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AVALIAÇÃO NUTRICIONAL E DIETÉTICA Profa. Dra. Nara Vanessa dos Anjos Barros INTRODUÇÃO A AVALIAÇÃO NUTRICIONAL INTRODUÇÃO A importância da avaliação nutricional vem aumentando pelo papel relevante que a nutrição desempenha na etiologia de diversas doenças INTRODUÇÃO TRANSIÇÃO NUTRICIONAL Modificações no perfil nutricional da população Desnutrição e anemias Excesso de peso (Sobrepeso e obesidade) TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA Doenças transmissíveis e doenças infeciosas Doenças crônicas não- transmissíveis (DCNT) Mudanças de longo prazo que ocorrem nos padrões de saúde e doença da população ESTADO NUTRICIONAL E SEUS DETERMINANTES: DO QUE ESTAMOS FALANDO? ESTADO NUTRICIONAL Definido a partir de uma perspectiva biológica (individual) ou de uma perspectiva coletiva (social). PERSPECTIVA BIOLÓGICA “A condição de saúde de um indivíduo, influenciada pelo consumo e utilização de nutrientes, identificada através de dados obtidos de estudos clínicos, bioquímicos, antropométricos e dietéticos”. ESTADO NUTRICIONAL “Resultado do equilíbrio entre suprimentos de nutrientes (quantidade e qualidade de alimentos ingeridos) e necessidades nutricionais (quantidade de energia gasta pelo organismo ou utilização biológica* de nutrientes)”. PERSPECTIVA BIOLÓGICA * Utilização Biológica: aproveitamento dos nutrientes dos alimentos pelo organismo. ADEQUAÇÃO NUTRICIONAL OU EUTROFIA Equilíbrio entre consumo e necessidades nutricionais Se o indivíduo tem uma ingestão suficiente de alimentos para repor seu gasto energético e necessidade nutricional*, há uma situação de equilíbrio. *Necessidade nutricional: quantidade de nutrientes fundamentais e suficientes para atender as necessidades fisiológicas com base em vários fatores como sexo, idade, atividade física, doenças que afetem o metabolismo. ESTADO NUTRICIONAL ADEQUAÇÃO NUTRICIONAL OU EUTROFIA O consumo inadequado de alimentos, em quantidade e qualidade, para mais ou para menos, provocando desequilíbrio nutricional. As alterações do estado nutricional contribuem para aumento da morbimortalidade. ESTADO NUTRICIONAL CARÊNCIA OU DEFICIÊNCIA NUTRICIONAL Ingestão de nutrientes menor que o gasto, resultam na instalação de processos orgânicos adversos à saúde. A desnutrição predispõe a uma série de complicações graves. ESTADO NUTRICIONAL DISTÚRBIO NUTRICIONAL Se consumo alimentar é maior que o gasto do organismo, haverá um excesso e esse desequilíbrio pode levar ao excesso de peso. O sobrepeso e a obesidade Fatores de risco para as doenças crônicas não- transmissíveis (doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemias, síndrome metabólica). ESTADO NUTRICIONAL DISTÚRBIO NUTRICIONAL Entretanto, no consumo elevado de alimentos com maior densidade energética pode estar oculta a desnutrição de micronutrientes também conhecida como fome oculta. ESTADO NUTRICIONAL Tanto a ingestão alimentar quanto o gasto energético podem estar relacionados a questões que vão além da dimensão biológica. Fatores determinantes do consumo alimentar ESTADO NUTRICIONAL FATORES DETERMINANTES DO CONSUMO ALIMENTAR • renda, acesso. Fatores econômicos • hábitos, modismos, estéticos, mídia, colegas, etc. Fatores sociais • descendência, costumes, tabus, mitos. Fatores culturais Fatores religiosos (crenças) - necessidade, prazer, desconforto, ansiedade, depressão, comportamento frente ao alimento. Fatores psicológicos - Doenças metabolicamente ativas ou catabólicas como câncer, diabetes mellitus, insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica, síndrome da imunodeficiência adquirida, doença