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Arcadismo - Exercícios

Conjunto de questões sobre o Arcadismo com sonetos de Cláudio Manuel da Costa e Gregório de Matos, análise comparativa com o Barroco, perguntas sobre pastoralismo e carpe diem, poema de José Paulo Paes e questões de múltipla escolha sobre movimentos.

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Arcadismo 
 
Prof. Mariana Neto 
1 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o soneto “LXXII”, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), 
para responder à(s) questão(ões). 
 
Já rompe, Nise, a matutina Aurora 
O negro manto, com que a noite escura, 
Sufocando do Sol a face pura, 
Tinha escondido a chama brilhadora. 
 
Que alegre, que suave, que sonora 
Aquela fontezinha aqui murmura! 
E nestes campos cheios de verdura 
Que avultado o prazer tanto melhora! 
 
Só minha alma em fatal melancolia, 
Por te não poder ver, Nise adorada, 
Não sabe inda que coisa é alegria; 
 
E a suavidade do prazer trocada 
Tanto mais aborrece a luz do dia, 
Quanto a sombra da noite mais lhe agrada. 
 
(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.) 
 
 
1. (Uefs 2018) Uma característica típica do Arcadismo encontrada 
nesse soneto é 
a) o subjetivismo exacerbado. 
b) a obsessão pela noite e pela morte. 
c) o ideal da impessoalidade. 
d) a preocupação com o social. 
e) a evocação da cultura greco-latina. 
 
2. (Upe-ssa 1 2017) Do século XVI até meados do século XVIII, 
duas manifestações estéticas são de extrema relevância para a 
formação da literatura brasileira: o Barroco e o Arcadismo. Para 
refletir sobre esses dois momentos e responder à questão, leia os 
textos a seguir. 
 
Texto 1 
 
Discreta, e formosíssima Maria, 
Enquanto estamos vendo claramente 
Na vossa ardente vista o sol ardente, 
E na rosada face a Aurora fria. 
 
Enquanto pois produz, enquanto cria 
Essa esfera gentil, mina excelente 
No cabelo o metal mais reluzente, 
E na boca a mais fina pedraria. 
 
Gozai, gozai da flor da formosura, 
Antes que o frio da madura idade 
Tronco deixe despido, o que é verdura. 
 
Que passado o zenith da mocidade, 
Sem a noite encontrar da sepultura, 
É cada dia ocaso da beldade. 
 
(Gregório de Matos) 
 
 
Texto 2 
 
Brandas ribeiras, quanto estou contente 
De ver-nos outra vez, se isto é verdade! 
Quanto me alegra ouvir a suavidade, 
Com que Fílis entoa a voz cadente! 
 
Os rebanhos, o gado, o campo, a gente, 
Tudo me está causando novidade: 
Oh como é certo, que a cruel saudade 
Faz tudo, do que foi, mui diferente! 
 
Recebei (eu vos peço) um desgraçado, 
Que andou té agora por incerto giro 
Correndo sempre atrás do seu cuidado: 
 
Este pranto, estes ais, com que respiro, 
Podendo comover o vosso agrado, 
Façam digno de vós o meu suspiro. 
 
(Cláudio Manoel da Costa) 
 
 
Sobre os textos 1 e 2 e seus respectivos autores, analise as 
seguintes proposições. 
 
I. Pode-se afirmar que uma das características do Barroco, 
presente no texto 1, é o tema da efemeridade da vida, como pode 
ser percebido no primeiro terceto. 
II. Gregório de Matos foi um repentista, que sabia improvisar; um 
menestrel baiano que buscava inspiração no cotidiano, nas 
circunstâncias da vida, quer seja pelo êxtase religioso quer pelo 
afetivo. 
III. O texto 1 é marcado pela temática do Carpe Diem, característica 
notável também do Barroco. 
IV. O texto 2 tem sua temática ligada ao pastoralismo, ao bucolismo 
e remete à mitologia grega. 
V. Cláudio Manoel da Costa, cujo nome pastoral é Glauceste 
Satúrnio, tem forte influência dos padrões cultistas, elevada 
inventividade lírica e deseja exprimir a realidade de seu país. 
 
Estão CORRETAS, apenas: 
a) I, II, III e IV. 
b) II, III, IV e V. 
c) I, II e V. 
d) III e IV. 
e) II e V. 
 
