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Teorias e Técnicas de Publicidade e Propaganda Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Esp. Moacir Trombelli Revisão Textual: Prof. Esp. Claudio Pereira do Nascimento Mídias, Peças de Comunicação e Produção • Estratégias de Comunicação e Tipos de Campanha; • Meios de Comunicação e Tipos de Peças Publicitárias; • Meio Digital e Ambientes de Convergência. · Reconhecer diferentes estratégias mercadológicas e tipos de campanha; · Conhecer as possibilidades de criação, considerando várias mídias, das tradicionais às digitais; · Mostrar as especificidades das mídias e os principais tipos de fornecedores. OBJETIVO DE APRENDIZADO Mídias, Peças de Comunicação e Produção Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Mídias, Peças de Comunicação e Produção Estratégias de Comunicação e Tipos de Campanha Figura 1 – O pensamento estratégico é um fator preponderante no sucesso de uma campanha Fonte: iStock/Getty Images Ciclo de Vida Inevitavelmente, todos os produtos possuem ciclos de vida. Sobre esse tema, afirma Philip Kotler (2005), provavelmente o mais importante pesquisador do tema: “É necessário afirmar quatro pontos: (1) os produtos têm uma vida limitada; (2) as vendas do produto passam por diversos estágios, com diferentes desafios, oportunidades e problemas para a empresa vendedora; (3) os lucros aumentam e diminuem nos diferentes estágios do ciclo de vida do produto; e (4) os produtos exigem diferentes estratégias de marketing, financeiras, de produção, de compras e de recursos humanos em cada estágio”. (KOTLER, 2005, p. 215) Assim, cada produto passa mais ou menos tempo em cada fase, para isso con- tribuindo vários fatores. Alguns produtos duram mais, outros menos. A vida de um produto pode ser alongada ou encurtada por questões externas à empresa, ou ainda por uma decisão administrativa. Um produto pode ainda ser descontinuado se estiver em declínio no que diz respeito às vendas, ou mesmo após o surgimento de uma nova tecnologia que o substitua. Os ciclos são os seguintes: desenvolvi- mento, introdução (ou lançamento), crescimento, maturidade (ou saturação) e declínio, conforme gráfico abaixo: T 1 2 3 4 De clí ni o M at ur id ad e Cr es cim en to In tro du çã o De se nv ol vim en to Ciclo de vida de um produto 5 $ Figura 2 – Ciclos de vida de um produto Fonte: LUPETTI, 2003 8 9 A escolha da estratégia e da campanha a serem utilizadas pode depender da fase em que o produto se encontra. Se na fase de desenvolvimento do produto não são utilizadas campanhas de comunicação, na fase de introdução, ou seja, de seu lançamento, pode ser utilizada uma campanha de propaganda, enunciando as características positivas e as funcionalidades do produto. Um produto que se encontra em sua fase madura poderá, por outro lado, utilizar-se de uma campanha de promoção e, ainda, um produto que esteja em declínio (e que provavelmente sairá de linha em breve) poderá lançar mão de uma campanha de promoção de vendas. A seguir, veremos os diferentes tipos de estratégias de comunicação e as possibilidades de campanhas que são comumente utilizadas. Estratégias de Comunicação Conforme coloca Pedrebon (2003), organizador da obra Curso de Propaganda, apesar das muitas definições “brilhantes” possíveis que os administradores pos- suem, o que o profissional de propaganda necessita saber sobre esses conceitos, originalmente de uso militar, é razoavelmente simples. Os principais conceitos des- tacados pelo autor são: objetivo (o ponto onde se quer chegar), estratégia (como atingiremos um objetivo), tática (como se realiza a estratégia), diagnóstico (trata de conhecimento da realidade, da situação) e prognóstico (qual efeito será obtido). Marcélia Lupetti defende que, antes da definição do tipo de campanha, uma importante escolha deve ser feita: a estratégia. Para a autora, “estratégia é a forma como as empresas deverão atingir os objetivos, ou seja, é o caminho que a empresa deverá percorrer para executar sua meta”. Nesse sentido, a estratégia define um caminho, um percurso que será seguido a fim de que se alcance um determinado objetivo palpável. “O assunto estratégia em um plano de comunicação é extremamente crí- tico. Muitos confundem estratégias de comunicação com mídia e veículos ou, ainda, com tipos de campanhas. Mídia, veículos e tipos de campanha não são exemplos de estratégias. A