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0 1 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 2 2. DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIAL .......................................... 3 2.1 O lugar da dimensão investigativa na formação profissional do assistente social............................................................................................................................7 2.2 O lugar da dimensão investigativa na prática profissional do assistente social..........................................................................................................................9 2.3 O Assistente Social e a dimensão investigativa na Política de Assistência Social..........................................................................................................................12 2.4 A dimensão investigativa e os processos de intervenção profissional ............ 16 3. A DIMENSÃO INVESTIGATIVA E A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO ......... 19 4. DIMENSÃO INVESTIGATIVA COMO ELEMENTO CONSTITUTIVO DO SERVIÇO SOCIAL ..................................................................................................................... 23 4.1 Serviço Social e saúde do trabalhador: aproximações ao campo de pesquisa.....................................................................................................................25 4.2 A dimensão investigativa do Serviço Social na saúde do trabalhador ............ 27 5. A DIMENSÃO INVESTIGATIVA E A SISTEMATIZAÇÃO DA PRÁTICA NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NAS POLÍTICAS SOCIAIS.....................................................................................................................29 6. A DIMENSÃO INVESTIGATIVA DO SERVIÇO SOCIAL NO ESPAÇO SÓCIO- JURÍDICO ................................................................................................................. 34 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 36 2 1. INTRODUÇÃO O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma per- gunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a res- posta. No espaço virtual, é o mesmo. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser se- guida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 3 2. DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIAL Fonte: shre.ink/Q8M2 Embora as Diretrizes Curriculares do curso de Serviço Social definam clara- mente o papel teórico e prático da dimensão investigativa para a profissão, é impor- tante notar que, esse reconhecimento da dimensão investigativa como um compo- nente do perfil profissional dos assistentes sociais apenas surgiu no final da década de 1960. No entanto, isso não significa que a profissão não tenha se envolvido em nenhuma atividade ou projeto durante o período anterior. Segundo o autor, a diferença entre o primeiro e o segundo período é “[...] a pesquisa não se punha como elemento substantivo nos papéis atribuídos e incorporados pela profissão” (NETTO, 2009, p. 29). Para Montaño (2000) o processo de segmentação e desarticulação entre ciên- cia e tecnologia, conhecimento e ação, que não se relaciona especificamente com o Serviço Social, mas decorre da instauração a partir de 1848, do processo de declínio ideológico da mentalidade burguesa, ou, dito de outra forma, daquele processo histó- rico em que as primeiras se deu o confronto entre o proletariado e a burguesia, tendo esta última perdido o seu papel revolucionário e crítico. A perda do caráter revolucionário da burguesia e sua entrada em um longo período de decadência ideológica que continua até hoje, gradualmente estabelecida, do ponto de vista da ciência, um novo padrão de conhecimento, baseado na raciona- lidade hegemônica de natureza abstrata formal, que tende a esmagar a realidade em 4 um conjunto de domínios ou campos de conhecimento, torna-se objeto de estudo e pesquisa de diferentes disciplinas científicas. A implementação deste novo padrão científico teve duas consequências bási- cas: por um lado, deu origem a abordagens que tendem a libertar inventários, dese- conomizar e despolitizar os fenômenos sociais, enquanto cada uma destas "dimen- sões" da realidade passa a ser objeto de uma ciência particular (história, economia, política, sociologia, antropologia, etc.), por outro lado, permite consolidar formas me- todológicas de investigação, muitas vezes de natureza epistemológica, por assim di- zer, formas a priori do sujeito, e estabelecer um conjunto definido de períodos e tem- pos pré-determinados para a investigação. Com isso, um método de pesquisa é de- terminado independentemente do próprio sujeito, então a autenticidade dos resulta- dos da pesquisa obtidos passa a depender da correta aplicação do método predefinido e não do próprio movimento que caracteriza a existência dos objetos. É preciso ressaltar que todo o processo de dividir e fragmentar o conhecimento em um instante não significa que algumas ciências tenham seus próprios “objetos” de pesquisa, mas que também se manifesta na forma de divisão, de forma positiva. Como explica Montaño (2000), entre os “cientistas” e os “especialistas na área”, entre os que produzem conhecimento e os que intervêm na prática, a maioria apela ao “saber para agir”. Segundo Montaño (2000), durante as primeiras décadas do desenvolvimento da profissão, esta seção acabou dando um caráter definidor ao Serviço Social, porque a profissão era incapaz de produzir "teoria pura" como a ciência, e também porque o conhecimento que era produzido, inevitavelmente leva a profissão a sistematizar a prática. Mas, nesse estágio, se no primeiro caso é vedada a possibilidade de ação social produtora de conhecimento, no segundo caso a teoria aponta para um problema puramente operacional e prático. Isso levou Netto (2001) a definir que a profissão desenvolve sistemas cognitivos secundários ao agrupar seletivamente algumas contribuições das ciências sociais se- gundo as necessidades ocupacionais. Este processo produziu três componentes: a) Integração de um conjunto de conhecimentos diretamente relevantes para o exercício profissional; b) O apelo ao conhecimento isolado das ciências sociais, portanto, ao seu ecletismo; e c) Combinar contribuições teóricas com ideologia conservadora. 5 Até meados da década de 1960, essa era a principal forma de produção de conhecimento do Serviço Social. A partir de 1968, Neto (2009) também aponta que com a transformação da sociedade brasileira em um quadro autoritário burguês, as condições de formação e exercício profissional dos assistentes sociais mudaram. Sob a "modernização conservadora" novas demandas foram impostas à profissão, a ponto de ela se secularizar e entrar efetivamente no âmbito acadêmico. A partir da década de 1970, com o surgimento dos programas de pós-gradua- ção, esses cursos passaram a ser os principais responsáveis pela promoção da pes- quisa em Serviço Social. Para Netto (2009), embora a atividade de pesquisa tenha sido publicada tardiamente no Serviço Social,sua inserção, principalmente no campo da pós-graduação, é um componente essencial do Serviço Social no Brasil atual, de- monstrando sua maioridade intelectual e envolvimento com o Serviço Social. Um aspecto importante dessa "maioria intelectual", como aponta Guerra (2009), desde a década de 1990, existem projetos educacionais que incorporam um conjunto de valores e diretrizes à formação profissional. Portanto, os investimentos que as empresas fazem para construir massa crítica pertencem à categoria profissio- nal. Além disso, de acordo com Guerra (2009), os projetos mencionados estabele- cem a dimensão de investigação e intervenção como princípios formativos e condi- ções centrais da formação profissional, e a relação entre teoria e prática. O perfil de trabalho ali traçado põe em evidência a competência profissional, a crítica teórica, o compromisso ético e político. Além disso, esse especialista deve saber [...] um sólido referencial teórico-metodológico que permita um vigoroso tra- tamento crítico-analítico, um conjunto de valores e princípios sociais centrais adequados ao ethos do trabalho e um acervo técnico-instrumental que sirva de referência estratégica para a ação profissional. (GUERRA, 2009, p. 1) De acordo com Guerra, [...] a necessidade de formar profissionais capazes de desvendar as dimen- sões constitutivas da chamada questão social, do padrão de intervenção so- cial do Estado nas expressões da questão social, do significado e funcionali- dade das ações instrumentais a este padrão, através da pesquisa, a fim de identificar e construir estratégias que orientem e instrumentalizar a ação pro- fissional, permitindo não apenas o atendimento das demandas imediatas e/ou consolidadas, mas sua reconstrução crítica. (GUERRA, 2009, p. 1) 6 Para Guerra (2009), a pesquisa tem um papel crítico na superação dos estatu- tos acadêmicos do Serviço Social que a torna possível [...] aliar formação com capacitação, condições indispensáveis tanto para uma intervenção profissional qualificada, quanto para a ampliação do patri- mônio intelectual e bibliográfico que vem sendo construído, ainda que não exclusivamente no âmbito da pós-graduação stricto senso. (GUERRA, 2009, p. 1) Em consonância com Guerra (2009), Iamamoto argumenta que a dimensão da investigação é a realidade social e que contribui para a fusão dos aspectos teórico- metodológicos e práticos-manipulativos do Serviço Social e sua ética não pode ser separado do componente político (IAMAMOTO, 2005, p. 273). Isso significa que o aspecto da pesquisa está claramente vinculado a todas as competências e atributos profissionais dos assistentes sociais. Trata-se não apenas da relação entre a profissão e sua produção