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Autora: Prof. Camila Correia dos Santos Corassari Colaboradores: Prof. Carlos Moussalli Prof. Luiz Henrique Cruz de Mello Radiologia Odontológica Professora conteudista: Camila Correia dos Santos Corassari Doutora na área de Clínica Odontológica, mestre em Diagnóstico Bucal e graduada em Odontologia – pela Universidade Paulista (UNIP). Especialista em Ortodontia na Funorte. É professora titular de Ortodontia na Universidade Paulista. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) C788r Corassari, Camila Correia dos Santos. Radiologia Odontológica / Camila Correia dos Santos Corassari. – São Paulo: Editora Sol, 2023. 116 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. 1. Radiografia. 2. Anomalia. 3. Ressonância. I. Título. CDU 615.849 U518.41 – 23 Profa. Sandra Miessa Reitora Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez Vice-Reitora de Graduação Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini Vice-Reitora de Administração e Finanças Prof. Dr. Paschoal Laercio Armonia Vice-Reitor de Extensão Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora das Unidades Universitárias Profa. Silvia Gomes Miessa Vice-Reitora de Recursos Humanos e de Pessoal Profa. Laura Ancona Lee Vice-Reitora de Relações Internacionais Prof. Marcus Vinícius Mathias Vice-Reitor de Assuntos da Comunidade Universitária UNIP EaD Profa. Elisabete Brihy Profa. M. Isabel Cristina Satie Yoshida Tonetto Prof. M. Ivan Daliberto Frugoli Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Material Didático Comissão editorial: Profa. Dra. Christiane Mazur Doi Profa. Dra. Ronilda Ribeiro Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista Profa. M. Deise Alcantara Carreiro Profa. Ana Paula Tôrres de Novaes Menezes Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Kleber Souza Louise de Lemos Sumário Radiologia Odontológica APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 HISTÓRICO – FÍSICA DAS RADIAÇÕES .......................................................................................................9 1.1 Tubos, ampolas e aparelhos de raios X ........................................................................................ 11 2 ESTUDO DA ANATOMIA DENTÁRIA E ASPECTOS RADIOGRÁFICOS DAS PERIAPICOPATIAS ...................................................................................................................................... 15 2.1 Conduta em relação à solicitação de exame da imaginologia odontológica .............. 24 2.2 Aspectos radiográficos das periacopatias .................................................................................. 27 2.2.1 Perda óssea e reabsorção ..................................................................................................................... 27 2.2.2 Abrasão ....................................................................................................................................................... 28 2.2.3 Bruxismo ..................................................................................................................................................... 28 2.2.4 Amelogênese imperfeita ...................................................................................................................... 30 2.2.5 Pérola de esmalte.................................................................................................................................... 31 2.2.6 Reabsorção difusa .................................................................................................................................. 31 2.2.7 Reabsorção interna ................................................................................................................................ 31 2.3 Gengivite e periodontite ................................................................................................................... 33 2.4 Cárie ........................................................................................................................................................... 33 Unidade II 3 TÉCNICAS RADIOGRÁFICAS INTRABUCAIS E EXTRABUCAIS .......................................................... 39 3.1 Filmes, acessórios, EPIs e processamento radiográfico ......................................................... 39 3.2 Radiografias periapicais ..................................................................................................................... 46 3.3 Radiografias interproximais ............................................................................................................. 49 3.4 Radiografias oclusais .......................................................................................................................... 51 3.5 Técnicas radiográficas extrabucais ................................................................................................ 54 3.6 Panorâmica ............................................................................................................................................. 54 3.7 Telerradiografia frontal ...................................................................................................................... 58 3.8 Telerradiografia em norma lateral (perfil) .................................................................................. 59 4 MÉTODOS RADIOGRÁFICOS DE LOCALIZAÇÃO ................................................................................... 60 4.1 Método de Clark ................................................................................................................................... 