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Sistemas Dispersos e Transdérmicos

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Questões resolvidas

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Sistemas dispersos e liberação
transdérmicas de fármacos
Apresentação dos sistemas dispersos e dos fatores relacionados ao seu preparo e aplicação.
Diferenciação das formas farmacêuticas de aplicação tópica e apresentação de sistemas transdérmicos.
Profa. Michelle Alvares Sarcinelli
1. Itens iniciais
Propósito
Conhecer diferentes formas farmacêuticas e suas particularidades é de fundamental importância para o
desenvolvimento e manipulação de produtos com características e estabilidade adequadas.
Preparação
Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha em mãos papel, caneta e uma calculadora ou use a calculadora
de seu smartphone/computador.
Objetivos
Definir os fatores que interferem no preparo e estabilidade das suspensões, bem como os excipientes
adequados para esta forma farmacêutica.
 
Descrever o conceito de emulsões, seus métodos de fabricação e o sistema EHL, bem como suas
características e os excipientes farmacêuticos adequados.
 
Reconhecer as particularidades dos géis, pomadas e pastas, bem como suas aplicações e métodos de
preparo.
 
Identificar as aplicações de formulações transdérmicas, bem como suas características e os fatores
que interferem na absorção do fármaco pela pele.
Introdução
Neste tema, conheceremos um pouco mais sobre os sistemas dispersos. Uma dispersão é uma formulação
que contém uma fase dispersa na forma de partículas ou gotículas em uma fase contínua, de modo que o
fármaco não se encontre solubilizado, mas uniformemente distribuído em um veículo adequado.
 
Uma dispersão pode ser fina, grosseira ou coloidal. Veremos essas definições com mais calma nos módulos a
seguir, bem como as particularidades de cada uma dessas formas farmacêuticas, suas aplicações e os
cuidados que precisamos ter ao formulá-las. Um fator de grande importância para sistemas dispersos é a
estabilidade da formulação. Estudaremos, portanto, as estratégias que podemos adotar para garantir essa
estabilidade pelo maior tempo possível.
 
Vamos lá?
• 
• 
• 
• 
1. Suspensões
Características das suspensões
Suspensões são dispersões grosseiras constituídas por partículas sólidas insolúveis de fármaco (fase interna
de formulação) dispersas em um meio líquido, chamado de fase externa da formulação. Ao contrário das
soluções, aqui o fármaco não está dissolvido no veículo e, portanto, esta forma farmacêutica é útil para a
administração de fármacos pouco solúveis ou insolúveis. A principal diferença entre uma suspensão
farmacêutica e uma dispersão coloidal é o tamanho das partículas dispersas: nas dispersões coloidais o
tamanho das partículas é de 1 nm a 1 µm, enquanto nas suspensões, as partículas são maiores que 1 µm
(normalmente entre 1 e 50 µm).
 
Idealmente, uma suspensão adequada é aquela cujas partículas permanecem uniformemente distribuídas,
sem decantarem. No entanto, na prática, isso não é possível e, assim, ao formular uma suspensão, devemos
cuidar para que, após depositadas no fundo do recipiente, as partículas sejam facilmente redispersas, por
meio de agitação, e formem novamente uma mistura uniforme por tempo suficiente para que a dose adequada
seja administrada. Além disso, a viscosidade da formulação deve permitir a sua remoção da embalagem, e o
tamanho de partícula deve se manter constante por períodos prolongados.
 
Algumas suspensões estão disponíveis já prontas para uso, ou seja, com as partículas de fármacos dispersas
em um veículo líquido. Outras, no entanto, precisam ser disponibilizadas na forma de pós secos, que serão
redispersos em veículo adequado, geralmente, água purificada, apenas no momento da sua administração.
Essas suspensões são chamadas de extemporâneas, como observado na imagem a seguir, e são
recomendadas para fármacos instáveis se mantidos na presença de líquidos por um período prolongado.
Prednisona e rifampicina, por exemplo, têm indicação para esse tipo de preparo.
Suspensão extemporânea.
Vejamos a seguir as vantagens e desvantagens dessa forma farmacêutica!
A via de administração mais comum das suspensões é a oral, mas elas também podem ser utilizadas para
administração parenteral, oftálmica e tópica.
Estabilidade das suspensões
Termodinamicamente, um sistema disperso pode ser considerado estável sempre que não houver interação
entre as partículas. As suspensões são, por natureza, fisicamente instáveis, isto é, devido ao tamanho das
partículas, existe uma tendência natural à sedimentação pelo efeito da força da gravidade. Diversos fatores
estão envolvidos nesse processo de sedimentação, e a velocidade com que ele ocorre pode ser definida pela 
Lei de Stokes (Equação 1). Apesar de essa não ser a realidade de muitas suspensões farmacêuticas, podemos
usar esta equação para entender o efeito de cada fator na sedimentação das partículas (Jones, 2008, p. 32).
Lei de Stokes
A lei de Stokes é válida para suspensões ideais, em que não há interação entre as partículas em
suspensões que contêm, no máximo, 2% p/p de fármaco.
Onde:
 
δv/δt é a velocidade de sedimentação;
 
d é o diâmetro médio de partícula;
 
ρs e ρt referem-se às densidades das partículas;
 
sólidas e do veículo, respectivamente;
Vantagens 
Permitem a
administração
de fármacos
pouco
solúveis ou
insolúveis.
 Permitem o
mascaramento
de sabores
indesejáveis.
 Permitem a
administração
a pacientes
com
dificuldade
de
deglutição.
 Permitem
a
liberação
controlada
de
fármacos.
Desvantagens 
São
naturalmente
instáveis,
exigindo um
cuidado extra no
desenvolvimento
da formulação.
 Podem
conter
grande
volume,
sendo de
difícil
transporte
pelo
paciente.
• • • • 
• • 
δ v δ t = d 2 ( ρ s − ρ t ) g 18 n 1 
Equação 1. Lei de Stokes.
• 
• 
• 
• 
 
ր1 é a viscosidade do veículo;
 
g é a gravidade.
 
Vamos agora entender a influência de cada um dos fatores presentes na fórmula!
Diâmetro médio de partícula
Quanto maior o diâmetro das partículas de fármaco, maior será sua velocidade de sedimentação. Isso
porque, quanto maior a partícula, maior a influência da gravidade sobre ela e mais rapidamente ela
tende a sedimentar.
Densidade das partículas sólidas e do veículo
Quanto maior a densidade das partículas de fármaco, maior será sua velocidade de sedimentação.
Isso porque, quanto mais densa a partícula, maior será a influência da gravidade sobre ela e mais
rapidamente ela tende a sedimentar.
Viscosidade do veículo
Quanto maior a viscosidade do veículo, menor será a velocidade de sedimentação das partículas. Isso
porque, quanto mais viscoso o veículo, mais difícil é a locomoção das partículas por ele, de modo que
elas demoram mais tempo para atingir o fundo do recipiente.
Assim, sabemos que, ao formular uma suspensão, precisamos prestar atenção no tamanho e na densidade
das partículas e na viscosidade da fase externa (veículo). Ou seja, para reduzir a velocidade de sedimentação,
precisamos reduzir o diâmetro médio das partículas e aumentar a viscosidade do veículo.
 
A redução do tamanho de partícula pode ser obtida, em escala laboratorial, por meio de trituração com gral ou
pistilo ou, em larga escala, por meio do processo de micronização. Já o aumento da viscosidade do meio pode
ser alcançado pela adição de polímeros hidrofílicos na formulação. Falaremos mais sobre isso no tópico de
formulação de suspensões.
• 
• 
Micronização
Um parâmetro importante para a estabilidade das suspensões e que estará relacionado com a
capacidade das partículas de se atraírem ou se repelirem é o potencial zeta. Ele pode ser determinado
experimentalmente e, como reflete a carga superficial nas partículas, está relacionado à repulsão
eletrostática entre elas e com a estabilidade da suspensão. 
Atenção
Um parâmetro importante para a estabilidade das suspensões e que estará relacionado com a
capacidade das partículas de se atraírem ou se repelirem é o potencial zeta. Ele pode ser determinado
experimentalmente e, como reflete a carga superficial nas partículas, está relacionado à repulsão
eletrostática entre elas e com a estabilidade da suspensão. 
Potencial zeta
Apara ser liberado para
a pele.
 
5. Camada de suporte: para manter a oclusão da pele, mantendo a hidratação e aumentando a absorção.
Protege o sistema transdérmico de perdas para o ambiente.
Vantagens e desvantagens
A seguir as vantagens e desvantagens dos sistemas transdérmicos de fármacos!
Verificando o aprendizado
Questão 1
Vimos que diversos fatores influenciam a absorção do fármaco através da pele. Sobre esses
fatores, assinale a afirmação correta:
A
Quanto maior o peso molecular do fármaco administrado, menor será a quantidade de fármaco absorvida pela
pele.
B
Quanto menor a lipofilicidade do fármaco, maior será a capacidade de ultrapassar a pele.
C
Quanto maior o grau de dissociação, maior será a capacidade de ultrapassar o estrato córneo e ser absorvido.
D
O peso molecular do fármaco não interfere no processo de absorção.
E
A lipofilicidade do fármaco não interfere no processo de absorção.
Vantagens 
Evitam o
metabolismo
hepático de
primeira
passagem.
 Não são
invasivos.
 Permitem
tratamento
prolongado
com uma
única
aplicação.
 Fácil
aplicação
e
remoção.
 Fácil
interrupção
do
tratamento.
 Alta
adesão
dos
pacientes.
 Fácil
identificação
em caso de
emergências.
Desvantagens 
Podem
gerar
dermatite
de
contato.
 Poucos fármacos têm
características físico-
químicas adequadas
para esta via.
• • • • • • • 
• • 
A alternativa A está correta.
O estrato córneo é uma camada com características lipofílicas e o principal mecanismo de transporte dos
fármacos é por difusão paracelular. Dessa forma, quanto maior o peso molecular, mais difícil será para esse
transporte ser realizado e, portanto, menor a quantidade de fármaco absorvida através da pele. Além disso,
quanto maior a lipofilicidade, maior a capacidade do fármaco ultrapassar essa camada da pele, assim como
quanto menos ionizado, mais fácil é o transporte.
Question 2
Vimos que algumas recomendações são importantes para o uso de adesivos transdérmicos.
Assinale a alternativa correta.
A
Para a utilização de adesivos transdérmicos, a região de aplicação é extremamente importante. Por isso,
deve-se escolher uma região onde a pele seja mais fina.
B
Para a utilização de adesivos transdérmicos, caso não desejemos a dose completa, o corte poderá ser
realizado, desde que feito com cautela, exatamente no meio do adesivo.
C
Para a aplicação de adesivos transdérmicos, o ideal é que a pele esteja úmida pois a presença de água
aumenta a absorção do fármaco.
D
A película removível dos adesivos deve ser removida e colada na pele.
E
Para a aplicação de adesivos transdérmicos, o ideal é que a pele esteja seca para aumentar a adesão do
adesivo.
A alternativa E está correta.
Apesar de a presença de água nas camadas da pele aumentar a absorção do fármaco, a pele úmida
prejudica a adesão do sistema transdérmico e, por isso, ele deve ser aplicado sobre a pele limpa e seca. Os
adesivos devem ser aplicados no local recomendado pelo fabricante, e não devem ser cortados.
5. Conclusão
Considerações finais
Neste tema aprendemos sobre diversas formas farmacêuticas: suspensões, emulsões, géis, pomadas e
pastas. Vimos que elas pertencem ao grupo dos sistemas dispersos e que uma característica extremamente
importante é a sua estabilidade. Para cada uma dessas formas farmacêuticas, conhecemos os principais
componentes e as formas de prepará-las. Dependendo de características como tamanho de partícula,
viscosidade, esterilidade e composição, elas podem ser utilizadas em diferentes vias de administração, desde
a parenteral, como as emulsões utilizadas em nutrições parenterais, até a tópica, como as pastas utilizadas
como filtro solar pelos surfistas.
 
