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REVESTIMENTOS: TÉCNICAS CONTRUTIVAS APRESENTAÇÃO Os revestimentos são utilizados visando basicamente a proteção e o acabamento de superfícies. Mas existem alguns cuidados em se tratando do assentamento dos revestimentos cerâmicos. É comum ocorrer perdas em função da estocagem e do armazenamento incorretos dos materiais, da falta de paginação que prejudica o corte das peças ou até mesmo do assentamento incorreto, sendo necessário refazer o serviço. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar algumas técnicas de aplicação dos revestimentos cerâmicos que auxiliam o correto assentamento das peças, a fim de evitar gastos desnecessários e incômodos futuros. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Identificar os principais tipos de argamassas e juntas para revestimentos. · Relacionar os cuidados necessários para a compra e o armazenamento dos revestimentos cerâmicos. · Reconhecer as técnicas de aplicação tanto horizontal quanto vertical dos revestimentos. INFOGRÁFICO O Infográfico a seguir apresenta um esquema referente ao revestimento de cerâmicas. Desde a compra dos materiais até a etapa final - ou seja, o rejunte das peças -, devem ser tomados alguns cuidados a fim de evitar problemas futuros. INTRODUÇÃO Você já deve saber que os revestimentos são utilizados visando basicamente à proteção e ao acabamento de superfícies. Mas existem alguns cuidados necessários para o assentamento dos revestimentos cerâmicos. É comum ocorrerem perdas, seja pela estocagem e pelo armazenamento incorreto dos materiais, seja pela falta de paginação. Assim, podem haver perdas excessivas devido ao corte de peças, ou até mesmo pelo assentamento incorreto, sendo necessário refazer o serviço. ARGAMASSAS PARA REVESTIMENTO Como você já sabe, os diferentes tipos de revestimentos são utilizados na construção civil visando basicamente à proteção e ao acabamento de superfícies, tanto verticais como horizontais, de uma edifi cação ou obra de engenharia. Ao tratar dos revestimentos na construção civil, é imprescindível que você considere o revestimento de argamassa. Segundo a ABNT NBR 13529:2013, ele consiste no cobrimento de uma superfície com uma ou mais camadas superpostas de argamassa, aptas a receber acabamento decorativo ou a se constituir em acabamento final. A argamassa é uma mistura de cimento, areia e água. Existem diferentes tipos, com variação principalmente no consumo desses três elementos, os quais alteram a aderência e a retenção de água. Com relação à argamassa colante industrializada, se deve respeitar o local e o tipo de argamassa. Observe: · AC-I: é uma argamassa resistente a solicitações mecânicas típicas de revestimentos internos, com exceção daquelas aplicadas em áreas especiais, como saunas, churrasqueiras, estufas e outras. · AC-II: pode ser utilizada tanto em ambientes internos quanto em ambientes externos. As suas propriedades permitem o uso em áreas externas, pois têm a capacidade de absorver as variações de temperatura, umidade e ação do vento dos revestimentos cerâmicos e de pisos. Desse modo, pode ser utilizada para revestimento externo de paredes e fachadas, pisos em áreas externas, assentamento de revestimento de piscinas de água fria e pisos cerâmicos industriais ou de área pública. · ACIII: é indicada para condições de altas exigências, como revestimentos de saunas, piscinas, estufas, assentamento de revestimentos cerâmicos em fachadas; enfim, locais onde o risco de queda por peças é maior. As argamassas para rejuntamento possuem a finalidade de preencher as juntas entre placas cerâmicas, visando a proporcionar um melhor acabamento ao sistema cerâmico. A seguir, você pode conhecer os tipos mais comuns de juntas: · Estrutural: é o espaço regular entre estruturas, cuja função é aliviar tensões provocadas pela movimentação do concreto. · De assentamento: a junta de assentamento é utilizada no espaço regular existente entre duas placas cerâmicas. As juntas entre peças absorvem parte das deformações do revestimento cerâmico. Permitem também que as diferenças dimensionais entre peças ou placas sejam compensadas. Além disso, facilitam eventuais trocas de placas cerâmicas, evitando que outras sejam danificadas. Para as juntas de assentamento, se utilizam espaçadores de plástico, pregos ou palitos. · De movimentação: é o espaço regular que define divisões da superfície revestida com placas cerâmicas. Sua função é permitir o alívio de tensões originadas pela movimentação da base onde é aplicado o revestimento ou pela própria expansão das placas cerâmicas. Em se tratando de piso e paredes internas, a junta de movimentação deve ser usada a cada 32 m² ou quando