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<p>FARMACOTÉCNICA</p><p>PROF.A DRA. DANIELA CRISTINA DE MEDEIROS ARAÚJO</p><p>Reitor:</p><p>Prof. Me. Ricardo Benedito de</p><p>Oliveira</p><p>Pró-Reitoria Acadêmica:</p><p>Maria Albertina Ferreira do</p><p>Nascimento</p><p>Diretoria EAD:</p><p>Prof.a Dra. Gisele Caroline</p><p>Novakowski</p><p>PRODUÇÃO DE MATERIAIS</p><p>Diagramação:</p><p>Alan Michel Bariani</p><p>Thiago Bruno Peraro</p><p>Revisão Textual:</p><p>Luana Cimatti Zago Silvério</p><p>Marta Yumi Ando</p><p>Renata da Rocha</p><p>Produção Audiovisual:</p><p>Adriano Vieira Marques</p><p>Márcio Alexandre Júnior Lara</p><p>Osmar da Conceição Calisto</p><p>Gestão de Produção:</p><p>Aliana de Araujo Camolez</p><p>© Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114</p><p>Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo</p><p>(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá.</p><p>Primeiramente, deixo uma frase de Só-</p><p>crates para reflexão: “a vida sem desafios não</p><p>vale a pena ser vivida.”</p><p>Cada um de nós tem uma grande res-</p><p>ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos,</p><p>e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica</p><p>e profissional, refletindo diretamente em nossa</p><p>vida pessoal e em nossas relações com a socie-</p><p>dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente</p><p>e busca por tecnologia, informação e conheci-</p><p>mento advindos de profissionais que possuam</p><p>novas habilidades para liderança e sobrevivên-</p><p>cia no mercado de trabalho.</p><p>De fato, a tecnologia e a comunicação</p><p>têm nos aproximado cada vez mais de pessoas,</p><p>diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e</p><p>nos proporcionando momentos inesquecíveis.</p><p>Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino</p><p>a Distância, a proporcionar um ensino de quali-</p><p>dade, capaz de formar cidadãos integrantes de</p><p>uma sociedade justa, preparados para o mer-</p><p>cado de trabalho, como planejadores e líderes</p><p>atuantes.</p><p>Que esta nova caminhada lhes traga</p><p>muita experiência, conhecimento e sucesso.</p><p>Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira</p><p>REITOR</p><p>33WWW.UNINGA.BR</p><p>UNIDADE</p><p>01</p><p>SUMÁRIO DA UNIDADE</p><p>INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 5</p><p>1. BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO ................................................................................................................... 6</p><p>1.1 RECURSOS HUMANOS - ORGANIZAÇÃO .......................................................................................................... 10</p><p>1.2 INFRAESTRUTURA FÍSICA, EQUIPAMENTOS E MATERIAIS ......................................................................... 10</p><p>1.3 MANIPULAÇÃO ................................................................................................................................................... 12</p><p>1.4 CONTROLE DE QUALIDADE ............................................................................................................................... 13</p><p>1.5 ROTULAGEM E EMBALAGEM ............................................................................................................................ 14</p><p>1.6 CONSERVAÇÃO E TRANSPORTE ....................................................................................................................... 14</p><p>1.7 DISPENSAÇÃO ..................................................................................................................................................... 14</p><p>1.8 GARANTIA DA QUALIDADE ................................................................................................................................ 14</p><p>1.8.1 AUTOINSPEÇÃO ............................................................................................................................................... 15</p><p>BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO E</p><p>PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO</p><p>PROF.A DRA. DANIELA CRISTINA DE MEDEIROS ARAÚJO</p><p>ENSINO A DISTÂNCIA</p><p>DISCIPLINA:</p><p>FARMACOTÉCNICA</p><p>4WWW.UNINGA.BR</p><p>1.8.2 INSPEÇÕES ...................................................................................................................................................... 15</p><p>2. PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO, ORDEM DE MANIPULAÇÃO E ROTULAGEM ............................ 15</p><p>2.1 PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO ...................................................................................................... 15</p><p>2.2 ORDEM DE MANIPULAÇÃO .............................................................................................................................. 16</p><p>2.3 ROTULAGEM ........................................................................................................................................................17</p><p>2.3.1 RÓTULOS AUXILIARES UTILIZADOS PARA INSTRUIR SOBRE ADEQUADA PREPARAÇÃO,</p><p>ARMAZENAMENTO OU DESCARTE ........................................................................................................................ 18</p><p>2.3.2 RÓTULOS AUXILIARES UTILIZADOS PARA INSTRUIR SOBRE VIA DE ADMINISTRAÇÃO ...................... 19</p><p>2.3.3 RÓTULOS AUXILIARES DE ADVERTÊNCIA SOBRE REAÇÕES ADVERSAS A MEDICAMENTOS ............. 19</p><p>2.3.4 RÓTULOS AUXILIARES DE ADVERTÊNCIA SOBRE INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS E INTERAÇÕES</p><p>FÁRMACO-ALIMENTOS ...........................................................................................................................................19</p><p>2.3.5 RÓTULOS AUXILIARES DE ORIENTAÇÃO SOBRE ADMINISTRAÇÃO ........................................................ 20</p><p>2.3.6 RÓTULOS AUXILIARES PARA ATENDER EXIGÊNCIAS LEGAIS .................................................................. 20</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 23</p><p>5WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A legislação que trata das “Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e</p><p>O� cinais para Uso Humano em farmácias” (ANVISA, 2007) é a RDC 67, de 08 de outubro de</p><p>2007. Essa legislação estabelece os requisitos para a manipulação de preparações magistrais em</p><p>farmácia, visando a segurança, e� cácia e qualidade dos produtos manipulados, bem como a</p><p>promoção do uso racional de medicamentos.</p><p>Portanto, nesta Unidade I, apresenta-se os aspectos legais das práticas de manipulação, o</p><p>preparo de procedimentos operacionais padrão (POP) e as ordens de manipulação.</p><p>6WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1. BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO</p><p>A legislação que trata das “Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e O� -</p><p>cinais para Uso Humano em farmácias” (ANVISA, 2007) é a RDC 67, de 08 de outubro de 2007.</p><p>Nela, alguns conceitos básicos estão descritos, os quais são essenciais para que o desenvolvimento</p><p>de medicamentos e cosméticos em escala magistral seja entendido. Conforme o estabelecido,</p><p>alguns termos são selecionados e transcritos com o seu respectivo signi� cado:</p><p>• Base galênica: preparação composta de uma ou mais matérias-primas, com fórmula</p><p>de� nida, destinada a ser utilizada como veículo/excipiente de preparações farmacêuticas.</p><p>• Boas práticas de manipulação em farmácias (BPMF): conjunto de medidas que</p><p>visam assegurar que os produtos manipulados sejam consistentemente manipulados e</p><p>controlados, com padrões de qualidade apropriados para o uso pretendido e requerido</p><p>na prescrição.</p><p>• Calibração: conjunto de operações que estabelecem, sob condições especi� cadas, a</p><p>relação entre os valores indicados por um instrumento de medição, sistema ou valores</p><p>apresentados por um material de medida, comparados àqueles obtidos com um padrão</p><p>de referência correspondente.</p><p>• Chemical Abstracts Service (CAS): Referência internacional de substâncias químicas.</p><p>• Contaminação cruzada: contaminação de determinada matéria-prima, produto</p><p>intermediário ou produto acabado com outra matéria-prima ou produto, durante o</p><p>processo de manipulação.</p><p>• Controle de qualidade: conjunto de operações (programação, coordenação e execução)</p><p>com o objetivo de veri� car a conformidade das matérias-primas, materiais de embalagem</p><p>e do produto acabado, com as especi�</p><p>água produzida (BRASIL, 2010a).</p><p>2.3.7 Destilação</p><p>Puri� cação por evaporação e posterior condensação. A água de alimentação para esses</p><p>equipamentos requer controles diferentes daqueles usados em osmose reversa. Nesse caso,</p><p>a concentração de silicatos é crítica, como em qualquer sistema de geração de vapor. Outro</p><p>aspecto importante é a possibilidade de carreamento de compostos voláteis no condensado.</p><p>Isso é especialmente importante no que se refere a impurezas orgânicas, como trihalometanos, e</p><p>gases dissolvidos na água, como dióxido de carbono e amônia. Assim, o controle da água potável</p><p>de entrada, conforme mencionado sobre a água de alimentação para sistemas de puri� cação, é</p><p>fundamental.</p><p>37WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Qual é a importância da água utilizada na manipulação de medicamentos e cos-</p><p>méticos?</p><p>Veja que “O projeto de instalação de um sistema de purifi cação de água deve le-</p><p>var em conta a qualidade da água de fornecimento e da água desejada ao fi nal,</p><p>a vazão necessária, a distância entre o sistema de produção e os pontos de uso,</p><p>o layout da tubulação e conexões, o material empregado, facilidades de assistên-</p><p>cia técnica e manutenção e os instrumentos adequados para o monitoramento”</p><p>(BRASIL, 2010a, p. 395, grifo do autor). Sendo assim, refl ita sobre a qualidade da</p><p>água e os sistemas de purifi cação que podem ser utilizados em farmácias de</p><p>manipulação.</p><p>Fonte: BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Farmacopeia Brasileira.</p><p>5. ed. Brasília, DF: Fundação Oswaldo Cruz, 2010a. v. 1-2.</p><p>A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, em 2013, o Guia de</p><p>Qualidade para Sistemas de Purifi cação de Água para Uso Farmacêutico. O docu-</p><p>mento aborda critérios relacionados à produção de água purifi cada e de água para</p><p>injeção para uso farmacêutico. Como referência, utilizou-se guias internacionais,</p><p>a legislação nacional e a experiência da Anvisa em inspeções sanitárias. Consul-</p><p>te-o para saber mais!</p><p>Fonte: ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Guia de qualidade para</p><p>sistemas de purifi cação de água para uso farmacêutico. 2013. Disponível em:</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/33836/2501339/Guia+de+Qualidade+pa-</p><p>ra+Sistemas+de+Purifi ca%C3%A7%C3%A3o+de+%C3%81gua+para+Uso+Farma-</p><p>c%C3%AAutico/35afe39c-30a4-4714-87b5-0c421d5deb27. Acesso em: 24 jun.</p><p>2019.</p><p>O vídeo Como é feito o tratamento de água, publicado no ca-</p><p>nal Manual do Mundo, aborda as etapas de tratamento da</p><p>água potável que abastece residência e estabelecimentos.</p><p>Assista!</p><p>Fonte: MANUAL DO MUNDO. Como é feito o tratamento de</p><p>água. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-</p><p>cWBSF0VyiMI&feature=youtu.be. Acesso em: 24 jun. 2019.</p><p>38WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>O capítulo 8 do livro A prática farmacêutica na manipulação de medicamentos, de</p><p>Thompson e Davidow (2013), trata das expressões de quantidade e de concen-</p><p>tração e cálculos farmacêuticos de uma maneira muito interessante. Nele são</p><p>abordados métodos para cálculos de quantidades e concentrações na preparação</p><p>de misturas e diluições. Leia-o se quiser obter mais informações sobre o assunto!</p><p>Fonte: THOMPSON, J. E.; DAVIDOW, L. W. Capítulo 8: Expressões de quantidade e</p><p>de concentração e cálculos. In: THOMPSON, J. E.; DAVIDOW, L. W. A prática far-</p><p>macêutica na manipulação de medicamentos. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.</p><p>p. 100-124.</p><p>39WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Na primeira parte da Unidade II, aborda-se temas sobre os sistemas de medida e</p><p>transformação de medidas utilizados em farmácia. Alguns cálculos farmacêuticos, essenciais</p><p>para prática em farmacotécnica, são revisados, além de algumas expressões de concentração,</p><p>como % p/V, % V/V e % p/p. Já na segunda parte, destaca-se os principais tipos de água para uso</p><p>farmacêutico, isto é, a água puri� cada, água para injetáveis, água ultra puri� cada, água potável e</p><p>a água reagente.</p><p>Por � m, alguns sistemas de puri� cação de água são apresentados. Para isso, é esclarecido</p><p>que a escolha dos tipos de sistema depende do uso pretendido, ou seja, antes de escolher o sistema,</p><p>é preciso determinar se ele será utilizado para limpeza, para manipulação de formulações etc.</p><p>Além disso, ao descrever a essencialidade do controle da qualidade da água, devido à facilidade</p><p>de contaminação mesmo após puri� cação, são citados os tipos de contaminantes, bem como os</p><p>sistemas de puri� cação.</p><p>4040WWW.UNINGA.BR</p><p>UNIDADE</p><p>03</p><p>SUMÁRIO DA UNIDADE</p><p>INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 44</p><p>1. FORMAS FARMACÊUTICAS LÍQUIDAS ............................................................................................................... 45</p><p>1.1 SOLUÇÕES ........................................................................................................................................................... 45</p><p>1.1.1 VANTAGENS DAS SOLUÇÕES .......................................................................................................................... 45</p><p>1.1.2 DESVANTAGENS DAS SOLUÇÕES................................................................................................................... 45</p><p>1.1.3 SOLUBILIDADE ................................................................................................................................................. 46</p><p>1.1.3.1 AQUECIMENTO .............................................................................................................................................. 46</p><p>1.1.3.2 ALTERAÇÃO DO PH DO SOLVENTE .............................................................................................................. 46</p><p>1.1.3.3 USO DE COSOLVENTES ................................................................................................................................ 46</p><p>1.1.3.4 ADIÇÃO DE TENSOATIVOS ........................................................................................................................... 46</p><p>1.1.3.5 MICELAS ........................................................................................................................................................ 47</p><p>FORMAS FARMACÊUTICAS LÍQUIDAS E</p><p>SEMISSÓLIDAS</p><p>PROF.A DRA. DANIELA CRISTINA DE MEDEIROS ARAÚJO</p><p>ENSINO A DISTÂNCIA</p><p>DISCIPLINA:</p><p>FARMACOTÉCNICA</p><p>41WWW.UNINGA.BR</p><p>1.1.3.6 CICLODEXTRINAS ......................................................................................................................................... 47</p><p>1.1.4 PREPARAÇÃO DE SOLUÇÕES .........................................................................................................................48</p><p>1.1.5 ENVASE .............................................................................................................................................................48</p><p>1.2 XAROPES .............................................................................................................................................................48</p><p>1.2.1 PREPARAÇÃO DE XAROPES ...........................................................................................................................48</p><p>1.2.1.1 DISSOLUÇÃO A QUENTE ...............................................................................................................................48</p><p>1.2.1.2 DISSOLUÇÃO A FRIO .................................................................................................................................... 49</p><p>1.2.2 XAROPES ISENTOS DE SACAROSE ............................................................................................................... 49</p><p>1.2.3 CONTROLE DE QUALIDADE DE SOLUÇÕES .................................................................................................. 49</p><p>1.3 SUSPENSÕES ......................................................................................................................................................</p><p>49</p><p>1.3.1 JUSTIFICATIVA DE USO ................................................................................................................................... 49</p><p>1.3.2 CARACTERÍSTICAS DESEJÁVEIS DE UMA SUSPENSÃO .............................................................................50</p><p>1.3.3 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DAS SUSPENSÕES .........................................................................................50</p><p>1.3.3.1 FLUTUAÇÃO DAS PARTÍCULAS SUSPENSAS .............................................................................................50</p><p>1.3.3.2 SEDIMENTAÇÃO ...........................................................................................................................................50</p><p>1.3.3.3 CRESCIMENTO DOS CRISTAIS ................................................................................................................... 51</p><p>1.3.3.4 REDISPERSIBILIDADE ................................................................................................................................. 51</p><p>1.3.4 POTENCIAL ZETA ............................................................................................................................................ 52</p><p>1.3.5 PREPARAÇÃO DE SUSPENSÕES ................................................................................................................... 52</p><p>1.3.6 AGENTES SUSPENSORES .............................................................................................................................. 53</p><p>1.3.7 FLOCULAÇÃO CONTROLADA .......................................................................................................................... 53</p><p>1.3.8 CONTROLE DE QUALIDADE DE SUSPENSÕES ............................................................................................. 54</p><p>1.3.8.1 DETERMINAÇÃO DO VOLUME DE SEDIMENTAÇÃO ................................................................................. 54</p><p>1.3.8.2 DETERMINAÇÃO DO TAMANHO DA PARTÍCULA ...................................................................................... 54</p><p>1.3.8.3 DETERMINAÇÃO DA VISCOSIDADE ........................................................................................................... 54</p><p>1.3.8.4 DETERMINAÇÃO DO POTENCIAL ZETA ..................................................................................................... 54</p><p>2. FORMAS FARMACÊUTICAS SEMISSÓLIDAS .................................................................................................... 55</p><p>2.1 CREMES............................................................................................................................................................... 55</p><p>2.1.1 TIPOS DE EMULSÃO ........................................................................................................................................ 55</p><p>2.1.2 TEORIA DAS EMULSÕES ................................................................................................................................ 55</p><p>2.1.2.1 TEORIA DA TENSÃO INTERFACIAL ............................................................................................................. 55</p><p>42WWW.UNINGA.BR</p><p>2.1.2.2 TEORIA DA CUNHA ORIENTADA ................................................................................................................. 56</p><p>2.1.2.3 TEORIA DA PELÍCULA INTERFACIAL .......................................................................................................... 56</p><p>2.1.3 DETERMINAÇÃO DO TIPO DE EMULSÃO ...................................................................................................... 56</p><p>2.1.3.1 ENSAIO DE DILUIÇÃO ................................................................................................................................... 56</p><p>2.1.3.2 ENSAIO COM CORANTES ............................................................................................................................ 56</p><p>2.1.3.3 ENSAIO DE CONDUTIVIDADE ELÉTRICA ................................................................................................... 57</p><p>2.1.4 FORMULAÇÃO DE EMULSÕES ....................................................................................................................... 57</p><p>2.1.4.1 ESCOLHA DA FASE OLEOSA ........................................................................................................................ 57</p><p>2.1.4.2 ESCOLHA DO SISTEMA EMULSIONANTE .................................................................................................. 57</p><p>2.1.5 SISTEMA EMULSIONANTE ............................................................................................................................. 57</p><p>2.1.5.1 TENSOATIVOS ............................................................................................................................................... 57</p><p>2.1.5.2 COLOIDES HIDROFÍLICOS ........................................................................................................................... 59</p><p>2.1.5.3 SÓLIDOS FINAMENTE DIVIDIDOS .............................................................................................................. 59</p><p>2.1.6 MÉTODOS DE PREPARAÇÃO .......................................................................................................................... 59</p><p>2.1.6.1 MÉTODO CONTINENTAL OU DA GOMA SECA ............................................................................................60</p><p>2.1.6.1 MÉTODO INGLÊS OU DA GOMA ÚMIDA ............................................................................................................ 