Prévia do material em texto
Giulia Grala - ATM 29/1 Bases Moleculares da Transmissão Genética Histórico: ……………………………………………………………………………………………………………………………………… - Johann Friedrich Miescher (1860): Foi o primeiro que extraiu o DNA. ↳ Na década de 1860, identificou o DNA pela primeira vez ao isolar uma substância do núcleo das células, que ele chamou de nucleína; ↳ Estudando os glóbulos brancos de pus, ele observou uma substância com propriedades incomuns, que era distinta das proteínas conhecidas, que se separava da solução ao ser exposta a um ácido e dissolvia-se novamente na presença de um álcali; ↳ Assim, sem saber, Miescher descobriu a base molecular da vida e criou métodos para extraí-la em sua forma pura. - Albrecht Kossel (1881): Identificou a nucleína como um ácido nucleico e a nomeou como ácido desoxirribonucleico (DNA). ↳ Ele também isolou as cinco bases que formam os blocos de construção do DNA e do RNA: adenina (A), citosina (C), guanina (G), timina (T) e uracila (U); ↳ Por suas contribuições, recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1910. - Gregor Mendel (1856 - 1863): Realizou pesquisas sobre hereditariedade. ↳ Ele conduziu experimentos com ervilhas (Pisum sativum) no mosteiro de Brno, na atual República Tcheca; ↳ Concluiu a lei de segregação independente e relações de dominância; ↳ Publicou os resultados de seu trabalho em 1865, no artigo intitulado "Experimentos com Plantas de Híbridas”; ↳ Somente no início de 1900 seu trabalho foi “descoberto”. Marco do início da GENÉTICA MODERNA. - Erwin Chargaff (1940): Descobriu que as diferenças genéticas entre os DNAs se refletem em alterações químicas entre essas substâncias. ↳ A quantidade adenina (A) é igual a de timina (T); ↳ Já a quantidade de guanina (G) é igual a de citosina (C); ↳ A quantidade dos pares de A-T não necessariamente são iguais aos pares G-C. - Rosalind Franklin (1951 - 1952): Projetou raios X através de cristais de DNA, capturando imagens que revelaram a estrutura da molécula. ↳ Trabalhou com Maurice Wilkins no King's College London usando difração de raios X para estudar o DNA. Giulia Grala - ATM 29/1 ↳ A imagem resultante mostrava um padrão em cruz, indicando a hélice do DNA. Maurice compartilhou a imagem com James e Francis sem o seu consentimento. - James Watson e Francis Crick (1953): Reuniram os resultados anteriores para montar sua tese. ↳ Assim, trabalhando da Universidade de Cambridge, construíram o modelo dupla-hélice. Estrutura do DNA : …………………………………………………………………………………………………………………… - Nucleotídeos: São os componentes básicos do DNA; ↳ São compostos por um grupo fosfato, uma pentose (desoxirribose) e uma base nitrogenada (adenina, timina, citosina, guanina); - Ligações: ↳ Ligações Fosfodiéster: É uma ligação covalente (forte), que confere resistência e integridade ao DNA; ↳ Pontes de Hidrogênio: É uma ligação não-covalente (fraca), que confere coesão e estabilidade ao DNA; → Entre a adenina e a timina, há duas pontes de hidrogênio. Já entre a citosina e a guanina, há três pontes de hidrogênio; ↳ O pareamento não é aleatório. - Extremidades: ↳ Há uma extremidade 5’ e outra 3’; ↳ O sentido de leitura é sempre no sentido 5’ → 3’. RNA : …………………………………………………………………………………………………………………………………………… - O -OH no carbono 2 da ribose reduz a estabilidade do RNA de cadeia simples, quando comparado à fita simples do DNA; ↳ Isso contribui para a capacidade do RNA de se dobrar, formando estruturas tridimensionais complexas; Giulia Grala - ATM 29/1 ↳ Essa flexibilidade permite “auto-pareamentos”, ou seja, pareamentos intramoleculares em uma mesma fita de RNA (a estrutura em grampo é comum); - O RNA não possui a base nitrogenada timina. Assim, essa é substituída pela uracila, que possui a mesma função. Organização do DNA : ………………………………………………………xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx - No núcleo celular, o DNA está organizado como cromatina e associado a proteínas (histonas); - Essas proteínas compactam e protegem o DNA, sendo essenciais para sua organização; - Dessa forma, 8 histonas se unem para formar um nucleossomo, que funciona como um carretel em que o DNA se enrola, compactando e estruturando o genoma; - Os nucleossomos mantém os cromossomos compactados e acessíveis conforme necessário, funcionando como uma estrutura que dobra e embala o DNA dentro