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<p>PLANEJAMENTO DE MÍDIA</p><p>AULA 4</p><p>Profª Ana Paula Heck</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Além do conhecimento sobre ingredientes, é necessário que você</p><p>compreenda o modo de preparo de cada refeição. Por isso, vamos abordar tais</p><p>estratégias em breve.</p><p>Para dar início a esse processo, nesta aula você vai estudar como</p><p>selecionar os melhores pratos, os meios e os veículos para compor o cardápio</p><p>da campanha, visando saciar o apetite dos (as) anunciantes. Verá a diferença</p><p>entre meios básicos e complementares no mix de meios e também como analisar</p><p>e selecionar mídias.</p><p>Na sequência, verá os tipos de campanha de acordo com o âmbito e a</p><p>abordagem, bem como vai entender como se prepara uma campanha de acordo</p><p>com suas fases.</p><p>Vamos, então, ver como funciona a cobrança pelas misturas</p><p>comunicativas, por meio da Lei Federal nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que</p><p>regulamenta a atividade profissional no país e define a remuneração de</p><p>agências. No último tema, observaremos os itens necessários para compor um</p><p>bom briefing de mídia: desde os indicadores de marketing até a verba.</p><p>A partir desses conceitos, você estará apto (a) para colocar a mão na</p><p>massa!</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>Como você já sabe, o preparo de receitas midiáticas exige, além do</p><p>conhecimento sobre os conceitos centrais e as características das mídias</p><p>disponíveis, o entendimento sobre tipos e fases de campanha para programá-la</p><p>da maneira mais adequada em função dos objetivos do (a) anunciante.</p><p>Além disso, como todo (a) prestador (a) de serviços, você precisa ter</p><p>noção de como funciona a cobrança pelos ofícios de comunicação e as bases</p><p>de levantamento das informações necessárias ao desenvolvimento do plano.</p><p>Esta aula, em conjunto com a próxima, apresentará um esquema básico</p><p>para traçar as melhores estratégias e táticas midiáticas.</p><p>3</p><p>TEMA 1 – MEIOS BÁSICOS E COMPLEMENTARES E A ANÁLISE E SELEÇÃO</p><p>DE MEIOS E VEÍCULOS</p><p>Assim como usamos vários ingredientes em uma receita, é natural</p><p>selecionarmos um conjunto de mídias, também conhecido como mix de</p><p>meios, para as campanhas publicitárias.</p><p>Nesse conjunto, sempre haverá uma mídia predominante, seja aquela</p><p>com maior investimento ou impacto, que é conhecida como principal. Os demais</p><p>meios são conhecidos como complementares e contribuem para a</p><p>disseminação da comunicação.</p><p>Saiba mais</p><p>Para saber mais sobre planejamento, leia o item “Mix de meios” (página</p><p>208) do livro Mídia de A a Z: conceitos, critérios e fórmulas dos 60 principais</p><p>termos de mídia, de José Carlos Veronezzi, disponível na biblioteca virtual.</p><p>Além de aumentarem o impacto da campanha, os meios complementares</p><p>possibilitam melhor cobertura de público, afinal nenhum meio tem 100% de</p><p>penetração, lembra-se?</p><p>Pode ser que algumas pessoas do target não tenham assistido à TV</p><p>no horário em que a campanha foi veiculada. Mas, se ela tem outros</p><p>hábitos de mídia como leitura de revistas, jornais ou anda de carro pela</p><p>rua (sendo atingidas por outdoor, busdoor e outras mídias extensivas),</p><p>aumentamos a chance dele ser impactado pela campanha.</p><p>(Nakamura, 2009, p. 195)</p><p>A estratégia de mix de meios é indicada em caso de lançamento ou</p><p>relançamento de produtos; campanhas promocionais; limitação de verba;</p><p>ampliação da cobertura do target; ou para se diferenciar da concorrência</p><p>(Nakamura, 2009).</p><p>Com relação à cobertura do target, com base no cálculo da frequência</p><p>média eficaz, ou método Gallão, Nakamura (2009) desenvolveu um cálculo o</p><p>qual leva em conta 25 fatores que influenciam diretamente na assimilação e no</p><p>atingimento das necessidades da campanha. Os aspectos devem ser avaliados</p><p>e identificados nas colunas que melhor representam as necessidades da</p><p>campanha e, ao final, deve-se:</p><p>Somar a quantidade de opções assinaladas em cada coluna,</p><p>colocando o resultado na linha “total de itens”. Multiplicar o “total de</p><p>itens” pelo fator de cobertura e colocar o resultado em “subtotal”.