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94 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 10 - O Arcadismo No Brasil 
 
Nessa mesma figura, eu imagino, 
Tens minha liberdade, pois ao passo 
Que cuido que estou livre do embaraço, 
Então me prende mais meu desatino. 
 
Em um contínuo giro o pensamento 
Tanto a precipitar-me se encaminha, 
Que não vejo onde pare o meu tormento. 
 
Mas fora menos mal esta ânsia minha, 
Se me faltasse a mim o entendimento, 
Como falta a razão a esta avezinha. 
 
(Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.) 
 
Questão 01 (Unesp 2017) 
No soneto, o menino e a avezinha, mencionados na primeira 
estrofe, são comparados, respectivamente, 
a) ao eu lírico e a Lise. 
b) a Lise e ao eu lνrico. 
c) ao desatino e ao eu lírico. 
d) ao desatino e à liberdade. 
e) a Lise e à liberdade. 
 
Questão 02 (Unesp 2017) 
O tom predominante no soneto é de 
a) resignação. 
b) nostalgia. 
c) apatia. 
d) ingenuidade. 
e) inquietude. 
 
Questão 03 (Upe-ssa 1 2016) 
Sobre a produção do Arcadismo no Brasil, analise as afirmativas a 
seguir e coloque V nas verdadeiras e F nas falsas. 
 
( ) Tomás Antônio Gonzaga é considerado, ao lado de Cláudio 
Manuel da Costa, ícone da Literatura Árcade. Contudo, os dois 
iniciaram suas produções poéticas de modo diverso: o primeiro 
como poeta árcade e o segundo ainda dentro dos preceitos do 
Barroco. 
( ) Tomás Antônio Gonzaga tem a obra poética pertencente a 
duas fases: a primeira é árcade, e a segunda tem traços 
românticos. Além disso, foi poeta satírico em As Cartas Chilenas, e 
lírico, em Marília de Dirceu. 
( ) Como poeta árcade, o autor de As Cartas Chilenas utiliza o 
pseudônimo de Dirceu, que nutre amor pela musa Marília. 
Envolvido com o movimento dos inconfidentes, é degredado para a 
África, apenas regressando ao Brasil no final da vida. 
( ) O autor de Liras de Dirceu revela sentimentalismo e 
emotividade em seus poemas, apontando, assim, para o pré-
romantismo, que antecede o Arcadismo. 
( ) Tendo Tomás Antônio Gonzaga sido preso como inconfidente, 
continuou a escrever poemas mais emotivos e pessimistas, 
passando a falar de si mesmo e lastimando sua condição de 
prisioneiro. A poesia que produz nesse período é a que mais 
contém características do Romantismo. 
 
Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA. 
a) F - F - V - V - V 
b) F - V - F - V - F 
c) V - F - V - V - F 
d) V - V - F - F - V 
e) V - F - V - F - V 
 
Questão 04 (Ufpe) 
"Basta senhor, porque roubo em uma barca sou ladrão, e vós que 
roubais em uma armada sois imperador? Assim é. Roubar pouco é 
culpa, roubar muito é grandeza. O ladrão que furta para comer, não 
vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas que levam de que 
eu trato, são os outros... ladrões de maior calibre e mais alta 
esfera...Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam 
cidades e reinos, os outros furtam debaixo de seu risco, estes sem 
temor nem perigo; os outros se furtam são enforcados, e o 
bucolismo estes furtam e enforcam." 
 
(Pe. Antônio Vieira. "Sermão do bom ladrão".) 
 
"Que havemos de esperar, Marília bela ? 
Que vão passando os florescentes dias? 
As glórias que vêm tarde já vêm frias; 
E pode enfim mudar-se a nossa estrela. 
 
Ah! Não, minha Marília, 
Aproveite-se o tempo, antes que faça 
O estrago de roubar ao corpo as forças 
E ao semblante a graça. 
(Tomás Antônio Gonzaga. "Lira XIV") 
 
Sobre a obra desses autores, analise as afirmativas a seguir. 
 
1) A obra de Gonzaga é exemplar do Arcadismo. O tema dos 
versos acima é o "carpe diem" (gozar a vida presente), escrito 
numa linguagem amena, sem arroubos, própria do Arcadismo. 
2) Despojada de ousadias sintáticas e vocabulares, a linguagem 
arcádica, no poema de Gonzaga, diferencia-se da linguagem 
rebuscada, usada pelo Barroco. 
3) O texto de Vieira, sendo Barroco, está pleno de metáforas, de 
linguagem figurada, de termos inusitados e eruditos, sendo de difícil 
compreensão. 
4) Vieira adota a tendência barroca conceptista que leva para o 
texto o predomínio das ideias do raciocínio, da lógica, procurando 
adequar os textos religiosos à realidade circundante. 
 
