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FARMACODINÂMICA Aula 6 Princípios Gerais Interações Fármaco-Receptor Alvos Moleculares para Ação dos Fármacos FARMACODINÂMICA Aula 6 ▪ Interações fármaco-receptor ▪ Afinidade e atividade intrínseca / Eficácia ▪ Agonista e Antagonista ▪ Índice terapêutico ▪ Fármacos que independem de receptores ▪ Objetivos: Entender os mecanismos gerais pelos quais os fármacos exercem sua atividade farmacológica e conhecer os principais alvos orgânicos dos fármacos. BRUNTON, Laurence L.; GOODMAN, Louis Sanford; GILMAN, Alfred. - Goodman e Gilman : as bases farmacológicas da terapêutica - 12. ed. / 2012 DALE, M. M.; RITTER, J. M.; RANG, H. P.; FLOWER, R. J. - Rang & Dale : Farmacologia - 9. ed. / 2020 KATZUNG, Bertram G.; MASTERS, Susan B.; TREVOR, Anthony J.; FONSECA, Ademar Valadares. Farmacologia básica e clínica - 12. ed. / 2014 Porto Alegre: AMGH, 2014 Referências: Roteiro: Farmacodinâmica Ciência que estuda como os medicamentos interagem com os organismos vivos. FARMACOCINÉTICA FARMACODINÂMICA - Absorção - Distribuição - Biotransformação - Excreção - Droga X Receptor “é o estudo dos efeitos bioquímicos, fisiológicos e terapêuticos dos fármacos e seus mecanismos de ação” ou seja, o que o fármaco faz ao organismo FARMACODINÂMICA Interações Fármacos e Constituintes do Corpo série de eventos Resposta Farmacológica Decorre da interação com macromoléculas endógenas (receptores) RECEPTOR Descreve as moléculas-alvo por meio das quais mediadores fisiológicos solúveis (hormônios, NT, mediadores inflamatórios) produzem seus efeitos Termo receptor - utilizado para indicar qualquer molécula-alvo com a qual a molécula de um fármaco se combina para exercer seu efeito farmacológico ou fisiológico Receptor Maioria moléculas proteicas Componente-chave do sistema de comunicação química Exemplo: Adrenalina sobre o coração em situação de susto! Relação estrutura - atividade ESTRUTURA QUÍMICA DA DROGA Afinidade • Capacidade do fármaco em se ligar ao receptor Atividade Intrínseca • Capacidade do fármaco em ativar o receptor, uma vez formado o complexo DROGA-RECEPTOR Ligação Fármaco X Receptor Ligante livre (L - fármaco) Receptor desocupado (R) L + R LRligado livre A formação do complexo Ligante (fármaco) + Receptor (LR) é bimolecular e reversível. - Clark (1937): A resposta é diretamente proporcional à [fármaco] - Resposta máxima ocorre com todos os receptores ocupados. - Stephenson à teoria de Clark: Efeito máximo pode ser obtido com o agonista ocupando apenas uma pequena proporção dos receptores. Eficácia Efeito máximo que a droga consegue produzir Capacidade de ativar o receptor Receptor 1. Os receptores determinam as relações quantitativas entre dose ou concentração de fármacos e efeitos farmacológicos. 2. Os receptores são responsáveis pela seletividade da ação do fármaco. 3. Os receptores medeiam as ações de agonistas e antagonistas farmacológicos. Agonista X Antagonista ➢AGONISTA = ativam o receptor para sinalizar como resultado direto da ligação a ele ➢ ANTAGONISTA = ligam-se aos receptores mas não ativam a geração de um sinal A ação primária dos antagonistas é evitar que os agonistas (fisiológicos ou não) ativem os receptores Agonista e Antagonista A. O receptor inativo não ligado. B. O receptor ativado pelo agonista. Observe a mudança de conformação induzida no receptor pela ligação do agonista, por exemplo, a abertura de um canal iônico transmembrana. C. Os antagonistas no sítio agonista ligam-se ao sítio agonista do receptor, porém este não é ativado. D. Os antagonistas alostéricos ligam-se a um sítio alostérico (distinto do sítio agonista), por isso impedem a ativação do receptor, mesmo se o agonista estiver ligado a ele. Agonista e Antagonista Modelos dos dois estados Agonista e Antagonista CLASSE DOS AGONISTAS CLASSE DOS ANTAGONISTAS 100,00 86,42 96,40 97,75 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 120,0 10,0 9,0 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 -log [Noradrenaline] M C on tra ct io n (% o f c on tro l m ax im um ) control Prazosin [10-8] M Prazosin [3x10-8] M Prazosin [10-7] M Curvas dose-efeito de Noradrenalina na ausência ou presença de 3 doses de Prazosin A elevação da concentração do agonista supera o efeito bloqueador , a curva concentração x efeito do agonista será deslocada para direita, sem alteração no efeito máximo Antagonismo competitivo - um fármaco se liga de modo seletivo a um tipo específico de receptor sem ativa-lo, mas impedindo que um agonista se ligue a ele. Log [NOR] (M) E fe ito ( m m ) -9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 0 50 100 150 200 Noradrenalina Nifedipina + Noradrenalina Antagonismo não-competitivo Redução da inclinação e do valor máximo da curva concentração x resposta Antagonismo não – competitivo – descreve a situação na qual o antagonista bloqueia, em algum ponto, a cadeia de eventos, que leva à produção de uma resposta pelo agonista (ex.: Nifedipina, impede o influxo de cálcio através da membrana e, dessa forma bloqueia de modo inespecífico a contração do músculo liso produzida por outras substâncias Índice Terapêutico (Margem de Segurança) Relação DL50 e DE50 •A dose que causa a MORTE de 50% dos animais em ensaio, em dado período de tempo, denominou-se DOSE LETAL MEDIANA, ou simplesmente DL50. A dose que provoca o EFEITO DESEJADO em 50% dos animais em experimento, em dado período de tempo, é designada DOSE EFICAZ MEDIANA, ou somente DE50. •Lítio IT = 4 •Digoxina IT = 2,5 •Diazepam = IT100 •Baixo índice terapêutico Janela Terapêutica •Faixa dos níveis plasmáticos situados entre as doses necessárias para se ter eficácia sem causar efeitos adversos graves. Sinergismo Farmacológico Sinergismo de adição: efeito final é igual a soma dos efeitos das duas drogas isoladas (mesmo mecanismo de ação). Sinergismo de potenciação: efeito final é maior que a soma dos efeitos individuais (mecanismo de ação diferentes). Antagonismo Farmacológico Antagonismo químico (inativação química) agentes quelantes (dimercaprol ou EDTA) e metais pesados Antagonismo farmacocinético Varfarina e fenobarbital / Whey e levodopa Antagonismo farmacodinâmico (bloqueio de receptores) Antagonismo competitivo (A e B competem pelo mesmo receptor) Salbutamol e propranolol Antagonismo não competitivo (A e B atuam em receptores diferentes) Noradrenalina e Nifedipina Antagonismo fisiológico (ações opostas tendem a se anular) Histamina (H1 – broncoconstrição) e Adrenalina (Beta 2 – broncodilatação) Fármacos que independem de receptores Agentes quimicamente reativos (antiácidos – bicarbonato de sódio) Agentes fisicamente reativos óleo mineral - Laxante Luftal (simeticona) - antiflatulento Ação inespecífica Material Complementar Tipos de interações FARMACÊUTICAS Interações farmacêuticas Incompatibilidades, de caráter físico-químico, que originam a inativação ou a precipitação de fármacos antes de serem administrados ao paciente Reações de óxido-redução - Ex.: Vitamina C + Ferro Reações de Precipitação - Ex.: Tetraciclinas + Cálcio (leite) Fenômenos de adsorção - Ex.: Carvão Ativo Neutralização - Ex.:. Heparina + fármaco básico Turvação e Precipitação - Visíveis antes da administração Interações farmacocinéticas Ocorre quando um fármaco modifica a cinética de outro fármaco administrado concomitantemente As interações farmacocinéticas podem ocorrer pelos mecanismos: ABSORÇÃO -Alteração do pH gastrintestinal -Adsorção, quelação e outros mecanismos de quelação -Alteração na motilidade gastrintestinal -Má absorção causada por fármacos Antiácido x Absorção Absorção – alteração na motilidade GI Fármacos anticolinérgicos (atropina, escopolamina) retardam o esvaziamento gástrico e a motilidade intestinal e reduzem as secreções digestivas – prejudicam a absorção de fármacos Fármacos que aceleram o esvaziamento gástrico – favorecem a absorção de muitos fármacos (ex.: metoclopramida,bromoprida, domperidona) Fármacos que se ligam fortemente (> 90 %) às proteínas plasmáticas: Ex.: anticoagulantes orais, fenitoína, estrógenos, glicocorticóides, diazepam, AINEs A competição entre dois fármacos pela ligação às proteínas plasmáticas resulta em aumento da fração livre de um ou ambos os fármacos - intensificação da resposta farmacológica e/ou tóxica Competição pela ligação com as proteínas plasmáticas O metabolismo de um fármaco pode ser estimulado ou inibido através da terapia concomitante: Indutores enzimáticos Inibidores enzimáticos Metabolismo Exemplos de interações medicamentosas Interações farmacodinâmicas Ocorrem nos sítios de ação dos fármacos, envolvendo os mecanismos pelos quais os efeitos desejados se processam Adição Sinergismo Potencialização Antagonismo Adição: Dois fármacos com efeito aditivo, mesmo mecanismo de ação. Ex.: Dipirona + AAS Sinergismo: Dois fármacos com efeitos semelhantes mas com mecanismo diferentes. Ex.: Codeína + AAS Potencialização: quando o efeito dessa associação é maior do que a sua soma ou adição. Ex.: Tranquilizantes + Álcool Antagonismo: Redução do efeito de um fármaco pela ação de outro. (competitivo e não competitivo) Exemplos de interações farmacodinâmicas