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CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO EXISTIR
Uma jornada pelos fundamentos filosóficos que sustentam a 
compreensão do ser humano como ser livre, responsável e 
sempre em movimento — o vir a ser que define nossa 
existência.
FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS
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O CONTEXTO HISTÓRICO DO EXISTENCIALISMO
SÉCULO ��
Avanço tecnológico e científico atribuem 
extraordinário valor à razão e ao método científico 
como formas legítimas de conhecimento do mundo 
e do ser humano.
PRIMEIRA METADE DO SÉCULO ��
Após duas guerras mundiais, a humanidade 
mergulha em sofrimento e desespero. Pensadores 
começam a duvidar de que o racionalismo seria a 
única solução para os problemas da sociedade.
É nesse contexto que o existencialismo surge e se 
desenvolve na Europa Ocidental, por meio de 
reflexões de Kierkegaard, Heidegger, Sartre e 
Buber, entre outros.
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O QUE É O EXISTENCIALISMO?
A palavra existência deriva do latim ex-sistere: surgir, exibir-
se, movimento para fora, estar em tensão para adiante. O 
existencialismo é um conjunto de doutrinas filosóficas cujo 
tema central é a existência humana em sua concepção 
individual e particular, buscando compreender o homem como 
ser concreto em suas circunstâncias e em seu viver.
"A existência precede a essência." — Jean-Paul Sartre
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A LIBERDADE E A RESPONSABILIDADE DE SER
SER DE POSSIBILIDADES
O homem surge no mundo 
sem definição prévia. Ele não 
é como uma semente com 
características imutáveis — é 
livre para escolher sua 
essência a cada instante.
SER DE GERÚNDIO
O homem nunca é, mas 
sempre está sendo. Designa 
ação e movimento — nunca 
uma ação já finalizada. 
Nascemos como seres de 
possibilidades e escolhemos 
ao longo de toda a existência.
RESPONSABILIDADE RADICAL
Mesmo quando não 
explicitamos nossa opção ou 
deixamos o outro decidir, 
ainda se trata de uma escolha 
pela qual continuamos 
respondendo. "O importante 
não é o que fazem de nós, 
mas o que fazemos do que os 
outros fizeram de nós." — 
Sartre
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CAPÍTULO 1
SER-NO-MUNDO
O ser humano não pode ser concebido como uma substância 
fechada em si e isolada. Ele é abertura para o mundo, 
constituindo-se como homem apenas enquanto está em 
conexão com o mundo, dando-lhe sentido. O Dasein 
heideggeriano — o "ser aí, lançado no mundo" — só pode ser 
compreendido pela análise de sua existência concreta, situada 
e temporal.
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AS TRÊS DIMENSÕES DO SER-NO-MUNDO
n MUNDO CIRCUNDANTE
O ambiente físico e natural no 
qual o ser humano está 
inserido. Inclui o contexto 
material, espacial e os 
elementos do entorno que 
condicionam — mas não 
determinam — a existência.
� MUNDO HUMANO
A dimensão das relações 
interpessoais, da cultura e da 
sociedade. É o mundo 
compartilhado com outros 
seres humanos, onde ocorrem 
os encontros, os vínculos e as 
trocas que constituem o 
sujeito.
6 MUNDO PRÓPRIO
A dimensão da relação consigo 
mesmo — a interioridade, a 
autopercepção, os valores e o 
projeto existencial singular de 
cada pessoa. É o modo como 
cada um experiencia e 
significa sua própria 
existência.
Essas três dimensões são inseparáveis e se interpenetram continuamente na experiência vivida de cada 
pessoa.
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CAPÍTULO 2
MUNDO CIRCUNDANTE
O Mundo Circundante (Umwelt) refere-se ao ambiente físico, 
biológico e material no qual o ser humano existe. Engloba as 
condições naturais, corporais e espaciais da existência — 
aquelas que, como ser lançado, o homem encontra sem tê-las 
escolhido: o contexto socioeconômico, a época e o local do 
nascimento, a cor de pele, limitações físicas.
Essas facticidades não determinam o ser, mas 
compõem o solo sobre o qual ele exerce sua liberdade 
e constrói seu projeto existencial.
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CAPÍTULO 3
MUNDO HUMANO
O "ENTRE" COMO CATEGORIA ONTOLÓGICA
Para Martin Buber, todo viver verdadeiro é encontro. 
O Mundo Humano (Mitwelt) é a esfera do inter-
humano, onde ocorre o evento dialógico — a 
reciprocidade, a presença confirmadora do outro e a 
abertura para a totalidade do ser alheio.
É no encontro genuíno que a pessoa se torna 
presente a si mesma e ao outro.
