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APG - SOI I
AFYAAFYA
Júlia Morbeck
@med.morbeck
“Estudos revelam que quando o professor fala menos, orienta 
mais e o aluno participa de forma ativa, a aprendizagem é 
mais significativa” (Dollan; Collins) 
No modelo tradicional ainda predominante, a formação 
tem por base uma pedagogia que não estimula 
adequadamente a autonomia, a capacidade de análise, 
julgamento e avaliação, bem como raciocínio crítico, 
investigativo e criativo. (CRUZ et al., 2018) 
Os métodos tradicionais de ensino são caracterizados pela 
transmissão verticalizada de conhecimentos e pela ênfase 
na memorização em detrimento da reflexão crítica, 
baseando-se, essencialmente em aulas expositivas, em 
que o professor é o detentor de conhecimentos e 
grande protagonista, cabendo aos estudantes repetir 
fidedignamente os conteúdos memorizados nas provas 
classificatórias. Esse panorama, no qual o aluno atua quase 
sempre de forma passiva, dificulta a sua participação no 
processo de busca e sedimentação do conhecimento, 
elemento essencial para o desenvolvimento de mentes 
críticas e inovadoras. (CRUZ et al., 2018) 
As mudanças ocorridas nos últimos tempos no meio 
social, político, econômico e religioso estão atingindo 
diretamente a educação, exigindo uma nova visão de 
formação de profissionais que atuem de forma coerente 
com o paradigma educacional dos novos tempos. 
(SANTOS, 2019) 
Uma das melhores definições para o processo de 
aprendizado é fornecido pela neuropsicologia, segunda a 
qual os seres humanos utilizam um modelo com 5 partes 
que são (CRUZ, 2018): 
 Sensação – O processo de aprendizado 
acontece primeiro quando um ou mais de 
nossos sentidos (de preferência todos) são 
acionados. Tato, audição, visão, paladar e olfato 
são filtros ativos e potentes na construção do 
conhecimento e das competências; 
 Percepção – O que acontece na fase da 
sensação passa a ser percebida de forma 
consciente nesta fase; 
 Formação de imagem – A sensação e a 
percepção contribuem para a construção da 
imagem. O cheiro de uma fruta nos remete a 
imagem que temos dela, assim como ao 
ouvirmos o som de um pássaro rapidamente 
imaginamos como este pode ser; 
 Simbolização – Nesta etapa vamos associar a 
imagem criada com a sensação e transformá-la 
em palavras. Neste momento o aprendizado 
está tomando corpo em nossa mente de forma 
que as palavras ajudam a exprimir aquilo que 
vemos, sentimos, ouvimos ou percebemos; 
 Conceituação – E por fim o cérebro realiza a 
segmentação daquilo que aprendemos. De 
forma resumida ele organiza o aprendizado em 
nossa mente de maneira a facilitar o acesso à 
informação futuramente. Esta é considerada 
uma das fases mais importantes de todo o 
processo. Se todas as demais etapas foram 
muito bem utilizadas, a conceituação será mais 
precisa e a memória ampliada; 
Tirar das mãos do professor e transferir para o aluno o 
protagonismo no processo de aprendizagem, é talvez 
uma das principais características das metodologias ativas. 
De forma geral podemos dizer que essas são práticas de 
ensino que possuem em sua essência colocar o aluno no 
centro do processo e participante ativo do 
desenvolvimento de conteúdos e competências. 
(CRUZ,2018) 
 Os métodos de aprendizagem ativa ancoram-se na 
pedagogia crítica, a qual realiza uma crítica ao ensino 
tradicional e propõe-se a utilizar situações-problema como 
um estímulo à aquisição de conhecimento e habilidades, 
baseando-se, principalmente, nas concepções histórico-
sociais da Educação descritas por Paulo Freire, José 
Carlos Libâneo e Demerval Saviani, os quais visam e 
buscam uma educação transformadora da sociedade. 
(SANTOS, 2019) 
A educação problematizadora procura desenvolver o ser 
humano numa perspectiva humanista, preocupando-se 
com o desenvolvimento do pensamento crítico e criativo 
dos sujeitos. (SANTOS, 2019) 
A aprendizagem torna-se uma pesquisa em que o aluno 
passa de uma visão “sincrética” ou global do problema a 
uma visão “analítica” do mesmo, através da sua teorização 
e compreensão, o que o leva à construção de hipóteses 
que serão sintetizadas para solucionar o problema e 
transformar a realizada. Para que tais características sejam 
atingidas, é necessário seguir as etapas identificadas na 
figura do Arco de Maguarez: (SANTOS, 2019) 
Metodologias de ensino-aprendizagem 
 
 
Características das metodologias ativas 
 Aluno ativo e autônomo 
 
 Professor cuidador e orientador 
 
 Trabalho em equipe: a aprendizagem acontece 
pela interação entre o aluno com seu professor, 
com os colegas de classe, com a família e a 
comunidade. A habilidade de conviver com o 
outro em sua totalidade resultará em aquisição 
progressiva de autonomia e maturidade. 
Tipos de Metodologias Ativas 
Definição das metodologias ativas mais conhecidas em 
ambientes corporativos. (CRUZ, 2018) 
 Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL) – 
Nesta prática os participantes são inicialmente 
apresentados a um problema específico o qual 
deverá ser debatido a solução em encontro 
posterior. São formados grupos de estudo (de 
4 a 10 participantes) e estes são estimulados a 
realizarem uma pesquisa e discutirem sua 
melhor solução. Diferente do Painel de debates, 
onde as discussões acontecem em sala, neste 
os participantes recebem um tempo 
(normalmente de um dia a uma semana) para 
apresentarem suas conclusões. Esta é uma 
prática que permite aos participantes 
pesquisarem e muitas vezes testarem suas 
soluções na prática, antes de apresentá-las. 
 Estudos de Caso – Metodologia onde os 
participantes são apresentados a casos reais ou 
não, e devem apresentar sua melhor solução 
para os problemas relatados. 
 Dinâmicas – Atividades e exercícios diversos, 
com utilização de pouco ou nenhum recurso 
extra e que serve para ajudar na análise do 
comportamento de grupos e suas variações. 
Pode-se dizer que a maioria das Metodologias 
Ativas tem na sua origem as Dinâmicas, que tem 
como principal referência teórica Kurt Lewin – 
Fundador da Escola da Dinâmica de Grupo. 
Muitos autores também consideram as 
dinâmicas como base metodológica para todas 
as demais metodologias ativas e não como uma 
prática independente das demais. 
 Aula invertida – O objetivo principal deste 
método é fazer com que os participantes 
cheguem em sala com um nível maior e mais 
equilibrado de conteúdo. A lógica consiste em 
inverter o modelo tradicional de ensino, onde o 
instrutor primeiro dá a sua aula, normalmente de 
forma expositiva e depois passa para os 
participantes um material de apoio para leitura e 
fixação de conteúdo. Neste método os 
participantes recebem, com antecedência, um 
material de leitura e preparação para a 
aula/curso. Em sala o professor deve atuar muito 
mais como mediador do tema em debate do 
que como expositor de conteúdo. 
 Just in time teaching (Estudo sob medida) – 
Assemelha-se a Sala de Aula Invertida, mas tem 
suas peculiaridades. Nela o instrutor/professor 
envia, normalmente pelo menos 7 dias antes do 
encontro, alguns textos, vídeos ou qualquer 
outro material sobre o assunto para os 
participantes. Eles devem estudar estes materiais 
e responder a um pequeno teste, aqui chamado 
de Warm Up, o qual tem como principal objetivo 
avaliar o nível de entendimento dos participantes 
sobre os temas. Com os resultados dos testes 
em mãos, o instrutor consegue saber 
exatamente onde estão as maiores dificuldades 
de entendimento dos participantes e adequar o 
seu curso as reais demandas do grupo. 
As metodologias ativas citadas, apesar de exigirem muito 
mais do instrutor em termos de criatividade, pois ele a 
todo momento deverá sair do lugar comum de forma a 
possibilitar que as atividades novas e/ou instigantes, 
permitam aos alunos criticar e pensar, é também a mais 
efetiva quando se fala em termos de resultados para a 
educação corporativa. (CRUZ, 2018) 
Todas essas técnicas didático-pedagógicas têm por 
objetivo permitir uma construção mútua de 
conhecimentos com base na vivência de situações reais,ou se difundem pela membrana 
e se ligam a receptores intracelulares. Denominam-se 
células-alvo as células que têm receptores para um 
determinado sinal. 
MITOCÔNDRIAS 
As mitocôndrias são organelas esféricas ou alongadas, 
medindo de 0,5 a 1,0 µm de largura e até 10 µm de 
comprimento. Sua distribuição na célula varia, tendendo a 
se acumular nos locais do citoplasma em que o gasto de 
energia é mais intenso. 
São constituídas por duas membranas, entre as quais se 
localiza o espaço intermembranoso. O compartimento 
delimitado pela membrana interna contém a matriz 
mitocondrial. A membrana interna emite projeções para 
@jumorbeck 
o interior da matriz, chamadas cristas mitocondriais. Na 
maioria das mitocôndrias, as cristas são achatadas, 
assemelhando-se a prateleiras. As cristas aumentam a 
superfície da membrana interna da mitocôndria e contêm 
as enzimas e outros componentes da cadeia de 
fosforilação oxidativa e do sistema transportador de 
elétrons. 
 
A principal função das mitocôndrias é liberar energia 
gradualmente das moléculas de ácidos graxos e glicose, 
provenientes dos alimentos, produzindo calor e moléculas 
de ATP (adenosina-trifosfato). A energia armazenada no 
ATP é usada pelas células para realizar suas diversas 
atividades, como movimentação, secreção e divisão 
mitótica (JUNQUEIRA, 9ª ed.) 
 PRODUÇÃO DE ATP 
As mitocôndrias transformam a energia química contida 
em moléculas obtidas pela alimentação em energia 
facilmente utilizável pela célula. Aproximadamente 50% 
dessa energia é armazenada nas ligações fosfato do 
trifosfato de adenosina (ATP) e os 50% restantes são 
dissipados sob a forma de calor, utilizado para manter a 
temperatura do corpo. A atividade das enzimas ATPases, 
muito comuns nas células, libera a energia armazenada no 
ATP quando a célula necessita dessa energia para realizar 
trabalho, seja osmótico, mecânico, elétrico, químico ou de 
outra natureza. 
As principais moléculas utilizadas pelo organismo para 
fornecer energia para as diversas atividades celulares e 
para produção de calor são a glicose e os ácidos graxos. 
Esses processos ocorrem nas mitocôndrias (ácidos 
graxos) e no citosol (glicose), e seus produtos finais são 
as moléculas acetilcoenzima A (acetil-CoA) e piruvato, 
respectivamente, este último depois convertido a acetil-
CoA. 
A acetil-CoA combina-se com o ácido oxalacético para 
formar ácido cítrico, dando início ao ciclo do ácido cítrico 
(ciclo de Krebs). Nesse ciclo energético, há várias reações 
de descarboxilação que produzem CO2 e quatro pares 
de H+ que são removidos por reações específicas 
catalisadas por desidrogenases. Os íons H+ reagem com 
oxigênio para formar H2O. Pela atividade dos citocromos 
a, b e c, da coenzima Q, e da citocromo oxidase, o 
sistema transportador de elétrons, localizado na 
membrana mitocondrial interna, libera energia, que é 
capturada para formar ATP, a partir de difosfato de 
adenosina (ADP) e fosfato inorgânico. Em condições 
aeróbias, a glicólise extramitocondrial (no citosol) mais o 
ciclo do ácido cítrico e o sistema transportador de 
elétrons originam 36 mols de ATP por cada mol de 
glicose. Esse rendimento é 18 vezes maior do que o obtido 
pela glicólise realizada apenas em condições anaeróbias. 
 
A quantidade de mitocôndrias e o número de cristas por 
organela são relacionados ao metabolismo energético das 
células. As que consomem muita energia, como é o caso 
das células do músculo estriado cardíaco, têm grande 
quantidade de mitocôndrias, com elevado número de 
cristas. 
 MATRIZ MITOCONDRIAL 
Entre as cristas mitocondriais se situa a matriz 
mitocondrial, amorfa e rica em proteínas e contendo 
pequena quantidade de DNA e RNA. 
O DNA mitocondrial é uma dupla-hélice circular, 
semelhante aos DNA das bactérias. Esse DNA é 
sintetizado na mitocôndria, e sua duplicação é 
independente da duplicação do DNA nuclear. As 
mitocôndrias contêm três tipos de RNA: RNA ribossômico 
(rRNA), RNA mensageiro (mRNA) e RNA de transferência 
(tRNA). 
As mitocôndrias têm algumas características em comum 
com as bactérias (DNA circular, ribossomos de estrutura 
semelhante), e, por isso, muitos pesquisadores admitem 
que elas se originaram de uma bactéria ancestral aeróbia 
@jumorbeck 
que se adaptou a uma vida endossimbiótica em uma célula 
eucariótica. 
RIBOSSOMOS 
Os ribossomos são pequenas partículas situadas no 
citosol, compostas de quatro tipos de RNA ribossômico 
(rRNA) e cerca de 80 proteínas diferentes. 
Os ribossomos são constituídos por duas subunidades de 
tamanhos diferentes. A maior parte de seu RNA é 
sintetizada no nucléolo. As proteínas são sintetizadas no 
citoplasma, migram para o núcleo através dos poros 
nucleares e se associam aos rRNA. Depois de prontas, a 
subunidade menor e a maior saem separadamente do 
núcleo pelos poros nucleares, passando para o citoplasma, 
no qual exercerão suas funções. 
 
 
 
 
 
Polirribossomos são conjuntos de ribossomos unidos por 
uma molécula de RNA mensageiro. A mensagem contida 
no mRNA é o código que estabelece a sequência de 
aminoácidos na molécula proteica que está sendo 
sintetizada, e os ribossomos desempenham um papel 
importante na decodificação, ou tradução, da mensagem 
para a síntese proteica. Muitas proteínas, como as que se 
destinam a permanecer no citosol (enzimas, proteínas 
motoras, proteínas do citoesqueleto), em mitocôndrias e 
em peroxissomos, são produzidas em polirribossomos 
que permanecem isolados no citosol. 
RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO rugoso 
No citoplasma das células eucariontes existe uma rede de 
vesículas achatadas, vesículas esféricas e túbulos que se 
intercomunicam, formando um sistema contínuo, embora 
apareçam separados nos cortes examinados no 
microscópio eletrônico. Esses elementos apresentam uma 
parede formada por uma unidade de membrana que 
delimita cavidades, as cisternas do retículo endoplasmático. 
(JUNQUEIRA, 9ª ed.) 
As cisternas constituem um sistema de túneis, de forma 
muito variável, que percorre o citoplasma. Distinguem-se 
o retículo endoplasmático rugoso, ou granular, e o liso. 
(JUNQUEIRA, 9ª ed.) 
O retículo endoplasmático granuloso (REG) se caracteriza 
por duas propriedades principais: possui polirribossomos 
na superfície citosólica da sua membrana, e é constituído 
de cisternas saculares ou achatadas. A membrana das 
cisternas é contínua com a membrana externa do 
envelope nuclear. 
O REG é abundante nas células especializadas na 
secreção de proteínas, como as células acinosas do 
pâncreas (enzimas digestivas), fibroblastos (colágeno) e 
plasmócitos (imunoglobulinas). 
A principal função do retículo endoplasmático granuloso 
é separar proteínas que, após a síntese, serão colocadas 
em vesículas que se destacam do RE e ficam no citosol. 
Além de proteínas destinadas à secreção, são sintetizadas 
no REG proteínas lisossômicas, proteínas de membrana e 
muitas outras. Outras funções do REG são a glicosilação 
inicial das glicoproteínas, a síntese de fosfolipídios e a 
montagem de moléculas proteicas formadas por múltiplas 
cadeias polipeptídicas. 
 
As proteínas sintetizadas no REG têm vários destinos: 
armazenamento intracelular, como nos lisossomos e nos 
grânulos dos leucócitos; e armazenamento intracelular 
provisório para exportação sob forma de vesículas de 
secreção ou grânulos de secreção, como no pâncreas e 
em algumas glândulas endócrinas. 
RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO LISO 
O retículo endoplasmático liso (REL) não apresenta 
ribossomos na superfície de suas cisternas, as quais têm 
geralmente a forma de túbulos anastomosados. A 
membrana do REL é contínua com a do retículo 
granuloso, embora existam diferenças entre as moléculas 
que constituem essas duas variedades de membrana. 
@jumorbeck 
 
O REL participa de diversos processos funcionais, de 
acordo com o tipo de célula. Por exemplo, nas células que 
produzem esteroides, como as da glândula adrenal e 
células secretoras do ovário e do testículo, ele ocupa 
grande parte do citoplasmae contém algumas das 
enzimas necessárias para a síntese desses hormônios. O 
REL é abundante também nos hepatócitos, as células 
principais do fígado, em que é responsável pelos 
processos de conjugação, oxidação e metilação, dos 
quais as células lançam mão para inativar determinados 
hormônios e neutralizar substâncias nocivas e tóxicas, 
como os barbitúricos e vários outros fármacos. 
Outra função importante do retículo endoplasmático liso 
é a síntese de fosfolipídios para todas as membranas 
celulares. As moléculas de fosfolipídios são transferidas 
para as outras membranas: (1) por meio de vesículas que 
se destacam e são movidas por proteínas motoras, ao 
longo dos microtúbulos; (2) por comunicação direta com 
o retículo endoplasmático granuloso; e (3) por meio das 
proteínas transportadoras de fosfolipídios. 
Nas células musculares estriadas, o retículo 
endoplasmático liso recebe o nome de retículo 
sarcoplasmático. Nessas células as cisternas do REL 
acumulam íons cálcio e os liberam no citosol, regulando, 
dessa maneira, a contração muscular. 
COMPLEXO DE GOLGI 
O complexo de Golgi é um conjunto de vesículas 
achatadas e empilhadas, cujas porções periféricas são 
dilatadas. O complexo de Golgi é uma estrutura polarizada, 
e, nas pilhas de cisternas que compõem essa organela, 
podem-se reconhecer duas superfícies. Uma é 
geralmente convexa, mais próxima ao núcleo e ao 
retículo endoplasmático, denominada face cis. A superfície 
oposta da pilha é geralmente côncava e é denominada 
face trans. Ambas as faces possuem redes de finos 
túbulos associados a vesículas de transporte. Esse sistema 
de túbulos é mais complexo na face trans, onde forma a 
rede trans do Golgi. 
A face cis recebe vesículas de transporte que brotam do 
retículo endoplasmático, enquanto a superfície côncava 
ou trans origina vesículas cujo conteúdo foi modificado 
pelas cisternas do Golgi. O complexo de Golgi é envolvido 
lateralmente por inúmeras vesículas de transporte. Essas 
vesículas transportam material de uma cisterna do Golgi 
para outra em direção cis–trans ou vice-versa, 
predominando a primeira direção. A maioria dessas 
vesículas de transporte são recobertas externamente (na 
sua superfície citosólica) por proteínas chamadas COPI ou 
COPII. 
 
O complexo de Golgi recebe, pela sua face cis, grande 
parte de moléculas sintetizadas no retículo 
endoplasmático granular. No Golgi são completadas as 
modificações pós-translacionais realizadas nas cisternas do 
REG após a síntese das moléculas. Além disso, as cisternas 
do Golgi empacotam e colocam um endereço em vários 
grupos de moléculas, que devem ser direcionadas para 
locais específicos do citoplasma. Nas cisternas finais do 
Golgi, em sua face trans, as moléculas são transferidas 
para vesículas conforme sua destinação. Essas vesículas 
brotam na face trans e são denominadas vesículas de 
transporte ou de secreção. São transportadas para a 
membrana plasmática com a qual se fundem ou 
acumuladas no citoplasma até ocorrer um estímulo para 
exocitose. Outras vesículas formadas na face trans 
contêm enzimas lisossômicas que podem se fundir com 
endossomos primários que participam do sistema 
endossômico-lisossômico. 
As proteínas já chegam do RE com grupos de 
oligossacarídeos adicionados a suas cadeias. A glicosilação, 
por meio de retirada e adição de moléculas de 
oligossacarídeos, produz as glicoproteínas. 
@jumorbeck 
Os sacarídeos são muito importantes para as futuras 
funções das moléculas que passam pelo complexo de 
Golgi. Além disso, no Golgi são fabricados grandes 
complexos moleculares, tais como os proteoglicanos. 
Essa organela apresenta múltiplas funções; mas, dentre 
elas, cabe destacar que é muito importante na separação 
e no endereçamento das moléculas sintetizadas nas 
células, encaminhando-as para as vesículas de secreção 
(que serão expulsas da célula), os lisossomos, as vesículas 
que permanecem no citoplasma ou a membrana celular. 
(JUQUEIRA, 9ª ed.) 
LISOSSOMOS 
Os lisossomos que são observados por microscopia 
eletrônica de transmissão são vesículas delimitadas por 
membrana, em geral esféricas, com diâmetro de 0,05 a 
0,5 µm, e apresentam aspecto denso e granular. 
Os lisossomos contêm mais de 40 enzimas hidrolíticas, 
com a função de quebra e digestão de diversos 
substratos. São encontrados em todas as células; porém, 
são mais abundantes nas células fagocitárias, como os 
macrófagos e os leucócitos neutrófilos. 
Todas as enzimas lisossômicas têm atividade máxima em 
torno de pH 5,0. A membrana dos lisossomos possui 
bombas que transportam prótons para o interior da 
vesícula por transporte ativo, acidificando dessa maneira 
o interior do lisossomo. 
As enzimas dos lisossomos são sintetizadas no retículo 
endoplasmático granuloso e transportadas para o 
complexo de Golgi. Nas cisternas do Golgi, as enzimas 
adquirem radicais de manose-6-fosfato, os quais se 
tornam um marcador de enzimas lisossômicas. Nas 
membranas das cisternas do complexo de Golgi mais 
próximas da face trans, existem receptores para 
proteínas com manose-6-fosfato em suas cadeias, que 
são reconhecidas e separadas de outras proteínas. Dessa 
maneira, na face trans as enzimas destinadas aos 
lisossomos são segregadas em vesículas separadas que 
constituem os lisossomos primários. 
Partículas do meio extracelular introduzidas na célula por 
fagocitose constituem os fagossomos. A membrana dos 
lisossomos primários funde-se com a dos fagossomos, 
misturando as enzimas com o material a ser digerido. A 
digestão intracelular tem lugar dentro desse novo 
vacúolo, que é chamado de lisossomo secundário ou 
fagolisossomo. 
Outra função dos lisossomos relaciona-se com a 
renovação das organelas celulares. Em certas 
circunstâncias, organelas ou porções de citoplasma são 
envolvidas por membrana do retículo endoplasmático liso. 
Lisossomos jovens fundem-se com essas estruturas e 
digerem o material nelas contido. Forma-se assim um 
lisossomo secundário que recebe o nome de 
autofagossomo. 
 
PEROXISSOMOS 
Peroxissomos são organelas esféricas, limitadas por 
membrana, com diâmetro de 0,5 a 1,2 mm. 
Receberam esse nome porque oxidam substratos 
orgânicos específicos, retirando átomos de hidrogênio e 
combinando-os com oxigênio molecular (O2). Essa reação 
produz peróxido de hidrogênio (H2O2), uma substância 
oxidante prejudicial à célula, que é imediatamente 
eliminada pela enzima catalase, também contida nos 
peroxissomos. A catalase utiliza oxigênio do peróxido de 
hidrogênio (transformando-o em H2O) para oxidar 
diversos substratos orgânicos. Essa enzima também 
decompõe o peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. 
A betaoxidação dos ácidos graxos, assim chamada 
porque tem lugar no carbono 2 ou beta da cadeia do 
ácido graxo, é realizada nos peroxissomos e nas 
mitocôndrias. Os ácidos graxos são biomoléculas 
importantes como combustível para as células. No ciclo da 
betaoxidação, fragmentos com dois átomos de carbono 
são removidos sequencialmente dos ácidos graxos de 
cadeia longa (mais de 18 átomos de carbono), gerando-se 
acetilcoenzima A (acetil-CoA), que é exportada dos 
peroxissomos para o citosol. A acetil-CoA é utilizada em 
várias reações de síntese e pode penetrar as 
mitocôndrias para ser usada no ciclo de Krebs. Os 
peroxissomos têm, ainda, outras funções. No fígado, por 
@jumorbeck 
exemplo, participam da síntese de ácidos biliares e de 
colesterol. 
As enzimas dos peroxissomos são sintetizadas em 
polirribossomos livres no citosol. O destino dessas 
moléculas é determinado por uma pequena sequência de 
aminoácidos localizada próximo à extremidade carboxílica 
da molécula enzimática, que funciona como um sinal para 
a importação pelo peroxissomo. 
CITOESQUELETO 
O citoesqueleto é uma rede complexa de microtúbulos, 
filamentos de actina (microfilamentos) e filamentos 
intermediários, todos situados no citosol. Essas proteínas 
estruturais influem na forma das células e, junto com as 
proteínas motoras, possibilitam os movimentosde 
organelas e vesículas citoplasmáticas. O citoesqueleto é 
responsável também pela contração celular (na 
contração muscular) e pela movimentação da célula 
inteira, como, por exemplo, no movimento ameboide. 
 MICROTÚBULOS 
Os microtúbulos são estruturas presentes no citoplasma 
com forma de túbulos. Além disso, formam os eixos de 
prolongamentos celulares – cílios e flagelos -, por cujo 
batimentos são responsáveis. 
A subunidade que constitui os microtúbulos é um 
heterodímero formado por moléculas das proteínas 
tubulina a e b. As subunidades de tubulina se polimerizam 
para formar microtúbulos, organizando-se em 
protofilamentos. Treze protofilamentos se unem para 
formar um microtúbulo. 
 
A polimerização das tubulinas para formar microtúbulos é 
dirigida por estruturas celulares conhecidas como centros 
organizadores de microtúbulos ou MTOC (microtubule 
organizing centers). Essas estruturas incluem os 
centríolos, os corpúsculos basais dos cílios e flagelos e os 
centrômeros dos cromossomos. Os microtúbulos podem 
constantemente se desfazer e se refazer pelas duas 
extremidades. 
Os microtúbulos são rígidos e desempenham papel 
significativo no desenvolvimento e na manutenção da 
forma das células. 
Os microtúbulos são as estruturas responsáveis por 
permitir movimentos intracelulares de organelas e 
vesículas, além dos movimentos flagelares e ciliares 
Organelas constituídas por microtúbulos: 
 Os centríolos são estruturas cilíndricas, 
compostos principalmente por microtúbulos 
curtos e altamente organizados. Cada centríolo 
é composto de nove conjuntos de três 
microtúbulos. As células que não estão em 
divisão têm um único par de centríolos. Em cada 
par os centríolos dispõem-se em ângulo reto, 
um em relação ao outro. Na fase S do ciclo 
celular, precedendo a mitose, cada centríolo se 
duplica, formando-se assim dois pares. Durante a 
mitose, cada par se movimenta para cada polo 
da célula e se torna um centro de organização 
do fuso mitótico. Nas células que não estão em 
divisão, os pares de centríolos localizam-se 
próximo ao núcleo e ao complexo de Golgi. 
 
 
 
 
 
 
 
 Os cílios e flagelos são prolongamentos celulares 
móveis, revestidos por membrana plasmática, 
cujo eixo – axonema – é formado por 
microtúbulos. As células ciliadas têm grande 
número de cílios. Cada célula flagelada tem 
apenas um flagelo. No organismo dos 
mamíferos, muitas células epiteliais são ciliadas, 
mas os flagelos são encontrados apenas nos 
espermatozoides. O eixo dos cílios e flagelos é 
constituído por nove pares de microtúbulos e 
no centro há dois microtúbulos isolados, todos 
dispostos longitudinalmente nos cílios e flagelos 
@jumorbeck 
 
 FILAMENTOS DE ACTINA (MICROFILAMENTOS) 
Os filamentos de actina podem organizar-se de diversas 
maneiras: 
 Na maioria das células, os feixes de filamentos de 
actina constituem redes no citoplasma e, além 
disso, formam uma delgada camada na 
superfície, logo abaixo da membrana plasmática, 
denominada córtex celular. A actina do córtex 
celular participa de diversas atividades, como 
endocitose, exocitose e migração das células; 
 No músculo estriado, eles se associam a 
filamentos grossos de miosina de 16 nm de 
diâmetro; 
 Há filamentos de actina associados a organelas, 
vesículas e grânulos citoplasmáticos. A interação 
desses filamentos com miosina resulta em 
movimento dessas organelas e vesículas no 
citoplasma; 
 No final da divisão celular, microfilamentos de 
actina associados à miosina formam uma cinta 
na periferia do citoplasma, cuja constrição resulta 
na divisão das células mitóticas em duas células-
filhas. 
Enquanto os filamentos de actina nas células musculares 
são estruturalmente estáveis, os das células não 
musculares se dissociam e se reorganizam com grande 
facilidade, de maneira semelhante ao que ocorre com os 
microtúbulos. 
 FILAMENTOS INTERMEDIÁRIOS 
As células contêm filamentos com diâmetro de 
aproximadamente 10 nm, os filamentos intermediários. 
Esses filamentos são constituídos por diferentes 
proteínas: queratinas, vimentina, desmina, proteínas dos 
neurofilamentos. 
 
PROTEASSOMOS 
Os proteassomos são pequenas organelas situadas no 
citosol, não envolvidas por membrana. São complexos de 
diversas proteases que digerem proteínas assinaladas 
para destruição pela sua união com a molécula ubiquitina. 
A degradação de proteínas é necessária para remover 
excessos de enzimas e outras proteínas, quando elas, 
após exercerem suas funções normais, tornam-se inúteis 
para a célula. Os proteassomos também destroem 
moléculas proteicas que se formam com defeitos 
estruturais, proteínas que não se dispuseram 
espacialmente de maneira correta e proteínas codificadas 
por vírus, que seriam usadas para produzir novos vírus. 
NÚCLEO 
Uma das principais características da célula eucarionte é a 
presença de um núcleo de forma variável, porém bem 
individualizado e separado do restante da célula por duas 
membranas. Todavia essa membrana dupla, chamada 
envoltório nuclear, contém poros que regulam o intenso 
trânsito de macromoléculas do núcleo para o citoplasma 
e deste para o núcleo. (JUNQUEIRA, 9ª ed.) 
O núcleo é o centro de controle de todas as atividades 
celulares, porque contém, nos cromossomos, todo o 
genoma (ácido desoxirribonucleico [DNA]) da célula, 
exceto apenas o pequeno genoma das mitocôndrias. 
Chama-se genoma o conjunto da informação genética 
codificada no DNA. 
 
@jumorbeck 
Além de conter a maquinaria molecular para duplicar seu 
DNA, o núcleo é responsável pela síntese e pelo 
processamento de todos os tipos de ácido ribonucleico 
(RNA) (rRNA, mRNA, tRNA e miRNA), que são exportados 
para o citoplasma. Todavia, o núcleo não sintetiza 
proteínas, dependendo das que são produzidas no 
citoplasma e transferidas para o núcleo. 
Em geral, cada célula tem apenas um núcleo, localizado 
no seu centro, mas há células multinucleadas. Os principais 
componentes do núcleo são o envoltório nuclear, a 
cromatina, o nucléolo, a matriz nuclear e o nucleoplasma. 
 ENVOLTÓRIO NUCLEAR 
O conteúdo intranuclear é separado do citoplasma pelo 
envoltório nuclear. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A membrana nuclear externa contém polirribossomos 
presos à sua superfície citoplasmática e é contínua com 
o retículo endoplasmático granuloso. O envoltório nuclear 
apresenta poros, e cada um é organizado por uma 
estrutura denominada complexo do poro, cuja função é 
o transporte seletivo de moléculas para fora e para dentro 
do núcleo. No poro, as duas membranas que constituem 
o envoltório nuclear são contínuas. 
O envoltório nuclear é impermeável a íons e moléculas, 
de modo que o trânsito entre o núcleo e o citoplasma 
seja feito pela estrutura do complexo do poro. 
 CROMATINA 
Podem ser identificados dois tipos de cromatina. 
A heterocromatina é elétron-densa, aparece como 
grânulos grosseiros e é bem visível ao microscópio de 
luz. A heterocromatina é inativa porque nela a hélice dupla 
de DNA está muito compactada, o que impede a 
transcrição dos genes. 
A eucromatina aparece granulosa e clara, entre os 
grumos de heterocromatina. Na eucromatina, o filamento 
de DNA não está condensado e tem condições de 
transcrever os genes. Portanto, eucromatina significa 
cromatina ativa, sendo mais abundante nas células que 
estão produzindo muita proteína. As variações nas 
proporções de heterocromatina e eucromatina são 
responsáveis pelo aspecto mais claro ou mais escuro dos 
núcleos nos microscópios óptico e eletrônico. 
A cromatina é constituída por duplos filamentos helicoidais 
de DNA associados a proteínas, principalmente histonas, 
mas contém também proteínas não histônicas. 
O DNA e as histonas formam os nucleossomos. Cada 
nucleossomo é constituído por oito moléculas de histonas. 
Os filamentos de nucleossomos organizam-se em 
estruturas cada vez mais compactadas até constituírem 
os cromossomos. 
 
Cada cromossomo consiste em uma única e enorme 
molécula de DNAlinear associada a proteínas que 
compactam e enovelam o fino cordão de DNA em uma 
estrutura mais compacta. (ALBERTS, BRUCE, 4ª ed.) 
Com exceção das células germinativas (espermatozoides 
e óvulos) e das células altamente especializadas que não 
possuem DNA (como os eritrócitos), cada célula humana 
contém duas cópias de cada cromossomo, uma herdada 
da mãe e a outra herdada do pai. Os cromossomos 
maternos e paternos de um par são denominados 
cromossomos homólogos (ou simplesmente homólogos). 
O único par de cromossomos não homólogos é o dos 
cromossomos sexuais nos homens, onde o cromossomo 
Y é herdado do pai e o cromossomo X é herdado da 
mãe. (As mulheres herdam um cromossomo X de cada 
@jumorbeck 
genitor, e não possuem o cromossomo Y.) (ALBERTS, 
BRUCE, 4ª ed.) 
CROMATINA SEXUAL 
Frequentemente se observa, nos núcleos das células de 
mamíferos do sexo feminino, uma partícula de cromatina 
bem visível, chamada de cromatina sexual, que não 
aparece nos núcleos de animais do sexo masculino. A 
cromatina sexual é um dos dois cromossomos X que se 
mantém condensado no núcleo interfásico. No homem, 
cujos cromossomos sexuais são um X e um Y, o 
cromossomo X único não está condensado, expressa 
seus genes e não é visível como cromatina sexual. 
 
Nas células do epitélio bucal, a cromatina sexual aparece sob a forma 
de um pequeno grânulo, geralmente ligado à membrana nuclear, e 
esfregaços desse epitélio podem ser usados para verificar o sexo 
genético. Outro material muito empregado é o esfregaço sanguíneo, 
no qual a cromatina sexual aparece como um apêndice em forma 
de raquete nos núcleos dos leucócitos neutrófilos. 
Em fotomicrografias, os cromossomos podem ser 
ordenados de acordo com sua morfologia e na ordem 
decrescente de tamanho, em pares numerados de 1 a 22, 
acrescidos dos cromossomos sexuais, XX no sexo 
feminino ou XY no sexo masculino. Este é um método 
clássico de estudo em genética e denomina-se cariótipo. 
 
 
 
 
 NUCLÉOLO 
Os nucléolos são as fábricas para produção de 
ribossomos. Constituídos principalmente por RNA 
ribossômico (rRNA) e proteínas. Em humanos, os genes 
que codificam os rRNA localizam-se em cinco 
cromossomos, e, por isso, as células podem apresentar 
vários nucléolos; porém, geralmente há uma fusão, e a 
maioria das células tem apenas um ou dois nucléolos. 
NUCLEOPLASMA 
O nucleoplasma é um soluto com muita água, íons, 
aminoácidos, metabólitos e precursores diversos, enzimas 
para a síntese de RNA e DNA, receptores para 
hormônios, moléculas de RNA de vários tipos e outros 
componentes. Sua caracterização ao microscópio 
eletrônico é impossível, e o nucleoplasma é definido como 
o componente granuloso que preenche o espaço entre 
os elementos morfologicamente bem caracterizados no 
núcleo, como a cromatina e o nucléolo. 
 
CONTROLE GENÉTICO DA SÍNTESE DE PROTEÍNAS (GUYTON) 
Os genes controlam a função celular, determinando quais 
substâncias são sintetizadas na célula – quais estruturas, 
quais enzimas, quais substâncias químicas. 
Cada gene, que é constituído por ácido 
desoxirribonucleico (DNA), controla automaticamente a 
formação de outro ácido nucleico, o ácido ribonucleico 
(RNA); esse RNA, disseminado na célula, controla a 
formação de proteína específica. Todo o processo, desde 
a transcrição do código genético, no núcleo, até a 
tradução do código do RNA e a formação de proteínas 
nas células citoplasmáticas, é muitas vezes referido como 
a expressão do gene. 
@jumorbeck 
 
 GENES 
No núcleo celular, grande número de genes está ligado, 
extremidade com extremidade, nas moléculas 
extremamente longas do DNA, com estrutura de dupla 
hélice. 
Os componentes químicos básicos envolvidos na 
formação do DNA incluem: (1) ácido fosfórico; (2) o açúcar 
chamado desoxirribose; e (3) quatro bases nitrogenadas 
(duas purinas, a adenina e a guanina, e duas pirimidinas, a 
timina e a citosina). 
 CÓDIGO GENÉTICO 
A importância do DNA reside em sua capacidade de 
controlar a formação de proteínas na célula, que ele 
consegue por meio do chamado código genético. 
O código genético consiste em sucessivos “tripletos” de 
bases — isto é, cada três bases sucessivas é uma palavra 
do código. Os tripletos sucessivos controlam a sequência 
de aminoácidos na molécula de proteína que é sintetizada 
pela célula. 
TRANSCRIÇÃO 
O código é transferido para o RNA; esse processo é 
chamado transcrição. O RNA, por sua vez, se difunde do 
núcleo através dos poros nucleares para o 
compartimento citoplasmático, onde controla a síntese de 
proteínas. 
Durante a síntese do RNA, as duas fitas da molécula de 
DNA se separam temporariamente; uma das fitas é usada 
como molde para a síntese da molécula de RNA. Os 
tripletos de código no DNA são transcritos para tripletos 
do código complementar (chamados códons) no RNA. 
Esses códons, por sua vez, controlarão a sequência de 
aminoácidos na proteína a ser sintetizada no citoplasma 
celular. 
BLOCOS BÁSICOS DE CONSTRUÇÃO DO RNA 
A primeira é que o açúcar desoxirribose não é usado na 
formação do RNA. Em seu lugar está outro açúcar, de 
composição ligeiramente diferente, a ribose, que contém íon 
hidroxila adicional ligado à estrutura do anel de ribose. A segunda 
é que a timina é substituída por outra pirimidina, a uracila. 
 
A montagem da molécula de RNA se dá sob a influência 
de uma enzima, a RNA polimerase. Ela é uma proteína 
grande que tem muitas das propriedades funcionais 
necessárias para a formação da molécula de RNA. São 
elas: 
1. Na fita de DNA, no início de cada gene que será 
transcrito, há uma sequência de nucleotídeos 
chamada promotor. A RNA polimerase tem 
estrutura complementar apropriada, que 
reconhece esse promotor e se liga a ele. Esse 
é o passo essencial para se iniciar a formação 
da molécula de RNA. 
2. Após se ligar ao promotor, a RNA polimerase 
provoca o desenrolamento de cerca de duas 
voltas da hélice de DNA e a separação, na região 
desenrolada, das duas fitas. 
3. Então, a polimerase se move ao longo da fita de 
DNA, desenrolando temporariamente e 
separando as duas fitas de DNA a cada etapa de 
semovimento. Conforme cada estágio do 
movimento, a polimerase adiciona novo 
nucleotídeo ativado ao final da cadeia de RNA 
em formação. 
Dessa forma, o código presente no filamento de DNA é 
transmitido de forma complementar para a cadeia de RNA. 
 TIPOS DE RNA 
 RNA mensageiro precursor (pré-mRNA), é uma 
grande e imatura fita única de RNA que é 
processada no núcleo para formar RNA 
mensageiro (mRNA) maduro. O pré-RNA inclui 
dois tipos diferentes de segmentos 
denominados íntrons, que são removidos por 
@jumorbeck 
um processo que recebe o nome de splicing, e 
éxons, que se conservam no mRNA final. 
 RNA mensageiro (mRNA) que leva o código 
genético para o citoplasma, para controlar o tipo 
de proteína formada. 
 RNA de transferência (tRNA) que transporta os 
aminoácidos ativados para os ribossomos; os 
aminoácidos serão utilizados na montagem da 
molécula de proteína. 
 RNA ribossômico que, com cerca de 75 
proteínas diferentes, forma os ribossomos, as 
estruturas físicas e químicas nas quais as 
moléculas de proteína são formadas. 
 RNA MENSAGEIRO – O CÓDON 
As moléculas de RNA mensageiro são longas fitas únicas 
de RNA, localizadas no citoplasma. Essas moléculas são 
compostas de várias centenas a vários milhares de 
nucleotídeos de RNA em fitas não pareadas, e contêm 
códons que são exatamente complementares aos 
tripletos de código dos genes de DNA. 
 
 RNA DE TRANSFERÊNCIA – O ANTICÓDON 
Outro tipo de RNA com papel essencial na síntese de 
proteínas é o RNA de transferência (tRNA), pois ele 
transfere as moléculas de aminoácidos para as moléculas 
de proteínas que estão em processo de síntese. Cada 
tipo de Trna se liga, especificamente, a um dos 20 
aminoácidos que serão incorporados às proteínas. O 
tRNA, portanto, age como um carreador para transportar 
o seu tipo específico de aminoácido para os ribossomos,onde as moléculas de proteína estão se formando. Nos 
ribossomos, cada tipo específico de tRNA reconhece um 
códon determinado no mRNA e entrega o aminoácido no 
local adequado da cadeia da molécula de proteína em 
formação. 
 
Como a função do tRNA é levar o aminoácido específico 
à cadeia de proteína em formação, é essencial que cada 
tipo de tRNA tenha especificidade para determinado 
códon no mRNA. O código específico no tRNA que 
permite que ele reconheça um códon específico é 
novamente um tripleto de bases de nucleotídeos 
chamado anticódon. 
 RNA RIBOSSÔMICO 
O terceiro tipo de RNA na célula é o RNA ribossômico; 
ele representa cerca de 60% do ribossomo. O ribossomo 
é a estrutura física no citoplasma na qual as moléculas de 
proteína são realmente sintetizadas. Porém, ele sempre 
funciona em associação com outros dois tipos de RNA: o 
tRNA, que transporta aminoácidos para o ribossomo, para 
serem incorporados na molécula de proteína em 
formação, e o mRNA, que fornece a informação 
necessária para o sequenciamento dos aminoácidos, na 
ordem correta, para cada tipo específico de proteína a 
ser produzido. 
Assim, o ribossomo age como uma fábrica, na qual as 
moléculas de proteína são formadas. 
Os genes para a formação de RNA ribossômico estão 
localizados em cinco pares de cromossomos no núcleo. 
Cada um destes cromossomos contém muitas 
duplicações desses genes específicos, pois grandes 
quantidades de RNA ribossômico são necessárias para a 
função celular. 
O RNA ribossômico é especialmente processado no 
nucléolo, onde se liga às “proteínas ribossômicas” para 
formar produtos de condensação granular que são 
subunidades primordiais dos ribossomos. Essas 
subunidades são então liberadas do nucléolo e 
transportadas através dos grandes poros do envelope 
nuclear para quase todas as partes do citoplasma. Depois 
@jumorbeck 
de entrarem no citoplasma, as subunidades são montadas 
para formar ribossomos maduros e funcionais. Portanto, 
as proteínas são formadas no citoplasma da célula, e não 
no núcleo celular, pois o núcleo não contém ribossomos 
maduros. 
TRADUÇÃO 
Quando a molécula de mRNA entra em contato com um 
ribossomo, a fita de RNA passa através do ribossomo, 
começando por uma extremidade predeterminada, 
especificada por uma sequência de bases de RNA, 
chamada códon de “iniciação de cadeia”. 
Enquanto o mRNA atravessa o ribossomo, a molécula de 
proteína é formada — um processo chamado tradução. 
Assim, o ribossomo lê os códons do mRNA, semelhante 
à “leitura” de fita por meio da cabeça de reprodução de 
gravador. Então, quando o códon de “parada” (ou de 
“terminação de cadeia”) passa pelo ribossomo, o fim da 
molécula de proteína é sinalizado e a molécula é liberada 
no citoplasma. 
Polirribossomos.: Uma só molécula de mRNA pode formar 
moléculas de proteína em vários ribossomos ao mesmo 
tempo, pois a extremidade inicial do filamento de RNA 
pode passar para ribossomos sucessivos. 
Consequentemente, agrupamentos de ribossomos 
ocorrem com frequência, com 3 a 10 ribossomos 
simultaneamente ligados a uma só molécula de mRNA. 
Esses agrupamentos são chamados de polirribossomos. 
 
 RIBOSSOMOS LIGAM-SE AO RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO 
Muitos ribossomos aderem ao retículo endoplasmático. 
Essa ligação ocorre porque as extremidades iniciais de 
muitas moléculas de proteína em formação têm 
sequências de aminoácidos que se ligam imediatamente a 
locais receptores específicos no retículo endoplasmático; 
isso faz com que essas moléculas atravessem a parede e 
entrem na matriz do retículo endoplasmático. Esse 
processo confere uma aparência granular a essas partes 
do retículo onde as proteínas estão sendo formadas e 
introduzidas na matriz do retículo. 
Deve-se observar que, exceto nas células glandulares, 
onde são formadas grandes quantidades de vesículas 
secretórias contendo proteínas, a maioria das proteínas 
sintetizadas pelos ribossomos é liberada diretamente no 
citosol, em vez de no retículo endoplasmático. Essas 
proteínas são enzimas e proteínas estruturais internas da 
célula. 
LIGAÇÃO PEPTÍDICA 
 
 
REGULAÇÃO GÊNICA 
A regulação gênica, ou regulação da expressão gênica 
cobre o processo inteiro desde a transcrição do código 
genético, no núcleo, até a formação de proteínas no 
citoplasma 
 
Referências 
JUNQUEIRA; CARNEIRO. Histologia Básica, 13ª ed. 
Guanabara Koogan, SP, 2017. 
GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. 
Editora Elsevier Ltda., 2017. 
ALBERTS, BRUCE. Fundamentos da Biologia Celular, 4ª 
ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. 
JUNQUEIRA, Luiz, C. e CARNEIRO, José. Biologia Celular e 
Molecular, 9ª edição. Disponível em: Minha Biblioteca, 
Grupo GEN, 2012. 
 
@jumorbeck 
 
Localização do coração 
 
↠ O coração é relativamente pequeno, 
aproximadamente do tamanho (mas não com a mesma 
forma) de sua mão fechada; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Tem aproximadamente 12 cm de comprimento, 9 cm 
de largura em seu ponto mais amplo, e 6 cm de 
espessura; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Pesa em média 250 g nas mulheres adultas e 300 g 
nos homens adultos; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O coração repousa sobre o diafragma, próximo da 
linha mediana da cavidade torácica. Encontra-se no 
mediastino, uma região anatômica que se estende do 
esterno à coluna vertebral, da primeira costela ao 
diafragma, e entre os pulmões. Aproximadamente dois 
terços da massa do coração encontram-se à esquerda 
da linha mediana do corpo; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O ápice pontiagudo é formado pela ponta do 
ventrículo esquerdo (a câmara inferior do coração) e está 
situado sobre o diafragma. O ápice está direcionado para 
frente, para baixo e para a esquerda; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A base do coração está do lado oposto ao ápice e 
constitui sua face posterior. É formada pelos átrios 
(câmaras superiores) do coração, principalmente o átrio 
esquerdo. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O coração é um órgão muscular que se contrai 
ritmicamente enquanto bombeia o sangue pelo sistema 
circulatório. Também é responsável pela produção de um 
hormônio chamado de fator natriurético atrial. 
(JUNQUEIRA, 13ª ed.) 
 
Pericárdio 
A membrana que envolve e protege o coração é o 
pericárdio. Restringe o coração à sua posição no 
mediastino, possibilitando liberdade de movimento 
 
 
suficiente para a contração vigorosa e rápida. O pericárdio 
consiste em duas partes principais: (1) o pericárdio fibroso 
e (2) o pericárdio seroso. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
 Pericárdio Fibroso: superficial, é composto por 
tecido conjuntivo inelástico, resistente, denso e 
irregular. Assemelha-se a uma bolsa que repousa 
sobre o diafragma, fixando-se nele. O pericárdio 
fibroso impede a hiperdistensão do coração, 
fornece proteção e ancora o coração no 
mediastino. O pericárdio fibroso próximo ao 
ápice do coração está parcialmente fundido ao 
tendão central do diafragma; por conseguinte, o 
movimento do diafragma, como na respiração 
profunda, facilita a circulação do sangue pelo 
coração. (TORTORA, 14ª ed.) 
 Pericárdio seroso: mais profundo, é uma 
membrana mais fina, delicada, que forma uma 
dupla camada em torno do coração. A lâmina 
parietal do pericárdio seroso mais externa está 
fundida ao pericárdio fibroso. A lâmina visceral 
do pericárdio seroso mais interna, que também 
é chamada epicárdio, é uma das camadas da 
parede do coração e adere firmemente à sua 
superfície. Entre as camadas parietal e visceral 
do pericárdio seroso existe uma fina película de 
líquido seroso lubrificante. Esta secreção das 
células pericárdicas, conhecida como líquido 
pericárdico, reduz o atrito entre as camadas do 
pericárdio seroso conforme o coração se move. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
Camadas da parede do coração 
A parede do coração é constituída por três camadas: o 
epicárdio (camada externa), o miocárdio (camada 
intermediária) e o endocárdio (camada interna). 
(TORTORA, 14ª ed.) 
Coração 
@jumorbeck 
 O epicárdio é composto por duas camadas de 
tecido. A mais externa, é chamada lâmina visceral 
do pericárdio seroso.Esta camada exterior fina 
e transparente da parede do coração é 
composta por mesotélio. Sob o mesotélio existe 
uma camada variável de tecido fibroelástico 
delicado e tecido adiposo. O tecido adiposo 
predomina e torna-se mais espesso sobre as 
faces ventriculares, onde abriga as principais 
artérias coronárias e vasos cardíacos. O 
epicárdio confere uma textura lisa e 
escorregadia à face mais externa do coração. O 
epicárdio contém vasos sanguíneos, vasos 
linfáticos e vasos que irrigam o miocárdio. 
(TORTORA, 14ª ed.) Entre o folheto visceral 
(epicárdio) e o folheto parietal, existe uma 
quantidade pequena de líquido que facilita os 
movimentos do coração. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) 
 A camada média, o miocárdio, é responsável 
pela ação de bombeamento do coração e é 
composto por tecido muscular cardíaco. 
Compõe aproximadamente 95% da parede do 
coração. As fibras musculares (células), como as 
do músculo estriado esquelético, são envolvidas 
e separadas em feixes por bainhas de tecido 
conjuntivo compostas por endomísio e 
perimísio. As fibras musculares cardíacas são 
organizadas em feixes que circundam 
diagonalmente o coração e produzem as fortes 
ações de bombeamento do coração. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
 O endocárdio mais interno é uma fina camada 
de endotélio que recobre uma fina camada de 
tecido conjuntivo. Fornece um revestimento liso 
para as câmaras do coração e abrange as valvas 
cardíacas. O revestimento endotelial liso minimiza 
o atrito de superfície conforme o sangue passa 
através do coração. O endocárdio é contínuo ao 
revestimento endotelial dos grandes vasos 
sanguíneos ligados ao coração. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
A região central fibrosa do coração, comumente chamada de 
esqueleto fibroso, serve de ponto de apoio para as válvulas, além de 
ser também o local de origem e inserção das células musculares 
cardíacas. O esqueleto cardíaco é composto de tecido conjuntivo 
denso. Seus principais componentes são o septo membranoso, o 
trígono fibroso e o ânulo fibroso. Essas estruturas são formadas por 
um tecido conjuntivo denso, com fibras de colágeno grossas 
orientadas em várias direções. Nódulos de cartilagem fibrosa são 
encontrados em determinadas regiões desse esqueleto fibroso.. 
(JUNQUEIRA, 13ª ed.) 
Faces e margens do coração (MOORE, 7ª ed.) 
 
↠ Face esternocostal (anterior), formada principalmente pelo 
ventrículo direito; 
↠ Face diafragmática (inferior), formada principalmente pelo 
ventrículo esquerdo e em parte pelo ventrículo direito; 
↠ Face pulmonar direita, formada principalmente pelo átrio 
direito; 
↠ Face pulmonar esquerda, formada principalmente pelo 
ventrículo esquerdo; 
 
↠ Margem direita (ligeiramente convexa), formada pelo átrio 
direito e estendendo-se entre a VCS e a VCI; 
↠ Margem inferior (quase horizontal), formada principalmente 
pelo ventrículo direito e pequena parte pelo ventrículo 
esquerdo; 
↠ Margem esquerda (oblíqua, quase vertical), formada 
principalmente pelo ventrículo esquerdo e pequena parte pela 
aurícula esquerda; 
↠ Margem superior, formada pelos átrios e aurículas direita e 
esquerda em vista anterior; a parte ascendente da aorta e o 
@jumorbeck 
tronco pulmonar emergem dessa margem e a VCS entra no 
seu lado direito. 
 