60</p><p>2.1.7 INSTABILIDADE DAS EMULSÕES ..................................................................................................................60</p><p>2.1.7.1 FLOCULAÇÃO .................................................................................................................................................60</p><p>2.1.7.2 CREMAGEM OU SEDIMENTAÇÃO ...............................................................................................................60</p><p>2.1.7.3 COALESCÊNCIA ............................................................................................................................................60</p><p>2.2 GÉIS .....................................................................................................................................................................60</p><p>2.2.1 CLASSIFICAÇÃO DOS GÉIS ............................................................................................................................. 61</p><p>2.2.2 COMPOSIÇÃO DOS GÉIS ................................................................................................................................ 61</p><p>2.2.2.1 AGENTES GELIFICANTES OU ESPESSANTES .......................................................................................... 61</p><p>2.2.2.2 VEÍCULO ....................................................................................................................................................... 61</p><p>2.2.2.3 CONSERVANTES .......................................................................................................................................... 62</p><p>2.2.2.4 UMECTANTES .............................................................................................................................................. 62</p><p>2.2.3 PREPARAÇÃO DOS GÉIS ................................................................................................................................ 62</p><p>2.3 POMADAS ........................................................................................................................................................... 62</p><p>2.3.1 COMPOSIÇÃO DAS POMADAS ....................................................................................................................... 62</p><p>2.3.2 CLASSIFICAÇÃO DAS POMADAS ................................................................................................................... 62</p><p>43WWW.UNINGA.BR</p><p>2.3.2 PREPARAÇÃO DAS POMADAS ....................................................................................................................... 63</p><p>2.3 PASTAS ............................................................................................................................................................... 63</p><p>2.3.1 COMPOSIÇÃO DAS PASTAS ........................................................................................................................... 63</p><p>2.3.2 PREPARAÇÃO DAS PASTAS ........................................................................................................................... 64</p><p>2.4 CONTROLE DE QUALIDADE DE FORMULAÇÕES SEMISSÓLIDAS ................................................................ 64</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 66</p><p>44WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>As formas farmacêuticas líquidas apresentam como vantagens a facilidade de</p><p>administração a pacientes com di� culdade de deglutição e uma maior rapidez de absorção. Os</p><p>grandes desa� os na formulação dessas formas farmacêuticas são a solubilidade e a estabilidade</p><p>dos fármacos, além da di� culdade para mascarar características organolépticas desagradáveis</p><p>(THOMPSON; DAVIDOW, 2013). As principais formas farmacêuticas líquidas são soluções,</p><p>xaropes e suspensões.</p><p>Formas farmacêuticas semissólidas são destinadas para a aplicação na pele ou em</p><p>membranas mucosas, geralmente para ação local (exceto transdérmicas, que apresentam efeito</p><p>sistêmico) (THOMPSON; DAVIDOW, 2013). As principais formas farmacêuticas semissólidas</p><p>são os cremes, géis, pomadas e pastas.</p><p>45WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1. FORMAS FARMACÊUTICAS LÍQUIDAS</p><p>As formas farmacêuticas líquidas apresentam como vantagens a facilidade de</p><p>administração a pacientes com di� culdade de deglutição e uma maior rapidez de absorção. Os</p><p>grandes desa� os na formulação dessas formas farmacêuticas são a solubilidade e a estabilidade</p><p>dos fármacos, além da di� culdade para mascarar características organolépticas desagradáveis</p><p>(THOMPSON; DAVIDOW, 2013). As principais formas farmacêuticas líquidas são soluções,</p><p>xaropes e suspensões.</p><p>1.1 Soluções</p><p>De acordo com � ompson e Davidow (2013, p. 395), “[...] soluções são preparações</p><p>líquidas que contêm uma ou mais substâncias químicas dissolvidas (ou seja, molecularmente</p><p>dispersas) em um solvente apropriado ou uma mistura de solventes miscíveis entre si”.</p><p>1.1.1 Vantagens das soluções</p><p>➢ Líquidos são mais facilmente deglutidos do que sólidos. Por essa razão, são mais</p><p>indicados para o uso pediátrico e geriátrico.</p><p>➢ O fármaco administrado na forma de solução é imediatamente disponibilizado para a</p><p>absorção.</p><p>➢ Uma solução é um sistema homogêneo. Por isso, o fármaco está uniformemente</p><p>distribuído em todas as partes da preparação.</p><p>➢ Alguns fármacos podem causar irritação ou danos à mucosa gástrica, em especial,</p><p>quando são depositados em uma determinada área, como geralmente ocorre depois da</p><p>ingestão de formas farmacêuticas sólidas. A administração de fármacos em solução pode</p><p>diminuir esse efeito irritante (AULTON, 2005).</p><p>1.1.2 Desvantagens das soluções</p><p>➢ Líquidos são volumosos, o que pode representar inconvenientes de transporte e</p><p>estocagem.</p><p>➢ Com frequência, a estabilidade dos componentes de uma solução aquosa é menor se</p><p>comparada com os formulados na forma de comprimidos ou cápsulas, principalmente,</p><p>se forem mais suscetíveis à hidrólise.</p><p>➢ Muitas vezes as soluções constituem um meio propício para o crescimento de</p><p>microrganismos. Por esse motivo, requerem a adição de conservantes.</p><p>➢ A precisão da dose depende da habilidade do paciente.</p><p>➢ O sabor normalmente desagradável de alguns fármacos é sempre mais pronunciado em</p><p>solução (AULTON, 2005).</p><p>46WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.1.3 Solubilidade</p><p>A solubilidade do fármaco é um fator determinante para o desenvolvimento de soluções.</p><p>Com isso em vista, algumas estratégias podem ser adotadas quando a concentração necessária</p><p>do fármaco excede a sua solubilidade, dependendo da natureza química do fármaco e do tipo de</p><p>produto desejado (AULTON, 2005). Entre os recursos utilizados para melhorar a dissolução do</p><p>fármaco estão: aquecimento, alteração do pH, uso de cosolventes, adição de tensoativos e uso de</p><p>ciclodextrinas.</p><p>1.1.3.1 Aquecimento</p><p>É um dos recursos mais utilizados para melhorar a solubilidade. Entretanto, existem</p><p>substâncias que não são afetadas pela temperatura, enquanto outras têm a solubilidade diminuída</p><p>com o aquecimento (ALLEN JR.; POPOVICH; ANSEL, 2013).</p><p>1.1.3.2 Alteração do pH do solvente</p><p>Um número elevado de fármacos é ácido ou base fracos. A solubilidade desses fármacos</p><p>pode ser in� uenciada grandemente pelo pH do meio onde se encontram. Sendo assim, é possível</p><p>alterar o pH do solvente, para obter-se uma melhor solubilização (AULTON, 2005). Contudo, o</p><p>pH que satisfaz o requisito de solubilidade não deve sobrepor-se aos requisitos do produto, tais</p><p>como, a estabilidade e a compatibilidade � siológica. Para além disso, se o pH é um fator crítico</p><p>para manter a solubilidade do fármaco, o sistema deve ser devidamente tamponado (AULTON,</p><p>2005).</p><p>1.1.3.3 Uso de cosolventes</p><p>Em alguns casos, a dissolução de uma substância apolar em água pode ser melhorada,</p><p>alterando a polaridade do solvente. Isso pode ser feito pela adição de um solvente que seja</p><p>miscível em água, no qual o fármaco seja solúvel. Esse solvente utilizado para alterar a polaridade</p><p>do veículo é chamado de cosolvente (AULTON, 2005).</p><p>1.1.3.4 Adição de tensoativos</p><p>Uma outra forma de aumentar a solubilidade de uma substância em água é através</p><p>da adição de agentes tensoativos (AULTON, 2005). Conforme um tensoativo é adicionado, a</p><p>interface torna-se completamente ocupada, e o excesso de moléculas é forçado a passar para</p><p>a forma líquida, com o aumento subsequente da concentração do tensoativo, o que faz com</p><p>que as suas moléculas comecem a formar agregados orientados, ou micelas, no seio do líquido</p><p>(AULTON, 2005). Essa mudança de orientação ocorre bastante rapidamente, e a concentração</p><p>de tensoativo para a qual ela ocorre é conhecida como Concentração Micelar Crítica (CMC)</p><p>(AULTON, 2005).</p><p>47WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.1.3.5 Micelas</p><p>Acredita-se que a solubilização ocorre devido ao soluto, caso ele seja dissolvido nas</p><p>micelas ou adsorvido a sua superfície. Assim, a capacidade dos sistemas com tensoativo em</p><p>dissolver ou solubilizar materiais insolúveis em água aumenta bruscamente com a concentração</p><p>micelar crítica, aumentando com a concentração das micelas (Figura 1) (AULTON, 2005).</p><p>Figura 1 – Estrutura micelar. Fonte: Ciência da Vida (2019).</p><p>1.1.3.6 Ciclodextrinas</p><p>Uma alternativa ao uso de agentes tensoativos como agentes solubilizantes é a ciclodextrina.</p><p>Essa classe de compostos tem como base uma série de unidades glicopiranose, que forma uma</p><p>estrutura cíclica, semelhante a um cilindro oco, com parte interna hidrofóbica e parte externa</p><p>hidrofílica (Figura 2) (AULTON, 2005).</p><p>Figura 2 – Estrutura da ciclodextrina. Fonte: Ribeiro et al (2005).</p><p>Os fármacos escassamente solúveis em água podem alojar-se no interior desse cilindro,</p><p>que tem características hidrofóbicas. A parte externa da estrutura é hidrofílica (AULTON, 2005).</p><p>48WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.1.4 Preparação de soluções</p><p>Soluções diluídas, a partir de materiais que se dissolvem facilmente, são preparadas por</p><p>adição do solvente ao soluto e agitação até que a solução seja homogênea (AULTON, 2005).</p><p>O equipamento necessário para prepará-las, tanto em pequena escala de produção quanto em</p><p>grande, consiste em recipientes misturadores, providos de sistemas de agitação e de</p><p>� ltração, que</p><p>garantem a limpidez da solução � nal (AULTON, 2005).</p><p>Em farmácias de manipulação, a preparação de soluções costuma ser em béquer, com</p><p>o auxílio de bastão de vidro para mistura. A redução do tamanho das partículas é realizada em</p><p>gral com pistilo. Quando é preciso aquecer, esse procedimento é feito com o auxílio de mantas</p><p>aquecedoras ou placas com aquecimento (AULTON, 2005). Em escala industrial, são utilizados</p><p>moinhos para a redução do tamanho das partículas. A mistura do soluto com o solvente é</p><p>realizada em tanques de aço inoxidável com agitação, que podem ser revestidos com camisas de</p><p>aquecimento e resfriamento (AULTON, 2005).</p><p>1.1.5 Envase</p><p>O envase das soluções pode ser realizado pelo método volumétrico, método gravimétrico</p><p>ou por volume constante. O método volumétrico consiste no deslocamento de um pistão e um</p><p>cilindro dosador. No método gravimétrico, o enchimento é controlado pelo peso do recipiente</p><p>que contém o líquido. O método de volume constante requer um recipiente como meio para</p><p>controlar o enchimento de cada unidade.</p><p>1.2 Xaropes</p><p>Os xaropes são soluções concentradas de sacarose ou outros açúcares, em que geralmente</p><p>são adicionados fármacos e aromatizantes (AULTON, 2005). A sua maioria possui os seguintes</p><p>componentes, além do fármaco: açúcar, geralmente sacarose ou seus substitutos, água,</p><p>conservantes, � avorizantes e corantes. Além disso, muitos xaropes contêm solventes especiais,</p><p>agentes solubilizantes, espessantes ou estabilizantes (ALLEN JR.; POPOVICH; ANSEL, 2013).</p><p>1.2.1 Preparação de xaropes</p><p>Os principais métodos para preparação de xaropes são a dissolução a quente e a dissolução</p><p>a frio (ALLEN JR.; POPOVICH; ANSEL, 2013).</p><p>1.2.1.1 Dissolução a quente</p><p>A preparação por dissolução a quente ocorre com a adição de açúcar na água, a adição</p><p>de substâncias termoestáveis, aquecimento até uma completa solubilização, resfriamento da</p><p>temperatura ambiente, adição de substâncias termolábeis. Depois, completa-se o volume com</p><p>água, � ltra e envasa. Os xaropes são preparados por esse método quando se deseja rapidez e</p><p>quando os seus componentes não são prejudicados ou volatilizados pelo aquecimento (ALLEN</p><p>JR.; POPOVICH; ANSEL, 2013).</p><p>49WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.2.1.2 Dissolução a frio</p><p>O xarope pode ainda ser preparado apenas por agitação. Em pequena escala, a sacarose</p><p>e outros componentes da fórmula podem ser dissolvidos em água puri� cada. Coloca-se as</p><p>matérias-primas em um recipiente de maior capacidade que o volume do xarope, o que permite</p><p>uma perfeita agitação da mistura. Esse processo é mais demorado que o método anterior, mas o</p><p>produto tem máxima estabilidade. Nos dois métodos (a quente e a frio), em escala magistral, os</p><p>xaropes são preparados em béquer ou diretamente no cálice com agitação manual. O fármaco</p><p>pode ser solubilizado previamente com gral e pistilo (ALLEN JR.; POPOVICH; ANSEL, 2013).</p><p>1.2.2 Xaropes isentos de sacarose</p><p>A sacarose pode ser substituída no todo ou em parte por outros açúcares, como a dextrose,</p><p>ou por não açúcares, como sorbitol, glicerina e propilenoglicol. Em xaropes destinados a diabéticos,</p><p>são utilizadas substâncias não glicogênicas, como a metilcelulose ou a hidroxietilcelulose. A</p><p>viscosidade, que geralmente resulta do uso desses derivados da celulose, é muito semelhante à</p><p>produzida pela sacarose (ALLEN JR.; POPOVICH; ANSEL, 2013).</p><p>1.2.3 Controle de qualidade de soluções</p><p>A RDC 87/2008 (BRASIL, 2008), que altera o Regulamento Técnico sobre Boas Práticas</p><p>de Manipulação em Farmácias, determina que, para líquidos não estéreis, devem ser realizados,</p><p>no mínimo, os seguintes ensaios de controle de qualidade: descrição, aspecto, caracteres</p><p>organolépticos, pH (quando aplicável), peso ou volume antes do envase.</p><p>1.3 Suspensões</p><p>Conforme Aulton (2005), as suspensões podem ser de� nidas como sistemas heterogêneos</p><p>que contêm partículas sólidas da substância ativa dispersas em um veículo, no qual o fármaco</p><p>tem uma solubilidade mínima. As partículas sólidas apresentam diâmetro que varia de 0,1 µm a</p><p>centenas de micras. Elas são compostas por uma fase dispersa (fármaco) e uma fase contínua ou</p><p>dispersante (veículo). As suspensões farmacêuticas podem ser para administração oral, tópica ou</p><p>parenteral.</p><p>1.3.1 Justificativa de uso</p><p>As razões para preparar-se as suspensões são várias. Uma delas é a possibilidade de</p><p>administrar substâncias insolúveis em uma forma farmacêutica líquida. Como visto anteriormente,</p><p>para muitos pacientes, a forma líquida é preferível à sólida pela facilidade de deglutição e pela</p><p>� exibilidade da administração de diferentes doses. Além disso, ao ser administrado na forma</p><p>de partículas não dissolvidas de uma suspensão, o sabor desagradável de certos fármacos em</p><p>solução é evitado, (ALLEN JR.; POPOVICH; ANSEL, 2013).</p><p>50WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.3.2 Características desejáveis de uma suspensão</p><p>Para Allen Jr., Popovich e Ansel (2013), é desejável que uma suspensão possua as seguintes</p><p>características:</p><p>➢ sedimentação lenta e dispersão com agitação suave;</p><p>➢ tamanho de partículas constante durante o repouso (prazo de validade);</p><p>➢ escoamento rápido e uniforme para permitir uma dosagem correta;</p><p>sem degradação química.</p><p>1.3.3 Características físicas das suspensões</p><p>Em conformidade com Allen Jr., Popovich e Ansel (2013), as principais características de</p><p>suspensões são: a � utuação das partículas suspensas, a sedimentação, o crescimento de cristais e</p><p>redispersibilidade.</p><p>1.3.3.1 Flutuação das partículas suspensas</p><p>As substâncias com pouca a� nidade com a água tendem a � utuar devido à camada de</p><p>ar que rodeia uma partícula e que impede a aproximação do líquido (ALLEN JR.; POPOVICH;</p><p>ANSEL, 2013). Com isso, a molhabilidade desloca o ar que se encontra na superfície do sólido.</p><p>A molhabilidade de um sólido por um líquido é dada pelo ângulo de contato, isto é, pelo ângulo</p><p>que o líquido forma no momento em que a gota de líquido se encontra com o sólido.</p><p>Quando o ângulo for > 90°, ele será = o hidrófobo em líquido dispersante aquoso (não</p><p>molhável), então as forças de coesão do líquido predominarão; mas, quando o ângulo for <</p><p>90°, ele será = hidró� lo em líquido dispersante aquoso (molhável), prevalecendo as forças de</p><p>adesão entre o líquido e o sólido. Isso signi� ca que quanto menor o ângulo de contato, maior</p><p>será a molhabilidade da substância.</p><p>Os agentes molhantes são substâncias que diminuem o ângulo de contato entre a superfície</p><p>sólida e o líquido, que, aplicados ao pó, tornam-no mais permeável ao meio dispersante, ou</p><p>seja, essa molhabilidade, ao deslocar o ar que se encontra na superfície do sólido, possibilita a</p><p>penetração do meio dispersante no pó. Exemplos: glicerina, sorbitol e propilenoglicol (AULTON,</p><p>2005).</p><p>1.3.3.2 Sedimentação</p><p>Em uma suspensão, as partículas tendem a depositar-se devido à ação da gravidade sobre</p><p>elas (ALLEN JR.; POPOVICH; ANSEL, 2013). Os principais fatores que afetam a velocidade de</p><p>sedimentação são:</p><p>• Tamanho das partículas: ao diminuir o tamanho da partícula, elas � cam mais tempo em</p><p>suspensão (sedimentação mais lenta), porém isso pode aumentar a biodisponibilidade</p><p>(ALLEN JR.; POPOVICH; ANSEL, 2013).</p><p>51WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>• Densidade: geralmente a densidade do sólido é maior que a do líquido dispersante,</p><p>portanto, deve-se utilizar a viscosidade como um processo para impedir a sedimentação,</p><p>ou seja, quanto menor for a diferença de densidade das fases, mais estável será a suspensão</p><p>(ALLEN JR., POPOVICH E ANSEL, 2013).</p><p>• Tixotropia elevada: característica desejável para suspensões. Em formulações</p><p>tixotropicas, a agitação diminui a viscosidade, permitindo que a suspensão seja dispersa.</p><p>Quando em repouso, restabelece a viscosidade elevada, diminuindo a instabilidade física</p><p>(sedimentação) (ALLEN JR.; POPOVICH; ANSEL, 2013).</p><p>1.3.3.3 Crescimento dos cristais</p><p>Se</p><p>a substância for parcialmente solúvel no líquido dispersante, pode haver um fenômeno</p><p>de crescimento dos cristais. Ele pode ocorrer por:</p><p>➢ Diminuição da temperatura, pois diminui o coe� ciente de solubilidade, provocando o</p><p>crescimento do cristal.</p><p>➢ Presença de uma ou mais formas cristalinas e/ou amorfas que possuem solubilidades</p><p>diferentes, bem como pelas variações de temperatura que tendem ao crescimento dos</p><p>cristais.</p><p>➢ Diferenças no tamanho das partículas, haja vista que as menores são mais solúveis e</p><p>diminuem o tamanho dos cristais. É necessário minimizar esse efeito, por exemplo, com</p><p>a melhora da homogeneidade do tamanho das partículas.</p><p>1.3.3.4 Redispersibilidade</p><p>Em uma suspensão, as partículas sólidas precisam redispersar com facilidade, para</p><p>garantir a homogeneidade na dose administrada. A diminuição ou a anulação de sua carga</p><p>elétrica, com a rápida baixa do potencial zeta, leva as partículas a se reunirem em � óculos que se</p><p>depositam. O sedimento formado é pouco compacto, formando uma suspensão � oculada.</p><p>Se, entretanto, não ocorrer uma baixa do potencial zeta, as partículas acabam se</p><p>aproximando umas das outras lentamente, sem diminuir a carga elétrica, formando agregados</p><p>compactos que se sedimentam. Nesse caso, diz-se que a suspensão é de� oculada. A relação entre</p><p>uma suspensão � oculada e de� oculada é apresentada no Quadro 1 (AULTON, 2005).</p><p>DEFLOCULADA FLOCULADA</p><p>- As partículas existem como entidades separadas.</p><p>- A velocidade de sedimentação é lenta.</p><p>- Frequentemente o sedimento não se dispersa</p><p>com facilidade.</p><p>- A suspensão mantém-se por mais tempo com um</p><p>bom aspecto; o sobrenadante permanece turvo.</p><p>- As partículas formam agregados.</p><p>- A velocidade de sedimentação é rápida.</p><p>- O sedimento é fácil de dispersar.</p><p>- A suspensão desfaz-se mais rapidamente; o</p><p>sobrenadante é límpido.</p><p>Quadro 1 – Propriedades de partículas � oculadas e de� oculadas em uma suspensão. Fonte: Adaptado de Aulton</p><p>(2005).</p><p>52WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.3.4 Potencial zeta</p><p>As partículas dispersas podem apresentar, em sua superfície, grupos ionizáveis ou forças</p><p>de atração eletrostática, que tendem a atrair íons de carga oposta, formando uma dupla camada</p><p>de cargas elétricas de sinal contrário. Essa dupla camada possui uma camada interna, estreita e</p><p>compacta, que adere � rmemente à superfície da partícula, bem como uma camada externa, larga</p><p>e difusa, com alta concentração de íons próximos da partícula, mas que diminui progressivamente</p><p>à medida que aumenta a distância entre a partícula e onde os íons positivos e negativos são</p><p>em igual número. Como a partícula suspensa com a sua camada elétrica e � xa move-se em um</p><p>campo elétrico, a diferença de potencial ao longo da parte difusa da dupla camada é chamada de</p><p>potencial zeta. É necessário controlá-lo para obter-se aglomerados de partículas redispersíveis.</p><p>Um baixo potencial zeta das partículas em suspensão produz uma formação de</p><p>aglomerados, onde as forças que estão interagindo são do tipo Van der Waals. A sedimentação</p><p>desses aglomerados é rápida e frouxa, o que possibilita que elas redispersem com facilidade por</p><p>agitação. Entretanto, quando o potencial zeta é alto, o sistema mantém-se sem � ocular, sedimenta</p><p>lentamente e agrega-se de modo que as pequenas partículas preencham os espaços deixados entre</p><p>as maiores, comprimindo o depósito formado, que não é redispersível (“caking”).