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RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM NUTRIÇÃO CLÍNICA Aline Cristina Ramos Amorim Mileny Matos da Silva Brasília Outubro 2023 RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM NUTRIÇÃO CLÍNICA Aline Cristina Ramos Amorim Rgm: 23207825 Mileny Matos da Silva Rgm: 19413815 Trabalho apresentado à disciplina de Estágio Supervisionado em Nutrição Clínica/Curso de Nutrição do Centro Universitário do Distrito Federal/UDF, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Bacharel em Nutrição. Prof. Drª Patrícia Costa Bezerra Nutrição Clínica, Mestre em Psicologia, Dr. em Ciências Médicas; Preceptora: Especialista Ana Josefina Diniz Silva Amado Brasília Outubro 2023 3 ÍNDICE GLOSSÁRIO .................................................................................................. 5 ABREVIATURA E SIGLAS.......................................................................... 5 1) ESTUDO TEÓRICO DA(S) DOENÇA(S) .............................................. 9 Hipertensão Arterial Sistêmica ................................................................. 9 Diabetes Mellitus Tipo ............................................................................... 9 Síndrome Nefrótica ...................................................................................10 Miocardiopatia Isquêmica ........................................................................10 Osteomielite Crônica ............................................................................... 11 Síndrome Plurimetabólica ....................................................................... 11 2) IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE ....................................................... 12 3) HISTÓRIA SOCIAL E AMBIENTAL ...................................................12 4) MOTIVO DA INTERNAÇÃO E QUEIXAS DO PACIENTE .............12 5) HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA (HPP) ................................12 6) HISTÓRICO FAMILIAR (HF) ...............................................................13 7) EVOLUÇÃO DA DOENÇA ATUAL ......................................................13 8) AVALIAÇÃO NUTRICIONAL ..............................................................14 8.1) Avaliação do Consumo Alimentar (Inclusive de Líquidos) ....14 a) Antes das Manifestações dos Sintomas ........................................14 b) Durante a Internação ....................................................................14 c) Calcular o VET do Recordatório de 24 Horas ............................15 d) Analisar Criticamente as Informações Obtidas ..........................15 e) Relacionar Hábitos Alimentares com Doença ou Queixa Atual. 15 8.2) Exame Físico Justificar a Pontuação ........................................16 8.3) Antropometria ............................................................................17 a) Análise antropométrica realizada na data: 18/08/23 ....................... ....17 8.4) Exames Bioquímicos .............................................................................17 8.5) Interação Drogas/Nutrientes ................................................................18 9) CÁLCULO DAS NECESSIDADES ENERGÉTICAS ......................................21 10) DIAGNÓSTICO NUTRICIONAL COMPLETO ............................................22 11) CONDUTA DIETOTERÁPICA .......................................................................22 11.1) Objetos da Dietoterapia (Justificada, com Objetivos e Metas ....... 22 4 11.2) Prescrição Dietética ............................................................................23 11.3) Orientações Nutricionais ...................................................................23 12) DESCRIÇÃO DO ACOMPANHAMENTO E EVOLUÇÃO NUTRICIONAL .......................................................................................................24 12.1) Evolução Dietética ..............................................................................24 12.2) Evolução Exame Físico ......................................................................24 12.3) Antropometria (Acompanhamento) .................................................25 12.4) Bioquímica Laboratorial (Acompanhamento) ......................26 13) CONDUTA DIETOTERÁPICA AO FINAL DA ÚLTIMA AVALIAÇÃO E ANÁLISE GERAL DO CASO .......................................27 13.1) Objetivos da Dietoterapia (Justificada, com Objetivos e Metas) .............................................................................................................27 13.2) Prescrição Dietética .................................................................27 14) CONCLUSÃO .........................................................................................29 15) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................30 16) ANEXOS .................................................................................................31 5 GLOSSÁRIO Edema - Inchaço causado pelo acúmulo de líquidos entre os diversos tecidos e cavidades que compõem o corpo humano Dispneia - Falta de ar, a dispneia é a sensação de que não se está a recebendo ar suficiente nos pulmões. Hipoalbuminemia - Afecção cujo nível de albumina sérica está abaixo da faixa normal. Proteinuria - Presença de proteína na urina, geralmente, a albumina. Patógenos - Organismos que são capazes de causar doença em um hospedeiro Síndrome Plurimetabólica - conjunto de fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes mellitus tipo 2 ABREVIATURAS E SIGLAS AVE – Acidente Vascular Encefálico DM – Diabetis Melittus DRC – Doença Renal Crônica HAS – Hipertensão Arterial Sistemica HF – História Familiar HPP – História Patológia Pregressa HBDF – Hospital de Base do Distrito Federal IH – Injestão Hídrica IMC – Índice de Massa Corpórea K – Potássio PCR – Proteína C Reativa QFA – Questionário de Frequência Alimentar R 24h – Recordatório 24 Horas SUS – Sistema Único de Saúde TC – Tumografia Computadorizada UPA – Unidade de pronto atendimento UDF – Centro Universitário do Distrito Federal 6 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO E INFORMAÇÕES GERAIS Parte I – Hospital de Base do Distrito Federal IDENTIFICAÇÃO DO LOCALDE ESTÁGIO: Instituição: Hospital de Base do Distrito Federal Endereço: SMHS - Área Especial, Q. 101 - Asa Sul, Brasília – DF IDENTIFICAÇÃO DO ESTAGIÁRIO: Nome: Aline Cristina R. Amorim RGM: 23207825 RG: 2362354-DF Endereço: Quadra 3 conjunto 3L casa 21 Jardim Roriz - Planaltina DF Nome: Mileny Matos da Silva RGM:19413815 RG: 3602258-DF Endereço: Rua Mato Grosso Quadra 103 Casa 15 Setor Sul - Planaltina DF SUPERVISOR DE ESTÁGIO: Nome e titulação: Drª; Patrícia Costa Bezerra PRECEPTORA DO ESTÁGIO: Nome e titulação: Especialista Ana Josefina Diniz Silva Amado DESCRIÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO: O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) é um hospital público de Brasília, no Distrito Federal, e faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS). É um dos hospitais mais antigos do Distrito Federal, ficando localizado no Setor Médico 7 Hospitalar Sul, Área Especial 101 - Asa Sul. O Hospital de Base dispõe de ambulatório com atendimento de segunda a sexta, das 7h às 19h, para consultas e procedimentos ambulatoriais agendados. Atualmente, há 109 consultórios e 42 salas de procedimentos, com uma média de 24,5 mil consultas por mês e de 2,6 mil exames por mês. O HBDF é um hospital de alta complexidade que atende mais de 16 especialidades, incluindo nefrologia e transplante de rins.contando com o total de 12 leitos na nefrologia e mais 16 no transplante. Como um hospital de referência, possui uma ampla gama de serviços e especialidades para atender às necessidades da população. (APENDICE A) PERÍODO DE ESTÁGIO: 07 de Agosto de 2023 à 06 de Setembro de 2023. CARGA HORÁRIA TOTAL: 132 horas. (APENDICE A) Orientação Nutricional Para Auxiliar na Cicatrização de Feridas 8 CENTRO UNIVERSITÁRIO DO DISTRITO FEDERAL Aline Cristina Ramos Amorim Mileny Matos da Silva HOSPITAL DE BASE DO DISTRITO FEDERAL PACIENTE RENAL CRÔNICO Brasília Outubro 2023 9 1) ESTUDO TEÓRICO DA(S) DOENÇA(S): Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) A hipertensão arterial sistêmica, também conhecida como pressão alta, é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. É caracterizada pelo aumento persistente da pressão arterial, isso quando a pressão se mantém freqüentemente acima de 140 por 90 mmHg o que pode levar a complicações graves, como doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e insuficiência renal e citando o autor (Kearney et al., 2005) A hipertensão arterial sistêmica é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, representando um importante problema de saúde pública. A nutrição pode contribuir bastante com essa doença, pois a dieta alimentar está inteiramente envolvida, o paciente deve reduzir o consumo de sal nas refeições. "Além do tratamento farmacológico, mudanças no estilo de vida, como a prática regular de exercícios físicos e uma alimentação saudável, desempenham um papel fundamental no controle da hipertensão arterial sistêmica. (Williams et al., 2018) Está bem claro que a importância da hipertensão arterial sistêmica para compreender os fatores de risco, as estratégias de prevenção e o manejo adequado da doença. Através de uma abordagem multidisciplinar, é possível promover a conscientização e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos afetados por essa condição. Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM) A diabetes mellitus, é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. É caracterizada pela elevação dos níveis de glicose no sangue, o estado de normalidade da glicemia em jejum é de 70 mg/dl a 100 mg/ld. Uma pessoa é classificada como pré-diabética ao medir a sua glicemia em jejum e atingir entre 100 e 125 mg/dl. Já aqueles que atingem a partir de 126 mg/dl são considerados diabéticos, devido à produção insuficiente ou à ação inadequada da insulina. A diabetes mellitus é uma doença metabólica complexa, que envolve interações entre fatores genéticos e ambientais. (American Diabetes Association, 2021). Segundo dados do (American Diabetes Association, 2021) a abordagem multidisciplinar no estudo da diabetes mellitus, envolvendo médicos, nutricionistas, educadores físicos e outros profissionais de saúde, é fundamental para um manejo eficaz da doença, sendo possível desenvolver abordagens mais eficazes para o manejo da diabetes e melhorar a qualidade de vida dos pacientes afetados por essa condição. 10 Síndrome Nefrótica A síndrome nefrótica é uma condição clínica caracterizada pela presença de proteinúria significativa, hipoalbuminemia, edema e dislipidemia. É uma doença renal crônica que afeta tanto crianças quanto adultos e pode ter diversas causas subjacentes. A identificação da causa subjacente da síndrome nefrótica é fundamental para o manejo adequado da doença, pois diferentes etiologias podem requerer abordagens terapêuticas específicas. (Cattran et al., 2016) O tratamento da síndrome nefrótica envolve o controle da proteinúria, a redução do edema e a prevenção de complicações, como trombose venosa e infecções (Kidney Disease: Improving Global Outcomes, 2012). É importante ressaltar que cada caso de síndrome nefrótica é único, e as recomendações dietéticas podem variar de acordo com a causa subjacente da doença e as necessidades individuais do paciente. Portanto, é fundamental contar com o acompanhamento de um nutricionista ou profissional de saúde especializado para elaborar um plano alimentar personalizado e adequado às necessidades específicas de cada paciente com síndrome