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6ºANO Gramática Ensino Fundamental II Lécio Cordeiro EDUCAÇÃO É A BASE MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO RESOLUÇÃO N° 2, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2017 Livro editado conforme a: Museu Casa Guimarães Rosa, Cordisburgo, Minas Gerais. FC_Gramática_6A_01.indd 1 24/03/2021 09:34:19 Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Fizeram-se todos os esforços para localizar os detentores dos direitos das fotos, das ilustrações e dos textos contidos neste livro. A Editora pede desculpas se houve alguma omissão e, em edições futuras, terá prazer em incluir quaisquer créditos faltantes. Impresso no Brasil ISBN aluno 978-65-87971-03-2 ISBN professor 978-65-87971-07-0 Gramática 6o ano Ensino Fundamental II EDITOR Lécio Cordeiro REVISÃO DE TEXTO Consultexto REVISÃO TÉCNICA Marcelo Bernardo PROJETO GRÁFICO Totalle Edições Ltda. EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Allegro Digital COORDENAÇÃO EDITORIAL FC_Gramática_6A_01.indd 2 24/03/2021 09:34:20 É muito comum ouvirmos comentários de que a nossa língua é muito difícil. Você já ouviu alguém dizer isso? Normalmente essa opinião é seguida de comparações com outras línguas. Quem pensa que o português é uma língua difícil comumente acredita que o inglês, por exemplo, é uma língua fácil, que o alemão é feio, que o chinês é extremamente confuso. Mas será mesmo? A realidade mostra que esses posicionamentos sobre as línguas são equivocados. Na maioria das vezes, essas opiniões negativas surgem da confusão que se faz entre o que é a língua e o que é a gramática. Por uma série de motivos, é comum as pessoas entenderem que ambas são a mesma coisa, mas, na verdade, não são. A gramática é apenas um dos componentes da língua. Apesar dis- so, na nossa sociedade, a gramática é muito valorizada. Por isso, existem hoje, nas livrarias, inúmeros livros de gramática. Mas você já percebeu que todos eles abordam o assunto sempre da mesma forma? Regras e mais regras para se decorar, frases sem sentido e sem contexto adequado para ilustrar o estudo, construções linguísticas que nunca usaremos na vida, nenhuma relação entre a gramática e as outras disciplinas… Foi pensando nisso que tivemos a ideia de escrever uma gramática diferente. Nosso objetivo foi preparar um livro que realmente ensinasse o conteúdo gramatical como ele é: interessante, vivo, real, repleto de possibilidades! Esperamos que você goste e que passe a ver a gramática de forma diferente. Bom estudo! Lécio Cordeiro Apresentação N S av ra ns ka /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_01.indd 3 24/03/2021 09:34:21 Sumário Capítulo 1 – Linguagem, língua e sociedade 1. A comunicação 2. A capacidade de simbolizar 3. A linguagem 4. O que são a língua e a gramática? 5. Língua falada e língua escrita 6. A língua e suas mudanças 7. O preconceito linguístico Atividades Desafio Questões de escrita Fonema e letra Classificação dos fonemas O alfabeto Capítulo 2 – Ato de fala, frase e contexto 1. Ato de fala 2. Frase e contexto 3. Classificação tradicional das frases 4. Interjeição 5. Condição discursiva Atividades Desafio Questões de escrita Estudo da sílaba Capítulo 3 – Estudo dos textos 1. O que é um texto? 2. Sequências e gêneros textuais Atividades Desafio Questões de escrita Encontros de vogais e semivogais Desencontro de vogais: hiato Capítulo 4 – Conotação e denotação 1. Conotação e denotação 2. Linguagem figurada Atividades Desafio Questões de escrita Dígrafo 5 5 6 8 9 10 11 15 16 19 20 20 21 22 24 24 24 26 27 27 28 31 31 31 34 34 36 37 41 44 44 45 47 47 48 53 54 56 56 Encontro consonantal Divisão silábica Capítulo 5 – Substantivo e adjetivo 1. Substantivo 2. Adjetivo Atividades Desafio Questões de escrita Acentuação dos monossílabos tônicos Acentuação das proparoxítonas Capítulo 6 – Artigo, numeral e pronome 1. Artigo Classificação dos artigos 2. Numeral Classificação dos numerais 3. Pronome Atividades Desafio Questões de escrita Acentuação das palavras oxítonas Acentuação das palavras paroxítonas Capítulo 7 – Verbo 1. O que é um verbo? 2. Modos verbais 3. Formas nominais dos verbos 4. Tempos verbais Atividades Desafio Questões de escrita Casos mais específicos de acentuação Capítulo 8 – Estudo das orações 1. A oração e o período 2. O período composto por coordenação Atividades Desafio Questões de escrita Ortografia 56 57 60 60 65 69 73 75 75 76 77 77 78 78 79 83 86 90 92 92 92 94 94 96 96 97 99 102 102 102 105 105 106 107 110 111 111 FC_Gramática_6A_01.indd 4 24/03/2021 09:34:21 Gramática – 6o ano 5 1 Capítulo Linguagem, língua e sociedade 1. A comunicação A pintura acima forma o que muitos historiadores e arqueólogos definem como pictografia — do latim pictor (pintura) + grafia (escrita). Ou seja, para eles é um tipo de escrita na qual se utilizam desenhos. As imagens trazem certo padrão, o que sugere a possibilidade de uma escrita. Entretanto, é difícil “ler” essa “escrita”, porque os significados exatos dos desenhos se perderam junto às comunidades que os criaram. Para compreendermos essa “escrita”, precisaríamos fazer relações entre vários elementos, como ideias, pala- vras, situações, imagens, etc. A construção do sentido é muito rápida e começa antes mesmo de lermos a pintura. Isso porque, quando a vemos, nossa mente já começa a processar informações. Uma delas, certamente a pri- meira, é a “certeza” de que o ser humano que a produziu queria comunicar algo. Se não, por que pintá-la? Agora, analise com atenção a figura a seguir. Pintura rupestre encontrada em um dos sítios arqueológicos do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. Diferentemente do que ocorre com a imagem anterior, esta permite-nos uma interpretação, pois possuímos recursos para realizar uma leitura. Quando nos deparamos com a Imagem 2, imediata- mente começamos a ler seus sentidos por meio do nosso conhecimento de mundo: identificamos os desenhos, buscamos informações históricas, identificamos o sím- bolo químico. Nosso pensamento, portanto, articula informações prévias em busca de sentido. No fim, como conseguimos captar a ideia da imagem, dizemos que houve comunicação. Os animais, em geral, possuem a extraordinária capa- cidade de se comunicar. Sempre de formas variadas, cada espécie emprega os recursos de que dispõe com esse propó- sito. As baleias, por exemplo, emitem ruídos extremamente precisos para indicar o caminho, a fonte de alimento, chamar a atenção, etc. As abelhas, as formigas, os lobos, os cachor- Reflita Que interpretação podemos fazer da Imagem 2? Ao simular uma pintura rupestre, a imagem sugere que seu autor estava vivendo em uma nova Pré- -História. Os desenhos indicam que essa Pré-História se deu por causa de uma guerra nuclear. Imagem 1 Imagem 2 EV EL YN C AL IM AM S AM PA IO /S hu tt er st oc k. co m Lu Fe eT he Be ar /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_01.indd 5 24/03/2021 09:34:21 Gramática – 6o ano 6 2. A capacidade de simbolizar Nosso universo social é repleto de símbolos. São placas, textos, objetos, gestos, imagens, números, etc. Ao conjunto de símbolos empregados com o objetivo ros, os galos têm relações sociais, de poder e de hierarquia bastante definidas e se comunicam. No entanto, apenas os seres humanos são capazes de se comunicar de forma extremamente complexa com a inten- ção de produzir sentidos. Essa é a maior diferença entre nós e os outros animais. Somente nós podemos articular sons, combiná-los conscientemente e falar. Existem vários traços que nos diferenciam dos outros animais, seja do ponto de vista biológico (o polegar livre, a capacidade de andar sobre duas pernas, a pele descoberta, a capacidade de articular sons e falar, etc.), seja do ponto de vista intelectual (capacidade de raciocinar com complexidade, planejar, lembrar, entre ou- tros). No entanto, a fala é a nossa habilidade mais marcante. Nosso aparelho fonador é muito desenvolvido,ao número de sílabas, as palavras são clas- sificadas como monossílabas, dissílabas, trissílabas e polissílabas. Reflita: quantas sílabas as palavras pos- suem em cada categoria? Exemplifique. 4| As palavras monossílabas podem ser átonas ou tôni- cas, conforme sejam dependentes de outras ou não, res- pectivamente. Já nas palavras com mais de uma sílaba, há sempre uma sílaba pronunciada com mais intensida- de que as demais: a sílaba tônica. Quanto à posição da sílaba tônica, as palavras se classificam como: • Oxítonas – quando a sílaba tônica é a última. • Paroxítonas – quando a sílaba tônica é a penúltima. • Proparoxítonas – quando a sílaba tônica é a antepe- núltima. As palavras monossílabas possuem uma sílaba, como pé; as dissílabas possuem duas, como sofá; as trissílabas possuem três, como caneta; as polissílabas possuem quatro ou mais sílabas, como releitura, intensidade e desentendimento. Exemplifique cada uma dessas categorias. Resposta pessoal. Sugestão: oxítonas – Amapá, enxugar, armazém; paroxítonas – ronco, cama, garrafa; proparoxí- tona – página, atlético, hábitat. 5| Leia em voz alta as palavras a seguir e identifique a sílaba tônica de cada uma delas. Dica: para encontrar a sílaba tônica de forma rápida, fale a palavra como se a fosse vender: a vogal da sílaba tônica se prolonga. É engraçado, mas funciona! réu juiz foi comprei país ciúme peixe ouro Lua saúde quase rua treino roupa rainha Aprenda mais A sílaba tônica de uma palavra polissílaba deve estar, necessariamente, na última, penúltima ou antepenúltima posição. Algumas palavras, porém, possuem uma sílaba subtônica (pronunciada de forma um pouco mais fraca que a tônica). As sílabas que não são tônicas nem subtônicas são chamadas de átonas (pronúncia fraca). Observe. ra pi da men te Sílabas átonas Sílaba subtônica Sílaba tônica ca fe zi nho Sílabas átonas Sílaba subtônica Sílaba tônica Palavra primitiva Palavra derivada café cafezinho rápido rapidamente A sílaba subtônica é a sílaba tônica da palavra primitiva. Veja. 2| Volte às palavras da questão anterior e pronuncie cada uma delas pausadamente. Perceba que, ao realizar essa atividade, sua boca executa movimentos bastante precisos. Cada movimento corresponde a uma sílaba. A sílaba é um fonema ou grupo de fonemas que produzi- mos em um só impulso de voz. Agora, reflita: quantas vogais pode haver em uma sílaba? Em uma mesma sílaba, só pode haver uma vogal. FC_Gramática_6A_01.indd 32 24/03/2021 09:34:32 Gramática – 6o ano 33 Anotações FC_Gramática_6A_01.indd 33 24/03/2021 09:34:32 Gramática – 6o ano 34 3 Capítulo Estudo dos textos 1. O que é um texto? Leia. Para entender o cartum acima, precisamos fazer diversas operações mentais. Uma dessas operações consiste na identificação dos três elementos não verbais mais importantes para a construção do sentido: os dois personagens e a flecha. Como vimos, a linguagem é um traço fundamental dos seres humanos, embora não seja uma característica exclusiva nossa, pois os animais em geral também são capazes de se comunicar entre si. No entanto, somente os seres humanos conseguem interagir de maneira tão complexa. Por exemplo, quando conversamos somos capazes de situar o conteúdo das nossas falas tanto no passado quanto no futuro. Podemos até inventar esse conteúdo e representar ideias por meio de imagens, como no cartum que você leu. Então, de acordo com o que estudamos até agora, dizemos que a nossa linguagem é essencialmente intera- tiva. Ao proferirmos a mais simples palavra para alguém, temos alguma intenção: pedir, ordenar, agradecer, cha- mar a atenção, lembrar, ensinar, orientar, etc., e a pessoa a quem nos dirigimos procura captar essa intenção. Na prática, é bastante simples: quando falamos ou escreve- mos, queremos ser compreendidos, e o nosso interlocutor quer nos compreender. Por isso, dizemos que o sucesso de uma comunicação depende das pessoas envolvidas, que cooperam umas com as outras para produzir sentido. Toda interação se dá por meio de textos. Chamamos de texto a atividade interacional comu- nicativa que acontece em uma situação específica. Para compreender o cartum, fazemos uma leitura das imagens (linguagem não verbal) e dos enuncia- dos (linguagem verbal). A compreensão se dá mais ou menos como um somatório dessas linguagens e seus significados. Na nossa cultura, a razão e a emoção constantemente são representadas pelo cérebro e pelo coração, respecti- vamente. De acordo com esse entendimento, o cérebro e o coração são os órgãos nos quais a razão e a emoção acontecem. A flecha, por sua vez, representa a paixão, sendo atirada nas pessoas pelo deus chamado Cupido. No imaginário coletivo, a pessoa apaixonada fica dis- traída, despreocupada, feliz. Daí o desespero do cérebro (razão) expresso no balão de medo: Reflita O que cada um deles representa no nosso imaginário? Quem teria disparado a flecha? O cérebro representa a razão, o coração representa a emoção, a flecha representa a paixão. O deus conhe- cido como Cupido teria disparado a flecha. FC_Gramática_6A_01.indd 34 24/03/2021 09:34:32 Gramática – 6o ano 35 Cara, reage! Que sorriso estranho é esse? Fala comigo! Nas tirinhas, nas histórias em quadrinhos, nas charges, entre outras, a fala dos personagens normalmente é indi- cada em balões. Além do conteúdo verbal, o próprio balão atua como símbolo não verbal, indicando as circunstâncias que envolvem a fala dos personagens. Observe: • Fala comum – Uma linha simples, oval ou retangular. • Pensamento ou sonho – Linha curva, semelhante a uma nuvem. • Sussurro ou cochicho – Linha tracejada. • Grito – Linha espalha- da, cheia de pontas, se- melhante ao desenho de uma explosão. • Fala eletrônica – Linha simples com ponta dire- cional em forma de raio. É usada para representar vozes reproduzidas em aparelhos eletrônicos. • Expressão de medo – Linha tremida, irregular. • Frio ou derretimento, moleza – Linha escorrida. Também é usada para expressar frieza do personagem ao falar. Em outros textos que utilizam apenas a linguagem verbal, organizamos as ideias em blocos, os parágra- fos. Os parágrafos são indicados com um recuo de margem do seu primeiro enunciado, que se inicia com letra maiúscula. Reflita Responda em seu caderno: para compor um parágra- fo, é necessário escrever várias frases? Não é necessário compor o parágrafo com várias frases. Às vezes, apenas uma frase, ou mesmo uma palavra, pode formar um parágrafo. QUINO. Toda Mafalda: da primeira à última tira. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 15. Apesar de esses balões serem bastante utilizados, há ainda outras formas de marcar falas e circunstâncias enunciativas, como o uso de cores diferenciadas, negrito, itálico, onomatopeias, letras maiúsculas, falas duplas e tamanho de fonte diverso. Na tirinha a seguir, foram utilizados alguns desses recursos. FC_Gramática_6A_01.indd 35 24/03/2021 09:34:32 Gramática – 6o ano 36 2. Sequências e gêneros textuais Não é necessário nos aprofundarmos no estudo dos textos para percebermos que há uma multiplicidade deles em nossa vida diária. Eles estão por toda parte, transmi- tindo informações, influenciando nosso comportamento, repassando histórias, etc. Com um pouco mais de atenção, vemos que agru- pamos vários textos em torno de um nome, digamos, comum. Para entender isso, basta você pensar na palavra fábula. O que ela lhe sugere de imediato? Provavelmente você pensou em um texto cujos personagens são animais que agem como seres humanos (como vimos no primeiro capítulo). Mas não só isso: certamente você já sabe que todas as fábulas sempre são produzidas com o objetivo de nos passar uma lição moral. Essas duas características (personagens animais e lição moral) são comuns a todas as fábulas. Veja um exemplo de fábula. O mosquito e o leão Um orgulhoso mosquito resolveu mostrar a todos como era valente. Voou até o leão e disse: — Você pensa que temmais força do que eu? Pois saiba que não é bem assim! Você só sabe arranhar e roer com garras e dentes, grande coisa! Eu sou muito mais forte que você, e eu o desafio! E, zumbindo, começou a picar o leão nas partes mais lisas de seu focinho. O leão se debateu, tentando, em vão, acertar o mosquito. Porém, em seu esforço, ele só conseguiu se arranhar todo e cair cansado e vencido pelo ágil e pequenino inimigo. Triunfante e zumbindo de felicidade, o mosquito par- tiu. Mas, embevecido pelo seu orgulho, nem percebeu que seguia direto para uma teia de aranha! Enrolado na teia, sem conseguir mais voar, ele viu a aranha se aproximando para comê-lo e pensou, revol- tado: “Como isso pôde acontecer comigo?! Venci o po- deroso leão para virar jantar de uma maldita aranha!”. Moral: às vezes, o menor dos seus inimigos é o mais perigoso. TOLSTÓI, Liev. Fábulas. Tradução e adaptação de Tatiana Mariz e Ana Sofia Mariz. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2009. p. 19–20. Adaptado. O mosquito e o leãoTextos Sequência textual O velho e o menino Narrativa A agulha e a linha FábulaGêneros textuais Parábola Apólogo Ao ler esse texto, você percebeu que ele apresenta aquelas duas características de que falamos ainda há pouco? Além delas, podemos observar outras: o ambiente e o tempo não têm importância para a história, os diálo- gos são curtos, etc. Essas características nos permitem afirmar, portanto, que esse texto é uma fábula. Assim, qualquer texto que tenha esses detalhes e a função de repassar um ensinamento pode ser identificado como fábula. Da mesma forma, se alguma dessas caracte- rísticas for mudada, essa identificação também mudará. Por exemplo: se os personagens forem seres humanos, não animais irracionais, teremos uma parábola; e, se os personagens forem objetos, teremos um apólogo. Podemos dizer, resumindo, que as fábulas, as parábo- las e os apólogos possuem, basicamente, características estruturais muito parecidas, mas não são a mesma coisa. Eles exemplificam o que chamamos de gêneros textuais. Entre as características que esses gêneros possuem, a principal é, sem dúvida, que são sempre textos nar- rativos, isto é, contam histórias de personagens que desempenham ações que são transmitidas por meio da voz de um narrador. Da mesma forma que fábulas, pa- rábolas e apólogos, muitos outros gêneros são também narrativos: contos, novelas, romances, piadas, etc. Dessa forma, podemos dizer que a narração está presente em vários gêneros textuais, marcando a sua estrutura. A narração faz parte do conceito que chamamos de se- quência textual. Podemos esquematizar o que vimos até agora de forma simples. Moral: Muitas vezes o menor dos nossos inimigos deve ser o mais temível. FC_Gramática_6A_01.indd 36 24/03/2021 09:34:32 Gramática – 6o ano 37 Atividades 1| Imagine que os itens A e B a seguir foram escritos por diferentes historiadores para fazer parte de um guia tu- rístico sobre o Parque Nacional Serra da Capivara. O Parque Nacional Serra da Capivara foi criado em 1979, fronteira entre duas formações geológicas, com serras, vales e planície, o parque abriga fauna e flora específicas da Caatinga com presença de tatus- -verdadeiros, tatus-bola, tamanduás, jacus, cotias, veados-catingueiros, porcos-do-mato, macacos-pre- go e até onças, lagartos e serpentes e foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Em qualquer época do ano é possível visitar. A Sede da administração do Parque fica na cidade de São Raimundo Nonato/PI no período das chuvas pode-se apreciar a floração das plantas da Caatinga a região abriga 173 sítios arqueológicos abertos à visitação. O Parque fica localizado no semiárido nordestino. Durante milênios, as paredes dos sítios do Parque Nacional Serra da Capivara foram pintadas e gravadas por grupos humanos com diferentes características culturais que se refletem nas escolhas gráficas que aparecem nos sítios. O visitante pode hoje observar um produto gráfico final que foi realizado gradativamente e que pela sua narratividade evoca fatos da vida coti- diana e cerimonial da vida em épocas pré-históricas. A B Segundo alguns teóricos, existem, basicamente, seis sequências textuais: injuntiva, descritiva, narra- tiva, expositiva, argumentativa e dialogal. De maneira simples, poderíamos defini-las deste modo: • Injuntiva – É a sequência textual que permeia gêneros em que incitamos à ação. Neles o emissor procura agir sobre o receptor fazendo com que ele adote determina- dos comportamentos, como ocorre frequentemente nas receitas culinárias, nos manuais do usuário, etc. • Descritiva – Registra características de pessoas, lu- gares, objetos. Os anúncios de venda de imóveis nos jornais, por exemplo, são textos em que as sequências descritivas prevalecem. • Narrativa – É o relato de fatos feito por um narrador, o desenrolar de uma trama, de ações. Esse relato envol- ve personagens normalmente localizados no tempo e no espaço. • Expositiva – É a explanação de informações. Essa se- quência textual permeia textos cuja função principal é informar, como a notícia de jornal. • Argumentativa – Predomina em textos cujo objeti- vo é a defesa de pontos de vista. Essa defesa é feita por meio de ideias e argumentos e visa convencer ou per- suadir o interlocutor. • Dialogal – Corresponde às sequências que consti- tuem os diálogos. Apesar de apresentarmos as seis sequências textuais separadamente, elas podem aparecer juntas em um mesmo texto. Entretanto, uma delas prevalece sobre as demais, indicando a natureza do gênero. Pinturas rupestres produzidas em caverna localizada no Parque Na- cional Serra da Capivara. EV EL YN C AL IM AM S AM PA IO /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_01.indd 37 24/03/2021 09:34:32 Gramática – 6o ano 38 a. Tendo em vista o que estudamos, podemos afirmar que os itens A e B são textos? Justifique sua resposta. b. Na sua opinião, os dois itens poderiam fazer parte do guia turístico do Parque? Explique. Sim. O item A é composto de frases mal formuladas e mal conectadas, mas isso não impede a construção do senti- do por parte do leitor. O item B também é um texto, pois apresenta unidade temática e estrutural bem formulada. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno entenda que, devido aos problemas apresentados pelo item A, não seria adequado utilizá-lo no guia. 2| Com base na análise feita dos itens A e B da questão anterior, avalie as afirmações seguintes, assinalando C (certo) ou E (errado). a. E Podemos concluir que texto é a sucessão ou com- binação de frases. b. E Texto é a sucessão de frases com sentido. c. E Podemos entender a noção de texto como a uni- dade linguística superior à frase. d. C Texto é uma atividade verbal em que há necessa- riamente produção de sentido. e. C O item A constitui um texto, apesar de não apre- sentar unidade estrutural e temática bem organizada. f. C O item A, embora apresente raros elementos conectivos entre as ideias veiculadas, apresenta-se como um todo significativo. g. E O item B constitui texto, uma vez que apresenta várias frases. h. C No item B, há o predomínio da linguagem formal. Texto 1 Brownie do Luiz Ingredientes • 6 ovos • ½ kg de açúcar • 3 ½ xícaras (chá) de farinha de trigo • 700 g de achocolatado • 300 g de manteiga com sal Modo de preparo Numa batedeira coloque 6 ovos, ½ kg de açúcar, 3 ½ xícaras (chá) de farinha de trigo, 700 g de achocolatado, 300 g de manteiga com sal e bata bem até formar uma mistura homogênea. Coloque a massa numa assadeira (40 cm x 25 cm) untada e leve ao forno médio preaquecido a 180 °C por ± 30 minutos. Retire do forno e deixe esfriar. Corte em quadrados (6 cm x 6 cm) e sirva em seguida. Disponível em: http://gshow.globo.com/receitas-gshow/receita/brownie-do- -luiz. Acesso em: 23/09/2019. 3| Como você sabe, os textos fazem parte da nossa vida. Fazemos uso deles para atuar e nos comunicar nos diferen- tes camposde atividade pelos quais circulamos em nosso cotidiano — em casa, na escola, no shopping, estudando e até consumindo. Os gêneros textuais nos servem nes- ses momentos, pois são as formas de dizer mais ou menos estáveis em nossa sociedade. Todos os cidadãos sabem o Th em al ni /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_01.indd 38 24/03/2021 09:34:33 Gramática – 6o ano 39 que são e reconhecem notícias, anúncios, bulas de remé- dio, livros didáticos, bilhetes, etc. Reconhecemos os gêne- ros textuais principalmente por três aspectos: • A forma de composição. • Os temas e as funções que viabilizam. • O estilo de linguagem que permitem (formal, informal). Com base nesses três aspectos e no seu conhecimento de mundo, responda às questões a seguir. a. O texto Brownie do Luiz é um exemplo de que gênero textual? b. Que características composicionais você identifica nesse texto? c. Qual é a função social desse gênero textual? e. Que sequência textual predomina nesse texto? d. Esse gênero permite o uso da linguagem formal ou informal? Receita culinária. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno identifique ca- racterísticas como a subdivisão do texto em duas partes (ingredientes e modo de preparo). A receita culinária tem a função de ensinar as pessoas a prepararem os alimentos. Na receita culinária, predomina a sequência textual injuntiva. Normalmente as receitas são escritas com linguagem formal, mas é possível o registro informal. 4| Analise os textos que seguem e indique qual é o gênero textual que exemplificam. Aproveite também para identi- ficar a sequência textual que prevalece em cada um deles. Texto 1 Texto 2 Como surge um deserto? Para uma área ser considerada desértica, ela precisa reunir pelo menos dois elementos: solo arenoso e clima quente e seco, com baixíssimos índices de chuvas durante um longo período. Os desertos que existem hoje na Terra experimentam há milhares de anos uma média de chuvas menor que 250 milímetros por ano, um índice seis vezes inferior ao da cidade de São Paulo, por exemplo. Isso quer dizer que demora muito tempo para um deserto aparecer […]. Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-surge-um- -deserto. Texto adaptado. Acessado em: 16/04/2019. Vulcão chileno Calbuco entra em erupção O vulcão chileno Calbuco entrou em erupção nesta quarta-feira, 22 de abril, e expeliu uma potente coluna de cinzas de vários quilômetros de altura, o que não acontecia há quase 50 anos, provocando o isolamento das cidades mais próximas. Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters.htm. Aces- sado em: 29/04/2019. Artigo de divulgação científica. Sequência textual: Expositiva. Notícia. Sequência textual: Narrativa. FC_Gramática_6A_01.indd 39 24/03/2021 09:34:33 Gramática – 6o ano 40 Texto 4 Texto 3 Texto 5 Texto 6 Tirinha. Sequência textual: Narrativa. Anúncio. Sequência textual: Injuntiva. Diálogo. Sequência textual: dialogal. Conto. Sequência textual: Narrativa. Silvestre Animado com esta saída feliz que me deu o javanês, voltei a procurar o anúncio. Lá estava ele. Resolvi com determinação me candidatar ao professorado do idioma oceânico. Escrevi a resposta, passei pelo jornal e deixei lá a carta. Em seguida, voltei à biblioteca e continuei os meus estudos de javanês. Não fiz grandes progressos nesse dia, não sei se por julgar o alfabeto javanês o único saber necessário a um professor de língua malaia ou se por ter me empenhado mais na bibliografia e história literária do idioma que ia ensinar. BARRETO, Lima. O homem que sabia javanês. In: Contos selecionados. Seleção e adaptação de Malthus de Queiroz. Recife: Prazer de Ler, 2012, p. 10. Re pr od uç ão — Do que está falando? — perguntei. Ela pareceu surpresa, como se não fosse para eu ter escutado aquilo. — Você deveria contar para ele no que está pensando, Isabel — sugeriu o papai, que estava do outro lado da sala, conversando com o pai do Christopher. — É melhor falarmos sobre isso depois — disse a mamãe. — Não. Eu quero saber do que você estava falando — retruquei. — Você não acha que está pronto para ir à escola, Auggie? — perguntou a mamãe. — Não — respondi. — Eu também não — concordou papai. — Então é isso. Assunto encerrado — concluí, dan- do de ombros, e sentei no colo dela, como se fosse um bebê. — Só acho que você precisa aprender mais do que eu posso ensinar — justificou-se a mamãe. — Quer dizer... Ah, Auggie, você sabe como sou péssima com frações! PALACIO, J. R. Extraordinário. Tradução: Rachel Agavino. Rio de Janeiro: In- trínseca, 2012. p. 14. FC_Gramática_6A_01.indd 40 24/03/2021 09:34:33 Gramática – 6o ano 41 Anúncio. Sequência textual: Injuntiva. Fábula. Sequência textual: Narrativa. Texto 7 Texto 8 A raposa e as uvas Uma raposa faminta viu uns cachos de uva pendu- rados a grande altura, em uma videira que crescia ao longo de uma treliça, e fez de tudo para alcançá-los, saltando o mais alto que podia. Mas seu esforço foi em vão, pois os cachos estavam fora de seu alcance. Por isso, ela desistiu de tentar. Afastou-se e, com um ar de dignidade e indiferença, falou: — Eu pensei que aquelas uvas estavam maduras, mas vejo agora que elas eram, na verdade, bastante azedas. Moral da história: Quem desdenha quer comprar. SANTOS, Laura. Fábulas de Esopo. Recife: Prazer de Ler, 2014, p. 3. 1| (Enem–Adaptada) Em 2002, o Governo Federal pro- moveu uma campanha a fim de reduzir os índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a se- guinte manchete: Campanha contra a violência do governo do Estado entra em nova fase. A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento. Considerando o objetivo da notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação: a. Campanha contra o governo do Estado e a vio- lência entram em nova fase. b. A violência do governo do estado entra em nova fase de campanha. c. Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência. d. A violência da campanha do governo do Estado entra em nova fase. e. X Campanha do governo do Estado contra a violên- cia entra em nova fase. Desafio 2| Leia o cartaz. Colabore com esse ato em defesa do meio ambiente. Seja nosso parceiro. As futuras gerações agradecerão. O ÚNICO CAMINHO É SALVAR A NATUREZA! Re pr od uç ão FC_Gramática_6A_01.indd 41 24/03/2021 09:34:35 Gramática – 6o ano 42 Em relação ao texto, é possível afirmar que ele: a. apresenta traços claros de ambiguidade, isto é, sugere mais de uma possibilidade de interpretação. b. desrespeita as normas para textos formais escri- tos, sobretudo em relação à variação linguística. c. possui uma inconsistência de sentido, pois apre- senta contradições entre as informações e os dados da realidade. d. X cumpre a função de convencer o leitor a aderir à campanha em favor do meio ambiente. e. atende perfeitamente ao objetivo comunicativo a que se propõe. a. Esse enunciado faz alusão a um outro. Qual? b. O convite-propaganda situa a “Universidade X” em um lugar de autoridade. Explique como isso acontece. A “UNIVERSIDADE X” ADVERTE: ESSA PALESTRA FAZ BEM À SAÚDE. 3| (Unicamp–Adaptada) Alguns anos atrás, uma uni- versidade brasileira veiculou um convite-propaganda para a palestra Desenvolvimento da saúde e seus princi- pais problemas, que seria proferida por um ex-ministro da Saúde. Do convite-propaganda, fazia parte uma foto do político, sobre a qual foi colocada uma tarja branca com o seguinte enunciado: O enunciado faz alusão ao texto veiculado pelo Ministério da Saúde em suas ações contra o tabagismo: O Ministério da Saúde adverte: fumar faz mal à saúde. Ao fazermos a referência desse convite-propaganda ao texto veiculado pelo Ministério da Saúde (uma instituição com poder legitimado), percebemos que, no convite, a expressão Universidade X ocupa a mesma função do termo O Ministério da Saúde na advertência,ou seja, os dois termos são equivalentes semanticamente. Anotações FC_Gramática_6A_01.indd 42 24/03/2021 09:34:35 Gramática – 6o ano 43 Texto 1 Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: http://www.otempo.com.br/infograficos/trabalho-infantil-1.654360. Acesso em: 27/08/2019. Adaptado. 4| Analise as afirmações a seguir. I. Trata-se de um gênero textual que cumpre papel importante em textos informativos. II. Apresenta uma combinação entre linguagem verbal e não verbal com o objetivo de informar o leitor. III. Por ser composto apenas por gráficos, esse conjunto de informações não pode ser entendido como texto. IV. Como o objetivo comunicativo é informar o leitor, nesse texto há um predomínio da sequência textual descritiva. V. A classificação como texto não é adequada, pois verificamos apenas frases incompletas (de situação). Está correto o que se afirma apenas em: a. X I e II. b. I e V. c. II e III. d. III e IV. e. IV e V. Trabalho infantil em números Dados de 2010 5,2% 328das crianças brasileiras entre 10 e 13 anos trabalham cidades mineiras têm o índice de crianças nessa faixa etária que trabalham acima da média nacional Municípios mineiros com maior percentual de crianças de 10 a 13 anos trabalhando 26% 25,9% 23,6% 23,2% 21,9% 21,5% 20,4% 19,9% 19,6% 18,5% 18,5% 1 Rochedo de Minaso 2 Tocos do Mogio 3 Santana do Manhuaçuo 4 Chapada Gaúchao 5 José Gonçalves de Minaso 6 Senador José Bentoo 7 Senador Nordestinoo 8 Alagoao 9 Santo Antônio do Itambéo 10 Icaraí de Minaso 11 Angelândiao Estados com mais crianças de 10 a 13 anos trabalhando 1 São Paulo............. 2.649.355o 2 Minas Gerais........ 1.341.370o 3 Bahia..................... 1.068.919o 4 Rio de Janeiro...... 1.045.916o 5 Paraná.................. 720.290o Ranking das crianças de 10 a 13 anos que trabalham e não frequentam a escola 1 São Paulo............. 77.712o 2 Bahia..................... 31.106o 3 Minas Gerais........ 30.787o 4 Rio de Janeiro...... 29.700o 5 Amazonas............ 23.619o Dados gerais do Brasil FC_Gramática_6A_01.indd 43 24/03/2021 09:34:35 Gramática – 6o ano 44 5| Assinale a alternativa que resume de forma mais ade- quada o tema central do texto. a. Trabalho infantil em números. b. A exploração da mão de obra infantil no Brasil em 2010. c. X Municípios mineiros com maior percentual de crianças de 10 a 13 anos trabalhando. d. Dados gerais do Brasil sobre trabalho infantil. e. Estados brasileiros com mais crianças de 10 a 13 anos trabalhando. Questões de escrita Encontros de vogais e semivogais 1| No capítulo anterior, vimos que a sílaba é um fone- ma ou grupo de fonemas que produzimos em um só im- pulso de voz. Na língua portuguesa, a vogal constitui a base das sílabas. Assim, em uma mesma sílaba, só pode haver uma vogal. Em uma palavra como pai, constituí- da de uma única sílaba, temos apenas a vogal a. Nesse caso, o i é considerado semivogal, pois é pronunciado de maneira mais fraca. Analise os substantivos a seguir e identifique aqueles em que há o encontro de vogal e semivogal na mesma sílaba. 2| Os encontros de vogais e semivogais no interior das sílabas podem ocorrer de duas formas: • Ditongo – É a combinação de uma vogal e uma semivo- gal (ou semivogal e vogal) na mesma sílaba, como ocorre nas palavras que você destacou na questão anterior. • Tritongo – É o encontro de uma semivogal, uma vogal Agora, numere os ditongos observando a classificação. 1. Ditongo oral decrescente. 2. Ditongo oral crescente. 3. Ditongo nasal decrescente. 4. Ditongo nasal crescente. Aprenda mais Formalmente, os ditongos são classificados em orais ou nasais e crescentes ou decrescentes. Orais – Compostos de vogal oral, como em mingau, sai e feito. Nasais – Compostos de vogal nasal, como em põe, mamão e mamãe. Crescentes – Compostos de semivogal e vogal, nesta ordem, como em pátria, espécie e planície. Decrescentes – Compostos de vogal e semivogal, nesta ordem, como em seu, maio e prometeu. a. saída b. rua c. carteira d. pão e. moeda f. praia g. mãe h. agência i. país j. saúde e outra semivogal na mesma sílaba, como ocorre em Uru- guai. Nesse caso, a vogal é pronunciada com mais força. 3| Na fala cotidiana, os ditongos representam variações interessantes que caracterizam o português brasileiro. Em grupo com os seus colegas e o professor, analise a presença de ditongos nos grupos de palavras a seguir. a. Beijo – cheiro – peixe – caixa. b. Ouro – calouro – amou. c. Paz – mês – nós. A que conclusões vocês chegaram? No item A, observamos o apagamento da semivogal do ditongo que ocorre na sílaba tônica. O mesmo acontece no item B. Por fim, no item C, percebemos a formação do ditongo nos monossílabos tônicos terminados em /s/. a. 1 Circuito. b. 2 Série. c. 2 Aquático. d. 1 Ouro. e. 3 Cãibra. f. 4 Guano. g. 3 Cantavam. h. 3 Jogavam. i. 4 Quando. j. 3 Muito. k. 3 Refém. l. 1 Deixa. m. 2 Artéria. n. 1 Gratuito. o. 3 Propõe. p. 1 Leu. FC_Gramática_6A_01.indd 44 24/03/2021 09:34:35 Gramática – 6o ano 45 4| Não há tritongo em: 5| Em todas as palavras ocorre ditongo, exceto em: a. Série – perspicácia – relógio. b. X Salário – saída – Márcia. c. Conceito – estou – cautela. d. Museu – ânsia – vácuo. e. Negócio – elegância – couro. a. lagoa – b. Paraguai – c. país – d. fortuito – e. ciúme – f. rua – g. partiu – h. ouviu – i. reeleger – j. cooperar – Hiato. Tritongo. Hiato. Ditongo. Hiato. Hiato. Ditongo. Ditongo. Hiato. Hiato. 6| Na palavra saída, as vogais a e i ocorrem em sílabas diferentes, o que caracteriza um hiato. Assim, na prática, o hiato não é propriamente um encontro de vogais, mas o desencontro delas. Essa separação, indicada na fala, mostra que essas vogais, quando se separam, ficam em sílabas diferentes. Agora, analise as palavras a seguir e in- dique se apresentam ditongo, tritongo ou hiato. Desencontros de vogais: hiato a. Averiguou. b. Saguão. c. Paraguaio. d. X Boiada. e. Iguais. Anotações FC_Gramática_6A_01.indd 45 24/03/2021 09:34:36 Gramática – 6o ano 46 Anotações FC_Gramática_6A_01.indd 46 24/03/2021 09:34:36 Gramática – 6o ano 47 4 Capítulo Conotação e denotação 1. Conotação e denotação Determinadas palavras ou expressões que usa- mos na nossa comunicação diária são muito ricas semanticamente. Ao descreverem a realidade de que falamos, por exemplo, elas também veiculam várias informações, que podem ser mais ou menos adequa- das ao momento. A conotação é o efeito de sentido por meio do qual palavras ou expressões transmitem informações sobre o falante: quem ele é, de onde vem, como ele vê o seu interlocutor, etc. Portanto, a conotação diz respeito a uma maneira pessoal de ver o mundo, as pessoas, as situações. Ou seja, corresponde à maneira figurada de se expressar. Diferentemente da conotação, a denotação é o efeito de sentido por meio do qual falamos “neutramente” do mundo. Corresponde ao sentido literal (real) das palavras. Para exemplificar esses conceitos, vamos imaginar uma conversa entre dois homens que estão na praia olhando o mar. — Ó meu, que cê tá achando dessas ondas? — Tá uma enganação, tchê! Nesse diálogo, observamos que os personagens são surfistas, devido à própria ilustração e ao uso de gírias características desse grupo. Além disso, é importante notar a presença do vocativo na fala de ambos. Na língua portuguesa, existem várias formas de chamar a atenção do interlocutor em uma conversa. Considerando a cono- tação, embora essas formas tenham a mesma finalidade, elas não se equivalem. Nesse exemplo, ó meu e tchê exercem a função de vocativo, mas, além disso, transmi- tem informações sobre a procedência dos falantes. Os paulistas falam ó meu; os gaúchos falam tchê. Sobre a adequação ao momento, observe que as duas falas são perfeitas. Os dois surfistas seveem como tais, tratam-se de maneira igual e falam da realidade (o mar, que não está bom para a prática do surf) de um modo particular, o que constitui conotação. Sem divórcio legal, Filipinas perpetuam casamentos fracassados País é o único no mundo onde a separação não é reconhecida legalmente, o que torna a situação difícil para mulheres que vivem relações tóxicas Disponível em: https://noticias.r7.com/internacional/sem-divorcio-legal- -filipinas-perpetuam-casamentos-fracassados-24082019. Acessado em: 26/08/2019. Aprenda mais Chamamos de vocativo a palavra e expressão que utilizamos para nos referir aos interlocutores e chamar a sua atenção durante o ato comunicativo. Observe. Entendeu, caro aluno? João, Gabi já chegou? Veja outro exemplo: o emprego da palavra legal nas manchetes a seguir. FC_Gramática_6A_01.indd 47 24/03/2021 09:34:36 Gramática – 6o ano 48 Por que ser legal nem sempre é bom para a sua carreira Na busca por ser uma “boa pessoa” no ambiente de trabalho, executivos acabam comprometendo a honestidade Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2019/08/ porque-ser-legal-nem-sempre-e-bom-para-sua-carreira.html. Acessado em: 26/08/2019. Comparação Ocorre quando se estabelece, entre palavras ou expres- sões, uma relação comparativa clara entre elementos de um mesmo universo ou de universos diferentes. Para realizar a comparação, é necessário o emprego de conectivos adequa- dos, como: mais... (do) que..., menos... (do) que..., tão... quanto, como, assim como, tal como, igual a, que nem. Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música BUARQUE, Chico. Construção. Rio de Janeiro: Philips, 1971. Minha paixão? Uma armadilha de água, Rápida como peixes, Lenta como medusas, Muda como ostras. SAVARY, Olga. Ycatu. In: MORICONI, Ítalo (Org.). Os cem melhores poemas bra- sileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 273. Como você pode ver, a palavra legal possui diferentes sentidos nessas manchetes. No primeiro caso, temos o uso denotativo — o sentido é conforme a lei. No segundo, o sentido é conotativo — a palavra resume as qualidades que fazem uma “boa pessoa”, isto é, generosa, atenciosa, cuidadosa, divertida, etc. Para essa distinção ficar clara, veja o quadro-resumo a seguir. Denotação • Palavra com o sentido próprio das primeiras defini- ções do dicionário. • Palavra com sentido restrito, objetivo. • Palavra usada de modo automatizado. Conotação • Palavra com sentido figurado, rica em expressivida- de a partir do contexto de uso. • Palavra com sentido amplo decorrente dos valores sociais e afetivos a que está ligada, daí ser empregada de maneira mais criativa e artística. 2. Linguagem figurada Podemos definir as figuras de linguagem como formas simbólicas ou elaboradas de que lançamos mão para ex- primirmos ideias, significados, pensamentos, enfim, con- teúdos emotivos e intuitivos. Nesse sentido, as figuras de linguagem correspondem ao uso conotativo das palavras. Estudaremos agora as principais figuras de linguagem. Metáfora Consiste na utilização de uma palavra fora do seu sen- tido comum, próprio, tendo como base uma relação de semelhança entre os termos comparados. É uma compa- ração feita sem a utilização de conectivos. Na capa de re- vista a seguir, por exemplo, lemos a manchete da repor- tagem principal daquela edição. A palavra guerra está empregada metaforicamente para se referir aos confli- tos enfrentados diariamente pelos motoristas brasileiros usuários de aplicativos de transporte particular. Ou seja, o trânsito, de fato, não é uma guerra; é como se fosse. Aprenda mais Chamamos de estilística o ramo de estudo da língua que trata do emprego da linguagem com o objetivo de se obter uma forma peculiar e mais expressiva de uma mensagem. Tal expressividade explora o sentido conotativo das palavras e pode ser obtida de várias formas: pela combinação/seleção das palavras, pelo realce à sonoridade, pela sugestão de conteúdos intuitivos, entre outras. FC_Gramática_6A_01.indd 48 24/03/2021 09:34:36 Gramática – 6o ano 49 Na tirinha a seguir, há emprego de metáforas no se- gundo quadrinho. Observe: Metonímia É a troca de um nome por outro a partir de uma rela- ção real, concreta e objetiva existente entre eles. Existem vários tipos de metonímia. Veja alguns deles: • O continente pelo conteúdo. Comi dois pratos no almoço. • O efeito pela causa. Eu me sustento com o meu suor. • O autor pela obra. Eu costumo ler Chico Buarque nas horas vagas. • O instrumento pela pessoa que o utiliza. Meu tio é um bom garfo. • O lugar pelo produto. Quero um cálice de porto. (vinho do Porto) • A parte pelo todo. Seus olhos pediam um alimento para saciar a fome. • O singular pelo plural. O brasileiro adora futebol. • A marca pelo produto. GOVERNO REDUZ IPI DE PRODUTOS DE LINHA BRANCA Bom, uma Brastemp nós já compramos, agora só falta a comida! Anabolizado pelo investimento de um grande chinês, o aplicativo brasileiro 99 entra, para valer, na briga com o Uber — uma disputa que já está transformando o transporte nas grandes cidades do país A guerra das ruas Anabolizado pelo investimento de um grande chinês, o aplicativo brasileiro 99 entra, para valer, na briga com o Uber — uma disputa que já está transformando o transporte nas grandes cidades do país Re pr od uç ão FC_Gramática_6A_01.indd 49 24/03/2021 09:34:37 Gramática – 6o ano 50 Catacrese É a metáfora que já está incorporada à língua, geralmente por falta de um termo específico no voca- bulário para representar determinado objeto (assim como parte dele) ou determinadas ações. Tal figura baseia-se em alguma semelhança conceitual entre os objetos relacionados. É o que acontece com os termos céu da boca, pé da poltrona e dente de alho nos exemplos que seguem. [...] O céu da boca, onde essa noite se forma, não tem estrelas de tão preto. [...] LAURENTINO, André. A lua da língua. In: SILVA CAMPOS, Carmen Lucia da; SILVA, Nilson Joaquim (Orgs.). Lições de gramática para quem gosta de literatura. São Paulo: Panda Books, 2007, p. 96.) Elipse É a omissão de um termo da frase facilmente suben- tendido. O zeugma é um tipo particular de elipse. Consiste na omissão de um termo já expresso anteriormente na frase. No texto a seguir, ocorre a omissão da palavra guardem. O nariz guardem nos rosais, A língua no alto do Ipiranga Para cantar a liberdade. Saudade... [...] ANDRADE, Mário de. Quando eu morrer quero ficar. In: MORICONI, Ítalo (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. Pleonasmo Consiste na repetição enfática de uma ideia ou um termo por meio de vocábulos ou expressões diferentes. Exemplos clássicos de pleonasmo são as expressões sair para fora, descer para baixo, subir para cima, elo de ligação, hemorragia de sangue, etc. Antítese É a associação de conteúdos opostos por meio de pa- lavras, sintagmas ou enunciados. No primeiro exemplo, os pares som e silêncio, luz e escuridão, dia e noite e não e sim expressam o caráter contraditório da vida. Não existiria som Se não houvesse o silêncio. Não haveria luz Se não fosse a escuridão. A vida é mesmo assim, Dia e noite, não e sim [...] SANTOS, Lulu; MOTTA, Nelson. Certas coisas. In: Tudo azul. Rio de Janeiro: WEA, 1984. Ironia Consiste no uso de uma expressão pela qual, usando entonação apropriada, dizemos o contrário do que pen- [...] O filho mais velho chegou a trazer um vira-lata da rua para fazer xixi no pé da poltrona, mas não conseguiu despertar dona Morgadinha do seu devaneio. VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. Estudei para a prova. (elipse da palavra eu) Na boca, dentes de marfim. (elipse da palavra havia) Maria falou a noite inteira. (elipse da palavra durante) Receitade pão de alho Ingredientes • 1 baguete média • 4 colheres (sopa) de requeijão • 50g de muçarela • 3 dentes de alho picados • Cheiro verde a gosto • Sal a gosto • Pimenta do reino a gosto • 2 colheres (sopa) de manteiga FC_Gramática_6A_01.indd 50 24/03/2021 09:34:37 Gramática – 6o ano 51 Eufemismo Consiste na suavização da linguagem por meio da uti- lização de palavras ou expressões que atenuam, aliviam, ideias consideradas desagradáveis ou inadequadas em determinadas situações de interação comunicativa. É o que acontece com a ideia de morte, que é suavizada pelos versos Quando os teus olhos fecharem / Para o esplendor deste mundo no poema a seguir. Quando os teus olhos fecharem Para o esplendor deste mundo, Num chão de cinza e fadigas Hei de ficar de joelhos; Quando os teus olhos fecharem Hão de murchar as espigas, Hão de cegar os espelhos. [...] CARDOZO, Joaquim. Canção elegíaca. In: MORICONI, Ítalo (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. samos com a intenção de sermos sarcásticos e usando entonação apropriada. No exemplo a seguir, a expressão onze contos de réis indica, na verdade, que o interesse da personagem Marcela era somente financeiro. [...] Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis [...]. ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Abril Cultural, 1978. Já neste outro exemplo, dizemos que a resposta de Dona Anésia à neta no último quadrinho foi irônica, pois, na verdade, ela não pediu paz ao Papai Noel. Já neste outro exemplo, a mulher deseja suavizar a ideia de demissão expressa pelo homem, para não assustar os filhos. Então ela o orienta a dizer que está de férias cole- tivas, medida que normalmente antecede a demissão de muitos funcionários em grandes empresas. FC_Gramática_6A_01.indd 51 24/03/2021 09:34:37 Gramática – 6o ano 52 Chamamos o oposto do eufemismo de disfemismo, isto é, o uso de palavra ou expressão considerada grosseira, grotesca ou simplesmente desagradável em lugar de outra mais branda ou neutra. É o que acontece com o emprego da palavra piores no último quadrinho da tira abaixo. Personificação Consiste em atribuir características humanas a seres inanimados. Quando dizemos, por exemplo, que as pare- des têm ouvidos, estamos atribuindo uma faculdade huma- na à parede, como se ela tivesse a capacidade de escutar. Uma figura de linguagem parecida com a personificação é a prosopopeia. Esta figura ocorre quando seres animados ou inanimados interagem como humanos, como ocorre nas fábulas, em que animais falam como se fossem pessoas. Hipérbole Consiste no exagero da linguagem, a fim de colo- carmos em relevo uma determinada informação. No primeiro exemplo, os termos mil, nunca mais e morrer de fome procuram, com base no exagero, intensificar os sentimentos do eu lírico por alguém. [...] Paixão cruel, desenfreada, Te trago mil rosas roubadas Pra desculpar minhas mentiras, Minhas mancadas. [...] Eu nunca mais vou respirar, Se você não me notar. Eu posso até morrer de fome, Se você não me amar. [...] CAZUZA; LEONI; NEVES, Ezequiel. Exagerado In: Exagerado. Rio de Janeiro: Som Livre: 1985. Reflita No cartaz a seguir, ocorre personificação ou prosopopeia? No cartaz, a frase O sapato tá ótimo, mas eu queria comer um pouco de ração é atribuída ao cão, o que configura o uso da prosopopeia. O Abrigo São Lázaro precisa de doações de comida para alimentar os peludinhos. Contribua! Contato: 986264775 abrigosaolazaro2016@gmail.com Re pr od uç ão FC_Gramática_6A_01.indd 52 24/03/2021 09:34:38 Gramática – 6o ano 53 b. Transcreva o termo que faz referência conotativa às pessoas a quem se destina o cartaz. c. O uso conotativo do termo que você identificou no item anterior corresponde a uma figura de linguagem bastante produtiva. Que figura é essa? Atividades 1| Leia: Amor é a coisa mais alegre. Amor é a coisa mais triste. Amor é coisa que mais quero. [...] PRADO, Adélia. O sempre amor. In: Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1991. No trecho do poema, observamos a ocorrência de uma figura de linguagem caracterizada pela: a. Intensificação de ideias. b. Substituição de um termo por outro equivalente. c. Comparação entre ideias. d. X Oposição de palavras. e. Suavização de uma palavra considerada grosseira. 2| Agora, leia o cartaz a seguir. a. A quem se destina o cartaz? Às mulheres em geral. A flor da vida. Metáfora. Gradação Consiste em apresentarmos uma sequência de pala- vras ou expressões a fim de criarmos uma ideia de pro- gressão ascendente ou descendente. Observe: Como você sabe, muitas vezes não podemos entender palavras e expressões “ao pé da letra”, isto é, denotati- vamente. A esse respeito, responda às questões a seguir. Re pr od uç ão FC_Gramática_6A_01.indd 53 24/03/2021 09:34:38 Gramática – 6o ano 54 a. Identifique e transcreva a passagem que, no texto, não deve ser interpretada literalmente. “[…] os mosquitos transmissores da malária estão proi- bidos de picar os índios.” 3| O texto a seguir, publicado em um jornal de grande circulação no País, deixa claro que nem sempre pode- mos nos limitar à interpretação literal (isto é, “ao pé da letra”) das palavras. Leia-o. Demora O Ministério da Saúde calcula que, em janeiro, já poderá deflagrar o programa emergencial da saúde para os ianomâmis, em Rondônia. Até lá, os mos- quitos transmissores da malária estão proibidos de picar os índios. Folha de S.Paulo b. Explique por que a inclusão dessa passagem deixa cla- ra a posição crítica e irônica do jornal com relação aos prazos propostos pelo Ministério da Saúde para começar a resolver o problema da malária entre os ianomâmis. Como o Ministério deixa claro na notícia que somente em janeiro poderá resolver o problema da malária entre os indígenas, fica implícita a ideia de que esta ação demorará ainda para acontecer e que, enquanto isso, a comunidade continuará sem receber os devidos cuidados. Assim, dian- te dessa negligência, a proibição imposta aos mosquitos soa irônica por parecer possível e mais eficiente. b. Que figura de linguagem está caracterizada nos ver- sos identificados no item anterior? 4| Leia com atenção o texto a seguir. Astronauta Astronauta, tá sentindo falta da Terra? Que falta que essa Terra te faz? A gente aqui embaixo continua em guerra olhando aí pra Lua, implorando por paz. Então me diz: por que você quer voltar? Você não tá feliz onde você está? Observando tudo a distância, vendo como a Terra é pequenininha, como é grande a nossa ignorância e como a nossa vida é mesquinha. [...] O PENSADOR, Gabriel; SANTOS, Lulu. Astronauta. In: Nádegas a declarar. Rio de Janeiro: Sony Music, 1999. a. Em que versos podemos observar a oposição de palavras? Antítese. A oposição de palavras ocorre nos versos vendo como a Terra é pequenininha / como é grande a nossa ignorância. Desafio 1| (Unicamp–Adaptada) A carta a seguir reproduzida foi publicada em outubro de 2007, após declaração sobre a legalização do aborto feita pelo governador do Estado do Rio de Janeiro na época. FC_Gramática_6A_01.indd 54 24/03/2021 09:34:38 Gramática – 6o ano 55 a. Há uma forte ironia produzida no texto da carta. Des- taque a parte do texto em que se expressa essa ironia. b. Qual é o objetivo pretendido pelo autor ao utilizar essa ironia? A ironia está expressa em [...] também quando votam. O objetivo pretendido pelo autor foi qualificar como marginais os políticos e, consequentemente, o próprio governador, autor do comentário. Sobre a declaração do governador de que “as mães faveladas são uma fábrica de produzir marginais”, cabe indagar: essas mães produzem marginais ape- nas quando dão à luz ou também quando votam? Painel do Leitor, Folha de S.Paulo 2| A obra O cortiço, de Aluísio Azevedo, conta-nos a história do ambicioso João Romão, capaz de tudo para ficar rico. É ele o donodo cortiço que dá título ao livro. João Romão mantém um romance com Bertoleza e tem como principal opositor Miranda, comerciante português que mora num sobrado ao lado do cortiço. Paralelamente a isso, outros personagens, como Jerônimo, Capoeira Firmo, Rita Baiana e Piedade, dão vida à trama, que aborda com clareza as- pectos comportamentais dos indivíduos em sociedade. No entanto, não apenas os personagens são descritos em seus comportamentos, mas também o próprio cortiço, apresen- tado ao leitor de forma personificada. Observe: I. E o fato é que aquelas três casinhas, tão engenho- samente construídas, foram o ponto de partida do grande cortiço de João Romão. II. Não obstante, as casinhas do cortiço, à proporção que se atamancavam, enchiam-se logo, sem mesmo dar tempo a que as tintas secassem. III. E, durante muito tempo, fez-se um vaivém de mer- cadores. Apareceram os tabuleiros de carne fresca e outros de tripas e fatos de boi; só não vinham horta- liças, porque havia muitas hortas no cortiço. IV. Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. V. O fato abalou o coração do cortiço, as duas receberam parabéns e felicitações. Em qual(ais) trecho(s) identificamos a ocorrência da personificação? a. Em I e II, apenas. b. Em II e III, apenas. c. Em III e IV, apenas. d. X Em IV e V, apenas. e. Em I e V, apenas. 3| Leia com atenção o poema a seguir. O amor, esse sufoco, agora há pouco era muito; agora, apenas um sopro. Ah, troço de louco, corações trocando rosas e socos. LEMINSKI, Paulo. Melhores poemas. São Paulo: Global, 1996. p.119. Chamamos de metonímia a figura de linguagem que consiste na substituição de um termo por outro a partir de uma relação de continuidade, de extensão de ideias. Em que palavra(s) do texto identificamos a presença da metonímia? a. Sufoco. b. Pouco e muito. c. Sopro. d. X Corações. e. Troço e louco. FC_Gramática_6A_01.indd 55 24/03/2021 09:34:38 Gramática – 6o ano 56 4| (Enem) Nesta tirinha, a personagem faz referência a uma das mais conhecidas figuras de linguagem. Marque a alternativa que demonstre tal referência. 5| (ITA) Assinale a figura de linguagem predominante na seguinte frase. a. Condenar a prática de exercícios físicos. b. Valorizar aspectos da vida moderna. c. Desestimular o uso das bicicletas. d. Caracterizar o diálogo entre gerações. e. X Criticar a falta de perspectiva do pai. Questões de escrita a. Metáfora. b. X Metonímia. c. Eufemismo. d. Hipérbole. e. Pleonasmo. A engenharia brasileira está agindo rápido para combater a crise de energia. Dígrafo 1| Analise a palavra a seguir. a. Quantas letras há nessa palavra? Há cinco letras. campo b. Há quantos fonemas nessa palavra? Há quatro fonemas. 2| Você percebeu que, na palavra campo, há mais letras que fonemas? Essa diferença ocorre porque a sequência de letras am é representada por apenas um fonema: ã. Chamamos de dígrafo o emprego de duas letras para representar um fonema. Agora, leia as palavras abaixo, identificando em quais delas ocorre dígrafo. Marcos barco modo espaço untar assobio senso anta ouvido pastel querer Maria chave poço estrelas alho nascer papel ronco ninho açougue cresço exceto ferroada canto Aprenda mais Você sabia que nem sempre sons e letras foram coisas dis- tintas? Até o século XVI, como não existia uma padronização ortográfica, a escrita seguia a pronúncia. Assim, era muito comum encontrar, em um texto, uma mesma palavra grafada de formas variadas. Entre o século XVI e o começo do século XX, houve uma crescente busca de uniformização da escrita: passou- -se a escrever respeitando-se a origem das palavras. Datam dessa época palavras como philosophia, pharmacia, chimica. Nesses exemplos, a segunda letra (h, c, ç, r, s, u, n, m) se combina com a primeira para lhe dar um valor fonético diferente, originando o dígrafo. Essas letras (a segunda nos dígrafos) são chamadas de diacríticas. Encontro consonantal 3| Leia estas palavras. distribuir degrau madrugada placa estrela biblioteca prova signo FC_Gramática_6A_01.indd 56 24/03/2021 09:34:39 Gramática – 6o ano 57 4| Com base na análise feita na questão anterior, defina: o que é um encontro consonantal. 5| Analise as palavras a seguir. Considerando o som representado pelas letras destaca- das, podemos dizer que temos exemplos de dígrafos? Explique. Não. As letras destacadas representam uma combinação de fonemas, logo não são dígrafos. São encontros consonantais. Encontro consonantal é a sequência de dois ou mais fonemas consonânticos em uma mesma palavra. Aprenda mais Os encontros consonantais podem ser separáveis ou insepa- ráveis, considerando a norma culta. • Separáveis – Ocorrem em sílabas diferentes. ap-to dig-no ab-so-lu-to ad-mi-tir sub-me-ter et-ni-a • Inseparáveis – Ocorrem na mesma sílaba. bra-ço ci-clo flo-res le-tra czar pneu Na fala de algumas variantes linguísticas, alguns encontros con- sonantais tendem a formar duas sílabas devido à colocação de uma vogal. Na norma culta escrita, por uma questão de padrão, a forma variante é considerada inadequada. Observe os exemplos. Forma culta Forma variante advogado adevogado absoluto abissoluto pneu pineu As letras destacadas podem ser definidas como exemplos de encontros consonantais? Não, pois as letras m e n formam dígrafos com as vogais que as antecedem. Divisão silábica 6| Leia as palavras abaixo. 