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<p>CCCooonnnddduuutttaaasss PPPrrrááátttiiicccaaasss pppaaarrraaa</p><p>UUUnnniiidddaaadddeeesss dddeee TTTeeerrraaapppiiiaaa</p><p>IIInnnttteeennnsssiiivvvaaa</p><p>Kelson Nobre Veras</p><p>Julho 2015</p><p>Kelson Nobre Veras</p><p>Médico Intensivista (AMIB/AMB)</p><p>Mestre em Doenças Infecciosas (FIOCRUZ)</p><p>Sumário</p><p>PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA ............................................................ 1</p><p>HIPOTERMIA TERAPÊUTICA EM PACIENTES PÓS-PARADA</p><p>CARDÍACA .............................................................................................................. 7</p><p>ARRITMIAS ............................................................................................................ 9</p><p>SÍNDROMES CORONARIANAS AGUDAS (SCA) .................................. 19</p><p>CHOQUE ................................................................................................................. 30</p><p>INSUFICIÊNCIA CARDÍACA AGUDA (ICA) ............................................. 8</p><p>EDEMA AGUDO DE PULMÃO ........................................................................ 15</p><p>CRISE HIPERTENSIVA .................................................................................... 18</p><p>TROMBOEMBOLISMO PULMONAR (TEP) .............................................. 22</p><p>TROMBOCITOPENIA INDUZIDA PELA HEPARINA (TIH) .............. 30</p><p>PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA............................ 32</p><p>ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL ISQUÊMICO .................................. 35</p><p>TROMBOSE DOS SEIOS VENOSOS CEREBRAIS .................................. 46</p><p>ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL HEMORRÁGICO ........................... 48</p><p>TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO..................................................... 57</p><p>PÓS-OPERATÓRIO DO PACIENTE NEUROCIRÚRGICO ................... 63</p><p>HIPERTENSÃO INTRACRANIANA ............................................................. 66</p><p>STATUS EPILEPTICUS .................................................................................... 73</p><p>MORTE ENCEFÁLICA ........................................................................................ 76</p><p>MANUTENÇÃO DO POTENCIAL DOADOR DE ÓRGÃOS EM MORTE</p><p>ENCEFÁLICA ........................................................................................................ 79</p><p>SEDAÇÃO, ANALGESIA E BLOQUEIO NEUROMUSCULAR .............. 83</p><p>INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA................................................................. 91</p><p>DISTÚRBIOS DO METABOLISMO ÁCIDO-BÁSICO ............................ 97</p><p>DISTÚRBIOS ELETROLÍTICOS.................................................................. 101</p><p>CRISES HIPERGLICÊMICAS NO DIABÉTICO ..................................... 110</p><p>TERAPIA NUTRICIONAL NO PACIENTE GRAVE ............................... 116</p><p>HIPERTENSÃO PORTAL................................................................................ 121</p><p>HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA ............................................................. 125</p><p>PANCREATITE AGUDA .................................................................................. 129</p><p>SÍNDROME COMPARTIMENTAL ABDOMINAL ................................... 133</p><p>INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA............................................ 135</p><p>PNEUMONIA ADQUIRIDA NA COMUNIDADE (PAC) ...................... 142</p><p>PNEUMONIA HOSPITALAR ......................................................................... 147</p><p>INFECÇÕES INTRA-ABDOMINAIS .......................................................... 151</p><p>SEPSE E CHOQUE SÉPTICO ........................................................................ 154</p><p>TÉTANO ................................................................................................................ 158</p><p>HEMOCOMPONENTES EM PACIENTES CRÍTICOS ........................... 160</p><p>COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMINADA ............................ 167</p><p>INTOXICAÇÕES EXÓGENAS ....................................................................... 170</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 1</p><p>PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA</p><p>SUPORTE BÁSICO DE VIDA (BLS)</p><p>Ações Preliminares</p><p> Avaliar a responsividade: qualquer tipo de resposta, mesmo um gemido, é</p><p>incompatível com condições sem pulso.</p><p> Verificar se o paciente não respira ou apresenta respiração agônica</p><p>(“gaspeando”).</p><p> Sem resposta: pedir desfibrilador.</p><p>C – A – B</p><p>C (Circulação)</p><p> Confirmar a ausência de pulso:</p><p> Checar a presença de pulso na artéria carótida.</p><p> Não demorar mais que 10 segundos checando pulso. Se um pulso não for</p><p>sentido com certeza neste período, considerar sem pulso.</p><p> PACIENTE NÃO RESPONSIVO, SEM RESPIRAÇÃO E SEM PULSO.</p><p> Compressões torácicas e ventilação artificial.</p><p> 30 compressões para cada 02 ventilações, independente de haver</p><p>apenas um ou dois reanimadores;</p><p> Pausa das compressões durante as ventilações.</p><p> Paciente intubado:</p><p> Compressões: pelo menos 100 por minuto;</p><p> Ventilações: 1 ventilação cada 6 a 8 segundos (8 a 10 por minuto);</p><p> Sem pausa das compressões torácicas para ventilação.</p><p> Revezar socorrista que realiza compressões torácicas cada 2 minutos ou 5</p><p>ciclos de RCP. Troca de socorristas em 5 segundos ou menos.</p><p> As interrupções das compressões torácicas devem ocorrer o mais</p><p>infrequentemente possível e devem limitar-se a não mais que 10 segundos</p><p>cada interrupção, exceto para intervenções como a colocação de via aérea</p><p>avançada ou desfibrilação.</p><p>A (Vias Aéreas)</p><p> Abra a via aérea.</p><p> Inclinação da cabeça / elevação do queixo.</p><p> Inspecionar quanto a presença de objetos estranhos, vômitos ou sangue.</p><p> Se presentes, estes, remover com os dedos cobertos com gaze.</p><p>B (Respiração)</p><p> Realize ventilações com pressão positiva.</p><p> Insira cânula orofaríngea (somente com paciente inconsciente).</p><p> Aplique duas ventilações para confirmar a desobstrução da via aérea e</p><p>melhorar a troca gasosa no paciente que está apneico.</p><p> Ventilações com fluxo inspiratório lento para evitar distensão gástrica.</p><p> Permitir a expiração passiva.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 2</p><p>SUPORTE BÁSICO DE VIDA</p><p>PASSOS PARA A DESFIBRILAÇÃO</p><p>1. Ligar o desfibrilador.</p><p>2. Selecionar o nível de energia:</p><p> Desfibrilador bifásico, desfibrilar com valor específico para o desfibrilador:</p><p> Padrão (para qualquer formato de onda do desfibrilador): 200 J</p><p> Formato de onda exponencial truncado: 150 a 200 J</p><p> Formato de onda retilíneo: 120 J</p><p> Desfibrilador monofásico: 360 J</p><p>3. Aplicar gel nas pás.</p><p>4. Posicionar as pás no paciente:</p><p> Pá identificada como ESTERNO: é colocado à direita da parte superior do</p><p>esterno, abaixo da clavícula.</p><p> Pá identificada como ÁPICE: é colocado à esquerda do mamilo, com seu centro</p><p>posicionado na linha axilar média.</p><p>5. Checar visualmente o monitor e verificar o ritmo.</p><p>6. Anuncie aos membros da equipe que vai iniciar a carga do desfibrilador e</p><p>solicite que se afastem.</p><p>7. Pressione o botão “carga”.</p><p>8. Quando o desfibrilador estiver totalmente carregado, assegure-se que você está</p><p>livre de contato com o paciente, a maca e o equipamento. Assegure-se de que</p><p>ninguém está tocando o paciente ou a maca, inclusive o profissional responsável</p><p>pelas ventilações.</p><p>9. Avise que vai liberar o choque, pressione ambas as pás contra o tórax do</p><p>paciente e pressione os dois botões de descarga simultaneamente.</p><p>Sem resposta</p><p>Sem respirar ou respiração normal ausente</p><p>Pedir</p><p>desfibrilador</p><p>Checar pulso: não sentiu pulso em 10s</p><p>Iniciar ciclos de 30 compressões e 2 ventilações</p><p>Desfibrilador</p><p>Ritmo chocável</p><p>1 choque</p><p>RCP por 2</p><p>minutos</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 3</p><p>CUIDADOS DURANTE A DESFIBRILAÇÃO</p><p> Cuidado para que não haja resíduos de gel espalhados na pele entre os</p><p>eletrodos.</p><p> Em pacientes com marcapasso implantado, não aplicar o choque sobre</p><p>para UTI 33</p><p> A quantidade de oxigênio que sobra no sistema venoso após passar por todo o</p><p>sistema arterial (saturação venosa central de oxigênio – SvcO2) normal é de</p><p>pelo menos 70%. Portanto, um valor de SvcO2 5 mmHg ou outros sinais de hypervolemia: interromper prova</p><p>volêmica.</p><p>3 A pesquisa de sinais de má-perfusão das extremidades foram os únicos critérios utilizados</p><p>pelo Estudo FACTT para caracterizar hipoperfusão tecidual. Para tanto, era necessário que</p><p>todos os 3 critérios estivessem presentes (enchimento capilar prolongado, extremidades frias</p><p>e livedo). É por isso que o FACTT tem a característica de ser reproduzível com poucos</p><p>recursos. Contudo, se temos recursos adicionais (lactato, por exemplo) devemos usá-los.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 34</p><p>Vasopressores</p><p> Isoladamente ou em associação</p><p> Noradrenalina: 0,05 g/kg/minuto até máximo de 1 g/kg/minuto</p><p> Dopamina: 5 μg/kg/min até máximo de 20 μg/kg/min</p><p> Desmame dos vasopressores:</p><p> Iniciar quando PAM for > 60 mmHg com dose estável de vasopressor há 4</p><p>horas</p><p> Reduzir a velocidade de infusão em 25% da dose atual em intervalos de 4</p><p>horas</p><p> O objetivo é manter a PAM 60 mmHg. Caso a PAM caia abaixo deste valor,</p><p>retornar a dose anterior.</p><p> Dopamina em dose 5 μg/kg/min pode ser desligada, pois não tem efeito</p><p>vasopressor.</p><p>Dobutamina</p><p> Iniciar a 5 μg/kg/min e aumentar em 5 μg/kg/min cada 15 minutos até atingir a</p><p>meta almejada OU atingir a dose máxima de 20 μg/kg/min.</p><p> Desmame</p><p> A meta almejada com a dobutamina é manter uma perfusão adequada (PAM</p><p> 60 mmHg, enchimento capilar 3 mg/dL</p><p> Oligúria com creatinina entre 0 a 3 mg/dL e análise urinária indicativa de IRA</p><p>pré-renal (razão creatinina urinária/plasmática > 20, osmolaridade urinária</p><p>>500mOsm, sódio urinário 100 > 120 140</p><p>PA normal normal diminuída diminuída</p><p>Pressão de</p><p>pulso normal diminuída diminuída esmagada ou PD</p><p>não detectável</p><p>Enchimento</p><p>capilar normal lento lento lento</p><p>FR (irpm) 14-20 20-30 30-40 > 35</p><p>Débito urinário 30 mL/h 20-30 mL/h 5-15 mL/h negligível</p><p>Estado mental ansiedade leve ansiedade</p><p>moderada confuso letárgico</p><p>Reposição</p><p>volêmica cristalóides cristalóides</p><p>cristalóides/</p><p>concentrado</p><p>hemácias</p><p>cristalóides/</p><p>concentrado</p><p>hemácias</p><p>Kelson Nobre Veras</p><p>Condutas Práticas para UTI 4</p><p>RL: Ringer-lactato; HC: hemocomponentes; TCE: trauma crânioencefálico; PAS:</p><p>pressão arterial sistólica; CC: centro cirúrgico; HD: setor de hemodinâmica.</p><p>Paciente em choque hemorrágico</p><p>Estancar o sangramento</p><p>Minimizar intervenções pré-hospitalares</p><p>Transporte rápido até centro de trauma</p><p>Iniciar protocolo de transfusão</p><p>maciça com relação fixa de</p><p>CH:PFC:CP</p><p>NÃO SIM</p><p>NÃO SIM</p><p>NÃO SIM</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 5</p><p>CHOQUE EM PACIENTES QUEIMADOS</p><p> A reanimação volêmica efetiva é uma das bases do cuidado moderno das</p><p>queimaduras e, também, é o avanço que mais diretamente melhorou sobrevida</p><p>dos pacientes. A reanimação volêmica adequada tem como objetivo antecipar e</p><p>prevenir mais do que tratar o choque no paciente queimado.</p><p> Sem intervenção eficaz e rápida, a hipovolemia/choque se desenvolverá caso as</p><p>queimaduras envolvam mais que 15% a 20% da O atraso na reexpansão</p><p>volêmica além de 2 horas após a queimadura complica a reanimação e aumenta</p><p>a mortalidade.</p><p> As conseqüências da reexpansão excessiva e da sobrecarga volêmica são tão</p><p>deletérias quanto aquelas da reanimação insuficiente: edema pulmonar, edema</p><p>miocárdico e conversão de queimaduras superficiais em profundas, na</p><p>necessidade de fasciotomias nos membros sem queimaduras e na síndrome</p><p>compartimental abdominal.</p><p> A tabela de Lund-Browder deve ser usada no momento da admissão para</p><p>calcular a área total de superfície corporal (ATSC) queimada.</p><p>Tabela de Lund-Browder para determinação da superfície corpórea</p><p>queimada.</p><p>Fórmulas para reanimação volêmica em queimados</p><p> Das numerosas fórmulas para a ressuscitação volêmica, nenhuma é perfeita</p><p>com relação ao volume, composição ou taxa de infusão.</p><p> A fórmula de Parkland é o guia o mais usado de reanimação, descrevendo a</p><p>quantidade de solução de Ringer-lactato necessária nas primeiras 24 horas após</p><p>a queimadura:</p><p>4 mL x peso (kg) x ATSC queimada</p><p> Partindo do momento da queimadura, metade deste volume é administrada nas</p><p>primeiras 8 horas e a metade restante é administrada nas 16 horas seguintes.</p><p> É necessário monitorização invasiva da PA. As medidas não invasivas da</p><p>pressão arterial são consideradas imprecisas por causa da interferência do</p><p>edema tecidual. Um cateter arterial na artéria radial é a primeira escolha,</p><p>seguido pela artéria femoral.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 6</p><p> Uma complicação com risco de vida causada pela reanimação com volumes</p><p>elevados é a síndrome compartimental abdominal (SCA), definida como uma</p><p>pressão intra-abdominal ≥ 20 mmHg associado a pelo menos uma disfunção</p><p>orgânica nova.</p><p> A SCA está associada com disfunção renal, isquemia intestinal e má-</p><p>perfusão cardiopulmonar. As manifestações clínicas incluem abdomem</p><p>tenso, complacência pulmonar diminuída, hipercapnia e oligúria.</p><p> A monitoração da pressão vesical deve ser iniciada como parte do protocolo</p><p>de reexpansão volêmica do queimado em todo paciente com queimaduras</p><p>de mais de 30% da ATSC.</p><p>CHOQUE ANAFILÁTICO</p><p> Administração de oxigênio suplementar do e manejo das vias aéreas</p><p> Dois acessos de grosso calibre (14) com infusão rápida de soro fisiológico.</p><p> Administração de adrenalina intramuscular (0,01 mL/kg de uma solução</p><p>1:1000 cada 5 a 15 minutos, conforme necessário; máximo, 0,3 a 0,5 mL) ou</p><p>adrenalina EV nos pacientes com hipotensão severa: 0,5 a 5 µg/min para</p><p>manter a pressão arterial</p><p> 1 mL de solução 1:1.000 em 250 mL de SG 5% (concentração de 4g/mL);</p><p>administrar a 0,5 g/minuto (7,5 mL/hora), aumentando-se até 5 g/minuto</p><p>(75 mL/hora) se nenhum efeito benéfico for observado.</p><p> Administração oral, intramuscular ou EV de antagonista de receptor H1</p><p> Difenidramina IV\IM (Difenidrin 10 ou 50mg/ml, ampolas de 1 ml): 25 a 50</p><p>mg até de 4/4 horas.</p><p> Tratamento com prednisona oral (1 a 2 mg/kg; máximo, 75 mg) ou</p><p>metilprednisolona EV (125mg até de 6/6 horas)</p><p> Uso de antagonista de receptor H2 (por exemplo, para adultos: ranitidina 50</p><p>mg EV cada 8 horas.</p><p>INSUFICIÊNCIA ADRENAL AGUDA</p><p> Hidrocortisona 100 mg EV e depois a cada 8 horas; use vasopressores se</p><p>necessário.</p><p>CHOQUE NEUROGÊNICO</p><p> Ocorre em alguns pacientes com lesão da coluna cervical ou torácica alta e é</p><p>caracterizado por hipotensão associada com bradicardia; o tratamento da</p><p>hipotensão inclui ressuscitação com volume e vasopressores, caso a reposição</p><p>volêmica não reverta a hipotensão.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 7</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Cherkas D. Traumatic hemorrhagic shock: advances in fluid management.</p><p>Emerg Med Pract. 2011; 13:1-19.</p><p>2. Latenser, BA. Critical care of the burn patient: The first 48 hours. Critical Care</p><p>Medicine 2009; 37: 2819-26.</p><p>3. Myatra SN, Divatia JV, and Venkatraman R. Hemodynamic Monitoring. In:</p><p>Chawla R and Todi S. ICU Protocols: a stepwise approach. India: Springer,</p><p>2012. p. 125-136.</p><p>4. The National Heart, Lung, and Blood Institute Acute Respiratory Distress</p><p>Syndrome (ARDS) Clinical Trials Network. Pulmonary-artery versus central</p><p>venous catheter to guide treatment of acute lung injury. N Engl J Med</p><p>2006;354:2213-2224.</p><p>5. The National Heart, Lung, and Blood Institute Acute Respiratory Distress</p><p>Syndrome (ARDS) Clinical Trials Network. Comparison of two fluid-</p><p>management strategies in acute lung injury. N Engl J Med 2006; 354:2564-</p><p>2575.</p><p>6. Schettino G, Rezende E, Mendes CL, Réa-Neto A, David CM, et al. Consenso</p><p>Brasileiro de Monitorização e Suporte Hemodinâmico – Parte III: Métodos</p><p>Alternativos de Monitorização do Débito Cardíaco e da Volemia. RBTI 2006; 18:</p><p>78-85.</p><p>7. Vincent JL. Monitorage et grands syndromes hémodynamiques. In: Le manuel</p><p>de réanimation, soins intensifs et médecine d’urgence. Springer Verlag France,</p><p>2005.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 8</p><p>INSUFICIÊNCIA CARDÍACA AGUDA (ICA)</p><p>DIAGNÓSTICO</p><p>Achados clínicos sugestivos de ICA no paciente com dispneia na sala de</p><p>emergência</p><p>História clínica pregressa Exame físico</p><p>Sintomas prévios de IC B3</p><p>Histórico de IAM Distensão venosa jugular</p><p>História de doenças arterial coronariana Estertores pulmonares</p><p>Sintomas Presença de sopro cardíaco</p><p>Dispneia paroxística noturna Edema de MMII</p><p>Ortopneia Refluxo hepatojugular</p><p>Dispneia de esforço</p><p> Exames complementares</p><p> Radiografia de tórax</p><p> ECG: principalmente para excluir causas de descompensação</p><p>(taqui/bradiarritmias, síndromes isquêmicas)</p><p> Exames laboratoriais: hemograma, sódio, potássio, ureia e creatinina, CK-</p><p>MB e/ou troponina T ou I, gasometria venosa, BNP (ou NT-proBNP)</p><p>Perfis hemodinâmicos baseados em característica clínicas</p><p>A</p><p>Quente</p><p>Seco</p><p>B</p><p>Quente</p><p>Úmido</p><p>L</p><p>Frio</p><p>Seco</p><p>C</p><p>Frio</p><p>Úmido</p><p>Sim</p><p>Não</p><p>Sim Não</p><p>Baixa perfusão em repouso?</p><p>Congestão em repouso?</p><p>A. Ausência de congestão pulmonar e adequada perfusão</p><p>periférica;</p><p>B. Congestão pulmonar e perfusão periférica preservada;</p><p>C. Congestão pulmonar e má perfusão periférica;</p><p>L. Ausência de congestão pulmonar, presença de hipovolemia e má</p><p>perfusão periférica.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 9</p><p>TRATAMENTO ICA</p><p> Manejo na Admissão</p><p> Monitorização não-invasiva (SpO2, pressão arterial, temperatura)</p><p> Oxigênio</p><p> Ventilação não-invasiva</p><p>Pacientes no Perfil B (quente e úmido)</p><p> É a mais comum das apresentações da ICA.</p><p> Tratamento de primeira linha: vasodilatadores e diuréticos.</p><p>Vasodilatadores</p><p> O uso de vasodilatadores por via endovenosa deve ser preferencial nas</p><p>situações agudas e de necessidade iminente de efeito hemodinâmico. Contudo,</p><p>na urgência pode-se utilizar nitrato sublingual.</p><p> Nitroglicerina (Tridil: ampola de 50 mg em 500</p><p>mL de SG5%: 100 g/mL);</p><p>iniciar com 5-10 g/minuto (3 a 6 mL/h) e aumentar 5 a 10 g/minuto a cada 5</p><p>a 10 minutos, não excedendo 100 g/minuto.</p><p> Nitroprussiato (Nipride: ampolas com 50 mg)</p><p> Preparar em 250 a 500 mL de SF ou SG (solução a 200 g/ml e 100g/ml,</p><p>respectivamente).</p><p> Dose: iniciar com 0,1 a 0,2 g/kg/minuto (na prática, 5 a 10 mL/hora), com</p><p>aumentos de 0,2 g/kg/minuto a cada 3 a 5 minutos até alcançar resposta</p><p>clínica ou até ocorrer hipotensão</p><p> A solução deve é fotossensível; deve ser trocada a cada 3 a 6 horas.</p><p> Usar com cautela na insuficiência hepática e em infusões de altas doses por</p><p>longo tempo.</p><p> O nitroprussiato foi associado a maior mortalidade em pacientes com</p><p>insuficiência cardíaca aguda devido a infarto agudo do miocárdio que</p><p>receberam esta medicação dentro das primeiras 9 horas após o IAM.</p><p>Diurético</p><p> Furosemida (ampolas com 20 mg em 2 mL): 0,5 a 1 mg/kg/dose EV em bolus;</p><p>repetir 2 a 3 vezes.</p><p> A dose diária é empírica, baseada no balanço hídrico negativo obtido e na</p><p>resolução dos sinais de congestão (ausculta pulmonar, redução do peso,</p><p>diminuição do edema periférico).</p><p> Dose máxima: 240 mg/dia (pode ser dividida de 2 a 6 vezes ao dia).</p><p> Não há diferença enter doses em bolus ou sob infusão contínua.</p><p> Não utilizar nas seguintes situações:</p><p> Insuficiência renal dialítica presente</p><p> Oligúria com creatinina >3 mg/dL</p><p> Oligúria com creatinina entre 0 a 3 mg/dL e análise urinária indicativa de</p><p>IRA pré-renal (razão creatinina urinária/plasmática > 20, osmolaridade</p><p>urinária >500mOsm, sódio urinário 5,5</p><p>mEq/L, níveis de creatinina >3 mg/dL ou com aumento de mais de 20% na</p><p>creatinina durante a hospitalização, os IECA/BRA devem ser substituidos por</p><p>hidralazina e nitrato.</p><p>Perfil C</p><p>(Frio e úmido)</p><p>Furosemida (0,5 a 1 mg/kg EV)</p><p>PAS</p><p>Não usa BB</p><p>Qualquer inotrópico</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 13</p><p>Doses de betabloqueadores na IC aguda</p><p>Drogas Dose inicial (mg) Dose alvo (mg/dia) Frequência</p><p>Carvedilol 3,125 50 (peso > 85kg)</p><p>25 (peso 5,5 mEq/L, níveis de</p><p>creatinina >3 mg/dL ou com aumento de mais de 20% na creatinina durante a</p><p>hospitalização, os IECA/BRA devem ser substituidos por hidralazina e nitrato.</p><p>Doses de IECA e BRA na IC aguda</p><p>Drogas Dose inicial</p><p>(mg)</p><p>Frequência Dose alvo</p><p>(mg)</p><p>Frequência</p><p>Captopril 6,25 2x 50 3x</p><p>Enalapril 2,5 2x 10 a 20 2x</p><p>Ramipril 1,25 2x 5 2x</p><p>Lisinopril 2,5 1x 30 1x</p><p>Losartan 12,5 1x 100 1x</p><p>Valsartana 20 1x 80 a 160 1x</p><p>Digitálicos</p><p> Indicações: pacientes com IC descompensada portadores de fibrilação atrial e</p><p>resposta ventricular > 80 bpm na forma de auxílio aos betabloqueadores no</p><p>controle da FC ou antes da introdução destes devido a contraindicação.</p><p> A concentração sérica interfere no benefício da droga. Manter na faixa entre</p><p>0,5-0,9 ng/mL. A avaliação da concentração sérica deve ser feita entre 12-24</p><p>horas após a última dose.</p><p> Deletério na miocardiopatia hipertrófica pelo aumento da contratilidade da via</p><p>de saída, com aumento da obstrução.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 14</p><p> Pacientes com idade inferior a 70 anos e função renal normal (clearance de</p><p>creatinina > 60 mL/min) poderão fazer uso da dose de 0,25 mg/dia, enquanto</p><p>idosos e portadores de disfunção renal deverão metade ou 1/4 desta dose.</p><p> Contra-indicado na intoxicação digitálica, BAV importante e arritmias</p><p>ventriculares</p><p>Hidralazina + Nitrato</p><p> Apresolina 25 e 50 mg (hidralazina); iniciar com 25 mg cada 8 horas,</p><p>titulando para uma dose alvo de 50 a 100 mg 3 vezes ao dia.</p><p> Isordil oral 5 e 10 mg (dinitrato de isossorbida), Isordil AP 40 mg: iniciar</p><p>com 5 mg 3 vezes ao dia procurando atingir uma dose de 20 a 40 mg 3 vezes</p><p>ao dia, conforme tolerado.</p><p> Monocordil 20 e 40 mg (mononitrato de isossorbida): iniciar com 20mg 2</p><p>vezes ao dia para dose alvo de 40 a 80 mg 3 vezes ao dia.</p><p> Vasodilatadores de escolha em pacientes com ICC e disfunção renal que não</p><p>toleram os IECA/BRA.</p><p> Essa associação também pode ser adicionada aos IECA ou BRA, na tentativa de</p><p>otimização terapêutica.</p><p>Espironolactona</p><p> Os antagonistas dos receptores mineralocorticoides completam a tríade de</p><p>medicamentos (junto com betabloqueadores e IECA/BRA) com comprovada</p><p>eficácia na redução da morbimortalidade da IC.</p><p> Dose usual: 25 a 50 mg/dia. Para efeito diurético em casos de difícil</p><p>compensação, a dose pode chegar a 200 mg/dia em dose única diária.</p><p>Diuréticos Tiazídicos</p><p> A hidroclorotiazida pode ser associada à furosemida. A dose usual é de 25 a 50</p><p>mg/dia.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. II Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Aguda. Arq. Bras. Cardiol. 2009.</p><p>93(3) supl.3: 1-65.</p><p>2. Canesin MF, Oliveira Jr MT e Pereira-Barreto AC editores. Suporte avançado de</p><p>vida em insuficiência cardíaca – SAVIC. Editora Manole, 4ª ed, 2015.</p><p>3. Cohn JN, Franciosa JA, Francis GS, et al: Effect of short-term infusion of</p><p>sodium nitroprusside on mortality rate in acute myocardial infarction</p><p>complicated by left ventricular failure: Results of a Veterans Administration</p><p>cooperative study. N Engl J Med 1982; 306:1129–1135.</p><p>4. Dickstein K, Cohen-Solal A, Filippatos G, et al. ESC guidelines for the diagnosis</p><p>and treatment of acute and chronic heart failure 2008: the task force for the</p><p>diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure 2008 of the</p><p>European Society of Cardiology. Developed in collaboration with the Heart</p><p>Failure Association of the ESC (HFA) and endorsed by the European Society of</p><p>Intensive Care Medicine (ESICM). Eur J Heart Fail 2008;10:933-989.</p><p>5. Mebazaa A, Gheorghiade M, Pina IL et al. Practical recommendations for</p><p>prehospital and early in-hospital management of patients presenting with acute</p><p>heart failure syndromes. Crit Care Med. 2008; 36(suppl):S129 –S139.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 15</p><p>taxa de infusão (mL/hora) x 5</p><p>3</p><p>EDEMA AGUDO DE PULMÃO</p><p> O nível plasmático do peptídio natriurético cerebral (BNP) é</p><p>frequentemente usado na avaliação de edema pulmonar.</p><p> BNP 500 pg/mL: insuficiência cardíaca provável</p><p> BNP entre 100 e 500 pg/mL: resultado inconclusivo</p><p> Os níveis de BNP devem ser interpretados com precaução em pacientes graves,</p><p>uma vez níveis de BNP podem estar elevados em pacientes graves mesmo na</p><p>ausência de insuficiência cardíaca. Níveis entre 100 e 500 pg por mililitro são</p><p>comuns nestes pacientes. Assim, a medida do BNP é muito útil em pacientes</p><p>críticos se o nível estiver abaixo de 100 pg por mililitro.</p><p> Níveis de BNP também são mais altos em pacientes com insuficiência renal</p><p>independente de insuficiência cardíaca, e um valor de corte abaixo de 200 pg</p><p>por mililitro foi sugerido para excluir insuficiência cardíaca quando a taxa de</p><p>filtração glomerular calculada estiver abaixo de 60 ml por minuto.</p><p> O BNP também pode ser segregado pelo ventrículo direito e foram relatadas</p><p>elevações moderadas em pacientes com embolia pulmonar aguda, cor</p><p>pulmonale e hipertensão pulmonar.</p><p>AÇÕES DE PRIMEIRA LINHA</p><p>Posição sentada</p><p>A posição sentada com os MMII pendentes aumenta o volume pulmonar e diminui</p><p>o retorno venoso para o coração.</p><p>Restrição Hídrica</p><p> Concentrar soluções (sedação, vasopressores).</p><p> Reduzir volume da dieta sem comprometer aporte calórico (25 kcal/kg de peso</p><p>ideal).</p><p>Assistência ventilatória</p><p> Oxigênio: até 15 L/minuto com FiO2 máxima de 0,6 para titulado para obter</p><p>uma SaO2 > 92%)</p><p> Avaliar necessidade de ventilação mecânica</p><p> pO2 45 mmHg, em ar ambiente ou</p><p> pO2 55 mmHg com máscara de O2</p><p> Ventilação mecânica não-invasiva: CPAP 5 a 15 cmH2O ou BIPAP com</p><p>pressão inspiratória de 8 a 20 cmH2O e pressão expiratória de 4 a 10</p><p>cmH2O</p><p> Ou intubação orotraqueal e ventilação mecânica invasiva.</p><p>Nitratos</p><p> Nitroglicerina (Tridil: ampola de 50 mg em 500 mL de SG5%: 100 g/mL);</p><p>iniciar com 5-10 g/minuto (3 a 6 mL/h) e aumentar 5 a 10 g/minuto a cada</p><p>5 a 10 minutos, não excedendo 100 g/minuto.</p><p> Dose (g/min.) =</p><p> Em um contexto de urgência, quando ainda não</p><p>há um acesso venoso</p><p>disponível, pode-se iniciar com nitroglicerina sublingual (Nitronal spray: 0,4</p><p>mg/dose) 0,4 a 0,8 mg ou dinitrato de isossorbida (Isordil sublingual 5mg) 5</p><p>mg sublingual a cada 5 a 10 minutos, até melhora clínica ou surgimento de</p><p>efeitos colaterais importantes (hipotensão).</p><p> Pode ser iniciada desde que a PAS tenha ultrapassado 100 mmHg.</p><p> Utilizar por 24 a 48 horas e mudar para nitrato VO (Sustrate, Monocordil).</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 16</p><p>Nitroprussiato (Nipride: ampolas com 50 mg)</p><p> Preparar em 250 a 500 mL de SF ou SG (solução a 200 g/ml e 100g/ml,</p><p>respectivamente).</p><p> Dose: iniciar com 0,1 a 0,2 g/kg/minuto (na prática, 5 a 10 mL/hora), com</p><p>aumentos de 0,2 g/kg/minuto a cada 3 a 5 minutos até alcançar resposta</p><p>clínica ou até ocorrer hipotensão</p><p> A solução deve é fotossensível; deve ser trocada a cada 3 a 6 horas.</p><p> Usar com cautela na insuficiência hepática e em infusões de altas doses por</p><p>longo tempo.</p><p> Para pacientes com suspeita de isquemia miocárdica, a nitroglicerina é</p><p>preferível para prevenir o “roubo coronariano”.</p><p>Furosemida (ampolas com 20 mg em 2 mL)</p><p>Infusão contínua Dose em bolus</p><p>Dose inicial 3 mg/hora 20 mg</p><p>Preparo 30 ampolas em 140 mL</p><p>de SG (3 mg/mL) Sem diluição</p><p>Reavaliação Indicação:</p><p> Oligúria: a cada 1 hora</p><p> Hipervolemia: a cada 4 horas</p><p>Meta Indicação:</p><p> Oligúria: DU 0,5ml/kg/hora</p><p> Hipervolemia: efeito clínico ou BH negativo almejado</p><p>alcançado</p><p>Progressão da dose Dobrar dose anterior se objetivo não alcançado</p><p>Parar progressão da</p><p>dose Ao atingir meta ou dose máxima</p><p>Dose máxima 24mg/h 160mg EV em bolus</p><p>DU = débito urinário. BH = balanço hídrico.</p><p> Não utilizar nas seguintes situações:</p><p> Insuficiência renal dialítica presente</p><p> Oligúria com creatinina >3 mg/dL</p><p> Oligúria com creatinina entre 0 a 3 mg/dL e análise urinária indicativa de</p><p>IRA pré-renal (razão creatinina urinária/plasmática > 20, osmolaridade</p><p>urinária >500mOsm, sódio urinário 130 mmHg), associada a retinopatia (edema de papila) e à</p><p>insuficiência renal, podendo coexistir manifestações de encefalopatia</p><p>hipertensiva, anemia, microangiopatia e sinais de insuficiência ventricular</p><p>esquerda. O tratamento visa reduzir a PA para níveis que não ocasionem</p><p>redução do fluxo sangüíneo para os órgãos-alvos, normalmente para níveis em</p><p>torno de 160/110 a 100 mmHg.</p><p>C. Aneurisma dissecante da aorta</p><p> Um vasodilatador isoladamente não é o ideal para o tratamento da dissecção</p><p>aguda da aorta, pois isto pode promover taquicardia reflexa, aumento da</p><p>velocidade de ejeção aórtica e promover a extensão da dissecção. A</p><p>combinação de um antagonista beta-adrenérgico e um vasodilatador é a</p><p>conduta padrão no tratamento. O esmolol é o antagonista beta-adrenérgico de</p><p>escolha, sendo o metoprolol uma alternativa adequada. O nitroprussiato tem</p><p>sido tradicionalmente utilizado como o vasodilatador de escolha.</p><p> A menos que comorbidades significativas estejam presentes, a cirurgia é</p><p>indicada para todos os pacientes com dissecção tipo A (que envolve a aorta</p><p>ascendente). Pacientes com dissecções tipo B (apenas aorta descendente)</p><p>podem ser conduzidos com controle agressivo da PA, uma vez que os</p><p>resultados têm se mostrado iguais com tratamento médico ou cirúrgico, a não</p><p>ser que sobrevenham complicações como rotura ou comprometimento do fluxo</p><p>sanguíneo para órgãos vitais.</p><p> Morfina 2 a 4 mg EV pode ser usada até atingir analgesia adequada.</p><p> Nitroprussiato: conforme necessário para reduzir a pressão arterial.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 19</p><p> Betabloqueador: metoprolol 5mg EV em 3 a 5 minutos, para redução da FC e do</p><p>inotropismo (FC</p><p>estão relacionadas ao uso</p><p>recreativo de drogas simpatomiméticas como a cocaína, anfetaminas ou</p><p>fenciclidina. Raramente, estas crises podem ser vistas com feocromocitoma, os</p><p>pacientes que receberam um monoaminooxidase inibidor que ingerem uma</p><p>comida contendo tiramina ou pacientes que param abruptamente medicações</p><p>anti-hipertensivas como a clonidina ou antagonistas beta-adrenérgicos.</p><p> A crise adrenérgica induzida pelo feocrocitoma são tratadas utilizando-se,</p><p>preferencialmente, os bloqueadores alfa ou alfa e beta-adrenérgicos como a</p><p>fentolamina e o labetalol, respectivamente. Como estas drogas não estão</p><p>disponíveis no Brasil, na prática, usa-se com muito bons resultados o</p><p>nitroprussiato de sódio, eventualmente associado a beta-bloqueadores como o</p><p>esmolol, metoprolol ou propranolol, ou a bloqueadores de canal de cálcio como</p><p>o verapamil, se ocorrer taquicardia ou arritmias.</p><p> As drogas de escolha para o tratamento das crises adrenérgicas induzidas por</p><p>cocaína, crack, anfetaminas, derivados tricíclicos etc., também são os</p><p>bloqueadores alfa ou alfa e beta-adrenérgicos como a fentolamina e o labetalol</p><p>(último não disponível no Brasil).</p><p> Quando a fentolamina também não for disponível, o nitroprussiato de sódio</p><p>constitui uma opção segura e eficaz.</p><p> Evitar beta-bloqueadores, uma vez que promovem antagonismo isolado de</p><p>beta-receptores vasculares, o que resultaria em atividade alfa-adrenérgica sem</p><p>oposição com potencial aumento da PA. De fato, na emergência hipertensiva</p><p>induzida pela cocaína, o uso de bloqueadores beta-adrenérgicos pode aumentar</p><p>a vasoconstrição coronariana, falha no controle frequência cardíaca, aumento</p><p>da PA e aumento da mortalidade.</p><p>E. Pré-Eclâmpsia Grave / Eclâmpsia</p><p> A hidralazina é a droga de eleição para o tratamento da hipertensão: 0,5 a 10</p><p>mg/hora, EV, após dose de ataque de 5 mg.</p><p> O sulfato de magnésio é utilizado para a prevenção das convulsões:</p><p> MgSO4 50%: 1 ampola = 10 mL = 5 g</p><p> MgSO4 10%: 1 ampola = 10 mL = 1 g</p><p> Dose de ataque: 5 g EV em 20 minutos 01 ampola de MgSO4 50% em 20</p><p>minutos (diluído em 100 mL de SG5%)</p><p> Dose de manutenção (manter por 24 horas): 01 ampola de MgSO4 50% em</p><p>500 mL de SG5% a 28 gotas/minuto.</p><p>Monitoração durante a fase de manutenção:</p><p> Controle da diurese: > 30 mL/hora</p><p> Presença de reflexos tendinosos profundos (mais usado: patelar): a abolição do</p><p>reflexo patelar é um bom parâmetro clínico para impedir o efeito tóxico do</p><p>magnésio, orientando a suspensão da infusão (indica nível sérico de magnésio</p><p>entre 9-12 mg%; parada respiratória: 15-17 mg%; parada cardíaca: 30-35</p><p>mg%)</p><p> Frequência respiratória: mínimo 16 irpm; a depressão respiratória pode ser</p><p>revertida pelo emprego de gluconato de cálcio a 10%, 10 mL em 3 minutos.</p><p>F. Acidente vascular cerebral</p><p> Ver capítulo específico</p><p>G. Insuficiência coronariana aguda</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 20</p><p> Ver capítulo específico</p><p>H. Edema agudo de pulmão</p><p> Ver capítulo específico</p><p>AGENTES ANTI-HIPERTENSIVOS PARENTERAIS</p><p>Nitroprussiato (Nipride ampolas com 50 mg)</p><p> Potente vasodilatador arterial e venoso com início de ação em segundos e</p><p>duração de ação de 1 a 2 minutos e meia-vida plasmática de 3 a 4 minutos</p><p> Sua ação pode ser rapidamente revertida pela interrupção da infusão.</p><p> Dosagem:</p><p> 50 mg (01 ampola) em 250 ou 500 mL de SG 5% ou SF 0,9% (200 g/ml e</p><p>100g/ml, respectivamente); envolver em papel alumínio (fotossensível).</p><p> Dose: iniciar com 0,1 a 0,2 g/kg/minuto (na prática, 5 a 10 mL/hora), com</p><p>aumentos de 0,2 g/kg/minuto a cada 3 a 5 minutos até alcançar resposta</p><p>clínica ou até ocorrer hipotensão (dose máxima: 5 g/kg/minuto);</p><p> Trocar a solução cada 3 a 6 horas;</p><p> Introduzir, concomitantemente, anti-hipertensivos orais;</p><p> Precauções:</p><p> Hipotensão.