renal crônica, entre outras. Fatores fisiopatológicos ESTADO NUTRICIONAL AVALIAÇÃO NUTRICIONAL INTRODUÇÃO AVALIAÇÃO NUTRICIONAL É considerada um instrumento diagnóstico, já que mede de diversas maneiras as condições nutricionais do organismo, determinadas pelos processos de ingestão, absorção, utilização e excreção de nutrientes. Determina o estado nutricional Resultante do balanço entre a ingestão e a perda de nutrientes. O conceito de avaliação nutricional é muito amplo e há estreita relação entre nutrição e saúde, que pode ser identificada pela correlação de informações obtidas de estudos: INTRODUÇÃO AVALIAÇÃO NUTRICIONAL Físicos Clínicos Dietéticos Bioquímicos AVALIAÇÃO NUTRICIONAL IMPORTÂNCIA • É possível predizer os riscos de determinados quadros crônicos específicos para a saúde. • A partir de determinadas classificações, possibilitam a identificação e a quantificação da natureza e da gravidade das doenças nutricionais quando apresentarem valores superiores ou inferiores aos considerados normais. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL IMPORTÂNCIA Investigar as variações na constituição do corpo humano a partir de exames ou medições individuais. O conjunto dessas investigações possibilita a determinação do estado nutricional do indivíduo, população ou comunidade Existem diversos métodos que podem ser utilizados tanto na avaliação individual quanto na avaliação da situação nutricional de uma determinada população. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL Deve ser considerados aqueles que Melhor detectem o problema nutricional Os aferidores tenham habilidade e domínio técnico. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL Fornecer subsídios para avaliar a intervenção nutricional Deve ser realizada a reavaliação periódica da evolução do estado nutricional Individual Coletivo MÉTODOS PARA AVALIAR O ESTADO NUTRICIONAL MÉTODOS DE AVALIAÇÃO Existem diferentes métodos para avaliar o estado nutricional A decisão do método a ser utilizado depende dos objetivos a serem alcançados. A literatura propõe a classificação dos métodos de avaliação nutricional em 2 grandes grupos Métodos diretos Métodos indiretos MÉTODOS DE AVALIAÇÃO MÉTODOS DIRETOS São aqueles que expressam as manifestações orgânicas de um desequilíbrio nutricional e são avaliados diretamente com o indivíduo. TIPOS DE ABORDAGENS Objetivos (quantitativo) Subjetivos (qualitativo) MÉTODOS DE AVALIAÇÃO MÉTODOS DIRETOS OBJETIVOS Exames antropométricos (peso, altura, dobra cutânea, etc); Exames laboratoriais (hemoglobina, colesterol, etc); Métodos sofisticados como a bioimpedância. MÉTODOS DIRETOS SUBJETIVOS Exame clínico-nutricional ou semiologia nutricional (sinais e sintomas clínicos nutricionais) • Desidratação, identificação de manchas brancas acinzentadas nos olhos, palidez cutânea e de mucosa ocular, emagrecimento e evidências de perda de gordura, alterações no apetite, presença de edema e etc. Avaliação subjetiva global MÉTODOS DE AVALIAÇÃO MÉTODOS INDIRETOS São os fatores que explicam os determinantes sociais da situação de nutrição e alimentação dos indivíduos. Dados demográficos Dados socioeconômicos Indicadores culturais Estilo de vida Inquérito de consumo alimentar MÉTODOS DE AVALIAÇÃO MÉTODOS INDIRETOS - Idade, sexo, renda familiar, escolaridade, acesso ao serviço de saúde... Indicadores socioeconômicos • Tabus alimentares, mitos, características locais específicas... Aspectos culturais • Atividade física, hábito de fumar e consumir bebida alcoólica... Estilo de vida • Perfil demográfico e de saúde de uma população (indicadores de natalidade, mortalidade, internações)... Estatísticas