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<p>AULA 1</p><p>GESTÃO ESTRATÉGICA</p><p>DA INOVAÇÃO</p><p>Prof. Afonso Ricardo Paloma Vicente</p><p>2</p><p>TEMA 1 – BASES CONCEITUAIS: COMPREENDENDO A INOVAÇÃO</p><p>Com o passar dos anos, as empresas estão cada vez mais competitivas.</p><p>Isso se deve, muitas vezes, às transformações que ocorrem no ambiente</p><p>mercadológico. No intuito de superar essas transformações e gerar vantagem</p><p>competitiva, as práticas de inovação são imprescindíveis, uma vez que é por</p><p>intermédio de atitudes inovadoras que as empresas são capazes de expandir,</p><p>reestruturar e aprimorar as ações nos mais variados tipos de organizações. Nas</p><p>empresas e indústrias, por exemplo, o ato de inovar permite que determinado</p><p>negócio seja reinventado, tornando-o mais adequado para o consumidor final e,</p><p>consequentemente, mais competitivo.</p><p>No entanto, antes de entrarmos nesse mundo organizacional, é</p><p>fundamental compreendermos alguns conceitos.</p><p>1.1 Conceito de inovação</p><p>Conceituar inovação não é uma tarefa fácil. Por mais simples que possa</p><p>parecer, inovar não é simplesmente fazer algo novo. O conceito de inovação</p><p>sofreu grandes alterações nos últimos anos. O Manual de Oslo, criado em 1990</p><p>pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),</p><p>apresenta diretrizes para coleta e interpretação sobre inovação e tecnologia com</p><p>o objetivo de orientar e padronizar conceitos, metodologias e construção de</p><p>estatística e indicadores de pesquisa e P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) de</p><p>países industrializados. É nesse manual que é apresentada a evolução do</p><p>conceito de inovação.</p><p>Inovação é considerada a prática de explorar novas ideias de forma correta.</p><p>Dessa forma, a ideia de algo realmente dar certo depende dos objetivos e das</p><p>pessoas ou organizações envolvidas nesse processo. Um exemplo pode se referir</p><p>ao incremento do faturamento ao crescimento da margem de lucro, à abertura de</p><p>novos mercados e ao lançamento de novos produtos ou serviços.</p><p>Um conceito muito interessante sobre inovação foi dado pelo vice-</p><p>presidente de varejo da Apple, Ron Johnson: “Inovação é a fantástica intersecção</p><p>entre a imaginação de alguém e a realidade”. Isso significa que inovar vai além da</p><p>criatividade, de pensar em coisas novas, ou seja, é transformar uma ideia em</p><p>produto, serviço ou processo novo ou melhorado.</p><p>3</p><p>No ambiente empresarial, inovar é o processo que inclui atividades</p><p>técnicas, concepção, desenvolvimento, gestão e que resulta na comercialização</p><p>de produtos, ou na primeira utilização de processos.</p><p>No entanto, a inovação organizacional é definida como um novo método</p><p>organizacional voltado aos negócios das empresas, à organização do trabalho ou</p><p>às relações externas. A inovação organizacional aplica-se ao desenvolvimento de</p><p>novas tecnologias para a criação de novos produtos e serviços, à forma como a</p><p>organização atua em um mercado em constante mudança, servindo igualmente</p><p>como forma competitiva.</p><p>Inovações também podem estar vinculadas a novas modelagens de</p><p>negócio, a novos mercados, métodos, processos organizacionais e a novos tipos</p><p>e fontes de suprimentos. Por conta disso, é comum haver uma confusão entre</p><p>inovação e processos de inovação com o aprimoramento constante de produtos,</p><p>métodos, serviços, processos, entre outros. É por esse motivo que é importante</p><p>saber que a inovação gera um impacto significativo para a organização ou para o</p><p>conjunto de pessoas envolvidas, se considerarmos esse processo como um todo</p><p>e não apenas em seus aspectos isolados.