Está(ão) correta(s) apenas: 
a) 1, 2 e 3 
b) 1 
c) 2 
d) 1, 2 e 4 
e) 2, 3 e 4 
 
Questão 05 (Ufrs) 
O URAGUAI 
Basilio da Gama 
Canto II 
 
(....) 
Prosseguia talvez; mas o interrompe 
Sepé, que entra no meio, e diz: - "Cacambo 
Fez mais do que devia; e todos sabem 
Que estas terras, que pisas, o céu livres 
Deu aos nossos avós; nós também livres 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
95 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
As recebemos dos antepassados. 
Livres as hão de herdar os nossos filhos. 
Desconhecemos, detestamos jugo 
Que não seja o do céu, por mão dos padres. 
As frechas partirão nossas contendas 
Dentro de pouco tempo; e o vosso Mundo, 
Se nele um resto houver de humanidade, 
Julgará entre nós: se defendemos 
- Tu a injustiça, e nós o Deus e a Pátria. - 
Enfim quereis a guerra, e tereis guerra." 
Lhe torna o General. - "Podeis partir-vos, 
Que tendes livre o passo." (....) 
 
Segundo Sepé, em O URAGUAI, 
 
a) os índios receberam a liberdade do céu e de seus antepassados 
para que se associassem ao empreendimento colonial de Portugal 
e Espanha. 
b) os índios recusam-se a lutar pelos padres cujo domínio causou 
as hostilidades com as coroas portuguesa e espanhola. 
c) os índios pretendem legar aos filhos as terras livres que 
receberam de seus avós, os quais as receberam do céu. 
d) os índios protestam contra o jugo do céu cujos representantes na 
terra são os padres responsáveis pela conversão e catequese. 
e) pretendem lutar aguerridamente contra a injustiça representada 
pelo Deus e pela Pátria dos adversários. 
 
Questão 06 (Ufsm 2012) 
A luta é um dos assuntos preferidos da literatura épica. Leia o 
seguinte trecho do poema épico O Uraguai, de Basílio da Gama, 
que trata desse assunto: 
 
Tatu-Guaçu mais forte na desgraça 
Já banhado em seu sangue pretendia 
Por seu braço ele só pôr termo à guerra. 
Caitutu de outra parte altivo e forte 
Opunha o peito à fúria do inimigo, 
E servia de muro à sua gente. 
Fez proezas Sepé naquele dia. 
Conhecido de todos, no perigo 
Mostrava descoberto o rosto e o peito 
Forçando os seus co'exemplo e co'as palavras. 
 
Assinale verdadeira (V) ou falsa (F) em cada uma das afirmações 
relacionadas com O Uraguai. 
( ) O assunto d' O Uraguai é a expedição mista de portugueses e 
espanhóis contra as missões jesuíticas do Rio Grande do Sul, para 
executar as cláusulas do tratado de Madrid, em1756. 
( ) Mesmo se posicionando favoravelmente aos vencedores 
europeus, o narrador de O Uraguai deixa perceber, em passagens 
como a citada, sua simpatia e admiração pelo povo indígena. 
( ) No fragmento referido, Tatu-Guaçu, Sepé e Caitutu têm 
exaltadas suas forças físicas e morais, lembrando os heróis épicos 
da antiguidade. 
( ) A análise formal dos versos confirma que Basílio da Gama 
imita fielmente a epopeia clássica, representada pelo modelo 
vernáculo da época: Os Lusíadas, de Camões. 
( ) A valorização do índio e da natureza brasileira corresponde 
aos ideais iluministas e árcades da vida primitiva e natural e 
prenuncia uma tendência da literatura romântica: o nativismo. 
 
 
A sequência correta é 
a) F – V – F – V – V. 
b) F – F – V – V – V. 
c) V – V – V – F – V. 
d) V – F – V – F – F. 
e) V – F – F – F – V. 
 
Questão 07 (Unifesp 2014) 
Onde estou? Este sítio desconheço: 
Quem fez tão diferente aquele prado? 
Tudo outra natureza tem tomado; 
E em contemplá-lo tímido esmoreço. 
 
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço 
De estar a ela um dia reclinado; 
Ali em vale um monte está mudado: 
Quanto pode dos anos o progresso! 
 
Árvores aqui vi tão florescentes, 
Que faziam perpétua a primavera: 
Nem troncos vejo agora decadentes. 
 