3. (Unifesp 2017) Predomina neste movimento uma tônica mais 
cosmopolita, intimamente ligada às modas literárias da Europa, 
desejando pertencer ao mesmo passado cultural e seguir os 
mesmos modelos, o que permitiu incorporar os produtos 
intelectuais da colônia inculta ao universo das formas superiores de 
expressão. Ao lado disso, tal movimento continuou os esboços 
particularistas que vinham do passado local, dando importância 
relevante tanto ao índio e ao contato de culturas, quanto à 
descrição da natureza, mesmo que fosse em termos clássicos. 
 
(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
Tal comentário refere-se ao seguinte movimento literário brasileiro: 
a) Romantismo. 
b) Classicismo. 
c) Naturalismo. 
d) Barroco. 
e) Arcadismo. 
 
4. (Ita 2016) O poema abaixo é de José Paulo Paes 
 
Bucólica 
 
O camponês sem terra 
Detém a charrua 
E pensa em colheitas 
Que nunca serão suas. 
(Em: Um por todos – poesia reunida. São Paulo: Brasiliense, 1986.) 
 
 
O texto apresenta 
a) uma oposição campo/cidade, de filiação árcade-romântica. 
b) um bucolismo típico da tradição árcade, indicado pelo título. 
c) uma representação tipicamente romântica do homem do campo. 
d) um contraste entre o arcadismo do título e o realismo social dos 
versos. 
e) uma total ruptura com a representação realista do homem do 
campo. 
 
5. (Unifesp 2016) 
 
 
A conhecida pintura de Pedro Américo (1840-1905) remete a um 
fato histórico relacionado à seguinte escola literária brasileira: 
a) Barroco. 
b) Arcadismo. 
c) Naturalismo. 
d) Realismo. 
e) Romantismo. 
 
6. (Unesp 2016) Os autores deste movimento pregavam a 
simplicidade, quer nos temas de suas composições, quer como 
sistema de vida: aplaudindo os que, na Antiguidade e na 
Renascença, fugiam ao burburinho citadino para se isolar nas vilas, 
pregavam a “áurea mediocridade”, a dourada mediania existencial, 
transcorrida sem sobressaltos, sem paixões ou desejos. Regressar 
à Natureza, fundir-se nela, contemplar-lhe a quietude permanente, 
buscar as verdades que lhe são imanentes – em suma, perseguir a 
naturalidade como filosofia de vida. 
 
(Massaud Moisés. Dicionário de termos literários, 2004. Adaptado.) 
 
 
O comentário do crítico Massaud Moisés refere-se ao seguinte 
movimento literário: 
a) Arcadismo. 
b) Simbolismo. 
c) Romantismo. 
d) Barroco. 
e) Naturalismo. 
 
7. (Upe 2015) No Arcadismo brasileiro, encontram-se textos 
épicos, líricos e satíricos. Com base nessa afirmação, leia os textos 
a seguir: 
 
TEXTO 1 
 
Pastores, que levais ao monte o gado, 
Vede lá como andais por essa serra; 
Que para dar contágio a toda a terra, 
Basta ver-se o meu rosto magoado: 
Eu ando (vós me vedes) tão pesado; 
E a pastora infiel, que me faz guerra, 
É a mesma, que em seu semblante encerra 
A causa de um martírio tão cansado. 
Se a quereis conhecer, vinde comigo, 
Vereis a formosura, que eu adoro; 
Mas não; tanto não sou vosso inimigo: 
Deixai, não a vejais; eu vo-lo imploro; 
Que se seguir quiserdes, o que eu sigo, 
Chorareis, ó pastores, o que eu choro. 
 
Cláudio Manuel da Costa 
 
 
TEXTO 2 
 
[...] 
Enquanto pasta alegre o manso gado, 
minha bela Marília, nos sentemos 
à sombra deste cedro levantado. 
Um pouco meditemos 
na regular beleza, 
que em tudo quanto vive nos descobre 
a sábia Natureza. 
[...] 
 
Tomás Antônio Gonzaga 
 
 
TEXTO 3 
 
[...] 
Amigo Doroteu, não sou tão néscio, 
Que os avisos de Jove não conheça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
Pois não me deu a veia de poeta, 
Nem me trouxe, por mares empolados, 
A Chile, para que, gostoso e mole, 
Descanse o corpo na franjada rede. 
Nasceu o sábio Homero entre os antigos, 
Para o nome cantar, do grego Aquiles; 
Para cantar, também, ao pio Enéias, 
Teve o povo romano o seu Vergílio: 
Assim, para escrever os grandes feitos 
Que o nosso Fanfarrão obrou em Chile, 
Entendo, Doroteu, que a Providência 
Lançou, na culta Espanha, o teu Critilo. 
[...] 
 