</p><p>Até recentemente os processos de inovação não eram suficientemente</p><p>compreendidos. Um melhor entendimento surgiu em decorrência de vários</p><p>estudos feitos nos últimos anos. No que diz respeito ao nível macro, é possível</p><p>encontrar um conjunto de elementos que apontam que a inovação é um dos</p><p>principais fatores que levam ao crescimento econômico. Já em nível micro, a</p><p>pesquisa e desenvolvimento é a atividade que mais absorve informações e</p><p>conhecimento para a empresa.</p><p>Outros fatores que influenciam a capacidade de inovação das empresas</p><p>são também vistos como de fundamental importância: facilidade de comunicação,</p><p>canais eficazes de informação, transmissão de competências e acumulação de</p><p>conhecimentos dentro das organizações. Além disso, é importante ter uma visão</p><p>estratégica e determinante para buscar no ambiente externo a organização,</p><p>elementos que sejam essenciais para o desenvolvimento de novas tecnologias e</p><p>inovações. Para isso, a empresa precisa desenvolver duas competências</p><p>principais:</p><p> Competências estratégicas: diz respeito à visão de longo prazo,</p><p>capacidade de identificar e até antecipar tendências de mercado,</p><p>4</p><p>disponibilidade e capacidade de coligir, processar e assimilar informações</p><p>tecnológicas e econômicas;</p><p> Competências organizacionais: disposição para o risco e capacidade de</p><p>gerenciá-lo, cooperação interna entre os vários departamentos</p><p>operacionais e cooperação externa com consultorias, pesquisas de público,</p><p>clientes e fornecedores, envolvimento de toda a empresa no processo de</p><p>mudança e investimento em recursos humanos.</p><p>Percebe-se, pelos conceitos apresentados, que inovação é algo muito mais</p><p>amplo dentro dos seus conceitos, bem como é amplo também na forma e nos</p><p>processos que ocorrem no ambiente organizacional. Inovação envolve uma</p><p>diversidade de processos e indivíduos que precisam estar atentos às mudanças</p><p>que acontecem nos mais diferentes ambientes, seja dentro ou fora da</p><p>organização, para então fazer a melhor escolha, que resulte em desenvolvimento</p><p>e resultados positivos para as empresas.</p><p>Além dessa grande quantidade de conceitos sobre um único termo –</p><p>inovação –, existem também as suas subdivisões, ou aqui, como vamos tratar, os</p><p>tipos de inovações. Elas se diferem de acordo com o processo e necessidade</p><p>organizacional. Essa diferença vamos ver no tema seguinte.</p><p>TEMA 2 – TIPOS DE INOVAÇÃO: OBJETO FOCAL DA INOVAÇÃO</p><p>As formas de inovação podem ser classificadas de muitas maneiras. Nesse</p><p>contexto, destaca-se dois modos de classificação propostos pelo Instituto</p><p>Inovação. O primeiro trata do objeto focal da inovação, e o segundo, do impacto</p><p>da inovação. Vamos ver cada um separadamente nas sessões seguintes.</p><p>No que diz espeito à classificação de inovação pelo objeto focal, podemos</p><p>citar a inovação de produto, a inovação de processo e a inovação do modelo de</p><p>negócio.</p><p>Inovação de produto pode assumir duas formar abrangentes: (1) produtos</p><p>tecnologicamente novos e (2) produtos tecnologicamente aprimorados. Para ficar</p><p>mais claro, é apresentado a seguir os conceitos e exemplos descritos pela</p><p>Financiadora de Estudos e Projeto (Finep).</p><p>Um produto tecnologicamente novo ocorre quando suas características</p><p>tecnológicas ou usos pretendidos diferem daqueles dos produtos produzidos</p><p>anteriormente. Tais inovações podem envolver tecnologias radicalmente novas,</p><p>5</p><p>podem basear-se na combinação de tecnologias existentes em novos usos, ou</p><p>podem ser derivadas do uso de novo conhecimento.</p><p>Os primeiros microprocessadores e gravadores de videocassete foram</p><p>exemplos de produtos tecnologicamente novos do primeiro tipo, utilizando</p><p>tecnologias radicalmente novas. O primeiro toca-fitas portátil, que combinava as</p><p>técnicas existentes de fita e minifones de cabeça, foi um produto</p><p>tecnologicamente novo do segundo tipo, combinando tecnologias existentes em</p><p>um novo uso. Em cada caso, o produto geral não existia anteriormente.