Prévia do material em texto
<p>Autor: Prof. Jair Aparecido Ártico</p><p>Colaboradores: Prof. Santiago Valverde</p><p>Prof. Jean Carlos Cavaleiro</p><p>Logística Integrada:</p><p>Produção e Comércio</p><p>Professor conteudista: Jair Aparecido Ártico</p><p>Jair Aparecido Ártico, 45 anos, casado, paulista, nascido e residente na capital.</p><p>• Formação</p><p>Mestre em administração de empresas, especialista em docência do ensino superior, graduado em administração de</p><p>empresas. Tem, ainda, complementação pedagógica, licenciatura plena em matemática e é técnico em informática.</p><p>• Lugar institucional</p><p>Atua como professor e coordenador de pós-graduação na UNIP (Universidade Paulista), desde 2006 é professor</p><p>orientador do PIM (Projeto Integrado Multidisciplinar) dos cursos de gestão / EaD e representante suplente da</p><p>Fig-Unimesp (Centro Metropolitano de São Paulo) no Conselho de Desenvolvimento Econômico de Guarulhos.</p><p>• Trajetória profissional</p><p>Tem mais de 25 anos de experiência profissional adquirida em diversas empresas, sendo algumas delas na área de</p><p>administração e informática, como Grupo Ultra, Volkswagen e Ford. Hoje, atua como professor e coordenador de curso</p><p>na área de gestão, administração e negócios.</p><p>© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou</p><p>quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem</p><p>permissão escrita da Universidade Paulista.</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>A787 Ártico, Jair Aparecido</p><p>Logística integrada : produção e comércio. / Jair Aparecido</p><p>Ártico - São Paulo: Editora Sol.</p><p>132 p., il.</p><p>1. Administração 2. Logística 3. Produção e comércio I. Título</p><p>CDU 658.78</p><p>Prof. Dr. João Carlos Di Genio</p><p>Reitor</p><p>Prof. Fábio Romeu de Carvalho</p><p>Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças</p><p>Profa. Melânia Dalla Torre</p><p>Vice-Reitora de Unidades Universitárias</p><p>Prof. Dr. Yugo Okida</p><p>Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa</p><p>Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez</p><p>Vice-Reitora de Graduação</p><p>Unip Interativa – EaD</p><p>Profa. Elisabete Brihy</p><p>Prof. Marcelo Souza</p><p>Profa. Melissa Larrabure</p><p>Material Didático – EaD</p><p>Comissão editorial:</p><p>Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)</p><p>Dr. Cid Santos Gesteira (UFBA)</p><p>Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)</p><p>Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)</p><p>Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)</p><p>Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)</p><p>Apoio:</p><p>Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD</p><p>Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos</p><p>Projeto gráfico:</p><p>Prof. Alexandre Ponzetto</p><p>Revisão:</p><p>Vitor Andrade Del Mastro</p><p>Sumário</p><p>Logística Integrada de Produção e Comércio</p><p>APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7</p><p>INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7</p><p>Unidade I</p><p>1 EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO PARA ATENDER AO COMÉRCIO ............................................................9</p><p>1.1 Logística integrada ...............................................................................................................................11</p><p>2 INTEGRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTO – SUPPLY CHAIN MANAGEMENT ...................... 16</p><p>2.1 Gerenciamento da cadeia de suprimento .................................................................................. 20</p><p>2.2 O produto da cadeia de suprimentos/logística ........................................................................ 46</p><p>Unidade II</p><p>3 GESTÃO DA PRODUÇÃO ............................................................................................................................... 55</p><p>3.1 Evolução da produção para atender a demanda .................................................................... 55</p><p>3.2 Classificações dos sistemas de produção ................................................................................... 56</p><p>3.2.1 Sistemas flexíveis de manufatura .................................................................................................... 56</p><p>3.3 Contribuição japonesa aos sistemas de produção .................................................................. 58</p><p>3.3.1 Objetivos do sistema kanban ............................................................................................................. 59</p><p>4 ARRANJO FÍSICO E FLUXO ........................................................................................................................... 60</p><p>4.1 Conceito e aplicação ........................................................................................................................... 60</p><p>4.2 Tipos de arranjo físico ......................................................................................................................... 61</p><p>4.3 O arranjo físico em relação às dimensões volume/variedade ............................................ 63</p><p>Unidade III</p><p>5 PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO .................................................................................... 65</p><p>5.1 O que é planejamento e controle? ................................................................................................ 65</p><p>5.2 Tarefa de planejamento e controle ............................................................................................... 66</p><p>5.3 Natureza da demanda e do fornecimento ................................................................................. 68</p><p>5.4 Demanda versus capacidade de produção ................................................................................ 69</p><p>6 INTEGRAÇÃO DA PRODUÇÃO COM OUTRAS ÁREAS ........................................................................ 73</p><p>6.1 Gerenciamento de estoque pelo fornecedor ............................................................................ 79</p><p>6.2 Comércio eletrônico ............................................................................................................................ 79</p><p>6.3 Estoque ..................................................................................................................................................... 81</p><p>6.4 Estoques virtuais ................................................................................................................................... 89</p><p>Unidade IV</p><p>7 LOGÍSTICA REVERSA ...................................................................................................................................... 91</p><p>7.1 Conceitos ................................................................................................................................................. 91</p><p>8 QUESTÕES LEGAL, AMBIENTAL E ESTRATÉGICA ................................................................................100</p><p>8.1 Questão legal .......................................................................................................................................100</p><p>8.2 Questão ambiental .............................................................................................................................104</p><p>8.3 Questão estratégica ...........................................................................................................................107</p><p>7</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Caro aluno,</p><p>Por meio do conhecimento da logística integrada, você terá oportunidade de conhecer como</p><p>as empresas utilizam essa ferramenta de forma estratégica e como é realizada a integração com</p><p>as outras áreas da empresa, principalmente com a área comercial. O desenvolvimento tecnológico</p><p>tem acarretado inúmeras transformações na sociedade contemporânea, especialmente nos últimos</p><p>anos. A sociedade tem se beneficiado desse progresso, usufruindo dos recursos tecnológicos muitas</p><p>vezes sem ter consciência de seus usos e a importância em seu cotidiano. Com o aprimoramento da</p><p>tecnologia, a logística pôde melhorar sua administração, tanto no controle de estoque, armazenamento</p><p>e distribuição, como em outros aspectos:</p><p>Ministério de Indústria e Comércio. A leitura dos códigos de barras é realizada</p><p>por equipamentos denominados como scanner, pistolas laser e canetas ópticas.</p><p>A tecnologia do código de barras foi criada para identificar os produtos que são comercializados</p><p>aqui no Brasil e no mundo. O padrão seguido é administrado pela organização norte-americana Uniform</p><p>Code Council — UCC, chamado de EAN-13. Dos treze números que aparecem nas embalagens, os seis</p><p>primeiros são emitidos por esta organização. Os três seguintes indicam o país em que o objeto foi</p><p>produzido. Os quatro números finais determinam o fabricante.</p><p>País onde o produto é fabricado (no caso de Portugal,</p><p>os três primeiros dígitos são 560).</p><p>Identificação da empresa.</p><p>Dígito de controle, que é calculado em função</p><p>dos outros doze e tem como obrigação garantir a</p><p>fidelidade do código como um todo.</p><p>Identificação da produto.</p><p>Código de barras explicado aos consumidores</p><p>O código de barras contém diversas informações que</p><p>são codificadas em 13 digitos.</p><p>Figura 17 – Explicação do código de barras</p><p>36</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>Todos os países têm uma identificação e a do Brasil é 789. A seguir, alguns exemplos de identificação</p><p>de países:</p><p>• Portugal – 560</p><p>• Colômbia – 770</p><p>• Uruguai – 773</p><p>• Peru – 775</p><p>• Bolívia – 777</p><p>• Argentina – 779</p><p>• Chile – 780</p><p>• Paraguai – 784</p><p>• Equador – 786</p><p>• Brasil – 789</p><p>Saiba mais</p><p>Se você quiser saber mais sobre a origem dos países nas embalagens dos</p><p>produtos, consulte o site <http://testemunhos.vilabol.uol.com.br/estudos/</p><p>Cod_Barras.html>. Acesso em: 20 jul. 2011.</p><p>Outro modelo de código de barras é o EAN/UCC-14. Esse código permite a identificação da embalagem</p><p>de comercialização do produto. É uma estrutura que migrou do código EAN-13 e inclui um dígito que</p><p>identifica a quantidade de produto ou a quantidade de embalagens.</p><p>O EAN/UCC-128 é um código de barras projetado para conter um maior número de informações</p><p>sobre os produtos. Esse código permite incluir dados adicionais, tais como:</p><p>• Data de fabricação.</p><p>• Data de validade.</p><p>• Município.</p><p>• Outros.</p><p>37</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>A figura a seguir mostra a simbologia EAN UCC 128; é composta por identificadores de aplicação</p><p>(que possibilita dados fixos e variáveis e o uso em uma mesma estrutura). Mostra-se, a seguir, o SUS</p><p>– identificador de aplicação (01), que será constante e será composto:</p><p>(01)0789123490001D(17)991225(90)0000000010D99667777D</p><p>Figura 18 – Aplicação do EAN-UCC128 na identificação para empresas privadas</p><p>(01) = identificador de aplicação produto ou serviço – EAN13 – padrão internacional.</p><p>0789 = identifica o Brasil internacionalmente dentro do sistema EAN.</p><p>1234 = empresa de saúde – licenciado pela EAN Brasil com 04 dígitos.</p><p>9 = o primeiro dígito representa os diferentes sistemas de medicina supletiva.</p><p>0001 = código de tipo/plano/categoria – controlado pela empresa de saúde com 04 dígitos.</p><p>D = dígito verificador – mediante um cálculo algoritmo do padrão EAN.</p><p>(17) = identificador de aplicação de validade máxima (identificador opcional – a empresa de saúde</p><p>define a utilização ou não dessa informação para controle de validade do cartão).</p><p>991225 = ano, mês e dia.</p><p>(90) = identificador de aplicação de uso interno e/ou de comum acordo – padrão internacional.</p><p>0000000010 = registro de identificação civil do beneficiário da prestação de serviço (10 dígitos).</p><p>D = dígito de controle.</p><p>99 = código do dependente com 02 dígitos.</p><p>66 = código do estado (UF) com 02 dígitos.</p><p>7777 = código de município fornecido pelo IBGE com 04 dígitos.</p><p>D = dígito de controle (UF + IBGE).</p><p>38</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>A leitura dos códigos de barras é realizada por equipamentos denominados scanner, pistolas laser e</p><p>canetas ópticas. Para que a leitura seja efetuada, basta que posicionemos o código de barras na altura</p><p>especificada para que o equipamento faça a leitura. As aplicações do código de barras são inúmeras.</p><p>Além do grande avanço na sua utilização nas embalagens industriais e comerciais, promoveu uma</p><p>sensível melhora na produtividade, no manuseio e no despacho de cargas e serviços de atendimento a</p><p>clientes, como é o caso de uma loja de departamentos ou mesmo um supermercado. Essa tecnologia de</p><p>código de barras teve sua aplicação estendida para o controle de pacientes em hospitais.</p><p>Identificação por radiofrequência</p><p>A tecnologia não parou no código de barras. A identificação por radiofrequência é uma tecnologia</p><p>mais recente que vem sendo expandida na coleta automática de dados.</p><p>A operação de um sistema de identificação por radiofrequência requer um conjunto de equipamentos:</p><p>etiquetas, antenas que utilizam as ondas de radiofrequência para leitura das etiquetas (RF-TAG)</p><p>e os controladores que são responsáveis pelo gerenciamento da comunicação entre as antenas e os</p><p>computadores responsáveis pela decodificação das informações na RF-TAG.</p><p>A tecnologia de RFID que é associada ao software de gerenciamento de ciclo de vida de produto,</p><p>permite controlar e rastrear matéria-prima e produtos; também possibilita, por exemplo, que as indústrias</p><p>de alimentos controlem e rastreiem os ingredientes utilizados em seus produtos, tais como carne, desde o</p><p>matadouro até as instalações de produção de alimentos, centrais de distribuição e fornecedores. O projeto</p><p>de TI utiliza uma etiqueta fixada na orelha dos animais habilitada para a TI de RFID; a ideia é desenvolver</p><p>um número de identificação único, em que os animais, ao nascerem, receberiam uma etiqueta de RFID.</p><p>Observação</p><p>A tecnologia RFID — identificação por rádio frequência é encontrada</p><p>em muitos locais, porém, podemos citar o Grupo Pão de Açúcar como um</p><p>dos pioneiros, pois já utiliza a etiqueta há alguns anos na unidade instalada</p><p>no Shopping Iguatemi, em São Paulo.</p><p>Figura 19 – Sistema Siniav</p><p>39</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>Lembrete</p><p>Outro estudo de implantação foi realizado pela Prefeitura de São Paulo,</p><p>que em 2008 assinou um convênio com a Siniav — sistema nacional</p><p>de identificação automática de veículos para que os veículos da cidade</p><p>possuíssem essa etiqueta eletrônica e que, até o mês de maio de 2009,</p><p>todos os veículos seriam licenciados por meio de sua leitura. Infelizmente,</p><p>até hoje, esse projeto não saiu do papel.