</p><p>Ao observar-se a sensibilidade dos materiais hidrofóbicos e os hidrofílicos na presença</p><p>de eletrólitos, percebe-se que o comportamento deles é diferente. Os materiais hidrofóbicos</p><p>diminuem a estabilidade, pois eles reduzem o potencial de repulsão da dupla camada ou diminuem</p><p>o grau de hidratação, aumentando a concentração de íons e diminuindo a espessura da camada.</p><p>Isso ocorre porque o íon neutraliza a carga da superfície, e as partículas se aproximam dele,</p><p>ocorrendo a agregação.</p><p>A concentração ideal de eletrólito depende do equilíbrio e do tipo de íon (valência),</p><p>sendo determinada experimentalmente pela alteração do potencial zeta ou medida pelo grau de</p><p>agregação (altura da sedimentação). Portanto é preciso controlar o potencial zeta para que haja a</p><p>obtenção de aglomerados redispersíveis.</p><p>1.3.5 Preparação de suspensões</p><p>Existem dois métodos principais para obter-se as suspensões: o método de precipitação</p><p>(solvente orgânico e alteração de pH) e o de dispersão.</p><p>O método de precipitação a partir de solvente orgânico é quando fármacos insolúveis</p><p>em água podem ser precipitados por dissolução em solventes orgânicos, como o etanol, metanol,</p><p>polietilenoglicol, propilenoglicol, os quais, por sua vez, são solúveis em água, isto é, adiciona-se</p><p>água, ocorre uma precipitação.</p><p>Já o método de precipitação por alteração de pH é aplicável aos fármacos, cuja solubilidade</p><p>depende do valor do pH. O tipo e a forma do cristal são dependentes também das concentrações</p><p>do ácido, da base e da agitação do sistema. Por exemplo, a suspensão de estradiol, que é solúvel</p><p>em meio alcalino, mas que precipita em meio ácido.</p><p>Por � m, o método de dispersão, ao ser empregado para a preparação de suspensões, a</p><p>fase sólida deve ser facilmente molhável e dispersa no veículo, sendo utilizados os tensoativos</p><p>ou umectantes, a � m de obter-se uma molhagem uniforme de sólidos hidrofóbicos. Nesse</p><p>processo de dispersão, é importante observar a redução do tamanho das partículas, que resulta</p><p>solubilidades diferentes, densidade do veículo e das partículas, bem como uma viscosidade do</p><p>meio. Entretanto, esses resultados podem ser ajustados pela seleção dos adjuvantes.</p><p>Na maioria dos casos, a preparação das suspensões pode ser feita por dispersão dos</p><p>seguintes sistemas:</p><p>53WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>➢ sólido + líquido;</p><p>➢ (sólido + suspensor) + líquido;</p><p>➢ (sólido + molhante) + (líquido + suspensor);</p><p>➢ (sólido + molhante + suspensor) + líquido.</p><p>1.3.6 Agentes suspensores</p><p>Os agentes suspensores são substâncias que auxiliam a estabilizar as suspensões. Eles</p><p>podem ser tensoativos ou substâncias que aumentam a viscosidade da fase externa da suspensão.</p><p>• Tensoativos: asseguram que as partículas estejam bem dispersas na fase líquida, mediante</p><p>a redução da tensão interfacial.</p><p>• Tensoativos aniônicos: cargas negativas são adsorvidas às partículas, diminuindo a sua</p><p>agregação por repulsão, como laurel sulfato de sódio, dioctil sulfonato de sódio.</p><p>• Tensoativos não iônicos: Tween, Span, Carbowaxes (polietilenoglicóis de peso molecular</p><p>elevado).</p><p>Já sobre agentes que aumentam a viscosidade da fase externa é quando se utiliza agentes</p><p>suspensores para aumentar a viscosidade da fase externa da suspensão. Essas substâncias devem:</p><p>➢ Ser inócuos e sem atividade farmacológica nas concentrações utilizadas.</p><p>➢ Aumentar a viscosidade em pequenas quantidades.</p><p>➢ Ter propriedades reológicas que não se alteram com o tempo de armazenamento.</p><p>➢ Formar uma película em volta das partículas (coloides protetores) e/ou aumentar</p><p>a viscosidade do meio dispersante. Por exemplo, sílica-gel 10%; proteínas: gelatina;</p><p>polímeros modi� cados de celulose: CMCNa; polímeros sintéticos: ácido poliacrílico</p><p>(Carbopol).</p><p>➢ Retardar a � oculação.</p><p>➢ Reduzir a velocidade de sedimentação.</p><p>1.3.7 Floculação controlada</p><p>É um processo de preparação que obtém aglomerados redispersíveis, formando � óculos.</p><p>Isso é possível através do controle da velocidade de sedimentação, evitando que o material</p><p>agregado se torne compacto e pastoso (AULTON, 2005). Para os fármacos com carga positiva,</p><p>são adicionadas quantidades controladas de íons negativos, como os fosfatos, para, depois,</p><p>acrescentar o agente suspensor (hidró� lo, por exemplo, CMC). Já para os fármacos com cargas</p><p>negativas, deve-se envolver as partículas positivamente, ter uma � oculação parcial com íons</p><p>carregados negativamente e, depois, realizar a adição de um agente suspensor (AULTON, 2005).</p><p>54WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.3.8 Controle de qualidade de suspensões</p><p>Entre as técnicas utilizadas para o controle de qualidade de suspensões estão: a</p><p>determinação do volume de sedimentação, do tamanho das partículas dispersas, da viscosidade</p><p>e do potencial zeta.</p><p>1.3.8.1 Determinação do volume de sedimentação</p><p>Além da necessidade de um sedimento ser facilmente disperso sob uma agitação</p><p>moderada, a redispersibilidade é muito importante para a aceitação da suspensão, por isso a</p><p>medida do volume de sedimentação e a facilidade de redispersão são técnicas para avaliação das</p><p>suspensões.</p><p>A determinação do volume de sedimentação é obtida pela relação entre a altura do</p><p>sedimento (Hs) e a altura da fase líquida (Hl). A suspensão é colocada em uma proveta, deixando-a</p><p>depositar sem que aumente a altura do sedimento. Então, essa altura do sedimento (Hs) e a altura</p><p>da fase líquida (Hl) são medidas. Para tanto, é feita a relação entre a altura do sedimento (Hs) e</p><p>altura da fase líquida (Hl). Quanto maior essa relação, maior será o grau de � oculação.</p><p>Por exemplo:</p><p>1) Valores: Hs = 10; H1 = 70</p><p>Determinação do volume de sedimentação: Hs/Hl = 10/70 = 0,142 (menor relação, menor</p><p>grau de � oculação).</p><p>2) Valores: Hs = 40; H1 = 70</p><p>Determinação do volume de sedimentação: Hs/Hl = 40/70 = 0,571 (maior relação, maior</p><p>grau de � oculação).</p><p>1.3.8.2 Determinação do tamanho da partícula</p><p>A determinação do tamanho das partículas pode ser realizada com o auxílio de</p><p>microscópios, difratores de raio laser ou contador eletrônico de partículas. No difrator de raio</p><p>laser as partículas passam, separadamente, por um orifício muito � no, sendo contadas por</p><p>registro do número de interrupções em um feixe luminoso ou por registro das alterações da</p><p>condutividade do sistema.</p><p>1.3.8.3 Determinação da viscosidade</p><p>A determinação da viscosidade do sistema é útil na etapa de formulação e na avaliação</p><p>da estabilidade física da suspensão. Vários equipamentos são utilizados para veri� cação da</p><p>viscosidade, entre eles os viscosímetros rotativos que medem a força necessária para girar na</p><p>suspensão.</p><p>1.3.8.4 Determinação do potencial zeta</p><p>A determinação do potencial zeta é realizada pela medida da mobilidade em campo</p><p>elétrico das partículas dispersas. Um dos equipamentos que realiza esta medida é o Zetasizer®.</p><p>55WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>2. FORMAS FARMACÊUTICAS SEMISSÓLIDAS</p><p>As formas farmacêuticas semissólidas são destinadas para a aplicação na pele ou nas</p><p>membranas mucosas, geralmente para ação local (exceto transdérmicas, que apresentam efeito</p><p>sistêmico). As principais formas farmacêuticas semissólidas são os cremes, géis, pomadas e pastas.</p><p>2.1 Cremes</p><p>Cremes são emulsões semissólidas obtidas através de bases emulsivas do tipo A/O ou O/A,</p><p>contendo uma ou mais substâncias ativas, dissolvidas ou dispersas, na base adequada. Os cremes</p><p>apresentam comportamento reológico normalmente pseudoplástico (AULTON, 2005). Nesse</p><p>sentido, as emulsões são sistemas heterogêneos, formados por duas fases líquidas imiscíveis, em</p><p>que uma fase dispersa (composta por gotículas) está distribuída num veículo (fase dispersante)</p><p>(AULTON, 2005).</p><p>2.1.1 Tipos de emulsão</p><p>Conforme Aulton (2005), as emulsões podem ser do tipo água em óleo (a/o), óleo em</p><p>água (o/a) ou emulsões múltiplas (a/o/a e o/a/o) (AULTON, 2005):</p><p>• emulsões do tipo a/o: gotículas de água dispersas em uma fase oleosa contínua;</p><p>• emulsões do tipo o/a: gotículas de óleo dispersas em fase aquosa;</p><p>• emulsões múltiplas: compostas por uma emulsão dentro de outra emulsão.</p><p>a/o/a: prepara-se uma emulsão do tipo a/o e adiciona-se lentamente a emulsão em</p><p>solução aquosa, com um tensoativo de alto EHL. Também é possível formar emulsões do tipo</p><p>o/a/o. Geralmente, as emulsões múltiplas são muito instáveis.</p><p>2.1.2 Teoria das emulsões</p><p>As teorias das emulsões têm a função de explicar de que modo certos agentes atuam na</p><p>emulsi� cação e na manutenção da estabilidade da emulsão. Entre as teorias mais aceitas estão as</p><p>da tensão interfacial, a da cunha orientada e a da plástica ou da película interfacial (AULTON,</p><p>2005).</p><p>2.1.2.1 Teoria da tensão interfacial</p><p>Para a obtenção de uma emulsão, é necessário dividir uma das fases em pequenos</p><p>glóbulos, que resulta em aumento da área interfacial. A tensão interfacial representa a tendência</p><p>que um líquido tem para reduzir a sua área de superfície a um mínimo de energia potencial.</p><p>Sendo assim, a tensão interfacial re� ete as forças de atração entre as moléculas do mesmo líquido</p><p>(AULTON, 2005).</p><p>56WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>O fornecimento de energia é capaz de originar emulsões, porém não é su� ciente para</p><p>manter uma emulsão duradoura. Por isso, é preciso usar substâncias que reduzam a tensão</p><p>interfacial entre a água e o óleo, chamadas de tensoativos. Os tensoativos diminuem a força de</p><p>repulsão entre os dois líquidos imiscíveis e a atração de cada um deles por suas próprias moléculas</p><p>(AULTON, 2005).</p><p>2.1.2.2 Teoria da cunha orientada</p><p>A teoria da cunha orientada pressupõe camadas monomoleculares (micelas) de agente</p><p>emulsi� cante, curvadas em torno da gotícula da fase interna da emulsão. Como os tensoativos</p><p>possuem uma parte hidrofílica e uma parte hidrofóbica, quando adicionados em um sistema que</p><p>contém dois líquidos imiscíveis, eles tendem a orientar uma porção hidrofílica para a água, e uma</p><p>porção hidrofóbica para o óleo (AULTON, 2005).</p><p>2.1.2.3 Teoria da película interfacial</p><p>Segundo a teoria da película interfacial, o agente emulsivo orienta-se na interfase óleo/</p><p>água, circundando as gotículas da fase interna como uma � na película adsorvida em sua superfície.</p><p>Essa película impede o contato e a coalescência da fase dispersa (AULTON, 2005).</p><p>2.1.3 Determinação do tipo de emulsão</p><p>Alguns processos podem ser utilizados para determinar se uma preparação é do tipo o/a</p><p>ou a/o. Entre eles estão o ensaio de diluição, ensaio com corantes e o ensaio de condutividade</p><p>elétrica (AULTON, 2005).</p><p>2.1.3.1 Ensaio de diluição</p><p>Um dos ensaios mais simples que se pode executar para determinar a qual tipo uma</p><p>emulsão pertence, mediante a mistura um pequeno volume dessa emulsão com volume igual de</p><p>água. Se a mistura se mantiver inalterada, ou seja, se não houver separação das fases, conclui-se</p><p>que há uma emulsão o/a. Do mesmo modo, se a diluição de uma emulsão com óleo permanecer</p><p>estável, isso signi� ca que ela é do tipo a/o (AULTON, 2005).</p><p>2.1.3.2 Ensaio com corantes</p><p>O ensaio com corantes permite identi� cação do tipo a que pertence uma emulsão, por</p><p>intermédio de uma diferente distribuição de um corante pelas duas fases que a constituem.</p><p>Assim, se misturarmos um corante hidrossolúvel com uma emulsão que cora uniformemente,</p><p>a fase contínua, nesse caso, é a água, e a emulsão é do tipo o/a. Do mesmo modo, um corante</p><p>lipossolúvel que origine uma coloração uniforme indica uma emulsão do tipo a/o. Se este último</p><p>corante apenas tingir pequenos glóbulos dispersos num fundo não corado, isso signi� ca que a</p><p>emulsão é do tipo o/a. Esse ensaio é realizado com auxílio de microscópio (AULTON, 2005).</p><p>57WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>2.1.3.3 Ensaio de condutividade elétrica</p><p>Como os óleos são maus condutores de corrente elétrica, ela só poderá atravessar uma</p><p>emulsão quando a água representar a sua fase contínua. Sendo assim, se houver um circuito</p><p>elétrico, no qual esteja intercalada uma lâmpada, ao mergulhar duas extremidades do referido</p><p>circuito na emulsão a ensaiar, a lâmpada acenderá caso a emulsão seja do tipo o/a, mantendo-se</p><p>apagada se for do tipo a/o (AULTON, 2005).</p><p>2.1.4 Formulação de emulsões</p><p>A formulação de emulsões envolve a escolha do tipo de emulsão, da fase oleosa e do</p><p>sistema emulsionante. A decisão de formular uma emulsão a/o ou o/a já descarta uma série de</p><p>sistemas emulsionantes inadequados (AULTON, 2005).</p><p>2.1.4.1 Escolha da fase oleosa</p><p>Os materiais que constituem</p><p>a fase oleosa de uma emulsão e as quantidades utilizadas são</p><p>determinados, primeiramente, pelo uso do produto (AULTON, 2005).</p><p>2.1.4.2 Escolha do sistema emulsionante</p><p>Existem três classes de agentes emulgentes: os tensoativos, os coloides hidrofílicos e os</p><p>sólidos � namente divididos. A escolha de determinado tipo de emulgente depende do objetivo</p><p>pretendido, do tipo de emulsão desejada e do custo do emulgente (AULTON, 2005).</p><p>2.1.5 Sistema emulsionante</p><p>As três principais classes de sistemas emulgentes (ou emulsionantes) são os tensoativos,</p><p>os coloides hidrofílicos e os sólidos � namente divididos (AULTON, 2005).</p><p>2.1.5.1 Tensoativos</p><p>Os tensoativos, que atuam na obtenção e estabilização de uma emulsão, são classi� cados</p><p>como: aniônico, catiônico, anfótero e não iônico. Essas substâncias são essenciais para a</p><p>preparação de emulsões e, normalmente, determinam o tipo da emulsão formada. Apesar de</p><p>serem substâncias an� fílicas, isto é, apresentam parte polar e parte apolar, a hidrossolubilidade e</p><p>lipossolubilidade nunca são precisamente iguais. Dessa forma, emulgentes predominantemente</p><p>hidró� los formam emulsões O/A, enquanto os emulgentes predominantemente lipó� los formam</p><p>as emulsões A/O (AULTON, 2005).</p><p>Um fator muito importante a ser considerado na seleção de um tensoativo é o seu</p><p>equilíbrio hidró� lo-lipó� lo (EHL), isto é, um sistema de classi� cação segundo as características</p><p>de hidro� lia e lipo� lia do composto. Para tanto, a escala de Gri� n traduz as propriedades hidro</p><p>e lipofílicas em escala numérica, então, quanto maior o EHL, mais hidrofílico será o tensoativo.</p><p>Geralmente, os tensoativos com valor de EHL de 3 a 6 são altamente lipofílicos e produzem</p><p>emulsões do tipo A/O, enquanto os agentes que têm valor de EHL de 8 a 18 produzem emulsões</p><p>O/A (AULTON, 2005).</p><p>58WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Segundo Aulton (2005), para garantir um produto estável, cada substância oleosa usada</p><p>exige um emulsionante com determinado valor de EHL, de acordo com o tipo de emulsão que</p><p>se deseja formar (O/A ou A/O), como exposto no Quadro 2. Se a formulação contém uma</p><p>mistura de óleos, gorduras ou ceras, pode-se calcular o valor de EHL requerido, como Fórmula</p><p>1. Normalmente, são utilizadas misturas de tensoativos para produzir emulsões mais estáveis</p><p>(O/A), segundo o Quadro 3. Além de que a quantidade relativa de cada um dos emulsionantes</p><p>também pode ser calculada, utilizando-se a Fórmula 2. Com o melhor valor de EHL calculado,</p><p>pode-se avaliar várias misturas de emulsionantes, que possam levar a emulsões mais estáveis.</p><p>Quadro 2 – Valores de EHL necessários para alguns lipídeos. Fonte: Aulton (2005).</p><p>Cálculo do valor de EHL requerido de uma formulação, contendo uma mistura de óleos,</p><p>gorduras ou ceras:</p><p>Fórmula 1 – Fórmula para cálculo do EHL requerido pela formulação. Fonte: A autora.</p><p>Cálculo das quantidades de emulsionante necessárias para a produção de emulsões mais</p><p>estáveis em determinada combinação óleo e água.</p><p>59WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Quadro 4 – Valores de EHL de alguns tensoativos. Fonte: Adaptado de Aulton (2005).</p><p>Fórmula 2 – Fórmula para cálculo da quantidade de cada emulsi� cante. Fonte: A autora.</p><p>O grau de cremagem ou separação é mínimo no valor de EHL ideal. Calculado o melhor</p><p>valor de EHL, é possível avaliar outras misturas de emulsionantes que possam levar a uma</p><p>emulsão ainda melhor (AULTON, 2005).</p><p>2.1.5.2 Coloides hidrofílicos</p><p>Os coloides hidrofílicos aumentam a viscosidade da fase externa da emulsão. Eles</p><p>podem ser utilizados como emulgentes primários, mas a sua maior utilidade é como emulgente</p><p>secundário e como agentes espessantes (AULTON, 2005).</p><p>2.1.5.3 Sólidos finamente divididos</p><p>Os sólidos � namente divididos agem como emulgentes secundários, enrijecendo a</p><p>membrana formada pelo tensoativo (AULTON, 2005).</p><p>2.1.6 Métodos de preparação</p><p>Os principais métodos de preparação e emulsões são o método continental ou da goma</p><p>seca e o método inglês ou da goma úmida (FERREIRA, 2008).</p><p>60WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>2.1.6.1 Método continental ou da goma seca</p><p>No método continental ou da goma seca, o emulsi� cante é misturado com o óleo (fase</p><p>interna) até que se obtenha uma mistura homogênea. A fase oleosa e a fase aquosa são aquecidas</p><p>separadamente, sendo a fase aquosa adicionada na fase oleosa, sob agitação constante. É um</p><p>método bastante utilizado. Em alguns casos, a preparação pode ser realizada sem aquecimento</p><p>(FERREIRA, 2008).</p><p>2.1.6.1 Método inglês ou da goma úmida</p><p>Já no método inglês ou da goma úmida, o emulsi� cante é misturado com uma quantidade</p><p>de água (fase externa). O óleo (fase interna) é então adicionado lentamente, em porções, sendo a</p><p>mistura é triturada para se obter a emulsi� cação (FERREIRA, 2008).</p><p>2.1.7 Instabilidade das emulsões</p><p>Os três principais tipos de instabilidade física que podem ocorrer um uma emulsão são:</p><p>� oculação, sedimentação/cremagem e coalescência (AULTON, 2005).</p><p>2.1.7.1 Floculação</p><p>A � oculação é a reunião de vários glóbulos da fase dispersa em agregados ou � óculos,</p><p>sendo um processo reversível. Ela pode ocorrer por ausência de barreira mecânica na interface,</p><p>quantidade insu� ciente de emulsi� cante ou baixa viscosidade da emulsão (AULTON, 2005).</p><p>2.1.7.2 Cremagem ou sedimentação</p><p>A cremagem ou sedimentação é um processo reversível, que ocorre quando as gotículas</p><p>da fase interna tendem a agregar-se e � car na superfície da emulsão (cremagem) ou a sedimentar</p><p>(sedimentação). Quanto maiores forem as gotículas da fase interna, quanto maior for a diferença</p><p>de densidade entre as duas fases e quanto menor for a viscosidade da emulsão, maior será a</p><p>velocidade de separação (AULTON, 2005).</p><p>2.1.7.3 Coalescência</p><p>Na coalescência, as gotículas da fase interna de juntam, formando gotículas maiores e</p><p>levando a separação das fases da emulsão. Esse fenômeno é irreversível, uma vez que deixou de</p><p>existir a camada protetora em torno das gotículas da fase interna (AULTON, 2005).</p><p>2.2 Géis</p><p>Géis são preparações semissólidas, transparentes ou translúcidas, constituídas da dispersão</p><p>de um sólido (resinas, polímeros e derivados de celulose) em um líquido (geralmente água ou</p><p>mistura álcool/água), podendo conter uma ou mais substâncias ativas (FERREIRA, 2008). Eles</p><p>apresentam propriedades reológicas pseudoplásticas, destinados principalmente ao uso externo</p><p>(tópico). Podem ser utilizados como veículo em preparações intranasais, intravaginais, retais,</p><p>orais e até parenterais (FERREIRA, 2008).</p><p>61WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Além disso, constituem veículos ideais para preparações destinadas a pele acneica e oleosa,</p><p>amplamente empregados em formas cosméticas com o apelo de produtos não comedogênicos e oil</p><p>free, bem como em preparações como fotoprotetores, hidratantes, produtos antienvelhecimento,</p><p>entre outros.</p><p>2.2.1 Classificação dos géis</p><p>De acordo com Ferreira (2008), os géis podem ser classi� cados quanto a atração entre a</p><p>fase dispersa e o meio dispersante. Eles são divididos em liofílicos ou liófobos.</p><p>• Liofílicos: alta interação entre a fase dispersa e o meio dispersante.</p><p>• Liófobos: baixa interação entre a fase dispersa e o meio dispersante.</p><p>Em relação a natureza da fase dispersa, eles podem ser compostos por substâncias</p><p>naturais, semissintéticas ou sintéticas.</p><p>2.2.2 Composição dos géis</p><p>Segundo Ferreira (2008), os géis são compostos basicamente por:</p><p>➢ Agentes geli� cantes ou espessantes.</p><p>➢ Veículo.</p><p>➢ Conservantes e estabilizantes.</p><p>➢ Umectantes (opcional).</p><p>2.2.2.1 Agentes gelificantes ou espessantes</p><p>Os agentes geli� cantes ou espessantes são utilizados nas preparações farmacêuticas e</p><p>cosméticas por conferirem um aumento da viscosidade. A propriedade do agente geli� cante de</p><p>elevar a viscosidade das preparações deve-se ao seu elevado grau de solvatação e hidratação,</p><p>bem como à capacidade</p><p>de entrelaçamento de suas cadeias, retendo o meio de dispersão em sua</p><p>rede (FERREIRA, 2008). Esses agentes promovem a geli� cação do sistema, isto é, a passagem do</p><p>estado líquido (sol) para o gel. Alterações na temperatura e intensidade de agitação (cisalhamento)</p><p>podem modi� car a estrutura do gel e de suas propriedades reológicas (FERREIRA, 2008).</p><p>2.2.2.2 Veículo</p><p>O veículo concerne às preparações destinadas à incorporação do(s) ativo(s). No caso dos</p><p>géis, normalmente o veículo é a água ou outro solvente utilizado para promover a hidratação do</p><p>agente geli� cante (FERREIRA, 2008).</p><p>62WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>2.2.2.3 Conservantes</p><p>Conservantes são substâncias usadas para prevenir o crescimento e desenvolvimento de</p><p>microrganismos (FERREIRA, 2008).