Por fim, conhecemos também os sistemas transdérmicos que, assim como pastas e pomadas, são aplicados
na pele. Mas, ao contrário das formulações tópicas, eles se destinam ao efeito sistêmico do fármaco e, por
isso, precisam atravessar as camadas da pele e atingir a corrente sanguínea.
Podcast
Agora, a especialista Patrícia Dias encerra o tema falando sobre a diferença de sistemas tópicos e
transdérmicos e os fatores que contribuem para a absorção do fármaco acontecer em um caso e no
outro não.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore+
Para ver como é realizada na prática uma medida de potencial zeta, acesse o vídeo The Zetasizer Nano
from Malvern Instruments, da Malvern, uma das fabricantes do equipamento Zeta sizer.
 
Para ver a produção industrial de um adesivo transdérmico, acesse o vídeo Transdermal Patch Machine
(TDP/ODF) - VJ Instruments.
Referências
ALLEN Jr., L. V.; POPOVICH, N. G.; ANSEL, H. C. Formas Farmacêuticas e Sistemas de Liberação de Fármacos.
9. ed. São Paulo: Artmed, 2013.
 
AULTON, M. Delineamento de Formas Farmacêuticas. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
 
FILHO, P.C.S.; SERRA, O.A. Síntese em fase líquida de nanomateriais inorgânicos à base de terras raras. Quim.
Nova. V.38, n. 5, p. 679-696, 2015. Consultado na internet em: 19 abril 2021.
 
JONES, D. Pharmaceutics – Dosage Form and Design. 1. ed. Londres: Pharmaceutical Press, 2008.
• 
• 
 
YIN-TING, H., YUWEN, T., JING-YU, H., SHU-CHEN, H. Techniques and methods to study functional
characteristics of emulsion systems. Journal of Food and Drug Analysis. V. 25, n.1, January, p. 16-26, 2017.
Consultado na internet em: 19 abril 2021.
	Sistemas dispersos e liberação transdérmicas de fármacos
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Suspensões
	Características das suspensões
	Estabilidade das suspensões
	Diâmetro médio de partícula
	Densidade das partículas sólidas e do veículo
	Viscosidade do veículo
	Atenção
	Potencial zeta
	Conteúdo interativo
	Floculação controlada
	Formulação de suspensões e excipientes farmacêuticos
	Agentes suspensores/Estabilizantes estéricos
	Agentes molhantes
	Conteúdo interativo
	Agentes floculantes
	Conservantes
	Edulcorantes / flavorizantes
	Antioxidantes
	Veículo
	Métodos de preparo
	Dissolução
	Dispersão
	Correção
	Verificando o aprendizado
	Vimos que a estabilidade é um fator crítico para a forma farmacêutica suspensão. Sobre os fatores que afetam a estabilidade das suspensões, assinale a afirmação correta:
	Vimos que a sedimentação das partículas de uma suspensão pode ocorrer de diferentes formas. Sobre esse processo, assinale a alternativa correta.
	2. Emulsões
	Características das emulsões
	Teorias da estabilização das emulsões
	Formação de gotículas
	Dispersão de gotículas
	Separação de fases
	Teoria da tensão superficial
	Teoria da cunha orientada
	Teoria dos filmes interfaciais
	Fenômenos de instabilidade de emulsões
	Conteúdo interativo
	Cremagem
	Floculação
	Coalescência
	Separação ou quebra da emulsão
	Inversão de fase
	Sistema EHL e a escolha dos agentes emulsificantes
	Comentário
	Calcular o EHL requerido pela fase oleosa
	Teoria na Prática
	Calcular as quantidades de cada tensoativo no sistema emulsificante
	Teoria na Prática
	Cálculos de EHL
	Conteúdo interativo
	Formulação e excipientes
	Conteúdo interativo
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Vimos que os tensoativos são componentes essenciais de uma emulsão e auxiliam na sua estabilização. Sobre os diversos tipos de tensoativos, assinale a afirmação correta:
	Vimos que as emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis e que podem sofrer alguns fenômenos de instabilidade. Sobre esses fenômenos, assinale a alternativa correta.
	3. Géis, pomadas e pastas
	Géis
	Tipos de géis
	Géis químicos (tipo 1)
	Géis físicos (tipo 2)
	Formulação dos géis
	Fatores que influenciam as características das formulações
	Massa molar do polímero
	Natureza do solvente
	pH da formulação
	Força iônica
	Temperatura
	Procedimentos para formulação dos géis
	Carbopol® (Carbômero 940)
	Atenção
	Preparo do gel de carbopol
	Conteúdo interativo
	Natrosol® (hidroxietilcelulose)
	Pomadas
	Vantagens e desvantagens
	Local de aplicação
	Velocidade de liberação do fármaco
	Estabilidade química do fármaco
	Viscosidade
	Tipos de bases
	Basesde hidrocarbonetos (hidrofóbicas)
	Bases removíveis/miscíveis em água
	Bases de absorção
	Bases solúveis em água/hidrossolúveis
	Pastas
	Vantagens e desvantagens
	Verificando o aprendizado
	Vimos que as pomadas podem ser muito úteis para alguns casos, mas que também têm alguns inconvenientes. Sobre as vantagens e desvantagens das pomadas, assinale a alternativa correta.
	4. Formulações transdérmicas
	Premissa
	Anatomofisiologia da pele
	Epiderme
	Conteúdo interativo
	Estrato Córneo
	Queratinócitos
	Corneócitos
	Derme
	Conteúdo interativo
	Hipoderme
	Sistemas transdérmicos
	Atenção
	Fatores que afetam a absorção percutânea
	Peso molecular do fármaco
	Coeficiente de partição óleo/água
	Grau de dissociação
	Concentração do fármaco
	Área de aplicação
	Afinidade pelo veículo e pela pele
	Grau de hidratação da pele
	Região de aplicação
	Promotores de absorção cutânea
	Promotores físicos de absorção cutânea
	Promotores químicos de absorção cutânea
	Adesivos transdérmicos
	Sistemas simples de adesivo e fármaco
	Sistemas reservatórios ou controlados por membrana
	Comentário
	Conteúdo interativo
	Sistemas monolíticos ou matriciais
	Diferenças entre adesivos matriciais e reservatório
	Conteúdo interativo
	Vantagens e desvantagens
	Verificando o aprendizado
	Vimos que diversos fatores influenciam a absorção do fármaco através da pele. Sobre esses fatores, assinale a afirmação correta:
	Vimos que algumas recomendações são importantes para o uso de adesivos transdérmicos. Assinale a alternativa correta.
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referênciasespecialista Patrícia Dias fala sobre o conceito de potencial zeta e sua influência na estabilidade das
suspensões.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Floculação controlada
Já vimos que as suspensões são, por natureza, instáveis, de modo que haverá sempre uma tendência a
sedimentação das partículas. Temos duas possibilidades para essa sedimentação.
 
As partículas formam um sedimento compacto, rígido, que não é possível redispersar (caking): isso
acontece quando as partículas vencem a barreira repulsiva e começam a sedimentar umas sobre as
outras. Conforme vão se depositando no fundo do recipiente, elas se comprimem pelo peso das
partículas de cima, diminuindo a distância entre elas e interagindo em um nível em que as forças
coesivas são extremamente fortes e irreversíveis. Isso ocorre quando temos uma redução, em módulo,
no valor do potencial zeta, capaz de fazer as forças atrativas predominarem.
 
As partículas formam um sedimento frouxo, que ocupa um grande volume, facilmente redispersível:
Para evitar a formação de agregados compactos com altas forças de coesão, que não têm a
capacidade de se redispersar, pode-se utilizar a estratégia de floculação controlada. Essa consiste na
indução intencional de um processo de floculação, pelo qual as partículas se unirão por meio de
interações fracas, formando uma espécie de rede, também chamada de flóculos, como mostra a
imagem. Nesse caso, as partículas interagem de modo a formar uma estrutura frouxamente associada,
que precisa de pouca energia para ser desfeita. Assim, com a agitação é possível obter a redispersão e
a homogeneidade da formulação. A taxa de floculação depende do número de partículas presente, de
modo que, quanto maior o número de partículas, mais colisões haverá e mais provável será a
floculação.
• 
• 
Suspensão floculada.
Portanto, a floculação controlada induz à formação de flóculos que, por sua vez, possuem interações fracas,
que são facilmente quebradas com a agitação, permitindo a redispersão do fármaco no veículo.
 
Como agentes floculantes, pode-se utilizar certos eletrólitos, como cloreto de cálcio ou alumínio que, ao
serem adicionados à formulação, reduzem a barreira elétrica entre as partículas e funcionam como uma
espécie de ponte entre elas, mantendo-as unidas. Alguns tensoativos também podem exercer essa função.
Por fim, a variação do pH da formulação também é capaz de induzir o processo de floculação.
 
