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Fundamentos da Terapia do Esquema: técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras Profa. Ma. Beatriz de Oliveira Meneguelo Lobo Mestra em Psicologia/Cognição Humana (PUCRS) Especialista em Terapias Cognitivo-Comportamentais Formação em Terapia do Esquema Pesquisadora Lapicc/USP beatrizlobo.m@gmail.com Objetivos do módulo: Compreender o modelo teórico da Terapia do Esquema (TE) e suas bases teóricas, bem como conhecer e praticar as estratégias comportamentais, cognitivas e vivenciais da TE, a relação terapêutica e a aplicabilidade clínica da TE. Objetivos específicos Compreender as bases teóricas e históricas da Terapia do Esquema Conhecer o modelo teórico da Terapia do Esquema Praticar estratégias cognitivas, comportamentais e vivenciais na Terapia do Esquema Discutir a relação terapêutica enquanto alicerce da Terapia do Esquema Conteúdo Programático Unidade 1: BASES TEÓRICAS E HISTÓRICAS DA TERAPIA DO ESQUEMA Unidade 2: O MODELO TEÓRICO DA TERAPIA DO ESQUEMA Unidade 3: TÉCNICAS COGNITIVAS, COMPORTAMENTAIS E VIVENCIAIS NA TERAPIA DO ESQUEMA Unidade 4: RELAÇÃO TERAPÊUTICA, INTERAÇÃO ESQUEMÁTICA E ESTILOS DE ENFRENTAMENTO DO TERAPEUTA DO ESQUEMA Conteúdo Programático Unidade 1: BASES TEÓRICAS E HISTÓRICAS DA TERAPIA DO ESQUEMA 1.1. A história do apego no desenvolvimento da espécie humana 1.2. A Teoria do Apego de John Bolwby: os sistemas de apego, os tipos de apego e a relação com a Terapia do Esquema 1.3. Neurociência afetiva e neurobiologia dos esquemas 1.4. Terapia do Esquema enquanto abordagem integrativa: influências das abordagens cognitivas e comportamentais, rogerianas, psicodinâmicas e da Gestalt-Terapia. Conteúdo Programático Unidade 2: O MODELO TEÓRICO DA TERAPIA DO ESQUEMA 2.1. O Modelo Teórico da TE 2.2. Origens e características dos EIDs 2.3. Domínios de esquemas 2.4. Processos esquemáticos e estilos de enfrentamento 2.5. Modos esquemáticos 2.6. Modelos empíricos atuais de organização de esquemas Conteúdo Programático Unidade 3: TÉCNICAS COGNITIVAS, COMPORTAMENTAIS E VIVENCIAIS NA TERAPIA DO ESQUEMA 3.1. As estratégias cognitivas na TE 3.2. As estratégias comportamentais na TE 3.3. As imagens mentais na avaliação e conceitualização de caso 3.4. Trabalho com cadeiras 3.5. Trabalho com modos esquemáticos Conteúdo Programático Unidade 4: RELAÇÃO TERAPÊUTICA, INTERAÇÃO ESQUEMÁTICA E ESTILOS DE ENFRENTAMENTO DO TERAPEUTA DO ESQUEMA 4.1. A relação terapêutica enquanto alicerce da TE 4.2.A relação terapêutica durante a avaliação e conceitualização de caso 4.3. A relação terapêutica, a confrontação empática e a reparentalização limitada 4.4. Química Esquemática: os esquemas e estilos de enfrentamento do terapeuta do esquema. Avaliação 1. Estudo de Caso em grupo Grupo 6,0 2. Atividade prévia Individual 3,0 3. Participação em aula e frequência em todos os períodos do módulo Individual 1,0 Acordos/contrato de aula 1 Conteúdo Programático Unidade 1: Unidade 2: Unidade 3: Unidade 4: Acordos/contrato de aula ● Horários e intervalos ● Início e fim das aulas ● Perguntas/casos/discussões ● A cada 50-60 min pequeno intervalo ● 30 min intervalo em cada turno Conteúdo Programático Unidade 1: Unidade 2: Unidade 3: Unidade 4: Acordos/contrato de aula ● Participe! ● Vamos interagir pelo zoom? ● Ative sua câmera! ● Mantenha seu microfone desligado. Ligue-o quando desejar se manifestar em aula. ● Chat - para todos ou direcionados ● Salas simultâneas: para atividades em grupo, com tempo determinado (“guardião do tempo”) e responsável por ativar a gravação Conteúdo Programático Unidade 1: Unidade 2: Unidade 3: Unidade 4: Unidade 1: BASES TEÓRICAS E HISTÓRICAS DA TERAPIA DO ESQUEMA Conteúdo Programático: 1.1. A história do apego no desenvolvimento da espécie