estratégia deve orientar o caminho a ser seguido e, como todo caminho, deve ser realizado passo a passo. Ela é definida em função de todas as análises realizadas, dos objetivos estabelecidos, das metas e do posicionamento que se deu ao produto ou empresa”. (LUPETTI, 2003, p. 107) Aumentar o percentual de vendas ou tornar-se o produto mais vendido em uma determinada região, ou ainda aumentar a número de lares atendidos por um de- terminado serviço, são exemplos de objetivos bem definidos. Diferentes estratégias podem ser utilizadas para que esses objetivos sejam alcançados. Lupetti define diferentes estratégias, conforme abaixo: • Estratégia de informação – Informa aos potenciais consumidores as funcio- nalidades de um produto ou serviço, além de ressaltar suas vantagens e bene- fícios. Essa estratégia funciona com novos produtos (lançamentos), ou ainda com produtos que passam por modificações incrementais consideráveis; 9 UNIDADE Mídias, Peças de Comunicação e Produção • Estratégia de Comparação – Desde que a imagem de nenhum concorrente seja arranhada, pode-se comparar produtos ou serviços. Isso pode ser feito de forma genérica ou aludindo indiretamente o produto adversário. Não há ataque, apenas comparação, enfatizando, é claro, as vantagens do produto anunciado, como por exemplo a variedade de modelos, o sabor, o preço etc; • Estratégia de Testemunho – Esta estratégia também pode ser chamada de testemunhal e é aplicada para que o produto ou serviço seja avalizado, pois traz o testemunho de alguém sobre o produto, que atesta suas funcionalidades e qualidades. É comum a participação de celebridades nesse tipo de estratégia. Pode contar também com o próprio consumidor ou ainda com um profissional de uma área específica, como um médico ou um dentista,que atesta um novo creme dental, por exemplo; • Estratégia de Humor – Márcia Lupetti avisa que esta estratégia deve ser utilizada com cuidado e parcimônia, já que ela pode cansar o consumidor ou ainda encobrir os sentidos de persuasão da ideia. Quando bem utilizada, no entanto, pode ser lembrada e a informação sobre o produto pode extrapolar as barreiras da campanha. A sátira (de algo consagrado, desde que não ofenda e os direitos autorais sejam contratados) é uma boa maneira de se tratar esse tipo de estratégia. Pode brincar com costumes sociais positivos ou negativos, ou ainda ironizar costumes e ideias de uma época; • Estratégia ofensiva – Esse tipo de estratégica demanda um profundo conheci- mento do próprio produto e ainda do produto do concorrente. Nela, busca-se valorizar o próprio produto, destacando qualidades que não estão presentes no produto concorrente. Esse tipo de investida destaca o lado frágil do concor- rente e seus defeitos, evidenciando como o produto anunciado lhe é superior sob um ou vários pontos de vista. Concorrentes menores costumam usar essa estratégia para crescer, diante de um player de mercado que lhe é superior em tamanho. Nada impede, no entanto, que “gigantes” disputem utilizando-se dessa estratégia; • Estratégia de defesa – Tal estratégia é comumente a escolhida pelos líderes, pelas maiores empresas que já possuem uma ampla fatia de mercado conso- lidada. Ela é utilizada para que seja defendida essa posição frente à concor- rência. É ainda a forma de repelir ataques dos concorrentes, aproveitando as forças de uma empresa já enraizada na mente de seu público. Quando utilizada como defesa diante de um concorrente de menor expressão, pode ainda enfa- tizar essa diferença, menosprezando a concorrência, apequenando-a; • Estratégia indiferenciada – Esta estratégia não prioriza as vendas, mas a ima- gem da marca. Além de fixar marcas, ela também fortalece linhas de produtos. É utilizada quando as empresas não têm o conhecimento profundo de seu públi- co, ou mesmo de seus concorrentes. Lupetti coloca aqui o exemplo da água mi- neral como um produto que comumente se utiliza da estratégia indiferenciada; • Estratégia de posicionamento/reposicionamento – Que tal ser definido por uma palavra ou ainda um conceito positivo que seja só seu? Esse é o 10 11 objetivo de uma estratégia de posicionamento. Nela, busca-se criar um espaço na mente do público, que entende o produto com uma determinada caracte- rística positiva, que resolve ou pode resolver um problema específico que ele encontra. Este consumidor potencial poderá vir a indicar o produto, ainda que