vitais • Estudo da ingestão de alimentos e bebidas (Recordatório de 24 hrs, Questionário de Frequência Alimentar) Consumo alimentar E AGORA? QUAL MÉTODO DEVO ESCOLHER? Socorro, Deus!!! MÉTODOS DE AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO INDIVIDUAL O diagnóstico nutricional poderá envolver Indicadores diretos (avaliação antropométrica, bioquímica, clínica) Indicadores indiretos (consumo alimentar) Permitem traçar um melhor diagnóstico individual MÉTODOS DE AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO COLETIVA O diagnóstico nutricional poderá envolver Indicadores antropométricos As estatísticas vitais, inquéritos socioeconômicos e consumo alimentar Traçar operfil nutricional da população Definir estratégias de ação AVALIAÇÃO NUTRICIONAL CLÍNICA ANAMNESE Entrevista realizada com o paciente, seguindo um roteiro de perguntas, na qual o profissional (médico, nutricionista, etc) inicia um processo de diagnóstico de uma determinada situação e, posteriormente, planeja ações terapêuticas e corretivas. DADOS Identificação; Queixa principal; História da doença atual; História patológica pregressa; Antecedentes familiares; Hábitos Gerais (tabagismo, etilismo, atividade física); Histórico socioeconômico; Medicação em uso. ANAMNESE Pontos relevantes: História socioeconômico-cultural • Condições de habitação, tipo de trabalho, renda, tabagismo, alcoolismo, uso de drogas, sono e imunizações. História familiar: • Saúde e causa de morte dos pais, filhos e colaterais. História clínica • História patológica pregressa e atual. Hábito intestinal ANAMNESE Pontos relevantes: Histórico nutricional • História de perda e ganho de peso recentes: • Perda de maior que 10% significativa • Presença de sintomas gastrointestinais: • Anorexia, odinofagia, disgeusia, disfagia ... • Alterações do padrão alimentar: • Aversão a carne bovina • Uso de medicamentos que interferem na absorção e utilização de nutrientes: • Anti-histamínicos – aumentam o apetite. Histórico alimentar SEMIOLOGIA NUTRICIONAL E EXAME FÍSICO SEMIOLOGIA: parte da medicina relacionada ao estudo dos sinais e sintomas das doenças, muito importante para o diagnóstico da maioria das enfermidades. Manifestação subjetiva de uma alteração orgânica ou funcional, descrita pelo paciente e não visualizada pelo examinador. SINTOMA SINAL Manifestações clínicas observadas pelo examinador por meio da inspeção, palpação ou ausculta. AVALIAÇÃO CLÍNICA AVALIAÇÃO CLÍNICA SEMIOLOGIA NUTRICIONAL É a identificação de sinais que podem levar a sintomas não informados pelo paciente, e que são importantes para estabelecer o diagnóstico nutricional conclusivo. É um instrumento obrigatório do processo de avaliação nutricional. O nutricionista dispõe da anamnese nutricional para a identificação dos sintomas clínicos nutricionais e do exame físico na avaliação dos sinais clínicos nutricionais. AVALIAÇÃO CLÍNICA EXAME FÍSICO Engloba a observação, inspeção e palpação. Utilizado para detectar sinais e sintomas associados à desnutrição Cabelo Pele Face Olhos Lábios, boca e língua Unhas Tórax Membros Abdômen Tecido subcutâneo Sistema musculoesquelé- tico AVALIAÇÃO CLÍNICA Fácies de desnutrição aguda Fácies de desnutrição crônica AVALIAÇÃO CLÍNICA ANEMIA Observação clínica Regiões palmoplantares Mucosas (conjuntiva e labial) Exame da coloração da pele Verificar a presença de palidez. AVALIAÇÃO CLÍNICA DESIDRATAÇÃO Síndrome multicausal Pode ser ocasionada por ingestão de água menor que a necessidade Perda de água excessiva ou ambas as situações. Causas de perdas excessivas: vômitos, diarreias, fístulas digestivas, sudorese e poliúria. Os sinais