</p><p>Figura 20 – Utilização do sistema Sem parar/Via fácil</p><p>Também podemos citar como exemplo de RFID o sistema Sem Parar.</p><p>Para quem ainda não o conhece, é um serviço de pagamento por meio eletrônico para veículos de</p><p>todos os tipos; foi criado para simplificar a vida dos usuários que usam as vias que cobram pedágios,</p><p>permitindo que tenham mais liberdade enquanto dirigem. Com o Sem Parar/Via Fácil, o condutor passa</p><p>direto pelos pedágios e estacionamentos conveniados, pagando os gastos com esse serviço apenas no</p><p>final do mês, por meio do seu cartão de crédito.</p><p>O uso deste serviço é muito simples, você faz a fixação de um dispositivo de identificação no seu</p><p>veículo e, então, não se preocupa com o pagamento avulso e em dinheiro de taxas rodoviárias, bem</p><p>como de estacionamentos de shoppings e aeroportos etc., e também faz um único pagamento em sua</p><p>fatura mensal. Com esse serviço até parece que não existe pedágio:</p><p>Aliado ao sistema de identificação, quer seja pelo uso de código de barras, quer seja mediante</p><p>aplicação das</p><p>etiquetas TAG, é necessário implementar um sistema denominado EDI – Eletronic Data</p><p>Interchange, ou trocas eletrônicas de dados, que será explanado no próximo tópico. A utilização do EDI</p><p>só se torna viável a partir do momento em que as empresas que compõem a cadeia de suprimentos</p><p>se integram, com o objetivo primordial de maximizar os resultados da utilização da troca eletrônica de</p><p>informações.</p><p>40</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>EDI – Eletronic Data Interchange</p><p>Sua aplicação no Brasil, iniciou-se em 1995, nos processos financeiros. Eram utilizadas para transações</p><p>financeiras, transações de valores e outros.</p><p>A utilização do EDI só se torna viável a partir do momento em que as diversas entidades que compõem</p><p>a cadeia de suprimentos se integram com o objetivo primordial de maximizar os resultados da utilização</p><p>da troca eletrônica de informações. O uso do EDI permite que as informações passem a fluir ao longo</p><p>da cadeia de suprimentos, de forma segura, sem qualquer interferência, propiciando, dessa forma, a</p><p>obtenção de dados importantes sobre as transações realizadas.</p><p>Para a efetivação desse processo, a única maneira de fazer a transferência de informações de forma</p><p>rápida, eficiente e segura é por meio de uma conexão computador a computador.</p><p>É evidente que essa troca de informações é realizada de forma estruturada, de acordo com</p><p>padrões preestabelecidos que possam ser reconhecidos por todos os parceiros. Por exemplo: pedidos</p><p>de compra, conhecimentos de embarque, transferências eletrônicas de fundos etc. Um exemplo</p><p>típico: logo após a efetivação de uma compra em um supermercado paga com o cartão de crédito,</p><p>realizamos uma operação de transferência eletrônica de fundos (TEF), na qual nossa conta do cartão</p><p>de crédito passa a ter um débito correspondente ao valor da compra e o mesmo valor passa, então,</p><p>a ser creditado na conta do supermercado. Paralelamente a essa operação, as informações sobre a</p><p>venda do produto passam a ser transmitidas para toda a cadeia integrada, podendo chegar até o</p><p>fornecedor da matéria-prima básica.</p><p>Para que ocorra o EDI é necessária uma tecnologia chamada de VMI — Value Added Network, rede</p><p>de valor adicionado, que tem como finalidade permitir a comunicação entre as empresas.</p><p>A vantagem da VAN é a utilização de um software de comunicação de dados que deve ser instalado</p><p>nos computadores da empresa, permitindo o acesso por meio de um sistema discado (linha telefônica e</p><p>modem), que pode utilizar qualquer plataforma e sistemas dedicados de dados. Tendo em vista que para</p><p>as empresas, ao utilizar diferentes sistemas com formatos específicos para os dados neles existentes,</p><p>torna-se imprescindível que as informações sejam traduzidas para um determinado padrão que permita</p><p>a integração dos diversos parceiros de negócios. Essa tradução dos dados permite que o computador</p><p>de uma empresa possa interpretar e tratar as informações transmitidas pelo EDI de forma única,</p><p>independente dos sistemas que utilizam e do número de parceiros interligados.</p><p>Como a tecnologia da informação permite integrar um grande volume de informações</p><p>preciosas para os negócios das empresas, é necessário um primeiro passo: a integração dos</p><p>sistemas internos da empresa que, em muitos casos, poderá resultar na necessidade de redesenho</p><p>de vários processos que deverão ser ajustados para que o EDI seja utilizado no processo de</p><p>integração com os diversos parceiros. Com o EDI, os documentos são transmitidos e recebidos</p><p>independentemente de fusos horários. Localidade e sistemas computacionais possuem forma</p><p>segura e não têm interferências.</p><p>41</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>A introdução do EDI produz inúmeros impactos no relacionamento entre empresa e seus diversos</p><p>parceiros. Entre eles, destacam-se:</p><p>• Mudança na forma de realizar os negócios, com eliminação de tarefas, alterações nos processos e</p><p>nas relações interpessoais.</p><p>• Integração dos sistemas e processos internos da empresa.</p><p>• Incremento da parceria, haja vista o EDI ser um elemento facilitador que permite a integração das</p><p>empresas na busca de objetivos comuns.</p><p>Idioma comum</p><p>... levam a clareza</p><p>O uso de um idioma comum de comunicação de negócios...</p><p>Distribuidor</p><p>FornecedorFábrica</p><p>Varejo</p><p>Figura 21 – Comunicação EDI</p><p>A utilização de sistemas de processamento das transações em tempo real, a partir da troca eletrônica</p><p>de dados com o uso do EDI, tem inúmeros benefícios para a cadeia de suprimentos, a começar pela</p><p>redução dos tempos de preparo e processamento de documentos, diminuição dos custos de estoques,</p><p>baixa incidência de erros no embarque de mercadorias, tempos de reabastecimento mais compactos</p><p>etc.</p><p>De acordo com Harmon (1994), a introdução de novas tecnologias no gerenciamento da cadeia de</p><p>suprimentos permitiu atingir índices de eficiência bastante expressivos como, por exemplo:</p><p>• Redução de 50% nos tempos de atendimento aos clientes.</p><p>• Redução de 50% nos investimentos em estoques existentes no fluxo logístico e na produção.</p><p>• Redução de 25% nos custos de processamento das transações.</p><p>• Aumento de 75% na acurácia dos estoques.</p><p>42</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>Um exemplo de EDI muito eficiente é da rede de supermercados Wal-Mart, implantado desde 1997,</p><p>em Bentonville, Arkansas. Esse sistema via satélite fornece dados, som e vídeo, bem como permite a</p><p>obtenção de informações relativas a vendas e estoques em tempo real, permitindo a emissão de pedidos</p><p>eletrônicos de compra e também receber faturas eletrônicas de praticamente todos os fornecedores da</p><p>rede.</p><p>Saiba mais</p><p>Você pode saber mais, acessando: <http://www.bompreco.com.br/</p><p>servlets-notitia2/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publ</p><p>icationCode=1&pageCode=872&date=currentDate>. Acesso em: 2 ago.</p><p>2011.</p><p>ECR – Efficient Consumer Response</p><p>O segmento de supermercado tem, tradicionalmente, trabalhado com margens operacionais muito</p><p>pequenas e tem intensa pressão de várias fontes. De um lado, consumidores esperam uma variedade</p><p>maior, qualidade, conveniência e preços baixos. De outro lado, novos canais de distribuição de produtos</p><p>alimentícios e não alimentícios como lojas de conveniência, depósitos de descontos e outros tipos de</p><p>varejos mistos têm aumentado as pressões competitivas, causando impacto nas margens. Ao mesmo</p><p>tempo, o custo de fazer negócio e gerir uma empresa continua a crescer, apesar de várias iniciativas</p><p>contrárias.</p><p>As empresas, em geral, e principalmente o segmento de supermercado, encontram-se em uma</p><p>encruzilhada. São “obrigados” a agregar valor ao consumidor ao mesmo tempo em que devem manter</p><p>seus negócios lucrativos.</p><p>O valor ao consumidor é criado por meio de melhores produtos, preços baixos, maior variedade e</p><p>conveniência, melhor disposição e produtos mais frescos. Para oferecer isso aos consumidores, a indústria</p><p>precisa conseguir economias mediante melhorias de eficiência, giros mais rápidos de estoque, menor</p><p>nível de inventário e perda reduzida de produtos.</p><p>Para resolver essa situação, a metodologia indicada é o ECR. De acordo com Ching (2001),</p><p>ECR é uma iniciativa em que fabricantes de produtos alimentares e não alimentares, varejo,</p><p>atacado de demais facilitadores trabalham em conjunto para reduzir custos dessa cadeia</p><p>logística integrada e também trazer maior valor ao consumidor de supermercados (elo final</p><p>dessa cadeia).</p><p>Essa iniciativa está transformando as relações de negócio entre os integrantes dessa cadeia logística</p><p>e apoia-se em ferramentas e estratégias que permitem</p><p>responder às necessidades crescentes e variadas</p><p>dos consumidores.</p><p>43</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>As estratégias são:</p><p>Introdução eficiente de produtos ou Efficient Product Introduction</p><p>Maximiza a eficiência do desenvolvimento e da introdução de novos produtos. Tanto o distribuidor</p><p>como o fornecedor discutem os resultados de suas pesquisas de necessidades aos consumidores e</p><p>tendências de consumo, bem como quais são as oportunidades comuns e também quais produtos</p><p>devem ser lançados. Após diversos testes, eles decidem o que fazer. Podem lançar o produto, modificá-lo</p><p>ou simplesmente abandoná-lo. O diferencial nessa etapa é que o distribuidor é envolvido em todas as</p><p>etapas do teste e está comprometido com o resultado.</p><p>Sortimento eficiente da loja ou Efficient Store Assortment</p><p>Otimiza estoques, prateleiras e espaços da loja, almejando encontrar o mix ideal de mercadorias que</p><p>satisfaça às necessidades dos consumidores. A ideia dessa estratégia é fazer que o fornecedor e o canal</p><p>conheçam o perfil de seus clientes, cruzando informações dos produtos em forma de matriz. O objetivo</p><p>final dessa estratégia é aumentar a rotação de estoque dos produtos e incrementar o volume de vendas</p><p>por metro quadrado.</p><p>O canal deve possuir o perfil e os hábitos dos clientes de sua loja: saber quem são, o que levam, dias</p><p>e horários preferidos de compra; já o fornecedor do produto possui informações consolidadas sobre</p><p>hábitos de consumo e preferências de todo o mercado.</p><p>Promoção eficiente ou Efficient Promotion</p><p>Busca a eficiência de promoção de venda do atacadista / fabricante em relação ao cliente. Essa</p><p>estratégia visa simplificar os acordos promocionais entre os integrantes da cadeia de distribuição, bem</p><p>como negociar o preço (chamado de desconto contínuo). Significa repartir os ganhos derivados da</p><p>simplificação e da redução de gestão de promoções de ambos os lados, além de ganhos nas demais áreas</p><p>estratégicas.</p><p>Reposição eficiente ou Efficient Replenishment</p><p>Otimiza a eficiência da reposição dos produtos nas prateleiras. O cliente deseja receber o produto</p><p>certo, na hora certa, no local certo, na quantidade certa e com a devida qualidade. Entregar isso ao</p><p>cliente parece muito simples, mas não é! Existem inúmeras atividades dentro da logística, sem contar o</p><p>fluxo de informações e os controles administrativos.</p><p>Para efetuar uma reposição eficiente, é necessário que todo o processo de recebimento de</p><p>mercadoria seja informatizado por meio de softwares que estejam interligados com os fornecedores.</p><p>Estes, após a saída da mercadoria da fábricam, notifica, por meio desse software, o cliente com</p><p>informações da remessa: data esperada de chegada no cliente, número da nota fiscal, volume,</p><p>produto etc.</p><p>44</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>É necessário haver um controle permanente do estoque da loja por meio da leitura de códigos</p><p>de barra nas saídas das mercadorias nos check out e também do recebimento eletrônico. Para que a</p><p>reposição automática seja feita com precisão pelo fornecedor, é necessário, além do código de barra</p><p>(para leitura correta do preço do produto) que o mesmo seja feito em relação a tamanho, embalagem, cor</p><p>ou sabor do produto. Na indústria, isso é denominado SKU, ou seja, cada produto pode ter um tamanho</p><p>distinto, embalagem, cor etc. Para concluir essa estratégia, é necessário que a emissão de pedido seja</p><p>automatizada por computador e que seja transmitida via EDI (transmissão eletrônica de dados).</p><p>Rastreamento de frotas</p><p>Segundo Garcia (2006), o mercado de transporte no Brasil está em pleno processo de reestruturação,</p><p>à medida que existe o processo de globalização e entrada de concorrentes estrangeiros, inclusive em</p><p>termos de custos. Este fato não é tão prejudicial aos concorrentes nacionais, pois, com a concorrência</p><p>estrangeira, houve a implementação de ferramentas modernas de gerenciamento, tornando, assim, o</p><p>setor logístico mais dinâmico.</p><p>Os grandes beneficiados com a entrada dos concorrentes no país foram, sem dúvida, os clientes. Isso</p><p>ocorreu pelo fato de terem passado a desfrutar de serviços de maior qualidade, a um preço melhor e</p><p>com soluções inovadoras.</p><p>A partir desse momento, surgiram algumas tecnologias importantes para o monitoramento de cargas</p><p>e frotas, controle do tempo, qualidade do produto etc. Uma das mais eficientes tecnologias utilizadas</p><p>para o monitoramento de frotas é o GPS.</p><p>Conforme Monteiro e Bezerra (2003), o rastreamento é o processo de monitorar um objeto enquanto</p><p>ele se move. Hoje em dia, é possível monitorar a posição ou movimento de qualquer objeto, utilizando-se</p><p>de equipamentos de GPS aliados a links de comunicação. O casamento GPS + comunicação é necessário,</p><p>pois o receptor GPS localiza sua própria posição; esta deve ser transmitida via canal de comunicação</p><p>para uma central, que fará efetivamente o monitoramento. Esta tecnologia é comumente conhecida</p><p>como AVL — Automatic Vehicle Location.</p><p>GPS é um sistema de posicionamento mundial formado por uma constelação de 24 satélites que</p><p>apontam a localização de qualquer corpo sobre a superfície terrestre. Um aparelho receptor GPS recebe</p><p>sinais desses satélites, determinando, assim, sua posição exata na Terra e com uma precisão que pode</p><p>chegar à casa dos centímetros.