uma das dimensões for maior que 8 m. Já para pisos externos, deve ser utilizada a cada 20 m² ou quando uma das dimensões for maior que 4 m. Já para paredes externas, se deve utilizar a junta a cada 3 m na horizontal e a cada 6 m na vertical. · De dessolidarização: utilizada em mudanças de planos (quinas de paredes tanto internas quanto externas) e perímetro das áreas revestidas. É o espaço regular, cuja função é subdividir o revestimento do piso para aliviar tensões provocadas pela movimentação da base ou do próprio revestimento. CUIDADOS PRÉVIOS NECESSÁRIOS A seguir, você pode observar alguns cuidados necessários antes do início do assentamento de pisos cerâmicos, azulejos e porcelanatos. Cuidados com os materiais A escolha do revestimento cerâmico, além de considerar beleza, conforto, praticidade e propriedades que garantam a qualidade, deve envolver os seguintes cuidados: 1. Sempre deve haver uma sobra dos revestimentos cerâmicos. É imprescindível que se tenha no mínimo 5% de peças reservas. Essa sobra é necessária pois é muito comum ocorrerem trocas e reparos de cerâmicas, tanto ao longo da obra como na manutenção com o passar do tempo. 2. Todas as peças cerâmicas devem ser compradas de uma única vez, pois existem variações das peças de acordo com cada lote de fabricação, principalmente na tonalidade de cores. Em obras maiores, como prédios, as compras podem ser divididas por apartamentos ou andares, mas é imprescindível não misturar os lotes. 3. É fundamental ler as recomendações dos fabricantes dos materiais a serem usados, pois existe uma vasta gama de produtos no mercado. É necessário saber para quais ambientes o produto é indicado (interno/ externo) e quais as recomendações para seu uso. Por exemplo, ambientes expostos a altas temperaturas exigem argamassas mais resistentes, rejuntes especiais e de espessuras maiores do que os usados em ambientes internos, uma vez que ocorre uma maior dilatação térmica desses materiais naqueles locais. 4. O local e a forma com que os materiais ficarão estocados devem ser considerados. As embalagens das cerâmicas (normalmente há cinco peças em cada caixa) precisam estar íntegras. Caso contrário, se corre o risco de danificar as mesmas (ocorrer arranhões ou lascar a peça) ou até mesmo de haver quebra total das cerâmicas. Deve-se planejar onde as embalagens serão armazenadas, a fim de evitar ter que realocá-las antes do uso, prejudicando o andamento da obra e a logística de funcionamento. CONDIÇÕES PARA O INÍCIO DO SERVIÇO Antes do início do assentamento das peças cerâmicas, é preciso haver a paginação. Ou seja, é necessário analisar e estudar como será o padrão ou o desenho do piso cerâmico. A partir daí, se deve definir como será a instalação e o assentamento. Caso não haja um projeto de paginação, você deve conversar com o profissional que fará o serviço, explicando os detalhes. Se necessário, você pode fazer um desenho de como deverá ficar a colocação, após concluída. A paginação deve levar em conta: · As dimensões de cada peça de revestimento, evitando excessos de cortes das peças e consequentes perdas na hora da instalação. · Distribuição dos cortes que deverão ser feitos nas peças. As inteiriças devem ficar nos espaços de circulação mais intensa, enquanto as cortadas ficam reservadas para embaixo de móveise cantos. · Tipo do piso e seu rodapé, ajudando a corrigir defeitos nas juntas das paredes com o chão. · Pisos com padrões e detalhes, pois demandam um planejamento mais minucioso para evitar a desvalorização do desenho que formam e que está cheio de potencial decorativo. De acordo com a Norma ABNT NBR 8214:1983, a qual trata sobre o assentamento de azulejos, a disposição de assentamento indicada pode ser em diagonal (A), com junta a prumo (B) ou em amarração (C). Você pode observar isso na Figura. 1. Já para os pisos cerâmicos, de acordo com a Norma ABNT NBR 13753:2015, a disposição de assentamento indicada é apresentada na Figura 2. Após estar com a paginação concluída, e para garantir a total segurança no assentamento dos revestimentos cerâmicos, você deve: · Conferir se os pontos de água e esgoto não apresentam nenhum vazamento. · Verificar se as caixas de luz já estão em suas posições corretas. De preferência, a enfiação ou o arame guia (conduítes entupidos ou avariados provocam retrabalhos custosos) deve ter sido passado. · Testar o sistema de impermeabilização, principalmente em ralos, cantos e quinas. Material cerâmico Dimensão Dimensão indicada para juntas (mm) Azulejos 15x15 1,5 15x20 2,0 Ladrilhos 7,5x15 2,0 15x15 2,0 15x20 2,0 20x20 2,0 20x30 3,0 a 5,0 30x30 3,0 a 5,0 20x40 5,0 a 10,0 Tipo de rejunte Porcelanato Junta mínima (mm) Não retificado Retificado À base