Tomás Antônio Gonzaga - Cartas Chilenas 
 
 
Sobre eles, analise os itens seguintes: 
 
I. Os três poemas são árcades e nada têm que possamos 
considerá-los pertencentes a outro estilo de época, uma vez que 
seus autores só produziram poemas líricos e com características 
totalmente arcádicas. Além disso, todos eles trazem referências à 
mitologia clássica mediante o uso de termos tais como “monte”, 
“Natureza” e “Jove”, respectivamente, nos textos 1, 2 e 3. 
II. Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa são poetas 
árcades,embora o primeiro tenha se iniciado como barroco, daí os 
trechos dos dois poemas de sua autoria revelarem traços desse 
momento da Literatura. De outro modo, Cláudio Manuel da Costa, 
no poema de número 1, se apresenta pré-romântico, razão pela 
qual sua produção se encontra dividida em dois momentos 
literários. 
III. A referência a Critilo, autor textual do oitavo poema, sendo 
espanhol, é um dado falso que tem por finalidade ocultar a 
nacionalidade do autor mineiro e, ao mesmo tempo, corroborar a 
camuflagem da autoria, em decorrência do tom satírico e agressivo 
da epístola em versos. Contudo, o desejo de ocultação não foi 
alcançado, porque Tomás Antônio Gonzaga foi preso e deportado, 
por ter sido atribuída a ele a autoria das referidas Cartas. 
IV. O tema do amor se faz presente nos poemas 1 e 2. Ambos 
apresentam bucolismo, característica do Arcadismo, contudo existe 
algo que os diferencia: o pessimismo do eu poético no texto 1 e a 
reciprocidade do sentimento amoroso no 2. 
V. O texto 3, apesar de satírico, nega, pelos aspectos temáticos e 
formais, qualquer característica do Arcadismo, pois o poeta se 
preocupa, de modo especial, com os acontecimentos históricos e 
se exime de preocupação estética, revelando desconhecimento da 
produção épica de poetas gregos e latinos. 
 
Está(ão) CORRETO(S) , apenas, o(s) item(ns) 
a) I, II e III. 
b) I e IV. 
c) II, IV e V. 
d) IV. 
e) I. 
 
8. (G1 - cftmg 2015) Acontecência 
 
Acorda ligeira e vem olhar que lindo 
sobre o morro sol se debruçar 
leite novo espuma dessa madrugada 
passarada vem te despertar 
 
tantos pés descalços 
posso ver meninos a correr na direção do dia 
banho de açude alegre e lava o corpo 
fruta fresca é pra te alimentar 
 
acorda ligeira e vem ver que bonito 
pelo pasto solta a vacaria 
na barra da serra gavião campeiro 
vem primeiro vento costurar 
 
tantos pés descalços posso ver libertos 
a correr na direção do dia 
chuva desce pra regar a terra 
engravidar sementes em frutas se tornar 
 
NUCCI, Cláudio. Disponível em: < 
http://www.claudionucci.com.br/musica>. Acesso em: 07 set. 2014. 
 
 
A letra da canção “Acontecência” aproxima-se do ideário estético 
do Arcadismo por 
a) adotar a convenção pastoral. 
b) representar a natureza de modo bucólico. 
c) valorizar o campo em detrimento da cidade. 
d) propor uma vida equilibrada e sem excessos. 
 
9. (Espcex (Aman) 2015) A temática do Arcadismo presente nos 
versos abaixo é o 
 
“Se o bem desta choupana pode tanto, 
Que chega a ter mais preço, e mais valia, 
Que da Cidade o lisonjeiro encanto” 
a) “carpe diem”. 
b) paganismo. 
c) “fugere urbem”. 
d) fingimento poético. 
e) louvor histórico. 
 
10. (Imed 2015) Expressão do poeta romano Horácio, Carpe diem 
é popularmente traduzida do latim para “aproveite o dia”. O 
professor John Keating, personagem de Robin Williams no filme 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
estadunidense Dead Poets Society, no Brasil “Sociedade dos 
poetas mortos”, buscou motivar seus alunos entusiasmado por tal 
lema. Ideia presente na poesia inglesa dos séculos XVI e XVII, 
também inspirou poetas brasileiros, sendo uma das principais 
características do: 
a) Barroco. 
b) Arcadismo. 
c) Romantismo. 
d) Simbolismo. 
e) Modernismo. 
 