</p><p>De acordo com Vizenzzotto e Vernini (2010), o GPS é uma tecnologia inovadora que auxilia muito</p><p>na logística de uma organização, já que permite ao seu usuário saber, com exatidão, a localização de</p><p>sua frota, para evitar desvios, melhorar a qualidade dos serviços e, consequentemente, trazer lucro e a</p><p>satisfação aos clientes.</p><p>Os autores Vizenzzoto e Vernini ainda comentam que, no Brasil, a logística teve seu início</p><p>recentemente e desenvolveu-se a partir de 1994, em práticas de gerenciamento e em tecnologias</p><p>usadas e aplicadas. Isso ocorreu devido à estabilização da economia com o Plano Real, a evolução da</p><p>45</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>informática e da tecnologia de informação e também pelo foco na administração de custos. Porém,</p><p>mesmo atualmente, o crescimento da logística ainda não é suficiente para suprir a capacidade de</p><p>escoamento da produção do país, pois o setor não possui os investimentos necessários para haver um</p><p>maior crescimento na área. É importante ressaltar que o início do marketing eletrônico (e-commerce)</p><p>ajudou a impulsionar a área da logística.</p><p>A empresa TRELSA – Transportes Especializados de Líquidos S/A é um bom exemplo para o estudo</p><p>do rastreamento de frotas. Foi fundada em 02 de janeiro de 1957, operando no mercado brasileiro de</p><p>transportes rodoviário de líquidos a granel.</p><p>Toda a sua frota é controlada pelo sistema de rastreamento de frotas via satélite da CONTROLSAT e</p><p>o cliente pode rastrear o seu pedido pelo site.</p><p>Saiba mais</p><p>Saiba mais acessando o site: <http://www.trelsa.com.br/segurança>.</p><p>Acesso em: 15 jun. 2011.</p><p>Para reflexão: Estudo de caso</p><p>O uso estratégico da logística na distribuição de cargas perecíveis</p><p>O texto abaixo foi extraído da USP por meio eletrônico e está disponível em <http://www.ead.fea.usp.br/</p><p>semead/9semead/resultado_semead/trabalhosPDF/450.pdf>. A autora é a Patrícia Pennacchio Mendes Garcia</p><p>(2006) e o título do trabalho é Logística: uma área de caráter estratégico para as empresas brasileiras.</p><p>A distribuição de produtos perecíveis como o iogurte, por exemplo, exige veículos</p><p>frigorificados, que são mais caros e exigem uma atenção redobrada em relação aos prazos</p><p>de entrega. Para se ter uma distribuição</p><p>em tempo correto e condições ideais para consumo,</p><p>as entregas devem ser feitas num prazo de, no máximo, um terço da vida útil dos produtos,</p><p>bem como respeitar as variações máximas de temperatura. Se essas exigências não forem</p><p>cumpridas, toda a mercadoria estará fadada a ir para o lixo, acarretando um enorme prejuízo</p><p>e a perda de credibilidade da empresa de logística.</p><p>O estudo de caso será baseado numa empresa de logística responsável pela distribuição</p><p>das mais importantes marcas de produtos alimentícios no país. Essa empresa destacou-se</p><p>das demais por ter quebrado muitos paradigmas em seis anos de atuação no mercado</p><p>de logística. Para tentar escapar das más condições das estradas brasileiras, a empresa</p><p>fez uma importante parceria, culminando com o desenvolvimento do trem expresso</p><p>frigorificado, que começou a operar em outubro de 2005, e já é responsável por quase</p><p>40% das aves e carnes que chegam ao porto de Rio Grande. Este trem é composto por</p><p>vagões adaptados para receber contêineres de carga congelada, tendo temperatura</p><p>46</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>interna de –18º C. Ao invés de continuar usando e perdendo tempo nas estradas do Brasil,</p><p>a empresa foi inovadora ao usar a malha ferroviária e não ficar esperando uma melhora</p><p>na infraestrutura rodoviária.</p><p>Com o sucesso da distribuição no sul do país, a empresa já investiu 9,5 milhões de</p><p>reais na construção de um trecho para atender o mercado ao norte do país, que é muito</p><p>promissor. Por se tratar de uma distribuição cara, é comum encontrar produtos de marcas</p><p>concorrentes dividindo o mesmo vagão para chegar ao ponto de distribuição, baixando,</p><p>desta maneira, o custo para todos.</p><p>Mesmo existindo essa grande deficiência do transporte rodoviário no Brasil, (segundo</p><p>dados do Ministério dos Transportes apenas 10% das rodovias são pavimentadas, e 74%</p><p>estão em péssimas condições) ele ainda é, de longe, o mais utilizado para a distribuição</p><p>de cargas perecíveis, mas, aos poucos, vem perdendo espaço para o transporte aéreo e</p><p>ferroviário.</p><p>O setor de logística, mesmo sendo o mais cobrado para a redução de custos</p><p>numa empresa, sempre tem que criar soluções novas e, esta afirmação é confirmada</p><p>por um gerente de logística de um importante fabricante de produtos perecíveis:</p><p>“Sempre estamos em busca da melhor opção, no menor tempo, com o menor custo</p><p>possível”.</p><p>A grande preocupação dessa empresa de logística é não afetar a qualidade do produto</p><p>nem do serviço, mas sempre aprimorar o processo.</p><p>O que podemos analisar nesse caso?</p><p>Perceba que o transporte é um dos itens mais importantes dentro da logística. Algumas empresas</p><p>estão mudando a forma de transportar os seus produtos para reduzir seus custos e proporcionar o</p><p>melhor produto para os clientes. No estudo de caso acima, às vezes, é importante uma parceira com o</p><p>seu concorrente para que todos ganhem.</p><p>2.2 O produto da cadeia de suprimentos/logística</p><p>O produto da cadeia de suprimentos/logística é um conjunto de características que o</p><p>profissional de logística tem para criar condições de adaptar aos seus objetivos. Na mesma</p><p>proporção em que as características do produto forem sendo moldadas, e também readaptadas</p><p>com a consequente melhoria de posicionamento no mercado, estará se criando, então, uma</p><p>vantagem competitiva. Os clientes reagirão a isso dando preferência ao produto alvo de todas</p><p>essas atenções.</p><p>O produto é o foco no projeto do sistema logístico, porque ele é o objeto do fluxo da cadeia de</p><p>suprimentos e, em sua forma econômica, o gerador das receitas da empresa. A formulação de bons</p><p>projetos de sistemas logísticos depende do entendimento transparente desse elemento básico. Ele</p><p>47</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>também é a razão para que as dimensões básicas do projeto representadas por suas características,</p><p>embalagem e preço sejam exploradas como um elemento do serviço ao cliente no projeto de</p><p>sistema logístico.</p><p>Natureza do produto logístico / Cs</p><p>Na definição de Juran (1999), um produto é o fruto, ou resultado, de qualquer atividade ou processo.</p><p>O produto é composto por uma parte física e outra intangível, que, juntas, completam a oferta total</p><p>de produtos de uma empresa. A parte física da oferta de produtos é composta de características como</p><p>peso, volume e forma, além de aspectos de desempenho e durabilidade. A parte intangível da oferta</p><p>de produtos tanto pode ser o suporte pós-vendas, a reputação da empresa, a comunicação destinada a</p><p>proporcionar informação correta e atualizada (por exemplo, rastreamento de uma encomenda) como a</p><p>flexibilidade na adaptação às necessidades individuais dos clientes, ou mesmo a disposição de reconhecer</p><p>e retificar erros. A oferta total de produtos de qualquer empresa será um misto de características físicas</p><p>e de serviços.</p><p>Classificando produtos</p><p>Dependendo de quem vier a usar o produto, o projeto do sistema logístico deverá refletir os diferentes</p><p>padrões de utilização. Classificações amplas de produtos são valiosas para sugerir estratégia logística</p><p>e, em muitos casos, para entender porque os produtos são fornecidos e distribuídos em determinadas</p><p>modalidades e maneiras.</p><p>Uma classificação tradicional é aquela que divide produtos e serviços em produtos de consumo e</p><p>produtos industriais.</p><p>Produtos de consumo</p><p>Os produtos de consumo são aqueles dirigidos especificamente aos usuários finais. Os especialistas</p><p>em marketing há muito tempo entenderam as diferenças básicas no comportamento dos clientes que</p><p>os levam a optar entre diferentes bens e serviços, e também entre os locais que os vendem. Assim,</p><p>os especialistas chegaram a uma classificação dos produtos em três ramos principais: produtos de</p><p>conveniência, produtos de concorrência e especialidades.</p><p>Produtos de conveniência</p><p>Os produtos de conveniência são os bens e serviços adquiridos rotineiramente com frequência</p><p>e sem grandes comparações, conforme figura abaixo. Típicos desse ramo são os serviços bancários,</p><p>cigarros e charutos e inúmeros produtos alimentícios. Esses itens, em geral, dependem de uma ampla</p><p>distribuição e de inúmeros pontos de venda. Os custos de distribuição são quase sempre altos, e</p><p>acabam se justificando pelo potencial de vendas que uma distribuição cada vez mais ampla e de</p><p>maior alcance proporciona.</p><p>48</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>Figura 22 – Produtos de conveniência</p><p>Saiba mais</p><p>Nos últimos anos, criou-se uma polêmica em torno dos produtos de</p><p>conveniência do setor farmacêutico. Alguns órgãos entendem que não</p><p>podem ser vendidos e outros que não prejudicam em nada o consumidor.</p><p>Se você quiser saber mais sobre essa discussão, acesse o site disponível em:</p><p><http://www.sincovi.com.br/noticias/farmacias-podem-vender-produtos-</p><p>de-conveniencia/> SINCOVI – Sindicato do Comércio Varejista de Ituiutaba.</p><p>Acesso em: 10 ago. 2011.</p><p>Os níveis de serviço ao cliente definidos em termos de disponibilidade e acessibilidade dos produtos</p><p>precisam ser consideráveis a fim de funcionar como incentivo a um índice razoável de preferência entre</p><p>os clientes.</p><p>Exemplo:</p><p>A Antarctica e a Coca-Cola reconhecem que seus refrigerantes são produtos de conveniência. Por</p><p>isso, um canal de distribuição lógico é o das máquinas automáticas instaladas em qualquer ponto</p><p>de razoável aglomeração de pessoas. Como resultado, os telefones públicos também são localizados</p><p>mediante critérios de saturação e conveniência, e quase da mesma forma que passaram a ser instaladas</p><p>as torres dos telefones celulares que vão paulatinamente causando a</p><p>obsolescência dos tradicionais</p><p>“orelhões”.</p><p>Produtos de concorrência</p><p>São aqueles cujos consumidores/clientes se dispõem a pesquisar antes de optar, pesquisando</p><p>os locais em que estão disponíveis, comparando preços, qualidade e desempenho, e, assim</p><p>concretizando a compra somente depois de uma cuidadosa deliberação. Produtos típicos dessa</p><p>49</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>categoria são as roupas da alta costura, automóveis, móveis residenciais e planos/atendimento</p><p>de saúde. Exatamente em função da disposição do cliente a fazer tais comparações, o número de</p><p>pontos de estocagem é consideravelmente menor que os de bens e serviços de conveniência. Um</p><p>fornecedor individual pode estocar mercadorias ou oferecer tais serviços apenas em pontos fixos</p><p>de uma determinada área de mercado. Os custos de distribuição para esses fornecedores são um</p><p>pouco mais baixos que os do setor de produtos de conveniência, e a distribuição também não</p><p>precisa ser tão ampla.</p><p>Figura 23 – Agência reguladora de planos de saúde do Brasil</p><p>Exemplo</p><p>Os serviços médicos especializados de alto nível concentram-se em um número relativamente</p><p>reduzido de hospitais universitários, clínicas e hospitais privados, em razão dos elevados custos</p><p>das instalações, equipamentos e pessoais altamente especializados. Como os clientes por diversas</p><p>vezes insistem no melhor atendimento possível, eles se dispõem a pesquisar e a viajar para</p><p>tais locais, muitas vezes, deixando de lado provedores de serviços de saúde instalados nas suas</p><p>vizinhanças.</p><p>Produtos de especialidade</p><p>São aqueles pelos quais os clientes se dispõem a fazer sacrifícios e inclusive a esperar o tempo</p><p>que for necessário pela respectiva compra. Exemplos nessa área vão desde raridades culinárias até</p><p>automóveis sob encomenda, ou serviços como consultoria especial de gestão. Como os compradores</p><p>insistem acima de tudo com as marcas, a distribuição é centralizada e os níveis de serviço não precisam</p><p>ser tão exigentes quanto àqueles dominantes entre os produtos de conveniência e/ou concorrência. Os</p><p>custos da distribuição física podem ser os menores entre todas as categorias de produtos. Por causa</p><p>disso, há empresas que se lançam a criar preferência por suas linhas de produto a partir das respectivas</p><p>marcas.</p><p>Exemplos</p><p>Existem músicos profissionais dispostos a fazer até o impossível a fim de encontrar o melhor</p><p>equipamento e, assim, dar o melhor de si pela arte. Por exemplo, clarinetistas dependem da palheta, um</p><p>pequeno pedaço de bambu que, encaixada na boquilha, é posto em vibração pelo sopro e assim produz</p><p>o som do instrumento. Este pedaço de bambu seco pode fazer a diferença entre o sucesso ou o fracasso</p><p>de um instrumentista – essa, pelo menos, é a opinião reinante no meio.</p><p>50</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>Figura 24 – clarinete</p><p>Existe uma determinada marca de palheta, que é um verdadeiro sonho para inúmeros instrumentistas,</p><p>feita no sul da França e distribuída com exclusividade por uma empresa nos Estados Unidos. O dono</p><p>dessa palheta conta, entre outros, o caso de um clarinetista de renome que cada vez o estoque dessa</p><p>preciosa peça está terminando, não vacila em pegar o carro e fazer a viagem de mais de 700 quilômetros</p><p>até a loja para adquirir tal palheta.</p><p>Produtos industriais</p><p>Produtos e serviços industriais são aqueles dirigidos para indivíduos ou organizações que deles fazem</p><p>uso na elaboração de outros bens ou serviços.</p><p>É uma classificação muito diferente da de produtos de consumo. Como são os vendedores que</p><p>normalmente procuram os compradores, não seria relevante fazer uma classificação baseada em padrões</p><p>de compra ou escolha.</p><p>Tradicionalmente, os produtos e serviços industriais são classificados de acordo com a intensidade</p><p>de sua entrada no processo de produção. Por exemplo, existem produtos que fazem parte do produto</p><p>final como matérias-primas e componentes; há aqueles usados no processo de fabricação como</p><p>instalações e equipamentos; e temos igualmente os artigos que não entram diretamente no processo</p><p>como serviços de negócio e suprimentos, embora seja uma classificação valiosa na elaboração de uma</p><p>estratégia de distribuição física. Compradores industriais não costumam manifestar preferências por</p><p>níveis diferentes de serviços nas variadas espécies de produtos. Isso significa simplesmente que as</p><p>tradicionais classificações para produtos industriais podem não ter, na identificação dos canais</p><p>típicos de logística, a mesma utilidade que têm na classificação de produtos de consumo.