dependem da intensidade do quadro, podendo aparecer: Sede intensa Astenia Apatia Sonolência Agitação psicomotora Convulsões (casos mais graves) AVALIAÇÃO CLÍNICA MUSCULATURA TEMPORAL, A BOLA GORDUROSA DE BICHART E O SINAL DE “ASA QUEBRADA”. AVALIAÇÃO CLÍNICA MUSCULATURA DO PESCOÇO, TÓRAX DORSO E MEMBROS SUPERIORES • Perda de massa muscular crônica Perda muscular supra e intraclavicular e abaulamento da fúrcula esternal • Menor força respiratória e dispneia, e indica desnutrição Retração intercostal e subcostal AVALIAÇÃO CLÍNICA CAVIDADE ORAL Monilíase (sapinho ou candidíase oral: fungo Candida albicans) A coloração e aspecto da língua (língua magenta); Verificar Queilose (rachaduras nos cantos da boca) e queilite angular (inflamação nos lábios) AVALIAÇÃO CLÍNICA EDEMA Conceito: acúmulo excessivo de líquidos nos espaços dos tecidos, especialmente no tecido conjuntivo Indica hipoproteinemia (hipoalbuminemia) AVALIAÇÃO CLÍNICA KWASHIORKOR Desnutrição grave que acomete crianças acima de 2 anos. É uma desnutrição decorrente da deficiência dietética de proteína, embora a ingestão calórica se mantenha adequada. EDEMA AVALIAÇÃO CLÍNICA KWASHIORKOR Alterações de pele • Lesões hipocrômicas ao lado de hipercrômicas, com descamação. Acometimento dos cabelos • Textura, coloração e facilidade de se soltar do couro cabeludo. Hepatomegalia • Decorrente de esteatose, ascite, face de lua (edema de face) Edema de membros inferiores e/ou anasarca e apatia. AVALIAÇÃO CLÍNICA MARASMO Desnutrição grave que acomete com mais frequência lactentes jovens (abaixo de 12 meses) Ingestão inadequada de alimentos, sobretudo energia insuficiente, caracterizado pela perda de massa muscular e de reserva de gordura corporal AVALIAÇÃO CLÍNICA MARASMO Emagrecimento acentuado Membros delgados devido a atrofia muscular e subcutânea, Pele frouxa, costelas proeminentes com desaparecimento da bola de Bichat (último depósito de gordura a ser consumido, localizado na região malar). Aspecto envelhecido (fácies senil ou simiesca), nádegas atróficas e irritabilidade. O abdome pode ser globoso, mas raramente se observa hepatomegalia. Os cabelos são finos e escassos e o comportamento apático ou irritado. Xerose conjuntival vitamina A Ceratomalacia vitamina A Língua magenta Riboflavina, B12 Hiperqueratose folicular Vitamina A Hepatoesplenomegalia Kawshiorkor Pelagra Niacina (B3) Rosário raquítico Vitamina D Queilose Riboflavina (B2), Piridoxina (B6) e Niacina (B3) Unha coiloníqua ferro Alargamento epifisário, perna em X vitamina D INTRODUÇÃO À ANTROPOMETRIA INTRODUÇÃO Os dados antropométricos de populações são de grande utilidade na identificação de grupos que necessitem de intervenção nutricional. No âmbito da saúde pública: Na avaliação de respostas a uma intervenção, no estabelecimento de fatores determinantes da desnutrição e do sobrepeso. Instrumento de vigilância nutricional INTRODUÇÃO ANTROPOMETRIA O termo antropometria tem sua origem do grego ánthropos significa homem e métron, medida. Envolve a obtenção de medidas físicas de um indivíduo para relacioná- las com o padrão, refletindo o seu crescimento e desenvolvimento. Compõem a avaliação nutricional MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS Peso Altura Pregas ou Dobras cutâneas Circunferência do Braço Circunferência da cintura MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS Peso • Avaliação do estado nutricional e de situações de risco. Altura • Expressa a dimensão linear do corpo que reflete o processo de crescimento como um todo. Pregas ou Dobras cutâneas • Avaliar a quantidade de tecido adiposo. Circunferência do Braço • Fornece índice