</p><p> Não está indicado no IAM devido ao risco de fenômeno de roubo do fluxo</p><p>coronariano (fluxo sangüíneo preferencial para áreas não-isquêmcias).</p><p> O nitroprussiato contém 44% de cianeto. O cianeto é metabolizado no fígado</p><p>em tiocianato. O tiocianato é 100 vezes menos tóxico que cianeto. O</p><p>tiocianato gerado é excretado principalmente através dos rins. A remoção do</p><p>cianeto, portanto, exige funções hepática e renal adequadas. A toxicidade do</p><p>cianeto pode resultar em "parada cardíaca inexplicável", coma, encefalopatia,</p><p>convulsões e anormalidades neurológicas focais e irreversíveis.</p><p> O nitroprussiato diminui o fluxo sangüíneo cerebral ao mesmo tempo em que</p><p>aumenta a pressão intracraniana, efeitos que são particularmente</p><p>desfavoráveis em pacientes com encefalopatia hipertensiva ou após um</p><p>acidente vascular cerebral. Contudo, não existem evidências clínicas que</p><p>comprovem este efeito desfavorável nestas situações.</p><p>Esmolol (Brevibloc ampolas com 10 mL com 2500 mg [250mg/mL] ou 100 mg [10mg/mL])</p><p> Bloqueador beta-adrenérgico cardioseletivo de ação ultra-rápida (início de ação:</p><p>60 segundos; duração de ação: 10 a 20 minutos)</p><p> Niveis podem ser rapidamente alterados pelo aumento ou diminuição da</p><p>velocidade de infusão e rapidamente eliminados pela descontinuação da</p><p>infusão.</p><p> Adequado em situações em que o débito cardíaco, a frequência cardíaca e a PA</p><p>estão aumentadas, sendo útil na dissecção aórtica e na hipertensão peri-</p><p>operatória, particularmente na cirurgia cardíaca e na ressecção do</p><p>feocromocitoma.</p><p> Administração:</p><p> Dose inicial de 0,5 a 1 mg/kg em 1 minuto, seguido por uma infusão</p><p>contínua com início em 50 μg/kg/min e aumentada até 300μg/kg/min,</p><p>conforme necessário.</p><p> Solução a 10 mg/ml: Duas ampolas de 2.500 mg em 500 ml ou uma ampola</p><p>de 2.500 mg em 250 ml de uma solução intravenosa compatível (glicose a</p><p>5%, soro fisológico a 0,9% ou solução de Ringer-Lactato).</p><p> Contra-Indicações: pacientes portadores de bradicardia sinusal, bloqueio</p><p>cardíaco superior ao de primeiro grau, choque cardiogênico ou insuficiência</p><p>cardíaca manifesta.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 21</p><p> Precauções:</p><p> Irritação venosa, incluindo tromboflebite; extravasamento pode acarretar</p><p>uma reação local grave e possível necrose de pele. Devido ao fato de o</p><p>metabólito ácido do esmolol ser primariamente excretado inalterado pelo</p><p>rim, deve ser administrado com precaução a pacientes com função renal</p><p>prejudicada.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Belfort MA, Anthony J, Saade GR, Allen Jr JC. A Comparison of Magnesium</p><p>Sulfate and Nimodipine for the Prevention of Eclampsia. The New England</p><p>Journal of Medicine, 2003; 348:304-311.</p><p>2. FEBRASGO. Urgências e emergências maternas. Ministério da Saúde, Brasília,</p><p>2000.</p><p>3. Marik PE and Varon J. Hypertensive crises. Chest 2007; 131:1949–1962.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 22</p><p>TROMBOEMBOLISMO PULMONAR (TEP)</p><p>Trombose Venosa Profunda (TVP)</p><p> A TVP tipicamente origina-se nos seios venosos dos músculos da panturrilha,</p><p>mas, ocasionalmente, origina-se nas veias proximais, geralmente em resposta</p><p>a trauma ou cirurgia. Cerca de 25% trombos de panturrilha não tratados</p><p>extendem-se para as veias proximais, geralmente dentro de uma semana após</p><p>a apresentação.</p><p> O risco de embolia pulmonar (sintomática ou assintomática) com trombose</p><p>venosa proximal é de aproximadamente 50% e a maioria dos êmbolos fatais</p><p>provavelmente originam-se de trombos proximais.</p><p> A embolia pulmonar e a trombose venosa profunda devem ser consideradas</p><p>parte do mesmo processo patológico.</p><p>Achados Clínicos</p><p> Deve-se suspeitar de embolia pulmonar sempre que o doente apresentar</p><p>dispneia, dor torácica ou hipotensão sem uma causa óbvia, uma vez que estes</p><p>achados estão presentes em 97% dos casos. Contudo, a especificidade dessas</p><p>manifestações é muito baixa.</p><p> Dispneia é o sintoma mais freqüente de embolia pulmonar e a taquipneia é o</p><p>sinal mais freqüente.</p><p> No exame físico, achados</p><p>utiliza-se o plasma fresco congelado.</p><p>HEPARINA NÃO FRACIONADA</p><p> Usar nas seguintes situações:</p><p> Pacientes com disfunção renal severa (clearance da creatinina 90 (> 3 x controle) Não Interromper</p><p>por 1 hora 3 unidades/kg/hora</p><p>Contraindicações para Terapia Anticoagulante</p><p>(heparinas e trombolíticos)</p><p>Absolutas</p><p>Sangramento ativo (exceto menstruação)</p><p>Diátese hemorrágica severa ou plaquetas ≤20.000/mm3</p><p>Neurocirurgia, cirurgia ocular ou sangramento intracraniano nos últimos 10 dias</p><p>Relativas</p><p>Diátese hemorrágica leve a moderada ou trombocitopenia acima de 20.000/mm3</p><p>Metástases cerebrais</p><p>Trauma importante recente</p><p>Cirurgia abdominal de grande porte nos últimos 2 dias</p><p>Sangramento gastrointestinal ou genitourinário nos últimos 14 dias</p><p>Endocardite</p><p>Hipertensão severa (PAS >200 mmHg, PAD >120 mmHg ou ambos)</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 27</p><p> Evento hemorrágico leve: interromper a administração de heparina.</p><p> Sangramentos mais graves:</p><p> Protamina (ampolas com 5 mL, sendo 1 mL = 10 mg de cloridrato de</p><p>protamina = 1000 UI de protamina).</p><p> Dose: 1 mg (100 UI ou 0,1 ml) para cada 100 UI de heparina</p><p>administrada na última hora e 1 mg (100 UI ou 0,1 mL) para cada 200</p><p>UI recebidas na penúltima hora. Não é preciso reverter a heparina</p><p>infundida há mais de 2 horas.</p><p> Preparo da solução de protamina: 50mg ou 5000 UI de protamina (01</p><p>ampola), diluída em 100 mL de soro fisiológico, EV em 10 minutos.</p><p>Reverte 5000 UI de heparina (1mL = 10 mg = 1000 UI de protamina</p><p>revertem 1000 UI de heparina.).</p><p> Filtro de veia cava inferior: TEP na presença de hemorragia ativa, TEP</p><p>recorrente apesar de anticoagulação intensiva e prolongada ou TVP de veia</p><p>proximal de MMII caso anticoagulação não seja possível devido risco de</p><p>sangramento.</p><p>ANTICOAGULAÇÃO PROLONGADA</p><p> A varfarina pode ser iniciada de forma segura no primeiro dia de terapia com</p><p>heparina. Uma dose diária inicial de 5 mg é frequentemente suficiente.</p><p> A heparina é descontinuada ao atingir-se um INR no nível terapêutico (2,0 a</p><p>3,0) por dois dias consecutivos.</p><p> Heparina sem anticoagulação oral é usada no tratamento da embolia</p><p>pulmonar durante a gravidez.</p><p>AJUSTE DA DOSE DA VARFARINA</p><p>Semana 1</p><p>Dia INR Ajuste</p><p>2 Não dosar Dose Inicial (DI)</p><p>3</p><p>3,0 Suspender</p><p>4</p><p>3,5 Suspender</p><p>5</p><p>3,5 Suspender</p><p>6</p><p>3,5 Suspender</p><p>7</p><p>3,5 DI x 0,8</p><p>Após 1ª semana</p><p>INR Ajuste</p><p>9,0</p><p>Suspender varfarina E dar</p><p>vitamina K 2,5-5mg</p><p>Reiniciar varfarina quando INR</p><p>2-3 E reduzir a dose</p><p>semanalmente em 15-20%</p><p>Nota: Vitamina K no Brasil é vendida para uso oral apenas na formulação pediátrica de KANAKION pediátrico</p><p>(ampola 0,5ml/2mg). A única vitamina K disponível para uso EV é a KANAKION MM (1ml/10mg). Ambas</p><p>podem ser feitas por via oral. As demais ampolas de vitamina K são oleosas e devem ser usadas por via IM,</p><p>contudo devem ser evitadas em pacientes com INR alargado, pelo risco de hematoma muscular.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 28</p><p> A duração ótima da anticoagulação após a embolia pulmonar permanece</p><p>incerta. Um período de tratamento de seis meses previne muito mais</p><p>recorrências que um período de seis semanas entre pacientes com um primeiro</p><p>episódio de embolia pulmonar. Um período indefinido (vitalício) de</p><p>anticoagulação deveria ser considerado em pacientes com embolia pulmonar</p><p>recidivante se o risco de hemorragia importante for baixo.</p><p>Trombose Venosa Profunda do Membro Superior</p><p> Embora a maioria dos episódios de TVP ocorram nos membros inferiores,</p><p>estima-se que 1 a 4% dos casos envolve as extremidades superiores. A TVP</p><p>dos membros superiores pode envolver as veias subclávia, axilar ou braquial.</p><p>As manifestações clínicas incluem edema, veias colaterais dilatadas no braço,</p><p>pescoço ou tórax e dor ou alterações da cor do membro.</p><p> A trombose pode levar a complicações, incluindo a embolia pulmonar</p><p>(ocorrência estimada em até um terço dos pacientes), a TVP recorrente e a</p><p>síndrome pós-trombótica do braço.</p><p> O tratamento dos pacientes com TVP aguda dos MMSS, da mesma forma</p><p>que para pacientes com TVP de MMII, os pacientes requerem tratamento</p><p>anticoagulante para impedir a extensão do trombo e TEP (HBPM, HNF,</p><p>varfarina).</p><p>Manejo perioperatório da terapia antitrombótica</p><p> A interrupção do antagonista da vitamina K (AVK) deve ser feita</p><p>aproximadamente 5 dias antes da cirurgia e reiniciado cerca de 12 a 24 horas</p><p>após a cirurgia, havendo hemostasia adequada.</p><p> Em pacientes portadores de valva cardíaca mecânica, fibrilação atrial ou TVP e</p><p>com alto risco de tromboembolismo, sugere-se uma anticoagulação de ponte</p><p>com HBPM ou HNF durante a descontinuação do AVK.</p><p> Existem três regimes de anticoagulação de ponte:</p><p>a) Enoxaparina 1 mg/kg duas vezes ao dia ou 1,5 mg/kg em dose única</p><p>diária;</p><p>b) Dalteparina 100 UI/kg duas vezes ao dia ou 200 UI/kg em dose única</p><p>diária;</p><p>c) HNF endovenosa objetivando TTPA 1,5 a 2 vezes o tempo controle.</p><p> Os pacientes que estiverem recebendo anticoagulação de ponte com heparina</p><p>em dose terapêutica devem interromper a HNF endovenosa 4 a 6 horas antes</p><p>da cirurgia e a HBPM 24 horas antes da cirurgia. Nestes pacientes, a HBPM</p><p>deve ser reintroduzida nas doses terapêuticas 48 a 72</p><p>horas após a cirurgia</p><p>quando esta for de alto risco para hemorragia e 24 horas após a cirurgia caso</p><p>contrário.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Agnelli, G, Becattini, C. Acute Pulmonary Embolism. N Engl J Med 2010 363:</p><p>266-274.</p><p>2. American College of Chest Physicians. Antithrombotic and Thrombolytic</p><p>Therapy: American College of Chest Physicians Evidenced-Based Clinical</p><p>Practice Guidelines (8th Edition). Chest 2008;133(6) Supplement.</p><p>3. Bates SM, Ginsberg, Jeffrey S. Treatment of Deep-Vein Thrombosis. N Engl J</p><p>Med 2004 351: 268-277.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 29</p><p>4. Douketis JD, Spyropoulos AC, Spencer FA, et al. Perioperative management of</p><p>antithrombotic therapy: antithrombotic therapy and prevention of thrombosis,</p><p>9th ed: American College of Chest Physicians evidence-based clinical practice</p><p>guidelines. Chest. 2012;141(2)(suppl):e326S-e350S.</p><p>5. Holbrook A, Schulman S, Witt DM, et al. Evidence-based management of</p><p>anticoagulant therapy: antithrombotic therapy and prevention of thrombosis,</p><p>9th ed: American College of Chest Physicians evidence-based clinical prac tice</p><p>guidelines. Chest. 2012;141(2)(suppl):e152S-e184S</p><p>6. Kearon C, Akl EA, Comerota AJ, et al. Antithrombotic therapy for VTE disease:</p><p>antithrombotic therapy and prevention of thrombosis, 9th ed: American College</p><p>of Chest Physicians evidence-based clinical practice guide lines. Chest.</p><p>2012;141(suppl):e419S-e494S.</p><p>7. Knobel E, Rêgo VLD, Figueiredo EJA e Baruzzi ACA. Embolia pulmonar. In:</p><p>Programa de atualização em medicina de urgência – PROURGEN. Porto Alegre:</p><p>Artmed/Panamericana; 2008. Ciclo 1. Módulo 3. p. 43-71.</p><p>8. Martins HS, Brandão Neto RA, Scalabrini Neto A, Velasco IT. Emergências</p><p>clínicas: abordagem prática. 2ª edição. Editora Manole. São Paulo, 2006.</p><p>9. Meyer G, Vicaut E, Danays T, et al. Fibrinolysis for patients with intermediate-</p><p>risk pulmonary embolism. N Engl J Med 2014;370:1402-1411.</p><p>10. Sacilotto R e Godoy MR. Trombose venosa profunda. In: Programa de</p><p>atualização em medicina de urgência – PROURGEN. Porto Alegre:</p><p>Artmed/Panamericana; 2008. Ciclo 1. Módulo 4. p. 75-124</p><p>11. Tapson VF. Acute pulmonary embolism. N Engl J Med 2008; 358:1037-50.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 30</p><p>TROMBOCITOPENIA INDUZIDA PELA HEPARINA (TIH)</p><p> Reação medicamentosa adversa mediada pelo sistema imune, onde complexos imunes</p><p>ativam plaquetas, podendo causar trombose venosa e arterial. Os eventos</p><p>trombóticos venosos predominam sobre eventos arteriais em uma proporção de 4:1.</p><p> As complicações tromboembólicas associadas à TIH incluem trombose venosa, embolia</p><p>pulmonar, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e trombose arterial</p><p>periférica que pode progredir para necrose dos membros, necessitando de amputação.</p><p> O risco de trombose permanece elevado por dias a semanas após a retirada da</p><p>heparina, mesmo depois que a contagem das plaquetas normalize.</p><p> As manifestações atípicas incluem a necrose cutânea induzida pela heparina, a gangrena venosa</p><p>dos membros e reações anafiláticas após administração endovenosa de heparina.</p><p>Escore de Probabilidade Clínica 4T</p><p>4Ts 2 pontos 1 ponto 0 ponto</p><p>Trombocitopenia Queda > 50% E nadir</p><p>≥20.000/mm3</p><p> Queda entre 30 a 50%</p><p>OU nadir entre 10 a</p><p>19.000/mm3</p><p>Queda 100 kg: 10 mg.</p><p> Insuficiência Renal: Nenhuma redução na dosagem é requerida para pacientes</p><p>com clearance de creatinina maior ou igual a 30ml/min. ARIXTRA® não deve ser</p><p>usado em pacientes com clearance de creatinina menor que 20ml/min.</p><p> Não necessita monitorização laboratorial</p><p> Tratamento de angina instável/infarto do miocárdio com ou sem elevação</p><p>do segmento ST: 2,5 mg SC uma vez ao dia</p><p> Insuficiência Renal: Não é recomendado o uso de ARIXTRA® em pacientes com</p><p>clearance de creatinina menor que 20ml/min. Nenhuma redução na dosagem é</p><p>requerida para pacientes com clearance de creatinina maior ou igual a</p><p>20ml/min.</p><p> Havendo trombose, além de descontinuação da heparina e início de anticoagulante não</p><p>heparínico, deve-se acrescentar um antagonista da vitamina K. Contudo, este não</p><p>deve ser iniciado antes da recuperação da contagem plaquetária para um mínimo de</p><p>150.000 por mm3. Seu uso deve ser sopreposto ao anticoagulante não heparínico por</p><p>pelo menos cinco dias até obtenção do INR almejado.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Arepally GM, Ortel TL. Heparin-induced thrombocytopenia. N Engl J Med</p><p>2006;355:809-817.</p><p>2. Boechat TO. Abordagem do paciente com trombocitopenia. In: Programa de</p><p>atualização em medicina intensiva – PROAMI. Porto Alegre: Artmed/Panamericana;</p><p>2012. Ciclo 9. Módulo 4. p. 9-55.</p><p>3. Di Nisio M, Middeldorp S, Buller HR. Direct Thrombin Inhibitors. N Engl J Med 2005</p><p>353: 1028-1040.</p><p>4. Kelton JG, Arnold DM, and Bates SM. Nonheparin Anticoagulants for Heparin-Induced</p><p>Thrombocytopenia. N Engl J Med 2013;368:737-44.</p><p>5. Linkins L-A, Dans AL, Moores LK, et al. Treatment and prevention of heparin-induced</p><p>thrombocytopenia: antithrombotic therapy and prevention of thrombosis, 9th ed:</p><p>American College of Chest Physicians evidence-based clinical practice guidelines.</p><p>Chest. 2012;141(2)(suppl):e495S-e530S.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 32</p><p>PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA</p><p>Este capítulo pretende realizar uma síntese de alguns tópicos da 9ª edição do</p><p>Antithrombotic Therapy and Prevention of Thrombosis American College of Chest</p><p>Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines (AT9).</p><p>Pacientes Clínicos Hospitalizados</p><p> Indicado tromboprofilaxia para pacientes hospitalizados com doenças agudas e com</p><p>risco aumentado para trombose venosa</p><p>profunda (TVP).</p><p> Fatores de risco para TVP em pacientes clínicos hospitalizados (Chest. 2012;141:</p><p>195S-226S)</p><p>Fator de Risco Pontos Fator de Risco Pontos</p><p>Câncer em atividade 3 Insuficiância cardíaca e/ou</p><p>respiratória</p><p>1</p><p>TVP prévio (excluindo a</p><p>trombose venosa superficial)</p><p>3 IAM ou AVCI 1</p><p>Mobilidade reduzida 3 Infecção aguda e/ou</p><p>distúrbio reumatológico</p><p>1</p><p>Trombofilia 3 Obesidade (IMC ≥ 30) 1</p><p>Trauma e/ou cirurgia recente</p><p>(≤1 mês)</p><p>2 Uso de reposição hormonal 1</p><p>Idade avançada (≥70 anos) 1</p><p>Classificação</p><p>Alto risco ≥4</p><p> A tromboprofilaxia pode ser realizada com heparina de baixo peso molecular (HBPM)</p><p>ou heparina não fracionada (HNF) em dose baixa, podendo esta ser administrada duas</p><p>ou três vezes ao dia.</p><p> Pacientes com sangramento em atividade ou sob elevado risco de sangramento não</p><p>devem receber tromboprofilaxia com anticoagulantes.</p><p> Úlcera gastroduodenal em atividade;</p><p> Sangramento nos últimos 3 meses;</p><p> Plaquetas 1,5;</p><p> Insuficiência renal severa com TFG 2)</p><p>Relativas</p><p>Distúrbios da coagulação adquiridos (ex.: insuficiência hepática aguda)</p><p>Lesões mucosas (ex.: úlcera péptica ativa, bronquiectasias)</p><p>AVC agudo (dentro de 24 horas)</p><p>Trombocitopenia (</p><p>o mesmo</p><p>(afastar alguns centímetros).</p><p> Prolongar a RCP além de 30 minutos sem o retorno a uma circulação espontânea</p><p>é usualmente fútil, a não ser que a parada cardíaca seja composta por</p><p>hipotermia, overdose de drogas, outras condições identificáveis e tratáveis ou</p><p>fibrilação ou taquicardia ventricular intermitentes.</p><p> Interromper a ressuscitação após um paciente estar em assistolia por mais que</p><p>10 minutos se não há causa prontamente identificável e tratável.</p><p> No hospital, pacientes com parada não testemunhada, com ritmos diferentes de</p><p>fibrilação ou taquicardia ventricular e sem pulso após 10 minutos de RCP não</p><p>sobrevivem.</p><p>SUPORTE AVANÇADO DE VIDA (SAV)</p><p>A (Vias Aéreas)</p><p> Alguém já deve ter realizado os preparativos para intubação endotraqueal (tubo</p><p>de tamanho adequado, checado laringoscópio, aspirador).</p><p> Realize a intubação endotraqueal.</p><p>B (Respiração)</p><p> Checar a eficácia da intubação:</p><p> Avaliar a movimentação do tórax.</p><p> Auscultar o epigástrio.</p><p> Examinar a presença de sons pulmonares bilaterais.</p><p> Ventilar o paciente (não é mais necessário pausa nas compressões torácicas</p><p>para ventilar o paciente).</p><p>C (Circulação)</p><p> A veia antecubital deve ser o primeiro alvo do acesso venoso.</p><p> Soro fisiológico é recomendado como o líquido EV ideal (evitar na congestão</p><p>pulmonar).</p><p> Após cada medicação EV, administrar 20-30mL de volume EV e elevar o braço.</p><p> Continue as compressões torácicas.</p><p>D (Diagnóstico Diferencial)</p><p> Identifique a possível razão da parada.</p><p> Não usar o suporte cardiovascular avançado de vida em pacientes que morreram</p><p>de doença incurável.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 4</p><p>FIBRILAÇÃO VENTRICULAR / TAQUICARDIA VENTRICULAR SEM PULSO</p><p> Não palpar pulso ou checar ritmo após choque.</p><p> Após o choque fazer RCP (5 ciclos ou 2 minutos) e depois checar o ritmo. Se</p><p>houver ritmo organizado, verificar pulso.</p><p> Administrar drogas durante RCP. A administração de drogas não deve</p><p>interromper a RCP.</p><p>DROGAS UTIZADAS NA FV/TV SEM PULSO</p><p>Adrenalina</p><p> 1 mg ou 1 ampola (1: 1000)EV em bolus a cada 3 a 5 minutos; não há dose</p><p>máxima nesta situação.</p><p>Amiodarona</p><p> 300 mg (02 ampolas) EV em bolus; segunda dose de 150 mg (01 ampola) EV</p><p>em bolus.</p><p> Manutenção: 900 mg/dia: 06 ampolas (18 mL) em SG5% 450 mL (2 mg/mL).</p><p> 360 mg em 6 horas: 30 mL/hora (1 mg/minuto)</p><p> 540 mg em 18 horas: 15 mL/hora (0,5 mg/minuto)</p><p> Dose máxima cumulativa em 24 horas: 2,2 g</p><p>Bicarbonato de Sódio</p><p> Seu uso rotineiro não é recomendado. As indicações para sua utilização são:</p><p> pH4 horas</p><p> CPC1 3 ou 4 anterior à PCR</p><p> Gravidez óbvia ou suspeita</p><p> Doença conhecida com sobrevivência improvável em 180 dias</p><p> PAS</p><p>se faz às custas desse tipo de arteríola são as regiões</p><p>profundas dos hemisférios cerebrais (núcleos da base, tálalmo, cápsula interna e o</p><p>tronco cerebral).</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 36</p><p> A hialinização das paredes vasculares, espessadas principalmente em resposta à</p><p>hipertensão arterial crônica, é o que leva à trombose desses pequenos vasos, com</p><p>infartos de reduzido tamanho e de localização naquelas áreas citadas.</p><p> Quadros de hemiplegia ou hemiparesia proporcionada, completa, sem alterações de</p><p>sensibilidade associada e, especialmente hemiplegia à direita em destros sem</p><p>comprometimento da fala, são o habitual dos infartos lacunares.</p><p> O início, em geral, é abrupto e, raramente pode assumir caráter progressivo.</p><p>4. Ataque Isquêmico Transitório (AIT)</p><p> AIT é um episódio curto de disfunção neurológica causada por isquemia focal cerebral</p><p>ou retiniana com sintomas clínicos que tipicamente duram menos que uma hora e sem</p><p>evidências de infarto agudo.</p><p>Tabela 1. Diagnóstico diferencial do AVCI</p><p>Transtorno</p><p>conversivo</p><p>Ausência de déficits objetivos de nervos cranianos,</p><p>achados neurológicos em distribuição não-vascular,</p><p>exame neurológico inconsistente</p><p>Epilepsia Histórico de convulsões, convulsão presenciada, paralisia</p><p>pós-ictal (paralisia de Todd)</p><p>Hipoglicemia Histórico de diabetes, glicose sérica baixa</p><p>Enxaqueca com aura</p><p>(enxaqueca</p><p>complicada)</p><p>História de eventos similares, aura precedente, cefaléia</p><p>Encefalopatia</p><p>hipertensiva</p><p>Cefaléia, delírios, hipertensão significativa, cegueira</p><p>cortical, edema cerebral, convulsões</p><p>Encefalopatia de</p><p>Wernicke</p><p>História de abuso de álcool, ataxia, oftalmoplegia,</p><p>confusão</p><p>Abscesso cerebral História de abuso de drogas, endocardite, implante de</p><p>dispositivo médico com febre</p><p>Tumor do SNC Progressão gradual dos sintomas, outro tumor primário,</p><p>apresentação clínica com convulsões</p><p>Intoxicação</p><p>medicamentosa</p><p>Lítio, fenitoína, carbamazepina</p><p>Tabela 2. Diagnóstico diferencial de isquemia em adultos jovens (15 a 40 anos)</p><p>Enxaqueca</p><p>Dissecção arterial</p><p>Drogas, especialmente cocaína e heroína</p><p>Aterosclerose prematura, hiperlipidemias, hipertensão, diabetes, fumo, homocistinúria</p><p>Relacionado a hormônios femininos (contraceptivos orais, gestação, puerpério):</p><p>eclâmpsia; oclusão do seio dural; infartos arteriais e venosos; cardiomiopatia periparto</p><p>Hematológico: deficiência de antitrombina III, proteína C ou proteína S; desordens do</p><p>sistema fibrinolítico; deficiência do ativador do plasminogênio; síndrome do anticorpo</p><p>antifosfolípide; aumento do fator VIII; câncer; trombocitose; policitemia; púrpura</p><p>trombocitopênica trombótica; coagulação intravascular disseminada</p><p>Reumático e inflamatório: LES; artrite reumatóide; sarcoidose; síndrome de Sjögren's;</p><p>escleroderma; poliarterite nodosa; crioglobulinemia; doença de Crohn's; colite ulcerativa</p><p>Cardíaca: defeito septal interatrial; foramen ovale patente; prolapso da valva mitral;</p><p>calcificação do annulus mitral; miocardiopatias; arritmias; endocardite</p><p>Doença arterial penetrante (lacunar); hipertensão, diabetes</p><p>Outros: doença de Moyamoya; doença de Behçet; neurossífilis; doença de Takayasu;</p><p>doença de Sneddon; displasia fibromuscular; doença de Fabry; doença de Cogan</p><p>De: Caplan LR, Estol CE: Strokes in youths. In Adams HP (ed): Cerebrovascular Disease.</p><p>New York, Dekker, 1993, pp 233–254.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 37</p><p>AVALIAÇÃO INICIAL</p><p> Obter na história a hora do início dos sintomas. Para os pacientes incapazes de</p><p>fornecer esta informação ou que despertem com sintomas de AVC, o tempo de início</p><p>é definido como o último momento que o paciente estava acordado e assintomático</p><p>ou reconhecido como "normal".</p><p> O exame neurológico inicial deve ser breve, mas completo, utilizando a National</p><p>Institutes of Health Stroke Scale (NIHSS) (tabela 3).</p><p>Tabela 3. Escala de AVC do National Institute of Health (NIH)</p><p>Descrição Respostas e escalas</p><p>1A – Nível de consciência 0 – Alerta</p><p>1 – Sonolento</p><p>2 – Obnubilado</p><p>3 – Coma/não responsivo</p><p>1B – Perguntas de orientação (mês</p><p>e idade)</p><p>0 – Responde ambas corretamente</p><p>1 – Responde uma corretamente</p><p>2 – Nenhuma resposta correta</p><p>1C – Resposta a comandos (abrir e</p><p>fechar os olhos; depois, abrir e</p><p>fechar a mão não parética)</p><p>0 – Executa ambas as tarefas corretamente</p><p>1 – Executa uma tarefa corretamente</p><p>2 – Não executa nenhuma tarefa</p><p>2 – Melhor olhar conjugado</p><p>(somente movimentos oculares</p><p>horizontais são testados)</p><p>0 – Normal</p><p>1 – Paralisia parcial do olhar</p><p>2 – Paralisia completa do olhar</p><p>3 – Campos visuais (quadrantes</p><p>superiores e inferiores são testados</p><p>mediante contagem dos dedos)</p><p>0 – Nenhum defeito no campo visual</p><p>1 – Hemianopsia parcial</p><p>2 –Hemianopsia completa</p><p>3 – Hemianopsia bilateral</p><p>4 – Paralisia facial (mostrar os</p><p>dentes e fechar os olhos)</p><p>0 – Normal</p><p>1 – Paralisia facial leve</p><p>2 – Paralisia facial parcial (paralisia facial</p><p>central: parte inferior da face)</p><p>3– Paralisia facial unilateral completa</p><p>(regiões superior e inferior da face)</p><p>5 – Função motora (braços)</p><p>a. Esquerdo</p><p>b. Direito</p><p>Braços estendidos a 90º (sentado)</p><p>ou 45º (deitado) com palmas para</p><p>baixo por 10 segundos</p><p>0 – Sem queda</p><p>1 – Queda antes dos 10 segundos</p><p>2 – Algum esforço contra a gravidade</p><p>3 – Nenhum esforço contra a gravidade</p><p>4 – Nenhum movimento</p><p>6 – Função motora (pernas)</p><p>a. Esquerda</p><p>b. Direita</p><p>Extensão a 30º na posição supina</p><p>por 5 segundos</p><p>0 – Sem queda</p><p>1 – Queda antes dos 5 segundos</p><p>2 – Algum esforço contra a gravidade</p><p>3 – Nenhum esforço contra a gravidade</p><p>4 – Nenhum movimento</p><p>7 – Ataxia dos membros</p><p>Testes index-nariz e calcanhar-</p><p>joelho</p><p>0 – Ausente</p><p>1 – Ataxia em um membro</p><p>2 – Ataxia nos dois membros</p><p>8 – Sensibilidade</p><p>Avaliar mímica facial ao beliscar ou</p><p>a resposta de retirada ao estímulo</p><p>doloroso (avaliar braços, pernas,</p><p>tronco e face)</p><p>0 – Sem perda sensorial</p><p>1 – Perda sensorial leve a moderada</p><p>2 – Perda sensorial grave ou total</p><p>9 – Melhor linguagem (imagens e</p><p>frases em lista anexa)</p><p>0 – Normal</p><p>1 – Afasia leve a moderada</p><p>2 – Afasia grave</p><p>3 – Mudo (afasia global)</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 38</p><p>Tabela 3. Escala de AVC do National Institute of Health (NIH) –</p><p>continuação</p><p>Descrição Respostas e escalas</p><p>10 – Disartria (palavras em lista</p><p>anexa)</p><p>0 – Normal</p><p>1 – Disartria leve a moderada</p><p>2 – Disartria grave</p><p>11 Extinção ou desatenção</p><p>(anteriormente negligência)</p><p>Informações obtidas nos testes</p><p>anteriores</p><p>0 – Nenhuma anormalidade</p><p>1 – Desatenção visual, tátil, auditiva,</p><p>espacial ou pessoal, ou extinção à</p><p>estimulação simultânea em uma das</p><p>modalidades sensoriais</p><p>2 – Profunda hemi-desatenção ou hemi-</p><p>desatenção para mais de uma modalidade</p><p>EXAMES COMPLEMENTARES</p><p>a) Exames laboratoriais: Solicitar para todos os pacientes: glicemia, hemograma,</p><p>eletrólitos, ureia e creatinina, marcadores cardíacos, tempo de protrombina (TP) com</p><p>INR e tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa).</p><p>b) Tomografia computadorizada do crânio (imediata, se o paciente estiver</p><p>compensado)</p><p> Quando realizada nas primeiras horas após o início do quadro, se a lesão cerebral for</p><p>isquêmica, costuma não revelar anormalidades.</p><p> As lesões, após 12 a 24 horas, começam a se demonstrar como zonas hipodensas</p><p>(escuras), mas podem levar 48 a 72 horas para se tornar bem visíveis e delimitadas.</p><p> A TC sem contraste é suficiente para a identificação de contraindicações para</p><p>fibrinólise, pois exclui de maneira definitiva hemorragia parenquimatosa. Contudo é</p><p>relativamente insensível para detectar infartos corticais e subcorticais pequenos,</p><p>especialmente na fossa posterior.</p><p> Primeiros sinais sutis de lesão cerebral isquêmica:</p><p> Perda de diferenciação entre as substâncias branca e cinzenta. Exemplo: perda de</p><p>distinção entre os</p><p>núcleos dos gânglios da base (obscurecimento lenticular).</p><p> Sinal do vaso hiperdenso. Aumento da densidade dentro da artéria obstruída, como o</p><p>sinal da artéria cerebral média (ACM) hiperdensa. A oclusão de um grande vaso</p><p>normalmente provoca grave acidente vascular cerebral, além de ser forte preditor de</p><p>deteriorização neurológica (75% de valor preditivo positivo). O sinal da ACM</p><p>hiperdensa, no entanto, é visto apenas em cerca de um terço a metade dos casos de</p><p>trombose angiograficamente comprovada</p><p>c) Ressonância Magnética: não é um teste diagnóstico prático na emergência, pois</p><p>depende da cooperação do paciente e tem um tempo de execução prolongado; mais</p><p>sensível que a TC, especialmente entre 8 e 24 horas pós-AVCI e para infartos de</p><p>tronco cerebral e cerebelo. Contudo, ainda permanece incerto se a visualização</p><p>precoce da isquemia tem implicações importantes para a conduta.</p><p>d) Angiografia por TC ou RM: Para doentes nos quais terapêuticas mecânicas</p><p>endovasculares (trombólise ou trombectomia endovascular) são considerados.</p><p>e) ECG: devido à forte associação entre AVCI e cardiopatia, sob a forma de arritmias</p><p>cardíacas (principalmente fibrilação atrial), isquemia ou ICC.</p><p>f) Ecocardiograma: Nas primeiras horas após o início do AVCI é necessária apenas em</p><p>casos raros, como na suspeita de endocardite infecciosa. Posteriormente, a</p><p>ecocardiografia pode ser indicada para descartar cardioembolismo (trombo ventricular,</p><p>infarto do miocárdio, valvulopatia).</p><p>g) A utilidade da radiografia de tórax de rotina é discutível, uma vez que a frequência</p><p>de informações relevantes com este exame é ínfima, desde que na ausência de</p><p>suspeita clínica de doença pulmonar, cardíaca ou vascular subjacente. Quando</p><p>realizado, o mesmo não deve atrasar a administração da fibrinólise.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 39</p><p>TRATAMENTO</p><p>Primeiros Cuidados</p><p> Estabilização imediata das vias respiratórias, da respiração e da circulação.</p><p> Pacientes com risco de obstrução das vias aéreas ou aspiração e aqueles com suspeita</p><p>de PIC elevada devem ter a cabeceira da cama elevada a 30°.</p><p> A hipertermia (temperatura ≥38 ° C) está associada com mau prognóstico neurológico</p><p>no AVCI. Usar antipiréticos e tratar as causas infecciosas.</p><p> As complicações da hipotermia induzida determinam um perfil de segurança</p><p>preocupante para pacientes com AVCI. Adicionalmente, os estudos ainda são pequenos,</p><p>têm apresesentado resultados conflitantes e não identificaram a técnica e o momento</p><p>ideais para a indução da hipotermia.</p><p> A hipovolemia pode predispor a hipoperfusão e agravar a lesão cerebral isquêmica,</p><p>causar insuficiência renal, potenciar a trombose. Utilizar preferencialmente soluções</p><p>isotônicas (solução salina a 0,9%) que se distribuem de maneira mais uniforme nos</p><p>espaços extracelulares (intersticial e intravascular) do que soluções hipotônicas (glicose</p><p>a 5%, Ringer-Lactato5,6) as quais distribuem-se nos espaços intracelulares e podem</p><p>exacerbar o edema cerebral.</p><p> A hipervolemia pode exacerbar edema cerebral e sobrecarregar o miocárdio. Assim, a</p><p>euvolemia é desejável.</p><p> Vários estudos observacionais têm encontrado uma associação entre hiperglicemia e</p><p>resultados clínicos piores comparado à normoglicemia. Manter a glicemia entre 140 a</p><p>180 mg/dL em todos os pacientes hospitalizados.</p><p> Hipoglicemia grave pode produzir ou agravar déficits neurológicos focais,</p><p>encefalopatia, convulsões ou estado epiléptico, disfunção cognitiva permanente e</p><p>morte. Portanto, em pacientes neurológicos sob uso de insulina endovenosa contínua,</p><p>deve-se evitar glicemias abaixo de 100 mg/dL, para minimizar os efeitos adversos.</p><p>Prevenção da Trombose Venosa Profunda (TVP)</p><p> Para pacientes com AVCI e restrição da mobilidade, recomenda-se profilaxia com</p><p>heparina subcutânea em baixas doses ou heparina de baixo peso molecular.</p><p> Para pacientes com contraindicações aos anticoagulantes, recomenda-se compressão</p><p>pneumática intermitente. Meias de compressão graduada isoladamente não reduzem a</p><p>incidência de TVP no AVC agudo.</p><p>Convulsões</p><p> Nenhum estudo até o momento demonstrou um benefício com o uso de</p><p>anticonvulsivante profilático após o AVCI. Portanto, o uso profilático de</p><p>anticovulsivantes não é recomendado.</p><p> Crises convulsivas recorrentes após o AVCI, porém, devem ser tratadas de uma</p><p>maneira semelhante a outras condições neurológicas agudas.</p><p>Hipertensão Arterial</p><p>A. Pacientes que não são candidatos à fibrinólise</p><p> Iniciar anti-hipertensivos se PAS >220 mmHg ou PAD >120 mmHg.</p><p> Reduzir a PA em 15% durante as primeiras 24 horas após o início do AVC.</p><p> Quando hourver concomitantemente condições clínicas nas quais o controle da</p><p>hipertensão arterial é mandatório (IAM, dissecção aórtica e insuficiência cardíaca),</p><p>reduzir, inicialmente, a PAS em 15% e monitorar uma eventual deterioração</p><p>neurológica relacionada com a redução da pressão arterial.</p><p>B. Pacientes candidatos à fibrinólise</p><p> Reduzir a PA para níveis abaixo de 185/110 mmHg (tabela 4).</p><p>5 Ringer-lactato é hiposmótico (255 mosm/kg) e pode causar ou piorar o edema cerebral. Ravussin PA, Favre JB, Archer DP,</p><p>Tommasino C,Boulard G. Treatment of hypovolemia in brain injured patients. Ann Fr Anesth Reanim. 1994;13(1):88-97.</p><p>6 http://www.saj.med.br/uploaded/File/artigos/Expansores%20do%20plasma.pdf</p><p>SOLUÇÃO DE RINGER LACTATO: contém 130 meq/l de sódio, 4 meq/l de potássio, 3 meq/l de cálcio, 28 meq/l de lactato e 109</p><p>meq/l de cloreto. Apresenta 274 mOsm/l, sendo portanto,levemente hipo-osmolar em relação ao plasma.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 40</p><p>Tabela 4. Manejo da hipertensão arterial antes da infusão de rtPA</p><p> Evitar a infusão rtPA até controle da PA.</p><p> Monitorar PA a cada 15 minutos por 2 horas a partir do início da terapia com</p><p>rtPA; em seguida, a cada 30 minutos durante 6 horas e depois a cada hora por</p><p>16 horas.</p><p> Objetivo: PAS</p><p>trocada a cada 3 a 6 horas;</p><p> O nitroprussiato diminui o fluxo sangüíneo cerebral ao mesmo tempo em</p><p>que aumenta a pressão intracraniana, efeitos que são particularmente</p><p>desfavoráveis em pacientes com encefalopatia hipertensiva ou após um</p><p>acidente vascular cerebral.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 41</p><p>Terapia Trombolítica</p><p> Ativador Tecidual Recombinante do Plasminogênio (rtPA, alteplase, Actylise; 50 mg de</p><p>alteplase, acompanhado de frasco-ampola com 50 ml de diluente).</p><p> O rtPA atua pela intensificação da conversão do plasminogênio em plasmina. A</p><p>plasmina atua nos coágulos de fibrina causando sua dissolução. A atividade do rtPA é</p><p>bastante amplificada na presença de fibrina, aumentando a fibrinólise especificamente</p><p>nos sítios de trombose.