</p><p>4</p><p>Somar os subtotais de cada coluna, e, em seguida, dividi-lo por 25</p><p>(quantidade de itens analisados), obtendo o valor da meta de cobertura</p><p>de público-alvo sugerida pelo método. (Nakamura, 2009, p. 208)</p><p>Figura 1 – Método Nakamura para cálculo de cobertura de público-alvo</p><p>Fonte: Nakamura, 2009, p. 209.</p><p>Voltando à temática de seleção de meios e veículos, como falamos</p><p>anteriormente, a escolha acertada de meios e veículos deve ter como base a</p><p>resolução dos problemas de marketing e comunicação das marcas.</p><p>Por exemplo, se for um produto que necessita de demonstração, a</p><p>televisão é muito indicada. Já para produtos em que a decisão de</p><p>compra quase sempre é tomada na hora da compra (por impulso), as</p><p>estratégias mais próximas do ponto de venda – e do momento da</p><p>aquisição são os mais adequados. (Nakamura, 2009, p. 193)</p><p>5</p><p>Essas decisões têm início na análise das informações do briefing de mídia</p><p>(cuja estrutura você conhecerá ainda nesta aula). Nakamura (2009) indica os</p><p>principais aspectos que devem ser levados em consideração nessas decisões</p><p>estratégicas.</p><p>Quanto aos meios, Nakamura (2009, p. 163) revela que devemos</p><p>analisar:</p><p> Indicadores de marketing: demarcam a posição atual da empresa no</p><p>mercado com relação à sua participação – share, estratégias de preço,</p><p>distribuição, diferenciais, entre outros.</p><p> Necessidade de atingimento: a partir dos objetivos que devem ser</p><p>alcançados, pode-se definir melhor qual é o esforço de mídia a ser</p><p>realizado, selecionando determinados meios.</p><p>Em casos de produtos que requeiram demonstração de uso, por</p><p>exemplo, os meios visuais e audiovisuais são os mais indicados. Já</p><p>mensagens que devem atingir o target em situações como o momento</p><p>em que estão em trânsito entre o lar e o trabalho, rádio e mídia exterior</p><p>podem ser as melhores opções. (Nakamura, 2009, p. 193)</p><p> Cobertura geográfica: conforme a necessidade de alcançar o público no</p><p>que diz respeito à sua localização geográfica. Uma campanha pode ser</p><p>local, regional ou nacional, por exemplo. A partir dessa definição, haverá</p><p>meios mais indicados ou excluídos.</p><p>Uma campanha para a região do ABCD Paulista, por exemplo, exclui</p><p>a TV Aberta como estratégia, uma vez que o investimento será alto em</p><p>virtude da cobertura de toda a região metropolitana de São Paulo (o</p><p>sinal emitido pela transmissora tem essa abrangência). Portanto seria</p><p>considerado um desperdício de verba. (Nakamura, 2009, p. 194)</p><p> Hábitos de consumo de mídia: aqui, entram as pesquisas que citamos</p><p>anteriormente, como o Mídia Dados Brasil. Devemos sempre observar</p><p>que tipo de meio o público-alvo consome e com qual intensidade.</p><p>Em se tratando de público jovem, o target pode tanto ter o hábito de ir</p><p>ao cinema como prefere acessar a Internet em busca de redes sociais.</p><p>Pode se informar por meio de Websites ou preferir jornais impressos</p><p>ou ainda noticiários na TV. As decisões, neste caso, dependem do</p><p>perfil do consumidor. (Nakamura, 2009, p. 194)</p><p>No que diz respeito a análise e seleção de veículos, Nakamura (2009,</p><p>p. 195) apresenta as seguintes variáveis:</p><p> Adequação de público-alvo: os veículos também têm um público-alvo</p><p>definido e são formatados tendo em vista essas pessoas.