7| Agora, observe a separação silábica dos grupos de palavras a seguir e, com suas palavras, elabore uma regra para cada situação. Dica: atente para os detalhes que são comuns às palavras de cada grupo. caixa herói Paraguai iguais a. Como você separaria as sílabas dessas palavras? Utili- ze o hífen ( - ) para indicar as separações. b. Observando os encontros vocálicos presentes nes- sas palavras, o que podemos concluir sobre a separa- ção silábica? cai-xa / he-rói / Pa-ra-guai / i-guais. Não separamos as letras que representam ditongos e tritongos. ap-to cac-to gar-ça pre-da-tis-mo Não separamos da sílaba anterior as consoantes que forem seguidas de vogal. a. ca-í-do ba-ú sa-ú-de sa-í-da Separamos as vogais dos hiatos. c. car-ra-pa-to nas-cer a-mar-rar des-ço e-cos-sis-te-ma ex-ce-der Separamos os dígrafos rr, ss, sc, sç, xc. b. samba renda indo FC_Gramática_6A_01.indd 57 24/03/2021 09:34:39 Gramática – 6o ano 58 pneu-má-ti-co gno-mo psi-có-lo-go mei-o boi-a-da chei-o ma-lha que-rer li-nha guer-ra cha-ve quis Não separamos os encontros consonantais que iniciam palavras. Separamos o ditongo do hiato. Não separamos os dígrafos lh, nh, ch, gu, qu. d. e. f. 8| Quando escrevemos um texto, às vezes temos de di- vidir as palavras para continuá-las na linha seguinte. Chamamos essa divisão de translineação. Se o hífen da translineação coincidir com o hífen de uma palavra composta, devemos repetir o hífen no início da linha se- guinte. Leia o texto abaixo e identifique onde deve ser empregado o hífen da translineação. Uma grande revolução na vida dos seres humanos primitivos foi a descoberta do fogo, que ocorreu no Paleolítico. De início, as foguei- ras eram acesas a partir de incêndios ocorri- dos espontaneamente na natureza. Acredita se que o modo de se produzir fogo foi descoberto de forma casual, resultante de faíscas produzidas pelo atrito entre pedras. Partindo dessa observa- ção, nossos ancestrais passaram a controlar o fogo, fazendo-o perto de pequenos gravetos secos, com o atrito de duas pedras ou pedaços de madeira. a. caça – b. coletor – c. lança – d. comunidade – e. hominídeo – f. agrupamentos – g. sedentarização – h. trigo – i. agricultura – j. mãe – k. alho – l. cooperação – m. cadeado – n. substância – o. pneumático – p. terreno – q. ramalhete – 9| Faça a divisão silábica das palavras relacionadas abaixo.ca-ça co-le-tor lan-ça co-mu-ni-da-de ho-mi-ní-deo a-gru-pa-men-tos se-den-ta-ri-za-ção tri-go a-gri-cul-tu-ra mãe a-lho co-o-pe-ra-ção ca-de-a-do subs-tân-cia pneu-má-ti-co ter-re-no ra-ma-lhe-te O hífen da translineação deve ser colocado antes da pa- lavra se (-se) em acredita-se. m eu ni er d/ Sh ut te rs to ck .c om FC_Gramática_6A_01.indd 58 24/03/2021 09:34:39 Gramática – 6o ano 59 Anotações FC_Gramática_6A_01.indd 59 24/03/2021 09:34:39 Gramática – 6o ano 60 5 Capítulo Substantivo e adjetivo 1. Substantivo Leia a tirinha a seguir. Para você, a prova da professora Norma será fácil? Como podemos ver, as “substâncias” que ela utilizará para elaborar as questões, que, segundo Isabele, serão tóxicas, nos levam a pensar que a prova será perigosa, prejudicial à saúde, ou seja, muito difícil. Observe na tira o emprego da palavra substâncias, pois ela nos levará ao conceito da classe de palavras que estudaremos neste capítulo. Aprenda mais Em algumas gramáticas, você verá que os substantivos são palavras que nomeiam os seres em geral. A palavra seres, nessa definição, deve ser entendida no sentido proposto pelos gregos antigos. Segundo eles, essa palavra representava tudo o que exis- te no mundo real ou imaginário. Assim, não confunda a palavra ser nesse sentido com a noção de ser vivo. Substantivo é a palavra que usamos para designar tudo que podemos apreender mentalmente como substâncias, como os produtos utilizados pela professora Norma para criar as questões da prova. Veja os exemplos: Ecologia, ecossistema, Terra, floresta, jacarandá, Universo, biosfera, cabelo, glicose, refrigerante, sapataria, aluno, vestígio, computador, livro, fóssil, hortaliça, lago, girassol, caneta, menino, Paula. Substâncias Iluminação, felicidade, orgulho, revolução, bondade, saúde, saída, intuição, liberdade, vontade, amor, compreensão, raiva, ilusão, desejo, pensamento. Objetos apreendidos mentalmente como substâncias Classificação dos substantivos A primeira distinção entre substantivos é bastante básica e considera somente a sua raiz estrutural, que chamamos de radical (essa raiz é a parte da palavra que carrega o seu significado mais importante). Observe: Serafim FC_Gramática_6A_01.indd 60 24/03/2021 09:34:39 Gramática – 6o ano 61 Os substantivos simples são aqueles que apresentam somente um radical em sua estrutura, como jardim, livro, algodão, bombeiro, chave, chaveiro. Os substantivos compostos são aqueles que apre- sentam mais de um radical em sua estrutura, ou seja, são formados a partir da união de duas ou mais palavras, como bomba-relógio, palavra-chave, guarda-roupa, planalto e pontapé. Outra forma de diferenciação dos substantivos tam- bém os divide em dois grandes grupos. O primeiro envol- ve aqueles que não se originaram de nenhum outro. São os chamados primitivos, como porta e quadro. Estes, porém, são capazes de originar outros, como portaria e enquadrar, que são chamados de derivados. Por fim, os substantivos também podem ser agrupados em duas categorias, conforme a “substância” que desig- nam. Dizemos que um substantivo é abstrato quando tem existência dependente, como cuidado, ansiedade, cansaço. A existência desses substantivos depende de alguém ou alguma coisa que dê ou apresente cuidado, ansiedade, can- saço, etc. Já os substantivos concretos denominam seres de existência própria, seja real, seja imaginária. De forma simples, dizemos, que esses substantivos nomeiam pessoas, lugares, animais, vegetais, minerais e coisas. São seres cuja existência é independente, como João, barco, mar, areia, quadro, vidro, saci e fada. Importante: essa distinção deve sempre considerar o contexto. Substantivos simples bomba relógio palavra chave bomba-relógio palavra-chave Substantivos compostos Aprenda mais A classificação de um substantivo como concreto ou abstrato depen- de do contexto em que ele é usado. É muito comum, por exemplo, o emprego de substantivos abstratos como concretos para personificar ações ou qualidades, o que caracteriza uma alegoria. Observe: A oportunidade está batendo à porta. A justiça é cega. A consciência falou comigo. Aprenda mais Em outros livros, você poderá encontrar a definição de que os substantivos comuns são aqueles que designam seres de uma mesma espécie. Aqui, preferimos usar a palavra grupo em vez de espécie, para não confundir com a noção de espécie trabalhada em Ciências — conjunto de indivíduos semelhantes ou poten- cialmente intercruzantes que estão isolados reprodutivamente de outros grupos. Aqui também é importante observar o contexto para distinguir essas duas categorias. Isso porque é muito comum substantivos próprios (principalmente aqueles que nomeiam marcas) se popularizarem a tal ponto que passam a nomear de forma geral objetos semelhantes, ou seja, passam a funcionar como substantivos comuns. É o Reflita Em uma frase como João pensa que é um anjo, o substantivo anjo é concreto ou abstrato? Explique. Os substantivos também podem ser classificados como próprios ou comuns. • Próprios – São os que se aplicam a um substantivo em particular. Para indicar que o substantivo designa, de fato, um nome em particular, grafamos os substan- tivos próprios com letra inicial maiúscula, como Bra- sil, Neolítico, Bahia, Hemisfério Norte, Pedro, Polo Sul, Palmeiras, Danone, Gillette e Iluminismo. • Comuns – São os que usamos para nos referir de forma geral a seres de um mesmo grupo, como pedra, livro, telefone, mesa, homem, lápis. Como, nesse caso, o substantivo nomeia um ser do mundo imaginário de existência independente, é concreto. FC_Gramática_6A_01.indd 61 24/03/2021 09:34:39 Gramática – 6o ano 62 Coletivo Significado Coletivo Significado acervo obras de arte flora plantas de uma região álbum fotografias, selos fornada pães, tijolos alcateia lobos, feras frota navios, ônibus antologia trechos de texto galeria quadros, estátuas armada navios de guerra júri jurados arquipélago ilhas legião soldados, anjos assembleia parlamentares milênio período de mil anos atlas mapas manada bois, porcos bagagem objetos de viagem maquinaria máquinas banca examinadores molho chaves, capim bando aves nuvem gafanhotos, mosquitos biblioteca livros penca frutos boiada bois pinacoteca quadros, telas cacho uvas pomar árvores frutíferas caravana viajantes, peregrinos prole filhos de um indivíduo ou de um casal cardume peixes quadrilha assaltantes código leis ramalhete flores colmeia cortiço de abelhas rebanho ovelhas, cabras, carneiros confraria pessoas religiosas repertório peças teatrais, musicais congregação religiosos, professores resma quinhentas folhas de papel constelação estrelas réstia alhos, cebolas década período de dez anos revoada aves voando discoteca discos século período de cem anos elenco atores, artistas tríade três seres de mesma natureza enxame abelhas, insetos triênio período de três anos enxoval roupas turma alunos fauna animais de uma região vara porcos Você ainda tem gilete no seu armário? (barbeador) Meu filho adora lanchar danone. (iogurte) Seu filho toma guaraná no lanche? (refrigerante) Por fim, os coletivos são substantivos comuns que indicam um conjunto de animais, coisas ou pessoas, mesmo estando no singular. Veja alguns exemplos: que acontece, por exemplo, com Gillette, Danone e Guaraná, que, dependendo do contexto, equivalem a barbeador, iogurte e refrigerante. Nesse caso, essas palavras devem ser escritas com inicial minúscula. FC_Gramática_6A_01.indd 62 24/03/2021 09:34:40 Gramática – 6o ano 63 Gênero dos substantivos Quanto ao gênero, os substantivos podem ser masculinos ou femininos. • Masculinos – Podem ser precedidos pela palavra o(s), entre outras. Exemplos: o carro, o relógio, o quati, os gatos, os pensamentos, os desejos. • Femininos – Podem ser precedidos pela palavra a(s), entre outras. Exemplos: a jaca, a paciência, a marcação, as mulheres, asperguntas, as ações. • Em alguns casos, o feminino de um substantivo é completamente diferente da forma masculina correspondente, como homem e mulher, pai e mãe, boi e vaca. Esses substantivos são chamados de biformes. • Outros substantivos só pertencem ao gênero masculino (fogo, computador, livro, alimento, carro) ou ao feminino (mesa, casa, aldeia, nuvem). Apesar desses detalhes, a passagem do gênero masculino para o feminino é feita, geralmente, de forma regular. Observe: Chamamos de uniformes os substantivos que apre- sentam apenas uma forma, sendo invariáveis quanto ao gênero. Os substantivos uniformes podem ser: • Epicenos – Referem-se a alguns animais. Para indicar o sexo desses animais, usamos as palavras macho ou fêmea. tartaruga macho tartaruga fêmea • Sobrecomuns – Designam pessoas e contêm apenas uma forma para feminino e masculino. a criança a testemunha a pessoa • Comuns de dois gêneros – Designam os indivíduos dos dois sexos. Nesse caso, podemos colocar a ou o antes desses substantivos. Substantivo Exemplos Terminação no masculino Terminação no feminino Masculino Feminino -or -ora senador senadora -iz ator atriz -eira lavador lavadeira -ão -eã peão peã -oa patrão patroa -ona amigão amigona -e -a chefe chefa -essa barão baronesa -esa japonês japonesa -isa sacerdote sacerdotisa -s -a marquês marquesa -z juiz juíza FC_Gramática_6A_01.indd 63 24/03/2021 09:34:40 Gramática – 6o ano 64 Substantivo Exemplo Terminação no singular Terminação no plural Singular Plural -al -ais vendaval vendavais -el -éis (oxítono) papel papéis -eis (paroxítono) túnel túneis -il -is (oxítono) funil funis -eis (paroxítono) réptil répteis -ol -óis farol faróis -ul -uis paul pauis -m -ns jovem jovens pólen polens-n -ão -ãos cidadão cidadãos -ões fogão fogões -ães pão pães -r -z + -es flor flores chafariz chafarizes -s + -es (monossílabo tônico ou oxítono) mês meses japonês japoneses não varia (paroxítono ou proparoxítono) o lápis os lápis o vírus os vírus -x não varia o tórax os tórax o intérprete → a intérprete o cliente → a cliente o pianista → a pianista Número dos substantivos Quanto ao número, os substantivos podem estar no singular ou no plural. Entretanto, alguns substantivos formam o plural de maneira diferente. Observe: Singular Plural caverna cavernas armário armários canudo canudos • Singular – Indica apenas um ser. Exemplo: menino. • Plural – Indica mais de um ser. Exemplo: meninos. Normalmente, o plural é feito por meio do acréscimo de um -s ao substantivo no singular. Veja: Aprenda mais Há, também, substantivos que, aparentemente, apresentam gêneros correspondentes, mas designam objetos diversos. o rádio (aparelho) a radio (emissora) o capital (dinheiro) a capital (cidade) FC_Gramática_6A_01.indd 64 24/03/2021 09:34:40 Gramática – 6o ano 65 Grau dos substantivos Quanto ao grau, para indicar o tamanho ou a intensi- dade, os substantivos podem estar no diminutivo ou no aumentativo. Tanto um quanto outro ocorrem de dois modos: analítico e sintético. • Grau diminutivo • Analítico – Formado em geral com o auxílio da palavra pequeno ou outra equivalente. Exemplos: casa peque- na, caixa ínfima, roupa minúscula, camisa diminuta. • Sintético – Em geral se forma com as terminações -inho(a) e -zinho(a). Exemplos: bebezinho, pardal- zinho, belezinha, bonitinho. • Grau aumentativo • Analítico – Formado em geral com o auxílio da pala- vra grande ou outra equivalente. Exemplos: terreno grande, fazenda enorme, roupa imensa, saudade gigante. • Sintético – Em geral se forma com as terminações -ão, -ona, -zão. Exemplos: bebezão, meninão, bonitona. No dia a dia, muitas vezes utilizamos substantivos no grau aumentativo ou diminutivo sem necessaria- mente estarmos enfatizando seu tamanho ou sua intensidade. É o que acontece quando se diz, por exem- plo, que Aninha é uma pessoa legal. A forma Aninha, diminutivo de Ana, denota afetividade, e não tamanho ou intensidade. Do mesmo modo, dizemos que Marcos comprou um carrão, quando, na verdade, ele comprou um carro de luxo, caro, bonito, etc. É possível, também, o uso de formas aumentativas ou diminutivas com objetivo conotativo. Observe: Mário tem 40 anos, mas é um bebezão. Ei, belezinha, hoje você vai estudar! O bonitinho saiu e deixou tudo bagunçado! 2. Adjetivo Leia a tirinha a seguir. Para entender o que é um adjetivo, vamos analisar a função das palavras perigosa (primeiro quadrinho), contaminados (segundo quadrinho) e sociais (terceiro quadrinho). Nos enunciados em que ocorrem, essas pa- lavras atribuem uma característica aos substantivos aos quais se ligam. Observe: Nesses casos, dizemos que as palavras perigosa, contaminados e sociais atuam como adjetivos, pois se referem a um substantivo atribuindo-lhe uma caracterís- tica. O mesmo acontece com alunos desatentos, assunto difícil, criança alegre, time bom, computador rápido. A raiva é uma doença muito perigosa. Substantivo Adjetivo É transmitida por animais contaminados e comentários e postagens nas redes sociais. Substantivo Substantivo Adjetivo Adjetivo A RAIVA É UMA DOENÇA MUITO PERIGOSA! É TRANSMITIDA POR ANIMAIS CONTAMINADOS... ...E COMENTÁRIOS E POSTAGENS NAS REDES SOCIAIS... FC_Gramática_6A_01.indd 65 24/03/2021 09:34:40 Gramática – 6o ano 66 • Adjetivos uniformes – Apresentam apenas uma forma, que funciona tanto para o masculino como para o femini- no, como alegre, feliz, gentil, deslumbrante, reluzente. No exemplo a seguir, por ser uniforme, o adjetivo principal concorda apenas em número (singular) com o substantivo personagens, pois este se encontra flexionado no singular. No Parque Nacional do Iguaçu, a natureza é o perso- nagem principal. Nesse caso, como é uniforme, o adjetivo principal não apresenta variação de gênero. Assim, ele concorda apenas em número com o substantivo personagem. Chamamos de adjetivo pátrio aquele que indica na- cionalidade ou lugar de origem, como recifense, carioca, paulista, baiano, alemão. Por fim, os gentílicos são adjetivos utilizados nas referências feitas a raças e povos. Locução adjetiva Locução adjetiva é o conjunto de duas ou mais palavras com valor de adjetivo. Observe: As crianças ficaram com uma expressão de alegria. Nesse exemplo, as palavras de horror atuam como ad- jetivo, modificando o sentido do substantivo expressão. Para que isso fique claro, veja que essa locução pode ser, de fato, substituída por um adjetivo: alegre. O mesmo acontece com, por exemplo, amor de mãe (materno), roupa sem elegância (deselegante), ferramenta sem utilidade (inútil). Entretanto, nem todas as locuções adjetivas podem ser substituídas por um adjetivo, como montanha de lixo e fábrica de laticínios. Em geral, as locuções adjetivas são iniciadas pela pa- lavra de seguida de um substantivo. Mas algumas podem ser iniciadas pelas palavras em, com e sem. laranja sem caroço café com açúcar vida em família Gênero e número do adjetivo Como dissemos, o adjetivo sempre se refere a um substantivo. Assim, as palavras dessa classe concordam em gênero e número (ou apenas em número) com o subs- tantivo a que se referem. Quanto ao gênero, os adjetivos podem ser biformes ou uniformes. • Adjetivos biformes – Apresentam-se no masculino ou no feminino, como delicado(a), belo(a), bonitos(as), coloridos(as), dependendo do gênero do substantivo a que se referem. Observe que esse tipo de adjetivo se fle- xiona tanto em gênero (masculino ou feminino) quanto em número (singular ou plural). Observe: Na natureza, há recursos que possuem capacidade de renovação após serem utilizados pelos huma- nos em suas atividades produtivas. Nesse exemplo, o adjetivo produtivas está flexionado no fe- minino plural porque concorda com o substantivo atividades. Cataratas do Iguaçu é um conjunto com, aproximadamente, 275 que- das de água no Rio Iguaçu, no Estado do Paraná, Brasil. Estudei emum colégio israelita. Comprei uma cerâmica ianomâmi. Ele tem problema de coração (cardíaco). Ele teve um gesto de coração (cordial). Em alguns casos, a mesma locução adjetiva pode ser usada com significados contextuais diferentes e especí- ficos. Veja: sa ik o3 p/ Sh ut te rs to ck .c om FC_Gramática_6A_01.indd 66 24/03/2021 09:34:40 Gramática – 6o ano 67 Quando temos dois ou mais substantivos, o adjetivo os acompanha em gênero e número. A concordância entre substantivos e adjetivos Como dissemos, os adjetivos concordam em gênero e número (às vezes só em número) com o substantivo ou os substantivos a que se referem. Os exemplos que vimos até agora ilustram bem essa regra. No entanto, em situações mais complicadas, principalmente em textos formais escritos, podem ocorrer dúvidas, principalmente quando um adjetivo pode se referir a dois ou mais substantivos. Nesse caso, a regra geral é esta: Observe: Do mesmo modo que a maioria dos substantivos, os adjetivos formam o feminino substituindo a terminação -o (forma masculina) por -a. recurso valioso — água valiosa homem pré-histórico — pintura pré-histórica comércio primitivo — comunidade primitiva escritor português — língua portuguesa homem sedutor — mulher sedutora alimento cru — comida crua corpo são — mente sã menino chorão — menina chorona copo grandão — boca grandona homem plebeu — mulher plebeia país europeu — moeda europeia povo caldeu — cultura caldeia Os adjetivos terminados em -ês, -or ou -u em geral recebem a terminação -a. Já os adjetivos terminados em -ão mudam essa ter- minação para -ã ou -ona. Por fim, adjetivos terminados em -eu mudam essa terminação para -eia. A caça e a pesca eram rotineiras no Paleolítico. substantivos flexionados no feminino singular adjetivo flexionado no feminino plural O Paleolítico e o Neolítico foram marcados por grandes eventos. substantivos flexionados no masculino singular adjetivo flexionado no masculino plural Reflita De acordo com o seu conhecimento de mundo, como essa concordância será feita se os substantivos forem de gêneros diferentes? Agora, analise este período: No Paleolítico, homens e mulheres eram coletores de alimentos. substantivos de gêneros diferentes adjetivo flexionado no masculino plural Como você pode ver, se os substantivos forem de gêneros diferentes, o adjetivo será flexionado no plural masculino. Nessa situação, observe que o adjetivo cole- tores se refere, ao mesmo tempo, a homens e mulheres. O adjetivo deve ser flexionado no masculino plural. FC_Gramática_6A_01.indd 67 24/03/2021 09:34:40 Gramática – 6o ano 68 Em algumas situações, o adjetivo colocado depois de dois ou mais substantivos pode concordar com todos os substantivos ou apenas com o substantivo mais próximo, mas essa possibilidade de concordância depende do sentido do que se quer dizer. Veja: Os grupos humanos que viveram no Paleolítico iam de um lugar a outro em busca de alimentos, como raízes, frutos, peixes e animais pequenos. Animais de grande porte passaram a ser alvo dos caçadores quando foram desenvolvidos utensílios e armas mais aperfeiçoados, como a lança, o arco e a flecha, que possibilitaram o ataque a distância. Considerando o sentido, nesse exemplo o adjetivo pequenos está qualificando apenas o substantivo ani- mais, pois, em virtude da precariedade das armas que utilizavam (feitas principalmente de madeira, ossos e lascas de pedra), os seres humanos que viveram no Paleo- lítico caçavam, preferencialmente, animais de pequeno porte. Já no exemplo a seguir, observe que os adjetivos desenvolvidos e aperfeiçoados qualificam, ao mesmo tempo, os substantivos utensílios e armas. Aprenda mais Aprenda mais As pedras utilizadas na confecção de tais instrumentos e de outros utensílios apresentavam bordas cortantes, como se tivessem sido retiradas pequenas lascas, e eram bem simples e rudimentares. Daí o fato de o Período Paleolítico ser chamado também de Idade da Pedra Lascada. Segundo os historiadores, não se pode falar com certeza por que o Homo sapiens era uma espécie superior às outras. O que se pode afirmar é que ele era mais inteligente, talvez pelo fato de possuir um cérebro maior. Graus do adjetivo • Grau superlativo absoluto Acentua ao extremo as características atribuídas ao substantivo. Pode ocorrer de dois modos: • Sintético (uma palavra) – Forma-se, normalmente, por meio das terminações: -íssimo, -ílimo, -érrimo. • Exemplos: dificílimo, belíssima, paupérrimo, hiper- satisfeita. O Homo sapiens era inteligentíssimo. • Igualdade – A Pré-História é tão importante quanto a História. • Superioridade – O Homo habilis era mais habilidoso que o Homo erectus. • Inferioridade – O Homo erectus era menos inteligente que o Homo sapiens. • Grau comparativo Por meio do grau comparativo do adjetivo, compara- mos os substantivos, identificando suas características, suas qualidades, seus defeitos. Existem três graus de comparação: Ka tie kk /S hu tt er st oc k. co m fra nt ic 00 /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_01.indd 68 24/03/2021 09:34:41 Gramática – 6o ano 69 • Analítico – Forma-se, normalmente, com o auxílio de uma palavra que expresse intensidade ou pela repe- tição do adjetivo. Exemplos: muito bonita, bastante alegre, pouco agitado. O Homo sapiens era muito inteligente. A prova foi fácil, fácil (muito fácil!). • Grau superlativo relativo Intensifica uma característica do substantivo estabe- lecendo uma relação de superioridade ou inferioridade com outros seres. • Superioridade – O Homo habilis era o mais interes- sante de todos os hominídeos. • Inferioridade – O Homo erectus era o menos interes- sante de todos os hominídeos. Atividades 1| A tirinha é um gênero textual que, entre outras ca- racterísticas, possui o objetivo de produzir humor, re- sultado quase sempre de uma fala e/ou atitude ines- perada. Após a leitura da tirinha, podemos afirmar que o humor: a. É produzido por causa da dúvida de Isabele. b. X É resultado da atitude irônica de Serafim, que se julga um anjo. c. Tem origem na fala de Isabele, que não sabe a di- ferença entre substantivo concreto e abstrato. d. Acontece no segundo quadrinho. e. É um substantivo concreto. 2| No contexto da tirinha, o substantivo anjo é concreto ou abstrato? 3| Na tirinha, Serafim se julga um anjo, mas não seria pro- priamente um. Na verdade, ele certamente acredita que possui características que, em geral, atribuímos aos anjos. Isso acontece porque, embora não existam no mundo real, eles estão bastante presentes no nosso imaginário. Eles aparecem nos desenhos animados, nos filmes, nas histó- rias infantis, etc. Pensando nisso, descreva, em seu cader- no, com suas palavras, a maneira como você vê um anjo em seu imaginário. É substantivo concreto. Re sp os ta p es so al . E sp er am os q ue o s a lu no s u til iz em b as ta nt es a dj et iv os n es sa d es cr iç ão . 4| Como vimos, os substantivos podem ser agrupados em diferentes grupos classificatórios, mas um grupo não exclui outro. Relembre quais são esses grupos e analise as afirmações seguintes, assinalando V (verda- deiro) ou F (falso). a. V Todo substantivo composto é derivado. b. F Todo substantivo derivado é simples. c. V Todo substantivo primitivo é simples. d. V Nem todo substantivo próprio é simples. e. F Os substantivos derivados têm de apresentar mais de um radical. f. F Os substantivos comuns são escritos com inicial maiúscula. 5| Um substantivo primitivo pode originar inúmeros deri- vados, por isso estes são muito mais numerosos. Da pala- Serafim Texto FC_Gramática_6A_01.indd 69 24/03/2021 09:34:41 Gramática – 6o ano 70 6| Leia o quadrinho a seguir. a. Por que, para Serafim, o pai não deveria se preocupar com a crise? Porque, para ele, por ser um substantivo abstrato, a pa- lavra crise não poderia prejudicar o seu pai. vra vento, poro que possibilita a produção de sons bastante diferentes, inclusive aqueles utilizados na fala: os sons vocálicos e os sons consonantais, que estudaremos detalhadamente mais adiante. A comunicação bem-sucedida entre duas ou mais pessoas só é possível se uma entender a outra. Para entender o outro, cooperamos com ele. Cooperar, neste caso, não é apenas fazer silêncio enquanto o outro fala, mas trabalhar com o outro na produção do sentido. Em outras palavras, coopera- mos com ele quando procuramos entender o que quis dizer. Ou deveríamos. Se observarmos, às vezes falamos e temos a certeza de que, por qualquer motivo, a outra pessoa não está dando atenção às nossas palavras. Assim, a comunica- ção não acontece. Esse, inclusive, é um problema bastante comum na vida social e profissional de muitas pessoas. Um grande estudioso da comunicação certa vez comentou que foi preciso o ser humano inventar o telefone, o smartphone e a Internet para perceber que o verdadeiro problema da falta de comunicação entre as pessoas não está na distância. Aprenda mais Outras espécies de animais também possuem aparelho fonador, a exemplo dos papagaios. Como vivem em grupo e apresentam uma inteligência acima da média das aves em geral, eles conseguem articular esse aparelho para imitar sons que ouvem. Soltos na natureza, os papagaios cantam com o objetivo de trocar infor- mações. Mas, quando vivem isolados em cativeiro, compensam a falta de comunicação imitando a fala humana. Aprenda mais A fala é resultante da articulação dos sons produzidos por uma série de órgãos que compõem nosso aparelho fonador. Cavidade nasal Narinas Dentes superiores Dentes inferiores Laringe Faringe Cavidade oral Língua Diafragma Pulmão esquerdo Traqueia Pulmão direito M ar is h/ Sh ut te rs to ck .c om A habilidade da fala e a capacidade de desenvolver raciocínios complexos permitem que façamos represen- tações bem interessantes: podemos explorar o passado, o presente e o futuro, algo que nenhuma outra espécie é capaz de fazer. Ou seja, por meio da fala, podemos transmitir pensamentos, intenções, preconceitos, senti- mentos, sonhos, etc. FC_Gramática_6A_01.indd 6 24/03/2021 09:34:21 Gramática – 6o ano 7 ∞ π ≅ Para entender o sentido dessa charge, você precisou decodificar uma infinidade de símbolos: onde os homens estão, que ocupações têm, que informações estão cla- ras no balão, etc. Desse modo, podemos concluir que, relacionando os símbolos que compõem um código, executamos ações! Evidentemente, a compreensão dos símbolos só é possível se eles já fizerem parte do nosso conhecimento de mundo. Para que isso fique claro, basta olhar, por exemplo, para alguns símbolos matemáticos que você ainda não estudou. A partir do momento em que eles são apresentados a você, passam a fazer parte do seu conhecimento de mundo e, portanto, passam a ter significado. O primeiro é o infinito (∞). Ele indica que uma sequência de números não tem fim. Já o segundo símbolo representa um núme- ro chamado de pi, que vale, aproximadamente (≅), 3,14. de estabelecer comunicação, damos o nome de código. É utilizando códigos que interagimos com nossos se- melhantes, refletimos sobre a realidade, transmitimos valores, conhecimento… Tudo o que está à nossa volta ou mesmo aquilo que não existe no mundo real pode ser simbolizado. Observe isso na charge a seguir. E, por falar em números, eles também são símbolos. Criados há milhares de anos com o objetivo de fazer con- tagens, enumerações, os números estão por toda parte: no seu endereço, no tamanho do seu pé, na medida da sua cintura, na quantidade de mensagens não lidas no seu smartphone, etc. Os números naturais são muito utiliza- dos, sendo indicados matematicamente pelo símbolo N. Desse modo, os símbolos que compõem os códigos que utilizamos no nosso dia a dia são os mais variados. A fotografia a seguir identifica uma placa de trânsito insta- lada em uma das estradas que cortam o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. Como você pode ver, os símbolos que empregamos em nossas interações com outras pessoas podem ser os mais variados. Podem, inclusive, ser partes de palavras, desde que tenham sentido. A letra a, por exemplo, se empregada em uma palavra como menina, expressa uma ideia, passa a ser um símbolo, indicando a noção de feminino. Já a partícula des-, em desleal, indica a noção de negação, contrário, oposição. Reflita O que essa placa significa? Faria sentido colocá-la em uma das avenidas da sua cidade? A placa indica que há depressões na estrada. Espera- -se que o aluno perceba que o sentido da placa está associado às figuras rupestres do Parque, sendo incoerente sua utilização em um ambiente urbano. m ar co sv el lo so /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_01.indd 7 24/03/2021 09:34:22 Gramática – 6o ano 8 Acredita-se que os Australopitecus possuíam estruturas cerebrais importantes para a capacidade de se comunicar e já andavam sobre duas pernas. Reprodução de um Australopithecus afarensis em museu de Barcelona. 