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FONÉTICA E FONOLOGIA DA 
LÍNGUA PORTUGUESA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prezado (a) aluno (a), 
 
A fonética é antiga como a humanidade, pois, desde os primórdios, os seres 
humanos se organizaram em grupos, marcados pela religiosidade. Pajés e 
sacerdotes ofereciam sacrifícios e oblações à divindade, empregando fórmulas que 
era preciso pronunciar corretamente para que surtissem o efeito desejado. Havia 
um controle da emissão e articulação dos sons, assim como da entonação, 
intensidade e duração de cada enunciado. 
Em geral, especialistas em fonologia e fonética não se dedicam à ortografia, 
e ortógrafos entendem muito pouco de som. A experiência mostra que, com o 
auxílio da fonologia e da fonética, podem-se analisar aspectos da linguagem falada 
com precisão. A grafemática e a ortografia, ao contrário, são muito limitadas. 
Em todo caso, o que segue é uma tentativa de estabelecer as relações 
existentes entre fonema, som e letra no seio da língua portuguesa. 
 
Bons estudos! 
AULA 3 –
FONÉTICA 
FONOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesta aula, você vai conferir os contextos conceituais do binômio “fonética” 
e “fonologia”, partindo de sua base conceitual e semântica; entenderá como ela 
alcançou o seu estatuto de disciplina. Além disso, terá a oportunidade de conhecer 
os elementos básicos que regem todo o uso que se pode fazer profissionalmente 
dos elementos composicionais que envolvem essas duas disciplinas dentro das 
gramáticas de língua portuguesa. Após esses estudos, você será capaz de: 
 Compreender o lugar da Fonética e da Fonologia; 
 Analisar como os gramáticos entendes essas áreas; 
 Conhecer os conceitos dos principais gramáticos. 
 
 
3 FONÉTICA OU FONOLOGIA 
Quando se tenta pensar em Fonética e Fonologia, geralmente tem-se alguma 
dificuldade em entender de forma clara a divisão que existe, ou pode existir, entre 
essas duas vertentes dos estudos da produção e captação dos sons em matéria de 
Língua portuguesa e construção de linguagem. Como pode ser percebido, “a maior 
parte da literatura que trata de Fonética e Fonologia vem tentando fazer uma distinção 
entre elas que não tem convencido aqueles que se aventuram nessas áreas” (SEARA; 
NUNES; LAZZAROTTO-VOLÇÃO, 2011, p. 11); uma vez que um dos grandes 
desafios do estudo tanto da Fonética como da Fonologia é, justamente, fazer 
diferenciação entre os objetos de estudo de uma e o objeto de estudo de outra ciência. 
Caminharemos para tentar diferenciar os objetos de estudo das duas disciplinas. 
3.1 Breve história da Fonética e da Fonologia 
 Como nos ensina Souza (2012), a história dos estudos sobre a linguagem, o 
conhecimento e práticas acerca da produção e manifestação dos sons da fala, sempre 
pendularam (se movimentaram) entre dois extremos; por uma lado havia aqueles que 
não se interessavam em estudar os caminhos e aplicações dos sons em suas 
manifestações fisiológicas e, por outro lado, havia aqueles que se interessavam 
muitíssimo pela produção e articulação dos sons da fala a ponto de esquecer-se de 
outros elementos importante na compreensão dos sons produzidos pelo aparelho 
fonador e como esses sons eram captados pelos ouvidos humanos. 
Esses dos grupos entraram em uma verdadeira batalha para tentar convencer 
um ao outro sobre qual era o campo de estudos da produção dos sons mereciam 
maior atenção para os estudiosos e intelectuais que trabalhavam com essa 
perspectiva dos estudos linguísticos. E o autor continua dizendo que: 
Com a descoberta da gramática do sânscrito, a gramática de Pânini, no 
começo do século XIX, novos horizontes foram descortinados, 
particularmente, à fonética, por meio do estudo detalhado apresentado nessa 
gramática sobre a articulação dos sons do sânscrito. O refinamento com que 
os sons são descritos por Pânini fez com que se elucidassem as ideias que 
os estudiosos europeus possuíam da fonética. Esses eram levados, muitas 
vezes, a confundir os sons vocais com as letras que os representavam na 
escrita, o que pode ser constatado na “gramática de Port-Royal”, de Arnald e 
Lancelot […] (SOUZA, 2012, p. 2). 
 