Um parâmetro usado para avaliar a sedimentação das suspensões é o volume de sedimentação, ou seja, a
proporção entre o volume de sedimento e o volume inicial da suspensão. Em suspensões floculadas, o volume
de sedimentação será alto, enquanto em suspensões defloculadas (com formação de caking), com sedimento
compacto, esse volume será baixo.
Formulação de suspensões e excipientes farmacêuticos
A formulação das suspensões farmacêuticas visa, principalmente, à estabilidade do produto. Como já vimos,
segundo a Lei de Stokes, quanto maior o tamanho das partículas, maior é a sua velocidade de sedimentação. 
 
Assim, tamanhos reduzidos de partículas são preferidos. Para isso, pode-se realizar processos de
micronização como, por exemplo, a moagem. No entanto, ao reduzir o tamanho de partícula, sua energia livre
superficial aumenta consideravelmente e um fenômeno de instabilidade que pode ocorrer é a maturação de
Ostwald. Ele ocorre quando partículas muito pequenas se unem à superfície de partículas maiores, gerando
partículas com diâmetros muito grandes.
Representação do processo de maturação de Ostwald.
Vejamos a seguir os adjuvantes farmacêuticos comumente empregados em suspensões.
Agentes suspensores/Estabilizantes estéricos
Para evitar a maturação de Ostwald, pode-se utilizar como excipiente polímeros hidrofílicos, chamados
estabilizantes estéricos. Eles adsorvem nas partículas de fármaco, impedindo que uma partícula se una a
outra. À medida que duas partículas (revestidas com polímero) se aproximam uma da outra, haverá repulsão
estérica devido a uma sobreposição das cadeias de polímero adsorvidas. Isso evitará que as partículas
tenham contato muito próximo (no mínimo primário). 
 
A concentração de polímero hidrofílico deve ser suficiente para aumentar a repulsão, mas não impedir a
interação fraca das partículas para o processo de floculação.
Impedimento estérico causado por polímeros.
Cabe ressaltar que a adição de polímeros hidrofílicos geralmente aumenta a viscosidade da formulação, o que
reduz a velocidade de sedimentação e aumenta a estabilidade física da suspensão.
 
Os polímeros mais utilizados são os derivados de celulose (metilcelulose, hidroxietilcelulose etc.), alginato de
sódio, polivinilpirrolidona (PVP), entre outros.
Agentes molhantes
Um dos problemas encontrados na dispersão de materiais sólidos em água é que o pó (hidrofóbico)
eventualmente não é facilmente molhável pelo veículo (hidrofílico). Isso dificulta a sua distribuição homogênea
na formulação e a retirada da dose correta do fármaco, além de aumentar as chances de agregação entre as
partículas.
A molhabilidade de um pó pode ser descrita em termos de um parâmetro chamado ângulo de contato (θ),
observado na imagem a seguir. Quanto mais baixo ele for, menor serão as tensões interfaciais e, portanto,
mais fácil é a incorporação da partícula sólida no líquido.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem
abaixo.
Ângulo de contato entre partícula de pó e veículo líquido.
Na prática, podemos usar um agente molhante para melhorar essa propriedade. Enquadram-se nessa
categoria os tensoativos, cuja função é diminuir a tensão interfacial entre veículo e fármaco, como os
polissorbatos, e algumas moléculas hidrofílicas, como a glicerina e o sorbitol. Eles funcionam deslocando o ar
que envolve as partículas de sólido, permitindo a penetração do meio de dispersão no pó.
Agentes floculantes
Como vimos anteriormente, a floculação controlada é uma estratégia importante para evitar a formação de 
caking. Para isso, são adicionados eletrólitos, cuja função é reduzir o potencial zeta e, consequentemente, a
repulsão elétrica entre as partículas. Assim, elas tenderão a se juntar, formando flóculos que tendem a
sedimentar, gerando um alto volume de sedimentação, facilmente redispersível.
 
Tensoativos também podem exercer a função de reduzir o potencial zeta e aumentar a floculação, podendo
também se enquadrar na classificação de agente floculante.
Conservantes
Uma vez que as suspensões são, na maioria das vezes, veiculadas em embalagens multidose, a utilização de
conservantes se faz necessária. Como exemplos, podemos citar os parabenos e ácidos orgânicos (como ácido
benzoico).
Edulcorantes / flavorizantes
Quando a formulação é de uso pediátrico, é normal a adição de edulcorantes e flavorizantes, de modo que o
medicamento seja mais facilmente aceito pelas crianças. Por ser uma base altamente aromatizada, adoçada e
colorida, muitas vezes essas suspensões pediátricas são confundidas com xaropes. Como exemplos, citamos
a sacarose e o sorbitol.
Antioxidantes
A fim de evitar a oxidação do fármaco e aumentar sua estabilidade química, antioxidantes podem ser
adicionados à formulação. Como exemplos, há o metabissulfito de sódio, o sulfito de sódio e o ácido
ascórbico.
Veículo
O veículo mais utilizado para o preparo de suspensões é a água purificada. A utilização de soluções-tampão
também é uma possibilidade, caso seja necessário controlar o pH da formulação. O ácido cítrico e o citrato de
sódio são comumente usados como um sistema tampão para suspensões orais.
Métodos de preparo
As suspensões farmacêuticas geralmente são preparadas por incorporação direta. 
Dissolução
Para isso, primeiramente os componentes solúveis são dissolvidos em um volume pequeno de
diluente.
Dispersão
Em seguida, o fármaco sólido é disperso no veículo, sob agitação, para evitar a agregação das
partículas.
Correção
Por fim, o volume da suspensão é corrigido para o volume final de formulação.No caso em que o fármaco não é facilmente molhado no veículo, antes da sua dispersão, é importante
umedecê-lo com um agente molhante para, em seguida, incorporá-lo ao diluente. Pode-se utilizar glicerina,
propilenoglicol, entre outros. Em escala laboratorial, esse processo pode ser feito em gral e pistilo, enquanto,
em maior escala, pode-se utilizar um moinho coloidal, por exemplo.
 
Em relação ao tamanho de partícula do fármaco, ele pode ser reduzido antes ou depois da incorporação no
veículo. Antes da incorporação pode-se fazer uma moagem a seco. Após a incorporação pode-se fazer uma
moagem úmida, como em moinho coloidal.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Vimos que a estabilidade é um fator crítico para a forma farmacêutica suspensão. Sobre os
fatores que afetam a estabilidade das suspensões, assinale a afirmação correta:
A
Quanto menor o tamanho das partículas, maior é a sua velocidade de sedimentação.
B
Quanto menor a viscosidade do veículo, menor é a velocidade de sedimentação das partículas.
C
Quanto menor a densidade das partículas, maior é sua velocidade de sedimentação.
D
Quanto maior o tamanho das partículas, maior é sua velocidade de sedimentação.
E
O tamanho das partículas não influencia na sua velocidade de sedimentação.
A alternativa D está correta.
A velocidade de sedimentação das partículas pode ser descrita pela Lei de Stokes. De acordo com ela,
quanto maior o tamanho e a densidade das partículas, maior é sua velocidade de sedimentação. Por outro
lado, quanto maior a viscosidade da fase externa, menor é a velocidade de sedimentação das partículas.
Questão 2
Vimos que a sedimentação das partículas de uma suspensão pode ocorrer de diferentes
formas. Sobre esse processo, assinale a alternativa correta.
A
Suspensões defloculadas formam sedimento mais rápido e mais compacto, dificultando sua redispersão.
B
Suspensões floculadas possuem menor volume de sedimento, facilitando sua redispersão.
C
Deve-se evitar a produção de suspensões floculadas, pois a formação de flóculos acelera o processo de
sedimentação e dificulta sua redispersão.
D
Suspensões floculadas formam sedimento mais rápido e mais compacto, dificultando sua redispersão.
E
Suspensões floculadas possuem maior volume de sedimento, facilitando sua redispersão.
A alternativa E está correta.
A floculação controlada é o processo em que induzimos a floculação de uma formulação para que o
sedimento formado tenha um maior volume de sedimento, a interação entre as partículas seja mais fraca e
sua redispersão seja mais fácil. Suspensões defloculadas demoram mais a formar sedimentos, mas elas são
mais compactas e, portanto, mais difíceis de redispersar.
2. Emulsões
Características das emulsões
Emulsões são dispersões grosseiras constituídas por duas fases líquidas imiscíveis. A fase dispersa ou fase
interna da formulação está distribuída na forma de finas gotículas pela fase dispersante (também chamada
contínua ou fase externa da formulação).
Representação esquemática da junção de água e óleo, dois líquidos imiscíveis.
Uma vez que essas fases são imiscíveis entre si, para que seja possível estabilizar esse sistema, precisamos
adicionar um terceiro componente, chamado de agente emulsificante. Os agentes emulsificantes, também
chamados agentes estabilizantes, são substâncias que possuem em sua molécula características tanto
polares quanto apolares e, por isso, permitem a interação entre as duas fases e a manutenção da estabilidade
da emulsão.
 
As emulsões são geralmente constituídas por uma fase aquosa e uma fase oleosa, podendo ser classificadas
em água em óleo (A/O) ou óleo em água (O/A), de acordo com a natureza do componente da fase contínua.
Um esquema representativo desses tipos de emulsões pode ser visto na imagem a seguir. Existem, ainda, as
emulsões múltiplas, como A/O/A, em que temos uma fase aquosa dispersa em uma fase oleosa que, por sua
vez, está dispersa em uma fase aquosa.
Fase contínua oleosa 
Assim, para formulações cuja fase contínua é
oleosa e a fase dispersa é aquosa, teremos
uma emulsão do tipo A/O.
Fase contínua aquosa 
Para emulsões em que a fase contínua
é aquosa e a fase dispersa é oleosa,
teremos uma emulsão do tipo O/A, a
mais comum em formulações
farmacêuticas.
Tipos de emulsões.
Além do volume de cada fase, o tipo de emulsão irá depender da natureza do agente emulsificante
adicionado, que abordaremos adiante.
 
Uma vez que a fase dispersa está fragmentada em pequenas gotículas envoltas pela fase externa, as
emulsões podem ser utilizadas com o objetivo de proteger/mascarar a fase interna. Por exemplo, em situações
em que um fármaco oleoso tem um sabor desagradável, ele poderia ser veiculado em uma emulsão do tipo O/
A, na qual ficaria na fase interna (oleosa), envolto pela fase externa (aquosa). Essa estratégia também pode
ser utilizada para proteger um fármaco de determinado agente.
 