da célula; - Quando a célula precisa acessar o DNA, os nucleossomos ajudam a descompactá-lo, permitindo seu uso. Assim, essas estruturas garantem o equilíbrio entre armazenamento eficiente e acessibilidade do material genético. - Empacotamento do DNA: ↳ Na fase de intérfase (entre divisões), o DNA está na forma de cromatina; ↳ Já para a divisão celular, o DNA enovela-se e chega a estrutura de cromossomos condensados. Giulia Grala - ATM 29/1 - Cromossomos: São herdados de ambos os genitores, metade de um e metade de outro, formando pares de cromossomos homólogos; ↳ Está distribuído entre 23 pares de cromossomos, sendo 22 autossômicos e 1 sexual; ↳ Sendo numerado por ordem de tamanho + os sexuais. - Centrômero: É uma região mais compactada e com sequências repetitivas; ↳ É essencial para a segregação correta dos cromossomos durante a divisão celular; ↳ Sua localização depende do par cromossômico. DNA mitocondrial: …………………………………………….………………xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx - A mitocôndria possui um DNA próprio e circular, que é densamente compactado; - Cada organela possui muitas cópias do seu cromossomo e cada célula contém centenas ou milhares de cromossomos de organelas; - Os genes mitocondriais estão relacionados à tarefa de produção de energia, sendo usados na própria mitocôndria; - Teoria da Endossimbiose: Proposta por Lynn Margulis (1960), sugere que as mitocôndrias surgiram quando uma célula eucariótica ancestral engolfou uma bactéria aeróbica sem digeri-la. Com o tempo, essa bactéria estabeleceu uma relação simbiótica e evoluiu para a mitocôndria, essencial para a respiração celular; Giulia Grala - ATM 29/1 - Há 37 genes, sendo 22 RNAt mitocondrial, 2 RNAr mitocondrial e 13 proteínas, que são traduzidos com ribossomos próprios; - Mas as mitocôndrias precisam de mais proteínas codificadas pelo genoma nuclear e são traduzidas nos ribossomos citoplasmáticos, antes de serem importadas para o interior da mitocôndria; - Ne fecundação humana, as mitocôndrias do espermatozoide são destruídas pelo óvulo, sendo então de origem materna; - Há uma segregação replicativa com distribuição aleatória de DNAmt e mitocôndrias; - Homoplasmia: Todas as cópias do DNAmt são idênticas (podem ser normais ou mutadas); - Heteroplasmia: Mistura de DNAmt normal e mutado, podendo influenciar a manifestação de doenças mitocondriais. Gene: …………………………………………………………………….………………xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx - É uma sequência de DNA que especifica a produção de um produto funcional, seja uma proteína (polipeptídeo) ou uma molécula de RNA funcional; - A maior parte do genoma humano não codifica proteínas, mas desempenha um funções regulatórias e estruturais essenciais; - O Projeto Genoma Humano, concluído em 2003, ajudou a estimar esse número, mas pesquisas recentes podem refinar ainda mais essa estimativa. - Estrutura do gene: ↳ Os genes possuem regiões regulatórias (promotor), que controlam a expressão gênica, e codificadoras (unidade de transcrição), que são os éxons e íntrons; ↳ No promotor, é o local onde se ligarão os fatores de transcrição, proteínas codificadas por outros genes que atuam iniciando o processo de transcrição de outros genes; Giulia Grala - ATM 29/1 ↳ TATA box: Sequência TATAAA (ou variações), aproximadamente, 25bp upstream do sítio inicial da transcrição; ↳ GC box: Variantes da sequência GGGCGG em genes que não tem TATA box, normalmente em genes que são housekeeping, como polimerases e histonas,entre outros; ↳ CAAT box: Posição anterior aos demais (upstream), sendo muitas vezes o mais forte determinante para iniciar a transcrição. ↳ Genes codificadores de proteínas são sempre transcritos pela RNA polimerase 2, já a RNA polimerase 1 e 3 são para genes ribossomais, transportadores e não codificadores. Alelo: …………………………………………………………..………….……………xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx - São variações de um mesmo gene na população que ocupa um mesmo locus (posição específica de um gene em um cromossomo); - A combinação do efeito dos dois alelos herdados que definirão a característica do indivíduo; - Ou seja, nada mais são do que sequências de DNA. - Genótipo: Constituição alélica para um determinado gene ou conjunto gênico. 