humana 1.2. A Teoria do Apego de John Bolwby: os sistemas de apego, os tipos de apego e a relação com a Terapia do Esquema 1.3. Neurociência afetiva e neurobiologia dos esquemas 1.4. Terapia do Esquema enquanto abordagem integrativa: influências das abordagens cognitivas e comportamentais, rogerianas, psicodinâmicas e da Gestalt-Terapia. “A história, apesar de sua dor lancinante, não pode deixar de ser vivida, mas, se confrontada com coragem, não precisa ser vivida novamente.” Maya Angelou, On the Pusle of Morning A Terapia do Esquema • TE: Uma proposta de terapia integradora e inovadora, desenvolvida por Jeffrey Young e colaboradores, que amplia os tratamentos e conceitos cognitivo-comportamentais tradicionais • Integra escolas teóricas como a Teoria do Apego, das Relações Objetais, Psicanálise, Gestalt, Construtivismo em um modelo conceitual de tratamento rico e unificador. • Tem por objetivo ampliar os limites da terapia cognitiva tradicional no manejo de casos caracterológicos, transtornos crônicos arraigados e de difícil tratamento. A Terapia do Esquema Jeffrey Young: Fundador da TE Fundador do Centro de Terapia Cognitiva de Nova Iorque Fundador do Schema Therapy Institute http://www.schematherapy.com Professor no departamento de psiquiatria da Columbia University (NY) http://www.schematherapy.com Da TCC à TE • Jeffrey Young desenvolveu a TE para tratar pacientes com problemas caracterológicos crônicos, que tinham pouca resposta à TCC tradicional: os “insucessos de tratamento” (foi aluno de doutorado de Aaron Beck) • Ampliação da TCC: Ênfase maior na investigação das origens infantis e adolescentes dos problemas emocionais e psicológicos, às técnicas emotivas, à relação terapêutica, e aos estilos desadaptativos de enfrentamento. • A TE auxilia terapeutas e pacientes a compreender os problemas crônicos e difusos e organizá-los de maneira compreensível • Modelo da TE identifica a trajetória dos esquemas desde a infância até o presente, com ênfase nos relacionamentos interpessoais do paciente Questão Norteadora Qual é a importância da relação terapêutica, da confrontação empática e da reparação parental limitada no trabalho com pessoas com transtornos da personalidade, traços caracterológicos e problemas refratários? Atividade prévia • De que forma a Terapia do Esquema pode contribuir para a construção do modo adulto saudável? Os EIDs são desenvolvidos a partir do temperamento das práticas educacionais nocivas de pais, cuidadores, irmãos ou amigos que falham em atender às necessidades emocionais essenciais Necessidades emocionais 4 3 5 1 vínculos seguros espontaneidade e lazer Limites realistas e autocontrole liberdade de expressão de emoções e validação das necessidades 2 autonomia, competência e sentido de identidade Modelo de necessidades emocionais básicas • Critérios para algo ser considerado uma necessidade básica: 1. Preencher ou não a necessidade faz diferença no bem estar emocional, físico, na família, na comunidade 2. Cada necessidade é única, e não deriva de outra necessidade 3. A necessidade deve ser universal 4. Deve ser consistente e apoiadao no que se sabe sobre a evolução humana • Exemplo: necessidade de pertencimento • Flanagan (2010) – baseado na etologia • Conexão – autonomia • Estabiliodade – mudança • Desejabilidade e auto-compreensão • Deci e Rayan (2000) – motivação intrínseca • Autonomia, competência e relatedness (parentesco) EID Necessidade básica Esquema adaptativo Capacidade de: Abandono/ instabilidade Figura de apego emocional previsível e estável Apego seguro Relacionamentos com pessoas estáveis e disponíveis Desconfiança/abuso Honestidade, confiança, lealdade, ausência de abuso Confiança Básica Confiar nas intenções alheias, equilibrar o benefício da dúvida com a cautela Privação