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ESTUDO SOBRE A PSICOLOGIA SOCIAL 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
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Sumário 
NOSSA HISTÓRIA .......................................................................................... 3 
INTRODUÇÃO ................................................................................................. 4 
INSERÇÃO DA PSICOLOGIA NA ASSISTÊSICIA SOCIAL ........................... 7 
A PSICOLOGIA SOCIAL DO FENÔMENO ORGANIZATIVO ....................... 10 
A INSTITUIÇÃO ............................................................................................. 13 
O PSICÓLOGO NO SUAS: CENÁRIO ATUAL.............................................. 16 
COMPROMISSO SOCIAL DA PSICOLOGIA ................................................ 19 
Implicações para uma ciência histórica do comportamento social ................ 23 
REFERÊNCIAS: ............................................................................................ 29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos 
que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, 
de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
 
 
 
O que hoje é chamado de psicologia do trabalho é uma lista de tópicos tão 
vasta que perde qualquer significado específico e é difícil considerar como um 
conjunto. 
Por exemplo tanto no trabalho empresarial, público ou no terceiro setor 
(entidades e associações filantrópicas, não governamentais ou de representação) 
são estudadas questões de: ergonomia, saúde do trabalhador, organização do 
trabalho, seleção, treinamento técnico, orientação vocacional, motivação e 
satisfação, comprometimento, significado do trabalho, relações interpessoais, 
liderança e comportamento grupal, estilo gerencial, treinamento e desenvolvimento 
gerencial, clima e cultura organizacional, comunicação e organização informal, 
relações de trabalho, negociação sindical e análise organizacional e institucional. 
Mesmo esta lista abreviada - na qual cada item é o ponto de partida para um 
microuniverso de tendências, métodos de pesquisa, pressupostos teóricos e valores 
 
 
 
 
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sociais - demonstra que o termo psicologia do trabalho é tão descritivo quanto 
psicologia do fora-do-trabalho. Pior ainda, a multiplicação de elementos de atuação 
acontece sem nenhuma base teórica que sirva de moldura ou sem qualquer disputa 
teórica clara que possa servir como um diálogo de referência como, por exemplo, na 
área da psicologia clínica. Tão confuso é este tumulto de temas que não é de 
estranhar que a própria psicologia prefira deixá-lo sobreviver marginalmente no 
campo de recursos humanos, ou relegado a um tópico do quinto ano do curso de 
graduação e a uma experiência triste de estágio na área de seleção de pessoal. 
 É raro encontrar psicólogos que fazem do terreno do trabalho seu foco 
substantivo; muito mais comum é ouvir que a presença neste campo se dá por 
razões instrumentais. Ora, não se pode criticar esta posição se o campo em si é de 
fato tão desencontrado; não é possível exigir que alguém fosse assumir algo se não 
há claras indicações de que este algo existe! Durante um período buscou-se criar 
um espaço mais coerente e menos problemático a partir de um enfoque institucional 
e com uma maior atenção ao funcionamento psicossocial de hospitais, centros de 
saúde, escolas e creches. Coerente, porque a ligação da psicologia com o 
desenvolvimento, a aprendizagem e a medicina sempre foi muito presente; menos 
problemático porque não são indUstrias com seus dilemas do capital. 
Esta abordagem tevê seus limites por pelo menos três razões: 
 primeira, instituição é uma categoria específica de organização 
simbólica ou do universo simbólico do elemento organizado, e não um 
sinônimo para organizações que prestam serviços sociais específicos; 
consequentemente foi difícil manter as restrições frente ao aumento 
de interesse em cultura organizacional que exigiu uma definição mais 
clara do que é instituição. 
 Segunda, também nestes tipos de organização há cargos, carreiras, 
tarefas sendo alocados e tecnologias a serem operacionalizadas; a 
abordagem mais psicodinâmica e psicanalítica da análise institucional 
teve poucas ferramentas para um universo que também é 
sociotécnico. 
 
 
 
 
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 Finalmente, o capital e os dilemas e conflitos da relação capital-
trabalho podem não estar explicitamente presentes, mas as instâncias 
de estado e governo e sua relação com a cidadania nas questões de 
política social são igualmente ou até mais complexas e problemáticas. 
Surge, portanto a pergunta: o que fazer para diminuir a fragmentação e criar 
para esta área imensa uma possibilidade de atuação menos paradoxal? A resposta 
passa necessariamente pela compreensão do processo de fragmentação, e leva à 
proposição de uma nova unidade de análise psicológica que possa permitir o 
redimensionamento do campo como um todo: o processo organizativo enquanto 
fluxo de ações e significados sociais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INSERÇÃO DA PSICOLOGIA NA ASSISTÊSICIA SOCIAL 
 
 
 
Segundo a posição de Parker (2007) de que, historicamente, a Psicologia 
constituiu-se como um poderoso instrumento da ideologia burguesa a serviço da 
sociedade capitalista, sobretudo no Brasil onde majoritariamente se voltou à 
caracterização de um profissional liberal focado no indivíduo isolado de seu contexto 
social. No entanto, “a entrada em campos como o da política social força-lhe a 
reaprender a fazer e pensar Psicologia” (Yamamoto & Paiva, 2010, p. 155). 
Bock (2003) aponta três aspectos do caráter ideológico da Psicologia que 
acompanham as práticas profissionais, favorecendo o sentido acima exposto. 
Primeiro, a naturalização do fenômeno psicológico, resultando em uma concepção 
de universalidade do fenômeno psíquico, o que distancia a Psicologia da realidade 
social. Destaca também que “os psicólogos não têm concebido suas intervenções 
como trabalho” (Bock, 2003, p. 21), descolando dessa maneira a prática profissional 
dos interesses sociais e das disputas políticas da sociedade. 
Por fim, ressalta que a Psicologia tem concebido as pessoas como 
responsáveis pelo seu desenvolvimento, descartando o papel da sociedade e 
compreendendo o fenômeno psicológico a partir do próprio homem. Tais aspectos 
tornam-se indispensáveis em uma análise crítica da inserção do psicólogo na área 
da Assistência Social. Partir de princípios como os predominantes historicamente na 
 