Eu me engano: a região esta não era; 
Mas que venho a estranhar,se estão presentes 
Meus males, com que tudo degenera! 
(Obras, 1996.) 
São recursos expressivos e tema presentes no soneto, 
respectivamente, 
a) metáforas e a ideia da imutabilidade das pessoas e dos lugares. 
b) sinestesias e a superação pelo eu lírico de seus maiores 
problemas. 
c) paradoxos e a certeza de um presente melhor para o eu lírico 
que o passado. 
d) hipérboles e a força interior que faz o eu lírico superar seus 
males. 
e) antíteses e o abalo emocional vivido pelo eu lírico. 
 
Questão 08 (Uel 2010) 
Lira 83 
 
Que diversas que são, Marília, as horas, 
que passo na masmorra imunda e feia, 
dessas horas felizes, já passadas 
na tua pátria aldeia! 
 
Então eu me ajuntava com Glauceste; 
e à sombra de alto cedro na campina 
eu versos te compunha, e ele os compunha 
à sua cara Eulina. 
 
Cada qual o seu canto aos astros leva; 
de exceder um ao outro qualquer trata; 
o eco agora diz: Marília terna; 
e logo: Eulina ingrata. 
 
Deixam os mesmos sátiros as grutas: 
um para nós ligeiro move os passos, 
ouve-nos de mais perto, e faz a flauta 
cos pés em mil pedaços. 
 
— Dirceu — clama um pastor — ah! bem merece 
 
 
 
 
 96 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 10 - O Arcadismo No Brasil 
 
da cândida Marília a formosura. 
E aonde — clama o outro — quer Eulina 
achar maior ventura? 
 
Nenhum pastor cuidava do rebanho, 
enquanto em nós durava esta porfia; 
e ela, ó minha amada, só findava 
depois de acabar-se o dia. 
 
À noite te escrevia na cabana 
os versos, que de tarde havia feito; 
mal tos dava e os lia, os guardavas 
no casto e branco peito. 
 
Beijando os dedos dessa mão formosa, 
banhados com as lágrimas do gosto, 
jurava não cantar mais outras graças 
que as graças do teu rosto. 
 
Ainda não quebrei o juramento; 
eu agora, Marília, não as canto; 
mas inda vale mais que os doces versos 
a voz do triste pranto. 
(GONZAGA, T. A. Marília de Dirceu & Cartas Chilenas. São Paulo: 
Ática, 1997. p. 126-127.) 
 
Observando o poema acima e seus elementos constitutivos, 
percebe-se a presença de características do Arcadismo brasileiro, 
como 
a) A presença do ambiente rústico; a transmissão da palavra 
poética ao autor; a celebração da vida familiar; a engenhosa 
elaboração pictórica do poema de maneira a dominarem as figuras 
de linguagem. 
b) A presença do ambiente nacional; a supressão da palavra 
poética; a celebração da vida familiar; a construção pictórica do 
poema de maneira a dominarem as figuras de linguagem. 
c) A presença do ambiente urbano; a transmissão da palavra 
poética ao autor; a celebração da vida rústica; a elaboração 
predominantemente hiperbólica do poema. 
d) A presença de ambiente bucólico; a delegação da palavra 
poética a um pastor; a celebração da vida simples; a clareza, a 
lógica e a simplicidade na construção do poema. 
e) A presença do ambiente nacional; a delegação da palavra 
poética a um pastor; a celebração da vida em sociedade; a 
construção racional do poema enfatizando o decoro e a discrição. 
 
Questão 09 (UEL 2010) 
O ideal horaciano da “áurea mediocridade”, tão cultivado pelos 
poetas árcades, faz-se presente pelo registro 
a) de uma existência em contato com seres míticos, como é o caso 
dos sátiros. 
b) de uma vida raciocinante expressa por meio de linguagem 
elaborada mefaforicamente. 
c) da aceitação obstinada dos reveses da vida impostos pela 
política. 
d) do prazer suscitado pelas situações difíceis a serem 
disciplinadamente encaradas. 
e) de uma vida tranquila e amorosa em contato com a natureza 
sempre amena. 
 