teórica e os diversos campos de conhe- cimento, especialização e prática, mas também da possível vinculação, por intermédio de múltiplos mediadores, com as demandas da classe trabalhadora para a construção de novas profissões. Assim, para o Serviço Social, além do conhecimento teórico que contribua para os debates existentes nas ciências sociais, é preciso identificar e incorporar as condi- ções objetivas em que se exerce a profissão, seus alvos de intervenção e seus obje- tivos precisam de conhecimento científico e descreve as condições subjetivas de vida da população usuária em que atua. Esse conhecimento é a base para o desempenho das atividades profissionais relacionadas ao planejamento, coordenação e implementação de políticas sociais e para o desenvolvimento de avaliações dessas políticas, relatórios e pareceres, etc. Nesse sentido, os aspectos da investigação são: trabalho fundamental para certificar processos de intervenção profissional que também existem no Serviço Social. Os aspectos da pesquisa são, portanto, estruturados e transversais às compe- tências profissionais. No entanto, não devemos perder de vista as características es- peciais desta dimensão nos nossos processos de formação, investigação e prática profissional. Embora haja consenso de especialistas sobre a necessidade de todos os assistentes sociais estudarem, exigindo conhecer a realidade para agir racionalmente, isso cai em duas posições antinomianas: 7 a) A dimensão da pesquisa, portanto, da investigação, reduz-se à indagação teórica e científica, como se todo assistente social devesse produzir conhecimento científico sobre as decisões e tendências estruturais do capitalismo contemporâneo; ou b) As que identificam a pesquisa como uma “sistematização da prática” para que cada assistente social desenvolva conhecimentos instrumentais e situacionais por meio da prática. Pensando nisso, Netto (2009) defende que nem todos os assistentes sociais se dedicam sistematicamente à pesquisa, mas que cada assistente social deve desen- volver uma atitude de investigativa. Segundo Netto (2009, p. 31), [...] o fato de não ser um/a pesquisador/a em tempo integral não o/a exime quer de acompanhar os avanços dos conhecimentos pertinentes ao seu campo trabalho, quer de procurar conhecer concretamente a realidade da sua área particular de trabalho. Este é o principal modo para qualificar o seu exer- cício profissional, qualificação que, como se sabe, é uma prescrição do nosso próprio Código de Ética. Isso atribui uma particularidade ao aspecto investigativo, pois, no caso do as- sistente social pesquisador em tempo integral, sua função é a de gerar conhecimento científico e teórico, ao passo que, na intervenção profissional, a aquisição da teoria pelo perito é necessário para que ele possa compreender e interpretar os processos sociais, levando assim ao conhecimento situacional das decisões (MONTAÑO, 2000). Assim, enquanto vertente estrutural e transversal da formação e exercício pro- fissional dos assistentes sociais, a vertente investigativa é, antes de mais nada, um dos mediadores da teoria e da prática no quadro da profissão. 2.1 O lugar da dimensão investigativa na formação profissional do assistente social Refletir sobre o lugar que o aspecto investigativo tem ocupado na formação profissional a partir da Diretrizes Gerais para o curso de Serviço Social (1996), o que significa tentar construir enfrentamentos, a partir de valores construídos a partir do movimento de conscientização, por projeto ético-político, visa analisar as cadeias cri- adas pela contrarreforma do ensino superior brasileiro e trazer reflexões sobre estra- tégias de enfrentamento e superação. Porém, essa não é uma tarefa simples. 8 Pode ter sido o impulso para a construção de um movimento de despolitização da categoria profissional, a educação alinhada ao mercado, racionalizando a pesquisa e a descoberta científica na formação profissional, formando graduando e fortalecendo o mecanismo ideológico de submissão aos profissionais de Serviço Social, além da falta de condições de trabalho para os professores. Para lidar com esta situação complexa, não devemos, em princípio, abandonar completamente aos hábitos das instituições acadêmicas, devido aos altos índices de produtividade, diretrizes de trabalho, atividades operacionais, liderança e investimento individual no desenvolvimento da pesquisa, que acaba por esgotar, muitas vezes, a capacidade de construir análises e de confrontar coletivamente (através da fala com alunos, professores de outros departamentos, movimentos sociais, associações de gênero, etc.). Em outras palavras, estamos diante de duas defesas complementares e inse- paráveis. O primeiro é a relação entre os sujeitos da educação superior e sua posição, bem como os enfrentamentos éticos e políticos nas esferas social, institucional e po- lítica e sua relação com o Estado. O restante trata dos atores da educação superior e da defesa de projetos de formação profissional em suas instituições, com foco em estratégias que viabilizem a formação profissional do Serviço Social a partir de orien- tações gerais.No que diz respeito mais especificamente ao segundo meio de proteção (sem desconsiderar a unidade que tem com o primeiro), entendemos a necessidade de criar, durante a formação profissional, um espaço de reflexão crítica, de construção de debates, de exposição de dúvidas, estabelecendo a dimensão de investigação e intervenção como condição central para pensar criticamente e abordar a realidade (ABEPSS, 1996). Nesse sentido, tem-se defendido que a indissociabilidade entre ensino, pes- quisa e extensão, prática, bolsa e orientação profissional, tem o potencial de contribuir para a compreensão de significados sociais, demandas, etc. Desenvolver recomen- dações de resposta profissional para melhorar a gestão de problemas sociais, inclu- indo teórico-metodológica, ético-política e técnico-operacional. As Diretrizes Gerais (1996) é resultado de ampla discussão metodológica nas instituições de ensino desde 1996, enfatizando a unidade de pensamento e ação. 9 Com base na análise do Serviço Social, historicamente construída e teorica- mente fundada, é que se poderá discutir as estratégias e técnicas de inter- venção a partir de quatro questões fundamentais: o que fazer, por que fazer, como fazer e para que fazer. Não se trata apenas da construção operacional do fazer (organização técnica do trabalho), mas, sobretudo, da dimensão in- telectiva e ontológica do trabalho, considerando aquilo que é específico ao trabalho do assistente social em seu campo de intervenção (ABEPSS, 1996, p. 14). Assim, pode-se dizer que, a partir de meados da década de 1990, o aspecto da pesquisa tornou-se mais importante como condição para a estruturação da prática profissional. Nesse sentido, Guerra (2009, p. 712) menciona que, a investigação é inerente à natureza de grande parte das competências pro- fissionais: compreender o significado social da profissão e de seu desenvol- vimento histórico, identificar as demandas presentes na sociedade, realizar pesquisas que subsidiem a formulação de políticas e ações profissionais, re- alizar visitas, perícias técnicas, laudos, informações e pareceres sobre a ma- téria de Serviço Social, identificar recursos. Essas competências referem-se diretamente ao ato de investigar, de modo que, de postura a ser construída pela via da formação e capacitação profissional permanente (cuja importância é inquestionável), a investigação para o Serviço Social ganha o estatuto de elemento constitutivo da própria intervenção profissional. Essa abordagem contribui significativamente para a visão de que o lado inves- tigativo não é apenas moldado pela atitude profissional, mas também incorpora grande parte das habilidades e qualidades profissionais. Porém, se esse tipo de posi- cionamento de pesquisa não for formulado, referindo-se aos atuais valores morais e políticos dos projetos profissionais, visitas, relatórios e dados só farão sentido na bu- rocracia e reduzirão a proteção dos direitos e interesses dos usuários. 2.2 O lugar da dimensão investigativa, na prática profissional do assistente so- cial É importante entender que a realidade do trabalho profissional é determinada pela influência de muitas forças e expressões que são fruto de ideias, ações e ataques neoliberais que muitas vezes aprisionam os profissionais em suas cadeias. Enfrentar o caos expresso na micro realidade, em que se encontra o assistente social, exige não só um arsenal teórico-metodológico, mas também resistência à sua própria inte- ligência e crítica, e também às limitações (re)construídas pelos capitalistas. 