de material cimentício 6 4 À base de resina 4 2 CUIDADOS NO ASSENTAMENTO DE REVESTIMENTOS CERÂMICOS A seguir, você conhecerá algumas técnicas construtivas para o assentamento de revestimentos na vertical e na horizontal. Revestimentos na vertical Os revestimentos na vertical, como paredes, envolvem algumas etapas básicas. Após o término da base, a primeira etapa de revestimento é o chapisco, entendido como uma fase de preparação da base a fim de torná-la mais rugosa e homogênea à absorção de água. Observe os tipos de chapiscos mais comuns a seguir. Na Figura 3, você pode ver estas técnicas ilustradas. · Tradicional: consiste no lançamento vigoroso de uma argamassa fluida sobre a base, utilizando-se uma colher de pedreiro. Essa argamassa fluida é produzida com cimento e areia grossa em proporções que variam de 1:3 a 1:5. · Industrializado: aplicado sobre a base, sendo feito com uma argamassa industrializada específica para esse fim. É necessário acrescentar somente água. Sua aplicabilidade deve ser feita com auxílio de desempenadeira denteada. · Rolado: obtido por meio da mistura de cimento e areia, com adição de água e aditivo, usualmente de base PVA, sendo seu uso principalmente interno. Pode ser aplicado tanto na estrutura como na alvenaria, com auxílio de um rolo para textura acrílica. Após a etapa de chapisco estar concluída, se inicia o emboço. Essa é a camada de argamassa aplicada visando ao acabamento final. Em seguida, se realiza o reboco. Ele nada mais é do que uma fina camada de argamassa aplicada sobre o emboço. O reboco pode ser a camada final ou, se necessário, algum outro revestimento cerâmico poderá ser aplicado. Porém, se deve esperar sete dias após a execução do reboco/ emboço para o assentamento dos azulejos na parede, pois esse é o tempo de cura da massa. REVESTIMENTO NA HORIZONTAL A seguir você irá conhecer algumas técnicas construtivas para revestimentos na horizontal, como nos pisos. Esses são compostos basicamente por contrapiso, camada de regularização e piso cerâmico, conforme você pode ver na Figura 4. O contrapiso é uma camada de argamassa lançada sobre uma base (laje estrutural ou lastro de concreto) para regularização. A espessura varia de 2 a 8 cm, dependendo da função. A seguir, observe alguns cuidados necessários na execução do contrapiso: · Verificar os níveis: banheiros devem estar em nível inferior ao dos demais ambientes (Exemplo: 1 cm mais baixo). · Conferir se há caimentos d’água: se empoçar água, se deve consertar antes de executar o piso. · Esperar o contrapiso secar: o ideal é colocar o revestimento cerâmico 14 dias após a finalização do contrapiso. Isso garante que ele estará endurecido e não vai sofrer deslocamentos ou retrações. · Verificar se o contrapiso não está solto: por meio de batidas, se pode ouvir se não há sons de cavidades ocas (verificação acústica). · Verificar os detalhes para colocação de soleiras: as soleiras geralmente possuem espessura maior que o piso, por isso é necessário fazer um rebaixamento onde serão colocadas. A camada de regularização é empregada quando a base se apresentar irregular, de maneira que não possa atender aos limites para a espessura da camada de assentamento. Ela também é usada quando houver necessidade de corrigir a declividade da base para atingir o caimento especificado para o piso. Após os revestimentos horizontais e verticais estarem concluídos, se inicia o assentamento das peças cerâmicas. As técnicas para assentamento de ambas são similares. A seguir, você pode observar alguns cuidados necessários, de acordo com Gail Arquitetura em Cerâmico (2017). Existem duas técnicas para a aplicação da cerâmica: colagem simples (a argamassa é aplicada apenas na placa cerâmica) e dupla colagem (a argamassa é aplicada tanto na placa cerâmica como no substrato). A Norma ABNT NBR 13753:2015 ressalta que é obrigatória a aplicação de dupla colagem quando o revestimento tiver garras em seu tardoz (verso) com profundidade acima de 1 mm e quando o revestimento tiver uma área superior a 900 cm². A Figura 5 mostra o sistema de dupla colagem. · Preparar a argamassa com misturador mecânico limpo, adicionando água na quantidade recomendada na embalagem do produto, até que seja verificada homogeneidade da mistura. A quantidade de argamassa a ser preparada deve ser suficiente para um período de trabalho de no máximo 30 minutos. · Caso o ambiente esteja excessivamente seco e quente, umedecer a superfície do contrapiso ou parede, com o auxílio de uma brocha, tendo o cuidado de não molhar demasiadamente e nem deixar saturada. · Assentar as placas cerâmicas com argamassa colante a no máximo 1 m², evitando a secagem superficial da argamassa, a formação de pele