</p><p>Figura 25 – Flakes (pedaços de PET triturados)</p><p>51</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>A indústria de reciclagem de embalagens descartáveis ainda é algo novo no Brasil. Um dos motivos</p><p>é que o processo ainda tem um custo alto. A fibra PET é obtida por meio da reciclagem de embalagens</p><p>de materiais sintéticos, que são formados de polímeros oriundos da reação do ácido teraftálico e o</p><p>etilenoglicol, conforme figura anterior.</p><p>O processo de obtenção da fibra PET passa pelas seguintes etapas: aquisição da matéria-prima,</p><p>classificação, moagem com lavagem, enxágue, descontaminação, pré-secagem, secagem, eliminação de</p><p>pó, classificação das partículas e ensacagem.</p><p>Os pedaços de PET triturados (flakes) são derretidos até obter uma polpa macia, sendo transformados</p><p>em fio que pode ser tingido de várias cores.</p><p>A fibra PET é fiada industrialmente e tem as cores originais branca, verde e bege; ela pode ser</p><p>misturada ao algodão, linho e viscose para melhorar a leveza, a maciez e o conforto do tecido.</p><p>Também caracterizada pela alta durabilidade como todas as fibras sintéticas, boa resistência à</p><p>abrasão, durabilidade mecânica, elasticidade, sendo resistente aos mesmos agentes químicos que as</p><p>fibras de poliéster nas concentrações e tempo de exposição.</p><p>A matéria-prima adquirida por meio da PET reciclável é utilizada para melhorar o conforto dos</p><p>artigos têxteis e, por não ser absorvente, a fibra PET, atualmente, é misturada a outras fibras mais</p><p>absorventes e são utilizadas em malhas e tecidos, formando brins e outros artigos usados no vestuário,</p><p>decoração e não tecidos.</p><p>Lembrete</p><p>Cerca de 40% de todo PET reciclável é destinado à indústria têxtil.</p><p>O ciclo de vida dos produtos</p><p>Outro conceito tradicional conhecido dos operadores dos mercados é o do ciclo de vida dos produtos.</p><p>Estes não geram seu volume maior de vendas imediatamente após o lançamento, nem tampouco mantêm</p><p>indefinidamente um volume de pico de vendas. É característico que os produtos sigam um padrão de volume</p><p>de vendas com o passar do tempo, que pode ser dividido em quatro estágios: lançamento, crescimento,</p><p>maturação e declínio. A estratégia de distribuição física é diferente em cada um desses estágios.</p><p>Os ciclos de vida de produtos continuam diminuindo à medida que a competição lança novos</p><p>produtos a uma taxa cada vez maior na esperança de obter uma parcela de mercado e uma vantagem</p><p>competitiva. Para responder rapidamente à introdução de novos produtos, uma empresa precisa possuir</p><p>processos flexíveis que podem ser facilmente convertidos em novas necessidades de produtos. Além</p><p>disso, a flexibilidade pode também ser alcançada por meio da transferência de mais responsabilidade</p><p>para os fornecedores.</p><p>52</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>O estágio do lançamento ocorre imediatamente</p><p>após a introdução de um novo produto no mercado.</p><p>As vendas não estão em nível elevado, porque a aceitação do produto ainda não é generalizada. A</p><p>estratégia típica de distribuição física é cautelosa com os estoques restritos a um número relativamente</p><p>pequeno de locais. A disponibilidade do produto é limitada.</p><p>Exemplo</p><p>Logo que resolveu desenvolver o jogo de tabuleiro Pictionary de solução de enigmas, seu inventor, um</p><p>jovem universitário, não tinha qualquer sistema estabelecido de produção ou distribuição. Conseguiu, então,</p><p>um empréstimo de US$ 35 mil (junto aos seus pais) e com isso lançou uma edição limitada do jogo.</p><p>Para distribuir o Pictionary nessa fase de lançamento, contratou adolescentes para que brincassem</p><p>com o jogo em praças e outros locais de concentração de pessoas, passando a vender o jogo ali mesmo,</p><p>a qualquer pessoa que mostrasse interesse.</p><p>Se o produto é bem aceito pelo mercado, as vendas tendem a crescer rapidamente. O planejamento</p><p>da distribuição física é extremamente complicado nessa etapa.</p><p>É comum não se dispor de um histórico de vendas pelo qual orientar o melhor nível de estocagem</p><p>em determinados pontos, muito menos o número de locais de estocagem a serem utilizados. A</p><p>distribuição fica, muitas vezes, na dependência da opinião e sob controle da administração nesse estágio</p><p>de expansão. Contudo, a disponibilidade do produto vai também aumentando rapidamente numa ampla</p><p>área geográfica para corresponder ao crescente interesse do cliente pelos produtos.</p><p>Exemplo:</p><p>Um executivo da empresa distribuidora do jogo Trivial Pursuit comprou um exemplar do Pictionary</p><p>e incentivou sua filha e as amigas dela a se divertiram com o novo jogo. Fascinado pela reação positiva</p><p>das jovens ao lançamento, saiu a campo e comprou os direitos de produção e venda do produto. Foi uma</p><p>sábia decisão, uma vez que o Trivial Pursuit havia ingressado no estágio declinante de seu ciclo de vida.</p><p>O Pictionary passou então a ser distribuído pelos canais já estabelecidos para o Trivial Pursuit. Quanto</p><p>ao Pictionary em seu estágio de crescimento teve um rápido aumento de vendas, tornando-se inclusive</p><p>o best-seller dos jogos de tabuleiro do seu tempo.</p><p>O estágio do crescimento pode ser, muitas vezes, bem rápido, seguido por um período mais prolongado</p><p>chamado da maturação. O aumento das vendas é lento ou estabilizado num nível de pico. O volume</p><p>da produção não está mais sujeito a mudanças rápidas e, assim, pode ser acomodado quase sempre</p><p>aos padrões de distribuição dos produtos existentes. A essa altura, o produto tem sua distribuição mais</p><p>ampla. Muitos pontos de estocagem são utilizados com bom controle sobre a disponibilidade do produto</p><p>ao longo do mercado.</p><p>Exemplo:</p><p>A Coca-Cola original elaborada por um farmacêutico, antes da virada do século XIX para o século</p><p>XX, vem se mantendo na fase de maturidade do seu ciclo de vida por mais tempo que qualquer outro</p><p>53</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>produto. A distribuição é mundial, ampliando-se, inclusive, por países normalmente não adeptos do livre</p><p>mercado.</p><p>Um dia o volume de vendas diminui para a maioria dos produtos como resultado de avanços</p><p>tecnológicos, da concorrência ou do esgotamento do interesse dos clientes. A fim de manter uma</p><p>distribuição eficiente, surge a necessidade do ajustamento dos padrões de movimentação do produto</p><p>e alocação de estoques. O número de pontos de estocagem provavelmente terá uma redução com o</p><p>número de locais de estocagem tornando-se menor, porém mais centralizados.</p><p>Exemplo</p><p>O circo Barnum and Baileym sempre se apresentava simultaneamente em muitas cidades dos EUA.</p><p>Com a mudança ocorrida nos padrões de interesse e o surgimento de alternativas competitivas de lazer,</p><p>a demanda pelo circo entrou em queda. No estágio de declínio do seu ciclo de vida, o circo agora atua</p><p>apenas em alguns dos maiores centros populacionais a cada ano, a fim de atrair plateias suficientemente</p><p>numerosas para cobrir seus custos.</p><p>O aparelho toca-discos, outrora o principal hardware em sistemas de som para a audição de música</p><p>gravada, há um bom tempo perdeu lugar para o CD player. Hoje, o mercado de toca-discos está reduzido</p><p>a colecionadores e audiófilos.</p><p>O fenômeno do ciclo de vida do produto tem influência sobre a estratégia de distribuição. O</p><p>profissional em logística precisa estar constantemente a par do estágio do ciclo de vida dos produtos, a</p><p>fim de adaptar os padrões da distribuição a cada estágio em busca da eficiência máxima. O fenômeno do</p><p>ciclo de vida nos produtos permite que esse especialista anteveja necessidades de distribuição e planeje</p><p>adequadamente semelhantes circunstâncias. Como normalmente os diversos produtos de uma empresa</p><p>se encontram em estágios diferentes dos respectivos ciclos de vida, o ciclo de vida do produto serve</p><p>como base para a curva 80-20.</p><p>A curva 80-20</p><p>O problema logístico de qualquer empresa é a soma dos problemas de cada um dos seus produtos.</p><p>A linha de artigos de uma empresa típica é composta por produtos variados em diferentes estágios de</p><p>seus respectivos ciclos de vida e com diferentes graus de sucesso em matéria de vendas. A qualquer</p><p>momento no tempo, isso cria um fenômeno de produto conhecido como a curva 80-20, um conceito</p><p>especialmente valioso em termos de planejamento logístico:</p><p>20% de empenho 80% de resultado</p><p>Figura 26 – Conceito 80–20</p><p>54</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>O conceito 80-20 é formalizado depois de observação de padrões de produtos em muitas empresas,</p><p>a partir do fato de que a parte maior de vendas é gerada, relativamente, por um conjunto de poucos</p><p>produtos das respectivas linhas e a partir do princípio conhecido como a lei de Pareto. Raramente se</p><p>observa uma proporção exata 80-20, mas a desproporção entre as vendas e o número de produtos é</p><p>geralmente verdadeira.</p><p>Em termos de ilustração do conceito, pense em 14 produtos de uma pequena empresa química.</p><p>Esses produtos estão ordenados de acordo com seu volume de venda. Uma percentagem cumulativa</p><p>das vendas totais em reais e do número total de itens é computada. Essas percentagens são, então,</p><p>plotadas e exibem a característica curva 80-20. Contudo, nesse caso em especial, cerca de 35% dos itens</p><p>respondem por 80% das vendas.</p><p>O conceito 80-20 é especialmente útil no planejamento da distribuição quando os produtos são</p><p>agrupados ou classificados de acordo com suas atividades de venda. Os 20% mais bem classificados</p><p>podem ser chamados de itens A, ou 30%; os seguintes de itens B, e os restantes de itens C. Cada</p><p>categoria de itens deveria ter uma distribuição diferenciada. Por exemplo: os itens A recebem ampla</p><p>distribuição geográfica por intermédio de muitos armazéns com altos níveis de estoques disponíveis,</p><p>enquanto os itens C são distribuídos a partir de um único ponto central de estocagem (por exemplo,</p><p>uma fábrica) com níveis de estocagem total menores que dos itens A. Os itens B teriam uma estratégia</p><p>intermediária de distribuição com a utilização de poucos armazéns regionais.</p><p>Outra utilização frequente do conceito 80-20 e da classificação ABC é a que serve para agrupar os</p><p>produtos.</p><p>o maior beneficiado com isso foi o consumidor, que hoje</p><p>pode contar com os produtos entregues em sua casa, com precisão e qualidade.</p><p>Com o aprendizado adquirido em logística, você terá condições de entender melhor a dinâmica da</p><p>logística e, principalmente, poderá analisar todas as etapas necessárias para que o produto siga à casa</p><p>do consumidor da melhor forma possível. É uma disciplina atraente e utilizada por diversas pessoas,</p><p>muitas vezes de forma inconsciente. Quando for estudar as outras disciplinas do curso de gestão, você</p><p>entenderá melhor a relação entre as diversas áreas da logística.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O ojetivo dessa disciplina é mostrar que o ponto forte da logística é a integração com a produção</p><p>e o comércio, procurando sempre atender na hora certa, sem necessidade de excessos de estoques e</p><p>nunca deixando faltar qualquer item, procurando dar o máximo de atendimento ao cliente. Também</p><p>buscaremos entender a logística integral, a cadeia produtiva e a gestão de operações, considerando uma</p><p>visão sistêmica das empresas comerciais, industriais e de serviços.</p><p>8</p><p>9</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>Unidade I</p><p>1 EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO PARA ATENDER AO COMÉRCIO</p><p>Imagine como era fabricar e entregar produtos nas épocas mais antigas da história da</p><p>humanidade. As mercadorias mais necessárias não eram produzidas próximas aos lugares nos</p><p>quais eram mais consumidas e nem estavam disponíveis nas épocas de maior procura. Alimentos e</p><p>outras commodities eram espalhados pelas regiões mais distantes, sendo abundantes e acessíveis</p><p>apenas em determinadas ocasiões do ano. O homem primitivo, para poder sobreviver e atender</p><p>às suas necessidades, consumia as suas mercadorias nos locais de origem. Naquela época, não</p><p>existia um sistema de logística que pudesse movimentar e armazenar as mercadorias e levá-las aos</p><p>consumidores.</p><p>Por causa do problema da inexistência de um sistema de transporte e armazenamento, as pessoas</p><p>eram obrigadas a viver próximas aos locais das fontes de produção, limitando, assim, o consumo. Após</p><p>algumas centenas de anos, muitas mudanças ocorreram no segmento de transporte e armazenagem.</p><p>Uma das ferramentas mais importantes nesse processo de mudança foi a tecnologia.</p><p>A logística empresarial é um campo relativamente novo no estudo da gestão integrada, como</p><p>finanças, marketing e produção. Como visto anteriormente, a atividade logística ocorria somente por</p><p>meio das pessoas.</p><p>Nesta apostila, você terá a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a área de logística,</p><p>especificamente sobre a integração com produção e comércio. Nas últimas décadas, o papel logístico</p><p>dentro das organizações tornou-se fator decisivo e de vantagem competitiva. Atualmente, ter a gestão</p><p>da logística nas empresas modernas aliada à visão de negócio é fundamental para sua sobrevivência e</p><p>posicionamento. O papel da logística no negócio aumentou tanto em escopo, quanto em importância</p><p>estratégica. Conforme Ballou (1993, p. 27), “a logística empresarial é um campo fascinante e em expansão,</p><p>com potencial para a alta administração”.</p><p>Para Severo Filho (2006, p. 20), “a logística é a organização do fluxo dos materiais, desde o fornecedor</p><p>até o cliente final”. Segundo o autor, o processo envolve todas as funções de compras, planejamento e</p><p>controle da produção — PCP, além de distribuição, efetivo de informações e uma estrita conformação</p><p>com as necessidades dos clientes.</p><p>Perceba que a logística é a grande responsável por buscar a matéria-prima, levá-la e movimentá-la</p><p>para a indústria dentro da organização, relacionando as funções de compras, planejamento e controle</p><p>da produção e chegar até o cliente final, conforme figura 1. Aparentemente, isso é simples, mas quando</p><p>verificamos que é necessário pensar de que forma transportar grandes materiais, em que locais serão</p><p>estocados (matérias-primas, semiacabados ou acabados), como esse arranjo deve ser realizado de forma</p><p>10</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>segura e em quantidades suficientes e que faça que a organização consiga se antecipar às necessidades</p><p>dos seus clientes, percebe-se, então, a força da logística e sua importância.