10 A trama desta realidade contribuiu para a falta de um protagonista profissional. Deveria ser o contrário. No entanto, como a efetividade se limita a políticas e progra- mas sociais incertos, o assistente social não tem avançado significativamente no pro- jeto ético e político profissional. Embora isso faça parte da discussão de muitos assis- tentes sociais, pode-se reconhecer que há dúvidas sobre a atuação desses profissio- nais em relação ao projeto definido como "seu". Vasconcelos (2010-2011, p. 6), sobrepõe que estamos falando em profissionais que, ao identificar as demandas presentes na sociedade e refletir a respeito das possibilidades de ação, não estão cons- truindo respostas profissionais capazes de favorecer o protagonismo de dife- rentes segmentos da classe trabalhadora. Portanto, a análise da prática profissional evidenciou uma tensão entre o que as diretrizes gerais de 1996 que pretendem construir e o que foi tratado na realidade, e as razões parecem estar relacionadas a três fatores em particular: 1) Formação profissional precária; 2) Condições de trabalho precárias; 3) Condição de trabalhador assalariado. No entanto, ao longo do estudo de campo, foi possível identificar outro ele- mento presente na fala dos assistentes sociais, ao analisar a realidade do Serviço Social atual: o descompromisso com a qualidade dos serviços prestados no atual ce- nário profissional, ético e político. Em alguns casos, a evidência deste descompro- misso era grave, sobretudo por falta de desenvolvimento mental em termos de com- petência profissional (um dos princípios fundamentais do Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais). Na era do capital, a educação está atrelada ao mercado para atender aos be- nefícios de sua disseminação sem crítica ou reflexão. Dessa forma, não se pode negar que, em um contexto de preparação profissional precária e de sérias dificuldades para adotar a criticidade e internamente, além da disponibilidade do Serviço Social, muitas vezes exclusivamente na tentativa de melhor se posicionar no mercado de trabalho, muitos valores políticos que se fundaram enquanto o movimento de reconceituação da “intenção de ruptura” perdeu sua centralidade na profissão de assistente social, que costuma priorizar atividades imediatas e fragmentadas, juntamente com uma jus- tificativa avassaladora de sua posição. 11 Embora, segundo Iamamoto (2009), essa condição salarial seja determinada pelas instituições empregadoras, pelas condições de realização desse trabalho (inten- sidade, jornada, salário, controle do trabalho, nível de produtividade, etc.), é impor- tante que o campo social o trabalhador mantenha um duplo vínculo na prática cotidi- ana: casos mandatórios institucionais e com a base de usuários. E para isso são necessárias habilidades teórico-metodológicas para ler a reali- dade. Competência resultante do desenvolvimento profissional contínuo e compro- misso com a prática. Esta afirmação é um grande desafio para os assistentes sociais, pois a possível acumulação de conhecimento no contexto da formação profissional deve incluir reflexões e intervenções que possam concretizar os princípios orientado- res do projeto ético e político profissional. E essa proposta exige não só o conhecimento de tal projeto, mas também as habilidades de um profissional, pois quando ele deixa de ser uma ferramenta do órgão institucional e passa a ser o objetivo de suas atividades, o profissional rompe a “zona de conforto”, o que exige tarefas críticas voltadas para a mobilização de serviços e acesso de qualidade por meio da política, bem como a manutenção de seu vínculo empregatício como assalariado. Isto significa que os assistentes sociais permitem esta prática optando por uma prática conservadora e tentando fugir ao papel histórico que o Serviço Social ainda hoje desempenha (como uma "ferramenta" que permite às agências de emprego con- trolar e manter o sistema institucional), que assume. Mudança, enfrentamento em um espaço cada vez mais complexo, mas baseado no reconhecimento da finalidade so- cial, moral e política de suas atividades. São desafios complexos que exigem a mobilização de grupos especializados. Portanto, além da crença consciente e da repetição do discurso profissional, os assis- tentes sociais devem se mobilizar para mudarsuas práticas e produtos. Porém, como solução técnica, profissional e apolítica, essa habilidade pode perder sua vantagem na resolução de problemas a partir de uma percepção de eficácia profissional, dife- rente do número de participantes e das óbvias soluções imediatas envolvidas. Para superar essa forma de trabalho, determinada por processos predetermi- nados de transição profissional para o mercado de trabalho, composição de políticas e instituições sociais, precarização das condições de trabalho e condição de assalari- ado, é necessário o acesso à educação além das metas, que podem ser "habitadas" integralmente pelos indivíduos e, assim, possibilitar também uma "análise consciente 12 dos processos sociais" a partir de suas definições sociais, políticas, econômicas e culturais, essenciais para a compreensão das pessoas sobre o "estado prático" do fenômeno no processo de conhecimento e criar estratégias de ação válidas (MÉSZÁROS, 2005). Relativamente a estes elementos, é importante que o processo seja orientado pela ética profissional e pelo compromisso político com base nos projetos de Serviço Social existentes, e que resulte na autossatisfação de novas descobertas e oportuni- dades de intervenção. 2.3 O Assistente Social e a dimensão investigativa na Política de Assistência Social As dimensões investigativa e interventiva se complementam na compreensão do contexto social e, dada a complexidade dos problemas sociais decorrentes da luta de classes, são essenciais para o efetivo exercício profissional na sociedade capita- lista. A concretização destes elementos essenciais para a construção da prática pro- fissional é desafiante, sobretudo face ao intenso quotidiano dos assistentes sociais no espaço profissional social, agravado por todas as crises dos últimos anos. A compreensão dos fenômenos inerentes ao processo histórico do sistema ca- pitalista é necessária para o exercício profissional no quadro das complexas necessi- dades expressas na sociedade. Para isso, é preciso ir além do imediatismo, sua fa- chada expressa, além do senso comum por meio da análise dinâmica e crítica da realidade, e da compreensão do todo, como comando que Guerra (2009, p.715) atribui à profissão: “ousar saber para ousar transformar”. Para Yazbeck (2018), a profissão é socialmente determinada, e seu sentido só pode ser desvendado em sua incorporação à sociedade, particularmente no contexto das respostas que a sociedade e o Estado fornecem em uma variedade de dimen- sões. Na década de 1980 e principalmente a partir da Constituição Federal de 1988, o conflito entre Serviço Social e Políticas Públicas se intensificou, culminando em um vasto campo de produção de conhecimento e pesquisa profissional. Com crescente suporte teórico e metodológico, principalmente por meio de seu Projeto Ético Político e de suas referências recentes, a profissão dialoga com a parte contrária, combatendo o racismo e a homofobia, entre outras formas de violência e discriminação, em uma sociedade que valoriza o contrário. Por isso, é preciso que 13 essa batalha diária seja colaborativa, com estudo, discussão e pesquisa (YAZBECK, 2018). O Código de Ética do Assistente Social (1993, p.26-27) estabelece no artigo 2º que o direito profissional a “[…] liberdade na realização de seus estudos e pesquisas, resguardados os direitos de participação de indivíduos ou grupos envolvidos em seus trabalhos”. E perante uma “nova era de devastação, uma espécie de fase ainda mais destrutiva da barbárie neoliberal e financista” (YASBEK, 2020, p.296). Isso intensifica as muitas expressões sociais da questão e amplia os desejos da sociedade, tornando a prática investigativa profissional cada vez mais necessária, como explica Bourguig- non (2015, p.42): […] a pesquisa continua sendo uma exigência que as vicissitudes do mundo contemporâneo colocam à profissão, o que carece de maiores investimentos e uma postura do profissional de permanente crítica e indignação com as manifestações sociais do modelo de desenvolvimento econômico que sujeita a maioria da população ao processo de exclusão social. A pesquisa deve estar integrada à prática profissional do assistente social, com- preender o contexto e garantir aos sujeitos a centralidade e a visibilidade de suas demandas, pois é fundamental: […] resgatar as formas como o sujeito, a partir de suas relações, constrói referências próprias para posicionar-se e compreender o mundo em que se insere. É preciso acompanhar, registrar e refletir sistematicamente sobre as alternativas construídas pelos próprios sujeitos para enfrentar e superar os entraves determinados pela estrutura socioeconômica ao longo de sua vida cotidiana e experiência social (BOURGUIGNON, 2015, p.48). Ressalta-se que a pesquisa em Serviço Social precisa possibilitar aos usuários a percepção do Serviço Social como um sujeito individual ou coletivo capaz de modi- ficar a própria realidade em que está inserido. Como explicam Barros e Lehfeld (2007), a pesquisa é um processo reflexivo, sistemático, controlado, crítico, que leva à descoberta de novos fatos [...] é preciso imaginação criativa, iniciativa, tenacidade, originalidade e dedicação para ser um pes- quisador. Essa é condição fundamental para que os assistentes sociais estejam inse- ridos e qualificados criticamente no espaço dos profissionais sociais que lidam cotidi- anamente com as múltiplas manifestações dos problemas sociais (IAMAMOTO, 1997). 