 
Mas não é possível pensar a ciência linguística, sejam quais forem as vertentes 
que se estude, sem pensar em um dos maiores intelectuais dos estudos do 
funcionamento da língua, o linguista suíço Ferdinand de Saussure (1857-1913). Ao 
estudar os elementos e funcionamento da língua, Saussure desenvolveu novos 
parâmetros para a linguística como um todo, colocando diante dos estudiosos novos 
elementos de análise e reflexão, bem como novos parâmetros para essas análises. 
Suas reflexões e ensinamentos foram organizadas e publicadas, depois da sua morte, 
pelos seus alunos que anotaram, organizaram e trouxeram a público o conteúdo de 
suas aulas. 
Essas anotações com o conteúdo das aulas do mestre suíço foram publicadas 
sob o nome de Curso de Linguística Geral, no ano de 1916; o que tornou possível a 
popularizou das ideias linguísticas com as quais Saussure trabalhou durante toda a 
sua vida acadêmica. O livro trouxe grandes contribuições para o estudo da linguística 
como ciência, em especial quando o estudioso estabelece sua conhecida dicotomia 
entre “língua” e “fala” como elementos constituintes e distintos da linguagem. 
Figura 1 – Imagem rústica do aparelho fonador 
 
Fonte: BECHARA (2009, p. 43). 
 
 
 
 
Para Saussure (2006) a “língua” era compreendida como um sistema de signos 
que apresentam sua própria ordem particular de representação e execução; enquanto 
que a “fala” era estudada como um elemento individual, pragmático e histórico, 
portanto pertencente ao indivíduo, à pessoa. Como nos lembra Souza (2012, p. 3), “a 
partir da dicotomia língua/fala, é definido, para Saussure, o lugar dos estudos dos sons 
em seus aspectos fisiológicos” no que diz respeito aos aspectos que lidam com à 
história das transformações linguísticas e sua produção. 
Saussure chama de Fonologia a fisiologia dos sons, portanto ela olha para os 
mecanismos físicos de produção do som; a Fonética, por sua vez, na concepção do 
linguista, deve designar o estudo das evoluções dos sons, ou seja, ser uma ciência 
histórica, diacrônica ao tratar da evolução da língua e a produção dos sons em um 
período mais abrangente dos estudos temporais. Ou, em palavras do próprio 
Saussure (2006, p. 43), a “Fonologia se coloca fora do tempo, já que o mecanismo da 
articulação permanece sempre igual a si mesmo [e a Fonética] é uma das partes 
essenciais da ciência da língua; à Fonologia, cumpre repetir, não passa de disciplina 
auxiliar e só se refere à fala”. 
Apesar dos esforços de Saussure na caracterização dessas duas ciências – 
Fonética e Fonologia – foram apenas com os trabalhos do russo Nikolay S. Trubetzkoy 
(1890-1938) que houve uma delimitação sistemática sobre o alcance e as práticas 
concernentes à Fonética e a Fonologia. Segundo o teórico russo, “a fonologia não 
objetiva estudar os sons, mas os fonemas, os elementos imateriais constitutivos do 
significante linguístico. O fonólogo considera o som como a realização fonética do 
fonema, um símbolo material do mesmo” (SOUZA, 2012, p. 5). Assim, podem ser 
estabelecidas as áreas de atuação tanto da fonética quanto da fonologia, com 
disciplinas que estão irmanadas, mas ao mesmo tempo separadas pelos objetos que 
estão sob responsabilidade de cada uma delas. Para Trubetzkoy (apud SOUZA, 2012, 
p. 4, 5): 
Por um lado, os ‘sons’ não são fenômenos puramente físicos, mas 
psicofísicos por definição [...] e, por outro lado, o que distingue o fonema do 
som não é o seu caráter puramente psíquico, mas antes seu caráter 
diferencial – o que faz dele um valor linguístico […] a fonética procura 
descobrir o que de fato se pronuncia ao falar uma língua, e a fonologia o que 
se crê pronunciar. 
 