este mesmo não o utilize, caso a estratégica seja bem utilizada. Depois de estudar um pouco cada uma das estratégias acima, que tal ampliar seus conheci- mentos buscando e identifi cando em jornais e revistas (ou mesmo na internet) anúncios nos quais são óbvias as estratégias propostas? Certamente será divertido identifi car como e por que os anunciantes fazem essas escolhas. Ex pl or As estratégias propostas por Lupetti e por outros autores devem ser escolhidas em função do “problema” de comunicação de cada empresa, produto ou serviço. Este “problema” não precisa ser potencialmente destrutivo, é claro, pode ser sim- plesmente um novo produto que em um primeiro momento deve ser anunciado para que o público saiba de sua existência. Num segundo momento (que pode fazer parte de uma estratégia mais ampla), este pode buscar uma diferenciação frente a sua concorrência ou ainda criar seu próprio modo de posicionar-se na mente de seus consumidores. Além das estratégias, deve escolher ainda o tipo de campanha a ser utilizado. Elas têm diferentes características e deve estar em harmonia com as estratégias. Tudo deve estar visivelmente em unidade, de modo que as ações sejam estrategica- mente pensadas e aplicadas. Segundo Lupetti (2003), há várias campanhas que um publicitário pode recorrer. São campanhas de comunicação que não envolvem, em princípio, vendas e distribuição de produtos, especificamente (como a própria defi- nição enfatiza), trata da comunicação seguindo determinadas estratégias para com o público-alvo, de modo a alcançar diferentes objetivos de comunicação. A seguir, estudares brevemente cada tipo de campanha e de suas principais características. Tipos de Campanha Figura 3 – A escolha do tipo de campanha deve responder a um planejamento estratégico Fonte: iStock/Getty Images 11 UNIDADE Mídias, Peças de Comunicação e Produção Uma campanha (termo amplamente utilizado com fins militares) tem prazo de início e de fim, trata-se sobretudo de um conjunto de forças organizadas com um objetivo pré-determinado. Rafael Sampaio (2003), em seu livro Propaganda de A a Z, assim inicia a definição de “Campanha de Propaganda”: “Uma campanha de propaganda pode ser definida como a soma de diver- sos esforços publicitários integrados e coordenados entre si, e realizados para cumprir determinados objetivos de comunicação de um anuncian- te, tais como: lançamento de uma nova marca no mercado, promoção de uma liquidação, sustentação das vendas e da imagem de um produto ou serviço já existente, esforço de caráter institucional e muitos outros exemplos, que podem ser observados todos os dias. (SAMPAIO, 2003, p. 260) Como vimos, há diversas possibilidades com que diz respeito aos tipos de campanha e, considerando cada uma delas, diferentes abordagens, que por sua vez podem seguir ainda diversos caminhos criativos. Marcélia Lupetti, define sete tipos de campanhas, cada um com suas características e aplicações, conforme quadro abaixo: Quadro 1 TIPOS DE CAMPANHAS DE COMUNICAÇÃO Campanha Institucional Campanha de Propaganda Campanha Guarda-chuva Campanha de promoção Campanha de Promoção de Vendas Campanha de incentivo Campanha Cooperada Fonte: LUPETT (2003) Campanha Institucional – Este tipo de campanha é aquele que visa divulgar não um produto especificamente, mas, sim, a empresa como um todo e a sua marca, conceituando-a e fixando sua imagem junto ao público-alvo e ao público potencial. Informa ainda (para aqueles que possam desconhecer isso) seu ramo de atuação e suas qualidades, como tamanho, número de funcionários, empregos diretos e indiretos, capilaridade, internacionalidade, missão, visão, valores ou ainda compromissos sociais. A marca busca, por meio de uma campanha institucional, reconhecimento diante de seus públicos e a sociedade. Empresas de grande porte costumam lançar mão desse tipo de ação. Há ainda campanhas institucionais ligadas a serviços públicos (campanhas de prevenção, por exemplo); Campanha de Propaganda – Este tipo de campanha, também chamada de campanha de publicidade (ou ainda de Publicidade e Propaganda), busca simples- mente divulgar um produto ou serviço. Para tanto, informa ao público suas quali- 12 13 dades e atributos que o diferenciam da concorrência, adotando para isso diferentes estratégias para que o consumidor compre o produto. É recomendada para pro- dutos que são desconhecidos ou que apresentam novos