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89 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 5 Auditoria governamental e a sociedade Prestar informações à sociedade quanto ao uso do recurso público está entre os objetivos da contabilidade pública. As atividades da ad- ministração, em diferentes níveis do setor público, estão sujeitas aos princípios da administração pública, como o controle, por exemplo. A auditoria é a forma adequada de realizar esse controle e assegurar a veracidade dessas informações, conforme visto no primeiro capítulo: A auditoria no setor público está relacionada ao controle, um dos princípios fundamentais da administração pública, estabelecidos no Decreto Lei 200 de 25 de fevereiro de 1967: planejamento, coor- denação, descentralização, delegação de competência e controle. 90 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .A normatização, os princípios, os procedimentos necessários, a es- trutura administrativa, quem são os profissionais habilitados e como se dá o trabalho de auditoria estão elencados nas normas brasileiras de auditoria do setor público (NBASP), sistematizadas pelo Instituto Rui Barbosa (IRB), seguindo padrões internacionais. Homologadas a partir de 2015, resultam da consolidação das normas de auditoria governa- mental (NAG), das normas de auditoria do Tribunal de Contas da União (NAT); das resoluções da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e dos normativos legais brasileiros. Essas normas estão divididas em três grandes grupos, conforme os padrões das normas internacionais de auditoria das entidades fiscaliza- doras superiores (Issai, na sigla em inglês), emitidas pela Organização Internacional de Entidades Fiscalizadoras Superiores (Intosai, na sigla em inglês) (IRB, 2019). Este capítulo pretende esclarecer essas normas, de forma a facilitar a compreensão dos princípios norteadores da fiscalização, bem como explicitar os procedimentos obrigatórios para os profissionais envolvi- dos nesse processo de controle social. O texto adota as NBASP mesmo quando a norma é tradução das Issai. 1 NBASP – Nível 1: Princípios basilares e pré-requisitos para o funcionamento dos tribunais de contas brasileiros A transparência da informação das atividades dos entes públicos passa pela atuação correta, equilibrada e imparcial das auditorias e de- mais processos de fiscalização. Esses processos estão sob responsa- bilidade dos tribunais de contas, cuja atuação é normatizada por prin- cípios estabelecidos nas NBASP do nível 1 e demais arcabouço legal. O IRB divulgou, em 2015, o sumário dessas normas (IRB, 2015). 91Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Esse nível reúne as NBASP 10, 12, 20, 30 e 40, apresentadas a seguir, todas relacionadas à atuação dos tribunais de contas e detalhadamen- te explicadas pelo documento do IRB. 1.1 NBASP 10 – Independência dos tribunais de contas Aspecto basilar para a eficiente fiscalização e seus bons resultados é a independência e autonomia do órgão fiscalizador – no caso brasilei- ro, os tribunais de contas. Os princípios norteadores dessa autonomia estão explicitados nas normas e envolvem a independência do órgão e a ausência de conflito de interesses; por exemplo, não deve haver en- volvimento familiar ou de evidente amizade entre os membros dos tri- bunais e os agentes fiscalizados. Alguns princípios reforçam a independência, liberdade, cooperação e autonomia do órgão. Por exemplo: a decisão de quando, como e quem irá auditar é do órgão, portanto, estrutura e recursos financeiros para isso devem estar disponíveis. 1.2 NBASP 12 – Valor e benefícios dos tribunais de contas Os tribunais de contas devem atuar em prol do interesse público, de- monstrar sua relevância e responder adequadamente ao indivíduo, ao le- gislativo e a outros órgãos e entidades do setor público. Sua credibilidade, competência e independência podem torná-los modelos para a adminis- tração pública. Nesse sentido, devem reforçar as seguintes ações: • Fortalecer a accountability, a transparência e a integridade dos órgãos e/ou entidades governamentais. • Demonstrar relevância para as partes interessadas. • Ser uma organização modelo, que lidera pelo exemplo (NBASP, 2015). 