nefrótica. Miocardiopatia Isquêmica A cardiomiopatia isquêmica é uma doença que afeta o músculo cardíaco (miocárdio) devido à diminuição do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias, que são responsáveis por levar oxigênio e nutrientes ao coração. A principal causa da cardiomiopatia isquêmica é a aterosclerose. Essa doença pode provocar sintomas como dor no peito, falta de ar, palpitações, tonturas e cansaço, especialmente ao fazer esforços físicos. (Visão geral das miocardiopatias - Doenças cardiovasculares - Manuais MSD) A cardiomiopatia isquêmica também aumenta o risco de infarto do miocárdio, e de arritmias cardíacas. Segundo (Cardiopatia isquêmica estável - Sintomas, diagnóstico e tratamento | BMJ Best Practice) o diagnóstico da cardiomiopatia isquêmica é feito com base na história clínica do paciente, no exame físico e em exames complementares, como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, cintilografia miocárdica, angiografia coronária e ressonância magnética cardíaca. O tratamento da cardiomiopatia isquêmica visa melhorar os sintomas, prevenir as complicações e aumentar a sobrevida dos pacientes. O tratamento envolve mudanças no estilo de vida, como parar de fumar, controlar o peso, praticar atividade física regular, reduzir o consumo de sal e gordura e controlar o estresse. Em alguns casos, pode ser necessária a realização de procedimentos para desobstruir as artérias coronárias e restaurar o fluxo sanguíneo ao miocárdio, como angioplastia coronária ou cirurgia de revascularização do miocárdio. 11 Osteomielite Crônica A osteomielite crônica é uma doença grave que afeta o osso e o tecido circundante, caracterizado por inflamação crônica, dor intensa e incapacidade funcional. A osteomielite crônica é uma infecção persistente que pode resultar de uma infecção aguda não tratada ou da disseminação hematogênica de patógenos para o osso. (Lew e Wanldvogel, 2004) Sabemos que uma dieta que estimule o sistema imunológico pode ajudar no tratamento pois o estudo teórico tem se concentrado em estratégias para aumentar a resposta imunológica contra a osteomielite crônica, por meio do desenvolvimento de vacinas específicas contra os patógenos envolvidos. (Bispo e Hofman, 2016) Síndrome Plurimetabólica A síndrome plurimetabólica, também conhecida como síndrome metabólica ou síndrome X, é um conjunto de fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes mellitus tipo 2, ela é causa por múltipos fatores, envolvendo fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Estima-se que afete cerca de 25% da população mundial adulta (Santos et al., 2018). A fisiopatologia da síndrome plurimetabólica está relacionada com a resistência à insulina, que leva a alterações no metabolismo da glicose, dos lipídios e da pressão arterial, e seu diagnóstico é baseado na presença de pelo menos três dos seguintes critérios: obesidade abdominal, hipertrigliceridemia, baixo nível de HDL-colesterol, hipertensão arterial e hiperglicemia de jejum (Silva et al., 2019). O tratamento dessa síndrome visa reduzir o risco cardiovascular e prevenir ou retardar o aparecimento do diabetes mellitus tipo 2. As principais medidas terapêuticas são a modificação do estilo de vida, que inclui a prática de atividade física regular, a cessação do tabagismo e a terapia dietética. A terapia dietética consiste em uma alimentação equilibrada, adequada às necessidades energéticas e nutricionais do indivíduo, que favoreça a perda ou manutenção do peso corporal, o controle da glicemia, dos lipídios e da pressão arterial.A síndrome plurimetabólica tem repercussões no estado nutricional, podendo causar deficiências ou excessos de nutrientes, bem como alterações na composição corporal e na função imunológica (Souza et al., 2020). 12 2) IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE: Nome (iniciais): J.T. L Sexo: Masculino Idade: 59 anos 07/01/64 Estado civil: Casado Grau de instrução: 2º grau completo Profissão: Aposentado Naturalidade: Luzilândia - PI Procedência: UPA – Núcleo Bandeirante Residência: Valparaíso Dia da internação: 08/08/23 Leito: Leito 3 Sala 907 Clínica: Nefrologia 3)HISTÓRIA SOCIAL E AMBIENTAL: O paciente J.T.L mora atualmente em Valparaíso – GO com sua esposa e seu filho, onde possui água encanada, esgoto, luz elétrica e disponibilidade de eletrodomesticos como geladeira, fogão e microondas. O paciente é sedentário pois ainda está em processo de adaptação de prótese transtibial esquerda, e nega etilismo, tabagismo e uso de drogas ilícitas. Renda familiar de R$5.000,00 que é composto pelo benefício de aposentadoria que o paciente recebe. 4) MOTIVO DA INTERNAÇÃO E QUEIXAS DO PACIENTE: Paciente de 59 anos, portador de doença renal crônica (DRC) dialítico, em acompanhamento ambulatorial devido nefropatia diabética e doença de lesão mínima. Paciente refere que iniciou quadro de dispneia e edema de membros inferiores associado à oligúria há uma semana. Procurou a UPA do Núcleo Bandeirantes devido piora dessas queixas associado a pico hipertensivo (PA 180 x 110 mmHg). Foi admitido no dia 8 com lesão renal aguda, sendo encaminhado à nefrologia do IHBDF devido piora clínica e laboratorial além de descompensação da síndrome nefrótica. 5) HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA (HPP): Primeira internação 21/06/2020: Paciente com quadro de abscesso cervical em região occipital há cerca de uma semana fez uso em casa de ciprofloxacino e clindamicina, sem melhora significativa dos sintomas, já houve pequena drenagem espontânea há quatro dias. Segunda Internação 26/05/2022: Paciente DM2 insulinodependente, com quadro de úlcera infectada, procurou o HRNB realizando Ceftriaxona via esquema hospitalar por 7 dias e uso oral de Azitromicina e Clindamicina. Alega, ainda, redução do débito urinário e tosse seca. 13 Veio a consulta ambulatorial com lesões isquêmicas infectadas. Exames coletados pela urgência: tomografia computadorizada (TC) de tórax sem alteração e exames laboratoriais com leucocitose importante, aumento de proteína C reativa (PCR) e disfunção renal em regressão. Terceira internação 17/10/2002: Amputação transtibial de membro inferior esquerdo. Realizada osteotomia de tíbia e fíbula com serra de Gigli e protetor de partes moles, deixando a fíbula com cerca de dois cm a menos de comprimento. Quarta internação 05/06/2023: Cirurgia vascual, paciente com edema nas mãos, o mesmo esta em pós opeatório de amputação pela ortopedia. Quinta internação 08/08/2023: Paciente com Síndrome Nefrótica desde infância, última recidiva da doença de base em 2012, síndrome plurimetabólica, HAS, DM2 desde os 30 anos, nefropatia diabética/hipertensiva, pré diabético recorrente, amputação transtibial esquerda, tosse crônica, refluxo e miocardiopatia isquêmica. Ficou internado por 5 meses para tratamento de osteomielite. 6) HISTÓRICO FAMILIAR (HF): Paciente relatou que avó e avô maternos faleceram de acidente vascular encefálico (AVE). 7) EVOLUÇÃO DA DOENÇA ATUAL: O paciente deu entrada no hospital com queixa de tosse, hipertensão arterial, e edema no membro inferior esquerdo, veio transferido do Hospital do Núcleo Bandeirante, o início desses sintomas foi no mês de agosto desse ano. O paciente J.T.L. foi encaminhado para a ala de nefrologia por se tratar de um paciente que tem Síndrome Nefrótica Crônica, ele tinha indicações para o tratamento dialítico que é um processo no qual o sangue é filtrado para remover resíduos, toxinas e excesso de água do corpo. Existem dois tipos principais de diálise: hemodiálise e diálise peritoneal. Na hemodiálise que era a que o paciente fazia, o sangue é retirado do corpo e passa por um filtro chamado de dialisador, onde ocorre a remoção de substâncias indesejadas. O sangue limpo é então devolvido ao paciente. Esse procedimento é realizado em uma clínica ou hospital, geralmente três vezes por semana, com cada sessão durando cerca de 3 a 4 horas. 14 Ao longo da internação os sintomas de tosse, hipertensão e edema foram sanados, porém o paciente segue internado realizando diálise 8) AVALIAÇÃO NUTRICIONAL: 8. 1) Avaliação do Consumo Alimentar (Inclusive de Líquidos): a) Antes das Manifestações dos Sintomas: O paciente seguia uma rotina alimentar dividida em quatro refeições diárias, mantendo uma ingestão hídrica adequada. Ele relata que evita o consumo de alimentos com alto teor de sódio, produtos ultraprocessados e alimentos fritos, devido às suas condições de saúde. Em vez disso, consome regularmente alimentos in natura, como frutas, vegetais preparados conforme sua escolha. (ANEXO 1: Questionário de Frequência Alimentar QFA) Uma dieta normal do paciente era de cerca de 1227kcal ou seja 261,7g, sendo que desse total 218,4kcal (54,6g) eram de proteínas, 324kcal (36g) de lipídios e 684,6kcal (171,1g) de carboidratos. b) Durante a Internação: (ANEXO 2: Recordatório 24 Horas R24h) 08/08/2023 Dieta por via oral, branda, hipossódica, DM, /IRC (50g), 1.800Kcal. Hipossódica, DM e IRC por conta das morbidades do paciente. 09/08/2023 Dieta por via oral, branda laxante, hipossódica, DM, IRC (50g), 1800Kcal com adição da suplementação. Dieta laxativa por causa da diálise e pelo paciente ter intestino constipado e suplementação pelo fato das feridas na pele do paciente e aporte calórico. 13/08/2023 Dieta por via oral, branda laxativa, hipossódica, DM, 1.800Kcal, suplementação e adição da ingestão hídrica (IH) de 1.000ml. IH para evitar a progressão da doença, tais como inchaço e edema do pulmão. 14/08/2023 Dieta por via oral, branda laxativa, hipossódica, DM, hipocalêmica e sem leite e derivados, 1.800Kcal, com suplementação e IH de 1.000ml. Hipocalêmica, pois o paciente está com dificuldade de excretar potássio (K) e sem leite e derivados pois o paciente é intolerante a lactose. 15 17/08/2023 Dieta por via oral, branda laxativa, hipossódica, DM, hipocalêmica e sem leite e derivados e proteína pastosa, 1.800Kcal, com suplementação e IH de 1.000ml. A proteína pastosa foi indicação da fonoaudióloga pelo paciente está com refluxo. Mudança na Dieta Data Motivo Mudança de consistência? ( X ) SIM ( ) NÃO Início: no dia 17/08 Indicado pela fonoaldiologa – (refluxo) a ptn. passou da dieta branda para dieta pastosa. Uso de suplemento? ( X ) SIM ( ) NÃO Início: no dia 09/08 Baixa aceitação da dieta hospitalar e cicatrização de feridas por causa da DM. c) Calcular o VET do Recordatório de 24 Horas: Vet: 1227 Kcal Kcal/kg: 17,40 Kcal / Kg de peso Porcentagem de Macronutrientes: PTN LIP CHO 17,8 % 26,4 % 55,8 % Classificações (Ex: normocalórica, hipoglicídica, hiperlipídica) Hipocalórica Hipoclicídica Hipolipídica Hipocalêmica d) Analisar Criticamente as Informações Obtidas: Dieta monótona? A dieta pode ser considerada monótona, pois o paciente tem sérias aversões ao modo de preparo dos vegetais. Fracionamento insuficiente? Fracionamento regular devido a 4 refeições durante o dia. e) Relacionar Hábito Alimentar com Doença ou Queixa Atual: Por se tratar de um paciente que tem DRC desde criança e HAS e DM desde os 30 anos, sua alimentação é balanceada e não tem relação com a internação. E mesmo tendo aversões ao modo de preparado dos vegetais, em casa ele come bastante variedade. Observar: Hábito Alimentar, Qualidade e Frequência dos Alimentos Consumidos,16 Fracionamento das Refeições, Ingestão Hídrica, Quantidade de Sal e Óleo, Alergias/Aversões/Intolerâncias Alimentares: Hábito alimentar: Arroz, feijão, carnes e frutas variadas e alguns tipos de verduras. Qualidade dos alimentos consumidos: In natura, processados e poucos ultraprocessados. Frequência dos alimentos consumidos: Arroz e feijão diariamente; Frutas diariamente; Verduras de 2 a 3 x por semana. Fracionamento das refeições: 4 refeições por dia, sendo desjejum, almoço, lanche/merenda e jantar. Ingestão hídrica: Refere que consumia cerca de 3 litros de água por dia, antes da internação. Quantidade de sal e óleo: Moderada. Alergias/aversões/intolerâncias alimentares: Nega alergia. Aversão à vegetais inteiros ou cozidos em cubos, prefere purês. Refere intolerância à lactose. 