Câmaras do coração 
 
↠ O coração tem quatro câmaras. As duas câmaras de 
recepção superiores são os átrios, e as duas câmaras de 
bombeamento inferiores são os ventrículos. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ O par de átrios recebe sangue dos vasos sanguíneos 
que retornam o sangue ao coração, as chamadas veias, 
enquanto os ventrículos ejetam o sangue do coração 
para vasos sanguíneos chamados artérias. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
↠ Na face anterior de cada átrio existe uma estrutura 
saculiforme enrugada chamada aurícula. Cada aurícula 
aumenta discretamente a capacidade de um átrio, de 
modo que ele possa conter maior volume de sangue. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Também na superfície do coração existem vários 
sulcos, que contêm vasos sanguíneos coronarianos e uma 
quantidade variável de gordura. Cada sulco marca a 
fronteira externa entre duas câmaras do coração. Os 
sulcos são: profundo sulco coronário, sulco 
interventricular anterior, sulco interventricular posterior 
(TORTORA, 14ª ed.) 
 
ÁTRIO DIREITO 
 
↠ Recebe sangue de três veias: a veia cava superior, a 
veia cava inferior e o seio coronário.; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O interior da parede posterior é liso; o interior da 
parede anterior é áspero, por causa de cristas musculares 
chamadas de músculos pectíneos, que também se 
estendem até a aurícula; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As partes lisas e àspera da parede atrial são separadas 
externamente por um sulco vertical superficial, o sulco 
terminal, e internamente por uma crista vertical, a crista 
terminal.; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Entre o átrio direito e o átrio esquerdo existe uma 
partição fina chamada septo interatrial.; (TORTORA, 14ª 
ed.) 
↠ O sangue passa do átrio direito para o ventrículo 
direito através da valva atrioventricular direita, porque é 
composta por três válvulas. As valvas cardíacas são 
compostas por tecido conjuntivo denso recoberto por 
endocárdio. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A VCS se abre na parte superior do átrio direito no 
nível da 3ª cartilagem costal direita. A VCI se abre na parte 
inferior do átrio direito quase alinhada com a VCS no nível 
aproximado da 5ª cartilagem costal. (MOORE, 7ª ed.) 
 
VENTRÍCULO DIREITO 
↠ Forma a maior parte da face esternocostal do 
coração; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O interior do ventrículo direito contém uma série de 
cristas formadas por feixes elevados de fibras musculares 
cardíacas chamadas trabéculas cárneas; (TORTORA, 14ª 
ed.) 
↠ As válvulas da valva atrioventricular direita estão 
conectadas às cordas tendíneas, que por sua vez estão 
ligadas a trabéculas cárneas em forma de cone chamadas 
músculos papilares; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Internamente, o ventrículo direito é separado do 
ventrículo esquerdo por uma partição chamada de septo 
interventricular; (TORTORA, 14ª ed.) 
@jumorbeck 
↠ O sangue passa do ventrículo direito através da valva 
do tronco pulmonar para uma grande artéria chamada de 
tronco pulmonar, que se divide em artérias pulmonares 
direita e esquerda e levam o sangue até os pulmões. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A parte de entrada do ventrículo recebe o sangue do 
átrio direito através do óstio AV direito (tricúspide), ele é 
circundado por um dos anéis fibrosos do esqueleto 
fibroso do coração. O anel fibroso mantém o calibre do 
óstio constante, resistindo à dilatação que poderia resultar 
da passagem de sangue através dele com pressões 
variadas. (MOORE, 7ª ed.) 
 
ÁTRIO ESQUERDO 
↠ O átrio esquerdo tem aproximadamente a mesma 
espessura que o átrio direito e forma a maior parte da 
base do coração; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Ele recebe o sangue dos pulmões, por meio das 
quatro veias pulmonares. Como o átrio direito, o interior 
do átrio esquerdo tem uma parede posterior lisa. Como 
os músculos pectíneos estão restritos à aurícula do átrio 
esquerdo, a parede anterior do átrio esquerdo também 
é lisa; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O sangue passa do átrio esquerdo para o ventrículo 
esquerdo através da valva atrioventricular esquerda, a qual 
tem duas válvulas. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
VENTRÍCULO ESQUERDO 
↠ É a câmara mais espessa do coração, Forma o ápice 
do coração; (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Como o ventrículo direito, o ventrículo esquerdo 
contém trabéculas cárneas e tem cordas tendíneas que 
ancoram as válvulas da valva atrioventricular esquerda aos 
músculos papilares. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O sangue passa do ventrículo esquerdo através da 
valva da aorta na parte ascendente da aorta.(TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ Como a pressão arterial é muito maior na circulação 
sistêmica do que na circulação pulmonar, o ventrículo 
esquerdo trabalha mais do que o ventrículo direito. 
(MOORE, 7ª ed.) 
 
Espessura e função do miocárdio 
↠ A espessura do miocárdio das quatro câmaras varia 
de acordo com a função de cada uma das câmaras. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Os átriosde paredes finas entregam o sangue sob 
menos pressão aos ventrículos adjacentes. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ Como os ventrículos bombeiam o sangue sob maior 
pressão por distâncias maiores, suas paredes são mais 
espessas. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O ventrículo esquerdo bombeia sangue por grandes 
distâncias a todas as outras partes do corpo com uma 
pressão maior, e a resistência ao fluxo sanguíneo é maior. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A anatomia dos dois ventrículos confirma esta 
diferença funcional – a parede muscular do ventrículo 
esquerdo é consideravelmente mais espessa do que a 
parede do ventrículo direito. Observe também que o 
lúmen do ventrículo esquerdo é mais ou menos circular, 
em contraste com o do ventrículo direito, cujo formato 
é discretamente semilunar. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
Esqueleto fibroso do coração 
 
O esqueleto fibroso é constituído por quatro anéis de 
tecido conjuntivo denso que circundam as valvas 
cardíacas, unidos um ao outro, e que se fundem ao septo 
interventricular. Além de formar uma base estrutural para 
as valvas cardíacas, o esqueleto fibroso evita o 
estiramento excessivo das valvas enquanto o sangue 
passa por elas. Também serve como um ponto de 
inserção para os feixes de fibras musculares cardíacas e 
atua como um isolante elétrico entre os átrios e 
ventrículos. (TORTORA, 14ª ed.) 
Valvas cardíacas 
↠ As valvas se abrem e fecham em resposta às 
mudanças de pressão conforme o coração se contrai e 
relaxa. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Cada uma das quatro valvas ajuda a assegurar o fluxo 
unidirecional de sangue através da abertura ao possibilitar 
que o sangue passe e, em seguida, se fechando para 
impedir o seu refluxo. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
 
@jumorbeck 
VALVAS ATRIOVENTRICULARES 
 
↠ Como estão localizadas entre um átrio e um 
ventrículo, estas valvas são chamadas atrioventriculares 
(AV) direita e esquerda. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Quando uma valva AV está aberta, as extremidades 
arredondadas das válvulas se projetam para o ventrículo. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Quando os ventrículos estão relaxados, os músculos 
papilares estão relaxados, as cordas tendíneas estão 
frouxas, e o sangue se move de uma área de maior 
pressão no átrio para uma de menor pressão nos 
ventrículos através das valvas AV abertas. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
↠ Quando os ventrículos se contraem, a pressão do 
sangue aciona as válvulas para cima até que suas 
extremidades se encontrem e fechem a abertura. Ao 
mesmo tempo, os músculos papilares se contraem, o que 
traciona e retesa as cordas tendíneas. Isso impede que as 
válvulas das valvas evertam em resposta à alta pressão 
ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
VÁLVULAS SEMILUNARES 
 
↠ As valvas da aorta e do tronco pulmonar são 
compostas por três válvulas semilunares. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
↠ Cada válvula se insere na parede arterial por sua 
margem externa convexa. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As valvas do tronco pulmonar e da aorta possibilitam 
a ejeção de sangue do coração para as artérias, mas 
evitam o refluxo de sangue para os ventrículos. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
Surpreendentemente, talvez, não há valvas nas junções da veia cava 
com o átrio direito ou das veias pulmonares com o átrio esquerdo. 
Quando os átrios se contraem, um pequeno volume de sangue reflui 
dos átrios para estes vasos. No entanto, o refluxo é minimizado por 
um mecanismo diferente; conforme o músculo atrial se contrai, ele 
comprime e quase colapsa as fracas paredes dos pontos de entrada 
das veias. 
Circulação sistêmica e pulmonar 
↠ Na circulação pós-natal, o coração bombeia o sangue 
em dois circuitos fechados a cada contração – circulação 
sistêmica e circulação pulmonar. (TORTORA, 14ª ed.) 
O lado esquerdo do coração é a bomba para a circulação 
sistêmica; ele recebe sangue oxigenado (rico em 
oxigênio) vermelho brilhante dos pulmões. O ventrículo 
esquerdo ejeta sangue para a aorta. A partir da aorta, o 
sangue se divide em correntes separadas, entrando 
progressivamente em artérias sistêmicas menores que o 
transportam a todos os órgãos do corpo – com exceção 
dos alvéolos dos pulmões, os quais são irrigados pela 
circulação pulmonar. Nos tecidos sistêmicos, as artérias 
dão origem a arteríolas de menor diâmetro, que por fim 
levam a extensos leitos de capilares sistêmicos. A troca 
de nutrientes e gases ocorre através das finas paredes 
capilares. O sangue libera O2 (oxigênio) e capta CO2 
(dióxido de carbono). Na maior parte dos casos, o sangue 
flui por meio de um único capilar e então entra em uma 
@jumorbeck 
vênula sistêmica. As vênulas transportam o sangue 
desoxigenado dos tecidos e se fundem para formar veias 
sistêmicas maiores. Por fim, o sangue reflui para o átrio 
direito. (TORTORA, 14ª ed.) 
O lado direito do coração é a bomba para a circulação 
pulmonar; ele recebe todo o sangue desoxigenado 
vermelho escuro que retorna da circulação sistêmica. O 
sangue ejetado do ventrículo direito flui para o tronco 
pulmonar, que se divide em artérias pulmonares que 
levam o sangue para os pulmões direito e esquerdo. Nos 
capilares pulmonares, o sangue descarrega o CO2, que é 
expirado, e capta o O2 do ar inalado. O sangue 
recentemente oxigenado então flui para as veias 
pulmonares e retorna ao átrio esquerdo. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
Circulação coronariana 
↠ O miocárdio tem a sua própria rede de vasos 
sanguíneos, a circulação coronariana ou circulação 
cardíaca. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As artérias coronárias ramificam-se da parte 
ascendente da aorta e cercam o coração como uma 
coroa circundando a cabeça. Enquanto o coração está se 
contraindo, pouco sangue flui nas artérias coronárias, 
porque elas estão bem comprimidas. Quando o coração 
relaxa, no entanto, a pressão do sangue elevada na aorta 
impulsiona o sangue ao longo das artérias coronárias até 
os vasos capilares e, em seguida, às veias coronárias. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
 
 
 
ARTÉRIAS CORONÁRIAS 
↠ Duas artérias coronárias, as artérias coronárias 
esquerda e direita, ramificam-se da parte ascendente da 
aorta e fornecem sangue oxigenado para o miocárdio. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A artéria coronária esquerda passa inferiormente à 
aurícula esquerda e se divide nos ramos interventricular 
anterior e circunflexo. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A artéria coronária direita emite pequenos ramos 
(ramos atriais) para o átrio direito. Ela continua 
inferiormente à aurícula direita e, por fim, se divide em 
ramos interventricular posterior e marginal direito. 
coração e transporta sangue oxigenado à parede do 
ventrículo direito. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A maior parte do corpo recebe sangue de ramos de 
mais de uma artéria, e onde duas ou mais artérias irrigam 
a mesma região, elas normalmente se conectam entre si. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Essas conexões, chamadas de anastomoses, fornecem 
vias alternativas, chamadas de circulação colateral, para 
que o sangue chegue a um órgão ou tecido específico. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O miocárdio contém muitas anastomoses que 
conectam ramos de uma determinada artéria coronária 
ou se estendem entre os ramos de diferentes artérias 
coronárias. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As anastomoses fornecem desvios para o sangue 
arterial se uma via principal estiver obstruída. Assim, o 
músculo cardíaco pode receber oxigênio suficiente, 
mesmo que uma de suas artérias coronárias esteja 
parcialmente bloqueada. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
VEIAS CORONÁRIAS 
A maior parte do sangue venoso do miocárdio drena para 
um grande seio vascular no sulco coronário na face 
posterior do coração, chamado seio coronário. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
O sangue venoso do seio coronário drena para o átrio 
direito. As principais tributárias que transportam sangue 
para o seio coronário são: (TORTORA, 14ª ed.) 
 Veia cardíaca magna no sulco interventricular 
anterior, que drena as áreas do coração irrigadas 
pela artéria coronária esquerda (ventrículos 
esquerdo e direito e átrio esquerdo); 
 Veia interventricular posterior no sulco 
interventricular posterior, que drena as áreas 
irrigadas pelo ramo interventricular posterior daartéria coronária direita (ventrículos esquerdo e 
direito); 
 Veia cardíaca parva no sulco coronário, que 
drena o átrio direito e o ventrículo direito; 
@jumorbeck 
 Veias anteriores do ventrículo direito, que 
drenam o ventrículo direito e drenam 
diretamente para o átrio direito. 
 
Quando o bloqueio de uma artéria coronária priva o músculo cardíaco 
de oxigênio, a reperfusão, o restabelecimento do fluxo sanguíneo, 
pode danificar ainda mais o tecido. Este efeito surpreendente é 
decorrente da formação de radicais livres de oxigênio a partir do 
oxigênio reintroduzido. (TORTORA, 14ª ed.) 
Histologia do músculo cardíaco 
↠ Em comparação às fibras musculares esqueléticas, as 
fibras musculares cardíacas são mais curtas e menos 
circulares em um corte transversal. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Apresentam ramificação, que dão a cada fibra 
muscular cardíaca uma aparência de “degrau”. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Geralmente, existe um núcleo central, embora uma 
célula ocasionalmente tenha dois núcleos. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
 
As extremidades das fibras musculares cardíacas se ligam 
às fibras vizinhas por espessamentos transversais 
irregulares de sarcolema chamados discos intercalares. Os 
discos contêm desmossomos, que mantêm as fibras 
unidas, e junções comunicantes, que possibilitam que os 
potenciais de ação musculares sejam conduzidos de uma 
fibra muscular para as fibras vizinhas. As junções 
comunicantes possibilitam que todo o miocárdio dos átrios 
ou dos ventrículos se contraia como uma única unidade, 
coordenada. (TORTORA, 14ª ed.) 
As mitocôndrias são maiores e mais numerosas nas fibras 
do músculo cardíaco do que nas fibras musculares 
esqueléticas. As fibras musculares cardíacas têm o 
mesmo arranjo de actina e miosina, e as mesmas bandas, 
zonas e discos Z, que as fibras musculares esqueléticas. 
Os túbulos transversos do músculo cardíaco são mais 
largos, mas menos abundantes do que no músculo 
esquelético; há um único túbulo transverso por 
sarcômero no disco Z. (TORTORA, 14ª ed.) 
Sistema de condução 
↠ A atividade elétrica inerente e rítmica é o motivo das 
contrações cardíacas ao longo da vida. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
↠ A fonte desta atividade elétrica é uma rede de fibras 
musculares cardíacas especializadas chamadas fibras 
autorrítmicas, porque são autoexcitáveis. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
 
 
As áreas escuras que cruzam as fibras miocárdicas são 
referidas como discos intercalados; elas são, na verdade, 
membranas celulares que separam as células miocárdicas umas 
das outras. Em cada disco intercalado, as membranas celulares 
se fundem entre si, para formar junções “comunicantes” 
permeáveis (gap junctions), que permitem rápida difusão, 
quase totalmente livre, dos íons. Dessa forma, o miocárdio 
forma sincício de muitas células musculares cardíacas, no qual 
as células estão tão interconectadas que, quando uma célula é 
excitada, o potencial de ação se espalha rapidamente para 
todas. O coração é, na verdade, composto por dois sincícios; o 
sincício atrial e o sincício ventricular, que forma as paredes dos 
ventrículos. (GUYTON, 13ª ed.) 
 
As fibras possuem duas funções importantes: 
↠ Agem como marca-passo, definindo o ritmo da 
excitação elétrica que provoca a contração do coração. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Formam o sistema de condução do coração, uma 
rede de fibras musculares cardíacas especializadas que 
@jumorbeck 
oferecem uma via para que cada ciclo de excitação 
cardíaca se propague pelo coração. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
RESUMO DAS FASES DO POTENCIAL DE AÇÃO DO 
MIOCÁRDIO (GUYTON, 13ª ed.) 
 Fase 0 (despolarização), os canais rápidos de 
sódio abrem. Quando a célula cardíaca é 
estimulada e se despolariza, o potencial de 
membrana fica mais positivo. Os canais de sódio 
ativados por voltagem (canais rápidos de sódio) 
abrem e permitem que o sódio flua rapidamente 
para dentro da célula e a despolarize. O potencial 
de membrana alcança cerca de + 20 milivolts 
antes dos canais de sódio encerrarem. 
 Fase 1 (despolarização inicial), os canais rápidos 
de sódio encerram. Os canais de sódio encerram, 
a célula começa a repolarizar e os íons potássio 
saem da célula através dos canais de potássio 
abertos. 
 Fase 2 (platô), os canais de cálcio abrem e os 
canais rápidos de potássio encerram. Ocorre 
uma breve repolarização inicial e o potencial de 
ação alcança um platô em consequência de (1) 
maior permeabilidade dos íons cálcio; e (2) 
diminuição da permeabilidade dos íons potássio. 
Os canais de íons cálcio, ativados por voltagem, 
abrem lentamente durante as fases 1 e 0, e o 
cálcio entra na célula. Depois, os canais de 
potássio encerram e a combinação da redução 
do efluxo de íons potássio e o aumento do 
influxo de íons cálcio conduz a que o potencial 
de ação alcance um platô. 
 Fase 3 (polarização rápida), os canais de cálcio 
encerram e os canais lentos de potássio abrem. 
O fechamento dos canais de íons cálcio e o 
aumento da permeabilidade aos íons potássio, 
permitindo que os íons potássio saiam 
rapidamente da célula, põem fim ao platô e 
retornam o potencial de membrana da célula ao 
seu nível de repouso. 
 Fase 4 (potencial de membrana de repouso) 
com valor médio aproximado de –90 milivolts. 
 
 
 
Os potenciais de ação cardíacos se propagam ao longo 
do sistema de condução na seguinte sequência: 
(TORTORA, 14ª ed.) 
 A excitação cardíaca normalmente começa no 
nó sinoatrial (SA), localizado na parede atrial 
direita, discretamente inferior e lateral à abertura 
@jumorbeck 
da veia cava superior. As células do nó SA não 
têm potencial de repouso estável. Em vez disso, 
elas se despolarizam repetida e 
espontaneamente até um limiar. A 
despolarização espontânea é um potencial 
marca-passo. Quando o potencial marca-passo 
alcança o limiar, ele dispara um potencial de ação. 
Cada potencial de ação do nó SA se propaga ao 
longo de ambos os átrios via junções 
comunicantes nos discos intercalares das fibras 
musculares atriais. Após o potencial de ação, os 
dois átrios se contraem ao mesmo tempo. 
 Ao ser conduzido ao longo das fibras musculares 
atriais, o potencial de ação alcança o nó 
atrioventricular (AV), localizado no septo 
interatrial, imediatamente anterior à abertura do 
seio coronário. No nó AV, o potencial de ação 
se desacelera consideravelmente, como 
resultado de várias diferenças na estrutura 
celular do nó AV. Este atraso fornece tempo 
para os átrios drenarem seu sangue para os 
ventrículos. 
 A partir do nó AV, o potencial de ação entra no 
fascículo atrioventricular (AV) (feixe de His,). Este 
fascículo é o único local em que os potenciais 
de ação podem ser conduzidos dos átrios para 
os ventrículos. (Em outros lugares, o esqueleto 
fibroso do coração isola eletricamente os átrios 
dos ventrículos.) 
 Depois da propagação pelo fascículo AV, o 
potencial de ação entra nos ramos direito e 
esquerdo. Os ramos se estendem ao longo do 
septo interventricular em direção ao ápice do 
coração. 
 Por fim, os ramos subendocárdicos calibrosos 
(fibras de Purkinje) conduzem rapidamente o 
potencial de ação, começando no ápice do 
coração e subindo em direção ao restante do 
miocárdio ventricular. Em seguida, os ventrículos 
se contraem, deslocando o sangue para cima 
em direção às válvulas semilunares. 
Por conta própria, as fibras autorrítmicas do nó SA iniciariam 
um potencial de ação a cada 0,6 s, ou 100 vezes por minuto. 
Assim, o nó SA define o ritmo de contração do coração – é o 
marca-passo natural. Esta frequência é mais rápida do que a de 
qualquer outra fibra autorrítmica. Como os potenciais de ação 
do nó SA se espalham ao longo do sistema de condução e 
estimulam outras áreas antes que estas sejam capazes de 
produzir um potencial de ação no seu próprio ritmo, mais lento, 
o nó SA age como o marca-passo natural do coração. Os 
impulsos nervosos da divisão autônoma do sistema nervoso 
(SNA) e hormônios transportados pelo sangue (como a 
epinefrina) modificam sua sincronização e força a cada 
batimento cardíaco,mas não estabelecem o ritmo de base. Em 
uma pessoa em repouso, por exemplo, a acetilcolina liberada 
pela parte parassimpática do SNA atrasa a estimulação do nó 
SA para a cada aproximadamente 0,8 s, ou 75 potenciais de 
ação por minuto. (TORTORA, 14ª ed.) 
Ciclo cardíaco 
O conjunto dos eventos cardíacos, que ocorre entre o 
início de um batimento e o início do próximo, é 
denominado ciclo cardíaco. Cada ciclo é iniciado pela 
geração espontânea de potencial de ação no nodo 
sinusal. (GUYTON, 13ª ed.) 
Em cada ciclo cardíaco, os átrios e ventrículos se 
contraem e relaxam alternadamente, forçando o sangue 
das áreas de alta pressão às áreas de baixa pressão. 
Enquanto uma câmara do coração se contrai, a pressão 
arterial dentro dela aumenta. (TORTORA, 14ª ed.) 
O ciclo cardíaco consiste no período de relaxamento, 
chamado diástole, durante o qual o coração se enche de 
sangue, seguido pelo período de contração, chamado 
sístole. (GUYTON, 13ª ed.) 
A duração total do ciclo cardíaco, incluindo a sístole e a 
diástole, é a recíproca da frequência cardíaca. Por 
exemplo, se a frequência cardíaca é de 72 
batimentos/min, a duração do ciclo cardíaco é de 1/72 
batimentos/min — aproximadamente 0,0139 minuto por 
batimento, ou 0,833 segundo por batimento. (GUYTON, 13ª 
ed.) 
Bulhas cardíacas 
 
↠ O som dos batimentos cardíacos é decorrente 
principalmente da turbulência do sangue causada pelo 
fechamento das valvas cardíacas. 
 
↠ Durante cada ciclo cardíaco, existem quatro bulhas 
cardíacas, mas em um coração normal apenas a primeira e a 
segunda bulhas cardíacas (B1 e B2) são auscultadas com um 
estetoscópio. 
 
↠ A primeira bulha (B1), a qual pode ser descrita como um 
som de tum, é mais forte e um pouco mais longa do que a 
segunda bulha. B1 é causada pela turbulência do sangue 
associada ao fechamento das valvas AV logo depois de a sístole 
ventricular começar. 
 
@jumorbeck 
↠ A segunda bulha (B2), que é mais breve e não tão forte 
quanto a primeira, pode ser descrita como um som de tá. B2 
é causada pela turbulência no sangue associada ao fechamento 
das valvas do tronco pulmonar e da aorta no início da diástole 
ventricular. 
 
Fatores que influenciam nos batimentos cardíacos 
 
 Controle parassimpático O neurotransmissor 
parassimpático acetilcolina (ACh) diminui a frequência 
cardíaca. A acetilcolina ativa os receptores 
colinérgicos muscarínicos que influenciam os canais 
de K e Ca2. A combinação dos dois efeitos faz a 
célula levar mais tempo para alcançar o limiar, 
atrasando o início do potencial de ação no marca-
passo e diminuindo a frequência cardíaca. 
(SILVERTHORN, 7ª ed.) 
 Controle simpático A estimulação simpática nas 
células marca-passo acelera a frequência cardíaca. As 
catecolaminas noradrenalina (dos neurônios 
simpáticos) e adrenalina (da medula da glândula 
suprarrenal) aumentam o fluxo iônico através dos 
canais If e de Ca2 . A entrada mais rápida de cátions 
acelera a taxa de despolarização, fazendo a célula 
atingir o limiar mais rapidamente e, assim, 
aumentando a taxa de disparo do potencial de ação 
Quando o marca-passo dispara potenciais de ação 
mais rapidamente, a frequência cardíaca aumenta. 
(SILVERTHORN, 7ª ed.) 
 
Determinados produtos químicos influenciam a fisiologia 
de base do músculo cardíaco e a frequência cardíaca. Por 
exemplo, a hipoxia (nível de oxigênio reduzido), acidose 
(pH baixo) e alcalose (pH elevado) deprimem a atividade 
cardíaca. Vários hormônios e cátions têm grandes efeitos 
sobre o coração: (TORTORA, 14ª ed.) 
 
 Hormônios: A epinefrina e a norepinefrina 
(provenientes da medula da glândula suprarrenal) 
melhoram a efetividade do bombeamento cardíaco. 
Estes hormônios afetam as fibras musculares 
cardíacas de modo muito semelhante à maneira 
como o faz a norepinefrina liberada pelos nervos 
aceleradores cardíacos – aumentam a frequência e 
a contratilidade cardíacas. O exercício, o estresse e a 
excitação fazem com que as medulas das glândulas 
suprarrenais liberem mais hormônios. Os hormônios 
tireoidianos também melhoram a contratilidade 
cardíaca e aumentam a frequência cardíaca. Um sinal 
de hipertireoidismo é a taquicardia, ou seja, uma 
frequência cardíaca de repouso elevada. 
 Cátions: Dado que as diferenças entre as 
concentrações intracelulares e extracelulares de 
vários cátions (p. ex., Na+ e K+) são cruciais para a 
produção de potenciais de ação em todas as fibras 
nervosas e musculares, não é de se estranhar que 
os desequilíbrios iônicos possam comprometer 
rapidamente a efetividade do bombeamento 
cardíaco. As concentrações relativas de três cátions 
– K+, Ca2+ e Na+ – exercem efeito acentuado na 
função cardíaca. Níveis sanguíneos elevados de K+ 
ou Na+ diminuem a frequência e a contratilidade 
cardíaca. O excesso de Na+ bloqueia o influxo de 
Ca2+ durante potenciais de ação cardíacos, 
diminuindo assim a força de contração, enquanto o 
excesso de K+ bloqueia a produção de potenciais de 
ação. Um aumento moderado do nível intersticial (e, 
portanto, intracelular) de Ca2+ acelera a frequência 
cardíaca e fortalece as contrações cardíacas. 
 
Também influenciam na frequência cardíaca de repouso: 
 A idade; 
 O sexo; 
 A condição física; 
 A temperatura corporal; 
 
Toda substância química que afeta a contratilidade é chamada de 
agente inotrópico, e sua influência é chamada de efeito inotrópico. Se 
uma substância química aumenta a força de contração, ela possui um 
efeito inotrópico positivo. Por exemplo, as catecolaminas adrenalina e 
noradrenalina e fármacos, como os digitálicos, aumentam a 
contratilidade e, portanto, possuem efeitos inotrópicos positivos. 
Substâncias químicas com efeito inotrópico negativo diminuem a 
contratilidade. (SILVERTHORN, 7ª ed.) 
 
 
Artigo: Variabilidade da Frequência Cardíaca, 
Depressão, Ansiedade e Estresse em Intensivistas 
 
O presente estudo objetivou avaliar médicos e 
enfermeiros de UTI, com relação à presença ou não de 
ansiedade, depressão e estresse, e documentar durante 
o plantão possíveis alterações na VFC por meio da 
gravação dos batimentos cardíacos com Holter durante 
o período de 12 horas. 
Em relação às variáveis da VFC, evidenciou-se que seus 
componentes em quase sua totalidade estiveram 
alterados quando comparados aos valores considerados 
normais, principalmente HF e a relação LF/HF (domínio 
da frequência). 
Quando se analisam os componentes descanso e 
classificação do plantão, notam-se alterações nas variáveis 
que refletem a atividade parassimpática, com nítidas 
mudanças na VFC, sugerindo que o descanso durante o 
plantão de 12 horas influi de maneira importante a 
classificação do plantão pelos intensivistas. 
@jumorbeck 
 
Referências 
 
TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível 
em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. 
 
JUNQUEIRA; CARNEIRO. Histologia Básica, 13ª ed. 
Guanabara Koogan, SP, 2017. 
GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. 
Editora Elsevier Ltda., 2017. 
MOORE. Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª ed. 
Guanabara Koogan, SP, 2017 
Silverthorn, Dee U. Fisiologia Humana. Disponível em: 
Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo A, [Inserir ano de 
publicação]. 
LONGHI, ALLAN; TOMAZ, CARLOS A. B. Variabilidade da 
frequência cardíaca, depressão, ansiedade e estresse em 
intensivistas. Revista Brasileira de Cardiologia, v. 23, n. 6 , 
páginas: 315-323, 2010. 
 
 
@jumorbeck 
 
Ciclo Cardíaco 
O conjunto dos eventos cardíacos, que ocorre entre o 
início de um batimento e o início do próximo, é 
denominado ciclo cardíaco. Cada ciclo é iniciado pela 
geração espontânea de potencial de ação no nodo 
sinusal. (GUYTON, 13ª ed.) 
DiÁstole e SÍstole 
O ciclo cardíaco consiste no período de relaxamento, 
chamado diástole, durante o qual o coração se enche de 
sangue, seguido pelo período de contração, chamado 
sístole. A duração total do ciclo cardíaco, incluindo a sístole 
e a diástole, é a recíproca da frequência cardíaca. 
(GUYTON, 13ª ed.) 
Por exemplo, se afrequência cardíaca é de 72 batimentos/min, 
a duração do ciclo cardíaco é de 1/72 batimentos/min — 
aproximadamente 0,0139 minuto por batimento, ou 0,833 
segundo por batimento. 
Obs.: O Aumento da Frequência Cardíaca Reduz a Duração do 
Ciclo Cardíaco. 
Os átrios funcionam como pré-bombas para os ventrículos: 
Normalmente, o sangue flui de forma contínua, vindo das 
grandes veias para os átrios; cerca de 80% do sangue fluem 
diretamente dos átrios para os ventrículos, mesmo antes da 
contração atrial. Então, essa contração representa os 20% 
adicionais para acabar de encher os ventrículos. Desse modo, 
os átrios funcionam como bomba de escova (primer pump), 
que melhora a eficácia do bombeamento ventricular por, no 
máximo, 20%. Entretanto, o coração pode continuar operando, 
na maioria das circunstâncias, mesmo sem esses 20% a mais 
de eficiência, pois ele normalmente tem capacidade de 
bombear de 300 a 400% a mais de sangue do que o 
necessário para o corpo, nas condições de repouso (GUYTON, 
13ª ed.). 
 
 
Período de Contração Isovolumétrica (Isométrica): 
↠ Imediatamente após o início da contração ventricular, 
a pressão ventricular sobe, de modo abrupto, fazendo 
com que as valvas A-V se fechem. 
↠ É necessário mais 0,02 a 0,03 segundo para que o 
ventrículo gere pressão suficiente para empurrar e abrir 
as válvulas semilunares (aórtica e pulmonar) contra a 
pressão nas artérias aorta e pulmonar. 
↠Durante esse período os ventrículos estão se 
contraindo, mas não ocorre esvaziamento. É o chamado 
período de contração isovolumétrica ou isométrica. 
 
Período de Ejeção.: 
↠ Quando a pressão no interior do ventrículo esquerdo 
aumenta até pouco acima de 80 mmHg (e a pressão do 
ventrículo direito, pouco acima de 8 mmHg), a pressão 
ventricular força a abertura das valvas. 
↠ Imediatamente, o sangue começa a ser lançado para 
diante, para as artérias. Em torno de 60% do sangue do 
ventrículo são ejetados durante a sístole. 
↠ Cerca de 70% dessa porção são ejetados durante o 
primeiro terço do período de ejeção, e os 30% restantes 
do esvaziamento ocorrem nos outros dois terços do 
período. 
↠ Assim, o primeiro terço é o chamado período de 
ejeção rápida, e os demais dois terços, período de ejeção 
lenta. 
 
Período de Relaxamento Isovolumétrico (Isométrico): 
↠ Ao final da sístole, o relaxamento ventricular começa 
de modo repentino, fazendo com que as pressões 
intraventriculares direita e esquerda diminuam 
rapidamente. 
↠ As altas pressões nas artérias distendidas que 
acabaram de ser cheias com o sangue vindo dos 
ventrículos contraídos tornam a empurrar o sangue de 
volta para os ventrículos, causando o fechamento das 
valvas aórtica e pulmonar. 
↠ Durante mais 0,03 a 0,06 segundo, o músculo 
ventricular continua a relaxar, mesmo que o volume não 
se altere, originando o período de relaxamento 
isovolumétrico ou isométrico. 
↠ As pressões intraventriculares diminuem rapidamente 
de volta aos valores diastólicos. É então que as valvas A-
V se abrem para iniciar novo ciclo de bombeamento 
ventricular. 
 
@jumorbeck 
Os Ventrículos se Enchem de Sangue durante a Diástole.: 
↠ Assim que a sístole termina e as pressões ventriculares 
retornam aos baixos valores diastólicos, as pressões 
moderadamente altas que se desenvolveram nos átrios 
durante a sístole ventricular forçam de imediato as valvas 
A-V a se abrirem. 
↠ É o chamado período de enchimento rápido 
ventricular. O período de enchimento rápido ocorre 
aproximadamente durante o primeiro terço da diástole. 
↠ Ao longo do segundo terço, uma pequena quantidade 
de sangue nas condições normais flui para os ventrículos, 
sendo esse o sangue que continua a chegar aos átrios, 
vindo das veias, fluindo diretamente para os ventrículos. 
↠ Durante o último terço da diástole, os átrios se 
contraem, dando impulso adicional ao fluxo sanguíneo 
para os ventrículos. Esse mecanismo responde por mais 
ou menos 20% do enchimento ventricular total em cada 
ciclo cardíaco. 
 
 
 
VOLUME DIASTÓLICO FINAL: representa o total de sangue 
presente no ventrículo ao final da diástole. 
VOLUME SISTÓLICO: volume ejetado durante a sístole. 
VOLUME SISTÓLICO FINAL: quantidade de sangue restante 
no ventrículo ao fim da sístole. 
FRAÇÃO DE EJEÇÃO: fração do volume final diastólico que é 
ejetada. 
DÉBITO CARDÍACO: volume de sangue ejetado por minuto. 
FREQUÊNCIA CARDÍACA: número de batimentos cardíacos 
por min. (bpm). 
DC= FC X VS VS= VDF – VSF 
 
 
CONCEITOS DE PRÉ-CARGA E PÓS-CARGA 
↠ Pré-carga: grau de tensão do músculo quando ele 
começa a se contrair. Para a contração cardíaca, a pré-
carga é geralmente considerada como a pressão 
diastólica final quando o ventrículo está cheio. 
↠ Pós-carga: é a pressão na aorta à saída do ventrículo. 
REGULAÇÃO DO BOMBEAMENTO CARDÍACO 
↠ Os meios básicos de regulação do volume bombeado 
são (1) regulação cardíaca intrínseca, em resposta às 
variações no aporte do volume sanguíneo em direção ao 
coração; e (2) controle da frequência cardíaca e da força 
de bombeamento pelo sistema nervoso autonômico. 
Regulação intrínseca do bombeamento cardíaco — o 
mecanismo de Frank-Starling: 
↠ Capacidade intrínseca do coração de se adaptar a 
volumes crescentes de afluxo sanguíneo. 
↠ O mecanismo de Frank-Starling afirma que quanto 
mais o miocárdio for distendido durante o enchimento, 
maior será a força da contração e maior será a 
quantidade de sangue bombeada para a aorta. Ou, em 
outras palavras: Dentro de limites fisiológicos, o coração 
bombeia todo o sangue que a ele retorna pelas veias. 
EXPLICAÇÃO DO MECANISMO DE FRANK-STARLING 
Quando uma quantidade adicional de sangue chega aos 
ventrículos, o músculo cardíaco é mais distendido. Essa 
distensão, por sua vez, leva o músculo a se contrair com força 
aumentada, pois os filamentos de miosina e actina ficam 
dispostos em ponto mais próximo do grau ideal de 
superposição para a geração de força. Assim, o ventrículo em 
função de seu enchimento otimizado automaticamente 
bombeia mais sangue para as artérias. Essa capacidade do 
músculo distendido, de se contrair com maior produção de 
trabalho até seu comprimento ideal, é característica de todos 
os músculos estriados (GUYTON, 13ª ed.) 
Controle do Coração pela Inervação Simpática e 
Parassimpática 
A eficácia do bombeamento cardíaco é também 
controlada pelos nervos simpáticos e parassimpáticos 
(vagos) que inervam de forma abundante o coração. Para 
determinados níveis de pressão atrial, a quantidade de 
sangue bombeada a cada minuto (o débito cardíaco) com 
frequência pode ser aumentada por mais de 100% pelo 
estímulo simpático. E, por outro lado, o débito pode ser 
@jumorbeck 
diminuído até zero, ou quase zero, por estímulo vagal 
(parassimpático). (GUYTON, 13ª ed.) 
 
 
Sincronia das células do tecido muscular cardíaco 
O coração é composto por três tipos principais de 
músculo: o músculo atrial, o músculo ventricular e as fibras 
especializadas excitatórias e condutoras. (GUYTON, 13ª ed.) 
Os tipos atrial e ventricular de músculo contraem-se 
quase como os músculos esqueléticos, mas com duração 
muito maior da contração. (GUYTON, 13ª ed.) 
As fibras excitatórias e de condução do coração, no 
entanto, só se contraem fracamente por conterem 
poucas fibras contráteis, mas apresentam descargas 
elétricas rítmicas automáticas, na forma de potenciais de 
ação, ou fazem a condução desses potenciais de ação 
pelo coração, representando sistema excitatório que 
controla os batimentos rítmicos. (GUYTON, 13ª ed.) 
ANATOMIA FISIOLÓGICA DO MÚSCULO CARDÍACO 
As fibras musculares cardíacas se dispõem em malha ou 
treliça com as fibras se dividindo, se recombinando e, de 
novo, se separando. 
O músculo cardíaco contém miofibrilas típicas, com 
filamentos de actina e miosina, esses filamentos se 
dispõem lado a lado e deslizam durante as contrações 
 
As células cardíacas conectam-se umas às outras por 
discos intercalares, que incluem a combinação de junções 
mecânicas e conexõescontrapondo-se à mera memorização e transferência 
verticalizada de conhecimentos. (CRUZ et al, 2018) 
As duas estratégias de ensino, norteadas pelo método 
ativo, mais utilizadas na área de saúde são: A Metodologia 
da Problematização e a Aprendizagem Baseada em 
Problemas (ABP). (SANTOS,2019) 
No ABP, o professor também é chamado de tutor, e a 
sua principal função é orientar os grupos para que a 
interação entre os alunos seja produtiva, ajudando-os a 
identificarem o conhecimento necessário para solucionar 
o problema. Em contrapartida, os alunos são os principais 
responsáveis por sua aprendizagem, precisando devolvê-
la de modo que atenda as suas necessidades pessoais e 
perspectivas profissionais. (SANTOS, 2019) 
Características da abordagem tradicional e da 
abordagem cognitiva quanto aos indicadores 
 
 
Diferenças e Semelhanças das metodologias de ensino-
aprendizagem 
 
 
Vantagens e Desvantagens das metodologias de ensino – 
aprendizagem 
 Metodologia 
Tradicional 
Metodologia 
Ativa 
Vantagens Proporciona à 
população 
conhecimento 
produzido 
cientificamente; 
Amplia 
informações e 
conhecimentos já 
existentes; 
Produz aquisição 
de conhecimento; 
Construção 
coletiva do 
conhecimento; 
Proporciona ao 
educando visão 
crítica e reflexiva 
da realidade; 
Capacita o 
educando para 
tomada de 
decisões; 
Desvantagens Formação de um 
indivíduo passivo, 
mero receptor de 
informações; 
Não aplicação à 
realidade dos 
conteúdos 
ensinados; 
Relação 
assimétrica entre 
educador e 
educando; 
Falta de 
conhecimento e 
capacitação de 
profissionais para 
aplicação deste 
modelo. 
 
 
Fonte: RODRIGUES ELIVANIA T.; LENTE SILVANA M, 2018 
Fonte: RODRIGUES ELIVANIA T.; LENTE SILVANA M, 2018 
Fonte: WATTÉ BRUNO H; SOUZA RAFAEL R.; FARIAS GIOVANNI 
F.; SOUZA MARCIO V., 2018 
Artigo: Percepção da efetividade dos métodos de ensino 
utilizados em um curso de medicina do Nordeste do Brasil 
O estudo objetivou avaliar a percepção e opinião do 
corpo docente e discente quanto à efetividade dos 
métodos de ensino utilizados pelo corpo docente do 
curso de Medicina da Universidade do Estado do Rio 
Grande do Norte (UERN). 
Período de coleta de dados: julho de 2015 a junho de 2016; 
Para fins de análise dos dados obtidos, consideraram a aula 
expositiva, aulas práticas/de campo, discussão de casos 
clínicos e seminários como métodos tradicionais de 
ensino-aprendizagem para o curso de Medicina. Como 
métodos contemporâneos de ensino foram consideradas 
as atividades lúdicas, mapas conceituais, estudos dirigidos, 
aprendizagem baseada em problemas (ABP) e 
aprendizagem baseada em equipe (ABE). 
Resultados: além de mais utilizadas, as metodologias 
tradicionais também foram consideradas as mais efetivas 
para o processo de ensino-aprendizagem pela maioria dos 
docentes (62,78%) e discentes (129,92%) entrevistados. 
No entanto, grande parte dos discentes (103%) afirmaram 
que gostaria que os professores utilizassem outros 
métodos didático-pedagógicos em suas aulas, tendo 
como justificativa mais citada a melhora do aprendizado 
em geral. 
Entre as principais sugestões dos docentes para a 
melhoria do processo ensino-aprendizagem no curso de 
Medicina, a mais citada foi a promoção de capacitação 
didático-pedagógica. 
Observou-se que maior tempo de graduação e de 
experiência docente, formação em outros cursos de 
graduação da área da saúde e titulação em nível de pós-
graduação se mostraram significativamente associados à 
utilização de métodos contemporâneos de ensino. 
De acordo com a Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), 
os cursos de Medicina devem utilizar metodologias ativas 
como uma das ferramentas de ensino, as quais auxiliam 
na formação geral, humanística, crítica, reflexiva e ética 
do graduando. 
O uso de metodologias integradoras potencializa o 
desenvolvimento de capacidade comunicativa, além de 
permitir e estimular a atuação interprofissional e a 
Apesar de ter boa receptividade, a metodologia ativa não 
é bem vista por todos os discentes, principalmente por 
encontrarem parâmetros diferenciados de avaliação e 
participação em sala de aula. 
No entanto, um trabalho mais recente realizado por 
Fermozelli et al, mostrou que a maioria dos discentes 
relatou aumento de interesse pelos estudos com a 
utilização de uma metodologia ativa, e que essa 
abordagem promoveu maior integração entre os 
conteúdos trabalhados e a clínica dos pacientes. 
A mudança do método de ensino tradicional para o ativo 
normalmente gera insegurança, requer grande esforço 
dos atores envolvidos no processo e exige maturidade, 
organização dos estudantes e mudança de 
comportamento para assumir a responsabilidade sobre o 
próprio aprendizado. 
Um fator que pode ter dificultada a utilização e adesão 
dos discentes às atividades exigidas pelas metodologias 
contemporâneas, provocando certa aversão pelo 
desenvolvimento de atividades, que representariam maior 
investimento de tempo. 
Conclusão: a metodologia tradicional foi considerada a 
mais efetiva e predominante no curso de Medicina da 
UERN. É necessário impulsionar o desenvolvimento de 
metodologias centradas no aluno por meio da adoção de 
pedagogias ativas de ensino e estimular a capacitação 
didática-pedagógica do corpo docente. 
 
 
 
 
 
 
Referências 
CRUZ, PAULO. Ebook: Metodologias ativas para a 
educação corporativa. 2018 
SANTOS, TACIANA. Metodologias Ativas de Ensino-
Aprendizagem. Olinda, 2019 
CRUZ POLIANA O.; CARVALHO THAÍS B.; PINHEIRO 
LUCA D. P.; GIOVANNINI PATRÍCIA E.; NASCIMENTO 
ELLANY G. C.; FERNANDES THALES A. A. M.; Percepção 
da efetividade dos métodos de ensino utilizados em um 
curso de Medicina do Nordeste do Brasil. Revista Brasileira 
de Educação Médica.; vol. 43, nº 2, páginas: 40-47, 2019. 
Disponível em: 
https://www.scielo.br/j/rbem/a/rbC9RfTpzwLpRFVxsBVJ
CRf/abstract/?lang=pt 
WATTÉ BRUNO H; SOUZA RAFAEL R.; FARIAS 
GIOVANNI F.; SOUZA MARCIO V. Implementação da 
metodologia Team Based Learning (TBL) em uma 
estratégia de Blended Learning, no desenvolvimento da 
disciplina de Empreendedorismo. Ebook: EAD, PBL e o 
Desafio da Educação em Rede: Metodologias Ativas e 
outras Práticas na Formação do Educador Coinvestigador. 
páginas: 104-118, 2018. Disponível em: 
https://www.researchgate.net/publication/329630793_Im
plementacao_da_metodologia_Team_Based_Learning_
TBL_em_uma_estrategia_de_Blended_Learning_no_d
esenvolvimento_da_disciplina_de_Empreendedorismo 
RODRIGUES ELIVANIA T.; LENTE SILVANA M. Método 
Tradicional de Ensino x Método da problematização: um 
estudo comparativo para o alcance do perfil médico 
previsto na diretriz curricular brasileira. Anais V CONEDU... 
Campina Grande: Realize Editora, 2018. Disponível em: 
 2018 
 
Trabalho em grupo 
Trabalho em grupo: alunos trabalhando juntos em grupos 
pequenos de modo que todos possam participar de uma 
atividade com tarefas claramente atribuídas. Além disso, é 
esperado que os alunos desempenhem suas tarefas sem 
supervisão direta e imediata do professor. Trabalho em 
grupo não é a mesma coisa que agrupamento por 
habilidade, no qual o professor divide a sala por critério 
acadêmico para que possa ensinar para grupos mais 
homogêneos. (COHEN; LOTAN, 2017) 
A filosofia vigente na década de 1970, incentivou-se a 
estruturação e utilização da aprendizagem cooperativa – 
trabalho de estudantes em pequenos grupos 
heterogêneos que trocam informações e compartilham 
materiais, com papéis previamente definidos - como um 
recurso que fomenta rendimento acadêmico, 
interdependência positiva, responsabilidade individual e de 
grupo, interação estimuladora, competências sociais, além 
de aumento de autoestima. (CONCEIÇÃO; MORAES, 2018) 
Quando a professora propõe aos alunos uma atividade 
em grupo e permite que eles se esforcem sozinhos e 
cometam erros, ela delega autoridade. Essa é a primeira 
característica-chave do trabalho em grupo. Delegar 
autoridade em umaelétricas. As conexões mecânicas, 
que evitam que as células se soltem quando se contraem, 
abrangem as junções de aderência e os desmossomos. 
Por outro lado, as junções comunicantes (gap) entre as 
células musculares cardíacas formam conexões elétricas, 
permitindo a propagação do potencial de ação por todo 
o coração. 
Assim, considera-se que a disposição das células 
musculares cardíacas forma um sincício mecânico e 
elétrico, fazendo com que um único potencial de ação 
(gerado no interior do nó sinoatrial) curse por todo o 
coração, de maneira que este se contraia de modo 
sincrônico, semelhante a ondas. (BERNE E LEVY) O 
coração é, na verdade, composto por dois sincícios; o 
sincício atrial, que forma as paredes dos dois átrios e o 
sincício ventricular, que forma as paredes dos ventrículos. 
(GUYTON, 13ª ed.) 
Essa divisão do músculo cardíaco em dois sincícios 
funcionais permite que os átrios se contraiam pouco 
antes da contração ventricular, o que é importante para 
a eficiência do bombeamento cardíaco. (GUYTON, 13ª ed.) 
A célula cardíaca é constituída de miofibrilas, núcleo, 
sarcoplasma, sarcolema, discos intercalares, mitocôndrias 
e retículo sarcoplasmático. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
As miofibrilas são compostas de várias unidades, 
funcionalmente autônomas, denominadas sarcômeros, os 
quais representam as unidades contráteis do músculo 
cardíaco. Os sarcômeros contêm dois tipos de filamentos, 
ambos de estrutura proteica – actina ou filamento 
delgado e miosina ou filamento espesso. (SILVERTHON, 
7ª ed.) 
@jumorbeck 
 
Dois tipos de proteínas moduladoras – troponina e 
tropomiosina – participam dos fenômenos que envolvem 
a actina. A troponina age como receptora de cálcio em 
nível molecular, enquanto a tropomiosina recobre os 
pontos de acoplamento do sistema miosínico. 
(SILVERTHON, 7ª ed.) 
 
A contração da célula cardíaca é, em essência, o resultado 
da junção de vários sistemas actinomiosínicos, cujo 
mecanismo biofísico básico é o deslizamento da actina 
sobre a miosina. No entanto, para que se processem 
essas junções, é fundamental uma complexa cadeia de 
reações bioquímicas desencadeadas pela estimulação 
elétrica das células cardíacas. 
A energia necessária para ativar o sistema actinomiosínico 
provém do rompimento das ligações da adenosina 
trifosfato (ATP). O enriquecimento desses fosfatos 
depende do metabolismo aeróbico, processado no 
interior das mitocôndrias e sarcoplasma, os quais, por sua 
vez, estão na dependência da integridade das células e 
de adequado suprimento sanguíneo ao miocárdio pelas 
artérias coronárias. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
O elemento iônico fundamental na contração cardíaca é 
o cálcio, pois a elevação do teor de cálcio livre no interior 
do sarcômero resulta em sua interação com a troponina, 
etapa essencial da série de fenômenos que culminam na 
contração da miofibrila. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
 
 
RESUMO DAS FASES DO POTENCIAL DE AÇÃO DO 
MIOCÁRDIO (GUYTON, 13ª ed.) 
 Fase 0 (despolarização), os canais rápidos de 
sódio abrem. Quando a célula cardíaca é 
estimulada e se despolariza, o potencial de 
membrana fica mais positivo. Os canais de sódio 
ativados por voltagem (canais rápidos de sódio) 
abrem e permitem que o sódio flua rapidamente 
para dentro da célula e a despolarize. O potencial 
de membrana alcança cerca de + 20 milivolts 
antes dos canais de sódio encerrarem. 
 Fase 1 (despolarização inicial), os canais rápidos 
de sódio encerram. Os canais de sódio encerram, 
a célula começa a repolarizar e os íons potássio 
saem da célula através dos canais de potássio 
abertos. 
 Fase 2 (platô), os canais de cálcio abrem e os 
canais rápidos de potássio encerram. Ocorre 
uma breve repolarização inicial e o potencial de 
ação alcança um platô em consequência de (1) 
maior permeabilidade dos íons cálcio; e (2) 
diminuição da permeabilidade dos íons potássio. 
Os canais de íons cálcio, ativados por voltagem, 
abrem lentamente durante as fases 1 e 0, e o 
cálcio entra na célula. Depois, os canais de 
potássio encerram e a combinação da redução 
do efluxo de íons potássio e o aumento do 
influxo de íons cálcio conduz a que o potencial 
de ação alcance um platô. 
 Fase 3 (polarização rápida), os canais de cálcio 
encerram e os canais lentos de potássio abrem. 
O fechamento dos canais de íons cálcio e o 
aumento da permeabilidade aos íons potássio, 
permitindo que os íons potássio saiam 
rapidamente da célula, põem fim ao platô e 
retornam o potencial de membrana da célula ao 
seu nível de repouso. 
 Fase 4 (potencial de membrana de repouso) 
com valor médio aproximado de –90 milivolts. 
@jumorbeck 
 
Período Refratário do Miocárdio: O músculo cardíaco, 
como todos os tecidos excitáveis, é refratário à 
reestimulação durante o potencial de ação. Assim, o 
período refratário do coração é o intervalo de tempo 
durante o qual o impulso cardíaco normal não pode 
reexcitar área já excitada do miocárdio. (GUYTON, 13ª ed.) 
Acoplamento Excitação-Contração – A função dos íons 
cálcio e dos túbulos transversos: mecanismo pelo qual o 
potencial de ação provoca a contração das miofibrilas. 
(GUYTON, 13ª ed.) 
↠ O potencial de ação se difunde para o interior da fibra 
muscular, passando ao longo das membranas dos túbulos 
transversos (T). 
↠ O potencial dos túbulos T, por sua vez, age nas 
membranas dos túbulos sarcoplasmáticos longitudinais 
para causar a liberação de íons cálcio pelo retículo 
sarcoplasmático no sarcoplasma muscular. 
↠ Esses íons cálcio se dispersam para as miofibrilas, 
quando catalisam as reações químicas que promovem o 
deslizamento, um contra o outro, dos filamentos de 
miosina e actina, produzindo, assim, a contração muscular. 
↠ Além dos íons cálcio, liberados das cisternas do retículo 
sarcoplasmático para o sarcoplasma, grande quantidade 
de íons cálcio adicionais também se difunde para o 
sarcoplasma, partindo dos próprios túbulos T no 
momento do potencial de ação por canais dependentes 
de voltagem na membrana de túbulos T. 
↠ A entrada de cálcio ativa canais de liberação de cálcio, 
também chamados canais de receptores de rianodina, na 
membrana do retículo sarcoplasmático, o que 
desencadeia a liberação de cálcio para o sarcoplasma. 
↠ Em seguida, íons cálcio no sarcoplasma interagem 
com a troponina para iniciar a formação de pontes 
cruzadas (cross--bridges) e contração. 
A força da contração cardíaca depende muito da 
concentração de íons cálcio nos líquidos extracelulares. 
(GUYTON, 13ª ed.) 
 
