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<p>peles finas,/podem mui bem</p><p>cobrir as carnes nossas/as peles dos cordeiros</p><p>malcur�das,/e os panos feitos com as lãs mais</p><p>grossas./Mas ao menos será o teu ves�do/por mãos</p><p>de amor, por minhas mãos cosido.” – Inu�lia truncat.</p><p>d) Pela Ninfa, que jaz ver�da em Louro,/o grande Deus</p><p>Apolo não delira?/Jove, mudado em Touro/e já</p><p>mudado em velha não suspira?/Seguir aos Deuses</p><p>nunca foi desdouro./Graças, ó Nise bela,/graças à</p><p>minha Estrela!” – Carpe diem.</p><p>e) “Quando apareces/Na madrugada,/Mal-</p><p>embrulhada/Na larga roupa,/E desgrenhada/Sem fita,</p><p>ou flor;/Ah! que então brilha/A natureza!/Então se</p><p>mostra/Tua beleza/Inda maior.” – Aurea mediocritas.</p><p>L0089 - (Upe-ssa)</p><p>Do século XVI até meados do século XVIII, duas</p><p>manifestações esté�cas são de extrema relevância para a</p><p>formação da literatura brasileira: o Barroco e o</p><p>3@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Arcadismo. Para refle�r sobre esses dois momentos e</p><p>responder à questão, leia os textos a seguir.</p><p>Texto 1</p><p>Discreta, e formosíssima Maria,</p><p>Enquanto estamos vendo claramente</p><p>Na vossa ardente vista o sol ardente,</p><p>E na rosada face a Aurora fria.</p><p>Enquanto pois produz, enquanto cria</p><p>Essa esfera gen�l, mina excelente</p><p>No cabelo o metal mais reluzente,</p><p>E na boca a mais fina pedraria.</p><p>Gozai, gozai da flor da formosura,</p><p>Antes que o frio da madura idade</p><p>Tronco deixe despido, o que é verdura.</p><p>Que passado o zenith da mocidade,</p><p>Sem a noite encontrar da sepultura,</p><p>É cada dia ocaso da beldade.</p><p>(Gregório de Matos)</p><p>Texto 2</p><p>Brandas ribeiras, quanto estou contente</p><p>De ver-nos outra vez, se isto é verdade!</p><p>Quanto me alegra ouvir a suavidade,</p><p>Com que Fílis entoa a voz cadente!</p><p>Os rebanhos, o gado, o campo, a gente,</p><p>Tudo me está causando novidade:</p><p>Oh como é certo, que a cruel saudade</p><p>Faz tudo, do que foi, mui diferente!</p><p>Recebei (eu vos peço) um desgraçado,</p><p>Que andou té agora por incerto giro</p><p>Correndo sempre atrás do seu cuidado:</p><p>Este pranto, estes ais, com que respiro,</p><p>Podendo comover o vosso agrado,</p><p>Façam digno de vós o meu suspiro.</p><p>(Cláudio Manoel da Costa)</p><p>Sobre os textos 1 e 2 e seus respec�vos autores, analise</p><p>as seguintes proposições.</p><p>I. Pode-se afirmar que uma das caracterís�cas do</p><p>Barroco, presente no texto 1, é o tema da efemeridade</p><p>da vida, como pode ser percebido no primeiro terceto.</p><p>II. Gregório de Matos foi um repen�sta, que sabia</p><p>improvisar; um menestrel baiano que buscava inspiração</p><p>no co�diano, nas circunstâncias da vida, quer seja pelo</p><p>êxtase religioso quer pelo afe�vo.</p><p>III. O texto 1 é marcado pela temá�ca do Carpe</p><p>Diem, caracterís�ca notável também do Barroco.</p><p>IV. O texto 2 tem sua temá�ca ligada ao pastoralismo, ao</p><p>bucolismo e remete à mitologia grega.</p><p>V. Cláudio Manoel da Costa, cujo nome pastoral</p><p>é Glauceste Satúrnio, tem forte influência dos padrões</p><p>cul�stas, elevada inven�vidade lírica e deseja exprimir a</p><p>realidade de seu país.</p><p>Estão CORRETAS, apenas:</p><p>a) I, II, III e IV.</p><p>b) II, III, IV e V.</p><p>c) I, II e V.</p><p>d) III e IV.</p><p>e) II e V.</p><p>L0096 - (Unb)</p><p>(Adaptada)</p><p>Texto I – LXXIX</p><p>Entre este álamo, ó Lise, e essa corrente,</p><p>Que agora estão meus olhos contemplando,</p><p>Parece que hoje o céu me vem pintando</p><p>A mágoa triste, que meu peito sente.</p><p>Firmeza a nenhum deles se consente</p><p>Ao doce respirar do vento brando;</p><p>O tronco a cada instante meneando,</p><p>A fonte nunca firme, ou permanente.</p><p>Na líquida porção, na vegetante</p><p>Cópia daquelas ramas se figura</p><p>Outro rosto, outra imagem semelhante:</p><p>Quem não sabe que a tua formosura</p><p>Sempre móvel está, sempre inconstante,</p><p>Nunca fixa se viu, nunca segura?</p><p>Cláudio Manoel da Costa. Apud Domício Proença Filho. A</p><p>poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,</p><p>2002, p. 85.</p><p>Texto II – O espelho</p><p>O</p><p>espelho: atra</p><p>vés</p><p>de seu líquido nada</p><p>me des</p><p>dobro.</p><p>Ser quem me</p><p>olha</p><p>e olhar seus</p><p>olhos</p><p>nada de</p><p>4@professorferretto @prof_ferretto</p><p>nada</p><p>duplo</p><p>mistério.</p><p>Não amo</p><p>o espelho: temo-o.</p><p>Orides Fontela. Poesia reunida (1969-1996). São Paulo:</p><p>Cosac Naify; Rio de Janeiro: 7letras, 2006, p. 212.</p><p>Considerando os textos acima apresentados, o primeiro,</p><p>um soneto árcade do Brasil Colônia, e o segundo, um</p><p>poema da literatura brasileira contemporânea, julgue os</p><p>itens a seguir.</p><p>(__) Na atmosfera bucólica do soneto LXXIX, subme�da</p><p>às convenções da poesia pastoral, a natureza é</p><p>apresentada como cenário está�co e ar�ficial, no qual o</p><p>eu lírico não encontra espaço para manifestar, de forma</p><p>mais profunda, as verdadeiras emoções humanas.