8.2) Exame Físico Justificar a Pontuação: Data do exame e classificação 18/08/23 Paciente eupneico, lúcido e orientado, pele levemente ressecada, cabelo fino e ralo e unhas aparentemente fortes, respirando em ar ambiente sem o uso de drogas vasoativas, e com presença de edema de tornozelo direito. De acordo com o (ANEXO 3: NRS 2002), sua pontuação no NRS foi (2) sendo um (1) ponto do estado nutricional considerado leve devido a sua ingestão alimentar entre 50-75% da necessidade normal na semana anterior, adicionado a um (1) ponto, considerando leve a gravidade de sua doença com depleção de massa muscular e de massa de gordura; doença crônica com inflamação. 17 8.3) Antropometria: a) Análise antropométrica realizada na data: 18/08/23 (1ª avaliação) PARÂMETRO RESULTADO 18/08 Peso atual (af, est, ref) 70,5 kg (aferido) Peso seco 59 kg Peso usual 60 kg Peso ideal (se necessário) PI = Imc desejado (22 homem) x 1,71² PI= 22 x 2,92 PI = 64,3 kg PPP (se necessário) _ Estatura (af, est, ref) 1,71 m² (referida) IMC atual 22,91 kg/cm CB 30,5 cm CP 33,0 cm A mobilidade do paciente está implicada por ter a perna esquerda amputada e ainda não ter se adaptado à prótese e também pelo fato da ostiomielite ter voltado na perna direita. Paciente em progressão em relação ao peso, com edema no tornozelo, tendo assim mantido o seu índice de massa corpórea em 22,91kg/cm. Fontes: Burr e Phillips (1984); Blackburn e Bistrian (1977); Adaptado de Mussoi et al (2014); Sampaio et al (2021) 8.4) Exames Bioquímicos: PARÂMETRO VALORES DE REFERÊNCIA 1ª AVAL. 19/08/2023 INTERPRETAÇÃO Creatinina 0,6 ~ 1,1 mg/dL 4,05 mg/dL A elevação pode ser causada por uma variedade de fatores, tais como doenças renais ou uso de medicamentos. Ureia 10 ~ 50 mg/dL 84 mg/dL A elevação pode estar sendo causada por alterações renais, desidratação ou excesso do consumo de proteína. 18 Fonte: Calixto-Lima e Reis (2012); CUPPARI (2014) 8.5) Interação Droga/Nutriente: MEDICAMENTO INDICAÇÃO INTERAÇÃO FONTE Insulina humana regular Indicado para o tratamento de pacientes com DM. Fonte não encontrada. Heparina sódica Indicada para o tratamento e prevenção do tromboembolismo venoso e na angina de pré- infarto. Fonte não encontrada. Gabapentina Indicado para o tratamento da dor neuropática. Fonte não encontrada. P 2,5 ~ 5,6 mg/dL 3,91 mg/dL Estão de acordo com o valor de referência. Mg 1,7 ~ 2,5 mg/dL 2,44 mg/dL Estão de acordo com o valor de referência. Na 135 ~ 145 mg/dL 133,5 mg/dL Valores diminuídos podem ser causados pela perda excessiva de sódio, excesso de líquidos, uso excessivo de medicamentos ou distúrbios hormonais. PCR 0 ~ 0,5 mg/dL 0,94 mg/dL É um marcador inflamatório, o que significa que é um indicador de que o corpo está em estado inflamatório, seja por infecções ou inflamações crônicas. K 3,2 ~ 5,6 mEq/L 5,2 mEq/L Estão de acordo com o valor de referência 19 Isossorbida Destinado à terapia de ataque e de manutenção na insuficiência coronária. Fonte não encontrada. Alopurinol Indicado para o tratamento intercrítico de gota aguda recorrente. Fonte não encontrada. Sinvastatina É utilizada para reduzir os problemas causados por doenças cardiovasculares. Fonte não encontrada. Ácido acetilsalicílico Indicado para o alívio sintomático de dores. Fonte não encontrada. Omeprazol Antiulceroso Trata esofagite de refluxo, gastrite, úlcera gástrica e úlcera duodenal. Protetor gástrico. Redução absortiva de vitamina B12, ferro e cálcio. Martins e Riella (2013) Mahan, Escott- Stump e Raymond (2018) Carvedilol Tratamento da insuficiência cardíaca. Abaixa os níveis de Na e Ca. Droga nutriente-2003 Ácido fólico Suplementação. ASS aumentam a excreção de Ácido Fólico. Martins e Riella (2013) Mahan, Escott- Stump e Raymond 20 (2018) Alfaepoetina Indicada no tratamento da anemia associada à insuficiência renal crônica. Fonte não encontrada. Dipirona sódica Alivio da febre e dor. Deficiência de ferro. Martins e Riella (2013) Mahan, Escott- Stump e Raymond (2018) Lactulose Tratamento de constipação. Em uso concomitante de neomicina, a eliminação de certas bactérias do cólon pela neomicina pode interferir na degradação da Lactulose e impedir a acidificação adequada do cólon; Devem ser administrados com cautela os medicamentos que induzam hipopotassemia ou hipomagnesemia, como droperidol e levometadil, pois Martins e Riella (2013) Mahan, Escott- Stump e Raymond (2018) Nutriex Indústria de Nutracêuticos - Farmacêutica responsável: Rafaela Sarturi Sitiniki (CRF- PR 37364) 21 há aumento do risco de ocorrer um efeito cardiotóxico (prolongamento do intervalo QT); Não deve ser administrada juntamente com laxantes, pois podem reduzir o efeito acidificante da Lactulose. O uso de antiácidos pode inibir a ação da Lactulose. 