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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE ALAGOAS CURSO DE HISTÓRIA 1° PERÍODO CAMPUS I – ARAPIRACA PROFESSORA: JANNAIARA BARROS CAVALCANTE DISCIPLINA EDUCAÇÃO BRASILEIRA: LEGISLAÇÃO E POLÍTICA ACADÊMICO: FABRÍCIO LÚCIO DE MAGALHÃES MIRANDA EDUCAÇÃO BILÍNGUE DE SURDOS À LUZ DA LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO A língua é uma das características mais importantes da identidade e cultura de um povo, por meio da linguagem nos expressamos e partilhamos nossa forma de ver, sentir e viver o mundo, sendo um aspecto importante na socialização dos sujeitos. A língua materna nos liga a determinado grupo social, por meio dela construímos nossa subjetividade, a capacidade de trocar ideias, sentimentos, entendendo o que acontece ao nosso redor. No caso das pessoas surdas no Brasil ela ocorre geralmente através da socialização e apropriação do uso da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Quando nós falamos pessoas surdas nós estamos falando de pessoas com cultura surda, com identidade surda e quando nós falamos pessoas com deficiência auditiva, geralmente são aquelas pessoas que têm determinado grau de perda auditiva que fazem uso de um aparelho de amplificação sonora e que muitas vezes não têm essa cultura essa identidade surda, na verdade elas têm uma perda leve muitas vezes não nasceram com a deficiência, mas não tem uma perda que faça com que elas adquiram ou construam uma identidade, uma cultura surda. Diferente do povo surdo quando você fala dessa identidade da cultura é o mundo próprio que eles criam através dessa língua de sinais e isso ocorre pelo fato de eles terem uma comunicação espacial e visual, isso já faz com que eles tenham uma interação com o mundo de forma diferente e claro que faz com que eles tenham uma cultura diferente, um comportamento, um algo que é próprio dessa comunidade surda justamente pelo fato de eles terem uma interação com o mundo diferente de nós então isso realmente faz com que eles construam uma identidade, uma cultura por interagir de forma diferenciada. Dentro do panorama histórico do Brasil, tivemos em 2002 a lei que reconhece a libras como a língua de instrução e comunicação das comunidades surdas. Em 2005, o decreto que regulamenta a referida lei e, esse decreto, estabelece alguns direitos para pessoas surdas, como intérprete na sala de aula, instrutores surdos dentro da escola, a reorganização pedagógica curricular na perspectiva da pessoa surda. Então, a partir de 2005, o Brasil começa a ter dispositivos legais que vão garantindo mais acesso à educação de surdos. Recentemente, tivemos a promulgação da LDB, considerando a educação bilíngue como modalidade, tirando ela da questão da educação especial. Então estamos vendo que o Brasil está avançando na conquista dos direitos das pessoas surdas. A NECESSIDADE DE SE DISCUTIR A IMPLANTAÇÃO DA EDUCAÇÃO BILÍNGUE DE SURDOS. Ao refletir sobre a importância da Libras na vida das pessoas surdas, pode-se perceber que a sua utilização é um meio de inserir essas pessoas social, cultural e educacionalmente, pois cerca de 5% da população é surda, estamos falando de milhões de pessoas que necessitam dessa inserção. A inclusão do capítulo V-A na LDB, é uma oportunidade de fortalecer os direitos das pessoas surdas em prol principalmente do uso da língua de sinais, da difusão do bilinguismo, da difusão da língua de sinais para que as pessoas possam ter uma maior possibilidade de acessibilidade na comunicação. PARA QUEM A PROPOSTA ESTÁ VOLTADA? A proposta é direcionada para os profissionais da educação e para a população surda, na medida em que há enorme carência de professores e intérpretes de LIBRAS e a população surda tem o direito legalmente reconhecido à escola bilíngue como forma de inserção na sociedade e como forma de garantir a educação plena. OBJETIVOS A SEREM ALCANÇADOS Um dos compromissos, uma das metas