60 4.2 Método de Miller-Winter .................................................................................................................. 61 4.3 Modificação de Donovan (Método de Miller-Winter) ........................................................... 62 4.4 Método de Parma ................................................................................................................................. 63 4.5 Método de Le Master .......................................................................................................................... 64 Unidade III 5 TÉCNICAS RADIOGRÁFICAS PARA ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR ........................... 70 5.1 Boca aberta e boca fechada............................................................................................................. 71 6 ANOMALIAS DENTÁRIAS DE DESENVOLVIMENTO ............................................................................. 72 6.1 Aspectos radiográficos das alterações e lesões do órgão dentário, do periodonto e das periapicopatias ................................................................................................... 73 6.2 Classificação: alterações dimensionais ........................................................................................ 73 6.2.1 Microdontia ............................................................................................................................................... 73 6.2.2 Macrodontia.............................................................................................................................................. 73 6.3 Alterações morfológicas ....................................................................................................................74 6.3.1 Geminação ................................................................................................................................................. 74 6.3.2 Fusão ............................................................................................................................................................ 75 6.3.3 Molar em amora ...................................................................................................................................... 76 6.3.4 Dens in dente ........................................................................................................................................... 76 6.3.5 Taurodontia ............................................................................................................................................... 78 6.3.6 Raízes fusionadas ................................................................................................................................... 79 6.3.7 Raiz supranumerária ............................................................................................................................. 80 6.3.8 Dilaceração ................................................................................................................................................ 80 6.4 Alterações quantitativas .................................................................................................................... 81 6.4.1 Dente supranumerário .......................................................................................................................... 82 6.5 Amelogênese imperfeita ................................................................................................................... 82 6.6 Transposição ........................................................................................................................................... 83 Unidade IV 7 ESTUDO RADIOGRÁFICO DAS FRATURAS E DOS CORPOS ESTRANHOS .................................... 89 7.1 Estudo radiográfico dos corpos estranhos ................................................................................. 95 8 RADIOGRAFIA DIGITAL COM SISTEMAS CR POR SCANNER E DR ................................................ 97 8.1 Processamento de imagens .............................................................................................................. 99 8.2 Radiografia digital direta ................................................................................................................100 8.3 Tomografia computadorizada, equipamentos multitarefas e tomografia cone beam ....................................................................................................................................................101 8.3.1 Características do tomógrafo de cone beam ............................................................................102 8.4 Ressonância magnética nuclear para cabeça e pescoço. Scanner para prototipagem no planejamento de ortodontia e documentação ...............................104 7 APRESENTAÇÃO Caro aluno, A profissão de tecnólogo em radiologia necessita de conhecimentos voltados à radiologia odontológica, em que além da área de atuação e aplicação ser composta de serviços que atuam com radiação, também são necessários conhecimentos dos elementos dentários, permitindo uma atuação exemplar, que respeite o cliente e permita uma técnica radiográfica voltada à proteção radiológica e cujos os métodos de localização sejam aplicados. Ao longo deste livro-texto, abordaremos as técnicas radiográficas e a interpretação de imagens. Habilidades de interpretação das doenças e de diagnóstico também serão adquiridas no processo de aprendizagem, por serem de fundamental importância na área da radiologia odontológica. Assim, ofereceremos um conteúdo que permitirá