EFEITO DOS ÍONS POTÁSSIO E CÁLCIO NO FUNCIONAMENTO 
CARDÍACO 
Efeitos dos Íons Potássio: 
↠ O excesso de potássio nos líquidos extracelulares 
pode fazer com que o coração se dilate e fique flácido, 
além de diminuir a frequência dos batimentos. (GUYTON, 
13ª ed.) 
↠ Grandes quantidades de potássio podem vir a bloquear 
a condução do impulso cardíaco dos átrios para os 
ventrículos pelo feixe A-V. 
↠ Esses efeitos resultam, em parte, do fato da alta 
concentração de potássio nos líquidos extracelulares 
diminuir o potencial de repouso das membranas das fibras 
miocárdicas 
Efeito dos Íons Cálcio: 
↠ O excesso de íons cálcio causa efeitos quase opostos 
aos dos íons potássio, induzindo o coração a produzir 
contrações espásticas. A causa disso é o efeito direto dos 
íons cálcio na deflagração do processo contrátil cardíaco. 
(GUYTON, 13ª ed.) 
@jumorbeck 
EXCITAÇÃO RÍTMICA DO CORAÇÃO 
O coração humano tem um sistema especial para a 
autoexcitação rítmica e a contração repetitiva de 
aproximadamente cem mil vezes ao dia, ou três bilhões 
de vezes em uma vida humana de duração média. Esse 
feito impressionante é realizado por um sistema que: (1) 
gera impulsos elétricos rítmicos para iniciar contrações 
rítmicas do miocárdio; e (2) conduz esses impulsos 
rapidamente por todo o coração. (GUYTON, 13ª ed.) 
 
Nodo Sinusal ( Sinoatrial): 
↠ Está situado na parede posterolateral superior do átrio 
direito, imediatamente abaixo e pouco lateral à abertura 
da veia cava superior. 
↠ As fibrasdo nodo sinusal se conectam diretamente às 
fibras musculares atriais, de modo que qualquer potencial 
de ação que se inicie no nodo sinusal se difunde de 
imediato para a parede do músculo atrial. 
 
Mecanismo de Ritmicidade do Nodo Sinusal: 
 
↠ Negatividade de -55 a -60 nas fibras do nodo sinusal; 
↠ Mais permeáveis ao cálcio e sódio; 
 
Autoexcitação das Fibras do Nodo Sinusal: 
↠ Potencial de repouso gradativamente aumenta entre 
os batimentos cardíacos; Canais de sódio 
permanentemente abertos; 
↠ -40 canais L de cálcio são ativados; 
↠ Canais de potássio se abrem; 
↠ Potássio deixa a célula; 
↠ Fim do Potencial de Ação; 
↠ Fechamento dos Canais de Potássio; 
↠ Nova onda despolarizante; 
 
As vias intermodal e interatrial: 
↠ Transmitem impulsos cardíacos pelos átrios; 
↠ Chegam até o nó AV; 
↠ Fibras condutoras especializadas; 
↠ Semelhantes às Fibras de Purkinje; 
 
O Nodo Atrioventricular: 
↠ Retarda a condução do impulso dos átrios para os 
ventrículos; 
↠ Localizado na parede posterior do AD, atrás da válvula 
tricúspide; 
↠ Células do Nodo Atrio Ventricular possuem número 
reduzido de junções comunicantes; 
 
Sistema de Purkinge Ventricular: 
↠ Calibrosas, conduzem o Potencial de Ação com 
velocidade 6x maior que o músculo ventricular e 150x 
maior q as fibras do novo A-V; 
↠ Transmissão praticamente instantânea para toda 
musculatura cardíaca; 
↠ Junções comunicantes dos discos intercalares são 
numerosas e muito permeáveis; 
↠ Possuem pouco ou nada de miofibrilas; 
 
Transmissão unidirecional pelo feixe A – V: 
↠ Feixe A-V é incapaz em condições fisiológicas de 
conduzir Potenciais de Ação retrogradamente; 
↠ Impede a entrada de impulsos dos ventrículos para os 
átrios; 
↠ Condução é apenas ANTETRÓGRADA; 
↠ Tecido fibroso atrioventricular auxilia neste processo. 
 
 
 
@jumorbeck 
Coração do Atleta 
Qualquer atividade que aciona grandes músculos do corpo 
durante pelo menos 20 min, eleva o débito cardíaco e 
acelera a taxa metabólica. (TORTORA, 14ª ed.) 
A prática de exercícios físicos aumenta a demanda de 
oxigênio dos músculos. O fato de a demanda ser atendida 
depende principalmente da adequação do débito cardíaco 
e do bom funcionamento do sistema respiratório. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
Após várias semanas de treinamento, uma pessoa 
saudável aumenta o débito cardíaco máximo (o volume 
de sangue ejetado dos ventrículos para as respectivas 
artérias por minuto), elevando assim o fornecimento 
máximo de oxigênio aos tecidos. (TORTORA, 14ª ed.) 
Durante a atividade extenuante, um atleta bem treinado 
pode alcançar o dobro do débito cardíaco de uma pessoa 
sedentária, em parte porque o treinamento provoca 
hipertrofia do coração. Essa condição é conhecida como 
cardiomegalia fisiológica. (TORTORA, 14ª ed.) 
A cardiomegalia patológica está relacionada com 
cardiopatia grave. (TORTORA, 14ª ed.) 
Mesmo que o coração de um atleta bem treinado seja 
maior, seu débito cardíaco em repouso é 
aproximadamente o mesmo de uma pessoa não treinada 
saudável, porque o volume sistólico é aumentado 
enquanto a frequência cardíaca é diminuída. (TORTORA, 
14ª ed.) 
Hipertrofia Cardíaca induzida pelo treinamento físico: 
eventos moleculares e celulares que modificam o fenótipo. 
A prática regular de exercícios físicos leva a uma série 
de adaptações fisiológicas no organismo de forma gradual 
que variam conforme as características do treinamento. 
Entre essas adaptações estão às cardiovasculares, dentre 
as quais se destaca a hipertrofia cardíaca (HC), que ocorre 
frente a alterações hemodinâmicas que modificam as 
condições de sobrecarga cardíaca durante as sessões de 
treinamento. (MAGALHÃES et. al, 2008) 
A hipertrofia cardíaca induzida pelo treinamento físico é 
considerada fisiológica e desenvolvida de forma simétrica 
no coração, sendo que as mudanças estruturais são 
dependentes da natureza, duração e intensidade do 
exercício. 
A HC induzida pelo treinamento físico refere-se ao 
aumento de massa muscular em resposta a sobrecarga 
de trabalho nas sessões de exercício (BARBIER et al., 
2006; CARREÑO et al., 2007). 
Esta hipertrofia é um mecanismo fisiológico 
compensatório, caracterizado principalmente pelo 
aumento do comprimento e diâmetro dos cardiomiócitos, 
desta forma sendo responsável pela manutenção da 
tensão na parede ventricular em níveis fisiológicos 
(COLAN, 1997; URHAUSEN& KINDERMANN, 1999). 
A HC ocorre pela capacidade do músculo cardíaco de 
adaptar-se a sobrecargas hemodinâmicas, que levam às 
alterações na estrutura do miocárdio de duas formas: uma 
causada pela sobrecarga de volume, verificada com o 
treinamento físico aeróbico, como a corrida e a natação, 
chamada de hipertrofia excêntrica e outra causada pela 
sobrecarga de pressão, observada com o treinamento de 
força/isométrico como o levantamento de peso e o judô, 
que é conhecida como hipertrofia concêntrica. (FAGARD, 
1997). 
A HC excêntrica, observada no coração de atletas que 
realizam treinamento aeróbico, ocorre devido à 
sobrecarga de volume, ou seja, aumento da pré-carga 
devido ao aumento do retorno venoso durante as 
sessões de exercício, o que gera um elevado pico de 
tensão diastólica, induzindo ao crescimento dos miócitos. 
Neste, ocorre adição em série dos novos sarcômeros, e 
consequente aumento em seu comprimento pelo 
aumento no número das miofibrilas, para normalizar o 
estresse na parede do miocárdio levando a um aumento 
da cavidade do ventrículo esquerdo (VE). A cavidade 
aumentada gera um elevado pico de tensão sistólica, que 
estimula o crescimento dos miócitos, pela adição de 
novos sarcômeros em paralelo, aumentando também a 
espessura da parede do VE de forma compensatória. 
Como consequência, a relação entre a parede ventricular 
e o raio do VE permanece inalterada. 
A HC concêntrica decorrente do treinamento de força é 
gerada pela sobrecarga pressórica que ocorre no VE, ou 
seja, pelo aumento da pós-carga, que é caracterizado 
pelo elevado pico de tensão sistólica. Como resposta a 
essa sobrecarga hemodinâmica ocorre aumento no 
diâmetro dos miócitos, pela adição de novos sarcômeros 
em paralelo, o que leva a um aumento na espessura da 
parede do VE (COLAN, 1997; GROSSMAN et al., 1975; 
SHAPIRO, 1997). Tanto atletas como animais experimentais 
que realizam exercícios estáticos ou isométricos 
desenvolvem um aumento predominante da espessura 
da parede ventricular esquerda sem alteração no 
tamanho da cavidade do VE. Esta hipertrofia é 
@jumorbeck 
caracterizada pelo aumento da razão entre a espessura 
da parede e do raio do VE (COLAN, 1997; PLUIM et al., 
2000; BARAUNA et al., 2007a). 
A HC promovida pelo treinamento físico ocorre para 
ajustar à carga de trabalho imposta ao ventrículo para 
manter constante a relação entre a pressão sistólica da 
cavidade e a razão da espessura da parede com o raio 
ventricular. Estas alterações na estrutura e função 
cardíaca são determinadas pela lei de Laplace: 
TP=Pr/h 
Portanto, se o ventrículo é uma esfera, a pressão (P) é 
proporcional à tensão da parede (TP) e a sua espessura 
(h) é inversamente proporcional ao raio da curvatura (r). 
Visando adequação da velocidade e da força de 
contração necessárias ao processo de adaptação a HC, 
ocorrem modificações nas proporções dos diferentes 
tipos de proteínas estruturais dos sarcômeros, como a 
actina e a miosina. A síntese destas novas proteínas 
aumenta principalmente a espessura (treinamento físico 
de força) e o comprimento das miofibrilas (treinamento 
físico aeróbico), aumentando o tamanho dos sarcômeros 
(MORGAN & BAKER, 1991; MORGAN et al., 1987). Esse 
aumento na síntese proteica é dependente da uma 
sinalização extracelular, que desencadeia uma cascata 
bioquímica de sinalização intracelular até chegar ao núcleo 
da célula levando ao aumento da transcrição gênica e da 
síntese proteica. Entretanto, ainda são pouco conhecidos 
os eventos bioquímicos desta sinalização intracelular com 
treinamento físico. 
Os receptores de membrana são ativados por seus 
respectivosagonistas. Já as integrinas são proteínas 
sensíveis ao estresse mecânico. Ao serem acionados, 
tanto os receptores quanto as integrinas desencadeiam 
sinais bioquímicos intracelulares, que coordenam o 
crescimento hipertrófico, alterando no núcleo a 
expressão gênica e no citoplasma aumentando a 
velocidade de tradução ribossomal de proteínas, bem 
como diminuindo a degradação de proteínas do citosol. 
Na HC induzida pelo treinamento físico aeróbico, a via mais 
bem conhecida é a do receptor de tirosina quinase, ao 
qual se ligam fatores de crescimento como o fator de 
crescimento de fibroblastos (FGF) e o fator de 
crescimento semelhante a insulina (IGF-1). 
Coração Atleta 
Para Pellicia, os factores hereditários intervêm nas 
alterações cardiovasculares de duas formas: pelo controlo 
genético da resposta ao exercício, e pela predisposição 
genética para suportar um exercício físico mais intenso 
e, consequentemente, atingir um maior rendimento 
durante a competição. A influência genética pode assim 
ajudar a explicar a diferença acentuada na intensidade das 
alterações cardiovasculares e no rendimento de atletas 
com as mesmas características antropométricas e 
submetidos ao mesmo tipo/intensidade de treino (10). Um 
dos exemplos desta possível influência genética é o gene 
da enzima conversora da angiotensina (ECA), ao qual tem 
sido atribuído um papel importante na remodelação 
fisiológica do ventrículo esquerdo. Montgomery et al 
comprovaram que níveis aumentados de ECA têm 
influência no desenvolvimento da hipertrofia miocárdica 
induzida pelo treino. 
Uma das características mais importantes do Coração de 
Atleta é o aumento do tónus parassimpático e a 
diminuição do tónus simpático, que são responsáveis por 
achados frequentes no atleta, tais como a bradicardia de 
repouso, a arritmia sinusal e os atrasos da condução 
aurículo-ventricular 
Um dos achados mais frequentes do exame objectivo do 
atleta é a auscultação de um sopro cardíaco A etiologia 
deste sopro difere com a idade do atleta. Nos atletas 
jovens, geralmente não existem alterações degenerativas 
dos anéis valvulares. Por isso, o sopro resulta quase 
sempre do aumento de velocidade do fluxo sanguíneo 
secundário ao elevado volume sistólico ejectado por um 
coração “hiperfuncionante”. Nos atletas mais velhos (com 
mais de 50 anos de idade), é frequente a existência de 
esclerose da válvula aórtica. Por isso, a auscultação de um 
sopro cardíaco nestes atletas deve suscitar uma avaliação 
mais cuidada, porque pode tratar-se de um processo 
fisiológico (tal como acontece em atletas mais jovens), ou 
ser secundário ao fenómeno de esclerose da válvula 
aórtica. 
Bradicardia sinusal – O débito cardíaco é o produto da 
frequência cardíaca com o volume sistólico. Durante a 
prática desportiva, o débito cardíaco do atleta é superior 
ao do indivíduo não atleta. No entanto, quando em 
repouso estes valores são muito semelhantes em ambos. 
Visto que o volume sistólico está geralmente aumentado 
no atleta, para que o débito cardíaco em repouso seja 
semelhante em ambos os indivíduos, a frequência 
cardíaca do atleta diminui, o que se deve sobretudo às 
alterações do sistema nervoso autónomo Assim, é 
comum a existência de atletas com bradicardia sinusal 
@jumorbeck 
(definida como uma frequência inferior a 60b.p.m), que 
pode alcançar os 25 b.p.m. 
A nível estrutural, a adaptação do sistema cardiovascular 
à prática de exercício físico envolve o aumento da massa 
cardíaca, a dilatação auriculo-ventricular e o aumento de 
espessura da parede miocárdica. Esta remodelagem 
abrange as quatro cavidades cardíacas, surge em cerca 
de 50% dos atletas e é mais acentuada em praticantes 
de exercício isotónico. Visto que se trata de um processo 
fisiológico, as alterações são reversíveis com a 
interrupção da prática desportiva. 
Ventrículo Esquerdo: 
 ↠ Diâmetro do ventrículo esquerdo no fim da diástole: 
encontra-se aumentado. 
↠ da parede miocárdica: a espessura do septo 
interventricular é maior. 
↠ Massa ventricular: aumentada. 
↠ Forma do ventrículo esquerdo: forma alongada. 
 
*Devido às limitações da ecocardiografia, as alterações das 
cavidades cardíacas direitas não têm sido tão bem 
avaliadas, o que torna menos claro o seu envolvimento 
no Coração de Atleta. 
Em atletas verifica-se um aumento das dimensões das 
artérias coronárias proximais e uma melhoria da sua 
resposta à nitroglicerina, o que torna a perfusão 
miocárdica mais eficaz 
A resposta do sistema cardiovascular à prática de 
exercício físico é semelhante entre os atletas de ambos 
os sexos, mas as alterações são geralmente mais 
acentuadas em atletas do sexo masculino 
Referências 
FERREIRA, EMANUEL F. E. Coração Atleta. Artigo de 
Revisão. Tese de Mestrado, Universidade de Coimbra, 
2010. 
MAGALHÃES et al. Hipertrofia Cardíaca induzida pelo 
treinamento físico: eventos moleculares e celulares que 
modificam o fenótipo. Revista Mackenzie de Educação 
Física e Esporte., 2008. 
TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível 
em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. 
 
GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. 
Editora Elsevier Ltda., 2017. 
Silverthorn, Dee U. Fisiologia Humana. Disponível em: 
Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo A, [Inserir ano de 
publicação]. 
BERNE & LEVY. Fisiologia, 6ª ed. Elsevier Editora, SP, 2009. 
 
 
 
 
 
 
 
 
@jumorbeck 
Fecundação 
↠ A fecundação é uma sequência complexa de eventos 
moleculares coordenados que se inicia com o contato 
entre um espermatozoide e um oócito e termina com a 
mistura dos cromossomos maternos e paternos na 
metáfase da primeira divisão mitótica do zigoto; o 
embrião unicelular. (MOORE, 10ª ed.) 
 
Clivagem do zigoto 
A clivagem consiste em divisões mitóticas repetidas do 
zigoto, resultando em um aumento rápido do número de 
células (blastômeros). Essas células embrionárias tornam-
se menores a cada divisão. (MOORE, 10ª ed.) 
Quando existem 12 a 32 blastômeros, o ser humano em 
desenvolvimento é chamado de mórula. (MOORE, 10ª ed.) 
Uma cavidade se forma na mórula, convertendo-a em 
blastocisto, que é formado pelo embrioblasto, pela 
cavidade blastocística e pelo trofoblasto. (MOORE, 10ª ed.) 
 
Terceira semana do desenvolvimento humano 
GASTRULAÇÃO 
↠ É o processo pelo qual as três camadas germinativas 
são estabelecidas nos embriões. (MOORE, 10ª ed.) 
 Ectoderma embrionário: dá origem à epiderme, 
aos sistemas nervosos central e periférico, aos 
olhos e ouvidos internos, às células da crista 
neural e a muitos tecidos conjuntivos da cabeça. 
 Endoderma embrionário: é a fonte dos 
revestimentos epiteliais dos sistemas respiratório 
e digestório, incluindo as glândulas que se abrem 
no trato digestório e as células glandulares de 
órgãos associados ao trato digestório, como o 
fígado e o pâncreas. 
 Mesoderma embrionário: dá origem a todos os 
músculos esqueléticos, às células sanguíneas, ao 
revestimento dos vasos sanguíneos, à 
musculatura lisa das vísceras, ao revestimento 
seroso de todas as cavidades do corpo, aos 
ductos e órgãos dos sistemas genitais e 
excretor e à maior parte do sistema 
cardiovascular. 
LINHA PRIMITIVA 
↠ O primeiro sinal morfológico da gastrulação é a 
formação da linha primitiva na superfície do epiblasto do 
disco embrionário bilaminar. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ No começo da terceira semana, uma faixa linear 
espessada do epiblasto aparece caudalmente no plano 
mediano do aspecto dorsal do disco embrionário. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ A linha primitiva resulta da proliferação e do 
movimento das células do epiblasto para o plano mediano 
do disco embrionário. Tão logo a linha primitiva aparece, 
é possível identificar o eixo craniocaudal, as extremidades 
cranial e caudal, as superfícies dorsal e ventral do embrião. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ Conforme a linha primitiva se alonga pela adição de 
células à sua extremidade caudal, sua extremidade cranial 
prolifera para formar o nó primitivo. Simultaneamente, um 
sulcoestreito, o sulco primitivo, se desenvolve na linha 
primitiva. (MOORE, 10ª ed.) 
@jumorbeck 
 
↠ Pouco tempo depois do aparecimento da linha 
primitiva, as células migram de sua superfície profunda 
para formar o mesênquima, um tecido conjuntivo que 
forma os tecidos de sustentação do embrião. (MOORE, 
10ª ed.) 
↠ Uma parte do mesênquima forma o mesoblasto 
(mesoderma indiferenciado), que forma o mesoderma 
intraembrionário. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ As células do epiblasto, bem como as do nó primitivo 
e de outras partes da linha primitiva, deslocam o 
hipoblasto, formando o endoderma embrionário no teto 
da vesícula umbilical. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ As células remanescentes do epiblasto formam o 
ectoderma embrionário. (MOORE, 10ª ed.) 
 
Desenvolvimento inicial do sistema cardiovascular 
↠ O sistema cardiovascular é o primeiro sistema principal 
a funcionar no embrião. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ No início da terceira semana, a formação dos vasos 
sanguíneos começa no mesoderma extraembrionário da 
vesícula umbilical, do pedículo de conexão e do córion. Os 
vasos sanguíneos embrionários começam a se 
desenvolver aproximadamente 2 dias depois. (MOORE, 10ª 
ed.) 
↠ A formação do sistema vascular embrionário envolve 
dois processos, a vasculogênese e a angiogênese. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ A vasculogênese é a formação de novos canais 
vasculares pela união de precursores individuais celulares 
(angioblastos). (MOORE, 10ª ed.) 
↠ A angiogênese é a formação de novos vasos pelo 
brotamento e ramificação de vasos preexistentes. A 
formação de vasos sanguíneos no embrião e nas 
membranas extraembrionárias, durante a terceira 
semana, começa quando as células mesenquimais se 
diferenciam em precursores das células endoteliais, ou 
angioblastos (células formadoras de vasos). (MOORE, 10ª 
ed.) 
↠ O coração primitivo e o sistema vascular aparecem no 
meio da terceira semana. Esse desenvolvimento cardíaco 
precoce ocorre porque o rápido crescimento 
embrionário não pode mais satisfazer suas exigências 
nutricionais e de oxigênio somente através da difusão. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ Células progenitoras cardíacas multipotentes de várias 
fontes, contribuem para a formação do coração. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ As células progenitoras cardíacas se encontram no 
epiblasto, imediatamente adjacentes à parte cranial da 
linha primitiva. (LANGMAN, 14ª ed.) 
↠ Elas migram através da linha primitiva para a camada 
visceral do mesoderma da placa lateral, onde algumas 
formam um aglomerado celular em formato de ferradura 
chamado de área cardiogênica primária (ACP) ou primeiro 
campo cardíaco (PCC), cranial às pregas neurais. Essas 
células formam partes dos átrios e de todo o ventrículo 
esquerdo. (LANGMAN, 14ª ed.) 
↠ O ventrículo direito e a via de saída (cone arterial e 
tronco arterioso ou arterial) são derivados do segundo 
campo cardíaco (SCC), que também contribui com células 
para a formação dos átrios na extremidade caudal do 
coração. Esse campo secundário de células está localizado 
@jumorbeck 
no mesoderma visceral (esplâncnico) ventral à faringe. 
(LANGMAN, 14ª ed.) 
 
 
Desenvolvimento inicial do coração e dos vasos 
sanguíneos 
↠ Por volta do 18° dia, o mesoderma lateral possui 
componentes de somatopleura e esplancnopleura; essa 
última dá origem a quase todos os componentes do 
coração. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ Essas células endocárdicas iniciais se separam do 
mesoderma para criar tubos cardíacos pareados. 
Conforme o dobramento embrionário lateral ocorre, os 
tubos endocárdicos do coração se aproximam e fundem-
se para formar um único tubo cardíaco (MOORE, 10ª ed.) 
↠ A fusão dos tubos cardíacos começa na extremidade 
cranial do coração em desenvolvimento e se estende 
caudalmente. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ O coração começa a bater com 22 a 23 dias. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ O fluxo sanguíneo se inicia durante a quarta semana, 
e os batimentos cardíacos podem ser visualizados pela 
ultrassonografia com Doppler. (MOORE, 10ª ed.) 
 
Estudos moleculares mostram que mais de 500 genes estão 
envolvidos no desenvolvimento do coração de mamíferos. 
Muitos membros da família de genes T-box representam um 
papel essencial na determinação da linhagem, especificação das 
câmaras cardíacas, desenvolvimento de válvulas e septos, e 
formação do sistema condutor. (MOORE, 10ª ed.) 
Desenvolvimento de veias associadas ao coração 
embrionário 
↠ Três veias pareadas drenam para o coração primitivo 
do embrião de 4 semanas: (MOORE, 10ª ed.) 
VEIAS VITELINAS 
↠ Retornam o sangue pobre em oxigênio da vesícula 
umbilical. 
↠ A veia vitelina esquerda regride, e a veia vitelina direita 
forma a maior parte do sistema porta hepático, assim 
como uma porção da veia cava inferior (VCI). 
VEIAS UMBILICAIS 
↠ Transportam o sangue bem oxigenado do saco 
coriônico. 
↠ A veia umbilical direita desaparece durante a sétima 
semana, deixando a veia umbilical esquerda como o único 
vaso transportando o sangue bem oxigenado da placenta 
para o embrião. 
↠ Um grande desvio venoso, o ducto venoso, se 
desenvolve dentro do fígado e conecta a veia umbilical 
com a VCI., permitindo que a maioria do sangue da 
placenta passe diretamente para o coração. 
VEIAS CARDINAIS 
↠ Retornam o sangue pobre em oxigênio do corpo do 
embrião para o coração. 
↠ Possui 2 principais sistemas: a veia cardinal anterior 
(drena a porção cranial) e a veia cardinal posterior (drena 
a porção caudal). 
↠ Elas unem-se às veias cardinais comuns, que entram 
no seio venoso; 
↠ As veias cardinais posteriores desenvolvem-se, 
primeiramente, como vasos dos mesonefros (rins 
provisórios), e a maioria desaparece com esses rins 
transitórios. Os únicos derivados adultos dessas veias são 
a raiz da veia ázigo e as veias ilíacas comuns. 
↠ As veias subcardinais formam o tronco da veia renal 
esquerda, as veias suprarrenais, as veias gonadais 
(testicular e ovariana) e um segmento da VCI. 
@jumorbeck 
↠ A VCI é composta de quatro segmentos principais 
 Hepático: derivado da veia hepática 
 Pré-renal: derivado da veia subcardinal direita. 
 Renal: derivado da anastomose subcardinal-
supracardinal. 
 Pós-renal: derivado da veia supracardinal direita. 
Desenvolvimento final do coração 
↠ Miocárdio primitivo: é a camada externa do tubo 
cardíaco embrionário, formada pelo mesoderma 
esplâncnico ao redor da cavidade pericárdica. (MOORE, 10ª 
ed.) 
↠ O coração em desenvolvimento é composto por um 
tubo endotelial fino, separado de um miocárdio espesso 
por uma matriz gelatinosa de tecido conjuntivo, a geleia 
cardíaca. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ O tubo endotelial se torna o revestimento endotelial 
interno do coração, ou endocárdio, e o miocárdio 
primitivo se torna a parede muscular do coração, ou 
miocárdio. O pericárdio visceral, ou epicárdio, é derivado 
de células mesoteliais que surgem da superfície externa 
do seio venoso e se espalham sobre o miocárdio. 
(MOORE, 10ª ed.) 
 
↠ O coração tubular é composto pelo bulbo cardíaco, 
ventrículo, átrio e seio venoso. (MOORE, 10ª ed.) 
 
↠ O crescimento do tubo cardíaco é resultado da adição 
de células, cardiomiócitos, diferenciando-se do 
mesoderma da parede dorsal do pericárdio. (MOORE, 10ª 
ed.) 
Circulação através do coração primitivo 
↠ As contrações iniciais do coração são de origem 
miogênica (com seu início no músculo). (MOORE, 10ª ed.) 
↠ As camadas musculares do trato de fluxo do átrio e 
ventrículo são contínuas, e as contrações ocorrem como 
ondas peristálticas que começam no seio venoso. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ O sangue entra no seio venoso através das: veias 
cardinais comuns, veias umbilicais e das veias vitelinas. 
(MOORE, 10ª ed.) 
 
↠ O sangue do seio venoso entra no átrio primitivo; seu 
fluxo é controlado por válvulas sinoatriais (SA). O sangue 
então passa através do canal atrioventricular (AV) para o 
ventrículo primitivo. Quando o ventrículo contrai, o sangue 
é bombeado através do bulbo cardíaco e do tronco 
arterioso para o saco aórtico, do qual é distribuído para as 
artérias do arco faríngeono arco faríngeo. O sangue 
então passa para a aorta dorsal para distribuição ao 
embrião, vesícula umbilical e placenta. (MOORE, 10ª ed.) 
@jumorbeck 
 
Formação da alça bulboventricular 
↠ Ainda no final da quarta semana, o coração tem forma 
tubular, e suas cavidades comunicam-se entre si. (GARCIA, 
3ª ed.) 
↠ Na etapa seguinte, esse tubo sofrerá torção e 
septação de suas cavidades. (GARCIA, 3ª ed.) 
↠ O tubo cardíaco cresce, alonga-se e dobra-se para 
acomodar-se dentro da cavidade pericárdica. (GARCIA, 3ª 
ed.) 
Septação do coração primitivo 
DIVISÃO DO CANAL ATRIOVENTRICULAR 
↠ Ao final da quarta semana, se formam os coxins 
endocárdicos AV. Eles se aproximam e fundem-se, 
dividindo o canal AV em canais direito e esquerdo. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ Os coxins AV transformados contribuem para a 
formação das valvas e do septo membranoso do coração. 
(MOORE, 10ª ed.) 
 
 
SEPTAÇÃO DO ÁTRIO PRIMITIVO 
↠ Iniciando ao final da quarta semana, o átrio primitivo é 
dividido em átrio direito e esquerdo pela formação de, e 
subsequente modificação e fusão, dois septos: septum 
primum e septum secundum. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ O septum secundum, uma dobra muscular espessa 
crescente. Conforme esse septo espesso cresce, ele 
forma uma divisão incompleta entre o átrio; 
consequentemente, se forma um forame oval. (MOORE, 
10ª ed.) 
↠ Antes do nascimento, o forame oval permite que a 
maior parte do sangue oxigenado que entra no átrio 
direito a partir da VCI, passe para o átrio esquerdo. Ele 
também previne a passagem de sangue na direção 
oposta, pois o septum primum se fecha contra o septum 
secundum relativamente rígido. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ Após o nascimento, o forame oval se fecha 
funcionalmente, pois a pressão no átrio esquerdo é maior 
que àquela no átrio direito. Com aproximadamente 3 
meses, a valva do forame oval se funde com o septum 
secundum, formando a fossa oval. Como resultado, o 
septo interatrial se torna uma divisão completa entre os 
átrios. (MOORE, 10ª ed.) 
@jumorbeck 
 
 
 
ALTERAÇÕES NO SEIO VENOSO 
↠ O átrio primitivo dá origem a parte taberculada 
(parede rugosa dos átrios) e a aurícula; 
@jumorbeck 
↠ A incorporação do corno direito do seio venoso dá 
origem a parte lisa do átrio direito; (MOORE, 10ª ed.) 
↠ A incorporação das veias pulmonares dá origem a 
parede lisa do átrio esquerdo. (MOORE, 10ª ed.) 
 
 
 
 
SEPTAÇÃO DO VENTRÍCULO PRIMITIVO 
↠ A divisão do ventrículo é indicada por uma crista 
mediana, o septo interventricular muscular. (MOORE, 10ª 
ed.) 
↠ Até a sétima semana, há um forame interventricular. 
Ele geralmente se fecha ao final da sétima semana 
conforme as cristas bulbares se fundem com os coxins 
endocárdios. (MOORE, 10ª ed.) 
 
SEPTAÇÃO DO BULBO CARDÍACO E TRONCO ARTERIOSO 
↠ Durante a quinta semana, a proliferação de células 
mesenquimais nas paredes do bulbo cardíaco resulta na 
formação das cristas bulbares. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ As cristas bulbares e troncais sofrem uma rotação e 
180 graus em espiral. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ A orientação espiral das cristas , causada em parte 
pelo fluxo sanguíneo dos ventrículos , resulta na 
formação de um septo aorticopulmonar. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ Esse septo divide o bulbo cardíaco e o tronco 
arterioso em dois canais arteriais, a aorta ascendente e o 
tronco pulmonar. (MOORE, 10ª ed.) 
@jumorbeck 
 
↠ Quando a divisão do tronco arterioso está quase 
completa, as valvas semilunares começam a se 
desenvolver. (MOORE, 10ª ed.) 
*As valvas atrioventriculares se desenvolvem de forma similar a partir 
de proliferações localizadas de tecidos ao redor dos canais AV. 
Circulação fetal e neonatal 
↠ O sistema cardiovascular fetal é designado para servir 
as necessidades pré-natais e permitir modificações ao 
nascimento que estabelecem o padrão circulatório 
neonatal. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ As três estruturas vasculares mais importantes na 
transição da circulação são o ducto venoso, o forame 
oval e o ducto arterioso. (MOORE, 10ª ed.) 
CIRCULAÇÃO FETAL 
↠ O Sangue altamente oxigenado e rico em nutrientes 
retorna da placenta sob alta pressão para a veia umbilical. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ Ao aproximar-se do fígado, aproximadamente metade 
do sangue passa diretamente para o ducto venoso. A 
outra metade do sangue na veia umbilical flui para os 
sinusoides do fígado e entra na VCI através das veias 
hepáticas. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ Após um curso pequeno na VCI, o sangue entra no 
átrio direito do coração. Devido à VCI também conter 
sangue pobremente oxigenado a partir dos membros 
inferiores, abdome e pelve, o sangue entrando no átrio 
direito não está tão bem oxigenado quanto o sangue na 
veia umbilical; porém, ele ainda possui um alto teor de 
oxigênio. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ A maioria do sangue da VCI é direcionada pela crista 
dividens (margem inferior do septum secundum) através 
do forame oval para o átrio esquerdo. Aqui ele se mistura 
com uma quantidade relativamente pequena de sangue 
pobremente oxigenado, retornando dos pulmões através 
das veias pulmonares. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ Os pulmões do feto usam o oxigênio do sangue em 
vez de devolvê-lo. Então, a partir do átrio esquerdo, o 
sangue passa para o ventrículo esquerdo e sai através da 
aorta ascendente. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ As artérias do coração, pescoço, cabeça e membros 
superiores recebem sangue bem oxigenado da aorta 
ascendente. O fígado também recebe sangue bem 
oxigenado da veia umbilical. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ Uma pequena quantidade de sangue bem oxigenado 
da VCI no átrio direito, que não entra no forame oval, se 
mistura com o sangue pouco oxigenado da VCS e do 
seio coronário, e passa para o ventrículo direito. Esse 
sangue, que possui um teor médio de oxigênio, sai 
através do tronco pulmonar. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ Aproximadamente 10% desse fluxo sanguíneo vão 
para os pulmões; a maioria do sangue passa através do 
ducto arterioso para a aorta ascendente do feto e retorna 
à placenta através das artérias umbilicais. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ O ducto arterioso protege os pulmões da sobrecarga 
circulatória e permite que o ventrículo direito se fortaleça 
na preparação para o funcionamento em plena 
capacidade no nascimento. (MOORE, 10ª ed.) 
A parede ventricular direita é mais espessa que a parede ventricular 
esquerda em fetos e neonatos, pois o ventrículo direito trabalha mais 
no útero. Ao final do primeiro mês, a parede ventricular esquerda está 
mais espessa que a parede ventricular direita, pois o ventrículo 
esquerdo está trabalhando mais agora. A parede ventricular direita se 
torna mais fina devido à atrofia associada à carga de trabalho mais leve. 
@jumorbeck 
 
Fatores que ocasionam a malformação congênita do 
coração 
↠ Os neonatos decorrentes de partos prematuros 
apresentam uma probabilidade duas vezes maior para 
apresentarem anormalidades cardíacas. (GALVÃO, et al., 
2021) 
↠ Acredita-se que a maioria dos Defeitos Congênitos do 
Coração (DCCs) sejam causados por múltiplos fatores 
genéticos e ambientais (p. ex., herança multifatorial), cada 
um deles com um efeito pequeno. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ Alguns fatores genéticos e ambientais são apontados 
como fatores para o desenvolvimento de cardiopatias 
congênitas, como os de herança materna: mutações, 
diabetes mellitus, alcoolismo, nutrição inadequada, idade 
superior a 40 anos, exposição a raio X e rubéola. Porém, 
as causas exatas ainda não foram comprovadas. 
(GALVÃO, et al., 2021) 
↠ Algumas condições clínicas maternas aumentam os 
riscos para cardiopatias fetais, sendo consideradas fatores 
para indicação de ecocardiografia fetal para ser feito o 
rastreamento. Os fatores que contem risco maior que 2% 
são: diabetes melito materno pré-gestacional, diabetes 
melito materno diagnosticado no primeiro trimestre, 
fenilcetonúria materna, anticorpos materno anti-RO e anti-
LA, ingestão materna de medicamentos (IECA, ácido 
retinóico, anti-inflamatórios não hormonais no terceiro 
trimestre), rubéola materna no primeiro trimestre, 
infecção materna comsuspeita de miocardite fetal, 
gestação por reprodução assistida, cardiopatia congênita 
em parentes (mãe, pai ou irmão portador), herança 
mendeliana associada a cardiopatia congênita em parentes 
de primeiro grau ou segundo grau, suspeita de cardiopatia 
congênita pelo ultrassom obstétrico/morfológico, cariótipo 
fetal anormal, ritmo cardíaco fetal irregular, bradicardia ou 
taquicardia, gestação gemelar monocoriônica, hidropisia 
fetal ou derrames. (GALVÃO, et al., 2021) 
↠ Os que correspondem ao risco entre 1 e 2% são: 
ingestão materna de medicações (anticonvulsivantes, lítio, 
vitamina A, cardiopatia congênita em parente de segundo 
grau, anormalidade fetal do cordão umbilical ou da 
placenta, anomalia intra-abdominal fetal. E os riscos que 
são menores que 1% são diabetes melito materno 
gestacional, ingestão materna de medicações (inibidores 
seletivos da recaptação da serotonina – todos exceto 
paroxetina, agonista da vitamina k- varfarina). (GALVÃO, 
et al., 2021) 
↠ Mães com mais de 35 anos, históricos de filhos 
anteriores cardiopatas, mães portadoras de lúpus e 
hipotireoidismo. Gravidez de gêmeos, múltiplos ou 
fertilização in vitro também pode ter influência (SILVA et 
al., 2018 apoud MELO, 2010). 
↠ No presente estudo, observou-se maior incidência de 
gestações com fetos portadores de cardiopatias em 
mulheres com faixa etária entre 20 e 29 anos, destacando 
uma população jovem e que também possuía um alto 
índice de abortamento tardio (entre a 13ª e 22ª semana 
de gestação) em gestações anteriores, além de 
exposições teratogênicas, com destaque para o uso de 
antibióticos. (PINTO et. al., 2018) 
Malformações congênitas 
↠ As cardiopatias congênitas são as más formações na 
estrutura do coração, elas já são existentes desde o 
momento do nascimento. (GALVÃO, et al., 2021) 
↠ São os defeitos congênitos que afetam 
aproximadamente 8 entre 1.000 nascidos vivos. (GALVÃO, 
et al., 2021) 
↠ Segundo a Comissão Nacional de Incorporação de 
Tecnologias do SUS (CONITE), complicações decorrentes 
desse quadro de cardiopatia correspondem a cerca de 
10% dos óbitos infantis. Porém, algumas doenças 
coronarianas congênitas podem ser assintomáticas, 
podendo vir a ser diagnosticadas apenas na vida adulta. 
(GALVÃO, et al., 2021) 
@jumorbeck 
↠ No Brasil, 28.900 crianças nascem com CC por ano 
(1% do total de nascimentos), das quais cerca de 80% 
(23.800) necessitam de cirurgia cardíaca, e metade delas 
precisa ser operada no primeiro ano de vida. (SOARES, 
2018) 
↠ As malformações congênitas representam a segunda 
principal causa de mortalidade em crianças menores de 
um ano de idade. A CC é a mais frequente e com alta 
mortalidade no primeiro ano de vida no Brasil e a terceira 
causa de óbito até os 30 dias de vida. (SOARES, 2018) 
↠ As anomalias cardíacas podem se a presentar 
isoladamente (80 a 85%), fazer parte de síndromes 
cromossômicas. (5 a 10%) ou gênicas (3 a 5%), de 
associações bem estabelecidas ou ocasionais, serem 
determinadas por fatores ambientais, infecciosos ou não. 
(PINTO et. al., 2018) 
↠ Elas podem ser classificadas em cianóticas e acianóticas. 
(GALVÃO, et al., 2021) 
↠ Nas denominadas cianóticas vai acontecer a 
interferência no fluxo sanguíneo através dos pulmões, 
onde vai causar a diminuição de oxigênio na circulação, 
podendo vir a causar uma cianose generalizada. E as 
acianóticas, o sangue que é rico em oxigênio vai ser 
encaminhado para a circulação sistêmica por meio de 
shunting (furos ou passagens), que vão ocorrer do lado 
esquerdo do coração para o lado direito. (GALVÃO, et al., 
2021) 
COMUNICAÇÃO INTERVENTRICULAR 
↠ Os defeitos do septo ventricular (DSVs) são os tipos 
mais comuns de DCCs, representando cerca de 25% dos 
defeitos cardíacos. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ Os DSVs ocorrem mais frequentemente em homens 
do que em mulheres. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ DSVs podem ocorrer em qualquer parte do septo 
interventricular, porém o DSV membranoso é o tipo mais 
comum. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ Frequentemente, durante o primeiro ano, 30% a 50% 
dos DSVs pequenos se resolvem espontaneamente. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ Caracteriza-se pela abertura da parede que separa o 
ventrículo esquerdo do ventrículo direito. (GALVÃO, et 
al., 2021) 
 
↠ O fechamento incompleto do forame interventricular 
resulta da falha no desenvolvimento da parte 
membranosa do septo interventricular. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ DSV muscular é um tipo menos comum de defeito e 
pode aparecer em qualquer local na porção muscular do 
septo interventricular. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ A ausência do septo interventricular (ventrículo único 
ou ventrículo comum), resultando da falha na formação 
do septo interventricular, é extremamente rara e resulta 
em um coração com três câmaras. (MOORE, 10ª ed.) 
COMUNICAÇÃO INTERATRIAL 
↠ Mais comum em mulheres. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ A forma mais comum de Defeitos do Septo Atrial 
(DSA) é o forame oval patente. Um forame oval patente 
à sonda está presente em mais de 25% das pessoas.. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ É denominada como o defeito congênito de 
fechamento do septo interatrial, que divide o coração 
entre os lados direito e esquerdo, equivale a 35% de 
todos os defeitos. (GALVÃO, et al., 2021) 
 
 
 
 
@jumorbeck 
ESTENOSE AÓRTICA 
↠Na estenose da valva aórtica, as margens da valva 
geralmente estão fusionadas para formar uma cúpula 
com uma abertura estreita. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ Esse defeito pode ser congênito ou se desenvolver 
após o nascimento. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ A estenose valvar causa uma sobrecarga de trabalho 
para o coração e resulta na hipertrofia do ventrículo 
esquerdo e sons cardíacos anormais (sopros cardíacos). 
(MOORE, 10ª ed.) 
 
ESTENOSE PULMONAR 
↠ A estenose pulmonar é quando há um estreitamento 
da válvula pulmonar fazendo com que haja uma 
obstrução do sangue na passagem do fluxo sanguíneo 
do ventrículo direito para a artéria pulmonar. (GALVÃO, 
et al., 2021) 
TETRALOGIA DE FALLOT 
↠ É caracterizada por um conjunto de alterações no 
coração, nos quais foram descritas por Étienne Louis 
Arthut Fallot no ano de 1888, e as alterações anatômicas 
são: comunicação interventricular, estenose da artéria 
pulmonar, dextroposição da artéria aorta e hipertrofia do 
ventrículo direito, ocorre em cada 3 de 10.000 nascidos 
vivos. (GALVÃO, et al., 2021) 
↠ A tetralogia de Fallot é um grupo clássico de quatro 
defeitos cardíacos consistindo de: (MOORE, 10ª ed.) 
 Estenose da artéria pulmonar (obstrução do 
fluxo de saída ventricular direito). 
 Defeito do septo ventricular. 
 Dextraposição da aorta (substituição ou 
sobreposição da aorta). 
 Hipertrofia ventricular direita. 
↠ Nesses defeitos, o tronco pulmonar geralmente é 
pequeno e pode haver vários graus de estenose da 
artéria pulmonar. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ A cianose (oxigenação deficiente do sangue) é um 
sinal óbvio da tetralogia, porém, não é comum estar 
presente no nascimento. (MOORE, 10ª ed.) 
↠ A tetralogia resulta quando a divisão do tronco 
arterioso é desigual e o tronco pulmonar é estenosado. 
(MOORE, 10ª ed.) 
↠ A atresia pulmonar com DSV é uma forma extrema 
de tetralogia de Fallot; toda saída do ventrículo direito 
ocorre através da aorta. (MOORE, 10ª ed.) 
 
A relação da cardiopatia congênita em crianças de 0 a 1 
ano portadoras de síndrome de down (trissomia 21) 
De acordo com o estudo de Leite, Miziara e Veloso 
(2009), apresentou-se alta prevalência de cardiopatias 
como componentes de síndromes, em especial as 
trissomias. 
A síndrome de Down foi a mais comum, acometendo, 
principalmente, meninas, sendo as malformações mais 
comuns: comunicação interatrial (CIA), comunicação 
interventricular (CIV), persistência do canal arterial (PCA). 
 
@jumorbeck 
Referências 
GALVÃO, MARIELY R. C.; MENDES, ALICE L. R.; MELO, 
SUELY M. Fatores para o desenvolvimento de doenças 
cardíacas em bebês prematuros., 2021. 
SOARES, ANDRESSA M. Mortalidade para Cardiopatias 
congênitas e fatores de risco associados em recém-
nascidos. Um estudo de coorte, 2018.PINTO, CAMILA P. P; WESTPHAL, FLÁVIA, ABRAHÃO, 
ANELISE R. Fatores de riscos materno associados à 
cardiopatia congênita, 2018. 
SILVA et. al. Óbitos por anomalias congênitas do coração 
e circulatório no Estado do Pará nos anos de 2007 a 2017: 
Revisão Sistemática da Literatura, 2018 
CRIZOSTOMO, et al. A relação da cardiopatia congênita 
em crianças de 0 a 1 ano portadoras de síndrome de 
down (trissomia 21), 2019 
GARCIA, S. M. L. DE; FERNÁNDEZ, C. G. Sistema 
cardiovascular. In: GARCIA, S. M. L. DE; FERNÁNDEZ, C. G. 
Embriologia. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. cap. 35. 
MOORE. Embriologia Clínica, 10ª ed.. Elsevier, RJ, 2016. 
LANGMAN. Embriologia Médica, 14ª ed. Guanabara 
Koogan, SP 
@jumorbeck 
 
1 
 
Esqueleto fibroso do coração 
↠ Além do tecido muscular cardíaco, a parede do 
coração também contém tecido conjuntivo denso que 
forma o esqueleto fibroso do coração. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
↠ O esqueleto fibroso é constituído por quatro anéis de 
tecido conjuntivo denso que circundam as valvas 
cardíacas, unidos um ao outro, e que se fundem ao septo 
interventricular. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Além de formar uma base estrutural para as valvas 
cardíacas, o esqueleto fibroso evita o estiramento 
excessivo das valvas enquanto o sangue passa por elas. 
Também serve como um ponto de inserção para os 
feixes de fibras musculares cardíacas e atua como um 
isolante elétrico entre os átrios e ventrículos. (TORTORA, 
14ª ed.) 
 
 
Valvas cardíacas 
↠ As cúspides das válvulas cardíacas consistem em 
folhetos finos de tecido fibroso flexível, resistente e 
revestido por endotélio, que estão firmemente aderidos 
à base dos anéis fibrosos das válvulas. O movimento das 
cúspides valvares é essencialmente passivo, e a 
orientação das válvulas cardíacas é responsável pelo fluxo 
unidirecional do sangue pelo coração. (BERNY & LEVY) 
↠ As valvas se abrem e fecham em resposta às 
mudanças de pressão conforme o coração se contrai e 
relaxa. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
VÁLVULAS ATRIOVENTRICULARES 
↠ A válvula tricúspide, localizada entre o átrio direito e o 
ventrículo direito, é formada por três cúspides. (BERNE & 
LEVY, 6ª ed.) 
↠ A válvula mitral, encontrada entre o átrio esquerdo e 
o ventrículo esquerdo, tem duas cúspides. (BERNE & 
LEVY, 6ª ed.) 
↠ A área total das cúspides de cada válvula AV é 
aproximadamente o dobro do respectivo orifício AV, e 
assim ocorre sobreposição considerável dos folhetos 
quando as válvulas se encontram na posição fechada. 
(BERNE & LEVY, 6ª ed.) 
↠ Conectados às terminações livres das válvulas existem 
ligamentos finos e resistentes (cordas tendíneas) que se 
originam dos músculos papilares do ventrículo respectivo. 
Esses ligamentos impedem a eversão das válvulas 
durante a sístole ventricular. No coração normal, os 
folhetos valvulares permanecem relativamente juntos 
durante o enchimento ventricular. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) 
 
↠ As cordas tendíneas fixam-se às margens livres e às 
superfícies ventriculares das válvulas anterior, posterior e 
septal, de forma semelhante à fixação das cordas em um 
@jumorbeck 
 
2 
 
paraquedas. As cordas tendíneas originam-se dos ápices 
dos músculos papilares, que são projeções musculares 
cônicas com bases fixadas à parede ventricular. (MOORE, 
7ª ed.) 
↠ Três músculos papilares no ventrículo direito 
correspondem às válvulas da valva atrioventricular direita: 
(MOORE, 7ª ed.) 
 O músculo papilar anterior, o maior e mais 
proeminente dos três, origina-se da parede 
anterior do ventrículo direito; suas cordas 
tendíneas se fixam nas válvulas anterior e 
posterior da valva atrioventricular direita 
 O músculo papilar posterior, menor do que o 
músculo anterior, pode ter várias partes; origina-
se da parede inferior do ventrículo direito, e suas 
cordas tendíneas se fixam nas válvulas posterior 
e septal da valva atrioventricular direita 
 O músculo papilar septal origina-se do septo 
interventricular, e suas cordas tendíneas se 
fixam às válvulas anterior e septal da valva 
atrioventricular direita. 
FUNÇÃO DOS MÚSCULOS PAPILARES: 
↠ Os músculos papilares contraem-se ao mesmo tempo 
que as paredes dos ventrículos, mas ao contrário do que 
seria esperado não ajudam as valvas a se fechar. 
(GUTYON & hall, 13ª ed.) 
↠ Eles puxam as extremidades das valvas em direção 
aos ventrículos para evitar que as valvas sejam muito 
abauladas para trás, em direção aos átrios, durante a 
contração ventricular. (GUTYON & hall, 13ª ed.) 
↠ Se a corda tendínea se romper, ou um dos músculos 
papilares ficar paralisado, a valva se abaúla muito para trás 
durante a sístole, às vezes tanto que permite grave 
refluxo. (GUTYON & hall, 13ª ed.) 
 
 
VÁLVULAS SEMILUNARES 
↠ As válvulas pulmonar e aórtica estão localizadas entre 
o ventrículo direito e a artéria pulmonar e entre o 
ventrículo esquerdo e a aorta, respectivamente. (BERNE 
& LEVY, 6ª ed.) 
↠ Essas válvulas consistem em três cúspides em forma 
de taça, conectadas aos anéis valvulares. (BERNE & LEVY, 
6ª ed.) 
↠ São constituídas por tecido fibroso especialmente 
forte, mas ainda assim muito flexível para suportar o 
estresse físico adicional. (GUTYON & hall, 13ª ed.) 
↠ As altas pressões nas artérias, ao final da sístole, fazem 
com que as valvas sejam impelidas, de modo repentino, 
de volta à posição fechada. (GUTYON & hall, 13ª ed.) 
↠ Por terem aberturas menores, a velocidade da ejeção 
do sangue através das valvas aórtica e pulmonar é muito 
maior que pelas valvas A-V, bem maiores. (GUTYON & 
hall, 13ª ed.) 
OBS.: Por causa da abertura e do fluxo rápidos, as extremidades 
das valvas semilunares estão sujeitas a abrasões mecânicas 
muito maiores do que as valvas A-V. (GUTYON & hall, 13ª ed.) 
↠ A margem de cada válvula é mais espessa na região 
de contato, formando a lúnula; o ápice da margem livre 
angulada é ainda mais espesso, formando o nódulo. 
(MOORE, 7ª ed.) 
↠ Imediatamente superior a cada válvula semilunar, as 
paredes das origens do tronco pulmonar e da aorta são 
ligeiramente dilatadas, formando um seio. (MOORE, 7ª ed.) 
↠ Os seios da aorta e do tronco pulmonar são os 
espaços na origem do tronco pulmonar e da parte 
@jumorbeck 
 
3 
 
ascendente da aorta entre a parede dilatada do vaso e 
cada válvula semilunar. (MOORE, 7º ed.) 
↠ O sangue presente nos seios e a dilatação da parede 
impedem a adesão das válvulas à parede do vaso, o que 
poderia impedir o fechamento. (MOORE, 7º ed.) 
↠ A abertura da artéria coronária direita é no seio da 
aorta direito, a abertura da artéria coronária esquerda é 
no seio da aorta esquerdo, e nenhuma artéria origina-se 
do seio da aorta posterior (não coronário). (MOORE, 7º 
ed.) 
 