92 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .O primeiro conjunto de ações contempla: • auditorias, recomendações e outras ações de controle externo, para trazer a informação sobre como os atos administrativos es- tão sendo conduzidos; • fazer cumprir o dever do ente público em prestar contas; • monitorar e reportar as medidas tomadas para diminuir falhas, aprimorar atividades e aproveitar oportunidades de melhoria. E os princípios norteadores para fortalecer a accountability, a trans- parência e a integridade dos órgãos são: Princípio 1: Salvaguarda da independência dos tribunais de contas. Princípio 2: Realização de auditorias objetivando verificar e regular aplicação de recursos públicos, responsabilizando os responsá- veis quando necessário. Princípio 3: Habilitação dos responsáveis pela governança do se- tor público para que possam cumprir suas responsabilidades e responder aos achados e recomendações da auditoria e adotar as ações corretivas apropriadas. Princípio 4: Produção de relatórios sobre os resultados de au- ditoria e disponibilização ao público para que tome ciência dos achados de auditoria e das responsabilidades dos gestores. (NBASP, 2015, p. 28 -31) O segundo conjunto de ações está relacionado à capacidade dos tribunais de contas em demonstrar como agregam valor e contribuem para o aperfeiçoamento da administração pública. Para isso, seguem os seguintes princípios norteadores: Princípio 5: Sensibilidade a mudanças de ambiente e riscos emergentes. Princípio 6: Comunicação efetiva com as partes interessadas. 93Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Princípio 7: Promoção de aperfeiçoamento da administração pú- blica, sendo uma fonte confiável de conhecimento e de orientação objetiva e independente (NBASP, 2015, p. 32 -34). Por fim, o terceiro conjunto de ações está relacionado à capacidade dos tribunais de contas de inspirar confiança. Para tanto, deve-se se- guir os seguintes princípios: Princípio 8: Garantia de transparência e accountability dos tribu- nais de contas. Princípio 9: Garantia de boa governança dos tribunais de contas. Princípio 10: Cumprimento de código de ética do tribunal de contas. Princípio 11: Busca de excelência e de qualidade do serviço. Princípio 12: Construção de capacidade por meio de promoção de aprendizagem ede compartilhamento de conhecimento (NBASP, 2015, p. 35 -38). PARA SABER MAIS Para saber a atuação do Tribunal de Contas da União (TCU) no acompa- nhamento e fiscalização dos gastos relativos à pandemia da covid-19, acesse a página do relatório de fiscalizações em políticas e programas de governo do TCU: https://www.tcese.tc.br/SitePages/ouvidoria.aspx. No site, você pode pesquisar os gastos diretos do governo federal e as transferências para estados, municípios, Distrito Federal e instituições privadas sem fins lucrativos. Esse portal permite também ver as atividades desenvolvidas pelo TCU no acompanhamento dos gastos. Apesar da flexibilização dos processos de aquisição públicas conforme a Lei no 13.979, em 6 de fevereiro de 2020, exageros e malversação de recursos foram identificados. Até 31 de agos- to de 2020, já existiam 80 processos de representação sobre aquisições e ações dos entes governamentais com recursos do governo federal. 94 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1.3 NBASP 20 – Transparência e accountability dos tribunais de contas A transparência está relacionada à facilidade de acesso às informa- ções do agente externo, partes relacionadas, pessoas da comunidade e outros agentes públicos. O termo accountability não tem tradução ob- jetiva para o português, mas pode ser entendido como a possibilidade de prestação de contas, de forma ética e atribuindo a responsabilidade a quem de direito. Os princípios norteadores da transparência e accountability estão relacionados no documento do IRB (IRB, 2015). Semelhantes aos prin- cípios NBASP 12, a economicidade no uso de recursos reforça a neces- sidade de leis e normas para respaldar as atividades dos tribunais de contas. Além disso, é importante observar a transparência das ações, por meio de ampla divulgação das atividades, e as responsabilidades e competência do órgão, que estão relacionadas a seguir: Princípio 1: Exercício das funções dos tribunais de contas no âmbi- to de um marco legal que preveja a transparência e a accountability. Princípio 2: Publicidade de competências, responsabilidades, mis- são e planejamento. Princípio 3: Adoção de normas, processos e métodos de auditoria objetivos e transparentes. Princípio 4: Garantia de altos padrões de integridade e de ética por parte dos membros, servidores e demais colaboradores. Princípio 5: Garantia de que os princípios de transparência e de accountability não sejam comprometidos quando parte de suas atividades forem executadas por terceiros. Princípio 6: Gerenciamento das operações dos tribunais de contas com economicidade, eficiência e eficácia, e em conformidade com as leis e regulamentos, e divulgação dos resultados atingidos. 95Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Princípio 7: Publicidade dos resultados das auditorias e das con- clusões sobre as atividades gerais do governo. Princípio 8: Comunicação oportuna e ampla dos resultados das atividades de auditoria por intermédio da mídia, de sites e de ou- tros meios. Princípio 9: Cumprimento das Normas Brasileiras de Auditoria do Setor Público e busca de aprendizagem contínua, usando orienta- ções ou conhecimentos de colaboradores externos (NBASP, 2015, p. 45-51). É interessante destacar a responsabilidade do tribunal de contas pelas informações, conclusões e sugestões de pareceres obtidos por meio da contratação de terceiros. O desenvolvimento de sites e portais de comunicação com as ações de acompanhamento e fiscalização facilita atingir os princípios 1, 2, 5 e 7 (accountability, publicidade, transparência e publicidade dos resultados). Nesse sentido, o portal do TCU traz muitas informações; alguns estados também têm portais de fácil navegação, mas essa não é a norma geral. 1.4 NBASP 30 – Gestão da ética pelos tribunais de contas Ética é uma questão do indivíduo; porém, o ambiente pode facilitar ou não esse comportamento. A gestão ética em geral, e nas auditorias em específico, envolve cinco princípios praticamente autoexplicativos: • Integridade. • Independência e objetividade. • Competência. • Comportamento profissional. • Confidencialidade. 96 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Os riscos relacionados à ética, ou à falta dela, se referem a ameaças e vulnerabilidades que podem impactar na reputação e credibilidade dos tribunais de contas, por exemplo: • Interesses pessoais. • Parcialidade de julgamentos. • Defesa do interesse da entidade fiscalizada. • Relacionamentos próximos ou antigos. • Pressões externas. NA PRÁTICA A criação das ouvidorias nos tribunais de contas visa aumentar a trans- parência e garantir os princípios éticos dos procedimentos de auditoria, em especial por meio do controle social exercido pela comunidade. Você pode, por exemplo, acessar o site do TCE – Sergipe e encontrar os telefones, endereços físicos ou de e-mail e outras formas objetivas de contato. Acesse a página para conhecer melhor: https://www.tce- se.tc.br/SitePages/ouvidoria.aspx. Os tribunais de contas têm responsabilidades com a estrutura ou o sistema de gestão, para garantir os princípios éticos e a gestão da ética. Devem, portanto, se guiar pelos requisitos e orientações a seguir: • Liderança: destacar a importância de sua posição e ser exemplo de modelo de conduta. • Construção de uma cultura ética em todos os níveis do tribunal, a começar pela presidência. • Divulgar código de ética ou de conduta. • Criar comissão de ética. • Criar e manter canais de comunicação. 97Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 1.5 NBASP 40 – Controle de qualidade das auditorias realizadas pelos tribunais de contas As normas de controle de qualidade têm como objetivo assegurar a reputação, credibilidade e capacidade dos tribunais de contas no exer- cício de suas competências. Os elementos relevantes para o sistema de controle da qualidade e seus princípios estão conjuntamente relaciona- dos a seguir, com base no documento do IRB (IRB, 2015): 1.5.1 Responsabilidade das lideranças Segue-se o seguinte princípio: Princípio: Estabelecimento de um sistema de controle da qualida- de que abranja políticas e procedimentos destinados a promover uma cultura que reconheça que a qualidade é essencial para a re- alização dos trabalhos (NBASP, 2015, p. 80). 1.5.2 Exigências éticas relevantes Segue-se o seguinte princípio: Princípio: Formulação de políticas e procedimentos para fornecer segurança razoável de que todos os seus membros e servido- res bem como contratados para atividades de apoio cumpram exigências éticas relevantes na realização dos trabalhos (NBASP, 2015, p. 80). 1.5.3 Condição de realização e continuidade dos trabalhos Segue-se o seguinte princípio:Princípio: Estabelecimento de políticas e procedimentos projeta- dos para fornecer segurança razoável de que as auditorias somen- te serão realizadas quando os auditores: 98 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .a) forem competentes para executar os trabalhos e possuírem ha- bilidades, tempo e recursos; b) conseguirem cumprir as exigências éticas relevantes; c) considerarem as condições relativas à integridade da entidade auditada e como tratar os riscos à qualidade que possam surgir (NBASP, 2015, p. 83). 