</p><p>(__) Na úl�ma estrofe do poema O espelho, nos versos</p><p>“Não amo / o espelho: temo-o”, o pronome átono</p><p>exemplifica uma subs�tuição pronominal caracterizada,</p><p>na gramá�ca norma�va, como objeto direto pleonás�co.</p><p>(__) No soneto LXXIX, há referências ao próprio ato de</p><p>representação ar�s�ca nas seguintes imagens poé�cas:</p><p>“Parece que hoje o céu me vem pintando” (v.3) e “Na</p><p>líquida porção, na vegetante / Cópia daquelas ramas se</p><p>figura” (v.9-10).</p><p>(__) A adoção de formas clássicas europeias, tanto na</p><p>lírica de Cláudio Manoel da Costa quanto nos</p><p>épicos Uraguai, de Basílio da Gama, e Caramuru, de Santa</p><p>Rita Durão, impediu que a realidade da Colônia fosse</p><p>inserida na produção literária do Arcadismo brasileiro.</p><p>(__) A temá�ca lírico-amorosa do soneto LXXIX evoca o</p><p>mito de Narciso, como evidenciam os versos em que o eu</p><p>lírico mira sua imagem nas águas de uma fonte, o que se</p><p>realiza, no entanto, de maneira renovada, uma vez que,</p><p>no reflexo ar�s�co produzido pelos versos, estão</p><p>associados os conflitos do mundo interno do eu lírico à</p><p>instabilidade do mundo.</p><p>(__) No poema O espelho, nos versos “Ser quem me /</p><p>olha / e olhar seus / olhos”, o possessivo “seus” tem</p><p>como referente a estrutura predica�va “quem me /</p><p>olha”.</p><p>A sequência correta é:</p><p>a) F – F – V – F – V – V</p><p>b) V – F – V – V – F – V</p><p>c) F – F – F – F – V – V</p><p>d) V – V – V – F – F – F</p><p>e) V – F – F – V – V – F</p><p>L0095 - (Ueg)</p><p>Observe a pintura e leia o fragmento a seguir para</p><p>responder à questão.</p><p>Vinha logo de guardas rodeado</p><p>Fonte de crimes, militar tesouro,</p><p>Por quem deixa no rego o curto arado</p><p>O lavrador, que não conhece a glória;</p><p>E vendendo a vil preço o sangue e a vida</p><p>Move, e nem sabe por que move a guerra.</p><p>GAMA, Basílio. O Uraguai. In. BOSI, Alfredo. História</p><p>concisa da literatura brasileira. 43. ed. São Paulo: Cultrix,</p><p>2006. p. 67.</p><p>Embora O Uraguai seja considerado a melhor realização</p><p>épica do Arcadismo brasileiro, nota-se, na obra, uma</p><p>quebra do modelo da epopeia clássica. Em termos de</p><p>conteúdo, tanto no trecho quanto na pintura</p><p>apresentados, essa quebra se evidencia</p><p>a) pela representação de situações tragicômicas.</p><p>b) pelo retrato de episódios de bravura e heroísmo.</p><p>c) pela alusão a heróis mitológicos da Grécia An�ga.</p><p>d) pelo ques�onamento da guerra como algo posi�vo.</p><p>L0084 - (U�f-pism)</p><p>Soneto XLVI</p><p>Cláudio Manuel da Costa (1729-1789)</p><p>Não vês, Lise, brincar esse menino</p><p>Com aquela avezinha? Estende o braço,</p><p>Deixa-a fugir, mas apertando o laço,</p><p>A condena outra vez ao seu des�no.</p><p>Nessa mesma figura, eu imagino,</p><p>Tens minha liberdade, pois ao passo</p><p>Que cuido que estou livre do embaraço,</p><p>Então me prende mais meu desa�no.</p><p>Em um con�nuo giro o pensamento</p><p>Tanto a precipitar-me se encaminha,</p><p>Que não vejo onde pare o meu tormento.</p><p>5@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Mas fora menos mal esta ânsia minha,</p><p>Se me faltasse a mim o entendimento,</p><p>Como falta a razão a esta avezinha.</p><p>(COSTA, Cláudio Manoel da. Poemas. São Paulo: Editora</p><p>Cultrix, 1966, p. 21)</p><p>O poema de Claudio Manuel da Costa, expoente do</p><p>Arcadismo brasileiro, tem como efeito de sen�do um tom</p><p>de:</p><p>a) resignação.</p><p>b) ressen�mento.</p><p>c) consternação.</p><p>d) letargia.</p><p>e) lamento.</p><p>L0088 - (Uefs)</p><p>Leia o soneto “LXXII”, de Cláudio Manuel da Costa (1729-</p><p>1789), para responder à questão.</p><p>Já rompe, Nise, a matu�na Aurora</p><p>O negro manto, com que a noite escura,</p><p>Sufocando do Sol a face pura,</p><p>Tinha escondido a chama brilhadora.</p><p>Que alegre, que suave, que sonora</p><p>Aquela fontezinha aqui murmura!</p><p>E nestes campos cheios de verdura</p><p>Que avultado o prazer tanto melhora!</p><p>Só minha alma em fatal</p><p>melancolia,</p><p>Por te não poder ver, Nise adorada,</p><p>Não sabe inda que coisa é alegria;</p><p>E a suavidade do prazer trocada</p><p>Tanto mais aborrece a luz do dia,</p><p>Quanto a sombra da noite mais lhe agrada.</p><p>(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)</p><p>Uma caracterís�ca �pica do Arcadismo encontrada nesse</p><p>soneto é</p><p>a) o subje�vismo exacerbado.</p><p>b) a obsessão pela noite e pela morte.</p><p>c) o ideal da impessoalidade.</p><p>d) a preocupação com o social.</p><p>e) a evocação da cultura greco-la�na.</p><p>L0092 - (Upe-ssa)</p><p>Sobre a produção do Arcadismo no Brasil, analise as</p><p>afirma�vas a seguir e coloque V nas verdadeiras e F nas</p><p>falsas.</p><p>(__) Tomás Antônio Gonzaga é considerado, ao lado de</p><p>Cláudio Manuel da Costa, ícone da Literatura Árcade.</p><p>Contudo, os dois iniciaram suas produções poé�cas de</p><p>modo diverso: o primeiro como poeta árcade e o</p><p>segundo ainda dentro dos preceitos do Barroco.