emocional Afeto caloroso, empatia, proteção,orientação, compartilhar experiências Realização emocional Relações íntimas que incluem ao compartilhar de necessidades privadas, sentimentos e pensamentos, amor e afeto Inibição emocional Um outro que seja brincalhão e espontâneo, que encoraja a expressão emocionale conversa sobre sentimentos Abertura emocional, ser espontâneo Expressar e conversar livremente sobre emoções, ser espontâneo quando adequado Defeito/vergonha Aceitação e amor incondicional, elogios sem críticas e rejeição. Encoraja a exposição de dúvidas sobre si mesmo, sem escondê-las Auto aceitação, confiança de que pode ser amado Ter auto-aceitação e compassivo consigo e genuíno e verdadeiro com outros EID Necessidade básica Esquema adaptativo Capacidade de: Isolamento social/alienação Inclusão e aceitação pela comunidade com valores e interesses comuns Pertencimento social Buscar e se conectar com grupos com valores semelhantes e capacidade de encontrar essas semelhanças Fracasso Apoio e orientação em desenvolver maestria e competência Sucesso Conquistar objetivos significativos Vulnerabilidade a dano ou doença Reasseguramento que equilibre preocupação com senso de que se pode lidar com a situação, sem superproteção ou excesso de preocupação Segurança e saúde básicas Sentimento realista de saúde e segurança, resiliência física. Resposta tranquila a sintomas físicos. Ser confiante e proativo quanto a riscos e saúde Dependência/ incompetência Desafio, apoio e orientação para aprender a lidar com a vida e seus problemas, sem ajuda excessiva Auto confiança e competência saudáveis Lidar com tarefas e decisões diárias sem depender de outros, buscar ajuda quando necessário Emaranhamento Promoção e aceitação de uma identidade própria e de uma direção na vida, respeito às fronteiras pessoais Fronteiras saudáveis e self desenvolvido Ter sua própria direção, convicções, crenças, interesses, sentimentos. Limites entre o eu e o outro EID Necessidade básica Esquema adaptativo Capacidade de: Subjugação Liberdade para expressar necessidades, sentimentos, opiniões, sem medo de punição/rejeição Assertividade Ser assertivo, expressar necessidades, sentimentos e desejos em uma relação, mesmo que não exista consenso Auto sacrifício Equilíbrio entre a importância das necessidades de cada pessoa. Não uso da culpa como controle Auto-cuidado saudável Tratar suas necessidades como taõ importantes quanto a do outro. Equilibrar as necessidades Padrões inflexíveis/excesso de crítica Orientação no estabelecimento de padrões não polarizados, equilibrar performance com outras necessidades, perdoar erros e imperfeições Padrões e expectativas realistas Ser flexível e adaptar padrões às habilidades e circunstâncias, perdoar falhas e imperfeições Grandiosidade e arrogo Orientação e estabelecimento empático de limites, aprender a consequência de suas ações, empatizar com direitos e necessidades alheias Consideração empática, respeito ao outro Considerar a perspectiva alheia, ter consideração e respeito com as necessidades e sentimentos alheios, perceber os outros como pessoas de valor igual ao seu Auto disciplina e auto controle insuficientes Orientação e firmeza empática em adiar gratificações a curto prazo. Limites na expressão emocional descontrolada, impulsiva, inadequada Auto aceitação, confiança de que pode ser amado Adiar gratificação imediata a favor de metas a longo prazo DESCONEXÃO E REJEIÇÃO Conexão e aceitação AUTONOMIA E DESEMPENHO PREJUDICADOS Autonomia e competência adequados ESFORÇOS EXTREMOS Esforços equilibrados LIMITES PREJUDICADOS Limites adequados ABANDONO Apego seguro VULNERABILIDADE A DANO E DOENÇA Segurança e saúde básicas AUTOSSACRIFÍCIO Auto cuidado e interesse em si saudável GRANDIOSIDADE Empatia e respeito ao