</p><p> O rtPA venoso é recomendado para pacientes selecionados (tabela 5) que podem ser</p><p>tratados dentro de 3 horas do início do AVCI.</p><p> Para pacientes cuidadosamente selecionados tratados entre 3 a 4,5 horas após o</p><p>AVCI. Os critérios de elegibilidade para o tratamento neste período de tempo são</p><p>semelhantes àquelas para as pessoas atendidas em períodos anteriores dentro de 3</p><p>horas, com os critérios de exclusão adicionais descritos na tabela 6.</p><p>Tabela 5. Características de inclusão e exclusão dos pacientes com AVCI</p><p>para uso de rtPA EV dentro de 3 horas do início dos sintomas</p><p>Critérios de inclusão</p><p>Diagnóstico de AVCI causando déficit neurológico mensurável</p><p>Início dos sintomas há menos de 3 horas antes início do tratamento</p><p>Idade ≥ 18 anos</p><p>Critérios de Exclusão:</p><p> Hemorragia intracraniana atual ou prévia.</p><p> Trauma cerebral severo ou AVCI anterior nos últimos 3 meses.</p><p> TC de crânio com hipodensidade precoce > 1/3 do território da ACM.</p><p> PAS ≥ 185mmHg ou PAD ≥ 110mmHg (em 3 ocasiões, com 10 minutos de</p><p>intervalo) refratária ao tratamento anti-hipertensivo).</p><p> Sangramento interno ativo.</p><p> Neoplasia intracraniana, malformação arteriovenosa ou aneurisma.</p><p> Sintomas sugestivos de hemorragia subaracnóide.</p><p> Cirurgia intracraniana ou espinhal recente.</p><p> Diátese hemorrágica, incluindo.</p><p> Plaquetas 1,7 ou TP > 15 segundosa.</p><p> Uso de inibidores diretos da trombina (lepirudina, bivalirudina, ximelagatran,</p><p>argatroban, dabigatran) ou inibidores diretos do fator Xa (rivaroxaban)b.</p><p> Glicemia 1.7 ou TP estiver elevado.</p><p>b. O uso de rtPA endovenoso em pacientes que tomam inibidores diretos da trombina ou inibidores</p><p>diretos do fator Xa pode ser prejudicial e não é recomendado a menos que testes de laboratório</p><p>sensíveis, tais como TTPa, INR, contagem de plaquetas, ECT, TT ou teste diretos de atividade do</p><p>fator Xa estejam normais, ou, ainda, que o paciente não tenha recebido uma dose destes agentes</p><p>há mais de 2 dias (com função renal normal).</p><p>c. Sintomas que não são potencialmente incapacitantes no momento.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 42</p><p>Tabela 6. Características de inclusão e exclusão para uso de rtPA no</p><p>AVCI agudo dentro de 3 a 4,5 horas do início dos sintomas</p><p>Critérios de inclusão</p><p>Diagnóstico de AVCI causando déficit neurológico mensurável</p><p>Início dos sintomas dentro de 3 a 4,5 horas antes do início do tratamento</p><p>Critérios de exclusão relativosa</p><p>Idade> 80 anos</p><p>Acidente vascular cerebral grave (NIHSS> 25)</p><p>Uso de anticoagulante oral, independentemente de INR</p><p>História de tanto diabetes como AVCI prévios</p><p>a. A eficácia do tratamento intravenoso com rtPA não está bem estabelecida e requer estudos adicionais para</p><p>pacientes elegíveis no período de tempo entre 3 e 4,5 horas após o AVCI, mas que apresentam um ou mais</p><p>dos critérios de exclusão relativos aqui listados.</p><p>Tabela 7. Tratamento do AVCI com rtPA</p><p> Infundir 0,9 mg/kg (dose máxima de 90 mg), sendo 10% da dose</p><p>administrada em bolus e o restante infundido em 1 hora.</p><p> Admitir o paciente em UTI ou unidade de AVC para monitoramento.</p><p> Se o paciente desenvolve cefaléia severa, hipertensão aguda, náuseas ou</p><p>vômitos ou tem uma piora do exame neurológico, descontinuar a infusão de</p><p>rtPA e obter TC de urgência.</p><p> Monitorar PA e realizar avaliações neurológicas a cada 15 minutos durante e</p><p>após a infusão de rtPA por 2 horas; então, a cada 30 minutos por 6 horas;</p><p>então, de hora em hora até 24 horas após o término da infusão de rtPA.</p><p> Aumentar a frequência das medidas da pressão arterial, se a PAS >180</p><p>mmHg ou se a PAD >105 mmHg; administrar medicamentos anti-</p><p>hipertensivos para manter a pressão arterial igual ou abaixo destes níveis</p><p>(Tabela 3).</p><p> Não administrar heparina, antiagregante plaquetário ou anticoagulante oral</p><p>nas primeiras 24 horas do uso do trombolítico.</p><p> Manter o paciente em jejum por 24 horas pelo risco de hemorragia e</p><p>necessidade de intervenção cirúrgica de urgência.</p><p> Adiar, sempre que possível, colocação de sonda nasoentérica ou sonda</p><p>vesical, cateterização venosa central ou punção arterial nas primeiras 24</p><p>horas.</p><p> Obter TC ou RM de controle 24 horas após a infusão do rtPA, antes de iniciar</p><p>anticoagulantes ou antiplaquetários.</p><p>Complicações da Terapia Trombolítica</p><p>A. Hemorragia intracraniana sintomática</p><p> Ocorre em 1,7 a 8,0% dos pacientes tratados.</p><p> Pacientes sob maior risco:</p><p> AVC grave, a extensão da hipodensidade na TC basal, pontuação NIHSS níveis</p><p>elevados de glicemia e persistência da oclusão arterial proximal por mais de 2</p><p>horas após a administração do bolus de rtPA.</p><p> A hemorragia sintomática não é aumentada em idosos, mas os resultados são</p><p>piores e a mortalidade aumenta.</p><p>B. Hemorragia intracraniana assintomática</p><p> A transformação hemorrágica do AVCI, sem qualquer alteração clínica ocorre mais</p><p>frequentemente do que a hemorragia sintomática e pode estar associada com a</p><p>reperfusão e, em alguns casos, melhora clínica.</p><p>C. Hemorragia sistêmica grave (extracraniana) foi observada em 0,4 a 1,5% dos</p><p>pacientes.</p><p> Tratamento das manifestações hemorrágicas após terapia trombolítica incluem a</p><p>administração de crioprecipitado e plaquetas, embora se careça de diretrizes baseadas</p><p>em evidências para tal abordagem.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 43</p><p>D. Angioedema</p><p> Língua, lábios, face ou pescoço; ocorre em 1 a 5% dos doentes tratados com rtPA por</p><p>via endovenosa.</p><p> Na maioria dos casos, os sintomas são leves e resolvem-se rapidamente.</p><p> O uso concomitante de inibidores da enzima conversora da angiotensina é fortemente</p><p>associado a esta complicação.</p><p> O tratamento inclui corticóides e anti-histamínicos. Em casos raros, o edema da faringe</p><p>é suficientemente severo para comprometer a respiração, podendo necessitar de</p><p>intubação traqueal.</p><p>E. Edema Maligno</p><p> O edema citotóxico apresente um auge, usualmente, 3 a 4 dias após a lesão</p><p>isquêmica, mas a reperfusão</p><p>precoce de uma grande área de tecidos necrótico pode</p><p>acelerar o edema para um nível potencialmente crítico dentro das primeiras 24 horas,</p><p>uma situação denominada de edema maligno. Pacientes com AVC grave ou infarto da</p><p>fossa posterior requerem observação cuidadosa com fins a intervenção precoce no</p><p>caso de edema potencialmente fatal.</p><p> Quando o edema produz aumento da PIC, condutas para hipertensão intracraniana</p><p>semelhantes às utilizadas no trauma crânioencefálico e na hemorragia intracraniana</p><p>espontânea devem ser iniciadas, incluindo hiperventilação, terapia osmótica, derivação</p><p>ventricular externa e cirurgia descompressiva.</p><p> Nos casos de grandes infartos do cerebelo, os primeiros sintomas podem ser limitados</p><p>a disfunção do cerebelo. Contudo, o edema pode causar compressão do tronco cerebral</p><p>e progredir rapidamente para uma perda de função do tronco cerebral, estando</p><p>indicada a descompressão de urgência da fossa posterior com a remoção parcial</p><p>do tecido infartado.</p><p>Sonotrombólise</p><p> Um estudo de fase 2 utilizando ultrassom Doppler transcraniano aplicado de forma</p><p>contínua por 2 horas associado a rtPA endovenoso mostrou taxas de recanalização de</p><p>83% contra 50% nos pacientes tratados exclusivamente com rtPA endovenoso. A</p><p>frequência de hemorragia intracraniana foi de 3,8% nos dois grupos.7</p><p>Outros Agentes Fibrinolíticos</p><p> A utilidade de tenecteplase, reteplase, desmoteplase, uroquinase não está bem</p><p>estabelecida, e, portanto, seu uso está restrito ao contexto de estudos clínicos. Não é</p><p>recomendada a administração intravenosa de estreptoquinase para o tratamento do</p><p>AVCI devido a taxas inaceitavelmente elevadas de eventos hemorrágicos.</p><p>Anticoagulação</p><p> A anticoagulação de urgência não é recomendada para o tratamento de pacientes com</p><p>AVCI agudo.</p><p> A anticoagulação para tratar condições não cerebrovasculares não é recomendada para</p><p>pacientes com AVCI moderado a grave devido ao aumento do risco de graves</p><p>complicações hemorrágicas intracranianas.</p><p> Do mesmo modo, nenhum estudo demonstrou um incontestável benefício da</p><p>anticoagulação precoce no AVC cardioembólico em particular. O AT9 recomenda o</p><p>início de anticoagulação oral dentro de 2 semanas do AVCI cardioembólico. Contudo,</p><p>para pacientes com infartos grandes ou outros fatores de risco para hemorragia,</p><p>retardos maiores são adequados.</p><p>7 Alexandrov AV, Molina CA, Grotta JC et al. for CLOTBUST Investigators. Ultrasound-enhanced systemic thrombolysis for acute</p><p>ischemic stroke. N Engl J Med. 2004;351: 2170–2178.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 44</p><p>Antiagregantes Plaquetários</p><p> O clopidogrel deve ser associado ao AAS em pacientes com AVCI leve (pontuação</p><p>NIHSS de 3 ou menos) ou ataque isquêmico transitório dentro de 24 horas do</p><p>surgimento dos sintomas, objetivando prevenção de novo evento de AVC:</p><p> Clopidogrel na dose inicial de 300 mg, seguido por 75 mg diários durante 90 dias.8</p><p> Aspirina na dose de 75 mg/dia por 21 dias.</p><p> Interromper uso de ambos por 24 horas em pacientes que receberam rtPA.</p><p>Terapia Hemodinâmica</p><p> A hemodiluição através de expansão volêmica não é recomendada para o tratamento</p><p>de pacientes com AVCI agudo, bem como a utilidade da hipertensão induzida por</p><p>drogas em pacientes com AVCI agudo não está bem estabelecida.</p><p>Terapia de Recanalização Endovascular</p><p> Apesar de maiores taxas de recanalização quando comparado ao rtPA endovenoso</p><p>isoladamente, o tratamento endovascular não promoveu melhores resultados clínicos,</p><p>conforme observado nos estudos IMS III e SYNTHESIS.9,10</p><p> Neste último estudo, mesmo uma demora de apenas 1 hora no tratamento cancela o</p><p>benefício de uma maior taxa de recanalização obtida com o tratamento encovascular.</p><p>Portanto, não há benefício se a recanalização se dá muito tarde, ou seja, após a</p><p>região isquêmica já ter se transformado em infarto).</p><p>Hemicraniectomia Descompressiva</p><p> Grandes infartos da artéria cerebral média ou infartos hemisféricos cerebrais estão</p><p>associados com o desenvolvimento de edema cerebral grave, o qual pode levar a</p><p>hérniação cerebral e morte precoce. Esta condição, descrita como infarto maligno da</p><p>artéria cerebral média, está associado com mortalidade de 80% na primeira semana,</p><p>apesar do tratamento intensivo conservador máximo, incluindo terapia osmótica,</p><p>barbitúricos e hiperventilação.</p><p> Uma análise conjunta de três estudos clínicos randomizados comparando a cirurgia</p><p>descompressiva com o tratamento clínico em pacientes com infarto do território da</p><p>artéria cerebral média11, evidenciou que o tratamento cirúrgico nas primeiras 48 horas</p><p>após o início do AVC elevou a sobrevida em 1 ano de 29% para 78%. A sobrevivência</p><p>com incapacidade leve ou moderada foi de 43% nos pacientes que se submeteram a</p><p>hemicraniectomia em comparação com 21% dos pacientes que receberam o</p><p>tratamento conservador.</p><p> Contudo, os efeitos da hemicraniectomia descompressiva precoce nos pacientes de</p><p>mais de 60 anos com infarto maligno não apresentou resultados tão bons. O estudo</p><p>DESTINY II12 mostrou redução da mortalidade no grupo submetido à cirurgia</p><p>descompressiva precoce, porém sem diferença quanto à proporção de pacientes que</p><p>sobreviveram sem incapacidade moderadamente grave (incapacidade de andar sem</p><p>ajuda e incapacidade de atender às próprias necessidades corporais sem assistência).</p><p>8 O estudo CHANCE mostrou que o tratamento com clopidogrel associado à aspirina foi superior à aspirina isoladamente na</p><p>redução de novo evento de AVC (8,2% contra 11,7%; razão de risco de 0,68; IC 95% 0,57-0,81; P</p><p>Bluhmki E, et al. Thrombolysis with alteplase 3 to 4.5 hours after</p><p>acute ischemic stroke. N Engl J Med 2008;359:1317-29.</p><p>10. Jacobi J, Bircher N, Krinsley J. Guidelines for the use of an insulin infusion for the</p><p>management of hyperglycemia in critically ill patients. Crit Care Med. 2012; 40:</p><p>3251–3276.</p><p>11. Jauch EC, Saver JL, Adams HP Jr., et al. Guidelines for the early management of</p><p>patients with acute ischemic stroke: a guideline for healthcare professionals from the</p><p>American Heart Association/American Stroke Association. Stroke.2013;44: 870–947.</p><p>12. Lansberg MG, O'Donnell MJ, Khatri P, Lang ES, Nguyen-Huynh MN, Schwartz NE,</p><p>Sonnenberg FA, Schulman S,Vandvik PO, Spencer FA, Alonso-Coello P, Guyatt GH, Akl</p><p>EA; American College of Chest Physicians. Antithrombotic and thrombolytic therapy</p><p>for ischemic stroke: Antithrombotic Therapy and Prevention of Thrombosis, 9th ed:</p><p>American College of Chest Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines.</p><p>Chest. 2012 Feb;141(2 Suppl):e601S-36S.</p><p>13. Lopez AD, Mathers CD, Ezzati M et al. Global and regional burden of disease and risk</p><p>factors, 2001: systematic analysis of population health data. Lancet. 2006; 367:</p><p>1747-57.</p><p>14. Marik PE and Varon J. Hypertensive crises. Chest. 2007;131: 1949–1962.</p><p>15. Martins SCO et al. and Executive Committee from the Brazilian Stroke Society and the</p><p>Scientific Department in Cerebrovascular Diseases of the Brazilian Academy of</p><p>Neurology et. Guidelines for acute ischemic stroke treatment: part II: stroke</p><p>treatment. Arq. Neuro-Psiquiatr. 2012; 70: 885-893.</p><p>16. Vahedi K, Hofmeijer J, Juettler E, et al. Early decompressive surgery in malignant</p><p>infarction of the middle cerebral artery: a pooled analysis of three randomised</p><p>controlled trials. Lancet Neurol. 2007; 6: 215-22.</p><p>17. van der Worp HB, Gijn JV. Acute ischemic stroke. N Engl J Med. 2007;357: 572–579.</p><p>18. Wang Y, Wang Y, Zhao X, et al. for the CHANCE Investigators. Clopidogrel with</p><p>aspirin in acute minor stroke or transient ischemic attack. N Engl J Med 2013;369:11-</p><p>19.</p><p>19. Wechsler LR. Intravenous Thrombolytic Therapy for Acute Ischemic Stroke. N Engl J</p><p>Med 2011;364:2138-46.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 46</p><p>TROMBOSE DOS SEIOS VENOSOS CEREBRAIS</p><p> A trombose das veias e dos seios venosos cerebrais é um distúrbio cerebrovascular</p><p>distinto que, ao contrário do AVC isquêmico arterial, afeta mais frequentemente</p><p>adultos jovens e crianças. Aproximadamente 75 por cento dos pacientes adultos são</p><p>mulheres.</p><p> O sintoma mais freqüente, contudo o menos específico, da trombose dos seios venosos</p><p>cerebrais é a cefaléia severa, presente em mais de 90% dos pacientes adultos. A</p><p>mesma costuma aumentar gradualmente em alguns dias, mas pode também começar</p><p>de forma súbita, imitando uma hemorragia subaracnóide.</p><p> Entre as complicações intracerebrais observa-se edema, dano neuronal isquêmico e</p><p>hemorragias petequiais. Estas últimas podem fundir-se, transformando-se em grandes</p><p>hematomas.</p><p> O desenvolvimento de hipertensão intracraniana é o resultado da oclusão dos seios</p><p>venosos principais. Aproximadamente um quinto dos pacientes com trombose dos</p><p>seios venosos cerebrais tem somente hipertensão intracraniana.</p><p>Causas e Fatores de Risco Associados com a Trobose de Seios Venosos Cerebrais</p><p>Condições genéticas protrombóticas</p><p>Deficiência da antitrombina</p><p>Deficiência das proteínas C e S</p><p>Mutação do Fator V de Leiden</p><p>Mutação da protrombina</p><p>Estados protrombóticos adquiridos</p><p>Síndrome nefrótica</p><p>Anticorpos antifosfolipídios</p><p>Homocisteinemia</p><p>Gestação e puerpério</p><p>Infecções</p><p>Otite, sinusite, mastoidite</p><p>Meningite</p><p>Doenças infecciosas sistêmicas</p><p>Doenças inflamatórias</p><p>LES</p><p>Granulomatose de Wegener</p><p>Sarcoidose</p><p>Doença inflamatória intestinal</p><p>Síndrome de Behçet</p><p>Condições hematológicas</p><p>Policitemia</p><p>Trombocitemia</p><p>Leucemia</p><p>Anemia</p><p>Drogas</p><p>Contraceptivos orais</p><p>Asparaginase</p><p>Causas mecânicas</p><p>TCE</p><p>Lesão sinusal ou da veia jugular</p><p>Cateterização jugular</p><p>Procedimentos neurocirúrgicos</p><p>Punção lombar</p><p>Miscelânea</p><p>Desidratação, principalmente em crianças</p><p>Neoplasia</p><p>Diagnóstico</p><p> Embora a apresentação clínica seja altamente variável, o diagnóstico deve ser</p><p>considerado em pacientes jovens e de média idade com cefaléia recente ou com</p><p>sintomas semelhantes a AVC na ausência dos fatores de risco vascular usuais, nos</p><p>pacientes com hipertensão intracraniana e nos pacientes com evidência de infartos</p><p>hemorrágicos na tomografia, especialmente se os infartos forem múltiplos e não</p><p>confinados aos territórios vasculares arteriais.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 47</p><p> A técnica de exame mais sensível de diagnóstico é a venografia por ressonância</p><p>magnética. A RM T1-ponderada e T2-ponderada mostra um sinal hiperintenso nos</p><p>seios trombosados. As características do sinal dependem da idade do trombo e são</p><p>isointensas em T1 durante os primeiros cinco dias e após um mês. A combinação de</p><p>um sinal anormal em um seio e de uma ausência correspondente do fluxo na</p><p>venografia por RM confirma o diagnóstico de trombose.</p><p> A angiografia fornece melhores detalhes das veias cerebrais, sendo o padrão ouro no</p><p>diagnóstico da trombose dos seios venosos cerebrais.</p><p>Tratamento</p><p>Medidas gerais</p><p> A prioridade do tratamento na fase aguda é estabilizar o paciente e prevenir ou</p><p>reverter a herniação cerebral. Isto pode requer a administração de manitol</p><p>endovenoso, remoção cirúrgica do infarto hemorrágico ou hemicraniectomia</p><p>descompressiva.</p><p> Não se sabe se a administração de corticóides na fase aguda melhora o resultado.</p><p> As possíveis causas de trombose do seio venoso, tais como infecções, devem ser</p><p>procuradas e tratadas.</p><p>Anticoagulação</p><p> Anticoagulação com heparina para interromper o processo trombótico e para</p><p>impedir a embolia pulmonar, a qual pode complicar a trombose do seio venoso.</p><p> Embora os ensaios clínicos realizados tenham incluído pacientes com infartos</p><p>hemorrágicos antes do tratamento, não se observou aumento ou surgimento de nova</p><p>hemorragia cerebral após o tratamento com heparina.</p><p> A maioria dos especialistas atualmente inicia o tratamento com heparina assim que o</p><p>diagnóstico for confirmado, mesmo na presença de infartos hemorrágicos.</p><p> Não houve nenhum estudo que comparou o efeito do heparina fracionada com a</p><p>heparina não fracionada no tratamento da trombose do seio cerebral.</p><p> A duração ideal do tratamento anticoagulante oral após a fase aguda é</p><p>desconhecida. Usualmente, um antagonista da vitamina K é dado por seis meses após</p><p>o primeiro episódio de trombose do seio ou por mais tempo na presença de fatores</p><p>predisponentes, objetivando-se um INR de 2,5.</p><p>REFERÊNCIA</p><p>1. Stam J. Thrombosis of the cerebral veins and sinuses. N Engl J Med 2005;352:1791-</p><p>1798.</p><p>RM demonstrando trombose de seios venosos sagital</p><p>superior e transverso caracterizadas por sinal hiperintenso.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 48</p><p>ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL HEMORRÁGICO</p><p> A hemorragia intracerebral não traumática consiste em sangramento</p><p>intraparenquimatoso cerebral, eventualmente com extensão intraventricular e, em</p><p>casos raros, para o espaço subaracnóide.</p><p> Corresponde a 10 a 15% de todos os casos de acidente vascular cerebral, mas é a</p><p>forma com taxa de mortalidade mais elevada (apenas 38% dos pacientes</p><p>sobrevivem após o primeiro ano).</p><p> Hemorragia intracerebral primária:</p><p> 78-88% dos casos;</p><p> Origina-se da ruptura espontânea de pequenos vasos danificados pela hipertensão</p><p>crônica ou angiopatia amilóide.</p><p> Hemorragia intracerebral secundária:</p><p> Associa-se com anormalidades vasculares (malformações arteriovenosas e</p><p>aneurismas), tumores ou distúrbios da coagulação.</p><p> O sangramento de um aneurisma sacular localizado na bifurcação de uma das</p><p>grandes artérias</p><p>da base do cérebro (polígono de Willis) é a principal causa de</p><p>hemorragia subaracnóide (HSA) não traumática (cerca de 80% dos casos).</p><p> As HSA não aneurismáticas costumam ter bom prognóstico, sendo as complicações</p><p>neurológicas incomuns.</p><p>Apresentação Clínica</p><p> O início abrupto de sintomas neurológicos focais associado a vômitos, pressão arterial</p><p>sistólica >220 mmHg, cefaléia intensa, coma ou diminuição do nível de consciência e</p><p>progressão ao longo de minutos ou horas são manifestações clínicas compatíveis com</p><p>AVCH.</p><p> A apresentação típica da HSA inclui cefaléia severa de instalação súbita,</p><p>frequentemente mencionada como “a pior da minha vida” e o exame físico pode</p><p>revelar rigidez de nuca.</p><p> A gravidade da apresentação clínica é o indicador prognóstico mais forte na HSA e</p><p>pode ser categorizada de forma confiável pelo emprego de escalas validadas e simples</p><p>como a escala de Hunt e Hess e a escala da World Federation of Neurological Surgeons</p><p>(Tabelas 1 e 2).</p><p>Tabela 1. Escala de Hunt e Hess</p><p>1 Assintomático ou cefaleia mínima e leve rigidez de nuca</p><p>2 Cefaléia moderada a severa, rigidez de nuca, sem déficit neurológico ou</p><p>apenas paralisia de nervos cranianos</p><p>3 Sonolência ou confusão mental, déficit neurológico focal</p><p>4 Estupor, hemiparesia moderada a severa, esboço de hipertonia</p><p>extensora, distúrbios vegetativos</p><p>5 Coma, postura de descerebração</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 49</p><p>Tabela 2. Escala da World Federation of Neurological Surgeons (WFNS)</p><p>1 Escala de Coma de Glasgow = 15, sem déficit motor</p><p>2 Escala de Coma de Glasgow entre 13 a 14, sem déficit motor</p><p>3 Escala de Coma de Glasgow entre 13 a 14, com déficit motor</p><p>4 Escala de Coma de Glasgow entre 7 a 12, com ou sem déficit motor</p><p>5 Escala de Coma de Glasgow entre 3 a 6, com ou sem déficit motor</p><p>Alterações Eletrocardiográficas</p><p> Evidência de alterações cardíacas após HSA são comuns e incluem achados</p><p>eletrocardiográficos, elevações discretas das enzimas cardíacas e disfunção ventricular</p><p>esquerda. Estas anormalidades isquêmicas são temporárias e provavelmente resultam</p><p>da liberação excessiva de catecolaminas em resposta à hemorragia intracraniana.</p><p>Diagnóstico</p><p> A tomografia computadorizada (TC) é muito sensível para a identificação de</p><p>hemorragia aguda e é considerado o padrão ouro.</p><p> A ressonância magnética (RM) de crânio é tão sensível como a TC para detecção de</p><p>sangramento agudo. Aspectos como tempo, custo, proximidade à emergência, a</p><p>tolerância do paciente, o estado clínico e a disponibilidade, contudo, impossibilitam a</p><p>RM de urgência em uma proporção considerável de casos.</p><p> Pesquisar na TC inicial</p><p> Localização e tamanho do hematoma;</p><p> Presença de sangue nos ventrículos;</p><p> Presença de hidrocefalia.</p><p> A expansão do hematoma ocorre em mais 70% dos pacientes com hemorragia</p><p>intracerebral documentada por tomografia computadorizada (TC) realizada dentro de</p><p>3 horas após o início dos sintomas e é um determinante independente de morte e</p><p>invalidez.</p><p> TC não conclusiva, na vigência de suspeita clínica de HSA, implica em realizar punção</p><p>lombar.</p><p> Confirmada a presença de sangue no líquor, a angiografia está indicada com fins</p><p>diagnósticos e de plano terapêutico.</p><p> O LCR deve ser coletado em quatro tubos consecutivos, com a contagem de</p><p>hemácias determinada nos tubos de 1 a 4.</p><p> Achados consistentes com HSA incluem uma pressão de abertura elevada, líquor</p><p>xantocrômico com contagem de hemácias elevada e inalterada entre os tubos.</p><p> Pacientes selecionados devem ser submetidos a angiografia convencional para</p><p>procurar causas secundárias de hemorragia intracerebral, como aneurismas,</p><p>malformações arteriovenosas e vasculites. A angiografia por TC ou RM (angioTC,</p><p>angiorressonância) são razoavelmente sensíveis para identificar causas secundárias de</p><p>hemorragia.</p><p> Todos os pacientes com hemorragia intraparenquimatosa precisam ser avaliados para</p><p>distúrbios da coagulação (INR, TTPa, plaquetas, histórico de uso de anticoagulantes</p><p>orais).</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 50</p><p>Tratamento Clínico</p><p>1. Cuidados Gerais</p><p> Suporte básico de vida, incluindo avaliar responsividade aos estímulos, checagem de</p><p>pulso carotídeo e cuidados com as vias aéreas.</p><p> A febre deve ser tratada agressivamente, almejando a normotermia. Contudo a</p><p>hipotermia induzida não está indicada.</p><p> A hiperglicemia é fortemente associada com maior mortalidade e pior resultado</p><p>funcional após acidente vascular cerebral isquêmico, hemorragia intraparenquimatosa,</p><p>hemorragia subaracnóide aneurismática e traumatismo cranioencefálico.</p><p> Iniciar insulina EV contínua a partir de glicemia ≥ 150 mg/dL em pacientes com</p><p>lesão neurológica, titulada para alcançar valores de glicemia 180 mmHg ou PAM >130 mmHg</p><p> PA alvo de 160/90 mmHg ou PAM de 110 mmHg</p><p> Contudo, estas recomendações têm baixo nível de evidências.</p><p> Estudo INTERACT213</p><p> Redução rápida para PAS ≤140 mmHg (tabela 3).</p><p>3. Controle da hipotensão arterial</p><p> Se não houver iatrogenia, a desidratação é a principal causa, devendo ser prontamente</p><p>tratada.</p><p> Administre soro fisiológico ou Ringer-Lactato. Evite soro glicosado a 5% (solução</p><p>hipotônica), pois pode contribuir para o edema cerebral. Além disso, o uso de soluções</p><p>que contêm glicose pode produzir hiperglicemia, a qual se mostrou prejudicial ao</p><p>cérebro lesado.</p><p> Dobutamina, dopamina e noradrenalina podem ser usados (a noradrenalina não causa</p><p>vasoconstricção cerebral): melhoram o débito cardíaco para o encéfalo.</p><p>13 Comparou o manejo da pressão arterial em pacientes com hemorragia intracerebral primária guiado</p><p>pelo consenso da American Heart Association com o tratamento precoce e intensivo da hipertensão, objetivando</p><p>uma PAS</p><p>Práticas para UTI 51</p><p>Tabela 3. Metodologia empregada no estudo INTERACT2</p><p>Paciente com hemorragia intracraniana espontânea há 6 horas ou menos.</p><p>Objetivo: PAS 140 mmHg</p><p> 5 mg EV bolus lento (3-5 min)</p><p> Repetir mais duas doses de 5 mg em intervalos de 5 min</p><p> Não fazer se FC 140 mmHg</p><p> 5-10 mg/24 h</p><p>Opções de anti-hipertensivos sob infusão contínua na UTI:</p><p>1. Hidralazina (ampola de 1 mL com 20 mg; diluir em 400 mL de SF 0,9% = 50</p><p>g/mL)</p><p> Se PAS persistir >140 mmHg</p><p> 50-150 μg/min (1 a 3 mL/min)</p><p>2. Nitroglicerina (ampola de 50 mg; diluir em 500 mL de SF 0,9% = 100</p><p>g/mL)</p><p> Adicionar se PAS alvo não atingida</p><p> 1-100 μg/min (0,01 a 1 mL/min)</p><p>a. Os autores não consideraram o uso do nitroprussiato de sódio no setor de emergência devido ao seu efeito</p><p>antiagregante plaquetário, sua capacidade de elevar a pressão intracraniana seu potente efeito hipotensor.</p><p>b. Os antihipertensivo por via enteral eram iniciados após cerca de 24 h, geralmente um inibidor da enzima</p><p>conversora da angiotensina associado a um tiazídico.</p><p>4. Controle do edema cerebral</p><p> Um primeiro cuidado é a elevação da cabeceira da cama em torno de 30 a 45.</p><p> O tratamento deve ser dirigido para a causa subjacente, especialmente se devido a</p><p>hidrocefalia ou efeito de massa do hematoma.</p><p> O uso de corticóides não está indicado no tratamento do edema cerebral do AVCH,</p><p>pois estudos randomizados não demonstraram eficácia, além de determinarem</p><p>maiores taxas de complicações como infecção e hiperglicemia. Para maiores detalhes</p><p>quanto ao tratamento da hipertensão intracraniana, recorrer ao capítulo específico.</p><p> Devido aos dados limitados sobre pressão intracraniana (PIC) no AVCH, as bases do</p><p>manejo da PIC elevada são emprestados a partir de diretrizes de traumatismo</p><p>cranioencefálico, recorrer, portanto, a capítulo específico.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 52</p><p> A ausência de estudos publicados mostrando que o manejo da PIC elevada causa</p><p>impacto no desfecho da hemorragia intracerebral torna incerta a decisão quanto a</p><p>monitorar rotineiramente a PIC no AVCH. A monitorização da PIC deve ser considerada</p><p>em:</p><p>a. Pacientes com escore de coma de Glasgow 1 mm</p><p>Fisher 4 – Hemorragia</p><p>ventricular</p><p>Fisher 4 – Hematoma</p><p>parenquimatoso</p><p>Figura 1 – Escala de Fisher</p><p>Kelson Nobre Veras</p><p>Condutas Práticas para UTI 54</p><p> O ultrassom Doppler transcraniano, idealmente, deveria ser realizado de forma</p><p>diária ou a cada dois dias para monitorizar o vasoespasmo (velocidade média de fluxo</p><p>sanguíneo cerebral de mais de 120 cm/s em uma grande artéria como artéria cerebral</p><p>média).</p><p> Bloqueador de canais de cálcio: nimodipina (Oxigen 30mg)</p><p> Prevenção do vasoespasmo.</p><p> Efeito hipotensor mais significativo por via endovenosa (não recomendada).</p><p> Dose: 60 mg (02 cápsulas) de 4/4 horas por via oral até o 21o dia pós-hemorragia.</p><p> As evidências atuais não apóiam o uso da nimodipina na HSA traumática.</p><p> Terapia hiperdinâmica ou terapia "triplo-H"</p><p> Hipertensão induzida com agentes vasopressores, hemodiluição moderada com</p><p>cristalóides ou colóides e hipervolemia</p><p> A terapia agressiva para vasoespasmo só pode ser implantada após o tratamento</p><p>do aneurisma</p><p> Tendência atual: manutenção de euvolemia e hipertensão induzida (ausência de</p><p>estudos randomizados da terapia triplo-H).</p><p> Angioplastia com balão ou administração intra-arterial de vasodilatadores:</p><p>vasospasmo refratário à terapia hipertensiva.</p><p> A utilidade das estatinas, dos antagonistas de endotelina-1 e do sulfato de magnésio</p><p>no vasoespasmo cerebral ainda não foram confirmados.</p><p>9. Hidrocefalia</p><p> Tratada com derivação ventricular externa (DVE) e, em casos crônicos e</p><p>sintomáticos, a derivação ventricular pemanente.</p><p>10. Ressangramento</p><p> O ressangramento do aneurisma associa-se com alta mortalidade e mau prognóstico</p><p>de recuperação funcional nos sobreviventes. Mais de um terço dos ressangramentos</p><p>ocorrem dentro de 3 horas e quase a metade até 6 horas após o início dos sintomas. O</p><p>tratamento precoce do aneurisma pode reduzir o risco de nova hemorragia.</p><p>Tabela 4. Escala de Fisher Modificada</p><p>0 Ausência de sangue visível no espaço subaracnóide ou ventrículos</p><p>1</p><p>Hemorragia subaracnóide mínima ou difusa delgada (espessura 1mm) sem hemorragia</p><p>intraventricular</p><p>4</p><p>Hemorragia subaracnóide espessa (> 1mm) com hemorragia</p><p>intraventricular</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 55</p><p>11. Tratamento Cirúrgico do Aneurisma Roto</p><p> Deve ser realizado tão logo possível na maioria dos pacientes para reduzir a taxa de</p><p>ressangramento pós-HSA.</p><p> O tratamento do aneurisma roto também facilitará o tratamento de complicações como</p><p>o vasospasmo cerebral.</p><p> Atualmente, as duas principais opções terapêuticas para tratar um aneurisma roto são</p><p>o clampeamento neurocirúrgico microvascular e a embolização endovascular.</p><p>A determinação do tipo de tratamento do aneurisma deve ser definida pelos</p><p>neurocirurgiões e especialistas endovasculares, como uma decisão multidisciplinar com</p><p>base nas características do paciente e do aneurisma. Para pacientes com aneurisma</p><p>roto considerado tecnicamente passível de tratamento tanto por embolização</p><p>endovascular como por clipagem neurocirúrgica, a via endovascular deve ser</p><p>considerada.</p><p>12. Tratamento Cirúrgico da Hemorragia Intracraniana Primária</p><p> A decisão sobre se e quando remover cirurgicamente a hemorragia intracraniana</p><p>primária é controversa. Para a maioria dos pacientes com hemorragia intracerebral, a</p><p>utilidade da cirurgia para remoção do hematoma permanece incerta.</p><p> Exceções a esta recomendação incluem os pacientes com hemorragia cerebelar que</p><p>estão deteriorando neurologicamente ou que apresentam compressão do tronco</p><p>cerebral e/ou hidrocefalia devido a obstrução ventricular devem ser submetidos a</p><p>remoção cirúrgica da hemorragia tão logo possível. O tratamento inicial destes</p><p>pacientes com drenagem ventricular isoladamente não é recomendado.</p><p> Também em pacientes com coágulos lobares superficiais (até 1 cm da superfície</p><p>cortical) sem hemorragia ventricular associada, a cirurgia precoce não aumenta a</p><p>mortalidade ou incapacidade com 6 meses.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Anderson CS, Heeley E, Huang Y, et al., for the INTERACT2 Investigators. Rapid Blood-</p><p>Pressure Lowering in Patients with Acute Intracerebral Hemorrhage. N Engl J Med.</p><p>2013; 368: 2355-65.</p><p>2. Bederson JB, Connolly ES Jr, Batjer HH, Dacey RG, Dion JE, Diringer MN, Duldner JE Jr,</p><p>Harbaugh RE, Patel AB, and Rosenwasser RH. Guidelines for the Management of</p><p>Aneurysmal Subarachnoid Hemorrhage: A Statement for Healthcare Professionals From</p><p>a Special Writing Group of the Stroke Council, American Heart Association. Stroke</p><p>2009; 40: 994-1025.</p><p>3. Brisman JL, Song JK, and Newell DW. Cerebral Aneurysms. N Engl J Med. 2006; 355:</p><p>928-39.</p><p>4. CLOTS Trials Collaboration, Dennis M, Sandercock PA, Reid J, et al. Effectiveness of</p><p>thigh-length graduated compression stockings to reduce the risk of deep vein</p><p>thrombosis after stroke (CLOTS trial 1): a multicentre, randomized controlled trial.</p><p>Lancet. 2009; 373: 1958 –1965.</p><p>5. Connolly ES Jr, Rabinstein AA, Carhuapoma JR, Derdeyn CP, Dion J, Higashida RT, Hoh</p><p>BL, Kirkness CJ, Naidech AM, Ogilvy CS, Patel AB, Thompson BG, Vespa P. Guidelines</p><p>for the management of aneurysmal subarachnoid hemorrhage: a guideline for</p><p>healthcare professionals from the American Heart Association/American Stroke</p><p>Association. Stroke 2012;43:1711-37.</p><p>6. Feigin VL, Anderson N, Rinkel GJ et al. Corticosteroids for aneurysmal subarachnoid</p><p>haemorrhage and primary intracerebral haemorrhage. Cochrane Database Syst Rev.</p><p>2005; 3: CD004583.</p><p>7. Frontera JA, Claassen J, Schmidt JM et al. Prediction of symptomatic vasospasm after</p><p>subarachnoid hemorrhage: the modified Fisher scale. Neurosurgery. 2006; 59: 21-27.</p><p>8. Jacobi J, Bircher N, Krinsley J. Guidelines for the use of an insulin infusion for the</p><p>management of hyperglycemia in critically ill patients. Crit Care Med. 2012; 40: 3251–</p><p>3276.</p><p>9. Mayer SA, Brun NC, Begtrup K, et al. Efficacy and Safety of Recombinant Activated</p><p>Factor VII for Acute Intracerebral Hemorrhage. N Engl J Med. 2008; 358: 2127-37.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 56</p><p>10. Mendelow AD, Gregson BA, Fernandes HM, et al: Early surgery versus initial</p><p>conservative treatment in patients with spontaneous supratentorial intracerebral</p><p>haematomas in the International Surgical Trial in Intracerebral Haemorrhage (STICH):</p><p>A randomized trial. Lancet 2005; 365:387–397.</p><p>11. Mendelow AD, Gregson BA, Rowan EN et al. Early surgery versus initial conservative</p><p>treatment in patients with spontaneous supratentorial lobar intracerebral haematomas</p><p>(STICH II): a randomised trial. Lancet; early online publication, 29 May de 2013.