Bulhas cardíacas 
↠ O som dos batimentos cardíacos é decorrente 
principalmente da turbulência do sangue causada pelo 
fechamento das valvas cardíacas. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Durante cada ciclo cardíaco, existem quatro bulhas 
cardíacas, mas em um coração normal apenas a primeira 
e a segunda bulhas cardíacas (B1 e B2) são auscultadas 
com um estetoscópio. (TORTORA, 14ª ed.) 
PRIMEIRA BULHA CARDÍACA 
↠ Associada ao fechamento das valvas AV; (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
↠ A primeira bulha (B1), a qual pode ser descrita como 
um som de tum, é mais forte e um pouco mais longa do 
que a segunda bulha.. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ É o mais alto e longo dos sons, tendo qualidade 
crescendo-decrescendo e sendo mais bem ouvido sobre 
a região apical do coração. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) 
↠ A causa desses sons é a vibração das valvas retesadas 
imediatamente após o fechamento, junto com a vibração 
das paredes adjacentes do coração e dos grandes vasos 
em torno do coração. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Ocorre durante a sístole ventricular. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
↠ Duração de cerca de 0,14 segundos. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
SEGUNDA BULHA CARDÍACA 
↠ Associada ao fechamento abrupto das valvas 
semilunares no final da sístole ventricular. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
↠ A segunda bulha (B2), que é mais breve e não tão 
forte quanto aprimeira, pode ser descrita como um som 
de tá. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ É composta por vibrações de frequência mais alta 
(mais aguda) e é de duração mais curta e de menor 
intensidade 
que a primeira bulha cardíaca. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) 
↠ A razão da segunda bulha ser mais breve é que as 
valvas semilunares estão mais retesadas que as valvas AV, 
de modo que vibram por período de tempo mais curto 
que as valvas AV. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ O som da válvula aórtica é geralmente mais alto que 
o da pulmonar, mas nos casos de hipertensão pulmonar 
ocorre o inverso. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) 
↠ A natureza do segundo som cardíaco muda com a 
respiração. Durante a expiração apenas um som cardíaco 
é ouvido, que é um reflexo do fechamento simultâneo 
das válvulas pulmonar e aórtica. Entretanto, durante a 
inspiração o fechamento simultâneo da válvula pulmonar 
é atrasado, resultado do aumento do fluxo sanguíneo via 
aumento do retorno venoso induzido pela inspiração. Esse 
evento é conhecido como DESDOBRAMENTO 
FISIOLÓGICO, que é a divisão do som cardíaco. ((BERNE 
& LEVY, 6ª ed.) 
OBS: A segunda bulha cardíaca tem frequência maior que a 
primeira bulha. Isso ocorre devido: o retesamento das valvas 
semilunares ser maior; o maior coeficiente elástico das paredes 
arteriais retesadas que constituem as principais câmaras 
vibratórias para a segunda bulha. 
TERCEIRA BULHA CARDÍACA 
↠ É decorrente da turbulência do sangue durante o 
enchimento ventricular rápido. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A frequência desse som é, em geral, tão baixa que 
não se pode ouvir; contudo, ele pode, muitas vezes, ser 
registrado no fonocardiograma. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Algumas vezes pode ser ouvida em crianças cujas 
paredes torácicas são finas ou em pacientes com 
insuficiência ventricular esquerda. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) 
 
@jumorbeck 
 
4 
 
QUARTA BULHA CARDÍACA 
↠ Ocasionada pela turbulência do sangue durante a 
sístole atrial. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Esse som ocorre quando os átrios se contraem e, 
presumivelmente, é causado pelo influxo de sangue nos 
ventrículos que desencadeiam vibrações similares às da 
terceira bulha cardíaca. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Pode ser registrada no fonocardiograma, porém ela 
quase nunca pode ser auscultada devido às suas 
amplitudes e às frequências muito baixas. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
↠ Em pessoas que obtêm benefícios da contração atrial 
para o enchimento ventricular, devido a uma diminuição 
da complacência da parede ventricular e a um aumento 
da resistência ao seu enchimento, é comum uma quarta 
bulha cardíaca. Por exemplo, muitas vezes é ouvida uma 
quarta bulha cardíaca em pacientes idosos com hipertrofia 
ventricular esquerda. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
Ausculta das bulhas cardíacas normais 
 
↠ As áreas para ausculta das diferentes bulhas cardíacas 
não se situam diretamente sobre as próprias valvas. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ A área aórtica se localiza acima, ao longo da aorta, 
devido à transmissão do som pela aorta, e a área 
pulmonar se situa também acima, ao longo da artéria 
pulmonar. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ A área tricúspide se localiza sobre o ventrículo direito, 
e a área mitral, sobre o ápice do ventrículo esquerdo, 
que é a porção cardíaca mais próxima da superfície do 
tórax. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
Lesões valvulares 
LESÕES VALVULARES REUMÁTICAS 
↠ O maior número de lesões valvulares resulta da febre 
reumática. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ A febre reumática é doença autoimune onde as valvas 
cardíacas têm probabilidade de ser lesadas ou destruídas. 
A doença geralmente é provocada pela toxina 
estreptocócica. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
Infecção estreptocócica (estreptococos hemolíticos do 
grupo A) -> Faringite (dor de garganta), escarlatina ou 
infecção do ouvido médio -> Liberam várias proteínas 
diferentes, o corpo logo produz anticorpos -> Os 
anticorpos reagem com tecidos proteicos do corpo -> 
Grave lesão imunológica (Continua a ocorrer enquanto os 
anticorpos persistirem no sangue). (GUYTON & HALL, 13ª 
ed.) 
↠ A febre reumática produz lesões especialmente em 
certas áreas suscetíveis como as valvas cardíacas. O grau 
de lesão valvar cardíaca está diretamente correlacionado 
à concentração e à persistência dos anticorpos. (GUYTON 
& HALL, 13ª ed.) 
↠ Em pessoas com febre reumática, grandes lesões 
hemorrágicas, fibrinosas e bolhosas crescem ao longo das 
cordas inflamadas das valvas cardíacas. (GUYTON & HALL, 
13ª ed.) 
↠ A valva mitral recebe mais trauma durante a ação 
valvular, logo, ela é a primeira a ser mais seriamente 
lesada, e a valva aórtica é a segunda a ser lesada com 
mais frequência. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ As valvas cardíacas direitas, isto é, as valvas tricúspide 
e pulmonar são afetadas, em geral, de forma muito 
menos grave, devido, provavelmente, aos estresses de 
baixa pressão que atuam sobre essas valvas por serem 
leves. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
CICATRIZAÇÃO DAS VALVAS 
↠ Em semanas, meses ou anos, as lesões se 
transformam em tecido cicatricial, fundindo, 
permanentemente, partes dos folhetos valvares 
adjacentes. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ As bordas livres dos folhetos, que em condições 
normais são delgadas e livres para se mover, passam a 
ser, muitas vezes, massas sólidas e fibróticas. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
@jumorbeck 
 
5 
 
↠ A valva onde os folhetos aderem uns aos outros, de 
forma tão extensa que o sangue não consegue fluir 
normalmente através dela, é dita estar estenosada. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Quando as margens valvares estão muito destruídas 
pelo tecido cicatricial, impedindo seu fechamento 
enquanto os ventrículos se contraem, ocorre 
regurgitação (refluxo) do sangue quando a valva deveria 
estar fechada. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
OUTRAS CAUSAS DE LESÕES VALVARES: estenose, falta de um 
ou mais folhetos, como um defeito congênito. (GUYTON 
& HALL, 13ª ed.) 
Sopros cardíacos 
↠ Muitas bulhas cardíacas anormais, conhecidas como 
“sopros cardíacos”, ocorrem quando existem 
anormalidades das valvas. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Geralmente, os sopros são causados pelo fluxo 
sanguíneo turbulento que pode resultar no estreitamento 
ou vazamento das válvulas cardíacas ou devido a 
passagens anormais de sangue no coração. De acordo 
com a situação fisiológica que leva ao sopro diferentes 
sons são gerados. (OLIVEIRA, 2020) 
↠ Ele pode ser funcional ou fisiológico (sopro inocente), 
ou patológico em decorrência de defeitos no coração. 
(FURLAN et al., 2021) 
↠ Consegue-se distinguir os sopros cardíacos devido à 
sua maior duração. Em idade pediátrica podem-se delinear 
três tipos de sopros: (OLIVEIRA, 2020) 
 Sopro inocente: Geralmente, acontece num 
coração bem estruturado e funcional; 
 Sopro funcional ou fisiológico: Apesar de não 
apresentar anomalia cardiovascular, encontra-se 
uma modificação hemodinâmica que pode 
alterar o fluxo normal do sangue; 
 Sopro patológico ou orgânico: Quando anomalias 
funcionais e estruturais estão presentes no 
sistema cardiovascular. 
↠ Os sopros cardíacos em crianças são extremamente 
comuns e, geralmente, não representam um problema 
de saúde. São mais frequentemente detectados em 
crianças entre os 2 e 4 anos de idade. Estes tipos de 
sopros cardíacos são chamados de sopros cardíacos 
inocentes ou funcionais; muitas vezes, diminuem ou 
desaparecem com o crescimento. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Embora alguns sopros cardíacos em adultos sejam 
inocentes, com frequência um sopro no adulto indica um 
distúrbio valvar. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Um sopro cardiovascular deve ser caracterizado de 
acordo com: (PAZIN-FILHO; SCHMIDT; MACIEL, 2004) 
 SITUAÇÃO NO CICLO CARDÍACO: 
Sistólicos: começam com a primeira bulha, ou logo depois 
dela, e terminam com a segunda bulha, ou seja, ocorre 
entre a primeira e a segunda bulha. Pode ser subdividido 
em: 
 Protossistólico: ocorre na porção inicial da sístole. 
 Mesossistólico: ocorre no meio da sístole. 
 Telessistólico: ocorre no final da sístole. 
 Holossistólico: aolongo de toda a sístole. 
Diastólicos: ocorre logo depois da segunda bulha. Podem 
ser subdivididos em: 
 Protodiastólico: ocorre na porção inicial da 
diástole. 
 Mesodiastólico: ocorre no meio da diástole. 
 Telediastólico: ocorre no final da diástole. 
 Holodiastólico: ao longo de toda diástole. 
Contínuos: começam na sístole e continuam sem 
interrupção através de B2, até toda a diástole ou parte 
dela. 
 INTENSIDADE: 
 
 Grau I é tão fraco que só pode ser ouvido com 
grande esforço. 
 Grau II ainda é um sopro fraco, mas que pode 
ser detectado prontamente. 
 Grau III é um sopro proeminente, mas sem 
grande intensidade. 
 Grau IV é um sopro alto e comumente 
acompanhado de frêmito à palpação. 
 Grau V, é um sopro alto e audível mesmo com 
o estetoscópio parcialmente em contato com a 
parede torácica (com o estetoscópio à 45o). 
 Grau VI é de tão alta intensidade que pode ser 
auscultado mesmo com o estetoscópio sem 
estar em contato com a parede torácica. 
↠ É interessante ressaltar que dos graus IV a VI o sopro 
se acompanha de frêmito. 
 CONFIGURAÇÃO (FORMA): 
@jumorbeck 
 
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 Crescendo: necessariamente aumenta 
progressivamente de intensidade. 
 Decrescendo: diminui progressivamente de 
intensidade. 
 Crescendo-decrescendo: aumenta até atingir 
um pico máximo e depois declina. 
 Plateau: tem uma intensidade relativamente 
constante durante todo seu curso. 
 Variável: tem intensidade variável. 
CAUSAS DO SOPRO 
Os defeitos das valvas cardíacas são comuns e têm uma 
série de causas, variando de anomalias congênitas e 
genéticas até um suprimento inadequado para as valvas, 
devido a um ataque cardíaco, e uma infecção bacteriana 
do endocárdio. (MARIEB, 2014) 
SOPRO SISTÓLICO DA ESTENOSE AÓRTICA 
↠ Em pessoas com estenose aórtica, o sangue é ejetado 
do ventrículo esquerdo através de apenas uma pequena 
abertura fibrosa da valva aórtica. (GUYTON & HALL, 13ª 
ed.) 
↠ Devido a elevada pressão no VE, surge um efeito de 
esguicho durante a sístole, com o sangue jorrando com 
velocidade enorme pela pequena abertura da valva. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Esse fenômeno provoca grande turbulência do sangue 
na raiz da aorta. O sangue turbulento, colidindo contra as 
paredes da aorta, provoca intensa vibração, e o sopro de 
grande amplitude ocorre durante a sístole e é transmitido 
para toda a aorta torácica superior e mesmo para as 
grandes artérias do pescoço. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Esse som é áspero e, em pessoas com estenose 
grave, pode ser tão alto a ponto de ser ouvido a vários 
centímetros de distância do paciente. (GUYTON & HALL, 
13ª ed.) 
↠ As vibrações sonoras podem, muitas vezes, ser 
sentidas com a mão na parte superior do tórax e na parte 
inferior do pescoço, fenômeno referido como “frêmito”. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
SOPRO DIASTÓLICO DA REGURGITAÇÃO AÓRTICA 
↠ Durante a diástole o sangue reflui da aorta sob alta 
pressão para o ventrículo esquerdo, produzindo sopro 
“semelhante ao vento”, com tom relativamente agudo de 
natureza. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Sibilante, ouvido maximamente sobre o ventrículo 
esquerdo. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Esse sopro resulta da turbulência do sangue, jorrando 
de modo retrógrado para o sangue presente no 
ventrículo esquerdo diastólico, sob baixa pressão. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
SOPRO SISTÓLICO DA REGURGITAÇÃO MITRAL 
↠ O sangue reflui pela valva mitral para o átrio esquerdo 
durante a sístole. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Esse fluxo retrógrado também produz um som 
sibilante “semelhante ao vento”, similar ao da regurgitação 
aórtica, mas que ocorre durante a sístole, em vez de na 
diástole. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Ele é transmitido com mais intensidade para o átrio 
esquerdo. Todavia, o átrio esquerdo fica situado tão 
profundamente no tórax que é difícil escutar esse som 
de modo direto sobre o átrio. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ O som é transmitido para a parede torácica, 
principalmente pelo ventrículo esquerdo até o ápice do 
coração. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
SOPRO DIASTÓLICO DA ESTENOSE MITRAL 
↠ O sangue passa com dificuldade do átrio esquerdo 
para o ventrículo esquerdo através da valva mitral 
estenosada. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Como a pressão no átrio esquerdo raramente se 
eleva acima de 30 mmHg, não se desenvolve grande 
diferencial de pressão que force o sangue do átrio 
esquerdo para o ventrículo esquerdo. (GUYTON & HALL, 
13ª ed.) 
↠ Os sons anormais, ouvidos na estenose mitral, são, em 
geral, fracos e de frequência muito baixa, está abaixo da 
extremidade de baixa frequência da audição humana. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Durante a parte inicial da diástole, o ventrículo 
esquerdo com valva mitral estenosada contém muito 
pouco sangue em seu interior e suas paredes estão tão 
frouxas que o sangue não reverbera de um lado para 
outro, entre as paredes do ventrículo. Dessa maneira, 
após seu enchimento parcial, o ventrículo é distendido em 
grau suficiente para que o sangue reverbere com 
aparecimento de sopro baixo e surdo. (GUYTON & HALL, 
13ª ed.) 
 
@jumorbeck 
 
7 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dinâmica circulatória anormal das valvulopatias 
DINÂMICA DA CIRCULAÇÃO NA ESTENOSE AÓRTICA E NA 
REGURGITAÇÃO AÓRTICA 
↠ Na estenose aórtica, o ventrículo esquerdo em 
contração falha em se esvaziar de modo adequado, 
enquanto na regurgitação aórtica, o sangue flui, 
retrogradamente, para o ventrículo, vindo da aorta após 
o ventrículo já ter bombeado o sangue para a aorta. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
 HIPERTROFIA DO VENTRÍCULO ESQUERDO 
↠ Tanto na estenose aórtica quanto na regurgitação 
aórtica, a musculatura ventricular esquerda se hipertrofia, 
devido ao aumento da carga do trabalho ventricular. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Na regurgitação, a câmara ventricular esquerda 
também aumenta para conter todo o sangue regurgitado 
da aorta. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Na estenose, o músculo hipertrofiado permite que o 
ventrículo esquerdo desenvolva pressão intraventricular 
de até 400 mmHg no pico sistólico. (GUYTON & HALL, 
13ª ed.) 
 AUMENTO DO VOLUME SANGUÍNEO 
↠ Ajuda a compensar a diminuição do bombeamento 
efetivo pelo ventrículo esquerdo. (GUYTON & HALL, 13ª 
ed.) 
↠ Esse volume aumentado é o resultado de (1) leve 
diminuição inicial na pressão arterial; mais (2) reflexos 
circulatórios periféricos induzidos por essa redução. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Esses mecanismos, em conjunto, diminuem o débito 
renal de urina, fazendo com que o volume sanguíneo 
aumente e a pressão arterial média retorne ao normal. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
 AS LESÕES VALVULARES AÓRTICAS PODEM ESTAR 
ASSOCIADAS A UM FLUXO SANGUÍNEO 
CORONARIANO INADEQUADO 
↠ O aumento da pressão intraventricular aumenta a 
carga de trabalho e o consumo de oxigênio do ventrículo, 
o que exige incremento do fluxo sanguíneo coronariano 
para fornecer esse oxigênio. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ A tensão elevada da parede ventricular provoca 
quedas acentuadas no fluxo coronariano durante a sístole, 
além disso a pressão diastólica aumentada pode provocar 
compressão das camadas internas do miocárdio e 
redução do fluxo sanguíneo coronariano. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
 FALÊNCIA EVENTUAL DO VENTRÍCULO ESQUERDO E 
DESENVOLVIMENTO DE EDEMA PULMONAR 
↠ Nos estágios iniciais da estenose aórtica ou da 
regurgitação aórtica, a capacidade intrínseca do ventrículo 
esquerdo, de se adaptar a cargas cada vez maiores, 
impede anormalidades significativas da função circulatória 
no indivíduo em repouso. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Em certo estágio o VE não consegue acompanhar a 
demanda do trabalho. Como consequência, o ventrículo 
esquerdo se dilata e o débito cardíaco começa a cair; ao 
mesmo tempo, o sangue se acumula no átrio esquerdo 
e nos pulmões acima do ventrículo esquerdo em falência. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
DINÂMICA DA ESTENOSE MITRAL E DA REGURGITAÇÃO 
MITRAL 
↠ Em pessoas com estenose mitral, o fluxo sanguíneo 
do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdoé impedido 
e, nos casos de regurgitação mitral, muito do sangue que 
fluiu para o ventrículo esquerdo, durante a diástole, reflui 
para o átrio esquerdo na sístole, em vez de ser 
bombeado para a aorta. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
 EDEMA PULMONAR NA VALVULOPATIA MITRAL 
↠ O acúmulo de sangue no átrio esquerdo provoca 
aumento progressivo da pressão atrial esquerda, o que 
resulta, eventualmente, no desenvolvimento de edema 
pulmonar grave. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
@jumorbeck 
 
8 
 
 AUMENTO DO ÁTRIO ESQUERDO E FIBRILAÇÃO 
ATRIAL 
↠ O aumento da pressão atrial esquerda na valvulopatia 
mitral causa aumento progressivo do átrio esquerdo, o 
que eleva a distância que o impulso elétrico excitatório 
cardíaco deve percorrer na parede atrial. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
↠ Essa via pode ficar, eventualmente, tão longa que 
predispõe ao desenvolvimento de movimentos circulares 
do sinal excitatório. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Nos estágios finais da valvulopatia mitral, especialmente 
na estenose mitral, em geral ocorre fibrilação atrial. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
 COMPENSAÇÃO NA VALVULOPATIA MITRAL INCIAL 
↠ O volume do sangue aumenta na valvulopatia mitral 
devido, principalmente, à diminuição da excreção de 
líquido e de sal pelos rins. Esse aumento do volume 
sanguíneo eleva o retorno venoso para o coração. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Após compensação, o débito cardíaco pode cair 
apenas minimamente até os estágios finais da valvulopatia 
mitral, mesmo que a pressão atrial esquerda esteja 
aumentando. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Esse aumento da pressão ocasiona hipertrofia do lado 
direito do coração, o que compensa, em parte, o 
aumento de sua carga de trabalho. (GUYTON & HALL, 13ª 
ed.) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
FURLAN et al. A ausculta cardíaca é eficaz para o 
diagnóstico de sopros em crianças? – revisão de literatura 
científica. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, 2021. 
OLIVEIRA, MARISA. ANÁLISE DE SOM CARDÍACO 
PEDIÁTRICO PARA IDENTIFICAÇÃO DE SOPRO. Tese de 
Mestrado, 2020. 
TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível 
em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. 
 
GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. 
Editora Elsevier Ltda., 2017 
MOORE. Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª ed. 
Guanabara Koogan, SP, 2017 
BERNE & LEVY. Fisiologia, 6ª ed. Elsevier Editora, SP, 2009 
PAZIN-FILHO, A; SCHIMDT, A; MACIEL, B. C. Ausculta 
cardíaca bases fisiológicas – fisiopatológicas. Medicina, 
Ribeirão Preto, v. 37, p. 208-226, jul/dez 2004. 
MARIEB, E. Anatomia humana. São Paulo. Pearson 
Education do Brasil, 2014. 
 
 
 
@jumorbeck 
 
 
 
↠ Os vasos sanguíneos contribuem para a homeostasia, 
possibilitando o fluxo sanguíneo através do coração e a 
troca de nutrientes e escórias metabólicas nos tecidos. 
Também têm participação importante no ajuste da 
velocidade e do volume de fluxo sanguíneo. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ Os vasos sanguíneos formam um sistema fechado de 
tubos que leva o sangue para fora do coração, 
transportam-no para os tecidos do corpo e, em seguida, 
o devolvem ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ É comum dividir o sistema circulatório em: vasos da 
macrocirculação, mais calibrosos, responsáveis por 
transportar sangue aos órgãos e levá-lo de volta ao 
coração (artérias e veias de vários calibres); e vasos da 
microcirculação, com menos de 100 µm e visíveis 
somente ao microscópio (arteríolas, capilares e vênulas 
pós-capilares). (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) 
↠ Os cinco tipos principais de vasos sanguíneos são: as 
artérias, as arteríolas, os capilares, as vênulas e as veias. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
 
↠ As artérias transportam o sangue do coração para 
outros órgãos. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Artérias grandes e elásticas deixam o coração e se 
ramificam em artérias musculares, de médio porte, que 
emitem ramos a várias regiões do corpo. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
↠ As artérias de médio porte se dividem em pequenas 
artérias, as quais por sua vez se dividem em artérias ainda 
menores chamadas arteríolas. Conforme as arteríolas 
 
 
 
 
entram em um tecido, se ramificam em diversos vasos 
minúsculos chamados capilares. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As paredes finas dos capilares possibilitam a troca de 
substâncias entre o sangue e os tecidos do corpo. Grupo 
de capilares no tecido se unem para formar pequenas 
veias chamadas vênulas. Essas, por sua vez, se fundem 
para formar vasos sanguíneos progressivamente maiores 
chamados veias. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As veias são os vasos sanguíneos que conduzem o 
sangue dos tecidos de volta para o coração. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ A parede de um vaso sanguíneo é composta por três 
camadas, ou túnicas, de tecidos diferentes: um 
revestimento epitelial interno, uma túnica média formada 
por músculo liso e tecido conjuntivo elástico, e um 
revestimento externo de tecido conjuntivo. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠Todos são encontrados em diferentes proporções na 
parede dos vasos, exceto nos capilares e nas vênulas pós-
capilares, nos quais os únicos elementos estruturais 
representados são o endotélio e sua membrana basal. 
(JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) 
↠ As três camadas estruturais de um vaso sanguíneo 
qualquer, da mais interna para a mais periférica, são a 
túnica íntima, a túnica média e a túnica externa. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
 
 
 
Aterosclerose 
@jumorbeck 
Túnica íntima 
↠ Forma o revestimento interno de um vaso sanguíneo 
e está em contato direto com o sangue que flui pelo 
lúmen, ou luz, do vaso. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Sua camada mais interna é chamada endotélio, que é 
uma lâmina fina de células planas que revestem a face 
interna de todo o sistema circulatório (coração e vasos 
sanguíneos). (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As células endoteliais são participantes ativas em 
inúmeras atividades relacionadas com vasos, incluindo 
influências físicas sobre o fluxo sanguíneo, secreção de 
mediadores químicos de ação local que influenciam o 
estado contrátil do músculo liso sobrejacente ao vaso e 
assistência com a permeabilidade capilar. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
↠ Além disso, a sua face luminal lisa facilita o fluxo 
sanguíneo eficiente, reduzindo o atrito superficial. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O segundo componente da túnica íntima é uma 
membrana basal profunda ao endotélio. Ela fornece uma 
base de apoio físico para a camada epitelial. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ Sua estrutura de fibras colágenas confere à 
membrana basal substancial resistência à tração, além de 
resiliência ao estiramento e distensão. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Parece ter uma participação importante na orientação 
dos movimentos celulares durante o reparo de tecidos 
das paredes dos vasos sanguíneos. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A parte mais externa da túnica íntima, que forma a 
fronteira entre a túnica íntima e a túnica média, é a lâmina 
elástica interna. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A lâmina elástica interna é uma lâmina fina de fibras 
elásticas com número variável de aberturas semelhantes 
a janelas (fenestrações) que lhe conferem o aspecto de 
um queijo suíço. Estas fenestrações facilitam a difusão de 
materiais através da túnica íntima para a túnica média mais 
espessa. (TORTORA, 14ª ed.) 
Túnica média 
↠ A túnica média é uma camada de tecidos muscular e 
conjuntivo que apresenta a maior variação entre os 
diferentes tipos de vasos. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Na maioria dos vasos, é uma camada relativamente 
espessa que compreende células de músculo liso e, 
principalmente, quantidades substanciais de fibras elásticas. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A principal função das células musculares lisas, que se 
estendem circularmente em torno do lúmen como um 
anel circunda o dedo, é regular o diâmetro do lúmen. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O aumento da estimulação simpática estimula 
tipicamente o músculo liso a se contrair, apertando a 
parede do vaso e estreitando o lúmen. Essa diminuição 
do diâmetro do lúmen de um vaso sanguíneo é chamada 
vasoconstrição. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Em contrapartida, quando a estimulaçãoatividade é fazer com que os alunos 
sejam responsáveis por partes específicas de seu 
trabalho; os alunos estarão livres para cumprir suas tarefas 
da maneira que decidirem ser a melhor, mas ainda são 
responsabilizados pela entrega do produto final à 
professora. Delegar autoridade não significa que o 
processo de aprendizagem está sem controle; a 
professora mantém controle por meio de avaliação do 
produto final do grupo e do processo pelo qual os alunos 
passaram para chegar àquele produto. (COHEN; LOTAN, 
2017) 
Uma segunda característica-chave do trabalho em grupo 
é a de que, em algum nível, os participantes precisam uns 
dos outros para completar a atividade; eles não 
conseguem fazer todas as partes sozinhos. Os alunos 
assumem o papel de professores quando sugerem o que 
os outros devem fazer, quando ouvem o que os outros 
estão dizendo e quando decidem como finalizar o 
trabalho, dado o tempo e os recursos limitados 
estabelecidos pelo instrutor. (COHEN; LOTAN, 2017) 
Alunos que trabalham em grupo falam entre si sobre sua 
atividade. Eles fazem perguntas, explicam, fazem 
sugestões, criticam, ouvem, concordam, discordam e 
tomam decisões coletivas. A interação também pode ser 
não verbal, como apontar, mostrar como fazer, acenar 
com a cabeça, fazer careta ou sorrir. Esse processo de 
interação de grupo pode ser muito interessante para os 
alunos. Alguns, que em geral fariam de tudo menos aquilo 
que lhes foi pedido, quando são envolvidos no trabalho 
em grupo, passam a se engajar ativamente em seu 
trabalho e se mantêm nele por meio da ação do grupo. 
Existem inúmeras razões para isso. Interações cara a cara 
demandam respostas ou, pelo menos, um 
comportamento mais atento. Além disso, os alunos se 
importam com a avaliação de seus colegas; 
frequentemente, não se recusam a participar e não 
querem decepcionar o grupo. (COHEN; LOTAN, 2017) 
Apesar do trabalho em grupo ter potencial para apoiar o 
aprendizado, este mesmo tipo de trabalho, se feito de 
maneira não estruturada, pode acarretar uma série de 
problemas. Não necessariamente os estudantes e os 
próprios adultos sabem como trabalhar em conjunto de 
forma exitosa, por isso, é necessário aprender como se 
trabalhar assim. Esses problemas podem ser superados 
com o planejamento adequado de atividades e por meio 
da preparação dos próprios alunos. (COHEN; LOTAN, 
2017) 
O trabalho em grupo é uma técnica eficaz para atingir 
certos tipos de objetivos de aprendizagem intelectual e 
social. É excelente para o aprendizado conceitual, para a 
resolução criativa de problemas e para o 
desenvolvimento de proficiência em linguagem 
acadêmica. Socialmente, melhora as relações intergrupais, 
aumentando a confiança e a cordialidade. Ensina 
habilidades para atuar em equipe que podem ser 
transferidas para muitas situações, sejam escolares ou da 
vida adulta. O trabalho em grupo é também uma 
estratégia para enfrentar problemas comuns na 
condução da sala de aula, como manter os alunos 
envolvidos com sua atividade. Mais importante ainda, o 
trabalho em grupo torna mais acessíveis as tarefas de 
aprendizagem para um número maior de alunos em salas 
de aula com grande diversidade de competências 
acadêmicas e proficiência linguística. O trabalho de grupo 
produtivo aumenta e aprofunda a oportunidade de 
aprender conteúdos e desenvolver a linguagem e, 
portanto, tem o potencial para formar salas de aula 
equitativas. (COHEN; LOTAN, 2017) 
Trabalho em equipe 
Umas das mudanças mais significativas de nossa época é 
a passagem da ação individual para o trabalho em grupo. 
Trabalho em grupo x Trabalho em equipe 
@jumorbeck 
No mundo de hoje podemos identificar vários tipos de 
grupos trabalhando nas mais diferentes situações. Alguns 
conseguem tornar-se equipes e outros permanecem 
apenas como grupos. (PIANCASTELLI, FARIA, SILVEIRA, 
2000) 
A ideia de equipe advém da necessidade histórica do 
homem de somar esforços para alcançar objetivos que, 
isoladamente, não seriam alcançados ou seriam de forma 
mais trabalhosa ou inadequada. (PIANCASTELLI, FARIA, 
SILVEIRA, 2000) 
De fato, existe apenas uma única pergunta-chave a fazer 
a si próprio, quando estiver tentando decidir se seu grupo 
constitui ou não uma equipe: Será que todos os 
membros de meu grupo compartilham, pelo menos, de 
um objetivo que só pode ser atingido pelo esforço 
conjunto de todos? O objetivo ou objetivos comuns são 
a diferença entre um grupo e uma equipe. 
(HARDINGHAM, 2000) 
Exemplo de equipe: o time de futebol, os componentes 
desta equipe têm objetivos comuns – marcar gols, 
vencer jogos -, habilidades diferentes (o goleiro, o beque, 
o atacante), uma coordenação (o técnico) e um plano de 
trabalho (o esquema tático); (PIANCASTELLI, FARIA, 
SILVEIRA, 200) 
Quando os grupos são estruturados como uma equipe, 
eles são capazes de executar tarefas que os grupos 
padrão não realizam; eles são mais criativos e eficientes 
na resolução de problemas, produzem mais e melhor, 
desenvolvem mais autonomia e são mais motivado. A 
palavra "equipe" está etimologicamente relacionada ao ato 
de executar tarefas, de compartilhar tarefas entre 
indivíduos – e eles são capazes, como um grupo, de ter 
sucesso em alcançar um objetivo desejado. Portanto, 
“equipe” é definida como um grupo de pessoas ligadas 
por um objetivo comum (NAVARRO, GUIMARÃES, 
GARANHANI, 2013) 
Alguns elementos para a transformação de um grupo de 
trabalhadores em equipe de trabalho: (PIANCASTELLI, 
FARIA, SILVEIRA, 200) 
 O grupo conseguir vislumbrar vantagens do 
trabalho em equipe – complementaridade, 
interdependência e sinergismo das ações – em 
relação ao trabalho isolado, individual; 
 A disposição de compartilhar objetivos, decisões, 
responsabilidades e também resultados; 
 A necessidade de definir com clareza os 
objetivos e resultados – individuais e do grupo – 
a serem alcançados; 
 A importância de construir, em conjunto, um 
plano de trabalho e definir a responsabilização 
de cada membro do grupo, para alcançar os 
objetivos; 
 A necessidade da avaliação constante dos 
processos e dos resultados 
 A percepção de que o fracasso de um pode 
significar o fracasso de todos e que o sucesso é 
fundamental para o sucesso da equipe; 
 A necessidade de aprimorar as relações 
interpessoais e de valorizar a comunicação entre 
os membros da equipe; 
 A disposição das pessoas em ouvir e considerar 
as experiencias e saberes de cada membro do 
grupo; 
 Finalmente, é fundamental que os objetivos e 
resultados definidos se constituam em desafios 
constantes para o grupo, algo que instigue cada 
integrante; 
O desafio de se fazer um grupo e uma equipe perpassa 
pelo aprendizado coletivo da necessidade de uma 
comunicação aberta, de uma prática democrática que 
permita o exercício pleno das capacidades individuais e 
uma atuação mais criativa e saudável. (PIANCASTELLI, 
FARIA, SILVEIRA, 200) 
Tutoria 
A palavra ‘tutoria’ vem do latim tutari e significa pôr em 
segurança, proteger, defender, guardar, ser protetor – o 
que justifica seu uso no sentido de assumir, tutelar 
alguém, cuidar, zelar por uma pessoa ou um grupo 
(Brutten, 2008). Essas características passaram a 
conceituar a ação do tutor, ou seja, do indivíduo que é 
encarregado de cuidar, de tutelar alguém. (FRISON, 2012) 
A tutoria é considerada, por Roncelii e Gagno (2008), uma 
modalidade de trabalho que se configura na relação entre 
colegas, na medida em que um estudante torna-se 
responsável por outro, objetivando determinados 
aspectos da aprendizagem. Neste sentido, tutor é aquele 
que ‘cuida’ dos aspectos cognoscitivos e ‘ajuda’ os alunos 
a conquistarem autonomia na construção de novos 
conhecimentos. Segundo eles, a tutoria é uma ação 
responsável por ‘conduzir’ os educandos à compreensão 
dos conteúdos trabalhados nas disciplinas cujas aulas 
frequentam. Portanto, esta estratégia de ensino pode ser 
@jumorbeck 
exercida nas formas presencial e à distância. (FRISON, 
2012) 
O professor como orientador ou mentorsimpática 
diminui, ou na presença de determinados compostos 
químicos (como o óxido nítrico, H+ e ácido láctico) ou 
em resposta à pressão arterial, as fibras musculares lisas 
relaxam. O consequente aumento do diâmetro do lúmen 
é chamado vasodilatação. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Além de regular o fluxo e a pressão sanguínea, o 
músculo liso se contrai quando uma pequena artéria ou 
arteríola está danificada (vasospasmo) para ajudar a limitar 
a perda de sangue através do vaso lesionado. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ As células musculares lisas também ajudam a produzir 
as fibras elásticas na túnica média que possibilitam que os 
vasos se estirem e retraiam à pressão exercida pelo 
sangue. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Interpostas entre as células musculares lisas existem 
quantidades variáveis de matriz extracelular composta de 
fibras e lamelas elásticas, fibras reticulares (colágeno do 
tipo III), proteoglicanos e glicoproteínas. (JUNQUEIRA & 
CARNEIRO, 13ª ed.) 
↠ As células musculares lisas são responsáveis pela 
produção dessas moléculas da matriz extracelular. 
(JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) 
↠ As diferenças estruturais nesta camada são 
responsáveis pelas muitas variações na função entre os 
diferentes tipos de vasos. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A separação entre a túnica média e a túnica externa 
se dá por uma rede de fibras elásticas, a lâmina elástica 
externa, que faz parte da túnica média. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
 
@jumorbeck 
 
Durante o envelhecimento, a matriz extracelular torna-se 
desorganizada em consequência do aumento da 
secreção dos colágenos tipos I e III e de alguns 
glicosaminoglicanos. Alterações na conformação 
molecular da elastina e outras glicoproteínas também 
ocorrem e podem facilitar a deposição de lipoproteínas e 
cálcio nos tecidos, com subsequente calcificação. 
Modificações de componentes da matriz extracelular 
associadas a outros fatores mais complexos podem levar 
à formação de placas de ateroma na parede dos vasos 
sanguíneos. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) 
Túnica externa 
↠ É composta por fibras elásticas e colágenas. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Contém diversos nervos e, especialmente nos 
grandes vasos, minúsculos vasos sanguíneos que irrigam 
o tecido da parede do vaso. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Esses pequenos vasos que fornecem sangue para os 
tecidos do vaso são chamados vasos dos vasos, ou vasa 
vasorum. Eles são facilmente vistos em grandes vasos, 
como a aorta. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Além da importante função de fornecer nervos e vasa 
vasorum à parede do vaso, a túnica externa ajuda a 
ancorar os vasos aos tecidos circundantes. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ Os vasa vasorum proveem a adventícia e a média de 
metabólitos, uma vez que, em vasos maiores, as camadas 
são muito espessas para serem nutridas somente por 
difusão a partir do sangue que circula no lúmen do vaso. 
(JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) 
↠ Vasa vasorum são mais frequentes em veias que em 
artérias. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) 
↠ A maioria dos vasos sanguíneos que contêm músculo 
liso nas suas paredes é provida por uma rede profusa de 
fibras não mielínicas da inervação simpática (nervos 
vasomotores), cujo neurotransmissor é a norepinefrina. 
Descarga de norepinefrina por essas terminações 
nervosas resulta em vasoconstrição. (JUNQUEIRA & 
CARNEIRO, 13ª ed.) 
 
↠ A densidade total das terminações nervosas é menor 
nas veias do que aquela encontrada nas artérias. 
(JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) 
Artérias 
↠ A parede de uma artéria tem as três túnicas de um 
vaso sanguíneo normal, mas tem uma espessa túnica 
média muscular a elástica. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Em decorrência da abundância de fibras elásticas, as 
artérias normalmente têm alta complacência, o que 
significa que suas paredes se esticam ou expandem 
facilmente sem se romper em resposta a um pequeno 
aumento da pressão. (TORTORA, 14ª ed.) 
 ARTÉRIAS ELÁSTICAS 
↠ As artérias elásticas são as maiores artérias do corpo. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Estes vasos são caracterizados por lâminas elásticas 
interna e externa bem definidas, juntamente com uma 
túnica média espessa que é dominada por fibras elásticas, 
chamadas lamelas elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As artérias elásticas incluem os dois troncos principais 
que saem do coração (a aorta e o tronco pulmonar), 
juntamente com os principais ramos iniciais da aorta, 
como o tronco braquiocefálico, a artéria subclávia, a 
artéria carótida comum e a artéria ilíaca comum. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
IMPORTANTE FUNÇÃO: ajudam a impulsionar o sangue 
no sentido anterógrado enquanto os ventrículos estão 
relaxados. (TORTORA, 14ª ed.) 
@jumorbeck 
 
↠ Como conduzem sangue do coração para as artérias 
médias, mais musculosas, as artérias elásticas são também 
chamadas artérias condutoras. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As paredes desses vasos têm cor amarelada 
decorrente do acúmulo de elastina na túnica média. 
(JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) 
 ARTÉRIAS MUSCULARES 
↠ As artérias de médio porte são chamadas artérias 
musculares, porque sua túnica média contém mais 
músculo liso e menos fibras elásticas do que as artérias 
elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A abundância de músculo liso, aproximadamente 75% 
da massa total, torna as paredes das artérias musculares 
relativamente espessas. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Assim, as artérias musculares conseguem se dilatar e 
contrair mais para se ajustar à velocidade do fluxo 
sanguíneo. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As artérias musculares continuam ramificando-se e, 
por fim, distribuem sangue para todos os órgãos, elas são 
chamadas artérias distributivas. Exemplos incluem a artéria 
braquial no braço e a artéria radial no antebraço. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A túnica externa muitas vezes é mais espessa do que 
a túnica média nas artérias musculares. Esta camada 
externa contém fibroblastos, fibras colágenas e fibras 
elásticas, todos orientados longitudinalmente. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ Por causa da diminuição do tecido elástico nas paredes 
das artérias musculares, estes vasos não conseguem 
dilatar e ajudar a impulsionar o sangue como as artérias 
elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Em vez disso, a espessa túnica média muscular é a 
principal responsável pelas funções das artérias 
musculares. A capacidade do músculo de se contrair e 
manter um estado de contração parcial é chamado tônus 
vascular. O tônus vascular enrijece a parede do vaso e é 
importante para manter a pressão do vaso e o fluxo 
sanguíneo eficiente. (TORTORA, 14ª ed.) 
ANASTOMOSES 
 União dos ramos de duas ou mais artérias que 
irrigam uma mesma região do corpo. 
 As anastomoses entre as artérias constituem 
vias alternativas para o sangue chegar a um 
tecido ou órgão (circulação colateral). 
 As anastomoses também podem ocorrer entre 
veias e entre arteríolas e vênulas. 
 As artérias que não se anastomosam são 
conhecidas como artérias terminais. 
 A obstrução de uma artéria terminal interrompe 
a irrigação sanguínea a todo um segmento de 
órgão, provocando necrose (morte) desse 
segmento. 
 ARTERÍOLAS (PEQUENAS ARTÉRIAS) 
↠ São abundantes vasos microscópicos que regulam o 
fluxo sanguíneo para as redes capilares dos tecidos do 
corpo. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As arteríolas têm uma participação essencial na 
regulação do fluxo sanguíneo das artérias para os vasos 
capilares, regulando a resistência, a oposição ao fluxo 
sanguíneo decorrente do atrito entre o sangue e as 
paredes dos vasos sanguíneos. Por isso, são conhecidas 
como vasos de resistência. (TORTORA, 14ª ed.) 
Em um vaso sanguíneo, a resistência é decorrente 
principalmente do atrito entre o sangue e as paredes 
@jumorbeck 
internas dos vasos sanguíneos. Quando o diâmetro do 
vaso sanguíneo é menor, o atrito é maior, de modo que 
há mais resistência. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A contração do músculo liso de uma arteríola provoca 
vasoconstrição, o que aumenta ainda mais a resistência e 
diminui o fluxo sanguíneo para os vasos capilares irrigados 
por essa arteríola. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Em contrapartida, o relaxamentodo músculo liso das 
arteríolas provoca vasodilatação, que diminui a resistência 
e aumenta o fluxo sanguíneo para os vasos capilares. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠A mudança do diâmetro da arteríola pode afetar 
também a pressão arterial: a constrição das arteríolas 
aumenta a pressão arterial, e a dilatação das arteríolas 
diminui a pressão arterial. (TORTORA, 14ª ed.) 
Capilares 
↠ O capilar, o menor dos vasos sanguíneos, conectam o 
efluxo arterial ao retorno venoso (ligam arteríolas e 
vênulas). (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Os capilares formam uma rede extensa, de 
aproximadamente 20 bilhões de vasos curtos, ramificados 
e interconectados, que passam entre cada grupo de 
células do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O fluxo do sangue de uma metarteríola para os 
capilares e para uma vênula pós-capilar (vênula que 
recebe sangue de um capilar) é chamada microcirculação 
do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A função primária dos capilares é a troca de 
substâncias entre o sangue e o líquido intersticial. Por 
causa disto, estes vasos de paredes finas são chamados 
vasos de troca. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Não têm túnica média nem túnica externa. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
 
Vênulas 
↠ As vênulas drenam o sangue capilar e iniciam o fluxo 
de retorno do sangue de volta ao coração. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ As vênulas que primeiro recebem sangue dos 
capilares são chamadas vênulas pós-capilares (são as 
menores vênulas). (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Elas têm junções intercelulares pouco organizadas e, 
portanto, são muito porosas. Atuam em importantes 
locais de troca de nutrientes e escórias metabólicas e 
emigração de leucócitos. Por esta razão, formam parte 
da unidade de troca microcirculatória, juntamente com os 
capilares. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Conforme as vênulas pós-capilares se afastam dos 
capilares, adquirem uma ou duas camadas de células 
musculares lisas dispostas circularmente. Estas vênulas 
musculares têm paredes mais espessas, através das quais 
a troca com o líquido intersticial não pode mais ocorrer. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As paredes finas das vênulas pós-capilares e 
musculares são os elementos mais distensíveis do sistema 
vascular; isso lhes possibilita expandir e servir como 
excelentes reservatórios de grandes volumes de sangue. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
 
 
@jumorbeck 
Veias 
↠ As veias, em geral, têm paredes muito finas em 
relação ao seu diâmetro total. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Muitas veias, especialmente as dos membros, também 
contêm válvulas, pregas finas de túnica íntima que 
formam válvulas semelhantes a abas. As válvulas da 
válvula se projetam para o lúmen, apontando para o 
coração, baixa pressão arterial nas veias possibilita que o 
sangue que retorna ao coração desacelere ou até 
mesmo retorne; as válvulas auxiliam no retorno venoso 
impedindo o refluxo do sangue. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As válvulas das veias possibilitam que o sangue flua em 
uma direção única: ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
↠ A ação de bombeamento do coração é um fator 
importante no deslocamento do sangue venoso de volta 
ao coração. A contração dos músculos esqueléticos dos 
membros inferiores também ajuda a impulsionar o 
retorno venoso para o coração. A pressão sanguínea 
média nas veias é consideravelmente mais baixa do que 
nas artérias. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A expansão externa dos ventres dos músculos 
esqueléticos que se contraem nos membros, limitada pela 
fáscia muscular, comprime as veias, “ordenhando” o 
sangue para cima em direção ao coração; outro tipo 
(musculovenoso) de bomba venosa. (MOORE, 7ª ed.) 
 
↠ A túnica íntima das veias é mais fina do que a das 
artérias; a túnica média das veias é muito mais fina do que 
a das artérias, com relativamente pouco músculo liso e 
fibras elásticas. A túnica externa das veias é a mais 
espessa e é composta por colágeno e fibras elásticas. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ São distensíveis o suficiente para se adaptar às 
variações de pressão e ao volume de sangue que passa 
por elas, mas não são concebidas para suportar altas 
pressões. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O lúmen de uma veia é maior do que o de uma artéria 
comparável, e as veias frequentemente parecem 
colabadas (achatadas) quando seccionadas. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
↠ Embora, para simplificar, frequentemente sejam 
representadas isoladas nas ilustrações, as veias tendem a 
ser duplas ou múltiplas. Aquelas que acompanham as 
artérias profundas - veias acompanhantes - circundam-
nas em uma rede com ramificações irregulares. Essa 
organização serve como trocador de calor em 
contracorrente, no qual o sangue arterial morno aquece 
o sangue venoso mais frio em seu retorno de uma 
extremidade fria para o coração. Consequentemente, 
quando a artéria se expande durante a contração do 
coração, as veias são distendidas e achatadas, o que ajuda 
a conduzir o sangue venoso para o coração - uma bomba 
arteriovenosa. (MOORE, 7ª ed.) 
@jumorbeck 
 
↠ Em alguns indivíduos, as veias superficiais são vistas 
como tubos azulados que passam sob a pele. Como o 
sangue venoso é vermelho escuro, as veias parecem 
azuis porque suas paredes finas e os tecidos da pele 
absorvem os comprimentos de onda de luz vermelha, 
possibilitando que a luz azul passe para a superfície, onde 
as vemos como azuis. (TORTORA, 14ª ed.) 
DIFERENÇAS ENTRE VEIAS E ARTÉRIAS 
Em primeiro lugar, as veias são mais numerosas do que 
as artérias por vários motivos. Algumas veias formam 
pares e acompanham artérias musculares de médio a 
pequeno porte. Estes conjuntos duplos de veias escoltam 
as artérias e se conectam por canais venosos chamados 
veia anastomótica. 
As veias anastomóticas cruzam a artéria acompanhante 
formando “degraus” entre o par de veias. A maior 
quantidade de pares de veia ocorre no interior dos 
membros. A camada subcutânea profunda à pele é outra 
fonte de veias. 
 VEIAS SUPERFICIAIS: atravessam a tela 
subcutânea desacompanhadas de artérias 
paralelas. 
 VEIAS PROFUNDAS: estão entre os músculos 
esqueléticos. 
Distribuição do sangue no sistema circulatório em 
repouso 
 
↠ Como as veias e vênulas sistêmicas contêm mais de 
50% do volume sanguíneo total, são chamadas 
reservatórios de sangue. (TORTORA, 14ª ed.) 
Fisiologia dos vasos sanguíneos 
 TROCA CAPILAR 
↠ A missão de todo o sistema circulatório é manter o 
sangue fluindo pelos capilares para possibilitar a troca 
capilar, o movimento de substâncias entre o sangue e o 
líquido intersticial. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Os 7% do sangue que estão nos capilares sistêmicos 
a qualquer momento estão continuamente trocando 
materiais com o líquido intersticial. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As substâncias entram e saem dos capilares por três 
mecanismos básicos: difusão, transcitose e fluxo de 
massa. (TORTORA, 14ª ed.) 
 DIFUSÃO 
↠ O método mais importante de troca capilar é a difusão 
simples. Muitas substâncias, como o oxigênio (O2), o 
dióxido de carbono (CO2), a glicose, os aminoácidos e os 
hormônios, entram e saem dos capilares por difusão 
simples. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Como o O2 e os nutrientes normalmente estão 
presentes em concentrações mais elevadas no sangue, 
eles se difundem por gradiente de concentração para o 
líquido intersticial e, em seguida, para as células do corpo. 
O CO2 e outras escórias metabólicas liberadas pelas 
células do corpo são encontrados em maiores 
concentrações no líquido intersticial, de modo que se 
difundem para o sangue. (TORTORA, 14ª ed.) 
 TRANSCITOSE 
↠ Uma pequena quantidade de material atravessa as 
paredes capilares por transcitose. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Neste processo, as substâncias do plasma sanguíneo 
são englobadas por minúsculas vesículas pinocíticas que 
primeiro entram nas células endoteliais por endocitose, 
atravessam-na e saem do outro lado por exocitose. Este 
método de transporte é importante, principalmente para 
grandes moléculas insolúveis em lipídios que não 
conseguem atravessar as paredes capilares de outro 
modo. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
 
@jumorbeck 
 FLUXO DE MASSA | FILTRAÇÃO E REABSORÇÃO 
↠ O fluxode massa é um processo passivo em que uma 
grande quantidade de íons, moléculas ou partículas em 
um líquido se move em conjunto, no mesmo sentido. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O fluxo de massa ocorre a partir de uma área de alta 
pressão para uma zona de pressão mais baixa, e continua 
desde que exista uma diferença de pressão. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ O movimento impulsionado pela pressão de líquidos e 
solutos dos capilares sanguíneos para o líquido intersticial 
é chamado filtração. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O movimento impulsionado pela pressão do líquido 
intersticial para os capilares sanguíneos é chamado 
reabsorção. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Em geral, o volume de líquidos e solutos normalmente 
reabsorvidos é quase tão grande quanto o volume filtrado. 
Este equilíbrio próximo é conhecido como lei de Starling 
dos capilares. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A pressão hidrostática do sangue “empurra” o líquido 
para fora dos capilares (filtração) e a pressão 
coloidosmótica do sangue puxa o líquido para os capilares 
(reabsorção). (TORTORA, 14ª ed.) 
 