outro DESCONFIANÇA/ABUSO Confiança básica DEPENDÊNCIA/ INCOMPETÊNCIA Auto confiança e competência PADRÕES INFLEXÍVEIS Expectativas e padrões realistas AUTO CONTROLE INSUFICIENTE Disciplina e limites realistas DFEITO/VERGONHA Auto aceitação EMARANHAMENTO Limites saudáveis, self desenvolvido PRIVAÇÃO EMOCIONAL Realização emocional SUBJUGAÇÃO Assertividade, auto expressão ISOLAMENTO SOCIAL Pertencimento social FRACASSO Sucesso INIBIÇÃO EMOCIONAL Abertura emocional, espontaneidade DOMÍNIO ESQUEMÁTICO TAREFA EVOLUTIVA EIDs ASSOCIADOS 1º ACEITAÇÃO E PERTENCIMENTO Abandono, privação emocional, defeito/vergonha, abuso/desconfiança, isolamento social/alienação, indesejabilidade social 2º SENSO DE AUTONOMIA E COMPETÊNCIA ADEQUADO Fracasso, vulnerabilidade, dependência/incompetência, emaranhamento 3º LIMITES REALISTAS Autocontrole e autodisciplina insuficiente, grandiosidade/merecimento 4º RESPEITO AOS SEUS DESEJOS E ASPIRAÇÕES Subjugação, autossacrifício e busca de aprovação/reconhecimento 5º EXPRESSÃO EMOCIONAL LEGÍTIMA Inibição emocional, padrões inflexíveis/hipercriticidade, negativismo/pessimismo, caráter punitivo A. Beck e J. Young Beck: psicanalista – desenvolveu a Terapia Cognitiva 1970-80: duas correntes principais – psicodinâmica e as TCCs Young foi treinado na década de 70 – formação ampla Fez seu pós doutorado com Beck E os pacientes que precisam mais de 20 sessões? E os pacientes mais complicados? 1984 – Manuscrito: CT for personality disorders and difficult patients 1990 – Primeira publicação sobre Terapia do Esquema 2003 – Manual de Terapia do Esquema Aspectos Históricos • No final da década de 1990 a TE já tinha uma identidade, com um modelo próprio para a formulação de caso e planejamento de intervenções. 1. Identificação dos Esquemas Inicias Desadaptativos 2. Compreensão dos Modos de Enfrentamento Disfuncionais 3. A compreensão dos fatores de desenvolvimento que levaram à formação deles 4. Como esses se manifestam em termos de modos 5. Como esses padrões afetam a vida do paciente em várias esferas 6. O impacto no relacionamento com o terapeuta • O termo Terapia do Esquema foi utilizado pela primeira vez em 2000 A TE na era da integração • Reconhecimento da importância e validade das técnicas vivenciais: 1. Reconhecimento das limitações de técnicas mais restritas 2. Teoria e pesquisa da ciência cognitiva 3. Estudos científicos reconhecem a efetividade desses métodos • Influência inquestionável da TE: 1. Integração profunda de insights em um modelo coerente e conceitualmente enxuto 2. Ênfase na reparação parental limitada tem apelo intuitivo para muitos terapeutas 3. Influência pessoal da abordagem clínica de Young e sua disponibilidade como treinador 4. Pesquisas apoiam a eficácia da TE Temperamento Temperamento Todos EIDs (exceto grandiosidade e auto sacrifício) se associam com dimensões de afeto negativo e neuroticismo no temperamento Afeto negativo e neuroticismo – associados a maiores necessidades Estudos com macacos: temperamento normal + pais inadequados = características neuróticas temperamento neurótico + mãe normal = apego menos seguro, nível mais baixo na hierarquia, mais assustados, menos exploradores Macaco com temperamento neurótico + pais excepcionalmente competentes = desenvolvimento MELHOR que macacos com temperamento normal criados por pais normais Wainer et al., 2016 Necessidades, temperamento e genética Neuroticismo = tendência a experimentar estados emocionais negativos e a avaliar situações como estressantes Sistema serotonérgico – envolvido no funcionamento emocional Alelo curto (s) do 5-HTTLPR (comprimento da região polimórfica do transportador de serotonina) associado com MENOS transportador de 5-HTT do que o alelo longo (L) Quem tem o alelo curto parece se beneficiar mais de uma boa