Questão 10 (UEL 2010) 
Com base no poema de Tomás Antônio Gonzaga, considere as 
afirmativas a seguir: 
I. Na primeira estrofe do poema, o eu-lírico coloca lado a lado sua 
situação de prisioneiro político no presente da elaboração do 
poema e sua situação de estrangeiro no passado vivido em 
ambiente urbano. 
II. Na quinta estrofe do poema, há o registro da “porfia”, ou seja, da 
disputa obstinada efetivada por meio de palavras, de dois pastores: 
Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga) e Glauceste (Cláudio Manuel da 
Costa). 
III. Nas estrofes de números 7 e 8, depara-se o leitor com ambiente 
distinto daquele compartilhado com Glauceste, pois agora o 
ambiente é fechado e restrito ao convívio com a mulher amada. 
IV. Na última estrofe do poema, o eu-lírico afirma continuar 
cantando as graças de outros rostos, embora só consiga sentir o 
ambiente fétido e repugnante da prisão. 
 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas I e IV são corretas. 
b) Somente as afirmativas II e III são corretas. 
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. 
e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. 
 
Questão 11 
LIRA III 
Tu não verás, Marília, cem cativos 
Tirarem o cascalho, e a rica terra, 
Ou dos cercos dos rios caudalosos, 
 Ou da minada serra. 
 
Não verás separar ao hábil negro 
Do pesado esmeril a grossa areia, 
E já brilharem os granetes de ouro 
 No fundo da bateia. 
 
Não verás derrubar os virgens matos; 
Queimar as capoeiras ainda novas; 
Servir de adubo à terra a fértil cinza; 
 Lançar os grãos nas covas. 
 
Não verás enrolar negros pacotes 
Das secas folhas do cheiroso fumo; 
Nem espremer entre as dentadas rodas 
 Da doce cana o sumo. 
 
Verás em cima da espaçosa mesa 
Altos volumes de enredados feitos: 
Ver-me-ás folhear os grandes livros, 
 E decidir os pleitos. 
 
Enquanto revolver os meus consultos, 
Tu me farás gostosa companhia, 
Lendo os fastos da sábia mestra história, 
 E os cantos da poesia. 
 
Lerás em alta voz a imagem bela, 
E eu, vendo que lhe dás o justo apreço, 
Gostoso tornarei a ler de novo 
 O cansado processo. 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
97 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
(...) Tomás Antônio Gonzaga 
 
O poema acima faz parte da obra poética de Tomás Antônio 
Gonzaga, principal porta do Arcadismo brasileiro. Levando em 
conta os elementos constitutivos da estética árcade, percebe-se no 
texto que o poeta: 
a) adequa-se ao ideal de aurea mediocritas, ao equiparar-se a 
profissões que não exigem o conhecimento acadêmico. 
b) assume uma posição de superioridade, valorizando o 
pastoralismo e menosprezando explicitamente profissionais não 
especializados. 
c) rompe com a convenção árcade, uma vez que não empresta sua 
voz a um sujeito lírico pastor e destaca aspectos biográficos em sua 
poesia. 
d) nega o ideal de vida simples e digna ao destacar seu status, 
revelando-se ganancioso e preocupando-se com sua ascensão 
social. 
e) assume o bucolismo típico da escola árcade, ao destacar 
elementos da vida no campo, valorizando-a em detrimento da vida 
na cidade. 
 
Questão 12 (Unesp 2012) 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
Leia o poema de Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810). 
 
Não vês aquele velho respeitável, 
que à muleta encostado, 
apenas mal se move e mal se arrasta? 
Oh! quanto estrago não lhe fez o tempo, 
o tempo arrebatado, 
que o mesmo bronze gasta! 
 
Enrugaram-se as faces e perderam 
seus olhos a viveza: 
voltou-se o seu cabelo em branca neve; 
já lhe treme a cabeça, a mão, o queixo, 
nem tem uma beleza 
das belezas que teve. 
 
Assim também serei, minha Marília, 
daqui a poucos anos, 
que o ímpio tempo para todos corre. 
Os dentes cairão e os meus cabelos. 
Ah! sentirei os danos, 
que evita só quem morre. 
 
Mas sempre passarei uma velhice 
muito menos penosa. 
Não trarei a muleta carregada, 
descansarei o já vergado corpo 
na tua mão piedosa, 
na tua mão nevada. 
 
As frias tardes, em que negra nuvem 
os chuveiros não lance, 
irei contigo ao prado florescente: 
aqui me buscarás um sítio ameno, 
onde os membros descanse, 
e ao brando sol me aquente. 
 
Apenas me sentar, então, movendo 
os olhos por aquela 
vistosa parte, que ficar fronteira, 
apontando direi:— Ali falamos, 
ali, ó minha bela, 
te vi a vez primeira. 
 
Verterão os meus olhos duas fontes, 
nascidas de alegria; 
farão teus olhos ternos outro tanto; 
então darei, Marília, frios beijos 
na mão formosa e pia, 
que me limpar o pranto. 
 