</p><p>(__) Tomás Antônio Gonzaga tem a obra poé�ca</p><p>pertencente a duas fases: a primeira é árcade, e a</p><p>segunda tem traços român�cos. Além disso, foi poeta</p><p>sa�rico em As Cartas Chilenas, e lírico, em Marília de</p><p>Dirceu.</p><p>(__) Como poeta árcade, o autor de As Cartas</p><p>Chilenas u�liza o pseudônimo de Dirceu, que nutre amor</p><p>pela musa Marília. Envolvido com o movimento dos</p><p>inconfidentes, é degredado para a África, apenas</p><p>regressando ao Brasil no final da vida.</p><p>(__) O autor de Liras de Dirceu revela sen�mentalismo e</p><p>emo�vidade em seus poemas, apontando, assim, para o</p><p>pré-roman�smo, que antecede o Arcadismo.</p><p>(__) Tendo Tomás Antônio Gonzaga sido preso como</p><p>inconfidente, con�nuou a escrever poemas mais</p><p>emo�vos e pessimistas, passando a falar de si mesmo e</p><p>las�mando sua condição de prisioneiro. A poesia que</p><p>produz nesse período é a que mais contém caracterís�cas</p><p>do Roman�smo.</p><p>Assinale a alterna�va que contém a sequência CORRETA.</p><p>a) F - F - V - V - V</p><p>b) F - V - F - V - F</p><p>c) V - F - V - V - F</p><p>d) V - V - F - F - V</p><p>e) V - F - V - F - V</p><p>L0093 - (Upe-ssa)</p><p>Enquadram-se os três sonetos em dis�ntos Movimentos</p><p>Literários. Leia-os e analise-os.</p><p>Poema 1</p><p>Já da morte o palor me cobre o rosto,</p><p>Nos lábios meus o alento desfalece,</p><p>Surda agonia o coração fenece,</p><p>E devora meu ser mortal desgosto!</p><p>Do leito embalde no macio encosto</p><p>Tento o sono reter!… já esmorece</p><p>O corpo exausto que o repouso esquece…</p><p>Eis o estado em que a mágoa me tem posto!</p><p>O adeus, o teu adeus, minha saudade,</p><p>Fazem que insano do viver me prive</p><p>E tenha os olhos meus na escuridade.</p><p>Dá-me a esperança com que o ser man�ve!</p><p>Volve ao amante os olhos por piedade,</p><p>6@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Olhos por quem viveu quem já não vive!</p><p>(Álvares de Azevedo, Lira dos 20 anos)</p><p>Poema 2 – A Morte</p><p>Oh! a jornada negra! A alma se despedaça...</p><p>Tremem as mãos... O olhar, molhado e ansioso, espia,</p><p>E vê fugir, fugir a ribanceira fria</p><p>Por onde a procissão dos dias mortos passa.</p><p>No céu gelado expira o derradeiro dia,</p><p>Na úl�ma região que o teu olhar devassa!</p><p>E só, trevoso e largo, o mar estardalhaça</p><p>No indizível horror de uma noite vazia...</p><p>Pobre! por que, a sofrer, a leste e a oeste, ao norte</p><p>E ao sul, desperdiçaste a força de tua alma?</p><p>Tinhas tão perto o Bem, tendo tão perto a Morte!</p><p>Paz à tua ambição! paz à tua loucura!</p><p>A conquista melhor é a conquista da Calma:</p><p>- Conquistaste o país do Sono e da Ventura!</p><p>(Olavo Bilac)</p><p>Poema 3 – A Morte</p><p>Oh! que doce tristeza e que ternura</p><p>No olhar ansioso, aflito dos que morrem…</p><p>De que âncoras profundas se socorrem</p><p>Os que penetram nessa noite escura!</p><p>Da vida aos frios véus da sepultura</p><p>Vagos momentos trêmulos decorrem…</p><p>E dos olhos as lágrimas escorrem</p><p>Como faróis da humana Desventura.</p><p>Descem então aos golfos congelados</p><p>Os que na terra vagam suspirando,</p><p>Com os velhos corações tantalizados.</p><p>Tudo negro e sinistro vai rolando</p><p>Báratro a baixo, aos ecos soluçados</p><p>Do vendaval da Morte ondeando, uivando…</p><p>(Cruz e Sousa)</p><p>A leitura dos poemas comprova que o tema da morte</p><p>tanto quanto o tema do amor estão presentes em textos</p><p>de todos os movimentos literários e em produção de</p><p>diferentes poetas. Nos três poemas, o tema da morte é</p><p>ponto fundamental. Sobre isso, assinale a</p><p>alterna�va CORRETA.</p><p>a) Álvares de Azevedo, em diversos poemas, ao falar da</p><p>morte, tema pelo qual tem certa obsessão, usa</p><p>constantemente a palavra palor, cujo sen�do</p><p>cromá�co se refere à palidez mórbida da morte,</p><p>caracterís�ca da poesia desse autor.</p><p>b) Olavo Bilac toma a morte muito poucas vezes como</p><p>tema, ainda que, ao fazê-lo, cria um eu lírico</p><p>despojado de tom confessional, próprio do</p><p>Roman�smo, mantendo assim imparcialidade e</p><p>impessoalidade.</p><p>c) O poema 3 apresenta elementos cromá�cos e</p><p>sinestésicos, tais como doce tristeza e noite</p><p>escura. Contudo, embora seu tema seja a morte, o</p><p>autor não u�liza esse vocábulo, subs�tuindo-o por</p><p>metáforas, o que é próprio daqueles que fazem parte</p><p>do parnaso.</p><p>d) Há, no poema 2, determinados elementos que</p><p>revelam, à semelhança do 3, preocupação com os</p><p>aspectos formais, aproximando-os do Classicismo e do</p><p>Arcadismo.</p><p>e) Existe uma ordem sequencial dos poemas que permite</p><p>ao leitor relacioná-los ao Simbolismo, Roman�smo e</p><p>Parnasianismo. Dessa forma, pode-se afirmar que o</p><p>poema 1 é simbolista, pois apresenta um discurso de</p><p>cunho confessional, peculiar a esse Movimento</p><p>Literário.</p><p>L0085 - (C�mg)</p><p>Tu não verás, Marília, cem ca�vos</p><p>�rarem o cascalho e a rica terra,</p><p>ou dos cercos dos rios caudalosos,</p><p>ou da minada Serra.