Vejamos a seguir apresenta as principais vantagens e desvantagens das emulsões.
Dentre as características desejáveis de uma emulsão, citamos a estabilidade física que, assim como nas
suspensões, é um desafio tecnológico importante. Vamos agora entender os fatores que afetam a estabilidade
e como podemos fazer para evitar problemas na formulação.
Teorias da estabilização das emulsões
Como dito anteriormente, além das fases aquosa e oleosa, a adição de um agente emulsificante se faz
necessária para que seja possível formar a emulsão. Ao exercer um efeito mecânico (como a agitação) para
tentar misturar as duas fases imiscíveis sem a presença desse agente, observamos a seguinte sequência de
acontecimentos:
Vantagens 
Permitem a
administração
concomitante
de fármacos
solúveis e
insolúveis.
 Permitem o
mascaramento
de sabores
indesejáveis
de fármacos.
 Permitem
a proteção
de
fármacos
de
agentes/
ambientes
agressivos.
 Permitem a
liberação
controlada de
fármacos
(emulsões
múltiplas
principalmente).
 Permitem
veicular
agentes
com
certo
potencial
irritante
na fase
interna
da
emulsão.
Desvantagens 
São naturalmente instáveis, exigindo
um cuidado extra no
desenvolvimento da formulação.
• • • • • 
• 
Fase aquosa e oleosa sem a presença de um agente emulsificante.
Formação de gotículas
Formação de pequenas gotículas da fase dispersa, que resulta em uma grande área superficial e,
consequentemente, em um aumento na energia livre interfacial do sistema. Temos, nesse caso, um
sistema termodinamicamente instável.
Dispersão de gotículas
Gotículas da fase dispersa começam a se juntar, num processo chamado de coalescência, a fim de
tentar reduzir a energia livre interfacial do sistema.
Separação de fases
Ocorre a separação total das duas fases, voltando ao formato original, no qual a energia livre
interfacial do sistema é mínima e, portanto, ele é termodinamicamente estável.
Ao adicionar um agente emulsificante, tornamos possível a mistura dessas duas fases e a formação de uma
emulsão com aparência uniforme. O mecanismo pelo qual isso acontece pode ser explicado por diversas
teorias, as teorias de estabilização das emulsões.
 
Vejamos abaixo cada uma delas:
Teoria da tensão superficial
Quando óleo e água existem como duas fases totalmente separadas, a
energia livre do sistema é mínima e, portanto, ele está estável. A força
que impede que os dois líquidos formem gotículas pequenas e se
misturem para formar a emulsão é chamada tensão superficial.
A adição de um agente emulsificante (como um surfactante) reduz a
atração de cada fase pelas suas próprias moléculas, facilitando a
fragmentação em gotas e reduzindo a tensão interfacial.
Teoria da cunha orientada
Os agentes emulsificantes serão preferencialmente mais solúveis em uma
das fases de uma emulsão. A teoria da cunha orientada diz que esses
agentes irão se orientar na superfície e para dentro da fase com a qual
ele tem mais afinidade em maior intensidade do que na outra.
Em geral, a fase pela qual o agente emulsificante tem mais afinidade
tenderá a ser a fase externa (ou contínua) da emulsão. Assim, geralmenteum agente emulsificante com caráter mais hidrofílico que lipofílico irá
contribuir para a formação de emulsões do tipo O/A, enquanto agentes
emulsificantes com caráter mais lipofílico que hidrofílico favorecerão a
formação de emulsões do tipo A/O. Essa generalização é conhecida
como Regra de Bancroft.
Teoria dos filmes interfaciais
Segundo esta teoria, os agentes emulsificantes são capazes de formar,
na interface entre óleo e água, uma fina camada de filme ao redor das
gotículas, impedindo sua coalescência. Esse filme pode também ser
formado por grupos eletricamente carregados, gerando repulsão entre
gotículas que se aproximam, impedindo a coalescência.
Uma única teoria não é capaz de explicar o mecanismo de ação dos
diversos agentes emulsificantes disponíveis para a manipulação de uma
emulsão. Portanto, as três teorias são aplicáveis no desenvolvimento e
estabilidade das emulsões.
Uma única teoria não é capaz de explicar o mecanismo de ação dos diversos agentes emulsificantes
disponíveis para a manipulação de uma emulsão. Portanto, as três teorias são aplicáveis no desenvolvimento e
estabilidade das emulsões.
Fenômenos de instabilidade de emulsões
Como vimos anteriormente, para as emulsões se manterem estáveis, precisamos que as pequenas gotículas
da fase dispersa permaneçam nesta configuração por um longo período, superando a tendência de se
juntarem umas às outras, gerando gotículas maiores.
 
A estabilização de uma emulsão pode ocorrer por meio da criação de cargas ao redor das gotículas, que
alteram o potencial zeta, ou por um impedimento estérico, quando algum componente localizado ao redor das
gotículas dificulta a aproximação entre elas e a sua coalescência. O primeiro tipo de estabilização é
geralmente alcançado pela utilização de tensoativos iônicos, que possuem carga positiva (tensoativos
catiônicos) ou negativas (tensoativos aniônicos). Já a estabilização estérica ocorre geralmente com
componentes não iônicos, mas com cadeias grandes o suficiente para dificultar a aproximação das gotículas.
Alguns polímeros podem exercer essa função.
 
No entanto, de acordo com a natureza do filme interfacial formado, com a quantidade de agente emulsificante
utilizada, com outros componentes da formulação que podem ser incompatíveis e com fatores externos,
alguns fenômenos de instabilidade podem acontecer. Confira a imagem!
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abaixo.
Fenômenos de instabilidade das emulsões.
Vejamos um pouco mais sobre eles a seguir.
Cremagem
Quando a diferença entre as densidades das fases dispersa e contínua é grande, as gotículas da fase
dispersa tendem a sedimentar (se forem mais densas) ou flutuar (se forem menos densas), formando
uma espécie de “nata” na formulação. Isso pode ser observado com o leite, que é uma emulsão O/A,
quando a nata sobe e cria uma camada na superfície.
Esse processo é reversível e pode ser contornado com a agitação. Apesar disso, sua ocorrência deve
ser evitada, uma vez que o aspecto pode gerar desconfianças por parte do paciente, além de
dificultar a retirada correta da dose de ativo. Além disso, a possibilidade de coalescência fica
aumentada devido à proximidade das gotículas.
A velocidade com que as gotículas se movimentarão seguirá a Lei de Stokes, que vimos
anteriormente. Assim, sabemos que, ao aumentar a viscosidade da fase contínua, a velocidade das
gotículas será reduzida. Isso pode ser feito com agentes espessantes como, por exemplo, os
derivados de celulose. A diminuição do tamanho das gotículas, que pode ser feita utilizando um
moinho coloidal, também tende a diminuir a sua velocidade.
Floculação
A floculação está relacionada a forças coesivas e repulsivas existentes entre as partículas. Mesmo
com filmes interfaciais bem formados, é possível que haja uma interação capaz de gerar a floculação,
ou seja, a associação fraca e reversível entre as gotículas da emulsão, que pode ser revertida com
agitação. No entanto, se essa aproximação entre as partículas for capaz de gerar um
enfraquecimento do filme interfacial, pode haver a coalescência.
Coalescência
A coalescência é um processo irreversível no qual as gotículas se fundem para formar gotículas
maiores. Esse fenômeno geralmente ocorre quando o filme interfacial não é forte o suficiente, ou seja,
os agentes emulsificantes usados não são os ideais para a formulação em questão.
Separação ou quebra da emulsão
Fenômeno irreversível, que consiste na separação total das fases constituintes de uma emulsão. A
quebra da emulsão é consequência da coalescência. Isso porque, quando todas as gotículas de cada
fase estão juntas, podemos enxergar as duas fases completamente separadas, como água e óleo,
caracterizando a quebra. Esse fenômeno pode acontecer, por exemplo, devido à adição de algum
componente incompatível com o agente emulsificante, como agentes tensoativos de cargas opostas,
devido a mudanças de temperatura ou ao crescimento bacteriano.
Inversão de fase
Ao tentar aumentar muito o volume da fase dispersa, é possível que ocorra uma inversão de fase, ou
seja, a conversão de uma emulsão O/A em A/O e vice-versa. Outro fator capaz de induzir à inversão
de fases é a alteração das características dos agentes emulsificantes, que pode ocorrer devido à
adição de algum componente, como eletrólitos, ou, por exemplo, com o aquecimento, como acontece
com emulsões estabilizadas com agentes emulsificantes não iônicos.
Sistema EHL e a escolha dos agentes emulsificantes
De acordo com a intenção de uso e a via de administração, diferentes tipos de emulsão podem ser desejáveis.
Emulsões administradas por via intravenosa devem ser do tipo O/A. Já emulsões destinadas à aplicação tópica
podem ser de ambos os tipos, de acordo com a solubilidade do fármaco e com a consistência e grau de
oclusão/hidratação desejados. Emulsões do tipo A/O são geralmente mais gordurosas e têm maior poder de
fixação e de hidratação que as do tipo O/A.
 
Uma das etapas mais importantes para garantir a estabilidade da formulação é a seleção dos agentes
emulsificantes. Isso deve ser feito a partir do sistema chamado EHL (Equilíbrio Hidrofílico-Lipofílico) no qual as
características de lipofilia e de hidrofilia dos emulsificantes são representadas por um valor numérico. Para
que a emulsificação aconteça, é necessário que ocorra um equilíbrio entre a parte hidrofílica e a lipofílica do
agente emulsificante, ou ele seria totalmente absorvido por uma das fases, não formando a película interfacial
que estabiliza a emulsão.
Comentário
Na maioria dos casos, um único tensoativo não apresenta um equilíbrio perfeito entre hidrofilia e lipofilia,
sendo necessário utilizar uma combinação deles. O valor do EHL é utilizado, então, para saber a
quantidade necessária de cada agente emulsificante. 
O valor de EHL representa a força da parte polar da molécula em relação à força da parte apolar. Assim,
quanto maior o EHL, mais hidrofílico será o tensoativo e, portanto, maior tendência de formar emulsões do tipo
O/A. Por outro lado, quanto menor o EHL, mais lipofílico será o tensoativo, tendendo a formar emulsões do tipo
A/O. É importante destacar que os valores de EHL são característicos para cada substância emulsificante.
 
