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<p>Prof. Tarcísio Alves - TAS</p><p>Schopenhauer: Representação,</p><p>Vontade e Ética</p><p>Questione-se</p><p>• Será que existe limite para o</p><p>conhecimento humano?</p><p>• O que a mente humana é capaz de</p><p>conhecer?</p><p>• Será que existe limites para o</p><p>conhecimento do mundo?</p><p>• Será que somos capazes de conhecer a</p><p>essência do mundo e das coisas? O que é</p><p>essência? Qual a essência do universo?</p><p>• Há diferença entre o que vemos e o que as</p><p>coisas realmente são?</p><p>Kant -O que eu posso saber? O que eu devo fazer? E o que eu posso esperar?</p><p>Para pensar...</p><p>• As forças da natureza mudam com o</p><p>tempo? As forças da natureza são</p><p>universais e imutáveis? Elas são</p><p>inconscientes e possui vontade própria?</p><p>• As forças da natureza agem</p><p>independente de nossa vontade?</p><p>• Que tipo de força age sobre nosso corpo</p><p>quando sentimos fome, sono, desejo</p><p>sexual ou qualquer outro apetite</p><p>orgânico?”</p><p>• O que movimenta o mundo e faz com</p><p>que as coisas aconteçam na realidade, é</p><p>resultado de forças diferentes ou de uma</p><p>grande força que age sobre todas as</p><p>coisas?</p><p>“Graças à força da gravidade da terra é</p><p>possível medir o peso da resistência</p><p>com a ajuda de uma balança”.</p><p>Arthur Schopenhauer</p><p>• Arthur Schopenhauer nasceu na cidade portuária</p><p>de Dantzig (hoje Gdansk, na Polônia), em 22 de</p><p>fevereiro de 1788, e passou sua juventude em</p><p>Hamburgo, Alemanha, por causa das guerras e</p><p>revoluções que estavam acontecendo.</p><p>• Filho de ricos comerciantes prussianos, foi</p><p>educado para seguir a profissão do pai e, aos 15</p><p>anos de idade, viajou pela Europa, Áustria, Suíça,</p><p>França, Países Baixos, Inglaterra, e ficou</p><p>impressionado com algumas das cenas que viu</p><p>no caminho. Um cenário de miséria e morte.</p><p>Em 1813, doutorou-se pela Universidade de Berlim. Em 1818 publica sua principal</p><p>obra, O Mundo como Vontade e Representação. A partir de 1831, estabelece-se</p><p>em Frankfurt, onde leva uma vida solitária. Morre em 1860 aos 72 anos vítima de</p><p>ataque cardíaco.</p><p>Curiosidades e historicidade</p><p>• Romantismo Alemão – perda da</p><p>confiança plena da razão, diferente dos</p><p>iluministas - “tempestade e ímpeto”.</p><p>• Schopenhauer teve 9 poodles, todos</p><p>com o mesmo nome, Atma (alma do</p><p>mundo, em sânscrito)</p><p>• Schopenhauer X Hegel</p><p>• Influenciou grandes pensadores como</p><p>Nietzsche, Freud, Jung, Kierkegaard,</p><p>Fernando Pessoa, Machado de Assis, e</p><p>outros.</p><p>• Arthur Schopenhauer foi fortemente</p><p>influenciado por Immanuel Kant, a</p><p>quem fez vários elogios e também</p><p>diversas críticas.</p><p>• É considerado por muitos um filósofo</p><p>pessimista.</p><p>Obras</p><p>importantes</p><p>Kant fez uma Revolução Copernicana na filosofia</p><p>Ponto de partida</p><p>• O ponto de partida da obra de Schopenhauer é a distinção que Kant faz entre os</p><p>fenômenos e a coisa-em-si.</p><p>• Schopenhauer chama de Representação, aquilo que Kant chama fenômeno, e de</p><p>Vontade aquilo que Kant chama de coisa em si (noúmenon).</p><p>• O mundo para Schopenhauer assume uma “dupla significação”, um mundo como</p><p>Vontade e Representação, como se fosse as duas faces de uma mesma moeda.</p><p>• Segundo Schopenhauer, a distinção de fenômeno e coisa em si seria o grande</p><p>mérito de Kant. A coisa-em-si não poderia ser objeto do conhecimento científico</p><p>como até então pretendia a metafísica clássica. Distinção muito importante para a</p><p>ética schopenhaueriana.