conceitos que devem ser apresentados aos consumidores. Bens de consumo (duráveis e não duráveis) devem pensar uma comunicação constante com seus consumidores, de modo a manter e possivelmente aumentar suas vendas, mantendo sua marca, mas principalmente a marca de seu produto em evidência; Campanha Guarda-chuva – Também chamada de campanha de linha de pro- dutos. É uma alternativa que conjuga uma campanha institucional e uma campanha de propaganda, pois enfatiza ao mesmo tempo uma linha de produtos, evidencian- do ainda fortemente a marca em questão, colaborando na fixação da imagem da empresa junto ao público-alvo. É utilizada por empresas que produzem eletrodo- mésticos ou ainda uma linha variada de produtos alimentícios; Campanha de Promoção – Trata-se de uma alternativa bastante dinâmica, que divulga o produto e leva o consumidor à compra e, com isso, acelera as vendas. Além disso, esse tipode campanha pode ter a força para manter estreitas as rela- ções com o público, neutralizar a concorrência e reforçar a marca de maneira ge- ral. Ela se diferencia da campanha de propaganda por conta das vendas imediatas, geralmente atreladas a um ganho por parte do consumidor, mediante uma troca. O público pode obter determinados benefícios ou concorrer a prêmios se juntar um determinado número de selos, códigos de barras etc. É recomendada para produtos que estão estáveis, de modo a alavancar rapidamente os seus números. Evidencia fortemente a marca, por conta da exposição intensiva nas mídias que esse tipo de campanha requer; Campanha de Promoção de Vendas – Diferencia-se da anterior, embora os nomes sejam parecidos. Lida com a redução de preços dos produtos anunciados, como por exemplo por meio de liquidações ou do bom e velho “leve três, pague dois”. É parte de um processo mercadológico que ultrapassa a área de atuação e influência da agência de propaganda. Esta decisão parte, portanto, do anunciante; Campanha de incentivo – Este tipo de ação não se destina ao consumidor final. Ela é uma iniciativa que busca engajar lojistas, vendedores e outros agentes intermediários do processo de compra, de modo que sejam reforçadas as relações da empresa que anuncia com a empresa de varejo que revende seus produtos, por exemplo. Este tipo de campanha pode prever incentivos e prêmios aos vendedores ou gerentes que se engajam e geram resultados satisfatórios; Campanha Cooperada – Típica do segmento de varejo, a campanha cooperada “mistura” em um anúncio isolado diferentes produtos de diferentes segmentos. Muito utilizada por lojas de departamento ou hipermercados que anunciam produtos de especificidades distintas. Os custos desses anúncios geralmente contam com a coparticipação das indústrias que fabricam esses produtos, sendo de seu total e absoluto interesse que os produtos “girem” rapidamente, gerando novos pedidos. É comumente veiculada em jornais diários ou encartados nos mais diferentes veículos. 13 UNIDADE Mídias, Peças de Comunicação e Produção Depois de estudar um pouco cada uma das campanhas acima, que tal ampliar seus conhecimentos buscando e identificando em jornais e revistas (ou mesmo na internet) diferentes tipos de campanhas? Para tanto, você deve selecionar vários anúncios da mesma empresa veiculados em um certo período de tempo (talvez até em diferentes mídias) e que tragam o mesmo mote, ou tema. Deverá ser fácil para você identificar qual é o tipo de campanha escolhida. Ex pl or Segundo Marcélia Lupetti, “há ainda a campanha de assessoria de imprensa e a campanha de relações públicas, que, embora não sejam atividades diretamente relacionadas ao publicitário, devem ser lembradas para o auxílio na comunicação de uma empresa ou produto”. Com relação às Relações Públicas, ou às RPs, Philip Kotler (2003) apresenta como ferramentas específicas desta área o que ele chama de PENCILS (lápis): Publicações, Eventos, Notícias, Comunidade (Assuntos da), Identidade (Mídia de), Lobby e Sociais (Investimentos). Tais atividades, bastantes específicas, no entanto, diferem das campanhas ante- riormente citadas, pois geralmente, além de realizadas por profissionais específicos dessas áreas, são contínuas, ou seja: os trabalhos de assessoria de imprensa e de relações públicas não possuem uma data específica de início e término, pois toda empresa possui essas demandas continuamente. O próprio conceito de reputação, em relações públicas, demanda