9) CÁLCULO DA NECESSIDADE ENERGÉTICA: Será utilizada a fórmula de Harris Benedict que foi criada em 1919 e reformulada em 1984 para maior precisão. Utiliza o peso, altura, idade e sexo do paciente para o cálculo. Não leva em consideração a composição corporal do paciente, e por isso pode dar um resultado pouco fidedigno em casos extremos. Mede a taxa metabólica basal do paciente e deve ser posteriormente multiplicada pelo fator atividade para que tenhamos o gasto energético total. Lembrando que: foi adicionado o fator de atividade física de 1,2 (paciente sedentário) pois paciente se encontra acamado e se movimentando fazendo uso de cadeira de rodas. BEE = 66 + (13,8 x Peso) + (5,0 x Altura) – (6,8 x Idade) BEE = 66 + (13,8 x 72,5) + (5,0 x 171) – (6,8 x 59) BEE = 66 + 1000,5 + 855 – 401,2 BEE = 1921,5 – 401,2 BEE = 1520,3 BEE = 1520 kcal/dia 22 GET = 1520 x 1,2 GET = 1824 kcal/dia Fonte: Harris Benedict 10) DIAGNÓSTICO NUTRICIONAL COMPLETO: Paciente encontra-se com obesidade grau I, esse diagnóstico foi constatado pelo (IMC) o que é justificado pelo fato de o paciente não fazer nenhuma atividade física, e encontra-se com reservas energéticas ou massa magra comprometida e tem deficiência de micronutrientes, cálcio, magnésio, potássio, (vitamina A, E, B9 e D), tiamina, niacina, selênio, sódio, cálcio, fibras, ferro, zinco, piridoxina, riboflavina e cobre. Fonte: NRS 2002 11) CONDUTA DIETOTERÁPICA: 11.1) Objetivos da Dietoterapia (Justificada, com Objetivos e Metas): De acordo com Valadão et al. (2021), o objetivo da dietoterapia é fornecer aporte nutricional adequado e individualizado para promover a recuperação e melhorar o estado nutricional do paciente. A curto prazo, durante a internação, o objetivo da dietoterapia é garantir a estabilidade clínica do paciente, minimizar o risco decomplicações e promover o processo de cicatrização. A dieta fornecida por via oral, deve ser adaptada para atender às necessidades nutricionais do paciente, fornecendo calorias, proteínas, vitaminas e minerais adequados. A oferta de alimentos ou fórmulas nutricionais com consistência adequada e de fácil ingestão é essencial para garantir a tolerância alimentar e o aporte nutricional necessário. A médio prazo, durante o período de internação prolongado, o objetivo da dietoterapia é promover a perda de peso adequado, melhorar o estado nutricional e fortalecer o sistema imunológico do paciente. Acompanhar a evolução do estado nutricional por meio de avaliações clínicas e exames laboratoriais, ajustando o plano alimentar conforme necessário. A longo prazo, é necessário fornecer orientações nutricionais visando sempre o peso adequado, melhora da cicatrização, restauração das reservas nutricionais, e acompanhando a aceitação da dieta. A equipe multidisciplinar trabalhará em conjunto para monitorar o quadro do paciente, considerando suas necessidades clínicas. Fonte: Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no paciente com doença renal (2021) 23 11.2) Prescrição Dietética em 19/08 1ª Avaliação: A prescrição dietética a partir do dia em que foi feita a primeira avaliação do paciente se manteve, a dieta por via oral de consistência branda, DM 1800 kcal, hipossódica, laxante, sem leite e derivados e hipocalêmica fracionada em seis refeições ao dia e IH de 1500 ml ao dia. Administrada, com valor total de 1227 Kcal. NUTRIENTE VALORES DA PRESCRIÇÃO DIETÉTICA VALORES RECOMENDADOS DRI’s PORCENTAGEM ALCANÇADA DA PRESCRIÇÃO DIETÉTICA Carboidrato 171,1 g 130 g 100 % - 130 x – 171,1 x = 131,6 % Proteína 54,6 g 56 g 100 % - 56 x - 54,6 x = 97,5 % Fibras 4,2 g 30 g 100 % - 30 x – 4,2 x = 14 % Lipídio 36 g 20 a 35 g 100 % - 35 x - 36 x = 102,8 % Gorduras saturadas 7,4 g Não há referências _ Gorduras insaturadas 12,2 g Não há referências _ Colesterol 119,1 mg Não há referências _ 11.3) Orientações Nutricionais: Consumir cerca de 1,3 a 1,5 g de proteína por kg de peso durante o dia; Consumir peixe pelo menos duas vezes por semana; Use óleos vegetais, como azeite de oliva, óleo de canola ou óleo de girassol, para 24 cozinhar; Coma abacate como sobremesa ou lanche; Limitar o consumo de alimentos processados e evitar ultraprocessados no geral, como alimentos ricos em sódio e açúcares, sendo estes: sal, embutidos como salsicha, presunto ou mortadela dentre outros; Limitar consumo de potássio: Alimentos como bananas, batatas, tomates, espinafre, carne de boi dentre outros; Limitar consumo de fósforo: Alimentos como feijões, lentilhas, grãos, dentre outros. Dividir as refeições em porções menores e comer com frequência; Ler os rótulos dos alimentos para verificar os níveis de proteínas, sódio, potássio e fósforo no momento da escolha; Adequar o sono, dormindo no minímo 8 horas cada noite. Fontes: Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no paciente com doença renal (2021); Perez (2022) 12) DESCRIÇÃO DO ACOMPANHAMENTO E EVOLUÇÃO NUTRICIONAL: 12.1) – Evolução Dietética 18/09 1ª Avaliação: Paciente relatou que não consumia alimentos ultraprocessados há algum tempo, devido ao seu estado de saúde. No primeiro dia de avaliação, relatou que não estava se alimentando direito pela falta de tempero nas refeições ofertadas pelo hospital e também devido ao refluxo que o mesmo sentia. E IH de 1,500 L de água por dia, além disso, foi introduzido suplemento nutricional para melhora da cicatrização e para garantir a oferta adequada de nutrientes. Esses recursos nutricionais foram essenciais para garantir uma ingestão adequada de nutrientes, auxiliando na recuperação do estado nutricional. Após o dia de avaliação com a mudança da proteína para pastosa, houve uma melhora significativa da ingestão dessas refeições. 12.2) – Evolução Exame Físico: Paciente estava com precaução de contato, portanto não avaliamos a força pelo aperto de mão. Mas observamos que o paciente se encontra eupneico, corado, lúcido e orientado, pele levemente ressecada, unhas aparentemente fortes e preservadas respirando em ar ambiente sem o uso de drogas vasoativas, e agora sem a presença de edemas. 25 De acordo com a NRS 2002, sua pontuação continuou a mesma sendo (2), sendo um (1) ponto do estado nutricional considerado leve devido a sua ingestão alimentar entre 50-75% da necessidade normal na semana anterior, adicionado a um (1) ponto, considerando leve a gravidade de sua doença com depleção de massa muscular e de massa de gordura; doença crônica com inflamação. 