3. A linguagem Os códigos que utilizamos para nos comunicar cons- tituem diferentes linguagens. Dizemos que a linguagem é uma habilidade que desenvolvemos instintivamente. O instinto é um impulso inconsciente que faz os animais agirem de acordo com suas necessidades de sobrevivência. Assim, quando aprendemos a falar, como as aves apren- dem a voar, agimos guiados pelo instinto. Por essa razão, não é preciso ir à escola para aprender a falar. Isso acontece espontaneamente nos bebês. Com o passar do tempo, essa habilidade vai se desenvolvendo e, sem perceber, eles logo Re pr od uç ão Aprenda mais As palavras em geral são formadas por diferentes partes que possuem significado. Ou seja, são símbolos. Analise as palavras a seguir procurando perceber o sentido que as partes destacadas indicam. Para expressar o sentido de negação, nossa língua ofe- rece diversos termos que, agregados a algumas palavras, expressam o sentido oposto ao que elas significam. É dessa maneira que se forma grande parte dos antônimos. Veja: desatento desmentir inútil infeliz atípico amoral Aprenda mais Chamamos de antônimas as palavras que exprimem realidades opostas. Assim, dizemos que claro é antônimo de escuro em O quarto está escuro, abra as janelas para deixá-lo claro. Já os sinônimos são palavras, termos ou expressões que, em uma dada situação, podem codificar a mesma informação. Observe: O parque guarda belas pinturas rupestres. O local abriga bonitos desenhos feitos nas rochas. passam da produção de palavras soltas à comunicação cada vez mais complexa. Faz muito tempo que o ser humano começou a falar. Mas não é possível dizer exatamente desde quando, pois somente no início do século XX d.C. foi inventado o primeiro gravador de voz. Ou seja, ele não existia na Pré-História. As- sim, o que temos são pistas a respeito da “história da fala”. Um exemplo são algumas estruturas do corpo encontradas em fósseis. Nos Australopitecus, surgidos há 4 milhões de anos, foram identificados, por exemplo, centros cerebrais fundamentais para a linguagem. Mas os chimpanzés pos- suem esses mesmos centros, e não falam. Outro exemplo interessante diz respeito a alguns vestígios arqueológicos ligados ao aparelho fonador. Cientistas acreditam que, há cerca de 500 milhões de anos, passamos a ter laringe comprida e alta, um traço fundamental para a geração dos sons característicos da fala. No entanto, o homem de Neandertal, que viveu há aproximadamente 150 mil anos, não possuía essa característica hoje existente na nossa espécie, o Homo sapiens sapiens. desfazer recomeçar biscoitos casarão carrinho FC_Gramática_6A_01.indd 8 24/03/2021 09:34:22 Gramática – 6o ano 9 De outro lado, muitos estudiosos acreditam que a fala só pode ser entendida como tal quando os sons adquirem significados e se tornam palavras. Por fim, há estudiosos que preferem olhar para o queexemplo, derivamos ventania e vendaval. O processo de derivação normalmente segue regras bem definidas, mas nem sempre é assim. Muitas vezes, na formação de um substantivo derivado, acrescentamos algum sentido inesperado e engraçado. Os substantivos destacados nas frases a seguir foram derivados nessas condições. Em grupo com os seus colegas e o professor, procure definir o sentido desses substantivos. a. Paulo está morando em um apertamento. b. Marcos é namorido de Sílvia. c. Isto não é café, é um chafé. d. Ela fala portunhol. e. Marcelo é pãe de Artur. f. Pedro está na fase da aborrescência. g. Paula é chocólatra. h. Vou precisar de um paitrocínio para fazer esse curso. i. Carlos é um sincericida. j. Márcia é escragiária naquela empresa. k. João é um mautorista. l. A filha deles é uma crionça. b. Para o pai, o substantivo crise tem um sentido con- creto ou abstrato? Explique. c. Considerando sua resposta para a questão anterior e a época em que essa charge foi produzida (outubro de 2019), a que crise provavelmente o personagem se refe- re? (Se for preciso, faça uma breve pesquisa.) Para o pai, o substantivo crise tem um sentido concreto, isto é, seus efeitos na economia da família (“no seu bol- so”) serão sentidos. A charge faz referência à grave crise política e econômica que atingiu o Brasil em 2019. 7| O trecho abaixo foi extraído de um conto de Rubem Fonseca. [...] pouco tempo depois, a campainha tocou no- vamente; era a polícia. Abri a porta, e o polícia me deu uma intimação para depor na segunda-feira [...] FONSECA, Rubem. Feliz ano novo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. Resposta pessoal. Descreva a diferença de significado que a variação de gênero determina nos substantivos a seguir: a. A polícia. Instituição de segurança pública. b. O polícia. A pessoa que trabalha na instituição de segurança públi- ca, nesse caso, na polícia. Serafim FC_Gramática_6A_01.indd 70 24/03/2021 09:34:41 Gramática – 6o ano 71 a. Os deputados discutirão coisas políticas e sociais. b. O conhecimento útil é capaz de situar qualquer coisa em seu contexto. c. Existem várias coisas para reduzir os desequilíbrios entre as pessoas. d. A violência nas cidades é uma coisa particularmente preocupante. e. Prometer reformas impossíveis é uma coisa muito co- mum para atrair votos. f. A busca pela felicidade é uma coisa legítima. g. Quando o homem pensa no futuro, uma coisa é certa: qualidade de vida é fundamental. 8| Substitua a palavra coisa (não é permitido usar algo) por substantivos. Faça as adaptações necessárias. Respostas sugeridas. Os deputados discutirão assuntos políticos e sociais. O conhecimento útil é capaz de situar qualquer informa- ção em seu contexto. Existem várias alternativas para reduzir os desequilíbrios entre as pessoas. A violência nas cidades é um problema particularmente preocupante. Prometer reformas impossíveis é uma tática muito co- mum para atrair votos. A busca pela felicidade é um sonho legítimo. Quando o homem pensa no futuro, uma ideia é certa: qualidade de vida é fundamental. 9| Complete com o adjetivo adequado. Observe o exemplo: Trabalhador da indústria – Industrial. a. Planta da água – b. Pessoa sem atividade – c. Produto de fábrica – d. Porto do rio – e. Animal da noite – f. Ave de praia – g. Tratamento do cabelo – h. Proteção do meio ambiente – i. Hábito de alimentação – j. População do mundo – k. Fluxo de energia – l. Movimento da Terra – m. Temperatura do Sol – Planta aquática. Pessoa inativa. Produto fabril. Porto fluvial. Animal noturno. Ave praieira. Tratamento capilar. Proteção ambiental. Hábito alimentar. População mundial. Fluxo energético. Movimento terrestre. Temperatura solar. 10| Observando as expressões destacadas nas orações se- guintes, encontre o adjetivo mais adequado. Veja o exemplo: Minha filha amanheceu com febre. Minha filha amanheceu febril. FC_Gramática_6A_01.indd 71 24/03/2021 09:34:41 Gramática – 6o ano 72 a. A fazenda está sem governo. b. O policial estava sem arma. c. Esta capa está sem cor. d. A comida está sem cheiro. f. O café está sem açúcar. e. A água pura é sem gosto. g. Estou sem paciência para assistir ao musical. A fazenda está desgovernada. O policial estava desarmado. Esta capa está incolor. A comida está inodora. O café está aguado. A água pura é insípida. Estou impaciente para assistir ao musical. 11| Como vimos, os adjetivos se ligam a substantivos acres- centando-lhes alguma qualidade, característica, etc. Mas você sabia que esse sentido “acrescentado” pode mudar conforme a posição do adjetivo (se colocado antes ou de- pois do substantivo)? Para perceber isso, analise as situa- ções a seguir. Explique, com suas palavras, o sentido ex- presso pelos adjetivos destacados em cada situação. a. I. Paulo se tornou um homem grande. II. Paulo se tornou um grande homem. Em I, o adjetivo permite a compreensão de que Paulo é um homem alto. Em II, o adjetivo nos leva a entender que Paulo é um homem notável. b. I. Renata é uma mulher pobre. II. Renata é uma pobre mulher. c. I. Carolina é uma velha amiga. II. Carolina é uma amiga velha. Em I, o adjetivo permite a compreensão de que Renata é uma mulher que dispõe de poucos recursos. Em II, o adjetivo possibilita a compreensão de que o enunciador observa Renata com certa compaixão. Em I, o adjetivo permite a compreensão de que Carolina tem uma antiga amizade com o enunciador. Em II, o ad- jetivo nos leva a entender que Carolina é a amiga idosa do enunciador. 12| Nesta atividade, você tentará descobrir quais são as palavras (substantivos ou adjetivos) que deverá escrever na cruzadinha da página seguinte, tendo em vista as dicas fornecidas a seguir. Para enriquecer o seu estudo, utilizare- mos o tema Pré-História como fonte de informação. Horizontais 1. Adjetivo que qualifica as pinturas feitas no interior de cavernas. 2. Marcas, objetos, fósseis produzidos pelos primeiros seres humanos que permitem estudar a nossa origem (substantivo flexionado no singular). 3. Substantivo coletivo que designa todos os seres hu- manos. 4. Substantivo que designa a principal descoberta reali- zada pelos seres humanos na Pré-História. 5. Substantivo comum empregado para nomear os seres que não pertenciam propriamente ao gênero Homo, mas andavam sobre dois pés, tinham o corpo coberto de pelos e o cérebro muito pequeno. FC_Gramática_6A_01.indd 72 24/03/2021 09:34:41 Gramática – 6o ano 73 Verticais 1. Período que vai do surgimento do ser humano até o desenvolvimento da escrita (substantivo). 2. Adjetivo (flexionado no plural) empregado para qualificar os seres humanos quando estes deixaram de ser nômades. 3. Substantivo (flexionado no plural) que designa de forma geral os objetos produzidos pelos seres humanos para enfrentar as dificul- dades do dia a dia. 4. Adjetivo que qualifica o substantivo femini- no revolução quando este designa o desen- volvimento da agricultura e da domesticação de animais ocorrido na Idade da Pedra Polida. 5. Adjetivo empregado para caracterizar o ser humano que produzia instrumentos mais aperfeiçoados, tinha o cérebro maior que o do Homo habilis e também era mais alto. Foi o pri- meiro a usar o fogo em benefício próprio, para se aquecer e cozinhar os alimentos. O uso desse adjetivo se deve ao fato de esses seres humanos possuírem a postura ereta. I N R U P E S T R E S R T S É R E - U D H U M A N I D A D E I E N S N T T T Á Ó O R R S I V E S T Í G I O N F O G O R A E S E O C L T Í A U S T R A L O P I T H E C U S S I C A 3. 1. 1. 2. 3. 4. 4. 5. 5. 2. Desafio 1| Os coletivos são substantivos que se referem aos seres considerados em conjunto. Normalmente, esses substantivos designam um conjunto de seres da mesma espécie, como cardume (de peixes) e manada (de bois ou búfalos). Mas, no uso cotidiano da língua, comumen- te atribuímos outros significadosaos substantivos co- letivos, conforme a ideia que apresentam. Esse desvio ocorre em: a. Renan sempre presenteia Cláudia com um rama- lhete no Dia dos Namorados. b. Não se esqueça de identificar bem sua bagagem, para não perdê-la na viagem. c. X O elenco do Palmeiras não está completo para o jogo de hoje à noite. d. A criança foi atacada por um enxame no passeio ao zoológico. e. Parece que seu pai está na biblioteca estudando. 2| Analise as frases a seguir. I. Como você já trabalhou em várias empresas, sua bagagem será muito importante aqui. II. O palestrante ficou nervoso com o enxame de perguntas. III. Esperei séculos, mas ela não apareceu para nosso encontro. IV. João é um menino muito travesso. Seu repertório é imenso. V. O pastor da minha igreja sabe cuidar bem de seu rebanho. FC_Gramática_6A_01.indd 73 24/03/2021 09:34:41 Gramática – 6o ano 74 4| O personagem Cascão, de Maurício de Sousa, tem esse apelido por não gostar de banho. Nesse contex- to, a palavra Cascão significa aquele que tem pele grossa por sujeira e expressa a ideia de aumentativo. Assinale a alternativa em que há uma palavra no grau aumentativo. a. O limão é uma fruta ácida que faz bem à saúde. b. Macarrão contém muito carboidrato e, por isso, engorda. c. X O Timão venceu o campeonato de futebol muito à frente dos adversários. d. O acidente ocorreu porque um carro veio na con- tramão. e. O catalão é a língua falada em uma região da Es- panha. 3| A palavra caminhãozinho, no grau diminutivo, recor- da-nos que são válidas todas as considerações abaixo sobre esse assunto (diminutivo), menos uma. Aponte a exceção. a. O plural de caminhãozinho é caminhõezinhos, como o de anelzinho é aneizinhos. b. Além de expressar o “tamanho diminuído” do ser, pode, a forma diminutiva, expressar emoções ou sentimentos de diversas naturezas: carinho (mãezi- nha), ironia (santinho), depreciação (padreco), etc. c. Em certos substantivos, a terminação -inho não caracteriza o diminutivo, como em golfinho. d. Encontramos, em português, diversas desinên- cias caracterizadoras do diminutivo, entre elas a for- ma -ote (frangote, saiote, rapazote, etc.). e. X A terminação -inho indica a ocorrência do grau diminutivo analítico em caminhãozinho. Indique aquela(s) em que o coletivo expressa uma hipérbole. a. I e II. b. X II e III. c. III e IV. d. IV e V. e. I e V. 5| Embora pareça simples, a classificação das palavras em categorias requer uma observação atenta da situa- ção em que elas são usadas. Pensando nisso, analise o emprego da palavra humanos nas seguintes frases: Humanos e macacos evoluíram a partir de um mesmo ancestral: os primatas. Vestígios humanos podem ser considerados fontes históricas. Em ambas as frases, a palavra humanos deve ser classi- ficada da mesma forma? Explique. Não. Na frase I, humanos funciona como substantivo, enquanto em II funciona como adjetivo, qualificando o substantivo vestígios. 6| Leia o texto abaixo. Há notícias que são de interesse público e há notícias que são de interesse do público. Se a ce- lebridade x está saindo com o ator y, isso não tem nenhum interesse público. Mas, dependendo de quem sejam x e y, é de enorme interesse do público, ou de certo público (numeroso), pelo menos. As de- cisões do Banco Central para conter a inflação têm óbvio interesse público. Mas quase não despertam interesse, a não ser dos entendidos. O jornalismo transita entre essas duas exigências, desafiado a atender às demandas de uma sociedade ao mes- mo tempo massificada e segmentada, de um leitor que gravita cada vez mais apenas em torno de seus interesses particulares. Fernando Barros e Silva. O jornalista e o assassino: in. Folha de S.Paulo. FC_Gramática_6A_01.indd 74 24/03/2021 09:34:41 Gramática – 6o ano 75 Com a Revolução Agrícola, ocorrida no Neolítico, primeiramente foram cultivados o trigo, a aveia e a cevada. Para facilitar o cultivo, as pessoas procu- ravam as terras próximas dos rios, que eram mais férteis. Isso fez surgir os primeiros aglomerados populacionais, que tinham, na união da população, uma arma defensiva, além de uma melhor produção. Chamamos de minério as rochas e os minerais que servem como matéria-prima na fabricação de pro- dutos. O granito, por exemplo, é um minério. A palavra público é empregada no texto ora como subs- tantivo, ora como adjetivo. Exemplifique cada um desses empregos com passagens do próprio texto e apresente o critério que você utilizou para fazer a distinção. Na frase “Há notícias que são de interesse público e há notícias que são de interesse do público”, a palavra pú- blico é usada na primeira ocorrência como adjetivo, rela- cionada com o substantivo interesse, e na segunda como substantivo inserido na locução adjetiva do público. 7| O parágrafo abaixo foi retirado de um livro didático de História do 6º ano. Leia-o com atenção. I. A palavra cultivados está flexionada no masculino plural para concordar com o substantivo que qualifica (trigo). II. As palavras próximas e férteis estão flexionadas no feminino plural para concordar com terras. III. A locução adjetiva da população poderia ser substituí- da pelo adjetivo populacional, mas essa substituição acarretaria uma repetição desnecessária desse adjetivo. Está correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. X III, apenas. d. I e II. e. II e III. Questões de escrita Acentuação dos monossílabos tônicos 1| Como vimos no Capítulo 2, as palavras com apenas uma sílaba são chamadas de monossílabas. Essas pa- lavras podem ser pronunciadas de maneira fraca ou um pouco mais forte, por isso são classificadas como áto- nas (fracas) ou tônicas (fortes). Observe essa distinção na leitura das palavras destacadas no texto a seguir. a. Qual dessas palavras é pronunciada de maneira mais forte? b. Como se classifica essa palavra? A palavra é. Monossílabo tônico. 2| Agora leia estes monossílabos tônicos. já lá pás pé ré rês pó nós vez nu luz Que regra de acentuação gráfica podemos formular para os monossílabos tônicos com base na observação dessas palavras? Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em -a(s), -e(s) ou -o(s). FC_Gramática_6A_01.indd 75 24/03/2021 09:34:42 Gramática – 6o ano 76 Acentuação das proparoxítonas 3| Entre as palavras a seguir, identifique as proparoxítonas. a. X arquipélago b. órfã c. amargo d. amável e. X Cleópatra f. X protótipo g. bônus h. X gráfico i. luta j. rapidamente k. carro l. restaurante m. sobrancelha n. rivalidade 4| Agora responda: o que há de comum entre as pala- vras proparoxítonas? Todas elas recebem acento gráfico. 5| Entre as palavras a seguir, indique aquela que deve receber acento gráfico por ser proparoxítona. a. Janela. b. Comprimido. c. X Rapido. d. Secretamente. e. Estatuto. 6| Leia o texto abaixo. A descoberta do fogo foi fundamental para a evo- lução da espécie humana, tanto materialmente como nas relações sociais. Estudos indicam que o cozimento de carnes propiciou a redução do de- senvolvimento dos dentes. Isso porque a carne co- zida é mais fácil de mastigar, não havendo a neces- sidade de dentes grandes e pontiagudos, como os dos animais carnívoros, que só comem carne crua. a. Identifique no texto uma palavra paroxítona termina- da em ditongo crescente. b. Agora, selecione uma palavra polissílaba cuja sílaba tônica apresenta um dígrafo. c. No texto, encontramos um adjetivo proparoxítono fle- xionado no masculino plural. Qual substantivo determi- nou essa flexão? Espécie. Materialmente, cozimento, desenvolvimento. Animais. Anotações FC_Gramática_6A_01.indd 76 24/03/2021 09:34:42 Gramática – 6o ano 77 6 Capítulo Artigo, numeral e pronome 1. Artigo Leia a tirinha. No primeiro quadrinho, Serafim se refere à prova da professora Norma como A prova. O emprego da palavra a contribui para entendermos o sentido do substantivoprova. Por meio dela, podemos perceber que os meni- nos não estão falando de qualquer prova: é a prova da professora Norma. O emprego dessa palavra em letra maiúscula sugere ainda mais exclusividade, isto é, que a prova da professora é realmente muito difícil. Como o substantivo prova é feminino, empregamos a palavra a antes dele. Veja outros usos: O humor da professora Norma é terrível. Os alunos farão uma prova. A turma está com medo da prova. Nos três casos, as palavras destacadas foram empre- gadas antes de substantivos, determinando o seu sentido e concordando com eles em gênero e número. Agora, observe: Pedro quer ter um desempenho melhor. Ele quer tirar uma nota boa. Nesses dois casos, as palavras um e uma atuam sobre os substantivos a que antecedem indetermi- nando o seu sentido. Assim, Pedro quer uma nota boa qualquer (pode ser sete, oito, nove, dez) para ter um desempenho melhor. Tanto o substantivo nota quanto o substantivo desempenho estão empregados com sentido vago. Assim, chamamos de artigo a palavra variável em gênero e número que antecede o substantivo deter- minando ou indeterminando o seu sentido. Nos exemplos analisados, observe que os artigos concordam em gênero e número com os substantivos a que antecedem. Veja mais alguns exemplos: as relações sociais os jogadores um barulho uns sons a identificação Serafim FC_Gramática_6A_02.indd 77 15/01/2021 11:07:32 Gramática – 6o ano 78 Classificação dos artigos Como consequência do que vimos até agora, os artigos se classificam como: • Determinados (ou definidos) – o, a, os, as. • Indeterminados (ou indefinidos) – um, uma, uns, umas. Examine o texto a seguir. Os corais se desenvolvem pela união de uma infi- nidade de organismos, formando associações entre seres da mesma espécie. Cada grupo de indivíduos realiza uma atividade específica, mas, de modo ge- ral, estão todos fundidos fisicamente. Todos esses seres unidos representam uma colônia. O artigo os determina o sentido do substantivo co- rais — não são quaisquer seres vivos, são os corais. Já o artigo uma indetermina o sentido dos substantivos a que antecede — infinidade, atividade e colônia. Quando antecede um nome próprio, o artigo definido indica familiaridade. Exemplo: A Maria chegou cedo. Esse uso é muito comum em alguns estados brasileiros, como o Ceará, o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul. Aprenda mais Usamos artigos definidos antes de certos nomes próprios de luga- res, como os que indicam países, regiões, continentes, montanhas, vulcões, lagos, oceanos, rios e ilhas. a Inglaterra o Pacífico os Andes o Amazonas o Recife a Europa M ik e Ve itc h/ Sh ut te rs to ck .c om 2. Numeral Em algum momento da evolução do ser humano, surgiu a necessidade natural de contar. Mais tarde, mudanças na estrutura das sociedades tornaram necessário registrar essa contagem. A princípio, os seres humanos utilizaram procedimentos simples, como coleção de pedras, marcas feitas em ossos e nós dados em cordas. A contagem foi um dos primeiros desafios que os seres humanos enfrentaram. Com o tempo, esses métodos foram se aprimorando, e, em cada região do mundo, desenvolveram-se técnicas diferentes de contagem, cada uma com seus próprios sím- bolos e regras. Os egípcios, os romanos, os macedônios, os chineses, os maias e os indígenas brasileiros trabalhavam com números de forma diferente. Dispensam o artigo os nomes: Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco, Sergipe, Portugal, Angola, São Salvador, Castela, Cabo Verde. Já o nome Alagoas pode ser usado com ou sem artigo. Em algumas situações, os artigos nos ajudam a identificar o gênero e o número dos substantivos a que antecedem. Os ônibus estão quebrados. A pianista começou a tocar. O artigo pode assumir, também, valor qualificativo ou promover mudança de sentido. Compare: Valor qualificativo Ele é um amigo. (Qualquer amigo.) Ele é o amigo. (O melhor amigo.) Mudança de sentido Isso acontece em todo país. (Qualquer país.) Isso acontece em todo o país. (Neste país.) FC_Gramática_6A_02.indd 78 15/01/2021 11:07:32 Gramática – 6o ano 79 Reflita As diferentes técnicas de contagem facilitavam o comércio entre os povos? Com o incremento das relações comerciais entre os povos, ter maneiras diferentes de medir e contar se tornou pouco prático, por isso houve a necessidade de se adotar um sistema único de numeração, que é o que utilizamos até hoje, o indo-arábico. Assim, em Matemática, dizemos que número é a ideia de quantidade que nos vem à mente quando contamos. Para cada ideia de quantidade, temos um número as- sociado, e cada número pode ser representado por um símbolo ou nome. Ou seja, um numeral. Essa mesma definição é aplicada na língua portuguesa para indicar as palavras que utilizamos para designar quantidade, ordem, codificação, divisão ou multiplicação. O Australopitecus andava sobre os dois pés. Há aproximadamente 4 milhões de anos, surgiram, na África, os primeiros antepassados do ser humano. O número quantifica; o numeral representa essa quantidade. Os símbolos matemáticos utilizados nessa representação são chamados de algarismos. Estes são os algarismos indo-arábicos: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 De forma simples, podemos dizer que os algarismos estão para o sistema dos números como as letras do alfabeto para as palavras. Ou seja, os números são, basi- camente, um recurso de representação. Classificação dos numerais Tendo em vista o que estudamos até agora, podemos classificar os numerais em quatro grandes grupos. Na África, foram encontrados os fósseis de dois Australopitecus. Acredita-se que os mamutes foram extintos há cer- ca de doze mil anos. • Cardinais Os numerais cardinais indicam quantidades. Aprenda mais Os mamutes foram uma importante fonte de alimentação e ves- timenta para os seres humanos na Pré-História. Pesquisadores acreditam que foram extintos pelo fim da Era Glacial e pela caça predatória praticada pelos humanos. A seguir, conheça alguns detalhes importantes sobre os numerais cardinais. • Os numerais um, dois e as centenas a partir de duzen- tos variam em gênero: uma, duas, duzentas, trezentas. • Usamos a palavra e entre as centenas, as dezenas e as unidades: vinte e três, duzentos e trinta e oito. • Empregamos a palavra e entre o milhar e a centena se esta não estiver seguida de outro número (dois mil e duzentos); caso contrário, podemos omiti-la (dois mil duzentos e vinte e seis). • Quando os números são muito extensos, não se usa a palavra e entre as classes, ou seja, entre os grupos de três algarismos (nem vírgula): 324.312.090.215 — tre- zentos e vinte e quatro bilhões trezentos e doze milhões noventa mil duzentos e quinze. AK KH AR AT J AR US IL AW O N G/ Sh ut te rs to ck .c om FC_Gramática_6A_02.indd 79 15/01/2021 11:07:32 Gramática – 6o ano 80 • Depois dos numerais compostos com um, o substan- tivo vai ao plural: trinta e um dias; as mil e uma noites. • O numeral cardinal pode, às vezes, ser utilizado nas indeterminações. Peço-lhe um minuto de sua atenção. (alguns poucos minutos) Ela anda com mil perguntas. (muitas perguntas) • Ordinais Como o próprio nome sugere, os numerais ordinais in- dicam a ordem dos seres em uma determinada sequência. O Homo habilis foi o primeiro a produzir ferramen- tas a partir de pedras. Saturno é o sexto planeta a contar do Sol e o se- gundo maior do Sistema Solar. Paulo VI (Sexto) século IX (nono) Luís XV (Quinze) capítulo XXII (vinte e dois) Renato é o dois milésimo centésimo quinto clas- sificado (2.105º). Os clubes propõem que o ingresso custe o dobro do preço atual. Você precisa beber o triplo de água. Fernanda é a milésima octingentésima vigésima oitava classificada (1.828ª). A seguir, conheça alguns detalhes importantes sobre os numerais ordinais. • Nas designações de papas e soberanos, séculos e ca- pítulos de livros, empregamos o ordinal até décimo. Daí por diante,utilizamos o cardinal. • Usamos sempre o ordinal quando o numeral estiver anteposto ao substantivo: oitavo século, décimo nono capítulo, sétimo canto, X Feira (Lê-se décima feira). • Na indicação do primeiro dia do mês, prefere-se o • Quando superiores a 2.000, os numerais devem ser lidos de forma mista, isto é, o primeiro algarismo como cardinal e os demais como ordinais. • Multiplicativos Os numerais multiplicativos denotam aumento pro- porcional por um múltiplo da unidade. ordinal: Ela aniversaria no dia primeiro de setembro. • Palavras como último, penúltimo, antepenúltimo, anterior, posterior, derradeiro e múltiplo, embora transmitam noção de posição, devem ser considera- das adjetivos. • Os numerais inferiores a 2.000 são lidos ou escritos como ordinais. Do ug J am es /S hu tt er st oc k. co m Tr iff /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_02.indd 80 15/01/2021 11:07:32 Gramática – 6o ano 81 Naquele bairro, um terço da população vive abai- xo do salário mínimo. Comi dois quartos de maçã e um terço de melão. O Recife tem aproximadamente 1,6 milhão de habitantes. A Índia tem aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes. Atualmente, a população mundial gira em torno de 7,8 bilhões de pessoas. Estou na sétima parte do livro. Esta é a quinta parte do valor do carro. Meu time ganhou o campeonato estadual dez vezes. A banda remarcou a entrevista coletiva duas vezes. A seguir, conheça alguns detalhes importantes sobre os numerais multiplicativos. • Duplo, dobro e triplo são os numerais multiplicativos mais utilizados. Os demais (quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo, óctuplo, nônuplo, décuplo, cên- tuplo) geralmente são empregados em textos formais. Em situações informais, são substituídos pelo cardinal seguido da palavra vezes. • Fracionários Expressam a diminuição proporcional da quantidade, a sua divisão. A seguir, conheça alguns detalhes importantes sobre os numerais fracionários. • Os numerais fracionários devem concordar com os cardinais que os antecedem. • Para muitos numerais fracionários, utilizamos o car- dinal seguido da palavra avos: onze avos, treze avos, quinze avos e assim por diante. • Além dos numerais fracionários, existem os numerais Aprenda mais O nome avos aparece quando o denominador de uma fração é maior que 10. Quando o denominador é abaixo de 10, usamos os algarismos ordinais para a leitura — como em 1/12 (que se lê um doze avos). A palavra avos tem origem na palavra latina octavus (em português, oitavo), que passou a ser escri- ta oit’avos (para representar uma fração). • Na fala informal, normalmente empregamos numerais ordinais seguidos do substantivo parte para expressar frações. Navegue No site Worldometers, você tem acesso a estimativas em tempo real sobre a população mundial e a dados de grande relevância, como o volume de água consumida no mundo. Escaneie o QR CODE ao lado. coletivos, que funcionam como substantivos coleti- vos, porém diferem destes por designarem um nú- mero de seres rigorosamente exato: novena, dezena, década, dúzia, centena, cento, milhar, milheiro, par, lustro (período de cinco anos; quinquênio), milhão, bilhão, trilhão. Sy da P ro du ct io ns /S hu tt er st oc k. co m • Os numerais multiplicativos são flexionados em gê- nero e número na função adjetiva: Minha avó costuma tomar o remédio em doses duplas. FC_Gramática_6A_02.indd 81 15/01/2021 11:07:33 Gramática – 6o ano 82 Classificação dos numerais Algarismo Numeral cardinal Numeral ordinal Numeral multiplicativo Numeral fracionário Romano Arábico Indica quantidade precisa Indica a ordem em uma série Indica a multiplicação (múltiplo) Indica a divisão (partes do todo) I 1 um primeiro (simples) — II 2 dois segundo dobro, duplo meio, metade III 3 três terceiro triplo terço IV 4 quatro quarto quádruplo quarto V 5 cinco quinto quíntuplo quinto VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo IX 9 nove nono nônuplo nono X 10 dez décimo décuplo décimo XI 11 onze décimo primeiro undécuplo onze avos XII 12 doze décimo segundo duodécuplo doze avos XIII 13 treze décimo terceiro treze vezes treze avos XIV 14 catorze décimo quarto — catorze avos XV 15 quinze décimo quinto — quinze avos XVI 16 dezesseis décimo sexto — dezesseis avos XVII 17 dezessete décimo sétimo — dezessete avos XVIII 18 dezoito décimo oitavo — dezoito avos XIX 19 dezenove décimo nono — dezenove avos XX 20 vinte vigésimo — vinte avos XXX 30 trinta trigésimo — trinta avos XL 40 quarenta quadragésimo — quarenta avos L 50 cinquenta quinquagésimo — cinquenta avos LX 60 sessenta sexagésimo — sessenta avos LXX 70 setenta septuagésimo — setenta avos LXXX 80 oitenta octogésimo — oitenta avos XC 90 noventa nonagésimo — noventa avos C 100 cem centésimo cêntuplo centésimo CC 200 duzentos ducentésimo — ducentésimo CCC 300 trezentos trecentésimo — trecentésimo CD 400 quatrocentos quadringentésimo — quadringentésimo D 500 quinhentos quingentésimo — quingentésimo DC 600 seiscentos sexcentésimo — sexcentésimo DCC 700 setecentos setingentésimo — setingentésimo DCCC 800 oitocentos octingentésimo — octingentésimo CM 900 novecentos nongentésimo — nongentésimo M 1.000 mil milésimo — milésimo FC_Gramática_6A_02.indd 82 15/01/2021 11:07:33 Gramática – 6o ano 83 3. Pronome Leia com atenção: A professora Norma estava furiosa! Ela Esses alunos hoje estão com o capeta! Eles Nessas frases, os termos a professora Norma e esses alunos podem ser substituídos, respectivamente, pelas palavras ela e eles. Essa é uma das principais funções das palavras que estudaremos agora: os pronomes. Chamamos de pronomes as palavras que substituem ou acompanham substantivos indi- cando-os como pessoas gramaticais envolvidas no ato comunicativo. Singular Plural 1ª pessoa eu nós Pessoa(s) que fala(m). 