</p><p>6</p><p>Mesmo em cada veículo, existem diferentes segmentações. Em TV e</p><p>rádio, ocorre pela diversidade da programação (jornalístico, esportivo,</p><p>entretenimento, informativo, etc.). Em jornais e revistas, a</p><p>segmentação pode ocorrer no tema principal do veículo (público</p><p>financeiro, esportivo, noticioso, técnico, entretenimento, etc.) ou ainda</p><p>pelas seções que dividem a publicação por temas. Outro exemplo é a</p><p>segmentação por sexo. Programas esportivos têm a predominância de</p><p>público masculino. Já programas de variedades tem a tendência de</p><p>predomínio de público feminino. (Nakamura, 2009, p. 195)</p><p> Adequação editorial: é a relação entre o conteúdo editorial do veículo e</p><p>o produto a ser anunciado.</p><p>Anunciar tênis, bolas e demais materiais esportivos</p><p>em um programa</p><p>em que o tema esporte é discutido. Da mesma maneira, temos</p><p>adequação editorial quando anunciamos produtos dietéticos em</p><p>revistas voltadas à saúde, bem-estar e forma física. (Nakamura, 2009,</p><p>p. 195)</p><p> Níveis de audiência: já falamos sobre audiência, você se lembra? De</p><p>acordo com Nakamura (2009), um veículo entra na programação de mídia</p><p>conforme cobre o público e possibilita o alcance das metas previstas. Isto</p><p>terá impacto na cobertura de público-alvo e de frequência necessária.</p><p> Verba: o budget é um fator determinante na escolha dos veículos, uma</p><p>vez que limita as opções. A análise da relação custo-benefício é de suma</p><p>importância.</p><p>Saiba mais</p><p>Para saber mais sobre planejamento, leia o item “Adequação” (páginas</p><p>13 e 14) do livro Mídia de A a Z: conceitos, critérios e fórmulas dos 60 principais</p><p>termos de mídia, de José Carlos Veronezzi, disponível na biblioteca virtual.</p><p>TEMA 2 – TIPOS DE CAMPANHA</p><p>Assim como existem diferentes tipos de culinária, há tipos de campanha.</p><p>Nakamura (2009) aponta que podemos diferenciá-las a partir do âmbito ou</p><p>da abordagem. Com relação ao âmbito, as campanhas podem ser do tipo</p><p>catequese, concorrência ou recordatória; já com relação à abordagem,</p><p>podem ser institucional, de propaganda, guarda-chuva, de promoção,</p><p>incentivo, promoção de vendas ou de varejo.</p><p>7</p><p>2.1 Tipos de campanha de acordo com o âmbito</p><p>Nakamura (2009) indica que o objeto da campanha, seja um produto ou</p><p>serviço, uma empresa ou instituição, pode se enquadrar em três tipos:</p><p> Catequese: catequizar significa instruir ou converter a qualquer doutrina,</p><p>ideia, princípio etc. Este tipo de campanha é destinado às marcas que</p><p>necessitam “ensinar” o público sobre algo, apresentam algo novo ou</p><p>buscam mudanças de hábito por parte do público. Desta forma,</p><p>exigem algo além da simples divulgação de um nome e seus benefícios.</p><p>São pautadas em um trabalho de educação e aculturamento, cujo objetivo</p><p>da publicidade é, principalmente, evidenciar a marca combatendo</p><p>eventuais preconceitos com relação a coisas ou práticas inéditas,</p><p>desenvolvendo um novo hábito a partir de mensagens que esclareçam</p><p>vantagens do produto. Nesse sentido, é necessário dar ênfase à cobertura</p><p>e à frequência.</p><p> Concorrência: mesmo que o público-alvo já conheça o produto, a marca,</p><p>o serviço ou a instituição, é necessário destacá-los frente à</p><p>concorrência evidenciando seus principais diferenciais. A ideia é realçar</p><p>a superioridade da marca na mente do (a) consumidor (a) frente aos (às)</p><p>competidores (as), desenvolvendo o prestígio. Desta forma, torna-se</p><p>necessário enfatizar a frequência e a continuidade.</p><p> Recordatória: mesmo que o (a) anunciante já possua prestígio ou</p><p>popularidade, conte com clientela cativa e venda contínua, é preciso</p><p>manter-se vivo na memória do target. O objetivo é manter a marca em</p><p>evidência, e, para isso, é necessário dar ênfase à cobertura.</p><p>Além disso, Nakamura (2009) apresenta um quadro que relaciona os</p><p>objetivos da campanha com as variáveis de mídia de acordo com seus objetivos:</p><p>Figura 2 – Objetivos de campanha e variáveis de mídia</p><p>Fonte: Nakamura, 2009.