12.3) - Antropometria (Acompanhamento) a)Análise da Antropométrica da Reavaliação Realizada na Data: 05/09 Reavaliação feita apenas com os dados que o paciente relatou, pois o mesmo estava com precaução de contato, dessa forma não foi possível fazer CB e CP. Paciente com progressão em relação ao peso, tendo ganho por volta de 2kg de peso corporal porém não tinha feito hemodiálise na semana, sem edema, tendo assim aumentando seu índice de massa corpórea para 24,83 kg/cm. A mobilidade do paciente está duvidosa por ter a perna esquerda amputada e ainda não ter se adaptado à prótese e também pelo fato da ostiomielite ter voltado na perna direita. Quanto ao valor do IMC, foi decidido manter o da primeira avaliação, pois ao paciente não apresentou mudanças visuais significativas para nova conduta. PARÂMETRO RESULTADO 05/09 Peso atual (af, est, ref) 62 kg (aferido) Peso seco 59 kg Peso usual 60 kg Peso ideal (se necessário) PI = Imc desejado (22 homem) x 1,71² PI= 22 x 2,92 PI = 64,3 PPP (se necessário) - Estatura (af, est, ref) AJ? 1,71 m (referida) IMC atual 24,1 m²/kg CB - CP - Fontes: Burr e Phillips (1984); Blackburn e Bistrian (1977); Adaptado de Mussoi et al (2014); Sampaio et al (2021) 26 12.4) Bioquímica Laboratorial (Acompanhamento): PARÂMETRO VALORES DE REFERÊNCIA 1ª AVAL. 18/08 2ª AVAL. 25/08 3ª AVAL. 05/09 INTERPRETAÇÃO Creatinina 0,6 ~ 1,1 mg/dL 4,05 mg/dL 3,78 mg/dL 4,47 mg/dL A elevação constatada nas avaliações podem ser causadas por uma variedade de fatores, tais como doenças renais ou uso de medicamentos. Ureia 10 ~ 50 mg/dL 84 mg/dL 68 mg/dL 86 mg/dL A elevação pode estar sendo causada por alterações renais, desidratação ou excesso do consumo de proteína. P 2,5 ~ 5,6 mg/dL 3,91 mg/dL 4,60 mg/dL 4,98 mg/dL De acordo com a referência nas avaliações. Mg 1,7 ~ 2,5 mg/dL 2,44 mg/dL 2,29 mg/dL 2,38 mg/dL De acordo com a referência nas avaliações. Na 135 ~ 145 mg/dL 133,5 mg/dL 135,5 mg/dL 132,1 mg/dL Valores diminuídos podem ser causados pela perda excessiva de sódio, excesso de líquidos, uso excessivo de medicamentos ou distúrbios hormonais. PCR 0 ~ 0,5 mg/dL 0,94 mg/dL 1,91 mg/dL 1,71 mg/dL É um marcador inflamatório, o que 27 significa que é um indicador de que alguma localidade do corpo se encontra em estado inflamatório, seja por infecções ou inflamações crônicas. K 3,2 ~ 5,6 mEq/L 5,2 mEq/L 4,9 mEq/L 5,1 mEq/L De acordo com a referência nas avaliações. Fonte: Calixto-Lima e Reis (2012); CUPPARI (2014) 13) CONDUTA DIETOTERÁPICA AO FINAL DA ÚLTIMA AVALIAÇÃO E ANÁLISE GERAL DO CASO: 13.1) Objetivos da Dietoterapia (Justificada, com Objetivos e Metas): O objetivo da dietoterapia foi fornecer aporte nutricional adequado e promover a recuperação, melhorando o estado nutricional do paciente. As metas de curto prazo foram alcançadas, promovendo melhora na cicatrização, fornecimento de calorias, proteínas, vitaminas e minerais adequados. A oferta de alimentos nutricionais com consistênciaadequada e de fácil ingestão, garantindo a tolerância alimentar e o aporte nutricional necessário. Paciente recebe dieta hipocalórica, hipoglicídica, hipolipídica e hipocalêmica no intuito de recuperação nutricional, com suplementação alimentar visto que o mesmo passa por procedimento de hemodiálise 1x na semana. Com o intuito de trazer uma melhora significativa para o paciente A médio prazo, durante o período de internação prolongado, o objetivo foi de promover perda de peso, que infelizmente não aconteceu, mas o estado nutricional teve uma melhora significativa. A longo prazo, foi fornecido orientações nutricionais visando sempre o perda de peso adequado, houve melhora da cicatrização e aceitação da dieta. Fonte: Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no paciente com doença renal (2021) 13.2) Prescrição Dietética A prescrição dietética a partir do dia em que foi feita a primeira avaliação do paciente se manteve: 28 Dieta por via oral, de consistência branda laxativa, hipoglicídica DM, hipolipídica, hipossódica, hipocalêmica e sem leite e derivados e proteína pastosa, 1.800Kcal, com suplementação e IH de 1.000ml. A proteína pastosa foi indicação da fonoaudióloga pelo paciente estar com refluxo. Porém pela não aceitação do paciente a ingestão está em torno de 1227 kcal total e 16,9 kcal/kg de peso. NUTRIENTE VALORES DA PRESCRIÇÃO DIETÉTICA VALORES RECOMENDADOS DRIS PORCENTAGEM ALCANÇADA DA PRESCRIÇÃO DIETÉTICA Carboidrato 171,1 g 130 g 100 % - 130 x – 171,1 x = 131,6 % Proteína 54,6 g 56 g 100 % - 56 x - 54,6 x = 97,5 % Fibras 4,2 g 30 g 100 % - 30 x – 4,2 x = 14 % Lipídio 36 g 20 a 35 g 100 % - 35 x - 36 x = 102,8 % Gorduras saturadas 7,4 g Não há referências _ Gorduras insaturadas 12,2 g Não há referências _ Colesterol 119,1 mg Não há referências _ 29 14) CONCLUSÃO: O prognóstico clínico e nutricional do paciente é influenciado pelo estágio e pela evolução das doenças crônicas, bem como pela presença de comorbidades e de infecções. A HAS e o DM são fatores de risco para o desenvolvimento de doença cardiovascular, renal, neurológica e oftalmológica, que podem comprometer a funcionalidade e a independência do paciente. A osteomielite é uma infecção óssea grave que pode causar deformidades, fraturas, necrose e amputação. A miocardiopatia isquêmica é uma condição que afeta o músculo cardíaco devido à redução do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias, podendo provocar angina, arritmias, insuficiência cardíaca e infarto. Portanto, o atendimento de um paciente com essas condições requer uma avaliação individualizada e um planejamento terapêutico adequado às suas necessidades e preferências. O objetivo é alcançar um controle bom da pressão arterial, da glicemia, do colesterol, do peso e da inflamação, além de tratar as infecções e as lesões ósseas. O acompanhamento nutricional é fundamental para orientar o paciente sobre a ingestão adequada de calorias, proteínas, carboidratos, fibras, gorduras, sódio, potássio, cálcio e outros nutrientes essenciais para a saúde. O paciente também deve ser estimulado a praticar atividade física regularmente, respeitando suas limitações e contraindicações. O tratamento farmacológico deve ser ajustado conforme a resposta clínica e os efeitos adversos. O paciente deve ser orientado sobre os benefícios, os riscos e as interações dos medicamentos prescritos, bem como sobre a importância da adesão ao tratamento. O paciente deve ser encorajado a participar ativamente do seu cuidado, expressando suas dúvidas, dificuldades e expectativas. O profissional de saúde deve estabelecer uma relação de confiança e empatia com o paciente, oferecendo suporte emocional e educacional. O paciente deve ser monitorado periodicamente para avaliar a eficácia do tratamento e identificar possíveis complicações ou necessidades de mudanças na conduta terapêutica e nutricional. 