a você interpretar as técnicas de radiologia odontológica, abrangendo desde o conhecimento de dentes, ossos e estruturas da face até doenças e fraturas, com procedimentos de posicionamento e revelação de radiografias intra e extraorais. Neste livro-texto, portanto, serão abordados os seguintes assuntos: anatomia dentária, técnicas extra e intrabucais, além das técnicas de localização. Por fim, gostaríamos de lembrá-lo que como tecnólogo em radiologia seu campo de atividade é bastante extenso: além dos hospitais gerais, você poderá atuar em centros de especialidades, clínicas, laboratórios e nos centros de treinamento e aplicação. Bom estudo! INTRODUÇÃO A radiologia odontológica tem como base construir conhecimentos para compreender os mecanismos de formação de imagem, aplicar especialidades, identificar os principais protocolos, permitir o conhecimento sobre os princípios de controle de qualidade nos procedimentos e aprender o funcionamento dos aparelhos e sistemas. Esta disciplina visa a aplicação de conhecimentos específicos das técnicas odontológicas nas unidades de radiodiagnóstico e os equipamentos associados, permitindo que você esteja capacitado para realizar técnicas extra e intrabucais em radiologia. Este livro-texto é dividido didaticamente em quatro unidades. Na unidade I, abordaremos: • Histórico, física das radiações, tubos, ampolas e aparelhos de raio X. • Estudo da anatomia dentária e aspectos radiográficos das periapicopatias. 8 Na unidade II, abordaremos: • Técnicas radiográficas intrabucais e técnicas radiográficas extrabucais. • Métodos radiográficos de localização. Na unidade III, abordaremos: • Técnicas radiográficas para articulação temporomandibular. • Anomalias dentárias de desenvolvimento. Na unidade IV, abordaremos: • Radiografia digital com sistemas CR por scanner e DR. • Ressonância magnética nuclear para cabeça e pescoço. O presente material é escrito em linguagem simples e direta, com figuras que auxiliarão na compreensão do texto. Além disso, os itens Observação e Lembrete são oportunidades para que você solucione eventuais dúvidas; já os Saiba Mais podem fazê-lo ampliar seus conhecimentos. Há, ainda, exemplos que permitem a fixação dos assuntos abordados. 9 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA Unidade I Nesta primeira unidade, estudaremos o histórico da física das radiações e a grande descoberta dos raio X, tais como os seus principais componentes. 1 HISTÓRICO – FÍSICA DAS RADIAÇÕES Wilhelm Conrad Roëntgen (1845-1923), em 8 de novembro de 1895 no seu laboratório em Würzburg, trabalhando com os raios catódicos, deu início à descoberta dos raios X. Roëntgen, ao estudar sobre a fluorescência do platino cianeto de bário, resolveu cobri-lo com um papel preto para permitir a visualização de seus experimentos na placa e percebeu que os raios catódicos sensibilizavam filmes fotográficos. Ele testou essa experiência em vários materiais metálicos, como peso de balança, espingarda e outros objetos e verificou que era possível sua visualização negativa. Após os testes, Roëntgen, no dia 22 de dezembro de 1895, conseguiu realizar a primeira radiografia. Neste dia, ele pôs a mão esquerda de sua cônjuge, Anna Bertha Ludwig, no chassi com filme fotográfico, fazendo incidir a radiação oriunda do tubo por cerca de 15 minutos. Ao revelar o filme, lá estavam, para confirmação de suas observações, a figura da mão de sua esposa e seus ossos dentro das partes moles menos densas (Francisco et al., 2005). Figura 1 – Wilhelm Conrad Roëntgen Disponível em: https://tinyurl.com/5aur5wsy. Acesso em: 11 ago. 2023. 10 Unidade I Obstrução dos raios Tubo de Crookes Placa de platinocianeto de bário Fonte de alta-tensão (bobina de Kirchhoff) Figura 2 – Físico alemão Wilhelm Conrad Roëntgen estudava a condutividade dos gases Após 14 dias da descoberta de raios X, o Dr. Otto Walkhoff fez a primeira radiografia dental, na Alemanha, por aproximadamente 25 minutos. O primeiro aparelho de raios X dental com o tubo imerso em óleo foi desenvolvido por Coolidge, da General Electric (GE), em 1918 (Francisco et al., 2005). Observação A primeira radiografialevou aproximadamente 25 minutos; hoje podemos fazer exames radiográficos que demoram menos de 1 minuto. Figura 3 – Radiografia da mão da esposa de Roëntgen Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 4). 11 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA 1.1 Tubos, ampolas e aparelhos de raios X Para entender a formação dos raios X (RX), precisamos lembrar de alguns conceitos: • Número atômico: número de prótons ou cargas positivas= Z. • Massa atômica: número total de prótons e nêutrons= A. • Número de prótons: constante relação com o número de elétrons nas camadas orbitais= equilíbrio elétrico. A radiação eletromagnética é classificada de acordo com a frequência da onda, que, em ordem decrescente de duração, inclui: • ondas de rádios; • micro-ondas; • radiação infravermelha; • luz visível; • radiação ultravioleta; • raios X; • radiação gama. A radiação das ondas eletromagnéticas é classificada em duas categorias: radiação ionizante e não ionizante. Essa classificação se dá de acordo com a frequência da onda e, no espectro eletromagnético, frequências superiores à da luz visível são categorizadas como ionizantes e abaixo da luz visível são classificadas como não ionizantes (Francisco et al., 2005; Fenyo-Pereira, 2013). Conforme a ilustração a seguir, podemos verificar quais equipamentos apresentam radiação ionizante e radiação não ionizante. 