</p><p>8</p><p>2.2 Tipos de campanha de acordo com a abordagem</p><p>De acordo com a abordagem, os objetivos, Nakamura (2009) classifica as</p><p>campanhas em oito tipos:</p><p> Campanha institucional: divulga a marca de maneira geral, e seu</p><p>objetivo não é promover vendas. Este tipo de campanha visa implantar</p><p>um conceito, uma ideia sobre a instituição na mente do target. O objetivo</p><p>é promover boas relações com o mercado, motivar o cliente para a</p><p>simpatia e a boa vontade.</p><p> Campanha de propaganda: seu objetivo é divulgar o produto ou</p><p>serviço oferecido, informando seus benefícios e atributos, para levar o</p><p>consumidor à ação de compra.</p><p> Campanha guarda-chuva: também conhecida como campanha de “linha</p><p>de produtos”, visa conceituar a empresa, fixar a imagem da marca e</p><p>informar sobre os produtos.</p><p> Campanha de promoção: busca acelerar as vendas, manter contato</p><p>direto com o target, bloquear a ação da concorrência ou reativar um</p><p>produto.</p><p> Campanha de incentivo: destinada a intermediários, vendedores ou</p><p>lojistas/clientes. Busca incentivar o aumento de vendas entre estes e</p><p>proporciona, além disso, melhoria no relacionamento empresa-</p><p>cliente/funcionário (a).</p><p> Campanha de promoção de vendas: aqui, sim, o foco é a venda. Este</p><p>tipo de campanha é voltado para o desenvolvimento e a aceleração das</p><p>vendas que podem ocorrer via redução de preço ou modificação nas</p><p>condições de pagamento. Entretanto, faz parte de um processo</p><p>mercadológico em que a agência não pode interferir (as decisões são do</p><p>anunciante, não da agência).</p><p> Campanha cooperada: normalmente, são ações conjuntas da indústria</p><p>com os principais distribuidores que anunciam diversos produtos,</p><p>concorrentes ou não. Os custos ou as vantagens comerciais da campanha</p><p>são divididos entre os envolvidos.</p><p> Campanha de varejo: seu foco são ofertas e é realizada pelo (a)</p><p>intermediário (a), no caso o varejista.</p><p>9</p><p>Além dessas apresentadas pelo autor, podem haver outros tipos de</p><p>campanha de acordo com a abordagem:</p><p> Campanhas sociais: voltadas ao benefício à sociedade, podem</p><p>envolver, por exemplo, busca pela contribuição com organizações não</p><p>governamentais, conscientização sobre consumo de substâncias ilícitas</p><p>ou promoção de um trânsito seguro.</p><p> Campanha eleitoral: tem como foco a conquista de votos para</p><p>determinado (a) postulante a um cargo eletivo ou a divulgação de suas</p><p>ações.</p><p> Campanha de oportunidade: aproveita determinado tema ou assunto</p><p>recente que está em evidência e utiliza esse como mote para divulgar</p><p>determinado produto ou serviço.</p><p>TEMA 3 – FASES DE CAMPANHA</p><p>Todo planejamento é dividido em fases, e no caso de uma campanha não</p><p>é diferente. Ela pode passar por 3 ou 4 fases dependendo da sua duração,</p><p>que são, de acordo com Nakamura (2009):</p><p> Lançamento: período inicial da campanha. Nesta etapa, indica-se agir</p><p>com mais intensidade, com veículos de maior impacto de mídia e maior</p><p>número de meios.</p><p> Baixa sustentação: fase que existe em campanhas longas e de</p><p>continuidade pulsada (lembra dos tipos de flights?). Compreende</p><p>períodos em que poucas mídias são utilizadas com menos</p><p>intensidade.</p><p> Sustentação: compreende períodos em que são utilizados poucos meios,</p><p>com menor intensidade midiática.</p><p> Encerramento: é o arremate, a fase final da campanha, em que é</p><p>indicado um novo período de esforço de mídia para incentivo aos (às)</p><p>consumidores (as), aumentando sua memória residual.</p><p>TEMA 4 – REMUNERAÇÃO DE AGÊNCIA</p><p>A remuneração da agência é definida pela Lei Federal n. 4.680/1965, que</p><p>regulamenta a atividade profissional no país. Tem sua regulamentação aprovada</p><p>pelo Decreto n. 57.690, de 1º de fevereiro de 1966.</p><p>10</p><p>Ela pode ocorrer por job (trabalho) com valores definidos entre esta e o</p><p>anunciante ou por comissão, conforme determina a lei, de 20% sobre o valor</p><p>da veiculação e 15% sobre a produção (de material gráfico, filmes, spots,</p><p>pesquisas etc.)