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Curso de Graduação em Direito DIREITO DA CRIANÇA, DO ADOLESC. E DO IDOSO ALUNO: Luciam Werner Lima Cabo Frio 2024 Introdução O presente trabalho tem como finalidade evidenciar as responsabilidades atribuídas ao Promotor de Justiça quando designado para atuar em questões que envolvem os direitos de crianças, adolescentes e idosos. Esse papel requer a observância de um sistema de garantias que é composto por uma rede colaborativa de diferentes atores, cada um com suas funções específicas, atuando de forma integrada. Um dos principais desafios do Promotor de Justiça é se inserir nessa rede ou, na ausência dela, promover sua criação. Durante a assunção das atribuições da Justiça da Infância e da Juventude, diversas ações podem ser sugeridas ao Promotor. A adoção de práticas simples facilitará a conexão do membro do Ministério Público com a comunidade ao seu redor, assim como com outras instituições dedicadas à proteção dos interesses de crianças, adolescente e idoso, uma vez assumido o cargo. O Promotor de Justiça, como parte do Ministério Público, é essencial para garantir a ordem jurídica, o regime democrático e os interesses sociais e individuais. Suas funções incluem zelar pelo respeito dos Poderes Públicos aos direitos constitucionais, promover medidas para sua garantia, realizar investigações e ações civis para proteger o interesse público e social, o meio ambiente e outros interesses coletivos. Questiona-se qual é o papel do Ministério Público na defesa dos idosos, considerando que é necessário combater preconceitos que contribuem para uma visão negativa e generalizada do envelhecimento. Objetivando assim, iniciativas que possam beneficiar pessoas idosas e facilitando a sua melhor inserção na sociedade. Na esteira do conhecimento o Promotor de Justiça tem por atribuição; Comunicar a assunção do cargo, por meio de ofício ou outro meio documentado, ao Prefeito, aos vereadores, aos membros do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Conselho Tutelar, à polícia, à assistência social departamentos de bem-estar e saúde e educação. Analisar a legislação municipal em relação à política de proteção de crianças e jovens, em especial aquela que institui e regulamenta o funcionamento do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente, do Conselho Tutelar e do Fundo da Criança e do Adolescente. Municípios que compõem o distrito. Analisar as discussões do Conselho Municipal sobre os direitos das crianças e adolescentes quanto às políticas públicas do município, verificando se suas decisões têm sido respeitadas pelo executivo local. A Constituição Federal de 1988 confiou ao Ministério Público “a proteção da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis” (artigo 127, capítulo). O Promotor de Justiça não se ocupa apenas dos direitos coletivos e difusos, mas também dos direitos que, apesar de restritos a um indivíduo individualmente considerado, não podem ser renunciados por seu titular. Os direitos das crianças e adolescentes ainda não estão disponíveis, indisponibilidade que inclui as duas garantias básicas, como o direito à vida, à saúde e à educação; além dos direitos patrimoniais, uma vez que mesmo os pais, sem autorização dos órgãos judiciais, não podem realizar transações sobre bens de seus filhos menores de 18 anos. Garrido de Paula, nos ajuda nesta linha de entendimento: “É evidente que as garantias fundamentais da criança e do adolescente – direito à vida, à saúde, à dignidade, ao respeito, ao acesso à cultura, a educação, ao lazer, e a convivência familiar e comunitária, entre tantos outros – estarão sempre sujeitas à tutela do Ministério Público, uma vez que constituem direitos socialmente relevantes. No entanto, não podem ser olvidados os demais direitos da criança e do adolescente, à medida que o art. 201 do Estatuto da Criança e do Adolescente não limitou a tutela do parquet, abarcando todos os direitos da criança e do adolescente, sejam eles homogêneos, ou não, constituam uma garantia fundamental ou não. A legitimidade conferida ao Ministério Público, nos procedimentos estatutários, difere da situação de “substituto processual”, comum nos procedimentos de rito processual civil.” Garrido de Paulo (2015) Portanto, o caráter claramente público dos direitos das crianças e dos adolescentes exige também a sua proteção pelo Ministério Público, encarregado pela Constituição Federal de proteger interesses sociais e individuais indisponíveis. Atua em defesa do interesse social, que se soma ao interesse individual da criança ou adolescente, pois o legislador quis isso, em relação à necessidade de comprovação desta categoria de direitos, o acesso à justiça do qual ele está impedido por uma condição especial. . seja criança ou jovem. Dada esta ampla gama de direitos a ser protegido, o Estatuto da criança e do adolescente, especialmente em seu art. 201, criou instrumentos de atuação do Ministério Público, que lhe conferiram diversas ações e procedimentos. Quanto aos idosos, os problemas enfrentados pelos idosos têm, sem dúvida, algo em comum com todas as pessoas socialmente