 
 
 
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Psicologia redunda em uma prática conservadora e superficial diante da realidade 
da população atendida pelas políticas públicas de Assistência Social. 
Além disso, cabe uma análise da recente presença da Psicologia nos setores 
públicos da AssistênciaSocial. Isso se revela nas pesquisas realizadas (Botomé, 
1979; Conselho Federal de Psicologia, 1988), que traçam um perfil da atuação do 
psicólogo, com predominância em consultórios particulares, demarcando o elitismo 
da profissão. Mello (1975), em estudo publicado no início da década de setenta, 
realiza uma crítica aos rumos da profissão, apontando que a Psicologia pela 
natureza de seu conhecimento deveria ser “muito mais que uma atividade de 
luxo” (p. 109) 
 
 Campos (1983) afirmava que as 
contingências do mercado de trabalho 
estariam “empurrando” o psicólogo 
para as classes subalternas e que esta 
migração exporia as insuficiências 
teórico-técnicas da Psicologia 
tradicional. 
Esses estudos pontuaram, portanto, o elitismo da profissão, com a prática do 
psicólogo restrita àqueles que poderiam pagar pelos serviços profissionais, tornando 
inacessível o atendimento psicológico para a maior parte da população. 
O Conselho Federal de Psicologia reconhece, ao publicar referências 
técnicas para o exercício profissional para a área da assistência social, que “a 
despolitização, a alienação e o elitismo marcaram a organização da profissão e 
influenciaram na construção da ideia de que o (a) psicólogo (a) só faz Psicoterapia” 
(Conselho Federal de Psicologia e Conselho Federal de Serviço Social, 2007, p. 
20). 
Uma análise da realidade concreta de vida das pessoas, a partir de uma 
compreensão histórica e social de constituição dos indivíduos exige, no entanto, 
novos posicionamentos da Psicologia e do fazer psicológico (o sofrimento psíquico 
 
 
 
 
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não é igual para todos – ricos e pobres). Bock (1999) discute as limitações sociais 
do trabalho do psicólogo restrito aos consultórios particulares ou escritórios para a 
interferência ou a melhoria das condições de vida das pessoas atendidas. 
 Dados de uma pesquisa solicitada pelo Conselho Federal de Psicologia 
(Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, 2004) indicam que 55% dos 
participantes informaram que sua atividade principal era “atendimento clínico 
individual ou em grupo” e 53% que seu local de trabalho é o consultório particular 
(41%) e clínica (12%). Exercem suas atividades em políticas públicas de saúde, 
segurança ou educação 11% dos entrevistados. Mesmo considerando essa 
configuração profissional, ainda majoritariamente atuando de modo individual e com 
uma abordagem clínica, o envolvimento e a presença dos profissionais nos espaços 
públicos têm crescido, sobretudo em organizações não-governamentais e no poder 
público 
De acordo Yamamoto (2007), ao discutir esse movimento da área, pontua a 
importância do envolvimento dos psicólogos na área da saúde, sobretudo na 
participação na Luta Antimanicomial, “que acabam definindo algumas das condições 
para a inserção da categoria, de forma mais extensiva, no campo público do bem 
estar social” (p. 31). 
 
 
 
 
 
 
 
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De acordo pesquisa realizada pelo IBGE (2006, p. 55), em 2005, o número de 
pessoas ocupadas na área de assistência social da administração municipal 
foi,aproximadamente, de 140.000 pessoas, sendo 18,3% com formação superior em 
Psicologia e mais da metade (51,2%) com formação em Serviço Social. Havia, 
portanto, uma predominância de assistentes sociais, com a Psicologia como 
segunda categoria profissional presente neste setor dos serviços públicos. Essa 
situação vem se modificando ao longo dos últimos anos, especialmente depois da 
implantação do SUAS. 
Desta inserção no campo da Assistência Social decorrem inúmeros desafios 
para o profissional de Psicologia. Em 2005, Senra conduziu um estudo em que os 
psicólogos da rede municipal de assistência puderam relatar as dificuldades 
encontradas em sua prática, considerando, sobretudo, uma formação pouco 
embasada na realidade de atuação da Psicologia Social. Os resultados desse 
trabalho apontaram para uma tensão entre o papel profissional do psicólogo e do 
assistente social diante das demandas do campo de trabalho. O trabalho conjunto 
entre estes dois profissionais (Serviço Social e Psicologia) constitui-se como um 
ponto de conflito gerando dúvidas quanto à complementaridade ou a especificidade 
em relação a sua atuação. Psicólogos e Assistentes Sociais questionam-se uns aos 
outros sobre seus papéis e funções diante da realidade com que têm que lidar no 
cotidiano do trabalho. 
 