Assim irá, Marília, docemente 
meu corpo suportando 
do tempo desumano a dura guerra. 
Contente morrerei, por ser Marília 
quem, sentida, chorando 
meus baços olhos cerra. 
(Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu e mais poesias. Lisboa: 
Livraria Sá da Costa Editora, 1982.) 
 
A leitura atenta deste poema do livro Marília de Dirceu revela que o 
eu lírico 
a) sente total desânimo perante a existência e os sentimentos. 
b) aceita com resignação a velhice e a morte amenizadas pelo 
amor. 
c) está em crise existencial e não acredita na durabilidade do amor. 
d) protesta ao Criador pela precariedade da existência humana. 
e) não aceita de nenhum modo o envelhecimento e prefere morrer 
ainda jovem. 
 
Questão 13 (Unesp 2012) 
No conteúdo da quinta estrofe do poema encontramos uma das 
características mais marcantes do Arcadismo: 
a) paisagem bucólica. 
b) pessimismo irônico. 
c) conflito dos elementos naturais. 
d) filosofia moral. 
e) desencanto com o amor. 
 
Questão 14 (Enem 2016) 
Soneto VII 
Onde estou? Este sítio desconheço: 
Quem fez tão diferente aquele prado? 
Tudo outra natureza tem tomado; 
E em contemplá-lo tímido esmoreço. 
 
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço 
De estar a ela um dia reclinado: 
Ali em vale um monte está mudado: 
Quanto pode dos anos o progresso! 
 
Árvores aqui vi tão florescentes, 
Que faziam perpétua a primavera: 
Nem troncos vejo agora decadentes. 
 
Eu me engano: a região esta não era; 
Mas que venho a estranhar, se estão presentes 
Meus males, com que tudo degenera! 
COSTA, C. M. Poemas. Disponível em: 
www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 7 jul. 2012. 
 
 
 
 
 98 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 10 - O Arcadismo No Brasil 
 
No soneto de Cláudio Manuel da Costa, a contemplação da 
paisagem permite ao eu lírico uma reflexão em que transparece 
uma 
a) angústia provocada pela sensação de solidão. 
b) resignação diante das mudanças do meio ambiente. 
c) dúvida existencial em face do espaço desconhecido. 
d) intenção de recriar o passado por meio da paisagem. 
e) empatia entre os sofrimentos do eu e a agonia da terra. 
 
Questão 15 (Ufsm 2014) 
O poeta árcade Cláudio Manuel da Costa valeu-se, em alguns 
momentos, da natureza brasileira para compor sua poesia, fugindo, 
assim, pelo menos em parte, do convencionalismo neoclássico. A 
partir dessa ideia, leia o poema a seguir. 
 
LVIII 
 
1Altas serras, 3que ao Céu estais servindo 
De muralhas, que o tempo não profana, 
Se Gigantes não sois, que a forma humana 
Em duras penhas foram confundindo; 
 
Já sobre o vosso cume se está rindo 
O 4Monarca da luz, que esta alma engana; 
Pois na face, que ostenta, soberana, 
O rosto de meu bem me vai fingindo. 
 
Que alegre, que mimoso, que brilhante 
Ele se me afigura! Ah qual efeito 
Em minha alma se sente neste instante! 
 
Mas ai! a que delírios me sujeito! 
Se quando no Sol vejo o seu semblante, 
Em vós descubro 2ó penhas o seu peito? 
 
Acerca do poema, assinale a alternativa INCORRETA. 
a) O poema é um soneto composto de versos decassílabos 
heroicos, com rima intercalada nos quartetos e cruzada nos 
tercetos. 
b) O eu lírico tem como interlocutor de seu poema as “Altas serras” 
(ref. 1), às quais se dirige diretamente também ao final, em “ó 
penhas” (ref. 2), caracterizando assim o uso de apóstrofes. 
c) O eu lírico emprega algumas inversões sintáticas no poema, 
como em “[...] que ao Céu estais servindo! De muralhas” (ref. 3), a 
que se chama de hipérbatos e que remetem mais ao estilo barroco 
que ao árcade. 
d) O eu lírico compara o Sol, a que chama de “Monarca da luz” (ref. 
4), ao rosto de sua amada, o que caracteriza uma personificação. 
e) Ao olhar o Sol sobre as serras, o eu lírico enxerga uma imagem 
de sua amada, cujo peito seria composto então pelas penhas, visão 
essa que enche sua alma de alegria.

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