 
 
 
Hemodinâmica 
↠ O sangue flui de regiões de maior pressão para 
regiões de menor pressão; quanto maior a diferença de 
pressão, maior for o fluxo sanguíneo. Mas quanto maior 
a resistência, menor o fluxo sanguíneo. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
 PRESSÃO ARTERIAL 
↠ Conforme o sangue sai da aorta e flui ao longo da 
circulação sistêmica, sua pressão cai progressivamente à 
medida que a distância do ventrículo esquerdo aumenta. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
 
 RESISTÊNCIA VASCULAR 
↠ É a oposição ao fluxo sanguíneo em decorrência do 
atrito entre o sangue e as paredes dos vasos sanguíneos. 
A resistência vascular depende: (TORTORA, 14ª ed.) 
 do tamanho do lúmen do vaso sanguíneo; 
 da viscosidade do sangue; 
 do comprimento total dos vasos sanguíneos.. 
↠ A resistência vascular sistêmica (RVS), também 
conhecida como resistência periférica total (RPT), refere-
se a todas as resistências vasculares oferecidas pelos 
vasos sanguíneos sistêmicos. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Os diâmetros das artérias e veias são grandes, de 
modo que sua resistência é muito pequena. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ Os vasos menores – arteríolas, capilares e vênulas – 
contribuem com a maior parte da resistência. (TORTORA, 
14ª ed.) 
@jumorbeck 
↠ Uma função principal das arteríolas é controlar a RVS 
– e, por conseguinte, a pressão sanguínea e o fluxo 
sanguíneo para tecidos específicos – alterando seus 
diâmetros. (TORTORA, 14ª ed.) 
Aterosclerose 
↠ A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica que 
possui origem multifatorial e ocorre em resposta à 
agressão endotelial, acometendo principalmente a 
camada íntima de artérias de médio e grande calibre. 
(COSTA et al., 2019) E também associada à ativação do 
sistema imunológico. (MOTA et al., 2013) 
↠ No Brasil, a aterosclerose é a principal responsável 
pelas doenças cardiovasculares. (COSTA et al., 2019) 
↠ A aterosclerose, está associada ao acúmulo de gordura 
(principalmente colesterol) nas paredes arteriais. Há 
formação de um depósito de cálcio na placa ateromatosa 
(ateroma) — áreas ou elevações amarelas, endurecidas, 
bem demarcadas na superfície da túnica íntima das 
artérias. (MOORE, 7ª ed.) 
 
↠ Aterosclerose é a doença das artérias de tamanho 
médio e grande, em que as lesões de gordura chamadas 
placas ateromatosas se desenvolvem nas superfícies das 
paredes arteriais. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Anormalidade que pode ser medida muito cedo nos 
vasos sanguíneos, que posteriormente se tornam 
ateroscleróticos, é a lesão do endotélio vascular. Essa 
lesão, por sua vez, aumenta a expressão das moléculas 
de aderência nas células endoteliais e reduz sua 
capacidade de liberar óxido nítrico e outras substâncias 
que ajudam a impedir a aderência de macromoléculas, 
plaquetas e monócitos a seu endotélio. (GUYTON & HALL, 
13ª ed.) 
↠ Depois que ocorre a lesão no endotélio vascular, os 
monócitos e lipídios circulantes (principalmente LDLs) 
começam a se acumular no local da lesão. Os monócitos 
cruzam o endotélio, até a camada íntima da parede do 
vaso, e diferenciam-se de macrófagos, que então 
ingerem e oxidam as lipoproteínas acumuladas, adquirindo 
aspecto espumoso. Esses macrófagos espumosos então 
se agregam no vaso sanguíneo e formam estria de 
gordura, que é visível.. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Com o passar do tempo, as estrias de gordura 
aumentam e coalescem, e os tecidos dos músculos lisos 
e fibrosos adjacentes proliferam para formar placas cada 
vez maiores. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Os macrófagos também liberam substâncias que 
causam inflamação e maior proliferação de músculos lisos 
e tecido fibroso nas superfícies internas da parede arterial. 
Os depósitos de lipídios e a proliferação celular podem 
ficar tão grandes que as placas se destacam no lúmen da 
artéria e reduzem muito o fluxo do sangue, chegando, às 
vezes, a obstruir completamente o vaso. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
↠ Mesmo sem oclusão, os fibroblastos da placa 
eventualmente depositam quantidades extensas de tecido 
conjuntivo denso; a esclerose (fibrose) fica tão grande 
que as artérias enrijecem. Mais tarde ainda, os sais de 
cálcio se precipitam frequentemente com o colesterol e 
outros lipídios das placas, levando a calcificações pétreas 
que podem fazer com que as artérias passem a ser tubos 
rígidos. Ambos esses estágios da doença são chamados 
“endurecimento das artérias”. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ As artérias ateroscleróticas perdem a maior parte de 
sua distensibilidade e devido às áreas degenerativas em 
suas paredes, elas facilmente se rompem. Também, nos 
locais onde as placas invadem o lúmen com sangue 
circulante, suas superfícies ásperas podem levar à 
formação de coágulos, com a resultante formação de 
trombos ou êmbolos, levando ao bloqueio súbito de todo 
o fluxo de sangue para a artéria. (GUYTON & HALL, 13ª 
ed.) 
@jumorbeck 
 
↠ Os sintomas dessa doença são mais frequentes 
quando a placa de ateroma se forma nas artérias que 
irrigam o coração, o cérebro, os rins e o intestino delgado, 
aparecendo, portanto, relacionados a esses órgãos. 
Exemplos são: infarto do miocárdio por obstrução de 
coronárias, infarto cerebral e aneurisma aórtico. (COSTA 
et al., 2019) 
↠ Estudos têm sugerido duas fases interdependentes na 
evolução da doença aterosclerótica: (GOTTTLIEB,2005) 
 Fase “aterosclerótica”, predomina a formação 
anatômica da lesão aterosclerótica sob a 
influência dos “fatores de risco aterogênicos” 
clássicos e que leva décadas para evoluir. Devido 
à sua história lenta e gradual, sua evolução 
geralmente não traz consigo manifestações 
clínicas dramáticas; 
 Fase trombótica, a influência dos “fatores de 
risco trombogênicos” determina a formação 
aguda de trombo sobre a placa aterosclerótica, 
fenômeno este diretamente ligado aos eventos 
agudos coronarianos, como infarto do miocárdio, 
angina instável e morte súbita. 
Os Papéis do Colesterol e das Lipoproteínas na 
Aterosclerose 
 Aumento de Lipoproteínas de Baixa Densidade: 
↠ Fator importante na etiologia da aterosclerose é 
elevada concentração plasmática de colesterol sob a 
forma de lipoproteínas de baixa densidade. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
↠ A concentração plasmática dessas LDLs e elevado 
teor de colesterol é aumentada por diversos fatores, 
especialmente com a ingestão de gorduras muito 
saturadas na dieta diária, obesidade e inatividade física. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
 Hipercolesterolemia Familiar 
↠ A hipercolesterolemia familiar é uma doença em que 
a pessoa herda genes defeituosos, para a formação de 
receptores para LDLs, nas superfícies das membranas 
celulares do corpo. Na ausência desses receptores, o 
fígado não é capaz de absorver as LDL nem as IDL. Sem 
essa absorção, o mecanismo do colesterol das células 
hepáticas se descontrola, produzindo novo colesterol; ele 
deixa de responder à inibição por feedback, 
desencadeado pela presença de quantidade excessiva de 
colesterol plasmático. (GUYTON & HALL, 13ª ed.)↠ Como resultado, o número de VLDLs liberado pelo 
fígado para o plasma aumenta imensamente. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
 Papel das Lipoproteínas de Alta Densidade na 
Prevenção da Aterosclerose. 
↠ Bem menos conhecida é a função das HDLs em 
comparação com a das LDLs. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ Acredita-se que as lipoproteínas de alta densidade são, 
de fato, capazes de absorver cristais de colesterol que 
começam a ser depositados nas paredes arteriais. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
↠ As doenças cardiovasculares possuem diversos fatores 
de risco, que podem ser agrupados em dois grupos 
principais: modificáveis e não modificáveis. (COSTA et al., 
2019) 
 Exemplos de fatores modificáveis: a dislipidemia, 
a exposição ao tabaco, a não prática de 
exercício/atividade física e IMC maior ou igual a 
30kg/m². 
 Exemplos de fatores não modificáveis: presença 
de casos na família de doenças cardiovasculares, 
etnia, idade e sexo. 
@jumorbeck 
 Outros Fatores de Risco Importantes da 
Aterosclerose 
↠ Em algumas pessoas com níveis perfeitamente 
normais de colesterol e lipoproteínas, ainda assim, a 
aterosclerose se desenvolve. Alguns dos fatores 
conhecidos que predispõem à aterosclerose são: (1) 
inatividade física e obesidade; (2) diabetes melito; (3) 
hipertensão; (4) hiperlipidemia; e (5) tabagismo. (GUYTON 
& HALL, 13ª ed.) 
↠ No início e na metade da fase adulta, os homens 
apresentam maior probabilidade de desenvolver 
aterosclerose do que as mulheres da mesma idade, 
sugerindo que os hormônios sexuais masculinos podem 
ser aterogênicos ou, pelo contrário, que os hormônios 
sexuais femininos podem ter ação protetora. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
↠ Alguns desses fatores causam aterosclerose, ao 
aumentar a concentração de LDLs no plasma. Outros, tais 
como a hipertensão, são capazes de levar à 
aterosclerose ao causar lesões no endotélio vascular, além 
de outras alterações nos tecidos vasculares que 
predispõem à deposição de colesterol. (GUYTON & 
HALL, 13ª ed.) 
PREVENÇÃO DA ATEROSCLEROSE 
As medidas mais importantes para proteger contra o 
desenvolvimento da aterosclerose e sua progressão para 
grave doença vascular são (1) manter peso saudável, ser 
fisicamente ativo e ingerir dieta contendo principalmente 
gorduras insaturadas com baixo teor de colesterol; (2) 
prevenir a hipertensão, mantendo dieta saudável e sendo 
fisicamente ativa, ou efetivamente controlando a pressão 
arterial com fármacos anti-hipertensivos caso a 
hipertensão se desenvolva; (3) controlar efetivamente a 
glicose sanguínea, com insulina ou outros fármacos na 
presença de diabetes; e (4) evitar fumar cigarros. 
(GUYTON & HALL, 13ª ed.) 
Diferenças nos hábitos de vida entre populações 
diferentes e os impactos positivos na saúde 
↠ A doença cardiovascular aterosclerótica se inicia na 
infância precoce e é influenciada ao longo da vida por 
fatores genéticos e exposição ambiental a fatores de 
risco potencialmente modificáveis. (SANTOS, 2011) 
↠ Estudos relatam que quando uma pessoa muda seus 
hábitos de vida (abandona o sedentarismo, a alta ingestão 
de gorduras, o tabagismo, por exemplo) as chances de 
ela não desenvolver a doença aterosclerótica, ou reduzir 
as complicações de uma doença já instalada, são 
menores. (COSTA et al., 2019) 
↠ Assim, a influência da dieta na patogênese de doenças 
crônico-degenerativas ganhou grande importância em 
pesquisas e tem comprovado a teoria de que reduzindo 
os níveis de gorduras da dieta há menor possibilidade de 
se desenvolver aterosclerose. (COSTA et al., 2019) 
↠ Alguns estudos sugerem que o aumento da atividade 
física habitual e do condicionamento cardiorrespiratório 
estão associados ao decréscimo de causas de mortalidade 
em homens com acometimentos cardiovasculares pré-
existentes. (COSTA et al., 2019) 
↠ O estresse tem sido mencionado como um dos 
possíveis fatores contribuintes para o desenvolvimento da 
aterosclerose, não só por meio da ação direta, mas 
também pela contribuição para a etiologia de outros 
fatores de risco, como a depressão, a obesidade, a 
hipercolesterolemia e o sedentarismo. (SANTOS, 2011) 
↠ Autores discutiram como o estresse psicossocial em 
animais pode levar ao desenvolvimento da aterosclerose, 
provavelmente por um mecanismo envolvendo ativação 
excessiva do sistema nervoso simpático. Em pacientes 
com doença arterial coronária (DAC), o estresse agudo 
pode também levar à vasoconstrição coronária. 
(SANTOS, 2011) 
↠ Em estudo conduzido com 37 homens em 2003 por 
Steptoe et al sobre os efeitos do estresse e da classe 
econômica na ativação das plaquetas, verificou-se que o 
estresse psicológico induz à ativação plaquetária. Os 
autores sugeriram que pelo fato de as pessoas de classes 
econômicas menos favorecidas enfrentarem diariamente 
inúmeros fatores estressantes de grande magnitude 
ligados às dificuldades financeiras e sociais, elas estariam 
sujeitas a um estresse mais intenso, que poderia, por sua 
vez, induzir a uma ativação plaquetária que contribuiria 
para um aumento do risco de doenças cardiovasculares. 
(SANTOS, 2011) 
↠ Nas sociedades ocidentais, a aterosclerose é causa 
primária de 50% de todas as mortes relacionadas com 
infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). 
Contudo, países como a Groenlândia, Islândia e Japão têm 
baixa prevalência de aterosclerose, principalmente entre 
os esquimós, sugerindo uma forte relação com o estilo 
de vida, dieta e composição genética dos indivíduos. 
(GOTTTLIEB,2005) 
@jumorbeck 
TSIMANES – EL PAIS 
↠ O estudo, publicado na revista The Lancet, 
comprovou que a quantidade de cálcio acumulada nas 
artérias principais dos tsimanes com mais de 40 anos é 
até cinco vezes menor que a calcificação detectada em 
pessoas ocidentais da mesma idade. 
↠ Além disso, a boa saúde se mantém à medida que 
envelhecem. Um total de 65% de anciãos tsimanes que 
chegaram aos 75 anos ainda tinha um índice de 
calcificação zero. Os pesquisadores compararam seus 
resultados com os de outras populações, como a de uma 
ampla amostra dos EUA, outra de europeus e mais uma 
dezena de estudos sobre a incidência de aterosclerose 
em diferentes sociedades. O estado das artérias dos 
velhos tsimanes é similar ao que podem ter ocidentais 
com 28 anos menos e ainda melhor que o das mulheres 
adultas japonesas, as que até agora tinham melhor saúde 
arterial. 
↠ Embora o estudo não estabeleça uma relação causal, 
para seus autores tudo indica que o estilo de vida dos 
tsimanes explicaria esses dados e outros que também 
comprovaram em suas revisões médicas, como os baixos 
níveis que mostraram no ritmo cardíaco, pressão 
sanguínea, colesterol e glicose no sangue. Todos esses 
indicadores estão direta ou indiretamente relacionados 
com a aterosclerose. 
↠ Os tsimanes podem ficar oito horas na caça de algo 
para comer. Os pesquisadores estimam que dedicam um 
mínimo de sete horas a atividades que requerem esforço 
físico e que em apenas 10% do tempo que passam 
despertos não fazem nada. Quanto à sua dieta, em sua 
maioria se trata de carboidratos (72%) não processados, 
ricos em fibra, como arroz, mandioca, milho e frutas. As 
proteínas são obtidas da caça e da pesca, e somente 
consomem cerca de 38 gramas de gordura por dia. 
Embora alguns tenham declarado que fumam, um maço 
de cigarros lhes poderia durar um ano. 
↠ "Se não há tabaco, não há colesterol nem diabetes, e 
têm uma dieta equilibrada e fazem exercícios físicos, não 
há aterosclerose”, comenta o pesquisador do Centro 
Nacional de Pesquisas Cardiovasculares Carlos III (CNIC), 
Antonio Fernández Ortiz. 
↠ Esta pesquisa ajuda a demonstrar de forma definitiva 
que os fatores de risco cardiovasculares são a causa da 
doença aterosclerótica. Nessa população sem 
aterosclerose o único fator de risco que eles têm é a 
idade. O pouco cálcio que acumulam é porque vão 
envelhecendo.” 
↠ Existe a possibilidade de que os tsimanes tenham 
alguma variante genética que os protegeria das doenças 
cardiovasculares, além do seu estilo devida. No entanto, 
os pesquisadores comprovaram que nos últimos anos os 
níveis de colesterol estão subindo, com uma 
concentração de colesterol LDL que passou de 1,84 
milimol por litro na primeira década do século para 2,35 
mmol/L em 2015. Isso descartaria a possibilidade de origem 
genética. 
↠ O aumento do colesterol coincidiu com uma 
intensificação da aculturação desse povo. Isto permitiu aos 
tsimanes um maior acesso aos produtos ricos em 
açúcares e gorduras. Ainda é cedo para detectar se as 
mudanças na dieta provocarão um aumento da 
calcificação arterial, mas os autores do estudo acreditam 
que poderia estar em curso uma revolução nutricional 
que acabará com a boa saúde. 
Referências 
COSTA et. al. Estilo de vida como fator de prevenção da 
aterosclerose. Revista Caderno de Medicina vol. 2, nº 2, 
2019 
SANTOS et al. Hábitos e perfil socioeconômico dos 
pacientes com doença aterosclerótica no Brasil, 2011. 
GOTTLIEB, M. G. V. BONARDI G. MORIGUCHI, E. H. 
Fisiopatologia e aspectos inflamatórios da aterosclerose, 
2005. 
TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível 
em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. 
 
GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. 
Editora Elsevier Ltda., 2017 
MOORE. Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª ed. 
Guanabara Koogan, SP, 2017 
JUNQUEIRA; CARNEIRO. Histologia Básica, 13ª ed. 
Guanabara Koogan, SP, 2017. 
 
@jumorbeck 
Anamnese 
↠ Anamnese (do grego aná –trazer de novo + mnesis 
–memória) significa trazer de volta à mente todos os fatos 
relacionados com a doença e o paciente. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ De início, deve-se ressaltar que a anamnese é a parte 
mais importante da medicina: primeiro, porque é o núcleo 
em torno do qual se desenvolve a relação médico-
paciente, que, por sua vez, é o principal pilar do trabalho 
do médico; segundo, porque é cada vez mais evidente 
que o progresso tecnológico somente é bem utilizado se 
o lado humano da medicina é preservado. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ A anamnese, se bem feita, culmina em decisões 
diagnósticas e terapêuticas corretas; se mal feita, em 
contrapartida, desencadeia uma série de consequências 
negativas, as quais não podem ser compensadas com a 
realização de exames complementares, por mais 
sofisticados que sejam. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Como a anamnese é uma entrevista, são necessárias 
a ela a comunicação não verbal, a verbal e a escrita. Uma 
anamnese verdadeira sai da boca do paciente, mas o 
médico deve ser cooperativo, atento, cuidadoso e 
direcionador. (SOARES et al., 2014) 
POSSIBILIDADES E OBJETIVOS DA ANAMNESE 
 Estabelecer condições para uma adequada relação 
médico-paciente; 
 Conhecer, por meio da identificação, os 
determinantes epidemiológicos que influenciam o 
processo saúde-doença de cada paciente; 
 Fazer a história clínica, registrando, detalhada e 
cronologicamente, o(s) problema(s) de saúde do 
paciente; 
 Registrar e desenvolver práticas de promoção da 
saúde; 
 Avaliar o estado de saúde passado e presente do 
paciente, conhecendo os fatores pessoais, familiares 
e ambientais que influenciam seu processo saúde-
doença; 
 Conhecer os hábitos de vida do paciente, bem como 
suas condições socioeconômicas e culturais; 
 Avaliar, de maneira clara, os sintomas de cada sistema 
corporal. 
↠ Em essência, a anamnese é uma entrevista, e o 
instrumento de que nos valemos é a palavra falada. 
(PORTO, 8ª ed.) 
↠ Em situações especiais (pacientes surdos ou pacientes 
com dificuldades de sonorização), dados da anamnese 
podem ser obtidos por meio da Linguagem Brasileira de 
Sinais (Libras), da palavra escrita ou mediante tradutor 
(acompanhante e/ou cuidador que compreenda a 
comunicação do paciente). (PORTO, 8ª ed.) 
↠ A anamnese necessita de entrevista organizada em 
métodos que privilegiam a solução da complexa relação 
médico-paciente, com o intuito de alterar o 
posicionamento do médico, deixando o lado entrevistador 
e favorecendo o lado ouvinte, capaz de promover a 
saúde e prevenindo as doenças que acometem os 
pacientes (LIMA et al., 2021 apud SOARES et al, 2016). 
 
↠ O diálogo entre o médico e o paciente tem objetivo 
e finalidade preestabelecidos, ou seja, a reconstituição dos 
fatos e dos acontecimentos direta ou indiretamente 
relacionados com uma situação anormal da vida do 
paciente. (PORTO, 8ª ed.) 
Maneiras de se fazer anamnese 
A anamnese pode ser conduzida das seguintes maneiras: 
 Deixar o paciente relatar, livre e 
espontaneamente, suas queixas sem nenhuma 
interferência, limitando-se a ouvi-lo. Essa técnica 
é recomendada e seguida por muitos clínicos. O 
psicanalista apoia-se integralmente nela e chega 
ao ponto de se colocar em uma posição na qual 
não possa ser visto pelo paciente, para que sua 
presença não exerça influência inibidora ou 
coercitiva. (PORTO, 8ª ed.) 
 De outra maneira, denominada anamnese 
dirigida, o médico, tendo em mente um 
esquema básico, conduz a entrevista mais 
objetivamente. O uso dessa técnica exige rigor 
técnico e cuidado na sua execução, de modo a 
não se deixar levar por ideias preconcebidas. 
(PORTO, 8ª ed.) 
 Outra maneira é o médico deixar, inicialmente, o 
paciente relatar de maneira espontânea suas 
queixas, para depois conduzir a entrevista de 
modo mais objetivo. (PORTO, 8ª ed.) 
Com a crescente capacidade de o paciente obter informações sobre 
sintomas, doenças, tratamentos, especialmente nos sites de busca da 
internet, está surgindo um novo tipo de entrevista que pode ser 
chamado de “anamnese dialogada”. Em vez do tradicional relato passa 
a haver um diálogo amparado nas informações obtidas pelo paciente 
e nos conhecimentos científicos do médico. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ A história clínica, portanto, não é o simples registro de 
uma conversa. É mais do que isso: é o resultado de uma 
entrevista com objetivo explícito, conduzida pelo 
@jumorbeck 
examinador e cujo conteúdo foi elaborado criticamente 
por ele. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Para fazer uma entrevista de boa qualidade, antes de 
tudo o médico deve estar interessado no que o paciente 
tem a dizer. Ao mesmo tempo, é necessário demonstrar 
compreensão e desejo de ser útil àquela pessoa. (PORTO, 
8ª ed.) 
↠ A pressa é o defeito de técnica mais grosseiro que se 
pode cometer durante a obtenção da história. (PORTO, 
8ª ed.) 
↠ Há muitas doenças cujos diagnósticos são feitos quase 
exclusivamente pela história, como, por exemplo, 
epilepsia, enxaqueca e neuralgia do trigêmeo, isso sem se 
falar dos transtornos psiquiátricos, cujo diagnóstico apoia-
se integralmente nos dados da anamnese. (PORTO, 8ª ed.) 
Recomendações práticas para se fazer uma boa 
anamnese 
↠ É no primeiro contato que reside a melhor 
oportunidade para fundamentar uma boa relação entre o 
médico e o paciente. Perdida essa oportunidade, sempre 
existirá um hiato intransponível entre um e outro. 
(PORTO, 8ª ed.) 
↠ Cumprimente o paciente, perguntando logo o nome 
dele e dizendo-lhe o seu. Não use termos como “vovô”, 
“vovó”, “vozinho”, “vozinha” para as pessoas idosas. 
(PORTO, 8ª ed.) 
↠ Demonstre atenção ao que o paciente está falando e 
procure identificar de pronto alguma condição especial – 
dor, sonolência, ansiedade, hostilidade, tristeza, confusão 
mental – para que você saiba a maneira de conduzir a 
entrevista. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Conhecer e compreender as condições socioculturais 
do paciente representa uma ajuda inestimável para 
reconhecer a doença e entender o paciente. (PORTO, 8ª 
ed.) 
↠ Ter sempre o cuidado de não sugestionar o paciente 
com perguntas que surgem de ideias preconcebidas. 
(PORTO, 8ª ed.) 
↠ O tempo reservado à anamnese distingue o médico 
competente do incompetente, o qual tende a transferir 
para as máquinas e o laboratório a responsabilidade do 
diagnóstico. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Sintomas bem investigados e mais bem 
compreendidos abrem caminho para um exame físico 
objetivo. Isso poderia ser anunciado de outra maneira: só 
se acha o que se procura e só se procura o que se 
conhece. (PORTO, 8ª ed.) 
↠A causa maisfrequente de erro diagnóstico é uma 
história clínica mal obtida. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Somente a anamnese possibilita ao médico uma visão 
de conjunto do paciente, indispensável para a prática de 
uma medicina de excelência (PORTO, 8ª ed.) 
Semiotécnica da anamnese 
↠ Não basta pedir ao paciente que relate sua história e 
anotá-la. Muitos pacientes têm dificuldade para falar e 
precisam de incentivo; outros – e isto é mais frequente 
– têm mais interesse em narrar as circunstâncias e os 
acontecimentos paralelos do que relatar seus 
padecimentos. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Aliás, o paciente não é obrigado a saber como deve 
relatar suas queixas. O médico é que precisa saber como 
obtê-las. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ O médico tem de estar imbuído da vontade de ajudar 
o paciente a relatar seus padecimentos. Para conseguir tal 
intento, Bickley e Szilagyi (2010) sugerem que o 
examinador utilize uma ou mais das seguintes técnicas: 
apoio, facilitação, reflexão, esclarecimento, confrontação, 
interpretação, respostas empáticas e silêncio. (PORTO, 8ª 
ed.) 
 Afirmações de apoio despertam segurança no 
paciente. Dizer, por exemplo, “Eu compreendo” 
em momento de dúvida pode encorajá-lo a 
prosseguir no relato de alguma situação difícil. 
 O médico consegue facilitar o relato do paciente 
por meio de sua postura, de ações ou palavras 
que o encorajem, mesmo sem especificar o 
tópico ou o problema que o incomoda. O gesto 
de balançar a cabeça levemente, por exemplo, 
pode significar para o paciente que ele está 
sendo compreendido. 
 A reflexão é muito semelhante à facilitação e 
consiste basicamente na repetição das palavras 
que o médico considerar as mais significativas 
durante o relato do paciente. 
 O esclarecimento é diferente da reflexão 
porque, nesse caso, o médico procura definir de 
maneira mais clara o que o paciente está 
relatando. Por exemplo, se o paciente se refere 
@jumorbeck 
à tontura, o médico, por saber que esse termo 
tem vários significados, procura esclarecer a qual 
deles o paciente se refere (vertigem? Sensação 
desagradável na cabeça?). 
 A confrontação consiste em mostrar ao 
paciente algo acerca de suas próprias palavras 
ou comportamento. Por exemplo, o paciente 
mostra-se tenso, ansioso e com medo, mas diz 
ao médico que “está tudo bem”. Aí, o médico 
pode confrontá-lo da seguinte maneira: “Você 
diz que está tudo bem, mas por que está com 
lágrimas nos olhos?” Essa afirmativa pode 
modificar inteiramente o relato do paciente. 
 Na interpretação, o médico faz uma observação 
a partir do que vai notando no relato ou no 
comportamento do paciente. Por exemplo: 
“Você parece preocupado com os laudos das 
radiografias que me trouxe.” 
 A resposta empática é a intervenção do médico 
mostrando “empatia”, ou seja, compreensão e 
aceitação sobre algo relatado pelo paciente. A 
resposta empática pode ser por palavras, gestos 
ou atitudes: colocar a mão sobre o braço do 
paciente, oferecer um lenço se ele estiver 
chorando ou apenas dizer a ele que 
compreende seu sofrimento. No entanto, é 
necessário cuidado com esse tipo de 
procedimento. A palavra ou gesto do médico 
pode desencadear uma reação inesperada ou 
até contrária por parte do paciente. 
 Há momentos na entrevista em que o 
examinador deve permanecer calado, mesmo 
correndo o risco de parecer que perdeu o 
controle da conversa. O silêncio pode ser o mais 
adequado quando o paciente se emociona ou 
chora. Saber o tempo de duração do silêncio faz 
parte da técnica e da arte de entrevistar. 
Elementos componentes da anamnese 
↠ A anamnese é classicamente desdobrada nas 
seguintes partes: identificação, queixa principal, história de 
doença atual (HDA), interrogatório sintomatológico (IS), 
antecedentes pessoais e familiares, hábitos e estilo de 
vida, condições socioeconômicas e culturais. (PORTO, 8ª 
ed.) 
↠ Esta divisão visa contemplar o paciente como um todo 
e promover sua saúde. (LIMA et al, 2021) 
 
COMPONENTES DA ANAMNESE 
IDENTIFICAÇÃO Perfil sociodemográfico que 
possibilita a interpretação dos 
dados individuais e coletivos do 
paciente. 
QUEIXA PRINCIPAL É o motivo da consulta. 
Sintomas ou problemas que 
motivaram o paciente a 
procurar atendimento. 
HISTÓRIA DA DOENÇA 
ATUAL 
Registro cronológico e 
detalhado do problema atual de 
saúde do paciente. 
INTERROGATÓRIO 
SINTOMATOLÓGICO 
Avaliação detalhada dos 
sintomas de cada sistema 
corporal. Complementar a HDA 
e avaliar. 
ANTECEDENTES PESSOAIS E 
FAMILIARES 
Avaliação do estado de saúde 
passado e presente do 
paciente, conhecendo os 
fatores pessoais. 
HÁBITOS DE VIDA Documentar hábitos e estilo de 
vida do paciente, incluindo 
ingesta alimentar diária e usual, 
prática utilização de outras 
substâncias e drogas ilícitas. 
CONDIÇÕES 
SOCIOECONÔMICAS 
Avaliar as condições de 
habitação do paciente, além de 
vínculos afetivos familiares, 
condições escolaridade. 
 
 IDENTIFICAÇÃO 
↠ A identificação é o perfil sociodemográfico do paciente 
que permite a interpretação de dados individuais e 
coletivos. Apresenta múltiplos interesses; o primeiro deles 
é de iniciar o relacionamento com o paciente, saber o 
nome de uma pessoa é indispensável para que se 
comece um processo de comunicação em nível afetivo. 
(PORTO, 8ª ed.) 
↠ Além do interesse clínico, também dos pontos de vista 
pericial, sanitário e médico-trabalhista, esses dados são de 
relevância para o médico. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ A data em que é feita a anamnese é sempre 
importante e, quando as condições clínicas modificam-se 
com rapidez, convém acrescentar a hora. (PORTO, 8ª ed.) 
Os elementos descritos a seguir são obrigatórios: 
 Nome. Primeiro dado da identificação. Nunca é 
demais criticar o hábito de designar o paciente 
pelo número do leito ou pelo diagnóstico. 
“Paciente do leito 5” ou “aquele caso de cirrose 
hepática da Enfermaria 7” são expressões que 
jamais devem ser usadas para caracterizar uma 
pessoa. 
@jumorbeck 
 Idade. Cada grupo etário tem sua própria 
doença, e bastaria essa assertiva para tornar 
clara a importância da idade. 
 Sexo/gênero. Há enfermidades que só ocorrem 
em determinado sexo. 
 Cor/etnia. Embora não sejam coisas exatamente 
iguais, na prática elas se confundem. Em nosso 
país, onde existe uma intensa mistura de etnias, 
é preferível o registro da cor da pele como faz 
o IBGE usando-se a seguinte nomenclatura: cor 
branca, cor parda, cor preta. 
 Estado civil. Não só os aspectos sociais 
referentes ao estado civil podem ser úteis ao 
examinador. Aspectos médico-trabalhistas e 
periciais podem estar envolvidos, e o 
conhecimento do estado civil passa a ser um 
dado valioso. 
 Profissão. É um dado de crescente importância 
na prática médica, e sobre ele teceremos 
algumas considerações em conjunto com o item 
que se segue. 
 Local de trabalho. Não basta registrar a 
ocupação atual. Faz-se necessário indagar sobre 
outras atividades já exercidas em épocas 
anteriores. 
 Naturalidade. Local onde o paciente nasceu. 
 Procedência. Este item geralmente refere-se à 
residência anterior do paciente. 
 Residência. Anota-se a residência atual. Nesse 
local deve ser incluído o endereço do paciente. 
As doenças infecciosas e parasitárias se distribuem pelo mundo em 
função de vários fatores, como climáticos, hidrográficos e de altitude. 
Conhecer o local da residência é o primeiro passo nessa área. 
 Nome da mãe. Anotar o nome da mãe do 
paciente é uma regra comum nos serviços de 
saúde no sentido de diferenciar os pacientes 
homônimos. 
 Nome do responsável, cuidador e/ou 
acompanhante. O registro do nome do 
responsável, cuidador e/ou acompanhante de 
crianças, adolescentes, pessoas idosas, tutelados 
ou incapazes (problemas de cognição, por 
exemplo) faz-se necessário para que se firme a 
relação de corresponsabilidade ética no 
processo de tratamento do paciente. 
 Religião. A religião à qual o paciente se filia tem 
relevância no processo saúde-doença. 
 Filiação a órgãos/instituições previdenciárias eplanos de saúde. Ter conhecimento desse fato 
possibilita o correto encaminhamento para 
exames complementares, outros especialistas 
ou mesmo a hospitais, nos casos de internação. 
O cuidado do médico em não onerar o paciente, 
buscando alternativas dentro do seu plano de 
saúde, é fator de suma importância na adesão 
ao tratamento proposto. 
 QUEIXA PRINCIPAL OU MOTIVO DA CONSULTA 
↠ Registra-se a queixa principal ou, mais adequadamente, 
o motivo que levou o paciente a procurar o médico, 
repetindo, se possível, as expressões por ele utilizadas. 
(PORTO, 8ª ed.) 
↠ É uma afirmação breve e espontânea, geralmente um 
sinal ou um sintoma, nas próprias palavras da pessoa que 
expressa o motivo da consulta. Pode ser uma anotação 
entre aspas para indicar que se trata das palavras exatas 
do paciente. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Não aceitar, tanto quanto possível, “rótulos 
diagnósticos” referidos à guisa de queixa principal . 
(PORTO, 8ª ed.) 
 HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL 
↠ A história da doença atual (HDA) é um registro 
cronológico e detalhado do motivo que levou o paciente 
a procurar assistência médica, desde o seu início até a 
data atual. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ A HDA, abreviatura já consagrada no linguajar médico, 
é a parte principal da anamnese e costuma ser a chave 
mestra para chegar ao diagnóstico. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Histórias simples e curtas x Histórias longas e 
complexas. (PORTO, 8ª ed.) 
NORMAS PARA SE OBTER UMA BOA HDA 
 Deixe que o paciente fale sobre sua doença. 
 Identifique o sintoma-guia. 
 Descreva o sintoma-guia com suas características e analise-
o minuciosamente. 
 Use o sintoma-guia como fio condutor da história e 
estabeleça as relações das outras queixas com ele em 
ordem cronológica. 
 Verifique se a história obtida tem começo, meio e fim. 
 Não induza respostas. 
 Apure evolução, exames e tratamentos realizados em 
relação à doença atual. 
 Resuma a história que obteve para o paciente, a fim de ele 
possa confirmar ou corrigir algum dado ou acrescentar 
alguma informação esquecida. 
 
@jumorbeck 
SINTOMAGUIA 
↠ Designa-se como sintoma-guia o sintoma ou sinal que 
permite recompor a história da doença atual com mais facilidade 
e precisão. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ O passo seguinte é determinar a época em que teve início 
aquele sintoma. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ O terceiro passo consiste em investigar a maneira como 
evoluiu o sintoma. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Concomitantemente com a análise da evolução do sintoma-
guia, o examinador estabelece as correlações e as interrelações 
com outras queixas. (PORTO, 8ª ed.) 
ESQUEMA PARA ANÁLISE DE UM SINTOMA 
 Início; 
 Características do sintoma; 
 Fatores de melhora ou piora; 
 Relação com outras queixas; 
 Evolução; 
 Situação atual. 
 
 INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO 
↠ O interrogatório sintomatológico documenta a 
existência ou ausência de sintomas comuns relacionados 
com cada um dos principais sistemas corporais. (PORTO, 
8ª ed.) 
↠ A principal utilidade prática do interrogatório 
sintomatológico reside no fato de permitir ao médico 
levantar possibilidades e reconhecer enfermidades que 
não guardam relação com o quadro sintomatológico 
registrado na HDA. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Em outras ocasiões, é no interrogatório 
sintomatológico que se origina a suspeita diagnóstica mais 
importante. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Enquanto se avalia o estado de saúde passado e 
presente de cada sistema corporal, aproveita-se para 
promover saúde, orientando e esclarecendo o paciente 
sobre maneiras de prevenir doenças e evitar riscos à 
saúde. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Para tirar o máximo proveito das atividades práticas, o 
estudante deve registrar os sintomas presentes e os 
negados pelo paciente. (PORTO, 8ª ed.) 
IMPORTÂNCIA DO INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO 
Embora o IS seja a parte mais longa da anamnese e 
pareça ao estudante algo cansativo e muitas vezes inútil, 
convém ressaltar que: (PORTO, 8ª ed.) 
 A proposta de atender ao paciente de maneira 
global inclui o conhecimento de todos os 
sistemas corporais em seus sintomas e na 
dimensão da promoção da saúde. 
 Pensando no paciente como um ser mutável e 
em desenvolvimento, é necessário que se 
registre o estado atual de todo o seu organismo, 
para se ter um parâmetro no caso de futuras 
queixas e adoecimento. 
 Muitas vezes, o adoecimento de um sistema 
corporal tem correlação com outro sistema, e 
há necessidade de tal conhecimento para 
adequar a proposta terapêutica. 
 Por fim, vale a pena incluir na fase de 
aprendizagem da anamnese o interrogatório 
sintomatológico, porque adquire-se uma visão de 
conjunto dos sinais e sintomas, conhecimento 
que será útil a todo médico. 
SISTEMATIZAÇÃO DO INTERROTAGÓRIO SINTOMATOLÓGICO 
 Sintomas gerais: febre, sudorese, astenia, cãibras. 
 Pele e fâneros: alterações da pele (cor, textura, lesões, 
sensibilidade), alterações dos fâneros (queda de cabelo, 
alterações nas unhas). 
 Cabeça e pescoço: crânio, face e pescoço (dor, alterações 
do pescoço – tumorações), olhos (prurido, olho seco, 
diplopia), orelhas (dor, otorreia, zumbidos), nariz e cavidades 
paranasais (prurido, dor, espirros) cavidade bucal e anexos 
(halitose, dor de dente), faringe (dor de garganta, tosse, 
ronco), laringe (dor, dispneia, disfagia), tireoide e 
paratireoides (dor, nódulo), vasos e linfonodos (dor, 
linfadenomegalias). 
 Tórax (parede torácica, traqueia, brônquios, pulmões e 
pleuras, diafragma e mediastino, coração e grandes vasos 
– palpitações, esôfago – pirose). 
 Abdome (parede abdominal, estômago, intestino delgado, 
cólon, reto, anus, fígado e vias biliares, pâncreas). 
 Sistema geniturinário (rins e vias urinárias, órgãos genitais 
masculinos, órgãos genitais femininos). 
 Sistema hemolinfopoético. 
 Sistema endócrino. 
 Coluna vertebral, ossos, articulações e extremidades. 
 Músculos. 
 Artérias, veias, linfáticos e microcirculação. 
 Sistema nervoso 
 Exame psíquico e avaliação das condições emocionais. 
↠ Antes de iniciar o interrogatório sintomatológico (IS), explique ao 
paciente que você irá fazer questionamentos sobre todos os sistemas 
corporais (revisão “da cabeça aos pés”), mesmo não tendo relação 
com o sistema que o motivou a procura-lo. Assim, você terá 
@jumorbeck 
preparado o paciente para a série de perguntas que compõe o IS. 
(PORTO, 8ª ed.) 
↠ Inicie a avaliação de cada sistema corporal com essas perguntas 
gerais. Exemplos: “Como estão seus olhos e visão?”, “Como anda sua 
digestão?” ou “Seu intestino funciona regularmente?”. A resposta 
permitirá que você, se necessário, passe para perguntas mais 
específicas, e, assim, detalhe a queixa. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Não induza respostas com perguntas que afirmem ou neguem o 
sintoma, como por exemplo: “O senhor está com falta de ar, não é?” 
ou “O senhor não está com falta de ar, não é mesmo?” Nesse caso, 
o correto é apenas questionar: “O senhor sente falta de ar?” 
(PORTO, 8ª ed.) 
 ANTECEDENTES PESSOAIS 
↠ Considera-se avaliação do estado de saúde passado e 
presente do paciente, conhecendo fatores pessoais e 
familiares que influenciam seu processo saúde-doença. 
(PORTO, 8ª ed.) 
↠ Os passos a serem seguidos abrangem os 
antecedentes fisiológicos e antecedentes patológicos. 
(PORTO, 8ª ed.) 
Antecedentes pessoais fisiológicos 
 Gestação e nascimento: como decorreu a 
gravidez, condições de parto (normal, fórceps, 
cesariana), ordem do nascimento (se é 
primogênito, segundo filho etc.), número de 
irmãos. 
 Desenvolvimento psicomotor e neural: dentição, 
fala, controle dos esfíncteres. 
 Desenvolvimento sexual: início da puberdade, 
menarca, sexarca, menopausa, orientação 
sexual. 
Antecedentes pessoais patológicos 
 Doenças sofridas pelo paciente: mais comuns na 
infância (sarampo, varicela, amigdalites) e 
passando às da vida adulta (pneumonia, hepatite, 
hipertensão arterial, diabetes) 
 Alergia: existência de alergia a alimentos, 
medicamentos ou outras substâncias. 
 Cirurgias: os motivos que determinaram. 
 Traumatismo:indagar sobre o acidente em si e 
sobre as consequências deste. 
 Transfusões sanguíneas: número de 
transfusões, quando ocorreu e por quê. 
 História obstétrica: número de gestações (G), de 
partos (P), de abortos (A), de prematuros e de 
cesarianas (C) (G_P_A_C_). Caso o paciente 
seja do seco masculino, indaga-se o número de 
filhos. 
 Vacinas: anotar quais vacinas e a época de 
aplicação. 
 Medicamentos em uso: anotar nome, posologia, 
motivo, quem prescreveu. 
↠ Perguntas sobre a sexualidade devem ser feitas após já se ter 
conversado algum tempo com o paciente; assim, ele fica mais 
descontraído e o estudante não se sente tão constrangido. 
↠ Lembre-se sempre que o que é perguntado de maneira adequada, 
sem demonstrar preconceito, é respondido também com tranquilidade. 
↠ Mostre-se sempre tranquilo, sem sinais de discriminação, seja qual 
for a informação do paciente. 
 ANTECEDENTES FAMILIARES 
↠ Os antecedentes começam com a menção ao estado 
de saúde (quando vivos) dos pais e irmãos do paciente. 
Se for casado, inclui-se o cônjuge e, se tiver filhos, estes 
são referidos. Não se esquecer dos avós, tios e primos 
paternos e maternos do paciente. Se tiver algum doente 
na família, esclarecer a natureza da enfermidade. (PORTO, 
8ª ed.) 
↠ Em caso de falecimento, indagar a causa do óbito e a 
idade em que ocorreu. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Quando o paciente é portador de uma doença de 
caráter hereditário torna-se imprescindível um 
levantamento genealógico mais rigoroso. (PORTO, 8ª ed.) 
 HÁBITOS E ESTILO DE VIDA 
↠ Item, muito amplo e heterogêneo, documenta hábitos 
e estilo de vida do paciente e está desdobrado nos 
seguintes tópicos: alimentação; ocupação atual e 
ocupações anteriores; atividades físicas; hábitos. (PORTO, 
8ª ed.) 
ALIMENTAÇÃO 
↠ Toma-se como referência o que seria a alimentação 
adequada para aquela pessoa em função da idade, do 
sexo e do trabalho desempenhado. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Induz-se o paciente a discriminar sua alimentação 
habitual, especificando, tanto quanto possível, o tipo e a 
quantidade dos alimentos ingeridos – é o que se chama 
anamnese alimentar. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Devemos questionar principalmente sobre o consumo 
de alimentos à base de carboidratos, proteínas, gorduras, 
@jumorbeck 
fibras, bem como de água e outros líquidos. (PORTO, 8ª 
ed.) 
↠ Assim procedendo, o examinador poderá fazer uma 
avaliação quantitativa e qualitativa, ambas com interesse 
médico. (PORTO, 8ª ed.) 
Sintetizadas as conclusões mais frequentes: 
 Alimentação quantitativa e qualitativamente adequada 
 Reduzida ingesta de fibras 
 Insuficiente consumo de proteínas, com alimentação à base 
de carboidratos 
 Consumo de calorias acima das necessidades 
 Alimentação com alto teor de gorduras 
 Reduzida ingesta de verduras e frutas 
 
OCUPAÇÃO ATUAL E OCUPAÇÕES ANTERIORES 
↠ Obter informações sobre a natureza do trabalho 
desempenhado, com que substâncias entra em contato, 
quais as características do meio ambiente e qual o grau 
de ajustamento ao trabalho. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Devemos questionar e obter informações tanto da 
ocupação atual quanto das ocupações anteriores 
exercidas pelo paciente. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Os dados relacionados com este item são chamados 
história ocupacional. Voltamos a chamar a atenção para a 
crescente importância médica e social da medicina do 
trabalho. (PORTO, 8ª ed.) 
ATIVIDADES FÍSICAS 
↠ Torna-se cada dia mais clara a relação entre muitas 
enfermidades e o tipo de vida levado pela pessoa no que 
concerne à prática de exercícios físicos. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Devemos questionar qual tipo de exercício físico 
realiza, frequência.); duração e tempo que pratica. 
(PORTO, 8ª ed.) 
Uma classificação prática é a que se segue: 
 Pessoas sedentárias 
 Pessoas que exercem atividades físicas moderadas 
 Pessoas que exercem atividades físicas intensas e 
constantes 
 Pessoas que exercem atividades físicas ocasionais. 
 
HÁbitos 
↠ A investigação deste item exige habilidade, discrição e 
perspicácia. Uma afirmativa ou uma negativa sem 
explicações por parte do paciente não significa 
necessariamente a verdade! (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Deve-se investigar sistematicamente o uso de tabaco, 
bebidas alcoólicas, anabolizantes, anfetaminas e drogas 
ilícitas. (PORTO, 8ª ed.) 
Uso de tabaco: 
↠ O consumo de tabaco, droga socialmente aceita, não 
costuma ser negado pelos pacientes, exceto quando 
tenha sido proibido de fumar. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Diante disso, nenhuma anamnese está completa se 
não se investigar esse hábito, registrando-se tipo, 
quantidade, frequência, duração do vício e abstinência. 
(PORTO, 8ª ed.) 
Bebidas Alcoólicas: 
↠ A ingestão de bebidas alcoólicas também é 
socialmente aceita, mas muitas vezes é omitida ou 
minimizada por parte dos pacientes. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ O próprio etilismo, em si, uma doença de fundo 
psicossocial, deve ser colocado entre as enfermidades 
importantes e mais difundidas atualmente. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Não se deve deixar de perguntar sobre o tipo de 
bebida e a quantidade habitualmente ingerida, bem como 
frequência, duração do vício e abstinência. (PORTO, 8ª 
ed.) 
Uso de anabolizantes e anfetaminas: 
↠ O uso de anabolizantes por jovens frequentadores de 
academias de ginástica tornou-se uma preocupação, pois 
tais substâncias levam à dependência e estão 
correlacionadas com doenças cardíacas, renais, hepáticas, 
endócrinas e neurológicas. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ A utilização de anfetaminas, de maneira indiscriminada, 
leva à dependência química e, comprovadamente, causa 
prejuízos à saúde. (PORTO, 8ª ed.) 
Consumo de drogas ilícitas: 
↠ As drogas ilícitas incluem maconha, cocaína, heroína, 
ecstasy, LSD, crack, oxi, chá de cogumelo, inalantes (cola 
de sapateiro, lança perfume). (PORTO, 8ª ed.) 
↠ A investigação clínica de um paciente que usa drogas 
ilícitas não é fácil. Há necessidade de tato e perspicácia. O 
médico deve integrar informações provenientes de todas 
as fontes disponíveis, principalmente de familiares. 
(PORTO, 8ª ed.) 
@jumorbeck 
 CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS E CULTURAIS 
↠ As condições socioeconômicas e culturais avaliam a 
situação financeira, vínculos afetivos familiares, filiação 
religiosa e crenças espirituais do paciente, bem como 
condições de moradia e grau de escolaridade. (PORTO, 8ª 
ed.) 
↠ Este item está desdobrado em: habitação, condições 
socioeconômicas, condições culturais, vida conjugal e 
relacionamento familiar. (PORTO, 8ª ed.) 
HABITAÇÃO 
↠ Importância considerável tem a habitação. (PORTO, 
8ª ed.) 
↠ Na zona rural, pela sua precariedade, as casas 
comportam-se como abrigos ideais para numerosos 
reservatórios e transmissores de doenças infecciosas e 
parasitárias. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Na zona urbana, a diversidade de habitação é um fator 
importante. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ A habitação não pode ser vista como fato isolado, 
porquanto ela está inserida em um meio ecológico do 
qual faz parte. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ É importante questionar sobre as condições de 
moradia: se mora em casa ou apartamento; se a casa é 
feita de alvenaria ou não; qual a quantidade de cômodos; 
se conta com saneamento básico (água tratada e rede 
de esgoto), com coleta regular de lixo; se abriga animais 
domésticos, entre outros. Indaga-se também sobre o 
contato com pessoas ou animais doentes. Se afirmativo, 
questiona-se sobre onde e quando ocorreu e sobre a 
duração do contato. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ A poluição do ar, a poluição sonora e visual, os 
desmatamentos e as queimadas, todos são fatores 
relevantes na análise do item habitação, podendo 
propiciar o surgimento de várias doenças. (PORTO, 8ª ed.) 
CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS 
↠ Os primeiros elementos estão contidos na própria 
identificação do paciente; outros são coletados no 
decorrer da anamnese. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Se houver necessidade de mais informações, indagar-
se-á sobre renda mensal, situação profissional, 
dependência econômica de parentes ou instituição. 
(PORTO, 8ª ed.) 
↠ Todomédico precisa conhecer as possibilidades 
econômicas de seu paciente, principalmente sua 
capacidade financeira para comprar medicamentos e 
realizar exames complementares.. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Quanto à escolaridade, é importante saber se o 
paciente é analfabeto ou alfabetizado. Vale ressaltar se o 
paciente completou o ensino fundamental, o ensino 
médio ou se tem nível superior. Tais informações são 
fundamentais na compreensão do processo saúde-
doença. (PORTO, 8ª ed.) 
VIDA CONJUGAL E RELACIONAMENTO FAMILIAR 
↠ Investiga-se o relacionamento entre pais e filhos, entre 
irmãos e entre cônjuges. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ Em várias ocasiões temos salientado as dificuldades da 
anamnese. Chegamos ao tópico em que essa dificuldade 
atinge seu máximo. (PORTO, 8ª ed.) 
↠ O estudante encontrará dificuldade para andar nesse 
terreno, pois os pacientes veem nele um “aprendiz”, 
adotando, em consequência, maior reserva a respeito de 
sua vida íntima e de suas relações familiares. (PORTO, 8ª 
ed.) 
Anamnese abrangente x Anamnese focalizada 
↠ No caso de pacientes vistos pela primeira vez no 
consultório ou hospital, geralmente a opção adotada é 
conduzir uma avaliação abrangente, que inclui todos os 
componentes da anamnese e um completo exame físico. 
(BATES, 12ª ed.) 
↠ No entanto, em muitas situações, é indicada uma 
avaliação orientada para problemas ou focalizada mais 
flexível, principalmente no caso de pacientes que você 
conheça bem e estejam retornando para uma consulta 
de rotina ou de pacientes com preocupações específicas 
e “mais prementes”, como dor de garganta ou dor no 
joelho. (BATES, 12ª ed.) 
↠ A escolha do tipo de anamnese vai depender de 
diversos fatores: (BATES, 12ª ed.) 
 Magnitude e a gravidade dos problemas do 
paciente; 
 A necessidade de ser minucioso; 
 O ambiente clínico – hospital ou ambulatório; 
 Atendimento primário ou especializado; 
 Tempo disponível. 
 
@jumorbeck 
ANAMNESE ABRANGENTE ANAMNESE FOCALIZADA 
É adequada para pacientes 
novos no consultório ou 
hospital. 
É adequada para pacientes 
já conhecidos, 
principalmente durante 
consultas de rotina ou 
urgência. 
Fornece dados 
fundamentais e 
personalizados sobre 
o paciente 
Aborda queixas ou sintomas 
localizados. 
Fortalece a relação entre o 
paciente e o profissional 
de saúde 
Aplica métodos de exames 
relevantes à avaliação das 
queixas ou problemas da 
maneira mais detalhada 
e cuidadosa possível 
Constitui uma linha de base 
para avaliações futuras 
Avalia sintomas restritos a 
um sistema corporal 
específico 
 
↠ A avaliação abrangente faz mais do que avaliar 
sistemas de órgãos. É fonte de conhecimentos 
fundamentais e personalizados sobre o paciente que 
reforça a relação médico-paciente.. (BATES, 12ª ed.) 
↠ No caso do exame mais focalizado, você selecionará 
os métodos pertinentes para realizar uma avaliação 
minuciosa do problema em questão. Os sinais/sintomas, a 
idade e a história de saúde do paciente ajudam a 
determinar a abrangência do exame focalizado, assim 
como seu conhecimento sobre padrões das doenças. 
(BATES, 12ª ed.) 
Dados subjetivos x Dados objetivos 
↠ Os sintomas são dados subjetivos ou o que o paciente 
conta a você. Os sinais são considerados informações 
objetivas, ou o que você observa. (BATES, 12ª ed.) 
DADOS SUBJETIVOS DADOS OBJETIVOS 
O que o paciente conta a 
você. 
O que você detecta 
durante o exame, os 
resultados 
dos exames laboratoriais e 
dados do exame. 
Os sintomas e a anamnese, 
desde a queixa principal 
até a revisão de sistemas 
Todos os achados do 
exame físico ou sinais. 
 