A PSICOLOGIA SOCIAL DO FENÔMENO ORGANIZATIVO 
 
 
 
 
 
 
 
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 Se a organização enquanto um todo não é mais que um rastro da atividade 
que já passou, uma sombra pálida de um fenômeno multidimensional que 
desaparece quando a luz é acesa, segue que estes empreendimentos diversos de 
todos os tipos funcionam não porque as pessoas são administradas e direcionadas, 
mas porque a concentração de processos que seus cotidianos representam serve 
de ímã para o uso das caixas coletivas de ferramentas organizativas mundanas 
desenvolvidas ao longo da história social. Em última análise, pessoas sabem se 
virar. A estrutura de uma firma, hospital, escritório ou ongs é uma representação de 
ação congelada; de pouca importância no dia-dia de negociação de significado. 
Ela pode apoiar ou restringir a ação processual pelo seu efeito simbólico 
enquanto mecanismo de mediação, mas não a produz nem reproduz; igual à 
pegada, ela tem algo a contar - só que- é diferente daquilo que se está acostumado 
a ouvir. Será que a retificação da organização dentro de uma ideologia gerencial 
moderna, refletida no aumento vertical da quantidade de "best sellers" e 
seminários, precisa ser compreendida como um processo onde a negação implícita 
presente na ênfase na importância do bom gerente (a incapacidade organizativa do 
não-gerente) aponta justamente para a presença contrária (a capacidade 
organizativa autóctone)? Ideologia nunca foi somente uma referência à direção do 
poder mas também à direção do medo que o sustenta. 
Ao tornar natural a autoridade de alguém, desautoriza-se no mesmo tempo a 
autoridade do outro de quem ou do qual, enquanto conceito, se tem medo. A oferta 
da cidadania da organização reprime o exercício da cidadania que se deriva das 
contradições do dia-a-dia, como também a construção de uma cidadania limitada a 
direitos garante a manutenção de um estado. 
Consequentemente, e tal como a ideologia de assentamento humano representou o 
medo do não assentado cuja cultura e práticas igualmente complexas e morais 
desafiaram a lógica da vida assentada, o processo de colonização simbólica não se 
tornou ainda hegemônico e certas condições entre as quais a complexidade - 
poderia levar à desmistificação parcial do sistema enquanto meta narrativa frente às 
rupturas produzidas na parte. 
 
 
 
 
 
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Estas ideais estão também presentes 
em outras áreas de análise social, onde a 
noção de atividade processual que forma um 
cotidiano intersubjetivo vem sendo trabalhada 
durante algum tempo. 
 Reconhece-se a presença de uma 
consciência prática das contradições 
presentes nestes significados como também a possibilidade de transcender 
parcialmente a consciência prática em relação a uma consciência discursiva54. 
Admite-se a possibilidade das pessoas assumirem a agência do autor no ator social, 
porque a agência é própria da parte. 
 Ao reconfigurar a psicologia do trabalho enquanto ação processual a partir da 
psicologia social do fenômeno organizativo abre-se a opção de reassumir a 
intervenção investigativa da pesquisaação como base para um diálogo que apoia a 
agência do outro na alteração de práticas e formas de agir. 
 O estudo do fenômeno organizativo e do trabalho tem muito a ganhar com sua 
proximidade à psicologia social- e talvez a psicologia social tenha algo a aprender 
também. Peter K. Spink é professor do Programa de Estudos Pós-graduados em 
Psicologia Social da PUC-SP eda Escola de Administração de Empresas de São 
Paulo da Fundação Getulio Vargas. 
 
 
 
 
 
 
 
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A INSTITUIÇÃO 
 
 
 
Uma das principais finalidades da investigação realizada é o reconhecimento 
da natureza, da inserção histórica e das características das áreas profissionais 
Serviço Social e Psicologia, a partir de suas ações junto ao Poder Judiciário, o qual, 
contemporaneamente, se tornou “[...] uma instituição que tem de enfrentar o desafio 
de alargar os limites de sua jurisdição, modernizar suas estruturas organizacionais e 
rever seus padrões funcionais, para sobreviver como poder autônomo e 
independente” (Faria, 2001, p. 9). 
Configurando-se como locus das inúmeras mediações que se operam nas 
relações de trabalho profissional, é nesta instituição, de natureza eminentemente 
pública, que se configuram ações voltadas a objetivos explícitos, “[...] Como uma 
das instituições básicas do Estado constitucional moderno, em cujo âmbito exerce 
uma função instrumental (dirimir conflitos), uma função política (promover o controle 
social) e uma função simbólica (promover a socialização das expectativas à 
interpretação das normas legais)...” (ibidem, p. 8). 
A partir dessa complexa inserção, buscam-se compreender o projeto 
profissional de duas categorias, vinculadas ao Serviço Social e à Psicologia, 
chamadas, em tempos diferentes — em 1948 e 1980, respectivamente, a participar 
das funções mencionadas. Dada essa trajetória histórica, tanto uma quanto a outra 
 
 
 