de depósito de gordura e de massa muscular local. Circunferência da cintura • Indicador para o diagnóstico de obesidade central. MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC): É amplamente utilizado para a avaliação do estado nutricional por sua boa correlação com a morbimortalidade, relativa facilidade de obtenção dos dados e importância em sistemas de vigilância nutricional. Índice de Massa Corporal (IMC) = Peso (kg) Altura²(m) MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS IMC (kg/m2) ESTADO NUTRICIONAL < 16 Magreza Grau III 16 a 16,99 Magreza Grau II 17 a 18,49 Magreza Grau I 18,5 a 24,99 EUTROFIA 25 a 29,99 Sobrepeso 30 a 34,99 Obesidade Grau I 35 a 39,99 Obesidade Grau II ≥ 40 Obesidade Grau III Classificação do estado nutricional segundo IMC para adultos MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC) Índice de Massa Corporal (IMC) = Peso (kg) Altura²(m) Classificação do estado nutricional segundo o IMC adotado para o idoso IMC Classificação do estado nutricional < 22 kg/m2 Magreza ou baixo peso 22 - 27 kg/m2 Eutrofia > 27 kg/m2 Excesso de peso ou sobrepeso (LIPSCHITZ, 1994) IMC Classificação do estado nutricional ≤ 23 kg/m2 Magrezaou baixo peso 23 - 28 kg/m2 Eutrofia 28 - 30 kg/m2 Excesso de peso ou sobrepeso ≥ 30 kg/m2 Obesidade (OPAS, 2002) MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS PREGAS OU DOBRAS CUTÂNEAS Correlacionam-se bem com o tecido adiposo subcutâneo e, assim, com a gordura corporal total, de modo que são utilizadas para estimar estas reservas MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS PREGAS OU DOBRAS CUTÂNEAS Na avaliação nutricional, podem ser aferidas diversas pregas cutâneas, entretanto, sendo as quatro mais comuns: Prega Cutânea Tricipital (PCT) Prega Cutânea Subescapular (PCSE) Prega Cutânea Bicipital (PCB) Prega Cutânea Supra-ilíaca (PCSI) PCT e PCSE➔ Padrões de referência e correlação elevada com a gordura corporal MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS CIRCUNFERÊNCIA DA CINTURA Referência Anatômica: No ponto médio entre o último rebordo costal e a crista ilíaca É o método mais utilizado para predizer o risco (elevado e muito elevado) de desenvolver DCNTs, relacionado ao acúmulo de gordura na região abdominal (obesidade central). MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS CIRCUNFERÊNCIA DA CINTURA SEXO SEM RISCO AUMENTADO MUITO AUMENTADO MASCULINO < 94 cm > 94 cm > 102 cm FEMININO < 80 cm > 80 cm > 88 cm Valores da circunferência da cintura considerados como risco para complicações metabólicas MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS RAZÃO CINTURA-QUADRIL (RCQ) Identificar o risco para o desenvolvimento de doença cardiovascular SEXO RCQ RISCOS PARA DCVs MASCULINO > 1 ALTO FEMININO > 0,85 ALTO RCQ = Circunferência da cintura (cm) Circunferência do Quadril (cm) Circunferência do Quadril: Maior porção da região glútea (nádegas) MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS CIRCUNFERÊNCIA DO PESCOÇO (CP) A medida é realizada na altura da cartilagem cricotireoidea. OBS: Homens com proeminência laríngea, a CP será aferida abaixo da proeminência SEXO CP RISCO MASCULINO ≥ 37 cm ALTO FEMININO ≥ 34 cm ALTO Preditor de fator de risco cardiometabólico MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS CIRCUNFERÊNCIA DA PANTURILHA (CPant) Fornece a medida mais sensível da massa muscular nos idosos Indica alterações na massa magra que ocorrem com a idade e com o decréscimo na atividade física. É particularmente recomendada na avaliação nutricional de pacientes acamados SEXO CPant DIAGNÓSTICO MASCULINO ≥ 31 cm ADEQUADO FEMININO ≥ 31 cm ADEQUADO