 
O autorrusso continua dizendo, em seus próprios termos, que as pesquisas 
realizadas pelo estudioso da língua Ferdinand de Saussure e por aqueles que 
continuaram o seu trabalho de pesquisa e sistematização não deram a devida atenção 
a aspectos fônicos da língua. A percepção de que os trabalhos do autor suíço não 
olhavam devidamente para as questões de produção e percepção dos sons, acabou 
por contribuir para o aprofundamento dos estudos posteriores das disciplinas de 
Fonética e Fonologia. Nas palavras de Trubetzkoy: 
Nem F. de Saussure nem nenhum de seus adeptos tentaram aplicar seus 
princípios teóricos à solução de problemas fonológicos mais ou menos 
complicados ou à descrição científica de um sistema fonológico concreto. 
Ora, é somente trabalhando com materiais concretos que se pode chegar a 
aperfeiçoar e pormenorizar uma teoria. Privada desta fonte de 
aperfeiçoamento, a teoria de F. de Saussure ficou incompleta no que diz 
respeito ao aspecto fônico da língua. J. Baudouin de Courtenay insistia muito 
menos que F. de Saussure sobre a noção de “sistema”, mas, em troca, tinha, 
no que diz respeito à diferença entre os “sons” e os “fonemas”, ideias mais 
claras do que as do mestre de Genebra. [...]. Nem F. de Saussure nem J. 
Baudouin de Courtenay nunca tentaram a formulação de leis fonológicas 
concretas (mesmo quando a existência de tais leis era consequência da 
noção de “sistema onde todos os seus elementos são solidários”). No que diz 
respeito a isto, a fonologia atual não tem predecessores entre os linguistas 
das gerações anteriores. (TRUBETZKOY apud SOUZA, 2012, p. 6) 
É preciso, sobretudo, que percebamos que o intuito primeiro de Saussure não 
era estudar os elementos que comporão, em momentos futuros da história dos 
estudos da linguagem aquilo que chamamos de Fonética e Fonologia; mas as 
percepções do estudioso suíço somadas aos aprofundamentos dos estudos 
capitaneados pelo linguista russo, acabaram por abrir caminho para uma nova ciência 
dentro dos estudos concernente a fala, ou seja, abriram caminho para a produção e 
sistematização de um conhecimento novo que a gramática chamará de Fonética. 
Ainda mais, nas gramáticas o conhecimento desenvolvido no decorrer do tempo sobre 
a produção e percepção do som, foi sistematicamente agrupado em duas áreas de 
estudos, a Fonética e a Fonologia. 
3.2 Sobre a Fonética e a Fonologia 
Em sentido introdutório, é preciso que se afirme que tanto a Fonética quanto a 
Fonologia têm como objetos primeiro de estudo os sons da fala, o como os homens 
produzem esses sons; por esse motivo é difícil fazer – para não dizer impossível – 
fazer fonologia sem entender o que seria fonética. É preciso, portanto, observar com 
 
 
maior atenção para o lugar científico que cada uma dessas ciências ocupam nas 
subáreas das ciências da linguagem. 
Em sua Gramática (2009), o professor Evanildo Bechara ensina que a Fonética 
e a Fonologia não são disciplinas opositoras, elas não se opõe uma a outra; mas que 
ambas as disciplianas pertencem ao nível biológico da fala humana e ainda que, tanto 
uma como a outra, podem ser lotadas na categoria de elementos “psicofisicamente” 
condicionados, ou seja, elementos que se manifestam psicológica e fisicamente 
juntamente. O autor afirma que “a disciplina que estuda minuciosamente os sons da 
fala, as múltiplas realizações dos fonemas, chama-se fonética” (BECHARA, 2009, p. 
41). E completa o seu ensino ao dizer que “a primeira [fonologia] estuda o número de 
oposições utilizadas e suas relações mútuas, enquanto a fonética experimental 
determina a natureza física e fisiológica das distinções observadas […]” (BECHARA, 
2009, p. 43). 
Em outros termos, podemos entender que o autor está afirmando que, 
enquanto a fonologia preocupa-se com aquilo que está sendo produzido pelo aparelho 
fonador; a fonética se preocupa com o como esses sons estão sendo produzidos. Ou 
nas palavras de Souza (2012, p.10) “é com base [na] compreensão que Trubetzkoy, 
fundamentado nas teorias estruturalistas do Círculo Linguístico de Praga, dá o nome 
de fonética à ciência dos sons da fala e de fonologia à ciência dos sons da língua”. 
Quando consideramos, ainda, os ensinos da Gramática de Cunha e Cintra 
(2017) percebemos que os autores fazer uma distinção entre aquilo que eles 
chamaram de “fonética acústica”, que é a descrição dos efeitos acústicos de um 
fonema, e “fonética fisiológica”, de base fisiológica e articulatória. Esses estudos só 
são possíveis por conta do fato de que, como explicam Cunha e Cintra (2017, p. 37), 
“os sons de nossa fala resultam quase todos da ação de certos órgãos sobre a 
corrente de ar vinda dos pulmões”. As ações dos orgãos para produção dos sons e o 
como ela se dá chamamos de “Fonética”; já o resultado comunicativo dessas 
articulações, chamamos de “Fonologia”. 
Pensar, portanto, Fonética e Fonologia como disciplinas que operam em 
separados é, em todos os sentidos, o desafio que o estudioso da língua precisa 
enfrentar no intuíto de construir o ensino linguístico que seja consistente, não frágil. 
Ao tentar clarear o nosso conhecimento sobre essa matéria, os autores do livro 
Fonética e Fonologia (2011) argumentam que: 
 