</p><p>Já um produto tecnologicamente aprimorado é um produto existente cujo</p><p>desempenho tenha sido significativamente aprimorado ou elevado. Um produto</p><p>simples pode ser aprimorado (em termos de melhor desempenho ou menor custo)</p><p>com o uso de componentes ou materiais de desempenho melhor, ou um produto</p><p>complexo que consista em vários subsistemas técnicos integrados pode ser</p><p>aprimorado por meio de modificações parciais em um dos subsistemas.</p><p>Produtos tecnologicamente aprimorados podem ter grandes</p><p>e pequenos</p><p>efeitos na empresa. A substituição de metais por plástico nos equipamentos de</p><p>cozinha ou mobílias é um exemplo de uso de componentes de melhor</p><p>desempenho. A introdução de freios ABS ou outras melhorias de subsistemas em</p><p>carros é um exemplo de mudanças parciais em alguns subsistemas técnicos</p><p>integrados.</p><p>No que diz respeito à inovação de processo, é a adoção de métodos de</p><p>produção novos ou significativamente melhorados, incluindo métodos de entrega</p><p>dos produtos. Tais métodos podem envolver mudanças no equipamento ou na</p><p>organização da produção, ou uma combinação dessas mudanças, e podem</p><p>derivar do uso de novo conhecimento. Os métodos podem ter por objetivo produzir</p><p>ou entregar produtos tecnologicamente novos ou aprimorados, que não possam</p><p>ser produzidos ou entregues com os métodos convencionais de produção, ou</p><p>pretender um aumento da produção ou eficiência na entrega de produtos</p><p>existentes.</p><p>Um exemplo de inovação em processo pode ser com base em uma</p><p>empresa de transporte rodoviário, em que a adoção de novos procedimentos</p><p>melhora o desempenho das atividades, por exemplo: (1) o uso de telefones</p><p>celulares para redirecionar os motoristas ao longo do dia, que permite aos clientes</p><p>maior flexibilidade nos destinos das entregas; (2) novo sistema de mapeamento</p><p>por computador, usado pelos motoristas para descobrir a rota de entrega mais</p><p>6</p><p>recente (isto é, de um destino para outro). Isso permite oferecer aos clientes</p><p>entregas mais rápidas; (3) introdução de reboques com oito contêineres em forma</p><p>de globo, em vez dos quatro habituais.</p><p>Por fim, inovação de modelo de negócio tem foco na mudança do modelo</p><p>de negócio da organização, nas motivações e em como os elementos para essa</p><p>mudança se tornam bem-sucedidos. Os modelos de negócios são decorrentes da</p><p>inovação tecnológica que ocorre dentro da organização, tecnologia essa que</p><p>busca atender às necessidades do mercado e também dos clientes não</p><p>correspondidos. Essa capacidade de mudança da organização de se adaptar às</p><p>condições faz com que a empresa obtenha um melhor desempenho. Novos</p><p>modelos de negócios, ou refinamentos para os já existentes, muitas vezes</p><p>resultam em um custo mais baixo ou o aumento do valor para o consumidor; se</p><p>não for facilmente replicado por concorrentes, eles podem fornecer uma</p><p>oportunidade de gerar retornos mais altos para o empresário, pelo menos até que</p><p>seus novos recursos sejam copiados.</p><p>Dessa forma, inovação do modelo de negócio se caracteriza por uma</p><p>mudança que a empresa planeja para atender seus clientes, envolvendo, dessa</p><p>forma, a mudança da estrutura organizacional com a inclusão de inovações e</p><p>processos em sua cadeia produtiva.</p><p>De acordo com o consultor de inovação, Luiz Flávio (2016), podemos</p><p>distinguir quatro dimensões principais para se inovar no modelo de negócios:</p><p> Oferta: As ofertas são os produtos e serviços inovadores que levam valor</p><p>para os consumidores. O IPod, o IPad ou o ITunes, por exemplo, são</p><p>produtos inovadores. Ainda, podemos ter as inovações nas plataformas e</p><p>as soluções integradas. A Nissan criou uma plataforma de componentes</p><p>para criar novas linhas de carros e utilitários. A Disney é outro exemplo de</p><p>plataforma: com os seus personagens, a empresa cria uma série de novos</p><p>produtos e serviços. Nas soluções, encontramos as ofertas integradas</p><p>desde a concepção até a implantação de produtos e serviços.