 
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área já vivenciaram experiências suficientes para sua autorreflexão e reconstrução 
de seus objetivos junto à instituição. 
Assim, acredita-se que seja possível aos profissionais dar nova dimensão a 
esse cotidiano de trabalho, quase sempre prejudicado pela grande demanda e pela 
insuficiência de recursos de infraestrutura, incluindo os humanos, fazendo que, 
muitas vezes, se vejam como executores de ações isoladas e imediatistas, nem 
sempre se recuperando em tempo e condições para reconhecerem-se como 
participantes das ações que configuram uma 
instituição ou “[...] um Poder em busca não de um 
autor, mas de espaços mais nítidos de atuação, 
de uma identidade funcional mais precisa e de 
maior legitimidade política” (ibidem, p.17). 
 Entende-se INSTITUIÇÃO, neste caso, 
como o locus de intermediação entre o Estado e a 
população que a ela procura espaço esse 
transversalizado por forças e interesses criados no 
âmbito dos projetos da sociedade ocidental, para “[...] determinar e assegurar a 
aplicação das leis que garantem a inviolabilidade dos direitos individuais” (Ferraz Jr., 
1994, p. 13). Entendendo que, desde sua constituição nos tempos antigos, a 
instituição judiciária chega aos tempos modernos como básica ao Estado. 
Em análise sobre as condições de exercício da Justiça a partir do Estado do 
bem-estar-social, o referido autor põe para a reflexão as novas responsabilidades 
do Poder Judiciário, afirmando que a transformação dessas condições, com o 
advento da sociedade tecnológica e do estado social, parece desenvolver 
exigências no sentido de uma desneutralização. 
 Neste sentido, o juiz é chamado a exercer uma função socioterapêutica, 
liberando-se do apertado condicionamento da estrita legalidade e da 
responsabilidade exclusivamente retrospectiva que ela impõe, obrigando-se a uma 
responsabilidade prospectiva, preocupada com a consecução de finalidades 
políticas das quais ele não mais se exime em nome do princípio da legalidade (dura 
lex sed lex) (ibidem, p. 19).Em tempos de reestruturação do capitalismo, o Poder 
 
 
 
 
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Judiciário se vê, então, em um cenário incerto, no qual o Estado-nação vai perdendo 
sua autonomia e o ordenamento jurídico vê comprometida sua história, sua unidade 
e sua organicidade. 
De acordo com Faria (2001, p. 9), este Poder tem o desafio de alargar os 
limites de sua jurisdição e rever suas estruturas organizacionais e padrões 
funcionais. É esse o espaço institucional que contrata e prevê ações profissionais 
para as áreas de Serviço Social e Psicologia. O Poder Judiciário, conforme esse 
mesmo autor, não costuma dispor de meios materiais e técnicos para fazer frente às 
novas demandas: “O tempo do processo judicial é o tempo diferido. O tempo 
da economia globalizada é o real...” (ibidem, p. 9).O corporativismo e a burocracia 
impregnam fortemente a mentalidade do Judiciário, contribuindo para a lentidão 
administrativa de suas decisões internas, e operacionais, no âmbito da aplicação da 
lei. “Nos burocratizados tribunais brasileiros, cujos integrantes parecem acreditar 
que os conflitos podem ser solucionados pelo simples apego a certas formas e/ou 
ritualização de certos atos, os direitos humanos e os direitos sociais vêm 
dificultando a rotina da aplicação da lei...” (Faria, 1994, p. 47). 
Nessa mesma direção, este autor destaca que o agravamento das questões 
sociais, em decorrência da crise econômica, sobretudo nos anos 1990, tem 
obrigado “[...] a magistratura a refletir um pouco mais sobre suas funções sociais” 
(ibidem, p. 47). Em alguns espaços do Poder Judiciário, essas funções sociais se 
expressam mais nitidamente, como aqueles nos quais tramitam as ações relativas à 
infância, juventude, família e criminais. 
 Nessa realidade, expressões da ausência, insuficiência ou ineficiência do 
Poder Executivo na implementação de políticas sociais redistributivas e 
universalizastes se escancaram, na medida em que, além dos litígios e demandas 
que requerem a intervenção judicial, como regulamentação de guarda de filhos, 
violência doméstica, adoção etc., cada vez mais se acentua uma “demanda fora de 
lugar” ou uma “judicialização” da pobreza, que busca no Judiciário solução para 
situações que, embora se expressem particularmente, decorrem das extremas 
condições de desigualdades sociais. 
 
 
 
 
 
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O PSICÓLOGO NO SUAS: CENÁRIO ATUAL 
 
 
 
A inserção do psicólogo na Assistência Social oficializa-se no país, portanto, 
por intermédio do SUAS, como um dos profissionais que devem compor as equipes 
dos CRAS e dos CREAS. 
 Com o processo de implantação do SUAS em todo território nacional amplia-
se, significativamente, o número de psicólogos inseridos no campo da Assistência 
Social no nível do Poder Público e das ONGs, na composição das equipes da rede 
socioassistencial. Mas não basta o ingresso dos profissionais de psicologia no 
campo. É preciso mais – acompanhamento e formação para a intervenção com uma 
análise crítica da realidade social e política. Botarelli (2008, p. 16) enfatiza esse 
aspecto: O trabalho de profissionais da área de assistência social passou por uma 
nova estruturação a partir deste novo ordenamento, mas ainda resta aprofundar-se 
sobre a consolidação do que e quais são as ações e os serviços sócio-assistenciais 
a serem caracterizados como básicos ou especiais. 
A atuação em contextos adversos, como em bairros na periferia das cidades 
ou em ocupações ou favelas implica a elaboração de metodologias alternativas às 
que são comuns e tradicionais nos fazer do psicólogo. Ao profissional de Psicologia 
cabe a análise da ausência histórica de investimento do Estado nessas 
comunidades, culminando com a inexistência e insuficiência de espaços e 
equipamentos públicos, assim como a necessidade de revisitar as próprias 
 