</p><p>Não verás separar ao hábil negro</p><p>do pesado esmeril a grossa areia,</p><p>e já brilharem os granetes de ouro</p><p>no fundo da bateia.</p><p>Não verás derrubar os virgens matos,</p><p>queimar as capoeiras inda novas,</p><p>servir de adubo à terra a fér�l cinza,</p><p>lançar os grãos nas covas.</p><p>Não verás enrolar negros pacotes</p><p>das secas folhas do cheiroso fumo;</p><p>nem espremer entre as dentadas rodas</p><p>da doce cana o sumo.</p><p>Verás em cima da espaçosa mesa</p><p>altos volumes de enredados feitos;</p><p>ver-me-ás folhear os grandes livros</p><p>e decidir os pleitos.</p><p>Enquanto revolver os meus Consultos,</p><p>7@professorferretto @prof_ferretto</p><p>tu me farás gostosa companhia,</p><p>lendo os fastos da sábia, mestra História,</p><p>e os cantos da Poesia.</p><p>Lerás em alta voz, a imagem bela;</p><p>Eu, vendo que lhe dás o justo apreço,</p><p>Gostoso tornarei a ler de novo</p><p>O cansado processo.</p><p>Se encontrares louvada uma beleza,</p><p>Marília, não lhe invejes a ventura,</p><p>Que tens quem leve à mais remota idade</p><p>A tua formosura.</p><p>Tomás Antônio Gonzaga - Lira III</p><p>Disponível em: 100 poemas essenciais da Língua</p><p>Portuguesa (org. Carlos Figueiredo)</p><p>Vocabulário de apoio:</p><p>Granete: pequeno grão; pequena quan�dade de metal</p><p>Bateia: gamela afunilada de madeira onde se lavam</p><p>minérios</p><p>Fasto: magnificência; pompa.</p><p>É caracterís�ca do Arcadismo, observada no poema, a</p><p>a) opção pela linguagem rebuscada como expressão.</p><p>b) apresentação da mulher amada como voca�vo.</p><p>c) escolha pela Arcádia como cenário.</p><p>d) indecisão do pastor como eu lírico.</p><p>L0091 - (Usf)</p><p>“Também conhecidos como escolas, correntes ou</p><p>movimentos, os períodos literários correspondem a fases</p><p>histórico-culturais em que determinados valores</p><p>esté�cos e ideológicos resultam na criação de obras mais</p><p>ou menos próximas no es�lo e na visão de mundo.</p><p>Diferenciam-se do es�lo de época por ter uma</p><p>abrangência maior, englobando circunstâncias como as</p><p>condições do meio, as influências filosóficas e polí�cas,</p><p>etc.”</p><p>(Gonzaga, Sergius, Curso de literatura brasileira. 2.ª ed. –</p><p>Porto Alegre: Leitura XXI, 2007. p.12)</p><p>A par�r da segmentação da produção literária nacional,</p><p>como descrita por Sergius Gonzaga no excerto acima, nos</p><p>aspectos que se referem a contexto histórico,</p><p>caracterís�cas, autores e obras, é correto afirmar que</p><p>a) o Barroco surge do conflito entre Teocentrismo e</p><p>Antropocentrismo e tem como resultado uma poé�ca</p><p>dicotômica e instável emocionalmente. Já a prosa</p><p>barroca, expressa nos sermões do Padre Vieira, não</p><p>reflete esse conflito à medida que registra as relações</p><p>homem/entorno seguindo a ó�ca analí�co-racional</p><p>que deriva do pensamento calcado na razão.</p><p>b) o Arcadismo apresenta o primado do sen�mento em</p><p>detrimento da razão. Autores como Cláudio Manuel</p><p>da Costa e Tomás Antônio Gonzaga – este em especial</p><p>na poesia lírica e épica – antecipam o sen�mentalismo</p><p>amoroso que encontrará seu ápice no Roman�smo. A</p><p>poesia dos autores citados vem impregnada, ainda, do</p><p>forte senso de nação, de onde derivará a vertente</p><p>nacionalista de nossa poesia do século XIX.</p><p>c) o Roman�smo brasileiro apresenta divisão temá�ca</p><p>tanto na prosa quanto na poesia. Nesta, a produção</p><p>divide-se em três gerações: Indianista-Nacionalista;</p><p>Ultrarromân�ca-Byroniana-Mal do século e Social-</p><p>Hugoana-Condoreira. A prosa se organiza sob as</p><p>temá�cas indianista, histórica, regionalista e urbana,</p><p>sendo que o autor que mais se destaca nesses</p><p>segmentos é Joaquim Manuel de Macedo.</p><p>d) o Realismo e o Naturalismo são contemporâneos.</p><p>Embora derivados do mesmo contexto, algumas das</p><p>obras sofreram as influências de correntes</p><p>cien�ficistas – como Determinismo, Posi�vismo,</p><p>Marxismo, a Psicanálise de Freud – e apresentam</p><p>caracterís�cas muito par�culares. No Realismo, há</p><p>predomínio dos aspectos psicológicos sobre a ação, e</p><p>o Naturalismo apresenta a animalização do homem.</p><p>Destacam-se Dom Casmurro e O cor�ço como grandes</p><p>obras desses períodos.</p><p>e) O Modernismo no Brasil, à maneira do Roman�smo, é</p><p>segmentado em três gerações, que se organizam</p><p>cronologicamente, a par�r de 1922, quando da</p><p>Semana de Arte Moderna, até os dias de hoje, cuja</p><p>produção retoma os princípios dos primeiros tempos</p><p>modernistas. Destaca-se, na produção modernista, a</p><p>obra de João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de</p><p>Andrade, Manuel Bandeira e Clarice Lispector, entre</p><p>outros.</p><p>L0450 - (Unesp)</p><p>O tópico clássico do locus amoenus está bem</p><p>exemplificado nos seguintes versos do poeta Manuel</p><p>Maria Barbosa du Bocage:</p><p>8@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) O ledo</p><p>passarinho,</p><p>que gorjeia</p><p>D’alma</p><p>exprimindo a</p><p>cândida</p><p>ternura,</p><p>O rio</p><p>transparente,</p><p>que</p><p>murmura,</p><p>E por entre</p><p>pedrinhas</p><p>serpenteia:</p><p>b) Já sobre o</p><p>coche de</p><p>ébano</p><p>estrelado</p><p>Deu meio</p><p>giro a noite</p><p>escura e feia;</p><p>Que</p><p>profundo</p><p>silêncio me</p><p>rodeia</p><p>Neste deserto</p><p>bosque, à luz</p><p>vedado!