</p><p> Consumidores: Na dimensão de consumidores, pode-se inovar achando</p><p>novos segmentos de consumidores ou redefinir as interações existentes</p><p>em cada ponto de contato para criar novas formas de receitas. Toda a gama</p><p>de serviços que foi criada para servir ao segmento de baixa renda é um</p><p>exemplo da criação de novos segmentos de mercado.</p><p>7</p><p> Processos: Na dimensão de processos, podem-se criar novas linhas de</p><p>produtos e serviços utilizando as competências centrais da empresa, como</p><p>a Honda fez com a sua linha de produtos – motosserra, cortador de grama,</p><p>motocicletas, carros etc. Ou envolver os seus fornecedores na criação de</p><p>valor como a Boeing ou a Embraer.</p><p> Canais de entrega: Nos canais de entrega, a empresa pode buscar novas</p><p>formas de distribuir e interagir com os consumidores criando um</p><p>relacionamento inteligente e criativo. O e-commerce criou uma gama</p><p>enorme de novos modelos de negócio.</p><p>No quadro a seguir, são apresentados os conceitos sintetizados, bem como</p><p>outros exemplos que permitem uma melhor compreensão dos termos citados.</p><p>Quadro 1 – Conceitos de inovação e exemplos</p><p>TIPO DESCRIÇÃO EXEMPLO</p><p>Inovação de</p><p>produto</p><p>Abrange mudanças nas propriedades do</p><p>produto, alterando-se o modo como os clientes</p><p>e participantes da cadeia produtiva percebem o</p><p>produto.</p><p>Um automóvel com</p><p>câmbio automático, que</p><p>se distingue dos</p><p>modelos convencionais.</p><p>Inovação de</p><p>processo</p><p>Diz respeito a modificações no processo de</p><p>produção de um produto ou serviço, mas não</p><p>causa, obrigatoriamente, alterações do produto</p><p>final. Gera melhorias significativas no processo</p><p>de produção, como a redução de custos e</p><p>aumento da produtividade.</p><p>Um automóvel produzido</p><p>com auxílio de robôs.</p><p>Inovação de</p><p>modelo de</p><p>negócio</p><p>Referem-se a alterações que dizem respeito à</p><p>maneira como o produto ou serviço é</p><p>apresentado ao mercado. Na maioria das</p><p>vezes, essa inovação não casa mudanças no</p><p>produto ou no processo de produção.</p><p>A possibilidade de um</p><p>automóvel ser alugado</p><p>para o consumidor, que</p><p>passaria a pagar</p><p>mensalidades para</p><p>utilizá-lo. Com isso, teria</p><p>direito a seguro e</p><p>manutenção.</p><p>Fonte: Possoli, 2012.</p><p>TEMA 3 – TIPOS DE INOVAÇÃO: IMPACTO DA INOVAÇÃO</p><p>No que se refere aos impactos da inovação, pode-se estabelecer dois tipos</p><p>de inovação: a incremental e a radical. O impacto da inovação diz respeito às</p><p>consequências mensuráveis do processo inovador, enquanto a classificação</p><p>anterior destaca a instância específica em que o processo de inovação se</p><p>concentra.</p><p>8</p><p>De acordo com o Manual de Oslo (2017), a mudança técnica está longe de</p><p>ser suave. Novas tecnologias competem com as tecnologias estabelecidas e, em</p><p>muitos casos, as substituem. Esses processos de difusão tecnológica são</p><p>frequentemente prolongados e envolvem, via de regra, o aprimoramento</p><p>incremental, tanto das novas tecnologias, como das já estabelecidas. Na</p><p>turbulência que se segue, novas empresas substituem as existentes que tenham</p><p>menos capacidade de ajustar-se. A mudança técnica gera uma redistribuição de</p><p>recursos, inclusive mão de obra, entre setores e entre empresas. Como observa</p><p>Schumpeter, a mudança técnica pode significar destruição criativa. Pode também</p><p>envolver vantagem mútua e apoio entre concorrentes, ou entre fornecedores,</p><p>produtores e clientes.</p><p>Inovação incremental poder ser definida como: a inovação que incorpora</p><p>melhoramentos (características técnicas, utilizações, custos) a produtos e</p><p>processos preexistentes. Algumas expressões que envolvem o conceito de</p><p>“qualidade” e “altura” da inovação: radical, incremental, imitação, invenção,</p><p>disruptive, breakthrough, discontinuity, innovation height, novel, novelty, really</p><p>new, level of newness, innovativeness.