11. (Espcex (Aman) 2013) Considerando a imagem da mulher nas 
diferentes manifestações literárias, pode-se afirmar que 
a) nas cantigas de amor, originárias da Provença, o eu-lírico é 
feminino, mostrando o outro lado do relacionamento amoroso. 
b) no Arcadismo, a louvação da mulher é feita a partir da escolha 
de um aspecto físico em que sua beleza se iguale à perfeição da 
natureza. 
c) no Realismo, a mulher era idealizada como misteriosa, 
inatingível, superior, perfeita, como nas cantigas de amor. 
d) a mulher moderna é inferiorizada socialmente e utiliza a 
dissimulação e a sedução, muitas vezes desencadeando crises e 
problemas. 
e) a mulher barroca foi apresentada como arquétipo da beleza, 
evidenciando o poder por ela conquistado, enquanto os homens 
viviam uma paz espiritual. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A(s) questão(ões) a seguir toma(m) por base a letra de uma 
guarânia dos compositores sertanejos Goiá (Gerson Coutinho da 
Silva, 1935-1981) e Belmonte (Pascoal Zanetti Todarelli, 1937-
1972). 
 
Saudade de minha terra 
De que me adianta viver na cidade, 
Se a felicidade não me acompanhar? 
Adeus, paulistinha do meu coração, 
Lá pro meu sertão eu quero voltar; 
Ver a madrugada, quando a passarada, 
Fazendo alvorada, começa a cantar. 
Com satisfação, arreio o burrão, 
Cortando o estradão, saio a galopar; 
E vou escutando o gado berrando, 
Sabiá cantando no jequitibá. 
Por Nossa Senhora, meu sertão querido, 
Vivo arrependido por ter te deixado. 
Nesta nova vida, aqui da cidade, 
De tanta saudade eu tenho chorado; 
Aqui tem alguém, diz que me quer bem, 
Mas não me convém, eu tenho pensado, 
E fico com pena, mas esta morena 
Não sabe o sistema em que fui criado. 
Tô aqui cantando, de longe escutando, 
Alguém está chorando com o rádio ligado. 
Que saudade imensa, do campo e do mato, 
Do manso regato que corta as campinas. 
Ia aos domingos passear de canoa 
Na linda lagoa de águas cristalinas; 
Que doces lembranças daquelas festanças, 
Onde tinha danças e lindas meninas! 
Eu vivo hoje em dia, sem ter alegria, 
O mundo judia, mas também ensina. 
Estou contrariado, mas não derrotado, 
Eu sou bem guiado pelas mãos divinas. 
Pra minha mãezinha, já telegrafei, 
Que já me cansei de tanto sofrer. 
Nesta madrugada, estarei de partida 
Pra terra querida que me viu nascer; 
Já ouço sonhando o galo cantando, 
O inhambu piando no escurecer, 
A lua prateada, clareando a estrada, 
A relva molhada desde o anoitecer. 
Eu preciso ir, pra ver tudo ali, 
Foi lá que nasci, lá quero morrer. 
 
(Goiá em duas vozes – o compositor interpreta suas músicas. 
Discos Chororó. CD nº 10548, s/d.) 
 
 
12. (Unesp 2013) Relendo os primeiros seis versos da terceira 
estrofe, percebe-se que o conteúdo neles relatado apresenta 
analogia com a poesia do Arcadismo, de que foram típicos 
representantes em nosso país Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio 
Manuel da Costa. Indique uma dessas semelhanças. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
“Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, 
Que viva de guardar alheio gado; 
De tosco trato, de expressões grosseiro, 
Dos frios gelo e dos sóis queimado. 
Tenho próprio casal e nele assisto; 
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; 
Das brancas ovelhinhas tiro o leite, 
E mais as finas lãs de que me visto. 
Graças, Marília bela, 
Graças à minha estrela! 
 
(fredb.sites.uol.com.br/lusdecam.htm, adaptado) 
 
 
13. (G1 - ifsp 2012) Pode-se afirmar que se destaca no poema 
a) o racionalismo, característica do Barroco. 
b) o conceptismo, característica do Arcadismo. 
c) o cultismo, característica do Barroco. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
d) o teocentrismo, característica do Barroco. 
e) o pastoralismo, característica do Arcadismo. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A beleza da forma física feminina constituiu assunto predileto da 
poesia arcádica brasileira. Leia as seguintes estrofes da Lira 27 de 
Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga: 
 
Vou retratar a Marília, 
a Marília, meus amores; 
porém como? se eu não vejo 
quem me empreste as finas cores: 
dar-mas a terra não pode; 
não, que a sua cor mimosa 
vence o lírio, vence a rosa, 
o jasmim e as outras flores. 
 