Vamos ver a seguir o passo a passo para calcular a quantidade necessária dos agentes emulsificantes para
estabilizar uma formulação.
Calcular o EHL requerido pela fase oleosa
Cada componente da fase oleosa (FO) vai precisar de um tensoativo com certa característica de polaridade
para estabilizá-lo. Como a fase oleosa não é composta por apenas um componente, precisamos fazer o
cálculo para saber o valor de EHL necessário para estabilizar a fase como um todo. Para conhecer o EHL
requerido pela fase oleosa, fazemos uma média ponderada, que considera a contribuição individual de cada
componente, de acordo com a quantidade dele na mistura. Veja abaixo:
 
EHLFO = % do óleo na FO x EHL requerido pelo óleo
Teoria na Prática
Como exemplo, vamos calcular o EHL requeridopela FO na formulação abaixo:
Chave de resposta
Etapa 1:
Primeiro precisamos saber a porcentagem de cada óleo na FO. Esse cálculo pode ser feito da seguinte
forma:
Etapa 2:
Conhecendo as porcentagens de cada componente, podemos multiplicar pelo EHL requerido de cada óleo,
fazendo uma média ponderada, da seguinte forma:
EHLFO = % do óleo na FO x EHL requerido pelo óleo
EHLFO = 0,102x15 + 0,53x10,5 + 0,367x9 = 10,43
Calcular as quantidades de cada tensoativo no sistema emulsificante
Uma emulsão é estável quando o EHL do sistema emulsificante é igual ou muito próximo ao EHL requerido
pela fase oleosa (FO).
EHL sistema emulsificante = EHLFO
 
Como o sistema emulsificante geralmente é formado por mais de um tensoativo, precisamos novamente fazer
a média ponderada, que considera a contribuição individual de cada componente, de acordo com a
quantidade dele na mistura. Veja abaixo:
EHL sistema emulsificante = % de emulsificante no sistema emulsificante x EHL do agente emulsificante
Teoria na Prática
Vamos seguir resolvendo o mesmo exemplo. Consideremos que temos disponíveis no laboratório os seguintes
tensoativos, com seus respectivos EHL:
 
Sistema emulsificante:
 
Tween 80 [EHL = 15]
Spam 80 [EHL = 4,3]
Chave de resposta
Etapa 1
Sabemos que a soma dos dois componentes é igual a 100% do sistema emulsificante. Assim, podemos
montar a seguinte equação:
Etapa 2
Podemos agora aplicar essas incógnitas na fórmula abaixo para descobrir as frações de cada tensoativo no
sistema emulsificante:
Etapa 3:
Agora que conhecemos a proporção necessária de cada tensoativo, vamos voltar à formulação do nosso
exemplo. Perceba que são necessários 5 g do sistema emulsificante. Sabendo dessa informação, podemos
calcular agora a massa a ser pesada de cada tensoativo, da seguinte forma:
Resultado:
Ou seja, para atingir o EHL requerido pela FO do exemplo dado, são necessários 2,1 g de Spam 80 e 2,9 g
de Tween 80.
Cálculos de EHL
A especialista Patrícia Dias fala sobre os cálculos de EHL com exemplos de exercícios.
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Formulação e excipientes
A seleção adequada do agente emulsificante ou dos agentes emulsificantes é essencial para a manutenção da
estabilidade de uma emulsão. Já vimos que isso pode ser feito pelo cálculo do EHL.
 
Dentre os agentes emulsificantes mais comuns estão os tensoativos:
Tipo Característica Exemplo
Aniônicos Se ionizam assumindo carga negativa.
Lauril sulfato de
sódio
Catiônicos Se ionizam assumindo carga positiva.
Cloreto de
benzalcônio
Não
iônicos Não possuem tendência à ionização. Polissorbatos
Anfotéricos Se ionizam formando cargas positivas ou negativas, de
acordo com o pH.
Lecitina
Michelle Alvares.
Por possuírem cargas opostas, tensoativos aniônicos e catiônicos são considerados incompatíveis.
Tipos de tensoativos.
Os tensoativos aniônicos perdem sua atividade em pHs muito baixos, assim como na presença de cátions di e
trivalentes. Os catiônicos, por sua vez, perdem a atividade em pHs mais altos e na presença de ânions di e
trivalentes.
 
Os tensoativos não iônicos são os mais utilizados em emulsões farmacêuticas e toleram melhor as variações
de pH e a presença de eletrólitos. Geralmente, a porção hidrofóbica da molécula é composta de um ácido
graxo ou álcool graxo, enquanto a porção hidrofílica é composta de um álcool.
 
Os álcoois de alto peso molecular, como o álcool estearílico, o álcool cetílico e o monoestearato de glicerila,
como mostrado nas imagens a seguir, são muito utilizados na formulação de emulsões por sua capacidade de
espessar e, consequentemente, estabilizar as emulsões. Geralmente são utilizados em combinação com
tensoativos hidrofílicos, interagindo com esses e aumentando a viscosidade da fase externa. Isso dificulta a
movimentação das gotículas da fase interna, aumentando a estabilidade da formulação.
Estrutura química do álcool cetílico.
Estrutura química do álcool estearílico.
Estrutura química do monoestearato de glicerila.
Além dos tensoativos, dos quais já falamos bastante, outros componentes podem ser utilizados na formulação
de uma emulsão, conforme tabela.
Classe
farmacotécnica Exemplo Função
Veículo
Fase aquosa – Água
purificada
Fase oleosa – óleos
vegetais
Incorporar os componentes da formulação
Agentes
reguladores de pH
Tampão citrato e fosfato
Manter o pH dentro de uma faixa
desejada
Antioxidantes
Fase aquosa –
metabissulfito de sódio
Fase oleosa – butil
hidroxi tolueno (BHT)
Proteger os óleos, que são altamente
suscetíveis a oxidação
Classe
farmacotécnica Exemplo Função
Agente de
viscosidade
Polímeros hidrofílicos
(derivados de celulose)
Aumentar a estabilidade, uma vez que
sistemas mais viscosos dificultam a
movimentação das gotículas
Conservantes
Fase aquosa – Nipagin
(Metilparabeno)
Fase oleosa – Nipazol
(Propilparabeno)
Impedir a proliferação microbiana na
formulação
Tabela: Excipientes utilizados em emulsões. 
Michelle Alvares Sarcinelli.
Para o preparo de emulsões, seguimos o processo descrito na Imagem.
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Formação de emulsão O/A.
Caso exista entre os componentes da formulação materiais sólidos ou semissólidos, como ceras, ambas as
fases devem ser aquecidas, separadamente, para que o material sólido se funda, conforme Imagem.
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Preparo de emulsão O/A.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Vimos que os tensoativos são componentes essenciais de uma emulsão e auxiliam na sua
estabilização. Sobre os diversos tipos de tensoativos, assinale a afirmação correta:
A
Tensoativos com características mais polares tendem a formar emulsões do tipo A/O.
B
Tensoativos com características mais hidrofóbicas tendem a formar emulsões do tipo O/A.
C
Tensoativos altamente ionizados e com grupos fortemente polares favorecem a formação de emulsões O/A.
D
Tensoativos pouco dissociados favorecem a formação de emulsões O/A.
E
A escolha do tensoativo influencia na estabilidade da emulsão, mas não no tipo de emulsão formada.
A alternativa C está correta.
Agentes tensoativos carregados como oleatos de sódio e potássio, que são altamente ionizados e possuem
grupos fortemente polares, favorecem emulsões O/A (nas quais a água é a fase contínua), tensoativos
pouco dissociados tendem a produzir emulsões A/O. Da mesma forma, tensoativos não iônicos favorecem
emulsões A/O (nas quais o óleo é a fase contínua) enquanto as emulsões O/A são produzidas por
tensoativos mais hidrofílicos.
Questão 2
Vimos que as emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis e que podem sofrer
alguns fenômenos de instabilidade. Sobre esses fenômenos, assinale a alternativa correta.
A
A floculação é um processo irreversível, no qual as partículas unem-se umas às outras.
B
A cremagem é um processo irreversível, no qual as partículas formam uma espécie de nata na superfície da
emulsão.
C
A quebra da emulsão é um fenômeno reversível e a emulsão pode ser restaurada com agitação.
D
A floculação é um processo reversível, no qual as partículas formam uma espécie de nata na superfície da
emulsão.
E
A cremagem é um processo reversível, no qual as partículas formam uma espécie de nata na superfície da
emulsão.
A alternativa E está correta.
Floculação e cremagem são processos reversíveis, resolvidos com a agitação. Na floculação, as partículas
unem-se frouxamente umas às outras e na cremagem elas flutuam, formando uma espécie de nata. A
quebra da emulsão é um processo irreversível, no qual ocorre a separação total das fases.
3. Géis, pomadas e pastas
Géis
Os géis são sistemas semissólidos, constituídos por partículas coloidais ou por grandes moléculas dispersas
em um veículo líquido. A interação entre esses dois componentes ocorre de modo que uma rede
tridimensional é formada, na qual se tem o veículo.
Rede tridimensional de um gel formada por macromoléculas e um veículolíquido.
O veículo pode ser aquoso, hidroalcoólico, alcoólico ou não aquoso. Já as partículas podem ser polímeros
hidrofílicos ou sólidos inorgânicos dispersos, como argilas.
 
Para os sólidos dispersos, a interação que ocorre entre as partículas para formar a rede tridimensional pode
ser do tipo Van der Waals ou eletrostática.
 
Veja as vantagens e as desvantagens dos géis.
Tipos de géis
Os géis formados por polímeros hidrofílicos são os mais comuns na área farmacêutica. As cadeias poliméricas,
após dispersas no veículo, interagem entre si de forma irreversível ou reversível, originando géis,
respectivamente, químicos (tipo 1) ou físicos (tipo 2).
Géis químicos (tipo 1) 
As cadeias poliméricas unem-se umas às outras por ligações covalentes irreversíveis. O ponto em que as
cadeiras poliméricas se cruzam é chamado de ligação cruzada ou reticulação.
Vantagens 
Sensorial
leve e
agradável.
 Fácil
aplicação.
 Fácil
remoção.
 Podem
ser
aplicados
em peles
oleosas.
Desvantagens 
Propiciam o
crescimento
microbiano.
 Ação mais
superficial
(baixa
penetrabilidade
cutânea).
 Os géis
hidroalcoólicos
tendem a
ressecar a
pele.
• • • • • • • 
Ligações cruzadas ou retículações em polímeros.
Dentre as características deste tipo de gel está a capacidade de suportar grandes quantidade de veículo
líquido sem perder a estrutura tridimensional (até 100 vezes a sua massa original), a resistência à quebra e a
boa flexibilidade.
 