</p><p>De acordo com Thiengo (2018), um fator que estimula esse tipo de</p><p>inovação é a incerteza econômica. A inovação incremental, em geral, visa</p><p>melhorar o desempenho dos produtos e aumentar o seu ciclo de vida (introdução,</p><p>crescimento, maturidade e declínio). A indústria automobilística apresenta</p><p>diversos exemplos de inovações incrementais. Nas últimas décadas, os</p><p>engenheiros que atuam nessa área não pretenderam criar uma espécie de veículo</p><p>totalmente novo – ao contrário, foram realizadas apenas inovações graduais, tais</p><p>como a melhoria no sistema de freios, tecnologias para a redução no consumo de</p><p>combustível, o desenvolvimento de motores para maior potência etc. Sem dúvida,</p><p>comparando-se os carros atuais com aqueles fabricados décadas atrás,</p><p>constatam-se grandes diferenças, as quais foram</p><p>sendo incrementadas de</p><p>maneira paulatina e gradual.</p><p>Já a inovação radical consiste na criação de um novo produto, desejando,</p><p>consequentemente, a geração de um novo mercado. Esse tipo de inovação tende</p><p>a criar mercados e indústrias totalmente novos. Cita-se, por exemplo, o caso de</p><p>um cientista da 3M chamado Art Fry, que fazia parte de um coral e usava</p><p>marcadores em seu livro de canto. Todas as vezes em que ele abria o livro de</p><p>canto, os marcadores acabavam caindo. Em 1977, Art Fry observou de um outro</p><p>9</p><p>cientista uma novidade: um adesivo que era capaz de reposicionar. Com isso,</p><p>para resolver o seu problema, ele teve a ideia de usar esse adesivo coberto com</p><p>tiras de papel. Assim, Art Fry acabou por desenvolver um novo conceito de bloco,</p><p>o Post-it.</p><p>O quadro a seguir apresenta uma simplificação dos conceitos e exemplos</p><p>dos inovações incrementais e radicais.</p><p>Quadro 2 – Conceitos de inovação incremental e radical</p><p>TIPO DESCRIÇÃO EXEMPLO</p><p>Incremental Gera pequenos aprimoramentos em</p><p>produtos ou serviços. Isso representa,</p><p>de maneira geral, um acréscimo</p><p>progressivo nos benefícios recebidos</p><p>pelo consumidor. No entanto, o modo</p><p>do consumo ou do modelo de negócio</p><p>não é modificado.</p><p>A evolução do CD normal</p><p>para o CD duplo, que é capaz</p><p>de armazenar o dobro de</p><p>música.</p><p>Radical Corresponde a uma transformação</p><p>drástica na maneira como o produto ou</p><p>serviço é recebido pelo consumidor.</p><p>Dessa forma, representa um novo</p><p>padrão dentro do segmento de mercado</p><p>e modifica o modelo de negócio</p><p>corrente.</p><p>O uso de aparelho de MP3</p><p>para escutar músicas, em vez</p><p>de um CD.</p><p>Fonte: Possoli, 2012.</p><p>Ainda existem outros tipos de inovação que são importantes ser citado, por</p><p>exemplo, as inovações de marketing e as inovações organizacionais. A inovação</p><p>de marketing diz respeito à implementação de uma nova metodologia de</p><p>marketing nas organizações. Trata-se de um novo planejamento mercadológico</p><p>que muda expressivamente a concepção do produto, do seu modo de</p><p>comercialização e sua identidade visual. Tais alterações aumentam as vendas dos</p><p>produtos, melhoram o atendimento aos clientes e objetivam a abertura de outros</p><p>mercados.</p><p>No que diz respeito à inovação organizacional, é a aplicação de métodos</p><p>organizacionais ainda não utilizados pela empresa a fim de reduzir custos</p><p>administrativos e de suprimentos. É importante ressaltar que inovações</p><p>organizacionais possuem um caráter estritamente administrativo, o que envolve a</p><p>gestão de pessoas e a gestão estratégica. Como exemplo de inovação</p><p>organizacional, podemos citar: ações de gestão de qualidade; sistemas de</p><p>produção flexíveis e enxutos; novos procedimentos e rotinas administrativas;</p><p>10</p><p>conexão de diversos tipos de negócios; centralização ou descentralização de</p><p>tarefas, entre outros.