1.5.4 Recursos humanos Segue-se o seguinte princípio: Princípio: Estabelecimento de políticas e procedimentos destina- dos a fornecer segurança razoável de que têm pessoal suficiente, competente, capaz e comprometido com os princípios éticos para: a) executar trabalhos de acordo com as normas profissionais, a legislação e as exigências regulamentares correspondentes; b) permitir aos Tribunais de Contas que emitam relatórios adequa- dos às circunstâncias (NBASP, 2015, p. 84). PARA SABER MAIS Para conhecer as equipes de trabalho dos tribunais de contas, é pos- sível acessar os sites de cada um dos tribunais. Por exemplo, para conhecer a equipe de servidores efetivos, comissionados e estagi- ários do TCE-Paraná, acesse a página do tribunal de contas do es- tado do Paraná: https://www1.tce.pr.gov.br/conteudo/remuneraco- es/246/area/46. 99Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 1.5.5 Compromisso com desempenho Segue-se o seguinte princípio: Princípio: Estabelecimento de políticas e procedimentos destina- dos a fornecer segurança razoável de que as auditorias e outros trabalhos estão sendo realizados de acordo com as normas pro- fissionais e as exigências legais e regulamentares aplicáveis, e que emitem relatório apropriado às circunstâncias. Essas políticas e procedimentos devem incluir: a) questões relevantes que promovam a qualidade do trabalho realizado; b) responsabilidades de supervisão; c) responsabilidades de revisão (NBASP, 2015, p. 86). 1.5.6 Monitoramento Segue-se o seguinte princípio: Princípio: Estabelecimento de um processo de monitoramento – asseguração da qualidade – projetado para fornecer segurança razoável de que as políticas e os procedimentos relacionados com o controle de qualidade são relevantes, adequados e operam de maneira efetiva (NBASP, 2015, p. 88). As NBASP de nível 1 sistematizam as normas internacionais de ní- veis 1 e 2 referentes aos órgãos de controle. No Brasil, os tribunais de contas são esses órgãos e, por isso, todas as orientações, princípios e recomendações aqui estudados se referem a esses tribunais. A figura 1 mostra os princípios relacionados ao processo de auditoria, de forma resumida. 100 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Figura 1 – Princípios do processo de auditoria Estabelecer os termos de auditoria Obter entendimento Realizar avaliação de risco ou análise de problema Identificar riscos de fraude Desenvolver um plano de auditoria Planejamento de auditoria Princípios relacionados aos processos de auditoria • • • • • Realizar os procedimentos de auditoria planejados para obter evidências Avaliar as evidências de auditoria e extrair conclusões Execução de auditoria • • Elaborar relatório baseado nas conclusões alcançadas Monitorar as questões relatadas como relevantes Relatório de monitoramento • • Fonte: IRB, 2015, p.8. 2 NBASP – Nível 2: Princípios fundamentais de auditoria do setor público Esse conjunto de normas foi aprovado em 3 de agosto de 2017, em assembléia geral do IRB, e resulta da tradução das normas Issai 100, 200, 300 e 400, revistas pelo subcomitê de normas de auditoria do IRB e sub- metidas à audiência pública. Diferente das NBASP de nível 1, essas nor- mas se referem a procedimentos e não aos órgãos de controle e foram traduzidas sem muitas adaptações à realidade brasileira, como forma de manter a padronização internacional. As normas estão apresentadas a seguir, conforme o documento do original (IRB, 2017). 2.1 Issai 100 – Princípios fundamentais de auditoria do setor público Essa norma é base para os três tipos de auditoria do setor público: operacional, financeira e de conformidade, objeto de análise das Issai 101Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 200, 300 e 400, respectivamente. A norma Issai 100 traz informações detalhadas sobre: • o propósito e a aplicabilidade das Issai; • o contexto da auditoria no setor público; • os elementos de auditoria do setor público; • os princípios aplicáveis à auditoria do setor público. A figura 1 mostra os elementos de auditoria e suas características principais. Figura 2 – Auditoria e suas características principais Auditor Parte responsável Objeto Produto final Usuários previstos Informações do objetoCritérios Posição financeira Desempenho financeiro Fluxo de caixa Notas explicativas • • • • Auditorias operacionais Trabalhos de relatório direto• IPSAS IFRS Outras estruturas nacionais de relatório financeiro para uso no setor público • • • Auditorias financeiras Trabalhos de certificação• Fonte: da autora baseado em IRB 2017 (p. 23 - 61). Esses elementos são comuns aos três tipos de auditoria contempla- dos no NBASP nível 2 e apresentados neste capítulo: financeira, opera- cional e de conformidade. 