2ª pessoa tu vós Pessoa(s) com quem se fala. 3ª pessoa ele/ela eles/elas Pessoa(s) de quem se fala. As pessoas gramaticais são: Pronomes pessoais Os pronomes pessoais são aqueles que substituem o substantivo, indicando as pessoas gramaticais. Observe: Os alunos estavam fazendo barulho. substantivo Eles estavam fazendo barulho. 3ª pessoa do plural No quadro a seguir, organizamos os pronomes pes- soais em dois grupos: os retos e os oblíquos. Nú m er o Pe ss oa Re to s Oblíquos átonos (usados sem preposição) Oblíquos tônicos (usados com preposição) Singular 1ª eu me mim, comigo 2ª tu te ti, contigo 3ª ele, ela o, a, lhe, se ele, ela, si, consigo Plural 1ª nós nos nós, conosco 2ª vós vos vós, convosco 3ª eles, elas os, as, lhes, se eles, elas, si, consigo FC_Gramática_6A_02.indd 83 15/01/2021 11:07:33 Gramática – 6o ano 84 Os pronomes pessoais oblíquos o, a, os, as se transfor- mam quando se ligam a verbos terminados em -r, -s, -z. Nesse caso, o verbo perde a última letra, e os pronomes ganham a letra l (lo, la, los, las). A professora quis deixar os alunos quietos. Substantivo Substantivo Ela quis deixá-los quietos. 3ª pessoa do plural3ª pessoa do singular Já quando se ligam a verbos terminados em som nasal (m, ão, õe,...), os pronomes o, a, os, as se transformam em no, na, nos, nas. Dão-nos apoio. Pronome pessoal do caso oblíquo Substantivo Marcela já voltou das férias. Convidaram-na para a re- união? Pronome pessoal do caso oblíquo Apesar de os pronomes pessoais indicarem a pessoa gramatical, como dissemos, eles não se referem, necessaria- mente, a pessoas. Na verdade, eles funcionam substituindo substantivos, e estes nomeiam os seres em geral, lembra? Substantivo Pronome pessoal Observando a areia da praia, percebemos que ela é for- mada por vários minerais soltos. No Brasil, o pronome vós está praticamente em de- suso. Ele aparece apenas em alguns gêneros textuais e situações comunicativas, como na linguagem poética e em discursos muito formais. Na prática, opronome vós foi substituído por vocês. Da mesma forma, o seu correspondente oblíquo (vos) também é usado rara- mente, sendo substituído pela forma a vocês, como em Eu disse a vocês. Já o pronome nós é comumente substituído por a gente na língua falada brasileira. A gente está estudando as rochas em Geografia. O professor falou pra gente que rochas são agrega- dos minerais. As crianças irão conosco. As crianças irão com nós dois. Aos sábados, ele almoça conosco. Aos sábados, ele almoça com a gente. Aos sábados, ele almoça com nós todos. Dona Norma é a professora de Português. A senhora Míriam está aguardando. Deputada, vossa excelência foi reeleita. O magnífico reitor da UFPE está na sala. Qual é a disciplina que a senhorita estuda mais? Seu Paulo, ainda tem pão francês? Por fim, os pronomes conosco e convosco são subs- tituídos pelas formas com nós (= com a gente) e com vós caso estejam seguidos de palavra de reforço (todos, outros, mesmos, próprios, ambos, numerais, etc.). Dentro do grupo dos pronomes pessoais, existem al- guns que empregamos para nos referirmos a pessoas de maneira formal ou íntima (informal). São os chamados pronomes de tratamento. Veja alguns exemplos desses pronomes. Ev ge ny H ar ito no v/ Sh ut te rs to ck .c om FC_Gramática_6A_02.indd 84 15/01/2021 11:07:34 Gramática – 6o ano 85 Neste momento, os alunos estão fazendo as pro- vas finais. (Situação no tempo — tempo presente em relação ao falante.) O senhor já trabalha aqui há muito tempo. Como é essa experiência? (Situação no contexto — o pronome retoma uma informação anteriormente fornecida.) Vou fechar esta janela agora. (Situação no espaço — a janela está perto do falante.) Você se dedicou pouco aos estudos, meu filho! Roberta, você pretende ir à praia? Nós mesmos não acreditamos. Ela própria preferiu voltar. Em quase todo o território brasileiro, o pronome você, usado como forma de intimidade, substituiu o pronome tu. Nesse caso, não se trata de uma forma de tratamento. Pronomes demonstrativos Os pronomes demonstrativos são usados, em geral, para indicar a posição dos substantivos em relação às pessoas gramaticais. Observe os exemplos. Veja os pronomes demonstrativos abaixo, referentes às três pessoas do discurso. Os pronomes demonstrativos Pessoas Pronomes variáveis Pronomes invariáveis 1ª este, esta, estes, estas isto 2ª esse, essa, esses, essas isso 3ª aquele, aquela, aqueles, aquelas aquilo Agora leia: Não sabe o tal besouro que o tal tesouro está pertinho. JOSÉ, Elias. Segredinhos de amor. São Paulo: Moderna, 2001. Nesses versos, observe que a palavra tal é utilizada para indicar o substantivo (besouro/tesouro), por isso é consi- derada pronome demonstrativo. Também são demonstra- tivos mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s). • Em relação ao espaço Em relação ao espaço, os pronomes demonstrativos funcionam da seguinte forma: Estes documentos que estão comigo são falsos. Este relógio pertenceu a meu avô. Este, esta, estes, estas, isto indicam o que está per- to de quem fala. Esses documentos que estão com você são falsos. Mamãe, qual é essa revista que está perto de você? Esse, essa, esses, essas, isso indicam o que está perto de quem ouve. FC_Gramática_6A_02.indd 85 15/01/2021 11:07:34 Gramática – 6o ano 86 • Em relação ao tempo Esta tarde (no dia de hoje), irei ao supermercado. Este mês (no mês corrente), não houve novidades. Este, esta, estes, estas, isto indicam o tempo presen- te em relação ao falante. Essa noite vou sair com os meus melhores amigos. (Futuro próximo) Essa noite dormi mal; tive pesadelos horríveis. (Passado próximo) Esse, essa, esses, essas, isso marcam o tempo passa- do ou futuro relativamente próximo em relação ao momento em que se situa o falante. Ele viveu em São Paulo, que, naquela época, ainda era um pequeno vilarejo. Entregue os documentos àquela recepcionista. Embarcaremos neste voo. Lembra-se daquele livro sobre literatura? Aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo referem-se a um tempo remoto, bem anterior ao momento em que se fala e podem se contrair com as preposições a, em e de. • Os pronomes demonstrativos na fala Em relação ao emprego dos pronomes demonstrati- vos na modalidade falada, existe uma realidade bastante diferente da modalidade escrita formal. Pronomes demonstrativos Masculino singular (plural) Feminino singular (plural) Neutro 1ª pessoa: este(s)/esse(s) (aqui) esta(s) essa(s) (aqui) isto/isso (aqui) 2ª pessoa: este(s)/esse(s) (aí) esta(s) essa(s) (aí) isto/isso (aí) 3ª pessoa: aquele(s) (lá/ali) aquela(s) (lá/ali) aquilo (lá/ali) Atividades 1| Na nossa comunicação, muitas vezes dizemos mais do que as palavras que utilizamos. É o que podemos ver nas falas do personagem Hagar na tira abaixo. Aquelas pessoas lá me parecem amigas. Aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo indicam o que está longe tanto de quem fala quanto de quem ouve. FC_Gramática_6A_02.indd 86 15/01/2021 11:07:34 Gramática – 6o ano 87 a. A metade da herança coube à esposa do faleci- do, e o restante foi dividido entre dois filhos. b. A metade da herança coube à esposa do faleci- do, e o restante foi dividido entre os dois filhos. a. Pela compreensão global da tirinha, podemos afir- mar que Hagar costuma lavar as mãos antes das refei- ções? Explique. Não. Na verdade, imaginamos que ele não costuma lavar as mãos antes das refeições porque, para ele, isso só deve ser feito em ocasiões diferentes, como um jantar formal. b. Que sentido as palavras o e um acrescentam ao subs- tantivo jantar no primeiro e no segundo quadrinhos? No primeiro quadrinho, o artigo indica a refeição coti- diana; já no segundo, o artigo indica um jantar diferente. O burro, a raposa e o leão O burro e a raposa fizeram uma parceria e foram buscar comida juntos. Após caminharem um pouco, viram o Leão, que vinha na direção deles, o que deixou ambos terrivelmente assustados. Mas a raposa pensou logo em uma forma de salvar sua própria pele e foi corajosamente até o Leão sussurrar em seu ouvido: — Eu ajudo você a pegar o burro se você prometer não me devorar. O Leão concordou, e a raposa voltou para junto de seu companheiro, convencendo-o em pouco tempo a se esconder em uma vala, que uns caçadores haviam cavado para servir de armadilha para animais selvagens. Quando o Leão viu que o burro estava na vala e 2| Complete as lacunas desta fábula de Esopo com o, a, os, as, um, uma, uns, umas. não tinha para onde fugir, foi para cima da raposa e logo acabou com ela. Depois, prazerosamente, começou a banquetear-se com o burro. SANTOS, Laura. Fábulas de Esopo. Recife: Prazer de Ler, 2014. 3| Que lição moral podemos concluir a partir dessa fábula? Sugestão de resposta: Trair um amigo muitas vezes é arruinar a si mesmo. 4| Você consegue perceber a diferença de sentido entre estas duas frases? Explique. Em A, como o numeral dois não está determinado pelo artigo, não temos certeza de quantos filhos o casal tinha. Sabemos apenas que dois filhos receberam a herança. Em B, o artigo deixa claro que havia apenas dois filhos e que ambos receberam a herança. 5| Como vimos, os artigos são empregados sempre diante de substantivos, acompanhando-os em gênero e número. Pensando nisso, escreva o substantivo dos pa- rênteses que pode ser usado pelo falante para: a. Indicar o local onde nasce um rio. (o nascente – a nascente) A nascente. FC_Gramática_6A_02.indd 87 15/01/2021 11:07:34 Gramática – 6o ano 88 b. Indicar o lado onde o Sol nasce. (o nascente – a nascente) c. Indicar a medida de massa. (o grama – a grama) d. Indicar o líder de um grupo de pessoas. (a cabeça — o cabeça) O nascente. O grama. O cabeça. Quando se fala das grandes viagens da História, o primeiro nome mencionado é o de Marco Polo, comerciante de Veneza que, na segunda metade do século XI,percorreu quase toda a Ásia até se fixar na China, onde se tornou amigo do imperador e viveu por alguns anos. Ele escreveu um livro contando como era a Ásia. Graças ao seu Livro das maravilhas, os europeus tomaram conhecimento das riquezas que existiam do outro lado do mundo. Marco Polo faleceu aos 70 anos, em 1324. Pouca gente ouviu, porém, falar do árabe Ibn Battuta, que, aos 21 anos, partiu de Tânger, no Mar- rocos, norte da África, para a sua primeira grande viagem, no começo do século XIV, em 1325, um ano depois da morte de Marco Polo. Ao longo de sua vida, ele percorreu 120 mil quilômetros, uma distância três vezes maior que a percorrida por Marco Polo, que, no entanto, é mais conhecido que ele [...]. MENEZES, Fernando. Divirta-se e aprenda. Recife: Prazer de Ler, 2008. 6| Leia o texto e responda às questões. As incríveis viagens de Marco Polo e do árabe Ibn Battuta a. Segundo o autor do texto, o viajante mais famoso é Marco Polo. Quem vem depois dele? b. Pela leitura do texto, há uma relação de ordem de popularidade entre Marco Polo e Ibn Battuta. Qual palavra no início do texto é responsável por indicar essa ordem? c. Qual é a classificação dessa palavra? d. A palavra ele, no primeiro parágrafo, está substituindo um termo expresso anteriormente. Qual é esse termo? e. Quando o autor afirma que Marco Polo é mais conhe- cido que Ibn Battuta, está procedendo a uma compara- ção. Qual é esse tipo de comparação? Ibn Battuta vem depois. A palavra primeiro. Numeral ordinal. Marco Polo. É o grau comparativo de superioridade do adjetivo. Veneza Constantinopla Pérsia Arábia Índia Mangi Shang-lu CataiKansu Kashgar Khorasan Bokharia Mar da China Oceano Pacífico Oceano Índico Cipango (Japão) Champa (Vietnã) Etiópia FC_Gramática_6A_02.indd 88 15/01/2021 11:07:35 Gramática – 6o ano 89 f. No segundo parágrafo, a palavra um é artigo indefini- do ou numeral? Justifique. É numeral, pois expressa relação de quantidade. 7| Leia o texto e coloque C (contar), M (medir), O (orde- nar) ou CD (codificar) nos numerais em destaque, indi- cando suas funções. O caminhão modelo 1.519 de uma conhecida fá- brica alemã estabelecida no Brasil é capaz de carre- gar até 15.000 kg e está equipado com um motor de 190 cavalos-vapor de potência. É o 1º modelo de uma série destinada ao mercado de veículos pesados. Sou (1) um homem feliz. Amo muito a minha família e tenho (2) a casa dos meus sonhos. Nela, há (3) um quarto grande para mim e minha es- posa e outro para nosso filho. Além disso, temos (4) uma cozinha, (5) um jardim, (6) um quintal e (7) uma varanda. 1.519 = CD 15.000 = M 190 = M 1º = O 8| Segundo o IBGE, o Brasil possui aproximadamente 210.000.000 de habitantes. A respeito desse número, responda. a. Qual é o número de algarismos utilizados para escre- ver esse número? É 9. b. Quais algarismos utilizamos para representá-lo? c. De que outra forma poderíamos representar esse numeral? d. Nessa informação, esse número foi utilizado para contar, medir, ordenar ou codificar? Utilizamos 0, 2 e 1. Escrevendo-o por extenso: duzentos e dez milhões. Foi utilizado para contar. 9| Complete o texto abaixo com artigos definidos, inde- finidos ou numerais quando necessário e responda ao que se pede. Após completar o texto, em qual(is) lacuna(s) você em- pregou numerais? Nas lacunas 3, 4, 5, 6 e 7. 10| Nas frases seguintes, os numerais não foram empre- gados no seu sentido usual, ou seja, não representam quantidade. Entretanto, todas estas orações fazem sen- tido. Por que isso acontece? Discuta com os seus cole- gas e com o professor. a. 60 num bar, 70 sair 100 pagar, aí mando a polícia 20 buscar. b. 20 buscar 100 demora. 60 e vamos embora. c. 70 me passar, passe 100 atrapalhar. d. Estou rezando 1/3 para encontrar 1/2 de ser feliz. e. Eu sou U 1.000 D. f. Vendo apartamento com 3/4. Nessas frases, o sentido não se perde devido à seme- lhança fonética entre os numerais e as palavras que eles estão substituindo. 11| Muitas expressões idiomáticas utilizam numerais. Em outros casos, os algarismos são utilizados para des- crever situações, objetos, etc. Pense no que significam e como podem ter surgido estas expressões. a. Ele a conquistou com uma conversa 171. b. Quero que ele vá pros quintos dos infernos. FC_Gramática_6A_02.indd 89 15/01/2021 11:07:35 Gramática – 6o ano 90 b. Reescreva, em seu caderno, o trecho mantendo as frases na ordem apresentada e fazendo apenas as adap- tações necessárias para que a expressão El Niño seja enunciada anteriormente ao pronome. c. Quando criança, Van nunca pintou o sete. d. Lucas vive a mil. e. Em Matemática, sou um zero à esquerda. Eu me canso rapidamente. Ele voltou — e veio bravo. El Niño, a inversão térmi- ca que esquenta parte das águas do Oceano Pacífi- co e muda o clima de quase todo o Planeta, atingiu, na semana passada, a temperatura mais alta des- de os anos 1980. 12| Complete as frases abaixo com o pronome pessoal adequado. Observe o modelo. É possível encontrar outras respostas. a. Ele se feriu. b. Cada um faça por si mesmo a redação. c. O professor trouxe as provas consigo . d. Paula, quero me casar com você . e. O cidadão se/me/te machucou. f. Nós tentamos nos revezar durante os turnos. g. Tu te chamas Marcos? h. Ele se esqueceu do convite? i. Nós nos esquecemos da festa. El Niño voltou — e veio bravo. Esse fenômeno, que esquenta parte das águas do Oceano Pacífico e muda o clima de quase todo o Planeta, atingiu, na semana passada, a temperatura mais alta desde os anos 1980. 13| Leia. a. Observe que o texto começa com o pronome ele e só depois designa o fenômeno a que esse pronome se re- fere. Explique o efeito que o texto procura produzir no leitor ao empregar tal recurso. O texto emprega o pronome ele para se referir a um termo posterior. Esse emprego visa a produzir no leitor expectativa, curiosidade ou suspense em relação ao assunto do texto. Desafio 1| Entre as sentenças, há uma em que o uso do artigo definido é opcional. Identifique-a. a. Ganhamos a bicicleta que queríamos. b. X Hoje telefonei para a Maria. c. Este é o retrato de Dona Isabel. d. Eu adoro o Rio de Janeiro. e. Viajei para o Amazonas em janeiro. vendas (R$) mês jan. fev. mar. abr. maio ago. set. out. nov. dez.jun. jul. 2| (Enem) O dono de uma farmácia resolveu colocar, à vista do público, o gráfico mostrado a seguir, que apre- senta a evolução do total de vendas (em reais) de certo medicamento ao longo do ano. De acordo com o gráfico, os meses em que ocorreram, respectivamente, a maior e a menor venda desse medi- camento foram: a. Março e abril. b. Março e agosto. c. Agosto e setembro. d. Junho e setembro. e. X Junho e agosto. 3| O texto a seguir foi retirado de um prospect de divul- gação de um hotel localizado na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul. Leia-o com atenção. FC_Gramática_6A_02.indd 90 15/01/2021 11:07:36 Gramática – 6o ano 91 O hotel se encontra a 800 metros do Mini Mundo e a 900 metros do Parque do Lago Negro, entre tan- tos outros lugares que Gramado oferece a você que busca diversão na beleza da Serra Gaúcha. 4| Empregados antes de numerais, os artigos indefini- dos reforçam a noção de imprecisão. Esse uso ocorre em todos os exemplos a seguir, exceto em: a. Aquela professora tem uns 50 anos. b. Ela ligou faz uns trinta minutos. c. X O professor se atrasou uma hora. d. Havia umas mil pessoas no show. e. Acho que ainda tenho uns mil reais na conta. Agora, analise as afirmações a seguir. I. Os numerais presentes no texto foram utilizados com a intenção de mostrar ao leitor que o hotel fica perto de dois importantes pontos turísticos da cidade. II. A intenção no emprego dos numerais é sugerir ao leitor que para o turista chegar ao Mini Mundo e ao Parque do Lago Negroprecisará utilizar algum meio de transporte. III. Considerando a intenção comunicativa subjacente ao texto, a identificação das distâncias em metros é mais adequada que em quilômetros (0,8 km e 0,9 km), pois esta “soa” mais distante. Está correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. III, apenas. d. X I e III. e. II e III. 5| Funciona como pronome a palavra destacada em: a. O professor ensina todos os dias. b. X Encontrei algumas camisas, mas não as que procurava. c. Os móveis que eu vi não eram assim, eram bem mais simples. d. Eu encontrei as meninas na praia no domingo. e. Nas novelas de televisão, o tema que predomi- na é o amor. 6| Nas orações a seguir, marque AD para artigo definido e AI para artigo indefinido. a. AI Uns professores não compareceram. b. AD O bem sempre vence o mal. c. AD A viagem vai durar quatro horas ou mais. d. AI Nesta loja, vendem-se uns produtos importados. e. AD Chegaram as encomendas. f. AI Faremos uma viagem em novembro. g. AD As aulas foram suspensas por causa da chuva. h. AI Escutei um barulho no quintal. i. AD O jogo de ontem foi muito difícil. 7| Leia o trecho a seguir. Com esta história eu vou me sensibilizar, e bem sei que cada dia é um dia roubado da morte. Eu não sou um intelectual, escrevo com o corpo. E o que escrevo é uma névoa úmida. LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. Como podemos notar, vários pronomes foram utilizados no trecho lido. Assim, identifique: a. Dois pronomes demonstrativos. b. Um pronome pessoal do caso reto. c. Um pronome pessoal do caso oblíquo. Esta e o. Eu. Me. A. R IC AR DO /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_02.indd 91 15/01/2021 11:07:36 Gramática – 6o ano 92 a. computador b. comi c. bone d. rodapes e. Amapa f. guaranas g. papel h. cipos i. ali j. luar k. caju l. jilo m. tabu n. alguem o. parabens p. armazens Com o sistema de monitoramento por satélite, dados e imagens de desmatamento da Amazônia são transmitidos em tempo real para o Ibama, que consegue fiscalizar o desmatamento logo em seu início, tendo sido possível reduzir o ritmo do des- matamento da Amazônia. 8| Leia o texto: Para evitarmos a repetição do termo destacado, podería- mos substituí-lo por um pronome pessoal associado ao verbo. Nesse caso, o mais adequado seria utilizar: a. Consegue-lo. b. Fiscalizar-o. c. X Fiscalizá-lo. d. Fiscaliza-o. e. Consegue-o. Questões de escrita 1| Como você sabe, as palavras oxítonas são aquelas em que a sílaba tônica é a última. Algumas palavras oxíto- nas devem ser acentuadas graficamente, outras não. Utilizando seus conhecimentos prévios, identifique as palavras que recebem acento gráfico. Agora responda: em quais situações as palavras oxítonas devem ser acentuadas graficamente? Acentuamos as palavras oxítonas terminadas em -a(s), -e(s), -o(s) e -em(ens). 2| Analise estas frases: I. A aluna sabia o assunto. II. A aluna era muito sábia. III. O sabiá fugiu da gaiola. a. Considerando a posição da sílaba tônica, como se classifica a palavra destacada em cada frase? Tanto em I quanto em II, a palavra destacada é paroxítona. Já em III é oxítona. Acentuação das palavras oxítonas b. Discuta com os seus colegas e o professor: podemos dizer que a presença ou não do acento gráfico nas pala- vras destacadas é fundamental para a compreensão de cada frase? Não. Na verdade, o sentido de cada frase é construído pelo leitor ao analisar toda a frase. Assim, a presença ou não do acento gráfico não interfere no sentido. Acentuação das palavras paroxítonas 3| Agora veja: Palavras oxítonas Palavras paroxítonas Macapá mapa chimpanzé parede complô caderno porém item armazéns itens O que você observou sobre a acentuação dessas palavras? As palavras paroxítonas que terminam de maneira igual às oxítonas acentuadas graficamente não recebem acento gráfico. Ou seja, a palavra paroxítona que termina em -a(s), -e(s), -o(s), -em ou -ens não recebe acento gráfico. FC_Gramática_6A_02.indd 92 15/01/2021 11:07:36 Gramática – 6o ano 93 O xí to na Pa ro xí to na Pr op ar ox íto na Lapis x Madeira x Rapido x Aracaju x Entoou x Paraiba x Xadrez x Interim x Gramatica x Controle x Saiote x Compreensão x Onibus x 4| Leia com atenção as palavras a seguir e identifique as paroxítonas. anel túnel ouvir arroz lousa cafezal guru menos viver sonho azul líquen animal funil útil caráter tórax corpo varal açúcar fóssil âmbar bíceps amar imóveis álbum comum onda mágoa búzio delírio aconteceu lado tremia glória confuso oásis acabou acredito pônei você certo assim satisfaz minha Márcio língua dever lombriga júri também margem interesse bônus miragem táxi 5| Agora, observe a terminação das palavras paroxíto- nas que recebem acento gráfico. O que podemos afir- mar sobre elas em relação às palavras oxítonas acen- tuadas graficamente? Acentuamos graficamente as palavras paroxítonas que não terminam em -a(s), -e(s), -o(s), -em ou -ens. 6| Acentue as palavras abaixo (se necessário) e, em se- guida, marque a opção correta quanto à posição da sí- laba tônica. Anotações FC_Gramática_6A_02.indd 93 15/01/2021 11:07:36 Gramática – 6o ano 94 7 Capítulo Verbo 1. O que é um verbo? O texto abaixo foi retirado de um livro didático de Ciências. Com ele, vamos procurar entender o que são os verbos. Leia-o com atenção e analise o emprego das palavras destacadas com negrito. De acordo com a Teoria Celular, todo ser vivo é formado por células, as menores unidades morfo- funcionais capazes de garantir a vida. Ou seja, so- mos constituídos por células, milhões delas, for- mando nossa pele, nossos órgãos, enfim, todo o nosso corpo. Até pensar sobre a célula só é possível por causa de um tipo específico dela, ou melhor, de milhões delas, chamadas neurônios, que compõem o nosso cérebro, órgão que comanda todo o nosso corpo. Alguns seres vivos, como as bactérias, são for- mados por uma única célula. Nesse caso, dizemos que eles são unicelulares. Quando são formados por mais de uma célula, como o ser humano, dize- mos que são multicelulares, ou pluricelulares. Para iniciar o estudo dos verbos, vamos analisar o emprego deles no texto. Observe as frases a seguir: Todo ser vivo é formado por células. Somos constituídos por células. Os neurônios compõem o nosso cérebro. O cérebro comanda todo o nosso corpo. Alguns seres vivos são formados por uma única célula. Nesses exemplos, podemos perceber, digamos, a prin- cipal característica formal dos verbos: somente eles se articulam com os pronomes pessoais do caso reto. Você se lembra deles? São aquelas palavras que substituem o substantivo e indicam as pessoas gramaticais: Eu 1ª pessoa (quem fala). Tu/você 2ª pessoa (com quem se fala). Ele/ela 3ª pessoa (de quem se fala). Nós eu + alguém. Vós/vocês tu + alguém. Eles/elas ele + alguém. Se essas pessoas se juntarem a outras, teremos as formas do plural: Reflita As pessoas gramaticais podem ser entendidas como “humanos” mesmo? Não. A noção de pessoa aqui deve ser compreendida somente como um conceito gramatical. Veja alguns exemplos. Todo ser vivo é formado por células. Ele Nós Somos constituídos por células. FC_Gramática_6A_02.indd 94 15/01/2021 11:07:36 Gramática – 6o ano 95 Eles Ele Eles Os neurônios compõem o nosso cérebro. O cérebro comanda todo o nosso corpo. Alguns seres vivos são formados por uma única célula. Para perceber qual é a pessoa gramatical que se arti- cula com um verbo, basta observar a sua estrutura. Por enquanto, basta entender que, naturalmente, emprega- mos os verbos de acordo com a pessoa gramatical com a qual eles se articulam. Eu – viajarei, como, senti. Tu – viajarás, comes, sentiste. Ele – viajará, come, sentiu. Nós – viajaremos, comemos, sentimos. Vós – viajareis, comeis, sentistes. Eles – viajarão, comem, sentiram. Essa relação entre os verbos e as pessoas gramaticaisé o que chamamos de concordância verbal. Nos textos, o termo que pode ser substituído por uma das pessoas gramaticais e se associa ao verbo é o sujeito. Veja outros exemplos: Sujeito Relação de concordância 3ª pessoa – singular Cláudia gosta de Ciências. Sujeito Relação de concordância 1ª pessoa – plural Eu e Pedro estendemos o assunto. Sujeito Relação de concordância 3ª pessoa – plural As hemácias são células do sangue. Sujeito Relação de concordância 3ª pessoa – singular A bactéria é unicelular. Existem verbos, porém, que, apesar de possuírem a marca da 3ª pessoa (ele/ela), não admitem a colocação do pronome pessoal, isto é, não se articulam com ne- nhuma pessoa gramatical. Por esse motivo, esses verbos não possuem sujeito e são chamados de impessoais. Comumente, os verbos impessoais indicam fenômenos da natureza, como nevar e chover. Ele Nevou no Rio Grande do Sul. Ele Chovia muito quando cheguei. Embora possamos perceber as marcas da 3ª pessoa nesses verbos, eles não realizam concordância. Por isso, são empregados sempre na 3ª pessoa do singular. Até agora, vimos apenas características formais que marcam os verbos, mas, observando todos esses exem- plos, podemos defini-los também tendo em vista a sua função comunicativa. Nesse caso, podemos dizer que: Os verbos são palavras que, além de possuir características bastante específicas, indicam ação, estado, fato ou fenômeno da natureza. N ed el cu P au l P et ru /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_02.indd 95 15/01/2021 11:07:36 Gramática – 6o ano 96 2. Modos verbais Os modos indicam as várias formas como um fato pode acontecer. São três os modos verbais: • Indicativo – Indica um fato certo, que está aconte- cendo, aconteceu ou vai acontecer. Hoje teremos prova. Estamos chegando no fim do ano. Entendi o que você falou. Talvez você esteja certo. Se você tivesse me escutado, ficaria tudo bem. Quando nós estudarmos, você entenderá. Estude todo o conteúdo para a prova! Aproveitem para revisar o que estão com dúvida. Não fale mais que o necessário. • Subjuntivo – É usado para exprimir um fato incerto, hipotético, duvidoso, que pode não acontecer. • Imperativo – Exprime ordem, conselho, pedido, proi- bição. 