INQUÉRITOS ALIMENTARES INTRODUÇÃO Na Avaliação Nutricional, conhecer o consumo dietético é indispensável. Estudar a relação entre alimentação e doença, investigando a participação dos nutrientes na manutenção da saúde. Para avaliar a ingestão alimentar de forma qualitativa e/ou quantitativa, para direcionar a prescrição dietética. INQUÉRITOS ALIMENTARES/DIETÉTICOS Constituem um dos métodos de avaliação nutricional que permitem caracterizar padrões dietéticos, estimar o consumo de energia e nutrientes, identificar indivíduos em risco de inadequação nutricional, estabelecer associações entre a dieta e a saúde, contribuindo para a adoção e/ou redefinição de intervenções. INQUÉRITOS ALIMENTARES/DIETÉTICOS Podem avaliar a DIETA HABITUAL ou ATUAL. • Refere-se a média do consumo alimentar em um determinado período (meses ou um ano), em que um padrão de dieta é mantido. • Alimentação do dia-a-dia. DIETA HABITUAL • Refere-se à média do consumo alimentar em curto período de tempo corrente. DIETA ATUAL INQUÉRITOS ALIMENTARES/DIETÉTICOS Aplicabilidade para cada grupo ou situação fisiológica Grupo/estado fisiológico Considerações Gestantes Ingestão muda neste período, estar atento a mudanças devido tabus, crenças. Lactantes Ingestão muda com a intensidade de amamentação. Lactentes com uso de fórmulas infantis Ingestão varia mês a mês. Pré-escolares Ingestão deve ser feita pelo observador. Escolares Limitação de memória, vocabulário incompleto, desconhecimento dos ingredientes. Adolescentes Ingestão muda com a maturação sexual, padrão alimentar variado, tendência de omissão pelas meninas. INQUÉRITOS ALIMENTARES/DIETÉTICOS Aplicabilidade para cada grupo ou situação fisiológica Grupo/estado fisiológico Considerações Idosos Limitação em recordar alimentos ingeridos, dificuldade de escrita, audição, visão. Indivíduos enfermos Alimentação diferente do habitual, presença de vômito, diarreia, jejum, etc. Analfabetos Avaliação deve ser realizada por outro membro da família ou pelo observador. Obesos/magros Tendência a omissão ou inclusão de alimentos que não foram consumidos. Atletas Depende da fase de treinamento, ingestão de suplementos, líquidos isotônicos, etc. INQUÉRITOS ALIMENTARES/DIETÉTICOS FONTES DE ERROS RELACIONADAS AOS INQUÉRITOS DIETÉTICOS Podemos classificar esses erros em três tipos: EntrevistadorEntrevistado Métodos MÉTODOS DE INQUÉRITOS ALIMENTARES MÉTODOS DE INQUÉRITOS ALIMENTARES De acordo com a temporalidade, os métodos de inquérito alimentar podem ser classificados em: PROSPECTIVOS Registram informações recentes (no momento do consumo dos alimentos) e estão associados à dieta atual, ou seja, com a média do consumo alimentar em um curto período de tempo corrente. RETROSPECTIVOS Colhem a informação do passado imediato ou em longo prazo e estão associados com a dieta habitual, ou seja, com um consumo padrão que o indivíduo mantém rotineiramente em um período de tempo prolongado MÉTODOS DE INQUÉRITOS ALIMENTARES Registro alimentar/Diário estimado Registro alimentar/Diário pesado História Alimentar/ Dietética Recordatório alimentar de 24 horas (R24) Questionário de Frequência Alimentar (QFA) PROSPECTIVOS RETROSPECTIVOS MÉTODOS PROSPECTIVOS REGISTRO/DIÁRIO ALIMENTAR (RA) Consiste em solicitar ao paciente que anote, em formulários previamente definidos, todos os alimentos e as bebidas consumidos e suas respectivas quantidades, durante 3, 5 ou 7 dias, alternados, abrangendo um dia do final de semana. Orienta-se que as anotações sejam realizadas logo após o consumo dos alimentos, evitando-se, assim, erros de memória. REGISTRO ALIMENTAR ESTIMADO As quantidades ingeridas são estimadas