102 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 2.2 Issai 200 – Princípios fundamentais de auditoria financeira A auditoria financeira é o processo de verificar se a posição financei- ra, o desempenho, o fluxo de caixa e a avaliação de ativos e passivos estão de acordo com as leis, normas e os propósitos específicos da entidade. O objeto de análise são as demonstrações financeiras e rela- tórios específicos. No setor público, a auditoria financeira pode contem- plar órgãos de governo, entidades públicas, convênios e contratos com o setor público. Essa auditoria pode ocorrer de forma integral no órgão ou entidade; pode ser específica em relação a um recurso recebido ou projeto estabelecido com propósitos independentes; ou ainda pode ser de acompanhamento da destinação de fonte de recurso decorrente de determinada política pública. Pode também ser chamada de auditoria de execução orçamentária ao incluir a análise de conformidade e legalidade com relação ao orça- mento. Nesse caso, podem serutilizadas Issais específicas, a depender do mandato de auditoria. A estrutura de demonstrações para auditorias de propósitos gerais normalmente inclui (IRB, 2017, p. 55): • uma demonstração da posição patrimonial e financeira; • uma demonstração do desempenho econômico- financeiro; • uma demonstração das mutações do patrimônio líquido; • uma demonstração do fluxo de caixa; • uma comparação entre valores do orçamento e valores realizados, seja na forma de uma demonstração financeira adicional separada ou de uma conciliação; 103Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • notas explicativas, compreendendo um resumo de políticas contábeis relevantes e outras informações explanatórias; • em certos ambientes, um conjunto completo de demonstrações financeiras pode também incluir outros relatórios, tais como relatórios de desempenho e de execução orçamentária. Essa estrutura também é adequada para auditorias de propósitos específicos. Nesse caso, alguns relatórios específicos podem ser for- mulados, como: • Informações sobre fluxo de caixa, elaboradas no regime de caixa: ingressos e desembolsos de determinada operação. • Relatórios financeiros específicos ou adaptação dos relatórios de uso geral por solicitação de: ◦ organismo internacional ou mecanismo de financiamento externo; ◦ órgão governamental, poder legislativo ou por outras partes que desempenhem função de controle; ◦ especificidades de um contrato – por exemplo, projeto subvencionado. São pré-requisitos para a condução de auditoras financeiras: • Ética e independência. • Controle de qualidade. • Gestão de equipes de auditoria e habilidades (IRB, 2017, p. 64-66). O quadro 1 mostra os princípios, seguidos de explicações quanto aos conceitos básicos de auditoria. 104 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Quadro 1 – Conceitos básicos de auditoria Julgamento e ceticismo profissional O auditor é técnico, não político. Materialidade Deve haver um objeto de análise. Comunicação O processo deve ser registrado desde o início. Documentação Toda a análise é documental, não se consideram relatos verbais ou opiniões. Concordância com os termos do trabalho O ente fiscalizado deve ter ciência formal quanto aos trabalhos realizados. Planejamento O auditor deve previamente estabelecer um roteiro de trabalho. Entendimento da entidade auditada O auditor deve conhecer as características do ente auditado. Avaliação de risco O auditor deve ter ciência das consequências do seu trabalho e das possibilidades de não obter as informações e evidências necessárias. Respostas aos riscos avaliados O auditor deve ter alternativas aos riscos identificados. Considerações em relação à possibilidade de fraude nas demonstrações financeiras O auditor deve ter ferramentas e habilidade para identificar fraudes nos documentos apresentados. Considerações sobre a comunidade operacional da entidade auditada Continuar a existir/atuar em face dos problemas encontrados. Considerações relacionadas à conformidade da entidade a leis e regulamentos em uma auditoria de demonstrações financeiras As avaliações devem ser feitas à luz do arcabouço legal existente para a atividade do ente auditado. Evidência de auditoria reunindo informações consistentes em diferentes fontes Os erros e acertos encontrados devem estar comprovados em documentação fidedigna. Consideração de eventos subsequentes As avaliações devem estabelecer premissas para que os erros não se repitam. Avaliação e comunicação de distorções Os resultados, orientações e solicitações de procedimentos devem estar registrados e devem ser acompanhados. Fonte: da autora, com base em IRB, 2017, p. 67-75. 105Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. O processo de auditoria é conduzido por uma equipe, mas a responsa- bilidade é do auditor. Portanto, seu nome, assinatura e reputação profis- sional ficam sob o escrutínio da entidade de fiscalização, em específico, e da sociedade em geral. Nesse sentido, destacam-se alguns quesitos a serem seguidos para o processo de auditora ser realizado com êxito para a entidade supervisionada, para o supervisor e em especial para a socie- dade, de forma a efetivamente se consolidar o ciclo de controle social: • Formação de opinião e emissão do relatório sobre as demonstrações financeiras. • Informações comparativas – valores correspondentes e demonstrações financeiras comparativas. • Responsabilidades do auditor em relação a outras informações incluídas em documentos que contenham demonstrações financeiras auditadas. • Considerações especiais – auditorias de demonstrações financeiras preparadas de acordo com estruturas de propósitos especiais. • Considerações especiais – auditoria de quadros isolados das demonstrações financeiras e de elementos, contas ou itens específicos de uma demonstração financeira. • Considerações relevantes para auditorias de demonstrações financeiras de grupos (incluindo demonstrações financeiras consolidadas do governo) (IRB, 2015, p. 33-36). 2.3 Issai 300 - Princípios fundamentais de auditoria operacional A auditoria operacional é o exame independente, objetivo e confiável de atividades quanto à efetividade. Conforme o Issai 300, detalhada- mente apresentado no documento do IRB sobre as NBASP – nível 2, 106 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .aprovado em 3 de agosto de 2017, a auditoria operacional no setor pú- blico é realizada pelas Entidades Fiscalizadoras Superiores (EFS) para analisar se empreendimentos, sistemas, operações, programas, ativi- dades ou organizações do governo estão funcionando de acordo com os princípios de economicidade, eficiência e efetividade e se há espaço para aperfeiçoamento (IRB, 2017). A auditoria operacional reúne os princípios gerais da Issai 100 e os complementa como os princípios específicos da Issai 300. O objetivo da auditoria operacional é promover a governança econô- mica efetiva e eficaz, além de contribuir também para a accountability e transparência. Isso pode ser feito ao apresentar novas informações e sugestões para aperfeiçoamento, com vistas a: • proporcionar novas percepções analíticas; • aumentar a acessibilidade à informação; • propiciar uma visão independente ou uma conclusão baseada em auditoria; • apresentar recomendações. Os princípios da auditoria operacional são: • estabelecer objetivo de auditoria claramente definido; • escolher abordagem orientada a resultados, problema ou sistema de forma a facilitar a solidez do desenho de auditoria, sendo que: • A abordagem orientada a sistemas examina o adequado funcionamento do sistema de gestão. • A abordagem orientada a resultados avalia se os objetivos foram atingidosou se programas estão funcionando conforme previsto. 107Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • A abordagem orientada a problemas analisa as causas de problemas específicos ou desvios em relação a critérios. • estabelecer critérios adequados ao processo de auditoria e que correspondam aos princípios de economicidade, eficiência e efetividade; • gerenciar ativamente o risco de auditoria, ou seja, risco de obter conclusões incorretas ou incompletas. Isso pode resultar em informações desequilibradas ou que não agreguem valor aos usuários; • manter comunicação eficaz e adequada com as entidades auditadas e partes interessadas; • a equipe deve possuir competências profissionais para realizar a auditoria: delineamento de pesquisa, métodos de ciências sociais, técnicas de avaliação e investigação; bem como habilidades pessoais como capacidade analítica, escrita e comunicação; • exercer ceticismo profissional, com receptividade e disposição para inovar; • aplicar procedimentos para garantir a qualidade; • considerar a materialidade em todas as fases do processo de auditoria; • documentar o processo de auditoria com clareza e objetividade de modo a permitir que outros profissionais auditores possam compreender o trabalho realizado; • obter evidências para fundamentar seus achados, responder aos objetivos da auditoria e emitir recomendações; • fornecer relatórios de auditoria completo, convincentes, tempestivos, de fácil leitura e equilibrados; 108 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .• fornecer recomendações construtivas, em relatórios amplamente acessíveis; • monitoramento das recomendações dos relatórios (IRB, 2015). NA PRÁTICA Acompanhe um exemplo de auditoria de conformidade na Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), no estado do Rio Grande dos Sul, re- lativa à contratação de projetos para obras no aeroporto do município de Passo Fundo. Trata-se de monitoramento do item 9.1 do Acórdão 2510/2018-TCU- -Plenário, de relatoria do ministro Vital do Rego, prolatado no âmbi- to do TC 023.484/2018-7. 