3. Formas nominais dos verbos Além das características que vimos até agora, dizemos também que os verbos podem ser empregados como nomes, assumindo funções típicas principalmente dos substantivos e dos adjetivos. O infinitivo, o particípio e o gerúndio são as formas nominais dos verbos, podendo ser facilmente identificadas pelas seguintes terminações: -r para o infinitivo jogar, comer, sair. -do(a) para o particípio jogado, comido, saído. -ndo para o gerúndio jogando, comendo, saindo. A forma do infinitivo pode ser considerada um subs- tantivo. Já o particípio e o gerúndio são comumente adjetivos. Observe: Infinitivo Substantivo = o fumo Fumar faz mal à saúde. Infinitivo Substantivo = o canto Cantar me deixa feliz. Particípio Função de adjetivo (qualifica o substantivo Maria) Maria está agitada. Particípio Função de adjetivo (qualifica o substantivo comida) Comida estragada prejudica o organismo. GerúndioAdjetivo = fervente A panela está com água fervendo. No infinitivo, os verbos só podem apresentar quatro terminações: -ar, -er, -ir ou -or. A identificação dessas terminações nos permite caracterizar as três conjugações dos verbos: • 1ª conjugação – verbos terminados em -ar, como andar, criar e imitar. • 2ª conjugação – verbos terminados em -er e -or, como escrever e repor. • 3ª conjugação – verbos terminados em -ir, como ouvir, sorrir e imprimir. To m m yB _P ho to /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_02.indd 96 15/01/2021 11:07:36 Gramática – 6o ano 97 4. Tempos verbais Na nossa comunicação diária, naturalmente situamos no tempo os fatos de que falamos. Assim, basicamente, temos: • Presente – Sinto um pouco de dor de cabeça agora. • Futuro – Sentirei dor de cabeça se não dormir bem. • Passado – Senti dor de cabeça na semana passada. Os seres vivos são formados por células. Células procarióticas possuem o núcleo desorga- nizado. As células eucarióticas têm núcleo organizado. Essa bactéria não apresenta carioteca. A Escherichia coli vive no organismo humano. Ela toca naquele bar toda sexta-feira. (evento habitual) Estudo em um colégio religioso. (evento habitual) Alice tem olhos claros. (propriedade permanente) Sílvia é uma pessoa divertida. (estado permanente) Eles estão sentindo frio. As células estão se multiplicando. Ele está observando células vegetais. Amanhã estudarei Ciências. Amanhã vou estudar Ciências. Eu estudaria Ciências se fosse necessário. Eu serei feliz. Eu vou ser feliz. Presente O tempo presente faz referência a fatos que se passam no momento em que falamos ou se prolongam no tempo. Embora o tempo presente seja confundido normal- mente com o momento da fala, não é bem assim que acontece na prática. É mais adequado dizermos que o presente expressa, basicamente, eventos ou estados atuais que podem ultrapassar o momento da fala. Existem duas formas de expressão do presente: • Presente simples – É usado para exprimir um even- to habitual, uma propriedade permanente ou um esta- do permanente. Nos exemplos a seguir, observe que o evento ou estado descrito não vale apenas para o mo- mento presente, ele também abrange certa extensão do passado e do futuro. • Presente progressivo – É usado para exprimir um evento que se dá no momento da fala. É empregado com o auxílio do verbo estar seguido do verbo principal no gerúndio. Futuro O futuro, logicamente, faz referência a fatos que ainda não ocorreram. Esse tempo verbal pode ser empregado de três formas: • Futuro simples – Também chamado de futuro do presente. O fato acontecerá depois do presente. • Futuro composto – O fato também acontecerá depois do presente. Essa forma é mais usual que o futuro simples. Aprenda mais Muito tempo atrás, o verbo pôr era escrito com -er (poer). Com o passar dos anos, esse verbo variou, passando a ser escrito (e falado) sem o fonema /e/. Por isso, o verbo pôr e seus derivados (repor, propor, supor, etc.) pertencem à 2ª conjugação. Ja ru n O nt ak ra i/S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_02.indd 97 15/01/2021 11:07:37 Gramática – 6o ano 98 No português falado no Brasil, o futuro simples é usado basicamente em textos formais escritos. Normalmente, indicamos fatos que acontecerão depois do presente por meio do futuro composto (vou andar, vai telefonar, vamos entender, vão sair). Como você percebeu, esse tempo verbal é formado com o auxílio do verbo ir seguido do verbo principal no infinitivo. Já o futuro condicional é utilizado para indicar um evento que poderia acontecer sob algumas condições. Observe: Eu seria feliz se… • Futuro condicional – Também chamado de futuro do pretérito. Indica ação que aconteceria em relação a outra já passada. Condição Eu escutaria você se não estivesse fazendo tanto barulho. Pretérito perfeito Pretérito imperfeito Condição Condição Você viria comigo se fosse cedo? Seus pais entenderiam sua decisão se você conversasse com eles. Pretérito Como dissemos, o pretérito faz referência a fatos que já aconteceram. A Terra passou por um longo período sem vida. A palavra célula veio do latim (cellula). O cientista Robert Hooke comparou as células com as celas. As celas eram os pequenos quartos onde os mon- ges dormiam. Tenho feito muitas perguntas ao professor. Tem chovido muito em Salvador. Este ano tem sido muito bom. Sílvia e Heitor têm viajado pelo mundo de barco. O aluno falou que tinha estudado todo o assunto. Há dois passados simples na língua portuguesa: o pretérito perfeito e o pretérito imperfeito. A principal diferença entre essas duas formas de expressão do pas- sado é a seguinte: o perfeito indica um evento específico, pontual, e o imperfeito indica um evento habitual, que acontecia com frequência.Para entender bem essa diferença, basta analisar alguns exemplos: 1. Lucas viajou para o Canadá. 2. Lucas viajava para o Canadá. A frase 1 descreve uma viagem única, e a 2 descreve um evento habitual. Em 1, os limites temporais do evento (início e fim) são definidos; já em 2 esses limites ficam em aberto. O passado também pode se estender para o momento presente. Nesse caso, utilizamos o verbo ter (no presente) seguido de um verbo no particípio. Há, também, situações em que o verbo ter é empre- gado no pretérito seguido de uma forma de particípio. Nesse caso, temos a indicação de eventos anteriores a outro evento também passado. Veja: Perceba que a ação de estudar todo o assunto ocorreu antes de o aluno falar sobre isso. Essa forma verbal é uma evolução do pretérito mais que perfeito (estudara, fizera, etc.), que, atualmente, não é de uso comum no português brasileiro, mesmo em tex- tos cultos escritos. ES B Pr of es si on al /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_02.indd 98 15/01/2021 11:07:37 Gramática – 6o ano 99 Atividades Ciclo de vida dos seres vivos Os seres vivos, sem exceção, passam por mudanças ao longo de sua vida. Essas mudanças são importantes para a perpetuação da espécie. Os indivíduos nascem , crescem , reproduzem-se , envelhecem e morrem . Chamamos essa sequência de fases de ciclo da vida. A duração desse ciclo pode variar muito entre uma espécie e outra ou até mesmo entre indivíduos da mesma espé- cie. O principal fator que determina a duração da vida, logicamente, são as condições do ambiente em que vive o indivíduo, mas é possível estimar a duração média desse ciclo. Um leão, por exemplo, vive em média 20 anos; um crocodilo, 80 anos; e um elefante pode chegar aos 100 anos. Enquanto o ciclo de vida de um rato em geral não passa dos 4 anos; um coelho vive aproximadamente 7 anos; e algumas bactérias completam seu ciclo em 30 minutos. 1| O texto que você vai ler agora explica detalhes interessantes sobre o ciclo de vida dos seres vivos. Leia-o com atenção, procurando preencher as lacunas com verbos adequados. Importante: observe a pessoa gramatical que eles acompanham. Sugestão de resposta. 2| Que diferenças de sentido você identifica entre os seguintes pares de frases abaixo? I. Você é arrogante. Você está sendo arrogante. II. Você gosta de estudar? Você está gostando de estudar? III. Manaus é muito quente. Manaus está muito quente. IV. Eu já saí. Eu estou saindo. V. Este carro tem muitos problemas. Este carro está com muitos problemas. 3| Em cada par de frases a seguir, uma soará estranha. Procure explicar por quê. Na primeira frase de cada alternativa, a informação veiculada é permanente, constante, ou, no caso do item IV, expressa uma ação já realizada. Já na segunda frase, a informação veiculada tem valor progressivo ou passageiro. I. Ele tem morrido do coração. Muitas pessoas têm morrido do coração. II. Os alunos têm feito avanços. Os funcionários têm sido demitidos hoje. III. Ele tem respirado melhor. Ele tem nascido hoje. Na primeira frase do item I e na segunda frase dos itens II e III, a construção do verbo ter acompanhado de particípio indica uma ação contínua, que perdura, o que constitui um problema semântico. FC_Gramática_6A_02.indd 99 15/01/2021 11:07:37 Gramática – 6o ano 100 4| Existem alguns verbos muito expressivos na língua portuguesa, como o verbo ter, que muitas vezes subs- titui outros em muitos contextos. Nas frases seguintes, substitua o verbo ter por outro cujo sentido seja mais específico. Faça as modificações necessárias. a. O que tem nessa caixa? O que há nessa caixa? b. Eu tive um susto quando falei com você. Eu senti um susto quando falei com você. c. Ela tem um gato. Ela cria um gato. d. Na festa, ela tinha uma bela saia. Na festa, ela vestia uma bela saia. e. Eu não tinha como perguntar. Eu não podia perguntar. f. O passageiro não tinha o passaporte consigo. O passageiro não portava o passaporte consigo. g. Ele tem dois carros. Ele possui dois carros. 5| Assim como o verbo ter, o verbo fazer também é muito expressivo. Nas frases a seguir, substitua o verbo fazer por outro cujo sentido seja mais específico. a. Meus amigos fizeram muito por mim. c. Fiz três casas em um terreno. b. Fiz um quadro em duas horas. d. Fazia bonecos de argila para vender. e. Fizemos dois anos juntos. Meus amigos me ajudaram muito. Pintei um quadro em duas horas. Construí três casas em um terreno. Modelava bonecos de argila para vender. Completamos dois anos juntos. 6| Complete as lacunas com uma das formas nominais dos verbos entre parênteses. a. Beatriz vive dizendo que me admira bastante. (dizer) b. Se você tivesse feito a pesquisa, não teríamos obtido nota baixa. (fazer) c. Irei fazer o possível para comparecer à reunião. (fazer) d. Está tudo comprovado , foram eles mesmos os culpados. (comprovar) e. Está chegando o grande dia em que conheceremos a nova casa. (chegar) f. Está tudo combinado , iremos mesmo ao cinema no domingo. (combinar) g. Vamos ouvir todos os candidatos. (ouvir) h. Ontem, nós acabamos definindo as metas do tra- balho. (definir) FC_Gramática_6A_02.indd 100 15/01/2021 11:07:37 Gramática – 6o ano 101 8| O presente do indicativo comumente é usado para designar algo permanente, rotineiro, que ultrapassa o momento presente. Avalie as sentenças abaixo e iden- tifique aquela que não confirma esse posicionamento. a. Corro 5 km por dia. b. Sou filho de Maria. c. O nosso corpo sua para regular a temperatura. d. Sou professor. e. X Estou estudando português. 7| O tempo presente do modo indicativo pode ser empregado também para designar ações verbais que ocorrem de maneira permanente, independentemen- te do momento da fala. Isso pode ser verificado em: a. Ele perdeu o emprego de novo. b. X A água ferve a 100 °C. c. Ela está dormindo. d. Compramos um carro hoje. e. Estou solteiro. f. X A Terra não é plana. g. X O Brasil fica na América. h. Aquele rio está contaminado. i. X Os oceanos possuem grande biodiversidade. a. Iremos à praia no domingo. Eu irei à praia no domingo. b. Guilherme será um excelente procurador. Eu serei um excelente procurador. c. Quando tu chegaste, tudo melhorou. Quando vocês chegaram , tudo melhorou. 9| Nos pares de frases a seguir, substitua o verbo desta- cado pela forma verbal equivalente. Observe a pessoa, o modo e o tempo. Eu viajarei em março. Nós viajaremos em março. d. Você estudou onde? Vocês estudaram onde? e. Ela prefere suco a refrigerante? Tu preferes suco a refrigerante? f. Estivemos separados por alguns anos. João e Maria estiveram separados por alguns anos. g. A população acredita neste candidato. O povo acredita neste candidato. h. O Rio Nilo foi fundamental para a civilização egípcia. Os rios Tigre e Eufrates foram fundamentais para a civilização mesopotâmica. i. Os fenícios se destacaram pela habilidade no comér- cio e nas navegações. A civilização espartana se destacou , entre outras razões, pela rígida educação dos jovens. j. Comi um bom peixe frito. Eu e Paula comemos um bom peixe frito. k. Não entendi muito bem o que você falou. Júlio, Marcos e eu não entendemos o que vocês falaram . l. Os professores disseram que todo aluno que alcan- çou a nota pode ficar em casa. A professora disse que os alunos que alcançaram a nota mínima podem ficar em casa. FC_Gramática_6A_02.indd 101 15/01/2021 11:07:37 Gramática – 6o ano 102 Texto Desafio 1| O humor dessa tirinha acontece no último quadrinho, quando Serafim responde à pergunta feita pela Profes- sora Norma de maneira inesperada. Qual era a resposta esperada por ela? A professora esperavaque a turma percebesse que a forma verbal empregada na frase Eu sou bonita estava flexionada no presente. 2| Analise a frase abaixo. Eu era bonita. Se eu disser “Eu sou bonita”, o que é isso? Sobre a forma verbal destacada, é correto afirmar que: a. Expressa uma ordem. b. X Indica uma condição. c. Caracteriza certeza sobre a realização da ação verbal. d. Expressa o emprego do futuro composto. e. Indica a ocorrência definitiva de uma ação que ocorrerá depois do momento da fala. O que o modo e o tempo verbais nos comunicam a res- peito do processo verbal? a. Possibilitam o entendimento de que a ação ver- bal se iniciou no passado e se estende até o presente. b. Indicam que a ação expressa pelo verbo está em progresso, o que caracteriza o presente progressivo. c. Sugerem que o processo verbal aconteceria me- diante algumas condições, o que indica o emprego do futuro do subjuntivo. d. X Permitem verificar que o processo verbal teve certa duração no passado e se concluiu. e. Possibilitam a identificação do modo imperativo, caracterizado pela expressão de uma ordem. 3| Leia: Questões de escrita Casos mais específicos de acentuação 1| Faça a separação silábica das palavras a seguir. a. egoísta – b. ruído – c. saúde – d. soar – e. Paraíba – e-go-ís-ta ru-í-do sa-ú-de so-ar Pa-ra-í-ba Serafim FC_Gramática_6A_02.indd 102 15/01/2021 11:07:37 Gramática – 6o ano 103 I. Ele tem 1 ano. II. Eles têm 1 ano. f. joelho – g. baú – h. enjoo – i. país – j. faísca – k. doer – l. ruína – m. reeleger – n. viúva – o. moer – p. maior – jo-e-lho ba-ú en-jo-o pa-ís fa-ís-ca do-er ru-í-na re-e-le-ger vi-ú-va mo-er mai-or 2| Volte às palavras da questão anterior e responda: o que há de comum entre as palavras acentuadas graficamente? 4| Como você pôde ver, apesar de as vogais i e u serem tônicas e formarem um hiato, não receberam acento gráfico. Vamos formular uma regra para esses casos? Em todas elas, as vogais i e u tônicas em situação de hiato (sozinhas na sílaba ou seguidas de s) receberam acento gráfico. 3| Agora, separe as sílabas das palavras abaixo. a. rainha – b. ruim – c. cair – d. Raul – e. bainha – f. cauim – ra-i-nha ru-im ca-ir Ra-ul ba-i-nha cau-im As vogais i e u tônicas em situação de hiato, formando sílaba com as consoantes m, l ou r, ou seguidas de nh, não recebem acento gráfico. Aprenda mais Muitas pessoas tendem a pronunciar as palavras fluido e gratuito acentuando um possível hiato (fluído e gratuíto), mas, na escrita formal, é preciso perceber que esse hiato não existe. 5| Leia as frases a seguir. a. Em qual frase o pronome está flexionado na 3ª pessoa do plural? b. Ao passar o pronome para o plural, o que aconteceu com o verbo? Na frase II. O verbo recebeu acento gráfico. 6| O verbo ter e seus derivados (reter, conter, manter, etc.) seguem a mesma regra de acentuação: na terceira pessoa do plural, eles devem ser grafados com acento circunflexo. Observe: Para sobreviver no deserto, os dromedários retêm gordura na corcova, não água, como muitos pensam. FC_Gramática_6A_02.indd 103 15/01/2021 11:07:37 Gramática – 6o ano 104 8| Outra regra importante de acentuação é a dos diton- gos abertos ei, eu e oi. De acordo com essa regra, quan- do aparecem na sílaba tônica de palavras oxítonas ou em monossílabos tônicos, esses ditongos devem receber acento agudo. Sabendo disso, indique as palavras que devem receber acento gráfico de acordo com essa regra. Agora, observe o emprego desses verbos nas frases a seguir. A caatinga mantém características semelhantes às dos desertos. A corcova do dromedário contém gordura, arma- zenada nos períodos de fartura. O dromedário retém até 100 litros de água em sua corrente sanguínea. Como você pôde observar, nesses exemplos os verbos destacados receberam acento agudo. Analisando a es- trutura das frases, explique: que diferença determinou o emprego desse acento, e não o do circunflexo? Nesses casos, os verbos estão flexionados na 3ª pessoa do singular. 7| Do mesmo modo que o verbo ter, outro verbo que rece- be acento circunflexo na 3ª pessoa do plural é o verbo vir e seus derivados, como provir. Sabendo disso, indique a alternativa em que o verbo está grafado incorretamente. a. Áreas da caatinga vêm sofrendo com a desertifi- cação. b. X Muitos turistas que visitam a caatinga vem da zona da mata. c. Espécies nativas da caatinga vêm sendo ameaça- das de extinção. a. X Papeis. b. Assembleia. c. Apoia. d. X Ceu. e. X Heroi. f. Heroico. g. Hebreu. h. Colmeia. i. Entendeu. j. X Remoi. Anotações FC_Gramática_6A_02.indd 104 15/01/2021 11:07:38 Gramática – 6o ano 105 8 Capítulo Estudo das orações 1. A oração e o período No Capítulo 2, estudamos o conceito de frase. Para recordar esse conteúdo, leia a tirinha a seguir. Nas mais diversas situações comunicativas, os enun- ciados que proferimos são ações verbais. Por meio da fala ou da escrita, desempenhamos ações que se dão através das palavras. Analise a fala da fisioterapeuta retirada do primeiro quadrinho. Um exercício bem simples... Tentei mentalmente e não consegui. No contexto, percebemos que a fisioterapeuta desem- penhou uma ação: ela incentivou Dona Anésia a executar o exercício. Já no segundo quadrinho, a profissional ilus- tra para a paciente o movimento a ser desempenhado, o que esta recusa: Não consigo (no terceiro quadrinho). A fisioterapeuta procura incentivá-la mais uma vez: Mas a senhora nem tentou. Apesar da segunda tentativa, no último quadrinho Dona Anésia recusa novamente, desta vez com uma afirmação inesperada, o que desperta o humor da tira: Essas ações que se dão por meio da palavra são o que chamamos de ato de fala. E o menor ato de fala é a frase. Também no Capítulo 2, vimos que as frases podem ser classificadas em dois grandes grupos: • Frases de situação (ou incompletas) – Frases muito dependentes do contexto para serem entendidas. • Frases formalmente completas (ou períodos) – Fra- ses que, em tese, possuem todos os elementos necessá- rios à sua compreensão. Na tira, percebemos que a fala da fisioterapeuta no primeiro quadrinho (Um exercício bem simples...) é uma frase de situação. Caso ela seja retirada do contexto, não fará sentido por si só. Como possui apenas nomes em sua estrutura, temos ali uma frase nominal. Outro exemplo de frase nominal é a placa Pilates, mesmo constituída de apenas uma palavra. Por outro lado, as demais frases presentes na tira são formalmente completas, isto é, possuem certa indepen- dência em relação ao contexto. Veja: FC_Gramática_6A_02.indd 105 15/01/2021 11:07:38 Gramática – 6o ano 106 Anésia começou a fazer pilates. A senhora vai tocar os seus pés com as mãos, assim. Não consigo. Mas a senhora nem tentou. Tentei mentalmente e não consegui. Como você pôde ver, todas as frases acima são estru- turadas em torno de verbos, isto é, são frases verbais ou períodos. Os períodos se classificam de duas formas: • Simples – Apresentam apenas um verbo (ou locução verbal). A senhora vai tocar os seus pés com as mãos, assim. Não consigo. Mas a senhora nem tentou. Anésia é mal humorada. Ela fez uma aula de pilates. Anésia pensou estar em boa forma física. Tentei mentalmente e não consegui. O pilates fortalece a musculatura e gera vários be- nefícios. • Compostos – Apresentam mais de um verbo. Aprenda mais No período A senhora vai tocar os seus pés com as mãos, assim, os verbos destacados funcionam como uma locução verbal que corresponde ao futuro composto (tocará). Por esse motivo, trata- -se de um período simples. Por apresentarem mais de um verbo, formalmente os períodos compostos podem ser desmembrados em partes menores, cada uma delas com um verbo. Observe: Anésia pensou / estar em boa forma física. Tentei mentalmente / e não consegui. O pilates fortalece a musculatura / e gera váriosnossos ancestrais produziram. Segundo eles, a padroniza- ção na fabricação de ferramentas na Pré-História se deu por causa do aperfeiçoamento da fala. Por esse raciocínio, podemos entender que os seres humanos pré-históricos melhoraram as suas ferramentas porque puderam trocar informações falando. Linguagens não verbal e verbal Tradicionalmente, dizemos que a linguagem pode se manifestar de duas maneiras: de forma não verbal e de forma verbal, dependendo dos símbolos utilizados. Embora essa distinção seja importante, na prática empregamos frequentemente uma linguagem mista na qual utilizamos a linguagem verbal e a não verbal simultaneamente. Isso fica bem claro quando falamos e gesticulamos ao mesmo tempo. Toda comunicação não verbal pode ser transformada em linguagem verbal. Assim, a cor verde do semáforo de trânsito, por exemplo, é codificada pela palavra siga. 4. O que são a língua e a gramática? Certamente, você já ouviu dizer, ou mesmo acredita, que a língua portuguesa é muito difícil. Mas o que seria uma língua difícil? Vamos pensar um pouco sobre isso. Até agora, você já leu várias páginas deste livro e, certamente, está compreendendo tudo o que dissemos, não é? E nas suas conversas com seus amigos? Você consegue entendê-los? Na verdade, você e seus colegas são capazes de falar sobre os mais variados temas e conseguem se entender. Isso só acontece porque todos nós possuímos um grande domínio da língua portuguesa. E esse domínio significa, entre outras coisas, domínio das palavras, isto é, do voca- bulário, que nada mais é que um conjunto de símbolos. No início deste capítulo, vimos que utilizamos esses sím- bolos para interagir uns com os outros, expressando nossas ideias, defendendo nossas opiniões, perguntando, cantan- do, etc. Mas esses símbolos não são ditos ou escritos de qualquer modo. Quando os utilizamos, seguimos regras de funcionamento. Essas regras contribuem para o sucesso da nossa comunicação. Vamos explicar isso com mais detalhe. Leia o quadrinho a seguir. Linguagem não verbal – Utiliza imagens, sons, sinais, etc. para comunicar. Exemplos: placas de trânsito, desenhos, cores, semáforos, gestos, mímica, etc. Linguagem verbal – Utiliza palavras escritas ou faladas. Exemplos: um recado, uma letra de mú- sica, uma conversa pelo telefone, etc. Reflita Para você, o que seria uma língua difícil? Espera-se que o aluno identifique que línguas muito diferentes do português são difíceis de aprender, como o alemão ou o japonês. Serafim FC_Gramática_6A_01.indd 9 24/03/2021 09:34:23 Gramática – 6o ano 10 Como dissemos, as palavras são organizadas de acor- do com leis de funcionamento. Para entender a impor- tância dessas leis, observe a seguinte análise: (1) Se eu fosse esse criminoso, passaria a noite em claro. (2) Eu fosse se criminoso, em passaria noite a claro. O mais interessante é que, quando nos comunica- mos, seguimos várias regras sem perceber. Evidentemente, podemos afirmar que, tanto em 1 quanto em 2, temos sequências formadas por palavras da nossa língua. No entanto, apenas a sequência 1 permite uma compreensão. Isso acontece porque, na sequência 2, as palavras estão fora de ordem. Enquanto na sequência 1 as palavras estão ordenadas, na sequência 2 elas estão soltas. A ordenação das palavras, portanto, é fundamen- tal para a produção de sentido. Outra regra de funcionamento interessante diz que algumas palavras devem se combinar. Por exemplo: em 1, o menino utilizou a palavra esse (não essa) para combiná-la com criminoso (esse criminoso ≠ essa crimi- nosa). Já outra regra diz que palavras como a podem ser empregadas antes de noite (a noite), por exemplo, mas nunca antes de eu. Essas são apenas algumas das regras de funcionamento da nossa língua. A língua é, portanto, um sistema de símbolos e de leis de funcionamento que utilizamos para interagir uns com os outros. E essas leis são o que chamamos, resumidamente, de “gramática”. Por isso, sempre que nos expressamos, utilizamos regras gramaticais, mesmo sem perceber. Seria impossível nos comunicarmos sem seguir regra nenhuma. Mas a língua não é somente a sua gramática. A gramá- tica é apenas uma parte dela. Para compreendermos um texto, por exemplo, vários fatores nos ajudam. Um deles, sem dúvida muito importante, é o nosso conhecimento de mundo, a nossa experiência. Foi esse conhecimento que nos ajudou a perceber o humor do quadrinho da página 9. Já nos primeiros anos da infância, possuímos um domí- nio grande sobre as regras da gramática da nossa língua. É esse controle que nos permite expressar desejos, intenções, medos (tenho sede; estou com fome; quero dormir; vou fazer xixi; etc.). Assim, um dos papéis deste livro — e tam- bém da escola — é lhe ensinar o que você ainda não sabe. Então, se dominamos boa parte da gramática da nossa língua desde a infância, não faz sentido pensar que falar português é difícil. Essa ideia equivocada se deve ao fato de que, por muitos anos, acreditou-se que, para saber se expressar bem, uma pessoa deveria saber decoradas todas as regras da gramática. Desse modo, por muitos anos, as aulas de língua portuguesa eram somente aulas de gramática. Para confirmar isso, basta perguntar aos seus familiares mais velhos como eram essas aulas na época deles. Eles lhe dirão que eram obrigados a decorar todas as regras da gramática. E quem não se expressava de acordo com essas regras era considerado ignorante. Como decorar é uma tarefa muito chata, era normal pensar que o português fosse uma língua difícil. Uma comparação interessante nos ajudará a explicar melhor. Imagine que a língua é um smartphone. Para utilizá- -lo, não é necessário saber como os seus nanocircuitos fun- cionam, não é? Da mesma forma, para se comunicar com as pessoas, você não precisa saber como funciona exatamente a gramática. Além disso, do mesmo modo que existem os mais variados tipos de carro, existem inúmeras línguas pelo mundo, cada uma com o seu motor. 5. Língua falada e língua escrita A linguagem verbal pode ser falada ou escrita. Mas, embora todas as comunidades humanas falem ao menos uma língua, nem todas possuem a modalidade escrita. Logicamente, a fala surge primeiro que a escrita, que é uma consequência das necessidades comunicativas dos seus falantes. Isso acontece desde a Pré-História. Reflita Isso quer dizer que estudar a gramática é uma tarefa inútil? Não. Como a gramática está presente em tudo o que falamos e escrevemos, se conhecermos bem o seu fun- cionamento, teremos ainda mais possibilidades para nos expressar. FC_Gramática_6A_01.indd 10 24/03/2021 09:34:23 Gramática – 6o ano 11 6. A língua e suas mudanças Com o tempo, a escrita ideográfica foi sendo aperfei- çoada, passando a utilizar, também, símbolos com os quais se procurava representar os sons da fala. Como vimos, os primeiros seres humanos possuíam uma forma de expressão artística essencialmente sim- bólica, a chamada arte rupestre, composta inicialmente pela pictografia. Ao longo de milhares de anos, a escrita pictográfica foi se aperfeiçoando e, aos poucos, deixou de utilizar apenas rabiscos e passou a combinar figuras que representassem ideias. Essa evolução levou à escrita ideográfica. As letras que utilizamos hoje vêm dessa escrita. Aprenda mais Para alguns estudiosos da linguagem, as pinturas rupestres constituem a origem da narração, pois muitas delas representam verdadeiras cenas de ação. Por esse motivo, seriam a origem também das histórias em quadrinhos. Pintura rupestre feita em caverna na África do Sul. Observe que os personagens desempenham ações na cena. Escrita ideográfica egípcia. Embora a língua oficial do nosso país tenha apenas um nome — português —, ela é, na verdade, um grande conjunto das línguas que cada um dos brasileiros fala. Isto é, a língua passa por mudanças o tempo inteiro: a forma como se fala em Ouro Preto (MG), por exemplo, é muito diferente daquela que se fala em Olindabenefícios. Chamamos cada uma dessas partes de oração. A divisão do período composto em orações leva em con- sideração alguns critérios formais que não precisamos estudar agora. Por enquanto, é necessário apenas que você perceba um detalhe importante: quando isolada, uma oração pode não ser compreendida. Observe isso nos exemplos anteriores. No período composto, as orações podem se organizar de duas maneiras: por subordinação ou por coordenação. • Subordinação – É a relação de dependência estrutu- ral que se estabelece entre as orações ao longo do pe- ríodo. Anésia pensou estar em boa forma física. Oração subordinadaOração principal Observe que, no período acima, a forma verbal come- çou apresenta sentido incompleto (Anésia pensou o quê?). A oração estar em boa forma física, portanto, completa o sentido da oração principal. Você estudará a relação de subordinação entre as orações nos próximos anos. • Coordenação – É a relação de independência estru- tural que se estabelece entre as orações ao longo do período. Oração coordenadaOração coordenada Tentei mentalmente e não consegui. Oração coordenadaOração coordenada O pilates fortalece a musculatura e gera vários benefícios. 