</p><p>c) Ante a doce</p><p>visão com</p><p>que me</p><p>enlaças,</p><p>Já murcho,</p><p>estéril já,</p><p>meu ser</p><p>floresce:</p><p>Mas súbito</p><p>fantasma</p><p>eis</p><p>desvanece</p><p>Chusma de</p><p>encantos, que</p><p>em teu sonho</p><p>abraças:</p><p>d) Já o Inverno,</p><p>espremendo</p><p>as cãs</p><p>nervosas,</p><p>Geme, de</p><p>horrendas</p><p>nuvens</p><p>carregado;</p><p>Luz o aéreo</p><p>fuzil, e o</p><p>mar</p><p>inchado</p><p>Investe ao</p><p>Polo em</p><p>serras</p><p>escumosas;</p><p>e) Quando por</p><p>entre os véus</p><p>da noite fria</p><p>A máquina</p><p>celeste</p><p>observo</p><p>acesa,</p><p>Da angús�a,</p><p>de terror a</p><p>imagens presa</p><p>Começa a</p><p>devorar-me</p><p>a fantasia.</p><p>L0470 - (Unesp)</p><p>A obra Prisão de Tiradentes (datada de 1914), do pintor</p><p>brasileiro Antônio Parreiras (1860-1937), remete a evento</p><p>histórico relacionado ao seguinte movimento literário</p><p>brasileiro</p><p>a) Barroco.</p><p>b) Arcadismo.</p><p>c) Roman�smo.</p><p>d) Realismo.</p><p>e) Modernismo.</p><p>L0476 - (Unesp)</p><p>A obra Paisagem italiana (1805), do pintor alemão Jakob</p><p>Philipp Hackert (1737-1807), remete, sobretudo, ao</p><p>ideário do</p><p>a) Realismo.</p><p>b) Roman�smo.</p><p>c) Arcadismo.</p><p>d) Barroco.</p><p>e) Naturalismo.</p><p>L0483 - (Unesp)</p><p>Leia o soneto “VII”, de Cláudio Manuel da Costa, para</p><p>responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Onde estou? Este sí�o desconheço:</p><p>Quem fez tão diferente aquele prado?</p><p>Tudo outra natureza tem tomado,</p><p>E em contemplá-lo, �mido, esmoreço.</p><p>Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço</p><p>De estar a ela um dia reclinado;</p><p>Ali em vale um monte está mudado:</p><p>Quanto pode dos anos o progresso!</p><p>Árvores aqui vi tão florescentes,</p><p>Que faziam perpétua a primavera:</p><p>Nem troncos vejo agora decadentes.</p><p>Eu me engano: a região esta não era;</p><p>Mas que venho a estranhar, se estão presentes</p><p>Meus males, com que tudo degenera!</p><p>O tom predominante no soneto é de</p><p>a) ingenuidade.</p><p>b) apa�a.</p><p>c) ira.</p><p>d) ironia.</p><p>e) perplexidade.</p><p>9@professorferretto @prof_ferretto</p><p>L0484 - (Unesp)</p><p>Leia o soneto “VII”, de Cláudio Manuel da Costa, para</p><p>responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Onde estou? Este sí�o desconheço:</p><p>Quem fez tão diferente aquele prado?</p><p>Tudo outra natureza tem tomado,</p><p>E em contemplá-lo, �mido, esmoreço.</p><p>Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço</p><p>De estar a ela um dia reclinado;</p><p>Ali em vale um monte está mudado:</p><p>Quanto pode dos anos o progresso!</p><p>Árvores aqui vi tão florescentes,</p><p>Que faziam perpétua a primavera:</p><p>Nem troncos vejo agora decadentes.</p><p>Eu me engano: a região esta não era;</p><p>Mas que venho a estranhar, se estão presentes</p><p>Meus males, com que tudo degenera!</p><p>No soneto, o eu lírico expressa um sen�mento de</p><p>inadequação que, a seu turno, se faz presente na</p><p>seguinte citação:</p><p>a) “A independência, não obstante a forma em que se</p><p>desenrolou, cons�tuiu a primeira grande revolução</p><p>social que se operou no Brasil.” (Florestan Fernandes.</p><p>A revolução burguesa no Brasil.)</p><p>b) “Todo povo tem na sua evolução, vista à distância, um</p><p>certo ‘sen�do’. Este se percebe não nos pormenores</p><p>de sua história, mas no conjunto dos fatos e</p><p>acontecimentos essenciais que a cons�tuem num</p><p>largo período de tempo.” (Caio Prado Júnior. Formação</p><p>do Brasil contemporâneo.)</p><p>c) “A ocupação econômica das terras americanas</p><p>cons�tui um episódio da expansão comercial da</p><p>Europa. A descoberta das terras americanas é,</p><p>basicamente, um episódio dessa obra ingente. De</p><p>início pareceu ser episódio secundário. E na verdade o</p><p>foi para os portugueses durante todo um meio século.”</p><p>(Celso Furtado. Formação econômica do Brasil.)</p><p>d) “Trazendo de países distantes nossas formas de</p><p>convívio, nossas ins�tuições, nossas ideias, e</p><p>�mbrando em manter tudo isso em ambiente muitas</p><p>vezes desfavorável e hos�l, somos ainda hoje uns</p><p>desterrados em nossa terra.” (Sérgio Buarque de</p><p>Holanda. Raízes do Brasil.)</p><p>e) “A formação patriarcal do Brasil explica-se, tanto nas</p><p>suas virtudes como nos seus defeitos, menos em</p><p>termos de ‘raça’ e de ‘religião’ do que em termos</p><p>econômicos, de experiência de cultura e de</p><p>organização da família, que foi aqui a unidade</p><p>colonizadora.” (Gilberto Freyre. Casa-grande e</p><p>senzala.)</p><p>L0485 - (Unesp)</p><p>Leia o soneto “VII”, de Cláudio Manuel da Costa, para</p><p>responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Onde estou? Este sí�o desconheço:</p><p>Quem fez tão diferente aquele prado?