</p><p>Logística de abastecimento</p><p>• Sistema</p><p>• Transporte</p><p>• etc.</p><p>Logística interna</p><p>• PCP</p><p>• Estoque</p><p>• etc.</p><p>Logística de abastecimento</p><p>• Sistema</p><p>• Transporte</p><p>• etc.</p><p>Logística Integrada</p><p>NOVA VISÃO DA LOGÍSTICA</p><p>Figura 1 – Logística empresarial</p><p>A logística também está em sua vida pessoal, está em sua casa. Quando realizamos uma compra no</p><p>supermercado, compramos os produtos necessários para o consumo e, mesmo sem o conhecimento</p><p>da administração de estoque, compramos produtos para serem consumidos no mesmo dia por serem</p><p>altamente perecíveis, como pães e bolos, produtos menos perecíveis a serem consumidos em uma semana,</p><p>como frutas e legumes, e produtos que poderão ser consumidos em um mês. É interessante perceber que</p><p>praticamos o cálculo da quantidade para cada grupo de alimento, de acordo com a quantidade a ser</p><p>consumida e prazo de validade, conforme a perecibilidade, a fim de evitar os desperdícios com a perda</p><p>de alimentos, bem como um impacto negativo na área financeira da casa. Se o tomate estiver numa</p><p>promoção imperdível, por exemplo, devemos investir na compra, porém, na quantidade certa, porque se</p><p>a quantidade for superior ao necessário para o consumo, haverá prejuízo. Após a compra desses produtos,</p><p>realizamos o transporte até a casa, da melhor forma possível. Exemplo: os produtos frágeis, como ovos,</p><p>pães e biscoitos são acondicionados no porta-malas por último e por cima de outros alimentos. Ao</p><p>chegar a casa, faz-se o descarregamento dos produtos e seu armazenamento. Normalmente, para</p><p>armazenar os produtos, primeiramente retiramos aqueles que estão com o prazo de vencimento menor e</p><p>os colocamos para serem consumidos antes. Alguns produtos são armazenados na geladeira, para obter</p><p>maior durabilidade, enquanto outros são armazenados próximos ao fogão, pois são de uso diário. Há</p><p>também os produtos que são armazenados em banheiros, pois são de higiene pessoal e assim por diante.</p><p>Perceba que o conceito de logística está sendo aplicado em sua vida. Tudo isso é feito pelo hábito. Em</p><p>uma empresa, a área de logística funciona de maneira similar, em que os produtos são os insumos,</p><p>como matéria-prima, suprimentos e outros. Porém, na organização, essa administração ocorre de forma</p><p>estratégica, pois a empresa atua em um cenário competitivo em que a sobrevivência não depende apenas</p><p>da administração interna, mas sim de um conjunto de fatores, principalmente do comércio.</p><p>11</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>Você já deve ter observado em sua casa que, às vezes, mesmo fazendo a compra e o armazenamento</p><p>dos produtos adequadamente, muitos deles estragam e perde-se dinheiro. Por que ocorre isso?</p><p>Geralmente, por causa de uma má gestão da real necessidade daquele produto. Por exemplo: você</p><p>imaginou que naquele mês usaria três quilos de açúcar, mas na hora da compra esqueceu que você faria</p><p>uma viagem e não seria necessário comprar tal quantidade.</p><p>Você pode comentar que a validade do açúcar não acaba em um mês, mas, se analisarmos outros</p><p>aspectos, veremos que o adequado não foi feito. Você investiu um dinheiro que poderia ser utilizado</p><p>para a compra de outros produtos, ou para investimentos que lhe trouxessem algum retorno, sem contar</p><p>que a qualidade do produto não seria a mesma. O ideal é que os produtos comprados sejam suficientes</p><p>para o seu consumo. A lógica</p><p>é ter o produto certo, na hora certa e na quantidade certa.</p><p>1.1 Logística integrada</p><p>Para melhor entendimento da logística integrada, simulemos a preparação de uma feijoada para</p><p>venda. A feijoada, uma paixão nacional, exige diversos processos administrativos e logísticos, como:</p><p>estimativa de demanda (que irá variar em função do número de pessoas), compra de ingredientes</p><p>(linguiça, feijão preto, paio, rabo de porco etc); armazenagem dos ingredientes (pois alguns deles devem</p><p>ser tratados de forma especial), tempo de preparação, distribuição do produto e retroalimentação –</p><p>quando os consumidores emitem opiniões, favoráveis ou não, relacionadas diretamente à qualidade da</p><p>feijoada, acomodação, ambiente e outros. Perceba, então, que existe uma relação muito grande entre os</p><p>diversos parceiros. E as áreas também devem estar relacionadas para que seja feita uma ótima feijoada.</p><p>Os parceiros são os fornecedores e a escolha será sempre pela qualidade. Podemos considerar a área</p><p>da empresa como as pessoas que irão preparar a feijoada: a tia, a mãe, a esposa, enfim, uma pessoa</p><p>que tenha preparo para isso. Note, também, que a compra dos ingredientes pode ocorrer em diversos</p><p>fornecedores ou em um único fornecedor, desde que os ingredientes sejam adequados à preparação; do</p><p>outro lado, as pessoas envolvidas geralmente são divididas em grupos, como: financiamento da feijoada,</p><p>compra dos ingredientes, armazenamento do produto, seu preparo e organização da mesa e outros</p><p>afazeres. No desenvolvimento da apostila, você entenderá melhor todo esse processo necessário para se</p><p>ter uma excelente logística.</p><p>Figura 2 – Preparo de feijoada</p><p>12</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>A administração da logística integrada exige que todas as etapas do processo da fabricação sejam</p><p>cumpridas, quer sejam internas ou externas. O importante é que a feijoada seja apreciada por todos, pois</p><p>o objetivo principal é satisfazer o meu consumidor.</p><p>O desafio não é apenas possuir uma boa cozinheira para o preparo da feijoada, mas também se</p><p>atentar em como esses materiais chegaram para sua realização, a quantidade que chegou, se está</p><p>adequada, bem como a qualidade do material.</p><p>Perceba que existe uma logística importante no processo de fabricação da feijoada. Atenta-se à</p><p>preparação de todo o material necessário (nem mais nem menos, mas na quantia exata). Outro elemento</p><p>importante nessa análise é o marketing responsável por divulgar a venda da feijoada. Se não houver</p><p>integração dessas áreas, certamente ocorrerão problemas. Por exemplo: Se foi realizada uma pequena</p><p>divulgação sobrará feijoada na hora do almoço. Isso resultará em prejuízo, uma vez que esse alimento</p><p>é perecível. Se vierem muitos consumidores, a feijoada acabará, e, consequentemente, não atenderá a</p><p>todos; o consumidor ficará frustrado e não voltará mais.</p><p>Esse exemplo demonstra que apesar do preparo da feijoada ser fácil exige-se muito conhecimento de</p><p>mercado e de logística. Para que haja um excelente resultado da logística, é necessário, e fundamental,</p><p>que ela se relacione com outras áreas, como apresentado a seguir.</p><p>O movimento na logística integrada se manifesta assim:</p><p>1. O movimento de dados e decisões que orienta a empresa.</p><p>2. A pesquisa de transações pessoais, bem como a pesquisa de mercado (verificação do porte do</p><p>mercado em que a empresa está envolvida), impulsiona a participação da empresa no mercado,</p><p>além de ser parâmetro sequencial para o plano de entregas aos clientes.</p><p>3. O plano de entregas aos clientes tem feed-back com faturas, ordens e dados de vendas, planejamento</p><p>de estoque, além de ser parâmetro sequencial do processo de armazenagem de produtos finais,</p><p>bem como planejamento de transportes e, principalmente para o plano de produção.</p><p>4. O plano de produção tem feedback do planejamento de estoque, além de servir como parâmetro</p><p>sequencial do processo de armazenagem de produtos finais, bem como planejamento de</p><p>transportes e, principalmente, para o MRP — Material Requirement Planning.</p><p>5. O MRP serve de parâmetro sequencial para o processo de armazenagem de materiais e</p><p>planejamento de transportes, para o planejamento de inventários e, principalmente, para o plano</p><p>de suprimentos.</p><p>6. O plano de suprimentos tem feedback do planejamento de inventários e também tem os</p><p>fornecedores representados pelas ordens e especificações de uso, as faturas e os dados dos</p><p>fornecedores, além de servir como parâmetro sequencial para o processo de armazenagem de</p><p>materiais e planejamento de transportes.</p><p>13</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>7. A sequência do processo físico e operacional possui a seguinte ordem: estoque de recebimentos,</p><p>produção, armazenagem e entrega ao cliente. Possui feedback do plano de entregas aos clientes,</p><p>e o estoque do cliente resulta no movimento de logística integrada.</p><p>Para verificar a entrega ao cliente, é necessário ter em mente, ainda no movimento de logística</p><p>integrada, o sistema integrado de logística, que se manifesta da seguinte forma:</p><p>1. A previsão de vendas auxilia com informações o planejamento e controle de produção (PCP).</p><p>2. O PCP provê informações ao abastecimento e a montagem, e também possui feedback do depósito</p><p>de acabados.</p><p>3. Os fornecedores provêm informações ao estoque de material, que, por sua vez, provê informações</p><p>ao planejamento e controle de produção e a fabricação de componentes.</p><p>4. A produção de componentes fornece informações ao estoque de componentes que, por sua vez,</p><p>provê informações à montagem.</p><p>5. A montagem fornece informações ao depósito de acabados e aos clientes e também as recebe do</p><p>abastecimento.</p><p>Todo esse processo logístico evidencia três conceitos importantes na logística:</p><p>1. Sistema é um conjunto de grupos de atividades, as quais parecem não ser dependentes, mas que,</p><p>agindo de forma interrelacionada, possibilitam a conclusão de um objetivo.</p><p>2. Os grupos de atividades são subsistemas especialistas; apesar de todas as atividades estarem</p><p>otimizadas, elas não garantem a otimização do sistema.</p><p>3. As interfaces são fronteiras tênues e ficam entre grupos de atividades que possibilitam o fluxo de</p><p>informações e materiais em sincronia.</p><p>Como relatado no exemplo da feijoada, há uma mera simplicidade em seu preparo. Na verdade, é</p><p>necessário pensar em determinadas atividades até se chegar ao produto final. Alguns termos tratados</p><p>até aqui como o PCP e o MRP serão esclarecidos no decorrer da apostila.</p><p>A logística vem se aperfeiçoando e modificando sua forma de atuação. Hoje, o conceito</p><p>de logística mudou, pois não está mais limitado à obtenção e movimentação de materiais e à</p><p>distribuição de produtos. Agora, a logística é integrada e é muito mais atuante. Esta provê uma</p><p>visão mais ampla: envolve fornecedor, empresa e clientes, compreendendo tanto o suprimento</p><p>físico de matéria-prima como também a distribuição física do produto. Segundo Ballou (1993),</p><p>ela está associada ao estudo e administração de fluxos de bens e serviços, juntamente com a</p><p>informação que os movimenta.</p><p>14</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>De acordo com Jacobsen (2003), a logística integrada busca a aproximação não só do cliente</p><p>(consumidor final) mas também de fornecedores. É um trabalho conjunto na promoção da qualidade,</p><p>seja no produto que está vendendo, seja no atendimento que está recebendo.</p><p>“Há uma corrida em andamento para a integralização da cadeia logística. Está se tornando evidente</p><p>a necessidade de estender a lógica da integração para fora das fronteiras da empresa</p><p>para incluir</p><p>fornecedores e clientes” (CHING, 1999).</p><p>Novaes (2004) explica que a moderna logística procura incorporar: prazos previamente acertados</p><p>e cumpridos integralmente; integração efetiva e sistêmica entre todos os setores da empresa; estreita</p><p>parceria com fornecedores e clientes; busca da otimização global, envolvendo os processos e a redução</p><p>de custos; satisfação plena do cliente, conforme mostra a figura 3:</p><p>Figura 3 – logística integrada</p><p>Conforme a figura 3, há uma integração entre a logística e as outras áreas, principalmente entre</p><p>os departamentos de marketing e produção. De acordo com a situação de mercado (números de</p><p>clientes, pedidos, preço etc), existe uma possibilidade maior de consumo. Dependendo do mercado, esse</p><p>consumo pode ser maior ou menor. A empresa depende de uma expectativa do mercado para fazer o seu</p><p>planejamento logístico, isto é, para realizá-lo, é necessário possuir conhecimento de marketing e esse</p><p>conhecimento tem que ser o mais correto possível.</p><p>Conforme a situação de mercado, o gestor pode administrar: o material que será utilizado</p><p>na fabricação do produto; quais tipos de materiais deve comprar; como organizar e entregar o</p><p>estoque; qual o menor prazo possível e assim por diante. Sabemos que a empresa quer satisfazer</p><p>o cliente, porém, enfrenta concorrência acirrada pela disputa do mercado. O cliente de hoje tem</p><p>muitas informações e também possui poder absoluto para decidir a melhor empresa para atender</p><p>aos seus interesses; essa nova ordem transformou, drasticamente, as relações comerciais entre</p><p>clientes e empresas.</p><p>15</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>Pensar de forma estratégica para todos os envolvidos no processo de comercialização dos produtos</p><p>e bens, uma vez que os serviços que agregam valor ao cliente se tornaram um elemento a mais a ser</p><p>oferecido (como garantias), o serviço de pós-venda já não é mais o diferencial, e também passou a</p><p>ser item obrigatório para as empresas atuantes. Daí o porquê da logística se caracterizar como área</p><p>responsável por manter a empresa com fôlego para enfrentar a concorrência, pois é preciso que toda a</p><p>organização esteja em constante troca de informações tanto interna como com parceiros comerciais.</p><p>Agora, é importante discutir com fornecedores e prestadores de serviços a perfeita sincronia no</p><p>atendimento à demanda.</p><p>A empresa tem que atender seu cliente de forma rápida, precisa, com os melhores produtos, no prazo</p><p>certo e, ainda, ser competitiva no preço. Esse novo cenário torna a logística uma área estratégica da</p><p>empresa.</p><p>É importante relatar que a empresa não tem condições de atuar sozinha para atender às exigências</p><p>dos clientes, e também que é necessário que todas as empresas que são responsáveis pelos produtos</p><p>– desde a matéria-prima até a entrega final ao cliente – se unam e trabalhem da forma mais eficaz</p><p>possível.</p><p>Quando a Ford iniciou as suas operações, pretendia ter o controle de todo o processo de fabricação</p><p>do automóvel. A empresa chegou a produzir os tecidos dos bancos e os pneus de seus automóveis. Com</p><p>o tempo, percebeu que não poderia deter o conhecimento de diversos segmentos e produzir sempre o</p><p>melhor material. Pouco a pouco, a empresa foi se conscientizando da importância de ter parceiros para</p><p>realização do seu produto, o automóvel. O resultado está hoje no mercado, a Ford trata exclusivamente</p><p>da montagem dos automóveis, e possui centenas de fornecedores que produzem matérias-primas cada</p><p>vez mais adequadas ao mercado e, consequentemente, para melhor atender seus clientes.