infância que os com alelo longo Esse achado parece apoiar a visão de suprir as necessidade básicas em pacientes com afeto negativo marcado 5-HTTLPR – alelo curto - Sensibilidade História da Humanidade e História do Apego -Neanderthal - 150 e 35 mil anos -Pouca organização social para manter a sobrevivência das crianças -Homo Sapiens -500 e 100 mil anos -Crânio arredondado e alto, queixo, dentes e mandíbulas pequenas. -Bípedes, cérebro grande, recém-nascido imaturo; -Destreza manual, linguagem; - Investimento parental intenso, capacidadede estabelecer vínculos, cultura, modo de vida caçador-coletor. A evolução dos cuidados maternos e das necessidades nos hominídeos Caminhar ereto → pelve mais estreita e rígida → canal de parto mais estreito Mãos livres → habilidades → novos habitats → estruturas de grupo mais complexas → Maior inteligência e cérebros maiores → nascimento em fase cada vez mais imatura → mais vulneráveis e com maiores necessidades por mais tempo Bebês precisam expressar essas necessidades de forma eficiente → choro, sorriso social e sustentar o olhar (2 a 3 meses de vida) → sentimentos de amor aumentam → conversa com o bebê → internalização de um outro que acalma e de um outro que dá prazer Essa “dança”, específica da nossa espécie pode ter sido a forma da seleção natural transformar um bebê cheio de necessidades (um fardo) em um objeto de prazer e desejo Expansão cerebral e Imaturidade -Aumento do tamanho e peso (de 450 gramas para 1.350 gramas) do cérebro e maior especialização. Em que contexto isto é vantajoso? -O cérebro do bebê Chimpanzé tem 40.5% do tamanho total, o do humano 23%. -Bebê humano nasce prematuro? Bipedalismo e o efeito na pelve feminina e consequente necessidade de cuidados parentais. 🡪 Investimento Parental A evolução dos cuidados maternos e das necessidades nos hominídeos Ambiente: caçadores-coletores, o ápice do impacto evolutivo no corpo e cérebro Pais caçadores-coletores: Amamentação frequente Coleito Desfralde tardio Desmame tardio Resposta imediata ao choro → menos choro Foco tardio na independência (cerca de 6 anos) Fatores que contribuem para o desenvolvimento dos padrões de apego Sensibilidade do cuidador Estresse familiar (testemunho de violência) Psicopatologia cuidador primário (depressão; TPB) Temperamento Bebê Vínculo & Apego Apego ESTUDOS DE HARRY FREDERICK HARLOW (1958) Harlow demonstrou por meio do seu experimento da mãe de arame/mãe felpuda que os bebês queriam ficar perto de suas mães não somente porque elas eram suas fontes de alimento, desmistificando o mito do amor materno como dispensador de alimento como pensavam os behavioristas da época. Apego • O comportamento de apego é uma classe especial de comportamento, com dinâmica distinta do comportamento alimentar ou sexual; • É uma conduta universal; • O sistema de apego é desenvolvido em mamíferos porque os seus jovens são imaturos. VANTAGEM: Podemos aprender a se adaptar ao meio. DESVANTAGEM: Sermos emocionalmente vulneráveis. O Sistema de apego é ativado para poder manter o contato após o nascimento por meio de comportamentos de protesto como chorar, buscar, bater… quando a mãe se separa. (Rygaard, P.N. 2008) Apego Os comportamntos de apego se referem a um conjunto de condutas inatas exibidas pelo bebê, que promove a manutenção ou o estabelecimento da proximidade com sua principal figura provedora de cuidados, a mãe, na maioria das vezes. O repertório comportamental do comportamento de apego inclui chorar, estabelecer contato visual, agarrar-se, aconchegar-se e sorrir (Bowlby, 1990). Apego O APEGO PRESUME… • A capacidade de discriminar e responder de modo diferenciado ao objeto de apego (i.e. o efeito da base segura); • A preferência pela figura do apego (e.g., proximidade, busca e manutenção da