uma construção pelo tempo e por ações que inter- firam positivamente na identidade corporativa (em sentido amplo) dessas empre- sas. Por fim, a eficácia das campanhas deve ser avaliada. Meios de Comunicação e Tipos de Peças Publicitárias Figura 4 – Na atualidade, novas e antigas mídias convivem e se complementam Fonte: iStock/Getty Images 14 15 A invenção dos tipos móveis, por Johannes Gutenberg no século XV, inaugurou um período importante, pois a prensa tipográfica trazia em sua origem uma ques- tão das mais relevantes para a distribuição de uma informação de forma massiva: a reprodução técnica. No século XIX, quando circulavam já os jornais diários im- pressos tipograficamente, a publicidade surge naturalmente, levando o estímulo de compra aos leitores. Fenômeno semelhante acontece com as revistas semanais ou mensais que eram, via de regra, mais bem impressas e bem cuidadas que o jornal e que ganharam cores muito antes do jornal. O anúncio impresso ocupa, nesse cenário, um papel de protagonismo. A primeira guerra mundial retardou a expansão do rádio. Fruto da evolução natural que pode remeter ao telégrafo com fio, inventado por Samuel Morse, que rapidamente evolui para a comunicação sem fios e depois para a transmissão de som. A partir da década de 1930, o rádio passa a ocupar um lugar de destaque e os anunciantes passam a vê-lo com cuidado, pois ele passa a ocupar o centro da sala de estar da família com sua programação variada. Como nova mídia, o rádio pede e desenvolve uma linguagem própria. A partir da década de 1950, a televisão substituiu o rádio na sala de estar, mas definitivamente não o aposenta, ou mesmo ao jornal e a revista, que mantiveram sua importância como meios de comunicação de massa. A televisão cria, por certo, um novo paradigma, pois assim como o rádio, antes dela, passa a demandar uma linguagem específica, própria, que incorpora texto, imagem e som. Assim, desenvolve-se uma série de linguagens que passamos a categorizar como mídia, cada uma com a sua linguagem específica, o que transforma e adequa a linguagem da propaganda nos seus mais variados meios. Isso sem falar em mídias alternativas, fachadas e outras intervenções em locais pouco usuais. Depois da televisão, a grande ruptura viria com o advento da internet, que tem construído sua linguagem ao longo do caminho. O grande desafio de uma campanha, seja qual for o seu tipo, é manter unidade visual e textual, ou seja, um estilo que faça com que o espectador perceba que a peça que ele ouve no rádio do carro, assiste no intervalo da televisão e depois lê em uma revista na sala de espera do médico ou do dentista são peças que formam um todo maior perceptível, com uma mensagem e estilo particularmente perceptíveis e aproveitando o melhor da linguagem de cada meio, inclusive do meio digital, que faz convergir, por conta de suas características, diferentes linguagens. SAMPAIO (2003), enumera alguns tipos de peças que podem ser produzidas quando da ocasião de uma campanha publicitária: Anúncio, Comercial (filme), Fo- nograma (som), Cartaz (outdoor ou indoor), Luminosos e Painéis Cinéticos, Mate- rial Promocional (a lista aqui é vasta), Hot Sites e Banners (digitais). As produções levarão em conta as estratégias da campanha. 15 UNIDADE Mídias, Peças de Comunicação e Produção Meio Digital e Ambientes de Convergência Figura 5 – Vivemos atualmente a era da convergências das mídias Fonte: iStock/Getty Images A internet surgiu em centros militares dos EUA. Em um segundo momento, passou para núcleos acadêmicos dentro de universidades americanas até que, finalmente, chegou ao uso geral e ao modelo que hoje conhecemos e utilizamos. O início de tudo, remonta ao ano de 1962, quando se iniciaram as pesquisas de ligação de pontos de interesse estratégicos, visando a descentralização da informação e, portanto, uma maior segurança a esses dados. Graças a esse conceito de descentralização, a rede não possuía um comando centralizado. A ideia era descentralizar a informação, mantendo-a, assim, segu- ra. Todos os pontos da rede seriam igualmente importantes. Em 1969, surge a ARPANET (Advanced Research Project Agency Network), considerada a primeira versão da rede mundial de computadores. No ano 1983, surge o protocolo TCP/IP (Transmition Control Protocol/Internet Protocol). Este protocolo até hoje é padrão da rede. Na internet, as informações são enviadas por meio