</p><p>TEMA 4 – CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO</p><p>Por tudo que vimos até o momento, temos uma ideia de como é difícil</p><p>conceituar inovação, e essa mesma dificuldade se estende para a definição de</p><p>criatividade. Criatividade, segundo as definições encontradas nos dicionários, é</p><p>uma habilidade humana intangível, apesar de suas manifestações evidentes.</p><p>Além disso, é a qualidade ou estado de ser criativo, ou ainda, a capacidade de</p><p>criar. Percebe-se que é uma explicação ampla, e por isso existe essa dificuldade</p><p>em compreender o que de fato é. Contudo, vamos aqui aprofundar um pouco mais</p><p>esses conceitos.</p><p>Alguns estudiosos de inovação descrevem a criatividade como a</p><p>capacidade de desenvolver uma coisa nova com base em uma coisa antiga ou de</p><p>promover a existência de algo novo, aproveitável, útil e de real e comprovada</p><p>importância. Além disso, criatividade está mais ligada à capacidade de</p><p>introspecção do que aos recursos disponíveis.</p><p>Embora sejam utilizadas em diferentes ocasiões como sinônimos e estejam</p><p>relacionadas, há uma importante diferença entre criatividade e inovação.</p><p>Enquanto a criatividade se refere à geração de ideias, a inovação diz respeito à</p><p>aplicação e ao funcionamento de um novo produto, processo ou serviço. Em</p><p>outras palavras, a criatividade é crucial para a inovação, no entanto, não é</p><p>suficiente por si só.</p><p>No contexto empresarial, é evidente a valorização da criatividade,</p><p>fenômeno resultante do aumento da competitividade, da velocidade das</p><p>mudanças e da valorização do empreendedorismo. Como a origem da inovação</p><p>reside nas ideias criativas dos indivíduos, a criatividade tem recebido uma atenção</p><p>crescente. Ela tem sido apontada como uma habilidade humana crítica, que deve</p><p>ser canalizada e fortalecida em favor da organização.</p><p>São cinco condições propícias para o surgimento do pensamento criativo:</p><p> O interesse real pelo assunto ou a necessidade de resolver uma questão;</p><p> O conhecimento específico sobre determinado assunto;</p><p> A liberdade de pensamento, sem censuras ou restrições;</p><p> A imaginação;</p><p>11</p><p> A coragem para enfrentar o medo de se expor.</p><p>Existem, também, quatro etapas durante o processo criativo.</p><p> Preparação: diz respeito à delimitação do problema e às possíveis</p><p>soluções que possam resolvê-lo.</p><p> Incubação: é um período de gestão do inconsciente, pensamentos, no qual</p><p>não se procuram respostas elaboradas. A incubação requer tempo. No</p><p>entanto, caso não haja avanços, esse processo deve ser temporariamente</p><p>abandonado.</p><p> Inspiração: refere-se à incidência de uma ideia repentina, que pode ocorrer</p><p>em momento inusitados. É a base para a solução de determinado</p><p>problema.</p><p> Validação: é o momento de avaliar a viabilidade prática da solução</p><p>encontrada. Vale ressaltar que, por vezes, a validação é frustrante, pois</p><p>nem todas as ideias são viáveis.</p><p>Nesse sentido, para desenvolver a criatividade empresarial, são</p><p>necessárias condições adequadas, por exemplo: (1) seleção de pessoas que se</p><p>caracterizam por sólida preparação e uso dos processos de pensamento criativo;</p><p>(2) possibilidades amplas de treinamento voltados para a atualização do</p><p>conhecimento e habilidades criativas; (3) estabelecimento de metas; (4)</p><p>encorajamento, discussão e comunicação entre os membros e; (5) premiação das</p><p>ideias e produtos criativos.</p><p>Em suma, empresas que buscam inovação devem buscar um ambiente e</p><p>uma cultura voltados para a criatividade e o conhecimento, estimulando seus</p><p>colaboradores a buscar informações que auxiliam no desenvolvimento de novas</p><p>ideias e futuras inovações que podem resultar em um alto desempenho</p><p>organizacional.</p><p>TEMA 5 – POR QUE INOVAR?