14 O assistente social, mesmo que não seja um pesquisador em tempo integral, deve adotar uma atitude inquisitiva compatível com os métodos de Marx para acom- panhar o avanço do conhecimento, ter conhecimento concreto da realidade e subsi- diar suas intervenções (NETTO, 2009). O mesmo autor destaca três observações ge- rais que não são operações intelectuais contínuas, mas constituem um processo con- tínuo e renovado, mais efetivo quando coletivo, sendo eles: Em primeiro lugar, o profissional necessita possuir uma visão global da dinâ- mica social concreta. Para isto, precisa conjugar o conhecimento do modo de produção capitalista com a sua particularização na nossa sociedade (ou seja, na formação social brasileira) Em segundo lugar, o profissional precisa encontrar as principais mediações que vinculam o problema específico com que se ocupa com as expressões gerais assumidas pela “questão social” no Brasil contemporâneo e com as várias políticas sociais (públicas e privadas) que se propõem a enfrentá-las. Em terceiro lugar, ao profissional cabe apropriar-se criticamente do conheci- mento existente sobre o problema específico com o qual se ocupa. É neces- sário dominar a bibliografia teórica (em suas diversas tendências e correntes, as suas principais polêmicas), a documentação legal, a sistematização de experiências, as modalidades das intervenções institucionais e instituintes, as formas e organizações de controle social, o papel e o interesse dos usuários e dos sujeitos coletivos envolvidos, etc. Também é importante, neste passo, ampliar o conhecimento sobre a instituição/organização na qual o próprio pro- fissional se insere (NETTO, 2009, p.693-696). Os profissionais devem aceitar as dimensões do estudo, porque é (profissional) enquadrado do capitalismo, contraditório e permeado de ideias neoliberais que natu- ralizam os problemas sociais. Para superar as intervenções baseadas na intuição e no bom senso, a prática de pesquisa deve se habituar à prática profissional. É impor- tante notar que é impossível construir um conhecimento fechado e imutável, pois os resultados das pesquisas são impressos em espaços históricos específicos em cons- tante transformação pelos processos dinâmicos da sociedade. Dentre os campos de atuação dos assistentes sociais, destaca-se a política de assistência social como um dos campos mais ocupados por esta categoria, antiga- mente a colocação devoluntários por entidades filantrópicas de caráter puramente social. A Constituição Federal de 1988, a Política Nacional de Assistência Social (PNAS), a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), Norma Operacional Básica (NOB/SUAS), a política era integrada em outra perspectiva baseada na sociedade que protege e garante os direitos dos indivíduos e das famílias. Um processo histórico com muitos desafios, inúmeros avanços e alguns retrocessos. Dada a complexidade das necessidades que surgem e as especificidades de cada região, não basta ter como parâmetros leituras de senso comum da realidade ou 15 buscas de técnicas puramente tecnocratas. A compreensão crítica da dinâmica social é fundamental, e para isso são necessários dados que permitam identificar necessi- dades, lacunas, fenômenos existentes e outras informações que as práticas possibili- tam a partir do que foi feito. Aspectos da investigação revelaram-se fundamentais, como a sistematização de análise para destilar pensamento e ação para a construção de práticas criativas e efetivas, juntamente com referenciais teóricos, éticos e políticos que pressupõem unidade de teoria e prática (GUERRA, 2009). A política social brasileira ignora os elementos estruturais da sociabilidade, culpa os indivíduos pela pobreza, propõe uma ação fragmentada e focalizada e reduz a luta de classes ao combate à pobreza (YASBEK et al., 2009). Também estabelece critérios de acesso a programas, serviços e benefícios que excluem os já excluídos, pois devem demonstrar o mais alto nível de vulnerabilidade e risco. Ferramentas de trabalho do assistente social como entrevistas, relatórios, di- nâmicas de grupo, visitas técnicas, diários e notas de campo, relatórios e pareceres, ao mesmo tempo que articula atitudes profissionais em consonância com planos pré- vios, projetos éticos e políticos, e pesquisa, é uma ferramenta que trabalha em con- junto para a prática de uma margem teórica para o tratamento dos dados recolhidos. Diante disso, acrescenta-se a importância do estudo do Serviço Social, como explica Guerra, ao revelar uma sociedade contraditória em que as profissões foram introduzi- das para atender às demandas decorrentes da expressão dos problemas sociais (GUERRA, 2009, p. 718): Se o conhecimento crítico é um dos caminhos para a liberdade, autonomia, competência e compromisso, não se compreende os novos cenários, não se enfrenta a barbárie social, não se combate a ofensiva neoliberal, não se es- tabelece alianças com a sociedade civil organizada, não se alcança novas legitimidades profissionais, não se efetiva os princípios e valores do projeto profissional, não se forma profissionais críticos e competentes, sem a pes- quisa científica. Assim, um processo sistemático de construção do conhecimento de forma crí- tica e criativa possibilita uma clarificação entre o saber e a prática profissional para confrontar as decisões sócio-históricas identificadas na sociedade. 16 2.4 A dimensão investigativa e os processos de intervenção profissional Sobre a relação entre as dimensões da pesquisa e a prática profissional, Mon- taño (2000) afirma que, nas intervenções, a produção de conhecimento “quase não é possível nem necessária”. Nesse sentido, o assistente social deve utilizar seu arsenal de inferência para descrever o cenário da intervenção, ou seja, a instituição salarial onde trabalha, suas relações de poder subjacentes e as decisões objetivas e subjetivas do cotidiano do grupo usuário. Ou seja, os profissionais recorrem à teoria para explicar processos so- ciais específicos que ocorrem em seu cotidiano, utilizando conhecimentos já criados e acumulados profissional, científica e filosoficamente para explicar esses processos, mediado por outros fenômenos sociais mais amplos e complexos. Nesse sentido, Netto (2009) assegura que os assistentes sociais envolvidos no processo de intervenção devem desenvolver uma atitude de pesquisa, portanto, de- vem acompanhar os debates e avanços teóricos em seu campo de trabalho, como um dos elementos que contribuem para a reabilitação. Por isso, a dimensão da pesquisa em Serviço Social é mais ampla do que aquela que se reduz simplesmente à pesquisa científica. Para Netto (2009, p. 32-33), as situações de pesquisa, na prática profissional assumem um mandato tripartite: a) A necessidade de integrar profissionais capazes de uma “visão de mundo com dinâmicas sociais específicas”, ou seja, profissionais capazes de compreender as tendências e leis básicas das tendências da sociedade capitalista e as condições específicas que estas assumem na formação social brasileira, ou seja, o conheci- mento das estruturas sociais, classe, luta de classes e o estado tem uma compreen- são adequada; b) Esses profissionais devem entender o "problema social", sua especificidade na realidade brasileira e as formas específicas que o Estado assume para lidar com ele, o mediador entre o campo da política social que conduz ao contexto qualitativo, e o acoplamento com as intervenções dos profissionais; e c) Esses profissionais devem compreender a situação problemática que enfren- tam na sala de intervenção, a legislação e o principal referencial teórico. Mas, como também afirma Netto (2009), ainda que os "indicadores trabalhis- tas, ocupacionais e de intervenção prática" não possam ser extraídos diretamente do 17 conhecimento científico, esses elementos são essenciais para as empresas. O espaço comercial em que os assistentes sociais trabalham para desenvolver conhecimento situacional para orientar o trabalho profissional a curto, médio e longo prazo. Para isso, é necessário um especialista treinado, capaz de entender a realidade como uma "generalização", ou seja, um todo em perpétua evolução, uma totalidade em processo. O assistente social deve, portanto, ser capaz de reconstruir analitica- mente cenários específicos de intervenção a partir da tríplice articulação dessas dis- posições mais estruturais do modo de produção capitalista, das peculiaridades nacio- nais e regionais, da estrutura social, das classes sociais e dos tipos específicos de contexto em que se desenvolve a luta de classes, bem como as reações que o Estado desenvolve em termos de repressão, sociedade, etc. Não é possível descrever esses fatores sem o aspecto investigativo, sem a ca- pacidade do assistente social de descrever teoricamente a situação específica da in- tervenção profissional. Tendo em vista que o Serviço Social responde simultanea- mente e em contradição às exigências do capital e do trabalho, por meio de um ato de engajamento em mecanismos de dominação e exploração, bem como respon- dendo às demandas dos trabalhadores, foi essa compreensão da contradição que permitiu o florescimento da profissão, uma estratégia profissional para fortalecer prio- ritariamente um dos polos dessa relação antagônica: os trabalhadores (IAMAMOTO; CARVALHO, 2004). Portanto, o uso do aspecto investigativo na prática profissional, deve ser capaz de compreender o que Montaño (1998) chama de legitimidade institucional e legitimi- dade social do Serviço Social. Se a primeira trata da relação entre o especialista e a instituição empregadora, a segunda trata da relação entre o especialista e a população usuária. O aspecto investigativo permite, portanto, também ao especialista inserido em determinada organização, captar seu caráter histórico particular, de modo que as "pe- ças" constituintes dessa organização (por exemplo, organograma, regulamentos e leis específicas, seus protocolos de atuação, especialistas e relações entre especialistas, localizações de usuários, etc.) são de fato totalidades, embora menos complexas, de- vem ser reconstruídas analiticamente por especialistas. A reconstrução analítica permite ao assistente social reconhecer os limites e as potencialidades institucionais, outros atoressociais e profissionais com os quais se podem formar ou mesmo neutralizar alianças, as linhas de trabalho institucionais e a 18 capacidade de acolher novas demandas, o alinhamento institucional com outras insti- tuições e a natureza da resposta às manifestações da "questão social". No entanto, deve-se notar que tal reconstrução analítica é insuficiente sem uma caracterização da população de usuários com quem se está trabalhando. Ou seja, sem entender as características regionais e nacionais da classe, sua relação com os temas discutidos, as formas de organização regional, o impacto objetivo na instituição que emprega o profissional, etc. Ao mesmo tempo, essa reconstrução analítica da instituição e do conjunto de usuários deve ser compreendida na perspectiva de mediações com um todo mais am- plo e abrangente, ou seja, em relação aos elementos conjunturais do momento espe- cífico e do jurídico, tendências do modo de produção capitalista e suas formas espe- cíficas em uma determinada formação social. Esse esforço analítico conduz a um conhecimento situacional que passa de uma tarefa caótica a uma ideia concreta e, assim, abre possibilidades para problema- tizar a demanda institucional e construir linhas de ação para os assistentes sociais institucionais. Como aponta Montaño (2000), a necessidade de desenvolver uma dimensão investigativa no Serviço Social está ligada a uma compreensão da profissão como uma das várias formas de prática social que se desenvolve no modo de produção capitalista. Intervir no processo de produção e reprodução das relações sociais, res- ponde a uma necessidade social que, como comentamos acima, é suscitada por inte- resses conflitantes. Para tanto, o objetivo almejado pelo profissional e o estudo dos meios tornam-se os dois principais elementos que orientam a atividade do assistente social, sendo, portanto, um processo que sempre articula a posição teleológica, a cau- sal, a socialmente situada e também o quantum de acaso. 