30 15) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BENEDICT, F. G.; HARRIS, J. A. A biometric study of basal metabolism in man. Washington, DC: Carnegie Institution of Washington, 1919. BURR E PHILLIPS (1984); Blackburn e Bistrian (1977); Adaptado de Mussoi et al (2014); Sampaio et al (2021) CALIXTO-LIMA, L. H.; REIS, J. P. Interpretação de Exames Laboratoriais Aplicados á Nutrição Clínica. Rio de Janeiro: Rubio, 2012. CATTAN DC, Brenchley PE. Membranous nephropathy: integrating basic science into improved clinical management. Kidney Int. 2017 Mar;91(3):566-574. doi: 10.1016/j.kint.2016.09.048. Epub 2017 Jan 5. PMID: 28065518. CUPPARI, L.; Nutrição: Clínica no Adulto. 3 ed. São Paulo: Manole, 2014. Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no paciente com doença renal (2021) "Interpersonal emotion regulation: Implications for affiliation, perceived support, relationships, and well- being": Correction to Williams et al. (2018). J Pers Soc Psychol. 2018 Oct;115(4):656. doi: 10.1037/pspi0000161. PMID: 30221959. KEARNEY PM, Whelton M, Reynolds K, Muntner P, Whelton PK, He J. Global burden of hypertension: analysis of worldwide data. Lancet. 2005 Jan 15-21;365(9455):217-23. doi: 10.1016/S0140- 6736(05)17741-1. PMID: 15652604. LEW DP, Waldvogel FA. Osteomyelitis. Lancet. 2004 Jul 24-30;364(9431):369-79. doi: 10.1016/S0140- 6736(04)16727-5. PMID: 15276398. MAHAN, L. K.; ESCOTT-STUMP, S.; RAYMOND, J. L. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. MARON BJ, Ommen SR, Semsarian C, Spirito P, Olivotto I, Maron MS. Hypertrophic cardiomyopathy: present and future, with translation into contemporary cardiovascular medicine. J Am Coll Cardiol. 2014 Jul 8;64(1):83-99. doi: 10.1016/j.jacc.2014.05.003. Erratum in: J Am Coll Cardiol. 2014 Sep 16;64(11):1188. PMID: 24998133. MARTINS, C. B.; RIELLA, M. C. F. F. Nefrologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013 MENTE A, de Koning L, Shannon HS, Anand SS. A systematic review of the evidence supporting a causal link between dietary factors and coronary heart disease. Arch Intern Med. 2009 Apr 13;169(7):659-69. doi: 10.1001/archinternmed.2009.38. PMID: 19364995. NRS 2002 (Nutritional Risk Screening 2002) NUTRIEX Indústria de Nutracêuticos - Farmacêutica responsável: Rafaela Sarturi Sitiniki (CRF-PR 37364) 31 ANEXOS ANEXO 1 NRS (2002) 32 ANEXO 2 Recordatório Alimentar de 24 horas 33 ANEXO 3 Questionário de Frequência Alimentar 34 35 36 37 38 39 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO E INFORMAÇÕES GERAIS Parte I – Clínica Integrada IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO: Instituição: Centro Universitário do Distrito Federal - UDF Endereço: SGAS Quadra 913, Conjunto B, Asa Sul, Brasília - DF IDENTIFICAÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO: Instituição: Clínica Integrada - UDF Endereço: SGAS Quadra 913, Conjunto B, Subsolo, Asa Sul, Brasília - DF IDENTIFICAÇÃO DO ESTAGIÁRIO: Nome: Aline Cristina Ramos Amorim RGM: 23207825 RG: 2362354-DF Endereço: Quadra 3 conjunto 3L casa 21 Jardim Roriz - Planaltina DF Nome: Débora Regina Miranda de Sousa RGM: 23739665 RG: 2379593-DF Endereço: QR 403 Conjunto C casa 10 - Santa Maria Nome: Mileny Matos da Silva RGM: 19413815 RG: 3602258 Endereço: Rua Matos Grosso Quadra 103 Casa 15 Setor Sul – Planaltina DF 40 Nome: Sarah Sousa Medeiros RGM: 33635471 Endereço: Quadra 04 Mr 03 casa 23 setor sul – Planaltina GO Nome: Vida Rodrigues Costa Ribeiro Segreto RGM: 22088938 Endereço: Rua 4 A, travessa 4, blocos 3 e 4, módulos 25 a 31 – Vicente Pires SUPERVISOR DE ESTÁGIO: Nome e titulação: Drª; Patrícia Costa Bezerra PRECEPTOR DE ESTÁGIO: Nome e titulação: Especialista Fernanda Priscila Martins SantiagoDESCRIÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO: A clínica integrada do Centro Universitário do Distrito Federal – UDF é um espaço que oferece serviços de saúde gratuitos para a comunidade. A clínica conta com profissionais e estudantes de diversas áreas, como enfermagem, fisioterapia, nutrição, psicologia e odontologia. A clínica tem como objetivo promover a saúde integral dos pacientes, por meio de uma abordagem interdisciplinar e humanizada. Além de atender as demandas de saúde da população, a clínica também contribui para a formação acadêmica e profissional dos alunos do UDF, que podem colocar em prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula, sob a supervisão dos professores. A clínica integrada do UDF é um exemplo de como a universidade pode se engajar socialmente e oferecer benefícios para a sociedade. (APENDICE B) PERÍODO DE ESTÁGIO: 11/09/2023 a 06/10/2023 CARGAHORÁRIA TOTAL: 120 horas. 41 (APENDICE B) Ebook Café da Manhã Alunas: Aline Cristina R. Amorim Débora Regina M. de Sousa 42 43 (APENDICE C) Ebook Lanche da Tarde Alunas: Mileny Matos da Silva Sarah Sousa Medeiros Vida Rodrigues Costa Ribeiro Segreto 44 45 RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM NUTRIÇÃO CLÍNICA Brasília Outubro 2023 RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM NUTRIÇÃO CLÍNICA (1) Preceptora: Especialista Ana Josefina Diniz Silva Amado Brasília (1) Outubro 2023 (1) HOSPITAL DE BASE DO DISTRITO FEDERAL PACIENTE RENAL CRÔNICO