Ah! socorre, Amor, socorre 
ao mais grato empenho meu! 
Voa sobre os astros, voa, 
Traze-me as tintas do céu. 
[...] 
Entremos, Amor, entremos, 
entremos na mesma esfera; 
venha Palas, venha Juno, 
Venha a deusa de Citera. 
Porém, não, que se Marília 
no certame antigo entrasse, 
bem que a Páris não peitasse, 
a todas as três vencera. 
 
Vai-te, Amor, em vão socorres 
ao mais grato empenho meu: 
para formar-lhe o retrato 
não bastam tintas do céu. 
 
 
Vocabulário 
Certame: disputa 
Juno:deusa da mitologia romana, esposa de Júpiter 
Palas: deusa da mitologia romana, presidia a guerra 
Deusa de Citera: Afrodite, deusa do amor 
Páris: príncipe troiano, responsável por escolher a deusa mais bela 
do Olimpo 
 
 
14. (Ufsm 2012) O Arcadismo volta aos princípios clássicos greco-
romanos e renascentistas. Nesse sentido, a estética árcade cria e 
segue um grupo de preceitos herdados do Classicismo. Assinale o 
trecho poético de Marília de Dirceu que corresponde ao preceito em 
negrito. 
a) “Verás em cima da espaçosa mesa/altos volumes de enredados 
feitos;/ver-me-ás folhear os grandes livros,/e decidir os pleitos.” – 
Fugere urbem. 
b) “Enquanto pasta alegre o manso gado,/minha bela Marília, nos 
sentemos/à sombra deste cedro levantado./Um pouco 
meditemos/na regular beleza,/que em tudo quanto vive nos 
descobre/a sábia Natureza.” – Locus amoenus. 
c) “Se não tivermos lãs e peles finas,/podem mui bem cobrir as 
carnes nossas/as peles dos cordeiros malcurtidas,/e os panos feitos 
com as lãs mais grossas./Mas ao menos será o teu vestido/por 
mãos de amor, por minhas mãos cosido.” – Inutilia truncat. 
d) “Pela Ninfa, que jaz vertida em Louro,/o grande Deus Apolo não 
delira?/Jove, mudado em Touro/e já mudado em velha não 
suspira?/Seguir aos Deuses nunca foi desdouro./Graças, ó Nise 
bela,/graças à minha Estrela!” – Carpe diem. 
e) “Quando apareces/Na madrugada,/Mal-embrulhada/Na larga 
roupa,/E desgrenhada/Sem fita, ou flor;/Ah! que então brilha/A 
natureza!/Então se mostra/Tua beleza/Inda maior.” – Aurea 
mediocritas. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o poema de Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810). 
 
18 
Não vês aquele velho respeitável, 
que à muleta encostado, 
apenas mal se move e mal se arrasta? 
Oh! quanto estrago não lhe fez o tempo, 
o tempo arrebatado, 
que o mesmo bronze gasta! 
 
Enrugaram-se as faces e perderam 
seus olhos a viveza: 
voltou-se o seu cabelo em branca neve; 
já lhe treme a cabeça, a mão, o queixo, 
nem tem uma beleza 
das belezas que teve. 
 
Assim também serei, minha Marília, 
daqui a poucos anos, 
que o ímpio tempo para todos corre. 
Os dentes cairão e os meus cabelos. 
Ah! sentirei os danos, 
que evita só quem morre. 
 
Mas sempre passarei uma velhice 
muito menos penosa. 
Não trarei a muleta carregada, 
descansarei o já vergado corpo 
na tua mão piedosa, 
na tua mão nevada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
As frias tardes, em que negra nuvem 
os chuveiros não lance, 
irei contigo ao prado florescente: 
aqui me buscarás um sítio ameno, 
onde os membros descanse, 
e ao brando sol me aquente. 
 
Apenas me sentar, então, movendo 
os olhos por aquela 
vistosa parte, que ficar fronteira, 
apontando direi: — Ali falamos, 
ali, ó minha bela, 
te vi a vez primeira. 
 
Verterão os meus olhos duas fontes, 
nascidas de alegria; 
farão teus olhos ternos outro tanto; 
então darei, Marília, frios beijos 
na mão formosa e pia, 
que me limpar o pranto. 
 