Aspectos éticos da comunicação interpares 
↠ O encontro entre o paciente e o médico desperta 
uma grande variedade de sentimentos e emoções, 
configurando uma relação humana especial, designada 
através dos tempos, como relação médico-paciente. 
(PORTO, 8ª ed.) 
↠ Não é uma relação interpessoal como outra qualquer, 
pois está inserida nela uma grande carga de angústia, 
medo, 
incerteza, amor, ódio, insegurança, confiança, que 
determina uma relação dialética entre o ser doente e 
aquele que lhe oferece ajuda. (PORTO, 8ª ed.) 
 
Relação Médico-Paciente e Princípios Bioéticos 
↠ É importante compreender que princípios bioéticos e 
virtudes morais são partes indissociáveis do exame clínico 
e estão no núcleo da relação médico-paciente. (PORTO, 
8ª ed.) 
Princípios bioÉticos segundo Beauchamp e Chidress 
Beneficência: buscar fazer sempre o bem para o paciente. 
Não maleficência: não fazer nada de mal ao paciente. 
 
Justiça: fazer sempre o que é justo ao paciente. 
Autonomia: possibilitar que o paciente decida sobre o 
tratamento. 
 
Valores BioÉticos 
Alteridade: respeitar a diferença no outro. 
Sigilo: respeitar o segredo sobre as informações do 
paciente. 
 
Classificação da relação médico-paciente 
ClassificaÇÃo da relaÇÃo mÉdico-paciente (Veatche, 
1983) 
Modelo paternalista ou sacerdotal: O médico toma as 
decisões em nome da beneficência sem valorizar os 
valores, a cultura e a opinião do paciente, que se coloca 
em uma posição de completa submissão. 
Modelo tecnicista ou engenheiral: O médico informa e 
executa os procedimentos necessários, mas deixa a 
decisão inteiramente sob a responsabilidade do paciente. 
Modelo colegial ou igualitário: O médico adota a falsa 
posição de “colega” do paciente, não levando em conta a 
inevitável assimetria desta relação. 
Modelo contratualista. As habilidades e os conhecimentos 
do médico são valorizados, preservando sua autoridade, 
mas deseja e valoriza a participação ativa do paciente que 
vai resultar em uma efetiva troca de informações e um 
comprometimento de ambas as partes. 
 
Características do encontro médico-paciente: 
Médico ativo/paciente passivo: o paciente abandona-se 
por completo e aceita passivamente os cuidados médicos, 
sem mostrar necessidade ou vontade de compreendê-
los. 
Médico direciona/paciente colabora: o profissional assume 
seu papel de maneira, até certo ponto, autoritária. O 
@jumorbeck 
paciente compreende e aceita tal atitude, procurando 
colaborar. 
Médico age/paciente participa ativamente: o profissional 
define os caminhos e os procedimentos, e o paciente 
compreende e atua conjuntamente. 
Transferência, contratransferência e resistência 
↠ Os principais fenômenos psicodinâmicos da relação 
médico-paciente são os mecanismos de transferência e 
contratransferência. Tais conceitos provêm da psicanálise 
e, na prática médica, constituem um arsenal terapêutico 
que independe de técnicas psicoterápicas especiais e que 
é indissociável do trabalho de qualquer médico. (PORTO, 
8ª ed.) 
Transferência Transferência diz respeito aos 
fenômenos afetivos que o paciente 
passa (transfere) para a relação que 
estabelece com o médico ou o 
estudante. São sentimentos 
inconscientes vividos no âmbito de 
seus relacionamentos primários com 
os pais, irmãos e outros membros da 
família. 
Resistência Chama-se resistência qualquer fator 
ou mecanismo psicológico 
inconsciente que comprometa ou 
atrapalhe a relação médico-paciente 
Contratransferência Os fenômenos relatados também 
ocorrem em sentido contrário, ou 
seja, do médico (ou do estudante), 
para o paciente, sendo denominados 
contratransferência, ou seja, é a 
passagem de aspectos afetivos do 
médico ou do estudante para o 
paciente. 
 
O médico 
↠ Na primeira consulta, uma palavra ou um gesto 
inadequado pode deteriorar a relação entre médico e 
paciente e aumentar os padecimentos deste último. Isso 
acontece frequentemente quando os aspectos 
psicológicos não são valorizados. Compete ao profissional 
direcionar este encontro a fim de torná-lo o menos 
angustiante possível (PORTO, 8ª ed.) 
PadrÕes de comportamento e caracterÍsticas da 
relaÇÃo mÉdico-paciente 
Padrão inseguro A insegurança, na maioria das 
vezes, é um traço de 
personalidade. 
Padrão autoritário Sempre impõe suas decisões. 
Médico sem vocação Desenvolve mecanismos – 
inconscientes ou claramente 
propositais – que inibem opaciente. 
Padrão otimista Não vê gravidade em nada, tudo 
lhe parece simples e sem 
gravidade. 
Padrão “rotulador” Tem sempre pronto um 
diagnóstico rotulado que agrada o 
paciente. 
Padrão “especialista” Não consegue ver o paciente 
como um todo. 
Padrão pessimista Vê maior gravidade nas doenças 
que a real. 
Padrão “frustrado” Quase sempre pessimista, pode 
tornar-se agressivo com os 
pacientes. 
Padrão agressivo A hostilidade pode se revelar em 
palavras ofensivas, porém é mais 
comum disfarçar-se como mau 
atendimento. 
Padrão paternalista Adota atitudes protetoras. 
 
O paciente 
↠ O ser humano é uma unidade biopsicossocial e 
espiritual, e seus aspectos afetivos são o que mais o 
diferenciam dos outros animais. O paciente é um ser 
humano, com uma identidade de gênero e uma 
determinada orientação sexual, de certa idade, com uma 
história individual e uma personalidade exclusiva. Para 
avaliá-lo, o médico se vale de sua capacidade de sentir e 
de estabelecer um relacionamento positivo ou favorável, 
ou seja, é preciso que tenha empatia e compaixão. 
(PORTO, 8ª ed.) 
Padrões de comportamento dos pacientes 
 ↠As pessoas se comportam de maneiras diversas, em 
função de seu temperamento, suas condições culturais, 
modo de viver e circunstâncias do momento. (PORTO, 8ª 
ed.) 
↠ Todas as enfermidades têm um componente afetivo, 
e, ao adoecer, o indivíduo acentua os traços de sua 
personalidade e expressa no bojo de seu quadro clínico 
seus distúrbios emocionais. (PORTO, 8ª ed.) 
Comunicação entre profissionais de saúde e pacientes ou 
familiares 
↠ As más notícias são definidas como aquelas que 
alteram de forma drástica e negativa a visão do paciente 
sobre seu futuro. (NETO et al., 2013) 
@jumorbeck 
↠ O processo de comunicação pode gerar sérios 
impactos psicológicos, de forma que quem recebe uma 
má notícia geralmente não esquece o local, a data e a 
forma como esta foi transmitida. (NETO et al., 2013) 
↠ Robert Buckman, em 1992, criou o Protocolo SPIKES 
para orientar os profissionais de saúde a comunicarem 
más notícias, abordando diretrizes básicas, como: postura 
do profissional, percepção do paciente, troca de 
informação, conhecimento, explorar e enfatizar as 
emoções, estratégias e síntese. (NETO et al., 2013) 
PROTOCOLO SPIKES (CRUZ; RIERA, 2016) 
 S - Setting up: Preparando-se para o encontro. 
Treinar antes é uma boa estratégia. Apesar de 
a notícia ser triste, é importante manter a calma, 
pois as informações dadas podem ajudar o 
paciente a planejar seu futuro. 
 P – Perception: Percebendo o paciente. 
Investigue o que o paciente já sabe do que está 
acontecendo. 
 I – Invitation: Convidando para o diálogo. 
Identifique até onde o paciente quer saber do 
que está acontecendo, se quer ser totalmente 
informado ou se prefere que um familiar tome 
as decisões por ele. 
 K – Knowledge: Transmitindo as informações. 
Introduções como “infelizmente não trago boas 
notícias” podem ser um bom começo. Use 
sempre palavras adequadas ao vocabulário do 
paciente. 
 E – Emotions: Expressando emoções. Aguarde 
a resposta emocional que pode vir, dê tempo 
ao paciente, ele pode chorar, ficar em silêncio, 
em choque. 
 S – Strategy and Summary: Resumindo e 
organizando estratégias. É importante deixar 
claro para o paciente que ele não será 
abandonado, que existe um plano ou tratamento, 
curativo ou não. 
↠ Comunicar más notícias não é uma tarefa fácil. O 
objetivo do protocolo SPIKES é, de alguma maneira, 
organizar este momento, ajudando profissionais e 
pacientes a manter uma comunicação clara e aberta. 
(CRUZ, RIERA, 2016) 
 
 
 
 
VISÃO DO PACIENTE E FAMILIAR 
A amostra foi constituída de 501 participantes, que responderam um 
questionário objetivo. Segundo 70,82% (n=347) dos entrevistados, o 
profissional estava preparado para informar a má notícia, enquanto 
29,18% (n=143) o consideraram despreparado. Entre os participantes, 
59,27% (n=294) não se consideravam aptos a receber a má notícia, 
enquanto 40,73% (n=202) se consideravam preparados. Os principais 
sentimentos citados após o recebimento da má notícia foram: tristeza 
35,72% (n=210), indiferença 15,48% (n=91), angústia 12,24% (n=72), 
desespero 9,35% (n=55) e outros 15,48% (n=91). (NETO et al., 2013) 
Quanto aos aspectos definidos como mais relevantes no momento de 
receber uma má notícia, 11,24% (n=91) das pessoas consideraram como 
principal o local; 12,59% (n=102) afirmaram que a qualidade da 
informação é mais importante; já 31,11% (n=252) acreditam que a 
sinceridade do médico é fundamental; enquanto que 14,32% (n=116) 
acreditam ser a escolha do momento apropriado. Notou-se, ainda, que 
25,43% (n=206) das pessoas valorizam a tranquilidade do médico e 
5,31% (n=43) outros aspectos, entre os quais 13,95% (n=6) aludiram à 
necessidade da humanização. (NETO et al., 2013) 
 
Código de ética médica 
CAPÍTULO I – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
II – O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do 
ser humano, em benefício da qual deverá agir com o 
máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional. 
XI – O médico guardará sigilo a respeito das informações 
de que detenha conhecimento no desempenho de suas 
funções, com exceção dos casos previstos em lei. 
XIX – O médico se responsabilizará, em caráter pessoal 
e nunca presumido, pelos seus atos profissionais, 
resultantes de relação particular de confiança e 
executados com diligência, competência e prudência. 
CAPÍTULO III – RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL 
É vedado ao médico: 
Art. 1º Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, 
caracterizável como imperícia, imprudência ou 
negligência. 
Parágrafo único. A responsabilidade médica é sempre 
pessoal e não pode ser presumida. 
Art. 2º Delegar a outros profissionais atos ou atribuições 
exclusivas da profissão médica. 
Art. 8º Afastar-se de suas atividades profissionais, mesmo 
temporariamente, sem deixar outro médico encarregado 
@jumorbeck 
do atendimento de seus pacientes internados ou em 
estado grave. 
CAPÍTULO IV – DIREITOS HUMANOS 
É vedado ao médico: 
Art. 23. Tratar o ser humano sem civilidade ou 
consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo 
de qualquer forma ou sob qualquer pretexto. 
CAPÍTULO V – RELAÇÃO COM PACIENTES E FAMILIARES 
É vedado ao médico: 
Art. 33. Deixar de atender paciente que procure seus 
cuidados profissionais em casos de urgência ou 
emergência quando não houver outro médico ou serviço 
médico em condições de fazê-lo. 
Art. 34. Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o 
prognóstico, os riscos e os objetivos do tratamento, salvo 
quando a comunicação direta possa lhe provocar dano, 
devendo, nesse caso, fazer a comunicação a seu 
representante legal. 
Relação médico-estudante/ estudante-paciente 
↠ O relacionamento do estudante com o paciente gera 
inúmeras dúvidas. Segundo Bates, grande parte da tensão 
nesse cenário envolve a dinâmica de uma equipe de 
saúde e seu papel como um membro da equipe. (BATES, 
12ª ed.) 
↠ O estudante deve ajudar no trabalho; contudo, sua 
função primária é aprender. (BATES, 12ª ed.) 
↠ Os princípios de Tavistock, que formam um 
arcabouço de análise de situações de assistência à saúde 
que vão além do atendimento direto de pacientes 
individuais, abordando escolhas complicadas que envolvem 
interações de equipes de saúde e distribuição de recursos 
para o bem-estar da sociedade. (BATES, 12ª ed.) 
↠ Os princípios de Tavistock são: direitos, equilíbrio, 
abrangência, cooperação, aprimoramento, segurança e 
franqueza. (BATES, 12ª ed.) 
Código de ética do estudante de medicina 
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
II - O alvo de toda a atenção do estudante de medicina é 
a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir 
com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade 
intelectual. 
IX - O estudante guardará sigilo a respeito das 
informações obtidas a partir da relação com os pacientes 
e com os serviços de saúde. 
EIXO 3 – RELAÇÕES INTERPESSOAIS DO ESTUDANTE 
Art. 24: É vedado ao acadêmicoganha 
relevância. O seu papel é ajudar os alunos a irem além de 
onde conseguiriam ir sozinhos, motivando, questionando, 
orientando. Estudos revelam que quando o professor fala 
menos, orienta mais e o aluno participa de forma ativa, a 
aprendizagem é mais significativa (BACICH, MORAN, 2018). 
Tutor e Aluno 
As tarefas consideradas pelo tutor em PBL incluem: 
(FRISON, 2012) 
 Definir o Clima: criar um ambiente propício para 
a aprendizagem auto-dirigida; 
 Tratar os alunos como aprendizes adultos; 
 Promover a cooperação e não a competição 
no trabalho de grupo; 
 Esclarecer as necessidades de aprendizagem e 
ajudar os alunos a estabelecer objetivos de 
aprendizagem e estabelecer metas; 
 Projetar um plano de aprendizagem: ajudar os 
alunos com planos e estratégias de 
aprendizagem; 
 Envolver-se em atividades de aprendizagem 
para garantir que os alunos estão no caminho 
correto: estimular a elaboração de informações 
e ideias, orientar o processo de aprendizagem, 
estimular a integração do conhecimento, 
estimular o aluno de interação e responsabilidade 
individual, e facilitar a localização de informações. 
 Os tutores devem atuar como facilitadores nas 
sessões PBL para ajudar os alunos a se 
tornarem solucionadores de problemas, para 
que eles possam assumir a responsabilidade de 
usar as habilidades desenvolvidas por conta 
própria. 
Assim como os tutores, os alunos também devem ter 
responsabilidades bem definidas para atuação dentro do 
processo de PBL. Abaixo estão listados os principais 
pontos de atenção para adequada atuação dos alunos: 
(FRISON, 2012) 
 Trate todos os membros do grupo com 
respeito; 
 Seja pontual em assistir a todas as sessões; 
 Expresse abertamente seus pensamentos e 
ideias; 
 Esclareça e questione suas compreensões; 
 Ofereça feedback aos membros do grupo e 
aos tutores; 
 Complete as tarefas totalmente e no tempo; 
 Seja sensível às necessidades de aprendizagem 
de outros membros do grupo; 
 Interaja com os demais membros do grupo; 
 Assuma a responsabilidade pelo seu processo de 
aprendizagem 
 
Feedback 
Feedback é uma palavra inglesa que se refere ao 
processo de controlar um sistema reinserindo nele os 
resultados de seu desempenho ou acontecimento. Na 
década de 1940, o conceito de feedback era utilizado por 
engenheiros de foguetes com o intuito de realizar ajustes 
para alcançar objetivos e, desde então, vem sendo 
aplicado em diversos campos. Quando o feedback é 
utilizado para alterar o desempenho e a meta final de 
determinada situação ou atividade, ele faz parte e 
contribui para o processo de aprendizagem. (PEIXOTO, 
2019) 
O feedback é entendido de diferentes formas. Algumas 
pessoas entendem que o retorno dado durante o 
feedback é uma combinação de comentários positivos 
com críticas construtivas, enquanto outras afirmam que o 
foco do retorno pode estar na observação dos erros 
(PEIXOTO, 2019 apud HUNUKUMBURE; DAS; SMITH, 
2017; ARCHER, 2010). 
No contexto de uma aprendizagem ativa, “dar feedback” 
é enviar mensagens de retorno, com sentido bidirecional, 
dos docentes para os estudantes e vice-versa, com a 
finalidade de obter melhorias no processo, normalmente 
designado na literatura por feedback interativo. (SÁ, 
ALVES, COSTA, 2014) 
O feedback pode ser formal e informal. O informal é 
normalmente dado de forma oral, em conversa com o 
estudante ou grupo de estudantes. O feedback formal é 
dado nas avaliações previstas na planificação das 
disciplinas, onde o desempenho dos estudantes pode ser 
“medido”. (SÁ, ALVES, COSTA, 2014) 
Alguns estudos mostram que o feedback gera 
consciência da aprendizagem, pois ele mostra o resultado 
do que foi realizado comparando ao que era pretendido 
naquela atividade. Ele pode incentivar a mudança, estimular 
a prática reflexiva, orientar o indivíduo a adotar 
@jumorbeck 
comportamentos e reforçar repetição do acerto 
(PEIXOTO, 2019) 
Pode-se dizer que um feedback se torna eficaz quando 
se apresenta assertivo, respeitoso, descritivo, oportuno e 
específico. 
 O feedback assertivo, é aquele que descreve os 
impactos e consequências do comportamento 
avaliado utilizando uma comunicação clara, 
objetiva e direta. 
 Respeitoso, é quando acontece de forma 
compartilhada, ou seja, o professor e o 
estudante apresentam pontos concordantes que 
devem ser trabalhados, respeitando e 
entendendo suas opiniões. 
 Ele é descritivo, quando as palavras são isentas 
de julgamentos e descrevem um determinado 
comportamento ou ação. 
 Oportuno, quando é realizado no momento e 
local adequados e de forma reservada. 
 E específico, quando os comportamentos 
avaliados são indicados de forma que o 
estudante entenda e reflita sobre o que foi bem 
desempenhado e o que necessita ser melhorado 
(PEIXOTO, 2019 apud ARCHER, 2010; ZEFERINO; 
DOMINGUES; AMARAL, 2007; HENDERSON; 
FERGUSON-SMITH JOHNSON, 2005). 
Na educação médica, a importância do feedback se 
estende além da pedagogia, ou seja, vai além dos 
contextos da academia, visando à formação política, social, 
ética e intervencionista do futuro médico. O objetivo do 
treinamento clínico é a expertise no cuidado dos 
pacientes e, se não houver feedback, dificilmente os 
erros serão corrigidos, o bom desempenho não será 
reforçado e as competências clínicas podem acabar 
segundo o empirismo (PEIXOTO, 2019 apud ENDE, 1983). 
Portanto, o feedback é um instrumento de motivação e 
aprendizagem na avaliação, que funciona como recurso 
para um momento de troca e comunicação entre os 
docentes e discentes, e no acompanhamento de 
crescimento pessoal. (PEIXOTO, 2019) 
O feedback apresenta-se como uma poderosa 
ferramenta de aprendizagem e, dependendo de como é 
realizado, pode ter impactos positivos e/ou negativos na 
performance do aprendiz e na eficácia da promoção 
dessa aprendizagem. (PEIXOTO, 2019) 
Alguns estudos (PEIXOTO, 2019 apud LEITE; 
NASCIMENTO;MATTEU, 2018; OLIVEIRA; BATISTA, 
2012) referem que, dependendo da maneira como o 
feedback é fornecido, podem haver momentos de 
conflitos, pois o avaliado pode se sentir insultado ou 
injustiçado com o feedback recebido, ou podem surgir o 
sentimento de descrédito, por dificuldade do provedor do 
feedback em manter uma postura sincera e honesta. 
Assim o feedback fornecido de forma construtiva e 
positiva previne o conflito, estimula a reflexão crítica do 
aluno que segue buscando o aperfeiçoamento da sua 
prática. Docentes e discentes deveriam estar preparados 
para dar e receber feedback, pois ele promove o 
aprendizado, e consequentemente, pode aumentar a 
probabilidade para um efetivo desenvolvimento 
profissional e mudança da prática. A relevância do tema 
e sua importância na participação ativa da formação 
médica justificam o presente estudo. 
Artigo : Avaliação do feedback como ferramenta de 
ensino e aprendizagem em um curso de medicina. 
Os questionários construídos pelas autoras com base na 
literatura revisada sobre o tema, foram desenvolvidos em 
plataforma digital e disponibilizados on-line. Eles foram 
compostos por assertivas objetivas e incluíram variáveis 
como perfil demográfico para caracterização do público 
alvo, perguntas direcionadas para verificar a frequência, 
qualidade do conteúdo e impacto do processo de 
feedback, além dos critérios (atenção, cuidado, 
objetividade, solicitação, oportunidade, especificidade, 
direção, afetividade, confirmação, compreensão) mais 
utilizados no provimento dos feedbacks. 
Com o intuito de dar um melhor sentido aos critérios 
utilizados no feedback, segue abaixo uma breve 
descrição, que foi utilizada nos questionários, indicando os 
significados de cada um desses critérios: 
 Atenção - aquele que faz crítica deve ser um 
bom ouvinte e deve estar atento às respostas 
verbais e não verbais de quem as recebe. 
 Cuidado - a crítica deve ser feita com máximo 
de cuidado para ajudar e dar suporte. 
 Objetividade - a crítica deve ter bases claras, 
critérios coerentes, descrevendo a situação 
comode medicina identificar-
se como médico, podendo qualquer ato por ele praticado 
nessa situação ser caracterizado como exercício ilegal da 
medicina. 
Art. 26: A realização de atendimento por acadêmico 
deverá obrigatoriamente ter supervisão médica. 
Art. 29: A quebra de sigilo médico é de responsabilidade 
do médico assistente, sendo esse ato vedado ao 
acadêmico de medicina. 
Art. 32: O estudante de medicina deve manusear e 
manter sigilo sobre informações contidas em prontuários, 
papeletas, exames e demais folhas de observações 
médicas, assim como limitar o manuseio e o 
conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas 
a sigilo profissional. 
 
Referências: 
 
LIMA et. al. Anamnese: Uma reflexão da sua importância 
na relação médico-paciente dentro da formação médica. 
Pesquisa Unifimes, 2021. 
 
PINHO, F. M. O. et al. Exame Físico Geral. In: PORTO, C. C. 
Semiologia Médica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2019. 
BICKLEY, L. S. Bates: Propedêutica Médica. 12. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. 
SOARES et al. Reflexões contemporâneas sobre 
anamnese na visão do estudante de medicina. Revista 
Brasileira de Educação Médica, v.3, nº38, páginas 314-322, 
2014. 
NETO et al. Profissionais de saúde e a comunicação de 
más notícias sob a ótica do paciente. Revista Medica Minas 
Gerais, v. 4, nº.23, páginas 518-525, 2013. 
CRUZ, CAROLINA O.; RIERA, RACHEL. Comunicando más 
notícias: o protocolo SPIKES. Diagnostico e Tratamento, 
v. 3, nº 21, páginas 106-108,2016. 
 
 
@jumorbeck 
 @jumorbeck 
CARACTERÍSTICAS DO MÚSCULO CARDÍACO: 
 Em geral, possui um núcleo por fibra; 
 As células musculares cardíacas individuais ramificam-se e 
juntam-se com as células vizinhas, criando uma rede 
complexa. As junções celulares, conhecidas como discos 
intercalares, consistem em membranas interligadas. Os 
discos intercalares têm dois componentes: os 
desmossomos e as junções comunicantes. Os 
desmossomos são conexões fortes que mantêm as células 
vizinhas unidas, permitindo que a força criada em uma célula 
seja transferida para a célula vizinha. 
 As junções comunicantes nos discos intercalares conectam 
eletricamente as células musculares cardíacas umas às 
outras. Elas permitem que as ondas de despolarização se 
espalhem rapidamente de célula a célula, de modo que 
todas as células do músculo cardíaco se contraem quase 
simultaneamente. 
 O retículo sarcoplasmático miocárdico é menor que o do 
músculo esquelético; por isso, o músculo cardíaco depende, 
em parte, do Ca extracelular para iniciar a contração. 
 As mitocôndrias ocupam cerca de um terço do volume 
celular de uma fibra contrátil cardíaca, devido à grande 
demanda energética dessas células. 
SINCRONIA DAS CÉLULAS DO TECIDO MUSCULAR CARDÍACO 
↠ O coração é composto por três tipos principais de músculo: o 
músculo atrial, o músculo ventricular e as fibras especializadas 
excitatórias e condutoras. (GUYTON, 13ª ed.) 
↠ Os tipos atrial e ventricular de músculo contraem-se quase como 
os músculos esqueléticos, mas com duração muito maior da contração. 
(GUYTON, 13ª ed.) 
↠ As fibras excitatórias e de condução do coração, no entanto, só se 
contraem fracamente por conterem poucas fibras contráteis, mas 
apresentam descargas elétricas rítmicas automáticas, na forma de 
potenciais de ação, ou fazem a condução desses potenciais de ação 
pelo coração, representando sistema excitatório que controla os 
batimentos rítmicos. (GUYTON, 13ª ed.) 
↠ As células cardíacas conectam-se umas às outras por discos 
intercalares, que incluem a combinação de junções mecânicas e 
conexões elétricas. As conexões mecânicas, que evitam que as células 
se soltem quando se contraem, abrangem as junções de aderência e 
os desmossomos. Por outro lado, as junções comunicantes (gap) entre 
as células musculares cardíacas formam conexões elétricas, permitindo 
a propagação do potencial de ação por todo o coração. 
(SILVERTHON, 7ª ed.) 
 
 
↠ Considera-se que a disposição das células musculares cardíacas 
forma um sincício mecânico e elétrico, fazendo com que um único 
potencial de ação (gerado no interior do nó sinoatrial) curse por todo 
o coração, de maneira que este se contraia de modo sincrônico, 
semelhante a ondas. (BERNE E LEVY) 
 
Sistema de condução 
 
CÉLULAS MUSCULARES CARDÍACAS CONTRAEM-SE SEM INERVAÇÃO 
↠ A maior parte do coração é composta por células 
musculares cardíacas, ou miocárdio. A maioria das células 
musculares cardíacas é contrátil, mas cerca de 1% delas 
são especializadas em gerar potenciais de ação 
espontaneamente. Essas células são responsáveis por 
uma propriedade única do coração: sua capacidade de se 
contrair sem qualquer sinal externo. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ O sinal para a contração é miogênico, ou seja, é 
originado dentro do próprio músculo cardíaco. 
(SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ O sinal para a contração miocárdica não é proveniente 
do sistema nervoso central, mas de células miocárdicas 
especializadas, denominadas células autoexcitáveis. As 
células autoexcitáveis são também denominadas células 
marca-passo, uma vez que elas determinam a frequência 
dos batimentos cardíacos. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
As células autoexcitáveis miocárdicas são anatomicamente distintas das 
células contráteis: elas são menores e contêm poucas fibras contráteis. 
Como elas não têm sarcômeros organizados, as células autoexcitáveis 
não contribuem para a força contrátil do coração. (SILVERTHON, 7ª 
ed.) 
 
 
 
 
 
NÓ 
SINOATRIAL
NÓ 
ATRIOVENTRIC
ULAR
FEIXE DE HIS
RAMOS 
DIREITO E 
ESQUERDO
FIBRAS DE 
PURKINJE
 @jumorbeck 
SINAIS ELÉTRICOS COORDENAM A CONTRAÇÃO 
 
↠ As células miocárdicas individuais devem despolarizar 
e contrair de modo coordenado para o coração gerar 
força suficiente para o sangue circular. (SILVERTHON, 7ª 
ed.) 
↠ A comunicação elétrica no coração começa com um 
potencial de ação em uma célula autoexcitável. A 
despolarização se propaga rapidamente para as células 
vizinhas através das junções comunicantes nos discos 
intercalares. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ As fibras do nodo sinusal se conectam diretamente às 
fibras musculares atriais, de modo que qualquer potencial 
de ação que se inicie no nodo sinusal se difunde de 
imediato para a parede do músculo atrial. (GUYTON, 13ª 
ed.) 
 
↠ A onda de despolarização é seguida por uma onda de 
contração, que passa pelo átrio e depois vai para os 
ventrículos. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
 
↠ A despolarização inicia no nó sinoatrial (nó SA), as 
células autoexcitáveis no átrio direito que servem como 
o principal marca-passo do coração. A onda de 
despolarização, então, propaga-se rapidamente por um 
sistema especializado de condução, constituído de fibras 
autoexcitáveis não contráteis. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ As células do nó SA não têm potencial de repouso 
estável. Em vez disso, elas se despolarizam repetida e 
espontaneamente até um limiar. Quando o potencial 
marcapasso alcança o limiar, ele dispara um potencial de 
ação. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Uma via internodal ramificada conecta o nó SA com o 
nó atrioventricular (nó AV), um grupo de células 
autoexcitáveis perto do assoalho do átrio direito. 
(SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ No nó AV, o potencial de ação se desacelera 
consideravelmente, como resultado de várias diferenças 
na estrutura celular do nó AV. Este atraso fornece tempo 
para os átrios drenarem seu sangue para os ventrículos. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Do nó AV, a despolarização move-se para os 
ventrículos. através do feixe AV (fascículo atrioventricular) 
também chamado de feixe de His (“hiss”), no septo 
ventricular. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ Percorrido um curto caminho no septo, o feixe se 
divide em ramos esquerdo e direito. Esses ramos 
continuam se deslocando para o ápice do coração, onde 
se dividem em pequenas fibras de Purkinje, que se 
espalham lateralmente entre as células contráteis. 
(SILVERTHON, 7ª ed.) 
 
1- O sinal elétrico para a contração começa quando o nó SA 
dispara um potencial de ação e a despolarização sepropaga para as células vizinhas através das junções 
comunicantes; 
 @jumorbeck 
2- A condução elétrica é rápida através das vias de condução 
intermodais; 
3- Porém mais lenta através das células contráteis do átrio; 
Quando os potenciais de ação se espalham pelos átrios, eles 
encontram o esqueleto fibroso do coração na junção entre os átrios 
e os ventrículos. Esta barreira impede que os sinais elétricos sejam 
transferidos dos átrios para os ventrículos. Consequentemente, o nó 
AV é o único caminho através do qual os potenciais de ação podem 
alcançar as fibras contráteis dos ventrículos. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
4- O sinal elétrico passa do nó AV para o fascículo AV e seus 
ramos até o ápice do coração; 
5- Os ramos subendocárdicos (fibras de Purkinje) transmitem 
os impulsos muito rapidamente, com velocidades de até 
4ms, de modo que todas as células contráteis do ápice se 
contraem quase ao mesmo tempo; 
No coração, o nó SA é o marca-passo mais rápido e normalmente 
determina a frequência cardíaca. Contudo, se ele estiver danificado e 
não funcionar, um dos marca-passos mais lentos do coração deverá 
assumir o ritmo. A frequência cardíaca então se ajustará ao ritmo do 
novo marca-passo. Ainda existe a possibilidade de que diferentes 
partes do coração sigam marca-passos diferentes. (SILVERTHON, 7ª 
ed.) 
Potencial de ação e contração das células miocárdicas 
contráteis 
↠ O potencial de ação iniciado pelo nó SA propaga-se 
pelo sistema de condução e se espalha para excitar as 
fibras musculares atriais e ventriculares “atuantes”, 
chamadas de fibras contráteis. (TORTORA, 14ª ed.) 
A CONTRAÇÃO DO MÚSCULO CARDÍACO PODE SER GRADUADA 
↠ Uma propriedade-chave das células musculares 
cardíacas é a habilidade de uma única fibra muscular 
executar contrações graduadas nas quais a fibra varia a 
quantidade de força que gera. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ A força gerada pelo músculo cardíaco é proporcional 
ao número de ligações cruzadas que estão ativas. O 
número de ligações cruzadas é determinado pela 
quantidade de Ca+2 ligado à troponina. (SILVERTHON, 7ª 
ed.) 
↠ Se a concentração citosólica de Ca+2 está baixa, 
algumas ligações cruzadas não são ativadas e a força de 
contração é menor. Se Ca+2 extracelular for adicionado à 
célula, mais Ca+2 será liberado do retículo sarcoplasmático. 
Esse Ca+2 adicional gera mais força. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ Outro fator que afeta a força de contração no 
músculo cardíaco é o comprimento do sarcômero no 
início da contração. Em um coração sadio, o estiramento 
de fibras individuais depende da quantidade de sangue 
existente no interior das câmaras cardíacas. A relação 
entre a força e o volume ventricular é uma propriedade 
importante da função cardíaca. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ A atividade elétrica (potencial de ação) leva a uma 
resposta mecânica (contração) depois de um pequeno 
atraso. (TORTORA, 14ª ed.) 
OS POTENCIAIS DE AÇÃO NO MIOCÁRDIO VARIAM 
↠ O músculo cardíaco é um tecido excitável com a 
capacidade de gerar potenciais de ação. (SILVERTHON, 
7ª ed.) 
↠ Cada um dos dois tipos de células musculares cardíacas 
tem um potencial de ação distinto, que varia um pouco 
no formato, dependendo do local do coração onde ele é 
medido. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ Tanto no miocárdio autoexcitável quanto no contrátil, 
o Ca+2 desempenha um papel importante no potencial de 
ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
POTENCIAIS DE AÇÃO CARDÍACOS 
 O potencial de repouso da membrana é determinado pela 
condutância do K+ e aproxima-se do potencial de equilíbrio 
do K+. 
 A corrente de influxo traz cargas elétricas positivas para o 
interior da célula e despolariza o potencial de membrana. 
 A corrente de efluxo leva cargas elétricas positivas para 
fora da célula e hiperpolariza o potencial de membrana. 
 O papel da Na+/K+ - adenosina trifosfatase(ATPase) é 
manter gradientes iônicos através das membranas celulares. 
 (CONSTANZO, 6ª ed.) 
CÉLULAS MIOCÁRDICAS AUTOEXCITÁVEIS 
↠ Potencial de membrana instável, o qual inicia em - 60 
mV e lentamente ascende em direção ao limiar. 
(SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ Este potencial de membrana instável é chamado de 
potencial marca-passo, em vez de potencial de 
membrana em repouso, uma vez que ele nunca 
permanece em um valor constante. Sempre que o 
potencial marca--passo depolariza até o limiar, as células 
autoexcitáveis disparam um potencial de ação. 
(SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ As células autoexcitáveis contêm canais que são 
diferentes dos canais de outros tecidos excitáveis. Quando 
o potencial de membrana da célula é -60 mV, os canais 
If, que são permeáveis tanto ao K+ quanto ao Na+2, estão 
abertos. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
 @jumorbeck 
↠ Os canais If são assim denominados porque eles 
permitem o fluxo da corrente (I) e devido às suas 
propriedades não usuais. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ Os pesquisadores que primeiro descreveram a 
corrente iônica através desses canais não entenderam, 
naquele momento, o seu comportamento e a 
denominaram corrente funny (engraçada), e, portanto, 
utilizaram o subscrito f. Os canais If pertencem à família 
dos canais HCN, ou canais dependentes de nucleotídeos 
cíclicos ativados por hiperpolarização. (SILVERTHON, 7ª 
ed.) 
↠ Quando os canais If se abrem em potenciais de 
membrana negativos, o influxo de Na+
 excede o efluxo 
de K+. O influxo resultante de carga positiva despolariza 
lentamente a célula autoexcitável. À medida que o 
potencial de membrana se torna mais positivo, os canais 
de If fecham-se gradualmente, e alguns canais de Ca+2 se 
abrem. O resultante influxo de Ca+2 continua a 
despolarização, e o potencial de membrana move-se 
continuamente em direção ao limiar. (SILVERTHON, 7ª 
ed.) 
↠ Quando o potencial de membrana atinge o limiar, 
canais adicionais de Ca+2 dependentes de voltagem se 
abrem. O cálcio entra rapidamente na célula, gerando a 
fase de despolarização rápida do potencial de ação. 
(SILVERTHON, 7ª ed.) 
Observe que esse processo é diferente daqueles em outras células 
excitáveis, no qual a fase de despolarização é devida à abertura de 
canais de Na+ dependentes de voltagem. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ Quando os canais de Ca+2 se fecham no pico do 
potencial de ação, os canais lentos de K+ estão abrindo. 
A fase de repolarização do potencial de ação 
autoexcitável é devida resultante efluxo de K+. 
(SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ A velocidade na qual as células marca-passo 
despolarizam determina a frequência com que o coração 
contrai (a frequência cardíaca). O intervalo entre os 
potenciais de ação pode ser modificado pela alteração da 
permeabilidade das células autoexcitáveis para diferentes 
íons, o que, por sua vez, modifica a duração do potencial 
marca-passo. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
 
RESUMO 
NÓ SINOATRIAL (SA) 
 É normalmente o marca-passo do coração; 
 Apresenta potencial de repouso instável; 
 Exibe despolarização na fase 4, ou automatismo; 
 O nó AV e o sistema His-Purkinje são marca-passos 
latentes, que podem exibir automatismo e sobrepujar o nó 
AS, se este for suprimido; 
 A frequência intrínseca de despolarização da fase 4 é 
maior no nó AS e menor no sistema His-Purkinje: Nó SA> 
nó AV > His-Purkinje; 
FASE 0: é a fase ascendente do potencial de ação. 
 É causada por um aumento da condutância do Ca+2 . Esse 
aumento resulta em uma corrente de influxo de Ca+2 que 
impulsiona o potencial de membrana em direção ao 
potencial de equilíbrio do Ca+2. 
 A base iônica da fase 0 no nó SA é diferente daquela 
encontrada nos ventrículos, átrios e fibras de Purkinje 
(onde resulta uma corrente de influxo de Na+. 
FASE 3: é a repolarização. 
 É causada por um aumento de condutância do K+. Esse 
aumento resulta em uma corrente de efluxo de K+ que 
causa repolarização do potencial de membrana 
FASE 4: é a despolarização lenta. 
 É responsável pela atividade de marca-passo do nó SA; 
 É causada por um aumento na condutância do Na+, que 
resulta em uma corrente de influxo de NA+ denominada If; 
 A If éativada pela repolarização do potencial de membrana 
durante o potencial de ação precedente. 
FASES 1 e 0: não estão presentes no potencial de ação do nó SA. 
 
 (CONSTANZO, 6ªed.) 
Potencial de ação do nó sinoatrial 
 @jumorbeck 
CÉLULAS MIOCÁRDICAS CONTRÁTEIS 
↠ Os potenciais de ação das células cardíacas contráteis 
são similares, de diversas maneiras, aos dos neurônios e 
dos músculos esqueléticos. A fase de despolarização 
rápida do potencial de ação é resultado da entrada de 
Na+, e a fase de repolarização rápida é devida à saída de 
K+ da célula. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
 
Fase 0: despolarização. Quando a onda de despolarização 
entra na célula contrátil através das junções 
comunicantes, o potencial de membrana torna-se mais 
positivo. Os canais de Na+ dependentes de voltagem 
(canais rápidos de sódio) se abrem, permitindo que a 
entrada de Na+ despolarize rapidamente a célula. O 
potencial de membrana atinge cerca de 20 mV antes de 
os canais de Na+ se fecharem. Estes são canais de Na+ 
com duas comportas. 
Fase 1: repolarização inicial. Quando os canais rápidos de 
Na+ se fecham, a célula começa a repolarizar à medida 
que o K+ deixa a célula pelos canais de K+ abertos. 
Fase 2: o platô. A repolarização inicial é muito breve. O 
potencial de ação, então, se achata e forma um platô 
como resultado de dois eventos: uma diminuição na 
permeabilidade ao K+ e um aumento na permeabilidade 
ao Ca+2.. Os canais de Ca+2 dependentes de voltagem 
ativados pela despolarização foram abertos lentamente 
durante as fases 0 e 1. Quando eles finalmente abrem, o 
Ca+2 entra na célula. Ao mesmo tempo, alguns canais 
“rápidos” de K+ se fecham. A combinação do influxo de 
Ca+2 com a diminuição do efluxo de K+ faz o potencial 
de ação se achatar e formar um platô. 
Quando os canais de Ca+2 acionados por voltagem do sarcolema se 
abrem, os íons cálcio se movem do líquido intersticial para o citosol. 
Este influxo de Ca faz com que ainda mais Ca saia do RS para o citosol 
por canais adicionais de Ca da membrana do reticulo sarcoplasmático. 
(TORTORA 14ª ed.) 
A entrada do cálcio é uma característica do acoplamento excitação-
contração cardíaco 
No músculo cardíaco, um potencial de ação inicia o acoplamento EC, 
contudo, o potencial de ação origina-se espontaneamente nas células 
marca-passo do coração e se propaga para as células contráteis 
através das junções comunicantes. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
 
1- Um potencial de ação que entra em uma célula contrátil se 
move pelo sarcolema e entra nos túbulos T; 
2- Onde abre os canais de Ca+2 dependentes de voltagem 
tipo L na membrana das células; 
3- O Ca+2 entra nas células através desses canais, movendo-
se a favor do seu gradiente eletroquímico. A entrada de 
cálcio abre os canais liberadores de cálcio do tipo 
rianodínico (RyR) no retículo sarcoplasmático; 
4- Esse processo do acoplamento EC no músculo cardíaco é 
também chamado de liberação de Ca+2 induzida pelo Ca+2 
(LCIC). Quando os canais RyR se abrem, o cálcio estocado 
flui para fora do retículo sarcoplasmático e entra no citosol; 
5- Cria-se uma fagulha que pode ser vista utilizando-se 
métodos bioquímicos especiais. A abertura múltipla de 
diferentes canais RyR se somam para criar o sinal de Ca+2; 
6- A liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático fornece, 
aproximadamente, 90% do Ca+2 necessário à contração 
muscular, sendo que os 10% restantes entram na célula a 
partir do líquido extracelular. O cálcio difunde-se pelo citosol 
para os elementos contráteis, onde se liga à troponina e 
inicia o ciclo de formação de pontes cruzadas e o 
movimento; 
7- Com a diminuição das concentrações citoplasmáticas de 
Ca+2, o Ca+2 desliga-se da troponina, liberando a actina da 
miosina, e os filamentos contráteis deslizam de volta para 
sua posição relaxada; 
8- O Cálcio é transportado de volta para o retículo 
sarcoplasmático com a ajuda da Ca+2 -ATPase; 
9- No músculo cardíaco, o Cálcio também é removido de 
dentro da célula pelo trocador Na+ - Ca+2 (NCX); 
10- Um Ca+2 é movido para fora da célula contra o seu 
gradiente eletroquímico em troca de 3 Na+ para dentro da 
célula a favor do seu gradiente eletroquímico. O sódio que 
entra na célula durante essa troca é removido pela Na+-K+-
ATPase. 
 
 
 @jumorbeck 
Fase 3: repolarização rápida. O platô termina quando os 
canais de Ca+2 se fecham e a permeabilidade ao K+ 
aumenta mais uma vez. Os canais lentos de K+, 
responsáveis por essa fase são ativados pela 
despolarização, mas são abertos lentamente. Quando os 
canais lentos de K+ se abrem, o K+ sai rapidamente e a 
célula retorna para seu potencial de repouso (fase 4). 
Fase 4: potencial de membrana em repouso. As células 
miocárdicas contráteis têm um potencial de repouso 
estável de aproximadamente -90 mV. 
O influxo de Ca+2 durante a fase 2 prolonga a duração total do 
potencial de ação do miocárdio. Em uma célula miocárdica contrátil, o 
potencial de ação dura geralmente 200 ms ou mais. (SILVERTHON, 7ª 
ed.) 
O potencial de ação miocárdico mais longo ajuda a impedir a contração 
sustentada, chamada de tetania. A prevenção do tétano no coração é 
importante porque o músculo cardíaco deve relaxar entre as 
contrações, de modo que os ventrículos possam encher-se com 
sangue. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
O período refratário é o período após um potencial de ação durante 
o qual um estímulo normal não pode desencadear um segundo 
potencial de ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
No músculo cardíaco, o longo potencial de ação (curva vermelha) faz 
o período refratário (fundo amarelo) e a contração (curva azul) 
terminarem simultaneamente. Quando um segundo potencial de ação 
pode ocorrer, a célula miocárdica está quase completamente relaxada. 
Consequentemente, não ocorre somação. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
 
 
 
 
 
RESUMO 
VENTRÍCULOS, ÁTRIOS E O SISTEMA DE PURKINJE 
 Apresentam potenciais de repouso da membrana estáveis, 
de cerca de -90mV. Esse valor se aproxima do potencial 
de equilíbrio do K+; 
 Os potenciais de ação são de longa duração, 
particularmente nas fibras de Purkinje, onde duram 300 ms. 
FASE 0: é a fase ascendente do potencial de ação. 
 É causada por um aumento transitório da condutância do 
Na+. Esse aumento resulta em uma corrente de influxo de 
Na+ que despolariza a membrana. 
 No pico do potencial de ação, o potencial de membrana 
aproxima-se do potencial de equilíbrio do Na+. 
FASE 1: breve período de repolarização inicial. 
 A repolarização inicial é causada por uma corrente de 
efluxo, em parte pelo movimento dos íons K+ para fora da 
célula e, em parte, pela diminuição na condutância do Na+. 
FASE 2: platô do potencial de ação. 
 É causada por uma elevação transitória da condutância do 
Ca+2, que resulta em uma corrente de influxo de Ca+2, e 
por um aumento da condutância do K+. 
 Durante a fase 2, as correntes de efluxo e influxo são 
aproximadamente iguais, de modo que o potencial de 
membrana se encontra estável no platô. 
FASE 3: é a repolarização. 
 A condutância do Ca+2 diminui, enquanto a condutância do 
K+ aumenta e, portanto, predomina; 
 A elevada condutância do K+ resulta em uma grande 
corrente de efluxo de K+, que hiperpolariza a membrana 
de volta ao potencial de equilíbrio do K+. 
FASE 4: é o potencial de repouso da membrana. 
 É um período durante o qual as correntes de influxo e de 
efluxo são iguais e o potencial de membrana aproxima-se 
do potencial de equilíbrio do K+. 
 
 (CONSTANZO, 6ªed.) 
Potencial de ação ventricular 
 @jumorbeck 
COMPARAÇÃO DOS POTENCIAIS DE AÇÃO 
 MIOCÁRDIO 
CONTRÁTIL 
MIOCÁRDIO 
AUTOEXCITÁVEL 
POTENCIAL DE 
MEMBRANA 
Estável a -90mV Potencial marca-
passo instável, 
normalmente, 
começa em -60mV 
EVENTOS QUE LEVAM 
AO LIMIAR DO 
POTENCIAL 
A despolarização 
entra via junções 
comunicantes. 
Entrada resultante de 
Na+ através dos 
canais If, reforçada 
pela entrada de Ca+2. 
FASE DE ASCENSÃO 
DO POTENCIAL DE 
AÇÃO 
Entrada de Na+. Entrada de Ca+2. 
FASE DE 
REPOLARIZAÇÃOProlongamento 
do platô, causado 
pela entrada de 
Ca+2; fase 
rápida, causada 
pelo efluxo de 
K+. 
Rápida; causada pelo 
efluxo de K+. 
DURAÇÃO DO 
POTENCIAL DE AÇÃO 
Prolongada: 
+200ms 
Variável; geralmente 
+150ms 
PERÍODO REFRATÁRIO Longo, uma vez 
a restauração 
dos portões dos 
canais de Na+ 
persiste até o 
fim do potencial 
de ação 
Não é significante na 
função normal. 
 
Eletrocardiograma 
↠ Quando o impulso cardíaco passa através do coração, 
uma corrente elétrica também se propaga do coração 
para os tecidos adjacentes que o circundam. Pequena 
parte da corrente se propaga até a superfície do corpo. 
(GUYTON, 13ª ed.) 
É possível utilizar eletrodos na superfície para registrar a atividade 
elétrica interna porque as soluções salinas, como o nosso líquido 
extracelular à base de NaCl, são bons condutores de eletricidade. 
(SILVERTHON, 7ª ed.) 
↠ O eletrocardiograma (ECG) é um registro desses sinais 
elétricos. O ECG é composto pelo registro do potencial 
de ação produzido por todas as fibras musculares do 
coração durante cada batimento cardíaco. O instrumento 
utilizado para registrar as alterações é um 
eletrocardiógrafo. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O pai do ECG moderno foi o fisiologista holandês 
Walter Einthoven. Ele nomeou as partes do ECG como 
as conhecemos hoje e criou o “triângulo de Einthoven”, 
um triângulo hipotético criado ao redor do coração 
quando os eletrodos são colocados nos braços e na perna 
esquerda. Os lados do triângulo são numerados para 
corresponder às três derivações, ou pares de eletrodos, 
usados para obter o registro. (SILVERTHON, 7ª ed.) 
 
↠ Na prática clínica, posicionam-se eletrodos nos braços 
e pernas (derivações dos membros) e em seis posições 
do tórax (derivações torácicas) para registrar o ECG. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
 
↠ O eletrocardiógrafo amplifica os sinais elétricos do 
coração e produz 12 traçados diferentes a partir das 
distintas combinações de derivações de membros e tórax. 
 @jumorbeck 
Cada eletrodo no membro e tórax registra uma atividade 
elétrica discretamente diferente, por causa da diferença 
em sua posição em relação ao coração. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
 
Um ECG registra uma derivação de cada vez. Um eletrodo atua como 
eletrodo positivo da derivação, e um segundo eletrodo atua como o 
eletrodo negativo da derivação. (O terceiro eletrodo é inativo.) Por 
exemplo, na derivação I, o eletrodo do braço esquerdo é definido 
como positivo, e o eletrodo do braço direito é definido como negativo. 
Quando uma onda elétrica se move através do coração diretamente 
para o eletrodo positivo, a onda do ECG ascende da linha de base. Se 
o movimento resultante de cargas pelo coração dirigir-se para o 
eletrodo negativo, o traçado move-se para baixo. (SILVERTHON, 7º 
ed.) 
 