12 Unidade I Radiação não ionizante Frequência (Hz) Radiação ionizante γ 0 102 104 105 108 1010 1012 1014 1016 1018 1020 1022 Figura 4 – Radiação ionizante e não ionizante Os raios x são considerados radiação ionizante e eletromagnéticas com comprimento de onda maior que o da luz visível, tendo capacidade de ionizar partículas ou átomos. A transferência de energia de um ponto a outro ocorre sem nenhum meio que contenha massa. Os elétrons com alta energia cinética provenientes do filamento colidem com um alvo (ânodo) e perdem energia. Eles deverão ser acelerados e ganhar energia cinética, o que ocorre em razão da diferença de potencial (tensão) aplicada ao polo de um tubo de raios X (Francisco et al., 2005; Fenyo-Pereira, 2013). Os tubos de raios X funcionam de tal maneira que muitos elétrons são produzidos pelo cátodo e acelerados para bombardear o ânodo com alta energia cinética. Assim, eles podem ser considerados conversores de energia, uma vez que a energia elétrica recebida é convertida em raios X e calor. Os tubos são projetados para ter alta eficiência na produção de raios X, além de serem capazes de dissipar o calor o mais rápido possível (Francisco et al., 2005; Fenyo-Pereira, 2013). O cátodo é considerado o eletrodo negativo do tubo, sendo formado por um pequeno fio em espiral (ou filamento) que possui ponto de fusão e eficiência de emissão termoiônica altos, já que é constituído pela combinação de tungstênio e tório. Esse filamento fica dentro de uma cavidade denominada copo focalizador. Quando a corrente elétrica passa pelo filamento, esse é aquecido, passando a emitir elétrons (emissão termiônica). Quanto maior for a corrente elétrica, maior será a emissão de elétrons que bombardeiam o alvo, aumentando a produção de raios X. 13 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA O copo focalizador, que abriga o filamento, é responsável por direcionar a corrente de elétrons para uma área bem definida do alvo (ânodo). Essa área é denominada ponto focal (Francisco et al., 2005; Fenyo-Pereira, 2013). Já o ânodo é o polo positivo do tubo, que deve ser constituído de um material de boa condutividade térmica, alto ponto de fusão e alto número atômico. Os tubos de raios X podem ter o ânodo estacionário ou giratório. No caso do ânodo estacionário, ele é feito de tungstênio, que tem o ponto de fusão alto, sendo resistente ao intenso calor produzido no alvo pelo bombardeamento de elétrons. Além disso, ele possui um número atômico alto, sendo útil para o fornecimento de átomos para a colisão com os elétrons provenientes do filamento, o que leva a uma alta eficiência na produção de raios X (Francisco et al., 2005; Fenyo-Pereira, 2013). Lembrete Cátodo é o eletrodo negativo do tubo e ânodo o polo positivo. Ânodo Raios X Janela Cátodo Filamento Feixe de elétrons Alvo Vidro Vácuo Figura 5 – Esquema da ampola dos aparelhos de RX Fonte: Silva (2016, p. 108). 14 Unidade I Figura 6 – Ampola de RX Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 10). Óleo Vácuo Janela Vidro Ânodo Alvo Haste de cobre Cátodo Transformador de baixa tensão Transformador de alta tensão Filamento Figura 7 – Esquema do aparelho de RX Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 11). As propriedades do RX são: • Letra X usada para abreviação. • Invisibilidade. • Propagação em linha reta. • Distinção dos raios catódicos por não sofrerem desvios por um campo eletromagnético. 15 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA • Velocidade da luz no vácuo (300.000 km/s). • Sensibilidade nas chapas fotográficas. • Penetração em corpos opacos. • Produção de ionização nos sistemas biológicos. • Geração de fluorescência. Lembrete A propagação do raio X não faz curvas, ou seja, se dá em linha reta. Saiba mais Para ler um artigo sobre a história da radiologia, acesse: FRANCISCO, F. C. et al. Radiologia: 110 anos de história. Revista Imagem, v. 27, n. 4, p. 281-286, 2005. Disponível em: https://encr.pw/yCVJ1. Acesso em: 4 jul. 2023. Caso queira ler mais a respeito de radiação ionizante, leia: ANDRADE, D. X.; ASSIS, P. E. G. 2.63 – Radiação eletromagnética e o corpo humano. In: ANDRADE, D. X.; ASSIS, P. E. G. Sólitons e fenômenos não lineares. 2016. Disponível em: https://l1nk.dev/uZtz9. Acesso em: 4 jul. 2023. 2 ESTUDO DA ANATOMIA DENTÁRIA E ASPECTOS RADIOGRÁFICOS DAS PERIAPICOPATIAS Para realizar um bom exame intra ou extrabucal, é necessário aprendermos coisas sobre a formação dentária, tais como suas características individuais, o que facilitará a execução do exame radiológico. Para isso, veremos, a seguir, algumas características da anatomia dentária. Primeiramente falaremos acerca do dente, que é composto de coroa e raiz, sendo a coroa a sua parte mais externa e a raiz a parte inserida no osso alveolar. O local onde o dente se insere no osso chamamos de alvéolo e, em cima do osso, temos a gengiva (Fenyo-Pereira, 2013). 16 Unidade I 1 2 3 6 3 4 5 Figura 8 – Anatomia interna do dente, sendo 1, o esmalte; 2, o cemento; 3, a polpa; 4, a lâmina dura; 5, o espaço pericementário e 6, o trabeculado ósseo Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 112). O esmalte é o tecido mais mineralizado do dente e a camada mais superficial. Na radiografia, aparecerá como uma imagem radiopaca; já a dentina, a segunda camada do dente, é a maior parte dos tecidos duros, sendo menos radiopaca que o esmalte. O cemento é a porção que recobre as raízes, não sendo possível diferenciá-lo radiograficamente da dentina. A polpa é o local onde estão vasos e nervos, ou seja, os tecidos moles. Na radiografia, aparecerá como uma imagem radiolúcida e se estenderá pelas raízes dos dentes, onde é também chamada de canal radicular. 