Assim irá, Marília, docemente 
meu corpo suportando 
do tempo desumano a dura guerra. 
Contente morrerei, por ser Marília 
quem, sentida, chorando 
meus baços olhos cerra. 
 
(Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu e mais poesias. Lisboa: 
Livraria Sá da Costa Editora, 1982.) 
 
 
15. (Unesp 2012) No conteúdo da quinta estrofe do poema 
encontramos uma das características mais marcantes do 
Arcadismo: 
a) paisagem bucólica. 
b) pessimismo irônico. 
c) conflito dos elementos naturais. 
d) filosofia moral. 
e) desencanto com o amor. 
 
16. (Espcex (Aman) 2011) “É o período que caracteriza 
principalmente a segunda metade do século XVIII, tingindo as artes 
de uma nova tonalidade burguesa. Vive-se o Século das Luzes, o 
Iluminismo burguês, que prepara o caminho para a Revolução 
Francesa.” 
 
O texto acima refere-se ao 
a) Romantismo. 
b) Simbolismo. 
c) Barroco. 
d) Realismo. 
e) Arcadismo. 
 
 
17. (Unesp 2021) 
 
 
 
A obra Paisagem italiana (1805), do pintor alemão Jakob Philipp 
Hackert (1737-1807), remete, sobretudo, ao ideário do 
a) Realismo. 
b) Romantismo. 
c) Arcadismo. 
d) Barroco. 
e) Naturalismo. 
 
18. (Espm 2019) Considere os textos que seguem. 
 
Eu tenho um coração maior que o mundo, 
tu, formosa Marília, bem o sabes; 
um coração, e basta, 
onde tu mesma cabes. 
 
(Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu) 
 
 
Não, meu coração não é maior que o mundo. 
É muito menor. 
Nele não cabem sequer as minhas dores. 
 
(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do Mundo) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
Assinale a afirmação correta sobre os dois textos: 
a) Por pertencer à fase heroica ou iconoclas¬ta do Modernismo, 
Carlos Drummond de Andrade parodia o lirismo sentimental do 
árcade Tomás Antônio Gonzaga. 
b) Enquanto o poeta do Arcadismo, Gonzaga, expressa seu 
sentimento pela musa Marília, o modernista Drummond reporta--se, 
nesse trecho, às divergências ideológicas. 
c) Gonzaga, como muitos árcades, é alheio ao que está a seu 
redor, já Drummond ex¬pressa um sentimento de revolta ante um 
mundo que não compreende as dores do poeta. 
d) Em Gonzaga, o coração do poeta alcança a plenitude com a 
presença da amada. Em Drummond, o coração é insuficiente para 
abarcar as próprias dúvidas existenciais. 
e) Tomás A. Gonzaga usa a imagem do “mundo” para instigar a 
musa Marília a aceitá-lo; Drummond retoma o procedi¬mento do 
poeta árcade, ressaltando o so¬frimento por causa da amada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gabarito: 
 
Resposta da questão 1: 
 [E] 
 
[A] Incorreto. O subjetivismo exacerbado é uma característica 
tipicamente romântica. 
[B] Incorreto. A obsessão pela noite e pela morte é uma 
característica tipicamente romântica. 
[C] Incorreto. O eu lírico trata a amada com pessoalidade, 
nomeando-a. 
[D] Incorreto. A temática do poema é amorosa. 
[E] Correto. Elementos típicos da cultura greco-latina, como o 
Universalismo, o Equilíbrio na estrutura da composição e no 
tratamento ao desenvolvimento temático, além das máximas 
horacianas, estão presentes no poema. 
 
Resposta da questão 2: 
 [A] 
 
Apesar de a proposição [V] apresentar informações verdadeiras a 
respeito do autor, as características elencadas (“forte influência dos 
padrões cultistas, elevada inventividade lírica e deseja exprimir a 
realidade de seu país”) não se aplicam ao texto 2. 
 
Resposta da questão 3: 
 [E] 
 
A referência a “formas superiores de expressão” e “termos 
clássicos” alude a movimentos artísticos que privilegiavam a 
perfeição formal e o uso de uma linguagem sóbria, sem excesso de 
figuras literárias. Também o último período do texto assinala que tal 
movimento não abandonou totalmente as características de estilo 
anterior que dava importância ao contato das duas culturas, 
indígena e europeia. No Brasil, o movimento das Academias em 
Minas Gerais e no Rio de Janeiro expôs um novo modo de ver o 
confronto entre colonizadores e indígenas, de que foi exemplo a 
obra Caramuru, de Frei Santa Rita Durão, que seguiu o modelo 
camoniano de Os Lusíadas (divisão em dez cantos e uso do verso 
decassílabo em oitava heroica). Assim, é correta a opção [E]. 
 