BUBER E O DIÁLOGO
"O paradoxo do espírito humano é que não sou 
completamente eu mesmo até que seja 
reconhecido em minha singularidade pelo outro — e 
esse outro precisa do meu reconhecimento a fim de 
se tornar completamente a pessoa única que ela é." 
— Hycner e Jacobs
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CAPÍTULO 4
MUNDO PRÓPRIO
O Mundo Próprio (Eigenwelt) é a dimensão da relação consigo 
mesmo: a autopercepção, os valores, as emoções e o projeto 
existencial singular. Na Gestalt-terapia, o homem é concebido 
como o melhor intérprete de si mesmo, de sua individualidade 
complexa e dinâmica.
Isso é possível mediante o princípio da awareness — a 
presentificação da experiência —, no modo como o passado e o 
futuro são experienciados no aqui e agora. O Mundo Próprio é 
o solo da autenticidade.
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AS TRÊS MANEIRAS DE EXISTIR
MANEIRA PREOCUPADA
MANEIRA SINTONIZADA
MANEIRA RACIONAL
Heidegger propõe que o Dasein se relaciona com o mundo por meio de três maneiras fundamentais e 
inseparáveis de existir, que se entrelaçam na experiência concreta de cada pessoa.
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CAPÍTULO 5
MANEIRA PREOCUPADA DE EXISTIR
O CUIDADO COMO ESTRUTURA FUNDAMENTAL
A Maneira Preocupada de Existir (Sorge) é o modo 
pelo qual o ser humano se engaja praticamente 
com o mundo — ocupando-se com as coisas, 
cuidando das relações e orientando-se em direção 
às suas possibilidades.
IMPLICAÇÕES NA GESTALT-TERAPIA
O cuidado terapêutico reflete essa estrutura: cuidar 
é fazer com, não fazer por. É uma proposta de 
capacitação, não de orientação. O terapeuta se volta 
para o outro ajudando-o a reconhecer suas 
possibilidades e a fazer escolhas próprias, 
respeitando seu ritmo e seu tempo.
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CAPÍTULO 6
MANEIRA SINTONIZADA DE EXISTIR
A Maneira Sintonizada de Existir (Stimmung) refere-se à 
tonalidade afetiva e à disposição emocional que colore toda 
experiência humana. Não é um estado passageiro, mas o modo 
fundamental pelo qual o ser humano se encontra "afinado" 
com o mundo.
ANGÚSTIA
Sentimento originado no 
fato de o homem viver 
num mundo de 
possibilidades, sem 
garantias. Diferente do 
medo, não se refere a 
algo específico — é a 
tonalidade do 
reconhecimento da 
liberdade radical e da 
finitude.
NA CLÍNICA
A awareness emocional 
— perceber como se está 
sintonizado com o mundo 
— é central na Gestalt-
terapia para ampliar a 
consciência de si e 
favorecer escolhas 
autênticas.
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CAPÍTULO 7
MANEIRA RACIONAL DE EXISTIR
O PENSAMENTO COMO MODO DE SER
A Maneira Racional de Existir (Rede/Logos) é o 
modo pelo qual o ser humano articula, compreende e 
comunica sua experiência. Não se trata da razão 
isolada do século 19, mas do pensamento encarnado, 
situado e sempre em relação com as dimensões 
afetiva e prática.
O existencialismo opõe-se a toda concepção que 
priorize a razão em detrimento de outras 
características humanas.
INTEGRAÇÃO DAS TRÊS MANEIRAS
Na Gestalt-terapia, o terapeuta encoraja a pessoa a 
perceber a diversidade do seu agir (preocupada), 
do seu sentir (sintonizada) e do seu pensar 
(racional), integrando essas dimensões para o 
crescimento pessoal.
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CAPÍTULO 8
TEMPORALIZAR
Temporalizar é o modo pelo qual o ser humano existe no 
tempo — não como sequência linear de instantes, mas como 
unidade dinâmica de passado, presente e futuro vivenciada no 
aqui e agora. O homem é um ser temporal: seu passado o 
constitui, seu futuro o convoca e seu presente é o lugar da 
escolha.
Na Gestalt-terapia, o princípio da awareness expressa 
exatamente isso: o modo como o passado e o futuro 
são experienciados no presente — o único lugar onde 
a mudança é possível (Perls, 1977 e 1988).
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CAPÍTULO 9
ESPACIALIZAR
O ESPAÇO VIVIDO
Espacializar é o modo pelo qual o ser humano 
habita e se orienta no espaço — não o espaço 
geométrico e objetivo, mas o espaço vivido, 
carregado de sentido, de proximidade ede 
distância existencial.
FRONTEIRA DE CONTATO
Na Gestalt-terapia, o conceito de fronteira de 
contato expressa o espacializar: é a fronteira na 
qual a pessoa e o ambiente se encontram e 
interagem. É aí que se dá o contato, as trocas com o 
meio que promovem o crescimento. Ampliar ou 
restringir essa fronteira é um dos movimentos 
centrais do processo terapêutico.