do que se convencionou chamar de “comutaçãode pacotes”. A informação é fragmentada em diferentes pacotes, ou parte, na origem e posteriormente é remontada no destino. Pode-se criar assim vários canais de comunicação, pelos quais trafega a mesma informação. Isso pode reduzir consideravelmente as falhas no processo de comunicação. Em 1991, Tim Berners-Lee criou-se a www (World Wide Web), um sistema de hipertexto que facilitaria muito a navegação pela internet, acabaria por criar um modelo específico que modifica a atenção, como os usuários dessa tecnologia se utilizam da rede e como recebem seus estímulos dos mais variados, incluindo-se aí os ligados à Publicidade. O Cenário contemporâneo da convergência de mídias nos coloca diante de uma problemática diária, definida pelo trabalho, pelo estudo e até pelas nossas opções de lazer. Grande parte de nosso tempo tem sido gasto em frente a um dispositivo, que pode ser o computador pessoal de mesa, o laptop, o celular e o tablet, qualquer que seja a atividade desenvolvida. A internet das coisas 16 17 está chegando e promete um próximo passo importante nessas interações. Ninguém, que deseja se comunicar e interagir livremente, está livre desse fenômeno e, portanto, entendê-lo no contexto contemporâneo passa ser de imediata importância para estudantes das mais variadas áreas da comunicação e, assim, da área de Publicidade e Propaganda. “Por convergência, refiro-me ao fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entreteni- mento que de desejam. Convergência é uma palavra que consegue defi- nir transformações tecnológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar falando” (JENKINS, 2006, p. 29) De início, bem que se tentou trabalhar com formatos definidos, em um modelo padronizado semelhante à mídia impressa. O que se tem percebido é que como a internet muda muito rapidamente, a única certeza que se tem é a mudança. Os formatos se padronizam por diversas razões de ordem técnica e de comercialização, mas, a “grande jogada”, talvez, seja o formato novo, aquele que usa as qualidades de interação e, sobretudo, a de construção em favor da mensagem publicitária. “A internet é bem mais que uma possível mídia publicitária, que vem sendo descoberta gradativamente como canal auxiliar (na esmagadora maioria dos casos) e até mesmo central (em relativamente poucas situações, atualmente) para realizar tarefas de comunicação ligadas à propaganda, promoção e outras ferramentas de marketing”. (SAMPAIO, 2003, p. 303) Cada vez mais o público é agente e ator do conteúdo que encontra na web. Fi- quemos atentos, pois os tempos presentes e os que virão serão interessantes para o desenvolvimento de novos formatos. 17 UNIDADE Mídias, Peças de Comunicação e Produção Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Sites UOL Veja como um dos maiores portais de conteúdo do país lida com as questões da venda de espaços, formatos tradicionais de anúncios na web e traz ainda alguns cases de sucesso. https://goo.gl/i1HVrK Universo On Line O UOL (Universo On Line) traz ainda uma seção com cases de sucesso já realizados. Vale a pena conferir. https://goo.gl/stMGuh Mídia Kit Nada mais tradicional que um anúncio em meio impresso em uma revista de penetração nacional de grande circulação. Conheça o Mídia Kit da Revista Veja. https://goo.gl/tRgA1B Cannes Lions 2011: O video-case de “Volta Ferrorama” [Ouro em Direct] Já faz tempo, mas a ação “volta Ferrorama” foi muito bom, engajou aficionados pelo brinquedo em 2011. A ação foi premiada em Cannes e marca o relançamento de uma série de outros brinquedos tradicionais da Estrela. https://goo.gl/QGwwXf Vídeos Veja como empresas como a sua tiveram sucesso com o YouTube Conheça o que o YouTube pode fazer pela sua marca, produto ou empresa. https://goo.gl/mft85u 18 19 Referências JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2008. KOTLER, Philip. Marketing de A a Z. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2003. KOTLER, Philip. Marketing Essencial: conceitos, estratégias e casos. São Paulo: Pearson, 2003. LUPETTI, Marcélia. Planejamento de Comunicação. Editora Futura: São Pau– lo, 2003. PREDEBON, José (org.). Propaganda: profissionais ensinam como se faz. São Paulo: Atlas, 1991. SAMPAIO, Rafael. Propaganda de A a Z. São Paulo: Campus, 2003. SANTANNA, Armando. Propaganda: teoria, técnica e prática. Sã o Paulo: Cengage Learning, 2009. 19