</p><p>2.2.2.4 Umectantes</p><p>Devido a sua capacidade de retenção de água, os umectantes são substâncias empregadas</p><p>para prevenir o ressecamento de preparações (FERREIRA, 2008).</p><p>2.2.3 Preparação dos géis</p><p>Ferreira (2008) aponta que a técnica de preparação de géis é determinada pela característica</p><p>do agente geli� cante. Em geral, é preciso: 1º) solubilizar os agentes conservantes no veículo; 2º)</p><p>possibilitar uma dispersão lenta do agente geli� cante, sob agitação vigorosa (os grumos que se</p><p>formam devem ser dispersos com agitação e trituração).</p><p>Em pequena escala (farmácias de manipulação), costuma-se utilizar béquer e o bastão</p><p>de vidro para a dispersão do agente espessante no veículo. Em alguns casos, utiliza-se placa de</p><p>aquecimento e agitação mecânica. Já em grande escala (indústria farmacêutica), são usados</p><p>tanques de agitação com camisa de aquecimento/resfriamento (FERREIRA, 2008).</p><p>2.3 Pomadas</p><p>Pomadas são preparações semissólidas desenvolvidas para aplicação externa na pele ou</p><p>em membranas mucosas, que apresentam comportamento reológico plástico. Quando aplicada</p><p>sobre a pele, amolece ou funde devido à temperatura corporal e ou à força de aplicação. Deve ser</p><p>facilmente espalhável, com boa aderência e sem textura arenosa (FERREIRA, 2008).</p><p>2.3.1 Composição das pomadas</p><p>Segundo Ferreira (2008), a composição básica das pomadas é:</p><p>• Fármaco (s).</p><p>• Veículo: normalmente substâncias não aquosas de fase única (Exemplo: a vaselina sólida).</p><p>• Antioxidantes: previnem a oxidação (Exemplos: BHA, BHT).</p><p>• Conservantes: estabilidade microbiológica (Exemplo: os parabenos).</p><p>2.3.2 Classificação das pomadas</p><p>As pomadas podem ser classi� cadas em conforme a sua a� nidade com a água (FERREIRA,</p><p>2008):</p><p>• Hidrofóbicas ou lipó� las: não absorvem ou só podem absorver pequena quantidade de</p><p>água.</p><p>63WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>• Absorvem água: são aquelas pomadas que têm a capacidade de absorver quantidades</p><p>maiores de água. Incorporados emulsi� cantes A/O.</p><p>• Hidrofílicas ou hidró� las: excipientes são miscíveis em água.</p><p>2.3.2 Preparação das pomadas</p><p>As pomadas podem ser preparadas por incorporação ou por fusão (FERREIRA, 2008).</p><p>Na incorporação, os componentes são misturados até que haja uma preparação uniforme. Essa</p><p>mistura e incorporação dos componentes podem ser realizadas com o auxílio de gral e pistilo,</p><p>ou espátula e placa de espatulação. É o método mais utilizado para preparações magistrais</p><p>(FERREIRA, 2008).</p><p>Já a preparação por fusão ocorre quando todos ou alguns componentes da pomada são</p><p>combinados e fundidos juntos, com agitação constante, seguido de resfriamento e solidi� cação.</p><p>Os componentes não fundidos são adicionados à mistura antes da solidi� cação, mantendo a</p><p>agitação, enquanto os componentes termolábeis e voláteis são adicionados após o resfriamento</p><p>(FERREIRA, 2008).</p><p>Em pequena escala, a preparação por fusão é realizada utilizando cápsulas de porcelana</p><p>ou béquer de vidro. Em grande escala, são utilizados tanques de aquecimento a vapor. Depois</p><p>de solidi� cada, pode ser passada através de moinho de rolos ou ser submetida à espatulação ou</p><p>trituração em gral para garantir uma textura uniforme (FERREIRA, 2008).</p><p>2.3 Pastas</p><p>Pastas são formas farmacêuticas semissólidas que contêm uma elevada concentração de</p><p>pós � namente dispersos, cujo conteúdo, normalmente, varia de 20 até 50%. Elas são mais � rmes</p><p>e espessas do que as pomadas e são destinadas à aplicação externa. Apresentam comportamento</p><p>reológico dilatante (FERREIRA, 2008).</p><p>Devido a suas qualidades de � rmeza e absorção, as pastas permanecem no local após a</p><p>aplicação, com pouca tendência de amolecer ou escorrer. Portanto, elas são e� cazes para absorver</p><p>secreções serosas (FERREIRA, 2008).</p><p>2.3.1 Composição das pastas</p><p>Para Ferreira (2008), a composição básica das pastas é:</p><p>• Fármaco (s).</p><p>• Veículo: graxo ou hidrofílico.</p><p>• Agente levigante.</p><p>• Conservantes.</p><p>64WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>2.3.2 Preparação das pastas</p><p>A preparação das pastas é realizada de maneira semelhante às pomadas. As etapas são:</p><p>1º Pesar os componentes;</p><p>2º triturar os sólidos;</p><p>3º realizar a levigação dos pós;</p><p>4º incorporar a mistura levigada no veículo (FERREIRA, 2008).</p><p>A levigação é um processo de redução do tamanho de partículas sólidas por trituração</p><p>em um gral ou espatulação, utilizando uma pequena quantidade de um líquido ou de uma base</p><p>fundida na qual o sólido é solúvel (FERREIRA, 2008). Uma outra forma de preparação das pastas</p><p>é fundir o veículo e incorporá-lo aos pós, misturando vigorosamente para evitar a formação</p><p>de grumos. As pastas fundidas devem ser vertidas na embalagem � nal antes da solidi� cação</p><p>(FERREIRA, 2008).</p><p>2.4 Controle de qualidade de formulações semissólidas</p><p>Segundo a RDC 87/2008 (BRASIL, 2008), que altera o Regulamento Técnico sobre Boas</p><p>Práticas de Manipulação em Farmácias, na produção de semissólidos, devem ser realizados,</p><p>no mínimo, os seguintes ensaios de controle de qualidade: descrição, aspecto, caracteres</p><p>organolépticos, pH (quando aplicável), peso.</p><p>Como é avaliada a estabilidade física de formulações manipuladas? Como é de-</p><p>terminado o prazo de validade destas formulações? Refl ita sobre as questões aci-</p><p>ma e leia o artigo Desenvolvimento e avaliação da estabilidade física de loções O/A</p><p>contendo fi ltros solares (BORGHETTI E KNORST, 2006). Nesse artigo os autores</p><p>avaliam a estabilidade de emulsões com fi ltros solares por um período de 6 me-</p><p>ses. Foram analisados as características macroscópicas, viscosidade, comporta-</p><p>mento reológico, índice de óleo, espalhabilidade e fator de proteção solar (FPS).</p><p>Os resultados demonstraram que as formulações se mantiveram estáveis pelo</p><p>período analisado.</p><p>Fonte: BORGHETTI, G. S.; KNORST, M. T. Desenvolvimento e avaliação da estabili-</p><p>dade física de loções O/A contendo fi ltros solares. Revista Brasileira de Ciências</p><p>Farmacêuticas, São Paulo, v. 42, n. 4, p. 531-537, out./dez. 2006. Disponível em:</p><p>http://www.scielo.br/pdf/rbcf/v42n4/a08v42n4.pdf. Acesso em: 6 jul. 2019.</p><p>65WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Para saber mais sobre formas farmacêuticas semissólidas, o capítulo 10 do livro</p><p>Formas farmacêuticas e sistemas de liberação de fármacos é uma ótima opção,</p><p>pois ele abordando os temas pomadas, cremes e géis, com seus respectivos mé-</p><p>todos de preparação de uma maneira muito interessante.</p><p>Fonte: ALLEN JR., L. V.; POPOVICH, N. G.; ANSEL, H. C. Capítulo 10: Pomadas,</p><p>cremes e géis. In: ALLEN JR., L. V.; POPOVICH, N. G.; ANSEL, H. C. Formas farma-</p><p>cêuticas e sistemas de liberação de fármacos. 9. ed. São Paulo: Premier, 2013.</p><p>Os capítulos 27 e 28 do livro A prática farmacêutica na manipulação de medica-</p><p>mentos, de Thompson e Davidow (2013), apresentam as formas farmacêuticas</p><p>líquidas: soluções e suspensões, respectivamente. Leia-os para inteirar-se do as-</p><p>sunto!</p><p>Fonte: THOMPSON, J. E.; DAVIDOW, L. W. Capítulo 27: Soluções. In: THOMPSON,</p><p>J. E.; DAVIDOW, L. W. A prática farmacêutica na manipulação de medicamentos.</p><p>3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. p. 395-436.</p><p>THOMPSON, J. E.; DAVIDOW, L. W. Capítulo</p><p>28: Suspensões. In: THOMPSON, J. E.;</p><p>DAVIDOW, L. W. A prática farmacêutica na manipulação de medicamentos. 3. ed.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2013. p. 437-467.</p><p>A videoaula Farmacotécnica em Manipulação 3 do Portal</p><p>Educação aborda a manipulação de xarope e de creme. O</p><p>vídeo é um ótimo meio para que você aprimore ainda mais</p><p>os seus conhecimentos sobre formas farmacêuticas, cáp-</p><p>sulas, isotonia, EHL, cálculos de pesagem e farmacotécni-</p><p>cos</p><p>Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO. Farmacotécnica em Manipu-</p><p>lação 3. Disponível em: https://youtu.be/GbJmU6w_CyE.</p><p>Acesso em: 29 jun. 2019.</p><p>66WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>3</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Na Unidade III as formas farmacêuticas líquidas e semissólidas são explicadas, mediante</p><p>a discussão de seu conceito, vantagens, desvantagens, preparação e envase de soluções. Com isso,</p><p>destaca-se que a solubilidade do fármaco é um fator determinante para o desenvolvimento de</p><p>soluções, inclusive com o auxílio de algumas estratégias para melhorar a dissolução do fármaco,</p><p>como o aquecimento, alteração do pH, adição de tensoativos e o uso de ciclodextrinas. Por � m,</p><p>descreve-se as características físicas, o potencial zeta e a preparação de suspensões, assim como</p><p>as principais características, composição, classi� cação e preparação de cremes, géis, pomadas e</p><p>pastas.</p><p>6767WWW.UNINGA.BR</p><p>UNIDADE</p><p>04</p><p>SUMÁRIO DA UNIDADE</p><p>INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 69</p><p>1. PÓS ......................................................................................................................................................................... 70</p><p>1.1 VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS PÓS ....................................................................................................... 70</p><p>1.2 CLASSIFICAÇÃO DOS PÓS ..................................................................................................................................71</p><p>1.3 PREPARAÇÃO DOS PÓS ......................................................................................................................................71</p><p>1.3.1 TRITURAÇÃO .....................................................................................................................................................71</p><p>1.3.2 TAMISAÇÃO ...................................................................................................................................................... 72</p><p>1.3.3 MISTURA .......................................................................................................................................................... 72</p><p>1.4 DILUIÇÃO GEOMÉTRICA .................................................................................................................................... 73</p><p>2. GRANULADOS ....................................................................................................................................................... 74</p><p>2.1 PREPARAÇÃO DE GRANULADOS ...................................................................................................................... 74</p><p>FORMAS FARMACÊUTICAS SÓLIDAS</p><p>PROF.A DRA. DANIELA CRISTINA DE MEDEIROS ARAÚJO</p><p>ENSINO A DISTÂNCIA</p><p>DISCIPLINA:</p><p>FARMACOTÉCNICA</p><p>68WWW.UNINGA.BR</p><p>2.1.1 GRANULAÇÃO POR VIA SECA ......................................................................................................................... 74</p><p>2.1.2 GRANULAÇÃO POR VIA ÚMIDA ..................................................................................................................... 74</p><p>3. CÁPSULAS ............................................................................................................................................................ 75</p><p>3.1 VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS CÁPSULAS .......................................................................................... 75</p><p>3.2 TIPOS DE CÁPSULAS ....................................................................................................................................... 76</p><p>3.3 MANIPULAÇÃO DE CÁPSULAS DURAS ........................................................................................................... 77</p><p>3.3.1 DESENVOLVIMENTO DA FORMULAÇÃO ....................................................................................................... 77</p><p>3.3.1.1 CORREÇÃO DO TEOR DE PRINCÍPIO ATIVO .............................................................................................. 78</p><p>3.3.1.2 CÁLCULO PARA PESAGEM DOS COMPONENTES DA FORMULAÇÃO ........................................................ 79</p><p>3.3.2 SELEÇÃO DO TAMANHO DAS CÁPSULAS .................................................................................................... 79</p><p>3.3.3 ENCHIMENTO DAS CÁPSULAS .....................................................................................................................80</p><p>3.3.4 LIMPEZA E POLIMENTO ................................................................................................................................ 81</p><p>3.3.5 EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO ............................................................................................................. 81</p><p>3.4 CONTROLE DE QUALIDADE DAS CÁPSULAS .................................................................................................. 81</p><p>3.5 CÁPSULAS DE LIBERAÇÃO MODIFICADA ....................................................................................................... 82</p><p>3.5.1 CÁPSULAS GASTRORRESISTENTES ............................................................................................................. 82</p><p>3.5.2 CÁPSULAS DE LIBERAÇÃO PROLONGADA .................................................................................................. 82</p><p>3.6 CÁPSULAS MOLES ............................................................................................................................................ 83</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................85</p><p>69WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>As formas farmacêuticas sólidas compreendem um maior número de prescrições</p><p>dispensadas em farmácias. As principais formas farmacêuticas sólidas produzidas em farmácias</p><p>magistrais são os pós, granulados e cápsulas.</p><p>70WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1. PÓS</p><p>Os pós são misturas íntimas e secas de fármacos e/ou outras substâncias � namente</p><p>divididos. Eles podem ser destinados ao uso interno (pós orais) ou uso externo (pós tópicos),</p><p>dispensados em grandes quantidades ou pequenas porções, dependendo do uso, da dose ou da</p><p>potência (THE UNITED STATES PHARMACOPEIAL, 2006). São constituídos por partículas de</p><p>0,1 µm a 10.000 µm, mas os utilizados em preparações farmacêuticas apresentam, normalmente,</p><p>partículas com um tamanho entre 0,1 a 10 µm (FERREIRA, 2008).</p><p>1.1 Vantagens e desvantagens dos pós</p><p>As vantagens da forma farmacêutica pó são:</p><p>➢ Uma prescrição precisa da dose individual.</p><p>➢ Uma estabilidade maior do que a forma farmacêutica líquida.</p><p>➢ O tamanho das partículas é reduzido, o que proporciona uma dissolução mais rápida</p><p>que as formas farmacêuticas sólidas compactas.</p><p>➢ Uma absorção mais rápida do que a forma farmacêutica sólida compacta.</p><p>➢ Efeito farmacológico mais rápido que a forma farmacêutica sólida compacta.</p><p>➢ Uma menor incidência de irritação gástrica se comparada com a forma farmacêutica</p><p>sólidas compacta, devido a rápida dissolução.</p><p>➢ Maior facilidade de deglutição, especialmente quando misturado com líquidos.</p><p>➢ Necessita de número reduzido de adjuvantes.</p><p>➢ O custo de produção é menor que o de forma farmacêutica sólida compacta (FERREIRA,</p><p>2008).</p><p>Já entre as desvantagens dessa forma farmacêutica estão:</p><p>➢ Maior risco de erros na posologia.</p><p>➢ Partículas � namente divididas, que apresentam maior área de superfície exposta,</p><p>resultando em maior risco de degradação da substância ativa se comparadas a cápsulas e</p><p>comprimidos.</p><p>➢ Di� culdade de mascarar fármacos com sabores desagradáveis.</p><p>➢ Maior tempo de preparação de doses individuais (Exemplos: envelopes, sachês)</p><p>(FERREIRA, 2008).</p><p>71WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.2 Classificação dos Pós</p><p>Os pós podem ser classi� cados como simples, quando resultam da pulverização de uma</p><p>única substância, ou compostos, quando é obtido a partir da mistura de dois ou mais pós simples</p><p>(FERREIRA, 2008). Eles podem classi� cados quanto ao tamanho em:</p><p>Pó grosso ................................ 700 – 180 μm</p><p>Pó � no ..................................... 128 μm</p><p>Pó � níssimo ............................. 74 μm</p><p>Pó micronizado ........................ < 60 μm</p><p>O tamanho das partículas pode in� uenciar fatores importantes como:</p><p>➢ Velocidade de dissolução.</p><p>➢ Suspensibilidade das partículas.</p><p>➢ Distribuição uniforme.</p><p>➢ Não aspereza.</p><p>Os pós podem ainda ser classi� cados quanto ao uso em interno e externo. Os pós de</p><p>uso interno, geralmente, são administrados sob a forma de solução aquosa, podendo também</p><p>produzir efervescência (reação de bicarbonato + ácido orgânico), já os de uso externo possuem</p><p>as seguintes características básicas:</p><p>➢ Partículas menores que 100 μm.</p><p>➢ Não causam irritação.</p><p>➢ Boa aderência à pele ou mucosa.</p><p>➢ Boa dispersibilidade.</p><p>➢ Esterilidade se utilizados em feridas abertas.</p><p>1.3 Preparação dos Pós</p><p>As etapas de preparação dos pós são: trituração, tamisação e mistura (FERREIRA, 2008).</p><p>1.3.1 Trituração</p><p>É utilizada para reduzir o tamanho das partículas. É usada comumente pela fricção</p><p>contínua do sólido, em um gral, com auxílio de um pistilo. A trituração pode ser substituída</p><p>pelo processo de levigação, isto é, a trituração do sólido em um gral ou a espatulação em uma</p><p>placa, com uma pequena quantidade de líquido, no qual o sólido não é solúvel. Esse processo é</p><p>empregado bastante em preparações semissólidas e líquidas (FERREIRA, 2008).</p><p>72WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.3.2 Tamisação</p><p>Conforme Ferreira (2008), tamisação é uma separação, em função do tamanho das</p><p>partículas, para obter-se pós com a mesma tenuidade. Para esse processo, são utilizados tamises,</p><p>que promovem a separação das partículas em função do seu diâmetro. É utilizado o tamis,</p><p>com uma abertura de malha correspondente à tenuidade do pó a se obter, conforme exposto</p><p>no Quadro 1. Além disso, a tamisação é útil também para desagregação de pós, pois otimiza o</p><p>processo de mistura (FERREIRA, 2008).</p><p>Quadro 1 – Classi� cação dos tamises. Fonte: Adaptado de Ferreira (2008).</p><p>1.3.3 Mistura</p><p>Na esteira de Ferreira (2008), a � nalidade de uma mistura é homogeneizar substâncias</p><p>ativas e excipientes, para obter um produto homogêneo. O ideal para uma boa mistura é que os</p><p>pós tenham densidade, formato e tamanho semelhantes. Essa operação é normalmente realizada</p><p>após a pesagem dos pós e a redução do tamanho das partículas. Para pequenas quantidades,</p><p>o procedimento de mistura pode ser realizado por espatulação ou trituração, enquanto para</p><p>quantidades maiores, são empregados os misturadores mecânicos, como Misturador em V</p><p>(FERREIRA, 2008).</p><p>Ferreira (2008) conceitua os procedimentos espatulação, trituração e misturadores. A</p><p>saber:</p><p>73WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>• Espatulação: mistura de pós em uma placa com auxílio de uma espátula.</p><p>• Trituração: utilizada tanto para cominuição como para mistura dos pós. Em pequenas</p><p>quantidades, esse procedimento é realizado em gral com auxílio de pistilo.</p><p>• Misturadores: utilizados para quantidades maiores de pós. Exemplo: Misturador em V,</p><p>como apresentado na Figura 1.</p><p>Figura 1 – Misturador em V. Fonte: Ferreira (2008).</p><p>1.4 Diluição geométrica</p><p>A diluição geométrica é empregada para misturar componentes em pó, os quais são</p><p>presentes em quantidades diferentes entre si, em uma formulação. Esse procedimento assegura</p><p>uma distribuição mais uniforme das partículas (FERREIRA, 2008).</p><p>O procedimento para diluição geométrica de pós pode ser descrito da seguinte maneira:</p><p>1. Pese todos os componentes da formulação separadamente.</p><p>2. Coloque o componente presente em menor quantidade no gral.</p><p>3. Selecione o próximo componente presente em quantidade maior.</p><p>4. Coloque no gral uma quantidade aproximadamente igual ao volume de pó do primeiro</p><p>componente.</p><p>5. Misture bem os pós até obter uma mistura uniforme.</p><p>6. Adicione um volume de pó do segundo componente igual ao volume de pó da mistura</p><p>presente no gral.</p><p>74WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>7. Misture bem novamente.</p><p>8. Continue adicionando pó no gral até que todos os componentes sejam adicionados</p><p>(FERREIRA, 2008).</p><p>Exemplo</p><p>Diluição geométrica 1/10</p><p>1 grama de ativo (AT) + 9 gramas de excipiente (EXC) = 10 g</p><p>1 g (EXC) + 1 g (AT) = 2 g + 2 g (EXC) = 4 g + 4 g (EXC) = 8 g + 2 g (EXC) =10 g</p><p>2. GRANULADOS</p><p>Granulados são aglomerados de partículas menores, formados por um pó umedecido,</p><p>que passa por um tamis ou granulador, secos em ar ou em estufa. Em geral, apresentam forma</p><p>irregular e comportam-se como partículas maiores (AULTON, 2005). Eles são utilizados como</p><p>forma farmacêutica intermediária para produção de comprimidos e cápsulas. Os granulados</p><p>� uem melhor que os pós, pois apresentam maior estabilidade devido a uma área super� cial</p><p>menor (AULTON, 2005). A forma farmacêutica mais conhecida nesse formato é o granulado</p><p>efervescente, que, normalmente, contém uma substância ativa associada ao bicarbonato de sódio</p><p>e ao ácido cítrico ou tartárico.</p><p>2.1 Preparação de Granulados</p><p>Os granulados podem ser preparados por um método a seco ou úmido (AULTON, 2005).</p><p>2.1.1 Granulação por via seca</p><p>Na granulação por via seca, o fármaco e os excipientes são misturados, realiza-se uma</p><p>pré-compressão, para depois produzir a formação dos granulados com auxílio de tamis ou de</p><p>outro instrumento para calibração dos grânulos. Esse método é utilizado como alternativa para a</p><p>granulação de via úmida, adequado para substâncias sensíveis à umidade e ao calor (AULTON,</p><p>2005).