</p><p>A sociedade contemporânea, impulsionada pela globalização da economia</p><p>e pelas tecnologias de informação e comunicação, tem imposto uma competição</p><p>entre as organizações sem precedentes no mundo dos negócios. O cenário é de</p><p>incertezas, mudanças e intensa competitividade. Diante disso, para irem de</p><p>encontro a essa ameaça de manter a sua sustentabilidade, as organizações</p><p>devem ser capazes de aprender e, ao fazê-lo, desenvolver novos conhecimento,</p><p>12</p><p>adotá-los na prática, realizar novas tarefas e manter as antigas maneiras mais</p><p>rápida e eficaz.</p><p>A conjuntura da interdependência dos mercados, a internacionalização</p><p>crescente e da denominada terceira revolução tecnológica, caracteriza a</p><p>globalização no mundo contemporâneo, configurando o que se convencionou</p><p>chamar de “nova ordem mundial. Assim, a globalização se firma como uma diretriz</p><p>para a organização econômico-social dos mais diversos países, atingindo todos</p><p>os setores da sociedade.</p><p>O processo de globalização é um fenômeno sem precedentes na história.</p><p>Ainda que tenha existido desde a primeira troca de mercadorias ou objetos</p><p>culturais entre povos desde a expansão marítima-comercial europeia, como as</p><p>relações entre colônias e metrópole, há a diferença de que, atualmente, essa</p><p>relação se intensificou pela maximização da velocidade e da abrangência de</p><p>novas tecnologias de informação e comunicação. Progressivamente, o mundo se</p><p>transforma em um território de tudo e de todos.</p><p>Diante desse contexto, é possível identificar</p><p>com clareza os fatores que</p><p>contribuíram para que o mundo se tornasse uma aldeia global:</p><p> A interdependência ente os Estados, pois não existe um extado</p><p>completamente autossuficiente;</p><p> A alta tecnologia, sobretudo nos meios de comunicação de massa;</p><p> Os blocos econômicos, que regionalizaram o mercado de bens e serviços;</p><p> As organizações internacionais, agentes que impulsionam a integração</p><p>mundial;</p><p> As empresas transacionais, “atores” que transpassam fronteiras e se</p><p>instalam em todas as partes do globo.</p><p>Assim, podemos definir globalização como a intensificação de relações</p><p>sociais em escala mundial que ligam localizações distantes de tal maneira que</p><p>acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de</p><p>distância e vice-versa.</p><p>Com a utilização da tecnologia da informação na telecomunicação,</p><p>principalmente por conta do advento da internet, o processo de globalização se</p><p>intensificou ainda mais, permitindo que as nações se conectassem de maneira</p><p>rápida e constate. Dessa forma, foi instaurada a possibilidade de os mercados</p><p>nacionais movimentarem bilhões de dólares em apenas alguns segundos, por</p><p>13</p><p>meio de um computador. Essa nova ordem de integração das economias</p><p>nacionais e, sobretudo, a mobilidade da circulação de bens e serviços têm gerado</p><p>profundas transformações no mercado de trabalho mundial. Entre essas</p><p>transformações, pode-se citar o aumento da competitividade motivado pela</p><p>internacionalização da concorrência.</p><p>Para que possamos inovar em um ambiente globalizado, é primordial a</p><p>utilização das tecnologias de informação e comunicação de forma a viabilizar</p><p>ações coletivas de troca de informações, de planejamento e atividades de P&D</p><p>entre participantes situados em locais distintos do mundo. Com isso, eles podem</p><p>desenvolver ações de inovação em empresas, institutos de pesquisa,</p><p>universidades, indústria e também outros tipos de organizações.</p><p>Assim, é possível afirmar que a globalização traz, enquanto característica</p><p>estrutural, a revolução tecnológica informacional. A rigor, mercadorias e papéis</p><p>moeda não são trocados; o que trocamos, de fato, são informações sobre</p><p>dinheiro e sobre papéis que o representam.