</p><p>Saiba mais</p><p>Se você quiser saber mais sobre o mundo mágico dos carros, como</p><p>foi o seu início e como surgiram algumas invenções, acesse o endereço</p><p>disponível em: <http://dirceuhnilica4.blogspot.com/2010/11/producao-linh</p><p>a-de-montagem.html>. Acesso em: 27 jul. 2011.</p><p>A linha de produção em larga escala de automóveis com preços acessíveis foi lançada por Ransom</p><p>Olds, em sua fábrica Oldsmobile, em 1902. Esse conceito foi amplamente expandido por Henry Ford, com</p><p>início em 1914.</p><p>Como resultado, os carros da Ford saiam da linha em quinze intervalos (de um minuto cada),</p><p>sendo muito mais rápido que métodos anteriores, aumentando em oito vezes a produtividade</p><p>(que requeriam 12,5 horas-homem e 1 hora e 33 minutos depois), utilizando menos recursos</p><p>humanos.</p><p>16</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>Isso foi tão bem sucedido que a pintura tornou-se um gargalo. Somente a cor “negro japonês” secava</p><p>rápido o suficiente, forçando a empresa a deixar cair a variedade de cores disponíveis antes de 1914, até</p><p>quando o verniz Duco, de secagem rápida, foi desenvolvido, em 1926. Essa é a fonte da observação da</p><p>Ford, “qualquer cor, desde que seja preto”. Em 1914, um trabalhador de linha de montagem poderia</p><p>comprar um modelo T com o pagamento de quatro meses.</p><p>O que a Ford quis inserir dentro de sua organização era um controle total de todas as matérias-primas</p><p>necessárias para realização de um produto (que no caso era o carro). Hoje, percebe-se com maior clareza</p><p>que esse modelo não tinha como dar certo. Não é possível uma empresa ter competência em todos os</p><p>segmentos. Atualmente, a ideia é focar no principal segmento da empresa e contar com parceiros para</p><p>a realização de seu negócio. Por isso, é muito importante estudar as cadeias e suprimento, e isso será</p><p>nosso próximo assunto.</p><p>2 INTEGRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTO – SUPPLY CHAIN MANAGEMENT</p><p>Até agora você verificou a importância da logística no processo de levar o produto até o consumidor.</p><p>Autores como Balou, Jacobsen, Ching e Novaes, além de muitos outros, dizem que a logística não pode</p><p>ficar somente com foco na movimentação de materiais, mas sim ter o aspecto de integração entre os</p><p>departamentos, fornecedores e clientes, sem deixar de lado o fluxo de informação. Para atender a todos</p><p>esses requisitos, a logística foi ampliada à cadeia de suprimentos.</p><p>De acordo com Bertaglia (2009, p. 5), a cadeia de abastecimento ou suprimento corresponde ao</p><p>conjunto de processos requeridos para obter materiais e agregar-lhes valor de acordo com a concepção</p><p>dos clientes e consumidores, bem como disponibilizar os produtos para o lugar (onde) e para a data</p><p>(quando) que os clientes e consumidores desejarem.</p><p>Segundo o dicionário da APICS, uma cadeia de suprimentos pode ser definida como:</p><p>• Os processos que envolvem fornecedores-clientes e ligam empresas (desde a fonte inicial de</p><p>matéria-prima até o ponto de consumo do produto acabado).</p><p>• As funções dentro e fora de uma empresa que garantem que a cadeia de valor possa fazer e</p><p>providenciar produtos e serviços aos clientes.</p><p>O processo de implantação do conceito de Supply Chain Management — SCM passa, invariavelmente,</p><p>por sete fases ou processos-chaves, conforme descreve Fleury et al (2000:45):</p><p>1. Relacionamento com os clientes.</p><p>2. Serviço aos clientes.</p><p>3. Administração da demanda.</p><p>4. Atendimento de pedidos.</p><p>17</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>5. Administração do fluxo de produção.</p><p>6. Compras / suprimento.</p><p>7. Desenvolvimento de novos produtos.</p><p>A figura 4 mostra a cadeia de suprimentos de uma empresa. Verifique como é complexa a</p><p>administração de todo o processo por uma única instituição. A empresa não tem condições de</p><p>controlar integralmente seu canal de fluxo de produtos da fonte da matéria-prima até os pontos</p><p>de consumo. Cada uma fica responsável por sua logística, gerenciando os canais físicos imediatos</p><p>de suprimentos e distribuição.</p><p>Gestão da Cadeia de</p><p>Suprimentos e Logística Integrada</p><p>Logística de</p><p>abastecimento</p><p>Logística</p><p>interna</p><p>Logística de</p><p>distribuição</p><p>FábricaFornecedorFornecedor Cliente imediato</p><p>/distribuidor</p><p>Cliente final</p><p>Vender e atender ao cliente</p><p>Produzir</p><p>Figura 4 – Cadeia de suprimentos</p><p>Atualmente, os consumidores estão mais exigentes e querem produtos cada vez melhores, com</p><p>entrega no prazo e sempre que precisarem. Os consumidores, muitas vezes, não entendem como funciona</p><p>uma rede de distribuição e muitos deles não querem saber como funciona, eles desejam, na verdade, que</p><p>o produto esteja à sua disposição.</p><p>Mas, afinal, quais são os elementos envolvidos para que as necessidades de uma cadeia de suprimentos</p><p>seja bem sucedida?</p><p>Vários são os elementos obrigatórios para a implantação bem sucedida, porém, frequentemente,</p><p>todos estão sobrepostos e dependentes entre si.</p><p>• Confiança</p><p>Permite que os fornecedores participem e contribuam para o ciclo de desenvolvimento de novos</p><p>produtos. Sem confiança, nenhum dos demais elementos é possível.</p><p>18</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>• Relações de longo prazo</p><p>Permitem visão estratégica compartilhada. O termo, frequentemente utilizado para o estabelecimento</p><p>dessas relações, é “contratos perenes”, que implica na renovação automática dos contratos com os</p><p>fornecedores e em quando seu desempenho está de acordo com o contratado.</p><p>Observação</p><p>A equipe da empresa Motorola visita a fábrica de seus fornecedores a</p><p>cada dois anos para avaliá-los e assim manter a relação contratual.</p><p>• Compartilhamento de informações</p><p>Entre fornecedores e clientes. Essas informações poderão incluir questões desde as especificações de</p><p>projeto de novos produtos até o planejamento e a programação da capacidade, ou o acesso a uma base</p><p>de dados completa do cliente (entenda mais por meio da ferramenta CRM).</p><p>• Forças individuais da organização</p><p>Uma empresa inicia uma relação de longo prazo com um fornecedor, então, passa a ser importante</p><p>para ela que seu fornecedor permaneça no mercado por bastante tempo. Dessa forma, um bom cliente irá</p><p>trabalhar com seu fornecedor para garantir que ele seja lucrativo e mantenha-se bem financeiramente.</p><p>Para que o produto esteja nas mãos dos consumidores e atenda as suas expectativas, é necessário</p><p>que haja um gerenciamento dessa cadeia. Na logística, o termo utilizado para esse gerenciamento é</p><p>Supply Chain Management. A ideia da SCM é captar a essência da logística integrada, bem como</p><p>destacar as interações logísticas que ocorrem entre as funções de marketing, logística e produção no</p><p>âmbito de uma empresa, e dessas mesmas interações entre as empresas legalmente separadas no âmbito</p><p>do canal de fluxo de produtos.</p><p>Não existe qualquer literatura que define corretamente o surgimento do termo Supply Chain</p><p>Management. Alguns autores dizem que o termo surgiu no começo dos anos 80, outros afirmam que</p><p>ele já era utilizado na década de 1970, e que representava a integração entre os departamentos de</p><p>almoxarifado e transporte nos processos de distribuição.</p><p>No mundo acadêmico, apenas nos últimos anos esse termo foi reconhecido oficialmente na gestão</p><p>de operações.</p><p>Sobre esse reconhecimento a partir dos anos 90, Lummus e Voturka (1999) apresentam três razões</p><p>principais que podemos sintetizar da seguinte forma:</p><p>1. As empresas estão cada vez menos verticalizadas, mais especializadas e procurando fornecedores</p><p>que possam abastecê-las com componentes de alta qualidade e a um baixo preço.</p><p>19</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>2. O crescimento da competição no contexto doméstico e internacional.</p><p>3. O entendimento de que a maximização do desempenho de um elo da SCM está distante de</p><p>garantir seu melhor desempenho.</p><p>Eixos de abrangência da SCM</p><p>Por sua característica abrangente e contemporânea, a SCM é notadamente uma área multifuncional</p><p>e ainda é difícil de ser classificada. Entretanto, podemos considerar que seu escopo possui ao menos três</p><p>grandes eixos de atuação, conforme esboçado na figura:</p><p>Processos de negócios</p><p>Tecnologia, inciativas,</p><p>práticas e sistemas</p><p>Organização e</p><p>pessoas</p><p>Figura 5 – Os três eixos de atuação da SCM</p><p>Fonte: (PIRES, 2004)</p><p>1. Processos de negócios: contempla os processos de negócios que devem ser executados efetivamente</p><p>ao longo da SCM. Esse eixo representa o porquê da existência e a finalidade principal da SCM.</p><p>2. Tecnologia, iniciativas, práticas e sistemas: representam os meios atuais e inovadores que</p><p>viabilizam a execução dos processos de negócios-chave na SCM.</p><p>3. Organização e pessoas: contempla a estrutura organizacional e a capacitação institucional e</p><p>pessoal capaz de viabilizar uma efetiva SCM. Representa as transformações em termos de estrutura</p><p>organizacional e de capacitação da empresa, e também de seus colaboradores para que o modelo</p><p>gerencial de SCM possa ser, de fato, entendido, viabilizado e implementado.</p><p>20</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>Hora de refletir</p><p>Imagine você administrar uma empresa que faz parte desse processo de logística integrada e,</p><p>que nesse processo, é aplicado a Supply Chain Management. O que muda para a empresa e para o</p><p>consumidor?</p><p>Resposta: Se você respondeu que as empresas estão obtendo sucesso no compartilhamento de</p><p>informação com fornecedores e reduzindo níveis de estoques, entendendo como funciona cada parte</p><p>do processo do produto, e também promovendo melhoria dos custos ou serviços aos consumidores e</p><p>produtos, está de parabéns! Percebeu o porquê de gerenciar uma cadeia de suprimentos. Todos ganham</p><p>(empresas e consumidores).</p><p>Caso sua resposta não tenha sido próxima ao comentado acima, fique calmo. Respire. Temos muito</p><p>mais informações sobre a SCM e tenho certeza que esse assunto ficará claro.</p><p>2.1 Gerenciamento da cadeia de suprimento</p><p>De acordo com Fleury, Figueiredo e Wanke (2009, p. 110), o conceito de gerenciamento da cadeia</p><p>de suprimentos está baseado no fato de que nenhuma empresa existe isoladamente no mercado.</p><p>Uma complexa e interligada cadeia de fornecedores e clientes na qual fluem matérias-primas,</p><p>produtos intermediários, produtos acabados, informações e dinheiro é responsável pela viabilidade do</p><p>abastecimento dos mercados consumidores.</p><p>Com as enormes pressões competitivas existentes atualmente, a atividade de gerenciar a cadeia de</p><p>suprimentos tem tido cada vez mais espaço nas relações de negócios. Propõe-se que a competição no</p><p>mercado ocorre, de fato, no nível das cadeias produtivas e não apenas no nível das unidades de negócios</p><p>isoladas.</p><p>Os comentários dos autores acima demonstram como a concorrência mudou nos últimos anos;</p><p>aquela ideia de que o concorrente da empresa é somente a outra empresa já não é totalmente verdade,</p><p>pois agora o que está em jogo é que inúmeras empresas que compõem uma cadeia de suprimentos</p><p>estão concorrendo com muitas outras que compõem a outra cadeia.</p><p>Um ponto que é considerado uma vantagem competitiva para as organizações (que realmente</p><p>compreendem o seu papel estratégico) é o perfeito entendimento da cadeia de abastecimento</p><p>integrada.</p><p>Lembrete</p><p>O consumidor tem se tornado cada vez mais exigente, obrigando as</p><p>organizações a se preocupar em principalmente com preço, qualidade e</p><p>nível de serviço.</p><p>21</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>Elementos da cadeia de abastecimento integrada</p><p>De acordo com Bertaglia (2009, p. 28),</p><p>os elementos da cadeia de abastecimento podem ser divididos</p><p>em:</p><p>• Planejamento.</p><p>• Compras.</p><p>• Produção.</p><p>• Distribuição.</p><p>Planejamento</p><p>Para que toda cadeia de abastecimento tenha sucesso, é necessário que as empresas concentrem</p><p>seus esforços em algumas atividades que afetarão seu desempenho como:</p><p>• Desenvolvimento de canais.</p><p>• O planejamento de estoque, produção e distribuição envolvendo transporte.</p><p>• A estimativa de vendas e o planejamento da demanda.</p><p>• O lançamento de produtos.</p><p>• Promoções.</p><p>Se cada elemento ou departamento da cadeia de abastecimento desenvolver o seu próprio plano</p><p>sem considerar as características dos outros elementos, não haverá possibilidade de se integrar as duas</p><p>pontas do processo, ou seja, a demanda e o abastecimento.</p><p>Essa visão de planejamento extrapola os limites da empresa, afetando fornecedores de materiais e</p><p>compradores de bens ou serviços. Conceitos novos têm surgido na área de planejamento organizacional,</p><p>e eles serão estudados mais adiante na apostila.</p><p>Compras</p><p>De acordo com Bertaglia (2009, p. 30), comprar é o conceito utilizado na indústria com a finalidade de</p><p>obter materiais, componentes, acessórios ou serviços. É o processo de aquisição, que também inclui a seleção</p><p>de fornecedores, os contratos de negociação e as decisões que envolvem compras locais ou centrais.</p><p>A aquisição compreende a elaboração e colocação de um pedido de compra com um fornecedor já</p><p>selecionado, bem como a monitoração contínua desse pedido, a fim de evitar atrasos no processo.</p><p>22</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>Hoje, o setor de compras não está mais limitado apenas ao processo de comprar e monitorar; os</p><p>profissionais dessas áreas precisam ter um entendimento global de negócios e tecnologia. O comprador,</p><p>em função da tecnologia, é muito mais um analista de suprimentos e um negociador do que propriamente</p><p>um operador de transações, que faz pedidos e os monitora.</p><p>As organizações modernas estão se conscientizando cada vez mais da necessidade de manter</p><p>alianças com fornecedores ao invés de manter uma relação puramente de compra e venda, apresentando</p><p>animosidade na maioria das circunstâncias. Estão também reduzindo a quantidade de fornecedores,</p><p>mantendo um relacionamento de longo prazo com altos volumes e maior flexibilidade. Esse relacionamento</p><p>tem o nome de B2B — Business-to-Business, que significa negócios entre empresas.