 
 
 
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intervenções da Psicologia, que precisam transpor os limites de uma sala, para um 
outro modelo de atendimento fundamentado em uma análise crítica da profissão 
(Parker, 2007). 
Existem inúmeros desafios a serem enfrentados na construção do lugar do 
psicólogo nas políticas públicas de Assistência Social, em especial na atualidade, 
com a implementação do SUAS. Em alguns municípios, a contratação de muitos 
psicólogos oficializa-se por meio de ONGs, sob a justificativa deimpedimentos 
fiscais e legais pelos gestores municipais. Assistência social e psicologia: sobre as 
tensões e conflitos do psicólogo no cotidiano do serviço público, concursos públicos 
para o cargo. A inserção profissional, articulada dessa forma, precariza o serviço 
público, além de assumir contornos de desvalorização da categoria profissional com 
baixos salários e alta rotatividade de profissionais. 
 Botarelli (2008, p.52) apresenta proposição semelhante ao afirmar que: Ao 
considerarmos a agenda neoliberal no setor das políticas públicas, a probabilidade 
de envolvimento profissional do psicólogo por delegação do CRAS no chamado 
‘terceiro Setor’ é mais promissora do que propriamente o desenvolvimento de 
trabalhos no âmbito do estado, mesmo que a ocupação seja significativamente 
maior também no setor público comparativamente às primeiras décadas após a 
regulamentação da assistência. Este contexto de terceirização do serviço público 
remete o psicólogo a um lugar de subalternidade aos gestores das ONGs, no 
atendimento dos interesses específicos de cada entidade. 
Os profissionais contratados pelas ONGs vivenciam dilemas semelhantes aos 
profissionais do Poder Público, mas em sua maioria participam pouco pelo temor da 
perda do emprego vulnerável e instável resultado do tipo precarizado de contrato de 
trabalho. Destacamos assim que, embora haja hoje uma preocupação crescente 
com a formulação de parâmetros e diretrizes para a atuação do psicólogo no SUAS, 
mais especificamente nos CRAS (Conselho Federal de Psicologia, 2007a; CFP e 
CFESS, 2007), isso não se traduz em uma prática profissional, de acordo com as 
diretrizes estabelecidas. 
 Muitas vezes as diretrizes são subvertidas obedecendo aos interesses 
dominantes da gestão municipal ou da direção das ONGs. Por outro lado, os 
 
 
 
 
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psicólogos (servidores públicos concursados) vivenciam os dilemas estruturais da 
atuação, que sofre as repercussões das mudanças administrativas e os impactos da 
falta de investimento em infraestrutura tanto para as comunidades quanto para os 
próprios serviços públicos. 
 
 
 Mesmo com um contrato mais estável, esses profissionais também sofrem o 
temor da retaliação, dependendo da postura assumida pelos gestores municipais da 
Assistência Social. Observamos, portanto, que os avanços no discurso pertinentes à 
área da Assistência Social, assim como da própria Psicologia, ainda não são 
acompanhados de avanços no cotidiano da ação. 
Documentos oficiais não garantem a ocorrência na gestão dos municípios, 
muito menos a competência profissional para o exercício em condições totalmente 
adversas. Nesse sentido, Botarelli (2008) alerta para os riscos, na implantação dos 
CRAS, dentre uma das discussões na área: a permuta de plantões sociais 
centralizados para a periferia da cidade sem uma reflexão sobre ações de cunho 
transformador e com o agravante do isolamento das pessoas excluídas em seu 
próprio território. 
A prática profissional do psicólogo no âmbito da Política Nacional de 
Assistência Social configura desafios para além de uma atuação técnica 
(abordagens e metodologias psicológicas), pois esta inserção no campo de atuação 
 
 
 
 
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é contraditória e muitas vezes tensa na articulação entre os profissionais, sua 
prática profissional e a instituição pública. 
Não se resolvem as questões sociais e a falta de acesso da população ao 
atendimento psicológico disponibilizando o profissional sem uma formação 
adequada ou infraestrutura de trabalho. Portanto, a importância do olhar crítico dos 
profissionais da Psicologia que atuam na área da Assistência Social e da articulação 
necessária entre a prática e a produção de conhecimento acumulada pela 
Psicologia nos últimos anos, especialmente, no contexto latino-americano com 
realidade social semelhante. 
 
COMPROMISSO SOCIAL DA PSICOLOGIA 
 
 
 
 “No final dos anos 80, começaram novos movimentos de mudança na 
atuação profissional e adotou- -se o lema do compromisso social como norteador da 
atuação psicológica” (CFP e CFESS, 2007, p. 20). A “I Mostra Nacional de 
Práticas em Psicologia: Psicologia e Compromisso Social”, realizada em 2000 
pelo Conselho Federal de Psicologia, pode ser considerada um evento marcante na 
visibilização das diversas práticas sociais dos psicólogos. 
Para Yamamoto (2007), destaca que o compromisso social do psicólogo 
passa de “tema a lema” nos debates sobre a profissão, vinculado a um grupo de 
psicólogos que lideraram este movimento. O compromisso social da Psicologia 
 
 
 