17 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA O ápice é a ponta da raiz do dente, enquanto o osso alveolar é o osso ao redor dele, sendo esponjoso na maxila e compacto na mandíbula. 1 2 3 3 4 5 Figura 9 – Aspecto radiográfico da anatomia interna do dente, sendo 1, o esmalte; 2, o cemento; 3, a polpa; 4, a lâmina dura e 5, o espaço pericementário Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 112). 18 Unidade I Trabeculado ósseo Canal da mandíbula Base da mandíbula Figura 10 – Anatomia interna dos dentes na mandíbula Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 126). Cada dente tem uma função ou tarefa específica. Vejamos cada uma delas na sequência (Fenyo-Pereira, 2013): • Incisivos: dentes frontais afiados em forma de cinzel (quatro superiores, quatro inferiores) para cortar os alimentos. • Caninos: dentes com pontas agudas que rasgam os alimentos. • Pré-molares: dente com duas pontas na superfície para esmagar e moer os alimentos. • Molares: dentes para triturar os alimentos, possuem várias cúspidesna superfície de mordida. Lembrete O esmalte é a primeira camada do dente, sendo mais mineralizado que a dentina, sua segunda camada. Isto é, o esmalte aparece na radiografia mais radiopaco do que a dentina. 19 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA Observação Os alvéolos são os locais onde se alojam os dentes. Seu formato corresponde ao de cada dente e a quantidade de raiz que ele apresenta. Figura 11 – Os alvéolos do maxilar Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 130). A figura anterior mostra os alvéolos (cavidades ósseas onde se inserem as raízes) da arcada superior (maxilar). Quando o dente possui uma única raiz, ela se insere nos alvéolos denominados uniloculares; quando o dente tem duas raízes, elas se inserem nos bilacunares e se tiver três raízes, se inserem nos trilacunares. Na radiografia intraoral, é possível visualizar alguns acidentes anatômicos, como as fossas nasais. Elas podem ser observadas em radiografias periapicais dos dentes incisivos superiores, particularmente quando utilizada angulação vertical excessiva, como nas áreas radiolúcidas acima dos ápices radiculares dos dentes, delimitadas inferiormente por linhas radiopacas que se estendem bilateralmente a partir da espinha nasal anterior (Watanabe; Arita, 2019). 20 Unidade I Sutura intermaxilar Espinha nasal anterior Fossa nasal Septo nasal Figura 12 – Região de incisivos centrais superiores Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 113). 11 22 44 44 55 33 Figura 13 – Radiografia periapical da região de incisivos centrais superiores. Sendo 1, forame incisivo; 2, espinha nasal anterior; 3, septo nasal; 4, assoalho da cavidade nasal e 5, concha nasal Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 114). 21 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA Os acidentes anatômicos da maxila que podem ser observados em radiografias periapicais de incisivos laterais e caninos são o seio maxilar, o “Y” invertido de Ennis, a fosseta mirtiforme e o assolho da fossa nasal (Watanabe; Arita, 2019). Os septos do seio são linhas radiopacas no interior do seio maxilar que normalmente assumem a posição vertical mas podem ocorrer na horizontal, variando em número, tamanho e espessura, dividindo os seios maxilares em partes mais profundas e radiolúcidas, chamadas de divertículos sinusais, conforme ilustra a figura a seguir (Watanabe; Arita, 2019). Saiba mais A fim de ter um conhecimento mais aprofundado acerca de radiação eletromagnética, acesse: SANTOS, M. A. S. Radiação Eletromagnética. Brasil Escola, [s.d.]. Disponível em: https://acesse.one/bKs3o. Acesso em: 4 jul. 2023. Para saber mais sobre a formação de RX, leia: SILVA, O. E. Esquema ilustrativo de um tubo de raios-X. Elétrons [...]. In: SILVA, O. E. Estudo do Exchange Bias em filmes finos de NiFe/FeMn (Bicamadas) e NiFe/IrMn (Multicamadas). Dissertação (Mestrado em Física) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2016. Canal nutrício Seio maxilar Figura 14 – Seio maxilar Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 117). 22 Unidade I Na mandíbula, temos a protuberância mentoniana, conforme demonstra a figura a seguir. Já na radiografia, essas figuras irão aparecer mais radiopacas (Watanabe; Arita, 2019; Menezes, 2023). Protuberância mentual Base da mandíbula Figura 15 – Protuberância mentoniana Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 123). Outra estrutura visualizada na mandíbula é o nervo alveolar inferior, que aparece no RX como uma imagem radiolúcida, conforme figura a seguir (Watanabe; Arita, 2019). 22 11 44 33 Figura 16 – Imagem radiolúcida do canal mandibular abaixo dos molares número 3 Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 124). 23 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA Algumas estruturas ósseas e dentárias aparecem na radiografia mais radiopacas e outras radiolúcidas. Trabeculado ósseo Canal da mandíbula Base da mandíbula Figura 17 – Vista interna do canal mandibular Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 126). Lembrete Estruturas radiopacas aparecem mais brancas, por sua vez, as radiolúcidas surgem mais escuras nas imagens radiográficas. Quadro 1 – Estruturas radiopacas e radiolúcidas que aparecem nas imagens radiográficas Estruturas radiopacas Estruturas radiolúcidas Esmalte Dentina Lâmina dura Crista alveolar Osso alveolar Septo nasal Concha nasal inferior Espinha nasal anterior Sutura intermaxilar Y invertido de Ennis Septo do seio maxilar Tuberosidade maxilar Osso zigomático e arco zigomático Processo hamular Sínfise Tubérculo geniano Polpa Ligamento periodontal Fossa nasal Forame nasopalatino Fossas nasais Fosseta mirtiforme Seio maxilar Divertículo sinusal Forame lingual Fossa mentoniana Forame mentoniano Fóvea da glândula submandibular Canal mandibular Canais nutrientes Adaptado de: Freitas, Rosa e Souza (2004). 