Devido às ligações covalentes, esse tipo de gel não flui ao receber energia. Dentre suas aplicações estão o
uso como curativo em feridas e como implante para liberação controlada de fármacos. Um exemplo de gel
químico são as lentes de contato gelatinosas.
Géis físicos (tipo 2)
Os géis físicos são os mais comuns em formulações farmacêuticas. Neles, as cadeias poliméricas interagem
de forma reversível, por interações intermoleculares que são mais fracas que as ligações covalentes, como
interação de Van der Waals, associação iônica ou interação de hidrogênio.
 
Ao aplicarmos uma força, essas ligações são momentaneamente rompidas, permitindo que o gel flua. Após a
remoção da força, as interações são restauradas e a viscosidade da formulação volta a ser como antes.
Devido a esse comportamento, são chamados de sistemas pseudoplásticos.
 
Dentre os polímeros mais utilizados nesses sistemas temos os derivados de celulose, como a
hidroxietilcelulose, o poli (ácido acrílico) e os polissacarídeos derivados de fontes naturais, como o alginato de
sódio.
Formulação dos géis
Vamos, agora, conhecer os fatores que influenciam as características das formulações e os procedimentos
para formulação dos géis.
Fatores que influenciam as características das formulações
Diversos fatores irão afetar as características da formulação. Vejamos alguns deles:
Massa molar do polímero
Quanto maior a massa molar do polímero hidrofílico, maior será a interação entre as cadeias e,
consequentemente, a viscosidade da formulação será maior.
Natureza do solvente
Quando utilizamos um solvente com o qual o polímero tem afinidade, temos uma expansão das
cadeias poliméricas, a fim de permitir uma maior interação com o solvente. Por outro lado, quando
utilizamos um solvente com o qual o polímero não tem afinidade, as cadeias poliméricas assumirão um
estado enrolado, não expandido, e a gelificação não ocorrerá.
pH da formulação
O pH do solvente irá afetar a ionização dos polímeros, impactando a capacidade de expansão das
cadeias poliméricas.
No estado não ionizado, polímeros ácidos e básicos existem na conformação não expandida, e a
gelificação não ocorrerá. Assim, a formulação deve estar em uma faixa de pH ótima em que obtemos
a expansão máxima das cadeias poliméricas. Essa faixa será diferente para cada tipo de polímero.
Já os polímeros não iônicos não serão tão impactados pela alteração de pH, resistindo a uma faixa
mais ampla.
Força iônica
A presença de eletrólitos na formulação pode gerar uma blindagem da carga dos grupamentos de
polímeros iônicos por um contra-íon, de modo que a interação entre polímero e solvente estará
reduzida, diminuindo a viscosidade da formulação.
Temperatura
A temperatura pode causar um processo de alteração de estado físico em alguns polímeros.
Metilcelulose e hidroxipropilcelulose, por exemplo, sofrem um processo de gelificação em
temperaturas de aproximadamente 60 °C. Uma vez que esta temperatura provavelmente nunca será
atingida após a comercialização e armazenamento do produto, neste caso a situação não é crítica. Já
no caso do Pluronic®, a transição ocorre em aproximadamente 40 °C. Abaixo desta temperatura o
polímero é fluido e, acima, viscoso. Esse tipo de material é utilizado, por exemplo, em supositórios,
quando é interessante que o produto assuma uma característica mais líquida quando em contato com
o calor do corpo.
Procedimentos para formulação dos géis
De um modo geral, para formular géis, dissolvemos os componentes solúveis em água sob agitação. Em
seguida, adicionamos, lentamente, o polímero até que ele se dissolva. É importante que esse processo não
seja feito sob agitação vigorosa pois ela pode gerar o aprisionamento de ar, gerando bolhas e prejudicando a
estética do gel.
Exemplo de procedimentos para formulação dos géis.
No entanto, as etapas para a formulação de géis irão variar em função do tipo de polímero utilizado. Como já
vimos, de acordo com as características do agente gelificante (polímero), diversos fatores poderão interferir
na consistência e estabilidade do produto. Veremos então alguns dos exemplos mais utilizados na área
farmacêutica.
Carbopol® (Carbômero 940)
Os carbômeros são um grupo de polímeros de ácido acrílico solúveis em água. De acordo com o número que
acompanha o nome (neste caso, 940), a massa molar varia, resultando em uma alteração também na
viscosidade final do gel.
 
O carbômero 940, mais conhecido como Carbopol®, é o mais utilizado por gerar uma viscosidade adequada.
Geralmente é adicionado em uma concentração de 0,5% (p/v).
 
Quando colocado em água, ele assume a configuração não expandida com um pH em torno de 3. Por isso, seu
preparo exige o ajuste do pH da formulação para que a gelificação possa ocorrer. De uma forma geral, a
transparência e a viscosidade máximas dos géis de carbômeros são alcançadas em pH 7, porém essas
características começam a ficar aceitáveis em valores de pH em torno de 5, estendendo-se até pH 11.
Atenção
A trietanolamina ou o AMP (amino metil propanol) são geralmente utilizados para o processo de
neutralização (ajuste do pH), ionizando os grupos carboxila pendentes do polímero e resultando na
expansão das cadeias, aumentando a viscosidade. Uma vez que este polímero não é capaz de manter a
viscosidade em pHs muito baixos, não permite a incorporação de ativos ácidos. 
Preparo do gel de carbopol
A especialista Patrícia Dias mostra na prática o preparo do gel de carbopol.
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Natrosol® (hidroxietilcelulose)
O Natrosol é um polímero não iônico, compatível com muitas substâncias solúveis em água. Ele forma
dispersões claras, límpidas, lisas e viscosas. Além disso, forma um gel de fácil remoção, não oclusivo e com
bom sensorial (sensação agradável ao toque).
 
Ao contrário do gel de Carbopol®, permite a incorporação de ativos ácidos.
 
Além dos polímeros, outros componentes são necessários para a formulação de géis, conforme mostrado na
tabela.
Classe
farmacotécnica Exemplo Função
Veículo
Água purificada
Co-solventes:
propilenoglicol e glicerina
Os co-solventes auxiliam na dispersão
do fármaco, quando necessário.
Agentes reguladores
de pH
Tampão citrato e fosfato
Manter o pH dentro de uma faixa
desejada.
Antioxidantes Metabissulfito de sódio Impedir a oxidação da formulação.
Corantes e
essências
Corante lilás e essência
de lavanda
Melhorar a estética da formulação.
Conservantes Metilparabeno
Impedir a proliferação microbiana na
formulação.
Tabela: Excipientes utilizados em géis. 
Michelle Alvares Sarcinelli.Pomadas
Pomadas são formulações semissólidas destinadas ao uso externo, geralmente para aplicação na pele ou em
mucosas, como olho, vagina, entre outras, com o objetivo de tratar infecções, inflamações ou coceiras. Elas
podem conter substâncias medicamentosas ou não, como é o caso das pomadas que são empregadas como
base para a incorporação futura de outros componentes.
Vantagens e desvantagens
Confira as vantagens e desvantagens das pomadas!
As pomadas são produtos altamente emolientes devido a sua composição, contendo, na maioria das vezes,
grande quantidade de ceras e materiais oleosos.
 