</p><p>Assim, temos uma ideia inicial de por que devemos inovar. Além das</p><p>questões que envolve a globalização, as empresas devem ter um olhar</p><p>estratégico com base na inovação. Desde os postulados de Schumpeter, o “pai”</p><p>do empreendedorismo, empresas que não inovam estão fadadas a perderem</p><p>espaço no mercado, diminuindo sua vantagem competitiva e desempenho.</p><p>Inovar é, de fato, o cerne para o desenvolvimento organizacional. E</p><p>engana-se quem acha que inova é revolucionar em um produto, processo ou</p><p>serviço. Muitas vezes, o fato de um empreendedor agregar valor ao negócio, em</p><p>pequenos detalhes na forma de fazer o negócio, já, sem dúvida, fará com que a</p><p>vantagem competitiva esteja a cima dos concorrentes do mesmo setor que atua.</p><p>Inovar é criar barreiras para novos entrantes também. A partir do momento</p><p>em que se cria valor de forma a inovar aquilo que já é existente na organização,</p><p>empresas concorrentes sentem dificuldades de fazer o mesmo, principalmente</p><p>diante do custo de aplicação desse valor agregado. Isso faz com que o seu</p><p>desempenho permaneça por mais tempo, bem como um lucro constante.</p><p>Outra questão importante para empresas que querem inovar e manter um</p><p>nível alto e estável é sempre buscar pela renovação e, de novo, não é necessário</p><p>grandes inovações. Muitas vezes, pequenas ações fazem a diferença para que a</p><p>empresa consiga alcançar suas metas e lucratividade.</p><p>14</p><p>Para finalizar esta aula, é importante destacar que inovar nem sempre é</p><p>fácil, principalmente diante de um mercado acirrado como o que vivemos nos dias</p><p>atuais. Além disso, as tecnologias estão mudando a todo tempo, por isso,</p><p>informação e conhecimento são fundamentais. Gestão do conhecimento e</p><p>informação é imprescindível na cultura organizacional. Em breve vamos estudar</p><p>um pouco mais sobre esse processo de geração e gestão do conhecimento que</p><p>é a raiz para toda e qualquer inovação que uma empresa queira desenvolver.</p><p>15</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDREASSI, T. Gestão da inovação tecnológica. São Paulo: Thomson</p><p>Learning, 2007.</p><p>CANONGIA, C. et al. Foresight, inteligência competitiva e gestão do</p><p>conhecimento: instrumentos para a gestão da inovação. Gestão & Produção, vol.</p><p>11, n. 2, 2004.</p><p>FIGUEIREDO, P. N. Gestão da inovação: conceitos, métricas e experiências de</p><p>empresas no Brasil. São Paulo: Livros Técnicos e Científicos, 2009.</p><p>ORGANIZAÇÃO para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Manual de</p><p>Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 2. ed. Paris:</p><p>OCDE; São Paulo: Finep, 1997. Disponível em: <https://www.mctic.gov.br/mctic/</p><p>export/sites/institucional/indicadores/detalhe/Manuais/OCDE-Manual-de-Oslo-2-ed</p><p>icao-em-portugues.pdf>. Acesso em: 24 fev. 2019.</p><p>POSSOLI, G. E. Gestão da inovação e do conhecimento. Curitiba:</p><p>InterSaberes, 2012.</p><p>REIS, D. R. dos. Gestão da inovação tecnológica. Barueri, Manole, 2008.</p><p>REIS, D.; CARVALHO, H. G. R.; CAVALCANTE, M. B. Gestão da inovação.</p><p>Curitiba: Aymará, 2011.</p><p>SCHERER, F. O.; CARLOMAGNO, M. S. Gestão da inovação na prática: como</p><p>aplicar conceitos e ferramentas para alavancar a inovação. São Paulo: Atlas,</p><p>2000.</p><p>SCHMITT, V. G. H.; MORETTO NETO, L. Gestão da Inovação. In: Gestão da</p><p>inovação. 2008.</p><p>TAKAHASHI, S.; TAKAHASHI, V. P. Gestão de inovação de produtos:</p><p>estratégia, processo, organização e conhecimento. São Paulo: Elsevier, 2007.</p><p>TIDD, J.; BESSANT, J. Gestão da inovação-5. Porto Alegre: Bookman, 2015.</p><p>TIGRE, P. B. Gestão da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 2006.</p><p>_____. Gestão da inovação: a economia da tecnologia no Brasil. São Paulo:</p><p>Elsevier Brasil, 2013.</p><p>16</p><p>THIENGO, L.C.; BIANCHETTI, L.; DE MARI, C. L. A obsessão pela excelência:</p><p>universidades de classe mundial no Brasil? Revista Internacional de Educação</p><p>Superior, v. 4, n. 3, p. 716-745, 2018.</p>

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