</p><p>2.1.2 Granulação por via úmida</p><p>A granulação por via úmida é um método tradicional que confere aos sólidos particulados</p><p>as características ideais de um granulado. É o método mais utilizado para preparação de</p><p>granulados (AULTON, 2005). As etapas consistem em: molhagem dos pós, granulação, secagem</p><p>e tamisação (para calibração do tamanho) (AULTON, 2005).</p><p>75WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>3. CÁPSULAS</p><p>Cápsulas são formas farmacêuticas sólidas, com invólucro duro ou mole, de forma e de</p><p>capacidade variáveis, contendo normalmente uma dose unitária de uma ou mais substâncias</p><p>ativas (THE UNITED STATES PHARMACOPEIAL, 2006). Na maioria dos casos, são destinadas</p><p>à administração oral. O conteúdo das cápsulas pode ser de consistência sólida (mistura de pós),</p><p>líquida (líquidos anidros) ou semissólida, como ilustrado na Figura 2 (FERREIRA, 2008).</p><p>Figura 2 – Exemplos de materiais de enchimento para cápsulas. Fonte: Adaptado de Ferreira (2008).</p><p>3.1 Vantagens e desvantagens das cápsulas</p><p>A forma farmacêutica cápsulas apresenta várias vantagens, conforme Ferreira (2008).</p><p>Entre elas:</p><p>➢ Boa aceitação pelos pacientes.</p><p>➢ Fácil deglutição.</p><p>➢ Fácil identi� cação.</p><p>➢ Características organolépticas desagradáveis podem ser mascaradas.</p><p>➢ Fácil formulação.</p><p>76WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>➢ Fabricação a seco.</p><p>➢ Fármaco protegido de agentes externos (menos umidade).</p><p>➢ Número de adjuvantes reduzido.</p><p>➢ Menor número de equipamentos para fabricação.</p><p>➢ Menos etapas de produção.</p><p>➢ Boa estabilidade e biodisponibilidade.</p><p>➢ Versatilidade para preparo de fórmulas e doses individualizadas.</p><p>➢ Possibilidade</p><p>cações estabelecidas.</p><p>• Controle em processo: veri� cações realizadas durante a manipulação de forma a</p><p>assegurar que o produto esteja em conformidade com as suas especi� cações.</p><p>• Data de validade: data impressa no recipiente ou no rótulo do produto, informando o</p><p>tempo durante o qual se espera que o mesmo mantenha as especi� cações estabelecidas,</p><p>desde que estocado nas condições recomendadas.</p><p>• Denominação Comum Brasileira (DCB): nome do fármaco ou princípio</p><p>farmacologicamente ativo aprovado pelo órgão federal responsável pela vigilância</p><p>sanitária.</p><p>• Denominação Comum Internacional (DCI): nome do fármaco ou princípio</p><p>farmacologicamente ativo aprovado pela Organização Mundial da Saúde.</p><p>• Desvio de qualidade: não atendimento dos parâmetros de qualidade estabelecidos para</p><p>um produto ou processo.</p><p>7WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>• Documentação normativa: procedimentos escritos que de� nem a especi� cidade das</p><p>operações para permitir o rastreamento dos produtos manipulados nos casos de desvios</p><p>da qualidade.</p><p>• Droga: substância ou matéria-prima que tenha � nalidade medicamentosa ou sanitária.</p><p>• Embalagem primária: Acondicionamento que está em contato direto com o produto e</p><p>que pode se constituir em recipiente, envoltório ou qualquer outra forma de proteção,</p><p>removível ou não, destinado a envasar ou manter, cobrir ou empacotar matérias-primas,</p><p>produtos semielaborados ou produtos acabados.</p><p>• Embalagem secundária: a que protege a embalagem primária para o transporte,</p><p>armazenamento, distribuição e dispensação.</p><p>• Equipamentos de proteção individual (EPI): equipamentos ou vestimentas apropriadas</p><p>para proteção das mãos (luvas), dos olhos (óculos), da cabeça (toucas), do corpo (aventais</p><p>com mangas longas), dos pés (sapatos próprios para a atividade ou protetores de calçados)</p><p>e respiratória (máscaras).</p><p>• Especialidade farmacêutica: produto oriundo da indústria farmacêutica com registro na</p><p>Agência Nacional de Vigilância Sanitária e disponível no mercado.</p><p>• Forma farmacêutica: estado � nal de apresentação que os princípios ativos farmacêuticos</p><p>possuem após uma ou mais operações farmacêuticas executadas com ou sem a adição</p><p>de excipientes apropriados, a � m de facilitar a sua utilização e obter o efeito terapêutico</p><p>desejado, com características apropriadas a uma determinada via de administração.</p><p>• Insumo: matéria-prima e materiais de embalagem empregados na manipulação e</p><p>acondicionamento de preparações magistrais e o� cinais.</p><p>• Lote: quantidade de� nida de matéria-prima, material de embalagem ou produto, obtido</p><p>em um único processo, cuja característica essencial é a homogeneidade.</p><p>• Manipulação: conjunto de operações farmacotécnicas, com a � nalidade de elaborar</p><p>preparações magistrais e o� cinais e fracionar especialidades farmacêuticas para uso</p><p>humano.</p><p>• Material de embalagem: recipientes, rótulos e caixas para acondicionamento das</p><p>preparações manipuladas.</p><p>• Matéria-prima: substância ativa ou inativa com especi� cação de� nida, que se emprega</p><p>na preparação dos medicamentos e demais produtos.</p><p>• Medicamento: produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com � nalidade</p><p>pro� lática, curativa, paliativa ou para � ns de diagnóstico.</p><p>• Número de lote: designação impressa em cada unidade do recipiente constituída de</p><p>combinações de letras, números ou símbolos, que permite identi� car o lote e, em caso de</p><p>necessidade, localizar e revisar todas as operações praticadas durante todas as etapas de</p><p>manipulação.</p><p>• Ordem de manipulação: documento destinado a acompanhar todas as etapas de</p><p>manipulação.</p><p>8WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>• Prazo de validade: período de tempo durante o qual o produto se mantém dentro dos</p><p>limites especi� cados de pureza, qualidade e identidade, na embalagem adotada e estocado</p><p>nas condições recomendadas no rótulo.</p><p>• Preparação: procedimento farmacotécnico para obtenção do produto manipulado,</p><p>compreendendo a avaliação farmacêutica da prescrição, a manipulação, fracionamento</p><p>de substâncias ou produtos industrializados, envase, rotulagem e conservação das</p><p>preparações.</p><p>• Preparação magistral: é aquela preparada na farmácia, a partir de uma prescrição de</p><p>pro� ssional habilitado, destinada a um paciente individualizado, e que estabeleça em</p><p>detalhes sua composição, forma farmacêutica, posologia e modo de usar.</p><p>• Preparação o� cinal: é aquela preparada na farmácia, cuja fórmula esteja inscrita no</p><p>Formulário Nacional ou em Formulários Internacionais reconhecidos pela ANVISA.</p><p>• Procedimento asséptico: operação realizada com a � nalidade de preparar produtos para</p><p>uso parenteral e ocular com a garantia de sua esterilidade.</p><p>• Procedimento operacional padrão (POP): descrição pormenorizada de técnicas e</p><p>operações a serem utilizadas na farmácia, visando proteger e garantir a preservação da</p><p>qualidade das preparações manipuladas e a segurança dos manipuladores.</p><p>• Produto de higiene: produto para uso externo, antisséptico ou não, destinado ao</p><p>asseio ou à desinfecção corporal, compreendendo os sabonetes, xampus, dentifrícios,</p><p>enxaguatórios bucais, antiperspirantes, desodorantes, produtos para barbear e após o</p><p>barbear, estípticos e outros.</p><p>• Quarentena: retenção temporária de insumos, preparações básicas ou preparações</p><p>manipuladas, isolados � sicamente ou por outros meios que impeçam a sua utilização,</p><p>enquanto esperam decisão quanto à sua liberação ou rejeição.</p><p>• Rastreamento: é o conjunto de informações que permite o acompanhamento e revisão</p><p>de todo o processo da preparação manipulada.</p><p>• Reanálise: análise realizada em matéria-prima previamente analisada e aprovada, para</p><p>con� rmar a manutenção das especi� cações estabelecidas pelo fabricante, dentro do seu</p><p>prazo de validade.</p><p>• Recipiente: embalagem primária destinada ao acondicionamento, de vidro ou plástico,</p><p>que atenda aos requisitos estabelecidos em legislação vigente.</p><p>• Risco químico: potencial mutagênico, carcinogênico e/ou teratogênico.</p><p>• Rótulo: identi� cação impressa ou litografada, bem como os dizeres pintados ou gravados</p><p>a fogo, pressão ou decalco, aplicado diretamente sobre a embalagem primária e secundária</p><p>do produto.</p><p>• Sala classi� cada ou sala limpa: sala com controle ambiental de� nido em termos de</p><p>contaminação por partículas viáveis e não viáveis, projetada e utilizada de forma a reduzir</p><p>a introdução, a geração e a retenção de contaminantes em seu interior.</p><p>• Sala de manipulação: sala destinada à manipulação de fórmulas.</p><p>9WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>• Sala de paramentação: sala de colocação de EPI que serve de barreira física para o acesso</p><p>às salas de manipulação.</p><p>• Substância de baixo índice terapêutico: é aquela que apresenta estreita margem de</p><p>segurança, cuja dose terapêutica é próxima da tóxica.</p><p>• Unidade formadora de colônia (UFC): colônias isoladas de microrganismos viáveis,</p><p>passíveis de contagem e obtidas a partir da semeadura, em meio de cultura especí� co.</p><p>• Utensílio: objeto que serve de meio ou instrumento para as operações da manipulação</p><p>farmacêutica.</p><p>• Validação: ato documentado que ateste que qualquer procedimento, processo, material,</p><p>atividade ou sistema esteja realmente conduzindo aos resultados esperados.</p><p>• Veri� cação: operação documentada para avaliar o desempenho de um instrumento,</p><p>comparando um parâmetro com determinado padrão (ANVISA, 2007).</p><p>A RDC 67/2007 (ANVISA, 2007) estipula ainda os requisitos para a manipulação de pre-</p><p>parações magistrais em farmácia, visando a segurança, e� cácia e qualidade dos produtos mani-</p><p>pulados, assim como a promoção do uso racional de medicamentos. Dessa maneira, os requisitos</p><p>para o funcionamento de farmácias de manipulação são:</p><p>a) estar regularizada nos órgãos de Vigilância Sanitária competente, conforme legislação</p><p>vigente;</p><p>b) atender às disposições da RDC 67/2007;</p><p>c) possuir o Manual de Boas Práticas de Manipulação;</p><p>d) possuir licença</p><p>de sistemas de liberação modi� cada.</p><p>➢ Possibilidade de preenchimento isolado ou combinado de pós, formulações semissólidas,</p><p>cápsulas menores e pequenos comprimidos.</p><p>Já entre as desvantagens da forma farmacêutica cápsulas, estão (FERREIRA, 2008):</p><p>➢ Maior custo de produção.</p><p>➢ Não é fracionável (não pode ser partida).</p><p>➢ Di� culdade para obter uma uniformidade de peso.</p><p>➢ Fácil aderência à parede do esôfago.</p><p>➢ Necessidade de condições determinadas de temperatura e umidade para manipulação</p><p>e conservação.</p><p>➢ Pacientes com di� culdade de deglutição.</p><p>➢ Incompatibilidade com substâncias higroscópicas, deliquescentes e e� orescentes.</p><p>➢ Inadequada para os fármacos muito solúveis.</p><p>3.2 Tipos de cápsulas</p><p>As cápsulas podem ser divididas em duras e moles. O invólucro é constituído, normalmente,</p><p>de gelatina (cápsulas gelatinosas) ou outro material apropriado, como a hidroxipropilmetilcelulose</p><p>(HPMC), que constitui as cápsulas vegetais. Além da gelatina, o invólucro contém plasti� cantes,</p><p>água e corante (opcional) (FERREIRA, 2008).</p><p>As cápsulas duras apresentam forma cilíndrica e arredondada nos extremos, sendo</p><p>formadas por duas partes: o corpo e a tampa, como exibidas na Figura 3 (FERREIRA, 2008).</p><p>77WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Figura 3 – Partes da cápsula dura. Fonte: Adaptado de Ferreira (2008).</p><p>3.3 Manipulação de cápsulas duras</p><p>A fabricação de cápsulas duras, tanto em escala industrial como em farmácia magistral</p><p>envolve uma série de etapas, que incluem:</p><p>➢ O desenvolvimento da formulação.</p><p>➢ A seleção do tamanho das cápsulas.</p><p>➢ O enchimento das cápsulas.</p><p>➢ A limpeza e polimento.</p><p>➢ A embalagem e o armazenamento (FERREIRA, 2008).</p><p>3.3.1 Desenvolvimento da formulação</p><p>A preparação das cápsulas inicia com a seleção do(s) ativo(s) e escolha dos excipientes. A</p><p>etapa seguinte é o cálculo e a pesagem dos componentes. O tamanho da cápsula escolhido deve</p><p>ser su� ciente para acondicionar a mistura de pó, que é composta pela(s) substância(s) ativa(s) e</p><p>por uma quantidade adicional do excipiente que será empregado (FERREIRA, 2008).</p><p>As substâncias utilizadas para o preparo de cápsulas não devem interagir com a gelatina,</p><p>não devem ter um teor elevado de umidade, bem como o volume da dose unitária não deve</p><p>exceder os tamanhos de cápsulas disponíveis (FERREIRA, 2008).</p><p>Entre os excipientes utilizados na formulação de cápsulas, estão os agentes molhantes,</p><p>antioxidantes, diluentes, lubri� cantes e deslizantes, como exposto a seguir, na esteira de Ferreira</p><p>(2008).</p><p>• Agentes molhantes: favorecem a penetração da água no trato gastrointestinal, facilitando</p><p>a dissolução. Exemplo: lauril sulfato de sódio.</p><p>• Estabilizantes: melhoram a estabilidade física do produto. Exemplos: BHT e BHA como</p><p>antioxidantes.</p><p>• Diluentes: conferem propriedades necessárias para a formulação do compacto ou</p><p>cilindro de pó (preenchem o espaço vazio), como a lactose.</p><p>78WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>• Lubri� cantes: reduzem a adesão de pó nas superfícies do equipamento, como o estearato</p><p>de magnésio.</p><p>• Deslizantes: melhoram as propriedades de � uxo dos pós e reduzem o atrito entre as</p><p>partículas. Exemplo: Aerosil®.</p><p>3.3.1.1 Correção do teor de princípio ativo</p><p>Em alguns casos é necessária uma correção na quantidade pesada para obter o teor de</p><p>princípio ativo desejado. Essas correções são baseadas no Certi� cado de Análise do Fornecedor,</p><p>a partir do fator de equivalência ou do fator de correção, conforme o caso (FERREIRA, 2008).</p><p>• Fator de Equivalência: faz a conversão da massa do sal ou éster para a massa do fármaco</p><p>ativo.</p><p>• Fator de Correção: corrige a diluição de substâncias, o teor de ativo ou a umidade.</p><p>Para substâncias na forma diluída, as diluições são fornecidas no rótulo do fabricante. O</p><p>fator de correção (FC) deve ser feito para 100% (FERREIRA, 2008).</p><p>Exemplo</p><p>Betacaroteno 10% (FC= 10)</p><p>Omeprazol pellets 8,5% (FC= 11,8)</p><p>Para sais, cujo produto farmacêutico de referência é dosado em relação à molécula base,</p><p>o cálculo do fator de equivalência é feito a partir desta fórmula (FERREIRA, 2008): FEq = PM</p><p>do sal ÷ PM da base.</p><p>Exemplo</p><p>Acetato de hidrocortisona:</p><p>FEq = 404,51 (sal) ÷ 362,47 (base)</p><p>FEq = 1,12</p><p>Para sais ou bases hidratadas, cujo produto de referência é dosado em relação à base ou</p><p>sal anidro, o cálculo do fator de equivalência é feito a partir da seguinte fórmula (FERREIRA,</p><p>2008): FEq = PM do sal ou base hidratada ÷ PM do sal ou base anidra</p><p>Exemplo</p><p>Amoxicilina tri-hidratada</p><p>FEq = 419,46 (mol. Hidratada) ÷ 365,41 (mol. Anidra)</p><p>FEq= 1,15</p><p>No caso de diluições realizadas na farmácia, a correção deve ser feita de acordo com a</p><p>diluição feita (FERREIRA, 2008).</p><p>Exemplo</p><p>Diazepam 1:10 (FC = 10)</p><p>Para minerais quelatos, em prescrições que se deseja o teor elementar, utiliza-se o teor</p><p>fornecido pelo certi� cado de análise do fabricante para o cálculo do fator de correção (FERREIRA,</p><p>2008).</p><p>79WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Exemplo</p><p>Prescrição: Magnésio (Aspartato)</p><p>Teor de Mg = 9,8%</p><p>FC= 100 ÷ 9,8</p><p>FC= 10,20</p><p>Por � m, para os � toterápicos com ativos padronizados, o cálculo do fator de correção é</p><p>feito considerando a substância de referência (FERREIRA, 2008).</p><p>Exemplo</p><p>Prescrição: Kawa Kawa...........100 mg/cápsula.</p><p>Disponível: Kawa Kawa com 30% de kawalactonas</p><p>Substância referência: extrato de Kawa Kawa com 70% de kawalactonas</p><p>FC= 70 ÷ 30</p><p>FC= 2,33</p><p>Cálculo: 100 mg x 2,33 = 233 mg/cápsula.</p><p>3.3.1.2 Cálculo para pesagem dos componentes da formulação</p><p>Para o cálculo da quantidade dos componentes, é preciso considerar a dosagem prescrita</p><p>de cada componente e multiplicá-lo pelo número de cápsulas que serão manipuladas, observando</p><p>a diluição e/ou FEq da substância, além da unidade de medida em que ela se encontra (FERREIRA,</p><p>2008).</p><p>Exemplo</p><p>Piridoxina 60 mg</p><p>Cistina 200 mg</p><p>Vitamina B12 100 mcg</p><p>Biotina 0,2 mg</p><p>Vitamina A 25.000 UI</p><p>100 cápsulas</p><p>Cálculo</p><p>Piridoxina = 60 mg x 100 cápsulas = 6 g</p><p>Cistina = 200 mg x 100 = 20 g</p><p>Vitamina B12 = 100 mcg x 100 = 10 mg</p><p>Diluição: 1:100 (FC=100), pesa-se 1 g</p><p>Biotina = 0,2 mg x 100 = 20 mg</p><p>Diluição 1:10 (FC = 10), pesa-se 200 mg</p><p>Vitamina A:</p><p>Considera que 500.000 UI de Vit. A correspondem a 1 g, tem-se 0,05 g em 25.000 UI.</p><p>Portanto, pesa-se 0,05 x 100 cápsulas = 5 g</p><p>3.3.2 Seleção do tamanho das cápsulas</p><p>O tamanho e capacidade volumétrica das cápsulas é universal. Quanto maior o número,</p><p>menor a sua capacidade volumétrica (FERREIRA, 2008). A capacidade de cada uma, em</p><p>quantidade (peso) de pó, depende das propriedades da mistura, como densidade e capacidade de</p><p>compactação. Uma cápsula número 0, por exemplo, pode conter 490 mg de ácido acetilsalicílico</p><p>ou 715 mg de bicarbonato de sódio. Na Tabela 1, está demonstrado a capacidade média em peso,</p><p>de acordo com a densidade dos pós (FERREIRA, 2008).</p><p>80WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Tabela 1 – Capacidade em volume e em peso das cápsulas. Fonte: Adaptado de Ferreira (2008).</p><p>Sendo assim, a escolha do tamanho da cápsula será determinada pela dose de substância(s)</p><p>ativa(s) e pela densidade, bem como pelas características de compactação da substância ativa e</p><p>dos excipientes. A partir desses dados, escolhe-se o menor tamanho de cápsula que se ajuste a</p><p>quantidade de pó a ser encapsulada (FERREIRA, 2008).</p><p>O método mais utilizado para seleção do tamanho da cápsula é o método volumétrico.</p><p>Com base nele, para pós com densidade aparente (Dap) conhecida, pesa-se o pó que será</p><p>encapsulado e calcula-se o volume (em mililitros), utilizando a seguinte fórmula (FERREIRA,</p><p>2008): Dap = m (g) ÷ v (mL), na qual m = massa; v = volume aparente. Após esse cálculo</p><p>do volume, é preciso, então, selecionar a menor cápsula que comporte o volume de pó, como</p><p>exposto na Tabela 1 (FERREIRA, 2008).</p><p>Para pós com Dap desconhecida, pesa-se o total de substâncias</p><p>ativas da formulação,</p><p>realiza-se a tamisação e, depois, mistura os pós. A mistura é transferida para uma proveta para</p><p>veri� cação do volume aparente. Após essa etapa, seleciona-se a menor cápsula que comporte o</p><p>volume de pó, de acordo com a Tabela 1 (FERREIRA, 2008).</p><p>3.3.3 Enchimento das cápsulas</p><p>A encapsulação é um processo no qual os componentes ativos e diluentes, previamente</p><p>misturados, são acondicionados em cápsulas de tamanho adequado. Nas cápsulas manipuladas,</p><p>o corpo da cápsula é a medida da quantidade de formulação que será acondicionada. Ele deve</p><p>estar completamente preenchido (FERREIRA, 2008).</p><p>Os equipamentos mais utilizados para o enchimento de cápsulas duras em farmácia</p><p>magistral são as encapsuladoras manuais. Conforme o volume de produção, a farmácia pode</p><p>também dispor de encapsuladoras semiautomáticas ou totalmente automatizadas, com faixas de</p><p>produção variável (FERREIRA, 2008).</p><p>81WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>3.3.4 Limpeza e polimento</p><p>As cápsulas podem apresentar pequenas quantidades de formulação aderida às paredes</p><p>externas do seu invólucro. O pó aderido à parte externa da cápsula pode conferir-lhe um sabor</p><p>e uma aparência desagradáveis, devendo ser removido antes que o medicamento seja embalado</p><p>ou dispensado (FERREIRA, 2008). Desse modo, a limpeza e polimento das cápsulas produzidas</p><p>com encapsuladoras manuais e semiautomáticas é realizada com gaze ou pano limpo. Já nas</p><p>encapsuladoras automáticas é possível acoplar um desempoador que remove todo o material</p><p>estranho, quando elas saem do equipamento (FERREIRA, 2008).</p><p>3.3.5 Embalagem e armazenamento</p><p>As embalagens para cápsulas duras devem ser impermeáveis à umidade. Os materiais</p><p>mais utilizados são vidro, alumínio e polietileno. Por isso, o seu abrigo deve ser afastado de calor</p><p>excessivo e de umidade (FERREIRA, 2008).</p><p>3.4 Controle de Qualidade das Cápsulas</p><p>Para garantia da qualidade do produto � nal, a veri� cação do peso médio é realizada</p><p>em todos os lotes produzidos na farmácia (FERREIRA, 2008). Nesse teste, são analisadas vinte</p><p>unidades de cada lote. Os limites de variação do conteúdo dependem do peso médio, como</p><p>especi� cados no Quadro 2.</p><p>Quadro 2 – Limite de variação do peso médio para diferentes formas farmacêuticas. Fonte: Adaptado de Brasil</p><p>(2010a).</p><p>82WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Segundo a RDC 87/2008 (BRASIL, 2008), que altera o Regulamento Técnico sobre Boas</p><p>Práticas de Manipulação em Farmácias, para os sólidos, devem ser realizados, no mínimo, os</p><p>seguintes ensaios de controle de qualidade: Descrição, aspecto, caracteres organolépticos, peso</p><p>médio. Outras análises de controle de qualidade são terceirizadas, como teor de substância</p><p>ativa, desintegração e dissolução, sendo realizadas com frequência pré-determinada conforme</p><p>legislação vigente.</p><p>3.5 Cápsulas de Liberação Modificada</p><p>As cápsulas de liberação modi� cada, produzidas em farmácia de manipulação, são as</p><p>cápsulas gastrorresistentes (liberação entérica) e as cápsulas de liberação prolongada (FERREIRA,</p><p>2008).</p><p>3.5.1 Cápsulas gastrorresistentes</p><p>As cápsulas gastrorresistentes precisam resistir ao � uido gástrico e liberar o seu conteúdo</p><p>no � uido intestinal. A sua preparação pode ser realizada mediante o revestimento das cápsulas</p><p>com um � lme gastrorresistente ou preenchendo-as com grânulos ou partículas cobertas de</p><p>revestimento gastrorresistente (FERREIRA, 2008).</p><p>As cápsulas de liberação entérica têm uma ou mais das seguintes � nalidades:</p><p>➢ Proteger os fármacos instáveis em meio ácido da ação dos � uídos gástricos (Exemplos:</p><p>eritromicina, pantoprazol, enzimas).</p><p>➢ Fármaco irritante para a mucosa gástrica (Exemplos: naproxeno, fenilbutazona,</p><p>indometacina, etc.).