 
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valorizava a construção de práticas comprometidas com a transformação social em 
direção a uma ética voltada para a emancipação humana (CFP, 2007a, p. 6). 
Os significados atribuídos a este compromisso, no entanto, têm sido 
diferenciados de acordo, por exemplo, com a formação do profissional, ideologia, 
contextos de atuação, entre outros fatores. Ao concordarem com Lopes (2005, p. 
10) quando aponta que o “conteúdo ideológico está presente na construção e na 
utilização de todo e qualquer conceito dentro das ciências, com maior ou menor 
grau de consciência de quem dele se apropria”. Mas, ainda, não basta dizer de 
compromisso social. 
 Para que uma profissão assuma para si a proposta de enfrentar a sociedade 
desigual e injusta, a serviço da emancipação humana, é preciso que ela rompa com 
suas próprias amarras históricas de uma profissão comprometida com a classe 
social dominante e que se mantém reproduzindo e mantendo o status quo (Martín-
Baró, 1997; Prilleltenski, 1994). Destacam a discussão proposta por Guareschi 
(2001) de que se torna necessário explicitar de que social estamos falando, 
quando nos referimos ao compromisso social da Psicologia, desvelando a visão de 
mundo dos psicólogos. 
“Em consonância com Lopes (2005), Guareschi (2001, p. 80) 
esclarece ainda que: A concepção que temos de social passa a se 
concretizar muitas vezes inconscientemente, na prática, em minhas 
condutas, ou comportamentos, e no tipo de relações que eu 
estabeleço.” 
É na prática que vem testar qual é o social, qual o compromisso social. A 
heterogeneidade e o uso banalizado do termo como constituinte de modismos e de 
vocabulário politicamente correto no meio dos profissionais sem uma 
correspondente mudança na realidade do trabalho dificultam o aprofundamento e a 
compreensão das questões envolvidas e esvaziam de sentido um projeto técnico-
político para a profissão e para os profissionais em exercício. 
 Martinez Mitjáns (2003) elenca questionamentos que consideramos de 
importância para a discussão do compromisso social na Psicologia. A autora 
considera complexa essa discussão, tornando-se necessária a reflexão sobre a 
 
 
 
 
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quem se refere o compromisso social: É o corpo articulado de conhecimentos 
representado pela Psicologia como ciência particular que se compromete 
socialmente ou é o indivíduo psicólogo que produz esses conhecimentos ou que os 
utiliza nas suas práticas profissionais específicas? 
(Martinez Mitjáns, 2003, p. 144) Dessa forma, o compromisso social na 
psicologia pode assumir conotações variadas, cabendo o esclarecimento de com 
quem e de que forma ele é firmado. Assim, entendemos que o discurso de 
compromisso social da Psicologia deve estar articulado com uma prática coerente 
com tal propósito. A Psicologia é uma 
construção humana condicionada histórica e 
culturalmente (Martinez Mitjáns, 2003) e os 
psicólogos ocupam lugar central quando se 
pretende abordar esta questão do 
compromisso social. Os conhecimentos são 
produzidos por sujeitos concretos imbuídos 
de suas experiências, visão de mundo e 
interesses que se expressam em práticas 
diversificadas.Quando Yamamoto (2007, p. 34) aponta que “atuar com compromisso 
significa não somente superar o elitismo, mas dirigir aação para rumos diferentes 
daqueles que têm consagrado a Psicologia”, é preciso retomar o projeto da 
profissão com crítica consistente de diferentes elementos presentes na formação e 
no exercício profissional nos diferentes setores sociais onde a profissão se faz 
presente. 
 Para uma atuação comprometida socialmente, não basta somente deslocar 
práticas e modelos teóricos de outros contextos de atuação do psicólogo para 
espaços comunitários, ou mesmo, restringir a abrangência de sua atuação.É 
insuficiente e ineficaz uma intervenção que não busque a contextualização das 
vivências dos diversos espaços sociais e das pessoas e comunidades que 
constituem o tecido social com o qual o profissional trabalha. 
Martin-Baró (1997) “aponta que o psicólogo deve despojar-se 
de pressupostos teóricos adaptacionistas e que para isso é 
necessária a elaboração de novas visões conceituais, novos métodos 
 
 
 
 
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de diagnóstico e de intervenção – a construção de uma outra 
psicologia”. 
Em uma prática no campo da Assistência Social entendemos que é 
necessário um aguçamento do olhar crítico sobre as relações hegemônicas da 
sociedade, das políticas públicas existentes construídas nesse contexto e das 
condições concretas de vida da população atendida. 
“Conforme aponta Yamamoto (2007), a atuação do psicólogo 
no setor público, por si só, não representa um indicador do 
compromisso social do profissional. Muitas práticas intitulam-se de 
transformação social, sem, contudo significar mudanças na realidade 
das pessoas e das comunidades”. 
 
Determinadas formas de intervenção no setor público podem caminhar em direção 
oposta à transformação social e ao compromisso social. Muitas dessas práticas 
caminham no sentido oposto ao de transformação, embora no discurso intitulem-se 
como sendo práticas transformadoras. 
 