</p><p>A remuneração por job pode ser baseada em tabelas fornecidas por</p><p>entidades de classe, como o Sindicato das Agências de Propaganda – Sinapro,</p><p>que disponibiliza aos associados uma tabela de preços de acordo com o tipo de</p><p>material criado.</p><p>Outro tipo de remuneração muito difundido quando a agência tem a conta</p><p>de um (a) cliente é a determinação de um valor de fee: montante mensal fixo</p><p>predeterminado pago por mês que remunera todas as atividades da agência.</p><p>De acordo com Nakamura (2009), no que diz respeito à veiculação, de</p><p>acordo com a lei, o preço da inserção deve ser o mesmo para agências e</p><p>anunciantes que contratam diretamente com o veículo.</p><p>Nesse sentido, caso a compra seja feita diretamente pelo (a) anunciante,</p><p>a comissão que seria paga à agência ficaria para a própria empresa de</p><p>comunicação. Entretanto, para viabilizar custos e negócios,</p><p>é muito comum os</p><p>veículos e fornecedores de produtos e serviços publicitários infringirem a lei (o</p><p>que configura crime!) e trabalharem com fornecimento de preços líquidos (sem</p><p>a comissão da agência) (Nakamura, 2009). Ademais, também praticam a</p><p>bonificação por volume: quanto maior a compra de espaços, mais descontos as</p><p>agências ganham na negociação.</p><p>Para Nakamura (2009), é importante frisar que em caso de erros ou</p><p>falhas, seja na produção ou na veiculação das peças, a responsabilidade é da</p><p>agência, inclusive no que diz respeito à questão financeira. Por isso, no</p><p>processo de planejamento e aprovação da campanha, é muito importante que o</p><p>(a) cliente esteja ciente de todas as etapas da produção e veiculação,</p><p>aprovando tudo em termos de conteúdo, formato, quantidades,</p><p>cronograma e prazos de veiculação.</p><p>A agência deve documentar cada aprovação, pois só assim é possível</p><p>evitar que arque com os custos, uma vez que, assim, compartilha a</p><p>responsabilidade entre ela, o (a) anunciante e o veículo.</p><p>11</p><p>Saiba mais</p><p>Para saber mais sobre planejamento, leia o item “Comissão de agência”</p><p>(páginas 84 a 92) do livro Mídia de A a Z: conceitos, critérios e fórmulas dos</p><p>60 principais termos de mídia, de José Carlos Veronezzi, disponível na</p><p>biblioteca virtual.</p><p>TEMA 5 – BRIEFING DE MÍDIA</p><p>Para dar início aos trabalhos de mídia, o (a) profissional deve receber do</p><p>(a) cliente, ou do (a) atendimento, o briefing de mídia com informações básicas,</p><p>como: dados sobre produto, mercado, concorrência, público e verba</p><p>(Tamanaha, 2011, p. 102).</p><p>Nakamura (2009) estabelece um roteiro para o desenvolvimento do</p><p>briefing de mídia:</p><p>1. Indicadores de marketing:</p><p> Participação de mercado;</p><p> Estratégia de preço do produto;</p><p> Estratégia de distribuição do produto;</p><p> Diferencial do produto em relação à concorrência;</p><p> Estágio de ciclo de vida do produto e da marca;</p><p> Fatores de decisão de compra.</p><p>2. Público-alvo:</p><p> Primário;</p><p> Secundário.</p><p>O autor evidencia que este item deve ser o mesmo definido para a criação</p><p>da campanha. Também aponta que o público pode incluir equipes de vendas,</p><p>pessoas-chave/influenciadores (as) ou formadores (as) de opinião. Assim, para</p><p>cada tipo de público, pode ser necessária uma estratégia de mídia.</p><p>3. Aspectos sazonais:</p><p> Período de maior ou menor concentração de vendas.</p><p>4. Atuação da concorrência:</p><p> Informações sobre a atuação da concorrência na mídia, observando</p><p>campanhas anteriores e atuais dos (as) principais concorrentes.</p><p>5. Necessidade de atingimento:</p><p>12</p><p> Objetivos da campanha (relacionados às necessidades de marketing e</p><p>comunicação).</p><p>6. Tipo e fases da campanha:</p><p> Classificação quanto ao âmbito da campanha.</p><p> Classificação quanto à abordagem da campanha.</p><p>7. Período da campanha:</p><p> Período do ano favorável para veiculação.</p><p> Padrão de exposição indicado (concentrado ou em diversos flights).</p><p>8. Cobertura geográfica:</p><p> Mercado prioritário, baseado em informações geográficas.