</p><p>➢ Fármaco produtor de náuseas e vômitos se atuar no estômago (Exemplos: ácido</p><p>nicotínico) (FERREIRA, 2008).</p><p>3.5.2 Cápsulas de liberação prolongada</p><p>Nas cápsulas de liberação prolongada, o conteúdo, o invólucro ou ambos possuem</p><p>excipientes especiais ou são preparados por processo especial para modi� car a velocidade ou o</p><p>local, em que a(s) substância(s) ativa(s) é/são liberada(s). Nelas, podem ser utilizados polímeros</p><p>formadores de matriz hidrofílica como excipiente, alterando a velocidade de liberação do fármaco</p><p>(FERREIRA, 2008).</p><p>As cápsulas de liberação prolongada têm a � nalidade de:</p><p>➢ Prevenir efeitos adversos de alguns fármacos, decorrentes de alta concentração</p><p>plasmática, após a sua absorção em forma convencional (Exemplo: anti-in� amatórios).</p><p>➢ Simpli� car a posologia, reduzindo a frequência de administração (Exemplos: diltiazem,</p><p>clonidina) (FERREIRA, 2008).</p><p>83WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>3.6 Cápsulas moles</p><p>As cápsulas moles consistem em uma matriz líquida ou semissólida, que é incorporada</p><p>em um invólucro de gelatina externo. Elas são constituídas de uma única parte, � cando o</p><p>conteúdo hermeticamente selado em seu interior. O invólucro das cápsulas gelatinosas moles é</p><p>mais espesso do que o das cápsulas gelatinosas duras (FERREIRA, 2008).</p><p>Essas cápsulas estão disponíveis em diversos formatos e tamanhos. Assim como as</p><p>cápsulas duras, as moles são constituídas normalmente por gelatina e a sua maior � exibilidade</p><p>está relacionada à presença de plasti� cantes (glicerina ou sorbitol) (FERREIRA, 2008).</p><p>Vantagens em relação às capsulas duras (FERREIRA, 2008):</p><p>• Maior � exibilidade devido a uma quantidade maior de plasti� cantes.</p><p>• Precisão no encapsulamento.</p><p>• Sistema selado, que proporciona uma proteção maior contra os agentes externos.</p><p>• Aumento da biodisponibilidade.</p><p>As cápsulas gelatinosas moles são preparadas com películas de gelatina, nas quais é</p><p>acrescentado glicerina ou sorbitol para torná-la elástica. Normalmente, elas são preparadas,</p><p>cheias e lacradas em uma operação contínua, com equipamento especializado. Essas cápsulas,</p><p>em geral, não são produzidas em farmácias magistrais, pois é preciso um equipamento especí� co,</p><p>além de que o custo de produção é alto. Por isso, as farmácias adquirem as cápsulas prontas em</p><p>grande quantidade, para, depois, fracioná-las em embalagens menores (FERREIRA, 2008).</p><p>Como são preparadas as formas farmacêuticas de liberação modifi cadas em far-</p><p>mácia de manipulação? Como é realizado o controle de qualidade dessas formu-</p><p>lações? Refl ita sobre as questões acima e leia o artigo The importance of coa-</p><p>ting standardization in gastro-resistant capsules produced in magistral pharmacy</p><p>(FRANCO et al., 2013). Nesse artigo, os autores avaliaram a qualidade de diferen-</p><p>tes tipos de revestimento entérico, preparados em farmácia magistral e aplicados</p><p>pela técnica de imersão. A verifi cação da efi cácia dos revestimentos foi realiza-</p><p>da pelo ensaio de desintegração descrito na Farmacopeia Brasileira 5. edição, de</p><p>2010.</p><p>Fonte: FRANCO, S. C. et al. The importance of coating standardization in gastro-</p><p>-resistant capsules produced in magistral pharmacy. Acta Scientiarum. Health</p><p>Sciences, Maringá, v. 35, n. 2, p. 211-214, July/Dec. 2013. Disponível em: http://pe-</p><p>riodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciHealthSci/article/view/14581/pdf. Acesso</p><p>em: 6 jul. 2019.</p><p>84WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>O capítulo 6 do livro Formas farmacêuticas e sistemas de liberação de fármacos,</p><p>de Allen Jr., Popovich e Ansel (2013), traz alguns apontamentos sobre algumas</p><p>formas farmacêuticas sólidas. Com o estudo desse material, você poderá saber</p><p>mais sobre pós e grânulos, além de suas respectivas características e métodos</p><p>de preparação.</p><p>Fonte: ALLEN JR., L. V.; POPOVICH, N. G.; ANSEL, H. C. Capítulo 6: Pós e grânulos.</p><p>In: ALLEN JR., L. V.; POPOVICH, N. G.; ANSEL, H. C. Formas farmacêuticas e siste-</p><p>mas de liberação de fármacos. 9. ed. São Paulo: Premier, 2013.</p><p>O Capítulo 5 do livro Guia prático da farmácia magistral, de Ferreira (2008), trata</p><p>de formas farmacêuticas sólidas de uso oral. São abordados pós e cápsulas,</p><p>com</p><p>suas respectivas características, métodos e equipamentos de preparação. É um</p><p>material bem didático, caso queira realizar mais leituras sobre esses temas.</p><p>A videoaula Farmacotécnica em Manipulação 2, do Portal</p><p>Educação, aborda a pesagem e mistura de pós para ma-</p><p>nipulação de cápsulas. Veja e fi que por dentro de temas</p><p>como as formas farmacêuticas, cápsulas, isotonia, EHL,</p><p>cálculos de pesagem e farmacotécnicos.</p><p>Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO. Farmacotécnica em Manipu-</p><p>lação 2. Disponível em: https://youtu.be/E2RG-YPLO9E.</p><p>Acesso em: 29 jun. 2019.</p><p>85WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>4</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>No início da Unidade IV, é apresentada uma introdução sobre as formas farmacêuticas</p><p>sólidas, que aborda o conceito, vantagens, desvantagens, classi� cação e preparação dos pós</p><p>farmacêuticos. Nesse sentido, destaca-se que a diluição geométrica é um procedimento empregado</p><p>para a mistura de componentes em pó, com quantidades diferentes entre si, em uma formulação.</p><p>É importante para garantir a distribuição uniforme de substância ativa na preparação, garantindo</p><p>uma precisão de dose e a segurança do paciente.</p><p>Na segunda parte dessa unidade, é discorrido sobre o conceito, vantagens, desvantagens,</p><p>classi� cação e preparação de cápsulas duras. Para tanto, observa-se que, em alguns casos, são</p><p>necessárias correções na quantidade pesada para obter o teor desejado do princípio ativo. Essas</p><p>correções são baseadas no certi� cado de análise do fornecedor, além de utilizarem o fator de</p><p>equivalência ou o fator de correção, conforme o caso.</p><p>86WWW.UNINGA.BR</p><p>ENSINO A DISTÂNCIA</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALLEN JR., L. V.; POPOVICH, N. G.; ANSEL, H. C. Formas farmacêuticas e sistemas de</p><p>liberação de fármacos. 9. ed. São Paulo: Premier, 2013.</p><p>ANFARMAG - Associação Nacional de Farmacêutico Magistrais. Guia orientativo para</p><p>rotulagem de preparações magistrais, análise � scal e amostras para controle de qualidade.</p><p>São Paulo, 2016.</p><p>ANVISA - AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução</p><p>da diretoria colegiada (RDC) n. 67, de 08 de outubro de 2007. Disponível em: https://</p><p>www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/legislacao/item/rdc-67-de-8-de-outubro-</p><p>de-2007. Acesso em: 28 jul. 2019.</p><p>AULTON, M. E. Delineamento de formas farmacêuticas. 2. ed. São Paulo: Artmed, 2005.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução nº 87, de</p><p>21 de novembro de 2008. Brasília, DF, 2008. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/</p><p>saudelegis/anvisa/2008/res0087_21_11_2008.html. Acesso em: 28 jul. 2019.</p><p>BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Farmacopeia Brasileira. 5. ed. Brasília, DF:</p><p>Fundação Oswaldo Cruz, 2010a. v. 1-2.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 17, de 16 de</p><p>abril de 2010. Brasília, DF, 2010b. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/</p><p>anvisa/2010/res0017_16_04_2010.html. Acesso em: 30 jul. 2019.</p><p>CIÊNCIA DA VIDA. Ciência dos surfactantes. Disponível em: http://www.cemtn.com.br/</p><p>ciencianavida/?p=185. Acesso em: 28 jul. 2019.</p><p>EXAUSTFARMA. Soluções e tecnologia para tratamento de ar: Produtos. Disponível em:</p><p>http://www.exaustfarma.com.br/produtos/ebm. Acesso em: 28 jul. 2019.</p><p>FERREIRA, A. O. Guia prático da farmácia magistral. 4. ed. São Paulo: Pharmabooks, 2008.</p><p>MOUSSAVOU, U. P. A. Dossiê técnico: farmácia de manipulação. Rio de Janeiro: Rede de</p><p>Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro, 2012.</p><p>RIBEIRO, J. N.; FLORES, A. V.; MESQUITA, R. C.; NICOLA, J. H.; NICOLA, E.</p><p>M. D. Terapia Fotodinâmica: uma luz na luta contra o câncer. Physicae, São Paulo, ano 5, n.</p><p>5, 2005. Disponível em: https://physicae.i� .unicamp.br/index.php/physicae/article/view/</p><p>physicae.5.2. Acesso em: 28 jul. 2019.</p><p>THOMPSON, J. E.; DAVIDOW, L. W. A prática farmacêutica na manipulação de medicamentos.</p><p>3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.</p><p>THE UNITED STATES PHARMACOPEIAL. The United States pharmacopeia: the national</p><p>formulary. 24. ed. Toronto: The United States Pharmacopeial Convention, 2006.</p><p>de funcionamento, expedida pelo órgão de Vigilância Sanitária local;</p><p>e) possuir Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) expedida pela ANVISA,</p><p>conforme legislação vigente;</p><p>f) possuir Autorização Especial, quando manipular substâncias sujeitas a controle especial</p><p>(ANVISA, 2007).</p><p>Além disso, é preciso atender a RDC 306/2004, gerenciamento de resíduos, e documentar</p><p>todo o processo de manipulação (ANVISA, 2007).</p><p>As Boas Práticas de Manipulação em Farmácias (BPMF) envolvem todos os aspectos rela-</p><p>cionados à manipulação de medicamentos, como recursos humanos, instalações, equipamentos,</p><p>materiais, matérias-primas, material de embalagem, manipulação, controle de qualidade, rótulos,</p><p>embalagens, conservação, transporte, dispensação, garantia da qualidade, inspeções, entre outros</p><p>(ANVISA, 2007).</p><p>10WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.1 Recursos Humanos - Organização</p><p>A farmácia deve ter um organograma e pessoal su� ciente para a demanda de trabalho.</p><p>As atribuições e responsabilidades individuais devem estar formalmente e claramente descritas.</p><p>Todo o pessoal envolvido nas atividades da farmácia deve estar incluído em um programa de</p><p>treinamento, inicial e continuado (ANVISA, 2007).</p><p>Nesse sentido, o farmacêutico é o responsável pela supervisão da manipulação e pela</p><p>aplicação das normas de Boas Práticas, pela quali� cação dos fornecedores, avaliação da</p><p>prescrição, determinação do prazo de validade, prestação de assistência e atenção farmacêutica,</p><p>entre outros (ANVISA, 2007). Já os demais funcionários envolvidos na manipulação devem</p><p>estar adequadamente paramentados, utilizando equipamentos de proteção individual (EPI).</p><p>A paramentação e a higiene das mãos e antebraços, devem ser realizadas antes do início da</p><p>manipulação (ANVISA, 2007).</p><p>Por � m, na área de pesagem e salas de manipulação, não é permitido o uso de cosméticos,</p><p>joias ou quaisquer objetos de adorno de uso pessoal. Não é permitido conversar, fumar, comer,</p><p>beber, mascar ou manter objetos pessoais (ANVISA, 2007).</p><p>1.2 Infraestrutura Física, Equipamentos e Materiais</p><p>A farmácia deve ser localizada, projetada, construída ou adaptada, com uma infraestrutura</p><p>adequada às atividades a serem desenvolvidas, possuindo, no mínimo:</p><p>a) área ou sala para as atividades administrativas;</p><p>b) área ou sala de armazenamento: com capacidade su� ciente para estocagem de matérias-</p><p>primas, materiais de embalagem e produtos manipulados, quando for o caso;</p><p>c) local segregado e identi� cado para produtos em quarentena, e outro para produtos</p><p>reprovados, devolvidos ou com prazo de validade vencido;</p><p>d) sala própria ou armário fechados com chave para substâncias e medicamentos sujeitos</p><p>a regime de controle especial;</p><p>e) área ou sala de controle de qualidade;</p><p>f) sala ou local de pesagem de matérias-primas: dotada de sistema de exaustão, com</p><p>dimensões e instalações compatíveis com o volume de matérias-primas a serem pesadas;</p><p>g) sala (s) de manipulação: sendo que a sala para manipulação de sólidos deve ser</p><p>totalmente segregada da sala de manipulação de semissólidos e líquidos, quando houver;</p><p>h) área de dispensação;</p><p>i) sala de paramentação: preferencialmente com dois ambientes (barreira sujo/limpo) e</p><p>servir como acesso às áreas de pesagem e manipulação;</p><p>j) sanitários e vestiários: devem ser de fácil acesso e não devem ter comunicação direta</p><p>com as áreas de armazenamento, manipulação e controle de qualidade;</p><p>11WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>k) área ou local para lavagem de utensílios e materiais de embalagem;</p><p>l) depósito de material de limpeza;</p><p>m) bancadas revestidas de material liso, resistente e de fácil limpeza;</p><p>n) lixeiras com tampa, pedal e saco plástico, devidamente identi� cadas (ANVISA, 2007).</p><p>A Figura 1 ilustra a infraestrutura de uma farmácia de manipulação.</p><p>Figura 1 – Estrutura física de uma farmácia de manipulação. Fonte: Moussavou (2012).</p><p>12WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Ademais, “[...] os ambientes devem possuir superfícies internas (pisos, paredes e teto)</p><p>lisas e impermeáveis, sem rachaduras, resistentes aos agentes sanitizantes e facilmente laváveis”</p><p>(ANVISA, 2007); “[...] os equipamentos devem ser instalados e localizados de forma a facilitar a</p><p>manutenção e mantidos de forma adequada às suas operações” (ANVISA, 2007). Já a calibração</p><p>dos equipamentos e instrumentos deve ser executada periodicamente por empresa certi� cada, e</p><p>deve ser realizada a manutenção preventiva e corretiva (quando necessário) dos equipamentos</p><p>(ANVISA, 2007); enquanto “[...] os utensílios utilizados na manipulação de preparações para uso</p><p>interno devem ser diferenciados daqueles utilizados para preparações de uso externo” (ANVISA,</p><p>2007); assim como “[...] o mobiliário deve ser o estritamente necessário ao trabalho de cada área,</p><p>de material liso, impermeável, resistente e de fácil limpeza” (ANVISA, 2007).</p><p>Dito isso, “[...] as matérias-primas devem ser adquiridas de fabricantes/fornecedores</p><p>quali� cados quanto aos critérios de qualidade e devem conter as especi� cações técnicas”</p><p>(ANVISA, 2007), cujos “[...] recipientes destinados ao envase devem ser atóxicos, compatíveis</p><p>físico-quimicamente com a composição do seu conteúdo e devem manter a qualidade e</p><p>estabilidade dos produtos durante o seu armazenamento e transporte” (ANVISA, 2007). Ainda</p><p>sobre as matérias-primas, elas devem ser submetidas à inspeção de recebimento, identi� cadas,</p><p>armazenadas, colocadas em quarentena, amostradas, analisadas conforme especi� cações e</p><p>rotuladas quanto à sua situação, de acordo com procedimentos escritos. Nesse sentido, “[...]</p><p>os materiais reprovados na inspeção de recebimento devem ser segregados e devolvidos ao</p><p>fornecedor, atendendo a legislação em vigor” (ANVISA, 2007).</p><p>Sobre isso, cada lote da matéria-prima deve ser acompanhado do respectivo Certi� cado de</p><p>Análise do fornecedor, que deve permanecer arquivado, no mínimo, durante 6 (seis) meses após</p><p>o término do prazo de validade do último produto com ela manipulado (ANVISA, 2007). Depois</p><p>disso, “[...] todos os materiais devem ser armazenados e manuseados sob condições apropriadas</p><p>de modo a preservar a identidade e integridade dos mesmos” (ANVISA, 2007). Quando se tratar</p><p>de matéria-prima sujeita a controle especial, o Certi� cado de Análise deve ser arquivado, pelo</p><p>período de, no mínimo, 2 (dois) anos após o término do prazo de validade do último produto</p><p>com ela manipulado (ANVISA, 2007).</p><p>Nesse processo, “[...] a água utilizada na manipulação de produtos é considerada matéria-</p><p>prima produzida pela própria farmácia por puri� cação da água potável, devendo as instalações e</p><p>reservatórios serem devidamente protegidos para evitar contaminação” (ANVISA, 2007).</p><p>1.3 Manipulação</p><p>Quanto à manipulação “[...] devem existir procedimentos operacionais escritos para</p><p>manipulação das diferentes formas farmacêuticas preparadas na farmácia” (ANVISA, 2007),</p><p>para prevenção de contaminação cruzada. “A farmácia deve possuir Livro de Receituário,</p><p>informatizado ou não, e registrar as informações referentes à prescrição de cada medicamento</p><p>manipulado” (ANVISA, 2007), garantindo, com isso, a rastreabilidade dos produtos. Além disso,</p><p>“[...] todas as superfícies de trabalho e os equipamentos da área de manipulação devem ser limpos</p><p>e desinfetados antes e após cada manipulação” (ANVISA, 2007).</p><p>Quando forem utilizadas matérias-primas sob a forma de pó, nas etapas do processo de</p><p>manipulação, “[...] devem-se tomar precauções especiais, com a instalação de sistema de exaustão</p><p>de ar, devidamente quali� cado, de modo a evitar a sua dispersão no ambiente” (ANVISA, 2007),</p><p>conforme Figura 2, enquanto “[...] as condições de temperatura e umidade devem ser de� nidas,</p><p>monitoradas e registradas” (ANVISA, 2007). Destaca-se que “[...] as salas de manipulação devem</p><p>ser mantidas com temperatura e umidade compatíveis com as substâncias/matérias-primas</p><p>armazenadas/manipuladas”</p><p>(ANVISA, 2007).</p><p>13WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Figura 2 – Sala de manipulação de sólidos com sistema de exaustão de ar. Fonte: Exaustfarma (2019).</p><p>1.4 Controle de Qualidade</p><p>Para manter-se um controle de qualidade “[...] devem ser realizados, no mínimo, os</p><p>seguintes ensaios de controle de qualidade, de acordo com a Farmacopeia Brasileira ou outro</p><p>Compêndio O� cial reconhecido pela ANVISA, em todas as preparações magistrais e o� cinais”</p><p>(BRASIL, 2008).</p><p>Sólidas: descrição, aspecto, caracteres organolépticos, peso médio.</p><p>Semissólidas: descrição, aspecto, caracteres organolépticos, pH (quando</p><p>aplicável), peso.</p><p>Líquidas não estéreis: descrição, aspecto, caracteres organolépticos, pH (quando</p><p>aplicável), peso ou volume antes do envase (BRASIL, 2008).</p><p>É preciso lembrar-se que “[...] os resultados dos ensaios devem ser registrados na ordem</p><p>de manipulação, junto com as demais informações da preparação manipulada” (ANVISA</p><p>2007), bem como “[...] os resultados de todas as análises devem ser registrados e arquivados no</p><p>estabelecimento por no mínimo 2 anos” (ANVISA, 2007).</p><p>Na manipulação de formas farmacêuticas sólidas, “[...] devem ser realizadas análises de</p><p>teor de pelo menos um diluído preparado, trimestralmente” (ANVISA, 2007). Formulações com</p><p>quantidade igual ou inferior a 25 mg do fármaco por unidade: análise de teor no mínimo a cada</p><p>2 meses, de acordo com a atualização da RDC 87/2008 (BRASIL, 2008). Assim, “[...] as análises,</p><p>tanto do diluído quanto da fórmula, devem ser realizadas em laboratório analítico próprio ou</p><p>terceirizado” (ANVISA, 2007) e “[...] devem contemplar diferentes manipuladores, fármacos e</p><p>dosagens/concentrações, sendo adotado sistema de rodízio” (ANVISA, 2007).</p><p>14WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.5 Rotulagem e Embalagem</p><p>Para a rotulagem e embalagem de produtos manipulados, “[...] devem existir</p><p>procedimentos operacionais escritos” (ANVISA, 2007). Nesse sentido, os rótulos devem conter</p><p>uma série de informações para identi� cação do produto, como nome do prescritor, nome do</p><p>paciente, data da manipulação, prazo de validade, posologia, identi� cação da farmácia, nome</p><p>e CRF do responsável técnico, etc. (ANVISA, 2007). Já no envase dos produtos manipulados,</p><p>os recipientes utilizados “[...] devem garantir a estabilidade físico-química e microbiológica da</p><p>preparação” (ANVISA, 2007).</p><p>1.6 Conservação e Transporte</p><p>Ao conservar e/ou transportar um produto, “[...] a empresa deve manter procedimentos</p><p>escritos sobre a conservação e transporte, até a dispensação dos produtos manipulados que</p><p>garantam a manutenção das suas especi� cações e integridade” (ANVISA, 2007). Quanto aos</p><p>medicamentos termossensíveis, eles “[...] devem ser mantidos em condições de temperatura</p><p>compatíveis com sua conservação, mantendo-se os respectivos registros e controles” (ANVISA,</p><p>2007). É preciso saber ainda que os produtos manipulados não devem ser armazenados ou</p><p>transportados com materiais como alimentos perecíveis, animais, solventes orgânicos, substâncias</p><p>tóxicas, materiais radioativos, etc. (ANVISA, 2007).</p><p>1.7 Dispensação</p><p>Para que haja um uso correto dos produtos, “[...] o farmacêutico deve prestar orientação</p><p>farmacêutica necessárias aos pacientes” (ANVISA, 2007). Para comprovar o aviamento, “[...] todas</p><p>as receitas aviadas devem ser carimbadas pela farmácia, com identi� cação do estabelecimento,</p><p>data da dispensação e número de registro da manipulação” (ANVISA, 2007).</p><p>1.8 Garantia da Qualidade</p><p>O Sistema de Garantia da Qualidade deve assegurar que todas as operações de</p><p>manipulação, controle de qualidade e demais operações relacionadas as BPMF sejam cumpridas</p><p>e documentadas. Para tanto, “[...] a farmácia deve possuir um Sistema de Garantia da Qualidade</p><p>que incorpore as BPMF, totalmente documentado e monitorado” (ANVISA, 2007). Assim, “[...] o</p><p>estabelecimento deve possuir Manual de Boas Práticas de Manipulação apresentando as diretrizes</p><p>empregadas pela empresa para o gerenciamento da qualidade” (ANVISA, 2007).</p><p>Conforme Anvisa (2007), os documentos referentes à manipulação de fórmulas devem ser</p><p>arquivados durante 6 (seis) meses após o vencimento do prazo de validade do produto manipulado,</p><p>podendo ser utilizado sistema de registro eletrônico de dados ou outros meios con� áveis e legais.</p><p>Os demais registros para os quais não foram estipulados prazos de arquivamento devem ser</p><p>mantidos pelo período de 1(um) ano. Os registros de produtos com substância sob controle</p><p>especial devem ser arquivados por dois anos.</p><p>15WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.8.1 Autoinspeção</p><p>De acordo com a Anvisa (2007), a autoinspeção é um recurso apropriado para a constatação</p><p>e avaliação do cumprimento das BPMF, realizada pela farmácia. Devem ser feitas, no mínimo,</p><p>uma vez ao ano. As suas conclusões precisam devidamente documentadas e arquivadas. Com</p><p>base nas conclusões das auto inspeções devem ser estabelecidas as ações corretivas necessárias</p><p>para assegurar o cumprimento das BPMF.