</p><p>doi:10.1016/S0140-6736(13)60986-1.</p><p>12. Morgenstern LB, Hemphill III JC, Anderson C, Becker K, Broderick JP, Connolly Jr ES,</p><p>Greenberg SM, Huang JN, Macdonald RL, Messé SR, Mitchell PH, Selim M and Tamargo</p><p>RJ. Guidelines for the Management of Spontaneous Intracerebral Hemorrhage : A</p><p>Guideline for Healthcare Professionals From the American Heart Association/American</p><p>Stroke Association. Stroke 2010, 41:2108-2129.</p><p>13. Qureshi AI, Tuhrim S, Broderick JP et al. Spontaneous intracerebral hemorrhage. N</p><p>Engl J Med. 2001; 344: 1450-1460.</p><p>14. Ribas GC e Yasuda A. Hemorragia subaracnóidea espontânea. In: Programa de</p><p>atualização em medicina de urgência – PROURGEN. Porto Alegre:</p><p>Artmed/Panamericana; 2008. Ciclo 1. Módulo 4. p. 17-44.</p><p>15. Suarez JI, Tarr RW, Selman WR. Aneurysmal Subarachnoid Hemorrhage. N Engl J Med</p><p>2006; 354:387-396.</p><p>16. Vergouwen MDI, Vermeulen M, van Gijn J, et al. Definition of Delayed Cerebral</p><p>Ischemia After Aneurysmal Subarachnoid Hemorrhage as an Outcome Event in Clinical</p><p>Trials and Observational Studies: Proposal of a Multidisciplinary Research Group.</p><p>Stroke. 2010; 41: 2391-2395.</p><p>17. Vergouwen MDI, Vermeulen M, Roos YBWEM. Effect of nimodipine on outcome in</p><p>patients with traumatic</p><p>subarachnoid haemorrhage: a systematic review. Lancet</p><p>Neurol. 2006; 5: 1029–32.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 57</p><p>TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO</p><p>CLASSIFICAÇÃO DO TCE</p><p> Leve: escore da escala de coma de Glasgow entre 14 a 15</p><p> Moderado: escore da escala de coma de Glasgow entre 9 a 13</p><p> Grave: escore da escala de coma de Glasgow menor ou igual a 8</p><p>ALTERAÇÕES PRIMÁRIAS</p><p>Diretamente conseqüentes ao impacto do TCE:</p><p>1. Fraturas cranianas: encontradas em 80% dos casos fatais; as fraturas da base do</p><p>crânio frequentemente se associam a lesões nervosas, fístulas arteriovenosas e fístulas</p><p>liquóricas; as fístulas liquóricas podem levar à formação de pneumoencéfalo</p><p>hipertensivo.</p><p>2. Contusões corticais: resultado do impacto da superfície cortical contra as estruturas</p><p>rígidas intracranianas.</p><p>3. Lesões difusas:</p><p> Concussão leve: a consciência é preservada, porém existe um grau notável de</p><p>disfunção neurológica temporária; esta síndrome é totalmente reversível e não está</p><p>associada a qualquer seqüela grave.</p><p> Concussão cerebral clássica: é uma lesão que produz perda da consciência e é</p><p>sempre acompanhada de amnésia pós-traumática; a perda da consciência é</p><p>transitória, recuperando a consciência completa em cerca de 6 horas ou menos.</p><p> Lesão axonal difusa: coma pós-traumático prolongado que não é resultado de lesão</p><p>de massa ou lesões isquêmicas; corresponde à secção das fibras dos hemisférios</p><p>cerebrais, corpo caloso e tronco encefálico; são conseqüentes ao movimento brusco</p><p>do tecido nervoso contra si mesmo; na maioria das vezes correspondem a quadros</p><p>neurológicos muito graves, com coma imediato após o impacto; as lesões são</p><p>quase imperceptíveis macroscopicamente e aos exames neurorradiológicos.</p><p>ALTERAÇÕES SECUNDÁRIAS</p><p>1. Hemorragias intracranianas: devido a roturas vasculares, determinando</p><p>hematomas; áreas de contusão podem confluir nos dias seguintes ao TCE, levando a</p><p>formação de áreas hemorrágicas; os hematomas determinam compressões e desvios</p><p>do tecido nervoso, podendo evoluir para hérnias cerebrais. Os hematomas</p><p>intracranianos são divididos em três tipos: epidural, subdural e intracerebral.</p><p>Hematoma Epidural ou Extradural</p><p>Os hematomas epidurais são responsáveis por cerca de 2% das lesões cerebrais</p><p>traumáticas que requerem hospitalização e têm taxa de mortalidade de cerca de 20%.</p><p>Estes hematomas frequentemente resultam de impactos de baixa velocidade no osso</p><p>temporal, como um golpe por um soco. A fratura desse osso pouco espesso lesa a artéria</p><p>meníngea média, resultando em sangramento arterial que se acumula entre o crânio e a</p><p>dura-mater (as artérias meníngeas médias estão localizadas entre o crânio e a dura-mater</p><p>no espaço epidural). A história clássica de hematoma epidural é de um doente que</p><p>apresentou um período curto de perda de consciência, recobrou a consciência e,</p><p>posteriormente, evoluiu com rápido rebaixamento do nível de consciência. Durante o</p><p>período de consciência, chamado intervalo lúcido, o doente pode estar orientado ou</p><p>letárgico e queixar-se de cefaléia.</p><p>À medida que piora o nível de consciência do doente, o exame pode revelar uma pupila</p><p>dilatada com reflexo lento ou não reativa do mesmo lado do impacto (ipsilateral) e</p><p>hemiparesia ou hemiplegia do lado oposto ao impacto (contralateral).</p><p>Se o hematoma for identificado precocemente e o doente receber pronto tratamento</p><p>neurocirúrgico, o prognóstico é excelente, pois o doente em geral não tem lesão cerebral</p><p>grave subjacente.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 58</p><p>Hematoma Subdural</p><p>Hematomas subdurais são responsáveis por cerca de 30% dos traumas de crânio graves.</p><p>Além de ser mais comuns que os hematomas epidurais, eles também diferem quanto à</p><p>etiologia, localização e prognóstico. Ao contrário do sangramento arterial que produz o</p><p>hematoma epidural, o hematoma subdural geralmente resulta de sangramento venoso,</p><p>pela lesão das veias ponte que ocupam o espaço subdural, durante um impacto violento</p><p>na cabeça. Neste caso, o sangue irá acumular-se no espaço subdural, entre a dura-máter</p><p>e a aracnóide. Déficits neurológicos focais podem aparecer imediatamente após o trauma</p><p>ou os sinais podem demorar dias ou até meses para se apresentar. O hematoma subdural</p><p>podem ser classificados em três tipos dependendo do tempo de manifestação das</p><p>alterações neurológicas:</p><p> Hematoma subdural agudo: Os déficits neurológicos podem ser identificados dentro de</p><p>72 horas após o trauma e, em geral, antes disso. O doente apresenta um histórico de</p><p>trauma provocado por mecanismo de alta velocidade, como um acidente</p><p>automobilístico ou uma agressão com objeto rígido. Como uma lesão cerebral</p><p>significante está frequentemente associada, a taxa de mortalidade varia de 50 a 60%,</p><p>mesmo quando o diagnóstico e a drenagem cirúrgica são realizados com rapidez.</p><p> Hematoma subdural subagudo: Desenvolvem-se mais gradualmente com o</p><p>aparecimento dos sintomas ocorrendo no período de 3 a 21 dias. Devido ao acúmulo</p><p>mais lento de sangue e uma lesão cerebral menos extensa, os hematomas subdurais</p><p>subagudos apresentam taxa de mortalidade em torno de 25%.</p><p> Hematoma subdural crônico: Podem apresentar manifestações neurológicas meses</p><p>após um trauma craniano aparentemente de pouca importância. Esta condição</p><p>geralmente ocorre em doentes alcoólatras crônicos que estão propensos a quedas</p><p>constantes. A taxa de mortalidade está em torno de 50%.</p><p>2. Edema cerebral: é o resultado da vasodilatação conseqüente à perda da</p><p>autorregulação cerebral; corresponde a um aumento considerável do volume</p><p>sanguíneo intracraniano e conseqüente aumento da pressão intracraniana (PIC); a</p><p>perda da autorregulação faz com que a perfusão do tecido nervoso dependa</p><p>diretamente da pressão arterial sistêmica.</p><p>3. Hidrocefalia: pode ocorrer por hemorragia intraventricular, levando à obstrução das</p><p>granulações aracnóideas, prejudicando a reabsorção do líquor (hidrocefalia</p><p>comunicante) ou por obstrução das vias liquóricas; a hidrocefalia pode determinar</p><p>hipertensão intracraniana grave.</p><p>4. Hérnias cerebrais</p><p> Habitualmente, resultam de uma lesão de massa ou de edema supratentoriais.</p><p> O mesencéfalo atravessa uma abertura na tenda do cerebelo conhecida como incisura</p><p>da tenda do cerebelo. A região do cérebro que habitualmente hernia através da</p><p>incisura é a parte medial do lobo temporal, conhecida como uncus.</p><p> O nervo oculomotor (III nervo craniano) passa ao longo da margem da tenda do</p><p>cerebelo, podendo ser comprimido contra ela durante uma herniação cerebral. A</p><p>compressão das fibras parassimpáticas deste nervo determina dilatação pupilar</p><p>ipsilateral.</p><p> A herniação do uncus também causa compressão do trato córtico-espinhal (piramidal)</p><p>no mesencéfalo. O trato motor cruza para o lado oposto e a sua compressão resulta</p><p>em déficit motor contralateral. A midríase ipsilateral associada a hemiplegia e Babinski</p><p>contralaterais é conhecida como a clássica síndrome da herniação da tenda do</p><p>cerebelo.</p><p> Raramente, a lesão de massa pode empurrar o lado oposto do mesencéfalo contra a</p><p>margem da tenda do cerebelo, provocando hemiplegia e midríase do mesmo lado do</p><p>hematoma (síndrome de Kernohan).</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 59</p><p>ALTERAÇÕES METABÓLICAS</p><p> Há um aumento considerável do metabolismo geral nos três primeiros dias após TCE</p><p>grave e que se prolonga pelas duas primeiras semanas, caracterizado por um aumento</p><p>do índice cardíaco, da produção de CO2, da glicemia e da diferença arteriovenosa de</p><p>O2.</p><p> As necessidades calóricas se elevam para 40 a 50 Kcal/kg/dia.</p><p> A degradação proteica excede a síntese e as proteínas chegam a contribuir com 25%</p><p>das necessidades totais de substratos metabólicos, levando a rápida perda muscular.</p><p>ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS</p><p> Respiração</p><p>de Cheyne-Stokes: períodos intercalados de hiperpneia e apneia, com</p><p>aumento progressivo da amplitude dos movimentos respiratórios na fase de</p><p>hiperpneia; é conseqüente à lesão cerebral bilateral ou das suas vias descendentes</p><p>para a ponte.</p><p> Hiperventilação neurogênica: hiperpneia persistente, resultando em alcalose</p><p>respiratória; é conseqüente a lesões ponto-mesencefálicas.</p><p> Respiração apnêustica: interrupções prolongadas ao final da inspiração; conseqüente a</p><p>lesões pontinas.</p><p> Respiração atáxica: padrão irregular, tanto na frequência como na amplitude dos</p><p>movimentos respiratórios; conseqüente a alterações no centro respiratório bulbar.</p><p>ALTERAÇÕES AUTONÔMICAS</p><p> Ocorrem em 60% dos casos graves.</p><p> Há alterações na pressão arterial, na frequência cardíaca e respiratória.</p><p> A elevação da pressão arterial associada à bradicardia e às alterações respiratórias</p><p>constitui uma das combinações possíveis e sugestivas de disfunção grave do tronco</p><p>cerebral, sendo conhecida como tríade de Cushing.</p><p>EXAMES COMPLEMENTARES</p><p>1. Tomografia da coluna vertebral: deve ser feita em todos os pacientes com TCE</p><p>grave para a identificação de lesões associadas da coluna vertebral.</p><p>2. Tomografia computadorizada do crânio: fundamental para adequada avaliação</p><p>inicial e seqüencial das anormalidades intracranianas após o TCE.</p><p> Os hematomas extradurais (epidurais) agudos são lesões extracerebrais com</p><p>aspecto biconvexo ou lenticular, contíguos à tábua interna da calota craniana.</p><p>Geralmente estão associados com fraturas que cruzam sulcos arteriais ou venosos,</p><p>especialmente os da artéria meníngea média. Os pacientes com hematomas epidurais</p><p>podem apresentar as clássicas manifestações de intervalo lúcido ou “fala e morre”.</p><p> Os hematomas subdurais agudos têm aspecto côncavo-convexo ou em crescente,</p><p>sendo também geralmente associados a áreas de contusão cerebral e desvios</p><p>ventriculares. São mais freqüentes que os hematomas extradurais e o prognóstico</p><p>costuma ser muito pior.</p><p> Hemorragias parenquimatosas são o resultado de roturas vasculares ou da</p><p>confluência de áreas de contusão.</p><p>Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>D</p><p>r.</p><p>D</p><p>an</p><p>ie</p><p>l F</p><p>ra</p><p>nç</p><p>a</p><p>Hematoma</p><p>Extradural</p><p>Hematoma Subdural</p><p>Agudo</p><p>Hematoma Subdural</p><p>Crônico</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 60</p><p> A presença de ar na cavidade craniana define a existência de traumatismo aberto e</p><p>potencialmente contaminado. Coleções aéreas nos espaços subaracnóides e</p><p>ventriculares com desvios das estruturas cerebrais constituem o pneumoencéfalo</p><p>hipertensivo e podem associar-se a fístulas liquóricas.</p><p> O edema cerebral agudo é identificado pela compressão ventricular que determina.</p><p> Dilatações ventriculares caracterizam a hidrocefalia.</p><p>4. Ressonância magnética: não é adotada como exame de urgência devido ao tempo</p><p>necessário para sua realização e às dificuldades técnicas para manter o controle do</p><p>paciente durante o exame.</p><p>5. Monitorização da PIC: importante nos TCE com Glasgow menor ou igual a 8, em que</p><p>haja anormalidades tomográficas ou com aumento da PIC. Embora sua localização</p><p>ideal seja intraventricular, podem ser usados transdutores intraparenquimatosos ou</p><p>mesmo subdurais. O transdutor deve ser mantido por 5 a 10 dias, sendo o ideal um</p><p>tempo inferior a 7 dias. O transdutor deve ser retirado 24 horas após a normalização</p><p>da PIC ou substituído se persistirem as anormalidades pressóricas após 7 dias de</p><p>monitorização.</p><p>COMPLICAÇÕES</p><p>A. Coagulopatias</p><p> O parênquima cerebral contém uma quantidade particularmente alta de fator tecidual.</p><p>A coagulopatia associada ao TCE é causada por uma liberação abundante de fator</p><p>tecidual a partir do córtex e camada adventícia dos vasos do cérebro lesado, levando à</p><p>ativação das vias intrínseca e extrínseca da coagulação e das plaquetas. Sendo severa</p><p>o suficiente, a coagulopatia pode disseminar-se, resultando na deposição de trombos</p><p>na microcirculação, consumo de fatores de coagulação e ativação da fibrinólise.</p><p> Os critérios diagnósticos para a coagulopatia incluem prolongamento do TAP e TTPa e</p><p>plaquetopenia (</p><p>Cerebral): 1: bom desempenho cerebral ou deficiência mínima;</p><p>2: incapacidade moderada; 3: incapacidade grave; 4: coma ou estado vegetativo; 5: morte cerebral.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 8</p><p>Cuidados durante HT</p><p> Hipovolemia é comum devido a poliúria</p><p> Monitorar eletrólitos: resfriamento causa fluxo intracelular de potássio,</p><p>magnésio, cálcio e fósforo</p><p> Monitorização da glicemia</p><p> Resistência insulínica</p><p> Glicemia capilar não é adequada devido à vasoconstrição cutânea; obter</p><p>sangue de acesso venoso</p><p> Arritmias graves ou sangramentos: suspender HT</p><p> Bradicardia ou ondas de Osborne (onda hipotérmica ou onda corcova de camelo)</p><p>não são indicativos de interrupção da HT</p><p> Instabilidade hemodinâmica:</p><p> Reaquecimento não indicado (vasodilatação durante reaquecimento)</p><p> Realizar reanimação volêmica e administração de vasopressores/inotrópicos</p><p> Interromper hipotermia se o paciente apresente qualquer sinal de despertar.</p><p>Fase de Reaquecimento</p><p> Começar após 24 horas de HT com uso de manta térmica</p><p> Taxa de reaquecimento: 0,5 °C/hora</p><p> Temperatura alvo: 37 ± 0,5 °C (normotermia) em até 8 horas</p><p> Suspender sedação, analgesia e bloqueio neuromuscular após atingir</p><p>temperatura alvo</p><p> Manter a 37 ± 0,5 °C até 72 horas após parada cardíaca</p><p>Cuidados durante reaquecimento</p><p> Instabilidade hemodinâmica (vasodilatação): vasopressores</p><p> Risco de hiperpotassemia (fluxo de potássio para o extracelular)</p><p> Risco de hipoglicemia: desligar infusão de insulina</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Holzer M. Targeted Temperature Management for Comatose Survivors of</p><p>Cardiac Arrest. N Engl J Med 2010; 363:1256-1264.</p><p>2. Larsson IM, Wallin E, Rubertsson S. Cold saline infusion and ice packs alone are</p><p>effective in inducing and maintaining therapeutic hypothermia after cardiac</p><p>arrest. Resuscitation 2010; 81: 15–19.</p><p>3. Nolan JP, Morley PT, Vanden Hoek TL et al. International Liaison Committee on</p><p>Resuscitation. Therapeutic hypothermia after cardiac arrest: an advisory</p><p>statement by the advanced life support task force of the International Liaison</p><p>Committee on Resuscitation. Circulation. 2003;108(1):118-21.</p><p>4. Nolan JP, Neumar RW, Adrie C, et al. Post-cardiac arrest syndrome:</p><p>epidemiology, pathophysiology, treatment, and prognostication: a Scientific</p><p>Statement from the International Liaison Committee on Resuscitation; the</p><p>American Heart Association Emergency Cardiovascular Care Committee; the</p><p>Council on Cardiovascular Surgery and Anesthesia; the Council on</p><p>Cardiopulmonary, Perioperative, and Critical Care; the Council on Clinical</p><p>Cardiology; the Council on Stroke. Resuscitation 2008;79:350-379</p><p>5. Peberdy MA, Callaway CW, Neumar RW et al. Part 9: Post-Cardiac Arrest Care:</p><p>2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation</p><p>and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010;122: S768-S786.</p><p>6. Rech TH, Vieira SRR. Hipotermia terapêutica em pacientes pós-parada</p><p>cardiorrespiratória: mecanismos de ação e desenvolvimento de protocolo</p><p>assistencial. RBTI 2010; 22(2):196-205.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 9</p><p>NÃO</p><p>SIM</p><p>PROTOCOLO DE HIPOTERMIA TERAPEUTICA</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 10</p><p>ARRITMIAS</p><p>BRADICARDIA</p><p> Para a bradicardia necessitar de tratamento, sinais e sintomas importantes</p><p>devem estar relacionados à baixa frequência cardíaca.</p><p> Hipotensão, rebaixamento do nível de consciência, choque, desconfoto</p><p>torácico isquêmico, insuficiência cardíaca aguda.</p><p> A lidocaína pode ser FATAL se a bradicardia for um ritmo de escape ventricular</p><p>ocorrendo devido à presença de BAV de 3º grau.</p><p> Pacientes acometidos de INFARTO INFERIOR podem apresentar bradicardia e</p><p>hipotensão, mas a hipotensão é devida mais à hipovolemia do que à bradicardia;</p><p>uma cuidadosa prova de volume com solução fisiológica pode ser salvadora.</p><p>Atropina (ampolas com 0,25 mg e 0,5 mg)</p><p> 0,5 mg EV, cada 3 a 5 minutos, até máximo de 0,04mg/kg (geralmente, cerca</p><p>de 3 mg).</p><p> Precauções:</p><p> Pode induzir taquicardia (prejudicial nos pacientes com isquemia</p><p>miocárdica).</p><p> Bloqueios de alto grau (BAV 2o grau tipo II, BAVT) não costumam responder</p><p>à atropina e são tratados preferencialmente com marcapasso transcutâneo</p><p>(MPTC) ou suporte beta-adrenérgico como medida temporizadora enquanto</p><p>o paciente é preparado para marcapasso transvenoso.</p><p> Se a atropina for ineficaz, as opções são marcapasso transcutâneo OU infusão</p><p>de dopamina OU infusão de adrenalina.</p><p>Marcapasso transcutâneo (MPTC)</p><p> O MPTC é, na melhor hipótese, uma medida temporizadora, enquanto se</p><p>aguarda o marcapasso transvenoso, inclusive não diferindo a mortalidade</p><p>quando comparado à dopamina.</p><p> Muitos pacientes podem não tolerar o estimulo elétrico na pele; nestes casos,</p><p>deve-se administrar midazolam (para tratamento da ansiedade e das contrações</p><p>musculares) e fentanil (para analgesia).</p><p> Ajuste do MPTC</p><p> Ajuste da estimulação (mA): aumente a saída até o marcapasso começar a</p><p>capturar. Este é o limiar de estimulação. Reajuste em um nível duas vezes</p><p>maior que o limiar estabelecido.</p><p> Ajuste da sensibilidade (mV): a partir do valor mínimo (maior sensibilidade),</p><p>aumente o valor até que a captação das ondas R seja perdida. Diminua</p><p>agora o valor até que ocorra uma retomada da captura. Esse é o limiar de</p><p>sensibilidade. Ajuste a sensibilidade para metade do valor do limiar.</p><p>Se atropina ineficaz</p><p>MPTC Dopamina Adrenalina</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 11</p><p>Dopamina</p><p> Dose: 2 a 10 µg/kg/min.</p><p> É utilizado por curto intervalo até implante de marcapasso transvenoso ou até</p><p>que a causa básica da bradicardia (ex: hipercalemia, intoxicação por drogas)</p><p>possa ser revertida.</p><p>Adrenalina</p><p> Dose: 2 a 10 µg/min.</p><p>TAQUICARDIA</p><p> Se a taquicardia tiver QRS largo, trate o ritmo como TV.</p><p> Se o paciente apresentar sinais e sintomas importantes prepare a cardioversão</p><p>elétrica (CVE) imediata.</p><p> Hipotensão, rebaixamento do nível de consciência, choque, desconfoto</p><p>torácico isquêmico, insuficiência cardíaca aguda.</p><p>PASSOS DA CARDIOVERSÃO ELÉTRICA (CVE) SINCRONIZADA</p><p>1. Sedação do paciente.</p><p>2. Ligar o desfibrilador.</p><p>3. Colocar pás do cardioversor no paciente de forma semelhante à desfibrilação.</p><p>4. Acionar modo sincronizado.</p><p>5. Observar aparecimento de pequenas marcas no traçado indicando o modo</p><p>sincronizado.</p><p>6. Selecionar nível desejado de energia.</p><p>7. Posicionar pás no paciente (esterno e ápice).</p><p>8. Avisar aos membros da equipe que irá iniciar a carga do cardioversor e solicitar</p><p>a todos que se afastem.</p><p>9. Pressionar o botão carga.</p><p>10. Quando o cardioversor estiver carregado, avisar novamente para que todos se</p><p>afastem.</p><p>11. Aplicar pressão em ambas as pás contra o tórax do paciente.</p><p>12. Apertar os botões de descarga simultaneamente.</p><p>13. Doses iniciais recomendadas:</p><p> QRS estreito e regular: 50 J a 100 J</p><p> QRS estreito e irregular: 120 J a 200 J bifásico ou 200 J monofásico</p><p> QRS largo e regular: 100 J</p><p> QRS largo e irregular: dose de desfibrilação (não sincronizado)</p><p>14. Verificar no monitor se houve cardioversão da taquicardia. Caso esta persistir,</p><p>aumentar a energia.</p><p>15. Como o cardioversor retorna ao modo não sincronizado após cada choque,</p><p>lembrar de ressincronizar após cada descarga.</p><p>16. Hipotensão, rebaixamento do nível de consciência, choque, desconfoto torácico</p><p>isquêmico, insuficiência cardíaca aguda.</p><p>Posologia das drogas sedativas para execução da CVE</p><p> Fentanil (50 μg/mL): 25 a 150 μg EV (2 a 3 mL); a dose pode ser repetida a</p><p>cada 3 a 5 minutos para obtenção do efeito desejado.</p><p> Midazolam (5 mg/mL): preparar solução decimal a 1,5 mg/mL (3 mL de</p><p>midazolam em 7 mL de AD) e administrar 2 mL até obtenção do nível de</p><p>sedação</p><p>associada à redução da mortalidade quando</p><p>comparada a controles normotérmicos.</p><p> A evidência atualmente disponível de estudos clínicos randomizados não apóia o uso de</p><p>antibioticoprofilaxia para meningite em casos de fratura basilar de crânio, com</p><p>fístula liquórica ou não.</p><p> Como antibiotibioticoprofilaxia cirúrgica iniciada dentro de 1 hora antes da incisão</p><p>cirúrgica e continuada por até 24 horas após, indica-se a cefazolina para as</p><p>neurocirurgias limpas e para as fraturas de base do crânio com fístula liquórica, e</p><p>ceftriaxona para os traumas cranianos penetrantes.</p><p> O uso de corticoesteróides não está indicado com fins a melhora de resultados ou</p><p>redução da PIC. Existe forte evidência que seu uso é deletério e, portanto, seu uso não</p><p>é recomendado no TCE.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 62</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Brain Trauma Foundation, American Association of Neurological Surgeons, Congress of</p><p>Neurological Surgeons. Guidelines for the management of severe traumatic brain</p><p>injury. J Neurotrauma 2007; 24(Suppl 1):S83-S86.</p><p>2. Ratilal BO, Costa J, Sampaio C. Antibiotic prophylaxis for preventing meningitis in</p><p>patients with basilar skull fractures. Cochrane Database of Systematic Reviews 2008,</p><p>Issue 4. Art. No.: CD004884. DOI: 10.1002/14651858.CD004884.pub2.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 63</p><p>PÓS-OPERATÓRIO DO PACIENTE NEUROCIRÚRGICO</p><p>Medidas Gerais no Pós-Operatório de Craniotomia</p><p> Internar em UTI quando verificadas as condições abaixo, independente do grau na</p><p>escala de coma de Glasgow, por serem potencialmente instáveis, podendo evoluir</p><p>rapidamente para quadros mais graves.</p><p> Contusões hemorrágicas extensas</p><p> Hematoma extradural</p><p> Pneumoencéfalo traumático</p><p> Fístula liquórica</p><p> Indicar intubação e ventilação mecânica imediatas, exceto se o paciente estiver lúcido.</p><p> Esta indicação independe da função pulmonar. A finalidade é oferecer as melhores</p><p>condições de proteção do SNC.</p><p> Indicar traqueostomia precoce se houver probabilidade de manter assistência</p><p>respiratória por mais de 2 semanas.</p><p> Cabeceira elevada a 30 (facilitar o retorno venoso e diminuir a PIC). Manter a cabeça</p><p>em posição neutra, evitando lateralização da mesma, com auxílio de coxins e/ou outro</p><p>suporte.</p><p> Profilaxia da trombose venosa profunda: enoxaparina 40mg SC ao dia ou heparina</p><p>5000UI SC cada 8 a 12 horas no 1º PO (contra-indicada no POI de hematomas) são</p><p>mais eficazes na prevenção de TVP do que meias de compressão graduada</p><p>isoladamente. Existe um aumento do risco de sangramento com essa terapia que não é</p><p>significativo estatisticamente.</p><p> Nos pacientes com hemorragia meníngea conseqüente a rotura de aneurisma</p><p>intracerebral, o desenvolvimento de vasoespasmo requer tratamento para manter a</p><p>PPC. O tratamento é feito por meio de:</p><p> Hipervolemia.</p><p> Hemodiluição: manter hematócrito entre 32 a 37% para reduzir a viscosidade do</p><p>sangue, facilitando o fluxo na microcirculação.</p><p> Hipertensão arterial controlada: PA 40 mmHg): causa vasodilatação cerebral com elevação</p><p>da PIC.</p><p> No PO de tumores e malformações vasculares evitar a hipertensão arterial: manter a</p><p>PAM entre 80 a 100 mmHg com nitroprussiato; perseguir uma PPC > 70 mmHg.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 64</p><p> Monitorização da PIC: realizada monitorização em todos os paciente em que há risco</p><p>de HIC.</p><p> Na presença de hidrocefalia, dar preferência ao sensor acoplado a sistema de</p><p>drenagem ventricular, o qual permite prevenir ou tratar surtos de HIC através da</p><p>retirada de LCR.</p><p> O sensor é mantido por 24 horas após normalização da PIC (em geral, 5 a 10 dias);</p><p>permanência acima de 7 dias aumenta o risco de infecção e de mau funcionamento.</p><p> Outros:</p><p> Remoção de drenos com 24 a 48 horas de PO.</p><p> Avaliação neurológica de 1/1 hora nas primeiras 24 horas.</p><p> Avaliação laboratorial: hematócrito, hemoglobina, sódio, potássio, gasometria</p><p>arterial.</p><p> Sonda vesical de demora com controle rigoroso da diurese.</p><p> Controlar dor e febre (febre de origem central costuma ter boa resposta à</p><p>clorpropamida).</p><p> Retirar as suturas no 10º a 14º PO.</p><p>Complicações Pós-Operatórias</p><p> Cerca de 1/3 dos pacientes pós-craniotomia por tumores falecem em conseqüência de</p><p>hipertensão intracraniana (HIC) secundária a edema, hemorragia e herniação uncal.</p><p>Outras causas incluem embolia pulmonar, sepse, IAM, pneumonia e hemorragia</p><p>digestiva.</p><p> Hemorragia subaracnóide pós-rotura de aneurisma: a principal causa de mortalidade é</p><p>o vasoespasmo, seguindo-se ressangramento, hipertensão arterial, pneumonia,</p><p>distúrbios hidroeletrolíticos graves e outras alterações respiratórias, cardíacas ou</p><p>renais. O risco de vasoespasmo se estende até 2 semanas após o episódio</p><p>hemorrágico.</p><p> Trauma cranioencefálico: sua mortalidade se deve a hipertensão intracraniana,</p><p>distúrbios hidroeletrolíticos graves, pneumonia, choque, coagulopatia e sepse, nesta</p><p>ordem de frequência . A HIC predomina nas primeiras 96 horas, mas pode ocorrer até</p><p>2 semanas após o trauma.</p><p>A. Hipertensão Intracraniana e Isquemia Cerebral</p><p> São as duas principais complicações pós-operatórias do paciente neurocirúrgico.</p><p> Ver conduta no capítulo específico.</p><p>B. Convulsões</p><p> A terapêutica anticonvulsivante é controversa, mas a maioria dos autores a indicam.</p><p> Difenilhidantoína: ataque 15 mg/kg (infusão com velocidade menor que 50</p><p>mg/minuto) e manutenção com 100 mg de 8/8 horas VO ou 150 mg de 12/12 horas</p><p>EV (monitorar nível sérico).</p><p> Evitar o uso de meperidina, a qual pode reduzir o limiar convulsivo (morfina e codeína</p><p>podem ser usadas).</p><p>C. Trombose Venosa Profunda e Embolia Pulmonar</p><p> A anticoagulação no pós-operatório de craniotomia requer uma individualização</p><p>baseada nas razões para a cirurgia (tumor, aneurisma, malformação arteriovenosa).</p><p>Muitos cirurgiões não indicam anticoagulação plena (TTPa de 1,5 a 2 vezes o controle)</p><p>antes de 3 a 5 dias de pós-operatório.</p><p> A embolia pulmonar em pacientes neurocirúrgicos tem uma frequência estimada em</p><p>2%. A anticoagulação sistêmica não é iniciada antes de completada 48 horas de</p><p>craniotomia, sendo que vários autores preferem não anticoagular pacientes com menos</p><p>de 2 semanas de cirurgia.</p><p> A anticoagulação é contra-indicada na hemorragia intracerebral, optando-se pela</p><p>colocação de filtro de veia cava inferior nos casos de trombose comprovada do</p><p>segmento inferior e particularmente na ocorrência de embolia pulmonar.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 65</p><p>D. Alterações Hidroeletrolíticas</p><p> A hiponatremia é relativamente frequente no</p><p>paciente neurocirúrgico. Na maioria das</p><p>vezes relaciona-se à perda salina de causa cerebral e, em alguns casos, à síndrome da</p><p>secreção inapropriada do hormônio antidiurético. Nos casos severos se repõe o déficit</p><p>com NaCl a 3% e impõe-se restrição hídrica (esta está contra-indicada na hemorragia</p><p>subaracnóide com vasoespasmo).</p><p> A hipernatremia ocorre como conseqüência de diabetes insipidus em TCE grave e</p><p>tumores da base do crânio (principalmente craniofaringeoma e adenoma hipofisário). O</p><p>tratamento é feito com desmopressina: DDAVP (DDAVP Spray nasal: 10 μg por dose;</p><p>10 a 40 g diariamente, em dose única ou em duas a três doses).</p><p> A hipomagnesemia ocorre particularmente após TCE grave e desencadeia convulsões e</p><p>acentua déficits neurológicos. Sua correção é feita com sulfato de magnésio 2g de 4/4</p><p>horas, se não houver insuficiência renal.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Agnelli G, Piovella F, Buoncristiani P, Severi P et al. Enoxaparin plus Compression</p><p>Stockings Compared with Compression Stockings Alone in the Prevention of Venous</p><p>Thromboembolism after Elective Neurosurgery. N Engl J Med 1998; 339: 80-85.</p><p>2. Iorio A e Agnelli G. Low-Molecular-Weight and Unfractionated Heparin for Prevention</p><p>of Venous Thromboembolism in Neurosurgery: A Meta-analysis. Arch Intern Med.</p><p>2000;160(15):2327-2332.</p><p>3. Youssef NCM e Plotnik R. Pós-operatório em neurocirurgia. In: Programa de</p><p>Atualização em Medicina Intensiva (PROAMI)/organizado pela Associação de Medicina</p><p>Intensiva Brasileira. Ciclo 6. Módulo 3. pg. 113-142. Porto Alegre:</p><p>Artmed/Panamericana, 2009.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 66</p><p>HIPERTENSÃO INTRACRANIANA</p><p>Indicadores hemodinâmicos</p><p> PPC = pressão de perfusão cerebral (normal entre 70-95 mmHg)</p><p> PAM = pressão arterial média (normal entre 80-100 mmHg)</p><p> PIC = presão intracraniana (normal entre 5-10 mmHg; tolerável até 20 mmHg)</p><p> FSC = fluxo sanguíneo cerebral</p><p> RVC = resistência vascular cerebral</p><p>PPC = PAM – PIC</p><p>FSC = PPC/RVC</p><p> A autorregulação cerebral mantém o fluxo sangüíneo cerebral (FSC) constante com</p><p>PPC entre 40 a 140 mmHg, através de variações na resistência vascular cerebral</p><p>(RVC).</p><p> Abaixo do limite inferior há vasodilatação máxima, o FSC cai, resultando em</p><p>isquemia cerebral;</p><p> Acima do limite máximo, a capacidade de vasoconstrição se esgota, o FSC aumenta,</p><p>resultando em congestão ou hemorragia.</p><p> Para se evitar isquemia, a PPC deve ser mantida ≥ 60 mmHg, a PIC ≤ 20 mmHg.</p><p>Sintomatologia</p><p> Cefaléia, diminuição do nível de consciência, tríade de Cushing (hipertensão arterial,</p><p>bradicardia e irregularidade respiratória).</p><p>Modificações no Eletrocardiograma Associadas a Hipertensão</p><p>Intracraniana</p><p> Alargamento vertical da onda T</p><p> Onda Q com depressão de ST</p><p> Taquicardia supraventricular, flutter ou fibrilação atrial</p><p> Bradicardia sinusal, ritmos nodais</p><p> Boqueio atrioventricular</p><p> Contrações ventriculares prematuras, fibrilação ventricular</p><p>CONDUTA TERAPÊUTICA PARA HIPERTENSÃO INTRACRANIANA</p><p>Monitorização</p><p> Oximetro de pulso e capnografia</p><p> Sonda vesical de demora para monitorar débito urinário</p><p> Cateter arterial para monitorar PAM</p><p> Cateter venoso central para monitorar PVC</p><p> Monitorar o estado clínico neurológico a cada hora</p><p> Pupilas</p><p> Escala de coma de Glasgow</p><p> Sinais vitais</p><p> TC de crânio</p><p> Avaliar evolução 48 horas após TC de admissão</p><p> Avaliar evolução 5-7 dias após TC de admissão</p><p> Conforme necessário, baseado nas condições clínicas do paciente</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 67</p><p>Medidas gerais</p><p> Sedação e analgesia adequadas</p><p> Colocar o paciente sob ventilação mecânica com objetivo de SaO2 > 90% e PaO2 > 60</p><p>mmHg</p><p> Cabeceira a 30º</p><p> Cabeça e pescoço em posição neutra e alinhados</p><p> Evitar hipertermia (> 38 º C): medidas não medicamentosas (resfriamento), dipirona,</p><p>etc.</p><p> Suporte nutricional enteral precoce (antes de 48 h; 25 kcal/kg/dia)</p><p> Profilaxia farmacológica para convulsão pós-traumática</p><p> Fenitoína (7 a 28 dias)</p><p> 100 mg EV a cada 8 horas (diluir 2 mL de Hidantal em 18 mL de água destilada)</p><p> Profilaxia de sangramento gástrico (ranitidina ou omeprazol)</p><p> Evitar lesões de decúbito</p><p> Profilaxia para trombose venosa profunda</p><p> Aspiração traqueal frequente com técnica estéril para prevenir infecções pulmonares</p><p> Manter hemoglobina ≥ 7 mg/dL</p><p>Objetivos do Tratamento</p><p> PAS > 90 mmHg, PAM > 70 mmHg</p><p> SaO2 > 90% ou PaO2 > 60 mm Hg</p><p> PIC ≤ 20 mmHg e PPC de 50-70 mmHg (se disponível)</p><p>Intervenções terapêuticas iniciais</p><p> Reanimação volêmica com solução de NaCl a 0,9% guiada por US hemodinâmico</p><p> Vasopressores quando necessário para obter PAS > 90 mmHg ou PAM > 70 mmHg</p><p> Caso houver PIC, objetivar PPC entre 50-70 mmHg</p><p> Ventilação mecânica objetivando SaO2 > 90% ou PaO2 > 60 mm Hg e PaCO2 entre 35-</p><p>40 mmHg</p><p>Intervenções Terapêuticas Específicas</p><p> Para pacientes com evidências de edema cerebral na TC de admissão:</p><p> Compressão das cisternas perimesencefálicas</p><p> Desvio da linha média</p><p> Compressão/apagamento dos sulcos corticais</p><p>Sulcos presentes</p><p>Cisternas</p><p>presentes</p><p>Ventrículos</p><p>presentes</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 68</p><p>Hiperventilação e terapia hiperosmótica devem ser iniciadas simultaneamente</p><p>1. Hiperventilação leve (PaCO2 30-35 mmHg)</p><p>2. Terapia hiperosmolar: usar primeiro manitol, exceto se 3H:</p><p> Hipotensão arterial</p><p> Hipovolemia</p><p> Hiponatremia</p><p> A osmolaridade ou tonicidade plasmáticas devem ser monitoradas cada 12-24 horas</p><p> A osmolaridade ou tonicidade15 plasmáticas podem ser calculadas usando as seguintes</p><p>fórmulas:</p><p> Osmolaridade = 2 x Na+ + (glicose /18) + (ureia/6)</p><p> Tonicidade = 2 x Na+ + (glicose/18)</p><p>Manitol 20% (bolus)</p><p> Apresentação 250 mL</p><p> 100 mL (20g) EV cada 3-4</p><p>horas nos primeiros 3 dias,</p><p>então</p><p> 80 mL (16g) EV cada 3-4</p><p>horas no dia 4, então</p><p> 60 mL (12g) EV cada 3-4</p><p>horas no dia 5, então</p><p> 40 mL (8g) EV cada 3-4</p><p>horas no dia 6 e suspender</p><p> A terapia hiperosmolar deve</p><p>ser suspensa se a</p><p>osmolaridade plasmática</p><p>ficar > 320 ou a tonicidade</p><p>> 340</p><p>Solução salina hipertônica</p><p>(SSH)</p><p> Usar apenas nos casos dos</p><p>3H descritos acima</p><p> Monitorar osmolaridade ou</p><p>tonicidade e sódio séricos</p><p>pelo menos a cada 12-24</p><p>horas</p><p> Suspender salina hipertônica</p><p>se osmolaridade > 360 ou</p><p>tonicidade > 380 ou sódio</p><p>sérico > 160 mEq/mL</p><p> Solução de NaCl a 5%</p><p>(bolus)</p><p> Preparo: 50 mL NaCl</p><p>10% + 50 mL AD</p><p> 100 mL EV cada 4-12</p><p>horas por 6 dias então</p><p>suspender</p><p>15 Osmolaridade é a medida da concentração de solutos por unidade de volume do solvente.