 
Podemos estudar a fala a partir da sua fisiologia, ou seja, a partir dos órgãos 
que a produzem, tais como a língua, responsável pela articulação da maior 
parte dos sons da fala; e a laringe, responsável principalmente pela produção 
de “voz” que leva à distinção entre sons vozeados (sonoros) e não-vozeados 
(surdos). Podemos também estudá-la a partir dos sons gerados por esses 
órgãos, ou seja, com base nas propriedades sonoras (acústicas) transmitidas 
por esses sons. Podemos ainda examinar a fala, sob a ótica do ouvinte, ou 
seja, da análise e processamento da onda sonora quando realiza a tarefa de 
percepção dos sons, dando sentido àquilo que foi ouvido. Todos esses 
aspectos podem ser considerados pela Fonética (SEARA; NUNES; 
LAZZAROTTO-VOLÇÃO, 2011, p. 11, 12, grifos dos autores). 
 
Observamos, então, que os elementos constitutivos do estudo da Fonologia, 
considerado aqui em sentido amplo, são a produção do som e a percepção desse som 
pelo ouvinte, falante ou não de determinada língua. Os autores continuam suas 
reflexões clareando e adequando sua concepção de Fonologia nos seguintes termos: 
 
É consenso que a fala tem como principal objetivo o aporte de significado, 
mas, para isso, deve se constituir em uma atividade sistematicamente 
organizada. O estudo dessa organização, que é dependente de cada língua, 
é considerada Fonologia. Assim, a Fonologia pode ser vista como a 
organização da fala focalizando línguas específicas. Logo, poderíamos dizer 
que uma descrição de como segmentos vocálicos (vogais) podem ser 
produzidos e percebidos seria fornecida pela Fonética, já uma descrição das 
vogais do português brasileiro a partir de seus traços opositivos seria 
proporcionada pela Fonologia (SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLÇÃO, 
2011, p. 12, grifos dos autores). 
 
 Como se pode ver por aquilo que foi mostrado em parágrafos anteriores, não 
é uma tarefa fácil conceituar as matérias de fonética e fonologia; é assim que os 
autores ressalvam, ainda, que “uma outra maneira de diferenciar Fonética de 
Fonologia está relacionada à faceta empírica própria da Fonética” (SEARA; NUNES; 
LAZZAROTTO-VOLÇÃO, 2011, p. 12). Por último, é preciso lembrar que tanto no que 
diz respeito a investigação sistemática da língua quanto a organização mental da fala 
são possíveis, primordialmente, por meio da observação dos fenômenos linguísticos. 
A observação é primordial para compreensão dos fenômenos da língua. 
3.3 Utilização da Fonética e da Fonologia 
Resaltamos que, diferente do que acontece com aquelas línguas que são 
chamadas de “línguas naturais”, as línguas em que sua manifestação são 
desenvolvidas sem uma intervenção formal externa ou aquelas línguas que se 
 