Um ponto importante a ser lembrado é que o ECG é uma “visão” 
elétrica de um objeto tridimensional. As derivações de um ECG 
fornecem “visões” elétricas diferentes e dão informações sobre 
diferentes regiões do coração. (SILVERTHON, 7º ed.) 
ONDAS DO ECG 
 
↠ Existem dois componentes principais em um ECG: as 
ondas e os segmentos. As ondas fazem parte do traçado 
que sobe e desce a partir da linha de base. Os segmentos 
são partes da linha de base entre duas ondas. Os 
intervalos são combinações de ondas e segmentos. 
↠ Em um registro típico, três ondas claramente 
reconhecíveis aparecem a cada batimento cardíaco. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A primeira, chamada onda P, é um pequeno desvio 
para cima no ECG. A onda P representa a despolarização 
atrial, que se propaga do nó SA ao longo das fibras 
contráteis em ambos os átrios. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A segunda onda, denominada complexo QRS, começa 
com uma deflexão para baixo, continua como uma 
grande onda vertical triangular, e termina como uma onda 
descendente. O complexo QRS representa a 
despolarização ventricular rápida, conforme o potencial 
de ação se propaga ao longo das fibras contráteis 
ventriculares. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ A terceira onda é um desvio para cima em forma de 
cúpula chamada de onda T. Indica a repolarização 
ventricular e ocorre apenas quando os ventrículos 
começam a relaxar. A onda T é menor e mais larga do 
que o complexo QRS, porque a repolarização ocorre mais 
lentamente do que a despolarização. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Durante o período de platô da despolarização 
constante, o traçado do ECG é reto. (TORTORA, 14ª ed.) 
CORRELAÇÃO DAS ONDAS DO ECG COM SÍSTOLES ATRIAIS E 
VENTRICULARES 
 
 @jumorbeck 
↠ Os átrios e ventrículos se despolarizam e então se 
contraem em momentos diferentes porque o sistema de 
condução conduz os potenciais de ação cardíacos ao 
longo de uma via específica. O termo sístole refere-se à 
fase de contração; a fase de relaxamento é a diástole. As 
ondas do ECG predizem o momento da sístole e diástole 
atrial e ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Em uma frequência de 75 bpm, a sincronização é a 
seguinte: (TORTORA, 14ª ed.) 
1- Um potencial de ação cardíaco surge no nó SA. Ele se 
propaga ao longo do músculo atrial e para baixo em direção 
ao nó AV em cerca de 0,03 s. Enquanto as fibras contráteis 
atriais se despolarizam, a onda P aparece no ECG. 
2- Depois do início da onda P, os átrios se contraem (sístole 
atrial). A condução do potencial de ação se desacelera no 
nó AV, porque as fibras têm diâmetros muito menores e 
menos junções comunicantes. O 0,1 s de atraso resultante 
possibilita tempo para os átrios se contraírem, aumentando 
assim o volume de sangue nos ventrículos antes de a 
sístole ventricular começar. 
3- O potencial de ação se propaga rapidamente de novo 
depois de entrar no fascículo AV. Cerca de 0,2 s após o 
início da onda P, ele se propagou ao longo dos ramos, 
ramos subendocárdios e todo o miocárdio ventricular. A 
despolarização progride para baixo pelo septo, para cima a 
partir do ápice, e para fora da superfície do endocárdio, 
produzindo o complexo QRS. Ao mesmo tempo, ocorre a 
repolarização atrial, mas esta normalmente não é evidente 
em um ECG, porque os complexos QRS maiores a 
mascaram. 
4- A contração das fibras contráteis ventriculares (sístole 
ventricular) começa pouco depois do complexo QRS 
aparecer e continua durante o segmento ST. Conforme a 
contração prossegue do ápice à base do coração, o 
sangue é espremido para cima em direção às válvulas 
semilunares. 
5- A repolarização das fibras contráteis ventriculares começa 
no ápice e se espalha por todo o miocárdio ventricular. Isso 
produz a onda T do ECG em cerca de 0,4 s depois do 
início da onda P. 
6- Logo após a onda T começar, os ventrículos começam a 
relaxar (diástole ventricular). Em 0,6s, a repolarização 
ventricular está completa e as fibras contráteis 
ventriculares estão relaxadas. 
Durante o próximo 0,2 s, as fibras contráteis dos átrios e ventrículos 
estão relaxadas. Em 0,8 s, a onda P aparece novamente no ECG, os 
átrios começam a se contrair, e o ciclo se repete. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
INTERPRETAÇÃO DO ECG 
↠ Um ECG fornece informações da frequência cardíaca 
e do ritmo, da velocidade de condução e até mesmo da 
condição dos tecidos do coração. Assim, embora seja 
simples obter um ECG, sua interpretação pode ser muito 
complicada. A interpretação de um ECG inicia com as 
seguintes questões: (SILVERTHON, 7ª ed.) 
1- Qual é a frequência cardíaca? A frequência 
cardíaca é normalmente cronometrada do início 
de uma onda P até o início da próxima onda P, 
ou do pico de uma onda R; 
A frequência dos batimentos cardíacos pode ser determinada com 
facilidade no ECG, visto que a frequência cardíaca corresponde ao 
inverso do intervalo de tempo entre dois batimentos cardíacos 
sucessivos. Se, de acordo com as linhas de calibração do tempo, o 
intervalo entre dois batimentos for de 1 segundo, a frequência cardíaca 
será de 60 batimentos por minuto. O intervalo de tempo normal entre 
dois complexos QRS sucessivos de adulto é de cerca de 0,83 segundo, 
o que corresponde a uma frequência cardíaca de 60/0,83 vezes por 
minuto, ou 72 batimentos/min.(GUYTON, 13ªed.) 
2- O ritmo dos batimentos cardíacos é regular (i.e., 
ocorre em intervalos regulares) ou irregular? Um 
ritmo irregular, ou arritmia, pode ser resultado 
de um batimento extra benigno ou de condições 
mais sérias, como a fibrilação atrial, na qual o nó 
SA perde o controle de marca-passo; 
3- Todas as ondas normais estão presentes em 
uma forma reconhecível? Após determinar a 
frequência cardíaca e o ritmo, o próximo passo 
ao analisar um ECG é olhar as ondas individuais. 
Para ajudar na sua análise, você pode precisar 
escrever as letras sobre as ondas P, R e T. 
4- Existe um complexo QRS para cada onda P? Se 
sim, o comprimento do segmento P-R é 
constante? Em caso negativo, pode haver um 
problema de condução dos sinais no nó AV; 
↠ A análise de um ECG também envolve medir os 
intervalos de tempo entre ondas, que são chamados 
intervalos ou segmentos. Por exemplo, o intervalo PQ é 
 @jumorbeck 
o tempo desde o início da onda P até o início do 
complexo QRS. Representa o tempo de condução do 
início da excitação atrial até o início da excitação 
ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ O segmento ST, que começa no fim da onda S e 
termina no início da onda T, representa o momento em 
que as fibras contráteis ventriculares são despolarizadas 
durante a fase de platô do potencial de ação. (TORTORA, 
14ª ed.) 
↠ O intervalo QT se estende do início do complexo QRS 
até ao final da onda T. É o tempo a partir do início da 
despolarização ventricular até o fim da repolarização 
ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
 
Referências: 
TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível 
em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. 
 
GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. 
Editora Elsevier Ltda., 2017 
SILVERTHORN, Dee U. Fisiologia Humana. Disponível em: 
Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo A, 2017. 
BERNE & LEVY. Fisiologia, 6ª ed. Elsevier Editora, SP, 2009. 
CONSTANZO, LINDA S. Fisiologia, 6ª ed. Editora 
Guanabara Koogan LTDA., 2015. 
 
 
 
@jumorbeck 
A aorta e seus ramos 
↠ As artérias sistêmicas transportam sangue oxigenado 
do coração para os capilares dos órgãos por todo o 
corpo. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ A aorta, a maior artéria do corpo, sai do coração, faz 
um arco superiormente e depois desce ao longo da face 
anterior dos corpos das vértebras até a parte inferior do 
abdome. Ao longo de seu curso, a aorta se divide nas 
seguintes partes: parte ascendente da aorta, arco da aorta 
e parte descendente da aorta. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Parte descendente da aorta: continuando do arco da 
aorta, a parte descendente da aorta segue na face 
posterior do coração e inferiormente, anterior aos corpos 
das vértebras torácicas e lombares. Ela possui duas partes: 
a torácica e a abdominal. 
↠ A parte torácica da aorta passa pelo diafragma no nível 
da vértebra T XII e entra na cavidade abdominal como 
parte abdominal da aorta, anterior aos corpos vertebrais 
lombares na linha média. Ela termina no nível da vértebra 
L IV, onde se subdivide nas artérias ilíacas comuns direita 
e esquerda, que suprem a pelve e os membros inferiores. 
(MARIEB, 7ª ed.) 
Artérias dos membros inferiores 
↠ No nível da articulação sacroilíaca na cavidade pélvica, 
cada artéria ilíaca comum bifurca em dois ramos: a artéria 
ilíaca interna, que supre principalmente os órgãos da 
pelve, e a artéria ilíaca externa, que supre o membro 
inferior. (MARIEB, 7ª ed.) 
Artéria ilíaca externa 
↠ As artérias ilíacas externas direita e esquerda 
transportam sangue para os membros inferiores. 
(MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Originando-se nas artérias ilíacas comuns da pelve, 
cada artéria ilíaca externa desce ao longo da linha 
arqueada do ilío, emite alguns ramos pequenos para a 
parede anterior do abdome e entra na coxa passando 
abaixo do ponto médio do ligamento inguinal. A partir 
desse local, a artéria ilíaca externa passa a se chamar 
artéria femoral. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Na sequência, a ilíaca externa se torna a artéria femoral 
na coxa, a artéria poplítea posterior ao joelho e as artérias 
tibiais anterior e posterior nas pernas. (TORTORA, 14ª ed.) 
 
Artéria femoral 
↠ A artéria femoral desce verticalmente pela região 
medial da coxa até o fêmur e ao longo da superfície 
anterior dos músculos adutores. Superiormente, a artéria 
desce pelo trígono femoral, uma região na parte proximal 
da coxa delimitada pelo músculo sartório lateralmente e 
pelo músculo adutor longo medialmente. Inferiormente, a 
artéria femoral passa por uma fenda no músculo adutor 
magno (o hiato do adutor) e emerge na face posterior e 
distal do fêmur como artéria poplítea. (MARIEB, 7ª ed.) 
Embora a parte superior da artéria femoral esteja confinada em uma 
formação tubular de fáscia densa, ela é relativamente superficial e não 
conta com a proteção de qualquer musculatura sobrejacente. Essa 
falta de proteção torna a parte proximal da artéria femoral em um 
local conveniente para tomar a pulsação ou aplicar pressão a fim de 
parar o sangramento de uma hemorragia distal no membro, mas 
também a torna suscetível à lesão. (MARIEB, 7ª ed.) 
No cateterismo cardíaco, insere-se um cateter através de um vaso 
sanguíneo, que é avançado até os grandes vasos para acessar uma 
câmara do coração. O cateter muitas vezes contém um instrumento 
de medição ou outro dispositivo em sua ponta. Para alcançar o lado 
esquerdo do coração, o cateter é inserido na artéria femoral e passado 
para a aorta até as artérias coronárias ou câmara cardíaca. (TORTORA) 
 
@jumorbeck 
 
↠ Várias artérias surgem da artéria femoral na região da 
coxa. O maior ramo, que emerge superiormente e se 
chama femoral profunda (ou artéria profunda da coxa), é 
a principal fornecedora de sangue para os músculos da 
coxa: adutores, posteriores da coxa e quadríceps. 
(MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Os ramos proximais da artéria femoral profunda são 
as artérias circunflexas femorais medial e lateral, que 
circundam o colo e a diáfise superior do fêmur. (MARIEB, 
7ª ed.) 
A artéria circunflexa medial é o principal vaso para a cabeça do fêmur. 
Se uma fratura do quadril romper essa artéria, o tecido ósseo da 
cabeça do fêmur degenera. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Um longo ramo descendente da artéria circunflexa 
femoral lateral segue ao longo da face anterior do 
músculo vasto lateral, suprido por ela. (MARIEB, 7ª ed.) 
Artéria poplítea 
↠ A artéria poplítea, a continuação inferior da artéria 
femoral, situa -se na fossa poplítea (a região posterior ao 
joelho), uma região profunda que oferece proteção 
contra lesões. Você pode sentir um pulso poplíteo se 
flexionar a sua perna no joelho e empurrar seus dedos 
vigorosamente na fossa poplítea. (MARIEB, 7ª ed.) 
 
Se um clínico não conseguir sentir o pulso poplíteo, a artéria femoral 
pode estar estenosada pela aterosclerose. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ A artéria poplítea emite várias artérias do joelho 
(geniculares) que circundam a articulação do joelho como 
arcos horizontais. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Logo abaixo da cabeça da fíbula, a artéria poplítea se 
divide nas artérias tibiais anterior e posterior. (MARIEB, 7ª 
ed.) 
Artéria tibial anterior 
↠ A artéria tibial anterior segue através do 
compartimento muscular anterior da perna, descendo ao 
longo da membrana interóssea lateral à tíbia e emitindo 
ramos para os músculos extensores ao longo do seu 
trajeto. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ No tornozelo, ela se transforma na artéria dorsal do pé 
que, na base dos ossos metatarsais, dá origem à artéria 
arqueada e emite ramos menores distais ao longo dos 
metatarsos. A parte terminal da dorsal do pé penetra na 
 
@jumorbeck 
planta do pé, onde forma a extremidade medial do arco 
plantar. (MARIEB, 7ª ed.) 
A artéria dorsal do pé é superficial e a sua pulsação pode ser palpada 
no espaço proximal entre o primeiro e o segundo metatarsal (ponto 
de pulsação do pé). A ausência dessa pulsação pode indicar que o 
suprimento sanguíneo para a perna é inadequado. A verificação de 
rotina do pulso do pé é indicada para os pacientes reconhecidamentecom prejuízo circulatório nas pernas e para os pacientes que estão 
se recuperando de cirurgia na perna ou na coxa. (MARIEB, 7ª ed.) 
 
Artéria tibial posterior 
↠ A artéria tibial posterior, desce pela parte 
posteromedial da perna diretamente abaixo do músculo 
sóleo. Na parte proximal, ela emite um grande ramo, a 
artéria fibular, que desce ao longo da face medial da fíbula. 
(MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Juntas, as artérias tibial posterior e fibular suprem os 
músculos flexores na perna, e as artérias fibulares, os 
músculos fibulares. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Inferiormente, a artéria tibial posterior passa 
posteriormente ao maléolo medial da fíbula, onde sua 
pulsação pode ser palpada. No lado medial do pé, ela se 
divide nas artérias plantares medial e lateral, que suprem 
a planta do pé. A artéria plantar contribui para a formação 
do arco plantar, de onde se originam as artérias 
metatarsais e digital para os dedos dos pés. (MARIEB, 7ª 
ed.) 
RAMO DESCRIÇÃO E RAMOS REGIÕES IRRIGADAS 
ARTÉRIAS ILÍACAS 
COMUNS 
Emergem da parte 
abdominal da aorta, 
aproximadamente 
no nível da vértebra 
L IV. Cada artéria 
ilíaca comum dá 
origem a dois 
ramos: as artérias 
ilíaca interna e ilíaca 
externa. 
Músculos da parede 
pélvica, órgãos 
pélvicos, órgãos 
genitais externos e 
membros inferiores. 
ARTÉRIAS ILÍACAS 
INTERNAS 
Principais artérias da 
pelve. Começam na 
bifurcação das 
artérias ilíacas 
comuns 
anteriormente à 
articulação 
sacroilíaca. Se 
dividem em divisões 
anterior e posterior. 
Músculos da parede 
pélvica, órgãos 
pélvicos, nádegas, 
órgãos genitais 
externos e 
músculos mediais da 
coxa. 
ARTÉRIAS ILÍACAS 
EXTERNAS 
Maiores do que as 
artérias internas. 
Começam na 
bifurcação das 
artérias ilíacas 
Parede inferior do 
abdome, músculo 
cremaster no 
homem e ligamento 
redondo do útero 
comuns. Descem ao 
longo da margem 
medial do músculo 
psoas maior 
seguindo a margem 
pélvica, passam 
posteriormente à 
parte média dos 
ligamentos inguinais 
e tornam-se 
artérias femorais 
quando passam sob 
o ligamento inguinal 
e entram na coxa. 
na mulher, e 
membro inferior. 
ARTÉRIAS FEMORAIS Continuações das 
artérias ilíacas 
externas no ponto 
em que elas entram 
na coxa. No trígono 
femoral da parte 
superior das coxas 
são superficiais, 
juntamente com a 
veia e o nervo 
femorais. Passam 
sob o músculo 
sartório à medida 
que descem ao 
longo das faces 
anteromediais da 
coxa e seguem em 
direção à 
extremidade distal 
da coxa, onde 
atravessam uma 
abertura no tendão 
do músculo adutor 
magno para 
terminar na face 
posterior do joelho, 
onde se tornam as 
artérias poplíteas. 
Músculos da coxa 
(quadríceps 
femoral, 
adutores e 
isquiotibiais), fêmur 
e 
ligamentos e 
tendões em torno 
da 
articulação do 
joelho. 
ARTÉRIAS POPLÍTEAS Continuação das 
artérias femorais na 
fossa poplítea. 
Descem até a 
margem inferior 
dos 
músculos poplíteos, 
onde se dividem 
em artérias tibial 
anterior e tibial 
posterior. 
Músculos da coxa 
distal, pele da região 
do 
joelho, músculos da 
parte proximal da 
perna, articulação 
do joelho, fêmur, 
patela, 
tíbia e fíbula. 
ARTÉRIAS TIBIAIS 
ANTERIORES 
Descendem da 
bifurcação das 
artérias poplíteas na 
margem distal do 
músculo poplíteo. 
Menores do que as 
artérias tibiais 
posteriores; passam 
sobre a membrana 
interóssea da tíbia 
e fíbula para descer 
ao longo do 
compartimento 
Tíbia, fíbula, 
músculos anteriores 
da perna, 
músculos dorsais do 
pé, ossos tarsais, 
ossos 
metatarsais e 
falanges. 
 
@jumorbeck 
muscular anterior 
da perna; tornam-
se as 
artérias dorsais do 
pé no tornozelo. No 
dorso do pé, as 
artérias dorsais do 
pé emitem um 
ramo transverso no 
primeiro osso 
cuneiforme medial 
chamado artérias 
arqueadas, que 
passam 
lateralmente sobre 
as bases dos ossos 
metatarsais. Das 
artérias arqueadas 
rami Ecam-se as 
artérias metatarsais 
dorsais, que passam 
ao longo dos ossos 
metatarsais. As 
artérias metatarsais 
dorsais terminam 
dividindo-se em 
artérias digitais 
dorsais, que passam 
para os dedos dos 
pés. 
ARTÉRIAS TIBIAIS 
POSTERIORES 
Continuações 
diretas das artérias 
poplíteas, 
descendem da 
bifurcação das 
artérias poplíteas. 
Descem pelo 
compartimento 
muscular posterior 
da perna 
profundamente ao 
M. sóleo. 
Passam 
posteriormente ao 
maléolo medial na 
extremidade distal 
da perna e curvam-
se para 
a frente em direção 
à face plantar dos 
pés; passam 
profundamente ao 
retináculo flexor do 
lado medial do pé e 
terminam 
ramificando-se em 
artérias plantar 
medial e plantar 
lateral. 
Dão origem às 
artérias fibulares no 
terço superior da 
perna, onde correm 
lateralmente à 
medida que 
descem pelo 
Compartimentos 
musculares 
posterior e 
lateral da perna, 
músculos plantares 
do pé, 
tíbia, fíbula, ossos do 
tarso, metatarsais e 
das falanges. 
compartimento 
lateral da perna. As 
menores artérias 
plantares 
mediais passam ao 
longo da face 
medial da planta do 
pé e as maiores 
artérias plantares 
laterais angulam-se 
em direção à face 
lateral da planta do 
pé e se unem ao 
ramo das artérias 
dorsais do pé para 
formar o arco 
plantar. O arco 
começa na base do 
quinto osso 
metatarsal e 
se estende 
medialmente ao 
longo dos ossos 
metatarsais. 
Conforme o arco 
cruza o pé, emite 
as artérias 
metatarsais 
plantares, que 
passam ao longo da 
face plantar dos 
ossos 
metatarsais. Estas 
artérias terminam 
dividindo-se em 
artérias digitais 
plantares, que 
passam para os 
artelhos. 
 
Veias 
Embora a maioria das veias acompanhe as artérias correspondentes, 
existem algumas diferenças importantes nas distribuições das artérias 
e veias: (MARIEB, 7ª ed.) 
➢ Enquanto apenas uma artéria sistêmica sai do coração - a 
aorta que sai do ventrículo esquerdo - três grandes veias 
entram no átrio direito do coração: as veias cavas superior 
e inferior e o seio coronário. 
➢ Todas as artérias de tamanho médio são de localização 
profunda e são acompanhadas por veias profundas, 
frequentemente de nome similar. Além disso, as veias 
também são encontradas logo abaixo da pele, 
desacompanhadas de qualquer artéria.. Essas veias 
superficiais são clinicamente importantes porque 
proporcionam locais para retirar sangue ou estabelecer 
uma via intravenosa. Sua localização superficial também as 
torna suscetíveis a cortes ou lesões. 
➢ Frequentemente, duas ou mais veias paralelas drenam uma 
região do corpo em vez de uma única veia maior. Em 
algumas regiões, várias veias anastomosam e formam um 
plexo venoso. 
 
@jumorbeck 
Veias cavas e seus principais tributários 
↠ As veias cavas superior e inferior, as duas maiores 
veias do corpo, desembocam diretamente no átrio direito 
do coração. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Veia cava superior: recebe o sangue sistêmico de 
todas as regiões do corpo superiores ao diafragma, 
excluindo as paredes do coração. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Veia cava inferior: que sobe ao longo da parede 
posterior da cavidade abdominal e é o vaso sanguíneo 
mais largo do corpo, devolve ao coração o sangue 
proveniente de todas as regiões do corpo inferiores ao 
diafragma. (MARIEB, 7ª ed.) 
Drenagem venosa do membro inferior 
↠ O membro inferior tem veias superficiais e profundas: 
as veias superficiais estão situadas no tecido subcutâneo 
e seguem independentemente das artérias 
correspondentes e as veias profundas situam-se 
profundamente à fáscia muscular e acompanham todas 
as grandes artérias. As veias superficiais e profundas têm 
válvulas, que são mais numerosas nas veias profundas. 
(MOORE, 7ª ed.) 
↠ As veias que drenam os membros inferiores são 
profundas ou superficiais. (MARIEB, 7ª ed.) 
Veias superficiais do membro inferior 
↠ As duas principais veias superficiais no membro inferior 
são as veias safenas magna e parva.. A maioria das 
tributárias não tem nome. (MOORE, 7ª ed.) 
↠ A veia safena magna é formada pela união da veia 
dorsal do hálux e o arco venoso dorsal do pé.. A veia 
safena magna: (MOORE, 7ª ed.) 
➢ Ascende anteriormente até o maléolo medial;➢ Segue posteriormente ao côndilo medial do 
fêmur (cerca de quatro dedos posteriormente à 
margem medial da patela); 
➢ Anastomosa-se livremente com a veia safena 
parva; 
➢ Atravessa o hiato safeno na fáscia lata; 
➢ Desemboca na veia femoral. 
Importância médica das veias safenas 
A veia safena magna é o vaso utilizado com mais frequência em 
pontes da artéria coronária (revascularização do miocárdio). Aqui, deve 
-se observar que, quando suturar essa veia em uma artéria coronária, 
o cirurgião precisa orientá-la de modo que o fluxo sanguíneo vá abrir, 
ao invés de fechar, suas válvulas. (MARIEB, 7ª ed.) 
 
↠ A veia safena magna tem 10 a 12 válvulas, que são mais 
numerosas na perna do que na coxa. Essas válvulas 
geralmente estão localizadas logo abaixo das veias 
perfurantes. As veias perfurantes também têm válvulas. 
(MOORE, 7ª ed.) 
As válvulas venosas são projeções de endotélio com seios valvulares 
caliciformes cujo enchimento vem de cima. Quando os seios estão 
cheios, as válvulas ocluem a luz da veia, evitando, assim, o refluxo distal 
de sangue e tornando o fluxo unidirecional. O mecanismo valvular 
também divide a coluna de sangue na veia safena em segmentos 
menores, reduzindo a pressão retrógrada. Os dois efeitos facilitam o 
trabalho da bomba musculovenosa para superar a força da gravidade 
e reconduzir o sangue ao coração. (MOORE, 7ª ed.) 
As veias safenas são mais propensas a enfraquecer e se tornar 
varicosas do que quaisquer outras veias no membro inferior, já que 
são mal sustentadas pelo tecido circundante. Além disso, quando as 
válvulas começam a falhar nas veias de um membro inferior, as 
contrações normais dos músculos da perna podem espremer o 
sangue para fora das veias profundas e impulsioná-lo para as veias 
superficiais através das anastomoses entre esses dois grupos de veias. 
Esse influxo de sangue intumesce e enfraquece as veias safenas ainda 
mais. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Enquanto ascende na perna e na coxa, a veia safena 
magna recebe várias tributárias e comunica-se em vários 
locais com a veia safena parva. (MOORE, 7ª ed.) 
 
@jumorbeck 
 
↠ As tributárias das faces medial e posterior da coxa 
costumam se unir para formar uma veia safena acessória. 
Quando presente, essa veia é a principal comunicação 
entre as veias safenas magna e parva. (MOORE, 7ª ed.) 
↠ Além disso, vasos bem grandes, as veias cutâneas 
lateral e anterior, originam-se de redes venosas na parte 
inferior da coxa e entram na veia safena magna 
superiormente, logo antes de sua entrada na veia femoral. 
Perto de seu fim, a veia safena magna também recebe 
as veias circunflexa ilíaca superficial, epigástrica superficial 
e pudenda externa. (MOORE, 7ª ed.) 
↠ A veia safena parva origina-se na face lateral do pé, a 
partir da união da veia dorsal do quinto dedo com o arco 
venoso dorsal. A veia safena parva: (MOORE, 7ª ed.) 
➢ Ascende posteriormente ao maléolo lateral 
como uma continuação da veia marginal lateral; 
➢ Segue ao longo da margem lateral do tendão 
do calcâneo; 
➢ Inclina-se em direção à linha mediana da fíbula e 
penetra na fáscia muscular; 
➢ Ascende entre as cabeças do músculo 
gastrocnêmio; 
➢ Drena para a veia poplítea na fossa poplítea. 
 
Várias veias perfurantes atravessam a fáscia muscular para desviar 
sangue das veias superficiais para as veias profundas. (MOORE, 7ª ed.) 
↠ Embora as veias safenas recebam muitas tributárias, 
seus diâmetros se mantêm razoavelmente constantes no 
trajeto de ascensão no membro. Isso é possível porque 
o sangue recebido pelas veias safenas é continuamente 
desviado dessas veias superficiais na tela subcutânea para 
as veias profundas, situadas internamente à fáscia 
muscular, através de muitas veias perfurantes. (MOORE, 
7ª ed.) 
↠ As veias perfurantes penetram na fáscia muscular 
perto do local onde se originam das veias superficiais e 
têm válvulas que permitem o fluxo sanguíneo apenas das 
veias superficiais para as veias profundas. (MOORE, 7ª ed.) 
 
 
@jumorbeck 
↠ As veias perfurantes atravessam a fáscia muscular em 
um ângulo oblíquo, de modo que, quando os músculos se 
contraem e a pressão aumenta no interior da fáscia 
muscular, as veias perfurantes são comprimidas. A 
compressão também impede o fluxo sanguíneo das veias 
profundas para as veias superficiais. Esse padrão de fluxo 
sanguíneo venoso – da região superficial para a profunda 
– é importante para o retorno venoso apropriado do 
membro inferior, porque permite que as contrações 
musculares impulsionem o sangue em direção ao 
coração contra a força da gravidade (bomba 
musculovenosa). (MOORE, 7ª ed.) 
Veias profundas do membro inferior 
↠ As veias profundas acompanham todas as grandes 
artérias e seus ramos. Em vez de ocorrerem como uma 
veia única nos membros (embora muitas vezes sejam 
ilustradas e denominadas como uma veia única), as veias 
acompanhantes geralmente são pares, muitas vezes 
interconectadas, situadas ao lado da artéria que 
acompanham. Estão contidas na bainha vascular com a 
artéria, cujas pulsações também ajudam a comprimir e 
deslocar o sangue nas veias. (MOORE, 7ª ed.) 
↠ Embora o arco venoso dorsal drene basicamente pelas 
veias safenas, as veias perfurantes penetram na fáscia 
muscular, formando e suprindo continuamente uma veia 
tibial anterior no compartimento anterior da perna. As 
veias plantares medial e lateral da face plantar do pé 
formam as veias tibiais posteriores e fibulares, situadas 
posteriormente aos maléolos medial e lateral. (MOORE, 7ª 
ed.) 
↠ As três veias profundas da perna fluem para a veia 
poplítea posterior ao joelho, que se torna a veia femoral 
na coxa. As veias que acompanham as artérias 
perfurantes da artéria femoral profunda drenam sangue 
dos músculos da coxa e terminam na veia femoral 
profunda, que se une à parte terminal da veia femoral. 
(MOORE, 7ª ed.) 
↠ A veia femoral segue profundamente ao ligamento 
inguinal para se tornar a veia ilíaca externa. Em vista do 
efeito da gravidade, o fluxo sanguíneo é mais lento 
quando uma pessoa fica parada de pé. (MOORE, 7ª ed.) 
↠ Durante o exercício, o sangue recebido pelas veias 
profundas proveniente das veias superficiais é 
impulsionado por contração muscular para as veias 
femorais e, depois, para as veias ilíacas externas. As 
válvulas competentes impedem o refluxo. (MOORE, 7ª 
ed.) 
↠ As veias profundas são mais variáveis e se 
anastomosam com frequência muito maior do que as 
artérias que acompanham. Tanto as veias superficiais 
quanto as veias profundas podem ser ligadas, se 
necessário. (MOORE, 7ª ed.) 
 
VEIAS PROFUNDAS DESCRIÇÃO E 
TRIBUTÁRIAS 
REGIÕES 
DRENADAS 
VEIAS ILÍACAS 
COMUNS 
Formadas pela 
união das veias 
ilíacas interna e 
externa 
anteriormente às 
articulações 
sacroilíacas 
anteriores; 
anastomosam-se na 
altura da vértebra L 
V para formar a 
veia cava inferior. A 
veia 
ilíaca comum direita 
é muito mais curta 
do que a esquerda 
e também é mais 
vertical, visto que a 
veia cava inferior 
encontra-se à 
direita da linha 
mediana. 
Pelve, órgãos 
genitais 
externos e 
membros 
inferiores. 
VEIAS ILÍACAS 
EXTERNAS 
Acompanham as 
artérias ilíacas 
Parede inferior do 
abdome 
 
@jumorbeck 
internas. Começam 
nos ligamentos 
inguinais como 
continuações 
das veias femorais. 
Terminam 
anteriormente às 
articulações 
sacroilíacas, onde se 
unem às veias 
ilíacas internas para 
formar as veias 
ilíacas comuns. 
anteriormente, 
músculo 
cremaster nos 
homens e 
órgãos genitais 
externos e 
membro inferior. 
VEIAS FEMORAIS Acompanham as 
artérias femorais e 
são continuações 
das veias poplíteas 
ligeiramente 
superiores ao 
joelho, onde as 
veias passam 
através de uma 
abertura no 
músculo adutor 
magno. Recebem as 
veias femorais 
profundas e 
veias safenas 
magna pouco antes 
de penetrar na 
parede abdominal. 
Passam por baixo 
do 
ligamento inguinal e 
entram na região 
abdominopélvica 
para se tornarem as 
veias ilíacas 
externas. 
Pele, linfonodos, 
músculos e ossos 
da coxa, 
e órgãos genitaisexternos. 
VEIAS POPLÍTEAS Formadas pela 
união entre as veias 
tibiais anterior e 
posterior na 
extremidade 
proximal da 
perna; ascendem 
pela fossa poplítea 
com as artérias 
poplíteas e nervo 
tibial. Terminam 
onde 
passam através da 
janela no músculo 
adutor magno e 
passam para a 
frente do joelho 
para se 
tornarem as veias 
femorais. Também 
recebem sangue 
de veias safena 
parva e tributárias, 
que 
correspondem a 
ramos da artéria 
poplítea. 
Articulação e pele 
do 
joelho, músculos e 
ossos 
em torno da 
articulação 
do joelho. 
VEIAS TIBIAIS 
POSTERIORES 
Começam 
posteriormente ao 
maléolo medial na 
união das veias 
plantar medial e 
lateral da 
face plantar do pé. 
Ascendem pela 
perna com a artéria 
tibial posterior e o 
nervo tibial 
profundamente ao 
músculo sóleo. 
Unem-se às veias 
tibiais posteriores 
por volta de dois 
terços 
do trajeto até a 
perna. Unem-se às 
veias tibiais 
anteriores próximo 
do topo da 
membrana 
interóssea para 
formar as veias 
poplíteas. Na face 
plantar do pé, as 
veias digitais 
plantares se 
unem para formar 
as veias metatarsais 
plantares, que são 
paralelas aos ossos 
metatarsais. 
Estas, por sua vez, 
se unem para 
formar arcos 
plantares venosos 
profundos. As veias 
plantares medial e 
lateral emergem 
dos arcos plantares 
venosos profundos. 
Pele, músculos e 
ossos da 
face plantar do pé, 
e pele, 
músculos e ossos 
das 
faces posterior e 
lateral 
da perna. 
VEIAS TIBIAIS 
ANTERIORES 
Emergem no arco 
venoso dorsal e 
acompanham a 
artéria tibial anterior. 
Ascendem 
profundamente ao 
músculo tibial 
anterior na face 
anterior da 
membrana 
interóssea. 
Atravessam a 
abertura na 
extremidade 
superior da 
membrana 
interóssea para se 
juntar às 
veias tibiais 
posteriores e 
formar as veias 
poplíteas. 
Dorso do pé, 
tornozelo, 
face anterior da 
perna, 
joelho e articulação 
tibiofibular. 
 
 
@jumorbeck 
VEIAS SUPERFICIAS DESCRIÇÃO E 
TRIBUTÁRIAS 
REGIÕES DRENADAS 
VEIAS SAFENAS 
MAGNAS 
Veias mais longas 
do corpo; 
ascendem do pé à 
virilha na tela 
subcutânea. 
Começam na 
extremidade medial 
dos arcos venosos 
dorsais do pé. Os 
arcos venosos 
dorsais são redes 
de 
veias do dorso do 
pé formadas pelas 
veias digitais dorsais, 
que coletam sangue 
dos dedos dos 
pés, e depois se 
unem em pares 
para formar as veias 
metatarsais dorsais, 
que correm 
paralelamente aos 
ossos metatarsais. 
Quando as veias 
metatarsais dorsais 
chegam ao pé, se 
combinam para 
formar os arcos 
venosos dorsais. 
Passam 
anteriormente ao 
maléolo medial da 
tíbia e então 
superiormente ao 
longo da face 
medial da perna e 
coxa 
imediatamente 
abaixo 
da pele. Recebem 
tributárias dos 
tecidos super Eciais 
e também se 
conectam às veias 
profundas. 
Esvaziam-se nas 
veias femorais na 
região inguinal. 
Tecidos 
tegumentares e 
músculos 
superficiais dos 
membros inferiores, 
região inguinal e 
parede 
inferior do abdome. 
VEIAS SAFENAS 
PARVAS 
Começam na face 
lateral dos arcos 
venosos dorsais do 
pé. Passam 
posteriormente ao 
maléolo 
lateral da fíbula e 
ascendem 
profundamente à 
pele ao longo da 
face posterior da 
perna. 
Esvaziam-se nas 
veias poplíteas na 
fossa poplítea, 
Tecidos 
tegumentares e 
músculos 
superficiais do 
pé e face posterior 
da 
perna. 
posteriormente ao 
joelho. Contêm 9 a 
12 
válvulas. Podem se 
comunicar com as 
veias safenas 
magnas na parte 
proximal da perna. 
 
Retorno Venoso 
↠ O retorno venoso, o volume de sangue que flui de 
volta ao coração pelas veias sistêmicas, é consequente à 
pressão produzida pelo ventrículo esquerdo por meio das 
contrações do coração. Embora pequena, a diferença de 
pressão entre as vênulas, em média de aproximadamente 
16 mmHg, e o ventrículo direito, 0 mmHg, normalmente 
é suficiente para provocar o retorno venoso para o 
coração. (TORTORA, 2016) 
↠ Se a pressão no átrio ou ventrículo direito aumentar, 
o retorno venoso irá diminuir. Uma das causas do 
aumento da pressão no átrio direito é uma valva 
atrioventricular direita incompetente, com 
extravasamento, que possibilita a regurgitação, refluxo, de 
sangue quando os ventrículos se contraem. O resultado 
é a diminuição no retorno venoso e o acúmulo de sangue 
no lado venoso da circulação sistêmica. (TORTORA, 2016) 
↠ Uma característica singular das veias é a presença de 
válvulas em todos os segmentos venosos, as quais se 
encontram mais desenvolvidas nas extremidades 
inferiores. As válvulas venosas nada mais são que 
protrusões da túnica íntima das paredes venosas para o 
lúmen do vaso. Cada uma delas é formada por tecido 
fibroso, denso, revestida por endotélio, e orientada de 
modo a permitir o fluxo sanguíneo anterógrado. Porém, 
fechando totalmente o vaso quando o fluxo tende a se 
tornar retrógrado. Sendo assim, as válvulas são 
importantes estruturas direcionadoras do fluxo sanguíneo 
nas veias. (MARGARIDA, 2018) 
↠ Um mecanismo funcional que ajuda no retorno do 
sangue venoso para o coração é o movimento normal 
do corpo e dos membros, por exemplo, durante a 
caminhada. A oscilação do membro move o sangue nesse 
membro e as válvulas venosas asseguram que esse 
sangue se mova apenas na direção adequada. (MARIEB, 
2018) 
↠ De acordo com a lei de Frank-Starling, o volume 
sistólico aumenta quando o volume diastólico final 
aumenta. O volume diastólico final é, em geral, 
 
@jumorbeck 
determinado pelo retorno venoso, que é a quantidade de 
sangue que retorna ao coração pela circulação venosa. 
(SILVERTHORN, 2017) 
↠ Além do coração, dois outros mecanismos 
“bombeiam” o sangue da parte inferior do corpo de volta 
ao coração: (1) a bomba de músculo esquelético e (2) a 
bomba respiratória. Ambas as bombas dependem das 
válvulas existentes nas veias. (TORTORA, 2016) 
Bomba de músculo esquelético 
↠ A bomba do músculo esquelético é assim denominada 
devida às contrações do músculo esquelético que 
espremem as veias, particularmente nas pernas, 
comprimindo-as e empurrando o sangue em direção ao 
coração. Durante exercícios que envolvem os membros 
inferiores, o músculo esquelético ajuda a bombear o 
sangue de volta para o coração. Durante os períodos em 
que se está imóvel, sentado ou em pé, a bomba do 
músculo esquelético não auxilia no retorno venoso. 
(SILVERTHORN, 2017) 
 
Funciona do seguinte modo: 
➢ Na posição ortostática, tanto as válvulas venosas 
mais próximas do coração, válvulas proximais, 
quanto aquelas mais distantes, válvulas distais, 
nesta parte do membro inferior estão abertas, 
e o sangue flui para cima em direção ao 
coração. (TORTORA, 2016) 
➢ A contração dos músculos das pernas, como 
quando você fica na ponta dos pés ou dá um 
passo, comprime a veia. A compressão empurra 
o sangue através da válvula proximal, em uma 
ação chamada ordenha. Ao mesmo tempo, a 
válvula distal do segmento não comprimido se 
fecha conforme um pouco de sangue é 
empurrado contra ela.. (TORTORA, 2016) 
➢ Logo após o relaxamento muscular, a pressão 
cai na seção previamente comprimida da veia, o 
que faz com que a válvula proximal se feche. A 
válvula distal agora se abre porque a pressão 
arterial no pé está mais elevada do que na perna, 
e a veia se enche com o sangue que vem do 
pé. A válvula proximal então reabre. (TORTORA, 
2016) 
As pessoas que estão imobilizadas em decorrência de uma lesão ou 
doença não têm essas contrações de músculos da perna. Como 
resultado, seu retorno venoso é mais lento e elas podem desenvolver 
problemas de circulação. (TORTORA, 2016) 
Bomba respiratória 
↠ Também é baseada na compressão e descompressão 
alternadas das veias. Durante a inspiração, o diafragma se 
move para baixo, o que provoca uma diminuição da 
pressão na cavidade torácica e um aumento da pressão 
na cavidade abdominal. Como resultado, as veias 
abdominais são comprimidas, e um maior volume de 
sangue se move das veias abdominais comprimidas para 
as veias torácicas não comprimidas e então para dentro 
do átrio direito. Quando as pressões se invertem durante 
a expiração, as válvulasdas veias evitam o refluxo do 
sangue das veias torácicas para as veias abdominais. 
(TORTORA, 2016) 
Silverthorn entende serem três os fatores que afetam o retorno 
venoso, incluindo a inervação simpática. 
Inervação simpática das veias. 
A constrição das veias devida à atividade simpática é o terceiro fator 
que afeta o retorno venoso. Quando ocorre constrição das veias, seu 
volume diminui, empurrando mais sangue para dentro do coração. 
Com um volume ventricular maior no início da próxima contração, o 
ventrículo contrai com mais força, enviando mais sangue para o lado 
arterial da circulação. Desse modo, a inervação simpática das veias 
permite que o corpo redistribua parte do sangue venoso para a parte 
arterial da circulação. (SILVERTHORN, 2017) 
Varizes ou Veias Varicosas 
↠ Quando as válvulas nas veias se tornam ineficientes, o 
resultado são as veias varicosas. As veias deformam e 
incham com o sangue acumulado, e a drenagem venosa 
desacelera consideravelmente. 15% de todos os adultos 
sofrem de veias varicosas, geralmente nos membros 
inferiores. As mulheres são afetadas com mais frequência 
do que os homens. O membro inferior esquerdo é mais 
 
@jumorbeck 
suscetível às veias varicosas do que o direito. (MARIEB, 
2018) 
↠ Muitas vezes, a veia safena magna e suas tributárias 
tornam-se varicosas (tão dilatadas que as válvulas não se 
fecham). As varizes são comuns nas partes 
posteromediais do membro inferior e causam 
desconforto. (MOORE, 7ª ed.) 
↠ Na veia saudável, as válvulas permitem o fluxo 
sanguíneo em direção ao coração (B) e impedem o fluxo 
retrógrado (C). Nas varizes (D), as válvulas são 
incompetentes em razão da dilatação ou rotação e não 
funcionam mais adequadamente. Consequentemente, o 
sangue flui em sentido inferior nas veias, provocando o 
surgimento de varizes. (MOORE, 7ª ed.) 
 
↠ As veias varicosas podem ser hereditárias, mas 
também ocorrem nas pessoas cujas ocupações exijam 
que elas fiquem de pé na mesma posição por muito 
tempo, como é o caso dos balconistas de lojas, 
cabeleireiros, dentistas e profissionais de enfermagem. 
Nas pernas imóveis, o sangue venoso drena tão 
lentamente que acumula, estica as paredes venosas e as 
válvulas e faz que essas válvulas falhem. (MARIEB, 2018) 
Referências: 
AIRES, Margarida de Mello Fisiologia / Margarida de Mello 
Aires. - 5. ed. - Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2018. 
MARIEB, Elaine. Anatomia humana. Tradução Lívia Cais, 
Maria Silene de Oliveira e Luiz Cláudio Queiroz. São Paulo: 
Pearson Education do Brasil, 2014. 
SILVERTHORN, DeeUnglaub. Fisiologia humana: uma 
abordagem integrada. Porto Alegre: Artmed, 2017. 
TORTORA, Gerard J. Princípios de anatomia e fisiologia / 
Gerard J. Tortora, Bryan Derrickson; tradução Ana 
Cavalcanti C. Botelho... [et al.]. – 14. ed. – Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2016. 
MOORE, Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª ed., Rio de 
Janiero: Guanabara Koogan, 2014. 
 
 
1 
 
 
@jumorbeck 
Morfologia dos vasos sanguíneos 
↠ As paredes de todos os vasos sanguíneos, exceto os 
muito pequenos, são compostas por três camadas 
distintas, ou túnicas: 
➢ Íntima: a túnica mais interna da parede de um 
vaso, que está em contato “íntimo” com o 
sangue em sua luz. Essa túnica contém o 
endotélio, o epitélio simples pavimentoso que 
reveste a luz de todos os vasos. As células 
endoteliais planas formam uma superfície lisa 
que minimiza o atrito do sangue que passa por 
elas. Uma fina camada de tecido conjuntivo 
frouxo, a camada subendotelial, situa -se na 
superfície externa do endotélio. (MARIEB, 7ª ed.) 
➢ Média: consiste principalmente em lâminas de 
fibras musculares lisas dispostas circularmente, 
entre as quais se situam lâminas de fibrilas de 
colágeno e elastina. A elastina e o colágeno 
contribuem com elasticidade e resistência para 
suportar a pressão do sangue que cada 
batimento cardíaco exerce sobre a parede do 
vaso. (MARIEB, 7ª ed.) 
➢ Adventícia: camada de tecido conjuntivo que 
contém muitas fibras de colágeno e fibras 
elásticas. Suas células e fibras seguem na direção 
longitudinal. Protege o vaso, reforça ainda mais a 
sua parede e prende esse vaso nas estruturas 
circundantes. Contém os vasos dos vasos, que 
surgem como ramificações minúsculas do 
mesmo vaso ou como ramificações pequenas 
de outros vasos vizinhos e nutrem a metade 
externa da parede do vaso maior. (MARIEB, 7ª 
ed.) 
 
 
 
 
Vasos sanguíneos 
↠ ARTÉRIAS: a passagem do sangue pelas artérias ocorre das 
artérias elásticas para as musculares e depois para as arteríolas. 
(MARIEB, 7ª ed.) 
➢ Artérias elásticas: são as maiores artérias perto do 
coração - a aorta e seus ramos principais. São 
chamadas artérias de condução. Nas paredes dessas 
artérias há mais elastina do que em qualquer outro 
tipo de vaso 
➢ Artérias musculares: situam -se distalmente às 
artérias elásticas e suprem grupos de órgãos, órgãos 
individuais e partes de órgãos. Essas artérias de 
“tamanho médio” constituem a maior parte das 
artérias observadas. 
➢ Arteríolas: são as menores artérias. 
↠ CAPILARES: são os menores vasos sanguíneos. Eles são 
compostos de apenas uma única camada de células endoteliais 
circundadas por uma membrana basal. Renovam e revigoram o 
líquido intersticial circundante. Existem três tipos de capilares: 
(MARIEB, 7ª ed.) 
➢ Contínuos; 
➢ Fenestrados; 
➢ Sinusoides;. 
↠ VASOS VENOSOS: vênulas e veias. (MARIEB, 7ª ed.) 
 ARTÉRIAS VEIAS 
TÚNICA MÉDIA Mais espessa Menos espessa 
TÚNICA ADVENTÍCIA Menos espessa. Mais espessa. 
TRANSPORTE DE 
SANGUE 
Levam o sangue 
para fora do 
coração. 
Conduzem o 
sangue dos 
capilares para o 
coração. 
LUZ DO VASO Menor Maior 
ELASTINA Mais elastina Menos elastina 
PRESSÃO ARTERIAL Maior Menos 
VÁLVULAS Ausente Presente 
 
2 
 
 
@jumorbeck 
Vascularização dos membros superiores 
ARTÉRIAS 
↠ AORTA: maior artéria do corpo, sai do coração, faz um 
arco superiormente e depois desce ao longo da face 
anterior dos corpos das vértebras até a parte inferior do 
abdômen. Ao longo de seu curso, a aorta se divide nas 
seguintes partes: (MARIEB, 7ª ed.) 
➢ Parte ascendente da aorta; 
➢ Arco da aorta: arqueado posteriormente e para 
a esquerda, o arco da aorta situa -se 
posteriormente ao manúbrio do esterno. Três 
artérias se ramificam do arco da aorta e seguem 
na direção superior: tronco braquiocefálico, 
artéria carótida comum esquerda e artéria 
subclávia esquerda. Esses três ramos suprem a 
cabeça, o pescoço, os MMSS e a parte superior 
da parede do tórax. 
➢ Parte descendente da aorta 
 
Artérias dos membros superiores 
↠ O membro superior é irrigado por ramos da artéria 
subclávia. Após emitir seus ramos para o pescoço e o 
tórax (a artéria vertebral, os troncos tireocervical e 
costocervical e a artéria torácica interna), cada artéria 
subclávia segue lateralmente sobre a primeira costela, sob 
a clavícula. Desse ponto, a artéria subclávia entra na axila 
como artéria axilar. (MARIEB, 7ª ed.) 
Artéria axilar 
↠ A artéria axilar desce pela axila, emitindo os seguintes 
ramos: 
➢ Artéria toracoacromial, que surge logo abaixo da 
clavícula e se ramifica para suprir grande parte 
dos músculos peitoral e deltoide; 
➢ A artéria torácica lateral, que desce ao longo da 
margem lateral do m. peitoral menor, irrigando 
os músculos peitorais e serrátil anterior, e emite 
ramos importantes para a mama; 
➢ Artéria subescapular, que se destina às regiões 
escapulares dorsal e ventral e o músculo 
latíssimo do dorso; 
➢ Artérias circunflexas anterior e posterior do 
úmero, que envolvem o colo cirúrgico do úmero 
e auxiliam na irrigação do músculo deltoide e da 
articulação do ombro. 
↠ A artéria axilar continua no braço como artéria braquial. 
O limite para essa transição é a margem inferior do 
músculo redondo maior. (MARIEB, 7ª ed.) 
Artéria braquial 
↠ A artéria braquial desce ao longo da face medial do 
úmero, abaixo do músculo bíceps braquial no sulco bicipital 
medial, e supre os músculos da região anteriordo braço. 
(MARIEB, 7ª ed.) 
↠ O pulso braquial pode ser sentido nesse local. (MARIEB, 
7ª ed.) 
↠ A artéria braquial é utilizada para a tomada da pressão 
arterial. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Um ramo importante, a artéria profunda do braço 
(também chamada braquial profunda), envolve a face 
posterior do úmero com o nervo radial e supre o músculo 
tríceps. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ À medida que a artéria braquial se aproxima do 
cotovelo, ela emite vários ramos pequenos inferiormente, 
as artérias colaterais ulnares, que formam anastomoses 
com os ramos ascendentes das artérias no antebraço 
para suprir a articulação do cotovelo. Esses vasos também 
proporcionam circulação colateral para as regiões mais 
distais do membro, quando o cotovelo é dobrado. 
(MARIEB, 7ª ed.) 
A artéria braquial atravessa a face anterior da articulação do cotovelo, 
abaixo da aponeurose do músculo bíceps braquial na linha média do 
braço, outro local em que seu pulso é sentido facilmente e onde se 
pode auscultar durante a tomada da pressão arterial. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Imediatamente após a articulação do cotovelo, a artéria 
braquial se divide nas artérias radial e ulnar, que descem 
pela face anterior do antebraço. (MARIEB, 7ª ed.) 
 
 
3 
 
 
@jumorbeck 
Artéria radial 
↠ A artéria radial desce ao longo da margem medial do 
músculo braquiorradial, suprindo os músculos 
anterolaterais do antebraço, a parte lateral do punho, além 
do polegar e do dedo indicador. (MARIEB, 7ª ed.) 
Na raiz do polegar, imediatamente lateral ao tendão do m. flexor radial 
do carpo, ela se situa muito próximo da superfície e proporciona um 
local conveniente para a tomada da pulsação. (MARIEB, 7ª ed.) 
Um ramo da artéria radial continua na tabaqueira anatômica, um local 
onde a pulsação radial também pode ser detectada. (MARIEB, 7ª ed.) 
 
Artéria ulnar 
↠ A artéria ulnar, que desce ao longo da face anterior e 
medial da parte anterior do antebraço, situa-se entre os 
músculos flexores superficiais e profundos e emite ramos 
para os músculos que cobrem a ulna. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Na parte proximal, ela emite um ramo importante 
chamado artéria interóssea comum, que se divide 
imediatamente nas artérias interósseas anterior e 
posterior. Esses vasos descem ao longo das respectivas 
superfícies da membrana interóssea entre o rádio e a 
ulna. (MARIEB, 7ª ed.) 
➢ A artéria interóssea anterior irriga os músculos 
flexores profundos; 
➢ A artéria interóssea posterior seus ramos destinam-
se a todos os músculos extensores da região 
posterior do antebraço. 
↠ A artéria ulnar continua na mão, atravessando o punho 
lateralmente ao do tendão do flexor ulnar do carpo. 
(MARIEB, 7ª ed.) 
Arcos palmares 
↠ Na palma, ramos das artérias radial e ulnar se unem e 
formam dois arcos horizontais, os arcos palmares 
superficial e profundo. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ O arco superficial se situa abaixo da pele e da fáscia 
da mão, enquanto o arco profundo se situa contra os 
ossos metacarpais. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ As artérias digitais, que suprem os dedos, ramificam -
se desses arcos. (MARIEB, 7ª ed.) 
As artérias radial e ulnar também formam na face dorsal do punho, a 
rede carpal dorsal, cujos ramos seguem na direção distal ao longo dos 
ossos metacarpais. (MARIEB, 7ª ed.) 
ARTÉRIAS 
RAMO DESCRIÇÃO E RAMOS REGIÕES IRRIGADAS 
TRONCO 
BRAQUIOCEFÁLICO 
Primeiro ramo do 
arco da aorta; se 
divide para formar 
as artérias subclávia 
direita e carótida 
comum direita. 
Cabeça, pescoço, 
membros 
superiores e 
parede torácica. 
ARTÉRIA SUBCLÁVIA 
DIREITA 
Estende-se do 
tronco 
braquiocefálico até 
a margem inferior 
da primeira costela. 
Pescoço, ombro, 
músculos 
escapulares, entre 
outros. 
ARTÉRIA SUBCLÁVIA 
ESQUERDA 
Emerge como o 
terceiro e último 
ramo do arco da 
aorta; passa 
superior e lateral 
pelo mediastino e 
profundamente à 
clavícula na base 
do pescoço em 
seu percurso em 
direção ao 
membro superior. 
Distribuição 
semelhante à da 
artéria subclávia 
direita. 
ARTÉRIA AXILAR Continuação da A. 
suclávia direita na 
axila. 
Músculos do 
ombro e do 
cíngulo dos 
membros 
superiores. 
ARTÉRIA BRAQUIAL Continuação da A. 
axilar no braço, 
começa na 
margem distal do 
músculo redondo 
maior e termina 
bifurcando-se em 
Aa. radial e ulnar. 
Músculos do braço, 
úmero e 
articulação do 
cotovelo. 
ARTÉRIA RADIAL Menor ramo da 
bifurcação braquial; 
continuação direta 
da A. braquial. 
Principal fonte de 
sangue para os 
músculos do 
compartimento 
posterior do 
antebraço. 
ARTÉRIA ULNAR Maior ramo da A. 
braquial. 
Músculos do 
compartimento 
anterior do 
antebraço. 
ARCO PALMAR 
SUPERFICIAL 
Formado 
principalmente pelo 
ramo superficial da 
artéria ulnar, com 
contribuição do 
Músculos, ossos, 
articulações e pele 
da palma das mãos 
e dedos. 
4 
 
 
@jumorbeck 
ramo superficial da 
artéria radial. 
ARCO PALMAR 
PROFUNDO 
Emerge 
principalmente do 
ramo profundo da 
A. radial, mas 
recebe 
contribuição do 
ramo profundo da 
artéria ulnar. 
Músculos, ossos, e 
articulações da 
palma das mãos e 
dedos. 
 
VEIAS 
↠ As veias cavas superior e inferior, as duas maiores 
veias do corpo, desembocam diretamente no átrio direito 
do coração. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ A veia cava superior recebe o sangue sistêmico de 
todas as regiões do corpo superiores ao diafragma, 
excluindo as paredes do coração. Essa veia surge da união 
das veias braquiocefálica esquerda e direita, posterior ao 
manúbrio do esterno, e desce para desembocar no átrio 
direito. (MARIEB, 7ª ed.) 
 