Resposta da questão 4: 
 [D] 
 
A resposta correta é a [D]. Apesar de o uso do termo “bucólica” no 
título aludir a imagens pastoris e ao ideal da vida campestre – típico 
do Arcadismo –, o autor expressa a realidade social precária do 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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trabalhador do campo por meio de seus versos. O poder do 
contraste está justamente em contrapor a uma representação 
ingênua e idealizada a realidade dos fatos. 
 
Resposta da questão 5: 
 [B] 
 
A representação de Tiradentes com a cabeça decepada e o corpo 
esquartejado sobre o cadafalso destaca a violência do sistema 
colonial e evoca a traição de que fora vítima durante a 
Inconfidência Mineira, tentativa de revolta abortada pelo governoem 1789. Escritores árcades mineiros como Tomás Antônio 
Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláudio Manuel da Costa tiveram 
participação direta no movimento da Inconfidência Mineira. A 
pintura de Pedro Américo está, portanto, associada ao Arcadismo 
que, no Brasil, teve início no ano de 1768, com a publicação do 
livro “Obras” de Cláudio Manuel da Costa. Assim, é correta a opção 
[B]. 
 
Resposta da questão 6: 
 [A] 
 
Derivado de uma referência a uma região da Grécia antiga 
(Arcádia), presente no imaginário mitológico, o Arcadismo propõe 
um retorno ao ideal clássico, bem como à simplicidade da vida no 
campo, em meio à natureza, longe das cidades. 
 
Resposta da questão 7: 
 [D] 
 
As proposições [I], [II], [III] e [V] são incorretas, pois 
[I] exatamente por serem árcades, é que podemos verificar em 
todos os poemas determinadas características presentes em estilos 
que os antecederam, como por exemplo o Classicismo e até o 
Barroco, pelo tom magoado e pessimista do poema 1. Também as 
referências a “monte” e “Natureza” não aludem à mitologia clássica, 
mas à temática do bucolismo típica do Arcadismo. 
[II] a primeira fase da poesia de Claudio Manuel Da costa revela 
características do Barroco, sobretudo por tematizar as contradições 
da vida, como se observa no texto 1, mas sem que isso vincule a 
sua poesia a dois momentos literários. O poema 3 pertence à 
produção satírica de Tomás Antônio Gonzaga. 
[III] só recentemente se atribuiu a autoria de “Cartas Chilenas” a 
Tomás Antônio Gonzaga, por isso a prisão deveu-se a outra causa: 
conspiração política contra o governador da capitania, considerada 
crime de traição ao rei de Portugal. 
[V] o poema 3 pertence ao gênero satírico e apresenta aspectos 
formais clássicos, como a preferência pelo uso de versos 
decassílabos. 
 
Assim, é correta a opção [D]. 
 
Resposta da questão 8: 
 [B] 
 
A única semelhança possível com o arcadismo está na temática 
bucólica. Neste caso, o despertar no campo, crianças brincando, 
simbolizando a liberdade da infância e o cenário campestre para 
simbolizar a verdadeira felicidade. 
 
Resposta da questão 9: 
 [C] 
 
Nos versos de Cláudio Manoel da Costa, nota-se a valorização da 
vida rural, simbolizada pela “choupana,” em detrimento da vida 
urbana (“Que da Cidade o lisonjeiro encanto”). Essa era uma 
temática típica dos poetas árcades: “fugere urbem”, que significa 
abandonar a cidade. 
 
Resposta da questão 10: 
 [B] 
 
A expressão latina “carpe diem” incita a aproveitar o presente, sem 
porém recusar a disciplina de vida, uma busca de prazer ordenado 
e racional. O retorno à tradição clássica com a utilização dos seus 
modelos e a valorização da natureza e da mitologia são 
característicos do estilo árcade, iniciado no Brasil em 1768, com a 
publicação de Obras, do poeta Claudio Manoel da Costa. Assim, é 
correta a opção [B]. 
 