proximidade); • A resposta sa separação ou reunião da figura de apego que é diferente das respostas a outros indivíduos. Teoria do Apego John Bowlby 1907-1990 Mary Ainsworth 1913-1999 Teoria do Apego •Descrições originais de Bowlby – baseadas no behaviorismo, na situação estranha e na base segura •Humanos nascem com um sistema psicobiológico inato – o sistema comportamental de apego busca de proximidade com outros significativos (figuras de apego) Mary Ainsworth 1913-1999 https://www.youtube.com/watch?v=QTsewNrHUHU Teoria do Apego • Apego = vínculo emocional da criança com seus pais, fornece segurança emocional • Status de segurança, ansiedade ou medo de uma criança é relacionado à acessibilidade e capacidade de resposta da sua principal figura de apego • Conjunto de características e comportamentos pré- programados para manter a criança perto da mãe • Também tem um componente aprendido • Comportamento de apego também é observado em adolescentes e adultos • Função biológica do apego = PROTEÇÃO Teoria do apego - Vínculo • Recém-nascidos formam vínculos se há alguém para interagir com eles, até mesmo se maltratados • A presença do vínculo é diferenciada pela sua qualidade • Vínculo gera o MODELO INTERNO DE FUNCIONAMENTO para relacionamentos sociais - Teoria do Apego • Grandes diferenças individuais no funcionamento desse sistema • Figuras de apego disponíveis, sensíveis e responsivas → apego estável, segurança, representações do self e outros positiva • Figuras de apego não confiáveis e apoiadoras → modelos negativos do self e outros causam maior chance de problemas emocionais Tipos de apego • Percepção e avaliação da disponibilidade materna • Diferentes comportamentos mostram as diferentes expectativas → modelos de figuras parentais Apego seguro Apego inseguro/ansioso/ambivalente Apego evitativo Apego desorganizado Bases biológicas da teoria do apego • Os cuidados maternos bem adaptados parecem ter mecanismos motivacionais ligados à recompensa, organização temporal, hormônios de afiliação • Cuidados maternos ansiosos parecem mediados por mecanismos relacionados ao estresse e maior desorganização neuronal Bases biológicas da teoria do apego • Padrão de cuidados maternos iniciam uma cascata de processos epigenéticos que moldam a expressão dos genes, organizam o sistema da ocitocina e determina a capacidade de lidar com o estresse ao longo da vida • Os cuidados maternos ótimos envolvem a coordenação sincronizada entre o comportamento materno e a prontidão social da criança. • O grau de sincronia interativa está associado a medidas de níveis de ocitocina tanto nos pais como na criança Bases biológicas da teoria do apego • Apego humano = apectos biológicos e comportamentais + capacidade de refletir o estado do bebê, diferenciar sus sinalizações com base em experiências passadas e planejamento do curso de ação • Em resposta ao estímulo infantil 3 áreas são ativadas • Rede límbica motivacional – inclui o núcleo acumbens e a amígdala • Rede atencional orientada à integração da percepção e da ação • Córtex pré frontal medial e áreas de modulação emocional Neurobiologia do Apego • Período crítico de desenvolvimento: desde a fase intra-uterina até os primeiros meses de vida • Estruturas envolvidas: • Hipotálamo • Hipocampo • Circuito de recompensa • Amígdala • Córtex PF • Hormônios envolvidos • Eixo HHA (eixo hipotálamo-pituitária-adrenal) – cortisol, CRH (hormônio liberador de corticotrofina) • Oxictocina Teoria do Apego na prática da TE A P E G O IN S E G U R O EIDs 1º domínio Fitzgerald, 2014 Ansiedade social e eIDs do 1º domínio Calvete, Ore e Hankin, 2014 Maior ativação de EIDs Simard, Moss e Pascuzzo, 2011 Inseguro/ansioso: temperamentos afetivos negativos, TPB, TP histriônica, esquiva, traços dependentes McDonald et al, 2013