2. O período composto por coordenação Como vimos, a oração é coordenada quando não apresenta dependência sintática de outra oração. Ela é suficiente por si só. Ao longo do período, as orações FC_Gramática_6A_02.indd 106 15/01/2021 11:07:39 Gramática – 6o ano 107 mantêm relações de sentido, mas não dependem es- truturalmente umas das outras. No período a seguir, por exemplo, as orações se encadeiam, mantendo uma relação de sentido de ordenação temporal (1 e 2) e de quebra de expectativa (3). Observe: Oração coordenada assindética 1 Oração coordenada assindética 2 Oração coordenada assindética 3 Ela se inscreveu para a aula, efetuou o pagamento, depois desistiu. Entre as orações 1 e 2, percebemos que há uma se- quência de fatos cronológicos, como se os fatos se so- massem. Assim, seria natural que a oração 3 fosse uma continuidade dessa sequência. Mas a oração 3 expressa uma quebra dessa ordem. Dizemos que o período é composto por coordena- ção quando apresenta apenas orações coordenadas. As orações coordenadas podem vir acompanhadas de outra(s), mas são independentes estruturalmente umas das outras. No período acima, observe que as orações são separadas por vírgulas, sem o auxílio de uma palavra que as conecte. Nesse caso, dizemos que cada oração é coordenada assindética. Já no período abaixo, há uma oração coordenada introduzida por um conector. Veja: Cheguei e abri a porta. Oração coordenada assindética Oração coordenada sindética Conjunção Nesse exemplo, a segunda oração é introduzida por uma palavra cuja função é conectá-la à oração anterior: a palavra e. Por esse motivo, a segunda oração é classi- ficada como coordenada sindética. Além de conectar as duas orações, a palavra e também deixa clara a relação de sentido que se estabelece entre as orações no período, isto é, uma relação de adição. Já no período a seguir, a oração coordenada sindética expressa uma relação de oposição de ideias. Observe: Oração coordenada assindética Oração coordenada sindética Conjunção Corri muito, mas não me cansei. Já no período abaixo, a oração coordenada sindética expressa uma conclusão sobre o que se declara na oração anterior. Oração coordenada sindética Conjunção Entrarei de férias em novembro, portanto poderei viajar para o Pantanal. Oração coordenada assindética Atividades 1| Leia o quadrinho a seguir. Silvestre FC_Gramática_6A_02.indd 107 15/01/2021 11:07:39 Gramática – 6o ano 108 a. Quantas frases há na fala do padre? Classifique-as, utilizando as categorias nominal ou verbal. Há duas frases verbais. b. Utilize a sua resposta ao item anterior na primeira lacuna e reflita: o que devemos escrever na segunda la- cuna para que a frase abaixo fique de acordo com o que estudamos? Nesse quadrinho, temos duas frases verbais , logo temos dois períodos . 2| Se quiséssemos unir todas as frases da fala do padre em uma só, a mais adequada seria: a. Vá buscar um verbo, portanto preciso de um para fazer uma oração. b. Vá buscar um verbo, no entanto preciso de um para fazer uma oração. c. X Vá buscar um verbo, pois preciso de um para fazer uma oração. d. Preciso de um verbo para fazer uma oração, vá buscar um verbo. e. Preciso de um verbo para fazer uma oração, mas vá buscar um. Texto 1 Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, possui a maior concentração de sítios arqueológicos das Américas Durante milênios, as paredes dos sítios arqueológicos foram pintadas e gravadas por grupos humanos, com diferentes características culturais. Patrimônio Mundial da Unesco, o Parque Nacional Serra da Capivara reserva aos seus visitantes aventuras e viagens na Pré-história do Brasil. Serra da Capivara: aventuras e viagens à Pré-história do Brasil Localizado no sudeste do Piauí, o Parque Nacional Ser- ra da Capivara tem serras, vales e planície, que abrigam fauna e flora específicas da caatinga. Dentre as espécies encontradas, podemos citar a onça-pintada, a onça- -parda, o tatu-bola e o tamanduá-mirim. Ao chegar ao parque, o visitante se depara com um enorme e imponente paredão de arenito, além de várias cavernas e lagos subterrâneos. No Parque, encontra-se a maior concentração de sítios arqueológicos atualmente conhecida nas Américas, com mais de mil sítios arqueo- lógicos pré-históricos cadastrados, muitos deles com pinturas rupestres. Nos abrigos, além das manifestações gráficas, encontram-se vários vestígios da presença do homem pré-histórico, com datações de até 100 mil anos. A região abriga 173 sítios arqueológicos, e todos estão livres para visitação. A visita completa aos circuitos abertos pode ser feita em seis dias, incluindo-se o Sítio do Boqueirão da Pedra Furada, onde foram feitas as primeiras escavações e as datações que atestam a presença do homem pré-histó- rico no continente americano. O sítio pode ser visitado também à noite. Iluminada, a paisagem fica ainda mais grandiosa. Todos os circuitos estão repletos de sítios arqueológicos estruturados com escadas, passarelas e acesso para pessoas com necessidades especiais. A pre- sença do condutor é obrigatória para todos os programas. O Baixão das Andorinhas é um grande desfiladeiro de onde se pode assistir, ao final da tarde, ao espetáculo da AN DR E DI B | S hu tt er st oc k FC_Gramática_6A_02.indd 108 15/01/2021 11:07:39 Gramática – 6o ano 109 volta das andorinhas para o fundo do Boqueirão. Na zona de amortecimento do Parque, está instalada a Cerâmica Serra da Capivara. As tradições dos povos ceramistas são produ- zidas pela comunidade local, com peças que reproduzem as pinturas rupestres encontradas nos sítios arqueológicos. Na cidade de São Raimundo Nonato, a visita ao museu do Homem Americano é obrigatória, pois lá estão expos- tas peças cerâmicas, urnas funerárias e material lítico resultantes das escavações feitas no parque. Criado em 1986 para auxiliar os trabalhos arqueológicos realizados no Parque, atua como importante centro de pesquisas. O museu apresenta as origens e a evolução do homem, além de fazer uma reconstituição dos 50 mil anos da presença humana na região. Com o clima semiárido e a vegetação de caatinga, as formações geológicas se misturam às paisagens de serra, vales. Esse conjunto cria umas das mais belas vistas do local. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/turismo/2014/08/serra-da-capivara- -aventuras-e-viagens-a-pre-historia-do-brasil. Acessado em: 04/09/2019. Adaptado. 5| Sobre o último parágrafo do texto, podemos afirmar que: a. X Tem dois períodos simples. b. Há um período simples e um período composto. c. É possível identificar três formas verbais. d. Há três orações. e. Tem exemplos de duas frases de situação. 3| Sobre a estrutura dasfrases presentes no texto, é in- correto afirmar que: a. O primeiro parágrafo do texto apresenta dois pe- ríodos simples. b. No segundo parágrafo do texto, encontramos um período composto. c. Em todo o texto, não encontramos interjeições. d. X Por se tratar de um texto informativo, há um pre- domínio de frases nominais. e. No terceiro parágrafo, encontramos somente pe- ríodos simples. 4| É exemplo de frase nominal: a. X Serra da Capivara: aventuras e viagens à Pré-his- tória do Brasil. b. O Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, possui a maior concentração de sítios arqueológicos das Américas. c. A região abriga 173 sítios arqueológicos abertos à visitação. d. O sítio pode ser visitado também à noite. e. Iluminada, a paisagem fica ainda mais grandiosa. A região abriga 173 sítios arqueológicos, e todos estão livres para visitação. 6| Releia este trecho, retirado do terceiro parágrafo: Sobre esse período, analise as afirmações que seguem. I. Identificamos apenas duas orações. II. Temos dois períodos simples. III. Identificamos um período composto por coordenação. IV. Temos duas frases declarativas. V. Temos duas orações coordenadas em uma frase no- minal. Está correto o que se afirma apenas em: a. I e II. b. X I e III. c. II e V. d. III e IV. e. IV e V. Vista parcial do Baixão das Andorinhas (PI), um grande desfiladeiro que se transforma em cenário para o espetáculo do retorno das an- dorinhas ao final da tarde. m ar co sv el lo so /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_02.indd 109 15/01/2021 11:07:39 Gramática – 6o ano 110 Desafio Texto 1 1| As afirmações a seguir foram feitas com base na tiri- nha acima. Analise-as. I. O principal objetivo comunicativo da tira é fazer hu- mor a partir de fatos banais divulgados na Internet. II. A intenção do autor é questionar a imoralidade de pu- blicações feitas na Internet com objetivo humorístico. III. A tira condena o uso da Internet pela população com fins de divertimento, não de pesquisa. Está correto o que se afirma apenas em: a. I. b. X II. c. III. d. I e II. e. I e III. 2| Sobre a construção textual das falas dos persona- gens, analise as afirmações que seguem. I. A fala presente no primeiro quadrinho é um período simples. II. No segundo quadrinho, temos um exemplo de perío- do composto. III. A oração os jovens perderam os valores morais é coordenada assindética. 3| Ainda sobre a tirinha, assinale a afirmativa incorreta. a. As falas dos personagens são todas frases verbais. b. X No primeiro e no terceiro quadrinhos, o termo Hahaha funciona como frase incompleta. c. No segundo quadrinho, a vírgula poderia ser substituída pela palavra e, sem alteração do sentido original. d. No terceiro quadrinho, há um período composto por subordinação. e. No último quadrinho, temos duas frases verbais. IV. A palavra e, no primeiro quadrinho, atua como conector, expressando uma relação de sentido de conclusão. V. No último quadrinho, a fala do avô é um período simples. É correto o que se afirma em: a. I e II, apenas. b. I e IV, apenas. c. II e V, apenas. d. III e IV, apenas. e. X III e V, apenas. Disponível em: malvados.com.br/index1560.html. Acesso em: 31/01/2020. FC_Gramática_6A_02.indd 110 15/01/2021 11:07:40 Gramática – 6o ano 111 Questões de escrita Ortografia No Capítulo 1, vimos que existem inúmeras varie- dades linguísticas, devido ao caráter dinâmico das línguas. Entre elas, falamos sobre a variante-padrão, ou norma culta, que, além de ser a mais prestigiada dentro da sociedade, é a que padroniza certas regras de expressão para contextos formais. Para proceder a essa padronização, a norma culta estabelece um sistema oficial convencional que representa (em parte) a língua na escrita. Esse sistema é oficial porque é aprovado por atos oficiais do governo e é convencional porque, como vimos no Capítulo 1, não há exata identificação entre os fonemas e as letras que usamos para representá-los. O fato de seguirmos o padrão formal de escrita não implica uma pronúncia única para as palavras. Assim, dizemos que a ortografia é a parte da gramática que estuda a padronização da escrita (uso de letras e sinais gráficos) da norma culta. De posse dessas informações, discuta com os seus colegas e o professor: a ortografia é realmente necessária? Registre suas conclusões em seu caderno. Resposta pessoal. Aprenda mais De maneira resumida, ortografia significa escrita correta, o ramo de estudo da língua que, obedecendo a uma série de regras, pa- droniza a escrita das palavras. É ela que estabelece, por exemplo, a forma casa (com s) como certa, e não caza, em todos os países lusófonos — nações que têm o português como língua oficial. Entre as regras que estabelecem a forma correta de escrever as palavras, a principal delas é o respeito à sua origem. Assim, a palavra casa é escrita dessa maneira devido à sua origem latina, càsa (cabana, casebre), tendo aparecido pela primeira vez em um texto escrito em 1221. 1| Como dissemos, a ortografia é convencional. Às vezes, o fonema representado por uma letra é basica- mente o mesmo representado por outra letra, como s e z em quisesse e fizesse. Em vários casos, a dúvida Devemos respeitar sempre a origem das palavras. Sabendo disso, responda: o certo é escrever larangeira ou laranjeira? De acordo com a regra vista, como essa palavra se origi- nou de laranja (que é escrita com j), deve também ser escrita com j: laranjeira. 2| Empregada no início ou no final das palavras, a letra h não tem valor fonético. Ela é escrita apenas por uma questão etimológica. A palavra hoje, por exemplo, se escreve com h por causa de sua origem latina, hodie. Pesquise e escreva a seguir palavras escritas com h. Sugestão de resposta: hábil, haltere, harém, harmonia, harpa, haste, haver, herbáceo, hérnia, herói, heterogêneo, hiato, hífen, hino, histérico, honra, hortênsia. sobre como escrever certas palavras se resolve com uma regra básica: Aprenda mais Etimologia é a ciência que estuda a origem das palavras, uma ferra- menta importante para desvendar a evolução da língua. Ela mostra a correspondência entre a forma e o sentido que as palavras têm hoje e a forma e o sentido que apresentavam em outras épocas. A palavra adolescente, por exemplo, vem do latim adolescere, que significa “algo que está em desenvolvimento, crescimento”. FC_Gramática_6A_02.indd 111 15/01/2021 11:07:40 Gramática – 6o ano 112 Anotações FC_Gramática_6A_02.indd 112 15/01/2021 11:07:41 FC_Gramática_6A_01 FC_Gramática_6A_02(PE). Essa diferença fica ainda mais evidente quando comparamos o português brasileiro com o português europeu. Aprenda mais Como você certamente sabe, o Brasil é o único país da América do Sul cuja língua oficial é o português. Em decorrência da colonização espanhola, nossos vizinhos adotaram o espanhol como idioma oficial. Somos, portanto, linguisticamente solitários por aqui, mas não se engane: não se fala português apenas em Portugal e aqui. O português é a língua oficial em nove países de quatro continentes. São eles: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equato- rial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Reflita Podemos dizer que, atualmente, a escrita é uma re- presentação exata da fala? Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba que ninguém fala exatamente como escreve. Reflita Por que as pessoas não falam exatamente igual umas às outras? Vários motivos levam as pessoas a falarem de ma- neira diferente umas das outras. O mais óbvio é que ninguém é igual, isto é, todos somos diferentes! Há meninos e meninas com cabelo, cor de pele, religião, família, origem, histórias, etc. diferentes. Dm itr y Pi ch ug in /S hu tt er st oc k. co m Para entender melhor, volte aos dois primeiros anos da sua vida. Talvez você não se lembre, mas foi nesses dois anos que você aprendeu a falar. E quem FC_Gramática_6A_01.indd 11 24/03/2021 09:34:23 Gramática – 6o ano 12 Aprenda mais As mudanças pelas quais passa a sociedade se refletem na língua. Um exemplo: palavras como açoitar, senzala, tronco, alforria, capitão do mato, quilombo, mucama, sinhá, etc. eram muito comuns aqui no Brasil enquanto durou a escravidão. Hoje, pra- ticamente não são usadas. A cortiça é produzida a partir da casca de uma árvore muito comum na Europa, o sobreiro. Ela tem diversas finalidades para a indústria, porém a mais comum é a fabricação de rolhas. Plantação de sobreiros após a extração da casca, destinada à produ- ção de cortiças. Podemos listar várias outras palavras que há poucos anos não existiam ou possuíam significados diferentes daqueles que possuem hoje, são os chamados neologis- mos: teclar, Internet, tablet, iPod, shippar, mouse, etc. Por outro lado, enquanto surgem os neologismos, há palavras que se tornam arcaísmos, isto é, são cada vez menos usadas, como ceroula, vosmecê, outrossim, quiçá, alcaide, soer, soçobrar, anuir, obséquio, etc. Tanto é assim que, certamente, você nunca ouviu (ou falou!) pelo menos uma dessas palavras. Elas são usadas somente em situações formais muito específicas ou em textos cujo principal objetivo é produzir humor, como ocorre na tirinha a seguir. Serafim Ro ss H el en /S hu tt er st oc k. co mlhe ensinou as primeiras palavras? Então, boa parte da maneira como você fala foi “herdada” das pessoas que ensinaram você a falar, as pessoas com quem você convivia. E com quem essas pessoas, por sua vez, aprenderam a falar? Com as pessoas com quem conviveram também. Então, nessa volta para trás, que não terá mais fim, você voltará no tempo e verá que hoje, por exemplo, muitas palavras de uso comum no passado ou desapareceram ou são faladas somente por pessoas idosas. Veja dois exemplos. Por volta do ano 1840, as pessoas ricas pagavam uma fortuna para tirar um daguerreótipo, o tataravô da fotografia, que você pode tirar hoje sem pagar nada no seu celular. E, por falar nisso, até a pala- vra celular tem hoje mais um significado, bem diferente daquele que tinha quando foi empregada pelo cientista inglês Robert Hooke, em 1665. Esses dois exemplos são interessantes para entender- mos uma característica comum a todas as línguas: o fato de estarem em permanente mudança. O tempo inteiro, os seres humanos estão transformando o mundo. São invenções, modos de agir, descobertas que acontecem constantemente, e, como tudo isso é novidade, precisa ser identificado com nomes novos. Se a sociedade muda, a língua também sofre mu- danças. A palavra daguerreótipo vem do nome do seu inventor, o francês Louis Jacques Daguerre. Já a palavra célula surgiu quando Hooke observou no microscópio que a cortiça era formada por pequenas cavidades fechadas, como se fossem minúsculas celas. Hoje, o termo célula designa “a unidade fundamental dos seres vivos”. FC_Gramática_6A_01.indd 12 24/03/2021 09:34:24 Gramática – 6o ano 13 Tanto os neologismos quanto os arcaísmos são evidências de que as línguas mudam com o passar do tempo. Mas não é só isso. As línguas mudam também com as distâncias. Devido a fatores culturais e históricos, no Rio de Janeiro, por exemplo, fala-se bôneco (boneco) e mênino (menino), enquanto no Recife se fala bunécu e minínu. Essas são al- gumas características que marcam a forma de falar dos cariocas e dos recifenses e que nos permitem identificar a sua origem. Chamamos essas marcas de sotaque (pronúncia típica de uma região). Outras formas de variação da língua são a gíria e o jargão. Nos dois casos, podemos dizer que a língua sofre mudan- ças para caracterizar a forma de expressão de determinados grupos. ELA DISSE QUE É UM FURÚNCULO... SEGUNDO O LAUDO LABORATORIAL, O SENHOR APRESENTA LESÃO INFLAMATÓRIA E NECROSE SUBCUTÂNEA RESULTANTE DE AÇÃO BACTERIANA! Na prática, tanto o jargão quanto a gíria devem ser utilizados tendo em vista a situação, isto é, as pessoas envolvidas, o ambiente, as intenções comunicativas, etc. Em um congresso de médicos, por exemplo, o jargão é adequado, pois os participantes se compreenderão mutuamente. Assim, na mesma situação, a gíria será inadequa- da. Já o uso do jargão médico em uma consulta não é adequado, pois, provavelmente, o paciente não entenderá. Gírias – São palavras e expressões comuns na fala de surfis- tas, skatistas, rappers, youtubers, etc. e empregadas como forma de reconhecimento e afirmação por parte do grupo. Como normalmente alguns desses grupos são alvo de pre- conceito por parte da sociedade, isto é, são vistos de maneira negativa, muitas vezes associados à criminalidade (o que é um terrível engano!), suas gírias também são discriminadas. Jargão – É um vocabulário associado a campos profissionais específicos e utilizado como forma de identificação profissional. Ou seja, há palavras e expressões características da fala de médicos, advogados, engenheiros, políticos, policiais, etc. cujo significado muitas vezes é incompreensível para aqueles que não exercem essas profissões. Concluindo o que vimos até agora, podemos dizer que, embora exista a norma culta, quando nos comunicamos por meio de textos verbais (orais ou escritos) comumente utilizamos diferentes variedades linguísticas. Esse uso depende, entre outros fatores, das condições sociais, culturais e geográficas em que nos encontramos. De forma resumida, con- cluímos que, ao nos expressarmos verbalmente, consideramos a pessoa com quem interagimos, o local onde estamos, o assunto, nossa escolaridade, a escolaridade dela, etc. Veja, a seguir, quatro tipos de variação linguística. FC_Gramática_6A_01.indd 13 24/03/2021 09:34:25 Gramática – 6o ano 14 Navegue Variação sociocultural A variação sociocultural ocorre em função dos grupos sociais em geral, do grau de escolaridade das pessoas e do seu ambiente sociocultural. Exemplos claros desse tipo de variação são as gírias e os jargões. Variação situacional A língua varia, também, de acordo com a situação comunicativa. Em situações formais, é mais adequado o registro formal da língua, mas em situações informais não. Variação geográfica Esta variação considera as características linguísticas dos lugares, como sotaque e vocabulário. No Brasil, percebemos que a variação geográfica ocorre mesmo em diferentes áreas do mesmo estado. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, percebemos um sotaque específico, já em Fortaleza perce- bemos outro. Os vídeos indicados a seguir ilustram bem de forma humorada esse tipo de variação. Variação histórica Todas aslínguas naturais variam com o passar do tem- po. Essa variação fica bastante evidente quando lemos textos antigos. Até o século XVI, como não existia uma padronização ortográfica, a escrita seguia a pronúncia. Assim, era muito comum encontrar num texto uma mes- ma palavra grafada de formas variadas. Entre o século XVI e o começo do século XX, houve uma crescente busca de uniformização da escrita: passou-se a escrever respei- Disponível em: https://www.propagandashistoricas.com.br/2019/12/petrolina- -minancora.html. Acesso em: 13/12/2019. tando a origem das palavras. Na propaganda a seguir, veiculada em 1940, percebemos algumas palavras que, atualmente, são grafadas de maneira diferente. Voo nordestino (Bode Gaiato) Escaneie o QR CODE ao lado. Um Português e um Brasileiro Entram num Bar (Unibes Cultural) Escaneie o QR CODE ao lado. Re pr od uç ão FC_Gramática_6A_01.indd 14 24/03/2021 09:34:26 Gramática – 6o ano 15 Como você pôde perceber, a personagem Dolores riu da maneira de falar de sua prima, não dando importância à gravidade do seu problema de saúde. Ao ser chamada à atenção por Dona Anésia (terceiro quadrinho), arrepen- deu-se e telefonou para a prima a fim de se desculpar. Reflita Para você, as pessoas que falam pobrema, stombo, etc., em geral pertencem a que classe social? Essas pessoas tiveram/têm a oportunidade de estudar? Essas pessoas são valorizadas socialmente? Por que será que falam dessa forma? Responda em seu caderno. Resposta pessoal. 7. O preconceito linguístico Para entender bem o que é o preconceito linguístico, uma boa estratégia será recorrer à etimologia da palavra preconceito, isto é, à sua origem. Na nossa língua, a palavra conceito tem muitos sentidos. Um deles é opinião, ponto de vista, como ocorre em Qual é o seu conceito sobre as pessoas que falam fror, brusa, bicicreta? Diante de uma pergunta como essa, como qualquer outra, devemos pensar para res- ponder adequadamente. Então, vamos pensar um pouco? O preconceito linguístico é o tema da tirinha a seguir. Analise-a. Nesse caso, precisamos perceber que as pessoas que falam pobrema, stombo, bicicreta, etc. em geral têm poucos anos de escolarização formal. Por esses (e outros) motivos, são vistas frequentemente de maneira negativa pelas pessoas que possuem mais tempo de estudo. Por- tanto, é preconceito dizer, por exemplo, que as pessoas que falam dessa forma são menos inteligentes ou pobres. Assim, podemos dizer que o preconceito é uma opi- nião antecipada, isto é, uma conclusão à qual se chega sem reflexão. Quando falamos sobre o que é uma língua no início deste capítulo, partimos da ideia muito comum de que o português seria uma língua difícil. Passo a passo, mostramos que não é bem assim. Na verdade, todas as línguas têm suas caracte- rísticas. Vimos também que, logo na infância, aprendemos muitas características da língua falada pela sociedade da qual fazemos parte. E isso acontece espontaneamente, no nosso dia a dia, sem que precisemos ir à escola para tanto. Seja qual for o lugar onde uma pessoa vive, ela per- tence à mesma espécie, a dos Homo sapiens sapiens. Isso significa que tem o mesmo cérebro que qualquer outra pessoa, dotado das mesmíssimas capacidades. Assim, se um bebê nascido em uma tribo indígena da Amazônia for levado para a Inglaterra, aprenderá a falar inglês como qualquer outro bebê nascido lá e vice-versa. Desse modo, é normal sentirmos dificuldades quando começamos a aprender uma língua nova, pois não tivemos contato com ela nos primeiros anos da infância. E essas dificuldades aumentam quando a nova língua é muito diferente da nossa. Por exemplo: o espanhol é parecido com o português, mas o japonês não. No espanhol, muitos sons são semelhantes aos sons da nossa língua, mas os sons produzidos na fala do japonês não são. Por isso, dizemos que não exis- tem línguas fáceis ou difíceis, feias ou bonitas, ricas ou pobres. Elas são, simplesmente, diferentes umas das outras. Todas as línguas têm suas características próprias e atendem perfeitamente às necessidades comunicativas dos seus falantes. As línguas podem variar também quanto ao nível de formalidade, dependendo da situação comunicativa. Des- se modo, se estou conversando com meus amigos em uma festa, posso ser informal, mas, se vou a uma entrevista de emprego, tenho de ficar atento para me expressar de FC_Gramática_6A_01.indd 15 24/03/2021 09:34:26 Gramática – 6o ano 16 Atividades Aprenda mais Fábula é um gênero textual que apresenta características bem de- finidas. Com uma estrutura narrativa simples, os seus personagens são sempre animais que agem como seres humanos, e seu objetivo é passar uma lição moral. Seu narrador é sempre observador. 1| O texto que você vai ler agora é uma fábula atribuída a Esopo. Leia-o com atenção. O cão e o pedaço de carne Um cão estava atravessando um rio carregando um pedaço de carne na boca quando, de repente, assustou-se com seu próprio reflexo na água. O sus- to o fez pensar que era, na verdade, um outro cão, carregando um pedaço de carne bem maior que o seu. Imediatamente o cão soltou o pedaço de carne que carregava e mergulhou para abocanhar o pedaço maior. Assim, o cão se arrependeu profundamente de sua ação, pois o seu pedaço de carne foi levado pela correnteza e o outro, de fato, não existia. Moral: Cuidado com a cupidez. Releitura da fábula atribuída a Esopo. a. O que é uma lição moral? b. Qual é o sentido da palavra cupidez, presente na mo- ral dessa fábula? c. A cupidez normalmente tem um valor positivo ou ne- gativo na nossa sociedade? Uma lição moral é um ensinamento. A palavra cupidez significa ganância. A sociedade, em geral, concebe a cupidez como uma postura negativa. 2| Tendo o cuidado necessário para não mudar o sentido da lição moral presente nessa fábula, poderíamos substi- tuir a palavra cupidez por: a. X Cobiça. b. Desatenção. c. Covardia. d. Rapidez. e. Vontade. A linguagem formal e a informal são variações da língua. É muito importante que o falante saiba adaptar o seu discurso em diferentes contextos de comunicação, principalmente para garantir uma adequação linguística em contextos mais formais. maneira formal, ou seja, de acordo com a norma culta (ou norma-padrão), que é a variedade linguística utilizada pelas pessoas que possuem maior escolaridade. A ma- neira como nos expressamos (formal ou informalmente) depende, portanto, da situação. Devemos procurar falar ou escrever sempre tendo em vista esse aspecto. d. Identifique, no texto, a palavra utilizada para indicar quantidade. Que símbolo numérico representa essa quantidade? Um. O símbolo numérico que representa essa quantidade é 1. Como vimos neste capítulo, utilizamos inúmeros sím- bolos na nossa comunicação diária. Esses símbolos são os mais variados: vão das partículas que formam as palavras aos gestos, às cores, aos sons e, até mesmo, ao silêncio. A produção de sentido de um texto se dá, necessariamente, pela compreensão desses símbolos, que, por sua vez, de- vem fazer parte do seu conhecimento de mundo. De posse dessas informações, responda às questões que seguem. FC_Gramática_6A_01.indd 16 24/03/2021 09:34:26 Gramática – 6o ano 17 5| Como vimos, sempre que nos expressamos verbalmente utilizamos regras gramaticais. No entanto, a língua não é so- mente a sua gramática. Pensando nisso, discuta com os seus colegas e o professor: só é possível uma pessoa escrever e falar bem se souber todas as regras da gramática ensinada na escola? Responda no seu caderno. 6| Leia a tirinha abaixo. Nessa tirinha, o humor é despertado devido à inadequação entre o modo de falar de um dos personagens e a situação comunicativa. Pensando nisso, responda às questões propostas. a. Analisando o contexto, você poderia dizer qual deles se expressou de maneira inadequada? O cliente se expressou de maneira inadequada. b. De acordo com o último quadrinho, podemos afirmar que houve comunicação entre o garçom e o cliente no primeiro quadrinho? Explique. Não. O garçom não compreendeu o cliente, por isso não ocorreu comunicação. 4| Entendendo que a lição moral da fábula é uma ação, podemos afirmar que quem a executou foi: a. O pedaço de carne maior. b. X O narrador. c. O cão. d. O leitor. e. O cão que apareceu refletido na água. 3| Ainda há pouco, vimos que, quando nos comunicamos com alguém, expressamos ações. Voltando à fábula O cão e o pedaço de carne, podemos afirmar que a sua lição moral é uma ação que equivale a: a. Uma pergunta. b. Uma informação. c. X Um conselho. d. Uma reclamação. e. Um castigo. FC_Gramática_6A_01.indd 17 24/03/2021 09:34:27 Gramática – 6o ano 18 8| Como vimos, o Brasil é caracterizado, entre outras coisas, por possuir diferentes falares, isto é, diferentes modos de falar a mesma língua. Isso pode ser perce- bido claramente no seu dia a dia. Na sua sala de aula, por exemplo, existem colegas que certamente falam de maneira diferente de você, utilizando palavras que tal- vez você não utilize. E o seu professor talvez empregue palavras e expressões que nem você nem seus colegas falem. E mais: com o professor, você fala de um jeito; mas, com seus avós, certamente fala de outro. Pergunte a pessoas adultas da sua família quais palavras ou ex- pressões elas usam comumente para se referir a um(a): 7| Neste capítulo, conhecemos um pouco da história da escrita. Vimos como ela surgiu e acompanhamos sua evolução ao longo do tempo. Desde a sua origem, a es- crita representou um importante papel: o de registrar ideias, informações, histórias, etc. Diante disso, discuta, com seus colegas e o seu professor: a. Na nossa sociedade, a palavra falada tem o mesmo valor social que a palavra escrita? b. Por que as pessoas que não dominam as normas da escrita “correta” são vistas frequentemente de forma preconceituosa? c. Essa forma de discriminação faz sentido? 