</p><p>Osmolalidade é a medida da concentração de solutos por unidade de massa do solvente.</p><p>Tonicidade é a medida do gradiente de pressão osmótica entre duas soluções. Portanto, sempre envolve a</p><p>comparação entre duas soluções.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 69</p><p>3. Barbitúrico em dose alta</p><p> Usar após hiperventilação e terapia hiperosmolar/hipertônica</p><p> Dose: Tiopental 2,5 a 4 mg/kg/h sob infusão continua por 3 dias (cerca de 4-6 g/dia)</p><p> Apresentações 500 mg e 1g (pó)</p><p> 2 g em 200 mL SF 0,9% (10 mg/mL)</p><p> Adulto 70 kg = 18 a 28 mL/h</p><p> Evitar hipotensão</p><p>Intervenções Terapêuticas Específicas para Pacientes com Monitorização da PIC</p><p> Usar estas intervenções sequencialmente quando a PIC estiver elevada ou não</p><p>respondendo ao tratamento básico.</p><p> Elevação da PIC clinicamente significante: PIC > 20 mmHg por mais de 5 minutos</p><p> Passar para a intervenção seguinte se PIC persistir > 20 mmHg 20 minutos após uma</p><p>intervenção terapêutica haver sido iniciada.</p><p> Afastar outras causas de elevação da PIC</p><p> Dor ou agitação, distúrbios ventilatórios, manipulação do paciente, problemas</p><p>com</p><p>o tubo endotraqueal, PEEP muito elevada, hipertensão intrabdominal, convulses</p><p>1. Manter PPC entre 50-70 mmHg</p><p> Caso não seja possível linha arterial para monitoração contínua da PAM, obter a PAM a</p><p>partir da pressão arterial não invasiva cada hora para calcular a PPC.</p><p>2. Considerar drenagem ventricular se disponível.</p><p> A drenagem de liquor deve ser intermitente, com remoção do menor volume</p><p>necessário para controlar a PIC e usado pelo menor período de tempo possível.</p><p>Sugere-se drenar por 2 minutos, clampear o cateter e rechecar a PIC.</p><p>3. Bloqueador neuromuscular</p><p> Suspender se não houver resposta da PIC.</p><p>4. Hiperventilação leve para manter PaCO2 entre 30-35 mmHg</p><p>5. Terapia hiperosmolar/hipertônica</p><p> Usar primeiro manitol, exceto se 3H:</p><p> Hipotensão arterial</p><p> Hipovolemia</p><p> Hiponatremia</p><p> A osmolaridade ou tonicidade plasmáticas devem ser monitoradas pelo menos cada</p><p>12-24 horas</p><p> A osmolaridade ou tonicidade plasmáticas podem ser calculadas usando as seguintes</p><p>fórmulas:</p><p> Osmolaridade = 2 x Na+ + (glicose /18) +(ureia /6)</p><p> Tonicidade = 2 x (Na + K) + (glicose/18)</p><p> A terapia hiperosmolar deve ser suspensa se a osmolaridade plasmática ficar > 320 ou</p><p>a tonicidade > 340</p><p>Manitol 20%</p><p>PIC > 20 mmHg: 0,25 a 1 g/kg (bolus)</p><p> Doses extras podem ser administradas para elevação sustentada da PIC, se a</p><p>osmolaridade 360 ou tonicidade > 380 ou sódio</p><p>sérico > 160</p><p> Solução de NaCl a 5% (bolus)</p><p> Preparo: 50 mL NaCl 10% + 50 mL AD</p><p> 100 mL EV cada 1 hora</p><p> 100 mL EV cada 1 hora; repetir se necessário (elevação sustentada da PIC),</p><p>contanto que a osmolaridade 20 mmHg: 0,25 a 1 g/kg (bolus)</p><p> Doses extras podem ser administradas para elevação sustentada da PIC, se a</p><p>osmolaridade 320 ou tonicidade > 340</p><p> PIC > 20 mmHg: 0,25 a 1 g/kg (bolus); repetir se PIC persistir > 20 mmHg, caso</p><p>osmolaridade 360 ou tonicidade > 380 ou sódio sérico > 160</p><p> Continuar o regime de dos pré-operatória com solução de NaCl 5% em bolus</p><p> Preparo: 50 mL NaCl 10% + 50 mL AD</p><p> PIC > 20 mmHg: 100ml EV cada 1 hora; repetir se PIC persistir > 20 mmHg,</p><p>caso a osmolaridade</p><p>e de</p><p>mioclonias multifocais assíncronas, o qual é um indicador não específico de</p><p>encefalopatia metabólica.</p><p>Rotina Diagnóstica</p><p> Anamnese: doenças preexistentes, intoxicações, abuso de drogas.</p><p> Exame neurológico: sinais de localização neurológica, escala de Glasgow, rigidez de</p><p>nuca.</p><p> Hemograma, glicemia, ureia, creatinina, gasometria arterial eletrólitos, provas de</p><p>função hepática, radiografia de tórax, ECG e avaliação toxicológica.</p><p> Exames de imagem (TC crânio, ressonância magnética, EEG): apenas após a</p><p>estabilização do paciente.</p><p>Cuidados Gerais</p><p> Aspirar secreções e administrar oxigênio suplementar.</p><p> Tiamina</p><p> Acesyl (ampola com 100 mg em 1 mL); outra opção: Citoneurin 1000 (a ampola I</p><p>contém tiamina 100 mg e piridoxina 100 mg)</p><p> Indicada nos pacientes etilistas, onde a administração de glicose antes da tiamina</p><p>pode acarretar danos neurológicos (síndrome de Wernicke-Korsakoff).</p><p> Glicose 50%: 05 ampolas EV; hipoglicemia pode ser a causa das convulsões e as</p><p>convulsões aumentam as necessidades cerebrais de glicose.</p><p>Tratamento Medicamentoso</p><p>Diazepam</p><p> 10 a 20 mg EV; a eliminação pode ser prolongada em pacientes idosos ou com</p><p>insuficiência renal ou hepática. Diluir em 10 mL de água destilada (em solução salina há</p><p>precipitação, podendo ocorrer tromboflebite). A infusão deverá ser lenta e interrompida</p><p>assim que cesse a crise convulsiva. Repetir caso necessário.</p><p> Os benzodiazepínicos são os agentes de escolha para o controle temporário das crises e</p><p>para ganhar tempo para a dose de ataque da fenitoína ou fenobarbital.</p><p>Fenitoína</p><p> Hidantal: ampola com 250 mg em 5 mL.</p><p> Associar aos benzodiazepínicos devido a sua ação curta, mesmo que estes abortem a</p><p>crise.</p><p> Também nos casos em que os benzodiazepínicos não forem suficientes para controlar</p><p>as crises, a fenitoína é a droga de escolha.</p><p> Dose de ataque: 15 a 20 mg/kg (18 a 20 mg/kg para status epilepticus e 15 a 18</p><p>mg/kg para profilaxia de convulsões após TCE ou neurocirurgia; a dose menor é para</p><p>idosos); diluir em 100 mL de SF 0,9% (em SG se precipita). Uma dose adicional de</p><p>ataque de 5 a 10 mg/kg pode ser administrada em caso de falha.</p><p> Velocidade de infusão máxima: 50 mg/minuto. Ex: paciente de 70kg: 70kg x 20mg/kg =</p><p>1400mg = 1400mg/50mg.min = 28 minutos.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 74</p><p> Para prevenir a flebite, a concentração máxima para administração periférica é de 10</p><p>mg/mL e 20 mg/mL para administração por cateter venoso central.</p><p> Cerca de 20 a 25 minutos são necesários para a fenitoína atingir seu efeito máximo</p><p>após a administração da dose de ataque.</p><p> Manutenção: 100 mg EV, lento, a cada 8 horas (diluir 2 mL de fenitoína em 18 mL de</p><p>água destilada) ou 5 mg/kg/dia em 2 doses diárias; iniciar 12 a 24 horas após dose de</p><p>ataque.</p><p> Contra-indicações: BAV II e III, bradicardia sinusal. Pode ser usada na insuficiência</p><p>renal com monitoração mais freqüentes dos níveis séricos.</p><p> Efeitos adversos: Hipotensão ocorre em 28 a 50% dos pacientes e arritmias</p><p>(bradicardia e batimentos ectópicos) em 2%. Estes efeitos adversos são mais comuns</p><p>em pacientes acima de 50 anos e em cardiopatas, podendo ser minimizados pela</p><p>interrupção ou redução da velocidade de infusão.</p><p> Níveis terapêuticos: 10 a 20 g/mL (total) ou 1 a 2 g/mL (fenitoína livre)</p><p>Fenobarbital</p><p> Apresentações: Gardenal: ampolas com 200 mg em 1 mL; Fenocris 200 mg/2 mL é a</p><p>única apresentação injetável no Brasil que também pode ser administrada EV.</p><p> Pode ser adicionado ao regime terapêutico de pacientes que não responderam aos</p><p>benzodiazepínicos e fenitoína.</p><p> Usar com cuidado na insuficiência respiratória, ICC, insuficiência renal e hepática,</p><p>miastenia gravis e mixedema.</p><p> Dose de ataque: 20 mg/kg em 100 mL de SF/SG em cerca de 20 minutos (taxa máxima</p><p>de infusão até 75 mg/min; solução muito alcalina). Uma dose adicional de 5 a 10</p><p>mg/kg pode ser administrada.</p><p> Dose de manutenção (iniciar após 24 horas): 4 mg/kg/dia sem diluição (24/24 horas,</p><p>IM/EV/VO; preferencialmente à noite devido à sedação). Doses menores em idosos, na</p><p>insuficiência renal e hepática. Iniciar 12 a 24 horas após a dose de ataque.</p><p> Efeito colateral: depressão respiratória, hipotensão (reduzir a taxa de infusão em 50%</p><p>em caso de hipotensão).</p><p> Nível terapêutico: 14 a 40 g/mL</p><p>Status Epilepticus Refratário</p><p> Cerca de 80% dos casos respondem à terapia com benzodiazepínicos, fenitoína ou</p><p>fenobarbital. Status epilepticus que não responde a estas terapias é considerado</p><p>refratário e requer um tratamento mais agressivo, uma vez que pacientes que</p><p>permaneceram em estado de mal convulsivo por período de 30 a 45 minutos podem</p><p>apresentar lesão cerebral, especialmente nas estruturas límbicas como o hipocampo.</p><p> O midazolam e o propofol apresentam uma vantagem substancial em relação ao</p><p>tiopental em termos de uma eliminação rápida.</p><p> A infusão destas drogas é tipicamente mantida durante 12 a 24 horas, sendo então</p><p>gradualmente retirada enquanto se observa o paciente quanto a evidências clínicas ou</p><p>eletroencefalográficas de recorrência das convulsões.</p><p> Caso estas persistam, a terapia deve ser reintroduzida por períodos progressivamente</p><p>mais longos, conforme necessário.</p><p>Midazolam (Dormonid: ampolas com 15mg/3mL, 50mg/10mL e 5mg/5mL)</p><p> Em alguns casos pode ser usado após falha de controle com fenitoína, antecedendo o</p><p>fenobarbital.</p><p> Ataque: 0,2 mg/kg EV</p><p> Manutenção: Preparo: 50 mL (250 mg) em 200 mL SF ou SG (solução a 1 mg/mL)</p><p> Iniciar a 0,15 mg/kg/hora; corresponde a 0,15 x peso corporal (dose em mL/hora)</p><p> Efeitos colaterais: depressão respiratória, hipotensão; associa-se a taquifilaxia,</p><p>podendo necessitar de doses excessivamente elevadas.</p><p>Propofol (ampolas de 200 mg em 20 mL)</p><p> Ataque: 1 a 2 mg/kg EV</p><p> Manutenção: 2 a 10 mg/kg/hora em infusão EV contínua</p><p> Efeitos colaterais: depressão respiratória, hipotensão</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 75</p><p>Tiopental (Thionembutal: 0,5g e 1g)</p><p> Grande variação da dose considerada ideal, efeitos colaterais freqüentes; ajustar a dose</p><p>de acordo com o controle da crise, a manutenção das funções vitais e a monitoração</p><p>eletrocardiográfica.</p><p> A hipotensão severa, necessitando de drogas vasopressoras limita sua segurança,</p><p>sendo por este motivo, utilizada por alguns especialistas apenas para pacientes nos</p><p>quais o midazolam ou propofol falharem.</p><p> A infusão deve ser reduzida gradativamente no decorrer de 48 a 72 horas e o paciente</p><p>monitorado quanto a aumento da PIC ou desenvolvimento de crises convulsivas.</p><p> Ataque: 100 a 250 mg em 30 segundos diluído em SF; doses adicionais de 50 mg cada</p><p>3 minutos até controle das crises.</p><p> Manutenção: 1 a 5 mg/kg/hora diluído em 250 mL de SF, em infusão EV contínua.</p><p>Aumentos de 0,5 a 1 mg/kg/hora para obter controle do status epilepticus ou a redução</p><p>desejada da PIC.</p><p> Nível terapêutico: 20 a 50 g/mL</p><p> Efeitos colaterais: hipotensão, arritmias, depressão respiratória e laringoespasmo</p><p>(principalmente em infusão rápida).</p><p>Observação: fenitoína, fenobarbital (na sua apresentação EV) e tiopental provocam</p><p>hipotensão e arritmias se administrados muito rapidamente devido a seu diluente</p><p>propilenoglicol.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Lowensteina DH e Alldredge BK. Status epilepticus. The New England Journal of</p><p>Medicine, 1998; 338: 970-976.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 76</p><p>MORTE ENCEFÁLICA</p><p>Critérios de Estabilidade para Diagnóstico de Morte Encefálica</p><p> A estabilidade hemodinâmica, hidroeletrolítica, metabólica, acidobásica, ausência de</p><p>hipotermia ou hipóxia, espontânea ou sustentada por fármacos vasoativos e tratamento</p><p>de reposição, dentre outros recursos, se caracteriza pelos seguintes parâmetros:</p><p> PAS > 90mmHg</p><p> PaO2 > 100mmHg</p><p> Temperatura</p><p>acima de 32 ºC</p><p> Glicemia entre 70 e 300mg/dL</p><p> Sódio sérico entre 160 e 120mEq/L</p><p> pH entre 7,6 e 7,2</p><p>Em caso de intoxicação exógena ou uso com finalidades terapêuticas de fármacos</p><p>depressores do SNC, a arreatividade, a perda dos reflexos do tronco cerebral e ausência</p><p>de ventilação espontânea perdem o valor. Exige-se, portanto, para confirmação de morte</p><p>encefálica, um tempo variável de acordo com a meia-vida da substância e com as</p><p>condições clínicas do paciente que possam interferir no seu metabolismo. O exame clínico</p><p>é realizado quando houver segurança que a ação do fármaco é desprezível. Do contrário,</p><p>somente uma prova auxiliar que demonstre a ausência de fluxo cerebral permitirá evitar a</p><p>espera e confirmar o diagnóstico de morte encefálica.</p><p>MEIA-VIDA DE FÁRMACOS SEDATIVOS</p><p>Fármaco Vida média (horas)</p><p>Midazolam 1,7-2,6</p><p>Diazepam 20-50</p><p>Lorazepam 11-22</p><p>Morfina 2-4</p><p>Fentanil 2-4</p><p>Tiopental 6-60</p><p>Propofol 4-7</p><p>DIAGNÓSTICO CLÍNICO</p><p>Etapa 1: Detecção de coma arreativo (Glasgow 3)</p><p> A profundidade do coma é avaliada pela documentação da presença ou ausência de</p><p>respostas motoras a um estímulo doloroso padronizado, como uma pressão sobre o</p><p>nervo supraorbital, a junta temporomandibular ou o leito ungueal de um dedo.</p><p>Etapa 2: Ausência de reflexos do tronco cerebral</p><p> Interessa para o diagnóstico de morte encefálica, exclusivamente a arreatividade</p><p>supraespinhal. Conseqüentemente, não afasta o diagnóstico a presença de sinais de</p><p>reatividade infraespinhal (atividade reflexa medular), tais como reflexos</p><p>osteotendinosos (“reflexos profundos”), cutaneoabdominais, cutaneoplantares em</p><p>flexão ou extensão, cremastérico superficial ou profundo, ereção peniana reflexa,</p><p>arrepio, reflexos flexores de retirada dos membros inferiores ou superiores ou reflexo</p><p>tonicocervical.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 77</p><p> O exame deve continuar, então, confirmando-se ausência de reflexos do tronco</p><p>cerebral:</p><p>1. Reflexo fotomotor: Midríase não-fotorreagente.</p><p>2. Reflexo oculocefálico: Nenhum movimento do globo ocular deve ser observado com</p><p>a movimentação passiva brusca da cabeça para os lados e de extensão-flexão</p><p>sobre o tronco (reflexo oculocefálico ausente); porém, não só pode ser difícil</p><p>interpretar os resultados deste teste, mas também problemático quando há um</p><p>dano espinhal concomitante.</p><p>3. Reflexo oculovestibular: A ausência de movimentos provocados do globo ocular</p><p>deve ser confirmada através do teste com excitação calórica fria: o tímpano deve</p><p>ser irrigado com água gelada com a cabeça inclinada a 30 graus. Não deve haver</p><p>nenhum desvio tônico do globo ocular em direção ao estímulo frio (ausência do</p><p>reflexo oculovestibular). A presença de sangue coagulado ou cerúmen nos canais</p><p>auditivos podem diminuir a resposta em uma pessoa que não está em morte</p><p>cerebral.</p><p>4. Reflexo corneal: Pesquisado tocando a extremidade da córnea com gaze ou</p><p>algodão, produzindo um estímulo adequado para o paciente piscar.</p><p>5. Reflexo da tosse: A sua ausência pode ser melhor avaliada através da aspiração</p><p>traqueal.</p><p>Etapa 3: Teste da Apneia</p><p> Uma vez documentada a ausência dos reflexos do tronco cerebral, deve-se realizar o</p><p>teste da apneia. Este método é simples e normalmente livre de complicações, contanto</p><p>que sejam observadas precauções adequadas.</p><p> No doente em coma, o limiar de excitação dos centros respiratórios é alto,</p><p>necessitando-se de PaCO2 de até 55 mmHg, fenômeno que pode determinar um tempo</p><p>de vários minutos entre a desconexão do respirador e o aparecimento dos movimentos</p><p>respiratórios, caso a região pontobulbar ainda esteja íntegra. A prova da apneia é</p><p>realizada de acordo com o seguinte protocolo:</p><p>1. Pré-oxigenar o paciente com FiO2 de 100% por 10 minutos.</p><p>2. Colher a primeira gasometria arterial.</p><p>3. Desconectar o ventilador.</p><p>4. Instalar cateter traqueal de oxigênio ao nível da carina com fluxo de 6 litros por</p><p>minuto.</p><p>5. Observar se aparecem movimentos respiratórios por 10 minutos, monitorarando</p><p>alterações nas funções vitais do paciente.</p><p>6. Colher a segunda gasometria arterial</p><p>7. Voltar a conectar o paciente ao ventilador.</p><p>8. Se a PaCO2 atinge 55 a 60 mm Hg ou mais ou há um aumento de mais de 20</p><p>mmHg da linha base normal, na ausência de movimentos respiratórios</p><p>espontâneos, a apneia é confirmada.</p><p> Complicações como hipotensão ou arritmia cardíaca podem acontecer devido a uma</p><p>falha em oferecer uma fonte adequada de oxigênio ou por uma falta de pré-</p><p>oxigenação.</p><p> A adrenalina é a droga a ser usada nas situações de bradicardia severa, pois a ação da</p><p>atropina necessita da vitalidade dos núcleos vagais.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 78</p><p>Testes Confirmatórios</p><p>1. Angiografia cerebral. Pode documentar o não enchimento das artérias intracranianas</p><p>porque a pressão sistólica não é alta bastante forçar sangue através da árvore vascular</p><p>intracraniana. O edema glial perivascular causado pela isquemia pode levar ao colapso</p><p>de vasos menores, determinando uma resistência intravascular aumentada. A</p><p>angiografia cerebral é executada com uma injeção no arco aórtico para visualizar a</p><p>circulação anterior e posterior cerebral. A parada de fluxo é encontrada no foramen</p><p>magnum na circulação posterior e na porção petrosa da artéria carótida na circulação</p><p>anterior. A angiografia por ressonância magnética pode produzir imagens semelhantes.</p><p>2. Eletroencefalografia. É usada em muitos países e permanece um dos testes</p><p>confirmatórios mais bem validados. São obtidos registros durante pelo menos 30</p><p>minutos com um instrumento de 16 ou 18 canais. Em paciente em morte cerebral, a</p><p>atividade elétrica está ausente a níveis maiores que 2 µV com o instrumento fixado a</p><p>uma sensibilidade de 2 µV por milímetro. Porém, níveis mais altos de sensibilidade</p><p>aumentam os artefatos, os quais são abundantes na unidade de tratamento intensivo</p><p>por causa da presença de múltiplos aparelhos.</p><p>3. Ultrassonografia Doppler Transcraniana. Tem uma sensibilidade de 91 a 99% e</p><p>especificidade de 100%. Um instrumento portátil é utilizado para examinar as artérias</p><p>cerebrais médias e artérias vertebrais. A ausência de um sinal pode ser um artefato se</p><p>uma janela óssea interferir com o exame. Em paciente em morte encefálica, a</p><p>ultrassonografia doppler transcraniana tipicamente revela a ausência do fluxo diastolico</p><p>ou reverberante que é causado pela força de contração das artérias.</p><p>4. Cintilografia Cerebral. Pode demonstrar ausência de captação intracerebral do</p><p>marcador. A correlação com angiografia convencional é boa.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Puppo C, Biestro A e Prado KF. Morte encefálica. In: Programa de Atualização em</p><p>Medicina Intensiva (PROAMI)/organizado pela Associação de Medicina Intensiva</p><p>Brasileira. Ciclo 2. Módulo 3. pg. 67-100. Porto Alegre: Artmed/Panamericana, 2004.</p><p>2. Wijdicks EFM. The diagnosis of brain death. The New England Journal of Medicine,</p><p>2001; 344:1215-1221.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 79</p><p>MANUTENÇÃO DO POTENCIAL DOADOR DE ÓRGÃOS EM</p><p>MORTE ENCEFÁLICA</p><p>Cuidados gerais</p><p>TEMPERATURA</p><p> A temperatura central em adultos saudáveis varia de 36 °C a 37,5 °C.</p><p> Na morte encefálica (ME), a capacidade de termorregulação do hipotálamo cessa. Por</p><p>conseguinte, a temperatura corporal equilibra-se com a temperatura do ambiente e</p><p>segue-se a hipotermia.</p><p> Métodos mais precisos para aferir a temperatura central:</p><p> Termístor da artéria pulmonar</p><p> Sonda vesical com termistor</p><p> Temperatura esofágica</p><p> Temperatura retal: dificuldades práticas no paciente crítico limitam seu uso.</p><p> Temperatura oral e timpânica também aceitáveis</p><p> Temperatura axilar: método menos desejável devido à imprecisão, contudo o mais</p><p>utilizado no Brasil pela sua facilidade de uso.</p><p> Manter temperatura acima de 35 °C</p><p></p><p>Prevenir efeitos indesejáveis (por exemplo, coagulopatia, instabilidade</p><p>hemodinâmica), que podem prejudicar a viabilidade o transplante de órgãos.</p><p> Fluidos infundidos a 37 °C</p><p> Cobertores ou mantas térmicas</p><p> Hipotermia instalada</p><p> Lâmpadas de aquecimento</p><p> Mantas térmicas</p><p> Infusão de líquidos aquecidos (solução salina aquecida a 43 º C por meio de cateter</p><p>venoso central, 150-200 mL/hora)</p><p> Aquecimento do gás umidificado do ventilador mecânico (42-46 º C)</p><p> Irrigação gástrica e colônica com soluções cristalóides aquecidas</p><p> Aquecimento através de hemodiálise ou dispositivos de circulação extracorpórea</p><p> A vasodilatação periférica é um inconveniente, uma vez que pode provocar "choque de</p><p>reaquecimento”.</p><p>NUTRIÇÃO</p><p> Fornecer suporte nutricional enteral ou parenteral.</p><p> Descontinuar o suporte nutricional se altas doses de drogas vasoativas são necessárias</p><p>ou se há sinais de hipoperfusão tecidual.</p><p>GLICEMIA</p><p> Monitoramento glicemia capilar pelo menos a cada seis horas</p><p> iniciar protocolo de infusão endovenosa de insulina se o nível de glicose for maior que</p><p>180 mg/dL.</p><p>Cuidados</p><p>gerais</p><p>Manejo</p><p>Cardiovascular</p><p>Manejo</p><p>Respiratório</p><p>Manejo Renal</p><p>e Eletrolítico</p><p>Manejo</p><p>Hormonal</p><p>Manejo</p><p>Hematológico</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 80</p><p>HEMOGLOBINA</p><p> Não transfundir se:</p><p> Hb >10g/dL</p><p> Hb entre 7 e 10 g/dL em potenciais doadores hemodinamicamente estáveis com</p><p>perfusão tecidual adequada</p><p> Transfundir hemácias se:</p><p> Hb 70 mmHg</p><p> Estado euvolêmico</p><p> Débito urinário ≥0,5 mL/kg/h</p><p> Ritmo cardíaco normal</p><p> Lactato baixo</p><p> Monitorar pressão arterial invasiva</p><p> Mais preciso na vigência do choque</p><p> Permite avaliar fluido-responsividade através da variação da pressão de pulso</p><p>(ΔPp)</p><p> Facilita coletas frequentes para gasometria arterial</p><p> Não usar saturação venosa central de oxigênio (SvcO2) como meta hemodinâmica.</p><p> Em pacientes com morte cerebral, a SvcO2 medida no bulbo jugular está</p><p>aumentada, contribuindo assim para o aumento da SvcO2.</p><p> Não há estudos que mostrem quais os valores "normais" neste cenário.</p><p> A ecocardiografia proporciona avaliação do inotropismo cardíaco, bem como a</p><p>responsividade a volume baseada nas alterações no diâmetro da veia cava inferior. A</p><p>ecocardiografia está indicada, portanto, sempre que a reanimação hemodinâmica</p><p>inicial guiada por monitorização hemodinâmica normal falhar (ou seja, volume,</p><p>vasopressores, inotrópicos).</p><p>VOLEMIA</p><p> Não há nenhuma evidência de qualquer diferença nos resultados pós-transplante com</p><p>o uso de cristalóide comparado a colóides para reanimação em doadores de</p><p>transplante pulmonar.</p><p> Deve-se evitar o hidroxietilamido, o qual pode induzir lesões às células epiteliais</p><p>tubulares renais e pode prejudicar a função precoce do enxerto renal (isto é, a função</p><p>do enxerto durante o período pós-operatório imediato).</p><p>VASOPRESSORES</p><p> A utilização de doses elevadas de noradrenalina em doadores está associada com</p><p>aumento da disfunção do enxerto cardíaco, particularmente o desempenho ventricular</p><p>direito e maior mortalidade precoce e tardia dos receptores.</p><p> As diretrizes da AMIB/ABTO recomendam o uso de vasopressina sempre que drogas</p><p>vasopressoras estiverem indicadas.</p><p> 1 U bolus seguido por infusão contínua a 0,6-2,4 U/hora</p><p> 20 U em 1 mL diluído em SF 100 mL (0,2 U/mL) = 10 mL em bolus seguido de 5 a</p><p>25 mL/h</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 81</p><p>INOTRÓPICOS</p><p> Iniciar dobutamina se a contratilidade cardíaca estiver comprometida (evidência clínica</p><p>de disfunção ventricular ou FE 1,5 associado a:</p><p> Risco aumentado de hemorragia</p><p> Antes de um procedimento invasivo</p><p> Sangramento ativo significativo</p><p> Transfundir plaquetas se:</p><p> > 100.000/mm3 e sangramento ativo significativo associado</p><p> 7,2</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Cittanova ML, Leblanc I, Legendre C, Mouquet C, Riou B, Coriat P. Effect of</p><p>hydroxyethylstarch in brain-dead kidney donors on renal function in kidney-</p><p>transplantrecipients. Lancet 1996;348:1620-2.</p><p>2. Dictus C, Vienenkoetter B, Esmaeilzadeh M, Unterberg A and Ahmadi R. Critical care</p><p>management of potential organ donors: our current standard. Clin Transplant 2009: 23</p><p>(Suppl. 21): 2–9.</p><p>3. Macdonald PS, Aneman A, Bhonagiri D, et al. A systematic review and meta-analysis of</p><p>clinical trials of thyroid hormone administration to brain dead potential organ donors.</p><p>Crit Care Med 2012; 40:1635–1644.</p><p>4. McKeown DW, Bonser RS and Kellum JA. Management of the heartbeating brain-dead</p><p>organ donor. British Journal of Anaesthesia 108 (S1): i96–i107 (2012).</p><p>5. Munshi L, Keshavjee S, Cypel M. Donor management and lung preservation for lung</p><p>transplantation. Lancet Respir Med 2013; 1: 318–28.</p><p>6. Westphal GA, Caldeira Filho M, Vieira KD et al. Guidelines for potential multiple organ</p><p>donors (adult). Part I. Overview and hemodynamic support. Rev Bras Ter Intensiva.</p><p>2011; 23(3):255-268.</p><p>7. Westphal GA, Caldeira Filho M, Vieira KD et al. Guidelines for potential multiple organ</p><p>donors (adult). Part II. Mechanical ventilation, endocrine metabolic management,</p><p>hematological and infectious aspects. Rev Bras Ter Intensiva. 2011; 23(3):269-282.</p><p>8. Westphal GA, Caldeira Filho M, Vieira KD et al. Guidelines for potential multiple organ</p><p>donors (adult). Part III. Organ-specific recommendations. Rev Bras Ter Intensiva.</p><p>2011; 23(3):269-282. Rev Bras Ter Intensiva. 2011; 23(4):410-425</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 83</p><p>SEDAÇÃO, ANALGESIA E BLOQUEIO NEUROMUSCULAR</p><p>SEDAÇÃO</p><p> O paciente em ventilação mecânica deve estar confortável e isto, na maioria das vezes,</p><p>só é possível pela sedação e, eventualmente, até que se realize relaxamento muscular.</p><p> A associação de midazolam e fentanil tem sido uma escolha bastante frequente em</p><p>nosso meio, por prover uma sedação adequada e analgesia. Quando midazolam e</p><p>fentanil são usados em associação, há potencialização da ação de ambos, com</p><p>hipotensão grave e aumento da incidência de apneia.</p><p> Nunca é demais lembrar que pacientes sedados profundamente e miorrelaxados</p><p>devem ter acompanhamento constante pela enfermagem. Uma extubação acidental ou</p><p>uma pane no sistema de ventilação pode ter conseqüências fatais se não</p><p>testemunhada e prontamente atendida.</p><p> As principais complicações da sedoanalgesia excessiva incluem depressão respiratória,</p><p>hipotensão arterial e bradicardia. Outra complicação importante da sedoanalgesia</p><p>profunda é a perda dos sinais clínicos nos pacientes com trauma de crânio, trauma</p><p>intratorácico ou trauma intra-abdominal.</p><p>Midazolam</p><p> Apresentações: Ampolas de 50 mg em 10mL e ampolas de 15 mg em 3mL. Ambas,</p><p>portanto, na concentração de 5 mg/mL.</p><p> Benzodiazepínico de ação curta. Início de ação rápido (1 a 3 minutos) com pico em 5</p><p>minutos e duração de ação de 1 a 2,5 horas.</p><p> Dose em bolus:</p><p> Preparo solução decimal a 1,5 mg/mL: 15 mg ou 3 mL em 7 mL de água destilada.</p><p> Fazer cerca de 3 mL da solução decimal por dose até alcançar o efeito desejado.</p><p> Em geral, nível adequado de sedação é alcançado com dose total de até 0,2 mg/kg.</p><p> Infusão contínua:</p><p> Preparo: 50 mL (250 mg) em 200 mL SF ou SG (solução a 1 mg/mL)</p><p> Iniciar a 0,15 mg/kg/hora; corresponde a 0,15 x peso corporal (dose em mL/hora)</p><p> Efeitos adversos:</p><p> Hipotensão arterial, depressão respiratória.</p><p> Acumula-se com a infusão prolongada após 24 horas. Existe aumento da meia-vida em</p><p>pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, doença renal, doença hepática e</p><p>disfunção de múltiplos órgãos.</p><p> Antagonista: flumazenil (Lanexat ampola de 0,5 mg/5 mL – 0,1 mg/mL)</p><p> Dose: 0,2 mg (2 mL) EV rápido. Se o grau desejado de consciência não é atingido</p><p>em 1 minuto: doses adicionais de 0,2 mg em intervalos de 1 minuto até total de 1</p><p>mg ou reversão da sedação.</p><p> Infusão contínua: se a sonolência retorna, instala-se infusão em taxa de 0,1 a 0,4</p><p>mg/hora, ajustando-se individualmente a velcidade conforme o nível de despertar</p><p>desejado.</p><p> Efeitos adversos do flumazenil:</p><p> Em paciente com TCE em uso de benzodiazepínicos, o flumazenil pode precipitar</p><p>convulsões;</p><p> Convulsões também podem ocorrer em casos de intoxicação concomitante com</p><p>antidepressivos tricíclicos (os quais têm potencial para induzir convulsões);</p><p> Ansiedade, confusão e agitação podem resultar da reversão de</p><p>benzodiazepínicos em pacientes fazendo uso prolongado dos mesmos;</p><p> Pacientes que receberam flumazenil para reversão de efeitos de</p><p>benzodiazepínicos devem ser monitorados para ressedação, depressão</p><p>respiratória ou outro efeito residual dos benzodiazepínicos;</p><p> A administração rápida pode causar hipertensão e taquicardia.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 84</p><p>Propofol</p><p> Apresentação: ampolas de 200 mg em 20 mL em emulsão lipídica (10 mg/mL).</p><p> O propofol é um agente hipnótico. Apesar de excelente agente anestésico, não possui</p><p>propriedades analgésicas, sendo necessário uso do mesmo em associação com opióide.</p><p> Meia-vida de 30 a 60 minutos, com início de ação em 30 segundos. Mesmo quando</p><p>utilizado por vários dias, o nível de consciência retorna em 10 a 25 minutos.</p><p> Dose em bolus:</p><p> Fazer doses de 3 a 5 mL EV em bolus, tituladas até efeito desejado.</p><p> Em geral, sedação adequada é atingida com uma dose total de até 2 mg/kg EV.</p><p> Infusão contínua:</p><p> Reconstituição: 05 ampolas a 10 ampolas, não é necessário diluição. A emulsão</p><p>não deve ser co-administrada com sangue ou plasma pelo mesmo cateter, uma vez</p><p>que a compatibilidade ainda não foi estabelecida.</p><p> 1 a 4 mg/kg/hora (0,1 a 0,4 mL/kg/hora), titulado pelo nível de sedação desejado.</p><p> Cálculo da velocidade de infusão: PC x [0,1 a 0,4] = mL/hora</p><p> Necessita ser administrado em cateter exclusivo para o mesmo devido a potencial de</p><p>incompatibilidade com outras drogas e para reduzir o risco de infecções associadas ao</p><p>cateter. A emulsão e o equipo usado devem ser trocados após 12 horas, uma vez que</p><p>a emulsão não contém preservantes.</p><p> Efeitos colaterais: dor ao início da infusão em veia superficial, depressão</p><p>cardiovascular (hipotensão e bradicardia) e respiratória. Nos últimos anos tem sido</p><p>descrito que a administração de altas doses de propofol (≥ 5mg/kg/hora) por um</p><p>tempo maior que 48 horas pode estar associada a falência cardíaca, rabdomiólise,</p><p>acidose metabólica grave e insuficiência renal. Esse quadro é conhecido como</p><p>síndrome da infusão do propofol e está associado ao impedimento da utilização dos</p><p>ácidos graxos e da atividade mitocondrial, com conseqüente necrose muscular.</p><p> Não é necessária redução da dose nos pacientes com doença hepática ou renal.</p><p>Escalas para Monitorização do Nível de Sedação</p><p>Escala de Richmond de Agitação-Sedação (RASS).</p><p>Pontos Classificação Descrição</p><p>+4 Beligerante Violento; perigo imediato à equipe</p><p>+3 Muito agitado Agressivo; puxa ou remove tubos ou cateteres.</p><p>+2 Agitado Movimentos frequentes sem propósito: “briga” com o</p><p>ventilador.</p><p>+1 Inquieto Ansioso, mas sem movimentos agressivos ou vigorosos.</p><p>0 Alerta e calmo</p><p>-1 Sonolento Não se encontra totalmente alerta, mas tem o despertar</p><p>sustentado ao som da voz (≥ 10s).</p><p>-2 Sedação leve Acorda rapidamente (</p><p>Escala de Ramsay</p><p>Em ventilação mecânica, o ideal são níveis de 4 a 5</p><p>1 Agitado, ansioso</p><p>2 Acordado, cooperativo, orientado, calmo</p><p>3 Paciente sedado, responsivo a comandos</p><p>4 Paciente sedado, com resposta rápida ao estímulo glabelar leve ou</p><p>estímulo auditivo alto</p><p>5 Paciente sedado, com resposta lenta ao estímulo glabelar leve ou</p><p>estímulo auditivo alto</p><p>6 Paciente sedado, sem resposta a estímulos</p><p>Ramsay MAE et al. BMJ 1974; 2: 656.</p><p>CONTROLE DA AGITAÇÃO PSICOMOTORA</p><p> Só sedar o paciente agitado após analgesia adequada e tratamento de causas</p><p>fisiológicas reversíveis.</p><p>Afastar antes de medicar</p><p>Dor Isquemia miocárdica</p><p>Hipóxia/hipercapnia Pneumotórax</p><p>Hipoglicemia Encefalopatia hepática</p><p>Bexiga cheia Uremia</p><p>Mal posicionamento do TOT Síndrome de abstinência</p><p>Haloperidol (Haldol): ampolas de 5 mg/1 mL; frasco-gotas com 2 mg/mL</p><p> Neuroléptico do grupo das butirofenonas.</p><p> É a droga mais útil para o tratamento de agitação e delírio na UTI.</p><p> Ampla margem de segurança terapêutica com pouco efeito no coração e pressão</p><p>arterial e nenhum efeito na ventilação pulmonar.</p><p> Os casos de hipotensão relatados só ocorreram, virtualmente, em pacientes</p><p>hipovolêmicos.</p><p> Dose: Em geral utiliza-se doses em bolus EV de 5 mg (01 ampola) a cada 5 a 30</p><p>minutos para o controle da agitação psicomotora.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 86</p><p>ANALGESIA</p><p>Ferramenta de Observação da Dor em Cuidados Intensivos (Critical-Care Pain Observation</p><p>Tool – CPOT)16</p><p>Indicador Descrição Interpretação Escore</p><p>Expressão</p><p>facial</p><p>Ausência de tensão muscular Relaxado,</p><p>neutro</p><p>0</p><p>Expressão franzida, testa enrrugada,</p><p>contração das órbitas e elevação do lábio</p><p>superior com acentuação do sulco nasolabial</p><p>Tenso 1</p><p>Todos os movimentos faciais acima mais</p><p>pálpebras firmemente fechadas</p><p>Fazendo</p><p>caretas</p><p>2</p><p>Movimentos</p><p>do corpo</p><p>Ausência completa de movimentos (não</p><p>significa necessariamente ausência de dor)</p><p>Ausência de</p><p>movimentos</p><p>0</p><p>Movimentos lentos e cautelosos tocar ou</p><p>esfregar o local da dor, buscar atenção</p><p>através de movimentos</p><p>Proteção</p><p>1</p><p>Puxando tubo, tentando sentar-se,</p><p>movimentando membros/debatendo-se, não</p><p>obedecendo ordens, atacando a equipe,</p><p>tentando sair da cama</p><p>inquietação 2</p><p>Tensão</p><p>muscular</p><p>Avaliação por</p><p>flexão passiva</p><p>e extensão</p><p>dos membros</p><p>superiores</p><p>Sem resistência a movimentos passivos</p><p>Relaxado 0</p><p>Resistência aos movimentos passivos</p><p>Tenso, rígido 1</p><p>Forte resistência a movimentos passivos,</p><p>incapacidade de completá-los</p><p>Muito tenso ou</p><p>rígido</p><p>2</p><p>Adaptação ao</p><p>ventilador</p><p>mecânico</p><p>(pacientes</p><p>entubados)</p><p>OU</p><p>Alarmes não disparam, ventilação fácil</p><p>0</p><p>Alarmes param espontaneamente Tolerando o</p><p>ventilador ou</p><p>movimento</p><p>Tosse mas</p><p>tolerando</p><p>1</p><p>Assincronia: ventilação para, alarmes</p><p>disparando com frequência</p><p>“Brigando” com</p><p>o ventilador</p><p>2</p><p>Vocalização</p><p>(pacientes</p><p>extubados)</p><p>Falando em tom normal ou nenhum som</p><p>0</p><p>Suspirando, gemendo</p><p>1</p><p>Gritando, chorando 2</p><p>Ponto de corte para dor</p><p>Sensibilidade de 86% e especificidade de 78% com AUC de 0,84.17</p><p>>2</p><p>16 Gélinas C, Fillion L, Puntillo KA, Viens C, Fortier M. Validation of the critical-care pain observation tool in adult</p><p>patients. Am J Crit Care 2006;15:420-7.