↠ Das duas veias braquiocefálicas, a esquerda é mais 
longa e quase horizontal, enquanto a direita é vertical. 
(MARIEB, 7ª ed.) 
Veias dos membros superiores 
↠ As veias dos membros superiores são profundas ou 
superficiais. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Tanto as veias superficiais quanto profundas retornam 
o sangue dos membros superiores para o coração. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As veias superficiais estão localizadas profundamente 
na pele e frequentemente são visíveis. Elas se 
anastomosam extensivamente entre si e com as veias 
profundas, e não acompanham artérias. (TORTORA, 14ª 
ed.) 
↠ As veias superficiais são maiores do que as veias 
profundas e devolvem a maior parte do sangue dos 
membros superiores. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ As veias profundas estão localizadas profundamente 
no corpo. Elas costumam acompanhar artérias e têm os 
mesmos nomes das artérias correspondentes. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Tanto as veias superficiais quanto profundas têm 
válvulas, mas estas são mais numerosas nas veias 
profundas. (TORTORA, 14ª ed.) 
Veias profundas 
↠ Os arcos palmares profundo e superficial da mão 
drenam nas veias radial e ulnar do antebraço, que se 
unem logo abaixo da articulação do cotovelo e formam a 
veia braquial (do braço). (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ À medida que a veia braquial entra na axila, ela drena 
na veia axilar, que se transforma na veia subclávia, no nível 
da primeira costela. (MARIEB, 7ª ed.) 
VEIAS PROFUNDAS 
VEIAS DESCRIÇÃO E 
TRIBUTÁRIAS 
REGIÕES 
DRENADAS 
VEIAS BRAQUIOCEFÁLICAS Formadas pela 
união das veias 
subclávia e jugular 
interna. Duas veias 
braquiocefálicas se 
unem para formar 
a veia cava 
superior. 
Membros 
superiores, 
parte superior 
do tórax, 
cabeça entre 
outros 
VEIAS SUBCLÁVIAS Continuações das 
veias axilares. 
Passam sobre a 
primeira costela 
profundamente à 
clavícula para 
terminar na 
extremidade 
esternal da 
clavícula, onde se 
unem com as 
veias jugulares 
externas. 
Ossos dos 
braços, 
ombros, 
pescoço, 
entre outros. 
VEIAS AXILARES Surgem quando 
as veias braquiais 
e basílicas se 
unem próximo da 
base da axila 
Pele, 
músculos, 
ossos do 
braço, axila, 
ombro. 
VEIAS BRAQUIAIS Acompanham as 
artérias braquiais. 
Músculos e 
ossos da 
região do 
cotovelo e 
braquial. 
VEIAS ULNARES Começam nos 
arcos venosos 
palmares 
Músculos, 
ossos e pele 
da mão, e 
5 
 
 
@jumorbeck 
superficiais, que 
drenam as veias 
digitais palmares e 
as veias digitais 
palmares própriasfoi compreendida. 
 Solicitação - o participante que se mostra 
interessado em ouvir críticas estará 
 provavelmente mais aberto a identificar as áreas 
que requerem atenção. 
 Oportunidade - o retorno será oferecido na 
oportunidade que encontre a pessoa mais 
@jumorbeck 
receptiva e que seu desempenho ainda esteja 
na mente. 
 Especificidade - a crítica precisa apontar como 
um desempenho pode ser potencializado ou 
mudado. 
 Direção - o retorno deve ser dirigido aos 
comportamentos que podem ser mudados. 
 Afetividade - aquele que faz a crítica deve 
expressar seus sentimentos para que o outro 
possa perceber o impacto de seu desempenho. 
 Confirmação - deve-se buscar uma confirmação 
da percepção sobre um determinado 
desempenho do participante. 
 Compreensão - deve-se assegurar que o 
participante compreendeu o retorno que foi 
feito. 
Participaram dessa pesquisa 200 estudantes, ativos 
academicamente, de todos os períodos do curso de 
graduação de medicina, vigentes no segundo semestre 
de 2018 (2, 4, 6, 8, 10 e 12º períodos); e 82 professores 
ativos academicamente nesse curso. 
Entre os estudantes, os cinco critérios que tiveram maior 
frequência, sendo considerados muito importantes, foram: 
objetividade (76,5%), cuidado (76,0%), atenção (70%), 
especificidade (69,5%) e compreensão (67,5%). 
Percebe-se também que a afetividade foi o único critério 
que recebeu nenhuma e pouca importância no 
provimento do feedback. Porém, o feedback envolve 
uma dimensão afetiva de particular importância, e quando 
a informação dada pelo professor se centra no próprio 
estudante, e não no seu desempenho, pode aumentar o 
medo do fracasso pelo estudante. Mas, se houver 
negligência da afetividade, pelo professor, os estudantes 
podem minimizar seus esforços, evitando os riscos das 
tarefas desafiadoras. Além disso, alguns autores afirmam 
que, o bom professor deve demonstrar competência 
pedagógica, científica, e nas relações de afeto entre 
aluno-professor. 
A forma como o estudante recebe o feedback influencia 
no sucesso do seu objetivo. Receber o feedback de 
maneira adequada requer maturidade, honestidade e 
compromisso com o objetivo de melhorar suas 
habilidades clínicas. 
Artigo: Aprendizagem Cooperativa e a Formação do 
Médico Inserido em Metodologias Ativas: um olhar de 
estudantes e docentes 
O presente estudo teve como objetivo geral explorar a 
percepção de estudantes e docentes sobre 
aprendizagem cooperativa em um currículo médico 
baseado em métodos ativos;. 
Na modalidade quantitativa, caracterizou-se o perfil de 
estudantes e docentes da Faculdade de Medicina de 
Marília (Famema) quanto a suas percepções no que 
tange à aprendizagem cooperativa instigada na esfera de 
metodologias ativas de ensino e aprendizagem (ABP e 
Problematização) em pequenos grupos na graduação. 
Ao serem indagados se havia contribuição significativa dos 
outros estudantes em sua aprendizagem nos grupos 
tutoriais e ciclos pedagógicos, a maioria nas quatro séries 
concordou com esta afirmação. 
Ao se deparar com a proposição que os colocava diante 
do papel do tutor em sua aprendizagem dentro das 
tutorias, a maioria dos estudantes da primeira série (75%) 
afirmou que considera preponderante o papel do tutor 
no processo tutorial. Na segunda série, 90% consideraram 
essencial. A terceira série teve a menor porcentagem de 
concordância (54%), enquanto 71% da quarta série 
concordaram. Assim, percebe-se que há valorização do 
papel do tutor/facilitador. 
De acordo com alguns autores, o tutor poderia ser 
definido como aquele profissional que ensina o estudante 
a aprender, sendo essencial num pequeno grupo pela sua 
experiência ao aconselhar, guiar e facilitar a construção o 
do conhecimento 
O feedback imediato por todos os elementos do grupo 
contribui com o desenvolvimento da aprendizagem de 
todos. 
Quanto à proposição segundo a qual no pequeno grupo 
percebiam mais cooperação do que competição, na 
primeira série, 37% concordaram; na segunda série, 54% 
concordaram; na terceira série,61% concordaram; e na 
quarta série, 67% concordaram. Parece que no primeiro 
ano ainda trazem fortemente em suas atitudes a 
competição, talvez porque tenham acabado de sair do 
vestibular, e, portanto, a experiência com os métodos 
facilita a cooperação entre eles. Segundo meta-análise de 
Albanese1 realizada para avaliar os efeitos da 
aprendizagem cooperativa em comparação com a 
aprendizagem competitiva, ações cooperativas 
trouxeram maiores benefícios na resolução de problemas 
(72,5%) 
@jumorbeck 
A cooperação pode promover habilidades importantes na 
formação do médico com melhor desenvoltura para 
questões psicossociais. 
Johnsonet al.7 propõem cinco componentes básicos para 
serem incorporados ao processo de ensino e 
aprendizagem para que haja aprendizagem cooperativa, 
tendo o professor como facilitador nesse processo. São 
eles: interdependência positiva, responsabilidade individual 
e grupal, interação face a face, habilidades interpessoais e 
grupais para manter um ambiente adequado ao 
aprendizado, e avaliação grupal. 
Vega Vacaet al destacam em seu trabalho que a 
aprendizagem cooperativa traz vários benefícios num 
contexto de trabalho em pequenos grupos: aumenta o 
rendimento, motivação e autoestima dos estudantes 
frente à aprendizagem individualista, desenvolve atitudes 
mais positivas em relação à aprendizagem e aos 
docentes, favorece a aceitação dos companheiros e 
desenvolve interdependência positiva. 
Estas percepções de aprendizagem mútua entre 
professores e estudantes também são encontradas no 
estudo de Freitas et al.16, ao afirmarem que a relação 
existente entre eles permite a troca de saberes, sendo 
condição indispensável ao processo ensino-
aprendizagem, o que dinamiza o processo educativo e 
lhe dá sentido. 
Em suma, com base no entendimento de docentes e 
estudantes, concluiu-se que a aprendizagem cooperativa 
é eficaz em pequenos grupos e que traz benefícios 
sociais, cognitivos e psicomotores, sendo favorecida no 
âmbito de metodologias ativas e com a educação 
permanente, a qual, se implementada de maneira incisiva, 
pode gerar ferramentas úteis ao processo de ensino e 
aprendizagem. 
Referências 
COHEN, ELIZABETH G.; LOTAN, RACHEL A. Planejando 
o Trabalho em grupo: Estratégias para Salas de Aula 
Heterogêneas. 3º edição. Editora Penso, 2017. 
HARDINGHAM ALISON. Trabalho em equipe. São Paulo, 
Novel, 2000. 
PIANCASTELLI, Carlos Haroldo; FARIA, Horácio Pereira 
de; SILVEIRA, Marília Rezende da . O trabalho em equipe. 
In: BRASIL. Ministério da Saúde. Organização do cuidado a 
partir de problemas: uma alternativa metodológica para a 
atuação da Equipe de Saúde da Família. Brasília: OPAS, 
p.45-50, 2000. Disponível em: 
https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/si
mples/O%20TRABALHO%20EM%20EQUIPE/ 
NAVARRO, ADRIANA SANTANA DE SOUZA; 
GUIMARÃES, RAPHAELLA LIMA DE SOUZA; 
GARANHANI MARA LÚCIA. Trabalho em equipe: o 
significado atribuído por profissionais da estratégia da 
família. Revista Mineira de Enfermagem, vol. 1, nº 17, 
páginas: 69-75, janeiro-março 2013. Disponível em: 
http://www.reme.org.br/artigo/detalhes/579 
BACICH, LILIAN; MORAN JOSÉ. Metodologias ativas para 
uma educação inovadora: uma abordagem téorico-
prática. Porto Alegre: Penso, 2018 e-PUB. Disponível em: 
https://curitiba.ifpr.edu.br/wp-
content/uploads/2020/08/Metodologias-Ativas-para-uma-
Educacao-Inovadora-Bacich-e-Moran.pdf 
FRISON, LOURDES MARIA BRAGAGNOLO. Tutoria entre 
estudantes: uma proposta de trabalho que prioriza a 
aprendizagem. Revista Portuguesa de Educação, vol. 25, 
núm. 2, 2012, pp. 217-240 Disponível em: 
https://revistas.rcaap.pt/rpe/article/view/3008 
CONCEIÇÃO, CAIO V.; MORAES, MAGALI Aparecida 
Alves. Aprendizagem Cooperativa e a Formação do 
Médico Inserido em Metodologias Ativas: um olhar de 
Estudantes e Docentes. Revista Brasileira de Educação 
Médica, vol. 2, nº 42, páginas: 115-122, 2018. 
PEIXOTO, MARISA COSTA. Avaliação do feedbacknos dedos. 
músculos da 
face medial 
do antebraço. 
VEIAS RADIAIS Iniciam-se nos 
arcos venosos 
palmares 
profundos, que 
drenam as veias 
metacarpais 
palmares nas 
palmas das mãos. 
Unem-se às veias 
ulnares para 
formar as veias 
braquiais. 
Músculos e 
ossos da 
lateral da mão 
e antebraço. 
 
Veias superficiais 
↠ São maiores do que as veias profundas e são visíveis 
abaixo da pele. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Elas formam anastomoses frequentes ao longo do seu 
curso, começando pela rede venosa dorsal da mão. Essas 
veias são imediatamente aparentes no dorso da mão em 
razão da pele delgada da região. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ A rede venosa dorsal drena superiormente na veia 
cefálica, que começa na parte lateral dessa rede, curva-
se em torno da parte distal do rádio, e penetra na parte 
anterior do antebraço. Desse ponto, essa veia sobe por 
toda a face anterolateral do membro superior e termina 
abaixo da clavícula, onde se une à veia axilar. (MARIEB, 7ª 
ed.) 
↠ A veia basílica surge na parte medial da rede venosa 
dorsal da mão, e sobe ao longo da superfície 
posteromedial do antebraço e da superfície anteromedial 
do braço. Na axila, a veia basílica se une à veia braquial e 
formam a veia axilar. (MARIEB, 7ª ed.) 
↠ Na face anterior da articulação do cotovelo, na região 
da fossa cubital, a veia intermédia do cotovelo conecta as 
veias basílica e cefálica. Essa veia é fácil de encontrar na 
maioria das pessoas, sendo utilizada para retirar sangue 
ou administrar substâncias por via intravenosa. (MARIEB, 
7ª ed.) 
 
VEIAS SUPERFICIAIS 
VEIAS DESCRIÇÃO E 
TRIBUTÁRIAS 
REGIÕES DRENADAS 
VEIAS CEFÁLICAS Iniciam-se na face 
lateral das redes 
venosas dorsais da 
mão no dorso das 
mãos, formadas 
pelas veias 
metacarpais dorsais 
Tegumento e 
músculos 
superficiais da face 
lateral do membro 
superior. 
VEIAS BASÍLICAS Iniciam-se na face 
medial da rede 
venosa dorsal das 
mãos e ascendem 
ao longo da face 
posteromedial do 
antebraço e da 
face anteromedial 
do braço. 
Conectam-se às 
veias cefálicas 
anteriormente ao 
cotovelo pelas 
veias intermediárias 
do cotovelo. 
Tegumento e 
músculos 
superficiais da face 
lateral do membro 
superior. 
 
Sinais vitais 
↠ As medidas de temperatura, pulso, pressão arterial 
(PA), frequência respiratória e saturação de oxigênio são 
as mais frequentemente obtidas pelos profissionais de 
saúde. Como indicadores do estado de saúde, essas 
medidas indicam a eficiência das funções circulatória, 
respiratória, neural e endócrina do corpo. (POTTER & 
PERRY) 
↠ Devido à sua importância, são referidas como sinais 
vitais. (POTTER & PERRY) 
6 
 
 
@jumorbeck 
↠ A dor, um sintoma subjetivo, também é 
frequentemente chamada de o quinto sinal vital e medida 
juntamente com os demais. (POTTER & PERRY) 
↠ Os sinais vitais são um modo eficiente e rápido de 
monitorar a condição do paciente ou de identificar 
problemas e avaliar a resposta do paciente a uma 
intervenção. (POTTER & PERRY) 
QUANDO MEDIR OS SINAIS VITAIS? 
➢ À admissão em instituições de cuidado da saúde; 
➢ Quando avaliar o paciente em visitas de cuidado domiciliar; 
➢ No hospital, em esquema de rotina, conforme prescrições 
do profissional de saúde ou dos padrões de prática 
hospitalar; 
➢ Antes e após um procedimento cirúrgico ou um 
procedimento diagnóstico invasivo; 
➢ Antes, durante e após uma transfusão de derivados do 
sangue; 
➢ Antes, durante e após a administração de medicamentos 
ou terapias que afetam as funções de controle 
cardiovascular, respiratório ou de temperatura; 
➢ Quando condições físicas gerais do paciente são alteradas; 
 
Pulso e Frequência Cardíaca 
↠ A expansão e a retração alternadas das artérias 
elásticas após cada sístole do ventrículo esquerdo cria 
uma onda de pressão móvel que é chamada pulso. O 
pulso é mais intenso nas artérias mais próximas do 
coração, torna-se mais fraco nas arteríolas e desaparece 
por completo nos capilares. O pulso pode ser palpado em 
qualquer artéria que se situe perto da superfície do corpo 
que possa ser comprimida contra um osso ou outra 
estrutura firme. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Devem-se registrar a frequência das pulsações 
arteriais - geralmente a radial - e a frequência cardíaca 
mensurada no exame do precórdio. (CAMPANA) 
➢ Taquicardia é uma frequência cardíaca ou de pulso acima 
de 100 bpm. (TORTORA, 14ª ed.) 
➢ Bradicardia é uma frequência cardíaca ou de pulso lenta 
(inferior a 60 bpm). (POTTER & PERRY) 
➢ Taquisfigmia: é uma frequência da pulsação arterial acima 
de 100 bpm. 
➢ Bradisfigmia: é uma frequência da pulsação arterial abaixo 
de 60 bpm. 
Uma contração cardíaca ineficiente que falha na transmissão da onde 
de pulsação para o local da pulsação periférica cria um déficit de pulso. 
Para avaliar esse déficit, deve-se avaliar as frequências apical e radial 
ao mesmo tempo e compará-las. A diferença entre as frequências de 
pulsação apical e radial corresponde ao déficit de pulso. (POTTER & 
PERRY) 
Deve-se avaliar o: 
➢ Ritmo: normalmente ocorre um intervalo regular entre cada 
pulso ou batimento cardíaco. Um intervalo interrompido por 
um batimento precoce ou tardio, ou por um batimento 
perdido, indica um ritmo anormal ou disritmia. 
➢ Força: a força ou amplitude de um pulso reflete o volume 
de sangue ejetado contra a parede arterial a cada 
contração cardíaca. 
➢ Igualdade: acesse a pulsação radial em ambos os lados do 
sistema vascular periférico, comparando as características 
de cada um. 
↠ Alguns pontos de verificação do pulso arterial comuns: 
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO 
Artéria carótida comum Lateral à laringe (pregas 
vocais) 
Artéria braquial Face medial do músculo 
bíceps braquial 
Artéria femoral Inferior ao ligamento inguinal 
Artéria poplítea Posterior ao joelho 
Artéria radial Face lateral do punho 
Artéria dorsal do pé Superior ao dorso do pé 
 
 
VARIAÇÕES ACEITÁVEIS DA FREQUÊNCIA CARDÍACA 
IDADE FREQUÊNCIA CARDÍACA (BPM) 
BEBÊ 120 - 160 
CRIANÇA COMEÇANDO A ANDAR 90 – 140 
PRÉ-ESCOLAR 80 – 110 
CRIANÇA EM IDADE ESCOLAR 75 - 100 
ADOLESCENTE 60- 90 
ADULTO 60 - 100 
 
Pressão Arterial 
↠ Na prática clínica, o termo pressão arterial geralmente 
refere-se à pressão nas artérias produzida pelo ventrículo 
esquerdo durante a sístole e a pressão remanescente 
nas artérias quando o ventrículo está na diástole. A 
pressão arterial normalmente é aferida na artéria braquial 
do braço esquerdo. (TORTORA, 14ª ed.) 
7 
 
 
@jumorbeck 
↠ A contração cardíaca força o sangue sob alta pressão 
para dentro da aorta. O pico máximo de pressão, no 
momento em que a ejeção ocorre, é a pressão sistólica. 
Quando os ventrículos relaxam, o sangue que permanece 
nas artérias exerce uma pressão mínima ou diastólica. A 
pressão diastólica é mínima. (POTTER & PERRY) 
 
↠ Os vários sons auscultados durante a aferição da 
pressão arterial são chamados sons de Korotkoff. 
(TORTORA, 14ª ed.) 
Fatores que influenciam na pressão arterial: idade, estresse, etnia, sexo, 
variação diária, medicamentos, atividade e peso, tabagismo. (POTTER 
& PERRY, 8ª ed.) 
CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL DE ACORDO COM A MEDIÇÃO 
NO CONSULTÓRIO A PARTIR DE 18 ANOS DE IDADE 
CLASSIFICAÇÃO PAS (mmHg) PAD (mmHg) 
PA ÓTIMA /= 180 e/ou >/= 110 
De acordo com a Diretriz Brasileira de HÁ, 2020 
 
↠ A diferença entre as pressões sistólica e diastólica é 
chamada pressão diferencial. Esta pressão, normalmente 
de cerca de 40 mmHg, fornece informações sobre a 
condição do sistema circulatório. Por exemplo, doenças 
como a aterosclerose e a persistência do canal arterial 
(PCA) aumentam muito a pressão diferencial. A razão 
normal entre as pressões sistólica, diastólica e diferencial 
é de aproximadamente 3:2:1. (TORTORA, 14ª ed.) 
↠ Aumento da pressão diferencial, isto é, a diferença 
entre a pressãocomo 
ferramenta de ensino e aprendizagem em um curso de 
medicina. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal 
de Uberlândia, 2019. 
SÁ, SUSANA OLIVEIRAA; ALVES, MARIA PALMIRA; 
COSTA, ANTÔNIO PEDRO. O contributo do feedback na 
avaliação das aprendizagens no ensino superior. Atas 
Investigação Qualitativa em Educação, vol. 1, páginas 229- 
233,2014 
 
 
 
@jumorbeck 
Ética no Trabalho em Equipe 
Ética e moral são conceitos filosóficos que, apesar da 
estreita relação que mantêm com o comportamento em 
sociedade, possuem significados distintos. A moral está 
baseada em costumes e convenções estabelecidas por 
cada grupo. Por sua vez, a ética se vincula ao estudo e à 
aplicação desses valores e princípios no âmbito das 
relações humanas. (CEEM, 2018) 
Desde o início da civilização o homem necessitou da 
vivencia em grupo, formando a sociedade, sendo que em 
cada momento histórico foram criados padrões de 
comportamentos que demonstram os valores de cada 
sujeito de acordo com sua cultura e história, 
demonstrando em suas ações a sua própria ética (SOUZA 
et al., 2018 apud CORTELLA, 2015). 
Etimologicamente, ética vem do grego “ethos’ e significa 
modo de ser, caráter, conduta. A grande diferença entre 
ética e moral é que, para funcionar, a moral precisa ser 
imposta, enquanto a ética deve ser inerente ao indivíduo, 
apreendida e incorporada por ele. A moral é imposta, a 
ética, percebida. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA 
MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
Uma preocupação e uma justificativa para o estudo da 
ética é o fato de que na medicina repousam os valores 
mais altos da humanidade. Tem o poder de dar e tirar a 
vida, lutar por ela e deixar morrer, ajudar e destruir 
pessoas. Em outras palavras: tudo que existe na ciência 
médica pode ser usado para o bem ou para o mal. A 
decisão pelo bem ou pelo mal é ditada pelos princípios 
que formam as bases do trabalho de um médico. (PORTO 
& PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
A ética profissional pode ser definida como valores, 
normas e de relacionamentos manifestados no ambiente 
de trabalho. Adotar uma postura ética é construir boas 
relações com colegas, chefes e subordinados, o que 
contribui para as rotinas de trabalho funcionarem em 
ordem, fortalecendo rendimentos produtivos e a imagem 
da organização frente àqueles que se interessam por ela. 
Desta forma, ser ético é agir de maneira a não desviar 
dos padrões convencionais da sociedade, sem trazer 
prejuízos às outras pessoas. (SOUZA et al., 2018) 
Em se tratando de ética no trabalho, o filósofo Mario 
Sérgio Cortella (2015) afirma que “é necessário cuidar da 
ética para não anestesiarmos a nossa consciência e 
começarmos a achar que tudo é normal. (SOUZA et al., 
2018) 
Dentro de uma organização existem pessoas diferente, 
desta maneira os valores individuais que um colaborador 
possui nem sempre será compatível com os valores de 
outros. Os relacionamentos e conflitos no ambiente de 
trabalho, por vezes, são provocados por valores éticos 
não cumpridos. Esse não é um fenômeno novo e 
tampouco será extinto (SOUZA et al., 2018 apud NEME, 
2008) 
A sociedade precisa entender que a ética é insubstituível 
para a boa conduta no ambiente de trabalho. É ela que 
age no íntimo do indivíduo para que este vise o bem 
comum (SOUZA et al., 2018 apud LISBOA, 1997) 
Tentar ser imparcial, nunca culpar os colegas, não 
provocar fofocas, evitar discussões públicas e conversar 
no ambiente particular para esclarecer qualquer problema. 
Esses são alguns valores que são exigidos para que se 
mantenha uma postura ética (SOUZA et al., 2018 apud 
SILVA, 2010) 
A educação também independe de hierarquia de trabalho. 
As empresas devem assumir papel de responsáveis pelos 
cumprimentos da ética, e isso só é possível caso os 
gestores demonstrem postura ilibada perante seus 
funcionários (SOUZA et al., 2018 apud CORTELLA, 2015). 
Ética profissional trata dos direitos e dos deveres, dos 
profissionais, através da mesma é que são criados os 
códigos éticos de cada profissão. Assim, os Códigos de 
Ética Profissional (Camargo,1999) “estruturam e 
sistematizam as exigências no tríplice plano de orientação, 
disciplina e fiscalização”. Estabelecendo parâmetros 
variáveis e relativos que demarcam o piso e o teto dentro 
dos quais a conduta pode ou deve ser considerada regular 
sobe o ângulo ético. (MARTINS, GABRIEL, 2012) 
Deve-se respeitar a dignidade humana, os direitos dos 
seres humanos e as liberdades fundamentais. Os pilares 
do conhecimento aprender a viver juntos e aprender a 
viver com os outros representam um dos maiores 
desafios da educação. (MENEZES et. al, 2017) 
Código de Ética do Estudante de Medicina 
Princípios fundamentais: 
V - O estudante de medicina guardará absoluto respeito 
pelo ser humano e atuará sempre em benefício deste 
com prudência, apresentando-se condignamente, 
cultivando hábitos e maneiras que façam ver ao paciente 
o interesse e o respeito de que ele é merecedor. Jamais 
utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico 
ou moral, para o extermínio do ser humano ou para 
@jumorbeck 
permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e 
integridade. 
 
XII - O estudante terá, para com os colegas, respeito, 
consideração e solidariedade, sem se eximir de apontar 
aos seus responsáveis (professores, tutores, preceptores, 
orientadores) atos que contrariem os postulados éticos 
previstos neste Código. 
Eixo 6 - Relação do Estudante com a Equipe 
Multiprofissional: 
Art. 42: O estudante de medicina deve relacionar-se de 
maneira respeitosa e integrada com estudantes de 
diferentes graduações, buscando fomentar, desde o início 
de sua formação, o trabalho em equipe. 
Art. 44: O estudante de medicina deve alertar, de forma 
respeitosa, qualquer profissional de saúde quando 
identificada alguma situação que julgue oferecer risco 
potencial à segurança do paciente. 
Código de Ética do Estudante de Medicina 
Os primeiros relatos de princípios éticos inerentes à 
profissão médica são atribuídos à Hipócrates quatro 
séculos antes da era cristã . O juramento de Hipócrates é 
até hoje referência para a conduta médica e contém 
preceitos éticos fundamentais à prática da medicina, 
como filantropia, não maleficência, justiça e 
confidencialidade. (YAMAKI et. al, 2014) 
definido no próprio juramento hipocrático: Tudo aquilo 
que tenha ou não relação com a prática da minha 
profissão, ver ou ouvir da vida dos homens que não deva 
ser divulgado, não divulgarei, respeitando tudo aquilo que 
deva ficar em segredo. (YAMAKI et. al, 2014) 
Os autores da ética profissional utilizam com frequência o 
conceito de deontologia, originado da palavra grega deón 
[o que é conveniente] e logia [conhecimento]. O pensador 
Jeremy Benthan introduziu este termo com o seguinte 
sentido: os estudos das obrigações morais do indivíduo no 
seio de sua comunidade (Alcântara, 1979). (PORTO & 
PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
A deontologia é o conjunto de regras, fruto da tradição, 
que indicam como deverá comportar-se o indivíduo na 
qualidade de membro de um grupo social determinado. 
(PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
A moral deontológica é na realidade uma ética aplicada 
que orienta uma dada profissão. Suas normas são 
estabelecidas pelos próprios profissionais, de maneira 
empírica, depois de atenta reflexão sobre o cotidiano; em 
geral, estas permanecem dispostas dentro de um 
ordenamento semelhante a um código no qual são 
utilizadas expressões imperativas, tais como “é vedado”, 
“deve” (Código de Ética Médica). (PORTO & PORTO, 
SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
A crítica maior aos Códigos de Deontologia é o fato de 
que são elaborados apenas com a participação dos 
profissionais da área, sem que sejam ouvidos os reais 
beneficiários, ou seja, os cidadãos, a quem se propõe 
proteger. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª 
EDIÇÃO) 
A bioética é a parte da ética que enfoca as questões 
referentes à vida humana e, portanto, à saúde. A bioética 
possui quatro princípios: beneficência,não maleficência, 
autonomia e justiça. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA 
MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
A conduta do médico deve ser resultado de qualidades 
humanas e preparo técnico, ao lado de uma ordenação 
de princípios, representados pelo Código de Ética, bem 
como os direitos e deveres estabelecidos na legislação do 
país. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª 
EDIÇÃO) 
O ensino da ética médica, da bioética e das humanidades 
no curso de medicina é de extrema importância, pois na 
graduação o estudante constrói as bases de sua futura 
relação médico-paciente. Durante essa construção, além 
de uma formação humanística plural, é necessário o 
estabelecimento de regras claras de direitos e deveres 
dos acadêmicos para com seus pares, professores e 
pacientes. (LISBOA; LINS, 2014) 
A importância de um código de ética para estudantes de 
medicina vai além do estímulo à prevenção do exercício 
ilegal da medicina por estudantes, incidindo também na 
humanização do futuro médico, que por meio deste 
instrumento absorverá os princípios e diretrizes voltados 
ao exercício cidadão da medicina. (LISBOA; LINS, 2014) 
Código de Ética do Estudante de Medicina 
Princípios fundamentais: 
IX - O estudante guardará sigilo a respeito das 
informações obtidas a partir da relação com os pacientes 
e com os serviços de saúde 
 
Eixo 5: Relação do Estudante com a sociedade 
Art. 39 – É dever do estudante de medicina agir de forma 
solidária e respeitosa com as pessoas, a instituição e as 
@jumorbeck 
normas vigentes, valorizando atitudes e medidas que 
beneficiem o crescimento coletivo. 
 
Prontuário Médico 
Em relação à história dos prontuários, o reconhecimento 
da importância do registro exato das informações do 
paciente, registradas em seu prontuário, aconteceu a 
partir da institucionalização da Medicina Científica por 
Hipócrates, no século 5 a.C. que refletia de maneira exata 
o curso da doença e indicava as suas possíveis causas 
(TONELLO, NUNES, PANARO, 2013 apud PINTO, 2006). 
Baseado em anotações médicas, Hipócrates conseguiu 
assinalar e descrever muitos sinais e sintomas de 
enfermidade, e enfatizou a importância do registro 
cuidadoso dessas anotações. O objetivo desse cuidado era 
reunir informações, que auxiliassem na reflexão e estudo 
acerca do desenvolvimento da doença, indicando as 
prováveis causas e mediante análises e comparações e 
empírica buscar a melhor forma de tratá-las. (TONELLO, 
NUNES, PANARO, 2013) 
O prontuário é um documento que pertence ao paciente, 
mas fica sob a guarda do médico e/ou da instituição, 
podendo o paciente fotocopiá-lo. É o principal 
instrumento de defesa dos profissionais médicos quando 
há algum tipo de questionamento de natureza ética, civil, 
administrativa ou criminal. Além disso, servem de suporte 
à pesquisa, ao ensino e ao gerenciamento dos serviços 
de saúde, e são também um documento legal dos atos 
médicos.(PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª 
EDIÇÃO) 
De acordo com o Parecer CFM no 30/02, aprovado em 
10/07/02, “o prontuário do paciente é o documento único 
constituído de um conjunto de informações registradas, 
geradas a partir de fatos, acontecimentos e situações 
sobre a saúde do paciente e a assistência prestada a ele, 
de caráter legal, sigiloso e científico, que possibilita a 
comunicação entre membros da equipe multiprofissional 
e a continuidade da assistência prestada ao indivíduo”. 
Sua importância é demonstrada no artigo 69º do Código 
de Ética Médica e no artigo 1º da Resolução 1.638 do 
Conselho Federal de Medicina (CFM), em que “o médico 
assume o dever de elaborá-lo para cada paciente”, no 
intuito de valorizar as individualidades e prestar uma 
atenção baseada na subjetividade. (FERNANDES et. al, 
2019) 
 
O prontuário do paciente possui a característica de 
documento sigiloso, pessoal, privado e confidencial, pois 
em seus registros constam informações pessoais do 
paciente, tais como: sua identificação completa, sexo, 
filiação, naturalidade e endereço, assim como, seus 
exames e os respectivos resultados, hipóteses 
diagnósticas, diagnóstico e tratamento. Nele estão 
registradas todas as informações pessoais referentes aos 
cuidados médicos e serviços prestados ao paciente, 
informações a respeito da sua saúde, e a sua intimidade 
física e mental. (TONELLO, NUNES, PANARO, 2013) 
Todo atendimento, por mais simples que seja, deve ser 
registrado na ficha clínica ou no prontuário médico, uma 
vez que é impossível guardar na memória as queixas, o 
diagnóstico e as prescrições terapêuticas de todos os 
pacientes, e para que com isso o médico se resguarde 
legal e eticamente. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA 
MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
A incoerência dos relatos clínicos, que se constrói a partir 
da não disposição dos fatos em ordem cronológica, da 
não fixação dos médicos em unidades de atenção 
primária, que resulta na constante renovação de 
profissionais, bem como da ilegibilidade dos dados, facilitam 
a descontinuidade do cuidado. Além disso, o 
preenchimento inadequado, ilegível ou a omissão de 
informações nos prontuários médicos ferem os direitos 
dos usuários – mais especificamente, o de ter suas 
“histórias clínicas preservadas e documentadas” . 
(FERNANDES et. al, 2019) 
Por outro lado, o registro adequado das informações 
sociodemográficas pelos profissionais da atenção primária, 
associado à realização de pesquisas científicas acerca do 
perfil clínico-epidemiológico de determinada comunidade, 
permite o correto estudo da realidade local, a adequação 
dos protocolos e programas, bem como a correta 
“alocação dos recursos materiais e humanos” investidos 
pelos serviços de saúde, aumentando o grau de eficiência 
do atendimento. (FERNANDES et. al, 2019) 
.Os prontuários em papel são os mais tradicionais. Todavia, 
esse tipo de documento é exposto aos riscos de quebra 
de privacidade e de extravio. Existe, também, dificuldade 
para a recuperação de informações importantes para 
tomada de decisão e/ou as que devem ser 
compartilhadas entre os profissionais de saúde e com os 
pacientes, além de necessitarem de espaço físico para 
seu arquivamento. 
@jumorbeck 
Há inúmeros modelos de fichas e de prontuários, mas 
todos eles devem reservar espaço para identificação do 
paciente, história clínica, exame físico, diagnóstico, 
prescrições terapêuticas e seguimento do paciente. É 
necessário abrir um item para as anotações de exames 
complementares. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA 
MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
O Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) 
Vantagens: Acesso mais rápido ao histórico de saúde do 
paciente e as suas consultas e intervenções prévias; 
disponibilidade remota; uso simultâneo por diversos 
serviços e profissionais de saúde; legibilidade das 
informações; fim da redigitação das informações; 
integração com outros sistemas de informação; 
processamento contínuo dos dados; informações 
organizadas de maneira mais sistemática; inexistência da 
possibilidade de extravio das fichas; controle do fluxo de 
pacientes nos serviços de saúde; solicitação e verificação 
de exames complementares e de medicamentos; mais 
agilidade; melhora da qualidade no preenchimento dos 
prontuários; evita deterioração, perda e alteração das 
informações. (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 
8ª EDIÇÃO) 
No âmbito da saúde pública, os registros atualizados 
continuamente em níveis municipal, estadual e nacional 
podem apoiar a definição de políticas públicas e regular 
as demandas entre os três níveis de atenção (primária, 
secundária e terciária). (PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA 
MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
Desvantagens: Necessidade de grandes investimentos em 
hardware e software com atualizações frequentes; 
treinamentos dos usuários; resistência dos profissionais de 
saúde ao uso de sistemas informatizados; receio dos 
profissionais em expor suas condutas clínicas, uma vez 
que o PEP pode ser visto por outros colegas; o sistema 
pode ficar inoperante por horas ou dias, tornando as 
informações indisponíveis; demora para coleta de todos 
os dados obrigatórios; seu usoe acesso indevidos podem 
colocar a questão da confiabilidade e segurança das 
informações do paciente. Outra desvantagem apontada 
está relacionada ao impacto na relação médico-paciente, 
uma vez que o sistema pode reduzir o contato “olho no 
olho” e também aumentar o tempo de trabalho dos 
profissionais, uma vez que costumam exigir o 
preenchimento de uma quantidade maior de informações. 
(PORTO & PORTO, SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
A principal barreira para informatizar o arquivo médico 
está relacionada à educação dos profissionais de saúde 
que interagem com o prontuário. (PORTO & PORTO, 
SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
Apesar das dificuldades relatadas, acredita-se que é de 
suma importância a utilização de sistemas de informação 
que incluam o prontuário eletrônico no âmbito do sistema 
de saúde, a fim de identificar os usuários, facilitar a gestão 
dos serviços, a comunicação e o compartilhamento das 
informações em um país com dimensões continentais e 
imensa diversidade cultural. (PORTO & PORTO, 
SEMIOLOGIA MÉDICA 8ª EDIÇÃO) 
Código de Ética do Estudante de Medicina 
Eixo 3 - Relações Interpessoais do Estudante: 
Art. 31: O estudante de medicina deve escrever de forma 
correta, clara e legível no prontuário do paciente. 
 
Art. 32: O estudante de medicina deve manusear e 
manter sigilo sobre informações contidas em prontuários, 
papeletas, exames e demais folhas de observações 
médicas, assim como limitar o manuseio e o 
conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas 
a sigilo profissional 
 
Artigo: Avaliação da qualidade de prontuários médicos de 
uma Unidade Básica de Saúde: Desafio para 
caracterização do perfil epidemiológico dos usuários 
atendidos 
Trata-se de um estudo descritivo e observacional em que 
os dados, retrospectivos, foram coletados de prontuários 
médicos dos pacientes atendidos no Centro de Saúde Dr. 
Ruy Pimenta Filho no período de 1 de janeiro a 30 de abril 
de 2015. 
Dos 2.000 prontuários analisados, em 1.075 (53,7%) 
prontuários, o diagnóstico se encontrava ausente, ilegível 
ou apresentava sintomatologia como diagnóstico., ou seja, 
no Centro Ruy Pimenta, 53,7% dos prontuários 
apresentaram diagnóstico preenchido de modo incorreto, 
ilegíveis, ausentes ou com sintomatologia como 
diagnóstico. 
A ausência e ilegibilidade das hipóteses diagnósticas, bem 
como a adoção de sintomatologias e procedimento 
(curativos e medicação) como diagnóstico evidencia o 
comprometimento da qualidade de preenchimento dos 
prontuários, uma vez que apenas 30,7% foram 
preenchidos corretamente no campo diagnóstico. 
@jumorbeck 
 
Referências 
SOUZA, ADRIENE A.; SOBREIRA, ALINE L. PAIXÃO; 
CLAUDIO, EDINEIA A.; GUEDES, SIDILENE A. P.; 
BARBOSA, VICTÓRIA M. A. P. A. Ética nas relações de 
trabalho. Caderno de Propostas de Pesquisa, CAPES,2018, 
Minas Gerais. 
MARTIN, ÉRIKA B.; GABRIEL, KAREN. A importância da 
ética nas relações de trabalho. Trabalho de Conclusão de 
Curso a Graduação em Tecnologia em Recursos Humano 
da Faculdade de Pindamonhangaba, 2012. 
PORTO, CELMO C.; PORTO, ARNALDO L.. Semiologia 
Médica. 8ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. 
MENEZES, MÁRCIA M.; MAIA, LUCIANA C.; ROCHA, 
CAROLINA U., SAMPAIO, CRISTINA A., COSTA, SIMONE 
M. Conflitos Éticos Vivenciados por Estudantes de 
Medicina. Revista Brasileira de Educação Médica. Vol. 1, nº 
41, páginas: 162-169, 2017. 
LISBOA, LARISSA; LINS LILIANE. Código de ética do 
estudante de medicina: uma análise qualitativa. Revista 
Bioética. Vol. 22, nº 1, páginas 182-190,2014. 
YAMAKI, VITOR N.; TEIXEIRA, RENAN K. C.; OLIVEIRA, 
JOÃO P. S.; YASOJIMA, EDSON Y.; SILVA, JOSÉ A. C. 
Sigilo e confidencialidade na relação médico-paciente: 
conhecimento e opinião ética do estudante de medicina. 
FERNANDES et. al. Avaliação da qualidade de prontuários 
médicos de uma Unidade Básica de Saúde: Desafio para 
caracterização do perfil epidemiológico dos usuários 
atendidos. Revista Médica de Minas Gerais, 2019. 
TONELLO, IZÂNGELA M. S.; NUNES, RISIA M. S.; 
PANARO, ALINE P. Prontuário do Paciente: A questão do 
sigilo e a lei de acesso à informação. 2013 
Código de Ética do Estudante de Medicina. Conselho 
Federal de Medicina, Brasília, 2018. 
 
 
@jumorbeck 
 
 
As células são as unidades funcionais e estruturais dos 
seres vivos. 
Procarionte x Eucarionte 
A microscopia eletrônica demonstrou que existem 
fundamentalmente duas classes de células: os 
procariontes (pro, primeiro, e cario, núcleo), cujos 
cromossomos não são separados do citoplasma por 
membrana, e as eucariontes (eu, verdadeiro, e cario, 
núcleo), com um núcleo bem individualizado e delimitado 
pelo envoltório nuclear. (JUNQUEIRA, 9ª ed.) 
 
 
 
 
 
Célula Eucarionte 
As células eucariontes apresentam duas partes 
morfologicamente bem distintas – o citoplasma e o 
núcleo –, entre as quais existe um trânsito constante de 
moléculas diversas, nos dois sentidos. O citoplasma é 
envolvido pela membrana plasmática, e o núcleo, pelo 
envoltório nuclear. (JUNQUEIRA, 9ª ed.) 
Citoplasma X CITOSOL 
O citoplasma das células eucariontes contém as organelas, 
como mitocôndrias, retículo endoplasmático, aparelho de 
Golgi, lisossomos e peroxissomos. O conceito de organela 
não é bem definido; varia um pouco de um autor para 
outro. Além das organelas, o citoplasma pode apresentar 
depósitos de substâncias diversas, como grânulos de 
glicogênio e gotículas lipídicas. Preenchendo o espaço 
entre as organelas e os depósitos, também chamados 
inclusões, encontra-se a matriz citoplasmática ou citosol. 
(JUNQUEIRA, 9ª ed.) 
O citosol contém água, íons diversos, aminoácidos, 
precursores dos ácidos nucleicos, numerosas enzimas. O 
citosol contém microfibrilas, constituídas de actina, e 
microtúbulos, constituídos de tubulina, cujas unidades 
 
 
monoméricas se podem despolimerizar e polimerizar 
novamente, de modo reversível e dinâmico, o que explica 
as modificações de sol para gel, e vice-versa, observadas 
no citoplasma. Quando despolimerizadas (separadas umas 
das outras), as moléculas das proteínas actina e tubulina 
conferem maior fluidez ao citosol. Quando polimerizadas 
em microfibrilas e microtúbulos, conferem a consistência 
de gel à região citoplasmática em que se encontram. 
(JUNQUEIRA, 9ª ed.) 
 
Membrana PlasmÁtica 
A membrana plasmática, ou plasmalema, é a estrutura 
celular que estabelece o limite entre os meios intra e 
extracelulares. Uma função importante dessa membrana 
é a manutenção da constância do meio intracelular, cuja 
composição é diferente da do líquido extracelular. Apesar 
da existência desse limite, existe grande interação entre 
o interior da célula e as moléculas extracelulares. 
As unidades de membrana são bicamadas lipídicas 
formadas principalmente por fosfolipídios e que contêm 
uma quantidade variável de moléculas proteicas, mais 
numerosas nas membranas com maior atividade funcional 
(as proteínas são responsáveis pela maioria das funções 
da membrana). (JUNQUEIRA, 9ª ed.) 
As membranas celulares são compostas principalmente 
por lipídios e por proteínas. A maior parte dos lipídios se 
organiza em duas camadas de moléculas de fosfolipídios. 
Estes, em meio aquoso, espontaneamente se organizam 
em bicamadas sem gasto de energia. Os grupamentos 
não polares (hidrofóbicos) dos fosfolipídios se situam no 
centro da membrana, e os seus grupamentos polares 
(hidrofílicos) se localizam nas duas superfícies da 
membrana, expostos aos ambientes em que existe água. 
Além dos fosfolipídios, as membranas celulares contêm 
outros lipídios, como glicolipídios e colesterol. 
Células 
@jumorbeck 
 
O folheto externo da bicamada lipídica da membrana 
plasmática apresenta muitas moléculas de glicolipídios, 
com as porções glicídicas se projetando para o exterior 
da célula. As porções glicídicas dos glicolipídios se juntam 
porções glicídicas das proteínas da própria membrana, 
mais glicoproteínas e proteoglicanos secretados, que são 
adsorvidos pela superfície celular para formar um 
conjuntodenominado glicocálice. Assim, o glicocálice é 
uma projeção da parte mais externa da membrana, com 
apenas algumas moléculas adsorvidas, e não uma camada 
inteiramente extracelular, como se pensou inicialmente. 
(JUNQUEIRA, 9ª ed.) 
O glicocálice participa do reconhecimento entre células e 
da união das células umas com as outras e com as 
moléculas extracelulares. 
 
As proteínas representam aproximadamente 50% do 
peso da membrana plasmática, percentual que varia muito 
nas membranas do interior da célula. As moléculas 
proteicas podem ser classificadas em dois grupos: 
 Proteínas periféricas: estão fracamente 
associadas à membrana e podem ser extraídas 
com certa facilidade por meio de soluções 
salinas. Essas proteínas se ancoram de diversas 
maneiras na bicamada lipídica: por interação com 
porções hidrofóbicas da membrana, por ligações 
covalentes ou por diversos tipos de âncoras, 
como, por exemplo, por meio do 
glicosilfosfatidilinositol (GPI) – âncora GPI. 
 Proteínas integrais: são proteínas fortemente 
ligadas a moléculas da membrana e só podem 
ser extraídas por tratamentos drásticos, como, 
por exemplo, pelo uso de detergentes. A maioria 
dessas proteínas atravessam a bicamada 
totalmente e são denominadas proteínas 
transmembrana. Algumas proteínas 
transmembrana atravessam a membrana uma 
única vez, enquanto outras têm cadeias longas 
e dobradas, que atravessam a membrana 
diversas vezes. Por isso, as proteínas 
transmembrana podem ser classificadas em 
proteínas de passagem única e proteínas de 
passagem múltipla. 
As proteínas transmembrana exercem funções muito 
importantes na célula: algumas agem como poros 
funcionais por onde transitam íons e moléculas, e outras 
agem como receptores. 
As proteínas que fazem parte da membrana são 
sintetizadas no retículo endoplasmático granuloso, 
modificadas no complexo de Golgi e transportadas para a 
superfície celular em membranas de vesículas de 
transporte. 
As proteínas podem deslizar ao longo do plano da 
membrana porque a bicamada lipídica é fluida. Conjuntos 
de moléculas lipídicas e proteicas chamados lipid rafts 
(jangadas lipídicas) flutuam na superfície da membrana e 
podem se deslocar ao longo dela. A distribuição das 
proteínas espalhadas em mosaico na bicamada lipídica da 
membrana plasmática constitui o modelo do mosaico 
fluido para as membranas celulares. 
 
 Transporte de substÂncias atravÉs da membrana 
plasmÁtica: 
A troca de substâncias entre as células e o meio 
extracelular ocorre através da membrana. Moléculas 
pequenas apolares e gases podem se difundir através 
dela. Moléculas maiores e íons necessitam de mecanismos 
específicos para atravessá-la. Para o transporte, alguns 
desses mecanismos utilizam gradientes de concentração 
entre um e outro lado da membrana. 
@jumorbeck 
Transporte individual de Íons e pequenas molÉculas: 
Muitas substâncias atravessam a membrana de um 
ambiente onde elas estão mais concentradas para um 
ambiente em que estão menos concentradas. Esse 
transporte não requer consumo de energia e é 
denominado transporte passivo. Ocorre por meio de 
proteínas transmembrana chamadas proteínas 
carreadoras ou transportadoras. Em muitas células, o 
transporte de água é otimizado pela ação de moléculas 
transportadoras especializadas, denominadas aquaporinas. 
 
Íons, como Na+, K+ e Ca2+, podem atravessar a 
membrana plasmática através de poros ou canais 
constituídos por proteínas transmembrana. Esse tipo de 
transporte frequentemente ocorre contra um gradiente 
de concentração, de um ambiente pouco concentrado 
para um ambiente muito concentrado, ambos separados 
por membrana. Por esta razão, esse tipo de transporte 
consome energia. É chamado de transporte ativo, e a 
energia usada para o transporte está geralmente contida 
em moléculas de ATP. As proteínas envolvidas em 
transporte ativo são também chamadas bombas (p. ex., 
bomba de sódio-potássio). 
 
As proteínas transportadoras podem transportar apenas 
um tipo de íon ou molécula em uma direção (uniporter) 
ou dois tipos de moléculas na mesma direção (simporter). 
Em certas situações, íons são trocados através da 
membrana, isto é, enquanto um íon sai da célula, 
simultaneamente entra outro pelo mesmo transportador. 
Esse tipo de transporte em direções opostas é 
denominado antiporter. 
 
Transporte de substÂncias em quantidades maiores: 
A passagem em bloco de macromoléculas pela 
membrana, assim como a passagem de partículas (p. ex., 
microrganismos), ocorre por processos que envolvem 
modificações na membrana plasmática visíveis por 
microscopia óptica ou eletrônica. A entrada na célula de 
material em quantidade denomina-se endocitose. Há três 
variedades principais de endocitose: pinocitose de fase 
fluida, endocitose mediada por receptores e fagocitose. 
Pinocitose de fase fluida: A pinocitose de fase fluida é 
praticada por inúmeros tipos celulares. Caracteriza-se pela 
formação de pequenas invaginações da membrana, que 
envolvem o fluido extracelular e as substâncias nele 
contidas. As vesículas de pinocitose, também 
denominadas vesículas de endocitose, têm cerca de 80 
nm de diâmetro e se destacam da membrana, sendo 
conduzidas através do citoplasma pela atividade de 
proteínas motoras associadas ao citoesqueleto. O destino 
das vesículas é variável. 
Endocitose mediada por receptores: Enquanto a 
pinocitose de fase líquida é um processo inespecífico, em 
muitos casos o transporte para o interior da célula tem 
caráter específico. É um mecanismo do qual participam 
receptores de membrana, denominado endocitose 
mediada por receptores. A ligação entre um receptor de 
membrana com seu ligante específico ativa moléculas do 
citoesqueleto; caso os receptores estejam afastados 
entre si, eles são movimentados ao longo da bicamada 
lipídica, concentrando-se em pequena área da membrana, 
onde se forma uma reentrância chamada fosseta. 
@jumorbeck 
 
Muitas vesículas de endocitose se fundem com os 
endossomos, vesículas situadas tanto nas proximidades da 
superfície celular (endossomos jovens) como mais 
profundamente (endossomos maduros). Em conjunto, os 
endossomos formam o sistema endossômico da célula. Os 
endossomos maduros frequentemente se fundem com 
pequenos lisossomos, dando início à digestão do material 
endocitado. 
Fagocitose: Alguns tipos celulares, como os macrófagos 
e os neutrófilos, são especializados em englobar e destruir 
bactérias, fungos, protozoários, células lesionadas, 
partículas orgânicas ou inertes e fragmentos de matriz 
extracelular. As células emitem prolongamentos em 
forma de lâminas, chamados pseudópodos, que se 
estendem em torno do material a ser fagocitado. As 
bordas dos pseudópodos se fundem e acabam por 
englobar o material em um vacúolo que se destaca da 
membrana e é transportado para o interior da célula, 
constituindo o fagossomo. De modo geral, o tamanho do 
material a ser englobado é maior que 0,5 µm. 
 
Exocitose é um processo equivalente à endocitose, 
porém na direção oposta – transporte de dentro para 
fora da célula. Exocitose consiste na fusão de vesículas 
citoplasmáticas; por exemplo, vesículas de transporte e 
grânulos de secreção, com a membrana plasmática 
seguida pela expulsão do conteúdo da vesícula para o 
exterior. A exocitose é um processo complexo e 
depende de proteínas fusogênicas que facilitam a fusão 
entre as vesículas e os grânulos de secreção com a 
membrana plasmática. A endocitose retira porções de 
membrana da superfície. Pela fusão da membrana da 
vesícula de exocitose com a membrana plasmática, 
porções de membrana retornam à membrana plasmática, 
formando-se um fluxo de membrana que recompõe a 
superfície total de membrana da célula. 
Recepção de sinais pela membrana plasmática: A 
membrana plasmática atua como local de recepção de 
sinalização que chega à célula sob a forma de substâncias 
solúveis situadas no meio extracelular. Essas substâncias 
ou agem como ligantes que reconhecem e se ligam a 
receptores de superfície

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