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CAPÍTULO 10
ESCOLHER
Escolher é a expressão mais concreta da liberdade humana. 
Para os existencialistas, o homem está condenado a escolher 
— mesmo a omissão é uma escolha. Cada decisão consome um 
projeto de vida e define quem se é no mundo.
� ESCOLHA E RESPONSABILIDADE
Ao escolher, o homem torna-se o único responsável por 
sua existência. Não há essência prévia que o determine.
� LIMITES DA ESCOLHA
As facticidades (contexto socioeconômico, corpo, 
época) não eliminam a liberdade, mas compõem o 
campo dentro do qual se escolhe.
� NA CLÍNICA
Uma das tarefas do psicoterapeuta é ajudar a pessoa a 
discriminar as facticidades das escolhas que vem 
fazendo ao longo de sua existência.
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OS TRÊS MODOS DE SER NO MUNDO (HEIDEGGER)
�
DECAÍDO
Existência inautêntica, marcada pela banalidade do cotidiano e pelo 
vazio existencial. O ser se perde de si mesmo e se entrega ao 
impessoal.
�
LANÇADO
O ser depara com impossibilidades e limitações que não 
escolheu — contexto socioeconômico, época, corpo. São as 
facticidades da existência.
�
PROJETO
O ser como feixe de possibilidades que se 
desdobram em autenticidade. Há coerência entre 
pensamento, emoções e ações — a vida é dotada 
de sentido.
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CAPÍTULO 11
SER-DOENTE
O Ser-doente é aquele que se encontra no modo de 
inautenticidade — cuja existência é malograda, alienada, 
reduzida a sintomas e partes fragmentadas. É o estado de 
queda descrito por Heidegger: o homem torna-se alheio de si e 
se entrega ao modo impessoal e desconectado do si mesmo.
O "SHOULDISM" (PERLS)
A pessoa se conecta com 
referências alheias às 
suas e age como se 
fossem autênticas — 
desempenhando um 
script elaborado por 
outros, elevando seu 
nível de insatisfação.
SINTOMAS DO VAZIO
A perda do sentido da 
vida pode assumir 
diversas formas: 
depressão, ansiedade, 
pânico e fobias, entre 
outros.
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CAPÍTULO 12
SER-SAUDÁVEL
O Ser-saudável é aquele que existe no modo de autenticidade 
— capaz de fazer escolhas coerentes com sua perspectiva, 
com lógica entre pensamento, emoções e ações, e com a vida 
dotada de sentido. É o ser no modo projeto: aberto para 
consumar seu projeto existencial.
Na Gestalt-terapia, saúde é a capacidade de 
awareness plena — contato genuíno consigo mesmo e 
com o mundo, autossuporte e disponibilidade para 
relacionar-se autenticamente.
Cuidar terapeuticamente é justamente ajudar a pessoa a 
transitar do modo decaído para o modo projeto — 
reconhecendo suas possibilidades, respeitando suas 
fragilidades e desvelando o sentido de sua existência.
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A GESTALT-TERAPIA COMO ABORDAGEM EXISTENCIAL
AWARENESS
Ampliar a consciência de si 
no mundo para capacitar a 
pessoa a fazer escolhas 
autênticas e responsáveis 
e a organizar sua vida de 
maneira significativa.
DIÁLOGO
A relação terapêutica 
como encontro existencial 
— fundada nos princípios 
de inclusão, confirmação, 
presença e "entrega ao 
entre" (Yontef, 2002).
CUIDADO
Cuidar é fazer com, não 
fazer por. É oferecer-se 
como terra fértil para que o 
outro floresça, respeitando 
seu tempo e seu ritmo.
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SÍNTESE: O SER HUMANO NA PERSPECTIVA EXISTENCIAL
Todos esses conceitos convergem para uma visão de homem como ser concreto, livre, responsável e sempre 
em relação — fundamento da teoria e da prática da Gestalt-terapia.
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O CUIDADO TERAPÊUTICO COMO ARTE
"Se não souberes esperar, não encontrarás o inesperado. O 
inesperado presenteia quem sabe esperar. Somente quem 
sabe esperar acolhe. Quem não sabe esperar se 
desespera." — Rehfeld (2004)
Cuidar é confirmar o íntimo — o mais singular na pessoa. É 
inspirar confiança para que ela acredite em si mesma e se 
reconheça como alguém digno, capaz e de valor. O 
existencialismo reflete-se na postura do Gestalt-terapeuta não 
como técnica, mas como interesse genuíno em compreender 
o modo como a pessoa experiencia a si mesma no mundo.
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