</p><p>1.8.2 Inspeções</p><p>Para veri� cação do cumprimento das Boas Práticas de Manipulação em Farmácias, as</p><p>farmácias estão sujeitas a inspeções sanitárias. Com base no risco potencial, os itens do roteiro de</p><p>inspeção são classi� cados em: imprescindível, necessário, recomendável e informativo.</p><p>Considera-se item IMPRESCINDÍVEL (I) aquele que pode in� uir em grau</p><p>crítico na qualidade, segurança e e� cácia das preparações magistrais ou o� cinais</p><p>e na segurança dos trabalhadores em sua interação com os produtos e processos</p><p>durante a manipulação. Considera-se item NECESSÁRIO (N) aquele que pode</p><p>in� uir em grau menos crítico. Considera-se RECOMENDÁVEL (R) aquele</p><p>item que pode in� uir em grau não crítico na qualidade, segurança e e� cácia</p><p>das preparações magistrais ou o� cinais e na segurança dos trabalhadores em</p><p>sua interação com os produtos e processos durante a manipulação. Considera-</p><p>se item INFORMATIVO (INF) aquele que oferece subsídios para melhor</p><p>interpretação dos demais itens (ANVISA, 2007).</p><p>A RDC 67/2007 (ANVISA, 2007) trata ainda de pontos especí� cos relacionados a BPMF</p><p>de substâncias de baixo índice terapêutico; de hormônios, antibióticos, citostáticos e substâncias</p><p>sujeitas a controle especial; de produtos estéreis; de preparações homeopáticas; e de preparação</p><p>de dose unitária.</p><p>2. PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO, ORDEM DE</p><p>MANIPULAÇÃO E ROTULAGEM</p><p>2.1 Procedimento Operacional Padrão</p><p>O Procedimento Operacional Padrão (POP) é a “[...] descrição pormenorizada de</p><p>técnicas e operações a serem utilizadas na farmácia, visando proteger e garantir a preservação da</p><p>qualidade das preparações manipuladas e a segurança dos manipuladores” (ANVISA, 2007). Por</p><p>isso, recomenda-se a preparação de procedimentos operacionais padrão (POPs) para todos as</p><p>atividades relevantes realizadas na farmácia de manipulação. Os POPs devem ser utilizados para</p><p>garantir uniformidade nos procedimentos, independente do manipulador, e para treinamento</p><p>de pessoal (THOMPSON; DAVIDOW, 2013). A Figura 3 mostra um modelo de procedimento</p><p>operacional padrão.</p><p>16WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Figura 3 – Modelo de Procedimento Operacional Padrão (POP). Fonte: � ompson e Davidow (2013).</p><p>2.2 Ordem de Manipulação</p><p>A Ordem de Manipulação é o “[...] documento destinado a acompanhar todas as etapas</p><p>de manipulação” (ANVISA, 2007). O registro ou a ordem de manipulação é emitido a partir</p><p>da prescrição do paciente, ou, no caso de preparações o� ciais, ele e solicitado. Esse documento</p><p>acompanha todas as etapas da manipulação. Por isso, deve conter o nome e a concentração da</p><p>preparação, número ou quantidade de doses preparadas, número de controle ou da prescrição,</p><p>data de fabricação e prazo de validade, lista de todos os componentes da formulação com</p><p>as respectivas quantidades, nome do fabricante, número do lote e prazo de validade de cada</p><p>componente,</p><p>resultados dos testes de controle de qualidade, embalagem utilizada, assim como</p><p>a identi� cação da pessoa que manipulou e da pessoa que revisou ou aprovou as etapas da</p><p>manipulação (THOMPSON; DAVIDOW, 2013). A Figura 4 apresenta um modelo de registro de</p><p>manipulação.</p><p>17WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Figura 4 – Modelo de registro de manipulação. Fonte: � ompson e Davidow (2013).</p><p>2.3 Rotulagem</p><p>Conforme a Anvisa (2007), rótulo é a “[...] identi� cação impressa ou litografada, bem</p><p>como os dizeres pintados ou gravados a fogo, pressão ou decalco, aplicado diretamente sobre a</p><p>embalagem primária e secundária do produto”. As informações para identi� cação do produto</p><p>devem estar descritas no rótulo, como o nome do paciente, nome do prescritor, formulação,</p><p>data da manipulação, posologia, prazo de validade, identi� cação da farmácia, nome e CRF do</p><p>responsável técnico, entre outras informações (ANVISA, 2007). Além disso, como as formulações</p><p>manipuladas são personalizadas para cada paciente, o rótulo deve apresentar os nomes e as</p><p>quantidades das substâncias ativas na preparação. A Figura 5 mostra um modelo rótulo de</p><p>produto manipulado.</p><p>Figura 5 – Modelo de rótulo de produto manipulado. Fonte: Anfarmag (2010).</p><p>18WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>No caso de preparações o� ciais, descritas no Formulário Nacional (2005 apud</p><p>THOMPSON; DAVIDOW, 2013), quando os nomes e as quantidades de todos os componentes</p><p>estão presentes na monogra� a, o rótulo pode conter o nome o� cial da preparação, sem especi� car</p><p>as quantidades dos componentes. Em alguns casos, é aconselhável incluir no rótulo também</p><p>o nome e quantidade de alguns excipientes, caso haja substâncias alérgenas, por exemplo. Em</p><p>preparações líquidas manipuladas com álcool, o teor dessa substância precisa ser indicado no</p><p>rótulo, em porcentagem V/V (THOMPSON; DAVIDOW, 2013).</p><p>Além do rótulo principal, existem os rótulos auxiliares que são colocados nos frascos para</p><p>informar o paciente, ou responsável por ele, sobre a utilização e o armazenamento do produto.</p><p>Esses rótulos podem ser usados para reforçar informações já descritas no rótulo principal ou</p><p>para trazer informações adicionais (THOMPSON; DAVIDOW, 2013). Alguns rótulos auxiliares,</p><p>comumente utilizados, são descritos nos itens que seguem.</p><p>2.3.1 Rótulos auxiliares utilizados para instruir sobre adequada preparação, armazena-</p><p>mento ou descarte</p><p>a. Agite bem. Exigido em todos os sistemas líquidos dispersos, tais como suspensões e</p><p>emulsões, menos em determinados produtos com instruções de rotulagem contrárias.</p><p>Por exemplo, algumas proteínas ou peptídeos são suspensões instáveis à agitação e têm</p><p>instruções para agitar suavemente antes do uso. A agitação de algumas suspensões de</p><p>insulina pode resultar em bolhas de ar ou espuma, por isso é recomendado que o frasco</p><p>seja ‘deslizado’ entre os dedos para dispersar de maneira uniforme as partículas da</p><p>suspensão.</p><p>b. Mantenha sob refrigeração, não congele. Exigido nos produtos que são quimicamente</p><p>instáveis em temperatura ambiente (p. ex., muitos antimicrobianos reconstituídos) e</p><p>produtos que são � sicamente instáveis em temperatura ambiente (p. ex., supositórios</p><p>de manteiga de cacau). Essa recomendação é dada, ainda, para produtos injetáveis que</p><p>foram manipulados e que não serão utilizados em seguida, em especial aqueles que não</p><p>contêm conservantes.</p><p>c. Não use após. Exigido para todos os produtos parenterais manipulados, antimicrobianos</p><p>e líquidos reconstituídos, outros produtos instáveis e todos os medicamentos dispensados</p><p>quando exigido por lei estadual. Mesmo quando não é exigido por lei estadual, esse dizer</p><p>é recomendado a todos os rótulos de produtos dispensados para que os pacientes não</p><p>retenham produtos velhos e que podem já não ter o potencial de ação desejado. Tal aviso</p><p>agora é muitas vezes impresso diretamente no rótulo do produto conforme o formulário</p><p>de prescrição.</p><p>d. Refrigere, agite bem, descarte após uso. Usado para evitar vários rótulos auxiliares</p><p>quando forem exigidas as três mensagens anteriores (a, b e c supracitadas), tal como para</p><p>a maioria das suspensões de antimicrobianos reconstituídas.</p><p>e. Proteja da luz. Exigido para produtos parenterais que são fotossensíveis, tais como</p><p>nitroprussiato de sódio, furosemida e fenotiazinas. Esse rótulo é especialmente importante</p><p>quando a embalagem primária do medicamento não é âmbar ou opaca. É a rotulagem</p><p>apropriada para todos os medicamentos fotossensíveis.</p><p>19WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>f. Mantenha fora do alcance de crianças. Pode ser usado para qualquer embalagem de</p><p>medicamento, mas é exigido para frascos sem tampas de segurança.</p><p>g. Quimioterapia do câncer, descarte de forma apropriada. Exigido para frascos que</p><p>contenham medicamentos citotóxicos (THOMPSON; DAVIDOW, 2013, p. 40, grifo dos</p><p>autores).</p><p>2.3.2 Rótulos auxiliares utilizados para instruir sobre via de administração</p><p>a. Uso externo. Recomendado para produtos de aplicação externa, principalmente para</p><p>aqueles de perigo potencial se ingeridos.</p><p>b. Rótulos de vias de administração. Exemplos incluem ‘Para os olhos’, ‘Para uso retal’</p><p>e ‘Somente para uso inalatório’. Esses rótulos são especialmente importantes quando há</p><p>alguma possibilidade de confusão sobre a via de administração da forma farmacêutica</p><p>(p. ex., cápsulas contendo medicamentos para uso em um inalador) (THOMPSON;</p><p>DAVIDOW, 2013, p. 40, grifo dos autores).</p><p>2.3.3 Rótulos auxiliares de advertência sobre reações adversas a medicamentos</p><p>a. Pode causar sonolência. Não ingerir álcool. Cuidado ao dirigir carros ou operar</p><p>máquinas. Usado para pacientes adultos ambulatoriais. Exigido para todos os narcóticos</p><p>de venda controlada e outros medicamentos, tais como relaxantes musculares, que podem</p><p>causar sonolência signi� cativa. Recomendado para outros narcóticos, agentes ansiolíticos,</p><p>tranquilizantes, barbitúricos de ação prolongada, agentes sedativos, anticonvulsivantes,</p><p>anti-histamínicos e antidepressivos, bem como qualquer outra substância que possa</p><p>causar sonolência. O uso desse rótulo auxiliar em produtos indutores do sono depende</p><p>do critério pro� ssional.</p><p>b. Pode causar sonolência. Usado para pacientes pediátricos e adultos não ambulatoriais.</p><p>Mesmas exigências e recomendações como descrito no item a.</p><p>c. Evite exposição ao sol. Exigido para medicamentos que causam reações de</p><p>fotossensibilidade, tais como tetraciclinas, sulfonamidas, griseofulvina, ácido nalidíxico,</p><p>tiazidas e feniltiazinas.</p><p>d. Pode causar coloração da urina ou das fezes. Recomendado para medicamentos que</p><p>podem alterar a coloração da urina e das fezes, tais como azul de metileno, nitrofurantoína</p><p>e fenazopiridina (THOMPSON; DAVIDOW, 2013, p. 40-41, grifo dos autores).</p><p>2.3.4 Rótulos auxiliares de advertência sobre interações medicamentosas e interações</p><p>fármaco-alimentos</p><p>a. Não ingira álcool. Exigido para produtos que possam causar reações do tipo</p><p>dissul� ram, tais como dissul� ram, metronidazol e clorpropramida. Recomendado para</p><p>medicamentos hipnóticos ou outros, para os quais o efeito aditivo sobre o Sistema Nervoso</p><p>Central (SNC) pode ser perigoso. Esclarecimento verbal também deve ser fornecido.</p><p>20WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>b. Não use com produtos lácteos, antiácidos, etc. Exigido para tetraciclinas, para</p><p>prevenir a inativação da substância pelos íons polivalentes. Recomendado para produtos</p><p>com revestimento entérico, uma vez que os produtos à base de leite e os antiácidos criam</p><p>um pH básico no estômago, o que pode causar a dissolução prematura do revestimento</p><p>entérico.</p><p>c. Não usar ácido acetilsalicílico. Exigido para os anticoagulantes do tipo da varfarina</p><p>(THOMPSON; DAVIDOW, 2013, p. 41, grifo dos autores).</p><p>2.3.5 Rótulos auxiliares de orientação sobre administração</p><p>a. Ingira com alimentos. Recomendado para medicamentos</p><p>que podem causar</p><p>distúrbios estomacais, quando esse efeito pode ser diminuído pelo uso do medicamento</p><p>com alimentos. Exemplos de medicamentos desse grupo incluem nitrofurantoína, ácido</p><p>valproico, eritromicina e ácido acetilsalicílico.</p><p>b. Tome de estômago vazio. Recomendado para medicamentos tais como tetraciclina e</p><p>ampicilina, que têm sua absorção reduzida ou sua degradação aumentada no estômago</p><p>quando ingeridos junto com alimentos. Para alguns medicamentos, a necessidade de uma</p><p>melhor absorção deve ser considerada em relação aos efeitos adversos sobre o estômago,</p><p>quando um medicamento é tomado com o estômago vazio. O farmacêutico deve realizar</p><p>uma avaliação adequada do paciente.</p><p>c. Tome com muita água. Recomendado para sulfonamidas, como forma de diminuir</p><p>a probabilidade de cristalúria, para expectorantes, como forma de aumentar a redução</p><p>da viscosidade das secreções bronquiais, para laxantes formadores de massa fecal, como</p><p>forma de reduzir a probabilidade de compactação, e para medicamentos irritantes, tais</p><p>como suplementos de potássio, anti-in� amatórios não esteroidais orais, hidrato de cloro,</p><p>certos antimicrobianos e teo� lina.</p><p>d. Use todo este medicamento. Recomendado como auxiliar de adesão para antibióticos</p><p>e anti-infecciosos quando um tempo de duração especí� co não estiver indicado nas</p><p>instruções de uso (THOMPSON; DAVIDOW, 2013, p. 41, grifo dos autores).</p><p>2.3.6 Rótulos auxiliares para atender exigências legais</p><p>a. Cuidado. A lei federal proíbe a transferência deste medicamento para outra pessoa.</p><p>Exigido, por lei, em todos os frascos de medicamentos para pacientes externos que</p><p>contêm substâncias controladas.</p><p>b. Esta prescrição pode ser reutilizada x vezes. A menos que requerido por leis estaduais,</p><p>esse é um rótulo opcional para informar ao paciente o número de vezes que a mesma</p><p>prescrição pode ser dispensada. Atualmente, essa informação é frequentemente impressa</p><p>diretamente no rótulo pelo so� ware de dispensação (THOMPSON; DAVIDOW, 2013, p.</p><p>41, grifo dos autores).</p><p>21WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Quais materiais são utilizados no envase de produtos farmacêuticos? Os mate-</p><p>riais de embalagem (primária e secundária) são importantes na manipulação de</p><p>medicamentos e cosméticos? Lembre-se que a escolha dos recipientes utilizados</p><p>no envase dos produtos é uma etapa importante para o processo de manipula-</p><p>ção. A embalagem deve garantir a estabilidade e efi cácia da preparação (ANVISA,</p><p>2007). Assim, refl ita sobre as questões acima e verifi que no capítulo 24 do livro</p><p>Teoria e prática na indústria farmacêutica (LACHMAN; LIEBERMA; KANIG, 2001) os</p><p>materiais de embalagem utilizados em produtos farmacêuticos.</p><p>Fonte: LACHMAN, L.; LIEBERMAN, H. A.; KANIG, J. L. Teoria e Prática na Indústria</p><p>Farmacêutica. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 2001.</p><p>A RDC 67/2007 (ANVISA, 2007) trata de pontos específi cos relacionados a BPMF</p><p>de substâncias de baixo índice terapêutico; hormônios, antibióticos, citostáticos</p><p>e substâncias sujeitas a controle especial; produtos estéreis; preparações home-</p><p>opáticas; e preparação de dose unitária. Para saber mais sobre o assunto, confi ra</p><p>o documento.</p><p>Fonte: ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução</p><p>da diretoria colegiada (RDC) n. 67, de 08 de outubro de 2007. Disponível em:</p><p>https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/legislacao/item/</p><p>rdc-67-de-8-de-outubro-de-2007. Acesso em: 28 jul. 2019.</p><p>A videoaula do Portal Educação aborda alguns conceitos</p><p>que foram descritos nesta unidade. Sob o título Farmaco-</p><p>técnica em Manipulação, o curso oferece um conhecimento</p><p>sobre formas farmacêuticas, cápsulas, isotonia, EHL, cálcu-</p><p>los de pesagem, farmacotécnicos e muito mais! Acesse-a!</p><p>Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO. Farmacotécnica em manipula-</p><p>ção. Disponível em:</p><p>https://youtu.be/UmQV02MpvnQ. Acesso em: 29 jun. 2019.</p><p>22WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>O capítulo 12 do livro A prática farmacêutica na manipulação de medicamentos, de</p><p>Thompson e Davidow (2013), trata de recomendações gerais para manipulação</p><p>de medicamentos seguros e efi cazes, abordando as etapas a serem seguidas no</p><p>processo de manipulação. Leia-o para que os seus conhecimentos sobre o assun-</p><p>to sejam mais aprimorados!</p><p>Fonte: THOMPSON, J. E.; DAVIDOW, L. W. Capítulo 12: Recomendações gerais</p><p>para manipulação de medicamentos. In: THOMPSON, J. E.; DAVIDOW, L. W. A prá-</p><p>tica farmacêutica na manipulação de medicamentos. 3. ed. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2013. p. 156-171.</p><p>23WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>1</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Na Unidade I são discutidos os conceitos essenciais para a compreensão do desenvolvimento</p><p>de medicamentos e cosméticos em escala magistral, os requisitos para o funcionamento de uma</p><p>farmácia de manipulação, assim como os aspectos relacionados a Boas Práticas de Manipulação</p><p>em Farmácia (BPMF).</p><p>Todos os conceitos apresentados nessa unidade constam na RDC 67/2007 (ANVISA,</p><p>2007), que trata das Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e O� cinais para Uso</p><p>Humano em farmácias, além de pontos especí� cos sobre a BPMF de substâncias de baixo índice</p><p>terapêutico; de hormônios, antibióticos, citostáticos e substâncias sujeitas a controle especial; de</p><p>produtos estéreis; de preparações homeopáticas; e de preparação de dose unitária.</p><p>Por � m, as práticas de procedimentos operacionais padrão, ordem de manipulação,</p><p>rotulagem e a sua importância na manipulação de medicamentos também são temas expostos</p><p>na unidade.</p><p>2424WWW.UNINGA.BR</p><p>UNIDADE</p><p>02</p><p>SUMÁRIO DA UNIDADE</p><p>INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 26</p><p>1. SISTEMA DE MEDIDAS E CÁLCULOS FARMACÊUTICOS ................................................................................. 27</p><p>1.1 TRANSFORMAÇÃO DE MEDIDAS ...................................................................................................................... 27</p><p>1.1.1 UNIDADES DE MASSA ...................................................................................................................................... 27</p><p>1.1.2 UNIDADES DE VOLUME ................................................................................................................................... 28</p><p>1.2 EXPRESSÕES DE CONCENTRAÇÃO .................................................................................................................. 29</p><p>1.2.1 PORCENTAGEM ................................................................................................................................................ 29</p><p>1.3 PREPARO DE SOLUÇÕES ................................................................................................................................... 31</p><p>1.3.1 SOLUÇÕES ESTOQUE ...................................................................................................................................... 31</p><p>1.3.2 SOLUÇÕES DE TRABALHO .............................................................................................................................. 31</p><p>2. ÁGUA PARA USO FARMACÊUTICO ..................................................................................................................... 32</p><p>CÁLCULOS FARMACÊUTICOS, PREPARO DE</p><p>SOLUÇÕES E TIPOS DE ÁGUA PARA USO</p><p>FARMACÊUTICO</p><p>PROF.A DRA. DANIELA CRISTINA DE MEDEIROS ARAÚJO</p><p>ENSINO A DISTÂNCIA</p><p>DISCIPLINA:</p><p>FARMACOTÉCNICA</p><p>25WWW.UNINGA.BR</p><p>2.1 CONTAMINANTES .............................................................................................................................................. 32</p><p>2.1.1 CONTAMINANTES QUÍMICOS ........................................................................................................................ 32</p><p>2.1.2 CONTAMINANTES MICROBIOLÓGICOS........................................................................................................</p><p>33</p><p>2.1.3 CONTAMINANTES PARTICULADOS .............................................................................................................. 33</p><p>2.2 TIPOS DE ÁGUA .................................................................................................................................................. 33</p><p>2.2.1 ÁGUA POTÁVEL ................................................................................................................................................ 33</p><p>2.2.2 ÁGUA REAGENTE ............................................................................................................................................ 34</p><p>2.2.3 ÁGUA PURIFICADA ......................................................................................................................................... 34</p><p>2.2.4 ÁGUA ULTRA PURIFICADA ............................................................................................................................. 34</p><p>2.2.5 ÁGUA PARA INJETÁVEIS ................................................................................................................................ 34</p><p>2.3 SISTEMAS DE PURIFICAÇÃO ............................................................................................................................ 35</p><p>2.3.1 PRÉ-FILTRAÇÃO ............................................................................................................................................... 35</p><p>2.3.2 ADSORÇÃO POR CARVÃO VEGETAL ATIVADO ............................................................................................. 35</p><p>2.3.3 TRATAMENTO COM ABRANDADORES ......................................................................................................... 36</p><p>2.3.4 DEIONIZAÇÃO E ELETRODEIONIZAÇÃO CONTÍNUA ................................................................................... 36</p><p>2.3.5 OSMOSE REVERSA ......................................................................................................................................... 36</p><p>2.3.6 ULTRAFILTRAÇÃO ........................................................................................................................................... 36</p><p>2.3.7 DESTILAÇÃO .................................................................................................................................................... 36</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 39</p><p>26WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O sistema de medidas, utilizado em farmácia e em medicina, é o sistema métrico ou</p><p>Sistema Internacional de Unidades (SI). As unidades básicas do SI são semelhantes ao sistema</p><p>métrico. Elas apresentam apenas algumas atualizações (THOMPSON; DAVIDOW, 2013). Isso</p><p>é necessário porque os cálculos farmacêuticos são essenciais para a prática em farmacotécnica,</p><p>para o cálculo da dose de medicamentos para pacientes, assim como para a quantidade de</p><p>componentes em preparações magistrais, entre outros (THOMPSON; DAVIDOW, 2013).