2. O referido processo cuidou da auditoria de conformidade realizada pela antiga Secex-RS na SAC, vinculada ao Ministério da Infraestrutura (Minfra), e na Secretaria de Transpor- tes do estado do Rio Grande do Sul, no período compreendido entre 30/7/2018 e 10/8/2018. A auditoria foi feita com o objetivo de verificar a regularidade dos atos praticados no âmbito do Edital RDC 001/2018, referente à contratação integrada de serviços técnicos especializados de engenharia para elaboração de projeto básico e executivo e à execu- ção de obras de engenharia aeroportuária e serviços complementares do aeroporto de Passo Fundo, empreendimento integrante do progra- ma de aviação regional e contemplado pelo Termo de Compromisso 005/2017, firmado entre o Minfra e a Secretaria de Transportes – RS. A principal irregularidade detectada na auditoria foi a licitação da obra com previsão orçamentária insuficiente. Você pode conferir mais informações na página do TCU: https:// tcu.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/804433125/representacao- repr-rp-77620190. 109Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2.4 Issai 400 - Princípios fundamentais de auditoria de conformidade Os termos “estrutura de conformidade” são usados “para se referir a uma estrutura de relatório financeiro que requer conformidade com os requisitos da estrutura e não reconhece a possibilidade de tais desvios para alcançar uma apresentação razoável” (IRB, 2017, p.5). Sua auditoria é conceituada como a “avaliação independente para determinar se um dado objeto está em conformidade com normas apli- cáveis identificadas como critérios” (IRB, 2017, p.3). Desse modo, ela promove transparência porque fornece relatórios confiáveis sobre o uso de recursos, gestão de acordo com as normas e sobre o direito dos cidadãos em relação a esse serviço. Promove tam- bém a accountability, porque relata desvios e violações de normas, per- mitindo ações corretivas e punição dos responsáveis. Por fim, promove a boa governança, porque considera o risco de fraude e identifica fragi- lidades e desvios de leis e regulamentos. A auditoria de conformidade pode ser conduzida de três modos, a saber: • Relacionada à auditoria das demonstrações financeiras (Issai 4200). • Separadamente das demonstrações financeiras (Issai 4100). • Em combinação com a auditoria operacional. Os princípios da auditoria de conformidade são semelhantes aos da auditoria financeira e operacional. Diferem apenas no objetivo, porque visam a acompanhar, fiscalizar, relatar e orientar as entidades e proje- tos públicos no que tange ao aparato normativo existente para a ativi- dade em análise. 110 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 3 NBASP – Nível 3: Requisitos mandatórios para auditorias do setor público Em decorrência da consolidação das normas brasileiras de auditoria às normas internacionais, em 2019 foram aprovadas as normas – nível 3, divididas em dois grandes grupos: NBASP 3000, sobre auditoria ope- racional, e NBASP 4000, sobre auditoria de conformidade. A principal diferença dessas normativas para as apresentadas no nível 2 NBASP 300 e NBASP 400 é a transformação dos princípios em requisitos, ou seja, recomendações se transformam em obrigações. O grupo NBASP 3000 traz os requisitos com o termo “deve”, refor- çando o caráter mandatório da norma. Está organizada de forma seme- lhante à NBASP 300 e divide-se em quatro sessões: • Escopo da norma internacional para auditoria operacional. • Definição de auditoria operacional e princípios subjacentes. • Requisitos gerais para auditoria operacional. • Requisitos relacionados às principais etapas do processo de auditoria. Outros documentos da série são o NBASP 3100, sobre conceitos de auditoria, e o NBASP 3200, sobre diretrizes relacionadas ao processo de auditoria. Uma característica peculiar desse documento do nível 3 é apresen- tar os requisitos sempre seguidos de detalhada explicação. O NBASP 4000, da mesma forma que o 3000, está alinhado às nor- mas NBASP 400 e às NBASP 100. A norma apresenta a aplicabilidade, as partes envolvidas, os requisitos gerais e os requisitos inerentes ao planejamento, aos procedimentos, à avaliação de evidência, à con- clusão e à elaboração de relatórios e monitoramento da auditoria de 111Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. conformidade. A principal diferença dessa auditoria de conformidade emrelação à auditoria operacional (norma 3000) está nos objetivos, que incluem a asseguração. Entende-se por asseguração a