</p><p>Tudo outra natureza tem tomado,</p><p>E em contemplá-lo, �mido, esmoreço.</p><p>Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço</p><p>De estar a ela um dia reclinado;</p><p>Ali em vale um monte está mudado:</p><p>Quanto pode dos anos o progresso!</p><p>Árvores aqui vi tão florescentes,</p><p>Que faziam perpétua a primavera:</p><p>Nem troncos vejo agora decadentes.</p><p>Eu me engano: a região esta não era;</p><p>Mas que venho a estranhar, se estão presentes</p><p>Meus males, com que tudo degenera!</p><p>10@professorferretto @prof_ferretto</p><p>O eu lírico recorre ao recurso expressivo conhecido como</p><p>hipérbole no verso:</p><p>a) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1ª estrofe)</p><p>b) “E em contemplá-lo, �mido, esmoreço.” (1ª estrofe)</p><p>c) “Quanto pode dos anos o progresso!” (2ª estrofe)</p><p>d) “Que faziam perpétua a primavera:” (3ª estrofe)</p><p>e) “Árvores aqui vi tão florescentes,” (3ª estrofe)</p><p>L0486 - (Unesp)</p><p>Leia o soneto “VII”, de Cláudio Manuel da Costa, para</p><p>responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Onde estou? Este sí�o desconheço:</p><p>Quem fez tão diferente aquele prado?</p><p>Tudo outra natureza tem tomado,</p><p>E em contemplá-lo, �mido, esmoreço.</p><p>Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço</p><p>De estar a ela um dia reclinado;</p><p>Ali em vale um monte está mudado:</p><p>Quanto pode dos anos o progresso!</p><p>Árvores aqui vi tão florescentes,</p><p>Que faziam perpétua a primavera:</p><p>Nem troncos vejo agora decadentes.</p><p>Eu me engano: a região esta não era;</p><p>Mas que venho a estranhar, se estão presentes</p><p>Meus males, com que tudo degenera!</p><p>Está reescrito em ordem direta, sem prejuízo de seu</p><p>sen�do original, o seguinte verso:</p><p>a) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1ª estrofe) -</p><p>Quem aquele prado fez tão diferente?</p><p>b) “Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço” (2ª</p><p>estrofe) - Uma fonte houve aqui; eu não me esqueço.</p><p>c) “Ali em vale um monte está mudado:” (2ª estrofe) - Ali</p><p>está mudado um monte em vale.</p><p>d) “Tudo outra natureza tem tomado,” (1ª estrofe) - Tudo</p><p>tem tomado outra natureza.</p><p>e) “Nem troncos vejo agora decadentes.” (3ª estrofe) -</p><p>Nem troncos decadentes vejo agora.</p><p>L0487 - (Unesp)</p><p>Para responder à(s) questão(ões), leia o trecho de uma</p><p>fala do personagem Quincas Borba, extraída do romance</p><p>Quincas Borba, de Machado de Assis, publicado</p><p>originalmente em 1891.</p><p>— […] O encontro de duas expansões, ou a expansão de</p><p>duas formas, pode determinar a supressão de uma delas;</p><p>mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a</p><p>supressão de uma é condição da sobrevivência da outra,</p><p>e a destruição não a�nge o princípio universal e comum.</p><p>Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu</p><p>um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas</p><p>apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim</p><p>adquire forças para transpor a montanha e ir à outra</p><p>vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as</p><p>duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não</p><p>chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de</p><p>inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a</p><p>conservação.</p><p>Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos.</p><p>Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações,</p><p>recompensas públicas e todos os demais efeitos das</p><p>ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais</p><p>demonstrações não chegariam a dar-se, pelo mo�vo real</p><p>de que o homem só comemora e ama o que lhe é</p><p>aprazível ou vantajoso, e pelo mo�vo racional de que</p><p>nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a</p><p>destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as</p><p>batatas. [...] Aparentemente, há nada mais contristador</p><p>que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto</p><p>do globo? E, todavia, esse suposto mal é um bene�cio,</p><p>não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de</p><p>resistência, como porque dá lugar à observação, à</p><p>descoberta da droga cura�va. A higiene é filha de</p><p>podridões seculares; devemo-la a milhões de</p><p>corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho.</p><p>(Quincas Borba, 2016.)</p><p>Considerando o contexto histórico de produção, verifica-</p><p>se no trecho uma alusão irônica</p><p>a) à teoria darwiniana.</p><p>b) à filosofia idealista.</p><p>c) à ideologia capitalista.</p><p>d) à filosofia iluminista.</p><p>e) à ideologia socialista.</p><p>L0488 - (Unesp)</p><p>Para responder à(s) questão(ões), leia o trecho de uma</p><p>fala do personagem Quincas Borba, extraída do</p><p>romance Quincas Borba, de Machado de Assis, publicado</p><p>originalmente em 1891.