</p><p>17 Gélinas C, Harel F, Fillion L, Puntillo KA, Johnston CC. Sensitivity and specificity of the critical-care pain</p><p>observation tool for the detection of pain in intubated adults after cardiac surgery. J Pain Symptom Manage.</p><p>2009;37(1):58-67.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 87</p><p>Morfina (Dimorf 10 mg em 1 mL)</p><p> A morfina tem início de ação em 1 a 2 minutos e pico de efeito em 20 minutos. A</p><p>duração da ação é de 1 a 2 horas.</p><p> Dose: Bolus de 1 a 2 mg (1 a 2 mL da solução decimal) EV cada 5 minutos até</p><p>obtenção do efeito desejado; a solução decimal (1 mg/mL) é obtida pela diluição de 01</p><p>ampola em 9 mL de água destilada.</p><p>Fentanil</p><p> Apresentações:ampolas com 2mL (100 g) ou 10 mL (500 g), ambas, portanto, na</p><p>concentração de 50 g/mL</p><p> Cerca de 50 a 100 vezes mais potente que a morfina para o alívio da dor.</p><p> Início de ação em 1 a 2 minutos com duração de 60 minutos. Sua titulação de dose é</p><p>muito fácil de ser realizada, tornando-o o agente de escolha para o controle da dor na</p><p>UTI.</p><p> A ação imediata e o metabolismo rápido tornam o fentanil um agente útil para</p><p>procedimentos de curta duração. A infusão intravenosa contínua é frequentemente</p><p>usada para analgesia ininterrupta em pacientes sob ventilação mecânica.</p><p> Efeitos adversos: Hipotensão, bradicardia. Rigidez da musculatura torácica pode</p><p>ocorrer quando administrado em altas doses em bolus. A tolerância desenvolve-se com</p><p>o uso prolongado.</p><p> Dose em bolus:</p><p> 0,35 a 1,5 g/kg ou em torno de 25 a 100 g para um adulto médio de 70 kg.</p><p> Diluir 2 mL de fentanil em 8 mL de água destilada (10 g/mL); fazer 2,5 a 10 mL EV</p><p>lento.</p><p> Infusão contínua:</p><p> Solução a 10 g/mL: 50 mL de fentanil (2.500 g) em 200 mL de SF ou SG.</p><p> 0,7 a 10 g/kg/hora</p><p>Tramadol</p><p> Apresentação: ampolas de 1 mL com 50 mg ou de 2 mL com 100 mg</p><p> O tramadol é um analgésico com baixa afinidade pelos receptores opióides e que tem</p><p>sua analgesia parcialmente revertida com o naloxone.</p><p> O tramadol é tão eficaz quanto a morfina (dose equipotente 50 mg de tramadol = 5</p><p>mg de morfina), apresentando como vantagem o menor potencial de depressão</p><p>respiratória.</p><p> Dose: 50 a 100 mg em 100 mL de SF 0,9%, até 400 mg ao dia, dividido em 3 a 4</p><p>aplicações. Crianças: 5mg/kg/dia dividido em 2 a 3 vezes.</p><p> Efeitos colaterais: vômitos, íleo, sonolência e, raramente, convulsões.</p><p>REVERSÃO DA DEPRESSÃO RESPIRATÓRIA POR OPIÓIDES</p><p> Naloxone (Narcan 0,4 mg em 1 mL).</p><p> Dose inicial: 0,04 mg18 EV bolus; se FR</p><p>não aumentar seguir doses sequenciais</p><p>como no esquema ao lado.</p><p>18 Dose bastante inferior à mais difundida de 0,4 mg. Baseado na revisão: Boyer EW. Management of opioid analgesic overdose.</p><p>N Engl J Med. 2012;367:146-55.</p><p>0,04 mg</p><p>0,5 mg</p><p>2 mg</p><p>4 mg</p><p>10 mg</p><p>15 mg</p><p>Se não houver FR em 2-3 min</p><p>Se não houver FR em 2-3 min</p><p>Se não houver FR em 2-3 min</p><p>Se não houver FR em 2-3 min</p><p>Se não houver FR em 2-3 min</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 88</p><p> Infusão contínua de naloxone:</p><p> A reversão da toxicidade opióide com dose única de naloxona, muitas vezes é</p><p>transitória; depressão respiratória recorrente é uma indicação para infusão</p><p>contínua.</p><p> Fazer 2/3 da dose em bolus que reverteu a toxicidade, a cada hora por infusão</p><p>contínua, e ajustar conforme necessário.</p><p> Ex: reversão com 2 mg; 2/3 = 1,3 mg/h</p><p> Ex. de diluição: 20 ampolas (8 mg ou 20 mL) em 80 mL de SF (0,08 mg/mL)</p><p> 1,3 mg/h = 17 mL/h</p><p>BLOQUEIO NEUROMUSCULAR</p><p> Com a melhor adequação da sedação e analgesia nos pacientes gravemente enfermos</p><p>associada ao desenvolvimento tecnológico dos ventiladores mecânicos, tornou-se cada</p><p>vez menos necessário o tratamento com bloqueadores neuromusculares (BNM).</p><p> A utilização rotineira de BNM em UTI ficou restrita ao tratamento dos pacientes com</p><p>tétano grave. Eventualmente, pacientes com insuficiência respiratória aguda,</p><p>principalmente aqueles que necessitam de modalidades ventilatórios desconfortáveis</p><p>(relação I:E invertida, hipercapnia permissiva) ou pacientes com traumatismo</p><p>cranioencefálico que necessitem de controle da hipertensão intracraniana podem se</p><p>beneficiar da utilização destes fármacos.</p><p> Os BNM também são administrados para facilitar a intubação orotraqueal.</p><p> Os BNM podem ser despolarizantes ou não-despolarizantes. A succinilcolina é o</p><p>único BNM despolarizantes disponível para uso clínico. Os BNM não-despolarizantes são</p><p>antagonistas</p><p>da acetilcolina e, portanto, desprovidos de atividade intrínseca.</p><p> É imprescindível que a analgesia adequada e sedação profunda antecedam a</p><p>administração dos BNM, uma vez que os mesmos são desprovidos de ação analgésica e</p><p>sedativa.</p><p> Nos pacientes em que se necessita evitar os efeitos vagolíticos (pacientes com</p><p>taquicardia) e nos pacientes com insuficiência hepática ou renal, deve-se utilizar o</p><p>atracúrio (evitar pancurônio).</p><p> Os principais efeitos colaterais secundários à administração prolongada dos BNM são a</p><p>atrofia com conseqüente fraqueza muscular, a dificuldade do desmame da ventilação</p><p>mecânica e uma maior incidência de pneumonia nosocomial.</p><p>Succinilcolina ou suxametônio</p><p> Apresentação: Quelicin pó liofilizado FA com 100 mg e 500 mg</p><p> Curta duração: meia-vida 2 a 4 minutos</p><p> Doses:</p><p> Para facilitar a intubação traqueal:</p><p> Preparo: diluir 01 FA com 100 mg em 10 mL de água destilada (10 mg/mL)</p><p> Administrar 1 a 2 mg/kg EV = 0,1 a 0,2 mL/kg</p><p> Efeitos adversos: Os efeitos colaterais limitam sua utilização às situações que exigem</p><p>intubação rápida.</p><p> Fasciculação, mialgia, aumento da pressão intraocular, intracraniana e intragástrica,</p><p>hipertermia maligna19; em queimados, lesões por esmagamento e situações</p><p>associadas a atrofia muscular intensa (imobilização prolongada, paraplegia) pode</p><p>determinar rabdomiólise com hiperpotassemia e arritmias cardíacas graves.</p><p>19 Síndrome de instalação súbita, com intensas contraturas, rigidez muscular, embotamento do sensório e febre</p><p>> 41C. Resulta do influxo agudo de cálcio no citoplasma das células musculares a partir do retículo</p><p>sarcoplásmico. Hipercalemia, hipofosfatemia, acidose metabólica, taquiarritmias, rabdomiólise, insuficiência</p><p>renal, colapso vascular, choque e PCR podem estar presentes, assim como edema cerebral e hemorragia</p><p>cerebral. O tratamento da hipertermia maligna é feito com dantrolene (DANTROLEN, frasco-ampola 20 mg) 1 a</p><p>2,5 mg/kg a cada 5 a 10 minutos, não excedendo 10 mg/kg. O dantrolene é um derivado da hidantoína com</p><p>propriedades de relaxamento muscular esquelético por inibição do fluxo de cálcio através do retículo</p><p>sarcoplásmico. O resfriamento do paciente, com banhos frios e/ou soluções geladas por via gástrica, é uma</p><p>medida coadjuvante também indicada.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 89</p><p> Não é indicado no trauma com esmagamento, em queimados, nos pacientes com</p><p>insuficiência renal crônica, paralisias crônicas ou doenças neuromusculares crônicas</p><p>pois pode acarretar grave hiperpotassemia. Outras contra-indicações: hipertensão</p><p>intracraniana, glaucoma, história pessoal ou familiar de hipertermia maligna.</p><p>Pancurônio</p><p> Apresentação: Pavulon ampolas de 4 mg em 2 mL</p><p> Longa duração: meia-vida 60 a 120 minutos</p><p> Embora possa ser administrado em infusão contínua, o modo intermitente é o mais</p><p>utilizado.</p><p> Dose de ataque: 0,1 mg/kg (0,25 mL/kg da solução decimal a 0,4mg/mL) EV em bolus</p><p> Dose intermitente: 0,1-0,2 mg/kg (0,25 a 0,5 mL/kg da solução decimal) EV em bolus</p><p>a cada 1 a 3 horas</p><p> Infusão contínua:</p><p> Preparo da solução: 100 mg em 250 mL (25 ampolas em 200 mL de SF;</p><p>concentração de 0,4 mg/mL, igual à da solução decimal)</p><p> 0,5 a 2 g/kg/minuto após a dose de ataque</p><p> Efeitos adversos: Taquicardia e hipertensão arterial (efeito vagolítico); a dose em bolus</p><p>pode induzir flushing, taquicardia e broncoespasmo (liberação de histamina).</p><p> Contraindicado: Não usar em pacientes com insuficiência renal ou hepática ou</p><p>apresentando instabilidade hemodinâmica.</p><p>Atracúrio</p><p> Apresentação: Tracrium, Tracur ampolas de 2,5 mL e de 5 mL com 10mg/mL</p><p> BNM de ação-intermediária (20-25 minutos)</p><p> Mínimos efeitos cardiovasculares</p><p> Liberação de histamina nas doses mais elevadas (dose-dependente)</p><p> Metabolizado por colinesterases plasmáticas ou eliminação de Hoffmann, não havendo</p><p>contraindicação a seu uso na insuficiência renal ou hepática</p><p> Dose de ataque: 0,5 mg/kg (0,5 mL/kg da solução decimal a 1 mg/mL)</p><p> Dose intermitente: 0,1-0,15 mg/kg (0,1 a 0,15 mL/kg da solução decimal) EV cada 3</p><p>horas</p><p> Infusão contínua: 5 a 20 g/kg/minuto</p><p> Preparo: 20 mL em 80 mL de SF0,9% (2 mg/mL)</p><p> Velocidade de infusão inicial: 5 g/kg/min (0,15 mL/hora)</p><p> Ex: 70 kg = 0,15 mL x 70 kg = 10 mL/hora</p><p> Desprezar a infusão 24 horas após seu preparo</p><p>Recomendações Gerais para Escolha do Bloqueador Neuromuscular</p><p> A maioria dos pacientes de UTI para os quais são prescritos BNMs podem ser</p><p>eficazmente conduzidos com pancurônio. Para pacientes nos quais a vagólise é contra-</p><p>indicada (pacientes com doenças cardiovasculares descompensadas), utilizar atracúrio.</p><p> Devido a seu metabolismo único, o atracúrio é recomendado para pacientes com</p><p>doença hepática ou renal significativa.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. American Society of Anesthesiologists Task Force on Sedation and Analgesia by Non-</p><p>Anesthesiologists. Practice guidelines for sedation and analgesia by</p><p>nonanesthesiologists. Anesthesiology 2002;96:1004-17.</p><p>2. Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Recomendações da AMIB sobre analgesia,</p><p>sedação e bloqueio neuromuscular em terapia intensiva. AMIB, 1999.</p><p>3. Barr J; Fraser GL, Puntillo K et al. Clinical Practice Guidelines for the Management of</p><p>Pain, Agitation, and Delirium in Adult Patients in the Intensive Care Unit. Critical Care</p><p>Medicine 2013; 41: 263-306.</p><p>4. Greenberg SB, Vender J. The Use of Neuromuscular Blocking Agents in the ICU: Where</p><p>Are We Now? Crit Care Med 2013; 41:1332–1344.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 90</p><p>5. Jacobi J, Fraser GL, Coursin DB, et al. Clinical practice guidelines for the sustained use</p><p>of sedatives and analgesics in the critically ill adult. Crit Care Med. 2002;30:119–141.</p><p>6. Murray, MJ, Cowen, J, DeBlock, H, et al Clinical practice guidelines for sustained</p><p>neuromuscular blockade in the adult critically ill patient. Crit Care Med 2002;30,142-</p><p>156.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 91</p><p>INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA</p><p>CAUSAS DE IRA</p><p>Insuficiência Renal Aguda</p><p>Pré-Renal</p><p>Depleção volêmica</p><p>Diuréticos</p><p>Perda renal de sal</p><p>Insuficiência adrenal</p><p>Perdas gastrointestinais</p><p>• Choque</p><p>Cardiogênico</p><p>Séptico</p><p>Hemorrágico</p><p>Insuficiência adrenal</p><p>• ICC</p><p>Cirrose</p><p>Nefrose</p><p>Perda para terceiro espaço</p><p>Estenose da artéria renal</p><p>Renal Pós-Renal</p><p>Obstrução da bexiga</p><p>CA de bexiga ou próstata</p><p>Litíase</p><p>Bexiga neurogênica</p><p>Sonda vesical obstruida</p><p>Obstrução ureteral BL</p><p>Litíase</p><p>Tumor</p><p>Necrose papilar</p><p>Coágulo</p><p>Compressão extrínseca</p><p>Fibrose retroperitoneal</p><p>Vascular</p><p>Embolo ou trombo arterial</p><p>agudo</p><p>Embolo de colesterol</p><p>Poliarterite nodosa</p><p>Síndrome por anticorpo</p><p>antifosfolípide</p><p>Púrpura trombocitopênica</p><p>trombótica ou síndrome</p><p>hemolítico-urêmica</p><p>Eclâmpsia ou necrose</p><p>cortical</p><p>Hipertensão maligna</p><p>Crise renal do</p><p>escleroderma</p><p>Túbulo-intersticial</p><p>Lesão Renal Aguda</p><p>Isquemia</p><p>Nefrotoxicidade</p><p>Contraste radiológico</p><p>Nefrite intersticial aguda</p><p>• Nefrite intersticial</p><p>alérgica</p><p>• Infecções</p><p>• Sarcoidose</p><p>• Síndrome TINU</p><p>(tubulointerstitial</p><p>nephritis and uveitis)</p><p>Rim do mieloma</p><p>Induzida por pigmento</p><p>Cristalúria</p><p>Síndrome da lise tumoral</p><p>Glomerular</p><p>Doença antimembrana</p><p>basal glomerular</p><p>Vasculite associada ao</p><p>ANCA</p><p>• Granulomatose de</p><p>Wegener</p><p>• Poliangiíte microscópica</p><p>• Síndrome de Churg-</p><p>Strauss</p><p>Glomerulonefrite por</p><p>imunocomplexo</p><p>• LES</p><p>• Crioglobulinemia</p><p>• Endocardite bacteriana</p><p>subaguda</p><p>• Glomerulonefrite pós-</p><p>estreptocócica</p><p>• Glomerulonefrite</p><p>membranoproliferativa</p><p>• Nefropatia por IgA ou</p><p>púrpura de Henoch-</p><p>Schonlein</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 92</p><p>CRITÉRIO RIFLE</p><p>Classificação Filtração glomerular Volume urinário</p><p>RISK (Risco) 1,5x creatinina sérica ou RFG > 25% 50% 0,5mg/dL ou RFG > 75%</p><p>20:1 Cerca de 10:1</p><p>Densidade urinária20 ≥ 1.015 Cerca de 1.010</p><p>(isostenúria)</p><p>Osmolalidade urinária >500 mOsm/L Cerca de 300 mOsm/L</p><p>Sódio urinário 20 mEq/L</p><p>Fração de excreção urinária de</p><p>sódio</p><p>1%</p><p>Sedimento urinário Normal ou cilindros</p><p>hialinos</p><p>Cilindros granulares ou</p><p>epiteliais</p><p>PREVENÇÃO DA INSUFICIÊNCIA RENAL</p><p> Evitar os fatores causais descritos anteriormente, principalmente hipovolemia ou</p><p>hipotensão e agentes nefrotóxicos, especialmente em paciente sob risco aumentado</p><p>(idosos, diabéticos).</p><p> Manter estado euvolêmico adequado</p><p> Corrigir possível obstrução pós-renal</p><p> Suspender drogas nefrotóxicas</p><p> Tratar distúrbios subjacentes</p><p> Dopamina: não há dados convincentes na literatura que em “dose renal” (dose</p><p>dopaminérgica: 1 a 3 g/kg/minuto) previna a IRA em pacientes de risco ou melhore a</p><p>função renal na IRA estabelecida.</p><p> Furosemida</p><p> Dose inicial:</p><p> Infusão contínua de 3 mg/hora</p><p> Dose em bolus EV de 20 mg</p><p> Doses máximas:</p><p> Infusão contínua: 24mg/h</p><p> Dose em bolus EV: 160mg</p><p> Preparo infusão contínua: 30 ampolas em 140 mL de SG (3 mg/mL)</p><p>20 A osmolalidade urinária é determinada pelo número de partículas em solução na urina. Em contraste, a gravidade específica</p><p>urinária, que é uma medida do peso da solução comparada àquela de um volume igual de água destilada, é determinada pelo</p><p>número e pelo tamanho das partículas disolvidas na urina. Na maioria dos casos, a gravidade específica urinária varia de form a</p><p>relativamente previsível com a osmolalidade, sendo que a gravidade específica aumenta de 0,001 para cada aumento de 35 a 40</p><p>mosmol/kg da osmolalidade. Assim, uma osmolalidade urinária de 280 mosmol/kg (que é isosmótica ao plasma)corresponde</p><p>geralmente a uma gravidade específica de 1.008 ou 1.009.</p><p>Esta relação, contudo, é alterada quando há quantidades apreciáveis de moléculas maiores na urina, tais como a glicose,</p><p>radiocontrastes ou o antibiótico carbenicilina. Nestes casos, a gravidade específica pode alcançar 1.030 a 1.050 (sugerindo</p><p>erroneamente uma urina muito concentrada), apesar de uma osmolalidade urinária que pode ser apenas de 300 mosmol/kg.</p><p>Em resumo, embora a osmolalidade urinária seja um marcador mais exato da concentração urinária, a gravidade específica pode</p><p>ser usada se um osmômetro não estiver disponível e se não houver nenhuma razão para suspeitar-se de uma excreção</p><p>aumentada de solutos maiores.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 94</p><p> Não utilizar nas seguintes situações:</p><p> Oligúria com creatinina >3 mg/dL</p><p> Oligúria com creatinina entre 0 a 3 mg/dL e análise urinária indicativa de IRA</p><p>pré-renal (razão creatinina urinária/plasmática > 20, osmolaridade urinária ></p><p>500 mOsm, sódio urinário</p><p>desejado.</p><p> Propofol (10 mg/mL): 20 a 50 mg EV (2 a 5 mL); repetir doses de 20 mg até</p><p>obtenção do nível de sedação desejado.</p><p> Após a CVE o paciente deve ser mantido sob oxigenioterapia até despertar. Caso</p><p>haja demora na recuperação da sedação ou depressão respiratória, utilizar:</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 12</p><p> Naloxone (Narcan 0,4 mg em 1 mL; antagonista de opióides): 0,4 mg ou 1</p><p>ampola EV com incrementos de 0,1 a 0,2 mg (2,5 a 5 mL da solução</p><p>decimal) a cada 2 a 3 minutos.</p><p> Flumazenil (Lanexat 0,5 mg/5 mL; antagonista de benzodiazepínicos): 0,2</p><p>mg ou 4 mL da solução decimal EV a cada 1 minuto até o despertar ou até o</p><p>máximo de 1 mg (02 ampolas).</p><p>FIBRILAÇÃO ATRIAL E FLUTTER ATRIAL</p><p>1. FA com duração menor que 48 horas</p><p> Pense em causas agudas tratáveis:</p><p> IAM</p><p> Hipóxia</p><p> Embolia pulmonar</p><p> Distúrbios eletrolíticos</p><p> Toxicidade medicamentosa (particularmente digoxina ou quinidina)</p><p> Tireotoxicose</p><p> Com instabilidade hemodinâmica: use cardioversão elétrica</p><p>FA</p><p>menor que 15.000 a 20.000</p><p>U por litro.</p><p> Contudo, na presença de outros fatores como sepse, desidratação e acidose,</p><p>considerar prevenção mesmo com CPK abaixo destes níveis.</p><p> Teste da fita urinária</p><p> O teste da fita é incapaz de distinguir entre a mioglobina e a hemoglobina.</p><p> A mioglobinúria pode ser deduzida se o teste da fita urinária for positivo para</p><p>sangue na ausência hemácias no sedimento urinário.</p><p> A medida da mioglobina sérica tem uma sensibilidade baixa para o diagnóstico da</p><p>rabdomiólise</p><p> Dosagem de eletrólitos</p><p> Hipercalelmia e hipocalcemia (incorporação do cálcio às células musculares lesadas)</p><p>são as alterações mais frequentes.</p><p> Hipercalcemia pode ocorrer associada com a recuperação da função renal.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 95</p><p>Reposição Volêmica</p><p> Soro fisiológico 0,9%:</p><p> Iniciar com cerca de 400 ml por hora (200 a 1000 ml por a hora dependendo da</p><p>situação e da gravidade)</p><p> Monitoração clínica e da PVC</p><p> Objetivo: diurese de 3 ml/kg/hora (200 ml por hora)</p><p> Mantenha a reposição volêmica até que a mioglobinúria desapareça (evidenciado por</p><p>uma urina clara ou por um resultado negativo para sangue na urina no teste da fita)</p><p> Evite Ringer-lactato (devido ao potássio).</p><p>Alcalinização Urinária</p><p> Checar pH urinário pelo teste da fita.</p><p> Iniciar alcalinização se pH</p><p>em bicarbonato</p><p>2. A urina que alcança a alça intestinal é alcalinizada pelo bicarbonato trocado pelo cloro da</p><p>urina, produzindo uma perda líquida de bicarbonato.</p><p>3. Tipo 1 (ou distal): deficiência seletiva na secreção de H+ pelo néfron distal; tipo 2 (ou</p><p>proximal): defeito seletivo na habilidade do túbulo proximal em reabsorver</p><p>adequadamente o bicarbonato filtrado.</p><p>4. A aldosterona promove a reabsorção de sódio e a secreção de potássio e H* no túbulo</p><p>coletor cortical. Ocorre geralmente em associação com doenças renais intersticiais,</p><p>nefropatia diabética, nefroesclerose hipertensiva e AIDS.</p><p>5. Choque, sepse, hipoxemia profunda.</p><p>Anion gap urinário (AGU)</p><p> Na acidose metabólica com anion gap normal, a questão é: perda de bicarbonato é</p><p>intestinal (todas as secreções digestivas abaixo do estômago são ricas em bicarbonato)</p><p>ou renal (acidose tubular renal).</p><p> AGU negativo: sugere perda digestiva de bicarbonato</p><p> AGU positivo sugere acidificação renal defeituosa (acidose tubular renal).</p><p> AGU = [Na+</p><p>ur]+ [K+</p><p>ur] – [Cl-ur]</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 98</p><p>Tratamento</p><p> O tratamento depende da causa e da gravidade da acidose metabólica.</p><p> Corrigir a doença básica responsável pela acidose metabólica (exemplo: tratamento da</p><p>cetoacidose, choque ou sepse, interrupção do uso de drogas causadoras da acidose).</p><p> Administrar soluções de bicarbonato com pH 20 mEq/L)</p><p>Vômitos1 Hiperaldosteronismo primário</p><p>Drenagem gástrica1 Síndrome de Cushing</p><p>Diurético de alça (furosemida) 1 Hipopotassemia grave</p><p>Adenoma viloso do cólon, clororréia</p><p>congênita (raros)</p><p>Síndrome de Barter</p><p>1. Devido à contração do volume do LEC e pela promoção de depleção de potássio.</p><p>Cálculo da PCO2 esperada</p><p> PaCO2/HCO3 = 0,7</p><p> PaCO2 esperada = 40 + (HCO3 – 24) x 0,7</p><p>Relação anion gap/bicarbonato</p><p> Sempre que a alcalose metabólica não for evidente, deve-se avaliar a relação anion</p><p>gap/bicarbonato. Cada 1 mEq de aumento do anion gap deverá ser acompanhado por</p><p>uma queda de 1 mEq no bicarbonato. Esta regra pode ser representada como</p><p>ΔAG/ΔHCO3 = 1, ou seja:</p><p>(AG medido – AG normal) / (HCO3 normal – HCO3 medido) = 1</p><p> Um bicarbonato maior que o esperado deve levar a considerar-se a presença de</p><p>alcalose metabólica associada.</p><p>Tratamento</p><p> Reposição de volume com soluções de cloreto de sódio e reposição de potássio é o</p><p>tratamento da alcalose metabólica responsiva à solução salina.</p><p> Em casos onde a reposição de volume é contra-indicada ou exige cautela, pode-se</p><p>corrigir a alcalose com o uso de acetazolamida (diurético inibidor da anidrase</p><p>carbônica) a qual inibe a reabsorção tubular proximal renal de bicarbonato,</p><p>promovendo sua excreção.</p><p> A terapia para a alcalose metabólica não-responsiva à solução salina inclui a remoção</p><p>da fonte de mineralocorticóides (medicação, adenoma suprarrenal, adenoma</p><p>hipofisário) e bloqueio do efeito da aldosterona com IECA ou espironolactona.</p><p>ACIDOSE RESPIRATÓRIA</p><p>Causas: Hipoventilação devido a doenças neuromusculares, pneumotórax, embolia</p><p>pulmonar maciça, pneumonias extensas e asma grave, DPOC, depressão do SNC por</p><p>drogas</p><p>Compensação da acidose respiratória (cálculo do HCO3</p><p>- esperado):</p><p>ACIDOSE RESPIRATÓRIA AGUDA</p><p> ΔHCO3/ ΔPaCO2= 0,1</p><p> HCO3 esperado = 24 + (PaCO2 – 40) x 0,1</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 100</p><p>ACIDOSE RESPIRATÓRIA CRÔNICA</p><p> HCO3/PaCO2 = 0,35</p><p> HCO3 esperado = 24 + (PaCO2 – 40) x 0,35</p><p>INTERPRETAÇÃO</p><p> Menor que o esperado: acidose mista</p><p> Igual ao esperado: acidose respiratória pura</p><p> Maior que o esperado: acidose respiratória + alcalose metabólica</p><p>Tratamento: Tratar a causa básica associado a suporte ventilatório.</p><p>ALCALOSE RESPIRATÓRIA</p><p>Causas: Hiperventilação devido a pneumonia, asma, edema pulmonar, embolia pulmonar,</p><p>fibrose pulmonar, altitude elevada, sepse, intoxicação salicílica, hiperventilação mecânica</p><p>Cálculo do HCO3</p><p>- esperado:</p><p>ALCALOSE RESPIRATÓRIA AGUDA</p><p> HCO3/PaCO2 = 0,2</p><p> HCO3 esperado = 24 – (40 – PaCO2) x 0,2</p><p>ALCALOSE RESPIRATÓRIA CRÔNICA</p><p> HCO3/PaCO2 = 0,4</p><p> HCO3 esperado = 24 – (40 – PaCO2) x 0,4</p><p>Tratamento: Dirigido para a correção da doença de base; casos graves podem necessitar</p><p>de sedação para suporte ventilatório mecânico.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Adrogué HJ and Madias NE.Secondary Responses to Altered Acid-Base Status: The</p><p>Rules of Engagement. J Am Soc Nephrol 2010; 21: 920–923.</p><p>2. Hasan A. Handbook of Blood Gas/Acid–Base Interpretation. Springer-Verlag. London,</p><p>2009.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas</p><p>Práticas para UTI 101</p><p>DISTÚRBIOS ELETROLÍTICOS</p><p>DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA CORPORAL</p><p> Água corporal total: 60% do peso corporal</p><p> Volume extracelular: 40% do peso corporal</p><p> Volume intracelular: 20% do peso corporal</p><p> Espaço intersticial: 15% do peso corporal</p><p> Plasma: 5% do peso corporal</p><p>REPOSIÇÃO VOLÊMICA</p><p> Virtualmente todo paciente hospitalizado que necessite de fluidos parenterais</p><p>apresentam um estímulo potencial para a produção de arginina-vasopressina (AVP,</p><p>hormônio antidiurético – HAD). A administração de solução hipotônica na presença de</p><p>excesso de AVP produzirá hiponatremia de forma previsível.</p><p> Soluções hipotônicas não devem ser usadas para reanimação volêmica ou como terapia</p><p>de reposição, uma vez que podem causar hiponatremia perigosa, especialmente em</p><p>crianças e idosos.</p><p> Por outro lado, de modo geral, a solução de NaCl a 0,9% não causa hipernatremia, uma</p><p>vez que os rins podem gerar água livre através da produção de urina hipertônica.</p><p> A infusão intravenosa de fluidos não deve ser continuada simplesmente porque é um</p><p>componente da "rotina" de cuidados clínicos. Alimentos e líquidos devem ser</p><p>administrados por via ou enteral e os fluidos endovenosos devem ser interrompidos tão</p><p>logo possível.</p><p>BALANÇO HÍDRICO NAS 24 HORAS</p><p>Entrada Perdas</p><p>Ingesta 1200 mL Pulmões 500 mL</p><p>Alimentos 1000 mL Pele 500 mL</p><p>Produção Endógena1 300 mL Urina 1400 mL</p><p>Fezes 100 mL</p><p>Total 2500 ml Total 2500 ml</p><p>1. Pode variar entre 150 a 800 mL/dia; depende da intensidade do metabolismo.</p><p> Cálculo das perdas insensíveis: 0,5 mL/kg/h.</p><p> Perda insensível de água estimada em grandes cirurgias: 0,5 mL/kg/hora, chegantdo a</p><p>1 mL/kg/hora em cirurgias abdominais.</p><p>Composição Normal do Plasma</p><p>pH 7,36 a 7,44</p><p>Na 136 a 145 mEq/L</p><p>K 3,5 a 5 mEq/L</p><p>Ca 8,5 a 10,5 mEq/L</p><p>Cl 100 a 106 mEq/L</p><p>HCO3 21 a 27 mEq/L</p><p>pCO2 36 a 44 mmHg</p><p>pO2 80 a 105 mmHg</p><p>Osmolalidade 285 a 295 mOsm/L</p><p> Cálculo da osmolalidade (mOsm/L): {2Na+ (mEq/L) + [glicose (mg/dL)18]}</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 102</p><p>Composição de Algumas Soluções Eletrolíticas</p><p>SF 0,2%</p><p> AD ou SG: 110 Ml</p><p> SF0,9%: 390 mL</p><p>1 litro = 34 mEq de Na+ e de Cl+</p><p>SF 0,45%</p><p> AD ou SG: 250 Ml</p><p> SF0,9%: 250 mL</p><p>1 litro = 77 mEq de Na+ e de Cl+</p><p>SF 0,9% 1 litro = 154 mEq de Na+ e de Cl+</p><p>Nacl 3%</p><p> Nacl 10%: 115 mL</p><p> SF0,9%: 385 mL</p><p>1 litro = 513 mEq de Na+ e de Cl+</p><p>Ringer- Lactato 1 litro = 130 mEq de Na+ e 4 mEq de K+</p><p>NaCl 10% 10 mL = 17 mEq de Na+ e de Cl+</p><p>KCl 10% 10 mL = 13 mEq de K+ e de Cl+</p><p>KCl xarope a 6% 5 mL = 4 mEq de K+ e de Cl+</p><p>KCl 19,1% 10 mL = 26 mEq de K+ e de Cl+</p><p>Gluconato de Cálcio 10% 10 mL = 4,5 mEq ou 90mg de de Ca+</p><p>Bicarbonato a 8,4% 1 mL = 1 mEq de Na+ e de HCO3</p><p>Bicarbonato a 10% 1 mL = 1,2 mEq</p><p>Sulfato de Magnésio 10% 10 mL = 8 mEq = 100 mg de Mg+</p><p>Sulfato de Magnésio 50% 10 mL = 5 g de Mg+</p><p>Soro Glicosado 5% 500 mL = 25 g</p><p>Glicose 50% 10 mL = 5 g</p><p>Concentração de sódio nas principais soluções</p><p>Infusão</p><p>Concentração de</p><p>sódio na infusão</p><p>(meq/litro)</p><p>Soro glicosado a 5% 0</p><p>Solução de NaCl a 0,2% 34</p><p>Solução de NaCl a 0,45% 77</p><p>Soro fisiológico a 0,9% 154</p><p>Solução de NaCl a 3% 513</p><p>Ringer-lactato 130</p><p>HIPOCALEMIA</p><p> Causas: insulina, alimentação parenteral, alcalose, alcoolismo, anorexia, perdas</p><p>gastrointestinais e renais (hiperaldosteronismo, síndrome de Cushing, diuréticos,</p><p>diurese osmótica, anfotericina B)</p><p> Sinais e sintomas: fraqueza muscular, fadiga, cãimbras musculares, íleo paralítico</p><p>são queixas comuns na hipocalemia leve a moderada; paralisia flácida, hiporreflexia,</p><p>tetania e rabdomiólise podem ser vistos na hipocalemia severa( 6,5 mEq/l</p><p> Desaparecimento das ondas P, alargamento do QRS, prolongamento do intervalo</p><p>PR (diminuição da excitabilidade cardíaca): K+ > 7-8 mEq/l</p><p> Fibrilação ventricular e parada cardíaca (eventos terminais): K+ > 8-10 mEq/l</p><p>Tratamento</p><p>Reverter os efeitos da hipercalemia sobre as membranas celulares (efeito imediato):</p><p> Cardiotoxicidade extrema (ondas P ausentes, alargamento de QRS)</p><p> Gluconato de cálcio 10%: 10-20 mL EV em 5-10 minutos (efeito dura apenas 30</p><p>minutos)</p><p>Em seguida ou como primeira medida nos casos menos graves, aumentar o desvio do</p><p>potássio do extra para o intracelular:</p><p> Insulina regular 10 U mais 50 g de glicose (relação insulina:glicose de 1:5).</p><p> Glicose 50% 100 mL</p><p> Soro glicosado a 10%: glicose 5% 500 mL + glicose 50% 50 mL</p><p> Início do efeito em 30 minutos, duração de 4 a 6 horas</p><p> Bicarbonato de sódio: 1 mEq/kg (50 a 100 mEq) em 5 a 10 minutos; início do efeito</p><p>em 5 a 10 minutos, duração de 2 horas.</p><p> HCO-</p><p>3 8,4%: 1 mL = 1 mEq</p><p> Furosemida: 40 a 80 mg EV; início de ação em 15 minutos; duração: 4 horas; efeito:</p><p>caliurese.</p><p> Resina de troca:</p><p> Sorcal (poliestirenossulfonato de cálcio): 1 envelope com 30 g via retal (enema de</p><p>retenção de 45 minutos) ou via oral, ambos em 200 mL de manitol a 20%.</p><p> Início de ação em 1 hora; duração de 4 a 6 horas; ação: remove o potássio; repetir</p><p>cada 4 a 6 horas; usar com cautela em paciente com ICC.</p><p> Hemodiálise ou diálise peritoneal pode ser necessária para remover o potássio na</p><p>presença de insuficiência renal.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 104</p><p>HIPONATREMIA</p><p> As causas mais comuns de hiponatremia severa em adultos são a terapia com</p><p>tiazídicos, pós-operatório e outras causas da síndrome da secreção inapropriada do</p><p>hormônio antidiurético, polidipsia em pacientes psiquiátricos e prostatectomia</p><p>transuretral.</p><p> Sintomas. A maioria dos pacientes com concentração de sódio sérica > 125 mEq/litro</p><p>são assintomáticos. Cefaléia, náuseas, vômitos, cãimbras musculares, letargia,</p><p>inquietação, desorientação e reflexos</p><p>deprimidos podem ser observados. Complicações</p><p>de hiponatremia severa e que se desenvolve rapidamente incluem convulsões, coma,</p><p>mielinólise pontina central com dano cerebral permanente, parada respiratória,</p><p>herniação do tronco cerebral e morte.</p><p>a. Hiponatremia hipervolêmica. É observada na ICC, na insuficiência renal, cirrose</p><p>hepática, síndrome nefrótica e na gestação. Nada mais é que uma hiponatremia</p><p>dilucional, decorrente do bloqueio da eliminação renal de água. O tratamento deve</p><p>ser dirigido para a doença de base, incluindo-se a restrição de água e diuréticos.</p><p>b. Hiponatremia euvolêmica. É observada na síndrome de secreção inapropriada do</p><p>hormônio antidiurético (ocorre mais comumente em associação com carcinoma</p><p>broncogênico, TCE, AVC, meningoencefalites, pós-operatório, drogas, ventilação</p><p>mecânica, insuficiência respiratória, etc). Também a intoxicação hídrica iatrogênica, a</p><p>polidipsia compulsiva, o hipotireoidismo, a insuficiência adrenal e o uso de diuréticos</p><p>tiazídicos podem determinar hiponatremia euvolêmica. O tratamento consiste na</p><p>restrição de água e, principalmente, no tratamento da doença subjacente.</p><p>c. Hiponatremia hipovolêmica. É um estado de real depleção de sódio, que ocorre na</p><p>nefropatia perdedora de sal, na fase de diurese da necrose tubular aguda, na diurese</p><p>pós-obstrutiva, na diurese osmótica (glicose, ureia, manitol), com o uso de diuréticos,</p><p>na presença de hipoaldosteronismo, diarreia, vômitos22, sudorese excessiva e no</p><p>seqüestro de líquido para o terceiro espaço (queimaduras, obstrução intestinal,</p><p>peritonite, pancreatite). Nesse caso, o tratamento da doença ou processo de base</p><p>isoladamente pode não ser suficiente para reverter o distúrbio, tornando-se</p><p>necessária a reposição de sódio (soro fisiológico 0,9%). Em alguns casos onde a</p><p>hiponatremia é muito acentuada (sódio abaixo de 110 mEq/l), pode-se empregar as</p><p>soluções salinas hipertônicas, tomando-se por base o déficit estimado de sódio.</p><p>Tratamento da hiponatremia</p><p> Evitar correções com aumento do sódio sérico maior que 8 mEq/litro/dia.</p><p> Pode levar a desmielinização osmótica pontina de um a vários dias após o</p><p>tratamento agressivo da hiponatremia.</p><p> A maioria dos casos de desmielinização osmótica ocorre após taxas de correção</p><p>que excedem 12 mEq/litro/dia.</p><p> A salina hipertônica é usualmente combinada com a furosemida no tratamento da</p><p>hiponatremia hipotônica para limitar a expansão do volume do líquido extracelular.</p><p>Cálculo do volume da solução hipertônica para correção da hiponatremia</p><p>Fórmula de Adrogué e Madias.</p><p>Fórmulas Uso clínico</p><p>Na+ em 1L da infusão – Na+ sérico</p><p>água corporal total + 1</p><p>Estima o efeito de 1 litro</p><p>de qualquer infusão no</p><p>Na+ sérico</p><p>(Na+ em 1L da infusão + K+ em 1L da infusão) – Na+</p><p>sérico</p><p>água corporal total + 1</p><p>Estima o efeito de 1 litro</p><p>de qualquer infusão</p><p>contendo Na+ e K+ no Na+</p><p>sérico</p><p>Água corporal total estimada (em litros)</p><p> Homens e mulheres jovens: 60% e 50% do peso corporal, respectivamente.</p><p> Homens e mulheres idosos: 50% e 45% do peso corporal, respectivamente.</p><p>22 Caso o paciente perca uma igual quantidade de sal e água através de vómitos ou diarreia, não haverá</p><p>alteração no valor sérico de sódio. Assim, para a hiponatremia surgir devido à perda de sal, o paciente deve</p><p>perder mais sal que água, ou, mais comumente, substituir a sua perda de água e sal com água pura</p><p>determinando uma verdadeira depleção de sal.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 105</p><p>Correção da hiponatremia severa</p><p> Concentração do sódio sérico 20 mmol/L</p><p>Solução</p><p>salina</p><p>isotônica</p><p>Perdas</p><p>Extrarrenais</p><p>Sódio urinário</p><p>20 mmol/L</p><p>Restrição</p><p>Hídrica</p><p>Excesso de</p><p>água e sódio</p><p>Hipervolemia</p><p>Síndrome</p><p>nefrótica</p><p>Insuficiência</p><p>cardíaca</p><p>Cirrose</p><p>Sódio urinário</p><p>20 mmol/L</p><p>Restrição de</p><p>água e sódio</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 106</p><p>HIPERNATREMIA</p><p>Causas de Hipernatremia</p><p>PERDA DE ÁGUA</p><p>Água pura</p><p> Perdas insensíveis não repostas (cutânea e respiratória)</p><p> Hipodipsia</p><p> Diabetes insipidus (poliúria, hipernatremia, osmolaridade plasmática </p><p>300mOsm, osmolaridade urinária 200 mOsm): deficiência ou resistência à</p><p>vasopressina</p><p> Diabetes insipidus neurogênico</p><p> Pós-traumático</p><p> Causado por tumores, cistos, histiocitose, tuberculose, sarcoidose</p><p> Idiopático</p><p> Causado por aneurismas, meningite, encefalite, síndrome de Guillain-</p><p>Barré</p><p> Causado pela ingestão de etanol (transitório)</p><p> Diabetes insipidus nefrogênico congênito</p><p> Diabetes insipidus nefrogênico adquirido</p><p> Causado por doença renal (doença medular cística)</p><p> Causado por hipercalcemia ou hipocalemia</p><p> Causado por drogas (lítio, demeclociclina, foscarnet, metoxiflurano,</p><p>anfotericina B)</p><p>Fluido hipotônico</p><p>Causas renais</p><p> Diuréticos de alça</p><p> Diurese osmótica (glicose, ureia,</p><p>manitol)</p><p> Fase poliúrica da necrose tubular</p><p>aguda</p><p> Diurese pós-obstrutiva</p><p> Doença renal intrínseca</p><p>Doença gastrointestinal</p><p> Vômitos</p><p> Drenagem nasogástrica</p><p> Fístula enterocutânea</p><p> Diarreia</p><p> Uso de catárticos osmóticos</p><p>(lactulose)</p><p>Causas cutâneas</p><p> Queimaduras</p><p> Suor excessivo</p><p>GANHO DE SÓDIO HIPERTÔNICO</p><p> Infusão de bicarbonato de sódio</p><p>hipertônico</p><p> Preparado alimentar hipertônico</p><p> Ingestão de cloreto de sódio</p><p> Ingestão de água do mar</p><p> Eméticos ricos em cloreto de sódio</p><p> Enemas salinos hipertônicos</p><p> Injeção intrauterina de cloreto de</p><p>sódio</p><p> Infusão de cloreto de sódio</p><p>hipertônico</p><p> Diálise hipertônica</p><p> Hiperaldosteronismo primário</p><p> Síndrome de Cushing</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 107</p><p>Tratamento da hipernatremia</p><p> A redução do volume cerebral causado pela hipernatremia pode causar ruptura</p><p>vascular, com hemorragia cerebral, hemorragia subaracnóide e dano neurológico</p><p>permanente ou morte.