24 Unidade I 2.1 Conduta em relação à solicitação de exame da imaginologia odontológica Ao solicitar um exame de imagem radiológica, o profissional deverá especificar qual o dente (nome e número) ou a região para a realização do exame. Para isso, é usada uma numeração universal dos elementos dentários. A fim de facilitar essa numeração, os dentes são divididos em quadrantes, conforme a imagem a seguir: Figura 18 – Divisão dos dentes em quadrantes Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 48). Podemos dividir, assim, a boca em quatro quadrantes numerados a partir do superior direito em sentido horário. Portanto, temos (Madeira; Rizzolo, 2016): • Quadrante 1: superior direito. • Quadrante 2: superior esquerdo. • Quadrante 3: inferior esquerdo. • Quadrante 4: inferior direito. Lembrete Os quadrantes são numerados no sentido horário. Ao dividirmos os dentes em quadrantes, teremos 4 quadrantes com 8 dentes de cada lado, então ao indicarmos o dente número 1, não saberíamos se seria o esquerdo ou direito, superior ou inferior. Por isso, ao numerar, colocamos a numeração do quadrante ao qual ele pertence primeiro, e em seguida a posição dele no arco, ou seja, o dente 11 corresponde ao primeiro dente que está no quadrante superior do lado direito, o dente 12 equivale ao segundo dente que está localizado no quadrante 1 do lado direito e assim por diante. Logo o dente 31 representa o primeiro dente no quadrante inferior lado esquerdo e o dente 41 o primeiro dente constante no quadrante inferior lado direito. 25 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA Na dentição adulta, temos o total de 32 dentes. Ao dividi-los em quadrantes, são 4 com 8 dentes em cada, sendo o quadrante 1 o superior à direita, onde estão os dentes 11 até o 18 (Madeira; Rizzolo, 2016). O quadrante 2 é o superior à esquerda, onde estão os dentes 21 até o 28. O quadrante 3 é o quadrante inferior à esquerda, onde constam os dentes 31 ao 38. Por fim, o quadrante 4 é o inferior à direita, onde estão os dentes 41 até o 48. Cada dente, além do número, possui um nome. O número é classificado de acordo com a posição que o dente ocupa no quadrante, ou seja, os que terminam com o número 1 são os incisivos centrais, os que terminam com 2 são os incisivos laterais, os que terminam com 3 são os caninos, os que terminam com 4 são os primeiros pré-molares, os que terminam com 5 são os segundos pré-molares, os que terminam com 6 são os primeiros molares, os que terminam com 7 são os segundos molares, e por fim, aqueles que terminam com 8 são os terceiros molares ou popularmente conhecidos como dentes do siso. Então para enumeração dos dentes, podemos considerar o número do dente e o quadrante que ele se encontra. Assim teremos a seguinte numeração: Superiores localizados no lado direito • 11: incisivo central superior direito. • 12: incisivo lateral superior direito. • 13: canino superior direito. • 14: primeiro pré-molar superior direito. • 15: segundo pré-molar superior direito. • 16: primeiro molar superior direito. • 17: segundo molar superior direito. • 18: terceiro molar superior direito (siso). Superiores localizados no lado esquerdo • 21: incisivo central superioresquerdo. • 22: incisivo lateral superior esquerdo. • 23: canino superior esquerdo. • 24: primeiro pré-molar superior esquerdo. • 25: segundo pré-molar superior esquerdo. 26 Unidade I • 26: primeiro molar superior esquerdo. • 27: segundo molar superior esquerdo. • 28: terceiro molar superior esquerdo (siso). Inferiores localizados no lado esquerdo • 31: incisivo central inferior esquerdo. • 32: incisivo lateral inferior esquerdo. • 33: canino superior inferior esquerdo. • 34: primeiro pré-molar inferior esquerdo. • 35: segundo pré-molar inferior esquerdo. • 36: primeiro molar inferior esquerdo. • 37: segundo molar inferior esquerdo. • 38: terceiro molar inferior esquerdo (siso). Inferiores localizados no lado direito • 41: incisivo central inferior direito. • 42: incisivo lateral inferior direito. • 43: canino superior inferior direito. • 44: primeiro pré-molar inferior direito. • 45: segundo pré-molar inferior direito. • 46: primeiro molar inferior direito. • 47: segundo molar inferior direito. • 48: terceiro molar inferior direito (siso). 27 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA Figura 19 – Numeração da dentição permanente Fonte: Sousa e Mourão (2014, p. 514). Os dentes anteriores correspondem aos dentes caninos (incisivo central, incisivo lateral e canino), tanto superiores quanto inferiores, e os dentes posteriores são aqueles que vão desde o pré-molar ao molar (primeiro pré-molar, segundo pré-molar, primeiro molar, segundo molar e terceiro molar). Os dentes anteriores superiores têm apenas uma raiz; o primeiro pré-molar possui uma raiz e o segundo duas; já os molares, primeiro, segundo e terceiro têm três raízes. Quanto aos inferiores, todos os anteriores e pré-molares possuem apenas uma raiz, enquanto os molares inferiores têm duas. 2.2 Aspectos radiográficos das periacopatias Alguns aspectos podem ser visualizados nos exames radiológicos. São eles: lesões de cárie no esmalte e lesões ósseas, bem como qualquer outro tipo de alteração da anatomia do dente ou tecido ósseo. Vejamos a seguir os tipos de lesões periodontais. 