9| Considerando as diferenças entre linguagem oral e lin- guagem escrita, assinale a opção que representa uma ina- dequação da linguagem usada à situação comunicativa. a. “O carro bateu e capotô, mas num deu pra vê direito” — um pedestre que assistiu ao acidente co- menta com o outro que vai passando. b. “E aí, ô meu! Como vai essa força?” — um jovem que fala para um amigo. c. “Só um instante, por favor. Eu gostaria de fazer uma observação” — al guém comenta em uma reunião de trabalho. d. “Venho manifestar meu interesse em candidatar- -me ao cargo de secretária-executiva dessa concei- tuada empresa” — alguém que escreve uma carta candidatando-se a um emprego. e. X “Porque, se a gente não resolve as coisas como tem que ser, a gente corre o risco de termos, num fu- turo próximo, muito pouca comida nos lares brasilei- ros” — um professor universitário em um congresso internacional. Resposta pessoal. a. Pessoa insegura demais. f. Situação difícil. b. Pessoa estudiosa. g. Roupa esquisita. c. Pessoa avarenta. h. Trabalho muito cansativo. d. Mulher bonita. e. Homem bonito. Resposta pessoal. Resposta pessoal. Resposta pessoal. Resposta pessoal. Resposta pessoal. Resposta pessoal. Resposta pessoal. Resposta pessoal. Fr am eS to ck Fo ot ag es /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_01.indd 18 24/03/2021 09:34:27 Gramática – 6o ano 19 1| De acordo com o que estudamos neste capítulo, po- demos entender que a fala do menino: a. É errada, porque é inadmissível em qualquer si- tuação. b. X Não é errada, é apenas diferente da língua-padrão. c. É errada, pois é diferente da língua-padrão. d. É adequada para estabelecer comunicação em qualquer contexto. e. É perfeitamente aceitável em qualquer situação. 2| Ainda sobre a tirinha, analise as afirmações abaixo. I. A língua falada pelo menino é um exemplo de variação linguística, um fenômeno que ocorre em todas as línguas. II. Não há razão para a professora criticar a fala do aluno, pois é um exemplo de um fenômeno comum a todas as línguas: a variação. III. A fala de Zeca deve ser discriminada, pois é errada. IV. Zeca fala errado porque não aproveitou o que apren- deu na escola. V. A professora está certa ao chamar a atenção do aluno, 3| Analise as afirmações a seguir. I. O menino foi entendido pela professora, embora não tenha se expressado conforme a norma culta. II. A professora não entendeu o menino, por isso o re- preendeu. III. O efeito de humor é resultado do mau emprego de algumas palavras no primeiro quadrinho. IV. No terceiro quadrinho, a explicação dada pela profes- sora mostra que ela ensina a norma culta, por isso o aluno se expressou de maneira informal. V. A intenção da tira é mostrar que algumas pessoas são preconceituosas, apesar de pensarem que não. Está correto o que se afirma apenas em: Texto 1 Desafio pois devemos nos expressar sempre de acordo com a gramática normativa. Está correto o que se afirma apenas em: a. X I e II. d. I e V. b. II e III. e. III e IV. c. IV e V. Zeca FC_Gramática_6A_01.indd 19 24/03/2021 09:34:28 Gramática – 6o ano 20 4| Com base no Texto 2, um aluno do 6º ano tirou as se- guintes conclusões. Texto 2 Na verdade, as pessoas cujas habilidades linguís- ticas são mais gravemente subestimadas estão bem aqui, na nossa sociedade. Os linguistas constantemen- te topam com o mito de que a classe trabalhadora e os membros menos educados da classe média falam uma linguagem mais simples e menos refinada. Trata-se de uma ilusão perniciosa decorrente da naturalidade da conversação. PINKER, Steven. O instinto da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2004. Questões de escrita Fonema e letra 1| Leia em voz alta as palavras abaixo. (1) banca (2) banco (3) branco (4) anciã (5) hoje (6) chover (7) carro (8) táxi Para falar, proferimos sons. Mas esses sons não são produzidos isoladamente — eles são produzidos em grupos que se combinam. Assim, pronunciamos as palavras. Os sons que utilizamos para falar são chamados de fonemas. Já os sinais gráficos que utilizamos para representar esses sons na escrita são chamados de grafemas, ou, simplesmente, letras. a. Entre as palavras 1 e 2, há algum fonema diferente? Sim. Os fonemas finais /a/ e /o/. É importante chamar a atenção da turma para o fato de que, para assinalar os fonemas na escrita, utilizamos barras. a. I e III. b. X I e V. c. II e III. d. II e IV. e. IV e V. I. No termo ilusão perniciosa, a palavra perniciosa poderia ser substituída, sem alteração de sentido, por silenciosa. II. O texto ilustra um caso de preconceito linguístico, uma forma de discriminação muito comum na nossa sociedade. III. Os trabalhadores e os membros menos escolarizados da classe média falam uma linguagem mais simples porque não cultivam o hábito da leitura. IV. Por ser natural, a conversação é vista frequentemente de maneira negativa. V. A conversação natural prejudica a língua portuguesa, pois torna naturais os erros cometidos na fala. Está correto o que se afirma apenas em: a. I e III. b. I e V. c. II e III. d. X II e IV. e. IV e V. FC_Gramática_6A_01.indd 20 24/03/2021 09:34:28 Gramática – 6o ano 21 Analise o uso da letra a nas palavras 1 e 8 da questão 1 e responda às perguntas abaixo. a. Essas letras representam sons vocálicos ou conso- nantais? b. E, entre as palavras 2 e 3, há algum fonema diferente? c. Os fonemas são importantes para a diferenciação en- tre as palavras? d. Na palavra 4, analise a presença da letra a. Ela repre- senta o mesmo fonema? Sim. Na palavra 3, há o fonema /r/ a mais. Sim. Sim. e. Na palavra 5, a letra h representa algum fonema? h. Em qual(is) palavra(s) há mais fonemas que letras? g. Em qual(is) palavra(s) há mais letras que fonemas? f. Com base na análise feita até aqui, como você defini- ria o que é um fonema? Não. Na palavra 8. Nas palavras 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7. É importante notar queativi- dades como esta, que avaliam a dualidade entre fonemas e grafemas, levam, necessariamente, às noções de encontro consonantal e dígrafo, que serão trabalhadas adiante. Sons vocálicos. Aprenda mais Existem alguns exemplos bastante claros para ilustrar que as letras não representam os sons fielmente. Observe: 1. Uma mesma letra pode representar mais de um fonema. exame → sexto → próximo 2. Um mesmo fonema pode ser representado por letras diferentes. cela → sela casa → cozinha → êxito 3. Existem letras que não são representadas por fonemas. canto(cãto) → aqui(aqi) → homem(ômen) b. Podemos afirmar que as letras representam fielmen- te os fonemas? Explique. Classificação dos fonemas 2| Os fonemas são classificados em duas categorias principais: vogais e consoantes. As vogais se caracteri- zam pelo fato de não encontrarem obstáculos no nosso aparelho fonador quando são pronunciadas. Ou seja, o ar passa livremente pela nossa boca. Já as consoantes são identificadas como ruídos, pois, para pronunciá-las, colocamos algum obstáculo à passagem do ar no nosso aparelho fonador. Não. As letras, na verdade, são tentativas de represen- tação dos fonemas. Nesta etapa, optamos por não levar aos alunos a noção de alofone. Acreditamos que tal conceituação é inadequada para o ano. Apesar disso, é importante levá-los a observar que a oralidade é um dos terrenos mais férteis para a percepção da variação linguística. Espera-se que o aluno conclua que fonema é o som distintivo. FC_Gramática_6A_01.indd 21 24/03/2021 09:34:28 Gramática – 6o ano 22 O alfabeto 3| Ao conjunto de letras que utilizamos na língua escri- ta, damos o nome de alfabeto. O nosso alfabeto conta, atualmente, com 26 letras, ordenadas de maneira espe- cífica, a chamada ordem alfabética. Observe: 4| Pesquise palavras escritas com as letras k, w e y. Aponte ao menos três utilidades da ordem alfabética no nosso dia a dia. A ordem alfabética é utilizada, por exemplo, na lista da chamada, nos dicionários, no gerenciamento de estoques e em listas de nomes próprios. Resposta pessoal. Sugestão de resposta: kiwi, wi-fi e yoga. 5| Agora, vamos imaginar que você está escrevendo um dicionário destinado aos alunos do 1º ao 5º ano da sua es- cola. Nesta etapa do trabalho, você definirá quais palavras serão utilizadas nele. Para isso, você desempenhará duas tarefas muito importantes. Na primeira, você deverá regis- trar cinco palavras empregadas na fábula O cão e o pedaço de carne, que você leu na página 16. Na segunda, deverá re- gistrar cinco palavras coletadas em alguns minutos de um programa de sua preferência (desenho, anime, série, etc.). Feito isso, responda às questões que seguem. a. Quais palavras você registrou na primeira tarefa? Aprenda mais Com a incorporação das letras k, w e y ao nosso alfabeto após o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 2008, preci- samos fazer algumas distinções. Consideramos o k sempre consoante, como o c antes de a, o e u e o dígrafo qu de querer. Em palavras de origem inglesa, o w é pronunciado como u (whisky, watt, show) e é consoante em palavras de origem alemã (Walter, Weber, Wagner). Observe que, nessas palavras, o w é pronunciado como v. O y funciona como vogal (Paraty). b. Quais palavras você anotou na segunda tarefa? Resposta pessoal. Resposta pessoal. Alfabeto minúsculo Alfabeto maiúsculo a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z FC_Gramática_6A_01.indd 22 24/03/2021 09:34:28 Gramática – 6o ano 23 7| Cite alguns usos da ordem alfabética que você identifica no seu cotidiano. a. O que indica a palavra destacada no alto da página, do lado esquerdo? b. O que indica a palavra destacada no alto da página, do lado direito? c. Sabendo-se que o dicionário é apresentado em ordem alfabética, onde você encaixaria a palavra enxada? Ela indica que é a primeira palavra da página. Ela indica que é a última palavra da página. A palavra enxada seria encaixada entre enverdecer e enxertar. 6| Observe, com atenção, esta reprodução de uma página simplificada de dicionário. Depois, responda às perguntas. c. Agora, reflita com os seus colegas e com o seu professor: en.va.si.lhar en.xo.val en.va.si.lhar v.t. Acondicionar em vasilhas. Envasilhado adj.; envasilhamento s.m. en.ve.lhe.cer v.t. (int.) Tornar(-se) velho. Envelhecido adj.; envelhecimento s.m. en.ve.lo.par v.t. Colocar em envelope. Envelopado adj. en.ve.lo.pe s.m. Invólucro para envio de correspondência ou impressos quaisquer. en.ver.de.cer v.t. (int). 1. Tornar(-se) verde. 2. Cobrir(-se) de verdura. Enverdecido adj.: enverdecimento s.m. en.xer.tar v.t. 1. Fazer enxerto em. 2. Inserir; introduzir. P. 3. Introduzir-se. Enxertado adj.; enxertador adj. e s.m. en.xer.ti.a s.f. Ação ou efeito de enxertar; enxerto. en.xer.to [ê] s.m. 1. Introdução de parte viva de um vegetal em outro para desenvolver-se neste, formando novo vegetal. 2. Implantação de órgão, membro, etc. de corpo humano em outro, transplante. 3. Ação ou efeito de enxertar. en.xó s.f. Instrumento de carpinteiro para desbastar madeira. en.xo.fre [ô] s.m. (Quím.) Elemento Não Metal, símb. S, de número atômico 16. en.xo.tar v.t. Expulsar, pôr fora com brutalidade ou aspereza. Enxotado adj. en.xo.val s.m. Conjunto de roupas e objetos complementares de pessoa que se casa, de crianças por nascer, de quem se interna em colégio, etc. Resposta pessoal. Sugestões de resposta: a lista de frequência na escola, a organização de documentos pessoais em diferentes situações e a busca de informações em seções de pesquisa (sites de busca, plataformas de streaming, etc.). • Todas as palavras anotadas na questão anterior aparecem no dicionário? • Essas palavras nos ajudarão a entender um ponto importante sobre o estudo da língua portuguesa. Discutam: se já sabemos nos comunicar bem desde os primeiros anos da infância, por que devemos continuar estudando português? FC_Gramática_6A_01.indd 23 24/03/2021 09:34:28 Gramática – 6o ano 24 2 Capítulo Ato de fala, frase e contexto 1. Ato de fala Leia com atenção a tirinha a seguir. No capítulo anterior, vimos que a língua é um recurso fundamental para nós. Por meio dela, podemos expressar pensamentos, opiniões, ideias, etc. Podemos, também, sair do momento presente e nos projetar no passado ou no futuro. Assim, dizemos que tudo o que realizamos por meio da língua são ações. Por exemplo, no primeiro quadrinho da tirinha acima, ao dizer Silêncio! a Professora Norma desempenhou uma ação, ou seja, ela expressou uma ordem. Em seguida, a personagem desempenha outra ação: ela informa aos alunos que entregará as provas corrigidas. Considerando a reação expressa pela turma no segundo quadrinho, podemos entender que, além da ordem expressa no primeiro quadrinho, ela também amedrontou os alunos. O medo dos alunos é evidenciado no último quadri- nho, quando a professora é substituída pela caveira que tradicionalmente representa a morte. Mais uma vez, ela informa e amedronta a turma. De modo geral, podemos dizer que dirigimos a palavra uns aos outros com algum objetivo: dar ou pedir uma A menor unidade linguística com que expressa- mos as ações verbais é o que chamamos de frase. Chamamos de ato de fala esse comportamento verbal com que expressamos alguma intenção comunicativa. 2. Frase e contexto informação, convidar, saudar, prometer, ordenar, agra- decer, censurar, elogiar, desculpar-se, etc. Professora Norma Na língua escrita, toda frase é delimitada por quatro sinais de pontuação: ponto (ou ponto-final), ponto de exclamação, ponto de interrogação ou reticências. Já na língua falada, as ações que as frases veiculam são evidenciadas pela entonação, isto é, a flexão de voz que utilizamos para pronunciá-las. Portanto, é a entonação que, na fala, evidencia a ação expressa por frases como: FC_Gramática_6A_01.indd 24 24/03/2021 09:34:28 Gramática – 6oano 25 Os motoristas não podem usar o telefone enquanto dirigem. Socorro! Aprenda mais As reticências são empregadas na escrita para assinalar inter- rupções e hesitações em geral. — Com certeza terminarei mais cedo e... — E o quê? — E poderei cumprir... As reticências podem ser empregadas, também, para indicar su- pressão de algum conteúdo. Neste caso, elas devem ser colocadas entre parênteses (...) ou colchetes [...]. “A História é uma ciência que tenta compreender o passado e o presente da humanidade [...], pois, entendendo essas relações existentes, é possível construir um futuro melhor.” SALVARI, Fábio. Diálogos da História. 6º ano. Recife: Construir: 2019, p. 9. Chamamos de contexto todas as informações que envolvem a comunicação. Essas informações são indis- pensáveis para interpretarmos corretamente uma frase. As frases podem ser divididas em dois grandes grupos: as frases completas e as frases incompletas. As frases completas são aquelas que, em teoria, contam com todos os elementos necessários à sua com- preensão. Ao apresentar uma notícia, por exemplo, os jornalistas utilizam frases completas, pois elas contam com uma organização gramatical mais rígida, o que con- tribui para o sucesso da comunicação. Observe: Nesse quadrinho, vemos mais uma vez a persona- gem que, culturalmente, identificamos como a morte. No contexto, ela aparece acessando sua rede social, aparentemente sua página no Facebook. Isso fica claro pela imagem representada na tela do computador, muito semelhante à página real da rede. Nesse contexto, per- cebemos duas frases: 1. Está chovendo. 2. Está choven... 3. Está chovendo! 4. Está chovendo? Reflita Por que o contexto é fundamental para a interpreta- ção correta de uma frase? Porque as informações externas à frase nos permitem fazer referências e associações corretas. Assim, as frases acima podem ter diferentes interpretações a partir da definição de um possível contexto. Já as frases incompletas, também chamadas de frases de situação, são empregadas normalmente nas conversas, nas interações feitas espontaneamente. Nessas situações, as frases tendem a ser fragmentadas, tornando-se formal- mente incompletas. Mas, como as pessoas interagem de forma espontânea, muitas vezes face a face, a comunicação não fica prejudicada. Veja um exemplo: Podemos dizer que esses dois tipos de frase repre- sentam graus extremos de dependência do contexto em que ocorrem. De um lado, as frases completas são menos “dependentes” do contexto, pois teoricamente possuem todas as partes necessárias ao seu entendimento. Do outro, temos as frases incompletas, estas muito depen- dentes da situação em que ocorrem. Vejamos esses conceitos no quadrinho a seguir. Re pr od uç ão FC_Gramática_6A_01.indd 25 24/03/2021 09:34:29 Gramática – 6o ano 26 Nesse contexto, dizemos que a frase 1 é completa, e a frase 2 é incompleta. A frase 1 apresenta certa in- dependência do contexto. Analisando-a isoladamente, podemos afirmar que é o título de uma notícia. Já a frase 2 é totalmente dependente da situação em que ocorre, pois a palavra curtir, isolada, pode ter diferentes interpretações. 3. Classificação tradicional das frases Tradicionalmente, os gramáticos classificam as frases em cinco categorias. • Frases declarativas – Transmitem informações, de- clarações. Mulher sofre acidente após postar no Facebook dirigindo. Estudei muito hoje, mas não entendi bem o conteúdo. Choveu por aqui. Entendi. • Frases interrogativas – Essas frases formulam per- guntas diretas e sempre terminam com ponto de inter- rogação (?). Você gosta de comer peixe? Como faço para chegar ao estádio? Está perto? Eu? • Frases imperativas – Expressam ordens. Comumen- te empregamos o ponto de exclamação na escrita para acentuar o valor dessas ordens. Abra as janelas da casa para clarear! Júlia, organize seu material! Chegue cedo! Aperte! • Frases optativas – Expressam desejos. Gostaria de visitar a Serra da Capivara. Espero que você faça uma boa viagem. Tomara que passe! Como você pode perceber, essa classificação não considera a estrutura das frases, se são completas ou incompletas. Aqui, considera-se apenas sua essência. Não há referência às intenções de quem fala ou escreve. Reflita Nas situações reais de comunicação, a classificação tradicional das frases é precisa? Não, pois se trata apenas de uma classificação for- mal. Na prática, podemos combinar valores: uma pergunta pode ser também uma exclamação (Você já chegou?!) ou uma ordem (Você quer sair da minha frente?!); uma declaração pode ser tanto uma ordem (Você vai ouvir tudo.), como uma pergunta (Gostaria de saber se o parque está aberto para visitação.). 1. Mulher sofre acidente após postar no Facebook dirigindo. 2. Curtir. • Frases exclamativas – Expressam emoções, reações. Essas frases sempre terminam com ponto de exclamação (!). Não entendi esse assunto! Estou muito feliz com a sua vitória! Nossa! Socorro! An dr is A/ Sh ut te rs to ck .c om FC_Gramática_6A_01.indd 26 24/03/2021 09:34:29 Gramática – 6o ano 27 4. Interjeição Agora, analise a tirinha a seguir. MENINO, MEUS ÓCULOS QUEBRARAM, LEIA ESTA NOTÍCIA PARA MIM! EH... HUM... HUMMMMM... PUTZ... Na fala do jovem, observamos o emprego de quatro frases de situação: Eh... Hum... Hummmmm... Putz... Se analisarmos essas frases isoladamente, elas não têm sen- tido. Mas, inseridas no contexto comunicativo, podemos entendê-las perfeitamente. Elas expressam a dificuldade do menino ao ler a manchete da notícia. Frases de situa- ção como essas são o que chamamos de interjeição. Empregamos interjeições para: • Chamar a atenção de alguém, geralmente para iniciar uma conversa ou como respostas curtas en- quanto ela acontece. • Representar sons não linguísticos. Essas interjei- ções são chamadas, também, de onomatopeias. • Expressar estados emocionais (admiração, sur- presa, desalento, dúvida, etc.). Olá! Psiu! Ei! Ahn? Caramba! (Declaração de alegria ou decepção.) Ahn? (Pergunta de quem não entendeu ou não acreditou no que ouviu.) Psiu! (Ordem para fazer silêncio ou tentativa de chamar alguém.) Pou! Zzzz! Zum! Cabrum! Caramba! Epa! Ui! Oh! Voltando à definição tradicional das frases, percebe- mos que as interjeições podem expressar declarações, perguntas e até ordens, dependendo do contexto em que ocorrem. 5. Condição discursiva Chamamos de condição discursiva o componente da interação verbal que regula o direito à palavra. De modo geral, o direito à palavra ocorre de duas maneiras: • Monólogo – Apenas o enunciador fala. • Diálogo – Ao menos duas pessoas falam. O direito à palavra é regulado por algumas condições. Por exemplo: uma consulta médica se processa por meio de um diálogo, estabelecido entre o médico e o paciente. Nessa situação, o paciente expõe os motivos que o leva- ram à consulta e o médico lhe receita um tratamento. Se, por exemplo, um dos dois interrompe constantemente o outro, a condição discursiva foi desrespeitada, o que pode ser entendido como falta de educação. Pr oS to ck St ud io /S hu tt er st oc k. co m FC_Gramática_6A_01.indd 27 24/03/2021 09:34:29 Gramática – 6o ano 28 b. E, no último quadrinho, a expressão Nossa! pode ser entendida como frase? Explique. Sim. Como é uma interjeição, pode ser classificada como uma frase de situação. Texto 2 c. Para você, qual foi a intenção de Serafim ao exclamar Agora eu sei a idade de Luzia! no último quadrinho? Resposta pessoal. Sugestão de resposta: Ele quis zombar da colega, pois ela zombou dele antes. 2| Entre as opções a seguir, identifique a palavra que re- sume o ato de fala desempenhado por Serafim no últi- mo quadrinho. a. Pena. b. X Vingança. c. Raiva. d. Dúvida. e. Pedido. A catadora de vidro Uma família de cinco pessoas estava passeando na praia. As crianças estavam tomandobanho de mar e fazendo castelos na areia quando, ao longe, apareceu uma velhinha. Seu cabelo grisalho esvoaçava ao vento, e suas roupas estavam sujas e esfarrapadas. Resmungava enquanto apanhava coisas na areia e as colocava em um saco. Os pais chamaram as crianças e pediram-lhes que ficassem longe da velha. Quando ela passou, curvando-se de vez em quando para apanhar coisas, sorriu para a família, mas seu cum- primento não foi correspondido. Semanas mais tarde, souberam que a velhinha dedi- cara a vida ao trabalho de apanhar caquinhos de vidro da praia para que as crianças não cortassem os pés. RANGEL, Alexandre. As mais belas parábolas de todos os tempos. V. 3. Contagem: Leitura, 2005. p. 19. 3| Que lição moral podemos tirar dessa parábola? 4| Por que a família ignorou o sorriso da velha? Não devemos julgar as pessoas pela aparência. Resposta sugerida: Porque não lhe deu valor. Atividades Texto 1 1| Com base no Texto 1, responda às questões propostas. a. No primeiro quadrinho, podemos dizer que a palavra desenhos é uma frase? Justifique sua resposta. Não, pois não teria sentido se empregada isoladamente. Serafim Professor Moisés, o senhor sabia que o Serafim é um hominídeo? É que os desenhos dele parecem arte rupestre! Nossa! Agora eu sei a idade de Luzia! Me dá!! Como assim, Luzia? Somos todos Homo sapiens sapiens... Professor Moisés, como é o nome do hominídeo brasileiro mais antigo? Luzia, que tem aproximadamente 12 mil anos... FC_Gramática_6A_01.indd 28 24/03/2021 09:34:30 Gramática – 6o ano 29 5| Que trecho do texto caracteriza a velhinha? Copie-o nas linhas a seguir. “Seu cabelo grisalho esvoaçava ao vento, e suas roupas estavam sujas e esfarrapadas. Resmungava enquanto apanhava coisas na areia e as colocava em um saco.” 7| Para você, o que será que os pais sentiram quando sou- beram, semanas mais tarde, o que a velhinha fazia na praia? 10| Qual dos personagens da tira se expressa de manei- ra informal? 8| No Texto 2, há predomínio de frases completas ou de fra- ses incompletas? Reflita: por que há essa predominância? 9| Por que, para as crianças, a aula de Português não é boa? 12| No último quadrinho, podemos tirar uma conclusão interessante a respeito do ensino da língua portuguesa. Que conclusão é essa? 11| A forma como esse personagem fala é errada? Explique. Resposta pessoal. Serafim. No Texto 2, há apenas frases completas. Essa predomi- nância ocorre por causa da presença de um locutor único (narrador), que escreve para um destinatário que apenas recebe a mensagem. Assim, a organização gramatical das frases é mais rígida, para que haja sucesso na comunicação. Porque a professora não conhece ou não considera a no- ção de variação linguística. Ou seja, ela ensina o conteúdo com base apenas na gramática normativa, que trabalha com avaliações dicotômicas, como a Matemática. A conclusão é a de que não faz sentido julgar a maneira de falar das pessoas, da mesma forma que é inadequado pensar que o cheiro da jaca é certo. Professor, seria inte- ressante complementar esta resposta comentando que tanto um quanto o outro são fatos e, como tais, existem independentemente da nossa avaliação. Não. Como os dois personagens estão conversando em uma situação informal e estão se compreendendo, a fala de Serafim é adequada. Texto 3 6| A que a velhinha dedicara a sua vida? Ao trabalho de apanhar cacos de vidro na areia da praia. Serafim FC_Gramática_6A_01.indd 29 24/03/2021 09:34:31 Gramática – 6o ano 30 13| No segundo quadrinho, a fala de Serafim expressa um ato de fala de: a. ponderação. b. X concordância. c. dúvida d. prejulgamento. e. desistência. b. Caso essa substituição fosse feita, que sentido esse sinal acrescentaria à fala de Serafim? 14| Na língua portuguesa, apenas quatro sinais gráficos podem encerrar uma frase: reticências, ponto, ponto de interrogação e ponto de exclamação. No entanto, esses sinais não são suficientes para expressar toda a riqueza comunicativa que a língua possui. Pensando nisso, res- ponda às questões seguintes. a. No primeiro quadrinho, que sinal gráfico poderia substituir o ponto-final da fala de Serafim sem alterar o sentido da tirinha? 15| Alguns narradores esportivos ficam conhecidos pelo público devido aos seus bordões (palavra, expressão ou frase, sempre repetida, com a qual deseja criar um efei- to emocional ou engraçado). O narrador Milton Leite, por exemplo, usa como bordões as expressões “Que beleza!” e “Meu Deus!”. Reflita: os bordões podem ser considerados frases? Explique. 16| O desrespeito à condição discursiva é o tema da tiri- nha a seguir. Leia-a. a. Analisando a tira, percebemos que a condição dis- cursiva é desrespeitada ao longo da história. Explique como se dá esse desrespeito. b. Como esse desrespeito fica evidenciado no texto? c. Qual é a consequência desse desrespeito para o per- sonagem? Na história, o personagem está sempre tentando dialogar, mas não deixa as mulheres falarem. Nos quadrinhos, a fala do homem aparece sobreposta à fala das mulheres, como se ele sempre as interrompesse. Como a cada encontro o personagem não deixa as mulhe- res falarem, nenhum dos encontros dá certo. Isso fica su- gerido pela mudança das mulheres ao longo da história. O ponto de exclamação. A exclamação acrescentaria à fala de Serafim o sentido de indignação, aborrecimento, impaciência, etc. Podem, sim, pois apresentam sentido completo na situa- ção comunicativa em que são empregados, isto é, formam uma unidade mínima de comunicação. FC_Gramática_6A_01.indd 30 24/03/2021 09:34:31 Gramática – 6o ano 31 Texto 1| Tendo como base o contexto comunicativo da tira e as frases proferidas pelos personagens, analise as afir- mações a seguir. I. O menino se mostra disposto a entender a opinião da menina. II. Há uma gradação na agressividade apresentada pelo menino. III. No segundo quadrinho, o sinal de interrogação pre- sente na fala da menina poderia ser acompanhado de uma exclamação. Está correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. III, apenas. d. I e II. e. X II e III. 2| A fala da menina no primeiro quadrinho sugere que o menino havia falado algo anteriormente. Indique a frase que, de acordo com o contexto da tira, melhor represen- taria essa fala do menino. 3| Sobre as falas dos personagens, é incorreto afir- mar que: a. As palavras claro e óbvio podem ser entendidas como frases. b. No primeiro quadrinho, a fala da menina é uma frase interrogativa. c. Todas as falas do menino expressam emoções. d. As reticências indicam que a menina interrom- peu sua fala. e. X No último quadrinho, temos duas frases declara- tivas. 4| Sobre a fala da menina no último quadrinho, é corre- to afirmar que, para ela: a. Os problemas do mundo não têm solução. b. As injustiças são fruto de ações governamentais. c. X O mundo pode ser melhorado. d. A vida na Terra está em perigo. e. Precisamos aceitar que os problemas do mundo são indiscutíveis. a. O mundo é assim... b. Devemos nos conformar com as injustiças.. c. X Devemos nos conformar com o mundo! d. Devemos lutar contra as injustiças. e. O mundo tem muitas injustiças! Questões de escrita Desafio Estudo da sílaba 1| Em uma palavra como pai, constituída de uma única sílaba, temos apenas uma vogal, indicada pela letra a. Do mesmo modo, a palavra seu possui somente uma vogal, representada pela letra e. Nos dois casos, os fonemas vocálicos /i/ e /u/ são considerados semivo- gais, pois são pronunciados de maneira mais fraca. Leia as palavras a seguir e identifique em quais delas ocorrem os fonemas vocálicos /i/ e /u/ na condição de semivogais. FC_Gramática_6A_01.indd 31 24/03/2021 09:34:31 Gramática – 6o ano 32 biosfera comunidade máquina planejamento inquilinismo fotográfico combinação cidade ambientalista espaço humano planeta órbita parasitismo ecológico 3| Quanto