19 3. A DIMENSÃO INVESTIGATIVA E A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO Fonte: shre.ink/Q8YR Guerra (2009) argumenta que existem diferentes níveis de conhecimento na ciência que assumem três formas específicas: a intuição, o entendimento e a razão crítico-dialética. Embora essas três formas não sejam em si incompatíveis, no quadro do colapso ideológico, enraízam-se caminhos irracionalistas, colocando a intuição como “órgão” do conhecimento e articulando-se com formas formais-abstratas asso- ciadas à racionalidade e ao entendimento, impedindo alguma possibilidade de supe- ração de seus limites pelo caminho crítico-dialético (LUKÁCS 1967, 2018; ANDRADE 2022; GIANNA 2022). Portanto, ao mesmo tempo, o irracionalismo e a racionalidade formal-abstrata são as formas dominantes de "racionalidade" na ciência, que por meio da subjetivi- dade objetiva, das representações e das mentes individuais tornam-se produtoras de conhecimento, por exemplo, no pós-modernismo e nos jogos de linguagem e na apre- ensão paralógica na ciência e na pluralidade multifacetada. Ou em tendências que desenvolvem epistemologicamente modelos de pesquisa a priori, ou seja, que desen- volvem um determinado tipo de "receita" de pesquisa que o pesquisador deve aplicar para obter os melhores resultados, pois sua confiabilidade e validade dependem de sua correta aplicação. A razão dialética, por sua vez, busca apreender o verdadeiro movimento da realidade e reconstruí-la em um nível ideal, valendo-se dos limites da mente, que só 20 pode ser manipulada e operada nas sensações, na imaginação individual e nos fenô- menos, da consciência, as provisões estruturais e essenciais dos objetos. O desen- volvimento da razão dialética, após o idealismo alemão e seu progresso na dialética idealista, continuado pelo marxismo, se opõe a esse grão de racionalidade hegemô- nico na ciência atual. Hoje, a razão dialética é a forma dominante de desdobrar a dimensão investi- gativa no Serviço Social, já que grande parte da produção teórica do Serviço Social é baseada, ou pelo menos tenta fazê-lo, em métodos históricos dialético-materialistas. Isso não quer dizer que outros elementos teóricos relacionados ao irracionalismo ou agnosticismo não existam, ou estejam evoluindo, mas são os que receberam mais atenção na indústria nos últimos anos. Para Netto (2009), dois momentos podem ser distinguidos no processo de ado- ção do pensamento marxista pelo Serviço Social brasileiro: [...] um, primeiro, correspondente ao período que vai do fim de 1970 até fins de 1980 e aquele que então inicia e se prolonga até hoje. No primeiro, próprio à crise e à derrota da ditadura e ao afluxo dos movimentos democráticos e populares, a referência formal ao marxismo e a Marx tornou-se dominante entre as vanguardas profissionais; houve mesmo uma espécie de moda do “materialismo histórico”. No segundo, sob a pressão do neoconservadorismo pós-moderno que começou a envolver as ciências sociais, o marxismo “en- trou em baixa” no Serviço Social – o elegante tornou-se a adoção de “novos paradigmas” (NETTO, 2009, p. 30). Diante desse cenário, Netto diz: [...] há um saldo objetivo indiscutível: a inserção do pensamento de Marx con- tribuiu decisivamente para oxigenar o Serviço Social brasileiro e, desde então e apesar tudo, constituiu-se nele uma nova geração de pesquisadores que se vale competentemente das concepções teórico-metodológicas de Marx (NETTO, 2009, p. 30). Em relação à teoria social de Marx, Netto (2009) argumenta que a questão do método coloca um problema complexo. Não existem apenas razões teóricas ou filo- sóficas, mas também razões ideopolíticas. Isso porque a teoria marxista está preocu- pada com projetos revolucionários e as reações que tais projetos sempre provocaram. Conforme aponta Netto (2009), Marx direciona suas pesquisas para uma aná- lise concreta da sociedade contemporânea, ou seja, da sociedade civil. A "questão central" da pesquisa de Marx é o estado de emergência, integração, desenvolvimento e crise de uma sociedade baseada no modo de produção capitalista. Marx baseia esta 21 análise na "reelaboração crítica da acumulação cultural" que ocorreu desde o Renas- cimento e o Iluminismo, baseando em três escolas modernas de pensamento, inclu- indo a filosofia clássica alemã, a economia política britânica e o socialismo utópico francês. Para Marx, ao estilo do agnosticismo e da irracionalidade, "a teoria não se reduz ao estudo de uma dada forma de um objeto". Porque é "o conhecimento de um objeto que é em si uma entidade válida, independente do desejo ou da intuição", e é a ex- pressão do pesquisador. Para Marx, uma teoria é "uma reprodução ideal do movi- mento real de um objeto por um sujeito de pesquisa". É "a realidade reproduzida e interpretada em um nível ideal (de pensamento)" (NETTO, 2009). O objeto da pesquisa é uma existência objetiva. O objetivo do pesquisador transcende as aparências e os fenômenos, a essência da coisa percebida. O pesqui- sador deve se esforçar para compreender a estrutura e a dinâmica do objeto por meio de procedimentos analíticos e síntese operacional, a fim de reproduzir mentalmente a essência do objeto em estudo. Segundo Marx, no que diz respeito à relação sujeito- objeto, o processo teórico da cognição não é uma relação externa, mas uma relação na qual o sujeito está envolvido no objeto. Assim, a pesquisa social exclui qualquer pretensão de imparcialidade, mas não a objetividade do conhecimento teórico (NETTO, 2009). Como aponta Neto (2009), para Marx, a teoria consegue afirmar a verdade: prática, sociológica e histórica. Uma vez que uma teoria é uma representação mental de uma coisa real, essa representação não é de forma alguma uma cópia fotográfica da mesma coisa. É conscientemente um produto do papel ativo dos sujeitos no pro- cesso de pesquisa. Assim, para compreender a natureza, estruturae dinâmica das suas disciplinas de estudo, o sujeito deve ser capaz de mobilizar ao máximo o conhe- cimento, criticá-lo e revê-lo, em suma, deve ser criativo e imaginativo. Quanto aos instrumentos de pesquisa, segundo Neto (2009), eles são diversos. Eles vão desde a análise de documentos até a observação, coleta de dados, quantifi- cação e muito mais. Observa-se que essas ferramentas não fazem parte desse mé- todo. Finalmente, somente quando a investigação for concluída (que é sempre preli- minar) "o pesquisador expressará os resultados obtidos". 22 Ainda como argumenta Netto, em Marx (2009, p. 11) “os pontos de partida são opostos: na investigação o pesquisador parte de perguntas, questões” acerca do ob- jeto, e, “a exposição, ele já parte dos resultados que obteve na investigação [...]”, me- todologia que configura o que Marx chamou de “caminho de ida e de volta”. Como afirma Netto (2009, p. 17): Para elaborar a reprodução ideal (a teoria) do seu objeto real (que é a socie- dade burguesa), Marx descobriu que o procedimento fundante é a análise do modo pelo qual nele se produz a riqueza material. Em outras palavras, as condições materiais da vida social são um ponto de partida, e não indicam a apreciação ou preferência do pesquisador. Portanto, Marx partiu do real e do concreto, ou seja, daquilo que surge dos dados. Abstrai-se a análise de outro elemento e, à medida que a análise avança, dele derivam-se, pouco a pouco, conceitos e abstrações que se referem às decisões mais simples: este é o caminho a ida. Então, após tomar a "decisão mais simples", a jornada de volta começa e, final- mente, o todo não é uma "aparência desorganizada", mas uma "rica coleção de diver- sas decisões e relacionamentos". Marx afirma que realidade é concreto porque é a soma de muitas determina- ções. No processo de pesquisa, o pesquisador retira do elemento abstrato suas con- clusões específicas até chegar às conclusões mais simples. Aqui, o elemento subje- tivo torna-se abstrato. E é carente de especificidades. A viagem de volta, o específico que chega, ou o pensamento específico que resulta do pensamento, deve reproduzir o objeto como síntese de numerosas terminações, ou como "união de vários que é o todo. Para Marx, o método consiste em elevar-se do abstrato para o con- creto” (NETO). Em Marx, destaca Netto (2009, p. 21), “o conhecimento do concreto opera-se envolvendo a universalidade, a singularidade e a particularidade” que são determina- ções históricas, transitórias das categorias que constituem o ser. São a estrutura e a dinâmica reais do objeto que revelam o que ele é e que, por sua vez, comanda os procedimentos que o pesquisador tem de operar no momento da pesquisa. Assim, há uma indissociável conexão entre elaboração teórica e formulação metodológica: o ponto de chegada e o ponto de partida. Esse vínculo inextricável impede Marx de uma autonomia entre método e teo- ria. Nesse sentido, três categorias são plenamente articuladas: totalidade, contradição e mediação. A totalidade é o conjunto de ligações indissociáveis entre as partes que 23 compõem o todo; a contradição como fator dinâmico nos litígios existentes entre as partes, sendo a mediação o principal elo que une as partes. Ao articular essas três categorias básicas da existência, Marx descobriu uma maneira de analisar a socie- dade burguesa. Em relação à produção do conhecimento e ao Serviço Social, Netto (2009) con- clui que a investigação é claramente uma tarefa essencial para que o Serviço Social mantenha um estatuto acadêmico efetivo. Dada a natureza das dimensões investiga- tivas do Serviço Social que aqui se revelam, existem diferentes matizes da investiga- ção profissional, quer seja realizada no âmbito exclusivo educacional, quer seja de- senvolvida intervenções nas diferentes áreas de compreensão do Serviço Social. 