 
 
 
 
 
 
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Implicações para uma ciência histórica do comportamento 
social 
 
Sob a luz dos presentes argumentos, a tentativa contínua de construir leis 
gerais do comportamento social parece mal direcionada, e a crença associada a ela 
de que o conhecimento da interação social pode ser acumulado como nas ciências 
naturais revela-se injustificada. Em essência, o estudo em psicologia social é 
fundamentalmente um empreendimento histórico. Estando essencialmente 
engajados em incontáveis questões contemporâneas. Utilizam metodologia 
científica, porém os resultados não são princípios científicos no sentido tradicional. 
No futuro, historiador poderá voltar-se para tais relatos do passado a fim de alcançar 
uma melhor compreensão acerca da vida nos dias atuais. 
Entretanto, é provável que os psicólogos do futuro encontrem pouco valor no 
conhecimento contemporâneo. Esses argumentos não são puramente acadêmicos 
e não se limitam a uma simples redefinição de ciência. Aqui estão implicadas 
significantes alterações na atividade de campo. Cinco dessas alterações merecem 
atenção. Rumo à Integração do Puro e do Aplicado Entre psicólogos acadêmicos 
encontra-se difundido um preconceito contra a pesquisa aplicada, um preconceito 
que é evidenciado pelo enfoque dado à pesquisa pura pelos periódicos de prestígio 
e pela dependência de promoção e manutenção de contribuições à pesquisa pura 
em oposição à pesquisa aplicada. 
 Esse preconceito baseia-se, em parte, na suposição de que a pesquisa 
aplicada é de valor transitório. Enquanto esta se limitaria a resolver problemas 
 
 
 
 
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imediatos, a pesquisa pura contribuiria para um conhecimento básico e duradouro. 
Do ponto de vista atual, o solo no qual se assentam tais preconceitos não é 
merecedor de respeito. O conhecimento que a pesquisa pura se dedica em 
estabelecer é também transitório; generalizações nessa área de pesquisa 
geralmente não perduram. 
A tal ponto que, quando generalizações da pesquisa pura têm grande 
validade transhistórica, podem estar refletindo processos de interesse periférico ou 
importantes para o funcionamento da sociedade. Psicólogos sociais são treinados 
para usar ferramentas de análise conceitual e metodologia científica a fim de 
explicar a interação humana. 
No entanto, dada a esterilidade em aperfeiçoar os princípios gerais ao longo 
do tempo, essas ferramentas mostram-se mais produtivas quando usadas na 
resolução de problemas de importância imediata para a sociedade. Isso não implica 
que tais pesquisas devam ser de alcance restrito. Um defeito fundamental de 
grande parte das pesquisas aplicadas é que os termos usados para descrever e 
explicar são relativamente concretos e específicos para o caso em mãos. 
Enquanto os comportamentos concretos estudados pelos psicólogos 
acadêmicos são frequentemente mais triviais, a linguagem explicativa é altamente 
geral, e assim mais amplamente heurística. É assim que os argumentos presentes 
sugerem uma intensa focalização em assuntos sociais contemporâneos, baseados 
na aplicação de métodos científicos e ferramentas conceituais largamente 
generalizadas. Da Predição à Sensibilização O objetivo central da psicologia é 
tradicionalmente encarado como a predição e o controle do comportamento. 
Do ponto de vista, esse objetivo é despropositado e oferece pouca 
justificativa para a pesquisa. Princípios do comportamento humano podem ter valor 
preditivo temporalmente limitado, e seu alto conhecimento pode torná-los 
impotentes como ferramentas de controle social. Todavia, previsão e controle não 
precisam servir de pedras angulares do campo. 
 A teoria psicológica pode desempenhar um papel excessivamente 
importante enquanto dispositivo de sensibilização. Pode esclarecer-nos acerca da 
gama de fatores que potencialmente influenciam o comportamento sob várias 
 
 
 
 
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condições. Podendo neste contexto oferecer algumas estimativas da importância 
desses valores num determinado momento. Seja no caso do domínio da política 
pública ou dos relacionamentos pessoais, a psicologia social pode aguçar a 
sensibilidade de um indivíduo para influências sutis e apontar suposições sobre o 
comportamento que não se mostraram úteis no passado. Quando se pede um 
conselho ao psicólogo social sobre um provável comportamento em uma situação 
concreta, a reação consiste em desculpar-se. É necessário explicar que o campo 
ainda não se encontra suficientemente desenvolvido a ponto de que predições 
confiáveis possam ser feitas. Do ponto de vista, tais desculpas são inapropriadas. 
 O campo pode raramente fornecer princípios para que predições confiáveis 
possam ser feitas. Padrões de comportamento estão sob constante mudança. 
Contudo, o que o campo pode e deve oferecer são pesquisas informando o 
inquiridor do número de possíveis ocorrências, ampliando assim sua sensibilidade e 
preparando-o para uma acomodação mais rápida à modificação ambiental. Pode 
prover ferramentas conceituais e metodológicas com as quais um número maior de 
juízos de discernimento pode ser efetuado. 
Psicólogos sociais evidenciam uma contínua preocupação com processos 
psicológicos básicos, ou seja, processos que influenciam um vasto e variado 
conjunto de comportamentos sociais. Simulando a preocupação de psicólogos 
experimentais com processos básicos, como visão em cores, aquisição da 
linguagem, memória e assim por diante, psicólogos sociais detiveram-se em alguns 
processos, tais como dissonância cognitiva, nível de aspiração e atribuição causal. 
Entretanto, há uma profunda diferença entre os processos estudados nos domínios 
da psicologia geral experimental e no domínio da psicologia social. 
Os processos estão frequentemente guardados biologicamente no 
organismo, não estão sujeitos a efeitos de esclarecimento e não dependem de 
circunstâncias culturais. Ao contrário, a maioria dos processos de domínio social é 
dependente de disposições sujeitas a modificação ao longo do tempo. Assim,é um 
erro considerar os processos em psicologia social como básicos no sentido das 
ciências naturais. Antes, podem ser largamente considerados a contrapartida 
psicológica de normas culturais. Da mesma maneira que um sociólogo preocupa-se 
 