em medidas caseiras pelo indivíduo e, depois, convertidas em gramas. Geralmente, usa-se 3 dias, incluindo 1 final de semana. REGISTRO ALIMENTAR ESTIMADO Horário Local Refeição Alimento Porção (medida caseira) REGISTRO ALIMENTAR ESTIMADO Vantagens Desvantagens • Não depende de memória. • Identifica tipos de alimentos e preparações consumidos e horários das refeições. • Pode interferir no padrão alimentar. • Requer tempo. • Exige que o indivíduo saiba ler e escrever. • A subestimação é comum. • Exige alto nível de motivação e colaboração. • Apresenta dificuldade para estimar a quantidade ingerida. REGISTRO ALIMENTAR PESADO Semelhante ao registro alimentar estimado, mas em vez de estimados em medidas caseiras, eles são PESADOS. MÉTODO MAIS INDICADO REGISTRO ALIMENTAR PESADO Horário Local Refeição Alimento Peso (g) REGISTRO ALIMENTAR PESADO Vantagens Desvantagens • Aumenta a acurácia do tamanho das porções e consequentemente dos nutrientes ingeridos. • Pode restringir a escolha dos alimentos. • Exige tempo. • O consumo pode ser alterado nos dias de registro. • Apresenta um custo elevado. • É de difícil aplicabilidade na rotina. MÉTODOS RETROSPECTIVOS Consiste em relatar tipo e quantidade (em medidas caseiras) de todos os alimentos e bebidas consumidos nas últimas 24 horas anteriores à entrevista. Não pode ser usado em dia seguintes a finais de semana e feriados. Considerado o instrumento mais empregado para avaliação da ingestão de alimentos e nutrientes de indivíduos de diferentes grupos populacionais no mundo todo. MÉTODO MAIS USADO NO DIA-A-DIA CLÍNICO RECORDATÓRIO ALIMENTAR DE 24 HORAS (R24H) A qualidade da informação dependerá: Respostas precisas e não tendenciosas exigem respeito e atitude neutra diante de hábitos e consumo de alimentos socialmente censurados. Memória Cooperação do entrevistado: crianças a partir de 12 ou 13 anos;Capacidade de entrevistador em estabelecer um canal de comunicação em que se obtenha a informação por meio do diálogo; Elaboração de um manual com as medidas caseiras. RECORDATÓRIO ALIMENTAR DE 24 HORAS (R24H) RECORDATÓRIO ALIMENTAR DE 24 HORAS (R24H) Cuidados na coleta de informações: Evitar questionar sobre alimentos específicos (E de lanche? Você comeu o que?). Evitar qualquer sinal de surpresa, aprovação ou desaprovação do padrão alimentar do indivíduo. Insistir nos detalhes sem induzir, principalmente na forma como os alimentos são preparados. Não esquecer de estimar sobre a bebida alcoólica, bala, pipoca, sorvete, café, suplementos vitamínicos e consumo de alimentos à noite. Verificar se o consumo daquele dia não foi atípico. Não comunicar com antecedência o dia do inquérito. Entrevistador deve ser submetido a treinamento padronizado. Refeição Horário Alimento ou preparação Quantidade Obs Desjejum Lanche Almoço Lanche Jantar Ceia RECORDATÓRIO ALIMENTAR DE 24 HORAS (R24H) RECORDATÓRIO ALIMENTAR DE 24 HORAS (R24H) Vantagens Desvantagens • Fácil e rápido de ser administrado. • Baixo custo. • Quando realizado em série, fornece estimativas da ingestão habitual do indivíduo. • Não altera a dieta habitual. • Pode ser realizado em grupos de baixo nível de escolaridade. • Pode ser utilizado para estimar o valor energético total da dieta e o consumo de micronutrientes. • Depende da memória. • Requer treinamento do investigador para evitar indução. • A ingestão prévia das últimas 24 horas pode ser atípica. • Um único recordatório não estima a dieta habitual. • Bebidas e lanches tendem a ser omitidos. • Não fornece dados quantitativos precisos sobre a ingestão de nutrientes. • Não reflete as diferenças entre a ingestão de dias da semana e fins de