4. DIMENSÃO INVESTIGATIVA COMO ELEMENTO CONSTITUTIVO DO SER- VIÇO SOCIAL Fonte: shre.ink/Q84J O Serviço Social atua sobre a realidade social, com a pesquisa como um ele- mento indispensável para a realização de um trabalho qualificado, assim, a dimensão investigativa surge como uma das principais competências e atribuições profissionais, segundo a Lei n. 8662/93, e ao assistente social cabe a tarefa permanente e sistemá- tica de realização de estudos socioprofissionais que ampliem a compreensão das de- mandas sociais postas à profissão (GUERRA, 2009). Entretanto, não se deve analisar a dimensão investigativa isolada do conjunto das outras dimensões constitutivas da profissão e das mediações que a exigem como 24 parte intrínseca da ação profissional, tendo em vista que “a prática profissional é his- toricamente determinada no âmbito dos processos e relações de trabalho” (IAMA- MOTO, 2012, p. 93). Assim, Nesta perspectiva, a intervenção profissional não mais se restringe ao que o assistente social faz ou às atividades que ele desempenha nos distintos es- paços sócio-ocupacionais: ela passa a ser considerada a partir de seus con- dicionantes internos e externos (MOURA ARNAUD, 2015, p. 88). Nessa sociedade, na qual se produz e reproduz a ação profissional, as expres- sões determinadas pela exploração do trabalho, denominada de Questão Social, constitui-se matéria-prima da intervenção profissional, sendo assim, o Serviço Social, como uma profissão inscrita na divisão social e técnica do trabalho, surge diretamente relacionado ao processo de produção e reprodução das relações sociais capitalistas, e sua institucionalização e legitimação na sociedade situa-se na sua capacidade de dar respostas às necessidades sociais advindas da conflitualidade da relação capital- trabalho (IAMAMOTO; CARVALHO, 2012). Aqui, interessa-nos chamar atenção ao fato de que as mediações constitutivas da chamada “Questão Social” não se mostram na imediaticidade das relações na so- ciedade do capital, tornando-se essencial o desvelamento da lógica de acumulação que a gerou. Desse modo, cabe ao Assistente Social captar as diversas expressões da questão social que chegam particularizadas em cada espaço sócio ocupacional demandando a intervenção profissional (GUERRA, 2014). Portanto, a necessidade real de atuar sobre a realidade concreta em cada es- paço de trabalho conduz à busca do conhecimento, a partir da pesquisa, em uma relação dialética com as outras dimensões profissionais (teórico-metodológica, ético- política e técnico-operativa), contribuindo para desvelar as possibilidades de ação contidas na realidade. De acordo com Guerra (2014, p. 07): O conhecimento oriundo da razão dialética capta o movimento do objeto, a sua lógica de constituição, percebe o que o objeto é e como chegou a ser o que é [seu processo de constituição] quais seus fundamentos, sua capaci- dade de transformar-se em outro. O conhecimento resultante dos procedi- mentos da razão vai além da apreensão da imediaticidade da vida cotidiana. Ele busca captar a processualidade contraditória de seus objetos e visa à reconfiguração, no nível do pensamento, do seu movimento. Sendo assim, o trabalho do assistente social deve se embasar em uma condi- ção de constante investigação dos processos que se colocam no cotidiano, partindo da superficialidade empírica ao conhecimento particularizado, uma vez que, conforme 25 afirma Pontes (2002, p. 39), “a forma de conhecer o modo de ser dos fenômenos sociais que compõem o real processa-se mediante aproximações sucessivas ao mo- vimento do objeto (real) [...]”. Sendo assim: É nesse espaço privilegiado de sínteses de determinações que o sujeito que, tendo negado (superado) a aparência, vai processar o nível do concreto pen- sado, penetrando em um campo de mediações (no qual se entrecruzam vá- rios sistemas de mediações), sistemas estes responsáveis pelas articulações, passagens e conversões histórico-ontológicas entre os complexos compo- nentes do real (PONTES,2002, p. 47). Portanto, reafirma-se a importância e necessidade da pesquisa como condição indispensável ao exercício profissional, o qual deve se caracterizar como “um pro- cesso sistemático de ações, visando investigar/interpretar, desvelar um objeto que pode ser um processo social, histórico, um acervo teórico ou documental” (GUERRA, 2009, p. 08), sobretudo porque, conforme afirmou o Professor José Paulo Netto no Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS), “quando se erra na análise, se erra na ação”, e a realidade concreta precisa ser pensada e problematizada teorica- mente, a fim de possibilitar a criação de estratégias de enfrentamento coerentes com os inúmeros desafios que a compõem contemporaneamente. Assim, ratifica-se a im- portância da dimensão investigativa do Serviço Social, articulada às outras, para um exercício profissional propositivo, especialmente na área da saúde do trabalhador. 4.1 Serviço Social e saúde do trabalhador: aproximações ao campo de pes- quisa Atualmente, os assistentes sociais estão inseridos em diversos espaços sócio ocupacionais, os quais surgem para atender às demandas emergentes das lutas his- tóricas das classes sociais em disputa pela hegemonia no tecido social. Particularmente, a partir da década de 1980, tem-se ampliado o campo de atu- ação para estes profissionais nas empresas e no serviço público, notadamente nas áreas de recursos humanos e da saúde do trabalhador, em atividades de assessoria e consultoria em relações sociais no trabalho, em processos de gestão da ambiência organizacional e nos processos saúde-doença apresentados pelos trabalhadores (DOHER, 2015; MOURA ARNAUD, 2015). Na instituição judiciária, o Serviço Social surgiu em 2007, para atuar na área da saúde do servidor, no planejamento, coordenação e execução de ações de prevenção 26 e promoção à saúde. Diante disso, o trabalho do assistente social buscou construir estudos e pesquisas que contribuíssem para desvelar as dimensões da precarização social na vida dos sujeitos atendidos. Dessa forma, tem-se que intervenção profissional do assistente social deve ser capaz de “compreender a realidade no seu movimento, captar nela possibilidades de ação, priorizar, planejar, executar e avaliar, num movimento permanente, contínuo e conjunto não só com seus pares”, mas buscando a articulação e aliança com outros profissionais de diversas áreas em que atua (VASCONCELOS, 2002, p. 416). Inicialmente, cabe mencionar que a referida instituição judiciária tem como mis- são constitucional a garantia do respeito à soberania popular e à cidadania, o que, por si só, coloca grandes desafios relacionados à mediação das contradições e conflitos inerentes à democracia política. No que tange ao corpo funcional, é composto por servidores do quadro efetivo, formado por analistas e técnicos judiciários; por requisitados; servidores sem vínculo com o serviço público (ocupantes de cargos comissionados); além dos funcionários terceirizados e estagiários, os quais atuam como suporte às suas atividades. Com relação às tarefas, tais servidores desenvolvem ações relacionadas à efe- tivação do processo eleitoral; o ingresso no referido órgão se dá por meio de concurso público e as condições de trabalho são caracterizadas por diversos fatores de risco que implicam sobre a saúde destes, predispondo-os ao adoecimento. Em pesquisa realizada no âmbito deste ramo de justiça especializada (MOURA ARNAUD, 2015), verificou-se que os quadros de adoecimento dos servidores apre- sentavam forte relação com a forma de gestão do trabalho adotada, o que, por sua vez, é reflexo das mudanças implantadas no serviço público brasileiro a partir do pro- cesso de Reforma do Estado em curso desde os anos de 1990, e no Judiciário re- monta aos anos 2000, cujas repercussões envolvem um processo de precarização crescente das condições de trabalho e de vida de tais servidores. Isso porque a precarização do trabalho no serviço público nas últimas décadas tem sido crescente devido: à implantação da organização do trabalho polivalente, o que implica na sobrecarga de trabalho, em decorrência do número reduzido de servi- dores; à flexibilização das relações de trabalho, que se reflete na perda de direitos, no arrocho salarial e consequente endividamento dos servidores; à autonomia reduzida no trabalho; e ao controle para o cumprimento de metas, afetatando o desempenho e a produtividade, dentre outros elementos. 