</p><p>— […] O encontro de duas expansões, ou a expansão de</p><p>duas formas, pode determinar a supressão de uma delas;</p><p>mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a</p><p>supressão de uma é condição da sobrevivência da outra,</p><p>e a destruição não a�nge o princípio universal e comum.</p><p>Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu</p><p>um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas</p><p>apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim</p><p>adquire forças para transpor a montanha e ir à outra</p><p>11@professorferretto @prof_ferretto</p><p>vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as</p><p>duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não</p><p>chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de</p><p>inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a</p><p>conservação.</p><p>Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos.</p><p>Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações,</p><p>recompensas públicas e todos os demais efeitos das</p><p>ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais</p><p>demonstrações não chegariam a dar-se, pelo mo�vo real</p><p>de que o homem só comemora e ama o que lhe é</p><p>aprazível ou vantajoso, e pelo mo�vo racional de que</p><p>nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a</p><p>destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as</p><p>batatas. [...] Aparentemente, há nada mais contristador</p><p>que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto</p><p>do globo? E, todavia, esse suposto mal é um bene�cio,</p><p>não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de</p><p>resistência, como porque dá lugar à observação, à</p><p>descoberta da droga cura�va. A higiene é filha de</p><p>podridões seculares; devemo-la a milhões de</p><p>corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho.</p><p>(Quincas Borba, 2016.)</p><p>Em “mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque</p><p>a supressão de uma é condição da sobrevivência da</p><p>outra” e “As batatas apenas chegam para alimentar uma</p><p>das tribos”, os termos sublinhados estabelecem relação,</p><p>respec�vamente, de</p><p>a) consequência e conformidade.</p><p>b) causa e conformidade.</p><p>c) conformidade e consequência.</p><p>d) causa e finalidade.</p><p>e) consequência e finalidade.</p><p>L0489 - (Unesp)</p><p>Para responder à(s) questão(ões), leia o trecho de uma</p><p>fala do personagem Quincas Borba, extraída do</p><p>romance Quincas Borba, de Machado de Assis, publicado</p><p>originalmente em 1891.</p><p>— […] O encontro de duas expansões, ou a expansão de</p><p>duas formas, pode determinar a supressão de uma delas;</p><p>mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a</p><p>supressão de uma é condição da sobrevivência da outra,</p><p>e a destruição não a�nge o princípio universal e comum.</p><p>Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu</p><p>um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas</p><p>apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim</p><p>adquire forças para transpor a montanha e ir à outra</p><p>vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as</p><p>duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não</p><p>chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de</p><p>inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a</p><p>conservação.</p><p>Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos.</p><p>Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações,</p><p>recompensas públicas e todos os demais efeitos das</p><p>ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais</p><p>demonstrações não chegariam a dar-se, pelo mo�vo real</p><p>de que o homem só comemora e ama o que lhe é</p><p>aprazível ou vantajoso, e pelo mo�vo racional de que</p><p>nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a</p><p>destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as</p><p>batatas. [...] Aparentemente, há nada mais contristador</p><p>que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto</p><p>do globo? E, todavia, esse suposto mal é um bene�cio,</p><p>não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de</p><p>resistência, como porque dá lugar à observação, à</p><p>descoberta da droga cura�va. A higiene é filha de</p><p>podridões seculares; devemo-la a milhões de</p><p>corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho.</p><p>(Quincas Borba, 2016.)</p><p>Está empregado em sen�do figurado o termo sublinhado</p><p>em:</p><p>a) “nenhuma pessoa canoniza uma ação que</p><p>virtualmente a destrói”.</p><p>b) “a supressão de uma é condição da sobrevivência da</p><p>outra”.</p><p>c) “Uma das tribos extermina a outra e recolhe os</p><p>despojos”.</p><p>d) “Daí o caráter conservador e benéfico da guerra”.</p><p>e) “não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de</p><p>inanição”.</p><p>L0520 - (Unesp)</p><p>A veia sa�rica do poeta português Manuel Maria de</p><p>Barbosa du Bocage (1765-1805) está bem exemplificada</p><p>nos seguintes versos:</p><p>12@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) Meu ser</p><p>evaporei</p><p>na lida</p><p>insana</p><p>Do tropel de</p><p>paixões, que</p><p>me arrastava;</p><p>Ah!, cego eu</p><p>cria, ah!,</p><p>mísero eu</p><p>sonhava</p><p>Em mim quase</p><p>imortal a</p><p>essência</p><p>humana.