</p><p> O tratamento da hipernatremia requer o tratamento da causa subjacente e a correção</p><p>da hipertonicidade.</p><p> Cronicamente, as células cerebrais se adaptam aumentando sua osmolaridade através</p><p>da geração de osmóis orgânicos com fins a evitar a perda de água intracelular.</p><p>Portanto, em pacientes com hiperosmolaridade prolongada, o tratamento agressivo</p><p>com fluidos hipotônicos pode causar edema cerebral, o que pode levar a coma,</p><p>convulsões e morte.</p><p> A redução da concentração de sódio em uma taxa máxima de 0,5 mEq/litro/hora</p><p>previne o edema cerebral e convulsões. Objetivar queda na concentração sérica de</p><p>sódio é em torno de 10 mEq/litro/dia com meta de atingir concentração sérica de</p><p>sódio de 145 mEq/litro.</p><p> A via preferida para administração de fluidos é a via oral ou uma sonda nasogástrica;</p><p>se nenhum for possível, os fluidos podem ser dados de forma endovenosa.</p><p> Apenas fluidos hipotônicos são apropriados, incluindo água pura, soro glicosado 5%,</p><p>cloreto de sódio a 0,2% e cloreto de sódio a 0,45%. Quanto mais hipotônica a infusão,</p><p>menor a</p><p>taxa de infusão necessária.</p><p> O soro fisiológico a 0,9% é impróprio para o manejo da hipernatremia, exceto em</p><p>casos de franco comprometimento circulatório.</p><p> O volume da infusão necessário é determinado pela fórmula de Adrogué e Madias.</p><p> Repor as necessidades hídricas básicas e outras perdas (febre, vômitos, diarreia).</p><p> O monitoramento do estado clínico do paciente e valores laboratoriais, inicialmente em</p><p>intervalos de 6 a 8 horas, guiará os ajustes na administração de fluidos.</p><p>HIPERCALCEMIA</p><p> Causas principais: hiperparatireoidismo primário, neoplasias e doenças granulomatosas.</p><p> Os sintomas de hipercalcemia geralmente se desenvolvem quando as concentrações</p><p> Sintomas neurológicos: depressão, fraqueza, fadiga e confusão mental, alucinações,</p><p>desorientação, hipotonicidade, convulsões e coma.</p><p> Sintomas cardiovasculares: depressão miocárdica, arritmias, hipertensão, bloqueio</p><p>atrioventricular.</p><p> Sintomas gastrointestinais: náuseas, vômitos, disfagia, obstipação, úlceras pépticas</p><p>e pancreatite.</p><p> Sintomas renais: capacidade diminuída de concentrar a urina, poliúria levando a</p><p>perda de sódio, potássio, magnésio e fosfato.</p><p> O tratamento da hipercalcemia é necessário para o paciente sintomático ou se o nível</p><p>de cálcio total for >15 mg/dL.</p><p> Pacientes com função cardiovascular e renal adequadas</p><p> O paciente com hipercalcemia severa está invariavelmente desidratado e o</p><p>tratamento de primeira linha deve ser a hidratação vigorosa com soro</p><p>fisiológico a 0,9% com monitorização dos eletrólitos séricos e da função renal.</p><p> Medidas terapêuticas adicionais dependerão da causa da hipercalcemia, da história e</p><p>dos resultados dos exames.</p><p> Pacientes com insuficiência cardíaca ou insuficiência renal: hemodiálise é o tratamento</p><p>de escolha para reduzir rapidamente os níveis de cálcio.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 108</p><p>HIPOCALCEMIA</p><p> Sinais e sintomas: espasmo de músculos esqueléticos (câimbras e tetania),</p><p>laringoespasmo, convulsões, dor abdominal, sinal de Chvostek (contração de músculos</p><p>faciais em resposta à percussão do nervo facial contra o osso logo anteriormente à</p><p>orelha), sinal de Trousseau (espasmo do carpo pela oculsão da artéria braquial com um</p><p>manguito de tensiômetro por 3 minutos).</p><p> O prolongamento do intervalo QT predismpõe a arritmias. BAV e fibrilação ventricular</p><p>podem ocorrer.</p><p> O fosfato está geralmente elevado e o magnésio baixo.</p><p> Tratamento:</p><p> Sintomático (tetania, arritmias, convulsões):</p><p> Gluconato de cálcio a 10% 10 a 20 mL EV lento</p><p> A seguir, gluconato de cálcio 10% em infusão contínua: 10 a 15 mg/kg (6 a 8</p><p>ampolas) em 1 litro de soro glicosado a 5% em 4 a 6 horas, monitorando o</p><p>cálcio a cada 4 a 6 horas de modo a ajustar a infusão para manter o cálcio entre</p><p>7 a 8,5 mg/dL.</p><p> Simultaneamente corrija as anormalidades nos níveis de magnésio, potássio e pH. A</p><p>hipomagnesemia não tratada frequentemente tornará a hipocalcemia refratária à</p><p>terapia.</p><p>HIPOFOSFATEMIA</p><p> Causas mais frequentes de hipofosfatemia severa (fosfato</p><p>Condutas Práticas para UTI 110</p><p>CRISES HIPERGLICÊMICAS NO DIABÉTICO</p><p> CETOACIDOSE DIABÉTICA (CAD) e o ESTADO HIPERGLICÊMICO</p><p>HIPEROSMOLAR (EHH) são as duas complicações metabólicas agudas mais sérias do</p><p>diabetes.</p><p> A maioria dos pacientes com CAD têm diabetes tipo 1 autoimune, embora pacientes</p><p>com diabetes tipo 2 também estejam sob risco durante o stress catabólico de doenças</p><p>agudas como o trauma, cirurgias ou infecções.</p><p> O estado hiperglicêmico hiperosmolar é uma complicação aguda, característica do</p><p>diabético tipo 2, com deficiência insulínica relativa e que se caracteriza pela</p><p>hiperglicemia, hiperosmolaridade e desidratação, principalmente envolvendo o sistema</p><p>nervoso central.</p><p>FATORES DESENCADEANTES: interrupção do uso da insulina, infecção, outras doenças</p><p>intercorrentes, trauma, estresse emocional.</p><p> A presença de outras doenças agudas, como infecções graves, IAM, AVC, acidentes e</p><p>uso de corticóides acarretam aumento da glicemia e aumento da demanda de insulina.</p><p>Idealmente, devem-se suspender os hipoglicemiantes orais e iniciar o emprego de</p><p>insulina.</p><p>PATOGÊNESE E QUADRO CLÍNICO</p><p>Cetoacidose diabética</p><p> Critérios diagnósticos para CAD</p><p> Glicemia >250 mg/dL</p><p> Acidose metabólica com anion gap aumentado: pH arterial 7,3; bicarbonato sérico</p><p>18 mEq/L; anion gap >10–12 mEq/L</p><p> Cetonúria e cetonemia</p><p> Deficiência insulínica absoluta associada a aumento dos hormônios antagonistas</p><p>(glucagon, hormônio do crescimento, glicocorticóides, catecolaminas).</p><p> Quadro clínico</p><p> Polidipsia, poliúria, desidratação, hipovolemia e choque circulatório.</p><p> Distúrbios eletrolíticos: deficiências de Na+, K+, Cl-, PO4, Ca++, Mg++.</p><p> Dor abdominal (50 a 75% dos casos) às vezes mimetizando abdomem agudo.</p><p> Hipercetonemia, acidose metabólica, hálito cetônico alterações respiratórias</p><p>compensatórias (respiração de Kussmaul – respiração ampla e acelerada).</p><p> Sonolência, torpor, confusão mental, coma.</p><p>Estado hiperglicêmico hiperosmolar</p><p> Critérios diagnósticos para EHH</p><p> Glicemia >600 mg/dL</p><p> Hiperosmolaridade (>320 mOsm/kg)</p><p> pH arterial >7,3; bicarbonato sérico >18 mEq/L</p><p> Cetonúria e cetonemia ausentes ou mínimas</p><p> Quadro clínico</p><p> Hiperglicemia e hiperosmolaridade acentuadas.</p><p> Alterações de consciência, crises convulsivas e sintomas sugestivos de AVC.</p><p> Sinais de desidratação grave e choque circulatório são sempre muito evidentes ao</p><p>exame físico do paciente.</p><p> Quadro não cetótico: cetonúria negativa ou fracamente positiva (presença de</p><p>quantidades suficientes de insulina para bloquear a cetogênese hepática).</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 111</p><p>LABORATÓRIO</p><p> Glicemia</p><p> Cetonúria (teste da fita)</p><p> CAD: testes positivos, geralmente, em níveis máximos</p><p> EHH: cetonúria negativa ou fracamente positiva</p><p> Gasometria arterial</p><p> Acidose metabólica com anion gap aumentado na CAD devido a acumulação de</p><p>cetoácidos.</p><p> Eletrólitos</p><p> Expoliação eletrolítica tanto na CAD como EHH, contudo a perda hídrica associada</p><p>determina níveis variáveis para os eletrólitos sanguíneos (altos, normais ou baixos).</p><p> As concentrações séricas de potássio podem estar elevadas devido à troca do</p><p>potássio intracelular causada pela deficiência de insulina, hipertonicidade e acidose.</p><p> Sódio sérico está normalmente diminuído na admissão devido ao fluxo osmótico de</p><p>água do espaço intracelular para o extracelular na presença de hiperglicemia.</p><p>Correção do sódio para hiperglicemia:</p><p> Cada elevação de 100 mg% da glicemia acima dos níveis normais corresponde</p><p>a uma diminuição no sódio de 1,5 mEq/L.</p><p> Exemplo: glicemia de 1.100 mg% e sódio de 145 mEq/L, o sódio corrigido será:</p><p>100 mg% _____ 1,5 mEq/L</p><p>1000 mg% _____ x= 15 mEq/L</p><p> Sódio corrigido = 145 + 15 = 160 mEq/L</p><p> Ureia/Creatinina</p><p> Hematológico: leucocitose com neutrofilia e hematócrito aumentado são comumente</p><p>observados na CAD ou EHH.</p><p> Amilase e lípase: os níveis de amilase estão elevados na maioria dos pacientes com</p><p>CAD, mas isto pode se dever a fontes não pancreáticas, como as glândulas parótidas. A</p><p>determinação da lípase sérica pode ser de utilidade no diagnóstico diferencial da</p><p>pancreatite, contudo a lípase também pode elevar-se na CAD.</p><p> Considerando-se os fatores precipitantes de urgências hiperglicêmicas, também podem</p><p>ser indicados: urina rotina, culturas (urina, sangue, etc.), exames radiológicos, etc.</p><p>Tratamento</p><p>1. Insulina</p><p> Bolus EV inicial: 0,1U/kg de insulina regular (5 a 10 U, no adulto típico). Excluir antes</p><p>hipopotassemia ( 75 mg/dL/hora: reduzir a taxa de infusão à metade</p><p> Verificar a cada 4 horas eletrólitos séricos, osmolalidade e pH venoso (para CAD).</p><p> Quando a glicemia chegar a 200 mg/dL na CAD ou 300 mg/dL no EHH:</p><p> Trocar a infusão utilizada na reposição volêmica por soro glicofisiológico</p><p>(0,45%) para manter o tratamento com insulina sem causar hipoglicemia.</p><p> Reduzir a infusão contínua de insulina para 0,02 a 0,05 U/kg/hora.</p><p> Titular a insulina e a solução glicofisiológica para uma glicemia entre 150 a 200</p><p>mg/dL na CAD e 200 a 300 mg/dL no EHH</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 112</p><p> Manter níveis de glicemia acima citados até resolução da crise hiperglicêmica.</p><p>Critérios para resolução:</p><p> CAD – Dois dos seguintes critérios: bicarbonato sérico ≥15 mEq/L, pH ≥7,3 e</p><p>anion gap 12.</p><p> EHH: normalização da osmolalidade sérica ( 5 mEq/L:</p><p> Não repor potássio..</p><p> Monitorizar níveis</p><p>séricos de potássio a cada 4 horas.</p><p>4. Bicarbonato. A reposição adequada de fluidos e insulina é a melhor terapia para</p><p>correção da acidose, porém está indicado quando o pH for menor que 7:</p><p>pH de ≥6,9 Não repor bicarbonato</p><p>pH 250 mL) apesar de agentes</p><p>procinéticos ou emêse recorrente</p><p> Pancreatite severa ativa</p><p>Quando iniciar Terapia Nutricional</p><p> O mais precoce possível, assim que os parâmetros hemodinâmicos estiverem</p><p>adequados, dentro dos limites definidos como ideais pela literatura (PAM > 70, sem</p><p>evidências de hipoperfusão tecidual), sem distúrbios ácido-básicos e eletrolíticos</p><p>importantes.</p><p>NUTRIÇÃO ENTERAL</p><p>Fórmulas enterais</p><p> As formulas enterais diferem no seu conteúdo protéico e lipídico e podem ser</p><p>classificadas como elementar (monomérica), semi-elementar (oligomérica) ou</p><p>polimérica.</p><p> As fórmulas elementares contêm aminoácidos individuais, polímeros de glicose e são de</p><p>baixo conteúdo lipídico, com apenas 2 a 3% das calorias derivadas de triglicérides de</p><p>cadeias longas (TCL).</p><p> Indicações de dieta oligomérica:</p><p> Tempo prolongado de jejum</p><p> Distúrbio de absorção</p><p> Fístula bilio-pancreática</p><p> Pancreatite aguda</p><p> Intolerância à dieta polimérica</p><p> As formulas semi-elementares contêm peptídeos de vários comprimentos de cadeia,</p><p>açucares simples ou amido e gordura, primariamente na forma de triglicérides de</p><p>cadeias médias (TCM).</p><p> As formulas poliméricas cotêm proteínas intactas, carboidratos complexos e</p><p>principalmente TCLs como gordura.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 117</p><p>Sistema de Infusão padronizado</p><p> Sistema intermitente, aberto, em gotejamento gravitacional.</p><p> Se houver necessidade de controlar o gotejamento (indicado na ocorrência de</p><p>diarreia), solicitar administração em bomba de infusão à enfermagem.</p><p>Horários de administração</p><p> Os horários padronizados pela SND para infusão das dietas são às 6h, 9h, 12h, 15h,</p><p>18h e 21h.</p><p> Pacientes hiperglicêmicos, em uso de insulina em infusão contínua, também</p><p>necessitam de infusão contínua de dieta; portanto, para esses pacientes, dividir as</p><p>necessidades nutricionais em 8 horários e solicitar ao SND que as dietas sejam</p><p>enviadas também para os horários da madrugada (0h e 3h inclusive).</p><p> Iniciar dieta enteral com 100 ml e progredir o volume em 50 ml por horário,</p><p>observando de sinais de intolerância (diarreia, resíduo gástrico elevado, distensão</p><p>abdominal) e as condições hemodinâmicas.</p><p>Controle do volume resídual gástrico (VRG)</p><p> O controle do VRG está indicado para todos os pacientes críticos em Nutrição Enteral.</p><p> Antes de iniciar a infusão de cada dieta, aspirar conteúdo gástrico:</p><p> VRG 200 ml: suspender dieta do horário e manter a sonda fechada;</p><p> VRG > 500 ml: suspender dieta do horário e manter sonda aberta.</p><p> Cuidados para evitar regurgitação e broncoaspiração:</p><p> Manter cabeceira elevada entre 30 e 45 graus</p><p> Evitar manobras de fisioterapia durante e logo após a infusão da dieta</p><p> Infusão lenta da dieta</p><p> Associar procinéticos na ocorrência de VRG > 200 ml, vômitos, regurgitação,</p><p>broncoaspiração.</p><p> Quando houver indicação de suspensão da dieta e o paciente estiver sob uso de dieta</p><p>por infusão contínua, esta infusão será suspensa durante 3 horas.</p><p>NUTRIÇÃO PARENTERAL TOTAL (NPT)</p><p>Necessidades nutricionais</p><p> O peso corporal predito ou ideal23 será utilizado para calcular as necessidades</p><p>nutricionais diárias. Em obesos (IMC ≥ 30), usar o peso corporal ajustado.24</p><p>Necessidades Nutricionais Parenterais Sugeridas para Pacientes Adultos em UTI</p><p>Energia 20 a 25 kcal/kg</p><p>Carboidratos (glicose) 60 a 70% das calorias não-proteicas</p><p>Lipídios (emulsão de lipídios) 30 a 40% das calorias não proteicas</p><p>Proteínas (aminoácidos)</p><p>Função renal e hepática normais 1,2 a 1,5 g/kg</p><p>Insuficiência hepática (colestase) 0,6 a 1,2 g/kg (baseado na função</p><p>estimada)</p><p>Encefalopatia hepática (com falha ao</p><p>esquema de antibiótico oral +</p><p>lactulose)</p><p>0,6 g/kg (podendo ser</p><p>temporariamente descontinuada)</p><p>Insuficiência renal aguda não dialítica 1,2 a 1,5 g/kg</p><p>Insuficiência renal dialítica 1,5 a 2 g/kg</p><p>23 Homens: 50 + 0,91[altura (cm) – 152,4]; Mulheres: 45,5 + 0,91[altura (cm) – 152,4].</p><p>24 Peso corporal ideal + (peso atual – peso corporal ideal) x 0,25.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 118</p><p>FONTE PROTEICA</p><p> Os aminoácidos fornecidos pela nutrição parenteral são reservados para a síntese</p><p>protéica. Não entram, portanto, no cálculo do conteúdo calórico da dieta.</p><p> Necessidades protéicas: 1,2 a 2 g/kg/dia; pode ser maior em pacientes queimados ou</p><p>politraumatizados.</p><p> Insuficiência renal:</p><p> Não há necessidade de restrição proteica</p><p> Sob hemodiálise: até 2,5 g/kg/dia</p><p> Insuficiência hepática:</p><p> Não há necessidade de restrição protéica</p><p> Encefalopatia hepática sem resposta a antibiótico e lactulose: 0,6 g/kg ou</p><p>interrupção temporária</p><p>FONTES DE CALORIAS NÃO-PROTEICAS (CNP)</p><p>Carboidratos</p><p> Glicose a 50%</p><p> 60 a 70% das CNP</p><p>Lipídios</p><p> 30 a 40% das CNP.</p><p> As emulsões lipídicas são isotônicas e podem ser admistradas por veia periférica.</p><p> A taxa de infusão deve ser limitada a 100 mL/hora nas emulsões a 10% e a 50 mL/hora</p><p>nas emulsões a 20%, para evitar sobrecarga.</p><p>EXEMPLO PRÁTICO:</p><p> Paciente com função hepática e renal normais.</p><p> Peso corporal ideal = 60 kg</p><p> 25 kcal/kg/dia = 1500 kcal/dia (70% de carboidratos, 30% de lipídios; as proteínas não</p><p>entram nos cálculos como fonte de calorias)</p><p> Proteínas:</p><p> 1,5 g/kg/dia de aminoácidos = 90 g/dia</p><p> Solução de aminoácidos 10%: 90 g = 900 mL</p><p> Carboidratos:</p><p> 70% de 1500 kcal = 1050 kcal = 262,5 g/dia (1 g de carboidrato = 4 kcal) ou</p><p>cerca de 500 mL de glicose a 50%</p><p> Lipídios:</p><p> 30% de 1500 kcal = 450 kcal = 50 g (1g = 9 kcal)</p><p> Emulsão de lipídios 10%: 50 g = 500 mL</p><p> Prescrição:</p><p> Solução de aminoácidos a 10% – 450 mL</p><p> Glicose 50% – 250 mL</p><p> Oligoelementos – 01 ampola</p><p> Complexo vitamínico – 01 ampola</p><p></p><p> Lipofundin 10% – 500 mL EV em 8 horas</p><p> Vitamina K de forma individualizada para as necessidades do paciente</p><p> Iniciar com taxa de infusão que ofereça metade da dose alvo de glicose no primeiro</p><p>dia. Esta dose deve então ser aumentada nos próximos dois a três dias para atingir o</p><p>objetivo calórico calculado.</p><p> O lúmen do cateter de nutrição parenteral não deve ser usada para outros propósitos.</p><p> Os equipos de infusão devem ser trocados a cada 24 horas junto com a primeira bolsa</p><p>do dia.</p><p>Duas etapas, EV para 24 h;</p><p>segunda etapa apenas com</p><p>aminoácidos e glicose</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 119</p><p> Não é adequado interromper a infusão da NP; o ideal é que a bolsa acompanhe o</p><p>paciente nos seus exames e cirurgias. Quando isto não for possível, garanta que haja</p><p>aporte adequado de glicose, para evitar hipoglicemia. Mantenha sempre SG 10%,</p><p>40ml/h, nessas ocasiões.</p><p>NPT EM SITUAÇÕES ESPECÍFICAS</p><p>Disfunção respiratória</p><p> Evitar sobreoferta calórica e iniciar precocemente.</p><p> Dieta hiperprotéica: >1,2 g/kg/dia de proteína.</p><p> Administrção parenteral >1 g/kg/dia de lipídios foi associada com distúrbios da</p><p>oxigenação nos pacientes com insuficiência respiratória grave.</p><p>Insuficiência renal</p><p> Não é necessário restrição protéica.</p><p> Como informado anteriormente, nos pacientes sob terapia de substituição renal,</p><p>algumas diretrizes clínicas recomendam aumentar as doses de proteínas até 2,5</p><p>g/kg/dia.</p><p>Insuficiência hepática</p><p> As fórmulas enterais padrão devem ser usadas para os pacientes com doença hepática</p><p>aguda ou crônica. As fórmulas com aminoácidos de cadeia ramificada (AACR) devem</p><p>ser reservados para os raros pacientes com encefalopatia hepática que são refratários à</p><p>descontaminação digestiva seletiva com antibióticos de ação luminal e lactulose.</p><p>Pancreatite grave</p><p> Quando indicada, a terapia nutricional parenteral deve ser instituída precocemente,</p><p>uma vez que na pancreatite grave ocorre acentuado catabolismo, e são comuns cenas</p><p>clínicas que promovem o retardo do início da nutrição, como íleo prolongado, paresia</p><p>dos segmentos proximais do tubo digestivo com vômitos, necessidade de cirurgia ou</p><p>dor abdominal na tentativa de nutrição.</p><p> A NPT deve ficar restrita a pacientes que não tolerem, sob nenhuma forma, o uso da</p><p>rota enteral ou que desenvolvam complicações como abscesso ou fístula pancreática.</p><p> A oferta enteral de nutrientes tem se mostrado segura, principalmente se a dieta</p><p>administrada é elementar e liberada em segmentos mais distais do tubo digestivo</p><p>(jejuno, abaixo do ângulo duodenojejunal).</p><p> A composição da dieta deve ser normocalórica (25 kcal/kg/dia) e hiperprotéica (1,5 a</p><p>2,0 g/kg/dia).</p><p> A inclusão de lipídios é efetiva e segura, tanto por via enteral como parenteral.</p><p>Soluções de lipídios podem ser utilizadas, com segurança, como fonte de calorias,</p><p>desde que os níveis séricos de triglicerídeos sejam monitorizados e mantidos em níveis</p><p>inferiores a 400 mg/dL.</p><p>Monitorização Laboratorial da NPT</p><p>Parâmetro Frequência</p><p>Glicemia Cada 4 a 6 horas (ou mais</p><p>frequente, s/n)</p><p>Sódio, potássio, cloro, fósforo</p><p>e magnésio</p><p>Diariamente</p><p>Ureia e creatinina Diariamente</p><p>Função hepática Cada 2 a 3 dias</p><p>Triglicérides Semanalmente</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 120</p><p>Complicações da NPT</p><p>COMPLICAÇÕES METABÓLICAS</p><p> Hiperglicemia:</p><p> Glicemia >300 mg/dL: não iniciar a nutrição parenteral até controle glicêmico (400 mg/dL: interromper a infusão lipídica ou limitar a 1 ou 2 vezes por</p><p>semana</p><p> Reações adversas tardias: hepatomegalia, elevação moderada de enzimas hepáticas,</p><p>esplenomegalia, trombocitopenia, leucopenia e alterações da função pulmonar</p><p> Elevação da ureia (pode ser devido a desidratação)</p><p> Disfunção hepática:</p><p> Elevações das transaminases, bilirubinas e fosfatase alcalina</p><p> Elevações demoradas ou persistentes podem estar relacionadas à infusão de</p><p>aminoácidos, e a oferta de proteínas deveria ser reduzida</p><p> Hepatomegalia dolorosa sugere esteatose e a carga de carboidratos deve ser</p><p>reduzida</p><p>COMPLICAÇÕES NÃO METABÓLICAS</p><p> Pneumotórax e formação de hematomas</p><p> Tromboembolismo e sepse relacionados ao cateter</p><p> Sobrecarga hídrica</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. American Dietetic Association (ADA). Critical Illness Evidence-Based Nutrition Practice</p><p>Guideline, 2009.</p><p>2. Cano NJM, Aparicio M, Brunori G et al. ESPEN Guidelines on Parenteral Nutrition: Adult</p><p>Renal Failure. Clinical Nutrition 2009; 28:401–414.</p><p>3. Frossard JL, Steer ML, Pastor CM. Acute pancreatitis. Lancet 2008; 371:143-52.</p><p>4. Heyland DK, Dhaliwal R, Drover JW, Gramlich L Dodek P, and the Canadian Critical</p><p>Care. Clinical Practice Guidelines Committee Canadian Clinical Practice Guidelines for</p><p>Nutrition Support in Mechanically Ventilated, Criticaly ill Adult Patients. J Parenter</p><p>Enteral Nutr 2003; 27(5):355-373.</p><p>5. Mirtallo J, Canada T, Johnson D, Kumpf V, Petersen C, Sacks G, Seres D, Guenter P.</p><p>Task Force for the Revision of Safe Practices for Parenteral Nutrition. Safe practices for</p><p>parenteral nutrition. J Parenter Enteral Nutr. 2004;28(6):S39-70.</p><p>6. Robert G. Martindale, MD, PhD; Stephen A. McClave, MD; Vincent W. Vanek, MD; Mary</p><p>McCarthy, RN, PhD; Pamela Roberts, MD; Beth Taylor, RD;</p><p>Juan B. Ochoa, MD; Lena</p><p>Napolitano, MD; Gail Cresci, RD; American College of Critical Care Medicine; the</p><p>A.S.P.E.N. Board of DirectorsGuidelines for the provision and assessment of nutrition</p><p>support therapy in the adult critically ill patient: Society of Critical Care Medicine and</p><p>American Society for Parenteral and Enteral Nutrition. Crit Care Med 2009; 37: 1-30.</p><p>7. Vanderbilt University Medical Center. Critical Care Nutrition Practice Management</p><p>Guidelines. www.mc.vanderbilt.edu/surgery/trauma/Protocols/nutrition-guidelines.pdf.</p><p>8. Victorino J e Ferreira MAC. Nutrição parenteral. In: Programa de Atualização em</p><p>Medicina Intensiva. Ciclo 2. Módulo 2. Artmed/Panamericana. 2004. pg. 179-213.</p><p>9. Ziegler, Thomas R. Parenteral Nutrition in the Critically Ill Patient N Engl J Med 2009</p><p>361: 1088-1097.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 121</p><p>HIPERTENSÃO PORTAL</p><p>ASCITE</p><p> A resistência hepática aumentada ao fluxo portal devido à cirrose causa o</p><p>desenvolvimento gradual da hipertensão portal, formação de veias colaterais e o</p><p>desvio de sangue para a circulação sistêmica.</p><p> A combinação de hipertensão de portal e vasodilatação esplâncnica arterial</p><p>determinam a acumulação de fluido na cavidade abdominal.</p><p>Avaliação laboratorial</p><p> Avaliação para hepatopatias</p><p> Provas de função hepática</p><p> Testes da coagulação</p><p> US ou TC abdominal</p><p> Endoscopia digestiva alta</p><p> Avaliação da função renal</p><p> Sumário de urina (densidade urinária, presença de proteínas, hematúria ou</p><p>cilindrúria)</p><p> Ureia e creatinina</p><p> Eletrólitos</p><p> Sódio urinário (urina de 24h)</p><p> Proteinúria (urina de 24h)</p><p> Avaliação do líquido ascítico</p><p> Citometria e citologia</p><p> Pesquisa para BAAR</p><p> Cultura</p><p> Dosagem da proteína total e albumina</p><p> Proteína total ≥ 1 g/dL sugere peritonite secundária</p><p> Gradiente de albumina sérica-ascítica (GASA): valor da albumina sérica</p><p>subtraído do valor da albumina no líquido ascítico</p><p> GASA ≥ 1,1 g/dL: transudato devido a hipertensão portal (cirrose, ICC,</p><p>trombose da veia porta, síndrome de Budd-Chiari).</p><p> GASA 200 mg/dL sugere ascite quilosa: trauma ou obstrução sistema</p><p>linfático (cirurgia abdominal, trauma abdominal fechado, neoplasia maligna,</p><p>peritonite bacteriana espontânea, irradiação pélvica, diálise peritoneal,</p><p>tuberculose abdominal, síndrome carcinóide)</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 122</p><p>Conduta na Ascite</p><p>Medidas gerais</p><p> Dieta hipossódica (60 a 90 mEq por dia, equivalente a aproximadamente 1,5 a 2 g de</p><p>sal por dia)</p><p> Restrição hídrica (aproximadamente 1 L por dia): apenas em pacientes com</p><p>hiponatremia dilucional</p><p>Medidas específicas</p><p>Ascite de volume moderado</p><p>Primeirio episódio:</p><p> Espironolactona 100 mg/dia</p><p> Titular a cada 4 a 7 dias em 100 mg/dia na ausência de resposta (perda ponderal</p><p>8 mg/dia) têm sido associadas a efeitos colaterais isquêmicos</p><p>como isquemia mesentérica, infarto agudo do miocárdio e necrose de</p><p>extremidades (menos de 10% dos pacientes).</p><p> Noradrenalina (informação sobre seu uso ainda limitada).</p><p> 0,1 a 0,7 μg/kg/min</p><p> Titular a dose em 0,05 μg/kg/min cada 4 horas, objetivando elevação da PAM em</p><p>10 mmHg em relação ao valor basal</p><p> Manter o tratamento até a creatinina cair para 1 a 1,2 mg/dL</p><p> Albumina</p><p> 1 g/kg no dia 1, seguido por 20 a 40 g/dia</p><p> Duração do tratamento: usualmente, 5 a 15 dias.</p><p>ANTIBIÓTICOS</p><p> Na presença de infecção, as cefalosporinas de terceira geração (ceftriaxona 1 g EV</p><p>cada 12 h, cefotaxima 1 g EV cada 8 h) são o tratamento de escolha.</p><p> Norfloxacina 400 mg/dia por via oral como profilaxia para peritonite bacteriana</p><p>espontânea</p><p>PARACENTESE</p><p> Na presença de ascite de grande volume, os diuréticos poupadores de potássio</p><p>(espironolactona) são contraindicados devido ao risco de hipercalemia e os diuréticos</p><p>de alça (furosemida) podem ser ineficazes na presença de insuficiência renal.</p><p> Paracenteses de grande volume repetidas e albumina EV na dose de 8 g por litro de</p><p>líquido ascítico removido é o tratamento de escolha.</p><p>Vasoconstritores (terlipressina ou noradreinalina)</p><p>Albumina</p><p>Ceftriaxona ou cefotaxima (se houver PBE associada)</p><p>Hemodiálise</p><p>TIPS</p><p>Kelson Nobre Veras</p><p>Condutas Práticas para UTI 124</p><p>HEMODIÁLISE</p><p>Reservar para:</p><p> Pacientes com necessidades urgentes, como hipercalemia, acidose metabólica ou</p><p>hipervolemia.</p><p> Pacientes que não responderam à terapia vasoconstritora.</p><p> Pacientes que aguardam transplante hepático ou em pacientes com condições</p><p>potencialmente reversíveis (ex: hepatite alcoólica).</p><p>TIPS</p><p> Anastomose portossistêmica intra-hepática transjugular (TIPS) é outra opção para</p><p>pacientes que não respondem à terapia com drogas vasoconstritoras.</p><p>PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA</p><p> Diagnóstico</p><p> Citometria do líquido ascítico ≥ 250 PMN/mm3</p><p> Ausência de foco infeccioso intrabdominal</p><p> Etiologia</p><p> Geralmente BGN aeróbios, principalmente Escherichia coli.</p><p> Tratamento</p><p> Ceftriaxona 1 g EV cada 12 h ou cefotaxima 1 g EV cada 8 h</p><p> Prevenção da síndrome hepatorrenal</p><p> Albumina 1,5 g/kg EV no diagnóstico e 1 g/kg 48 horas depois (previne síndrome</p><p>hepatorrenal e reduz mortalidade)</p><p> Albumina 20%: 20 g em 100 mL</p><p> Profilaxia da PBE (uso a longo prazo tem efeito benéfico na sobrevida)</p><p> Norfloxacina 400 mg/dia por via oral</p><p> Trimetoprim–sulfametoxazol 800 mg/160 mg 5 dias por semana (alternativa às</p><p>quinolonas)</p><p>ENCEFALOPATIA HEPÁTICA</p><p> Lactulose: 15 a 45 mL VO cada 8 a 12 horas, objetivando duas a três evacuações por</p><p>dia</p><p> Metronidazol: 250 mg VO a cada 8 horas</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. European Association for the Study of the Liver. EASL clinical practice guidelines on the</p><p>management of ascites, spontaneous bacterial peritonitis, and hepatorenal syndrome</p><p>in cirrhosis. Journal of Hepatology 2010; 53: 397–417.</p><p>2. Gines, Pere, Cardenas, Andres, Arroyo, Vicente, Rodes, Juan. Management of Cirrhosis</p><p>and Ascites. N Engl J Med 2004 350: 1646-1654.</p><p>3. Gines, Pere, Schrier, Robert W. Renal Failure in Cirrhosis. N Engl J Med 2009 361:</p><p>1279-1290.</p><p>4. Leung W,Wong F. Hepatorenal syndrome: do the vasoconstrictors work? Gastroenterol</p><p>Clin North Am 2011; 40: 581-98.</p><p>5. Pedreira AB e Reusing Jr J. Síndrome hepatorrenal. In: Carvalho, CRR (Ed.). Situações</p><p>extremas em terapia intensiva. Barueri: Manole, 2010. p. 330-42.</p><p>6. Wong F, Nadim M, Kellum J, et al. Working Party proposal for a revised classification</p><p>system of renal dysfunction in patients with cirrhosis. Gut 2011;60:702–9.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 125</p><p>HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA</p><p>CAUSAS</p><p> Úlcera péptica (causa mais comum: 50% dos casos)</p><p> Varizes de esôfago (10 a 30% dos casos)</p><p> Gastrite</p><p> Neoplasia</p><p> Síndrome de Mallory-Weiss (laceração do esôfago distal e estômago proximal; causa</p><p>5% dos casos; inicialmente descrita em etilistas, mas reconhecida em pacientes de</p><p>todos tipos)</p><p> Úlceras de estresse</p><p> Fístula aortoentérica</p><p> Divertículo de Meckel (sangramento mais comum em crianças e raro após os 30 anos)</p><p> Coagulopatias</p><p>MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS</p><p> A hemorragia digestiva alta manifesta-se por hematêmese, melena, fezes fétidas, às</p><p>vezes com hematoquezia.</p><p> A melena quase sempre se deve a sangramentos acima da válvula ileocecal,</p><p>geralmente acima da junção duodenojejunal (ângulo de Treitz).</p><p> Um aumento temporário da ureia sérica, sem uma elevação correspondente da</p><p>creatinina sérica, ocorre regularmente em doentes com sangramento digestivo alto e</p><p>com perfusão renal deficiente.</p><p> Sinais clínicos de choque hemorrágico (taquicardia, taquipneia, pulsos filiformes,</p><p>hipotensão, pele fria e úmida e diminuição do nível de consciência) indicam depleção</p><p>mínima de 40% do volume sangüíneo circulante.</p><p>DIAGNÓSTICO</p><p> Questionar sobre a ingestão de AAS ou outro antiinflamatório não-hormonal,</p><p>corticoesteróides, anticoagulantes, agentes corrosivos ingeridos em tentativas de</p><p>suicídio ou ingesta abusiva de bebida alcoólica.</p><p> A endoscopia digestiva alta é o procedimento de eleição para a localização do</p><p>sangramento digestivo alto e é essencial no diagnóstico de úlceras pépticas gástricas e</p><p>duodenais, neoplasias gástricas e varizes esofágicas.</p><p>AVALIAÇÃO DA GRAVIDADE DA HDA</p><p> Paciente de alto risco:</p><p> Perda volemica maciça</p><p> HDA varicosa</p><p> Instabilidade hemodinamica</p><p> Doenças associadas com potencial descompensação devido ao sangramento (ex.</p><p>insuficiência hepática, insuficiência renal, IAM recente, etc.)</p><p> Paciente com fatores prognósticos clínicos, volêmicos e endoscópicos de alta</p><p>possibilidade de resangramento ou mortalidade</p><p>TRATAMENTO</p><p>1. REPOSIÇÃO VOLÊMICA</p><p> Deve-se iniciar imediatamente a reanimação volêmica com soluções cristalóides,</p><p>através de cateter de grosso calibre instalado em veia também calibrosa.</p><p> Se o paciente for alcoólatra, as soluções intravenosas devem incluir glicose e tiamina</p><p>(Acesyl 100 mg em 1 mL; Citoneurin 1000 tiamina 100 mg e piridoxina 100 mg).</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 126</p><p>2. CONCENTRADO DE HEMÁCIAS</p><p> Transfundir 01 unidade de concentrado de hemácias (CH) quando hemoglobina abaixo</p><p>de 7 g/dL. Realizar controle da hemoglobina imediatamente após cada unidade de CH</p><p>e repetir até Hb ≥7g/dL.</p><p> Em pacientes com hipotensão severa ou sangramento maciço, transfundir mesmo com</p><p>níveis de Hb>7g/dL.</p><p> Em pacientes com doença cardiovascular pré-existente e hemodinamicamente</p><p>estáveis, considerar transfusão quando o nível de hemoglobina cai para 8 g/dL ou caso</p><p>estes desenvolvam sintomas cardiovasculares.</p><p>3. CONTROLE DO SANGRAMENTO</p><p> Lavagem gástrica: Não traz benefícios terapêuticos. Serve para documentar a</p><p>presença de HDA e melhorar as condições para a realização da endoscopia.</p><p> A endoscopia alta de urgência e a tentativa de aplicação de medidas hemostáticas</p><p>através da mesma são indicadas em todos os doentes com hemorragia digestiva alta.</p><p>3.1. Varizes de Esôfago</p><p>Terapia farmacológica</p><p> Conduta de primeira-linha em pacientes com provável hemorragia de varizes de</p><p>esôfago.</p><p> Consiste no uso de vasoconstrictores seguros como a terlipressina, somatostatina ou</p><p>análogos como octreotida.</p><p> Somatostatina</p><p> Stilamin 250 g e 3 mg</p><p> 250 g em bolus seguido por infusão intravenosa contínua na dose de 250 g/hora</p><p>(diluir em solução salina).</p><p> Duração do tratamento: 2 a 5 dias.</p><p> Octreotida</p><p> Sandostatin 0,05 mg, 0,1 mg e 0,5 mg</p><p> 50 g em bolus seguido por infusão EV contínua na dose de 50 g/h.</p><p> Diluir 0,2 mg em 200 mL de SF/SG e correr a 50 mL/h.</p><p> Duração do tratamento: 2 a 5 dias.</p><p> Terlipressina</p><p> Glypressin 1 mg; pó liofilizado</p><p> Única destas drogas que se mostrou capaz de reduzir mortalidade, sendo</p><p>atualmente o fármaco de escolha.</p><p> Posologia: 2 mg EV cada 4 horas nas primeiras 48 horas, seguido por 1 mg cada 4</p><p>horas.</p><p> O aumento da pressão sangüínea têm sido controlado com 150 g de clonidina EV</p><p>(Clonidin 150 g). A bradicardia severa pode ser tratada com atropina.</p><p> Duração do tratamento: 2 a 5 dias.</p><p>Procedimentos para controle do sangramento</p><p> A escleroterapia endoscópica interrompe o sangramento em 80 a 90 % dos pacientes</p><p>com hemorragia aguda de varizes.</p><p> A laqueadura endoscópica de varizes é equivalente à escleroterapia na obtenção da</p><p>hemostasia. Há menos complicações associadas, as quais incluem ulcerações</p><p>superficiais e, raramente, a formação de estenoses.</p><p> Tratamento com uma derivação portossistêmica intrahepática transjugular consiste na</p><p>colocação de um stent de metal expansível por uma área criada entre uma veia</p><p>hepática e um ramo intrahepático principal do sistema porta.</p><p> As derivações cirúrgicas devem ser consideradas em casos de hemorragia refratária ou</p><p>ressangramento recorrente precoce que não podem ser controlados através de meios</p><p>endoscópicos ou farmacológicos e quando o shunt transjugular não estiver disponível</p><p>ou não for tecnicamente possível.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 127</p><p>3.2. Úlcera Péptica</p><p> Sangramento de úlcera</p><p>arritmias não se devem a</p><p>mecanismo de reentrada envolvendo o nó AV ou nó sinusal. Contudo, o bloqueio</p><p>AV transitório produzido pode esclarecer o ritmo subjacente.