marginalizadas que sofrem alguma forma de restrição ou discriminação. Os problemas dos idosos não se limitam à simples discriminação social. Por limitações físicas ou mentais, não são incomuns os casos em que são abandonados pelos familiares ou esquecidos em lares de idosos. Nestes casos, acabam por ser entendidas como condições deficitárias que afetam grande parte da população. O termo pessoa com deficiência significa qualquer pessoa incapaz de satisfazer total ou parcialmente as necessidades de uma vida individual ou social normal, devido a uma deficiência, congênita ou não, das suas capacidades físicas ou mentais. A preocupação com os idosos não é nova, mas a maior consciência jurídica do problema ainda é recente. Os idosos também têm agora o direito de que as suas necessidades especiais sejam tidas em conta em todas as fases do planejamento econômico e social. Por isso, a Constituição preocupou-se em evitar discriminações em razão da idade (Art. 5º XXX CF/88); ao mesmo tempo, atentou para a proteção às pessoas idosas, quando impôs à família, à sociedade e ao Estado o dever de ampará-las, assegurando-lhes participação na comunidade e defendendo-lhes a dignidade, o bem estar e o direito à vida (Art. 230). Grande parte das medidas que podem ser almejadas na defesa das pessoas idosas depende de uma política governamental fundada em sólidos investimentos. Não raro, as medidas supõem alterações legislativas e, sobretudo, severas fiscalização de seu efetivo cumprimento. Desde já, porém, são cabíveis inúmeras providências judiciais e extrajudiciais em defesa das pessoas idosas, seja no campo penal, seja na defesa cível, tanto individual como metaindividual dos interesses de toda uma categoria de idosos. Neste último caso, a chamada Lei da Ação Civil Pública presta-se à defesa dos interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos de toda a categoria ( Lei Federal nº 7. 347/ 85) . De acordo com a perspectiva do Ministério Público, tanto no âmbito difuso quanto coletivo, é fundamental que essa entidade se mobilize desde já para defender esse significativo grupo de indivíduos. Isso se justifica pelo histórico que o Ministério Público possui na proteção de pessoas que enfrentam diversas formas de vulnerabilidade. Exemplos disso incluem sua atuação em prol dos incapazes, crianças e adolescentes, vítimas de acidentes de trabalho, trabalhadores em geral, povos indígenas, moradores de favelas, consumidores e pessoas com deficiência. Conforme estabelecido na Constituição (Art. 129 II), é atribuição de o Ministério Público assegurar que os Poderes Públicos e os serviços de interesse coletivo respeitem os direitos garantidos. Assim, é apropriado que o Ministério Público seja colocado, de maneira institucional e direta, na vigilância do efetivo cumprimento das leis que garantem a proteção dos idosos. As Promotorias de Justiça de Proteção ao Idoso e à Pessoacom Deficiência atuam na defesa dos direitos transindividuais de idosos e de pessoas com deficiência. A Constituição Federal, o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/03) e as normas federais relacionadas às pessoas com deficiência (como as Leis nº 7.853/89 e 10.048/00, entre outras) atribuíram ao Ministério Público a responsabilidade de proteger os interesses coletivos dos idosos e das pessoas com deficiência. Além disso, possibilitaram ao Ministério Público atuar em situações concretas de idosos que se encontrem em condições de risco ou vulnerabilidade social. O Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção do Idoso e da Pessoa com Deficiência, instituído pela Resolução n. 1.766/2012, desempenha um papel vital ao apoiar o Promotor de Justiça na promoção dos direitos coletivos dos idosos e das pessoas com deficiência, bem como na defesa dos direitos individuais inalienáveis dos idosos em situação de risco. As Promotorias de Justiça voltadas à proteção de idosos e pessoas com deficiência exercem a tutela individual desses cidadãos em situações de vulnerabilidade social. Essa atuação envolve a adoção de medidas protetivas e a promoção de diversas ações, como aquelas relacionadas a interdições, registros tardios e pensões alimentícias. Dessa forma, fica clara a relevância do Ministério Público e dos Promotores de Justiça na defesa de crianças, adolescentes e idosos. O Ministério Público é uma instituição responsável por assegurar a ordem jurídica, proteger os interesses da sociedade e supervisionar as ações do poder público. Trata-se de um órgão permanente que tem como objetivo a defesa das leis existentes no país, além de oferecer suporte à sociedade e agir como um defensor quando a legislação é violada. Referencias: PAULA, Paulo Afonso Garrido de. Curso de direito da criança e do adolescente. São Paulo: Cortez Editora, 2024. E-book. p.capa. ISBN 9786555554250. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555554250/. Acesso em: 5 out. 2024. MPRJ, http://www.mprj.mp.br/conheca-o-mprj/areas-de-atuacao/idoso-e-pessoa-c/-deficiencia. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidente da República,. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 02 fev. 2021. image1.jpeg