</p><p>Representação</p><p>• O que é representar? O que é representação?</p><p>• Reapresentar, ou, de outro modo, representificar a coisa.</p><p>• Isso significa que nós seres humanos somos incapazes de conhecer tudo</p><p>que existe nessa realidade, apenas podemos representa-la.</p><p>• Conhecemos a realidade do mundo através dos sentidos, de um</p><p>pensamento, mas nada garante que eu conheço a essência dessa</p><p>realidade, por isso que o mundo é minha representação, conheço apenas</p><p>o que a mente é capaz de conhecer.</p><p>A realidade verdadeira é inacessível a</p><p>nós, somos incapazes de conhecê-la.</p><p>Representação</p><p>• “Acredito – devo confessar – que minha</p><p>doutrina não poderia ter nascido antes que as</p><p>Upanixades, Platão e Kant puderam projetar</p><p>suas ideias ao mesmo tempo sobre o espírito da</p><p>humanidade.” (Schopenhauer, Manuscritos,</p><p>1816).</p><p>Schopenhauer começa sua obra prima com a seguinte frase:</p><p>''O mundo é minha representação''. Esta é uma verdade que vale em</p><p>relação a cada ser que vive e conhece, embora apenas o homem possa</p><p>trazê-la à consciência refletida e abstrata.</p><p>“Minha filosofia inteira pode resumir-se em uma expressão: o mundo é</p><p>o autoconhecimento da Vontade”.</p><p>Véu de Maya</p><p>• Schopenhauer é um</p><p>dos primeiros</p><p>filósofos ocidentais</p><p>modernos a valorizar</p><p>o pensamento</p><p>oriental (hinduísmo e</p><p>budismo)</p><p>• Na visão hinduísta a</p><p>realidade é encoberta</p><p>pelo “véu de Maya.”</p><p>• A conexão do filósofo</p><p>alemão Arthur</p><p>Schopenhauer com as</p><p>escolas filosóficas</p><p>ligadas aos Vedas,</p><p>milenares escrituras</p><p>sânscritas, é um dado</p><p>irrefutável</p><p>Vontade</p><p>A vontade é irracional, inconsciente, sem fundamento,</p><p>imperecível, e está presente em toda natureza, não apenas no</p><p>ser humano.</p><p>Vontade</p><p>• Por ser irracional a Vontade se manifesta na formação dos</p><p>minerais, das rochas, nos organismos unicelulares, no</p><p>corpo humano etc. É ela que faz as aves migrarem e os</p><p>tigres acasalarem. Nos animais, a Vontade se expressa no</p><p>instinto. No homem, ser racional, a Vontade é o</p><p>fundamento do querer viver, do sentimento de posse,</p><p>do dominar, do afirmar-se.</p><p>A vontade – perpetuar a espécie</p><p>• “A natureza é pródiga para com a espécie, e terrivelmente</p><p>mesquinha para com o indivíduo. Citamos como exemplo o</p><p>salmão, que abandona as águas do mar, sobe os rios gelados,</p><p>galga corredeiras com o objetivo de procriar, de perpetuar a</p><p>espécie. Feito isso, a morte lhe vem”</p><p>O amor não passa de</p><p>um instinto para a</p><p>sobrevivência da</p><p>espécie. O</p><p>casamento é o</p><p>martírio da</p><p>reprodução. O</p><p>homem não se casa</p><p>pela razão, mas pela</p><p>sobrevivência da</p><p>espécie.</p><p>A Vontade e o Sofrimento</p><p>• Por que o mundo é dor e sofrimento?</p><p>• Porque a vida é constante insatisfação em busca da felicidade.</p><p>• A felicidade é apenas a interrupção temporária de um processo de</p><p>dor e não existe satisfação durável. Todo prazer é ponto de partida</p><p>de novas aspirações.</p><p>• “Sentimos que toda satisfação de nossos desejos advinda do</p><p>mundo assemelha-se à esmola que mantém hoje o mendigo vivo,</p><p>porém prolonga amanhã a sua fome. A resignação, ao contrário,</p><p>assemelha-se à fortuna herdada: livra o herdeiro para sempre de</p><p>todas as preocupações”.