27 Diante de tal contexto e dos rebatimentos que ele provoca na saúde do servidor público, cabe ao assistente social dispor de um conjunto de competências profissio- nais que contribuem para que a práxis profissional seja efetivada no exercício cotidi- ano do trabalho, especialmente no que diz respeito à necessidade de “planejar, exe- cutar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais” que sirvam como subsídio para a elaboração, co- ordenação, execução e avaliação de planos, programas e projetos que sejam do âm- bito de atuação do Serviço Social (CFESS, 1993). Com base nesse pressuposto, o Serviço Social da referida instituição iniciou os estudos sobre o absenteísmo dos servidores por motivo de saúde, no intuito de com- preender as mediações que implicam no adoecimento de tais trabalhadores, pois, conforme afirma Iamamoto (2012, p. 53): O desvelamento das condições de vida dos sujeitos atendidos permite ao as- sistente social dispor de um conjunto de informações que, iluminadas por uma perspectiva teórico-crítica, lhe possibilita apreender e desvelar as novas faces e os novos meandros da questão social que o desafia a cada momento no seu desempenho profissional diário. Importa frisar que esses estudos têm contribuído de forma significativa para ampliar a compreensão dos processos saúde/doença apresentados pelos servidores, enquanto favorece ao assistente social vislumbrar novas possibilidades de ação, no que concerne à criação de serviços e, consequentemente, à garantia de direitos a tais trabalhadores. Contribuem, ainda, para ampliar o horizonte epistemológico no âmbito da produção do conhecimento em Serviço Social e Saúde do trabalhador, ratificado a importância da dimensão investigativa para o entendimento do movimento da reali- dade nas instituições que desafiam cotidianamente esta área especializada. 4.2 A dimensão investigativa do Serviço Social na saúde do trabalhador Sabe-se que o processo de promoção à saúde é complexo, pois envolve múl- tiplas determinações e mediações que não se mostram no campo da singularidade. Nesse sentido, a efetivação do direito fundamental à saúde (BRASIL, 1988) requer medidas que considerem tal complexidade, ratificando-se, nesse sentido, a importân- cia de tal estudo para o planejamento das ações nesta área. 28 Considerando a visibilidade do adoecimento dos servidores do Judiciário ao longo dos anos, o Conselho Nacional de Justiça, por meio da Resolução nº 207, de 15/10/2015, instituiu a Política de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servi- dores, que determinou, dentre outras medidas, a obrigatoriedade dos estudos sobre o absenteísmo nos Tribunais, visando conhecer a realidade do processo saúde-do- ença dos trabalhadores para subsidiar a tomada de decisões nessa área. Dessa forma, o estudo que já vinha sendo efetivado pelo Serviço Social no Órgão ganhou maior relevância e passou a compor ações estratégicas da instituição. Sendo assim, no referido estudo, observou-se que, no período de 2012 a 2016, os 2 (dois) tipos de adoecimento que mais acometem os servidores, em número de dias de trabalho perdidos, são: os transtornos mentais e comportamentais e os distúrbios osteomusculares, conforme demonstra o Quadro 1. Quadro 1- Principais adoecimentos, em números de dias de afastamento do trabalho, no Órgão, no período de 2012 a 2016.Fonte: Arnaud; Santos Neto, 2017 Considerando tais dados, cabe mencionar que a literatura científica no campo da saúde do trabalhador evidencia que os processos saúde-doença desses sujeitos estão intimamente relacionados à precarização do trabalho, intensificada pela implan- tação da reestruturação produtiva e do avanço das políticas neoliberais como estraté- gias da burguesia para a recuperação das taxas de lucro, após a crise estrutural do capital na década de 1970. 29 Assim, conforme aponta Mendes e Wünsch (2011, p. 466), amparadas em Dias (1994): A reestruturação produtiva alterou substancialmente o perfil do trabalho e dos trabalhadores, assim como os determinantes da saúde-doença dos trabalha- dores. Essas alterações modificaram também o perfil da morbimortalidade relacionada ao trabalho, assim como a organização e as práticas de saúde e trabalho. Na mesma linha de análise, Delía e Seligmann-Silva (2014) destacaram os prin- cipais fatores que contribuem para o adoecimento dos servidores do Tribunal de Jus- tiça de São Paulo, quais sejam: a ampliação das demandas para o Judiciário em de- corrência do processo de judicialização da questão social, sem o incremento corres- pondente do contingente dos servidores; a desvalorização da função do serviço pú- blico na sociedade moderna; a carência de funcionários e a lentidão burocrática na realização de concursos para ampliação dos quadros, dentre outros fatores mais re- lacionados à organização do trabalho. 5. A DIMENSÃO INVESTIGATIVA E A SISTEMATIZAÇÃO DA PRÁTICA NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NAS POLÍTICAS SO- CIAIS Fonte: shre.ink/Q84u Discutir o Serviço Social na relação com a política social nos direciona para o reconhecimento dos movimentos organizados, inclusive pela categoria de profissio- nais Assistentes Sociais, na luta pela consolidação e ampliação dos direitos sociais 30 em um contexto contraditório em que são legitimadas e fortalecidas as ideias neolibe- rais. O Serviço Social, embora não seja uma categoria homogênea, com as mesmas concepções e posicionamentos, teve participação fundamental na defesa dos direitos e na busca pelo acesso e qualidade dos serviços, que devem ser viabilizados por meio das políticas sociais. Acompanhado pelas significativas alterações sócio históricas e também das reconfigurações das políticas sociais, o Serviço Social brasileiro também passou por um necessário movimento de renovação crítica da profissão. Por meio dessa renovação, buscava-se assegurar a contemporaneidade do Serviço Social, isto é, sua conciliação com a história presente, afirmando-o como capaz de decifrar a sociedade brasileira e, nela, a profissão, de modo a construir respostas que possibilitassem ao Serviço Social confirmar-se como necessário no espaço e tempo dessa sociedade (IAMAMOTO, 2012, p. 223). O Assistente Social nesse espaço e tempo tem seu vínculo de trabalho mar- cado pela condição de assalariamento, tendo implicações no exercício profissional sustentado pelo Projeto Ético Político que se pauta em um perfil profissional, ético e político contrário a lógica e as requisições do mercado de trabalho. É mediante as políticas sociais, sejam elas voltadas para a área da saúde, ou assistência social, previdência, etc., que este profissional realiza o seu trabalho no atendimento às necessidades sociais, para responder as múltiplas expressões da questão social, direcionados na perspectiva de garantia de direitos, da justiça social, da igualdade, liberdade e demais princípios defendidos pelo projeto profissional. Este projeto fundamentalmente constituído pelo Código de Ética do/a Assis- tente Social (1993); pela Lei de Regulamentação nº. 8.662 (1993) e pelas Diretrizes Curriculares (1996) compõe não só um conjunto de parâmetros normativos que orien- tam a formação e o exercício profissional, como empregam todo sentido ético, teórico e político legitimados pela profissão na sua vertente crítica-dialética. O Assistente Social tem circunscrito enquanto competência e atribuição priva- tiva nos artigos 4º e 5º da Lei de Regulamentação da profissão a elaboração, imple- mentação, execução, avaliação, coordenação de políticas sociais, planos, projetos, programas. Tais competências e atribuições levou o profissional assumir na contempora- neidade significativos espaços, não somente na execução das políticas sociais, mas 31 também no âmbito da gestão e planejamento destas. Desse modo, o exercício profis- sional exige qualificação continuada que subsidie o profissional ter conhecimento da política e da direção do seu exercício profissional, o que não nos leva a desconsiderar os limites e os desafios postos a esses profissionais. No cotidiano profissional, pensar na perspectiva de um trabalho competente é também identificar e lidar com uma realidade complexa e contraditória, dada a exis- tência de conflitos entre projetos, interesses distintos, leituras de realidade diferencia- das, entre outros fatores que interferem no processo de decisão, formulação e avalia- ção das políticas, e dos seus programas e projetos. Os modelos institucionalizados e rígidos que atualmente conformam o controle da implantação das políticas sociais no âmbito da sua operacionalização, segundo Mioto e Nogueira (2013) reduzem a autonomia relativa do Assistente Social. Por sua vez, suas ações prendem-se aos processos burocráticos no desenvolvimento dos pro- gramas e nas exigências de quantificação de resultados. A relativa autonomia profis- sional, advinda da sua capacidade de leitura da realidade e da implementação de ações vinculadas aos valores éticos da profissão, ficam restritas pela impossibilidade de programar as ações. “A funcionalidade da intervenção profissional no campo das políticas sociais altera e condiciona seu conteúdo conforme as possibilidades de um determinado momento histórico” (MIOTO; NOGUEIRA, 2013, p. 65). Ainda que a sistematização dos dados se deem para responder às requisições institucionais apenas no seu sentido quantitativo e em respostas burocráticas, esses podem indicar possibilidades de intervenção e pesquisa, desde que embasados por um arcabouço teórico-metodológico para leitura e análise da realidade. O profissional entrevistado identifica o levantamento de dados como estratégia importante para evi- denciar o trabalho do Serviço Social no seu espaço de atuação. Além dos dados serem apresentados enquanto estratégia para explicitar o tra- balho do Serviço Social, existem também aqueles que visualizam apenas o seu as- pecto técnico instrumental diante do registro dos atendimentos. Outros identificam como subsídio para o exercício profissional, para a identificação de demandas medi- ante o diagnóstico sócio territorial e daquelas advindas das necessidades dos usuá- rios, assim como viabiliza identificar elementos importantes para a elaboração de pro- jetos de intervenção e potencializa a prática da pesquisa. 