Existem diversas bases de pomadas e a escolha da base adequada deve considerar o local de aplicação, a
velocidade necessária de liberação do fármaco da forma farmacêutica, a estabilidade do fármaco e a
viscosidade desejada. Veja a seguir mais informações sobre cada um desses fatores.
Local de aplicação
De acordo com o local de aplicação, diferentes características da pomada serão preferíveis. Se a região for
seca e sem pelos, o ideal é uma base capaz de fazer uma oclusão, diminuindo a perda de água
transepidérmica e aumentando a hidratação da região; por outro lado, se o local for úmido, como mucosas ou
locais purulentos, ou com pelos, o ideal é que a base não seja oclusiva.
Vantagens 
Facilidade de
aplicação na
pele,
acompanhada
de sua
capacidade
de formar
uma camada,
mantendo a
hidratação.
 Ficam
retidas no
local por
longos
períodos,
não
exigindo a
reaplicação
constante
e formando
uma
camada
protetora.
 Boa
formulação
para
fármacos
susceptíveis
à hidrólise,
uma vez
que sua
quantidade
de água
geralmente
é baixa.
Desvantagens 
Sensorial gorduroso, não tão
agradável e de difícil remoção com
água.
• • • 
• 
Pomada aplicada em região seca e sem pelos.
Pomada aplicada em região com pelos.
Velocidade de liberação do fármaco
Para que o fármaco seja liberado da pomada e fique livre para agir na pele, ele precisa estar, em algum nível,
solúvel na formulação para que possa se difundir através da base da pomada até atingir a superfície da pele.
Assim, se o efeito desejado for imediato, devemos escolher uma base na qual o fármaco tenha maior
solubilidade. Por outro lado, se desejamos um efeito prolongado, podemos utilizar uma base na qual o fármaco
seja menos solúvel.
Estabilidade química do fármaco
Para fármacos mais suscetíveis a hidrólise, devemos utilizar uma base não aquosa.
Viscosidade
Em certas situações, a incorporação do fármaco em determinada base de pomada gera a alteração na sua
viscosidade. Esse efeito será mais ou menos intenso de acordo com a concentração e as características do
fármaco. O ideal é fazer testes de compatibilidade para saber se essa alteração ocorre e, em caso afirmativo,
utilizar outra base de pomada.
Tipos de bases
Conhecendo as características importantes para a seleção da base de pomada, vamos agora conhecer os
quatro tipos de base existentes.
Bases de hidrocarbonetos (hidrofóbicas)
As bases de hidrocarbonetos são não aquosas, hidrofóbicas, geralmente constituídas de vaselinas.
Por não terem afinidade com água, são boas para formar um filme oclusivo que impede a perda de
água transepitelial, mantendo a região hidratada. Também por conta dessa característica, são de
difícil remoção com água e suor e, assim, têm uma boa retenção e durabilidade na pele.
As vaselinas utilizadas podem ser sólidas ou líquidas (óleo mineral). As formulações contendo vaselina
líquida requerem a utilização de antioxidantes devido à sua maior tendência de sofrer oxidação.
Bases removíveis/miscíveis em água
As bases miscíveis em água já apresentam um pouco mais de polaridade quando comparadas às
outras duas. Possuem componentes solúveis e insolúveis, que formam emulsões do tipo O/A para
aplicações tópicas. Por serem menos apolares, permitem a incorporação de grandes volumes de
água, não são oclusivas e são facilmente removidas com água. Além disso, seu sensorial é melhor
podendo, inclusive, serem aplicadas nos cabelos.
Um exemplo de base removível é a pomada hidrofílica, composta por vaselina branca e álcool
estearílico.
Bases de absorção
Ao contrário das bases de hidrocarbonetos, que não suportam água na formulação, as bases de
absorção podem conter quantidades significativas de água. Apesar disso, continuam tendo
características que geram oclusão, embora em menor grau que as de hidrocarbonetos, e que
dificultam sua remoção com água, pois ainda possuem características hidrofóbicas.
Dentre os componentes utilizados neste tipo de base, temos a lanolina, uma base emulsionada
derivada da lã de ovelha, constituída por óleos vegetais e parafinas que tem a capacidade de
absorver grandes quantidade de água. Geralmente, utiliza-se até 10% p/p de lanolina em uma
pomada.
Bases solúveis em água/hidrossolúveis
As bases solúveis em água são formadas exclusivamente por componentes solúveis em água. Por
isso, não são gordurosas, são fáceis de remover e compatíveis com a maior parte dos fármacos.
Dentre os componentes utilizados temos os PEGs (polietilenoglicol) de diferentes massas molares,
que permitem chegarmos à consistência desejada. Menores massas molares produzem formulações
mais líquidas e maiores massas molares produzem formulações mais viscosas.
Apesar da afinidade com a água, a incorporação de grandes quantidades de água nesse sistema é
dificultada, pois isso pode dissolver a base da pomada. Assim, elas geralmente são usadas para
incorporação de ativos sólidos.
Além das bases, outros excipientes podem ser adicionados às pomadas para melhorar suas características e
aumentar a estabilidade do fármaco. Vejamos alguns deles na tabela.
Classe
farmacotécnica Exemplo Função
Óleos vegetais
Óleo de semente de
uva
Potencializar as propriedades emolientes e
hidratantes da formulação.
Ésteres orgânicos Miristato de isopropila
Melhorar a espalhabilidade da formulação e
aumentar a dissolução do fármaco na base.
Antioxidantes
Metabissulfito de
sódio
Impedir a oxidação da formulação,
principalmente dos componentes oleosos.
Corantes e
essências
Corante lilás e
essência de lavanda.
Melhorar a estética da formulação.
Conservantes Metilparabeno
Impedir a proliferação microbiana nas
pomadas que possuem maior quantidade de
água.
Tabela: Excipientes utilizados em pomadas. 
Michelle Alvares Sarcinelli.
Pastas
As pastas farmacêuticas são dispersões com grandes concentrações (pelo menos 20%) de substâncias
insolúveis, numa base que pode ser oleosa ou aquosa. Em geral, são utilizadas em condições dermatológicas
nas quais ocorre exsudação, pois a grande quantidade de pó auxilia na absorção de líquidos. 
Na pasta de Lassar, por exemplo, os pós correspondem a 50% da formulação, como podemos ver abaixo:
 
Pasta de Óxido de Zinco (Pasta de Lassar)
 
Óxido de Zinco: 25%
Amido: 25%
Vaselina Branca qsp: 100g
Vantagens e desvantagens
A seguir as vantagens e desvantagens das pastas.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Vantagens 
Devido ao
alto teor de
sólidos, as
pastas são
capazes de
reter
umidade do
local
aplicado,
sendo
adequadas
para
regiões
inflamadas
e com pus.
 Sua alta
concentração
de pós e
opacidade
permitem seu
uso como
filtro solar
físico de boa
durabilidade,
sendo usada
por
esportistas
aquáticos.
 Permitem a
incorporação
de ativos
susceptíveis
à hidrólise
devido ao
baixo teor de
umidade.
Desvantagens 
São de
difícil
remoção
devido à
baixa
afinidade
com a
água.
 Devido ao
alto teor de
pó e à
opacidade,
mancham
roupas com
muita
facilidade.
 Não têm
um
sensorial
agradável
• • • 
• • • 
Vimos que os géis podem ser formados por pequenas partículas ou grandes moléculas dispersas em um
veículo líquido. De acordo com o agente gelificante utilizado, diferentes cuidados serão necessários durante o
preparo. Sobre os diferentes tipos de géis, assinale a afirmação correta:
A
O gel de Carbopol® é constituído por um carbômero que possui viscosidade máxima em pH 4, sendo
necessário fazer o ajuste na formulação.
B
O gel de Natrosol® é constituído de um polímero que possuiviscosidade máxima em pH 4, sendo necessário
fazer o ajuste na formulação.
C
Géis de Carbopol® resistem melhor à incorporação de substâncias ácidas do que os géis de Natrosol®.
D
Géis de Natrosol® resistem melhor à incorporação de substâncias ácidas do que os géis de Carbopol®.
E
Géis de Carbopol® têm viscosidade máxima em pHs ácidos, enquanto géis de Natrosol® têm viscosidade
máxima em pHs básicos.
A alternativa D está correta.
O gel de Carbopol® exibe viscosidade máxima em pH 7, sendo tolerável a partir de 5. Por esse motivo, não
resiste à incorporação de substâncias ácidas. Os géis de Natrosol®, por sua vez, não apresentam essa
característica e, portanto, são os escolhidos para a incorporação de ativos ácidos.
Questão 2
Vimos que as pomadas podem ser muito úteis para alguns casos, mas que também têm
alguns inconvenientes. Sobre as vantagens e desvantagens das pomadas, assinale a
alternativa correta.
A
Normalmente têm o sensorial gorduroso, não sendo muito agradáveis ao toque.
B
Normalmente são fáceis de aplicar e de remover.
C
São capazes de gerar oclusão e hidratação, mas exigem reaplicação constante.
D
Não são adequadas para a veiculação de fármacos susceptíveis à hidrólise devido à quantidade de água na
formulação.
E
Devido à quantidade de água na formulação, são comumente de fácil remoção com água.
A alternativa A está correta.
Devido à grande quantidade de componentes oleosos, as pomadas costumam ser fáceis de aplicar, além de
serem capazes de formar uma camada, mantendo a hidratação. Dessa forma, ficam retidas no local por
longos períodos, não exigindo a reaplicação constante e formando uma camada protetora. São, também,
uma boa formulação para fármacos susceptíveis à hidrólise, uma vez que a quantidade de água geralmente
é baixa.
Por outro lado, como desvantagens temos o sensorial gorduroso, não tão agradável e de difícil remoção
com água.
4. Formulações transdérmicas
Premissa
A aplicação de produtos sobre a pele pode ser feita com o objetivo de uma ação local, como, por exemplo,
uma pomada antipruriginosa, ou com o objetivo de ação sistêmica, quando o fármaco deve atingir a circulação
sanguínea. Nesse caso, chamamos a formulação de transdérmica, e algumas características são
extremamente importantes para que ocorra a absorção do fármaco.
A pele é o nosso maior órgão e sua função é proteger o organismo de fatores ambientais que podem
ser agressivos. Por isso, precisamos conhecer suas características e seus mecanismos de defesa
para, então, entender as particularidades de formulações destinadas a esta região. Vamos lá?
Anatomofisiologia da pele
A principal função da pele é proteger nosso organismo dos agentes agressores externos. Além disso, ela
realiza diversas outras funções fisiológicas, como regulação de temperatura, excreção e metabolismo.
 
A pele é dividida em três camadas principais: epiderme, derme e hipoderme.
Camadas da pele.
Veja a seguir as características de cada uma dessas camadas.
Epiderme
Camada mais externa de pele, composta por um epitélio estratificado, pavimentoso e queratinizado. Divide-se
em epiderme viável (com células vivas) e epiderme não viável (com células mortas), também chamada de
estrato córneo.
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abaixo.
Epiderme.
Confira mais detalhes a seguir!
Estrato Córneo
É composto por aproximadamente 40% de queratina e 40% de água, e tem caráter lipofílico devido à
presença de triglicerídeos, ácidos graxos livres, colesterol e fosfolipídeos.
Queratinócitos
Compõem 80% da epiderme, e se proliferam na camada basal da epiderme, empurrando outros
queratinócitos no sentido da superfície. Quando isso ocorre, eles se achatam e perdem seus núcleos,
sofrendo diferenciação em corneócitos, as células mortas que formam o estrato córneo. A principal
função dos queratinócitos é sintetizar queratina.
Corneócitos
São células anucleadas e têm seu citoplasma preenchido por queratina, uma proteína impermeável à
água. Eles se organizam dispostos um por cima dos outros e intercalados por substâncias
glicolipídicas, semelhantes a tijolos e cimento (Figura 18), formando uma eficiente barreira à
passagem de água e substâncias solúveis em água.
Agora, confira na imagem a organização dos corneócitos intercalados por substâncias glicolipídicas!
Organização dos corneócitos intercalados por substâncias glicolipídicas.
Além dos queratinócitos e dos corneócitos, a epiderme também tem melanócitos (produção de melanina),
células de Langerhans (função imunológica) e células Merkel (integradas ao sistema nervoso).
Derme
É a camada intermediária da pele, que se apresenta grossa, elástica e mais firme. Seus principais
componentes estruturais são o colágeno e a elastina, tecidos conjuntivos que dão força e flexibilidade à pele,
sendo essenciais para a sua saúde e juventude como mostrado na imagem. A matriz extracelular é rica em
glicosaminoglicanos e ácido hialurônico.
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abaixo.
Derme.
Muitos cosméticos anti-idade tentam atingir e ficar retidos nesta camada. Já as formulações transdérmicas
precisam alcançar a corrente sanguínea, o que já é possível nesta camada, que é vascularizada.
Hipoderme
É a camada mais interna da pele, que armazena energia, amortece impactos e isola termicamente o corpo.
Assim, possui importante papel na termorregulação do organismo, na reserva de nutrientes e na proteção
contra traumas mecânicos.
 