</p><p>É importante ressaltar que muitos fornecedores são os responsáveis por monitorar o estoque de</p><p>cliente empresarial, que é o PDV — Ponto De Venda, conforme se relata na figura. É o caso de alguns</p><p>supermercados, no qual o controle de alguns produtos é realizado pelo fornecedor que verifica em qual</p><p>momento é melhor solicitar uma nova remessa de produtos para aquele supermercado.</p><p>Quem ganha com isso? Todos! O fornecedor que poderá controlar o seu estoque de uma maneira</p><p>precisa, o supermercado que poderá oferecer ao seu cliente um produto com uma qualidade melhor e o</p><p>cliente que terá opções para escolher o melhor produto.</p><p>Figura 6 – Estoque no PDV</p><p>Produção</p><p>De acordo com Bertaglia (2009, p. 31), a produção refere-se ao elemento cujo processo</p><p>fundamental é composto por operações que convertem um conjunto de matérias em um produto</p><p>acabado ou semiacabado. A estratégia básica de produção e estoque adotada pela organização afeta,</p><p>significativamente, o comportamento da cadeia de abastecimento. O processo de manufatura ou</p><p>fabricação pode suportar as variações descritas a seguir:</p><p>23</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>• Produção para atender níveis de estoque: também chamado de sistema de produção contínua</p><p>ou produção repetitiva, esse sistema de fabricação ocorre para atender às previsões de vendas,</p><p>acontecendo antes que um pedido seja recebido. O tempo de entrega do produto ao cliente é</p><p>minimizado. Exemplos: cremes dentais, sorvetes, margarinas, bebidas etc. A produção divide-se</p><p>em dois segmentos industriais:</p><p>– Indústria discreta: os lotes de materiais são facilmente identificados – refrigerador, televisor</p><p>etc.</p><p>Figura 7 – Linha de montagem do refrigerador</p><p>– Indústria de processo: é representada pelos derivados de petróleo. Como ocorre uma mistura dos</p><p>ingredientes, os lotes de materiais apresentam maior dificuldade para serem identificados.</p><p>Figura 8 – Refinaria de petróleo</p><p>Uma refinaria é como uma grande fábrica, cheia de equipamentos complexos e diversificados,</p><p>pelos quais o petróleo vai sendo submetido a diversos processos para a obtenção de muitos derivados.</p><p>Refinar petróleo é, portanto, separar suas frações, processá-lo, transformando-o em produtos de grande</p><p>utilidade: os derivados de petróleo.</p><p>A instalação de uma refinaria segue diversos fatores técnicos, dos quais se destacam a sua localização</p><p>nas proximidades de uma região em que haja grande consumo de derivados e/ou nas proximidades</p><p>das áreas produtoras de petróleo. O Brasil possui uma das maiores empresas de refinaria, a Petrobrás,</p><p>estrategicamente localizada do norte ao sul do país.</p><p>24</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>• Produção para atender um pedido específico: essa é uma estratégia de manufatura em que</p><p>a produção se inicia a partir do momento em que um cliente faz um pedido. Normalmente, os</p><p>componentes e acessórios se encontram armazenados, e uma vez que o pedido é recebido, ele é</p><p>produzido conforme a solicitação. Esse sistema envolve a obtenção de materiais, a fabricação e</p><p>a montagem do produto. Um exemplo bem conhecido nosso é a fabricação de pizzas, conforme</p><p>mostra a figura. Os materiais ficam armazenados aguardando o pedido do cliente. Esse pedido</p><p>pode ser feito pessoalmente ou por telefone:</p><p>Figura 9 – Produção de pizzas</p><p>• Montagem: um exemplo clássico desse sistema de produção é a indústria automobilística, que ao</p><p>receber o pedido de uma concessionária, monta os veículos de acordo com as opções determinadas</p><p>pelo cliente como: ar condicionado, cor, sistema de som etc. Nesse tipo de sistema, o fabricante</p><p>monta uma quantidade bem diversificada de produtos finais com diferentes características e</p><p>poucos componentes ou elementos já montados.</p><p>Figura 10 – Sistema de produção por montagem</p><p>25</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>• Projetos sob medida: É um sistema que envolve desenho, projeto, obtenção de materiais e</p><p>componentes, fabricação e montagem. As especificações são, normalmente, estabelecidas pelo</p><p>cliente em função da necessidade do produto. Em geral, isso é um processo de longa duração,</p><p>muitas vezes durando anos e envolvendo uma quantidade muito grande de pessoas e empresas.</p><p>Exemplos: aviões, edifícios, estradas etc.</p><p>Figura 11 – Linha de montagem sob medida</p><p>• Combinação de sistemas de produção: os sistemas anteriores podem sofrer variações. As</p><p>combinações são utilizadas principalmente nos sistemas de produção para estoque. A manutenção</p><p>de estoque sugere um custo adicional, onerando, assim, a cadeia de abastecimento. Algumas</p><p>organizações adotam certas estratégias nas quais alguns produtos são produzidos a partir do</p><p>recebimento do pedido, mantendo em estoque aqueles itens ou materiais mais críticos de se obter.</p><p>Distribuição</p><p>Conforme Bertaglia (2009, p. 33), a distribuição é um processo que está normalmente associado ao</p><p>movimento de material de um ponto de produção ou armazenagem até o cliente. É uma atividade que</p><p>envolve as funções de:</p><p>• Gestão e controle de estoque.</p><p>• Manuseio de materiais ou produtos acabados.</p><p>• Transporte.</p><p>• Armazenagem.</p><p>• Administração de pedidos.</p><p>• Análises de locais e redes de distribuição etc.</p><p>26</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>O retorno de produtos, em bom ou mau estado, também é parte desse processo e será estudado na</p><p>unidade IV dessa apostila.</p><p>O Brasil tem evoluído muito no aspecto de distribuição com empresas extremamente</p><p>profissionais tanto na armazenagem como no transporte. No entanto, nossa infraestrutura</p><p>para transporte e distribuição contínua ainda é extremamente centralizada nas rodovias,</p><p>apresentando leitos bem críticos, aumentando os custos de transporte pela necessidade de</p><p>manutenção de veículos que transitam por elas. Os países desenvolvidos usam meios alternativos</p><p>e combinados para efetuar a distribuição dos produtos por via marítima, rodoviária, ferroviária</p><p>e aérea.</p><p>Todas as empresas envolvidas na cadeia de suprimentos têm que entender que constituem</p><p>uma única empresa. Caso contrário, todos perdem. Alguns, mais ou menos, porém, todos</p><p>perdem. Para exemplificar essa ideia, consideremos o relato por mim presenciado: certo dia</p><p>estava dirigindo o meu automóvel e parei por causa do farol aguardava o semáforo abrir</p><p>observei uma situação no mínimo lamentável: dois rapazes estavam tentando colocar um</p><p>colchão na carroceria de um carro utilitário, tipo pick-up. O problema surgiu porque o colchão</p><p>era um pouco maior que a carroceria do automóvel. Eles não tiveram dúvida, pegaram o</p><p>colchão e o colocaram sob o automóvel, mas o colchão não ficou totalmente acomodado na</p><p>carroceria. Diante desse impasse, os dois rapazes cerraram o punho e começaram a dar socos no</p><p>colchão até que ele ficasse acomodado na carroceria. Fiquei indignado com tal situação, mas,</p><p>em decorrência da abertura do semáforo, fui obrigado a seguir o meu caminho, no entanto,</p><p>refletia sobre a imagem do soco. Pensei: quando compro um produto e ele vem com defeito,</p><p>será que é mesmo defeito de fábrica ou de funcionários e empresas que compõem a cadeia de</p><p>suprimento e não estão preparadas para satisfazer o cliente?</p><p>Você já passou por alguma situação assim antes? Veja como é importante ter uma cadeia de</p><p>suprimentos toda direcionada para a satisfação do cliente.</p><p>A resposta que tenho para isso é simples: depende de como a empresa lida com a sua cadeia de</p><p>suprimentos. É claro que há muitas empresas sérias e que almejam o melhor para o cliente, mas há</p><p>aquelas que querem somente obter lucro e sabe-se que será por pouco tempo, pois o cliente percebe</p><p>que foi enganado e acaba optando por uma concorrente.</p><p>Saiba mais</p><p>Se você quiser saber mais sobre os aspectos de planejamento e estratégias</p><p>no gerenciamento da cadeia de suprimentos, leia o livro: CHOPRA, S; MEINDL,</p><p>P. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: estratégia, planejamento e</p><p>operações. 4. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2011.</p><p>27</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>Slack (1993) divide a cadeia de suprimentos (SC) em três níveis:</p><p>• Cadeia de suprimentos total: envolve todas as relações cliente-fornecedor desde a extração da</p><p>matéria-prima até a compra do produto pelo consumidor final, conforme figura 12. A empresa</p><p>que efetivamente colocará a marca em seu produto e chegará ao cliente é a grande responsável</p><p>por gerenciar essa cadeia. No fim do processo, quando o cliente for utilizar o produto, ele enxerga</p><p>somente sua marca, não entende que o problema pode ter ocorrido por falhas no transporte,</p><p>na armazenagem, no fornecedor. Por isso, a empresa detentora da marca ficará responsável</p><p>por gerenciar esse sistema e controlar todas as atividades para que tudo saia de acordo com as</p><p>exigências de seu cliente:</p><p>Transporte</p><p>Fábrica</p><p>Armazenagem Fornecedor/Planta</p><p>Armazenagem ClientesTransporte</p><p>Transporte</p><p>Transporte</p><p>Fluxo de</p><p>informações</p><p>Figura 12 – Cadeia de suprimentos total</p><p>• Cadeia de suprimentos imediata: representa todos os fornecedores e consumidores com os</p><p>quais a empresa faz negócio diretamente. Perceba que a relação é mais próxima e, às vezes, sendo</p><p>diária. O conhecimento, nesse caso, é maior. É possível entender melhor essa relação e realizar</p><p>melhores trabalhos.</p><p>• Cadeia de suprimentos local: corresponde aos fluxos internos de materiais e informações entre</p><p>departamentos, células ou setores da operação. Até que o produto chegue a seu destino final (para</p><p>o cliente), são realizados inúmeros transportes internos em relação ao material e informação. Nesse</p><p>caso, é importante conhecer, também, os clientes internos que são os funcionários. É importante</p><p>28</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>entender qual a relevância do material para o outro departamento, como armazená-lo e quais</p><p>são os seus prazos. Exemplo: quando é executada uma venda de um determinado produto, é</p><p>necessário que ele esteja no estoque para ser entregue ao cliente; ao mesmo tempo, deve-se</p><p>informar e pedir ao departamento financeiro para providenciar o pagamento, bem como informar</p><p>o departamento de transporte para que a entrega do produto seja feita. Se houver qualquer</p><p>problema de fluxo de material e informação, poderá prejudicar a qualidade do produto como:</p><p>qualidade e prazo de entrega:</p><p>Financeiro/</p><p>Contábil</p><p>RecebimentoPagamento</p><p>Situação</p><p>financeira</p><p>Co</p><p>nt</p><p>as</p><p>a</p><p>pa</p><p>ga</p><p>r</p><p>Pedido de MP</p><p>Previsão</p><p>Previsão</p><p>Histórico de</p><p>vendas</p><p>Faturam</p><p>ento</p><p>An</p><p>ál</p><p>ise</p><p>c</p><p>ré</p><p>di</p><p>to Re</p><p>ce</p><p>bim</p><p>en</p><p>to</p><p>do</p><p>s p</p><p>ed</p><p>ido</p><p>s</p><p>Altera status</p><p>do pedido</p><p>Situação dos pedidos</p><p>Solicitação de</p><p>cortes</p><p>Necessidade de MP</p><p>Atual estoque</p><p>Program</p><p>açã</p><p>o</p><p>das</p><p>bo</p><p>bin</p><p>as Atualiza estoques</p><p>Programação dos cortes</p><p>Crédito</p><p>Direção</p><p>Compras</p><p>PCP</p><p>Produção de</p><p>bobinas</p><p>Bobinas de</p><p>estoque</p><p>Vendas</p><p>Armazenagem</p><p>Recebimento</p><p>Fornecedores</p><p>Produção</p><p>cortadeira</p><p>Expedição</p><p>Figura 13 – Macro fluxo de material e informação</p><p>Você observou os níveis de cadeia de suprimentos por etapas para ter um melhor entendimento</p><p>de como é sua atuação dependendo do local de atuação. A figura 14 mostra os níveis da cadeia de</p><p>suprimentos, conforme Slack (1993):</p><p>29</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>Cadeia de suprimentos total</p><p>Cadeia de suprimentos mediana</p><p>Cadeia de suprimentos local</p><p>Figura 14 – Níveis da cadeia de suprimentos</p><p>A tecnologia de informação se tornou um ponto essencial na gestão da cadeia de suprimentos e, por</p><p>isso, há a necessidade da utilização de sistemas que ajudam a gerir as informações provenientes, desde</p><p>as fontes primárias de recursos até os consumidores finais.</p><p>Segundo Nazário (1999), o fluxo de informações é um elemento de grande importância</p><p>nas operações logísticas. Pedidos de clientes e de ressuprimento, necessidades de estoque,</p><p>movimentações nos armazéns, documentação de transporte e faturas são algumas das formas</p><p>mais comuns de informações logísticas. Ainda, de acordo com o mesmo autor, os sistemas de</p><p>informações logísticas funcionam como elos que unem as atividades logísticas em um processo</p><p>integrado, combinando hardware e software para medir, controlar e gerenciar as operações</p><p>logísticas. Essas operações ocorrem dentro de uma empresa específica, bem como ao longo de</p><p>toda cadeia de suprimentos.</p><p>Sistemas adequados são essenciais para a eficiente colaboração na cadeia de suprimentos.</p><p>Para Pires (2004), quando se fala em colaboração na cadeia</p><p>de suprimento fala-se também em</p><p>relacionamentos de longo prazo na busca de objetivos comuns. Sabe-se que a cadeia de suprimento</p><p>torna-se competitiva na medida em que as alianças estratégicas aumentam a criação do valor por</p><p>meio da integração de processos. Logo, pode-se afirmar que as iniciativas projetadas para melhoria</p><p>do planejamento e gestão colaborativa na cadeia de suprimentos refletem diretamente no potencial</p><p>competitivo dessas cadeias.</p><p>No quadro 1 são citadas algumas tecnologias utilizadas atualmente:</p><p>30</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>Quadro 1 – Tecnologias utilizadas na logística</p><p>Tecnologias Objetivos</p><p>Código de barras</p><p>Tecnologia aplicada para melhorar a precisão e a velocidade da transmissão dos dados,</p><p>sendo útil em todo o processo de negócio, na gestão de inventário ou atividades</p><p>relacionadas e, principalmente, ao setor varejista.</p><p>Desenho assistido por</p><p>computador – CAD</p><p>Objetiva reduzir os tempos para desenvolvimento de produto, criar desenhos de melhor</p><p>qualidade, melhorar a comunicação com os parceiros na cadeia etc.</p><p>Inteligência empresarial – BI</p><p>Conjunto de aplicações projetado para organizar e estruturar dados de transação de uma</p><p>empresa, de forma que possam ser analisados, a fim de beneficiar as operações e o suporte</p><p>a suas decisões.