 
 
 
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em medir preferências parciais ou padrões de mobilidade no decurso do tempo, o 
psicólogo social poderia atentar para os padrões de mudança das disposições 
psicológicas e a sua relação com o comportamento social. 
 Se a redução de dissonância é um processo importante, então deveriam 
estar aptos a medir a prevalência e a força de tal disposição no seio da sociedade 
ao longo de tempo e os modos de redução de dissonância prediletos num dado 
momento. Se a elevação da estima parece influenciar a interação social, os amplos 
estudos culturais deveriam revelar a extensão dessa disposição, sua força em 
várias subculturas, e a forma do comportamento social com a qual se encontra mais 
associada a um dado momento. 
 Embora experimentos em laboratório sejam adequados ao isolamento de 
disposições particulares, são pobres indicadores da série e da significância dos 
processos da vida social contemporânea. São extremamente necessárias 
metodologias que estabeleçam contato com a prevalência, força e forma das 
disposições sociais no tempo. Com efeito, uma tecnologia dos indicadores sociais 
psicologicamente sensíveis (Bauer, 1969) é desejada. Pesquisa em Estabilidade 
Comportamental O fenômeno social pode variar consideravelmente na medida em 
que se submete à mudança histórica. 
 Certos fenômenos podem ser mais estreitamente vinculados a dados 
fisiológicos. A pesquisa de Schachter (1970) sobre estados emocionais parece ter 
uma forte base fisiológica, assim como o trabalho de Hess (1965) sobre afeto e 
constrição pupilar. Embora disposições adquiridas possam vir a superar algumas 
tendências fisiológicas, tais tendências deveriam se reafirmar gradualmente. Outras 
propensões fisiológicas, ainda, podem ser irreversíveis. Pode haver também 
disposições que são suficientemente poderosas para que nem o esclarecimento e 
nem mesmo as mudanças históricas venham a causar-lhe algum impacto. 
 Algumas pessoas geralmente evitarão estímulos físicos dolorosos, apesar de 
suas sofisticações ou das normas correntes. Devem pensar, então, em termos de 
um contínuo de durabilidade histórica, com fenômenos altamente suscetíveis à 
influência histórica num extremo e processos mais estáveis no outro. Assim, 
métodos de pesquisa habilitando-nos a discernir a durabilidade relativa do 
 
 
 
 
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fenômeno social são bastante necessários. Métodos interculturais poderiam ser 
empregados para esse fim. Embora a replicação intercultural seja repleta de 
dificuldades, similaridade numa dada função entre culturas amplamente divergentes 
atestaria fortemente sua durabilidade no tempo. 
 Técnicas de análise de conteúdo poderiam também ser empregadas no 
exame de períodos históricos recentes. Até agora, tais empreendimentos têm 
fornecido pouco além de citações indicando que algum grande pensador pressentiu 
uma hipótese familiar. Tendo que travar contato com a vasta quantidade de 
informações referentes aos padrões de interação nos últimos períodos. Embora a 
progressiva sofisticação dos padrões de comportamento ao longo do espaço e do 
tempo fornecesse valiosas compreensões referentes à durabilidade, alguns difíceis 
problemas apresentar-se-iam. Alguns padrões de comportamento podem 
permanecer estáveis até uma observação minuciosa. Outros podem simplesmente 
tornar-se disfuncionais com o passar do tempo. 
 A confiança do homem num conceito de deidade tem uma longa história e é 
encontrada em numerosas culturas. Entretanto, muitos são céticos sobre o futuro 
desta crença. Taxas de durabilidade teriam assim que contribuir para a estabilidade 
potencial tanto quanto atual do fenômeno. Ainda que a pesquisa por disposições 
culturais mais duráveis seja extremamente valiosa, não deveríamos daí concluir que 
seja mais útil ou desejável que estudar os padrões passados de comportamento. 
Grande parte da variabilidade do comportamento social deve-se indubitavelmente a 
disposições historicamente dependentes, e o desafio de capturar tais processos “em 
luta” e durante períodos preciosos da história é imenso. Rumo a uma História Social 
Integrada Sustentou-se que a pesquisa em psicologia social é fundamentalmente o 
estudo sistemático da história contemporânea. 
 Assim, parece miopia manter a separação disciplinar 
 (a) do estudo tradicional de história e 
 (b) de outras ciências historicamente fronteiriças (incluindo sociologia, 
ciência política e economia). As particulares estratégias de pesquisa e a 
sensibilidade do historiador poderiam elevar a compreensão da psicologia social, 
passada e presente. Particularmente útil seria a sensibilidade do historiador às 
 
 
 
 
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sequências causais no curso do tempo. Muitas pesquisas em psicologia social 
centram-se em segmentos momentâneos de processos em andamento. Tem 
concentrado muito pouco na função desses segmentos dentro de seu contexto 
histórico. Com pouca teoria em lidar com a inter-relação entre eventos dentro de 
longos períodos de tempo. Da mesma feita, historiadores poderiam beneficiar-se 
das mais rigorosas metodologias empregadas pelos psicólogos sociais tanto quanto 
de sua sensibilidade a variáveis psicológicas. 
 Contudo, o estudo da história, passada e presente, deveria ser empreendido 
da maneira mais ampla possível. Fatores políticos, econômicos e institucionais são 
todos fatores necessários à compreensão numa perspectiva integrada. A 
concentração em psicologia apenas oferece uma compreensão distorcida de nossa 
condição presente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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