</p><p> Mercado secundário.</p><p> Áreas que mereçam atenção especial da mídia.</p><p>9. Objetivos de mídia:</p><p> Nível de cobertura de público-alvo: baixa, média ou alta.</p><p> Necessidade de maior frequência inicial, final ou permanente.</p><p> Meios mais indicados para a veiculação.</p><p>Essas informações partem da visão da equipe de planejamento de</p><p>campanha e podem ser confirmadas ou modificadas pela equipe de mídia.</p><p>10. Obrigatoriedades:</p><p> Obrigatoriedades ou limitações impostas pelo cliente ou por legislação</p><p>vigente em relação à veiculação da campanha.</p><p>11. Verba para campanha:</p><p> Total da verba destinada para a campanha.</p><p>Saiba mais</p><p>Para saber mais sobre planejamento, leia o item “Briefing” (páginas 41</p><p>a 43) do livro Mídia de A a Z: conceitos, critérios e fórmulas dos 60 principais</p><p>termos de mídia, de José Carlos Veronezzi, disponível na biblioteca virtual.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Considerando os tipos de campanhas apresentados nesta aula,</p><p>precisamente as campanhas de oportunidade, avalie o cenário atual e troque</p><p>ideia com seus (suas) colegas sobre os possíveis temas ou assuntos recentes</p><p>13</p><p>que estão em evidência e poderiam servir de base para o desenvolvimento do</p><p>mote criativo.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Suponhamos que você tenha conquistado a conta de uma rede de lojas</p><p>de vestuário feminino, com produtos de qualidade do estilo esportivo.</p><p>O público-alvo tem o seguinte perfil: gênero feminino, solteiras, atuam em</p><p>profissões liberais, com idade entre 25 e 35 anos e instrução de nível superior</p><p>completo. Pertencem às classes B e C e residem em Curitiba.</p><p>Dentre os meios estudados até então na disciplina, quais você utilizaria</p><p>para divulgação da nova linha de produtos dessa marca e de que maneira?</p><p>Justifique sua resposta indicando o tipo de campanha e os meios que</p><p>você utilizaria em cada fase.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Depois de conhecer as fases e os tipos de campanha, bem como as</p><p>métricas para escolher os meios e os veículos, você já tem uma base sobre as</p><p>técnicas necessárias para dar início ao processamento dos alimentos midiáticos.</p><p>Como toda prestadora de serviços, as agências têm direitos definidos na</p><p>Constituição Brasileira acerca da remuneração. Você aprendeu que esta é</p><p>definida pela Lei Federal nº 4.680/1965, que determina os detalhes sobre o</p><p>pagamento dos serviços de agências de publicidade, os direitos destas no que</p><p>tange não só à criação, mas também à produção e à veiculação de campanhas.</p><p>A partir das noções adquiridas aqui, você entendeu que, para saciar a</p><p>fome de anunciantes por resultados, as agências precisam estabelecer</p><p>cardápios nutritivos visando atingir os objetivos traçados no plano mercadológico</p><p>e de comunicação.</p><p>Assim, agora que o seu caderno de receitas já está recheado de bons</p><p>pratos, em breve você vai aprender a colocar a mão na massa e verá os passos</p><p>para o preparo de receitas apetitosas que cumpram as metas definidas.</p><p>14</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BONA, N. C. Publicidade e propaganda: da agência à campanha. Curitiba:</p><p>Ibgpex, 2007.</p><p>BRASIL. Lei n. 4.680, de 18 de junho de 1965. Diário Oficial da União, Poder</p><p>Legislativo, Brasília, DF, 21 jun. 1965.</p><p>_____. Decreto n. 57.690, de 1º de fevereiro de 1966. Diário Oficial da União,</p><p>Poder Legislativo, Brasília, DF, 10 fev. 1966.</p><p>MÍDIA DADOS BRASIL. Disponível em: .</p><p>NAKAMURA, R. Mídia: como fazer um planejamento de mídia na prática. São</p><p>Paulo: Farol do Forte, 2009</p><p>TAMANAHA, P. Planejamento de mídia: teoria e experiência. 2. ed. São Paulo:</p><p>Pearson Prentice Hall, 2011.</p><p>VERONEZZI, J. C. Mídia de A a Z: conceitos, critérios e fórmulas dos 60</p><p>principais termos de mídia. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.</p>