para a implementação desse direito é a criação de escolas bilíngues diferentes das escolas inclusivas porque as escolas do ensino regular, as escolas inclusivas não são escolas bilíngues o que nós temos são escolas que têm um intérprete, mas a escola não é bilíngue o que a comunidade surda deseja é que tenha acesso integral de comunicação, que a LIBRAS seja ensinada desde as primeiras fases do ensino fundamental, essa é uma reivindicação e um direito legalmente reconhecido da comunidade surda, conforme §2º do Art. 60-A da LDB: § 2º A oferta de educação bilíngue de surdos terá início ao zero ano, na educação infantil, e se estenderá ao longo da vida. (Incluído pela Lei nº 14.191, de 2021) Então o objetivo é que a língua de sinais realmente faça parte do currículo escolar e seja ensinada às crianças desde as primeiras fases do ensino fundamental da educação básica. Outro aspecto importante é a criação de cursos de graduação e licenciatura e em bacharelado para formação de professores e formação de intérpretes de língua de sinais. A grande dificuldade na implantação de escolas bilíngues hoje basicamente passa pela falta de profissionais. A legislação desde que a lei foi sancionada em 2002 quando a libras passou a ser a língua oficial diz que o poder público tem obrigação de investir na formação de profissionais e de professores bilíngues texto reforçado com o decreto de 2005, mas o que nós precisamos realmente é que o poder público tenha o comprometimento, faça investimentos na formação de profissionais. COMO LEVAR O DEBATE PARA A ESCOLA? O debate acerca da implementação da educação bilíngue para surdos tem origem na necessidade da comunidade surda e deve ser discutido a partir da escola. Como deve ser a escola bilíngue para surdos? A resposta a essa pergunta passa pela fluência na língua de sinais pelos professores ouvintes, professores surdos dentro das unidades, garantia de um espaço da libras como língua, um estudo da gramática e estudo da sua estrutura, enfim, de tudo o que a libras tem. A garantia do ensino da língua portuguesa também como segunda língua, dentro de uma perspectiva metodológica de segunda língua, espaços que permitam às crianças terem acesso a vídeos e a materiais didáticos produzidos em libras, para que elas possam estar fazendo as suas atividades. O bilinguismo é a abordagem mais apropriada à cultura surda, pois através da língua natural dos surdos oferece inclusão. Esta oferece aos surdos condições de participação ativa na sociedade através de sua língua natural (LIBRAS) e também com o ensino-aprendizagem da língua portuguesa como segunda língua na modalidade escrita. Deve-se entender que Libras é uma estrutura linguística de modalidade espaço-visual e com a difusão dessa linguagem, garante-se ao surdo a possibilidade de reconhecimento e legitimidade desta forma de comunicação, afastando qualquer tentativa de normalização do sujeito surdo, valorizando sua comunidade linguística. Assim, percebe-se que a proposta bilíngue busca a valorização na mesma medida das duas línguas utilizadas na educação de surdos, sendo a que mais se aproxima do respeito ao sujeito surdo em sua identidade e cultura. Além disso, dentre as propostas para o ensino de surdos, esta é a que mais aparece, incentivando um ambiente de aprendizado caracterizado pelo conhecimento da Libras pelo maior número de pessoas da escola, e não apenas pelo aluno surdo e o intérprete educacional. Por tudo que foi dito, percebe-se a importância da aprendizagem da libras para todos, pois essa linguagem é sobretudo uma questão de empatia. Se atualmente temos crianças com deficiência dentro das escolas, é graças a essas demandas históricas, pois há algumas décadas isso era impensável, uma vez que as crianças ficavam excluídas em outros espaços. A inclusão trouxe para a educação uma perspectiva do outro, no sentido de tirar o outro do isolamento e da falta de perspectiva que se encontrava. 1 image1.jpeg