</p><p>b) Cândida</p><p>pomba</p><p>mimosa,</p><p>Ave dos</p><p>níveos</p><p>Amores,</p><p>Cingida</p><p>por</p><p>mãos</p><p>das</p><p>Graças</p><p>Dum</p><p>lindo</p><p>colar</p><p>de</p><p>flores:</p><p>Vênus,</p><p>macia</p><p>a</p><p>meus</p><p>versos,</p><p>Grata</p><p>aos</p><p>cultos</p><p>que</p><p>lhe</p><p>dou,</p><p>Já desde</p><p>o ninho</p><p>amoroso</p><p>Para</p><p>mim te</p><p>des�nou.</p><p>c) Assim</p><p>como</p><p>as</p><p>flores</p><p>vivem,</p><p>A</p><p>minha</p><p>Lília</p><p>viveu;</p><p>Assim</p><p>como as</p><p>flores</p><p>morrem,</p><p>A</p><p>minha</p><p>Lília</p><p>morreu.</p><p>Assomando</p><p>o negro</p><p>dia,</p><p>Ave</p><p>sinistra</p><p>gemeu;</p><p>Cumpriu-</p><p>se o</p><p>funesto</p><p>agouro:</p><p>A minha</p><p>Lília</p><p>morreu.</p><p>d) Refalsado</p><p>animal,</p><p>das</p><p>trevas</p><p>sócio,</p><p>Depõe,</p><p>não</p><p>vistas</p><p>de</p><p>cordeiro</p><p>a pele.</p><p>Da</p><p>razão,</p><p>da</p><p>moral o</p><p>tom</p><p>que</p><p>arrogas,</p><p>Jamais</p><p>purificou</p><p>teus</p><p>lábios</p><p>torpes,</p><p>Torpes</p><p>do</p><p>lodaçal,</p><p>donde</p><p>zunindo</p><p>(Nuvens</p><p>de</p><p>insetos</p><p>vis) te</p><p>sobem</p><p>trovas</p><p>A</p><p>mente</p><p>erma</p><p>de</p><p>ideias,</p><p>nua</p><p>de</p><p>arte.</p><p>e) Senhor que</p><p>estás no céu,</p><p>que vês na</p><p>terra</p><p>Meu frágil</p><p>coração</p><p>desfeito em</p><p>pranto,</p><p>Pelas ânsias</p><p>mortais, o</p><p>ardor, o</p><p>encanto</p><p>Com que lhe</p><p>move Amor</p><p>terrível</p><p>guerra.</p><p>L0526 - (Unesp)</p><p>Leia o soneto XLVI, de Cláudio Manuel da Costa (1729-</p><p>1789), para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Não vês, Lise, brincar esse menino</p><p>Com aquela avezinha? Estende o braço,</p><p>Deixa-a fugir, mas apertando o laço,</p><p>A condena outra vez ao seu des�no.</p><p>Nessa mesma figura, eu imagino,</p><p>Tens minha liberdade, pois ao passo</p><p>Que cuido que estou livre do embaraço,</p><p>Então</p><p>me prende mais meu desa�no.</p><p>Em um con�nuo giro o pensamento</p><p>Tanto a precipitar-me se encaminha,</p><p>Que não vejo onde pare o meu tormento.</p><p>Mas fora menos mal esta ânsia minha,</p><p>Se me faltasse a mim o entendimento,</p><p>Como falta a razão a esta avezinha.</p><p>(Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes,</p><p>1996.)</p><p>O tom predominante no soneto é de</p><p>a) resignação.</p><p>b) nostalgia.</p><p>c) apa�a.</p><p>d) ingenuidade.</p><p>e) inquietude.</p><p>L0527 - (Unesp)</p><p>Leia o soneto XLVI, de Cláudio Manuel da Costa (1729-</p><p>1789), para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Não vês, Lise, brincar esse menino</p><p>Com aquela avezinha? Estende o braço,</p><p>Deixa-a fugir, mas apertando o laço,</p><p>A condena outra vez ao seu des�no.</p><p>Nessa mesma figura, eu imagino,</p><p>Tens minha liberdade, pois ao passo</p><p>Que cuido que estou livre do embaraço,</p><p>Então me prende mais meu desa�no.</p><p>Em um con�nuo giro o pensamento</p><p>Tanto a precipitar-me se encaminha,</p><p>Que não vejo onde pare o meu tormento.</p><p>Mas fora menos mal esta ânsia minha,</p><p>Se me faltasse a mim o entendimento,</p><p>Como falta a razão a esta avezinha.</p><p>(Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes,</p><p>1996.)</p><p>No soneto, o menino e a avezinha, mencionados na</p><p>primeira estrofe, são comparados, respec�vamente,</p><p>a) ao eu lírico e a Lise.</p><p>b) a Lise e ao eu lírico.</p><p>c) ao desa�no e ao eu lírico.</p><p>d) ao desa�no e à liberdade.</p><p>e) a Lise e à liberdade.</p><p>13@professorferretto @prof_ferretto</p>me prende mais meu desa�no. Em um con�nuo giro o pensamento Tanto a precipitar-me se encaminha, Que não vejo onde pare o meu tormento. Mas fora menos mal esta ânsia minha, Se me faltasse a mim o entendimento, Como falta a razão a esta avezinha. (Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.) O tom predominante no soneto é de a) resignação. b) nostalgia. c) apa�a. d) ingenuidade. e) inquietude. L0527 - (Unesp) Leia o soneto XLVI, de Cláudio Manuel da Costa (1729- 1789), para responder à(s) questão(ões) a seguir. Não vês, Lise, brincar esse menino Com aquela avezinha? Estende o braço, Deixa-a fugir, mas apertando o laço, A condena outra vez ao seu des�no. Nessa mesma figura, eu imagino, Tens minha liberdade, pois ao passo Que cuido que estou livre do embaraço, Então me prende mais meu desa�no. Em um con�nuo giro o pensamento Tanto a precipitar-me se encaminha, Que não vejo onde pare o meu tormento. Mas fora menos mal esta ânsia minha, Se me faltasse a mim o entendimento, Como falta a razão a esta avezinha. (Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.) No soneto, o menino e a avezinha, mencionados na primeira estrofe, são comparados, respec�vamente, a) ao eu lírico e a Lise. b) a Lise e ao eu lírico. c) ao desa�no e ao eu lírico. d) ao desa�no e à liberdade. e) a Lise e à liberdade. 13@professorferretto @prof_ferretto