</p><p>• “viver é sofrer!”</p><p>A Vontade e o Sofrimento</p><p>• “Imaginemos, por um instante,</p><p>que a humanidade fosse</p><p>transportada a um país utópico,</p><p>onde os pombos voem já</p><p>assados, onde todo o alimento</p><p>cresça do solo</p><p>espontaneamente, onde cada</p><p>homem encontre sua amada</p><p>ideal e a conquiste sem</p><p>qualquer dificuldade. Ora,</p><p>nesse país, muitos homens</p><p>morreriam de tédio ou se</p><p>enforcariam nos galhos das</p><p>árvores, enquanto outros se</p><p>dedicariam a lutar entre si e a</p><p>se estrangular, a se assassinar</p><p>uns aos outros.”</p><p>Na visão do Schopenhauer não há</p><p>nada mais infernal do que o paraíso. A</p><p>vida humana é sofrimento porque nós</p><p>somos guiados pelas nossas vontades.</p><p>A soteriologia da supressão da dor e</p><p>sofrimento</p><p>• aprendendo a ser</p><p>independente de</p><p>seus desejos</p><p>(desapego);</p><p>• aprendendo a viver</p><p>de maneira</p><p>solitária;</p><p>• aprendendo a</p><p>viver no presente;</p><p>• e aprendendo a</p><p>viver pela arte</p><p>Hinduísmo e</p><p>Budismo</p><p>• Schopenhauer aprendeu</p><p>muito bem o conceito</p><p>oriental do Nirvana e do</p><p>deus Gita:</p><p>• “um homem só será livre</p><p>quando ele for livre dos</p><p>seus desejos”</p><p>.</p><p>Vontade de vida</p><p>• A Vontade de Vida deve sempre prevalecer</p><p>sobre a individual. A essência íntima do</p><p>mundo anseia por vida e estar presente em</p><p>todos os seres da natureza. “É justamente o</p><p>que é poupada pela morte, ficando</p><p>incólume”.</p><p>• A vontade de vida gera a pior guerra</p><p>existente na natureza.</p><p>A vontade de vida vê na representação sua essência refletida de alguma forma</p><p>Vontade de Vida</p><p>•É no querer-viver que se encontra a motivação do</p><p>egoísmo no mundo. O egoísmo é uma manifestação</p><p>da própria Vontade, sendo a motivação principal nos</p><p>seus mais variados graus da objetivação, isto é, do</p><p>homem ao animal, essa manifestação existe. A</p><p>perpetuação da Vontade vem da conservação dela</p><p>mesma em manter suas formas representativas no</p><p>mundo, sendo então a conservação e a manutenção</p><p>(procriar) que afirmam a Vontade, pois todo corpo</p><p>quer viver.</p><p>Amor</p><p>• O amor é artifício, um desejo inconsciente</p><p>de perpetuar a espécie. Gerar sucessores</p><p>perfeitos.</p><p>• Fardo da “vontade de vida”. Os animais</p><p>não tem o conhecimento da morte. A</p><p>natureza teve que enganar os seres</p><p>racionais para se reproduzir.</p><p>• O amor romântico é uma invenção (cristã).</p><p>• O amor do homem diminui sensivelmente</p><p>depois de satisfeito, caso que lhe faz</p><p>procurar outras parceiras, o que prevalece</p><p>é a espécie.</p><p>• As mulheres mais jovens estão de acordo</p><p>com a força da Vontade, pois apenas elas</p><p>podem reproduzir. Eis o interesse dos</p><p>homens pelas formas mais jovens.</p><p>• O homem tende, por natureza, à</p><p>inconstância no amor; a mulher, à</p><p>constância.</p><p>A Diferença do Amor Sexual Entre</p><p>Homem e Mulher</p><p>• “O homem tende, por natureza, à inconstância no amor; a mulher, à</p><p>constância. O amor do homem diminui sensivelmente tão logo é</p><p>satisfeito: quase todas as outras mulheres o excitam mais do que aquela</p><p>que ele já possui, por isso sente a necessidade de variar. Em</p><p>contrapartida, o amor da mulher aumenta justamente a partir desse</p><p>momento. Isso constitui uma consequência do objetivo da natureza, que</p><p>visa conservar a espécie e, portanto, multiplicá-la o máximo possível.