32 Esses apontamentos manifestados nos relatos presume a abordagem da sis- tematização da prática e outros aspectos a ela associados, como a dimensão investi- gativa e o planejamento voltados ao exercício profissional. Guerra (2009) afirma que para o Serviço Social, a sistematização da prática é um processo que permite identi- ficar e problematizar as condições do exercício profissional e apreender os fenômenos existentes de modo a classificá-los, identificar suas dificuldades, lacunas e a necessi- dade de um arcabouço teórico que permita interpretá-los. A sistematização de dados é um passo preliminar e necessário no processo de conhecimento da realidade e, a investigação que aqui pressupõe, é uma exigência do exercício profissional. Para ser possível realizar esse trabalho, é essencial a organização de dados, informações e sistemas a partir de determinada realidade e cotidiano profissional para subsidiar na formulaçãode políticas, programas e projetos, bem como na geração de indicadores para avaliação e, inclusive, para a produção de conhecimentos, o que possibilitará a análise a partir da realidade concreta para então elaborar e implementar ações que de fato respondam às necessidades reais dos sujeitos envolvidos. Se ex- pressa assim a relação ação-reflexão-ação sobre o exercício profissional, tendo como elementos constitutivos da profissão a dimensão investigativa e a pesquisa. Mencionando brevemente o que foi destacado nas entrevistas em relação ao exercício profissional, os Assistentes Sociais, em sua maioria, identificam a relação da investigação com a intervenção, demonstrando a importância da sistematização dos dados para o conhecimento da realidade, alguns indicando que poderia subsidiar a intervenção profissional. Porém, destacam como condicionantes desafiadores do exercício profissional a jornada e vínculos de trabalho; a quantidade e ampliação do número de atribuições; a rotatividade de profissionais; a insuficiência de recursos humanos, físicos e materi- ais; pouco incentivo a capacitações; falta de espaços para debates e planejamento seja da equipe de assistentes sociais, ou seja, da equipe multiprofissional; e as rela- ções de poder. Estes condicionantes associados a dinâmica institucional e a relativa autonomia profissional favorecem o desenvolvimento de práticas imediatas, pragmá- ticas, rotineiras e burocráticas, o que terminam por fragilizar a articulação investigação e intervenção que nesse processo seria essencial. Tais condicionantes não se restringe a realidade pesquisada, uma vez que os trabalhos produzidos referentes ao exercício profissional demonstram os mesmos re- sultados. Trata-se de situações emergentes diante do agravamento das expressões 33 da questão social e da precarização dos meios e recursos disponíveis para atendi- mento a essas expressões, gerando além de impotência, sentimentos desencadeados pela não materialização dos princípios profissionais, e dos empecilhos no cumpri- mento das atividades em razão do trabalho intensivo com tempo reduzido para refle- xão (PRATES; CLOSS, 2015). Ainda que tensionados nessas condições, as respostas às demandas profissi- onais, dependem de assumir a condição de trabalhador assalariado e de um domínio teórico metodológico que ajude na leitura correta da realidade, como condição neces- sária, ainda que insuficiente para dar respostas com certo grau de eficácia na resis- tência e enfrentamento da precarização do trabalho, da retirada de direitos e das pos- sibilidades de ampliação das políticas sociais (GUERRA, 2010). A sistematização articulada ao domínio teórico-metodológico e demais compe- tências profissionais, são necessárias para a análise dos dados extraídos da reali- dade, por meio das situações em suas diferentes manifestações nos espaços que se gestam e o reconhecimento da necessária análise dos dados produzidos pelos profis- sionais vinculada a investigação, é pontuado por quatro dos seis Assistentes Sociais entrevistados, afirmando ser um trabalho do Serviço Social, mas que a redução de atribuições inespecíficas e condições de trabalho são imprescindíveis para uma inter- venção qualificada. Outros entrevistados afirmaram que o processo investigativo re- quer o respaldo da academia e do Conselho da categoria, por meio da realização de cursos de atualização/capacitação profissional, mas também consideram necessária a ‘vontade’ e iniciativa do profissional nesse processo. Dessa maneira, reiteramos a importância do exercício de sistematização da prática profissional, que incorpora também as pautas de discussão da categoria, uma vez que, segundo Almeida (1995), o Serviço Social não conseguiu empregar na cul- tura profissional aspectos que indicasse destaque às atividades investigativas, princi- palmente nos processos de sistematização do seu trabalho. Concorda-se com o autor ao inferir que: O esforço de sistematização como um componente central do trabalho do Assistente Social não significa, portanto, apenas a geração de dados e infor- mações, mas um processo que envolve a produção, organização e análise dos mesmos a partir de uma postura crítico-investigativa [...] (ALMEIDA, 1995, p. 4-5). 34 A sistematização da prática fundamentada no arcabouço teórico-metodológico; postura ética; conhecimento político; leitura da realidade sobre situações concretas; e elaboração de instrumentais técnicos possibilitará que o Assistente Social realize aná- lises e avaliações, redimensione sua prática, e tenha elementos para pensar e elabo- rar propostas que atendam os interesses da população usuária das diferentes políticas sociais. 6. A DIMENSÃO INVESTIGATIVA DO SERVIÇO SOCIAL NO ESPAÇO SÓCIO-JU- RÍDICO Fonte: shre.ink/Q84I Valente (2008) afirma que nas primeiras décadas do século XX, o aumento de- sordenado das grandes cidades fez surgir uma massa de indivíduos com condições de vida precárias e discordantes com o ideal de desenvolvimento da República, entre estas problemáticas estavam os problemas referentes a crianças e adolescentes po- bres. Tem-se a partir daí o entendimento de que a criança bem-educada serviria me- lhor a sociedade. O Estado passa, então, a atuar nesta área como o principal inter- ventor, dando um fim ao modelo caritativo predominante durante o império. Em 1923 foi aprovado o Regulamento de Assistência e Proteção aos Menores Abandonados e Delinquentes – o chamado Juizado de Menores no Rio de Janeiro que de acordo com Valente (2009) é fruto de aliança entre Justiça e Assistência, além de ser o principal campo fundador do Serviço Social no Brasil. Já em 1924 foi criado o Juízo Privativo de Menores de São Paulo. Os primeiros contatos deste com o Serviço Social ocorre 35 por meio do Departamento de Serviço Social do Estado; inicialmente os assistentes sociais foram chamados a atuar neste juízo como comissários de vigilância. De acordo com Fávero, Melão e Jorge (2005), só em 1940 é que os assistentes sociais passam atuar formalmente no Juizado de Menores, com a criação do Serviço de Colocação Familiar em São Paulo. Conforme analisa Alapanian (2008, apud IAMA- MOTO; CARVALHO, 1982), a atuação do assistente social deveria ter um caráter dis- ciplinar, de reajustamento social, além de trabalhar como pesquisador social e realizar serviços de plantão e orientação técnica de obras sociais, estatística e Fichário Central de Assistidos. Nas décadas seguintes o Serviço Social foi se consolidando na área sócio jurídica devido a sua capacidade de responder a demandas neste espaço. Atualmente, o Serviço Social atua nas diversas instituições judiciárias. Fávero, Melão e Jorge (2005), em pesquisa realizada no Tribunal de Justiça de São Paulo, identificaram que as principais necessidades de intervenção do assistente social e psicólogo estão relacionadas a medidas previstas na legislação, em especial no Esta- tuto da Criança e do Adolescente e no Código Civil. Muitas vezes os profissionais possuem dificuldades na identificação da real demanda, o que acarreta numa frag- mentação entre demanda e ação profissional. Ainda conforme os autores citados an- teriormente, o atendimento inicial na maioria das Varas, é geralmente prestado pelo assistente social, assim como nos trabalhos relacionados a benefícios sociais. Os principais instrumentos de trabalho utilizados pelo assistente social nesse espaço são as entrevistas sociais, visitas domiciliares e institucionais, entendimentos profissionais e administrativos, relatórios, laudos, pareceres e reuniões. 36 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS ABEPSS. Diretrizes gerais para o curso de Serviço Social — 1996. ALMEIDA, N. L. T. Retomando a Temática da “Sistematização da Prática” em Ser- viço Social. Serviço Social e Saúde: Formação e Trabalho Profissional. Curso de Extensão sobre sistematizaçãoda prática profissional em Serviço Social, ministrado em 1995. ANDRADE, M. Por que em tempos de expansão do irracionalismo a ontologia materialista histórico-dialética é tão necessária? Anuário Lukács, 2022. ARNAUD, F. I. M.; SANTOS NETO, F. A dimensão investigativa do Serviço Social na saúde do Trabalhador. Anais do Encontro Internacional e Nacional de Política So- cial, v. 1, n. 1, 2017 BARROS, A. J. S.; LEHFELD, N. A. S. 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