</p><p>Intercâmbio eletrônico de</p><p>dados – EDI</p><p>Movimentação eletrônica de documentação padrão de negócios especialmente formatados,</p><p>como pedidos trocados entre parceiros de negócios. É um sistema que automatiza o</p><p>processo de compras, dá suporte ao reabastecimento de estoque automático e reaproxima</p><p>a relação entre compradores e fornecedores.</p><p>Programas de reposição</p><p>contínua – CRP</p><p>Prática que busca o atendimento de quatro processos: promoções, reposições de estoques,</p><p>sortimentos dos estoques e introdução dos novos produtos, que mostram os níveis de</p><p>estoques nas lojas dos varejistas.</p><p>Estoque gerenciado pelo</p><p>fornecedor – VMI</p><p>Prática baseada numa relação de parceria e confiança mútua, na qual o fornecedor tem a</p><p>responsabilidade de gerenciar o seu estoque no cliente, incluindo o processo de reposição.</p><p>Resposta eficiente ao</p><p>consumidor – ECR</p><p>Busca a melhoria da qualidade, implificação de rotinas e procedimentos, bem como a</p><p>padronização e racionalização dos processos de distribuição.</p><p>Rastreamento de frotas</p><p>Métodos baseados em tecnologias de rastreamento e monitoramento de veículos, que</p><p>ajudam a gerenciar frotas de veículos por meio do controle de registros sobre os trajetos e</p><p>os tempos.</p><p>Sistema de automação de</p><p>qualidade – AQC</p><p>Ajudam a monitorar os processos de garantia da qualidade.</p><p>Sistema de execução de</p><p>manufatura – MES</p><p>Monitoram, acompanham e controlam a matéria-prima, mão de obra, equipamento,</p><p>instruções e instalações de produção.</p><p>Sistema de gerenciamento de</p><p>transporte – TMS</p><p>Controle de transportes de carga, ajudando as empresas a atender os requisitos do</p><p>transporte de cargas.</p><p>Sistema de gestão de armazém</p><p>– WMS</p><p>Rastreia e controla o movimento do inventário dentro do depósito.</p><p>Sistema de gestão do</p><p>relacionamento com os clientes</p><p>– CRM</p><p>Unifica as informações sobre clientes, criando uma visão única, e também centraliza as</p><p>interações com os clientes e antecipa as suas necessidades.</p><p>Sistema de gestão de dados de</p><p>produtos – PDM</p><p>Gerencia todas as informações relacionadas ao produto.</p><p>Identificação por rádio</p><p>frequência – RFID</p><p>Ferramenta de suporte que automatiza processos e melhora a gestão de operações e,</p><p>assim, eliminando falhas humanas. Além disso, disponibiliza informações essenciais sobre a</p><p>situação do produto.</p><p>Sistema de planejamento de</p><p>cadeia de suprimentos – SCP</p><p>Oferece meios para planejar, executar e medir os processos de gestão da cadeia de</p><p>suprimentos de uma organização.</p><p>Sistema de previsão de</p><p>demanda – DFS</p><p>Sistema que utiliza métodos diversos para tentar prever a demanda por produtos ou</p><p>serviços, normalmente integrando outros sistemas, como o ERP e o SCP.</p><p>Sistema de informação baseado</p><p>na internet – WIS</p><p>Aplicações que facilitam os processos internos e externos das empresas, integrando uma</p><p>grande quantidade de sistemas empresariais de informação.</p><p>Sistema integrado de gestão</p><p>– ERP</p><p>Sistema centralizado capaz de integrar todos os departamentos e funções das empresas em</p><p>um sistema unificado de informações.</p><p>Planejamento, previsão e</p><p>reposição colaborativa – CPFR</p><p>Ferramenta que visa facilitar o relacionamento entre empresas, principalmente no que se</p><p>refere à elaboração do conjunto da previsão de vendas e planejamento do ressuprimento.</p><p>Fonte: Adaptações de (FELDENS 2005; PIRES 2004)</p><p>31</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>Foram comentadas algumas das teorias utilizadas na área da logística. O objetivo dessa parte é</p><p>mostrar como a tecnologia interage com a logística e a torna competitiva.</p><p>CRM</p><p>O CRM — sistema de gestão de relacionamento com o cliente é uma tecnologia utilizada por muitas</p><p>empresas que mantêm um cadastro atualizado de clientes, bem como permitem que esse cadastro seja</p><p>acessado de qualquer local: matrizes e filiais. Esse sistema permite que os clientes sejam monitorados.</p><p>Um exemplo interessante que podemos citar é o Jacques Janine, salão de beleza direcionado às classes</p><p>sociais A e B.</p><p>Lembrete</p><p>Outro exemplo da ferramenta CRM é algo que está diariamente em</p><p>nossas vidas: o famoso outlook, que nada mais é do que uma fonte de</p><p>relacionamento.</p><p>Num cenário empresarial competitivo, a tecnologia da informação vem permeando o ambiente</p><p>organizacional, oferecendo soluções para diversas atividades. Citam-se como exemplos os softwares</p><p>de gerenciamento para as diversas áreas e, entre eles, os denominados sistemas de gestão integrada,</p><p>também conhecidos como ERP — Enterprise Resource Planning.</p><p>A comunicação entre as empresas deixou a era da burocracia para navegar por meios eletrônicos de</p><p>forma mais eficiente e econômica. Nesse contexto surgiu o denominado e-procurement, um processo</p><p>de negócio entre empresas em que compradores e fornecedores efetuam transações comerciais. Esse</p><p>processo funciona por meio da internet de negócio e, em muitos casos, com o auxilio do informediário;</p><p>o agente que faz a gestão do fluxo de negociações entre a empresa compradora e os fornecedores,</p><p>ao invés de a empresa procurar fornecedores e fazer cotações de preços, procedimento e realiza o</p><p>respectivo pedido de compra. Esses intermediários (informediários) atendem por intermédio portais</p><p>virtuais que podem ser acessados de qualquer computador que tenha conexão com a internet. É um</p><p>serviço on-line na área de business-to-business, que apresenta oportunidades de grandes reduções</p><p>de custos em todas as transações para aquisição de materiais e serviços, uma vez que o processo de</p><p>gerenciamento de compras será gerido pelo portal — web. Exemplo: a NeoGrid (www.webb.com.br), é</p><p>um informediário especializado em softwares de compras para serem integrados aos sistemas ERP.</p><p>Mediante essa ferramenta, é possível comprar qualquer produto com maior agilidade e eficiência; esse</p><p>processo leva à redução de custo pela eliminação da burocracia e também por permitir a geração de</p><p>pedido de cotação aos fornecedores cadastrados de forma automática, utilizando-se do sistema de</p><p>gestão integrada da empresa e dos fornecedores.</p><p>É importante salientar que esse sistema possibilita às empresas terem uma agilidade maior</p><p>para atender ao mercado simplesmente para suprir a demanda da empresa ou para aproveitar uma</p><p>oportunidade, quando há uma crise em algum segmento.</p><p>32</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>São várias as ferramentas estratégicas utilizadas no e-procurement e, entre elas, estão:</p><p>• Solicitação de cotação de preço — RFQ. Significa utilizar um portal para exibir uma requisição</p><p>de cotação de preços, no qual os fornecedores cadastrados têm acesso e rapidamente apresentam</p><p>suas ofertas no portal, e a empresa compradora pode se decidir pela melhor oferta.</p><p>• Leilão reverso: É uma ferramenta que permite aos fornecedores cadastrados e convidados a</p><p>participarem de um leilão, em que durante um determinado tempo, eles podem dar lances na</p><p>busca de melhores ofertas.</p><p>A empresa Gevisa, especializada na fabricação de locomotivas e motores a diesel por meio de um</p><p>sistema de compras e um cadastro de aproximadamente 300 fornecedores, seleciona e comunica via</p><p>e-mail que há cotações para aquisição de matérias-primas.</p><p>Uma operação integrada não beneficia apenas grandes empresas; as pequenas e médias empresas</p><p>também podem participar, desde que incorporem em suas rotinas a integração com toda a cadeia</p><p>de suprimentos. É o caso da central de compras, projeto piloto liderado pela Capri, fornecedora de</p><p>infraestrutura para empresas especializadas em beleza e estética. A ideia é muito simples, veja como</p><p>funciona:</p><p>Pela internet, 50 salões de beleza concentram seus pedidos de produtos em comum entre eles:</p><p>tinturas, xampus, cremes, toalhas, equipamentos e outros.</p><p>Com essa estratégia, as empresas (salões de beleza) conseguem um preço menor por causa do</p><p>volume de compras. Percebam que todos ganham com essa tecnologia. As empresas conseguem ser</p><p>mais competitivas no mercado, oferecendo preços mais atrativos e conquistando mais clientes.</p><p>Outra estratégia importante para a logística integrada é a classificação e codificação de materiais.</p><p>Com a introdução dessa estratégia nas empresas, houve uma revolução na forma de armazenar. Antes</p><p>dessa tecnologia, a administração era muito diferente.</p><p>De acordo com Greco, os supermercados precisam estocar milhares de produtos de marcas e</p><p>tamanhos diferentes, igual ao modelo de hoje. Para se ter uma boa administração, era necessário ter</p><p>o conhecimento da quantidade de cada tipo de produto. Essa atividade era absolutamente necessária</p><p>para a sobrevivência da empresa. Durante a maior parte do século 20, a única forma de saber o que</p><p>havia dentro de um supermercado era literalmente fechar as portas do local por um ou dois dias, bem</p><p>como contar um a um os produtos que estavam lá dentro. O procedimento caro e cansativo era feito</p><p>usualmente mais de uma vez ao mês e servia de base para os gerentes das lojas fazerem a estimativa de</p><p>quanto deveriam comprar ou não de determinado produto.</p><p>Quando iria ocorrer o balanço, os supermercados faziam uma comunicação aos clientes que</p><p>a empresa estaria fechada para se organizar internamente. Durante os balanços, os funcionários</p><p>faziam a contagem manual dos produtos, item por item. Cada mercadoria era contada duas vezes,</p><p>por duas pessoas diferentes. Se houvesse discrepância entre os números, a conta era refeita por uma</p><p>33</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>terceira pessoa. Mesmo assim, sempre havia muito erros nas contas e o que estava no papel nunca</p><p>correspondia ao que havia dentro do supermercado. Resultado: pesadelo diário para os gerentes e</p><p>um prejuízo que chegava a 2,5% do estoque. Sem falar no trabalhão, que chegava a tomar um fim</p><p>de semana inteiro.</p><p>Naquela época ficou famosa uma frase: “fechado para balanço”. Era comum as empresas ficarem</p><p>fechadas para organizar seus estoques. Essa técnica somente começou a desaparecer dos supermercados</p><p>na metade da década de 1990. Até então, cada setor da empresa tinha um código interno usado para</p><p>fazer a contabilidade. Muitas vezes havia código de barras nos produtos que vinham da indústria, mas</p><p>aquelas barras esquisitas eram ignoradas no caixa: o operador registrava o preço do produto assim</p><p>que ele chegava. E o único jeito de saber se um produto estava vendendo bem era examinando se as</p><p>prateleiras estavam vazias.</p><p>Nos tempos de inflação alta, o problema piorava. Como os preços mudavam, às vezes diariamente,</p><p>havia um exército de funcionários destinados apenas a etiquetar os preços em cada pacote de biscoito,</p><p>cada garrafa de refrigerante, cada pacote de papel higiênico. Era comum o cliente ir ao supermercado</p><p>pela manhã comprar um litro de leite e se houvesse necessidade de retornar ao supermercado pela</p><p>tarde para comprar o mesmo litro de leite, o preço já havia aumentado. Os clientes tinham pavor do</p><p>barulho que uma maquininha (figura a seguir) fazia. Se havia barulho era porque o preço estava sendo</p><p>alterado.</p><p>Figura 15 – Etiquetadora para colocar preços</p><p>34</p><p>Unidade I</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>A solução para evitar tanta recontagem e etiquetagem seria inventar algo capaz de contabilizar</p><p>automaticamente o quanto de cada mercadoria entra e sai da loja.</p><p>Outro problema comum na época era o de registrar o produto no caixa. O funcionário tinha que</p><p>inserir o preço do produto na caixa registradora e, muitas vezes, por causa da rapidez, inseria o preço</p><p>errado. Quando o produto passava pelo caixa, não tinha como dar ‘baixa’ automaticamente no estoque.</p><p>Muitas vezes, promoções eram feitas sem saber exatamente como estava o estoque daquele produto.</p><p>Veja na figura a seguir um dos modelos de caixa registradora utilizados pelos supermercados para inserir</p><p>o preço dos produtos.</p><p>Figura 16 – Modelo da caixa registradora utilizado pelos supermercados</p><p>Classificação e codificação de materiais</p><p>A classificação de materiais almeja estabelecer um processo de identificação, codificação,</p><p>cadastramento e catalogação dos materiais da empresa. A primeira fase da classificação é a</p><p>identificação; isso significa construir uma nomenclatura padronizada para todos os materiais.</p><p>Na composição da nomenclatura são determinados: nome básico do material, nome modificador</p><p>(nome complementar), característica física de cada material, aplicação (local em que o material é</p><p>utilizado), a embalagem e as referências comerciais que contêm o nome ou código de referência</p><p>de cada fabricante.</p><p>A fase da codificação consiste em atribuir uma série de números ou letras, de tal forma que esse</p><p>conjunto numérico ou alfanumérico possa representar (por meio de um único símbolo) as características</p><p>de cada material em particular.</p><p>Existem três sistemas de codificação:</p><p>• Sistema alfabético: constituído unicamente por um conjunto de letras.</p><p>35</p><p>Re</p><p>vi</p><p>sã</p><p>o:</p><p>V</p><p>ito</p><p>r</p><p>-</p><p>Di</p><p>ag</p><p>ra</p><p>m</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: K</p><p>ar</p><p>en</p><p>-</p><p>0</p><p>3/</p><p>08</p><p>/1</p><p>1</p><p>//</p><p>R</p><p>em</p><p>id</p><p>en</p><p>sio</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>: A</p><p>m</p><p>an</p><p>da</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: M</p><p>ár</p><p>ci</p><p>o</p><p>-</p><p>09</p><p>/0</p><p>8/</p><p>11</p><p>LOGÍSTICA INTEGRADA: PRODUÇÃO E COMÉRCIO</p><p>• Sistema alfanumérico: é um método de codificação que mescla números e letras para representar</p><p>cada material.</p><p>• Sistema numérico: consiste em atribuir uma composição lógica de números para identificar cada material.</p><p>A codificação de materiais tomou um grande impulso com a introdução de novas tecnologias, que</p><p>permitiram o reconhecimento ótico de caracteres em substituição à digitação de código dos itens. O</p><p>código de barras veio para revolucionar e simplificar as operações. Entre as vantagens da utilização,</p><p>podemos considerar:</p><p>• Fácil utilização.</p><p>• Grande capacidade de captura dos dados via reconhecimento ótico das barras.</p><p>• Baixo custo operacional.</p><p>• Implantação relativamente simples.</p><p>• Uso de equipamentos compactos na leitura dos dados.</p><p>No Brasil, a introdução e o gerenciamento do uso e da aplicação dos códigos de barras têm a supervisão</p><p>da EAN Brasil — Europe Article Number – Associação Brasileira de Automação Comercial, criada pelo decreto</p><p>90.095/84, e portaria 143 do</p>