</p><p> Dose: 6 mg EV em bolus rápido (3 a 5 seg.), não diluído, seguido de 20mL de</p><p>fluido também em bolus; se não houver reversão, dê uma segunda dose de</p><p>12mg, da mesma maneira, após 1 a 2 minutos; uma terceira dose de 12mg</p><p>pode ser dada.</p><p> Os pacientes experimentam uma sensação desagradável de dor torácica e mal-</p><p>estar que dura apenas alguns segundos (avisar ao paciente antes).</p><p> Quando a reversão ocorre, o paciente pode apresentar alguns segundos de</p><p>assistolia até que se restabeleça o ritmo sinusal normal.</p><p> Contra-indicado: BAV II e III; doença do nódulo sinusal; hiperreatividade</p><p>brônquica (pode desencadear broncoespasmo).</p><p> Se a adenosina falhar em converter (possibilidade de flutter atrial, taquicardia</p><p>atrial ectópica ou taquicardia juncional) ou caso o ritmo converta (provável TSV</p><p>de reentrada) mas, posteriormente ocorra recidiva, tente o controle do ritmo</p><p>com um bloqueador dos canais de cálcio (verapamil, diltiazem) ou beta-</p><p>bloquedores, como agentes de segunda linha.</p><p>Verapamil (Dilacoron; 5 mg em ampolas de 2 mL)</p><p> Bloqueador dos canais de cálcio; efeito inotrópico e cronotrópico negativo.</p><p> A dose recomendada é de 2,5 a 5 mg EV em bolus em cerca de 2 minutos (3</p><p>minutos em pacientes mais velhos). O efeito terapêutico máximo se observa em</p><p>3 a 5 minutos.</p><p> Doses repetidas de 5 a 10 mg podem ser dadas cada 15 a 30 minutos até um</p><p>total de 30 mg, se a TSV de reentrada persistir ou recorrer e a PA permanecer</p><p>dentro de limites aceitáveis.</p><p> Se a taquicardia persistir e a PA estiver baixa ou houver deterioração</p><p>hemodinâmica, cardioverta imediatamente o paciente.</p><p> O verapamil produz uma preocupante queda da PA que pode ser revertida com a</p><p>posição de Trendelenburg, fluidos ou cloreto de cálcio 10%</p><p> Cloreto de cálcio: 1 mL = 100 mg; 0,5 a 1 g (5 a 10 mL), EV, lentamente;</p><p>repetir, se necessário, em intervalos de 10 minutos.</p><p> A administração rápida de cálcio pode causar lentificação de FC.</p><p> Usar cautelosamente em pacientes usando digital, pois pode precipitar</p><p>intoxicação digitálica (o cálcio aumenta a irritabilidade ventricular).</p><p> O cálcio pode produzir vasoespasmo nas artérias coronárias e cerebrais.</p><p> O uso de agentes -bloqueadores combinados com bloqueadores de canal de</p><p>cálcio é contra-indicado (risco de hipotensão e bradicardia importante). Use</p><p>verapamil com cautela em pacientes sob uso crônico de -bloqueadores.</p><p> O verapamil pode ser usado com segurança e eficácia em paciente recebendo</p><p>digital, mas a insuficiência cardíaca grave é contra-indicação a seu uso.</p><p> O verapamil deve ser evitado ou usado com cautela em pacientes com síndrome</p><p>do nó sinusal ou bloqueio AV.</p><p> O verapamil pode ser altamente prejudicial nas arritmias ventriculares: não usar</p><p>em arritmias de QRS largo.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 16</p><p>Diltiazem (Balcor 25 e 50 mg, liofilizado)</p><p> 25 mg EV em bolus, seguido de infusão EV contínua de 10 mg/hora, podendo</p><p>aumentar até 15 mg/hora; a infusão não deve exceder 24 horas devido ao</p><p>acúmulo de metabólitos tóxicos.</p><p>Beta-bloqueadores</p><p> Indicados para taquicardias de complexo estreito originadas tanto por</p><p>mecanismo de reentrada (TSV de reentrada) como a partir de um foco</p><p>automático (taquicardia juncional, taquicardia atria ectópica, taquicardia atrial</p><p>multifocal) que não puderem ser controladas por manobras vagais e adenosina</p><p>em pacientes com função ventricular presevada.</p><p>Amiodarona</p><p> Se o ritmo permanece não controlado após manobras vagais, adenosina e</p><p>bloqueio AV nodal em pacientes com fução ventricular preservada ou prejuicada.</p><p>Cardioversão elétrica (CVE)</p><p> Deve ser tentada se todas as medidas anteriores falharem, mesmo que o</p><p>paciente esteja estável hemodinamicamente.</p><p>TAQUICARDIAS COM COMPLEXO QRS LARGO DE ORIGEM INCERTA</p><p> Trata-se de uma TV ou de uma TSV com condução aberrante (devido a bloqueio</p><p>de ramo)?</p><p> Tratar inicialmente todas as taquicardias com QRS largo como taquicardia</p><p>ventricular, pois é mais seguro tratar uma TSV como TV do que o contrário.</p><p> A administração de verapamil a um paciente com TV pode ser um erro letal.</p><p> Não dê verapamil a um paciente com taquicardia de QRS largo.</p><p> A amiodarona é a primeira droga a ser utilizada na TV e todas as outras</p><p>taquicardias de QRS largo de origem duvidosa, seja supraventricular ou</p><p>ventricular.</p><p>TAQUICARDIA VENTRICULAR</p><p>TV Hemodinamicamente Instável (não em parada cardíaca)</p><p> Sinais e sintomas importantes: cardioversão imediata.</p><p> A taquicardia ventricular polimórfica instável (torsades de points) com ou sem</p><p>pulso é tratada como FV usando-se choques de alta energia não sincronizados</p><p>(desfibrilação). Diversas configurações de QRS e frequência irregular</p><p>impossibilitam sincronização confiável.</p><p> O paciente com TV polimórfica provavelmente não manterá perfusão/pulso por</p><p>muito tempo, de modo que qualquer tentativa de distinguir entre TV polimórfica</p><p>com e sem pulso rapidamente se torna fútil.</p><p>TV com Paciente Clinicamente Estável</p><p> TV não sustentada (duração menor que 30 segundos) não necessita tratamento.</p><p>Amiodarona</p><p> Em pacientes com disfunção ventricular severa, a amiodarona é preferível aos</p><p>outros agentes antiarrítmicos para arritmias atriais ou ventriculares.</p><p> Ataque: 300 mg em cerca de 20 minutos – 02 ampolas em 100 a 250 mL de SG</p><p>5% (evitar concentrações</p><p>péptica cessa espontaneamente em pelo menos 80% dos</p><p>pacientes, a maioria dos quais tem uma recuperação sem intercorrências sem uma</p><p>intervenção específica.</p><p>Classificação endoscópica de Forrest</p><p> Classe III: úlceras de base limpa</p><p> Taxa de hemorragia recorrente de 0 a 2 %</p><p> Virtualmente nunca requerer intervenção urgente para hemorragia recorrente</p><p> Candidatos para alta precoce (durante o primeiro dia) depois de reanimação</p><p>volêmica, estabilização e instituição de terapia específica para a úlcera.</p><p> Classe IIC e IIB: úlceras caracterizadas por placas pigmentadas planas ou coágulos</p><p>aderentes, respectivamente.</p><p> Incidência de ressangramento e intervenção urgente entre 10 a 22%,</p><p>respectivamente.</p><p> Requerem período mais longo de hospitalização, embora não em UTI.</p><p> Classe IIA e Classe I: úlceras não sangrantes com vasos visíveis e úlceras com</p><p>sangramento ativo, respectivamente.</p><p> Apresentam risco mais elevado para hemorragia adicional (43 a 55%,</p><p>respectivamente) e morte.</p><p> Devem passar pelo menos um dia na UTI.</p><p> Desde que a maioria dos episódios de hemorragia recorrente acontece dentro de três</p><p>dias depois do episódio, os pacientes que têm uma evolução hospitalar descomplicada</p><p>podem ser receber alta após três dias.</p><p> Dieta zero: duração definida pelo risco de ressangramento.</p><p> Características endoscópicas de baixo risco: iniciar dieta em seguida ao</p><p>procedimento endoscópico.</p><p> Características endoscópicas de risco mais alto: não receber nada por via oral ou</p><p>somente dieta líquida sem resíduos durante os primeiros dois dias de</p><p>hospitalização.</p><p> Inibidores da bomba de prótons (IBP): omeprazol (pó liofilizado 40mg)</p><p> Ataque: 80 mg diluído em SF0,9% 100 mL EV em 20 a 30 minutos</p><p> Infusão contínua: 8 mg/hora durante 10 h nos 3 dias subseqüentes (80 mg ou 02</p><p>FA em 100 mL SF0,9% a 10 mL/hora).</p><p> Terapias endoscópicas: eletrocoagulação bipolar, sondas térmicas ou escleroterapia</p><p>endoscópica.</p><p> Avanço mais importante no tratamento de úlceras sangrantes durante a última</p><p>década.</p><p> Indicada para pacientes com evidência clínica de hemorragia significativa ou</p><p>evidência endoscópica de sangramento ativo ou um vaso visível não sangrante.</p><p> Úlceras com uma placa pigmentada, coágulo aderente ou base limpa não são</p><p>beneficiadas com a terapia endoscópica.</p><p> Cirurgia: quando a terapia endoscópica falha ou é indisponível.</p><p>Sangramento ativo ou vaso</p><p>visível não sangrante</p><p>Terapia endoscópica</p><p>IBP</p><p>Bolus + infusão</p><p>Coágulo aderente</p><p>Terapia endoscópica</p><p>pode ser considerada</p><p>IBP</p><p>Bolus + infusão</p><p>Mancha plana ou base</p><p>limpa</p><p>Sem indicação de</p><p>terapia endoscópica</p><p>IBP oral</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 128</p><p>4. Outros Cuidados</p><p> Considerar intubação endotraqueal como precaução contra aspiração antes da</p><p>endoscopia em pacientes com hemorragia volumosa, agitação severa ou estado mental</p><p>alterado.</p><p> Antibioticoprofilaxia sistêmica</p><p> Pacientes cirróticos com hemorragia gastrointestinal (ceftriaxona 1g EV ao dia).</p><p> Úlcera péptica perfurada (penicilinas associadas a inibidores da beta-lactamase,</p><p>carbapenêmicos, fluoroquinolonas e antianaeróbio, aztreonam e antianaeróbio ou</p><p>aminoglicosídio e antianaeróbio).</p><p> A duração da cobertura antimicrobiana é controversa. O consenso geral corrente</p><p>advoga terapia antimicrobiana por 5 a 7 dias.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Garcia-Tsao G, Bosch J. Management of varices and variceal hemorrhage in cirrhosis. N</p><p>Engl J Med 2010; 362: 823-832.</p><p>2. Laine L, Jensen DM. Am J Gastroenterol 2012; 107:345–360.</p><p>3. Laine L e Peterson WL. Bleeding peptic ulcer. The New England Journal of Medicine,</p><p>1994; 331: 717-727.</p><p>4. Langell JT and Mulvihill SJ. Gastrointestinal Perforation and the Acute Abdomen. Med</p><p>Clin N Am 2008; 92: 599-625.</p><p>5. Sharara AI e Rockey DC. Gastroesophageal variceal hemorrhage. The New England</p><p>Journal of Medicine, 2001; 345: 669-681.</p><p>6. Villanueva C, Colomo A, Bosch A, et al. Transfusion strategies for acute upper</p><p>gastrointestinal bleeding. N Engl J Med 2013;368:11-21.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 129</p><p>PANCREATITE AGUDA</p><p>DEFINIÇÃO E DIAGNÓSTICO DE PANCREATITE AGUDA</p><p> Considerar no diagnóstico diferencial de todo abdômen agudo.</p><p> O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois dos seguintes três achados:</p><p> Dor abdominal consistente com pancreatite aguda:</p><p> Início agudo, dor epigástrica persistente e severa, frequentemente com</p><p>irradiação para as costas;</p><p> Dor descrita como em cólica ou localizada na região inferior abdominal não é</p><p>consistente com pancreatite aguda;</p><p> Níveis séricos de lipase ou amilase de pelo menos três vezes maior que o limite</p><p>superior da normalidade;</p><p> Achados característicos de pancreatite aguda na tomografia computadorizada com</p><p>contraste, ressonância magnética ou ultrassonografia abdominal.</p><p>SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO REVISADO DE ATLANTA</p><p>Graus de Severidade da Pancreatite Aguda</p><p>Pancreatite aguda leve</p><p> Ausência de insuficiência orgânica</p><p> Ausência de complicações sistêmicas ou locais</p><p>Pancreatite aguda moderadamente grave</p><p> Insuficiência orgânica que se resolve dentro de 48 horas (insuficiência</p><p>orgânica transitória) e/ou</p><p> Complicações locais ou sistêmicas sem insuficiência orgânica persistente</p><p>Pacreatite aguda grave</p><p> Insuficiência orgânica persistente (>48 horas)</p><p> Insuficiência orgânica: existência de insuficiência respiratória, cardiovascular ou renal.</p><p> Complicações sistêmicas: exacerbação de comorbidades preexistentes (doença arterial</p><p>coronariana, pneumopatia crônica, etc.) precipitada pela pancreatite aguda.</p><p> Complicações locais: coleção líquida peripancreática aguda, pseudocisto pancreático,</p><p>coleção necrótica aguda e necrose walled-off (necrose encapsulada com parede</p><p>inflamatória bem definida).</p><p>Causas de pancreatite aguda</p><p>Coledocolitíase Pancreas divisum</p><p>Etilismo Trauma abdominal</p><p>Idiopática Pancreatite pós-operatória</p><p>Colangiopancreatografia endoscópica</p><p>retrógrada</p><p>Hiperparatireoidismo</p><p>Hipertrigliceridemia Infecções (caxumba, coxsackievírus,</p><p>citomegalovírus)</p><p>Drogas (didanosina, azatioprina,</p><p>sulfassalazina, furosemida, ácido valpróico,</p><p>pentamidina, acetoaminofen)</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 130</p><p>AVALIAÇÃO LABORATORIAL</p><p> Amilase e lipase</p><p> Aumentam no primeiro dia de pancreatite aguda, retornando a valores normais em</p><p>3 a 5 dias (amilase) e após 8 a 14 dias (lípase).</p><p> A magnitude dos valores não tem nenhuma correlação com a gravidade e a</p><p>normalização dos níveis de amilase pode não significar resoução do quadro.</p><p> A amilase pode permanecer normal se houver hipertrigliceridemia.</p><p> Podem estar aumentadas também:</p><p> Insuficiência renal</p><p> Úlcera perfurada</p><p> Oclusão vascular mesentérica</p><p> Obstrução intestinal associada com isquemia</p><p> Disfunção da glândula salivar</p><p> Macroamilasemia</p><p> Tumores que segregam amilase.</p><p> Hemograma: leucocitose, hematócrito elevado</p><p> Alterações metabólicas: hiperglicemia, hipocalcemia</p><p> Hiperbilirrubinemia</p><p> Radiografias supinas e ortostáticas do abdômen</p><p> Calcificações pancreáticas (pancreatite crônica), cálculos biliares calcificados ou íleo</p><p>paralítico difuso ou localizado ("alça sentinela").</p><p> Radiografia de tórax: atelectasias ou derrame pleural</p><p> Ultrassom abdominal</p><p> Cálculos biliares</p><p> Dilatação do ducto biliar comum</p><p> Edema do pâncreas</p><p> Tomografia contrastada do abdômen</p><p> Exame que oferece melhor confirmação do diagnóstico (depois que o paciente for</p><p>adequadamente hidratado)</p><p> Necrose pancreática: áreas de hipodensidade</p><p> Edema pancreático: acentuação uniforme do parênquima</p><p> Necrose infectada: ar no retroperitônio</p><p>Admissão</p><p>Ausência de</p><p>disfunção</p><p>orgânica</p><p>Pancreatite leve</p><p>Disfunção</p><p>orgânica nas</p><p>primeiras 24h</p><p>Pancreatite</p><p>aguda grave</p><p>Resolução da</p><p>disfunção</p><p>orgânica</p><p>História O principal</p><p>sintoma é dor ou</p><p>desconforto</p><p>torácico ou em</p><p>MSE mais</p><p>A dor atual</p><p>reproduz a dor de</p><p>uma angina prévia</p><p>documentada e</p><p>DAC conhecida,</p><p>incluindo IAM.</p><p> O principal</p><p>sintoma é dor</p><p>ou desconforto</p><p>torácico ou em</p><p>MSE.</p><p> Idade > 70</p><p>anos</p><p> Sexo masculino</p><p> Diabetes</p><p>melitus</p><p> Sintomas</p><p>isquêmicos</p><p>prováveis.</p><p> Uso recente de</p><p>cocaína</p><p>Exame físico Insuficiência</p><p>mitral</p><p>transitória</p><p> Hipotensão</p><p> Diaforese</p><p> Edema</p><p>pulmonar ou</p><p>creptos</p><p> Doença</p><p>vascular</p><p>extracardíaca</p><p>Desconforto</p><p>torácico</p><p>reproduzido pela</p><p>palpação</p><p>ECG Desvio transitório</p><p>de ST ( 0,5 mm)</p><p>novo ou</p><p>presumivelmente</p><p>novo ou inversão</p><p>da onda T ( 2</p><p>mm) com</p><p>sintomas.</p><p> Ondas Q fixas</p><p> Segmentos ST</p><p>anormais ou</p><p>ondas T que</p><p>não são novos</p><p>ECG normal ou</p><p>achatamento da</p><p>onda T ou inversão</p><p>da onda T em</p><p>derivações com</p><p>ondas R</p><p>dominantes.</p><p>Marcadores</p><p>cardíacos</p><p> Troponina T ou</p><p>I elevada</p><p> CK-MB elevada</p><p>Nomal Normal</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 20</p><p>DEFINIÇÕES</p><p>Síndromes coronarianas agudas (SCA) é a expressão usada para se referir ao</p><p>espectro que compreende angina instável ao infarto agudo do miocárdio. A</p><p>fisiopatologia, na grande maioria dos casos, é baseada na ruptura de uma placa</p><p>aterosclerótica vulnerável e conseqüente formação de um trombo no local. Esse</p><p>trombo é totalmente oclusivo nos casos de infarto com elevação do segmento ST e</p><p>produz uma obstrução apenas parcial na angina instável e no infarto sem elevação</p><p>do segmento ST.</p><p>A angina instável caracteriza-se por dor torácica (angina) de começo recente,</p><p>progressivamente mais freqüente ou desencadeado por estímulos cada vez</p><p>menores (até em repouso). A angina instável é definida pela ausência de elevação</p><p>anormal e transitória de CK-MB ou troponinas (marcadores séricos de necrose</p><p>miocárdica).</p><p>O infarto sem supra-desnivelamento do segmento ST diferencia-se da angina</p><p>instável pela presença de marcadores séricos de necrose miocárdica.</p><p>No infarto com elevação do segmento ST, além dos marcadores de necrose</p><p>miocárdica, o ECG mostra supradesnivelamento de 1 mm ou mais do segmento ST</p><p>em pelo menos duas derivações contíguas (≥2 mm nas derivações V2 e V3) ou</p><p>bloqueio de ramo esquerdo novo (ou presumivelmente novo).</p><p>A angina instável e o infarto sem elevação de ST podem apresentar-se com:</p><p> ECG normal</p><p> Inversão simétrica de onda T</p><p> Infradesnivelamento de ST</p><p>ESTRATIFICAÇÃO DO RISCO</p><p>A estratificação de risco ajuda a identificar pacientes com infarto do miocárdio sem</p><p>elevação de ST e angina instável que devem ser conduzidos com estratégia</p><p>invasiva. A angiografia coronariana permite determinar se os pacientes são</p><p>candidatos a revascularização coronariana percutânea ou cirúrgica.</p><p>O escore de risco TIMI tornou-se o instrumento primário para a avaliação de</p><p>recomendações terapêuticas.</p><p>Escore de risco TIMI para pacientes com angina instável e infarto do</p><p>miocárdio sem elevação do segmento ST</p><p>Variável Valor da variável Definição</p><p>Idade 65 anos 1</p><p>3 fatores de risco para</p><p>DAC</p><p>1 Fatores de risco</p><p>• História familiar de</p><p>DAC</p><p>• Hipertensão</p><p>• Hipercolesterolemia</p><p>• Diabetes</p><p>• Tabagismo atual</p><p>Aspirina nos últimos 7</p><p>dias</p><p>1</p><p>Sintomas recentes,</p><p>severos de angina</p><p>1 2 episódios anginosos</p><p>nas últimas 24 horas</p><p>Marcadores cardíacos</p><p>elevados</p><p>1 CK-MB or troponina</p><p>cardíaca</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 21</p><p>Escore de risco TIMI (continuação)</p><p>Desvio de ST 0,5 mm 1 Depressão de ST 0,5</p><p>mm é significante;</p><p>elevação transitória de</p><p>ST >0,5 mm por</p><p>para UTI 23</p><p> Contra-indicada em pacientes hipotensos (PAS</p><p>diluído em 100 mL de SF ou SG EV em 1h</p><p>de infusão (sempre em veia periférica).</p><p> Só pode ser usado em uma única ocasião no mesmo paciente.</p><p> O modo de evitar o sangramento excessivo é observar com rigor as contra-</p><p>indicações para este tipo de terapêutica, que basicamente visam excluir</p><p>pacientes que tenham coágulos hemostáticos.</p><p> As complicações hemorrágicas devem ser tratadas com a suspensão da</p><p>infusão da droga, administração de crioprecipitado e plasma fresco congelado.</p><p>A persistência de sangramento apesar desta reposição pode ser determinada</p><p>por disfunção plaquetária, devendo ser tratada com concentrado de</p><p>plaquetas.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 26</p><p> Alteplase (Actilyse 50mg e 50 mL de diluente): ativador do plasminogênio</p><p>tecidual (tPA)</p><p> Peso 65 kg:</p><p> 15 mg como bolus EV;</p><p> A seguir 50 mg em infusão EV durante 30 minutos;</p><p> A seguir infusão EV de 35 mg durante os 60 minutos seguintes, até a</p><p>dose máxima de 100 mg.</p><p> Peso 180 mmHg ou PD</p><p>>110 mmHg)</p><p> História de AVC isquêmico prévio há mais de 3 meses, demência ou</p><p>patologia intracraniana conhecida não coberta nas contra-indicações</p><p>absolutas</p><p> Reanimação cardiopulmonar traumática ou prolongada (>10 minutos) ou</p><p>grande cirurgia com menos de 3 semanas</p><p> Sangramento interno recente (dentro de 2 a 4 semanas)</p><p> Punção vascular não compressível</p><p> Para estreptoquinase ou anistreplase: exposição prévia (há >5 dias) ou</p><p>reação alérgica prévia a estes agentes</p><p> Gravidez</p><p> Úlcera péptica ativa</p><p> Uso atual de anticoagulantes</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 27</p><p>Antihipertensivos</p><p> Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) são também úteis</p><p>após o infarto do miocárdio, especialmente com disfunção sistólica ventricular</p><p>esquerda, para prevenir parada cardíaca subseqüente e reduzir a mortalidade.</p><p> O valsartan, bloqueador do receptor AT1 da angiotensina, é tão eficaz quanto o</p><p>captopril em termos de mortalidade nessa situação. Assim, pacientes</p><p>intolerantes aos IECA (principalmente por conta de tosse) devem utilizar</p><p>bloqueadores de AT1.</p><p> Em pacientes com doença arterial coronariana, uma redução significativa do</p><p>fluxo sanguíneo regional (roubo coronariano) pode ocorrer. O nitroprussiato foi</p><p>associado a maior mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca aguda</p><p>devido a infarto agudo do miocárdio que receberam esta medicação dentro das</p><p>primeiras 9 horas após o IAM.</p><p>Algoritmo das Síndromes Coronarianas Agudas</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 28</p><p>Infarto de Ventrículo Direito</p><p> O infarto de VD pode ocorrer em até 50% dos pacientes com IAM de parede</p><p>inferior.</p><p> Tríade: distensão jugular + hipotensão + sinal de Kussmaul (aumento da estase</p><p>jugular com a inspiração profunda, ou seja, elevação paradoxal da pressão</p><p>venosa média).</p><p> A suspeita clínica deve existir quando um paciente com IAM inferior apresenta</p><p>hipotensão e ausculta pulmonar limpa ou desenvolve hipotensão com o uso de</p><p>nitrato sublingual.</p><p> O sinal eletrocardiográfico mais sensível de infarto ventricular direito é uma</p><p>elevação de ST de mais de 1 mm na derivação V4R com uma onda T positiva</p><p>nesta derivação. Este sinal é visto em cerca de 50% dos infartos de VD e</p><p>raramente está presente mais do que 12 horas após o infarto.</p><p> Há grande dependência da pressão de enchimento do VD para manter o débito e</p><p>a PA. Drogas que reduzem a pré-carga (nitratos, diuréticos) podem levar à</p><p>hipotensão e devem ser evitadas.</p><p> Reposição rápida de volume com 500 mL de solução fisiológica e depois</p><p>continuando até 1 a 2 litros, sempre avaliando quanto a sinais de congestão</p><p>pulmonar.</p><p> Quando a pressão não se eleva após a reposição de volume, inicie dobutamina</p><p>para auxílio inotrópico ao VD.</p><p>Arritmias</p><p> A bradicardia sinusal é relativamente comum nos infartos inferiores e,</p><p>geralmente, não tem repercussão hemodinâmica. Quando associada a</p><p>hipotensão, deve ser tratada com atropina e/ou marcapasso temporário.</p><p> O bloqueio atrioventricular de primeiro grau e o de segundo grau tipo I</p><p>(Weckenbach) assintomáticos não requerem tratamento. Todos os pacientes</p><p>com distúrbio da condução atrioventricular com repercussão hemodinâmica</p><p>devem ser tratados com marcapasso temporário. Nos casos de bloqueio</p><p>atrioventricular de segundo grau tipo II ou bloqueio atrioventricular total</p><p>(terceiro grau), quando associados a infarto anterior, há relativo consenso com</p><p>relação à necessidade de marcapasso, embora o prognóstico nesse último caso</p><p>seja ruim, mesmo com a colocação do dispositivo.</p><p> O bloqueio atrioventicular total assintomático, no infarto inferior, pode prescindir</p><p>do marcapasso e é quase sempre reversível. Nas situações de bloqueio bi ou</p><p>trifasciculares são controversas as indicações de marcapasso, mas nos casos de</p><p>bloqueio de ramo direito e esquerdo alternados há unanimidade quanto à</p><p>propriedade da colocação do mesmo.</p><p> As taquicardias supraventriculares no infarto são secundárias à insuficiência</p><p>cardíaca. Outras causas incluem distúrbios eletrolíticos, DPOC, hipoxemia,</p><p>pericardite e embolia pulmonar.</p><p> A taquicardia sinusal, quando não for secundária à dor e ansiedade ou a uma das</p><p>situações mencionadas anteriormente, mais provavelmente é manifestação de</p><p>síndrome hiperdinâmica e tem boa resposta aos betabloqueadores.</p><p> Na fibrilação e flutter atriais, se não houver repercussão hemodinâmica, basta</p><p>modular a resposta ventricular com betabloqueador, verapamil ou digoxina. Se a</p><p>arritmia for persistente, deve-se considerar a anticoagulação e, se houver</p><p>repercussão hemodinâmica, é necessária a cardioversão elétrica.</p><p> As extrassístoles ventriculares, o ritmo idioventricular acelerado e a taquicardia</p><p>ventricular não-sustentada (menos de trinta segundos, sem repercussão</p><p>hemodinâmica) não requerem tratamento específico. A taquicardia ventricular</p><p>sustentada, sem repercussão hemodinâmica, deve ser tratada com amiodarona.</p><p>Se houver instabilidade hemodinâmica, mas com pulso em artérias centrais, uma</p><p>cardioversão elétrica sincronizada deve ser realizada imediatamente. Na</p><p>ausência de pulso, é uma parada cardíaca e deve ser manejada com</p><p>desfibrilação.</p><p>Kelson Nobre Veras</p><p>Condutas Práticas para UTI 29</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Anderson JL, Adams CD, Antman EM, 1. et al. ACC/AHA 2007 guidelines for the</p><p>management of patients with unstable angina/non ST-elevation myocardial</p><p>infarction: a report of the American College of Cardiology/American Heart</p><p>Association Task Force on Practice Guidelines (Writing Committee to Revise the</p><p>2002 Guidelines for the Management of Patients With Unstable Angina/Non ST-</p><p>Elevation Myocardial Infarction): developed in collaboration with the American</p><p>College of Emergency Physicians, the Society for Cardiovascular Angiography</p><p>and Interventions, and the Society of Thoracic Surgeons: endorsed by the</p><p>American Association of Cardiovascular and Pulmonary Reha bilitation and the</p><p>Society for Academic Emergency Medicine. Circulation 2007;116:803-877.</p><p>2. Goodman SG, Menon V, Cannon CP et al. Acute ST-Segment Elevation</p><p>Myocardial Infarction: Antithrombotic and Thrombolytic Therapy: American</p><p>College of Chest Physicians Evidenced-Based Clinical Practice Guidelines (8th</p><p>Edition). Chest 2008; 133(6) Supplement:708S-775S.</p><p>3. Harrington RA, Becker RC, Cannon CP et al. Antithrombotic Therapy for Non-ST-</p><p>Segment Elevation Acute Coronary Syndromes: American College of Chest</p><p>Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines (8th Edition). Chest</p><p>2008; 133(6) Supplement: 670S-707S.</p><p>4. Keller T, Zeller T, Ojeda F et al. Serial Changes in Highly Sensitive Troponin I</p><p>Assay and Early Diagnosis of Myocardial Infarction. JAMA. 2011;306:2684-</p><p>2693.</p><p>5. Keller T, Zeller T, Peetz D, et al. Sensitive troponina I assay in early diagnosis of</p><p>acute myocardial infarction. N Engl J Med. 2009;361:868-877.</p><p>6. O’Gara PT, Kushner FG, Ascheim DD et al. 2013 ACCF/AHA guideline for the</p><p>management of ST-elevation myocardial infarction: a report of the American</p><p>College of Cardiology Foundation/American Heart Association Task Force on</p><p>Practice Guidelines. Circulation. 2013;127:e362–e425.</p><p>7. Trost JC, Lange RA. Treatment of acute coronary syndrome: Part 1: Non-ST-</p><p>segment acute coronary syndrome. Crit Care Med 2011; 39:2346-53.</p><p>8. Verri J. Manejo das síndromes coronarianas agudas. In: Programa de</p><p>Atualização em Medicina Intensiva. Ciclo 1. Módulo 4. Porto Alegre:</p><p>Artmed/Panamericana, 2004.</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 30</p><p>CHOQUE</p><p> Choque: é caracterizado por um fluxo sangüíneo inadequado para atender às</p><p>necessidades de oxigênio tecidual.</p><p> Hipotensão: uma pressão sistólica 40 mmHg em relação à</p><p>pressão normal do paciente constitui uma hipotensão significativa.</p><p> PAM = (2PD + PS)/3 (N = 70-105 mmHg)</p><p> Hipoperfusão: evidências de hipoperfusão tecidual incluem alterações do estado</p><p>mental, oligúria, pele fria e úmida ou acidose lática.</p><p> Oligúria: débito urinário 2 s, extremidades frias e presença de livedo cutâneo</p><p>(todos os três critérios devem ser preenchidos)</p><p> Lactato elevado</p><p> O lactato é muito sensível para indicar o choque circulatório, mas sua</p><p>normalização é muito lenta para guiar a terapêutica. A normalização</p><p>progressiva da hiperlactatemia pode ser avaliada com medidas a cada 8</p><p>horas.</p><p>3. Débito urinário maior ou igual a 0,5ml/kg/hora</p><p>4. SvcO2 70% após otimização de:</p><p> Hemoglobina ( 7g/dL; choque séptico e coronariopatas 10g/dL)</p><p> SaO2 (oxigênio, VMI, PEEP)</p><p> Controle febre, convulsões, sedação</p><p>Kelson Nobre Veras Condutas Práticas</p>péptica cessa espontaneamente em pelo menos 80% dos
pacientes, a maioria dos quais tem uma recuperação sem intercorrências sem uma
intervenção específica.
Classificação endoscópica de Forrest
Classe III: úlceras de base limpa
Taxa de hemorragia recorrente de 0 a 2 %
Virtualmente nunca requerer intervenção urgente para hemorragia recorrente
Candidatos para alta precoce (durante o primeiro dia) depois de reanimação
volêmica, estabilização e instituição de terapia específica para a úlcera.
Classe IIC e IIB: úlceras caracterizadas por placas pigmentadas planas ou coágulos
aderentes, respectivamente.
Incidência de ressangramento e intervenção urgente entre 10 a 22%,
respectivamente.
Requerem período mais longo de hospitalização, embora não em UTI.
Classe IIA e Classe I: úlceras não sangrantes com vasos visíveis e úlceras com
sangramento ativo, respectivamente.
Apresentam risco mais elevado para hemorragia adicional (43 a 55%,
respectivamente) e morte.
Devem passar pelo menos um dia na UTI.
Desde que a maioria dos episódios de hemorragia recorrente acontece dentro de três
dias depois do episódio, os pacientes que têm uma evolução hospitalar descomplicada
podem ser receber alta após três dias.
Dieta zero: duração definida pelo risco de ressangramento.
Características endoscópicas de baixo risco: iniciar dieta em seguida ao
procedimento endoscópico.
Características endoscópicas de risco mais alto: não receber nada por via oral ou
somente dieta líquida sem resíduos durante os primeiros dois dias de
hospitalização.
Inibidores da bomba de prótons (IBP): omeprazol (pó liofilizado 40mg)
Ataque: 80 mg diluído em SF0,9% 100 mL EV em 20 a 30 minutos
Infusão contínua: 8 mg/hora durante 10 h nos 3 dias subseqüentes (80 mg ou 02
FA em 100 mL SF0,9% a 10 mL/hora).
Terapias endoscópicas: eletrocoagulação bipolar, sondas térmicas ou escleroterapia
endoscópica.
Avanço mais importante no tratamento de úlceras sangrantes durante a última
década.
Indicada para pacientes com evidência clínica de hemorragia significativa ou
evidência endoscópica de sangramento ativo ou um vaso visível não sangrante.
Úlceras com uma placa pigmentada, coágulo aderente ou base limpa não são
beneficiadas com a terapia endoscópica.
Cirurgia: quando a terapia endoscópica falha ou é indisponível.
Sangramento ativo ou vaso
visível não sangrante
Terapia endoscópica
IBP
Bolus + infusão
Coágulo aderente
Terapia endoscópica
pode ser considerada
IBP
Bolus + infusão
Mancha plana ou base
limpa
Sem indicação de
terapia endoscópica
IBP oral
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4. Outros Cuidados
Considerar intubação endotraqueal como precaução contra aspiração antes da
endoscopia em pacientes com hemorragia volumosa, agitação severa ou estado mental
alterado.
Antibioticoprofilaxia sistêmica
Pacientes cirróticos com hemorragia gastrointestinal (ceftriaxona 1g EV ao dia).
Úlcera péptica perfurada (penicilinas associadas a inibidores da beta-lactamase,
carbapenêmicos, fluoroquinolonas e antianaeróbio, aztreonam e antianaeróbio ou
aminoglicosídio e antianaeróbio).
A duração da cobertura antimicrobiana é controversa. O consenso geral corrente
advoga terapia antimicrobiana por 5 a 7 dias.
REFERÊNCIAS
1. Garcia-Tsao G, Bosch J. Management of varices and variceal hemorrhage in cirrhosis. N
Engl J Med 2010; 362: 823-832.
2. Laine L, Jensen DM. Am J Gastroenterol 2012; 107:345–360.
3. Laine L e Peterson WL. Bleeding peptic ulcer. The New England Journal of Medicine,
1994; 331: 717-727.
4. Langell JT and Mulvihill SJ. Gastrointestinal Perforation and the Acute Abdomen. Med
Clin N Am 2008; 92: 599-625.
5. Sharara AI e Rockey DC. Gastroesophageal variceal hemorrhage. The New England
Journal of Medicine, 2001; 345: 669-681.
6. Villanueva C, Colomo A, Bosch A, et al. Transfusion strategies for acute upper
gastrointestinal bleeding. N Engl J Med 2013;368:11-21.
Kelson Nobre Veras Condutas Práticas para UTI 129
PANCREATITE AGUDA
DEFINIÇÃO E DIAGNÓSTICO DE PANCREATITE AGUDA
Considerar no diagnóstico diferencial de todo abdômen agudo.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois dos seguintes três achados:
Dor abdominal consistente com pancreatite aguda:
Início agudo, dor epigástrica persistente e severa, frequentemente com
irradiação para as costas;
Dor descrita como em cólica ou localizada na região inferior abdominal não é
consistente com pancreatite aguda;
Níveis séricos de lipase ou amilase de pelo menos três vezes maior que o limite
superior da normalidade;
Achados característicos de pancreatite aguda na tomografia computadorizada com
contraste, ressonância magnética ou ultrassonografia abdominal.
SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO REVISADO DE ATLANTA
Graus de Severidade da Pancreatite Aguda
Pancreatite aguda leve
Ausência de insuficiência orgânica
Ausência de complicações sistêmicas ou locais
Pancreatite aguda moderadamente grave
Insuficiência orgânica que se resolve dentro de 48 horas (insuficiência
orgânica transitória) e/ou
Complicações locais ou sistêmicas sem insuficiência orgânica persistente
Pacreatite aguda grave
Insuficiência orgânica persistente (>48 horas)
Insuficiência orgânica: existência de insuficiência respiratória, cardiovascular ou renal.
Complicações sistêmicas: exacerbação de comorbidades preexistentes (doença arterial
coronariana, pneumopatia crônica, etc.) precipitada pela pancreatite aguda.
Complicações locais: coleção líquida peripancreática aguda, pseudocisto pancreático,
coleção necrótica aguda e necrose walled-off (necrose encapsulada com parede
inflamatória bem definida).
Causas de pancreatite aguda
Coledocolitíase Pancreas divisum
Etilismo Trauma abdominal
Idiopática Pancreatite pós-operatória
Colangiopancreatografia endoscópica
retrógrada
Hiperparatireoidismo
Hipertrigliceridemia Infecções (caxumba, coxsackievírus,
citomegalovírus)
Drogas (didanosina, azatioprina,
sulfassalazina, furosemida, ácido valpróico,
pentamidina, acetoaminofen)
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AVALIAÇÃO LABORATORIAL
Amilase e lipase
Aumentam no primeiro dia de pancreatite aguda, retornando a valores normais em
3 a 5 dias (amilase) e após 8 a 14 dias (lípase).
A magnitude dos valores não tem nenhuma correlação com a gravidade e a
normalização dos níveis de amilase pode não significar resoução do quadro.
A amilase pode permanecer normal se houver hipertrigliceridemia.
Podem estar aumentadas também:
Insuficiência renal
Úlcera perfurada
Oclusão vascular mesentérica
Obstrução intestinal associada com isquemia
Disfunção da glândula salivar
Macroamilasemia
Tumores que segregam amilase.
Hemograma: leucocitose, hematócrito elevado
Alterações metabólicas: hiperglicemia, hipocalcemia
Hiperbilirrubinemia
Radiografias supinas e ortostáticas do abdômen
Calcificações pancreáticas (pancreatite crônica), cálculos biliares calcificados ou íleo
paralítico difuso ou localizado ("alça sentinela").
Radiografia de tórax: atelectasias ou derrame pleural
Ultrassom abdominal
Cálculos biliares
Dilatação do ducto biliar comum
Edema do pâncreas
Tomografia contrastada do abdômen
Exame que oferece melhor confirmação do diagnóstico (depois que o paciente for
adequadamente hidratado)
Necrose pancreática: áreas de hipodensidade
Edema pancreático: acentuação uniforme do parênquima
Necrose infectada: ar no retroperitônio
Admissão
Ausência de
disfunção
orgânica
Pancreatite leve
Disfunção
orgânica nas
primeiras 24h
Pancreatite
aguda grave
Resolução da
disfunção
orgânica