2.2.1 Perda óssea e reabsorção De acordo com Fenyo-Pereira (2013), a perda da crista óssea alveolar é uma condição na qual o osso que suporta os dentes é destruído, levando à mobilidade e perda dentária. Na radiografia, isso pode ser identificado pela diminuição da densidade óssea na região próxima aos dentes, conforme a figura a seguir: 28 Unidade I Figura 20 – Perda óssea na região de incisivos superiores Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 150). 2.2.2 Abrasão A abrasão dentária é uma condição na qual o esmalte do dente é desgastado devido ao uso excessivo de técnicas de escovação agressivas ou abrasivos dentários. Na radiografia, isso pode ser identificado pela diminuição da espessura do esmalte dentário (Francisco, 2005; Fenyo-Pereira, 2013). 2.2.3 Bruxismo O bruxismo é uma condição na qual a pessoa range ou aperta os dentes involuntariamente, em geral durante o sono. Isso pode levar à abrasão dentária, desgaste dos dentes e até mesmo fraturas dentárias. Na radiografia, não há uma imagem específica para o bruxismo, mas seus efeitos podem ser observados na diminuição da espessura do esmalte e reabsorção óssea dentária, conforme a figura a seguir. 29 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA Figura 21 – Desgaste nas incisais dos dentes, efeito do bruxismo Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 167). Figura 22 – Desgaste nas incisais do canino, efeito do bruxismo Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 167). 30 Unidade I 2.2.4 Amelogênese imperfeita A amelogênese imperfeita é uma condição na qual a matriz do esmalte dentário não é produzida corretamente, o que leva a uma aparência anormal (amarelada) dos dentes, pois não há presença do esmalte. Na radiografia, isso pode ser identificado por uma diminuição da espessura do esmalte dentário, o que pode afetar a formação da raiz dentária, conforme a figura a seguir. A B Figura 23 – Amelogênese imperfeita em todos os dentes posteriores A e B Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 190). C D Figura 24 – Amelogênese imperfeita em todos os dentes anteriores C e D Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 190). 31 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA 2.2.5 Pérola de esmalte A pérola de esmalte é uma pequena anomalia em forma de bolha que ocorre no esmalte dentário. Na radiografia, isso pode ser identificado como um ponto claro na superfície dos dentes, geralmente na região da furca, conforme a figura a seguir (Castro-Silva; Azevedo; Otero, 2013). Figura 25 – Pérola de esmalte no dente e o aspecto radiopaco na radiografia Fonte: Castro-Silva, Azevedo e Otero (2013, p. 225). 2.2.6 Reabsorção difusa A reabsorção difusa é uma condição na qual o osso dos dentes é destruído de forma difusa, sem um padrão claramente definido. Na radiografia, isso pode ser identificado pela diminuição geral da densidade óssea. 2.2.7 Reabsorção interna A reabsorção interna é uma condição na qual o tecido da polpa dental é destruído, geralmente devido trauma ou infecção. Na radiografia, isso pode ser identificado pela expansão da câmara pulpar dentária e diminuição da densidade óssea na região do ápice dentário, conforme a figura a seguir. 32 Unidade I Figura 26 – Reabsorção interna dente 31 Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 159). Figura 27 – Reabsorção interna dente 13 Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 159). 33 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA 2.3 Gengivite e periodontite A gengivite é uma inflamação da gengiva causada pelo acúmulo de placa bacteriana na margem gengival. Seus sintomas incluem vermelhidão, inchaço e sangramento. Por se tratar de uma lesão no tecido mole, não é possível visualizá-la no RX. Já a periodontite é uma inflamação que ocorre quando a gengivite não é tratada e se espalha para o osso e o tecido conjuntivo que suportam os dentes. Isso pode levar à perda óssea e, eventualmente, à perda dentária. Na radiografia, ela pode ser identificada pela perda da crista óssea alveolar, que aparece como diminuição da densidade óssea na região dos dentes, como demonstra a figura a seguir. Figura 28 – Periodontite Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 169). 2.4 Cárie A cárie é uma doença infectocontagiosa e multifatorial, ou seja, para a sua instalação são necessários vários fatores, causando deterioração do dente. Podemos dizer que essa deterioração é fortemente influenciada pelo estilo de vida do indivíduo, isto é, o que come ou como cuida dos dentes, a presença de flúor na água ingerida e no creme dental de uso. A hereditariedade também tem um papel importante na predisposição da deterioração dos dentes. 34 Unidade I Cárie Dieta Dente suscetível Microrganismos Figura 29 – Cárie como doença multifatorial, diagrama de Keyes A cárie dentária é a destruição dos tecidos calcificados do dente (chamados de esmalte, dentina e cemento) através do ataque dos ácidos produzidos por bactérias presentes na boca. Essa produção é maior com o consumo de açúcar e em casos em que há falta de higiene bucal. Na imagem radiográfica ela aparece como uma imagem radiolúcida na coroa do dente (Colgate, [s.d.]). Figura 30 – Imagem radiolúcida da cárie no dente 47 Fonte: Fenyo-Pereira (2013, p. 166). 