</p><p>A porcentagem é uma medida-padrão da concentração de um componente em uma</p><p>preparação farmacêutica. A concentração da maioria dos produtos farmacêuticos pode ser</p><p>descrita em termos de porcentagem (THOMPSON; DAVIDOW, 2013), haja vista que o termo</p><p>por cento e o seu sinal correspondente % signi� cam “por uma centena” ou “em uma centena”</p><p>(THOMPSON; DAVIDOW, 2013). Portanto, as porcentagens nas preparações farmacêuticas é o</p><p>tema exposto nesta Unidade II.</p><p>27WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1. SISTEMA DE MEDIDAS E CÁLCULOS FARMACÊUTICOS</p><p>O sistema de medidas utilizado, em farmácia e em medicina, é o sistema métrico ou</p><p>Sistema Internacional de Unidades (SI). As unidades básicas do SI são semelhantes ao sistema</p><p>métrico. As unidades básicas do SI são: mole (mol) para quantidade de substância; kelvin (K) para</p><p>temperatura termodinâmica; segundo (s) para tempo; metro (m) para comprimento; ampère (A)</p><p>para corrente elétrica; candela (cd) para intensidade luminosa e quilograma (kg) para massa</p><p>(THOMPSON; DAVIDOW, 2013).</p><p>As mais utilizadas em farmácia são as unidades de massa, volume e comprimento.</p><p>Embora a unidade básica de volume no SI seja o metro cúbico (m3), o litro (L) é aprovado para</p><p>medir volume de líquidos. Um litro corresponde ao volume de 1000 centímetros cúbicos (cm3),</p><p>sendo assim, 1 mL é igual a 1 cm3. A unidade básica de massa é o kg, porém o grama (g) tem sido</p><p>aceito como uma unidade básica. Um grama corresponde a massa de 1 cm3 de água a 4º C. Nesta</p><p>Unidade II, utilizaremos os termos “massa” e “peso” de forma intercambiável, mesmo que o peso</p><p>seja a massa vezes a aceleração gravitacional (THOMPSON; DAVIDOW, 2013).</p><p>Os cálculos farmacêuticos são essenciais para a prática em farmacotécnica, pois eles</p><p>são úteis para realizar-se o cálculo da dose de medicamentos dos pacientes, a quantidade de</p><p>componentes em preparações magistrais, entre outros. A maioria dos cálculos apresentados nesta</p><p>unidade serão resolvidos por intermédio da regra de 3, mas há diferentes maneiras de realizar o</p><p>mesmo cálculo. Assim, o aluno pode escolher o melhor método para o seu trabalho, desde que</p><p>realizado corretamente (THOMPSON; DAVIDOW, 2013).</p><p>1.1 Transformação de Medidas</p><p>1.1.1 Unidades de massa</p><p>Unidade básica de massa é grama (g).</p><p>Assim:</p><p>1 kg ________________ 1000 g</p><p>1 g _________________ 1000 mg</p><p>1 mg ________________1000 mcg</p><p>1 mcg _______________ 1000 ng.................................... sucessivamente.</p><p>1 femtograma (fg) = 0,000000000000001 g (1 x 10-15 g)</p><p>1 picograma (pc) = 0,000000000001 g (1 x 10-12 g)</p><p>1 nanograma (ng) = 0,000000001 g (1 x 10-9 g)</p><p>1 micrograma (µg) = 0,000001 g</p><p>1 miligrama (mg) = 0,001 g</p><p>1 centigrama (cg) = 0,01 g</p><p>1 decigrama (dg) = 0,1 g</p><p>1 grama (g) = 1,0 g</p><p>1 decagrama (dag) = 10,0 g</p><p>1 hectograma (hg) = 100,0 g</p><p>1 kilograma (kg) = 1000,0 g</p><p>28WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Figura 1 – Escala de equivalência métrica de massa decimal. Fonte: Adaptado de � ompson e Davidow (2013).</p><p>Exemplo 1.</p><p>Um farmacêutico comprou 5 g de um fármaco potente. Em vários momentos, ele utilizou</p><p>0,2 g, 0,85 g, 90 mg e 150 mg para manipular várias receitas. Quanto resta do fármaco?</p><p>Resposta.</p><p>O primeiro passo é deixar todos os valores na mesma unidade.</p><p>Nesse caso, transformamos 90 mg em g (0,090 g) e 150 mg em g (0,150 g).</p><p>Assim,</p><p>0,2g + 0,85g + 0,090g + 0,150g = 1,29</p><p>5g – 1,29 = 3,71g</p><p>1.1.2 Unidades de volume</p><p>1 microlitro (µL/mcL) = 0,000001 L</p><p>1 mililitro (mL) = 0,001 L</p><p>1 centilitro (cL) = 0,01 L</p><p>1 decilitro (dL) = 0,1 L</p><p>1 litro (L) = 1,0 L</p><p>1 decalitro (daL) = 10,0 L</p><p>1 hectolitro (hL) = 100,0 L</p><p>1 kilolitro (kL) = 1000,0 L</p><p>Exemplo 2.</p><p>Quanto resta em um recipiente que contém 5 litros de vaselina após retirar 895 mL?</p><p>Resposta.</p><p>O primeiro passo é deixar todos os valores na mesma unidade.</p><p>Assim, transformamos 895 mL em L (0,895 L).</p><p>5 L – 0,895 L = 4,105 L</p><p>29WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>1.2 Expressões de Concentração</p><p>A quantidade de fármaco por quantidade (massa ou volume) da preparação é dada pela</p><p>concentração. As concentrações são usadas para expressar doses ou quantidades de fármaco</p><p>presentes em uma preparação líquida (THOMPSON; DAVIDOW, 2013). As expressões</p><p>de concentração podem ser fornecidas pela combinação de unidades de massa e volume</p><p>(THOMPSON; DAVIDOW, 2013), por exemplo: a) Massa de fármaco por massa do produto: 3</p><p>mg/g (3 mg do fármaco em cada 1 g do produto); b) Massa do fármaco por volume do produto:</p><p>3 mg/mL (3 mg do fármaco em cada 1 mL de produto).</p><p>A molaridade (M), por sua vez, corresponde ao número de moles de soluto por litro</p><p>de solução. A molalidade (m) é o número de moles de soluto presente em 1000 g de solvente.</p><p>Também são utilizados em manipulação os termos milimoles por milimoles</p><p>por litro (mmol/L)</p><p>ou mililitros (mmol/mL) (THOMPSON; DAVIDOW, 2013). Por exemplo: Uma solução de</p><p>hidróxido de sódio (NaOH) 1 M contém 1 mol de hidróxido de sódio por litro de solução. Como</p><p>a massa molecular do NaOH é 40,0 uma solução de NaOH 1 M contém 40,0 g de NaOH por litro</p><p>de solução (40 g/L ou 40 mg/mL).</p><p>1.2.1 Porcentagem</p><p>A porcentagem é bastante utilizada em farmácia para exprimir a quantidade de um</p><p>componente em uma preparação farmacêutica, haja vista que a concentração da maioria dos</p><p>produtos farmacêuticos pode ser descrita em termos de porcentagem (THOMPSON; DAVIDOW,</p><p>2013), cujo termo por cento e o seu sinal correspondente %, signi� cam “por uma centena” ou “em</p><p>uma centena” (THOMPSON; DAVIDOW, 2013).</p><p>As porcentagens nas preparações farmacêuticas são expressadas com o primeiro termo</p><p>(ou numerador) de cada expressão indicando o componente sobre o qual a concentração está</p><p>baseada, enquanto o segundo (ou denominador) sinaliza a preparação total (THOMPSON;</p><p>DAVIDOW, 2013). Por exemplo:</p><p>5% = 5/100 = 0,05</p><p>12,5% = 12,5/100 = 0,125</p><p>0,05% = 0,05/100 = 0,0005</p><p>Além disso, há: a) Porcentagem peso-volume (p/V): expressa o número de gramas</p><p>de um constituinte em 100 mL de uma solução ou preparação líquida, sendo empregada</p><p>independentemente se a água ou outro líquido é o solvente ou o veículo. É expressa como:</p><p>___% p/V. b) Porcentagem volume-volume (V/V): corresponde ao número de mililitros de um</p><p>constituinte em 100 mL de uma solução ou preparação líquida. É expressa como: ___% V/V. c)</p><p>Porcentagem peso-peso (P/P): expressa o número de gramas de um constituinte em 100 g de</p><p>uma solução ou preparação. É expressa como: ___% P/P.</p><p>Contudo, frequentemente, nas prescrições e fórmulas, as designações p/V, V/V e p/p não</p><p>são indicadas quando as concentrações são dadas em porcentagem. Nesses casos, o seguinte é</p><p>assumido:</p><p>➢ Para soluções ou dispersões de sólidos em líquidos, % p/V.</p><p>➢ Para soluções ou dispersões de líquidos em líquidos, % V/V.</p><p>➢ Para misturas de sólidos ou semissólidos, % p/p.</p><p>➢ Para soluções de gases em líquidos, % p/V.</p><p>30WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Exemplo 3.</p><p>Qual é a concentração percentual de uma injeção que contém 50 mg de pentobarbital</p><p>sódico em cada mililitro de solução?</p><p>Resposta.</p><p>50 mg -------- 1 mL</p><p>X ---------------100 mL</p><p>X= 5000 mg correspondente a 5%.</p><p>Exemplo 4.</p><p>Observe a prescrição que segue:</p><p>Permanganato de potássio.............................0,02%</p><p>Água puri� cada..........................q.s.p.............250 mL</p><p>Quantos gramas de permanganato de potássio devem ser utilizados nesta manipulação?</p><p>Resposta.</p><p>0,02 g --------- 100 mL</p><p>X -------------- 250 mL</p><p>X= 0,05 g de permanganato.</p><p>Exemplo 5.</p><p>Na manipulação da seguinte prescrição, quantos mililitros de fenol liquefeito devem ser</p><p>usados?</p><p>Fenol liquefeito.........................................2,5%</p><p>Loção calamina................q.s.p...................240 mL</p><p>Resposta.</p><p>2,5 mL ---------- 100 mL</p><p>X ----------------- 240 mL</p><p>X= 6 mL</p><p>Exemplo 6.</p><p>Prescrição:</p><p>Iodocloridroxiquina..............................0,9 g</p><p>Hidrocortisona.......................................0,15 g</p><p>Creme base .......................q.s.p.............30 g</p><p>Qual é a concentração percentual (p/p) de iodocloridroxiquina e hidrocortisona na</p><p>prescrição?</p><p>Resposta.</p><p>Iodocloridroxiquina</p><p>0,9 g --------- 30 g</p><p>X ------------ 100 g</p><p>X= 3%</p><p>31WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Hidrocortisona</p><p>0,15 g ------- 30 g</p><p>X ------------ 100 g</p><p>X= 0,5%</p><p>1.3 Preparo de Soluções</p><p>1.3.1 Soluções estoque</p><p>Soluções estoque são soluções preparadas com uma concentração de� nida, utilizadas</p><p>para o preparo de soluções de trabalho. Para o cálculo da quantidade de soluto a ser pesada,</p><p>utiliza-se a fórmula a seguir.</p><p>M = m/ MM. V</p><p>Sendo:</p><p>M: Concentração molar.</p><p>m: massa do soluto (g).</p><p>MM: massa molar do soluto (PM).</p><p>V: volume (L).</p><p>Exemplo 7.</p><p>Preparar 1 L de solução de Hidróxido de Sódio (PM = 40,0) a 1 M.</p><p>Resposta.</p><p>M = m/ MM. V</p><p>1 = m/ 40 x 1</p><p>m= 40 g de hidróxido de sódio para preparar 1 L de solução.</p><p>Exemplo 8.</p><p>Preparar 32 mL de solução de Bicarbonato de Sódio (PM = 84,01) a 2,5 M.</p><p>Resposta.</p><p>M = m/ MM. V</p><p>2,5 = m/ 84,01 x 0,032</p><p>m= 6,72 g de bicarbonato de sódio para preparar 32 mL de solução.</p><p>1.3.2 Soluções de trabalho</p><p>São soluções preparadas a partir da diluição de uma solução estoque (mais concentrada).</p><p>Para calcular a quantidade de solução estoque que será necessária, utiliza-se a fórmula abaixo.</p><p>C1.V1 = C2.V2</p><p>32WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Sendo:</p><p>C1: concentração da solução estoque.</p><p>V1: volume da solução estoque.</p><p>C2: concentração da solução de trabalho.</p><p>V2: volume da solução de trabalho.</p><p>Exemplo 9.</p><p>Preparar 100 mL de solução de Hidróxido de Sódio a 0,5 M, partindo de uma solução</p><p>estoque de 1 M.</p><p>Resposta.</p><p>C1.V1 = C2.V2</p><p>1 x V1 = 0,5 x 100 mL</p><p>V1 = 50 mL</p><p>Exemplo 10.</p><p>Preparar 40 mL solução de sacarose a 250 mM, partindo de uma solução estoque de 1 M.</p><p>Resposta.</p><p>C1.V1 = C2.V2</p><p>1 x V1 = 0,25 x 40 mL</p><p>V1 = 10 mL</p><p>2. ÁGUA PARA USO FARMACÊUTICO</p><p>Segundo Anvisa (2007), “[...] a água utilizada na manipulação de produtos é considerada</p><p>matéria-prima produzida pela própria farmácia por puri� cação da água potável, devendo as</p><p>instalações e reservatórios serem devidamente protegidos para evitar contaminação”. Dessa</p><p>maneira os tipos de água utilizados na produção de medicamentos, inclusive na limpeza de</p><p>equipamentos e utensílios, são considerados água para uso farmacêutico (BRASIL, 2010a).</p><p>Esse líquido é considerado um solvente universal, com excelente capacidade de</p><p>solubilização, absorção e suspensão de diversos compostos, sendo amplamente empregado</p><p>na manipulação de produtos farmacêuticos e cosméticos (BRASIL, 2010a). Os requisitos de</p><p>qualidade exigidos para a água e a escolha do sistema de puri� cação dependem da � nalidade de</p><p>sua utilização. Assim, devido a ampla utilização, o controle de sua qualidade é essencial, visto que</p><p>a contaminação pode ocorrer com muita facilidade mesmo após a puri� cação.</p><p>2.1 Contaminantes</p><p>Dito isso, os contaminantes da água podem ser divididos em químicos, microbiológicos</p><p>e particulados (BRASIL, 2010a), como serão discutidos a seguir.</p><p>2.1.1 Contaminantes químicos</p><p>Os contaminantes químicos podem ter origem em diversas fontes como a alimentação,</p><p>ar, poluentes, resíduos de produtos de limpeza, entre outros. Estão incluídas, neste grupo, as</p><p>endotoxinas bacterianas, contaminantes críticos que devem ser adequadamente removidos</p><p>(BRASIL, 2010a).</p><p>33WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Em conformidade com Farmacopeia Brasileira (BRASIL, 2010a), grande parte dos</p><p>contaminantes orgânicos podem ser removidos por osmose reversa. No entanto, para retirar</p><p>compostos com baixo peso molecular são necessárias técnicas adicionais de puri� cação, como</p><p>resina de troca iônica, oxidação por ultravioleta ou ozônio ou carvão ativado.</p><p>2.1.2 Contaminantes Microbiológicos</p><p>Os contaminantes microbiológicos são principalmente bactérias. Eles representam um</p><p>grande desa� o no controle de qualidade da água para uso farmacêutico. Esses microrganismos</p><p>têm origem na microbiota da fonte de água ou do próprio equipamento de puri� cação ou podem</p><p>surgir também da formação de bio� lmes resultante de procedimentos de limpeza e sanitização</p><p>inadequados (BRASIL, 2010a).</p><p>As bactérias presentes na água podem alterar substratos por ação enzimática, inativar</p><p>reagentes, além de produzir endotoxinas e pirogênios. A contagem de bactérias é realizada por</p><p>mililitro (UFC/mL), em unidades formadoras de colônias, e tende a aumentar com o tempo de</p><p>estocagem da água (BRASIL, 2010a).</p><p>2.1.3 Contaminantes Particulados</p><p>Além dos contaminantes químicos e microbiológicos, existem ainda os particulados,</p><p>como a sílica e os resíduos da tubulação, que comprometem a qualidade da água e provocam</p><p>entupimento no sistema de puri� cação, dani� cando os equipamentos. Esses materiais podem</p><p>ser</p><p>retirados por � ltração (BRASIL, 2010a).</p><p>A seguir, serão apresentados os tipos de água para uso farmacêutico e os principais</p><p>sistemas de puri� cação utilizados.</p><p>2.2 Tipos de Água</p><p>Os principais tipos de água para uso farmacêutico são: água puri� cada, água para</p><p>injetáveis e água ultra puri� cada. Além dessas, são muito utilizadas também a água potável e a</p><p>água reagente (BRASIL, 2010a).</p><p>2.2.1 Água potável</p><p>A água potável é o ponto de partida para a puri� cação da água para � ns farmacêuticos.</p><p>É utilizada também em alguns equipamentos, na limpeza de bancadas e utensílios, entre outros</p><p>(BRASIL, 2010a). Ela é obtida a partir do tratamento da água retirada de mananciais, atendendo</p><p>as especi� cações da legislação brasileira quanto aos parâmetros microbiológicos, físico-químicos</p><p>e radioativos (BRASIL, 2010a). Deve ser fornecida “[...] sob pressão positiva contínua em um</p><p>sistema de encanamento sem quaisquer defeitos que possam levar à contaminação de qualquer</p><p>produto” (BRASIL, 2010b).</p><p>O monitoramento da qualidade microbiológica e físico-química da água potável deve ser</p><p>realizado no mínimo a cada 6 (seis) meses. Esse controle deve ser registrado (ANVISA, 2007).</p><p>34WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>2.2.2 Água reagente</p><p>A água reagente é produzida por processos como � ltração, descloração, deionização,</p><p>destilação ou outros, conforme o seu uso. Geralmente essa água é empregada na limpeza de</p><p>equipamentos e materiais, na síntese de substâncias ativas e excipientes, abastecimento de</p><p>autoclaves e banho-maria, bem como em análises histológicas (BRASIL, 2010a). Os principais</p><p>parâmetros que a caracterizam são: carbono orgânico total (COT) ˂ 0,20 mg/L e condutividade</p><p>de 1,0 a 5,0 mS/cm (resistividade ˃ 0,2 MΩ-cm) (BRASIL, 2010a).</p><p>2.2.3 Água purificada</p><p>A água puri� cada é obtida a partir da água reagente ou da água potável e deve atender as</p><p>especi� cações dos compêndios o� ciais. É obtida por uma sequência de sistemas de puri� cação</p><p>como a destilação, osmose reversa, troca iônica, ultra� ltração, eletrodeionização ou outro processo</p><p>capaz de atender as especi� cações para essa água (BRASIL, 2010a). O seu sistema puri� cação “[...]</p><p>deve ser projetado de forma a evitar a contaminação e proliferação microbiológicas” (BRASIL,</p><p>2010b). Dito isso, os principais parâmetros que a caracterizam são: carbono orgânico total (COT)</p><p>˂ 0,50 mg/L, condutividade de 0,1 a 1,3 mS/cm a 25oC (resistividade ˃ 1,0 MΩ-cm), endotoxinas</p><p>˂ 0,25 UI de endotoxina/mL e contagem total de bactérias ˂ 100 UFC/mL (BRASIL, 2010a).</p><p>2.2.4 Água ultra purificada</p><p>A água ultra puri� cada apresenta como características: a baixa carga microbiana, baixa</p><p>concentração iônica e baixo nível de carbono orgânico total. Devido ao alto grau de pureza, ela é</p><p>utilizada em aplicações especí� cas como: análises de controle de qualidade e diluição de padrões.</p><p>É ideal para análises que exigem máxima exatidão e precisão (BRASIL, 2010a). Os principais</p><p>parâmetros que a caracterizam são: carbono orgânico total (COT) ˂ 0,05 mg/L (alguns casos ˂ 0,03</p><p>mg/L), condutividade de 0,055 a 0,1 mS/cm a 25o C (resistividade ˃ 18,0 MΩ-cm), endotoxinas</p><p>˂ 0,03 UI de endotoxina/mL e contagem total de bactérias ˂ 1 UFC/100 mL (BRASIL, 2010a).</p><p>2.2.5 Água para injetáveis</p><p>A água para injetáveis é utilizada na fabricação de substâncias de uso parenteral, como</p><p>excipiente presente na preparação de produtos farmacêuticos parenterais, na preparação de</p><p>produtos estéreis e demais produtos que requer controle de endotoxinas, exceto os que são</p><p>submetidos a etapas posteriores de remoção de contaminantes. Ela é utilizada também na limpeza</p><p>de componentes e equipamentos que possuem contato direto com a formulação, na produção de</p><p>formas farmacêuticas parenterais (BRASIL, 2010a). Além disso, essa água “[...] deve ser utilizada</p><p>em preparações de produtos estéreis” (BRASIL, 2010b), bem como no enxágue � nal após limpeza</p><p>de equipamentos e componentes que entram em contato com produtos estéreis (BRASIL, 2010b).</p><p>Essa classi� cação engloba também a água estéril para injeção, embalada em frasco</p><p>hermético e esterilizada por calor, sendo a água, esterilizada para injeção, utilizada na</p><p>administração parenteral. A adição de agente(s) microbiano(s) à água puri� cada estéril origina</p><p>a água bacteriostática estéril, usada como diluente de algumas formulações parenterais em doses</p><p>individuais (BRASIL, 2010a). Os principais parâmetros que caracterizam a água para injetáveis</p><p>são: os mesmos preconizados para a água puri� cada, além de contagem total de bactérias ˂ 10</p><p>UFC/100 mL, valor máximo de endotoxinas de 0,25 UI de endotoxina/mL e esterilidade (BRASIL,</p><p>2010a).</p><p>35WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Para � nalizar sobre os “tipos de água”, a Figura 2 descreve as principais características de</p><p>cada água para uso farmacêutico, bem como os parâmetros de qualidade exigidos e exemplos de</p><p>aplicação.</p><p>Figura 2 – Tipos de água para uso farmacêutico e parâmetros de qualidade. Fonte: Brasil (2010a).</p><p>2.3 Sistemas de Purificação</p><p>Para uso farmacêutico, os principais sistemas de puri� cação utilizados na produção de</p><p>água são: pré-� ltração, adsorção por carvão ativado, abrandadores, deionização, osmose reversa</p><p>e ultra� ltração (BRASIL, 2010a).</p><p>2.3.1 Pré-filtração</p><p>A pré-� ltração é uma � ltração inicial, destinada a remover particulados com tamanho</p><p>entre 5 e 10 µm. Nessa etapa, utiliza-se � ltros de areia ou combinação de � ltros para proteger os</p><p>sistemas de puri� cação subsequentes (BRASIL, 2010a).</p><p>2.3.2 Adsorção por carvão vegetal ativado</p><p>O sistema de adsorção por carvão vegetal ativado emprega a capacidade de adsorção do</p><p>carvão ativado em contato com contaminantes ou compostos orgânicos. Ele remove também</p><p>agentes oxidantes como o cloro livre, preservando sistemas de � ltração subsequentes baseados</p><p>em membranas, como a ultra� ltrarão e a osmose reversa (BRASIL, 2010a). Devido a esse processo</p><p>de puri� cação retirar agentes sanitizantes, existe a possibilidade de crescimento microbiano e</p><p>de formação de bio� lme, sendo necessária a sanitização do carvão ativado, além de contagem</p><p>microbiana e controle de partículas de seus e� uentes (BRASIL, 2010a).</p><p>36WWW.UNINGA.BR</p><p>FA</p><p>RM</p><p>AC</p><p>OT</p><p>ÉC</p><p>NI</p><p>CA</p><p>| U</p><p>NI</p><p>DA</p><p>DE</p><p>2</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>2.3.3 Tratamento com abrandadores</p><p>O tratamento com abrandadores utiliza resinas de troca iônica, as quais capturam íons</p><p>magnésio e cálcio, liberando íons sódio na água. Essa tecnologia é útil para promover a proteção</p><p>de sistemas de puri� cação subsequentes, que são sensíveis a incrustação, como a osmose reversa</p><p>(BRASIL, 2010a).</p><p>2.3.4 Deionização e eletrodeionização contínua</p><p>Este sistema de deionização e eletrodeionização contínua promove a remoção de sais</p><p>inorgânicos dissolvidos. A deionização utiliza resinas de troca iônica especí� cas para ânions e</p><p>cátions. As resinas aniônicas liberam íons OH- na água, enquanto as catiônicas liberam íons H+.</p><p>Já a eletrodeionização contínua combina as resinas de troca iônica e a aplicação de um campo</p><p>elétrico, promovendo remoção contínua de íons (BRASIL, 2010a).</p><p>2.3.5 Osmose reversa</p><p>A osmose reversa é um sistema de puri� cação baseado em membranas que promovem</p><p>a remoção de microrganismos, endotoxinas e íons. Remove mais de 90% da maioria dos</p><p>contaminantes. Para aumentar a vida útil do sistema, é importante instalar um sistema de pré-</p><p>tratamento antes da osmose reversa, para remoção de partículas e íons (BRASIL, 2010a).</p><p>2.3.6 Ultrafiltração</p><p>O sistema de ultra� ltração é utilizado para a remoção de endotoxinas. Ele usa uma</p><p>membrana especial que retém as moléculas de acordo com a sua estereoquímica e peso molecular.</p><p>Para a remoção de endotoxinas, são utilizados � ltros que retêm moléculas com peso molecular</p><p>igual ou maior a 10 000 Da (BRASIL, 2010a). Essa tecnologia, assim como a osmose reversa,</p><p>requer um sistema de pré-tratamento, para aumentar a vida útil dos � ltros e manter a qualidade</p><p>da</p>

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