1 gene → 2 alelos → genótipo; - Fenótipo: Característica física observável de uma célula ou organismo correspondente direto do seu genótipo ou da interação desse genótipo com o ambiente; - Expressão gênica (transcrição e tradução) é o que faz o genótipo chegar ao fenótipo. Transcrição: ………………………………………………..………….……………xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx - As etapas da transcrição são a iniciação, o alongamento e o término; - Controle da transcrição: ↳ Ativadores: São proteínas que estimulam o processo, visto que ele ocorre em nível muito baixo; ↳ Repressores: Proteínas que reprimem o processo; - Processamento do RNAm: Giulia Grala - ATM 29/1 ↳ Capeamento 5´: É a adição de um nucleotídeo modificado, a 7-metilguanosina (m⁷G), na extremidade 5' do transcrito primário de RNA. Facilitando o transporte para o citoplasma, a ligação da subunidade 40s do ribossomo e a proteção de ataques de exonucleases; ↳ Poliadenilação 3´: Enzima poli(A) polimerase adiciona sequencialmente resíduos de adenilato (AMP) à extremidade 3’ para o auxílio no transporte para o citoplasma, estabilização da molécula e aumento do reconhecimento do RNAm pelo ribossomo. ↳ Splicing: É a retirada dos íntrons do RNAm maduro, ou seja, não formam proteína; → Possuem sequências semelhantes, pois há um pareamento das ribonucleoproteínas nucleares pequenas (snRNAs) com a junção éxon-íntron e o ponto de ramificação; → snRNAs: São compostas por um pequeno RNA nuclear de 100 a 200 nucleotídeos e servem como uma estrutura para a ligação de várias proteínas; → Ocorre ao mesmo tempo em que o RNAm está sendo formado; → A RNA polimerase 2 possui uma cauda que possibilita a formação do splicessomo. ↳ Splicing alternativo: Estima-se que 95% dos nossos genes codificadores de proteínas passam por splicing alternativo para codificar 2 ou mais isoformas. O mais comum é o salto de éxon, onde um éxon é excluído. Os éxons alternativos tendem a ter sequências de sítios de splicing mais “fracas”, com menor afinidade aos RNAs dos spliceossomos. Tradução: ……………..……………………………………..………….……………xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx - Ocorre no citoplasma das células; - É realizado pelos ribossomos que se movem ao longo do RNAm na direção 5´→ 3´; - A cada três nucleotídeos do RNAm, há um códon, que especifica um aminoácido; - Os RNAt que levam consigo o aminoácido correspondente para cada códon; - Cada códon pareia com um anticódon presente no RNAt correspondente; - Código genético: É a chave que relaciona corretamente o DNA com a proteína. ↳ Há 64 códons possíveis e 20 aminoácidos correspondentes (redundância do código genético); ↳ Há um códon de iniciação, que estabelece a matriz de leitura do RNAm, e códons de terminação. Giulia Grala - ATM 29/1 - Iniciação: ↳ Envolve a ligação da subunidade ribossômica à extremidade 5’ capeada do RNAm. Em seguida, há uma varredura da região 5’ UTR em busca de um códon de iniciação; ↳ O capeamento do RNAm permite este se ligue a fatores que iniciarão o processo de tradução, formando um complexo; ↳ Nem sempre o primeiro AUG é utilizado! Há sequências no entorno do AUG inicial que podem diminuir a eficiência deste, podendo iniciar a tradução no segundo/terceiro AUG da sequência. - Término: ↳ Quando há o códon de parada, não há RNAt que pareie, atraindo proteínas chamadas de fatores de liberação, finalizando o processo. Finalização: ……………..………………………………..………….……………xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx - A maioria das proteínas recém-sintetizadas é incapaz de atuar até que os mecanismos reguladores alterem sua estrutura e localização celular; - Assim, elas normalmente precisam de: ↳ Dobramentos: Conformação tridimensional correta; ↳ Modificações químicas dos aminoácidos; ↳ Transporte para o local adequado na célula; - Principais Processos de Regulação Pós-Traducional das Proteínas: ↳ Fosforilação – Adição de grupos fosfato (P) por quinases, regulando atividade e sinalização celular; ↳ Glicosilação – Ligação de carboidratos, essencial para estabilidade e reconhecimento celular. ↳ Ubiquitinação – Marcação para degradação via proteassoma; ↳ Acetilação – Modifica lisinas, influenciando na estabilidade e interação com o DNA; ↳ Metilação – Adição de grupos metil em lisinas ou argininas, regulando expressão gênica; ↳ Clivagem Proteolítica – Ativação de proteínas, como zimogênios em enzimas digestivas.