 
desenvolvem sob a ausência de uma sistematizaçãomaterial formal, a Língua 
portuguesa, considerando sua vertente grega (NEVES, 2005) ou latina (BECHARA, 
2009), sempre se preocupou com os objetivos práticos do estudo de certa divisão da 
gramática normativo-tradicional, sempre se perguntou o para quê do estudo de 
determinada disciplina. 
Como essa questão dos objetivos pelos quais devemos estudar determinado 
campo do conhecimento humano, colocarem-nos diante de alguns argumentos que, 
em matéria de conhecimento prático, nos ajudarão a entender os motivos pelos quais 
devemos estudar este ou aquele objeto em específico. Nos perguntaremos, então, 
sobre os motivos pelos quais deveríamos estudar e aprender sobre Fonética e 
Fonologia como ciências da linguagem. Essa categorização, vale dizer, é apenas 
didática, na medida em que se propõe a servir de apoio e reforço em práticas 
educativas formal-escolares, reforços que ajudam o estudante a desvincular o 
conhecimento de uma necessidade primeira. Observemos os motivos pelos quais 
devemos estudar Fonética e Fonologia. 
Alfabetização – Quando falamos de alfabelização, nos referimos ao ato 
através do qual um professor conduz o seu aluno na iniciação do uso de um 
sistema ortográfico, seja ele a língua portuguesa, a língua inglesa, a língua 
espanhola, etc. No intuíto de realizar essa tarefa, o alfabetizador, tanto de 
adultos quanto de crianças, precisa dominar as noções de Fonética e 
Fonologia, para tornar o seu trabalho de ensino tanto mais qualificado quanto 
objetivo. Com isso o professor conseguirá “levar o aluno a compreender essas 
variações, para relacioná-las aos elementos gráficos” da língua (SEARA; 
NUNES; LAZZAROTTO-VOLÇÃO, 2011, p. 14). 
Fonoaudiologia – Não costumamos pensar que o profissional 
fonoaudiólogo lida com alterações no processo de aquisição e apresentação 
dos sons da língua, ou seja, esse profissional precisa ter uma conhecimento 
tanto fonético, na articulação sonora, quanto fonológica, na medida em que lida 
com problemas neurológicos e auditivos. Além do que no trabalho de 
reabilitação os profissionais fonoaudiólogos precisam ter domínio desses 
conhecimentos. 
 
 
 
Fonética Forense – Fonética forense ou investigativa é uma área que 
vem crescendo muito nos últimos anos e pode ser caracterizada pela ferificação 
de sons para estabelecer relações, isto é, “tem-se trabalhado na linha de 
verificação de locutor que busca determinar se uma fala gravada (de uma 
pessoa suspeita de um crime, por exemplo) é a mesma de um criminoso” 
(SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLÇÃO, 2011, p. 14). 
 
Tradução – O profissional de tradução também vai precisar de uma 
ideia, ainda que básica, sobre o que é Fonética e Fonologia. Quando falamos 
sobre tradução e o que ela é podemos seguir aquilo que nos ensina Campos 
(1986) quando afirma que o verbo traduzir vem do latim e significa “conduzir ou 
fazer passar de uma lado para o outro”. Assim, traduzir nada mais é do que 
“fazer passar, de uma língua para outra, um texto escrito […]. Quando o texto 
é oral, falado, dize-se que há ‘interpretação’, e quem a realiza então é um 
‘interprete’” (CAMPOS, 1986, p. 7). Traduzir, nesse sentido, é não apenas 
conhecimento de língua e contexto, mas também de som e aquisição de fala. 
Temos percebido que há uma diferenciação semântica-conceitual entre os 
termos Fonética e Fonologia; percebemos também que essa conceituação está longe 
de ser unanimidade entre os especialistas da área; vimos ainda que é possível acordar 
que enquanto a Fonética opera com a produção fisiológica do som a Fonologia 
trabalha com a articulação e percepção do som pelo ouvinte e, por fim, 
compreendemos que os estudos das duas disciplinas é importantes para muitas e 
variadas disciplinas que lidam com a língua e a linguagem, como a tradução, a fonética 
forense, a fonoaudiologia e a alfabetização, dentre outras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Nova 
Fronteira, 2009. 
CAMPOS, Geir. O que é tradução? São Paulo: Brasiliense, 1986. 
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 
Rio de Janeiro: Lexikon, 2017. 
SEARA, Izabel C.; NUNES, Vanessa G.; LAZZAROTTO-VOLÇÃO, Cristiane. 
Fonética e fonologia do português brasileiro. Florianópolis: UFSC, 2011. 
NEVES, Maria Helena de Moura. A Vertente grega da gramática tradicional. São 
Paulo: Unesp, 2005. 
SAUSSURE, Ferdinand. Curso de linguística geral. São Paulo: Curtix, 2006. 
SOUZA, Luiz Carlos da Silva. A Fonética e a fonologia de Trubetzkoy à luz do 
pensamento saussuriano. Revista do Centro de Educação e Letras da Unioeste. v. 
14, nº 2. Foz do Iguaçu, 2012.

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