afirmação de que a entidade, projeto, programa ou órgão público está atuando de acordo com as leis, normas e outros elementos do aparelho regulatório; da mesma forma, a asse- guração garante o cumprimento dos objetivos. Essa asseguração pode ser feita por meio de um trabalho de certifi- cação ou relatório direto. O relatório direto é um processo de maior autonomia do auditor. A de- terminação do objeto e dos critérios de avaliação são responsabilidade do auditor. A conclusão é expressa na forma de achados, respostas a questões específicas da auditoria, recomendações ou opinião. A certificação é um processo vinculado a critérios específicos. Esses processos podem chegar na asseguração razoável, em que se tem maior segurança e amplitude, ou na asseguração limitada, quando não se tem certeza de acesso a todas as informações necessárias para assegurar o cumprimento das normas e/ ou objetivos propostos. IMPORTANTE Legalidade: Todo processo de auditoria de conformidade visa a asse- gurar o respeito aos aspectos legais e normativos, envolvendo leis, re- gulamentos e acordos relacionados – como as normas internacionais ou as cláusulas contratuais, por exemplo. Legitimidade: Complementarmente, a auditoria de conformidade visa a assegurar a observância aos princípios gerais da administração públi- ca e a boa conduta dos funcionários públicos. 112 Normas e práticas de contabilidade do setor público M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Considerações finais Este capítulo procura mostrar, de forma resumida, os princípios de auditoria no setor público e sua importância para a governança pública, transparência e accountability. Em outras palavras, mostra a estrutura existente para o controle social da administração pública. O capítulo está estruturado a partir das NBASP, que atualmente es- tão organizadas em três níveis, com regulamentação específica. As normas gerais apresentadas nas NBASP 10, 12, 20, 30 e 40, no nível 1, estão relacionadas às EFS, que no Brasil estão consolidadas nos tribunais de contas. Esse nível reúne os níveis 1 e 2 das normas internacionais. As normas gerais para auditoria, apresentadas nas NBASP 100, 200, 300 e 400, no segundo nível, são a tradução do nível 3 das normas internacionais. E, por fim, os requisitos mandatórios de auditoria, correspondentes ao nível 4 internacional, são em essência a transformação de princí- pios para requisitos nas normas 300 sobre auditoria operacional, que passam a ser NBASP 3000, e das normas 400 em NBASP 4000 sobre auditoria em conformidade. Cabe novamente destacar o uso da expressão em português NBASP em detrimento da expressão em inglês Issai. Ao longo das normas, re- soluções e documentos é possível encontrar ambas as siglas (NBASP ou Issai), mas aqui optamos por priorizar a expressão em português. 113Auditoria governamental e a sociedade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Referências BRASIL. Lei no 13.979, de 6 de fevereiro de 2020. Dispõe sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacio- nal decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-13.979-de-6-de-fevereiro-de-2020- 242078735. Acesso em: 21 jun. 2021. BRASIl. Relatório de fiscalizações em políticas e programas de governo. [s.d.] Disponível em: https://sites.tcu.gov.br/relatorio-de-politicas/area_11.htm. Acesso em: 21 jun. 2021. IRB. Instituto Rui Barbosa. Normas brasileiras de auditoria do setor público NBASP: nível 1 – princípios basilares e pré-requisitos para o funcionamen- to dos tribunais de contas brasileiros. Belo Horizonte, 2015. Disponível em: https://irbcontas.org.br/biblioteca/nbasp-1/. Acesso em: 21 jun. 2021 IRB. Instituto Rui Barbosa. Normas brasileiras de auditoria do setor público NBASP: nível 2 – princípios fundamentais de auditorias do setor público. Belo Horizonte, 2017. Disponível em: https://irbcontas.org.br/wp-content/uplo- ads/2020/04/irb-nbasp-nivel2.pdf. Acesso em: 21 jun. 2021. IRB. Instituto Rui Barbosa. Normas brasileiras de auditoria do setor públi- co NBASP: nível 3 – requisitos mandatórios para auditorias do setor público. Curitiba, 2019. Disponível em: https://irbcontas.org.br/biblioteca/nbasp-3/. Acesso em: 21 jun. 2021. https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-13.979-de-6-de-fevereiro-de-2020-242078735 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-13.979-de-6-de-fevereiro-de-2020-242078735 https://sites.tcu.gov.br/relatorio-de-politicas/area_11.htm https://irbcontas.org.br/biblioteca/nbasp-1/ https://irbcontas.org.br/wp-content/uploads/2020/04/irb-nbasp-nivel2.pdf https://irbcontas.org.br/wp-content/uploads/2020/04/irb-nbasp-nivel2.pdf https://irbcontas.org.br/biblioteca/nbasp-3/