Ela é composta principalmente por adipócitos (células adiposas que formam uma espécie de “almofada”),
fibras especiais de colágeno (tecidos conjuntivos soltos e esponjosos que mantêm as células adiposas juntas)
e vasos sanguíneos.
 
Além das camadas já citadas, também podemos encontrar o que chamamos de anexos, como os folículos
pilosos, glândulas sebáceas e ductos sudoríparos. Eles não são muito relevantes para a absorção de fármacos
porque estão presentes apenas em uma pequena proporção da superfície da pele.
Hipoderme.
Sistemas transdérmicos
A administração transdérmica de fármacos objetiva a passagem de substâncias ativas através da superfície
da pele e de suas diversas camadas até atingir a circulação sistêmica.
Atenção
Apesar de também ter a pele como local de aplicação, as formulações tópicas visam um efeito local,
retido na superfície (ex.: repelente) ou nas camadas superficiais da pele (ex.: cosméticos anti-idade),
não atingindo a circulação sanguínea. 
Já vimos que o estrato córneo altamente queratinizado é a principal barreira ao transporte dos fármacos
através da pele. Esse transporte pode ocorrer pela via transcelular (através das células) ou paracelular (por
entre as células), sendo este último o majoritário. Uma vez que as células são unidas entre si por material
lipídico, formulações apolares apresentam maior sucesso nesse transporte. No entanto, se o fármaco for
muito lipofílico, dificuldades poderão ser encontradas nas camadas mais profundas da pele, como na
epiderme aquosa viável.
Fatores que afetam a absorção percutânea
Vejamos, agora, os fatores que afetam a absorção percutânea de fármacos.
Peso molecular do fármaco
Quanto maior o peso molecular do fármaco administrado, menor será a quantidade de fármaco
absorvida.
Coeficiente de partição óleo/água
O coeficiente de partição O/A precisa ser adequado, pois, quanto maior a lipofilicidade do fármaco,
maior a capacidade de ultrapassar o estrato córneo. Por outro lado, alguma solubilidade em água é
necessária para o transporte nas camadas mais profundas da pele.
Grau de dissociação
Quanto maior o grau de ionização do princípio ativo, menor será a capacidade de ultrapassar o
estrato córneo e ser absorvido, uma vez que moléculas não ionizadas têm maior facilidade de serem
transportadas pela via paracelular, na qual predomina o conteúdo lipídico.
Concentração do fármaco
Em geral, quanto maior a concentração de fármaco no sistema transdérmico, maior será a quantidade
de fármaco absorvida por intervalode tempo.
Área de aplicação
Quanto maior a área de aplicação, maior será a quantidade de fármaco absorvida por intervalo de
tempo.
Afinidade pelo veículo e pela pele
É importante que o fármaco tenha mais afinidade pela pele do que pelo veículo da formulação em que
se encontra. Caso contrário, o fármaco tenderá a permanecer associado na formulação e, assim, sua
absorção será restrita.
Grau de hidratação da pele
Quanto mais hidratada a pele estiver, maior será a absorção do fármaco, pois gera o intumescimento
(inchaço) do estrato córneo, aumentando sua permeabilidade.
Região de aplicação
Regiões com uma camada córnea mais fina terão maior absorção do fármaco, enquanto regiões com
camadas córneas mais espessas terão menor absorção.
Promotores de absorção cutânea
Existem algumas formas de aumentar a absorção percutânea. Geralmente, isso é feito por meio de promotores
de absorção, que interagem com os componentes do estrato córneo, reduzindo, de forma reversível, a
resistência cutânea à difusão do ativo. O promotor de absorção ideal é inerte, atua de maneira reversível, é
atóxico, não irritante e compatível com a formulação.
 
Eles podem ser classificados em físicos e químicos.
Promotores físicos de absorção cutânea
A massagem e a iontoforese são exemplos de promotores físicos. A
massagem estimula a liberação de histamina e acetilcolina, gerando
vasodilatação e aumento do fluxo sanguíneo, facilitando a absorção do
fármaco. Já a iontoforese é um método eletroquímico, que cria um
gradiente de potencial elétrico na pele por meio de corrente elétrica ou
voltagem. Um fármaco carregado é colocado sob o eletrodo de mesma
polaridade, de modo que, quando a corrente flui, ele é repelido em
direção à pele.
Promotores químicos de absorção cutânea
São compostos que reduzem a resistência do estrato córneo devido a
alterações como na hidratação do estrato córneo, na mudança na
estrutura dos lipídeos intercelulares, entre outros. Sua seleção deve
considerar sua toxicidade dérmica e sua compatibilidade físico-química
com os outros componentes do sistema.
A água é o promotor químico de absorção mais usado porque, como já
vimos, quanto maior a hidratação, maior a absorção dos fármacos. Além
dela, álcoois de baixa massa molar também são utilizados, como o etanol,
o propilenoglicol, entre outros.
Adesivos transdérmicos
Os adesivos transdérmicos, também conhecidos como patches, são os produtos transdérmicos mais
amplamente conhecidos. Existem os sistemas simples, formados apenas pelo fármaco em um adesivo, ou
sistemas mais elaborados, que podem ser de dois tipos:
 
Sistemas transdérmicos reservatórios, que controlam a velocidade de liberação do fármaco para a
pele.
 
Sistemas transdérmicos matriciais, que permitem que a pele controle a velocidade de absorção.
Independentemente do tipo, os adesivos precisam fazer a oclusão da pele para garantir o fluxo unilateral do
fármaco no estrato córneo, não devem irritar ou sensibilizar a pele, e devem aderir bem à pele e ter tamanho e
aparência adequados para aumentar a adesão do paciente.
 
Por serem destinados à absorção sistêmica do fármaco, alguns cuidados devem ser tomados com o uso de 
adesivos transdérmicos. Em primeiro lugar, sua aplicação deve ser feita na região recomendada pelo
fabricante. Já vimos que a absorção é variável dependendo da região de aplicação, de modo que colocá-lo em
uma região não recomendada pode resultar em doses erráticas. Além disso, o local de aplicação deve estar
limpo e seco, para permitir a correta adesão do sistema.
 
Sua remoção da embalagem deve ser feita de maneira cuidadosa, para não rasgar ou comprometer a dose de
fármaco inicial. Por fim, é importante ressaltar que esses adesivos não devem ser cortados, ou a dosagem de
fármaco será prejudicada.
• 
• 
Sistemas simples de adesivo e fármaco
Os adesivos de nicotina representam esse tipo de sistema. Para fabricá-lo, dissolvemos ou dispersamos o
fármaco em uma substância adesiva e, em seguida, adicionamos uma camada de reforço. Por fim, uma
película removível é aplicada.
Os adesivos de nicotina representam esse tipo de sistema. Para fabricá-lo, dissolvemos ou dispersamos o
fármaco em uma substância adesiva e, em seguida, adicionamos uma camada de reforço. Por fim, uma
película removível é aplicada.
Esse tipo de sistema não suporta grandes quantidades de fármaco, sendo, geralmente, de uso diário.
Sistemas reservatórios ou controlados por membrana
Esses sistemas constituem um reservatório dentro do qual o fármaco está inserido na forma sólida,
semissólida ou suspensa em um líquido.
As paredes do reservatório são impermeáveis de um lado e porosas ou microporosas do outro, que são
responsáveis pelo controle da liberação do fármaco. Essa liberação ocorre em uma velocidade menor do que a
capacidade de absorção na pele, de modo que a absorção é controlada pelo sistema transdérmico, e não pela
pele.
Comentário
Uma vantagem desse tipo de adesivo é que, enquanto a solução do fármaco no reservatório permanecer
saturada, a velocidade de liberação do fármaco através da membrana permanecerá constante, devido
ao gradiente de concentração entre o adesivo e a pele. Como desvantagem, podemos citar o fato de o
fármaco se encontrar todo dentro do mesmo compartimento. Caso a membrana se rompa, o fármaco
fica exposto e perde-se o controle de sua liberação. 
Uma vez que existe uma membrana que controla a liberação do fármaco, nesse tipo de sistema geralmente se
adiciona um pouco de fármaco à camada adesiva para que o efeito comece antes.
 
Além da membrana limitante da taxa, existem ainda a substância adesiva, a camada de reforço e a película
removível.
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abaixo.
Estrutura do adesivo transdérmico reservatório Transderm-Nitro (summit).
Para preparar esse tipo de sistema, iniciamos pela parte responsável pela liberação, enchemos o reservatório
com o fármaco e, por fim, fazemos a selagem ou laminação.
Sistemas monolíticos ou matriciais
Esses sistemas são os mais utilizados. Neles, o fármaco é disperso em uma matriz polimérica contendo uma
camada adesiva, que controla a liberação do fármaco. Um lado da matriz permanece em contato com a pele,
enquanto o outro lado é protegido por uma membrana laminada. O fármaco se difunde pela estrutura até o
local de absorção.
 
É possível que a matriz contenha ou não um excesso de fármaco em relação à solubilidade. Quando não tem
excesso, o fármaco fica disponível para manter a saturação do estrato córneo apenas enquanto seu nível no
dispositivo exceder o limite de solubilidade na pele. Conforme a concentração de fármaco no dispositivo
diminui abaixo do limite de saturação da pele, o transporte de fármaco do dispositivo para a pele diminui. Por
outro lado, quando trabalhamos com excesso, a reserva garante a continuidade da saturação contínua no
estrato córneo. A velocidade de liberação diminui mais lentamente do que no sistema sem excesso.
Ao contrário do sistema reservatório, a velocidade de fármaco liberada é maior do que a capacidade
de absorção da pele, sendo esta última responsável pelo controle do processo.
Para preparar esse tipo de sistema o fármaco e o polímero são misturados e submetidos a um processo de
secagem, formando uma matriz gelificada. Esta será, então, incorporada entre a camada de reforço e a
película removível.
Diferenças entre adesivos matriciais e reservatório
A especialista Patrícia Dias fala sobre diferença entre adesivos matriciais e reservatório.
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Teremos, então, a possibilidade das seguintes camadas para um sistema de liberação transdérmico:
 
1. Película removível: para ser retirada pelo paciente antes da aplicação.
 
2. Camada adesiva: para manter a adesão à pele após a aplicação.
 
3. Membrana limitante/semipermeável: separam o reservatório da substância adesiva.
 
4. Matriz ou reservatório: região onde o fármaco estará, de fato, dissolvido ou disperso

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