semana. • Pode ocorrer sub ou superestimação. QUESTIONÁRIO DE FREQUÊNCIA ALIMENTAR (QFA) Composto por uma lista de diferentes alimentos e bebidas predefinida, cuja frequência de consumo (número de vezes que o indivíduo consome um determinado alimento por dia, semana, mês ou ano) deve ser preenchida pelo indivíduo (auto aplicado) ou aplicado por um entrevistador treinado. Este método estima a ingestão habitual QUESTIONÁRIO DE FREQUÊNCIA ALIMENTAR (QFA) O QFA tem uma lista finita de alimento e, portanto, não é capaz de contemplar todos os alimentos consumidos pelos indivíduos. Reflete em limitações quanto ao seu emprego no AMBIENTE CLÍNICO. NÃO é recomendado quando se objetiva avaliar quantitativamente a ingestão de nutrientes. QUESTIONÁRIO DE FREQUÊNCIA ALIMENTAR (QFA) Listas muito grandes (>100 itens) levam ao cansaço do entrevistado e prejudicam a fidedignidade das informações Método mais usado em PESQUISAS POPULACIONAIS Pequenas listas (<50 itens) não refletem tão bem a realidade Vantagens Desvantagens • Pode ser autoadministrado ou utilizado por outros profissionais. • Baixo custo. • Rápido. • Pode descrever padrões de ingestão alimentar. • Pode estimar a dieta habitual. • Gera resultados padronizados. • Pode ser utilizado para estudar a associação de alimentos ou nutrientes específicos com uma doença. • Não altera o padrão alimentar. • Não é possível saber sobre a hora e a circunstância em que o alimento foi consumido. • Listas complicadas para a população em geral podem não ser úteis para grupos com diferentes padrões alimentares. • Pode ocorrer subestimação, visto que nem todos os alimentos consumidos pelo indivíduo podem constar na lista. • A análise fica difícil sem o uso de computadores. QUESTIONÁRIO DE FREQUÊNCIA ALIMENTAR (QFA) Alimento Frequência de Consumo Diária 1x/sem 2-3x/sem 1x/mês 2-3x/mês Raramente Nunca Alimento Porção de Referência Frequência de Consumo Diária 1x/ Sem 2-3x/ Sem 1x/mês 2-3x/ Mês Raramente Nunca QUESTIONÁRIO DE FREQUÊNCIA ALIMENTAR (QFA) QFA QUALITATIVO QFA SEMIQUANTITATIVO QUESTIONÁRIO DE FREQUÊNCIA ALIMENTAR (QFA) QFA QUANTITATIVO Alimento Porção de Referência Tamanho da Porção Frequência de Consumo Pequena Médi a Grand e Diári a 1x/ Sem 2-3x/ Sem 1x/mês 2-3x/ Mês Raramente Nunca HISTÓRIA ALIMENTAR/DIETÉTICA Consiste em uma extensa entrevista com o propósito de gerar informações sobre hábitos alimentares atuais e passados. São coletadas informações sobre o número de refeições, apetite, preferências alimentares, uso de suplementos nutricionais, tamanho de porções, frequência de consumo dos alimentos e variações sazonais. HISTÓRIA ALIMENTAR/DIETÉTICA Vantagens Desvantagens • Leva em consideração modificações sazonais. • Fornece completa e detalhada descrição qualitativa e quantitativa da ingestão alimentar. • Minimiza as variações que ocorrem no dia a dia. • Fornece uma boa descrição da ingestão usual. • Requer um nutricionista altamente treinado. • Depende da memória. • Exige tempo. • Tempo de administração longo. • Alto custo. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL E DIETÉTICA Profa. Dra. Nara Vanessa dos Anjos Barros Email: naranessa@ufpi.edu.br Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56 Slide 57 Slide 58 Slide 59 Slide 60 Slide 61 Slide 62 Slide 63 Slide 64 Slide 65 Slide 66 Slide 67 Slide 68 Slide 69 Slide 70 Slide 71 Slide 72 Slide 73 Slide 74 Slide 75 Slide 76 Slide 77 Slide 78 Slide 79 Slide 80 Slide 81 Slide 82 Slide 83 Slide 84 Slide 85 Slide 86 Slide 87 Slide 88 Slide 89 Slide 90 Slide 91 Slide 92 Slide 93 Slide 94 Slide 95 Slide 96 Slide 97 Slide 98 Slide 99 Slide 100 Slide 101 Slide 102 Slide 103