Resposta da questão 11: 
 [B] 
 
As opções [A], [C], [D] e [E] são incorretas, pois 
 
[A] nas cantigas de amor, o eu lírico é masculino; 
[C] a idealização é típica do Romantismo; 
[D] o amor, o casamento, a relação homem e mulher são questões 
abordadas no Modernismo, questionamentos que provocam 
reconhecimento e valorização da mulher no espaço social da 
época; 
[E] a estética barroca nega a concepção da figura do ser perfeito 
típico do Classicismo e apresenta a mulher como alguém dual, 
merecedora de elogios e também de críticas. 
 
Assim, é correta apenas [B]. 
 
Resposta da questão 12: 
 “Que saudade imensa, do campo e do mato,/Do manso regato que 
corta as campinas./Ia aos domingos passear de canoa/Na linda 
lagoa de águas cristalinas;/Que doces lembranças daquelas 
festanças,/Onde tinha danças e lindas meninas!” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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O excerto acima retoma os tópicos do movimento neoclássico: 
busca da simplicidade em contato direto com a natureza bucólica 
(“manso regato”, “Na linda lagoa de águas cristalinas”) e o 
abandono do status social exigido na vida urbana, resumidos nos 
termos latinos LOCUS AMOENUS (lugar ameno) e FUGERE 
URBEM (fugir da cidade), respectivamente. 
 
Resposta da questão 13: 
 [E] 
 
O Arcadismo, escola literária surgida na Europa no século XVIII e, 
por isso, também denominada setecentismo ou neoclassicismo, 
valoriza a vida simples, bucólica e pastoril (locus ameonus), refúgio 
para quem sentia a opressão dos centros urbanos dominados pelo 
regime do absolutismo monárquico. 
 
Resposta da questão 14: 
 [B] 
 
O conceito Locus amoenus do Arcadismo diz respeito à busca de 
uma vida simples, bucólica, pastoril; ao refugiar-se em um local 
tranquilo, ameno, em oposição à vida nos centros urbanos. No 
trecho em questão, isso é claramente evidenciado: “nos 
sentemos/à sombra deste cedro levantado./Um pouco 
meditemos/na regular beleza,/que em tudo quanto vive nos 
descobre/a sábia Natureza”. 
 
Resposta da questão 15: 
 [A] 
 
Expressões como “prado florescente”, “sítio ameno” e “brando sol” 
reproduzem o cenário idílico característico da poesia árcade. 
Inspirados na frase fugere urbem (fugir da cidade), do escritor latino 
Horácio, os autores árcades voltavam-se para a natureza em busca 
de uma vida simples, bucólica, pastoril, do locus amoenus (refúgio 
ameno). 
 
Resposta da questão 16: 
 [E] 
 
Em meados do século XVIII, a burguesia passa a dominar a 
economia de Estado. O Iluminismo europeu, marcado pelo 
racionalismo e pela defesa do despotismo esclarecido, exige a 
formação de um governo forte que daria segurança ao capitalismo 
mercantil. No campo artístico, o Arcadismo segue os modelos 
clássicos greco-latinos e renascentistas, volta-se para a natureza 
em busca de uma vida simples, bucólica e pastoril e adota como 
lema o carpe diem horaciano que consiste no princípio de viver o 
presente. 
 
 
Resposta da questão 17: 
 [C] 
 
É correta a opção [C], pois a pintura de Hackert remete ao ideário 
árcade, pelo desenvolvimento em tela do pastoralismo e bucolismo 
– ideal de vida simples, junto à natureza sintetizada no topo locus 
amoenus. 
 
Resposta da questão 18: 
 [D] 
 
As opções [A], [B], [C] e [E] são incorretas, pois 
[A] Carlos Drummond de Andrade está vinculado ao Segundo 
Tempo do Modernismo, período em que escritores amadurecem as 
propostas de 22, eliminando exageros sem deixar de dar 
continuidade às pesquisas estéticas; 
[B] no excerto de Drummond não existem referências a questões 
ideológicas, mas reflexões existenciais sobre o próprio ser, 
provocadas pelos conflitos que se abatem sobre a Humanidade; 
[C] Gonzaga, como árcade, recolhe-se na natureza (locus 
amoenus) para usufruir o momento de prazer (carpe diem) que a 
presença da mulher amada lhe causa; Drummond expressa 
frustração e desencanto perante o mundo ameaçado com a 
ascensão do fascismo, do nazismo e dos conflitos regionais, como 
a Guerra Civil Espanhola; 
[E] Tomás A. Gonzaga usa a imagem do “mundo” como termo de 
comparação com o sentimento que nutre pela amada. 
 
Assim, é correta apenas [D].

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