</p><p>Com efeito, o homem pode comodamente gerar mais de cem crianças</p><p>em um ano se tiver à disposição outras tantas mulheres; já a mulher</p><p>poderia, por mais homens que tivesse, dar à luz apenas um filho por ano</p><p>(exceto no caso de gémeos). Por essa razão, o homem está sempre à</p><p>procura de novas mulheres, enquanto estas prendem-se firmemente a</p><p>apenas um homem: pois a natureza as leva a conservar, instintivamente</p><p>e sem reflexão, aquele que nutrirá e protegerá a futura prole.”</p><p>Ética</p><p>• A ética schopenhaueriana é descritiva e imanente,</p><p>apenas descreve como se dá as ações humanas, não é</p><p>uma tentativa de melhorá-la.</p><p>• Modelos éticos:</p><p>• Virtudes – Aristóteles</p><p>• Deontológica – Kant</p><p>• Utilitarista - Stuart Mill</p><p>• Cristã - valores cristãos</p><p>• Individualista e monocracia liberal - Humboldt e</p><p>Hayek (mais atuais)</p><p>• Os estudos teóricos da Filosofia Moral subdivide a</p><p>Ética em diversas categorias, as principais são três:</p><p>Ética Descritiva, Ética Metaética e Ética Normativa.</p><p>Podemos também dividir em: Ética Geral e a Ética</p><p>Aplicada.</p><p>Ética schopenhaueriana</p><p>• Crítica as morais teleológicas fundadas na</p><p>felicidades e ao imperativo categórico</p><p>kantiano.</p><p>• Kant erra ao tentar fundamentar a moral</p><p>apenas na razão pura sem o caminho</p><p>empírico. Moral vazia de conteúdo e com</p><p>valores eudaimonicos.</p><p>• Kant nega o lado da sensibilidade no</p><p>imperativo categórico (desejos e</p><p>inclinações). O IC é fruto de uma boa</p><p>vontade que é boa em si mesma (ex. A</p><p>mentira).</p><p>• O egoísmo, por ser produto das</p><p>motivações de nosso intelecto, acaba</p><p>afirmando a Vontade metafisica do mundo,</p><p>que é a fonte de toda dor, sofrimento e</p><p>egoísmo.</p><p>• A moral schopenhaueriana não é fundamentada na racionalidade</p><p>ou abstração, mas puramente na intuição, pois a razão, para ele,</p><p>é serva da Vontade (mas apenas para seres racionais).</p><p>• A compaixão é a fonte da ética schopenhaueriana. Ela é</p><p>construída na base de um amor desinteressado, não egoísta,</p><p>negando nosso querer, nossa vontade (vem da experiência).</p><p>• Ascetismo - abstenção dos prazeres físicos e psicológicos –</p><p>busca para o caminho moral.</p><p>• O homem e o animal pertencem da mesma essência do mundo,</p><p>logo, o homem pode reconhecer essa essência e sentir compaixão.</p><p>• Natureza metafísica da compaixão se da pelo</p><p>corpo – por analogia o corpo nos mostra a</p><p>vontade universal, que é a essência de todos os</p><p>seres.</p><p>• Enquanto estamos submetidos ao Véu de Maia,</p><p>às ilusões representativas, não conseguimos</p><p>enxergar a essência de todos os seres, mas para</p><p>“àquele que pratica obras de amor, o Véu de Maia</p><p>se torna transparente e a ilusão do principii</p><p>individuationis o abandona” – a compaixão é o</p><p>mistério da ética.</p><p>• Suicídio - possibilidade de compensação do</p><p>sofrimento, porém a morte de um individuo não</p><p>afeta a Vontade, pois a dor e o sofrimento</p><p>continuariam a existir mesmo que cada fenômeno</p><p>individual procurasse a morte como solução.</p><p>• Schopenhauer nega qualquer possibilidade de</p><p>aceitar deveres para conosco – que não seria</p><p>muito bem um dever – já que aquilo que faço para</p><p>mim mesmo é sempre uma aceitação própria e</p><p>nunca um dever.</p>