo treinamento físico é considerada fisiológica e desenvolvida de forma simétrica no coração, sendo que as mudanças estruturais são dependentes da natureza, duração e intensidade do exercício. A HC induzida pelo treinamento físico refere-se ao aumento de massa muscular em resposta a sobrecarga de trabalho nas sessões de exercício (BARBIER et al., 2006; CARREÑO et al., 2007). Esta hipertrofia é um mecanismo fisiológico compensatório, caracterizado principalmente pelo aumento do comprimento e diâmetro dos cardiomiócitos, desta forma sendo responsável pela manutenção da tensão na parede ventricular em níveis fisiológicos (COLAN, 1997; URHAUSEN& KINDERMANN, 1999). A HC ocorre pela capacidade do músculo cardíaco de adaptar-se a sobrecargas hemodinâmicas, que levam às alterações na estrutura do miocárdio de duas formas: uma causada pela sobrecarga de volume, verificada com o treinamento físico aeróbico, como a corrida e a natação, chamada de hipertrofia excêntrica e outra causada pela sobrecarga de pressão, observada com o treinamento de força/isométrico como o levantamento de peso e o judô, que é conhecida como hipertrofia concêntrica. (FAGARD, 1997). A HC excêntrica, observada no coração de atletas que realizam treinamento aeróbico, ocorre devido à sobrecarga de volume, ou seja, aumento da pré-carga devido ao aumento do retorno venoso durante as sessões de exercício, o que gera um elevado pico de tensão diastólica, induzindo ao crescimento dos miócitos. Neste, ocorre adição em série dos novos sarcômeros, e consequente aumento em seu comprimento pelo aumento no número das miofibrilas, para normalizar o estresse na parede do miocárdio levando a um aumento da cavidade do ventrículo esquerdo (VE). A cavidade aumentada gera um elevado pico de tensão sistólica, que estimula o crescimento dos miócitos, pela adição de novos sarcômeros em paralelo, aumentando também a espessura da parede do VE de forma compensatória. Como consequência, a relação entre a parede ventricular e o raio do VE permanece inalterada. A HC concêntrica decorrente do treinamento de força é gerada pela sobrecarga pressórica que ocorre no VE, ou seja, pelo aumento da pós-carga, que é caracterizado pelo elevado pico de tensão sistólica. Como resposta a essa sobrecarga hemodinâmica ocorre aumento no diâmetro dos miócitos, pela adição de novos sarcômeros em paralelo, o que leva a um aumento na espessura da parede do VE (COLAN, 1997; GROSSMAN et al., 1975; SHAPIRO, 1997). Tanto atletas como animais experimentais que realizam exercícios estáticos ou isométricos desenvolvem um aumento predominante da espessura da parede ventricular esquerda sem alteração no tamanho da cavidade do VE. Esta hipertrofia é @jumorbeck caracterizada pelo aumento da razão entre a espessura da parede e do raio do VE (COLAN, 1997; PLUIM et al., 2000; BARAUNA et al., 2007a). A HC promovida pelo treinamento físico ocorre para ajustar à carga de trabalho imposta ao ventrículo para manter constante a relação entre a pressão sistólica da cavidade e a razão da espessura da parede com o raio ventricular. Estas alterações na estrutura e função cardíaca são determinadas pela lei de Laplace: TP=Pr/h Portanto, se o ventrículo é uma esfera, a pressão (P) é proporcional à tensão da parede (TP) e a sua espessura (h) é inversamente proporcional ao raio da curvatura (r). Visando adequação da velocidade e da força de contração necessárias ao processo de adaptação a HC, ocorrem modificações nas proporções dos diferentes tipos de proteínas estruturais dos sarcômeros, como a actina e a miosina. A síntese destas novas proteínas aumenta principalmente a espessura (treinamento físico de força) e o comprimento das miofibrilas (treinamento físico aeróbico), aumentando o tamanho dos sarcômeros (MORGAN & BAKER, 1991; MORGAN et al., 1987). Esse aumento na síntese proteica é dependente da uma sinalização extracelular, que desencadeia uma cascata bioquímica de sinalização intracelular até chegar ao núcleo da célula levando ao aumento da transcrição gênica e da síntese proteica. Entretanto, ainda são pouco conhecidos os eventos bioquímicos desta sinalização intracelular com treinamento físico. Os receptores de membrana são ativados por seus respectivosagonistas. Já as integrinas são proteínas sensíveis ao estresse mecânico. Ao serem acionados, tanto os receptores quanto as integrinas desencadeiam sinais bioquímicos intracelulares, que coordenam o crescimento hipertrófico, alterando no núcleo a expressão gênica e no citoplasma aumentando a velocidade de tradução ribossomal de proteínas, bem como diminuindo a degradação de proteínas do citosol. Na HC induzida pelo treinamento físico aeróbico, a via mais bem conhecida é a do receptor de tirosina quinase, ao qual se ligam fatores de crescimento como o fator de crescimento de fibroblastos (FGF) e o fator de crescimento semelhante a insulina (IGF-1). Coração Atleta Para Pellicia, os factores hereditários intervêm nas alterações cardiovasculares de duas formas: pelo controlo genético da resposta ao exercício, e pela predisposição genética para suportar um exercício físico mais intenso e, consequentemente, atingir um maior rendimento durante a competição. A influência genética pode assim ajudar a explicar a diferença acentuada na intensidade das alterações cardiovasculares e no rendimento de atletas com as mesmas características antropométricas e submetidos ao mesmo tipo/intensidade de treino (10). Um dos exemplos desta possível influência genética é o gene da enzima conversora da angiotensina (ECA), ao qual tem sido atribuído um papel importante na remodelação fisiológica do ventrículo esquerdo. Montgomery et al comprovaram que níveis aumentados de ECA têm influência no desenvolvimento da hipertrofia miocárdica induzida pelo treino. Uma das características mais importantes do Coração de Atleta é o aumento do tónus parassimpático e a diminuição do tónus simpático, que são responsáveis por achados frequentes no atleta, tais como a bradicardia de repouso, a arritmia sinusal e os atrasos da condução aurículo-ventricular Um dos achados mais frequentes do exame objectivo do atleta é a auscultação de um sopro cardíaco A etiologia deste sopro difere com a idade do atleta. Nos atletas jovens, geralmente não existem alterações degenerativas dos anéis valvulares. Por isso, o sopro resulta quase sempre do aumento de velocidade do fluxo sanguíneo secundário ao elevado volume sistólico ejectado por um coração “hiperfuncionante”. Nos atletas mais velhos (com mais de 50 anos de idade), é frequente a existência de esclerose da válvula aórtica. Por isso, a auscultação de um sopro cardíaco nestes atletas deve suscitar uma avaliação mais cuidada, porque pode tratar-se de um processo fisiológico (tal como acontece em atletas mais jovens), ou ser secundário ao fenómeno de esclerose da válvula aórtica. Bradicardia sinusal – O débito cardíaco é o produto da frequência cardíaca com o volume sistólico. Durante a prática desportiva, o débito cardíaco do atleta é superior ao do indivíduo não atleta. No entanto, quando em repouso estes valores são muito semelhantes em ambos. Visto que o volume sistólico está geralmente aumentado no atleta, para que o débito cardíaco em repouso seja semelhante em ambos os indivíduos, a frequência cardíaca do atleta diminui, o que se deve sobretudo às alterações do sistema nervoso autónomo Assim, é comum a existência de atletas com bradicardia sinusal @jumorbeck (definida como uma frequência inferior a 60b.p.m), que pode alcançar os 25 b.p.m. A nível estrutural, a adaptação do sistema cardiovascular à prática de exercício físico envolve o aumento da massa cardíaca, a dilatação auriculo-ventricular e o aumento de espessura da parede miocárdica. Esta remodelagem abrange as quatro cavidades cardíacas, surge em cerca de 50% dos atletas e é mais acentuada em praticantes de exercício isotónico. Visto que se trata de um processo fisiológico, as alterações são reversíveis com a interrupção da prática desportiva. Ventrículo Esquerdo: ↠ Diâmetro do ventrículo esquerdo no fim da diástole: encontra-se aumentado. ↠ da parede miocárdica: a espessura do septo interventricular é maior. ↠ Massa ventricular: aumentada. ↠ Forma do ventrículo esquerdo: forma alongada. *Devido às limitações da ecocardiografia, as alterações das cavidades cardíacas direitas não têm sido tão bem avaliadas, o que torna menos claro o seu envolvimento no Coração de Atleta. Em atletas verifica-se um aumento das dimensões das artérias coronárias proximais e uma melhoria da sua resposta à nitroglicerina, o que torna a perfusão miocárdica mais eficaz A resposta do sistema cardiovascular à prática de exercício físico é semelhante entre os atletas de ambos os sexos, mas as alterações são geralmente mais acentuadas em atletas do sexo masculino Referências FERREIRA, EMANUEL F. E. Coração Atleta. Artigo de Revisão. Tese de Mestrado, Universidade de Coimbra, 2010. MAGALHÃES et al. Hipertrofia Cardíaca induzida pelo treinamento físico: eventos moleculares e celulares que modificam o fenótipo. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte., 2008. TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017. Silverthorn, Dee U. Fisiologia Humana. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo A, [Inserir ano de publicação]. BERNE & LEVY. Fisiologia, 6ª ed. Elsevier Editora, SP, 2009. @jumorbeck Fecundação ↠ A fecundação é uma sequência complexa de eventos moleculares coordenados que se inicia com o contato entre um espermatozoide e um oócito e termina com a mistura dos cromossomos maternos e paternos na metáfase da primeira divisão mitótica do zigoto; o embrião unicelular. (MOORE, 10ª ed.) Clivagem do zigoto A clivagem consiste em divisões mitóticas repetidas do zigoto, resultando em um aumento rápido do número de células (blastômeros). Essas células embrionárias tornam- se menores a cada divisão. (MOORE, 10ª ed.) Quando existem 12 a 32 blastômeros, o ser humano em desenvolvimento é chamado de mórula. (MOORE, 10ª ed.) Uma cavidade se forma na mórula, convertendo-a em blastocisto, que é formado pelo embrioblasto, pela cavidade blastocística e pelo trofoblasto. (MOORE, 10ª ed.) Terceira semana do desenvolvimento humano GASTRULAÇÃO ↠ É o processo pelo qual as três camadas germinativas são estabelecidas nos embriões. (MOORE, 10ª ed.) Ectoderma embrionário: dá origem à epiderme, aos sistemas nervosos central e periférico, aos olhos e ouvidos internos, às células da crista neural e a muitos tecidos conjuntivos da cabeça. Endoderma embrionário: é a fonte dos revestimentos epiteliais dos sistemas respiratório e digestório, incluindo as glândulas que se abrem no trato digestório e as células glandulares de órgãos associados ao trato digestório, como o fígado e o pâncreas. Mesoderma embrionário: dá origem a todos os músculos esqueléticos, às células sanguíneas, ao revestimento dos vasos sanguíneos, à musculatura lisa das vísceras, ao revestimento seroso de todas as cavidades do corpo, aos ductos e órgãos dos sistemas genitais e excretor e à maior parte do sistema cardiovascular. LINHA PRIMITIVA ↠ O primeiro sinal morfológico da gastrulação é a formação da linha primitiva na superfície do epiblasto do disco embrionário bilaminar. (MOORE, 10ª ed.) ↠ No começo da terceira semana, uma faixa linear espessada do epiblasto aparece caudalmente no plano mediano do aspecto dorsal do disco embrionário. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A linha primitiva resulta da proliferação e do movimento das células do epiblasto para o plano mediano do disco embrionário. Tão logo a linha primitiva aparece, é possível identificar o eixo craniocaudal, as extremidades cranial e caudal, as superfícies dorsal e ventral do embrião. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Conforme a linha primitiva se alonga pela adição de células à sua extremidade caudal, sua extremidade cranial prolifera para formar o nó primitivo. Simultaneamente, um sulcoestreito, o sulco primitivo, se desenvolve na linha primitiva. (MOORE, 10ª ed.) @jumorbeck ↠ Pouco tempo depois do aparecimento da linha primitiva, as células migram de sua superfície profunda para formar o mesênquima, um tecido conjuntivo que forma os tecidos de sustentação do embrião. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Uma parte do mesênquima forma o mesoblasto (mesoderma indiferenciado), que forma o mesoderma intraembrionário. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As células do epiblasto, bem como as do nó primitivo e de outras partes da linha primitiva, deslocam o hipoblasto, formando o endoderma embrionário no teto da vesícula umbilical. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As células remanescentes do epiblasto formam o ectoderma embrionário. (MOORE, 10ª ed.) Desenvolvimento inicial do sistema cardiovascular ↠ O sistema cardiovascular é o primeiro sistema principal a funcionar no embrião. (MOORE, 10ª ed.) ↠ No início da terceira semana, a formação dos vasos sanguíneos começa no mesoderma extraembrionário da vesícula umbilical, do pedículo de conexão e do córion. Os vasos sanguíneos embrionários começam a se desenvolver aproximadamente 2 dias depois. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A formação do sistema vascular embrionário envolve dois processos, a vasculogênese e a angiogênese. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A vasculogênese é a formação de novos canais vasculares pela união de precursores individuais celulares (angioblastos). (MOORE, 10ª ed.) ↠ A angiogênese é a formação de novos vasos pelo brotamento e ramificação de vasos preexistentes. A formação de vasos sanguíneos no embrião e nas membranas extraembrionárias, durante a terceira semana, começa quando as células mesenquimais se diferenciam em precursores das células endoteliais, ou angioblastos (células formadoras de vasos). (MOORE, 10ª ed.) ↠ O coração primitivo e o sistema vascular aparecem no meio da terceira semana. Esse desenvolvimento cardíaco precoce ocorre porque o rápido crescimento embrionário não pode mais satisfazer suas exigências nutricionais e de oxigênio somente através da difusão. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Células progenitoras cardíacas multipotentes de várias fontes, contribuem para a formação do coração. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As células progenitoras cardíacas se encontram no epiblasto, imediatamente adjacentes à parte cranial da linha primitiva. (LANGMAN, 14ª ed.) ↠ Elas migram através da linha primitiva para a camada visceral do mesoderma da placa lateral, onde algumas formam um aglomerado celular em formato de ferradura chamado de área cardiogênica primária (ACP) ou primeiro campo cardíaco (PCC), cranial às pregas neurais. Essas células formam partes dos átrios e de todo o ventrículo esquerdo. (LANGMAN, 14ª ed.) ↠ O ventrículo direito e a via de saída (cone arterial e tronco arterioso ou arterial) são derivados do segundo campo cardíaco (SCC), que também contribui com células para a formação dos átrios na extremidade caudal do coração. Esse campo secundário de células está localizado @jumorbeck no mesoderma visceral (esplâncnico) ventral à faringe. (LANGMAN, 14ª ed.) Desenvolvimento inicial do coração e dos vasos sanguíneos ↠ Por volta do 18° dia, o mesoderma lateral possui componentes de somatopleura e esplancnopleura; essa última dá origem a quase todos os componentes do coração. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Essas células endocárdicas iniciais se separam do mesoderma para criar tubos cardíacos pareados. Conforme o dobramento embrionário lateral ocorre, os tubos endocárdicos do coração se aproximam e fundem- se para formar um único tubo cardíaco (MOORE, 10ª ed.) ↠ A fusão dos tubos cardíacos começa na extremidade cranial do coração em desenvolvimento e se estende caudalmente. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O coração começa a bater com 22 a 23 dias. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O fluxo sanguíneo se inicia durante a quarta semana, e os batimentos cardíacos podem ser visualizados pela ultrassonografia com Doppler. (MOORE, 10ª ed.) Estudos moleculares mostram que mais de 500 genes estão envolvidos no desenvolvimento do coração de mamíferos. Muitos membros da família de genes T-box representam um papel essencial na determinação da linhagem, especificação das câmaras cardíacas, desenvolvimento de válvulas e septos, e formação do sistema condutor. (MOORE, 10ª ed.) Desenvolvimento de veias associadas ao coração embrionário ↠ Três veias pareadas drenam para o coração primitivo do embrião de 4 semanas: (MOORE, 10ª ed.) VEIAS VITELINAS ↠ Retornam o sangue pobre em oxigênio da vesícula umbilical. ↠ A veia vitelina esquerda regride, e a veia vitelina direita forma a maior parte do sistema porta hepático, assim como uma porção da veia cava inferior (VCI). VEIAS UMBILICAIS ↠ Transportam o sangue bem oxigenado do saco coriônico. ↠ A veia umbilical direita desaparece durante a sétima semana, deixando a veia umbilical esquerda como o único vaso transportando o sangue bem oxigenado da placenta para o embrião. ↠ Um grande desvio venoso, o ducto venoso, se desenvolve dentro do fígado e conecta a veia umbilical com a VCI., permitindo que a maioria do sangue da placenta passe diretamente para o coração. VEIAS CARDINAIS ↠ Retornam o sangue pobre em oxigênio do corpo do embrião para o coração. ↠ Possui 2 principais sistemas: a veia cardinal anterior (drena a porção cranial) e a veia cardinal posterior (drena a porção caudal). ↠ Elas unem-se às veias cardinais comuns, que entram no seio venoso; ↠ As veias cardinais posteriores desenvolvem-se, primeiramente, como vasos dos mesonefros (rins provisórios), e a maioria desaparece com esses rins transitórios. Os únicos derivados adultos dessas veias são a raiz da veia ázigo e as veias ilíacas comuns. ↠ As veias subcardinais formam o tronco da veia renal esquerda, as veias suprarrenais, as veias gonadais (testicular e ovariana) e um segmento da VCI. @jumorbeck ↠ A VCI é composta de quatro segmentos principais Hepático: derivado da veia hepática Pré-renal: derivado da veia subcardinal direita. Renal: derivado da anastomose subcardinal- supracardinal. Pós-renal: derivado da veia supracardinal direita. Desenvolvimento final do coração ↠ Miocárdio primitivo: é a camada externa do tubo cardíaco embrionário, formada pelo mesoderma esplâncnico ao redor da cavidade pericárdica. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O coração em desenvolvimento é composto por um tubo endotelial fino, separado de um miocárdio espesso por uma matriz gelatinosa de tecido conjuntivo, a geleia cardíaca. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O tubo endotelial se torna o revestimento endotelial interno do coração, ou endocárdio, e o miocárdio primitivo se torna a parede muscular do coração, ou miocárdio. O pericárdio visceral, ou epicárdio, é derivado de células mesoteliais que surgem da superfície externa do seio venoso e se espalham sobre o miocárdio. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O coração tubular é composto pelo bulbo cardíaco, ventrículo, átrio e seio venoso. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O crescimento do tubo cardíaco é resultado da adição de células, cardiomiócitos, diferenciando-se do mesoderma da parede dorsal do pericárdio. (MOORE, 10ª ed.) Circulação através do coração primitivo ↠ As contrações iniciais do coração são de origem miogênica (com seu início no músculo). (MOORE, 10ª ed.) ↠ As camadas musculares do trato de fluxo do átrio e ventrículo são contínuas, e as contrações ocorrem como ondas peristálticas que começam no seio venoso. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O sangue entra no seio venoso através das: veias cardinais comuns, veias umbilicais e das veias vitelinas. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O sangue do seio venoso entra no átrio primitivo; seu fluxo é controlado por válvulas sinoatriais (SA). O sangue então passa através do canal atrioventricular (AV) para o ventrículo primitivo. Quando o ventrículo contrai, o sangue é bombeado através do bulbo cardíaco e do tronco arterioso para o saco aórtico, do qual é distribuído para as artérias do arco faríngeono arco faríngeo. O sangue então passa para a aorta dorsal para distribuição ao embrião, vesícula umbilical e placenta. (MOORE, 10ª ed.) @jumorbeck Formação da alça bulboventricular ↠ Ainda no final da quarta semana, o coração tem forma tubular, e suas cavidades comunicam-se entre si. (GARCIA, 3ª ed.) ↠ Na etapa seguinte, esse tubo sofrerá torção e septação de suas cavidades. (GARCIA, 3ª ed.) ↠ O tubo cardíaco cresce, alonga-se e dobra-se para acomodar-se dentro da cavidade pericárdica. (GARCIA, 3ª ed.) Septação do coração primitivo DIVISÃO DO CANAL ATRIOVENTRICULAR ↠ Ao final da quarta semana, se formam os coxins endocárdicos AV. Eles se aproximam e fundem-se, dividindo o canal AV em canais direito e esquerdo. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Os coxins AV transformados contribuem para a formação das valvas e do septo membranoso do coração. (MOORE, 10ª ed.) SEPTAÇÃO DO ÁTRIO PRIMITIVO ↠ Iniciando ao final da quarta semana, o átrio primitivo é dividido em átrio direito e esquerdo pela formação de, e subsequente modificação e fusão, dois septos: septum primum e septum secundum. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O septum secundum, uma dobra muscular espessa crescente. Conforme esse septo espesso cresce, ele forma uma divisão incompleta entre o átrio; consequentemente, se forma um forame oval. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Antes do nascimento, o forame oval permite que a maior parte do sangue oxigenado que entra no átrio direito a partir da VCI, passe para o átrio esquerdo. Ele também previne a passagem de sangue na direção oposta, pois o septum primum se fecha contra o septum secundum relativamente rígido. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Após o nascimento, o forame oval se fecha funcionalmente, pois a pressão no átrio esquerdo é maior que àquela no átrio direito. Com aproximadamente 3 meses, a valva do forame oval se funde com o septum secundum, formando a fossa oval. Como resultado, o septo interatrial se torna uma divisão completa entre os átrios. (MOORE, 10ª ed.) @jumorbeck ALTERAÇÕES NO SEIO VENOSO ↠ O átrio primitivo dá origem a parte taberculada (parede rugosa dos átrios) e a aurícula; @jumorbeck ↠ A incorporação do corno direito do seio venoso dá origem a parte lisa do átrio direito; (MOORE, 10ª ed.) ↠ A incorporação das veias pulmonares dá origem a parede lisa do átrio esquerdo. (MOORE, 10ª ed.) SEPTAÇÃO DO VENTRÍCULO PRIMITIVO ↠ A divisão do ventrículo é indicada por uma crista mediana, o septo interventricular muscular. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Até a sétima semana, há um forame interventricular. Ele geralmente se fecha ao final da sétima semana conforme as cristas bulbares se fundem com os coxins endocárdios. (MOORE, 10ª ed.) SEPTAÇÃO DO BULBO CARDÍACO E TRONCO ARTERIOSO ↠ Durante a quinta semana, a proliferação de células mesenquimais nas paredes do bulbo cardíaco resulta na formação das cristas bulbares. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As cristas bulbares e troncais sofrem uma rotação e 180 graus em espiral. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A orientação espiral das cristas , causada em parte pelo fluxo sanguíneo dos ventrículos , resulta na formação de um septo aorticopulmonar. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Esse septo divide o bulbo cardíaco e o tronco arterioso em dois canais arteriais, a aorta ascendente e o tronco pulmonar. (MOORE, 10ª ed.) @jumorbeck ↠ Quando a divisão do tronco arterioso está quase completa, as valvas semilunares começam a se desenvolver. (MOORE, 10ª ed.) *As valvas atrioventriculares se desenvolvem de forma similar a partir de proliferações localizadas de tecidos ao redor dos canais AV. Circulação fetal e neonatal ↠ O sistema cardiovascular fetal é designado para servir as necessidades pré-natais e permitir modificações ao nascimento que estabelecem o padrão circulatório neonatal. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As três estruturas vasculares mais importantes na transição da circulação são o ducto venoso, o forame oval e o ducto arterioso. (MOORE, 10ª ed.) CIRCULAÇÃO FETAL ↠ O Sangue altamente oxigenado e rico em nutrientes retorna da placenta sob alta pressão para a veia umbilical. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Ao aproximar-se do fígado, aproximadamente metade do sangue passa diretamente para o ducto venoso. A outra metade do sangue na veia umbilical flui para os sinusoides do fígado e entra na VCI através das veias hepáticas. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Após um curso pequeno na VCI, o sangue entra no átrio direito do coração. Devido à VCI também conter sangue pobremente oxigenado a partir dos membros inferiores, abdome e pelve, o sangue entrando no átrio direito não está tão bem oxigenado quanto o sangue na veia umbilical; porém, ele ainda possui um alto teor de oxigênio. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A maioria do sangue da VCI é direcionada pela crista dividens (margem inferior do septum secundum) através do forame oval para o átrio esquerdo. Aqui ele se mistura com uma quantidade relativamente pequena de sangue pobremente oxigenado, retornando dos pulmões através das veias pulmonares. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Os pulmões do feto usam o oxigênio do sangue em vez de devolvê-lo. Então, a partir do átrio esquerdo, o sangue passa para o ventrículo esquerdo e sai através da aorta ascendente. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As artérias do coração, pescoço, cabeça e membros superiores recebem sangue bem oxigenado da aorta ascendente. O fígado também recebe sangue bem oxigenado da veia umbilical. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Uma pequena quantidade de sangue bem oxigenado da VCI no átrio direito, que não entra no forame oval, se mistura com o sangue pouco oxigenado da VCS e do seio coronário, e passa para o ventrículo direito. Esse sangue, que possui um teor médio de oxigênio, sai através do tronco pulmonar. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Aproximadamente 10% desse fluxo sanguíneo vão para os pulmões; a maioria do sangue passa através do ducto arterioso para a aorta ascendente do feto e retorna à placenta através das artérias umbilicais. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O ducto arterioso protege os pulmões da sobrecarga circulatória e permite que o ventrículo direito se fortaleça na preparação para o funcionamento em plena capacidade no nascimento. (MOORE, 10ª ed.) A parede ventricular direita é mais espessa que a parede ventricular esquerda em fetos e neonatos, pois o ventrículo direito trabalha mais no útero. Ao final do primeiro mês, a parede ventricular esquerda está mais espessa que a parede ventricular direita, pois o ventrículo esquerdo está trabalhando mais agora. A parede ventricular direita se torna mais fina devido à atrofia associada à carga de trabalho mais leve. @jumorbeck Fatores que ocasionam a malformação congênita do coração ↠ Os neonatos decorrentes de partos prematuros apresentam uma probabilidade duas vezes maior para apresentarem anormalidades cardíacas. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Acredita-se que a maioria dos Defeitos Congênitos do Coração (DCCs) sejam causados por múltiplos fatores genéticos e ambientais (p. ex., herança multifatorial), cada um deles com um efeito pequeno. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Alguns fatores genéticos e ambientais são apontados como fatores para o desenvolvimento de cardiopatias congênitas, como os de herança materna: mutações, diabetes mellitus, alcoolismo, nutrição inadequada, idade superior a 40 anos, exposição a raio X e rubéola. Porém, as causas exatas ainda não foram comprovadas. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Algumas condições clínicas maternas aumentam os riscos para cardiopatias fetais, sendo consideradas fatores para indicação de ecocardiografia fetal para ser feito o rastreamento. Os fatores que contem risco maior que 2% são: diabetes melito materno pré-gestacional, diabetes melito materno diagnosticado no primeiro trimestre, fenilcetonúria materna, anticorpos materno anti-RO e anti- LA, ingestão materna de medicamentos (IECA, ácido retinóico, anti-inflamatórios não hormonais no terceiro trimestre), rubéola materna no primeiro trimestre, infecção materna comsuspeita de miocardite fetal, gestação por reprodução assistida, cardiopatia congênita em parentes (mãe, pai ou irmão portador), herança mendeliana associada a cardiopatia congênita em parentes de primeiro grau ou segundo grau, suspeita de cardiopatia congênita pelo ultrassom obstétrico/morfológico, cariótipo fetal anormal, ritmo cardíaco fetal irregular, bradicardia ou taquicardia, gestação gemelar monocoriônica, hidropisia fetal ou derrames. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Os que correspondem ao risco entre 1 e 2% são: ingestão materna de medicações (anticonvulsivantes, lítio, vitamina A, cardiopatia congênita em parente de segundo grau, anormalidade fetal do cordão umbilical ou da placenta, anomalia intra-abdominal fetal. E os riscos que são menores que 1% são diabetes melito materno gestacional, ingestão materna de medicações (inibidores seletivos da recaptação da serotonina – todos exceto paroxetina, agonista da vitamina k- varfarina). (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Mães com mais de 35 anos, históricos de filhos anteriores cardiopatas, mães portadoras de lúpus e hipotireoidismo. Gravidez de gêmeos, múltiplos ou fertilização in vitro também pode ter influência (SILVA et al., 2018 apoud MELO, 2010). ↠ No presente estudo, observou-se maior incidência de gestações com fetos portadores de cardiopatias em mulheres com faixa etária entre 20 e 29 anos, destacando uma população jovem e que também possuía um alto índice de abortamento tardio (entre a 13ª e 22ª semana de gestação) em gestações anteriores, além de exposições teratogênicas, com destaque para o uso de antibióticos. (PINTO et. al., 2018) Malformações congênitas ↠ As cardiopatias congênitas são as más formações na estrutura do coração, elas já são existentes desde o momento do nascimento. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ São os defeitos congênitos que afetam aproximadamente 8 entre 1.000 nascidos vivos. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Segundo a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS (CONITE), complicações decorrentes desse quadro de cardiopatia correspondem a cerca de 10% dos óbitos infantis. Porém, algumas doenças coronarianas congênitas podem ser assintomáticas, podendo vir a ser diagnosticadas apenas na vida adulta. (GALVÃO, et al., 2021) @jumorbeck ↠ No Brasil, 28.900 crianças nascem com CC por ano (1% do total de nascimentos), das quais cerca de 80% (23.800) necessitam de cirurgia cardíaca, e metade delas precisa ser operada no primeiro ano de vida. (SOARES, 2018) ↠ As malformações congênitas representam a segunda principal causa de mortalidade em crianças menores de um ano de idade. A CC é a mais frequente e com alta mortalidade no primeiro ano de vida no Brasil e a terceira causa de óbito até os 30 dias de vida. (SOARES, 2018) ↠ As anomalias cardíacas podem se a presentar isoladamente (80 a 85%), fazer parte de síndromes cromossômicas. (5 a 10%) ou gênicas (3 a 5%), de associações bem estabelecidas ou ocasionais, serem determinadas por fatores ambientais, infecciosos ou não. (PINTO et. al., 2018) ↠ Elas podem ser classificadas em cianóticas e acianóticas. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Nas denominadas cianóticas vai acontecer a interferência no fluxo sanguíneo através dos pulmões, onde vai causar a diminuição de oxigênio na circulação, podendo vir a causar uma cianose generalizada. E as acianóticas, o sangue que é rico em oxigênio vai ser encaminhado para a circulação sistêmica por meio de shunting (furos ou passagens), que vão ocorrer do lado esquerdo do coração para o lado direito. (GALVÃO, et al., 2021) COMUNICAÇÃO INTERVENTRICULAR ↠ Os defeitos do septo ventricular (DSVs) são os tipos mais comuns de DCCs, representando cerca de 25% dos defeitos cardíacos. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Os DSVs ocorrem mais frequentemente em homens do que em mulheres. (MOORE, 10ª ed.) ↠ DSVs podem ocorrer em qualquer parte do septo interventricular, porém o DSV membranoso é o tipo mais comum. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Frequentemente, durante o primeiro ano, 30% a 50% dos DSVs pequenos se resolvem espontaneamente. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Caracteriza-se pela abertura da parede que separa o ventrículo esquerdo do ventrículo direito. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ O fechamento incompleto do forame interventricular resulta da falha no desenvolvimento da parte membranosa do septo interventricular. (MOORE, 10ª ed.) ↠ DSV muscular é um tipo menos comum de defeito e pode aparecer em qualquer local na porção muscular do septo interventricular. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A ausência do septo interventricular (ventrículo único ou ventrículo comum), resultando da falha na formação do septo interventricular, é extremamente rara e resulta em um coração com três câmaras. (MOORE, 10ª ed.) COMUNICAÇÃO INTERATRIAL ↠ Mais comum em mulheres. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A forma mais comum de Defeitos do Septo Atrial (DSA) é o forame oval patente. Um forame oval patente à sonda está presente em mais de 25% das pessoas.. (MOORE, 10ª ed.) ↠ É denominada como o defeito congênito de fechamento do septo interatrial, que divide o coração entre os lados direito e esquerdo, equivale a 35% de todos os defeitos. (GALVÃO, et al., 2021) @jumorbeck ESTENOSE AÓRTICA ↠Na estenose da valva aórtica, as margens da valva geralmente estão fusionadas para formar uma cúpula com uma abertura estreita. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Esse defeito pode ser congênito ou se desenvolver após o nascimento. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A estenose valvar causa uma sobrecarga de trabalho para o coração e resulta na hipertrofia do ventrículo esquerdo e sons cardíacos anormais (sopros cardíacos). (MOORE, 10ª ed.) ESTENOSE PULMONAR ↠ A estenose pulmonar é quando há um estreitamento da válvula pulmonar fazendo com que haja uma obstrução do sangue na passagem do fluxo sanguíneo do ventrículo direito para a artéria pulmonar. (GALVÃO, et al., 2021) TETRALOGIA DE FALLOT ↠ É caracterizada por um conjunto de alterações no coração, nos quais foram descritas por Étienne Louis Arthut Fallot no ano de 1888, e as alterações anatômicas são: comunicação interventricular, estenose da artéria pulmonar, dextroposição da artéria aorta e hipertrofia do ventrículo direito, ocorre em cada 3 de 10.000 nascidos vivos. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ A tetralogia de Fallot é um grupo clássico de quatro defeitos cardíacos consistindo de: (MOORE, 10ª ed.) Estenose da artéria pulmonar (obstrução do fluxo de saída ventricular direito). Defeito do septo ventricular. Dextraposição da aorta (substituição ou sobreposição da aorta). Hipertrofia ventricular direita. ↠ Nesses defeitos, o tronco pulmonar geralmente é pequeno e pode haver vários graus de estenose da artéria pulmonar. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A cianose (oxigenação deficiente do sangue) é um sinal óbvio da tetralogia, porém, não é comum estar presente no nascimento. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A tetralogia resulta quando a divisão do tronco arterioso é desigual e o tronco pulmonar é estenosado. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A atresia pulmonar com DSV é uma forma extrema de tetralogia de Fallot; toda saída do ventrículo direito ocorre através da aorta. (MOORE, 10ª ed.) A relação da cardiopatia congênita em crianças de 0 a 1 ano portadoras de síndrome de down (trissomia 21) De acordo com o estudo de Leite, Miziara e Veloso (2009), apresentou-se alta prevalência de cardiopatias como componentes de síndromes, em especial as trissomias. A síndrome de Down foi a mais comum, acometendo, principalmente, meninas, sendo as malformações mais comuns: comunicação interatrial (CIA), comunicação interventricular (CIV), persistência do canal arterial (PCA). @jumorbeck Referências GALVÃO, MARIELY R. C.; MENDES, ALICE L. R.; MELO, SUELY M. Fatores para o desenvolvimento de doenças cardíacas em bebês prematuros., 2021. SOARES, ANDRESSA M. Mortalidade para Cardiopatias congênitas e fatores de risco associados em recém- nascidos. Um estudo de coorte, 2018.PINTO, CAMILA P. P; WESTPHAL, FLÁVIA, ABRAHÃO, ANELISE R. Fatores de riscos materno associados à cardiopatia congênita, 2018. SILVA et. al. Óbitos por anomalias congênitas do coração e circulatório no Estado do Pará nos anos de 2007 a 2017: Revisão Sistemática da Literatura, 2018 CRIZOSTOMO, et al. A relação da cardiopatia congênita em crianças de 0 a 1 ano portadoras de síndrome de down (trissomia 21), 2019 GARCIA, S. M. L. DE; FERNÁNDEZ, C. G. Sistema cardiovascular. In: GARCIA, S. M. L. DE; FERNÁNDEZ, C. G. Embriologia. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. cap. 35. MOORE. Embriologia Clínica, 10ª ed.. Elsevier, RJ, 2016. LANGMAN. Embriologia Médica, 14ª ed. Guanabara Koogan, SP @jumorbeck 1 Esqueleto fibroso do coração ↠ Além do tecido muscular cardíaco, a parede do coração também contém tecido conjuntivo denso que forma o esqueleto fibroso do coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O esqueleto fibroso é constituído por quatro anéis de tecido conjuntivo denso que circundam as valvas cardíacas, unidos um ao outro, e que se fundem ao septo interventricular. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Além de formar uma base estrutural para as valvas cardíacas, o esqueleto fibroso evita o estiramento excessivo das valvas enquanto o sangue passa por elas. Também serve como um ponto de inserção para os feixes de fibras musculares cardíacas e atua como um isolante elétrico entre os átrios e ventrículos. (TORTORA, 14ª ed.) Valvas cardíacas ↠ As cúspides das válvulas cardíacas consistem em folhetos finos de tecido fibroso flexível, resistente e revestido por endotélio, que estão firmemente aderidos à base dos anéis fibrosos das válvulas. O movimento das cúspides valvares é essencialmente passivo, e a orientação das válvulas cardíacas é responsável pelo fluxo unidirecional do sangue pelo coração. (BERNY & LEVY) ↠ As valvas se abrem e fecham em resposta às mudanças de pressão conforme o coração se contrai e relaxa. (TORTORA, 14ª ed.) VÁLVULAS ATRIOVENTRICULARES ↠ A válvula tricúspide, localizada entre o átrio direito e o ventrículo direito, é formada por três cúspides. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ A válvula mitral, encontrada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo, tem duas cúspides. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ A área total das cúspides de cada válvula AV é aproximadamente o dobro do respectivo orifício AV, e assim ocorre sobreposição considerável dos folhetos quando as válvulas se encontram na posição fechada. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ Conectados às terminações livres das válvulas existem ligamentos finos e resistentes (cordas tendíneas) que se originam dos músculos papilares do ventrículo respectivo. Esses ligamentos impedem a eversão das válvulas durante a sístole ventricular. No coração normal, os folhetos valvulares permanecem relativamente juntos durante o enchimento ventricular. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ As cordas tendíneas fixam-se às margens livres e às superfícies ventriculares das válvulas anterior, posterior e septal, de forma semelhante à fixação das cordas em um @jumorbeck 2 paraquedas. As cordas tendíneas originam-se dos ápices dos músculos papilares, que são projeções musculares cônicas com bases fixadas à parede ventricular. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Três músculos papilares no ventrículo direito correspondem às válvulas da valva atrioventricular direita: (MOORE, 7ª ed.) O músculo papilar anterior, o maior e mais proeminente dos três, origina-se da parede anterior do ventrículo direito; suas cordas tendíneas se fixam nas válvulas anterior e posterior da valva atrioventricular direita O músculo papilar posterior, menor do que o músculo anterior, pode ter várias partes; origina- se da parede inferior do ventrículo direito, e suas cordas tendíneas se fixam nas válvulas posterior e septal da valva atrioventricular direita O músculo papilar septal origina-se do septo interventricular, e suas cordas tendíneas se fixam às válvulas anterior e septal da valva atrioventricular direita. FUNÇÃO DOS MÚSCULOS PAPILARES: ↠ Os músculos papilares contraem-se ao mesmo tempo que as paredes dos ventrículos, mas ao contrário do que seria esperado não ajudam as valvas a se fechar. (GUTYON & hall, 13ª ed.) ↠ Eles puxam as extremidades das valvas em direção aos ventrículos para evitar que as valvas sejam muito abauladas para trás, em direção aos átrios, durante a contração ventricular. (GUTYON & hall, 13ª ed.) ↠ Se a corda tendínea se romper, ou um dos músculos papilares ficar paralisado, a valva se abaúla muito para trás durante a sístole, às vezes tanto que permite grave refluxo. (GUTYON & hall, 13ª ed.) VÁLVULAS SEMILUNARES ↠ As válvulas pulmonar e aórtica estão localizadas entre o ventrículo direito e a artéria pulmonar e entre o ventrículo esquerdo e a aorta, respectivamente. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ Essas válvulas consistem em três cúspides em forma de taça, conectadas aos anéis valvulares. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ São constituídas por tecido fibroso especialmente forte, mas ainda assim muito flexível para suportar o estresse físico adicional. (GUTYON & hall, 13ª ed.) ↠ As altas pressões nas artérias, ao final da sístole, fazem com que as valvas sejam impelidas, de modo repentino, de volta à posição fechada. (GUTYON & hall, 13ª ed.) ↠ Por terem aberturas menores, a velocidade da ejeção do sangue através das valvas aórtica e pulmonar é muito maior que pelas valvas A-V, bem maiores. (GUTYON & hall, 13ª ed.) OBS.: Por causa da abertura e do fluxo rápidos, as extremidades das valvas semilunares estão sujeitas a abrasões mecânicas muito maiores do que as valvas A-V. (GUTYON & hall, 13ª ed.) ↠ A margem de cada válvula é mais espessa na região de contato, formando a lúnula; o ápice da margem livre angulada é ainda mais espesso, formando o nódulo. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Imediatamente superior a cada válvula semilunar, as paredes das origens do tronco pulmonar e da aorta são ligeiramente dilatadas, formando um seio. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Os seios da aorta e do tronco pulmonar são os espaços na origem do tronco pulmonar e da parte @jumorbeck 3 ascendente da aorta entre a parede dilatada do vaso e cada válvula semilunar. (MOORE, 7º ed.) ↠ O sangue presente nos seios e a dilatação da parede impedem a adesão das válvulas à parede do vaso, o que poderia impedir o fechamento. (MOORE, 7º ed.) ↠ A abertura da artéria coronária direita é no seio da aorta direito, a abertura da artéria coronária esquerda é no seio da aorta esquerdo, e nenhuma artéria origina-se do seio da aorta posterior (não coronário). (MOORE, 7º ed.) Bulhas cardíacas ↠ O som dos batimentos cardíacos é decorrente principalmente da turbulência do sangue causada pelo fechamento das valvas cardíacas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Durante cada ciclo cardíaco, existem quatro bulhas cardíacas, mas em um coração normal apenas a primeira e a segunda bulhas cardíacas (B1 e B2) são auscultadas com um estetoscópio. (TORTORA, 14ª ed.) PRIMEIRA BULHA CARDÍACA ↠ Associada ao fechamento das valvas AV; (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A primeira bulha (B1), a qual pode ser descrita como um som de tum, é mais forte e um pouco mais longa do que a segunda bulha.. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ É o mais alto e longo dos sons, tendo qualidade crescendo-decrescendo e sendo mais bem ouvido sobre a região apical do coração. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ A causa desses sons é a vibração das valvas retesadas imediatamente após o fechamento, junto com a vibração das paredes adjacentes do coração e dos grandes vasos em torno do coração. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Ocorre durante a sístole ventricular. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Duração de cerca de 0,14 segundos. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) SEGUNDA BULHA CARDÍACA ↠ Associada ao fechamento abrupto das valvas semilunares no final da sístole ventricular. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A segunda bulha (B2), que é mais breve e não tão forte quanto aprimeira, pode ser descrita como um som de tá. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ É composta por vibrações de frequência mais alta (mais aguda) e é de duração mais curta e de menor intensidade que a primeira bulha cardíaca. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ A razão da segunda bulha ser mais breve é que as valvas semilunares estão mais retesadas que as valvas AV, de modo que vibram por período de tempo mais curto que as valvas AV. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ O som da válvula aórtica é geralmente mais alto que o da pulmonar, mas nos casos de hipertensão pulmonar ocorre o inverso. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ A natureza do segundo som cardíaco muda com a respiração. Durante a expiração apenas um som cardíaco é ouvido, que é um reflexo do fechamento simultâneo das válvulas pulmonar e aórtica. Entretanto, durante a inspiração o fechamento simultâneo da válvula pulmonar é atrasado, resultado do aumento do fluxo sanguíneo via aumento do retorno venoso induzido pela inspiração. Esse evento é conhecido como DESDOBRAMENTO FISIOLÓGICO, que é a divisão do som cardíaco. ((BERNE & LEVY, 6ª ed.) OBS: A segunda bulha cardíaca tem frequência maior que a primeira bulha. Isso ocorre devido: o retesamento das valvas semilunares ser maior; o maior coeficiente elástico das paredes arteriais retesadas que constituem as principais câmaras vibratórias para a segunda bulha. TERCEIRA BULHA CARDÍACA ↠ É decorrente da turbulência do sangue durante o enchimento ventricular rápido. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A frequência desse som é, em geral, tão baixa que não se pode ouvir; contudo, ele pode, muitas vezes, ser registrado no fonocardiograma. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Algumas vezes pode ser ouvida em crianças cujas paredes torácicas são finas ou em pacientes com insuficiência ventricular esquerda. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) @jumorbeck 4 QUARTA BULHA CARDÍACA ↠ Ocasionada pela turbulência do sangue durante a sístole atrial. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Esse som ocorre quando os átrios se contraem e, presumivelmente, é causado pelo influxo de sangue nos ventrículos que desencadeiam vibrações similares às da terceira bulha cardíaca. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Pode ser registrada no fonocardiograma, porém ela quase nunca pode ser auscultada devido às suas amplitudes e às frequências muito baixas. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Em pessoas que obtêm benefícios da contração atrial para o enchimento ventricular, devido a uma diminuição da complacência da parede ventricular e a um aumento da resistência ao seu enchimento, é comum uma quarta bulha cardíaca. Por exemplo, muitas vezes é ouvida uma quarta bulha cardíaca em pacientes idosos com hipertrofia ventricular esquerda. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Ausculta das bulhas cardíacas normais ↠ As áreas para ausculta das diferentes bulhas cardíacas não se situam diretamente sobre as próprias valvas. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A área aórtica se localiza acima, ao longo da aorta, devido à transmissão do som pela aorta, e a área pulmonar se situa também acima, ao longo da artéria pulmonar. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A área tricúspide se localiza sobre o ventrículo direito, e a área mitral, sobre o ápice do ventrículo esquerdo, que é a porção cardíaca mais próxima da superfície do tórax. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Lesões valvulares LESÕES VALVULARES REUMÁTICAS ↠ O maior número de lesões valvulares resulta da febre reumática. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A febre reumática é doença autoimune onde as valvas cardíacas têm probabilidade de ser lesadas ou destruídas. A doença geralmente é provocada pela toxina estreptocócica. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Infecção estreptocócica (estreptococos hemolíticos do grupo A) -> Faringite (dor de garganta), escarlatina ou infecção do ouvido médio -> Liberam várias proteínas diferentes, o corpo logo produz anticorpos -> Os anticorpos reagem com tecidos proteicos do corpo -> Grave lesão imunológica (Continua a ocorrer enquanto os anticorpos persistirem no sangue). (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A febre reumática produz lesões especialmente em certas áreas suscetíveis como as valvas cardíacas. O grau de lesão valvar cardíaca está diretamente correlacionado à concentração e à persistência dos anticorpos. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Em pessoas com febre reumática, grandes lesões hemorrágicas, fibrinosas e bolhosas crescem ao longo das cordas inflamadas das valvas cardíacas. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A valva mitral recebe mais trauma durante a ação valvular, logo, ela é a primeira a ser mais seriamente lesada, e a valva aórtica é a segunda a ser lesada com mais frequência. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ As valvas cardíacas direitas, isto é, as valvas tricúspide e pulmonar são afetadas, em geral, de forma muito menos grave, devido, provavelmente, aos estresses de baixa pressão que atuam sobre essas valvas por serem leves. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) CICATRIZAÇÃO DAS VALVAS ↠ Em semanas, meses ou anos, as lesões se transformam em tecido cicatricial, fundindo, permanentemente, partes dos folhetos valvares adjacentes. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ As bordas livres dos folhetos, que em condições normais são delgadas e livres para se mover, passam a ser, muitas vezes, massas sólidas e fibróticas. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) @jumorbeck 5 ↠ A valva onde os folhetos aderem uns aos outros, de forma tão extensa que o sangue não consegue fluir normalmente através dela, é dita estar estenosada. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Quando as margens valvares estão muito destruídas pelo tecido cicatricial, impedindo seu fechamento enquanto os ventrículos se contraem, ocorre regurgitação (refluxo) do sangue quando a valva deveria estar fechada. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) OUTRAS CAUSAS DE LESÕES VALVARES: estenose, falta de um ou mais folhetos, como um defeito congênito. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Sopros cardíacos ↠ Muitas bulhas cardíacas anormais, conhecidas como “sopros cardíacos”, ocorrem quando existem anormalidades das valvas. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Geralmente, os sopros são causados pelo fluxo sanguíneo turbulento que pode resultar no estreitamento ou vazamento das válvulas cardíacas ou devido a passagens anormais de sangue no coração. De acordo com a situação fisiológica que leva ao sopro diferentes sons são gerados. (OLIVEIRA, 2020) ↠ Ele pode ser funcional ou fisiológico (sopro inocente), ou patológico em decorrência de defeitos no coração. (FURLAN et al., 2021) ↠ Consegue-se distinguir os sopros cardíacos devido à sua maior duração. Em idade pediátrica podem-se delinear três tipos de sopros: (OLIVEIRA, 2020) Sopro inocente: Geralmente, acontece num coração bem estruturado e funcional; Sopro funcional ou fisiológico: Apesar de não apresentar anomalia cardiovascular, encontra-se uma modificação hemodinâmica que pode alterar o fluxo normal do sangue; Sopro patológico ou orgânico: Quando anomalias funcionais e estruturais estão presentes no sistema cardiovascular. ↠ Os sopros cardíacos em crianças são extremamente comuns e, geralmente, não representam um problema de saúde. São mais frequentemente detectados em crianças entre os 2 e 4 anos de idade. Estes tipos de sopros cardíacos são chamados de sopros cardíacos inocentes ou funcionais; muitas vezes, diminuem ou desaparecem com o crescimento. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Embora alguns sopros cardíacos em adultos sejam inocentes, com frequência um sopro no adulto indica um distúrbio valvar. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Um sopro cardiovascular deve ser caracterizado de acordo com: (PAZIN-FILHO; SCHMIDT; MACIEL, 2004) SITUAÇÃO NO CICLO CARDÍACO: Sistólicos: começam com a primeira bulha, ou logo depois dela, e terminam com a segunda bulha, ou seja, ocorre entre a primeira e a segunda bulha. Pode ser subdividido em: Protossistólico: ocorre na porção inicial da sístole. Mesossistólico: ocorre no meio da sístole. Telessistólico: ocorre no final da sístole. Holossistólico: aolongo de toda a sístole. Diastólicos: ocorre logo depois da segunda bulha. Podem ser subdivididos em: Protodiastólico: ocorre na porção inicial da diástole. Mesodiastólico: ocorre no meio da diástole. Telediastólico: ocorre no final da diástole. Holodiastólico: ao longo de toda diástole. Contínuos: começam na sístole e continuam sem interrupção através de B2, até toda a diástole ou parte dela. INTENSIDADE: Grau I é tão fraco que só pode ser ouvido com grande esforço. Grau II ainda é um sopro fraco, mas que pode ser detectado prontamente. Grau III é um sopro proeminente, mas sem grande intensidade. Grau IV é um sopro alto e comumente acompanhado de frêmito à palpação. Grau V, é um sopro alto e audível mesmo com o estetoscópio parcialmente em contato com a parede torácica (com o estetoscópio à 45o). Grau VI é de tão alta intensidade que pode ser auscultado mesmo com o estetoscópio sem estar em contato com a parede torácica. ↠ É interessante ressaltar que dos graus IV a VI o sopro se acompanha de frêmito. CONFIGURAÇÃO (FORMA): @jumorbeck 6 Crescendo: necessariamente aumenta progressivamente de intensidade. Decrescendo: diminui progressivamente de intensidade. Crescendo-decrescendo: aumenta até atingir um pico máximo e depois declina. Plateau: tem uma intensidade relativamente constante durante todo seu curso. Variável: tem intensidade variável. CAUSAS DO SOPRO Os defeitos das valvas cardíacas são comuns e têm uma série de causas, variando de anomalias congênitas e genéticas até um suprimento inadequado para as valvas, devido a um ataque cardíaco, e uma infecção bacteriana do endocárdio. (MARIEB, 2014) SOPRO SISTÓLICO DA ESTENOSE AÓRTICA ↠ Em pessoas com estenose aórtica, o sangue é ejetado do ventrículo esquerdo através de apenas uma pequena abertura fibrosa da valva aórtica. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Devido a elevada pressão no VE, surge um efeito de esguicho durante a sístole, com o sangue jorrando com velocidade enorme pela pequena abertura da valva. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse fenômeno provoca grande turbulência do sangue na raiz da aorta. O sangue turbulento, colidindo contra as paredes da aorta, provoca intensa vibração, e o sopro de grande amplitude ocorre durante a sístole e é transmitido para toda a aorta torácica superior e mesmo para as grandes artérias do pescoço. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse som é áspero e, em pessoas com estenose grave, pode ser tão alto a ponto de ser ouvido a vários centímetros de distância do paciente. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ As vibrações sonoras podem, muitas vezes, ser sentidas com a mão na parte superior do tórax e na parte inferior do pescoço, fenômeno referido como “frêmito”. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) SOPRO DIASTÓLICO DA REGURGITAÇÃO AÓRTICA ↠ Durante a diástole o sangue reflui da aorta sob alta pressão para o ventrículo esquerdo, produzindo sopro “semelhante ao vento”, com tom relativamente agudo de natureza. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Sibilante, ouvido maximamente sobre o ventrículo esquerdo. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse sopro resulta da turbulência do sangue, jorrando de modo retrógrado para o sangue presente no ventrículo esquerdo diastólico, sob baixa pressão. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) SOPRO SISTÓLICO DA REGURGITAÇÃO MITRAL ↠ O sangue reflui pela valva mitral para o átrio esquerdo durante a sístole. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse fluxo retrógrado também produz um som sibilante “semelhante ao vento”, similar ao da regurgitação aórtica, mas que ocorre durante a sístole, em vez de na diástole. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Ele é transmitido com mais intensidade para o átrio esquerdo. Todavia, o átrio esquerdo fica situado tão profundamente no tórax que é difícil escutar esse som de modo direto sobre o átrio. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ O som é transmitido para a parede torácica, principalmente pelo ventrículo esquerdo até o ápice do coração. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) SOPRO DIASTÓLICO DA ESTENOSE MITRAL ↠ O sangue passa com dificuldade do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo através da valva mitral estenosada. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Como a pressão no átrio esquerdo raramente se eleva acima de 30 mmHg, não se desenvolve grande diferencial de pressão que force o sangue do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Os sons anormais, ouvidos na estenose mitral, são, em geral, fracos e de frequência muito baixa, está abaixo da extremidade de baixa frequência da audição humana. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Durante a parte inicial da diástole, o ventrículo esquerdo com valva mitral estenosada contém muito pouco sangue em seu interior e suas paredes estão tão frouxas que o sangue não reverbera de um lado para outro, entre as paredes do ventrículo. Dessa maneira, após seu enchimento parcial, o ventrículo é distendido em grau suficiente para que o sangue reverbere com aparecimento de sopro baixo e surdo. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) @jumorbeck 7 Dinâmica circulatória anormal das valvulopatias DINÂMICA DA CIRCULAÇÃO NA ESTENOSE AÓRTICA E NA REGURGITAÇÃO AÓRTICA ↠ Na estenose aórtica, o ventrículo esquerdo em contração falha em se esvaziar de modo adequado, enquanto na regurgitação aórtica, o sangue flui, retrogradamente, para o ventrículo, vindo da aorta após o ventrículo já ter bombeado o sangue para a aorta. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) HIPERTROFIA DO VENTRÍCULO ESQUERDO ↠ Tanto na estenose aórtica quanto na regurgitação aórtica, a musculatura ventricular esquerda se hipertrofia, devido ao aumento da carga do trabalho ventricular. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Na regurgitação, a câmara ventricular esquerda também aumenta para conter todo o sangue regurgitado da aorta. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Na estenose, o músculo hipertrofiado permite que o ventrículo esquerdo desenvolva pressão intraventricular de até 400 mmHg no pico sistólico. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) AUMENTO DO VOLUME SANGUÍNEO ↠ Ajuda a compensar a diminuição do bombeamento efetivo pelo ventrículo esquerdo. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse volume aumentado é o resultado de (1) leve diminuição inicial na pressão arterial; mais (2) reflexos circulatórios periféricos induzidos por essa redução. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esses mecanismos, em conjunto, diminuem o débito renal de urina, fazendo com que o volume sanguíneo aumente e a pressão arterial média retorne ao normal. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) AS LESÕES VALVULARES AÓRTICAS PODEM ESTAR ASSOCIADAS A UM FLUXO SANGUÍNEO CORONARIANO INADEQUADO ↠ O aumento da pressão intraventricular aumenta a carga de trabalho e o consumo de oxigênio do ventrículo, o que exige incremento do fluxo sanguíneo coronariano para fornecer esse oxigênio. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A tensão elevada da parede ventricular provoca quedas acentuadas no fluxo coronariano durante a sístole, além disso a pressão diastólica aumentada pode provocar compressão das camadas internas do miocárdio e redução do fluxo sanguíneo coronariano. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) FALÊNCIA EVENTUAL DO VENTRÍCULO ESQUERDO E DESENVOLVIMENTO DE EDEMA PULMONAR ↠ Nos estágios iniciais da estenose aórtica ou da regurgitação aórtica, a capacidade intrínseca do ventrículo esquerdo, de se adaptar a cargas cada vez maiores, impede anormalidades significativas da função circulatória no indivíduo em repouso. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Em certo estágio o VE não consegue acompanhar a demanda do trabalho. Como consequência, o ventrículo esquerdo se dilata e o débito cardíaco começa a cair; ao mesmo tempo, o sangue se acumula no átrio esquerdo e nos pulmões acima do ventrículo esquerdo em falência. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) DINÂMICA DA ESTENOSE MITRAL E DA REGURGITAÇÃO MITRAL ↠ Em pessoas com estenose mitral, o fluxo sanguíneo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdoé impedido e, nos casos de regurgitação mitral, muito do sangue que fluiu para o ventrículo esquerdo, durante a diástole, reflui para o átrio esquerdo na sístole, em vez de ser bombeado para a aorta. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) EDEMA PULMONAR NA VALVULOPATIA MITRAL ↠ O acúmulo de sangue no átrio esquerdo provoca aumento progressivo da pressão atrial esquerda, o que resulta, eventualmente, no desenvolvimento de edema pulmonar grave. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) @jumorbeck 8 AUMENTO DO ÁTRIO ESQUERDO E FIBRILAÇÃO ATRIAL ↠ O aumento da pressão atrial esquerda na valvulopatia mitral causa aumento progressivo do átrio esquerdo, o que eleva a distância que o impulso elétrico excitatório cardíaco deve percorrer na parede atrial. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Essa via pode ficar, eventualmente, tão longa que predispõe ao desenvolvimento de movimentos circulares do sinal excitatório. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Nos estágios finais da valvulopatia mitral, especialmente na estenose mitral, em geral ocorre fibrilação atrial. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) COMPENSAÇÃO NA VALVULOPATIA MITRAL INCIAL ↠ O volume do sangue aumenta na valvulopatia mitral devido, principalmente, à diminuição da excreção de líquido e de sal pelos rins. Esse aumento do volume sanguíneo eleva o retorno venoso para o coração. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Após compensação, o débito cardíaco pode cair apenas minimamente até os estágios finais da valvulopatia mitral, mesmo que a pressão atrial esquerda esteja aumentando. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse aumento da pressão ocasiona hipertrofia do lado direito do coração, o que compensa, em parte, o aumento de sua carga de trabalho. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Referências FURLAN et al. A ausculta cardíaca é eficaz para o diagnóstico de sopros em crianças? – revisão de literatura científica. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, 2021. OLIVEIRA, MARISA. ANÁLISE DE SOM CARDÍACO PEDIÁTRICO PARA IDENTIFICAÇÃO DE SOPRO. Tese de Mestrado, 2020. TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017 MOORE. Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª ed. Guanabara Koogan, SP, 2017 BERNE & LEVY. Fisiologia, 6ª ed. Elsevier Editora, SP, 2009 PAZIN-FILHO, A; SCHIMDT, A; MACIEL, B. C. Ausculta cardíaca bases fisiológicas – fisiopatológicas. Medicina, Ribeirão Preto, v. 37, p. 208-226, jul/dez 2004. MARIEB, E. Anatomia humana. São Paulo. Pearson Education do Brasil, 2014. @jumorbeck ↠ Os vasos sanguíneos contribuem para a homeostasia, possibilitando o fluxo sanguíneo através do coração e a troca de nutrientes e escórias metabólicas nos tecidos. Também têm participação importante no ajuste da velocidade e do volume de fluxo sanguíneo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os vasos sanguíneos formam um sistema fechado de tubos que leva o sangue para fora do coração, transportam-no para os tecidos do corpo e, em seguida, o devolvem ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ É comum dividir o sistema circulatório em: vasos da macrocirculação, mais calibrosos, responsáveis por transportar sangue aos órgãos e levá-lo de volta ao coração (artérias e veias de vários calibres); e vasos da microcirculação, com menos de 100 µm e visíveis somente ao microscópio (arteríolas, capilares e vênulas pós-capilares). (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ Os cinco tipos principais de vasos sanguíneos são: as artérias, as arteríolas, os capilares, as vênulas e as veias. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As artérias transportam o sangue do coração para outros órgãos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Artérias grandes e elásticas deixam o coração e se ramificam em artérias musculares, de médio porte, que emitem ramos a várias regiões do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As artérias de médio porte se dividem em pequenas artérias, as quais por sua vez se dividem em artérias ainda menores chamadas arteríolas. Conforme as arteríolas entram em um tecido, se ramificam em diversos vasos minúsculos chamados capilares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As paredes finas dos capilares possibilitam a troca de substâncias entre o sangue e os tecidos do corpo. Grupo de capilares no tecido se unem para formar pequenas veias chamadas vênulas. Essas, por sua vez, se fundem para formar vasos sanguíneos progressivamente maiores chamados veias. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As veias são os vasos sanguíneos que conduzem o sangue dos tecidos de volta para o coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A parede de um vaso sanguíneo é composta por três camadas, ou túnicas, de tecidos diferentes: um revestimento epitelial interno, uma túnica média formada por músculo liso e tecido conjuntivo elástico, e um revestimento externo de tecido conjuntivo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠Todos são encontrados em diferentes proporções na parede dos vasos, exceto nos capilares e nas vênulas pós- capilares, nos quais os únicos elementos estruturais representados são o endotélio e sua membrana basal. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ As três camadas estruturais de um vaso sanguíneo qualquer, da mais interna para a mais periférica, são a túnica íntima, a túnica média e a túnica externa. (TORTORA, 14ª ed.) Aterosclerose @jumorbeck Túnica íntima ↠ Forma o revestimento interno de um vaso sanguíneo e está em contato direto com o sangue que flui pelo lúmen, ou luz, do vaso. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Sua camada mais interna é chamada endotélio, que é uma lâmina fina de células planas que revestem a face interna de todo o sistema circulatório (coração e vasos sanguíneos). (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As células endoteliais são participantes ativas em inúmeras atividades relacionadas com vasos, incluindo influências físicas sobre o fluxo sanguíneo, secreção de mediadores químicos de ação local que influenciam o estado contrátil do músculo liso sobrejacente ao vaso e assistência com a permeabilidade capilar. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Além disso, a sua face luminal lisa facilita o fluxo sanguíneo eficiente, reduzindo o atrito superficial. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O segundo componente da túnica íntima é uma membrana basal profunda ao endotélio. Ela fornece uma base de apoio físico para a camada epitelial. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Sua estrutura de fibras colágenas confere à membrana basal substancial resistência à tração, além de resiliência ao estiramento e distensão. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Parece ter uma participação importante na orientação dos movimentos celulares durante o reparo de tecidos das paredes dos vasos sanguíneos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A parte mais externa da túnica íntima, que forma a fronteira entre a túnica íntima e a túnica média, é a lâmina elástica interna. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A lâmina elástica interna é uma lâmina fina de fibras elásticas com número variável de aberturas semelhantes a janelas (fenestrações) que lhe conferem o aspecto de um queijo suíço. Estas fenestrações facilitam a difusão de materiais através da túnica íntima para a túnica média mais espessa. (TORTORA, 14ª ed.) Túnica média ↠ A túnica média é uma camada de tecidos muscular e conjuntivo que apresenta a maior variação entre os diferentes tipos de vasos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Na maioria dos vasos, é uma camada relativamente espessa que compreende células de músculo liso e, principalmente, quantidades substanciais de fibras elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A principal função das células musculares lisas, que se estendem circularmente em torno do lúmen como um anel circunda o dedo, é regular o diâmetro do lúmen. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O aumento da estimulação simpática estimula tipicamente o músculo liso a se contrair, apertando a parede do vaso e estreitando o lúmen. Essa diminuição do diâmetro do lúmen de um vaso sanguíneo é chamada vasoconstrição. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em contrapartida, quando a estimulaçãoatividade é fazer com que os alunos sejam responsáveis por partes específicas de seu trabalho; os alunos estarão livres para cumprir suas tarefas da maneira que decidirem ser a melhor, mas ainda são responsabilizados pela entrega do produto final à professora. Delegar autoridade não significa que o processo de aprendizagem está sem controle; a professora mantém controle por meio de avaliação do produto final do grupo e do processo pelo qual os alunos passaram para chegar àquele produto. (COHEN; LOTAN, 2017) Uma segunda característica-chave do trabalho em grupo é a de que, em algum nível, os participantes precisam uns dos outros para completar a atividade; eles não conseguem fazer todas as partes sozinhos. Os alunos assumem o papel de professores quando sugerem o que os outros devem fazer, quando ouvem o que os outros estão dizendo e quando decidem como finalizar o trabalho, dado o tempo e os recursos limitados estabelecidos pelo instrutor. (COHEN; LOTAN, 2017) Alunos que trabalham em grupo falam entre si sobre sua atividade. Eles fazem perguntas, explicam, fazem sugestões, criticam, ouvem, concordam, discordam e tomam decisões coletivas. A interação também pode ser não verbal, como apontar, mostrar como fazer, acenar com a cabeça, fazer careta ou sorrir. Esse processo de interação de grupo pode ser muito interessante para os alunos. Alguns, que em geral fariam de tudo menos aquilo que lhes foi pedido, quando são envolvidos no trabalho em grupo, passam a se engajar ativamente em seu trabalho e se mantêm nele por meio da ação do grupo. Existem inúmeras razões para isso. Interações cara a cara demandam respostas ou, pelo menos, um comportamento mais atento. Além disso, os alunos se importam com a avaliação de seus colegas; frequentemente, não se recusam a participar e não querem decepcionar o grupo. (COHEN; LOTAN, 2017) Apesar do trabalho em grupo ter potencial para apoiar o aprendizado, este mesmo tipo de trabalho, se feito de maneira não estruturada, pode acarretar uma série de problemas. Não necessariamente os estudantes e os próprios adultos sabem como trabalhar em conjunto de forma exitosa, por isso, é necessário aprender como se trabalhar assim. Esses problemas podem ser superados com o planejamento adequado de atividades e por meio da preparação dos próprios alunos. (COHEN; LOTAN, 2017) O trabalho em grupo é uma técnica eficaz para atingir certos tipos de objetivos de aprendizagem intelectual e social. É excelente para o aprendizado conceitual, para a resolução criativa de problemas e para o desenvolvimento de proficiência em linguagem acadêmica. Socialmente, melhora as relações intergrupais, aumentando a confiança e a cordialidade. Ensina habilidades para atuar em equipe que podem ser transferidas para muitas situações, sejam escolares ou da vida adulta. O trabalho em grupo é também uma estratégia para enfrentar problemas comuns na condução da sala de aula, como manter os alunos envolvidos com sua atividade. Mais importante ainda, o trabalho em grupo torna mais acessíveis as tarefas de aprendizagem para um número maior de alunos em salas de aula com grande diversidade de competências acadêmicas e proficiência linguística. O trabalho de grupo produtivo aumenta e aprofunda a oportunidade de aprender conteúdos e desenvolver a linguagem e, portanto, tem o potencial para formar salas de aula equitativas. (COHEN; LOTAN, 2017) Trabalho em equipe Umas das mudanças mais significativas de nossa época é a passagem da ação individual para o trabalho em grupo. Trabalho em grupo x Trabalho em equipe @jumorbeck No mundo de hoje podemos identificar vários tipos de grupos trabalhando nas mais diferentes situações. Alguns conseguem tornar-se equipes e outros permanecem apenas como grupos. (PIANCASTELLI, FARIA, SILVEIRA, 2000) A ideia de equipe advém da necessidade histórica do homem de somar esforços para alcançar objetivos que, isoladamente, não seriam alcançados ou seriam de forma mais trabalhosa ou inadequada. (PIANCASTELLI, FARIA, SILVEIRA, 2000) De fato, existe apenas uma única pergunta-chave a fazer a si próprio, quando estiver tentando decidir se seu grupo constitui ou não uma equipe: Será que todos os membros de meu grupo compartilham, pelo menos, de um objetivo que só pode ser atingido pelo esforço conjunto de todos? O objetivo ou objetivos comuns são a diferença entre um grupo e uma equipe. (HARDINGHAM, 2000) Exemplo de equipe: o time de futebol, os componentes desta equipe têm objetivos comuns – marcar gols, vencer jogos -, habilidades diferentes (o goleiro, o beque, o atacante), uma coordenação (o técnico) e um plano de trabalho (o esquema tático); (PIANCASTELLI, FARIA, SILVEIRA, 200) Quando os grupos são estruturados como uma equipe, eles são capazes de executar tarefas que os grupos padrão não realizam; eles são mais criativos e eficientes na resolução de problemas, produzem mais e melhor, desenvolvem mais autonomia e são mais motivado. A palavra "equipe" está etimologicamente relacionada ao ato de executar tarefas, de compartilhar tarefas entre indivíduos – e eles são capazes, como um grupo, de ter sucesso em alcançar um objetivo desejado. Portanto, “equipe” é definida como um grupo de pessoas ligadas por um objetivo comum (NAVARRO, GUIMARÃES, GARANHANI, 2013) Alguns elementos para a transformação de um grupo de trabalhadores em equipe de trabalho: (PIANCASTELLI, FARIA, SILVEIRA, 200) O grupo conseguir vislumbrar vantagens do trabalho em equipe – complementaridade, interdependência e sinergismo das ações – em relação ao trabalho isolado, individual; A disposição de compartilhar objetivos, decisões, responsabilidades e também resultados; A necessidade de definir com clareza os objetivos e resultados – individuais e do grupo – a serem alcançados; A importância de construir, em conjunto, um plano de trabalho e definir a responsabilização de cada membro do grupo, para alcançar os objetivos; A necessidade da avaliação constante dos processos e dos resultados A percepção de que o fracasso de um pode significar o fracasso de todos e que o sucesso é fundamental para o sucesso da equipe; A necessidade de aprimorar as relações interpessoais e de valorizar a comunicação entre os membros da equipe; A disposição das pessoas em ouvir e considerar as experiencias e saberes de cada membro do grupo; Finalmente, é fundamental que os objetivos e resultados definidos se constituam em desafios constantes para o grupo, algo que instigue cada integrante; O desafio de se fazer um grupo e uma equipe perpassa pelo aprendizado coletivo da necessidade de uma comunicação aberta, de uma prática democrática que permita o exercício pleno das capacidades individuais e uma atuação mais criativa e saudável. (PIANCASTELLI, FARIA, SILVEIRA, 200) Tutoria A palavra ‘tutoria’ vem do latim tutari e significa pôr em segurança, proteger, defender, guardar, ser protetor – o que justifica seu uso no sentido de assumir, tutelar alguém, cuidar, zelar por uma pessoa ou um grupo (Brutten, 2008). Essas características passaram a conceituar a ação do tutor, ou seja, do indivíduo que é encarregado de cuidar, de tutelar alguém. (FRISON, 2012) A tutoria é considerada, por Roncelii e Gagno (2008), uma modalidade de trabalho que se configura na relação entre colegas, na medida em que um estudante torna-se responsável por outro, objetivando determinados aspectos da aprendizagem. Neste sentido, tutor é aquele que ‘cuida’ dos aspectos cognoscitivos e ‘ajuda’ os alunos a conquistarem autonomia na construção de novos conhecimentos. Segundo eles, a tutoria é uma ação responsável por ‘conduzir’ os educandos à compreensão dos conteúdos trabalhados nas disciplinas cujas aulas frequentam. Portanto, esta estratégia de ensino pode ser @jumorbeck exercida nas formas presencial e à distância. (FRISON, 2012) O professor como orientador ou mentorsimpática diminui, ou na presença de determinados compostos químicos (como o óxido nítrico, H+ e ácido láctico) ou em resposta à pressão arterial, as fibras musculares lisas relaxam. O consequente aumento do diâmetro do lúmen é chamado vasodilatação. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Além de regular o fluxo e a pressão sanguínea, o músculo liso se contrai quando uma pequena artéria ou arteríola está danificada (vasospasmo) para ajudar a limitar a perda de sangue através do vaso lesionado. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As células musculares lisas também ajudam a produzir as fibras elásticas na túnica média que possibilitam que os vasos se estirem e retraiam à pressão exercida pelo sangue. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Interpostas entre as células musculares lisas existem quantidades variáveis de matriz extracelular composta de fibras e lamelas elásticas, fibras reticulares (colágeno do tipo III), proteoglicanos e glicoproteínas. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ As células musculares lisas são responsáveis pela produção dessas moléculas da matriz extracelular. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ As diferenças estruturais nesta camada são responsáveis pelas muitas variações na função entre os diferentes tipos de vasos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A separação entre a túnica média e a túnica externa se dá por uma rede de fibras elásticas, a lâmina elástica externa, que faz parte da túnica média. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck Durante o envelhecimento, a matriz extracelular torna-se desorganizada em consequência do aumento da secreção dos colágenos tipos I e III e de alguns glicosaminoglicanos. Alterações na conformação molecular da elastina e outras glicoproteínas também ocorrem e podem facilitar a deposição de lipoproteínas e cálcio nos tecidos, com subsequente calcificação. Modificações de componentes da matriz extracelular associadas a outros fatores mais complexos podem levar à formação de placas de ateroma na parede dos vasos sanguíneos. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) Túnica externa ↠ É composta por fibras elásticas e colágenas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Contém diversos nervos e, especialmente nos grandes vasos, minúsculos vasos sanguíneos que irrigam o tecido da parede do vaso. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Esses pequenos vasos que fornecem sangue para os tecidos do vaso são chamados vasos dos vasos, ou vasa vasorum. Eles são facilmente vistos em grandes vasos, como a aorta. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Além da importante função de fornecer nervos e vasa vasorum à parede do vaso, a túnica externa ajuda a ancorar os vasos aos tecidos circundantes. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os vasa vasorum proveem a adventícia e a média de metabólitos, uma vez que, em vasos maiores, as camadas são muito espessas para serem nutridas somente por difusão a partir do sangue que circula no lúmen do vaso. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ Vasa vasorum são mais frequentes em veias que em artérias. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ A maioria dos vasos sanguíneos que contêm músculo liso nas suas paredes é provida por uma rede profusa de fibras não mielínicas da inervação simpática (nervos vasomotores), cujo neurotransmissor é a norepinefrina. Descarga de norepinefrina por essas terminações nervosas resulta em vasoconstrição. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ A densidade total das terminações nervosas é menor nas veias do que aquela encontrada nas artérias. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) Artérias ↠ A parede de uma artéria tem as três túnicas de um vaso sanguíneo normal, mas tem uma espessa túnica média muscular a elástica. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em decorrência da abundância de fibras elásticas, as artérias normalmente têm alta complacência, o que significa que suas paredes se esticam ou expandem facilmente sem se romper em resposta a um pequeno aumento da pressão. (TORTORA, 14ª ed.) ARTÉRIAS ELÁSTICAS ↠ As artérias elásticas são as maiores artérias do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Estes vasos são caracterizados por lâminas elásticas interna e externa bem definidas, juntamente com uma túnica média espessa que é dominada por fibras elásticas, chamadas lamelas elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As artérias elásticas incluem os dois troncos principais que saem do coração (a aorta e o tronco pulmonar), juntamente com os principais ramos iniciais da aorta, como o tronco braquiocefálico, a artéria subclávia, a artéria carótida comum e a artéria ilíaca comum. (TORTORA, 14ª ed.) IMPORTANTE FUNÇÃO: ajudam a impulsionar o sangue no sentido anterógrado enquanto os ventrículos estão relaxados. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck ↠ Como conduzem sangue do coração para as artérias médias, mais musculosas, as artérias elásticas são também chamadas artérias condutoras. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As paredes desses vasos têm cor amarelada decorrente do acúmulo de elastina na túnica média. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ARTÉRIAS MUSCULARES ↠ As artérias de médio porte são chamadas artérias musculares, porque sua túnica média contém mais músculo liso e menos fibras elásticas do que as artérias elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A abundância de músculo liso, aproximadamente 75% da massa total, torna as paredes das artérias musculares relativamente espessas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Assim, as artérias musculares conseguem se dilatar e contrair mais para se ajustar à velocidade do fluxo sanguíneo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As artérias musculares continuam ramificando-se e, por fim, distribuem sangue para todos os órgãos, elas são chamadas artérias distributivas. Exemplos incluem a artéria braquial no braço e a artéria radial no antebraço. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A túnica externa muitas vezes é mais espessa do que a túnica média nas artérias musculares. Esta camada externa contém fibroblastos, fibras colágenas e fibras elásticas, todos orientados longitudinalmente. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Por causa da diminuição do tecido elástico nas paredes das artérias musculares, estes vasos não conseguem dilatar e ajudar a impulsionar o sangue como as artérias elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em vez disso, a espessa túnica média muscular é a principal responsável pelas funções das artérias musculares. A capacidade do músculo de se contrair e manter um estado de contração parcial é chamado tônus vascular. O tônus vascular enrijece a parede do vaso e é importante para manter a pressão do vaso e o fluxo sanguíneo eficiente. (TORTORA, 14ª ed.) ANASTOMOSES União dos ramos de duas ou mais artérias que irrigam uma mesma região do corpo. As anastomoses entre as artérias constituem vias alternativas para o sangue chegar a um tecido ou órgão (circulação colateral). As anastomoses também podem ocorrer entre veias e entre arteríolas e vênulas. As artérias que não se anastomosam são conhecidas como artérias terminais. A obstrução de uma artéria terminal interrompe a irrigação sanguínea a todo um segmento de órgão, provocando necrose (morte) desse segmento. ARTERÍOLAS (PEQUENAS ARTÉRIAS) ↠ São abundantes vasos microscópicos que regulam o fluxo sanguíneo para as redes capilares dos tecidos do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As arteríolas têm uma participação essencial na regulação do fluxo sanguíneo das artérias para os vasos capilares, regulando a resistência, a oposição ao fluxo sanguíneo decorrente do atrito entre o sangue e as paredes dos vasos sanguíneos. Por isso, são conhecidas como vasos de resistência. (TORTORA, 14ª ed.) Em um vaso sanguíneo, a resistência é decorrente principalmente do atrito entre o sangue e as paredes @jumorbeck internas dos vasos sanguíneos. Quando o diâmetro do vaso sanguíneo é menor, o atrito é maior, de modo que há mais resistência. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A contração do músculo liso de uma arteríola provoca vasoconstrição, o que aumenta ainda mais a resistência e diminui o fluxo sanguíneo para os vasos capilares irrigados por essa arteríola. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em contrapartida, o relaxamentodo músculo liso das arteríolas provoca vasodilatação, que diminui a resistência e aumenta o fluxo sanguíneo para os vasos capilares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠A mudança do diâmetro da arteríola pode afetar também a pressão arterial: a constrição das arteríolas aumenta a pressão arterial, e a dilatação das arteríolas diminui a pressão arterial. (TORTORA, 14ª ed.) Capilares ↠ O capilar, o menor dos vasos sanguíneos, conectam o efluxo arterial ao retorno venoso (ligam arteríolas e vênulas). (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os capilares formam uma rede extensa, de aproximadamente 20 bilhões de vasos curtos, ramificados e interconectados, que passam entre cada grupo de células do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O fluxo do sangue de uma metarteríola para os capilares e para uma vênula pós-capilar (vênula que recebe sangue de um capilar) é chamada microcirculação do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A função primária dos capilares é a troca de substâncias entre o sangue e o líquido intersticial. Por causa disto, estes vasos de paredes finas são chamados vasos de troca. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Não têm túnica média nem túnica externa. (TORTORA, 14ª ed.) Vênulas ↠ As vênulas drenam o sangue capilar e iniciam o fluxo de retorno do sangue de volta ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As vênulas que primeiro recebem sangue dos capilares são chamadas vênulas pós-capilares (são as menores vênulas). (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Elas têm junções intercelulares pouco organizadas e, portanto, são muito porosas. Atuam em importantes locais de troca de nutrientes e escórias metabólicas e emigração de leucócitos. Por esta razão, formam parte da unidade de troca microcirculatória, juntamente com os capilares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Conforme as vênulas pós-capilares se afastam dos capilares, adquirem uma ou duas camadas de células musculares lisas dispostas circularmente. Estas vênulas musculares têm paredes mais espessas, através das quais a troca com o líquido intersticial não pode mais ocorrer. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As paredes finas das vênulas pós-capilares e musculares são os elementos mais distensíveis do sistema vascular; isso lhes possibilita expandir e servir como excelentes reservatórios de grandes volumes de sangue. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck Veias ↠ As veias, em geral, têm paredes muito finas em relação ao seu diâmetro total. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Muitas veias, especialmente as dos membros, também contêm válvulas, pregas finas de túnica íntima que formam válvulas semelhantes a abas. As válvulas da válvula se projetam para o lúmen, apontando para o coração, baixa pressão arterial nas veias possibilita que o sangue que retorna ao coração desacelere ou até mesmo retorne; as válvulas auxiliam no retorno venoso impedindo o refluxo do sangue. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As válvulas das veias possibilitam que o sangue flua em uma direção única: ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A ação de bombeamento do coração é um fator importante no deslocamento do sangue venoso de volta ao coração. A contração dos músculos esqueléticos dos membros inferiores também ajuda a impulsionar o retorno venoso para o coração. A pressão sanguínea média nas veias é consideravelmente mais baixa do que nas artérias. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A expansão externa dos ventres dos músculos esqueléticos que se contraem nos membros, limitada pela fáscia muscular, comprime as veias, “ordenhando” o sangue para cima em direção ao coração; outro tipo (musculovenoso) de bomba venosa. (MOORE, 7ª ed.) ↠ A túnica íntima das veias é mais fina do que a das artérias; a túnica média das veias é muito mais fina do que a das artérias, com relativamente pouco músculo liso e fibras elásticas. A túnica externa das veias é a mais espessa e é composta por colágeno e fibras elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ São distensíveis o suficiente para se adaptar às variações de pressão e ao volume de sangue que passa por elas, mas não são concebidas para suportar altas pressões. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O lúmen de uma veia é maior do que o de uma artéria comparável, e as veias frequentemente parecem colabadas (achatadas) quando seccionadas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Embora, para simplificar, frequentemente sejam representadas isoladas nas ilustrações, as veias tendem a ser duplas ou múltiplas. Aquelas que acompanham as artérias profundas - veias acompanhantes - circundam- nas em uma rede com ramificações irregulares. Essa organização serve como trocador de calor em contracorrente, no qual o sangue arterial morno aquece o sangue venoso mais frio em seu retorno de uma extremidade fria para o coração. Consequentemente, quando a artéria se expande durante a contração do coração, as veias são distendidas e achatadas, o que ajuda a conduzir o sangue venoso para o coração - uma bomba arteriovenosa. (MOORE, 7ª ed.) @jumorbeck ↠ Em alguns indivíduos, as veias superficiais são vistas como tubos azulados que passam sob a pele. Como o sangue venoso é vermelho escuro, as veias parecem azuis porque suas paredes finas e os tecidos da pele absorvem os comprimentos de onda de luz vermelha, possibilitando que a luz azul passe para a superfície, onde as vemos como azuis. (TORTORA, 14ª ed.) DIFERENÇAS ENTRE VEIAS E ARTÉRIAS Em primeiro lugar, as veias são mais numerosas do que as artérias por vários motivos. Algumas veias formam pares e acompanham artérias musculares de médio a pequeno porte. Estes conjuntos duplos de veias escoltam as artérias e se conectam por canais venosos chamados veia anastomótica. As veias anastomóticas cruzam a artéria acompanhante formando “degraus” entre o par de veias. A maior quantidade de pares de veia ocorre no interior dos membros. A camada subcutânea profunda à pele é outra fonte de veias. VEIAS SUPERFICIAIS: atravessam a tela subcutânea desacompanhadas de artérias paralelas. VEIAS PROFUNDAS: estão entre os músculos esqueléticos. Distribuição do sangue no sistema circulatório em repouso ↠ Como as veias e vênulas sistêmicas contêm mais de 50% do volume sanguíneo total, são chamadas reservatórios de sangue. (TORTORA, 14ª ed.) Fisiologia dos vasos sanguíneos TROCA CAPILAR ↠ A missão de todo o sistema circulatório é manter o sangue fluindo pelos capilares para possibilitar a troca capilar, o movimento de substâncias entre o sangue e o líquido intersticial. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os 7% do sangue que estão nos capilares sistêmicos a qualquer momento estão continuamente trocando materiais com o líquido intersticial. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As substâncias entram e saem dos capilares por três mecanismos básicos: difusão, transcitose e fluxo de massa. (TORTORA, 14ª ed.) DIFUSÃO ↠ O método mais importante de troca capilar é a difusão simples. Muitas substâncias, como o oxigênio (O2), o dióxido de carbono (CO2), a glicose, os aminoácidos e os hormônios, entram e saem dos capilares por difusão simples. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Como o O2 e os nutrientes normalmente estão presentes em concentrações mais elevadas no sangue, eles se difundem por gradiente de concentração para o líquido intersticial e, em seguida, para as células do corpo. O CO2 e outras escórias metabólicas liberadas pelas células do corpo são encontrados em maiores concentrações no líquido intersticial, de modo que se difundem para o sangue. (TORTORA, 14ª ed.) TRANSCITOSE ↠ Uma pequena quantidade de material atravessa as paredes capilares por transcitose. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Neste processo, as substâncias do plasma sanguíneo são englobadas por minúsculas vesículas pinocíticas que primeiro entram nas células endoteliais por endocitose, atravessam-na e saem do outro lado por exocitose. Este método de transporte é importante, principalmente para grandes moléculas insolúveis em lipídios que não conseguem atravessar as paredes capilares de outro modo. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck FLUXO DE MASSA | FILTRAÇÃO E REABSORÇÃO ↠ O fluxode massa é um processo passivo em que uma grande quantidade de íons, moléculas ou partículas em um líquido se move em conjunto, no mesmo sentido. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O fluxo de massa ocorre a partir de uma área de alta pressão para uma zona de pressão mais baixa, e continua desde que exista uma diferença de pressão. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O movimento impulsionado pela pressão de líquidos e solutos dos capilares sanguíneos para o líquido intersticial é chamado filtração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O movimento impulsionado pela pressão do líquido intersticial para os capilares sanguíneos é chamado reabsorção. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em geral, o volume de líquidos e solutos normalmente reabsorvidos é quase tão grande quanto o volume filtrado. Este equilíbrio próximo é conhecido como lei de Starling dos capilares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A pressão hidrostática do sangue “empurra” o líquido para fora dos capilares (filtração) e a pressão coloidosmótica do sangue puxa o líquido para os capilares (reabsorção). (TORTORA, 14ª ed.) Hemodinâmica ↠ O sangue flui de regiões de maior pressão para regiões de menor pressão; quanto maior a diferença de pressão, maior for o fluxo sanguíneo. Mas quanto maior a resistência, menor o fluxo sanguíneo. (TORTORA, 14ª ed.) PRESSÃO ARTERIAL ↠ Conforme o sangue sai da aorta e flui ao longo da circulação sistêmica, sua pressão cai progressivamente à medida que a distância do ventrículo esquerdo aumenta. (TORTORA, 14ª ed.) RESISTÊNCIA VASCULAR ↠ É a oposição ao fluxo sanguíneo em decorrência do atrito entre o sangue e as paredes dos vasos sanguíneos. A resistência vascular depende: (TORTORA, 14ª ed.) do tamanho do lúmen do vaso sanguíneo; da viscosidade do sangue; do comprimento total dos vasos sanguíneos.. ↠ A resistência vascular sistêmica (RVS), também conhecida como resistência periférica total (RPT), refere- se a todas as resistências vasculares oferecidas pelos vasos sanguíneos sistêmicos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os diâmetros das artérias e veias são grandes, de modo que sua resistência é muito pequena. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os vasos menores – arteríolas, capilares e vênulas – contribuem com a maior parte da resistência. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck ↠ Uma função principal das arteríolas é controlar a RVS – e, por conseguinte, a pressão sanguínea e o fluxo sanguíneo para tecidos específicos – alterando seus diâmetros. (TORTORA, 14ª ed.) Aterosclerose ↠ A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica que possui origem multifatorial e ocorre em resposta à agressão endotelial, acometendo principalmente a camada íntima de artérias de médio e grande calibre. (COSTA et al., 2019) E também associada à ativação do sistema imunológico. (MOTA et al., 2013) ↠ No Brasil, a aterosclerose é a principal responsável pelas doenças cardiovasculares. (COSTA et al., 2019) ↠ A aterosclerose, está associada ao acúmulo de gordura (principalmente colesterol) nas paredes arteriais. Há formação de um depósito de cálcio na placa ateromatosa (ateroma) — áreas ou elevações amarelas, endurecidas, bem demarcadas na superfície da túnica íntima das artérias. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Aterosclerose é a doença das artérias de tamanho médio e grande, em que as lesões de gordura chamadas placas ateromatosas se desenvolvem nas superfícies das paredes arteriais. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Anormalidade que pode ser medida muito cedo nos vasos sanguíneos, que posteriormente se tornam ateroscleróticos, é a lesão do endotélio vascular. Essa lesão, por sua vez, aumenta a expressão das moléculas de aderência nas células endoteliais e reduz sua capacidade de liberar óxido nítrico e outras substâncias que ajudam a impedir a aderência de macromoléculas, plaquetas e monócitos a seu endotélio. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Depois que ocorre a lesão no endotélio vascular, os monócitos e lipídios circulantes (principalmente LDLs) começam a se acumular no local da lesão. Os monócitos cruzam o endotélio, até a camada íntima da parede do vaso, e diferenciam-se de macrófagos, que então ingerem e oxidam as lipoproteínas acumuladas, adquirindo aspecto espumoso. Esses macrófagos espumosos então se agregam no vaso sanguíneo e formam estria de gordura, que é visível.. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Com o passar do tempo, as estrias de gordura aumentam e coalescem, e os tecidos dos músculos lisos e fibrosos adjacentes proliferam para formar placas cada vez maiores. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Os macrófagos também liberam substâncias que causam inflamação e maior proliferação de músculos lisos e tecido fibroso nas superfícies internas da parede arterial. Os depósitos de lipídios e a proliferação celular podem ficar tão grandes que as placas se destacam no lúmen da artéria e reduzem muito o fluxo do sangue, chegando, às vezes, a obstruir completamente o vaso. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Mesmo sem oclusão, os fibroblastos da placa eventualmente depositam quantidades extensas de tecido conjuntivo denso; a esclerose (fibrose) fica tão grande que as artérias enrijecem. Mais tarde ainda, os sais de cálcio se precipitam frequentemente com o colesterol e outros lipídios das placas, levando a calcificações pétreas que podem fazer com que as artérias passem a ser tubos rígidos. Ambos esses estágios da doença são chamados “endurecimento das artérias”. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ As artérias ateroscleróticas perdem a maior parte de sua distensibilidade e devido às áreas degenerativas em suas paredes, elas facilmente se rompem. Também, nos locais onde as placas invadem o lúmen com sangue circulante, suas superfícies ásperas podem levar à formação de coágulos, com a resultante formação de trombos ou êmbolos, levando ao bloqueio súbito de todo o fluxo de sangue para a artéria. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) @jumorbeck ↠ Os sintomas dessa doença são mais frequentes quando a placa de ateroma se forma nas artérias que irrigam o coração, o cérebro, os rins e o intestino delgado, aparecendo, portanto, relacionados a esses órgãos. Exemplos são: infarto do miocárdio por obstrução de coronárias, infarto cerebral e aneurisma aórtico. (COSTA et al., 2019) ↠ Estudos têm sugerido duas fases interdependentes na evolução da doença aterosclerótica: (GOTTTLIEB,2005) Fase “aterosclerótica”, predomina a formação anatômica da lesão aterosclerótica sob a influência dos “fatores de risco aterogênicos” clássicos e que leva décadas para evoluir. Devido à sua história lenta e gradual, sua evolução geralmente não traz consigo manifestações clínicas dramáticas; Fase trombótica, a influência dos “fatores de risco trombogênicos” determina a formação aguda de trombo sobre a placa aterosclerótica, fenômeno este diretamente ligado aos eventos agudos coronarianos, como infarto do miocárdio, angina instável e morte súbita. Os Papéis do Colesterol e das Lipoproteínas na Aterosclerose Aumento de Lipoproteínas de Baixa Densidade: ↠ Fator importante na etiologia da aterosclerose é elevada concentração plasmática de colesterol sob a forma de lipoproteínas de baixa densidade. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A concentração plasmática dessas LDLs e elevado teor de colesterol é aumentada por diversos fatores, especialmente com a ingestão de gorduras muito saturadas na dieta diária, obesidade e inatividade física. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Hipercolesterolemia Familiar ↠ A hipercolesterolemia familiar é uma doença em que a pessoa herda genes defeituosos, para a formação de receptores para LDLs, nas superfícies das membranas celulares do corpo. Na ausência desses receptores, o fígado não é capaz de absorver as LDL nem as IDL. Sem essa absorção, o mecanismo do colesterol das células hepáticas se descontrola, produzindo novo colesterol; ele deixa de responder à inibição por feedback, desencadeado pela presença de quantidade excessiva de colesterol plasmático. (GUYTON & HALL, 13ª ed.)↠ Como resultado, o número de VLDLs liberado pelo fígado para o plasma aumenta imensamente. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Papel das Lipoproteínas de Alta Densidade na Prevenção da Aterosclerose. ↠ Bem menos conhecida é a função das HDLs em comparação com a das LDLs. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Acredita-se que as lipoproteínas de alta densidade são, de fato, capazes de absorver cristais de colesterol que começam a ser depositados nas paredes arteriais. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ As doenças cardiovasculares possuem diversos fatores de risco, que podem ser agrupados em dois grupos principais: modificáveis e não modificáveis. (COSTA et al., 2019) Exemplos de fatores modificáveis: a dislipidemia, a exposição ao tabaco, a não prática de exercício/atividade física e IMC maior ou igual a 30kg/m². Exemplos de fatores não modificáveis: presença de casos na família de doenças cardiovasculares, etnia, idade e sexo. @jumorbeck Outros Fatores de Risco Importantes da Aterosclerose ↠ Em algumas pessoas com níveis perfeitamente normais de colesterol e lipoproteínas, ainda assim, a aterosclerose se desenvolve. Alguns dos fatores conhecidos que predispõem à aterosclerose são: (1) inatividade física e obesidade; (2) diabetes melito; (3) hipertensão; (4) hiperlipidemia; e (5) tabagismo. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ No início e na metade da fase adulta, os homens apresentam maior probabilidade de desenvolver aterosclerose do que as mulheres da mesma idade, sugerindo que os hormônios sexuais masculinos podem ser aterogênicos ou, pelo contrário, que os hormônios sexuais femininos podem ter ação protetora. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Alguns desses fatores causam aterosclerose, ao aumentar a concentração de LDLs no plasma. Outros, tais como a hipertensão, são capazes de levar à aterosclerose ao causar lesões no endotélio vascular, além de outras alterações nos tecidos vasculares que predispõem à deposição de colesterol. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) PREVENÇÃO DA ATEROSCLEROSE As medidas mais importantes para proteger contra o desenvolvimento da aterosclerose e sua progressão para grave doença vascular são (1) manter peso saudável, ser fisicamente ativo e ingerir dieta contendo principalmente gorduras insaturadas com baixo teor de colesterol; (2) prevenir a hipertensão, mantendo dieta saudável e sendo fisicamente ativa, ou efetivamente controlando a pressão arterial com fármacos anti-hipertensivos caso a hipertensão se desenvolva; (3) controlar efetivamente a glicose sanguínea, com insulina ou outros fármacos na presença de diabetes; e (4) evitar fumar cigarros. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Diferenças nos hábitos de vida entre populações diferentes e os impactos positivos na saúde ↠ A doença cardiovascular aterosclerótica se inicia na infância precoce e é influenciada ao longo da vida por fatores genéticos e exposição ambiental a fatores de risco potencialmente modificáveis. (SANTOS, 2011) ↠ Estudos relatam que quando uma pessoa muda seus hábitos de vida (abandona o sedentarismo, a alta ingestão de gorduras, o tabagismo, por exemplo) as chances de ela não desenvolver a doença aterosclerótica, ou reduzir as complicações de uma doença já instalada, são menores. (COSTA et al., 2019) ↠ Assim, a influência da dieta na patogênese de doenças crônico-degenerativas ganhou grande importância em pesquisas e tem comprovado a teoria de que reduzindo os níveis de gorduras da dieta há menor possibilidade de se desenvolver aterosclerose. (COSTA et al., 2019) ↠ Alguns estudos sugerem que o aumento da atividade física habitual e do condicionamento cardiorrespiratório estão associados ao decréscimo de causas de mortalidade em homens com acometimentos cardiovasculares pré- existentes. (COSTA et al., 2019) ↠ O estresse tem sido mencionado como um dos possíveis fatores contribuintes para o desenvolvimento da aterosclerose, não só por meio da ação direta, mas também pela contribuição para a etiologia de outros fatores de risco, como a depressão, a obesidade, a hipercolesterolemia e o sedentarismo. (SANTOS, 2011) ↠ Autores discutiram como o estresse psicossocial em animais pode levar ao desenvolvimento da aterosclerose, provavelmente por um mecanismo envolvendo ativação excessiva do sistema nervoso simpático. Em pacientes com doença arterial coronária (DAC), o estresse agudo pode também levar à vasoconstrição coronária. (SANTOS, 2011) ↠ Em estudo conduzido com 37 homens em 2003 por Steptoe et al sobre os efeitos do estresse e da classe econômica na ativação das plaquetas, verificou-se que o estresse psicológico induz à ativação plaquetária. Os autores sugeriram que pelo fato de as pessoas de classes econômicas menos favorecidas enfrentarem diariamente inúmeros fatores estressantes de grande magnitude ligados às dificuldades financeiras e sociais, elas estariam sujeitas a um estresse mais intenso, que poderia, por sua vez, induzir a uma ativação plaquetária que contribuiria para um aumento do risco de doenças cardiovasculares. (SANTOS, 2011) ↠ Nas sociedades ocidentais, a aterosclerose é causa primária de 50% de todas as mortes relacionadas com infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Contudo, países como a Groenlândia, Islândia e Japão têm baixa prevalência de aterosclerose, principalmente entre os esquimós, sugerindo uma forte relação com o estilo de vida, dieta e composição genética dos indivíduos. (GOTTTLIEB,2005) @jumorbeck TSIMANES – EL PAIS ↠ O estudo, publicado na revista The Lancet, comprovou que a quantidade de cálcio acumulada nas artérias principais dos tsimanes com mais de 40 anos é até cinco vezes menor que a calcificação detectada em pessoas ocidentais da mesma idade. ↠ Além disso, a boa saúde se mantém à medida que envelhecem. Um total de 65% de anciãos tsimanes que chegaram aos 75 anos ainda tinha um índice de calcificação zero. Os pesquisadores compararam seus resultados com os de outras populações, como a de uma ampla amostra dos EUA, outra de europeus e mais uma dezena de estudos sobre a incidência de aterosclerose em diferentes sociedades. O estado das artérias dos velhos tsimanes é similar ao que podem ter ocidentais com 28 anos menos e ainda melhor que o das mulheres adultas japonesas, as que até agora tinham melhor saúde arterial. ↠ Embora o estudo não estabeleça uma relação causal, para seus autores tudo indica que o estilo de vida dos tsimanes explicaria esses dados e outros que também comprovaram em suas revisões médicas, como os baixos níveis que mostraram no ritmo cardíaco, pressão sanguínea, colesterol e glicose no sangue. Todos esses indicadores estão direta ou indiretamente relacionados com a aterosclerose. ↠ Os tsimanes podem ficar oito horas na caça de algo para comer. Os pesquisadores estimam que dedicam um mínimo de sete horas a atividades que requerem esforço físico e que em apenas 10% do tempo que passam despertos não fazem nada. Quanto à sua dieta, em sua maioria se trata de carboidratos (72%) não processados, ricos em fibra, como arroz, mandioca, milho e frutas. As proteínas são obtidas da caça e da pesca, e somente consomem cerca de 38 gramas de gordura por dia. Embora alguns tenham declarado que fumam, um maço de cigarros lhes poderia durar um ano. ↠ "Se não há tabaco, não há colesterol nem diabetes, e têm uma dieta equilibrada e fazem exercícios físicos, não há aterosclerose”, comenta o pesquisador do Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares Carlos III (CNIC), Antonio Fernández Ortiz. ↠ Esta pesquisa ajuda a demonstrar de forma definitiva que os fatores de risco cardiovasculares são a causa da doença aterosclerótica. Nessa população sem aterosclerose o único fator de risco que eles têm é a idade. O pouco cálcio que acumulam é porque vão envelhecendo.” ↠ Existe a possibilidade de que os tsimanes tenham alguma variante genética que os protegeria das doenças cardiovasculares, além do seu estilo devida. No entanto, os pesquisadores comprovaram que nos últimos anos os níveis de colesterol estão subindo, com uma concentração de colesterol LDL que passou de 1,84 milimol por litro na primeira década do século para 2,35 mmol/L em 2015. Isso descartaria a possibilidade de origem genética. ↠ O aumento do colesterol coincidiu com uma intensificação da aculturação desse povo. Isto permitiu aos tsimanes um maior acesso aos produtos ricos em açúcares e gorduras. Ainda é cedo para detectar se as mudanças na dieta provocarão um aumento da calcificação arterial, mas os autores do estudo acreditam que poderia estar em curso uma revolução nutricional que acabará com a boa saúde. Referências COSTA et. al. Estilo de vida como fator de prevenção da aterosclerose. Revista Caderno de Medicina vol. 2, nº 2, 2019 SANTOS et al. Hábitos e perfil socioeconômico dos pacientes com doença aterosclerótica no Brasil, 2011. GOTTLIEB, M. G. V. BONARDI G. MORIGUCHI, E. H. Fisiopatologia e aspectos inflamatórios da aterosclerose, 2005. TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017 MOORE. Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª ed. Guanabara Koogan, SP, 2017 JUNQUEIRA; CARNEIRO. Histologia Básica, 13ª ed. Guanabara Koogan, SP, 2017. @jumorbeck Anamnese ↠ Anamnese (do grego aná –trazer de novo + mnesis –memória) significa trazer de volta à mente todos os fatos relacionados com a doença e o paciente. (PORTO, 8ª ed.) ↠ De início, deve-se ressaltar que a anamnese é a parte mais importante da medicina: primeiro, porque é o núcleo em torno do qual se desenvolve a relação médico- paciente, que, por sua vez, é o principal pilar do trabalho do médico; segundo, porque é cada vez mais evidente que o progresso tecnológico somente é bem utilizado se o lado humano da medicina é preservado. (PORTO, 8ª ed.) ↠ A anamnese, se bem feita, culmina em decisões diagnósticas e terapêuticas corretas; se mal feita, em contrapartida, desencadeia uma série de consequências negativas, as quais não podem ser compensadas com a realização de exames complementares, por mais sofisticados que sejam. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Como a anamnese é uma entrevista, são necessárias a ela a comunicação não verbal, a verbal e a escrita. Uma anamnese verdadeira sai da boca do paciente, mas o médico deve ser cooperativo, atento, cuidadoso e direcionador. (SOARES et al., 2014) POSSIBILIDADES E OBJETIVOS DA ANAMNESE Estabelecer condições para uma adequada relação médico-paciente; Conhecer, por meio da identificação, os determinantes epidemiológicos que influenciam o processo saúde-doença de cada paciente; Fazer a história clínica, registrando, detalhada e cronologicamente, o(s) problema(s) de saúde do paciente; Registrar e desenvolver práticas de promoção da saúde; Avaliar o estado de saúde passado e presente do paciente, conhecendo os fatores pessoais, familiares e ambientais que influenciam seu processo saúde- doença; Conhecer os hábitos de vida do paciente, bem como suas condições socioeconômicas e culturais; Avaliar, de maneira clara, os sintomas de cada sistema corporal. ↠ Em essência, a anamnese é uma entrevista, e o instrumento de que nos valemos é a palavra falada. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Em situações especiais (pacientes surdos ou pacientes com dificuldades de sonorização), dados da anamnese podem ser obtidos por meio da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras), da palavra escrita ou mediante tradutor (acompanhante e/ou cuidador que compreenda a comunicação do paciente). (PORTO, 8ª ed.) ↠ A anamnese necessita de entrevista organizada em métodos que privilegiam a solução da complexa relação médico-paciente, com o intuito de alterar o posicionamento do médico, deixando o lado entrevistador e favorecendo o lado ouvinte, capaz de promover a saúde e prevenindo as doenças que acometem os pacientes (LIMA et al., 2021 apud SOARES et al, 2016). ↠ O diálogo entre o médico e o paciente tem objetivo e finalidade preestabelecidos, ou seja, a reconstituição dos fatos e dos acontecimentos direta ou indiretamente relacionados com uma situação anormal da vida do paciente. (PORTO, 8ª ed.) Maneiras de se fazer anamnese A anamnese pode ser conduzida das seguintes maneiras: Deixar o paciente relatar, livre e espontaneamente, suas queixas sem nenhuma interferência, limitando-se a ouvi-lo. Essa técnica é recomendada e seguida por muitos clínicos. O psicanalista apoia-se integralmente nela e chega ao ponto de se colocar em uma posição na qual não possa ser visto pelo paciente, para que sua presença não exerça influência inibidora ou coercitiva. (PORTO, 8ª ed.) De outra maneira, denominada anamnese dirigida, o médico, tendo em mente um esquema básico, conduz a entrevista mais objetivamente. O uso dessa técnica exige rigor técnico e cuidado na sua execução, de modo a não se deixar levar por ideias preconcebidas. (PORTO, 8ª ed.) Outra maneira é o médico deixar, inicialmente, o paciente relatar de maneira espontânea suas queixas, para depois conduzir a entrevista de modo mais objetivo. (PORTO, 8ª ed.) Com a crescente capacidade de o paciente obter informações sobre sintomas, doenças, tratamentos, especialmente nos sites de busca da internet, está surgindo um novo tipo de entrevista que pode ser chamado de “anamnese dialogada”. Em vez do tradicional relato passa a haver um diálogo amparado nas informações obtidas pelo paciente e nos conhecimentos científicos do médico. (PORTO, 8ª ed.) ↠ A história clínica, portanto, não é o simples registro de uma conversa. É mais do que isso: é o resultado de uma entrevista com objetivo explícito, conduzida pelo @jumorbeck examinador e cujo conteúdo foi elaborado criticamente por ele. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Para fazer uma entrevista de boa qualidade, antes de tudo o médico deve estar interessado no que o paciente tem a dizer. Ao mesmo tempo, é necessário demonstrar compreensão e desejo de ser útil àquela pessoa. (PORTO, 8ª ed.) ↠ A pressa é o defeito de técnica mais grosseiro que se pode cometer durante a obtenção da história. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Há muitas doenças cujos diagnósticos são feitos quase exclusivamente pela história, como, por exemplo, epilepsia, enxaqueca e neuralgia do trigêmeo, isso sem se falar dos transtornos psiquiátricos, cujo diagnóstico apoia- se integralmente nos dados da anamnese. (PORTO, 8ª ed.) Recomendações práticas para se fazer uma boa anamnese ↠ É no primeiro contato que reside a melhor oportunidade para fundamentar uma boa relação entre o médico e o paciente. Perdida essa oportunidade, sempre existirá um hiato intransponível entre um e outro. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Cumprimente o paciente, perguntando logo o nome dele e dizendo-lhe o seu. Não use termos como “vovô”, “vovó”, “vozinho”, “vozinha” para as pessoas idosas. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Demonstre atenção ao que o paciente está falando e procure identificar de pronto alguma condição especial – dor, sonolência, ansiedade, hostilidade, tristeza, confusão mental – para que você saiba a maneira de conduzir a entrevista. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Conhecer e compreender as condições socioculturais do paciente representa uma ajuda inestimável para reconhecer a doença e entender o paciente. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Ter sempre o cuidado de não sugestionar o paciente com perguntas que surgem de ideias preconcebidas. (PORTO, 8ª ed.) ↠ O tempo reservado à anamnese distingue o médico competente do incompetente, o qual tende a transferir para as máquinas e o laboratório a responsabilidade do diagnóstico. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Sintomas bem investigados e mais bem compreendidos abrem caminho para um exame físico objetivo. Isso poderia ser anunciado de outra maneira: só se acha o que se procura e só se procura o que se conhece. (PORTO, 8ª ed.) ↠A causa maisfrequente de erro diagnóstico é uma história clínica mal obtida. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Somente a anamnese possibilita ao médico uma visão de conjunto do paciente, indispensável para a prática de uma medicina de excelência (PORTO, 8ª ed.) Semiotécnica da anamnese ↠ Não basta pedir ao paciente que relate sua história e anotá-la. Muitos pacientes têm dificuldade para falar e precisam de incentivo; outros – e isto é mais frequente – têm mais interesse em narrar as circunstâncias e os acontecimentos paralelos do que relatar seus padecimentos. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Aliás, o paciente não é obrigado a saber como deve relatar suas queixas. O médico é que precisa saber como obtê-las. (PORTO, 8ª ed.) ↠ O médico tem de estar imbuído da vontade de ajudar o paciente a relatar seus padecimentos. Para conseguir tal intento, Bickley e Szilagyi (2010) sugerem que o examinador utilize uma ou mais das seguintes técnicas: apoio, facilitação, reflexão, esclarecimento, confrontação, interpretação, respostas empáticas e silêncio. (PORTO, 8ª ed.) Afirmações de apoio despertam segurança no paciente. Dizer, por exemplo, “Eu compreendo” em momento de dúvida pode encorajá-lo a prosseguir no relato de alguma situação difícil. O médico consegue facilitar o relato do paciente por meio de sua postura, de ações ou palavras que o encorajem, mesmo sem especificar o tópico ou o problema que o incomoda. O gesto de balançar a cabeça levemente, por exemplo, pode significar para o paciente que ele está sendo compreendido. A reflexão é muito semelhante à facilitação e consiste basicamente na repetição das palavras que o médico considerar as mais significativas durante o relato do paciente. O esclarecimento é diferente da reflexão porque, nesse caso, o médico procura definir de maneira mais clara o que o paciente está relatando. Por exemplo, se o paciente se refere @jumorbeck à tontura, o médico, por saber que esse termo tem vários significados, procura esclarecer a qual deles o paciente se refere (vertigem? Sensação desagradável na cabeça?). A confrontação consiste em mostrar ao paciente algo acerca de suas próprias palavras ou comportamento. Por exemplo, o paciente mostra-se tenso, ansioso e com medo, mas diz ao médico que “está tudo bem”. Aí, o médico pode confrontá-lo da seguinte maneira: “Você diz que está tudo bem, mas por que está com lágrimas nos olhos?” Essa afirmativa pode modificar inteiramente o relato do paciente. Na interpretação, o médico faz uma observação a partir do que vai notando no relato ou no comportamento do paciente. Por exemplo: “Você parece preocupado com os laudos das radiografias que me trouxe.” A resposta empática é a intervenção do médico mostrando “empatia”, ou seja, compreensão e aceitação sobre algo relatado pelo paciente. A resposta empática pode ser por palavras, gestos ou atitudes: colocar a mão sobre o braço do paciente, oferecer um lenço se ele estiver chorando ou apenas dizer a ele que compreende seu sofrimento. No entanto, é necessário cuidado com esse tipo de procedimento. A palavra ou gesto do médico pode desencadear uma reação inesperada ou até contrária por parte do paciente. Há momentos na entrevista em que o examinador deve permanecer calado, mesmo correndo o risco de parecer que perdeu o controle da conversa. O silêncio pode ser o mais adequado quando o paciente se emociona ou chora. Saber o tempo de duração do silêncio faz parte da técnica e da arte de entrevistar. Elementos componentes da anamnese ↠ A anamnese é classicamente desdobrada nas seguintes partes: identificação, queixa principal, história de doença atual (HDA), interrogatório sintomatológico (IS), antecedentes pessoais e familiares, hábitos e estilo de vida, condições socioeconômicas e culturais. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Esta divisão visa contemplar o paciente como um todo e promover sua saúde. (LIMA et al, 2021) COMPONENTES DA ANAMNESE IDENTIFICAÇÃO Perfil sociodemográfico que possibilita a interpretação dos dados individuais e coletivos do paciente. QUEIXA PRINCIPAL É o motivo da consulta. Sintomas ou problemas que motivaram o paciente a procurar atendimento. HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL Registro cronológico e detalhado do problema atual de saúde do paciente. INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO Avaliação detalhada dos sintomas de cada sistema corporal. Complementar a HDA e avaliar. ANTECEDENTES PESSOAIS E FAMILIARES Avaliação do estado de saúde passado e presente do paciente, conhecendo os fatores pessoais. HÁBITOS DE VIDA Documentar hábitos e estilo de vida do paciente, incluindo ingesta alimentar diária e usual, prática utilização de outras substâncias e drogas ilícitas. CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS Avaliar as condições de habitação do paciente, além de vínculos afetivos familiares, condições escolaridade. IDENTIFICAÇÃO ↠ A identificação é o perfil sociodemográfico do paciente que permite a interpretação de dados individuais e coletivos. Apresenta múltiplos interesses; o primeiro deles é de iniciar o relacionamento com o paciente, saber o nome de uma pessoa é indispensável para que se comece um processo de comunicação em nível afetivo. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Além do interesse clínico, também dos pontos de vista pericial, sanitário e médico-trabalhista, esses dados são de relevância para o médico. (PORTO, 8ª ed.) ↠ A data em que é feita a anamnese é sempre importante e, quando as condições clínicas modificam-se com rapidez, convém acrescentar a hora. (PORTO, 8ª ed.) Os elementos descritos a seguir são obrigatórios: Nome. Primeiro dado da identificação. Nunca é demais criticar o hábito de designar o paciente pelo número do leito ou pelo diagnóstico. “Paciente do leito 5” ou “aquele caso de cirrose hepática da Enfermaria 7” são expressões que jamais devem ser usadas para caracterizar uma pessoa. @jumorbeck Idade. Cada grupo etário tem sua própria doença, e bastaria essa assertiva para tornar clara a importância da idade. Sexo/gênero. Há enfermidades que só ocorrem em determinado sexo. Cor/etnia. Embora não sejam coisas exatamente iguais, na prática elas se confundem. Em nosso país, onde existe uma intensa mistura de etnias, é preferível o registro da cor da pele como faz o IBGE usando-se a seguinte nomenclatura: cor branca, cor parda, cor preta. Estado civil. Não só os aspectos sociais referentes ao estado civil podem ser úteis ao examinador. Aspectos médico-trabalhistas e periciais podem estar envolvidos, e o conhecimento do estado civil passa a ser um dado valioso. Profissão. É um dado de crescente importância na prática médica, e sobre ele teceremos algumas considerações em conjunto com o item que se segue. Local de trabalho. Não basta registrar a ocupação atual. Faz-se necessário indagar sobre outras atividades já exercidas em épocas anteriores. Naturalidade. Local onde o paciente nasceu. Procedência. Este item geralmente refere-se à residência anterior do paciente. Residência. Anota-se a residência atual. Nesse local deve ser incluído o endereço do paciente. As doenças infecciosas e parasitárias se distribuem pelo mundo em função de vários fatores, como climáticos, hidrográficos e de altitude. Conhecer o local da residência é o primeiro passo nessa área. Nome da mãe. Anotar o nome da mãe do paciente é uma regra comum nos serviços de saúde no sentido de diferenciar os pacientes homônimos. Nome do responsável, cuidador e/ou acompanhante. O registro do nome do responsável, cuidador e/ou acompanhante de crianças, adolescentes, pessoas idosas, tutelados ou incapazes (problemas de cognição, por exemplo) faz-se necessário para que se firme a relação de corresponsabilidade ética no processo de tratamento do paciente. Religião. A religião à qual o paciente se filia tem relevância no processo saúde-doença. Filiação a órgãos/instituições previdenciárias eplanos de saúde. Ter conhecimento desse fato possibilita o correto encaminhamento para exames complementares, outros especialistas ou mesmo a hospitais, nos casos de internação. O cuidado do médico em não onerar o paciente, buscando alternativas dentro do seu plano de saúde, é fator de suma importância na adesão ao tratamento proposto. QUEIXA PRINCIPAL OU MOTIVO DA CONSULTA ↠ Registra-se a queixa principal ou, mais adequadamente, o motivo que levou o paciente a procurar o médico, repetindo, se possível, as expressões por ele utilizadas. (PORTO, 8ª ed.) ↠ É uma afirmação breve e espontânea, geralmente um sinal ou um sintoma, nas próprias palavras da pessoa que expressa o motivo da consulta. Pode ser uma anotação entre aspas para indicar que se trata das palavras exatas do paciente. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Não aceitar, tanto quanto possível, “rótulos diagnósticos” referidos à guisa de queixa principal . (PORTO, 8ª ed.) HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL ↠ A história da doença atual (HDA) é um registro cronológico e detalhado do motivo que levou o paciente a procurar assistência médica, desde o seu início até a data atual. (PORTO, 8ª ed.) ↠ A HDA, abreviatura já consagrada no linguajar médico, é a parte principal da anamnese e costuma ser a chave mestra para chegar ao diagnóstico. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Histórias simples e curtas x Histórias longas e complexas. (PORTO, 8ª ed.) NORMAS PARA SE OBTER UMA BOA HDA Deixe que o paciente fale sobre sua doença. Identifique o sintoma-guia. Descreva o sintoma-guia com suas características e analise- o minuciosamente. Use o sintoma-guia como fio condutor da história e estabeleça as relações das outras queixas com ele em ordem cronológica. Verifique se a história obtida tem começo, meio e fim. Não induza respostas. Apure evolução, exames e tratamentos realizados em relação à doença atual. Resuma a história que obteve para o paciente, a fim de ele possa confirmar ou corrigir algum dado ou acrescentar alguma informação esquecida. @jumorbeck SINTOMAGUIA ↠ Designa-se como sintoma-guia o sintoma ou sinal que permite recompor a história da doença atual com mais facilidade e precisão. (PORTO, 8ª ed.) ↠ O passo seguinte é determinar a época em que teve início aquele sintoma. (PORTO, 8ª ed.) ↠ O terceiro passo consiste em investigar a maneira como evoluiu o sintoma. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Concomitantemente com a análise da evolução do sintoma- guia, o examinador estabelece as correlações e as interrelações com outras queixas. (PORTO, 8ª ed.) ESQUEMA PARA ANÁLISE DE UM SINTOMA Início; Características do sintoma; Fatores de melhora ou piora; Relação com outras queixas; Evolução; Situação atual. INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO ↠ O interrogatório sintomatológico documenta a existência ou ausência de sintomas comuns relacionados com cada um dos principais sistemas corporais. (PORTO, 8ª ed.) ↠ A principal utilidade prática do interrogatório sintomatológico reside no fato de permitir ao médico levantar possibilidades e reconhecer enfermidades que não guardam relação com o quadro sintomatológico registrado na HDA. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Em outras ocasiões, é no interrogatório sintomatológico que se origina a suspeita diagnóstica mais importante. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Enquanto se avalia o estado de saúde passado e presente de cada sistema corporal, aproveita-se para promover saúde, orientando e esclarecendo o paciente sobre maneiras de prevenir doenças e evitar riscos à saúde. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Para tirar o máximo proveito das atividades práticas, o estudante deve registrar os sintomas presentes e os negados pelo paciente. (PORTO, 8ª ed.) IMPORTÂNCIA DO INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO Embora o IS seja a parte mais longa da anamnese e pareça ao estudante algo cansativo e muitas vezes inútil, convém ressaltar que: (PORTO, 8ª ed.) A proposta de atender ao paciente de maneira global inclui o conhecimento de todos os sistemas corporais em seus sintomas e na dimensão da promoção da saúde. Pensando no paciente como um ser mutável e em desenvolvimento, é necessário que se registre o estado atual de todo o seu organismo, para se ter um parâmetro no caso de futuras queixas e adoecimento. Muitas vezes, o adoecimento de um sistema corporal tem correlação com outro sistema, e há necessidade de tal conhecimento para adequar a proposta terapêutica. Por fim, vale a pena incluir na fase de aprendizagem da anamnese o interrogatório sintomatológico, porque adquire-se uma visão de conjunto dos sinais e sintomas, conhecimento que será útil a todo médico. SISTEMATIZAÇÃO DO INTERROTAGÓRIO SINTOMATOLÓGICO Sintomas gerais: febre, sudorese, astenia, cãibras. Pele e fâneros: alterações da pele (cor, textura, lesões, sensibilidade), alterações dos fâneros (queda de cabelo, alterações nas unhas). Cabeça e pescoço: crânio, face e pescoço (dor, alterações do pescoço – tumorações), olhos (prurido, olho seco, diplopia), orelhas (dor, otorreia, zumbidos), nariz e cavidades paranasais (prurido, dor, espirros) cavidade bucal e anexos (halitose, dor de dente), faringe (dor de garganta, tosse, ronco), laringe (dor, dispneia, disfagia), tireoide e paratireoides (dor, nódulo), vasos e linfonodos (dor, linfadenomegalias). Tórax (parede torácica, traqueia, brônquios, pulmões e pleuras, diafragma e mediastino, coração e grandes vasos – palpitações, esôfago – pirose). Abdome (parede abdominal, estômago, intestino delgado, cólon, reto, anus, fígado e vias biliares, pâncreas). Sistema geniturinário (rins e vias urinárias, órgãos genitais masculinos, órgãos genitais femininos). Sistema hemolinfopoético. Sistema endócrino. Coluna vertebral, ossos, articulações e extremidades. Músculos. Artérias, veias, linfáticos e microcirculação. Sistema nervoso Exame psíquico e avaliação das condições emocionais. ↠ Antes de iniciar o interrogatório sintomatológico (IS), explique ao paciente que você irá fazer questionamentos sobre todos os sistemas corporais (revisão “da cabeça aos pés”), mesmo não tendo relação com o sistema que o motivou a procura-lo. Assim, você terá @jumorbeck preparado o paciente para a série de perguntas que compõe o IS. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Inicie a avaliação de cada sistema corporal com essas perguntas gerais. Exemplos: “Como estão seus olhos e visão?”, “Como anda sua digestão?” ou “Seu intestino funciona regularmente?”. A resposta permitirá que você, se necessário, passe para perguntas mais específicas, e, assim, detalhe a queixa. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Não induza respostas com perguntas que afirmem ou neguem o sintoma, como por exemplo: “O senhor está com falta de ar, não é?” ou “O senhor não está com falta de ar, não é mesmo?” Nesse caso, o correto é apenas questionar: “O senhor sente falta de ar?” (PORTO, 8ª ed.) ANTECEDENTES PESSOAIS ↠ Considera-se avaliação do estado de saúde passado e presente do paciente, conhecendo fatores pessoais e familiares que influenciam seu processo saúde-doença. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Os passos a serem seguidos abrangem os antecedentes fisiológicos e antecedentes patológicos. (PORTO, 8ª ed.) Antecedentes pessoais fisiológicos Gestação e nascimento: como decorreu a gravidez, condições de parto (normal, fórceps, cesariana), ordem do nascimento (se é primogênito, segundo filho etc.), número de irmãos. Desenvolvimento psicomotor e neural: dentição, fala, controle dos esfíncteres. Desenvolvimento sexual: início da puberdade, menarca, sexarca, menopausa, orientação sexual. Antecedentes pessoais patológicos Doenças sofridas pelo paciente: mais comuns na infância (sarampo, varicela, amigdalites) e passando às da vida adulta (pneumonia, hepatite, hipertensão arterial, diabetes) Alergia: existência de alergia a alimentos, medicamentos ou outras substâncias. Cirurgias: os motivos que determinaram. Traumatismo:indagar sobre o acidente em si e sobre as consequências deste. Transfusões sanguíneas: número de transfusões, quando ocorreu e por quê. História obstétrica: número de gestações (G), de partos (P), de abortos (A), de prematuros e de cesarianas (C) (G_P_A_C_). Caso o paciente seja do seco masculino, indaga-se o número de filhos. Vacinas: anotar quais vacinas e a época de aplicação. Medicamentos em uso: anotar nome, posologia, motivo, quem prescreveu. ↠ Perguntas sobre a sexualidade devem ser feitas após já se ter conversado algum tempo com o paciente; assim, ele fica mais descontraído e o estudante não se sente tão constrangido. ↠ Lembre-se sempre que o que é perguntado de maneira adequada, sem demonstrar preconceito, é respondido também com tranquilidade. ↠ Mostre-se sempre tranquilo, sem sinais de discriminação, seja qual for a informação do paciente. ANTECEDENTES FAMILIARES ↠ Os antecedentes começam com a menção ao estado de saúde (quando vivos) dos pais e irmãos do paciente. Se for casado, inclui-se o cônjuge e, se tiver filhos, estes são referidos. Não se esquecer dos avós, tios e primos paternos e maternos do paciente. Se tiver algum doente na família, esclarecer a natureza da enfermidade. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Em caso de falecimento, indagar a causa do óbito e a idade em que ocorreu. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Quando o paciente é portador de uma doença de caráter hereditário torna-se imprescindível um levantamento genealógico mais rigoroso. (PORTO, 8ª ed.) HÁBITOS E ESTILO DE VIDA ↠ Item, muito amplo e heterogêneo, documenta hábitos e estilo de vida do paciente e está desdobrado nos seguintes tópicos: alimentação; ocupação atual e ocupações anteriores; atividades físicas; hábitos. (PORTO, 8ª ed.) ALIMENTAÇÃO ↠ Toma-se como referência o que seria a alimentação adequada para aquela pessoa em função da idade, do sexo e do trabalho desempenhado. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Induz-se o paciente a discriminar sua alimentação habitual, especificando, tanto quanto possível, o tipo e a quantidade dos alimentos ingeridos – é o que se chama anamnese alimentar. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Devemos questionar principalmente sobre o consumo de alimentos à base de carboidratos, proteínas, gorduras, @jumorbeck fibras, bem como de água e outros líquidos. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Assim procedendo, o examinador poderá fazer uma avaliação quantitativa e qualitativa, ambas com interesse médico. (PORTO, 8ª ed.) Sintetizadas as conclusões mais frequentes: Alimentação quantitativa e qualitativamente adequada Reduzida ingesta de fibras Insuficiente consumo de proteínas, com alimentação à base de carboidratos Consumo de calorias acima das necessidades Alimentação com alto teor de gorduras Reduzida ingesta de verduras e frutas OCUPAÇÃO ATUAL E OCUPAÇÕES ANTERIORES ↠ Obter informações sobre a natureza do trabalho desempenhado, com que substâncias entra em contato, quais as características do meio ambiente e qual o grau de ajustamento ao trabalho. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Devemos questionar e obter informações tanto da ocupação atual quanto das ocupações anteriores exercidas pelo paciente. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Os dados relacionados com este item são chamados história ocupacional. Voltamos a chamar a atenção para a crescente importância médica e social da medicina do trabalho. (PORTO, 8ª ed.) ATIVIDADES FÍSICAS ↠ Torna-se cada dia mais clara a relação entre muitas enfermidades e o tipo de vida levado pela pessoa no que concerne à prática de exercícios físicos. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Devemos questionar qual tipo de exercício físico realiza, frequência.); duração e tempo que pratica. (PORTO, 8ª ed.) Uma classificação prática é a que se segue: Pessoas sedentárias Pessoas que exercem atividades físicas moderadas Pessoas que exercem atividades físicas intensas e constantes Pessoas que exercem atividades físicas ocasionais. HÁbitos ↠ A investigação deste item exige habilidade, discrição e perspicácia. Uma afirmativa ou uma negativa sem explicações por parte do paciente não significa necessariamente a verdade! (PORTO, 8ª ed.) ↠ Deve-se investigar sistematicamente o uso de tabaco, bebidas alcoólicas, anabolizantes, anfetaminas e drogas ilícitas. (PORTO, 8ª ed.) Uso de tabaco: ↠ O consumo de tabaco, droga socialmente aceita, não costuma ser negado pelos pacientes, exceto quando tenha sido proibido de fumar. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Diante disso, nenhuma anamnese está completa se não se investigar esse hábito, registrando-se tipo, quantidade, frequência, duração do vício e abstinência. (PORTO, 8ª ed.) Bebidas Alcoólicas: ↠ A ingestão de bebidas alcoólicas também é socialmente aceita, mas muitas vezes é omitida ou minimizada por parte dos pacientes. (PORTO, 8ª ed.) ↠ O próprio etilismo, em si, uma doença de fundo psicossocial, deve ser colocado entre as enfermidades importantes e mais difundidas atualmente. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Não se deve deixar de perguntar sobre o tipo de bebida e a quantidade habitualmente ingerida, bem como frequência, duração do vício e abstinência. (PORTO, 8ª ed.) Uso de anabolizantes e anfetaminas: ↠ O uso de anabolizantes por jovens frequentadores de academias de ginástica tornou-se uma preocupação, pois tais substâncias levam à dependência e estão correlacionadas com doenças cardíacas, renais, hepáticas, endócrinas e neurológicas. (PORTO, 8ª ed.) ↠ A utilização de anfetaminas, de maneira indiscriminada, leva à dependência química e, comprovadamente, causa prejuízos à saúde. (PORTO, 8ª ed.) Consumo de drogas ilícitas: ↠ As drogas ilícitas incluem maconha, cocaína, heroína, ecstasy, LSD, crack, oxi, chá de cogumelo, inalantes (cola de sapateiro, lança perfume). (PORTO, 8ª ed.) ↠ A investigação clínica de um paciente que usa drogas ilícitas não é fácil. Há necessidade de tato e perspicácia. O médico deve integrar informações provenientes de todas as fontes disponíveis, principalmente de familiares. (PORTO, 8ª ed.) @jumorbeck CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS E CULTURAIS ↠ As condições socioeconômicas e culturais avaliam a situação financeira, vínculos afetivos familiares, filiação religiosa e crenças espirituais do paciente, bem como condições de moradia e grau de escolaridade. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Este item está desdobrado em: habitação, condições socioeconômicas, condições culturais, vida conjugal e relacionamento familiar. (PORTO, 8ª ed.) HABITAÇÃO ↠ Importância considerável tem a habitação. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Na zona rural, pela sua precariedade, as casas comportam-se como abrigos ideais para numerosos reservatórios e transmissores de doenças infecciosas e parasitárias. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Na zona urbana, a diversidade de habitação é um fator importante. (PORTO, 8ª ed.) ↠ A habitação não pode ser vista como fato isolado, porquanto ela está inserida em um meio ecológico do qual faz parte. (PORTO, 8ª ed.) ↠ É importante questionar sobre as condições de moradia: se mora em casa ou apartamento; se a casa é feita de alvenaria ou não; qual a quantidade de cômodos; se conta com saneamento básico (água tratada e rede de esgoto), com coleta regular de lixo; se abriga animais domésticos, entre outros. Indaga-se também sobre o contato com pessoas ou animais doentes. Se afirmativo, questiona-se sobre onde e quando ocorreu e sobre a duração do contato. (PORTO, 8ª ed.) ↠ A poluição do ar, a poluição sonora e visual, os desmatamentos e as queimadas, todos são fatores relevantes na análise do item habitação, podendo propiciar o surgimento de várias doenças. (PORTO, 8ª ed.) CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS ↠ Os primeiros elementos estão contidos na própria identificação do paciente; outros são coletados no decorrer da anamnese. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Se houver necessidade de mais informações, indagar- se-á sobre renda mensal, situação profissional, dependência econômica de parentes ou instituição. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Todomédico precisa conhecer as possibilidades econômicas de seu paciente, principalmente sua capacidade financeira para comprar medicamentos e realizar exames complementares.. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Quanto à escolaridade, é importante saber se o paciente é analfabeto ou alfabetizado. Vale ressaltar se o paciente completou o ensino fundamental, o ensino médio ou se tem nível superior. Tais informações são fundamentais na compreensão do processo saúde- doença. (PORTO, 8ª ed.) VIDA CONJUGAL E RELACIONAMENTO FAMILIAR ↠ Investiga-se o relacionamento entre pais e filhos, entre irmãos e entre cônjuges. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Em várias ocasiões temos salientado as dificuldades da anamnese. Chegamos ao tópico em que essa dificuldade atinge seu máximo. (PORTO, 8ª ed.) ↠ O estudante encontrará dificuldade para andar nesse terreno, pois os pacientes veem nele um “aprendiz”, adotando, em consequência, maior reserva a respeito de sua vida íntima e de suas relações familiares. (PORTO, 8ª ed.) Anamnese abrangente x Anamnese focalizada ↠ No caso de pacientes vistos pela primeira vez no consultório ou hospital, geralmente a opção adotada é conduzir uma avaliação abrangente, que inclui todos os componentes da anamnese e um completo exame físico. (BATES, 12ª ed.) ↠ No entanto, em muitas situações, é indicada uma avaliação orientada para problemas ou focalizada mais flexível, principalmente no caso de pacientes que você conheça bem e estejam retornando para uma consulta de rotina ou de pacientes com preocupações específicas e “mais prementes”, como dor de garganta ou dor no joelho. (BATES, 12ª ed.) ↠ A escolha do tipo de anamnese vai depender de diversos fatores: (BATES, 12ª ed.) Magnitude e a gravidade dos problemas do paciente; A necessidade de ser minucioso; O ambiente clínico – hospital ou ambulatório; Atendimento primário ou especializado; Tempo disponível. @jumorbeck ANAMNESE ABRANGENTE ANAMNESE FOCALIZADA É adequada para pacientes novos no consultório ou hospital. É adequada para pacientes já conhecidos, principalmente durante consultas de rotina ou urgência. Fornece dados fundamentais e personalizados sobre o paciente Aborda queixas ou sintomas localizados. Fortalece a relação entre o paciente e o profissional de saúde Aplica métodos de exames relevantes à avaliação das queixas ou problemas da maneira mais detalhada e cuidadosa possível Constitui uma linha de base para avaliações futuras Avalia sintomas restritos a um sistema corporal específico ↠ A avaliação abrangente faz mais do que avaliar sistemas de órgãos. É fonte de conhecimentos fundamentais e personalizados sobre o paciente que reforça a relação médico-paciente.. (BATES, 12ª ed.) ↠ No caso do exame mais focalizado, você selecionará os métodos pertinentes para realizar uma avaliação minuciosa do problema em questão. Os sinais/sintomas, a idade e a história de saúde do paciente ajudam a determinar a abrangência do exame focalizado, assim como seu conhecimento sobre padrões das doenças. (BATES, 12ª ed.) Dados subjetivos x Dados objetivos ↠ Os sintomas são dados subjetivos ou o que o paciente conta a você. Os sinais são considerados informações objetivas, ou o que você observa. (BATES, 12ª ed.) DADOS SUBJETIVOS DADOS OBJETIVOS O que o paciente conta a você. O que você detecta durante o exame, os resultados dos exames laboratoriais e dados do exame. Os sintomas e a anamnese, desde a queixa principal até a revisão de sistemas Todos os achados do exame físico ou sinais. Aspectos éticos da comunicação interpares ↠ O encontro entre o paciente e o médico desperta uma grande variedade de sentimentos e emoções, configurando uma relação humana especial, designada através dos tempos, como relação médico-paciente. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Não é uma relação interpessoal como outra qualquer, pois está inserida nela uma grande carga de angústia, medo, incerteza, amor, ódio, insegurança, confiança, que determina uma relação dialética entre o ser doente e aquele que lhe oferece ajuda. (PORTO, 8ª ed.) Relação Médico-Paciente e Princípios Bioéticos ↠ É importante compreender que princípios bioéticos e virtudes morais são partes indissociáveis do exame clínico e estão no núcleo da relação médico-paciente. (PORTO, 8ª ed.) Princípios bioÉticos segundo Beauchamp e Chidress Beneficência: buscar fazer sempre o bem para o paciente. Não maleficência: não fazer nada de mal ao paciente. Justiça: fazer sempre o que é justo ao paciente. Autonomia: possibilitar que o paciente decida sobre o tratamento. Valores BioÉticos Alteridade: respeitar a diferença no outro. Sigilo: respeitar o segredo sobre as informações do paciente. Classificação da relação médico-paciente ClassificaÇÃo da relaÇÃo mÉdico-paciente (Veatche, 1983) Modelo paternalista ou sacerdotal: O médico toma as decisões em nome da beneficência sem valorizar os valores, a cultura e a opinião do paciente, que se coloca em uma posição de completa submissão. Modelo tecnicista ou engenheiral: O médico informa e executa os procedimentos necessários, mas deixa a decisão inteiramente sob a responsabilidade do paciente. Modelo colegial ou igualitário: O médico adota a falsa posição de “colega” do paciente, não levando em conta a inevitável assimetria desta relação. Modelo contratualista. As habilidades e os conhecimentos do médico são valorizados, preservando sua autoridade, mas deseja e valoriza a participação ativa do paciente que vai resultar em uma efetiva troca de informações e um comprometimento de ambas as partes. Características do encontro médico-paciente: Médico ativo/paciente passivo: o paciente abandona-se por completo e aceita passivamente os cuidados médicos, sem mostrar necessidade ou vontade de compreendê- los. Médico direciona/paciente colabora: o profissional assume seu papel de maneira, até certo ponto, autoritária. O @jumorbeck paciente compreende e aceita tal atitude, procurando colaborar. Médico age/paciente participa ativamente: o profissional define os caminhos e os procedimentos, e o paciente compreende e atua conjuntamente. Transferência, contratransferência e resistência ↠ Os principais fenômenos psicodinâmicos da relação médico-paciente são os mecanismos de transferência e contratransferência. Tais conceitos provêm da psicanálise e, na prática médica, constituem um arsenal terapêutico que independe de técnicas psicoterápicas especiais e que é indissociável do trabalho de qualquer médico. (PORTO, 8ª ed.) Transferência Transferência diz respeito aos fenômenos afetivos que o paciente passa (transfere) para a relação que estabelece com o médico ou o estudante. São sentimentos inconscientes vividos no âmbito de seus relacionamentos primários com os pais, irmãos e outros membros da família. Resistência Chama-se resistência qualquer fator ou mecanismo psicológico inconsciente que comprometa ou atrapalhe a relação médico-paciente Contratransferência Os fenômenos relatados também ocorrem em sentido contrário, ou seja, do médico (ou do estudante), para o paciente, sendo denominados contratransferência, ou seja, é a passagem de aspectos afetivos do médico ou do estudante para o paciente. O médico ↠ Na primeira consulta, uma palavra ou um gesto inadequado pode deteriorar a relação entre médico e paciente e aumentar os padecimentos deste último. Isso acontece frequentemente quando os aspectos psicológicos não são valorizados. Compete ao profissional direcionar este encontro a fim de torná-lo o menos angustiante possível (PORTO, 8ª ed.) PadrÕes de comportamento e caracterÍsticas da relaÇÃo mÉdico-paciente Padrão inseguro A insegurança, na maioria das vezes, é um traço de personalidade. Padrão autoritário Sempre impõe suas decisões. Médico sem vocação Desenvolve mecanismos – inconscientes ou claramente propositais – que inibem opaciente. Padrão otimista Não vê gravidade em nada, tudo lhe parece simples e sem gravidade. Padrão “rotulador” Tem sempre pronto um diagnóstico rotulado que agrada o paciente. Padrão “especialista” Não consegue ver o paciente como um todo. Padrão pessimista Vê maior gravidade nas doenças que a real. Padrão “frustrado” Quase sempre pessimista, pode tornar-se agressivo com os pacientes. Padrão agressivo A hostilidade pode se revelar em palavras ofensivas, porém é mais comum disfarçar-se como mau atendimento. Padrão paternalista Adota atitudes protetoras. O paciente ↠ O ser humano é uma unidade biopsicossocial e espiritual, e seus aspectos afetivos são o que mais o diferenciam dos outros animais. O paciente é um ser humano, com uma identidade de gênero e uma determinada orientação sexual, de certa idade, com uma história individual e uma personalidade exclusiva. Para avaliá-lo, o médico se vale de sua capacidade de sentir e de estabelecer um relacionamento positivo ou favorável, ou seja, é preciso que tenha empatia e compaixão. (PORTO, 8ª ed.) Padrões de comportamento dos pacientes ↠As pessoas se comportam de maneiras diversas, em função de seu temperamento, suas condições culturais, modo de viver e circunstâncias do momento. (PORTO, 8ª ed.) ↠ Todas as enfermidades têm um componente afetivo, e, ao adoecer, o indivíduo acentua os traços de sua personalidade e expressa no bojo de seu quadro clínico seus distúrbios emocionais. (PORTO, 8ª ed.) Comunicação entre profissionais de saúde e pacientes ou familiares ↠ As más notícias são definidas como aquelas que alteram de forma drástica e negativa a visão do paciente sobre seu futuro. (NETO et al., 2013) @jumorbeck ↠ O processo de comunicação pode gerar sérios impactos psicológicos, de forma que quem recebe uma má notícia geralmente não esquece o local, a data e a forma como esta foi transmitida. (NETO et al., 2013) ↠ Robert Buckman, em 1992, criou o Protocolo SPIKES para orientar os profissionais de saúde a comunicarem más notícias, abordando diretrizes básicas, como: postura do profissional, percepção do paciente, troca de informação, conhecimento, explorar e enfatizar as emoções, estratégias e síntese. (NETO et al., 2013) PROTOCOLO SPIKES (CRUZ; RIERA, 2016) S - Setting up: Preparando-se para o encontro. Treinar antes é uma boa estratégia. Apesar de a notícia ser triste, é importante manter a calma, pois as informações dadas podem ajudar o paciente a planejar seu futuro. P – Perception: Percebendo o paciente. Investigue o que o paciente já sabe do que está acontecendo. I – Invitation: Convidando para o diálogo. Identifique até onde o paciente quer saber do que está acontecendo, se quer ser totalmente informado ou se prefere que um familiar tome as decisões por ele. K – Knowledge: Transmitindo as informações. Introduções como “infelizmente não trago boas notícias” podem ser um bom começo. Use sempre palavras adequadas ao vocabulário do paciente. E – Emotions: Expressando emoções. Aguarde a resposta emocional que pode vir, dê tempo ao paciente, ele pode chorar, ficar em silêncio, em choque. S – Strategy and Summary: Resumindo e organizando estratégias. É importante deixar claro para o paciente que ele não será abandonado, que existe um plano ou tratamento, curativo ou não. ↠ Comunicar más notícias não é uma tarefa fácil. O objetivo do protocolo SPIKES é, de alguma maneira, organizar este momento, ajudando profissionais e pacientes a manter uma comunicação clara e aberta. (CRUZ, RIERA, 2016) VISÃO DO PACIENTE E FAMILIAR A amostra foi constituída de 501 participantes, que responderam um questionário objetivo. Segundo 70,82% (n=347) dos entrevistados, o profissional estava preparado para informar a má notícia, enquanto 29,18% (n=143) o consideraram despreparado. Entre os participantes, 59,27% (n=294) não se consideravam aptos a receber a má notícia, enquanto 40,73% (n=202) se consideravam preparados. Os principais sentimentos citados após o recebimento da má notícia foram: tristeza 35,72% (n=210), indiferença 15,48% (n=91), angústia 12,24% (n=72), desespero 9,35% (n=55) e outros 15,48% (n=91). (NETO et al., 2013) Quanto aos aspectos definidos como mais relevantes no momento de receber uma má notícia, 11,24% (n=91) das pessoas consideraram como principal o local; 12,59% (n=102) afirmaram que a qualidade da informação é mais importante; já 31,11% (n=252) acreditam que a sinceridade do médico é fundamental; enquanto que 14,32% (n=116) acreditam ser a escolha do momento apropriado. Notou-se, ainda, que 25,43% (n=206) das pessoas valorizam a tranquilidade do médico e 5,31% (n=43) outros aspectos, entre os quais 13,95% (n=6) aludiram à necessidade da humanização. (NETO et al., 2013) Código de ética médica CAPÍTULO I – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS II – O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional. XI – O médico guardará sigilo a respeito das informações de que detenha conhecimento no desempenho de suas funções, com exceção dos casos previstos em lei. XIX – O médico se responsabilizará, em caráter pessoal e nunca presumido, pelos seus atos profissionais, resultantes de relação particular de confiança e executados com diligência, competência e prudência. CAPÍTULO III – RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL É vedado ao médico: Art. 1º Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência. Parágrafo único. A responsabilidade médica é sempre pessoal e não pode ser presumida. Art. 2º Delegar a outros profissionais atos ou atribuições exclusivas da profissão médica. Art. 8º Afastar-se de suas atividades profissionais, mesmo temporariamente, sem deixar outro médico encarregado @jumorbeck do atendimento de seus pacientes internados ou em estado grave. CAPÍTULO IV – DIREITOS HUMANOS É vedado ao médico: Art. 23. Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo de qualquer forma ou sob qualquer pretexto. CAPÍTULO V – RELAÇÃO COM PACIENTES E FAMILIARES É vedado ao médico: Art. 33. Deixar de atender paciente que procure seus cuidados profissionais em casos de urgência ou emergência quando não houver outro médico ou serviço médico em condições de fazê-lo. Art. 34. Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e os objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta possa lhe provocar dano, devendo, nesse caso, fazer a comunicação a seu representante legal. Relação médico-estudante/ estudante-paciente ↠ O relacionamento do estudante com o paciente gera inúmeras dúvidas. Segundo Bates, grande parte da tensão nesse cenário envolve a dinâmica de uma equipe de saúde e seu papel como um membro da equipe. (BATES, 12ª ed.) ↠ O estudante deve ajudar no trabalho; contudo, sua função primária é aprender. (BATES, 12ª ed.) ↠ Os princípios de Tavistock, que formam um arcabouço de análise de situações de assistência à saúde que vão além do atendimento direto de pacientes individuais, abordando escolhas complicadas que envolvem interações de equipes de saúde e distribuição de recursos para o bem-estar da sociedade. (BATES, 12ª ed.) ↠ Os princípios de Tavistock são: direitos, equilíbrio, abrangência, cooperação, aprimoramento, segurança e franqueza. (BATES, 12ª ed.) Código de ética do estudante de medicina PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS II - O alvo de toda a atenção do estudante de medicina é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade intelectual. IX - O estudante guardará sigilo a respeito das informações obtidas a partir da relação com os pacientes e com os serviços de saúde. EIXO 3 – RELAÇÕES INTERPESSOAIS DO ESTUDANTE Art. 24: É vedado ao acadêmicoganha relevância. O seu papel é ajudar os alunos a irem além de onde conseguiriam ir sozinhos, motivando, questionando, orientando. Estudos revelam que quando o professor fala menos, orienta mais e o aluno participa de forma ativa, a aprendizagem é mais significativa (BACICH, MORAN, 2018). Tutor e Aluno As tarefas consideradas pelo tutor em PBL incluem: (FRISON, 2012) Definir o Clima: criar um ambiente propício para a aprendizagem auto-dirigida; Tratar os alunos como aprendizes adultos; Promover a cooperação e não a competição no trabalho de grupo; Esclarecer as necessidades de aprendizagem e ajudar os alunos a estabelecer objetivos de aprendizagem e estabelecer metas; Projetar um plano de aprendizagem: ajudar os alunos com planos e estratégias de aprendizagem; Envolver-se em atividades de aprendizagem para garantir que os alunos estão no caminho correto: estimular a elaboração de informações e ideias, orientar o processo de aprendizagem, estimular a integração do conhecimento, estimular o aluno de interação e responsabilidade individual, e facilitar a localização de informações. Os tutores devem atuar como facilitadores nas sessões PBL para ajudar os alunos a se tornarem solucionadores de problemas, para que eles possam assumir a responsabilidade de usar as habilidades desenvolvidas por conta própria. Assim como os tutores, os alunos também devem ter responsabilidades bem definidas para atuação dentro do processo de PBL. Abaixo estão listados os principais pontos de atenção para adequada atuação dos alunos: (FRISON, 2012) Trate todos os membros do grupo com respeito; Seja pontual em assistir a todas as sessões; Expresse abertamente seus pensamentos e ideias; Esclareça e questione suas compreensões; Ofereça feedback aos membros do grupo e aos tutores; Complete as tarefas totalmente e no tempo; Seja sensível às necessidades de aprendizagem de outros membros do grupo; Interaja com os demais membros do grupo; Assuma a responsabilidade pelo seu processo de aprendizagem Feedback Feedback é uma palavra inglesa que se refere ao processo de controlar um sistema reinserindo nele os resultados de seu desempenho ou acontecimento. Na década de 1940, o conceito de feedback era utilizado por engenheiros de foguetes com o intuito de realizar ajustes para alcançar objetivos e, desde então, vem sendo aplicado em diversos campos. Quando o feedback é utilizado para alterar o desempenho e a meta final de determinada situação ou atividade, ele faz parte e contribui para o processo de aprendizagem. (PEIXOTO, 2019) O feedback é entendido de diferentes formas. Algumas pessoas entendem que o retorno dado durante o feedback é uma combinação de comentários positivos com críticas construtivas, enquanto outras afirmam que o foco do retorno pode estar na observação dos erros (PEIXOTO, 2019 apud HUNUKUMBURE; DAS; SMITH, 2017; ARCHER, 2010). No contexto de uma aprendizagem ativa, “dar feedback” é enviar mensagens de retorno, com sentido bidirecional, dos docentes para os estudantes e vice-versa, com a finalidade de obter melhorias no processo, normalmente designado na literatura por feedback interativo. (SÁ, ALVES, COSTA, 2014) O feedback pode ser formal e informal. O informal é normalmente dado de forma oral, em conversa com o estudante ou grupo de estudantes. O feedback formal é dado nas avaliações previstas na planificação das disciplinas, onde o desempenho dos estudantes pode ser “medido”. (SÁ, ALVES, COSTA, 2014) Alguns estudos mostram que o feedback gera consciência da aprendizagem, pois ele mostra o resultado do que foi realizado comparando ao que era pretendido naquela atividade. Ele pode incentivar a mudança, estimular a prática reflexiva, orientar o indivíduo a adotar @jumorbeck comportamentos e reforçar repetição do acerto (PEIXOTO, 2019) Pode-se dizer que um feedback se torna eficaz quando se apresenta assertivo, respeitoso, descritivo, oportuno e específico. O feedback assertivo, é aquele que descreve os impactos e consequências do comportamento avaliado utilizando uma comunicação clara, objetiva e direta. Respeitoso, é quando acontece de forma compartilhada, ou seja, o professor e o estudante apresentam pontos concordantes que devem ser trabalhados, respeitando e entendendo suas opiniões. Ele é descritivo, quando as palavras são isentas de julgamentos e descrevem um determinado comportamento ou ação. Oportuno, quando é realizado no momento e local adequados e de forma reservada. E específico, quando os comportamentos avaliados são indicados de forma que o estudante entenda e reflita sobre o que foi bem desempenhado e o que necessita ser melhorado (PEIXOTO, 2019 apud ARCHER, 2010; ZEFERINO; DOMINGUES; AMARAL, 2007; HENDERSON; FERGUSON-SMITH JOHNSON, 2005). Na educação médica, a importância do feedback se estende além da pedagogia, ou seja, vai além dos contextos da academia, visando à formação política, social, ética e intervencionista do futuro médico. O objetivo do treinamento clínico é a expertise no cuidado dos pacientes e, se não houver feedback, dificilmente os erros serão corrigidos, o bom desempenho não será reforçado e as competências clínicas podem acabar segundo o empirismo (PEIXOTO, 2019 apud ENDE, 1983). Portanto, o feedback é um instrumento de motivação e aprendizagem na avaliação, que funciona como recurso para um momento de troca e comunicação entre os docentes e discentes, e no acompanhamento de crescimento pessoal. (PEIXOTO, 2019) O feedback apresenta-se como uma poderosa ferramenta de aprendizagem e, dependendo de como é realizado, pode ter impactos positivos e/ou negativos na performance do aprendiz e na eficácia da promoção dessa aprendizagem. (PEIXOTO, 2019) Alguns estudos (PEIXOTO, 2019 apud LEITE; NASCIMENTO;MATTEU, 2018; OLIVEIRA; BATISTA, 2012) referem que, dependendo da maneira como o feedback é fornecido, podem haver momentos de conflitos, pois o avaliado pode se sentir insultado ou injustiçado com o feedback recebido, ou podem surgir o sentimento de descrédito, por dificuldade do provedor do feedback em manter uma postura sincera e honesta. Assim o feedback fornecido de forma construtiva e positiva previne o conflito, estimula a reflexão crítica do aluno que segue buscando o aperfeiçoamento da sua prática. Docentes e discentes deveriam estar preparados para dar e receber feedback, pois ele promove o aprendizado, e consequentemente, pode aumentar a probabilidade para um efetivo desenvolvimento profissional e mudança da prática. A relevância do tema e sua importância na participação ativa da formação médica justificam o presente estudo. Artigo : Avaliação do feedback como ferramenta de ensino e aprendizagem em um curso de medicina. Os questionários construídos pelas autoras com base na literatura revisada sobre o tema, foram desenvolvidos em plataforma digital e disponibilizados on-line. Eles foram compostos por assertivas objetivas e incluíram variáveis como perfil demográfico para caracterização do público alvo, perguntas direcionadas para verificar a frequência, qualidade do conteúdo e impacto do processo de feedback, além dos critérios (atenção, cuidado, objetividade, solicitação, oportunidade, especificidade, direção, afetividade, confirmação, compreensão) mais utilizados no provimento dos feedbacks. Com o intuito de dar um melhor sentido aos critérios utilizados no feedback, segue abaixo uma breve descrição, que foi utilizada nos questionários, indicando os significados de cada um desses critérios: Atenção - aquele que faz crítica deve ser um bom ouvinte e deve estar atento às respostas verbais e não verbais de quem as recebe. Cuidado - a crítica deve ser feita com máximo de cuidado para ajudar e dar suporte. Objetividade - a crítica deve ter bases claras, critérios coerentes, descrevendo a situação comode medicina identificar- se como médico, podendo qualquer ato por ele praticado nessa situação ser caracterizado como exercício ilegal da medicina. Art. 26: A realização de atendimento por acadêmico deverá obrigatoriamente ter supervisão médica. Art. 29: A quebra de sigilo médico é de responsabilidade do médico assistente, sendo esse ato vedado ao acadêmico de medicina. Art. 32: O estudante de medicina deve manusear e manter sigilo sobre informações contidas em prontuários, papeletas, exames e demais folhas de observações médicas, assim como limitar o manuseio e o conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas a sigilo profissional. Referências: LIMA et. al. Anamnese: Uma reflexão da sua importância na relação médico-paciente dentro da formação médica. Pesquisa Unifimes, 2021. PINHO, F. M. O. et al. Exame Físico Geral. In: PORTO, C. C. Semiologia Médica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. BICKLEY, L. S. Bates: Propedêutica Médica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. SOARES et al. Reflexões contemporâneas sobre anamnese na visão do estudante de medicina. Revista Brasileira de Educação Médica, v.3, nº38, páginas 314-322, 2014. NETO et al. Profissionais de saúde e a comunicação de más notícias sob a ótica do paciente. Revista Medica Minas Gerais, v. 4, nº.23, páginas 518-525, 2013. CRUZ, CAROLINA O.; RIERA, RACHEL. Comunicando más notícias: o protocolo SPIKES. Diagnostico e Tratamento, v. 3, nº 21, páginas 106-108,2016. @jumorbeck @jumorbeck CARACTERÍSTICAS DO MÚSCULO CARDÍACO: Em geral, possui um núcleo por fibra; As células musculares cardíacas individuais ramificam-se e juntam-se com as células vizinhas, criando uma rede complexa. As junções celulares, conhecidas como discos intercalares, consistem em membranas interligadas. Os discos intercalares têm dois componentes: os desmossomos e as junções comunicantes. Os desmossomos são conexões fortes que mantêm as células vizinhas unidas, permitindo que a força criada em uma célula seja transferida para a célula vizinha. As junções comunicantes nos discos intercalares conectam eletricamente as células musculares cardíacas umas às outras. Elas permitem que as ondas de despolarização se espalhem rapidamente de célula a célula, de modo que todas as células do músculo cardíaco se contraem quase simultaneamente. O retículo sarcoplasmático miocárdico é menor que o do músculo esquelético; por isso, o músculo cardíaco depende, em parte, do Ca extracelular para iniciar a contração. As mitocôndrias ocupam cerca de um terço do volume celular de uma fibra contrátil cardíaca, devido à grande demanda energética dessas células. SINCRONIA DAS CÉLULAS DO TECIDO MUSCULAR CARDÍACO ↠ O coração é composto por três tipos principais de músculo: o músculo atrial, o músculo ventricular e as fibras especializadas excitatórias e condutoras. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Os tipos atrial e ventricular de músculo contraem-se quase como os músculos esqueléticos, mas com duração muito maior da contração. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ As fibras excitatórias e de condução do coração, no entanto, só se contraem fracamente por conterem poucas fibras contráteis, mas apresentam descargas elétricas rítmicas automáticas, na forma de potenciais de ação, ou fazem a condução desses potenciais de ação pelo coração, representando sistema excitatório que controla os batimentos rítmicos. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ As células cardíacas conectam-se umas às outras por discos intercalares, que incluem a combinação de junções mecânicas e conexões elétricas. As conexões mecânicas, que evitam que as células se soltem quando se contraem, abrangem as junções de aderência e os desmossomos. Por outro lado, as junções comunicantes (gap) entre as células musculares cardíacas formam conexões elétricas, permitindo a propagação do potencial de ação por todo o coração. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Considera-se que a disposição das células musculares cardíacas forma um sincício mecânico e elétrico, fazendo com que um único potencial de ação (gerado no interior do nó sinoatrial) curse por todo o coração, de maneira que este se contraia de modo sincrônico, semelhante a ondas. (BERNE E LEVY) Sistema de condução CÉLULAS MUSCULARES CARDÍACAS CONTRAEM-SE SEM INERVAÇÃO ↠ A maior parte do coração é composta por células musculares cardíacas, ou miocárdio. A maioria das células musculares cardíacas é contrátil, mas cerca de 1% delas são especializadas em gerar potenciais de ação espontaneamente. Essas células são responsáveis por uma propriedade única do coração: sua capacidade de se contrair sem qualquer sinal externo. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ O sinal para a contração é miogênico, ou seja, é originado dentro do próprio músculo cardíaco. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ O sinal para a contração miocárdica não é proveniente do sistema nervoso central, mas de células miocárdicas especializadas, denominadas células autoexcitáveis. As células autoexcitáveis são também denominadas células marca-passo, uma vez que elas determinam a frequência dos batimentos cardíacos. (SILVERTHON, 7ª ed.) As células autoexcitáveis miocárdicas são anatomicamente distintas das células contráteis: elas são menores e contêm poucas fibras contráteis. Como elas não têm sarcômeros organizados, as células autoexcitáveis não contribuem para a força contrátil do coração. (SILVERTHON, 7ª ed.) NÓ SINOATRIAL NÓ ATRIOVENTRIC ULAR FEIXE DE HIS RAMOS DIREITO E ESQUERDO FIBRAS DE PURKINJE @jumorbeck SINAIS ELÉTRICOS COORDENAM A CONTRAÇÃO ↠ As células miocárdicas individuais devem despolarizar e contrair de modo coordenado para o coração gerar força suficiente para o sangue circular. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ A comunicação elétrica no coração começa com um potencial de ação em uma célula autoexcitável. A despolarização se propaga rapidamente para as células vizinhas através das junções comunicantes nos discos intercalares. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ As fibras do nodo sinusal se conectam diretamente às fibras musculares atriais, de modo que qualquer potencial de ação que se inicie no nodo sinusal se difunde de imediato para a parede do músculo atrial. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ A onda de despolarização é seguida por uma onda de contração, que passa pelo átrio e depois vai para os ventrículos. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ A despolarização inicia no nó sinoatrial (nó SA), as células autoexcitáveis no átrio direito que servem como o principal marca-passo do coração. A onda de despolarização, então, propaga-se rapidamente por um sistema especializado de condução, constituído de fibras autoexcitáveis não contráteis. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ As células do nó SA não têm potencial de repouso estável. Em vez disso, elas se despolarizam repetida e espontaneamente até um limiar. Quando o potencial marcapasso alcança o limiar, ele dispara um potencial de ação. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Uma via internodal ramificada conecta o nó SA com o nó atrioventricular (nó AV), um grupo de células autoexcitáveis perto do assoalho do átrio direito. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ No nó AV, o potencial de ação se desacelera consideravelmente, como resultado de várias diferenças na estrutura celular do nó AV. Este atraso fornece tempo para os átrios drenarem seu sangue para os ventrículos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Do nó AV, a despolarização move-se para os ventrículos. através do feixe AV (fascículo atrioventricular) também chamado de feixe de His (“hiss”), no septo ventricular. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Percorrido um curto caminho no septo, o feixe se divide em ramos esquerdo e direito. Esses ramos continuam se deslocando para o ápice do coração, onde se dividem em pequenas fibras de Purkinje, que se espalham lateralmente entre as células contráteis. (SILVERTHON, 7ª ed.) 1- O sinal elétrico para a contração começa quando o nó SA dispara um potencial de ação e a despolarização sepropaga para as células vizinhas através das junções comunicantes; @jumorbeck 2- A condução elétrica é rápida através das vias de condução intermodais; 3- Porém mais lenta através das células contráteis do átrio; Quando os potenciais de ação se espalham pelos átrios, eles encontram o esqueleto fibroso do coração na junção entre os átrios e os ventrículos. Esta barreira impede que os sinais elétricos sejam transferidos dos átrios para os ventrículos. Consequentemente, o nó AV é o único caminho através do qual os potenciais de ação podem alcançar as fibras contráteis dos ventrículos. (SILVERTHON, 7ª ed.) 4- O sinal elétrico passa do nó AV para o fascículo AV e seus ramos até o ápice do coração; 5- Os ramos subendocárdicos (fibras de Purkinje) transmitem os impulsos muito rapidamente, com velocidades de até 4ms, de modo que todas as células contráteis do ápice se contraem quase ao mesmo tempo; No coração, o nó SA é o marca-passo mais rápido e normalmente determina a frequência cardíaca. Contudo, se ele estiver danificado e não funcionar, um dos marca-passos mais lentos do coração deverá assumir o ritmo. A frequência cardíaca então se ajustará ao ritmo do novo marca-passo. Ainda existe a possibilidade de que diferentes partes do coração sigam marca-passos diferentes. (SILVERTHON, 7ª ed.) Potencial de ação e contração das células miocárdicas contráteis ↠ O potencial de ação iniciado pelo nó SA propaga-se pelo sistema de condução e se espalha para excitar as fibras musculares atriais e ventriculares “atuantes”, chamadas de fibras contráteis. (TORTORA, 14ª ed.) A CONTRAÇÃO DO MÚSCULO CARDÍACO PODE SER GRADUADA ↠ Uma propriedade-chave das células musculares cardíacas é a habilidade de uma única fibra muscular executar contrações graduadas nas quais a fibra varia a quantidade de força que gera. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ A força gerada pelo músculo cardíaco é proporcional ao número de ligações cruzadas que estão ativas. O número de ligações cruzadas é determinado pela quantidade de Ca+2 ligado à troponina. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Se a concentração citosólica de Ca+2 está baixa, algumas ligações cruzadas não são ativadas e a força de contração é menor. Se Ca+2 extracelular for adicionado à célula, mais Ca+2 será liberado do retículo sarcoplasmático. Esse Ca+2 adicional gera mais força. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Outro fator que afeta a força de contração no músculo cardíaco é o comprimento do sarcômero no início da contração. Em um coração sadio, o estiramento de fibras individuais depende da quantidade de sangue existente no interior das câmaras cardíacas. A relação entre a força e o volume ventricular é uma propriedade importante da função cardíaca. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ A atividade elétrica (potencial de ação) leva a uma resposta mecânica (contração) depois de um pequeno atraso. (TORTORA, 14ª ed.) OS POTENCIAIS DE AÇÃO NO MIOCÁRDIO VARIAM ↠ O músculo cardíaco é um tecido excitável com a capacidade de gerar potenciais de ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Cada um dos dois tipos de células musculares cardíacas tem um potencial de ação distinto, que varia um pouco no formato, dependendo do local do coração onde ele é medido. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Tanto no miocárdio autoexcitável quanto no contrátil, o Ca+2 desempenha um papel importante no potencial de ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) POTENCIAIS DE AÇÃO CARDÍACOS O potencial de repouso da membrana é determinado pela condutância do K+ e aproxima-se do potencial de equilíbrio do K+. A corrente de influxo traz cargas elétricas positivas para o interior da célula e despolariza o potencial de membrana. A corrente de efluxo leva cargas elétricas positivas para fora da célula e hiperpolariza o potencial de membrana. O papel da Na+/K+ - adenosina trifosfatase(ATPase) é manter gradientes iônicos através das membranas celulares. (CONSTANZO, 6ª ed.) CÉLULAS MIOCÁRDICAS AUTOEXCITÁVEIS ↠ Potencial de membrana instável, o qual inicia em - 60 mV e lentamente ascende em direção ao limiar. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Este potencial de membrana instável é chamado de potencial marca-passo, em vez de potencial de membrana em repouso, uma vez que ele nunca permanece em um valor constante. Sempre que o potencial marca--passo depolariza até o limiar, as células autoexcitáveis disparam um potencial de ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ As células autoexcitáveis contêm canais que são diferentes dos canais de outros tecidos excitáveis. Quando o potencial de membrana da célula é -60 mV, os canais If, que são permeáveis tanto ao K+ quanto ao Na+2, estão abertos. (SILVERTHON, 7ª ed.) @jumorbeck ↠ Os canais If são assim denominados porque eles permitem o fluxo da corrente (I) e devido às suas propriedades não usuais. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Os pesquisadores que primeiro descreveram a corrente iônica através desses canais não entenderam, naquele momento, o seu comportamento e a denominaram corrente funny (engraçada), e, portanto, utilizaram o subscrito f. Os canais If pertencem à família dos canais HCN, ou canais dependentes de nucleotídeos cíclicos ativados por hiperpolarização. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Quando os canais If se abrem em potenciais de membrana negativos, o influxo de Na+ excede o efluxo de K+. O influxo resultante de carga positiva despolariza lentamente a célula autoexcitável. À medida que o potencial de membrana se torna mais positivo, os canais de If fecham-se gradualmente, e alguns canais de Ca+2 se abrem. O resultante influxo de Ca+2 continua a despolarização, e o potencial de membrana move-se continuamente em direção ao limiar. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Quando o potencial de membrana atinge o limiar, canais adicionais de Ca+2 dependentes de voltagem se abrem. O cálcio entra rapidamente na célula, gerando a fase de despolarização rápida do potencial de ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) Observe que esse processo é diferente daqueles em outras células excitáveis, no qual a fase de despolarização é devida à abertura de canais de Na+ dependentes de voltagem. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Quando os canais de Ca+2 se fecham no pico do potencial de ação, os canais lentos de K+ estão abrindo. A fase de repolarização do potencial de ação autoexcitável é devida resultante efluxo de K+. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ A velocidade na qual as células marca-passo despolarizam determina a frequência com que o coração contrai (a frequência cardíaca). O intervalo entre os potenciais de ação pode ser modificado pela alteração da permeabilidade das células autoexcitáveis para diferentes íons, o que, por sua vez, modifica a duração do potencial marca-passo. (SILVERTHON, 7ª ed.) RESUMO NÓ SINOATRIAL (SA) É normalmente o marca-passo do coração; Apresenta potencial de repouso instável; Exibe despolarização na fase 4, ou automatismo; O nó AV e o sistema His-Purkinje são marca-passos latentes, que podem exibir automatismo e sobrepujar o nó AS, se este for suprimido; A frequência intrínseca de despolarização da fase 4 é maior no nó AS e menor no sistema His-Purkinje: Nó SA> nó AV > His-Purkinje; FASE 0: é a fase ascendente do potencial de ação. É causada por um aumento da condutância do Ca+2 . Esse aumento resulta em uma corrente de influxo de Ca+2 que impulsiona o potencial de membrana em direção ao potencial de equilíbrio do Ca+2. A base iônica da fase 0 no nó SA é diferente daquela encontrada nos ventrículos, átrios e fibras de Purkinje (onde resulta uma corrente de influxo de Na+. FASE 3: é a repolarização. É causada por um aumento de condutância do K+. Esse aumento resulta em uma corrente de efluxo de K+ que causa repolarização do potencial de membrana FASE 4: é a despolarização lenta. É responsável pela atividade de marca-passo do nó SA; É causada por um aumento na condutância do Na+, que resulta em uma corrente de influxo de NA+ denominada If; A If éativada pela repolarização do potencial de membrana durante o potencial de ação precedente. FASES 1 e 0: não estão presentes no potencial de ação do nó SA. (CONSTANZO, 6ªed.) Potencial de ação do nó sinoatrial @jumorbeck CÉLULAS MIOCÁRDICAS CONTRÁTEIS ↠ Os potenciais de ação das células cardíacas contráteis são similares, de diversas maneiras, aos dos neurônios e dos músculos esqueléticos. A fase de despolarização rápida do potencial de ação é resultado da entrada de Na+, e a fase de repolarização rápida é devida à saída de K+ da célula. (SILVERTHON, 7ª ed.) Fase 0: despolarização. Quando a onda de despolarização entra na célula contrátil através das junções comunicantes, o potencial de membrana torna-se mais positivo. Os canais de Na+ dependentes de voltagem (canais rápidos de sódio) se abrem, permitindo que a entrada de Na+ despolarize rapidamente a célula. O potencial de membrana atinge cerca de 20 mV antes de os canais de Na+ se fecharem. Estes são canais de Na+ com duas comportas. Fase 1: repolarização inicial. Quando os canais rápidos de Na+ se fecham, a célula começa a repolarizar à medida que o K+ deixa a célula pelos canais de K+ abertos. Fase 2: o platô. A repolarização inicial é muito breve. O potencial de ação, então, se achata e forma um platô como resultado de dois eventos: uma diminuição na permeabilidade ao K+ e um aumento na permeabilidade ao Ca+2.. Os canais de Ca+2 dependentes de voltagem ativados pela despolarização foram abertos lentamente durante as fases 0 e 1. Quando eles finalmente abrem, o Ca+2 entra na célula. Ao mesmo tempo, alguns canais “rápidos” de K+ se fecham. A combinação do influxo de Ca+2 com a diminuição do efluxo de K+ faz o potencial de ação se achatar e formar um platô. Quando os canais de Ca+2 acionados por voltagem do sarcolema se abrem, os íons cálcio se movem do líquido intersticial para o citosol. Este influxo de Ca faz com que ainda mais Ca saia do RS para o citosol por canais adicionais de Ca da membrana do reticulo sarcoplasmático. (TORTORA 14ª ed.) A entrada do cálcio é uma característica do acoplamento excitação- contração cardíaco No músculo cardíaco, um potencial de ação inicia o acoplamento EC, contudo, o potencial de ação origina-se espontaneamente nas células marca-passo do coração e se propaga para as células contráteis através das junções comunicantes. (SILVERTHON, 7ª ed.) 1- Um potencial de ação que entra em uma célula contrátil se move pelo sarcolema e entra nos túbulos T; 2- Onde abre os canais de Ca+2 dependentes de voltagem tipo L na membrana das células; 3- O Ca+2 entra nas células através desses canais, movendo- se a favor do seu gradiente eletroquímico. A entrada de cálcio abre os canais liberadores de cálcio do tipo rianodínico (RyR) no retículo sarcoplasmático; 4- Esse processo do acoplamento EC no músculo cardíaco é também chamado de liberação de Ca+2 induzida pelo Ca+2 (LCIC). Quando os canais RyR se abrem, o cálcio estocado flui para fora do retículo sarcoplasmático e entra no citosol; 5- Cria-se uma fagulha que pode ser vista utilizando-se métodos bioquímicos especiais. A abertura múltipla de diferentes canais RyR se somam para criar o sinal de Ca+2; 6- A liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático fornece, aproximadamente, 90% do Ca+2 necessário à contração muscular, sendo que os 10% restantes entram na célula a partir do líquido extracelular. O cálcio difunde-se pelo citosol para os elementos contráteis, onde se liga à troponina e inicia o ciclo de formação de pontes cruzadas e o movimento; 7- Com a diminuição das concentrações citoplasmáticas de Ca+2, o Ca+2 desliga-se da troponina, liberando a actina da miosina, e os filamentos contráteis deslizam de volta para sua posição relaxada; 8- O Cálcio é transportado de volta para o retículo sarcoplasmático com a ajuda da Ca+2 -ATPase; 9- No músculo cardíaco, o Cálcio também é removido de dentro da célula pelo trocador Na+ - Ca+2 (NCX); 10- Um Ca+2 é movido para fora da célula contra o seu gradiente eletroquímico em troca de 3 Na+ para dentro da célula a favor do seu gradiente eletroquímico. O sódio que entra na célula durante essa troca é removido pela Na+-K+- ATPase. @jumorbeck Fase 3: repolarização rápida. O platô termina quando os canais de Ca+2 se fecham e a permeabilidade ao K+ aumenta mais uma vez. Os canais lentos de K+, responsáveis por essa fase são ativados pela despolarização, mas são abertos lentamente. Quando os canais lentos de K+ se abrem, o K+ sai rapidamente e a célula retorna para seu potencial de repouso (fase 4). Fase 4: potencial de membrana em repouso. As células miocárdicas contráteis têm um potencial de repouso estável de aproximadamente -90 mV. O influxo de Ca+2 durante a fase 2 prolonga a duração total do potencial de ação do miocárdio. Em uma célula miocárdica contrátil, o potencial de ação dura geralmente 200 ms ou mais. (SILVERTHON, 7ª ed.) O potencial de ação miocárdico mais longo ajuda a impedir a contração sustentada, chamada de tetania. A prevenção do tétano no coração é importante porque o músculo cardíaco deve relaxar entre as contrações, de modo que os ventrículos possam encher-se com sangue. (SILVERTHON, 7ª ed.) O período refratário é o período após um potencial de ação durante o qual um estímulo normal não pode desencadear um segundo potencial de ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) No músculo cardíaco, o longo potencial de ação (curva vermelha) faz o período refratário (fundo amarelo) e a contração (curva azul) terminarem simultaneamente. Quando um segundo potencial de ação pode ocorrer, a célula miocárdica está quase completamente relaxada. Consequentemente, não ocorre somação. (SILVERTHON, 7ª ed.) RESUMO VENTRÍCULOS, ÁTRIOS E O SISTEMA DE PURKINJE Apresentam potenciais de repouso da membrana estáveis, de cerca de -90mV. Esse valor se aproxima do potencial de equilíbrio do K+; Os potenciais de ação são de longa duração, particularmente nas fibras de Purkinje, onde duram 300 ms. FASE 0: é a fase ascendente do potencial de ação. É causada por um aumento transitório da condutância do Na+. Esse aumento resulta em uma corrente de influxo de Na+ que despolariza a membrana. No pico do potencial de ação, o potencial de membrana aproxima-se do potencial de equilíbrio do Na+. FASE 1: breve período de repolarização inicial. A repolarização inicial é causada por uma corrente de efluxo, em parte pelo movimento dos íons K+ para fora da célula e, em parte, pela diminuição na condutância do Na+. FASE 2: platô do potencial de ação. É causada por uma elevação transitória da condutância do Ca+2, que resulta em uma corrente de influxo de Ca+2, e por um aumento da condutância do K+. Durante a fase 2, as correntes de efluxo e influxo são aproximadamente iguais, de modo que o potencial de membrana se encontra estável no platô. FASE 3: é a repolarização. A condutância do Ca+2 diminui, enquanto a condutância do K+ aumenta e, portanto, predomina; A elevada condutância do K+ resulta em uma grande corrente de efluxo de K+, que hiperpolariza a membrana de volta ao potencial de equilíbrio do K+. FASE 4: é o potencial de repouso da membrana. É um período durante o qual as correntes de influxo e de efluxo são iguais e o potencial de membrana aproxima-se do potencial de equilíbrio do K+. (CONSTANZO, 6ªed.) Potencial de ação ventricular @jumorbeck COMPARAÇÃO DOS POTENCIAIS DE AÇÃO MIOCÁRDIO CONTRÁTIL MIOCÁRDIO AUTOEXCITÁVEL POTENCIAL DE MEMBRANA Estável a -90mV Potencial marca- passo instável, normalmente, começa em -60mV EVENTOS QUE LEVAM AO LIMIAR DO POTENCIAL A despolarização entra via junções comunicantes. Entrada resultante de Na+ através dos canais If, reforçada pela entrada de Ca+2. FASE DE ASCENSÃO DO POTENCIAL DE AÇÃO Entrada de Na+. Entrada de Ca+2. FASE DE REPOLARIZAÇÃOProlongamento do platô, causado pela entrada de Ca+2; fase rápida, causada pelo efluxo de K+. Rápida; causada pelo efluxo de K+. DURAÇÃO DO POTENCIAL DE AÇÃO Prolongada: +200ms Variável; geralmente +150ms PERÍODO REFRATÁRIO Longo, uma vez a restauração dos portões dos canais de Na+ persiste até o fim do potencial de ação Não é significante na função normal. Eletrocardiograma ↠ Quando o impulso cardíaco passa através do coração, uma corrente elétrica também se propaga do coração para os tecidos adjacentes que o circundam. Pequena parte da corrente se propaga até a superfície do corpo. (GUYTON, 13ª ed.) É possível utilizar eletrodos na superfície para registrar a atividade elétrica interna porque as soluções salinas, como o nosso líquido extracelular à base de NaCl, são bons condutores de eletricidade. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ O eletrocardiograma (ECG) é um registro desses sinais elétricos. O ECG é composto pelo registro do potencial de ação produzido por todas as fibras musculares do coração durante cada batimento cardíaco. O instrumento utilizado para registrar as alterações é um eletrocardiógrafo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O pai do ECG moderno foi o fisiologista holandês Walter Einthoven. Ele nomeou as partes do ECG como as conhecemos hoje e criou o “triângulo de Einthoven”, um triângulo hipotético criado ao redor do coração quando os eletrodos são colocados nos braços e na perna esquerda. Os lados do triângulo são numerados para corresponder às três derivações, ou pares de eletrodos, usados para obter o registro. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Na prática clínica, posicionam-se eletrodos nos braços e pernas (derivações dos membros) e em seis posições do tórax (derivações torácicas) para registrar o ECG. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O eletrocardiógrafo amplifica os sinais elétricos do coração e produz 12 traçados diferentes a partir das distintas combinações de derivações de membros e tórax. @jumorbeck Cada eletrodo no membro e tórax registra uma atividade elétrica discretamente diferente, por causa da diferença em sua posição em relação ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) Um ECG registra uma derivação de cada vez. Um eletrodo atua como eletrodo positivo da derivação, e um segundo eletrodo atua como o eletrodo negativo da derivação. (O terceiro eletrodo é inativo.) Por exemplo, na derivação I, o eletrodo do braço esquerdo é definido como positivo, e o eletrodo do braço direito é definido como negativo. Quando uma onda elétrica se move através do coração diretamente para o eletrodo positivo, a onda do ECG ascende da linha de base. Se o movimento resultante de cargas pelo coração dirigir-se para o eletrodo negativo, o traçado move-se para baixo. (SILVERTHON, 7º ed.) Um ponto importante a ser lembrado é que o ECG é uma “visão” elétrica de um objeto tridimensional. As derivações de um ECG fornecem “visões” elétricas diferentes e dão informações sobre diferentes regiões do coração. (SILVERTHON, 7º ed.) ONDAS DO ECG ↠ Existem dois componentes principais em um ECG: as ondas e os segmentos. As ondas fazem parte do traçado que sobe e desce a partir da linha de base. Os segmentos são partes da linha de base entre duas ondas. Os intervalos são combinações de ondas e segmentos. ↠ Em um registro típico, três ondas claramente reconhecíveis aparecem a cada batimento cardíaco. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A primeira, chamada onda P, é um pequeno desvio para cima no ECG. A onda P representa a despolarização atrial, que se propaga do nó SA ao longo das fibras contráteis em ambos os átrios. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A segunda onda, denominada complexo QRS, começa com uma deflexão para baixo, continua como uma grande onda vertical triangular, e termina como uma onda descendente. O complexo QRS representa a despolarização ventricular rápida, conforme o potencial de ação se propaga ao longo das fibras contráteis ventriculares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A terceira onda é um desvio para cima em forma de cúpula chamada de onda T. Indica a repolarização ventricular e ocorre apenas quando os ventrículos começam a relaxar. A onda T é menor e mais larga do que o complexo QRS, porque a repolarização ocorre mais lentamente do que a despolarização. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Durante o período de platô da despolarização constante, o traçado do ECG é reto. (TORTORA, 14ª ed.) CORRELAÇÃO DAS ONDAS DO ECG COM SÍSTOLES ATRIAIS E VENTRICULARES @jumorbeck ↠ Os átrios e ventrículos se despolarizam e então se contraem em momentos diferentes porque o sistema de condução conduz os potenciais de ação cardíacos ao longo de uma via específica. O termo sístole refere-se à fase de contração; a fase de relaxamento é a diástole. As ondas do ECG predizem o momento da sístole e diástole atrial e ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em uma frequência de 75 bpm, a sincronização é a seguinte: (TORTORA, 14ª ed.) 1- Um potencial de ação cardíaco surge no nó SA. Ele se propaga ao longo do músculo atrial e para baixo em direção ao nó AV em cerca de 0,03 s. Enquanto as fibras contráteis atriais se despolarizam, a onda P aparece no ECG. 2- Depois do início da onda P, os átrios se contraem (sístole atrial). A condução do potencial de ação se desacelera no nó AV, porque as fibras têm diâmetros muito menores e menos junções comunicantes. O 0,1 s de atraso resultante possibilita tempo para os átrios se contraírem, aumentando assim o volume de sangue nos ventrículos antes de a sístole ventricular começar. 3- O potencial de ação se propaga rapidamente de novo depois de entrar no fascículo AV. Cerca de 0,2 s após o início da onda P, ele se propagou ao longo dos ramos, ramos subendocárdios e todo o miocárdio ventricular. A despolarização progride para baixo pelo septo, para cima a partir do ápice, e para fora da superfície do endocárdio, produzindo o complexo QRS. Ao mesmo tempo, ocorre a repolarização atrial, mas esta normalmente não é evidente em um ECG, porque os complexos QRS maiores a mascaram. 4- A contração das fibras contráteis ventriculares (sístole ventricular) começa pouco depois do complexo QRS aparecer e continua durante o segmento ST. Conforme a contração prossegue do ápice à base do coração, o sangue é espremido para cima em direção às válvulas semilunares. 5- A repolarização das fibras contráteis ventriculares começa no ápice e se espalha por todo o miocárdio ventricular. Isso produz a onda T do ECG em cerca de 0,4 s depois do início da onda P. 6- Logo após a onda T começar, os ventrículos começam a relaxar (diástole ventricular). Em 0,6s, a repolarização ventricular está completa e as fibras contráteis ventriculares estão relaxadas. Durante o próximo 0,2 s, as fibras contráteis dos átrios e ventrículos estão relaxadas. Em 0,8 s, a onda P aparece novamente no ECG, os átrios começam a se contrair, e o ciclo se repete. (TORTORA, 14ª ed.) INTERPRETAÇÃO DO ECG ↠ Um ECG fornece informações da frequência cardíaca e do ritmo, da velocidade de condução e até mesmo da condição dos tecidos do coração. Assim, embora seja simples obter um ECG, sua interpretação pode ser muito complicada. A interpretação de um ECG inicia com as seguintes questões: (SILVERTHON, 7ª ed.) 1- Qual é a frequência cardíaca? A frequência cardíaca é normalmente cronometrada do início de uma onda P até o início da próxima onda P, ou do pico de uma onda R; A frequência dos batimentos cardíacos pode ser determinada com facilidade no ECG, visto que a frequência cardíaca corresponde ao inverso do intervalo de tempo entre dois batimentos cardíacos sucessivos. Se, de acordo com as linhas de calibração do tempo, o intervalo entre dois batimentos for de 1 segundo, a frequência cardíaca será de 60 batimentos por minuto. O intervalo de tempo normal entre dois complexos QRS sucessivos de adulto é de cerca de 0,83 segundo, o que corresponde a uma frequência cardíaca de 60/0,83 vezes por minuto, ou 72 batimentos/min.(GUYTON, 13ªed.) 2- O ritmo dos batimentos cardíacos é regular (i.e., ocorre em intervalos regulares) ou irregular? Um ritmo irregular, ou arritmia, pode ser resultado de um batimento extra benigno ou de condições mais sérias, como a fibrilação atrial, na qual o nó SA perde o controle de marca-passo; 3- Todas as ondas normais estão presentes em uma forma reconhecível? Após determinar a frequência cardíaca e o ritmo, o próximo passo ao analisar um ECG é olhar as ondas individuais. Para ajudar na sua análise, você pode precisar escrever as letras sobre as ondas P, R e T. 4- Existe um complexo QRS para cada onda P? Se sim, o comprimento do segmento P-R é constante? Em caso negativo, pode haver um problema de condução dos sinais no nó AV; ↠ A análise de um ECG também envolve medir os intervalos de tempo entre ondas, que são chamados intervalos ou segmentos. Por exemplo, o intervalo PQ é @jumorbeck o tempo desde o início da onda P até o início do complexo QRS. Representa o tempo de condução do início da excitação atrial até o início da excitação ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O segmento ST, que começa no fim da onda S e termina no início da onda T, representa o momento em que as fibras contráteis ventriculares são despolarizadas durante a fase de platô do potencial de ação. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O intervalo QT se estende do início do complexo QRS até ao final da onda T. É o tempo a partir do início da despolarização ventricular até o fim da repolarização ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) Referências: TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017 SILVERTHORN, Dee U. Fisiologia Humana. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo A, 2017. BERNE & LEVY. Fisiologia, 6ª ed. Elsevier Editora, SP, 2009. CONSTANZO, LINDA S. Fisiologia, 6ª ed. Editora Guanabara Koogan LTDA., 2015. @jumorbeck A aorta e seus ramos ↠ As artérias sistêmicas transportam sangue oxigenado do coração para os capilares dos órgãos por todo o corpo. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ A aorta, a maior artéria do corpo, sai do coração, faz um arco superiormente e depois desce ao longo da face anterior dos corpos das vértebras até a parte inferior do abdome. Ao longo de seu curso, a aorta se divide nas seguintes partes: parte ascendente da aorta, arco da aorta e parte descendente da aorta. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Parte descendente da aorta: continuando do arco da aorta, a parte descendente da aorta segue na face posterior do coração e inferiormente, anterior aos corpos das vértebras torácicas e lombares. Ela possui duas partes: a torácica e a abdominal. ↠ A parte torácica da aorta passa pelo diafragma no nível da vértebra T XII e entra na cavidade abdominal como parte abdominal da aorta, anterior aos corpos vertebrais lombares na linha média. Ela termina no nível da vértebra L IV, onde se subdivide nas artérias ilíacas comuns direita e esquerda, que suprem a pelve e os membros inferiores. (MARIEB, 7ª ed.) Artérias dos membros inferiores ↠ No nível da articulação sacroilíaca na cavidade pélvica, cada artéria ilíaca comum bifurca em dois ramos: a artéria ilíaca interna, que supre principalmente os órgãos da pelve, e a artéria ilíaca externa, que supre o membro inferior. (MARIEB, 7ª ed.) Artéria ilíaca externa ↠ As artérias ilíacas externas direita e esquerda transportam sangue para os membros inferiores. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Originando-se nas artérias ilíacas comuns da pelve, cada artéria ilíaca externa desce ao longo da linha arqueada do ilío, emite alguns ramos pequenos para a parede anterior do abdome e entra na coxa passando abaixo do ponto médio do ligamento inguinal. A partir desse local, a artéria ilíaca externa passa a se chamar artéria femoral. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Na sequência, a ilíaca externa se torna a artéria femoral na coxa, a artéria poplítea posterior ao joelho e as artérias tibiais anterior e posterior nas pernas. (TORTORA, 14ª ed.) Artéria femoral ↠ A artéria femoral desce verticalmente pela região medial da coxa até o fêmur e ao longo da superfície anterior dos músculos adutores. Superiormente, a artéria desce pelo trígono femoral, uma região na parte proximal da coxa delimitada pelo músculo sartório lateralmente e pelo músculo adutor longo medialmente. Inferiormente, a artéria femoral passa por uma fenda no músculo adutor magno (o hiato do adutor) e emerge na face posterior e distal do fêmur como artéria poplítea. (MARIEB, 7ª ed.) Embora a parte superior da artéria femoral esteja confinada em uma formação tubular de fáscia densa, ela é relativamente superficial e não conta com a proteção de qualquer musculatura sobrejacente. Essa falta de proteção torna a parte proximal da artéria femoral em um local conveniente para tomar a pulsação ou aplicar pressão a fim de parar o sangramento de uma hemorragia distal no membro, mas também a torna suscetível à lesão. (MARIEB, 7ª ed.) No cateterismo cardíaco, insere-se um cateter através de um vaso sanguíneo, que é avançado até os grandes vasos para acessar uma câmara do coração. O cateter muitas vezes contém um instrumento de medição ou outro dispositivo em sua ponta. Para alcançar o lado esquerdo do coração, o cateter é inserido na artéria femoral e passado para a aorta até as artérias coronárias ou câmara cardíaca. (TORTORA) @jumorbeck ↠ Várias artérias surgem da artéria femoral na região da coxa. O maior ramo, que emerge superiormente e se chama femoral profunda (ou artéria profunda da coxa), é a principal fornecedora de sangue para os músculos da coxa: adutores, posteriores da coxa e quadríceps. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Os ramos proximais da artéria femoral profunda são as artérias circunflexas femorais medial e lateral, que circundam o colo e a diáfise superior do fêmur. (MARIEB, 7ª ed.) A artéria circunflexa medial é o principal vaso para a cabeça do fêmur. Se uma fratura do quadril romper essa artéria, o tecido ósseo da cabeça do fêmur degenera. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Um longo ramo descendente da artéria circunflexa femoral lateral segue ao longo da face anterior do músculo vasto lateral, suprido por ela. (MARIEB, 7ª ed.) Artéria poplítea ↠ A artéria poplítea, a continuação inferior da artéria femoral, situa -se na fossa poplítea (a região posterior ao joelho), uma região profunda que oferece proteção contra lesões. Você pode sentir um pulso poplíteo se flexionar a sua perna no joelho e empurrar seus dedos vigorosamente na fossa poplítea. (MARIEB, 7ª ed.) Se um clínico não conseguir sentir o pulso poplíteo, a artéria femoral pode estar estenosada pela aterosclerose. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ A artéria poplítea emite várias artérias do joelho (geniculares) que circundam a articulação do joelho como arcos horizontais. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Logo abaixo da cabeça da fíbula, a artéria poplítea se divide nas artérias tibiais anterior e posterior. (MARIEB, 7ª ed.) Artéria tibial anterior ↠ A artéria tibial anterior segue através do compartimento muscular anterior da perna, descendo ao longo da membrana interóssea lateral à tíbia e emitindo ramos para os músculos extensores ao longo do seu trajeto. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ No tornozelo, ela se transforma na artéria dorsal do pé que, na base dos ossos metatarsais, dá origem à artéria arqueada e emite ramos menores distais ao longo dos metatarsos. A parte terminal da dorsal do pé penetra na @jumorbeck planta do pé, onde forma a extremidade medial do arco plantar. (MARIEB, 7ª ed.) A artéria dorsal do pé é superficial e a sua pulsação pode ser palpada no espaço proximal entre o primeiro e o segundo metatarsal (ponto de pulsação do pé). A ausência dessa pulsação pode indicar que o suprimento sanguíneo para a perna é inadequado. A verificação de rotina do pulso do pé é indicada para os pacientes reconhecidamentecom prejuízo circulatório nas pernas e para os pacientes que estão se recuperando de cirurgia na perna ou na coxa. (MARIEB, 7ª ed.) Artéria tibial posterior ↠ A artéria tibial posterior, desce pela parte posteromedial da perna diretamente abaixo do músculo sóleo. Na parte proximal, ela emite um grande ramo, a artéria fibular, que desce ao longo da face medial da fíbula. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Juntas, as artérias tibial posterior e fibular suprem os músculos flexores na perna, e as artérias fibulares, os músculos fibulares. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Inferiormente, a artéria tibial posterior passa posteriormente ao maléolo medial da fíbula, onde sua pulsação pode ser palpada. No lado medial do pé, ela se divide nas artérias plantares medial e lateral, que suprem a planta do pé. A artéria plantar contribui para a formação do arco plantar, de onde se originam as artérias metatarsais e digital para os dedos dos pés. (MARIEB, 7ª ed.) RAMO DESCRIÇÃO E RAMOS REGIÕES IRRIGADAS ARTÉRIAS ILÍACAS COMUNS Emergem da parte abdominal da aorta, aproximadamente no nível da vértebra L IV. Cada artéria ilíaca comum dá origem a dois ramos: as artérias ilíaca interna e ilíaca externa. Músculos da parede pélvica, órgãos pélvicos, órgãos genitais externos e membros inferiores. ARTÉRIAS ILÍACAS INTERNAS Principais artérias da pelve. Começam na bifurcação das artérias ilíacas comuns anteriormente à articulação sacroilíaca. Se dividem em divisões anterior e posterior. Músculos da parede pélvica, órgãos pélvicos, nádegas, órgãos genitais externos e músculos mediais da coxa. ARTÉRIAS ILÍACAS EXTERNAS Maiores do que as artérias internas. Começam na bifurcação das artérias ilíacas Parede inferior do abdome, músculo cremaster no homem e ligamento redondo do útero comuns. Descem ao longo da margem medial do músculo psoas maior seguindo a margem pélvica, passam posteriormente à parte média dos ligamentos inguinais e tornam-se artérias femorais quando passam sob o ligamento inguinal e entram na coxa. na mulher, e membro inferior. ARTÉRIAS FEMORAIS Continuações das artérias ilíacas externas no ponto em que elas entram na coxa. No trígono femoral da parte superior das coxas são superficiais, juntamente com a veia e o nervo femorais. Passam sob o músculo sartório à medida que descem ao longo das faces anteromediais da coxa e seguem em direção à extremidade distal da coxa, onde atravessam uma abertura no tendão do músculo adutor magno para terminar na face posterior do joelho, onde se tornam as artérias poplíteas. Músculos da coxa (quadríceps femoral, adutores e isquiotibiais), fêmur e ligamentos e tendões em torno da articulação do joelho. ARTÉRIAS POPLÍTEAS Continuação das artérias femorais na fossa poplítea. Descem até a margem inferior dos músculos poplíteos, onde se dividem em artérias tibial anterior e tibial posterior. Músculos da coxa distal, pele da região do joelho, músculos da parte proximal da perna, articulação do joelho, fêmur, patela, tíbia e fíbula. ARTÉRIAS TIBIAIS ANTERIORES Descendem da bifurcação das artérias poplíteas na margem distal do músculo poplíteo. Menores do que as artérias tibiais posteriores; passam sobre a membrana interóssea da tíbia e fíbula para descer ao longo do compartimento Tíbia, fíbula, músculos anteriores da perna, músculos dorsais do pé, ossos tarsais, ossos metatarsais e falanges. @jumorbeck muscular anterior da perna; tornam- se as artérias dorsais do pé no tornozelo. No dorso do pé, as artérias dorsais do pé emitem um ramo transverso no primeiro osso cuneiforme medial chamado artérias arqueadas, que passam lateralmente sobre as bases dos ossos metatarsais. Das artérias arqueadas rami Ecam-se as artérias metatarsais dorsais, que passam ao longo dos ossos metatarsais. As artérias metatarsais dorsais terminam dividindo-se em artérias digitais dorsais, que passam para os dedos dos pés. ARTÉRIAS TIBIAIS POSTERIORES Continuações diretas das artérias poplíteas, descendem da bifurcação das artérias poplíteas. Descem pelo compartimento muscular posterior da perna profundamente ao M. sóleo. Passam posteriormente ao maléolo medial na extremidade distal da perna e curvam- se para a frente em direção à face plantar dos pés; passam profundamente ao retináculo flexor do lado medial do pé e terminam ramificando-se em artérias plantar medial e plantar lateral. Dão origem às artérias fibulares no terço superior da perna, onde correm lateralmente à medida que descem pelo Compartimentos musculares posterior e lateral da perna, músculos plantares do pé, tíbia, fíbula, ossos do tarso, metatarsais e das falanges. compartimento lateral da perna. As menores artérias plantares mediais passam ao longo da face medial da planta do pé e as maiores artérias plantares laterais angulam-se em direção à face lateral da planta do pé e se unem ao ramo das artérias dorsais do pé para formar o arco plantar. O arco começa na base do quinto osso metatarsal e se estende medialmente ao longo dos ossos metatarsais. Conforme o arco cruza o pé, emite as artérias metatarsais plantares, que passam ao longo da face plantar dos ossos metatarsais. Estas artérias terminam dividindo-se em artérias digitais plantares, que passam para os artelhos. Veias Embora a maioria das veias acompanhe as artérias correspondentes, existem algumas diferenças importantes nas distribuições das artérias e veias: (MARIEB, 7ª ed.) ➢ Enquanto apenas uma artéria sistêmica sai do coração - a aorta que sai do ventrículo esquerdo - três grandes veias entram no átrio direito do coração: as veias cavas superior e inferior e o seio coronário. ➢ Todas as artérias de tamanho médio são de localização profunda e são acompanhadas por veias profundas, frequentemente de nome similar. Além disso, as veias também são encontradas logo abaixo da pele, desacompanhadas de qualquer artéria.. Essas veias superficiais são clinicamente importantes porque proporcionam locais para retirar sangue ou estabelecer uma via intravenosa. Sua localização superficial também as torna suscetíveis a cortes ou lesões. ➢ Frequentemente, duas ou mais veias paralelas drenam uma região do corpo em vez de uma única veia maior. Em algumas regiões, várias veias anastomosam e formam um plexo venoso. @jumorbeck Veias cavas e seus principais tributários ↠ As veias cavas superior e inferior, as duas maiores veias do corpo, desembocam diretamente no átrio direito do coração. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Veia cava superior: recebe o sangue sistêmico de todas as regiões do corpo superiores ao diafragma, excluindo as paredes do coração. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Veia cava inferior: que sobe ao longo da parede posterior da cavidade abdominal e é o vaso sanguíneo mais largo do corpo, devolve ao coração o sangue proveniente de todas as regiões do corpo inferiores ao diafragma. (MARIEB, 7ª ed.) Drenagem venosa do membro inferior ↠ O membro inferior tem veias superficiais e profundas: as veias superficiais estão situadas no tecido subcutâneo e seguem independentemente das artérias correspondentes e as veias profundas situam-se profundamente à fáscia muscular e acompanham todas as grandes artérias. As veias superficiais e profundas têm válvulas, que são mais numerosas nas veias profundas. (MOORE, 7ª ed.) ↠ As veias que drenam os membros inferiores são profundas ou superficiais. (MARIEB, 7ª ed.) Veias superficiais do membro inferior ↠ As duas principais veias superficiais no membro inferior são as veias safenas magna e parva.. A maioria das tributárias não tem nome. (MOORE, 7ª ed.) ↠ A veia safena magna é formada pela união da veia dorsal do hálux e o arco venoso dorsal do pé.. A veia safena magna: (MOORE, 7ª ed.) ➢ Ascende anteriormente até o maléolo medial;➢ Segue posteriormente ao côndilo medial do fêmur (cerca de quatro dedos posteriormente à margem medial da patela); ➢ Anastomosa-se livremente com a veia safena parva; ➢ Atravessa o hiato safeno na fáscia lata; ➢ Desemboca na veia femoral. Importância médica das veias safenas A veia safena magna é o vaso utilizado com mais frequência em pontes da artéria coronária (revascularização do miocárdio). Aqui, deve -se observar que, quando suturar essa veia em uma artéria coronária, o cirurgião precisa orientá-la de modo que o fluxo sanguíneo vá abrir, ao invés de fechar, suas válvulas. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ A veia safena magna tem 10 a 12 válvulas, que são mais numerosas na perna do que na coxa. Essas válvulas geralmente estão localizadas logo abaixo das veias perfurantes. As veias perfurantes também têm válvulas. (MOORE, 7ª ed.) As válvulas venosas são projeções de endotélio com seios valvulares caliciformes cujo enchimento vem de cima. Quando os seios estão cheios, as válvulas ocluem a luz da veia, evitando, assim, o refluxo distal de sangue e tornando o fluxo unidirecional. O mecanismo valvular também divide a coluna de sangue na veia safena em segmentos menores, reduzindo a pressão retrógrada. Os dois efeitos facilitam o trabalho da bomba musculovenosa para superar a força da gravidade e reconduzir o sangue ao coração. (MOORE, 7ª ed.) As veias safenas são mais propensas a enfraquecer e se tornar varicosas do que quaisquer outras veias no membro inferior, já que são mal sustentadas pelo tecido circundante. Além disso, quando as válvulas começam a falhar nas veias de um membro inferior, as contrações normais dos músculos da perna podem espremer o sangue para fora das veias profundas e impulsioná-lo para as veias superficiais através das anastomoses entre esses dois grupos de veias. Esse influxo de sangue intumesce e enfraquece as veias safenas ainda mais. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Enquanto ascende na perna e na coxa, a veia safena magna recebe várias tributárias e comunica-se em vários locais com a veia safena parva. (MOORE, 7ª ed.) @jumorbeck ↠ As tributárias das faces medial e posterior da coxa costumam se unir para formar uma veia safena acessória. Quando presente, essa veia é a principal comunicação entre as veias safenas magna e parva. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Além disso, vasos bem grandes, as veias cutâneas lateral e anterior, originam-se de redes venosas na parte inferior da coxa e entram na veia safena magna superiormente, logo antes de sua entrada na veia femoral. Perto de seu fim, a veia safena magna também recebe as veias circunflexa ilíaca superficial, epigástrica superficial e pudenda externa. (MOORE, 7ª ed.) ↠ A veia safena parva origina-se na face lateral do pé, a partir da união da veia dorsal do quinto dedo com o arco venoso dorsal. A veia safena parva: (MOORE, 7ª ed.) ➢ Ascende posteriormente ao maléolo lateral como uma continuação da veia marginal lateral; ➢ Segue ao longo da margem lateral do tendão do calcâneo; ➢ Inclina-se em direção à linha mediana da fíbula e penetra na fáscia muscular; ➢ Ascende entre as cabeças do músculo gastrocnêmio; ➢ Drena para a veia poplítea na fossa poplítea. Várias veias perfurantes atravessam a fáscia muscular para desviar sangue das veias superficiais para as veias profundas. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Embora as veias safenas recebam muitas tributárias, seus diâmetros se mantêm razoavelmente constantes no trajeto de ascensão no membro. Isso é possível porque o sangue recebido pelas veias safenas é continuamente desviado dessas veias superficiais na tela subcutânea para as veias profundas, situadas internamente à fáscia muscular, através de muitas veias perfurantes. (MOORE, 7ª ed.) ↠ As veias perfurantes penetram na fáscia muscular perto do local onde se originam das veias superficiais e têm válvulas que permitem o fluxo sanguíneo apenas das veias superficiais para as veias profundas. (MOORE, 7ª ed.) @jumorbeck ↠ As veias perfurantes atravessam a fáscia muscular em um ângulo oblíquo, de modo que, quando os músculos se contraem e a pressão aumenta no interior da fáscia muscular, as veias perfurantes são comprimidas. A compressão também impede o fluxo sanguíneo das veias profundas para as veias superficiais. Esse padrão de fluxo sanguíneo venoso – da região superficial para a profunda – é importante para o retorno venoso apropriado do membro inferior, porque permite que as contrações musculares impulsionem o sangue em direção ao coração contra a força da gravidade (bomba musculovenosa). (MOORE, 7ª ed.) Veias profundas do membro inferior ↠ As veias profundas acompanham todas as grandes artérias e seus ramos. Em vez de ocorrerem como uma veia única nos membros (embora muitas vezes sejam ilustradas e denominadas como uma veia única), as veias acompanhantes geralmente são pares, muitas vezes interconectadas, situadas ao lado da artéria que acompanham. Estão contidas na bainha vascular com a artéria, cujas pulsações também ajudam a comprimir e deslocar o sangue nas veias. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Embora o arco venoso dorsal drene basicamente pelas veias safenas, as veias perfurantes penetram na fáscia muscular, formando e suprindo continuamente uma veia tibial anterior no compartimento anterior da perna. As veias plantares medial e lateral da face plantar do pé formam as veias tibiais posteriores e fibulares, situadas posteriormente aos maléolos medial e lateral. (MOORE, 7ª ed.) ↠ As três veias profundas da perna fluem para a veia poplítea posterior ao joelho, que se torna a veia femoral na coxa. As veias que acompanham as artérias perfurantes da artéria femoral profunda drenam sangue dos músculos da coxa e terminam na veia femoral profunda, que se une à parte terminal da veia femoral. (MOORE, 7ª ed.) ↠ A veia femoral segue profundamente ao ligamento inguinal para se tornar a veia ilíaca externa. Em vista do efeito da gravidade, o fluxo sanguíneo é mais lento quando uma pessoa fica parada de pé. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Durante o exercício, o sangue recebido pelas veias profundas proveniente das veias superficiais é impulsionado por contração muscular para as veias femorais e, depois, para as veias ilíacas externas. As válvulas competentes impedem o refluxo. (MOORE, 7ª ed.) ↠ As veias profundas são mais variáveis e se anastomosam com frequência muito maior do que as artérias que acompanham. Tanto as veias superficiais quanto as veias profundas podem ser ligadas, se necessário. (MOORE, 7ª ed.) VEIAS PROFUNDAS DESCRIÇÃO E TRIBUTÁRIAS REGIÕES DRENADAS VEIAS ILÍACAS COMUNS Formadas pela união das veias ilíacas interna e externa anteriormente às articulações sacroilíacas anteriores; anastomosam-se na altura da vértebra L V para formar a veia cava inferior. A veia ilíaca comum direita é muito mais curta do que a esquerda e também é mais vertical, visto que a veia cava inferior encontra-se à direita da linha mediana. Pelve, órgãos genitais externos e membros inferiores. VEIAS ILÍACAS EXTERNAS Acompanham as artérias ilíacas Parede inferior do abdome @jumorbeck internas. Começam nos ligamentos inguinais como continuações das veias femorais. Terminam anteriormente às articulações sacroilíacas, onde se unem às veias ilíacas internas para formar as veias ilíacas comuns. anteriormente, músculo cremaster nos homens e órgãos genitais externos e membro inferior. VEIAS FEMORAIS Acompanham as artérias femorais e são continuações das veias poplíteas ligeiramente superiores ao joelho, onde as veias passam através de uma abertura no músculo adutor magno. Recebem as veias femorais profundas e veias safenas magna pouco antes de penetrar na parede abdominal. Passam por baixo do ligamento inguinal e entram na região abdominopélvica para se tornarem as veias ilíacas externas. Pele, linfonodos, músculos e ossos da coxa, e órgãos genitaisexternos. VEIAS POPLÍTEAS Formadas pela união entre as veias tibiais anterior e posterior na extremidade proximal da perna; ascendem pela fossa poplítea com as artérias poplíteas e nervo tibial. Terminam onde passam através da janela no músculo adutor magno e passam para a frente do joelho para se tornarem as veias femorais. Também recebem sangue de veias safena parva e tributárias, que correspondem a ramos da artéria poplítea. Articulação e pele do joelho, músculos e ossos em torno da articulação do joelho. VEIAS TIBIAIS POSTERIORES Começam posteriormente ao maléolo medial na união das veias plantar medial e lateral da face plantar do pé. Ascendem pela perna com a artéria tibial posterior e o nervo tibial profundamente ao músculo sóleo. Unem-se às veias tibiais posteriores por volta de dois terços do trajeto até a perna. Unem-se às veias tibiais anteriores próximo do topo da membrana interóssea para formar as veias poplíteas. Na face plantar do pé, as veias digitais plantares se unem para formar as veias metatarsais plantares, que são paralelas aos ossos metatarsais. Estas, por sua vez, se unem para formar arcos plantares venosos profundos. As veias plantares medial e lateral emergem dos arcos plantares venosos profundos. Pele, músculos e ossos da face plantar do pé, e pele, músculos e ossos das faces posterior e lateral da perna. VEIAS TIBIAIS ANTERIORES Emergem no arco venoso dorsal e acompanham a artéria tibial anterior. Ascendem profundamente ao músculo tibial anterior na face anterior da membrana interóssea. Atravessam a abertura na extremidade superior da membrana interóssea para se juntar às veias tibiais posteriores e formar as veias poplíteas. Dorso do pé, tornozelo, face anterior da perna, joelho e articulação tibiofibular. @jumorbeck VEIAS SUPERFICIAS DESCRIÇÃO E TRIBUTÁRIAS REGIÕES DRENADAS VEIAS SAFENAS MAGNAS Veias mais longas do corpo; ascendem do pé à virilha na tela subcutânea. Começam na extremidade medial dos arcos venosos dorsais do pé. Os arcos venosos dorsais são redes de veias do dorso do pé formadas pelas veias digitais dorsais, que coletam sangue dos dedos dos pés, e depois se unem em pares para formar as veias metatarsais dorsais, que correm paralelamente aos ossos metatarsais. Quando as veias metatarsais dorsais chegam ao pé, se combinam para formar os arcos venosos dorsais. Passam anteriormente ao maléolo medial da tíbia e então superiormente ao longo da face medial da perna e coxa imediatamente abaixo da pele. Recebem tributárias dos tecidos super Eciais e também se conectam às veias profundas. Esvaziam-se nas veias femorais na região inguinal. Tecidos tegumentares e músculos superficiais dos membros inferiores, região inguinal e parede inferior do abdome. VEIAS SAFENAS PARVAS Começam na face lateral dos arcos venosos dorsais do pé. Passam posteriormente ao maléolo lateral da fíbula e ascendem profundamente à pele ao longo da face posterior da perna. Esvaziam-se nas veias poplíteas na fossa poplítea, Tecidos tegumentares e músculos superficiais do pé e face posterior da perna. posteriormente ao joelho. Contêm 9 a 12 válvulas. Podem se comunicar com as veias safenas magnas na parte proximal da perna. Retorno Venoso ↠ O retorno venoso, o volume de sangue que flui de volta ao coração pelas veias sistêmicas, é consequente à pressão produzida pelo ventrículo esquerdo por meio das contrações do coração. Embora pequena, a diferença de pressão entre as vênulas, em média de aproximadamente 16 mmHg, e o ventrículo direito, 0 mmHg, normalmente é suficiente para provocar o retorno venoso para o coração. (TORTORA, 2016) ↠ Se a pressão no átrio ou ventrículo direito aumentar, o retorno venoso irá diminuir. Uma das causas do aumento da pressão no átrio direito é uma valva atrioventricular direita incompetente, com extravasamento, que possibilita a regurgitação, refluxo, de sangue quando os ventrículos se contraem. O resultado é a diminuição no retorno venoso e o acúmulo de sangue no lado venoso da circulação sistêmica. (TORTORA, 2016) ↠ Uma característica singular das veias é a presença de válvulas em todos os segmentos venosos, as quais se encontram mais desenvolvidas nas extremidades inferiores. As válvulas venosas nada mais são que protrusões da túnica íntima das paredes venosas para o lúmen do vaso. Cada uma delas é formada por tecido fibroso, denso, revestida por endotélio, e orientada de modo a permitir o fluxo sanguíneo anterógrado. Porém, fechando totalmente o vaso quando o fluxo tende a se tornar retrógrado. Sendo assim, as válvulas são importantes estruturas direcionadoras do fluxo sanguíneo nas veias. (MARGARIDA, 2018) ↠ Um mecanismo funcional que ajuda no retorno do sangue venoso para o coração é o movimento normal do corpo e dos membros, por exemplo, durante a caminhada. A oscilação do membro move o sangue nesse membro e as válvulas venosas asseguram que esse sangue se mova apenas na direção adequada. (MARIEB, 2018) ↠ De acordo com a lei de Frank-Starling, o volume sistólico aumenta quando o volume diastólico final aumenta. O volume diastólico final é, em geral, @jumorbeck determinado pelo retorno venoso, que é a quantidade de sangue que retorna ao coração pela circulação venosa. (SILVERTHORN, 2017) ↠ Além do coração, dois outros mecanismos “bombeiam” o sangue da parte inferior do corpo de volta ao coração: (1) a bomba de músculo esquelético e (2) a bomba respiratória. Ambas as bombas dependem das válvulas existentes nas veias. (TORTORA, 2016) Bomba de músculo esquelético ↠ A bomba do músculo esquelético é assim denominada devida às contrações do músculo esquelético que espremem as veias, particularmente nas pernas, comprimindo-as e empurrando o sangue em direção ao coração. Durante exercícios que envolvem os membros inferiores, o músculo esquelético ajuda a bombear o sangue de volta para o coração. Durante os períodos em que se está imóvel, sentado ou em pé, a bomba do músculo esquelético não auxilia no retorno venoso. (SILVERTHORN, 2017) Funciona do seguinte modo: ➢ Na posição ortostática, tanto as válvulas venosas mais próximas do coração, válvulas proximais, quanto aquelas mais distantes, válvulas distais, nesta parte do membro inferior estão abertas, e o sangue flui para cima em direção ao coração. (TORTORA, 2016) ➢ A contração dos músculos das pernas, como quando você fica na ponta dos pés ou dá um passo, comprime a veia. A compressão empurra o sangue através da válvula proximal, em uma ação chamada ordenha. Ao mesmo tempo, a válvula distal do segmento não comprimido se fecha conforme um pouco de sangue é empurrado contra ela.. (TORTORA, 2016) ➢ Logo após o relaxamento muscular, a pressão cai na seção previamente comprimida da veia, o que faz com que a válvula proximal se feche. A válvula distal agora se abre porque a pressão arterial no pé está mais elevada do que na perna, e a veia se enche com o sangue que vem do pé. A válvula proximal então reabre. (TORTORA, 2016) As pessoas que estão imobilizadas em decorrência de uma lesão ou doença não têm essas contrações de músculos da perna. Como resultado, seu retorno venoso é mais lento e elas podem desenvolver problemas de circulação. (TORTORA, 2016) Bomba respiratória ↠ Também é baseada na compressão e descompressão alternadas das veias. Durante a inspiração, o diafragma se move para baixo, o que provoca uma diminuição da pressão na cavidade torácica e um aumento da pressão na cavidade abdominal. Como resultado, as veias abdominais são comprimidas, e um maior volume de sangue se move das veias abdominais comprimidas para as veias torácicas não comprimidas e então para dentro do átrio direito. Quando as pressões se invertem durante a expiração, as válvulasdas veias evitam o refluxo do sangue das veias torácicas para as veias abdominais. (TORTORA, 2016) Silverthorn entende serem três os fatores que afetam o retorno venoso, incluindo a inervação simpática. Inervação simpática das veias. A constrição das veias devida à atividade simpática é o terceiro fator que afeta o retorno venoso. Quando ocorre constrição das veias, seu volume diminui, empurrando mais sangue para dentro do coração. Com um volume ventricular maior no início da próxima contração, o ventrículo contrai com mais força, enviando mais sangue para o lado arterial da circulação. Desse modo, a inervação simpática das veias permite que o corpo redistribua parte do sangue venoso para a parte arterial da circulação. (SILVERTHORN, 2017) Varizes ou Veias Varicosas ↠ Quando as válvulas nas veias se tornam ineficientes, o resultado são as veias varicosas. As veias deformam e incham com o sangue acumulado, e a drenagem venosa desacelera consideravelmente. 15% de todos os adultos sofrem de veias varicosas, geralmente nos membros inferiores. As mulheres são afetadas com mais frequência do que os homens. O membro inferior esquerdo é mais @jumorbeck suscetível às veias varicosas do que o direito. (MARIEB, 2018) ↠ Muitas vezes, a veia safena magna e suas tributárias tornam-se varicosas (tão dilatadas que as válvulas não se fecham). As varizes são comuns nas partes posteromediais do membro inferior e causam desconforto. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Na veia saudável, as válvulas permitem o fluxo sanguíneo em direção ao coração (B) e impedem o fluxo retrógrado (C). Nas varizes (D), as válvulas são incompetentes em razão da dilatação ou rotação e não funcionam mais adequadamente. Consequentemente, o sangue flui em sentido inferior nas veias, provocando o surgimento de varizes. (MOORE, 7ª ed.) ↠ As veias varicosas podem ser hereditárias, mas também ocorrem nas pessoas cujas ocupações exijam que elas fiquem de pé na mesma posição por muito tempo, como é o caso dos balconistas de lojas, cabeleireiros, dentistas e profissionais de enfermagem. Nas pernas imóveis, o sangue venoso drena tão lentamente que acumula, estica as paredes venosas e as válvulas e faz que essas válvulas falhem. (MARIEB, 2018) Referências: AIRES, Margarida de Mello Fisiologia / Margarida de Mello Aires. - 5. ed. - Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2018. MARIEB, Elaine. Anatomia humana. Tradução Lívia Cais, Maria Silene de Oliveira e Luiz Cláudio Queiroz. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. SILVERTHORN, DeeUnglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Porto Alegre: Artmed, 2017. TORTORA, Gerard J. Princípios de anatomia e fisiologia / Gerard J. Tortora, Bryan Derrickson; tradução Ana Cavalcanti C. Botelho... [et al.]. – 14. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. MOORE, Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª ed., Rio de Janiero: Guanabara Koogan, 2014. 1 @jumorbeck Morfologia dos vasos sanguíneos ↠ As paredes de todos os vasos sanguíneos, exceto os muito pequenos, são compostas por três camadas distintas, ou túnicas: ➢ Íntima: a túnica mais interna da parede de um vaso, que está em contato “íntimo” com o sangue em sua luz. Essa túnica contém o endotélio, o epitélio simples pavimentoso que reveste a luz de todos os vasos. As células endoteliais planas formam uma superfície lisa que minimiza o atrito do sangue que passa por elas. Uma fina camada de tecido conjuntivo frouxo, a camada subendotelial, situa -se na superfície externa do endotélio. (MARIEB, 7ª ed.) ➢ Média: consiste principalmente em lâminas de fibras musculares lisas dispostas circularmente, entre as quais se situam lâminas de fibrilas de colágeno e elastina. A elastina e o colágeno contribuem com elasticidade e resistência para suportar a pressão do sangue que cada batimento cardíaco exerce sobre a parede do vaso. (MARIEB, 7ª ed.) ➢ Adventícia: camada de tecido conjuntivo que contém muitas fibras de colágeno e fibras elásticas. Suas células e fibras seguem na direção longitudinal. Protege o vaso, reforça ainda mais a sua parede e prende esse vaso nas estruturas circundantes. Contém os vasos dos vasos, que surgem como ramificações minúsculas do mesmo vaso ou como ramificações pequenas de outros vasos vizinhos e nutrem a metade externa da parede do vaso maior. (MARIEB, 7ª ed.) Vasos sanguíneos ↠ ARTÉRIAS: a passagem do sangue pelas artérias ocorre das artérias elásticas para as musculares e depois para as arteríolas. (MARIEB, 7ª ed.) ➢ Artérias elásticas: são as maiores artérias perto do coração - a aorta e seus ramos principais. São chamadas artérias de condução. Nas paredes dessas artérias há mais elastina do que em qualquer outro tipo de vaso ➢ Artérias musculares: situam -se distalmente às artérias elásticas e suprem grupos de órgãos, órgãos individuais e partes de órgãos. Essas artérias de “tamanho médio” constituem a maior parte das artérias observadas. ➢ Arteríolas: são as menores artérias. ↠ CAPILARES: são os menores vasos sanguíneos. Eles são compostos de apenas uma única camada de células endoteliais circundadas por uma membrana basal. Renovam e revigoram o líquido intersticial circundante. Existem três tipos de capilares: (MARIEB, 7ª ed.) ➢ Contínuos; ➢ Fenestrados; ➢ Sinusoides;. ↠ VASOS VENOSOS: vênulas e veias. (MARIEB, 7ª ed.) ARTÉRIAS VEIAS TÚNICA MÉDIA Mais espessa Menos espessa TÚNICA ADVENTÍCIA Menos espessa. Mais espessa. TRANSPORTE DE SANGUE Levam o sangue para fora do coração. Conduzem o sangue dos capilares para o coração. LUZ DO VASO Menor Maior ELASTINA Mais elastina Menos elastina PRESSÃO ARTERIAL Maior Menos VÁLVULAS Ausente Presente 2 @jumorbeck Vascularização dos membros superiores ARTÉRIAS ↠ AORTA: maior artéria do corpo, sai do coração, faz um arco superiormente e depois desce ao longo da face anterior dos corpos das vértebras até a parte inferior do abdômen. Ao longo de seu curso, a aorta se divide nas seguintes partes: (MARIEB, 7ª ed.) ➢ Parte ascendente da aorta; ➢ Arco da aorta: arqueado posteriormente e para a esquerda, o arco da aorta situa -se posteriormente ao manúbrio do esterno. Três artérias se ramificam do arco da aorta e seguem na direção superior: tronco braquiocefálico, artéria carótida comum esquerda e artéria subclávia esquerda. Esses três ramos suprem a cabeça, o pescoço, os MMSS e a parte superior da parede do tórax. ➢ Parte descendente da aorta Artérias dos membros superiores ↠ O membro superior é irrigado por ramos da artéria subclávia. Após emitir seus ramos para o pescoço e o tórax (a artéria vertebral, os troncos tireocervical e costocervical e a artéria torácica interna), cada artéria subclávia segue lateralmente sobre a primeira costela, sob a clavícula. Desse ponto, a artéria subclávia entra na axila como artéria axilar. (MARIEB, 7ª ed.) Artéria axilar ↠ A artéria axilar desce pela axila, emitindo os seguintes ramos: ➢ Artéria toracoacromial, que surge logo abaixo da clavícula e se ramifica para suprir grande parte dos músculos peitoral e deltoide; ➢ A artéria torácica lateral, que desce ao longo da margem lateral do m. peitoral menor, irrigando os músculos peitorais e serrátil anterior, e emite ramos importantes para a mama; ➢ Artéria subescapular, que se destina às regiões escapulares dorsal e ventral e o músculo latíssimo do dorso; ➢ Artérias circunflexas anterior e posterior do úmero, que envolvem o colo cirúrgico do úmero e auxiliam na irrigação do músculo deltoide e da articulação do ombro. ↠ A artéria axilar continua no braço como artéria braquial. O limite para essa transição é a margem inferior do músculo redondo maior. (MARIEB, 7ª ed.) Artéria braquial ↠ A artéria braquial desce ao longo da face medial do úmero, abaixo do músculo bíceps braquial no sulco bicipital medial, e supre os músculos da região anteriordo braço. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ O pulso braquial pode ser sentido nesse local. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ A artéria braquial é utilizada para a tomada da pressão arterial. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Um ramo importante, a artéria profunda do braço (também chamada braquial profunda), envolve a face posterior do úmero com o nervo radial e supre o músculo tríceps. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ À medida que a artéria braquial se aproxima do cotovelo, ela emite vários ramos pequenos inferiormente, as artérias colaterais ulnares, que formam anastomoses com os ramos ascendentes das artérias no antebraço para suprir a articulação do cotovelo. Esses vasos também proporcionam circulação colateral para as regiões mais distais do membro, quando o cotovelo é dobrado. (MARIEB, 7ª ed.) A artéria braquial atravessa a face anterior da articulação do cotovelo, abaixo da aponeurose do músculo bíceps braquial na linha média do braço, outro local em que seu pulso é sentido facilmente e onde se pode auscultar durante a tomada da pressão arterial. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Imediatamente após a articulação do cotovelo, a artéria braquial se divide nas artérias radial e ulnar, que descem pela face anterior do antebraço. (MARIEB, 7ª ed.) 3 @jumorbeck Artéria radial ↠ A artéria radial desce ao longo da margem medial do músculo braquiorradial, suprindo os músculos anterolaterais do antebraço, a parte lateral do punho, além do polegar e do dedo indicador. (MARIEB, 7ª ed.) Na raiz do polegar, imediatamente lateral ao tendão do m. flexor radial do carpo, ela se situa muito próximo da superfície e proporciona um local conveniente para a tomada da pulsação. (MARIEB, 7ª ed.) Um ramo da artéria radial continua na tabaqueira anatômica, um local onde a pulsação radial também pode ser detectada. (MARIEB, 7ª ed.) Artéria ulnar ↠ A artéria ulnar, que desce ao longo da face anterior e medial da parte anterior do antebraço, situa-se entre os músculos flexores superficiais e profundos e emite ramos para os músculos que cobrem a ulna. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Na parte proximal, ela emite um ramo importante chamado artéria interóssea comum, que se divide imediatamente nas artérias interósseas anterior e posterior. Esses vasos descem ao longo das respectivas superfícies da membrana interóssea entre o rádio e a ulna. (MARIEB, 7ª ed.) ➢ A artéria interóssea anterior irriga os músculos flexores profundos; ➢ A artéria interóssea posterior seus ramos destinam- se a todos os músculos extensores da região posterior do antebraço. ↠ A artéria ulnar continua na mão, atravessando o punho lateralmente ao do tendão do flexor ulnar do carpo. (MARIEB, 7ª ed.) Arcos palmares ↠ Na palma, ramos das artérias radial e ulnar se unem e formam dois arcos horizontais, os arcos palmares superficial e profundo. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ O arco superficial se situa abaixo da pele e da fáscia da mão, enquanto o arco profundo se situa contra os ossos metacarpais. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ As artérias digitais, que suprem os dedos, ramificam - se desses arcos. (MARIEB, 7ª ed.) As artérias radial e ulnar também formam na face dorsal do punho, a rede carpal dorsal, cujos ramos seguem na direção distal ao longo dos ossos metacarpais. (MARIEB, 7ª ed.) ARTÉRIAS RAMO DESCRIÇÃO E RAMOS REGIÕES IRRIGADAS TRONCO BRAQUIOCEFÁLICO Primeiro ramo do arco da aorta; se divide para formar as artérias subclávia direita e carótida comum direita. Cabeça, pescoço, membros superiores e parede torácica. ARTÉRIA SUBCLÁVIA DIREITA Estende-se do tronco braquiocefálico até a margem inferior da primeira costela. Pescoço, ombro, músculos escapulares, entre outros. ARTÉRIA SUBCLÁVIA ESQUERDA Emerge como o terceiro e último ramo do arco da aorta; passa superior e lateral pelo mediastino e profundamente à clavícula na base do pescoço em seu percurso em direção ao membro superior. Distribuição semelhante à da artéria subclávia direita. ARTÉRIA AXILAR Continuação da A. suclávia direita na axila. Músculos do ombro e do cíngulo dos membros superiores. ARTÉRIA BRAQUIAL Continuação da A. axilar no braço, começa na margem distal do músculo redondo maior e termina bifurcando-se em Aa. radial e ulnar. Músculos do braço, úmero e articulação do cotovelo. ARTÉRIA RADIAL Menor ramo da bifurcação braquial; continuação direta da A. braquial. Principal fonte de sangue para os músculos do compartimento posterior do antebraço. ARTÉRIA ULNAR Maior ramo da A. braquial. Músculos do compartimento anterior do antebraço. ARCO PALMAR SUPERFICIAL Formado principalmente pelo ramo superficial da artéria ulnar, com contribuição do Músculos, ossos, articulações e pele da palma das mãos e dedos. 4 @jumorbeck ramo superficial da artéria radial. ARCO PALMAR PROFUNDO Emerge principalmente do ramo profundo da A. radial, mas recebe contribuição do ramo profundo da artéria ulnar. Músculos, ossos, e articulações da palma das mãos e dedos. VEIAS ↠ As veias cavas superior e inferior, as duas maiores veias do corpo, desembocam diretamente no átrio direito do coração. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ A veia cava superior recebe o sangue sistêmico de todas as regiões do corpo superiores ao diafragma, excluindo as paredes do coração. Essa veia surge da união das veias braquiocefálica esquerda e direita, posterior ao manúbrio do esterno, e desce para desembocar no átrio direito. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Das duas veias braquiocefálicas, a esquerda é mais longa e quase horizontal, enquanto a direita é vertical. (MARIEB, 7ª ed.) Veias dos membros superiores ↠ As veias dos membros superiores são profundas ou superficiais. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Tanto as veias superficiais quanto profundas retornam o sangue dos membros superiores para o coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As veias superficiais estão localizadas profundamente na pele e frequentemente são visíveis. Elas se anastomosam extensivamente entre si e com as veias profundas, e não acompanham artérias. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As veias superficiais são maiores do que as veias profundas e devolvem a maior parte do sangue dos membros superiores. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As veias profundas estão localizadas profundamente no corpo. Elas costumam acompanhar artérias e têm os mesmos nomes das artérias correspondentes. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Tanto as veias superficiais quanto profundas têm válvulas, mas estas são mais numerosas nas veias profundas. (TORTORA, 14ª ed.) Veias profundas ↠ Os arcos palmares profundo e superficial da mão drenam nas veias radial e ulnar do antebraço, que se unem logo abaixo da articulação do cotovelo e formam a veia braquial (do braço). (MARIEB, 7ª ed.) ↠ À medida que a veia braquial entra na axila, ela drena na veia axilar, que se transforma na veia subclávia, no nível da primeira costela. (MARIEB, 7ª ed.) VEIAS PROFUNDAS VEIAS DESCRIÇÃO E TRIBUTÁRIAS REGIÕES DRENADAS VEIAS BRAQUIOCEFÁLICAS Formadas pela união das veias subclávia e jugular interna. Duas veias braquiocefálicas se unem para formar a veia cava superior. Membros superiores, parte superior do tórax, cabeça entre outros VEIAS SUBCLÁVIAS Continuações das veias axilares. Passam sobre a primeira costela profundamente à clavícula para terminar na extremidade esternal da clavícula, onde se unem com as veias jugulares externas. Ossos dos braços, ombros, pescoço, entre outros. VEIAS AXILARES Surgem quando as veias braquiais e basílicas se unem próximo da base da axila Pele, músculos, ossos do braço, axila, ombro. VEIAS BRAQUIAIS Acompanham as artérias braquiais. Músculos e ossos da região do cotovelo e braquial. VEIAS ULNARES Começam nos arcos venosos palmares Músculos, ossos e pele da mão, e 5 @jumorbeck superficiais, que drenam as veias digitais palmares e as veias digitais palmares própriasfoi compreendida. Solicitação - o participante que se mostra interessado em ouvir críticas estará provavelmente mais aberto a identificar as áreas que requerem atenção. Oportunidade - o retorno será oferecido na oportunidade que encontre a pessoa mais @jumorbeck receptiva e que seu desempenho ainda esteja na mente. Especificidade - a crítica precisa apontar como um desempenho pode ser potencializado ou mudado. Direção - o retorno deve ser dirigido aos comportamentos que podem ser mudados. Afetividade - aquele que faz a crítica deve expressar seus sentimentos para que o outro possa perceber o impacto de seu desempenho. Confirmação - deve-se buscar uma confirmação da percepção sobre um determinado desempenho do participante. Compreensão - deve-se assegurar que o participante compreendeu o retorno que foi feito. Participaram dessa pesquisa 200 estudantes, ativos academicamente, de todos os períodos do curso de graduação de medicina, vigentes no segundo semestre de 2018 (2, 4, 6, 8, 10 e 12º períodos); e 82 professores ativos academicamente nesse curso. Entre os estudantes, os cinco critérios que tiveram maior frequência, sendo considerados muito importantes, foram: objetividade (76,5%), cuidado (76,0%), atenção (70%), especificidade (69,5%) e compreensão (67,5%). Percebe-se também que a afetividade foi o único critério que recebeu nenhuma e pouca importância no provimento do feedback. Porém, o feedback envolve uma dimensão afetiva de particular importância, e quando a informação dada pelo professor se centra no próprio estudante, e não no seu desempenho, pode aumentar o medo do fracasso pelo estudante. Mas, se houver negligência da afetividade, pelo professor, os estudantes podem minimizar seus esforços, evitando os riscos das tarefas desafiadoras. Além disso, alguns autores afirmam que, o bom professor deve demonstrar competência pedagógica, científica, e nas relações de afeto entre aluno-professor. A forma como o estudante recebe o feedback influencia no sucesso do seu objetivo. Receber o feedback de maneira adequada requer maturidade, honestidade e compromisso com o objetivo de melhorar suas habilidades clínicas. Artigo: Aprendizagem Cooperativa e a Formação do Médico Inserido em Metodologias Ativas: um olhar de estudantes e docentes O presente estudo teve como objetivo geral explorar a percepção de estudantes e docentes sobre aprendizagem cooperativa em um currículo médico baseado em métodos ativos;. Na modalidade quantitativa, caracterizou-se o perfil de estudantes e docentes da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) quanto a suas percepções no que tange à aprendizagem cooperativa instigada na esfera de metodologias ativas de ensino e aprendizagem (ABP e Problematização) em pequenos grupos na graduação. Ao serem indagados se havia contribuição significativa dos outros estudantes em sua aprendizagem nos grupos tutoriais e ciclos pedagógicos, a maioria nas quatro séries concordou com esta afirmação. Ao se deparar com a proposição que os colocava diante do papel do tutor em sua aprendizagem dentro das tutorias, a maioria dos estudantes da primeira série (75%) afirmou que considera preponderante o papel do tutor no processo tutorial. Na segunda série, 90% consideraram essencial. A terceira série teve a menor porcentagem de concordância (54%), enquanto 71% da quarta série concordaram. Assim, percebe-se que há valorização do papel do tutor/facilitador. De acordo com alguns autores, o tutor poderia ser definido como aquele profissional que ensina o estudante a aprender, sendo essencial num pequeno grupo pela sua experiência ao aconselhar, guiar e facilitar a construção o do conhecimento O feedback imediato por todos os elementos do grupo contribui com o desenvolvimento da aprendizagem de todos. Quanto à proposição segundo a qual no pequeno grupo percebiam mais cooperação do que competição, na primeira série, 37% concordaram; na segunda série, 54% concordaram; na terceira série,61% concordaram; e na quarta série, 67% concordaram. Parece que no primeiro ano ainda trazem fortemente em suas atitudes a competição, talvez porque tenham acabado de sair do vestibular, e, portanto, a experiência com os métodos facilita a cooperação entre eles. Segundo meta-análise de Albanese1 realizada para avaliar os efeitos da aprendizagem cooperativa em comparação com a aprendizagem competitiva, ações cooperativas trouxeram maiores benefícios na resolução de problemas (72,5%) @jumorbeck A cooperação pode promover habilidades importantes na formação do médico com melhor desenvoltura para questões psicossociais. Johnsonet al.7 propõem cinco componentes básicos para serem incorporados ao processo de ensino e aprendizagem para que haja aprendizagem cooperativa, tendo o professor como facilitador nesse processo. São eles: interdependência positiva, responsabilidade individual e grupal, interação face a face, habilidades interpessoais e grupais para manter um ambiente adequado ao aprendizado, e avaliação grupal. Vega Vacaet al destacam em seu trabalho que a aprendizagem cooperativa traz vários benefícios num contexto de trabalho em pequenos grupos: aumenta o rendimento, motivação e autoestima dos estudantes frente à aprendizagem individualista, desenvolve atitudes mais positivas em relação à aprendizagem e aos docentes, favorece a aceitação dos companheiros e desenvolve interdependência positiva. Estas percepções de aprendizagem mútua entre professores e estudantes também são encontradas no estudo de Freitas et al.16, ao afirmarem que a relação existente entre eles permite a troca de saberes, sendo condição indispensável ao processo ensino- aprendizagem, o que dinamiza o processo educativo e lhe dá sentido. Em suma, com base no entendimento de docentes e estudantes, concluiu-se que a aprendizagem cooperativa é eficaz em pequenos grupos e que traz benefícios sociais, cognitivos e psicomotores, sendo favorecida no âmbito de metodologias ativas e com a educação permanente, a qual, se implementada de maneira incisiva, pode gerar ferramentas úteis ao processo de ensino e aprendizagem. Referências COHEN, ELIZABETH G.; LOTAN, RACHEL A. Planejando o Trabalho em grupo: Estratégias para Salas de Aula Heterogêneas. 3º edição. Editora Penso, 2017. HARDINGHAM ALISON. Trabalho em equipe. São Paulo, Novel, 2000. PIANCASTELLI, Carlos Haroldo; FARIA, Horácio Pereira de; SILVEIRA, Marília Rezende da . O trabalho em equipe. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Organização do cuidado a partir de problemas: uma alternativa metodológica para a atuação da Equipe de Saúde da Família. Brasília: OPAS, p.45-50, 2000. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/si mples/O%20TRABALHO%20EM%20EQUIPE/ NAVARRO, ADRIANA SANTANA DE SOUZA; GUIMARÃES, RAPHAELLA LIMA DE SOUZA; GARANHANI MARA LÚCIA. Trabalho em equipe: o significado atribuído por profissionais da estratégia da família. Revista Mineira de Enfermagem, vol. 1, nº 17, páginas: 69-75, janeiro-março 2013. Disponível em: http://www.reme.org.br/artigo/detalhes/579 BACICH, LILIAN; MORAN JOSÉ. Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem téorico- prática. Porto Alegre: Penso, 2018 e-PUB. Disponível em: https://curitiba.ifpr.edu.br/wp- content/uploads/2020/08/Metodologias-Ativas-para-uma- Educacao-Inovadora-Bacich-e-Moran.pdf FRISON, LOURDES MARIA BRAGAGNOLO. Tutoria entre estudantes: uma proposta de trabalho que prioriza a aprendizagem. Revista Portuguesa de Educação, vol. 25, núm. 2, 2012, pp. 217-240 Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/rpe/article/view/3008 CONCEIÇÃO, CAIO V.; MORAES, MAGALI Aparecida Alves. Aprendizagem Cooperativa e a Formação do Médico Inserido em Metodologias Ativas: um olhar de Estudantes e Docentes. Revista Brasileira de Educação Médica, vol. 2, nº 42, páginas: 115-122, 2018. PEIXOTO, MARISA COSTA. Avaliação do feedbacknos dedos. músculos da face medial do antebraço. VEIAS RADIAIS Iniciam-se nos arcos venosos palmares profundos, que drenam as veias metacarpais palmares nas palmas das mãos. Unem-se às veias ulnares para formar as veias braquiais. Músculos e ossos da lateral da mão e antebraço. Veias superficiais ↠ São maiores do que as veias profundas e são visíveis abaixo da pele. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Elas formam anastomoses frequentes ao longo do seu curso, começando pela rede venosa dorsal da mão. Essas veias são imediatamente aparentes no dorso da mão em razão da pele delgada da região. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ A rede venosa dorsal drena superiormente na veia cefálica, que começa na parte lateral dessa rede, curva- se em torno da parte distal do rádio, e penetra na parte anterior do antebraço. Desse ponto, essa veia sobe por toda a face anterolateral do membro superior e termina abaixo da clavícula, onde se une à veia axilar. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ A veia basílica surge na parte medial da rede venosa dorsal da mão, e sobe ao longo da superfície posteromedial do antebraço e da superfície anteromedial do braço. Na axila, a veia basílica se une à veia braquial e formam a veia axilar. (MARIEB, 7ª ed.) ↠ Na face anterior da articulação do cotovelo, na região da fossa cubital, a veia intermédia do cotovelo conecta as veias basílica e cefálica. Essa veia é fácil de encontrar na maioria das pessoas, sendo utilizada para retirar sangue ou administrar substâncias por via intravenosa. (MARIEB, 7ª ed.) VEIAS SUPERFICIAIS VEIAS DESCRIÇÃO E TRIBUTÁRIAS REGIÕES DRENADAS VEIAS CEFÁLICAS Iniciam-se na face lateral das redes venosas dorsais da mão no dorso das mãos, formadas pelas veias metacarpais dorsais Tegumento e músculos superficiais da face lateral do membro superior. VEIAS BASÍLICAS Iniciam-se na face medial da rede venosa dorsal das mãos e ascendem ao longo da face posteromedial do antebraço e da face anteromedial do braço. Conectam-se às veias cefálicas anteriormente ao cotovelo pelas veias intermediárias do cotovelo. Tegumento e músculos superficiais da face lateral do membro superior. Sinais vitais ↠ As medidas de temperatura, pulso, pressão arterial (PA), frequência respiratória e saturação de oxigênio são as mais frequentemente obtidas pelos profissionais de saúde. Como indicadores do estado de saúde, essas medidas indicam a eficiência das funções circulatória, respiratória, neural e endócrina do corpo. (POTTER & PERRY) ↠ Devido à sua importância, são referidas como sinais vitais. (POTTER & PERRY) 6 @jumorbeck ↠ A dor, um sintoma subjetivo, também é frequentemente chamada de o quinto sinal vital e medida juntamente com os demais. (POTTER & PERRY) ↠ Os sinais vitais são um modo eficiente e rápido de monitorar a condição do paciente ou de identificar problemas e avaliar a resposta do paciente a uma intervenção. (POTTER & PERRY) QUANDO MEDIR OS SINAIS VITAIS? ➢ À admissão em instituições de cuidado da saúde; ➢ Quando avaliar o paciente em visitas de cuidado domiciliar; ➢ No hospital, em esquema de rotina, conforme prescrições do profissional de saúde ou dos padrões de prática hospitalar; ➢ Antes e após um procedimento cirúrgico ou um procedimento diagnóstico invasivo; ➢ Antes, durante e após uma transfusão de derivados do sangue; ➢ Antes, durante e após a administração de medicamentos ou terapias que afetam as funções de controle cardiovascular, respiratório ou de temperatura; ➢ Quando condições físicas gerais do paciente são alteradas; Pulso e Frequência Cardíaca ↠ A expansão e a retração alternadas das artérias elásticas após cada sístole do ventrículo esquerdo cria uma onda de pressão móvel que é chamada pulso. O pulso é mais intenso nas artérias mais próximas do coração, torna-se mais fraco nas arteríolas e desaparece por completo nos capilares. O pulso pode ser palpado em qualquer artéria que se situe perto da superfície do corpo que possa ser comprimida contra um osso ou outra estrutura firme. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Devem-se registrar a frequência das pulsações arteriais - geralmente a radial - e a frequência cardíaca mensurada no exame do precórdio. (CAMPANA) ➢ Taquicardia é uma frequência cardíaca ou de pulso acima de 100 bpm. (TORTORA, 14ª ed.) ➢ Bradicardia é uma frequência cardíaca ou de pulso lenta (inferior a 60 bpm). (POTTER & PERRY) ➢ Taquisfigmia: é uma frequência da pulsação arterial acima de 100 bpm. ➢ Bradisfigmia: é uma frequência da pulsação arterial abaixo de 60 bpm. Uma contração cardíaca ineficiente que falha na transmissão da onde de pulsação para o local da pulsação periférica cria um déficit de pulso. Para avaliar esse déficit, deve-se avaliar as frequências apical e radial ao mesmo tempo e compará-las. A diferença entre as frequências de pulsação apical e radial corresponde ao déficit de pulso. (POTTER & PERRY) Deve-se avaliar o: ➢ Ritmo: normalmente ocorre um intervalo regular entre cada pulso ou batimento cardíaco. Um intervalo interrompido por um batimento precoce ou tardio, ou por um batimento perdido, indica um ritmo anormal ou disritmia. ➢ Força: a força ou amplitude de um pulso reflete o volume de sangue ejetado contra a parede arterial a cada contração cardíaca. ➢ Igualdade: acesse a pulsação radial em ambos os lados do sistema vascular periférico, comparando as características de cada um. ↠ Alguns pontos de verificação do pulso arterial comuns: ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO Artéria carótida comum Lateral à laringe (pregas vocais) Artéria braquial Face medial do músculo bíceps braquial Artéria femoral Inferior ao ligamento inguinal Artéria poplítea Posterior ao joelho Artéria radial Face lateral do punho Artéria dorsal do pé Superior ao dorso do pé VARIAÇÕES ACEITÁVEIS DA FREQUÊNCIA CARDÍACA IDADE FREQUÊNCIA CARDÍACA (BPM) BEBÊ 120 - 160 CRIANÇA COMEÇANDO A ANDAR 90 – 140 PRÉ-ESCOLAR 80 – 110 CRIANÇA EM IDADE ESCOLAR 75 - 100 ADOLESCENTE 60- 90 ADULTO 60 - 100 Pressão Arterial ↠ Na prática clínica, o termo pressão arterial geralmente refere-se à pressão nas artérias produzida pelo ventrículo esquerdo durante a sístole e a pressão remanescente nas artérias quando o ventrículo está na diástole. A pressão arterial normalmente é aferida na artéria braquial do braço esquerdo. (TORTORA, 14ª ed.) 7 @jumorbeck ↠ A contração cardíaca força o sangue sob alta pressão para dentro da aorta. O pico máximo de pressão, no momento em que a ejeção ocorre, é a pressão sistólica. Quando os ventrículos relaxam, o sangue que permanece nas artérias exerce uma pressão mínima ou diastólica. A pressão diastólica é mínima. (POTTER & PERRY) ↠ Os vários sons auscultados durante a aferição da pressão arterial são chamados sons de Korotkoff. (TORTORA, 14ª ed.) Fatores que influenciam na pressão arterial: idade, estresse, etnia, sexo, variação diária, medicamentos, atividade e peso, tabagismo. (POTTER & PERRY, 8ª ed.) CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL DE ACORDO COM A MEDIÇÃO NO CONSULTÓRIO A PARTIR DE 18 ANOS DE IDADE CLASSIFICAÇÃO PAS (mmHg) PAD (mmHg) PA ÓTIMA /= 180 e/ou >/= 110 De acordo com a Diretriz Brasileira de HÁ, 2020 ↠ A diferença entre as pressões sistólica e diastólica é chamada pressão diferencial. Esta pressão, normalmente de cerca de 40 mmHg, fornece informações sobre a condição do sistema circulatório. Por exemplo, doenças como a aterosclerose e a persistência do canal arterial (PCA) aumentam muito a pressão diferencial. A razão normal entre as pressões sistólica, diastólica e diferencial é de aproximadamente 3:2:1. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Aumento da pressão diferencial, isto é, a diferença entre a pressãocomo ferramenta de ensino e aprendizagem em um curso de medicina. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Uberlândia, 2019. SÁ, SUSANA OLIVEIRAA; ALVES, MARIA PALMIRA; COSTA, ANTÔNIO PEDRO. O contributo do feedback na avaliação das aprendizagens no ensino superior. Atas Investigação Qualitativa em Educação, vol. 1, páginas 229- 233,2014 @jumorbeck Ética no Trabalho em Equipe Ética e moral são conceitos filosóficos que, apesar da estreita relação que mantêm com o comportamento em sociedade, possuem significados distintos. A moral está baseada em costumes e convenções estabelecidas por cada grupo. Por sua vez, a ética se vincula ao estudo e à aplicação desses valores e princípios no âmbito das relações humanas. (CEEM, 2018) Desde o início da civilização o homem necessitou da vivencia em grupo, formando a sociedade, sendo que em cada momento histórico foram criados padrões de comportamentos que demonstram os valores de cada sujeito de acordo com sua cultura e história, demonstrando em suas ações a sua própria ética (SOUZA et al., 2018 apud CORTELLA, 2015). Etimologicamente, ética vem do grego “ethos’ e significa modo de ser, caráter, conduta. A grande diferença entre ética e moral é que, para funcionar, a moral precisa ser imposta, enquanto a ética deve ser inerente ao indivíduo, apreendida e incorporada por ele. A moral é imposta, a ética, percebida. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) Uma preocupação e uma justificativa para o estudo da ética é o fato de que na medicina repousam os valores mais altos da humanidade. Tem o poder de dar e tirar a vida, lutar por ela e deixar morrer, ajudar e destruir pessoas. Em outras palavras: tudo que existe na ciência médica pode ser usado para o bem ou para o mal. A decisão pelo bem ou pelo mal é ditada pelos princípios que formam as bases do trabalho de um médico. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) A ética profissional pode ser definida como valores, normas e de relacionamentos manifestados no ambiente de trabalho. Adotar uma postura ética é construir boas relações com colegas, chefes e subordinados, o que contribui para as rotinas de trabalho funcionarem em ordem, fortalecendo rendimentos produtivos e a imagem da organização frente àqueles que se interessam por ela. Desta forma, ser ético é agir de maneira a não desviar dos padrões convencionais da sociedade, sem trazer prejuízos às outras pessoas. (SOUZA et al., 2018) Em se tratando de ética no trabalho, o filósofo Mario Sérgio Cortella (2015) afirma que “é necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal. (SOUZA et al., 2018) Dentro de uma organização existem pessoas diferente, desta maneira os valores individuais que um colaborador possui nem sempre será compatível com os valores de outros. Os relacionamentos e conflitos no ambiente de trabalho, por vezes, são provocados por valores éticos não cumpridos. Esse não é um fenômeno novo e tampouco será extinto (SOUZA et al., 2018 apud NEME, 2008) A sociedade precisa entender que a ética é insubstituível para a boa conduta no ambiente de trabalho. É ela que age no íntimo do indivíduo para que este vise o bem comum (SOUZA et al., 2018 apud LISBOA, 1997) Tentar ser imparcial, nunca culpar os colegas, não provocar fofocas, evitar discussões públicas e conversar no ambiente particular para esclarecer qualquer problema. Esses são alguns valores que são exigidos para que se mantenha uma postura ética (SOUZA et al., 2018 apud SILVA, 2010) A educação também independe de hierarquia de trabalho. As empresas devem assumir papel de responsáveis pelos cumprimentos da ética, e isso só é possível caso os gestores demonstrem postura ilibada perante seus funcionários (SOUZA et al., 2018 apud CORTELLA, 2015). Ética profissional trata dos direitos e dos deveres, dos profissionais, através da mesma é que são criados os códigos éticos de cada profissão. Assim, os Códigos de Ética Profissional (Camargo,1999) “estruturam e sistematizam as exigências no tríplice plano de orientação, disciplina e fiscalização”. Estabelecendo parâmetros variáveis e relativos que demarcam o piso e o teto dentro dos quais a conduta pode ou deve ser considerada regular sobe o ângulo ético. (MARTINS, GABRIEL, 2012) Deve-se respeitar a dignidade humana, os direitos dos seres humanos e as liberdades fundamentais. Os pilares do conhecimento aprender a viver juntos e aprender a viver com os outros representam um dos maiores desafios da educação. (MENEZES et. al, 2017) Código de Ética do Estudante de Medicina Princípios fundamentais: V - O estudante de medicina guardará absoluto respeito pelo ser humano e atuará sempre em benefício deste com prudência, apresentando-se condignamente, cultivando hábitos e maneiras que façam ver ao paciente o interesse e o respeito de que ele é merecedor. Jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para @jumorbeck permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade. XII - O estudante terá, para com os colegas, respeito, consideração e solidariedade, sem se eximir de apontar aos seus responsáveis (professores, tutores, preceptores, orientadores) atos que contrariem os postulados éticos previstos neste Código. Eixo 6 - Relação do Estudante com a Equipe Multiprofissional: Art. 42: O estudante de medicina deve relacionar-se de maneira respeitosa e integrada com estudantes de diferentes graduações, buscando fomentar, desde o início de sua formação, o trabalho em equipe. Art. 44: O estudante de medicina deve alertar, de forma respeitosa, qualquer profissional de saúde quando identificada alguma situação que julgue oferecer risco potencial à segurança do paciente. Código de Ética do Estudante de Medicina Os primeiros relatos de princípios éticos inerentes à profissão médica são atribuídos à Hipócrates quatro séculos antes da era cristã . O juramento de Hipócrates é até hoje referência para a conduta médica e contém preceitos éticos fundamentais à prática da medicina, como filantropia, não maleficência, justiça e confidencialidade. (YAMAKI et. al, 2014) definido no próprio juramento hipocrático: Tudo aquilo que tenha ou não relação com a prática da minha profissão, ver ou ouvir da vida dos homens que não deva ser divulgado, não divulgarei, respeitando tudo aquilo que deva ficar em segredo. (YAMAKI et. al, 2014) Os autores da ética profissional utilizam com frequência o conceito de deontologia, originado da palavra grega deón [o que é conveniente] e logia [conhecimento]. O pensador Jeremy Benthan introduziu este termo com o seguinte sentido: os estudos das obrigações morais do indivíduo no seio de sua comunidade (Alcântara, 1979). (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) A deontologia é o conjunto de regras, fruto da tradição, que indicam como deverá comportar-se o indivíduo na qualidade de membro de um grupo social determinado. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) A moral deontológica é na realidade uma ética aplicada que orienta uma dada profissão. Suas normas são estabelecidas pelos próprios profissionais, de maneira empírica, depois de atenta reflexão sobre o cotidiano; em geral, estas permanecem dispostas dentro de um ordenamento semelhante a um código no qual são utilizadas expressões imperativas, tais como “é vedado”, “deve” (Código de Ética Médica). (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) A crítica maior aos Códigos de Deontologia é o fato de que são elaborados apenas com a participação dos profissionais da área, sem que sejam ouvidos os reais beneficiários, ou seja, os cidadãos, a quem se propõe proteger. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) A bioética é a parte da ética que enfoca as questões referentes à vida humana e, portanto, à saúde. A bioética possui quatro princípios: beneficência,não maleficência, autonomia e justiça. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) A conduta do médico deve ser resultado de qualidades humanas e preparo técnico, ao lado de uma ordenação de princípios, representados pelo Código de Ética, bem como os direitos e deveres estabelecidos na legislação do país. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) O ensino da ética médica, da bioética e das humanidades no curso de medicina é de extrema importância, pois na graduação o estudante constrói as bases de sua futura relação médico-paciente. Durante essa construção, além de uma formação humanística plural, é necessário o estabelecimento de regras claras de direitos e deveres dos acadêmicos para com seus pares, professores e pacientes. (LISBOA; LINS, 2014) A importância de um código de ética para estudantes de medicina vai além do estímulo à prevenção do exercício ilegal da medicina por estudantes, incidindo também na humanização do futuro médico, que por meio deste instrumento absorverá os princípios e diretrizes voltados ao exercício cidadão da medicina. (LISBOA; LINS, 2014) Código de Ética do Estudante de Medicina Princípios fundamentais: IX - O estudante guardará sigilo a respeito das informações obtidas a partir da relação com os pacientes e com os serviços de saúde Eixo 5: Relação do Estudante com a sociedade Art. 39 – É dever do estudante de medicina agir de forma solidária e respeitosa com as pessoas, a instituição e as @jumorbeck normas vigentes, valorizando atitudes e medidas que beneficiem o crescimento coletivo. Prontuário Médico Em relação à história dos prontuários, o reconhecimento da importância do registro exato das informações do paciente, registradas em seu prontuário, aconteceu a partir da institucionalização da Medicina Científica por Hipócrates, no século 5 a.C. que refletia de maneira exata o curso da doença e indicava as suas possíveis causas (TONELLO, NUNES, PANARO, 2013 apud PINTO, 2006). Baseado em anotações médicas, Hipócrates conseguiu assinalar e descrever muitos sinais e sintomas de enfermidade, e enfatizou a importância do registro cuidadoso dessas anotações. O objetivo desse cuidado era reunir informações, que auxiliassem na reflexão e estudo acerca do desenvolvimento da doença, indicando as prováveis causas e mediante análises e comparações e empírica buscar a melhor forma de tratá-las. (TONELLO, NUNES, PANARO, 2013) O prontuário é um documento que pertence ao paciente, mas fica sob a guarda do médico e/ou da instituição, podendo o paciente fotocopiá-lo. É o principal instrumento de defesa dos profissionais médicos quando há algum tipo de questionamento de natureza ética, civil, administrativa ou criminal. Além disso, servem de suporte à pesquisa, ao ensino e ao gerenciamento dos serviços de saúde, e são também um documento legal dos atos médicos.(PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) De acordo com o Parecer CFM no 30/02, aprovado em 10/07/02, “o prontuário do paciente é o documento único constituído de um conjunto de informações registradas, geradas a partir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência prestada a ele, de caráter legal, sigiloso e científico, que possibilita a comunicação entre membros da equipe multiprofissional e a continuidade da assistência prestada ao indivíduo”. Sua importância é demonstrada no artigo 69º do Código de Ética Médica e no artigo 1º da Resolução 1.638 do Conselho Federal de Medicina (CFM), em que “o médico assume o dever de elaborá-lo para cada paciente”, no intuito de valorizar as individualidades e prestar uma atenção baseada na subjetividade. (FERNANDES et. al, 2019) O prontuário do paciente possui a característica de documento sigiloso, pessoal, privado e confidencial, pois em seus registros constam informações pessoais do paciente, tais como: sua identificação completa, sexo, filiação, naturalidade e endereço, assim como, seus exames e os respectivos resultados, hipóteses diagnósticas, diagnóstico e tratamento. Nele estão registradas todas as informações pessoais referentes aos cuidados médicos e serviços prestados ao paciente, informações a respeito da sua saúde, e a sua intimidade física e mental. (TONELLO, NUNES, PANARO, 2013) Todo atendimento, por mais simples que seja, deve ser registrado na ficha clínica ou no prontuário médico, uma vez que é impossível guardar na memória as queixas, o diagnóstico e as prescrições terapêuticas de todos os pacientes, e para que com isso o médico se resguarde legal e eticamente. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) A incoerência dos relatos clínicos, que se constrói a partir da não disposição dos fatos em ordem cronológica, da não fixação dos médicos em unidades de atenção primária, que resulta na constante renovação de profissionais, bem como da ilegibilidade dos dados, facilitam a descontinuidade do cuidado. Além disso, o preenchimento inadequado, ilegível ou a omissão de informações nos prontuários médicos ferem os direitos dos usuários – mais especificamente, o de ter suas “histórias clínicas preservadas e documentadas” . (FERNANDES et. al, 2019) Por outro lado, o registro adequado das informações sociodemográficas pelos profissionais da atenção primária, associado à realização de pesquisas científicas acerca do perfil clínico-epidemiológico de determinada comunidade, permite o correto estudo da realidade local, a adequação dos protocolos e programas, bem como a correta “alocação dos recursos materiais e humanos” investidos pelos serviços de saúde, aumentando o grau de eficiência do atendimento. (FERNANDES et. al, 2019) .Os prontuários em papel são os mais tradicionais. Todavia, esse tipo de documento é exposto aos riscos de quebra de privacidade e de extravio. Existe, também, dificuldade para a recuperação de informações importantes para tomada de decisão e/ou as que devem ser compartilhadas entre os profissionais de saúde e com os pacientes, além de necessitarem de espaço físico para seu arquivamento. @jumorbeck Há inúmeros modelos de fichas e de prontuários, mas todos eles devem reservar espaço para identificação do paciente, história clínica, exame físico, diagnóstico, prescrições terapêuticas e seguimento do paciente. É necessário abrir um item para as anotações de exames complementares. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) O Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) Vantagens: Acesso mais rápido ao histórico de saúde do paciente e as suas consultas e intervenções prévias; disponibilidade remota; uso simultâneo por diversos serviços e profissionais de saúde; legibilidade das informações; fim da redigitação das informações; integração com outros sistemas de informação; processamento contínuo dos dados; informações organizadas de maneira mais sistemática; inexistência da possibilidade de extravio das fichas; controle do fluxo de pacientes nos serviços de saúde; solicitação e verificação de exames complementares e de medicamentos; mais agilidade; melhora da qualidade no preenchimento dos prontuários; evita deterioração, perda e alteração das informações. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) No âmbito da saúde pública, os registros atualizados continuamente em níveis municipal, estadual e nacional podem apoiar a definição de políticas públicas e regular as demandas entre os três níveis de atenção (primária, secundária e terciária). (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) Desvantagens: Necessidade de grandes investimentos em hardware e software com atualizações frequentes; treinamentos dos usuários; resistência dos profissionais de saúde ao uso de sistemas informatizados; receio dos profissionais em expor suas condutas clínicas, uma vez que o PEP pode ser visto por outros colegas; o sistema pode ficar inoperante por horas ou dias, tornando as informações indisponíveis; demora para coleta de todos os dados obrigatórios; seu usoe acesso indevidos podem colocar a questão da confiabilidade e segurança das informações do paciente. Outra desvantagem apontada está relacionada ao impacto na relação médico-paciente, uma vez que o sistema pode reduzir o contato “olho no olho” e também aumentar o tempo de trabalho dos profissionais, uma vez que costumam exigir o preenchimento de uma quantidade maior de informações. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) A principal barreira para informatizar o arquivo médico está relacionada à educação dos profissionais de saúde que interagem com o prontuário. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) Apesar das dificuldades relatadas, acredita-se que é de suma importância a utilização de sistemas de informação que incluam o prontuário eletrônico no âmbito do sistema de saúde, a fim de identificar os usuários, facilitar a gestão dos serviços, a comunicação e o compartilhamento das informações em um país com dimensões continentais e imensa diversidade cultural. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) Código de Ética do Estudante de Medicina Eixo 3 - Relações Interpessoais do Estudante: Art. 31: O estudante de medicina deve escrever de forma correta, clara e legível no prontuário do paciente. Art. 32: O estudante de medicina deve manusear e manter sigilo sobre informações contidas em prontuários, papeletas, exames e demais folhas de observações médicas, assim como limitar o manuseio e o conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas a sigilo profissional Artigo: Avaliação da qualidade de prontuários médicos de uma Unidade Básica de Saúde: Desafio para caracterização do perfil epidemiológico dos usuários atendidos Trata-se de um estudo descritivo e observacional em que os dados, retrospectivos, foram coletados de prontuários médicos dos pacientes atendidos no Centro de Saúde Dr. Ruy Pimenta Filho no período de 1 de janeiro a 30 de abril de 2015. Dos 2.000 prontuários analisados, em 1.075 (53,7%) prontuários, o diagnóstico se encontrava ausente, ilegível ou apresentava sintomatologia como diagnóstico., ou seja, no Centro Ruy Pimenta, 53,7% dos prontuários apresentaram diagnóstico preenchido de modo incorreto, ilegíveis, ausentes ou com sintomatologia como diagnóstico. A ausência e ilegibilidade das hipóteses diagnósticas, bem como a adoção de sintomatologias e procedimento (curativos e medicação) como diagnóstico evidencia o comprometimento da qualidade de preenchimento dos prontuários, uma vez que apenas 30,7% foram preenchidos corretamente no campo diagnóstico. @jumorbeck Referências SOUZA, ADRIENE A.; SOBREIRA, ALINE L. PAIXÃO; CLAUDIO, EDINEIA A.; GUEDES, SIDILENE A. P.; BARBOSA, VICTÓRIA M. A. P. A. Ética nas relações de trabalho. Caderno de Propostas de Pesquisa, CAPES,2018, Minas Gerais. MARTIN, ÉRIKA B.; GABRIEL, KAREN. A importância da ética nas relações de trabalho. Trabalho de Conclusão de Curso a Graduação em Tecnologia em Recursos Humano da Faculdade de Pindamonhangaba, 2012. PORTO, CELMO C.; PORTO, ARNALDO L.. Semiologia Médica. 8ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. MENEZES, MÁRCIA M.; MAIA, LUCIANA C.; ROCHA, CAROLINA U., SAMPAIO, CRISTINA A., COSTA, SIMONE M. Conflitos Éticos Vivenciados por Estudantes de Medicina. Revista Brasileira de Educação Médica. Vol. 1, nº 41, páginas: 162-169, 2017. LISBOA, LARISSA; LINS LILIANE. Código de ética do estudante de medicina: uma análise qualitativa. Revista Bioética. Vol. 22, nº 1, páginas 182-190,2014. YAMAKI, VITOR N.; TEIXEIRA, RENAN K. C.; OLIVEIRA, JOÃO P. S.; YASOJIMA, EDSON Y.; SILVA, JOSÉ A. C. Sigilo e confidencialidade na relação médico-paciente: conhecimento e opinião ética do estudante de medicina. FERNANDES et. al. Avaliação da qualidade de prontuários médicos de uma Unidade Básica de Saúde: Desafio para caracterização do perfil epidemiológico dos usuários atendidos. Revista Médica de Minas Gerais, 2019. TONELLO, IZÂNGELA M. S.; NUNES, RISIA M. S.; PANARO, ALINE P. Prontuário do Paciente: A questão do sigilo e a lei de acesso à informação. 2013 Código de Ética do Estudante de Medicina. Conselho Federal de Medicina, Brasília, 2018. @jumorbeck As células são as unidades funcionais e estruturais dos seres vivos. Procarionte x Eucarionte A microscopia eletrônica demonstrou que existem fundamentalmente duas classes de células: os procariontes (pro, primeiro, e cario, núcleo), cujos cromossomos não são separados do citoplasma por membrana, e as eucariontes (eu, verdadeiro, e cario, núcleo), com um núcleo bem individualizado e delimitado pelo envoltório nuclear. (JUNQUEIRA, 9ª ed.) Célula Eucarionte As células eucariontes apresentam duas partes morfologicamente bem distintas – o citoplasma e o núcleo –, entre as quais existe um trânsito constante de moléculas diversas, nos dois sentidos. O citoplasma é envolvido pela membrana plasmática, e o núcleo, pelo envoltório nuclear. (JUNQUEIRA, 9ª ed.) Citoplasma X CITOSOL O citoplasma das células eucariontes contém as organelas, como mitocôndrias, retículo endoplasmático, aparelho de Golgi, lisossomos e peroxissomos. O conceito de organela não é bem definido; varia um pouco de um autor para outro. Além das organelas, o citoplasma pode apresentar depósitos de substâncias diversas, como grânulos de glicogênio e gotículas lipídicas. Preenchendo o espaço entre as organelas e os depósitos, também chamados inclusões, encontra-se a matriz citoplasmática ou citosol. (JUNQUEIRA, 9ª ed.) O citosol contém água, íons diversos, aminoácidos, precursores dos ácidos nucleicos, numerosas enzimas. O citosol contém microfibrilas, constituídas de actina, e microtúbulos, constituídos de tubulina, cujas unidades monoméricas se podem despolimerizar e polimerizar novamente, de modo reversível e dinâmico, o que explica as modificações de sol para gel, e vice-versa, observadas no citoplasma. Quando despolimerizadas (separadas umas das outras), as moléculas das proteínas actina e tubulina conferem maior fluidez ao citosol. Quando polimerizadas em microfibrilas e microtúbulos, conferem a consistência de gel à região citoplasmática em que se encontram. (JUNQUEIRA, 9ª ed.) Membrana PlasmÁtica A membrana plasmática, ou plasmalema, é a estrutura celular que estabelece o limite entre os meios intra e extracelulares. Uma função importante dessa membrana é a manutenção da constância do meio intracelular, cuja composição é diferente da do líquido extracelular. Apesar da existência desse limite, existe grande interação entre o interior da célula e as moléculas extracelulares. As unidades de membrana são bicamadas lipídicas formadas principalmente por fosfolipídios e que contêm uma quantidade variável de moléculas proteicas, mais numerosas nas membranas com maior atividade funcional (as proteínas são responsáveis pela maioria das funções da membrana). (JUNQUEIRA, 9ª ed.) As membranas celulares são compostas principalmente por lipídios e por proteínas. A maior parte dos lipídios se organiza em duas camadas de moléculas de fosfolipídios. Estes, em meio aquoso, espontaneamente se organizam em bicamadas sem gasto de energia. Os grupamentos não polares (hidrofóbicos) dos fosfolipídios se situam no centro da membrana, e os seus grupamentos polares (hidrofílicos) se localizam nas duas superfícies da membrana, expostos aos ambientes em que existe água. Além dos fosfolipídios, as membranas celulares contêm outros lipídios, como glicolipídios e colesterol. Células @jumorbeck O folheto externo da bicamada lipídica da membrana plasmática apresenta muitas moléculas de glicolipídios, com as porções glicídicas se projetando para o exterior da célula. As porções glicídicas dos glicolipídios se juntam porções glicídicas das proteínas da própria membrana, mais glicoproteínas e proteoglicanos secretados, que são adsorvidos pela superfície celular para formar um conjuntodenominado glicocálice. Assim, o glicocálice é uma projeção da parte mais externa da membrana, com apenas algumas moléculas adsorvidas, e não uma camada inteiramente extracelular, como se pensou inicialmente. (JUNQUEIRA, 9ª ed.) O glicocálice participa do reconhecimento entre células e da união das células umas com as outras e com as moléculas extracelulares. As proteínas representam aproximadamente 50% do peso da membrana plasmática, percentual que varia muito nas membranas do interior da célula. As moléculas proteicas podem ser classificadas em dois grupos: Proteínas periféricas: estão fracamente associadas à membrana e podem ser extraídas com certa facilidade por meio de soluções salinas. Essas proteínas se ancoram de diversas maneiras na bicamada lipídica: por interação com porções hidrofóbicas da membrana, por ligações covalentes ou por diversos tipos de âncoras, como, por exemplo, por meio do glicosilfosfatidilinositol (GPI) – âncora GPI. Proteínas integrais: são proteínas fortemente ligadas a moléculas da membrana e só podem ser extraídas por tratamentos drásticos, como, por exemplo, pelo uso de detergentes. A maioria dessas proteínas atravessam a bicamada totalmente e são denominadas proteínas transmembrana. Algumas proteínas transmembrana atravessam a membrana uma única vez, enquanto outras têm cadeias longas e dobradas, que atravessam a membrana diversas vezes. Por isso, as proteínas transmembrana podem ser classificadas em proteínas de passagem única e proteínas de passagem múltipla. As proteínas transmembrana exercem funções muito importantes na célula: algumas agem como poros funcionais por onde transitam íons e moléculas, e outras agem como receptores. As proteínas que fazem parte da membrana são sintetizadas no retículo endoplasmático granuloso, modificadas no complexo de Golgi e transportadas para a superfície celular em membranas de vesículas de transporte. As proteínas podem deslizar ao longo do plano da membrana porque a bicamada lipídica é fluida. Conjuntos de moléculas lipídicas e proteicas chamados lipid rafts (jangadas lipídicas) flutuam na superfície da membrana e podem se deslocar ao longo dela. A distribuição das proteínas espalhadas em mosaico na bicamada lipídica da membrana plasmática constitui o modelo do mosaico fluido para as membranas celulares. Transporte de substÂncias atravÉs da membrana plasmÁtica: A troca de substâncias entre as células e o meio extracelular ocorre através da membrana. Moléculas pequenas apolares e gases podem se difundir através dela. Moléculas maiores e íons necessitam de mecanismos específicos para atravessá-la. Para o transporte, alguns desses mecanismos utilizam gradientes de concentração entre um e outro lado da membrana. @jumorbeck Transporte individual de Íons e pequenas molÉculas: Muitas substâncias atravessam a membrana de um ambiente onde elas estão mais concentradas para um ambiente em que estão menos concentradas. Esse transporte não requer consumo de energia e é denominado transporte passivo. Ocorre por meio de proteínas transmembrana chamadas proteínas carreadoras ou transportadoras. Em muitas células, o transporte de água é otimizado pela ação de moléculas transportadoras especializadas, denominadas aquaporinas. Íons, como Na+, K+ e Ca2+, podem atravessar a membrana plasmática através de poros ou canais constituídos por proteínas transmembrana. Esse tipo de transporte frequentemente ocorre contra um gradiente de concentração, de um ambiente pouco concentrado para um ambiente muito concentrado, ambos separados por membrana. Por esta razão, esse tipo de transporte consome energia. É chamado de transporte ativo, e a energia usada para o transporte está geralmente contida em moléculas de ATP. As proteínas envolvidas em transporte ativo são também chamadas bombas (p. ex., bomba de sódio-potássio). As proteínas transportadoras podem transportar apenas um tipo de íon ou molécula em uma direção (uniporter) ou dois tipos de moléculas na mesma direção (simporter). Em certas situações, íons são trocados através da membrana, isto é, enquanto um íon sai da célula, simultaneamente entra outro pelo mesmo transportador. Esse tipo de transporte em direções opostas é denominado antiporter. Transporte de substÂncias em quantidades maiores: A passagem em bloco de macromoléculas pela membrana, assim como a passagem de partículas (p. ex., microrganismos), ocorre por processos que envolvem modificações na membrana plasmática visíveis por microscopia óptica ou eletrônica. A entrada na célula de material em quantidade denomina-se endocitose. Há três variedades principais de endocitose: pinocitose de fase fluida, endocitose mediada por receptores e fagocitose. Pinocitose de fase fluida: A pinocitose de fase fluida é praticada por inúmeros tipos celulares. Caracteriza-se pela formação de pequenas invaginações da membrana, que envolvem o fluido extracelular e as substâncias nele contidas. As vesículas de pinocitose, também denominadas vesículas de endocitose, têm cerca de 80 nm de diâmetro e se destacam da membrana, sendo conduzidas através do citoplasma pela atividade de proteínas motoras associadas ao citoesqueleto. O destino das vesículas é variável. Endocitose mediada por receptores: Enquanto a pinocitose de fase líquida é um processo inespecífico, em muitos casos o transporte para o interior da célula tem caráter específico. É um mecanismo do qual participam receptores de membrana, denominado endocitose mediada por receptores. A ligação entre um receptor de membrana com seu ligante específico ativa moléculas do citoesqueleto; caso os receptores estejam afastados entre si, eles são movimentados ao longo da bicamada lipídica, concentrando-se em pequena área da membrana, onde se forma uma reentrância chamada fosseta. @jumorbeck Muitas vesículas de endocitose se fundem com os endossomos, vesículas situadas tanto nas proximidades da superfície celular (endossomos jovens) como mais profundamente (endossomos maduros). Em conjunto, os endossomos formam o sistema endossômico da célula. Os endossomos maduros frequentemente se fundem com pequenos lisossomos, dando início à digestão do material endocitado. Fagocitose: Alguns tipos celulares, como os macrófagos e os neutrófilos, são especializados em englobar e destruir bactérias, fungos, protozoários, células lesionadas, partículas orgânicas ou inertes e fragmentos de matriz extracelular. As células emitem prolongamentos em forma de lâminas, chamados pseudópodos, que se estendem em torno do material a ser fagocitado. As bordas dos pseudópodos se fundem e acabam por englobar o material em um vacúolo que se destaca da membrana e é transportado para o interior da célula, constituindo o fagossomo. De modo geral, o tamanho do material a ser englobado é maior que 0,5 µm. Exocitose é um processo equivalente à endocitose, porém na direção oposta – transporte de dentro para fora da célula. Exocitose consiste na fusão de vesículas citoplasmáticas; por exemplo, vesículas de transporte e grânulos de secreção, com a membrana plasmática seguida pela expulsão do conteúdo da vesícula para o exterior. A exocitose é um processo complexo e depende de proteínas fusogênicas que facilitam a fusão entre as vesículas e os grânulos de secreção com a membrana plasmática. A endocitose retira porções de membrana da superfície. Pela fusão da membrana da vesícula de exocitose com a membrana plasmática, porções de membrana retornam à membrana plasmática, formando-se um fluxo de membrana que recompõe a superfície total de membrana da célula. Recepção de sinais pela membrana plasmática: A membrana plasmática atua como local de recepção de sinalização que chega à célula sob a forma de substâncias solúveis situadas no meio extracelular. Essas substâncias ou agem como ligantes que reconhecem e se ligam a receptores de superfície