35 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA Resumo Nesta unidade, vimos que após a descoberta dos feixes de RX por Roëntgen tornou-se possível realizar radiografias do corpo e, principalmente, das regiões intra e extrabucais. Vimos a diferença entre radiação não ionizante e ionizante, e que os raios X se classificam nesse segundo grupo. Nos tubos de raios X os elétrons são produzidos pelo cátodo e acelerados para bombardear o ânodo com alta energia cinética. Assim, eles podem ser considerados conversores de energia, uma vez que a energia elétrica recebida é convertida em raios X e calor. Em sequência, estudamos a respeito da anatomia dentária, vendo as características do dente e suas funções. A dentição adulta é composta de 32 dentes que podem ser divididos em quatro quadrantes, sendo a sua contagem realizada no sentido horário. Seus gruposincluem incisivos centrais, incisivos laterais, caninos, pré-molares e molares. Foi apontada a necessidade de saber o nome e o número dos dentes para a solicitação dos exames intrabucais. Observamos que há estruturas que aparecem nas radiografias de forma mais radiopaca ou mais radiolúcida e que os exames radiológicos permitem identificar lesões de cárie no esmalte e lesões ósseas, além de alterações da anatomia do dente ou no tecido ósseo. Em sequência, estudamos algumas dessas condições. 36 Unidade I Exercícios Questão 1. Leia o texto a seguir. A imagiologia médica baseada no uso de radiação x revela-se de enorme importância para a Medicina Dentária, na medida em que permite ao clínico identificar estruturas e alterações das estruturas relacionadas com patologias de tecidos dentários duros, que não são visíveis diretamente ao exame clínico macroscópico, devido à sua localização. Assim, a imagiologia médica é considerada um dos principais meios complementares de diagnóstico utilizados na prática clínica. O recurso à tecnologia com radiação x constitui o meio com o qual o Médico Dentista está mais familiarizado em termos de análise e interpretação de imagem, sendo aplicado em diferentes áreas, como a Cirurgia, a Endodontia, a Periodontia e a Dentística, entre outras. Segundo a Comissão Europeia, foram efetuadas, no ano de 2001, em Portugal, cerca de 986.000 exames radiológicos dentários. Por esse motivo, a exposição desmedida da radiação x na área médica e, especificamente, na Medicina Dentária constitui um tema de interesse para os investigadores quanto ao potencial risco físico inerente, quer para o paciente, quer para a equipa de Medicina Dentária. Adaptado de: FERREIRA, C. A. S. Radiação-x no Diagnóstico em Medicina Dentária: Risco, Avaliação e Proteção. 2016. Tese (Doutorado) – Universidade Fernando Pessoa, Porto, 2016. Com base na leitura e nos seus conhecimentos, pode-se afirmar que os potenciais riscos físicos do uso da radiação X são decorrentes: A) De sua característica não ionizante, que causa profundas alterações no material genético das células expostas a essa radiação por longos períodos. B) Das altas temperaturas atingidas pelos raios dessa radiação, que podem facilmente queimar o material biológico. C) Da combinação dessa radiação com o CO2 presente no ar, o que gera gases prejudiciais à saúde. D) Do fato de essa ser uma radiação ionizante do tipo micro-ondas e agir sobre as moléculas de água das células. E) De sua natureza eletromagnética ionizante, que oferece grande perigo aos materiais biológicos. Resposta correta: alternativa E. 37 RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: a radiação X é ionizante. B) Alternativa incorreta. Justificativa: energia eletromagnética dessa natureza não apresenta altas temperaturas. C) Alternativa incorreta. Justificativa: não há evidências de que essa radiação X se combine com o CO2 e gere gases prejudiciais. D) Alternativa incorreta. Justificativa: micro-ondas são radiações eletromagnéticas não ionizantes, diferentemente da radiação X, que é ionizante. E) Alternativa correta. Justificativa: é justamente a característica ionizante da radiação X que torna essa radiação eletromagnética capaz de afetar seriamente o material biológico caso seja aplicada em quantidade grande e/ou em período prolongado. 38 Unidade I Questão 2. Leia o caso relatado a seguir. Paciente de 33 anos de idade, leucoderma, não tabagista, sem doença sistêmica de base, mas com histórico de doença psíquica (esquizofrenia). O paciente compareceu à clínica escola do INAPÓS, com queixa principal de “dor nos dentes do fundo”. No exame clínico, os achados principais foram: ausência dos dentes 26, 36, 16, 46, 47 e contato prematuro na coroa protética do dente 27. Já no exame radiográfico, foi possível observar extensa perda óssea vertical na face mesial do dente 27, o que indicava o elemento para realizar a exodontia, e assim foi realizado. Em seguida, foi confeccionada uma prótese parcial removível. Adaptado de: BENTO, L. C. et al. Tratamento de perda óssea traumática extensa no dente 27: relato de caso clínico. Research, Society and Development, v. 11, n. 6, 2022. A respeito dos dentes ausentes no paciente, podemos concluir que: A) Todos correspondem ao 1º quadrante. B) Eles pertenciam a todos os quatro quadrantes. C) Eram dentes correspondentes apenas ao 1º e ao 2º quadrantes. D) Nenhum dos dentes mencionados é do 4º quadrante. E) Eram dentes correspondentes apenas ao arco mandibular inferior. Resposta correta: alternativa B. Análise da questão De acordo com a padronização estabelecida para identificação do posicionamento dos dentes, devemos adotar o procedimento de colocarmos primeiro a numeração do quadrante ao qual o dente pertence e, em seguida, a posição do dente no arco. Logo, na dentição adulta, temos o total de 32 dentes em 4 quadrantes (1 e 2 superiores; 3 e 4 inferiores), sendo 8 dentes em cada. No quadrante 1 (superior à direita), temos os dentes 11 até o 18. No quadrante 2 (superior à esquerda), temos os dentes de 21 até o 28. No quadrante 3 (inferior da esquerda), temos os dentes 31 ao 38. No quadrante 4 (inferior à direita), temos os dentes 41 até o 48. Assim, pela numeração dos dentes ausentes no paciente fornecida, percebemos que eles correspondem a dentes dos quatro quadrantes.