ou a existência de “espaços ocos”, prejudicando a aderência e diminuindo a resistência mecânica. Recomenda-se utilizar um martelete de borracha para auxiliar o assentamento das placas cerâmicas. · Remover todos os excessos de argamassa de assentamento que tenham ficado entre as placas cerâmicas no mesmo dia ou logo no dia seguinte. Nunca deixar para retirar essa argamassa depois que ela tiver secado ou endurecido completamente. Para a aplicação do rejunte, as juntas precisam estar sem sujeiras e limpas da argamassa colante. É comum ocorrer ruptura e descolamento de rejunte quando as juntas ficam rasas ou com pouca profundidade. · Esperar, como é recomendável, 72 horas para a secagem da argamassa de assentamento. Só depois iniciar o rejuntamento e liberar o tráfego de pessoas. Esse prazo pode ser menor se for usada argamassa especial de pega rápida. · Respeitar as juntas de dilatação/movimentação ou programadas já existentes. · Antes de começar o rejuntamento, verificar se há placas cerâmicas mal assentadas. Com auxílio de um cabo de martelo, se pode bater sobre as placas. Um som cavo (oco) é sinal de falta de argamassa ou má compactação. Nesse caso, as placas devem ser substituídas imediatamente. Avaliar o alinhamento das peças cerâmicas é fundamental. Os critérios de aceitação são muito relativos e variam de acordo com o material. Para um porcelanato retificado com rejunte de 2 mm, por exemplo, distorções acima de 1 mm já são perceptíveis. Em contrapartida, em cerâmicas com rejunte de 5 mm, distorções maiores 2 ou 3 mm podem passar despercebidas. Você deve sempre levar em conta a qualidade das peças. Também precisa desconfiar de cerâmicas muito baratas ou porcelanatos importados, pois as peças acabam vindo com tamanhos diferentes. Observe se existem peças fora do plano de aplicação do revestimento. Uma técnica simplese eficaz é passar um objeto (como um cartão de crédito) nas juntas e perceber se ele enrosca por conta do desnivelamento das peças. DESAFIO A etapa de revestimento é fundamental em uma obra, pois além de prevenir infiltrações, favorece o embelezamento da edificação. Em se tratando de revestimentos cerâmicos, existe uma vasta gama de materiais, com diferentes texturas, formatos e cores. Você, como engenheiro/arquiteto responsável por uma obra, terá que mediar as exigências do cliente com as propriedades corretas das cerâmicas para cada ambiente da obra, a fim de evitar equívocos que possam trazer transtornos futuros. Descreva os cuidados necessários para o assentamento correto de um piso cerâmico, abordando os seguintes critérios: 1. Apresentar fotografias (ao menos duas) do local antes e depois da colocação do revestimento cerâmico no piso. Não necessariamente a colocação das peças cerâmicas precisa estar concluída. 2. Como será feita a paginação das peças cerâmicas? 3. Quais propriedades foram levadas em conta na escolha do piso cerâmico? 4. Qual o tamanho das peças cerâmicas e qual o espaçamento das juntas? O objetivo final é a elaboração de um relatório básico, relatando como ocorreu o assentamento das peças cerâmicas. Padrão de resposta esperado A obra escolhida consiste em um sobrado de aproximadamente 55 m2. A escolha da paginação foi por juntas contínuas. Essa escolha levou em consideração o tamanho do local, por ser um sobrado de 55 m2. Sendo assim, não ocorreram muitos cortes nas peças cerâmicas. As peças que tiveram sobras foram utilizadas no revestimento da escada. Na obra em questão, optou-se por utilizar o mesmo piso em todo o sobrado, incluindo banheiros, cozinha e área de serviço. Porque a área construída é pequena, esteticamente não ficaria bonito colocar vários tipos de pisos. Nesse caso, optou-se por um piso na cor branco fosco e que apresentasse certa rugosidade, a fim de se evitar escorregões nas áreas úmidas, mas que ao mesmo tempo não apresentasse tanta rugosidade a ponto de dificultar a limpeza. O piso escolhido possui classificação A, apresentando resistência química e física a manchas. Em relação à resistência à abrasão, o piso em questão apresenta PEI 4, sendo a cerâmica utilizável em todas as dependências residenciais e em pequenos ambientes comerciais que não tenham portas externas. O tamanho das peças cerâmicas é de 45x45 cm e o tamanho das juntas é de 5 mm. Esse espaçamento foi realizado de acordo com as especificações do fabricante da cerâmica, que solicitava um espaçamento entre 2 a 8 mm. NA PRÁTICA Em se tratando do assentamento de revestimentos cerâmicos, deve-se tomar algumas precauções. A seguir, são apresentados alguns cuidados necessários nas diferentes etapas de assentamento. Página | 154 image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image1.jpeg image2.png